{"id":52341,"date":"2016-06-20T14:02:59","date_gmt":"2016-06-20T14:02:59","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=52341"},"modified":"2016-06-20T14:24:37","modified_gmt":"2016-06-20T14:24:37","slug":"bretanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/turismo\/bretanha","title":{"rendered":"Bretanha"},"content":{"rendered":"<p>Aldeias      de tra\u00e7o medieval harmoniosamente inscritas na paisagem, portos pesqueiros      com tabernas animadas por cantos marinheiros, festas de celebra\u00e7\u00e3o da cultura      celta, com dan\u00e7as e cantos na l\u00edngua bret\u00e3. Eis um dos retratos poss\u00edveis      da velha Bretanha, Fran\u00e7a, numa viagem \u00e0 p\u00e1tria do resistente Ast\u00e9rix e do      mago Merlin.<\/p>\n<h4>Bretanha, a terra prometids dos Celtas<\/h4>\n<p>\u00c9 s\u00e1bado em Rennes, a capital hist\u00f3rica da Bretanha. A manh\u00e3 nasceu soalheira      e toda a Place des Lices, a mais bela \u00e1gora do burgo, irradia uma luminosa      paleta de cores. Cedo, ao raiar da aurora, a pra\u00e7a encheu-se de bancas decoradas      por uma variedade imensa de produtos da regi\u00e3o. <\/p>\n<p>Ao mercado semanal da Rennes acorre uma irrequieta multid\u00e3o que ao fim da      manh\u00e3 esgota praticamente as irresist\u00edveis iguarias oferecidas pelos feirantes:      compotas e doces caseiros, p\u00e3o dos mais variados cereais, mel, sumos artesanais      de ma\u00e7\u00e3, cidra e cerveja au bl\u00e9 noir, queijos, foie gras, legumes e flores,      sem esquecer os c\u00e9lebres e deliciosos morangos de Plougastel.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bretan3.jpg\" alt=\"Bretanha\" width=\"360\" height=\"243\" title=\"Bretanha\" \/><br \/>\n<strong>Vista do Castelo de Josselin, Bretanha<\/strong><\/p>\n<p>Um murm\u00fario incessante cruza a pra\u00e7a e o mar de gente move-se sem pressa.      Um bando de mi\u00fados rodeia um realejo de cores vivas. As crian\u00e7as reclinam      os rostos para melhor se encantarem com o som das flautas invis\u00edveis. <\/p>\n<p>Do outro lado da pra\u00e7a, uma cena tocante pela sua singeleza ilumina-se como      um retrato de \u00edntima exatid\u00e3o desta cativante Bretanha: ao lado do vermelho      vivo de uma bra\u00e7ada de glad\u00edolos, uma mulher de idade, vestida de azul celeste      e de cabelos brancos presos por uma fita da mesma cor, canta. <\/p>\n<p>No bul\u00edcio da feira de Rennes, uma mulher canta, a voz incerta n\u00e3o esconde      ser a sombra de um esplendor que o passado gastou, e na toada lida num livrinho      preso entre as m\u00e3os tr\u00e9mulas ressoam hist\u00f3rias que se pressentem antigas e      de infaustos amores. Toda a manh\u00e3 ela canta como se estivesse s\u00f3 e o tempo,      d\u00f3cil, se tivesse suspendido.<\/p>\n<p>O canto \u00e9 insepar\u00e1vel da alma bret\u00e3. Tradi\u00e7\u00e3o que mergulha na origem c\u00e9ltica      da cultura popular dos bret\u00f5es, o canto a solo ou a capella tem hoje um n\u00famero      crescente de cultivadores, como o bardo e compositor Denez Prigent, excepcional      int\u00e9rprete do gwerz, um canto sentido e repleto de sil\u00eancios que valorizam      o dramatismo da voz. <\/p>\n<p>Um &#8220;canto sagrado e luminoso&#8221;, no dizer de Prigent, cuja intensidade      n\u00e3o deixa ningu\u00e9m impass\u00edvel, mesmo se n\u00e3o se entende uma palavra de bret\u00e3o.<\/p>\n<h4>Mem\u00f3ria da Resist\u00eancia Bret\u00e3<\/h4>\n<p>Uma      das mais celebradas qualidades do povo bret\u00e3o resume-se numa palavra: resist\u00eancia.      No seu auge, por volta do s\u00e9c. IX, o vasto Imp\u00e9rio Carol\u00edngio exclu\u00eda a Bretanha,      que resistiu at\u00e9 ao s\u00e9c. XVI \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o perante a coroa francesa.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bretan4.jpg\" alt=\"Bretanha\" width=\"365\" height=\"239\" title=\"Bretanha\" \/><br \/>\n     Povoa\u00e7\u00e3o de Rochefort-en-Terre, Bretanha, Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>A leste de Rennes, o viajante encontra uma mem\u00f3ria viva desses tempos de      rebeldia: as povoa\u00e7\u00f5es de Vitr\u00e9 e Foug\u00e9res, que com os seus castelos constitu\u00edam      guardas avan\u00e7adas da independ\u00eancia do ducado. <\/p>\n<p>Vitr\u00e9 \u00e9 uma das mais impressivas cidades da Bretanha no que toca ao figurino      medieval. \u00c9 certo que um pouco por toda a parte somos surpreendidos pela harmonia      constante das povoa\u00e7\u00f5es bret\u00e3s, com os seus telhados negros soerguendo-se      por entre o verde exuberante dos bosques, e que velhas casas de tabique, de      paredes t\u00e3o convexas como as das casinhas dos contos de fadas, surgem ami\u00fade      ao dobrar de cada esquina. <\/p>\n<p>Mas aqui em Vitr\u00e9, mais do que pela impon\u00eancia do castelo, somos cativados      pela simplicidade das ruelas estreitas e sinuosas onde cada casa parece ter      uma hist\u00f3ria para contar. S\u00e3o constru\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias \u00e9pocas, todas exibindo      pormenores ins\u00f3litos; uma delas, no n\u00ba 10 da Rue d&#8217;Embas, exibe um perfil      fant\u00e1stico, parecendo irromper de um cen\u00e1rio de Tim Burton.<\/p>\n<p>Em Foug\u00e9res, \u00e9 tamb\u00e9m \u00e0 volta do enorme castelo (admirado, diz-se, por Lawrence      da Ar\u00e1bia) que \u00e9 preciso cirandar, mergulhando num quarteir\u00e3o ribeirinho e      buc\u00f3lico. N\u00e3o se nos oferece aqui o mosaico arquitetural de Vitr\u00e9, mas algumas      casas, como a do n\u00ba 6 da Rue de Lusignan, uma loja medieval de fachada inteiramente      esculpida em madeira, valem o passeio. <\/p>\n<p>Na Rue de la Pinterie, diante do castelo, a Cr\u00eaperie des Remparts quebra      os tr\u00e2mites ortodoxos e, al\u00e9m dos proverbiais e saborosos crepes, lista umas      irrecus\u00e1veis sardinhas assadas. Sim, porque apesar da interioridade de Foug\u00e9res,      o mar n\u00e3o fica longe.<\/p>\n<h4>Saint-Malo, Rep\u00fablica do Mar<\/h4>\n<p>Imprimir      a lenda n\u00e3o significa para os pergaminhos de Saint-Malo nenhuma mais-valia      artificial: a vida real do burgo dispensa fic\u00e7\u00f5es fantasistas, a sua Hist\u00f3ria      \u00e9 atravessada pela exata not\u00edcia de feitos audaciosos, pela s\u00f3lida mat\u00e9ria      dos sonhos tornados realidade e t\u00e3o firmes quanto as largas muralhas de granito      da cidadela.<\/p>\n<p>Mas      que melhor haver\u00e1 do que os fatos para reduzir toda a ret\u00f3rica \u00e0 sua insignific\u00e2ncia?      Saint-Malo defendeu desde cedo a sua autonomia perante normandos, franceses      &#8211; e bret\u00f5es! Recusando vassalagem a quem quer fosse (ao tempo de Henrique      IV chegaram a proclamar a Rep\u00fablica de Saint-Malo!), a gente do burgo &#8211; cors\u00e1rios,      mercadores ou simples marinheiros &#8211; virou-se para o mar e riscou o seu pr\u00f3prio      destino.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bretan5.jpg\" alt=\"Bretanha\" width=\"358\" height=\"241\" title=\"Bretanha\" \/><br \/>\n     O porto de Le Croisic, Bretanha<\/strong><\/p>\n<p>Ao percorrermos o circuito das muralhas, com a luz dourada do entardecer      pousando sobre o granito das casas, ocorre-nos a grande trag\u00e9dia que em 1944      fendeu o cora\u00e7\u00e3o da cidade. Acreditando que no seu interior se acolhiam altos      comandos nazis, os aliados bombardearam intensamente a cidade e destru\u00edram-na      em mais de 80%. <\/p>\n<p>Numa das salas do Museu de Hist\u00f3ria reconstituem-se os passos da meticulosa      reconstru\u00e7\u00e3o que se seguiu.<\/p>\n<p>Haver\u00e1      neste mundo terra de marinheiros em que n\u00e3o se beba cerveja? Assim \u00e9 na velha      Bretanha, de Brest a Concarneau, de Lorient ao porto de Saint-Nazaire, de      Roscoff a Saint-Malo. \u0093Cervejas de todo o mundo, uni-vos!\u0094, ter\u00e1      sentenciado o fundador do bar \u00abL&#8217;Aviso\u00bb, na Rue du Point-du-Jour &#8211; top\u00f3nimo      que \u00e9 quase uma premoni\u00e7\u00e3o quando se sabe que o simp\u00e1tico botequim re\u00fane suficiente      mat\u00e9ria para completa perdi\u00e7\u00e3o: trezentas marcas de cerveja! Nestas andan\u00e7as,      a err\u00e2ncia faz-se sem b\u00fassola, mas em Saint-Malo conv\u00e9m fixar ao menos dois      pontos de refer\u00eancia: o bar-restaurante \u00abLes Voyageurs\u00bb, onde uma imensa tela      retrata um navio cors\u00e1rio em plena a\u00e7\u00e3o, e o bar \u00abL&#8217;Univers\u00bb, na Place Chateaubriand,      cuja decora\u00e7\u00e3o evoca tamb\u00e9m temas mar\u00edtimos.<\/p>\n<h4>Ast\u00e9rix e a Costa do Granito Rosa<\/h4>\n<p>Do alto dos setenta metros do Cabo Fr\u00e9hel, um promont\u00f3rio talhado no dorso      de uma fal\u00e9sia a pique, pode descobrir-se, sob certa luz, um mar esmeraldino.      As fal\u00e9sias de um rosa eivado de fios vermelhos acesos pela luz poente apela      uma velha lenda local: outrora, um santo irland\u00eas deixou cair aqui uma gota      de sangue. <\/p>\n<p>A cor rosada, ainda t\u00edmida e p\u00e1lida, \u00e9 j\u00e1 um pren\u00fancio da fant\u00e1stica Costa      do Granito Rosa, mais adiante. Em Ploumanac&#8217;h, aldeola de pescadores e pequena      esta\u00e7\u00e3o balnear, a penedia cor-de-rosa desenha as mais extravagantes formas,      que os visitantes v\u00e3o lendo segundo a prodigalidade da sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bretan6.jpg\" alt=\"Bretanha\" width=\"362\" height=\"238\" title=\"Bretanha\" \/><br \/>\n     Locronan, cen\u00e1rio escolhido por Polanski para o filme \u00abTess\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>Deixando para tr\u00e1s Lannion, chegamos a uma pequena aldeia, meia d\u00fazia de      casas austeras, lugarejo encavalitado numa colina abrupta a espreitar o estu\u00e1rio      rodeado de bosques e, mais ao largo, a ba\u00eda, que se alcan\u00e7a por sinuosa vereda.<\/p>\n<p> Ser\u00e1 preciso folhear algumas p\u00e1ginas arqueol\u00f3gicas para desenterrar o \u00e9lan      deste discreto lugar &#8211; a velha povoa\u00e7\u00e3o gaulesa que antecedeu a atual, Le      Yaudet, ter\u00e1 coincidido em quase tudo com a m\u00edtica aldeia de Ast\u00e9rix: a localiza\u00e7\u00e3o,      a \u00e9poca e, last but not least, a moeda cunhada com a venerada imagem do javali.<\/p>\n<p>Mas a Le Yaudet, antiga etapa das velhas peregrina\u00e7\u00f5es do \u00abTro Breiz\u00bb, vai-se      tamb\u00e9m por outras e mais vis\u00edveis raz\u00f5es. A capela edificada sobre as ru\u00ednas      de um velho templo romano guarda uma surpresa: atr\u00e1s do altar, uma singular      e rar\u00edssima representa\u00e7\u00e3o da Virgem deitada. <\/p>\n<p>A Virgem e o Menino repousam sobre um leito coberto por uma colcha rendada      e, aos p\u00e9s da cama, S. Jos\u00e9 vela sentado. Suspensa do teto por um feixe de      cordame, a maquete de um veleiro acentua ainda mais a estranheza da cena.<\/p>\n<h4>Os caminhdos do Tro Breiz<\/h4>\n<p>A      express\u00e3o, em l\u00edngua bret\u00e3, significa \u0093\u00e0 volta da Bretanha\u0094. O Tro      Breiz afirmou-se desde tempos medievos como uma grande peregrina\u00e7\u00e3o que seguia      os passos e as catedrais consagradas aos sete santos fundadores da Bretanha.<\/p>\n<p>Deixando Le Yaudet e seguindo a rota da peregrina\u00e7\u00e3o para St. Pol-de-L\u00e9on,      logo se alcan\u00e7a a imensa ba\u00eda de Saint-Michel-en-Gr\u00e9ve. Para a contornar,      aos andarilhos n\u00e3o restava sen\u00e3o um estreito trilho entre a orla e a montanha,      caminho infestado de salteadores. <\/p>\n<p>Uma cruz enterrada a meio da ba\u00eda passou a balizar a travessia, realizada      pela calada da noite e durante a vazante. A cruz l\u00e1 continua e o viajante      contempor\u00e2neo pode aventurar-se na jornada, informando-se previamente sobre      o hor\u00e1rio das mar\u00e9s, que na Bretanha costumam ser de respeito.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bretan7.jpg\" alt=\"Bretanha\" width=\"358\" height=\"236\" title=\"Bretanha\" \/><br \/>\n     Um dos muitos castelos da Bretanha abertos a visitantes<\/strong><\/p>\n<p>Todas as religi\u00f5es s\u00e3o un\u00e2nimes: quando chegar a hora de abandonar o mundo      dos viventes, os humanos ser\u00e3o chamados a prestar contas dos seus atos. Na      Bretanha, a f\u00e9 crist\u00e3 ergueu em cada canto signos de alerta, sinais da precaridade      dos passos terrenos perante as infinitas veredas do al\u00e9m. <\/p>\n<p>S\u00f3 singelos crucifixos nas dobras dos caminhos, foram inventariados mais      de dez mil, muitos j\u00e1 desaparecidos. Mas esta Bretanha m\u00edstica rev\u00ea-se essencialmente      nos calv\u00e1rios, a tradu\u00e7\u00e3o escult\u00f3rica de um sentimento religioso muito forte.<\/p>\n<p>Os mais interessantes (envolvidos por arcos monumentais e belas igrejas)      encontram-se em Finisterra, numa \u00e1rea a sul de Morlaix. H\u00e1 que assinalar,      todavia, que o mais antigo (s\u00e9c. XV), o de Notre-Dame-de-Trono\u00ebn, jaz entre      as dunas e o mar, nas cercanias do cabo de Penmarc&#8217;h, parcialmente limado      pela eros\u00e3o dos ventos, o que lhe acentua o ar fantasm\u00e1tico. <\/p>\n<p>O calv\u00e1rio de Gu\u00e9henno, perto de Josselin, n\u00e3o \u00e9 menos admir\u00e1vel &#8211; com a      peculiar representa\u00e7\u00e3o do galo de S. Pedro, uma forma, afinal, de lembrar      o ap\u00f3stolo de mem\u00f3ria imperfeita&#8230;<\/p>\n<p>Alguns      destes monumentos em granito (com quase duzentas figuras!) figurando cenas      da vida de Cristo foram erguidos para esconjurar a peste de 1598. Em todos      eles se repete incansavelmente o tema da Morte, personificada na figura de      Ankou (palavra bret\u00e3 para morte n\u00e3o natural), s\u00edmbolo da morte e da mis\u00e9ria.<\/p>\n<h4>Na Bretanha, sob o signo da \u00e1gua<\/h4>\n<p>Estamos muito longe de Floren\u00e7a e do Arno, mas quem se deixou enfeiti\u00e7ar      um dia pelos encantos da Ponte Vecchio tem aqui na Bretanha com que desdobrar      essa melanc\u00f3lica fraqueza por coisas anacr\u00f3nicas. <\/p>\n<p>Em Landerneau, outra cidade que vive sob o signo da \u00e1gua, encontramos uma      das duas \u00fanicas pontes habitadas da Europa. A Ponte de Rohan \u00e9 menos cosmopolita      do que a sua cong\u00e9nere florentina, bem entendido. <\/p>\n<p>O fasc\u00ednio, aqui, vem da naturalidade com que a ponte vive o seu destino      singular: numa pequena cidade de prov\u00edncia nascida sua volta, as pessoas encontram-se      sem afecta\u00e7\u00e3o nos caf\u00e9s da ponte ou passeiam-se sem pressa de uma \u00e0 outra      margem do \u00c9lorn.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bretan8.jpg\" alt=\"Bretanha\" width=\"359\" height=\"237\" title=\"Bretanha\" \/><br \/>\n     Vista do Cabo de Raz, Bretanha<\/strong><\/p>\n<p>Brest respira, como se sabe, conota\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e marinheiras &#8211; foi tamb\u00e9m      sempre sob o signo da \u00e1gua e da aventura que se fez a fama deste burgo que      tudo deve ao mar. Uma ba\u00eda desmedida, condi\u00e7\u00f5es excepcionais de abrigo, uma      tradi\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o naval, tudo se conjugou para a gl\u00f3ria e, ao mesmo tempo,      para a perdi\u00e7\u00e3o de Brest. <\/p>\n<p>Estas virtudes de dois gumes fizeram a sua fortuna mas levaram tamb\u00e9m o ocupante      nazi a fixar a\u00ed uma base para submarinos. Consequ\u00eancia: a avia\u00e7\u00e3o aliada arrasou      a cidade em 1944.<\/p>\n<p>A sul da enseada de Brest, a pen\u00ednsula de Crozon \u00e9 um santu\u00e1rio de paisagens      quase virgens, um bordado cont\u00ednuo de tons de verde &#8211; a paisagem bret\u00e3 por      excel\u00eancia. Contornada a estreita pen\u00ednsula, eis a fant\u00e1stica ba\u00eda de Douarnenez,      um dos maiores portos de pesca da regi\u00e3o &#8211; com marinheiros aut\u00eanticos, rudes,      sujos e cansados. <\/p>\n<p>E com um pouco de sorte, h\u00e9las, o viajante poder\u00e1 ouvir no bar do Hotel de      La Rade, entre duas cervejas, algumas can\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas. Ao lado, face ao      Porto de Rosmeur, outros abrigos e salva-vidas: \u00abLe Neptune\u00bb, \u00abL&#8217;Oc\u00e9anie\u00bb,      \u00abL&#8217;Abri du Vent\u00bb. Mais adiante, Le Guilvinec, Loctudy, Saint Gu\u00e9nol\u00e9-en-Penmarc&#8217;h      repetem a mesma saga de gente simples e rude: s\u00edtios onde pulsa a saga mar\u00edtima      dos bret\u00f5es, portos pesqueiros sem maquilhagens tur\u00edsticas, retratos, por      vezes, de uma Bretanha para quem a fortuna foi madrasta, que as crises n\u00e3o      distinguem a beleza dos lugares.<\/p>\n<p>A      ocidente, o Cabo de Raz vigia a passagem de fr\u00e1geis barca\u00e7as oscilando ao      vaiv\u00e9m da ondula\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel. Ali, de rosto virado ao quadrante de onde      sopram todos os temporais, uma Nossa Senhora dos N\u00e1ufragos vela pela fortuna      dos marinheiros.<\/p>\n<h4>Folias Interc\u00e9lticas<\/h4>\n<p>Em      Lorient, ber\u00e7o da Companhia das \u00cdndias no s\u00e9c. XVII, transcendem-se as atmosferas      burguesas e requintadas de Pont-Aven &#8211; cidadezinha que a aura de Gauguin ajudou      a saturar de artistas e de galerias. A vida quotidiana tem aqui um permanente      sabor a sal; num dos seus cinco portos, Keroman, o alvoro\u00e7o dos rituais matinais      dos leil\u00f5es \u00e9 intraduz\u00edvel e a az\u00e1fama n\u00e3o se quebra um instante que seja      &#8211; metade do peixe consumido em Fran\u00e7a \u00e9 pescado na Bretanha.<\/p>\n<p>Lorient      tem uma obsess\u00e3o pela mem\u00f3ria, fato que na Bretanha, afinal, n\u00e3o \u00e9 propriamente      uma excentricidade. Mas Lorient, reduzida a cinzas em 1943 pelo efeito de      milhares de bombas incendi\u00e1rias, indaga minuciosamente as brumas do passado,      mesmo quando o que h\u00e1 a desenterrar s\u00e3o sinais de fogo, signos de um tempo      terr\u00edvel. No museu da cidade, uma esp\u00e9cie de instant\u00e2neo em tr\u00eas dimens\u00f5es:      uma maquete das ru\u00ednas da cidade ferida.<\/p>\n<p>Lorient cultiva tamb\u00e9m um fulgor de festa, a grande folia do Festival Interc\u00e9ltico,      manifesta\u00e7\u00e3o anual que atrai \u00e0 cidade, em Agosto, gente n\u00e3o s\u00f3 da Bretanha      mas igualmente da Irlanda, Pa\u00eds de Gales, Esc\u00f3cia, Ast\u00farias, Galiza, Ilha      de Man, etc. &#8211; o espa\u00e7o m\u00edtico da civiliza\u00e7\u00e3o celta. <\/p>\n<p>O que faz toda esta gente na \u0093maior festou-noz do planeta\u0094? Canta,      dan\u00e7a e bebe &#8211; cidra, evidentemente! -, e h\u00e1 ainda tempo para o desporto e      para a poesia. Enfim, uma esp\u00e9cie de ol\u00edmp\u00edadas da cultura celta!<\/p>\n<h4>Nantes, uma porta para o mundo<\/h4>\n<p>Um dos museus da cidade de Nantes evoca a personalidade e os feitos (escritos)      de um dos seus mais ilustres nativos: J\u00falio Verne. O museu n\u00e3o chega a surpreender      verdadeiramente, pelo menos tanto como a fant\u00e1stica obra liter\u00e1ria do autor      das \u00abVinte Mil L\u00e9guas Submarinas\u00bb. <\/p>\n<p>Sem menosprezar outros filhos de Nantes (lembremos apenas Jacques Demy, um      dos mais originais cineastas franceses), que outro personagem poderia representar      uma cidade de onde partiram, entre os s\u00e9culos XVI e XIX, navios para o mundo      inteiro?<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/bretan9.jpg\" alt=\"Bretanha\" width=\"326\" height=\"216\" title=\"Bretanha\" \/><br \/>\n     Fachada de casa rural da Bretanha, Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Em Nantes, o passado e o presente cruzam-se em cont\u00ednuo di\u00e1logo. Os canais      drenados ou cobertos por ocasi\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o urban\u00edstica h\u00e1 cem anos      deram lugar a largas e bem arborizadas avenidas que correm em torno de quarteir\u00f5es      assinalados por topon\u00edmia reveladora do passado. <\/p>\n<p>O Cours des Cinquante Otages \u00e9 exemplar quanto a uma arrojada e bem sucedida      interven\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea ao n\u00edvel do mobili\u00e1rio urbano. A um canto desta      ampla alameda (cujo nome recorda um epis\u00f3dio negro que enlutou o burgo durante      a II Grande Guerra) ergue-se uma escultura de um azul vivo, violento e cru,      solid\u00e1ria evoca\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas da guerra da B\u00f3snia.<\/p>\n<p>A      hist\u00f3rica voca\u00e7\u00e3o mar\u00edtima e aventureira de Nantes transmutou-se hoje num      esp\u00edrito de abertura cultural \u00e0 diversidade do mundo. N\u00e3o por acaso, afinal,      aqui se recebem todos os anos cinematografias que a massifica\u00e7\u00e3o e o monolitismo      do mercado da S\u00e9tima Arte recusam &#8211; \u00e9 o Festival de Cinema dos Tr\u00eas Continentes,      uma mostra de filmes da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica que se afirma, significativamente,      fiel a um verdadeiro &#8211; e familiar &#8211; esp\u00edrito de descoberta.<\/p>\n<p>Fonte: www.almadeviajante.com<\/p>\n<h6>Bretanha<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<p>A\u00a0<strong>Bretanha<\/strong>\u00a0\u00e9      uma regi\u00e3o da Fran\u00e7a com fortes e antigas tradi\u00e7\u00f5es. Ela foi colonizada por      migrantes da Gr\u00e3-Bretanha descontentes com o regime romano dos s\u00e9culos 5 e      6. Os bret\u00f5es se mantiveram fora do dom\u00ednio franc\u00eas at\u00e9 1532 e ainda mant\u00e9m      as cren\u00e7as e costumes dos celtas, antigos habitantes da Fran\u00e7a. As casas seguem      um estilo pr\u00f3prio sendo constru\u00eddas a base de pedras.<\/p>\n<p>Nossa      visita \u00e0 Bretanha come\u00e7ou por um lugar m\u00e1gico e encantado denominado de Pays      de Broc\u00e9liande. \u00c9 uma das \u00e1reas mais m\u00edsticas e legend\u00e1rias da Fran\u00e7a. Trata-se      de uma floresta que hoje abrange cerca de 7.000 hectares, onde se acredita      que os Cavaleiros da T\u00e1vola Redonda e o Rei Artur vagavam errantes a procura      de um Castelo M\u00e1gico Invis\u00edvel. Este local \u00e9 conhecido como F\u00f4ret de Paimpont      ou F\u00f4ret de Broc\u00e9liande. S\u00e3o muitos os locais a serem visitados, mas infelizmente      s\u00f3 conseguimos encontrar 3 deles&#8230;<\/p>\n<p>Em      primeiro lugar, a Tumba do Mago Merlin, um local dos antigos celtas, datado      de 4000 ou 5000 anos, constru\u00eddo em fun\u00e7\u00e3o de correntes c\u00f3smicas. Acredita-se      que o Mago Merlin foi enterrado neste local. S\u00e3o muitos os presentes que os      visitantes deixam para ele.<\/p>\n<p>Logo      ao lado \u00e9 poss\u00edvel visitar a Fonte da Juventude, cuja \u00e1gua acredita-se apresentar      poderes para curar doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Em \u00e9pocas passadas, os antigos celtas      constru\u00edram neste local um hospital e uma escola.<\/p>\n<p>Mas      o mais emocionante foi visitar o Carvalho da Guilhotina (Ch\u00eane \u00e0 Guillotin)      que \u00e9 o maior carvalho da Fran\u00e7a, com 9,65 metros de circunfer\u00eancia, 20 metros      de altura e uma idade de aproximadamente 1.000 anos. Recebe este nome estranho      porque diz a lenda que os fugitivos da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa se abrigavam nele      para fugir da guilhotina.<\/p>\n<p>Conforme a lenda que \u00e9 contada em uma de nossas p\u00e1ginas: O GUI, para os celtas      e seus sacerdotes denominados de druidas, o carvalho era uma \u00e1rvore sagrada.      No nosso livro da Alliance Fran\u00e7aise havia uma figura (vide na p\u00e1gina O GUI)      que mostrava o ritual que os celtas faziam no in\u00edcio do ano novo (que eles      chamavam de Reveillon). <\/p>\n<p>Um druida subia em um carvalho para retirar-lhe um visgo &#8220;gui&#8221;      que se encontrava aderido ao seu caule. Esta colheita era feita com uma faca      de ouro e o &#8220;gui&#8221; era distribu\u00eddo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o como um s\u00edmbolo de      prosperidade e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Coincid\u00eancia      ou n\u00e3o, aquela mancha branca apareceu no negativo somente desta foto e observe      que ela est\u00e1 localizada no topo do carvalho. S\u00f3 pode ser um druida iluminado      que estava ali no momento da foto. (Observa\u00e7\u00e3o: n\u00f3s tiramos 237 fotos e apenas      esta saiu manchada&#8230;).<\/p>\n<p>Depois      de termos recebido os bons fluidos do nosso druida encantado que estava no      carvalho m\u00e1gico, fomos conhecer a cidade-fortaleza de Foug\u00e8res.<\/p>\n<p>Foug\u00e8res      \u00e9 uma pequena e simp\u00e1tica cidade com todas as caracter\u00edsticas bret\u00e3s: casas      em pedras, feiras livres com muita venda de frutos do mar, principalmente      ostras (hu\u00eetres), um dos principais produtos das fazendas de maricultura.<\/p>\n<p>O      grande charme da cidade est\u00e1 nas suas muralhas da fortaleza que abriga o castelo      de Foug\u00e8res. Para melhor avist\u00e1-la e necess\u00e1rio chegar \u00e0 igreja de S\u00e3o Leonardo      datada do s\u00e9culo 16.<\/p>\n<p>Por      um lindo e gelado jardim atr\u00e1s da igreja, \u00e9 poss\u00edvel avistar a fortaleza de      Foug\u00e8res, constru\u00edda entre os s\u00e9culos 11 e 15. A fortaleza apresenta, al\u00e9m      do Castelo, 13 torres que refor\u00e7am as muralhas, cuja espessura \u00e9 de 3 metros!!!<\/p>\n<p>Partindo      de Foug\u00e8res, fomos visitar um dos importantes monumentos nacionais da fran\u00e7a:      o Mont Saint-Michel.<\/p>\n<p>Na      verdade, o Mont Saint-Michel n\u00e3o se encontra na regi\u00e3o da Bretanha, mas sim      na Normandia. No entanto, ele combina muito mais com o estilo bret\u00e3o, e portanto,      tomamos a liberdade de mant\u00ea-lo aqui na p\u00e1gina da Bretanha.<\/p>\n<p>Trata-se      de um santu\u00e1rio, constru\u00eddo ao longo dos s\u00e9culos, sobre uma ilha, que fica      sujeita \u00e0s altas e baixas das mar\u00e9s. Ela \u00e9 unida ao continente por esta passarela      de asfalto que fica livre (ou quase livre) da inunda\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de mar\u00e9      alta.<\/p>\n<p>Neste      dia que fomos, a mar\u00e9 alta se iniciaria \u00e0s 19:00 horas e todos os ve\u00edculos      eram advertidos para deixarem o estacionamento antes deste hor\u00e1rio. (nesta      regi\u00e3o da Fran\u00e7a a diferen\u00e7a de mar\u00e9s pode atingir at\u00e9 50 metros!!!)<\/p>\n<p>Diz      a lenda que uma noite, em 708, o Arcanjo Miguel apareceu para o bispo Aubert      da cidade de Avranches e o instruiu a erguer uma igreja na ilha pr\u00f3xima \u00e0      cidade. No topo da abadia, se encontra uma est\u00e1tua dourada do Arcanjo Miguel      que foi recentemente restaurada e recolocada no topo da igreja com o aux\u00edlio      de um helic\u00f3ptero.<\/p>\n<p><strong>A      Abadia \u00e9 composta por 3 n\u00edveis:<\/strong><\/p>\n<p>O      n\u00edvel inferior era destinado aos soldados e peregrinos (peregrinos estes denominados      de miquelots e que atualmente chegam a cerca de 850 mil a cada ano)&#8230;<\/p>\n<p>N\u00edvel      intermedi\u00e1rio destinado aos nobres<\/p>\n<p>N\u00edvel      da igreja (mais alto) onde os monges viviam<\/p>\n<p>Do      outro lado da ba\u00eda se encontra a cidade de Avranches, onde vivia o bispo Aubert.<\/p>\n<p>Na      Igreja de Saint-Gervais de Avranches que se encontra uma importante rel\u00edquia.      Ao aparecer para o bispo Aubert, o arcanjo Miguel tocou com um dedo a sua      cabe\u00e7a. A marca do dedo do anjo ficou registrada no cr\u00e2nio do bispo, que pode      ser vista devido a um impressionante &#8220;furo&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte: www.cwb.matrix.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bretanha, Fran\u00e7a, Hist\u00f3ria, Origem, Pol\u00edtica, Geografia, Economia, Religi\u00e3o, L\u00edngua, M\u00fasica, Bandeira, Tradi\u00e7\u00f5es, Mapa, Localiza\u00e7\u00e3o, Bretanha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[88],"tags":[],"class_list":["post-52341","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-turismo"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Bretanha, Fran\u00e7a, Hist\u00f3ria, Origem, Pol\u00edtica, Geografia, Economia 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