{"id":49622,"date":"2016-06-15T17:46:25","date_gmt":"2016-06-15T17:46:25","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=49622"},"modified":"2024-02-29T16:38:17","modified_gmt":"2024-02-29T18:38:17","slug":"artes-tradicionais-do-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/turismo\/artes-tradicionais-do-japao","title":{"rendered":"Artes Tradicionais do Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>As\u00a0<strong>Artes Tradicionais do Jap\u00e3o<\/strong>\u00a0s\u00e3o uma rica cole\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas culturais que refletem a hist\u00f3ria, os valores e as habilidades do povo japon\u00eas ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n<p><strong>Algumas das artes tradicionais mais conhecidas do Jap\u00e3o incluem:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sum\u00f4<\/strong>: Uma forma de luta tradicional japonesa em que dois lutadores tentam for\u00e7ar um ao outro para fora de um anel circular.<\/p>\n<p><strong>Kabuki<\/strong>: Um estilo de teatro japon\u00eas conhecido por suas elaboradas maquiagens, figurinos e gestos exagerados.<\/p>\n<p><strong>Noh<\/strong>: Outra forma de teatro japon\u00eas, mais antiga e mais estilizada do que o Kabuki, que combina m\u00fasica, dan\u00e7a e drama.<\/p>\n<p><strong>Ikebana<\/strong>: A arte japonesa de arranjos florais, que enfatiza a harmonia, a simplicidade e a assimetria.<\/p>\n<p><strong>Origami<\/strong>: A arte de dobrar papel para criar formas e figuras variadas, muitas vezes associada \u00e0 cultura japonesa.<\/p>\n<p><strong>Ukiyo-e<\/strong>: Uma forma de arte visual japonesa que se desenvolveu durante o per\u00edodo Edo, conhecida por suas gravuras em madeira coloridas que retratavam a vida cotidiana, paisagens e figuras famosas.<\/p>\n<p><strong>Cerim\u00f4nia do Ch\u00e1 (Chado ou Chanoyu)<\/strong>: Uma pr\u00e1tica cerimonial que envolve a prepara\u00e7\u00e3o e consumo de ch\u00e1 verde (matcha) em um ambiente tranquilo e harmonioso, destacando a import\u00e2ncia da est\u00e9tica, da simplicidade e da hospitalidade.<\/p>\n<p><strong>Artes Marciais Japonesas<\/strong>: Incluem uma variedade de disciplinas, como jud\u00f4, karat\u00ea, aikido, kendo e kenjutsu, que enfatizam t\u00e9cnicas de combate, disciplina mental e f\u00edsica, al\u00e9m de valores como respeito e autoaperfei\u00e7oamento.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o apenas algumas das muitas artes tradicionais que fazem parte do rico patrim\u00f4nio cultural do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada uma delas desempenha um papel importante na preserva\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o da hist\u00f3ria e dos valores japoneses de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Origami (Arte da Dobradura de Papel)<\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros esquemas escritos s\u00f3 surgiram em 1797, com a publica\u00e7\u00e3o do Senbazuru Orikata (?Como Dobrar Mil Gar\u00e7as).<\/p>\n<p>A arte come\u00e7a a se popularizar efetivamente quando o Jap\u00e3o passa a fabricar papel e ganha grande impulso, em 1876, ao passar a fazer parte do curr\u00edculo escolar.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica do origami promove o desenvolvimento intelectual da crian\u00e7a, desenvolve a capacidade criativa e a psicomotricidade.<\/p>\n<p>A palavra \u2018origami\u2019 teria surgido em 1880 a partir dos termos \u2018ori\u2019 (dobrar) e \u2018kami\u2019 (papel). Antes, era conhecida como orikata.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, era comum fazer origamis de diversas formas, que eram queimados em rituais f\u00fanebres para que o esp\u00edrito da pessoa falecida pudesse ter na outra vida tudo o que almejava.<\/p>\n<p>Dobraduras imitando c\u00e9dula de dinheiro e postas em envelopes vermelhos eram queimadas nas festas de casamento, com o objetivo de desejar prosperidade ao casal.<\/p>\n<p><strong>Ainda hoje, as figuras feitas em origami s\u00e3o carregadas de simbolismos<\/strong>: o sapo representa o amor e a fertilidade; a tartaruga, a longevidade; e o tsuru, a mais famosa figura de origami, \u00e9 o desejo de boa sorte, felicidade e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Diz uma lenda que quem fizer mil tsurus, com a mente fixa naquilo que deseja alcan\u00e7ar, ter\u00e1 sucesso.<\/p>\n<p><strong>Bonsai (\u00c1rvores An\u00e3s)<\/strong><\/p>\n<p>A palavra bonsai significa \u201c\u00e1rvore em pote ou bandeja\u201d e tem origem nos termos chineses pun-sai ou pent-sai. Essa arte de miniaturizar plantas surgiu na China e deriva de uma outra, o penjing, que criava paisagens em miniatura, com rochas, musgos, \u00e1rvores, etc. As primeiras refer\u00eancias sobre o penjing datam do s\u00e9culo II a.C.<\/p>\n<p>O bonsai foi introduzido no Jap\u00e3o pelos monges budistas e durante centenas de anos manteve-se restrito aos nobres e \u00e0 alta sociedade.<\/p>\n<p>Essa arte foi apresentada pela primeira vez no Ocidente em 1878, na Feira Mundial, em Paris. Por\u00e9m, come\u00e7ou a se difundir na Europa e Estados Unidos ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Qualquer planta, mesmo frut\u00edfera, que tenha um tronco robusto, pode se tornar um bonsai. O mais importante \u00e9 que sejam mantidas todas as suas caracter\u00edsticas como s\u00e3o encontradas na natureza e consigam expressar, em alguns cent\u00edmetros, a beleza e o volume de seu porte original, em perfeita harmonia com o recipiente onde est\u00e1 plantado.<\/p>\n<p>O tamanho de um bonsai varia muito pode medir de 15cm (os minis) a 60cm (os grandes).<\/p>\n<p><strong>A forma tamb\u00e9m \u00e9 bastante diversificada<\/strong>: tronco grosso e reto, retorcido ou inclinado.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o cinco os estilos da arte:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Bankan:<\/strong>\u00a0tem galhos tortuosos e fora de propor\u00e7\u00e3o, propositadamente<strong><br \/>\nChokukan:<\/strong>\u00a0\u00e9 o mais cl\u00e1ssico, com tronco reto de onde partem os galhos<strong><br \/>\nKengai e han-kengai:\u00a0<\/strong>os galhos s\u00e3o moldados para ficar em posi\u00e7\u00e3o horizontal<strong><br \/>\nShakan:\u00a0<\/strong>tem os galhos um pouco inclinados em rela\u00e7\u00e3o ao tronco<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Ikebana (Arte do Arranjo Floral)<\/strong><\/p>\n<p>O termo ikebana passou a ser usado a partir do s\u00e9culo XVII. Na \u00e9poca em que surgiu, esta arte do arranjo floral chamava-se tatehana. S\u00f3 a partir do s\u00e9culo XVI, o ikebana tomou forma definida e passou a se chamar rikka, hoje um dos seus estilos.<\/p>\n<p>Com a difus\u00e3o do Chad\u00f4 (Cerim\u00f4nia do Ch\u00e1), tamb\u00e9m no s\u00e9culo XVI, foi criado um estilo de arranjo ? o hana ? pr\u00f3prio para os ambientes em que era realizada a cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>A partir do s\u00e9culo XVIII os estilos ganham nomes espec\u00edficos<\/strong>: moribana, nageire, shoka, jiyuka (estilo livre), guendai-bana (arranjo moderno) e zen-eibana (arranjo de vanguarda), entre outros.<\/p>\n<p>Quanto aos termos para designar arranjo floral, as denomina\u00e7\u00f5es mais comuns s\u00e3o ikebana, kad\u00f4 e s\u00f4ka.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia e admira\u00e7\u00e3o que o povo japon\u00eas dedica \u00e0 natureza foram um dos fatores para o desenvolvimento do ikebana. Desde a antiguidade, eles acreditavam que para invocar os deuses era necess\u00e1rio ter um local especial para receb\u00ea-los, que era indicado por uma flor ou \u00e1rvore colocada, preferencialmente, de forma perpendicular \u00e0 sua base.<\/p>\n<p>Segundo a cren\u00e7a, os deuses se guiavam por esses s\u00edmbolos e ali se instalavam.<\/p>\n<p>O ikebana guarda, em sua ess\u00eancia, essa cren\u00e7a. O rikka do per\u00edodo Muromachi (1350-1573) originou-se do costume de colocar as flores perpendicularmente \u00e0 sua base.<\/p>\n<p>Muitos estudiosos acreditam que a pr\u00f3pria origem do ikebana est\u00e1 ligada ao kuge, o ato de colocar flores no altar de Buda. No entanto, sabe-se que antes do budismo ser introduzido no Jap\u00e3o j\u00e1 havia o costume de se oferecer flores aos deuses.<\/p>\n<p>Com o tempo, o kuge come\u00e7ou a ser chamado de tatehana, pois o arranjo deixou de ter apenas cunho religioso, ganhou senso est\u00e9tico e passou a ser apreciado pela popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>O evento que marcou essa passagem foi a presen\u00e7a de arranjos de ikebana no Festival das Estrelas (Tanabata Matsuri).<\/p>\n<p>O ikebana apresenta o amor pela linha e a aprecia\u00e7\u00e3o pela forma e pela cor. Em sua tradu\u00e7\u00e3o mais simples, um arranjo representa o c\u00e9u, a terra e o homem, e a seguir o tempo e a esta\u00e7\u00e3o em que se encontra.<\/p>\n<p><strong>Utiliza-se os mais variados materiais oferecidos pela natureza, que possuem a seguinte simbologia:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Passado:<\/strong>\u00a0flores desabrochadas, vagens ou folhas secas<br \/>\n<strong>Presente:<\/strong>\u00a0folhas perfeitas ou flores semidesabrochadas<br \/>\n<strong>Futuro:\u00a0<\/strong>bot\u00f5es, que sugerem o crescimento futuro<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>J\u00e1 as esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o representadas da seguinte maneira:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Primavera:\u00a0<\/strong>arranjo vital com curvas vigorosas<br \/>\n<strong>Ver\u00e3o:<\/strong>\u00a0arranjo em expans\u00e3o e completo<br \/>\n<strong>Outono:<\/strong>\u00a0arranjo esparso e delgado<br \/>\n<strong>Inverso:\u00a0<\/strong>arranjo dormente e algo melanc\u00f3lico<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A arte pode ser divida em tr\u00eas categorias:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cl\u00e1ssico<\/strong><\/p>\n<p>Representado pelo estilo ?rikka?, que significa \u201cflores eretas\u201d, no qual as extremidades dos ramos e flores apontam em dire\u00e7\u00e3o do c\u00e9u, indicando a f\u00e9. Era predominante nos templos e pal\u00e1cios, at\u00e9 o estabelecimento do per\u00edodo Kamakura, no fim do s\u00e9culo XII.<\/p>\n<p>Nesse tipo de arranjo, sempre existir\u00e1 um pinheiro, no centro do vaso, que representa a beleza da paisagem japonesa. Outras \u00e1rvores utilizadas s\u00e3o cedro, bambu e ciprestes.<\/p>\n<p><strong>Naturalista<\/strong><\/p>\n<p>Representados pelos estilos seiwa e inageire.<\/p>\n<p>O seiwa adota normas mais simples para o arranjo estabelecidas pelo xogum Ashikawa Yoshimasa (1436-1490), com a colabora\u00e7\u00e3o do artista Somai. Isso tornou a arte mais acess\u00edvel a todas as classes sociais.<\/p>\n<p>O nageire (que significa \u201clan\u00e7ado para dentro\u201d) surgiu no fim do s\u00e9culo XVI, durante o per\u00edodo Momoyama, com o aparecimento das casas de ch\u00e1, onde os mestres davam uma express\u00e3o mais informal na composi\u00e7\u00e3o dos arranjos florais.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do estilo cl\u00e1ssico, no qual os tr\u00eas grupos triangulares s\u00e3o fixados com firmeza no recipiente, no ?nageire? h\u00e1 maior liberdade, e as flores podem at\u00e9 repousar na borda do recipiente.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 exprimir a beleza natural de tudo aquilo que estiver a m\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Arranjo Moribana<\/strong><\/p>\n<p>Os arranjos rikka e ?nageire tornaram-se insatisfat\u00f3rios para as casas de estilo europeu, que surgiram na segunda metade do s\u00e9culo XIX. E, nos \u00faltimos 50 anos, os arranjos florais Moribana que se desenvolveram mostram a influ\u00eancia desse contato com o Ocidente.<\/p>\n<p>Combina os elementos dos estilos ?rikka e ?nageire? e acrescenta um terceiro, que \u00e9 a sugest\u00e3o de alguma paisagem e cen\u00e1rio natural tendo por objetivo proporcionar um efeito c\u00eanico. Busca, assim, transmitir a vis\u00e3o de uma paisagem ou vista jardim de um jardim em miniatura.<\/p>\n<p>Nos arranjos de ikebana, os ocidentais d\u00e3o maior import\u00e2ncia \u00e0 quantidade e cores do material, apreciando a beleza das flores; j\u00e1 os japoneses d\u00e3o \u00eanfase \u00e0 linha do arranjo, procurando incluir hastes, folhas, ramos e flores.<\/p>\n<p>A haste principal (shin), que forma a linha central do arranjo, simboliza o C\u00e9u e \u00e9 o mais forte usado na composi\u00e7\u00e3o do ikebana. A haste secund\u00e1ria (\u201csoe\u201d) representa o Homem.<\/p>\n<p>Parte da linha central e \u00e9 colocada de maneira a sugerir o crescimento lateral. Tem cerca de dois ter\u00e7os da altura da haste principal. A haste terci\u00e1ria (\u201chikae\u201d) simboliza a Terra. \u00c9 a mais curta e colocada \u00e0 frente, ou ligeiramente no lado oposto ao das ra\u00edzes das duas outras.<\/p>\n<p><strong>Shodo (Arte Caligr\u00e1fica)<\/strong><\/p>\n<p>Shodo \u00e9 a arte caligr\u00e1fica japonesa, escrita com sumi (tinta preta) e um pincel, surgida h\u00e1 mais de 3 mil anos. Sho significa caligrafia e do, caminho.<\/p>\n<p>O cal\u00edgrafo consegue expressar nos tra\u00e7os um sentimento muito particular.<\/p>\n<p>Por isso, como uma obra de arte, cada shodo \u00e9 diferente e \u00fanico, mesmo que seja escrito o mesmo kanji (ideograma). A tonalidade da tinta, a press\u00e3o do pincel sobre o papel, a velocidade da escrita e os espa\u00e7os entre cada pincelada variam de cal\u00edgrafo para cal\u00edgrafo.<\/p>\n<p>A arte do shodo necessita apenas de um pincel apropriado (feito com cerdas de crina de cavalo ou p\u00ealos de carneiro, coelho e rena), tinta e papel artesanal (washi), feito com palha de arroz ou fibra de bambu ou de banana. O washi possui textura apropriada para produzir borr\u00f5es, que resultam em efeitos bastante apreciados. O shodo n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio de boa caligrafia, mas a combina\u00e7\u00e3o da habilidade, estilo e imagina\u00e7\u00e3o do cal\u00edgrafo e que exige anos de estudo e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A qualidade da obra \u00e9 avaliada, entre outras, pelo equil\u00edbrio natural dos caracteres, sua composi\u00e7\u00e3o como um todo, a varia\u00e7\u00e3o entre os tra\u00e7os grosso e fino, a quantidade de tinta no papel e o ritmo com que foi escrito.<\/p>\n<p>O shodo chegou ao Jap\u00e3o atrav\u00e9s do budismo, pois as escrituras compiladas pelos monges eram em caracteres chineses. Hoje, a arte \u00e9 praticada por milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo.<\/p>\n<p>As escolas japonesas mant\u00eam o shodo no curr\u00edculo escolar, e os concursos promovidos anualmente incentivam ainda mais a pr\u00e1tica da escrita.<\/p>\n<p><strong>Existem seis estilos diferentes na caligrafia japonesa<\/strong>: kaisho, no qual os kanjis t\u00eam formas quadradas e tra\u00e7os mais est\u00e1ticos; gyosho e sosho, com formas cursivas e tra\u00e7os mais seq\u00fcenciais; tensho e reisho, que s\u00e3o as formas mais primitivas de escrita, usados no hanko (esp\u00e9cie de carimbo-assinatura batido em tinta vermelha) e encomendados aos artistas de shodo.<\/p>\n<p><strong>Chanoyu (Cerim\u00f4nia do Ch\u00e1)<\/strong><\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia do ch\u00e1, ou \u201cchanoyu\u201d, \u00e9 a arte de servir e beber o \u201cmatcha\u201d, introduzida no Jap\u00e3o no s\u00e9culo VIII. \u00c9 origin\u00e1ria da China onde o ch\u00e1 era conhecido desde o Per\u00edodo da Dinastia Han Oriental (25-220d.C).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o \u201cmatcha\u201d, usado atualmente, s\u00f3 come\u00e7ou a fazer parte da cerim\u00f4nia no fim do s\u00e9culo XII, quando foi levado ao Jap\u00e3o pelos chineses da Dinastia Sung.<\/p>\n<p>Foi no per\u00edodo Momoyama, na segunda metade do s\u00e9culo XVI, que Sen-no-rikyu, estabeleceu a forma com a qual a \u201cchanoyu\u201d \u00e9 realizada hoje. Para se ter id\u00e9ia da influ\u00eancia da arte no pa\u00eds, as maneiras da maioria dos japoneses t\u00eam sido influenciadas pelas formalidades como as que s\u00e3o observadas no \u201cchanoyu\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 costume ainda hoje as mo\u00e7as receberem aulas dessa arte antes do casamento para adquirirem a postura e o refinamento que fazem parte da etiqueta da cerim\u00f4nia do ch\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s a morte de Sen-no-rikyu, seus ensinamentos foram transmitidos aos seus descendentes e disc\u00edpulos, que fundaram tr\u00eas diferentes escolas:<\/strong>\u00a0a Omotesenke, a Urasenke e a Mushakoji-senke, que diferem apenas nos detalhes das regras.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia do chanoyu dificilmente pode ser expressa por palavras. A arte desenvolveu-se sob a influ\u00eancia do budismo do Zen cujo objetivo \u00e9, em palavras simples, purificar a alma do homem, integrando-a com a natureza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o \u201cchanoyu\u201d \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o do empenho intuitivo do povo japon\u00eas pelo reconhecimento da verdadeira beleza na mod\u00e9stia e simplicidade. Termos como calma, rusticidade, gra\u00e7a e a defini\u00e7\u00e3o \u201cest\u00e9tica da simplicidade austera e pobreza refinada\u201d podem ajudar a definir o verdadeiro esp\u00edrito do \u201cchanoyu\u201d.<\/p>\n<p>As regras da etiqueta, que podem parecer penosas e meticulosas \u00e0 primeira vista, s\u00e3o seguidas minuciosamente a fim de se obter a maior economia poss\u00edvel de movimento.<\/p>\n<p>A arte tem desempenhado um importante papel na vida art\u00edstica do povo japon\u00eas, pois, como atividade est\u00e9tica, envolve a aprecia\u00e7\u00e3o do c\u00f4modo onde \u00e9 realizada, o jardim a ele cont\u00edguo, os utens\u00edlios utilizados para servir o ch\u00e1, a decora\u00e7\u00e3o do ambiente e o \u201cchabana\u201d (arranjo floral para a cerim\u00f4nia do ch\u00e1).<\/p>\n<p><strong>Mang\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo antes de se pensar no conceito de hist\u00f3ria em quadrinhos no Ocidente, os japoneses j\u00e1 haviam desenvolvido algo bem semelhante. Dentro de sua arte, j\u00e1 produziam hist\u00f3rias sobre o seu cotidiano apresentando muitos aspectos que mais tarde iriam formar o que hoje conhecemos como Mang\u00e1.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias em quadrinhos, n\u00e3o s\u00e3o consideradas como coisas de crian\u00e7a no Jap\u00e3o. O Mang\u00e1, como \u00e9 chamado o gibi japon\u00eas, \u00e9 um h\u00e1bito que sobrevive ao final da inf\u00e2ncia e continua sendo o principal h\u00e1bito de leitura durante toda a vida dos japoneses.<\/p>\n<p>\u00c9 err\u00f4neo tax\u00e1-lo como coisa de aficionados. Muito pelo contr\u00e1rio, basta entrar em qualquer trem ou metr\u00f4 para se deparar com algu\u00e9m lendo mang\u00e1. Nenhum livro ou revista bate os quadrinhos nas vendas.<\/p>\n<p>Nas bancas existem nada menos do que 273 t\u00edtulos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do consumidor. S\u00f3 no ano passado, os japoneses deixaram 580 bilh\u00f5es de ienes (5,5 bilh\u00f5es de reais) na compra de 2,2 bilh\u00f5es de exemplares \u2013 o que d\u00e1 quase um mang\u00e1 para cada tr\u00eas habitantes do planeta.<\/p>\n<p><strong>Kabuki<\/strong><\/p>\n<p>Com quase 4 s\u00e9culos de exist\u00eancia, o teatro kabuki \u00e9 uma das mais representativas artes c\u00eanicas japonesas. O car\u00e1ter extravagante da maquilagem, a beleza pict\u00f3rica do cen\u00e1rio aliada s explora\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas no campo da dan\u00e7a e da m\u00fasica, constitu\u00edram-se em fatores essenciais para a ampla acolhida popular que tal teatro obteve ao longo do tempo, e n\u00e3o s\u00f3 no oriente.<\/p>\n<p>O presente trabalho visa oferecer um panorama da hist\u00f3ria do kabuki e o desenvolvimento de sua linguagem c\u00eanica, a partir da an\u00e1lise do conjunto das condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que propiciaram suas transforma\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas.<\/p>\n<p><strong>Seguindo tal objetivo, a divis\u00e3o do aludido tema privilegia a rela\u00e7\u00e3o entre os processos s\u00f3cio-pol\u00edticos e a constru\u00e7\u00e3o de uma linguagem art\u00edstica como instrumento de manifesta\u00e7\u00e3o de uma classe social<\/strong>: seus anseios, frustra\u00e7\u00f5es e projetos.<\/p>\n<p>Enquanto a primeira parte do trabalho busca mapear a etimologia do termo, a segunda visa situar as raz\u00f5es hist\u00f3ricas do surgimento do kabuki. Na terceira parte do trabalho, registra-se o desenvolvimento desta linguagem teatral em distintos per\u00edodos da hist\u00f3ria do Jap\u00e3o. Apenas na parte final \u00e9 que se far\u00e1 refer\u00eancia ao conjunto dos elementos est\u00e9ticos presentes nesta forma teatral.<\/p>\n<p><strong>N\u00f4 e Kyogen<\/strong><\/p>\n<p>O teatro N\u00f4, um dos grandes representantes da literatura cl\u00e1ssica japonesa, combina elementos de dan\u00e7a, drama, m\u00fasica, poesia e m\u00e1scaras em uma apresenta\u00e7\u00e3o teatral no palco.<\/p>\n<p>O teatro N\u00f4 \u00e9 executado em todo o Jap\u00e3o por artistas profissionais (em sua maioria homens) que receberam os ensinamentos transmitidos por seus familiares de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os atores do teatro N\u00f4 s\u00e3o bem diferentes dos atores de palco ocidentais, que apenas fazem uso de suas impress\u00f5es visuais e de seus movimentos para sugerir a ess\u00eancia de suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>J\u00e1 os atores do teatro N\u00f4 incorporam o papel e o desempenham como se fossem os verdadeiros personagens.<\/p>\n<p>Antigamente os espectadores assistiam \u00e0 pe\u00e7a j\u00e1 sabendo seu enredo e conhecendo bem o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Desta forma eles podiam apreciar os s\u00edmbolos e as sutis insinua\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria e cultura japonesa que eram embutidas em palavras e movimentos.<\/p>\n<p>Cada gesto e movimento t\u00eam um significado. J\u00e1 nos dias de hoje, grande parte dos espectadores t\u00eam uma certa dificuldade em entender tais insinua\u00e7\u00f5es, necessitando assim para melhor entendimento, de alguns prospectos, que s\u00e3o distribu\u00eddos previamente, contendo sinopses e explica\u00e7\u00f5es da pe\u00e7a a ser prestigiada.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, as pe\u00e7as do teatro N\u00f4 s\u00e3o muito longas e tem um car\u00e1ter muito s\u00e9rio. Por isso, para que n\u00e3o fique muito cansativo, s\u00e3o apresentadas ao longo da pe\u00e7a algumas apresenta\u00e7\u00f5es do KYOGEN. O KYOGEN \u00e9 uma esp\u00e9cie de teatro c\u00f4mico tendo como fun\u00e7\u00e3o aliviar a tens\u00e3o da dramaticidade do teatro N\u00f4 Ao contr\u00e1rio do teatro N\u00f4, que \u00e9 em sua maior parte de natureza musical, o KYOGEN enfatiza o di\u00e1logo e \u00e9 geralmente apresentado sem m\u00e1scaras.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria do Bunraku<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o muito antiga em que alguns viajantes contadores de hist\u00f3rias usavam o biwa como acompanhamento musical. Havia tamb\u00e9m manipuladores de bonecos viajando.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo quando estas duas formas de art\u00edsticas se fundiram, mas o Bunraku, na forma em que \u00e9 conhecido atualmente, teve in\u00edcio em1684, quando Takemoto Gidayu abriu seu pr\u00f3prio teatro em Osaka.<\/p>\n<p>Takemoto Gidayu come\u00e7ou sua carreira como um narrador coadjuvante de alguns dos mais aclamados mestres da \u00e9poca, em Kyoto.<\/p>\n<p>Em pouco tempo tornou-se famoso e conhecido por contar hist\u00f3rias que tocava os cora\u00e7\u00f5es dos personagens. Em 1684 decidiu-se expandir e fundou o seu pr\u00f3prio teatro, sendo ajudado por Chikamatsu Monzaemon, o mais famoso dramaturgo da hist\u00f3ria japonesa, e por Takeda Izumo, um famoso propriet\u00e1rio e gerente de teatro.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta \u00e9poca, o trabalho de Chikamatu Monzaemon havia aparecido, em sua maioria, no teatro de Kabuki. Tendo sido apresentado ao Bunraku por Gidayu, Chikamatsu trabalhou como uma esp\u00e9cie de elo entre o velho-estilo do Joruri e o Bunraku atual. Ao mesmo tempo em que tentava manter a fantasia de alguns contos mais antigos, os trabalhos de Chikamatsu se distinguiam por adicionarem elementos humanos. Seus dramas giravam, geralmente, em torno dos conceitos confucianos sobre a import\u00e2ncia da lealdade acima de qualquer sentimento pessoal (a algum senhor feudal, fam\u00edlia, etc..) e a trag\u00e9dia que surge quando algu\u00e9m segue alguns preceitos cegamente.<\/p>\n<p><strong>Gueixa<\/strong><\/p>\n<p>A sociedade gueixa (escreve-se gueixa, em japon\u00eas) pode n\u00e3o representar o retrato fiel da cultura japonesa, contudo seu entendimento nos ajuda a compreender melhor os tra\u00e7os do universo nip\u00f4nico, tais como o entretenimento dos japoneses, a percep\u00e7\u00e3o que a cultura japonesa tem dos pap\u00e9is das gueixas e das esposas japonesas, e at\u00e9 mesmo a fun\u00e7\u00e3o social de entretenimento desse grupo de mulheres.<\/p>\n<p>Meu esfor\u00e7o se dar\u00e1 no sentido de trazer \u00e0 tona elementos do mundo das gueixas que se relacionem com a cultura japonesa em geral.<\/p>\n<p>Para escrever essa mat\u00e9ria, me detive principalmente, \u00e0 primeira parte do livro que trata das rela\u00e7\u00f5es das gueixas. Rela\u00e7\u00f5es entre si (como irm\u00e3s mais velhas e mais novas), rela\u00e7\u00f5es com o bairro, com os clientes, com as respons\u00e1veis pelas casas de ch\u00e1, as okasan \u2013 \u201cm\u00e3e\u201d (estabelecimentos que empregam as gueixas)\u2026 Al\u00e9m de tentar compreender os pap\u00e9is complementares das gueixas e das esposas japonesas.<\/p>\n<p><strong>A autora do livro, a antrop\u00f3loga americana Liza Dalby, apresenta o ponto de vista das gueixas, que difere radicalmente da maneira como as mulheres ocidentais v\u00eaem as gueixas<\/strong>: \u201cobjetos de brinquedo para os homens\u201d.<\/p>\n<p>O mundo do entretenimento das gueixas est\u00e1 relacionado com a necessidade de divers\u00e3o dos japoneses. Isso decorre, em minha opini\u00e3o, entre outras coisas, do fato de que o japon\u00eas se diverte pouco dentro do ambiente familiar com sua esposa. De acordo com a antrop\u00f3loga, os casais japoneses n\u00e3o se divertem muito enquanto est\u00e3o casados.<\/p>\n<p>S\u00e3o as gueixas que promovem a divers\u00e3o e o entretenimento dos japoneses.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.japaoonline.com.br\/www.colegiosaofrancisco.com.br\/www.japao.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As\u00a0Artes Tradicionais do Jap\u00e3o\u00a0s\u00e3o uma rica cole\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas culturais que refletem a hist\u00f3ria, os valores e as habilidades do povo japon\u00eas ao longo dos s\u00e9culos. 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