{"id":39136,"date":"2016-05-31T17:23:51","date_gmt":"2016-05-31T17:23:51","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=39136"},"modified":"2023-10-30T11:44:43","modified_gmt":"2023-10-30T13:44:43","slug":"cabinda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/turismo\/cabinda","title":{"rendered":"Cabinda"},"content":{"rendered":"<p><strong>Capital:\u00a0<\/strong>Cabinda<strong><br \/>\nMunic\u00edpios:\u00a0<\/strong>Belize, kakongo, Buco Zau, L\u00e2ndana, Cabinda.<strong><br \/>\n\u00c1rea:<\/strong>\u00a07 270 Km\u00b2<br \/>\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0170.000 habitantes<br \/>\n<strong>Clima:<\/strong>\u00a0tropical h\u00famido.<br \/>\n<strong>Principal Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola:<\/strong>\u00a0agr\u00edcolas mandioca. banana, caf\u00e9 Robusta, Cacau, Caju, Ervilha, Feij\u00e3o Cutelinho, Feij\u00e3o Macunde, Goiabeira, Mamoeiro, Palmeira Dend\u00e9m, Mangueira, Mandioca, Milho, Vielo e madeiras preciosas.<br \/>\n<strong>Min\u00e9rios:<\/strong>\u00a0Petr\u00f3leo, Fosfatos, Ur\u00e2nio, Quartzo, Mangan\u00eas, Ouro e Pot\u00e1ssio,<br \/>\n<strong>Outros:<\/strong>\u00a0madeiras preciosas; pesca, pecu\u00e1ria;<br \/>\n<strong>Ind\u00fastria:<\/strong>\u00a0Qu\u00edmica, Materiais de Constru\u00e7\u00e3o, Alimentar, Bebidas e Tabaco, Madeira e Mobili\u00e1rio.<br \/>\n<strong>Vias rodovi\u00e1rias:<\/strong>\u00a01.210 Kms de extens\u00e3o, 31% pavimentados, ou seja cerca de 380 Km, e que constituem a rede prim\u00e1ria, e os restantes 68,5% s\u00e3o em terra batida e constituem a rede terci\u00e1ria da Prov\u00edncia.<strong><br \/>\nCultura-Hist\u00f3ria:<\/strong>\u00a0O grupo s\u00f3cio-cultural Bakongo<\/p>\n<p>Situado entre a\u00a0<strong>Rep\u00fablica de Angola<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/strong>, o enclave da prov\u00edncia de\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>\u00a0ilustra os n\u00edtidos contrastes de\u00a0<strong>Angola<\/strong>.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo desta pequena prov\u00edncia tem sido crucial para a economia angolana e a ind\u00fastria \u00e9 respons\u00e1vel por 95 por cento das exporta\u00e7\u00f5es do segundo maior pa\u00eds produtor de petr\u00f3leo de \u00c1frica.<\/p>\n<p>No entanto, apesar da sua consider\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o para a economia nacional, o povo de\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>\u00a0acredita n\u00e3o ter visto quaisquer ganhos inesperados com esta mercadoria.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>capital tamb\u00e9m se chama Cabinda<\/strong>, conhecida localmente como Tchiowa.<\/p>\n<p><strong>A prov\u00edncia est\u00e1 dividida em quatro munic\u00edpios:\u00a0<\/strong>Belize, Buco-Zau, Cabinda e Cacongo.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>prov\u00edncia de Cabinda<\/strong>\u00a0\u00e9 a \u00fanica que est\u00e1 separada do resto do pa\u00eds por uma faixa, com cerca de 60 quil\u00f4metros de largura, da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, ao longo do baixo rio Congo.<\/p>\n<p><strong>Cabinda &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cabinda<\/strong>\u00a0\u00e9 um enclave norte de Angola, na costa oeste (Atl\u00e2ntica) da \u00c1frica, ao norte do estu\u00e1rio do rio Congo.<\/p>\n<p>Faz fronteira com a Rep\u00fablica do Congo a norte e nordeste e est\u00e1 separada de Angola por parte da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo a sul e sudeste. Seu litoral se estende por 90 km e sua maior largura \u00e9 de 113 km.<\/p>\n<p>Com a continua\u00e7\u00e3o das descobertas de petr\u00f3leo offshore, o petr\u00f3leo bruto tornou-se o produto de exporta\u00e7\u00e3o dominante de\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>. A produ\u00e7\u00e3o de madeira, \u00f3leo de palma e gr\u00e3os, cacau e caf\u00e9 diminuiu desde o surgimento da ind\u00fastria petrol\u00edfera local. A sede principal,\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>, \u00e9 um porto petrol\u00edfero na margem direita do rio Bele (Lulondo).<\/p>\n<p>A partir de meados da d\u00e9cada de 1970, a regi\u00e3o foi perturbada por actividades de guerrilha de v\u00e1rias fac\u00e7\u00f5es da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Enclave de Cabinda<\/strong>\u00a0(FLEC), bem como de outros grupos, que lutavam pela\u00a0<strong>independ\u00eancia de Cabinda de Angola<\/strong>. Em 2004, alguns dos grupos formaram uma organiza\u00e7\u00e3o guarda-chuva, o F\u00f3rum Cabinda para o Di\u00e1logo (que tamb\u00e9m inclu\u00eda grupos civis e religiosos), e as suas exig\u00eancias de independ\u00eancia intensificaram-se. A organiza\u00e7\u00e3o e o governo angolano assinaram um acordo de paz em 2006, pondo fim em grande parte ao conflito no enclave, embora depois disso tenham ocorrido escaramu\u00e7as espor\u00e1dicas. A partir de 2016, houve um ressurgimento dos combates \u00e0 medida que a FLEC aumentava os seus ataques \u00e0s for\u00e7as militares angolanas em Cabinda.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Prov\u00edncia de Cabinda<\/strong>\u00a0compreende uma pequena por\u00e7\u00e3o do antigo reino do Luango e a quase totalidade dos velhos reinos do Ngoio e Cacongo. Desde a boca do Zaire at\u00e9 \u00e0 linha equinocial, distribu\u00edam-se v\u00e1rios reinos.<\/p>\n<p>De todos, o mais importante era o de Luango, que se estendia da aldeia de Macanda at\u00e9 ao rio Lu\u00edsa-Luango. Tinha a capital em Bu\u00e1li, a que os franceses deram o nome de Luango.<\/p>\n<p>Ao sul deste reino ficava o de Cacongo, tamb\u00e9m chamado de Malemba e o do Ngoio ou\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>, separados entre si pelo rio Bele.<\/p>\n<p>A nordeste deste existia o reino de Iomba ou Iombe a que impropriamente se chamou Maiomba ou Maiombe. Maiombe significa Rei do lombe, tal como Ma-Lu\u00e2ngu, Rei do Luango.<\/p>\n<p><strong>Exceptuando os teques, de outra fam\u00edlia, os povos destes reinos pertenciam ao grupo quicongo<\/strong>: os bav\u00edlis predominavam na regi\u00e3o do antigo reino do Luango, os cacongos no reino do Cacongo. os maiombes no reino do lombe. os cabindas e bau\u00f3ios no do Ngoio.<\/p>\n<p>Todos estes reinos chegaram a estar at\u00e9 meados do s\u00e9culo XVII sob a suserania do reino do Congo.<\/p>\n<p>O Manicongo, em raz\u00e3o da grande extens\u00e3o do seu territ\u00f3rio, enviava delegados que governavam em seu nome as prov\u00edncias mais distantes do reino. A eles foi dado o nome de muine ou sona, ou seja vice-rei ou governador. Pouco a pouco, os governadores foram sacudindo o jugo do Muene Congo, o qual durante muito tempo se contentava apenas em receber deles alguns tributos.<\/p>\n<p>\u00c9 imprecisa a data da funda\u00e7\u00e3o do Reino do Ngoio e a sua origem tem mais que uma vers\u00e3o, a mais cred\u00edvel delas relaciona-se com a expuls\u00e3o da princesa Muam Poenha e dos seus tr\u00eas filhos g\u00e9meos, da corte de S. Salvador do Congo Langunda.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-172262 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/cabinda-1.jpg\" alt=\"Cabinda\" width=\"261\" height=\"152\" \/>Frente do Aeroporto de Cabinda<\/strong><\/p>\n<p>Muam Poenha \u00e9 carinhosamente recebida pelos nobres do Ngoio, especialmente por Mib\u00edmbi Pucuta, grande senhor em riqueza e nobreza. As rela\u00e7\u00f5es entre ambos assumiram estreiteza tal que, depressa dar-se-ia o enlace.<\/p>\n<p><strong>Da uni\u00e3o nasceram dois filhos<\/strong>: M\u00f5e Panzo e M\u00f5e Pucuta.<\/p>\n<p><strong>O Rei do Congo ao saber do casamento da princesa e nascimento dos dois filhos, desanexou o seu imp\u00e9rio, formando os reinos do Ngoio, Cacongo e Luando Grande e determinando \u00e0 princesa Muam Poenha que os seus tr\u00eas fiihos (g\u00e9meos) tomassem conta dos novos reinos que passavam a chamar-se respectivamente:<\/strong>\u00a0Macacongo, Mangoio e Maluango.<\/p>\n<p>A maior parte dos estudiosos da Regi\u00e3o concordam que o Reino do Ngoio (Cabinda) \u2013 resultado de um desmembramento do ainda existente reino do Congo teve o seu fim muito antes da reocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pelos portugueses.<\/p>\n<p>Apontam como a causa mais prov\u00e1vel para a sua prov\u00e1vel extin\u00e7\u00e3o, o in\u00edcio da repress\u00e3o da escravatura, visto que os maiores rendimentos dos reis do Congo provinham dos impostos pagos pelos mercadores de escravos. Vinha de longe o predom\u00ednio dos portugueses nas terras de Ponta Negra, data mesmo de Diogo C\u00e3o essa influ\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1606 aparecem Cacongo, Luango e\u00a0<strong>Cabinda\u00a0<\/strong>relacionadas com S. Tom\u00e9 no arrendamento do respectivo com\u00e9rcio a Jorge Rodrigues da Costa.<\/p>\n<p>Em 1607, Duarte Dias Marques, arrendat\u00e1rio do com\u00e9rcio angolano, pedia a inclus\u00e3o do Luango e respectiva costa sul no \u00e2mbito do seu contrato.<\/p>\n<p>O Decreto-real de 11 de Janeiro de 1758 declara livre aos portugueses e pro\u00edbe aos estrangeiros o com\u00e9rcio, em Luango.<\/p>\n<p>Mambuco Puna, tronco da fam\u00edlia Puna que viria a ser um dos cabe\u00e7as do Tratado de Simuiambuco, n\u00e3o via com bons olhos a pretens\u00e3o dos ingleses sobre a\u00a0<strong>regi\u00e3o de Cabinda,<\/strong>\u00a0tanto mais que os franceses igualmente se haviam estabelecido no Malembo e possu\u00edam feitorias comerciais em L\u00e2ndana e \u00c7abinda.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>Cabinda\u00a0<\/strong>e parte do Cacongo, Mambuco Puna convoca os not\u00e1veis da terra para uma reuni\u00e3o magna, na qual defendeu eloquentemente os direitos da soberania portuguesa sobre aquelas terras.<\/p>\n<p>Seguiu-se, de imediato, o ultimato \u00e0 frota da marinha reai inglesa fundeada no porto, pelo qual os\u00a0<strong>povos de Cabinda<\/strong>\u00a0prescindem da prote\u00e7\u00e3o de Sua Magestade a Rainha de Inglaterra e dos seus bons servi\u00e7os, devendo as navios de guerra retirar imediatamente, visto n\u00e3o conhecerem outra l\u00edngua que n\u00e3o fosse a portuguesa e n\u00e3o aceitarem outro rei que n\u00e3o fosse o de Portugal.<\/p>\n<p>O chefe da divis\u00e3o naval brit\u00e2nica n\u00e3o reconhecia o predom\u00ednio portugu\u00eas sobre certos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Come\u00e7ava-se por\u00e9m a definir os graus de latitude em que se devia marcar a influ\u00eancia e a Inglaterra dominada pela vontade de vencer, chegou ao ponto de se n\u00e3o importar com as raz\u00f5es dos tratados.<\/p>\n<p>Pretendeu avassalar os r\u00e9gulos de Ambriz e\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>, os quais os repeliram (1853), dizendo-se s\u00fabditos dos portugueses. Por tanta fidelidade, se nomeou o Rei de Ambriz, Francisco Franque, coronel de segunda linha e o de Cabinda, Bar\u00e3o de Puna.<\/p>\n<p>J\u00e1 anos antes, em 1854, Mpolo, o Pr\u00edncipe do Malembo, receando presen\u00e7a n\u00e3o portuguesa nas terras da sua jurisdi\u00e7\u00e3o, devido a frequentes visitas dos navios ingleses, franceses e holandeses que, com aliciantes ofertas, pretendiam chamar a si os grandes da terra, enviou a Luanda grande embaixada de gente sua, a qual, recebida em audi\u00eancia pelo governadorgeral de Angola, solicitou-lhe a imediata ocupa\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>territ\u00f3rio de Cabinda<\/strong>, o que lhe foi prometido pronta e solenemente.<\/p>\n<p>Na B\u00e9lgica e na Alemanha fundam-se comiss\u00f5es para suprimir a escravatura e para explorar a \u00c1frica. Funda-se sob a \u00e9gide de Leopoldo 11, Rei dos belgas, a \u201cAssociat\u00edon Internat\u00edonale Africaine\u201d.<\/p>\n<p>Portugal dela n\u00e3o participa sendo-lhe, todavia, reconhecida a soberania na costa norte do rio Zaire, mas impondo, contudo, a liberdade de com\u00e9rcio \u00e0s na\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n<p>A Inglaterra protesta e nega-se a reconhecer a legitimidade de Portugal sobre o territ\u00f3rio compreendido entre os paralelos 5\u00b012&#8242; e 8\u00b0 Sul, opondo-se assim \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa do Congo.<\/p>\n<p>Portugal invoca a prioridade dos descobrimentos e posse prolongada e reinvindica para si o curso do baixo Zaire e os territ\u00f3rios situados ao norte do rio.<\/p>\n<p>Staniey, de novo em \u00c1frica, assina numerosos tratados com os chefes aut\u00f3ctones, estabelece feitorias, p\u00f5e barcos a vapor a navegar no curso m\u00e9dio do Zaire e firma s\u00f3lidos alicerces, conquistando assim, para Leopoldo 11 e para a Association em que estava integrado, o magn\u00edfico dom\u00ednio que viria a ser o Estado Independente do Congo.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o de Stanley e de Brazza preocupa fortemente o governo ingl\u00eas que, sem perdas de tempo, comunica a Portugal o seu desejo de estabelecer uma conven\u00e7\u00e3o, reconhecendo a soberania portuguesa naquele territ\u00f3rio e consignando \u00e0 Inglaterra alguns privil\u00e9gios e a transfer\u00eancia de todos os direitos e pretens\u00f5es na costa ocidental da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Entretanto, Ferreira do Amaral, ent\u00e3o governador geral de Angola, designa Brito Capelo para assegurar a posse das regi\u00f5es que confinam com o paralelo de 5\u00ba12&#8242; sul e assinar tratados com as autoridades locais, estabelecendo assim a soberania portuguesa nos territ\u00f3rios de Cacongo e Mass\u00e1bi.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 participada \u00e0 Fran\u00e7a e \u00e0 Inglaterra, que se mostram preocupadas por tal iniciativa. Segue-se a assinatura entre Portugal e Inglaterra, a 26 de Fevereiro de 1884 em Londres, de um acordo que passaria \u00e0 hist\u00f3ria como o Tratado do Zaire.<\/p>\n<p>Este tratado suscita larga controv\u00e9rsia nos meios europeus, sobretudo em Fran\u00e7a. Alemanha, Espanha e Holanda e tamb\u00e9m na Am\u00e9rica, que n\u00e3o queriam reconhecer os direitos hist\u00f3ricos de Portugal e o exerc\u00edcio, em benef\u00edcio da Inglaterra e de Portugal, de um poder exclusivo de pol\u00edcia e fiscaliza\u00e7\u00e3o no curso superior do Zaire.<\/p>\n<p>Com efeito, o apoio da Inglaterra n\u00e3o era desinteressado, impunha a Lisboa pesadas condi\u00e7\u00f5es e defendia com solidez os seus s\u00fabditos e respectivos interesses.<\/p>\n<p>Ademais, por este tratado, Portugal e Inglaterra ficavam, ipso fato, ligados contra a pol\u00edtica africana da Fran\u00e7a e da Association de Leopoldo 11, Portugal surpreendido pela exig\u00eancia de reconhecimento de outras pot\u00eancias, mandou propor em Londres uma confer\u00eancia internacional para tratar das quest\u00f5es pendentes.<\/p>\n<p>Portugal estava confiado nos seus direitos incontest\u00e1veis e absolutos. A Inglaterra n\u00e3o concorda com a sugest\u00e3o.<\/p>\n<p>E \u00e9 neste ambiente perturbado de ambi\u00e7\u00f5es e receios desmedidos que Leopoldo 11 sugere, por seu lado, a reuni\u00e3o de uma confer\u00eancia internacional destinada a delimitar os territ\u00f3rios em \u00c1frica sobre que as diversas pot\u00eancias alegassem direitos.<\/p>\n<p>O entendimento da Alemanha com a Fran\u00e7a permite que seja Bismark a chamar a si o encargo de apresentar a proposta para a reuni\u00e3o de uma confer\u00eancia que estudasse os problemas africanos e especialmente a quest\u00e3o do Zaire.<\/p>\n<p>Nasce a Confer\u00eancia de Berlim, convocada expressamente para regular as quest\u00f5es coloniais no continente africano, mas que acabaria por reunir pot\u00eancias n\u00e3o-coloniais (os Estados Escandlnavos, por exemplo) e n\u00e3o europ\u00e9ias, permitindo aos Estados Unidos interven\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n<p>Portugal entrava na Confer\u00eancla com os seus direitos na costa da \u00c1frica ocidental mais ou menos definidos pelo Tratado de 26 de Fevereiro de 1884, embora n\u00e3o ratificado, com o limite ocidental da regi\u00e3o do Zambeze fixado a 60 milhas ao norte da conflu\u00eancia do rio com o Chire, com princ\u00edpios reconhecidos de liberdade de tr\u00e2nsito, com\u00e9rcio, estabelecimento, toler\u00e2ncia religiosa, prote\u00e7\u00e3o \u00e0s miss\u00f5es de todas as confiss\u00f5es, com a escravatura abolida por lei, com o tr\u00e1fico suprimido por lei, com parte dos seus territ\u00f3rios explorados por viajantes subsidiados pelo estado, com portos abertos \u00e0 navega\u00e7\u00e3o e com planos de expans\u00e3o colonial n\u00e3o inferiores aos dos vizinhos.<\/p>\n<p>Em suma, nada mais se fez na confer\u00eancia do que se generalizar vagos princ\u00edpios de orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e fundamentos de administra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 estatu\u00eddos por Portugal e pela Inglaterra no Tratado de 26 de Fevereiro de 1884.<\/p>\n<p>Pretendeu-se t\u00e3o somente dividir a \u00c1frica, prejudicando Portugal e favorecendo a Association Internationale, j\u00e1 ent\u00e3o reconhecida pelos Estados Unidos e rodeada, por motivos inconfess\u00e1veis, da simpatia da Fran\u00e7a e da Alemanha.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>enclave de Cabinda<\/strong>\u00a0foi aquilo a que ficaram reduzidos os direitos territoriais portugueses ao norte do Zaire, ap\u00f3s a partilha de Berlim.<\/p>\n<p>A Inglaterra com grandes interesses em \u00c1frica, invocava os princ\u00edpios rec\u00e9m-estabelecidos e afirmava n\u00e3o reconhecer a soberania portuguesa em qualquer territ\u00f3rio onde n\u00e3o houvesse soberania e ocupa\u00e7\u00e3o efetiva em for\u00e7a suficiente para manter a ordem entre os nativos e fazer respeitar os direitos estrangeiros.<\/p>\n<p>Os not\u00e1veis de Cablnda por\u00e9m, antes de tudo isso, a 22 de Janeiro de 1885, sabendo que na Confer\u00eancia se discutiria a posse da Regi\u00e3o, sem a sua audi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, re\u00fanem-se em Simulambuco (nos arredores da atual\u00a0<strong>cidade de Cabinda<\/strong>) para elaborarem uma peti\u00e7\u00e3o que foi entregue ao comandante da corveta Rainha de Portugal na qual se solicitava prote\u00e7\u00e3o a Portugal, resultando assim, a assinatura a 1 de Fevereiro daquele ano, na mesma localidade, do Tratado que colocava o territ\u00f3rio do ent\u00e3o Reino do Ngoio sob a guarda e soberania de Portugal. Entretanto, o Rei do Congo, D. Pedro V, pedira para o seu territ\u00f3rio ser incorporado no que se deixara a Portugal, visto considerar-se seu grato vassalo.<\/p>\n<p>Portugal ficava assim com os\u00a0<strong>territ\u00f3rios de Cabinda<\/strong>, Malembo e Mass\u00e1bi, ao norte do Zaire. O Tratado que integrou Cabinda no Imp\u00e9rio portugu\u00eas e que tomou o nome da localidade em que fora assinado, Simulambuco, foi firmado pelo comandante da corveta Rainha de Portugal, Guilherme Augusto de Brito Capelo e pejos pr\u00edncipes da Terra.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sua assinatura estabeleceu-se a\u00a0<strong>povoa\u00e7\u00e3o de Cabinda<\/strong>, nela se instalando as autoridades portuguesas e tendo tido como primeiro governador Jo\u00e3o Ant\u00f3nio de Brissac das Neves Ferreira, que ali chegou a 14 de Julho de 1887.<\/p>\n<p>A 5 de Julho de 1913 em Bruxelas, Portugal assinaria um protocolo aprovando nova demarca\u00e7\u00e3o da fronteira lusobelga de\u00a0<strong>Cabinda.<\/strong><\/p>\n<p>Quanto \u00e0 fronteira de\u00a0<strong>Cabinda com o Congo<\/strong>\u00a0(Brazaviile) havia sido assinado em Paris, a 12 de Janeiro de 1901, protocolo interpretando e completando o artigo 3 da Conven\u00e7\u00e3o de 12 de Maio de 1886, relativo ao tra\u00e7ado da linha de fronteira franco-portuguesa na regi\u00e3o do Congo.<\/p>\n<p><strong>Estava assim consumada a divis\u00e3o do Congo em tr\u00eas partes:<\/strong>\u00a0belga, francesa e portuguesa.<\/p>\n<p>Em 1956,\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>\u00a0foi inclu\u00edda pelo governo coloniai portugu\u00eas no territ\u00f3rio da Prov\u00edncia de Angola. Cabinda passava assim a ser dirigida diretamente pelo governador-geral de Angola.<\/p>\n<p>V\u00e1rios movimentos de liberta\u00e7\u00e3o come\u00e7avam a aparecer em Angola, alguns com o apoio do Congo e do Zaire. Com a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u201d em Portugal em 1974, come\u00e7a um r\u00e1pido processo de indpend\u00eancia das v\u00e1rias col\u00f3nias portuguesas. Entretanto, o MPLA conquista a supremacia no enclave.<\/p>\n<p>Nos Acordos do Aivor,\u00a0<strong>Cabinda<\/strong>\u00a0n\u00e3o foi reconhecida como estado separado, tendo os movimentos separatistas ficado de fora das negocia\u00e7\u00f5es que conduziram \u00e0 independ\u00eancia de Angola. Territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Baptizado outrora pelos portugueses de Porto Rico, \u00e9 rico em recursos naturais<\/strong>: petr\u00f3leo. madeiras. ouro, diamantes, ur\u00e2nio e fosfatos.<\/p>\n<p>A partir de 1915 v\u00e1rias companhias petrol\u00edferas come\u00e7aram a explorar a regi\u00e3o. Em 1954. a Cabinda Gulf (grupo Chevron), obteve a concess\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo de Cabinda. Em 1962 grandes quantidades de petr\u00f3leo foram localizadas, em 1968 Cabinda fornecia petr\u00f3leo \u00e0 Chevron, a Portugal e a partir de 1975 abastecia Angola.<\/p>\n<p>\u201cA economia de Cabinda, que at\u00e9 h\u00e1 dois anos assentava fundamentalmente, nas vastas florestas de ricas ess\u00eancias, no caf\u00e9, cacau, oleaginosas e na cultura tradicional da regi\u00e3o. acaba de ver alargadas as suas perspectivas com os po\u00e7os de petr\u00f3leo descobertos na plataforma continental, ao largo de Malembo. em \u00e1guas pouco profundas que v\u00e3o de 10 a 20 metros, estendendo-se por 25 km para norte da cidade de Cabinda, a pouca dist\u00e2ncia da costa.<\/p>\n<p>Desde a primeira exporta\u00e7\u00e3o, a 27 de Novembro de 1968, j\u00e1 se efetuaram doze carregamentos. \u00e0 m\u00e9dia de 40.000 toneladas (288.000 barris) cada um, o que totaliza cerca de meio milh\u00e3o de toneladas.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o da Cabinda Gulf Oil Corporation atingir\u00e1 150.000 barris di\u00e1rios em 1970, o que colocar\u00e1 Angola no quarto lugar entre os produtores africanos de petr\u00f3leo, depois da L\u00edbia. Arg\u00e9lia e do Biafra.<\/p>\n<p>A pesca, \u00e9 tamb\u00e9m importante fonte de rendimento e ricas as suas esp\u00e9cies cineg\u00e9ticas. Sublinhe-se ainda que as reservas da floresta do Maiombe podem fornecer, segundo dados oficiais, mais de 200.000 m\u00b3 de madeira por ano\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cabinda<\/strong>\u00a0\u00e9 um territ\u00f3rio na costa atl\u00e2ntica africana com cerca de 7.283 Km\u00b2, tendo fronteiras terrestres a norte, com o Congo (Brazzaviile) numa extens\u00e3o de 196 km, a nordeste, leste e sul com o Congo Democr\u00e1tico (Kinshasa) ao longo de 153 km e 100 km respectivamente e a oeste com o oceano Atl\u00e2ntico. Possui como principal eleva\u00e7\u00e3o o morro de Sanga (Miconje), no nordeste da Prov\u00edncia com uma altitude de 840m.<\/p>\n<p>A rede fluvial \u00e9 caracterizada por v\u00e1rios rios, riachos e lagos, sendo dominada pelo rio Chiioango que nasce fora do Pa\u00eds em M\u2019bembe, possuindo uma extens\u00e3o naveg\u00e1vel de 200 km at\u00e9 a vila de L\u00e2ndana onde desagua. Tem uma bacia hidrogr\u00e1fica de 5.170 Km\u00b2.<\/p>\n<p><strong>A popula\u00e7\u00e3o ronda os 170.000 habitantes distribuindo-se por 4 munic\u00edpios:<\/strong>\u00a0Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize; com 12 comunas compostas de 386 povoa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>territ\u00f3rio de Cabinda<\/strong>\u00a0possui um clima tropical h\u00famido em toda a sua extens\u00e3o com precipita\u00e7\u00f5es anuais perto dos 800mm, oscilando a temperatura m\u00e9dia anual entre os 25\u00b0C e os 30\u00b0c.<\/p>\n<p>Possui um meio geogr\u00e1fico caracterizado pela floresta densa e h\u00famida (floresta do Maiombe) predominando nos munic\u00edpios de Buco-Zau e Beiize com 45 km. Persiste a savana e matas tropicais secas, nos\u00a0<strong>munic\u00edpios de Cabinda<\/strong>\u00a0e Cacongo em extens\u00f5es de 60 km e 47 km.<\/p>\n<p><strong>Principais riquezas naturais:<\/strong>\u00a0petr\u00f3ieo no munic\u00edpio de Cabinda; madeiras no Buco-Zau e Belize; ouro e mangan\u00eas no Buco-Zau e Belize; e ur\u00e2nio, quartzo e fosfatos no munic\u00edpio do Cacongo.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.mindat.org\/www.theafricareport.com\/www.africa.upenn.edu\/www.consuladodeangola.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capital:\u00a0Cabinda Munic\u00edpios:\u00a0Belize, kakongo, Buco Zau, L\u00e2ndana, Cabinda. \u00c1rea:\u00a07 270 Km\u00b2 Popula\u00e7\u00e3o:\u00a0170.000 habitantes Clima:\u00a0tropical h\u00famido. 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