{"id":39128,"date":"2016-05-31T17:24:04","date_gmt":"2016-05-31T17:24:04","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=39128"},"modified":"2023-10-27T09:32:29","modified_gmt":"2023-10-27T11:32:29","slug":"partilha-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/turismo\/partilha-da-africa","title":{"rendered":"Partilha da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Partilha da \u00c1frica &#8211; Luta<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1875 e 1914, os pa\u00edses europeus invadiram e subjugaram quase todo o continente africano.<\/p>\n<p>Os historiadores debatem h\u00e1 muito tempo as causas desta ruptura com as pol\u00edticas europeias anteriores em rela\u00e7\u00e3o a \u00c1frica.<\/p>\n<p>O crescente apetite europeu pela conquista e a disposi\u00e7\u00e3o dos governos europeus em pagar por empreendimentos imperialistas tornaram-se conhecidos como o &#8220;Novo Imperialismo&#8221; para distingui-lo das antigas tradi\u00e7\u00f5es de colonialismo anteriores a 1850. As pol\u00edticas anteriores centravam-se mais na procura de influ\u00eancia comercial do que formal. ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Partilha da \u00c1frica &#8211; Causa<\/strong><\/p>\n<p>Nenhuma causa pode explicar a disputa. Pelo contr\u00e1rio, uma conjun\u00e7\u00e3o de atitudes favor\u00e1veis ao imp\u00e9rio, aos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais levou diferentes governos a acreditar que a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00c1frica seria poss\u00edvel, necess\u00e1ria e barata.<\/p>\n<p>Os desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos criaram uma discrep\u00e2ncia de curta dura\u00e7\u00e3o, mas radical, entre os pa\u00edses africanos e europeus. O quinino, os barcos a vapor e novos armamentos como a metralhadora deram aos europeus uma tremenda vantagem sobre a maioria dos estados africanos.<\/p>\n<p>Muitos europeus tamb\u00e9m consideraram a capacidade tecnol\u00f3gica um sinal da sua superioridade moral sobre os africanos.<\/p>\n<p>As necessidades econ\u00f4micas tamb\u00e9m ajudaram a levar \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, embora muitas vezes isso tenha sido feito para obter lucros r\u00e1pidos, em vez de benef\u00edcios tang\u00edveis que resultaram da coloniza\u00e7\u00e3o. J.A. Hobson (1858\u20131940) e o l\u00edder comunista Vladimir Lenin (1870\u20131924) argumentaram que o imperialismo resultava da necessidade das sociedades capitalistas encontrarem novos mercados para as suas f\u00e1bricas e mat\u00e9rias-primas, de modo a alimentar a produ\u00e7\u00e3o. No entanto, esta explica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o reconhece que muito poucas col\u00f4nias obtiveram lucro antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e que a maioria dos investidores europeus preferia aplicar o seu dinheiro noutro local. Somente a \u00c1frica do Sul, onde ouro e diamantes foram descobertos antes de 1880, atraiu muitas empresas e um extenso capital.<\/p>\n<p>Outros fatores entraram na equa\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o africana. Os pol\u00edticos e oficiais militares franceses, amargurados com a perda da Als\u00e1cia e da Lorena, viram o dom\u00ednio de \u00c1frica como uma oportunidade para o seu pa\u00eds continuar a ser uma pot\u00eancia mundial. Nacionalistas de muitos pa\u00edses clamavam por guerras de conquista. Alguns pol\u00edticos, como o ministro do Partido Conservador, Lord Salisbury, e o primeiro-ministro alem\u00e3o Otto von Bismarck (1815-1898), desdenharam pessoalmente a \u00c1frica, mas sentiram que o equil\u00edbrio de poder na Europa s\u00f3 poderia ser mantido atrav\u00e9s de uma divis\u00e3o equitativa dos despojos africanos. Escritores mission\u00e1rios como David Livingstone (1813-1873) apresentaram a \u00c1frica como devastada pelo com\u00e9rcio de escravos e pela supersti\u00e7\u00e3o primitiva. A popularidade das doutrinas sociais darwinistas da superioridade biol\u00f3gica europeia levou outros a abra\u00e7ar o imp\u00e9rio, como o magnata sul-africano Cecil Rhodes (1853\u20131902).<\/p>\n<p>Finalmente, os ambiciosos europeus em \u00c1frica mostraram-se mais dispostos a construir imp\u00e9rios utilizando tropas ind\u00edgenas do que o regime do seu pa\u00eds de origem alguma vez planeou.<\/p>\n<p><strong>Partilha da \u00c1frica &#8211; Como aconteceu<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-172161 size-full\" title=\"Partilha da \u00c1frica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/partilha-da-africa.jpg\" alt=\"Partilha da \u00c1frica\" width=\"244\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/partilha-da-africa.jpg 244w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/partilha-da-africa-229x300.jpg 229w\" sizes=\"(max-width: 244px) 100vw, 244px\" \/>Partilha da \u00c1frica<\/strong><\/p>\n<p>Os acontecimentos no Norte e no Oeste de \u00c1frica estabeleceram as bases para a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00c1frica. O governo eg\u00edpcio sob o quediva Ismail (1830-1895) contraiu enormes d\u00edvidas na constru\u00e7\u00e3o do Canal de Suez e em outros projetos de moderniza\u00e7\u00e3o. Por causa das suas d\u00edvidas, os governos brit\u00e2nico e franc\u00eas assumiram grande parte da \u00c1frica em 1879.<\/p>\n<p>As diverg\u00eancias europeias durante a crise dos Balc\u00e3s de 1875-1878 levaram \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica de Chipre. O governo franc\u00eas recebeu o acordo t\u00e1cito de Londres para a ocupa\u00e7\u00e3o da Tun\u00edsia em 1881 como compensa\u00e7\u00e3o. Depois que as for\u00e7as brit\u00e2nicas reprimiram uma revolta nacionalista no Egito em 1882, os pol\u00edticos franceses exigiram compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os oficiais franceses tamb\u00e9m come\u00e7aram a expandir a sua autoridade no Senegal a partir de 1879.<\/p>\n<p>Em 1882, outros entraram na competi\u00e7\u00e3o. Leopoldo II (1835\u20131909), da B\u00e9lgica, h\u00e1 muito sonhava em criar um imp\u00e9rio e contratou o jornalista anglo-americano Henry Morton Stanley (1841\u20131904) para ajudar a promover uma associa\u00e7\u00e3o supostamente cient\u00edfica, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional Africana, que tinha como verdadeiro objetivo a cria\u00e7\u00e3o de um estado centro-africano controlado pelo pr\u00f3prio Leopoldo II.<\/p>\n<p>O oficial franc\u00eas Pierre Savorgnan de Brazza (1852\u20131905) e Stanley persuadiram os chefes africanos ao longo do rio Congo a assinar tratados duvidosos em nome dos seus patrocinadores rivais. O governo portugu\u00eas, alarmado com os des\u00edgnios brit\u00e2nicos para a \u00c1frica Austral, bem como com estes movimentos para a \u00c1frica Central, em territ\u00f3rio que h\u00e1 muito reivindicava, mas nunca controlava, assinou um acordo em 1884 com os brit\u00e2nicos respeitando os direitos portugueses no Rio Congo. Para resolver estas disputas, Bismarck organizou a Confer\u00eancia de Berlim de 1884-1885.<\/p>\n<p>A Confer\u00eancia de Berlim estabeleceu um procedimento sobre como o territ\u00f3rio africano poderia ser assumido pelos pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a e a Alemanha decidiram permitir que Leopoldo II formasse o Estado Livre do Congo, desde que ele permitisse o livre com\u00e9rcio dentro das suas fronteiras.<\/p>\n<p>Participaram representantes da maioria dos pa\u00edses europeus. Os rios N\u00edger e Congo foram declarados livres para viagens navais. Os pa\u00edses poderiam reivindicar territ\u00f3rio com tratados assinados e prova de \u201cocupa\u00e7\u00e3o efetiva\u201d. Foram criadas \u201cesferas de influ\u00eancia\u201d gerais, mas as fronteiras coloniais s\u00f3 foram fixadas entre 1885 e 1911.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a confus\u00e3o, os pa\u00edses europeus n\u00e3o saltaram imediatamente para a invas\u00e3o. Os oficiais franceses visaram a destrui\u00e7\u00e3o do reino mu\u00e7ulmano Umariano no final da d\u00e9cada de 1880, mas s\u00f3 conseguiram derrot\u00e1-lo e a outros l\u00edderes africanos como Samory Tour\u00e9 (1830\u20131900) na d\u00e9cada seguinte. As tentativas dos pa\u00edses europeus de confiarem em empresas privadas, como a Companhia Nacional Africana de Sir James Goldie, para pouparem despesas, geralmente levaram \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o formal, uma vez que estas empresas se revelaram incapazes de pagar e manter a ocupa\u00e7\u00e3o colonial.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses europeus por terras africanas continuou at\u00e9 \u00e0 Primeira Guerra Mundial. As for\u00e7as francesas e inglesas quase se enfrentaram sobre o Sud\u00e3o na aldeia de Fashoda em 1898, por exemplo, mas as suas disputas acabaram por ser resolvidas atrav\u00e9s da diplomacia.<\/p>\n<p>As comunidades africanas podiam por vezes travar guerras de guerrilha durante d\u00e9cadas, mas apenas uma vez conseguiram derrotar completamente os invasores. A Eti\u00f3pia, liderada por Menelik II (1844\u20131913) e o seu ex\u00e9rcito bem preparado, derrotou os planos italianos de conquista na batalha de Adowa em 1896, for\u00e7ando a It\u00e1lia a reconhec\u00ea-la como uma na\u00e7\u00e3o soberana.<\/p>\n<p>As rep\u00fablicas b\u00f4eres brancas derrotaram as for\u00e7as brit\u00e2nicas em 1881, mas uma segunda guerra entre as duas resultou na vit\u00f3ria inglesa ap\u00f3s um longo conflito de 1899 a 1902.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es para a vit\u00f3ria europeia residiu na utiliza\u00e7\u00e3o de auxiliares africanos. Outra residia nas divis\u00f5es pol\u00edticas entre os africanos. Fac\u00e7\u00f5es rivais em Buganda, na costa da Tanz\u00e2nia e noutros locais tentaram obter ajuda europeia, muitas vezes ao custo final da sua pr\u00f3pria independ\u00eancia. Alguns africanos lucraram com as invas\u00f5es, mas muitos mais sofreram com os impostos, o trabalho for\u00e7ado, as epidemias e as migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas nos primeiros anos do dom\u00ednio europeu.<\/p>\n<p><strong>Partilha da \u00c1frica &#8211; Pa\u00edses<\/strong><\/p>\n<p>No fim do s\u00e9culo 19, pa\u00edses europeus repartiram o continente africano entre si e o exploraram durante quase 100 anos. Os invasores se foram, mas deixaram os efeitos nefastos de sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao encerrar a Confer\u00eancia de Berlim, em 26 de fevereiro de 1885, o chanceler alem\u00e3o Otto von Bismarck inaugurou um novo &#8220;e sangrento&#8221; cap\u00edtulo da hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre europeus e africanos.<\/p>\n<p>Menos de tr\u00eas d\u00e9cadas ap\u00f3s o encontro, ingleses, franceses, alem\u00e3es, belgas, italianos, espanh\u00f3is e portugueses j\u00e1 haviam conquistado e repartido entre si 90% da \u00c1frica ou o correspondente a pouco mais de tr\u00eas vezes a \u00e1rea do Brasil. Essa apropria\u00e7\u00e3o provocou mudan\u00e7as profundas n\u00e3o apenas no dia-a-dia, nos costumes, na l\u00edngua e na religi\u00e3o dos v\u00e1rios grupos \u00e9tnicos que viviam no continente. Tamb\u00e9m criou fronteiras que, ainda hoje, s\u00e3o respons\u00e1veis por trag\u00e9dias militares e humanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>O papel da confer\u00eancia, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de 14 pa\u00edses, era delinear as regras da ocupa\u00e7\u00e3o. A confer\u00eancia n\u00e3o dividiu a \u00c1frica em blocos coloniais, mas admitiu princ\u00edpios b\u00e1sicos para administrar as atividades europ\u00e9ias no continente, como o com\u00e9rcio livre nas bacias dos rios Congo e N\u00edger, a luta contra a escravid\u00e3o e o reconhecimento da soberania somente para quem ocupasse efetivamente o territ\u00f3rio reclamado.<\/p>\n<p><strong>A rapidez com que a divis\u00e3o se deu foi conseq\u00fc\u00eancia direta da principal decis\u00e3o do encontro, justamente o princ\u00edpio da &#8220;efetividade&#8221;:<\/strong>\u00a0para garantir a propriedade de qualquer territ\u00f3rio no continente, as pot\u00eancias europ\u00e9ias tinham de ocupar de fato o quinh\u00e3o almejado. Isso provocou uma corrida maluca em que cada um queria garantir um peda\u00e7o de bolo maior que o do outro. Em pouco tempo, com exce\u00e7\u00e3o da Eti\u00f3pia e da Lib\u00e9ria, todo o continente ficou sob o dom\u00ednio europeu. A Lib\u00e9ria, formada por escravos libertos enviados de volta pelos Estados Unidos, havia se tornado independente em 1847. Na Eti\u00f3pia, a independ\u00eancia foi garantida depois da Confer\u00eancia de Berlim, com a vit\u00f3ria do ex\u00e9rcito do imperador Menelik II sobre tropas italianas na batalha de Adwa, em 1896.<\/p>\n<p>O interesse europeu pela \u00c1frica vinha de muito tempo antes da confer\u00eancia. No s\u00e9culo 15, os portugueses j\u00e1 haviam chegado aos arquip\u00e9lagos de Cabo Verde e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, iniciando sua ocupa\u00e7\u00e3o do continente (que depois se estendeu a Angola e Mo\u00e7ambique). Os brit\u00e2nicos ocuparam partes da atual \u00c1frica do Sul, do Egito, do Sud\u00e3o e da Som\u00e1lia no s\u00e9culo 19. No mesmo per\u00edodo, os franceses se apoderaram de parte do Senegal e da Tun\u00edsia, enquanto os italianos marcavam presen\u00e7a na Eritr\u00e9ia desde 1870. Em 1902, Fran\u00e7a e Inglaterra j\u00e1 detinham mais de metade do continente.<\/p>\n<p><strong>Partilha da \u00c1frica &#8211; Tiros e mentiras<\/strong><\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deu somente com a for\u00e7a das armas de fogo, que eram novidade para muitos dos povos subjugados. A trapa\u00e7a foi largamente usada para a conquista e manuten\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>O rei Lobengula, do povo Ndebele, \u00e9 um exemplo:\u00a0<\/strong>assinou um contrato em que acreditava ceder terras ao magnata brit\u00e2nico Cecil Rhodes em troca de &#8220;prote\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o contrato firmado pelo rei n\u00e3o inclu\u00eda a segunda parte do trato. O monarca nem percebeu, pois era analfabeto e n\u00e3o falava ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Apesar dos protestos de Lobengula, que acreditava que a palavra valia alguma coisa entre os rec\u00e9m-chegados, o governo da Inglaterra se fez de desentendido.<\/p>\n<p>Apoiou a explora\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio Ndebele, no atual Zimb\u00e1bue, de onde Rhodes tirou toneladas de ouro.<\/p>\n<p>O mais famoso entre os trapaceiros, no entanto, foi o rei Leopoldo II, que conseguiu passar a perna em africanos e europeus. Soberano de um pequeno pa\u00eds, a B\u00e9lgica, n\u00e3o tinha recursos nem homens para ocupar grandes territ\u00f3rios. Por isso, criou associa\u00e7\u00f5es que se apresentavam como cient\u00edficas e humanit\u00e1rias, a fim de &#8220;proteger&#8221; territ\u00f3rios como a cobi\u00e7ada foz do rio Congo.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a h\u00e1beis manobras diplom\u00e1ticas, ele conseguiu obter o reconhecimento, por todas as pot\u00eancias da \u00e9poca, de um &#8220;Estado Livre do Congo&#8221;, do qual ele seria o governante absoluto.<\/p>\n<p>Mas o principal m\u00e9todo utilizado pelos europeus foi o bom e velho &#8220;dividir para dominar&#8221;. A id\u00e9ia era se aproveitar da rivalidade entre dois grupos \u00e9tnicos locais (ou cri\u00e1-la, se fosse inexistente) e tomar partido de um deles. Com o apoio do escolhido, a quem davam armas e meios para subjugar os rivais, os europeus controlavam a popula\u00e7\u00e3o inteira.<\/p>\n<p><strong>Pode-se dizer que todas as pot\u00eancias conduziam a conquista da mesma forma:<\/strong>\u00a0atrav\u00e9s da for\u00e7a bruta, dividindo para dominar e usando soldados que eram principalmente africanos e n\u00e3o europeus.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo usado pelos colonizadores provocou tens\u00f5es que at\u00e9 hoje perduram, pois transformou profundamente as estruturas sociais tradicionais da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00f5es de grupos flex\u00edveis e cambiantes foram mudadas para &#8220;estruturas \u00e9tnicas&#8221; bastante r\u00edgidas.<\/p>\n<p>O exemplo mais extremo dessa fronteira imagin\u00e1ria criada pelos europeus \u00e9 o de tutsis e hutus, de Ruanda. Os tutsis foram considerados de &#8220;origem mais nobre&#8221; pelos colonizadores (primeiro alem\u00e3es, depois belgas), e os hutus foram colocados em posi\u00e7\u00e3o de inferioridade. Os tutsis mantiveram o poder mesmo ap\u00f3s a sa\u00edda dos belgas.<\/p>\n<p>Em 1994, 32 anos ap\u00f3s a independ\u00eancia de Ruanda, cerca de 1 milh\u00e3o de pessoas morreram no conflito em que os detentores do poder foram perseguidos pelos at\u00e9 ent\u00e3o marginalizados hutus.<\/p>\n<p>As fronteiras territoriais tamb\u00e9m foram delineadas sem respeitar a disposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local, com base nos interesses dos europeus. Eles recorriam a no\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias como latitude, longitude, linha de divis\u00e3o das \u00e1guas e curso presum\u00edvel de um rio que mal se conhecia. E essas fronteiras ainda sobrevivem.<\/p>\n<p>Cerca de 90% das atuais fronteiras na \u00c1frica foram herdadas do per\u00edodo colonial. Apenas em 15% delas foram levadas em considera\u00e7\u00e3o quest\u00f5es \u00e9tnicas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda mais de uma dezena de fronteiras a serem definidas.<\/p>\n<p>O Saara Ocidental \u00e9 o \u00fanico caso de territ\u00f3rio africano que ainda n\u00e3o conseguiu a independ\u00eancia. Em 1975, depois de d\u00e9cadas explorando o fosfato da regi\u00e3o, a Espanha o abandonou. No mesmo ano, o Marrocos invadiu o pa\u00eds. Houve resist\u00eancia, e a guerra durou at\u00e9 1991. Desde ent\u00e3o, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas tenta organizar um referendo para que a popula\u00e7\u00e3o decida se quer a independ\u00eancia ou a anexa\u00e7\u00e3o pelo Marrocos.<\/p>\n<p>Para os pa\u00edses africanos, ver-se livre dos europeus n\u00e3o significou uma melhoria de sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ao contr\u00e1rio:\u00a0<\/strong>em muitos lugares, a independ\u00eancia provocou guerras ainda mais sangrentas, que contaram com a participa\u00e7\u00e3o das antigas metr\u00f3poles coloniais.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a Nig\u00e9ria. Seis anos ap\u00f3s a independ\u00eancia do pa\u00eds, em 1960, os ibos, que haviam adotado o cristianismo, declararam a secess\u00e3o do territ\u00f3rio nigeriano de Biafra.<\/p>\n<p>Foram apoiados por franceses e portugueses, interessados nas ricas reservas de petr\u00f3leo da regi\u00e3o. Os hau\u00e7\u00e1s e fulanis, mu\u00e7ulmanos que dominavam o cen\u00e1rio pol\u00edtico do pa\u00eds, lutaram pela unidade apoiados pelos ingleses. O resultado foi uma guerra civil em que quase 1 milh\u00e3o de nigerianos morreram, a grande maioria de fome at\u00e9 hoje o pa\u00eds \u00e9 palco de embates religiosos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p><strong>Na marra<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe exatamente quantos grupos \u00e9tnicos havia na \u00c1frica quando os colonizadores chegaram, mas acredita-se que fossem por volta de mil.<\/p>\n<p>O que sabemos sugere que as forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e grupais eram muito mais fluidas e a varia\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica era muito maior do que na era colonial.<\/p>\n<p>L\u00ednguas foram adotadas em detrimento de outras, o que provocou o nascimento de elites.<\/p>\n<p>A chegada de mission\u00e1rios e a introdu\u00e7\u00e3o de escolas formais fizeram com que dialetos espec\u00edficos fossem selecionados para traduzir a B\u00edblia. Estabeleceram-se ortografias oficiais, provocando homogeneidade ling\u00fc\u00edstica. Os que falavam a l\u00edngua do grupo majorit\u00e1rio tiveram mais facilidades num governo centralizado e dominado por uma s\u00f3 etnia.<\/p>\n<p>Se por um lado alguns dialetos desapareceram, o mesmo n\u00e3o ocorreu com a diversidade \u00e9tnica. Grupos \u00e9tnicos n\u00e3o foram eliminados durante o dom\u00ednio colonial, apesar de os alem\u00e3es terem tentado realizar o primeiro genoc\u00eddio na Nam\u00edbia. Teria sido poss\u00edvel, inclusive, o surgimento de outros povos.<\/p>\n<p>Muitos historiadores defendem a tese de que novos grupos foram criados durante o per\u00edodo colonial, pois as pessoas come\u00e7aram a se autodefinir de novas formas.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo:<\/strong>\u00a0os ibos da Nig\u00e9ria e os ewes de Gana e do Togo apenas passaram a se denominar desse modo durante o per\u00edodo entre as duas Grandes Guerras Mundiais.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o comprometeu duramente o desenvolvimento da \u00c1frica. Hoje o continente abriga boa parte dos pa\u00edses mais pobres do planeta. No plano pol\u00edtico, o legado do colonialismo inclui a tradi\u00e7\u00e3o de administra\u00e7\u00e3o de cima para baixo, a persist\u00eancia de burocracias que fornecem poucos servi\u00e7os e um baixo senso de identidade e interesse nacional.<\/p>\n<p>Os Estados s\u00e3o geralmente fracos, ineficientes e brutais. Economicamente, o colonialismo produziu, em sua maior parte, economias dependentes, monoculturistas e n\u00e3o integradas, que atendem prioridades externas e n\u00e3o internas.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual dos pa\u00edses africanos pode ser atribu\u00edda \u00e0 pressa que os colonizadores tiveram em transformar a realidade local. Isso fez com que o continente pulasse etapas importantes. O maior problema \u00e9 que, em apenas algumas d\u00e9cadas, as sociedades tradicionais africanas foram lan\u00e7adas em uma situa\u00e7\u00e3o totalmente desconhecida. Voc\u00ea n\u00e3o pode criar um sistema capitalista e Estados democr\u00e1ticos de um dia para outro, em poucas gera\u00e7\u00f5es. As pr\u00f3prias sociedades tradicionais europ\u00e9ias precisaram de s\u00e9culos para chegar a esse resultado. Essa chance nunca foi dada aos africanos.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.gale.com\/www.moderna.com.br\/www.encyclopedia.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partilha da \u00c1frica &#8211; Luta Entre 1875 e 1914, os pa\u00edses europeus invadiram e subjugaram quase todo o continente africano. Os historiadores debatem h\u00e1 muito tempo as causas desta ruptura com as pol\u00edticas europeias anteriores em rela\u00e7\u00e3o a \u00c1frica. 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