{"id":35913,"date":"2016-05-24T18:07:31","date_gmt":"2016-05-24T18:07:31","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=35913"},"modified":"2018-12-10T10:49:28","modified_gmt":"2018-12-10T12:49:28","slug":"joao-de-barro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/ciencias-da-natureza\/biologia\/animais\/joao-de-barro","title":{"rendered":"Jo\u00e3o-de-Barro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o-de-barro &#8211; O que \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro\u00a0<\/strong>\u00e9 um dos p\u00e1ssaros mais populares do Brasil, famoso pelo tipo de constru\u00e7\u00e3o de seu ninho em forma de forno (o nome cient\u00edfico Furnarius significaria \u201caquele que trabalha em fornos\u201d- Jobling,1991), utilizando barro \u00famido, al\u00e9m de esterco misturado com palha.<\/p>\n<p>Gosta de edificar em locais bem abertos, como \u00e1rvores isoladas e postes, trabalhando o casal em conjunto, onde cada um assenta o material coletado por ele, n\u00e3o havendo qualquer transfer\u00eancia a outro parceiro; levam de duas a tr\u00eas semanas para o t\u00e9rmino do trabalho.<\/p>\n<p><strong>Os ninhos abandonados podem ser usados por outras esp\u00e9cies de aves, como:<\/strong>\u00a0can\u00e1rios, andorinhas e at\u00e9 mesmo pelos pardais, sendo ocupados tamb\u00e9m por abelhas (Sick,1985).<\/p>\n<p>O casal t\u00eam o h\u00e1bito de cantar em dueto pr\u00f3ximo ao ninho; se alimentam de insetos, minhocas, caramujos e algumas sementes (H\u00f6fling &amp; Camargo,1993).<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o-de-barro &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro\u00a0<\/strong>\u00e9 muito conhecido por seu ninho singular e criativo, todo feito de barro misturado com capim.<\/p>\n<p>\u00c9 uma ave muito admirada pelo povo, que o considera bastante trabalhador, pelo ninho que faz e tamb\u00e9m por manter-se aos casais por toda a vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 at\u00e9 uma lenda dizendo que o\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0aprisiona dentro do ninho a f\u00eamea que o tenha tra\u00eddo.<\/p>\n<p>Na verdade isto n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>\u00c9 que alguns ninhos s\u00e3o achados fechados porque uma abelhinha aproveita os ninhos abandonados fechando sua entrada com cera.<\/p>\n<p>Alimenta-se catando gr\u00e3os e insetos pelo ch\u00e3o, onde anda com grande eleg\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Cada ano faz um novo ninho e \u00e9 comum ir construindo os novos ninhos em cima dos anteriores. J\u00e1 forma vistos at\u00e9 10 ninhos empilhados, formando um \u201carranha-c\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p><strong>O jo\u00e3o-de-barro e sua esposa traidora<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma cren\u00e7a popular, inclusive mencionada em literatura ornitol\u00f3gica, de que o\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>, Furnarius rufus, empareda dentro do ninho a f\u00eamea que o tenha tra\u00eddo. Pessoas adultas, mesmo com relativa experi\u00eancia de vida, afirmam isto com a maior convic\u00e7\u00e3o. Esta est\u00f3ria imputa ao\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0duas pechas.<\/p>\n<p>Primeiro, a de que suas esposas s\u00e3o capazes de trair. Segundo, a de que os maridos s\u00e3o capazes de cometer assassinatos passionais.<\/p>\n<p>Na verdade tudo n\u00e3o passa de um mito. E este mito pode ter surgido de dois fatos. O primeiro \u00e9 de que alguns ninhos abandonados do\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0s\u00e3o aproveitados por abelhas ind\u00edgenas como a uru\u00e7\u00fa-mirim, para fazerem sua colm\u00e9ia. As abelhas fecham a entrada do ninho com uma cera, dando a impress\u00e3o de ter sido fechado pela ave. Mas olhando-se mais atentamente nota-se o engano.<\/p>\n<p>Outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o, a meu ver a verdadeira, \u00e9 a seguinte. Hudson, em uma obra de 1920, cita um interessante epis\u00f3dio ocorrido em Buenos Aires. Uma das aves (n\u00e3o foi poss\u00edvel saber se o macho ou a f\u00eamea, pelo fato de serem muito parecidos) foi acidentalmente pega em uma ratoeira que lhe quebrou ambos os p\u00e9s. Ap\u00f3s liberada com muita consterna\u00e7\u00e3o por quem havia armado a ratoeira, voou para o ninho onde entrou e n\u00e3o foi mais vista, ali morrendo certamente. O outro membro do casal permaneceu por ali mais dois dias, chamando insistentemente pelo parceiro. Em seguida desapareceu retornando tr\u00eas dias ap\u00f3s com um novo parceiro e imediatamente come\u00e7aram a carregar barro para o ninho, fechando a sua entrada. Depois constru\u00edram outro ninho sobre o primeiro e ali procriaram. Hudson viu este fato como mais uma \u201cqualidade\u201d do\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>, por ter tido o cuidado de sepultar sua parceira.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que esta hist\u00f3ria, publicada originalmente em um peri\u00f3dico cient\u00edfico, tenha sido divulgada muitas vezes em revistas e jornais, como acontece hoje com diversos assuntos, tornando-se logo de dom\u00ednio p\u00fablico. Acontece que toda hist\u00f3ria contada e recontada repetidamente, vai incorporando um pouco do floreado ou mesmo da fantasia de cada um, acabando muitas vezes com seu real sentido totalmente desfigurado. Tudo indica que foi o que aconteceu neste caso.<\/p>\n<p><b>Uma m\u00fasica popular, chamada \u201cJo\u00e3o-de-barro\u201d, tamb\u00e9m deve ter contribu\u00eddo para popularizar essa est\u00f3ria:<\/b><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro<\/strong>, pra ser feliz como eu<br \/>\nCerto dia resolveu, arranjar uma companheira<\/p>\n<p>No vai-e-vem, com o barro da biquinha<br \/>\nEle fez sua casinha, l\u00e1 no galho da paineira<br \/>\nToda manh\u00e3, o pedreiro da floresta<\/p>\n<p>Cantava fazendo festa, pra aquela quem tanto amava<br \/>\nMas quando ele ia buscar o raminho<\/p>\n<p>Pra construir seu ninho seu amor lhe enganava<br \/>\nMas como sempre o mal feito \u00e9 descoberto<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0viu de perto sua esperan\u00e7a perdida<br \/>\nCego de dor, trancou a porta da morada<\/p>\n<p>Deixando l\u00e1 a sua amada presa pro resto da vida<br \/>\nQue semelhan\u00e7a entre o nosso fad\u00e1rio<\/p>\n<p>S\u00f3 que eu fiz o contrario do que o\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0fez<br \/>\nNosso senhor, me deu for\u00e7a nessa hora<br \/>\nA ingrata eu pus pra fora por onde anda eu n\u00e3o sei<\/p>\n<p><strong>O jo\u00e3o-de-barro construindo o ninho<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s vezes tenho a impress\u00e3o que desfazer mitos pode servir apenas para apagar uma parte do folclore ou at\u00e9 mesmo desmentir as est\u00f3rias que, apesar de mentirosas, fazem parte do encantamento de nossas fantasias infantis.<\/p>\n<p>Mas neste caso em particular, este mito deve ser realmente desfeito, pois faz parte da imagem distorcida que o ser humano faz da natureza, atribuindo aos bichos defeitos e imperfei\u00e7\u00f5es pr\u00f3prios apenas do ser humano.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o-de-barro &#8211; Ave<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dificuldade de se reconhecer um ninho do\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0(furnarius rufus). Na vizinhan\u00e7a imediata, nas \u00e1rvores que as rodeiam ou nos paus dos currais, encontra-se uma casinha deste deste amigo do homem. At\u00e9 nos postes el\u00e9tricos e telef\u00f4nicos, como se quisesse colocar-se em contato com a sociedade, v\u00ea-se uma bola de barro, que mais parece um diminuto forno antigo de padeiros.<\/p>\n<p>N\u00e3o alcan\u00e7a o tamanho de um sabi\u00e1, com aproximadamente 20 cm de comprimento.<\/p>\n<p>\u00c9 na cabe\u00e7a e dorso, se n\u00e3o tirante ao roxo, de cor ferrugem acanelada e na parte inferior mais claro, tendo o peito quase branco. Na Argentina ele \u00e9 conhecido como \u201cHORNERO (forneiro devido ao formato do ninho, semelhante a um forno barro)\u201d. Na Bahia e Pernambuco \u00e9 conhecido por \u201cAMASSA-BARRO\u201d.<\/p>\n<p>Tem esta ave um porte corajoso, nada t\u00edmido, chega-se com estranha confian\u00e7a bem perto do homem, corre, pula e grita, como que dando risos e gargalhadas, como se soubesse que \u00e9 bem vista e bem vinda.<\/p>\n<p>O que todos mais admiram nele \u00e9 v\u00ea-lo, ouvi-lo cantar com sua forte voz que pode-se comparar ao entoou do galo, batendo tamb\u00e9m como este as asas, imitando-lhe a toada que vai de alto a baixo, acompanhado quase sempre pela f\u00eamea. Tem a mania de interromper as pessoas, que ao p\u00e9 dele conversam e de cobrir com a sua estridente voz a humana, de sorte que n\u00e3o resta mais do que resignar-se ao sil\u00eancio at\u00e9 que emude\u00e7a.<\/p>\n<p>A ousadia e atrevimento desta ave, que \u00e9 estranha a todos que pela primeira vez a observam, t\u00eam uma raz\u00e3o no respeito que lhe devotam. Pois os olhos n\u00e3o s\u00f3 dos brasileiros mas tamb\u00e9m dos povos do Rio da Prata, passa por ave santa e crist\u00e3. O\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0n\u00e3o trabalha no domingo. E, se por acaso, for surpreendido neste dia santo na constru\u00e7\u00e3o da sua casa o vulgo alucinado encontra uma raz\u00e3o que explique esta exce\u00e7\u00e3o, por exemplo, para que depois de uma seca deve aproveitar o aguaceiro com que prepara o barro necess\u00e1rio. Caso contr\u00e1rio, ficaria sem albergue para si e seus filhos. Como as Igrejas t\u00eam a porta para o oriente, assim tamb\u00e9m ele d\u00e1 a abertura e rumo do seu ninho a mesma orienta\u00e7\u00e3o. H\u00e1, entretanto, naturalistas que dizem que n\u00e3o \u00e9 regra.<\/p>\n<p>Reconhecem, todavia, que nosso p\u00e1ssaro produz uma obra arquitet\u00f4nica que \u00e9 capaz de excitar admira\u00e7\u00e3o. Primeiro lan\u00e7am ambos, macho e f\u00eamea, os alicerces ou formam de barro da estrada, o soalho da casa, trazendo-o em gl\u00f3bulos do tamanho de uma bala de espingarda, que com o bico e os p\u00e9s estendem. Sobre este plano de 22 cms de comprimento, come\u00e7ando ao mesmo tempo por dois lados opostos, levantam as paredes da casa, que, quando em certa altura, deixam secar. Recome\u00e7am a obra, dando as paredes j\u00e1 uma inclina\u00e7\u00e3o para dentro e, depois de mais uma interrup\u00e7\u00e3o, d\u00e3o-lhe a \u00faltima m\u00e3o, fechando a come\u00e7ada ab\u00f3bada e deixando a mencionada abertura oval. Dividem a casa por uma parede interior em dois compartimentos, servindo o anterior como a ante-sala, de onde se pode alcan\u00e7ar por outra abertura para a c\u00e2mara reservada para a pr\u00f3pria cama dos filhotes. Assim est\u00e3o seguros contra a importuna\u00e7\u00e3o de certas aves rapinas.<\/p>\n<p>A cama era revestida de feno, de penas de galinha ou flores de algod\u00e3o. O casal, como em tudo, s\u00e3o insepar\u00e1veis, tamb\u00e9m revezando o dif\u00edcil trabalho de incuba\u00e7\u00e3o dos ovos e da alimenta\u00e7\u00e3o dos filhotes.<\/p>\n<p>Podiam-se se chamar s\u00edmbolo da vida dom\u00e9stica e \u00e9 por isso que os brasileiros gostam de v\u00ea-lo e ouvi-lo pela vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando o\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0e a Maria-de-barro assumem compromisso, \u00e9 para todo o sempre. Eles vivem sempre em casais que nunca se separam. Quando morre o companheiro passam o resto da vida s\u00f3.<\/p>\n<p>Muitas vezes encontram-se seus ninhos sobre as estacas dos currais e cercas dos caminhos ao alcance da m\u00e3o, por\u00e9m ningu\u00e9m tiram-lhe os ovos.<\/p>\n<p><strong>Um p\u00e1ssaro t\u00e3o social e t\u00e3o habilidoso n\u00e3o devia carecer de alguma virtude extraordin\u00e1ria:\u00a0<\/strong>\u201cem casa com ninho de\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0n\u00e3o cai raio\u201d. T\u00e3o pouco se admira que tenha uma lenda que \u00e9 mais uma prova de como as id\u00e9ias dos antigos guaranis foram herdadas, posto que modificadas, por seus modernos descendentes.<\/p>\n<p><b>Reza mais ou menos assim:<\/b><\/p>\n<p>Um velho ca\u00e7ador vivia com seu filho \u00fanico e com seus c\u00e3es no mais apartado dos bosques. Dedicava a exist\u00eancia a ensinar seu filho todos os conhecimentos e pr\u00e1ticas que constituem um bom ca\u00e7ador. Chegado a idade viril, o filho nada ignorava, quanto \u00e9 necess\u00e1rio para sustentar uma fam\u00edlia. Tinha feito expedi\u00e7\u00f5es mais extensas a regi\u00f5es habitadas. Em uma destas ocasi\u00f5es ouviu a encantadora voz de uma donzela, que esperava um dia esposar. Pediu a seu pai para que visitasse com ele aquele acampamento, para ver se aprovava sua escolha. O velho pai n\u00e3o colocou impedimento ao desejo do seu filho, mas convidou-o para uma festa que de vez em quando celebrava o morubixaba de sua tribo nas margens do Uruguai.<\/p>\n<p>Durante um m\u00eas, preparava-se o velho e o mo\u00e7o para a grande festa das \u201capresenta\u00e7\u00f5es\u201d, a qual tinha por fim apresentar os jovens fortes de mais valor e arrojo ao morubixaba, ao seu Conselho Patriarcal e a toda tribo. Seguiam-se grandes bailes e a escolha da mulher, ou aprovada ou disposta pelos maiores, sempre que o jovem tivesse passado as provas. Estas consistiam normalmente na veloz carreira, na prova da nata\u00e7\u00e3o e num jejum rigoroso de nove dias, em que n\u00e3o podiam tomar sen\u00e3o o sumo da yatay ou de outra planta silvestre.<\/p>\n<p>O jovem do nosso mito n\u00e3o foi t\u00e3o lerdo de assistir ao grande torneio sem dar aviso \u00e0 sua noiva, Ipona, que figurava tamb\u00e9m entre as outras donzelas que abrilhantavam a festa.<\/p>\n<p>Depois de acomodarem as fam\u00edlias da tribo numa altura escolhida, onde se senhoreava uma grande plan\u00edcie que se estendia de um lado e de outro do Uruguai, o morubixaba deu por pr\u00eamio da primeira prova, a carreira, a mais forte de suas coura\u00e7as de guerra, feita de duros couros de anta, orlada de pelos de tucano e de vistosa plumagem de papagaio.<\/p>\n<p>Dos cinq\u00fcenta jovens guerreiros que se sujeitaram \u00e0 primeira prova foi Jaeb\u00e9, era este o nome do filho do velho ca\u00e7ador, que em segunda corrida com um rival ganhou o pr\u00eamio. Vestido da esplendida coura\u00e7a, foi festejado por todos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na prova da nata\u00e7\u00e3o, que consistia em chegar primeiro \u00e0 outra margem do rio, saiu vitorioso, recebendo como pr\u00eamio um manto de peles de cisne, ornado ricamente de topetes de cardeal e de peitos amarelos de tucano.<\/p>\n<p>A terceira, foi a mais dif\u00edcil das provas, jejum de nove dias, sujeitaram-se oitos mo\u00e7os. Para n\u00e3o enganarem a vigil\u00e2ncia dos ju\u00edzes, foram envolvidos em peles. J\u00e1 no terceiro dia, queixou-se Jaeb\u00e9 a seu pai, o velho ca\u00e7ador, e mais ainda no sexto dia, mas o pai animava-o, que pouco faltava e convenceu o jovem a encolher-se e ficar im\u00f3vel no seu couro. Os outros sete declaram-se vencidos neste dia.<\/p>\n<p>Chegaram ent\u00e3o o morubixaba e o velho ca\u00e7ador e abriram o couro em que estava Jaeb\u00e9\u2026..e qual n\u00e3o seria a surpresa que se apoderou de todos, quando viram que, ao contato do ar e da luz, se diminu\u00eda, convertendo-se em p\u00e1ssaro e vestindo-se de plumas encarnadas!<\/p>\n<p><strong>E pouco a pouco transforma-se em um \u201chogaraitay\u201d ou o Jo\u00e3o-de-barro batendo asas, voava \u00e0 pr\u00f3xima \u00e1rvore, cantando:<\/strong>\u00a0\u201cSou filho dos bosques e canto o hino ao trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Diz a tradi\u00e7\u00e3o que a noiva de Jaeb\u00e9, Ipona, ao v\u00ea-lo, transforma-se, se converte em uma ave semelhante voando aos ramos daquela \u00e1rvore para fazer-lhe companhia. Por isso \u00e9 que\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0fabrica sua casa, como o homem, de barro e vive acompanhando o pobre lavrador nas casas de campo, recordando-lhe nas harmoniosas cad\u00eancias que exala em dueto com sua companheira, que o trabalho na vida simples dos campos tem um fundo de bem estar e de felicidade.<\/p>\n<p>E todos os homens amam o\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>, porque ele nos lembra que a for\u00e7a do amor \u00e9 maior do que a morte!<\/p>\n<p>O<b>\u00a0jo\u00e3o-de-barro<\/b>\u00a0\u00e9 uma ave alegre, que gosta de conviver perto do homem. Vive em casal e passa o dia cantando. Muita gente confunde seu canto com uma gargalhada. Seu pequeno corpo \u00e9 de cor terra. O branco aparece na regi\u00e3o do peito e, a cauda, ganha tom avermelhado.<\/p>\n<p><strong>Casa firme<\/strong><\/p>\n<p>Macho e f\u00eamea trabalham duro para construir sua casinha. Eles misturam barro \u00famido, palha e coc\u00f4 de vaca (esterco), fazem uma grande bola de barro e amassam com o bico e com os p\u00e9s.<\/p>\n<p>Depois de modelada a casa, o que n\u00e3o falta \u00e9 conforto! S\u00e3o dois c\u00f4modos e paredes grossas, de 3 a 4 cent\u00edmetros (cm) de espessura. A entrada da casa \u00e9 alta, permitindo que a fam\u00edlia do\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0entre e saia do ninho sem se abaixar.<\/p>\n<p>A parte do fundo \u00e9 coberta com musgos e penas. \u00c9 ali que as f\u00eameas depositam seus ovos na \u00e9poca da reprodu\u00e7\u00e3o. A cada ninhada, p\u00f5em de 3 a 4 ovos.<\/p>\n<p><strong>Distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<b>jo\u00e3o-de-barro<\/b>\u00a0(Furnarius rufus) encontra-se desde Minas Gerais e Mato Grosso at\u00e9 a Argentina, onde \u00e9 conhecido como Hornero. Um outra esp\u00e9cie habita o norte do Brasil e \u00e9 conhecida como maria-de-barro, oleiro e amassa-barro. \u00c9 admir\u00e1vel a habilidade com que esta ave constr\u00f3i a sua casa nos postes, nas traves das porteiras ou nos galhos de \u00e1rvores desnudas.<\/p>\n<p>O ninho consiste em uma bola de barro, dividida em dois compartimentos. A porta, que permite ao p\u00e1ssaro entrar sem se abaixar, impede que o vento atinja o interior, pois \u00e9 sempre voltada para o norte. Macho e f\u00eamea ocupam-se ativamente da constru\u00e7\u00e3o, transportando grandes bolas de barro que s\u00e3o amassadas com os bicos e com os p\u00e9s. No compartimento maior, forrado com musgo, cabelos e penas, a f\u00eamea deposita de 3 a 4 ovos brancos, tr\u00eas vezes ao ano.<\/p>\n<p>O<b>\u00a0jo\u00e3o-de-barro<\/b>\u00a0\u00e9 pouco menor que um sabi\u00e1, por\u00e9m mais delgado.<\/p>\n<p>Sua cor \u00e9 cor de terra, com a garganta branca e a cauda avermelhada. \u00c9 uma ave alegre que gosta de conviver com o homem. Vivem em casais e passam os dias a gritar em curiosos duetos.<\/p>\n<p><strong>Mito da floresta \u2013<\/strong>\u00a0O\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0\u00e9 tido como passarinho trabalhador e inteligente. Seu canto parece uma gargalhada (no Sul dizem que, quando ele canta, \u00e9 sinal de bom tempo) e \u00e9 amigo de todos, lutando para salvar seu ninho, sua casa. Um dia, conta-se, brigou com Tapera (andorinha), que chegou a domin\u00e1-lo e despejou-o do ninho ainda em constru\u00e7\u00e3o. A f\u00eamea, conhecida como \u201cJoaninha-de-barro\u201d ou \u201cMaria-de-Barro\u201d, ajuda na constru\u00e7\u00e3o do ninho, mas parece n\u00e3o ser constante, abandonando o macho. O\u00a0<strong>Jo\u00e3o-de-Barro<\/strong>\u00a0\u00e9 fiel at\u00e9 o fim e, por isso, quando percebe que a esposa mudou de amor, tampa a abertura da casa, fechando-a para sempre.<\/p>\n<p><b>Habitat<\/b><\/p>\n<p>Campos, pomares, jardins e parques urbanos.<\/p>\n<p>\u00c1reas abertas, campos, \u00e9 abundante nas fazendas da regi\u00e3o sul, parques, pomares e jardins nas \u00e1reas rurais e urbanas n\u00e3o se importando com a presen\u00e7a humana.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1bitos<\/strong><\/p>\n<p>As f\u00eameas dormem sozinhas nos ninhos, quando est\u00e3o com ovos ou filhotes. Constroem o ninho em formato de forno, um para cada ano, embora possam reformar algum velho.Os ninhos s\u00e3o constru\u00eddos com barro, esterco e palha, com predomin\u00e2ncia do primeiro e em local aberto. O casal trabalha em conjunto e as irregularidades da superf\u00edcie s\u00e3o corrigidas com reboco.O ninho \u00e9 constitu\u00eddo de um vest\u00edbulo e pela c\u00e2mara incubadora. A entrada est\u00e1 sempre voltada em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 dos ventos predominantes. O casal pode trabalhar em diversos ninhos ao mesmo tempo. Em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis demoram 18 dias para terminar o ninho e depois de 3 dias o casal come\u00e7a a preparar e forrar a c\u00e2mara incubadora. Ninho mede 30 cm de di\u00e2metro na base. Paredes com espessura de at\u00e9 5 cm. O casal solta seu canto, forte grito ou gargalhada, frequentemente em conjunto. O\u00a0<strong>jo\u00e3o-de-barro<\/strong>\u00a0\u00e9 mais ativo nas horas mais quentes e claras ao contr\u00e1rio de outras esp\u00e9cies da fam\u00edlia. Seu canto tem seq\u00fc\u00eancias r\u00edtmicas mais prolongadas como que um canto festivo, crescente e decrescente. O casal sincroniza um dueto.<\/p>\n<p><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Insetos e suas larvas, aranhas, opili\u00f5es e outros artr\u00f3podes. Podem ocasionalmente ingerir sementes.<\/p>\n<p><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>P\u00f5e de 3 a 4 ovos a partir de setembro tr\u00eas vezes ao ano.<\/p>\n<p><b>Habitat:\u00a0<\/b>Campos, pomares, jardins e parques urbanos.<\/p>\n<p><b>Caracter\u00edsticas:\u00a0<\/b>Ninho medindo 30 cm de di\u00e2metro na base. Paredes com espessura de at\u00e9 5 cm.<\/p>\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nome Cient\u00edfico:<\/strong>\u00a0Furnarius rufus (Gmelin, 1788)<b><br \/>\nNome comum:<\/b>\u00a0Jo\u00e3o de barro ou forneiro.<strong><br \/>\nNome em Ingl\u00eas<\/strong>: Rufous Hornero<strong><br \/>\nReino:\u00a0<\/strong>Animalia<br \/>\n<strong>Filo:\u00a0<\/strong>Chordata<br \/>\n<strong>Classe:\u00a0<\/strong>Aves<br \/>\n<strong>Ordem:\u00a0<\/strong>Passeriformes<br \/>\n<strong>Subordem:<\/strong>\u00a0Tyranni<br \/>\n<strong>Parvordem:<\/strong>\u00a0Furnariida<strong><br \/>\nSuperfamilia:\u00a0<\/strong>Furnarioidea Gray, 1840<br \/>\n<strong>Fam\u00edlia:<\/strong>\u00a0Furnariidae Gray, 1840<br \/>\n<strong>Subfamilia:\u00a0<\/strong>Furnariinae Gray, 1840<br \/>\n<strong>G\u00eanero:\u00a0<\/strong>Furnarius<br \/>\n<strong>Esp\u00e9cie:\u00a0<\/strong>F. rufus<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o-de-barro &#8211; Fotos<\/strong><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-35913 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-3.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Jo\u00e3o-de-Barro\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-2.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Jo\u00e3o-de-Barro\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-1.jpg'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Jo\u00e3o-de-Barro\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-bobo.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-bobo-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Jo\u00e3o-Bobo\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-6.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-6-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Jo\u00e3o-de-Barro\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-5.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-5-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Jo\u00e3o-de-Barro\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-4.jpg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joao-de-barro-4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Jo\u00e3o-de-Barro\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.vivaterra.org.br\/www.rosanevolpatto.trd.br\/www.pbh.gov.br\/neotropical.birds.cornell.edu\/www.hbw.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o-de-barro &#8211; 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