{"id":34617,"date":"2016-05-23T17:23:04","date_gmt":"2016-05-23T17:23:04","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=34617"},"modified":"2019-08-23T17:15:08","modified_gmt":"2019-08-23T19:15:08","slug":"vacinacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/saude-e-bem-estar\/saude\/vacinacao","title":{"rendered":"Vacina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 a coisa mais importante que podemos fazer para nos proteger e proteger nossos filhos contra problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>As\u00a0vacinas\u00a0podem ajudar a proteger seu filho de doen\u00e7as graves causadas por germes.<\/p>\n<p>As\u00a0vacinas\u00a0funcionam aumentando a capacidade do sistema imunol\u00f3gico de combater certas infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A\u00a0vacina\u00e7\u00e3o\u00a0ensina o sistema imunol\u00f3gico do seu filho a reconhecer e combater germes espec\u00edficos, de modo que quando eles s\u00e3o expostos a eles, ele tem um risco muito menor de ficar doente.<\/p>\n<p>O sistema imunol\u00f3gico de seu filho responde aos ant\u00edgenos (fragmentos de germes que foram enfraquecidos ou mortos) na vacina produzindo anticorpos para combater os germes (cada anticorpo \u00e9 &#8220;treinado&#8221; para combater um germe espec\u00edfico) e c\u00e9lulas de mem\u00f3ria para lembrar os germes caso eles os encontrem no futuro. As vacinas s\u00e3o administradas por meio de inje\u00e7\u00f5es (agulhas), geralmente no bra\u00e7o ou na perna da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Algumas vacinas para crian\u00e7as precisam de uma s\u00e9rie de doses (geralmente de 2 a 4 doses) para atingir sua plena efic\u00e1cia. Isso \u00e9 chamado de &#8220;s\u00e9rie prim\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Para algumas vacinas, \u00e9 necess\u00e1ria uma dose de &#8220;refor\u00e7o&#8221; meses ou anos ap\u00f3s a (s) dose (s) prim\u00e1ria (s) para refrescar a mem\u00f3ria do sistema imunol\u00f3gico e manter a prote\u00e7\u00e3o. Se o seu filho n\u00e3o tomar uma dose de vacina, ele precisar\u00e1 de doses &#8220;catch-up&#8221; (tamb\u00e9m chamadas de doses &#8220;suplementares&#8221;) para garantir que estejam protegidas.<\/p>\n<p>Seu filho tamb\u00e9m pode precisar de uma dose de recupera\u00e7\u00e3o se uma nova vacina se tornar dispon\u00edvel depois que o seu filho j\u00e1 tiver passado da idade em que \u00e9 normalmente administrado.<\/p>\n<p>Para obter a m\u00e1xima prote\u00e7\u00e3o que as vacinas t\u00eam a oferecer, seu filho precisa ter todas as doses das vacinas infantis recomendadas dentro do prazo.<\/p>\n<p>Fale com o profissional de sa\u00fade do seu filho sobre quais as vacinas que o seu filho precisa e quando devem receb\u00ea-lo para obter uma cobertura vacinal completa.<\/p>\n<p><strong>Objetivo da Vacina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo tendo sofrido muitas dificuldades ao longo de sua hist\u00f3ria, a\u00a0vacina, certamente vem ocupando um lugar de destaque incontest\u00e1vel entre os instrumentos de sa\u00fade p\u00fablica colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de governos e autoridades sanit\u00e1rias, sendo considerada, por muitos, respons\u00e1vel por salvar in\u00fameras vidas e evitar a propaga\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de doen\u00e7as que, em sua aus\u00eancia, teriam varrido o planeta da mesma forma que as pestes assolaram a Europa tempos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>As vacinas s\u00e3o atualmente o meio mais eficaz e seguro de prote\u00e7\u00e3o contra in\u00fameras doen\u00e7as. Mesmo quando a imunidade n\u00e3o \u00e9 total, a pessoa que est\u00e1 vacinada tem maior capacidade de resist\u00eancia na eventualidade da doen\u00e7a surgir.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o pessoal, a vacina\u00e7\u00e3o traz tamb\u00e9m benef\u00edcios para toda a comunidade, pois quando a maior parte de uma popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vacinada interrompe-se a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>A\u00a0vacina\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 sem d\u00favida uma das quatro a\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas em sa\u00fade mais importante para melhoria da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o do Saneamento B\u00e1sico, nenhum outro avan\u00e7o, nem mesmo os antibi\u00f3ticos, apresentaram o mesmo impacto na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade e no crescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>De fato, a redu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as atrav\u00e9s da imuniza\u00e7\u00e3o representa um dos grandes avan\u00e7os m\u00e9dicos do s\u00e9culo XX. A var\u00edola foi erradicada, e doen\u00e7as tais como poliomielite, sarampo e difteria s\u00e3o na atualidade extremamente raras em muitos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Portanto, o calend\u00e1rio vacinal tem como objetivo principal servir de orienta\u00e7\u00e3o para a primeira imuniza\u00e7\u00e3o ou atualiza\u00e7\u00e3o das vacinas daqueles que, durante a inf\u00e2ncia, n\u00e3o foram corretamente protegidos, nem contra\u00edram, de forma inequ\u00edvoca, doen\u00e7as que poderiam ser prevenidas, como sarampo, catapora, hepatite A e B, etc.<\/p>\n<p><strong>Import\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas de\u00a0vacina\u00e7\u00e3o\u00a0de pacientes adultos e idosos, embora impactantes na redu\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es infecciosas, s\u00e3o ainda pouco difundidas nesta popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o mecanismo de a\u00e7\u00e3o das vacinas?<\/strong><\/p>\n<p>As vacinas agem estimulando as defesas org\u00e2nicas a produzirem mecanismos anti-infecciosos altamente eficientes no combate a desafios antig\u00eanicos espec\u00edficos, como por exemplo, os v\u00edrus e as bact\u00e9rias, impedindo ou amenizando o aparecimento de sintomas e sinais cl\u00ednicos de v\u00e1rias doen\u00e7as infecciosas. A efetividade das vacinas varia conforme diversos fatores, entre eles, a capacidade do est\u00edmulo antig\u00eanico de ativar o sistema imunol\u00f3gico e o estado de sa\u00fade do indiv\u00edduo vacinado. De forma geral, as vacinas atualmente dispon\u00edveis alcan\u00e7am excelentes resultados, conforme comprovado por diversos estudos de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os indiv\u00edduos nesta faixa et\u00e1ria que mais se beneficiam da vacina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Embora grande parte dos indiv\u00edduos adultos e idosos beneficiem-se dos diversos esquemas vacinais atualmente dispon\u00edveis, aqueles com idade superior a 65 anos ou os portadores de co-morbidades, como os diab\u00e9ticos, os cardiopatas e os usu\u00e1rios de drogas imunossupressoras, por serem mais predispostos a infec\u00e7\u00f5es graves, s\u00e3o o alvo preferencial para a vacina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, outras popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o igualmente importantes, como os indiv\u00edduos que viajam para determinadas regi\u00f5es de risco ou aqueles que trabalham em locais de maior dispers\u00e3o de micro-organismos, como creches, asilos e enfermarias pedi\u00e1tricas.<\/p>\n<p><strong>Existem contra indica\u00e7\u00f5es para a vacina\u00e7\u00e3o destes indiv\u00edduos?<\/strong><\/p>\n<p>Qualquer condi\u00e7\u00e3o referente ao paciente que aumente o risco de uma rea\u00e7\u00e3o adversa grave a determinada vacina \u00e9 considerada contra-indica\u00e7\u00e3o para a administra\u00e7\u00e3o da mesma.<\/p>\n<p>Estas contra-indica\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser permanentes, como rea\u00e7\u00f5es anafil\u00e1ticas a algum dos componentes das vacinas, ou transit\u00f3rias, como a gravidez e estados de imunodefici\u00eancias, em especial, quando se utilizam prepara\u00e7\u00f5es contendo v\u00edrus enfraquecidos. Entre os quadros de defici\u00eancia imunol\u00f3gica, destacam-se alguns tumores, como a leucemia e o linfoma, a quimioterapia anti- neopl\u00e1sica, o uso cr\u00f4nico de corticoides, a AIDS e imunodefici\u00eancias cong\u00eanitas.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as principais vacinas indicadas para os adultos e idosos?<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do esquema b\u00e1sico de vacina\u00e7\u00e3o proposto para as crian\u00e7as, os adultos e idosos beneficiam-se especialmente das vacinas contra a gripe (anual) e a pneumonia (a cada cinco anos), pois estas, al\u00e9m de reduzirem a freq\u00fc\u00eancia das infec\u00e7\u00f5es, poder\u00e3o minimizar os sintomas cl\u00ednicos naqueles que por ventura desenvolverem a doen\u00e7a. Conforme j\u00e1 mencionado, os indiv\u00edduos idosos e os portadores de co-morbidades s\u00e3o os que mais beneficiam-se da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enfatiza-se a import\u00e2ncia da imuniza\u00e7\u00e3o contra a rub\u00e9ola para mulheres em fase de procria\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tiveram previamente esta infec\u00e7\u00e3o, contra as hepatites A e B, e contra a febre amarela para aqueles que viajar\u00e3o para regi\u00f5es end\u00eamicas. Recentemente foram disponibilizadas as vacinas contra o herpes zoster, recomendada para idosos, e contra o HPV, recomendada para jovens com at\u00e9 26 anos de idade.<\/p>\n<p><strong>A vacina\u00e7\u00e3o contra a gripe e a pneumonia poder\u00e3o provocar doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, visto que os componentes destas vacinas s\u00e3o apenas fragmentos dos agentes infecciosos, portanto, sem condi\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas de provocarem replica\u00e7\u00e3o, invas\u00e3o tecidual e doen\u00e7a cl\u00ednica. N\u00e3o obstante, essas vacinas poder\u00e3o provocar leves efeitos colaterais, como febre baixa e dores no corpo, os quais cedem rapidamente e n\u00e3o devem ser confundidos com infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Existe vacina contra o v\u00edrus da dengue?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, pois a grande variabilidade gen\u00e9tica deste v\u00edrus tem dificultado o desenvolvimento de vacinas efetivas. Portanto, a melhor maneira de se prevenir esta infec\u00e7\u00e3o \u00e9 o controle do mosquito transmissor, em especial, evitando-se o ac\u00famulo peri-domiciliar de reservat\u00f3rios de \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Quem deveria se vacinar contra a febre amarela?<\/strong><\/p>\n<p>De forma geral, a vacina\u00e7\u00e3o contra a febre amarela estar\u00e1 indicada para os indiv\u00edduos que viajam para zonas de risco, como as regi\u00f5es centro-oeste e norte, especialmente \u00e1reas rurais. Entretanto, pelo dinamismo epidemiol\u00f3gico desta arbovirose, recomenda-se atualiza\u00e7\u00f5es referentes \u00e0s \u00e1reas de risco no site do minist\u00e9rio da sa\u00fade (<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"http:\/\/www.saude.gov.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.saude.gov.br<\/a><\/span>).<\/p>\n<p>Ressalta-se, que por se tratar de vacina de v\u00edrus vivo atenuado, a mesma n\u00e3o est\u00e1 indicada para gestantes e imunocomprometidos.<\/p>\n<p>Quando indicada, a revacina\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser realizada a intervalos de 10 anos.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os efeitos colaterais mais comuns das vacinas?<\/strong><\/p>\n<p>As vacinas atualmente dispon\u00edveis s\u00e3o bastantes seguras, raramente provocando manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas severas. N\u00e3o obstante, febre baixa, mialgia e indisposi\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ocorrer, sugerindo-se, nestes casos, evitar atividades f\u00edsicas extenuantes, hidrata\u00e7\u00e3o adequada, al\u00e9m de analg\u00e9sicos e anti-t\u00e9rmicos.<\/p>\n<p>Obviamente, caso tais medidas n\u00e3o sejam suficientes, o paciente dever\u00e1 procurar orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica especializada.<\/p>\n<p><strong>Vacina \u2013 Uma T\u00e9cnica Milenar<\/strong><\/p>\n<p>Ao perceberem que os sobreviventes de um ataque de var\u00edola n\u00e3o voltavam a sofrer da doen\u00e7a, muitos povos tentaram provocar a mol\u00e9stia numa forma mais branda.<\/p>\n<p>Os primeiros registros desta pr\u00e1tica, que recebeu o nome de varioliza\u00e7\u00e3o, remontam aos chineses.<\/p>\n<p>Era conhecida entre diversos povos da \u00c1frica e da \u00c1sia, como eg\u00edpcios, persas, indianos, circassianos, georgianos, \u00e1rabes. Na Turquia, no in\u00edcio do s\u00e9c. XVIII, duas inoculadoras de origem grega ficaram famosas \u2013 uma delas, a Tessaliana, chegou a imunizar cerca de 40 mil pessoas.<\/p>\n<p><strong>As t\u00e9cnicas diferiam:<\/strong>\u00a0algod\u00e3o, com p\u00f3 de crostas ou pus inserido no nariz; vestir roupas \u00edntimas de doentes; incrustar crostas em arranh\u00f5es; picar a pele com agulhas contaminadas; fazer um corte na pele e colocar um fio de linha infectado, ou uma gota de pus.<\/p>\n<p>Embora a varioliza\u00e7\u00e3o pare\u00e7a ter sido praticada em algumas regi\u00f5es da Fran\u00e7a, na Esc\u00f3cia, no Pa\u00eds de Gales e na It\u00e1lia, atribui-se sua introdu\u00e7\u00e3o na Europa a Lady Mary Wortley Montagu, mulher do embaixador brit\u00e2nico na Turquia, que fez inocular seus filhos. De Londres, a pr\u00e1tica se espalhou pelo continente, popularizada pela ades\u00e3o da aristocracia. Foram imunizados Luis XVI, na Fran\u00e7a, as filhas da princesa de Gales, na Inglaterra, e Catarina II, na R\u00fassia.<\/p>\n<p>A varioliza\u00e7\u00e3o logo chegou \u00e0s Am\u00e9ricas. Jesu\u00edtas inocularam \u00edndios no Brasil e Thomas Boylston imunizou 243 pessoas durante uma epidemia em Boston, em 1721. Na mesma cidade, em 1764, um novo surto de var\u00edola levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de dois hospitais particulares para inocula\u00e7\u00e3o. John Adams, mais tarde presidente dos Estados Unidos, submeteu-se ao tratamento. Este era prolongado \u2013 tr\u00eas a quatro semanas de interna\u00e7\u00e3o e de duas a tr\u00eas em convalescen\u00e7a.<\/p>\n<p>Desde sua introdu\u00e7\u00e3o na Europa, a varioliza\u00e7\u00e3o sempre enfrentou uma oposi\u00e7\u00e3o ferrenha, que se agravou com a comprova\u00e7\u00e3o de que cerca de 2% dos inoculados morriam e muitos desenvolviam formas graves da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Com isso, em muitos locais, a pr\u00e1tica foi suspensa.<\/p>\n<p>Edward Jenner, um m\u00e9dico ingl\u00eas, observou que um n\u00famero expressivo de pessoas mostrava-se imune \u00e0 var\u00edola. Todas eram ordenhadoras e tinham se contaminado com cowpox, uma doen\u00e7a do gado semelhante \u00e0 var\u00edola, pela forma\u00e7\u00e3o de p\u00fastulas, mas que n\u00e3o causava a morte dos animais. Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de experi\u00eancias, constatou que estes indiv\u00edduos mantinham-se refrat\u00e1rios \u00e0 var\u00edola, mesmo quando inoculados com o v\u00edrus.<\/p>\n<p>Em 14 de maio de 1796, Jenner inoculou James Phipps, um menino de oito anos, com o pus retirado de uma p\u00fastula de Sarah Nemes, uma ordenhadora que sofria de cowpox.<\/p>\n<p>O garoto contraiu uma infec\u00e7\u00e3o extremamente benigna e, dez dias depois, estava recuperado. Meses depois, Jenner inoculava Phipps com pus varioloso. O menino n\u00e3o adoeceu. Era a descoberta da vacina.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, Jenner come\u00e7ou a imunizar crian\u00e7as, com material retirado diretamente das p\u00fastulas dos animais e passado, bra\u00e7o a bra\u00e7o. Em 1798, divulgava sua descoberta no trabalho Um inqu\u00e9rito sobre as causas e os efeitos da Vacina da Var\u00edola.<\/p>\n<p>Jenner enfrentou s\u00e9rias resist\u00eancias. A classe m\u00e9dica demonstrava ceticismo. Os variolizadores fizeram ferrenha oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Grupos religiosos alertavam para o risco da degenera\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana pela contamina\u00e7\u00e3o com material bovino:<\/strong>\u00a0a vacaliza\u00e7\u00e3o ou minotauriza\u00e7\u00e3o, como foi chamado.<\/p>\n<p>Mas, em pouco tempo, a vacina conquistou a Inglaterra. Em 1799, era criado o primeiro instituto vac\u00ednico em Londres e, em 1802, sob os ausp\u00edcios da fam\u00edlia real, fundava-se a Sociedade Real Jenneriana para a Extin\u00e7\u00e3o da Var\u00edola.<\/p>\n<p>A descoberta de Jenner logo espalhou-se pelo mundo.<\/p>\n<p>A partir de 1800, a Marinha brit\u00e2nica come\u00e7ou a adotar a\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Napole\u00e3o Bonaparte introduziu-a em seus ex\u00e9rcitos e fez imunizar seu filho. Nas Am\u00e9ricas, chegou pelas m\u00e3os do m\u00e9dico Benjamin Waterhouse, de Harvard, popularizando-se, a partir de 1801, quando o Presidente Thomas Jefferson foi vacinado.<\/p>\n<p>O imunizante chegou a Portugal, em 1799, dentro de um pequeno frasco. D. Pedro, futuro imperador do Brasil, e seu irm\u00e3o foram inoculados. Em 1804, o Marqu\u00eas de Barbacena trouxe a vacina para o Brasil, transportando-a pelo Atl\u00e2ntico, por seus escravos, que iam passando a infec\u00e7\u00e3o vacinal, um para o outro, bra\u00e7o a bra\u00e7o, durante a viagem.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina jamais cessou. Camponesas francesas recusavam-se a imunizar seus filhos na esperan\u00e7a de que a var\u00edola lhes trouxesse tal degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica, que os tornasse inaptos para o servi\u00e7o militar e, portanto, para a guerra. Vacinadores eram obrigados a pagar para conseguir volunt\u00e1rios que se deixassem inocular, conservando o v\u00edrus vacinal.<\/p>\n<p>Para muitos, a imuniza\u00e7\u00e3o causava repulsa porque o fluido vacinal era conservado em jovens confiados \u00e0 caridade p\u00fablica, muitos portadores de doen\u00e7as ven\u00e9reas e outras mol\u00e9stias. Foram registrados casos de s\u00edfilis associados \u00e0 vacina.<\/p>\n<p>Mas nada contribuiu tanto para a resist\u00eancia \u00e0\u00a0vacina\u00e7\u00e3o\u00a0quanto as epidemias de var\u00edola na d\u00e9cada de 1820, quando um grande n\u00famero de imunizados adoeceu.<\/p>\n<p>Descobriu-se, ent\u00e3o, que a prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o era eterna. Era preciso revacinar-se.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a conserva\u00e7\u00e3o da linfa bra\u00e7o a bra\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 adulterava o fluido vacinal, como, com o tempo, fazia com que este perdesse sua pot\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A solu\u00e7\u00e3o foi retornar ao v\u00edrus original:\u00a0<\/strong>o da cowpox ou var\u00edola das vacas.<\/p>\n<p>Apesar de toda a oposi\u00e7\u00e3o, a\u00a0vacina\u00e7\u00e3o\u00a0aos poucos foi se generalizando, mesmo que sob a press\u00e3o governamental. Ela se tornou obrigat\u00f3ria na Baviera em 1807, na Dinamarca em 1810, na Su\u00e9cia em 1814, em v\u00e1rios estados germ\u00e2nicos em 1818, na Pr\u00fassia em 1835 e, finalmente, na Inglaterra em 1853.<\/p>\n<p><strong>Pasteur Revoluciona a Ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A 6 de julho de 1885, chegava ao laborat\u00f3rio de Louis Pasteur um menino alsaciano de nove anos, Joseph Meister, que havia sido mordido por um c\u00e3o raivoso.<\/p>\n<p>Pasteur, que vinha desenvolvendo pesquisas na atenua\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da raiva, injetou na crian\u00e7a material proveniente de medula de um coelho infectado. Ao todo, foram 13 inocula\u00e7\u00f5es, cada uma com material mais virulento.<\/p>\n<p>Meister n\u00e3o chegou a contrair a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A 26 de outubro, o cientista franc\u00eas comunicava \u00e0 Academia de Ci\u00eancias a descoberta do imunizante contra a raiva, que chamou de vacina em homenagem a Jenner.<\/p>\n<p>Louis Pasteur j\u00e1 era famoso quando salvou Meister. Desenvolvera pesquisas sobre fermenta\u00e7\u00e3o, elaborando um m\u00e9todo para conserva\u00e7\u00e3o da cerveja, a pasteuriza\u00e7\u00e3o. Formulou a teoria da origem microbiana das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Comprovou que o carb\u00fanculo era causado por um microorganismo e descobriu o estafilococo. Desenvolveu imunizantes contra a c\u00f3lera das galinhas e o carb\u00fanculo do gado.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da descoberta de Jenner, puramente emp\u00edrica, as vacinas de Pasteur foram as primeiras obtidas de forma cient\u00edfica. Fundador da moderna microbiologia e da medicina experimental, Pasteur revolucionou a ci\u00eancia, ao desenvolver um produto, produzido \u00e0 vontade, por um m\u00e9todo que podia ser generalizado.<\/p>\n<p><strong>A Descoberta das Toxinas<\/strong><\/p>\n<p>Em 1888, Emile Roux e Alexander Yersin descobriram que o bacilo da difteria produzia uma toxina poderosa, respons\u00e1vel pelos sintomas da doen\u00e7a. Em 1891, Emil Behring injetava doses subletais desta toxina, provocando o aparecimento de mol\u00e9culas antit\u00f3xicas, capazes de proteger contra a infec\u00e7\u00e3o e de ser transferidas para outros animais, imunizando-os. Ao aplicar este produto num caso agudo de difteria, deu in\u00edcio \u00e0 soroterapia, logo empregada tamb\u00e9m no t\u00e9tano.<\/p>\n<p>Por esta descoberta, Behring recebeu o primeiro Pr\u00eamio Nobel de Medicina.<\/p>\n<p>Foram Loewenstein e Glenny que provaram, em 1904, que toxinas poderiam ser inativadas por subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, no caso formol, mantendo seu potencial imunizante, mas sem causar infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Essa descoberta levou ao desenvolvimento dos primeiros toxoides:<\/b>\u00a0dift\u00e9rico e tet\u00e2nico. Sauer, Kendrick e Eldering desenvolveram o primeiro imunizante contra coqueluche.<\/p>\n<p><b>Em 1949, os toxoides\u00a0tet\u00e2nico e dift\u00e9rico e o imunizante contra a coqueluche foram reunidos numa \u00fanica vacina<\/b>: tr\u00edplice ou DPT \u2013 a primeira no mundo a imunizar contra mais de um microorganismo.<\/p>\n<p><strong>BCG e a Tuberculose<\/strong><\/p>\n<p>Em 1909, Albert Calmette e Camille Guerin, do Instituto Pasteur, comunicavam \u00e0 Academia de Ci\u00eancias Francesa o desenvolvimento de um bacilo de virul\u00eancia atenuada, proveniente de sucessivas culturas em bile de boi, com capacidade imunizante contra a tuberculose. Era o BCG que, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de testes, passou a ser regularmente utilizado como vacina. Primeiro imunizante bacteriano atenuado, o BCG foi introduzido no Brasil em 1925 e \u00e9 atualmente aplicado em crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas.<\/p>\n<p><strong>A Vacina Contra Var\u00edola<\/strong><\/p>\n<p>Os problemas decorrentes da linfa humana levaram \u00e0 difus\u00e3o da vacina antivari\u00f3lica de origem animal, aperfei\u00e7oada a partir das descobertas da microbiologia.<\/p>\n<p>Conseguia-se a vac\u00ednia (v\u00edrus vacinal) raspando-se a pele de vitelos com cowpox. O produto obtido era, ent\u00e3o, filtrado, para evitar a contamina\u00e7\u00e3o por outros agentes patog\u00eanicos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que pensavam Jenner e Pasteur, a vac\u00ednia \u2013 Poxv\u00edrus officinale \u2013 \u00e9 um mutante obtido no laborat\u00f3rio, pela passagem seriada do v\u00edrus da var\u00edola de vaca em pele de vitelo ou de coelho.<\/p>\n<p>Foram realizadas v\u00e1rias tentativas de cultura do v\u00edrus vac\u00ednico fora do vitelo, mas a produ\u00e7\u00e3o da vacina contra a var\u00edola s\u00f3 sofreu uma grande modifica\u00e7\u00e3o com a introdu\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de cultivo de v\u00edrus em embri\u00e3o de pinto.<\/p>\n<p>Mais tarde, ela passou a ser liofilizada, isto \u00e9, ter sua umidade retirada, transformando-se numa pastilha e sendo reconstitu\u00edda no momento da aplica\u00e7\u00e3o. Este processo d\u00e1 maior estabilidade \u00e0 vacina.<\/p>\n<p>No Brasil, a vacina cultivada em ovo embrionado foi implantada pelo ent\u00e3o Instituto Oswaldo Cruz, que j\u00e1 dominava esta tecnologia, usada na produ\u00e7\u00e3o do imunizante contra a febre amarela.<\/p>\n<p><strong>Foram diversas as t\u00e9cnicas de vacina\u00e7\u00e3o contra a var\u00edola:<\/strong>\u00a0escarifica\u00e7\u00e3o (incis\u00e3o na pele), press\u00e3o m\u00faltipla (esfregar uma agulha paralelamente \u00e0 pele), pun\u00e7\u00e3o m\u00faltipla (v\u00e1rias picadinhas com uma agulha), broca (rodar um tubo capilar cortado com a vacina sobre a pele), inje\u00e7\u00e3o intrad\u00e9rmica e pistola.<\/p>\n<p><strong>Febre Amarela, um Imunizante Tropical<\/strong><\/p>\n<p>A descoberta de que a forma comum da febre amarela era a silvestre, e n\u00e3o a urbana, determinou novos rumos na profilaxia desta doen\u00e7a, deflagrando um grande esfor\u00e7o para o desenvolvimento de uma vacina.<\/p>\n<p>Em 1936, Max Theiler e Henry Smith, da Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller, chegaram \u00e0 cepa 17D da febre amarela, v\u00edrus atenuado por passagens em c\u00e9rebro de ratos e em embri\u00e3o de pinto. No ano seguinte, a vacina foi testada pela primeira vez no Brasil. Em 1940, foi desenvolvido novo estudo de campo no sul de Minas Gerais, com a imuniza\u00e7\u00e3o de mais de cinco mil pessoas.<\/p>\n<p>A pesquisa deu subs\u00eddios para os \u00faltimos ajustes na forma final do imunizante.<\/p>\n<p>A vacina contra a febre amarela \u00e9 a primeira no mundo a usar o sistema de lotes-sementes, isto \u00e9, os lotes originais do v\u00edrus atenuado s\u00e3o submetidos a uma nova passagem em ovos embrionados, dando origem a lotes secund\u00e1rios que servir\u00e3o de fonte para a produ\u00e7\u00e3o do imunizante.<\/p>\n<p>Desde o final da d\u00e9cada de 30, a vacina contra a febre amarela vem sendo fabricada em Manguinhos. Hoje, a Fiocruz \u00e9 respons\u00e1vel por 80% da produ\u00e7\u00e3o mundial deste imunizante.<\/p>\n<p><strong>Popularidade da Vacina Contra Poliomielite<\/strong><\/p>\n<p>Nenhum imunizante contribuiu tanto para a populariza\u00e7\u00e3o das vacinas como o antipoliomielite. Conhecida desde a Antiguidade, a doen\u00e7a passou a assumir import\u00e2ncia como problema de sa\u00fade p\u00fablica no final do s\u00e9culo passado, ao irromper de forma epid\u00eamica nos Estados Unidos e Europa.<\/p>\n<p>O impacto causado pela vis\u00e3o de crian\u00e7as paral\u00edticas levou a popula\u00e7\u00e3o americana a uma mobiliza\u00e7\u00e3o sem precedentes nas Marchas do Dime, em que pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas em todo o pa\u00eds pedindo um dime (moeda de dez centavos) para a pesquisa de uma vacina contra a p\u00f3lio. Bilh\u00f5es de d\u00f3lares foram arrecadados.<\/p>\n<p>Em 1949, Jonas Salk desenvolveu uma vacina desenvolvida a partir de v\u00edrus inativados (mortos), que foi testada em 45 mil crian\u00e7as nos Estados Unidos, em 1954.<\/p>\n<p>Foi o primeiro imunizante no mundo a ser produzido em cultura de tecidos (c\u00e9lulas de rim de macaco) e reunir mais de uma subesp\u00e9cie de v\u00edrus (poliov\u00edrus I, II e III).<\/p>\n<p>No mesmo ano, Albert Sabin desenvolveu a vacina atenuada contra a p\u00f3lio, a primeira a ser aplicada por via oral. Por mimetizar o mecanismo de infec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus selvagem, com a excre\u00e7\u00e3o do microorganismo atenuado no ambiente, a vacina Sabin facilita a obten\u00e7\u00e3o de altos n\u00edveis de imunidade coletiva.<\/p>\n<p><strong>Erradica\u00e7\u00e3o da Var\u00edola<\/strong><\/p>\n<p>Quando em 1959, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade lan\u00e7ou a campanha mundial para a erradica\u00e7\u00e3o da var\u00edola, a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a j\u00e1 estava extinta na Europa e na Am\u00e9rica do Norte. O programa, por\u00e9m, n\u00e3o alcan\u00e7ou o \u00eaxito esperado, devido \u00e0 insufici\u00eancia de vacinas, defici\u00eancias na sua produ\u00e7\u00e3o e controle de qualidade e a falta de mecanismo adequados de conserva\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do imunizante.<\/p>\n<p>A partir de 1965, o programa foi reorganizado. A OMS investiu na produ\u00e7\u00e3o de imunizantes em pa\u00edses end\u00eamicos, estabeleceu normas para o controle de qualidade de vacinas, difundiu as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o em ovos embrionados e da liofiliza\u00e7\u00e3o e de\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0por pistola. Em 1967, a Campanha Mundial para a Erradica\u00e7\u00e3o da Var\u00edola foi intensificada.<\/p>\n<p><strong>Neste ano, apenas dois pa\u00edses das Am\u00e9ricas ainda registravam casos aut\u00f3ctones de var\u00edola:<\/strong>\u00a0a Argentina, com focos em cinco prov\u00edncias, e o Brasil, onde a doen\u00e7a era end\u00eamica.<\/p>\n<p>Desde o ano anterior, o Governo brasileiro iniciara a fase de ataque de sua campanha contra a var\u00edola, com\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0em massa, cobrindo 88% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, organiza\u00e7\u00e3o de uma rede de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e cria\u00e7\u00e3o, na Fiocruz, de um laborat\u00f3rio de refer\u00eancia para apoiar o programa de erradica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1970, o Brasil era o \u00fanico pa\u00eds do continente americano a registrar casos de var\u00edola. No ano seguinte, descobriu-se um foco no Rio de Janeiro, no sub\u00farbio de Olaria, com 20 casos. O \u00faltimo, detectado em 19 de abril, foi tamb\u00e9m o derradeiro caso nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Dois anos depois, ap\u00f3s intensa vigil\u00e2ncia sem que nenhum novo caso tenha sido registrado, a OMS declara a var\u00edola erradicada do continente americano.<\/p>\n<p>Apesar da intensa mobiliza\u00e7\u00e3o e do esfor\u00e7o internacional, a campanha de erradica\u00e7\u00e3o var\u00edola enfrentou algumas resist\u00eancias. Nas ex-col\u00f4nias da \u00c1frica, muitas ainda com mem\u00f3rias recentes das guerras de liberta\u00e7\u00e3o, a marca deixada pela vacina antivari\u00f3lica simbolizava submiss\u00e3o porque era associada aos antigos colonizadores. Nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, onde as mulheres eram segregadas, a moral r\u00edgida colocava uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos \u00e0\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas foi a \u00cdndia que obrigou as equipes de sa\u00fade a exercerem toda a sua criatividade. Num pa\u00eds em que Shitala Mata era adorada como deusa da var\u00edola minor, que enviava a seus fi\u00e9is como uma ben\u00e7\u00e3o, era um verdadeiro sacril\u00e9gio recusar essa gra\u00e7a, fazendo-se vacinar. E o que era pior \u2013 a subst\u00e2ncia vacinal era tirada das vacas sagradas.<\/p>\n<p><strong>Mas a imagina\u00e7\u00e3o dos vacinadores encontrou a solu\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0a vacina era feita de var\u00edola e quem se imunizasse estava se contaminando com a doen\u00e7a e, portanto, sendo aben\u00e7oado pela deusa. A partir de 24 de maio de 1975, a \u00cdndia j\u00e1 n\u00e3o mais registrava casos de var\u00edola.<\/p>\n<p>O nomadismo africano e a instabilidade pol\u00edtica de algumas regi\u00f5es tamb\u00e9m prejudicaram campanha. Em 18 pa\u00edses, os vacinadores vivenciaram 23 mudan\u00e7as de regime num per\u00edodo de apenas sete anos.<\/p>\n<p>Mas o programa foi superando todos os obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>Foi na Eti\u00f3pia e na Som\u00e1lia que se travou a \u00faltima batalha contra a var\u00edola. Neste mesmo ano, a OMS detectava o \u00faltimo surto de var\u00edola no mundo. era no interior da Som\u00e1lia, para onde a doen\u00e7a tinha sido levada por n\u00f4mades et\u00edopes.<\/p>\n<p><strong>Estes pa\u00edses apresentavam condi\u00e7\u00f5es bastante adversas:<\/strong>\u00a0pobreza, maioria da popula\u00e7\u00e3o residindo em locais montanhosos e de dif\u00edcil acesso, resist\u00eancia \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a de n\u00f4mades e seq\u00fcestro de conselheiros da OMS.<\/p>\n<p>Em 1976, a Eti\u00f3pia libertava-se da var\u00edola. No ano seguinte, descobria-se o \u00faltimo foco da doen\u00e7a. Foram 39 casos \u2013 o primeiro a 30 de agosto e o derradeiro \u2013 Ali Maow Maali, a 26 de outubro.<\/p>\n<p>O v\u00edrus da var\u00edola passava a existir apenas em laborat\u00f3rios da OMS. Em julho de 1978, Janet Parker, uma fot\u00f3grafa cient\u00edfica, que trabalhava na Universidade de Birmingham, contaminou-se acidentalmente com o v\u00edrus e morreu a 11 de setembro. Poucos dias depois, Dr. Bedson, que se considerava respons\u00e1vel pelo ocorrido, se suicidava.<\/p>\n<p>Em maio de 1980, a OMS declarava a var\u00edola erradicada do mundo.<\/p>\n<p><strong>PNI ? Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em decorr\u00eancia do sucesso da campanha de erradica\u00e7\u00e3o da var\u00edola, a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade prop\u00f4s, em 1972, um plano mais ambicioso:<\/strong>\u00a0reduzir o n\u00famero de casos de doen\u00e7as evit\u00e1veis por\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0em todo o continente. Dois anos depois, a OMS encampava esta meta e criava o Programa Ampliado de Imuniza\u00e7\u00f5es (PAI).<\/p>\n<p>Para organizar seus esfor\u00e7os no setor, o Brasil institucionalizou o Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es e o sistema nacional de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e logo conseguia ampliar sua cobertura vacinal de 20% para 40%.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o era suficiente. Em 1980, o pa\u00eds optou pela estrat\u00e9gia de campanhas, criando os dias nacionais de\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0contra poliomielite e obtendo uma dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o na incid\u00eancia desta doen\u00e7a (de 1290 casos para 125).<\/p>\n<p>O sucesso fez com que diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica passassem a copiar esta iniciativa.<\/p>\n<p>Paralelamente, o pa\u00eds optava por estimular a produ\u00e7\u00e3o nacional de imunizantes, reaparelhando os laborat\u00f3rios estatais. Era preciso ainda garantir a qualidade das vacinas utilizadas nos programas oficiais. Em 1981, criou-se, na Fiocruz, o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia de sua implanta\u00e7\u00e3o foi logo comprovada com a descoberta de uma partida de imunizantes iugoslavos contra a poliomielite contaminados por fungos.<\/p>\n<p>Em apoio \u00e0 luta para controlar a p\u00f3lio, a Fiocruz implantou o Centro Internacional de Refer\u00eancia em Enterov\u00edrus, com a fun\u00e7\u00e3o de coordenar uma rede de laborat\u00f3rios de diagn\u00f3stico, examinar e confirmar cada caso da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Coube ao Centro detectar que um surto de p\u00f3lio no Nordeste devia-se ao subtipo III do poliov\u00edrus. A descoberta fez com que o Brasil desenvolvesse uma nova formula\u00e7\u00e3o para a vacina, com o aumento da quantidade deste subtipo, que a partir de 1989, passa a ser recomendada pela OPAS.<\/p>\n<p>A imuniza\u00e7\u00e3o de todas as crian\u00e7as no mesmo dia imp\u00f4s ao pa\u00eds uma s\u00e9rie de desafios, como a implanta\u00e7\u00e3o de uma estrutura de distribui\u00e7\u00e3o, armazenamento e conserva\u00e7\u00e3o das vacinas e a organiza\u00e7\u00e3o de um sistema confi\u00e1vel de registros. Foi necess\u00e1rio ainda investir no treinamento de pessoal.<\/p>\n<p>O sucesso das campanhas de imuniza\u00e7\u00e3o deveu-se ainda \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, mobilizando a popula\u00e7\u00e3o. De todos os pontos do pa\u00eds, em canoas, bicicletas, carro\u00e7as e tratores, pessoas dirigiam-se aos cerca de 90 mil postos de\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>, fixos e volantes. Para cada dia nacional de vacina\u00e7\u00e3o contra a p\u00f3lio, era distribuir cerca de 36 milh\u00f5es de doses de imunizante para atender a aproximadamente 20 milh\u00f5es de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em 1985, a OPAS lan\u00e7ava a campanha para acabar com a transmiss\u00e3o da poliomielite das Am\u00e9ricas. Em 1988, a OMS encampou a iniciativa, adotando a meta de erradica\u00e7\u00e3o mundial da p\u00f3lio at\u00e9 o ano 2000. Em 1989, foi registrado o \u00faltimo caso da doen\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<p>No ano seguinte, o pa\u00eds decidiu aproveitar a mobiliza\u00e7\u00e3o dos dias nacionais de\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0para imunizar tamb\u00e9m as crian\u00e7as contra o sarampo, a difteria, o t\u00e9tano e a coqueluche, conseguindo \u00edndices de 90% de cobertura vacinal.<\/p>\n<p>Neste mesmo ano, a OPAS organizou campanhas de bloqueio em todos os pa\u00edses, onde o v\u00edrus ainda circulava. Em 1981, era registrado o \u00faltimo caso de poliomielite por v\u00edrus selvagem no continente americano em Junin, no Peru.<\/p>\n<p>Em 1994, a Comiss\u00e3o Internacional para Certifica\u00e7\u00e3o da Erradica\u00e7\u00e3o da Poliomielite declarava interrompida a transmiss\u00e3o do poliov\u00edrus selvagem nas Am\u00e9ricas. Foi a primeira regi\u00e3o do mundo a conseguir este feito.<\/p>\n<p><strong>Meningite, uma Epidemia sob Censura<\/strong><\/p>\n<p>Em 1974, uma epidemia de meningite meningoc\u00f3cica assolou o pa\u00eds. Despreparado para enfrentar o crescente n\u00famero de casos, o regime militar censurou qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto a mol\u00e9stia se restringia \u00e0s \u00e1reas mais carentes, a proibi\u00e7\u00e3o funcionou, mas quando os \u00f3bitos come\u00e7aram a ocorrer nos bairros nobres do Rio e S\u00e3o Paulo, a not\u00edcia vazou e a press\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica se fez sentir.<\/p>\n<p>O Governo promoveu, ent\u00e3o, uma campanha nacional de\u00a0<strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0contra a meningite com imunizantes importados.<\/p>\n<p>Procurando se preparar para novos surtos da doen\u00e7a, em 1976 o Brasil implantou em Bio-Manguinhos, unidade da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, um centro de produ\u00e7\u00e3o de vacinas contra meningite meningoc\u00f3cica A e C.<\/p>\n<p>A vacina contra meningite meningoc\u00f3cica foi a primeira brasileira em polissacar\u00eddeos. Esta tecnologia produz menos efeitos colaterais, porque utiliza apenas peda\u00e7os do microorganismo, ao inv\u00e9s da bact\u00e9ria inteira.<\/p>\n<p>Seu dom\u00ednio possibilitou ao pa\u00eds a capacita\u00e7\u00e3o em modernos m\u00e9todos de fermenta\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o, aplic\u00e1veis a outros imunizantes bacterianos.<\/p>\n<p>Como resultado de um programa para capacita\u00e7\u00e3o nacional em imunobiol\u00f3gicos, a Fiocruz lan\u00e7ava em 1982 o primeiro lote da vacina brasileira contra o sarampo, fruto de acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica com o Governo japon\u00eas.<\/p>\n<p>A nacionaliza\u00e7\u00e3o deste imunizante revolucionou a produ\u00e7\u00e3o de vacinas no pa\u00eds. A automatiza\u00e7\u00e3o dos equipamentos possibilitou a fabrica\u00e7\u00e3o em escala industrial, reduziu os riscos de contamina\u00e7\u00e3o no processamento final e for\u00e7ou a moderniza\u00e7\u00e3o no setor de insumos.<\/p>\n<p>Foi a primeira vacina humana brasileira, utilizando a tecnologia de cultura de tecidos, aplic\u00e1vel a outros imunizantes virais e que possibilita a obten\u00e7\u00e3o de produtos mais puros, com menores efeitos colaterais, bem como de grandes quantidades do concentrado viral.<\/p>\n<p><strong>Calend\u00e1rio de Vacina\u00e7\u00e3o Infantil com as vacinas recomendadas:<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"50%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Idade<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Vacinas<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>Ao Nascer<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">BCG<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Hepatite B (1\u00aa dose)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>1 m\u00eas<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Hepatite B (2\u00aa dose)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>2 meses<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">DPT ou DT<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">P\u00f3lio<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Haemophylus<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>4 meses<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">DPT ou DT<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">P\u00f3lio<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Haemophylus<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>6 meses<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">DPT ou DT<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">P\u00f3lio<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Haemophylus<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Hepatite B (3\u00aa dose)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>9 meses<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Sarampo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Febre amarela**<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>12 meses<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Varicela<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Hepatite A (1\u00aa dose)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"4\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>15 meses<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">DPT ou DT<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">P\u00f3lio<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Haemophylus<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">MMR<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>18 meses<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Hepatite A (2\u00aa dose)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>5 a 6 anos<\/strong><\/td>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">DPT ou DT<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tabela\" align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">P\u00f3lio<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<blockquote><p><strong>BCG \u2013<\/strong>\u00a0Vacina contra tuberculose<strong><br \/>\nP\u00f3lio \u2013<\/strong>\u00a0vacina contra a paralisia infantil<strong><br \/>\nDPT \u2013<\/strong>\u00a0Vacina tr\u00edplice contra a difteria, coqueluche e t\u00e9tano<strong><br \/>\nMMR \u2013<\/strong>\u00a0Vacina contra sarampo, caxumba e rub\u00e9ola (SCR)<strong><br \/>\nHepatite B \u2013<\/strong>\u00a0Vacina contra hepatite B<strong><br \/>\nHepatite A ?<\/strong>\u00a0Vacina contra a Hepatite A<strong><br \/>\ndT \u2013<\/strong>\u00a0Vacina dupla tipo adulto, contra a difteria e t\u00e9tano.(Deve ser tomada como refor\u00e7o a cada 10 anos, por toda a vida.)<strong><br \/>\nHemophilus \u2013\u00a0<\/strong>Contra a Meningite Hemophilus (Hib)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.nhs.uk\/www.medbroadcast.com\/www.biocor.com.br\/www.vacivida.com.br\/www2.inf.furb.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 A\u00a0vacina\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 a coisa mais importante que podemos fazer para nos proteger e proteger nossos filhos contra problemas de sa\u00fade. As\u00a0vacinas\u00a0podem ajudar a proteger seu filho de doen\u00e7as graves causadas por germes. As\u00a0vacinas\u00a0funcionam aumentando a capacidade do sistema imunol\u00f3gico de combater certas infec\u00e7\u00f5es. 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