{"id":29845,"date":"2016-05-19T12:12:31","date_gmt":"2016-05-19T12:12:31","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29845"},"modified":"2016-12-11T02:15:37","modified_gmt":"2016-12-11T05:15:37","slug":"genero-narrativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/genero-narrativo","title":{"rendered":"G\u00eanero Narrativo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>A narrativa ou hist\u00f3ria \u00e9 qualquer relat\u00f3rio de eventos conectados, reais ou imagin\u00e1rios, apresentado em uma seq\u00fc\u00eancia de palavras escritas ou faladas em uma seq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica, ou ainda ou que se deslocam imagens.<\/p>\n<h4>Fun\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Contar hist\u00f3rias e ouvir hist\u00f3rias fazem parte dos instintos humanos. Portanto, os escritores empregam t\u00e9cnicas <strong>narrativas<\/strong> em suas obras para atrair leitores. Os leitores n\u00e3o s\u00e3o apenas entretido, mas tamb\u00e9m aprendem alguma mensagem subjacente das narrativas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a <strong>narrativa<\/strong> \u00e9 definida em contextos culturais espec\u00edficos. Os leitores podem obter uma vis\u00e3o profunda do que \u00e9 a cultura e desenvolver uma compreens\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a ela. Assim, as <strong>narrativas<\/strong> podem atuar como uma for\u00e7a vinculativa na uni\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<h4>G\u00eanero Narrativo &#8211; Modalidades<\/h4>\n<p>O <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong> \u00e9 visto como uma variante moderna do g\u00eanero \u00e9pico, caracterizando-se por se apresentar em prosa.<\/p>\n<p><strong>Manifesta-se nas seguintes modalidades:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Romance:<\/strong> narra\u00e7\u00e3o de um fato imagin\u00e1rio mais veross\u00edmil, que representa quaisquer aspectos da vida familiar e social do homem.<\/p>\n<p><strong>Podemos dividi-lo em:<\/strong> romance de cavalaria, romance de costumes, romance policial, romance psicol\u00f3gico, romance hist\u00f3rico etc.<\/p>\n<p><strong>Novela: <\/strong>breve, mas viva narra\u00e7\u00e3o de um fato humano not\u00e1vel, mais veross\u00edmil que imagin\u00e1rio. \u00c9 como um pequeno quadro da vida, com um \u00fanico conflito. Em geral, apresenta-se dividida em alguns poucos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p><strong>Conto: <\/strong>narra\u00e7\u00e3o densa e breve de um epis\u00f3dio da vida; mais condensada do que a novela e o romance. Em geral, n\u00e3o apresenta divis\u00e3o em cap\u00edtulos.<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bula:<\/strong> narrativa inveross\u00edmil, com fundo did\u00e1tico; tem como objetivo transmitir uma li\u00e7\u00e3o de moral.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00f4nica: o seu nome j\u00e1 nos d\u00e1 uma dica:<\/strong> cr\u00f4nica deriva do radical latino crono, que significa \u0093tempo\u0094.<\/p>\n<p><strong>Da\u00ed o seu car\u00e1ter:<\/strong> relato de acontecimentos do tempo de hoje, de fatos do cotidiano. Desde a consolida\u00e7\u00e3o da imprensa, a cr\u00f4nica se caracterizou como uma se\u00e7\u00e3o de jornal ou revista em que se comentam acontecimentos do dia-a-dia. Segundo Antonio Candido, a cr\u00f4nica \u0093\u00e9 filha do jornal e da era da m\u00e1quina, onde tudo acaba t\u00e3o depressa. Ela n\u00e3o foi feita originariamente para o livro, mas para essa publica\u00e7\u00e3o ef\u00eamera que se compra num dia e no dia seguinte \u00e9 usada para embrulhar um par de sapatos ou forrar o ch\u00e3o da cozinha\u0094. Por essa raz\u00e3o, cr\u00f4nica foi considerada como um \u0093g\u00eanero menor\u0094. Modernamente, em fun\u00e7\u00e3o da qualidade liter\u00e1ria de cronistas como Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Rachel de Queiroz, Luis Fernando Ver\u00edssimo, Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria, entre outros, a cr\u00f4nica \u00e9 compar\u00e1vel ao conto, sem perder, no entanto, o seu tom coloquial.<\/p>\n<h4>G\u00eanero Narrativo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\n<p>O <strong>G\u00eanero narrativo<\/strong> \u00e9 visto como uma variante do g\u00eanero \u00e9pico, enquadrando, neste caso, as narrativas em prosa. Dependendo da estrutura, da forma e da extens\u00e3o, as principais manifesta\u00e7\u00f5es narrativas s\u00e3o o romance, a novela e o conto.<\/p>\n<p>Em qualquer das tr\u00eas modalidades acima, temos representa\u00e7\u00f5es da vida comum, de um mundo mais individualizado e particularizado, ao contr\u00e1rio da universalidade das grandiosas narrativas \u00e9picas, marcadas pela representa\u00e7\u00e3o de um mundo maravilhoso, povoado de her\u00f3is e deuses.<\/p>\n<p><strong>As narrativas em prosa, que conheceram um not\u00e1vel desenvolvimento desde o final do s\u00e9culo XVIII, s\u00e3o tamb\u00e9m comumente chamadas de narrativas de fic\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Romance:<\/strong> narra\u00e7\u00e3o de um fato imagin\u00e1rio, mas veross\u00edmil, que representa quaisquer aspectos da vida familiar e social do homem. Comparado \u00e0 novela, o romance apresenta um corte mais amplo da vida, com personagens e situa\u00e7\u00f5es mais densas e complexas, com passagem mais lenta do tempo. Dependendo da import\u00e2ncia dada ao personagem ou \u00e0 a\u00e7\u00e3o ou, ainda, ao espa\u00e7o, podemos ter romance de costumes, romance psicol\u00f3gico, romance policial, romance regionalista, romance de cavalaria, romance hist\u00f3rico, etc.<\/p>\n<p><strong>Novela: na literatura em l\u00edngua portuguesa, a principal distin\u00e7\u00e3o entre novela e romance \u00e9 quantitativa:<\/strong> vale a extens\u00e3o ou o n\u00famero de p\u00e1ginas. <strong>Entretanto, podemos perceber caracter\u00edsticas qualitativas<\/strong>: na novela, temos a valoriza\u00e7\u00e3o de um evento, um corte mais limitado da vida, a passagem do tempo \u00e9 mais r\u00e1pida, e o que \u00e9 mais importante, na novela o narrador assume uma maior import\u00e2ncia como contador de um fato passado.<\/p>\n<p><strong>Conto:<\/strong> \u00e9 a mais breve e simples narrativa centrada em um epis\u00f3dio da vida. O cr\u00edtico Alfredo Bosi, em seu livro O conto brasileiro contempor\u00e2neo, afirma que o car\u00e1ter m\u00faltiplo do conto &#8220;j\u00e1 desnorteou mais de um te\u00f3rico da literatura ansioso por encaixar a forma conto no interior de um quadro fixo de g\u00eaneros. Na verdade, se comparada \u00e0 novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencia no seu espa\u00e7o todas as possibilidades da fic\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>F\u00e1bula:<\/strong> narrativa inveross\u00edmil, com fundo did\u00e1tico, que tem como objetivo transmitir uma li\u00e7\u00e3o moral. Normalmente a f\u00e1bula trabalha com animais como personagens. Quando os personagens s\u00e3o seres inanimados, objetos, a f\u00e1bula recebe a denomina\u00e7\u00e3o de ap\u00f3logo.<\/p><\/blockquote>\n<p>A f\u00e1bula \u00e9 das mais antigas narrativas, coincidindo seu aparecimento, segundo alguns estudiosos, com o da pr\u00f3pria linguagem. No mundo ocidental, o primeiro grande nome da f\u00e1bula foi Esopo, um escravo grego que teria vivido no s\u00e9culo VI a.C. Modernamente, muitas das f\u00e1bulas de Esopo foram retomadas por La Fontaine, poeta franc\u00eas que viveu de 1621 a 1695. O grande m\u00e9rito de La Fontaine reside no apurado trabalho realizado com a linguagem, ao recriar os temas tradicionais da f\u00e1bula. No Brasil, Monteiro Lobato realizou tarefa semelhante, acrescentando, \u00e0s f\u00e1bulas tradicionais, curiosos e certeiros coment\u00e1rios dos personagens que viviam no S\u00edtio do Picapau Amarelo.<\/p>\n<h4>G\u00eanero Narrativo &#8211; Liter\u00e1rio<\/h4>\n<p>O g<strong>\u00eanero narrativo ou narrativa<\/strong> \u00e9 o g\u00eanero liter\u00e1rio que se caracteriza porque se relatam hist\u00f3rias reais ou tamb\u00e9m ficticias (acontecimentos ou acontecimentos) que constituem uma hist\u00f3ria alheia aos sentimentos do autor.<\/p>\n<p>Ainda que seja imaginaria, a hist\u00f3ria liter\u00e1ria tomada seus modelos do mundo real. Esta rela\u00e7\u00e3o entre imaginaci\u00f3n e experi\u00eancia, entre fantas\u00eda e vida \u00e9 o que lhe d\u00e1 um valor especial \u00e0 leitura na forma\u00e7\u00e3o espiritual da pessoa. O narrador \u00e9 o encarregado de dar a conhecer o mundo imaginario ao leitor.<\/p>\n<p>O narrador \u00e9 um ente criado pelo autor. O narrador possui uma vida pr\u00f3pria, a qual n\u00e3o est\u00e1 determinada pelos valores que regem \u00e0 vida humana, sen\u00e3o mais bem existe dentro da cria\u00e7\u00e3o ficticia. O narrador como ente ficticio estabelece uma rela\u00e7\u00e3o com um leitor ficticio, incorporado no relato. \u00c9 o destinat\u00e1rio e participa no que o narrador conta.<\/p>\n<p>O elemento distintivo do <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong> \u00e9 a presen\u00e7a de um narrador como emissor. Este encarrega-se de relatar a hist\u00f3ria, apresentar \u00e0s personagens e explicar as circunst\u00e2ncias em que se desenvolvem os fatos.<\/p>\n<p>O narrador pode estar dentro (homodieg\u00e9tico) ou fosse (heterodieg\u00e9tico) da hist\u00f3ria ou di\u00e9gesis que conta. Tamb\u00e9m pode ocupar uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria. A esta vis\u00e3o ou ponto de vista do narrador denomina-se-lhe perspectiva.<\/p>\n<p>De acordo a isto, o narrador classificar-se-\u00e1 como protagonista, testemunha ou personagem (se est\u00e1 dentro da hist\u00f3ria), ou omnisciente, objetivo e de conhecimento relativo (se est\u00e1 fora da hist\u00f3ria).<\/p>\n<p><strong>Subg\u00eaneros <\/strong><\/p>\n<p><strong>O g\u00eanero narrativo pode subdividirse em tr\u00eas grandes grupos: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Novela<\/strong>: \u00e9 uma narra\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o de maior extens\u00e3o que o conto. Geralmente est\u00e1 dividida em cap\u00edtulos e tem grande quantidade de personagens. Pode narrar v\u00e1rias hist\u00f3rias paralelas, em lugares e tempos diferentes; ainda que sempre deve existir uma rela\u00e7\u00e3o entre eles. <strong><br \/>\nNovela curta:<\/strong> \u00e9 uma mistura entre conto e novela, j\u00e1 que \u00e9 mais longa que um conto mas mais curta que uma novela. <strong><br \/>\nConto: <\/strong>\u00e9 uma narra\u00e7\u00e3o curta de fic\u00e7\u00e3o que em seus in\u00edcios nasceu para ser transmitida oralmente.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>De acordo \u00e0 realidade que apresentam se dividem em: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Costumbristas:<\/strong> relatam a vida quotidiana de um grupo de pessoas dentro de seu contexto social. As situa\u00e7\u00f5es que se apresentam podem encontrar na realidade. <strong><br \/>\nRealistas: <\/strong>relatam situa\u00e7\u00f5es reconocibles na vida real. As personagens, lugares e situa\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o ser verdadeiros mas poderiam existir na realidade. <strong><br \/>\nHumor\u00edsticas: <\/strong>caracteriza-se por com\u00e9dia<strong>. Nele se utilizam diferentes recursos:<\/strong> chistes, personagens e situa\u00e7\u00f5es graciosos ou rid\u00edculas, etc. <strong>Hist\u00f3ricas:<\/strong> relatam situa\u00e7\u00f5es realmente decorridas no passado. As personagens e lugares t\u00eam existido na realidade. <strong><br \/>\nBiogr\u00e1ficas:<\/strong> relatam a vida de uma pessoa. Quando o autor \u00e9 o protagonista se denomina autobiograf\u00eda. <strong><br \/>\nFant\u00e1sticas:<\/strong> relatam fatos incr\u00edveis, personagens irreales ou lugares estranhos e desconhecidos. Muitas vezes dentro destes contos aparecem relacionados com fatos realistas. <strong><br \/>\nDe ci\u00eancia fic\u00e7\u00e3o:<\/strong> relatam fatos fant\u00e1sticos relacionados com o avan\u00e7o cient\u00edfico. Geralmente participam rob\u00f4s e seres de outros planetas em lugares distantes no futuro. <strong><br \/>\nMaravilhosas:<\/strong> relatam feitos cujos protagonistas e a\u00e7\u00f5es est\u00e3o totalmente fora da realidade, como os contos de hadas, magos e bruxos. <strong><br \/>\nF\u00e1bulas: <\/strong>s\u00e3o narra\u00e7\u00f5es que terminam com um ensino ou li\u00e7\u00e3o chamada moraleja. Muitas vezes as personagens s\u00e3o animais ou coisas que realizam a\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias dos seres humanos. Esse recurso denomina-se personificac\u00e3o.. <strong><br \/>\nLendas:<\/strong> s\u00e3o antigas narra\u00e7\u00f5es que foram transmitidas de pais a filhos em forma oral. Transita um caminho intermedi\u00e1rio entre a fantas\u00eda e a realidade. Costumam explicar a origem de plantas, animais e lugares misturando o conhecimento adquirido durante gera\u00e7\u00f5es com cren\u00e7as religiosas e supersti\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Pessoa <\/strong><\/p>\n<p><strong>Em refer\u00eancia \u00e0 pessoa, o narrador pode classificar-se em: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p><b>Narrador em primeira pessoa<\/b>: O narrador participa na hist\u00f3ria que conta; isto \u00e9, \u00e9 uma personagem. Leste pode ser protagonista, se \u00e9 a personagem principal, ou testemunha se conta o que lhe ocorre a outros. <b><br \/>\nNarrador em segunda pessoa<\/b>: \u00c9 um tipo de narra\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 com escassa frequ\u00eancia. Neste estilo assistimos a um di\u00e1logo, mas no qual s\u00f3 lemos a um das personagens. O autor narra em segunda pessoa, com o tu, e assim provoca uma verdadeira empat\u00eda entre o leitor e o protagonista. <b><br \/>\nNarrador em terceira pessoa<\/b>: O narrador n\u00e3o participa na hist\u00f3ria que conta; est\u00e1 fora da hist\u00f3ria. Geralmente, este tipo de narrador \u00e9 omnisciente; isto \u00e9, sabe todo o que fazem, pensam e sentem as personagens.<\/p><\/blockquote>\n<p>Neste sentido, as personagens cumprem uma fun\u00e7\u00e3o importante no <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Personagens <\/strong><\/p>\n<p>As<strong> personagens<\/strong> cumprem diferentes fun\u00e7\u00f5es em uma obra.<\/p>\n<p><strong>Podem ser:<\/strong> protagonistas se levam a cabo as a\u00e7\u00f5es do relato; objetos quando a a\u00e7\u00e3o recae neles; tamb\u00e9m se lhes denomina ayudantes quando contribuem ao lucro de uma a\u00e7\u00e3o e antagonistas quando entorpecen a boa marcha das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As personagens tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 se estudam pelo papel que cumprem na obra liter\u00e1ria, sen\u00e3o que tamb\u00e9m se analisam por suas qualidades f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas; isto \u00e9, como s\u00e3o por fora e por dentro. Isto nos permite inferir se a personagem evolui ao longo da hist\u00f3ria; se sofrem mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>As personagens sempre levam a efeito as a\u00e7\u00f5es em um determinado ambiente. Neste sentido, \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar o espa\u00e7o f\u00edsico (rinc\u00e3o, rua, plano) da atmosfera (paz, sosiego, \u00f3dio, amor, solid\u00e3o). S\u00f3 assim podemos condenar ou justificar a conduta das personagens.<\/p>\n<p>As personagens \u00e0 medida que cumprem as a\u00e7\u00f5es tra\u00e7adas, podem magnificarse ou empeque\u00f1ecerse.<\/p>\n<p>No <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong> se evid\u00eancia tamb\u00e9m o tempo, pois na narra\u00e7\u00e3o se observam diferentes planos. Pode narrar-se a hist\u00f3ria em ordem cronol\u00f3gico; isto \u00e9, em tempo linear. Uns fatos sucedem aos outros tal como se observa na realidade. Mas tamb\u00e9m se pode jogar com os tempos verbais, narrar o passado ou antecipar o futuro. Desta forma podem-se alternar ou encadear hist\u00f3rias. O narrador ao deixar a hist\u00f3ria em m\u00e3os de uma personagem, permite que este recorde a\u00e7\u00f5es passadas e as relacione com o presente.<\/p>\n<p><strong>Estas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o telefonemas:<\/strong> <strong>racconto<\/strong> (lembran\u00e7a extensa e detalhado) e flashback (lembran\u00e7a curta e r\u00e1pido).<\/p>\n<p>Dentro do <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong> desenvolvem-se os subg\u00eaneros (contos, lenda, par\u00e1bola, f\u00e1bula, novela, mitos, cr\u00f4nica, etc.) que s\u00e3o diferentes manifesta\u00e7\u00f5es deste g\u00eanero, nas que se representam \u00e0s personagens como construtores de mundo atrav\u00e9s de sua participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Aus\u00eancia de narra\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o muito diferente ao que sucede no cinema ou o teatro, nos textos das <strong>historieta<\/strong>s encontramos muitas vezes contos sem narra\u00e7\u00e3o. Enquanto naquelas linguagens, a temporalidad intr\u00ednseca ao pr\u00f3prio plano da express\u00e3o suple em algum modo \u00e0 consequente aus\u00eancia do corte tempor\u00e1rio, na historieta os instrumentos enunciativos desenvolvidos para dar vida a uma dimens\u00e3o tempor\u00e1ria est\u00e3o constre\u00f1idos a um progresso muito espec\u00edfico. Que \u00e9 um conto sem narra\u00e7\u00e3o? \u00c9 simplesmente um conto n\u00e3o contado, ou seja um conto onde falta uma &#8220;voz&#8221;, aquela que pertence ao narrador. Isto \u00e9 muito frequente no <strong>cinema<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>No\u00e7\u00f5es gerais do g\u00eanero narrativo<\/strong><\/p>\n<p>Recorde que existem diversas manifesta\u00e7\u00f5es do <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong> como novelas, contos, epopeya, entre outras.<\/p>\n<p>A novela \u00e9 o g\u00eanero mais cultivado e ao igual que o conto pertence ao <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong>, mas se diferencia deste por sua extens\u00e3o. Como \u00e9 mais longa permite muitos epis\u00f3dios, mais personagens e portanto h\u00e1 v\u00e1rios assuntos que se desenvolvem paralelamente. As novelas podem classificar segundo o tema que tratam.<\/p>\n<p>Estes t\u00eam altera\u00e7\u00e3o para trav\u00e9s da hist\u00f3ria, pois os interesses das pessoas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Por isso h\u00e1 diferentes classes de novelas:<\/strong> Hist\u00f3ricas, Polic\u00edacas, Caballer\u00eda, Sociais, Autobiogr\u00e1ficas, Aventuras, Picarescas e Rosas<\/p>\n<h4>G\u00eanero Narrativo &#8211; Tipo<\/h4>\n<p>G\u00eanero \u00e9 um tipo de texto liter\u00e1rio, definido de acordo com a estrutura, o estilo e a recep\u00e7\u00e3o junto ao p\u00fablico leitor ouvinte. Procuraremos aqui adotar a classifica\u00e7\u00e3o mais usual.<\/p>\n<p><strong>G\u00eaneros Liter\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1. \u00e9pico: <\/strong>\u00e9 o g\u00eanero narrativo ou de fic\u00e7\u00e3o que se estrutura sobre uma hist\u00f3ria<strong><br \/>\n2. l\u00edrico: <\/strong>\u00e9 o g\u00eanero ao qual pertence a poesia l\u00edrica <strong><br \/>\n3. dram\u00e1tico:<\/strong> \u00e9 o g\u00eanero teatral, isto \u00e9, aquele que engloba o texto de teatro, uma vez que o espet\u00e1culo em si foge \u00e0 al\u00e7ada da literatura.<\/p><\/blockquote>\n<p>O g\u00eanero \u00e9pico recebe tal nome das epop\u00e9ias (narrativas her\u00f3icas em versos), apesar de modernamente este g\u00eanero manifestar-se sobretudo em prosa. Neste livro usaremos o termo g\u00eanero narrativo por acreditarmos que seja mais pertinente \u00e0 prosa de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O conceito de fic\u00e7\u00e3o merece tamb\u00e9m um esclarecimento, j\u00e1 que de modo geral as pessoas atribuem a ele um senti do mais limitado:<\/strong> narrativa de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>Na verdade o termo tem significado mais abrangente:<\/strong> imagina\u00e7\u00e3o, inven\u00e7\u00e3o. Para os limites deste livro fica estabelecido que literatura de fic\u00e7\u00e3o \u00e9 a narrativa liter\u00e1ria em prosa.<\/p>\n<h4>G\u00eanero Narrativo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\n<p>Na atualidade passou-se a chamar <strong>g\u00eanero narrativo<\/strong> ao conjunto de obras em que h\u00e1 narrador, personagens e uma seq\u00fc\u00eancia de fatos. \u00c9 uma variante do g\u00eanero \u00e9pico.<\/p>\n<p>Termo que deriva do S\u00e2nscrito \u0093gn\u00e4rus\u0094 (saber, ter conhecimento de algo) e \u0093narro\u0094 (contar, relatar) e que chegou at\u00e9 n\u00f3s por via do Latim. Para Plat\u00e3o o termo aplica-se a todos os textos produzidos pelos prosadores e poetas, pois ele considera como narrativas as narra\u00e7\u00f5es de todos os acontecimentos passados, presentes e futuros.<\/p>\n<p><strong>Abrange v\u00e1rias modalidades de texto em que aparecem os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1 &#8211; Foco narrativo:<\/strong> presen\u00e7a de um elemento que relata a hist\u00f3ria como participante (1\u00ba pessoa)ou como observador (3\u00ba pessoa ). E, tamb\u00e9m h\u00e1 o narrador onisciente.<strong><br \/>\n2 &#8211; Enredo: <\/strong>\u00e9 a seq\u00fc\u00eancia de fatos, podendo seguir a ordem cronol\u00f3gica em que eles ocorrem (sucess\u00e3o temporal dos fatos), ou a ordem psicol\u00f3gica (sucess\u00e3o dos fatos, seguindo as lembran\u00e7as ou evoca\u00e7\u00f5es das personagens, apresentando, muitas vezes flash-backs ou voltas ao passado.<strong><br \/>\n3 &#8211; Personagem:<\/strong> seres criados pelo autor com caracter\u00edsticas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas determinadas.<strong><br \/>\n4 &#8211; Campo e espa\u00e7o:<\/strong> o momento e o local em que os fatores s\u00e3o narrados e onde se desenrolam.<strong><br \/>\n5 &#8211; Conflito:<\/strong> situa\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o entre os elementos da narrativa.<strong><br \/>\n6 &#8211; Cl\u00edmax: <\/strong>a situa\u00e7\u00e3o criada pelo narrador vai progressivamente aumentando sua dramaticidade at\u00e9 que chega ao cl\u00edmax, ao ponto m\u00e1ximo.<strong><br \/>\n7 &#8211; Desfecho: <\/strong>momento que recebe o cl\u00edmax, no qual se finaliza a hist\u00f3ria e cada personagem se encaminha para seu &#8220;destino&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Ao g\u00eanero narrativo pertencem as seguintes modalidades de texto:<\/strong><\/p>\n<p><strong>O conto:<\/strong><\/p>\n<p>O conto, por ser breve e simples narrativa, \u00e9 um g\u00eanero muito cultivado.<\/p>\n<p><strong>Apresenta as seguintes caracter\u00edsticas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Apresenta apenas uma c\u00e9lula dram\u00e1tica.<br \/>\nPoucos personagens intervem na narrativa.<br \/>\nCen\u00e1rio limitado, espa\u00e7o restrito.<br \/>\nEspa\u00e7o de tempo curto.<br \/>\nDi\u00e1logos sugestivos que permitem mostrar os conflitos entre as personagens.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida ao essencial, h\u00e1 um s\u00f3 conflito.<br \/>\nA narrativa \u00e9 objetiva, por vezes, a descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o aparece.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0Romance:<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Romance \u00e9 uma narrativa longa, caracterizada por conter:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Enredo complexo.<br \/>\nUm ou v\u00e1rios conflitos das personagens.<br \/>\nTempo, espa\u00e7o ampliadas.<br \/>\nV\u00e1rios personagens.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 a mais importante das modalidades narrativas em prosa. Envolve a narra\u00e7\u00e3o de um acontecimento fict\u00edcio, por\u00e9m veross\u00edmil, ou seja, coerente com o universo real em que se espelha.<\/p>\n<p><strong>\u00a0F\u00e1bula:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Narrativa inveross\u00edmil, com fundo did\u00e1tico, que tem como objetivo transmitir uma li\u00e7\u00e3o de moral. Normalmente a f\u00e1bula trabalha com animais como personagens. Quando as personagens s\u00e3o seres inanimados, objetos, a f\u00e1bula recebe a denomina\u00e7\u00e3o de ap\u00f3logo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Fonte: literarydevices.net\/paraiso.etfto.gov.br\/pt.encydia.com\/www.snascimento.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G\u00eanero Narrativo, \u00c9pico, Defini\u00e7\u00e3o, Fun\u00e7\u00e3o, Tipo, Estilo, Literatura, Modalidades, Liter\u00e1rio, Caracter\u00edsticas, O que \u00e9, G\u00eanero Narrativo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":88174,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-29845","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>G\u00eanero 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