{"id":29799,"date":"2016-05-19T11:43:28","date_gmt":"2016-05-19T11:43:28","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29799"},"modified":"2018-11-07T09:29:20","modified_gmt":"2018-11-07T11:29:20","slug":"simbolismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/simbolismo","title":{"rendered":"Simbolismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que foi o Simbolismo?<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Simbolismo<\/strong> \u00e9 uma das escolas liter\u00e1rias que acontece durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX. Acompanhado do movimentos como o Realismo, Naturalismo e Parnasianismo, o Simbolismo \u00e9 o movimento que retoma uma das principais caracter\u00edsticas do Romantismo: o subjetivismo. Isso o difere das suas antecessoras e \u00e9 justamente essa caracter\u00edstica que o faz trabalhar com s\u00edmbolos que moldar\u00e3o a interpreta\u00e7\u00e3o dos poemas. Al\u00e9m disso, o Simbolismo \u00e9 anti-parnasiano e surge na Fran\u00e7a com Charles Baudelaire e o poema \u201cAs flores do mal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>O contexto hist\u00f3rico continua sendo o mesmo do Realismo: fracasso da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, poder tomado pela burguesia, Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, luta de classes, etc. Isso ocorre porque ainda \u00e9 a segunda metade do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas do Simbolismo<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Misticismo e esoterismo: \u00e9 a caracter\u00edstica que representa que os poemas simbolistas mostram o que n\u00e3o pode ser compreendido pelo real, que eles negam a realidade e buscam o \u201ceu\u201d atrav\u00e9s do sonho, da f\u00e9 e da transcend\u00eancia;<\/li>\n<li>Subjetividade: a subjetividade do Simbolismo \u00e9 sobre pessimismo e dor. Apesar de retomar o Romantismo com essa caracter\u00edstica, a abordagem aqui \u00e9 diferente da segunda fase rom\u00e2ntica. Os simbolistas est\u00e3o mais preocupados com o \u201ceu\u201d do que com a quest\u00e3o do amor;<\/li>\n<li>Imprecis\u00e3o e intui\u00e7\u00e3o: os poemas desse movimento liter\u00e1rio sempre trabalhar\u00e3o com s\u00edmbolos, o que faz com que eles sugiram imagens para que o leitor possa compreende-la de acordo com a sua experi\u00eancia de mundo. \u00c9 a forma como o inconsciente aparece;<\/li>\n<li>Condensa\u00e7\u00e3o: \u00e9 a condensa\u00e7\u00e3o de imagens po\u00e9ticas atrav\u00e9s dos s\u00edmbolos. Isso causa a alegoria (significa\u00e7\u00e3o) das imagens ins\u00f3litas para a compreens\u00e3o da poesia simbolista;<\/li>\n<li>Musicalidade do poema: o ritmo da poesia \u00e9 muito bem marcado, principalmente atrav\u00e9s das figuras de linguagem;<\/li>\n<li>Sinestesia: \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de dois sentidos fisiol\u00f3gicos. Por exemplo, relacionar a vis\u00e3o \u00e0s cores; o paladar aos sabores; o tato aos toques; o olfato aos aromas; a audi\u00e7\u00e3o aos sons, etc. S\u00e3o formas de contribuir ao car\u00e1ter simbol\u00edstico da poesia.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00c9 evidente que n\u00e3o \u00e9 um poema f\u00e1cil de ser lido devido a sua carga simb\u00f3lica!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Autores principais<\/strong><\/p>\n<p>Cruz e Sousa com poemas como \u201cAcrobata da dor\u201d e \u201cCavador o infinito\u201d e Alphonsus Guimaraens.<\/p>\n<p><strong>Por<\/strong> Amanda Abreu<\/p>\n<h4>Simbolismo &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>O <strong>Simbolismo<\/strong> \u00e9 a pr\u00e1tica de dar um significado especial para objetos, coisas, relacionamentos ou eventos.<\/p>\n<p><strong>Simbolismo<\/strong> \u00e9 o uso de s\u00edmbolos para significar id\u00e9ias e qualidades, dando-lhes significados simb\u00f3licos que s\u00e3o diferentes do seu sentido literal<\/p>\n<p><strong>Simbolismo <\/strong>pode assumir diferentes formas. Geralmente, \u00e9 um objeto que representa o outro para dar um significado inteiramente diferente que \u00e9 muito mais profundo e mais significativa.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, por\u00e9m, uma a\u00e7\u00e3o, um evento ou uma palavra falada por algu\u00e9m pode ter um valor simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Por exemplo, &#8220;sorriso&#8221; \u00e9 um s\u00edmbolo de amizade. Da mesma forma, a a\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m sorrindo para voc\u00ea pode ficar como um s\u00edmbolo do sentimento de afei\u00e7\u00e3o que essa pessoa tem para voc\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Em nossa vida di\u00e1ria, podemos facilmente identificar objetos, que podem ser tomadas como exemplos de s\u00edmbolo, como o seguinte:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A pomba \u00e9 um s\u00edmbolo da paz.<br \/>\nUma rosa vermelha ou cor vermelha representa o amor ou romance.<br \/>\nO preto \u00e9 um s\u00edmbolo que representa o mal ou a morte.<br \/>\nUma escada pode ficar como um s\u00edmbolo para uma liga\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9u ea terra.<br \/>\nUm espelho quebrado pode simbolizar separa\u00e7\u00e3o<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Exemplos simbolismo na Literatura: <\/strong>Para desenvolver simbolismo em seu trabalho, um escritor utiliza outras figuras de linguagem, como met\u00e1foras, s\u00edmiles, alegoria, como ferramentas.<\/p>\n<h4>Simbolismo no Brasil<\/h4>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o de Broqu\u00e9is e Missal (1893), de Jo\u00e3o da Cruz e Souza, inaugura este movimento, que se caracteriza por melancolia, gosto dos ritmos fluidos e musicais, incluindo o uso de versos livres; uso de imagens incomuns e ousadas. O cuidado na evoca\u00e7\u00e3o das cores e de seus m\u00faltiplos matizes mostra, tamb\u00e9m, uma influ\u00eancia do Impressionismo.<\/p>\n<p>Alphonsus de Guimaraens (C\u00e2mara ardente) \u00e9 um outro grande nome desse per\u00edodo. O simbolista tardio Guilherme de Almeida (Eu e voc\u00ea) funciona como uma ponte entre essa fase e o pr\u00e9-modernismo. Uma figura isolada \u00e9 Augusto dos Anjos (Eu e outras poesias), fascinado pelo vocabul\u00e1rio e os conceitos da ci\u00eancia e da filosofia, que faz uma poesia de reflex\u00e3o metaf\u00edsica e de den\u00fancia da injusti\u00e7a social.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o da Cruz e Souza (1861-1898), filho de escravos libertos, luta pelo abolicionismo e contra o preconceito racial. Muda-se de Santa Catarina para o Rio de Janeiro, onde trabalha na Estrada de Ferro Central e colabora no jornal Folha Popular. A sua poesia \u00e9 marcada pela sublima\u00e7\u00e3o do amor e pelo sofrimento vindo do racismo, da pobreza, da doen\u00e7a. Renova a poesia no Brasil com Broqu\u00e9is e Missal. Em \u00daltimos sonetos trata a morte como a \u00fanica forma de alcan\u00e7ar a libera\u00e7\u00e3o dos sentidos.<\/p>\n<p><strong>Teatro<\/strong><\/p>\n<p>A exemplo do realismo, tem seu auge durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX. Al\u00e9m de rejeitarem os excessos rom\u00e2nticos, os simbolistas negam tamb\u00e9m a reprodu\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica dos realistas. Preferem retratar o mundo de modo subjetivo, sugerindo mais do que descrevendo. Para eles, motiva\u00e7\u00f5es, conflitos, caracteriza\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e coer\u00eancia na progress\u00e3o dram\u00e1tica t\u00eam import\u00e2ncia relativa.<\/p>\n<p><strong>Autores simbolistas \u0096<\/strong> Os personagens do Pelleas e Melisande, do belga Maurice Maeterlinck, por exemplo, s\u00e3o mais a materializa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias abstratas do que seres humanos reais. Escritores como Ibsen, Strindberg, Hauptmann e Yeats, que come\u00e7am como realistas, evoluem, no fim da carreira, para o <strong>simbolismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deles, destacam-se o italiano Gabriele d&#8217;Annunzio (A filha de Iorio), o austr\u00edaco Hugo von Hofmannsthal (A torre) e o russo Leonid Andreiev (A vida humana).<\/p>\n<p>Auguste Strindberg (1849-1912) nasce em Estocolmo, Su\u00e9cia, e \u00e9 educado de maneira puritana. Sua vida pessoal \u00e9 atormentada. Divorcia-se tr\u00eas vezes e convive com freq\u00fcentes crises de esquizofrenia. Strindberg mostra em suas pe\u00e7as \u0096 como O pai ou A defesa de um louco \u0096 um grande antagonismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. Em Para Damasco cria uma obra expressionista que vai influenciar diversos dramaturgos alem\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7o c\u00eanico simbolista \u0096<\/strong> Os alem\u00e3es Erwin Piscator e Max Reinhardt e o franc\u00eas Aur\u00e9lien Lugn\u00e9-Poe recorrem ao palco girat\u00f3rio ou desmembrado em v\u00e1rios n\u00edveis, \u00e0 proje\u00e7\u00e3o de slides e t\u00edtulos explicativos, \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de rampas laterais para ampliar a cena ou de plataformas colocadas no meio da plat\u00e9ia. O brit\u00e2nico Edward Gordon Craig revoluciona a ilumina\u00e7\u00e3o usando, pela primeira vez, a luz el\u00e9trica; e o su\u00ed\u00e7o Adolphe Appia reforma o espa\u00e7o c\u00eanico criando cen\u00e1rios monumentais e estilizados.<\/p>\n<h4>Simbolismo &#8211; Hist\u00f3ria<\/h4>\n<p>O <b>Simbolismo<\/b> &#8211; que tamb\u00e9m foi chamado de Decadentismo, Impressionismo, Nefelibatismo &#8211; surgiu na Fran\u00e7a, por volta de 1880, e de l\u00e1 difundiu-se internacionalmente, abrangendo v\u00e1rios ramos art\u00edsticos, principalmente a poesia. O per\u00edodo era de profundas modifica\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, provocadas fundamentalmente pela expans\u00e3o do capitalismo, na esteira da industrializa\u00e7\u00e3o crescente, e que convergiram para, dentre outras conseq\u00fc\u00eancias, a I Guerra Mundial. Na Europa haviam germinado id\u00e9ias cient\u00edfico-filos\u00f3ficas e materialistas que procuravam analisar racionalmente a realidade e assim apreender as novas transforma\u00e7\u00f5es; essas id\u00e9ias, principalmente as do positivismo, influenciaram movimentos liter\u00e1rios como o Realismo e o Naturalismo, na prosa, e o Parnasianismo, na poesia.<\/p>\n<p>No entanto, os triunfos materialistas e cient\u00edficos n\u00e3o eram compartilhados ou aceitos por muitos estratos sociais, que haviam ficado ao largo da prosperidade burguesa caracter\u00edstica da chamada &#8220;belle \u00e9poque&#8221;; pelo contr\u00e1rio, esses grupos alertavam para o mal-estar espiritual trazido pelo capitalismo. Assim, como afirmou Alfredo Bosi, &#8220;do \u00e2mago da intelig\u00eancia europ\u00e9ia surge uma oposi\u00e7\u00e3o vigorosa ao triunfo da coisa e do fato sobre o sujeito &#8211; aquele a quem o otimismo do s\u00e9culo prometera o para\u00edso mas n\u00e3o dera sen\u00e3o um purgat\u00f3rio de contrastes e frustra\u00e7\u00f5es&#8221;. A partir dessa oposi\u00e7\u00e3o, no campo da poesia, formou-se o <strong>Simbolismo<\/strong>.<\/p>\n<h4>Simbolismo &#8211; Movimento<\/h4>\n<p>O movimento simbolista tomou corpo no Brasil na d\u00e9cada de 1890, quando o pa\u00eds passava tamb\u00e9m por intensas e radicais transforma\u00e7\u00f5es, ainda que diversas daquelas vivenciadas na Europa. O advento da Rep\u00fablica e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura modificaram as estruturas pol\u00edticas e econ\u00f4micas que haviam sustentado a agr\u00e1ria e aristocr\u00e1tica sociedade brasileira do Imp\u00e9rio. Os primeiros anos do regime republicano, de grande instabilidade pol\u00edtica, foram marcados pela entrada em massa de imigrantes no pa\u00eds, pela urbaniza\u00e7\u00e3o dos grandes centros &#8211; principalmente de S\u00e3o Paulo, que come\u00e7ou a crescer em ritmo acelerado -, e pelo incremento da ind\u00fastria nacional.<\/p>\n<p>Nas cidades, a classe m\u00e9dia se expandiu, enquanto a oper\u00e1ria come\u00e7ou a tornar-se numerosa. No campo, aumentaram as pequenas propriedades produtivas e o colonato. A jovem rep\u00fablica federativa, que ainda definia os limites de seu territ\u00f3rio, conheceu a riqueza ef\u00eamera da borracha na Amaz\u00f4nia e a prosperidade trazida pela diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no Rio Grande do Sul. Mas era o caf\u00e9 produzido no Centro-Sul a for\u00e7a motriz da economia brasileira, e de seus lucros alimentou-se a poderosa burguesia que determinava o destino de grande parte dos projetos pol\u00edticos, financeiros e culturais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No Brasil ainda sustentado pela agricultura e dependente de importa\u00e7\u00f5es de produtos manufaturados, m\u00e1quinas e equipamentos, a ind\u00fastria editorial engatinhava.<\/p>\n<p>O p\u00fablico leitor era reduzido, j\u00e1 que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o era analfabeta. As poucas editoras existentes concentravam-se no Rio de Janeiro e lan\u00e7avam autores de prefer\u00eancia j\u00e1 conhecidos do p\u00fablico, em tiragens pequenas, impressas em Portugal ou na Fran\u00e7a, e mal distribu\u00eddas. Era principalmente nas p\u00e1ginas de peri\u00f3dicos que circulavam as obras liter\u00e1rias, e onde se debatiam os novos movimentos est\u00e9ticos que agitavam os meios art\u00edsticos. Foi por meio do jornal carioca Folha Popular que formou-se o grupo simbolista liderado por Cruz e Souza, provavelmente o mais importante a divulgar a nova est\u00e9tica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por for\u00e7a dessas circunst\u00e2ncias, muitos autores do per\u00edodo colaboraram como cronistas para jornais e revistas, atividade que contribuiu para a profissionaliza\u00e7\u00e3o do escritor brasileiro. Raul Pomp\u00e9ia, ficcionista ligado ao Realismo, foi um deles, e abordou importantes acontecimentos e debates da \u00e9poca em suas cr\u00f4nicas, como a quest\u00e3o do Voto Feminino e Voto Estudantil ou os problemas da Via\u00e7\u00e3o Urbana. Al\u00e9m dos peri\u00f3dicos, as confer\u00eancias liter\u00e1rias eram outra fonte de renda e de divulga\u00e7\u00e3o para os autores brasileiros, que tamb\u00e9m costumavam freq\u00fcentar sal\u00f5es art\u00edsticos promovidos por membros da elite, como a Vila Kyrial de Jos\u00e9 de Freitas Vale, senador, mecenas e autor de versos simbolistas que posteriormente patroneou autores modernistas.<\/p>\n<p>Os simbolistas contribu\u00edram muito para a evolu\u00e7\u00e3o do mercado de peri\u00f3dicos, pois lan\u00e7aram grande n\u00famero de revistas, em v\u00e1rios estados brasileiros. Ainda que os t\u00edtulos durassem, na maioria das vezes, apenas alguns n\u00fameros, o que \u00e9 tamb\u00e9m indicativo da fragilidade do mercado editorial e da cena liter\u00e1ria, representaram grande avan\u00e7o no setor, notavelmente pelo apuro gr\u00e1fico. Dentre os peri\u00f3dicos simbolistas destacam-se as cariocas Rio-Revista e Rosa-Cruz, as paranaenses Clube Curitibano e O Cen\u00e1culo, as mineiras Horus e A \u00c9poca, a cearense A Padaria Espiritual, a baiana Nova Cruzada, entre muitas outras. No come\u00e7o do s\u00e9culo XX, foram publicadas revistas que ficariam famosas pela qualidade editorial e gr\u00e1fica, como Kosmos e Fon-Fon!. As inova\u00e7\u00f5es formais e tipogr\u00e1ficas praticadas pelos simbolistas, como os poemas figurativos, as p\u00e1ginas coloridas, os livros-estojo exigiam grande requinte t\u00e9cnico e, por conseq\u00fc\u00eancia, terminaram por ajudar a melhorar a qualidade da ind\u00fastria gr\u00e1fica no pa\u00eds.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas Gerais<\/h4>\n<p>Os poetas simbolistas acreditavam que a realidade \u00e9 complexa demais pra ser apreendida e descrita de maneira objetiva e racional, como pretendiam os realistas e parnasianos. Eles voltaram-se para o universo interior e os aspectos n\u00e3o-racionais e n\u00e3o-l\u00f3gicos da vida, como o sonho, o misticismo, o transcendental. Propunham o exerc\u00edcio da subjetividade contra a objetividade &#8211; retomando, de modo diferente, o individualismo rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso diferenciar, todavia, poesia simbolista de poesia simb\u00f3lica. Como afirma o cr\u00edtico Afr\u00e2nio Coutinho, &#8220;nem toda literatura que usa o s\u00edmbolo \u00e9 simbolista.<\/p>\n<p>A poesia universal \u00e9 toda ela na ess\u00eancia simb\u00f3lica&#8221;.<\/p>\n<p>O <strong>Simbolismo<\/strong>, para Coutinho, &#8220;posto n\u00e3o constitu\u00edsse uma unidade de m\u00e9todos, antes de ideais, procurou instalar um credo est\u00e9tico baseado no subjetivo, no pessoal, na sugest\u00e3o e no vago, no misterioso e il\u00f3gico, na express\u00e3o indireta e simb\u00f3lica. Como pregava Mallarm\u00e9, n\u00e3o se devia dar nome ao objeto, nem mostr\u00e1-lo diretamente, mas sugeri-lo, evoc\u00e1-lo pouco a pouco, processo encantat\u00f3rio que caracteriza o s\u00edmbolo.&#8221;<\/p>\n<p>No Brasil, onde o Parnasianismo dominava o cen\u00e1rio po\u00e9tico, a est\u00e9tica simbolista encontrou resist\u00eancias, mas animou a cria\u00e7\u00e3o de obras inovadoras. Desde o final da d\u00e9cada de 1880 as obras de simbolistas franceses, entre eles Baudelaire e Mallarm\u00e9, e portugueses, como Antonio Nobre e Camilo Pessanha, vinham influenciando grupos como aquele que se formou em torno da Folha Popular, no Rio, liderado por Cruz e Souza e integrado por Emiliano Perneta, B. Lopes e Oscar Rosas. Mas foi com a publica\u00e7\u00e3o, em 1893, de Missal, livro de poemas em prosa, e Broqu\u00e9is, poemas em versos, ambos de Cruz e Souza, que principiou de fato o movimento simbolista no pa\u00eds &#8211; embora a import\u00e2ncia desses livros e do pr\u00f3prio movimento s\u00f3 tenha sido reconhecida bem mais tarde, com as vanguardas modernistas.<\/p>\n<p>Entre as inova\u00e7\u00f5es formais que caracterizam o <strong>Simbolismo<\/strong> est\u00e3o a pr\u00e1tica do verso livre, em oposi\u00e7\u00e3o ao rigor do verso parnasiano, e o uso de &#8220;uma linguagem ornada, colorida, ex\u00f3tica, po\u00e9tica, em que as palavras s\u00e3o escolhidas pela sonoridade, ritmo, colorido, fazendo-se arranjos artificiais de parte ou detalhes para criar impress\u00f5es sens\u00edveis, sugerindo antes que descrevendo e explicando&#8221;, de acordo com Afr\u00e2nio Coutinho.<\/p>\n<p>Tra\u00e7os formais caracter\u00edsticos do <strong>Simbolismo<\/strong> s\u00e3o a musicalidade, a sensorialidade, a sinestesia (superposi\u00e7\u00e3o de impress\u00f5es sensoriais). O antol\u00f3gico poema Ant\u00edfona, de Cruz e Souza, \u00e9 exemplar nesse sentido; sugest\u00f5es de perfumes, cores, m\u00fasicas perpassam todo o poema, cuja linguagem vaga e fluida \u00e9 plena de recursos sonoros como alitera\u00e7\u00f5es e asson\u00e2ncias. H\u00e1 tamb\u00e9m em Ant\u00edfona refer\u00eancias a elementos m\u00edsticos, ao sonho, a mist\u00e9rios, ao amor er\u00f3tico, \u00e0 morte, os grandes temas simbolistas.<\/p>\n<p>Ainda com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma, o soneto foi cultivado pelos simbolistas, mas n\u00e3o com a predile\u00e7\u00e3o manifestada pelos parnasianos, nem com sua paix\u00e3o descritiva. Em sonetos como Incenso, de Gilka Machado, e Acrobata da Dor, de Cruz e Souza, est\u00e1 presente a linguagem que sugere, em lugar de nomear ou descrever, al\u00e9m de elementos como o questionamento da raz\u00e3o, a dor da exist\u00eancia, o interesse pelo mist\u00e9rio, a transcend\u00eancia espiritual, que s\u00e3o caracter\u00edsticos do <strong>Simbolismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Lembre-se a prop\u00f3sito, tamb\u00e9m, do poema O Soneto, de Cruz e Souza, em que a linguagem po\u00e9tica simbolista transfigura e recria a forma da composi\u00e7\u00e3o soneto.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que as correntes simbolistas e parnasianas coexistiram e se influenciaram mutuamente; assim, h\u00e1 na obra de adeptos do <strong>Simbolismo<\/strong> tra\u00e7os da est\u00e9tica parnasiana e, do mesmo modo, impregna\u00e7\u00f5es simbolistas na obra de poetas ligados ao Parnasianismo, como Francisca J\u00falia.<\/p>\n<p>O <strong>Simbolismo<\/strong> e o Parnasianismo, segundo Jos\u00e9 Aderaldo Castello, projetaram-se nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, &#8220;deixando importante legado para herdeiros que se fariam grandes poetas do Modernismo&#8221;. O Simbolismo, por\u00e9m, &#8220;mais do que os adeptos da poesia \u0091cient\u00edfico-filos\u00f3fica\u0092 e realista, provocou o debate, agu\u00e7ando o confronto de gera\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Os principais autores simbolistas brasileiros s\u00e3o Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens, mas merecem destaque tamb\u00e9m Gilka Machado e Augusto dos Anjos.<\/p>\n<p>Cruz e Souza \u00e9 considerado o maior poeta simbolista brasileiro, e foi mesmo apontado pelo estudioso Roger Bastide como dos maiores poetas do <strong>Simbolismo<\/strong> no mundo. Para a cr\u00edtica Luciana Stegagno-Picchio, &#8220;ao firme, sapiente universo do parnasiano, \u00e0 est\u00e1tua, ao m\u00e1rmore, mas tamb\u00e9m ao polido distanciamento e ao sorriso, o simbolista Cruz e Souza contrap\u00f5e seu universo sinuoso, mal seguro, inquietante, misterioso, alucinante&#8221;. Negro, o poeta sofreu preconceitos terr\u00edveis, que marcaram de diversos modos sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. Os cr\u00edticos costumam indicar a &#8220;obsess\u00e3o&#8221; pela cor branca em seus versos, repletos de brumas, pratas, marfins, linhos, luares, e de adjetivos como alva, branca, clara. Mas Cruz e Souza tamb\u00e9m expressou as dores e injusti\u00e7as da escravid\u00e3o em poemas como Crian\u00e7as Negras e Na Senzala.<\/p>\n<p>A obra de Alphonsus de Guimaraens \u00e9 fundamentada pelos temas do misticismo, do amor e da morte. Em poemas como A Catedral e A Passiflora, repletos de refer\u00eancias cat\u00f3licas, a religiosidade \u00e9 o assunto principal. O poeta tamb\u00e9m voltou-se para outro tema caro aos simbolistas, o interesse pelo inconsciente e pelas zonas profundas e desconhecidas da mente humana. Ism\u00e1lia, talvez seu poema mais conhecido, tematiza justamente a loucura. O amor, em sua poesia, \u00e9 o amor perdido, inating\u00edvel, pranteado, como em Noiva e Salmos da Noite; reminisc\u00eancias da morte prematura da mulher que amou na juventude.<\/p>\n<p>Gilka Machado &#8220;foi a maior figura feminina de nosso <strong>Simbolismo<\/strong>&#8220;, segundo o cr\u00edtico P\u00e9ricles Eug\u00eanio da Silva Ramos. Seus poemas, de intenso sensualismo, chegaram a causar esc\u00e2ndalo, mas revelaram novas maneiras de expressar o erotismo feminino. Emiliano Perneta tamb\u00e9m imprimiu forte sensualismo em seus versos, caracter\u00edsticos al\u00e9m disso pelo satanismo e decadentismo.<\/p>\n<p>Sua poesia, para Andrade Muricy, \u00e9 &#8220;a mais desconcertante e variada que o <strong>simbolismo<\/strong> produziu entre n\u00f3s&#8221;. J\u00e1 a obra de Augusto dos Anjos &#8211; extremamente popular, diga-se de passagem &#8211; \u00e9 \u00fanica, e h\u00e1 grande dificuldade entre a cr\u00edtica para classific\u00e1-la. Seus poemas, que chegam a ser expressionistas, recorrem a uma linguagem cientifista-naturalista, abundante de termos t\u00e9cnicos, para tematizar a morte, a destrui\u00e7\u00e3o, o pessimismo e mesmo o asco diante da vida.<\/p>\n<h4><strong>Simbolismo &#8211; Literatura<\/strong><\/h4>\n<p>Nenhum movimento cultural \u00e9 globalizante. N\u00e3o se pode imaginar que todos os setores e pessoas da sociedade viveram da mesma forma em determinado momento. Por isso, pode-se dizer que em certas \u00e9pocas h\u00e1 uma ideologia predominante, por\u00e9m n\u00e3o globalizante.<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo passado, por exemplo, ao mesmo tempo que ainda vigorava a onda de cientificismo e materialismo que deu origem ao Realismo e ao Naturalismo, j\u00e1 surgia um grupo de artistas e pensadores que punha em d\u00favida a capacidade absoluta da ci\u00eancia de explicar todos os fen\u00f4menos relacionados ao homem.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o se cr\u00ea mais no conhecimento &#8220;positivo&#8221;, que levaria a humanidade para um est\u00e1gio evolu\u00eddo. Acredita-se que, assim como a ci\u00eancia \u00e9 limitada, igualmente a linguagem n\u00e3o pode pretender representar a realidade dentro como ela de fato \u00e9. Pode-se, no m\u00e1ximo, suger\u00ed-la.<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo XIX, a literatura que representou essa nova forma de ver o mundo foi o <strong>Simbolismo<\/strong>. Os Simbolistas, insatisfeitos com a onda de cientificismo e materialismo a que esteve submetida a sociedade industrial europ\u00e9ia na segunda metade do s\u00e9culo passado, representam a rea\u00e7\u00e3o da intui\u00e7\u00e3o contra a l\u00f3gica, do subjetivismo contra a objetividade cient\u00edfica, do misticismo contra o materialismo, da sugest\u00e3o sensorial contra a explica\u00e7\u00e3o racional.<\/p>\n<p>O <strong>Simbolismo<\/strong> come\u00e7a por ser, portanto, uma nega\u00e7\u00e3o do materialismo, do positivismo, do determinismo e outras atitudes cient\u00edfico-filos\u00f3ficas que embasaram a est\u00e9tica Realista\/Naturalista\/Parnasiana. \u00c9, por outro lado, um retorno ao subjetivismo rom\u00e2ntico, ao predom\u00ednio do &#8220;eu&#8221;, da imagina\u00e7\u00e3o e da emo\u00e7\u00e3o, ainda de modo mais profundo e radical. \u00c9 tamb\u00e9m uma volta \u00e0 atitude conflitual tensa do Barroco e ao espiritualismo e religiosidade da era medieval.<\/p>\n<p><strong>Para saber mais sobre o Simbolismo sugere-se: <\/strong>conhecer a obra de pintores impressionistas e p\u00f3s-impressionistas como Renoir, Manet, C\u00e9zanne, Van Gogh, Gaughin, Toulouse-Lautrec e Klimt; ouvir a m\u00fasica de Claude Debussy e pesquisar sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o Simbolismo e o Romantismo, principalmente a 2\u00b0 gera\u00e7\u00e3o da poesia rom\u00e2ntica e a tend\u00eancia g\u00f3tica.<\/p>\n<p><strong>A linguagem da m\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p>Nenhuma arte \u00e9 inteiramente objetiva.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 uma fotografia, por exemplo, que se aproxima bastante da realidade, depende da sele\u00e7\u00e3o que o fot\u00f3grafo faz<\/strong>: o que fotografar, de que \u00e2ngulo, a que dist\u00e2ncia, com que luz, em que momento. Essas variantes est\u00e3o sujeitas \u00e0s intens\u00f5es do fot\u00f3grafo; s\u00e3o, portanto, subjetivas e podem modificar o resultado final, a foto.<\/p>\n<p>Os simbolistas n\u00e3o acreditavam na possibilidade de a arte e a literatura poderem fazer um retrato total da realidade. Duvidavam tamb\u00e9m das explica\u00e7\u00f5es &#8220;positivas&#8221; da ci\u00eancia, que julgava poder explicar todos os fen\u00f4menos que envolvem o homem e conduzi-lo a um caminho de progresso e fartura material.<\/p>\n<p>Assim, os simbolistas representam um grupo social que ficou \u00e0 margem do cientificismo do s\u00e9culo XIX e que procurou resgatar certos valores rom\u00e2nticos varridos pelo Realismo, tais como o espiritualismo, o desejo de transcend\u00eancia e de integra\u00e7\u00e3o com o universo, o mist\u00e9rio, o misticismo, a morte, a dor existencial (sem, contudo, cair na afeta\u00e7\u00e3o sentimental rom\u00e2ntica.)<\/p>\n<p>A ci\u00eancia, at\u00e9 a pouco dona da verdade, passa a ser questionada, impondo um forte desencanto, pois \u00e0 ela, que a tudo enquadrava nuna for\u00e7ada rela\u00e7\u00e3o de causalidade, mostrava-se impotente, deixando incocadas as grandes quest\u00f5es da vida, que continuavam como um profundo mist\u00e9rio. \u00c9 exatamente esse mist\u00e9rio que vai seduzir alguns fil\u00f3sifos e artistas desse per\u00edodo, na busca, muitas vezes, de um modo supra-racional de conhecimento. Este caminho \u00e9 o &#8220;cora\u00e7\u00e3o&#8221; de Pascal (&#8220;O cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece&#8221;) e logo ser\u00e1, para muitos pensadores, a &#8220;intui\u00e7\u00e3o&#8221;, ou aquilo que, h\u00e1 muito tempo, t\u00eam experimentado os m\u00edsticos, sem nenhuma explica\u00e7\u00e3o concreta e prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Essa rea\u00e7\u00e3o antimaterialista situa-se num contexto mais amplo da vivido pela Europa no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XIX, a forte crise espiritual a que sem tem chamado de decadentismo do final do s\u00e9culo, ou ainda mal do s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>Conceito e \u00e2mbito <\/strong><\/p>\n<p>O s\u00edmbolo sempre existiu na Literatura, mas somente no s\u00e9culo XIX \u00e9 que seu emprego se difundiu e se tornou moda com a denomina\u00e7\u00e3o de <strong>Simbolismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Restringindo-nos a um ciclo hist\u00f3rico mais pr\u00f3ximo, verificamos que o <strong>Simbolismo<\/strong> deita ra\u00edzes no Romantismo e que alguns ideais rom\u00e2nticos, sobretudo os mais vagos, tiveram que aguardar o Simbolismo para realizar-se de forma mais ampla. Nesse sentido, o Simbolismo para realizar-se de forma mais ampla. Neste sentido, esse movimento pode ser considerado um prolongamento ou uma etapa mais avan\u00e7ada da concep\u00e7\u00e3o do mundo e dos homens inaugurada pelos rom\u00e2nticos, transfigurando-a e levando-a \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Em suma, o Simbolismo s\u00f3 se compreende quando inscrito no contexto s\u00f3cio-cultural decorente da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e da implanta\u00e7\u00e3o das doutrinas rom\u00e2ntico-liberais.<\/p>\n<p>Contrariamente aos rom\u00e2nticos, os simbolistas propuseram que &#8220;a poesia n\u00e3o \u00e9 somente emo\u00e7\u00e3o, amor, mas a tomada de consci\u00eancia desta emo\u00e7\u00e3o; que a atitude po\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 unicamente afetiva, mas ao mesmo tempo afetiva e cognitiva&#8221;. Por outras palavras, a poesia carrega em si uma certa maneira de conhecer.<\/p>\n<p>Na busca do &#8220;eu profundo&#8221;, os Simbolistas iniciam uma viagem interior de imprevis\u00edveis resultados, ultrapassando os n\u00edveis de razoabilidade em que, afinal de contas, se colocavam os rom\u00e2nticos, mesmo os mais descabelados e furiosos.<\/p>\n<p>Imergindo nas esferas inconscientes, acbaram por atingir os estratos mentais anteriores \u00e0 fala e \u00e0 l\u00f3gica, tocando o universo \u00edntimo de cada um, onde reina o caos e a anarquia, em decorr\u00eancia de ali vegetare as viv\u00eancias vagas e flu\u00eddas, pr\u00e9-l\u00f3gicas e inef\u00e1veis, e que n\u00e3o se revelam ao homem comum sen\u00e3o por recursos indiretos como o sonho, a alucina\u00e7\u00e3o ou a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Mais do que tocar os desv\u00e3os do inconsciente, pretendiam sent\u00ed-los, examin\u00e1-los.<\/p>\n<p>O problema mais dif\u00edcil era o de como transportar as viv\u00eancias abissais para o plano no consciente a fim de comunic\u00e1-las a outrem. Como proceder? Como exprimi-las? Como represent-alas sem esvazi\u00e1-las ou destru\u00ed-las? A gram\u00e1tica tradicional, a sintaxe l\u00f3gica, o vocabul\u00e1rio comum, petrificado nas v\u00e1rias denota\u00e7\u00f5es de dicion\u00e1rio, enfim o material lingu\u00edstico e gramatical corriqueiro eram insuficientes para comunicar os achados ins\u00f3litos da sensibilidade, antes desconhecidos ou apenas inexpressos.<\/p>\n<p>Era necess\u00e1rio inventar uma linguagem nova, recuperando express\u00f5es consideradas obsoletas, ivificando outras cujo lastro sem\u00e2ntico ia sofrendo desgaste ou cristaliza\u00e7\u00e3o. Essa nova linguagem estaria fundamentada numa sintaxe e gram\u00e1tica &#8220;psicol\u00f3gicas&#8221;, num vocabul\u00e1rio adequado \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de novidades est\u00e9ticas, pela recorr\u00eancia a neologismos, inesperadas combina\u00e7\u00f5es vocabulares, emprego de arca\u00edsmos e de termos exo\u00f3ticos ou lit\u00fargicos, e ainda de recursos gr\u00e1ficos de v\u00e1rias ordens (o uso de mai\u00fasculas aleg\u00f3rizantes, das cores na impress\u00e3o dos poemas ou partes de livros, de formas arcaicas, etc&#8230;)<\/p>\n<p>Trata-se pois de uma revolu\u00e7\u00e3o da express\u00e3o liter\u00e1ria e, n\u00e3o obstante conectado com as outras artes, o <strong>Simbolismo<\/strong> \u00e9 antes e acima de tudo Literatura e nenhuma escola foi mais liter\u00e1ria, no sentido de &#8220;uma est\u00e9tica que se aproximou de pura, vacinada contra todo o cont\u00e1tio n\u00f5a est\u00e9tico, ou que, sendo est\u00e9tico, atentasse contra suas prerrogativas liter\u00e1rias. (Massaud Mois\u00e9s, &#8220;O Simbolismo&#8221;, A literatura Brasileira, vol. IV, Cultrix, SP, 1973).<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas da Poesia Simbolista <\/strong><\/p>\n<p>Como movimento antimaterialista e anti-racionalista, o <strong>Simbolismo<\/strong> buscou uma linguagem que fosse capaz de sugerir a realidade, e n\u00e3o retrat\u00e1-la objetivamente, como queriam os realistas. Para isso, faz uso de s\u00edmbolos, imagens, met\u00e1foras, sinestesias, al\u00e9m de recursos sonoros e crom\u00e1ticos, tudo com a finalidade de exprimir o mundo interior, intuitivo, antil\u00f3gico e anti-racional. Podem ser encontrados esses tra\u00e7os em poetas e pensadores pr\u00e9-Simbolistas, que acabaram por dar as origens dessa escola.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o eles:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Charles Baudelaire<\/strong><\/p>\n<p>poeta franc\u00eas p\u00f3s-rom\u00e2ntico e precursor do movimento simbolista, para quem a poesia \u00e9 a express\u00e3o da correspond\u00eancia que a linguagem \u00e9 capaz de estabelecer entre o concreto e o abstrato, o material e o ideal. Coube a ele desmistificar a poesia, trazendo-a para o plano do homem j\u00e1 ent\u00e3o angustiado por uma exist\u00eancia sem deuses ou mitos v\u00e1lidos. Sua poesia sat\u00e2nica, irreverente e c\u00e1ustica, impulsionada por uma \u00e2nsia tr\u00e1gica de liberta\u00e7\u00e3o e narcisamento, influenciou n\u00f5a s\u00f3 o \u00e2mbito \u00e9tico-liter\u00e1rio, mas revolucionou o pr\u00f3prio campo da express\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 sua Teoria das Correspond\u00eancias, expressa no trecho abaixo.<\/p>\n<blockquote><p>Como longos ecos que de longe se confundem<br \/>\nnuma tenebrosa e profunda unidade.<br \/>\nVasta como a noite e como a claridade,<br \/>\nos perfumes, as cores e os sons se correspondem.<\/p><\/blockquote>\n<p>A Teoria das Correspond\u00eancias porp\u00f5e um porocesso c\u00f3smico de aproxima\u00e7\u00e3o entre as realidades f\u00edsicas e as metaf\u00edsicas, entre os seres, as cores, os perfumes e o pensamento ou a emo\u00e7\u00e3o, que se expressa atrav\u00e9s da Sinestesia, um tipo de met\u00e1fora, que consiste na tranfer\u00eancia (ou &#8220;cruzamento&#8221;) de percep\u00e7\u00e3o de um sentido para outro, ou seja, a fus\u00e3o, num s\u00f3 ato de percep\u00e7\u00e3o, de dois sentidos ou mais. \u00c9 o que ocorre em &#8220;ru\u00eddo aspero&#8221; (audi\u00e7\u00e3o e tato); &#8220;m\u00fasica doce&#8221; (audi\u00e7\u00e3o e gusta\u00e7\u00e3o); &#8220;som colorido&#8221; (audi\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o); &#8220;noite de veludo&#8221; (vis\u00e3o e tato).<\/p>\n<p>Essas correspond\u00eancias entre os campos sensorial e espiritual envolvem obrigatoriamente a sinestesia.<\/p>\n<p><strong>Sinestesia \u00e9 o cruzamento de campos sensoriais diferentes<\/strong>: por exemplo, tato e vis\u00e3o, como nas imagens &#8220;noite de veludo&#8221;, &#8220;amarelo quente&#8221;, &#8220;cinza frio&#8221;.<\/p>\n<p>Em termos de ideologia, o Parnasianismo e o Simbolismo s\u00e3o movimentos diametralmente opostos, j\u00e1 que aquele pregava uma poesia objetiva, racionalista, e voltada a temas universais. Apesar disso, ambos apresentam em comum uma preocupa\u00e7\u00e3o intensa com a linguagem e certo refinamento formal. Isso talvez possa ser explicado pelo fato de ambas as tend\u00eancias terem nascido juntas, na Fran\u00e7a, na revista Parnasse Contemporain, em 1866. Cruz e Souza, o principal simbolista brasileiro, apresenta influ\u00eancias parnasianas em alguns de seus poemas.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas da linguagem simbolista <\/strong><\/p>\n<p><b>As caracter\u00edsticas da linguagem simbolista podem ser assim esquematizadas: <\/b><\/p>\n<blockquote><p>Linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir a nomear. Utiliza\u00e7\u00e3o de substantivos abstratos, ef\u00eameros, vagos e imprecisos<br \/>\nPresen\u00e7a abundante de met\u00e1foras, compara\u00e7\u00f5es, alitera\u00e7\u00f5es, asson\u00e2ncias, paronom\u00e1sias, sinestesias<br \/>\nSubjetivismo e teorias que voltam-se ao mundo interior<br \/>\nAntimaterialismo, anti-racionalismo em oposi\u00e7\u00e3o ao positivismo<br \/>\nMisticismo, religiosidade, valoriza\u00e7\u00e3o do espiritual para se chegar \u00e0 paz interior<br \/>\nPessimismo, dor de existir<br \/>\nDesejo de transcend\u00eancia, de integra\u00e7\u00e3o c\u00f3smica, deixando a mat\u00e9ria e libertando o esp\u00edrito<br \/>\nInteresse pelo noturno, pelo mist\u00e9rio e pela morte, assim como momentos de transi\u00e7\u00e3o como o amanhecer e o crep\u00fasculo<br \/>\nInteresse pela explora\u00e7\u00e3o das zonas desconhecidas da mente humana (o inconsciente e o subconsciente) e pela loucura.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o:<\/strong> Na concep\u00e7\u00e3o Simbolista o louco era um ser completamente livre por n\u00e3o obedecer \u00e0s regras. Teoricamente o poeta simbolista \u00e9 o ser feliz.<\/p>\n<h4>Contexto Hist\u00f3rico<\/h4>\n<p>O movimento simbolista surge no \u00faltimo quarto do s\u00e9culo XIX, na Fran\u00e7a, e representa a rea\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e0 onda de materialismo e cientificismo que envolvia Europa desde a metade do s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>Tal qual o Romantismo, que reagiria contra o racionalismo burgu\u00eas do s\u00e9culo XVIII (o Iluminismo), o Simbolismo rejeita as solu\u00e7\u00f5es racionalistas, emp\u00edricas e mec\u00e2nicas trazidas pela ci\u00eancia da \u00e9poca e busca valores ou ideais de outra ordem, ignorados ou desprezados por ela<\/strong>: o esp\u00edrito, a transcend\u00eancia c\u00f3smica, o sonho, o absoluto, o nada, o bem, o belo, o sagrado dentre outros.<\/p>\n<p>A origem dessa tend\u00eancia espiritualista e at\u00e9 m\u00edstica situa-se nas camadas ou grupos da sociedade que ficaram \u00e0 margem do processo de avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico do capitalismo do s\u00e9culo XIX e da solidifica\u00e7\u00e3o da burguesia no poder. S\u00e3o setores da aristocracia decadente e da classe m\u00e9dia que, n\u00e3o vivendo a euforia do progresso material, da mercadoria e do objeto, reagem contra ela. Prop\u00f5em a volta da supremacia do sujeito sobre o objeto, rejeitanto desse modo o desmedido valor dado \u00e0s coisas materiais.<\/p>\n<p>Assim, os simbolistas procuraram resgatar a rela\u00e7\u00e3o do homem com o sagrado, com a liturgia e com os s\u00edmbolos. Buscam o sentimento de totalidade, que se daria numa integra\u00e7\u00e3o da poesia com a vida c\u00f3smica, como se ela, a poesia, fosse uma religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua forma de tratar a realidade \u00e9 radicalmente diferente da dos realistas. N\u00e3o aceitam a separa\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto ou entre objetivo e subjetivo. Partem do princ\u00edpio de que \u00e9 imposs\u00edvel o retrato fiel do objeto; o papel do artista, no caso seria o de sugeri-lo, por meio de tentativas, sem querer esgot\u00e1-lo. Desses modo, a obra de arte nunca \u00e9 perfeita ou acabada, mas aberta, podendo sempre ser modificada ou refeita.<\/p>\n<p><strong>Os malditos<\/strong><\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o da realidade e da arte trazida pelos Simbolistas suscita rea\u00e7\u00f5es entre setores positivistas da sociedade. Chamados de malditos ou decadentes, os simbolistas ignoram a opini\u00e3o p\u00fablica, desprezam o prest\u00edgio social e liter\u00e1rio, fechando-se numa quase religi\u00e3o da palavra e suas capacidades expressivas.<\/p>\n<p><strong>O Simbolismo<\/strong><\/p>\n<p>Com as propostas de inova\u00e7\u00e3o, oposi\u00e7\u00e3o e pesquisa trazidas pela gera\u00e7\u00e3o de Verlaine, Rimbaud e Mallarm\u00e9 &#8211; n\u00e3o sobrevive muito. O mundo presencia a euforia capitalista, o avan\u00e7o cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico. A burguesia vive a belle \u00e9poque, um per\u00edodo de prosperidade, de acumula\u00e7\u00e3o e de prazeres materiais que s\u00f3 terminaria com a eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial, em 1914.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o <strong>Simbolismo<\/strong> desaparece. Mas deixa ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civiliza\u00e7\u00e3o moderna e industrializada, al\u00e9m de c\u00f3digos liter\u00e1rios novos, que abrir\u00e3o campo para as correntes art\u00edsticas do s\u00e9culo XX, principalmente o Expressionismo e o Surrealismo, tamb\u00e9m preocupados com a express\u00e3o e com as zonas inexploradas da mente humana, como o inconsciente e a loucura.<\/p>\n<p><strong>O Simbolismo no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que aconteceu na Europa, onde o <strong>Simbolismo<\/strong> se sobrep\u00f4s ao Parnasianismo, no Brasil o Simbolismo foi quase inteiramente abafado pelo movimento parnasiano, que gozou de amplo prest\u00edgio entre as camadas cultas at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. Apesar disso, a produ\u00e7\u00e3o simbolista deixou contribui\u00e7\u00f5es significativas, preparando terreno para as grandes inova\u00e7\u00f5es que iriam ocorrer no s\u00e9culo XX, no dom\u00ednio da poesia.<\/p>\n<p>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es simbolistas j\u00e1 eram sentidas desde o final da d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo XIX. Apesar disso, tradicionalmente se tem apontado como marco introdut\u00f3rio do movimento simbolista brasileiro a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Em 1893, das obras Missal (prosa) e Broqu\u00e9is (poesia), de nosso maior simbolista<\/strong>: Cruz e Souza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Cruz e Sousa, destacam-se, dentre outros, Alphonsus de Guimaraens e Pedro Kilkerry (recentemente descoberto pela cr\u00edtica).<\/p>\n<p><strong>Cruz e Sousa: O Cavador do Infinito<\/strong><\/p>\n<p>Cruz e Sousa (1862 &#8211; 1898), filho de escravos, foi amparado por uma fam\u00edlia aristocr\u00e1tica, que o ajudou nos estudos. Ao transferir-se para o Rio, sobreviveu trabalhando em pequenos empregos e sempre foi alvo do preconceito racial. Na juventude, teve uma grande decep\u00e7\u00e3o amorosa ao apaixonar-se por uma artista branca. Acabou casando-se com Gravita, uma negra, que mais tarde ficaria louca. De quatro filhos que o casal teve, apenas dois sobreviveram. Cruz e Souza morreu com 36 anos, v\u00edtima de tuberculose. Suas \u00fanicas obras publicadas em vida foram Missal e Broqu\u00e9is.<\/p>\n<p>Hoje Cruz e Souza \u00e9 considerado o mais importante poeta simbolista brasileiro e um dos maiores poetas nacionais de todos os tempos. Seu valor, contudo, s\u00f3 foi reconhecido postumamente, depois que o soci\u00f3logo franc\u00eas Roger Bastide colocou-o entre os maiores poetas do <strong>Simbolismo<\/strong> universal. Sua obra apresenta diversidade e riqueza.<\/p>\n<p><strong>De um lado, encontram-se aspectos noturnos do Simbolismo, herdados do Romantismo<\/strong>: o culto da noite, certo satanismo, pessimismo, morte, etc.<\/p>\n<p><strong>Observa-se algumas dessas caracter\u00edsticas nesses versos do poema &#8220;Inexor\u00e1vel&#8221;: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00d3 meu Amor, que j\u00e1 morreste,<br \/>\n\u00d3 meu Amor, que morta est\u00e1s!<br \/>\nL\u00e1 nessa cova a que desceste<br \/>\n\u00d3 meu Amor, que j\u00e1 morreste,<br \/>\nAh! Nunca mais florescer\u00e1s?<\/p>\n<p>Ao teu esqu\u00e1lido esqueleto,<br \/>\nQue tinha outrora de uma flor<br \/>\nA gra\u00e7a e o encanto do amuleto<br \/>\nAo teu esqu\u00e1lido esqueleto<br \/>\nN\u00e3o voltar\u00e1 novo esplendor?<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>De outro lado, h\u00e1 certa preocupa\u00e7\u00e3o formal que o aproxima dos parnasianos<\/strong>: a forma lapidar, o gosto pelo soneto, o verbalismo requintado, a for\u00e7a das imagens; de outro, ainda, a inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 poesia meditativa e filos\u00f3fica, que o aproxima da poesia realista portuguesa, principalmente de Antero de Quintal.<\/p>\n<p>A forma encontrada pelos Simbolistas de suspender a dor seria a m\u00fasica. Da\u00ed adv\u00e9m a tentativa de produzir textos t\u00e3o melodiosos e ritmados. Um exemplo claro \u00e9 um dos mais belos textos de Cruz e Sousa. Ao le-lo, deve-se ficar atento \u00e0 musicalidade das palavras e constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Viol\u00f5es que choram: Cruz e Souza <\/b><\/p>\n<blockquote><p>Ah! plangentes viol\u00f5es dormente, mornos,<br \/>\nSolu\u00e7os ao luar, choros ao vento&#8230;<br \/>\nTristes perfis, os mais vagos contornos,<br \/>\nBocas murmurejantes de lamento.<\/p>\n<p>Noites de al\u00e9m, remotas, que eu recordo,<br \/>\nNoites de solid\u00e3o, noites remotas<br \/>\nque nos azuis da Fantasia bordo,<br \/>\nVou constelando de vis\u00f5es ignotas.<\/p>\n<p>Sutis palpita\u00e7\u00f5es \u00e0 luz da lua,<br \/>\nAnseio dos momentos mais saudosos<br \/>\nQuando l\u00e1 choram na deserta rua<br \/>\nAs cordas vivas dos viol\u00f5es chorosos.<\/p>\n<p>Quando os sons dos viol\u00f5es v\u00e3o solu\u00e7ando,<br \/>\nQuando os sons dos viol\u00f5es nas cordas gemem,<br \/>\nE v\u00e3o dilacerando e deliciando,<br \/>\nRasgando as almas que nas sombras tremem.<\/p>\n<p>Harmonias que pungem, que laceram,<br \/>\nDedos nervosos e \u00e1geis que percorrem<br \/>\nCordas e um mundo de dol\u00eancias geram<br \/>\nGemidos, prantos, que no espa\u00e7o morrem&#8230;<\/p>\n<p>E sons soturnos, suspiradas m\u00e1goas,<br \/>\nM\u00e1goas amargas e melancolias,<br \/>\nNo sussurro mon\u00f3tono das \u00e1guas,<br \/>\nNoturnamente, entre ramagens frias.<\/p>\n<p>Vozes veladas, veludosas vozes,<br \/>\nVol\u00fapias dos viol\u00f5es, vozes veladas,<br \/>\nVagam nos velhos v\u00f3rtices velozes<br \/>\nDos ventos, vivas, v\u00e3s, vulcanizadas.<\/p>\n<p>Tudo nas cordas dos viol\u00f5es ecoa<br \/>\nE vibra e se contorce no ar, convulso&#8230;<br \/>\nTudo na noite, tudo clama e voa<br \/>\nSob a febril agita\u00e7\u00e3o de um pulso.<\/p>\n<p>Que esses viol\u00f5es nevoentos e tristonhos<br \/>\nS\u00e3o ilhas de degredo atroz, fun\u00e9reo,<br \/>\nPara onde v\u00e3o, fatigadas do sonho,<br \/>\nAlmas que se abismaram no mist\u00e9rio.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Poesia metaf\u00edsica e dor de existir<\/strong><\/p>\n<p>Juntamente com o poeta realista portugu\u00eas Antero de Quental e o pr\u00e9-modernista brasileiro Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa apresenta uma das po\u00e9ticas de maior profundidade em l\u00edngua portuguesa, quanto \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica e \u00e0 ang\u00fastia metaf\u00edsica.<\/p>\n<p>O drama da exist\u00eancia, em sua obra, revela uma prov\u00e1vel influ\u00eancia das id\u00e9ias pessimistas do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Shopenhauer, que marcaram o final do s\u00e9culo passado. Al\u00e9m disso, certas posturas de sua poesia &#8211; o desejo de fugir da realidade, de transcender a mat\u00e9ria e integrar-se espiritualmente no cosmo &#8211; parecem originar-se n\u00e3o apenas do sentimento de opress\u00e3o e mal-estar trazido pelo capitalismo, mas tamb\u00e9m pelo drama racial e pessoal que vivia.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de sua obra parte da consci\u00eancia e da dor de ser negro, em Broqu\u00e9is, \u00e0 dor de ser homem, em busca da transcend\u00eancia, em Far\u00f3is e \u00daltimos sonetos, obras p\u00f3stumas.<\/p>\n<p><strong>Observa-se a dor existencial por exemplo, em versos de &#8220;C\u00e1rcere de Almas&#8221;: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Ah! Toda alma num c\u00e1rcere anda presa<br \/>\nSolu\u00e7ando nas trevas entre as grades<br \/>\nDo calabou\u00e7o olhando imensidades<br \/>\nMares, estrelas, tardes, natureza.<\/p>\n<p>\u00d3 almas presas, mudas e fechadas<br \/>\nNas pris\u00f5es colossais e abandonadas,<br \/>\nDa Dor no calabou\u00e7o atroz, fun\u00e9reo!<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>As caracter\u00edsticas mais importantes da obra de Cruz e Sousa s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>No plano tem\u00e1tico:<\/strong> a morte, a transcend\u00eancia espiritual, a integra\u00e7\u00e3o c\u00f3smica, o mist\u00e9rio, o sagrado, o conflito entre a mat\u00e9ria e esp\u00edrito, a ang\u00fastia e a sublima\u00e7\u00e3o sexual, a escravid\u00e3o e uma verdadeira obsess\u00e3o por brilhos e pela cor branca (&#8220;\u00d3 Formas alvas, brancas, Formas claras \/ De luares, de neves, flu\u00eddas, cristalinas&#8230;.&#8221;).<br \/>\n<strong>No plano formal: destacam-se as sinestesias (cruzamento de campos sensoriais diferentes<\/strong>: tato e vis\u00e3o como em &#8220;noites de veludo ou vis\u00e3o e olfato como &#8220;cheiro das cores&#8221;), as imagens surpreendentes, a sonoridade das palavras, a predomin\u00e2ncia de substantivos e utiliza\u00e7\u00e3o de mai\u00fasculas, com a finalidade de dar um valor absoluto a certos termos.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Alphonsus de Guimaraens<\/strong><\/p>\n<p>Alphonsus de Guimaraens (1870 &#8211; 1921) nasceu em Ouro Preto, estudou Direito em S\u00e3o Paulo e foi durante muitos anos juiz em Mariana, cidade hist\u00f3rica, vizinha de Ouro Preto.<\/p>\n<p>Marcado pela morte da prima Constan\u00e7a &#8211; a quem amava e contava apenas 17 anos -, sua poesia \u00e9 quase toda voltada ao tema da morte da mulher amada, que aconteceu apenas dois dias antes de seu casamento. Todos os outros temas que explorou, como natureza, arte e religi\u00e3o, est\u00e3o de alguma forma relacionados \u00e0quele.<\/p>\n<p><strong>A explora\u00e7\u00e3o do tema da morte abre ao poeta, por um lado, o vasto campo da literatura g\u00f3tica ou macabra dos escritores ultra-rom\u00e2nticos, recuperada por alguns simbolistas; por outro lado, possibilita a cria\u00e7\u00e3o de uma atmosfera m\u00edstica e lit\u00fargica, em que abundam refer\u00eancias ao corpo morto, ao esquife, \u00e0s ora\u00e7\u00f5es, \u00e0s cores roxa e negra, ao sepultamento, conforme exemplifica a estrofe a seguir: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>M\u00e3os de finada, aquelas m\u00e3os de neve<br \/>\nDe tons marf\u00edneos, de ossatura rica,<br \/>\nPairando no ar, num gesto brando e leve<br \/>\nQue parece ordenar mas que suplica.<\/p><\/blockquote>\n<p>O conjunto da poesia de Alphonsus de Guimaraens \u00e9 uniforme e equilibrado. Temas e formas se repetem e se aprofundam, no decorrer de quase trinta anos produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, consolidando uma de nossas po\u00e9ticas mais m\u00edsticas e espiritualistas.<\/p>\n<p>O cr\u00edtico Alfredo Bosi considera que &#8220;de Cruz e Sousa para Alphonsus de Guimaraens sentimos uma descida de tom&#8221;, isto porque a universalidade, a dor da exist\u00eancia e as sensa\u00e7\u00f5es de v\u00f4o e vertigem que caracterizam a linguagem simbolista de Cruz e Sousa ganham limites mais estreitos na poesia de Alphonsus de Guimaraens, presa ao ambiente m\u00edstico da cidade de Mariana e ao drama sentimental vivido na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Formalmente o poeta revela influ\u00eancias \u00e1rcades e renascentistas, sem contudo, cair ao formalismo parnasiano. Embora preferisse o verso decass\u00edlabo, Alphonsus chegou a explorar outras m\u00e9tricas, particularmente a redondilha maior, de longa tradi\u00e7\u00e3o popular, medieval e rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p><strong>Fontes Filos\u00f3ficas seguidas pelo Simbolismo <\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 foi dito, o <strong>Simbolismo<\/strong> representou uma nega\u00e7\u00e3o do materialismo, do Positivismo e do Determinismo, ou seja, das atitudes cient\u00edfico-religiosas dos estilos Naturalista e Realista.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m uma volta \u00e0 atitude conflitual e tensa do Barroco e ao espiritualismo da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>O <strong>Simbolismo<\/strong> seguiu algumas correntes filos\u00f3ficas em voga no fim do S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o elas:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Intuicionismo, por Henry Bergson<\/strong><\/p>\n<p>Tinha como objetivo a busca de novas realidades interiores. No entanto, essas realidades interiores, o &#8220;eu&#8221; profundo, ser\u00e3o praticamente incomunic\u00e1veis, por constituirem um mundo extremamente vago, complexo e corrompido \u00e0 simples tentativa de ser traduzido em palavras, j\u00e1 que a pr\u00f3pria consci\u00eancia e natureza dessas realidades s\u00e3o irredut\u00edveis \u00e0 fala, colocando-se fora de todo controle do pensamento e da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Os poetas apelam ent\u00e3o para a evoca\u00e7\u00e3o, para a sugest\u00e3o, a fim de buscar a tradu\u00e7\u00e3o do &#8220;eu&#8221; profundo. Apenas sugere os conte\u00fados sentimentais e emotivos, sem narra-los ou descreve-los.<\/p>\n<p>Bergson reconhece por\u00e9m que a maioria dos homens vive apenas num &#8220;eu&#8221; de superf\u00edcie, atravessando a exist\u00eancia sem jamais experimentar a verdadeira liberdade, que s\u00f3 seria alcan\u00e7ada ao romperem-se as barreiras da moral e da religi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Teorias de Arthur Schopenhauer<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em &#8220;O Mundo Como Vontade e Representa\u00e7\u00e3o&#8221;, Schopenhauer afirma que por mais maci\u00e7o e imenso que seja este mundo, sua exist\u00eancia depende, em qualquer momento, apenas de um fio \u00fanico e delgad\u00edssimo<\/strong>: a consci\u00eancia em que aparece. Assim, para o autor, o mundo n\u00e3o passa de uma representa\u00e7\u00e3o, ou melhor, \u00e9 igual \u00e0 nossa percep\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o chegamos jamais \u00e0 ess\u00eancia em si, ao Absoluto.<\/p>\n<p>Por outro lado, o esp\u00edrito ou a nossa psiqu\u00ea corresponde \u00e0 vontade, e essa \u00e9 que seria real. Isto significaria dizer que no fundo de todo ser ou coisa viveria a vontade. A filosofia do autor sustenta ainda que o real em si \u00e9 mesmo cego e irracional, enquanto vontade. As formas racionais n\u00e3o passariam de ilus\u00f3rias apar\u00eancias e a ess\u00eancia de todas as coisas estaria alheia \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 nessa teoria um pessimismo extremo, j\u00e1 que a vontade \u00e9 sem meta e gera dor. A felicidade seria apenas uma interrup\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de um processo de infelicidade maior, pois n\u00e3o existiria satisfa\u00e7\u00e3o dur\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Em suma<\/strong>: viver significaria sofrer.<\/p>\n<p><strong>Teorias de Soren Kierkegaerd <\/strong><\/p>\n<p>Definem o homem como uma s\u00edntese de infinito e finito; de temporal e eterno; de liberdade e de necessidade. Kierkegaerd entende que qualquer op\u00e7\u00e3o do ser humano conduz ao desespero pela impossibilidade de conciliar a finitude e a infinitude; a transcend\u00eancia e a exist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Filosofia oriental<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com essa filosofia, a forma mais completa de salva\u00e7\u00e3o para o homem estaria na ren\u00fancia ao mundo e suas solicita\u00e7\u00f5es, na mortifica\u00e7\u00e3o dos instintos, na auto-anula\u00e7\u00e3o da vontade e na fuga para o nada, para o nirvana dos fil\u00f3sofos budistas.<\/p>\n<p><strong>Teorias de Nicolal Von Hartamn<\/strong><\/p>\n<p>Em sua Teoria do Inconsciente, Von Hartamn cria o inconsciente, entidade desconhecia que existe por tr\u00e1s de tudo e que \u00e9 totalmente inalcan\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n<p>O inconsciente daria explica\u00e7\u00e3o aos fen\u00f4menos, mas essa explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegaria ao conhecimento do homem. O sentimento de impot\u00eancia diante do enigma do Universo, essa inc\u00f3gnita, gera o pessimismo.<\/p>\n<h4>Resumo das caracter\u00edsticas do Simbolismo<\/h4>\n<p><strong>Conte\u00fado relacionado com o espiritual, o m\u00edstico e o subconsciente<\/strong>: id\u00e9ia metaf\u00edsica, cren\u00e7a em for\u00e7as superiores e desconhecidas, predestina\u00e7\u00e3o, sorte, introspec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Esse maior pelo particular e individual do que pelo geral e Universal<\/strong>: valoriza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do eu interior, individualismo.<\/p>\n<p><b>Tentativa de afastamento da realidade e da sociedade contempor\u00e2nea: <\/b><\/p>\n<blockquote><p>Valoriza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do cosmos, do misticismo, nega\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra. Os textos comumente retratam seres ef\u00eameros (fuma\u00e7a, gases, neve&#8230;). Imagens grandiosas (oceanos, cosmos&#8230;) para expressar a id\u00e9ia de liberdade.<br \/>\nConhecimento intuitivo e n\u00e3o-l\u00f3gico.<br \/>\n\u00canfase na imagina\u00e7\u00e3o e na fantasia.<br \/>\n<strong>Desprezo \u00e0 natureza<\/strong>: as concep\u00e7\u00f5es voltam-se ao m\u00edstico e sobrenatural.<br \/>\n<strong>Pouco interesse pelo enredo e a\u00e7\u00e3o narrativa<\/strong>: pouqu\u00edssimos textos em prosa.<br \/>\n<strong>Prefer\u00eancia por momentos incomuns<\/strong>: amanhecer ou entardecer, faixas de transi\u00e7\u00e3o entre dia e noite.<br \/>\n<strong>Linguagem ornada, colorida, ex\u00f3tica, bem rebuscada e cheia de detalhes<\/strong>: as palavras s\u00e3o escolhidas pela sua sonoridade, num ritmo colorido, buscando a sugest\u00e3o e n\u00e3o a narra\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Simbolismo &#8211; Per\u00edodo<\/h4>\n<p>O <b>simbolismo<\/b> dividiu com aquele estilo o espa\u00e7o cultural europeu entre o final do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>O per\u00edodo que vai de 1890 a 1915 \u00e9 marcado por in\u00fameras tend\u00eancias liter\u00e1rias e filos\u00f3ficas, representando, no geral, a supera\u00e7\u00e3o das teses centrais divulgadas pela gera\u00e7\u00e3o de 70. Ali\u00e1s, muitos autores realistas j\u00e1 n\u00e3o endossam mais aquelas id\u00e9ias radicais, como se pode ver pelo modo como Antero de Quental e E\u00e7a de Queir\u00f3s, por exemplo, rev\u00eaem suas posi\u00e7\u00f5es intelectuais.<\/p>\n<p>Surgem movimentos renovadores de cunho antimaterialista e antipositivista. A filosofia do esp\u00edrito ressurge e id\u00e9ias nacionalistas come\u00e7am a ganhar terreno na literatura.<\/p>\n<p>Cumpre destacar que a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra a monarquia tornava-se cada vez mais intensa, vindo a culminar, em 1910, com a instaura\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica. O movimento nacionalista vinha, pois, fomentar a exalta\u00e7\u00e3o de valores nacionais e, se por vezes pecou por um sentimentalismo excessivo, constituiu um fator importante na restaura\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de uma sociedade em crise.<\/p>\n<p><strong>Sobre essa renova\u00e7\u00e3o espiritual, assim se manifesta o cr\u00edtico Antonio Soares Amora <\/strong>: &#8220;O movimento de reabilita\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito foi mais longo ; sem cogitar de p6or em d\u00favida as verdades e as possibilidades cognoscentes das ci\u00eancias positivas, no que respeita a mat\u00e9ria, imp\u00f4s a convic\u00e7\u00e3o de que as verdades sobre o mundo exterior, afirmadas por todas as manifesta\u00e7\u00f5es da espiritualidade do homem, n\u00e3o s\u00e3o menos verdades que as apura a intelig\u00eancia com m\u00e9todos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Deste modo, reabilitaram-se as verdades do idealismo, as verdades morais e sentimentos, as verdades da imagina\u00e7\u00e3o, as verdades do subconsciente, enfim, as verdades da alma, que nos d\u00e3o a realidade objetiva com uma natureza e com uma significa\u00e7\u00e3o muito diferente de tudo o que nos oferece o racionalismo cient\u00edfico e materialista. &#8221;<\/p>\n<p>A esse ressurgir da filosofia do esp\u00edrito e do nacionalismo, junta-se a rea\u00e7\u00e3o ao Realismo com a proposta de uma literatura mais cvoltada para as for\u00e7as interiores do homem, para sua dimens\u00e3o psicol\u00f3gica e transcendental, beirando o m\u00edstico e o irracional. Essa tend\u00eancia liter\u00e1ria recebeu influ\u00eancia direta do <strong>Simbolismo<\/strong> franc\u00eas, que em 1886 j\u00e1 lan\u00e7ara suas bases.<\/p>\n<p>Contudo, vemos que, em Portugal, esse per\u00edodo de 1890 a 1915, ainda que receba o nome geral de <strong>Simbolismo<\/strong>, est\u00e1 longe de esgotar-se apenas nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para melhor o compreendermos, temos que ter presente a de intermedi\u00e1rios para as novas posi\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o assumidas a partir da d\u00e9cada de 20, inaugurando o Modernismo.<\/p>\n<p>No Brasil, esse in\u00edcio se seu com a publica\u00e7\u00e3o, no mesmo ano (1893), dos livros Missal e Broqueis, de autoria de Cruz e Souza, nosso melhor poeta simbolista.<\/p>\n<p><strong>Nos dois pa\u00edses ( Portugal \/ Brasil), considera-se geralmente que o in\u00edcio dos respectivos movimentos modernistas representou o surgimento de novas alternativas liter\u00e1rias: <\/strong>1915, em Portugal e 1922, no Brasil. a cr\u00edtica liter\u00e1ria brasileira por vezes opta pela escolha do ano de 1902 para demarcar o fim da era parnasiano-simbolista, porque foi ent\u00e3o que se deu a publica\u00e7\u00e3o do livro Os sert\u00f5es, de Euclides da Cunha, representativo de um nova preocupa\u00e7\u00e3o social que, ausente nos estilos anteriores, passaria a dominar a literatura nacional.<\/p>\n<p><strong>A Poesia <\/strong><\/p>\n<p>Contrariamente aos preceitos realistas, a poesia do <strong>Simbolismo<\/strong> valorizou o subjetivismo e o inconsciente, tornando-se um meio de sondagem do mundo interior do &#8220;eu&#8221;l\u00edrico. Essa introspec\u00e7\u00e3o gerou caminhos diversos nos muitos poetas simbolistas, levando tanto a um intimismo saudosista, \u00e0 express\u00e3o dos desencontros da vida como \u00e0 ang\u00fastia diante do destino e da morte.<\/p>\n<p>Na linguagem, os simbolistas abandonaram o vocabul\u00e1rio filos\u00f3fico dos realistas e utilizaram-se abundantemente das met\u00e1foras inusitadas, dos termos &#8220;sugestivos &#8220;, das analogias, das sinestesias. Ao tom incisivo do Realismo opuseram a musicalidade, mais adequada \u00e0 express\u00e3o dos v\u00e1rios matizes da vida psicol\u00f3gica. Essas caracter\u00edsticas subjetivas, que, por vezes, des\u00e1guam num sentimentalismo de mau gosto, marcaram tamb\u00e9m a prosa da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Dentre os numerosos poetas de tend\u00eancias simbolistas, devem ser mencionados Camilo Pessanha, Eug\u00eanio de Castro ( cuja obra O aristos assinala, em 1890, o in\u00edcio do <strong>Simbolismo<\/strong> portugu\u00eas ), Ant\u00f4nio Nobre, Florbela Espanca e Teixeira de Pascoaes.<\/p>\n<p><strong>A prosa de fic\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Embora as caracter\u00edsticas t\u00edpicas do <strong>Simbolismo<\/strong> privilegiassem a poesia como meio de express\u00e3o mais adequado, a prosa tamb\u00e9m foi bastante cultivada nesse per\u00edodo e, ainda que com menor intensidade, revela influ\u00eancias do subjetivismo e do espiritualismo dominante nos poetas.<\/p>\n<p>Sem deixar de considerar o contexto social, os ficcionistas, entretanto, analisaram suas personagens de modo bem mais pessoal e introspectivo do que o fizeram os realistas. Mergulhando no interior do ser humano, da\u00ed extra\u00edram dramas de consci\u00eancia e ang\u00fastias existenciais que geraram p\u00e1ginas de grande densidade psicol\u00f3gica, tra\u00e7o que vai influenciar a gera\u00e7\u00e3o dos prosadores modernos.<\/p>\n<p>A linguagem ganha em plasticidade e, n\u00e3o raro, os limites entre prosa e poesia n\u00e3o ser\u00e3o facilmente identificados em obras de autores dessa \u00e9poca, dentre os quais merecem cita\u00e7\u00e3o Raul Brand\u00e3o, Teixeira Gomes, Carlos Malheiro Dias, Antero de Figueiredo, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Outros g\u00eaneros <\/strong><\/p>\n<p><strong>O teatro n\u00e3o acompanhou a riqueza da prosa e da poesia, e daqueles que se dedicaram a escrever obras para o palco, o \u00fanico que se tornou mais conhecido foi J\u00falio Dantas (1876-1962) e, mesmo assim, em fun\u00e7\u00e3o apenas de uma obra sentimental <\/strong>: A Ceia dos cardeais, de 1902.<\/p>\n<p>Por outro lado, a cultura portuguesa viu-se enriquecida com o surgimento de uma gera\u00e7\u00e3o de cr\u00edticos e historiadores importantes, como Ant\u00f4nio S\u00e9rgio e Fidelino de Figueiredo.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p>A literatura simbolista surgiu, em parte, como rea\u00e7\u00e3o ao esp\u00edrito racionalista e cientificista do Realismo-Naturalismo e do Parnasianismo. Nesse sentido, seguindo correntes filos\u00f3ficas e art\u00edsticas de sua \u00e9poca, negou o poder absoluto de explica\u00e7\u00e3o do mundo que se atribu\u00eda \u00e0quele esp\u00edrito, fundamentando sua arte na rejei\u00e7\u00e3o do racionalismo e do cientificismo.<\/p>\n<p>O espiritismo funcionava, assim, como forma de abordagem de um mundo que se supunha existir para al\u00e9m da realidade vis\u00edvel e concreta. No Brasil, o vocabul\u00e1rio lit\u00fargico ( isto \u00e9, repleto de refer\u00eancias a celebra\u00e7\u00f5es religiosas ) foi largamente usado como express\u00e3o dessa espiritualidade.<\/p>\n<p>Os objetos, as figuras humanas, enfim toda a realidade era focalizada atrav\u00e9s de imagens vagas e imprecisas, que propositadamente dificultavam sua compreens\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o na combina\u00e7\u00e3o de express\u00f5es conhecidas conduziu naturalmente os simbolistas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de neologismos, isto \u00e9,novas palavras.<\/p>\n<p>Os procedimentos t\u00e9cnicos mais ligados ao <strong>Simbolismo<\/strong> s\u00e3o a sinestesia e a musicalidade.<\/p>\n<p><strong>A sinestesia corresponde \u00e0 mistura de sensa\u00e7\u00f5es, provocada exatamente para acionar no leitor uma s\u00e9rie de sentidos<\/strong>: &#8220;Tardes como m\u00fasicas de violinos &#8221; ( Emiliano Perneta ).<\/p>\n<p>A musicalidade \u00e9 obtida com a explora\u00e7\u00e3o da camada sonora dos voc\u00e1bulos. A poesia desenvolveu, desde o final da \u00e9poca trovadoresca, formas particulares de obten\u00e7\u00e3o da sonoridade, que sempre foram utilizadas.<\/p>\n<p><strong>A musicalidade est\u00e1 presente na est\u00e9tica simbolista em dois procedimentos b\u00e1sicos<\/strong>: a alitera\u00e7\u00e3o (repeti\u00e7\u00e3o de consoantes: &#8220;Fujamos, flor ! \u00e0 flor destes floridos fenos. &#8220;- Eug\u00eanio de Castro) e a asson\u00e2ncia ( repeti\u00e7\u00e3o de vogais: &#8220;amarguras do fundo das sepulturas&#8221;- Cruz e Souza ).<\/p>\n<h4>Autores<\/h4>\n<p><strong>PORTUGAL <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Camilo Pessanha<br \/>\nEug\u00eanio de Castro<br \/>\nAnt\u00f4nio Nobre<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>BRASIL<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Cruz e Souza<br \/>\nAlphonsus de Guimaraens<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>Simbolismo &#8211; Movimento<\/strong><\/h4>\n<p>O <strong>Simbolismo<\/strong> foi um movimento que se desenvolve nas artes pl\u00e1sticas, na literatura e no teatro no fim do s\u00e9culo XIX. Surgido na Fran\u00e7a, depois se espalha pela Europa e chega ao Brasil. Caracteriza-se por subjetivismo, individualismo e misticismo. Rejeita a abordagem da realidade e a valoriza\u00e7\u00e3o do social feitas pelo Realismo e pelo Naturalismo. Palavras e personagens possuem significados simb\u00f3licos.<\/p>\n<p>O poeta franc\u00eas Charles Baudelaire \u00e9 considerado precursor do <strong>Simbolismo<\/strong> por sua obra As Flores do Mal, de 1857. Mas s\u00f3 em 1881 a nova manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 rotulada, com o nome Decadentismo, substitu\u00eddo por Simbolismo em manifesto publicado em 1886.<\/p>\n<p>Para os simbolistas, a arte deve ser uma s\u00edntese entre a percep\u00e7\u00e3o dos sentidos e a reflex\u00e3o intelectual. Buscam revelar o outro lado da mera apar\u00eancia do real.<\/p>\n<p>Em muitas obras enfatizam a pureza e a espiritualidade dos personagens. Em outras, a pervers\u00e3o e a maldade do mundo. A atra\u00e7\u00e3o pela ingenuidade faz com que v\u00e1rios artistas se interessem pelo primitivismo. Entre os representantes do movimento est\u00e3o os franceses Gustave Moreau (1826-1898) e Odilon Redon (1840-1916). Paul Gauguin tamb\u00e9m passa por uma fase simbolista. A partir de 1890, o <strong>Simbolismo<\/strong> difunde-se por toda a Europa e pelo resto do mundo.<\/p>\n<p>Na \u00c1ustria ganha a interpreta\u00e7\u00e3o pessoal do pintor Gustav Klimt (1862-1918). O noruegu\u00eas Edvard Munch concilia os princ\u00edpios simbolistas a uma express\u00e3o tr\u00e1gica que depois faz dele representante do Expressionismo. Na Fran\u00e7a destacam-se os pintores Maurice Denis (1870-1943) e Paul S\u00e9rusier (1864-1927), al\u00e9m do escultor Aristide Maillol (1861-1944).<\/p>\n<p>A literatura manifesta-se na poesia, com versos que exploram a sonoridade. As obras usam s\u00edmbolos para sugerir objetos, por exemplo, a cruz para falar de sofrimento. Tamb\u00e9m rejeita as formas r\u00edgidas do Parnasianismo. Difere do Romantismo pela express\u00e3o da subjetividade ausente de sentimentalismo.<\/p>\n<p>Os principais expoentes na Fran\u00e7a s\u00e3o Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e St\u00e9phane Mallarm\u00e9. Em Portugal sobressaem Eug\u00eanio de Castro (1869-1944), autor de Oaristos, Ant\u00f4nio Nobre (1867-1900), que escreve S\u00f3, e Camilo Pessanha (1867-1926), autor de Cl\u00e9psidra.<\/p>\n<p>Como o movimento rejeita a abordagem da vida real, no palco os personagens n\u00e3o s\u00e3o humanos. Constituem a representa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias e sentimentos. A forte rela\u00e7\u00e3o com os impressionistas faz com que o som, a luz, a cor e o movimento tenham destaque nas encena\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um dos principais textos teatrais \u00e9 Pell\u00e9as et M\u00e9lisande, do belga Maurice Maeterlinck (1862-1949). Em cena, os personagens materializam express\u00f5es po\u00e9ticas sobre a brevidade e a falta de sentido da vida.<\/p>\n<p>Outros dramaturgos importantes s\u00e3o o italiano Gabriele D&#8221;Annunzio; o noruegu\u00eas Henrik Ibsen; na fase final de sua carreira; o irland\u00eas William Yeats; e os portugueses Jo\u00e3o da C\u00e2mara (1852-1908) e Raul Brand\u00e3o (1867-1930).<\/p>\n<p>No Brasil, nas artes pl\u00e1sticas, o movimento influencia parte das pinturas de Eliseo Visconti e Luc\u00edlio de Albuquerque (1877-1939). \u00c9 muito marcante nas obras de car\u00e1ter on\u00edrico de Alvim Correa (1876-1910) e Helios Seelinger (1878-1965).<\/p>\n<p>Na literatura, o primeiro manifesto simbolista \u00e9 publicado em 1891, no jornal Folha Popular. As primeiras obras liter\u00e1rias s\u00e3o Missal e Broqu\u00e9is (1863), de Cruz e Souza. O autor aborda mist\u00e9rios da vida e da morte com uma linguagem rica, marcada pela musicalidade. Outro representante do movimento \u00e9 Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), autor de C\u00e2mara Ardente e Kiriale, cuja poesia \u00e9 marcada pela religiosidade e pela melancolia.<\/p>\n<p>O teatro simbolista come\u00e7a a ser escrito e encenado no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A produ\u00e7\u00e3o de textos \u00e9 pequena. Falam da sociedade carioca da \u00e9poca. Os principais dramaturgos s\u00e3o Roberto Gomes (1882-1922), que escreve O Canto sem Palavras e Berenice, e Paulo Barreto (1881-1921), autor de Eva. Em 1933, Paulo Magalh\u00e3es (1900-1972) monta A Com\u00e9dia do Cora\u00e7\u00e3o, que p\u00f5e no palco personagens simb\u00f3licos, como Dor, Paix\u00e3o e Ci\u00fame.<\/p>\n<p>Distantes da preocupa\u00e7\u00e3o com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dad\u00e1, est\u00e3o os pintores Ismael Nery e Fl\u00e1vio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), C\u00edcero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).<\/p>\n<p>Di Cavalcanti retrata a popula\u00e7\u00e3o brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Mo\u00e7as de Guaratinguet\u00e1. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo \u00e9 Candido Portinari, que recebe influ\u00eancia do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes est\u00e3o as telas Caf\u00e9 e Os Retirantes.<\/p>\n<p><strong>Os autores mais importantes s\u00e3o:<\/strong> Oswald de Andrade e M\u00e1rio de Andrade, os principais te\u00f3ricos do movimento.<\/p>\n<p>Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Gra\u00e7a Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade v\u00e1rias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras \u00e9 Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de M\u00e1rio de Andrade \u00e9 o livro de poemas Paulic\u00e9ia Desvairada. Sua obra-prima \u00e9 o romance Macuna\u00edma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao <strong>simbolismo<\/strong>, a poesia de Manuel Bandeira tamb\u00e9m exibe tra\u00e7os modernistas, como em Libertinagem.<\/p>\n<p>Heitor Villa-Lobos \u00e9 o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar \u00e0s cria\u00e7\u00f5es um car\u00e1ter brasileiro, busca inspira\u00e7\u00e3o no folclore e incorpora elementos das melodias populares e ind\u00edgenas. O canto de p\u00e1ssaros brasileiros aparece em Bachianas N\u00ba 4 e N\u00ba 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fuma\u00e7a e, em Choros N\u00ba 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua est\u00e9tica serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radam\u00e9s Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).<\/p>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 20 s\u00e3o fundadas as primeiras companhias de teatro no pa\u00eds, em torno de atores como Leopoldo Fr\u00f3es (1882-1932), Proc\u00f3pio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dic\u00e7\u00e3o brasileira para os atores, at\u00e9 ent\u00e3o submetidos ao sotaque e \u00e0 forma de falar de Portugal. Tamb\u00e9m inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicol\u00f3gica e vis\u00e3o mais complexa do ser humano.<\/p>\n<h4><strong>Simbolismo &#8211; O que \u00e9<\/strong><\/h4>\n<p>Entende-se aqui por <strong>Simbolismo<\/strong>, n\u00e3o o conjunto de manifesta\u00e7\u00f5es espiritualistas do \u00faltimo quartel do s\u00e9c. XIX e o primeiro quartel do s\u00e9c. XX (como t\u00eam entendido alguns), mas, num sentido mais especificamente hist\u00f3rico-liter\u00e1rio, uma escola ou corrente po\u00e9tica (incluindo a poesia em prosa e a poesia teatral), que se afirma sobretudo entre 1890 e 1915 e que se define por um conjunto de aspectos, ali\u00e1s vari\u00e1veis de autor para autor, que dizem respeito \u00e0s atitudes perante a vida, \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da arte liter\u00e1ria, aos motivos e ao estilo. Sem d\u00favida esta corrente liter\u00e1ria insere-se na atmosfera mental, antipositivista, de fins do s\u00e9c. XIX; mas certos caracteres de t\u00e9cnica liter\u00e1ria, de forma, s\u00e3o inerentes ao conceito de Simbolismo aqui adoptado.<\/p>\n<p><strong>Entretanto, h\u00e1 ainda um conceito mais restrito<\/strong>: o daqueles que, tomando como pontos de refer\u00eancia paradigm\u00e1ticos Mallarm\u00e9 e Claudel, definem o <strong>Simbolismo<\/strong> pela busca obstinada duma verdade metaf\u00edsica, demanda cujo instrumento de descoberta seria o s\u00edmbolo.<\/p>\n<p><strong>Com efeito, se teim\u00e1ssemos em definir o Simbolismo t\u00e3o-s\u00f3 pela vis\u00e3o do Universo como teia de analogias, floresta de misteriosas \u00abcorrespond\u00eancias\u00bb (na acep\u00e7\u00e3o baudelairiana) que o poeta se prop\u00f5e desvendar, ent\u00e3o n\u00e3o teria havido Simbolismo aut\u00eantico em Portugal<\/strong>: os poetas portugueses dessa \u00e9poca ter-se-iam limitado a copiar grosseiramente gestos cujo sentido profundo n\u00e3o alcan\u00e7avam. Mas os pr\u00f3prios autores considerados representantes do Simbolismo franc\u00eas, de que o nosso deriva (Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarm\u00e9, Laforgue, R\u00e9gnier, A. Samain, Val\u00e9ry, etc.), seguiram caminhos divergentes, a ponto de Johansen afirmar que discordavam uns dos outros em quase tudo excepto quanto \u00e0 exist\u00eancia dum ideal em poesia e na aguda consci\u00eancia do estilo.<\/p>\n<p><strong>Tendo em conta os aspectos inovadores que d\u00e3o \u00e0 poesia portuguesa, no per\u00edodo atr\u00e1s indicado, certa fisionomia comum, ser\u00e3o simbolistas os poetas que participam de todas, ou quase todas, as seguintes caracter\u00edsticas<\/strong>: revivesc\u00eancia do gosto rom\u00e2ntico do vago, do nebuloso, do impalp\u00e1vel; amor da paisagem esfumada e melanc\u00f3lica, outoni\u00e7a ou crepuscular; vis\u00e3o pessimista da exist\u00eancia, cuja efemeridade \u00e9 dolorosamente sentida; tem\u00e1tica do t\u00e9dio e da desilus\u00e3o; distanciamento do Real, egotismo aristocr\u00e1tico, e subtil an\u00e1lise de cambiantes sensoriais e afectivos; rep\u00fadio do lirismo de confiss\u00e3o directa, ao modo rom\u00e2ntico, expansivo e orat\u00f3rio, e prefer\u00eancia pela sugest\u00e3o indecisa de estados de alma abstra\u00eddos do contexto biogr\u00e1fico, impersonalizados; merc\u00ea de fina e vigilante intelig\u00eancia est\u00e9tica (sob dado \u00e2ngulo, os simbolistas s\u00e3o os herdeiros do Parnasianismo pelo exigente culto da Beleza e pelo papel atribu\u00eddo \u00e0 vontade na realiza\u00e7\u00e3o do poema), combina\u00e7\u00e3o muito h\u00e1bil de \u00abinspira\u00e7\u00e3o\u00bb (abandono aos acenos do inconsciente, \u00e0s associa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas) e \u00ablucidez\u00bb (comando e aproveitamento desses elementos irracionais), com resultados inteiramente novos em poesia; larga utiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 do s\u00edmbolo tipicamente simbolista, polivalente e intraduz\u00edvel, mas da alegoria, da imagem a que deliberada e claramente se confere um valor simb\u00f3lico, da compara\u00e7\u00e3o expressa ou impl\u00edcita, da sinestesia (sobreposi\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es, como \u00absom branco\u00bb, etc.), da imagem simplesmente decorativa; linguagem concreta ou mesmo impressionista, na medida em que o estado de alma se comunica atrav\u00e9s de imagens fragment\u00e1rias da Natureza exterior, ou impregna de elementos an\u00edmicos a paisagem que descreve (ocorre falar aqui de pante\u00edsmo, de pampsiquismo); car\u00e1cter fugaz, din\u00e2mico, da imagem, pronta a dissolver-se na tonalidade afectiva e no fluir musical do poema; musicalidade que n\u00e3o se reduz ao jogo de sonoridades do verso, antes, como observa Marcel Raymond, se prolonga em resson\u00e2ncia interior at\u00e9 para al\u00e9m da leitura do texto; liberta\u00e7\u00e3o de ritmos; vocabul\u00e1rio rico de palavras complexamente evocativas, ou gra\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria expressividade fon\u00e9tica, ou mediante um jogo subtil de incid\u00eancias dumas palavras sobre as outras (li\u00e7\u00e3o de Mallarm\u00e9: \u00abrendre un sens plus pur aux mots de la tribu\u00bb).<\/p>\n<p>Outros caracteres da poesia entre 1890 e 1915 ser\u00e3o acidentais, ou acess\u00f3rios, ou de cunho mais precisamente \u00abdecadentista\u00bb; assim o gosto dos cen\u00e1rios ex\u00f3ticos, luxuosos, que vem dos parnasianos, o amor das fulgura\u00e7\u00f5es barrocas e dos malabarismos r\u00edtmicos &#8211; t\u00edpicos sobretudo de E. de Castro e disc\u00edpulos menores.<\/p>\n<p>Admitido este conceito de <strong>Simbolismo<\/strong>, n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil averiguar os sinais precursores do movimento em Portugal. Por um lado, o Simbolismo radica num espiritualismo, numa \u00e2nsia de absoluto, cujo reverso \u00e9 o \u00f3dio a este mundo vulgar e tang\u00edvel, o t\u00e9dio, a desist\u00eancia, um pessimismo haurido nomeadamente em Schopenhauer &#8211; e tudo isto se descobre nos sonetos de Antero de Quental, ora confiado num optimismo metaf\u00edsico, ora niilista, taciturno, suspeitoso de que, para al\u00e9m das formas transit\u00f3rias, h\u00e1 apenas um \u00abv\u00e1cuo tenebroso\u00bb, o abismo do N\u00e3o-Ser. [&#8230;]<\/p>\n<p>Fonte: literarydevices.net\/www.conhecimentosgerais.com.br\/www.itaucultural.org.br\/www.geocities.com\/www.profabeatriz.hpg.ig.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que foi o Simbolismo? O Simbolismo \u00e9 uma das escolas liter\u00e1rias que acontece durante a segunda metade do s\u00e9culo XIX. 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