{"id":29798,"date":"2016-05-19T11:43:28","date_gmt":"2016-05-19T11:43:28","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29798"},"modified":"2018-10-10T12:04:38","modified_gmt":"2018-10-10T14:04:38","slug":"romantismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/romantismo","title":{"rendered":"Romantismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que foi o romantismo?<\/strong><\/p>\n<p>O Romantismo sucede o Arcadismo. Na escola anterior a essa escola liter\u00e1ria, os autores exaltam grandemente a paz e o amor pela natureza. No Romantismo, isso decai e a principal chave dele \u00e9 a <strong>idealiza\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Os escritores rom\u00e2nticos idealizavam principalmente as suas amadas. A mulher perfeita era considerada boa, pura e virgem; e, inevitavelmente, ela se tornava inalcan\u00e7\u00e1vel, porque uma idealiza\u00e7\u00e3o como essa busca, literalmente, a perfei\u00e7\u00e3o. Coisa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel para n\u00f3s, humanos.<\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>O Romantismo come\u00e7a no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX e vem da necessidade de uma nova est\u00e9tica art\u00edstica p\u00f3s Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. A ascens\u00e3o da burguesia, os valores burgueses e o fim do absolutismo pol\u00edtico e est\u00e9tico cria a necessidade de um novo tipo de arte. Nesse momento, o liberalismo pol\u00edtico, econ\u00f4mico, social e educacional d\u00e1 in\u00edcio a um novo p\u00fablico consumidor de arte e, com isso, h\u00e1 a consolida\u00e7\u00e3o do estilo rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p><strong>No Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O contexto hist\u00f3rico brasileiro conta com a vinda da Fam\u00edlia Real para o Rio de Janeiro em 1808, que traz grandes mudan\u00e7as para a vida na col\u00f4nia. \u00c9 a partir da\u00ed que nascem edif\u00edcios como a biblioteca nacional, a abertura dos portos, o Banco do Brasil. H\u00e1 o incremento de uma vida no pa\u00eds a partir de ent\u00e3o. Logo na sequ\u00eancia, em 1822, h\u00e1 a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia. Agora \u00e9 que o Brasil come\u00e7a a se estabelecer como uma p\u00e1tria. Deixa de ser uma col\u00f4nia para ser uma na\u00e7\u00e3o. E, portanto, a arte passa a contribuir para expressar o sentimento nacionalista.<\/p>\n<p><strong>Principais caracter\u00edsticas do Romantismo<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><em>sentimentos pessoais<\/em>: o <strong>\u201ceu\u201d<\/strong> \u00e9 muito presente nessa escola liter\u00e1ria, ent\u00e3o o que importa \u00e9 o que <em>eu<\/em> estou vivendo, o que <em>eu<\/em> estou sentindo, etc;<\/li>\n<li><em>culto \u00e0 natureza<\/em>: toda a natureza \u00e9 incr\u00edvel, desde o mar at\u00e9 a grama. Por isso, os autores valorizam muito a natureza no Romantismo e tamb\u00e9m utilizam elementos dela para fazer met\u00e1foras em suas obras;<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li><em>idealiza\u00e7\u00e3o da mulher amada<\/em>: a mulher boa, pura e virgem. A mulher perfeita e inalcan\u00e7\u00e1vel;<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li><em>patriotismo<\/em>: os autores tamb\u00e9m valorizavam muito a pr\u00f3pria terra, o pr\u00f3prio pais. Isso era refletido em suas obras.<\/li>\n<li><em>liberdade de cria\u00e7\u00e3o<\/em>: essa \u00e9 uma ideia que s\u00f3 se concretiza no Modernismo, no entanto, j\u00e1 no Romantismo h\u00e1 quebras de padr\u00f5es est\u00e9ticos e poesias, por exemplo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>As tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es da poesia Rom\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><em>nacionalista<\/em>: os poetas da gera\u00e7\u00e3o nacionalista v\u00e3o tratar de temas que contribuem para o sentimento nacionalista. Como, por exemplo, Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es e Gon\u00e7alves Dias, com o poema \u201cCan\u00e7\u00e3o do Ex\u00edlio\u201d. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m h\u00e1 o poema narrativo indianista \u201cI-Juca Pirama\u201d<em>.<\/em>Temas como a p\u00e1tria, a natureza e o \u00edndio est\u00e3o associados a essa gera\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li><em>mal do s\u00e9culo: <\/em>ou ultrarrom\u00e2ntica, \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o centrada no mundo interior do poeta. \u00c9 a que conta com a maior idealiza\u00e7\u00e3o dos autores, tanto do amor, da pessoa amada, como da vida. O autor se deprime, anseia pela morte porque a vida \u00e9 um t\u00e9dio. \u00c9 uma poesia confessional marcada pela tristeza e pela ang\u00fastia. Principais nomes da gera\u00e7\u00e3o: \u00c1lvares de Azevedo e Casimiro de Abreu;<\/li>\n<li><em>condoreira:<\/em> ou gera\u00e7\u00e3o social, \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica em que h\u00e1 uma ruptura dos ideais ufanistas devido ao momento hist\u00f3rico &#8211; com movimentos abolicionistas e republicanos. H\u00e1 uma poesia social e com linguagem diferenciada, devido a ser escrita para ser lida em com\u00edcios. Linguagem com muitas exclama\u00e7\u00f5es, met\u00e1foras, etc. O principal autor dessa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 Castro Alves, com \u201cNavio Negreiro\u201d e \u201cVozes d\u2019\u00c1frica\u201d. Al\u00e9m disso, em suas poesias rom\u00e2nticas, h\u00e1 mulheres mais reais, com certo grau de sensualidade para os padr\u00f5es da \u00e9poca.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Prosa Rom\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<p>A prosa rom\u00e2ntica possui quatro classifica\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas:<\/p>\n<ol>\n<li><em>hist\u00f3rico: <\/em>possui um clima de \u00e9poca e tem inspira\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica;<\/li>\n<li><em>urbano: <\/em>retrata o luxo, a vida a burguesa;<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li><em>indianista: <\/em>coloca o \u00edndio como her\u00f3i, como bom selvagem, \u00e9 uma marca nacionalista;<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li><em>regionalista: <\/em>mostra costumes registrados, efetiva o nacionalismo.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Principais obras e autores:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>As principais obras da prosa Rom\u00e2ntica s\u00e3o \u201cIracema\u201d e \u201cO Guarani\u201d de Jos\u00e9 de Alencar \u2013 como obras indianistas.<\/li>\n<li>\u201cA Moreninha\u201d, de Joaquim Manoel Macedo. \u201cMem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias\u201d, de Manoel Ant\u00f4nio de Almeida. \u201cDiva\u201d e \u201cSenhora\u201d, de Jos\u00e9 de Alencar \u2013 como obras urbanas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Por<\/strong> Amanda Abreu<\/p>\n<h4>Romantismo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\n<p><strong>Romantismo<\/strong>, atitude ou orienta\u00e7\u00e3o intelectual que caracteriza muitas obras de literatura, pintura, m\u00fasica, arquitetura, cr\u00edtica e historiografia na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental ao longo de um per\u00edodo compreendido entre o final de 18 a meados da d\u00e9cada de 19 s\u00e9culo.<\/p>\n<p>O <strong>Romantismo<\/strong> pode ser visto como uma rejei\u00e7\u00e3o dos preceitos de ordem, calma, harmonia, equil\u00edbrio, idealiza\u00e7\u00e3o e racionalidade que tipificados Classicismo em s\u00e9culo 18 geral e mais tarde, Neoclassicismo em particular.<\/p>\n<p>O <strong>Romantismo <\/strong>foi um movimento na arte e na literatura, nos s\u00e9culos XVIII e XIX em revolta contra o neoclassicismo dos s\u00e9culos anteriores<\/p>\n<p>O <strong>Romantismo<\/strong> foi um movimento liter\u00e1rio que varreu praticamente todos os pa\u00edses da Europa, Estados Unidos e Am\u00e9rica Latina e durou de cerca de 1750 a 1870.<\/p>\n<p>Foi em parte uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, as normas sociais e pol\u00edticas aristocr\u00e1ticas da idade da ilumina\u00e7\u00e3o e do cient\u00edfico racionaliza\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>O movimento tamb\u00e9m colocou grande valor sobre a beleza da natureza e do deserto e muitas vezes expressando um sentimento de nostalgia de um passado remoto, glorificando o per\u00edodo medieval e cultura popular.<\/p>\n<p>O <strong>Romantismo<\/strong> como um movimento diminuiu no final do s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do s\u00e9culo 20 com o crescimento dom\u00ednio do realismo na literatura e o r\u00e1pido avan\u00e7o da ci\u00eancia e da tecnologia. No entanto, o <strong>romantismo<\/strong> foi muito marcante na maioria dos indiv\u00edduos durante o seu tempo.<\/p>\n<h4>Romantismo &#8211; Origem<\/h4>\n<p>Surgido no final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, o Romantismo se desenvolve na Europa em um momento hist\u00f3rico marcado pela ascens\u00e3o da burguesia e dos ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de igualdade, liberdade e fraternidade. No Brasil, o seu surgimento foi influenciado pelas \u00faltimas produ\u00e7\u00f5es \u00e1rcades e pelo sentimento de nacionalismo advindo da situa\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia.<\/p>\n<p>O <strong>Romantismo <\/strong>foi a primeira vertente liter\u00e1ria ocidental a rejeitar o modelo cl\u00e1ssico. Esta ruptura reflete uma busca por uma produ\u00e7\u00e3o original, baseada em mitos pr\u00f3prios, e n\u00e3o em clich\u00eas e imita\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m se rejeita o \u0093normativismo\u0094 disciplinador da est\u00e9tica e as produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o norteadas fundamentalmente pela liberdade criativa.<\/p>\n<p>Ainda como reflexo da ruptura anti-cl\u00e1ssica, nota-se a substitui\u00e7\u00e3o dos temas universalistas por temas locais. Muitas vezes o romantismo tende para a literatura t\u00f3pica, com a an\u00e1lise da hist\u00f3ria, da paisagem e dos costumes regionais.<\/p>\n<p>Uma das principais caracter\u00edsticas deste movimento \u00e9 a perspectiva individual do mundo (est\u00e9tica centrada no eu-emissor). Evidencia-se o mundo interior do artista e os reflexos e emo\u00e7\u00f5es desencadeadas pela realidade externa.<\/p>\n<p><strong>Essa abordagem emocional e individual traduz-se em diversas caracter\u00edsticas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Na linguagem: <\/strong>Predomina a fun\u00e7\u00e3o emotiva (centrada no emissor) e \u00e0s vezes apelativa ou conativa (centrada no receptor).<\/p>\n<p><strong>Dirigismo da obra: <\/strong>O autor projeta na obra o seu gosto e o do leitor, muitas vezes furtando-se da an\u00e1lise da realidade.<\/p>\n<p><strong>O choque Eu X Mundo: <\/strong>\u00c9 evidenciado pela vis\u00e3o subjetiva e pessoal da realidade.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Esse conflito com o mundo exterior pode resultar em duas posturas distintas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>a)\u00a0<\/strong>A atitude reformista, t\u00edpica do Romantismo Social, tamb\u00e9m marcado pelo engajamento do poeta que deseja transformar a realidade, atrav\u00e9s da den\u00fancia das opress\u00f5es e do humanitarismo em prol dos oprimidos.<\/p>\n<p><strong>b)\u00a0<\/strong>O escapismo do Romantismo Individualista, em que o eu-po\u00e9tico fecha-se em seu pr\u00f3prio mundo em raz\u00e3o da desilus\u00e3o com o social, podendo assumir uma atitude sonhadora, idealizando a realidade, ou uma atitude fugaz e melanc\u00f3lica, que ressalta a solid\u00e3o e a morte.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Destacam-se ainda outros tra\u00e7os importantes, como:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O\u00a0<strong>nacionalismo,<\/strong>\u00a0evidenciado por uma imagem mitificada da p\u00e1tria e pela busca de uma cor local em oposi\u00e7\u00e3o ao mundo europeu.<\/p>\n<p>A<strong>\u00a0idealiza\u00e7\u00e3o da mulher<\/strong>, que \u00e9 endeusada e associada \u00e0 figura angelical. Inating\u00edvel, ela \u00e9 vista como dotada do poder de transformar a vida do homem reorganizando o caos em que vive.<\/p>\n<p>O<strong>\u00a0culto \u00e0 natureza,<\/strong>\u00a0que aparece din\u00e2mica (diferente da abordagem \u00e1rcade, em que \u00e9 estaticamente descrita) e associada aos estados \u00edntimos do artista. A natureza se apresenta como entidade de culto (Pante\u00edsmo), como lugar de ref\u00fagio do poeta, como fonte de inspira\u00e7\u00e3o, ou mesmo como ant\u00edtese da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O<strong>\u00a0retorno ao passado<\/strong>, tamb\u00e9m adotado como uma forma de escapismo. Aparece tanto com rela\u00e7\u00e3o a um passado hist\u00f3rico (resgate medieval ou das origens da p\u00e1tria), ou a um passado individual (resgate da inf\u00e2ncia, \u00e9poca feliz e livre de conflitos).<\/p><\/blockquote>\n<h4>Gera\u00e7\u00f5es Rom\u00e2nticas na Poesia<\/h4>\n<p><strong>1\u00aa Gera\u00e7\u00e3o (1836 \u0096 1850)<\/strong><\/p>\n<p>Iniciada pela publica\u00e7\u00e3o de \u0093Suspiros Po\u00e9ticos e Saudades\u0094 (obra de tem\u00e1tica religiosa e nacionalista), de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, esta \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o nacional-indianista, marcada pela mitifica\u00e7\u00e3o da natureza (Pante\u00edsmo), da p\u00e1tria (nacionalismo) e do \u00edndio (indianismo), s\u00edmbolo do esp\u00edrito nacional em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 heran\u00e7a portuguesa.<\/p>\n<p>Ocorre no contexto inicial do Romantismo, e apesar de rejeitar a vis\u00e3o iluminista de homem racional, salientando o homem emotivo, psicol\u00f3gico e intuitivo, essa gera\u00e7\u00e3o sofre influ\u00eancia de Jean-Jacques Rousseau (iluminista), na concep\u00e7\u00e3o do \u0093mito do bom selvagem\u0094.<\/p>\n<p>A independ\u00eancia do Brasil (1822), acaba por fortalecer o sentimento nativista. Os principais poetas foram Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es e Gon\u00e7alves Dias.<\/p>\n<p><strong>2\u00aa Gera\u00e7\u00e3o (1850 \u0096 1870)<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m denominada de Mal-do-s\u00e9culo, Ultra-romantismo ou Byronismo (homenagem ao poeta Lord Byron, da Inglaterra), esta gera\u00e7\u00e3o foi marcada pela desilus\u00e3o, pelo egocentrismo, pelo narcisismo, pelo negativismo bo\u00eamio e pelo escapismo dos artistas.<\/p>\n<p>O contexto hist\u00f3rico (frustra\u00e7\u00e3o das promessas burguesas revolucion\u00e1rias), reflete nessa atitude, pois ocasiona a desilus\u00e3o em torno das mudan\u00e7as sociais. Destacam-se os poetas Casimiro de Abreu, \u00c1lvares de Azevedo e Junqueira Freire.<\/p>\n<p><strong>3\u00aa Gera\u00e7\u00e3o (1870 \u0096 1881)<\/strong><\/p>\n<p>O seu marco inicial foi a publica\u00e7\u00e3o de \u0093Espumas Flutuantes\u0094 de Castro Alves. \u00c9 tamb\u00e9m conhecida como Gera\u00e7\u00e3o Condoreira (alus\u00e3o \u00e0 altivez do p\u00e1ssaro Condor) ou Hugoana (Influ\u00eancia de Victor Hugo, escritor franc\u00eas) e \u00e9 impregnada pela indigna\u00e7\u00e3o e pela cr\u00edtica social relacionada \u00e0s lutas abolicionistas. A sua linguagem \u00e9 declamat\u00f3ria, passional, marcada por hip\u00e9rboles, met\u00e1foras e alegorias.<\/p>\n<p>Destacam-se Fagundes Varela, Tobias Barreto e principalmente Castro Alves, um dos mais leg\u00edtimos representantes da atitude condoreira, fundador da poesia social e engajada no Brasil, tamb\u00e9m conhecido como \u0093O poeta dos escravos\u0094, devido ao tratamento cr\u00edtico dado \u00e0 causa dos negros escravos.<\/p>\n<h4>O Romance Rom\u00e2ntico e Suas Vertentes<\/h4>\n<p>Inicia-se apenas em meados do s\u00e9culo XIX, a partir do contato com outras na\u00e7\u00f5es advindo da independ\u00eancia (pa\u00edses como Fran\u00e7a, Inglaterra e Alemanha j\u00e1 tinham a tradi\u00e7\u00e3o da fic\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O romance pioneiro surge dotado de algumas peculiaridades, como o episodismo (sobreposi\u00e7\u00e3o dos epis\u00f3dios \u00e0 an\u00e1lise dos fatos), o oralismo (o narrador \u00e9 um contador de hist\u00f3rias), a linearidade (segue-se a ordem cronol\u00f3gica normal dos fatos da vida), a idealiza\u00e7\u00e3o (no ambiente, no enredo e nos personagens &#8211; homem, her\u00f3i aut\u00eantico e generoso e mulher, feminina, ing\u00eanua e fiel).<\/p>\n<p><strong>O romance nasce em meio a uma busca pela identidade nacional brasileira e a identifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os nacionais caracteriza a forma\u00e7\u00e3o das quatro linhas tem\u00e1ticas<\/strong>: o espa\u00e7o da selva \u00e9 retratado pelos Romances Indianista e Hist\u00f3rico; o campo aparece no Romance Regionalista; a vida na cidade \u00e9 trazida pelo Romance Urbano.<\/p>\n<p><strong>Vejamos cada uma destas linhas:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1) Romance Indianista<\/strong><\/p>\n<p>Caracterizado pela idealiza\u00e7\u00e3o do \u00cdndio, que n\u00e3o \u00e9 visto em sua realidade s\u00f3cio-antropol\u00f3gica, mas sim de uma maneira l\u00edrica e po\u00e9tica, figurando como o prot\u00f3tipo de uma ra\u00e7a ideal. Materializa-se no \u00edndio o \u0093mito do bom selvagem\u0094 de Rousseau (o homem \u00e9 bom por natureza e o mundo \u00e9 que o corrompe).<\/p>\n<p>H\u00e1 harmoniza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre as culturas europ\u00e9ia e americana.<\/p>\n<p><strong>O \u00edndio \u00e9 mostrado em diversas condi\u00e7\u00f5es, como \u00e9 poss\u00edvel notar nas obras de Jos\u00e9 de Alencar<\/strong>: em \u0093Ubirajara\u0094, aparece o \u00edndio primordial, sem o contato urbano; em \u0093O Guarani\u0094, \u00e9 mostrado o contato o branco e em \u0093Iracema\u0094, aborda-se a miscigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>2) Romance Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Revela o resgate da nacionalidade a partir da cria\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o po\u00e9tica e her\u00f3ica das origens nacionais. \u00c9 comum ocorrer a mistura de mito e realidade. Destacam-se as obras \u0094As Minas de Prata\u0094 e \u0093A guerra dos Mascates\u0094, de Jos\u00e9 de Alencar.<\/p>\n<p><strong>3) Romance Regionalista<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecido como Sertanista, \u00e9 marcada pela idealiza\u00e7\u00e3o do homem do campo. O sertanejo \u00e9 mostrado, n\u00e3o diante dos seus verdadeiros conflitos, mas de uma maneira mitificada, como um prot\u00f3tipo de bravura, honra e lealdade.<\/p>\n<p>Trata-se aqui de um regionalismo sem tens\u00e3o cr\u00edtica. Destacam-se obras de Jos\u00e9 de Alencar (\u0093O Sertanejo\u0094, \u0093O Tronco do Ip\u00ea\u0094, \u0093Til\u0094, \u0093O Ga\u00facho\u0094), Visconde de Taunay (\u0093Inoc\u00eancia\u0094), Bernardo Guimar\u00e3es (\u0093O Garimpeiro\u0094) e Franklin T\u00e1vora, que com \u0093O Cabeleira\u0094 diferencia-se dos demais apresentando certa tens\u00e3o social que pode ser enquadrada como pr\u00e9-realista.<\/p>\n<p><strong>4) Romance Social Urbano<\/strong><\/p>\n<p>Retrata o ambiente da aristocracia burguesa, seus h\u00e1bitos e costumes refinados, seus padr\u00f5es de comportamento, sendo raro interesse pela periferia. Os enredos s\u00e3o em geral triviais, tratando das tramas amorosas e mexericos da sociedade.<\/p>\n<p>Os perfis femininos s\u00e3o temas comuns, como em \u0093Diva\u0094, \u0093Luc\u00edola\u0094 e \u0093Senhora\u0094, de Jos\u00e9 de Alencar e em \u0093Helena\u0094, \u0093A M\u00e3o e a Luva\u0094 e \u0093Iai\u00e1 Gracia\u0094, de Machado de Assis.<\/p>\n<p>\u00c9 importante perceber que alguns desses romances, Tratando do ciclo social urbano, j\u00e1 revelavam caracter\u00edsticas realistas em seus enredos, como algumas an\u00e1lises psicol\u00f3gicas e sintomas de degrada\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<h4><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, a Europa passa por uma grande reforma<\/strong>: o Iluminismo. Ele foi uma revolu\u00e7\u00e3o em todos os campos. Um novo estado de esp\u00edrito se formava, em que o sentimento se sobrepunha \u00e0 raz\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o, ao c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas ocorreram na Alemanha e na Inglaterra. Da Alemanha foi transportado para a Fran\u00e7a por meio de Mime Sta\u00ebl. Anos depois os Franceses levaram o\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0junto de seus navios para o Brasil. Em 1836 Gon\u00e7alvez de Magalh\u00e3es publicou Suspiros Po\u00e9ticos e Saudades.<\/p>\n<h4>Contexto cultural-art\u00edstico<\/h4>\n<p><strong>Artes Pl\u00e1sticas<\/strong><\/p>\n<p>Nas artes pl\u00e1sticas, o\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0deixou importantes marcas. Artistas como o espanhol Francisco Goya e o franc\u00eas Eug\u00e8ne Delacroix s\u00e3o os maiores representantes da pintura desta fase. Estes artistas representavam a natureza, os problemas sociais e urbanos, valorizavam as emo\u00e7\u00f5es e os sentimentos em suas obras de arte.<\/p>\n<p>Na Alemanha, podemos destacar as obras m\u00edsticas de Caspar David Friedrich, enquanto na Inglaterra John Constable tra\u00e7ava obras com forte cr\u00edtica \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o e aos problemas gerados pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p><strong>Literatura<\/strong><\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s da poesia l\u00edrica que o\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0ganhou formato na literatura dos s\u00e9culos XVIII e XIX. Os poetas rom\u00e2nticos usavam e abusavam das met\u00e1foras, palavras estrangeiras, frases diretas e compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Os principais temas abordados eram<\/strong>: amores plat\u00f4nicos, acontecimentos hist\u00f3ricos nacionais, a morte e seus mist\u00e9rios.<\/p>\n<p><strong>As principais obras rom\u00e2nticas s\u00e3o<\/strong>: Cantos e Inoc\u00eancia do poeta ingl\u00eas William Blake, Os Sofrimentos do Jovem Werther e Fausto do alem\u00e3o Goethe, Baladas L\u00edricas do ingl\u00eas William Wordsworth e diversas poesias de Lord Byron. Na Fran\u00e7a, destaca-se Os Miser\u00e1veis de Victor Hugo e Os Tr\u00eas Mosqueteiros de Alexandre Dumas.<\/p>\n<p><strong>M\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p>Na m\u00fasica ocorre a valoriza\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o, das emo\u00e7\u00f5es e a utiliza\u00e7\u00e3o de todos os recursos da orquestra. Os assuntos de cunho popular, folcl\u00f3rico e nacionalista ganham import\u00e2ncia nas m\u00fasicas.<\/p>\n<p><strong>Podemos destacar como m\u00fasicos deste per\u00edodo<\/strong>: Ludwig van Beethoven (suas \u00faltimas obras s\u00e3o consideradas rom\u00e2nticas), Franz Schubert, Carl Maria von Weber, Felix Mendelssohn, Fr\u00e9d\u00e9ric Chopin, Robert Schumann, Hector Berlioz, Franz Liszt e Richard Wagner.<\/p>\n<p><strong>Teatro<\/strong><\/p>\n<p>Na dramaturgia o\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0se manifesta valorizando a religiosidade, o individualismo, o cotidiano, a subjetividade e a obra de William Shakespeare. Os dois dramaturgos mais conhecidos desta \u00e9poca foram Goethe e Friedrich von Schiller. Victor Hugo tamb\u00e9m merece destaque, pois levou v\u00e1rias inova\u00e7\u00f5es ao teatro.<\/p>\n<p>Em Portugal, podemos destacar o teatro de Almeida Garrett.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas principais:<\/strong><\/p>\n<p><strong>A) Subjetivismo<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na valoriza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, do seu mundo sentimental. \u00c9 a consagra\u00e7\u00e3o do homem-universal do Classicismo.O artista j\u00e1 pode trazer \u00e0 tona o seu mundo interior, com plena liberdade.<\/p>\n<p><strong>B) Sentimentalismo<\/strong><\/p>\n<p>O subjetivismo trouxe uma certa liberdade para expressar os sentimentos do artista, que fora proibido pelo classicismo. No come\u00e7o foi usado de maneira sensata, por\u00e9m mais tarde foi sendo usado demasiadamente e trazendo uma verdadeira melancolia.<\/p>\n<p>Vale citar que tamb\u00e9m a religiosidade fora usada com muita freq\u00fc\u00eancia em todos os autores.<\/p>\n<p><strong>C) Nacionalismo<\/strong><\/p>\n<p><b>O Romantismo aboliu todo tipo de mitologia (classicismo) e poesia buc\u00f3lica (arcadismo), por temas nacionais:<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Hist\u00f3ria<br \/>\n\u00cdndio<br \/>\nFolclore<br \/>\nFauna<br \/>\nHero\u00edsmo p\u00e1trio<br \/>\nOutros<\/p><\/blockquote>\n<p>O\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0brasileiro foi extremamente nacionalista, pois a independ\u00eancia, declarada anos antes aumentou o nacionalismo e o antilusitanismo.<\/p>\n<p><strong>D) Culto da natureza<\/strong><\/p>\n<p>Como o arcadismo, o\u00a0<strong>romantismo<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m cultua a natureza, mas de maneira completamente diferente. Enquanto a natureza no arcadismo era uma esp\u00e9cie de enfeite, os poetas rom\u00e2nticos se completam na natureza. Os prosadores precisam dela para dar vida \u00e0s suas obras.<\/p>\n<p><strong>E) Idealiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><b>Da mulher<\/b><\/p>\n<blockquote><p><b>A mulher dos prosadores rom\u00e2nticos \u00e9 a ideal. Soma de todas as qualidades femininas: <\/b>Feminina, carinhosa, fiel, alegre, formosa, disputada, etc&#8230; Os poetas foram al\u00e9m. Sonharam com deusas, mulheres inalcan\u00e7\u00e1veis.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Do her\u00f3i<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Muitos personagens s\u00e3o constru\u00eddos fora das limita\u00e7\u00f5es humanas e at\u00e9 do bom senso.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Do mundo<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os poetas constru\u00edam um mundo perfeito, para onde pudesse fugir do seu sofrimento.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas, suas principais caracter\u00edsticas e seus principais representativos<\/strong><\/p>\n<p><strong>1\u00aa gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><b>Nacionalista ou indianista<\/b><\/p>\n<p>Marcada pela busca de uma identidade nacional, pela exalta\u00e7\u00e3o da natureza. Volta ao passado hist\u00f3rico, medievalismo e cria\u00e7\u00e3o do her\u00f3i nacional.<\/p>\n<p>Entre os principais autores podem ser destacados Gon\u00e7alves Dias, Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es e Ara\u00fajo Porto Alegre.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>2\u00aa gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><b>Do &#8220;mal s\u00e9culo&#8221;<\/b><\/p>\n<p>Influenciada pela poesia de Lord Byron e Musset, impregnada de egocentrismo, negativismo bo\u00eamio, pessimismo, d\u00favida, desilus\u00e3o adolescente e t\u00e9dio constante. Seu tema preferido \u00e9 a fuga da realidade. A poesia \u00e9 intimista e egoc\u00eantrica. Os poetas dessa gera\u00e7\u00e3o foram \u00c1lvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>3\u00aa gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><b>Condoreira<\/b><\/p>\n<p>Caracterizada pela poesia social e libert\u00e1ria. Sofreu forte influ\u00eancia de Victor Hugo e sua poesia pol\u00edtico-social. <strong>O termo condoreirismo \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia do s\u00edmbolo de liberdade adotado pelos jovens rom\u00e2nticos<\/strong>: o condor. Seu principal representante foi Castro Alves, seguido por Tobias Barreto e Sous\u00e2ndrade.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Romantismo &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>romantismo<\/strong>, principalmente nas artes pl\u00e1sticas, \u00e9 bastante pol\u00eamica. Sobretudo, \u00e9 dif\u00edcil estabelecer seu ponto de dura\u00e7\u00e3o. Alguns acreditam que ele se estende desde meados do S\u00e9culo 18 at\u00e9 hoje, enquanto outros o vem como uma escola que floresceu entre os S\u00e9culos 18 e 19.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a separa\u00e7\u00e3o entre\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0e Neoclassicismo \u00e9 outro ponto de dif\u00edcil consenso entre os historiadores de arte.<\/p>\n<p>Alguns cr\u00edticos acreditam que essas tend\u00eancias n\u00e3o t\u00eam, no fundo, tantas diferen\u00e7as entre si, apresentando-se, antes, como as duas faces de uma mesma moeda.<\/p>\n<p>J\u00e1 outros estudiosos pensam que o\u00a0<strong>romantismo<\/strong>\u00a0\u00e9 uma escola \u00e0 parte, que se desenvolveu depois do neoclassicismo.<\/p>\n<p>Acredita-se que, na m\u00fasica e na literatura, tenha sido mais f\u00e1cil sua express\u00e3o como uma escola distinta das demais.<\/p>\n<h4><strong>Romantismo &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong><\/h4>\n<p>O s\u00e9culo XIX foi agitado por fortes mudan\u00e7as sociais, pol\u00edticas e culturais causadas pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (final do s\u00e9c. XVIII).<\/p>\n<p>Do mesmo modo, a atividade art\u00edstica tornou-se mais complexa e um dos primeiros movimentos que se caracteriza como uma rea\u00e7\u00e3o ao Neoclassicismo do s\u00e9c. XVIII \u00e9 o\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>, assim como o Barroco se op\u00f4s ao Renascimento.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0expressava a liberdade e a independ\u00eancia, os artistas eram fascinados pelo misterioso e sobrenatural, suas obras revelam uma atmosfera de fantasia e hero\u00edsmo, valorizando acima de tudo a emo\u00e7\u00e3o e a liberdade de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As principais caracter\u00edsticas do estilo s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Predom\u00ednio do sentimento sobre a raz\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica dando maior espontaneidade e liberdade na composi\u00e7\u00e3o e na t\u00e9cnica<\/p>\n<p>Retorno a natureza como fonte inspiradora da arte<\/p>\n<p>Tem\u00e1tica relacionadas com a hist\u00f3ria e as aspira\u00e7\u00f5es nacionais, assim como os fatos da \u00e9poca e os temas do cotidiano adquirem import\u00e2ncia superior aos fatos not\u00f3rios da Antiguidade<\/p>\n<p>Gosto pelo ex\u00f3tico, o chocante, o inusitado<\/p>\n<p>Composi\u00e7\u00e3o em diagonal, as cores fortes e os contrastes de claro-escuro causam efeitos dram\u00e1ticos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os pintores mais not\u00e1veis s\u00e3o os ingleses John Constable e J. M. Willian Tuner, al\u00e9m dos franceses Eug\u00e8ne Delacroix e G\u00e8ricault.<\/p>\n<p>Eug\u00e8ne Delacroix (1798-1863) revolucionou a pintura francesa ao acreditar que a cor e a imagina\u00e7\u00e3o eram mais importantes do que o desenho e a raz\u00e3o. A exposi\u00e7\u00e3o em 1824 com a obra &#8220;Os Massacres de Quios&#8221; marca o nascimento da pintura rom\u00e2ntica; a tela &#8220;Dante e Virg\u00edlio no inferno&#8221; tem grande repercuss\u00e3o, e passa a ser considerado o chefe do movimento rom\u00e2ntico; &#8220;A Liberdade Guiando o Povo&#8221; \u00e9 uma de suas obras-primas inspirada na Revolu\u00e7\u00e3o de 1830 (rebeli\u00e3o dos republicanos e liberais contra o rei Carlos X), utiliza uma imagem fantasiosa para representar a liberdade: a mulher com seios nus.<\/p>\n<p><strong>Francisco Goya (1746-1828. Espanha)<\/strong><\/p>\n<p>Retratou em suas pintura importantes fatos hist\u00f3ricos como \u0093O Fuzilamento do 3 de maio em 1808\u0094 ( no dia anterior, os cidad\u00e3os de Madrid rebelaram-se contra o ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o, que ocupava a Espanha. No dia seguinte, os soldados franceses revidaram executando centenas de espanh\u00f3is). Goya expressa nesta obra a luta de um povo contra a opress\u00e3o e a tirania, com fortes contrastes de claro-escuro, dando efeito dram\u00e1tico \u00e0 cena.<\/p>\n<p><strong>G\u00e8ricault<\/strong><\/p>\n<p>Jean-Louis-Andr\u00e9-Th\u00e9odore G\u00e9ricault (26 de setembro de 1791-26 de janeiro de 1824) Pintor franc\u00eas, nascido em Rouen, desfrutava de uma renda particular e por isso n\u00e3o necessitava de encomendas.<\/p>\n<p>Escolhia os temas que mais o atra\u00eda. Foi um novo tipo de artista que exerceu not\u00e1vel influ\u00eancia sobre os movimentos rom\u00e2ntico e realista. Depois de passar um ano na It\u00e1lia, onde se entusiasmou pela obra de Michelangelo, cheia de vigor, realizou numerosos esbo\u00e7os de obras cl\u00e1ssicas.<\/p>\n<p>Ao voltar a Paris, sob a influ\u00eancia dos escritores rom\u00e2nticos brit\u00e2nicos, decidiu orientar sua pintura para uma tem\u00e1tica contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Destaca-se a obra<\/strong>: &#8220;La Balsa de la M\u00e9duse&#8221; \/ A Jangada do Medusa (1818-1819), \u00f3leo sobre tela de 4,19 x 7,16 metros.<\/p>\n<p>O valor da mensagem reside na capacidade de transmitir estados da alma.<\/p>\n<p><strong>O artista nesta obra conseguiu transmitir pensamentos melanc\u00f3licos por meio de expressivos recursos como<\/strong>: cores tristes, \u00eanfase nas sombras, poucas figuras e a representa\u00e7\u00e3o de corvos negros que s\u00e3o vistos como mensageiros de maus press\u00e1gios.<\/p>\n<p><strong>Arquitetura<\/strong><\/p>\n<p>Reflete as transforma\u00e7\u00f5es consequentes da industrializa\u00e7\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o da vida urbana ocorridas no final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, utilizando novos materiais como o ferro e depois o a\u00e7o. A constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios (p\u00fablico e de aluguel) visava atender a m\u00e9dia e alta burguesia, preocupadas apenas com o maior rendimento da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, fora deste contexto urbano, as igrejas e pal\u00e1cios conservaram algumas caracter\u00edsticas de outros estilos, como o g\u00f3tico e o cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p><strong>Destaca-se<\/strong>: Charles Garnier, respons\u00e1vel pelo teatro da \u00d3pera de Paris; Charles Barry e Augustus Puguin, que reconstru\u00edram o Parlamento de Londres; e Waesemann, na Alemanha, respons\u00e1vel pelo distrito neog\u00f3tico de Berlim.<\/p>\n<p><strong>Escultura<\/strong><\/p>\n<p>Segue-se os monumentos funer\u00e1rios, as homenagens hist\u00f3ricas, est\u00e1tuas equestres e a decora\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica num estilo tanto cl\u00e1ssico como barroco. A inova\u00e7\u00e3o ocorreu na tem\u00e1tica com a representa\u00e7\u00e3o de animais de terras ex\u00f3ticas em cenas de ca\u00e7a ou luta em detrimento dos temas religiosos.<\/p>\n<p><strong>Destacam-se os escultores<\/strong>: Antoine Louis Barye (1796-1875) na Fran\u00e7a; Lorenzo Bartolini (1777-1850) na It\u00e1lia; e Fran\u00e7ois Rude (1784-1855) com o alto-relevo &#8220;A Marcha dos Volunt\u00e1rios de 1792&#8221; no Arco da Estrela em Paris.<\/p>\n<h4>O Romantismo Brasileiro<\/h4>\n<p>Considera-se a obra Suspiros po\u00e9ticos e saudades, de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, publicada em Paris em 1836, como o marco inicial do<strong> Romantismo brasileiro<\/strong>.<\/p>\n<p>A poesia rom\u00e2ntica brasileira passou por diferentes momentos nitidamente caracterizados. Essas diferentes vagas s\u00e3o apontadas pelos estudiosos, que agrupam os autores segundo as caracter\u00edsticas predominantes em sua produ\u00e7\u00e3o, dando destaque a essas tend\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Embora alguns cr\u00edticos estabele\u00e7am quatro, cinco e at\u00e9 seis grupos, observa-se que os aspectos apresentados em relevo podem ser assim reunidos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1\u00ba grupo \u0096 chamado de primeira gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em que se destacam duas tend\u00eancias b\u00e1sicas<\/strong>: o misticismo (intensa religiosidade) e o indianismo. A religiosidade \u00e9 marcante nos primeiros rom\u00e2nticos, enquanto o indianismo se torna s\u00edmbolo da civiliza\u00e7\u00e3o brasileira nos poemas de Gon\u00e7alves Dias. Esse esp\u00edrito nacionalista fez desabrocharem tamb\u00e9m poemas cuja tem\u00e1tica explorou o patriotismo e o saudosismo.<\/p>\n<p><strong>Nomes que marcaram o per\u00edodo<\/strong>: Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, Ara\u00fajo Porto Alegre, Gon\u00e7alves Dias.<\/p>\n<p><strong>2\u00ba grupo \u0096 a segunda gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<p>Por seu intimismo, t\u00e9dio e melancolia, abra\u00e7ou o negativismo bo\u00eamio, a obsess\u00e3o pela morte, o satanismo. \u00c9 conhecida como gera\u00e7\u00e3o byroniana (numa alus\u00e3o ao poeta ingl\u00eas Lord Byron, um de seus principais representantes) e sua postura vivencial considerada o mal do s\u00e9culo, por se tratar n\u00e3o apenas de um fazer po\u00e9tico, mas de uma forma autodestrutiva de ser no mundo.<\/p>\n<p><strong>Destaques no per\u00edodo<\/strong>: \u00c1lvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire. Algumas das obras de Castro Alves permitem enquadr\u00e1-lo no per\u00edodo. Sua vis\u00e3o da mulher, marcada pela sensualidade, distancia-se, por\u00e9m, do lirismo idealizante que caracterizou as demais produ\u00e7\u00f5es de poesia amorosa do per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>3\u00ba grupo \u0096 a terceira gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<p>Voltada para uma poesia de preocupa\u00e7\u00e3o social. Conhecida como condoreira (tinha como emblema o condor, ave que constr\u00f3i seu ninho em grandes altitudes) ou hugoniana (numa refer\u00eancia a Vitor Hugo, escritor franc\u00eas cuja obra de cunho social marcou o per\u00edodo), sua linguagem adquiria um tom inflamado, declamat\u00f3rio, grandiloq\u00fcente, carregada de transposi\u00e7\u00f5es e de figuras de linguagem. Seus principais representantes, Castro Alves e Tobias Barreto, t\u00eam sua produ\u00e7\u00e3o associada ao movimento abolicionista e republicano, respectivamente.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas do Romantismo<\/strong><\/p>\n<p>Grande \u00e9 o n\u00famero de <strong>caracter\u00edsticas<\/strong> que marcaram o movimento rom\u00e2ntico, caracter\u00edsticas essas que, centradas sempre na valoriza\u00e7\u00e3o do eu e da liberdade, v\u00e3o-se entrela\u00e7ando, umas atadas \u00e0s outras, umas desencadeando outras e formando um amplo painel de tra\u00e7os reveladores.<\/p>\n<p><strong>Para aqui discuti-las, vamos seguir os aspectos considerados os mais significativos por Dom\u00edcio Proen\u00e7a Filho em sua an\u00e1lise dos estilos de \u00e9poca na literatura:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1.\u00a0Contraste entre os ideais divulgados e a limita\u00e7\u00e3o imposta pela realidade vivida:<\/strong> O universo conhecido se alarga, o S\u00e9culo das Luzes deixa um rastro de anseios libert\u00e1rios, desloca-se o centro do poder; a depend\u00eancia social e econ\u00f4mica, a inconsci\u00eancia, o desconhecimento estabelecem para a imensa maioria, no entanto, uma exist\u00eancia marcada por limita\u00e7\u00f5es de toda ordem.<\/p>\n<p><strong>2.\u00a0Imagina\u00e7\u00e3o criadora:<\/strong> Num movimento de escapismo, o artista rom\u00e2ntico evade-se para os universos criados em sua imagina\u00e7\u00e3o, ambientados no passado ou no futuro idealizados, em terras distantes envoltas na magia e no exotismo, nos ideais libert\u00e1rios alimentados nas figuras dos her\u00f3is. A fantasia leva os rom\u00e2nticos a criar tanto mundos de beleza que fascinam a sensibilidade, como universos em que a extrema emo\u00e7\u00e3o se realiza no belo associado ao terrificante (vejam-se as figuras do Dr\u00e1cula, do Frankstein, do Corcunda de Notre Dame e a ambi\u00eancia que os rodeia).<\/p>\n<p><strong>3.\u00a0Subjetivismo:<\/strong> \u00c9 o mundo pessoal, interior, os sentimentos do autor que se fazem o espa\u00e7o central da cria\u00e7\u00e3o. Com plena liberdade de criar, o artista rom\u00e2ntico n\u00e3o se acanha em expor suas emo\u00e7\u00f5es pessoais, em fazer delas a tem\u00e1tica sempre retomada em sua obra.<\/p>\n<p><strong>4.\u00a0Evas\u00e3o:<\/strong> O escapismo rom\u00e2ntico manifesta-se tanto nos processos de idealiza\u00e7\u00e3o da realidade circundante como na fuga para mundos imagin\u00e1rios. Quando acompanhado de desesperan\u00e7a, sucumbe ao chamado da morte, companheira desejada por muitos e tema recorrente em grande n\u00famero de poetas.<\/p>\n<p><strong>5.\u00a0Senso de mist\u00e9rio:<\/strong> A valoriza\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, do m\u00e1gico, do maravilhoso acompanha a cria\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica. \u00c9 tamb\u00e9m esse senso de mist\u00e9rio que leva grande n\u00famero de autores rom\u00e2nticos a buscar o sobrenatural e o terror.<\/p>\n<p><strong>6.\u00a0Consci\u00eancia da solid\u00e3o:<\/strong> Conseq\u00fc\u00eancia do exacerbado subjetivismo, que d\u00e1 ao autor rom\u00e2ntico um sentimento de inadequa\u00e7\u00e3o e o leva a sentir-se deslocado no mundo real e, muitas vezes, a buscar ref\u00fagio no pr\u00f3prio eu.<\/p>\n<p><strong>7.\u00a0Reformismo:<\/strong> Esta caracter\u00edstica manifesta-se na participa\u00e7\u00e3o de autores rom\u00e2nticos em movimentos contestadores e libert\u00e1rios, com grande influ\u00eancia em sua produ\u00e7\u00e3o, como foi a campanha abolicionista abra\u00e7ada por Castro Alves e o movimento republicano assumido por S\u00edlvio Romero.<\/p>\n<p><strong>8.\u00a0Sonho:<\/strong> Revela-se na idealiza\u00e7\u00e3o do mundo, na busca por verdades diferentes daquelas conhecidas, na revela\u00e7\u00e3o de anseios.<\/p>\n<p><strong>9.\u00a0F\u00e9: \u00c9 a f\u00e9 que conduz o movimento<\/strong>: cren\u00e7a na pr\u00f3pria verdade, cren\u00e7a na justi\u00e7a procurada, cren\u00e7a nos sentimentos revelados, cren\u00e7a nos ideais perseguidos, cren\u00e7a que se revela ainda em diferentes manifesta\u00e7\u00f5es de religiosidade crist\u00e3 \u0096 f\u00e9. N\u00e3o se pode esquecer a profunda influ\u00eancia do medievalismo na constru\u00e7\u00e3o do mundo rom\u00e2ntico, dele fazendo parte a religiosidade crist\u00e3.<\/p>\n<p><strong>10.\u00a0Ilogismo:<\/strong> Manifesta\u00e7\u00f5es emocionais que se op\u00f5em e contradizem.<\/p>\n<p><strong>11.\u00a0Culto da natureza:<\/strong> A natureza adquire especial significado no mundo rom\u00e2ntico. Testemunha e companheira das almas sens\u00edveis, \u00e9, tamb\u00e9m, ref\u00fagio, prote\u00e7\u00e3o, m\u00e3e acolhedora. Costuma-se afirmar que, para os rom\u00e2nticos, a natureza foi tamb\u00e9m personagem, com papel ativo na trama.<\/p>\n<p><strong>12.\u00a0Retorno ao passado:<\/strong> <strong>Tal retorno deu origem a diversas manifesta\u00e7\u00f5es<\/strong>: saudosismo voltado para a inf\u00e2ncia, o passado individual; medievalismo e indianismo, na busca pelas ra\u00edzes hist\u00f3ricas, as origens que dignificam a p\u00e1tria.<\/p>\n<p><strong>13.\u00a0Gosto do pitoresco, do ex\u00f3tico:<\/strong> Valoriza\u00e7\u00e3o de terras ainda n\u00e3o exploradas, do mundo oriental, de pa\u00edses distantes.<\/p>\n<p><strong>14.\u00a0Exagero: <\/strong>Exagero nas emo\u00e7\u00f5es, nos sentimentos, nas figuras do her\u00f3i e do vil\u00e3o, na vis\u00e3o manique\u00edsta a dividir o bem e o mal, exagero que se manifesta nas caracter\u00edsticas j\u00e1 listadas.<\/p>\n<p><strong>15.\u00a0Liberdade criadora:<\/strong> Valoriza\u00e7\u00e3o do g\u00eanio criador e renovador do artista, colocado acima de qualquer regra.<\/p>\n<p><strong>16.\u00a0Sentimentalismo:<\/strong> A poesia do eu, do amor, da paix\u00e3o. O amor, mais que qualquer outro sentimento, \u00e9 o estado de frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica que se manifesta em extremos de exalta\u00e7\u00e3o ou de cinismo e libertinagem, mas sempre o amor.<\/p>\n<p><strong>17.\u00a0\u00c2nsia de gl\u00f3ria:<\/strong> O artista quer ver-se reconhecido e admirado.<\/p>\n<p><strong>18.\u00a0Import\u00e2ncia da paisagem:<\/strong> A paisagem \u00e9 tecida de acordo com as emo\u00e7\u00f5es dos personagens e a tem\u00e1tica das obras liter\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>19.\u00a0Gosto pelas ru\u00ednas: <\/strong>A natureza sobrep\u00f5e-se \u00e0 obra constru\u00edda.<\/p>\n<p><strong>20.\u00a0Gosto pelo noturno:<\/strong> Em harmonia com a atmosfera de mist\u00e9rio, t\u00e3o pr\u00f3xima do gosto de todos os rom\u00e2nticos.<\/p>\n<p><strong>21.\u00a0Idealiza\u00e7\u00e3o da mulher: <\/strong>Anjo ou mulher da vida, a figura da mulher \u00e9 sempre idealizada.<\/p>\n<p><strong>22.\u00a0Fun\u00e7\u00e3o sacralizadora da arte:<\/strong> O poeta sente-se como guia da humanidade e v\u00ea na arte uma fun\u00e7\u00e3o redentora.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Acrescentem-se a essas caracter\u00edsticas os novos elementos estil\u00edsticos introduzidos na arte liter\u00e1ria<\/strong>: a valoriza\u00e7\u00e3o do romance em suas muitas variantes; a liberdade no uso do ritmo e da m\u00e9trica; a confus\u00e3o dos g\u00eaneros, dando lugar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novas formas po\u00e9ticas; a renova\u00e7\u00e3o do teatro.<\/p>\n<h4>O Romance Rom\u00e2ntico<\/h4>\n<p>Destaque especial teve no movimento rom\u00e2ntico a narrativa romanesca. Foi por meio dos romances que a Europa marcou seu reencontro com o mundo medieval em que repousavam as ra\u00edzes das modernas na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias. Ali floresceram os ideais cavalheirescos que resgatavam na origem her\u00f3ica a dignidade da p\u00e1tria e se expressaram nos romances hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Encontram-se tamb\u00e9m as narrativas apoiadas no embate entre o Bem e o Mal, com a vit\u00f3ria do primeiro. No Brasil, o romance hist\u00f3rico se fez indianista na busca das ra\u00edzes da nacionalidade (n\u00e3o esque\u00e7amos que a independ\u00eancia h\u00e1 pouco alcan\u00e7ada legou aos intelectuais rom\u00e2nticos o compromisso de construir a identidade nacional).<\/p>\n<p>O primeiro romance bem-sucedido na hist\u00f3ria da literatura brasileira foi A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844. Seu reconhecimento se deve ao fato de ter sido a primeira narrativa centrada em personagens brasileiros, com ambi\u00eancia local.<\/p>\n<p><strong>Os romances do per\u00edodo rom\u00e2ntico foram constru\u00eddos em torno de quatro grandes n\u00facleos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os <strong>romances hist\u00f3ricos<\/strong>, voltados para as rela\u00e7\u00f5es que fizeram o Brasil col\u00f4nia<\/p>\n<p>Os <strong>romances indianistas<\/strong>, com a inten\u00e7\u00e3o de estabelecer nossas ra\u00edzes hist\u00f3ricas, construiu-se em torno da idealiza\u00e7\u00e3o da figura do \u00edndio, transformado em her\u00f3i nacional<\/p>\n<p>Os <strong>romances urbanos<\/strong>, com \u00eanfase nas rela\u00e7\u00f5es amorosas, foram o espa\u00e7o de revela\u00e7\u00e3o das preocupa\u00e7\u00f5es burguesas, sua no\u00e7\u00e3o de honra e o significado do dinheiro nas rela\u00e7\u00f5es estabelecidas<\/p>\n<p>O <strong>romance sertanista ou regionalista<\/strong>, voltado para o mundo rural, veio a ser a abertura para uma das tem\u00e1ticas mais significativas a desenvolver-se na literatura brasileira nos movimentos liter\u00e1rios que se seguiram ao\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Embora encontrados em muitos dos escritores do per\u00edodo, os romances assim caracterizados foram preocupa\u00e7\u00e3o especial de Jos\u00e9 de Alencar, que se prop\u00f4s a, atrav\u00e9s de sua obra, representar o Brasil em todas as suas facetas.<\/p>\n<h4>Romantismo &#8211; Termo<\/h4>\n<p><strong>O termo\u00a0Romantismo\u00a0pode apresentar uma s\u00e9rie de significa\u00e7\u00f5es:<\/strong> romant ou romaunt; l\u00edngua rom\u00e2nica ou neo-latina; narrativas escritas nesta l\u00edngua; narrativas em geral; oposi\u00e7\u00e3o ao termo Classicismo (rom\u00e2ntico x cl\u00e1ssico); movimento cultural e est\u00e9tico da primeira metade do s\u00e9culo XIX; atualmente, sentimentalismo.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>, apesar de estar relacionado aos sentimentos, refere-se \u00e0 arte. As significa\u00e7\u00f5es mais adequadas, das citadas acima, seriam &#8220;oposi\u00e7\u00e3o ao termo Classicismo (rom\u00e2ntico x cl\u00e1ssico)&#8221; e &#8220;movimento cultural e est\u00e9tico da primeira metade do s\u00e9culo XIX&#8221;.<\/p>\n<p>Provavelmente tem seu in\u00edcio na Esc\u00f3cia, Inglaterra e Alemanha, pa\u00edses europeus mais desenvolvidos, mas \u00e9 na Fran\u00e7a, a partir do fim do s\u00e9culo XVIII, mais precisamente a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789, que o novo movimento ganha propor\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Um caso interessante foi o do poeta escoc\u00eas James Macpherson que, para obter prest\u00edgio, dizia psicografar poemas de Ossian poeta cl\u00e1ssico, do s\u00e9culo V a.C., que cultivava a oralidade da linguagem, o apego \u00e0 natureza e os sentimentos, de onde surgiu o termo Ossianismo.<\/p>\n<p>Na Alemanha, destaca-se a obra rom\u00e2ntica Werther, de G\u00f6ethe e, na Inglaterra, sobressaem-se os poetas Samuel Taylor, Coleridge, Shelley, Lord Byron e Wordsworth.<\/p>\n<p><strong>O Romantismo e o Classicismo<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0\u00e9 um amplo movimento, que surgiu no s\u00e9culo passado, e representa, na literatura e na arte em geral, os anseios da classe burguesa, que, na \u00e9poca, estava em ascens\u00e3o. A literatura, portanto, abandona a aristocracia para caminhar ao lado do povo, da cultura leiga. Por esse motivo, acaba por ser tamb\u00e9m uma oposi\u00e7\u00e3o ao Classicismo.<\/p>\n<p>O Arcadismo tamb\u00e9m conhecido como Neoclassicismo , foi uma arte revolucion\u00e1ria, porque defendia os interesses da burguesia, classe social que promoveria a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa posteriormente. Todavia, identificava-se mais com a aristocracia, formada pela nobreza e pelo clero, j\u00e1 que, quanto ao aspecto est\u00e9tico, limitou-se a eliminar os exageros do Barroco e a retomar os modelos do Classicismo do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>Ao\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>, cabe a tarefa de criar uma linguagem nova, uma nova vis\u00e3o de mundo, identificada com os padr\u00f5es simples de vida da classe m\u00e9dia e da burguesia. Enquanto o Classicismo observava a realidade objetiva, exterior, e a reproduzia do mesmo modo, atrav\u00e9s de um processo mim\u00e9tico, sem deformar a realidade, o Romantismo deforma a realidade que, antes de ser exposta, passa pelo crivo da emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A arte rom\u00e2ntica inicia uma nova e importante etapa na literatura, voltada aos assuntos de seu tempo efervesc\u00eancia social e pol\u00edtica, esperan\u00e7a e paix\u00e3o, luta e revolu\u00e7\u00e3o e ao cotidiano do homem burgu\u00eas do s\u00e9culo XIX; retrata uma nova atitude do homem perante si mesmo. O interesse dessa nova arte est\u00e1 voltado para a espontaneidade, os sentimentos e a simplicidade, opondo-se, desse modo, \u00e0 arte cl\u00e1ssica que cultivava a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>A arte, para o rom\u00e2ntico, n\u00e3o pode se limitar \u00e0 imita\u00e7\u00e3o, mas ser a express\u00e3o direta da emo\u00e7\u00e3o, da intui\u00e7\u00e3o, da inspira\u00e7\u00e3o e da espontaneidade vividas por ele na hora da cria\u00e7\u00e3o, anulando, por assim dizer, o perfeccionismo t\u00e3o exaltado pelos cl\u00e1ssicos. N\u00e3o h\u00e1 retoques ap\u00f3s a concep\u00e7\u00e3o para n\u00e3o comprometer a autenticidade e a qualidade do trabalho.<\/p>\n<p>Esses artistas vivem em busca de fortes emo\u00e7\u00f5es e aventuras na tentativa de colher experi\u00eancias novas e criadoras. Alguns chegam at\u00e9 a se envolver com o alcoolismo e drogas ou com um sentimento de pessimismo, enquanto outros participam de lutas sociais.<\/p>\n<p>O conceito grego de belo na arte, t\u00e3o defendido pelos cl\u00e1ssicos, que eliminavam as notas destoantes e apresentavam uma obra depurada, \u00e9 abandonado pelos rom\u00e2nticos, os quais passam a defender a uni\u00e3o do grotesco e do sublime, ou seja, do feio e do bonito, assim como s\u00e3o as coisas na vida real.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0marca uma importante mudan\u00e7a de postura na arte a proximidade maior entre a vida e a obra, e entre a obra e a realidade.<\/p>\n<p>Nenhum movimento liter\u00e1rio-art\u00edstico foi t\u00e3o rebelde e revolucion\u00e1rio como o rom\u00e2ntico, em que a regra maior \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o individual. Ali\u00e1s, os g\u00eaneros liter\u00e1rios r\u00edgidos faziam lembrar a hierarquia social, anterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<\/p>\n<p><strong>O\u00a0Romantismo\u00a0surge com o liberalismo, filosofia que promove o eu individual, divulgada pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, cujos ideais eram<\/strong>: a liberdade, a igualdade e a fraternidade.<\/p>\n<p>Enquanto a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa chega ao poder, quebrando a hierarquia social e destruindo a aristocracia, o\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0destr\u00f3i as regras e as formas preestabelecidas, abandonado a elite e chegando ao povo.<\/p>\n<p>Sumariamente, pode-se estabelecer alguns pontos fundamentais e contradit\u00f3rios entre o Romantismo e o Classicismo, na verdade cultivado pela escola anterior \u00e0 arte rom\u00e2ntica, isto \u00e9, pelo Arcadismo (ou Neoclassicismo).<\/p>\n<p><b>S\u00e3o eles:<\/b><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"438\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>CLASSICISMO<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>ROMANTISMO<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">raz\u00e3o<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">emo\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">mimesis; imita\u00e7\u00e3o da realidade<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">teoria expressiva; express\u00e3o do pr\u00f3prio eu<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">objetividade<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">subjetividade<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">universalismo (o mundo)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">individualismo (o eu)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Amor (extratemporal, extra-espacial, universal)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">&#8220;meu amor&#8221;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">imita\u00e7\u00e3o de modelos (formas fixas)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">inspira\u00e7\u00e3o ou liberdade criativa<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">realidade objetiva (mundo exterior)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">realidade subjetiva (mundo interior)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">equil\u00edbrio<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">contradi\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">ordem<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">reformismo<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h4>Caracter\u00edsticas da linguagem rom\u00e2ntica<\/h4>\n<p><b>Al\u00e9m das caracter\u00edsticas j\u00e1 observadas, h\u00e1 outras que merecem destaque ou ser vistas com maior aprofundamento:<\/b><\/p>\n<blockquote><p><b>Subjetivismo:<\/b>\u00a0o rom\u00e2ntico quer retratar em sua obra uma realidade interior e parcial. Trata os assuntos de uma forma pessoal, de acordo com o que sente, aproximando-se da fantasia.<\/p>\n<p><b>Idealiza\u00e7\u00e3o:<\/b>\u00a0motivado pela fantasia e pela imagina\u00e7\u00e3o, o artista rom\u00e2ntico passa a idealizar tudo; as coisas n\u00e3o s\u00e3o vistas como realmente s\u00e3o, mas como deveriam ser segundo uma \u00f3tica pessoal. Assim, a p\u00e1tria \u00e9 sempre perfeita; a mulher \u00e9 vista como virgem, fr\u00e1gil, bela, submissa e inating\u00edvel; o amor, quase sempre, \u00e9 espiritual e inalcan\u00e7\u00e1vel; o \u00edndio, ainda que moldado segundo modelos europeus, \u00e9 o her\u00f3i nacional.<\/p>\n<p><b>Sentimentalismo:<\/b>\u00a0exaltam-se os sentidos, e tudo o que \u00e9 provocado pelo impulso \u00e9 permitido. Certos sentimentos, como a saudade (saudosismo), a tristeza, a nostalgia e a desilus\u00e3o, s\u00e3o constantes na obra rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p><b>Egocentrismo:<\/b>\u00a0cultua-se o &#8220;eu&#8221; interior, atitude narcisista, em que o individualismo prevalece; microcosmos (mundo interior) X macrocosmos (mundo exterior).<\/p>\n<p><b>Liberdade de cria\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>todo tipo de padr\u00e3o cl\u00e1ssico preestabelecido \u00e9 abolido. O escritor rom\u00e2ntico recusa formas po\u00e9ticas, usa o verso livre e branco, libertando-se dos modelos greco-latinos, t\u00e3o valorizados pelos cl\u00e1ssicos, e aproximando-se da linguagem coloquial.<\/p>\n<p><b>Medievalismo:\u00a0<\/b>h\u00e1 um grande interesse dos rom\u00e2nticos pelas origens de seu pa\u00eds, de seu povo. Na Europa, retornam \u00e0 Idade M\u00e9dia e cultuam seus valores, por ser uma \u00e9poca obscura. Tanto \u00e9 assim que o mundo medieval \u00e9 considerado a &#8220;noite da humanidade&#8221;; o que n\u00e3o \u00e9 muito claro, agu\u00e7a a imagina\u00e7\u00e3o, a fantasia. No Brasil, o \u00edndio representa o papel de nosso passado medieval e vivo.<\/p>\n<p><b>Pessimismo:\u00a0<\/b>conhecido como o &#8220;mal-do-s\u00e9culo&#8221;. O artista se v\u00ea diante da impossibilidade de realizar o sonho do &#8220;eu&#8221; e, desse modo, cai em profunda tristeza, ang\u00fastia, solid\u00e3o, inquieta\u00e7\u00e3o, desespero, frustra\u00e7\u00e3o, levando-o, muitas vezes, ao suic\u00eddio, solu\u00e7\u00e3o definitiva para o mal-do-s\u00e9culo.<\/p>\n<p><b>Escapismo psicol\u00f3gico:<\/b>\u00a0esp\u00e9cie de fuga. J\u00e1 que o rom\u00e2ntico n\u00e3o aceita a realidade, volta ao passado, individual (fatos ligados ao seu pr\u00f3prio passado, a sua inf\u00e2ncia) ou hist\u00f3rico (\u00e9poca medieval).<\/p>\n<p><b>Condoreirismo:\u00a0<\/b>corrente de poesia pol\u00edtico-social, com grande repercuss\u00e3o entre os poetas da terceira gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica. Os poetas condoreiros, influenciados pelo escritor Victor Hugo, defendem a justi\u00e7a social e a liberdade.<\/p>\n<p><b>Byronismo:\u00a0<\/b>atitude amplamente cultivada entre os poetas da segunda gera\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica e relacionada ao poeta ingl\u00eas Lord Byron. Caracteriza-se por mostrar um estilo de vida e uma forma particular de ver o mundo; um estilo de vida bo\u00eamia, noturna, voltada para o v\u00edcio e os prazeres da bebida, do fumo e do sexo. Sua forma de ver o mundo \u00e9 egoc\u00eantrica, narcisista, pessimista, angustiada e, por vezes, sat\u00e2nica.<\/p>\n<p><b>Religiosidade:<\/b>\u00a0como uma rea\u00e7\u00e3o ao Racionalismo materialista dos cl\u00e1ssicos, a vida espiritual e a cren\u00e7a em Deus s\u00e3o enfocadas como pontos de apoio ou v\u00e1lvulas de escape diante das frustra\u00e7\u00f5es do mundo real.<\/p>\n<p><b>Culto ao fant\u00e1stico:<\/b>\u00a0a presen\u00e7a do mist\u00e9rio, do sobrenatural, representando o sonho, a imagina\u00e7\u00e3o; frutos da pura fantasia, que n\u00e3o carecem de fundamenta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, do uso da raz\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Nativismo:\u00a0<\/b>fascina\u00e7\u00e3o pela natureza. O artista se v\u00ea totalmente envolvido por paisagens ex\u00f3ticas, como se ele fosse uma continua\u00e7\u00e3o da natureza. Muitas vezes, o nacionalismo rom\u00e2ntico \u00e9 exaltado atrav\u00e9s da natureza, da for\u00e7a da paisagem.<\/p>\n<p><b>Nacionalismo ou patriotismo:\u00a0<\/b>exalta\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria, de forma exagerada, em que somente as qualidades s\u00e3o enaltecidas.<\/p>\n<p><b>Luta entre o liberalismo e o absolutismo:\u00a0<\/b>poder do povo X poder da monarquia. At\u00e9 na escolha do her\u00f3i, o rom\u00e2ntico dificilmente optava por um nobre. <strong>Geralmente, adotava her\u00f3is grandiosos, muitas vezes personagens hist\u00f3ricos, que foram de algum modo infelizes<\/strong>: vida tr\u00e1gica, amantes recusados, patriotas exilados.<\/p><\/blockquote>\n<h4>O Romantismo em Portugal<\/h4>\n<p>Iniciou-se em 1825, Almeida Garrett publicou o poema Cam\u00f5es, biografia do c\u00e9lebre poeta, em versos brancos, que retratava principalmente o sentimentalismo.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Romantismo<\/strong>\u00a0durou cerca de 40 anos e termina por volta de 1865, com a Quest\u00e3o Coimbr\u00e3 ou Quest\u00e3o do Bom Senso e do Bom Gosto, encabe\u00e7ada por Antero de Quental. Assim como em outros pa\u00edses, o Romantismo portugu\u00eas uniu-se ao liberalismo e \u00e0 ideologia burguesa.<\/p>\n<p>O movimento rom\u00e2ntico nasceu dentro de uma atmosfera pol\u00edtica bastante conturbada, que defendia a implanta\u00e7\u00e3o do liberalismo no pa\u00eds. Esse movimento tinha por objetivo a implanta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de cortes, eleita por todas as classes sociais. De um lado, D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil) representava o liberalismo; de outro, D. Miguel, seu irm\u00e3o absolutista. Derrotado, D. Pedro cede o trono portugu\u00eas ao irm\u00e3o e s\u00f3 consegue reav\u00ea-lo em 1834, quando o liberalismo finalmente vence.<\/p>\n<p>\u00c9 em meio a esse desenrolar de anos t\u00e3o ca\u00f3ticos, de lutas entre liberais e conservadores, que os rom\u00e2nticos foram implantando as reformas liter\u00e1rias.<\/p>\n<p><b>H\u00e1 tr\u00eas momentos distintos no desenvolvimento do Romantismo portugu\u00eas:<\/b><\/p>\n<blockquote><p><strong>1\u00ba Romantismo (ou primeira gera\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>Atuante entre os anos de 1825 e 1840, ainda bastante ligado ao Classicismo, contribui para a consolida\u00e7\u00e3o do liberalismo em Portugal, Os ideais rom\u00e2nticos dessa gera\u00e7\u00e3o est\u00e3o embasados na pureza e originalidade.<strong> Principais escritores<\/strong>: Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Ant\u00f4nio Feliciano de Castilho.<\/p>\n<p><strong>2\u00ba Romantismo (ou segunda gera\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecido como Ultra-Romantismo, marcado pelo exagero, desequil\u00edbrio, sentimentalismo, prevalece at\u00e9 1860. <strong>Principais escritores<\/strong>: Camilo Castelo Branco e Soares Passos.<\/p>\n<p><strong>3\u00ba Romantismo ( ou terceira gera\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>De 1860 a 1870, \u00e9 considerado momento de transi\u00e7\u00e3o, por j\u00e1 anunciar o Realismo. Traz um Romantismo mais equilibrado, regenerado (corrigido, reconstitu\u00eddo). <strong>Principais escritores<\/strong>: Jo\u00e3o de Deus, na poesia, e J\u00falio Dinis, na prosa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m da poesia e do romance, nesses tr\u00eas momentos rom\u00e2nticos, desenvolveram-se ainda o teatro, a historiografia e o jornalismo de forma nunca vista antes em Portugal.<\/p>\n<h4>O Romantismo no Brasil<\/h4>\n<p>O Romantismo nasce no Brasil poucos anos depois de nossa independ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Por isso, as primeiras obras e os primeiros artistas rom\u00e2nicos est\u00e3o empenhados em definir um perfil da cultura brasileira em v\u00e1rios aspectos<\/strong>: a l\u00edngua, a etnia, as tradi\u00e7\u00f5es, o passado hist\u00f3rico, as diferen\u00e7as regionais, a religi\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que o nacionalismo \u00e9 o tra\u00e7o essencial que caracteriza a produ\u00e7\u00e3o de nossos primeiros escritores rom\u00e2nticos, como \u00e9 o caso de Gon\u00e7alves Dias.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Romantismo no Brasil confunde-se com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira da primeira metade do s\u00e9culo passado. Com a invas\u00e3o de Portugal por Napole\u00e3o, a Coroa portuguesa muda-se para o Brasil em 1808 e eleva a col\u00f4nia \u00e0 categoria de Reino Unido, ao lado de Portugal e Algarves.<\/p>\n<p>As conseq\u00fc\u00eancias desse fato s\u00e3o in\u00fameras. A vida brasileira altera-se profundamente, o que de certa forma contribui para o processo de independ\u00eancia pol\u00edtica da na\u00e7\u00e3o. Dentre essas conseq\u00fc\u00eancias, &#8220;a prote\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio, \u00e0 ind\u00fastria, \u00e0 agricultura; as reformas do ensino, cria\u00e7\u00f5es de escolas de n\u00edvel superior e at\u00e9 o plano, que se realizou, de cria\u00e7\u00e3o de uma universidade; as miss\u00f5es culturais estrangeiras, convidadas e aceitas pela hospitalidade oficial, no setor das artes e das ci\u00eancias; as possibilidades para o com\u00e9rcio do livro; a cria\u00e7\u00e3o de tipografias, princ\u00edpios de atividade editorial e da imprensa peri\u00f3dica; a instala\u00e7\u00e3o de biblioteca p\u00fablica, museus, arquivos; o cultivo da pela orat\u00f3ria religiosa e das representa\u00e7\u00f5es c\u00eanicas&#8221;.<\/p>\n<p>A dinamiza\u00e7\u00e3o da vida cultural da col\u00f4nia e a cria\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico leitor (mesmo que, inicialmente, de jornais) criam algumas das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o florescimento de uma literatura mais consistente e org\u00e2nica do que eram as manifesta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias dos s\u00e9culos XVII e XVIII.<\/p>\n<p>A Independ\u00eancia pol\u00edtica, de 1822, desperta na consci\u00eancia de intelectuais e artistas nacionais a necessidade de criar uma cultura brasileira identificada com suas pr\u00f3prias ra\u00edzes hist\u00f3ricas, ling\u00fc\u00edsticas e culturais.<\/p>\n<p>O <strong>Romantismo<\/strong>, al\u00e9m de seu significado primeiro o de ser uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica , assume e. nossa literatura a conota\u00e7\u00e3o de um movimento anticolonialista e antilusitano, ou seja, de rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura produzida na \u00e9poca colonial, em virtude do apego dessa produ\u00e7\u00e3o aos modelos culturais portugueses.<\/p>\n<p>Portanto, um dos tra\u00e7os essenciais de nosso Romantismo \u00e9 o nacionalismo, que orientar\u00e1 o movimento e lhe abrir\u00e1 um rico leque de possibilidades a serem exploradas.<\/p>\n<p><strong>Dentre elas se destacam<\/strong>: o indianismo, o regionalismo, a pesquisa hist\u00f3rica, folcl\u00f3rica e ling\u00fc\u00edstica, al\u00e9m da cr\u00edtica aos problemas nacionais todas elas posturas comprometidas com o projeto de constru\u00e7\u00e3o de uma identidade nacional.<\/p>\n<p>Tradicionalmente se tem apontado a publica\u00e7\u00e3o da obra Suspiros po\u00e9ticos e saudades (l836), de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, como o marco inicial do Romantismo no Brasil. A import\u00e2ncia dessa obra reside muito mais nas novidades te\u00f3ricas de seu pr\u00f3logo, em que Magalh\u00e3es anuncia a revolu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria rom\u00e2ntica, do que propriamente na execu\u00e7\u00e3o dessas teorias.<\/p>\n<h4>As gera\u00e7\u00f5es do Romantismo<\/h4>\n<p>Tradicionalmente se t\u00eam apontado tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de escritores rom\u00e2nticos. Essa divis\u00e3o, contudo, engloba principalmente os autores de poesia. Os romancistas n\u00e3o se enquadram muito bem nessa divis\u00e3o, uma vez que suas obras podem apresentar tra\u00e7os de mais de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Assim, as tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de poetas rom\u00e2nticos brasileiros s\u00e3o:<\/b><\/p>\n<blockquote><p><strong>Primeira gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nacionalista, indianista e religiosa. Destacam-se os poetas Gon\u00e7alves Dias e Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es. A gera\u00e7\u00e3o nacionalista \u00e9 impulsionada pelos valores nacionais, introduz e solidifica o Romantismo no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Segunda gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Marcada pelo &#8220;mal do s\u00e9culo&#8221;, apresenta egocentrismo exacerbado, pessimismo, satanismo e atra\u00e7\u00e3o pela morte. Destacam-se os poetas \u00c1lvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire. Essa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida tamb\u00e9m por Ultra-Romantismo, devido \u00e0 forte influ\u00eancia byroniana. Al\u00e9m das mencionadas acima, h\u00e1 ainda o determinismo, v\u00edtimas de destino, melancolia, desejo de evas\u00e3o, recorda\u00e7\u00e3o de um passado long\u00ednquo, que n\u00e3o tiveram, cansa\u00e7o da vida antes de t\u00ea-la vivido.<\/p>\n<p><strong>Terceira gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Formada pelo grupo condoreiro, desenvolve uma poesia de cunho pol\u00edtico e social. A maior express\u00e3o desse grupo \u00e9 Castro Alves. <strong>Essa \u00faltima gera\u00e7\u00e3o condoreira vive um clima de intensa agita\u00e7\u00e3o interna<\/strong>: Guerra do Paraguai, lutas abolicionistas, propaganda republicana. O poeta torna-se o porta-voz das aspira\u00e7\u00f5es sociais e seus versos s\u00e3o armas usadas nas lutas liberais.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O Romantismo brasileiro contou com um grande n\u00famero de escritores, com uma vasta produ\u00e7\u00e3o, que, em resumo, pode ser assim apresentada:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Na l\u00edrica: <\/strong>Gon\u00e7alves Dias, Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, \u00c1lvares de Azevedo, Cardoso de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire, Castro Alves e Sous\u00e2ndrade, dentre outros.<\/p>\n<p><strong>Na \u00e9pica: <\/strong>Gon\u00e7alves Dias e Castro Alves.<\/p>\n<p><strong>No romance:<\/strong> Jos\u00e9 de Alencar, Manoel Ant\u00f4nio de Almeida, Joaquim. Manuel de Macedo, Bernardo Guimar\u00e3es, Visconde de Taunay, Franklin T\u00e1vora e outros.<\/p>\n<p><strong>No conto: <\/strong>\u00c1lvares de Azevedo.<\/p>\n<p><strong>No teatro: <\/strong>Martins Pena, Jos\u00e9 de Alencar, Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, Gon\u00e7alves Dias, \u00c1lvares de Azevedo e outro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> www.wisegeek.org\/www.portaltosabendo.com.br\/ldev.files.wordpress.com\/www.she.art.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que foi o romantismo? O Romantismo sucede o Arcadismo. Na escola anterior a essa escola liter\u00e1ria, os autores exaltam grandemente a paz e o amor pela natureza. No Romantismo, isso decai e a principal chave dele \u00e9 a idealiza\u00e7\u00e3o. Os escritores rom\u00e2nticos idealizavam principalmente as suas amadas. A mulher perfeita era considerada boa, pura [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"class_list":["post-29798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-periodos-literarios"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Romantismo - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Romantismo, Per\u00edodo, Movimento, Brasil, Estilo, Autores, Arte, Literatura, Artes, Caracter\u00edsticas, Origem, O que \u00e9, Romantismo\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Romantismo - 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