{"id":29796,"date":"2016-05-19T11:43:29","date_gmt":"2016-05-19T11:43:29","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29796"},"modified":"2018-11-07T08:59:13","modified_gmt":"2018-11-07T10:59:13","slug":"realismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/realismo","title":{"rendered":"Realismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que \u00e9 o realismo?<\/strong><\/p>\n<p>A escola liter\u00e1ria chamada Realismo \u00e9 pautada na segunda metade do s\u00e9culo XIX e sua \u201cobra de estreia\u201d, <em>Madame Bovary<\/em>, \u00e9 publicada na Fran\u00e7a em 1857 por Gustave Flaubert. \u00c9 o movimento liter\u00e1rio que sucede o Romantismo e que quebra todos os ideais rom\u00e2nticos. Ou seja, o Realismo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por causa da exist\u00eancia no Romantismo na primeira metade do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>O Realismo surge no momento p\u00f3s Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e durante a Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa consolida a burguesia como poder e a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial estabelece o proletariado, o que forma a luta de classes burguesia x proletariado. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um grande avan\u00e7o na ci\u00eancia e na tecnologia.<\/p>\n<p>\u00c9 o momento que deixa expl\u00edcito o \u201cfracasso\u201d da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. N\u00e3o \u00e9, necessariamente, um fracasso propriamente dito porque foi conseguido o fim da monarquia. Todavia, os ideais \u201cliberdade, igualdade e fraternidade\u201d n\u00e3o acontecem da forma com que foram idealizados. O rei \u00e9 retirado do poder e a monarquia tem o seu fim, por\u00e9m agora \u00e9 a burguesia que ocupa esse espa\u00e7o que antes era ocupado pelo monarca.<\/p>\n<p>A burguesia passa a governar apenas para si mesma, o que aumenta a desigualdade social e a insatisfa\u00e7\u00e3o do proletariado. Esse \u00e9 um dos motivos pelos quais o Realismo ascende: os autores querem mostrar a realidade dessa sociedade e criticar a sociedade de apar\u00eancias burguesa. A ideia agora \u00e9 se afastar da idealiza\u00e7\u00e3o Rom\u00e2ntica e se aproximar do que \u00e9 real.<\/p>\n<p><strong>Os avan\u00e7os cient\u00edficos citados, tamb\u00e9m contribuem muito para as caracter\u00edsticas Realistas e eles s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Positivismo de Auguste Comte: \u201c s\u00f3 posso acreditar naquilo que pode ser empiricamente comprovado\u201d;<\/li>\n<li>Determinismo de Taine: \u201co lugar no qual o indiv\u00edduo est\u00e1 inserido determina as suas a\u00e7\u00f5es\u201d;<\/li>\n<li>Evolucionismo de Darwin: \u201co mais apto sobrevive\u201d \u2013 relacionado com dinheiro, para a literatura Realista;<\/li>\n<li>Socialismo de Karl Marx: luta de classes, burguesia x prolet\u00e1rio, retomada da ideia de igualdade;<\/li>\n<li>Psican\u00e1lise de Freud: busca entender o consciente, subconsciente e inconsciente humano.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas do Realismo<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Aborda a burguesia de maneira cr\u00edtica. Busca mostrar e criticar como essa sociedade que vive de apar\u00eancias;<\/li>\n<li>\u00c9 uma oposi\u00e7\u00e3o ao Romantismo, dessa forma busca o objetivismo. Objetivismo no sentido de se afastar da idealiza\u00e7\u00e3o e mostrar a realidade como ela \u00e9 nas coisas ruins;<\/li>\n<li>A arte Realista \u00e9 o pr\u00f3prio retrato da \u00e9poca. Desse modo, \u00e9 uma den\u00fancia \u00e0 burguesia e tem grande engajamento pol\u00edtico e social;<\/li>\n<li>\u00c9 muito descritivo e as obras possuem uma grande verossimilhan\u00e7a;<\/li>\n<li>Romance psicol\u00f3gico: o romance realista analisa o sujeito de maneira interna e externa. \u00c9 documental pelo fato de \u201cmapear\u201d os pensamentos.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Principais autores:\u00a0<\/strong>No Brasil, o principal autor Realista \u00e9 Machado de Assis com obras como \u201cMem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d, \u201cDom Casmurro\u201d, \u201cQuincas Borba\u201d, \u201cO Espelho\u201d, etc.\u00a0Em Portugal, \u00e9 E\u00e7a de Queir\u00f3s com a obra \u201cOs Maias\u201d.<\/p>\n<p><strong>Por<\/strong> Amanda Abreu<\/p>\n<h4>Realismo &#8211; Literatura<\/h4>\n<p><strong>Realismo liter\u00e1rio<\/strong> \u00e9 parte do movimento de arte realista come\u00e7ando com meados da literatura francesa do s\u00e9culo XIX (Stendhal), e da literatura russa (Alexander Pushkin) e estendendo-se at\u00e9 o s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><strong>Realismo liter\u00e1rio<\/strong>, em contraste com o idealismo, tenta representar coisas familiares como elas s\u00e3o.<\/p>\n<p>Os autores realistas escolheram para representar atividades e experi\u00eancias cotidianas e banais, em vez de usar uma apresenta\u00e7\u00e3o romantizada ou semelhante.<\/p>\n<p>O <strong>realismo<\/strong> \u00e9 uma abordagem para a arte na qual os sujeitos s\u00e3o retratados em uma maneira t\u00e3o simples quanto poss\u00edvel, sem idealizar-los e sem seguir as regras da teoria art\u00edstica formal.<\/p>\n<h4>Realismo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\n<p>Em sentido amplo, realismo \u00e9 uma atitude de percep\u00e7\u00e3o dos fatos como eles s\u00e3o, sem mistifica\u00e7\u00f5es. Neste sentido, pode se encontrar realismo em qualquer obra de qualquer \u00e9poca. Como estilo liter\u00e1rio, surge na Fran\u00e7a na segunda metade do s\u00e9culo XIX com a publica\u00e7\u00e3o de Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert, como oposi\u00e7\u00e3o ao Romantismo.<\/p>\n<p>Surgia a necessidade de retratar o homem em sua totalidade, e n\u00e3o de forma idealizada e sonhadora, como faziam os rom\u00e2nticos.<\/p>\n<p>A mulher passa a ser mostrada n\u00e3o mais como pura e angelical, mas de como um ser dotado de defeitos e qualidades. Da mesma forma, a figura do her\u00f3i \u00edntegro e destemido \u00e9 substitu\u00edda pela figura de uma pessoa comum, cheia de fraquezas, problemas e incertezas.<\/p>\n<p><strong>O Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Na filosofia, o Positivismo, de Augusto Comte, traz a id\u00e9ia de que apenas o conhecimento oriundo da ci\u00eancia \u00e9 v\u00e1lido. Rejeita-se o misticismo na explica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos sociais, que deve ser feita com base na observa\u00e7\u00e3o e no contato emp\u00edrico com as leis que os regem mecanicamente.<\/p>\n<p><strong>Ainda o Determinismo, de Hip\u00f3lito Taine, parte da id\u00e9ia de que o comportamento do homem \u00e9 regido por tr\u00eas for\u00e7as fatalistas<\/strong>: o meio, a gen\u00e9tica e o momento hist\u00f3rico. A influ\u00eancia do meio sobre o homem tamb\u00e9m \u00e9 acentuada pelo Drawinismo, de Charles Darwin, em que a natureza seleciona os indiv\u00edduos mais fortes, eliminando os mais fracos.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica e a sociedade s\u00e3o marcadas pela ascens\u00e3o das id\u00e9ias socialistas, surgidas e face das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida impostas aos trabalhadores como consequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem s\u00f3 seria extinta com o fim do Capitalismo e da classe burguesa. A influ\u00eancia destas id\u00e9ias explica a forte presen\u00e7a, no Realismo, da cr\u00edtica anti-burguesa e do interesse pela an\u00e1lise das tens\u00f5es sociais urbanas.<\/p>\n<p>Destacam-se ainda a cr\u00edtica \u00e0 Igreja e seus dogmas e as id\u00e9ias abolicionistas, trazidas desde o Romantismo com obras de Fagundes Varela e Castro Alves, mas estabelecidas a partir do pr\u00f3prio esclarecimento da sociedade, com o desenvolvimento da imprensa e da literatura.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas Liter\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p><strong>1) Objetivismo (O N\u00e3o-eu)<\/strong><\/p>\n<p>Diferente da oba rom\u00e2ntica, centrada na vis\u00e3o particular e subjetiva do autor, a obra realista \u00e9 centrada no objeto. O autor \u00e9 como um fot\u00f3grafo, que enquadra os fatos como eles s\u00e3o, sem a interfer\u00eancia de suas emo\u00e7\u00f5es. O crit\u00e9rio adotado \u00e9 o da isen\u00e7\u00e3o e impessoalidade diante da realidade a ser retratada, o que reflete na linguagem utilizada, que \u00e9 direta e clara, possuindo descri\u00e7\u00f5es e adjetiva\u00e7\u00f5es objetivas.<\/p>\n<p><strong>2) Senso de observa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>O objeto da obra \u00e9 submetido \u00e0 mais criteriosa e minuciosa an\u00e1lise para que se alcance a veracidade na arte.<\/p>\n<p><strong>A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 detalhista e ocorre em dois planos<\/strong>: O externo, que valoriza a descri\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais e o contato da personagem com o meio e o interno, cuja an\u00e1lise recai sobre o comportamento \u00edntimo e tra\u00e7os e rea\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas das personagens. Isso tamb\u00e9m reflete no tempo da narrativa que \u00e9 lenta, acompanhando o tempo psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>3) A arte documental<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto os rom\u00e2nticos se permitem \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de truques e exageros narrativos, os realistas s\u00e3o documentais, buscam a veracidade das informa\u00e7\u00f5es. O enfoque das obras \u00e9 sobe a sociedade contempor\u00e2nea, o autor aborda os fatos e as circunst\u00e2ncias que vivencia. Os fatos e fen\u00f4menos abordados s\u00e3o aqueles que podem ser explicados afastando-se a fuga metaf\u00edsica.<\/p>\n<p><strong>4) Universalismo<\/strong><\/p>\n<p>O Romantismo \u00e9 marcado pelo interesse sobre os elementos locais, por influ\u00eancia do pr\u00f3prio nacionalismo. No Realismo, a proposta \u00e9 documentar aquilo que \u00e9 perene e universal na condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<h4>Autores e Obras<\/h4>\n<p>Em Portugal, destacam-se na poesia realista Antero de Quental, Ces\u00e1rio Verde, Guerra Junqueiro e outros. E\u00e7a de Queir\u00f3s \u00e9 considerado o Ficcionista mais importante da prosa realista portuguesa e suas principais obras foram \u0093O Crime do Padre Amaro\u0094, \u0093O Primo Bas\u00edlio\u0094, fortemente influenciado por Madame Bovary, e \u0093Os Maias\u0094, que retrata o tema do incesto, lan\u00e7ando diversas cr\u00edticas \u00e0 alta sociedade portuguesa, causando esc\u00e2ndalo por sua ousadia.<\/p>\n<p>No Brasil, o autor de maior destaque foi Machado de Assis, que revela sua genialidade em romances de profunda reflex\u00e3o e forte cr\u00edtica social, sendo um dos raros romancistas brasileiros de destaque internacional, tendo diversas obras traduzidas para outros idiomas.<\/p>\n<p><strong>Suas principais obras s\u00e3o<\/strong>: \u0093Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u0094, marco inicial do Realismo no Brasil, \u0093Dom Casmurro\u0094, \u0093Quincas Borba\u0094, \u0093Memorial de Aires\u0094, etc.<\/p>\n<h4>Realismo &#8211; Movimento<\/h4>\n<p>Movimento art\u00edstico que surgiu depois da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, manifestando uma rea\u00e7\u00e3o contra o idealismo rom\u00e2ntico. Os artistas realistas come\u00e7aram a criar a partir de sua experi\u00eancia e baseando-se na observa\u00e7\u00e3o do mundo que os rodeava. Caracteriza-se por abordar a realidade e temas sociais, representando algumas vezes cenas exageradas, para enfatizar problemas sociais da \u00e9poca.<\/p>\n<p>N\u00e3o produziu um estilo arquitet\u00f4nico pr\u00f3prio; sua\u00a0<strong>escultura<\/strong>, de pouca express\u00e3o, era cr\u00edtica e social, mas se destacou na\u00a0<strong>pintura<\/strong>\u00a0com temas da vida cotidiana, de grupos sociais menos favorecidos.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0fundou uma Escola art\u00edstica que surge no s\u00e9culo XIX em rea\u00e7\u00e3o ao Romantismo e se desenvolve baseada na observa\u00e7\u00e3o da realidade, na raz\u00e3o e na ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma oposi\u00e7\u00e3o a um\u00a0<strong>realismo<\/strong>\u00a0fotogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0\u00e9 um movimento art\u00edstico surgido na Fran\u00e7a, e cuja influ\u00eancia se estendeu a numerosos pa\u00edses europeus. Esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, sendo tamb\u00e9m objeto de a\u00e7\u00e3o contra o capitalismo progressivamente mais dominador.<\/p>\n<p>Das influ\u00eancias intelectuais que mais ajudaram no sucesso do\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0denota-se a rea\u00e7\u00e3o contra as excentricidades rom\u00e2nticas e contra as suas falsas idealiza\u00e7\u00f5es da paix\u00e3o amorosa, bem como um crescente respeito pelo fato empiricamente averiguado, pelas ci\u00eancias exatas e experimentais e pelo progresso t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>A passagem do Romantismo para o\u00a0<strong>Realismo<\/strong>, corresponde uma mudan\u00e7a do belo e ideal para o real e objetivo.<\/p>\n<p>O termo\u00a0<strong>realismo<\/strong>, de uma maneira geral, \u00e9 utilizado na Hist\u00f3ria da Arte para designar representa\u00e7\u00f5es objetivas, sendo utilizado como sin\u00f4nimo de naturalismo.<\/p>\n<p>Normalmente implica numa n\u00e3o idealiza\u00e7\u00e3o dos objetos representados e numa prefer\u00eancia por temas ligados ao homem comum e \u00e0 exist\u00eancia cotidiana.<\/p>\n<p>Entretanto, em meados do s\u00e9culo XIX, Gustave Courbert, com a cren\u00e7a na\u00a0<strong>pintura<\/strong>\u00a0como uma arte concreta, que deveria ser aplicada ao real, acaba por se tornar o l\u00edder de um movimento chamado Realista, juntamente com \u00c9douard Manet.<\/p>\n<p>Esse movimento, especialmente forte na Fran\u00e7a, reagia contra o Romantismo e pregava o fim dos temas ligados ao passado (como temas mitol\u00f3gicos) ou representa\u00e7\u00f5es religiosas em nome de uma arte centrada na representa\u00e7\u00e3o do homem da \u00e9poca, em temas sociais e ligados \u00e0 experi\u00eancia concreta.<\/p>\n<p>Um dos primeiros pintores considerados realistas \u00e9 Jean-Baptiste Camille Corot (1796 &#8211; 1875) que, com sua\u00a0<strong>pintura<\/strong>\u00a0de paisagens provocou a admira\u00e7\u00e3o de artistas posteriores como C\u00e9zanne. Foi um dos pioneiros a considerar os desenhos que realizava ao ar livre como obras acabadas, que n\u00e3o necessitavam dos est\u00fadios. &#8220;Ilha de S\u00e3o Bartolomeu&#8221; \u00e9 um exemplo de sua obra.<\/p>\n<h4>Realismo &#8211; Origem<\/h4>\n<p>Extremamente importante para o Movimento Realista foi a Escola de Barbizon (Corot era associado a ela), que se propunha observar a natureza &#8220;com novos olhos&#8221;, seguindo a inspira\u00e7\u00e3o do paisagista ingl\u00eas John Constable, que exibiu suas obras em Paris na d\u00e9cada de 20 do s\u00e9culo passado.a o Movimento Realista foi a Escola de Barbizon (Corot era associado a ela), que se propunha observar a natureza &#8220;com novos olhos&#8221;, seguindo a inspira\u00e7\u00e3o do paisagista ingl\u00eas John Constable, que exibiu suas obras em Paris na d\u00e9cada de 20 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Seu nome deriva-se da reuni\u00e3o de um grupo de pintores na aldeia francesa de Barbizon, floresta de Fontainebleau. Buscava distanciar-se da\u00a0<strong>pintura tradicional<\/strong>, concentrando-se em aspectos da vida cotidiana de homens simples, como os camponeses do local. Jean-Fran\u00e7ois Millet (1814 &#8211; 1875) era um de seus principais l\u00edderes.<\/p>\n<p>Millet foi um dos pioneiros a incluir a representa\u00e7\u00e3o de figuras entre os objetos que deveriam ser representados de forma realista (o\u00a0<strong>realismo<\/strong>\u00a0de Corot, por exemplo, restringia-se mais \u00e0s paisagens). Queria pintar cenas da vida real, sem apelos dram\u00e1ticos, como atesta sua tela &#8220;As Respigadeiras&#8221; em que tr\u00eas mulheres n\u00e3o idealizadas, com movimentos lentos, pesados e corpos fortes e robustos trabalham na terra.<\/p>\n<p>Diferentemente do neoclassicismo, quando representava figuras no campo, esse quadro n\u00e3o possui exalta\u00e7\u00e3o ou id\u00edlio da vida fora da cidade, apesar de valorizar o ato de colheita pelo arranjo e equil\u00edbrio da\u00a0<strong>pintura<\/strong>. Theodore Rousseau (1812 &#8211; 1867) e Narcisse-Vergille eram outros nomes de destaque dentro da escola Barbizon, conhecidos por seus trabalhos com as paisagens e estudos de luz e cor que iriam posteriormente influenciar movimentos como os Impressionistas.<\/p>\n<p>Gustave Courbet, com sua busca da &#8220;verdade&#8221; nas representa\u00e7\u00f5es e sinceridade em suas representa\u00e7\u00f5es, bem como seu objetivo de &#8220;chocar&#8221; a burguesia com o rompimento dos padr\u00f5es est\u00e9ticos acad\u00eamicos foi outra grande influ\u00eancia para os artistas da \u00e9poca, que se baseavam em seu estilo para realizar suas\u00a0<strong>pinturas<\/strong>.<\/p>\n<p>Honor\u00e9 Daumier (ver caricatura), com suas estampas sat\u00edricas, normalmente visando atacar a pol\u00edtica de sua \u00e9poca, \u00e9 outro expoente importante e diferenciado do Movimento Realista. &#8220;Rua Transnonain, 24 de abril de 1874&#8221; \u00e9 um dos trabalhos do artista em que a cr\u00edtica social \u00e9 mais enfatizada. Mostra soldados massacrando a popula\u00e7\u00e3o em repres\u00e1lia \u00e0s revoltas da \u00e9poca, ressaltando a desumanidade do ataque governamental.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m se espalha fora da Fran\u00e7a, em especial na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Na Inglaterra \u00e9 especialmente expresso pela &#8220;Irmandade Pr\u00e9-Rafaelita&#8221; (ver primitivismo) que acreditavam que a arte, a partir de Rafael, passou a desvalorizar a verdade em busca de uma beleza idealizada.<\/p>\n<p>Deveriam, portanto, voltar \u00e0 \u00e9poca anterior ao mestre Renascentista. A irmandade tinha ainda forte apelo religioso, pretendendo exaltar Deus atrav\u00e9s de suas\u00a0<strong>pinturas<\/strong>\u00a0&#8220;sinceras&#8221;. &#8220;A Anuncia\u00e7\u00e3o&#8221;, de Dante Gabriel Rossetti \u00e9 uma importante obra dessa escola.<\/p>\n<p>Na Alemanha, destacam-se Adolph von Menzel (1815 &#8211; 1905), Hans Thoma (1839 &#8211; 1934) e especialmente Wilhelm Leibl (1844 &#8211; 1900), com sua obra mais conhecida &#8220;Tr\u00eas Mulheres numa Igreja de Vila&#8221;. As fi\u00e9is s\u00e3o retratadas de maneira simples e forte, com aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e influ\u00eancias de mestres alem\u00e3es do passado como D\u00fcrer.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, destacam-se Winslow Homer (1836 &#8211; 1910), com suas cenas da vida e paisagem americana e as da Guerra Civil e Thomas Eakins, que assimilou o\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0em seu treinamento em Paris. Chegou mesmo a perder seu posto de professor na Academia de Belas Artes da Pensilv\u00e2nia por insistir na observa\u00e7\u00e3o de modelos nus em suas aulas de desenho.<\/p>\n<p><strong>Pintura<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0surgiu na arte francesa, com o decl\u00ednio dos estilos neocl\u00e1ssico e rom\u00e2ntico. Seus primeiros sinais aparecem em\u00a0<strong>pinturas<\/strong>que mostravam a delicadeza da natureza, como as obras de Camille Corot. Entre as d\u00e9cadas de 1830 e 1840, quatro artistas franceses se instalaram na pequena cidade de Barbizon e formaram um grupo, que ficou conhecido como a Escola de Barbizon.<\/p>\n<p><strong>Eram eles:<\/strong> Charles Daubigny, Jules Dupret, Jean Fran\u00e7ois Millet e Th\u00e9odore Rousseau. Seus quadros eram simples, com pastagens, florestas e cabanas que contrastavam com os estilos anteriores.<\/p>\n<p>O primeiro grande pintor da\u00a0<strong>pintura realista\u00a0<\/strong>foi Gustave Coubert, que surgiu em meados do s\u00e9culo XIX. Pintava com tanta precis\u00e3o que muitas de suas obras foram consideradas como protesto social.<\/p>\n<p>Suas\u00a0<strong>pinturas<\/strong>\u00a0ajudaram a mudar o mundo das artes. Inspirados nos trabalhos de Rembrandt e outros mestres alem\u00e3es, os realistas achavam que deveriam retratar o que viam ao seu redor.<\/p>\n<p><strong>Destacam-se neste estilo<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Camille Corot<br \/>\nCharles Daubigny<br \/>\nJean Fran\u00e7ois Millet<br \/>\nTh\u00e9odore Rousseau<br \/>\nGustave Courbet<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Escultura<\/strong><\/p>\n<p>Na\u00a0<strong>escultura realista<\/strong>, os escultores preferiam temas contempor\u00e2neos, envolvidos muitas vezes em motivos pol\u00edticos.<\/p>\n<p><strong>Substitu\u00edram os deuses antigos por novos her\u00f3is da vida moderna<\/strong>: pessoas comuns do povo, retratando seus momentos e a\u00e7\u00f5es, conseguindo mostrar o significativo do gesto humano.<\/p>\n<p><strong>Arquitetura<\/strong><\/p>\n<p>Entre 1850 e 1900 surge uma nova tend\u00eancia est\u00e9tica chamada\u00a0<strong>Realismo<\/strong>.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>arquitetura<\/strong>\u00a0beneficiou-se com o avan\u00e7o da tecnologia contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Abriram-se novas perspectivas para os profissionais da\u00a0<strong>arquitetura<\/strong>\u00a0e engenharia, facilitadas pelo impulso da industrializa\u00e7\u00e3o e outra realidade para a urbaniza\u00e7\u00e3o das cidades, com o uso dos novos materiais como o vidro, o ferro, o a\u00e7o, o cimento e principalmente o concreto armado.<\/p>\n<p>Surgiu a necessidade das novas constru\u00e7\u00f5es para a moderniza\u00e7\u00e3o das cidades como f\u00e1bricas, esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias, armaz\u00e9ns, bibliotecas, moradias, escolas, hospitais, enfim, tudo que atendesse ao chamamento da nova realidade de vida tanto dos oper\u00e1rios quanto da burguesia.<\/p>\n<h4>Realismo &#8211; Tend\u00eancia<\/h4>\n<p>Entre 1850 e 1900 surge nas artes europ\u00e9ias, sobretudo na\u00a0<strong>pintura francesa<\/strong>, uma nova tend\u00eancia est\u00e9tica chamada\u00a0<strong>Realismo<\/strong>, que se desenvolveu ao lado da crescente industrializa\u00e7\u00e3o das sociedades, O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento cient\u00edfico e a t\u00e9cnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista, inclusive em suas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, deixando de lado as vis\u00f5es subjetivas e emotivas da realidade.<\/p>\n<p><strong>Esses novos ideais est\u00e9ticos manifestaram-se em todas as artes:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pintura<\/strong><\/p>\n<p>Caracteriza-se sobretudo pelo princ\u00edpio de que o artista deve representar a realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um fen\u00f4meno da natureza. Ao artista n\u00e3o cabe \u0093melhorar\u0094 artisticamente a natureza, pois a beleza est\u00e1 na realidade tal qual ela \u00e9. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas revelar os aspectos mais caracter\u00edsticos e expressivos da realidade.<\/p>\n<p>Em vista disso, a\u00a0<strong>pintura realista\u00a0<\/strong>deixou completamente de lado os temas mitol\u00f3gicos, b\u00edblicos, hist\u00f3ricos e liter\u00e1rios, pois o que importa \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o a partir de uma realidade imediata e n\u00e3o imaginada.<\/p>\n<p><strong>A volta do artista para a representa\u00e7\u00e3o do real teve uma consequ\u00eancia<\/strong>: sua politiza\u00e7\u00e3o. Isso porque, se a industrializa\u00e7\u00e3o trouxe um grande desenvolvimento tecnol\u00f3gico, ela provocou tamb\u00e9m o surgimento de uma grande massa de trabalhadores, vivendo nas cidades em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e trabalhando em situa\u00e7\u00f5es desumanas. Surge ent\u00e3o a chamada \u0093<strong>pintura social<\/strong>\u0094, denunciando as injusti\u00e7as e as imensas desigualdades entre a mis\u00e9ria dos trabalhadores e a opul\u00eancia da burguesia.<\/p>\n<p>Dentre os representantes da\u00a0<strong>pintura realista\u00a0<\/strong>podemos apontar Gustave Courbet(1819-1877) &#8220;Mo\u00e7as peneirando trigo&#8221; e \u00c9douard Manet(1832-1883) &#8220;Olympia&#8221;, que desenvolveram tend\u00eancias diversas.<\/p>\n<p><strong>Escultura<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se preocupou com a idealiza\u00e7\u00e3o da realidade, ao contr\u00e1rio, procurou recriar os seres tais como eles s\u00e3o. Al\u00e9m disso, os escultores preferiram os temas contempor\u00e2neos, assumindo muitas vezes uma inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em suas obras.<\/p>\n<p>Dentre os escultores do per\u00edodo realista, o que mais se destaca \u00e9 Auguste Rodin (1840-1917), cuja produ\u00e7\u00e3o desperta severas pol\u00eamicas. J\u00e1 seu primeiro trabalho importante, A Idade do Bronze (1877), causou uma grande discuss\u00e3o motivada pelo seu intenso<strong>realismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Alguns cr\u00edticos chegaram a acusar o artista de t\u00ea-lo feito a partir de moldes tirados do pr\u00f3prio modelo vivo.<\/p>\n<p><strong>Mas \u00e9 com S\u00e3o Jo\u00e3o Pregando (1879), que Rodin revela sua caracter\u00edstica fundamental<\/strong>: a fixa\u00e7\u00e3o do momento significativo de um gesto humano. Essa mesma tentativa de surpreender o homem em suas a\u00e7\u00f5es aparece em O Pensador seguramente sua obra mais conhecida.<\/p>\n<p>Quanto aos retratos, nem sempre Rodin foi fiel \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o naturalista de reproduzir os tra\u00e7os fision\u00f4micos do seu modelo.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>escultura<\/strong>\u00a0que fez de Balzac (foto 26), por exemplo, chegou a ser recusada pe la Sociedade dos Homens de Letras de Paris que a encomendara, pois n\u00e3o havia semelhan\u00e7a f\u00edsica entre a obra e o retratado. O que o escultor fez foi privilegiar, \u00e0 suamaneira, o car\u00e1ter vigoroso que a personalidade do escritor lhe sugeria, o que o envolveu numa grande pol\u00eamica.<\/p>\n<p>Na verdade, at\u00e9 mesmo a classifica\u00e7\u00e3o da obra de Rodin como realista \u00e9 controvertida. Alguns cr\u00edticos a consideram rom\u00e2ntica por causa da forte emo\u00e7\u00e3o que traduz. Mas outros enfatizam no trabalho desse escultor o acentuado e predominante car\u00e1ter naturalista. H\u00e1 ainda os que v\u00eaem na\u00a0<strong>escultura<\/strong>\u00a0de Rodin\u00a0<strong>caracter\u00edsticas<\/strong>\u00a0do Impressionismo, movimento do qual tamb\u00e9m foi contempor\u00e2neo e que revolucionou, na \u00e9poca, a\u00a0<strong>pintura europ\u00e9ia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Arquitetura<\/strong><\/p>\n<p>Ao adaptar-se ao novo contexto social, tende a tornar-se realista ou cient\u00edfica, os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente \u00e0s novas necessidades urbanas, criadas pela industrializa\u00e7\u00e3o. As cidades n\u00e3o exigem mais ricos pal\u00e1cios e templos. Elas precisam de f\u00e1bricas, esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias, armaz\u00e9ns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os oper\u00e1rios quanto para a nova burguesia.<\/p>\n<p><strong>As quatro fases da Pintura:<\/strong><\/p>\n<p>Durante a primeira metade do s\u00e9culo XIX, enquanto o Neoclassicismo se debatia com o Romantismo, o\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0surge como uma nova for\u00e7a, que iria dominar a arte na segunda metade do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Realismo<\/strong>\u00a0fez sempre parte da arte ocidental. Durante a Renascen\u00e7a, os artistas superaram todas as limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para representar com fidelidade a natureza.<\/p>\n<p>Mas, no\u00a0<strong>Realismo<\/strong>, os artistas modificaram os temas e insistiam na imita\u00e7\u00e3o precisa das percep\u00e7\u00f5es visuais sem altera\u00e7\u00e3o. Os artistas foram buscar no seu mundo cotidiano, moderno, as principais tem\u00e1ticas, deixando de lado deuses, deusas e her\u00f3is da antiguidade. Camponeses e a classe trabalhadora urbana passaram a dominar as telas dos realistas.<\/p>\n<p>O pai do movimento realista foi Gustave Courbet ( 1819 &#8211; 77 ). Ele insistiu que &#8220;a\u00a0<strong>pintura<\/strong>\u00a0\u00e9 essencialmente uma arte concreta e tem de ser aplicada \u00e0s coisas reais e existentes&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Quando lhe pediram que pintasse anjos, respondeu<\/strong>: &#8220;Nunca vi anjos. Se me mostrarem um, eu pinto &#8220;.<\/p>\n<p>Nunca antes tinha sido realizado em tamanho \u00e9pico &#8211; reservado somente para obras hist\u00f3ricas grandiosas &#8211; uma\u00a0<strong>pintura<\/strong>\u00a0sobre gente comum ( &#8220;Enterro em Ornams ). Defendia em altos brados a classe trabalhadora e foi preso por seis meses por danificar um monumento napole\u00f4nico. Detestava a teatralidade da arte acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Jean- Fran\u00e7ois Milllet ( 1814 &#8211; 75 ) est\u00e1 sempre associado a retratos de trabalhadores rurais arando, semeando e colhendo. Nascido de uma fam\u00edlia camponesa, disse uma vez que desejava &#8220;fazer com que o trivial servisse para exprimir o sublime&#8221;. Antes dele, os camponeses eram invariavelmente retratados como est\u00fapidos. Millet lhes deu uma dignidade resoluta.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas<\/h4>\n<blockquote><p><strong>1.\u00a0<\/strong>O artista utiliza todo o conhecimento sobre perspectiva para criar a ilus\u00e3o de espa\u00e7o, como tamb\u00e9m a perspectiva a\u00e9rea, dando uma nova vis\u00e3o da paisagem ou da cena (vista superior a\u00e9rea).<strong><br \/>\n2.\u00a0<\/strong>Os volumes s\u00e3o muito bem representados, devido \u00e0 grada\u00e7\u00e3o de cor, de luz e sombra.<strong><br \/>\n3.\u00a0<\/strong>H\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o de representar a textura, a apar\u00eancia real do objeto (a textura da pele, dos tecidos, da parede, etc.)<strong><br \/>\n4.\u00a0<\/strong>O desenho e a t\u00e9cnica para representar o corpo humano s\u00e3o perfeitas.<strong><br \/>\n5.<\/strong>\u00a0Voltados para o desejo de representar a realidade tal e qual ela se apresenta e voltados para tem\u00e1ticas de ordem social e pol\u00edtica, os realistas pintam em geral trabalhadores, cenas do cotidiano e da modernidade.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>INOVA\u00c7\u00d5ES DE DAUMIER ( 1808 &#8211; 1879 )<\/strong><\/p>\n<p>Em Honor\u00e9 Daumier vamos buscar as inova\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 cor e \u00e0 luz. J\u00e1 despreocupado em representar exatamente a realidade do objeto, Daumier se preocupa em trazer \u00e0\u00a0<strong>pintura<\/strong>\u00a0uma atmosfera irreal. H\u00e1 sempre um espa\u00e7o a\u00e9reo luminoso, mas \u00e9 como uma foto desfocada, sem contornos n\u00edtidos. A isto, chamaremos de perspectiva a\u00e9rea; quanto mais distante do observador, os detalhes dos objetos perdem a nitidez.<\/p>\n<p>A atmosfera criada pela luz retira a sensa\u00e7\u00e3o de volume dos corpos. As pinceladas s\u00e3o bem vis\u00edveis e Daumier renuncia \u00e0 ilus\u00e3o da mat\u00e9ria, isto \u00e9, das pessoas A textura do tecido n\u00e3o existe mais. Existe apenas a textura da pr\u00f3pria pincelada. A cor deixa de ser a cor real. Ele se utiliza de claro-escuro. H\u00e1 falta de sensa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, de volume, mat\u00e9ria e cor, mas principalmente falta o desenho. Precisamos aprender a compreender o que o pintor quer demonstrar quando deforma.<\/p>\n<h4>Realismo &#8211; Conceito<\/h4>\n<p><strong>1. Conceitua\u00e7\u00e3o do realismo na literatura<\/strong><\/p>\n<p>Oposi\u00e7\u00e3o ao idealismo e ao romantismo, isto \u00e9, \u00e0 idealiza\u00e7\u00e3o e ao subjetivismo que abordam temas desligados da vida comum, a narrativa realista teve como principais caracter\u00edsticas a localiza\u00e7\u00e3o precisa do ambiente, a descri\u00e7\u00e3o de costumes e acontecimentos contempor\u00e2neos em seus m\u00ednimos detalhes, a reprodu\u00e7\u00e3o da linguagem coloquial, familiar e regional e a busca da objetividade na descri\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise dos personagens. O romantismo do final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX, com sua \u00eanfase no individualismo e na exalta\u00e7\u00e3o dos sentimentos, era sua ant\u00edtese.<\/p>\n<p>Contudo, a cr\u00edtica moderna mostrou haver ali certos elementos que prepararam o advento do\u00a0<strong>realismo<\/strong>. Assim, a introdu\u00e7\u00e3o do concreto na arte, do familiar na linguagem, do documental e do ex\u00f3tico, do m\u00e9todo hist\u00f3rico na cr\u00edtica, foram obra do romantismo. Isso possibilitou que muitos escritores, como Stendhal e Balzac, participassem de ambos os movimentos, com predomin\u00e2ncia ora da imagina\u00e7\u00e3o, ora da observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Honor\u00e9 de Balzac foi o grande precursor do\u00a0<strong>realismo liter\u00e1rio<\/strong>, com a tentativa de criar um detalhado e enciclop\u00e9dico retrato da sociedade francesa na obra La Com\u00e9die humaine (1834-1837; A com\u00e9dia humana).<\/p>\n<p>Mas a primeira proposta realista deliberada surgiu apenas na d\u00e9cada de 1850, inspirada pela pintura de Courbet. O jornalista franc\u00eas Jules-Fran\u00e7ois-F\u00e9lix-Husson Champfleury divulgou o trabalho do pintor e transferiu seus conceitos para a literatura em Le R\u00e9alisme (1857).<\/p>\n<p>No mesmo ano, publicou-se o romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Retrato implac\u00e1vel da mentalidade burguesa, com seu exame minucioso das emo\u00e7\u00f5es de uma mulher infeliz de classe m\u00e9dia, \u00e9 a obra-prima do\u00a0<strong>realismo<\/strong>\u00a0e respons\u00e1vel pela sedimenta\u00e7\u00e3o do movimento na literatura europ\u00e9ia.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os Jules e Edmond Goncourt, em Germinie Lacerteux (1864) e outros trabalhos, descrevem grande variedade de ambientes, assim como as rela\u00e7\u00f5es entre as classes sociais.<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios do\u00a0<strong>realismo<\/strong>\u00a0dominaram a literatura europ\u00e9ia durante as d\u00e9cadas de 1860 e 1870. Charles Dickens e George Eliot na Inglaterra, Lev Tolstoi e Fiodor Dostoievski na R\u00fassia, e, mais tarde, o jovem Thomas Mann, na Alemanha, todos incorporaram elementos realistas a seus romances.<\/p>\n<p>Os representantes do movimento adotaram uma concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica inspirada no positivismo e no determinismo cient\u00edfico de sua \u00e9poca e atitudes liberais, republicanas e anticlericais. Como significativo desdobramento, o naturalismo do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, que teve como principal expoente \u00c9mile Zola, levou \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias e a detalhes \u00edntimos a proposta de representa\u00e7\u00e3o fiel do quotidiano comum.<\/p>\n<p>Na poesia, o\u00a0<strong>realismo<\/strong>\u00a0encontrou correspond\u00eancia no parnasianismo, com seu culto da objetividade, da forma impec\u00e1vel, da arte pela arte, tal como foi expressa por Th\u00e9ophile Gautier, Leconte de Lisle e Sully Prudhomme.<\/p>\n<p><strong>2. Assimila\u00e7\u00e3o portuguesa do realismo<\/strong><\/p>\n<p>Em Portugal, o movimento realista \u00e9 da maior import\u00e2ncia pela mudan\u00e7a radical que operou na consci\u00eancia liter\u00e1ria e na mentalidade dos intelectuais. Eclodiu com a chamada Quest\u00e3o Coimbr\u00e3, pol\u00eamica liter\u00e1ria que op\u00f4s, de um lado, Antero de Quental, Te\u00f3filo Braga e a gera\u00e7\u00e3o de escritores surgida na d\u00e9cada de 1860 e, de outro, os representantes da gera\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>Em 1871, E\u00e7a de Queir\u00f3s proferiu uma confer\u00eancia denominada &#8220;<strong>Realismo<\/strong>\u00a0como nova express\u00e3o da arte&#8221; e, dois anos depois, publicou o conto &#8220;Singularidades duma rapariga loira&#8221;, considerado a primeira narrativa realista escrita em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A arte nova, para seus principais representantes, devia consistir na observa\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia, na an\u00e1lise psicol\u00f3gica dos tipos, no esclarecimento dos problemas humanos e sociais, no aperfei\u00e7oamento da literatura, isenta da ret\u00f3rica, da fantasia, da arte pura. Era uma arte revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>O crime do padre Amaro (1875) e O primo Bas\u00edlio (1876), de E\u00e7a de Queir\u00f3s, consolidaram o\u00a0<strong>realismo portugu\u00eas<\/strong>.<\/p>\n<p>Em ambos os romances, a descri\u00e7\u00e3o minuciosa e a an\u00e1lise psicol\u00f3gica baseada em princ\u00edpios deterministas, nas id\u00e9ias da hereditariedade e influ\u00eancia do meio, al\u00e9m da severa cr\u00edtica de costumes, tomam n\u00edtida fei\u00e7\u00e3o naturalista.<\/p>\n<p>Apesar da oposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e da cr\u00edtica, o movimento progrediu com Jos\u00e9-Francisco de Trindade Coelho, Fialho de Almeida e Francisco Teixeira de Queir\u00f3s. Na d\u00e9cada de 1890, o\u00a0<strong>realismo<\/strong>, confundido ao naturalismo, perdera muito de sua for\u00e7a. Mais que uma escola liter\u00e1ria, o\u00a0<strong>realismo portugu\u00eas<\/strong>\u00a0pode ser considerado um novo sentimento e uma nova atitude, em rea\u00e7\u00e3o ao idealismo rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p><strong>3. Realismo no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O forte car\u00e1ter ideol\u00f3gico que permeou o\u00a0<strong>realismo europeu<\/strong>, tanto na pintura como na literatura, n\u00e3o teve correspondente exato no Brasil. Mais precisamente, foram consideradas realistas as obras brasileiras que, por caracter\u00edsticas anti-rom\u00e2nticas, n\u00e3o se enquadravam nas classifica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca e denotavam uma nova est\u00e9tica.<\/p>\n<p>Nesse sentido mais amplo, pode-se dizer que tra\u00e7os realistas estiveram presentes em obras anteriores ao surgimento da fic\u00e7\u00e3o propriamente brasileira, como no teatro de costumes de Martins Pena e na poesia de Greg\u00f3rio de Matos. Contemporaneamente ao movimento europeu, a est\u00e9tica realista manifestou-se no pa\u00eds com a gera\u00e7\u00e3o de 1870, especialmente em Recife, com o grupo liderado pelos cr\u00edticos liter\u00e1rios Tobias Barreto e S\u00edlvio Romero, em rea\u00e7\u00e3o ao romantismo decadente.<\/p>\n<p>Na fic\u00e7\u00e3o, a obra de Machado de Assis e Raul Pomp\u00e9ia aprofundou o\u00a0<strong>realismo psicol\u00f3gico<\/strong>, al\u00e9m do ambiental. O ateneu (1888), de Raul Pomp\u00e9ia, foi romance ousado e surpreendente para sua \u00e9poca, enquanto Mem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1907), de Machado de Assis, apresentam inova\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m do ponto de vista da linguagem e da estrutura formal. O naturalismo de Zola inspirou as obras de Alu\u00edsio Azevedo, Ingl\u00eas de Sousa e Adolfo Caminha.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>realismo brasileiro\u00a0<\/strong>acabou tamb\u00e9m por provocar uma esp\u00e9cie de tomada de consci\u00eancia geral em todos os campos do conhecimento, traduzida, inclusive, em participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ativa de numerosos intelectuais, que desde essa \u00e9poca come\u00e7aram a interessar-se mais objetivamente pelos problemas nacionais e suas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Superado o\u00a0<strong>realismo<\/strong>\u00a0como escola, permanece a id\u00e9ia, que lhe \u00e9 essencial, de aproximar cada vez mais a arte da vida.<\/p>\n<p>As tend\u00eancias contempor\u00e2neas prosseguem buscando-a, como o provam tend\u00eancias est\u00e9ticas inspiradas no socialismo, na psican\u00e1lise e no existencialismo, tais como o\u00a0<strong>realismo socialista<\/strong>, o expressionismo e o nouveau roman.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>realismo<\/strong>\u00a0no teatro orientou, no final do s\u00e9culo XIX, os textos e as montagens no sentido da naturalidade e da reprodu\u00e7\u00e3o do quotidiano. Henrik Ibsen e August Strindberg na Escandin\u00e1via, Anton Tchekhov e Maksim Gorki na R\u00fassia, entre outros, rejeitaram a linguagem po\u00e9tica, a declama\u00e7\u00e3o e a dic\u00e7\u00e3o artificial e usaram a\u00e7\u00e3o e di\u00e1logos calcados no comportamento e fala di\u00e1rios. Os cen\u00e1rios retratavam o mais fielmente poss\u00edvel os ambientes.<\/p>\n<p>Fonte: \u00a0www.zaapnet.com\/www.geocities.com\/www.portaltosabendo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 o realismo? A escola liter\u00e1ria chamada Realismo \u00e9 pautada na segunda metade do s\u00e9culo XIX e sua \u201cobra de estreia\u201d, Madame Bovary, \u00e9 publicada na Fran\u00e7a em 1857 por Gustave Flaubert. \u00c9 o movimento liter\u00e1rio que sucede o Romantismo e que quebra todos os ideais rom\u00e2nticos. 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