{"id":29793,"date":"2016-05-19T11:43:27","date_gmt":"2016-05-19T11:43:27","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29793"},"modified":"2018-10-15T16:33:26","modified_gmt":"2018-10-15T18:33:26","slug":"parnasianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/parnasianismo","title":{"rendered":"Parnasianismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que \u00e9 o parnasianismo?<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Parnasianismo<\/strong> \u00e9 uma das escolas liter\u00e1rias que acontece quase concomitantemente ao Realismo. \u00c9 um movimento liter\u00e1rio po\u00e9tico e \u00e9 considerado quase como a forma po\u00e9tica do Realismo, se n\u00e3o fosse seu afastamento de quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais. O nome dessa escola liter\u00e1ria \u00e9 inspirada no Monte Parnaso, que fica na Gr\u00e9cia, e que muitos acreditavam ser onde o deus Apolo vivia. Apolo era popular na Gr\u00e9cia Antiga por ser o deus que inspirava aos artistas e por sua arte ser perfeita e ideal. O trip\u00e9 art\u00edstico da Gr\u00e9cia Antiga era que a arte deveria ser bela, boa e verdadeira. Tudo o que era bom, era verdadeiro e belo. Tudo o que era belo, era bom e verdadeiro. E tudo o que era verdadeiro, era bom e belo.<\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Assim como durante o Realismo e o Naturalismo, o Parnasianismo ocorre no momento p\u00f3s Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e durante a Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, onde h\u00e1 a luta de classes, ascens\u00e3o da burguesia, etc. No entanto, isso n\u00e3o \u00e9 retratado na arte.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas do Parnasianismo<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><em>A arte pela arte<\/em>: nesse movimento liter\u00e1rio, a arte existe apenas para mostrar a arte. A arte n\u00e3o existe para provocar reflex\u00e3o ou criticar valores, ela existe apenas para ser bela. No entanto, os autores parnasianos tinham grande consci\u00eancia do contexto hist\u00f3rico da \u00e9poca. Contudo, a forma do poema era colocada acima de seu conte\u00fado, o que torna os poemas parnasianos vazios no que diz respeito ao seu conte\u00fado;<\/li>\n<li><em>Impessoalidade<\/em>: o autor nega o pr\u00f3prio \u201ceu\u201d e foca completamente a sua poesia no objetivismo e no descritivismo;<\/li>\n<li><em>Retomada da cultura grega<\/em>: os autores voltam a mencionar deuses, musas, os temas e t\u00f3picos relacionados \u00e0 cultura grega;<\/li>\n<li><em>Metrifica\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica<\/em>: o Parnasianismo retoma ideais gregos e a estrutura\u00e7\u00e3o dos poemas volta a ser o soneto. O soneto \u00e9 considerado uma escultura em forma de palavra, a escultura da literatura.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Principais autores:\u00a0<\/strong>Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.<\/p>\n<p><strong>Por<\/strong> Amanda Abreu<\/p>\n<h4>Parnasianismo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\n<p>Come\u00e7ando no final dos anos 1870 como uma resposta ao Romantismo e continuando na primeira parte do s\u00e9culo 20, o <strong>parnasianismo<\/strong> surgiu como um movimento da poesia defendendo a &#8220;arte pela arte.&#8221;<\/p>\n<p>Principalmente oposta \u00e0 sensibilidade desenfreada do Romantismo e formas po\u00e9ticas desenfreadas, parnasianismo anunciado controle art\u00edstico, polon\u00eas, eleg\u00e2ncia, objetividade e impassibilidade.<\/p>\n<p><strong>Parnasianismo <\/strong>foi um conjunto de teorias e pr\u00e1ticas de uma escola de poetas franceses no s\u00e9culo 19, especialmente uma \u00eanfase na arte pela arte, m\u00e9tricas cuidadosos, bem como a repress\u00e3o de elementos emotivos.<\/p>\n<h4>Parnasianismo &#8211; Movimento<\/h4>\n<p>Trata-se de um movimento liter\u00e1rio surgido em Fran\u00e7a na primeira metade do s\u00e9c. XIX, constituindo uma rea\u00e7\u00e3o contra o romantismo, contra o excesso de sentimentalismo, visando despersonalizar ou objetivar a poesia.<\/p>\n<p>J\u00e1 Vigny e Vitor Hugo, reagindo contra o excesso de sentimento rom\u00e2ntico, se tinham lan\u00e7ado no tratamento de tem\u00e1ticas de \u00e2mbito geral, e n\u00e3o individual, rejeitando m\u00e9todos pessoais e \u00edntimos de expor o sentimento, como a confid\u00eancia amorosa.<\/p>\n<p>Pretendia, tamb\u00e9m, este movimento, reagir contra a anarquia formal, propondo o regresso \u00e0s formas cl\u00e1ssicas da poesia, consideradas perfeitas. O retorno \u00e0 Antiguidade Cl\u00e1ssica \u00e9 uma caracter\u00edstica comum aos parnasianos, valorizando as formas fixas, as rimas invulgares.<\/p>\n<p>Esta rea\u00e7\u00e3o teve como lema \u00aba arte pela arte\u00bb, ou seja, a arte como um fim em si mesma, colocando-a ao servi\u00e7o da sociedade. A poesia era quase considerada uma religi\u00e3o. O nome deste movimento deriva do t\u00edtulo dado a uma colet\u00e2nea feita por Lemerre ( Parnase Contemporain ), na qual reuniu os poetas novos. Como seus fundadores, consideram-se Th\u00e9ophile Gautier (1811-72) e Leconte de Lisle (1818-94).<\/p>\n<p>Em Portugal, esta corrente s\u00f3 se come\u00e7ou a sentir na segunda metade do s\u00e9c. XIX e nunca chegou a assumir-se verdadeiramente. As ideias novas, tendo chegado ao nosso pa\u00eds tardiamente, confluiram com ideias que entretanto floresciam. E\u00e7a de Queir\u00f3s e Antero de Quental chamavam a aten\u00e7\u00e3o, nesta altura, para o papel intervencionista do escritor, com a fun\u00e7\u00e3o de interagir na cultura e no pensamento da popula\u00e7\u00e3o, como uma miss\u00e3o social que lhe \u00e9 atribu\u00edda, o que se pode relacionar com o ideal da \u00abarte pela arte\u00bb j\u00e1 referenciado.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0foi colidindo com o realismo, com o simbolismo, tendo como aspecto comum a todos eles a ren\u00fancia ao sentimentalismo e ao egocentrismo rom\u00e2nticos resultando em alguns autores, como Gomes Leal, Guerra Junqueiro, Guilherme Azevedo, Cl\u00e1udio Jos\u00e9 Nunes, Alexandre da Concei\u00e7\u00e3o, C\u00e2ndido Figueiredo, uma poesia multifacetada, entendida como sendo ora de influ\u00eancia parnasiana, ora aflorando a tem\u00e1tica simbolista. Te\u00f3filo Braga reuniu muita desta poesia h\u00edbrida no Parnasso Portugu\u00eas Moderno (1877).<\/p>\n<p><strong>Como parnasianos genu\u00ednos, temos a considerar Jo\u00e3o Penha (1838 &#8211; 1919) que fez coexistir a observa\u00e7\u00e3o do real quotidiano com o rigor rim\u00e1tico e que, como diretor da revista \u00abA Folha\u00bb reuniu, em Coimbra, alguns escritores, quer parnasianos, quer realistas, que formaram o primeiro grupo de parnasianos, tais como:<\/strong>\u00a0Gon\u00e7alves Crespo, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Te\u00f3filo Braga, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Penha nunca pretendeu imitar os parnasianos franceses, deixando claros os seus objetivos ao afirmar:<\/strong><\/p>\n<p>Eu nunca os segui [os nefelibatas], como tamb\u00e9m nunca segui os parnasianos, ou outros quaisquer metrificadores de pensamentos. Tenho-me seguido a mim mesmo, n\u00e3o por orgulho, mas porque nunca me senti com tend\u00eancias para andar na retaguarda de pessoa alguma [\u0085]. A est\u00e9tica dos parnasianos resume-se em que toda a produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica deve ser uma obra de arte. Quanto ao mais, n\u00e3o vejo entre eles o mais insignificante ponto de contato.<\/p>\n<p>A est\u00e9tica que sigo \u00e9 realmente aquela, mas com as modifica\u00e7\u00f5es que, se me n\u00e3o engano, s\u00e3o minhas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>(Ap. Maria Virg\u00ednia Veloso, O\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0em Portugal, 2\u00aa parte \u00abO parnasianismo portugu\u00eas\u00bb, p.86).<\/p>\n<p><strong>Tais afirma\u00e7\u00f5es foram refor\u00e7adas por Pierre Hourcade, ao dizer que o grupo parnasiano portugu\u00eas trabalhava de forma aut\u00f3noma e original:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Tamb\u00e9m olhou para o tempo, de acordo com um h\u00e1bito que se tornou quase um rito, semelhante a Jo\u00e3o Penha e seus amigos para um movimento liter\u00e1rio franc\u00eas: Parnassus. Infelizmente, para al\u00e9m Gon\u00e7alves Crespo foi o deleite de Th\u00e9ophile Gautier e Contempor\u00e2nea Parnassus, uma leitura cuidadosa da Folha revela uma profunda adora\u00e7\u00e3o l\u00edrica rom\u00e2ntica, e uma indiferen\u00e7a igualmente profunda no sentido de Leconte de Lisle e os amigos. O termo APLIQUE &#8220;parnasiana&#8221; para a gera\u00e7\u00e3o da Folha n\u00e3o pode definir sua preocupa\u00e7\u00e3o incessante de uma forma trabalhados. (Ibid., O\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0em Portugal, 2\u00aa parte \u00abO parnasianismo portugu\u00eas\u00bb, p.87).<\/p><\/blockquote>\n<p>Para Jo\u00e3o Penha, o poeta vai-se construindo a si pr\u00f3prio, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de criar uma grande harmonia entre as palavras, como som, e as palavras, como pensamento. Toda a obra de Jo\u00e3o Penha se explica pela atitude que tomou em face do ultra-romantismo. A mulher, que at\u00e9 a\u00ed fora adorada como uma deusa, foi tratada por ele com vulgaridade e a sua poesia tem um car\u00e1cter material e prosaico. Gon\u00e7alves Crespo acrescentou \u00e0 sua poesia o gosto pelo descritivo.<\/p>\n<p><strong>Nos anos 80, o parnasianismo encontrou um novo impulso:<\/strong>\u00a0o segundo grupo de poetas parnasianos em que, ao n\u00edvel de Lu\u00eds de Magalh\u00e3es e de Manuel da Silva Gaio, com caracter\u00edsticas verdadeiramente simbolistas, se destacou Ant\u00f3nio Feij\u00f3 (1859 &#8211; 1917) que representou a influ\u00eancia das teorias parnasianas numa outra gera\u00e7\u00e3o. H\u00e1 neste poeta vest\u00edgios da pintura art\u00edstica de Crespo, mas os seus textos n\u00e3o conseguem ser puramente objetivos, devido \u00e0 sua grande sensibilidade l\u00edrica.<\/p>\n<p><strong>Entre os poetas da segunda fase parnasiana, salienta-se, tamb\u00e9m, Ces\u00e1rio Verde (1855-86), considerado o mais significativo poeta parnasiano portugu\u00eas e o poeta do quotidiano que procura refletir a realidade concreta, poetizando as profiss\u00f5es mais humildes, elevando a n\u00edvel po\u00e9tico aspectos vulgares e seus respectivos protagonistas: <\/strong>os transeuntes, as vendedeiras, a engomadeira, etc.<\/p>\n<p>A variedade de tipos urbanos, na poesia cesariana, encontra-se a par de estados de alma nos quais predominam o t\u00e9dio da cidade e da vida di\u00e1ria, ao lado das evoca\u00e7\u00f5es nost\u00e1lgicas do passado e do campo como ref\u00fagio.<\/p>\n<p><strong>No Brasil, o parnasianismo teve maior repercuss\u00e3o do que em Portugal e teve um nascimento mais faseado:<\/strong>desacreditou-se o romantismo, pois, apesar do grande entusiasmo que a poesia rom\u00e2ntica ganhara junto do p\u00fablico leitor, tamb\u00e9m foi v\u00edtima do descr\u00e9dito lan\u00e7ado por aqueles que defendiam ideias novas, os realistas, sobretudo entre 1878-80.<\/p>\n<p>Dentro deste grupo de opositores, salientam-se S\u00edlvio Romero, Machado de Assis e Raimundo Correia; conseguiram, assim, destronar a sentimentalidade, o egotismo, porque estes aspectos se alheavam dos fatos e problemas da vida social, mais importantes, graves e abrangentes do que o sofrimento, ang\u00fastia, dor, desgosto de cada um individualmente, que constitu\u00eda o fulcro do romantismo.<\/p>\n<p>O versilibrismo foi igualmente destronado por ser respons\u00e1vel por uma anarquia geral a n\u00edvel da forma e da linguagem usada. Numa segunda fase, experimentou-se uma \u00abpoesia cient\u00edfica\u00bb, centrada no cientificismo, uma \u00abpoesia socialista\u00bb, focalizada em preocupa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e uma \u00abpoesia realista\u00bb, dominada por temas do quotidiano.<\/p>\n<p>Artur de Oliveira (1851-82) que estivera em Paris, divulgou no Brasil as teorias parnasianas francesas. Um artigo escrito por Machado de Assis, \u00abA Nova Gera\u00e7\u00e3o\u00bb, e publicado em 1879, foi decisivo no arranque do\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nem as poesias cient\u00edfica, socialista, nem realista conseguiram cativar os poetas de maiores recursos, pelo que o caminho mais atraente a seguir era o Parnasianismo, onde se destacaram Olavo Bilac (1865-1918), Alberto de Oliveira (1857-1937), Raimundo Correia (1860-1911) e Vicente Carvalho (1866-1924).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s tem\u00e1ticas comuns a estes poetas, registam-se o realismo (o Homem \u00e9 um ser integrado na realidade, na vida, na sociedade), o universalismo (busca dos valores\/ aspectos gerais e intemporais da realidade, quer est\u00e9tica, quer moral e do Homem enquanto ser universal) e esteticismo (perfei\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sintaxe, ao l\u00e9xico, ao ritmo). Este t\u00f3pico \u00e9 basilar dentro da teoria parnasiana, para a qual a perfei\u00e7\u00e3o formal \u00e9 necess\u00e1ria para a express\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre os parnasianos e os realistas \u00e9 que os primeiros valorizam apenas os aspectos que podem ser esteticamente reproduzidos ou d\u00e3o um tratamento po\u00e9tico, pela primeira vez na poesia, de temas do quotidiano, enquanto os segundos tratam sem distin\u00e7\u00e3o todos os aspectos da realidade, preferindo, por vezes, as suas vertentes mais sombrias.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0valoriza, pois, a est\u00e9tica, a serenidade, o equil\u00edbrio, aproximando-se assim do esp\u00edrito cl\u00e1ssico, servindo-lhe at\u00e9 de exemplo o nome grego de \u00abParnasso\u00bb, monte dedicado a Apolo, inspirador de poetas, evocando assim o ideal apol\u00edneo.<\/p>\n<h4><strong>O Parnasianismo<\/strong><\/h4>\n<p>O\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0foi contempor\u00e2neo do Realismo e do Naturalismo, entre o s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Brasil e Fran\u00e7a foram os dois \u00fanicos pa\u00edses em que se floresceu com toda for\u00e7a .<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, o movimento surgiu em 1866 , com a publica\u00e7\u00e3o da revista Le Parnaise Contemporain, que congregava poetas que defendiam uma poesia anti-rom\u00e2ntica, descritiva, cient\u00edfica e formalista. Entre esses poetas, destacaram-se Th\u00e9ophile Gautier e Leconte de Lisle .<\/p>\n<p>O nome\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0retoma a denomina\u00e7\u00e3o de um monte da Gr\u00e9cia antiga ( Monte Parnaso ), onde lendariamente os poetas se isolavam do mundo para uma maior integra\u00e7\u00e3o com os deuses atrav\u00e9s de sua poesia .<\/p>\n<p>Os poetas consideravam a poesia a mais alta express\u00e3o liter\u00e1ria da humanidade &#8211; raz\u00e3o pela qual o\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0ficou sendo um estilo principalmente po\u00e9tico, mas n\u00e3o tendo grandes manifesta\u00e7\u00f5es no terreno da prosa .<\/p>\n<p>No Brasil , a luta por uma poesia de rea\u00e7\u00e3o ao Romantismo teve lugar no final da d\u00e9cada de 1870. Identifica-se como marco inicial a publica\u00e7\u00e3o do livro Fanfarras ( 1882 ), de Te\u00f3filo Dias .<\/p>\n<p>Em Portugal , n\u00e3o chegou a constituir um programa est\u00e9tico organizado .<\/p>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os aspectos hist\u00f3ricos dos quais podemos destacar:<\/strong>\u00a0a consolida\u00e7\u00e3o do poder burgu\u00eas, o incremento das discuss\u00f5es em torno de conceitos como o Liberalismo, a Democracia e a justi\u00e7a social ; o desenvolvimento das ci\u00eancias naturais ; as lutas imperiais .<\/p>\n<p>Na passagem do s\u00e9culo XIX para XX , o Brasil conheceu um razo\u00e1vel desenvolvimento cultural.<\/p>\n<p><strong>A funda\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Letras em 1897 aponta para um aspecto fundamental desse desenvolvimento:<\/strong>\u00a0o prest\u00edgio social da atividade intelectual , em propor\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o jamais vistas em nosso pa\u00eds .<\/p>\n<p>O escritor , quase sempre associado ao bo\u00eamio , vai encontrando possibilidades de profissionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A imagem do escritor marginalizado vai cedendo espa\u00e7o para a figura do artista plenamente integrado \u00e0 sociedade de sua \u00e9poca:<\/strong>\u00a0um cidad\u00e3o .<\/p>\n<p>O ponto positivo de tudo isso foi o amadurecimento da vida cultural brasileira . Por outro lado , para firmar como cidad\u00e3o , o escritor teve a tend\u00eancia de privilegiar uma pr\u00e1tica liter\u00e1ria ao oficialismo e ao academicismo . Representou um dom\u00ednio de um estilo elitista , excessivamente preocupado em expressar-se de forma a evidenciar o virtuosismo e o talento po\u00e9tico .<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p>Como eram ao contr\u00e1rio aos Rom\u00e2nticos , o emocionalismo foi substitu\u00eddo por racionalismo , se para os rom\u00e2nticos a poesia era o resultado da inspira\u00e7\u00e3o pura e simples , os parnasianos considerava a poesia como um fruto do trabalho do poeta &#8211; um trabalho \u00e1rduo , dif\u00edcil , conhecimento t\u00e9cnico e a aplica\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel .<\/p>\n<p><strong>O trabalho do artes\u00e3o das palavras era comparado ao do art\u00edfice de uma j\u00f3ia:<\/strong>\u00a0perseveran\u00e7a, delicadeza e dedica\u00e7\u00e3o para lidar com um material delicado e fr\u00e1gil, isso resumia-se na imagem do &#8220;poeta joalheiro &#8221;<\/p>\n<p><strong>Para os parnasianismos , a poesia seria perfeita desde que sua forma atendesse a alguns requisitos :<\/strong><\/p>\n<p>O vocabul\u00e1rio era refinado, erudito, dicionaresco,o uso de palavras dif\u00edceis, tornava-se a poesia uma atividade da elite. A sintaxe po\u00e9tica deveria tamb\u00e9m obedecer \u00e0s regras gramaticais, n\u00e3o apenas para demonstrar conhecimento t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m para adequar-se a normas consagradas de escrita .<\/p>\n<p>Ponto de honra da poesia parnasiana era a utiliza\u00e7\u00e3o de rimas. Eles preferiam as rimas raras , isto \u00e9 , aquelas mais dif\u00edceis de serem encontradas, por vezes surpreendentes. Evidentemente, a m\u00e9trica tamb\u00e9m seria um aspecto importante dentro do formalismo<strong>parnasianismo<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Os versos de dez ( decass\u00edlabo ) e doze ( alexandrinos ) s\u00edlabas, consideradas cl\u00e1ssicos, eram utilizados com freq\u00fc\u00eancia, principalmente em uma forma po\u00e9tica igualmente cl\u00e1ssica:<\/strong>\u00a0o soneto.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0representou um retorno \u00e0 Era Cl\u00e1ssica, Valores como a Raz\u00e3o, o Belo Absoluto, o Antropocentrismo, o Universalismo s\u00e3o novamente perseguidos, como partes constituintes da arte liter\u00e1ria de todos os tempos. Os temas igualmente se voltam para imagens arrancadas da cultura e da hist\u00f3ria greco-latinas.<\/p>\n<p><strong>Os t\u00edtulos de alguns poemas s\u00e3o significativo, nesse sentido:<\/strong>\u00a0&#8220;A sesta de Nero &#8220;, &#8220;O sonho de Marco Ant\u00f4nio&#8221;, &#8220;O vaso grego&#8221;.<\/p>\n<p>O exotismo e o orientalismo s\u00e3o dois aspectos fundamentais . A tend\u00eancia \u00e0 tematiza\u00e7\u00e3o de objetos antigos , como vasos , est\u00e1tuas e quadros , bem como o apelo visual que esse tipo de tema implicava , permitem uma aproxima\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0com as Artes Pl\u00e1sticas ( pintura , escultura, arquitetura , etc. ) .<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0produziu uma poesia voltada para a forma dos objetos e dos lugares . Abandonando uma vis\u00e3o mais interiorizada , acabou por realizar uma poesia marcadamente descritiva . Atrav\u00e9s da descri\u00e7\u00e3o , buscava fornecer do objeto focalizado uma imagem exata e precisa .<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0combate a subjetividade t\u00edpica do Romantismo, em nome de uma objetividade que fornecesse do mundo uma representa\u00e7\u00e3o desprovida de qualquer contamina\u00e7\u00e3o lacrimejante ou sentimental .<\/p>\n<p>A necessidade de uma vis\u00e3o objetiva fazia com que o poeta preferisse uma posi\u00e7\u00e3o de impassibilidade diante do assunto tratado . A inten\u00e7\u00e3o era realizar uma poesia mais cerebral e menos sentimental .<\/p>\n<p><strong>O Parnasianismo e o Realismo foram contempor\u00e2neas , apresentam comuns ( anti-rom\u00e2ntico, racionalismo, formalismo, impassibilidade ), distanciam-se em um ponto fundamental<\/strong>: O Realismo prop\u00f5e a tematiza\u00e7\u00e3o da sociedade dos problemas mundanos . Se a vertente naturalista do Realismo , por exemplo , caracterizou-se pela pintura de quadros da vida cotidiana dos pobres e miser\u00e1veis , a poesia parnasiana jamais de dedicaria como manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica capaz de manter-se fora do cont\u00e1gio de marcas sociais .<\/p>\n<p>Assim sendo , n\u00e3o se pode confundir\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0com Realismo !<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Olavo Bilac<br \/>\nAlberto de Oliveira<br \/>\nRaimundo Correia<br \/>\nVicente de Carvalho<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>Parnasianismo &#8211; Brasil<\/strong><\/h4>\n<p>O\u00a0<b>parnasianismo\u00a0<\/b>\u00e9 uma\u00a0<strong>est\u00e9tica liter\u00e1ria<\/strong>\u00a0de car\u00e1ter exclusivamente po\u00e9tico, que reagiu contra os abusos sentimentais dos rom\u00e2nticos. A poesia parnasiana voltada para onde h\u00e1 o ideal da perfei\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e a sublima\u00e7\u00e3o da &#8220;arte pela arte&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Teve como sua primeira obra Fanfarras(1882), de Te\u00f3filo Dias. Parnasse (em portugu\u00eas, parnaso e da\u00ed parnasianismo):<\/strong>origina-se de Parnassus, regi\u00e3o montanhosa da Gr\u00e9cia. Segundo a lenda, ali moravam os poetas.<\/p>\n<p>Alguns cr\u00edticos chegaram a considerar o\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0uma esp\u00e9cie de realismo na poesia. Tal aproxima\u00e7\u00e3o \u00e9 suspeita as duas correntes apresentam vis\u00f5es de mundo distintas. O autor realista percebe a crise da \u0091s\u00edntese burguesa\u0092, j\u00e1 n\u00e3o acredita em nenhum dos valores da classe dominante e a fustiga social e moralmente.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o o autor parnasiano mant\u00e9m uma soberba indiferen\u00e7a frente aos dramas do cotidiano, isolando-se na &#8220;torre de marfim&#8221;, onde elabora teorias formalistas de acordo com a inconseq\u00fc\u00eancia e o hedonismo das fra\u00e7\u00f5es burguesas vitoriosas.<\/p>\n<h4>Contexto Hist\u00f3rico<\/h4>\n<p>Grandes acontecimentos hist\u00f3ricos marcaram a gera\u00e7\u00e3o dos <strong>parnasianos brasileiros<\/strong>.<\/p>\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o da escravatura (1888) coincide com a estr\u00e9ia liter\u00e1ria de Olavo Bilac. No ano seguinte houve a queda do regime imperial com a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>A transi\u00e7\u00e3o do s\u00e9culoXIX para o s\u00e9culo XX representou para o Brasil:<\/strong>\u00a0um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o das novas institui\u00e7\u00f5es republicanas; fim do regime militar e desenvolvimento dos governos civis; restaura\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as; impulso ao progresso material.<\/p>\n<p>Depois das agita\u00e7\u00f5es do in\u00edcio da Rep\u00fablica, o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0atravessou um per\u00edodo de paz pol\u00edtica e de prosperidade econ\u00f4mica. Um ano ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, instalou-se a primeira Constitui\u00e7\u00e3o e, em fins de 1891, Marechal Deodoro dissolve o Congresso e renuncia ao poder, sendo substitu\u00eddo pelo &#8220;Marechal de Ferro&#8221;, Floriano Peixoto.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas<\/h4>\n<p><strong>Arte pela arte:<\/strong>\u00a0Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte \u00e9 gratuita, que s\u00f3 vale por si pr\u00f3pria. Ela n\u00e3o teria nenhum valor utilit\u00e1rio, nenhum tipo de compromisso. Seria auto-suficiente. Justificada apenas por sua beleza formal.<\/p>\n<p>Qualquer tipo de investiga\u00e7\u00e3o do social, refer\u00eancia ao prosaico, interesse pelas coisas comuns a todos os homens seria \u0091mat\u00e9ria impura\u0092 a comprometer o texto. Restabelecem, portanto, um esteticismo de fundo conservador que j\u00e1 vigorava na decad\u00eancia romana. A arte passava apenas a ser um jogo fr\u00edvolo de esp\u00edritos elegantes.<\/p>\n<p><strong>Culto da forma:<\/strong>\u00a0O resultado imediato dessa vis\u00e3o seria o endeusamento dos processos formais do poema. A verdade de uma obra residiria em sua beleza.<\/p>\n<p>E a beleza seria dada pela elabora\u00e7\u00e3o formal. Essa mitologia da perfei\u00e7\u00e3o formal e, simultaneamente, a impot\u00eancia dos poetas em alcan\u00e7\u00e1-la de maneira definitiva s\u00e3o o tema do soneto de Olavo Bilac intitulado &#8220;Perfei\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Os parnasianos consideravam como forma a maneira do poema se apresentar, seus aspectos exteriores. A forma seria assim a t\u00e9cnica de constru\u00e7\u00e3o do poema.<\/p>\n<p><strong>Isso constitu\u00eda uma simplifica\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do fazer po\u00e9tico e do pr\u00f3prio conceito de forma que passava a ser apenas uma f\u00f3rmula resumida em alguns itens b\u00e1sicos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Metrifica\u00e7\u00e3o rigorosa<br \/>\nRimas ricas<br \/>\nPrefer\u00eancia pelo soneto<br \/>\nObjetividade e impassibilidade<br \/>\nDescritivismo<\/p><\/blockquote>\n<p>Em v\u00e1rios poemas, os parnasianos apresentam suas teorias de escrita e sua obsess\u00e3o pela &#8220;Deusa Forma&#8221;.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Profiss\u00e3o de F\u00e9&#8221;, de Olavo Bilac, ilustra essa concep\u00e7\u00e3o formalista:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Invejo ourives quando escrevo<br \/>\nImito o amor<br \/>\nCom que ele, em ouro, o alto relevo<br \/>\nFaz de uma flor.(&#8230;)<\/p>\n<p>Por isso, corre por servir-me<br \/>\nSobre o papel<br \/>\nA pena, como em prata firme<br \/>\nCorre o cinzel(&#8230;)<\/p>\n<p>Torce, aprimora, alteia, lima<br \/>\nA frase; e, enfim<br \/>\nNo verso de ouro engasta a rima<br \/>\nComo um rubim<br \/>\n(&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Tem\u00e1tica greco-romana:<\/strong>\u00a0Apesar de todo o esfor\u00e7o, os parnasianos n\u00e3o conseguiram articular poemas sem conte\u00fados e foram obrigados a encontrar um assunto desvinculado do mundo concreto para motivo de suas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Escolheram a antig\u00fcidade cl\u00e1ssica, sua historia e sua mitologia.Assistimos ent\u00e3o a centenas de textos que falam de deuses, her\u00f3is, personagens hist\u00f3ricos, cortes\u00e3s, fatos lend\u00e1rios e at\u00e9 mesmo objetos. &#8221;<\/p>\n<p><b>A sesta de Nero&#8221;, de Olavo Bilac foi considerado, na \u00e9poca, um grande poema:<\/b><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Fulge de luz banhado, espl\u00eandido e suntuoso,<br \/>\nO pal\u00e1cio imperial de p\u00f3rfiro luzente<br \/>\n\u00c9 marmor da Lac\u00f4nia. O teto caprichoso<br \/>\nMostra em prata incrustado, o n\u00e1car de Oriente.<\/p>\n<p>Nero no trono eb\u00farneo estende-se indolente<br \/>\nGemas em profus\u00e3o no est\u00e1gulo custoso<br \/>\nDe ouro bordado v\u00eaem-se. O olhar deslumbra, ardente<br \/>\nDa p\u00farpura da Tr\u00e1cia o brilho esplendoroso.<\/p>\n<p>Formosa ancila canta. A aurilavrada lira<br \/>\nEm suas m\u00e3os solu\u00e7a. Os ares perfumando,<br \/>\nArde a mirra da Ar\u00e1bia em recendente pira.<\/p>\n<p>Formas quebram, dan\u00e7ando, escravas em cor\u00e9ia.<br \/>\nE Nero dorme e sonha, a fronte reclinando<br \/>\nNos alvos seios nus da l\u00fabrica Pomp\u00e9ia.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<h4>Poetas do Parnasianismo<\/h4>\n<p><strong>Olavo Bilac(1865-1918)<\/strong><\/p>\n<p>Nasceu no Rio de janeiro, numa fam\u00edlia de classe m\u00e9dia. Estudou Medicina e depois Direito, sem se formar em nenhum dos cursos. Jornalista, funcion\u00e1rio P\u00fablico, inspetor escolar, exerceu constantemente atividade nacionalista, realizando prega\u00e7\u00f5es c\u00edvicas em todo o pa\u00eds. Paralelamente, teve certas veleidades bo\u00eamias e foi coroado como &#8220;Pr\u00edncipe dos poetas brasileiros&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Obras:<\/strong>\u00a0Poesia (l888); Tarde (1918).<\/p>\n<p>A exemplo de quase todos os parnasianos, Olavo Bilac escreveu poesias com grande habilidade t\u00e9cnica sobre temas greco-romanos. Se jamais abandonou sua meticulosa precis\u00e3o, acabou destruindo aquela impassibilidade, exigida pela est\u00e9tica parnasiana.<\/p>\n<p>Fez numerosas descri\u00e7\u00f5es da natureza, ainda dentro do mito da objetividade absoluta, por\u00e9m os seus melhores textos est\u00e3o permeados por conota\u00e7\u00f5es subjetivas, indicando uma heran\u00e7a rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p><strong>Bilac tratou do amor a parti de dois \u00e2ngulos distintos:<\/strong>\u00a0um plat\u00f4nico e outro sensual. A quase totalidade de seus textos amorosos tendem celebra\u00e7\u00e3o dos prazeres corp\u00f3reos.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Nua, de p\u00e9, solto o cabelo \u00e0s costas,<br \/>\nSorri. Na alcova perfumada e quente,<br \/>\nPela janela, como um rio enorme<br \/>\nProfusamente a luz do meio-dia<br \/>\nEntra e se espalha, palpitante e viva (&#8230;)<\/p>\n<p>Como uma vaga pregui\u00e7osa e lenta<br \/>\nVem lhe beijar a pequenina ponta<br \/>\nDo pequenino p\u00e9 macio e branco<br \/>\nSobe&#8230; Cinge-lhe a perna longamente;<br \/>\nSobe &#8230; e que volta sensual descreve<br \/>\nPara abranger todo o quadril! &#8211; prossegue<\/p>\n<p>Lambe-lhe o ventre, abra\u00e7a-lhe a cintura<br \/>\nMorde-lhe os bicos t\u00famidos dos seios<br \/>\nCorre-lhe a esp\u00e1dua, espia-lhe o rec\u00f4ncavo<br \/>\nDa axila, acende-lhe o coral da boca (&#8230;)<\/p>\n<p>E aos mornos beijos, \u00e0s car\u00edcias ternas<br \/>\nDa luz, cerrando levemente os c\u00edlios<br \/>\nSat\u00e2nica &#8230; abre um curto sorriso de vol\u00fapia.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Em alguns poemas, contudo, o erotismo perde essa vulgaridade, adquirindo for\u00e7a e beleza com em &#8220;In extremis&#8221;. Na hora de uma morte imagin\u00e1ria, o poeta lamenta a perda das coisas concretas e sensuais da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em um conjunto de sonetos intitulado Via-l\u00e1ctea, Bilac nos apresenta uma concep\u00e7\u00e3o mais espiritualizada das rela\u00e7\u00f5es amorosas. O mais recitado desses sonetos acabou ficando conhecido com o nome do livro.<\/p>\n<p>Identificado com o sistema, o autor de Tarde tornou-se um intelectual a servi\u00e7o dos grupos dirigentes, oferecendo-lhes composi\u00e7\u00f5es laudat\u00f3rias. Olavo Bilac sonegou o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0real e inventou um Brasil de her\u00f3is, transformando feroz bandeirante, como Fern\u00e3o Dias, em ap\u00f3stolo da nacionalidade.<\/p>\n<p><strong>O ca\u00e7ador de esmeraldas foi uma frustrada tentativa \u00e9pica:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Foi em mar\u00e7o, ao findar das chuvas, quase \u00e0 entrada<br \/>\nDo outono, quando a terra, em sede requeimada,<br \/>\nBebera longamente as \u00e1guas da esta\u00e7\u00e3o,<br \/>\nQue, em bandeira, buscando esmeraldas e prata,<br \/>\n\u00c0 frente dos pe\u00f5es filhos da rude mata,<br \/>\nFern\u00e3o Dias Paes Leme entrou pelo sert\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, cantou os s\u00edmbolos p\u00e1trios, a mata, as estrelas, a &#8220;\u00faltima flor do L\u00e1cio&#8221;, as crian\u00e7as, os soldados, a bandeira, os dias nacionais, etc.<\/p>\n<p><strong>Alberto de Oliveira (1857-1937)<\/strong><\/p>\n<p>Nasceu em Saquarema, Rio de Janeiro. Diploma-se em farm\u00e1cia; inicia o curso de Medicina. Ao lado de Machado de Assis, faz parte ativa na Funda\u00e7\u00e3o da Academia de Letras. Foi doutor honoris causa pela Universidade de Buenos Aires. Elegem-no &#8220;pr\u00edncipe dos poetas brasileiros&#8221; num concurso promovido pela revista Fon-Fon, para substituir o lugar deixado por Olavo Bilac. Faleceu em Niter\u00f3i, RJ, em 1937.<\/p>\n<p><strong>Obras principais:<\/strong>\u00a0Can\u00e7\u00f5es Rom\u00e2nticas(1878); Meridionais(1884); Sonetos e Poemas(1885); Versos e rimas(1895). Foi de todos os parnasianos o que mais permaneceu atado aos mais rigorosos padr\u00f5es do movimento. Manipulava os procedimentos t\u00e9cnicos de sua escola com precis\u00e3o, mas essa t\u00e9cnica ressalta ainda mais a pobreza tem\u00e1tica, a frieza e a insipidez de uma poesia hoje ileg\u00edvel.<\/p>\n<p>Tinha como\u00a0<strong>caracter\u00edsticas<\/strong>\u00a0principais da sua poesia a objetividade, a impassibilidade e corre\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, a excessiva preocupa\u00e7\u00e3o formal, sintaxe rebuscada e a fuga ao sentimental e ao piegas. Na poesia de Alberto de Oliveira, portanto, encontramos poemas que reproduzem mecanicamente a natureza e objetos descritivos. Uma poesia sobre coisas inanimadas.<\/p>\n<p><b>Uma poesia t\u00e3o morta como os objetos descritos, como vemos no poema Vaso Grego:<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Esta, de \u00e1ureos relevos, trabalhada<br \/>\nDe divas m\u00e3os, brilhante copa, um dia,<br \/>\nJ\u00e1 de os deuses servir como cansada,<br \/>\nVinda do Olimpo, a um novo deus servia.<\/p>\n<p>Era o poeta de Teos que a suspendia<br \/>\nEnt\u00e3o e, ora repleta ora esvaziada,<br \/>\nA ta\u00e7a amiga aos dedos seus tinia<br \/>\nToda de roxas p\u00e9talas colmada.<\/p>\n<p>Depois&#8230; Mas o lavor da ta\u00e7a admira,<br \/>\nToca-a, e, do ouvido aproximando-a, \u00e0s bordas<br \/>\nFinas h\u00e1 de lhe ouvir, canora e doce,<\/p>\n<p>Ignota voz, qual se de antiga lira<br \/>\nFosse a encantada m\u00fasica das cordas,<br \/>\nQual se essa a voz de Anacreonte fosse.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Raimundo Correia (1859-1911)<\/strong><\/p>\n<p>Poeta e diplomata\u00a0<strong>brasileiro<\/strong>, foi considerado um dos inovadores da\u00a0<strong>poesia brasileira<\/strong>.<\/p>\n<p>Quando secret\u00e1rio da delega\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica brasileira em Portugal, publica a\u00ed uma colet\u00e2nea de seus livros na obra Poesia(1898).<\/p>\n<p>De volta ao\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, assume a dire\u00e7\u00e3o do Gin\u00e1sio Fluminense de Petr\u00f3polis. Com a sa\u00fade bastante abalada, retorna \u00e0 Europa, vindo a falecer em Paris.<\/p>\n<p><strong>Obras Principais:<\/strong>\u00a0Primeiros Sonhos(1879) Sinfonias(1883) Versos e Vers\u00f5es(1887) Aleluias(1891)A exemplo dos demais componentes da tr\u00edade, Raimundo Correia foi um consumado artes\u00e3o do verso, dominando com perfei\u00e7\u00e3o as t\u00e9cnicas de montagem e constru\u00e7\u00e3o do poema.<\/p>\n<p>Tinha como\u00a0<strong>caracter\u00edsticas<\/strong>\u00a0pessoais o pessimismo, o predom\u00ednio da simula\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o aguda da transitoriedade da ilus\u00e3o humana, profundo se das virtualidades vocabulares. O gelo descritivista da escola seria quebrado por uma emo\u00e7\u00e3o genu\u00edna que humanizava a paisagem.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas do Parnasianismo<\/h4>\n<blockquote><p><strong>Objetividade e descritivismo:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Reagindo contra o sentimentalismo e o subjetivismo rom\u00e2nticos, a poesia parnasiana era comedida, objetiva:<\/strong>\u00a0fugiadas manifesta\u00e7\u00f5es sentimentais.<\/p>\n<p>Buscando esta impassibilidade( frieza), empenhava-se em descrever min\u00facias, na fixa\u00e7\u00e3o de cenas, personagens hist\u00f3ricos e figuras mitol\u00f3gicas.<\/p>\n<p><strong>Rigor formal: <\/strong>Opondo-se \u00e0 simplicidade formal rom\u00e2ntica, que de certa forma popularizou a poesia os parnasianos eram rigorosos quanto \u00e0 m\u00e9trica em rimas e tamb\u00e9m quanto \u00e0 riqueza e raridade do vocabul\u00e1rio. \u00c9 por isso que s\u00e3o freq\u00fcentes, nos textos parnasianos, os hip\u00e9rbatos( ordem indireta), as palavras eruditas e dif\u00edceis, as rimas for\u00e7adas.<\/p>\n<p><strong>Retorno ao Classicismo: <\/strong>Abordando temas mitol\u00f3gicos e da antig\u00fcidade greco-latina, os poetas parnasianos valorizavam as normas e t\u00e9cnicas de composi\u00e7\u00e3o e, regra geral, exploravam o soneto (poema de forma fixa).<\/p>\n<p><strong>Arte pela arte: <\/strong>Na busca da objetividade e da impassibilidade, o\u00a0<strong>Parnasianismo<\/strong>\u00a0foi uma \u00e9poca em que alguns poetas defendiam a &#8220;arte pela arte&#8221;. Esta express\u00e3o sugere que a poesia n\u00e3o tomava partido, que n\u00e3o se comprometia composi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Principais Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Olavo Bilac<br \/>\nRaimundo Correia<br \/>\nAlberto de Oliveira<\/p><\/blockquote>\n<h4>Parnasianismo &#8211; Origem<\/h4>\n<p>O <strong>Parnasianismo <\/strong>foi um movimento liter\u00e1rio que representou na poesia o esp\u00edrito positivista e cient\u00edfico da \u00e9poca. Surgido na Fran\u00e7a no s\u00e9culo XIX, em oposi\u00e7\u00e3o ao romantismo.<\/p>\n<p>Uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica dos parnasianos era a precis\u00e3o das palavras. Esses poetas chegaram ao ponto de criar verdadeiras l\u00ednguas artificiais para obter o vocabul\u00e1rio adequado ao tema de cada poema.<\/p>\n<p>Movimento liter\u00e1rio surgido na Fran\u00e7a em meados do s\u00e9culo XIX, em oposi\u00e7\u00e3o ao romantismo, o\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0representou na poesia o esp\u00edrito positivista e cient\u00edfico da \u00e9poca, correspondente ao realismo e ao naturalismo na prosa.<\/p>\n<p>O termo parnasianismo deriva de uma antologia, Le Parnasse contemporain (O Parnaso contempor\u00e2neo), publicada em fasc\u00edculos, de mar\u00e7o a junho de 1860, com os versos dos poetas Th\u00e9ophile Gautier, Th\u00e9odore de Banville, Leconte de Lisle, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, St\u00e9phane Mallarm\u00e9, Fran\u00e7ois Copp\u00e9e, o cubano de express\u00e3o francesa Jos\u00e9 Maria de Heredia e Catulle Mend\u00e8s, editor da revista.<\/p>\n<p>O Parnaso \u00e9 um monte da Gr\u00e9cia central onde na antiguidade acreditava-se que habitariam o deus Apolo e as musas.<\/p>\n<p><strong>Antecedentes<\/strong><\/p>\n<p>A partir de 1830, alguns poetas rom\u00e2nticos se agruparam em torno de certas id\u00e9ias est\u00e9ticas, entre as quais a da arte pela arte, origin\u00e1ria daquele movimento.<\/p>\n<p><strong>Duas tend\u00eancias se defrontavam:<\/strong>\u00a0a intimista (subjetiva) e a pitoresca (objetiva). O romantismo triunfara em 1830, e de Victor Hugo provinham as grandes fontes po\u00e9ticas, mas o lirismo intimista n\u00e3o mais atra\u00eda os jovens poetas e escritores, que buscavam outros objetos al\u00e9m do eu.<\/p>\n<p>A doutrina da arte pela arte encontrou seu ap\u00f3stolo em Gautier, que foi o pioneiro do\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Nos pref\u00e1cios de dois livros, Po\u00e9sies (1832) e Jeune France (1833; Jovem Fran\u00e7a), Gautier exp\u00f4s o c\u00f3digo de princ\u00edpios segundo o qual a arte n\u00e3o existe para a humanidade, para a sociedade ou para a moral, mas para si mesma.<\/p>\n<p>Ele aplicou essa teoria ao romance Mademoiselle de Maupin (1836), que provocou acirradas pol\u00eamicas nos c\u00edrculos liter\u00e1rios por desprezar a moral convencional e enfatizar a soberania da beleza. Mais tarde publicou Emaux et cam\u00e9es (1852; Esmaltes e camafeus), que serviu de ponto de partida para outros escritores de apurado senso est\u00e9tico, como Banville e Leconte.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo publicou, em 1852, os Po\u00e8mes antiques (Poemas antigos), livro em que reuniu todos os elementos formais e tem\u00e1ticos da nova escola. Ao lado de Po\u00e8mes barbares (1862; Poemas b\u00e1rbaros), essa obra deu ao autor um imenso prest\u00edgio e a lideran\u00e7a do movimento, de 1865 a 1895. Em torno dele reuniram-se Mend\u00e8s, Sully Prudhomme, Heredia, Verlaine e Copp\u00e9e.<\/p>\n<p>Outros precursores, como Banville e Baudelaire, pregaram o culto da arte da versifica\u00e7\u00e3o e da perfei\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. \u00c0 \u00e9poca, eram muito valorizados e vistos com curiosidade os estudos arqueol\u00f3gicos e filol\u00f3gicos, a mitologia, as religi\u00f5es primitivas e as l\u00ednguas mortas.<\/p>\n<p>Os dois livros de Leconte iniciaram uma corrente pag\u00e3 de poesia, inspirada nesses estudos orientais, m\u00edsticos, primitivos, &#8220;b\u00e1rbaros&#8221;, no sentido de estranhos ao helenismo, que ele procurava ressuscitar com tradu\u00e7\u00f5es de Homero.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p>O movimento estendeu-se por aproximadamente quatro d\u00e9cadas, sem que se possa indicar limite preciso entre ele e o romantismo, de um lado, e o simbolismo, do outro. Uma de suas linhas de for\u00e7a, o culto da beleza, uniu parnasianos e simbolistas.<\/p>\n<p><strong>No entanto, pode-se distinguir alguns tra\u00e7os peculiares a cada movimento:<\/strong>\u00a0a poesia parnasiana \u00e9 objetiva, impessoal, contida, e nisso se op\u00f5e \u00e0 poesia rom\u00e2ntica. Limita-se \u00e0s descri\u00e7\u00f5es da natureza, de maneira est\u00e1tica e impass\u00edvel, freq\u00fcentemente com elemento ex\u00f3tico, evoca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e arqueol\u00f3gicas, teorias filos\u00f3ficas pessimistas e positivistas.<\/p>\n<p><strong>Seus princ\u00edpios b\u00e1sicos resumem-se nos seguintes:\u00a0<\/strong>o poeta n\u00e3o deve expor o pr\u00f3prio eu, nem fiar-se da inspira\u00e7\u00e3o; as liberdades t\u00e9cnicas s\u00e3o proibidas; o ritmo \u00e9 da maior import\u00e2ncia; a forma deve ser trabalhada com rigor; a antiguidade grega ou oriental fornece modelos de beleza impass\u00edvel; a ci\u00eancia, guiada pela raz\u00e3o, abre \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o um vasto campo, superior ao dos sentimentos; a poesia deve ser descritiva, com exatid\u00e3o e economia de imagens e met\u00e1foras, em forma cl\u00e1ssica e perfeita.<\/p>\n<p>Dessa maneira, o parnasianismo retomou as regras neocl\u00e1ssicas introduzidas por Fran\u00e7ois de Malherbe, poeta e te\u00f3rico franc\u00eas que no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII preconizou a forma estrita e contida e acentuou o predom\u00ednio da t\u00e9cnica sobre a inspira\u00e7\u00e3o. Dessa forma, o<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0foi herdeiro do neoclassicismo, do qual se fez imitador. Seu amor ao pitoresco, ao colorido, ao t\u00edpico, estabelece a diferen\u00e7a entre os dois estilos e o torna um movimento representativo do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da poesia parnasiana descreveu, resumidamente, um percurso que se iniciou no romantismo, em 1830, com Gautier; conquistou com Banville a inspira\u00e7\u00e3o antiga; atingiu a plenitude com Leconte de Lisle; e chegou \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o com Heredia em Les Troph\u00e9es (1893; Os trof\u00e9us).<\/p>\n<p>Heredia, que chamou a Fran\u00e7a de &#8220;p\u00e1tria de meu cora\u00e7\u00e3o e mente&#8221;, foi um brilhante mestre do soneto e grande amigo de Leconte de Lisle. Ele reuniu as duas tend\u00eancias principais do\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0&#8212; a inspira\u00e7\u00e3o \u00e9pica e o amor \u00e0 arte&#8211; e procurou sintetizar quadros hist\u00f3ricos em sonetos perfeitos, com rimas ricas e raras. Heredia foi a express\u00e3o derradeira do movimento, e sua import\u00e2ncia \u00e9 fundamental na hist\u00f3ria da poesia moderna.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0foi substitu\u00eddo mas n\u00e3o destru\u00eddo pelo simbolismo. A maioria dos poetas simbolistas na verdade come\u00e7ou fazendo versos parnasianos. Fato dos mais curiosos na hist\u00f3ria da poesia foi Le Parnasse contemporain ter servido de ponto de partida tanto do parnasianismo quanto do simbolismo, ao reunir poetas de ambas as escolas, como Gautier e Leconte, Baudelaire e Mallarm\u00e9.<\/p>\n<p>Da Fran\u00e7a, o\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0difundiu-se especialmente pelos pa\u00edses de l\u00ednguas rom\u00e2nicas. Em Portugal, seus expoentes foram Gon\u00e7alves Crespo, Jo\u00e3o Penha e Ant\u00f4nio Feij\u00f3. O movimento alcan\u00e7ou \u00eaxito principalmente na Am\u00e9rica espanhola, com o nicarag\u00fcense Rub\u00e9n Dar\u00edo, o argentino Leopoldo Lugones, o peruano Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o uruguaio Herrera y Reissig.<\/p>\n<h4>Brasil<\/h4>\n<p>O movimento parnasiano teve grande import\u00e2ncia no Brasil, n\u00e3o apenas pelo elevado n\u00famero de poetas, mas tamb\u00e9m pela extens\u00e3o de sua influ\u00eancia. Seus princ\u00edpios doutrin\u00e1rios dominaram por muito tempo a vida liter\u00e1ria do pa\u00eds. Na d\u00e9cada de 1870, a poesia rom\u00e2ntica deu mostras de cansa\u00e7o, e mesmo em Castro Alves \u00e9 poss\u00edvel apontar elementos precursores de uma poesia realista.<\/p>\n<p>Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o do romantismo, submetido a uma cr\u00edtica severa por parte das gera\u00e7\u00f5es emergentes, insatisfeitas com sua est\u00e9tica e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.<\/p>\n<p>Dessa maneira, a d\u00e9cada de 1880 abriu-se para a poesia cient\u00edfica, a socialista e a realista, primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da reforma que acabou por se canalizar para o\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>. As influ\u00eancias iniciais foram Gon\u00e7alves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris.<\/p>\n<p>O parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Lu\u00eds Guimar\u00e3es J\u00fanior (1880; Sonetos e rimas) e Te\u00f3filo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias).<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>parnasianismo brasileiro<\/strong>, a despeito da grande influ\u00eancia que recebeu do parnasianismo franc\u00eas, n\u00e3o \u00e9 uma exata reprodu\u00e7\u00e3o dele, pois n\u00e3o obedece \u00e0 mesma preocupa\u00e7\u00e3o de objetividade, de cientificismo e de descri\u00e7\u00f5es realistas.<\/p>\n<p>Foge do sentimentalismo rom\u00e2ntico, mas n\u00e3o exclui o subjetivismo. Sua prefer\u00eancia dominante \u00e9 pelo verso alexandrino de tipo franc\u00eas, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto.<\/p>\n<p>Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo. Este \u00faltimo exige uma forma perfeita quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e \u00e0 sintaxe. Os poetas parnasianos v\u00eaem o homem preso \u00e0 mat\u00e9ria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem ent\u00e3o para o pessimismo ou para o sensualismo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Lu\u00eds Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca J\u00falia, Guimar\u00e3es Passos, Carlos Magalh\u00e3es de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Em\u00edlio de Meneses, Augusto de Lima e Lu\u00eds Murat.<\/p>\n<p>A partir de 1890, o simbolismo come\u00e7ou a superar o\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceita\u00e7\u00e3o no Brasil, gra\u00e7as certamente \u00e0 facilidade oferecida por sua po\u00e9tica, mais de t\u00e9cnica e forma que de inspira\u00e7\u00e3o e ess\u00eancia. Assim, ele foi muito al\u00e9m de seus limites cronol\u00f3gicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo.<\/p>\n<p>O prest\u00edgio dos poetas parnasianos, ao final do s\u00e9culo XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no pa\u00eds durante muito tempo. Os pr\u00f3prios poetas simbolistas foram exclu\u00eddos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o simbolismo, o\u00a0<strong>parnasianismo<\/strong>\u00a0deu lugar, nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, a uma poesia sincretista e de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Parnasianismo &#8211; Escola<\/h4>\n<p>Escola liter\u00e1ria que se desenvolve na poesia a partir de 1850. Nasce na Fran\u00e7a e precede em algumas d\u00e9cadas o Simbolismo. O nome do movimento vem de Parnaso, regi\u00e3o mitol\u00f3gica grega onde moravam os poetas. O estilo caracteriza-se pelo respeito \u00e0s regras de versifica\u00e7\u00e3o, pela riqueza da rima e pela prefer\u00eancia por estruturas fixas, como os sonetos.<\/p>\n<p>Valoriza a descri\u00e7\u00e3o objetiva, a escolha de palavras precisas e as frases invertidas. O emprego da linguagem figurada \u00e9 reduzido e valorizam-se o exotismo e a mitologia. Os principais temas s\u00e3o os fatos hist\u00f3ricos, os objetos e as paisagens.<\/p>\n<p><strong>O primeiro grupo de parnasianos de l\u00edngua francesa re\u00fane poetas de diversas tend\u00eancias, mas com um denominador comum:<\/strong>\u00a0a rejei\u00e7\u00e3o ao lirismo.<\/p>\n<p>Os principais expoentes s\u00e3o Th\u00e9ophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Th\u00e9odore de Banville (1823-1891) e Jos\u00e9 Maria de Heredia (1842-1905), de\u00a0<strong>origem cubana<\/strong>.<\/p>\n<p>Distantes da preocupa\u00e7\u00e3o com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo Dad\u00e1, est\u00e3o os pintores Ismael Nery e Fl\u00e1vio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), C\u00edcero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).<\/p>\n<p>Di Cavalcanti retrata a popula\u00e7\u00e3o brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Mo\u00e7as de Guaratinguet\u00e1. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo \u00e9 Candido Portinari, que recebe influ\u00eancia do Expressionismo. Entre seus trabalhos importantes est\u00e3o as telas Caf\u00e9 e Os Retirantes.<\/p>\n<p>Os autores mais importantes s\u00e3o Oswald de Andrade e M\u00e1rio de Andrade, os principais te\u00f3ricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Gra\u00e7a Aranha (1868-1931). Oswald de Andrade v\u00e1rias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras \u00e9 Pau-Brasil.<\/p>\n<p>O primeiro trabalho modernista de M\u00e1rio de Andrade \u00e9 o livro de poemas Paulic\u00e9ia Desvairada. Sua obra-prima \u00e9 o romance Macuna\u00edma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira tamb\u00e9m exibe tra\u00e7os modernistas, como em Libertinagem.<\/p>\n<p>Heitor Villa-Lobos \u00e9 o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar \u00e0s cria\u00e7\u00f5es um car\u00e1ter brasileiro, busca inspira\u00e7\u00e3o no folclore e incorpora elementos das melodias populares e ind\u00edgenas. O canto de p\u00e1ssaros brasileiros aparece em Bachianas N\u00ba 4 e N\u00ba 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fuma\u00e7a e, em Choros N\u00ba 8, busca imitar o som de pessoas numa rua.<\/p>\n<p>Nos anos 30 e 40, sua est\u00e9tica serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radam\u00e9s Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).<\/p>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 20 s\u00e3o fundadas as primeiras companhias de teatro no pa\u00eds, em torno de atores como Leopoldo Fr\u00f3es (1882-1932), Proc\u00f3pio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dic\u00e7\u00e3o brasileira para os atores, at\u00e9 ent\u00e3o submetidos ao sotaque e \u00e0 forma de falar de Portugal. Tamb\u00e9m inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicol\u00f3gica e vis\u00e3o mais complexa do ser humano.<\/p>\n<p>Fonte: \u00a0www2.fcsh.unl.pt\/www.escolavesper.com.br\/Encyclopaedia Britannica do Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 o parnasianismo? O Parnasianismo \u00e9 uma das escolas liter\u00e1rias que acontece quase concomitantemente ao Realismo. \u00c9 um movimento liter\u00e1rio po\u00e9tico e \u00e9 considerado quase como a forma po\u00e9tica do Realismo, se n\u00e3o fosse seu afastamento de quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais. 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