{"id":29791,"date":"2016-05-19T11:43:27","date_gmt":"2016-05-19T11:43:27","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29791"},"modified":"2018-08-27T10:56:05","modified_gmt":"2018-08-27T12:56:05","slug":"modernismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/modernismo","title":{"rendered":"Modernismo"},"content":{"rendered":"<h4>Modernismo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\n<p><strong>Modernismo<\/strong> \u00e9 notoriamente dif\u00edcil de definir claramente porque o termo engloba uma variedade de movimentos art\u00edsticos e filos\u00f3ficos espec\u00edficos, incluindo simbolismo, futurismo, surrealismo, expressionismo,imagismo, vorticismo e outros.<\/p>\n<p>Para complicar ainda mais, muitos modernistas (incluindo alguns dos mais bem sucedidos e mais famoso), n\u00e3o s\u00e3o afiliados a nenhum destes grupos.<\/p>\n<p><strong>No entanto, existem alguns princ\u00edpios b\u00e1sicos do per\u00edodo modernista que se aplicam, de uma maneira ou de outra, todos esses movimentos e os escritores e artistas n\u00e3o associados a eles:<\/strong> &#8220;literatura modernista \u00e9 caracterizada principalmente por uma rejei\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo 19 e de o seu consenso entre autor e leito.<\/p>\n<p><strong>Modernismo<\/strong> \u00e9 um per\u00edodo na hist\u00f3ria liter\u00e1ria que come\u00e7ou por volta do in\u00edcio de 1900 e continuou at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 1940.<\/p>\n<p>Escritores modernistas em geral se rebelou contra narrativa clara e verso estereotipada do s\u00e9culo 19. Em vez disso, muitos deles contavam hist\u00f3rias fragmentadas que refletiam o estado fragmentado da sociedade durante e ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial I.<\/p>\n<h4>Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p><strong>Modernismo<\/strong> \u00e9 um estilo de arte, arquitetura, literatura, etc, que utiliza ideias e m\u00e9todos que s\u00e3o muito diferentes dos utilizados no passado.<\/p>\n<p><strong>Modernismo<\/strong> \u00e9 mais uma maneira de pensar do que um estilo. Os modernistas acreditavam que o design de um objeto deve ser baseada puramente em seu prop\u00f3sito &#8211; que &#8220;a forma segue a fun\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h4><strong>Modernismo<\/strong> &#8211; Origem<\/h4>\n<p>O\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0surgiu em Portugal por volta de 1915, com a publica\u00e7\u00e3o das revistas Orfeu (1915), Centauro (1916) e Portugal Futurista (1919).<\/p>\n<p>A primeira atitude dos novos escritores foi de esquecer o passado, desprezar o sentimentalismo falso dos rom\u00e2nticos e adotar uma participa\u00e7\u00e3o ativa e dentro primar pela originalidade de id\u00e9ias e, na poesia, n\u00e3o deveriam se prender \u00e0 rima e \u00e0 m\u00e9trica.<\/p>\n<p>Os autores modernos n\u00e3o fundaram propriamente uma nova escola liter\u00e1ria, com regras r\u00edgidas. Pelo contr\u00e1rio, desvincularam-se das teorias das escolas anteriores e procuraram para transmitir suas emo\u00e7\u00f5es, os fatos da vida atual e a realidade do pa\u00eds de uma forma livre e descompromissada.<\/p>\n<p>Percebe-se nos autores modernos um vocabul\u00e1rio cheio de express\u00f5es coloquiais, traduzindo a fala t\u00edpica brasileira, versos livres, estilo consisco.<\/p>\n<p><strong>No Brasil ocorreram fatos fatos para o surgimento do Modernismo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1912: <\/strong>Oswald de Andrade vai \u00e0 Europa e volta imbu\u00eddo do futurismo de Marinetti. Futurismo \u00e9 o nome dado ao movimento modernista que se baseia numa vida din\u00e2mica, voltada para o futuro, e que combate o passado, as tradi\u00e7\u00f5es, o sentimentalismo, prega formas novas e n\u00edtidas.<strong><br \/>\n1915: Monteiro Lobato publica em O Estado de S. Paulo dois artigos<\/strong>: &#8220;Urup\u00e9s&#8221; e &#8220;Velha Praga&#8221;, em que condena o regionalismo sentimental e idealista.<strong><br \/>\n1917: <\/strong>Anita Malfati lan\u00e7a na pintura o cubismo, que despreza perspectiva convencional e representa os objetos com formas geom\u00e9tricas.<strong><br \/>\n1921: <\/strong>Gra\u00e7a Aranha volta da Europa e publica est\u00e9tica da Vida, em que condena os padr\u00f5es da \u00e9poca.<strong><br \/>\n1922: <\/strong>Semana de Arte Moderna em S\u00e3o Paulo, com sess\u00f5es, confer\u00eancias, recitais, exposi\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas. <strong>Participaram desta semana<\/strong>: Oswald de Andrade, M\u00e1rio de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Gra\u00e7a Aranha, Ronald de Carvalho, Guiomar Novais, Paulo Prado, etc. Estava fundado o\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0no Brasil. Apesar do forte impacto causado pelo movimento, o Modernismo se manteve devido \u00e1 grande divulga\u00e7\u00e3o no s jornais e revistas da \u00e9poca.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O movimento modernista passou por tr\u00eas fases distintas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1\u00ba fase (1922-1928):<\/strong> Nesta primeira fase, os autores procuraram destruir e menosprezar a literatura anterior, dando \u00eanfase a um nacionalismo exagerado, ao primitivismo e repudiando todo o nosso passado hist\u00f3rico.<strong><br \/>\n2\u00aa fase (1928-1945): <\/strong>Per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o, com id\u00e9ias liter\u00e1rias inovadoras e coerentes. Abrem esta fase construtiva M\u00e1rio de Andrade, com a obra Macuna\u00edma, e Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, com A Bagaceira.<strong><br \/>\n3\u00aa fase: <\/strong>Nesta fase os autores fogem aos excessos e primam pela ordem sobre os caos que foi a gera\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o, no Brasil, das teorias vanguardistas europ\u00e9ias \u00e9 feita, em 1922, pela Semana de Arte Moderna. Com a chamada Gera\u00e7\u00e3o de 22, instalam-se, na literatura brasileira, a escrita autom\u00e1tica, influenciada pelos surrealistas franceses, o verso livre, o lirismo par\u00f3dico, a prosa experimental e uma explora\u00e7\u00e3o criativa do folclore, da tradi\u00e7\u00e3o oral e da linguagem coloquial. Em seu conjunto, essa \u00e9 uma fase contradit\u00f3ria, de ruptura com o passado liter\u00e1rio, mas, ao mesmo tempo, de tentativa de resgate de tradi\u00e7\u00f5es tipicamente brasileiras.<\/p>\n<p>O ataque de Monteiro Lobato, em 1917, \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de Anita Malfatti \u00e9 respondido com a Semana. Em torno dela, surgem M\u00e1rio de Andrade (Paulic\u00e9ia desvairada, Macuna\u00edma), Oswald de Andrade (Mem\u00f3rias sentimentais de Jo\u00e3o Miramar), Manuel Bandeira (Ritmo dissoluto), Cassiano Ricardo (Martim-Cerer\u00ea) e movimentos como o da Revista de Antropofagia e o do Pau-Brasil, ambos liderados por Oswald, ou o da revista Verde, de Cataguazes, sempre com tend\u00eancias nacionalistas.<\/p>\n<p>A esse n\u00facleo juntam-se Carlos Drummond de Andrade (Alguma poesia), Augusto Meyer (Giraluy), M\u00e1rio Quintana (A rua do catavento), Jorge de Lima (Poemas negros) e o romancista Jos\u00e9 Lins do Rego (Menino de engenho).<\/p>\n<p>Em rea\u00e7\u00e3o ao liberalismo desse grupo, o Verde-amarelismo e o movimento Anta, de 1926, ambos comandados por Pl\u00ednio Salgado e contando com poetas como Menotti del Picchia (Juca Mulato), fecham-se \u00e0s vanguardas europ\u00e9ias e aderem a id\u00e9ias pol\u00edticas que prenunciam o integralismo, vers\u00e3o brasileira do fascismo.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Raul de Morais Andrade (1893-1945), nasce em S\u00e3o Paulo. Formado em m\u00fasica, trabalha como cr\u00edtico de arte e professor. \u00c9 um dos mais importantes participantes da Semana de 22. Pesquisa o folclore brasileiro e o utiliza em suas obras, distanciando-se da postura de valorizar somente o que \u00e9 europeu. Esses estudos s\u00e3o utilizados em Macuna\u00edma, o her\u00f3i sem nenhum car\u00e1ter, onde tra\u00e7a o perfil do her\u00f3i brasileiro, produto de uma grande mistura \u00e9tnica e cultural.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Oswald de Sousa Andrade (1890-1954), trabalha como jornalista e cursa direito, sempre em S\u00e3o Paulo. De fam\u00edlia rica, viaja v\u00e1rias vezes para a Europa. \u00c9 quem melhor representa o esp\u00edrito rebelde do\u00a0<strong>modernismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Funda a Revista de antropofagia, em 1927, onde afirma ser necess\u00e1rio que o Brasil devore a cultura estrangeira e, na digest\u00e3o, aproveite suas qualidades para criar uma cultura pr\u00f3pria. Em Mem\u00f3rias sentimentais de Jo\u00e3o Miramar analisa de forma sarc\u00e1stica o fen\u00f4meno urbano.<\/p>\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o de 30<\/strong><\/p>\n<p>O clima decorrente da Revolu\u00e7\u00e3o de 30 ajuda a consolidar as revolu\u00e7\u00f5es propostas, ainda de forma desorganizada, em 22. Poetas como Drummond (A rosa do povo), Bandeira (Estrela da vida inteira) ou romancistas como Lins do Rego (Fogo morto) atingem a maturidade.<\/p>\n<p><strong>Surgem nomes novos: <\/strong>\u00c9rico Ver\u00edssimo (a trilogia O tempo e o vento), Jorge Amado (Capit\u00e3es de areia, Seara vermelha), Rachel de Queir\u00f3s (O quinze), Jos\u00e9 Geraldo Vieira (A mulher que fugiu de Sodoma), Alc\u00e2ntara Machado (Br\u00e1s, Bexiga e Barra Funda) e, principalmente, Graciliano Ramos (Vidas secas). Essa \u00e9 uma fase de grande tens\u00e3o ideol\u00f3gica e de abordagem da literatura como um instrumento privilegiado de conhecimento e modifica\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>Numa linha mais intimista, surgem poetas como Cec\u00edlia Meireles (Vaga m\u00fasica), Vin\u00edcius de Moraes (Poemas, sonetos e baladas), o regionalista Raul Bopp (Cobra Norato), Augusto Frederico Schmidt (Desapari\u00e7\u00e3o da amada) e Henriqueta Lisboa (A face l\u00edvida), influenciados pelo Neo-simbolismo europeu; e prosadores como Corn\u00e9lio Pena (A menina morta), L\u00facio Cardoso (Cr\u00f4nica da casa assassinada), Dion\u00e9lio Machado (Os ratos).<\/p>\n<p>Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasce em Itabira, Minas Gerais. Forma-se em farm\u00e1cia, mas trabalha como funcion\u00e1rio p\u00fablico por muitos anos.<\/p>\n<p>Antes de se mudar para o Rio de Janeiro, na d\u00e9cada de 30, funda A revista, onde divulga as id\u00e9ias modernistas em Minas. Sua poesia n\u00e3o se restringe a esse movimento, mas \u00e9 marcada pela ironia, pelo anti-ret\u00f3rico e pela conten\u00e7\u00e3o. Em Rosa do povo, de 1945, faz uma poesia de certa forma engajada, nascida das esperan\u00e7as surgidas com o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas a partir de Claro enigma, de 1951, registra o vazio da vida humana e o absurdo do mundo, sem nunca abandonar a ironia.<\/p>\n<p>Graciliano Ramos (1892-1953) nasce em Quebr\u00e2ngulo, Alagoas. Trabalha como jornalista, comerciante, diretor da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica de Alagoas. Chega a ser eleito prefeito de Palmeira dos \u00cdndios (AL), em 1928. Acusado de subvers\u00e3o, passa 11 meses preso no Rio de Janeiro, per\u00edodo que narra em Mem\u00f3rias do c\u00e1rcere. Com uma linguagem precisa, de poucos adjetivos, mostra conhecimento das ang\u00fastias humanas e preocupa\u00e7\u00e3o com os problemas sociais. Seus personagens n\u00e3o se adaptam ao mundo que os cerca. Paulo Hon\u00f3rio, de S\u00e3o Bernardo, sabe como administrar suas terras, mas \u00e9 incapaz de lidar com sentimentos. Na sua obra destacam-se tamb\u00e9m Vidas secas e Ang\u00fastia.<\/p>\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o de 45<\/strong><\/p>\n<p>Em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 postura muito politizada da fase anterior, os poetas dessa gera\u00e7\u00e3o voltam para um neo-parnasianismo, que se preocupa com o apuro formal e foge a temas considerados banais. Dentre esses autores \u0096 Geir Campos (Coroa de sonetos), P\u00e9ricles Eug\u00eanio da Silva Ramos (Poesia quase completa), Alphonsus de Guimaraens Filho (Lume de estrelas), Ledo Ivo (Acontecimento do soneto) \u0096 destaca-se Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (Educa\u00e7\u00e3o pela pedra, Morte e vida severina), pela inventividade verbal e intensidade da participa\u00e7\u00e3o nos problemas sociais. O mais importante livro de poesia dessa fase, influenciado pelas id\u00e9ias dessa gera\u00e7\u00e3o de artistas, \u00e9 Claro enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Na prosa, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa e Clarice Lispector (A ma\u00e7\u00e3 no escuro) revolucionam o uso da linguagem.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa (1908-1967) nasce em Cordisburgo, Minas Gerais. M\u00e9dico, torna-se diplomata em 1934. Exerce a medicina no interior de Minas. Como diplomata trabalha em Hamburgo (Alemanha), Bogot\u00e1 (Col\u00f4mbia) e Paris (Fran\u00e7a).<\/p>\n<p><strong>Sua obra explora o manancial dos falares regionais, pondo-o a servi\u00e7o de uma escrita complexa, de imensa criatividade:<\/strong> Grande sert\u00e3o: veredas \u00e9 uma epop\u00e9ia ambientada no interior de Minas Gerais, que transp\u00f5e para o Brasil o mito da luta entre o ser humano e o diabo.<\/p>\n<p>Clarice Lispector (1926-1977) vem da Ucr\u00e2nia para o Brasil rec\u00e9m-nascida e \u00e9 levada pela fam\u00edlia para o Recife. Em 1934 muda-se para o Rio de Janeiro. Escreve o primeiro romance, Perto do cora\u00e7\u00e3o selvagem, aos 17 anos. Em livros como A paix\u00e3o segundo GH, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, A hora da estrela leva o subjetivo ao limite, deixando \u00e0 mostra o fluxo da consci\u00eancia e rompendo com o enredo factual.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, pernambucano, trabalha grande parte de sua vida na Espanha como diplomata. Sua poesia objetiva recusa sentimentalismos e tra\u00e7os sup\u00e9rfluos. Morte e vida severina, relato da viagem de um nordestino para o litoral que, no seu caminho, s\u00f3 encontra sinais de morte, \u00e9 a obra que melhor equilibra rigor formal e tem\u00e1tica social.<\/p>\n<h4><strong>Modernismo &#8211; <\/strong>Brasil<\/h4>\n<p>Tend\u00eancia vanguardista que rompe com padr\u00f5es r\u00edgidos e caminha para uma cria\u00e7\u00e3o mais livre, surgida internacionalmente nas artes pl\u00e1sticas e na literatura a partir do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. \u00c9 uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas art\u00edsticas do passado. Como resultado desenvolvem-se novos movimentos, entre eles o expressionismo, o cubismo, o dad\u00e1, o surrealismo e o futurismo.<\/p>\n<p>No Brasil, o termo identifica o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922. Em 13, 15 e 17 de fevereiro daquele ano, confer\u00eancias, recitais de m\u00fasica, declama\u00e7\u00f5es de poesia e exposi\u00e7\u00e3o de quadros, realizados no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo, apresentam ao p\u00fablico as novas tend\u00eancias das artes do pa\u00eds. Seus idealizadores rejeitam a arte do s\u00e9culo XIX e as influ\u00eancias estrangeiras do passado. Defendem a assimila\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias est\u00e9ticas internacionais para mescl\u00e1-las com a cultura nacional, originando uma arte vinculada \u00e0 realidade brasileira.<\/p>\n<p>A partir da Semana de 22 surgem v\u00e1rios grupos e movimentos, radicalizando ou opondo-se a seus princ\u00edpios b\u00e1sicos. O escritor Oswald de Andrade e a artista pl\u00e1stica Tarsila do Amaral lan\u00e7am em 1925 o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, que enfatiza a necessidade de criar uma arte baseada nas caracter\u00edsticas do povo brasileiro, com absor\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da modernidade europ\u00e9ia.<\/p>\n<p>Em 1928 levam ao extremo essas id\u00e9ias com o Manifesto Antropof\u00e1gico, que prop\u00f5e &#8220;devorar&#8221; influ\u00eancias estrangeiras para impor o car\u00e1ter brasileiro \u00e0 arte e \u00e0 literatura. Por outro caminho, mais conservador, segue o grupo da Anta, liderado pelo escritor Menotti del Picchia (1892-1988) e pelo poeta Cassiano Ricardo (1895-1974). Em um movimento chamado de verde-amarelismo, fecham-se \u00e0s vanguardas europ\u00e9ias e aderem a id\u00e9ias pol\u00edticas que prenunciam o integralismo, vers\u00e3o brasileira do fascismo.<\/p>\n<p>O principal ve\u00edculo das id\u00e9ias modernistas \u00e9 a revista Klaxon, lan\u00e7ada em maio de 1922.<\/p>\n<p>Artes pl\u00e1sticas \u0096Uma das primeiras exposi\u00e7\u00f5es de arte moderna no Brasil \u00e9 realizada em 1913 pelo pintor de origem lituana Lasar Segall. Suas telas chocam, mas as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o amenizadas pelo fato de o artista ser estrangeiro. Em 1917, Anita Malfatti realiza a que \u00e9 considerada de fato a primeira mostra de arte moderna brasileira. Apresenta telas influenciadas pelo cubismo, expressionismo, fauvismo e futurismo que causam esc\u00e2ndalo, entre elas A Mulher de Cabelos Verdes.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter exposto na Semana de 22, Tarsila do Amaral torna-se fundamental para o movimento. Sua pintura \u00e9 baseada em cores puras e formas definidas. Frutas e plantas tropicais s\u00e3o estilizadas geometricamente, numa certa rela\u00e7\u00e3o com o cubismo. Um exemplo \u00e9 Mamoeiro. A partir dos anos 30, Tarsila interessa-se tamb\u00e9m pelo proletariado e pelas quest\u00f5es sociais, que pinta com cores mais escuras e tristes, como em Os Oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Di Cavalcanti retrata a popula\u00e7\u00e3o brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla influ\u00eancias realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Mo\u00e7as de Guaratinguet\u00e1. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo \u00e9 Candido Portinari, que recebe influ\u00eancia do expressionismo. Entre os muitos exemplos est\u00e3o as telas Caf\u00e9 e Os Retirantes.<\/p>\n<p>Distantes da preocupa\u00e7\u00e3o com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo dad\u00e1, est\u00e3o os pintores Ismael Nery e Fl\u00e1vio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), C\u00edcero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).<\/p>\n<p>O principal escultor modernista \u00e9 Vitor Brecheret. Suas obras s\u00e3o geometrizadas, t\u00eam formas sint\u00e9ticas e poucos detalhes. Seu trabalho mais conhecido \u00e9 o Monumento \u00e0s Bandeiras, no Parque Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo. Outros dois escultores importantes s\u00e3o Celso Ant\u00f4nio de Menezes (1896-) e Bruno Giorgi (1905-1993).<\/p>\n<p>Na gravura, o\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0brasileiro possui dois expoentes. Um deles \u00e9 Osvaldo Goeldi (1895-1961). Identificado com o expressionismo, cria obras em que retrata a aliena\u00e7\u00e3o e a solid\u00e3o do homem moderno. L\u00edvio Abramo (1903-1992) desenvolve tamb\u00e9m um trabalho com carga expressionista, por\u00e9m engajado socialmente.<\/p>\n<p>A partir do final dos anos 20 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 30 come\u00e7am a se aproximar do\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0artistas mais preocupados com o aspecto pl\u00e1stico da pintura.<\/p>\n<p>Utilizam cores menos gritantes e composi\u00e7\u00e3o mais equilibrada. Entre eles destacam-se Alberto Guignard (1896-1962), Alfredo Volpi, depois ligado \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o, e Francisco Rebolo (1903-1980).<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0enfraquece a partir dos anos 40, quando a abstra\u00e7\u00e3o chega com mais for\u00e7a ao pa\u00eds. Seu final acontece nos anos 50 com a cria\u00e7\u00e3o das bienais, que promovem a internacionaliza\u00e7\u00e3o da arte do pa\u00eds.<\/p>\n<h4>Literatura<\/h4>\n<p>Uma das principais inova\u00e7\u00f5es modernistas \u00e9 a abordagem de temas do cotidiano, com \u00eanfase na realidade brasileira e nos problemas sociais. O tom \u00e9 combativo. O texto liberta-se da linguagem culta e passa a ser mais coloquial, com admiss\u00e3o de g\u00edrias. Nem sempre as ora\u00e7\u00f5es seguem uma seq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica e o humor costuma estar presente. Objetividade e concis\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas marcantes. Na poesia, os versos tornam-se livres, e deixa de ser obrigat\u00f3rio o uso de rimas ricas e m\u00e9tricas perfeitas.<\/p>\n<p>Os autores mais importantes s\u00e3o Oswald de Andrade e M\u00e1rio de Andrade, os principais te\u00f3ricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Gra\u00e7a Aranha (1868-1931). Em sua obra, Oswald de Andrade v\u00e1rias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Na poesia, Pau-Brasil \u00e9 um de seus principais livros.<\/p>\n<p>A primeira obra modernista de M\u00e1rio de Andrade \u00e9 o livro de poemas Paulic\u00e9ia Desvairada. Sua obra-prima \u00e9 o romance Macuna\u00edma, o Her\u00f3i sem Nenhum Car\u00e1ter, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira tamb\u00e9m exibe tra\u00e7os modernistas. Um exemplo \u00e9 o livro Libertinagem.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0vive uma segunda fase a partir de 1930, quando \u00e9 lan\u00e7ado Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Os temas sociais ganham destaque e o regionalismo amplia sua tem\u00e1tica. Paisagens e personagens t\u00edpicos s\u00e3o usados para abordar assuntos de interesse universal.<\/p>\n<p>Entre os que exploram o romance social voltado para o Nordeste est\u00e3o Rachel de Queiroz, de O Quinze, Graciliano Ramos, de Vidas Secas, Jorge Amado, de Capit\u00e3es da Areia, Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, de A Bagaceira, e Jos\u00e9 Lins do Rego (1901-1957), de Menino de Engenho. Surgem ainda nessa \u00e9poca os romances de introspec\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica urbanos, como Caminhos Cruzados, de \u00c9rico Ver\u00edssimo.<\/p>\n<p>Numa linha mais intimista est\u00e3o poetas como Cec\u00edlia Meireles, autora de Vaga M\u00fasica, Vinicius de Moraes, de Poemas, Sonetos e Baladas, Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), de Desapari\u00e7\u00e3o da Amada, e Henriqueta Lisboa (1904-1985), de A Face L\u00edvida.<\/p>\n<p>A terceira fase do\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0tem in\u00edcio em 1945. Os poetas retomam alguns aspectos do parnasianismo, como L\u00eado Ivo, de Acontecimento do Soneto. Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, de Morte e Vida Severina, destaca-se pela inventividade verbal e pelo engajamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Na prosa, os principais nomes s\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, autor de Grande Sert\u00e3o<\/strong>: Veredas, e Clarice Lispector, de Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem.<\/p>\n<h4>M\u00fasica<\/h4>\n<p>O\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0d\u00e1 prosseguimento \u00e0s mudan\u00e7as iniciadas com o impressionismo e o expressionismo, rompendo ainda mais com o sistema tonal (m\u00fasica estruturada a partir da elei\u00e7\u00e3o de uma das 12 notas da escala como a principal). Os movimentos musicais modernistas s\u00e3o o dodecafonismo, o neoclassicismo e as escolas nacionais (que exploram o folclore de cada pa\u00eds), predominantes internacionalmente de 1910 a 1950.<\/p>\n<p>Heitor Villa-Lobos \u00e9 o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar \u00e0s cria\u00e7\u00f5es um car\u00e1ter brasileiro, busca inspira\u00e7\u00e3o no folclore e incorpora elementos das melodias populares e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O canto de p\u00e1ssaros brasileiros aparece em Bachianas n\u00ba 4 e n\u00ba 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fuma\u00e7a, e em Choros n\u00ba 8 busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua est\u00e9tica serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radam\u00e9s Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).<\/p>\n<h4>Teatro<\/h4>\n<p>O\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0influencia tardiamente a produ\u00e7\u00e3o teatral. S\u00f3 em 1927 come\u00e7am as inova\u00e7\u00f5es nos palcos brasileiros. Naquele ano, o Teatro de Brinquedo, grupo experimental liderado pelo dramaturgo e poeta \u00c1lvaro Moreyra (1888-1965), monta Ad\u00e3o, Eva e Outros Membros da Fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>A pe\u00e7a, em linguagem coloquial e influenciada pelo marxismo, p\u00f5e pela primeira vez em cena dois marginais<\/strong>: um mendigo e um ladr\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 20 s\u00e3o fundadas as primeiras companhias de teatro no pa\u00eds, em torno de atores como Leopoldo Fr\u00f3es (1882-1932), Proc\u00f3pio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dic\u00e7\u00e3o brasileira para os atores, at\u00e9 ent\u00e3o submetidos ao sotaque e \u00e0 forma de falar de Portugal. Tamb\u00e9m inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicol\u00f3gica e vis\u00e3o mais complexa do ser humano.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a O Rei da Vela (1937), de Oswald de Andrade, \u00e9 considerada o primeiro texto modernista para teatro. Nas experi\u00eancias inovadoras anteriores, apenas a encena\u00e7\u00e3o tinha ares modernistas ao incluir a pintura abstrata nos cen\u00e1rios e afast\u00e1-los do realismo e do simbolismo. Mas o texto de Oswald de Andrade trata com enfoque marxista a sociedade decadente, com a linguagem e o humor t\u00edpicos do\u00a0<strong>modernismo<\/strong>.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a O Bailado do Deus Morto, de Fl\u00e1vio de Carvalho, \u00e9 uma das primeiras montagens modernistas, encenada pela primeira vez em 15 de novembro de 1933, em S\u00e3o Paulo. Mescla teatro, dan\u00e7a, m\u00fasica e pintura. \u00c9 o primeiro espet\u00e1culo com texto livre, improvisado, cen\u00e1rio impactante, linguagem popular e uso de palavr\u00e3o, sem preocupa\u00e7\u00e3o com a seq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica de acontecimentos.<\/p>\n<h4><strong>Arte Moderna no Brasil<\/strong><\/h4>\n<p>A <strong>arte moderna no Brasil<\/strong> tem uma esp\u00e9cie de data oficial de nascimento. \u00c9 fevereiro de 1922, quando se realizou, no Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo, a Semana de Arte Moderna. A &#8220;Semana&#8221;, que apresentou eventos em diversas \u00e1reas, foi o resultado dos esfor\u00e7os conjugados de intelectuais, poetas e artistas pl\u00e1sticos, apoiados e patrocinados, inclusive financeiramente, pelos chamados &#8220;bar\u00f5es do caf\u00e9&#8221;, a alta burguesia cujas fortunas vinham do cultivo e\/ou exporta\u00e7\u00e3o desse produto.<\/p>\n<p>Naturalmente, a arte moderna brasileira n\u00e3o &#8220;nasceu&#8221;, de fato, num ano exato. Alguns acontecimentos prepararam a &#8220;Semana&#8221;, destacando-se, em 1917, uma pol\u00eamica exposi\u00e7\u00e3o de Anita Malfatti, que estudara na Alemanha e mostrava em sua pintura uma n\u00edtida influ\u00eancia do expressionismo. De qualquer forma, 1922 (ano tamb\u00e9m do centen\u00e1rio da independ\u00eancia do Brasil e da funda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista no Pa\u00eds) ficou sendo a data s\u00edmbolo.<\/p>\n<p>Um dos participantes e grandes apoiadores da &#8220;Semana&#8221; (assim como de todos os movimentos intelectuais progressistas das d\u00e9cadas seguintes) foi o poeta e cr\u00edtico M\u00e1rio de Andrade que, em 1942, a ela se referiu como um movimento &#8220;essencialmente destruidor&#8221;. Mas n\u00e3o foi bem assim. Sem d\u00favida, a iniciativa tinha tamb\u00e9m seu car\u00e1ter iconoclasta, mas construiu bem mais que destruiu.<\/p>\n<p>Forneceu o ponto de partida para uma est\u00e9tica e uma pr\u00e1tica efetivamente do nosso s\u00e9culo numa arte at\u00e9 ent\u00e3o conservadora. Os principais artistas pl\u00e1sticos que participaram da &#8220;Semana&#8221; foram os pintores Anita Malfatti (1896-1964), Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), John Graz (1891-1980) e Emiliano Di Cavalcanti, assim como Victor Brecheret (1894-1955), o maior escultor figurativo do s\u00e9culo XX no Brasil.<\/p>\n<p>Ao longo da d\u00e9cada de 30, a nova est\u00e9tica e a nova pr\u00e1tica art\u00edstica &#8211; embora se mantivessem dentro dos limites do figurativismo &#8211; foram se firmando no Brasil, tanto atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o de grupos quanto do trabalho isolado de criadores independentes. A esse per\u00edodo podemos chamar, genericamente, de\u00a0<strong>modernismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Seu car\u00e1ter figurativo n\u00e3o tinha o car\u00e1ter hist\u00f3rico\/\u00e9pico que embasa, por exemplo, o muralismo mexicano. Na verdade, no Brasil n\u00e3o existiu uma cultura pr\u00e9-colombiana desenvolvida, como a dos incas, maias e astecas; os \u00edndios brasileiros estavam num est\u00e1gio muito mais rudimentar de civiliza\u00e7\u00e3o. O resgate de uma antiga identidade cultural destru\u00edda pelo colonizador europeu nunca foi, portanto, uma preocupa\u00e7\u00e3o nacional brasileira. Isso n\u00e3o impede, \u00e9 claro, que alguns artistas tenham tentado identificar e apreender em seu trabalho o que possa vir a ser &#8220;brasilidade&#8221;.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 30 surgem novos grupos modernistas, especialmente no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo. Como regra, n\u00e3o t\u00eam la\u00e7os diretos com os precursores nem com os participantes da &#8220;Semana&#8221;, nem o mesmo empenho em teorizar sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O <strong>modernismo<\/strong>\u00a0dos anos 20 era erudito, internacionalizante e, de certa forma, elitista. O dos novos grupos, n\u00e3o; queria refletir e participar diretamente da vida social. Talvez por isso, estilisticamente eram grupos algo tradicionalistas &#8211; o que n\u00e3o significava, entretanto, qualquer retorno ao passado acad\u00eamico.<\/p>\n<p>De 1931 a 1942 funcionou, no Rio, o N\u00facleo Bernardelli, cujos principais integrantes foram Bustamante S\u00e1 (1907-1988), Eug\u00eanio Sigaud (1899-1979), Milton Dacosta (1915-1988), Quirino Campofiorito (1902-1993) e Jos\u00e9 Pancetti (1904-1958).<\/p>\n<p>Em 1932, fundaram-se em S\u00e3o Paulo a Sociedade Pr\u00f3-Arte Moderna (SPAM) e o Clube dos Artistas Modernos (CAM). Talvez por estar em S\u00e3o Paulo (onde acontecera a &#8220;Semana&#8221;), a SPAM mantinha alguns la\u00e7os com o primeiro\u00a0<strong>modernismo<\/strong>. Os artistas mais importantes que dela participaram foram o imigrante lituano Lasar Segall (1891-1980), Tarsila do Amaral (1886-1973) e o escultor Victor Brecheret (1894-1955). J\u00e1 no CAM, o l\u00edder incontest\u00e1vel foi Fl\u00e1vio de Carvalho (1899-1973).<\/p>\n<p>Finalmente, em 1935\/36, ainda em S\u00e3o Paulo, aglutinaram-se, de maneira informal, alguns pintores que hoje chamamos de Grupo Santa Helena. Os principais foram Francisco Rebolo (1903-1980), Aldo Bonadei (1906-1974), M\u00e1rio Zanini (1907-1971), Cl\u00f3vis Graciano (1907-1988) e Alfredo Volpi. O Grupo Santa Helena \u00e9 um excelente exemplo das mudan\u00e7as ocorridas desde a &#8220;Semana&#8221;. Esta fora patrocinada e usufru\u00edda pela aristocracia do caf\u00e9. Quanto aos artistas do &#8220;Santa Helena&#8221;, eram de origem humilde, imigrantes ou filhos de imigrantes, e produziam uma arte simples, cotidiana, em certo sentido prolet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os movimentos dos anos 30, a arte moderna estava, enfim, bem assentada no Brasil. Na d\u00e9cada de 40, assiste-se ao primeiro apogeu de C\u00e2ndido Portinari (1903-1962), de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), de Jos\u00e9 Pancetti (1904-1958) etc. Come\u00e7am suas carreiras os escultores Bruno Giorgi (1905-1993) e Alfredo Ceschiatti (1918- 1989).<\/p>\n<p>Come\u00e7am tamb\u00e9m a trabalhar, ainda como figurativos, v\u00e1rios dos futuros integrantes das tend\u00eancias abstratas. Uma individualidade poderosa a registrar, a partir dessa d\u00e9cada, e que continua em a\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje, \u00e9 a do desenhista e gravador figurativo Marcelo Grassmann (1925), dono de um universo inconfund\u00edvel, aparentado (por assim dizer) com a imemorial tradi\u00e7\u00e3o expressionista e fant\u00e1stica da arte da Europa Central. Grassmann desenha um mundo de damas e cavaleiros medievais, fantasmagorias e monstros engendrados pelo sonho da raz\u00e3o, como diria Goya.<\/p>\n<p>Com raras exce\u00e7\u00f5es (destacando-se o Clube de Gravura de Porto Alegre, fundado em 1950, e que foi o movimento mais politizado at\u00e9 hoje na arte brasileira, praticando quase o realismo social), os anos 50 e 60 viram o triunfo das tend\u00eancias abstratas. S\u00f3 ap\u00f3s 1965, quando se realiza no Rio a exposi\u00e7\u00e3o Opini\u00e3o 65, as novas gera\u00e7\u00f5es retomam a arte figurativa.<\/p>\n<p><strong>Essa retomada se faz nos mesmos moldes em que ela foi reaparecendo em todo o mundo<\/strong>: a nova figura\u00e7\u00e3o, de \u00edndole cr\u00edtica, muitas vezes socialmente engajada; a cr\u00f4nica da contemporaneidade e da sociedade de consumo, influenciada pela pop art; e assim por diante. Opini\u00e3o 65 constituiu a primeira de uma s\u00e9rie de exposi\u00e7\u00f5es e eventos, happenings, investiga\u00e7\u00f5es de linguagem e buscas do novo em todos os sentidos.<\/p>\n<p><strong>Seus principais participantes foram<\/strong>: Ant\u00f4nio Dias (1944), Carlos Vergara (1941), H\u00e9lio Oiticica (1937), Roberto Magalh\u00e3es (1940) e Rubens Gerchman (1942).<\/p>\n<p>Mencionaremos ainda aqui o Grupo Rex (1966\/67), a Bienal da Bahia (1966 e 68) e a mostra Nova Objetividade Brasileira (1967).<\/p>\n<p>Em sintonia com o que ia acontecendo no resto do mundo, a d\u00e9cada de 70 come\u00e7a no Brasil com um certo arrefecimento das vanguardas. &#8220;A primeira atitude dos anos 70 foi substituir o ativismo pela reflex\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o pela raz\u00e3o, o objeto pelo conceito e, no extremo da proposta, a vida pela arte&#8221; &#8211; escreve o cr\u00edtico Frederico Morais (Cadernos\u00a0<strong>Hist\u00f3ria<\/strong>\u00a0da Pintura no Brasil, volume 6, Instituto Cultural Ita\u00fa). Brota da\u00ed a arte conceitual, que tamb\u00e9m se afirma no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Dentre os artistas mais significativos de alguma forma ligados \u00e0 tend\u00eancia conceitual, devem ser citados<\/strong>: Mira Schendel (1919-1988) &#8211; na verdade, uma artista polimorfa, de trajet\u00f3ria muito variada, que investigou in\u00fameros fil\u00f5es; Walt\u00e9rcio Caldas (1946); Artur Al\u00edpio Barrio (1945), Cildo Meirelles (1948), Tunga (1952). Curiosamente, estes quatro vivem no Rio.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, manteve-se mais a tradi\u00e7\u00e3o objetual, e artistas como Lu\u00eds Paulo Baravelli (1942), Jos\u00e9 Rezende (1945) e Carlos Fajardo (1941) formularam propostas pr\u00f3prias sem recusar os suportes hist\u00f3ricos da arte. Enfim, nos anos 70, atingem sua maturidade alguns artistas que est\u00e3o hoje no apogeu e se conservaram, no essencial, independentes dos modelos internacionais e vanguardismos que continuaram chegando atrav\u00e9s das bienais. Poder\u00edamos cham\u00e1-los de os mestres de hoje.<\/p>\n<p>Para concluir, os anos 80 e 90 s\u00e3o, como em todos os demais pa\u00edses de cultura ocidental, um mare magnum de tend\u00eancias e estilos, propostas e projetos, que trouxeram para o arsenal de instrumentos e est\u00edmulos da arte todos os recursos expressivos do ser humano. O artista de hoje sabe que, no plano formal, tudo lhe \u00e9 permitido, n\u00e3o existem barreiras de linguagem, nem materiais espec\u00edficos, nem plataformas coletivas. Refletindo, j\u00e1 na \u00e9poca, esse esp\u00edrito pluralista, realizou-se no Rio, em 1984, uma exposi\u00e7\u00e3o que se tornou um marco divis\u00f3rio.<\/p>\n<p>Chamou-se Como Vai Voc\u00ea, Gera\u00e7\u00e3o 80?. Nada menos de 123 artistas, cuja idade m\u00e9dia n\u00e3o passava, ent\u00e3o, dos vinte e poucos anos, iniciaram a\u00ed carreiras hoje florescentes.<\/p>\n<p><strong>Este texto se encerra com uma pequena lista de nomes, em cuja produ\u00e7\u00e3o presente e futura, com certeza, vale a pena prestar aten\u00e7\u00e3o<\/strong>: Marcos Coelho Benjamim, Karin Lambrecht, S\u00e9rgio Fingermann, Nuno Ramos, Paulo Monteiro, Carlito Carvalhosa, Daniel Senise, Emanuel Nassar, Osmar Pinheiro, Leda Catunda, Luiz \u00c1quila, Chico Cunha, Cristina Canale, \u00c2ngelo Venosa, S\u00e9rgio Niculitcheff.<\/p>\n<h4>Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p><strong>H\u00e1 controv\u00e9rsias sobre os limites temporais do moderno e alguns de seus tra\u00e7os distintivos<\/strong>: como separar cl\u00e1ssico\/moderno, moderno\/contempor\u00e2neo, moderno\/p\u00f3s-moderno. Diverg\u00eancias \u00e0 parte, observa-se uma tend\u00eancia em localizar na Fran\u00e7a do s\u00e9culo XIX o in\u00edcio da arte moderna. A experi\u00eancia urbana &#8211; ligada \u00e0 multid\u00e3o, ao anonimato, ao contingente e ao transit\u00f3rio &#8211; \u00e9 enfatizada pelo poeta e cr\u00edtico franc\u00eas Charles Baudelaire (1821 &#8211; 1867) como o n\u00facleo da vida e da arte modernas.<\/p>\n<p>O moderno n\u00e3o se define pelo tempo presente &#8211; nem toda a arte do per\u00edodo moderno \u00e9 moderna -, mas por uma nova atitude e consci\u00eancia da modernidade, declara Baudelaire, em 1863, ao comentar a pintura de Constantin Guys (1802 &#8211; 1892). A moderniza\u00e7\u00e3o de Paris &#8211; traduzida nas reformas urbanas implementadas por Haussmann, entre 1853 e 1870 &#8211; relaciona-se diretamente \u00e0 sociedade burguesa que se define ao longo das revolu\u00e7\u00f5es de 1830 e 1848.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o da burguesia traz consigo a ind\u00fastria moderna, o mercado mundial e o livre com\u00e9rcio, impulsionados pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. A industrializa\u00e7\u00e3o em curso e as novas tecnologias colocam em crise o artesanato, fazendo do artista um intelectual apartado da produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Com a industrializa\u00e7\u00e3o, esse sistema entra em crise&#8221;, afirma o historiador italiano Giulio Carlo Argan, &#8220;e a arte moderna \u00e9 a pr\u00f3pria\u00a0<strong>hist\u00f3ria<\/strong>\u00a0dessa crise.&#8221;<\/p>\n<p>O trajeto da arte moderna no s\u00e9culo XIX acompanha a curva definida pelo romantismo, realismo e impressionismo. Os rom\u00e2nticos assumem uma atitude cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s conven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e aos temas oficiais impostos pelas academias de arte, produzindo pinturas hist\u00f3ricas sobre temas da vida moderna. A Liberdade Guiando o Povo (1831), de Eug\u00e8ne Delacroix (1798 &#8211; 1863), trata da<strong>hist\u00f3ria<\/strong>\u00a0contempor\u00e2nea em termos modernos.<\/p>\n<p>O tom realista \u00e9 obtido pela caracteriza\u00e7\u00e3o individualizada das figuras do povo. O emprego livre de cores vivas, as pinceladas expressivas e o novo emprego da luz, por sua vez, recusam as normas da arte acad\u00eamica. O realismo de Gustave Courbet (1819 &#8211; 1877) exemplifica, um pouco mais tarde, outra dire\u00e7\u00e3o tomada pela representa\u00e7\u00e3o do povo e do cotidiano.<\/p>\n<p>As tr\u00eas telas do pintor expostas no Sal\u00e3o de 1850, Enterro em Ornans, Os Camponeses em Flagey e Os Quebradores de Pedras, marcam o compromisso de Courbet com o programa realista, pensado como forma de supera\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssica e rom\u00e2ntica, assim como dos temas hist\u00f3ricos, mitol\u00f3gicos e religiosos.<\/p>\n<p>O rompimento com os temas cl\u00e1ssicos vem acompanhado na arte moderna pela supera\u00e7\u00e3o das tentativas de representar ilusionisticamente um espa\u00e7o tridimensional sobre um suporte plano. A consci\u00eancia da tela plana, de seus limites e rendimentos inaugura o espa\u00e7o moderno na pintura, verificado inicialmente com a obra de \u00c9duard Manet (1832 &#8211; 1883).<\/p>\n<p>Segundo o cr\u00edtico norte-americano Clement Greenberg, &#8220;as telas de Manet tornaram-se as primeiras pinturas modernistas em virtude da franqueza com a qual elas declaravam as superf\u00edcies planas sob as quais eram pintadas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>As pinturas de Manet, na d\u00e9cada de 1860, lidam com v\u00e1rios temas relacionados \u00e0 vis\u00e3o baudelairiana de modernidade e aos tipos da Paris moderna:<\/strong> bo\u00eamios, ciganos, burgueses empobrecidos etc.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m disso, obras como Dejeuner sur L\u00b4Herbe [Piquenique sobre a relva] (1863) desconcertam n\u00e3o apenas pelo tema (uma mulher nua, num bosque, conversa com dois homens vestidos), mas tamb\u00e9m pela composi\u00e7\u00e3o formal:<\/strong> as cores planas sem claro-escuro nem relevos; a luz que n\u00e3o tem a fun\u00e7\u00e3o de destacar ou modelar as figuras; a indistin\u00e7\u00e3o entre os corpos e o espa\u00e7o num s\u00f3 contexto.<\/p>\n<p>As pesquisas de Manet s\u00e3o refer\u00eancias para o impressionismo de Claude Monet (1840 &#8211; 1926), Pierre Auguste Renoir (1841 &#8211; 1919), Edgar Degas (1834 &#8211; 1917), Camille Pissarro (1831 &#8211; 1903), Paul C\u00e9zanne (1839 &#8211; 1906), entre muitos outros. A prefer\u00eancia pelo registro da experi\u00eancia contempor\u00e2nea, a observa\u00e7\u00e3o da natureza com base em impress\u00f5es pessoais e sensa\u00e7\u00f5es visuais imediatas, a suspens\u00e3o dos contornos e dos claro-escuros em prol de pinceladas fragmentadas e justapostas, o aproveitamento m\u00e1ximo da luminosidade e uso de cores complementares favorecidos pela pintura ao ar livre constituem os elementos centrais de uma pauta impressionista mais ampla explorada em distintas dic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um di\u00e1logo cr\u00edtico com o impressionismo estabelece-se, na Fran\u00e7a, com o fauvismo de Andr\u00e9 Derain (1880 &#8211; 1954) e Henri Matisse (1869 &#8211; 1954); e, na Alemanha, com o expressionismo de Ernst Ludwig Kirchner (1880 &#8211; 1938), Emil Nolde (1867 &#8211; 1956) e Ernst Barlach (1870 &#8211; 1938).<\/p>\n<p>O termo arte moderna engloba as vanguardas europ\u00e9ias do in\u00edcio do s\u00e9culo XX &#8211; cubismo, construtivismo, surrealismo, dada\u00edsmo, suprematismo, neoplasticismo, futurismo etc. &#8211; do mesmo modo que acompanha o deslocamento do eixo da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Paris para Nova York, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial (1939 &#8211; 1945), com o expressionismo abstrato de Arshile Gorky (1904 &#8211; 1948) e Jackson Pollock (1912 &#8211; 1956).<\/p>\n<p>Na Europa da d\u00e9cada de 1950, as reverbera\u00e7\u00f5es dessa produ\u00e7\u00e3o norte-americana se fazem notar nas diversas experi\u00eancias da tachismo. As produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas das d\u00e9cadas de 1960 e 1970, segundo grande parcela da cr\u00edtica, obrigam a fixa\u00e7\u00e3o de novos par\u00e2metros anal\u00edticos, distantes do vocabul\u00e1rio e pauta modernistas, o que talvez indique um limite entre o moderno e o contempor\u00e2neo. No Brasil, a arte moderna &#8211; modernista &#8211; tem como marco simb\u00f3lico a produ\u00e7\u00e3o realizada sob a \u00e9gide da Semana de Arte Moderna de 1922. J\u00e1 existe na cr\u00edtica de arte brasileira uma consider\u00e1vel produ\u00e7\u00e3o que discute a pertin\u00eancia da Semana de Arte Moderna de 1922 como divisor de \u00e1guas.<\/p>\n<h4>Arte Moderna<\/h4>\n<p>Sob essa denomina\u00e7\u00e3o podem ser considerados, generalizadamente, os diversos movimentos art\u00edsticos que se originaram no decurso do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><strong>A denomina\u00e7\u00e3o \u0093Arte Moderna\u0094. Muito embora internacionalmente aceita, e por isso aqui adotada, a express\u00e3o \u0093arte moderna\u0094 merece reparos: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1)<\/strong> <strong>n\u00e3o existe uma arte moderna em oposi\u00e7\u00e3o a uma arte antiga e nitidamente separada dela<\/strong>: pelo contr\u00e1rio, toda arte \u00e9 moderna, no sentido de que acompanha (e n\u00e3o raro ultrapassa) o esp\u00edrito da \u00e9poca em que surge. Assim, Giotto \u00e9 moderno em rela\u00e7\u00e3o a Cimabue, e Masaccio em rela\u00e7\u00e3o a Giotto;<\/p>\n<p><strong>2)<\/strong> <strong>arte moderna pode ser a denomina\u00e7\u00e3o adequada para a arte correspondente \u00e0 Era Moderna, iniciada, como \u00e9 sabido, em 1453<\/strong>: Renascen\u00e7a, Maneirismo, Barroco, Rococ\u00f3, Neoclassicismo, Romantismo, Impressionismo e os diversos movimentos art\u00edsticos que se seguiram ao Impressionismo n\u00e3o passariam, assim, de subdivis\u00f5es da arte moderna, que desta arte compreenderia cinco s\u00e9culos: XVI ao atual.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Precursores da Arte Moderna<\/strong><\/p>\n<p>C\u00e9zanne, Gauguin e Van Gogh s\u00e3o considerados os tr\u00eas grandes precursores da Pintura moderna, prendendo-se a contribui\u00e7\u00e3o original do primeiro ao espa\u00e7o, do segundo \u00e0 composi\u00e7\u00e3o e do terceiro \u00e0 cor. Paul C\u00e9zanne pode ser considerado como precursor conjuntamente do Expressionismo (\u0093Tenta\u00e7\u00e3o de Santo Antonio\u0094, de 1867), do Fauvismo e sobretudo do Cubismo (\u0093Jogadores de Cartas\u0094).<\/p>\n<p><strong>Num inqu\u00e9rito levado a efeito em 1953, Braque, Jacques Villon, L\u00e9ger e diversos outros pintores reconheceram sua d\u00edvida para com o pintor de Aix-em-Provence, afirmando peremptoriamente<\/strong>: \u0093Todos partimos da obra de C\u00e9zanne.\u0094<\/p>\n<p>Paul Gauguin influenciou tamb\u00e9m os fauves, e foi o primeiro a chamar a aten\u00e7\u00e3o, no Ocidente, para a arte primitiva e para a arcaica. Sua contribui\u00e7\u00e3o maior \u00e0 arte do s\u00e9culo XX reside no fato de ter sido ele o precursor dos pintores n\u00e3o figurativos, pela rejei\u00e7\u00e3o deliberada do modelado, dos valores, da perspectiva linear, etc.<\/p>\n<p>Vincent van Gogh, afinal, influenciou, com seu colorido, os fauves e, com a carga emotiva de sua arte, os expressionistas.<\/p>\n<p><strong>Fauvismo<\/strong><\/p>\n<p>O Fauvismo (fauve=fera, em franc\u00eas) foi a primeira revolu\u00e7\u00e3o art\u00edstica do s\u00e9culo XX, e se manifestou de 1905 a 1907. A rigor, n\u00e3o chega a constituir uma escola, sendo antes um grupo de pintores com id\u00e9ias afins. Tal grupo exp\u00f4s, pela primeira vez, em 1906, no Sal\u00e3o dos Indenpendentes. Liderava-o Matisse, sem d\u00favida o representante mais not\u00e1vel da tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi o cr\u00edtico Vauxcelles quem deu nome ao movimento, ao dizer de uma escultura neocl\u00e1sssica de Marque, rodeada de telas de cores violentas, dos companheiros de Matisse, que parecia \u0093Donatello entre feras\u0094.<\/p>\n<p><strong>A nova denomina\u00e7\u00e3o substituiu as anteriores<\/strong>: pintura incoerente e pintura invertebrada.<\/p>\n<p><strong>Os pintores fauves pertenceram a tr\u00eas sub-grupos<\/strong>: o do atelier de Gustave Moreau e da Academia Carri\u00e8re (Marquet, Manguin, Camoin), o Chatou (D\u00e9rain, Vlaminck) e o do Havre (Friesz, Dufy, Braque). Kees van Dongen, que aderiu ao Fauvismo, manteve-se independente.<\/p>\n<p>Tecnicamente, caracteriza-se pela equival\u00eancia da luz e pela constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o com o auxilio exclusivo da cor; pela aboli\u00e7\u00e3o do modelado e do jogo de luzes e sombras; pela simplifica\u00e7\u00e3o dos meios expressivos at\u00e9 ao m\u00ednimo necess\u00e1rio; enfim, pela correspond\u00eancia entre o elemento expressivo e o decorativo, com o apoio da composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cubismo<\/strong><\/p>\n<p>Coube ainda a Louis Vauxcelles batizar o Cubismo, ao dizer da pintura de Braque \u0096 ao que parece retomando um dito de Matisse &#8211; que n\u00e3o passava de \u0093bizarrices c\u00fabicas\u0094 (1908). O Cubismo durou de 1908 a 1914, e n\u00e3o tinham seus adeptos grandes preocupa\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas (<strong>Picasso<\/strong>: \u0093Quando fizemos o Cubismo, n\u00e3o t\u00ednhamos qualquer inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo, mas sim de exprimir o que estava em n\u00f3s\u0094).<\/p>\n<p>Historicamente \u00e9 poss\u00edvel distinguir entre Cubismo c\u00e9zanniano (1907-1909), anal\u00edtico (at\u00e9 1912) e sint\u00e9tico (at\u00e9 1914). A primeira etapa come\u00e7a com grandes retrospectivas de Seurat e sobretudo C\u00e9zanne em Paris, ao mesmo tempo em que a Escultura africana aparece em cena.<\/p>\n<p>De 1907 \u00e9 \u0093As Donzelas de Avignon\u0094, de Picasso, considerada a primeira obra cubista. Em 1908 forma-se o grupo do Bateau-Lavoir, ao qual pertencem Apollinaire \u0096 autor de Pintores Cubistas e te\u00f3rico m\u00e1ximo do movimento \u0096 Salmon, os Stein, etc. Os principais nomes a real\u00e7ar nessa fase s\u00e3o os de Picasso e Braque.<\/p>\n<p><strong>A fase anal\u00edtica \u0096 denomina\u00e7\u00e3o devida a Juan Gris \u0096 caracteriza-se pela decomposi\u00e7\u00e3o crescente da forma<\/strong>: passa-se a dar, de um mesmo objeto, uma s\u00e9rie de aspectos diferentes, retratando-se esse objeto n\u00e3o como \u00e9 visto, mas como se sabe que \u00e9. O Cubismo anal\u00edtico \u00e9, sob certos \u00e2ngulos, a \u00faltima conseq\u00fc\u00eancia da Pintura representativa.<\/p>\n<p>Quanto ao Cubismo sint\u00e9tico, teve em Gris e em L\u00e9ger seus principais adeptos. Signos pl\u00e1sticos tomam o lugar do processo imitativo, do qual come\u00e7a a emancipar-se rapidamente a Pintura.<strong> \u0093De um cilindro fa\u00e7o uma garrafa\u0094, afirmou certa vez Juan Gris, numa frase que bem traduz a ess\u00eancia do Cubismo sint\u00e9tico, e que se op\u00f5e \u00e0quela outrora pronunciada por C\u00e9zanne:<\/strong> \u0093Tratar a natureza por meio do cilindro, da esfera, do cone&#8230;\u0094<\/p>\n<p>A guerra de 1914 p\u00f4s fim ao per\u00edodo criador do Cubismo, ao mesmo tempo em que, simbolicamente, sacrificava Guillaume Apollinaire, o grande exegeta do movimento.<\/p>\n<p><strong>Futurismo<\/strong><\/p>\n<p>Surgiu em 1909, com o Manifesto Futurista publicado no Le Figaro, e de autoria do poeta italiano Marinetti. Os principais componentes do grupo foram Carr\u00e0, Boccioni, Russolo, Balla e Severini. Estende-se a fase \u00e1urea do movimento at\u00e9 1918 e se prolonga at\u00e9 bem mais tarde, se bem que j\u00e1 sem a vitalidade inicial, na obra dos pintores como Rosai, Sironi, Prampolini.<\/p>\n<p>Tecnicamente o Futurismo pode ser definido como uma tentativa de adicionar o elemento din\u00e2mico ao Cubismo, essencialmente est\u00e1tico. Sua grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 arte moderna consiste em ter despertado, com sua irrever\u00eancia e rebeldia, aquilo a que se denominou de esp\u00edrito moderno, e que iria fecundar de ent\u00e3o por diante toda a arte do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><strong>Expressionismo<\/strong><\/p>\n<p>O Expressionismo n\u00e3o \u00e9 um movimento, mas uma constante da arte, manifestando-se de prefer\u00eancia em \u00e9pocas de crises. O \u00f3dio racial e o genoc\u00eddio, duas conflagra\u00e7\u00f5es mundiais e toda esp\u00e9cie de desajustamentos sociais, culminando com o estabelecimento das grandes ditaduras europ\u00e9ias, explicam decerto a extraordin\u00e1ria vitalidade do Expressionismo, no s\u00e9culo atual.<\/p>\n<p>Entre os precursores do moderno Expressionismo est\u00e3o Van Gogh, Lautrec, Ensor, Munch e Hodler. A tend\u00eancia surgiu por volta de 1910, conjuntamente em Munique e em Berlim, quando o grupo Cavaleiro Azul recebeu em seu seio quase todos os ex-componentes do grupo A Ponte, o qual foi, a seu turno, uma esp\u00e9cie de r\u00e9plica germ\u00e2nica do Fauvismo.<\/p>\n<p>Dentro do Expressionismo formaram-se in\u00fameros subgrupos, como os j\u00e1 citados A Ponte (diretamente inspirado de Van Gogh, da Arte Negra e do Fauvismo) e do Cavaleiro Azul (de tend\u00eancia abstrata), e como a Nova Objetividade, que quase pode ser definida como um figurativismo beirando a caricatura, e eivado de s\u00e1tira feroz.<\/p>\n<p>O Expressionismo \u0096 que o cr\u00edtico Langui acertadamente definiu como uma mistura da melancolia n\u00f3rdica com o misticismo eslavo, a rusticidade flamenga, a angustia judaica e todasorte de obsess\u00e3o germ\u00e2nica \u0096 espraiou-se da Alemanha para toda a Europa, e para a Am\u00e9rica, contando entre seus adeptos Rohlfs, Modersohn-Beker, Barlach, Hofer, Kokoschka, Kandinski, Feininger, Klee, Jawlensky, Dix, Kollwitz, Grosz, etc., nos pa\u00edses germ\u00e2nicos; Rouault e Grommaire, em Fran\u00e7a; De Smet, Van den Berghe e Permeke, na B\u00e9lgica; Sluyters, na Holanda; Solana, na Espanha; Soutine na Litu\u00e2nia; Bem Shahn e De Kooning, nos E.U.A.; Rivera, Orozco, Tamayo e Siqueiros, no M\u00e9xico; Portinari e Segall, no Brasil.<\/p>\n<p>O Expressionismo reagiu contra o impressionismo e o Naturalismo, opondo-se \u00e0 afirmativa de Zola, segundo a qual a arte seria \u0093a natureza vista atrav\u00e9s de um temperamento\u0094. Para os expressionistas, o temperamento deve sobrepujar a natureza. A linha no desenho de \u00edndole expressionista, adquire valor fundamental, ao mesmo tempo em que as cores simples, elementares, passam a substituir os tons e nuances impressionistas. A pr\u00f3pria cor adquire valor de s\u00edmbolo, como queria Van Gogh \u0096 o Van Gogh que escreveu ter procurado, com emprego do vermelho e do verde, \u0093exprimir as terr\u00edveis paix\u00f5es humanas\u0094&#8230;<\/p>\n<p><strong>Construtivismo<\/strong><\/p>\n<p>Surgiu na R\u00fassia por volta de 1913, com Tatlin, Gabo, Pevsner, El Lissitzky. Reagia contra os excessos do Cubismo e do Expressionismo. Os construtivistas retornaram ao cilindro, \u00e0 esfera e ao cone c\u00e9zannianos, restringindo-se ao uso das cores prim\u00e1rias. Foram os primeiros a trazer para a arte moderna a paix\u00e3o pela m\u00e1quina e pelo produto oriundo da t\u00e9cnica.<\/p>\n<p><strong>Movimento afim ao construtivista surgiu na Holanda, em 1917<\/strong>: o encabe\u00e7ado pela equipe da revista O Estilo (Van Doesburg, Vantongerloo, sobretudo, Piet Mondrian). De O Estilo surgiria o Neoplasticismo de Mondrian (1920), cuja influ\u00eancia seria muito grande, gerando inclusive, no Brasil, os movimentos concreto e neoconcreto, ambos de fins da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p><strong>Suprematismo<\/strong><\/p>\n<p>Nascido do Construtivismo, \u00e9 dele diferenci\u00e1vel por uma ainda maior austeridade. Malevitch foi o seu criador, em 1913. O Suprematismo \u00e9 o limite extremo a que chegou a Pintura de \u00edndole n\u00e3o-representativa.<\/p>\n<p><strong>Arte Metaf\u00edsica<\/strong><\/p>\n<p>Desenvolveu-se entre 1910 e 1917, gra\u00e7as a De Chirico, Carr\u00e0, Morandi e Severini. Trata-se de um estilo fant\u00e1stico, no qual vistas de cidades, paisagens desoladas, estranhas naturezas mortas e figuras comp\u00f3sitas s\u00e3o tratadas como se n\u00e3o pertencessem ao mundo f\u00edsico. Desde Bosh e Arcimboldo, n\u00e3o atingia a arte ocidental a t\u00e3o elevado grau de abstra\u00e7\u00e3o e fantasia.<\/p>\n<p><strong>Dad\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>O movimento dada\u00edsta irrompeu ao mesmo tempo na Fran\u00e7a, com Andr\u00e9 Breton, Eluard, Soupault; na Su\u00ed\u00e7a, com Tristan Tzara e Arp; nos E.U.A., com Marcel Duchamp; na Alemanha, com Schwitters. Inspiravam-no os escritos de Lautr\u00e9amont e as colagens de Picasso, bem como a arte metaf\u00edsica de De Chirico. Estilo de ap\u00f3s-guerra, afirmava como ess\u00eancia e finalidade de tudo, da arte inclusive, o absurdo. At\u00e9 1922 caracterizou-o um feroz niilismo; de ent\u00e3o por diante (e esse seu t\u00edtulo maior) preparou o caminho para o Surrealismo, com o qual terminaria por se confundir.<\/p>\n<p><strong>Surrealismo<\/strong><\/p>\n<p>A arte metaf\u00edsica, o Dada\u00edsmo e os escritos de Freud originaram o Surrealismo, j\u00e1 anunciado por artistas como Bosh, Baldung Grien, Arcimboldo, Goya, F\u00fcssli, etc.<\/p>\n<p><strong>O Surrealismo n\u00e3o busca a destrui\u00e7\u00e3o da cultura, como o Dada\u00edsmo<\/strong>: pelo contr\u00e1rio, coloca-se numa posi\u00e7\u00e3o construtivista. As bases do movimento est\u00e3o no Manifesto de 1924, redigido pelo poeta Andr\u00e9 Breton, para quem o Surrealismo se resume \u0093no automatismo ps\u00edquico puro, pelo qual se procura exprimir, seja de que maneira for, o funcionamento real da mente humana\u0094.<\/p>\n<p>Os principais surrealistas s\u00e3o Dal\u00ed, Ernst, Arp, Klee, Miro, Tanguy, Magritte, e mais recentemente Dubuffet, Matta e Lam.<\/p>\n<p><strong>Pintura \u0093Ing\u00eanua\u0094<\/strong><\/p>\n<p>Os cubistas descobriram em 1905 a pintura de Henri Rousseau. Assim come\u00e7ou a valoriza\u00e7\u00e3o da pintura \u0093ing\u00eanua\u0094, \u00e0s vezes chamada (erroneamente) \u0093primitiva\u0094. O pintor ing\u00eanuo n\u00e3o teve aprendizagem acad\u00eamica, produzindo por absoluta necessidade de express\u00e3o. Julga-se intimamente um realista, e tem em mira copiar com a maior fidelidade a natureza \u0096 adicionando, por\u00e9m, \u00e0 c\u00f3pia, certo elemento po\u00e9tico, que lhe \u00e9 inato. O colorido, o mais das vezes, \u00e9 livre; o desenho, econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Rousseau, celebrizaram-se especialmente os \u0093ing\u00eanuos\u0094 S\u00e9raphine (1864-1934), Vivin (1861-1936), Bombois (n. 1883), Bauchant (1873-1958).<\/p>\n<p><strong>Realismo Social<\/strong><\/p>\n<p>Para os te\u00f3ricos do realismo social, a arte se destina ao proletariado, devendo ser rejeitada como falsa a que ultrapasse o seu entendimento. O fim da arte seria ent\u00e3o \u0093ajudar o proletariado a atingir os seus destinos\u0094. Essa teoria art\u00edstica, adotada oficialmente pela U.R.S.S., conquistou adeptos em v\u00e1rios pa\u00edses, logo ap\u00f3s a \u00faltima guerra e, a despeito de contar entre os seus fi\u00e9is com artistas da categoria de Rivera, Orozco, Tamayo, Siqueiros, quase descambou para um frio academicismo.<\/p>\n<p><strong>Tend\u00eancias Abstratas<\/strong><\/p>\n<p>O movimento contra o Naturalismo atingiu no s\u00e9culo atual seu ponto m\u00e1ximo. Datam as primeiras obras n\u00e3o-figurativas, como ficou dito, de antes de 1914. Mas ap\u00f3s 1945 \u00e9 que o Abstracionismo veio a ser introduzido em quase todos os pa\u00edses. Com a diferen\u00e7a de que, antes de 1914, a arte abstrata era intelectualmente disciplinada, apegando-se \u00e0 forma geom\u00e9trica, \u00e0 ordem, \u00e0 harmonia; ora, ap\u00f3s 1945, o que se viu foi a vit\u00f3ria de um abstracionismo n\u00e3o mais baseado na raz\u00e3o, mas na intui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Abstracionismo a que se chamou de Expressionismo Abstrato, e que se divide em quase tantos estilos quantos s\u00e3o os pintores que o praticam. A influ\u00eancia dos ideogramas orientais fez-se sentir mais recentemente sobre os tachistas (do franc\u00eas tache, mancha), liderados por Wols e Fautrier, e sobre os adeptos da Action Painting, ou pintura do gesto, capitaneados por Pollock, Kline, Tobey, etc.<\/p>\n<p><strong>Os Independentes<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 margem de tend\u00eancias e de movimentos, a arte moderna presenciou o aparecimento de pintores independentes,que sofreram, \u00e9 certo, a influ\u00eancia dessa ou daquela est\u00e9tica, mas sem se apegarem nunca a nenhuma em car\u00e1ter definitivo. Os principais entre tais artistas s\u00e3o Utrillo e Modigliani, Soutine e Kokoschka, Chagall e Rouault \u0096 em verdade, alguns dos mais not\u00e1veis artistas do s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>A Arte Moderna no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>A primeira exposi\u00e7\u00e3o de arte moderna no Brasil foi a efetuada em 1913 por Lasar Segall em S\u00e3o Paulo. Despertou maiores rea\u00e7\u00f5es a de Anita Malfatti, realizada ainda em S\u00e3o Paulo, em 1916. Sempre em S\u00e3o Paulo, realizou-se em 1922 a Semana da Arte Moderna, de que participaram Di Cavalcanti, Brecheret e Goeldi.<\/p>\n<p>A Semana teve a vantagem de tornar nacional um movimento at\u00e9 ent\u00e3o puramente local.<\/p>\n<p>No Brasil repercutiram fracamente movimentos como Cubismo (que influiu, por\u00e9m, sobre o Pau-Brasil, de 1926, e o antropofagista, de 1928, de Tarsila do Amaral), o Futurismo, a Arte Metaf\u00edsica, o Surrealismo. Um construtivismo retardado originou-se no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo sob a denomina\u00e7\u00e3o de Concretismo, logo seguido pelo Neoconcretismo, na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>Quanto ao Expressionismo, tem em Segall e em Portinari seus principais seguidores, e no setor da gravura gerou um mestre como Goeldi, falecido em 1961. Os principais \u0093ing\u00eanuos\u0094 nacionais s\u00e3o, no Rio de Janeiro, Heitor dos Prazeres, em S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio da Silva. Logo ap\u00f3s a II Guerra Mundial, o Realismo Social fez seu aparecimento, com artistas como Scliar e Glauco Rodrigues, que depois iriam conduzir suas pesquisas em outros sentidos.<\/p>\n<p>Com Ant\u00f4nio Bandeira, Milton Dacosta e outros, instalou-se, por volta de 1947, o Abstracionismo, hoje generalizado. Quanto a independentes, possui o Brasil em Pancetti, Guignard, Djanira e Iber\u00ea Camargo seus mais not\u00e1veis representantes.<\/p>\n<p><strong>Outras datas not\u00e1veis da arte moderna no Brasil:<\/strong> 1935, Portinari \u00e9 premiado em Pittsburgh com o quadro \u0093Caf\u00e9\u0094, 1958, cria\u00e7\u00e3o do Museu de Arte Moderna do Rio; 1951, Primeira Bienal de S\u00e3o Paulo e cria\u00e7\u00e3o do Sal\u00e3o Nacional de Arte Moderna.<\/p>\n<h4>PR\u00c9-MODERNISMO<\/h4>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Na Europa, come\u00e7o do s\u00e9culo foi uma \u00e9poca de conturba\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A disputa das na\u00e7\u00f5es desenvolvidas por mercados e por fontes de mat\u00e9ria-prima acabaria por conduzir \u00e0 I Guerra Mundial, em 1914. O panorama social brasileiro, embora um pouco distante desse \u00e2mbito de luta internacional,n\u00e3o era menos complexo.<\/p>\n<p>Os fatos falam por si. Uma s\u00e9rie de revoltas eclodiram em todo o pa\u00eds. Os motivos eram diversos, as situa\u00e7\u00f5es eram bem diferentes,as reivindica\u00e7\u00f5es eram v\u00e1rias.<\/p>\n<p>Mas esses acontecimentos tiveram um papel decisivo na passagem da Rep\u00fablica da Espada ( primeiros governos republicanos,que eram lmilitares ) para a Rep\u00fablica do caf\u00e9-com-leite (predominantemente civil ) e no enfraquecimento da Rep\u00fablica Velha ( 1889-1930 ).<\/p>\n<p>Em 1893, tem lugar no Rio de Janeiro a Revolta da Armada, levante de uma fac\u00e7\u00e3o monarquista da Marinha brasileira, que, insatisfeita, com a Rep\u00fablica rec\u00e9m-proclamada ( 1889), exigia a ren\u00fancia do presidente Floriano Peixoto. O restante das For\u00e7as Armadas, contudo, colocou-se ao lado do governante, que contava anda com forte apoio civil, gra\u00e7as \u00e0 sua imensa popularidade. A revolta foi sufocada ap\u00f3s seis meses.<\/p>\n<p>Em 1896, estourou na Bahia a revolta de sertanejos que ficou conhecida como Guerra de Canudos. Inicialmente, foi encarada com desprezo pelo governo federal. Mas a persist\u00eancia dos revoltosos e o arraigado apego \u00e0 terra que demonstravam, obrigaram o Ex\u00e9rcito a uma a\u00e7\u00e3o mais dura. A propaganda oficial divulgava o fato como um levante de monarquistas, tentando, com isso, angariar a simpatia da popula\u00e7\u00e3o e o aux\u00edlio de for\u00e7as militares dos diversos estados.<\/p>\n<p><strong>No entanto, as causas mais profundas da Guerra eram outras: <\/strong>a mis\u00e9ria, o subdesenvolvimento, a opress\u00e3o, o abandono a que a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o estava relegada. Depois de um ano de renhida resist\u00eancia Canudos caiu em outubro de 1897. Mas os problemas sociais n\u00e3o foram resolvidos, e o misticismo e o canga\u00e7o continuaram sendo respostas populares \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, as autoridades do Rio de Janeiro resolveram urbanizar e modernizar a cidade, que era a capital do pa\u00eds, muito populosa, e que contava com p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene. O novo planejamento urbano, contudo, previa uma recoloca\u00e7\u00e3o da moradia dos mais pobres, excluindo-os das benesses da moderniza\u00e7\u00e3o e desamparando grande parte da popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 massacrada pelo desemprego e pela carestia. A insatisfa\u00e7\u00e3o popular explodiu quando o governo lan\u00e7ou a campanha de vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. A verdadeira batalha que se travou no Rio de Janeiro, em 1904, opondo policiais aos pobres, recebeu o nome de Revolta da Vacina, tendo sido violentamente reprimida.<\/p>\n<p><strong>Em 1910, os marinheiros de dois navios de guerra, liderados por Jo\u00e3o C\u00e2ndido ( o &#8220;Almirante Negro&#8221;), manifestaram-se contr\u00e1rios aos castigos corporais ainda costumeiramente aplicados a eles na Marinha:<\/strong> era a Revolta da Chibata. O pr\u00f3prio governo reconheceu a pertin\u00eancia das reivindica\u00e7\u00f5es, pressionando a Marinha para que as atendesse. Os revoltosos foram anistiados, mas logo depois perseguidos, presos e torturados.<\/p>\n<p>Outro acontecimento importante do per\u00edodo foi a greve geral de 1917, ocorrida em S\u00e3o Paulo, organizada por trabalhadores anarco-sindicalista, reivindicando melhoria nos sal\u00e1rios e nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho ( redu\u00e7\u00e3o da jornada, seguran\u00e7a , etc.).<\/p>\n<p>Em seu conjunto, essas revoltas todas podem ser vistas como manifesta\u00e7\u00f5es de uma nova paisagem social, na qual for\u00e7as pol\u00edticas at\u00e9 ent\u00e3o t\u00edmidas ( sertanejos, miser\u00e1veis, no cen\u00e1rio, imigrantes, soldados de baixa patente, entre outros ) come\u00e7aram a marcar presen\u00e7a no cen\u00e1rio brasileiro. No terreno art\u00edstico, o per\u00edodo que vai do final do s\u00e9culo XIX ( aproximadamente 1870 ) at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo seguinte ( anos 20 ) recebe o nome geral de &#8220;belle \u00e9poque &#8220;.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es sociais, da passagem do s\u00e9culo, experimentada no Brasil, necessariamente impregnariam a literatura, principalmente em um momento em que uma das propostas art\u00edsticas em vigor toca justamente no ponto de uma retomada da literatura social. Assim, podemos falar mesmo em uma redescoberta do Brasil pela literatura. Um Brasil que, na verdade, sempre tinha existido, mas que fora at\u00e9 ent\u00e3o presen\u00e7a excessivamente reduzida na literatura.<\/p>\n<p>Essa redescoberta pode ser notada a partir da renova\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica que se opera no \u00e2mbito liter\u00e1rio. A preocupa\u00e7\u00e3o com a realidade nacional ocupa n\u00e3o apenas as obras de fic\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m os ensaios, artigos e coment\u00e1rios eruditos, que ganham grande impulso na \u00e9poca. Um aspecto comum a essa produ\u00e7\u00e3o intelectual \u00e9 a cr\u00edtica \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, tomadas como elementos de cristaliza\u00e7\u00e3o e acomoda\u00e7\u00e3o de uma estrutura de poder que resultava na cegueira \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es de vastas camadas da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>No terreno da fic\u00e7\u00e3o, ambientes antigos s\u00e3o explorados agora de forma a evidenciar seus aspectos mais tristes e pobres. O sert\u00e3o, o interior, os sub\u00farbios, que j\u00e1 apareciam antes em romances e natureza viviam em comunh\u00e3o, agora s\u00e3o retratados como representa\u00e7\u00f5es do atraso brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Da mesma forma, os personagens que figuraram nessas produ\u00e7\u00f5es est\u00e3o muito distantes dos modelos assumidos em est\u00e9ticas anteriores:<\/strong> o sertanejo n\u00e3o \u00e9 mais servil e ordeiro; o suburbano n\u00e3o \u00e9 mais alegre e expansivo; o caipira n\u00e3o \u00e9 mais saud\u00e1vel e trabalhador. A imagem que essas personagens passam a representar liga-as \u00e0 decad\u00eancia, ao desmazelo, \u00e0 ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Essa literatura que tematiza habitantes e ambientes de determinadas regi\u00f5es, pode ser considerada regionalista. Mas, \u00e9 bom que se perceba, trata-se de um regionalismo cr\u00edtico, bastante diferente, por exemplo, da idealiza\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dos representantes dessa corrente, a literatura tinha uma miss\u00e3o a cumprir como instrumento de den\u00fancia social, explicitando as raz\u00f5es do nosso atraso, discutindo alternativas para ele. O progresso e o cosmopolitismo que caracterizava a auto-imagem de cidades como Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo eram contrapostos ao subdesenvolvimento e \u00e0 mis\u00e9ria estrutural de vastas regi\u00f5es nacionais &#8211; nem sempre muito distantes dos centros populosos, como mostraram as obras tematizando o caipira e o morador dos sub\u00farbios cariocas.<\/p>\n<p><strong>Formalmente, os pr\u00e9-modernistas caracterizar-se-\u00e3o por uma linguagem oscilante: <\/strong>express\u00f5es eruditas, francamente influenciadas pelo Parnasianismo, convivem com um vocabul\u00e1rio mais livre e popular, que tenta funcionar como registro de express\u00f5es regionais. Pode-se entender essa pr\u00e1tica como uma ponte de liga\u00e7\u00e3o entre a linguagem dicionaresca e cientificista do s\u00e9culo XIX e aquela, mais despojada, que caracterizaria a arte moderna do s\u00e9culo XX. De certa forma, essa oscila\u00e7\u00e3o reflete ainda um contato crescente entre as culturas popular e erudita.<\/p>\n<p>Como dissemos, essa pr\u00e1tica liter\u00e1ria n\u00e3o chegou a se constituir em escola, estruturada e organizada em um programa est\u00e9tico definido.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Pr\u00e9-Modernismo<\/strong>\u00a0\u00e9, mais que um fato art\u00edstico, um momento importante do desenvolvimento das letras brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Seus autores mais significativos s\u00e3o: <\/strong>Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Augusto dos Anjos, Gra\u00e7a Aranha, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Euclides da Cunha<br \/>\nLima Barreto<br \/>\nMonteiro Lobato<br \/>\nAugusto dos Anjos<br \/>\nGra\u00e7a Aranha<\/p><\/blockquote>\n<h4>MODERNISMO<\/h4>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>O in\u00edcio do s\u00e9culo XX poderia ser datado no ano de 1895. Esta &#8220;licen\u00e7a hist\u00f3rica &#8220;se explica pela import\u00e2ncia que esta data teve na <strong>hist\u00f3ria<\/strong>\u00a0das id\u00e9ias art\u00edsticas que vieram depois.<\/p>\n<p><strong>Nesse ano, o austr\u00edaco Sigmund Freud lan\u00e7ou o livro Estudos sobre a histeria, um marco importante na divulga\u00e7\u00e3o de suas descobertas cient\u00edficas, que o levaram a constituir um novo ramo m\u00e9dico: <\/strong>a Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Dedicada ao estudo do inconsciente humano, que guardaria a face obscura dos desejos do indiv\u00edduo, a ci\u00eancia psicanal\u00edtica forneceu vasto material \u00e0 Arte. A revela\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de um verdadeiro universo no interior da mente humana serviu de impulso decisivo para o surgimento de teorias est\u00e9ticas baseadas na tentativa de express\u00e3o desse universo.<\/p>\n<p><strong>Ainda em 1895, os irm\u00e3os Lumi\u00e9re lan\u00e7aram, na Fran\u00e7a, um nov invento: <\/strong>o cinemat\u00f3grafo. Atrav\u00e9s dele, era poss\u00edvel registrar imagens em movimento, objetivo perseguido durante muitos anos por t\u00e9cnicos de toda a Europa. Os primeiros filmes lan\u00e7ados pelos Lumi\u00e9re n\u00e3o tinham nenhuma pretens\u00e3o art\u00edstica, ou mesmo narrativa, visando apenas a explorar as ent\u00e3o incipientes possibilidades da nova descoberta. Logo, por\u00e9m, o cinema imp\u00f4s-se como um meio de comunica\u00e7\u00e3o art\u00edstica que viera para modificar fundamente as estruturas art\u00edsticas at\u00e9 ent\u00e3o existentes. A rapidez da imagem, a simultaneidade narrativa passaram a ser instrumentos utilizados em todos os ramos da arte.<\/p>\n<p>A febre dos inventos varria a Europa, provocando o surgimento de muitos concursos, que premiavam aqueles que conseguissem ultrapassar obst\u00e1culos at\u00e9 ent\u00e3o intranspon\u00edveis. Em 1906, em Paris, o brasileiro Santos Dumont realizou com seu 14-bis o primeiro v\u00f4o mec\u00e2nico do mundo, feito proclamado no mundo inteiro.<\/p>\n<p><strong>O homem parecia vencer limites importantes<\/strong>: o conhecimento da pr\u00f3pria personalidade, o registro do movimento e o espa\u00e7o. O otimismo do in\u00edcio do s\u00e9culo justificava a cren\u00e7a na capacidade criativa do ser humano. Contudo, o reverso da medalha n\u00e3o tardou a aparecer. Em 1914, eclode a I Grande Guerra Mundial, como resultado de lutas imperialistas ( disputa de mercados e regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima ) que se davam em v\u00e1rias partes do mundo. O homem mostrava que, tanto criar, era capaz de destruir.<\/p>\n<p>No meio da guerra, uma na\u00e7\u00e3o se retira do conflito para resolver problemas internos. Em 1917, a Revolu\u00e7\u00e3o russa transformou profundamente as bases socioecon\u00f4micas do pa\u00eds, com a introdu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das id\u00e9ias comunistas que Marx divulgara a partir de meados do s\u00e9culo anterior. A aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada, o fim dos privil\u00e9gios da nobreza, jogaram o pa\u00eds em uma crise de grandes propor\u00e7\u00f5es, mas da qual emergiu uma na\u00e7\u00e3o vitoriosa e forte. Essa vit\u00f3ria contaminou o mundo, e a propaganda comunista alcan\u00e7ou todos os pa\u00edses. Apenas cinco anos depois da Revolu\u00e7\u00e3o, por exemplo, era fundado o Partido Comunista Brasileiro.<\/p>\n<p>Em 1919, a Grande Guerra chega ao fim, e nova onda otimista atingiu a Europa. Acreditava-se, ent\u00e3o, que uma cat\u00e1strofe suicida daquelas propor\u00e7\u00f5es nunca mais ocorreria. A d\u00e9cada de 20 ficou conhecida como &#8220;anos loucos &#8220;. Era o auge e o fim da chamada &#8220;belle \u00e9poque&#8221;. <strong>A rebeldia, a ousadia e a alegria eram palavras de ordem<\/strong>: tudo era discutido, todas as liberdades eram proclamadas.<\/p>\n<p>Esse ambiente favorece o surgimento de novas id\u00e9ias est\u00e9ticas ( surgidas, ressalte-se, a partir de contribui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do s\u00e9culo XIX ). Tais id\u00e9ias contribui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do s\u00e9culo XIX ). Tais id\u00e9ias constitu\u00edram o fundamento do que se convencionou chamar de Arte Moderna, a arte do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><strong>Como aspectos comuns, essas id\u00e9ias possu\u00edam:<\/strong> a ruptura com o passado; o desejo de chocar a opini\u00e3o p\u00fablica; a valoriza\u00e7\u00e3o da subjetividade art\u00edstica no trabalho de tradu\u00e7\u00e3o dos objetos ao redor; a busca de inova\u00e7\u00f5es formais cada vez mais radicalistas; a inten\u00e7\u00e3o de reproduzir esteticamente um mundo que se transformava rapidamente; a tentativa de responder \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o social provocada pelo panorama da guerra.<\/p>\n<p>Vejamos algumas propostas dos principais movimentos art\u00edsticos do in\u00edcio do s\u00e9culo na Europa.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>Um primeiro elemento, comum a toda manifesta\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0, \u00e9 sua sistem\u00e1tica oposi\u00e7\u00e3o ao academicismo, isto \u00e9, \u00e0 arte regrada, regulamentada, repleta de truques convencionais. Essa postura de destrui\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos art\u00edsticos, aceitos generalizadamente, e de desprezo pela norma culta conduziu, quase sempre, os modernistas a atitudes de antipatia \u00e0 cultura estabelecida. Foram, por causa disso, muitas vezes perseguidos e ridicularizados.<\/p>\n<p>A demoli\u00e7\u00e3o do edif\u00edcios est\u00e9tico convencional tinha como contrapartida a proposta de uma arte livre. Essa liberdade buscava se realizar tanto no plano formal quanto no tem\u00e1tico. No terreno da forma, os modernistas defendiam a aboli\u00e7\u00e3o da rima e da m\u00e9trica, com a explora\u00e7\u00e3o do verso branco ( ou solto &#8211; versos sem rima ) e livre ( sem m\u00e9trica regular, isto \u00e9, sem o mesmo n\u00famero de s\u00edlabas ). Essa inova\u00e7\u00e3o formal era propriamente modernista, j\u00e1 que, antes deles, os simbolistas j\u00e1 faziam uso dela.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0a transform\u00e1-la-\u00e1 em bandeira de luta.<\/p>\n<p><strong>Uma ressalva, contudo, deve ser feita:<\/strong> defensores da liberdade formal absoluta, os pr\u00f3prios modernistas praticar\u00e3o, quando entenderem necess\u00e1rio, o verso rimado e regular; a partir desse momento, por\u00e9m, esse tipo de verso deixa de ser condi\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria para a obten\u00e7\u00e3o da boa poesia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da versifica\u00e7\u00e3o mais livre, a linguagem coloquial ser\u00e1 adotada pelo\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>, que buscava aproximar a arte erudita das camadas populares. A transposi\u00e7\u00e3o da fala das ruas para o texto escrito confere a este um alto grau de oralidade. Com isso, a linguagem art\u00edstica absorve g\u00edrias, erros gramaticais, cria\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas do povo, neologismo, estrangeirismo, etc.<\/p>\n<p>Coerente com essa postura de utiliza\u00e7\u00e3o de uma linguagem mais pr\u00f3xima do falar rotineiro, o\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0tinha, como tema fundamental, o cotidiano. A partir de ent\u00e3o, acontecimentos banais e aparentemente sem import\u00e2ncia podiam ganhar estatura art\u00edstica, tanto quanto os grandes amores e as emo\u00e7\u00f5es profundas tratados pela arte mais tradicional.<\/p>\n<p>Distanciando-se da postura que defendia uma arte voltada para si mesma, as vanguardas est\u00e9ticas do per\u00edodo manifestaram a preocupa\u00e7\u00e3o social pr\u00f3pria de um mundo sacudido por guerras e disputas internacionais de todos os tipos. Tratava-se, assim, de uma arte voltada para o mundo e que fazia dele sua grande mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ao comportamento sisudo e aristocr\u00e1tico que a arte assumira at\u00e9 ent\u00e3o, os modernistas op\u00f5em uma valoriza\u00e7\u00e3o do humor. No Brasil, por exemplo, ficaram famosos os poemas-piada de Oswald de Andrade, obras-primas de s\u00edntese e sutileza cr\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Enfim, podemos resumir a proposta modernista, de uma maneira geral, em uma \u00fanica express\u00e3o fundamental:<\/strong> liberdade. Em todos os n\u00edveis, de todas as formas. Muitas vezes, o desejo de fugir de qualquer convencionalismo preestabelecido provocou o surgimento de uma arte excessivamente pessoal, quase sempre incompreens\u00edvel. Essa dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o art\u00edstica contrariava a tend\u00eancia democr\u00e1tica da arte de vanguarda, e representou, de fato, uma de suas contradi\u00e7\u00f5es mais profundas.<\/p>\n<p>A essas caracter\u00edsticas gerais, devem ser acrescentadas aquelas que dizem respeito, mais particularmente, aos contextos pr\u00f3prios de Portugal e do Brasil. Isto ser\u00e1 feito oportunamente.<\/p>\n<h4>PORTUGAL<\/h4>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 1890, o governo ingl\u00eas lan\u00e7ou um ultimatum a Portugal:<\/strong> o pa\u00eds deveria abandonar imediatamente as col\u00f4nias que ainda mantinha. A obedi\u00eancia a essa imposi\u00e7\u00e3o encheu o povo portugu\u00eas de vergonha e abalou profundamente a cren\u00e7a na monarquia, j\u00e1 desacredita por seu anacronismo. A partir de ent\u00e3o, a luta republicana ganhou espa\u00e7o e import\u00e2ncia. em 1910, foi proclamada a Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as sociais esperadas n\u00e3o aconteceram de forma a contentar os republicanos mais exacerbados. Na verdade, a Rep\u00fablica tinha como principal objetivo integrar Portugal no quadro do imperialismo europeu, sin\u00f4nimo de moderniza\u00e7\u00e3o. Esse ambiente favoreceu a difus\u00e3o das id\u00e9ias modernistas.<\/p>\n<p>Em 1915, um grupo de artistas de vanguarda, lideradas por M\u00e1rio de S\u00e1-Carneiro e Fernando Pessoa, fundou a Revista Orpheu, marco inaugural do\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0em Portugal. Atrav\u00e9s dela, as novas propostas art\u00edsticas foram divulgadas e discutidas. A dura\u00e7\u00e3o da revista foi ef\u00eamera, prejudicada pelo suic\u00eddio de S\u00e1-Carneiro. Esse primeiros modernistas ficaram conhecidos, exatamente em fun\u00e7\u00e3o da revista, por &#8220;gera\u00e7\u00e3o de Orpheu &#8220;.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica, incapaz de resolver os problemas mais profundos do pa\u00eds, e sem conseguir equacionar as diferen\u00e7as existentes entre os pr\u00f3prios republicanos, acabou por dar lugar \u00e0 ditadura salazarista, que durou cerca de cinq\u00fcenta anos, at\u00e9 a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, de car\u00e1ter socialista, em 1975.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>Os modernistas portugueses tiraram proveito da heran\u00e7a simbolista, sem reneg\u00e1-la totalmente. Assim, o saudosismo do poeta Ant\u00f4nio Nobre, que tinha fortes conota\u00e7\u00f5es nacionalistas, ganhou for\u00e7a entre os membros da &#8220;gera\u00e7\u00e3o de Orpheu &#8220;. Ao lado disso, a absor\u00e7\u00e3o das conquistas futuristas que tomavam conta da Europa inteira, como a apologia da m\u00e1quina e do progresso urbano, conduz o movimento \u00e0 vanguarda.<\/p>\n<p>Assim, o que se destaca, no panorama modernista portugu\u00eas, nesse primeiro momento, \u00e9 a forma de elabora\u00e7\u00e3o entre tradi\u00e7\u00e3o e modernista. Com isso, eles conseguem retomar formar e temas arcaicos, enquadrando-os dentro de propostas modernistas.<\/p>\n<p>Ressalte-se ainda o car\u00e1ter algo m\u00edstico do\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0lusitano, patente em algumas posturas, pessoais e est\u00e9ticas, de seu maior representantes, Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>modernismo<\/strong>\u00a0portugu\u00eas conheceu ainda mais duas gera\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas<\/p>\n<p><strong>A &#8220;GERA\u00c7\u00c3O DE PRESEN\u00c7A <\/strong>&#8221;<\/p>\n<p>Em 1927, um grupo de artistas fundou uma nova revista, Presen\u00e7a, que tentava retomar e aprofundar as propostas de Orpheu. Contando com a colabora\u00e7\u00e3o de alguns participantes da gera\u00e7\u00e3o anterior, os &#8220;presencistas&#8221;defenderam uma arte de car\u00e1ter mais psicologizante.<\/p>\n<p><strong>Seus principais representantes foram: <\/strong>Jos\u00e9 R\u00e9gio, Jo\u00e3o Gaspar Sim\u00f5es e Branquinho da Fonseca.<\/p>\n<p><strong>O NEO-REALISMO<\/strong><\/p>\n<p>Rejeitando a tem\u00e1tica psicol\u00f3gica e metaf\u00edsica que tinha dominado a gera\u00e7\u00e3o anterior, o Neo-realismo defende uma arte participativa, de tem\u00e1tica social. Por sua postura de ataque \u00e0 burguesia, encontraram pontos de contato com o Realismo de E\u00e7a de Queir\u00f3s. Mas receberam tamb\u00e9m forte influ\u00eancia do chamado neo-realismo nordestino da literatura brasileira ( que inclu\u00eda nomes como Graciliano Ramos, Jos\u00e9 Lins do Rego, Rachel de Queiroz Jorge Amado, entre outros ).<\/p>\n<p>Parte dos artistas alinhados no Neo-realismo derivaram para uma literatura marcada pela explora\u00e7\u00e3o do fant\u00e1stico e do absurdo.<\/p>\n<p><strong>Seus principais representantes foram:<\/strong> Alves Redol, Verg\u00edlio Ferreira, Fernando Namora, Ferreira de Castro.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dessas duas \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es \u00e9 bastante reduzida, quando comparada com a primeira. Por isso, aqui, abordaremos exclusivamente as obras autores mais significativos da &#8220;gera\u00e7\u00e3o de Orpheu &#8220;.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Fernando Pessoa<br \/>\nAlberto Caeiro<br \/>\nRicardo Reis<br \/>\n\u00c1lvaro de Campos<br \/>\nM\u00e1rio de S\u00e1-Carneiro<\/p><\/blockquote>\n<h4>BRASIL<\/h4>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Junto ao contexto generalizado de moderniza\u00e7\u00e3o que atravessava todo o mundo intelectual no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, acrescido ainda do otimismo que tomou conta da humanidade ap\u00f3s a I Guerra Mundial, alguns elementos espec\u00edficos do contexto hist\u00f3rico brasileiro merecem destaque<\/p>\n<p>Durante o conflito b\u00e9lico, a importa\u00e7\u00e3o de manufaturados tornou-se dif\u00edcil, e a produ\u00e7\u00e3o nacional passou por um sens\u00edvel incremento. O desenvolvimento industrial, sempre dependente das oscila\u00e7\u00f5es do panorama internacional, dessa vez conseguiu fundamentar-se em bases mais s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio da oligarquia cafeeira determinou, ademais, o fim de uma era semifeudal de relacionamentos no terreno trabalhista. O Brasil se viu, ent\u00e3o, diante da conting\u00eancia de ter deixar de ser exportador de um \u00fanico produto, para agilizar mais sua vida econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Essas modifica\u00e7\u00f5es impuseram uma transforma\u00e7\u00e3o no quadro social brasileiro. Classes sociais emergentes contribu\u00edram para estabelecer novos par\u00e2metros de desenvolvimento, mais pr\u00f3ximos \u00e0 febre de modernidade que tomava conta do mundo. A burguesia industrial, mesmo que parcialmente formada por antigos cafeicultores, representou a face elitista e aristocr\u00e1tica desse novo quadro social. Trazendo consigo os valores modernistas europeus, participou ativamente da renova\u00e7\u00e3o em nossas artes. A liga\u00e7\u00e3o desse setor com os intelectuais de vanguarda era evidente &#8211; os ataques dos artistas se dirigia mais \u00e0 fac\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria da classe dominante.<\/p>\n<p>Por outro lado, o operariado, embalado pelo mesmo esfor\u00e7o industrializado e animado por teorias anarquistas, comunistas e sindicalistas que a m\u00e3o-de-obra estrangeira tratava de organizar e veicular, conheceu uma face de expans\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o. A greve geral de 1917 mostrou que seu poder de reivindica\u00e7\u00e3o seria sempre um fator de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o que o modelo econ\u00f4mico, adotado pela ind\u00fastria brasileira, provocava.<\/p>\n<p>Nesse quadro de transforma\u00e7\u00f5es, de apologia da ind\u00fastria e da tecnologia, a arte parnasiana perdia um pouco de suas bases. A Europa assumida ainda como modelo, assistia desde a passagem do s\u00e9culo a intermin\u00e1veis agita\u00e7\u00f5es culturais, das quais a for\u00e7a do Parnasianismo no Brasil nos mantinha distantes. Mas, desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 10 j\u00e1 apareciam alguns ind\u00edcios da tend\u00eancia \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica parnasiana. Uma elite emergente, em contato com o que se produziu de mais novo no panorama art\u00edstico europeu, animava a vinda daquelas agita\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>O ano de 1917 tem especial import\u00e2ncia, na considera\u00e7\u00e3o das modifica\u00e7\u00f5es que se operariam na arte brasileira. Nesse ano, o lan\u00e7amento de alguns livros trariam a p\u00fablico o trabalho de artistas ainda iniciantes, mas que, desde esse momento, j\u00e1 come\u00e7aram a atrair a aten\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>As principais obras po\u00e9ticas lan\u00e7adas naquele ano foram: <\/strong>H\u00e1 uma gota de sangue em cada poema, livro pacifista de M\u00e1rio de Andrade; Cinzas das horas, reunindo poemas de Manuel Bandeira, ainda com fortes colora\u00e7\u00f5es simbolistas; Juca Mulato, em que Menotti del Picchia j\u00e1 indicava a preocupa\u00e7\u00e3o com o tipo brasileiro. Ainda nesse ano, o compositor Villa Lobos lan\u00e7ou o Canto do cisne negro, pe\u00e7a de car\u00e1ter impressionista &#8211; tr\u00eas anos antes, compusera as Dan\u00e7as africanas, j\u00e1 evidenciando um interesse pela cultura popular. O registro sonoro do samba Pelo telefone por um de seus autores, Donga, aumentou a possibilidade de contato entre as elites intelectuais e a arte dos morros cariocas.<\/p>\n<p><strong>Finalmente, 1917 foi o ano em que se travou a primeira batalha p\u00fablica na qual os modernistas se viram envolvidos: <\/strong>a exposi\u00e7\u00e3o de pintura de Anita Malfatti foi duramente criticada pelo respeitado Monteiro Lobato, o que fez com que se levantassem vozes da vanguarda que at\u00e9 ent\u00e3o agiam isoladamente.<\/p>\n<p><strong>Note-se ainda que foi neste ano que se deu o primeiro contato entre aqueles que seriam os pilares da arte moderna brasileira: <\/strong>o jornalista Oswald de Andrade conheceu M\u00e1rio de Andrade em uma palestra, passando desde ent\u00e3o a admirar seu trabalho.<\/p>\n<p>Na Europa, o clima de efervesc\u00eancia cultural favorecia a promo\u00e7\u00e3o de semanas de arte durante as quais novas tend\u00eancias eram lan\u00e7adas e divulgadas. Apoiadas pela parte &#8220;progressista&#8221;da elite brasileira, os artistas decidiram seguir o exemplo. Assim, como parte das comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da nossa independ\u00eancia, aconteceu, em fevereiro de 1917, em S\u00e3o Paulo, a Semana de Arte Moderna, cujos festivais, no Teatro Municipal, marcaram \u00e9poca na vida social da cidade.<\/p>\n<p>Alguns artistas conhecidos do p\u00fablico, como o escritor Gra\u00e7a Aranha e a pianista Guiomar Novais, alinhados com as id\u00e9ias modernistas, serviram como atra\u00e7\u00f5es, e a elite brasileira estava muito bem representada, na plat\u00e9ia do teatro. Contudo, as atitudes da maioria dos artistas que se apresentaram, provocaram a ira da assist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Ern\u00e2ni Braga trocou ao piano uma s\u00e1tira Marcha f\u00fanebre de Chopin; o compositor Heitor Villa-Lobos dessacralizou a figura convencional do maestro, entrando em cena trajando chinelos e portanto um guarda-chuva, e executando suas pe\u00e7as originais; o poeta Menotti del Picchia declarou a franca ades\u00e3o dos artistas a um estilo que reproduzisse a modernidade que j\u00e1 tomava conta das ruas; o escritor Ronald de Carvalho fez um ataque frontal aos parnasianos, lendo o poema: <\/strong>&#8220;Os sapos, de Manuel Bandeira; um dos l\u00edderes do movimento, M\u00e1rio de Andrade, por sua vez, atacou as elites retr\u00f3gradas com sua &#8220;Ode ao burgu\u00eas &#8220;, e proclamou as bases da nova est\u00e9tica com a leitura do manifesto &#8220;A escrava que n\u00e3o \u00e9 Isaura &#8220;; Oswald de Andrade leu seus escritos, com a agressividade que sempre caracterizou seu estilo. Nos sagu\u00f5es do teatro, pinturas e esculturas de artistas como Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Victor Brecherett mostravam a for\u00e7a do\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0nas artes pl\u00e1sticas.<\/p>\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o de parte do p\u00fablico foi a pior poss\u00edvel:<\/strong> estudantes apupavam e vaiavam os artistas, produzindo barulhos provocados por folhas de zinco; alguns mais exaltados amea\u00e7avam partir para a agress\u00e3o f\u00edsica; e todos rejeitavam a arte moderna por julg\u00e1-la excessivamente gratuita para ser arte, e selvagem, para ser moderna. Essa rea\u00e7\u00e3o agradou os indel\u00e9vel na mem\u00f3ria de todos os que assistiam a ele.<\/p>\n<p>A imprensa, reagindo de forma igualmente negativa, satirizando e menosprezando a arte modernista, acabou por indicar a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo pr\u00f3prio de divulga\u00e7\u00e3o de sua arte. Assim, no mesmo ano surgiu a Revista Klaxon, que foi sucedida por outras, como a Terra Roxa ( 1926 ) e a Revista de Antropofagia ( 1928 ).<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Duas correntes com orienta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>1o. Verde-amarelismo de Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia fazia a apologia das tradi\u00e7\u00f5es, com a exalta\u00e7\u00e3o da terra, dos folclores e dos her\u00f3is brasileiros.<br \/>\n2o. Antropofagia de Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Raul Bopp e Alc\u00e2ntara Machado proclamava a devora\u00e7\u00e3o ritual do saber estrangeiro como estrat\u00e9gia de reafirma\u00e7\u00e3o dos valores nacionais.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Apesar das suas diferen\u00e7as internas, os modernistas tinham muitas coisas em comum como:<\/strong> liberdade formal, linguagem coloquial, tematiza\u00e7\u00e3o do cotidiano, valoriza\u00e7\u00e3o do humor, com a forte influ\u00eancias dos &#8221; ismos &#8221; europeus, algumas particularidades merecem destaque.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o ao Parnasianismo foi muito significativa. A demoli\u00e7\u00e3o est\u00e9tica era, contudo, mais ampla. Inicialmente, os modernistas rejeitaram toda e qualquer est\u00e9tica anterior, para estabelecer,desde um ponto zero, os rumos da arte brasileira que se faria a partir deles.<\/p>\n<p>Retomando as preocupa\u00e7\u00f5es nacionalistas do Romantismo, mas rejeitando-lhe o car\u00e1ter idealizador e sentimental, os modernistas buscaram produzir um nacionalismo cr\u00edtico, recupera\u00e7\u00e3o de alguns tra\u00e7os do car\u00e1ter do homem brasileiro at\u00e9 ent\u00e3o tratados negativamente, como a pregui\u00e7a e a sensualidade.<\/p>\n<p>O Brasil selvagem, primitivo, pr\u00e9-civilizacionais, a figura do \u00edndio desmistificado assume, nesse contexto, grande import\u00e2ncia, na medida em que representa a rea\u00e7\u00e3o nacional ao ataque estrangeiro.<\/p>\n<p><strong>Por outro lado a tem\u00e1tica urbana tem muita for\u00e7a:<\/strong> o cinema, a velocidade, a multid\u00e3o s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es da modernidade que aparecem com freq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>M\u00e1rio de Andrade<br \/>\nOswald de Andrade<br \/>\nManuel Bandeira<br \/>\nAnt\u00f4nio de Alc\u00e2ntara Machado ( 1901 &#8211; 1935 )<br \/>\nGuilherme de Almeida ( 1890 &#8211; 1969 )<br \/>\nCassiano Ricardo ( 1895 &#8211; 1974 )<br \/>\nMenotti Del PicchiaA ( 1892 &#8211; 1988 )<br \/>\nRaul Bopp ( 1898 &#8211; 1984 )<br \/>\nRonald de Carvalho ( 1893 &#8211; 1935 )<\/p><\/blockquote>\n<h4>MODERNISMO &#8211; 2o. TEMPO &#8211; PROSA<\/h4>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 20 mereceu o nome de &#8220;anos loucos&#8221;, por causa da efervesc\u00eancia cultural vivida pela Europa naquele per\u00edodo, com a cria\u00e7\u00e3o ou consolida\u00e7\u00e3o de est\u00e9ticas e concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que se espalharam pelo mundo todo. Depois da I guerra Mundial, um clima de otimismo generalizado, associado a um progresso desenfreado em pa\u00edses emergentes.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1929, os &#8220;anos loucos &#8221; terminaram de maneira tr\u00e1gica. O chamado &#8220;crack &#8221; da bolsa de Nova York, causado por especula\u00e7\u00f5es monet\u00e1ria e crescimento econ\u00f4mico sem planejamento, levou muitos investidores \u00e0 fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 1939, a Alemanha invade Pol\u00f4nia e novo conflito mundial \u00e9 deflagrado. As concep\u00e7\u00f5es marxistas tornou-se, assim, uma presen\u00e7a pol\u00edtica importante.<\/p>\n<p>Deve-se destacar ainda o papel da Psican\u00e1lise de Freud.<\/p>\n<p>No Brasil, a crise financeira foi respondida com um endurecimento pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Durante todo o per\u00edodo do Segundo Tempo do\u00a0Modernismo, tivemos um ocupante da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica: <\/strong>Get\u00falio Vargas, que visava terminar com a &#8220;Rep\u00fablica caf\u00e9-com-leite &#8220;. Em 1937 instituiu o Estado Novo (<strong>o golpe trouxe<\/strong>: pris\u00f5es injusti\u00e7adas, persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, atos autorit\u00e1rios, censura aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o aos inimigos do regime).<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>A primeira caracter\u00edstica foi uma tend\u00eancia \u00e0 politiza\u00e7\u00e3o em graus mais acentuados do que tinham acontecido no\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0em 1922.<\/p>\n<p>Se na &#8220;fase her\u00f3ica &#8220;tinham apresentado como preocupa\u00e7\u00e3o fundamental uma revolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, a gera\u00e7\u00e3o art\u00edstica surgida nos anos 30 volta-se para uma literatura participativa, de intromiss\u00e3o na vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os modernista do primeiro tempo continuavam a produzir, M\u00e1rio de Andrade, foi decisiva para esses novos rumos que o pr\u00f3prio movimento assumiu. M\u00e1rio defendia uma postura art\u00edstica de acompanhamento das reivindica\u00e7\u00f5es populares, contribuindo para esse processo de politiza\u00e7\u00e3o a que se fez refer\u00eancia Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e todos os outros tamb\u00e9m continuavam atuantes.<\/p>\n<p><strong>Algumas conquistas do primeiro tempo do\u00a0Modernismo\u00a0continuavam como <\/strong>: a cr\u00edtica social, a concis\u00e3o, a coloquialidade.<\/p>\n<p>Um acontecimento que marcou a gera\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do per\u00edodo foi a realiza\u00e7\u00e3o do Congresso regionalista do Recife, em 1926, participaram Jos\u00e9 Lins do Rego, Lu\u00eds Jardim, Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, liderados pelo soci\u00f3logo Gilberto Freyre, suas id\u00e9ias tiveram grande influ\u00eancia na arte brasileira. A publica\u00e7\u00e3o do romance A Bagaceira, de Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, em 1928, solidifica a nova tend\u00eancia, neo-realismo nordestino, cujo maior representante viria a ser Graciliano Ramos.<\/p>\n<p>O regionalismo era uma tend\u00eancia j\u00e1 antiga, mas os modernistas diferenciaram, atrav\u00e9s da pr\u00e1tica de um regionalismo cr\u00edtico, voltado para as discuss\u00f5es dos problemas sociais.<\/p>\n<p><strong>Os principais temas dessa corrente liter\u00e1ria foram: <\/strong>a seca, a fome, a mis\u00e9ria, o arca\u00edsmo das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, a explora\u00e7\u00e3o do campon\u00eas, a opress\u00e3o do coronelismo, a rea\u00e7\u00e3o dos cangaceiros, etc.<\/p>\n<p><strong>Um livro ser\u00e1 de orienta\u00e7\u00e3o nessa \u00e9poca:<\/strong> Os sert\u00f5es, de Euclides da Cunha.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Graciliano Ramos<br \/>\nJos\u00e9 Lins do Rego<br \/>\nJorge Amado<br \/>\n\u00c9rico Ver\u00edssimo<br \/>\nRachel de Queiroz<br \/>\nJos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida<\/p><\/blockquote>\n<h4>MODERNISMO &#8211; 2o. TEMPO &#8211; POESIA<\/h4>\n<p><strong>Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>A poesia do per\u00edodo continua muitas das propostas do\u00a0<strong>Modernismo<\/strong>\u00a0de 1922, como a coloquialidade, a concis\u00e3o, a liberdade formal, a tem\u00e1tica do cotidiano, mas apresenta diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>A poesia do segundo tempo apresenta uma consolida\u00e7\u00e3o das conquistas modernistas. Os radicalismos t\u00edpicos da chamada &#8220;fase her\u00f3ica&#8221;, foram pouco a pouco abandonados, em nome de um equil\u00edbrio formal, que chegou resgatar algumas formas po\u00e9ticas tradicionais, como o soneto. O Nacionalismo que predominava antes foi substitu\u00eddo por uma tend\u00eancia universalizante.<\/p>\n<p>A arte participativa politizada, ganha for\u00e7a, nesse contexto, uma poesia social, com muitas refer\u00eancias diretas a fatos e dados contempor\u00e2neos, como se pode perceber em poemas de Carlos Drummond de Andrade.<\/p>\n<p><strong>Cresceu tamb\u00e9m um outro tipo de pr\u00e1tica po\u00e9tica: <\/strong>a poesia metaf\u00edsica, espiritualizante e m\u00edstica, que aparece em obras de Cec\u00edlia Meireles, Vin\u00edcius de Moraes, Jorge de Lima e Murilo Mendes.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Carlos Drummond de Andrade<br \/>\nCec\u00edlia Meireles<br \/>\nVinicius de Moraes<br \/>\nJorge de Lima<br \/>\nMurilo Mendes<\/p><\/blockquote>\n<h4>MODERNISMO &#8211; 3o. TEMPO<\/h4>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Em 1945, com o fim da Guerra Mundial, talvez fosse de se esperar que uma onda de otimismo e esperan\u00e7a se espalhasse por todo o planeta. Mas a experi\u00eancia da I Guerra, em 1919, mostrou-se ilus\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Duas for\u00e7as pol\u00edticas antag\u00f4nicas emergiram do panorama do p\u00f3s-guerra: <\/strong>EUA e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Cada uma delas representava uma ideologia diferente:<\/strong> o Capitalismo e o Comunismo. As duas superpot\u00eancias passaram, ent\u00e3o, a se enfrentar. De um lado, no terreno diplom\u00e1tico. De outro lado, no plano da guerra indireta, envolvendo-se em disputas locais. Esse per\u00edodo ficou conhecido com o nome de Guerra Fria.<\/p>\n<p>No Brasil, o fim da II Guerra trouxe a democracia de volta. Em 1945, o ditador Get\u00falio Vargas foi arrancado do poder, sendo substitu\u00eddo por um presidente eleito democraticamente, mas em 1950, Get\u00falio Vargas volta \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. As atitudes oscilantes de Vargas, e sua eterna simpatia por golpes de for\u00e7a, levantavam as suspeitas de uma nova ditadura. Tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda, principal opositor de Vargas. No epis\u00f3dio morreu um major de Aeron\u00e1utica, e as For\u00e7as Armadas passaram a apressar a conclus\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es policiais, que apontava um envolvimento direto de pessoas ligadas ao presidente.<\/p>\n<p>Get\u00falio Vargas suicidou-se, em agosto de 1954.<\/p>\n<p>O novo presidente Juscelino Kubitscheck, promoveu um grande avan\u00e7o desenvolvimentista. O sucessor de Juscelino, J\u00e2nio Quadros chegou ao poder com forte apoio popular. Nova crise se instalou, porque o vice-presidente Jo\u00e3o Goulart, tinha francas simpatias pelas ideologias de esquerda.<\/p>\n<p>Em 1964, o descontentamento converteu-se em a\u00e7\u00e3o, e o governo foi derrubada pelo golpe militar de 31 de mar\u00e7o. Uma nova ditadura instalou-se, e mais uma p\u00e1gina triste da nossa\u00a0<strong>hist\u00f3ria<\/strong>\u00a0come\u00e7ou a ser escrita.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>Nesta fase pode-se perceber um enfraquecimento da tend\u00eancia participativa que tinha predominado no per\u00edodo anterior. Mas a caracter\u00edstica forte do terceiro per\u00edodo \u00e9 a relev\u00e2ncia que nele adquiriu o fant\u00e1stico, o al\u00e9m-real, aquilo que est\u00e1 por tr\u00e1s da realidade aparente, e que nem sempre os sentidos podem captar.<\/p>\n<p>O psicologismo presente na obra de M\u00e1rio de Andrade, marcaria o regionalismo de Graciliano Ramos quanto a literatura urbana, alcan\u00e7aria nos anos seguintes grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Finalmente, um aspecto a ser salientado \u00e9 a extrema valoriza\u00e7\u00e3o da palavra. A reflex\u00e3o em torno do instrumento de trabalho do escritor, suas possibilidades e limita\u00e7\u00f5es, ocupam espa\u00e7o importante na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do per\u00edodo, seja como elemento subjacente \u00e0 composi\u00e7\u00e3o, seja com tem\u00e1tica primordial.<\/p>\n<p><strong>PROSA<\/strong><\/p>\n<p>O car\u00e1ter regionalista tem no terceiro tempo atinge dimens\u00f5es mais amplas e universais. O autor que se destaca, nesse terreno \u00e9 Guimar\u00e3es Rosa.<\/p>\n<p>E a prosa psicol\u00f3gica, fundamentou-se na pesquisa interior, em manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas cada vez mais complexas e instigantes O exemplo mais pr\u00f3ximo \u00e9 a obra de Clarice Lispector.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Guimar\u00e3es Rosa<br \/>\nClarice Lispector<br \/>\nJo\u00e3o Cabral de Melo Neto<\/p><\/blockquote>\n<p>Fonte: www.brasilliteratura.hpg.ig.com.br\/www.artesbr.hpg.ig.com.br\/mre.gov.br\/www.itaucultural.org.br\/www.profabeatriz.hpg.ig.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 um per\u00edodo da literatura com in\u00edcio em 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