{"id":29789,"date":"2016-05-19T11:43:25","date_gmt":"2016-05-19T11:43:25","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29789"},"modified":"2018-10-15T16:13:30","modified_gmt":"2018-10-15T18:13:30","slug":"humanismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/humanismo","title":{"rendered":"Humanismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que foi o Humanismo?<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 um movimento liter\u00e1rio e, tamb\u00e9m, uma corrente filos\u00f3fica que representa a transi\u00e7\u00e3o entre a Idade M\u00e9dia (que acreditava muito na religi\u00e3o) e o Renascimento (que valorizava mais a raz\u00e3o e a ci\u00eancia). Por isso, ele ainda apresenta algumas caracter\u00edsticas de ambos. Nele o homem passa a ser mais valorizado, lugar que antes era ocupado exclusivamente por Deus.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos conceitos que representa uma das caracter\u00edsticas renascentistas porque a Europa sai da Idade M\u00e9dia (idade das trevas) \u2013 em que n\u00e3o existia investimento e nem grande conhecimento cient\u00edfico por conta da sociedade teoc\u00eantrica) e passa a valorizar o conhecimento humano e o racionalismo.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-137522\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/homem-vitruviano.jpg\" alt=\"Homem Vitruviano\" width=\"348\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/homem-vitruviano.jpg 348w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/homem-vitruviano-261x300.jpg 261w\" sizes=\"(max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1 &#8211; Homem Vitruviano (1490) de Leonardo da Vinci. S\u00edmbolo do antropocentrismo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>No Humanismo, o homem assume o papel de protagonista diante da sociedade. Antes disso, Deus era \u00fanica e exclusivamente o protagonista de toda a popula\u00e7\u00e3o \u2013 caracter\u00edstica do teocentrismo. Mas, com o avan\u00e7o do Humanismo, o antropocentrismo ocupa esse espa\u00e7o. Ou seja, agora o <strong>homem<\/strong> est\u00e1 no centro de tudo.<\/p>\n<p>Um dos fatores que levam a isso, \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o dos burgos. Os burgos, nada mais s\u00e3o do que cidades ao redor do pal\u00e1cio que s\u00e3o cercadas por uma murada de pedra. L\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o fazia o com\u00e9rcio dos artigos que possu\u00edam. O surgimento dos burgos e da burguesia causa muitas transforma\u00e7\u00f5es na Europa.<\/p>\n<p>\u00c9 uma \u00e9poca em que o continente passa por muitas mudan\u00e7as e h\u00e1 uma volta ao apego das ideias gregas \u2013 que j\u00e1 estavam sendo esquecidas devido terem sido substitu\u00eddas pelo Cristianismo. Esse conjunto de acontecimentos \u00e9 que o acaba tornando a sociedade mais racional e antropoc\u00eantrica. \u00c9 nesse per\u00edodo, inclusive, que Galileu Galilei prova sua teoria de que o sol est\u00e1 no centro do universo e n\u00e3o a Terra, como muitos acreditavam. Com a sociedade racional, teorias cient\u00edficas ganham for\u00e7a e se inicia, dessa forma, a queda o Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e autores<\/strong><\/p>\n<p>Durante o Humanismo, a literatura \u00e9 ainda mais restrita do que no Trovadorismo. A poesia durante o per\u00edodo trovadoresco era cantada e, por isso, chegava a mais camadas sociais. A partir de agora, no movimento humanista, as poesias s\u00e3o escritas. Desse modo, ela se restringe <em>apenas<\/em> \u00e0 nobreza \u2013 pessoas muito ricas, como reis, rainhas, pr\u00edncipes e princesas \u2013 que eram as \u00fanicas pessoas que sabiam ler naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Nesse movimento, tamb\u00e9m h\u00e1 a prosa e a poesia. No entanto, a poesia aqui, como era bem restrita, era chamada de <strong>poesia palaciana<\/strong>. J\u00e1 a prosas, eram escritas por um homem chamado<em>Fern\u00e3o Lopes<\/em> e as hist\u00f3rias narravam o cotidiano nos pal\u00e1cios. Afinal, era isso que interessava ao p\u00fablico que tinha acesso a essas obras. A prosa, aqui, pode ser chamada de <strong>prosa historiogr\u00e1fica<\/strong> porque \u00e9 rica em informa\u00e7\u00f5es de como os pal\u00e1cios eram naquela \u00e9poca. As principais obras de Fern\u00e3o Lopes foram: \u201cCr\u00f4nica d\u2019El-Rei D. Pedro\u201d, \u201cCr\u00f4nica d\u2019El-Rei D. Fernando\u201d e \u201cCr\u00f4nica d\u2019El-Rei D. Jo\u00e3o I\u201d.<\/p>\n<p><strong>Exemplo de poesia palaciana:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMeu amor tanto vos quero,<\/p>\n<p>que deseja o cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>mil cousas contra a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Porque, se vos n\u00e3o quisesse,<\/p>\n<p>como poderia ter<\/p>\n<p>desejo que me viesse<\/p>\n<p>do que nunca pode ser?<\/p>\n<p>Mas conquanto desespero,<\/p>\n<p>e em mim tanta afei\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>que deseja o cora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>(Aires Teles)<\/p>\n<p>Apesar disso, o autor que realmente representa o Humanismo \u00e9 <strong>Gil Vicente<\/strong>. Ele \u00e9 o cara do momento e tamb\u00e9m foi quem come\u00e7ou a escrever o que, hoje, n\u00f3s conhecemos por teatro. Suas obras s\u00e3o um retrato da sociedade daquela \u00e9poca e continha cr\u00edticas sociais. Al\u00e9m de tamb\u00e9m conter humor em suas obras existia, ainda, a presen\u00e7a de temas populares para a cultura da \u00e9poca como, por exemplo, a religi\u00e3o e a s\u00e1tira ao povo nobre.<\/p>\n<p>As principais obras de Gil Vicente s\u00e3o os autos.<\/p>\n<p><em>Mas, afinal de contas, o que \u00e9 um auto?<\/em><\/p>\n<p>Os autos em Gil Vicente s\u00e3o os textos religiosos porque, apesar de n\u00e3o ser mais o centro de tudo, Deus \u00e9 muito presente na vida das pessoas. Por exemplo, o \u201c<em>Auto da Barca do Inferno<\/em>\u201d, obra mais popular e que j\u00e1 foi obrigat\u00f3ria em leituras de vestibulares, cont\u00e9m as principais caracter\u00edsticas do autor: \u00e9 um texto com cunho religioso que critica a sociedade.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m dos autos, Gil Vicente tamb\u00e9m escrevia farsas. As farsas, tamb\u00e9m encenadas em teatros, s\u00e3o textos mais curtos e engra\u00e7adas. O principal objetivo delas \u00e9 tirar sarro das mazelas da sociedade. Ou seja, mais uma vez, o autor continua criticando os aspectos sociais da \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Principais caracter\u00edsticas do Humanismo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8211; antropocentrismo;<\/p>\n<p>&#8211; homem mais racional;<\/p>\n<p>&#8211; problemas sociais.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Por<\/strong> Amanda Abreu<\/p>\n<h4>A tradi\u00e7\u00e3o humanista<\/h4>\n<p>China, \u00cdndia e Europa Ocidental todos t\u00eam tradi\u00e7\u00f5es de pensamento humanista que pode ser rastreada at\u00e9 pelo menos 2.500 anos.<\/p>\n<p>Esta maneira de compreender o mundo, de encontrar sentido na vida e o pensamento moral tamb\u00e9m \u00e9 encontrada em muitas outras culturas.<\/p>\n<p>Muitas pessoas pensaram e expressaram <strong>id\u00e9ias humanistas<\/strong> ao longo de muitos s\u00e9culos em todo o mundo, contribuindo para uma tradi\u00e7\u00e3o humanista. Embora alguns deles podem ter acreditado em um deus ou deuses, eles foram bem planejadas, seres humanos, pessoas de mente aberta, e muitos deles lutou contra a ignor\u00e2ncia eo fanatismo religioso de sua \u00e9poca, \u00e0s vezes assumindo riscos pessoais consider\u00e1veis para o fazer.<\/p>\n<p>Muitos dos grandes fil\u00f3sofos, cientistas e pensadores morais eram essencialmente <strong>humanista<\/strong>, porque n\u00e3o aceitar as cren\u00e7as tradicionais, mas pensou para si e empurrou para a frente do conhecimento humano.<\/p>\n<h4>Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p><strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 um sistema de valores e cren\u00e7as que se baseia na id\u00e9ia de que as pessoas s\u00e3o basicamente boas e que os problemas podem ser resolvidos usando a raz\u00e3o, em vez de religi\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Humanismo<\/strong>, termo aplicado livremente para uma variedade de cren\u00e7as, m\u00e9todos e filosofias que colocam \u00eanfase central no reino humano.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, no entanto, o termo \u00e9 usado com refer\u00eancia a um sistema de educa\u00e7\u00e3o e modo de investiga\u00e7\u00e3o que desenvolveu no norte da It\u00e1lia durante os s\u00e9culos 13 e 14 e mais tarde se espalhou atrav\u00e9s da Europa e Inglaterra.<\/p>\n<h4>No\u00e7\u00e3o geral do Humanismo<\/h4>\n<p>N\u00e3o esperamos o interesse suscitado pelas novas diretivas comunistas concernentes ao <strong>humanismo<\/strong> socialista para situar o problema do humanismo.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, este problema est\u00e1 na moda; afinal h\u00e1 lugar para que nos rejubilemos com isto, quest\u00f5es de import\u00e2ncia central foram levantadas para o futuro. N\u00e3o se poder\u00e1 mais dizer que o problema do homem s\u00f3 come\u00e7ar\u00e1 a ter significa\u00e7\u00e3o depois do desaparecimento da economia capitalista.<\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o nos apercebemos ainda de que tomar posi\u00e7\u00e3o sobre o <strong>humanismo<\/strong> obriga a situar ao mesmo tempo muitos outros problemas.<\/p>\n<p>Desejaria aqui, e para introduzir \u00e0s considera\u00e7\u00f5es propostas na presente obra, chamar a aten\u00e7\u00e3o para um destes problemas.<\/p>\n<p><strong>Nada h\u00e1 que o homem deseje tanto como uma vida her\u00f3ica; nada h\u00e1 de menos ordin\u00e1rio ao homem do que o hero\u00edsmo: <\/strong>\u00e9, parece-me, o sentimento profundo de tal antinomia que faz, a um s\u00f3 tempo, o tr\u00e1gico e a qualidade espiritual da obra de Andr\u00e9 Malraux. Suponho que a quest\u00e3o do <strong>humanismo<\/strong>, mesmo socialista, n\u00e3o parece a Malraux uma quest\u00e3o de repouso.<\/p>\n<p><strong>Poderei eu afirmar que a Arist\u00f3teles tampouco ela n\u00e3o parecia uma quest\u00e3o de repouso? <\/strong><\/p>\n<p>Propor somente o humano ao homem, notava ele, \u00e9 trair o homem e desejar sua infelicidade, porquanto pela sua parte principal, que \u00e9 o esp\u00edrito, o homem \u00e9 solicitado para melhor do que uma vida puramente humana. Sobre este princ\u00edpio (sen\u00e3o sobre a maneira de o aplicar), Ramanuja e Ep\u00edteto, Nietzsche e S. Jo\u00e3o da Cruz est\u00e3o acordes.<\/p>\n<p><strong>A nota de Arist\u00f3teles que acabo de lembrar \u00e9 humanista ou \u00e9 anti-humanista? <\/strong><\/p>\n<p>A resposta depende da concep\u00e7\u00e3o que se faz do homem. V\u00ea-se por isto que a palavra <strong>humanismo<\/strong> \u00e9 um voc\u00e1bulo amb\u00edguo. \u00c9 claro que aquele que o pronuncia compromete de logo uma metaf\u00edsica, e que, segundo existe ou n\u00e3o no homem alguma coisa que respira acima do tempo, e uma personalidade cujas necessidades mais profundas ultrapassam toda ordem do universo, a id\u00e9ia que se far\u00e1 do humanismo ter\u00e1 resson\u00e2ncias inteiramente diferentes.<\/p>\n<p>Contudo, porque a grande sabedoria pag\u00e3 n\u00e3o pode ser supressa da tradi\u00e7\u00e3o humanista, devemos ser advertidos em qual quer caso em n\u00e3o definir o <strong>humanismo<\/strong> pela exclus\u00e3o de toda ordena\u00e7\u00e3o ao super-humano e pela abjura\u00e7\u00e3o de toda transcend\u00eancia. Para deixar as discuss\u00f5es abertas, digamos que o humanismo (e uma tal defini\u00e7\u00e3o pode ser desenvolvida segundo linhas muito divergentes) tende essencialmente a tornar o homem mais verdadeiramente humano, e a manifestar sua grandeza original fazendo-o participar de tudo o que o pode enriquecer na natureza e na hist\u00f3ria (&#8220;concentrando o mundo no homem&#8221;, como dizia mais ou menos Scheler, e &#8220;dilatando o homem ao mundo&#8221;); ele exige ao mesmo tempo que o homem desenvolva as virtualidades nele contidas, suas for\u00e7as criadoras e a vida da raz\u00e3o, e trabalhe por fazer das for\u00e7as do mundo f\u00edsico instrumento de sua liberdade.<\/p>\n<p>Assim entendido, o <strong>humanismo<\/strong> \u00e9 insepar\u00e1vel da civiliza\u00e7\u00e3o ou da cultura, tomando-se estas duas palavras como sin\u00f4nimas.<\/p>\n<p><strong>Pode haver um humanismo her\u00f3ico? <\/strong><\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es precedentes parecem dificilmente contest\u00e1veis. De fato, no entanto, n\u00e3o se apresentam os per\u00edodos humanistas, nos diversos ciclos de cultura, em oposi\u00e7\u00e3o com os per\u00edodos her\u00f3icos, e n\u00e3o aparecem como um decl\u00ednio destes no humano, ou como uma retomada do humano sobre estes, como uma recusa mais ou menos geral do super-humano? Seria portanto o <strong>humanismo<\/strong> incompat\u00edvel com o hero\u00edsmo, e com os momentos criadores, ascendentes, e verdadeiramente org\u00e2nicos da cultura, a n\u00e3o ser quando estivesse ligado a um dinamismo hist\u00f3rico, onde ele ficasse inconsciente de si mesmo e escondido aos pr\u00f3prios olhos, e no qual mesmo \u00e0 dor fosse cego, e se suportasse na ignor\u00e2ncia, o homem se ignorando ent\u00e3o para se sacrificar por qualquer coisa mais elevada do que ele? Ser\u00e1 que o humanismo somente se pode desembara\u00e7ar por si mesmo e se exprimir, e significar ao mesmo tempo suas postula\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, nos momentos de dissipa\u00e7\u00e3o de energia, de dissocia\u00e7\u00e3o e de descida, em que para recorrer uma vez a esta oposi\u00e7\u00e3o de termos, a &#8220;cultura&#8221; se torna &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, em que a dor abre os olhos sobre si, &#8211; e n\u00e3o \u00e9 mais suportada? Ser\u00e1 que o homem s\u00f3 se pode conhecer renunciando ao mesmo tempo a se sacrificar por qualquer coisa maior do que ele ? Humana, demasiado humana, pulando nesta &#8220;anarquia dos \u00e1tomos&#8221; de que falou Nietzsche, \u00e9 a decad\u00eancia neste sentido um fen\u00f4meno humanista?<\/p>\n<p>Talvez a resposta fosse menos simples do que parece a certo aristocratismo f\u00e1cil, talvez certas formas de hero\u00edsmo permitissem resolver esta aparente contrariedade. Pretende-o o hero\u00edsmo comunista pela tens\u00e3o revolucion\u00e1ria e o titanismo da a\u00e7\u00e3o, o hero\u00edsmo budista, pela piedade e a ina\u00e7\u00e3o (non &#8211; agir). Pelo amor pretende-o outro hurnanismo. O exemplo dos santos humanistas, como o admir\u00e1vel Tom\u00e1s Morus, \u00e9 neste ponto de vista particularmente significativo.<\/p>\n<p><strong>Testemunha por\u00e9m ele somente que humanismo e santidade podem coexistir, ou ent\u00e3o que pode haver um humanismo nutrido nas fontes her\u00f3icas da santidade? <\/strong><\/p>\n<p>Um humanismo desembara\u00e7ado por si mesmo e consciente de si, que conduz o homem ao sacrif\u00edcio e a uma grandeza verdadeiramente super-humana, pois ent\u00e3o a dor humana desvenda os olhos, e \u00e9 suportada por amor, &#8211; n\u00e3o na ren\u00fancia \u00e0 alegria, mas em uma sede maior, e na exulta\u00e7\u00e3o da alegria. Pode haver um hurnanismo her\u00f3ico ?<\/p>\n<p>Quanto a mim, respondo que sim. E me pergunto se n\u00e3o e da resposta a esta quest\u00e3o (e das considera\u00e7\u00f5es que se acrescentam) que dependem antes de tudo as diversas posi\u00e7\u00f5es tomadas por iins e outros em face do trabalho hist\u00f3rico que se efetua aos nossos olhos, e as diversas op\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas \u00e0s quais se sentem obrigadas.<\/p>\n<p><strong>O Humanismo Ocidental e a Religi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Bem compreendo que, para alguns, um <strong>humanismo<\/strong> aut\u00eantico s\u00f3 deve ser por defini\u00e7\u00e3o um humanismo anti-religioso. Pensamos de modo absolutamente contr\u00e1rio, como se ver\u00e1 nos cap\u00edtulos que se seguem. No momento, quereria somente indicar, a prop\u00f3sito, duas observa\u00e7\u00f5es de fatos.<\/p>\n<p>Primeiramente, \u00e9 verdade que, desde os princ\u00edpios da Renascen\u00e7a, o mundo ocidental passou progressivamente de um regime de hero\u00edsmo sacral crist\u00e3o a um regime humanista. Mas o <strong>humanismo<\/strong> ocidental tem fontes religiosas e &#8220;transcendentes&#8221; sem as quais \u00e9 incompreens\u00edvel; &#8211; chamo &#8220;transcendentes&#8221; todas as formas de pensamento, quaisquer que sejam fora disto as suas diversidades, que p\u00f5em na origem do mundo um esp\u00edrito superior ao homem, no homem um esp\u00edrito cujo destino vai al\u00e9m do tempo, e uma piedade natural ou sobrenatural no centro da vida moral. As fontes do humanismo ocidental s\u00e3o fontes cl\u00e1ssicas e fontes crist\u00e3s, e n\u00e3o \u00e9 somente na massa da antig\u00fcidade medieval, \u00e9 tamb\u00e9m em uma das partes menos recus\u00e1veis da heran\u00e7a da antig\u00fcidade pag\u00e3, aquela que evocam os nomes de Homero, S\u00f3focles, S\u00f3crates, Virg\u00edlio &#8220;\u00c8ai do Ocidente&#8221;, que aparecem os caracteres a que acabo de me referir. De outro lado, pelo fato somente de que o regime da cristandade medieval era um regime de unidade da carne e do esp\u00edrito, ou de espiritualidade incarnada, ele envolvia em suas formas sacrais um humanismo virtual e impl\u00edcito; no XII e XIII s\u00e9culos ele devia &#8220;aparecer&#8221; e se manifestar, &#8211; com o brilho de uma beleza inst\u00e1vel e como que obrigada a existir, pois de logo a discord\u00e2ncia entre o estilo cultural medieval e o estilo do humanismo cl\u00e1ssico (sem falar das diversas desfigura\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio cristianismo iria sofrer e cujas principais foram o puritanismo e o janse\u00edsmo), devia recobrir e esconder por um tempo o acordo provindo (?) do cristianismo e do humanismo considerados em suas ess\u00eancias.<\/p>\n<p>Nesses tempos medievais, uma comunh\u00e3o, em uma mesma f\u00e9 viva, da pessoa humana com as outras pessoas reais e concretas, e com o Deus que elas amavam, e com a cria\u00e7\u00e3o inteira, tornava, no meio de muitas mis\u00e9rias, o homem fecundo em hero\u00edsmo assim como em atividade de conhecimento e em obras de beleza; e nos cora\u00e7\u00f5es mais puros um grande amor, exaltando no homem a natureza acima dela pr\u00f3pria, estendia \u00e0s pr\u00f3prias coisas o senso da piedade fraterna; ent\u00e3o, um S\u00e3o Francisco compreendia que antes de ser explorada em nosso servi\u00e7o por nossa ind\u00fastria, a natureza material reclama em qualquer sorte ser adestrada por nosso amor; quero dizer que amando as coisas, e nelas o ser, o homem as atrai ao humano, em lugar de fazer passar o humano sob a sua medida.<\/p>\n<p>De outro lado, &#8211; e \u00e9 esta a minha segunda observa\u00e7\u00e3o, a considerar o <strong>humanismo<\/strong> ocidental em suas formas contempor\u00e2neas aparentemente as mais emancipadas de toda metaf\u00edsica da transcend\u00eancia, \u00e9 f\u00e1cil ver que, se um resto de conao (?) comum subsiste ainda da dignidade humana da liberdade dos valores desinteressados, \u00e9 uma heran\u00e7a de id\u00e9ia e sentimentos outrora crist\u00e3os, hoje desviados. E compreendo muito bem que o humanismo liberal-burgu\u00eas seja apenas o trigo degerminado, p\u00e3o de amido. E contra esse espiritualismo materializado, o materialismo ativo do ate\u00edsmo ou do paganismo levam vantagem. Todavia, desligadas de suas ra\u00edzes naturais e colocadas em um clima de viol\u00eancia, s\u00e3o ainda em parte energias crist\u00e3s adoecidas que, de fato, existencialmente, qualquer que sejam as teorias, comovem o cora\u00e7\u00e3o dos homens e os obrigam \u00e0 a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um dos sinais da confus\u00e3o das id\u00e9ias que se estende hoje sobre o mundo, ver tais energias outrora crist\u00e3s servir para exaltar precisamente a propaganda de concep\u00e7\u00f5es culturais diametralmente opostas ao cristianismo ? Seria bela a ocasi\u00e3o para os crist\u00e3os reconduzir as coisas \u00e0 verdade, reintegrando na plenitude de sua fonte original essas esperan\u00e7as de justi\u00e7a e essas nostalgias de comunh\u00e3o, cujo sustento \u00e9 feito pela dor do mundo e cujo \u00e9lan \u00e9 desorientado, e suscitando assim uma for\u00e7a cultural e temporal de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 capaz de agir na hist\u00f3ria e ajudar os homens.<\/p>\n<p>Ser-lhes-iam necess\u00e1rias para tal uma s\u00e3 filosofia social e uma s\u00e3 filosofia da hist\u00f3ria moderna. Trabalhariam eles ent\u00e3o para substituir, ao regime inumano que agoniza aos nossos olhos, um novo regime de civiliza\u00e7\u00e3o que se caracteriza por um <strong>humanismo<\/strong> integral, e que representaria a seus olhos uma nova cristandade n\u00e3o mais sacral, por\u00e9m profana, como tentamos mostrar nos estudos aqui reunidos.<\/p>\n<p>Este novo <strong>humanismo<\/strong>, sem medida comum com o humanismo burgu\u00eas, e tanto mais humano quando menos adora o homem, mas respeita realmente e efetivamente a dignidade humana e d\u00e1 direito \u00e0s exig\u00eancias integrais da pessoa, n\u00f3s o concebemos como que orientado para uma realiza\u00e7\u00e3o social-temporal desta aten\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica ao humano, a qual n\u00e3o deve existir somente na ordem espiritual, mas incarnar-se, e tamb\u00e9m para o ideal de uma comunidade fraterna. N\u00e3o \u00e9 pelo dinamismo ou pelo imperialismo da ra\u00e7a, da classe ou da na\u00e7\u00e3o que ele pede aos homens de se sacrificarem, mas por uma vida melhor para os seus irm\u00e3os, e pelo bem concreto da comunidade das pessoas humanas; pela humilde verdade da amizade fraterna a fazer passar &#8211; ao pre\u00e7o de um esfor\u00e7o constantemente dif\u00edcil, e da pobreza, &#8211; na ordem do social e das estruturas da vida comum; \u00e9 deste modo somente que um tal humanismo \u00e9 capaz de engrandecer o homem na comunh\u00e3o, e \u00e9 por isto que ele n\u00e3o poderia ser outro sen\u00e3o um humanismo her\u00f3ico.<\/p>\n<h4><strong>Humanismo &#8211; <\/strong>Per\u00edodo<\/h4>\n<p><strong>Humanismo <\/strong>\u00e9 o nome que se d\u00e1 \u00e0 produ\u00e7\u00e3o escrita hist\u00f3rica liter\u00e1ria do final da Idade M\u00e9dia e in\u00edcio da Moderna , ou seja , parte do s\u00e9culo XV e in\u00edcio do XVI , mais precisamente , de 1434 a 1527 .<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas atividades mais destacadas compuseram esse per\u00edodo: <\/strong>a produ\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica de Fern\u00e3o Lopes , a produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica dos nobres , por isso dita Poesia Palaciana , e a atividade teatral de Gil Vicente.<\/p>\n<p>O tipo de resposta que voc\u00ea vai obter para essa pergunta depende da esp\u00e9cie de humanista a quem voc\u00ea pergunta!<\/p>\n<p>A palavra &#8220;<strong>humanismo<\/strong>&#8221; tem muitos significados e, uma vez que autores e conferencistas geralmente n\u00e3o deixam claro a qual significado se referem, os que tentam explicar o humanismo podem facilmente gerar confus\u00e3o. Felizmente, cada significado da palavra constitui um diferente tipo de humanismo \u0097 os diferentes tipos sendo facilmente separados e definidos atrav\u00e9s do uso de adjetivos apropriados.<\/p>\n<p><strong>Portanto, permitam-me resumir as diferentes variedades de humanismo da seguinte maneira:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><b>Humanismo Liter\u00e1rio: <\/b>\u00c9 uma devo\u00e7\u00e3o pelas humanidades ou cultura liter\u00e1ria.<\/p>\n<p><b>Humanismo da Renascen\u00e7a: <\/b>\u00c9 o esp\u00edrito de aprendizado que se desenvolveu no final das idades m\u00e9dias com o renascimento das letras cl\u00e1ssicas e uma renovada confian\u00e7a na habilidade dos seres humanos para determinar por si mesmos o que \u00e9 verdadeiro e o que \u00e9 falso.<\/p>\n<p><b>Humanismo Cultura: <\/b>\u00c9 a tradi\u00e7\u00e3o racional e emp\u00edrica que teve origem, em grande parte, nas antigas Gr\u00e9cia e Roma e evoluiu, no decorrer da hist\u00f3ria europ\u00e9ia, para constituir atualmente uma parte fundamental da abordagem ocidental \u00e0 ci\u00eancia, \u00e0 teoria pol\u00edtica, \u00e0 \u00e9tica e \u00e0 lei.<\/p>\n<p><b>Humanismo Filos\u00f3fico: <\/b>\u00c9 uma vis\u00e3o ou um modo de vida centrado na necessidade e no interesse humanos. Subcategorias deste tipo de <strong>humanismo<\/strong> inclui o Humanismo Crist\u00e3o e o Humanismo Moderno.<\/p>\n<p><b>Humanismo Crist\u00e3o: <\/b>\u00c9 definido em dicion\u00e1rios como sendo &#8220;uma filosofia que defende a auto-realiza\u00e7\u00e3o humana dentro da estrutura dos princ\u00edpios crist\u00e3os&#8221;. Esta f\u00e9 com maior direcionamento humano \u00e9 em grande parte produto da Renascen\u00e7a e representa um aspecto daquilo que produziu o <strong>humanismo da Renascen\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p><b>Humanismo Moderno: <\/b>Tamb\u00e9m chamado <strong>Humanismo<\/strong> Naturalista, Humanismo Cient\u00edfico, Humanismo \u00c9tico, e Humanismo Democr\u00e1tico, \u00e9 definido por um dos seus principais proponentes, Corliss Lamont, como &#8220;uma filosofia naturalista que rejeita todo supernaturalismo e repousa basicamente sobre a raz\u00e3o e a ci\u00eancia, sobre a democracia e a compaix\u00e3o humana&#8221;. O Humanismo Moderno tem uma origem dual, tanto secular quanto religiosa, e estas constituem suas subcategorias.<\/p>\n<p><b>Humanismo Secular: <\/b>\u00c9 uma conseq\u00fc\u00eancia do racionalismo do iluminismo do s\u00e9culo XVIII e do livre-pensamento do s\u00e9culo XIX. Muitos grupos seculares [&#8230;] e muitos cientistas e fil\u00f3sofos acad\u00eamicos sem outra filia\u00e7\u00e3o defendem esta filosofia.<\/p>\n<p><b>Humanismo Religioso: <\/b>Emergiu da Cultura \u00c9tica, do Unitarianismo e do Universalismo. Hoje em dia, muitas congrega\u00e7\u00f5es Unitario-Universalistas e todas as sociedades de Cultura \u00c9tica descrevem-se como humanistas no sentido moderno.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os humanistas seculares e os humanistas religiosos compartilham a mesma vis\u00e3o de mundo e os mesmos princ\u00edpios b\u00e1sicos. Isto fica evidente a partir do fato de que ambos, humanistas seculares e humanistas religiosos, assinaram o Primeiro Manisfesto Humanista, em 1933, e o Segundo Manifesto Humanista, de 1973. Do ponto de vista exclusivamente filos\u00f3fico, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre os dois. \u00c9 apenas na defini\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o e na pr\u00e1tica da filosofia que os humanistas seculares e os humanistas religiosos discordam efetivamente.<\/p>\n<p><strong>O Humanismo Religioso \u00e9 &#8220;f\u00e9 em a\u00e7\u00e3o&#8221;. Em seu ensaio &#8220;The Faith of a Humanist&#8221;, Kenneth Phife, de congrega\u00e7\u00e3o Unitario-Universalista, declara:<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Humanismo<\/strong> nos ensina que \u00e9 imoral esperar que Deus aja por n\u00f3s. Devemos agir para acabar com as guerras, os crimes e a brutalidade desta e das futuras eras. Temos poderes not\u00e1veis. Termos um alto grau de liberdade para escolher o que havemos de fazer.O humanismo nos diz que n\u00e3o importa qual seja a nossa filosofia a respeito do universo, a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos, em \u00faltima an\u00e1lise, cabe a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o humanista secular \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a, tradi\u00e7\u00e3o que remonta \u00e0 antiga Gr\u00e9cia. Podemos ver, at\u00e9 na mitologia grega, temas humanistas que raramente aparecem, se \u00e9 que aparecem, em mitologias de outras culturas. E eles certamente n\u00e3o foram repetidos pelas modernas religi\u00f5es. O melhor exemplo, no caso, \u00e9 o personagem Prometeus.<\/p>\n<p>Prometeus se sobressai por ter sido idolatrado pelos antigos gregos como aquele que desafiou Zeus. Ele roubou o fogo dos deuses e o trouxe para a terra. Por causa disso, foi punido. E mesmo assim, continuou seu desafio em meio \u00e0s torturas. Essa \u00e9 a origem do desafio humanista \u00e0 autoridade.<\/p>\n<p>Outro aspecto da tradi\u00e7\u00e3o humanista secular \u00e9 o ceticismo. O exemplo hist\u00f3rico disso \u00e9 S\u00f3crates. Por que S\u00f3crates? Porque, depois de todo esse tempo passado, ele ainda \u00e9 \u00fanico, entre todos os santos e s\u00e1bios famosos, desde a Antiguidade at\u00e9 o presente. Toda religi\u00e3o tem seu s\u00e1bio. O Juda\u00edsmo tem Mois\u00e9s, o Zoroastrismo tem Zaratustra, o Budismo tem Buda, O Cristianismo tem Jesus, O Islamismo tem Maom\u00e9, o Mormonismo tem Joseph Smith&#8230; Todos afirmaram conhecer a verdade absoluta. Foi S\u00f3crates, e unicamente ele, entre todos os s\u00e1bios, que afirmou que NADA sabia. Cada um devisou um conjunto de regras ou leis, exceto S\u00f3crates. Em vez disso, S\u00f3crates forneceu-nos um m\u00e9todo \u0097 um m\u00e9todo para questionar as regras de outros, um m\u00e9todo de inquiri\u00e7\u00e3o. [&#8230;]<\/p>\n<p>S\u00f3crates permanece como um s\u00edmbolo, tanto do racionalismo grego como da tradi\u00e7\u00e3o humanista que surgiu a partir da\u00ed. E, desde sua morte, nenhum santo ou s\u00e1bio igualmente considerado juntou-se a ele, nesse aspecto.<\/p>\n<p>O fato de que o <strong>Humanismo<\/strong> possa, ao mesmo tempo, ser religioso e secular apresenta, de fato, um parodoxo, mas n\u00e3o \u00e9 este o \u00fanico paradoxo. Um outro \u00e9 que ambos colocam a raz\u00e3o acima da f\u00e9, geralmente at\u00e9 o ponto de evitar completamente a f\u00e9. A dicotomia entre raz\u00e3o e f\u00e9 freq\u00fcentemente recebe \u00eanfase no <strong>Humanismo<\/strong>, com os humanistas tomando lugar ao lado da raz\u00e3o. Por causa disso, o Humanismo Religioso n\u00e3o deveria ser visto como uma f\u00e9 alternativa, mas sim como um modo alternativo de ser religioso.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel explicar, em termos claros, o que \u00e9 exatamente a filosofia Humanista moderna. \u00c9 f\u00e1cil resumir as id\u00e9ias b\u00e1sicas sustentadas em comum tanto pelos humanistas seculares como pelos humanistas religiosos.<\/p>\n<p><strong>Essas id\u00e9ias s\u00e3o as seguintes:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><b>1.<\/b> O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 uma daquelas filosofias para pessoas que pensam por si mesmas. N\u00e3o existe \u00e1rea do pensamento que um humanista tenha receio de desafiar e explorar.<b><br \/>\n2. <\/b>O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 uma filosofia que se concentra nos meios humanos de compreender a realidade. Os humanistas n\u00e3o afirmam possuir ou ter acesso a um suposto conhecimento transcendental.<b><br \/>\n3.<\/b> O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 uma filosofia de raz\u00e3o e ci\u00eancia em busca do conhecimento. Portanto, quando se coloca a quest\u00e3o de qual \u00e9 o meio mais v\u00e1lido para se adquirir conhecimento sobre o mundo, os humanistas rejeitam a f\u00e9 arbitr\u00e1ria, a autoridade, a revela\u00e7\u00e3o e os estados alterados de consci\u00eancia.<b><br \/>\n4.<\/b> O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 uma filosofia de imagina\u00e7\u00e3o. Os humanistas reconhecem que sentimentos intuitivos, pressentimentos, especula\u00e7\u00e3o, centelhas de inspira\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o, estados alterados de consci\u00eancia, e at\u00e9 experi\u00eancia religiosa, embora n\u00e3o v\u00e1lidos como meios de se adquirir conhecimento, s\u00e3o fontes \u00fateis de id\u00e9ias que nos podem levar a novas maneiras de olhar o mundo. Estas id\u00e9ias, depois de racionalmente acessadas por sua utilidade, podem em seguida ser postas para funcionar, geralmente como abordagens alternativas para a solu\u00e7\u00e3o de problemas.<b><br \/>\n5. <\/b>O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 uma filosofia para o aqui e agora. Os humanistas encaram os valores humanos como tendo sentido apenas no contexto da vida humana, mais do que na promessa de uma suposta vida ap\u00f3s a morte.<b><br \/>\n6.<\/b> O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 uma filosofia de compaix\u00e3o. A \u00e9tica humanista preocupa-se apenas em atender \u00e0s necessidades humanas e em responder aos problemas humanos \u0097 tanto pelo indiv\u00edduo como pela sociedade \u0097 e n\u00e3o dedica aten\u00e7\u00e3o alguma \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dos desejos de supostas entidades teol\u00f3gicas.<b><br \/>\n7. <\/b>O <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 uma filosofia realista. Os humanistas reconhecem a exist\u00eancia de dilemas morais e a necessidade de cuidadosa considera\u00e7\u00e3o sobre as conseq\u00fc\u00eancias imediatas e futuras na tomada moral de decis\u00f5es.<b><br \/>\n8. <\/b>O <strong>Humanismo<\/strong> est\u00e1 em sintonia com a ci\u00eancia de hoje. Os humanistas reconhecem, portanto, que vivemos em um universo natural de grande tamanho e idade, que evolu\u00edmos neste planeta no decorrer de um longo per\u00edodo de tempo, que n\u00e3o existe uma evid\u00eancia premente de uma &#8220;alma&#8221; dissoci\u00e1vel, e que os seres humanos t\u00eam determinadas necessidades inatas que formam efetivamente a base de qualquer sistema de valores orientado para o homem.<b><br \/>\n9.<\/b> O <strong>Humanismo<\/strong> est\u00e1 em sintonia com o pensamento social esclarecido de nossos dias. Os humanistas s\u00e3o compromissados com as liberdades civis, os direitos humanos, a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, a extens\u00e3o da democracia participativa, n\u00e3o s\u00f3 no governo, mas no local de trabalho e na escola, uma expans\u00e3o da consci\u00eancia global e permuta de produtos e id\u00e9ias internacionalmente, e uma abordagem aberta para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas sociais, uma abordagem que permita a experi\u00eancia de novas alternativas.<b><br \/>\n10.<\/b> O <strong>Humanismo<\/strong> est\u00e1 em sintonia com novos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Os humanistas t\u00eam boa-vontade em participar de descobertas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas emergentes, de modo a exercerem sua influ\u00eancia moral sobre estas revolu\u00e7\u00f5es \u00e0 medida que surgem, especialmente no interesse de proteger o meio ambiente.<b><br \/>\n11. <\/b>O <strong>Humanismo<\/strong>, em suma, \u00e9 uma filosofia para aqueles que amam a vida. Os humanistas assumem responsabilidade por suas pr\u00f3prias vidas e apreciam a aventura de participar de novas descobertas, buscar novo conhecimento, explorar novas possibilidades. Em vez de se satisfazerem com respostas prefabricadas para as grandes quest\u00f5es da vida, os humanistas apreciam o car\u00e1ter aberto de uma busca e a liberdade de descoberta que este proceder traz como sua heran\u00e7a.<\/p><\/blockquote>\n<p>Embora alguns possam sugerir que esta filosofia sempre teve poucos e exc\u00eantricos seguidores, os fatos da hist\u00f3ria mostram o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Entre as modernas ades\u00f5es ao Humanismo, contam-se: <\/strong>Margaret Sanger, fundadora do Planejamento Familiar, Humanista do Ano de 1957 da Associa\u00e7\u00e3o Humanista Americana; os psic\u00f3logos humanistas pioneiros Carl Rogers e Abraham Maslow, tamb\u00e9m Humanistas do Ano; Albert Einstein, que aderiu \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Humanista Americana nos anos cinq\u00fcenta; Bertrand Russell, que aderiu nos anos sessenta; o pioneiro dos direitos civis, A. Philip Randoph, que foi o Humanista do Ano de 1970, e o futurista R. Buckminister Fuller, Humanista do Ano de 1969.<\/p>\n<p>As Nac\u00f5es Unidas s\u00e3o um exemplo espec\u00edfico do Humanismo em a\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Uma das grandes realiza\u00e7\u00f5es desta organiza\u00e7\u00e3o foi varrer a var\u00edola da face da terra.<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>Enquanto isso, humanistas como Andrei Sakharov, Humanista do Ano de 1980, t\u00eam se levantado em favor dos direitos humanos sempre que estes s\u00e3o suprimidos. Betty Friedan e Gloria Steinem lutam pelos direitos humanos, Mathilde Krim combate a epidemia da Aids, e Margaret Atwood \u00e9 uma das mais comentadas defensoras da liberdade liter\u00e1ria no mundo \u0097 todas humanistas.<\/p>\n<p><strong>A lista de cientistas inclui uma multid\u00e3o<\/strong>: Stephen Jay Gould, Donald Johanson, Richard Leakey, E. O. Wilson, Francis Crick, Jonas Salk e muitos outros \u0097 todos membros da Associa\u00e7\u00e3o Humanista Americana, cujo presidente nos anos oitenta foi o cientista e escritor Isaac Asimov.<\/p>\n<p>Talvez isso tenha sido o que levou George Santayana a declarar que o <strong>Humanismo<\/strong> \u00e9 &#8220;uma realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma doutrina&#8221;.<\/p>\n<p>Portanto, no <strong>Humanismo<\/strong> moderno pode-se encontrar uma filosofia ou uma religi\u00e3o sintonizada com o conhecimento moderno; [&#8230;] ele tem inspirado as artes, da mesma forma que as ci\u00eancias; a filantropia, tanto quanto a cr\u00edtica. E mesmo na cr\u00edtica, \u00e9 tolerante, defendendo o direito que t\u00eam todas as pessoas de escolher outros caminhos, de falar e escrever livremente, de viver suas vidas segundo seu pr\u00f3prio discernimento.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, a escolha \u00e9 sua. Voc\u00ea \u00e9 um humanista?<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o precisa responder nem sim, nem n\u00e3o. Pois esta n\u00e3o \u00e9 uma proposi\u00e7\u00e3o de &#8220;ou isso ou aquilo&#8221;. O <strong>Humanismo<\/strong> est\u00e1 \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o \u0097 voc\u00ea pode adot\u00e1-lo ou recus\u00e1-lo. Pode pegar um pouquinho ou pode pegar bastante, ficar bebericando a ta\u00e7a ou sorv\u00ea-la de um gole s\u00f3.<\/p>\n<h4>Contexto Hist\u00f3rico<\/h4>\n<p>No final do s\u00e9culo XV, a Europa passava por grandes mudan\u00e7as, provocadas por inven\u00e7\u00f5es como a b\u00fassola, pela expans\u00e3o mar\u00edtima que incrementou a ind\u00fastria naval e o desenvolvimento do com\u00e9rcio com a substitui\u00e7\u00e3o da economia de subsist\u00eancia, levando a agricultura a se tornar mais intensiva e regular.<\/p>\n<p>Deu-se o crescimento urbano, especialmente das cidades portu\u00e1rias, o florescimento de pequenas ind\u00fastrias e todas as demais mudan\u00e7as econ\u00f4micas provenientes do Mercantilismo, inclusive o surgimento da burguesia.<\/p>\n<p>Todas essas altera\u00e7\u00f5es foram agilizadas com o surgimento dos humanistas, estudiosos da cultura cl\u00e1ssica antiga. Alguns eram ligados \u00e0 Igreja; outros, artistas ou historiadores, independentes ou protegidos pro mecenas. Esses estudiosos tiveram uma import\u00e2ncia muito grande porque divulgaram, de forma mais sistem\u00e1ticas, os novos conceitos, al\u00e9m de identificaram e valorizarem direitos dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Acabaram por situar o homem como senhor de seu pr\u00f3prio destino e elegeram-no como a raz\u00e3o de todo conhecimento, estabelecendo, para ele, um papel de destaque no processo universal e hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as na consci\u00eancia popular, aliadas ao fortalecimento da burguesia, gra\u00e7as \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o das atividades agr\u00edcolas, industriais e comerciais, foram, lenta e gradativamente, minando a estrutura e o esp\u00edrito medievais.<\/p>\n<p>Em Portugal, todas essas altera\u00e7\u00f5es se fizeram sentir, evidentemente, ainda que algumas pudessem chegar ali com menor for\u00e7a ou, talvez, difusas, sobretudo porque o impacto maior vivido pelos portugueses foi proporcionado pela Revolu\u00e7\u00e3o de Avis ( 1383-1385 ), na qual D. Jo\u00e3o, mestre de Avis, foi ungido rei, ap\u00f3s liderar o povo contra injun\u00e7\u00f5es de Castela.<\/p>\n<p>Alguns fatores ligados a esse quadro hist\u00f3rico indicam sua influ\u00eancia no rumo que as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas tomaram em Portugal.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o eles<\/strong>: as mudan\u00e7as processadas no pa\u00eds pela Revolu\u00e7\u00e3o de Avis; os efeitos mercantilistas; a conquista de Ceuta ( 1415 ), fato que daria in\u00edcio a um s\u00e9culo de expansionismo lusitano; o envolvimento do homem comum com uma vida mais pr\u00e1tica e menos lirismo cort\u00eas, morto em 1325; o interesse de novos nobres e reis por produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias diferentes do lirismo. Tudo isso explica a restri\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o para o exerc\u00edcio e a manifesta\u00e7\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, a marginaliza\u00e7\u00e3o da arte l\u00edrica e o fim do Trovadorismo. A partir da\u00ed, o ambiente se tornou mais prop\u00edcio \u00e0 cr\u00f4nica e \u00e0 prosa hist\u00f3rica, ao menos nas primeiras d\u00e9cadas do per\u00edodo.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas<\/h4>\n<p>Culturalmente, a melhoria t\u00e9cnica da imprensa propiciou uma divulga\u00e7\u00e3o mais ampla e r\u00e1pida do livro, democratizando um pouco o acesso a ele. O homem desse per\u00edodo passa a se interessar mais pelo saber, convivendo com a palavra escrita. Adquire novas id\u00e9ias e outras culturas como a greco-latina.<\/p>\n<p>Mas, sobretudo, o homem percebe-se capaz, importante e agente. Acreditando-se dotado de &#8220;livre arb\u00edtrio&#8221;, isto \u00e9, capacidade de decis\u00e3o sobre a pr\u00f3pria vida, n\u00e3o mais determinada por Deus, afasta-se do teocentrismo, assumindo, lentamente, um comportamento baseado no antropocentrismo. Isto implica profundas transforma\u00e7\u00f5es culturais. De uma postura religiosa e m\u00edstica, o homem passa gradativamente a uma posi\u00e7\u00e3o racionalista.<\/p>\n<p>O <strong>Humanismo<\/strong> funcionar\u00e1 como um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre duas posturas. Por isso, a arte da \u00e9poca \u00e9 marcada pela conviv\u00eancia de elementos espiritualistas ( teoc\u00eantricos ) e terrenos ( antropoc\u00eantricos ).<\/p>\n<p>A historiografia, a poesia, a prosa doutrin\u00e1ria e o teatro apresentaram caracter\u00edsticas espec\u00edficas.<\/p>\n<p><strong>PROSA DOUTRIN\u00c1RIA <\/strong><\/p>\n<p>Com o aumento de interesse pela leitura , houve um significativo e r\u00e1pido crescimento da cultura com o surgimento de bibliotecas e a intensifica\u00e7\u00e3o de tradu\u00e7\u00f5es de obras religiosas e profanas, al\u00e9m da atualiza\u00e7\u00e3o de escritos antigos. Esse envolvimento com o saber atingiu tamb\u00e9m a nobreza, a ponto de as cr\u00f4nicas hist\u00f3ricas passarem a ser escritas pelos pr\u00f3prios reis, especialmente da dinastia de Avis, com os exemplos de D. Jo\u00e3o I, D.Duarte e D. Pedro.<\/p>\n<p>Essa produ\u00e7\u00e3o recebeu o nome de doutrin\u00e1ria, porque inclu\u00edam a atitude de transmitir ensinamentos sobre certas pr\u00e1tica di\u00e1rias, e sobre a vida.<\/p>\n<p><strong>Alguns exemplos: <\/strong>Ensinan\u00e7a de bem cavalgar toda sela, em que se faz o elogio do esporte e da disciplina moral, e Leal Conselheiro, em que se estabelecem princ\u00edpios de conduta moral para a nobreza m ambos de D. Duarte; livro de Montaria (D.Jo\u00e3o I) sobre a ca\u00e7a; e outros.<\/p>\n<p><strong>POESIA PALACIANA <\/strong><\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 dito no cap\u00edtulo relativo \u00e0s cr\u00f4nicas hist\u00f3ricas, o Mercantilismo e outros acontecimentos de \u00e2mbito portugu\u00eas modificaram o gosto liter\u00e1rio do p\u00fablico, diminuindo-o quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o l\u00edrica, o que manteve a poesia enfraquecida durante um s\u00e9culo (mais ou menos de 1350 a 1450). No entanto, em Portugal, gra\u00e7as \u00e0 prefer\u00eancia do rei D.Afonso V ( 1438-1481), abriu-se um espa\u00e7o na corte lusitana para a pr\u00e1tica l\u00edrica e po\u00e9tica. Assim, essa atividade liter\u00e1ria sobreviveu em Portugal, ainda que num espa\u00e7o restrito, e recebeu o nome de Poesia Palaciana, tamb\u00e9m identificada por quatrocentista.<\/p>\n<p>Essa produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica tem uma certa limita\u00e7\u00e3o quanto aos conte\u00fados, temas e vis\u00e3o de mundo, porque seus autores, nobres e fidalgos, abordavam apenas realidades palacianas, como assuntos de montaria, festas, comportamentos em pal\u00e1cios, modas, trajes e outras banalidades sem implica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica abrangente. O amor era tratado de forma mais sensual do que no Trovadorismo, sendo menos intensa a idealiza\u00e7\u00e3o da mulher. Tamb\u00e9m, neste g\u00eanero po\u00e9tico , ocorre a s\u00e1tira.<\/p>\n<p>Formalmente s\u00e3o superiores \u00e0 poesia trovadoresca, seja pela extens\u00e3o dos poemas gra\u00e7as \u00e0 cultura dos autores, seja pelo grau de inspira\u00e7\u00e3o, seja pela musicalidade ou mesmo pela variedade do metro estes dois \u00faltimos recursos conferiam a cada poema a chance de possu\u00edrem ritmo pr\u00f3prio. Os versos continuavam a ser as redondilhas e era normal o uso do mote. A diferen\u00e7a mais significativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cantigas do Trovadorismo \u00e9 que as poesias palacianas foram desligadas da m\u00fasica, ou seja, o texto po\u00e9tico passou a ser feito para a leitura e declama\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mais para o canto.<\/p>\n<h4><b>Humanismo &#8211; <\/b>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<p>Ao final da Idade M\u00e9dia a Europa passa por profundas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A imprensa \u00e9 aperfei\u00e7oada permitindo maior divulga\u00e7\u00e3o dos livros; a expans\u00e3o mar\u00edtima \u00e9 impulsionada gra\u00e7as ao desenvolvimento da constru\u00e7\u00e3o naval e \u00e0 inven\u00e7\u00e3o da b\u00fassola; aparecimento da atividade comercial. Surge o mercantilismo, e com ele, a economia baseada exclusivamente na agricultura perde em import\u00e2ncia para outras atividades. As cidades portu\u00e1rias crescem, atraindo camponeses. Criam-se novas profiss\u00f5es e pequenas ind\u00fastrias artesanais come\u00e7am a se desenvolver.<\/p>\n<p>Uma nova classe social emerge nas pequenas cidades ( burgos), composta por mercadores, comerciantes e artes\u00e3os, as quais passam a desafiar o poder dos nobres. Essa classe recebe o nome de Burguesia.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito medieval, baseado na hierarquia nobreza \u0096 clero \u0096 povo, come\u00e7a a se desestruturar e o homem preso ao feudo e a o senhor adquire nova consci\u00eancia. Diante do progresso, percebe-se como for\u00e7a criadora capaz de influir nos destinos da humanidade, descobrindo, conquistando e transformando o Universo.<\/p>\n<p>O homem descobre o homem. A id\u00e9ia de que o destino estava tra\u00e7ado por for\u00e7as superiores, a qual caracteriza a homem como ser passivo, vai sendo substitu\u00edda pela cren\u00e7a de ele \u00e9 o mentor de seu pr\u00f3prio destino. O misticismo medieval come\u00e7a a desaparecer, e o Teocentrismo cede lugar ao Antropocentrismo.<\/p>\n<p>Portugal tem como marco cronol\u00f3gico de toda essa transi\u00e7\u00e3o a Revolu\u00e7\u00e3o de Avis (1383 \u0096 85), quando D. Jo\u00e3o, o Mestre de Avis, aliado aos burgueses, proporcionou a expans\u00e3o ultramarina. A tomada de Ceuta em 1415, primeira conquista ultramarina, Portugal inicia a longa caminhada de um s\u00e9culo at\u00e9 conhecer seu apogeu.<\/p>\n<p><strong>Os valores humanistas<\/strong><\/p>\n<p>Com as bases do feudalismo abaladas e diante de uma nova ordem econ\u00f4mica e social, inicia-se um per\u00edodo fundado numa economia comercial expansionista \u0096 o capitalismo comercial.<\/p>\n<p><strong>Diante dessas altera\u00e7\u00f5es, o homem come\u00e7a a valorizar o saber.<\/strong><\/p>\n<p>Os humanistas passam a difundir a id\u00e9ia de que os valores e direitos de cada indiv\u00edduo deveriam sobrepor-se as ordens sociais. Grandes admiradores da cultura antiga, estudavam, copiavam e comentavam os textos de portas e de fil\u00f3sofos greco-latinos, cujas id\u00e9ias seriam amplamente aceitas no Renascimento.<\/p>\n<p>O <strong>Humanismo<\/strong> foi, portanto, o movimento cultural que esteve a par do estudo e da imita\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos. Fez do homem o objeto do conhecimento, reivindicando para ele uma posi\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia no contexto do universo, sem contudo, negar o valor supremo de Deus.<\/p>\n<p><strong>O movimento Liter\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>O per\u00edodo compreendido como <strong>Humanismo<\/strong> na Literatura Portuguesa vai desde a nomea\u00e7\u00e3o de Fern\u00e3o Lopes a cronista-mor da Torre do Tombo, em 1434, at\u00e9 o retorno de Francisco S\u00e1 de Miranda da It\u00e1lia, quando introduziu uma nova est\u00e9tica, o Classicismo, em 1527.<\/p>\n<p><strong>Gil Vicente, nasce o Teatro em Portugal<\/strong><\/p>\n<p>O ano de nascimento do teatr\u00f3logo Gil Vicente, o introdutor do teatro em Portugal, n\u00e3o \u00e9 conhecido ao certo; alguns assinalam que teria sido em 1465 ou 1466, e o ano de sua morte entre 1536 e 1540. Sabe-se, entretanto, que ele iniciou sua carreira teatral em 1502, quando, representando os servidores do Pal\u00e1cio do rei D. Manoel, declamou em espanhol o Auto da Visita\u00e7\u00e3o ou Mon\u00f3logo do Vaqueiro, na c\u00e2mara de D. Maria de Castela .<\/p>\n<p>Vicente, figura cimeira do teatro portugu\u00eas, foi homem de coragem, que n\u00e3o hesitou em denunciar com lucidez, mordacidade e sentido de humor os abusos, hipocrisias e incoer\u00eancias que estavam a sua volta.<\/p>\n<p><strong>Nada escapou a sua observa\u00e7\u00e3o:<\/strong> o cl\u00e9rigo devasso e venal, esquecido do verdadeiro sentido de sua miss\u00e3o; o velho c\u00fapido e avarento; a mo\u00e7a f\u00fatil e pregui\u00e7osa; a esposa infiel, hip\u00f3crita e interesseira \u0096 todos eles constituem personagens vivas, lan\u00e7adas do tempo para a eternidade pelo genial Mestre Gil.<\/p>\n<p><strong>Foi assim que come\u00e7ou&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>No mais rico cen\u00e1rio de ent\u00e3o no Pa\u00e7o Real Portugu\u00eas, na magnificente alcova real, horas depois de a rainha Dona Maria, mulher de D. Manuel, Ter dado \u00e0 luz aquele que viria a ser El-rei D. Jo\u00e3o III, na noite de 7 para 8 de julho do ano da gra\u00e7a de 1502&#8230; &#8220;entrou um vaqueiro dizendo: Perdiez! Siete repelones \/ me pegaron \u00e0 la entrada&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>&#8230;E mestre Gil, entrando naquela suntuosa c\u00e2mara recamada de damascos e pedrarias, com seu Mon\u00f3logo do Vaqueiro, inicia a sua carreira de dramaturgo. E, por ser coisa nova em Portugal, Dona Leonor lhe pediu que o repetisse, endere\u00e7ado ao nascimento do Redentor, nas matinais do Natal, em 1502.<\/p>\n<p><strong>O Teatro de Vicentino<\/strong><\/p>\n<p>A obra de Vicente \u00e9 um documento vivo do que foi o Portugal da primeira metade do s\u00e9culo XVI. O ambiente social deste momento da Hist\u00f3ria apresentou ao dramaturgo enovelado numa s\u00e9rie de fatores t\u00edpicos. O clero, classe muito numerosa, estava presente em todos os setores da sociedade e a maior aparte de seus membros acusava uma singular relaxa\u00e7\u00e3o de costumes.<\/p>\n<p>A nobreza estava em decad\u00eancia, tanto econ\u00f4mica quanto culturalmente. Mas vivia alardeando riquezas, explorando o trabalho dos servidores e desprezando-os, prometendo tudo e nada dando.<\/p>\n<p>As profiss\u00f5es liberais tamb\u00e9m s\u00e3o referidas nas obras do dramaturgo das cortes de D. Manuel e de D. Jo\u00e3o III. Os m\u00e9dicos eram os charlat\u00e3es que pouco sabiam do seu of\u00edcio, explorando os clientes.<\/p>\n<p>O campon\u00eas, de condi\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel e alienada, era o sustent\u00e1culo da hierarquia feudal ( cl\u00e9rigos e nobres). Mas, como todo homem, tem a ambi\u00e7\u00e3o e aspira a viver na corte.<\/p>\n<p>No aspecto religioso, debatia-se a quest\u00e3o das indulg\u00eancias, perd\u00f5es e outras fontes de r\u00e9ditos para a Santa S\u00e9, criticavam-se as rezas mec\u00e2nicas, o culto dos santos e as supersti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um outro aspecto que merece aten\u00e7\u00e3o na \u00e9poca \u00e9 a infidelidade conjugal das esposas, conseq\u00fc\u00eancia da partida dos maridos nas armadas das descobertas e conquistas, fato bem documentado no Auto da \u00cdndia.<\/p>\n<p><strong>A Ama lamenta-se que<\/strong>: Partem em maio daqui quando o sangue novo ati\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Parece-te que \u00e9 justi\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Tentando uma explica\u00e7\u00e3o para ela pr\u00f3pria e propondo-se levar uma vida desregrada. Ali\u00e1s, muitas casavam contra os seus gostos e vontade, quer por imposi\u00e7\u00e3o dos pais, quer na \u00e2nsia de alcan\u00e7ar t\u00edtulos nobili\u00e1rquicos. Da\u00ed a esperan\u00e7a que se apossava delas de que os seus &#8220;queridos&#8221; maridos por l\u00e1 ficassem enterrados ou encerrados em algum cativeiro. Mas acontecia que eles acabavam por regressar, embora de m\u00e3os vazias e, por vezes, famintos; e ent\u00e3o vinham as pragas e lamenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O riso n\u00e3o \u00e9 em Gil Vicente uma concess\u00e3o \u00e0 facilidade ou um meio de ado\u00e7ar asperezas, ou ainda uma m\u00e1scara apara incompreens\u00e3o. \u00c9 acima de tudo a express\u00e3o de um profundo sentido da trag\u00e9dia humana. &#8220;O riso \u00e9 a coisa mais s\u00e9ria do mundo&#8221;. Por que \u00e9 a exterioriza\u00e7\u00e3o de uma dolorosa tomada de consci\u00eancia diante de um mundo louco e inacabado, que teima em tomar-se a s\u00e9rio \u0096 como se nada mais houvera a fazer nele e por ele. Esse mundo desconcertado Gil Vicente n\u00e3o rejeita, mas tamb\u00e9m n\u00e3o aceita passivamente. \u00c9 pelo caminho mais dif\u00edcil \u0096 o de analisar esse mundo, recriando-o \u0096 que ele segue para compreend\u00ea-lo e dar-lhe uma nova medida.<\/p>\n<p>Fonte: humanism.org.uk\/www.geocities.com\/www.profabeatriz.hpg.ig.com.br\/universoliterario.vilabol.uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que foi o Humanismo? O Humanismo \u00e9 um movimento liter\u00e1rio e, tamb\u00e9m, uma corrente filos\u00f3fica que representa a transi\u00e7\u00e3o entre a Idade M\u00e9dia (que acreditava muito na religi\u00e3o) e o Renascimento (que valorizava mais a raz\u00e3o e a ci\u00eancia). Por isso, ele ainda apresenta algumas caracter\u00edsticas de ambos. 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