{"id":29788,"date":"2016-05-19T11:43:24","date_gmt":"2016-05-19T11:43:24","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29788"},"modified":"2018-10-15T16:04:42","modified_gmt":"2018-10-15T18:04:42","slug":"barroco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/barroco","title":{"rendered":"Barroco"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que foi o Barroco?<\/strong><\/p>\n<p>A escola liter\u00e1ria que antecede o Barroco \u00e9 o Quinhentismo, que \u00e9 do s\u00e9culo XIV (1500) e, por isso, possui esse nome. J\u00e1 o Barroco se inicia entre o final do s\u00e9culo XVI e o in\u00edcio do XVII. No Trovadorismo, Deus era o centro de tudo, portanto a sociedade era teoc\u00eantrica. Contudo, durante o Humanismo e o Classicismo, o homem passa a ser o centro de tudo e ent\u00e3o a sociedade se torna antropoc\u00eantrica.<\/p>\n<p>O Barroco \u00e9 o per\u00edodo em que as pessoas come\u00e7am a se questionar sobre qual desses conceitos seguir. H\u00e1 uma d\u00favida social sobre qual vertente utilizar: seguir o que a igreja prega e colocar Deus como centro de tudo ou viver uma vida comum em que o homem est\u00e1 no centro de tudo e cometer pecados? Tendo conhecimento dos movimentos liter\u00e1rios anteriores, se torna mais f\u00e1cil compreender esse conflito interno que aflige a sociedade da \u00e9poca barroca. E \u00e9 esse mesmo conflito que aparecer\u00e1 em todas as formas de arte desse per\u00edodo, literatura, arte, arquitetura, etc.<\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico e caracter\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p>O Barroco e sua literatura se consolidam durante a \u00e9poca em que a Reforma Protestante de Martinho Lutero \u2013 que prop\u00f5e que nem tudo que as pessoas fazem \u00e9 pecado \u2013 est\u00e1 acontecendo. A igreja cat\u00f3lica nada satisfeita com o movimento, por sua vez, criou a Contrarreforma e a Inquisi\u00e7\u00e3o que \u00e9, de maneira simples, o nome que eles deram param sair ca\u00e7ando todos que concordavam com as ideias de Lutero.<\/p>\n<p>Por isso, uma das principais caracter\u00edsticas do Barroco \u00e9 a dualidade\/ant\u00edtese (bem e mal, c\u00e9u e inferno), isso surge porque a igreja tamb\u00e9m pro\u00edbe livros que consolidem a Reforma Protestante. Al\u00e9m disso, o pessimismo e as figuras de linguagem refletem a literatura barroca por ser grande parte do sentimento dos autores desse per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Cultismo\/Congorismo: o que \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura mais formal da \u00e9poca barroca \u00e9 chamada de cultismo justamente pelo fato de ser mais culta e robusta.<\/p>\n<p><strong>Conceptismo\/Quevedismo: o que \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Aqui o que mais importa s\u00e3o as ideias e os conceitos, por isso a forma culta n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante, o que mais importa agora \u00e9 <em>o pensamento l\u00f3gico<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Principais autores do Barroco<\/strong><\/p>\n<p><strong>Greg\u00f3rio de Matos<\/strong> \u00e9 um dos grandes da poesia barroca e, em suas obras, ele utilizava tanto o cultismo quanto o conceptismo. O poeta tamb\u00e9m era conhecido como \u201cBoca do Inferno\u201d, seu apelido popular. A sua poesia se divida em tr\u00eas estilos:<\/p>\n<ol>\n<li><em> l\u00edrica-amorosa<\/em>: apesar de falar sobre amor, ainda \u00e9 bem pesada;<\/li>\n<li><em> l\u00edrico-religiosa<\/em>: aqui ele contestava os valores da igreja;<\/li>\n<li><em>s\u00e1tiras<\/em>: nesse estilo ele tirava sarro de todas as pessoas e de todas as classes, por isso do apelido \u201cBoca do Inferno\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>J\u00e1 na prosa, o nome do barroco \u00e9 <strong>o Padre Ant\u00f4nio Vieira<\/strong>. Ele \u00e9 o respons\u00e1vel pela catequiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios e foi quem trouxa a literatura aos ind\u00edgenas. As suas obras s\u00e3o todas escritas no conceptismo e, dentre elas, h\u00e1 tr\u00eas estilos:<\/p>\n<ol>\n<li><em> os serm\u00f5es<\/em>: s\u00e3o as ideias da igreja cat\u00f3lica que ele resolve debater. S\u00e3o as obras mais famosas do Padre e est\u00e3o em algumas listas de vestibulares;<\/li>\n<li><em> cartas<\/em>: s\u00e3o apenas cartas que ele enviava para outras pessoas;<\/li>\n<li><em>profecias<\/em>: s\u00e3o as ideias dele sobre o Brasil.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Por<\/strong> Amanda Abreu<\/p>\n<h2>Barroco &#8211; Origem<\/h2>\n<p>O termo<strong> barroco<\/strong>, provavelmente, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 derivado da palavra italiana barocco, que os fil\u00f3sofos usavam durante os Idade M\u00e9dia para descrever um obst\u00e1culo no esquema l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Posteriormente, a palavra passou a designar qualquer id\u00e9ia contorcida ou processo involutivo do pensamento.<\/p>\n<p>Outra fonte poss\u00edvel \u00e9 a palavra portuguesa barroco, usado para descrever uma irregular ou em forma imperfeita de p\u00e9rolas, e este uso ainda sobrevive no termo do joalheiro p\u00e9rola barroca.<\/p>\n<p>Na cr\u00edtica de arte da palavra <strong>barroco<\/strong> veio a ser usado para descrever qualquer coisa irregular, estranho, ou de outra forma com partida regras e propor\u00e7\u00f5es estabelecidas.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas principais tend\u00eancias da \u00e9poca<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas tend\u00eancias culturais e intelectuais mais amplos teve um profundo impacto sobre a arte barroca, bem como m\u00fasica barroca.<\/p>\n<p>A <strong>primeira<\/strong> delas foi o surgimento da Contra-Reforma e amplia\u00e7\u00e3o de seu dom\u00ednio, tanto territorialmente e intelectualmente. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo 16, o estilo refinado conhecido como Maneirismo tinha deixado de ser um meio eficaz de express\u00e3o, e sua inadequa\u00e7\u00e3o para a arte religiosa foi sendo cada vez mais sentida nos c\u00edrculos art\u00edsticos.<\/p>\n<p>Para combater as incurs\u00f5es feitas pela Reforma, a Cat\u00f3lica Romana Igreja depois do Conc\u00edlio de Trento (1545-1563) adotou uma propagand\u00edstico posi\u00e7\u00e3o em que a arte era servir como um meio de ampliar e estimular a confian\u00e7a dos cidad\u00e3os na igreja. Para tal, a igreja adotou um programa art\u00edstico consciente cujos produtos faria um apelo emocional e sensorial abertamente aos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>O <strong>estilo barroco<\/strong> que evoluiu a partir deste programa foi, paradoxalmente, tanto sensual e espiritual; enquanto um tratamento naturalista rendeu a imagem religiosa mais acess\u00edvel para o paroquiano m\u00e9dio, efeitos dram\u00e1ticos e ilus\u00f3rios foram usadas para estimular a piedade e devo\u00e7\u00e3o e transmitir uma impress\u00e3o do esplendor do divino. Tetos de igrejas barrocas, assim, dissolvido em cenas pintadas que apresentaram vis\u00f5es v\u00edvidas do infinito para o observador e os sentidos dirigidos em dire\u00e7\u00e3o a preocupa\u00e7\u00f5es celestiais.<\/p>\n<p>A<strong> segunda<\/strong> tend\u00eancia foi a consolida\u00e7\u00e3o do absolutos monarquias, acompanhado por uma cristaliza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de uma classe m\u00e9dia importante e poderoso, que agora passou a desempenhar um papel na arte patroc\u00ednio. Pal\u00e1cios barrocos foram constru\u00eddas em uma expandida e monumental escala a fim de mostrar o poder ea grandeza do Estado centralizado, um fen\u00f4meno melhor exibida no pal\u00e1cio real e jardins em Versailles. No entanto, ao mesmo tempo, o desenvolvimento de um mercado de fotos para a classe m\u00e9dia e seu gosto pelo realismo pode ser visto nas obras dos irm\u00e3os Le Nain e Georges de La Tour na Fran\u00e7a e nas variadas escolas de holand\u00eas do s\u00e9culo 17 pintura.<\/p>\n<p>A <strong>terceira<\/strong> tend\u00eancia foi um novo interesse pela natureza e um alargamento geral da horizontes intelectuais humanos, estimulados pela evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e pela explora\u00e7\u00e3o do globo. Estes produziram simultaneamente um novo sentido tanto da insignific\u00e2ncia humana (particularmente encorajada por Cop\u00e9rnico deslocamento da Terra do centro do universo) e da complexidade insuspeita e infinitude do mundo natural.<\/p>\n<p>O desenvolvimento do s\u00e9culo 17, paisagem, pintura, em que os seres humanos s\u00e3o frequentemente retratados como figuras hora em um grande cen\u00e1rio natural, \u00e9 indicativa dessa mudan\u00e7a da consci\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<h4><strong>Barroco &#8211; Arte, Literatura, Pintura e M\u00fasica <\/strong><\/h4>\n<p>Num sentido amplo, o\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0pode ser visto como uma tend\u00eancia constante do esp\u00edrito humano e, conseq\u00fcentemente, da cultura, presente em todas as manifesta\u00e7\u00f5es de nossa civiliza\u00e7\u00e3o, sobretudo na hist\u00f3ria da arte. Representa o apelo ao emocional, ou dram\u00e1tico, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia do intelecto a estabilizar e fixar autoritariamente princ\u00edpios r\u00edgidos.<\/p>\n<p><strong>Assim pode-se falar em\u00a0barroco\u00a0helen\u00edstico, barroco do\u00a0per\u00edodo medieval\u00a0tardio, etc.: <\/strong>momentos de liberta\u00e7\u00e3o de formas, em oposi\u00e7\u00e3o a estruturas art\u00edsticas anteriormente disciplinadas, comedidas, \u0093cl\u00e1ssicas\u0094.<\/p>\n<p>Em sentido estrito, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0\u00e9 um fen\u00f4meno art\u00edstico e liter\u00e1rio estreitamente vinculado \u00e0 Contra Reforma, o que parece refor\u00e7ado pelo fato de que seu maior desenvolvimento se observou nos pa\u00edses cat\u00f3licos (embora tivesse tamb\u00e9m acontecido em pa\u00edses protestantes).<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Barroco\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/barroco.jpg\" alt=\"Barroco\" width=\"282\" height=\"385\" \/><br \/>\n<strong>O \u00caxtase de Santa Teresa<\/strong><\/p>\n<p>Seria, assim, uma rea\u00e7\u00e3o espiritualista ao esp\u00edrito renascentista imbu\u00eddo de racionalismo. Ainda que, antes da Contra Reforma, j\u00e1 tivessem aparecidos tra\u00e7os de\u00a0<strong>estilo<\/strong>\u00a0<strong>barroco<\/strong>, n\u00e3o h\u00e1 duvida de que a religiosidade constitui um dos tra\u00e7os predominantes desse movimento, mas uma religiosidade ligada a uma vis\u00e3o do mundo aberta, combinando misticismo e sensualidade. A designa\u00e7\u00e3o \u0093barroca\u0094 para a arte s\u00f3 lhe foi atribu\u00edda muito mais tarde e tinha, a principio, sentido pejorativo.<\/p>\n<p>O Neoclassicismo do s\u00e9c. XVIII rejeitava o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0como algo sem regras, caprichoso, carente de l\u00f3gica, um\u00a0<strong>estilo extravagante<\/strong>.<\/p>\n<p>Muitos chegaram mesmo a considerar o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0um\u00a0<strong>estilo patol\u00f3gico<\/strong>, uma onda de monstruosidade e mau gosto. A revaloriza\u00e7\u00e3o ocorreu no s\u00e9c. XIX, por via da rejei\u00e7\u00e3o dos c\u00e2nones neocl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0renovou completamente a iconografia e as formas da arte sacra, mas foi tamb\u00e9m uma arte da Corte, refletindo o absolutismo dos pr\u00edncipes no fausto da decora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do Renascimento, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0caracteriza-se pela assimetria, pela no\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o infinito e do movimento cont\u00ednuo, pelo desejo de tocar os sentidos e despertar emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 obtido por meio de efeitos de luz e movimento, de formas em expans\u00e3o que se manifestam<\/strong>: em arquitetura, pelo emprego da ordem colossal, das curvas e contracurvas, pelas s\u00fabitas interrup\u00e7\u00f5es, pelos esquemas formais repetidos; em escultura, pelo gosto da tor\u00e7\u00e3o, das figuras aladas, planejamentos tumultuados e sobretudo pela dramaticidade; em pintura, por composi\u00e7\u00f5es em diagonal, jogos de perspectiva e de encurtamento, pela obsessiva transmiss\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es de movimento e instabilidade. Mas, principalmente, as diferentes artes tendem a se fundir na unidade de uma esp\u00e9cie de espet\u00e1culo, cujo dinamismo e colorido brilho se traduzem em exalta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O\u00a0Barroco\u00a0encontrou sua primeira express\u00e3o em Roma, entre os arquitetos encarregados de terminar a obra de Michelangelo<\/strong>: Maderno, depois Bernini, seguidos por Borromini; s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es de Bernini, o baldaquino da bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, o \u00caxtase de Santa Teresa (considerado por muitos a express\u00e3o m\u00e1xima da escultura barroca), a fonte dos Quatro Rios; Lanfranco, Pietro da Cortona e P. Pozzo cobriram os tetos de v\u00f4os celestes em trompe-l`oeil.<\/p>\n<p><strong>Esse\u00a0estilo\u00a0espalhou-se pela It\u00e1lia: <\/strong>Piemonte (Guarini, Juvarra); N\u00e1poles (L. Giordano); G\u00eanova, Lecce, Sic\u00edlia (s\u00e9c. XVIII) e Veneza (Longhena e Tiepolo).<\/p>\n<p>Da It\u00e1lia alcan\u00e7ou a Bo\u00eamia, \u00c1ustria, Alemanha, Paises Baixos do sul, a pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e suas col\u00f4nias na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>As capitais germ\u00e2nicas desse\u00a0<strong>estilo<\/strong>\u00a0foram: Praga (com os Dientzenhofer); Viena (Fischer von Erlach, L von Hildebrandt); Munique (com os Asam e os Cuvilli\u00e9s).<\/p>\n<p>A B\u00e9lgica construiu no s\u00e9c. XVII igrejas que lembram a estrutura e o \u00e9lan vertical do g\u00f3tico. Escultores como H. F. Verbruggen a\u00ed instalaram seus grandiosos p\u00falpitos, e Rubens, o pintor\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0por excel\u00eancia, ali colocou seu universo de formas cheias de energia.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Barroco\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/barroco-2.jpg\" alt=\"Barroco\" width=\"251\" height=\"390\" \/><br \/>\n<b>Baldaquino de Bernini<\/b><\/p>\n<p>O Altar-mor assenta diretamente sobre o t\u00famulo de S\u00e3o Pedro. Tradicionalmente, apenas o Papa celebra missa nesse altar, abrigado por um baldaquino de bronze com 29 metros de altura, obra de Gian Lorenzo Bernini<\/p>\n<p>Na Espanha, triunfou o\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0churrigueresco (criado pelo arquiteto Jos\u00e9 Churriguera), com as suas grinaldas, frutos, flores, medalh\u00f5es e volutas que decoravam profusamente as fachadas.<\/p>\n<p>A escultura espanhola do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0foi inteiramente consagrada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de imagens religiosas, em geral de madeira, pintadas em cores naturais muitas vezes articuladas, vestidas com trajes suntuosos e ornamentadas de j\u00f3ias.<\/p>\n<p>A exuber\u00e2ncia do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0espanhol implantou-se no M\u00e9xico, Peru, Equador, Bol\u00edvia e outros paises da Am\u00e9rica Latina com mais ou menos vigor.<\/p>\n<p>Em Portugal, entre os mais belos exemplos do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0est\u00e3o a igreja de S\u00e3o Pedro dos Cl\u00e9rigos (iniciada em 1723) o pal\u00e1cio de Queluz (1758-1790) e a bas\u00edlica da Estrela (1779-!790); o convento de Mafra, constru\u00eddo na \u00e9poca de D. Jo\u00e3o V (1706-1750), embora com planta inspirada no Escorial, apresenta-se bastante\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0na sobrecarga arquitetural.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0penetrou por volta de 1630 (Vouet, Le Vau) e triunfou nas artes decorativas, um s\u00e9culo mais tarde, com o rocaille (embrechado) e rococ\u00f3,\u00a0<strong>estilos<\/strong>\u00a0derivados do Barroco.<\/p>\n<p>No Brasil, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0expressou o\u00a0<strong>per\u00edodo<\/strong>\u00a0mais efervescente da col\u00f4nia; teve seu apogeu no s\u00e9culo XVIII, perdurando, no s\u00e9culo seguinte, at\u00e9 a chegada da Miss\u00e3o Francesa (1816).<\/p>\n<p>Ricamente representado nas igrejas da Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e, sobretudo, de Minas, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0brasileiro imp\u00f4s seu pr\u00f3prio ritmo de difus\u00e3o, alterando e misturando na arquitetura os\u00a0<strong>estilos maneirista<\/strong>,\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>rococ\u00f3<\/strong>.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o mais importante \u00e9 a da escola mineira, cujo florescimento \u00e9 favorecido pelo ciclo do ouro. Mais original do que a produ\u00e7\u00e3o litor\u00e2nea, diretamente vinculada aos modelos europeus (em Salvador, a igreja de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o da Praia, 1736, em pedra de lioz trazida de Portugal, e o mosteiro de S\u00e3o Bento, inspirado na igreja de Ges\u00fa, de Roma), o\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0mineiro inovou na estrutura e na forma.<\/p>\n<p>Sem romper com a tem\u00e1tica religiosa, a escultura de Aleijadinho expressa uma forte alus\u00e3o popular e emprega materiais brasileiros, como a pedra-sab\u00e3o. Manoel da Costa Athayde pintou no teto da igreja de S\u00e3o Francisco de Assis, em Ouro Preto, uma madona mulata cercada de anjinhos igualmente pardos.<\/p>\n<p>Mestres de obra, art\u00edfices e artes\u00e3os negros, \u00edndios e mulatos enriquecem de mitologias naturalistas e s\u00edmbolos pag\u00e3os os meios expressivos importados da Europa. Manifestando-se menos nas fachadas e muito mais nos interiores cobertos de ouro, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>brasileiro corresponde \u00e0s primeiras afirma\u00e7\u00f5es da nacionalidade e, pelo menos durante algum tempo, exprime tanto os interesses das camadas dominantes quanto a criatividade popular. As igrejas das Ordens Terceiras (S\u00e3o Francisco de Assis, Nossa Senhora do Carmo) re\u00fanem os brancos das classes dirigentes; as irmandades (de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, das Merc\u00eas, da Reden\u00e7\u00e3o dos Cativos) congregam os pretos escravos ou agrupam os mulatos que exercem of\u00edcios mec\u00e2nicos (irmandade de S\u00e3o Jos\u00e9, do Cord\u00e3o de S\u00e3o Francisco).<\/p>\n<p>Assim, se a monumentalidade dos templos refor\u00e7a o poder da Igreja e o fausto da Coroa, as imagens que o povo venera evocam secretas rela\u00e7\u00f5es com os orix\u00e1s africanos cultuados pelos art\u00edfices entalhadores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Aleijadinho e de Manoel da Costa Athayde, outros artistas importantes do\u00a0<strong>per\u00edodo<\/strong>\u00a0s\u00e3o os pintores Caetano da Costa Coelho, no Rio de Janeiro, e Jos\u00e9 Joaquim da Rocha, na Bahia; o pintor e arquiteto Frei Jesu\u00edno do Monte Carmelo, em S\u00e3o Paulo; Mestre Valentim, escultor, entalhador e arquiteto ativo, no Rio de Janeiro, etc.<\/p>\n<p>Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Maria (1723) Obra de Egid Quirin Asam Mosteiro de Rohr, Alemanha<\/p>\n<h4>Literatura Barroca<\/h4>\n<p>Durante muito tempo o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0definiu apenas as artes pl\u00e1sticas. O conceito aplicado \u00e0 literatura surgiu apenas no final do s\u00e9c. XIX com os trabalhos dos te\u00f3ricos alem\u00e3es Jakob Burkardt e, sobretudo, Heinrich W\u00f6fflin.<\/p>\n<p>O termo \u0093<strong>barroco<\/strong>\u0094 abrange em literatura uma serie de denomina\u00e7\u00f5es. Em Portugal e Espanha, seiscentismo, conceptismo (ou conceitismo), cultismo (ou culteranismo); na It\u00e1lia, marinismo e seiscentismo; na Fran\u00e7a, preciosismo; na Inglaterra, enfu\u00edsmo; e, na Alemanha, silesianismo.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o\u00a0caracter\u00edsticas do Barroco\u00a0liter\u00e1rio:<\/strong> linguagem pomposa, imagens sutis e freq\u00fcentemente obscuras; musicalidade, descritivismo, explora\u00e7\u00e3o das possibilidades fon\u00e9ticas da l\u00edngua, objetivando salientar os contrastes conceituais; utiliza\u00e7\u00e3o do paradoxo, criando um<strong>estilo rebuscado<\/strong>, onde predominam os jogos de palavras, oposi\u00e7\u00f5es e id\u00e9ias abstratas; procura de imagens e sugest\u00f5es fora da realidade; virtuosismo; amplo uso de alegorias, hip\u00e9rboles, paralelismos, repeti\u00e7\u00f5es, an\u00e1foras e ant\u00edteses; exacerba\u00e7\u00e3o dos sentimentos e gosto do requinte;\u00a0<strong>estilo sentencioso\u00a0<\/strong>e preocupa\u00e7\u00e3o moralizante; ritmo sincopado e met\u00e1foras sinuosas, espiraladas, ligando imagens complexas, tais como as volutas que caracterizam o\u00a0<strong>estilo<\/strong>\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0na arquitetura.<\/p>\n<p><strong>Principais representantes: <\/strong>G\u00f3ngora, Quevedo, Cervantes, Lope de Vega, Calder\u00f3n de la Barca, Tirso de Molina (Espanha); Tasso, Marino, Guarini, Della Porta (It\u00e1lia); Montaigne, Pascal, Corneille, Racine, Boileau (Fran\u00e7a); Lily, Donne, Bacon (Inglaterra); Silesius, Gryphius, Opitz (Alemanha); S\u00f3ror Mariana de la Cruz, Hojeda, Balbuena, Caviedas (Am\u00e9rica espanhola).<\/p>\n<p>Em Portugal, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0desenvolveu-se entre 1580 e 1680, cobrindo portanto todo o\u00a0<strong>per\u00edodo<\/strong>\u00a0em que o pa\u00eds esteve sob a domina\u00e7\u00e3o espanhola (1580 e 1640).<\/p>\n<p><strong>Fortemente marcado pelo cultismo e conceptismo, teve como principais representantes<\/strong>: Rodrigues Lobo, Manuel de Melo, Tom\u00e1s de Noronha, S\u00f3ror Violante do C\u00e9u (poesia); Frei Lu\u00eds de Souza, Padre Bernardes, Padre Bartolomeu do Quental e Frei Ant\u00f4nio das Chagas (fic\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>No Brasil, o\u00a0Barroco\u00a0liter\u00e1rio manifestou-se na prosa laudat\u00f3ria, na poesia e na orat\u00f3ria sacra e teve como principais representantes<\/strong>: Greg\u00f3rio de Mattos Guerra (poeta), Manuel Botelho de Oliveira, Rocha Pita e padre Ant\u00f4nio Vieira (orador sacro).<\/p>\n<p>Assim como a reabilita\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0foi um acontecimento tardio, gra\u00e7as, sobretudo, ao trabalho de Heinrich Wosfflin (Renascimento e Barroco, 1888; Conceitos Fundamentais da Hist\u00f3ria da Arte, 1915), a poesia de Greg\u00f3rio de Matos tamb\u00e9m esteve muito tempo relegada ao esquecimento. O soneto &#8220;A Concei\u00e7\u00e3o Imaculada de Maria Sant\u00edssima&#8221;, mostra o\u00a0<strong>estilo<\/strong>\u00a0inconfund\u00edvel deste poeta.<\/p>\n<h4>Soneto<\/h4>\n<p>Como na cova tenebrosa, e escura, A quem abriu o Original pecado, Se o pr\u00f3prio Deus a m\u00e3o vos tinha dado; Podeis v\u00f3s cair, \u00f3 virgem pura?<\/p>\n<p>Nem Deus, que o bem das almas s\u00f3 procura, De todo vendo o mundo arruinado, Permitiria a desgra\u00e7a haver entrado, Donde havia sair nossa ventura.<\/p>\n<p>Nasce a rosa de espinhos coroada Mas se \u00e9 pelos espinhos assistida, N\u00e3o \u00e9 pelos espinhos magoada.<\/p>\n<p>Bela Rosa, \u00f3 virgem esclarecida! Se entre a culpa se v\u00ea, fostes criada, Pela culpa n\u00e3o fostes ofendida.<\/p>\n<h4>M\u00fasica Barroca<\/h4>\n<p>O\u00a0<strong>per\u00edodo<\/strong>\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0corresponde \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros novos (orat\u00f3rio, cantata, concerto) e \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de uma escrita baseada no di\u00e1logo (<strong>estilo concertante com baixo cont\u00ednuo<\/strong>) e ornamenta\u00e7\u00e3o e marcada pelo gosto pela improvisa\u00e7\u00e3o e pelo preciosismo. Os concertos de Vivaldi e numerosas obras de J.S. Bach s\u00e3o t\u00edpicos desse\u00a0<strong>per\u00edodo<\/strong>.<\/p>\n<p>A primeira not\u00edcia de conjunto de m\u00fasicos profissionais no Brasil \u00e9 de 1717, formado para a chegada do conde de Assumar \u00e0 vila de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei. Desde ent\u00e3o, a m\u00fasica sempre foi uma atividade remunerada por todo o ciclo do ouro.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio de Mariana foi o n\u00facleo formador de m\u00fasicos, seminaristas e leigos, instru\u00eddos por padres da regi\u00e3o. Ecos dessa produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorreram pelos idos de 1770, com Jos\u00e9 Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, que alcan\u00e7ou grande sucesso com sua vasta obra marcada pelas influ\u00eancias de Mozart e Pergolesi. Os compositores procuravam estar informados sobre a m\u00fasica europ\u00e9ia e gra\u00e7as ao trabalho dos copistas, a divulga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica se deu por toda a regi\u00e3o de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Pode-se afirmar que em Minas Gerais, no s\u00e9culo XVIII, existiu um profissionalismo musical maior que no resto do continente americano. Essa produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, no entanto, sempre dependeu da vitalidade e das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas das agremia\u00e7\u00f5es religiosas e seus mantenedores. Portanto, quando se esgotou o ouro das minas e dos rios esgotou-se tamb\u00e9m o ciclo cultural art\u00edstico\u00a0<strong>barroco<\/strong>.<\/p>\n<p>Todavia, no Brasil, n\u00e3o se justifica o uso da express\u00e3o\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0mineiro para designar a m\u00fasica do fim do s\u00e9culo XVIII, que pode ser chamada de pr\u00e9-cl\u00e1ssica, pois revela influ\u00eancia decisiva de compositores como Mozart, Haydn e Pergolesi.<\/p>\n<h4><strong>Barroco &#8211; Estilo<\/strong><\/h4>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas consideradas <strong>barrocas <\/strong>foram produzidas principalmente no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>O tra\u00e7o principal do\u00a0<strong>estilo<\/strong>\u00a0<strong>barroco <\/strong>\u00e9 a tens\u00e3o entre esp\u00edrito e mat\u00e9ria, c\u00e9u e terra, raz\u00e3o e emotividade, conten\u00e7\u00e3o e derramamento, cientificismo e religiosidade.<\/p>\n<p>Na Europa, essas caracter\u00edsticas refletem o conflito de id\u00e9ias colocado pelo progresso cient\u00edfico impulsionado no Renascimento e a Reforma Protestante, de um lado, e a rea\u00e7\u00e3o contra-reformista da Igreja Cat\u00f3lica, de outro.<\/p>\n<p>Na literatura, a tens\u00e3o manifesta-se pela intensifica\u00e7\u00e3o do uso de recursos estil\u00edsticos. Ant\u00edteses, invers\u00f5es, met\u00e1foras, preciosismo verbal e obscuridade de sentido foram cultivados por diversos autores do per\u00edodo, entre os quais destaca-se o poeta espanhol Lu\u00eds de G\u00f3ngora.<\/p>\n<p>No Brasil, os principais autores do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0foram Greg\u00f3rio de Matos e Padre Ant\u00f4nio Vieira. O primeiro celebrizou-se pela poesia sat\u00edrica e pelo retrato impiedoso e l\u00edrico de sua Bahia natal. O segundo, pela riqueza liter\u00e1ria dos serm\u00f5es com que defendia o ide\u00e1rio cat\u00f3lico.<\/p>\n<p>Prof\u00edcuo na regi\u00e3o de Minas Gerais no s\u00e9culo XVIII, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0brasileiro na arquitetura e na escultura n\u00e3o \u00e9 contempor\u00e2neo do Barroco liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que o movimento art\u00edstico atingia seu auge com as esculturas sacras de Aleijadinho, as manifesta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias produzidas no Brasil j\u00e1 s\u00e3o de car\u00e1ter neocl\u00e1ssico, \u00e1rcade ou rococ\u00f3. Em raz\u00e3o da pluralidade e pouca especificidade da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria seiscentista, estudiosos prop\u00f5em que o termo\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0seja insuficiente para caracterizar a diversidade das manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do per\u00edodo.<\/p>\n<p>Uma vez que as artes apresentam grande diversidade durante o per\u00edodo de vig\u00eancia do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>, seus tra\u00e7os comuns t\u00eam de ser investigados de par com as tend\u00eancias intelectuais e culturais da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Entre as que influenciaram as artes de modo especialmente significativo, destacam-se a consolida\u00e7\u00e3o das monarquias absolutas na Europa, a amplia\u00e7\u00e3o dos horizontes intelectuais decorrente das novas descobertas da ci\u00eancia e a Contra-Reforma. \u00c9 imposs\u00edvel, por exemplo, pensar a pujan\u00e7a arquitet\u00f4nica de pal\u00e1cios como o de Versalhes, na Fran\u00e7a, dissociada da necessidade do poder real de afirmar e exibir sua monumentalidade.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, a partir de formula\u00e7\u00f5es como a de Cop\u00e9rnico, que tirava a Terra do centro do universo, os pilares da f\u00e9 religiosa s\u00e3o amea\u00e7ados. Em boa medida, deriva da\u00ed a tens\u00e3o entre divino e profano, Deus e homem, terra e c\u00e9u presente em grande parte das manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas consideradas barrocas.<\/p>\n<p>Por fim, a Contra-Reforma \u00e9 um vetor importante para o processo porque fez da arte um meio de propaganda do ideal cat\u00f3lico, ent\u00e3o amea\u00e7ado pela Reforma Protestante. E, para falar diretamente ao observador, para converter o infiel, era preciso apelar aos sentidos e enfatizar os meios expressivos.<\/p>\n<p>O termo\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0provavelmente deriva da palavra italiana barroco, usada por fil\u00f3sofos da Idade M\u00e9dia para descrever um obst\u00e1culo ao racioc\u00ednio l\u00f3gico. Em seguida, a palavra passou a designar qualquer tipo de id\u00e9ia obscura ou processo tortuoso de pensamento.<\/p>\n<p>Outra origem poss\u00edvel est\u00e1 na palavra portuguesa\u00a0<strong>barroco<\/strong>, que se refere a um tipo de p\u00e9rola de formato irregular. Na cr\u00edtica de arte, barroco come\u00e7ou a ser usado na descri\u00e7\u00e3o de qualquer objeto irregular, bizarro, ou que fugisse das normas de propor\u00e7\u00e3o estabelecidas. Esse ponto de vista perdurou at\u00e9 o fim do s\u00e9culo 19, \u00e9poca em que o termo ainda carregava a conota\u00e7\u00e3o de estranheza, grotesco, exagero e excesso de ornamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 a partir do estudo pioneiro do historiador de arte Heinrich W\u00f6lfflin, Renascimento e\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0(1888), que o Barroco tornou-se uma designa\u00e7\u00e3o estil\u00edstica e teve suas caracter\u00edsticas sistematizadas.<\/p>\n<p>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>, ocorridas na It\u00e1lia, datam das \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XVI. Em outras regi\u00f5es, notadamente a Alemanha e o Brasil colonial, o movimento atingiria seu auge no s\u00e9culo XVIII. Na hist\u00f3ria da arte ocidental, no entanto, o Barroco se confunde com o s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>No Brasil, a emerg\u00eancia do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0coincide com os ciclos de ocupa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o intensa e regular das possibilidades econ\u00f4micas do Brasil-Col\u00f4nia, que a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVI fizeram surgir n\u00facleos urbanos de grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e cultural na Bahia e em Pernambuco. Consolidava-se ent\u00e3o uma economia baseada na monocultura e na escravid\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Come\u00e7avam a surgir as Academias, associa\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias inspiradas em modelos portugueses que representam o primeiro sinal articulado de preocupa\u00e7\u00e3o cultural no pa\u00eds. As invas\u00f5es estrangeiras que ocorreram nos s\u00e9culos XVI e XVII, com destaque para a holandesa (1624-1654), contribu\u00edram para a acelera\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas no Nordeste e tamb\u00e9m para a forma\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de &#8220;consci\u00eancia colonial&#8221;, que come\u00e7ava a se manifestar nos escritos seiscentistas.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas Gerais<\/h4>\n<p>As obras que distinguem o per\u00edodo s\u00e3o estilisticamente complexas, at\u00e9 mesmo contradit\u00f3rias. Em geral, \u00e9 poss\u00edvel dizer que o desejo de evocar estados de esp\u00edrito exaltados e de apelar dramaticamente aos sentidos do observador \u00e9 comum \u00e0 maior parte de suas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Algumas caracter\u00edsticas associadas ao\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0s\u00e3o grandeza, sensualidade, dramaticidade, movimento, vitalidade, tens\u00e3o e exuber\u00e2ncia emocional. Todas contrap\u00f5em-se ao racionalismo contido e met\u00f3dico que era pr\u00f3prio ao Classicismo, per\u00edodo anterior que se confunde com o Renascimento e que enfatiza o rigor e a sobriedade por meio da imita\u00e7\u00e3o dos autores da antig\u00fcidade grega e romana.<\/p>\n<p><strong>Muitos historiadores costumam dividir a literatura do\u00a0Barroco\u00a0em duas tend\u00eancias: <\/strong>o conceptismo e o cultismo.<\/p>\n<p>O primeiro, mais freq\u00fcente na prosa, corresponde ao jogo de id\u00e9ias, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da frase com uma l\u00f3gica que visa \u00e0 persuas\u00e3o, como pode ser observado nos serm\u00f5es do Padre Vieira.<\/p>\n<p>O segundo, caracter\u00edstico da poesia, define-se pelo jogo de palavras com vistas ao preciosismo formal e tem como autor emblem\u00e1tico o espanhol Luis de G\u00f3ngora, influente sobre os poetas do per\u00edodo a ponto de o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0liter\u00e1rio tamb\u00e9m ser conhecido como Gongorismo. Outras designa\u00e7\u00f5es freq\u00fcentes para a \u00e9poca s\u00e3o Seiscentismo, Maneirismo e Marinismo, este \u00faltimo em raz\u00e3o da obra do poeta italiano Gianbattista Marini.<\/p>\n<p>Um exemplo da abrang\u00eancia da concep\u00e7\u00e3o do termo\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0pode ser obtido a partir da formula\u00e7\u00e3o da historiadora e cr\u00edtica liter\u00e1ria Luciana Stegagno Picchio.<\/p>\n<p>De acordo com a autora, o per\u00edodo foi especialmente rico no Brasil porque a est\u00e9tica barroca se adapta com facilidade a um pa\u00eds que cria sua pr\u00f3pria fisionomia e cultura em termos de oposi\u00e7\u00e3o e de encontro de contr\u00e1rios, de mesti\u00e7agem. Nesse sentido, ela argumenta que tamb\u00e9m a primeira literatura dos descobrimentos \u00e9 barroca. Assim como a literatura dos jesu\u00edtas, pela concep\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica da vida, pela tem\u00e1tica contra-reformista e pela forma pluril\u00edng\u00fce.<\/p>\n<p>Fora da literatura, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0no Brasil s\u00f3 atingiria seu ponto m\u00e1ximo na segunda metade do s\u00e9culo XVIII. Nesse per\u00edodo, durante o ciclo do ouro nas Minas Gerais, a arquitetura, a escultura e a vida musical desenvolveram-se a ponto de constituir um Barroco &#8220;mineiro&#8221;, cujos exemplos mais significativos est\u00e3o na obra do escultor Aleijadinho, do pintor Manuel da Costa Athaide e do compositor Lobo de Mesquita. A poesia e a prosa contempor\u00e2nea desses autores, no entanto, n\u00e3o \u00e9 mais barroca.<\/p>\n<p>Em 1768, quando se publica o livro Obras, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa, o\u00a0<strong>estilo \u00e1rcade\u00a0<\/strong>passa a predominar na literatura.<\/p>\n<p>Importa ainda lembrar que, nos \u00faltimos anos, alguns dos principais estudiosos da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira do s\u00e9culo XVII t\u00eam se dedicado \u00e0 hip\u00f3tese de que o termo\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0n\u00e3o d\u00e1 conta das variadas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do per\u00edodo, que por isso mesmo devem ser entendidas em sua singularidade.<\/p>\n<p>Os autores mais destacados do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0liter\u00e1rio do Brasil s\u00e3o o Padre Vieira (1608-1697) e Greg\u00f3rio de Matos (1623-1696). Pregador crist\u00e3o a servi\u00e7o da Coroa portuguesa, Vieira passou a maior parte da vida no pa\u00eds. Por se apropriar de termos e elementos da cultura brasileira em seus textos, foi de fundamental import\u00e2ncia para a constitui\u00e7\u00e3o de uma linguagem que come\u00e7ava a ganhar autonomia em rela\u00e7\u00e3o a Portugal.<\/p>\n<p>Seus serm\u00f5es s\u00e3o ricos em ant\u00edteses, paradoxos, ironias, jogos de palavras, hip\u00e9rboles e alegorias. Com gosto pelo tom prof\u00e9tico e messi\u00e2nico, ele levou a arte da ret\u00f3rica e da persuas\u00e3o ao paroxismo. Deixou uma obra vasta na qual se destacam o Serm\u00e3o da Sexag\u00e9sima e o Serm\u00e3o do Bom-Ladr\u00e3o.<\/p>\n<p>Outros nomes de relevo na prosa do per\u00edodo s\u00e3o Sebasti\u00e3o da Rocha Pita (1660-1738), autor da Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Portuguesa, Nuno Marques Pereira (1652-1731), cujo Comp\u00eandio Narrativo do Peregrino da Am\u00e9rica \u00e9 considerado pioneiro na narrativa de cunho liter\u00e1rio do pa\u00eds, e o frei Vicente do Salvador (1564-1636\/1639), autor do volume Hist\u00f3ria do Brasil (1627).<\/p>\n<p>Sem ter publicado nenhum poema em vida e ainda envolto em incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autoria da obra, Greg\u00f3rio de Matos \u00e9 a ep\u00edtome do<strong>Barroco<\/strong>\u00a0na poesia brasileira. Os textos a ele atribu\u00eddos foram registrados a partir da tradi\u00e7\u00e3o oral de seus contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Religiosos, l\u00edricos e sat\u00edricos, os versos que comp\u00f5em sua obra proferem uma cr\u00edtica demolidora contra o clero, pol\u00edticos e outros poderosos da \u00e9poca. Pr\u00f3digo em met\u00e1foras, paradoxos, invers\u00f5es sint\u00e1ticas e senten\u00e7as que condensam erotismo, misticismo, palavras de baixo cal\u00e3o e busca do sublime, ele praticou um hedonismo ling\u00fc\u00edstico capaz de condensar a matriz barroca com o est\u00edmulo localista, como se pode verificar pela leitura dos poemas Triste Bahia e \u00c0 Mesma D. \u00c2ngela. N\u00e3o por acaso, o poeta \u00e9 considerado o primeiro autor a dar estatuto liter\u00e1rio \u00e0 figura do \u00edndio.<\/p>\n<p>O poema Prosopop\u00e9ia, de Bento Teixeira, \u00e9 tido como marco inicial do movimento no Brasil. Datado de 1601 e escrito com estilo e concep\u00e7\u00e3o inspirados em Cam\u00f5es, Prosopop\u00e9ia \u00e9 um poema \u00e9pico de louvor a Jorge Albuquerque Coelho, segundo donat\u00e1rio da Capitania de Pernambuco.<\/p>\n<p>No campo da poesia, destaca-se ainda Manuel Botelho de Oliveira, autor de M\u00fasica do Parnaso, o primeiro livro impresso escrito por autor nascido no pa\u00eds. O livro de Oliveira \u00e9 uma reuni\u00e3o de poemas em portugu\u00eas e espanhol que seguem rigorosa orienta\u00e7\u00e3o cultista e conceptista.<\/p>\n<h4><strong>Barroco &#8211; Origem da palavra<\/strong><\/h4>\n<p>A origem da palavra\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0tem causado muitas discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentre as v\u00e1rias posi\u00e7\u00f5es, a mais aceita \u00e9 a de que a palavra se teria originado do voc\u00e1bulo espanhol barrueco, vindo do portugu\u00eas arcaico e usado pelos joalheiros desde o s\u00e9culo XVI, para designar um tipo de p\u00e9rola irregular e de forma\u00e7\u00e3o defeituosa, ali\u00e1s, at\u00e9 hoje conhecida por essa mesma denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Assim, como termo t\u00e9cnico, estabeleceria, desde seu in\u00edcio, uma compara\u00e7\u00e3o fundamental para a arte<\/strong>: em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 disciplina das obras do Renascimento, caracterizaria as produ\u00e7\u00f5es de uma \u00e9poca na qual os trabalhos art\u00edsticos mais diversos se apresentariam de maneira livre e at\u00e9 mesmo sob formas an\u00e1rquicas, de grande imperfei\u00e7\u00e3o e mal gosto.(Suzy Mello,\u00a0<strong>Barroco<\/strong>. S\u00e3o Paulo, Brasiliense, 1983. p.7-8)<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, o Classicismo j\u00e1 estava perdendo a for\u00e7a. Depois de dominar por um s\u00e9culo o palco da literatura ocidental, o Classicismo esgotou as renova\u00e7\u00f5es trazidos do Renascimento e pouco a pouco foi deixando de ser centro dos acontecimentos culturais. Surgiu, ent\u00e3o, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>barroco<\/strong>\u00a0na arte marcou um momento de crise espiritual da sociedade europ\u00e9ia. O homem do s\u00e9culo XVII era um homem dividido entre duas mentalidades, duas formas de ver o mundo.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0\u00e9 fruto da s\u00edntese entre duas mentalidades, a medieval e a renascentista, o homem do s\u00e9culo XVII era um ser contradit\u00f3rio, tanto que ele se expressou usando a arte.<\/p>\n<p>No Brasil, o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0tem seu marco inicial em 1601 com a publica\u00e7\u00e3o do poema \u00e9pico prosopop\u00e9ia, a primeira obra, propriamente liter\u00e1ria, escrita entre n\u00f3s, da autoria do portugu\u00eas, radicado no Brasil, Bento Teixeira. O final do\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0brasileiro s\u00f3 concretizou em 1768, com a publica\u00e7\u00e3o das Obras po\u00e9ticas de Cl\u00e1udio Manuel da Costa .<\/p>\n<p>No entanto, como o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0no Brasil s\u00f3 foi mesmo reconhecido e praticado em seu final (entre 1720 e 1750), quando foram fundadas v\u00e1rias academias liter\u00e1rias, desenvolveu-se uma esp\u00e9cie de\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0tardio nas artes pl\u00e1sticas, o que resultou na constru\u00e7\u00e3o de igrejas de\u00a0<strong>estilo barroco\u00a0<\/strong>durante o s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0no Brasil foi um\u00a0<strong>estilo liter\u00e1rio\u00a0<\/strong>que durou do s\u00e9culo XVII ao come\u00e7o do s\u00e9culo XVIII, marcado pelo uso de ant\u00edteses e paradoxos que expressavam a vis\u00e3o do mudo barroco numa \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o entre o teocentrismo e o antropocentrismo.<\/p>\n<h4>Barroco \u0096 As Origens da Cultura Brasileira<\/h4>\n<p>O nosso primeiro e decisivo\u00a0<strong>estilo art\u00edstico\u00a0<\/strong>e<strong>\u00a0liter\u00e1rio\u00a0<\/strong>foi o\u00a0<strong>Barroco<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 contempor\u00e2neo dos alicerces mais antigos da sociedade e da cultura brasileira, ou seja, da forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia patriarcal nos engenhos de cana de Pernambuco e da Bahia, da economia apoiada no tr\u00edptico monocultura-latif\u00fandio-trabalho escravo, bem como dos prim\u00f3rdios da educa\u00e7\u00e3o brasileira, nos col\u00e9gios jesu\u00edticos.<\/p>\n<p>Da\u00ed sua import\u00e2ncia, e da\u00ed, tamb\u00e9m, as proje\u00e7\u00f5es que esse\u00a0<strong>per\u00edodo<\/strong>subseq\u00fcentes, at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Barroco<\/strong>\u00a0\u00e9 origin\u00e1rio da It\u00e1lia e da Espanha e sua expans\u00e3o para o Brasil deu-se a partir da Espanha, centro irradiador desse\u00a0<strong>estilo<\/strong>, para a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<h4>Os limites cronol\u00f3gicos do Barroco no Brasil s\u00e3o:<\/h4>\n<blockquote><p><b>In\u00edcio:\u00a0<\/b>1601 \u0096 com PROSOPOP\u00c9IA, poema \u00e9pico de autoria do portugu\u00eas, radicado no Brasil, Bento Teixeira Pinto. \u00c9 a primeira obra, propriamente liter\u00e1ria, escrita entre n\u00f3s.<b><br \/>\nT\u00e9rmino:<\/b>\u00a01768 \u0096 com a publica\u00e7\u00e3o das OBRAS PO\u00c9TICAS de CLA\u00daDIO MANUEL DA COSTA, obra inicial do Arcadismo no Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>Barroco na Literatura Brasileira<\/strong><\/h4>\n<p>O estudo do <strong>Barroco na Literatura Brasileira<\/strong> \u00e9 fundamental para que se tenha uma compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia nacional das letras brasileiras.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, em termos universais, o entendimento desse estilo de \u00e9poca equivale em conhecer um pouco de uma est\u00e9tica que dominou o universo do pensamento e arte ocidentais durante o s\u00e9culo XVII e parte do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>O <strong>Barroco<\/strong> exprime as inquieta\u00e7\u00f5es do homem no per\u00edodo p\u00f3s-renascentista, assinalado pela contra-reforma, o absolutismo mon\u00e1rquico e a crise do capitalismo comercial. It\u00e1lia e Espanha, pa\u00edses em que esse estilo teve origem e florescimento, produziram artistas que exerceram e ainda exercem acentuada influ\u00eancia sobre autores brasileiros.<\/p>\n<p>N\u00e3o se compreende, por exemplo, a poesia de Greg\u00f3rio de Matos sem a sombra de G\u00f4ngora.<\/p>\n<p>Nos primeiros textos da forma\u00e7\u00e3o da Literatura Brasileira, em que j\u00e1 se insinuam aspectos est\u00e9ticos na inten\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica ou catequ\u00e9tica, como nos poemas e autos de Jos\u00e9 de Anchieta, \u00e9 poss\u00edvel a identifica\u00e7\u00e3o de algumas marcas discursivas e ideol\u00f3gicas desse estilo. Tamb\u00e9m em alguns trechos de padre Manuel da N\u00f3brega ou nos versos de Prosopop\u00e9ia, de Bento Teixeira Pinto, j\u00e1 se manifestam elementos do rebuscamento que identificam o Barroco. E, mesmo em outras \u00e9pocas, certos tra\u00e7os barroquizantes s\u00e3o percept\u00edveis, com na opulenta linguagem de Euclides da Cunha, de Guimar\u00e3es Rosa ou de Pedro Nava.<\/p>\n<p><strong>Termo que abrange literatura, m\u00fasica, pintura, arquitetura e escultura, o Barroco lega, \u00e0 hist\u00f3ria da arte em geral, um amplo gloss\u00e1rio que \u00e9 recorrente no estudo dos estilos de \u00e9poca<\/strong>: termos como cultismo, conceptismo, gongorismo, preciosismo, marinismo, maneirismo, fusionismo s\u00e3o indissoci\u00e1veis desse estilo. Para o estudo mais aprofundado de figuras como met\u00e1fora, hip\u00e9rbole, hip\u00e9rbato e paradoxo, o Barroco servir\u00e1 como fonte de exemplos.<\/p>\n<p>Na Literatura Brasileira, atrav\u00e9s dos poemas de Greg\u00f3rio de Matos e dos serm\u00f5es de Padre Antonio Vieira, pode-se claramente perceber as caracter\u00edsticas discursivas e ideol\u00f3gicas do estilo Barroco, e um conhecimento do contexto hist\u00f3rico marcado pela decad\u00eancia do com\u00e9rcio de especiarias orientais, o decl\u00ednio da economia portuguesa, os embates com os holandeses e a a\u00e7\u00e3o dos jesu\u00edtas no trabalho de convers\u00e3o do ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias para ensinar Para reconhecer e caracterizar a contribui\u00e7\u00e3o dos principais autores barrocos para a literatura nacional, o estudante dever\u00e1 entrar em contato, principalmente, com textos de Greg\u00f3rio de Matos, e Padre Antonio Vieira. Esses autores, em suas obras, apropriaram-se do discurso cultural, teol\u00f3gico e pol\u00edtico do contexto hist\u00f3rico, assinalado pela Contra- Reforma, pela Companhia de Jesus e pela Santa Inquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A poesia de Greg\u00f3rio Matos presta-se a um interessante trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, sem que se percam seus aspectos especificamente liter\u00e1rios, como a agudeza e o engenho, categorias importantes nos textos seiscentistas.<\/p>\n<p>Os escritos de Padre Vieira, ricos em argumenta\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua com arg\u00facia e efic\u00e1cia, constituem modelos de uma prosa cujo poder e resson\u00e2ncia ter\u00e1 reconhecimento ao longo do processo de forma\u00e7\u00e3o da identidade nacional.<\/p>\n<p>De posse das caracter\u00edsticas b\u00e1sicas do estilo barroco, sem perder de vista o contexto hist\u00f3rico, o estudante poder\u00e1 estabelecer rela\u00e7\u00f5es intertextuais entre os textos dessa \u00e9poca a outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais de \u00e9pocas diferentes.<\/p>\n<p>Um fecundo estudo de an\u00e1lise comparativa pode ser realizado, envolvendo autores e obras de variadas artes, de Aleijadinho a Niemeyer, de Vieira a Euclides da Cunha, de Greg\u00f3rio de Matos a Glauber Rocha.<\/p>\n<p>Na abordagem de textos de diferentes \u00e9pocas e de variados g\u00eaneros, como serm\u00f5es, auto, cr\u00f4nica, conto, poema, romance, ensaio e letras de can\u00e7\u00f5es, o estudante ter\u00e1 a oportunidade de se deparar com aspectos recorrentes do Barroco, como o carpe diem, o ludismo, o fe\u00edsmo, a t\u00e9cnica recolhitiva ou o processo de dissemina\u00e7\u00e3o ou recolha, al\u00e9m de outros procedimentos.<\/p>\n<p>O estudo dos textos de Greg\u00f3rio de Matos e de Padre Vieira permite que se tenha uma boa compreens\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o da poesia e do serm\u00e3o na vida social brasileira. S\u00e1tira e orat\u00f3ria s\u00e3o componentes intr\u00ednsecos da produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira.<\/p>\n<p>A atualidade do Barroco \u00e9 o que orienta, por exemplo, toda a obra de um not\u00e1vel escritor contempor\u00e2neo como o mineiro Affonso \u00c1vila, que, atrav\u00e9s de ensaios e poemas, p\u00f5e em permanente discuss\u00e3o a arte de ontem com a de hoje.<\/p>\n<blockquote><p><strong>1.<\/strong>\u00a0Reconhecer a import\u00e2ncia do Barroco brasileiro para a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e da literatura nacional.<strong><br \/>\n2.\u00a0<\/strong>Identificar, em textos liter\u00e1rios do Barroco, marcas discursivas e ideol\u00f3gicas desse estilo de \u00e9poca e seus efeitos de sentido.<strong><br \/>\n3.\u00a0<\/strong>Relacionar caracter\u00edsticas discursivas e ideol\u00f3gicas de obras barrocas ao contexto hist\u00f3rico de sua produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o.<strong><br \/>\n4.<\/strong>\u00a0Reconhecer e caracterizar a contribui\u00e7\u00e3o dos principais autores barrocos para a literatura nacional.<strong><br \/>\n5.\u00a0<\/strong>Estabelecer rela\u00e7\u00f5es intertextuais entre textos liter\u00e1rios barrocos e outras manifesta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e culturais de \u00e9pocas diferentes.<strong><br \/>\n6.\u00a0<\/strong>Identificar efeitos de sentido da metalinguagem e da intertextualidade em textos liter\u00e1rios barrocos.<strong><br \/>\n7 .<\/strong>\u00a0Posicionar-se, como pessoa e como cidad\u00e3o, frente a valores, ideologias e propostas est\u00e9ticas representadas em obras liter\u00e1rias barrocas.<strong><br \/>\n8.<\/strong>\u00a0Elaborar textos orais e escritos de an\u00e1lise e aprecia\u00e7\u00e3o de textos liter\u00e1rios barrocos.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Como ensinar (como trabalhar o t\u00f3pico)<\/h4>\n<p>Ao trabalhar com textos de Greg\u00f3rio de Matos, que devem ser relacionados com o contexto hist\u00f3rico, o professor deve chamar a aten\u00e7\u00e3o para a fun\u00e7\u00e3o social da s\u00e1tira. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Bahia aparece com nitidez em v\u00e1rios textos do poeta, que foi uma esp\u00e9cie de cronista-versejador de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m com os serm\u00f5es de Padre Vieira, que est\u00e3o diretamente ligados a um per\u00edodo em que ao catolicismo se sentia amea\u00e7ado pela reforma dos protestantes e pelo avan\u00e7o do racionalismo da ci\u00eancia laica, ou, para citar um epis\u00f3dio especificamente local, pela invas\u00e3o holandesa.<\/p>\n<p>A poesia atribu\u00edda a Greg\u00f3rio de Matos, em suas diferentes facetas (l\u00edrica, sat\u00edrica, religiosa, encomi\u00e1stica, costumbrista) oferece extensa atividade, n\u00e3o s\u00f3 para a identifica\u00e7\u00e3o dos aspectos de seu tempo, mas tamb\u00e9m para serem comparados com outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais, em diferentes \u00e9pocas.<\/p>\n<p>A leitura do romance contempor\u00e2neo de Ana Miranda (Boca do Inferno) permite, al\u00e9m da reconstitui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, uma revis\u00e3o cr\u00edtica do papel de Greg\u00f3rio e de Padre Vieira na sociedade brasileira no per\u00edodo seiscentista. A compara\u00e7\u00e3o de expedientes humor\u00edsticos usados por Greg\u00f3rio de Matos podem ser identificados na produ\u00e7\u00e3o do humor na literatura de M\u00e1rio de Andrade, Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Jos\u00e9 Paulo Paes, Affonso \u00c1vila, Sebasti\u00e3o Nunes e Glauco Mattoso.<\/p>\n<h4>Como avaliar<\/h4>\n<p>A leitura de passagens de serm\u00f5es de Padre Vieira, como o da sexag\u00e9sima, oferece um bom pretexto para que se discuta a metalinguagem na obra liter\u00e1ria. O serm\u00e3o sobre a invas\u00e3o holandesa pode ser analisado a partir dos aspectos do preconceito em rela\u00e7\u00e3o a outras culturas e religi\u00f5es. A import\u00e2ncia da met\u00e1fora na constru\u00e7\u00e3o textual pode ser identificada no serm\u00e3o do Mandato.<\/p>\n<p>Na poesia de Greg\u00f3rio de Matos, pode-se tomar, por exemplo, os textos em que a mulher e o amor s\u00e3o abordados ou de forma l\u00edrica ou de forma sat\u00edrica. A tem\u00e1tica do carpe diem, em Greg\u00f3rio, pode ser relacionada com esse tema em outros escritores de diferentes \u00e9pocas, como em Tom\u00e1s Antonio Gonzaga, no Arcadismo, ou em Vin\u00edcius de Moraes, no Modernismo.<\/p>\n<p>O estudo das met\u00e1foras barrocas em Greg\u00f3rio de Matos pode ser processado com o relacionamento com outros autores, como Castro Alves, Cruz e Sousa, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Letras de can\u00e7\u00f5es de Caetano Veloso e Gilberto Gil tamb\u00e9m podem ser articuladas com a produ\u00e7\u00e3o barroca, como tamb\u00e9m elementos do barroco s\u00e3o encontrados em romances de Autran Dourado, principalmente em \u00d3pera dos mortos e Os sinos da agonia.<\/p>\n<p>Fonte: www.britannica.com\/www.starnews2001.com.br\/www.itaucultural.org.br\/crv.educacao.mg.gov.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que foi o Barroco? A escola liter\u00e1ria que antecede o Barroco \u00e9 o Quinhentismo, que \u00e9 do s\u00e9culo XIV (1500) e, por isso, possui esse nome. J\u00e1 o Barroco se inicia entre o final do s\u00e9culo XVI e o in\u00edcio do XVII. 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