{"id":29787,"date":"2016-05-19T11:43:24","date_gmt":"2016-05-19T11:43:24","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=29787"},"modified":"2018-11-07T08:26:46","modified_gmt":"2018-11-07T10:26:46","slug":"arcadismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/periodos-literarios\/arcadismo","title":{"rendered":"Arcadismo"},"content":{"rendered":"<p>O nome Arcadismo vem de uma regi\u00e3o grega chamada Arc\u00e1dia e que foi transformada, pela literatura, em um para\u00edso para a vida campestre e era considerada a regi\u00e3o da felicidade durante essa escola liter\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Em \u00e2mbito mundial, o s\u00e9culo XVIII \u00e9 marcado pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, pelo Iluminismo, pela Independ\u00eancia dos Estados Unidos e o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. J\u00e1 no Brasil, os principais acontecimentos hist\u00f3ricos dessa \u00e9poca s\u00e3o o Ciclo do Ouro e a Inconfid\u00eancia Mineira. Tudo isso contribui para o cunho textual \u00e1rcade que reflete, principalmente, a busca pela simplicidade.<\/p>\n<p><strong>Principais caracter\u00edsticas do Arcadismo<\/strong><\/p>\n<p>O Arcadismo \u00e9 a escola liter\u00e1ria que se op\u00f5e ao Barroco. Ou seja, ela busca o equil\u00edbrio \u2013 que no, caso, \u00e9 a raz\u00e3o \u2013 e se afasta do conflito interno que era muito presente na escola liter\u00e1ria anterior. De maneira geral, a principal caracter\u00edstica arcade \u00e9 a <em>simplicidade<\/em>. Por isso, h\u00e1 o bucolismo e o pastoralismo que s\u00e3o os movimentos que confirmam essa busca pela simplicidade dos poetas da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A sociedade aqui \u00e9 racional e, por isso, a objetividade \u00e9 forte durante esse per\u00edodo. H\u00e1, novamente, a retomada de elementos greco-latinos ou greco-romanos. O que evidencia isso s\u00e3o, por exemplo, as express\u00f5es em latim muito populares:<\/p>\n<p><em>Carpe diem<\/em>: esse \u00e9 uma express\u00e3o que j\u00e1 era popular durante o Barroco, no entanto a ideia barroca baseava-se no \u201caproveite o dia porque voc\u00ea pode morrer amanh\u00e3 e ainda ir para o inferno\u201d. J\u00e1 no Arcadismo, a ideia \u00e9 simplesmente aproveitar o dia porque a vida \u00e9 bela;<\/p>\n<p><em>FugereUrbem<\/em>: em tradu\u00e7\u00e3o livre para o portugu\u00eas \u201cfuja da cidade\u201d. Isso evidencia a busca pela natureza, estar em contato com a natureza faria com que a vida fosse melhor;<\/p>\n<p><em>LocusAmoenus<\/em>: \u201clugar ameno\u201d ou \u201clugar tranquilo\u201d \u00e9 justamente para onde fugir do \u201cfugereurbem\u201d. Trata-se do campo;<\/p>\n<p>InutiliaTruncat: \u201ccortar o in\u00fatil\u201d, mais uma vez retrata o grande apego \u00e0 simplicidade.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e principais autores<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria arcade conta com duas vertentes: a l\u00edrica e a \u00e9pica.<\/p>\n<p>A <strong>produ\u00e7\u00e3o l\u00edrica<\/strong> destaca o bucolismo, o pastoralismo e um amor galante. Os principais autores da \u00e9poca s\u00e3o Claudio Manuel da Costa, com sua obra po\u00e9tica, e Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga com as obras \u201cCartas Chilenas\u201d e \u201cMar\u00edlia de <em>Dirceu<\/em>\u201d. Em Mar\u00edlia de Dirceu, o nome Dirceu se refere ao pr\u00f3prio Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga. Na \u00e9poca, era comum que os autores utilizassem pseud\u00f4nimos por dois motivos: est\u00e9tica e persegui\u00e7\u00e3o. A persegui\u00e7\u00e3o ocorria por causa da Inconfid\u00eancia Mineira e, como muitos escritores eram inconfidentes, poderiam ser perseguidos pela Coroa Portuguesa.<\/p>\n<p>J\u00e1 a <strong>produ\u00e7\u00e3o \u00e9pica<\/strong> d\u00e1 lugar \u00e0s grandes hist\u00f3rias, aos grandes feitos. Os dois principais autores da \u00e9poca s\u00e3o Bas\u00edlio da Gama com a obra \u201cO Uraguai\u201d que \u00e9 a primeira obra brasileira em que os \u00edndios s\u00e3o colocados em uma hist\u00f3ria \u00e9pica. N\u00e3o da melhor forma poss\u00edvel, mas h\u00e1 um destaque. E o Frei Santa Rita Mur\u00e3o, com a obra \u201cCaramuru\u201d que \u00e9 um poema que foi adaptado ao cinema.<\/p>\n<p><strong>Por<\/strong> Amanda Abreu<\/p>\n<h2>Arcadismo &#8211; O que foi<\/h2>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong> surgiu em 1690, em Roma, e tinha como ide\u00e1rio est\u00e9tico o resgate da simplicidade e o equil\u00edbrio da po\u00e9tica cl\u00e1ssica greco-latina, retomada anteriormente, durante o Classicismo (s\u00e9culo XVI), mas que perdera for\u00e7a durante o per\u00edodo barroco, marcado pelo jogo verbal rebuscado e pelo obscurantismo.<\/p>\n<p>No Brasil, n\u00e3o foi diferente. Aqui, o <strong>Arcadismo<\/strong> p\u00f4de se desenvolver muito mais em Minas, gra\u00e7as \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do ouro, que deu \u00e0 Capitania certa riqueza e propiciou a forma\u00e7\u00e3o de uma elite intelectual. O marco inicial dessa escola art\u00edstica no Brasil \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o de Obras, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa, em 1768.<\/p>\n<p><strong>Pertenceram \u00e0 Inconfid\u00eancia Mineira tr\u00eas dos principais poetas \u00e1rcades<\/strong>: Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, Cl\u00e1udio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto. Al\u00e9m deles, a escola mineira contou com Silva Alvarenga, Bas\u00edlio da Gama e Frei da Santa Rita Dur\u00e3o.<\/p>\n<p>Com este grupo, come\u00e7ou-se a formar uma literatura mais propriamente brasileira, mais pr\u00f3xima da realidade local, por\u00e9m, como era pr\u00f3prio do ide\u00e1rio \u00e1rcade, sem abandonar os modelos europeus, sobretudo os greco-latinos. Assim, ao lado do Ribeir\u00e3o do Carmo encontram-se ninfas e faunos como se verifica na F\u00e1bula do Ribeir\u00e3o do Carmo, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa. Na verdade, o poeta \u00e1rcade encontra-se no limiar de duas culturas, sente-se apegado \u00e0 sua terra natal, mas ainda possui muito da cultura europ\u00e9ia.<\/p>\n<p>Veja-se, a exemplo, a Lira LXII, do pr\u00f3prio Cl\u00e1udio Manuel, de onde tamb\u00e9m extrairemos elementos caracter\u00edsticos da po\u00e9tica \u00e1rcade.<\/p>\n<blockquote><p>Torno a ver-nos, \u00f3 montes; o destino<br \/>\nAqui me torna a p\u00f4r nestes outeiros,<br \/>\nOnde um tempo os gab\u00f5es deixei grosseiros<br \/>\nPelo traje da Corte rico e fino.<\/p>\n<p>Aqui estou entre Almendro, entre Corino,<br \/>\nOs meus fi\u00e9is, meus doces companheiros,<br \/>\nVendo correr os m\u00edseros vaqueiros<br \/>\nAtr\u00e1s de seu cansado desatino.<\/p>\n<p>Se o bem desta choupana pode tanto.<br \/>\nQue chega a ter mais pre\u00e7o, e mais valia,<br \/>\nQue da Cidade o lisonjeiro encanto;<\/p>\n<p>Aqui descanse a louca fantasia;<br \/>\nE o que at\u00e9 agora se tornava em pranto.<br \/>\nSe converta em afetos de alegria.<\/p><\/blockquote>\n<p>O eu-l\u00edrico, adotando a perspectiva de um pastor, contrap\u00f5e os valores da natureza aos do mundo urbano (3\u00aa estrofe). Com isto, o poeta quer dizer que a verdade, a vida real est\u00e1 na natureza, e n\u00e3o na civiliza\u00e7\u00e3o &#8211; entenda-se a\u00ed, talvez, Europa.<\/p>\n<p>No <strong>Arcadismo<\/strong>, o ideal da vida \u00e9 esse contato com a Natureza. O nome &#8220;Arcadismo&#8221; deriva de Arc\u00e1dia, regi\u00e3o lend\u00e1ria da antiga Gr\u00e9cia habitada por pastores, de car\u00e1ter r\u00fastico e s\u00edmbolo da simplicidade e felicidade verdadeira; por isso, o bucolismo \u00e9 o principal tema da poesia \u00e1rcade.<\/p>\n<p>O <strong>poema<\/strong> deve mimetizar a vida simples e harm\u00f4nica presente in natura, portanto deve ser simples, objetivo, claro e com muito mais compara\u00e7\u00f5es que met\u00e1foras, pr\u00f3prias da arte barroca.<\/p>\n<p>Outra conven\u00e7\u00e3o \u00e1rcade \u00e9 o fato de os poetas adotarem nomes de pastores em seus <strong>poemas<\/strong>, como pseud\u00f4nimos. Assim, Cl\u00e1udio Manuel da Costa era Glauceste Sat\u00farnio; Tom\u00e1s Antonio Gozaga, Dirceu; Silva Alvarenga, Alcindo Palmireno; e Bas\u00edlio da Gama, Termindo Sip\u00edlio.<\/p>\n<p>Muitas outras quest\u00f5es est\u00e3o diretamente presas a essa mentalidade buc\u00f3lica do <strong>Arcadismo<\/strong>, como a id\u00e9ia desenvolvida pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean Jacques Rousseau sobre o &#8220;bom selvagem&#8221;, teoria sobre a corrup\u00e7\u00e3o do homem pela sociedade. Tal tema ser\u00e1 mais bem desenvolvido depois pelos escritores rom\u00e2nticos como o franc\u00eas Ren\u00e9 Chateaubriand e o americano Francis F. Cooper e tamb\u00e9m pelos brasileiros Jos\u00e9 de Alencar e Gon\u00e7alves Dias, que se aproveitam da imagem do &#8220;bom selvagem&#8221; para a composi\u00e7\u00e3o da imagem do \u00edndio rom\u00e2ntico. De qualquer modo, em 1769, o poeta \u00e1rcade Bas\u00edlio da Gama j\u00e1 elevava o amer\u00edndio a her\u00f3i contra a imposi\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3, atrav\u00e9s do seu poemeto \u00e9pico O Uraguai, e Frei da Santa Rita Dir\u00e3o, em Caramuru, defende a catequiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, como \u00fanica sa\u00edda de salva\u00e7\u00e3o para os povos americanos.<\/p>\n<p>O <strong>poema <\/strong>de Bas\u00edlio da Gama \u00e9 escrito em cinco cantos, em versos brancos, decass\u00edlabos (dez s\u00edlabas po\u00e9ticas) e sem rimas.<\/p>\n<p>O <strong>poema<\/strong> narra a vit\u00f3ria militar de Gomes Freire de Andrade na guerra contra os jesu\u00edtas, que catequizavam os \u00edndios em col\u00f4nias, onde hoje \u00e9 o Rio Grande do Sul e o Uruguai (o nome Uraguai \u00e9 devido a um erro de grafia, que, por respeito a uma tradi\u00e7\u00e3o, se preferiu manter at\u00e9 hoje).<\/p>\n<p>A origem da guerra \u00e9 o Tratado de Madri (1750), em que Portugal entregaria \u00e0 Espanha a Col\u00f4nia do Sacramento em troca da regi\u00e3o colonizada pelos jesu\u00edtas, conhecida como Sete Povos das Miss\u00f5es. Como os jesu\u00edtas se recusaram a aceitar o Tratado, os dois pa\u00edses organizaram uma campanha militar contra os padres entre 1752 e 1756. O Uraguai narra os \u00faltimos acontecimentos dessa guerra; escrito para agradar ao Marqu\u00eas de Pombal, que queria expulsar os jesu\u00edtas das col\u00f4nias portuguesas, apresenta como vil\u00f5es da hist\u00f3ria exatamente os religiosos.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o fosse o ponto central, o fato \u00e9 que o <strong>poema<\/strong> mostra-se simp\u00e1tico aos \u00edndios, vistos como v\u00edtimas de todo o processo de coloniza\u00e7\u00e3o, o que levou muitos cr\u00edticos a caracterizarem O Uraguai como precursor da literatura indianista brasileira. Leiamos o trecho mais conhecido do <strong>poema<\/strong>, que \u00e9 a morte da \u00edndia Lind\u00f3ia, noiva de Cacambo, envenenado pelo padre Balda, pois este queria que Lind\u00f3ia se casasse com Baldetta.<\/p>\n<p>Por sua vez, o <strong>poema<\/strong> do Frei de Santa Rita Dur\u00e3o \u00e9 escrito \u00e0 Cam\u00f5es, com 10 cantos e oitavas com versos decass\u00edlabos her\u00f3icos. Narra a hist\u00f3ria de Diogo \u00c1lveres Correia, n\u00e1ufrago portugu\u00eas, que foi salvo de ser devorado pelos \u00edndios por ter produzido um estrondo com sua arma de fogo. Assim sendo, os \u00edndios imaginaram que ele seria enviado de Tup\u00e3, deus trov\u00e3o. Diogo passa a ser ent\u00e3o alvo de disputa dos chefes, os quais concedem a Diogo a m\u00e3o de suas respectivas filhas. Mas Diogo enamora-se de Paragua\u00e7u, pretendida pelo \u00edndio Jararaca. E parte com ela para a Europa. Moema, outra \u00edndia, morre afogada no mar, tentando alcan\u00e7ar o navio que leva Diogo e Paragua\u00e7u.<\/p>\n<p>Duas outras obras po\u00e9ticas tiveram fundamental import\u00e2ncia para o <strong>arcadismo no Brasil<\/strong>, ambas de Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga.<\/p>\n<p>Uma obra sat\u00edrica, Cartas chilenas, nas quais o poeta critica alegoricamente Lu\u00eds da Cunha Menezes, governador de Minas Gerais entre 1783 e 1788, e outra l\u00edrica, Mar\u00edlia de Dirceu, em que Gonzaga celebrizou versos amorosos dirigidos \u00e0 sua amada, Maria Joaquina Dorot\u00e9a de Seixas, a Mar\u00edlia. Ainda que seja uma obra po\u00e9tica, uma obra baseada na imagina\u00e7\u00e3o do poeta, \u00e9 poss\u00edvel acompanhar, pela leitura dos <strong>poemas do livro<\/strong>, a trajet\u00f3ria do relacionamento entre Gonzaga e Joaquina, inclusive o rompimento, quando o poeta \u00e9 preso acusado de ser um inconfidente (um infiel \u00e0 Coroa portuguesa) e expatriado para Mo\u00e7ambique, onde Gonzaga reconstruiu sua vida e casou-se com a filha de um mercador de escravos.<\/p>\n<h4><strong>Arcadismo &#8211; O que \u00e9<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Arcadia<\/strong> refere-se a uma vis\u00e3o de pastor\u00edcia e harmonia com a natureza. O termo \u00e9 derivado da prov\u00edncia grega de mesmo nome que remonta a antiguidade; a prov\u00edncia de topografia montanhosa e escassa popula\u00e7\u00e3o de pastores mais tarde causou a palavra <strong>Arcadia<\/strong> para se transformar em um prov\u00e9rbio po\u00e9tica para uma vis\u00e3o id\u00edlica da natureza intocada.<\/p>\n<p><strong>Arcadia<\/strong> \u00e9 um espa\u00e7o em forma po\u00e9tica associada com esplendor natural abundante e harmonia.<\/p>\n<p>O &#8216;Garden&#8217; \u00e9 muitas vezes habitadas por pastores. O conceito tamb\u00e9m aparece na mitologia Renascen\u00e7a. Comumente considerada como estando em linha com ut\u00f3picos ideais, <strong>Arcadia<\/strong> difere da tradi\u00e7\u00e3o em que \u00e9 mais frequentemente especificamente considerado inating\u00edvel. Al\u00e9m disso, ele \u00e9 visto como um perdido, ed\u00eanica forma de vida, contrastando com a natureza progressiva da ut\u00f3picos desejos.<\/p>\n<p>Os habitantes foram muitas vezes considerados como tendo continuado a viver \u00e0 maneira da Idade de Ouro, sem o orgulho ea avareza que corrompido outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O Arcadismo<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong> em si, era formado por ideais renascentistas, da Antig\u00fcidade Cl\u00e1ssica, pois o Barroco j\u00e1 havia ultrapassado os limites do que se considerava arte de qualidade.<\/p>\n<p>Por emitir tamb\u00e9m princ\u00edpios ideol\u00f3gicos iluministas, o <strong>arcadismo<\/strong> fez com que a burguesia crescesse e tomasse o poder sobre a nobreza.<\/p>\n<p>Esse <strong>per\u00edodo<\/strong> foi marcado pela vis\u00e3o cient\u00edfica e pelo racionalismo, porque defendia uma literatura mais simples, objetiva, descritiva e espont\u00e2nea, que se sup\u00f5e \u00e0 emo\u00e7\u00e3o, \u00e0 religiosidade e ao exagero do Barroco.<\/p>\n<p>Tal g\u00eanero predominou at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, quando surge o Romantismo.<\/p>\n<h4><strong>Arcadismo &#8211; <\/strong>Nascimento<\/h4>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong> nasceu em oposi\u00e7\u00e3o aos exageros, os rebuscamento liter\u00e1rio do Barroco. H\u00e1 um retorno a uma literatura simples. Os modelos a seguir s\u00e3o os cl\u00e1ssicos grego-latinos. A mitologia pag\u00e3 \u00e9 retomada como elemento est\u00e9tico.<\/p>\n<p>Por isso, o <strong>Arcadismo<\/strong> \u00e9 tamb\u00e9m chamado Neoclassicismo.<\/p>\n<p><strong>O Arcadismo ou Setencentismo se inicia em 1768. Dois fatos marcam o in\u00edcio do Arcadismo no Brasil<\/strong>: a funda\u00e7\u00e3o da Arc\u00e1dia ultramarina e a publica\u00e7\u00e3o do livro Obras, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa.<\/p>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong> representa uma volta ao equil\u00edbrio e \u00e0 simplicidade dos modelos greco-romanos.<\/p>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong> defende uma fun\u00e7\u00e3o social da literatura e se preocupa com sua finalidade moral.<\/p>\n<p><strong>Existem dois momentos distintos no Arcadismo: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Momento po\u00e9tico<br \/>\nMomento ideol\u00f3gico<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Momento Po\u00e9tico <\/strong><\/p>\n<p>O momento po\u00e9tico nasce de um retorno \u00e0 natureza, conforme as tradi\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas. Segundo Jean Jacques Rousseau, filos\u00f3fico franc\u00eas, o homem nasce bom; a sociedade o corrompe. Segundo esse fil\u00f3sofo, o homem deveria retornar \u00e0 natureza pura. Para o \u00e1rcade, toda a beleza, pureza e espiritualidade est\u00e1 na natureza.<\/p>\n<p>Ele procura os temas buc\u00f3licos, por isso.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o da supremacia do homem natural e a valoriza\u00e7\u00e3o da natureza v\u00e3o permitir a entrada do \u00cdndio e da paisagem brasileira na nossa literatura. Tal tema ser\u00e1 aprofundada no Romantismo.<\/p>\n<p><strong>Momento Ideol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>O momento ideol\u00f3gico do Setencentismo est\u00e1 ligado \u00e0s mudan\u00e7as pol\u00edtico-sociais na Europa, bem como ao novo panorama cultural que se desenvolve em Portugal. Esse momento ficou conhecido como Iluminismo ou Ilustra\u00e7\u00e3o e prega a doutrina da raz\u00e3o iluminada, das luzes da raz\u00e3o; e acredita que a raz\u00e3o \u00e9 capaz de conduzir a humanidade ao progresso. Est\u00e1 voltado para a divulga\u00e7\u00e3o do saber juntamente com a exalta\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>O Marqu\u00eas de Pombal foi um grande divulgador e defensor do Iluminismo em Portugal. O ensino Jesu\u00edtico d\u00e1 lugar a uma escola renovada, progressista, que prepara o homem para ser livre e racional. Tais valores atingem o Brasil e a sua literatura. A cultura portuguesa vai abandonando a influ\u00eancia da Espanha, e recebe as id\u00e9ias culturais e liter\u00e1rias da Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Inglaterra e Alemanha.<\/p>\n<p>O sentimento nativista, nacionalista do <strong>Arcadismo<\/strong> est\u00e1 evidente no movimento pol\u00edtico da Inconfid\u00eancia Mineira.<\/p>\n<p>A Escola Arc\u00e1dia \u00e9 tamb\u00e9m chamada de Escola Mineira, pois os <strong>poetas radicados <\/strong>em Minas Gerais s\u00e3o os maiores cultores desse estilo no Brasil.<\/p>\n<p>O Ciclo da Minera\u00e7\u00e3o (ou Ciclo do Ouro) est\u00e1 ligado \u00e0 Escola Arc\u00e1dica, como um momento de nossa economia.<\/p>\n<p>No <strong>Arcadismo<\/strong>, a luta do burgu\u00eas culto a aristocracia se baseia na busca da natureza, de uma forma de vida simples, natural, buc\u00f3lica, pastoril. Nada de centros urbanos mon\u00e1rquicos. Na verdade, essa luta ficava apenas no campo das id\u00e9ias. Todos viviam na cidade. Essa busca da natureza, traduzida nas manifesta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, significava apenas um estado de esp\u00edrito, um fingimento po\u00e9tico, uma postura pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O Arcadismo observa duas teorias cl\u00e1ssicas do poeta romano Hor\u00e1rio: <\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Fugere urbem ( = fugir da cidade): <\/strong>valoriza\u00e7\u00e3o da natureza.<br \/>\n<strong>Carpe diem (goza o dia, aproveita a ocasi\u00e3o):<\/strong> preocupa\u00e7\u00e3o em aproveitar, ao m\u00e1ximo, os momentos presentes, pois o tempo corre.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>E observa tamb\u00e9m este outro preceito:<\/strong> \u0093Inutilia truncat\u0094: fora as inutilidades, os exageros, a linguagemm rebuscada.<\/p>\n<h4><strong>Arcadismo &#8211; <\/strong>Movimento<\/h4>\n<p>O movimento conhecido como <strong>Arcadismo<\/strong>, Setecentismo (os anos 1700) ou Neoclassicismo \u00e9 o per\u00edodo de caracteriza principalmente a segunda metade do s\u00e9culo XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVIII, as formas art\u00edsticas do Barroco j\u00e1 se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento pol\u00edtico da burguesia e o aparecimento dos fil\u00f3sofos iluministas formam um novo quadro s\u00f3cio pol\u00edtico-cultural, que necessita de outras f\u00f3rmulas de express\u00e3o. Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-Reforma, nega-se a educa\u00e7\u00e3o jesu\u00edtica praticada nas escolas, valoriza-se o estudo cient\u00edfico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno \u00e0 cultura renascentista. A literatura que surge para combater a arte barroca e sua mentalidade religiosa e contradit\u00f3ria \u00e9 o Neoclassicismo, que objetiva restaurar o equil\u00edbrio por meio da raz\u00e3o.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia neocl\u00e1ssica penetrou em todos os setores da vida art\u00edstica europ\u00e9ia, no s\u00e9culo XVIII. Os artistas desse per\u00edodo compreendiam que o Barroco havia ultrapassado os limites do que se considerava arte de qualidade e procuravam recuperar e imitar os padr\u00f5es art\u00edsticos do Renascimento, tomados ent\u00e3o como modelo.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia essa influ\u00eancia assumiu fei\u00e7\u00e3o particular. Conhecida como <strong>Arcadismo<\/strong>, inspirava-se na lend\u00e1ria regi\u00e3o da Gr\u00e9cia antiga. Segundo a lenda, a Arc\u00e1dia era dominada pelo deus Pari e habitada por pastores que, vivendo de modo simples e espont\u00e2neo, se divertiam cantando, fazendo disputas po\u00e9ticas e celebrando o amor e o prazer. Os italianos, procurando imitar a lenda grega, criaram a Arc\u00e1dia em 1690 &#8211; uma academia liter\u00e1ria que reunia os escritores com a finalidade de combater o Barroco e difundir os ideais neocl\u00e1ssicos. Para serem coerentes com certos princ\u00edpios, como simplicidade e igualdade, os cultos literatos \u00e1rcades usavam roupas e pseud\u00f4nimos de pastores gregos e reuniam-se em parques e jardins para gozar a vida natural.<\/p>\n<p>No Brasil e em Portugal, a experi\u00eancia neocl\u00e1ssica na literatura se deu em torno dos modelos do <strong>Arcadismo italiano<\/strong>, com a funda\u00e7\u00e3o de academias liter\u00e1rias, simula\u00e7\u00e3o pastoral, ambiente campestre, etc.<\/p>\n<p>Esses ideais de vida simples e natural v\u00eam ao encontro dos anseios de um novo p\u00fablico consumidor em forma\u00e7\u00e3o, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes.<\/p>\n<h4><strong>Arcadismo &#8211; <\/strong>Caracter\u00edsticas<\/h4>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong> manteve como principal caracter\u00edstica o anti-barroco, j\u00e1 que os leitores j\u00e1 estavam cansados de tal exagerada religiosidade. Al\u00e9m disso, os autores procuram certa liberdade da agita\u00e7\u00e3o da sociedade e dos centros urbanos, usando modelos greco-latinos ou renascentistas.<\/p>\n<p>Come\u00e7a com a publica\u00e7\u00e3o, em 1768, das Obras po\u00e9ticas, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa, membro do &#8220;grupo mineiro&#8221;, que, juntamente com Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga, tenta adequar as propostas do neoclassicismo europeu \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida e \u00e0 <strong>tem\u00e1tica brasileira<\/strong>.<\/p>\n<p>Embora produza uma poesia essencialmente l\u00edrica e buc\u00f3lica \u0096 \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Gonzaga, autor tamb\u00e9m das Cartas chilenas, mordaz s\u00e1tira pol\u00edtica \u0096, o grupo tem, em n\u00edvel pessoal, envolvimento na Inconfid\u00eancia Mineira.<\/p>\n<p>A poesia \u00e9pica, de inspira\u00e7\u00e3o camoniana, dos tamb\u00e9m mineiros Bas\u00edlio da Gama (O Uraguai) e Jos\u00e9 de Santa Rita Dur\u00e3o (Caramuru), n\u00e3o recorre \u00e0s alegorias mitol\u00f3gicas convencionais, distancia-se do bucolismo predominante na \u00e9poca e cont\u00e9m elementos precursores do indianismo. No Rio de Janeiro, Domingos Caldas Barbosa faz, com a cole\u00e7\u00e3o de cantigas Viola de Lereno, uma poesia de sabor popular.<\/p>\n<p><strong>Cl\u00e1udio Manuel da Costa (1729-1789) <\/strong><\/p>\n<p>Nasce em Minas Gerais. Estuda direito em Portugal e de volta ao <strong>Brasil<\/strong> exerce a advocacia e administra as terras herdadas. Preso e interrogado sobre seu envolvimento na Inconfid\u00eancia Mineira, \u00e9 encontrado morto na cela, o que \u00e9 aceito como suic\u00eddio. \u00c9 considerado o mentor dos outros arcadistas mineiros. Suas primeiras poesias t\u00eam ainda influ\u00eancia do barroco, especialmente as da fase portuguesa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos <strong>poemas buc\u00f3licos<\/strong>, onde a natureza \u00e9 confidente das quest\u00f5es amorosas, faz tamb\u00e9m poesia narrativa.<\/p>\n<p><strong>Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga (1744-1810)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Poeta brasileiro<\/strong> nascido em Portugal, estuda direito na Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>No <strong>Brasil<\/strong>, participa do grupo de <strong>poetas<\/strong> que tinha como mestre Cl\u00e1udio Manuel da Costa. \u00c9 detido em 1789 como participante da Inconfid\u00eancia Mineira e passa tr\u00eas anos na pris\u00e3o, no Rio de Janeiro. A pena perp\u00e9tua \u00e9 comutada para degredo e ele embarca para Mo\u00e7ambique. Em Mar\u00edlia de Dirceu, fala do seu amor por Maria Joaquina Dorot\u00e9ia de Seixas, a Mar\u00edlia dos poemas.<\/p>\n<p>Nas Cartas Chilenas, satiriza o governador de Minas Gerais, Lu\u00eds da Cunha Meneses.<\/p>\n<h4><strong>Arcadismo &#8211; <\/strong>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XVIII, a Europa passou por uma importante transforma\u00e7\u00e3o cultural, marcando a decad\u00eancia do pensamento barroco. A burguesia inglesa e francesa, impulsionada pelo controle do com\u00e9rcio ultramarino, cresceu, dominando a economia do Estado. Em contrapartida, a nobreza e o clero, com seus ideais retr\u00f3grados, ca\u00edram em descr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A ideologia burguesa culta, sustentada na cr\u00edtica \u00e0 velha nobreza e aos religiosos, propagou-se por toda Europa, sobretudo na Fran\u00e7a, onde foram publicados O Esp\u00edrito das Leis (1748), de Montesquieu, e o primeiro volume da Enciclop\u00e9dia (1751), que tem \u00e0 frente Diderot, Montesquieu e Voltaire. As id\u00e9ias desses enciclopedistas, defensores de um governo burgu\u00eas e do ideal do &#8220;bom selvagem&#8221;, de Rousseau &#8211; &#8220;o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe, devendo, portanto, retornar para a natureza&#8221;-, impulsionaram o desenvolvimento das ci\u00eancias, valorizando a raz\u00e3o como agente propulsor do progresso social e cultural. A burguesia, em oposi\u00e7\u00e3o ao exagero cultista barroco, voltou-se para as quest\u00f5es mundanas e simples, relegando a religi\u00e3o a um segundo plano. Sua arte emergente caracterizou-se pela volta \u00e0 simplicidade cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Esse movimento, chamado Iluminismo, espalhou-se pela Europa, influenciando Portugal. Marqu\u00eas de Pombal, ministro de D. Jos\u00e9 I, com o prop\u00f3sito de colocar o pa\u00eds em dia com o progresso Europeu, executou a tarefa de renova\u00e7\u00e3o cultural, expulsando os jesu\u00edtas, em 1759. O ensino, monop\u00f3lio do clero, tornou-se ent\u00e3o leigo. Fundaram-se escolas e academias, e Portugal passou a respirar um clima de novidade e de mudan\u00e7as na arte, ci\u00eancia e filosofia.<\/p>\n<p><strong>No s\u00e9culo XVIII, o Brasil passou por mudan\u00e7as importantes<\/strong>: a cultura jesu\u00edtica come\u00e7ou a dar lugar ao Neoclassicismo; Rio de Janeiro e Minas Gerais destacaram-se como centros de relev\u00e2ncia pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social e cultural; foi crescente o n\u00famero de estudantes brasileiros, que se expuseram \u00e0s influ\u00eancias dos novos ideais e tend\u00eancias, em universidades da Europa.<\/p>\n<p>Conseq\u00fcentemente, o Iluminismo e os acontecimentos que abalaram a ordem pol\u00edtica e social do Ocidente &#8211; Independ\u00eancia Norte Americana e Revolu\u00e7\u00e3o Francesa &#8211; tiveram ampla repercuss\u00e3o no crescente sentimento nativista brasileiro e no descontentamento reinante, provindo da \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o. Vila Rica, em Minas, foi ber\u00e7o dos principais acontecimentos setecentistas, surgindo os <strong>poetas do Arcadismo<\/strong> e a Inconfid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>CARACTER\u00cdSTICAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nesse panorama iluminista de renova\u00e7\u00e3o cultural, da segunda metade do s\u00e9culo XVIII, nasce uma nova est\u00e9tica po\u00e9tica<\/strong>: O <strong>Arcadismo<\/strong>, tamb\u00e9m denominado Setecentimo ou Neoclassicismo, que se posiciona contra a exuber\u00e2ncia e problemas metaf\u00edsicos do Barroco e prop\u00f5e uma literatura mais equilibrada e espont\u00e2nea, buscando harmonia na pureza e na simplicidade das formas cl\u00e1ssicas greco-latinas.<\/p>\n<p><strong>A frase latina<\/strong>: Inutilia truncat (&#8220;as inutilidades devem ser banidas&#8221;) resume tal posi\u00e7\u00e3o. Outros temas cl\u00e1ssicos s\u00e3o Fugere urbem (&#8220;fugir da cidade&#8221;), Locus amoenus (&#8220;local ameno&#8221;), Carpe diem(&#8220;aproveitar o momento&#8221;) e Aurea mediocritas (&#8220;mediocridade do ouro&#8221;). A teoria do &#8220;bom selvagem&#8221; de Rousseau, por sua vez, traduzem a postura \u00e1rcade.<\/p>\n<p>Os <strong>poetas arc\u00e1dicos<\/strong>, angustiados com os problemas urbanos e o progresso cient\u00edfico, prop\u00f5em a volta \u00e0 simplicidade da vida no campo e o aproveitamento do momento presente. Embora citadinos, recriam, em seus versos, paisagens buc\u00f3licas de outras \u00e9pocas, verdadeiros fingimentos po\u00e9ticos, usando pseud\u00f4nimos gregos e latinos, imaginando-se pastores e pastoras amorosos, numa vida saud\u00e1vel idealizada, sem luxo e em pleno contato com a natureza. A poesia \u00e1rcade se realiza atrav\u00e9s do soneto, com versos decass\u00edlabos e a rima optativa, e a tradi\u00e7\u00e3o do \u00e9pico, retomando os modelos do Classicismo do s\u00e9culo XVI. A est\u00e9tica inovadora viria posteriormente com o Romantismo, que vai procurar criar uma nova linguagem, capaz de refletir os ideais nacionalistas, uma de suas caracter\u00edsticas essenciais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chamado de Escola Mineira, o <strong>Arcadismo no Brasil <\/strong>segue os moldes portugueses, resultando em uma poesia refinada que, ao se utilizar da paisagem mineira como cen\u00e1rio buc\u00f3lico para os pastores, valoriza as coisas da terra, revelando um forte sentimento nativista.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do \u00edndio na poesia reflete o ideal do &#8220;bom selvagem&#8221; e d\u00e1 ao <strong>Arcadismo<\/strong> <strong>brasileiro <\/strong>um tom diferente do europeu.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica bem distinta do <strong>Arcadismo<\/strong> aqui realizado \u00e9 a s\u00e1tira pol\u00edtica aos tempos de opress\u00e3o portuguesa e da corrup\u00e7\u00e3o dos governos coloniais.<\/p>\n<p>O <strong>Arcadismo no Brasil <\/strong>\u00e9 estabelecido por um grupo de intelectuais e a publica\u00e7\u00e3o de Obras Po\u00e9ticas, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa , marca o in\u00edcio do movimento.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do grupo cessa com o fim tr\u00e1gico da Inconfid\u00eancia, em 1789. H\u00e1 controv\u00e9rsia sobre a exist\u00eancia da Arc\u00e1dia Ultramarina, institu\u00edda, em 1768, por Cl\u00e1udio Manuel da Costa, nos moldes da Arc\u00e1dia Lusitana. Entretanto, mesmo que n\u00e3o tenha havido tal Academia, h\u00e1 evid\u00eancias de que, pelo menos, praticava-se o <strong>Arcadismo<\/strong>.<\/p>\n<h4><strong>Arcadismo &#8211; <\/strong>Origem<\/h4>\n<p>Das correntes art\u00edsticas do s\u00e9culo XVIII, a que se difundiu com mais vigor no Brasil foi o <strong>Arcadismo<\/strong>.<\/p>\n<p>A palavra <strong>Arcadismo<\/strong> deriva Da Arc\u00e1dia, na Gr\u00e9cia antiga.<\/p>\n<p><strong>Originalmente uma regi\u00e3o onde se praticavam atividades pastoris, a Arc\u00e1dia passou a ser cantada na poesia como um lugar id\u00edlico, um espa\u00e7o privilegiado em que pastores-poetas dedicavam-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de seus rebanhos e tamb\u00e9m \u00e0s artes da palavra:<\/strong> andariam pelos campos tocando sua lira ou flauta, cantando em versos seus amores e saudades.<\/p>\n<h4>O <strong>Arcadismo<\/strong> no Brasil<\/h4>\n<p><strong>CONTEXTO HIST\u00d3RICO <\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0 eixo do Brasil-col\u00f4nia se deslocara do nordeste para a regi\u00e3o centro-sul ?<\/p>\n<p>Rio de Janeiro e, especialmente, Vila Rica, atual cidade mineira de Ouro Preto. Esse deslocamento deu-se com o decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira no Nordeste e ao desenvolvimento do ouro e do diamante em Minas Gerais. Essa intensa atividade econ\u00f4mica deu ensejo ao aparecimento da vida urbana.<\/p>\n<p>Os poetas \u00e1rcades brasileiros estudaram em Portugal e de l\u00e1 trouxeram ideais libert\u00e1rios que fervilhavam pela Europa inteira.<\/p>\n<p>Alguns desses poetas viriam a participar da Inconfid\u00eancia Mineira.<\/p>\n<p><strong>CARACTER\u00cdSTICAS GERAIS DO ARCADISMO BRASILEIRO<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong> foi um movimento de insubordina\u00e7\u00e3o ao Barroco decadente.<\/p>\n<p>O restabelecimento da simplicidade e do equil\u00edbrio da poesia cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Por isso o <strong>arcadismo<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 chamado de neoclassicismo.<\/p>\n<p>Pastoralismo \u00e9 a doutrina que defende que o homem \u00e9 puro e feliz quando integrado na natureza.<\/p>\n<p>Bucolismo \u00e9 o gosto pela vida dos pastores, campos e atividades pastoris, \u00e9 reviver a Arc\u00e1dia. A poesia s\u00f3 \u00e9 verdadeira se referenciada \u00e0 natureza. Por isso, \u00e9 que esta aparece com freq\u00fc\u00eancia idealizada e deslocada.<\/p>\n<p>Nativismo \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o de paisagens e atividades brasileiras. Notadamente em Gonzaga, Bas\u00edlio e Dur\u00e3o.<\/p>\n<p>Subjetividade \u00e9 a express\u00e3o de sentimentos \u00edntimos e estados de esp\u00edrito melanc\u00f3licos e m\u00f3rbidos, aflorando a sentimentalidade e os dramas individuais.<\/p>\n<p>Explora\u00e7\u00e3o sat\u00edrica da realidade burguesa, incorporando elementos do cotidiano mais imediato.<\/p>\n<h4>Poetas do <strong>Arcadismo<\/strong> Brasileiro<\/h4>\n<p><strong>TOM\u00c1S ANTONIO GONZAGA (DIRCEU) <\/strong><\/p>\n<p>Nasceu no Porto, em 1744.Exerceu cargo de jurisdi\u00e7\u00e3o em Vila Rica (atual Ouro Preto), capital da capitania de Minas Gerais.A\u00ed come\u00e7ou sua amizade com Cl\u00e1udio Manuel da Costa e sue romance com Maria Joaquina Dorot\u00e9ia de Seixas, que passaria a ser identificada com A Mar\u00edlia de seus <strong>poemas<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Foi denunciado como conspirador na Inconfid\u00eancia Mineira<\/strong>: preso, foi degredado para Mo\u00e7ambique, onde morreu.<\/p>\n<p>Escreveu As Liras de Mar\u00edlia de Dirceu, <strong>poemas<\/strong> centrados no tema de amor do pastor Dirceu pela jovem Mar\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>A Mar\u00edlia de Dirceu apresenta basicamente duas partes<\/strong>: a primeira pode ser identificada com o <strong>per\u00edodo<\/strong> de conquista amorosa e namoro; a segunda pertence \u00e0 fase da pris\u00e3o do poeta.<\/p>\n<p>Escreveu tamb\u00e9m Cartas Chilenas, um longo <strong>poema sat\u00edrico <\/strong>que faz uma cr\u00edtica ao ent\u00e3o gove5rnador da capitania, Luis da Cunha Meneses.<\/p>\n<p><strong>CL\u00c1UDIO MAUEL DA COSTA (Glauceste Sat\u00farnio) <\/strong><\/p>\n<p>Nasceu em Mariana, MG, estudou no Rio de Janeiro e em Coimbra. Em 1768, publicou Obras, livro de <strong>poemas<\/strong> considerado o marco inicial do <strong>Arcadismo brasileiro<\/strong>.<\/p>\n<p>Envolveu-se com a Inconfid\u00eancia Mineira, submetido a interrogat\u00f3rio, fez declara\u00e7\u00f5es que comprometiam seus amigos, entre eles Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga. Preso e deprimido, suicidou-se na pris\u00e3o.<br \/>\nA poesia l\u00edrica \u00e9 a parte mais representativa de sua obra, principalmente os sonetos.<\/p>\n<p>Produziu o <strong>poema \u00e9pico<\/strong>, Vila Rica, publicado somente em 1839.<\/p>\n<p><strong>JOS\u00c9 BAS\u00cdLIO DA GAMA (Termindo Sip\u00edlio) <\/strong><\/p>\n<p>Mineiro, nascido em Tiradentes, o ponto mais alto de sua obra foi o <strong>poema \u00e9pico <\/strong>O Uraguai que celebrava a vit\u00f3ria militar de Gomes Freire de Andrade, comiss\u00e1rio real, contra os \u00edndios da Col\u00f4nia dos Sete Povos das Miss\u00f5es do Uruguai&gt; Localizadas a leste do Uruguai, em regi\u00e3o hoje pertencente ao estado do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><strong>FREI JOS\u00c9 DE SANTA RITA DUR\u00c3O <\/strong><\/p>\n<p><strong>Mineiro de Mariana, Minas Gerais<\/strong><\/p>\n<p>Sua obra consiste basicamente no Caramuru, <strong>poema\u00e9pico <\/strong>do descobrimento da Bahia, que narra as aventuras de Diogo \u00c1lvares Correia, n\u00e1ufrago portugu\u00eas que, salvo da antropofagia gra\u00e7as a um disparo de sua arma, passou a viver entre os \u00edndios e exerceu importante papel na coloniza\u00e7\u00e3o das terras baianas.<\/p>\n<h4><strong>O Arcadismo<\/strong><\/h4>\n<h4>Em Portugal. o <strong>Arcadismo<\/strong> ter\u00e1 in\u00edcio em 1756, data da funda\u00e7\u00e3o da Arc\u00e1dia Lusitana, e perdurar\u00e1 at\u00e9 1825, data da publica\u00e7\u00e3o do <strong>poema<\/strong> Cam\u00f5es, de Almeida Garrett.<\/h4>\n<p>No <strong>Brasil<\/strong>, ir\u00e1 de 1768, com a publica\u00e7\u00e3o de Obras Po\u00e9ticas, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa, at\u00e9 1836, quando Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es publicando Suspiros Po\u00e9ticos e Saudades, inicia o Romantismo.<\/p>\n<p>O estilo \u00c1rcade reagir\u00e1 contra os excessos do Barroco preconizando a restaura\u00e7\u00e3o dos ideais cl\u00e1ssicos, impregnando linguagem po\u00e9tica de simplicidade e racionalismo, a exemplo dos modelos greco-latinos. Neste contexto, o estilo tamb\u00e9m \u00e9 conhecido pelo nome de Neoclassismo; quando reflete as inquieta\u00e7\u00f5es que preparavam a eclos\u00e3o do Romantismo, n\u00e3o ser\u00e1 incorreto rotul\u00e1-lo Pr\u00e9-Rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Uma importante transforma\u00e7\u00e3o cultural ocorrer\u00e1 em terras europ\u00e9ias principalmente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII. As id\u00e9ias religiosas, retr\u00f3gradas e medievais, reagir\u00e3o os ideais Racionalistas e lluministas, que valorizar\u00e3o o saber a raz\u00e3o e a intelig\u00eancia. Este clima de renova\u00e7\u00e3o fortalecer\u00e1 os ideais burgueses em detrimento dos aristocr\u00e1ticos, e preparar\u00e3o a sociedade para o climax libert\u00e1rio que se espalharia em seguida (queda da Bastilha. Independ\u00eancia dos E.E.U.U.).<\/p>\n<p>As cidades se desenvolvem e s\u00e3o detectados os primeiros ind\u00edcios de \u00eaxodo rural. Jean Jacques Rousseau, fil\u00f3sofo fanc\u00eas, em sua obra Em\u00edlio, dir\u00e1 que o homem precisa crescer em contato com o campo, j\u00e1 que apenas nele poder\u00e1 permanecer puro e natural. \u00c9 a teoria do bom selvagem, que justificaria o &#8220;fugere urberm\u0094 preconizado nos <strong>poemas<\/strong> da escola.<\/p>\n<p>Esta onda de transforma\u00e7\u00f5es chegar\u00e1 a Portugal, onde reina D.Jos\u00e9, mas governa o Marqu\u00eas de Pombal, que procurar\u00e1 modernizar a sociedade portuguesa, expulsando os jesu\u00edtas do sistema educacional portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Esta atitude, em 1756 passou para a hist\u00f3ria conhecida como Laiciza\u00e7\u00e3o Culturai, j\u00e1 que, em lugar dos jesu\u00edtas, leigos passaram a tomar conta do ensino. Foi quando as obras cl\u00e1ssicas foram revalorizadas. Hor\u00e1cio, Te\u00f3crito, Virg\u00edlio entre outros gregos, foram interpretados, traduzidos e divulgados.<\/p>\n<p><strong>Arcadismo<\/strong> vem de Arc\u00e1dia &#8211; uma lend\u00e1ria regi\u00e3o grega,dominada pelo deus Pan, habitada por pastores que cultivavam a m\u00fasica, a poesia e a natureza.<\/p>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas do estilo<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Simplicidade e equil\u00edbrio: <\/strong>Os \u00e1rcades propunham a restaura\u00e7\u00e3o da simplicidade na linguagem propondo o abandono de ant\u00edteses, met\u00e1foras ousadas, paradoxos e ordem inversa, dando prefer\u00eancia pela ordem direta.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p><strong>Bucolismo e pastorolismo: <\/strong>A ades\u00e3o ao conceito aristot\u00e9lico de que a arte concebida oas pastores s\u00e3o tomados como modelos e paisagens tipicamente campestres ser\u00e3o evocadas.<\/p>\n<p>A fidelidade a este preceito fez com que os <strong>poetas<\/strong> adotassem pseud\u00f4nimos pastoris. <strong>Assim, Cl\u00e1udio Manuel da Costa ser\u00e1 Glauceste (Alceste) Sat\u00farnio<\/strong>: Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga ser\u00e1 Dirceu; Basilio da Gama, Termindo Sep\u00edlio; o portugu\u00eas Bocage, Elmano Sadino, etc.<\/p>\n<p><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o do tempo presente: <\/strong>A concep\u00e7\u00e3o epicurista &#8220;Carpe diem&#8221;, t\u00e3o presente principalmente em Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, no <strong>Brasil<\/strong>, a explora\u00e7\u00e3o da paisagem nacional, distante do padr\u00e3o europeu, notadamente em Cl\u00e1udio Manuel da Costa e Basilio da Gama, impregnar\u00e1 o <strong>arcadismo<\/strong> de nativismo.<\/p>\n<p><strong>lncorpora\u00e7\u00e3o da mitologia:<\/strong> Como conseq\u00fc\u00eancia da retomada da tradi\u00e7\u00e3o ci\u00e1ssica, a poesia \u00e1rcade faz freq\u00fcentes alus\u00f5es aos deuses da mitologia e aos her\u00f3is da hist\u00f3ria grega.Em Basilio da Gama, o elemento mitol\u00f3gico ser\u00e1 substitu\u00eddo pelo fetichismo ind\u00edgena.<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>Arcadismo &#8211; <\/strong>Movimento<\/h4>\n<p>O <strong>Arcadismo<\/strong>, tamb\u00e9m conhecido como Neoclassicismo, caracteriza-se pela busca de restaura\u00e7\u00e3o dos ideais de sobriedade e equil\u00edbrio da antiguidade cl\u00e1ssica em contraposi\u00e7\u00e3o aos excessos do per\u00edodo anterior, o Barroco.<\/p>\n<p>O movimento \u00e9 contempor\u00e2neo do Iluminismo, corrente de pensamento racionalista que se divulgou pela Europa no s\u00e9culo XVIII e que culminou com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, em 1789. Associa\u00e7\u00f5es de letrados como a Arc\u00e1dia Romana e, mais tarde, a Arc\u00e1dia Lusitana foram ve\u00edculos importantes para a propaga\u00e7\u00e3o do ide\u00e1rio do movimento na Europa.<\/p>\n<p>O nome &#8220;Arc\u00e1dia&#8221; \u00e9 inspirado na regi\u00e3o lend\u00e1ria da Gr\u00e9cia que representa o ideal de comunh\u00e3o entre homem e natureza, da\u00ed o <strong>Arcadismo<\/strong> ter como tema privilegiado o bucolismo, em que a natureza \u00e9 vista como ref\u00fagio \u00faltimo das no\u00e7\u00f5es de verdade e beleza.<\/p>\n<p>No Brasil, os <strong>poetas<\/strong> que melhor representam o movimento s\u00e3o Cl\u00e1udio Manuel da Costa e Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, autor de Mar\u00edlia de Dirceu. Ambos participaram da Inconfid\u00eancia Mineira, movimento pol\u00edtico que visava a emancipa\u00e7\u00e3o do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a Portugal.<\/p>\n<p>Os <strong>poemas laudat\u00f3rios <\/strong>de Bas\u00edlio da Gama e a produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga tamb\u00e9m apresentam tra\u00e7os t\u00edpicos do <strong>Arcadismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Todos esses <strong>poetas<\/strong> concentravam-se na cidade mineira de Vila Rica, centro da atividade mineradora e mais importante centro urbano do pa\u00eds nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, nos anos de transi\u00e7\u00e3o entre os s\u00e9culos XVIII e XIX, entre uma s\u00e9rie de novidades de ordem pol\u00edtica e econ\u00f4mica que come\u00e7am a transformar a fisionomia do pa\u00eds, verifica-se o surgimento de diversos \u00f3rg\u00e3os de imprensa. Nesse momento tardio do <strong>Arcadismo<\/strong>, t\u00eam destaque as figuras dos jornalistas Hip\u00f3lito da Costa, fundador do jornal Correio Braziliense, e Evaristo da Veiga, cronista pol\u00edtico do Aurora Fluminense.<\/p>\n<p><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, o s\u00e9culo XVIII \u00e9 considerado o s\u00e9culo do ouro, gra\u00e7as \u00e0 intensa atividade de extra\u00e7\u00e3o mineral que se desenvolveu na regi\u00e3o de Minas Gerais. A prosperidade econ\u00f4mica do per\u00edodo estimulou a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, administrativa e dinamizou a vida cultural. A maior agilidade na troca de informa\u00e7\u00f5es favoreceu a forma\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia comum, de um sentimento nacional que, na literatura, come\u00e7a aos poucos a substituir o impulso de descri\u00e7\u00e3o da natureza e do nativo, dominante at\u00e9 ent\u00e3o. Pela primeira vez, \u00e9 poss\u00edvel verificar no pa\u00eds uma rela\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, ainda que incipiente, entre escritor, obra e p\u00fablico, condi\u00e7\u00e3o fundamental para a forma\u00e7\u00e3o de uma literatura, conforme ensina o cr\u00edtico Antonio Candido. O impulso de intelectuais e artistas de se reunirem em academias e sociedades liter\u00e1rias contrap\u00f5e-se ao isolamento dos per\u00edodos anteriores, em que os escritores se encontravam dispersos, as obras mal circulavam no interior do pa\u00eds, dirigindo-se primordialmente para leitores portugueses.<\/p>\n<p>A Europa vivia a efervesc\u00eancia do Iluminismo e transformava-se num p\u00f3lo irradiador de id\u00e9ias libert\u00e1rias. Ao mesmo tempo, chegavam ao Brasil as primeiras not\u00edcias sobre a independ\u00eancia dos Estados Unidos, conquistada em 1776. Todos esses fatores, associados \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada com a explora\u00e7\u00e3o de Portugal, que se traduzia no aumento dos impostos sobre a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, culminaram na Inconfid\u00eancia Mineira, preparada por um pequeno grupo de letrados, muitos deles ex-estudantes da Universidade de Coimbra, onde entraram em contato com as novas id\u00e9ias e doutrinas pol\u00edticas. Em sua maior parte, esse grupo de oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era o mesmo que produzia ci\u00eancia e literatura na \u00e9poca.<\/p>\n<p>O marco inicial do estilo \u00e1rcade no Brasil \u00e9 a publica\u00e7\u00e3o de Obras, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa, em 1768. Sob influ\u00eancia de teorias francesas e italianas, os integrantes do movimento empenharam-se em restaurar a simplicidade da l\u00edngua liter\u00e1ria, que estaria contaminada por excessos ret\u00f3ricos e por formas degeneradas da literatura barroca. O nome <strong>Arcadismo<\/strong> \u00e9 uma alus\u00e3o \u00e0 Arc\u00e1dia Lusitana, associa\u00e7\u00e3o fundada em 1756 em Portugal que congregava os opositores do maneirismo seiscentista. Inspirada na Arc\u00e1dia Romana, criada em Roma em 1690, ela tamb\u00e9m remonta ao romance pastoral Arcadia (1504), do escritor italiano Jacopo Sannazaro. A obra retrata uma lend\u00e1ria regi\u00e3o grega chamada Arc\u00e1dia. Dominada pelo deus P\u00e3, ela seria habitada por pastores cujo modo de vida buc\u00f3lico e devotado \u00e0 poesia foi transformado pelos neocl\u00e1ssicos em modelo ideal de conviv\u00eancia entre o homem e a natureza. Da\u00ed o fato de os escritores da \u00e9poca denominarem-se pastores e adotarem pseud\u00f4nimos po\u00e9ticos, como Glauceste Sat\u00farnio (Cl\u00e1udio Manuel da Costa), Alcindo Palmireno (Silva Alvarenga) e Termindo Sep\u00edlio (Bas\u00edlio da Gama).<\/p>\n<p>Com o prop\u00f3sito de restabelecer o equil\u00edbrio da produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, autores do s\u00e9culo XVIII empenharam-se na elabora\u00e7\u00e3o de manuais que recuperavam regras e padr\u00f5es do Renascimento, por sua vez consolidados com base em formula\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas, principalmente de pensadores como Hor\u00e1cio e Arist\u00f3teles. Entre os mais importantes destacam-se o franc\u00eas Nicolas Boileau, autor da Arte Po\u00e9tica, e o espanhol Luz\u00e1n, cuja obra central \u00e9 Po\u00e9tica. Em l\u00edngua portuguesa, os principais doutrinadores do <strong>arcadismo<\/strong> foram Lu\u00eds Ant\u00f4nio Verney, autor do Verdadeiro M\u00e9todo de Estudar (1747), e Francisco Jos\u00e9 Freire, que escreveu Arte Po\u00e9tica (1748).<\/p>\n<p>Dos escritos desses doutrinadores, derivam duas id\u00e9ias que contribuem para esclarecer parte da produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do s\u00e9culo XVIII. A primeira \u00e9 a id\u00e9ia de que o poeta n\u00e3o \u00e9 um sujeito em busca de meios para expressar sua subjetividade, e sim um art\u00edfice valorizado pela capacidade de p\u00f4r seu conhecimento t\u00e9cnico a servi\u00e7o de uma causa externa. A segunda, a no\u00e7\u00e3o de utilidade da poesia, ou seja, a no\u00e7\u00e3o de que ela engrandece \u00e0 medida que louva, descreve e propaga a verdade, verdade esta que se confundia com os interesses do estado.<\/p>\n<h4>Estilo<\/h4>\n<p><strong>CARACTER\u00cdSTICAS GERAIS<\/strong><\/p>\n<p>Os antigos escritores gregos e romanos sintetizam o ideal de harmonia que os autores do per\u00edodo buscavam resgatar. Por isso eles tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos como neocl\u00e1ssicos. Tida como reduto por excel\u00eancia do equil\u00edbrio e da sabedoria, a natureza \u00e9 a tem\u00e1tica mais freq\u00fcente do <strong>Arcadismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Em grande medida, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a poesia arc\u00e1dica caracteriza-se por essa busca pelo &#8220;natural&#8221;, ao qual estavam sempre associadas as id\u00e9ias de verdade e de beleza.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido influenciada pela tradi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do s\u00e9culo XVI, cujo nome mais importante \u00e9 Cam\u00f5es, e de apresentar resqu\u00edcios do Barroco em certos casos, a poesia arc\u00e1dica \u00e9 um modelo de simplicidade e objetividade, se comparada com as obras do per\u00edodo anterior. Exemplos dessa simplifica\u00e7\u00e3o da linguagem s\u00e3o a valoriza\u00e7\u00e3o da ordem direta, o verso sem rima, a singeleza do vocabul\u00e1rio e a menor incid\u00eancia de compara\u00e7\u00f5es e ant\u00edteses &#8211; todos fatores identific\u00e1veis na produ\u00e7\u00e3o <strong>po\u00e9tica do Arcadismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa liberdade formal, no entanto, era regida por normas consolidadas e formatos fixos que s\u00f3 come\u00e7ariam a afrouxar a partir do Romantismo. O soneto, por exemplo, era uma das formas mais empregadas, como se pode perceber pela obra de Cl\u00e1udio Manuel da Costa. Tamb\u00e9m bastante utilizados eram a ode (composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica dividida em estrofes sim\u00e9tricas, para ser cantada), a elegia (poesia sobre tema f\u00fanebre) e a \u00e9cloga (poesia pastoril).<\/p>\n<p>Sem perder a impregna\u00e7\u00e3o religiosa nem o respeito \u00e0 monarquia, os <strong>poetas<\/strong> do per\u00edodo abordaram assuntos mais imediatos e concretos do que seus antecessores.<\/p>\n<p>Fazem parte de seu universo tem\u00e1tico o elogio da virtude civil, a cren\u00e7a na melhoria do homem pela instru\u00e7\u00e3o, a no\u00e7\u00e3o de que a harmonia social depende da obedi\u00eancia \u00e0s leis da natureza, e a concep\u00e7\u00e3o da felicidade como conseq\u00fc\u00eancia da pr\u00e1tica do bem e da sabedoria. Todas essas id\u00e9ias, em grande medida derivadas do Iluminismo, encontram express\u00e3o pol\u00edtica na figura do Marqu\u00eas de Pombal.<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio do rei D. Jos\u00e9 I, Pombal \u00e9 a face portuguesa do &#8220;despotismo esclarecido&#8221; que vigorou em certos pa\u00edses da Europa nos s\u00e9culos XVII e XVIII. Ele promoveu a reforma do ensino na Universidade de Coimbra, a reconstru\u00e7\u00e3o da cidade de Lisboa ap\u00f3s o terremoto de 1755 e a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas do territ\u00f3rio da coroa portuguesa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi o maior mecenas das artes do per\u00edodo, o que justifica o apoio de <strong>poetas do Arcadismo<\/strong> \u00e0 sua causa.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil compreender um <strong>poema<\/strong> como O Uraguai, por exemplo, longe desse contexto. Nessa obra \u00e9pica, Bas\u00edlio da Gama louva a pol\u00edtica da coroa portuguesa de combate aos jesu\u00edtas, que s\u00e3o retratados de maneira impiedosa. Tamb\u00e9m O Desertor, de Silva Alvarenga, foi composto com o prop\u00f3sito \u00fanico de cantar loas \u00e0 reforma do ensino empreendida por Pombal.<\/p>\n<p>O iluminismo pombalino caracterizou tamb\u00e9m a prosa do per\u00edodo. Ela se manifestava nas formas de serm\u00f5es, discursos, panfletos e ensaios de jornal. Os escritos te\u00f3ricos e cient\u00edficos, em sua maioria produzidos em Portugal sob os ausp\u00edcios do Marqu\u00eas, tamb\u00e9m tiveram influ\u00eancia durante o <strong>Arcadismo<\/strong>, como atestam os manuais de poesia de Verney e Freire e os textos sobre a reforma educacional escritos por autores como Antonio Nunes Ribeiro Sanches. A prosa liter\u00e1ria, no entanto, atingiu pouca express\u00e3o. Uma raz\u00e3o para isso \u00e9 o fato de que a poesia era ent\u00e3o considerada um meio adequado para a discuss\u00e3o de id\u00e9ias de interesse p\u00fablico. Assim, diversos autores do per\u00edodo manifestaram-se sobre ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, filosofia, pol\u00edtica ou at\u00e9 temas t\u00e9cnicos, como zoologia e minera\u00e7\u00e3o, em textos versificados.<\/p>\n<h4>Autores<\/h4>\n<p>Os principais cronistas do <strong>Arcadismo no Brasil <\/strong>pertencem a um per\u00edodo tardio do movimento.<\/p>\n<p>Eles realizaram seus trabalhos j\u00e1 no limiar do s\u00e9culo XIX. Nessa \u00e9poca, em especial depois da chegada da fam\u00edlia real ao Rio de Janeiro, em 1808, tinha in\u00edcio um processo profundo de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira que, no plano cultural, iria desembocar no Romantismo.<\/p>\n<p><strong>Dois nomes t\u00eam destaque nesse momento<\/strong>: Evaristo da Veiga (1799-1837) e Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa (1774-1823). Poeta, livreiro e deputado, Veiga fundou o jornal Aurora Fluminense, onde escreveu a cr\u00f4nica pol\u00edtica do per\u00edodo. Autor da letra do primeiro hino nacional brasileiro, que mais tarde se tornaria o Hino \u00e0 Independ\u00eancia, Evaristo da Veiga \u00e9 considerado o primeiro jornalista brasileiro. Costa, por sua vez, foi o fundador do Correio Brasiliense. Primeiro grande jornal da imprensa brasileira, o Correio era um espa\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias iluministas e de estudos sobre quest\u00f5es nacionais. Editado em Londres entre 1808 e 1823, o jornal teve papel fundamental para a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil. Segundo o cr\u00edtico Alfredo Bosi, Veiga e Costa foram respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o do molde brasileiro da prosa jornal\u00edstica de id\u00e9ias e desempenharam papel decisivo para a forma\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico leitor no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 na obra dos <strong>poetas<\/strong>, no entanto, que se manifestam os tra\u00e7os mais caracter\u00edsticos do <strong>Arcadismo<\/strong>.<\/p>\n<p>O poeta mais importante do <strong>Arcadismo portugu\u00eas<\/strong> \u00e9 Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805). Mais conhecido pelos <strong>poemas sat\u00edricos<\/strong>, ele tamb\u00e9m praticou poesia l\u00edrica.<\/p>\n<p>Embora no in\u00edcio tenha escrito de acordo com as conven\u00e7\u00f5es do <strong>Arcadismo<\/strong>, no fim da vida produziu versos que n\u00e3o cabem nos moldes do movimento. Essa fase de sua obra \u00e9 considerada pelos cr\u00edticos como pr\u00e9-rom\u00e2ntica. No Brasil, Cl\u00e1udio Manuel da Costa, Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga e Alvarenga Peixoto tiveram participa\u00e7\u00e3o marcante tanto na literatura quanto nas quest\u00f5es pol\u00edticas de seu tempo. Em contexto diverso, Bas\u00edlio da Gama, Silva Alvarenga e Santa Rita Dur\u00e3o s\u00e3o os outros autores que, ao lado deles, produziram as obras mais significativas do per\u00edodo.<\/p>\n<p>Entre os membros do grupo mineiro, foi Cl\u00e1udio Manuel da Costa quem exprimiu com mais clareza os modelos arc\u00e1dicos. \u00c9 em sua obra que o lirismo pastoral, marca definidora da poesia do per\u00edodo, apresenta-se com mais nitidez. Para o cr\u00edtico Antonio Candido, o melhor da produ\u00e7\u00e3o de Cl\u00e1udio Manuel da Costa est\u00e1 nas Obras, em que o culto dos modelos cl\u00e1ssicos alia-se a uma requintada sonoridade e a uma consci\u00eancia n\u00edtida dos problemas de seu tempo, al\u00e9m de refer\u00eancias constantes ao cen\u00e1rio rochoso de Minas Gerais, como no Soneto VIII [Este \u00e9 o rio, a montanha \u00e9 esta]. Outro tra\u00e7o caracter\u00edstico de sua obra \u00e9 a vibra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, tamb\u00e9m presente nas Cartas Chilenas, de Gonzaga.<\/p>\n<p>Quanto a Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, \u00e9 poss\u00edvel dizer que foi o autor da l\u00edrica amorosa mais popular da literatura de l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Trata-se do <strong>poema<\/strong> Mar\u00edlia de Dirceu, dividido em liras que a partir da publica\u00e7\u00e3o do poema em livro, em 1792, foram declamadas, musicadas e cantadas em serestas e saraus pelo Brasil afora.<\/p>\n<p><strong>Referindo-se \u00e0 lira III da parte III, Manuel Bandeira escreveu <\/strong>: &#8220;Nessa lira esqueceu o Poeta a paisagem e a vida europ\u00e9ia, os pastores, os vinhos, o azeite e as brancas ovelhinhas, esqueceu o travesso deus Cupido, e a sua poesia reflete com formosura a natureza e o ambiente social brasileiro, expressos nos termos da terra com um fino gosto que n\u00e3o tiveram seus precursores&#8221;.<\/p>\n<p>Gonzaga foi o poeta do <strong>Arcadismo<\/strong> que levou mais adiante em seus versos a express\u00e3o de uma individualidade em conflito, de certo modo abrindo caminho para os arroubos dilacerados da poesia rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de O Uraguai, os outros dois <strong>poemas \u00e9picos <\/strong>importantes do per\u00edodo s\u00e3o O Caramuru, de Santa Rita Dur\u00e3o, e Vila Rica, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa. O primeiro \u00e9 uma imita\u00e7\u00e3o de Os Lus\u00edadas que retoma motivos de louvor da natureza do Brasil e tem import\u00e2ncia hist\u00f3rica pela riqueza de elementos com que descreve o ind\u00edgena.<\/p>\n<p>O segundo, um <strong>poema de exalta\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e0 cidade mineira igualmente lembrado por seu car\u00e1ter documental.<\/p>\n<p>Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga, outros <strong>poetas<\/strong> relevantes da \u00e9poca, deixaram uma obra marcada pela cr\u00edtica pol\u00edtica e nativismo, no primeiro caso, e pela variedade formal e leveza rococ\u00f3, no segundo.<\/p>\n<p>De maneira geral, ainda de acordo com Antonio Candido, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a import\u00e2ncia dos <strong>poetas<\/strong> arc\u00e1dicos reside no &#8220;esfor\u00e7o de trazer \u00e0 p\u00e1tria os temas e as t\u00e9cnicas mentais e art\u00edsticas do ocidente europeu, dando \u00e0 nossa literatura um alcance potencialmente universal, antes mesmo que ela tomasse consci\u00eancia de sua individualidade nacional.&#8221;<\/p>\n<p><b>Os principais poetas \u00e1rcades brasileiros foram:<\/b><\/p>\n<blockquote><p>Cl\u00e1udio Manuel da Costa<br \/>\nTom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga<br \/>\nAlvarenga Peixoto<br \/>\nBas\u00edlio da Gama<br \/>\nSanta Rita Dur\u00e3o<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/h4>\n<p>A Europa no s\u00e9culo XVIII caracteriza-se por mudan\u00e7as marcantes. O intenso progresso cient\u00edfico (a formula\u00e7\u00e3o da lei da gravidade pelo cientista Isaac Newton; a ado\u00e7\u00e3o do empirismo como m\u00e9todo de aquisi\u00e7\u00e3o do conhecimento, pela filosofia, e a classifica\u00e7\u00e3o dos seres vivos pela biologia) conduz \u00e0 tecnologia e esta ao aumento da produ\u00e7\u00e3o. Generaliza-se a id\u00e9ia de que os neg\u00f3cios e a ci\u00eancia costituem campos separados da religi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Essas mudan\u00e7as fazem parte de um movimento cultural que define a fisionomia da Europa no s\u00e9culo XVIII<\/strong>: o Iluminismo .<\/p>\n<p>Iluminismo (de iluminar = esclarecer) designa o esfor\u00e7o cultural cujo objetivo era atualizar conceitos, leis e t\u00e9cnicas, visando a atingir maior efic\u00e1cia e justi\u00e7a na ordem social. Todo esse esfor\u00e7o baseava-se na concep\u00e7\u00e3o de que o progresso poderia trazer mais felicidade a um n\u00famero maior de pessoas.<\/p>\n<p>Por isso, o s\u00e9culo XVIII \u00e9 conhecido como s\u00e9culo das luzes, momento hist\u00f3rico em que se acreditava que tudo podia ser explicado pela raz\u00e3o e pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Essa cren\u00e7a consolidou-se na Enciclop\u00e9dia, obra publicada na Fran\u00e7a, a partir de 1751, coordenada pelos fil\u00f3sofos franceses D&#8217;Alembert, Diderot e Voltaire.<\/p>\n<p>Nela, procurava-se reunir todo conhecimento de um determinado momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>A obra foi um grande sucesso editorial e circulou por toda a Europa, chegando ao continente americano no final do s\u00e9culo, mesmo enfrentando proibi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica do <strong>per\u00edodo<\/strong> despoja-se da religiosidade e busca o equil\u00edbrio, refletindo sobretudo o padr\u00e3o do gosto da burguesia ascendente.<\/p>\n<p>Esse novo estilo \u00e9 denominado <strong>Arcadismo<\/strong> ou Neoclassicismo e consiste, basicamente, na recupera\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os principais da arte cl\u00e1ssica, j\u00e1 que os cl\u00e1ssicos foram considerados fonte de equil\u00edbrio e saberdoria.<\/p>\n<p>Os nomes <strong>Arcadismo<\/strong> e Neoclassicismo sintetizam as caracter\u00edsticas predominantes nos textos da \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Veja por qu\u00ea:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1) <\/strong>Arcadismo<\/p>\n<p>Palavra que deriva de Arc\u00e1dia, regi\u00e3o da Gr\u00e9cia onde pastores e poetas, chefiados pelo deus P\u00e3, dedicavam-se \u00e0 poesia e ao pastoreiro, vivendo em harmonia perfeita com a natureza. No s\u00e9culo XVIII o termo Arc\u00e1dia passou a designar tamb\u00e9m as academias liter\u00e1rias que foram criadas na Europa.<\/p>\n<p><strong>2)<\/strong> Neoclassicismo<\/p>\n<p>Nome que deriva do fato de os escritores da \u00e9poca imitarem os cl\u00e1ssicos, quer voltando-se para a Antiguidade greco-romana, quer imitando os escritores do Renascimento.<\/p>\n<p>A palavra imita\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser entendida como simples c\u00f3pia. Trata-se, antes de mais nada, de aceitar e seguir determinadas conven\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas.<\/p>\n<p><strong>Arcadismo em Portugal (1756-1825) <\/strong><\/p>\n<p><strong>O in\u00edcio e o final do per\u00edodo marcampse pelos seguintes fatos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1756: <\/strong>Funda\u00e7\u00e3o da Arc\u00e1dia Lusitana, inspirada na Arc\u00e1dia Romana de 1690;<strong><br \/>\n1825: <\/strong>Publica\u00e7\u00e3o do <strong>poema<\/strong> Cam\u00f5es, de Almeida Garrett, considerando o marco inicial do Romantismo portugu\u00eas.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Merecem destaque no contexto hist\u00f3rico portugu\u00eas os seguintes fatos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>a) <\/strong>a publica\u00e7\u00e3o, em 1764, do Verdadeiro m\u00e9todo de estudar, de Lu\u00eds Verney, ensaio inspirado em id\u00e9ias iluministas, que prop\u00f5e a reforma do ensino superior em Portugal<strong><br \/>\nb)<\/strong> a reformado ensino conduzida pelo marqu\u00eas de Pombal, logo ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos jesu\u00edstas. O ensino torna-se leigo, ou seja, fora da influ\u00eancia da Igreja<strong><br \/>\nc)<\/strong> a funda\u00e7\u00e3o da Academia de Ci\u00eancias em Lisboa (1779), cujo objetivo era atualizar a universidade quanto ao progresso cientif\u00edco da \u00e9poca<strong><br \/>\nd)<\/strong> a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa segundo arrojadas linhas arquitet\u00f4nicas, ap\u00f3s o terremoto de 1755.<\/p><\/blockquote>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da \u00e9poca regista pouco interesse pela pros, em que predominam obras cient\u00edficas, hist\u00f3ricas, filos\u00f3ficas e pedag\u00f3gicas. A poesia \u00e9 a forma liter\u00e1ria mais cultivada.<\/p>\n<h4>Autor e obra<\/h4>\n<p><strong>Manuel Maria Barbosa du Bocage <\/strong><\/p>\n<p>Merece destaque no Arcadismo portugu\u00eas o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.<\/p>\n<p>Nasceu em 1765, em Set\u00fabal. Sua vida bo\u00eamia incluiu paix\u00e3o por Gertrudes, que se transformaria em sua musa sob o pseud\u00f4nimo e Gertr\u00faria. Seguem-se epis\u00f3dios de uma vida aventureira e dissoluta, a que n\u00e3o faltam pris\u00f5es e at\u00e9 o recolhimento for\u00e7ado em um mosteiro.<\/p>\n<p>Morreu em 1805, em Lisboa, v\u00edtima de aneurisma. Seu pseud\u00f4nimo \u00e1rcade era Elmano Sadino.<\/p>\n<p>A obra de Bocage compreende poesia sat\u00edrica e poesia l\u00edrica.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Poesia sat\u00edrica: <\/strong>Foi gra\u00e7as \u00e0 obra sat\u00edrica que se tornou conhecido, embora n\u00e3o seja a parte mais importante de sua obra.<strong><br \/>\nPoesia l\u00edrica: <\/strong>\u00c9 a melhor parte da poesia bocagiana. <strong>Nela consideram-se duas fases<\/strong>: a \u00e1rcade e a pr\u00e9-rom\u00e2ntica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na fase \u00e1rcade, nota-se a preocupa\u00e7\u00e3o em seguir as conven\u00e7\u00f5es do estilo em moda.<\/p>\n<p>Na fase pr\u00e9-rom\u00e2ntica \u00e9 o ponto alto de sua poesia l\u00edrica, valendo-lhe o posto de melhor poeta portugu\u00eas do s\u00e9culo XVIII. Contrariando princ\u00edpios \u00e1rcades, Bocage escreve uma poesia de emo\u00e7\u00e3o, solid\u00e3o e confiss\u00e3o, em que predomina uma vis\u00e3o fatalista e pessimista do mundo.<\/p>\n<h4><strong>Arcadismo no Brasil (1768-1836) <\/strong><\/h4>\n<p>Em 1768 inaugura-se o estilo \u00e1rcade no Brasil com a publica\u00e7\u00e3o das Obras po\u00e9ticas, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa.<\/p>\n<p>O estilo \u00e1rcade ficar\u00e1 em moda a\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o, em 1836, da obra Suspiros po\u00e9ticos e saudades, de Gon\u00e7alves Magalh\u00e3es, que marca o in\u00edcio do Romantismo entre n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico <\/strong><\/p>\n<p>O s\u00e9culo XVIII, no Brasil, \u00e9 considerado como s\u00e9culo do ouro, gra\u00e7as \u00e0 intensa atividade de extra\u00e7\u00e3o mineral. Desloca-se o eixo econ\u00f4mico &#8211; e com ele o cultural &#8211; para Minas Gerais (centro de extra\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio) e o Rio de Janeiro (porto de escoamento e capital da col\u00f4nia desde 1763).<\/p>\n<p>Com a finalidade de contrabalan\u00e7ar seu d\u00e9ficit comercial, Portugal explorava ao m\u00e1ximo sua col\u00f4nia americana. Os impostos sobre extra\u00e7\u00e3o dos min\u00e9rios aumentava cada vez mais, dando origem a uma generalizada insatisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Juntam-se a isso a influ\u00eancia das id\u00e9ias liberais, trazidas pelos estudantes brasileiros que passavam pelo Velho Continente, e a independ\u00eancia dos Estados Unidos. Todos esses fatos culminaram na Inconfid\u00eancia Mineira, preparada por um pequeno grupo de letrados, muitos deles ex-estudantes da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>Esse mesmo grupo de oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era, basicamente, o grupo que produzia ci\u00eancia e literatura.<\/p>\n<p>Identifica-se na \u00e9poca uma literatura disposta a afastar-se dos modelos portugueses, embora a imita\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos seja ainda bem n\u00edtida.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m das outras caracter\u00edsticas \u00e1rcades, revela-se a busca de uma identidade brasileira, sobretudo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>a)<\/strong> pelo aproveitamento do ind\u00edgena como her\u00f3i liter\u00e1rio. Esse aproveitamento ocorreu principalmente na poesia \u00e9pica que aqui se produziu. \u00c9 o caso dos <strong>poemas \u00e9picos <\/strong>O Uruguai, de Bas\u00edlio da Gama, e Caramuru, de Santa Rita Dur\u00e3o.<strong><br \/>\nb) <\/strong>pela vis\u00e3o cr\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds, ocorre no poema sat\u00edrico de Cartas chilenas.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Cla\u00fadio Manuel da Costa (1729-1789)<\/strong><\/p>\n<p>Nasceu em Minas e, ap\u00f3s completar o curso de Direito em Coimbra, viveu um tempo em Lisboa, onde entrou em contato com as novidades do Arcadismo. Retornando ao Brasil, tomou parte na Inconfid\u00eancia Mineira. Morreu na pris\u00e3o. Glauceste Sat\u00farnio foi seu pseud\u00f4nimo \u00e1rcade, sendo Nise sua musa-pastora.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Poesia l\u00edrica: <\/strong>A obra l\u00edrica de Cla\u00fadio Manuel da Costa sofreu grande influ\u00eancia da poesia camoniana. O sentimento amoroso e a descri\u00e7\u00e3o da natureza ocupam lugar de destaque em seus <strong>poemas<\/strong>.<strong><br \/>\nPoesia \u00e9pica: <\/strong>O poema \u00e9pico Vila Rica narra a funda\u00e7\u00e3o e a hist\u00f3ria da cidade, exaltando a aventura dos bandeirantes.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga<\/strong><\/p>\n<p>Filho de pai brasileiro e m\u00e3e portuguesa, nasceu em Porto (Portugal) em 1744. Estudou Direito em Coimbra, tendo voltado para o Brasil em 1782. Exerceu o cargo de juiz em Vila Rica, antes d ser preso junto com os outros inconfidentes. Sua pena foi o degredo para Mo\u00e7ambique, onde se casou com uma vi\u00fava. O pseud\u00f4nimo \u00e1rcade adotado por Gonzaga foi Dirceu. Mar\u00edlia \u00e9 o pseud\u00f4nimo que inventou para Maria Joaquina de Seixas, sua musa, uma jovem de 16 anos por quem se apaixonou e para quem escreveu suas conhecidas Liras. Morreu em Mo\u00e7ambique, em 1810.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Poesia l\u00edrica:<\/strong> Em Mar\u00edlia de Dirceu, obra composta de liras, o poeta, transformado em um eu-l\u00edrico pastor (Dirceu), mostra-nos sua paix\u00e3o por Mar\u00edlia.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p><strong>A obra divide-se em duas partes:<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p><strong>a)<\/strong> A primeira cont\u00e9m confid\u00eancias amorosas, descri\u00e7\u00f5es da amada, planos e sonhos de felicidade conjugal.<strong><br \/>\nb)<\/strong> Na segunda parte agrupam-se os poemas escritos no c\u00e1rcere, revelando seu sofrimento f\u00edsico e moral do poeta.<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<blockquote><p><strong>Poesia sat\u00edrica: <\/strong>Nas Cartas chilenas, <strong>poemas sat\u00edricos <\/strong>que percorreram Vila Rica antes da Inconfid\u00eancia, em forma de manuscrita e an\u00f4nima, Tom\u00e1s Gonzaga critica o governador de Minas, Lu\u00eds da Cunha Meneses, que aparece no texto com o pseud\u00f4nimo sat\u00edrico de Fanfarr\u00e3o Min\u00e9sio.<\/p><\/blockquote>\n<p>As cartas s\u00e3o escritas por Critilo (o pr\u00f3prio Gonzaga) e dirigidas a Doroteu (provavelmente Cl\u00e1udio Manuel da Costa).<\/p>\n<h4>Arcadismo &#8211; Brasil<\/h4>\n<p>O nome dessa escola \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 Arc\u00e1dia, regi\u00e3o buc\u00f3lica do Peloponeso, na Gr\u00e9cia, tida como ideal de inspira\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.<\/p>\n<p>No Brasil, o movimento \u00e1rcade toma forma a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>A principal caracter\u00edstica desta escola \u00e9 a exalta\u00e7\u00e3o da natureza e de tudo que lhe diz respeito. \u00c9 por isto que muitos poetas ligados ao <strong>arcadismo<\/strong> adotaram pseud\u00f4nimos de pastores gregos ou latinos (pois o ideal de vida v\u00e1lido era o de uma vida buc\u00f3lica).<\/p>\n<p><strong>Contexto Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>arcadismo<\/strong>, setecentismo (os anos 1700) ou neoclassicismo \u00e9 o <strong>per\u00edodo<\/strong> que caracteriza principalmente a segunda metade do s\u00e9culo XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.A influ\u00eancia neocl\u00e1ssica penetrou em todos os setores da vida art\u00edstica europ\u00e9ia, no s\u00e9culo XVIII. Os artistas desse <strong>per\u00edodo<\/strong> compreendiam que o Barroco havia ultrapassado os limites do que se considerava arte de qualidade e procuravam recuperar e imitar os padr\u00f5es art\u00edsticos do Renascimento, tomados ent\u00e3o como modelo.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia essa influ\u00eancia assumiu fei\u00e7\u00e3o particular. Conhecida como <strong>Arcadismo<\/strong>, inspirava-se na lend\u00e1ria regi\u00e3o da Gr\u00e9cia antiga. Segundo a lenda, a Arc\u00e1dia era dominada pelo deus Pari e habitada por pastores que, vivendo de modo simples e espont\u00e2neo, se divertiam cantando, fazendo disputas po\u00e9ticas e celebrando o amor e o prazer.<\/p>\n<p>Os italianos, procurando imitar a lenda grega, criaram a Arc\u00e1dia em 1690 &#8211; uma academia liter\u00e1ria que reunia os escritores com a finalidade de combater o Barroco e difundir os ideais neocl\u00e1ssicos. Para serem coerentes com certos princ\u00edpios, como simplicidade e igualdade, os cultos literatos \u00e1rcades usavam roupas e pseud\u00f4nimos de pastores gregos e reuniam-se em parques e jardins para gozar a vida natural.<\/p>\n<p>No Brasil e em Portugal, a experi\u00eancia neocl\u00e1ssica na literatura se deu em torno dos modelos do <strong>Arcadismo<\/strong> italiano, com a funda\u00e7\u00e3o de academias liter\u00e1rias, simula\u00e7\u00e3o pastoral, ambiente campestre, etc.<\/p>\n<p>Esses ideais de vida simples e natural v\u00eam ao encontro dos anseios de um novo p\u00fablico consumidor em forma\u00e7\u00e3o, a burguesia, que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes.<\/p>\n<p>O desejo da natureza, a realiza\u00e7\u00e3o da poesia pastoril, a rever\u00eancia ao bucolismo s\u00e3o tra\u00e7os marcantes da literatura arc\u00e1dica, disposta a fazer valer a simplicidade perdida no Barroco.<\/p>\n<blockquote><p>Fugere urbem (fuga da cidade)<br \/>\nLocus amoenus (lugar apraz\u00edvel)<br \/>\nAurea Mediocritas (mediocridade dourada)<br \/>\nInutilia truncar (cortar o in\u00fatil)<br \/>\nNeoclassicismo<br \/>\nPseud\u00f4nimos pastoris (fingimento po\u00e9tico para n\u00e3o revelar sua autoridade)<br \/>\nCarpe diem (aproveite o dia)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Em Portugal<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>D. Jos\u00e9 no trono na casa do pai Jo\u00e3o<br \/>\nPer\u00edodo Pombal (1750 a 1777)<br \/>\nGrandes Reformas na Economia<br \/>\nAumento da explora\u00e7\u00e3o na col\u00f4nia do Brasil<br \/>\nExpuls\u00e3o dos jesu\u00edtas do territ\u00f3rio portugu\u00eas<br \/>\nA morte de D. Jos\u00e9, em 1777, e a queda de Pombal<br \/>\nD. Maria, sucessora do trono, tenta resolver os problemas, cada vez maiores, do Er\u00e1rio Real.<br \/>\nO dominio Ingl\u00eas em Portugal cresce, e a depend\u00eancia econ\u00f4mica de Portugal torna-se incontrol\u00e1vel.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>No Brasil<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Minas Gerais como centro econ\u00f4mico e pol\u00edtico<br \/>\nA descoberta do ouro, na regi\u00e3o de Minas Gerais, forma cidades ao redor.<br \/>\nVila Rica (atual Ouro Preto) se consolida como espa\u00e7o cultural desde o Barroco (Aleijadinho)<br \/>\nA corrida pelo ouro se intensifica.<br \/>\nInflu\u00eancias das arc\u00e1dias portuguesas nos poetas brasileiros<br \/>\nConflitos com o Imp\u00e9rio (Inconfid\u00eancia Mineira)<br \/>\nO ciclo da minera\u00e7\u00e3o<br \/>\nA expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas do Brasil &#8211; (1759)<br \/>\nA Inconfid\u00eancia Mineira(1789)<\/p><\/blockquote>\n<h4>Marco Inicial<\/h4>\n<p><strong>No Mundo:<\/strong> Cria\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Arc\u00e1dia pelos italianos, procurando imitar a lenda grega<\/p>\n<p><strong>Em Portugal:<\/strong> Funda\u00e7\u00e3o da Arc\u00e1dia Lusitana (1756)<\/p>\n<p><strong>No Brasil<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Obras Po\u00e9ticas &#8211; Cl\u00e1udio Manuel da Costa(1768)<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o da Arc\u00e1dia Ultramarina em Vila Rica<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Predom\u00ednio da raz\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ado\u00e7\u00e3o de lemas latinos<\/strong>: Fugere Urbem (fuga da cidade), Locus amoenus (ref\u00fago ameno)<\/p>\n<p><strong>Gerais<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Id\u00e9ias Iluministas<br \/>\nLaicismo<br \/>\nLiberalismo<br \/>\nFugere Urbem<br \/>\nBucolismo<br \/>\nAurea Mediocritas<br \/>\nConvencionismo amoroso<br \/>\nIdealiza\u00e7\u00e3o do Sexo<br \/>\nCarpe Diem<br \/>\nInutilia Truncat &#8211; Textos mais objetivos, sem exagero<br \/>\nS\u00e1tira Pol\u00edtica<br \/>\nLinguagem Simples<br \/>\nUso dos Versos decass\u00edlabos, sonetos e outras formas cl\u00e1ssicas<br \/>\nPresos a est\u00e9tica e forma<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>No Brasil<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Introdu\u00e7\u00e3o de paisagens tropicais<br \/>\nHist\u00f3ria colonial muito valorizada<br \/>\nIn\u00edcio do nacionalismo<br \/>\nIn\u00edcio da luta pela independ\u00eancia<br \/>\nA col\u00f4nia \u00e9 colocada como centro das aten\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Autores<\/h4>\n<p><strong>Portugal<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Bocage<br \/>\nAntonio Diniz Cruz e Silva<br \/>\nCorreia Gar\u00e7\u00e3o<br \/>\nMarquesa de Alorna<br \/>\nMario Cardoso<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Brasil<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Frei Santa Rita Dur\u00e3o<br \/>\nCl\u00e1udio Manuel da Costa<br \/>\nBas\u00edlio da Gama<br \/>\nTom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga<br \/>\nAlvarenga Peixoto<br \/>\nSilva Alvarenga<\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>Arcadismo<\/strong> no Brasil<\/h4>\n<p>Desenvolve-se no Brasil com o <strong>Arcadismo<\/strong> a primeira produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria adaptada \u00e0 vida da col\u00f4nia, j\u00e1 que os temas est\u00e3o ligados \u00e0 paisagem local. Surgem v\u00e1rios autores do g\u00eanero em Minas Gerais, centro de riqueza na \u00e9poca. Embora eles n\u00e3o cheguem a criar um grupo nos moldes das arc\u00e1dias, constituem a primeira gera\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o do Barroco para o <strong>Arcadismo<\/strong> se d\u00e1 com a publica\u00e7\u00e3o, em 1768, do livro Obras Po\u00e9ticas, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa (1729-1789), um dos integrantes da Inconfid\u00eancia Mineira. Entre os \u00e1rcades se destacam ainda o portugu\u00eas que viveu no Brasil e participou da Inconfid\u00eancia Mineira, Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga (1744-1810), autor de Mar\u00edlia de Dirceu e Cartas Chilenas; Bas\u00edlio da Gama (1741-1795), autor do poema \u00e9pico O Uraguai; Silva Alvarenga (1749-1814), autor de Glaura; e Frei Santa Rita Dur\u00e3o (1722-1784), autor do poema \u00e9pico Caramuru. Apesar do engajamento pessoal, a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria desses autores n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o da pol\u00edtica. A escola predomina at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, quando surge o Romantismo.<\/p>\n<p>Fonte: www.redacional.com.br\/www.conhecimentosgerais.com.br\/www.nilc.icmc.usp.br\/www.itaucultural.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nome Arcadismo vem de uma regi\u00e3o grega chamada Arc\u00e1dia e que foi transformada, pela literatura, em um para\u00edso para a vida campestre e era considerada a regi\u00e3o da felicidade durante essa escola liter\u00e1ria. Contexto hist\u00f3rico Em \u00e2mbito mundial, o s\u00e9culo XVIII \u00e9 marcado pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, pelo Iluminismo, pela Independ\u00eancia dos Estados Unidos e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"class_list":["post-29787","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-periodos-literarios"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Arcadismo - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Arcadismo, Per\u00edodo Liter\u00e1rio, Literatura, Origem, Brasil, Poetas, Escritores, Arte, Caracter\u00edsticas, Movimento, O que \u00e9, Arcadismo\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Arcadismo - 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