{"id":174234,"date":"2024-03-03T09:59:28","date_gmt":"2024-03-03T11:59:28","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=174234"},"modified":"2024-03-03T09:59:28","modified_gmt":"2024-03-03T11:59:28","slug":"pontos-turisticos-da-mongolia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/turismo\/pontos-turisticos-da-mongolia","title":{"rendered":"Pontos Tur\u00edsticos da Mong\u00f3lia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mong\u00f3lia<\/strong>\u00a0\u00e9 um dos mais desconhecido pa\u00edses do mundo, turisticamente falando. Entretanto o pa\u00eds oferece belos espa\u00e7os para quem gosta de aventura e de culturas n\u00f4mades. Ademais tem picos e cimas, ideais para os amantes de altura.<\/p>\n<p>Famosa em todo o mundo pelas suas intermin\u00e1veis estepes, cultura n\u00f3mada e, claro, Genghis Khan, a Mong\u00f3lia \u00e9 um lugar incrivelmente bonito para explorar que ir\u00e1 deliciar os amantes da natureza e os aficionados do ar livre.<\/p>\n<p>Embora seja precisamente pelas suas paisagens selvagens e acidentadas e pelo infinito nada que as pessoas visitam a Mong\u00f3lia, a na\u00e7\u00e3o sem litoral tamb\u00e9m tem uma s\u00e9rie de lindos lagos alpinos para voc\u00ea desfrutar, bem como montanhas imponentes e o desolado Deserto de Gobi.<\/p>\n<p><strong>Locais Tur\u00edsticos da Mong\u00f3lia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mong\u00f3lia<\/strong>\u00a0\u00e9 um dos pa\u00edses mais alto da terra, com uma geografia de grandes contrastes. Impressionantes montanhas com neves perp\u00e9tuas, vales, rios e paisagens inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p>Entre os lugares mais recomendados para realizar excurs\u00f5es em carro todo terreno est\u00e1 o Deserto de Gobi. Mong\u00f3lia conta, por outro lado com mais de 3.000 lagos, alguns de origem vulc\u00e2nica.<\/p>\n<p>Ademais da visita a Ulan Bator, a capital do pa\u00eds e o Deserto de Gobi, aconselha-se aos viajantes ir as Montanhas Hangayn, Lago Baikal, rio Selenge e o Lago Hovsgol Nuur, de origem vulc\u00e2nica.<\/p>\n<p><strong>Mong\u00f3lia<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tem praias id\u00edlicas nem cidades cosmopolitas, n\u00e3o \u00e9 um para\u00edso de compras nem um deleite gastron\u00f4mico, n\u00e3o exibe arquitetura sofisticada nem museus de excel\u00eancia. A Mong\u00f3lia n\u00e3o tem nada disso e, no entanto, \u00e9 porventura um dos mais atrativos destinos da atualidade. Porqu\u00ea? \u00c9 desolador mas atraente, duro mas recompensador, desconfort\u00e1vel mas viciante.<\/p>\n<p>Alguns dir\u00e3o, com argumenta\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel e fundamentada, que h\u00e1 poucas raz\u00f5es que justifiquem uma desloca\u00e7\u00e3o a t\u00e3o long\u00ednquo destino; que a Mong\u00f3lia \u00e9 um pa\u00eds imenso mas sem gente, que n\u00e3o h\u00e1 estradas de alcatr\u00e3o, por vezes nem de terra, quase sempre nem estradas; que o ch\u00e3o de um ger \u2013 a tradicional tenda circular mongol \u2013 \u00e9 duro e desconfort\u00e1vel; que praticamente n\u00e3o h\u00e1 hot\u00e9is dignos desse nome, exceptuando em Ulan Bator e em duas ou tr\u00eas outras cidades; que ningu\u00e9m fala ingl\u00eas e muito menos portugu\u00eas; que o terreno \u00e9 est\u00e9ril e o povo pobre, ao ponto de os camelos serem o seu bem mais precioso; que a gastronomia \u00e9 sensaborona; que \u00e9 demasiado longe para t\u00e3o pouco. Para outros, \u00e9 precisamente tudo isso que os atrai \u00e0 Mong\u00f3lia, fazendo da p\u00e1tria de Gengis Khan um destino de viagens fascinante, de descoberta e enriquecimento pessoal, pela sua imensa autenticidade num mundo cada vez mais padronizado.<\/p>\n<p>E que melhor forma de conhecer a\u00a0<strong>Mong\u00f3lia<\/strong>\u00a0do que viver por alguns dias com fam\u00edlias mong\u00f3is, viajar como n\u00f4madas dos tempos modernos ao volante de uma carrinha russa de tra\u00e7\u00e3o total, de planalto em planalto, de ger em ger, de sorriso em sorriso? A Mong\u00f3lia \u00e9 assim, um pa\u00eds de horizontes amplos, de desertos, estepes e montanhas escassamente povoadas, de espa\u00e7os vazios, de aus\u00eancias, terra de um imenso quase nada \u00e0 espera de ser descoberta.<\/p>\n<p><strong>Rumo ao Deserto de Gobi<\/strong><\/p>\n<p>Retratos do modo de vida no deserto, os gers tradicionais, as crian\u00e7as que neles habitam, a aridez da paisagem. Fotografias de um mundo diferente chamado deserto de Gobi, na Mong\u00f3lia.<\/p>\n<p>O parque melhor estruturado \u00e9 o Parque Nacional Gurvansaikhan, que tem uma mistura de montanhas, f\u00f3sseis de dinossauros, dunas de areias, forma\u00e7\u00f5es rochosas e vales cobertos por gelo. A fauna variada inclui 200 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, gazela-de-rabo-preto, leopardo, ibex e camelos selvagens.<\/p>\n<p>?Filipe, temos um problema de \u00faltima hora, vamos ter que mudar de condutor. Vais partir com o N\u00eama?, disse-me Kim, t\u00edpico self-made men sul-coreano que gere dezenas de carrinhas, jeeps e motoristas ansiosos por levar turistas para o interior da Mong\u00f3lia, horas antes da partida. Rejubilei.<\/p>\n<p>Era a terceira vez que visitava a Mong\u00f3lia e sempre o meu caminho se havia cruzado com N\u00eama. Da primeira, conduziu-me durante uma vintena de dias pelas estradas inexistentes do interior do pa\u00eds, do deserto de Gobi, a Sul, at\u00e9 ao lago Hovsgol, a Norte, juntamente com outros cinco companheiros de ocasi\u00e3o; da segunda, quatro anos volvidos, encontrei-o por acaso entre os vest\u00edgios de dinoss\u00e1urios de Bayanzag e um forte abra\u00e7o celebrou um inesperado reencontro.<\/p>\n<p>Sabia, pois, da sua compet\u00eancia ao volante e aptid\u00e3o para resolver problemas mec\u00e2nicos \u2013 e eles acontecem sempre \u2013 e j\u00e1 havia convivido com o seu apurado sentido de humor.<\/p>\n<p><strong>Mais:<\/strong>\u00a0N\u00eama sempre manteve uma apreci\u00e1vel dist\u00e2ncia das garrafas de vodka, num pa\u00eds onde o alcoolismo \u00e9 um problema de sa\u00fade de propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis, principalmente entre os homens. Rejubilei.<\/p>\n<p>A viagem de duas semanas pela\u00a0<strong>Mong\u00f3lia<\/strong>\u00a0profunda n\u00e3o poderia come\u00e7ar de forma mais auspiciosa.<\/p>\n<p>Manh\u00e3 cedo, o abra\u00e7o repetiu-se. Com a carrinha abastecida de v\u00edveres para os pr\u00f3ximos dias \u2013 enlatados diversos, p\u00e3o e compotas, fruta e massas, caf\u00e9 e leite em p\u00f3, detergentes e papel higi\u00e9nico e, em especial, uma apreci\u00e1vel quantidade de \u00e1gua -, sa\u00edmos de Ulan Bator em dire\u00e7\u00e3o a Baga Gazrim Chulee, a primeira paragem no trajeto rumo ao remoto e esparsamente populado deserto de Gobi.<\/p>\n<p>Nos arredores de Ulan Bator, os edif\u00edcios em altura iam dando lugar a enormes bairros de gers e casas coloridas, protegidas por cercas de madeira desordenadas. A estrada era por enquanto de asfalto, e assim se manteve por v\u00e1rios quil\u00f3metros, at\u00e9 que, pouco depois de circundarmos uma ponte ca\u00edda fruto de uma intemp\u00e9rie recente, N\u00eama saiu da estrada e virou \u00e0 esquerda, entrando num pequeno trilho de terra batida onde nos cruz\u00e1mos com uma manada de vacas.<\/p>\n<p>Da\u00ed para a frente, os bovinos dariam lugar \u00e0s aves de rapina, aos iaques, aos camelos e \u00e0s cabras de montanha. Quando me instalei no primeiro ger da viagem, a aventura estava verdadeiramente a come\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Sabia da exist\u00eancia de figuras rupestres na regi\u00e3o de Baga Gazrim Chulee e, com o intuito de as conhecer, mostrei ao patriarca da fam\u00edlia onde passara a noite uma fotografia com gravuras na pedra, enquanto, na universal linguagem corporal, encolhi os ombros, abri ambas as m\u00e3os com as palmas viradas ao c\u00e9u e estiquei o sobrolho:\u00a0<\/strong>\u201cOnde?\u201d O velho percebeu, fez um sinal indicando que era algo muito pequeno e soltou uma gargalhada.<\/p>\n<p>Acedeu, ainda assim, a mostrar-nos um exemplar das gravuras perdidas no planaltos da Mong\u00f3lia central, n\u00e3o muito longe do vale onde a sua fam\u00edlia se instalara.<\/p>\n<p><strong>Entrou no carro e conduziu-nos pelo meio de pedras e pedregulhos sem trilhos marcados at\u00e9 dar ordem de paragem; saiu e apontou para uma pedra do tamanho de uma cabra deitada:<\/strong>\u00a0as figuras rupestres estavam \u2013 e estavam mesmo! \u2013 ali gravadas. Tal como em muitas outras pedras semelhantes espalhadas pelo planalto, explicou.<\/p>\n<p>Seguimos ent\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a Luns, entreposto fundamental para reabastecimento de combust\u00edvel, n\u00e3o sem antes contemplarmos as ru\u00ednas do imponente templo Sum Kokh Bund, localizado com perfei\u00e7\u00e3o numa ilha de um pequeno lago. Face \u00e0 aus\u00eancia de chuva, o lago dera temporariamente lugar a um verdejante campo de pastagens aproveitado por cavalos em hora de refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O lugar era deveras bonito, mas o ponto alto do dia estava guardado para a regi\u00e3o montanhosa de Tsagaan Suvarga. Consta que h\u00e1 milh\u00f5es de anos a \u00e1rea estava submersa no mar, fato que as marcas geol\u00f3gicas nas escarpas parecem confirmar. L\u00e1 em baixo, areias a perder de vista em tons de amarelo, laranja, salm\u00e3o, vermelho, bege e branco conferiam \u00e0 paisagem um toque especial.<\/p>\n<p>Desci rumo \u00e0s areias onduladas, deixando-me rodear por uma paleta de cores inacredit\u00e1vel. Est\u00e1vamos j\u00e1 a curta dist\u00e2ncia de nenhures, o local onde viviam os anfitri\u00f5es dessa noite.<\/p>\n<p>O sol aproximava-se furiosamente do horizonte quando me sentei num tosco alpendre de madeira constru\u00eddo perto dos gers. Alaranjou-se, avioletou-se, desapareceu.<\/p>\n<p>O momento pedia a abertura de uma garrafa de vodka.<\/p>\n<p><strong>Festival Naadam em Tsogt<\/strong><\/p>\n<p><strong>O dia clareara h\u00e1 pouco quando N\u00eama me comunicou o que acabara de saber:<\/strong>\u00a0em Tsogt Ovoo, uma localidade n\u00e3o demasiado distante, come\u00e7ava nessa tarde o festival Naadam, excepcionalmente fora das datas oficiais h\u00e1 muito ultrapassadas. Mudei a rota e rumei a Tsogt. \u00c0 volta de um descampado com o tamanho de um pequeno campo de futebol, as mulheres estavam impecavelmente trajadas com vestidos de cerim\u00f4nia de cores garridas e seda brilhante, empoleiradas em saltos altos que pareciam sa\u00eddos de um outro mundo, passeando sombrinhas abertas para se protegerem da inclem\u00eancia do astro-rei.<\/p>\n<p>Os homens esmeravam-se nos cintos e chap\u00e9us e na limpeza dos seus melhores\u00a0deel, a roupa tradicional dos n\u00f4madas mong\u00f3is. Havia uma bancada coberta para as personalidades da terra no topo, vendedores de comes e bebes, e muitos curiosos que iam chegando a cavalo.<\/p>\n<p><strong>Decorriam corridas de cavalo com j\u00f3queis de apenas quatro ou cinco anos de idade que tinham de percorrer 30 km pelos planaltos envolventes; havia um competitivo jogo tradicional no qual homens lan\u00e7avam com o dedo m\u00e9dio um pequeno objeto quadrangular contra pe\u00e7as tipo domin\u00f3 colocadas num fundo de madeira; havia competi\u00e7\u00e3o de arqueiros; havia festa e anima\u00e7\u00e3o; e havia a mais aguardada de todas as competi\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0o\u00a0wrestling.<\/p>\n<p>Os lutadores eram apresentados com grande pompa por um megafone rouco e estridente \u2013 eram as grandes atra\u00e7\u00f5es do evento.<\/p>\n<p>Os melhores beneficiam de grande prest\u00edgio na comunidade. Recolhiam entusi\u00e1sticos aplausos quando, no fim de cada vit\u00f3ria, abriam os bra\u00e7os e rodopiavam em c\u00edrculo para a bancada VIP, como falc\u00f5es a pairar nos c\u00e9us, agradecendo a honra da participa\u00e7\u00e3o no combate.<\/p>\n<p>Seguiu-se Dalanzadgad, a maior cidade implantada no deserto de Gobi e virtualmente o \u00fanico local da regi\u00e3o onde, com alguma sorte, se encontram legumes e fruta frescos. N\u00e3o muitos, \u00e9 certo, mas ainda assim os suficientes para conferir variedade \u00e0 ementa gastron\u00f4mica e poder responder afirmativamente quando o palato clama por descanso do sabor a carneiro.<\/p>\n<p>O mercado de Dalanzadgad \u00e9 um lugar fascinante que fervilha de vida, ao ar livre, rodeado de pequenas mercearias de bairro e onde vale a pena deixar-se ficar.<\/p>\n<p>Prosseguimos ent\u00e3o por estradas pouco dignas desse nome at\u00e9 Yolin An (o Vale do Gelo), um vale assombroso onde \u00e9 poss\u00edvel fazer caminhadas ao longo do que no Inverno \u00e9 o leito de um rio, observar animais selvagens ou, simplesmente, contemplar a paisagem.<\/p>\n<p>A envolv\u00eancia mudara radicalmente, mas n\u00e3o haveria de demorar at\u00e9 estarmos de novo em ambientes des\u00e9rticos, \u00e0 medida que as areias avermelhadas de Bayanzag e os seus famosos vest\u00edgios de dinoss\u00e1urios se aproximavam.<\/p>\n<p><strong>DAS AREIAS DO GOBI \u00c0S \u00c1GUAS DO LAGO BRANCO<\/strong><\/p>\n<p>Uma fam\u00edlia instalada no sop\u00e9 das dunas de Khongoryn \u2013 bem longe dos pretensiosos\u00a0<i>tourist camps<\/i>\u00a0da regi\u00e3o -, deu-me as boas-vindas debaixo de uma forte e improv\u00e1vel chuvada em pleno deserto de Gobi.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as vendiam pequenas pe\u00e7as de artesanato em l\u00e3 de ovelha. Havia camelos para quem quisesse conhecer as dunas no dorso das resistentes criaturas.<\/p>\n<p><strong>No alto das dunas, a vista \u00e9 deslumbrante:\u00a0<\/strong>de um lado, uma estreita l\u00edngua de dunas estende-se ao longo de incont\u00e1veis quil\u00f3metros; do outro, em cujo solo os\u00a0<i>gers<\/i>\u00a0est\u00e3o instalados, uma esp\u00e9cie de o\u00e1sis esverdeia de forma ligeira o amarelo dominante da paisagem. \u00c9 um lugar \u00fanico, Khongoryn, e um dos poucos omnipresentes nas excurs\u00f5es organizadas que visitam o Gobi. Para mim, era tamb\u00e9m o ponto a partir do qual o Sul ficaria pelas costas.<\/p>\n<p>No dia seguinte, uma longu\u00edssima jornada levou-me a Arvaikheer atrav\u00e9s da regi\u00e3o montanhosa de Arts Bogdyn e da min\u00fascula povoa\u00e7\u00e3o de Guchin Us. N\u00e3o sendo a mais bela cidade da Mong\u00f3lia \u2013 esse t\u00edtulo est\u00e1 seguramente atribu\u00eddo a Tsertseleg -, Arvaikheer possui, ainda assim, um mosteiro verdadeiramente inspirador, onde monges budistas acolhem os visitantes com legend\u00e1ria hospitalidade e malgas de leite fermentado cuja degusta\u00e7\u00e3o requer bastante habitua\u00e7\u00e3o a um est\u00f4mago ocidental.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma r\u00fastica e popular rua comercial onde se vende de tudo um pouco, ao som de tradicional m\u00fasica mongol que emana de colunas estrategicamente colocadas nos postes de eletricidade.<\/p>\n<p>Estava de novo no centro geogr\u00e1fico da Mong\u00f3lia, a curta dist\u00e2ncia do verdejante vale de Orkhon, para onde me dirigi de seguida, via Bat-Olziy e a sua nascente de \u00e1gua quente.<\/p>\n<p>Estava consumada a total mudan\u00e7a na paisagem. Os verdes tomaram conta da matiz que observava da janela da carrinha, os iaques substitu\u00edram os camelos, as \u00e1rvores em vez da nudez das dunas, o som de uma cascata tomou o lugar do sopro cont\u00ednuo do vento.<\/p>\n<p>\u00c9 uma outra face da Mong\u00f3lia, bem diferente do extremo sul do pa\u00eds, pr\u00f3ximo da China, de onde sa\u00edra. Apenas a calma continuava a ser total, num dia em que as tarefas dom\u00e9sticas em volta do\u00a0<i>ger<\/i>\u00a0consistiam em partir lenha e ordenhar os iaques, como em todos os outros dias.<\/p>\n<p>A viagem continuou tendo a antiga capital de Kharkhorin como destino e, pela primeira vez entre todas as viagens que j\u00e1 fiz \u00e0 Mong\u00f3lia, as condi\u00e7\u00f5es da estrada de terra permitiram-me conhecer o templo Tovhkon, estrategicamente localizado no topo de uma montanha. Para l\u00e1 chegar, h\u00e1 que subir a encosta por entre uma floresta verdejante, tarefa que requer alguma vontade.<\/p>\n<p>Peregrinos de todas as idades vinham fazer as suas preces, ultrapassando o esfor\u00e7o da subida recorrendo a burros feitos t\u00e1xi. Assim que cheguei ao mosteiro, bem l\u00e1 no topo, ap\u00f3s uma \u00faltima subida por uma escadaria de pedra \u00edngreme e escorregadia, jovens monges encontravam-se reunidos no edif\u00edcio principal, entoando os habituais c\u00e2nticos matinais que absorvi em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Deixei-me ficar, recatado, do lado de fora, bebendo a serenidade, sem interferir nas ora\u00e7\u00f5es; o esfor\u00e7o tinha compensado. J\u00e1 em Kharkorin, haveria tamb\u00e9m de visitar o important\u00edssimo mosteiro de Erdene Zuu, mas o mesmo n\u00e3o causou a impress\u00e3o de Tovhkon.<\/p>\n<p>Voltei, isso sim, a deleitar-me com o mercado local, com especial interesse nas mesas de bilhar ao ar livre, nos vendedores de queijos e, especialmente, no talho local, onde cabe\u00e7as e est\u00f4magos de ovelha faziam as del\u00edcias das moscas da cidade.<\/p>\n<p>Ao fim de dez dias de viagem, cheguei por fim a Tsertseleg, a mais atrativa e fotog\u00e9nica cidade de toda a Mong\u00f3lia em termos urban\u00edsticos, com direito a bairros ordenados, cores apelativas e at\u00e9 uma avenida ladeada por \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Para completar o puzzle dos deleites, Tsertseleg possui uma das mais acolhedoras\u00a0<i>guesthouses<\/i>\u00a0de todo o pais e um museu por muitos considerado o melhor da Mong\u00f3lia. Para os \u00faltimos dias, tinha escolhido repousar no Terkhiin Tsagaan (Grande Lago Branco), localizado entre Tsertseleg e Mor\u00f6n, a porta de acesso \u00e0 bel\u00edssima regi\u00e3o do lago Hovsgol, no extremo norte do pa\u00eds, junto \u00e0 fronteira com a R\u00fassia, onde n\u00e3o iria por constrangimentos temporais. At\u00e9 porque o lago Branco integra uma regi\u00e3o bel\u00edssima de lagos e vulc\u00f5es, ideal para\u00a0<i>trekkings<\/i>\u00a0e longas jornadas a cavalo em ambientes naturais \u2013 uma forma de terminar em beleza a viagem\u00a0<i>overland<\/i>\u00a0pela Mong\u00f3lia rural.<\/p>\n<p>Ulan Bator. Era j\u00e1 escuro quando cheguei \u00e0 capital e Ulan Bator e decidi interromper a dieta de areia e carneiro e dar um salto ao caf\u00e9-bar-restaurante Grand Khan Irish Pub, um dos principais pontos de encontro de in\u00edcio de noite da capital Ulan Bator.<\/p>\n<p>Jovens mulheres mong\u00f3is, bonitas e exageradamente maquiadas, envergavam as mais curtas minissaias que me recordo ter visto. A cerveja jorrava sem parar para as mesas de homens mong\u00f3is e viajantes estrangeiros. Muitos expatriados a trabalhar na capital jantavam na esplanada. As pessoas falavam alto. Um grupo de m\u00fasica tocava sucessos internacionais em ingl\u00eas ao canto do bar.<\/p>\n<p>Os olhares de uma mulher mongol sentada na mesa ao lado mostravam-se demasiado insinuantes para um desconhecido do sexo oposto como eu. Depois de duas semanas na Mong\u00f3lia rural e profunda, a mente estava ainda na Mong\u00f3lia m\u00e1gica e simples, na Mong\u00f3lia hospitaleira e dos sorrisos desinteressados que tinha ficado nas areias do deserto e nas pradarias de Orkhon. E essa \u00e9 a minha Mong\u00f3lia de elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticos da Mong\u00f3lia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Four Holy Peaks<\/strong><\/p>\n<p>As montanhas Tsetseegum, Chingeltei, Sangino Khairkhan e Bayansurkh rodeiam a capital do pa\u00eds e s\u00e3o \u00f3timos locais para caminhadas, onde se pode observar a fauna, que consiste de p\u00e1ssaros variados ao ibex.<\/p>\n<p><strong>Mosteiro de Karakorum e Erdene Zuu<\/strong><\/p>\n<p>Outrora a capital do Imp\u00e9rio Mongol, Karakorum \u00e9 um lugar fascinante que certamente vale a pena visitar se voc\u00ea estiver interessado em aprender mais sobre a hist\u00f3ria e a cultura dos mong\u00f3is.<\/p>\n<p>Conhecida pelos habitantes locais como Har Horin, a antiga cidade foi visitada por Marco Polo no s\u00e9culo XIII. Hoje em dia, por\u00e9m, a outrora grande cidade n\u00e3o passa de ru\u00ednas, com c\u00e9u infinito e estepes em todas as dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o principal \u00e9 o majestoso Mosteiro Erdene Zuu, que foi constru\u00eddo a partir dos restos da cidade em ru\u00ednas em 1585; a infinidade de estupas que revestem sua longa parede certamente parece incr\u00edvel.<\/p>\n<p>Um dos primeiros mosteiros budistas sobreviventes no pa\u00eds, Erdene Zuu tem tr\u00eas belos templos, com muitas est\u00e1tuas e esculturas encantadoras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desta vista impressionante, Karakorum tem algumas pequenas estupas, edif\u00edcios e s\u00edtios arqueol\u00f3gicos em ru\u00ednas para voc\u00ea passear, embora estes sejam decididamente menos espetaculares.<\/p>\n<p><strong>Terkhiin Tsagaan Nuur<\/strong><\/p>\n<p>Significando &#8220;Grande Lago Branco&#8221; em ingl\u00eas, Terkhiin Tsagaan Nuur \u00e9 apropriadamente chamado, j\u00e1 que suas \u00e1guas reflexivas espelham lindamente os c\u00e9us e as nuvens acima. Estendendo-se ao longe, as \u00e1guas tranquilas do lago s\u00e3o cercadas por colinas suaves, e o cen\u00e1rio id\u00edlico \u00e9 perfeitamente complementado pelas yurts brancas e pela dispers\u00e3o de cavalos que margeiam suas margens.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua natureza remota, Terkhiin Tsagaan Nuur \u00e9 um lugar muito tranquilo para acampar por algumas noites. Existem v\u00e1rias caminhadas excelentes que voc\u00ea pode fazer na \u00e1rea circundante, sendo que o vulc\u00e3o Khorgo merece uma visita.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, muitas pessoas andam a cavalo ao redor do lago de \u00e1gua doce ou sobem ao topo de uma das colinas pr\u00f3ximas para ter uma vista ainda melhor da paisagem deslumbrante.<\/p>\n<p><strong>Vale de Orkhon<\/strong><\/p>\n<p>Situada quase no meio da Mong\u00f3lia, fica no pitoresco Vale Orkhon, onde se acreditava que ficava a sagrada floresta montanhosa de Otuken.<\/p>\n<p>Governar o local onde residiam os esp\u00edritos ancestrais concedia ao governante o direito divino de governar a Terra. Isto significava que a sua posse era considerada absolutamente crucial para cada estado turco que ascendeu, governou e declinou entre as estepes.<\/p>\n<p>Consequentemente, uma riqueza de locais hist\u00f3ricos interessantes e marcos culturais espalhados pelo seu terreno montanhoso.<\/p>\n<p>Os monumentos de Orkhon do s\u00e9culo VIII e o Eremit\u00e9rio de Tuvkhun s\u00e3o os mais impressionantes de todos, ao lado das ru\u00ednas de Karakorum e do Mosteiro Erdene Zuu.<\/p>\n<p>H\u00e1 algo de bastante espiritual em viajar pelas infinitas paisagens vazias que cercam o vale; voc\u00ea mal v\u00ea outra alma por dias al\u00e9m dos rebanhos de gado e dos rebanhos de cavalos que serpenteiam pela estepe entre uma yurt ocasional.<\/p>\n<p><strong>Complexo da Est\u00e1tua de Genghis Khan<\/strong><\/p>\n<p>Simplesmente de tirar o f\u00f4lego, a gigantesca est\u00e1tua de Genghis Khan montado em seu cavalo brilha na luz enquanto ele olha imperiosamente para todas as estepes e montanhas que cercam o complexo. Com 40 metros de altura, a est\u00e1tua foi constru\u00edda em 2008 para homenagear o 800\u00ba anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Mongol. Seu tamanho e escala certamente se adequam ao homem que passou a governar uma \u00e1rea t\u00e3o grande de territ\u00f3rio e \u00e9 um her\u00f3i nacional no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Complexo da Est\u00e1tua de Genghis Khan fica a cerca de 50 quil\u00f4metros de Ulaanbaatar. Ao chegar, voc\u00ea encontrar\u00e1 lojas de souvenirs, um restaurante e um museu arqueol\u00f3gico para conferir.<\/p>\n<p>Do topo da cabe\u00e7a do cavalo, voc\u00ea pode desfrutar de vistas incr\u00edveis da paisagem circundante e de uma vista de perto de Genghis Khan olhando para o horizonte.<\/p>\n<p><strong>Ulan Bator<\/strong><\/p>\n<p>Lar de quase metade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a extensa cidade de Ulaanbaatar \u00e9 a capital da Mong\u00f3lia, bem como o seu cora\u00e7\u00e3o cultural, administrativo e comercial.<\/p>\n<p>Localizada no deliciosamente chamado Vale do Ber\u00e7o de Ouro, no ponto onde os rios Selbe e Tuul se encontram, a cidade \u00e9 uma mistura estranha, mas inebriante, de estilos de vida urbanos e n\u00f4mades.<\/p>\n<p>Embora o centro da cidade seja um pouco desagrad\u00e1vel, com edif\u00edcios da era sovi\u00e9tica ao lado de monstruosidades modernas, existem alguns mosteiros antigos encantadores espalhados aqui e ali:<\/p>\n<p>Choijin Lama e Gandantegchinlen s\u00e3o os melhores do grupo e escondidos na expans\u00e3o sem fim, voc\u00ea ainda pode encontrar uma ou duas yurts.<\/p>\n<p>Quando se trata de museus e galerias de arte, Ulaanbaatar \u00e9 verdadeiramente aben\u00e7oada. Vale a pena passar alguns dias vasculhando suas extensas cole\u00e7\u00f5es e artefatos: o Pal\u00e1cio de Inverno de Bogd Khan e a Galeria Nacional de Arte Moderna da Mong\u00f3lia s\u00e3o particularmente agrad\u00e1veis de examinar.<\/p>\n<p><strong>Parque Nacional Altai Tavan Bogd<\/strong><\/p>\n<p>Cobrindo uma vasta extens\u00e3o de territ\u00f3rio que inclui tudo, desde o maci\u00e7o Tavan Bogd at\u00e9 os lagos cintilantes de Dayan, Khoton e Khurgan, o Parque Nacional Altai Tavan Bogd ir\u00e1 encantar os amantes da natureza e os aficionados ao ar livre.<\/p>\n<p>Localizado no canto oeste do pa\u00eds, o parque nacional abriga algumas das paisagens mais espetaculares da Mong\u00f3lia. As imponentes montanhas Tavan Bogd pairam sobre os tr\u00eas grandes lagos de \u00e1gua doce que ficam entre elas.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o remota, o local tem um ambiente muito intocado e intocado, com muita fauna e flora maravilhosas para descobrir. Voc\u00ea pode ter a sorte de ver \u00edbex, ursos marrons e lobos cinzentos, com majestosas \u00e1guias douradas voando acima.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das muitas paisagens deslumbrantes que se prestam perfeitamente a caminhadas, escaladas, rafting e esqui, o parque tamb\u00e9m \u00e9 um lugar fant\u00e1stico para visitar se voc\u00ea quiser obter uma compreens\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o mais profundas da vida n\u00f4made: h\u00e1 muitos lugares cazaques e tuvanos. fam\u00edlias que voc\u00ea pode visitar ou ficar.<\/p>\n<p><strong>Lago Khovsgol<\/strong><\/p>\n<p>Um dos maiores lagos de toda a Mong\u00f3lia, Kh\u00f6vsg\u00f6l \u00e9 frequentemente apelidado de \u201ca irm\u00e3 mais nova\u201d, devido \u00e0 sua proximidade com o famoso Lago Baikal, que fica a cerca de 200 quil\u00f3metros a nordeste, na R\u00fassia. Rodeado por um glorioso parque nacional de mesmo nome, que abriga muitas montanhas imponentes e vales extensos, o Lago Kh\u00f6vsg\u00f6l est\u00e1 situado em um local deslumbrante.<\/p>\n<p>Embora as suas \u00e1guas sejam relativamente pobres em termos de peixes e vida marinha, o Lago Kh\u00f6vsg\u00f6l cont\u00e9m notavelmente quase 70% da \u00e1gua doce do pa\u00eds e foi formado h\u00e1 mais de dois milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Em forte contraste com o lago cintilante, o parque nacional possui uma riqueza de vida selvagem. Ao caminhar por suas trilhas pitorescas, \u00e0s vezes voc\u00ea pode avistar \u00edbex, alces e ocasionalmente ursos pardos, com vistas incr\u00edveis do lago e suas muitas paisagens dram\u00e1ticas tamb\u00e9m em exibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Parque Nacional Hustai<\/strong><\/p>\n<p>Situado a uma curta dist\u00e2ncia da capital Ulaanbaatar, o Parque Nacional Hustai \u00e9 um lugar fant\u00e1stico para visitar se voc\u00ea quiser visitar a renomada estepe da Mong\u00f3lia, enquanto as belas montanhas Khentii acrescentam alguma variedade ao cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Viajar pelo parque nacional \u00e9 uma del\u00edcia absoluta, pois voc\u00ea passa por pequenos rebanhos de cavalos selvagens atravessando a estepe sem nada \u00e0 vista al\u00e9m de montanhas fracas ao longe.<\/p>\n<p>A pura extens\u00e3o do nada \u00e9 incompreens\u00edvel. Embora seja delicioso beber no cen\u00e1rio magn\u00edfico o quanto quiser, h\u00e1 sempre uma leve sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio quando voc\u00ea finalmente se depara com um pequeno aglomerado de yurts.<\/p>\n<p><strong>Parque Nacional Gorkhi-Terelj<\/strong><\/p>\n<p>Um dos lugares mais populares para visitar na Mong\u00f3lia, o cen\u00e1rio alpino do Parque Nacional Gorkhi-Terelj \u00e9 impressionante. Seus gloriosos picos de montanhas abrigam vales pitorescos, rios caudalosos e forma\u00e7\u00f5es rochosas escarpadas, com charmosos acampamentos de yurt encontrados aqui e ali. Como tal, h\u00e1 uma infinidade de \u00f3timas atividades ao ar livre para voc\u00ea experimentar, sendo caminhadas, escaladas e rafting como passatempos populares.<\/p>\n<p>Andar a cavalo pelo cen\u00e1rio \u00e9pico \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel e realmente obrigat\u00f3ria se voc\u00ea deseja ter a experi\u00eancia mongol por excel\u00eancia. Embora partes do parque possam ficar movimentadas devido \u00e0 sua popularidade e proximidade com Ulaanbaatar, a maioria de suas paisagens dram\u00e1ticas permanecem imaculadas e intocadas.<\/p>\n<p>Com lagos glaciais, fontes termais e um mosteiro budista tamb\u00e9m em oferta, o Parque Nacional Gorkhi-Terelj \u00e9 realmente um para\u00edso natural esperando para ser explorado.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.rumbo.com.br\/www.historyofnations.net\/www.touropia.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mong\u00f3lia\u00a0\u00e9 um dos mais desconhecido pa\u00edses do mundo, turisticamente falando. Entretanto o pa\u00eds oferece belos espa\u00e7os para quem gosta de aventura e de culturas n\u00f4mades. Ademais tem picos e cimas, ideais para os amantes de altura. 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