{"id":124922,"date":"2017-07-13T19:17:44","date_gmt":"2017-07-13T21:17:44","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=124922"},"modified":"2017-07-13T19:17:44","modified_gmt":"2017-07-13T21:17:44","slug":"via-lactea-olavo-bilac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/via-lactea-olavo-bilac","title":{"rendered":"Via L\u00e1ctea &#8211; Olavo Bilac"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Olavo Bilac<\/h2>\n<h2>I<\/h2>\n<p>Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via<br \/>\nQue, aos raios do luar iluminada,<br \/>\nEntre as estrelas tr\u00eamulas subia<br \/>\nUma infinita e cintilante escada.<\/p>\n<p>E eu olhava-a de baixo, olhava-a&#8230; Em cada<br \/>\nDegrau, que o ouro mais l\u00edmpido vestia,<br \/>\nMudo e sereno, um anjo a harpa doirada,<br \/>\nRessoante de s\u00faplicas, feria&#8230;<\/p>\n<p>Tu, m\u00e3e sagrada! v\u00f3s tamb\u00e9m, formosas<br \/>\nIlus\u00f5es! sonhos meus! \u00cdeis por ela<br \/>\nComo um bando de sombras vaporosas.<\/p>\n<p>E, \u00f3 meu amor! eu te buscava, quando<br \/>\nVi que no alto surgias, calma e bela,<br \/>\nO olhar celeste para o meu baixando&#8230;<\/p>\n<h2>II<\/h2>\n<p>Tudo ouvir\u00e1s, pois que, bondosa e pura,<br \/>\nMe ouves agora com melhor ouvido:<br \/>\nToda a ansiedade, todo o mal sofrido<br \/>\nEm sil\u00eancio, na antiga desventura&#8230;<\/p>\n<p>Hoje, quero, em teus bra\u00e7os acolhido,<br \/>\nRever a estrada pavorosa e escura<br \/>\nOnde, ladeando o abismo da loucura,<br \/>\nAndei de pesadelos perseguido.<\/p>\n<p>Olha-a: torce-se toda na infinita<br \/>\nVolta dos sete c\u00edrculos do inferno&#8230;<br \/>\nE nota aquele vulto: as m\u00e3os eleva,<\/p>\n<p>Trope\u00e7a, cai, solu\u00e7a, arqueja, grita,<br \/>\nBuscando um cora\u00e7\u00e3o que foge, e eterno<br \/>\nOuvindo-o perto palpitar na treva.<\/p>\n<h2>III<\/h2>\n<p>Tantos esparsos vi profusamente<br \/>\nPelo caminho que, a chorar, trilhava!<br \/>\nTantos havia, tantos! E eu passava<br \/>\nPor todos eles frio e indiferente&#8230;<\/p>\n<p>Enfim! enfim! pude com a m\u00e3o tremente<br \/>\nAchar na treva aquele que buscava&#8230;<br \/>\nPor que fugias, quando eu te chamava,<br \/>\nCego e triste, tateando, ansiosamente?<\/p>\n<p>Vim de longe, seguindo de erro em erro,<br \/>\nTeu fugitivo cora\u00e7\u00e3o buscando<br \/>\nE vendo apenas cora\u00e7\u00f5es de ferro.<\/p>\n<p>Pude, por\u00e9m, toc\u00e1-lo solu\u00e7ando&#8230;<br \/>\nE hoje, feliz, dentro do meu o encerro,<br \/>\nE ou\u00e7o-o, feliz, dentro do meu pulsando.<\/p>\n<h2>IV<\/h2>\n<p>Como a floresta secular, sombria,<br \/>\nVirgem do passo humano e do machado,<br \/>\nOnde apenas, horrendo, ecoa o brado<br \/>\nDo tigre, e cuja agreste ramaria<\/p>\n<p>N\u00e3o atravessa nunca a luz do dia,<br \/>\nAssim tamb\u00e9m, da luz do amor privado,<br \/>\nTinhas o cora\u00e7\u00e3o ermo e fechado,<br \/>\nComo a floresta secular, sombria&#8230;<\/p>\n<p>Hoje, entre os ramos, a can\u00e7\u00e3o sonora<br \/>\nSoltam festivamente os passarinhos.<br \/>\nTinge o cimo das \u00e1rvores a aurora&#8230;<\/p>\n<p>Palpitam flores, estremecem ninhos&#8230;<br \/>\nE o sol do amor, que n\u00e3o entrava outrora,<br \/>\nEntra dourando a areia dos caminhos.<\/p>\n<h2>V<\/h2>\n<p>Dizem todos: &#8220;Outrora como as aves<br \/>\nInquieta, como as aves tagarela,<br \/>\nE hoje&#8230; que tens? Que sisudez revela<br \/>\nTeu ar! que id\u00e9ias e que modos graves!<\/p>\n<p>Que tens, para que em pranto os olhos laves?<br \/>\nS\u00ea mais risonha, que ser\u00e1s mais bela!&#8221;<br \/>\nDizem. Mas no sil\u00eancio e na cautela<br \/>\nFicas firme e trancada a sete chaves&#8230;<\/p>\n<p>E um diz: &#8220;Tolices, nada mais!&#8221; Murmura<br \/>\nOutro: &#8220;Caprichos de mulher faceira!&#8221;<br \/>\nE todos eles afinal: &#8220;Loucura!&#8221;<\/p>\n<p>Cegos que vos cansais a interrog\u00e1-la!<br \/>\nV\u00ea-la bastava; que a paix\u00e3o primeira<br \/>\nN\u00e3o pela voz, mas pelos olhos fala.<\/p>\n<h2>VI<\/h2>\n<p>Em mim tamb\u00e9m, que descuidado vistes,<br \/>\nEncantado e aumentando o pr\u00f3prio encanto,<br \/>\nTereis notado que outras cousas canto<br \/>\nMuito diversas das que outrora ouvistes.<\/p>\n<p>Mas amastes, sem d\u00favida&#8230; Portanto,<br \/>\nMeditais nas tristezas que sentistes:<br \/>\nQue eu, por mim, n\u00e3o conhe\u00e7o cousas tristes,<br \/>\nQue mais aflijam, que torturem tanto.<\/p>\n<p>Quem ama inventa as penas em que vive:<br \/>\nE, em lugar de acalmar as penas, antes<br \/>\nBusca novo pesar com que as avive.<\/p>\n<p>Pois sabei que \u00e9 por isso que assim ando:<br \/>\nQue \u00e9 dos loucos somente e dos amantes<br \/>\nNa maior alegria andar chorando.<\/p>\n<h2>VII<\/h2>\n<p>N\u00e3o t\u00eam faltado bocas de serpentes,<br \/>\n(Dessas que amam falar de todo o mundo,<br \/>\nE a todo o mundo ferem, maldizentes)<br \/>\nQue digam: &#8220;Mata o teu amor profundo!<\/p>\n<p>Abafa-o, que teus passos imprudentes<br \/>\nTe v\u00e3o levando a um p\u00e9lago sem fundo&#8230;<br \/>\nVais te perder!&#8221; E, arreganhando os dentes,<br \/>\nMovem para o teu lado o olhar imundo:<\/p>\n<p>&#8220;Se ela \u00e9 t\u00e3o pobre, se n\u00e3o tem beleza,<br \/>\nIr\u00e1s deixar a gl\u00f3ria desprezada<br \/>\nE os prazeres perdidos por t\u00e3o pouco?<\/p>\n<p>Pensa mais no futuro e na riqueza!&#8221;<br \/>\nE eu penso que afinal&#8230; N\u00e3o penso nada:<br \/>\nPenso apenas que te amo como um louco!<\/p>\n<h2>VIII<\/h2>\n<p>Em que c\u00e9us mais azuis, mais puros ares,<br \/>\nVoa pomba mais pura? Em que sombria<br \/>\nMoita mais n\u00edvea flor acaricia,<br \/>\nA noite, a luz dos l\u00edmpidos luares?<\/p>\n<p>Vives assim, como a corrente fria,<br \/>\nQue, intemerata, aos tr\u00eamulos olhares<br \/>\nDas estrelas e \u00e0 sombra dos palmares,<br \/>\nCorta o seio das matas, erradia.<\/p>\n<p>E envolvida de tua virgindade,<br \/>\nDe teu pudor na c\u00e2ndida armadura,<br \/>\nFoges o amor, guardando a castidade,<\/p>\n<p>&#8211; Como as montanhas, nos espa\u00e7os francos<br \/>\nErguendo os altos p\u00edncaros, a alvura<br \/>\nGuardam da neve que lhes cobre os flancos.<\/p>\n<h2>IX<\/h2>\n<p>De outras sei que se mostram menos frias,<br \/>\nAmando menos do que amar pareces.<br \/>\nUsam todas de l\u00e1grimas e preces:<br \/>\nTu de acerbas risadas e ironias.<\/p>\n<p>De modo tal minha aten\u00e7\u00e3o desvias,<br \/>\nCom tal per\u00edcia meu engano teces,<br \/>\nQue, se gelado o cora\u00e7\u00e3o tivesses,<br \/>\nCerto, querida, mais ardor terias.<\/p>\n<p>Olho-te: cega ao meu olhar te fazes&#8230;<br \/>\nFalo-te &#8211; e com que fogo a voz levanto! &#8211;<\/p>\n<p>Em v\u00e3o&#8230; Finges-te surda \u00e0s minhas frases..<\/p>\n<p>Surda: e nem ouves meu amargo pranto!<br \/>\nCega: e nem v\u00eas a nova dor que trazes<br \/>\n\u00c0 dor antiga que do\u00eda tanto!<\/p>\n<h2>X<\/h2>\n<p>Deixa que o olhar do mundo enfim devasse<br \/>\nTeu grande amor que e teu maior segredo!<br \/>\nQue terias perdido, se, mais cedo,<br \/>\nTodo o afeto que sentes se mostrasse?<\/p>\n<p>Basta de enganos! Mostra-me sem medo<br \/>\nAos homens, afrontando-os face a face:<br \/>\nQuero que os homens todos, quando eu passe,<br \/>\nInvejosos, apontem-me com o dedo.<\/p>\n<p>Olha: n\u00e3o posso mais! Ando t\u00e3o cheio<br \/>\nDeste amor, que minh&#8217;alma se consome<br \/>\nDe te exaltar aos olhos do universo.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o em tudo teu nome, em tudo o leio:<br \/>\nE, fatigado de calar teu nome,<br \/>\nQuase o revelo no final de um verso.<\/p>\n<h2>XI<\/h2>\n<p>Todos esses louvores, bem o viste,<br \/>\nN\u00e3o conseguiram demudar-me o aspecto:<br \/>\nS\u00f3 me turbou esse louvor discreto<br \/>\nQue no volver dos olhos traduziste&#8230;<\/p>\n<p>Inda bem que entendeste o meu afeto<br \/>\nE, atrav\u00e9s destas rimas, pressentiste<br \/>\nMeu cora\u00e7\u00e3o que palpitava, triste,<br \/>\nE o mal que havia dentro em mim secreto.<\/p>\n<p>Ai de mim, se de l\u00e1grimas in\u00fateis<br \/>\nEstes versos banhasse, ambicionando<br \/>\nDas n\u00e9scias turbas os aplausos f\u00fateis!<\/p>\n<p>Dou-me por pago, se um olhar lhes deres:<br \/>\nFi-los pensando em ti, fi-los pensando<\/p>\n<p>Na mais pura de todas as mulheres.<\/p>\n<h2>XII<\/h2>\n<p>Sonhei que me esperavas. E, sonhando,<br \/>\nSa\u00ed, ansioso por te ver: corria&#8230;<br \/>\nE tudo, ao ver-me t\u00e3o depressa andando,<br \/>\nSoube logo o lugar para onde eu ia.<\/p>\n<p>E tudo me falou, tudo! Escutando<br \/>\nMeus passos, atrav\u00e9s da ramaria,<br \/>\nDos despertados p\u00e1ssaros o bando:<br \/>\n&#8220;Vai mais depressa! Parab\u00e9ns!&#8221; dizia.<\/p>\n<p>Disse o luar: &#8220;Espera! que eu te sigo:<br \/>\nQuero tamb\u00e9m beijar as faces dela!&#8221;<br \/>\nE disse o aroma: &#8220;Vai, que eu vou contigo!&#8221;<\/p>\n<p>E cheguei. E, ao chegar, disse uma estrela:<br \/>\n&#8220;Como \u00e9s feliz! como \u00e9s feliz, amigo,<br \/>\nQue de t\u00e3o perto vais ouvi-la e v\u00ea-la!&#8221;<\/p>\n<h2>XIII<\/h2>\n<p>&#8220;Ora (direis) ouvir estrelas! Certo<br \/>\nPerdeste o senso!&#8221; E eu vos direi, no entanto,<br \/>\nQue, para ouvi-las, muita vez desperto<br \/>\nE abro as janelas, p\u00e1lido de espanto&#8230;<\/p>\n<p>E conversamos toda a noite, enquanto<br \/>\nA via-l\u00e1ctea, como um p\u00e1lio aberto,<br \/>\nCintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,<br \/>\nInda as procuro pelo c\u00e9u deserto.<\/p>\n<p>Direis agora: &#8220;Tresloucado amigo!<br \/>\nQue conversas com elas? Que sentido<br \/>\nTem o que dizem, quando est\u00e3o contigo?&#8221;<\/p>\n<p>E eu vos direi: &#8220;Amai para entend\u00ea-las!<br \/>\nPois s\u00f3 quem ama pode ter ouvido<br \/>\nCapaz de ouvir e de entender estrelas&#8221;.<\/p>\n<h2>XIV<\/h2>\n<p>Viver n\u00e3o pude sem que o fel provasse<br \/>\nDesse outro amor que nos perverte e engana:<br \/>\nPorque homem sou, e homem n\u00e3o h\u00e1 que passe<br \/>\nVirgem de todo pela vida humana.<\/p>\n<p>Por que tanta serpente atra e profana<br \/>\nDentro d&#8217;alma deixei que se aninhasse?<br \/>\nPor que, abrasado de uma sede insana,<br \/>\nA impuros l\u00e1bios entreguei a face?<\/p>\n<p>Depois dos l\u00e1bios s\u00f4fregos e ardentes,<br \/>\nSenti &#8211; duro castigo aos meus desejos &#8211;<br \/>\nO gume fino de perversos dentes&#8230;<\/p>\n<p>E n\u00e3o posso das faces polu\u00eddas<br \/>\nApagar os vest\u00edgios desses beijos<br \/>\nE os sangrentos sinais dessas feridas!<\/p>\n<h2>XV<\/h2>\n<p>Inda hoje, o livro do passado abrindo,<br \/>\nLembro-as e punge-me a lembran\u00e7a delas;<br \/>\nLembro-as, e vejo-as, como as vi partindo,<br \/>\nEstas cantando, solu\u00e7ando aquelas.<\/p>\n<p>Umas, de meigo olhar piedoso e lindo,<br \/>\nSob as rosas de neve das capelas;<br \/>\nOutras, de l\u00e1bios de coral, sorrindo,<br \/>\nDesnudo o seio, l\u00fabricas e belas&#8230;<\/p>\n<p>Todas, formosas como tu, chegaram,<br \/>\nPartiram&#8230; e, ao partir, dentro em meu seio<br \/>\nTodo o veneno da paix\u00e3o deixaram.<\/p>\n<p>Mas, ah! nenhuma teve o teu encanto,<br \/>\nNem teve olhar como esse olhar, t\u00e3o cheio<br \/>\nDe luz t\u00e3o viva, que abrasasse tanto!<\/p>\n<h2>XVI<\/h2>\n<p>L\u00e1 fora, a voz do vento ulule rouca!<br \/>\nTu, a cabe\u00e7a no meu ombro inclina,<br \/>\nE essa boca vermelha e pequenina<br \/>\nAproxima, a sorrir, de minha boca!<\/p>\n<p>Que eu a fronte repouse ansiosa e louca<br \/>\nEm teu seio, mais alvo que a neblina<br \/>\nQue, nas manh\u00e3s hiemais, \u00famida e fina,<br \/>\nDa serra as grimpas verdejantes touca!<\/p>\n<p>Solta as tran\u00e7as agora, como um manto!<br \/>\nCanta! Embala-me o sono com teu canto!<br \/>\nE eu, aos raios tranq\u00fcilos desse olhar,<\/p>\n<p>Possa dormir sereno, como o rio<br \/>\nQue, em noites calmas, sossegado e frio,<br \/>\nDorme aos raios de prata do luar!&#8230;<\/p>\n<h2>XVII<\/h2>\n<p>Por estas noites frias e brumosas<br \/>\n\u00c9 que melhor se pode amar, querida!<br \/>\nNem uma estrela p\u00e1lida, perdida<br \/>\nEntre a n\u00e9voa, abre as p\u00e1lpebras medrosas&#8230;<\/p>\n<p>Mas um perfume c\u00e1lido de rosas<br \/>\nCorre a face da terra adormecida&#8230;<br \/>\nE a n\u00e9voa cresce, e, em grupos repartida,<br \/>\nEnche os ares de sombras vaporosas:<\/p>\n<p>Sombras errantes, corpos nus, ardentes<br \/>\nCarnes lascivas&#8230; um rumor vibrante<br \/>\nDe atritos longos e de beijos quentes&#8230;<\/p>\n<p>E os c\u00e9us se estendem, palpitando, cheios<br \/>\nDa t\u00e9pida brancura fulgurante<br \/>\nDe um turbilh\u00e3o de bra\u00e7os e de seios.<\/p>\n<h2>XVIII<\/h2>\n<p>Dormes&#8230; Mas que sussurro a umedecida<br \/>\nTerra desperta? Que rumor enleva<br \/>\nAs estrelas, que no alto a Noite leva<br \/>\nPresas, luzindo, \u00e0 t\u00fanica estendida?<\/p>\n<p>S\u00e3o meus versos! Palpita a minha vida<br \/>\nNeles, falenas que a saudade eleva<br \/>\nDe meu seio, e que v\u00e3o, rompendo a treva,<br \/>\nEncher teus sonhos, pomba adormecida!<\/p>\n<p>Dormes, com os seios nus, no travesseiro<br \/>\nSolto o cabelo negro&#8230; e ei-los correndo,<br \/>\nDoudejantes, subtis, teu corpo inteiro&#8230;<\/p>\n<p>Beijam-te a boca t\u00e9pida e macia,<br \/>\nSobem, descem, teu h\u00e1lito sorvendo&#8230;<br \/>\nPor que surge t\u00e3o cedo a luz do dia?!&#8230;<\/p>\n<h2>XIX<\/h2>\n<p>Sai a passeio, mal o dia nasce,<br \/>\nBela, nas simples roupas vaporosas;<br \/>\nE mostra \u00e0s rosas do jardim as rosas<br \/>\nFrescas e puras que possui na face.<\/p>\n<p>Passa. E todo o jardim, por que ela passe,<br \/>\nAtavia-se. H\u00e1 falas misteriosas<br \/>\nPelas moitas, saudando-a respeitosas&#8230;<br \/>\n\u00c9 como se uma s\u00edlfide passasse!<\/p>\n<p>E a luz cerca-a, beijando-a. O vento \u00e9 um choro&#8230;<br \/>\nCurvam-se as flores tr\u00eamulas&#8230; O bando<br \/>\nDas aves todas vem saud\u00e1-la em coro&#8230;<\/p>\n<p>E ela vai, dando ao sol o rosto brando,<br \/>\n\u00c0s aves dando o olhar, ao vento o louro<br \/>\nCabelo, e \u00e0s flores os sorrisos dando..<\/p>\n<h2>XX<\/h2>\n<p>Olha-me! O teu olhar sereno e brando<br \/>\nEntra-me o peito, como um largo rio<br \/>\nDe ondas de ouro e de luz, l\u00edmpido, entrando<br \/>\nO ermo de um bosque tenebroso e frio.<\/p>\n<p>Fala-me! Em grupos doudejantes, quando<br \/>\nFalas, por noites c\u00e1lidas de estio,<br \/>\nAs estrelas acendem-se, radiando,<br \/>\nAltas, semeadas pelo c\u00e9u sombrio.<\/p>\n<p>Olha-me assim! Fala-me assim! De pranto<br \/>\nAgora, agora de ternura cheia,<br \/>\nAbre em chispas de fogo essa pupila&#8230;<\/p>\n<p>E enquanto eu ardo em sua luz, enquanto<br \/>\nEm seu fulgor me abraso, uma sereia<br \/>\nSoluce e cante nessa voz tranq\u00fcila!<\/p>\n<h2>XXI<\/h2>\n<p>A minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Sei que um dia n\u00e3o h\u00e1 (e isso \u00e9 bastante<br \/>\nA esta saudade, m\u00e3e!) em que a teu lado<br \/>\nSentir n\u00e3o julgues minha sombra errante,<br \/>\nPasso a passo a seguir teu vulto amado.<\/p>\n<p>&#8211; Minha m\u00e3e! minha m\u00e3e! &#8211; a cada instante<br \/>\nOuves. Volves, em l\u00e1grimas banhado,<br \/>\nO rosto, conhecendo solu\u00e7ante<br \/>\nMinha voz e meu passo costumado.<\/p>\n<p>E sentes alta noite no teu leito<br \/>\nMinh&#8217;alma na tua alma repousando,<br \/>\nRepousando meu peito no teu peito&#8230;<\/p>\n<p>E encho os teus sonhos, em teus sonhos brilho,<br \/>\nE abres os bra\u00e7os tr\u00eamulos, chorando,<br \/>\nPara nos bra\u00e7os apertar teu filho!<\/p>\n<h2>XXII<\/h2>\n<p>A Goethe.<\/p>\n<p>Quando te leio, as cenas animadas<br \/>\nPor teu g\u00eanio, as paisagens que imaginas,<br \/>\nCheias de vida, avultam repentinas,<br \/>\nClaramente aos meus olhos desdobradas&#8230;<\/p>\n<p>Vejo o c\u00e9u, vejo as serras coroadas<br \/>\nDe gelo, e o sol, que o manto das neblinas<br \/>\nRompe, aquecendo as fr\u00edgidas campinas<br \/>\nE iluminando os vales e as estradas.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o o rumor soturno da charrua,<br \/>\nE os rouxin\u00f3is que, no carvalho erguido,<br \/>\nA voz modulam de ternuras cheia:<\/p>\n<p>E vejo, \u00e0 luz trist\u00edssima da lua,<br \/>\nHermann, que cisma, p\u00e1lido, embebido<br \/>\nNo meigo olhar da loura Dorot\u00e9ia.<\/p>\n<h2>XXIII<\/h2>\n<p>De Calder\u00f3n.<\/p>\n<p>Laura! dizes que F\u00e1bio anda ofendido<br \/>\nE, apesar de ofendido, namorado,<br \/>\nBuscando a extinta chama do passado<br \/>\nNas cinzas frias avivar do olvido.<\/p>\n<p>V\u00e1 que o fa\u00e7a, e que o fa\u00e7a por perdido<br \/>\nDe amor&#8230; Creio que o faz por despeitado:<br \/>\nPorque o amor, uma vez abandonado,<br \/>\nN\u00e3o torna a ser o que j\u00e1 tinha sido.<\/p>\n<p>N\u00e3o lhe creias nos olhos nem na boca,<br \/>\nInda mesmo que os vejas, como pensas,<br \/>\nMentir car\u00edcias, desmentir tristezas&#8230;<\/p>\n<p>Porque finezas sobre arrufos, louca,<br \/>\nFinezas podem ser; mas, sobre ofensas,<br \/>\nMais parecem vingan\u00e7as que finezas.<\/p>\n<h2>XXIV<\/h2>\n<p>A Lu\u00eds Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Vejo-a, contemplo-a comovido&#8230; Aquela<br \/>\nQue amaste, e, de teus bra\u00e7os arrancada,<br \/>\nDesceu da morte a tenebrosa escada,<br \/>\nCalma e pura aos meus olhos se revela.<\/p>\n<p>Vejo-lhe o riso pl\u00e1cido, a singela<br \/>\nFei\u00e7\u00e3o, aquela gra\u00e7a delicada,<br \/>\nQue uma divina m\u00e3o deixou vazada<br \/>\nNo eterno bronze, eternamente bela.<\/p>\n<p>S\u00f3 lhe n\u00e3o vejo o olhar sereno e triste:<br \/>\n&#8211; C\u00e9u, poeta, onde as asas, suspirando,<br \/>\nChorando e rindo loucamente abriste&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; C\u00e9u povoado de estrelas, onde as bordas<br \/>\nDos arcanjos cruzavam-se, pulsando<br \/>\nDas liras de ouro as gemedoras cordas&#8230;<\/p>\n<h2>XXV<\/h2>\n<p>A Bocage.<\/p>\n<p>Tu, que no pego impuro das orgias<br \/>\nMergulhavas ansioso e descontente,<br \/>\nE, quando \u00e0 tona vinhas de repente,<br \/>\nCheias as m\u00e3os de p\u00e9rolas trazias;<\/p>\n<p>Tu, que do amor e pelo amor vivias,<br \/>\nE que, como de l\u00edmpida nascente,<br \/>\nDos l\u00e1bios e dos olhos a torrente<br \/>\nDos versos e das l\u00e1grimas vertias;<\/p>\n<p>Mestre querido! viver\u00e1s, enquanto<br \/>\nHouver quem pulse o m\u00e1gico instrumento,<br \/>\nE preze a l\u00edngua que prezavas tanto:<\/p>\n<p>E enquanto houver num canto do universo<br \/>\nQuem ame e sofra, e amor e sofrimento<br \/>\nSaiba, chorando, traduzir no verso.<\/p>\n<h2>XXVI<\/h2>\n<p>Quando cantas, minh&#8217;alma desprezando<br \/>\nO inv\u00f3lucro do corpo, ascende \u00e0s belas<br \/>\nAltas esferas de ouro, e, acima delas,<br \/>\nOuve arcanjos as citaras pulsando.<\/p>\n<p>Corre os pa\u00edses longes, que revelas<br \/>\nAo som divino do teu canto: e, quando<br \/>\nBaixas a voz, ela tamb\u00e9m, chorando,<br \/>\nDesce, entre os claros grupos das estrelas.<\/p>\n<p>E expira a tua voz. Do para\u00edso,<br \/>\nA que subira ouvindo-te, ca\u00eddo,<br \/>\nFico a fitar-te p\u00e1lido, indeciso&#8230;<\/p>\n<p>E enquanto cismas, sorridente e casta,<br \/>\nA teus p\u00e9s, como um p\u00e1ssaro ferido,<br \/>\nToda a minh&#8217;alma tr\u00eamula se arrasta&#8230;<\/p>\n<h2>XXVII<\/h2>\n<p>Ontem &#8211; n\u00e9scio que fui! &#8211; maliciosa<br \/>\nDisse uma estrela, a rir, na imensa altura:<br \/>\n&#8220;Amigo! uma de n\u00f3s, a mais formosa<br \/>\nDe todas n\u00f3s, a mais formosa e pura,<\/p>\n<p>Faz anos amanh\u00e3&#8230; Vamos! procura<br \/>\nA rima de ouro mais brilhante, a rosa<br \/>\nDe cor mais viva e de maior frescura!&#8221;<br \/>\nE eu murmurei comigo: &#8220;Mentirosa!&#8221;<\/p>\n<p>E segui. Pois t\u00e3o cego fui por elas,<br \/>\nQue, enfim, curado pelos seus enganos,<br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o creio em nenhuma das estrelas&#8230;<\/p>\n<p>E &#8211; mal de mim! &#8211; eis-me, a teus p\u00e9s, em pranto&#8230;<br \/>\nOlha: se nada fiz para os teus anos,<br \/>\nCulpa as tuas irm\u00e3s que enganam tanto!<\/p>\n<h2>XXVIII<\/h2>\n<p>Pinta-me a curva destes c\u00e9us&#8230; Agora,<br \/>\nErecta, ao fundo, a cordilheira apruma:<br \/>\nPinta as nuvens de fogo de uma em uma,<br \/>\nE alto, entre as nuvens, o raiar da aurora.<\/p>\n<p>Solta, ondulando, os v\u00e9us de espessa bruma,<br \/>\nE o vale pinta, e, pelo vale em fora,<br \/>\nA correnteza t\u00farbida e sonora<br \/>\nDo Para\u00edba, em torvelins de espuma.<\/p>\n<p>Pinta; mas v\u00ea de que maneira pintas&#8230;<br \/>\nAntes busques as cores da tristeza,<br \/>\nPoupando o escr\u00ednio das alegres tintas:<\/p>\n<p>&#8211; Tristeza singular, estranha m\u00e1goa<br \/>\nDe que vejo coberta a natureza,<br \/>\nPorque a vejo com os olhos rasos d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<h2>XXIX<\/h2>\n<p>Por tanto tempo, desvairado e aflito,<br \/>\nFitei naquela noite o firmamento,<br \/>\nQue inda hoje mesmo, quando acaso o fito,<br \/>\nTudo aquilo me vem ao pensamento.<\/p>\n<p>Sa\u00ed, no peito o derradeiro grito<br \/>\nCalcando a custo, sem chorar, violento&#8230;<br \/>\nE o c\u00e9u fulgia pl\u00e1cido e infinito,<br \/>\nE havia um choro no rumor do vento&#8230;<\/p>\n<p>Piedoso c\u00e9u, que a minha dor sentiste!<br \/>\nA \u00e1urea esfera da lua o ocaso entrava,<br \/>\nRompendo as leves nuvens transparentes;<\/p>\n<p>E sobre mim, silenciosa e triste,<br \/>\nA via-l\u00e1ctea se desenrolava<br \/>\nComo um jorro de l\u00e1grimas ardentes.<\/p>\n<h2>XXX<\/h2>\n<p>Ao cora\u00e7\u00e3o que sofre, separado<br \/>\nDo teu, no ex\u00edlio em que a chorar me vejo,<br \/>\nN\u00e3o basta o afeto simples e sagrado<br \/>\nCom que das desventuras me protejo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me basta saber que sou amado,<br \/>\nNem s\u00f3 desejo o teu amor: desejo<br \/>\nTer nos bra\u00e7os teu corpo delicado,<br \/>\nTer na boca a do\u00e7ura de teu beijo.<\/p>\n<p>E as justas ambi\u00e7\u00f5es que me consomem<br \/>\nN\u00e3o me envergonham: pois maior baixeza<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 que a terra pelo c\u00e9u trocar;<\/p>\n<p>E mais eleva o cora\u00e7\u00e3o de um homem<br \/>\nSer de homem sempre e, na maior pureza,<br \/>\nFicar na terra e humanamente amar.<\/p>\n<h2>XXXI<\/h2>\n<p>Longe de ti, se escuto, porventura,<br \/>\nTeu nome, que uma boca indiferente<br \/>\nEntre outros nomes de mulher murmura,<br \/>\nSobe-me o pranto aos olhos, de repente&#8230;<\/p>\n<p>Tal aquele, que, m\u00edsero, a tortura<br \/>\nSofre de amargo ex\u00edlio, e tristemente<br \/>\nA linguagem natal, maviosa e pura,<br \/>\nOuve falada por estranha gente&#8230;<\/p>\n<p>Porque teu nome \u00e9 para mim o nome<br \/>\nDe uma p\u00e1tria distante e idolatrada,<br \/>\nCuja saudade ardente me consome:<\/p>\n<p>E ouvi-lo \u00e9 ver a eterna primavera<br \/>\nE a eterna luz da terra aben\u00e7oada,<br \/>\nOnde, entre flores, teu amor me espera.<\/p>\n<h2>XXXII<\/h2>\n<p>A um poeta<br \/>\nLeio-te: &#8211; o pranto dos meus olhos rola:<br \/>\n&#8211; Do seu cabelo o delicado cheiro,<br \/>\nDa sua voz o timbre prazenteiro,<br \/>\nTudo do livro sinto que se evola&#8230;<\/p>\n<p>Todo o nosso romance: &#8211; a doce esmola<br \/>\nDo seu primeiro olhas, o seu primeiro<br \/>\nSorriso, &#8211; neste poema verdadeiro,<br \/>\nTudo ao meu triste olhar se desenrola.<\/p>\n<p>Sinto animar-se todo o meu passado:<br \/>\nE quanto mais as p\u00e1ginas folheio,<br \/>\nMais vejo em tudo aquele vulto amado.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o junto de mim bater-lhe o seio,<br \/>\nE cuido v\u00ea-la, pl\u00e1cida, a meu lado,<br \/>\nLendo comigo a p\u00e1gina que leio.<\/p>\n<h2>XXXIII<\/h2>\n<p>Como quisesse livre ser, deixando<br \/>\nAs paragens natais, espa\u00e7o em fora,<br \/>\nA ave, ao bafejo t\u00e9pido da aurora,<br \/>\nAbriu as asas e partiu cantando.<\/p>\n<p>Estranhos climas, longes c\u00e9us, cortando<br \/>\nNuvens e nuvens, percorreu: e, agora<br \/>\nQue morre o sol, suspende o v\u00f4o, e chora,<br \/>\nE chora, a vida antiga recordando&#8230;<\/p>\n<p>E logo,. O olhar volvendo compungido<br \/>\nAtr\u00e1s, volta saudosa do carinho,<br \/>\nDo calor da primeira habita\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Assim por largo tempo andei perdido:<br \/>\n&#8211; Ah! que alegria ver de novo o ninho,<br \/>\nVer-te, e beijar-te a pequenina m\u00e3o!<\/p>\n<h2>XXXIV<\/h2>\n<p>Quando adivinha que vou v\u00ea-la, e \u00e0 escada<br \/>\nOuve-me a voz e o meu andar conhece,<br \/>\nFica p\u00e1lida, assusta-se, estremece,<br \/>\nE n\u00e3o sei por que foge envergonhada.<\/p>\n<p>Volta depois. \u00c0 porta, alvoro\u00e7ada,<br \/>\nSorrindo, em fogo as faces, aparece:<br \/>\nE talvez entendendo a muda prece<br \/>\nDe meus olhos, adianta-se apressada.<\/p>\n<p>Corre, delira, multiplica os passos;<br \/>\nE o ch\u00e3o, sob os seus passos murmurando,<br \/>\nSegue-a de um hino, de rumor de festa&#8230;<\/p>\n<p>E ah! que desejo de a tomar nos bra\u00e7os,<br \/>\nO movimento r\u00e1pido sustando<br \/>\nDas duas asas que a paix\u00e3o lhe empresta<\/p>\n<h2>XXXV<\/h2>\n<p>Pouco me pesa que mofeis sorrindo<br \/>\nDestes versos pur\u00edssimos e santos:<br \/>\nPorque, nisto de amor e \u00edntimos prantos,<br \/>\nDos louvores do p\u00fablico prescindo.<\/p>\n<p>Homens de bronze! um haver\u00e1, de tantos,<br \/>\n(Talvez um s\u00f3) que, esta paix\u00e3o sentindo,<br \/>\nAqui demore o olhar, vendo e medindo<br \/>\nO alcance e o sentimento destes cantos.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 esse o meu p\u00fablico. E, decerto,<br \/>\nEsse dir\u00e1: \u201cPode viver tranq\u00fcilo<br \/>\nQuem assim ama, sendo assim amado!\u201d<\/p>\n<p>E, tr\u00eamulo, de l\u00e1grimas coberto,<br \/>\nH\u00e1 de estimar quem lhe contou aquilo<br \/>\nQue nunca ouviu com tanto ardor contado<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ads-baixo\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olavo Bilac I Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via Que, aos raios do luar iluminada, Entre as estrelas tr\u00eamulas subia Uma infinita e cintilante escada. E eu olhava-a de baixo, olhava-a&#8230; Em cada Degrau, que o ouro mais l\u00edmpido vestia, Mudo e sereno, um anjo a harpa doirada, Ressoante de s\u00faplicas, feria&#8230; Tu, m\u00e3e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-124922","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac, Poema, Obra Liter\u00e1ria, Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac, Poema, Obra Liter\u00e1ria, Literatura, Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac, Poema, Obra Liter\u00e1ria, Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac, Poema, Obra Liter\u00e1ria, Literatura, Via L\u00e1ctea - Olavo Bilac\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/via-lactea-olavo-bilac\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-07-13T21:17:44+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/via-lactea-olavo-bilac#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/via-lactea-olavo-bilac\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"Via L\u00e1ctea &#8211; 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