{"id":121135,"date":"2017-05-05T09:12:51","date_gmt":"2017-05-05T11:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=121135"},"modified":"2017-05-05T09:12:51","modified_gmt":"2017-05-05T11:12:51","slug":"o-enfermeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro","title":{"rendered":"O Enfermeiro"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de Assis<\/h2>\n<p>PARECE-LHE ENT\u00c3O que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa p\u00e1gina de livro? V\u00e1 que seja, com a condi\u00e7\u00e3o \u00fanica de que n\u00e3o h\u00e1 de divulgar nada antes da minha morte. N\u00e3o esperar\u00e1 muito, pode ser que oito dias, se n\u00e3o for menos; estou desenganado.<\/p>\n<p>Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que h\u00e1 outras cousas interessantes, mas para isso era preciso tempo, \u00e2nimo e papel, e eu s\u00f3 tenho papel; o \u00e2nimo \u00e9 frouxo, e o tempo assemelha-se \u00e0 lamparina de madrugada. N\u00e3o tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetr\u00e1vel como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia isto e queira-me bem; perdoe-me o que lhe parecer mau, e n\u00e3o maltrate muito a arruda, se lhe n\u00e3o cheira a rosas. Pediu-me um documento humano, ei-lo aqui. N\u00e3o me pe\u00e7a tamb\u00e9m o imp\u00e9rio do Gr\u00e3o-Mogol, nem a fotografia dos Macabeus; pe\u00e7a, por\u00e9m, os meus sapatos de defunto e n\u00e3o os dou a ningu\u00e9m mais.<\/p>\n<p>J\u00e1 sabe que foi em 1860. No ano anterior, ali pelo m\u00eas de agosto, tendo eu quarenta e dois anos, fiz-me te\u00f3logo, \u2014 quero dizer, copiava os estudos de teologia de um padre de Niter\u00f3i, antigo companheiro de col\u00e9gio, que assim me dava, delicadamente, casa, cama e mesa. Naquele m\u00eas de agosto de 1859, recebeu ele uma carta de um vig\u00e1rio de certa vila do interior, perguntando se conhecia pessoa entendida, discreta e paciente, que quisesse ir servir de enfermeiro ao coronel Felisberto, mediante um bom ordenado. O padre falou-me, aceitei com ambas as m\u00e3os, estava j\u00e1 enfarado de copiar cita\u00e7\u00f5es latinas e f\u00f3rmulas eclesi\u00e1sticas. Vim \u00e0 Corte despedir-me de um irm\u00e3o, e segui para a vila.<\/p>\n<p>Chegando \u00e0 vila, tive m\u00e1s not\u00edcias do coronel. Era homem insuport\u00e1vel, est\u00fardio, exigente, ningu\u00e9m o aturava, nem os pr\u00f3prios amigos. Gastava mais enfermeiros que rem\u00e9dios. A dous deles quebrou a cara. Respondi que n\u00e3o tinha medo de gente s\u00e3, menos ainda de doentes; e depois de entender-me com o vig\u00e1rio, que me confirmou as not\u00edcias recebidas, e me recomendou mansid\u00e3o e caridade, segui para a resid\u00eancia do coronel.<\/p>\n<p>Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira, bufando muito. N\u00e3o me recebeu mal. Come\u00e7ou por n\u00e3o dizer nada; p\u00f4s em mim dous olhos de gato que observa; depois, uma esp\u00e9cie de riso maligno alumiou-lhe as fei\u00e7\u00f5es, que eram duras. Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para nada, dormiam muito, eram respond\u00f5es e andavam ao faro das escravas; dous eram at\u00e9 gatunos! \u2014 Voc\u00ea \u00e9 gatuno? \u2014 N\u00e3o, senhor.<\/p>\n<p>Em seguida, perguntou-me pelo nome: disse-lho e ele fez um gesto de espanto. Colombo? N\u00e3o, senhor: Proc\u00f3pio Jos\u00e9 Gomes Valongo. Valongo? achou que n\u00e3o era nome de gente, e prop\u00f4s chamar-me t\u00e3o-somente Proc\u00f3pio, ao que respondi que estaria pelo que fosse de seu agrado. Conto-lhe esta particularidade, n\u00e3o s\u00f3 porque me parece pint\u00e1-lo bem, como porque a minha resposta deu de mim a melhor id\u00e9ia ao coronel. Ele mesmo o declarou ao vig\u00e1rio, acrescentando que eu era o mais simp\u00e1tico dos enfermeiros que tivera. A verdade \u00e9 que vivemos uma lua-de-mel de sete dias.<\/p>\n<p>No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de c\u00e3o, n\u00e3o dormir, n\u00e3o pensar em mais nada, recolher inj\u00farias, e, \u00e0s vezes, rir delas, com um ar de resigna\u00e7\u00e3o e conformidade; reparei que era um modo de lhe fazer corte. Tudo impertin\u00eancias de mol\u00e9stia e do temperamento. A mol\u00e9stia era um ros\u00e1rio delas, padecia de aneurisma, de reumatismo e de tr\u00eas ou quatro afec\u00e7\u00f5es menores. Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se fosse s\u00f3 rabugento, v\u00e1; mas ele era tamb\u00e9m mau, deleitava-se com a dor e a humilha\u00e7\u00e3o dos outros. No fim de tr\u00eas meses estava farto de o aturar; determinei vir embora; s\u00f3 esperei ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o tardou a ocasi\u00e3o. Um dia, como lhe n\u00e3o desse a tempo uma fomenta\u00e7\u00e3o, pegou da bengala e atirou-me dous ou tr\u00eas golpes. N\u00e3o era preciso mais; despedi-me imediatamente, e fui aprontar a mala. Ele foi ter comigo, ao quarto, pediu-me que ficasse, que n\u00e3o valia a pena zangar por uma rabugice de velho. Instou tanto que fiquei.<\/p>\n<p>\u2014 Estou na dependura, Proc\u00f3pio, dizia-me ele \u00e0 noite; n\u00e3o posso viver muito tempo. Estou aqui, estou na cova. Voc\u00ea h\u00e1 de ir ao meu enterro, Proc\u00f3pio; n\u00e3o o dispenso por nada. H\u00e1 de ir, h\u00e1 de rezar ao p\u00e9 da minha sepultura. Se n\u00e3o for, acrescentou rindo, eu voltarei de noite para lhe puxar as pernas. Voc\u00ea cr\u00ea em almas de outro mundo, Proc\u00f3pio? \u2014 Qual o qu\u00ea! \u2014 E por que \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 de crer, seu burro? redarg\u00fciu vivamente, arregalando os olhos.<\/p>\n<p>Eram assim as pazes; imagine a guerra. Coibiu-se das bengaladas; mas as inj\u00farias ficaram as mesmas, se n\u00e3o piores. Eu, com o tempo, fui calejando, e n\u00e3o dava mais por nada; era burro, camelo, peda\u00e7o d\u2019asno, idiota, moleir\u00e3o, era tudo. Nem, ao menos, havia mais gente que recolhesse uma parte desses nomes. N\u00e3o tinha parentes; tinha um sobrinho que morreu t\u00edsico, em fins de maio ou princ\u00edpios de julho, em Minas. Os amigos iam por l\u00e1 \u00e0s vezes aprov\u00e1-lo, aplaudi-lo, e nada mais; cinco, dez minutos de visita. Restava eu; era eu sozinho para um dicion\u00e1rio inteiro. Mais de uma vez resolvi sair; mas, instado pelo vig\u00e1rio, ia ficando.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 as rela\u00e7\u00f5es foram-se tornando melindrosas, mas eu estava ansioso por tornar \u00e0 Corte. Aos quarenta e dois anos n\u00e3o \u00e9 que havia de acostumar-me \u00e0 reclus\u00e3o constante, ao p\u00e9 de um doente bravio, no interior. Para avaliar o meu isolamento, basta saber que eu nem lia os jornais; salvo alguma not\u00edcia mais importante que levavam ao coronel, eu nada sabia do resto do mundo. Entendi, portanto, voltar para a Corte, na primeira ocasi\u00e3o, ainda que tivesse de brigar com o vig\u00e1rio. Bom \u00e9 dizer (visto que fa\u00e7o uma confiss\u00e3o geral) que, nada gastando e tendo guardado integralmente os ordenados, estava ansioso por vir dissip\u00e1-los aqui.<\/p>\n<p>Era prov\u00e1vel que a ocasi\u00e3o aparecesse. O coronel estava pior, fez testamento, descompondo o tabeli\u00e3o, quase tanto como a mim. O trato era mais duro, os breves lapsos de sossego e brandura faziam-se raros. J\u00e1 por esse tempo tinha eu perdido a escassa dose de piedade que me fazia esquecer os excessos do doente; trazia dentro de mim um fermento de \u00f3dio e avers\u00e3o. No princ\u00edpio de agosto resolvi definitivamente sair; o vig\u00e1rio e o m\u00e9dico, aceitando as raz\u00f5es, pediram-me que ficasse algum tempo mais. Concedi-lhes um m\u00eas; no fim de um m\u00eas viria embora, qualquer que fosse o estado do doente. O vig\u00e1rio tratou de procurar-me substituto.<\/p>\n<p>Vai ver o que aconteceu. Na noite de vinte e quatro de agosto, o coronel teve um acesso de raiva, atropelou-me, disse-me muito nome cru, amea\u00e7ou-me de um tiro, e acabou atirando-me um prato de mingau, que achou frio, o prato foi cair na parede onde se fez em peda\u00e7os.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1s de pag\u00e1-lo, ladr\u00e3o! bradou ele.<\/p>\n<p>Resmungou ainda muito tempo. \u00c0s onze horas passou pelo sono. Enquanto ele dormia, saquei um livro do bolso, um velho romance de d\u2019Arlincourt, traduzido, que l\u00e1 achei, e pus-me a l\u00ea-lo, no mesmo quarto, a pequena dist\u00e2ncia da cama; tinha de acord\u00e1-lo \u00e0 meia-noite para lhe dar o rem\u00e9dio. Ou fosse de cansa\u00e7o, ou do livro, antes de chegar ao fim da segunda p\u00e1gina adormeci tamb\u00e9m. Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lan\u00e7ar m\u00e3o da moringa e arremess\u00e1-la contra mim. N\u00e3o tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que n\u00e3o vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as m\u00e3os ao pesco\u00e7o, lutamos, e esganei-o.<\/p>\n<p>Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas ningu\u00e9m me ouviu. Voltei \u00e0 cama, agitei-o para cham\u00e1-lo \u00e0 vida, era tarde; arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu. Passei \u00e0 sala cont\u00edgua, e durante duas horas n\u00e3o ousei voltar ao quarto. N\u00e3o posso mesmo dizer tudo o que passei, durante esse tempo. Era um atordoamento, um del\u00edrio vago e est\u00fapido. Parecia-me que as paredes tinham vultos; escutava umas vozes surdas. Os gritos da v\u00edtima, antes da luta e durante a luta, continuavam a repercutir dentro de mim, e o ar, para onde quer que me voltasse, aparecia recortado de convuls\u00f5es. N\u00e3o creia que esteja fazendo imagens nem estilo; digo-lhe que eu ouvia distintamente umas vozes que me bradavam: assassino! assassino! Tudo o mais estava calado. O mesmo som do rel\u00f3gio, lento, igual e seco, sublinhava o sil\u00eancio e a solid\u00e3o. Colava a orelha \u00e0 porta do quarto na esperan\u00e7a de ouvir um gemido, uma palavra, uma inj\u00faria, qualquer coisa que significasse a vida, e me restitu\u00edsse a paz \u00e0 consci\u00eancia. Estaria pronto a apanhar das m\u00e3os do coronel, dez, vinte, cem vezes. Mas nada, nada; tudo calado. Voltava a andar \u00e0 toa na sala, sentava-me, punha as m\u00e3os na cabe\u00e7a; arrependia-me de ter vindo. \u2014 &#8220;Maldita a hora em que aceitei semelhante coisa!&#8221; exclamava. E descompunha o padre de Niter\u00f3i, o m\u00e9dico, o vig\u00e1rio, os que me arranjaram um lugar, e os que me pediram para ficar mais algum tempo. Agarrava-me \u00e0 cumplicidade dos outros homens.<\/p>\n<p>Como o sil\u00eancio acabasse por aterrar-me, abri uma das janelas, para escutar o som do vento, se ventasse. N\u00e3o ventava. A noite ia tranq\u00fcila, as estrelas fulguravam, com a indiferen\u00e7a de pessoas que tiram o chap\u00e9u a um enterro que passa, e continuam a falar de outra coisa. Encostei-me ali por algum tempo, fitando a noite, deixando-me ir a uma recapitula\u00e7\u00e3o da vida, a ver se descansava da dor presente. S\u00f3 ent\u00e3o posso dizer que pensei claramente no castigo. Achei-me com um crime \u00e0s costas e vi a puni\u00e7\u00e3o certa. Aqui o temor complicou o remorso. Senti que os cabelos me ficavam de p\u00e9. Minutos depois, vi tr\u00eas ou quatro vultos de pessoas, no terreiro espiando, com um ar de emboscada; recuei, os vultos esva\u00edram-se no ar; era uma alucina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes do alvorecer curei a contus\u00e3o da face. S\u00f3 ent\u00e3o ousei voltar ao quarto. Recuei duas vezes, mas era preciso e entrei; ainda assim, n\u00e3o cheguei logo \u00e0 cama. Tremiam-me as pernas, o cora\u00e7\u00e3o batia-me; cheguei a pensar na fuga; mas era confessar o crime, e, ao contr\u00e1rio, urgia fazer desaparecer os vest\u00edgios dele. Fui at\u00e9 a cama; vi o cad\u00e1ver, com os olhos arregalados e a boca aberta, como deixando passar a eterna palavra dos s\u00e9culos: &#8220;Caim, que fizeste de teu irm\u00e3o?&#8221; Vi no pesco\u00e7o o sinal das minhas unhas; abotoei alto a camisa e cheguei ao queixo a ponta do len\u00e7ol. Em seguida, chamei um escravo, disse-lhe que o coronel amanhecera morto; mandei recado ao vig\u00e1rio e ao m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A primeira id\u00e9ia foi retirar-me logo cedo, a pretexto de ter meu irm\u00e3o doente, e, na verdade, recebera carta dele, alguns dias antes, dizendo-me que se sentia mal. Mas adverti que a retirada imediata poderia fazer despertar suspeitas, e fiquei. Eu mesmo amortalhei o cad\u00e1ver, com o aux\u00edlio de um preto velho e m\u00edope. N\u00e3o sa\u00ed da sala mortu\u00e1ria; tinha medo de que descobrissem alguma cousa. Queria ver no rosto dos outros se desconfiavam; mas n\u00e3o ousava fitar ningu\u00e9m. Tudo me dava impaci\u00eancias: os passos de ladr\u00e3o com que entravam na sala, os cochichos, as cerim\u00f4nias e as rezas do vig\u00e1rio. Vindo a hora, fechei o caix\u00e3o, com as m\u00e3os tr\u00eamulas, t\u00e3o tr\u00eamulas que uma pessoa, que reparou nelas, disse a outra com piedade: \u2014 Coitado do Proc\u00f3pio! apesar do que padeceu, est\u00e1 muito sentido.<\/p>\n<p>Pareceu-me ironia; estava ansioso por ver tudo acabado. Sa\u00edmos \u00e0 rua. A passagem da meia escurid\u00e3o da casa para a claridade da rua deu-me grande abalo; receei que fosse ent\u00e3o imposs\u00edvel ocultar o crime. Meti os olhos no ch\u00e3o, e fui andando. Quando tudo acabou, respirei. Estava em paz com os homens. N\u00e3o o estava com a consci\u00eancia, e as primeiras noites foram naturalmente de desassossego e afli\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que vim logo para o Rio de Janeiro, nem que vivi aqui aterrado, embora longe do crime; n\u00e3o ria, falava pouco, mal comia, tinha alucina\u00e7\u00f5es, pesadelos&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Deixa l\u00e1 o outro que morreu, diziam-me. N\u00e3o \u00e9 caso para tanta melancolia.<\/p>\n<p>E eu aproveitava a ilus\u00e3o, fazendo muitos elogios ao morto, chamando-lhe boa criatura, impertinente, \u00e9 verdade, mas um cora\u00e7\u00e3o de ouro. E elogiando, convencia-me tamb\u00e9m, ao menos por alguns instantes. Outro fen\u00f4meno interessante, e que talvez lhe possa aproveitar, \u00e9 que, n\u00e3o sendo religioso, mandei dizer uma missa pelo eterno descanso do coronel, na igreja do Sacramento. N\u00e3o fiz convites, n\u00e3o disse nada a ningu\u00e9m; fui ouvi-la, sozinho, e estive de joelhos todo o tempo, persignando-me a mi\u00fado. Dobrei a esp\u00f3rtula do padre, e distribu\u00ed esmolas \u00e0 porta, tudo por inten\u00e7\u00e3o do finado. N\u00e3o queria embair os homens; a prova \u00e9 que fui s\u00f3. Para completar este ponto, acrescentarei que nunca aludia ao coronel, que n\u00e3o dissesse: &#8220;Deus lhe fale n\u2019alma!&#8221; E contava dele algumas anedotas alegres, rompantes engra\u00e7ados&#8230;<\/p>\n<p>Sete dias depois de chegar ao Rio de Janeiro, recebi a carta do vig\u00e1rio, que lhe mostrei, dizendo-me que fora achado o testamento do coronel, e que eu era o herdeiro universal. Imagine o meu pasmo. Pareceu-me que lia mal, fui a meu irm\u00e3o, fui aos amigos; todos leram a mesma cousa. Estava escrito; era eu o herdeiro universal do coronel. Cheguei a supor que fosse uma cilada; mas adverti logo que havia outros meios de capturar-me, se o crime estivesse descoberto. Demais, eu conhecia a probidade do vig\u00e1rio, que n\u00e3o se prestaria a ser instrumento. Reli a carta, cinco, dez, muitas vezes; l\u00e1 estava a not\u00edcia.<\/p>\n<p>\u2014 Quanto tinha ele? perguntava-me meu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o sei, mas era rico.<\/p>\n<p>\u2014 Realmente, provou que era teu amigo.<\/p>\n<p>\u2014 Era&#8230; Era&#8230;<\/p>\n<p>Assim por uma ironia da sorte, os bens do coronel vinham parar \u00e0s minhas m\u00e3os. Cogitei em recusar a heran\u00e7a. Parecia-me odioso receber um vint\u00e9m do tal esp\u00f3lio; era pior do que fazer-me esbirro alugado. Pensei nisso tr\u00eas dias, e esbarrava sempre na considera\u00e7\u00e3o de que a recusa podia fazer desconfiar alguma cousa. No fim dos tr\u00eas dias, assentei num meio-termo; receberia a heran\u00e7a e d\u00e1-la-ia toda, aos bocados e \u00e0s escondidas. N\u00e3o era s\u00f3 escr\u00fapulo; era tamb\u00e9m o modo de resgatar o crime por um ato de virtude; pareceu-me que ficava assim de contas saldas.<\/p>\n<p>Preparei-me e segui para a vila. Em caminho, \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que me ia aproximando, recordava o triste sucesso; as cercanias da vila tinham um aspecto de trag\u00e9dia, e a sombra do coronel parecia-me surgir de cada lado. A imagina\u00e7\u00e3o ia reproduzindo as palavras, os gestos, toda a noite horrenda do crime&#8230;<\/p>\n<p>Crime ou luta? Realmente, foi uma luta, em que eu, atacado, defendi-me, e na defesa&#8230; Foi uma luta desgra\u00e7ada, uma fatalidade. Fixei-me nessa id\u00e9ia. E balanceava os agravos, punha no ativo as pancadas, as inj\u00farias&#8230; N\u00e3o era culpa do coronel, bem o sabia, era da mol\u00e9stia, que o tornava assim rabugento e at\u00e9 mau&#8230; Mas eu perdoava tudo, tudo&#8230; O pior foi a fatalidade daquela noite&#8230; Considerei tamb\u00e9m que o coronel n\u00e3o podia viver muito mais; estava por pouco; ele mesmo o sentia e dizia. Viveria quanto? Duas semanas, ou uma; pode ser at\u00e9 que menos. J\u00e1 n\u00e3o era vida, era um molambo de vida, se isto mesmo se podia chamar ao padecer cont\u00ednuo do pobre homem&#8230; E quem sabe mesmo se a luta e a morte n\u00e3o foram apenas coincidentes? Podia ser, era at\u00e9 o mais prov\u00e1vel; n\u00e3o foi outra cousa. Fixei-me tamb\u00e9m nessa id\u00e9ia&#8230;<\/p>\n<p>Perto da vila apertou-se-me o cora\u00e7\u00e3o, e quis recuar; mas dominei-me e fui. Receberam-me com parab\u00e9ns. O vig\u00e1rio disse-me as disposi\u00e7\u00f5es do testamento, os legados pios, e de caminho ia louvando a mansid\u00e3o crist\u00e3 e o zelo com que eu servira ao coronel, que, apesar de \u00e1spero e duro, soube ser grato.<\/p>\n<p>\u2014 Sem d\u00favida, dizia eu olhando para outra parte.<\/p>\n<p>Estava atordoado. Toda a gente me elogiava a dedica\u00e7\u00e3o e a paci\u00eancia. As primeiras necessidades do invent\u00e1rio detiveram-me algum tempo na vila. Constitu\u00ed advogado; as cousas correram placidamente. Durante esse tempo, falava muita vez do coronel. Vinham contar-me cousas dele, mas sem a modera\u00e7\u00e3o do padre; eu defendia-o, apontava algumas virtudes, era austero&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Qual austero! J\u00e1 morreu, acabou; mas era o diabo.<\/p>\n<p>E referiam-me casos duros, a\u00e7\u00f5es perversas, algumas extraordin\u00e1rias. Quer que lhe diga? Eu, a princ\u00edpio, ia ouvindo cheio de curiosidade; depois, entrou-me no cora\u00e7\u00e3o um singular prazer, que eu sinceramente buscava expelir. E defendia o coronel, explicava-o, atribu\u00eda alguma coisa \u00e0s rivalidades locais; confessava, sim, que era um pouco violento&#8230; Um pouco? Era uma cobra assanhada, interrompia-me o barbeiro; e todos, o coletor, o botic\u00e1rio, o escriv\u00e3o, todos diziam a mesma coisa; e vinham outras anedotas, vinha toda a vida do defunto. Os velhos lembravam-se das crueldades dele, em menino. E o prazer \u00edntimo, calado, insidioso, crescia dentro de mim, esp\u00e9cie de t\u00eania moral, que por mais que a arrancasse aos peda\u00e7os recompunha-se logo e ia ficando.<\/p>\n<p>As obriga\u00e7\u00f5es do invent\u00e1rio distra\u00edram-me; e por outro lado a opini\u00e3o da vila era t\u00e3o contr\u00e1ria ao coronel, que a vista dos lugares foi perdendo para mim a fei\u00e7\u00e3o tenebrosa que a princ\u00edpio achei neles. Entrando na posse da heran\u00e7a, converti-a em t\u00edtulos e dinheiro. Eram ent\u00e3o passados muitos meses, e a id\u00e9ia de distribu\u00ed-la toda em esmolas e donativos pios n\u00e3o me dominou como da primeira vez; achei mesmo que era afeta\u00e7\u00e3o. Restringi o plano primitivo: distribu\u00ed alguma cousa aos pobres, dei \u00e0 matriz da vila uns paramentos novos, fiz uma esmola \u00e0 Santa Casa da Miseric\u00f3rdia, etc.: ao todo trinta e dous contos. Mandei tamb\u00e9m levantar um t\u00famulo ao coronel, todo de m\u00e1rmore, obra de um napolitano, que aqui esteve at\u00e9 1866, e foi morrer, creio eu, no Paraguai.<\/p>\n<p>Os anos foram andando, a mem\u00f3ria tornou-se cinzenta e desmaiada. Penso \u00e0s vezes no coronel, mas sem os terrores dos primeiros dias. Todos os m\u00e9dicos a quem contei as mol\u00e9stias dele, foram acordes em que a morte era certa, e s\u00f3 se admiravam de ter resistido tanto tempo. Pode ser que eu, involuntariamente, exagerasse a descri\u00e7\u00e3o que ent\u00e3o lhes fiz; mas a verdade \u00e9 que ele devia morrer, ainda que n\u00e3o fosse aquela fatalidade&#8230;<\/p>\n<p>Adeus, meu caro senhor. Se achar que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me tamb\u00e9m com um t\u00famulo de m\u00e1rmore, ao qual dar\u00e1 por epit\u00e1fio esta emenda que fa\u00e7o aqui ao divino serm\u00e3o da montanha: &#8220;Bem-aventurados os que possuem, porque eles ser\u00e3o consolados.&#8221;<\/p>\n<p>FIM<\/p>\n<p class=\"fonte\">Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"busca-rodape\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis PARECE-LHE ENT\u00c3O que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa p\u00e1gina de livro? V\u00e1 que seja, com a condi\u00e7\u00e3o \u00fanica de que n\u00e3o h\u00e1 de divulgar nada antes da minha morte. N\u00e3o esperar\u00e1 muito, pode ser que oito dias, se n\u00e3o for menos; estou desenganado. Olhe, eu podia mesmo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-121135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Enfermeiro, Machado de Assis O Enfermeiro<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O Enfermeiro, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Enfermeiro\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Enfermeiro, Machado de Assis O Enfermeiro\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Enfermeiro, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Enfermeiro\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-05-05T11:12:51+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"O Enfermeiro\",\"datePublished\":\"2017-05-05T11:12:51+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro\"},\"wordCount\":3358,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro\",\"name\":\"O Enfermeiro, Machado de Assis O Enfermeiro\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-05-05T11:12:51+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"description\":\"O Enfermeiro, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Enfermeiro\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-enfermeiro#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"O Enfermeiro\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\",\"name\":\"Fabiane Breda\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Enfermeiro, Machado de Assis O Enfermeiro","description":"O Enfermeiro, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Enfermeiro","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O Enfermeiro, Machado de Assis O Enfermeiro","og_description":"O Enfermeiro, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Enfermeiro","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-05-05T11:12:51+00:00","author":"Fabiane Breda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Fabiane Breda","Est. tempo de leitura":"17 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro"},"author":{"name":"Fabiane Breda","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"headline":"O Enfermeiro","datePublished":"2017-05-05T11:12:51+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro"},"wordCount":3358,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro","name":"O Enfermeiro, Machado de Assis O Enfermeiro","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-05-05T11:12:51+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"description":"O Enfermeiro, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Enfermeiro","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-enfermeiro#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"O Enfermeiro"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa","name":"Fabiane Breda"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121135\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}