{"id":120661,"date":"2017-04-27T19:36:09","date_gmt":"2017-04-27T21:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=120661"},"modified":"2017-04-27T19:36:09","modified_gmt":"2017-04-27T21:36:09","slug":"criticas-teatrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/criticas-teatrais","title":{"rendered":"Cr\u00edticas Teatrais"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de Assis<\/h2>\n<h2>ID\u00c9IAS SOBRE O TEATRO<\/h2>\n<h2>I<\/h2>\n<p>A arte dram\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 ainda entre n\u00f3s um culto; as voca\u00e7\u00f5es definem-se e educam-se como um resultado acidental. As perspectivas do belo n\u00e3o s\u00e3o ainda o im\u00e3 da cena; o fundo de uma posi\u00e7\u00e3o importante ou de um emprego suave, \u00e9 que para l\u00e1 impele as tend\u00eancias balbuciantes. As exce\u00e7\u00f5es neste caso s\u00e3o t\u00e3o raras, t\u00e3o isoladas que n\u00e3o constituem um protesto a verdade absoluta da asser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo, pois a arte um culto, a id\u00e9ia desapareceu do teatro e ele reduziu-se ao simples foro de uma secretaria de estado. Desceu para l\u00e1 o oficial com todos os seus atavios: a p\u00eandula marcou a hora do trabalho, e o talento prendeu-se no mon\u00f3tono emprego de copiar as formas comuns, cedidas e fatigantes de um aviso sobre a regularidade da limpeza p\u00fablica.<\/p>\n<p>Ora, a espontaneidade p\u00e1ra onde o oficial come\u00e7a; os talentos, em vez de se expandirem no largo das concep\u00e7\u00f5es infinitas, limitaram-se \u00e0 estrada indicada pelo resultado real e representativo das suas fadigas de trinta dias. Prometeu atou-se ao C\u00e1ucaso.<\/p>\n<p>Daqui uma por\u00e7\u00e3o de p\u00e1ginas perdidas. As voca\u00e7\u00f5es viciosas e simp\u00e1ticas sufocaram debaixo da atmosfera de gelo, que parece pesar, como um sud\u00e1rio de morto, sobre a tenda da arte. Daqui o pouco ouro que havia, l\u00e1 vai quase despercebido no meio da terra que preenche a \u00e2mbula sagrada.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o desconhecidas as causas dessa prostitui\u00e7\u00e3o imoral? N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil assinalar a primeira, e talvez a \u00fanica que maiores efeitos tem produzido. Entre n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 iniciativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 iniciativa, isto \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e3o poderosa que abra uma dire\u00e7\u00e3o aos esp\u00edritos; h\u00e1 terreno, n\u00e3o h\u00e1 semente; h\u00e1 rebanho, n\u00e3o h\u00e1 pastor; h\u00e1 plat\u00e9ia, mas n\u00e3o h\u00e1 outro sistema.<\/p>\n<p>A arte para n\u00f3s foi sempre \u00f3rf\u00e3; adornou-se nos esfor\u00e7os, imposs\u00edveis quase, de alguns caracteres de ferro, mas, caminho certo, estrela alvo, nunca os teve.<\/p>\n<p>Assim, basta a boa vontade de um exame ligeiro sobre a nossa situa\u00e7\u00e3o art\u00edstica para reconhecer que estamos na inf\u00e2ncia da moral; e que ainda tateamos para darmos com a porta da adolesc\u00eancia que parece escondida nas trevas do futuro.<\/p>\n<p>A iniciativa em arte dram\u00e1tica n\u00e3o se limita ao estreito c\u00edrculo do tablado \u2013 vai al\u00e9m da rampa, vai ao povo. As plat\u00e9ias est\u00e3o aqui perfeitamente educadas? A resposta \u00e9 negativa.<\/p>\n<p>Uma plat\u00e9ia avan\u00e7ada, com um tablado balbuciante e errado, \u00e9 um anacronismo, uma impossibilidade. H\u00e1 uma interna rela\u00e7\u00e3o entre uma e outro. S\u00f3focles hoje faria rir ou enjoaria as massas; e as plat\u00e9ias gregas pateariam de boa vontade uma cena de Dumas ou Barri\u00e8re.<\/p>\n<p>A iniciativa, pois, deve ter uma mira \u00fanica: a educa\u00e7\u00e3o. Demonstrar aos iniciados as verdades e as concep\u00e7\u00f5es da arte; e conduzir os esp\u00edritos flutuantes e contra\u00eddos da plat\u00e9ia \u00e0 esfera dessas concep\u00e7\u00f5es e dessas verdades. Desta harmonia rec\u00edproca de dire\u00e7\u00f5es que a plat\u00e9ia e o talento se acham arredados no caminho da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 um completo deslocamento: a arte divorciou-se do p\u00fablico. H\u00e1 entre a rampa e a plat\u00e9ia um v\u00e1cuo imenso de que nem uma nem outra se apercebe.<\/p>\n<p>A plat\u00e9ia ainda dominada pela impress\u00e3o de uma atmosfera, dissipada hoje no verdadeiro mundo da arte, &#8211; n\u00e3o pode sentir claramente as condi\u00e7\u00f5es vitais de uma nova esfera que parece encerrar o esp\u00edrito moderno. Ora, \u00e0 arte tocava a explora\u00e7\u00e3o dos novos mares que se lhe apresentam no horizonte, assim como o abrir gradual, mas, urgente, dos olhos do p\u00fablico. Uma iniciativa firme e fecunda \u00e9 o elixir necess\u00e1rio \u00e0 situa\u00e7\u00e3o; um dedo que, grupando plat\u00e9ia e tablado, folheie a ambos a grande b\u00edblia da arte moderna com todas as rela\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9 do que precisamos na atualidade.<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o h\u00e1 mais pretens\u00f5es, creio eu, de metodizar uma luta de escola, e estabelecer a concorr\u00eancia de dois princ\u00edpios. \u00c9 claro ou \u00e9 simples que a arte n\u00e3o pode aberrar das condi\u00e7\u00f5es atuais da sociedade para perder-se no mundo labir\u00edntico das abstra\u00e7\u00f5es. O teatro \u00e9 para o povo o que o Coro era para o antigo teatro grego; uma iniciativa de moral e civiliza\u00e7\u00e3o. Ora, n\u00e3o se pode moralizar fatos de pura abstra\u00e7\u00e3o em proveito das sociedades; a arte n\u00e3o deve desvairar-se no doido infinito das concep\u00e7\u00f5es ideais, mas identificar-se com o fundo das massas; copiar, acompanhar o povo em seus diversos movimentos, nos v\u00e1rios modos da sua atividade.<\/p>\n<p>Copiar a civiliza\u00e7\u00e3o existente e adicionar-lhe uma part\u00edcula, \u00e9 uma das for\u00e7as mais produtivas com que conta a sociedade em sua marcha de progresso ascendente.<\/p>\n<p>Assim os desvios de uma sociedade de transi\u00e7\u00e3o l\u00e1 v\u00e3o passando e \u00e0 arte moderna toca corrigi-la de todo. Querer levantar luta entre um princ\u00edpio falso, deca\u00eddo, e uma id\u00e9ia verdadeira que se levanta, \u00e9 encerrar nas grades de uma gaiola as verdades puras que se evidenciam no c\u00e9rebro de Salom\u00e3o de Caus.<\/p>\n<p>Estas apreens\u00f5es s\u00e3o tomadas de alto e constituem as bordas da cratera que \u00e9 preciso entrar.<\/p>\n<p>Des\u00e7amos at\u00e9 as aplica\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>A arena da arte dram\u00e1tica entre n\u00f3s \u00e9 t\u00e3o limitada, que \u00e9 dif\u00edcil fazer aplica\u00e7\u00f5es sem parecer assinalar fatos, ou ferir individualidades. De resto, \u00e9 de sobre individualidades e fatos que irradiam os v\u00edcios e as virtudes, e sobre eles assenta sempre a an\u00e1lise. Todas as suscetibilidades, pois, s\u00e3o inconseq\u00fcentes, &#8211; a menos que o erro ou a maledic\u00eancia modelem estas ligeiras aprecia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A reforma da arte dram\u00e1tica estendeu-se at\u00e9 n\u00f3s e pareceu dominar definitivamente uma fra\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 o resultado de um esfor\u00e7o isolado operando por um grupo de homens. N\u00e3o tem a\u00e7\u00e3o larga sobre a sociedade. Esse esfor\u00e7o tem-se mantido e produzido os mais belos efeitos; inoculou em algumas art\u00e9rias o sangue das novas id\u00e9ias, mas n\u00e3o o pode ainda fazer relativamente a todo o corpo social.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 aqui iniciativa direta e relacionada com todos os outros grupos e filhos da arte.<\/p>\n<p>A sua a\u00e7\u00e3o sobre o povo limita-se a um c\u00edrculo t\u00e3o pequeno que dificilmente faria resvalar os novos dogmas em todas as dire\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Fora dessa manifesta\u00e7\u00e3o singular e isolada, &#8211; h\u00e1 algumas voca\u00e7\u00f5es que de bom grado acompanharia o movimento art\u00edstico de sorte a tomarem uma dire\u00e7\u00e3o mais de acordo com as opini\u00f5es do s\u00e9culo. Mas s\u00e3o ainda voca\u00e7\u00f5es isoladas, manifesta\u00e7\u00f5es imponentes. Tudo \u00e9 abafado e se perde na grande massa.<\/p>\n<p>Assinaladas e postas de parte certas cren\u00e7as ainda cheias de f\u00e9, esse amor ainda santificado, o que resta? Os mercadores entraram no templo e l\u00e1 foram pendurar as suas alfaias de fancaria. S\u00e3o os jesu\u00edtas da arte; os jesu\u00edtas expuseram o Cristo por tabuleta e curvaram-se sobre o balc\u00e3o para absorver as fortunas. Os novos invasores fizeram o mesmo, a arte \u00e9 a inscri\u00e7\u00e3o com que parecem absorver fortunas e seiva.<\/p>\n<p>A arte dram\u00e1tica tornou-se definitivamente uma carreira p\u00fablica.<\/p>\n<p>Dirigiram mal as tend\u00eancias e o povo. Diante das voca\u00e7\u00f5es colocaram os horizontes de um futuro ingl\u00f3rio, e fizeram crer \u00e0s turbas que o teatro foi feito para passatempo. Aquelas e este tomaram caminho errado; e divorciaram-se na estrada da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deste mundo sem iniciativa nasceram o anacronismo, as anomalias, as contradi\u00e7\u00f5es grotescas, as mascaradas, o marasmo. A musa do tablado doidejou com os vestidos de arlequim, &#8211; no meio das agrupadas de uma multid\u00e3o \u00e9bria.<\/p>\n<p>\u00c9 um fiat de reforma que precisa este caos.<\/p>\n<p>H\u00e1 mister de m\u00e3o h\u00e1bil que ponha em a\u00e7\u00e3o, com proveito para a arte e para o pa\u00eds, as subven\u00e7\u00f5es improdutivas, empregadas na aquisi\u00e7\u00e3o de individualidades parasitas.<\/p>\n<p>Esta necessidade palpitante n\u00e3o entra na vista dos nossos governos. Limitam-se ao apoio material das subven\u00e7\u00f5es e deixam entregue ao teatro a m\u00e3os ou profanas ou mal\u00e9ficas.<\/p>\n<p>O desleixo, as lutas internas, s\u00e3o os resultados lament\u00e1veis desses desvios da arte. Levantar um paradeiro a essa corrente despenhada de desvarios, \u00e9 a obra dos governos e das iniciativas verdadeiramente dedicadas.<\/p>\n<p>O ESPELHO, 25 de setembro de 1859.<\/p>\n<h2>II<\/h2>\n<p>Se o teatro como tablado degenerou entre n\u00f3s, o teatro como literatura \u00e9 uma fantasia do esp\u00edrito.<\/p>\n<p>N\u00e3o se argumente com meia d\u00fazia de tentativas, que constituem apenas uma exce\u00e7\u00e3o; o poeta dram\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 ainda aqui um sacerdote, mas um crente de momento que tirou simplesmente o chap\u00e9u ao passar pela porta do templo. Orou e foi caminho.<\/p>\n<p>O teatro tornou-se uma escola de aclimata\u00e7\u00e3o intelectual para que se transplantaram as concep\u00e7\u00f5es de estranhas atmosferas, de c\u00e9us remotos. A miss\u00e3o nacional, renegou-a ele em seu caminhar na civiliza\u00e7\u00e3o; n\u00e3o tem cunho, reflete as sociedades estranhas, vai ao impulso de revolu\u00e7\u00f5es alheias \u00e0 sociedade que representa, presbita da arte que n\u00e3o enxerga o que se move debaixo das m\u00e3os.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 aridez de intelig\u00eancia? n\u00e3o o creio. \u00c9 fecunda de talentos a sociedade atual. Ser\u00e1 falta de \u00e2nimo? talvez; mas ser\u00e1 essencialmente falta de emula\u00e7\u00e3o. Essas \u00e9 a causa leg\u00edtima da aus\u00eancia do poeta dram\u00e1tico; essa n\u00e3o outra.<\/p>\n<p>Falta de emula\u00e7\u00e3o? Donde vem ela? Das plat\u00e9ias? Das plat\u00e9ias. Mas \u00e9 preciso entender: das plat\u00e9ias, porque elas n\u00e3o t\u00eam, como disse, uma sedu\u00e7\u00e3o real e conseq\u00fcente.<\/p>\n<p>J\u00e1 assinalei a aus\u00eancia de iniciativa e a desordem que esteriliza e mata tanto elemento aproveit\u00e1vel que a arte em caos encerra. A essa falta de um raio condutor se prende ainda a defici\u00eancia de poetas dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Uma educa\u00e7\u00e3o viciosa constitui o paladar das plat\u00e9ias. Fizeram desfilar em face das multid\u00f5es uma prociss\u00e3o de manjares esquisitos de um sabor estranho, no festim da arte, os naturalizaram sem cuidar dos elementos que fermentavam em torno de nossa sociedade, e que s\u00f3 esperavam uma m\u00e3o para tomarem uma forma e uma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As turbas n\u00e3o s\u00e3o o m\u00e1rmore que cede somente ao trescalar laborioso do escopro, s\u00e3o a argamassa que se amolda \u00e0 press\u00e3o dos dedos. Era f\u00e1cil dar-lhes uma fisionomia; deram-lha. Os olhos foram rasgados para verem segundo as conveni\u00eancias singulares de uma autocracia absoluta.<\/p>\n<p>Conseguiram faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Habituaram a plat\u00e9ia nos boulevards; elas esqueceram as dist\u00e2ncias e gravitam em um c\u00edrculo vicioso. Esqueceram-se de si mesmas; e os czares da arte lisonjeiam-lhes a ilus\u00e3o com esse manjar exclusivo que deitam \u00e0 mesa p\u00fablica.<\/p>\n<p>Podiam dar a m\u00e3o aos talentos que se grupam nos derradeiros degraus \u00e0 espra de um chamado.<\/p>\n<p>Nada! As tentativas nascem pelo esfor\u00e7o sobre humano de alguma intelig\u00eancia onipotente, &#8211; mas passam depois de assinalar um sacrif\u00edcio mais nada! E, de feito, n\u00e3o \u00e9 mau este proceder. \u00c9 uma mina o estrangeiro, h\u00e1 sempre que tomar \u00e0 m\u00e3o; e as intelig\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas dispostas \u00e0s vontades e a conveni\u00eancias especulativas.<\/p>\n<p>Daqui o nascimento de uma entidade: o tradutor dram\u00e1tico, esp\u00e9cie de criado de servir que passa, de uma sala a outra, os pratos de uma cozinha estranha.<\/p>\n<p>Ainda mais essa! Dessa defici\u00eancia de poetas dram\u00e1ticos, que de coisas resultam! que deslocamentos! Vejamos.<\/p>\n<p>Pelo lado da arte o teatro deixa de ser uma reprodu\u00e7\u00e3o da vida social na esfera de sua localidade. A cr\u00edtica resolver\u00e1 debalde o escalpelo nesse ventre sem entranhas pr\u00f3prias, pode ir procurar o estudo do povo em outra face; no teatro n\u00e3o encontrar\u00e1 o cunho nacional; mas uma galeria bastarda, um grupo furta-cor, uma associa\u00e7\u00e3o de nacionalidades.<\/p>\n<p>A civiliza\u00e7\u00e3o perde assim a unidade. A arte, destinada a caminhar na vanguarda do povo como uma preceptora, &#8211; vai copiar as sociedades ultra-fronteiras.<\/p>\n<p>Tarefa est\u00e9ril! N\u00e3o p\u00e1ra aqui. Consideremos o teatro como um canal de inicia\u00e7\u00e3o. O jornal e a tribuna s\u00e3o os outros dois meios de proclama\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quando se procura iniciar uma verdade busca-se um desses respiradouros e lan\u00e7a-se o ponto \u00e0s multid\u00f5es ignorantes. No pa\u00eds em que o jornal, a tribuna e o teatro tiverem um desenvolvimento conveniente \u2013 as caligens cair\u00e3o aos olhos das massas; morrer\u00e1 o privil\u00e9gio, obra da noite e da sombra; e as castas superiores da sociedade ou rasgar\u00e3o os seus pergaminhos ou cair\u00e3o abra\u00e7adas com eles, como em sud\u00e1rios.<\/p>\n<p>E assim, sempre assim; a palavra escrita na imprensa, a palavra falada na tribuna, ou a palavra dramatizada no teatro, produziu sempre uma transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 o grande fiat de todos os tempos.<\/p>\n<p>H\u00e1 por\u00e9m uma diferen\u00e7a: na imprensa e na tribuna a verdade que se quer proclamar \u00e9 discutida, analisada, e torcida nos c\u00e1lculos da l\u00f3gica; no teatro h\u00e1 um processo mais simples e mais ampliado; a verdade aparece nua, sem demonstra\u00e7\u00e3o, sem an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Diante da imprensa e da tribuna as id\u00e9ias abalroam-se, ferem-se, e lutam para acordar-se; em face do teatro o homem v\u00ea, sente, palpa; est\u00e1 diante de uma sociedade viva, que se move, que se levanta, que fala, e de cujo composto se deduz a verdade, que as massas colhem por meio de inicia\u00e7\u00e3o. De um lado a narra\u00e7\u00e3o falada ou cifrada, de outro a narra\u00e7\u00e3o estampada, a sociedade reproduzida no espelho fotogr\u00e1fico da forma dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c9 quase capital a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 o teatro \u00e9 um meio de propaganda, como tamb\u00e9m o meio mais eficaz, mais firme, mais insinuante.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente o que n\u00e3o temos.<\/p>\n<p>As massas que necessitam de verdades, n\u00e3o as encontrar\u00e3o no teatro destinado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o material e improdutiva de concep\u00e7\u00f5es deslocadas da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, &#8211; e que trazem em si o cunho de sociedades afastadas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma grande perda; o sangue da civiliza\u00e7\u00e3o, que se inocula tamb\u00e9m nas veias do povo pelo teatro, n\u00e3o desce a animar o corpo social: ele se levantar\u00e1 dificilmente embora a gera\u00e7\u00e3o presente enxergue o contr\u00e1rio com seus olhos de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Insisto pois na asser\u00e7\u00e3o: o teatro n\u00e3o existe entre n\u00f3s: as exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o esfor\u00e7os isolados que n\u00e3o atuam, como disse j\u00e1, sobre a sociedade em geral. N\u00e3o h\u00e1 um teatro nem poeta dram\u00e1tico&#8230;<\/p>\n<p>Dura verdade, com efeito! Como! pois imitamos as frivolidades estrangeiras, e n\u00e3o aceitamos os seus dogmas de arte? \u00c9 um problema talvez; as sociedades infantes parecem balbuciar as verdades que deviam proclamar para o pr\u00f3prio engrandecimento. N\u00f3s temos medo da luz, por isso que a empanamos de fumo e vapor.<\/p>\n<p>Sem literatura dram\u00e1tica, e, com um tablado, regular aqui, \u00e9 verdade, mas deslocado e defeituoso ali e al\u00e9m, &#8211; n\u00e3o podemos aspirar a um grande passo na civiliza\u00e7\u00e3o. A arte cumpre assinalar como um relevo na hist\u00f3ria as aspira\u00e7\u00f5es \u00e9ticas do povo \u2013 e aperfei\u00e7o\u00e1-las e conduzi-las para um resultado de grandioso futuro.<\/p>\n<p>O que \u00e9 necess\u00e1rio para esse fim? Iniciativa e mais iniciativa.<\/p>\n<p>O ESPELHO, 2 de outubro de 1859.<\/p>\n<p>O CONSERVAT\u00d3RIO DRAM\u00c1TICO A literatura dram\u00e1tica tem, como todo o povo constitu\u00eddo, um corpo policial, que lhe serve de censura e pena: \u00e9 o conservat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Dois s\u00e3o, ou devem ser, os fins desta institui\u00e7\u00e3o: o moral e o intelectual. Preenche o primeiro na corre\u00e7\u00e3o das fei\u00e7\u00f5es menos decentes das concep\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas; atinge ao segundo analisando e decidindo sobre o m\u00e9rito liter\u00e1rio \u2013 dessas mesmas concep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como estes alvos um conservat\u00f3rio dram\u00e1tico \u00e9 mais que \u00fatil, \u00e9 necess\u00e1rio. A cr\u00edtica oficial, tribunal sem apela\u00e7\u00e3o, garantido pelo governo, sustentado pela opini\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 a mais fecunda das cr\u00edticas, quando pautada pela raz\u00e3o, e despida das estrat\u00e9gias surdas.<\/p>\n<p>Todas as tentativas, pois, toda a id\u00e9ia para nulificar uma institui\u00e7\u00e3o como esta, \u00e9 nulificar, o teatro, e tirar-lhe a fei\u00e7\u00e3o civilizadora que porventura lhe assiste.<\/p>\n<p>Corresponder\u00e1 \u00e0 defini\u00e7\u00e3o que aqui damos desse tribunal de censura, \u00e0 institui\u00e7\u00e3o que temos a\u00ed chamada \u2013 Conservat\u00f3rio Dram\u00e1tico? Se n\u00e3o corresponde, onde est\u00e1 a causa desse div\u00f3rcio entre a id\u00e9ia e o corpo? Dando \u00e0 primeira pergunta uma negativa, vejamos onde existe essa causa. \u00c9 evidente que na base, na constitui\u00e7\u00e3o interna, na lei de organiza\u00e7\u00e3o. As atribui\u00e7\u00f5es do Conservat\u00f3rio limitam-se a apontar os pontos descarnados do corpo que a dec\u00eancia manda cobrir: nunca as ofensas feitas \u00e0s leis do pa\u00eds, e \u00e0 religi\u00e3o&#8230; do Estado; mais nada.<\/p>\n<p>Assim procede o primeiro fim a que se prop\u00f5e uma corpora\u00e7\u00e3o dessa ordem; mas o segundo? nem uma concess\u00e3o, nem um direito.<\/p>\n<p>Organizado desta maneira era in\u00fatil reunir os homens da literatura nesse tribunal; um grupo de vestais bastava.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei que raz\u00e3o se pode alegar em defesa da organiza\u00e7\u00e3o atual do nosso Conservat\u00f3rio, n\u00e3o sei. Viciado na primitiva, n\u00e3o tem ainda hoje uma f\u00f3rmula e um fim mais razo\u00e1vel com as aspira\u00e7\u00f5es e com o senso comum.<\/p>\n<p>Preenchendo o primeiro dos dois alvos a que deve atender, o Conservat\u00f3rio em vez de se constituir um corpo deliberativo, torna-se uma simples m\u00e1quina, instrumento comum, n\u00e3o sem a\u00e7\u00e3o, que tra\u00e7a os seus ju\u00edzos sobre as linhas implac\u00e1veis de um estatuto que lhe serve de norma.<\/p>\n<p>Julgar de uma composi\u00e7\u00e3o pelo que toca \u00e0s ofensas feitas \u00e0 moral, \u00e0s leis e \u00e0 religi\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 discutir-lhe o m\u00e9rito puramente. Liter\u00e1rio no pensamento criador, na constru\u00e7\u00e3o c\u00eanica, no desenho dos caracteres, na disposi\u00e7\u00e3o das figuras, no jogo da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Na segunda hip\u00f3tese h\u00e1 mister de conhecimentos mais amplos, e conhecimentos tais que possam legitimar uma magistratura intelectual. Na primeira, como disse, basta apenas meia d\u00fazia de vestais e duas ou tr\u00eas daquelas fidalgas devotas do rei de Mafra. Estava preenchido o fim.<\/p>\n<p>Julgar do valor liter\u00e1rio de uma composi\u00e7\u00e3o, \u00e9 exercer uma fun\u00e7\u00e3o civilizadora, ao mesmo tempo que praticar um direito do esp\u00edrito; \u00e9 tomar um car\u00e1ter menos vassalo, e de mais inciativa e delibera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo por vezes as intelig\u00eancias do nosso Conservat\u00f3rio como que sacodem esse freio que lhe serve de lei, e entram no exerc\u00edcio desse direito que se lhe nega; n\u00e3o deliberam, \u00e9 verdade, mas protestam. A est\u00e1tua l\u00e1 vai tomar vida nas m\u00e3os de Prometeu, mas a inferioridade do m\u00e1rmore fica assinalada com a aut\u00f3psia do escopro.<\/p>\n<p>Mas ganha a literatura, ganha a arte com essas an\u00e1lises da sombra? Ganha, quando muito, o arquivo. A an\u00e1lise das concep\u00e7\u00f5es, o estudo das pros\u00f3dias, v\u00e3o morrer, ou pelo menos dormir no p\u00f3 das estantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 esta a miss\u00e3o de um Conservat\u00f3rio dram\u00e1tico. Antes negar a intelig\u00eancia que limit\u00e1-la ao estudo enfadonho das indec\u00eancias e marcar-lhe as inspira\u00e7\u00f5es pelos artigos de uma lei viciosa.<\/p>\n<p>E \u2013 note-se bem! \u2013 \u00e9 esta uma quest\u00e3o de grande alcance. Qual \u00e9 a influ\u00eancia de um Conservat\u00f3rio organizado desta forma? E que respeito pode inspirar assim ao teatro? Trocam-se os pap\u00e9is. A institui\u00e7\u00e3o perde o direito de juiz e desce na raz\u00e3o da ascend\u00eancia do teatro.<\/p>\n<p>Fa\u00e7am ampliar as atribui\u00e7\u00f5es desse corpo; procurem dar-lhe outro car\u00e1ter mais s\u00e9rio, outros direitos mais iniciadores; fa\u00e7am dessa sacristia de igreja um Tribunal de censura.<\/p>\n<p>Completem, por\u00e9m, toda essa mudan\u00e7a de forma. Qual \u00e9 o resultado do an\u00f4nimo? Se o Conservat\u00f3rio \u00e9 um j\u00fari deliberativo, deve ser inteligente; e por que n\u00e3o h\u00e1 de a intelig\u00eancia minguar os seus ju\u00edzos? Em mat\u00e9ria de arte eu n\u00e3o conhe\u00e7o suscetibilidades nem interesses.<\/p>\n<p>Emancipem o esp\u00edrito, h\u00e3o de respeitar-lhe as decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O ESPELHO, 25 de dezembro de 1859.<\/p>\n<p>________________________ REVISTA DOS TEATROS SUM\u00c1RIO: &#8211; Gin\u00e1sio Dram\u00e1tico; reflex\u00f5es filos\u00f3ficas a prop\u00f3sito de Um asno morto, s\u00e1bado passado; um drama a v\u00f4o de p\u00e1ssaro, aplicaci\u00f3n del cuento; romantismo e realismo; tradu\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o. Teatro de S.<\/p>\n<p>Pedro; Cob\u00e9. \u2013 Duas palavras. \u2013 Uma promessa. \u2013 Opini\u00e3o do cronista sobre as cabe\u00e7as loiras.<\/p>\n<p>A vida, li n\u00e3o sei onde \u00e9 uma ponte lan\u00e7ada entre duas margens de um rio; de um lado e do outro a eternidade.<\/p>\n<p>Se essa eternidade \u00e9 de vida real e contemplativa, ou do nada obscuro, n\u00e3o reza a cr\u00f4nica, nem me quero eu aprofundar nisso. Mas uma ponte lan\u00e7ada entre duas margens n\u00e3o se pode negar, \u00e9 uma figura perfeita.<\/p>\n<p>\u00c9 doloroso o atravessar dessa ponte. Velha e a desabar, h\u00e1 seis mil anos t\u00eam por ela passado reis e povos numa prociss\u00e3o de fantasmas \u00e9brios, na qual uns v\u00e3o colhendo as flores aqu\u00e1ticas que reverdecem \u00e0 altura da ponte, e outros afastados das bordas v\u00e3o trope\u00e7ando a cada passo nessa via dolorosa. Afinal tudo isso desaparece como fumo que o vento leva em seus caprichos, e o homem, \u00e0 semelhan\u00e7a de um charuto, desfaz a sua \u00faltima cinza, quia pulvis est.<\/p>\n<p>Este resultado, por pouco doce que pare\u00e7a, \u00e9 contudo evidente e inevit\u00e1vel, como um parasita; e a minha am\u00e1vel leitora n\u00e3o pode duvidar que no fim da vida est\u00e1 sempre a morte. \u00c9squilo j\u00e1 no seu tempo perguntava se o que chamamos morte n\u00e3o seria antes a vida. \u00c9 prov\u00e1vel que a esta hora tenha tido resposta.<\/p>\n<p>S\u00e3o reflex\u00f5es filos\u00f3ficas de muito peso e que me fervem c\u00e1 no c\u00e9rebro a prop\u00f3sito de um asno&#8230; morto, minhas leitoras. Foi s\u00e1bado passado, no querido gin\u00e1sio, onde \u00e9 prov\u00e1vel que estivessem as cabe\u00e7as galantes que me cumprimentam agora nestas p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Asno morto \u00e9 um drama em cinco atos, um pr\u00f3logo e um ep\u00edlogo, tirado do romance de Jules Janin, do mesmo t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Como me ocorrem reflex\u00f5es filos\u00f3ficas a prop\u00f3sito de um asno, em vez de divaga\u00e7\u00f5es amorosas, a prop\u00f3sito dos olhos que estrelavam a sala por l\u00e1, n\u00e3o sei. Do que posso informar \u00e0 minha interessante leitora, \u00e9 que o drama de Barri\u00e8re, al\u00e9m de ser um drama completo, at\u00e9 nos defeitos da escola, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o daquela ponte de que falei ao abrir esta revista.<\/p>\n<p>Mais tarde aplicaremos el cuento.<\/p>\n<p>Por agora encoste-se a leitora no fofo da sua poltrona com toda a indol\u00eancia daquela baigneuse de V. Hugo, e procure grupar comigo as diversas circunst\u00e2ncias que formam o pensamento do asno morto. \u00c9 um trabalho doce para mim, e se for para a minha leitora, nada teremos a invejar de Goya. M\u00e3os \u00e0 obra.<\/p>\n<p>Henriqueta Brenard \u00e9 uma rapariga alde\u00e3 que vivia no rega\u00e7o da paz em casa dos seus pais, um honrado vendedor de trigos, e uma matrona respeit\u00e1vel, a Sra. Marta. Um camp\u00f4nio da vizinhan\u00e7a est\u00e1 apaixonado pela menina Henriqueta, e vem pedi-la aos bons e velhos alde\u00e3os. Estes d\u00e3o o seu consentimento. A menina, por\u00e9m, est\u00e1 apaixonada por sua vez por um Roberto que lhe soube captar o cora\u00e7\u00e3o, e que nada tem de camp\u00f4nio. Entretanto acode \u00e0 vontade dos pais.<\/p>\n<p>Um pacto oculto prende este Roberto a um tal Picheric, cavalheiro de fortuna, espadachim consumado, alma de pedra, car\u00e1ter repugnante, maneiras de tartufo, e um sangue frio digno de melhor organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tendo nada a perder, mas tudo a ganhar, este homem arrisca tudo, e n\u00e3o se lhe d\u00e1 dos meios, visando o fim; acompanha Roberto por toda a parte, como o seu Mefist\u00f3feles, e, tendo descoberto os amores do seu companheiro, trata de afast\u00e1-lo. Roberto por\u00e9m n\u00e3o tem vontade de por um ponto final ao sei id\u00edlio, e como que lhe luz um pouco de ouro no meio da terra grosseira que lhe enche a \u00e2mbula vital.<\/p>\n<p>Levado pelo amor, escreve um bilhete que faz passar por baixo da porta de Henriqueta.<\/p>\n<p>\u00c9 ocasi\u00e3o de falar do estrangeiro.<\/p>\n<p>O estrangeiro \u00e9 uma figura grave e circunspeta que neg\u00f3cios pol\u00edticos trouxeram pela estrada fora, e que um temporal repentino levou \u00e0 cabana do vendedor de trigos. Um olhar profundamente magn\u00e9tico faz deste homem um ente superior. A primeira vez que se encontrou s\u00f3 com Henriqueta na sala da cabana, exerceu ele a sua a\u00e7\u00e3o simp\u00e1tica sobre ela por interm\u00e9dio do qual p\u00f4s-se em contato com ocorr\u00eancias absolutamente estranhas ao drama. Senhor agora da inten\u00e7\u00e3o de Roberto, por v\u00ea-lo colocar o bilhete debaixo da porta de Henriqueta, ele impede que essa menina v\u00e1 \u00e0 entrevista que se lhe pede, fazendo cair sobre ela o peso de seu olhar atraente.<\/p>\n<p>O pr\u00f3logo acaba aqui. \u2013 \u201cVais ver em sonhos, diz o estrangeiro, o que te sucederia se fosses a essa fatal entrevista. Entretanto vou escrever a meus amigos\u201d.<\/p>\n<p>Os cinco atos s\u00e3o uma s\u00e9rie de acontecimentos terr\u00edveis, de atribula\u00e7\u00f5es amargas por que a pobre menina teria de passar. Primeiro a desonra, mais tarde quase uma maldi\u00e7\u00e3o; estes sucumbem, aqueles suicidam-se; \u00e9 uma prociss\u00e3o de terrores que tem a infelicidade de n\u00e3o ser nova no mundo real. No meio disto tudo, dois meliantes que v\u00e3o \u00e0 cata de fortuna e posi\u00e7\u00e3o, que procuram pelo jogo e pelo assassinato o punhal e o baralho, a cuja inven\u00e7\u00e3o deu causa um rei maluco, como a bela leitora sabe. Esses dois var\u00f5es sem probidade s\u00e3o Pecheric e Roberto; Warner e J\u00falio.<\/p>\n<p>O ep\u00edlogo come\u00e7a pela derradeira situa\u00e7\u00e3o de pr\u00f3logo; e estrangeiro lacra a sua \u00faltima carta, defronte de Henriqueta que se debate num pesadelo, o final do ato 5\u00ba. \u2013 Ele levanta-se e acorda-a. \u00c9 uma bela cena. Henriqueta reconhece a realidade, que seus pais est\u00e3o vivos, e livre de seu sonho terr\u00edvel abra\u00e7a-os. Roberto aparece ent\u00e3o a dizer a Henriqueta que debalde esperara, no lugar por ele indicado; mas ela, a quem no seu pesadelo se revelava um futuro terr\u00edvel, &#8211; aceita com toda a vontade a m\u00e3o de Maturino, o camp\u00f4nio que a pedira no pr\u00f3logo. Repelido por ela, e descoberto na aldeia, ele procura fugir a inst\u00e2ncias de Picheric, mas cai nas m\u00e3os da pol\u00edcia, que apareceu t\u00e3o a horas, t\u00e3o oportuna, como n\u00e3o acontece c\u00e1 pelas nossas bandas.<\/p>\n<p>Tudo se regozija, e o drama rom\u00e2ntico em todo o seu correr \u2013 acaba numa atmosfera profunda de romantismo.<\/p>\n<p>Descontado o acanhamento do artista, a leitora tem nesses tra\u00e7os vagos e tr\u00eamulos uma id\u00e9ia aproximada do drama. Passamos ent\u00e3o \u00e0 aplicaci\u00f3n del cuento.<\/p>\n<p>O que \u00e9 esse pr\u00f3logo de uma vida pl\u00e1cida e tranq\u00fcila, e esse ep\u00edlogo de id\u00eantico aspecto sen\u00e3o as duas margens desse rio de que falei? Os cinco atos que medeiam, esse pesadelo terr\u00edvel de Henriqueta, s\u00e3o uma imagem da vida, sonho terr\u00edvel que se esvai na morte, como disse o \u00eamulo de Ov\u00eddio. Creio que \u00e9 f\u00e1cil a demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed pois o que eu acho de bom nesse drama, e se n\u00e3o foi a inten\u00e7\u00e3o de seus autores foi um acaso feliz. Desculpem as leitoras esta rela\u00e7\u00e3o sutil que encontro aqui, mas \u00e9 que eu tenho a bossa do filosofismo.<\/p>\n<p>O Asno morto pertence \u00e0 escola rom\u00e2ntica e foi ousado pisando a cena em que tem reinado a escola realista. Perten\u00e7o a esta \u00faltima por mais sensata, mais natural, e de mais iniciativa moralizadora e civilizadora. Contudo n\u00e3o posso deixar de reconhecer no drama de s\u00e1bado passado um belo trabalho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escola a que pertence. Os dois renegados \u00e9 sempre um belo drama, mas que entretanto \u00e9 todo banhado de romantismo. O seu a cujo \u00e9, dizem os legistas.<\/p>\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 boa e s\u00f3 encontrei um engage que me fez mau efeito; mas s\u00e3o coisas que passam, e nem \u00e9 de supor outra coisa tendo-se ocupado desse trabalho importante a Sra. Velluti.<\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o foi bem, mas primaram os Srs. Furtado Coelho, Moutinho, Joaquim Augusto, Jeller e Gra\u00e7a. O Sr. Moutinho foi perfeito, sobretudo no quarto ato, apesar de seu papel t\u00e3o pequeno. O Sr. Furtado Coelho na morte do 5\u00ba ato esteve sublime e mostrou ainda uma vez os seus talentos dram\u00e1ticos. O Gra\u00e7a \u00e9 sempre o Gra\u00e7a, um grande artista. Num mesquinho papel mostrouse artista, e, como leiloeiro, n\u00e3o esteve abaixo de Cannoll ou outro qualquer do of\u00edcio.<\/p>\n<p>A Sra. Velluti, no papel dif\u00edcil e trabalhoso de Henriqueta, esteve verdadeiramente inspirada e mostrou, como tantas vezes, que possui o fogo sagrado da arte.<\/p>\n<p>H\u00e1 talvez observa\u00e7\u00f5es a fazer, mas o longo desta mo impede, e eu tenho pressa de passar ao teatro de S. Pedro.<\/p>\n<p>D\u00ea-me a leitora o bra\u00e7o. E desprendendo-se&#8230; mas agora me lembro: o asno morto que descrevi viu a leitora tudo menos o asno. \u00c9 culpa minha. O asno \u00e9 quadr\u00fapede (h\u00e1-os b\u00edpedes) que pertencem ao vendedor de trigos, e que morre no correr do drama, revivendo por\u00e9m no ep\u00edlogo, por isso que morreu nos sonhos de Henriqueta.<\/p>\n<p>Como se prende aquele asno morto ao drama, n\u00e3o o sei eu, \u00e9 segredo do Sr. Barri\u00e8re e seu colega.<\/p>\n<p>D\u00ea-me a leitora o bra\u00e7o e vamos ao teatro de S. Pedro.<\/p>\n<p>Deste teatro pouco tenho a dizer.<\/p>\n<p>Estou ainda debaixo da impress\u00e3o do excelente drama do nosso autor dram\u00e1tico o Dr.<\/p>\n<p>Joaquim Manuel de Macedo, &#8211; Cob\u00e9. \u2013 Foi ali representado, no dia 7 de setembro, grande p\u00e1gina da nossa primeira independ\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 um belo drama como verso, como a\u00e7\u00e3o, como desenvolvimento. Todos j\u00e1 sabem que o autor da Moreninha faz lind\u00edssimos versos. Os de drama s\u00e3o de mestre. Um pincel adequado tra\u00e7ou com talento os caracteres, desenhou a situa\u00e7\u00e3o, e no meio de grandes belezas chegou a um desfecho sanguinolento, nada conforme com o gosto dram\u00e1tico moderno, mas decerto o \u00fanico, que reclamava a situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um escravo que ama \u00e0 senhora, e que se sacrifica por ela \u2013 matando o noivo que lhe estava destinado, mas a quem ela n\u00e3o amava decerto. Essa mo\u00e7a, Branca, ama entretanto a um outro, e Cob\u00e9, o pobre escravo \u2013 a quem uma sociedade de dem\u00f4nios tirara o direito de amar, quando reconhecia (ainda hoje) o direito de torcer a consci\u00eancia e as faculdades de um homem, Cob\u00e9 sabe morrer por ela.<\/p>\n<p>Como v\u00ea minha leitora, respira um grande princ\u00edpio democr\u00e1tico o drama do Sr. Macedo; &#8211; e se a minha leitora \u00e9 do mesmo credo, estamos ambos de acordo.<\/p>\n<p>Mais de espa\u00e7o falarei minuciosamente do drama do Sr. Macedo. Esta semana foi toda de festejos e eu andei, desculpe a compara\u00e7\u00e3o, numa dobadoira.<\/p>\n<p>Por agora vou dar o ponto final. Descanse os seus lindos olhos; e se gostou da minha prosa espere-me domingo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 bom cansar as cabe\u00e7as loiras.<\/p>\n<p>11 de setembro de 1859.<\/p>\n<p>________________________ SUM\u00c1RIO: &#8211; Sr. Pedro. \u2013 Sineiro de S. Paulo. \u2013 Gin\u00e1sio. \u2013 Feio de corpo \u2013 bonito n\u2019alma. \u2013 Os amores de um marinheiro. Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Prometi na minha revista passada algumas considera\u00e7\u00f5es sobre o Sineiro de S. Paulo. Fiz mal; contava com mais algumas representa\u00e7\u00f5es do drama, e enganado em minhas esperan\u00e7as, achome agora com apreens\u00f5es muito fugitivas para uma cr\u00edtica precisa e imparcial.<\/p>\n<p>Desta vez realizei um prov\u00e9rbio&#8230; oriental creio eu: ningu\u00e9m deve contar com as suas esperan\u00e7as; verdade t\u00e3o simples que n\u00e3o precisava as honras de um prov\u00e9rbio.<\/p>\n<p>As apreens\u00f5es do drama e do desempenho. Sobre o todo talvez pudesse dizer alguma coisa.<\/p>\n<p>Estranhei o an\u00fancio do Sineiro de S. Paulo. N\u00e3o me pareceu coerente arrancar do p\u00f3 do arquivo aquele drama, velho na forma e no fundo, pautado sobre os preceitos de uma escola deca\u00edda, limpo totalmente de m\u00e9rito liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estamos no meio-dia do s\u00e9culo. A arte, como todos os elementos sociais, tem se apurado, e o termo em que tocou, \u00e9 t\u00e3o avan\u00e7ado j\u00e1, que nenhuma for\u00e7a conservadora, poder\u00e1 faz\u00ea-la retroceder.<\/p>\n<p>Assim, reprovei inteiramente aquela exuma\u00e7\u00e3o. O Sineiro de S. Paulo n\u00e3o podia satisfazer \u00e0s necessidades do povo, nem justificava um longo estudo de desempenho.<\/p>\n<p>S\u00e3o f\u00e1ceis de conceber estas asser\u00e7\u00f5es; e eu que as escrevo conto com os esp\u00edritos que v\u00eaem na arte, n\u00e3o uma carreira p\u00fablica, mas uma aspira\u00e7\u00e3o nobre, uma iniciativa civilizadora e um culto nacional.<\/p>\n<p>Tenho ainda ilus\u00f5es. Creio ainda que a consci\u00eancia do dever \u00e9 alguma coisa; e que a fortuna p\u00fablica n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 em um farto er\u00e1rio, mas tamb\u00e9m na acumula\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de uma riqueza moral.<\/p>\n<p>Talvez seja ilus\u00e3o; mas estou com o meu s\u00e9culo. Consola-me isto.<\/p>\n<p>N\u00e3o fa\u00e7o aqui uma diatribe. Estou no meio termo. N\u00e3o nego, n\u00e3o poderei negar o talento do Sr. Jo\u00e3o Caetano; seria desmentido cruelmente pelos fatos.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m n\u00e3o lhe calo os defeitos. Ele os tem, e devia desprender-se deles. No Sineiro de S. Paulo, esses defeitos se revelaram mais de uma vez. H\u00e1 frases bonitas, cenas tocantes, mas h\u00e1 em compensa\u00e7\u00e3o verdadeiras n\u00f3doas que mal assentam na arte e no artista.<\/p>\n<p>Espero segunda representa\u00e7\u00e3o para entrar detalhadamente no exame desse drama. O que deploro desde j\u00e1 \u00e9 a tend\u00eancia arqueol\u00f3gica de por \u00e0 luz da atualidade essas composi\u00e7\u00f5es-m\u00famias, regalo de antepassados infantes que mediam o m\u00e9rito dram\u00e1tico de uma pe\u00e7a pelo n\u00famero dos abalos nervosos.<\/p>\n<p>N\u00e3o entro agora em considera\u00e7\u00f5es sobre o teatro de S. Paulo; pouco espa\u00e7o me d\u00e3o. As que devia fazer, creio que deixo entrever nestas poucas palavras que expendi.<\/p>\n<p>Amor ao trabalho e coragem de dedica\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o for essa uma norma de vida, aquele tablado hist\u00f3rico, em vez de colher louros capitolinos, ver-se-\u00e1 exposto \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o pouco decente de hospital de Inv\u00e1lidos. N\u00e3o lhe desejo essa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora vamos ter ao Gin\u00e1sio, onde se deu, como segunda prova do Sr. Alfredo Silva, a com\u00e9dia Feio de corpo, bonito n\u2019alma.<\/p>\n<p>Conhece esta composi\u00e7\u00e3o, minha leitora? \u00c9 do Sr. Jos\u00e9 Romano, autor do drama Vinte e nove.<\/p>\n<p>Escrita debaixo de um sentimento liberal, e com inten\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, nem assim o Sr. Jos\u00e9 Romano conseguiu fazer uma obra completa. Adivinha-se a subst\u00e2ncia, mas a forma \u00e9 mesquinha demais para satisfazer a cr\u00edtica.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia capital da com\u00e9dia \u00e9 revelar a beleza da alma na deformidade do corpo; Ant\u00f4nio \u00e9 o Quas\u00edmodo, menos a figura \u00e9pica; entre o ferreiro e o sineiro de Notre Dame h\u00e1 um largo espa\u00e7o; aquele tem a verdade; este tem mais ainda, tem a grandeza.<\/p>\n<p>Estas observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o servem de cr\u00edtica. Jos\u00e9 Romano n\u00e3o pretendeu fazer um Quas\u00edmodo do seu Ant\u00f4nio, e por conseq\u00fc\u00eancia o seu valor est\u00e1 a par da sua composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa ainda que separa Ant\u00f4nio do Sineiro de V. Hugo, mas que o separa real\u00e7ando-o, mas que o separa levantando-o, na aprecia\u00e7\u00e3o moral. Ant\u00f4nio \u00e9 bonito n\u2019alma por um sentimento de amizade, por uma confraterniza\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rio. Se a gratid\u00e3o embeleza Quas\u00edmodo \u00e9 o pagamento de servi\u00e7o, uma d\u00edvida de dedica\u00e7\u00e3o. Ant\u00f4nio \u00e9 pelo desinteresse que se eleva, pela fraternidade da bigorna. Avantaja-se mais.<\/p>\n<p>O Sr. Alfredo foi bem no papel, apesar de t\u00e3o limitadas propor\u00e7\u00f5es. Tinha a vencer a dificuldade de comover depois de fazer rir: venceu-a. Mo\u00e7o de aspira\u00e7\u00f5es e de talento n\u00e3o desmentiu a id\u00e9ia que sonhou e faz nascer no p\u00fablico. J\u00e1 lhe dirigi a minha sauda\u00e7\u00e3o, e sancionando-a agora, protesto-lhe aqui imparcialidade severa, para laurear-lhe o merecimento ou castigar-lhe os defeitos, cronista como sou.<\/p>\n<p>O Sr. Augusto foi artista no seu desempenho; devia ser oper\u00e1rio, foi. As maneiras rudes do ferreiro n\u00e3o s\u00e3o decerto os modos elegantes do cavalheiro de Maubreuil. Soube marcar as dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p>A Sra. Eug\u00eania C\u00e2mara, colocada na com\u00e9dia, sua especialidade, fez a alde\u00e3, segundo os conhecedores do tipo, perfeitamente. N\u00e3o sou do n\u00famero desses conhecedores, mas posso, pela tradi\u00e7\u00e3o que tenho, sancionar a opini\u00e3o geral.<\/p>\n<p>O Sr. Martins, no desempenho de um literato parasita, n\u00e3o satisfez plenamente nem a cr\u00edtica nem o p\u00fablico. Aconselho ao artista mais ainda; e lembro-lhe as luvas de pelica, de que o di\u00e1logo fala a cada passo, e de que ele se esqueceu, creio. Da mesma maneira lhe lembro que o exterior com que se apresenta n\u00e3o est\u00e1 de acordo com a individualidade que reproduz.<\/p>\n<p>Houve ter\u00e7a-feira Os amores de um marinheiro, cena desempenhada pelo Sr. Moutinho.<\/p>\n<p>O criador de Manuel Escolta, desempenhou-a como sempre. Deu vida \u00e0quela p\u00e1gina sentimental, com um estudo completo do car\u00e1ter. Na descri\u00e7\u00e3o da tempestade, no lugar em que, narrando com o gesto parece que segura realmente o leme, e nos derradeiros peda\u00e7os da cena, pronuncia chorando, mereceu bem os aplausos que lhe deram, poucos talvez na opini\u00e3o da revista.<\/p>\n<p>\u00c9 um artista de inspira\u00e7\u00e3o e estudo; tem sem d\u00favida uma especialidade, mas eu j\u00e1 fiz sentir que as especialidades s\u00e3o comuns na arte. E depois, que especialidade a do Sr. Moutinho! Vejam o Torneiro, vejam Manuel Escolta! E Baltasar, ent\u00e3o! Ainda ontem (12) o lavrador do Lu\u00eds deu ao p\u00fablico mais uma ocasi\u00e3o de ser apreciado. \u00c9 ainda o lavrador de que falei, com o estudo dos menores gestos, de todas as inflex\u00f5es. Tanto melhor! confirma a opini\u00e3o da cr\u00edtica e do p\u00fablico.<\/p>\n<p>O Sr. Furtado foi ontem um digno companheiro de Baltasar. Teve frases ditas com express\u00f5es, sobretudo aquele trecho em que faz a Elisa uma vista retrospectiva da sociedade; e o outro em que desenha a Joaquim a miss\u00e3o do sacerdote. O mon\u00f3logo do 2\u00ba ato vale bem o mon\u00f3logo do Abel e Caim; h\u00e1 como que uma identidade de situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Sr. Gra\u00e7a e o Sr. Augusto estiveram como sempre na altura da sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Elisa, a figura arqu\u00e9tipo do amor e do sacrif\u00edcio, n\u00e3o preciso dizer que achou uma inteligente int\u00e9rprete na Sra. Gabriela; j\u00e1 o fiz sentir em outra parte, onde dei parte minuciosa do seu desempenho, e onde n\u00e3o sei se fiz notar os finais do primeiro e segundo atos em que a criadora de Marco se transfigura em frases eloq\u00fcentes de amor e de paix\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o farei an\u00e1lise mais funda. A minha probidade de cronista est\u00e1 satisfeita; mas dela n\u00e3o precisa a consci\u00eancia p\u00fablica para avaliar o desempenho da Elisa de Valinho. N\u00e3o se comenta Shakespeare, admira-se.<\/p>\n<p>Termino aqui, minha leitora. Vou amanh\u00e3 (domingo) a S. Janu\u00e1rio, e do que houver lhe darei conta na minha pr\u00f3xima revista.<\/p>\n<p>Anuncia-se tamb\u00e9m no Gin\u00e1sio as Mulheres terr\u00edveis. \u00c9 a Odiss\u00e9ia da Sra. Velluti, e se a leitora ainda n\u00e3o viu essa linda com\u00e9dia, n\u00e3o deve faltar a ela.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis ID\u00c9IAS SOBRE O TEATRO I A arte dram\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 ainda entre n\u00f3s um culto; as voca\u00e7\u00f5es definem-se e educam-se como um resultado acidental. 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