{"id":119295,"date":"2017-04-11T19:21:01","date_gmt":"2017-04-11T21:21:01","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=119295"},"modified":"2017-04-11T19:21:01","modified_gmt":"2017-04-11T21:21:01","slug":"alguma-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/alguma-poesia","title":{"rendered":"Alguma Poesia"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de Assis<\/h2>\n<h2>A Mosca Azul<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Filha da China ou do Indost\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em certa noite de ver\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Refulgindo ao clar\u00e3o do sol<\/p>\n<p class=\"imagem\">E da lua \u2014 melhor do que refulgiria<\/p>\n<p class=\"imagem\">Um brilhante do Gr\u00e3o-Mogol.<\/p>\n<h2>Flor da Mocidade<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Eu conhe\u00e7o a mais bela flor;<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c9s tu, rosa da mocidade,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nascida aberta para o amor.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Eu conhe\u00e7o a mais bela flor.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tem do c\u00e9u a serena cor,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E o perfume da virgindade.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Eu conhe\u00e7o a mais bela flor,<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c9s tu, rosa da mocidade.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vive \u00e0s vezes na solid\u00e3o,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Como filha da brisa agreste.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Teme acaso indiscreta m\u00e3o;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vive \u00e0s vezes na solid\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Poupa a raiva do furac\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">Suas folhas de azul celeste.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vive \u00e0s vezes na solid\u00e3o,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Como filha da brisa agreste.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Colhe-se antes que venha o mal,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Colhe-se antes que chegue o inverno;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que a flor morta j\u00e1 nada val.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Colhe-se antes que venha o mal.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quando a terra \u00e9 mais jovial<\/p>\n<p class=\"imagem\">Todo o bem nos parece eterno.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Colhe-se antes que venha o mal,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Colhe-se antes que chegue o inverno.<\/p>\n<h2>Livros e Flores<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Teus olhos s\u00e3o meus livros.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que livro h\u00e1 a\u00ed melhor,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em que melhor se leia<\/p>\n<p class=\"imagem\">A p\u00e1gina do amor?<\/p>\n<p class=\"imagem\">Flores me s\u00e3o teus l\u00e1bios.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Onde h\u00e1 mais bela flor,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em que melhor se beba<\/p>\n<p class=\"imagem\">O b\u00e1lsamo do amor?<\/p>\n<h2>Menina e Mo\u00e7a<\/h2>\n<p class=\"imagem\">A Ernesto Cibr\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">Est\u00e1 naquela idade inquieta e duvidosa,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que n\u00e3o \u00e9 dia claro e \u00e9 j\u00e1 o alvorecer;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Entreaberto bot\u00e3o, entrefechada rosa,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Um pouco de menina e um pouco de mulher.<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c0s vezes recatada, outras estouvadinha,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tem cousas de crian\u00e7a e modos de mocinha,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Estuda o catecismo e l\u00ea versos de amor.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,<\/p>\n<p class=\"imagem\">De cansa\u00e7o talvez, talvez de como\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quando a boca vermelha os l\u00e1bios abre e agita,<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o sei se pede um beijo ou faz uma ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Outras vezes beijando a boneca enfeitada,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Olha furtivamente o primo que sorri;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E se corre parece, \u00e0 brisa enamorada,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Abrir as asas de um anjo e tran\u00e7as de uma huri.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quando a sala atravessa, \u00e9 raro que n\u00e3o lance<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o leia, um quarto de hora, as folhas de um romance<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A cama da boneca ao p\u00e9 do toucador;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quando sonha, repete, em santa companhia,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os livros do col\u00e9gio e o nome de um doutor.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E quando entra num baile, \u00e9 j\u00e1 dama do tom;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo<\/p>\n<p class=\"imagem\">Para ela \u00e9 o estudo, excetuando-se talvez<\/p>\n<p class=\"imagem\">A li\u00e7\u00e3o de sintaxe em que combina o verbo<\/p>\n<p class=\"imagem\">To love, mas sorrindo ao professor de ingl\u00eas.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quantas vezes, por\u00e9m, fitando o olhar no espa\u00e7o,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Parece acompanhar uma et\u00e9rea vis\u00e3o;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quantas cruzando ao seio o delicado bra\u00e7o<\/p>\n<p class=\"imagem\">Comprime as pulsa\u00e7\u00f5es do inquieto cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ah! se nesse momento, alucinado, fores<\/p>\n<p class=\"imagem\">Cair-lhe aos p\u00e9s, confiar-lhe uma esperan\u00e7a v\u00e3,<\/p>\n<p class=\"imagem\">H\u00e1s de v\u00ea-la zombar de teus tristes amores,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Rir da tua aventura e cont\u00e1-la \u00e0 mam\u00e3.<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c9 que esta criatura, ador\u00e1vel, divina,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nem se pode explicar, nem se pode entender:<\/p>\n<p class=\"imagem\">Procura-se a mulher e encontra-se a menina,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!<\/p>\n<h2>A um Legista<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Tu foges \u00e0 cidade?<\/p>\n<p class=\"imagem\">Feliz amigo! V\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">Contigo a liberdade,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A vida e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">A est\u00e2ncia que te espera<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c9 feita para o amor<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do sol com a primavera,<\/p>\n<p class=\"imagem\">No seio de uma flor.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do pa\u00e7o de verdura<\/p>\n<p class=\"imagem\">Transp\u00f5e-me esses umbrais;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Contempla a arquitetura<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dos verdes palmeirais.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Esquece o ardor funesto<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da vida cortes\u00e3;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mais val que o teu Digesto<\/p>\n<p class=\"imagem\">A rosa da manh\u00e3.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Rosa . . . que se enamora<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do amante colibri,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E desde a luz da aurora<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os seios lhe abre e ri.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas Z\u00e9firo brejeiro<\/p>\n<p class=\"imagem\">Op\u00f5e ao beija-flor<\/p>\n<p class=\"imagem\">Embargos de terceiro<\/p>\n<p class=\"imagem\">Senhor e possuidor.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quer este possu\u00ed-la,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tamb\u00e9m o outro a quer.<\/p>\n<p class=\"imagem\">A pobre flor vacila,<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o sabe a que atender.<\/p>\n<p class=\"imagem\">O sol, juiz t\u00e3o grave<\/p>\n<p class=\"imagem\">Como o melhor doutor,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Condena a brisa e a ave<\/p>\n<p class=\"imagem\">Aos \u00f3sculos da flor.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Z\u00e9firo ouve e apela.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Apela o colibri.<\/p>\n<p class=\"imagem\">No entanto, a flor singela<\/p>\n<p class=\"imagem\">Com ambos folga e ri.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tal a formosa dama<\/p>\n<p class=\"imagem\">Entre dois fogos, quer<\/p>\n<p class=\"imagem\">Aproveitar a chama . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">Rosa, tu \u00e9s mulher!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Respira aqueles ares,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Amigo. Deita ao ch\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os t\u00e9dios e os pesares.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Revive. O cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c9 como o passarinho,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que deixa sem cessar<\/p>\n<p class=\"imagem\">A maciez do ninho<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pela amplid\u00e3o do ar.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pudesse eu ir contigo,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Gozar contigo a luz;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Sorver ao p\u00e9 do amigo<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vida melhor e a flux!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ir escrever nos campos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nas folhas dos rosais,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E \u00e0 luz dos pirilampos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00d3 Flora, os teus jornais!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da estrela que mais brilha<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tirar um raio, e ent\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">Fazer a gazetilha<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da imensa solid\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vai tu, que podes. Deixa<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os que n\u00e3o podem ir,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Soltar a in\u00fatil queixa.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mudar \u00e9 reflorir.<\/p>\n<h2>Uma Criatura<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Sei de uma criatura antiga e formid\u00e1vel,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que a si mesma devora os membros e as entranhas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Com a sofreguid\u00e3o da fome insaci\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Habita juntamente os vales e as montanhas;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E no mar, que se rasga, \u00e0 maneira de abismo,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Espregui\u00e7a-se toda em convuls\u00f5es estranhas.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Traz impresso na fronte o obscuro despotismo.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Parece uma expans\u00e3o de amor e de ego\u00edsmo.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Friamente contempla o desespero e o gozo,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Gosta do colibri, como gosta do verme,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E cinge ao cora\u00e7\u00e3o o belo e o monstruoso.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Para ela o chacal \u00e9, como a rola, inerme;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E caminha na terra imperturb\u00e1vel, como<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pelo vasto areal um vasto paquiderme.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Na \u00e1rvore que rebenta o seu primeiro gomo<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vem a folha, que lento e lento se desdobra,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Depois a flor, depois o suspirado pomo.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pois esta criatura est\u00e1 em toda a obra;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E \u00e9 nesse destruir que as for\u00e7as dobra.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ama de igual amor o poluto e o impoluto;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Come\u00e7a e recome\u00e7a uma perp\u00e9tua lida,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E sorrindo obedece ao divino estatuto.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tu dir\u00e1s que \u00e9 a Morte; eu direi que \u00e9 a Vida.<\/p>\n<h2>Soneto de Natal<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Um homem, \u2014 era aquela noite amiga,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Noite crist\u00e3, ber\u00e7o do Nazareno, \u2014<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao relembrar os dias de pequeno,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E a viva dan\u00e7a, e a l\u00e9pida cantiga,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quis transportar ao verso doce e ameno<\/p>\n<p class=\"imagem\">As sensa\u00e7\u00f5es da sua idade antiga,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Naquela mesma velha noite amiga,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Noite crist\u00e3, ber\u00e7o do Nazareno.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Escolheu o soneto . . . A folha branca<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pede-lhe a inspira\u00e7\u00e3o; mas, frouxa e manca,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A pena n\u00e3o acode ao gesto seu.<\/p>\n<p class=\"imagem\">E, em v\u00e3o lutando contra o metro adverso,<\/p>\n<p class=\"imagem\">S\u00f3 lhe saiu este pequeno verso:<\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Mudaria o Natal ou mudei eu?&#8221;<\/p>\n<h2>No Alto<\/h2>\n<p class=\"imagem\">O poeta chegara ao alto da montanha,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E quando ia a descer a vertente do oeste,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Viu uma cousa estranha,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Uma figura m\u00e1.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ent\u00e3o, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Num tom medroso e agreste<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pergunta o que ser\u00e1.<\/p>\n<p class=\"imagem\">A uma Senhora que me Pediu Versos<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pensa em ti mesma, achar\u00e1s<\/p>\n<p class=\"imagem\">Melhor poesia,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Viveza, gra\u00e7a, alegria,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do\u00e7ura e paz.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Se j\u00e1 dei flores um dia,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Quando rapaz,<\/p>\n<p class=\"imagem\">As que ora dou t\u00eam assaz<\/p>\n<p class=\"imagem\">Melancolia.<\/p>\n<h2>Suave Mari Magno<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Lembra-me que, em certo dia,<br \/>\nNa rua, ao sol de ver\u00e3o,<br \/>\nEnvenenado morria<br \/>\nUm pobre c\u00e3o.<br \/>\nArfava, espumava e ria,<br \/>\nDe um riso esp\u00fario e buf\u00e3o,<br \/>\nVentre e pernas sacudia<br \/>\nNa convuls\u00e3o.<br \/>\nNenhum, nenhum curioso<br \/>\nPassava, sem se deter,<br \/>\nSilencioso,<br \/>\nJunto ao c\u00e3o que ia morrer,<br \/>\nComo se lhe desse gozo<br \/>\nVer padecer.<\/p>\n<h2>C\u00edrculo Vicioso<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:<\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!&#8221;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas a estrela, fitando a lua, com ci\u00fame:<\/p>\n<p>&#8220;Pudesse eu copiar-te o transparente lume,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que, da grega coluna \u00e0 g\u00f3tica janela,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela&#8221;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas a lua, fitando o sol com azedume:<\/p>\n<p>&#8220;M\u00edsera! Tivesse eu aquela enorme, aquela<\/p>\n<p class=\"imagem\">Claridade imortal, que toda a luz resume&#8221;!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas o sol, inclinando a r\u00fatila capela:<\/p>\n<p class=\"imagem\">\nPesa-me esta brilhante aur\u00e9ola de nume&#8230;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Enfara-me esta luz e desmedida umbela&#8230;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Por que n\u00e3o nasci eu um simples vagalume?&#8221;&#8230;<\/p>\n<h2>Carolina<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Querida, ao p\u00e9 do leito derradeiro<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em que descansas dessa longa vida,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Aqui venho e virei, pobre querida,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Trazer-te o cora\u00e7\u00e3o do companheiro.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que, a despeito de toda a humana lida,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Fez a nossa exist\u00eancia apetecida<\/p>\n<p class=\"imagem\">E num recanto p\u00f4s o mundo inteiro.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Trago-te flores &#8211; restos arrancados<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da terra que nos viu passar unidos<\/p>\n<p class=\"imagem\">E ora mortos nos deixa e separados.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que eu, se tenho nos olhos malferidos<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pensamentos de vida formulados,<\/p>\n<p class=\"imagem\">S\u00e3o pensamentos idos e vividos.<br \/>\n1906<\/p>\n<h2>Rel\u00edquia \u00cdntima<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Ilustr\u00edssimo, caro e velho amigo,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Saber\u00e1s que, por um motivo urgente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Na quinta-feira, nove do corrente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Preciso muito de falar contigo.<\/p>\n<p class=\"imagem\">E aproveitando o portador te digo,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que nessa ocasi\u00e3o ter\u00e1s presente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A esperada gravura de patente<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em que o Dante regressa do Inimigo.<\/p>\n<p class=\"imagem\">\nManda-me pois dizer pelo bombeiro<\/p>\n<p class=\"imagem\">Se \u00e0s tr\u00eas e meia te achar\u00e1s postado<\/p>\n<p class=\"imagem\">Junto \u00e0 porta do Garnier livreiro:<\/p>\n<p class=\"imagem\">Sen\u00e3o, escolhe outro lugar azado;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas d\u00e1 logo a resposta ao mensageiro,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E continua a crer no teu Machado<\/p>\n<h2>Visio<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Eras p\u00e1lida. E os cabelos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A\u00e9reos, soltos novelos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Sobre as esp\u00e1duas ca\u00edam . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os olhos meio-cerrados<\/p>\n<p class=\"imagem\">De vol\u00fapia e de ternura<\/p>\n<p class=\"imagem\">Entre l\u00e1grimas luziam . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">E os bra\u00e7os entrela\u00e7ados,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Como cingindo a ventura,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao teu seio me cingiram . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">Depois, naquele del\u00edrio,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Suave, doce mart\u00edrio<\/p>\n<p class=\"imagem\">De pouqu\u00edssimos instantes<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os teus l\u00e1bios sequiosos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Frios tr\u00eamulos, trocavam<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os beijos mais delirantes,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E no supremo dos gozos<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ante os anjos se casavam<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nossas almas palpitantes . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">Depois . . . depois a verdade,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A fria realidade,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A solid\u00e3o, a tristeza;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Daquele sonho desperto,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Olhei . . . sil\u00eancio de morte<\/p>\n<p class=\"imagem\">Respirava a natureza \u2014<\/p>\n<p class=\"imagem\">Era a terra, era o deserto,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Fora-se o doce transporte,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Restava a fria certeza.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Desfizera-se a mentira:<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tudo aos meus olhos fugira;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tu e o teu olhar ardente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">L\u00e1bios tr\u00eamulos e frios,<\/p>\n<p class=\"imagem\">O abra\u00e7o longo e apertado,<\/p>\n<p class=\"imagem\">O beijo doce e veemente;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Restavam meus desvarios,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E o incessante cuidado,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E a fantasia doente.<\/p>\n<p class=\"imagem\">E agora te vejo. E fria<\/p>\n<p class=\"imagem\">T\u00e3o outra est\u00e1s da que eu via<\/p>\n<p class=\"imagem\">Naquele sonho encantado!<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c9s outra, calma, discreta,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Com o olhar indiferente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">T\u00e3o outro do olhar sonhado,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que a minha alma de poeta<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o v\u00ea se a imagem presente<\/p>\n<p class=\"imagem\">Foi a imagem do passado.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Foi, sim, mas vis\u00e3o apenas;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Daquelas vis\u00f5es amenas<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que \u00e0 mente dos infelizes<\/p>\n<p class=\"imagem\">Descem vivas e animadas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Cheias de luz e esperan\u00e7a<\/p>\n<p class=\"imagem\">E de celestes matizes:<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas, apenas dissipadas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Fica uma leve lembran\u00e7a,<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o ficam outras ra\u00edzes.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Inda assim, embora sonho,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas sonho doce e risonho,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Desse-me Deus que fingida<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tivesse aquela ventura<\/p>\n<p class=\"imagem\">Noite por noite, hora a hora,<\/p>\n<p class=\"imagem\">No que me resta de vida,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que, j\u00e1 livre da amargura,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Alma, que em dores me chora,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Chorara de agradecida!<\/p>\n<h2>Stella<\/h2>\n<p class=\"imagem\">J\u00e1 raro e mais escasso<\/p>\n<p class=\"imagem\">A noite arrasta o manto,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E verte o \u00faltimo pranto<\/p>\n<p class=\"imagem\">Por todo o vasto espa\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">T\u00edbio clar\u00e3o j\u00e1 cora<\/p>\n<p class=\"imagem\">A tela do horizonte,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E j\u00e1 de sobre o monte<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vem debru\u00e7ar-se a aurora<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c0 muda e torva irm\u00e3,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dormida de cansa\u00e7o,<\/p>\n<p class=\"imagem\">L\u00e1 vem tomar o espa\u00e7o<\/p>\n<p class=\"imagem\">A virgem da manh\u00e3.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Uma por uma, v\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">As p\u00e1lidas estrelas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E v\u00e3o, e v\u00e3o com elas<\/p>\n<p class=\"imagem\">Teus sonhos, cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mas tu, que o devaneio<\/p>\n<p class=\"imagem\">Inspiras do poeta,<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o v\u00eas que a vaga inquieta<\/p>\n<p class=\"imagem\">Abre-te o \u00famido seio?<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vai. Radioso e ardente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em breve o astro do dia,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Rompendo a n\u00e9voa fria,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vir\u00e1 do roxo oriente.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dos \u00edntimos sonhares<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que a noite protegera,<\/p>\n<p class=\"imagem\">De tanto que eu vertera.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em l\u00e1grimas a pares.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do amor silencioso.<\/p>\n<p class=\"imagem\">M\u00edstico, doce, puro,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dos sonhos do futuro,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da paz, do et\u00e9reo gozo,<\/p>\n<p class=\"imagem\">De tudo nos desperta<\/p>\n<p class=\"imagem\">Luz de importuno dia;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do amor que tanto a enchia<\/p>\n<p class=\"imagem\">Minha alma est\u00e1 deserta.<\/p>\n<p class=\"imagem\">A virgem da manh\u00e3<\/p>\n<p class=\"imagem\">J\u00e1 todo o c\u00e9u domina . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">Espero-te, divina,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Espero-te, amanh\u00e3.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Horas Vivas<\/p>\n<p class=\"imagem\">\nNoite: abrem-se as flores . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que esplendores!<\/p>\n<p class=\"imagem\">C\u00edntia sonha seus amores<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pelo c\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"imagem\">T\u00eanues as neblinas<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c0s campinas<\/p>\n<p class=\"imagem\">Descem das colinas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Como um v\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"imagem\">M\u00e3os em m\u00e3os travadas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Animadas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">V\u00e3o aquelas fadas<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pelo ar;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Soltos os cabelos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em novelos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Puros, louros, belos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A voar.<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u2014 &#8220;Homem, nos teus dias<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que agonias,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Sonhos, utopias,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ambi\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vivas e fagueiras,<\/p>\n<p class=\"imagem\">As primeiras,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Como as derradeiras<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ilus\u00f5es!<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u2014 &#8220;Quantas, quantas vidas<\/p>\n<p class=\"imagem\">V\u00e3o perdidas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pombas mal feridas<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pelo mal!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Anos ap\u00f3s anos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">T\u00e3o insanos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">V\u00eam os desenganos<\/p>\n<p class=\"imagem\">Afinal.<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u2014 &#8220;Dorme: se os pesares<\/p>\n<p class=\"imagem\">Repousares,<\/p>\n<p class=\"imagem\">V\u00eas? \u2014 por estes ares<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vamos rir;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Mortas, n\u00e3o; festivas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">E lascivas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Somos \u2014 horas vivas<\/p>\n<p class=\"imagem\">De dormir. \u2014&#8221;<\/p>\n<h2>O Dil\u00favio<br \/>\n(1863)<\/h2>\n<p class=\"imagem\">E caiu a chuva sobre a terra<\/p>\n<p class=\"imagem\">quarenta dias e quarenta noites<\/p>\n<p class=\"imagem\">G\u00eanesis \u2014 c. VII, v. 12<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do sol ao raio espl\u00eandido,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Fecundo, aben\u00e7oado,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A terra exausta e \u00famida<\/p>\n<p class=\"imagem\">Surge, revive j\u00e1;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que a morte inteira e r\u00e1pida<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dos filhos do pecado<\/p>\n<p class=\"imagem\">P\u00f4s termo \u00e0 imensa c\u00f3lera<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do imenso Jeov\u00e1!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que mar n\u00e3o foi! que t\u00famidas<\/p>\n<p class=\"imagem\">As \u00e1guas n\u00e3o rolavam!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Montanhas e plan\u00edcies<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tudo tornou-se mar;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E nesta cena l\u00fagubre<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os gritos que soavam<\/p>\n<p class=\"imagem\">Era um clamor un\u00edssono<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que a terra ia acabar.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em v\u00e3o, \u00f3 pai at\u00f4nito,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao seio o filho estreitas;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Filhos, esposos, m\u00edseros,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Em v\u00e3o tentais fugir!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que as \u00e1guas do dil\u00favio<\/p>\n<p class=\"imagem\">Crescidas e refeitas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">V\u00e3o da plan\u00edcie aos p\u00edncaros<\/p>\n<p class=\"imagem\">Subir, subir, subir!<\/p>\n<p class=\"imagem\">S\u00f3, como a id\u00e9ia \u00fanica<\/p>\n<p class=\"imagem\">De um mundo que se acaba,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Erma, boiava intr\u00e9pida,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A arca de No\u00e9;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Pura das velhas n\u00f3doas<\/p>\n<p class=\"imagem\">De tudo o que desaba,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Leva no seio inc\u00f3lumes<\/p>\n<p class=\"imagem\">A virgindade e a f\u00e9.<\/p>\n<p class=\"imagem\">L\u00e1 vai! Que um vento al\u00edgero,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Entre os contr\u00e1rios ventos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao lenho calmo e imp\u00e1vido<\/p>\n<p class=\"imagem\">Abre caminho al\u00e9m . . .<\/p>\n<p class=\"imagem\">L\u00e1 vai! Em torno ang\u00fastias,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Clamores, lamentos;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dentro a esperan\u00e7a, os c\u00e2nticos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A calma, a paz e o bem.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Cheio de amor, sol\u00edcito,<\/p>\n<p class=\"imagem\">O olhar da divindade,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vela aos escapos n\u00e1ufragos<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da imensa aluvi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Assim, por sobre o t\u00famulo<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da extinta humanidade<\/p>\n<p class=\"imagem\">Salva-se um ber\u00e7o; o v\u00ednculo<\/p>\n<p class=\"imagem\">Da nova crea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00cdris, da paz o n\u00fancio,<\/p>\n<p class=\"imagem\">O n\u00fancio do concerto,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Riso do Eterno em j\u00fabilo,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nuvens do c\u00e9u rasgou;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E a pomba, a pomba m\u00edstica,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Volando ao lenho aberto,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do arbusto da plan\u00edcie<\/p>\n<p class=\"imagem\">Um ramo despencou.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao sol e \u00e0s brisas t\u00e9pidas<\/p>\n<p class=\"imagem\">Respira a terra um hausto,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vi\u00e7am de novo as \u00e1rvores,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Brota de novo a flor;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E ao som de nossos c\u00e2nticos,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao fumo do holocausto<\/p>\n<p class=\"imagem\">Desaparece a c\u00f3lera<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do rosto do Senhor.<\/p>\n<h2>Os Dois Horizontes<\/h2>\n<h2>A M. Ferreira Guimar\u00e3es<\/h2>\n<h2>(1863)<\/h2>\n<p class=\"imagem\">Dous horizonte fecham nossa vid:<br \/>\nUm horizonte, \u2014 a saudade<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do que n\u00e3o h\u00e1 de voltar;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Outro horizonte, \u2014 a esperan\u00e7a<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dos tempos que h\u00e3o de chegar;<\/p>\n<p class=\"imagem\">No presente, \u2014 sempre escuro, \u2014<\/p>\n<p class=\"imagem\">Vive a alma ambiciosa<\/p>\n<p class=\"imagem\">Na ilus\u00e3o voluptuosa<\/p>\n<p class=\"imagem\">Do passado e do futuro.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Os doces brincos da inf\u00e2ncia<\/p>\n<p class=\"imagem\">Sob as asas maternais,<\/p>\n<p class=\"imagem\">O v\u00f4o das andorinhas,<\/p>\n<p class=\"imagem\">A onda viva e os rosais.<\/p>\n<p class=\"imagem\">O gozo do amor, sonhado<\/p>\n<p class=\"imagem\">Num olhar profundo e ardente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tal \u00e9 na hora presente<\/p>\n<p class=\"imagem\">O horizonte do passado.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ou ambi\u00e7\u00e3o de grandeza<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que no esp\u00edrito calou,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Desejo de amor sincero<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o gozou;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ou um viver calmo e puro<\/p>\n<p class=\"imagem\">\u00c0 alma convalescente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Tal \u00e9 na hora presente<\/p>\n<p class=\"imagem\">O horizonte do futuro.<\/p>\n<p class=\"imagem\">No breve correr dos dias<\/p>\n<p class=\"imagem\">Sob o azul do c\u00e9u, \u2014 tais s\u00e3o<\/p>\n<p class=\"imagem\">Limites no mar da vida:<\/p>\n<p class=\"imagem\">Saudade ou aspira\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao nosso esp\u00edrito ardente,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Na avidez do bem sonhado,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nunca o presente \u00e9 passado,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nunca o futuro \u00e9 presente.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que cismas, homem? \u2014 Perdido<\/p>\n<p class=\"imagem\">No mar das recorda\u00e7\u00f5es,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Escuto um eco sentido<\/p>\n<p class=\"imagem\">Das passadas ilus\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que buscas, homem? \u2014 Procuro,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Atrav\u00e9s da imensidade,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ler a doce realidade<\/p>\n<p class=\"imagem\">Das ilus\u00f5es do futuro.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dous horizontes fecham nossa vida<\/p>\n<p class=\"fonte\">Fonte: www.suigeneris.pro.br<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"busca-rodape\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis A Mosca Azul Era uma mosca azul, asas de ouro e granada, Filha da China ou do Indost\u00e3o. Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada. Em certa noite de ver\u00e3o. E zumbia, e voava, e voava, e zumbia, Refulgindo ao clar\u00e3o do sol E da lua \u2014 melhor do que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-119295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Alguma Poesia, Machado de Assis Alguma Poesia<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Alguma Poesia, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, Alguma Poesia\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" 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