{"id":119100,"date":"2017-04-10T18:40:48","date_gmt":"2017-04-10T20:40:48","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=119100"},"modified":"2017-04-10T18:40:48","modified_gmt":"2017-04-10T20:40:48","slug":"a-crista-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova","title":{"rendered":"A crist\u00e3-nova"},"content":{"rendered":"<p><strong><\/strong><\/p>\n<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de assis<\/h2>\n<p align=\"right\">&#8230;essa mesma foi levada<br \/>\ncativa para uma terra estranha.<br \/>\nNAHUM, cap. III, v. 10<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>PARTE I<\/strong><\/p>\n<p><strong>I<\/strong><\/p>\n<p>Olhos fitos no c\u00e9u, sentado \u00e0 porta,<br \/>\nO velho pai estava. Um luar frouxo<br \/>\nVinha beijar-lhe a veneranda barba<br \/>\nAlva e longa, que o peito lhe cobria,<br \/>\nComo a n\u00e9voa na encosta da montanha<br \/>\nAo destoucar da aurora. Alta ia a noite,<br \/>\nE silenciosa: a praia era deserta,<br \/>\nOuvia-se o bater pausado e longo<br \/>\nDa sonolenta vaga &#8211; \u00fanico e triste<br \/>\nSom que a mudez quebrava \u00e0 natureza.<\/p>\n<p><strong>II<\/strong><\/p>\n<p>Assim talvez nas solid\u00f5es sombrias<br \/>\nDa velha Palestina<br \/>\nUm profeta no esp\u00edrito volvera<br \/>\nAs desgra\u00e7as da p\u00e1tria. Qu\u00e3o remota<br \/>\nAquela de seus pais sagrada terra,<br \/>\nQu\u00e3o diferente desta em que h\u00e1 vivido<br \/>\nOs seus dias melhores! Vago e doce,<br \/>\nEste luar n\u00e3o alumia os serros<br \/>\nEst\u00e9reis, nem as \u00faltimas ru\u00ednas,<br \/>\nNem as ermas plan\u00edcies, nem aquele<br \/>\nMorno sil\u00eancio da regi\u00e3o que fora<br \/>\nE que a hist\u00f3ria de todo amortalhara.<br \/>\n\u00d3 torrentes antigas! \u00e1guas santas<br \/>\nDe C\u00e9dron! J\u00e1 talvez o sol que passa,<br \/>\nE v\u00ea nascer e v\u00ea morrer as flores,<br \/>\nTodas no leito vos secou, enquanto<br \/>\nEstas murmuram pl\u00e1cidas e cheias,<br \/>\nE v\u00e3o contando \u00e0s deleitosas praias<br \/>\nEsperan\u00e7as futuras. Longo e longo<br \/>\nO devolver dos s\u00e9culos<br \/>\nSer\u00e1, primeiro que a mem\u00f3ria do homem<br \/>\nTe\u00e7a a mortalha fria<br \/>\nDa regi\u00e3o que inda tinge o albor da aurora.<\/p>\n<p><strong>III<\/strong><\/p>\n<p>Talvez, talvez no esp\u00edrito fechado<br \/>\nDo anci\u00e3o vagueavam lentamente<br \/>\nEstas id\u00e9ias tristes. Junto \u00e0 praia<br \/>\nEra a austera mans\u00e3o, donde se via<br \/>\nDesenrolarem-se as serenas vagas<br \/>\nDo nosso golfo azul. N\u00e3o a enfeitavam<br \/>\nAs galas da opul\u00eancia, nem os olhos<br \/>\nEntristecia co&#8217;o medonho aspecto<br \/>\nDa mis\u00e9ria; n\u00e3o pr\u00f3diga nem surda<br \/>\nA fortuna lhe fora, mas aquela<br \/>\nMediana s\u00f3bria, que os desejos<br \/>\nContenta do fil\u00f3sofo, lhe havia<br \/>\nDourado os tetos. Guanabara ainda<br \/>\nN\u00e3o era a flor aberta<br \/>\nDa nossa idade, era bot\u00e3o apenas,<br \/>\nQue rompia do hastil, nascido \u00e0 beira<br \/>\nDe suas ondas mansas. Simple e rude,<br \/>\nIa brotando a juvenil cidade,<br \/>\nNestas incultas terras, que a lembran\u00e7a<br \/>\nRecordava talvez do antigo povo,<br \/>\nE o guau alegre, e as r\u00edspidas pelejas,<br \/>\nToda essa vida que morreu.<\/p>\n<p><strong>IV<\/strong><\/p>\n<p>Sentada<br \/>\nAos p\u00e9s do velho estava a amada filha,<br \/>\nBela como a a\u00e7ucena dos Cantares,<br \/>\nComo a rosa dos campos. A cabe\u00e7a<br \/>\nNos joelhos do pai reclina a mo\u00e7a,<br \/>\nE deixa resvalar o pensamento<br \/>\nRio abaixo das longas esperan\u00e7as<br \/>\nE namorados sonhos. Negros olhos<br \/>\nPor entre os mal fechados<br \/>\nC\u00edlios estende \u00e0 serra que recorta<br \/>\nAo longe o c\u00e9u. Morena \u00e9 a face linda<br \/>\nE levemente p\u00e1lida. Mais bela,<br \/>\nNem mais suave era a formosa Ruth<br \/>\nAnte o rico Boaz, do que essa virgem,<br \/>\nFlor que Israel brotou do antigo tronco,<br \/>\nCorada ao sol da juvenil Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>V<\/strong><\/p>\n<p>Mudos viam correr aquelas horas<br \/>\nDa noite, os dois: ele voltando o rosto<br \/>\nAo passado, ela os olhos ao futuro.<br \/>\nCansam-lhe enfim ao pensamento as asas<br \/>\nDe ir voando, atrav\u00e9s da espessa treva,<br \/>\nFrouxas as colhe, e desce ao campo ex\u00edguo<br \/>\nDa realidade. A delicada virgem<br \/>\nPrimeiro volve a si; os lindos dedos<br \/>\nCorre-lhe ao longo da nevada barba,<br \/>\nE &#8211; &#8220;Pai amigo, que pensar vos leva<br \/>\nT\u00e3o longe a alma?&#8221; Estemecendo o velho:<br \/>\n&#8211; &#8220;Curiosa! &#8211; lhe disse -, o pensamento<br \/>\nE como as aves passageiras: voa<br \/>\nA buscar melhor clima. &#8211; Oposto rumo<br \/>\nIas tu, alma em flor, aberta apenas,<br \/>\nT\u00e3o longe ainda do calor da sesta,<br \/>\nT\u00e3o remota da noite&#8230; Uma esperan\u00e7a<br \/>\nTe sorria talvez? Talvez, quem sabe,<br \/>\nUns namorados olhos que me roubem,<br \/>\nQue te levem&#8230; N\u00e3o c\u00f3res*, filha minha!<br \/>\nEsquecimento, n\u00e3o; lembran\u00e7a ao menos<br \/>\nFicar-te-\u00e1 do paterno afeto; e um dia,<br \/>\nQuando eu na terra descansar meus ossos,<br \/>\nHaver\u00e1s doce b\u00e1lsamo no seio<br \/>\nDa afei\u00e7\u00e3o juvenil&#8230; Sim; n\u00e3o te acuso;<br \/>\nAma: \u00e9 a lei da natureza, eterna!<br \/>\nAma: um homem ser\u00e1 da nossa ra\u00e7a&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><strong>VI<\/strong><\/p>\n<p>Estas palavras tais ouvindo a mo\u00e7a,<br \/>\nTurbada os olhos descaiu na terra,<br \/>\nE algum tempo ficou calada e triste,<br \/>\nComo no azul do c\u00e9u o astro da noite,<br \/>\nSe uma nuvem lhe empana a meio a face.<br \/>\nS\u00fabito a voz e o rosto alevantando,<br \/>\nCom dissimula\u00e7\u00e3o &#8211; pecado embora,<br \/>\nMas inocente: &#8211; &#8220;Olhai, a noite \u00e9 linda!<br \/>\nO vento encrespa molemente as ondas,<br \/>\nE o c\u00e9u \u00e9 todo azul e todo estrelas!<br \/>\nFormosa, oh! qu\u00e3o formosa a terra minha!<br \/>\nDizei: al\u00e9m desses compridos serros,<br \/>\nAl\u00e9m daquele mar, \u00e0 orla de outros,<br \/>\nOutras como esta vivem?&#8221;<\/p>\n<p><strong>VII<\/strong><\/p>\n<p>Fresca e pura<br \/>\nEra-lhe a voz, voz d&#8217;alma que sabia<br \/>\nEntrar no cora\u00e7\u00e3o paterno. A fronte<br \/>\nInclina o velho sobre o rosto amado<br \/>\nDe \u00c2ngela. &#8211; Na cabe\u00e7a \u00f3sculo santo<br \/>\nImprime \u00e0 filha; e suspirando, os olhos<br \/>\nMelancolicamente ao ar levanta,<br \/>\nDesce-os e assim murmura:<br \/>\n&#8220;Vaso \u00e9 digno de ti, l\u00edrio dos vales,<br \/>\nTerra solene e bela. A natureza<br \/>\nAqui pomposa, compassiva e grande,<br \/>\nNo rega\u00e7o recebe a alma que chora<br \/>\nE o cora\u00e7\u00e3o que t\u00famido suspira.<br \/>\nContudo, a sombra pesarosa e errante<br \/>\nDo povo que acabou pranteia ainda<br \/>\nAo longo das areias,<br \/>\nOnde o mar bate, ou no cerrado bosque<br \/>\nInda povoado das rel\u00edquias suas,<br \/>\nQue o nome de Tup\u00e3 confessar podem<br \/>\nNo pr\u00f3prio templo augusto. \u00daltima e forte<br \/>\nConsola\u00e7\u00e3o \u00e9 esta do vencido<br \/>\nQue viu tudo perder-se no passado,<br \/>\nE \u00fanico salva do naufr\u00e1gio imenso<br \/>\nO seu Deus. P\u00e1tria n\u00e3o. Uma h\u00e1 na terra<br \/>\nQue eu nunca vi&#8230; Hoje \u00e9 ru\u00edna tudo,<br \/>\nE viuvez e morte. Um tempo, entanto,<br \/>\nBela e forte ela foi; mas longe, longe<br \/>\nOs dias v\u00e3o de fortaleza e gl\u00f3ria<br \/>\nEscoados de todo como as \u00e1guas<br \/>\nQue n\u00e3o volvem jamais. \u00d3leo que a unge,<br \/>\nFinas telas que a vestem, atavios<br \/>\nDe ouro e prata que o colo e os bra\u00e7os lhe ornam,<br \/>\nE a flor de trigo e mel de que se nutre,<br \/>\nSonhos, s\u00e3o sonhos do profeta. \u00c9 morta<br \/>\nJerusal\u00e9m! Oh! quem lhe dera os dias<br \/>\nDa passada grandeza, quando a planta<br \/>\nDa senhora das gentes sobre o peito<br \/>\nPousava dos vencidos, quando o nome<br \/>\nDo que h\u00e1 salvo Israel, Mois\u00e9s&#8230;&#8221;<br \/>\n&#8220;- N\u00e3o! Cristo,<br \/>\nFilho de Deus! S\u00f3 ele h\u00e1 salvo os homens!&#8221;<br \/>\nIsto dizendo, a delicada virgem<br \/>\nAs m\u00e3os postas ergueu. Uma palavra<br \/>\nN\u00e3o disse mais; no cora\u00e7\u00e3o, entanto,<br \/>\nMurmurava uma prece silenciosa,<br \/>\nArdente e viva, como a f\u00e9 que a anima<br \/>\nOu como a luz da al\u00e2mpada<br \/>\nA que n\u00e3o faltou \u00f3leo.<\/p>\n<p><strong>VIII<\/strong><\/p>\n<p>Taciturno<br \/>\nEsteve longo tempo o anci\u00e3o. Aquela<br \/>\nAlma infeliz nem toda era de Cristo<br \/>\nNem toda de Mois\u00e9s; ouvia atento<br \/>\nA palavra da Lei, como nos dias<br \/>\nDo eleito povo; mas a doce nota<br \/>\nDo Evangelho n\u00e3o raro lhe batia<br \/>\nNo alvoro\u00e7ado peito<br \/>\nSolen\u00edssima e pura&#8230; Descambava<br \/>\nNo entanto a lua. A noite era mais linda,<br \/>\nE mais augusta a solid\u00e3o. Na alcova<br \/>\nEntre a p\u00e1lida mo\u00e7a. Da parede<br \/>\nUm Cristo pende; ela os joelhos dobra<br \/>\nOs dedos cruza e reza &#8211; n\u00e3o serena,<br \/>\nNem alegre tamb\u00e9m, como costuma,<br \/>\nMas a tremer-lhe nos formosos olhos<br \/>\nUma l\u00e1grima.<\/p>\n<p><strong>IX<\/strong><\/p>\n<p>A l\u00e2mpada acendida<br \/>\nSobre a mesa do velho, as largas folhas<br \/>\nAlumia de um livro. O m\u00e1ximo era<br \/>\nDos livros todos. A escolhida lauda<br \/>\nEra a do canto dos cativos que iam<br \/>\nPela ribas do Eufrates, relembrando<br \/>\nAs desgra\u00e7as da p\u00e1tria. A s\u00f3s, com eles,<br \/>\nSuspira o velho aquele salmo antigo:<\/p>\n<p>Junto os rios da terra amaldi\u00e7oada<br \/>\nDe Babil\u00f4nia, um dia nos sentamos,<br \/>\nCom saudades de Si\u00e3o amada.<\/p>\n<p>As harpas nos salgueiros penduramos,<br \/>\nE ao relembrarmos os extintos dias<br \/>\nAs l\u00e1grimas dos olhos desatamos.<\/p>\n<p>Os que nos davam cruas agonias<br \/>\nDe cativeiro, ali nos perguntavam<br \/>\nPelas nossas antigas harmonias.<\/p>\n<p>E diz\u00edamos n\u00f3s aos que falavam:<br \/>\nComo em terra de ex\u00edlio amargo e duro<br \/>\nCantar os hinos que ao Senhor louvavam?&#8230;<\/p>\n<p>Jerusal\u00e9m, se inda num sol futuro,<br \/>\nEu desviar de ti meu pensamento<br \/>\nE teu nome entregar a olvido escuro,<\/p>\n<p>A minha destra a frio esquecimento<br \/>\nVotada seja; apegue-se \u00e0 garganta<br \/>\nEsta l\u00edngua infiel, se um s\u00f3 momento<\/p>\n<p>Me n\u00e3o lembrar de ti, se a grande e santa<br \/>\nJerusal\u00e9m n\u00e3o for minha alegria<br \/>\nMelhor no meio de mis\u00e9ria tanta.<\/p>\n<p>Oh! lembra-lhes, Senhor, aquele dia<br \/>\nDa abatida Si\u00e3o, lembra-lhos aos duros<br \/>\nFilhos de Edom, e \u00e0 voz que ali dizia:<\/p>\n<p>Arruinai-a, arruinai-a; os muros<br \/>\nArrasemo-los todos; s\u00f3 lhe baste<br \/>\nUm mont\u00e3o de destro\u00e7os mal-seguros.<\/p>\n<p>Filha de Babil\u00f4nia, que pecaste,<br \/>\nAben\u00e7oado o que se houver contigo<br \/>\nCom a mesma opress\u00e3o que nos mostraste!<\/p>\n<p>Aben\u00e7oado o b\u00e1rbaro inimigo<br \/>\nQue os tenros filhos teus \u00e0s m\u00e3os tomando,<br \/>\nOs for, por teu just\u00edssimo castigo,<br \/>\nContra um duro penedo esmigalhando!<\/p>\n<p><strong>PARTE II<\/strong><\/p>\n<p><strong>I<\/strong><\/p>\n<p>Era naquela doce e am\u00e1vel hora<br \/>\nEm que vem branqueando a alva celeste,<br \/>\nQuando parece que remo\u00e7a a vida<br \/>\nE toda se espregui\u00e7a a natureza.<br \/>\nAlva neblina que espalhara a noite<br \/>\nFrouxamente nos ares se dissolve,<br \/>\nComo de uns olhos tristes<br \/>\nFoge co&#8217;o tempo a j\u00e1 ligeira sombra<br \/>\nDe consoladas m\u00e1goas. Vida \u00e9 tudo,<br \/>\nE pompa e gra\u00e7a natural da terra,<br \/>\nMas que n\u00e3o seja no ermo,<br \/>\nOnde seus olhos r\u00fatilos espraia<br \/>\nLivres a aurora, sem tocar vest\u00edgios<br \/>\nDe obras caducas do homem, onde as \u00e1guas<br \/>\nDo rio bebe a fugitiva cor\u00e7a,<br \/>\nVivo aroma nos ares se difunde,<br \/>\nE aves, e aves de infinitas cores<br \/>\nVoando v\u00e3o e revoando tornam,<br \/>\nInda senhoras da amplid\u00e3o que \u00e9 sua,<br \/>\nDonde as h\u00e1 de fugir o homem um dia<br \/>\nQuando a agreste soid\u00e3o entrar o passo<br \/>\nCriador que derruba. J\u00e1 de todo<br \/>\nNado era o sol; e \u00e0 viva luz que inunda<br \/>\nEstes meus p\u00e1trios morros e estas praias,<br \/>\nSorrindo a terra mo\u00e7a<br \/>\nNoiva parece que o virg\u00edneo seio<br \/>\nEntrega ao beijo nupcial do amado.<br \/>\nE h\u00e1 de os f\u00fanebres v\u00e9us lan\u00e7ar a morte<br \/>\nNa verdura do campo? A natureza<br \/>\nA nota vibrar\u00e1 da extrema ang\u00fastia<br \/>\nNeste festivo c\u00e2ntico de gra\u00e7as<br \/>\nAo sol que nasce, ao Criador que o envia,<br \/>\nComo renova\u00e7\u00e3o de juventude?<\/p>\n<p><strong>II<\/strong><\/p>\n<p>Coava o sol pela mi\u00fada e fina<br \/>\nGelosia da alcova em que se apresta<br \/>\nA recente crist\u00e3. Singelas roupas<br \/>\nTraja da ing\u00eanua cor que a natureza<br \/>\nPintou nas plumas que primeiro brota<br \/>\nO seu p\u00e1trio guar\u00e1. V\u00ednculo frouxo<br \/>\nMal lhe segura a luzidia tran\u00e7a,<br \/>\nComo ao desd\u00e9m lan\u00e7ada<br \/>\nSobre a esp\u00e1dua gentil. J\u00f3ia nenhuma,<br \/>\nMais que seus olhos meigos, e essa doce<br \/>\nMod\u00e9stia natural, encanto, enlevo,<br \/>\nCasta flor que aborrece os mimos do horto,<br \/>\nE ama livre nascer no campo, \u00e0 larga,<br \/>\nR\u00fastica, mas formosa. N\u00e3o lhe ensombram<br \/>\nAs tristezas da v\u00e9spera o semblante,<br \/>\nNem da secreta l\u00e1grima na face<br \/>\nFicou vest\u00edgio. &#8211; Descuidosa e alegre,<br \/>\nRi-se, murmura uma cantiga, ou pensa,<br \/>\nE repete baixinho um nome&#8230; Oh! se ele<br \/>\nEspreit\u00e1-la pudesse ali risonha,<br \/>\nA s\u00f3s consigo, entre o seu Cristo e as flores<br \/>\nColhidas ao tombar da extinta noite,<br \/>\nE vicejantes inda!<\/p>\n<p><strong>III<\/strong><\/p>\n<p>De repente,<br \/>\nAos ouvidos da mo\u00e7a enamorada<br \/>\nChega um surdo rumor de soltas vozes,<br \/>\nQue ora crescendo vai, ora se apaga,<br \/>\nEstranho, desusado. Eram&#8230; S\u00e3o eles,<br \/>\nOs franceses, que v\u00eam de longes praias<br \/>\nA cobi\u00e7ar a p\u00e9rola mimosa,<br \/>\nNiter\u00f3i, na alva-azul concha nascida<br \/>\nDe suas \u00e1guas recatadas. Rege<br \/>\nO atrevido Duclerc a flor dos nobres,<br \/>\nCuja tez branca requeimara o fogo<br \/>\nQue o vivo sol dos tr\u00f3picos dardeja,<br \/>\nE as lufadas dos ventos do oceano.<br \/>\nCobi\u00e7am-te eles, minha terra amada,<br \/>\nComo quando nas faixas sempre-verdes<br \/>\nEras envolta; e rude, inda que belo,<br \/>\nO aspecto havias que poliu mais tarde<br \/>\nA clara m\u00e3o do tempo. Inda repetem<br \/>\nOs ecos do rec\u00f4ncavo os suspiros<br \/>\nDos que vieram a buscar a morte,<br \/>\nE a receberam dos var\u00f5es possantes<br \/>\nCompanheiros de Est\u00e1cio. A todos eles,<br \/>\nProle de Luso ou gera\u00e7\u00e3o da G\u00e1lia,<br \/>\nCativara-os a naiade escondida,<br \/>\nE o sol os viu travados nessa longa<br \/>\nE sangrenta porfia, cujo pr\u00eamio<br \/>\nEra teu verde, c\u00e2ndido rega\u00e7o.<br \/>\nTriunfara o trabuco lusitano<br \/>\nNaquele extinto s\u00e9culo. Vencido,<br \/>\nO pavilh\u00e3o franc\u00eas volvera \u00e0 p\u00e1tria,<br \/>\nPela \u00e1gua arrastando o longo crepe<br \/>\nDe suas tristes, mortas esperan\u00e7as,<br \/>\nQue vento novo o desfraldou nos ares?<\/p>\n<p><strong>IV<\/strong><\/p>\n<p>\u00c2ngela ouvira as vozes da cidade,<br \/>\nAs vozes do furor. J\u00e1 receosa,<br \/>\nTr\u00eamula, foge \u00e0 alcova e se encaminha<br \/>\n\u00c0 c\u00e2mara paterna. Ia transpondo<br \/>\nA franqueada porta&#8230; e p\u00e1ra. O peito<br \/>\nRompe-lho quase o cora\u00e7\u00e3o &#8211; tamanho<br \/>\n\u00c9 o palpitar, um palpitar de gosto,<br \/>\nDe surpresa e de susto. Aqueles olhos,<br \/>\nAquela gra\u00e7a m\u00e1scula do gesto,<br \/>\nGra\u00e7a e olhos s\u00e3o dele, o amado noivo,<br \/>\nQue entre os mais homens elegeu sua alma<br \/>\nPara o v\u00ednculo eterno&#8230; Sim, que a morte<br \/>\nPode arrancar ao seio humano o alento<br \/>\n\u00daltimo e derradeiro; os que deveras<br \/>\nUnidos foram, volver\u00e3o unidos<br \/>\nA mergulhar na eternidade. Estava<br \/>\nJunto do velho pai o gentil mo\u00e7o,<br \/>\nEle todo agitado, o anci\u00e3o sombrio,<br \/>\nCalados ambos. A atitude de ambos,<br \/>\nO misterioso, g\u00e9lido sil\u00eancio,<br \/>\nMais que tudo, a presen\u00e7a nunca usada<br \/>\nDaquele homem ali, que mal a espreita<br \/>\nDe longe e a furto, nos instantes breves<br \/>\nEm que lhe \u00e9 dado v\u00ea-la, tudo \u00e0 mo\u00e7a<br \/>\nO \u00e2nimo abala e o cora\u00e7\u00e3o enfia.<\/p>\n<p><strong>V<\/strong><\/p>\n<p>Mas o tropel de fora avulta e cresce<br \/>\nE os tr\u00eas acorda. A virgem, lentamente,<br \/>\nRosto inclinado ao ch\u00e3o, transp\u00f5e o espa\u00e7o<br \/>\nQue dos dois a separa. O tenro colo<br \/>\nCurva ante o pai, e na enrugada destra<br \/>\nO \u00f3sculo imprime, herdada usan\u00e7a nossa<br \/>\nDe filial respeito. As m\u00e3os lhe toma<br \/>\nEnternecido o velho; olhos com olhos<br \/>\nAlguns instantes r\u00e1pidos ficaram,<br \/>\nAt\u00e9 que ele, voltando o rosto ao mo\u00e7o:<br \/>\n&#8220;- Perdoai &#8211; disse &#8211; se paterno afeto<br \/>\nMe atou a l\u00edngua. Vacilar \u00e9 justo<br \/>\nQuando \u00e0 pobre ru\u00edna a flor lhe pedem<br \/>\nQue \u00fanica lhe nasceu &#8211; \u00fanica adorna<br \/>\nA aridez melanc\u00f3lica do extremo,<br \/>\nP\u00e1lido sol&#8230; N\u00e3o protesteis! Roub\u00e1-la,<br \/>\nArranc\u00e1-la aos meus \u00faltimos instantes,<br \/>\nN\u00e3o o fareis de certo. Pouco importa<br \/>\nD\u00eas que a metade lhe levais da vida,<br \/>\nD\u00eas que seu cora\u00e7\u00e3o, convosco parte<br \/>\nAfei\u00e7\u00f5es minhas. &#8211; Ao demais, o sangue<br \/>\nQue lhe corre nas veias condenado,<br \/>\nNuno, ser\u00e1 dos vossos&#8230;&#8221; Longo e frio<br \/>\nOlhar estas palavras acompanha,<br \/>\nComo a arrancar-lhe o pensamento interno.<br \/>\nA donzela estremece. Nuno o alento<br \/>\nRecobra e fala: &#8211; &#8220;Puro sangue \u00e9 ele,<br \/>\nSe lhe corre nas veias. T\u00e3o mimosa,<br \/>\nC\u00e2ndida criatura, alma t\u00e3o casta,<br \/>\nInda nascida entre os incr\u00e9us da Ar\u00e1bia,<br \/>\nDeus a votara \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 vida<br \/>\nDos eleitos do c\u00e9u. \u00c1guas sagradas<br \/>\nQue a lavaram no ber\u00e7o, j\u00e1 nas veias<br \/>\nO sangue velho e impuro lhe trocaram<br \/>\nPelo sangue de Cristo&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><strong>VII<\/strong><\/p>\n<p>Neste instante<br \/>\nCresce o tumulto exterior. A virgem<br \/>\nMedrosa toda se conchega ao colo<br \/>\nDo velho pai. &#8220;Ouvis? Falai! \u00e9 tempo!&#8221;<br \/>\nNuno prossegue. &#8211; &#8220;Este comum perigo<br \/>\nChama os var\u00f5es \u00e0 r\u00edspida batalha;<br \/>\nCom eles vou. Se um galard\u00e3o, entanto,<br \/>\nMerecer de meus feitos, n\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria<br \/>\nIrei pedi-lo; s\u00f3 de v\u00f3s espero,<br \/>\nN\u00e3o o melhor, mas o \u00fanico na terra,<br \/>\nQue a minha vida&#8230;&#8221; Rematar n\u00e3o p\u00f4de<br \/>\nEsta palavra. Ao escutar-lhe a nova<br \/>\nDa iminente peleja<br \/>\nE a decis\u00e3o de combater por ela,<br \/>\nLuteiras sente as for\u00e7as esvair-lhe<br \/>\nA donzela, e bem como ao rijo vento<br \/>\nInclina o colo o arbusto<br \/>\nNos bra\u00e7os desmaiou do pai. Volvida<br \/>\nA si, na palidez do rosto o velho<br \/>\nAtenta um pouco, e suspirando: &#8220;As armas<br \/>\nEmpunhai; combatei; \u00c2ngela \u00e9 vossa.<br \/>\nN\u00e3o de mim a havereis: ela a si mesma<br \/>\nToda nas vossas m\u00e3os se entrega. Morta<br \/>\nOu feliz \u00e9 a escolha; n\u00e3o vacilo:<br \/>\nSeja feliz, e folgarei com ela&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><strong>VIII<\/strong><\/p>\n<p>Sobre a fronte dos dois, as m\u00e3os impondo<br \/>\nAo seio os conchegou, bem como a tenda<br \/>\nDo patriarca santo agasalhava<br \/>\nO mo\u00e7o Isaac e a delicada virgem<br \/>\nQue entre os rios nasceu . Delicioso<br \/>\nE solene era o quadro; mas solene<br \/>\nE delicioso embora, ia esvair-se<br \/>\nQual celeste vis\u00e3o, que acende a espa\u00e7os<br \/>\nO \u00e2nimo do infeliz. A guerra, a dura<br \/>\nNecessidade de imolar os homens,<br \/>\nPor salvar homens, a terr\u00edvel guerra<br \/>\nCorta o amoroso v\u00ednculo que os prende<br \/>\nE \u00e0 mo\u00e7a o riso lhe converte em l\u00e1grimas.<br \/>\nM\u00edsera \u00e9s tu, p\u00e1lida flor; mas sofre<br \/>\nQue o calor deste sol te acurve o c\u00e1lice,<br \/>\nMorta, n\u00e3o; nem j\u00e1 murcha &#8211; mas apenas<br \/>\nComo cansada de queimor do estio.<br \/>\nSofre; a tarde vir\u00e1 serena e branda<br \/>\nA reviver-te o alento; a fresca noite<br \/>\nChover\u00e1 sobre ti piedoso orvalho<br \/>\nE mais risonha surgir\u00e1s \u00e0 aurora.<\/p>\n<p><strong>IX<\/strong><\/p>\n<p>Foge \u00e0 est\u00e2ncia da paz o ardido mo\u00e7o;<br \/>\nEsperan\u00e7a, fortuna, amor e p\u00e1tria<br \/>\nA guerrear o levam. J\u00e1 nas veias<br \/>\nO vivo sangue irrequieto pulsa,<br \/>\nComo ansioso de correr por ambas,<br \/>\nA bela terra e a suspirada noiva.<br \/>\nTriste quadro a seus olhos se apresenta;<br \/>\nNos femininos rostos v\u00ea pintados<br \/>\nIncerteza e terror; lamentos, gritos<br \/>\nSoam de entorno. Voam pelas ruas<br \/>\nHomens de guerra; homens de paz se aprestam<br \/>\nPara a crua peleja; e, ou nobre est\u00e2ncia,<br \/>\nOu choupana rasteira, armado \u00e9 tudo<br \/>\nContra a forte invas\u00e3o. Nem l\u00e1 se deixa<br \/>\nQuieto, a s\u00f3s com Deus, na estreita cela,<br \/>\nO solit\u00e1rio monge que \u00e0s batalhas<br \/>\nFugiu da vida. O patrim\u00f4nio santo<br \/>\nCumpre salv\u00e1-lo. Cruz e espada empunha,<br \/>\nDeixa a serena regi\u00e3o da prece<br \/>\nE voa ao torvelinho do combate.<\/p>\n<p><strong>X<\/strong><\/p>\n<p>Entre os fortes alunos que dirige<br \/>\nO ardido Bento , a perfilar-se corre<br \/>\nNuno. Estes s\u00e3o os que o primeiro golpe<br \/>\nDescarregam no at\u00f4nito inimigo.<br \/>\nDo militar of\u00edcio ignoram tudo,<br \/>\nDe armas n\u00e3o sabem; mas o brio e a honra<br \/>\nE a lembran\u00e7a da terra em que primeiro<br \/>\nViram a luz, e onde o perd\u00ea-la \u00e9 doce,<br \/>\nEssa a escola lhes foi. Pasma o inimigo<br \/>\nDo nobre esfor\u00e7o e galhardia rara,<br \/>\nCom que inda nos umbrais da vida que orna<br \/>\nTanta esperan\u00e7a, tanto sonho de ouro,<br \/>\nResolutos a morte encaram, prestes<br \/>\nA retalhar nas dobras<br \/>\nDa vestidura f\u00fanebre da p\u00e1tria<br \/>\nO piedoso len\u00e7ol que os leve \u00e0 campa,<br \/>\nOu com ela cingir o eterno louro.<\/p>\n<p><strong>XI<\/strong><\/p>\n<p>\u00d3 mocidade, \u00f3 baluarte vivo<br \/>\nDa cara p\u00e1tria! J\u00e1 perdida \u00e9 ela,<br \/>\nQuando em teu peito entusiasmo santo<br \/>\nE puro amor se extingue, e \u00e0quele nobre,<br \/>\nGeneroso despejo e ardor antigo<br \/>\nSucede o frio calcular, e o torpe<br \/>\nEgo\u00edsmo, e quanto h\u00e1 a\u00ed no humano peito,<br \/>\nQue a natureza n\u00e3o criou nem ama,<br \/>\nQue \u00e9 fruto nosso e podre&#8230; Muitos caem<br \/>\nMortos ali. Que importa? V\u00e3o seguindo<br \/>\nAvante os bravos, que a invas\u00e3o caminha<br \/>\nImplac\u00e1vel e dura, como a morte,<br \/>\nA pelejar e a destruir. Tingidas<br \/>\nRuas de estranho sangue<br \/>\nE sangue nosso, lacerados membros,<br \/>\nCorpos de que h\u00e1 fugido a alma cansada,<br \/>\nE o denso fumo e os f\u00fanebres lamentos,<br \/>\nQuem nessa confus\u00e3o, mis\u00e9ria e gl\u00f3ria<br \/>\nConhecer\u00e1 da juvenil cidade<br \/>\nO aspecto, a vida? Aqui da inf\u00e2ncia os dias<br \/>\nNuno vivera, \u00e0 vicejante sombra<br \/>\nDo seu p\u00e1trio arvoredo, ao som das vagas<br \/>\nQue inda batendo v\u00e3o na amada areia;<br \/>\nRisos, jogos da verde meninice,<br \/>\nEsta praia lhe lembra, aquela pedra,<br \/>\nA mangueira do campo, a tosca cerca<br \/>\nDe espinheiro e de flores enla\u00e7adas,<br \/>\nA ave que voa, a brisa que suspira,<br \/>\nQue suspira como ele h\u00e1 suspirado,<br \/>\nQuando rompendo o cora\u00e7\u00e3o do peito<br \/>\nIa-lhe emp\u00f3s dessa vis\u00e3o divina,<br \/>\nRealidade agora&#8230; E h\u00e1 de perd\u00ea-las<br \/>\nP\u00e1tria e noiva? Esta id\u00e9ia lhe esvoa\u00e7a<br \/>\nTorva e surda no c\u00e9rebro do mo\u00e7o,<br \/>\nE ao contra\u00eddo esp\u00edrito redobra<br \/>\n\u00cdmpeto e for\u00e7as. Rompe<br \/>\nPor entre a multid\u00e3o dos seus, e investe<br \/>\nContra o duro inimigo; e as balas voam,<br \/>\nE com elas a morte, que n\u00e3o sabe<br \/>\nDos escolhidos seus a terra e o sangue,<br \/>\nE indistintos os toma; ele, no meio<br \/>\nDaquele horr\u00edvel turbilh\u00e3o, parece<br \/>\nQue a fa\u00edsca do g\u00eanio o leva e anima,<br \/>\nQue a fortuna o votara \u00e0 gl\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>XII<\/strong><\/p>\n<p>Soam<br \/>\nEnfim os gritos de triunfo; e o peito<br \/>\nDo povo que lutou respira \u00e0 larga,<br \/>\nComo ao que, ap\u00f3s \u00e1rdua subida, chega<br \/>\nAo cimo da montanha, e ao longe os olhos<br \/>\nEstende pelo azul dos c\u00e9us, e a vida<br \/>\nBebe nesse ar mais puro. Farto sangue<br \/>\nA vit\u00f3ria custara; mas, se em meio<br \/>\nDe tanta gl\u00f3ria h\u00e1 l\u00e1grimas, solu\u00e7os,<br \/>\nGemidos de viuvez, quem os escuta,<br \/>\nQuem as v\u00ea essas l\u00e1grimas choradas<br \/>\nNa multid\u00e3o da pra\u00e7a que troveja<br \/>\nE folga e ri? O sacro bronze que usa<br \/>\nOs fi\u00e9is convidar \u00e0 prece, e a morte<br \/>\nDo homem pranteia l\u00fagubre e solene,<br \/>\nOra festivo canta<br \/>\nO comum regozijo; e pela aberta<br \/>\nPorta dos templos entra a frouxo o povo<br \/>\nA agradecer com l\u00e1grimas e vozes<br \/>\nO triunfo &#8211; piedoso instinto da alma,<br \/>\nQue a Deus levanta o pensamento e as gra\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>XIII<\/strong><\/p>\n<p>Tu, mancebo feliz, tu bravo e amado,<br \/>\nVoa nas asas r\u00fatilas e leves<br \/>\nDa fortuna e do amor. Como ao indiano,<br \/>\nQue, ao regressar das porfiadas lutas,<br \/>\nPor estas mesmas regi\u00f5es entrava,<br \/>\nA encontr\u00e1-lo sa\u00eda a meiga esposa,<br \/>\n&#8211; A recente crist\u00e3, entre assustada<br \/>\nE jubilosa coroar\u00e1 teus feitos<br \/>\nCo&#8217;a melhor das capelas que h\u00e3o pousado<br \/>\nEm fronte de var\u00e3o &#8211; um doce e longo<br \/>\nOlhar que inteiro encerra a alma que chora<br \/>\nDe gosto e vida! Voa o mo\u00e7o \u00e0 est\u00e2ncia<br \/>\nDo anci\u00e3o; e ao p\u00f4r na suspirada porta<br \/>\nOlhos que traz famintos de encontr\u00e1-la,<br \/>\nFrio terror lhe empece os membros. Frouxo<br \/>\nIa o sol transmontando; lenta a vaga<br \/>\nMelancolicamente ali gemia,<br \/>\nE todo o ar parecia arfar de morte.<br \/>\nQual se p\u00e1lida a vira, j\u00e1 cerrados<br \/>\nOs desmaiados olhos,<br \/>\nFrios os doces l\u00e1bios<br \/>\nCansados de pedir aos c\u00e9us por ele,<br \/>\nNuno estacara; e pelo rosto em fio<br \/>\nO suor lhe caiu da extrema ang\u00fastia;<br \/>\nLongo tempo vacila;<br \/>\nVence-se enfim, e entra a mans\u00e3o da esposa.<\/p>\n<p><strong>XIV<\/strong><\/p>\n<p>Quatro vultos na c\u00e2mara paterna<br \/>\nEram. O pai sentado,<br \/>\nCalado e triste. Reclinada a fronte<br \/>\nNo espaldar da cadeira, a filha os olhos<br \/>\nE o rosto esconde, mas tremor cont\u00ednuo<br \/>\nDe um abafado solu\u00e7ar o esbelto<br \/>\nCorpo lhe agita. Nuno aos dois se chega;<br \/>\nIa a falar, quando a formosa virgem,<br \/>\nOs lacrimosos olhos levantando,<br \/>\nUm grito solta do \u00edntimo do peito<br \/>\nE se lhe prostra aos p\u00e9s: &#8220;Oh! vivo, \u00e9s vivo!<br \/>\nInda bem&#8230; Mas o c\u00e9u, que por n\u00f3s vela,<br \/>\nAqui te envia&#8230; Salva-o tu, se podes,<br \/>\nSalva meu pobre pai!&#8221; Estremecendo<br \/>\nNela e no velho fita Nuno os olhos,<br \/>\nE agitado pergunta: &#8220;Qual ousado<br \/>\nBra\u00e7o lhe amea\u00e7a a vida?&#8221; Cavernosa<br \/>\nUma voz lhe responde: &#8220;O santo of\u00edcio!&#8221;<br \/>\nVolve o mancebo o rosto<br \/>\nE o merenc\u00f3rio aspecto<br \/>\nDe dois familiares todo o sangue<br \/>\nNas veias lhe gelou.<\/p>\n<p><strong>XV<\/strong><\/p>\n<p>Solene o velho<br \/>\nCom a voz, n\u00e3o frouxa, mas pausada, fala:<br \/>\n&#8220;- V\u00eas? Todo o brio, todo o amor no peito<br \/>\nTe emudeceu. S\u00f3 lastimar-me podes,<br \/>\nSalvar-me, nunca. O c\u00e1rcere me aguarda,<br \/>\nE a fogueira talvez; cumpri-la, \u00e9 tempo,<br \/>\nA vontade de Deus. Tu, pai e esposo<br \/>\nDa desvalida filha que a\u00ed deixo,<br \/>\nNuno, ser\u00e1s. A relembrar com ela<br \/>\nMeu pobre nome, aplacareis a imensa<br \/>\nC\u00f3lera do Senhor&#8230;&#8221; Sorrindo ir\u00f4nico,<br \/>\nEstas palavras \u00faltimas lhe caem<br \/>\nDos l\u00e1bios tristes. Ergue-se: &#8220;Partamos!<br \/>\nAdeus! Negou-me Aquele que no campo<br \/>\nDeixa a \u00e1rvore anci\u00e3 perder as folhas<br \/>\nNo mesmo ponto em que as nutriu vi\u00e7osas,<br \/>\nNegou-me ver por estas longas serras<br \/>\nIr-se-me o \u00faltimo sol. Brando rega\u00e7o<br \/>\nA filial piedade me daria<br \/>\nEm que eu dormisse o derradeiro sono,<br \/>\nE em bra\u00e7os de meu sangue transportado<br \/>\nFora em horas de paz e de sil\u00eancio<br \/>\nLevado ao leito extremo e eterno. Vive<br \/>\nAo menos tu&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><strong>XVI<\/strong><\/p>\n<p>Um familiar lhe corta<br \/>\nO adeus \u00faltimo: &#8220;Vamos: \u00e9 j\u00e1 tempo!&#8221;<br \/>\nResignado o infeliz, ao seio aperta<br \/>\nA filha, e todo o cora\u00e7\u00e3o num beijo<br \/>\nLhe transmitiu, e a caminhar come\u00e7a.<br \/>\n\u00c2ngela os lindos bra\u00e7os sobre os ombros<br \/>\nTrava do austero pai; flores diss\u00e9reis<br \/>\nDe parasita, que enroscou seus ramos<br \/>\nPelo cansado tronco, est\u00e9ril, seco<br \/>\nDe \u00e1rvore antiga: &#8220;Nunca! H\u00e3o de primeiro<br \/>\nA alma arrancar-me! Ou se heis pecado, e a morte<br \/>\nPena h\u00e1 de ser da cometida culpa,<br \/>\nConvosco descerei \u00e0 campa fria,<br \/>\nJuntos a mergulhar na eternidade.<br \/>\nIsrael tem vertido<br \/>\nUma mar de sangue. Embora! \u00e0 tona dele<br \/>\nVerdeja a nossa f\u00e9 , a f\u00e9 que anima<br \/>\nO eleito povo, flor suave e bela<br \/>\nQue o medo n\u00e3o desfolha, nem j\u00e1 seca<br \/>\nAo vento mau da c\u00f3lera dos homens!&#8221;<\/p>\n<p><strong>XVII<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eamula a voz do peito lhe sa\u00eda.<br \/>\nDas m\u00e3os lhe trava um dos algozes. Ela<br \/>\nEntrega-se risonha,<br \/>\nComo se o c\u00e1lix da amargura extrema<br \/>\nPelos meles da vida lhe trocassem<br \/>\nCeleste e eterna. O cora\u00e7\u00e3o do mo\u00e7o<br \/>\nLatejava de espanto e susto. Os olhos<br \/>\nPousa na filha o desvairado velho.<br \/>\nQue ouviu? &#8211; Atenta nela; o lindo rosto<br \/>\nO c\u00e9u n\u00e3o busca jubiloso e livre,<br \/>\nAntes, como travado de agra pena,<br \/>\nPende-lhe agora ao ch\u00e3o. Dizia acaso<br \/>\nEntre si mesma uma ora\u00e7\u00e3o, e o nome<br \/>\nDe Jesus repetia, mas t\u00e3o baixo,<br \/>\nQue o cora\u00e7\u00e3o do pai mal p\u00f4de ouvir-lho.<br \/>\nMas ouviu-lho; e t\u00e3o forte amor, tamanho<br \/>\nSacrif\u00edcio da vida a alma lhe rasga<br \/>\nE deslumbra. Escoou-se um breve tempo<br \/>\nDe sil\u00eancio; ele e ela, os triste noivos,<br \/>\nComo se a eterna noite os recebera,<br \/>\nGelados eram; levantar n\u00e3o ousam<br \/>\nUm para o outro os arrasados olhos<br \/>\nDe mal contidas e teimosas l\u00e1grimas.<\/p>\n<p><strong>XVIII<\/strong><\/p>\n<p>Nuno enfim, lentamente e a custo arranca<br \/>\nDo cora\u00e7\u00e3o estas palavras: &#8220;Fora<br \/>\nMiseric\u00f3rdia ao menos confess\u00e1-lo<br \/>\nQuando ao fogo do b\u00e1rbaro inimigo<br \/>\nMe era f\u00e1cil deixar o derradeiro<br \/>\nSopro da vida. Pr\u00eamio \u00e9 este acaso<br \/>\nDe tamanho lidar? Que mal te hei feito,<br \/>\nPorque me d\u00eas t\u00e3o b\u00e1rbara e medonha<br \/>\nMorte, como esta, em que o cad\u00e1ver guarda<br \/>\nInteiro o pensamento, inteiro o aspecto<br \/>\nDa vida que fugiu?&#8221; \u00c2ngela os olhos<br \/>\nMagoados ergue; arfa-lhe o peito aflito,<br \/>\nComo o dorso da vaga que intumesce<br \/>\nA asa da tempestade. &#8220;Adeus!&#8221; suspira<br \/>\nE a fronte abriga no paterno seio.<\/p>\n<p><strong>XIX<\/strong><\/p>\n<p>O rebelde anci\u00e3o, domado entanto,<br \/>\nAfracar-se-lhe sente dentro d&#8217;alma<br \/>\nO sentimento velho que bebera<br \/>\nCom o leite dos seus; e sem que o l\u00e1bio<br \/>\nTransmita a ouvidos de homem<br \/>\nO duvidar do cora\u00e7\u00e3o, murmura<br \/>\nDentro de si: &#8220;T\u00e3o poderosa \u00e9 essa<br \/>\nIng\u00eanua f\u00e9, que inda negando o nome<br \/>\nDo seu Deus, confiada aceita a morte,<br \/>\nE guarda puro o sentimento interno<br \/>\nCom que o v\u00e9u rasgar\u00e1 da eternidade?<br \/>\n\u00d3 Nazareno, \u00f3 filho do mist\u00e9rio,<br \/>\nSe \u00e9 tua lei a \u00fanica da vida<br \/>\nEscreve-ma no peito; e d\u00e1 que eu veja<br \/>\nMorrer comigo a filha de meus olhos<br \/>\nE unidos irmos, pela porta imensa<br \/>\nDo teu perd\u00e3o, \u00e0 eternidade tua!&#8221;<\/p>\n<p><strong>XX<\/strong><\/p>\n<p>Mergulhara de todo o sol no ocaso,<br \/>\nE a noite, clara, deliciosa e bela,<br \/>\nA cidade cobriu &#8211; n\u00e3o sossegada,<br \/>\nComo costuma &#8211; por\u00e9m leda e viva,<br \/>\nCheia de luz, de cantos e rumores,<br \/>\nVitoriosa enfim. Eles, calados,<br \/>\nForam por entre a multid\u00e3o alegre,<br \/>\nA penetrar o c\u00e1rcere sombrio.<\/p>\n<p>Donde ao mar passar\u00e3o, que os leve \u00e0s praias<br \/>\nDa anci\u00e3o Europa. Carregado o rosto,<br \/>\nIa o pai; ela, n\u00e3o. Serena e meiga,<br \/>\nEntra afoita o caminho da amargura,<br \/>\nA custo sofreando internas m\u00e1goas<br \/>\nDa amarga vida, breve flor como ela,<br \/>\nQue inda mais breve a mente lhe afigura.<br \/>\nAnjo, descera da regi\u00e3o celeste<br \/>\nA pairar sobre o abismo; anjo, subia<br \/>\nDe novo \u00e0 esfera luminosa e eterna,<br \/>\nP\u00e1tria sua. Levar-lhe-\u00e1 Deus em conta<br \/>\nO muito amor e o padecer extremo,<br \/>\nQuando romper a t\u00fanica da vida<br \/>\nE o sil\u00eancio imortal fechar seus l\u00e1bios.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"busca-rodape\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de assis &#8230;essa mesma foi levada cativa para uma terra estranha. NAHUM, cap. III, v. 10 PARTE I I Olhos fitos no c\u00e9u, sentado \u00e0 porta, O velho pai estava. Um luar frouxo Vinha beijar-lhe a veneranda barba Alva e longa, que o peito lhe cobria, Como a n\u00e9voa na encosta da montanha Ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-119100","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-04-10T20:40:48+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"24 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"A crist\u00e3-nova\",\"datePublished\":\"2017-04-10T20:40:48+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova\"},\"wordCount\":4780,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova\",\"name\":\"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-04-10T20:40:48+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"description\":\"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/a-crista-nova#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"A crist\u00e3-nova\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\",\"name\":\"Fabiane Breda\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova","description":"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova","og_description":"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-04-10T20:40:48+00:00","author":"Fabiane Breda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Fabiane Breda","Est. tempo de leitura":"24 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova"},"author":{"name":"Fabiane Breda","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"headline":"A crist\u00e3-nova","datePublished":"2017-04-10T20:40:48+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova"},"wordCount":4780,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova","name":"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-04-10T20:40:48+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"description":"A crist\u00e3-nova, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema A crist\u00e3-nova","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-crista-nova#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"A crist\u00e3-nova"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa","name":"Fabiane Breda"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=119100"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/119100\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=119100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=119100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=119100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}