{"id":118949,"date":"2017-04-07T19:18:14","date_gmt":"2017-04-07T21:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=118949"},"modified":"2017-04-07T19:18:14","modified_gmt":"2017-04-07T21:18:14","slug":"o-segredo-do-bonzo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo","title":{"rendered":"O Segredo do Bonzo"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de Assis<\/h2>\n<h2>Cap\u00edtulo in\u00e9dito de Fern\u00e3o Mendes Pinto<\/h2>\n<p>Atr\u00e1s deixei narrado o que se passou nesta cidade Fuch\u00e9u, capital do reino de Bungo, com o padre-mestre Francisco, e de como el-rei se houve com o Fucarandono e outros bonzos, que tiveram por acertado disputar ao padre as primazias da nossa santa religi\u00e3o. Agora direi de uma doutrina n\u00e3o menos curiosa que saud\u00e1vel ao esp\u00edrito, e digna de ser divulgada a todas as rep\u00fablicas da cristandade.<\/p>\n<p>Um dia, andando a passeio com Diogo Meireles, nesta mesma cidade Fuch\u00e9u, naquele ano de 1552, sucedeu deparar-se-nos um ajuntamento de povo, \u00e0 esquina de uma rua, em torno a um homem da terra, que discorria com grande abund\u00e2ncia de gestos e vozes. O povo, segundo o esmo mais baixo, seria passante de cem pessoas, var\u00f5es somente, e todos embasbacados. Diogo Meireles, que melhor conhecia a l\u00edngua da terra, pois ali estivera muitos meses, quando andou com bandeira de veniaga (agora ocupava-se no exerc\u00edcio da medicina, que estudara convenientemente, e em que era ex\u00edmio) ia-me repetindo pelo nosso idioma o que ouvia ao orador, e que, em resumo, era o seguinte: &#8211; Que ele n\u00e3o queria outra coisa mais do que afirmar a origem dos grilos, os quais procediam do ar e das folhas de coqueiro, na conjun\u00e7\u00e3o da lua nova; que este descobrimento, imposs\u00edvel a quem n\u00e3o fosse, como ele, matem\u00e1tico, f\u00edsico e fil\u00f3sofo, era fruto de dilatados anos de aplica\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia e estudo, trabalhos e at\u00e9 perigos de vida; mas enfim, estava feito, e todo redundava em gl\u00f3ria do reino de Bungo, e especialmente da cidade Fuch\u00e9u, cuja filho era; e, se por ter aventado t\u00e3o sublime verdade, fosse necess\u00e1rio aceitar a morte, ele a aceitaria ali mesmo, t\u00e3o certo era que a ci\u00eancia valia mais do que a vida e seus deleites.<\/p>\n<p>A multid\u00e3o, tanto que ele acabou, levantou um tumulto de aclama\u00e7\u00f5es, que esteve a ponto de ensurdecer-nos, e al\u00e7ou nos bra\u00e7os o homem, bradando: Patimau, Patimau, viva Patimau que descobriu a origem dos grilos! E todos se foram com ele ao alpendre de um mercador, onde lhe deram refrescos e lhe fizeram muitas sauda\u00e7\u00f5es e rever\u00eancias, \u00e0 maneira deste gentio, que \u00e9 em extremo obsequioso e cortes\u00e3o.<\/p>\n<p>Desandando o caminho, v\u00ednhamos n\u00f3s, Diogo Meireles e eu, falando do singular achado da origem dos grilos, quando, a pouca dist\u00e2ncia daquele alpendre, obra de seis credos, n\u00e3o mais, achamos outra multid\u00e3o de gente, em outra esquina, escutando a outro homem. Ficamos espantados com a semelhan\u00e7a do caso, e Diogo Meireles, visto que tamb\u00e9m este falava apressado, repetiu-me na mesma maneira o teor da ora\u00e7\u00e3o. E dizia este outro, com grande admira\u00e7\u00e3o e aplauso da gente que o cercava, que enfim descobrira o princ\u00edpio da vida futura, quando a terra houvesse de ser inteiramente destru\u00edda, e era nada menos que uma certa gota de sangue de vaca; da\u00ed provinha a excel\u00eancia da vaca para habita\u00e7\u00e3o das almas humanas, e o ardor com que esse distinto animal era procurado por muitos homens \u00e0 hora de morrer; descobrimento que ele podia afirmar com f\u00e9 e verdade, por ser obra de experi\u00eancias repetidas e profunda cogita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o desejando nem pedindo outro galard\u00e3o mais que dar gl\u00f3ria ao reino de Bungo e receber dele a estima\u00e7\u00e3o que os bons filhos merecem. O povo, que escutara esta fala com muita venera\u00e7\u00e3o, fez o mesmo alarido e levou o homem ao dito alpendre, com a diferen\u00e7a que o trepou a uma charola; ali chegando, foi regalado com obs\u00e9quios iguais aos que faziam a Patimau, n\u00e3o havendo nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre eles, nem outra compet\u00eancia nos banqueteadores, que n\u00e3o fosse a de dar gra\u00e7as a ambos os banqueteados.<\/p>\n<p>Ficamos sem saber nada daquilo, porque nem nos parecia casual a semelhan\u00e7a exata dos dois encontros, nem racional ou cr\u00edvel a origem dos grilos, dada por Patimau, ou o princ\u00edpio da vida futura, descoberto por Languru, que assim se chamava o outro. Sucedeu, por\u00e9m, costearmos a casa de um certo Titan\u00e9, alparqueiro, o qual correu a falar a Diogo Meireles, de quem era amigo. E, feitos os cumprimentos, em que o alparqueiro chamou as mais galantes coisas a Diogo Meireles, tais como &#8211; ouro da verdade e sol do pensamento, &#8211; contou-lhe este o que v\u00edramos e ouv\u00edramos pouco antes. Ao que Titan\u00e9 acudiu com grande alvoro\u00e7o: &#8211; Pode ser que eles andem cumprindo uma nova doutrina, dizem que inventada por um bonzo de muito saber, morador em umas casas pegadas ao monte Coral. E porque fic\u00e1ssemos cobi\u00e7osos de ter alguma not\u00edcia da doutrina, consentiu Titan\u00e9 em ir conosco no dia seguinte \u00e0s casas do bonzo, e acrescentou: &#8211; Dizem que ele n\u00e3o a confia a nenhuma pessoa, sen\u00e3o \u00e0s que de cora\u00e7\u00e3o se quiserem filiar a ela; e, sendo assim, podemos simular que o queremos unicamente com o fim de a ouvir; e se for boa, chegaremos a pratic\u00e1-la \u00e0 nossa vontade.<\/p>\n<p>No dia seguinte, ao modo concertado, fomos \u00e0s casas do dito bonzo, por nome Pomada, um anci\u00e3o de cento e oito anos, muito lido e sabido nas letras divinas e humanas, e grandemente aceito a toda aquela gentilidade, e por isso mesmo malvisto de outros bonzos, que se finavam de puro ci\u00fame. E tendo ouvido o dito bonzo a Titan\u00e9 quem \u00e9ramos e o que quer\u00edamos, iniciou-nos primeiro com v\u00e1rias cerim\u00f4nias e bugiarias necess\u00e1rias \u00e0 recep\u00e7\u00e3o da doutrina, e s\u00f3 depois dela \u00e9 que al\u00e7ou a voz para confi\u00e1-la e explic\u00e1-la.<\/p>\n<p>&#8211; Haveis de entender, come\u00e7ou ele, que a virtude e o saber, t\u00eam duas exist\u00eancias paralelas, uma no sujeito que as possui, outra no esp\u00edrito dos que o ouvem ou contemplam. Se puserdes as mais sublimes virtudes e os mais profundos conhecimentos em um sujeito solit\u00e1rio, remoto de todo contacto com outros homens, \u00e9 como se eles n\u00e3o existissem. Os frutos de uma laranjeira, se ningu\u00e9m os gostar, valem tanto como as urzes e plantas bravias, e, se ningu\u00e9m os vir, n\u00e3o valem nada; ou, por outras palavras mais en\u00e9rgicas, n\u00e3o h\u00e1 espet\u00e1culo sem espectador. Um dia, estando a cuidar nestas coisas, considerei que, para o fim de alumiar um pouco o entendimento, tinha consumido os meus longos anos, e, ali\u00e1s, nada chegaria a valer sem a exist\u00eancia de outros homens que me vissem e honrassem; ent\u00e3o cogitei se n\u00e3o haveria um modo de obter o mesmo efeito, poupando tais trabalhos, e esse dia posso agora dizer que foi o da regenera\u00e7\u00e3o dos homens, pois me deu a doutrina salvadora.<\/p>\n<p>Neste ponto, afiamos os ouvidos e ficamos pendurados da boca do bonzo, o qual, como lhe dissesse Diogo Meireles que a l\u00edngua da terra me n\u00e3o era familiar, ia falando com grande pausa, porque eu nada perdesse. E continuou dizendo:<\/p>\n<p>&#8211; Mal podeis adivinhar o que me deu id\u00e9ia da nova doutrina; foi nada menos que a pedra da lua, essa insigne pedra t\u00e3o luminosa que, posta no cabe\u00e7o de uma montanha ou no p\u00edncaro de uma torre, d\u00e1 claridade a uma campina inteira, ainda a mais dilatada. Uma tal pedra, com tais quilates de luz, n\u00e3o existiu nunca, e ningu\u00e9m jamais a viu; mas muita gente cr\u00ea que existe e mais de um dir\u00e1 que a viu com os seus pr\u00f3prio olhos. Considerei o caso, e entendi que, se uma coisa pode existir na opini\u00e3o, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opini\u00e3o, a conclus\u00e3o \u00e9 que das duas exist\u00eancias paralelas a \u00fanica necess\u00e1ria \u00e9 a da opini\u00e3o, n\u00e3o a da realidade, que \u00e9 apenas conveniente. T\u00e3o depressa fiz este achado especulativo, como dei gra\u00e7as a Deus do favor especial, e determinei-me a verific\u00e1-lo por experi\u00eancias; o que alcancei, em mais de um caso, que n\u00e3o relato, por vos n\u00e3o tomar o tempo. Para compreender a efic\u00e1cia do meu sistema, basta advertir que os grilos n\u00e3o podem nascer do ar e das folhas de coqueiro, na conjun\u00e7\u00e3o da lua nova, e por outro lado, o princ\u00edpio da vida futura n\u00e3o est\u00e1 em uma certa gota de sangue de vaca; mas Patimau e Languru, var\u00f5es astutos, com tal arte souberam meter estas duas id\u00e9ias no \u00e2nimo da multid\u00e3o, que hoje desfrutam a nomeada de grandes f\u00edsicos e maiores fil\u00f3sofos, e t\u00eam consigo pessoas capazes de dar a vida por eles.<\/p>\n<p>N\u00e3o sab\u00edamos em que maneira d\u00e9ssemos ao bonzo, as mostras do nosso vivo contentamento e admira\u00e7\u00e3o. Ele interrogou-nos ainda algum tempo, compridamente, acerca da doutrina e dos fundamentos dela, e depois de reconhecer que a entend\u00edamos, incitou-nos a pratic\u00e1-la, a divulg\u00e1-la cautelosamente, n\u00e3o porque houvesse nada contr\u00e1rio \u00e0s leis divinas ou humanas, mas porque a m\u00e1 compreens\u00e3o dela podia dan\u00e1-la e perd\u00ea-la em seus primeiros passos; enfim, despediu-se de n\u00f3s com a certeza (s\u00e3o palavras suas) de que abal\u00e1vamos dali com a verdadeira alma de pomadistas; denomina\u00e7\u00e3o esta que, por se derivar do nome dele, lhe era em extremo agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Com efeito, antes de cair a tarde, t\u00ednhamos os tr\u00eas combinado em p\u00f4r por obra uma id\u00e9ia t\u00e3o judiciosa qu\u00e3o lucrativa, pois n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lucro o que se pode haver em moeda, sen\u00e3o tamb\u00e9m o que traz considera\u00e7\u00e3o e louvor, que \u00e9 outra e melhor esp\u00e9cie de moeda, conquanto n\u00e3o d\u00ea para comprar damascos ou chaparias de ouro. Combinamos, pois, \u00e0 guisa de experi\u00eancia, meter cada um de n\u00f3s, no \u00e2nimo da cidade Fuch\u00e9u, uma certa convic\u00e7\u00e3o, mediante a qual houv\u00e9ssemos os mesmos benef\u00edcios que desfrutavam Patimau e Languru; mas, t\u00e3o certo \u00e9 que o homem n\u00e3o olvida o seu interesse, entendeu Titan\u00e9 que lhe cumpria lucrar de duas maneiras, cobrando da experi\u00eancia ambas as moedas, isto \u00e9, vendendo tamb\u00e9m as suas alparcas: ao que nos n\u00e3o opusemos, por nos parecer que nada tinha isso com o essencial da doutrina.<\/p>\n<p>Consistiu a experi\u00eancia de Titan\u00e9 em uma coisa que n\u00e3o sei como diga para que a entendam. Usam neste reino de Bungo, e em outros destas remotas partes, um papel feito de casca de canela mo\u00edda e goma, obra mui prima, que eles talham depois em peda\u00e7os de dois palmos de comprimento, e meio de largura, nos quais desenham com vivas e variadas cores, e pela l\u00edngua do pa\u00eds, as not\u00edcias da semana, pol\u00edticas, religiosas, mercantis e outras, as novas leis do reino, os nomes das fustas, lancharas, bal\u00f5es e toda a casta de barcos que navegam estes mares, ou em guerra, que a h\u00e1 freq\u00fcente, ou de veniaga. E digo as not\u00edcias da semana, porque as ditas folhas s\u00e3o feitas de oito em oito dias, em grande c\u00f3pia, e distribu\u00eddas ao gentio da terra, a troco de uma esp\u00f3rtula, que cada um d\u00e1 de bom grado para ter as not\u00edcias primeiro que os demais moradores. Ora, o nosso Titan\u00e9 n\u00e3o quis melhor esquina que este papel, chamado pela nossa l\u00edngua Vida e claridade das coisas mundanas e celestes, t\u00edtulo expressivo, ainda que um tanto derramado. E, pois, fez inserir no dito papel que acabavam de chegar not\u00edcias frescas de toda a costa de Malabar e da China, conforme as quais n\u00e3o havia outro cuidado que n\u00e3o fossem as famosas alparcas dele Titan\u00e9; que estas alparcas eram chamadas as primeiras do mundo, por serem mui s\u00f3lidas e graciosas; que nada menos de vinte e dois mandarins iam requerer ao imperador para que, em vista do esplendor das famosas alparcas de Titan\u00e9, as primeiras do universo, fosse criado o t\u00edtulo honor\u00edfico de &#8220;alparca do Estado&#8221;, para recompensa dos que se distinguissem em qualquer disciplina do entendimento; que eram gross\u00edssimas as encomendas feitas de todas as partes, \u00e0s quais ele Titan\u00e9 ia acudir, menos por amor ao lucro do que pela gl\u00f3ria que dali provinha \u00e0 na\u00e7\u00e3o; n\u00e3o recuando, todavia, do prop\u00f3sito em que estava e ficava de dar de gra\u00e7a aos pobres do reino umas cinq\u00fcenta corjas das ditas alparcas, conforme j\u00e1 fizera declarar a el-rei e o repetia agora; enfim, que apesar da primazia no fabrico das alparcas assim reconhecida em toda a terra, ele sabia os deveres da modera\u00e7\u00e3o, e nunca se julgaria mais do que um obreiro diligente e amigo da gl\u00f3ria do reino de Bungo.<\/p>\n<p>A leitura desta not\u00edcia comoveu naturalmente a toda a cidade Fuch\u00e9u, n\u00e3o se falando em outra coisa durante toda aquela semana. As alparcas de Titan\u00e9, apenas estimadas, come\u00e7aram de ser buscadas com muita curiosidade e ardor, e ainda mais nas semanas seguintes, pois n\u00e3o deixou ele de entreter a cidade, durante algum tempo, com muitas e extraordin\u00e1rias anedotas acerca da sua mercadoria. E dizia-nos com muita gra\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8211; Vede que obede\u00e7o ao principal da nossa doutrina, pois n\u00e3o estou persuadido da superioridade das tais alparcas, antes as tenho por obra vulgar, mas fi-lo crer ao povo, que as vem comprar agora, pelo pre\u00e7o que lhes taxo.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o me parece, atalhei, que tenhais cumprido a doutrina em seu rigor e subst\u00e2ncia, pois n\u00e3o nos cabe inculcar aos outros uma opini\u00e3o que n\u00e3o temos, e sim a opini\u00e3o de uma qualidade que n\u00e3o possu\u00edmos; este \u00e9, ao certo, o essencial dela.<\/p>\n<p>Dito isto, assentaram os dois que era a minha vez de tentar a experi\u00eancia, o que imediatamente fiz; mas deixo de a relatar em todas as suas partes, por n\u00e3o demorar a narra\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de Diogo Meireles, que foi a mais decisiva das tr\u00eas, e a melhor prova desta deliciosa inven\u00e7\u00e3o do bonzo. Direi somente que, por algumas luzes que tinha de m\u00fasica e charamela, em que ali\u00e1s era mediano, lembrou-me congregar os principais de Fuch\u00e9u para que me ouvissem tanger o instrumento; os quais vieram, escutaram e foram-se repetindo que nunca antes tinham ouvido coisa t\u00e3o extraordin\u00e1ria. E confesso que alcancei um tal resultado com o s\u00f3 recurso dos ademanes, da gra\u00e7a em arquear os bra\u00e7os para tomar a charamela, que me foi trazida em uma bandeja de prata, da rigidez do busto, da un\u00e7\u00e3o com que alcei os olhos ao ar, e do desd\u00e9m e ufania com que os baixei \u00e0 mesma assembl\u00e9ia, a qual neste ponto rompeu em um tal concerto de vozes e exclama\u00e7\u00f5es de entusiasmo, que quase me persuadiu do meu merecimento.<\/p>\n<p>Mas, como digo, a mais engenhosa de todas as nossas experi\u00eancias, foi a de Diogo Meireles. Lavrava ent\u00e3o na cidade uma singular doen\u00e7a, que consistia em fazer inchar os narizes, tanto e tanto, que tomavam metade e mais da cara ao paciente, e n\u00e3o s\u00f3 a punham horrenda, sen\u00e3o que era molesto carregar tamanho peso. Conquanto os f\u00edsicos da terra propusessem extrair os narizes inchados, para al\u00edvio e melhoria dos enfermos, nenhum destes consentia em prestar-se ao curativo, preferindo o excesso \u00e0 lacuna, e tendo por mais aborrec\u00edvel que nenhuma outra coisa a aus\u00eancia daquele \u00f3rg\u00e3o. Neste apertado lance, mais de um recorria \u00e0 morte volunt\u00e1ria, como um rem\u00e9dio, e a tristeza era muita em toda a cidade Fuch\u00e9u. Diogo Meireles, que desde algum tempo praticava a medicina, segundo ficou dito atr\u00e1s, estudou a mol\u00e9stia e reconheceu que n\u00e3o havia perigo em desnarigar os doentes, antes era vantajoso por lhes levar o mal, sem trazer fealdade, pois tanto valia um nariz disforme e pesado como nenhum; n\u00e3o alcan\u00e7ou, todavia, persuadir os infelizes ao sacrif\u00edcio. Ent\u00e3o ocorreu-lhe uma graciosa inven\u00e7\u00e3o. Assim foi que, reunindo muitos f\u00edsicos, fil\u00f3sofos, bonzos, autoridades e povo, comunicou-lhes que tinha um segredo para eliminar o \u00f3rg\u00e3o; e esse segredo era nada menos que substituir o nariz achacado por um nariz s\u00e3o, mas de pura natureza metaf\u00edsica, isto \u00e9, inacess\u00edvel aos sentidos humanos, e contudo t\u00e3o verdadeiro ou ainda mais do que o cortado; cura esta praticada por ele em v\u00e1rias partes, e muito aceita aos f\u00edsicos de Malabar. O assombro da assembl\u00e9ia foi imenso, e n\u00e3o menor a incredulidade de alguns, n\u00e3o digo de todos, sendo que a maioria n\u00e3o sabia que acreditasse, pois se lhe repugnava a metaf\u00edsica do nariz, cedia entretanto \u00e0 energia das palavras de Diogo Meireles, ao tom alto e convencido com que ele exp\u00f4s e definiu o seu rem\u00e9dio. Foi ent\u00e3o que alguns fil\u00f3sofos, ali presentes, um tanto envergonhados do saber de Diogo Meireles, n\u00e3o quiseram ficar-lhe atr\u00e1s, e declararam que havia bons fundamentos para uma tal inven\u00e7\u00e3o, visto n\u00e3o ser o homem todo outra coisa mais do que um produto da idealidade transcendental; donde resultava que podia trazer, com toda a verossimilhan\u00e7a, um nariz metaf\u00edsico, e juravam ao povo que o efeito era o mesmo.<\/p>\n<p>A assembl\u00e9ia aclamou a Diogo Meireles; e os doentes come\u00e7aram de busc\u00e1-lo, em tanta c\u00f3pia, que ele n\u00e3o tinha m\u00e3os a medir. Diogo Meireles desnarigava-os com muit\u00edssima arte; depois estendia delicadamente os dedos a uma caixa, onde fingia ter os narizes substitutos, colhia um e aplicava-o ao lugar vazio. Os enfermos, assim curados e supridos, olhavam uns para os outros, e n\u00e3o viam nada no lugar do \u00f3rg\u00e3o cortado; mas, certos e cert\u00edssimos de que ali estava o \u00f3rg\u00e3o substituto, e que este era inacess\u00edvel aos sentidos humanos, n\u00e3o se davam por defraudados, e tornavam aos seus of\u00edcios. Nenhuma outra prova quero da efic\u00e1cia da doutrina e do fruto dessa experi\u00eancia, sen\u00e3o o fato de que todos os desnarigados de Diogo Meireles continuaram a prover-se dos mesmos len\u00e7os de assoar. O que tudo deixo relatado para gl\u00f3ria do bonzo e benef\u00edcio do mundo.<\/p>\n<p>FIM<\/p>\n<p class=\"fonte\">Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"busca-rodape\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis Cap\u00edtulo in\u00e9dito de Fern\u00e3o Mendes Pinto Atr\u00e1s deixei narrado o que se passou nesta cidade Fuch\u00e9u, capital do reino de Bungo, com o padre-mestre Francisco, e de como el-rei se houve com o Fucarandono e outros bonzos, que tiveram por acertado disputar ao padre as primazias da nossa santa religi\u00e3o. Agora direi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-118949","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis O Segredo Do Bonzo<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Segredo Do Bonzo\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis O Segredo Do Bonzo\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Segredo Do Bonzo\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-04-07T21:18:14+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"O Segredo do Bonzo\",\"datePublished\":\"2017-04-07T21:18:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo\"},\"wordCount\":3140,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo\",\"name\":\"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis O Segredo Do Bonzo\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-04-07T21:18:14+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"description\":\"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Segredo Do Bonzo\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-segredo-do-bonzo#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"O Segredo do Bonzo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\",\"name\":\"Fabiane Breda\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis O Segredo Do Bonzo","description":"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Segredo Do Bonzo","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis O Segredo Do Bonzo","og_description":"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Segredo Do Bonzo","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-04-07T21:18:14+00:00","author":"Fabiane Breda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Fabiane Breda","Est. tempo de leitura":"16 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo"},"author":{"name":"Fabiane Breda","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"headline":"O Segredo do Bonzo","datePublished":"2017-04-07T21:18:14+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo"},"wordCount":3140,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo","name":"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis O Segredo Do Bonzo","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-04-07T21:18:14+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"description":"O Segredo Do Bonzo, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema, O Segredo Do Bonzo","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-segredo-do-bonzo#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"O Segredo do Bonzo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa","name":"Fabiane Breda"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118949","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118949"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118949\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}