{"id":117850,"date":"2017-04-04T09:48:47","date_gmt":"2017-04-04T11:48:47","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=117850"},"modified":"2017-04-04T09:48:47","modified_gmt":"2017-04-04T11:48:47","slug":"no-seculo-xx-rui-barbosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/no-seculo-xx-rui-barbosa","title":{"rendered":"No S\u00e9culo XX &#8211; Rui Barbosa"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Rui Barbosa<\/h2>\n<p>Para se orientar na sua passagem moment\u00e2nea pela imensidade dos tempos, balizou o homem essas vastas divis\u00f5es da hist\u00f3ria, \u00e0 extrema das quais se debru\u00e7a de uma para outra com as impress\u00f5es de um mundo que acaba e outro que principia, como se as nossas demarca\u00e7\u00f5es coincidissem com os momentos da Provid\u00eancia, e as fases da nossa evolu\u00e7\u00e3o respeitassem a uniformidade geom\u00e9trica da nossa cronologia. A luz e as trevas ensinaram-nos o dia e a noite, o nict\u00eamero invari\u00e1vel, cujas vinte e quatro horas distribuem de meridiano em meridiano a claridade e as trevas. As fases da lua indicaram-nos, talvez, as semanas. Sugeriu-nos os meses a revolu\u00e7\u00e3o sin\u00f3dica do sat\u00e9lite da Terra. Nos movimentos celestes fomos buscar a medida dos anos. Mas com os s\u00e9culos come\u00e7a o dom\u00ednio das conven\u00e7\u00f5es humanas, arbitr\u00e1rias na sua relatividade e indiferentes \u00e0 marcha dos sucessos.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s tra\u00e7amos os nossos c\u00edrculos na esfera infinita, temos os astros, imut\u00e1veis e inconfund\u00edveis, para os pontearem de focos rutilantes. Quando baixamos com o compasso das amplid\u00f5es siderais \u00e0 superf\u00edcie do globo, as nossas curvas imagin\u00e1rias assinalam zonas, climas, hemisf\u00e9rios, diversidades naturais e situa\u00e7\u00f5es perpetuamente distintas, do Levante ao Ocidente, do Equador aos P\u00f3los. Mas, quando lan\u00e7amos ao passado e ao futuro as nossas linhas seculares, tentamos no futuro o desconhecido, infringimos, no passado, a verdade.<\/p>\n<p>Aqui a simetria constante dessas divis\u00f3rias intercepta cegamente a continuidade a uma cadeia indivis\u00edvel de fatos. Ali agrupa, mistura e amalgama entre as mesmas fronteiras cronol\u00f3gicas acontecimentos antag\u00f4nicos e inconcili\u00e1veis, que a harmonia das causas e efeitos obrigaria a classifica\u00e7\u00e3o a inscrever no pret\u00e9rito, ou no porvir. N\u00e3o h\u00e1, pois, de que nos comovermos t\u00e3o profundamente, ao transpor essas barreiras, como se penetr\u00e1ssemos numa regi\u00e3o nova de maravilhas e imprevistos. O curso dos nossos destinos tem alhures, nos segredos indevass\u00e1veis do tempo, os seus marcos reais, aqueles por onde efetivamente se discriminam os est\u00e1dios sucessivos do progresso. Essas delimita\u00e7\u00f5es fict\u00edcias assinam datas: nada mais. O desenvolvimento humano, nas suas tend\u00eancias sucessivas, procede por dura\u00e7\u00f5es irregulares, vagas, indefinidas, que n\u00e3o cabem nos quadros prefixos da nossa mnemotecnia.<\/p>\n<p>Se houv\u00e9ssemos de extremar as idades segundo as grandes muta\u00e7\u00f5es morais do nosso planeta, o s\u00e9culo dezenove se abriria em 1776, com a independ\u00eancia americana, ou em 1789, com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Desses dois grandes termos nasce o problema contempor\u00e2neo da emancipa\u00e7\u00e3o exterior e interior das na\u00e7\u00f5es, que agitou, numa s\u00e9rie de revolu\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, at\u00e9 1870, os dois continentes.<\/p>\n<p>Mas, assim como a era das reivindica\u00e7\u00f5es separatistas e da liberdade pol\u00edtica verdadeiramente se instaura no antepen\u00faltimo lustro da cent\u00faria passada, o s\u00e9culo vinte, se os s\u00e9culos se discernissem pela irradia\u00e7\u00e3o de novos signos na \u00f3rbita do mundo, dataria do antepen\u00faltimo dec\u00eanio do atual. \u00c9 de ent\u00e3o, ap\u00f3s as vit\u00f3rias alem\u00e3s, que assomaram claramente no horizonte as duas quest\u00f5es, os dois perigos e os dois enigmas, em cujo circulo de tormentas vai entrar o g\u00eanero humano: o socialismo e o imperialismo. S\u00e3o as duas id\u00e9ias fixas da civiliza\u00e7\u00e3o moderna: a primeira sob a forma de um pesadelo cruciante; a segunda com as sedu\u00e7\u00f5es de uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel.<\/p>\n<p>Tirante a \u00c1ustria, encerrada nos Balc\u00e3s, todas as demais pot\u00eancias, na Europa e na Am\u00e9rica, se abrasam na aspira\u00e7\u00e3o expansionista. A It\u00e1lia n\u00e3o renunciou com o desastre de Adua e o malogro do seu imp\u00e9rio no Mar Vermelho, o esp\u00edrito da sucess\u00e3o de Roma, G\u00eanova e Veneza, os seus direitos adquiridos \u00e0 sucess\u00e3o dos imperadores e dos doges. Massuah e \u00d3pia n\u00e3o a consolam da usurpa\u00e7\u00e3o francesa, que lhe roubou o Mediterr\u00e2neo. A Alemanha estende-se pela \u00c1frica Oriental; pelo Tratado de Berlim em 1878, pela alian\u00e7a com Abdul-Hamid, pela viagem de Guilherme II ao Oriente em 1898, pelas homenagens da romaria imperial ao Santo Sepulcro e ao t\u00famulo de Saladino, firma uma importante posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica no Levante; no Extremo Oriente p\u00f5e a m\u00e3o sobre o Celeste Imp\u00e9rio, ocupa Kiaotcheo, enceta a explora\u00e7\u00e3o das riquezas de Shantung; adquire as Carolinas, as Marianas, Palaos, Samoa. A Fran\u00e7a, mutilada na Als\u00e1cia, reconstitui um imp\u00e9rio franc\u00eas maior que o imp\u00e9rio alem\u00e3o; conquista a Tun\u00edsia e a Indochina; por ai penetra nalgumas das mais ricas prov\u00edncias chinesas; possui Madagascar; absorve o Noroeste africano; envolve, pelo deserto, Marrocos; exerce sobre o mundo \u00e1rabe uma esp\u00e9cie de suserania pol\u00edtica e moral. A R\u00fassia, depois de aniquilar as liberdades polacas, aniquila as liberdades finlandesas; depois de esmagar os elementos alem\u00e3es nas prov\u00edncias b\u00e1lticas, favorece a extermina\u00e7\u00e3o da autonomia arm\u00eania pela Turquia; estende em todas as dire\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas as suas imensas ferrovias: a Transiberiana para Pequim, a Transcauc\u00e1sia para o Golfo da P\u00e9rsia, a Transcaspiana para a \u00cdndia; cresce, num impulso cont\u00ednuo, por um movimento an\u00e1logo ao dos glaciares, com a massa incompar\u00e1vel dos seus cento e vinte milh\u00f5es de almas, para o Mar Negro, para Constantinopla, para o Eufrates, para o Golfo de Oman, para a Manch\u00faria, a Cor\u00e9ia, abrangendo no tra\u00e7ado assombroso do pan-eslavismo a Europa e a \u00c1sia, dos Dardanelos ao Oceano \u00cdndico e ao Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Mas nada se compara \u00e0 dilata\u00e7\u00e3o da Inglaterra. Seu imperialismo liberal abarca os continentes. Todas as suas rivais uma a uma involuntariamente a v\u00e3o servindo: a Fran\u00e7a, em 1840, quando impele Mehemet Ali \u00e0 conquista da S\u00edria e da \u00c1sia Menor; em 1869, quando inaugura o Canal de Suez; a R\u00fassia, em 1853, quando amea\u00e7a Istambul e os Estreitos, assim como depois quando transmonta o Ararat, e arremessa os seus ex\u00e9rcitos at\u00e9 o Mar de M\u00e1rmara, em San Stefano; a Alemanha, afinal, em 1899, quando, abrindo m\u00e3o das suas afinidades holandesas e das suas simpatias pelos vencedores de Jameson, entrega os b\u00f4eres \u00e0 desgra\u00e7ada fortuna das resist\u00eancias suicidas. Na Am\u00e9rica abra\u00e7a o Canad\u00e1, a Terra Nova, a Guiana, a Jamaica e as mais ricas das pequenas Antilhas. Ocupa a foz do N\u00edger e do Hinterland at\u00e9 ao Lago Tchad. Ningu\u00e9m se lhe atravessa no seu caminho da \u00cdndia. Imensos tent\u00e1culos do seu dom\u00ednio universal, as suas for\u00e7as navais enla\u00e7am os oceanos; as suas vias f\u00e9rreas alongam os sulcos pelo Afeganist\u00e3o e a P\u00e9rsia Meridional, pelo Tibete, pela Birm\u00e2nia e a China, atrav\u00e9s dos desfiladeiros do Lan-Tan, para o Yunnan e o Yangtze Kiang; as suas linhas de navega\u00e7\u00e3o estendem-lhe o com\u00e9rcio, a influ\u00eancia e o poder at\u00e9 aos mares chineses, de Hong Kong a Weihaiwei, at\u00e9 Melbourne e Sydney, na Austr\u00e1lia, e do Cairo ao Cabo, das fontes do Nilo \u00e0 Zamb\u00e9zia, \u00e0 Rod\u00e9sia, pelas costas africanas. De Natal a Calcut\u00e1, de Calcut\u00e1 a Pequim, de Pequim a Auckland, de Auckland a Quebec, de Quebec ao estu\u00e1rio do T\u00e2misa, das margens do T\u00e2misa ao v\u00e9rtice do Himalaia, esse colosso, em cujo seio se abriga uma civiliza\u00e7\u00e3o inteira, derrama a universalidade da sua ra\u00e7a, do seu idioma, das suas institui\u00e7\u00f5es e das suas armas.<\/p>\n<p>Mas, como se a arena j\u00e1 n\u00e3o transbordasse, um gigante de propor\u00e7\u00f5es incalcul\u00e1veis invade inopinadamente a cena. Em cinq\u00fcenta anos se improvisou a Austr\u00e1lia. Em trinta, o Jap\u00e3o. O advento da soberba pot\u00eancia norte-americana conta menos de um lustro. H\u00e1 dois anos a Espanha lhe deixava nas m\u00e3os as \u00faltimas j\u00f3ias do seu imp\u00e9rio colonial, os derradeiros retalhos da sua antiga majestade: Cuba, Porto Rico, as Filipinas. Em fevereiro de 1898 desembarcam nas Ilhas de Hawaii as primeiras tropas yankees. Em mar\u00e7o Dewey incendeia a esquadra de Montojo no porto de Cavite. Em julho se destr\u00f3i a de Cervera, ao sair de Santiago. A Alemanha sente para logo, em Manila, o orgulho da embriaguez, em que a loucura das conquistas estonteia a nova potestade militar. Se uma esquadra americana imediatamente se n\u00e3o mostra em pleno Mediterr\u00e2neo aos europeus, bombardeando o litoral ib\u00e9rico, \u00e9 que a vencida capitula, e se apressa em tratar. Mas logo depois os seus soldados se encontram com os da Europa no Imp\u00e9rio do Meio, e a espada, que Washington embainhara, para n\u00e3o sair \u00e0 luta sen\u00e3o em defesa da liberdade, vai disputar \u00e0 avidez ocidental, nas costas chinesas, o seu quinh\u00e3o r\u00e9gio nos despojos do Oriente.<\/p>\n<p>Eis como madruga para n\u00f3s o s\u00e9culo vinte. A guerra sino-japonesa, a guerra hispano-americana, a guerra anglo-b\u00f4er, tr\u00eas guerras de ambi\u00e7\u00e3o, tr\u00eas guerras de conquista, tr\u00eas guerras de aniquilamento, esbo\u00e7am os pr\u00f3dromos do mais desmarcado conflito, a que nunca assistiu a esp\u00e9cie humana. As grandes na\u00e7\u00f5es aprestam recursos inauditos, para concorrer \u00e0 divis\u00e3o dos pa\u00edses semicivilizados, e ocupar os \u00faltimos lugares vagos na \u00e1rea terrestre. A teoria da absor\u00e7\u00e3o dos fracos pelos fortes legitima de antem\u00e3o a hip\u00f3tese iminente. N\u00e3o resta \u00e0s nacionalidades amea\u00e7adas sen\u00e3o apelarem para a sua pr\u00f3pria energia, a r\u00e1pida educa\u00e7\u00e3o dos seus elementos humanos na escola da guerra. E, enquanto esta liquidar at\u00e9 nas profundezas submarinas, a vindoira carta pol\u00edtica do globo, o espectro social lhe ter\u00e1 semeado \u00e0 retaguarda procelas e revolu\u00e7\u00f5es, de cujo embate n\u00e3o se sabe como sair\u00e1 esse progresso crist\u00e3o, que dezenove s\u00e9culos de lavragem tormentosa tem custado ao Evangelho.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s os desta parte do orbe terrestre n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m desnublado o crep\u00fasculo desta manh\u00e3. Ao raiar do s\u00e9culo, que ontem expirou, sent\u00edamos o press\u00e1gio da reden\u00e7\u00e3o. Come\u00e7amos o s\u00e9culo dezenove as na\u00e7\u00f5es das duas Am\u00e9ricas, sacudindo o cativeiro colonial. Agora que a rea\u00e7\u00e3o colonial torna a soprar sobre o mundo, n\u00e3o desses estreitos recantos de Portugal e Castela, mas por assim dizer de todos os pontos do firmamento, n\u00e3o podemos estar seguros de que no primeiro ou segundo quartel do s\u00e9culo entrante n\u00e3o tenhamos de volver \u00e0 defesa destas paragens contra a cobi\u00e7a estrangeira. Desabou o fr\u00e1gil ref\u00fagio da doutrina de Monroe, e a sorte dos povos americanos, como a dos africanos e asi\u00e1ticos, h\u00e1 de liquidar-se, sem barreiras continentais, no teatro do mundo, ao arb\u00edtrio dos interesses e das for\u00e7as, que se medirem na campanha mais cedo ou mais tarde ferida entre os poderosos.<\/p>\n<p>Debalde os votos dos filantropos, os sonhos dos idealistas e as esperan\u00e7as dos crist\u00e3os, evocam, no limiar desta idade, a imagem benfazeja da paz. A realidade ilacrim\u00e1vel h\u00e1 de respondar-lhe como Frederico o Grande, no s\u00e9culo dezoito, \u00e0s desequilibradas impaci\u00eancias de Rousseau: &#8220;Quer ele que eu celebre a paz: n\u00e3o lhe conhece o bom do homem a dificuldade.&#8221; Nunca esse desideratum esteve mais longe de n\u00f3s que ap\u00f3s o congresso de Haia. Verdade \u00e9 que dele saiu preconizado o princ\u00edpio da justi\u00e7a internacional pelo arbitramento. Mas esta institui\u00e7\u00e3o divina ter\u00e1 de passar por muitas repulsas, e sofrer, como as mais belas divindades antigas, muitas feridas, quando o del\u00edrio das batalhas arremessar umas contra as outras essas medonhas moles armadas.<\/p>\n<p>Apressemo-nos, entretanto, em atalhar equ\u00edvocos, que a nossa opini\u00e3o n\u00e3o subscreve. Se propendemos para Maquiavel em desconfiar da nossa m\u00e1cula primitiva, em acreditar que a humanidade est\u00e1 sempre vizinha da corrup\u00e7\u00e3o natural, em recear nos homens, por mais longas apar\u00eancias de sublimidade que apresentem, o reproduzir-se da mesma natureza, reproduzidas as mesmas ocasi\u00f5es, longe estamos de contestar, duvidar ou amesquinhar a obra progressiva das id\u00e9ias e dos costumes. Ainda no terreno do mal se destacam os progressos ineg\u00e1veis do bem. Ao alvorar do s\u00e9culo dezenove, Napole\u00e3o transpunha como o raio o Grande S. Bernardo, dava a Batalha de Marengo, e, subjugando a It\u00e1lia, de um golpe, anunciava o eclipse do mundo no disco de um g\u00eanio. Durante quinze anos a estrela de um homem foi a estrela da civiliza\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia. Hoje as figuras, que se desenham no campo visual do nosso destino, s\u00e3o as na\u00e7\u00f5es e as ra\u00e7as. Aquelas grandes ditaduras acabaram. Os povos obedecem \u00e0s suas vontades. Tudo est\u00e1 em saber que leis, ou que arcanos supremos animar\u00e3o essas correntes vivas, e preservar\u00e3o de terminar em cat\u00e1strofes os seus encontros formid\u00e1veis.<\/p>\n<p>Como quer que for, por\u00e9m, n\u00e3o regateemos a esse magn\u00edfico per\u00edodo secular o seu rnerecimento. Seu car\u00e1ter foi, em geral, magn\u00e2nimo e radioso. Aboliu a escravid\u00e3o. Resgatou, na fam\u00edlia europ\u00e9ia, quase todas as nacionalidades opressas. Generalizou o governo do povo pelo povo. Elevou os direitos da consci\u00eancia a uma altura sagrada. Depurou a liberdade, a justi\u00e7a e a democracia. Criou a opini\u00e3o p\u00fablica, e deu-lhe a soberania dos Estados. Entronizou a igualdade legal. Fundou a educa\u00e7\u00e3o popular. Extraiu da ci\u00eancia benef\u00edcios e portentos, que deslumbram a fantasia. Mudou a paz e a guerra. Transfigurou a face dos continentes e dos mares.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 onde tocou o cora\u00e7\u00e3o do homem, s\u00f3 Deus o sabe, e o saberemos n\u00f3s, quando a centelha atmosf\u00e9rica inflamar os combust\u00edveis, cuja aglomera\u00e7\u00e3o silenciosa inquieta os grandes e apavora os pequenos. Ent\u00e3o os que assistirem ao espet\u00e1culo, poder\u00e3o dizer se a um s\u00e9culo, em que a ci\u00eancia serviu principalmente \u00e0 for\u00e7a, ter\u00e1 sucedido um s\u00e9culo, em que a for\u00e7a se incline, afinal, ao direito.<\/p>\n<p>Entrementes vamo-nos dando ao ing\u00eanuo prazer, ou \u00e0 vaidade inofensiva de sentirmo-nos entre os mortais, a quem tocou o privil\u00e9gio de assistir a um dos centen\u00e1rios da humanidade. Os marinheiros de primeira viagem recebem alegremente o batismo n\u00e1utico, ao cruzarem a vez primeira o c\u00edrculo equinocial. Este c\u00edrculo do tempo n\u00e3o se transp\u00f5e duas vezes. Digamos, pois, adeus a esta baliza da eternidade, com o sentimento de um encontro que se n\u00e3o repete.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Barbosa Para se orientar na sua passagem moment\u00e2nea pela imensidade dos tempos, balizou o homem essas vastas divis\u00f5es da hist\u00f3ria, \u00e0 extrema das quais se debru\u00e7a de uma para outra com as impress\u00f5es de um mundo que acaba e outro que principia, como se as nossas demarca\u00e7\u00f5es coincidissem com os momentos da Provid\u00eancia, e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-117850","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa, Texto, Obra Liter\u00e1ria, Literatura, No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa, Texto, Obra Liter\u00e1ria , Para se orientar na sua passagem, Literatura, No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa, Texto, Obra Liter\u00e1ria, Literatura, No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa, Texto, Obra Liter\u00e1ria , Para se orientar na sua passagem, Literatura, No S\u00e9culo XX - Rui Barbosa\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/no-seculo-xx-rui-barbosa\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-04-04T11:48:47+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/no-seculo-xx-rui-barbosa#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/no-seculo-xx-rui-barbosa\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"No S\u00e9culo XX &#8211; 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