{"id":117581,"date":"2017-04-03T19:09:51","date_gmt":"2017-04-03T21:09:51","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=117581"},"modified":"2017-04-03T19:09:51","modified_gmt":"2017-04-03T21:09:51","slug":"pobre-finoca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/pobre-finoca","title":{"rendered":"Pobre Finoca!"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de Assis<\/h2>\n<p>Que \u00e9 isso? Voc\u00ea parece assustada. Ou \u00e9 namoro novo?<\/p>\n<p>\u2014 Que novo? \u00e9 o mesmo, Alberta; \u00e9 o mesmo aborrecido que me persegue; viu-me agora passar com mam\u00e3e, na esquina da Rua da Quitanda, e, em vez de seguir o seu caminho, veio atr\u00e1s de n\u00f3s. Queria ver se ele j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>\u2014 O melhor \u00e9 n\u00e3o olhar para a porta; conversa comigo.<\/p>\n<p>Toda a gente, por menos que adivinhe, sabe logo que esta conversa\u00e7\u00e3o tem por teatro um armarinho da Rua do Ouvidor. Finoca (o nome \u00e9 Josefina) entrou agora mesmo com a velha m\u00e3e e foram sentar-se ao balc\u00e3o, onde esperam agulhas; Alberta, que est\u00e1 ali com a irm\u00e3 casada, tamb\u00e9m aguarda alguma coisa, parece que uma pe\u00e7a de cadar\u00e7o. Condi\u00e7\u00e3o mediana, de ambas as mo\u00e7as. Ambas bonitas. Os empregados trazem caixas, elas escolhem.<\/p>\n<p>\u2014 Mas voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 animado a persegui\u00e7\u00e3o, com os olhos? perguntou Alberta, baixinho.<\/p>\n<p>Finoca respondeu que n\u00e3o. A princ\u00edpio olhou para ele; curiosa, naturalmente; uma mo\u00e7a olha sempre uma ou duas vezes, explicava a triste v\u00edtima; mas da\u00ed em diante, n\u00e3o se importou com ele. O idiota, por\u00e9m (\u00e9 o pr\u00f3prio termo empregado por ela), cuidou que estava aceito e toca a andar, a passar pela porta, a esper\u00e1-la nos pontos dos bondes; at\u00e9 parece que adivinha quando ela vai ao teatro, porque sempre o acha \u00e0 porta, ao p\u00e9 do bilheteiro.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o ser\u00e1 fiscal do teatro? aventou Alberta rindo.<\/p>\n<p>\u2014 Talvez, admitiu Finoca.<\/p>\n<p>Pediram mais cadar\u00e7os e mais agulhas, que o empregado foi buscar, e olharam para a rua, de onde entravam v\u00e1rias senhoras, umas conhecidas, outras n\u00e3o. Cumprimentos, beijos, not\u00edcias, perguntas e respostas, troca de impress\u00f5es de um baile, de um passeio ou de uma corrida de cavalos. Grande rumor no armarinho; falam todas, algumas sussurram apenas, outras riem; as crian\u00e7as pedem isto ou aquilo, e os empregados curvados atendem risonhos \u00e0 freguesia, explicam-se, defendem-se.<\/p>\n<p>\u2014 Perd\u00e3o, minha senhora; o metim era desta largura.<\/p>\n<p>\u2014 Qual, sr. Silveira! \u2014 Deixe, que eu lhe trago amanh\u00e3 os dois metros.[1]<\/p>\n<p>\u2014 Sr. Queir\u00f3s!<\/p>\n<p>\u2014 Que manda V. Excia.?<\/p>\n<p>\u2014 D\u00ea-me aquela fita encarnada de s\u00e1bado.<\/p>\n<p>\u2014 Da larga?<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o, da estreita.<\/p>\n<p>E o sr. Queir\u00f3s vai buscar a caixa das fitas, enquanto a dama, que as espera, examina de esguelha outra dama que entrou agora mesmo, e parou no meio da loja. Todas as cadeiras est\u00e3o ocupadas. The table is full, como em Macbeth; e, como em Macbeth, h\u00e1 um fantasma, com a diferen\u00e7a que este n\u00e3o est\u00e1 sentado \u00e0 mesa, entra pela porta; \u00e9 o idiota, perseguidor de Finoca, o suposto fiscal de teatro, um rapaz que n\u00e3o \u00e9 bonito nem elegante, mas simp\u00e1tico e veste com asseio. Tem um par de olhos, que valem pela lanterna de Di\u00f3genes; procuram a mo\u00e7a e d\u00e3o com ela; ela d\u00e1 com ele; movimento contr\u00e1rio de ambos; ele, Macedo, pede a um empregado uma bolsinha de moedas, que viu \u00e0 porta, no mostrador, e que lhe traga outras \u00e0 escolha. Disfar\u00e7a, puxa os bigodes, consulta o rel\u00f3gio, e parece que o mostrador est\u00e1 empoeirado, porque ele tira do bolso um len\u00e7o com que o limpa; len\u00e7o de seda.<\/p>\n<p>\u2014 Olha, Alberta, v\u00ea-se mesmo que entrou por minha causa. V\u00ea, est\u00e1 olhando para c\u00e1.<\/p>\n<p>Alberta verificou disfar\u00e7adamente que sim; ao mesmo tempo que o rapaz n\u00e3o tinha m\u00e1 cara nem modos feios.<\/p>\n<p>\u2014 Para quem gostasse dele, era boa escolha, disse ela \u00e0 amiga.<\/p>\n<p>\u2014 Pode ser, mas para quem n\u00e3o gosta, \u00e9 um tormento.<\/p>\n<p>\u2014 Isso \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>\u2014 Se voc\u00ea n\u00e3o tivesse j\u00e1 o Miranda, podia fazer-me o favor de o entreter, enquanto ele se esquece de mim, e fico livre.<\/p>\n<p>Alberta riu-se.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 m\u00e1 id\u00e9ia, disse; era assim um modo de tapar-lhe os olhos, enquanto voc\u00ea foge. Mas ent\u00e3o ele n\u00e3o tem paix\u00e3o; quer s\u00f3 namoro, passar o tempo&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Pode ser isso mesmo. Contra velhaco, velhaca e meia.<\/p>\n<p>\u2014 Perd\u00e3o; duas velhacas, porque somos duas. Voc\u00ea n\u00e3o pensa, por\u00e9m, em uma coisa; \u00e9 que era preciso cham\u00e1-lo a mim, e n\u00e3o \u00e9 coisa que se pe\u00e7a a uma amiga s\u00e9ria. Pois eu iria agora fazer-lhe sinais&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Aqui est\u00e3o as agulhas que V. Excia&#8230;.<\/p>\n<p>Interrompeu-se a conversa\u00e7\u00e3o; trataram das agulhas, enquanto Macedo tratou das bolsinhas, e o resto da freguesia das suas compras. Sussurro geral. Ouviu-se um toque de caixa; era um batalh\u00e3o que subia a Rua do Ouvidor. Algumas pessoas foram v\u00ea-lo passar \u00e0s portas. A maior parte deixou-se ficar ao balc\u00e3o, escolhendo, falando, matando o tempo. Finoca n\u00e3o se levantou; mas Alberta, com o pretexto de que Miranda (o namorado) era tenente de infantaria, n\u00e3o p\u00f4de resistir ao espet\u00e1culo militar. Quando ela voltou para dentro, Macedo, que espiava o batalh\u00e3o por cima do ombro da mo\u00e7a, deu-lhe galantemente passagem. Sa\u00edram e entraram fregueses. Macedo, \u00e0 for\u00e7a de cotejar bolsinhas, foi obrigado a comprar uma delas, e pag\u00e1-las; mas n\u00e3o a pagou com o pre\u00e7o exato, deu nota maior para obrigar ao troco. Entretanto, esperava e olhava para a esquiva Finoca, que estava de costas, tal qual a amiga. Esta ainda olhou disfar\u00e7adamente, como quem procura outra coisa ou pessoa, e deu com os olhos dele, que pareciam pedir-lhe miseric\u00f3rdia e aux\u00edlio. Alberta disse isto \u00e0 outra, e chegou a aconselhar-lhe que, sem olhar para ele, voltasse a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 Deus me livre! Isto era dar corda, e condenar-me.<\/p>\n<p>\u2014 Mas, n\u00e3o olhando&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 a mesma coisa; o que me perdeu foi isso mesmo, foi olhar algumas vezes, como j\u00e1 disse a voc\u00ea; meteu-se-lhe em cabe\u00e7a que o adoro, mas que sou medrosa, ou caprichosa, ou qualquer outra coisa&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Pois olhe, eu se fosse voc\u00ea olhava algumas vezes. Que mal faz? Era at\u00e9 melhor que ele perdesse as esperan\u00e7as, quando mais contasse com elas.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Coitado! parece que pede esmolas.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea olhou outra vez?<\/p>\n<p>\u2014 Olhei. Tem uma cara de quem padece. Recebeu o troco do dinheiro sem contar, s\u00f3 para me dizer que voc\u00ea \u00e9 a mo\u00e7a mais bonita do Rio de Janeiro \u2014 n\u00e3o desfazendo em mim, j\u00e1 se v\u00ea.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea l\u00ea muita coisa&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Eu leio tudo.<\/p>\n<p>De fato, Macedo parecia implorar a amiga de Finoca. Talvez houvesse compreendido a confid\u00eancia, e queria que ela servisse de terceira aos amores \u2014 a uma paix\u00e3o do inferno, como se dizia nos dramas guedelhudos. Fosse o que fosse, n\u00e3o podia ficar na loja mais tempo, sem comprar mais nada, nem conhecer ningu\u00e9m. Tratou de sair; f\u00ea-lo por uma das portas extremas, e caminhou em sentido contr\u00e1rio a fim de espiar pelas outras duas portas a mo\u00e7a dos seus desejos. Elas \u00e9 que o n\u00e3o viram.<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 foi? perguntou Finoca dali a instantes \u00e0 amiga.<\/p>\n<p>Alberta voltou a cabe\u00e7a e percorreu a loja com os olhos.<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 foi.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 capaz de esperar-me na esquina.<\/p>\n<p>\u2014 Pois voc\u00ea muda de esquina.<\/p>\n<p>\u2014 Como? se n\u00e3o sei se ele desceu ou subiu?<\/p>\n<p>E depois de alguns momentos de reflex\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Alberta, faz-me este favor!<\/p>\n<p>\u2014 Que favor?<\/p>\n<p>\u2014 O que lhe pedi h\u00e1 pouco.<\/p>\n<p>\u2014 Est\u00e1 tola! Vamos embora&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 O tenente n\u00e3o apareceu hoje?<\/p>\n<p>\u2014 Ele n\u00e3o vem \u00e0s lojas.<\/p>\n<p>\u2014 Ah! se ele desse algumas li\u00e7\u00f5es ao meu perseguidor! Vamos, mam\u00e3e?<\/p>\n<p>Sa\u00edram todos e subiram a rua. Finoca n\u00e3o se enganara; Macedo estava \u00e0 esquina da Rua dos Ourives. Disfar\u00e7ou, mas fitou logo os olhos nela. Ela n\u00e3o tirou os seus do ch\u00e3o, e foram os de Alberta que receberam os dele, entre curiosa e piedosa. Macedo agradeceu o favor.<\/p>\n<p>\u2014 Nem caso! gemeu ele consigo; a outra, ao menos, parece ter compaix\u00e3o de mim.<\/p>\n<p>Seguiu-as, meteu-se no mesmo bonde, que as levou ao Largo da Lapa, onde se apearam e foram pela Rua das Mangueiras. Nesta morava Alberta; a outra na dos Barbonos. A amiga ainda lhe deu uma esmola; a avara Finoca nem voltou a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Pobre Macedo! exclamar\u00e1s tu, ao inv\u00e9s do t\u00edtulo, e realmente, n\u00e3o se dir\u00e1 que esse rapaz ande no rega\u00e7o da Fortuna. Tem um emprego p\u00fablico, qualidade j\u00e1 de si pouco recomend\u00e1vel ao pai de Finoca; mas, al\u00e9m de ser p\u00fablico, \u00e9 mal pago. Macedo faz proezas de economia para ter o seu len\u00e7o de seda, roupa \u00e0 moda, perfumes, teatro, e, quando h\u00e1 l\u00edrico, luvas. Vive em um quarto de casa de h\u00f3spedes, estreito, sem luz, com mosquitos e (para que neg\u00e1-lo?) pulgas. Come mal para vestir bem; e, quanto aos inc\u00f4modos da alcova, valem tanto como nada, porque ele ama \u2014 n\u00e3o de agora \u2014 tem amado sempre, \u00e9 a consola\u00e7\u00e3o ou compensa\u00e7\u00e3o das outras faltas. Agora ama a Finoca, mas de um modo mais veemente que de outras vezes, uma paix\u00e3o sincera, n\u00e3o correspondida. Pobre Macedo!<\/p>\n<p>Cinco ou seis semanas depois do encontro no armarinho, houve um batizado na fam\u00edlia de Alberta, o de um sobrinho desta, filho de um irm\u00e3o empregado no com\u00e9rcio. O batizado era de manh\u00e3, mas havia baile \u00e0 noite \u2014 e prometia ser de espavento. Finoca mandou fazer um vestido especial; as valsas e quadrilhas encheram-lhe a cabe\u00e7a, dois dias antes do aprazado. Encontrando-se com Alberta, viu-a triste, um pouco triste. Miranda, o namorado, que era ao mesmo tempo tenente de infantaria, recebera ordem de ir para S. Paulo.<\/p>\n<p>\u2014 Em comiss\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o; vai com o batalh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Eu, se fosse ele, fingia-me constipado, e ia no dia seguinte.<\/p>\n<p>\u2014 Mas j\u00e1 foi!<\/p>\n<p>\u2014 Quando?<\/p>\n<p>\u2014 Ontem de madrugada. Segundo me disse, de passagem, na v\u00e9spera, parece que a demora \u00e9 pequena. Estou pronta a esperar; mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essa.<\/p>\n<p>\u2014 Qual \u00e9?<\/p>\n<p>\u2014 A quest\u00e3o \u00e9 que ele devia ser apresentado em casa, no dia do baile, e agora&#8230;<\/p>\n<p>Os olhos da mo\u00e7a confirmaram discretamente a sinceridade da dor; umedeceram-se e verteram duas l\u00e1grimas pequeninas. Seriam as \u00faltimas? seriam as primeiras? Seriam as \u00fanicas? Eis ai um problema, que tomaria espa\u00e7o \u00e0 narra\u00e7\u00e3o, sem grande proveito para ela, porque aquilo que se n\u00e3o acaba entendendo, melhor \u00e9 n\u00e3o gastar tempo em explic\u00e1-lo. Sinceras eram as l\u00e1grimas, isso eram. Finoca tratou de as enxugar com algumas palavras de boa amizade e verdadeira pena.<\/p>\n<p>\u2014 Fica descansada, ele volta; S. Paulo \u00e9 aqui perto. Talvez volte capit\u00e3o.<\/p>\n<p>Que rem\u00e9dio tinha Alberta, sen\u00e3o esperar? Esperou. Enquanto esperava, cuidou do batizado, que, em verdade, devia ser uma festa de fam\u00edlia. Na v\u00e9spera as duas amigas ainda estiveram juntas; Finoca tinha um pouco de dor de cabe\u00e7a, estava aplicando n\u00e3o sei que medicamento, e contava acordar boa. Em que se fiava, n\u00e3o sei; sei que acordou pior com uma pontinha de febre, e posto quisesse ir assim mesmo, os pais n\u00e3o o consentiram, e a pobre Finoca n\u00e3o estreou naquele dia o vestido especial. Tanto pior para ela, porque o pesar aumentou o mal; \u00e0 meia-noite, quando mais acesas deviam estar as quadrilhas e valsas, a febre ia em trinta e nove graus. Creio que se lhe dessem a escolher, ainda assim dan\u00e7aria. Para que a desgra\u00e7a fosse maior, a febre declinou sobre a madrugada, justamente \u00e0 hora em que, de costume, os bailes executam as \u00faltimas dan\u00e7as.<\/p>\n<p>Contava que Alberta viesse naquele mesmo dia visit\u00e1-la e narrar-lhe tudo; mas esperou-a em v\u00e3o. Pelas tr\u00eas horas recebeu um bilhete da amiga, pedindo-lhe perd\u00e3o de n\u00e3o ir v\u00ea-la. Constipara-se e chovia; estava rouca; entretanto, n\u00e3o queria demorar-se em dar-lhe not\u00edcias da festa.<br \/>\nEsteve magn\u00edfica, escrevia ela, se \u00e9 que alguma coisa pode estar magn\u00edfica sem voc\u00ea e sem ele. Mas, enfim, agradou a todos, e principalmente ao pais do pequeno. Voc\u00ea j\u00e1 sabe o que meu irm\u00e3o \u00e9, em coisas desta ordem. Dan\u00e7amos at\u00e9 perto de tr\u00eas horas. Estavam os parentes quase todos, os amigos de costume, e alguns convidados novos. Um deles foi a causa da minha constipa\u00e7\u00e3o, e dou-lhe um doce se voc\u00ea adivinhar o nome deste malvado. Digo s\u00f3 que \u00e9 um fiscal de teatro. Adivinhou? N\u00e3o diga que \u00e9 Macedo, porque ent\u00e3o recebe mesmo o doce. \u00c9 verdade, Finoca; o tal sujeito que te persegue apareceu aqui, ainda n\u00e3o sei bem como; ou foi apresentado ontem a meu irm\u00e3o, e convidado logo por ele; ou este j\u00e1 o conhecia antes, e lembrou-se de lhe mandar convite. Tamb\u00e9m n\u00e3o estou longe de crer, que, qualquer que fosse o caso, ele tratou de se fazer convidado, contando com voc\u00ea. Que lhe parece? Adeus, at\u00e9 amanh\u00e3, se n\u00e3o chover.<\/p>\n<p>N\u00e3o choveu. Alberta foi visit\u00e1-la, achou-a melhor, quase boa. Repetiu-lhe a carta, e desenvolveu-a, confirmando as rela\u00e7\u00f5es de Macedo com o irm\u00e3o. Confessou-lhe que o rapaz, tratado de perto, n\u00e3o era t\u00e3o desprez\u00edvel como parecia \u00e0 outra.<\/p>\n<p>\u2014 Eu n\u00e3o disse desprez\u00edvel, acudiu Finoca.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea disse idiota.<\/p>\n<p>\u2014 Sim; idiota&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Nem idiota. Conversado e muito atencioso. Diz at\u00e9 coisas bonitas. Eu lembrei-me do que voc\u00ea me pediu, e estou, quase n\u00e3o quase, a tentar prend\u00ea-lo; mas lembrei-me tamb\u00e9m do meu Miranda, e achei feio. Contudo, dan\u00e7amos duas valsas.<\/p>\n<p>\u2014 Sim?<\/p>\n<p>\u2014 E duas quadrilhas. Voc\u00ea sabe, poucos dan\u00e7antes. Muitos jogadores de solo e conversadores de pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u2014 Mas como foi a constipa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2014 A constipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve nada com ele; foi um modo que achei de dar a not\u00edcia. E olha que n\u00e3o dan\u00e7a mal, ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u2014 Um anjo, em suma?<\/p>\n<p>\u2014 Eu, se fosse voc\u00ea, n\u00e3o o deixaria ir assim. Acho que d\u00e1 um bom marido. Experimente, Finoca.<\/p>\n<p>Macedo sa\u00edra do baile um tanto consolado da aus\u00eancia de Finoca; as maneiras de Alberta, a eleg\u00e2ncia do vestido, as fei\u00e7\u00f5es bonitas, e um certo ar de tristeza que, de quando em quando, lhe cobria o rosto, tudo e cada uma dessas notas particulares era de fazer pensar alguns minutos antes de dormir. Foi o que lhe aconteceu. Vira outras mo\u00e7as; mas nenhuma tinha o ar daquela. E depois era graciosa nos intervalos de tristeza; dizia palavras doces, ouvia com interesse. Supor que o tratou assim s\u00f3 por desconfiar que ele gostava da amiga, isto \u00e9 que lhe parecia absurdo. N\u00e3o, realmente, era um anjo.<\/p>\n<p>\u2014 Um anjo, disse ele da\u00ed a dias ao irm\u00e3o de Alberta.<\/p>\n<p>\u2014 Quem?<\/p>\n<p>\u2014 D. Alberta, sua irm\u00e3.<\/p>\n<p>\u2014 Sim, boa alma, excelente criatura.<\/p>\n<p>\u2014 Pareceu-me isso mesmo. Para conhecer uma pessoa, bastam \u00e0s vezes alguns minutos. E depois \u00e9 muito galante \u2014 galante e modesta.<\/p>\n<p>\u2014 Um anjo! repetiu o outro sorrindo.<\/p>\n<p>Quando Alberta soube deste pequeno di\u00e1logo \u2014 contou-lho o irm\u00e3o \u2014 sentiu-se um tanto lisonjeada, talvez muito. N\u00e3o eram pedras que o rapaz lhe atirava de longe, mas flores \u2014 e flores arom\u00e1ticas. De maneira que, quando no domingo pr\u00f3ximo o irm\u00e3o o convidou a jantar em casa dele, e ela viu entrar, pouco antes de irem para a mesa, a pessoa do Macedo, teve um estremecimento agrad\u00e1vel. Cumprimentou-o com prazer. E perguntou a si mesma, por que \u00e9 que Finoca desdenhava de um mo\u00e7o t\u00e3o digno, t\u00e3o modesto&#8230; Repetiu ainda este adjetivo. E que ambos teriam a mesma virtude.<\/p>\n<p>Dias depois, dando not\u00edcia do jantar a Finoca, Alberta referiu novamente a impress\u00e3o que lhe deixara o Macedo, e instou com a amiga para que lhe desse corda, e acabassem casando.<\/p>\n<p>Finoca pensou alguns instantes:<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea, que j\u00e1 dan\u00e7ou com ele duas valsas e duas quadrilhas, e jantou \u00e0 mesma mesa, e ouviu francamente as suas palavras, pode ter essa opini\u00e3o; a minha \u00e9 inteiramente contr\u00e1ria. Acho que ele \u00e9 um cacete.<\/p>\n<p>\u2014 Cacete porque gosta de voc\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 diferen\u00e7a entre perseguir uma pessoa e dan\u00e7ar com outra.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 justamente o que eu digo, acudiu Alberta; se voc\u00ea dan\u00e7ar com ele, ver\u00e1 que \u00e9 outro; mas, n\u00e3o dance, fale s\u00f3&#8230; Ou ent\u00e3o, volto ao plano que t\u00ednhamos: vou falar-lhe de voc\u00ea, anim\u00e1-lo&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Sim, sim.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o brigamos.<\/p>\n<p>\u2014 Pois brigaremos, contanto que fa\u00e7amos as pazes na v\u00e9spera do casamento.<\/p>\n<p>\u2014 Mas que interesse tem voc\u00ea nisto?<\/p>\n<p>\u2014 Porque acho que voc\u00ea gosta dele, e, se n\u00e3o gostava muito nem pouco, come\u00e7a a gostar agora.<\/p>\n<p>\u2014 Come\u00e7o? N\u00e3o entendo.<\/p>\n<p>\u2014 Sim, Finoca; voc\u00ea j\u00e1 me disse duas palavras com a testa franzida. Sabe o que \u00e9? \u00c9 um bocadinho de ci\u00fame. Desde que soube do baile e do jantar, ficou meia ciumenta \u2014 arrependida de n\u00e3o ter animado o mo\u00e7o&#8230; N\u00e3o negue; \u00e9 natural. Mas fa\u00e7a uma coisa; para que Miranda n\u00e3o se esque\u00e7a de mim, v\u00e1 voc\u00ea a S. Paulo, e trate de fazer-me boas aus\u00eancias. Aqui est\u00e1 a carta que recebi ontem dele.<\/p>\n<p>Dizendo isto, desabotoou um peda\u00e7o do corpinho, e tirou uma carta, que ali trazia, quente e aromada. Eram quatro p\u00e1ginas de saudades, de esperan\u00e7as, de impreca\u00e7\u00f5es contra o c\u00e9u e a terra, adjetivada e beijada, como \u00e9 de uso nesse g\u00eanero epistolar. Finoca apreciou muito o documento; felicitou a amiga pela fidelidade do namorado, e chegou a confessar que lhe tinha inveja. Foi adiante; nunca recebera de ningu\u00e9m uma ep\u00edstola assim, t\u00e3o ardente, t\u00e3o sincera&#8230; Alberta deu-lhe uma pancadinha na face com o papel, e releu-o depois, para si. Finoca, olhando para ela, disse consigo:<\/p>\n<p>\u2014 Creio que tamb\u00e9m ela gosta muito dele.<\/p>\n<p>\u2014 Se voc\u00ea nunca recebeu uma assim \u2014 disse-lhe Alberta \u2014 \u00e9 porque n\u00e3o quer. O Macedo&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Basta de Macedo!<\/p>\n<p>A conversa voltou ao ponto de partida, e as duas mo\u00e7as andaram no mesmo c\u00edrculo vicioso. N\u00e3o tenho culpa se eram escassas de assunto e de id\u00e9ias. Hei de contar a hist\u00f3ria, que \u00e9 curta, tal qual ela \u00e9, sem lhe p\u00f4r mais nada, al\u00e9m da boa vontade e da franqueza. Assim, para ser franco, direi que a repulsa de Finoca n\u00e3o era talvez falta de interesse nem de curiosidade. A prova \u00e9 que, naquela mesma semana, passando-lhe pela porta o Macedo, e olhando naturalmente para ela, Finoca afligiu-se menos que das outras vezes; \u00e9 certo que desviou os olhos logo, mas sem horror; n\u00e3o deixou a janela, e, quando ele, ao dobrar a esquina, voltou a cabe\u00e7a, e n\u00e3o a viu fit\u00e1-lo, viu-a fitar o c\u00e9u, que \u00e9 um ref\u00fagio e uma esperan\u00e7a. Tu concluirias assim, rapaz que me l\u00eas; Macedo n\u00e3o foi t\u00e3o longe.<\/p>\n<p>\u2014 Afinal, o melhor \u00e9 n\u00e3o pensar mais nela, murmurou andando.<\/p>\n<p>Entretanto, ainda pensou nela, de mistura com a outra, viu-as ao p\u00e9 de si, uma desdenhosa, outra atenciosa, e perguntou por que \u00e9 que as mulheres haviam de ser diferentes; mas, advertindo que os homens tamb\u00e9m o eram, convenceu-se que n\u00e3o nascera para os problemas morais, e deixou cair os olhos no ch\u00e3o. N\u00e3o ca\u00edram no ch\u00e3o, mas nos sapatos. Mirou-os bem. Que lindos que eram os sapatos! N\u00e3o eram recentes, mas um dos talentos do Macedo era saber conservar a roupa e o cal\u00e7ado. Com pouco dinheiro, fazia sempre bonita figura.<\/p>\n<p>\u2014 Sim \u2014 repetiu ele, da\u00ed a vinte minutos, Rua da Ajuda abaixo \u2014 o melhor \u00e9 n\u00e3o pensar mais nela.<\/p>\n<p>E p\u00f4s mentalmente os olhos em Alberta, t\u00e3o cheia de gra\u00e7a, t\u00e3o elegante de corpo, t\u00e3o doce de palavras \u2014 uma perfei\u00e7\u00e3o. Mas por que \u00e9 que, sendo atenta com ele, furtava-se-lhe quando ele a mirava de certo modo? Zanga n\u00e3o era, nem desd\u00e9m, porque da\u00ed a pouco falava-lhe com a mesma bondade, perguntava-lhe isto e aquilo, respondia bem, sorria, e cantava, quando ele lhe pedia que cantasse. Macedo animava-se com isto, arriscava outro daqueles olhares doces e ferinos, a um tempo, e a mo\u00e7a voltava o rosto, disfar\u00e7ando. Eis a\u00ed outro problema, mas desta vez n\u00e3o fitou o ch\u00e3o nem os sapatos. Foi andando, esbarrou num homem, escapou de cair num buraco, quase n\u00e3o deu por nada, t\u00e3o ocupado levava o esp\u00edrito.<\/p>\n<p>As visitas continuaram, e o nosso namorado universal parecia fixar-se de vez na pessoa de Alberta, apesar das restri\u00e7\u00f5es que ela lhe punha. Em casa desta, notavam a assiduidade de Macedo, e a boa vontade com que ela o recebia, e os que tinham not\u00edcia vaga ou positiva do namoro militar, n\u00e3o compreendiam a mo\u00e7a, e conclu\u00edam que a aus\u00eancia era uma esp\u00e9cie de morte \u2014 restrita, mas n\u00e3o menos certa. E contudo ela trabalhava para a outra, n\u00e3o digo que com igual esfor\u00e7o nem continuidade; mas em achando modo de elogi\u00e1-la, fazia-o com prazer, embora j\u00e1 sem grande paix\u00e3o. O pior \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 elogios infinitos, nem perfei\u00e7\u00f5es que se n\u00e3o acabem de louvar, quando menos para n\u00e3o vulgariz\u00e1-las. Alberta temeu, al\u00e9m disso, a vergonha do papel que lhe poderiam atribuir; refletiu tamb\u00e9m que, se o Macedo gostasse dela, como entrava a parecer, ouviria o nome da outra com impaci\u00eancia, sen\u00e3o coisa pior \u2014 e calou-o por algum tempo.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea ainda continua a trabalhar por mim? perguntou-lhe um dia Finoca.<\/p>\n<p>Alberta, um tanto espantada da pergunta (n\u00e3o falavam mais naquilo) respondeu que sim.<\/p>\n<p>\u2014 E ele?<\/p>\n<p>\u2014 Ele, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p>\u2014 Esqueceu-me.<\/p>\n<p>\u2014 Que se esquecesse n\u00e3o digo, mas voc\u00ea foi t\u00e3o fria, t\u00e3o cruel&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 A gente n\u00e3o v\u00ea, \u00e0s vezes, o que lhe conv\u00e9m, e erra. Depois, arrepende-se. H\u00e1 dias, vi-o entrar no mesmo armarinho em que estivemos uma vez, lembra-se? Viu-me, e n\u00e3o fez caso.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o fez caso? Ent\u00e3o para que entrou l\u00e1?<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o sei.<\/p>\n<p>\u2014 Comprou alguma coisa?<\/p>\n<p>\u2014 Creio que n\u00e3o&#8230; N\u00e3o comprou, n\u00e3o; foi falar a um dos caixeiros, disse-lhe n\u00e3o sei qu\u00ea, e saiu.<\/p>\n<p>\u2014 Mas est\u00e1 certa que ele reparou em voc\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 Perfeitamente.<\/p>\n<p>\u2014 O armarinho \u00e9 escuro.<\/p>\n<p>\u2014 Qual escuro! Viu-me, chegou a tirar o chap\u00e9u disfar\u00e7adamente, como era costume&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Disfar\u00e7adamente?<\/p>\n<p>\u2014 Sim, era um gesto que fazia&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 E ainda faz esse gesto?<\/p>\n<p>\u2014 Naquele dia fez, mas sem se demorar nada. Antigamente, era capaz de comprar ainda que fosse uma boneca, s\u00f3 para ver-me mais tempo.. Agora&#8230; E at\u00e9 j\u00e1 nem passa l\u00e1 por casa!<\/p>\n<p>\u2014 Talvez passe nas horas em que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 janela.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 dias, em que estou a tarde inteira, n\u00e3o contando os domingos e dias santos.<\/p>\n<p>Calou-se, calaram-se. Estavam em casa de Alberta, e ouviram um som de caixa de rufo e marcha de tropa. Que coisa mais adequada que fazer uma alus\u00e3o ao Miranda e perguntar quando voltaria? Finoca preferiu falar do Macedo, agarrando as m\u00e3os \u00e0 amiga:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 uma coisa que n\u00e3o posso explicar, mas agora gosto dele; parece-me, n\u00e3o digo que goste de verdade; parece-me&#8230;<\/p>\n<p>Alberta cortou-lhe a palavra com um beijo. N\u00e3o era de Judas, porque sinceramente Alberta quis assim pactuar com a amiga a entrega do noivo e o casamento. Mas quem descontaria aquele beijo, em tais circunst\u00e2ncias? Verdade \u00e9 que o tenente estava em S. Paulo, e escrevia; mas, como Alberta perdesse alguns correios e explicasse o fato pela necessidade de n\u00e3o descobrir a correspond\u00eancia, ele j\u00e1 escrevia menos vezes, menos copioso, menos ardente, coisa que uns justificariam pelas cautelas da situa\u00e7\u00e3o e pelas obriga\u00e7\u00f5es de of\u00edcio, outros por um namoro de passagem que ele trazia no bairro da Consola\u00e7\u00e3o. Foi, talvez, este nome que levou o namorado de Alberta a freq\u00fcent\u00e1-lo; achou ali uma menina, cujos olhos, mui parecidos com os da mo\u00e7a ausente, sabiam fitar com igual tenacidade. Olhos que n\u00e3o deixam vest\u00edgio; ele recebeu-os e mandou os seus em troca \u2014 tudo pela inten\u00e7\u00e3o de mirar a outra, que estava longe, e pela id\u00e9ia de que o nome do bairro n\u00e3o era casual. Um dia escreveu-lhe, ela respondeu; tudo consola\u00e7\u00f5es! Justo \u00e9 dizer que ele suspendeu a correspond\u00eancia para o Rio de Janeiro \u2014 ou para n\u00e3o tirar o car\u00e1ter consolador da correspond\u00eancia local, ou para n\u00e3o gastar todo o papel.<\/p>\n<p>Quando Alberta notou que as cartas tinham cessado de todo, sentiu em si indigna\u00e7\u00e3o contra o vil, e desligou-se da promessa de casar com ele. Casou tr\u00eas meses depois com outro, com o Macedo \u2014 aquele Macedo \u2014 o idiota Macedo. Pessoas que assistiram ao casamento, dizem que nunca viram noivos mais risonhos nem mais felizes.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m viu Finoca entre os convidados, o que fez pasmar as amigas comuns. Uma destas observou que Finoca, desde o col\u00e9gio, fora sempre muito invejosa. Outra disse que estava fazendo muito calor, e era verdade.<\/p>\n<p class=\"fonte\">Fonte: pt.wikisource.org<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"busca-rodape\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis Que \u00e9 isso? Voc\u00ea parece assustada. Ou \u00e9 namoro novo? \u2014 Que novo? \u00e9 o mesmo, Alberta; \u00e9 o mesmo aborrecido que me persegue; viu-me agora passar com mam\u00e3e, na esquina da Rua da Quitanda, e, em vez de seguir o seu caminho, veio atr\u00e1s de n\u00f3s. 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