{"id":117325,"date":"2017-04-03T13:20:56","date_gmt":"2017-04-03T15:20:56","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=117325"},"modified":"2017-04-03T13:20:56","modified_gmt":"2017-04-03T15:20:56","slug":"obras-seletas-volume-vii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii","title":{"rendered":"Obras Seletas &#8211; Volume VII"},"content":{"rendered":"<p><center><\/p>\n<table width=\"656\"  cellpadding=\"7\" cellspacing=\"0\">\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\"><font color=\"#666666\" size=\"2\" face=\"Arial, Helvetica, sans-serif\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#1\" class=\"links\">Jornal do Brasil<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#2\" class=\"links\">Rep\u00fablica Por Todos os Meios<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#3\" class=\"links\">Jacobinos e Republicanos<\/a><\/p>\n<p>\t\t   <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><\/p>\n<p>\t\t  <a href=\"#4\" class=\"links\">A Lega\u00e7\u00e3o do Vaticano<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#5\" class=\"links\">O Bispo Diocesano<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#6\" class=\"links\">A Espionagem<\/a><\/p>\n<p>\t\t   <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h2>Rui Barbosa<\/h2>\n<h4><a name=\"1\">JORNAL DO BRASIL<\/a><\/h4>\n<p><b>TRA&Ccedil;OS DE UM ROTEIRO<\/b><\/p>\n<p>N&atilde;o sabemos se, neste confuso turbilh&atilde;o da imprensa, se poderia<br \/>\n    estrear um jornal de vontade e aspira&ccedil;&otilde;es assentadas, sem dizer<br \/>\n    a que vem, que id&eacute;ias traz, ou se seria poss&iacute;vel diz&ecirc;-lo,<br \/>\n    sem resvalar, mais ou menos em cheio, no uso dos programas. Estes representam,<br \/>\n    especialmente em assuntos pol&iacute;ticos, a mais desacreditada tradi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que se conhece, e, portanto, a menos prop&iacute;cia &agrave; esperan&ccedil;a<br \/>\n    dos que pretenderem agoirar bem um cometimento sincero. A &eacute;poca, que<br \/>\n    atravessamos, &eacute; sobre todas f&eacute;rtil, a este respeito, em desenganos.<br \/>\n    Dantes a esfera desses compromissos era mais modesta; porque a a&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos homens, que ocupavam, ou disputavam o poder, confinava, de todos os lados,<br \/>\n    com as raias tra&ccedil;adas por uma forma de governo que sua constitui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    fadava &agrave; perpetuidade, e dentro na qual giravam as ambi&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    os projetos e as expectativas.<\/p>\n<p>Em 15 de novembro ca&iacute;ram as barreiras, que limitavam esse horizonte.<br \/>\n    Todos os sonhos e todas as pretens&otilde;es tinham ante os olhos o espa&ccedil;o<br \/>\n    indefinido, por onde mergulhar a vista. Os programas rebentaram em frondesc&ecirc;ncia<br \/>\n    agigantada e basta, como florestas encantadas, de imensas perspectivas, povoadas<br \/>\n    de grandes pensamentos, de resolu&ccedil;&otilde;es her&oacute;icas. Tanto<br \/>\n    maior a ruinaria moral, deixada nos esp&iacute;ritos pelo cair sucessivo e<br \/>\n    fragoroso de tantas ilus&otilde;es. A rep&uacute;blica n&atilde;o era um programa,<br \/>\n    o mais ridente, o mais bem auspiciado, o mais inevit&aacute;vel dos programas?<br \/>\n    E quem ousar&aacute; dizer que a realidade se pare&ccedil;a com a promessa?<br \/>\n    N&atilde;o era um programa completo, logicamente entretecido, solidamente<br \/>\n    estruturado, essa Constitui&ccedil;&atilde;o de 1891, programa de governo<br \/>\n    &agrave; imagem do melhor dos modelos? Mas quem o reconhecer&aacute; hoje<br \/>\n    nesta miscel&acirc;nea de opress&atilde;o preto&shy;riana e veleidades parlamentares,<br \/>\n    cujos violentos reativos dissolvem rapidamente as novas institui&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    como um organismo amplamente imergido em banho de &aacute;cido az&oacute;tico?<br \/>\n    N&atilde;o foi um programa o 23 de novembro: a restaura&ccedil;&atilde;o da<br \/>\n    legalidade? Quando &eacute;, por&eacute;m, que j&aacute; se praticou, entre<br \/>\n    n&oacute;s, a subvers&atilde;o das leis como depois dele? Que tem desdobrado<br \/>\n    ele sobre o pa&iacute;s, sen&atilde;o a mortalha do caos? A defesa do tesouro<br \/>\n    era um programa de austeridade financeira. N&atilde;o era? Sob o seu dom&iacute;nio,<br \/>\n    todavia, a gravita&ccedil;&atilde;o para o deficit adquiriu a celeridade vertiginosa<br \/>\n    dos corpos que se precipitam no espa&ccedil;o. Programa era, no paneg&iacute;rico<br \/>\n    dos interessados e na aprecia&ccedil;&atilde;o dos ing&ecirc;nuos, a reforma<br \/>\n    for&ccedil;ada dos treze generais: um programa de governo civil e disci&shy;pli&shy;nador,<br \/>\n    o programa do militarismo convertido &agrave; subordina&ccedil;&atilde;o militar,<br \/>\n    incoerente, mas r&iacute;spido programa de um ditador revoltado contra a caudilhagem.<br \/>\n    E que resultou, para a na&ccedil;&atilde;o, desse programa, sen&atilde;o a<br \/>\n    decad&ecirc;ncia crescente do princ&iacute;pio de autoridade, a desorganiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dia a dia maior da for&ccedil;a armada, as condescend&ecirc;ncias cada vez<br \/>\n    mais graves com os apetites que a anarquia desencadeia?<\/p>\n<p>Quando na hist&oacute;ria de projetos vigorosos como esses, uns apoiados<br \/>\n    na base incompar&aacute;vel das simpatias populares, outros na for&ccedil;a<br \/>\n    de poderosas situa&ccedil;&otilde;es bafejadas pela fortuna, tudo &eacute;<br \/>\n    desmentirem-se, estragarem-se, anularem-se desastrosamente, pode-se calcular<br \/>\n    o constrangimento do jornalista, inspirado unicamente pela voca&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de sua consci&ecirc;ncia na tentativa que empreende, se pudesse sentir-se<br \/>\n    sob o receio de ver envolvido na desconfian&ccedil;a geral contra os cartazes<br \/>\n    pol&iacute;ticos o instrumento solene de sua consagra&ccedil;&atilde;o &agrave;<br \/>\n    causa, por que se exp&otilde;e. Felizmente, por&eacute;m, os anais do jornalismo<br \/>\n    brasileiro, no seu per&iacute;odo mais memor&aacute;vel talvez desde os tempos<br \/>\n    de Evaristo da Veiga, guardam indel&eacute;veis documentos da firmeza de nossa<br \/>\n    alian&ccedil;a com os interesses da na&ccedil;&atilde;o, da tenacidade do<br \/>\n    nosso fervor na religi&atilde;o das id&eacute;ias que abra&ccedil;amos. A<br \/>\n    bandeira, que, a 7 de mar&ccedil;o de 1889, hasteamos no Di&aacute;rio de<br \/>\n    Not&iacute;cias, sob o grito de &#8220;federa&ccedil;&atilde;o ou rep&uacute;blica&#8221;,<br \/>\n    n&atilde;o se arriou mais sen&atilde;o em 15 de novembro. A resist&ecirc;ncia<br \/>\n    imperial a uma das alternativas do dilema levara a efeito simultaneamente<br \/>\n    as duas.<\/p>\n<p>Por m&iacute;nima que fosse a nossa contribui&ccedil;&atilde;o pessoal para<br \/>\n    esse resultado, ela associara-nos congenitamente a ele. A nova constitui&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    gerada com o concurso do nosso cora&ccedil;&atilde;o e da nossa responsabilidade,<br \/>\n    tinha alguma coisa de carne da nossa carne e osso dos nossos ossos. Bem se<br \/>\n    avalia, pois, que as vio&shy;l&ecirc;ncias contra ela perpetradas nos doessem<br \/>\n    quase como golpes vibrados ao nosso pr&oacute;prio seio. Na opini&atilde;o<br \/>\n    dos prudentes, por&eacute;m, essas agress&otilde;es eram da natureza daquelas<br \/>\n    que se assanham, e destemperam at&eacute; com a leg&iacute;tima defesa dos<br \/>\n    agredidos. Como os protetores naturais das oprimidas, em presen&ccedil;a de<br \/>\n    certos esc&acirc;ndalos dom&eacute;sticos nos casais flagelados pelas incompatibilidades<br \/>\n    de temperamentos, dev&iacute;amos contemporizar com as brutalidades da tirania<br \/>\n    inevit&aacute;vel, para n&atilde;o provocar as cat&aacute;strofes extremas.<\/p>\n<p>N&atilde;o tendo a honra de pertencer &agrave; fam&iacute;lia hist&oacute;rica<br \/>\n    dos chamados &#8220;republicanos dos tempos da propaganda&#8221;, presum&iacute;amos<br \/>\n    que a tribo dos levitas, ainda agora justamente zelosos de seu privil&eacute;gio<br \/>\n    hist&oacute;rico, soubesse guardar melhor do que n&oacute;s a arca e o santu&aacute;rio<br \/>\n    da lei. Com assombro, por&eacute;m, tivemos de ver que o sacerd&oacute;cio<br \/>\n    preposto &agrave; cust&oacute;dia da tradi&ccedil;&atilde;o sagrada perdera<br \/>\n    o esp&iacute;rito de sua miss&atilde;o, e cobria com o cr&eacute;dito de sua<br \/>\n    autoridade as viola&ccedil;&otilde;es mais criminosas do grande mandamento.<br \/>\n    Nessas ocasi&otilde;es, quando a indigna&ccedil;&atilde;o sobrepujava a prud&ecirc;ncia,<br \/>\n    vencemos o recato da nossa convers&atilde;o, para levantar a voz, &agrave;s<br \/>\n    vezes quase solit&aacute;ria, em nome da verdade profanada. Mas for&ccedil;a<br \/>\n    era recolhermo-nos de novo, evitando a atitude combatente; porque h&aacute;<br \/>\n    &eacute;pocas de sujei&ccedil;&atilde;o servil, em que at&eacute; a reivindica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da justi&ccedil;a sob a inoc&ecirc;ncia das garantias legais se indigita &agrave;<br \/>\n    severidade dos poderes repressores como um dos explosivos do g&ecirc;nero<br \/>\n    da dinamite. Se, por&eacute;m, nos abst&iacute;nhamos de freq&uuml;entar a<br \/>\n    imprensa e a tribuna, limitando-nos, na representa&ccedil;&atilde;o nacional,<br \/>\n    ao trabalho obscuro das comiss&otilde;es, nossa reserva era invertida contra<br \/>\n    n&oacute;s, como um caso de indiferen&ccedil;a e ego&iacute;smo, por aqueles<br \/>\n    mesmos que deviam enxergar e louvar naquele sil&ecirc;ncio a mais moderada<br \/>\n    forma da nossa reprova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Chegamos, por&eacute;m, a um momento tal de desorganiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    no mecanismo do Governo, de babel nas no&ccedil;&otilde;es de administra&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    de desalento nos esp&iacute;ritos e, gra&ccedil;as a tudo isso, de furor nas<br \/>\n    dissens&otilde;es, nos agravos e nas cobi&ccedil;as, que os homens convencidos<br \/>\n    j&aacute; n&atilde;o podem emudecer, sem prevaricar. &Eacute; necess&aacute;rio<br \/>\n    que as fac&ccedil;&otilde;es se sufoquem, e que as boas vontades se congreguem,<br \/>\n    para obrigar o erro e as paix&otilde;es, que nos desonram, escravizando-nos,<br \/>\n    a capitular sob a press&atilde;o moral da l&oacute;gica, da dec&ecirc;ncia<br \/>\n    e do patriotismo. Debaixo das pomposas inscri&ccedil;&otilde;es da chapa republicana,<br \/>\n    o pa&iacute;s n&atilde;o &eacute; mais do que uma vasta sepultura, onde os<br \/>\n    fantasmas do antigo reg&iacute;men se digladiam com as armas dos seus v&iacute;cios.<br \/>\n    Temos o imp&eacute;rio, mutato nomine com quase todos os seus defeitos, e<br \/>\n    sem a sua unidade.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o, a nosso ver, &eacute; ainda remedi&aacute;vel.<br \/>\n    Mas n&atilde;o o ser&aacute; dentro em pouco se a deixarmos derivar &agrave;<br \/>\n    toa da corrente. E o meio de acudir-lhe n&atilde;o pode estar nessa arte de<br \/>\n    ter ju&iacute;zo, que consiste em reservar aos que nos governam o direito<br \/>\n    de n&atilde;o t&ecirc;-lo e aos governados a obriga&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o<br \/>\n    murmurar contra os que o n&atilde;o t&ecirc;m.<\/p>\n<p>Merc&ecirc; desses abusos, desses atentados inconscientes da incompet&ecirc;ncia,<br \/>\n    que juncam hoje o campo das institui&ccedil;&otilde;es planejadas no pacto<br \/>\n    federal, chegamos &agrave; maior das desgra&ccedil;as para o sistema adotado<br \/>\n    a 24 de fevereiro: a de v&ecirc;-lo confundido com a deturpa&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que o substitui, usurpando-lhe a linguagem, mas banindo-lhe a realidade. A<br \/>\n    poder de ver-se o reg&iacute;men presidencial nominalmente identificado &agrave;<br \/>\n    ditadura militar, a avers&atilde;o acerbamente ressentida contra esta principia<br \/>\n    a refletir sobre aque-le. O vulgo em geral n&atilde;o discrimina as institui&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    dos indiv&iacute;&shy;duos, que as encarnam, ou dos sofismas, que as desnaturam.<br \/>\n    Mas tais propor&ccedil;&otilde;es tomou o mal entre n&oacute;s que das intelig&ecirc;ncias<br \/>\n    inferiores e incultas o equ&iacute;voco vulgar vai ascendendo &agrave;s mais<br \/>\n    eminentes. Destarte o reg&iacute;men americano, ant&iacute;tese essencial<br \/>\n    do que entre n&oacute;s se pratica, acabar&aacute; por incorrer na condena&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que devia fulminar os seus falsificadores. Estes ent&atilde;o, por amarga<br \/>\n    ironia do destino, assumem o patronado oficial do presidencialismo&shy; republicano,<br \/>\n    que os seus atos desacreditam, contra as aspi&shy;ra&ccedil;&otilde;es parlamentares,<br \/>\n    de que a sua pol&iacute;tica se nutre.<\/p>\n<p>Nada, portanto, mais favor&aacute;vel &agrave;s conveni&ecirc;ncias da impostura<br \/>\n    constitucional, que explora assim, ao mesmo tempo, o presidencialismo e o<br \/>\n    parlamentarismo, do que ligar a um antagonismo atual entre essas duas correntes,<br \/>\n    que ainda n&atilde;o existem no pa&iacute;s sen&atilde;o em aprecia&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    abstratas, a diferencia&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica entre os partidos<br \/>\n    em esbo&ccedil;o. A oligarquia militar &eacute; t&atilde;o incompat&iacute;vel<br \/>\n    com o parlamentarismo como com o presidencialismo, e teria arruinado a rep&uacute;blica<br \/>\n    ainda mais depressa sob a forma parla&shy;mentar francesa do que sob a forma<br \/>\n    presidencial anglo-sax&ocirc;nia. A prova, temo-la a&iacute; diante dos olhos:<br \/>\n    esse belo chap&eacute;u-de-sol chin&ecirc;s que abriga gentilmente a ditadura,<br \/>\n    as evolu&ccedil;&otilde;es de gabinete, de tribuna e de escrut&iacute;nio,<br \/>\n    que a sustentam, tudo isso &eacute; lidimamente parlamentar. De modo que,<br \/>\n    podemos diz&ecirc;-lo sem receio de contesta&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel,<br \/>\n    &eacute; apoiado na sobreviv&ecirc;ncia dos h&aacute;bitos parlamentares,<br \/>\n    revives&shy;centes como o escalracho e a tiririca entre as planta&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    &uacute;teis, que o marechalato esteriliza, corrompe e malquista o reg&iacute;men<br \/>\n    presidencial.<\/p>\n<p>O papel dos republicanos e dos patriotas n&atilde;o &eacute;, pois, andarem<br \/>\n    agora &agrave; cata de outro sistema de governo, de outra express&atilde;o<br \/>\n    formal da democracia, mas reclamarem o governo, que a Constitui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    nos deu, e em cuja posse n&atilde;o entramos ainda. Nosso dever &eacute; pugnar<br \/>\n    pela Constitui&ccedil;&atilde;o, para restabelec&ecirc;-la, restabelecer a<br \/>\n    Constitui&ccedil;&atilde;o, para conserv&aacute;-la. A essa conserva&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    duas dificuldades se op&otilde;em: a adultera&ccedil;&atilde;o do governo<br \/>\n    do povo pela onipot&ecirc;ncia militar, a absor&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica<br \/>\n    nacio&shy;nal pelo monop&oacute;lio jacobino. A ditadura atual, desde seus<br \/>\n    primeiros atos, desde suas primeiras palavras, tomou esse grupo violento como<br \/>\n    o transunto do pa&iacute;s, entregou-se a ele, encerrou-se no seu c&iacute;rculo<br \/>\n    estreito e agitado. Espectadora irritada e at&ocirc;nita das cenas dessa autocracia<br \/>\n    militar, cuja guarda pol&iacute;tica se comp&otilde;e de um corpo de demagogos,<br \/>\n    a na&ccedil;&atilde;o concentra-se cada vez mais nos seus instintos conservadores,<br \/>\n    ansiosa por experimentar, na uni&atilde;o e na paz, a realidade dessa constitui&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    cujos bordos lhe untaram de fel e de sangue, mas cujo princ&iacute;pio vivificante<br \/>\n    ainda n&atilde;o lhe foi dado saborear. A&iacute; est&atilde;o esses elementos<br \/>\n    de tranq&uuml;ilidade e regenera&ccedil;&atilde;o: a intelig&ecirc;ncia, a<br \/>\n    capacidade, o trabalho, a riqueza. Eles aguardam que o esp&iacute;rito divino<br \/>\n    sopre sobre a sua confus&atilde;o palavras de serenidade e conforto, de liberdade<br \/>\n    e harmonia. Se um pouco desse h&aacute;lito puder passar-nos pela boca, n&atilde;o<br \/>\n    temos outra ambi&ccedil;&atilde;o: concorrer para a agrega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    desses princ&iacute;pios esparsos, mas poderosos, irresist&iacute;veis, no<br \/>\n    &uacute;nico partido nacional poss&iacute;vel atualmente, contra o despotismo<br \/>\n    e contra a desordem, o partido constitucional, o partido conservador republicano.<\/p>\n<p>Na campanha jornal&iacute;stica de 1889 nossa posi&ccedil;&atilde;o era diversa.<br \/>\n    Defrontavam-se ent&atilde;o e mediam-se um ao outro dois sistemas de governo<br \/>\n    poss&iacute;veis: a monarquia, de dura&ccedil;&atilde;o limitada, no parecer<br \/>\n    at&eacute; de monarquistas, &agrave; exist&ecirc;ncia do imperador, e a rep&uacute;blica,<br \/>\n    prov&aacute;vel, iminente, entrevista. Nosso papel ent&atilde;o era mostrar<br \/>\n    ao reg&iacute;men declinante que seus dias estavam contados, convenc&ecirc;-lo<br \/>\n    da necessidade de uma higiene tonificante para a &uacute;ltima fase de sua<br \/>\n    vida, e, se ele reagisse contra essa necessidade, promover resolutamente a<br \/>\n    demoli&ccedil;&atilde;o da sua decrepidez. Agora s&oacute; a rep&uacute;blica<br \/>\n    &eacute; pratic&aacute;vel, e n&atilde;o h&aacute; escolha, sen&atilde;o entre<br \/>\n    a rep&uacute;blica degenerada pela ditadura, ou a rep&uacute;blica regenerada<br \/>\n    pela constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O Jornal do Brasil &eacute; constitucional a todo transe: eis, numa palavra,<br \/>\n    o nosso roteiro pol&iacute;tico. N&atilde;o pode, portanto, ser um derrocador.<br \/>\n    O alvi&atilde;o e o martelo, deixamo-los para sempre no museu hist&oacute;rico<br \/>\n    da outra tenda. Da nossa orienta&ccedil;&atilde;o de hoje em diante &eacute;<br \/>\n    penhor a nossa orienta&ccedil;&atilde;o at&eacute; hoje, desde que a revolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de 1889 encontrou a sua f&oacute;rmula na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1891:<br \/>\n    batendo-nos pela lei contra o Governo, ou contra a multid&atilde;o; verberar<br \/>\n    o arb&iacute;trio, venha de cima, ou de baixo, dos nossos afei&ccedil;oados,<br \/>\n    ou dos nossos inimigos, animar todas as reivindica&ccedil;&otilde;es constitucionais,<br \/>\n    lutar contra todas as rea&ccedil;&otilde;es. Nossa meta &eacute; a rep&uacute;blica.<br \/>\n    E a rep&uacute;blica, ao nosso ver, n&atilde;o &eacute; o bast&atilde;o do<br \/>\n    marechal com um barrete fr&iacute;gio no topo e um agitador de sentinela ao<br \/>\n    lado com a fraternidade escrita no cano do fuzil; n&atilde;o &eacute; a conven&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de um nome, servida alternativamente por camarilhas condescendentes, ou revoltadas;<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; nem o compadrio de nossos amigos, nem a hostilidade aos<br \/>\n    nossos advers&aacute;rios. &Eacute; a defesa da autoridade e a sua fiscaliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &agrave; luz dos princ&iacute;pios constitucionais. &Eacute; o direito de<br \/>\n    ter todas as opini&otilde;es e a obriga&ccedil;&atilde;o de respeitar todas<br \/>\n    as consci&ecirc;ncias. &Eacute; o governo do povo pelo povo, subordinado &agrave;s<br \/>\n    garantias da liberdade, com que a constitui&ccedil;&atilde;o e o direito p&uacute;blico<br \/>\n    universal limitam a pr&oacute;pria soberania popular. Eis a rep&uacute;blica,<br \/>\n    para cuja evolu&ccedil;&atilde;o queremos cooperar, e de cuja consolida&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    nos oporemos com todas as for&ccedil;as aos perturbadores. Perturbar a rep&uacute;blica,<br \/>\n    por&eacute;m, (fiquem definidos os termos) n&atilde;o &eacute; censurar os<br \/>\n    que a aluem: &eacute;, pelo contr&aacute;rio, militar com os que a defendem,<br \/>\n    pugnando com a lei contra os que a degradam.<\/p>\n<p>Este jornal, pois, n&atilde;o &eacute; uma oficina de agita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e amea&ccedil;a, de subvers&atilde;o e guerra: &eacute; um instrumento de<br \/>\n    doutrina e organiza&ccedil;&atilde;o, de estudo e resist&ecirc;ncia, de transa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    pol&iacute;tica e intran&shy;sig&ecirc;ncia legal. Intransig&ecirc;ncia legal;<br \/>\n    porque contra a lei toda transa&ccedil;&atilde;o &eacute; cumplicidade. Transa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    pol&iacute;tica; porque a pol&iacute;tica &eacute; a ci&ecirc;ncia das transa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    inteligentes e honestas, sob a cl&aacute;usula do respeito aos c&acirc;nones<br \/>\n    constitucionais. Os especu&shy;ladores e os c&iacute;nicos transigem sempre.<br \/>\n    Os sistem&aacute;ticos e os loucos n&atilde;o transigem nunca. Os homens de<br \/>\n    estado transigem, onde &eacute; l&iacute;cito, oportunamente.<\/p>\n<p>N&atilde;o somos, portanto, profissionalmente oposicionistas, nem governistas.<br \/>\n    Somos legalistas acima de tudo e a despeito de tudo. O Governo, ou a oposi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    n&atilde;o t&ecirc;m para n&oacute;s sen&atilde;o a cor da lei, que envolver<br \/>\n    o procedimento de um, ou as pretens&otilde;es da outra. Fora do terreno jur&iacute;dico<br \/>\n    nossa inspira&ccedil;&atilde;o procurar&aacute; beber sempre na ci&ecirc;ncia,<br \/>\n    nos exemplos liberais, no respeito &agrave;s boas praxes antigas, na simpatia<br \/>\n    pelas inova&ccedil;&otilde;es benfazejas, conciliando, quanto poss&iacute;vel,<br \/>\n    o g&ecirc;nio da tradi&ccedil;&atilde;o inteligente com a pr&aacute;tica do<br \/>\n    progresso cauteloso. Poderemos acrescentar que o anonimato do insulto, da<br \/>\n    cal&uacute;nia e da insinua&ccedil;&atilde;o irrespons&aacute;vel n&atilde;o<br \/>\n    ter&atilde;o lugar nestas colunas.<\/p>\n<p>Numa quadra em que a pol&iacute;tica absorve quase exclusivamente a vida<br \/>\n    nacional, parece natural que ela dominasse o nosso programa, e preponderasse<br \/>\n    na indica&ccedil;&atilde;o do nosso rumo. N&atilde;o quer isso, entretanto,<br \/>\n    dizer que esquec&ecirc;ssemos os outros lados do esp&iacute;rito. A pol&iacute;tica<br \/>\n    &eacute; apenas uma de suas faces. As outras ter&atilde;o largamente, nesta<br \/>\n    folha, o espa&ccedil;o, a honra e o culto, que se lhes deve. Penetrar por<br \/>\n    todas essas rela&ccedil;&otilde;es da vida intelectual, no cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de nossos compatriotas &eacute; o nosso sonho. Oxal&aacute; que um pouco de<br \/>\n    realidade caia sobre ele, e o fecunde.<\/p>\n<p align=\"right\"><b>Jornal do Brasil, 21 de maio de 1893.<\/b><\/p>\n<h4><a name=\"2\">REP&Uacute;BLICA POR TODOS OS MEIOS<\/a><\/h4>\n<p>Ao escrevermos ontem, no artigo programa desta folha, o nosso apelo aos conservadores<br \/>\n    brasileiros, isto &eacute;, aos republicanos constitucionais, porque fora<br \/>\n    da rep&uacute;blica, atualmente, nada se descortina ao longe, de todos os<br \/>\n    lados, sen&atilde;o a anarquia, ainda n&atilde;o conhec&iacute;amos a forma&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    com que nos acabam de dotar, de um clube que responde no assento batismal<br \/>\n    pelo nome de Jacobino, e cujo declarado objeto consiste em &#8220;sustentar<br \/>\n    a rep&uacute;blica por todos os meios&#8221;.<\/p>\n<p>Se a institui&ccedil;&atilde;o, de que se trata, se dignasse adjetivar os<br \/>\n    meios, contemplados no c&aacute;lculo de seu civismo, com a qualifica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de legais, nada ter&iacute;amos talvez que observar, conquanto para esses<br \/>\n    efeitos pac&iacute;ficos e normais n&atilde;o haja prepara&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    menos consent&acirc;nea do que as tempestades de um clube no sentido franc&ecirc;s,<br \/>\n    militante, revolucion&aacute;rio desta palavra, o &uacute;nico em que os nosso<br \/>\n    pol&iacute;ticos a conhecem. Mas, em tempos que fizeram da lei uma exce&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    suspeita e perigosa, que n&atilde;o permitem invoc&aacute;-la seriamente,<br \/>\n    a n&atilde;o ser como recorda&ccedil;&atilde;o, epigrama, ou recurso para<br \/>\n    o futuro, essa omiss&atilde;o n&atilde;o pode deixar de considerar-se intencional,<br \/>\n    ou de representar, no esp&iacute;rito da cruzada que sob esses ausp&iacute;cios<br \/>\n    se anuncia, a aus&ecirc;ncia do sentimento, confortativo para n&oacute;s outros,<br \/>\n    que a sua men&ccedil;&atilde;o exprimiria.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s n&atilde;o se queira ver nestas reflex&otilde;es propriamente<br \/>\n    censura aos fundadores do novo baluarte. Sacrif&iacute;cios n&atilde;o s&atilde;o<br \/>\n    obrigat&oacute;rios. A lei n&atilde;o tem o direito de possuir amigos, sen&atilde;o<br \/>\n    quando esteja com o Governo de seu lado. Se entre os dois, por&eacute;m, se<br \/>\n    estabeleceu a amizade, e o div&oacute;rcio tornou-se irremedi&aacute;vel,<br \/>\n    seria rid&iacute;culo votar-se um grupo de criaturas bem intencionadas ao<br \/>\n    anacronismo de pretens&otilde;es que o poder de quem pode riscou terminantemente<br \/>\n    do n&uacute;mero das possibilidades sensatas.<\/p>\n<p>Ficamos, portanto, entendidos e avisados sobre a natureza dos meios classificados<br \/>\n    na pan&oacute;plia da nova institui&ccedil;&atilde;o. Quem diz francamente<br \/>\n    &#8220;todos os meios&#8221;, n&atilde;o necessita explicar que n&atilde;o<br \/>\n    h&aacute; meios excetuados. Depois, os precedentes republicanos do tempo comentam<br \/>\n    ilustrativamente as inten&ccedil;&otilde;es morais do lema. O misterioso personagem<br \/>\n    nas dobras escuras do manto espanhol, sob as abas do cl&aacute;ssico sombreiro<br \/>\n    ortodoxo carregado sobre os olhos, oculta mal entre os dedos contra&iacute;dos<br \/>\n    o instrumento da amea&ccedil;a. Toda a gente lhe est&aacute; vendo, na m&atilde;o<br \/>\n    que se esconde, o sig&shy;no fat&iacute;dico, a cujo aceno se re&uacute;nem<br \/>\n    as arrua&ccedil;as contra a impren&shy;sa, se fantasiam os monumentos hist&oacute;ricos<br \/>\n    ao capricho do bom-gosto contempor&acirc;neo, se dep&otilde;em das placas<br \/>\n    das ruas os nomes populares em homenagem &agrave;s idolatrias da patul&eacute;ia,<br \/>\n    se consumam, enfim, as viol&ecirc;ncias salutares ao direito em nome da rep&uacute;blica<br \/>\n    menor, tutelada pela espontaneidade dos grandes entusiastas. Isso ali&aacute;s<br \/>\n    &eacute; apenas o que se v&ecirc;. N&atilde;o falemos no que se oculta discretamente<br \/>\n    sob o sigilo dos concili&aacute;bulos, onde as trevas julgam e condenam os<br \/>\n    crimes do car&aacute;ter, as indigna&ccedil;&otilde;es do civismo, as revoltas<br \/>\n    do senso comum, as li&ccedil;&otilde;es da verdade.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o desta santa irmandade, j&aacute; se sabe, adotou-se para<br \/>\n    todos os fins a conven&ccedil;&atilde;o de que a rep&uacute;blica &eacute;<br \/>\n    o arb&iacute;trio do poder, uma vez que este, por sua vez, houve por bem considerar<br \/>\n    personificada a na&ccedil;&atilde;o nesse n&uacute;cleo de servidores prestimosos.<br \/>\n    Da&iacute; o fen&ocirc;meno singular, estupendo entre todas as curiosidades<br \/>\n    po&shy;l&iacute;ticas, de um governo organizado apoiando-se satisfeitamente<br \/>\n    na praga an&aacute;rquica dos clubes, quando todos os governos, inclusi&shy;ve<br \/>\n    as rep&uacute;blicas em Fran&ccedil;a, tiveram de reagir energicamente con&shy;tra<br \/>\n    essas institui&ccedil;&otilde;es, que, in&uacute;teis como &oacute;rg&atilde;os<br \/>\n    de propaganda pac&iacute;fica em dias de bonan&ccedil;a, obram, nas &eacute;pocas<br \/>\n    revoltas, &#8220;como o vinho ministrado a um &eacute;brio&#8221;. Contra-senso<br \/>\n    s&oacute; compar&aacute;vel ao do exemplo de uma ditadura filha do ex&eacute;rcito<br \/>\n    e sustentada por ele, organizando e subsidiando ajuntamentos armados fora<br \/>\n    das leis militares e contra elas (para n&atilde;o nos determos em considera&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    ociosas, referindo-nos &agrave;s prerrogativas do Congresso, aos limites do<br \/>\n    or&ccedil;amento e &agrave;s exig&ecirc;ncias da Constitui&ccedil;&atilde;o).<br \/>\n    Tudo porque imaginaram t&atilde;o aviltada esta terra, que j&aacute; n&atilde;o<br \/>\n    haja consci&ecirc;ncias capazes de desprezar a intimida&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    e clamar atrav&eacute;s da atmosfera oficial do medo a realidade dos nossos<br \/>\n    sofrimentos.<\/p>\n<p>Os cidad&atilde;os livres t&ecirc;m o direito de juntar-se em assem&shy;bl&eacute;ias<br \/>\n    e associa&ccedil;&otilde;es, discutir nelas os seus interesses, imprimir por<br \/>\n    meio delas &agrave;s opini&otilde;es individuais a energia da a&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    coletiva. Mas isso &agrave; luz do sol. Isso absolutamente adstrito ao uso<br \/>\n    de faculdades legais. N&atilde;o, por&eacute;m, em cen&aacute;culos secretos.<br \/>\n    N&atilde;o sob a m&ocirc;nita de converterem as convic&ccedil;&otilde;es em<br \/>\n    crimes. N&atilde;o com o arrojo de se arvorarem em tribunais de consci&ecirc;ncia,<br \/>\n    de avoca&shy;rem aos seus membros o pontificado da verdade constitucional,<br \/>\n    de indigitarem os seus advers&aacute;rios &agrave; impiedade de vinditas covardes.<br \/>\n    Se alguma coisa, presentemente, devia atrair a aten&ccedil;&atilde;o vigilante<br \/>\n    das autoridades, &eacute; essa vegeta&ccedil;&atilde;o criminosa, que envenena<br \/>\n    o nosso ambiente com exala&ccedil;&otilde;es funestas.<\/p>\n<p>N&atilde;o sabemos se entre essa decomposi&ccedil;&atilde;o geral do sentimento<br \/>\n    republicano n&atilde;o ser&aacute; quase um sacril&eacute;gio expor a confrontos<br \/>\n    o nome de Washington. Mas, como &eacute; invariavelmente sob a senha da rep&uacute;blica,<br \/>\n    cujo vocabul&aacute;rio soletram, que nos querem pilular essas drogas mals&atilde;s,<br \/>\n    lembraremos sempre, a este prop&oacute;sito, salvo o desrespeito da compara&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    a profunda sabedoria do patriarca espiritual da Am&eacute;rica republicana.<br \/>\n    A semente do jacobinismo, trazida pelos ventos de Fran&ccedil;a, principiara<br \/>\n    tamb&eacute;m a germinar no solo dos Estados Unidos, durante a &uacute;ltima<br \/>\n    d&eacute;cada do s&eacute;culo passado, sob a forma de &#8220;Sociedades Democr&aacute;ticas&#8221;,<br \/>\n    eq&uuml;ival&ecirc;ncia dos clubes de terr&iacute;vel nomeada, cuja influ&ecirc;ncia<br \/>\n    deixou maculada para sempre a mem&oacute;ria da grande revolu&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    A correspond&ecirc;ncia de Washington, nos volumes de Jared Sparks, est&aacute;<br \/>\n    cheia da exe&shy;cra&ccedil;&atilde;o, que essa entidade ex&oacute;tica &agrave;s<br \/>\n    institui&ccedil;&otilde;es da democracia liberal, despertava no &acirc;nimo<br \/>\n    daquele homem feito de raz&atilde;o e justi&ccedil;a, cuja vida ilumina, h&aacute;<br \/>\n    mais de cem anos, a hist&oacute;ria de seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p>H&aacute; ali passagens, como esta de uma carta dirigida pelo primeiro presidente<br \/>\n    da Uni&atilde;o ao general Morgan, em outubro de 1794: &#8220;Cumpre subjugar<br \/>\n    este esp&iacute;rito temer&aacute;rio e faccioso, que se levanta empenhado<br \/>\n    em arruinar as leis, e subverter a Constitui&ccedil;&atilde;o. Se o n&atilde;o<br \/>\n    lograrmos, digamos adeus &agrave; exist&ecirc;ncia, neste pa&iacute;s, de<br \/>\n    todo e qualquer governo, a n&atilde;o ser o da turba e o dos clubes, de onde<br \/>\n    nada pode resultar, que n&atilde;o seja confus&atilde;o e anarquia&#8221;.<br \/>\n    Noutra missiva, escrita, em agosto desse ano, ao governador da Virg&iacute;nia,<br \/>\n    acerca da insurrei&ccedil;&atilde;o que afligia aquele Estado, usara da mesma<br \/>\n    linguagem o c&eacute;lebre estadista, que fundou com a lei a maior das rep&uacute;blicas,<br \/>\n    depois de hav&ecirc;-la aparelhado com a espada: &#8220;De princ&iacute;pio<br \/>\n    dei eu a minha opini&atilde;o de que, se n&atilde;o se combatessem essas sociedades<br \/>\n    ou se as n&atilde;o envolvesse o menosprezo de que s&atilde;o dignas, elas<br \/>\n    abalariam o governo at&eacute; aos seus fundamentos. O tempo e as circunst&acirc;ncias<br \/>\n    vieram confirmar-me este ju&iacute;zo. Deploro sumamente as conseq&uuml;&ecirc;ncias<br \/>\n    prov&aacute;veis. N&atilde;o que me interessem pessoalmente, porque o meu<br \/>\n    papel neste cen&aacute;rio est&aacute; por pouco, mas porque, sob esse aparato<br \/>\n    sedutor de exterioridades populares, vejo neste invento a mais diab&oacute;lica<br \/>\n    tentativa de destrui&ccedil;&atilde;o contra o melhor edif&iacute;cio jamais<br \/>\n    oferecido ao g&ecirc;nero humano para seu governo e felicidade.&#8221;<\/p>\n<p>Aqui, entretanto, ao passo que a lealdade dos que desinteressadamente, como<br \/>\n    n&oacute;s, est&atilde;o mostrando ao chefe do Estado o precip&iacute;cio,<br \/>\n    de que desejar&iacute;amos v&ecirc;-lo salvo, n&atilde;o lhe merecer&aacute;<br \/>\n    (tudo induz a cr&ecirc;-lo) sen&atilde;o o desd&eacute;m, talvez o azedume,<br \/>\n    esses instrumentos fatais, cuja coopera&ccedil;&atilde;o t&atilde;o cara foi<br \/>\n    sempre aos que a utilizam, v&atilde;o-se insinuando nas simpatias do Governo<br \/>\n    como os seus sustent&aacute;culos mais vantajosos. Compreende-se que o poder<br \/>\n    n&atilde;o se julgue amea&ccedil;ado com a doutrina da indiferen&ccedil;a<br \/>\n    aos meios, com que eles fazem profiss&atilde;o de servir a rep&uacute;blica:<br \/>\n    porque o poder bem sabe que essa casta de democracia &eacute; incapaz de enxergar<br \/>\n    a Constitui&ccedil;&atilde;o republicana fora da benqueren&ccedil;a oficial.<br \/>\n    Mas o que faz estremecer, &eacute; o desembara&ccedil;o, com que se revela<br \/>\n    em amostras incr&iacute;veis a correspond&ecirc;ncia, a afinidade moral entre<br \/>\n    essa gera&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea da desordem e o concurso diuturno<br \/>\n    dos desatinos oficiais.<\/p>\n<p>Casos como o que o Jornal do Commercio noticiava anteontem, descrevendo as<br \/>\n    cenas da devassa policial, de que foi alvo a casa do Beco do Imp&eacute;rio,<br \/>\n    fazem corar, diante do passado que este nome relembra, o brio republicano,<br \/>\n    obrigando-nos a confessar que nem as tropelias do primeiro reinado registram<br \/>\n    sintomas piores da perda da consci&ecirc;ncia do dever nos agentes da autoridade.<br \/>\n    A pol&iacute;cia, por ordem superior, cometida, n&atilde;o &agrave; leviandade<br \/>\n    de um galfarro, mas &agrave; respeitabilidade de um cidad&atilde;o estim&aacute;vel<br \/>\n    e benquisto por v&aacute;&shy;rios t&iacute;tulos, invade a resid&ecirc;ncia<br \/>\n    de cidad&atilde;os honestos, leva de encontr&atilde;o uma senhora, penetrando-lhe<br \/>\n    a alcova na aus&ecirc;ncia do marido, esquadrinha as gavetas, e arrecada os<br \/>\n    pap&eacute;is encontrados. Diz-se que, afora o trambolh&atilde;o persuasivo<br \/>\n    na dona da casa, reinou em toda a dilig&ecirc;ncia o perfume da mais esquisita<br \/>\n    deli&shy;&shy;ca&shy;&shy;deza, tendo os habitantes a cordura de fornecer<br \/>\n    eles mesmos as chaves &agrave; am&aacute;vel autoridade, cuja manifesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de poder se limitou a subtrair suavemente a propriedade alheia, sem a cerim&ocirc;nia<br \/>\n    do recibo reclamado pelos circunstantes. Mas (sem maldade) o pr&oacute;prio<br \/>\n    executor da sutil proeza, se para ele apel&aacute;ssemos, havia de encontrar-se<br \/>\n    em apuros, para nos mostrar, nesse epis&oacute;dio curioso, os tra&ccedil;os<br \/>\n    apreci&aacute;veis de diferen&ccedil;a entre este processo de confisco de<br \/>\n    bens particulares, com viola&ccedil;&atilde;o formal do domic&iacute;lio,<br \/>\n    e certas outras esp&eacute;cies de visitas domi&shy;cili&aacute;rias, em que<br \/>\n    os surpreendidos se deixam do mesmo modo espoliar mansamente, sob o receio<br \/>\n    de maior mal, mas nas quais a autoridade policial costuma intervir em car&aacute;ter<br \/>\n    oposto, deixando cair sobre os visitantes importunos a m&atilde;o &aacute;spera<br \/>\n    da lei.*<\/p>\n<p>Esta, por &oacute;rg&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o, declara: &#8220;A<br \/>\n    casa &eacute; o asilo inviol&aacute;vel do cidad&atilde;o; ningu&eacute;m<br \/>\n    pode a&iacute; penetrar, de noite, sem consentimento do morador, sen&atilde;o<br \/>\n    para acudir a v&iacute;timas de crimes, ou desastres, nem de dia, sen&atilde;o<br \/>\n    nos casos e pela forma prescritos na lei.&#8221;<\/p>\n<p>Os transgressores dessa garantia constitucional, seja qual for a sua condi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    ou dignidade, secretas, delegados, chefes de pol&iacute;cia, ministros, ou<br \/>\n    presidentes da rep&uacute;blica, incorrem nas comina&ccedil;&otilde;es do<br \/>\n    C&oacute;digo Penal. Este, depois de precisar, no art. 199, os casos, em que<br \/>\n    se permite a entrada de dia em casa alheia, determina, no art. 200, que, ainda<br \/>\n    em tais hip&oacute;teses, o uso dessa faculdade se subordina a estas cl&aacute;usulas<br \/>\n    tutelares: &#8220;1&ordm; ordem escrita da autoridade, que determinar a entrada<br \/>\n    na casa; 2&ordm; assist&ecirc;ncia de escriv&atilde;o, ou qualquer oficial<br \/>\n    de justi&ccedil;a, com duas testemunhas.&#8221; E, para &#8220;os que entrarem<br \/>\n    de dia em casa alheia, fora dos casos permitidos&#8221;, taxou o legislador<br \/>\n    (art. 198) a pena de pris&atilde;o celular por um a tr&ecirc;s meses. Se o<br \/>\n    indiv&iacute;duo, que pratica a viol&ecirc;ncia exerce autoridade p&uacute;blica,<br \/>\n    esta considera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o absolve, ou atenua o delito; pelo<br \/>\n    contr&aacute;rio, nos termos do art. 231, acrescenta &agrave; san&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do art. 198 a perda da fun&ccedil;&atilde;o, ou emprego, em cujo exerc&iacute;cio,<br \/>\n    ou sob cujo pretexto se praticou o abuso. Nem exculpa o delinq&uuml;ente a<br \/>\n    alega&ccedil;&atilde;o de ter obedecido a ordens superiores; porquanto, segundo<br \/>\n    o art. 229, &#8220;o que executar ordem, ou requisi&ccedil;&atilde;o ilegal,<br \/>\n    ser&aacute; considerado obrar, como se tal ordem ou requisi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    n&atilde;o existira, e punido pelo excesso de poder, ou jurisdi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que cometer&#8221;.<\/p>\n<p>O fato do Beco do Imp&eacute;rio constitui, pois, uma contraven&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    grave da lei criminal, em cujo dom&iacute;nio se acham envolvidos os agentes<br \/>\n    subalternos, o delegado e o encoberto autor da ordem, sob cuja superioridade<br \/>\n    se acoita a viola&ccedil;&atilde;o desse asilo dom&eacute;stico, no qual dizia<br \/>\n    Chatham que podem penetrar as lufadas da tormenta e as intemp&eacute;ries<br \/>\n    do c&eacute;u, mas n&atilde;o penetra a coroa do rei da Inglaterra.<\/p>\n<p>Verdade &eacute; que Pitt representava o orgulho de uma na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    livre, onde todas as soberanias se abaixam &agrave; da lei, ao passo que n&oacute;s<br \/>\n    somos um povo sustentado das migalhas do arb&iacute;trio que se apanha ora<br \/>\n    &agrave; porta dos pr&iacute;ncipes, ora &agrave; dos ditadores.<\/p>\n<p>N&atilde;o desesperemos, todavia, de que uma vez, diante de ousadias como<br \/>\n    essa do poder rebelado contra os seus deveres, alguma alma de homem se lembre<br \/>\n    de que a defesa do lar &eacute; t&atilde;o ampla, legalmente, como a defesa<br \/>\n    da vida, e disp&otilde;e das mesmas imunidades, das mesmas justificativas,<br \/>\n    das mesmas armas. O C&oacute;digo Penal, com efeito (art. 32), &eacute; perempt&oacute;rio<br \/>\n    dizendo: &#8220;N&atilde;o ser&atilde;o criminosos os que praticaram o crime<br \/>\n    em defesa leg&iacute;tima, pr&oacute;pria, ou alheia&#8221;; e acrescenta:<br \/>\n    &#8220;A leg&iacute;tima defesa n&atilde;o &eacute; limitada unicamente &agrave;<br \/>\n    prote&ccedil;&atilde;o da vida; ela compreende TODOS OS DIREITOS, QUE PODEM<br \/>\n    SER LESADOS.&#8221; Defendamos as nossas casas, como defender&iacute;amos<br \/>\n    a nossa vida, contra os criminosos que a pol&iacute;cia persegue, ou contra<br \/>\n    a pol&iacute;cia que se nivela aos criminosos. Os tribunais sancionar&atilde;o<br \/>\n    o nosso direito incontest&aacute;vel.<\/p>\n<p>A&iacute; t&ecirc;m os nossos concidad&atilde;os um dos meios, pelos quais,<br \/>\n    dentro da lei, se sustenta a rep&uacute;blica constitucional, contra os que,<br \/>\n    sem escr&uacute;pulos, se prop&otilde;em a manter, por todos os meios fora<br \/>\n    da lei, a rep&uacute;blica do Conde de Lippe.<\/p>\n<p align=\"right\"><b>Jornal do Brasil, 22 de maio de 1893.<\/b><\/p>\n<h4><a name=\"3\">JACOBINOS E REPUBLICANOS<\/a><\/h4>\n<p>Ouvimos dizer que o Jornal do Brasil exagera a import&acirc;ncia ao cogumelo<br \/>\n    jacobino. Porque o ag&aacute;rico descorado rasteja &agrave; flor do ch&atilde;o,<br \/>\n    porque n&atilde;o precisa de luz para a medran&ccedil;a, porque assimila os<br \/>\n    elementos do ar segundo um processo respirat&oacute;rio diferente do nosso,<br \/>\n    imaginam que o parasita &eacute; indiferente &agrave; nossa higiene, que as<br \/>\n    criaturas superiores podem fit&aacute;-lo com desprezo, que a evolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da vida &eacute; indiferente ao desenvolvimento min&uacute;sculo deste comensal.<br \/>\n    Mas desde a ferrugem das searas, desde o mofo dos rosais, desde a gangrena<br \/>\n    &uacute;mida dos batatais at&eacute; o poliporus que esfarela em humus as<br \/>\n    madeiras de constru&ccedil;&atilde;o, a natureza nos est&aacute; mostrando<br \/>\n    que os mais soberbos pal&aacute;cios, na estrutura poderosa dos seus vigamentos,<br \/>\n    n&atilde;o podem rir do cript&oacute;gamo destruidor, cuja fam&iacute;lia<br \/>\n    se distribui do pinheiro &agrave; violeta, nutrindo-se ora das mat&eacute;rias<br \/>\n    decompostas, ora dos organismos vivos. O tortulho, &agrave;s vezes microsc&oacute;pico,<br \/>\n    tem venenos sol&uacute;veis, para levar a morte ao est&ocirc;mago do homem,<br \/>\n    filtros, para deformar as folhas das plantas, apetites, para se apascentarem<br \/>\n    nos cad&aacute;veres dos insetos, dissolventes, para arruinarem os troncos<br \/>\n    do arvoredo. M&iacute;nimo, dilata-se por propaga&ccedil;&atilde;o; superficial,<br \/>\n    destr&oacute;i pelo contac&shy;to; an&ecirc;mico, demuda e amofina pela conviv&ecirc;ncia<br \/>\n    os corpos mais robustos.<\/p>\n<p>A rep&uacute;blica, vegeta&ccedil;&atilde;o nova, mal arborescente ainda,<br \/>\n    foi invadida, antes da frutesc&ecirc;ncia e da inflora&ccedil;&atilde;o, pela<br \/>\n    praga desse devastador, pior que o o&iacute;dio das vinhas, sob a forma do<br \/>\n    jacobinismo. Do terri&ccedil;o, pr&oacute;prio ao solo das revolu&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    onde esfervilham as ignor&acirc;ncias, as presun&ccedil;&otilde;es e os despeitos,<br \/>\n    o mal estendeu-se &agrave;s ramas, onde as n&oacute;doas caracter&iacute;sticas<br \/>\n    v&atilde;o-se destacando bem vis&iacute;veis. Acudir-lhe em tempo &eacute;<br \/>\n    melhor do que deix&aacute;-las lavrar crescentemente a superf&iacute;cie ainda<br \/>\n    ilesa.<\/p>\n<p>O elemento jacobino, quem n&atilde;o o ouviu, em 10 de abril, embocar o clarim<br \/>\n    do triunfo, em torno do governo, e fanfarrear nas festas da proscri&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    quando era honra o insulto aos perseguidos, nobreza a espionagem, fun&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    c&iacute;vica o beleguinato? Quem n&atilde;o o ouviu advogar a sistematiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    legislativa da lei marcial? Quem n&atilde;o se lembra do frenesim, com que<br \/>\n    ele aplaudiu as delega&ccedil;&otilde;es de arb&iacute;trio ao chefe do estado?<br \/>\n    Quem n&atilde;o o admirou fazendo cauda &agrave; pol&iacute;cia nessa orgia<br \/>\n    de invas&otilde;es da pol&iacute;cia no direito particular, na compet&ecirc;ncia<br \/>\n    do C&oacute;digo Comercial, na al&ccedil;ada da magistratura? Qual &eacute;<br \/>\n    o salto do poder por sobre a lei, que ele n&atilde;o recebeu esfregando as<br \/>\n    m&atilde;os? Qual foi a not&iacute;cia de viol&ecirc;ncias que ele n&atilde;o<br \/>\n    acolheu com a exor&shy;ta&ccedil;&atilde;o a viol&ecirc;ncias maiores? Quem<br \/>\n    sen&atilde;o ele se enfuriou com a nossa resist&ecirc;ncia ao c&eacute;lebre<br \/>\n    alistamento republicano? Quem concebeu a id&eacute;ia nefasta da reelei&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do marechal Floriano Peixoto? Quem acoro&ccedil;oa constantemente a desordem,<br \/>\n    toda a vez que a desordem bajula a ditadura? Quem reedita aqui a flux a p&oacute;lvora<br \/>\n    dos &oacute;dios de importa&ccedil;&atilde;o contra a propriedade, a riqueza,<br \/>\n    o capital, que fizeram a civiliza&ccedil;&atilde;o americana? Agora mesmo<br \/>\n    o t&iacute;tulo de jacobino n&atilde;o acaba de ser levantado como bras&atilde;o<br \/>\n    na frontaria de um clube pol&iacute;tico? E a mocidade, as classes populares<br \/>\n    v&atilde;o bebendo avidamente o licor da loucura nessa propaganda, a que a<br \/>\n    tumidez da paix&atilde;o supre a aus&ecirc;ncia do talento, do gosto e do<br \/>\n    siso.<\/p>\n<p>Porque a espuma desses acessos ainda n&atilde;o &eacute; ensang&uuml;entada,<br \/>\n    n&atilde;o se segue que devamos conservar-nos quedos e desacau&shy;telados.<br \/>\n    Os crimes da epilepsia s&atilde;o inesperados e subit&acirc;neos. O bom m&eacute;dico<br \/>\n    diagnostica pelos pr&oacute;dromos, e previne-se contra as eventualidades<br \/>\n    fatais. O jacobinismo &eacute; um produto moral de certos sentimentos e de<br \/>\n    certas teorias. Dadas as teorias m&atilde;es, aventados os sentimentos suspeitos,<br \/>\n    &eacute; precavermo-nos em tempo contra as possibilidades da manifesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    aguda.<\/p>\n<p>Ora, as atitudes e os princ&iacute;pios deste arremedo ind&iacute;gena da<br \/>\n    demagogia francesa reproduzem fielmente os caracteres do original. &#8220;Convencer<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; o que o jacobino procura: basta-lhe dominar. N&atilde;o<br \/>\n    discute: condena; e, se persistem, excomunga. Divergir dele ao pensar n&atilde;o<br \/>\n    &eacute; incorrer em erros de apre&shy;cia&ccedil;&atilde;o, nos quais n&atilde;o<br \/>\n    se envolva a integridade pessoal: &eacute; pra&shy;vi&shy;dade, digna de castigo,<br \/>\n    rematada trai&ccedil;&atilde;o. Se um argumento o embara&ccedil;a, n&atilde;o<br \/>\n    h&aacute; que hesitar: trunca-o, omite-o, ou finge n&atilde;o entend&ecirc;-lo.<br \/>\n    Se o desesperam, elimina o advers&aacute;rio &agrave; for&ccedil;a de leis<br \/>\n    de exce&ccedil;&atilde;o, quando o pode, ou por processos de exce&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    se lhe falece outro meio. Tem um direito para si mesmo, outro para os demais,<br \/>\n    uma linguagem para o rev&eacute;s, outra para a vit&oacute;ria. Tratando-se<br \/>\n    de si, toda a liberdade &eacute; pouca; para os outros qualquer &eacute; demasiada.<br \/>\n    Mais fraco, brada contra a persegui&ccedil;&atilde;o; mais forte, oprime.<br \/>\n    Declama contra o despotismo, que o magoa; serve ao que lhe aproveita. Seu<br \/>\n    temperamento intelectual inibe-o de encontrar a verdade; porque, mais ainda<br \/>\n    que o comum da gente, ele interp&otilde;e sempre um &oacute;dio, ou um capricho,<br \/>\n    entre si e o homem, que tem de julgar. Em saindo de suas maquina&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    subterr&acirc;&shy;neas para a luz do sol, j&aacute; n&atilde;o enxerga, como<br \/>\n    as aves da noite: m&iacute;ngua-lhe em vista o que lhe sobra em perversidade.<br \/>\n    Em sua estimativa, o fim justifica os meios; as coisas, para ele, s&atilde;o<br \/>\n    conforme prestam, n&atilde;o conforme s&atilde;o; do que lhe rende, nada &eacute;<br \/>\n    crime; nada &eacute; virtude, se lhe prejudica. Assim com as pessoas: dos<br \/>\n    puros tudo &eacute; santo; dos impuros, tudo conden&aacute;vel. Um dia Robespierre<br \/>\n    fazia a Meillan o elogio de certo Desfieux, sujeito de not&oacute;ria improbidade.<br \/>\n    &#8212; Mas o vosso Desfieux &eacute; conhecido como um velhaco. &#8212; N&atilde;o<br \/>\n    importa; &eacute; um bom patriota. &#8212; Ora! um falido fraudulento! &#8212;<br \/>\n    &Eacute; um bom patriota!&#8221; E n&atilde;o lhe p&ocirc;de arrancar outras<br \/>\n    palavras.<\/p>\n<p>Se os amigos nunca t&ecirc;m v&iacute;cio, os inimigos nunca t&ecirc;m merecimento.<br \/>\n    Tudo &eacute; l&iacute;cito contra eles: at&eacute; imputar-lhes os atentados,<br \/>\n    que os pr&oacute;prios acusadores cometeram: os algozes de Vergniaud n&atilde;o<br \/>\n    assacavam aos girondinos os mortic&iacute;nios de setembro?<\/p>\n<p>Dizem os que estudaram essa chaga da revolu&ccedil;&atilde;o francesa que,<br \/>\n    &#8220;em falta de caridade e justi&ccedil;a, a inveja &eacute; a divindade<br \/>\n    do jacobino. Qualquer superioridade lhe &eacute; suspeita, qualquer ascendente<br \/>\n    individual acirra-lhe a desconfian&ccedil;a e ao depois o &oacute;dio. Quem<br \/>\n    quer que se eleve &eacute; um ditador, que urge banir da lei: ditador, Mirabeau;<br \/>\n    ditador, Lafayette; ditador, Vergniaud. A universal mediocridade, sob um n&iacute;vel<br \/>\n    de domina&ccedil;&atilde;o sect&aacute;ria, ou rapace, este, na concep&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do jacobino, o ideal da democracia.&#8221;<\/p>\n<p>Quereis ver como essa escola hist&oacute;rica entende a verdade e a consci&ecirc;ncia?<br \/>\n    Os girondinos, na confer&ecirc;ncia do Caen, recusam a proposta realista de<br \/>\n    angariar recursos na Inglaterra, declarando n&atilde;o poderem adotar um plano<br \/>\n    contr&aacute;rio ao sistema republicano. Pois bem: o jacobinismo os executa,<br \/>\n    por haverem maquinado contra a unidade e a indivisibilidade da rep&uacute;blica!<br \/>\n    O mo&ccedil;o Montmorin &eacute; arrastado ao tribunal revolucion&aacute;rio,<br \/>\n    e condenado, porque lhe descobriram em casa, a dezenas de l&eacute;guas de<br \/>\n    Paris, no retiro da sua obscuridade, uma bengala de estoque, ind&iacute;cio<br \/>\n    transparente de reivindica&ccedil;&otilde;es restauradoras. Um opulento agente<br \/>\n    de c&acirc;mbio em cujas &aacute;guas-furtadas se encontraram velhas c&ocirc;deas<br \/>\n    de p&atilde;o, sofre a morte, por ter conspirado a fome contra o povo. Duas<br \/>\n    mulheres, uma de oitenta anos, outra paral&iacute;tica, sobem ao cadafalso<br \/>\n    acusadas de evas&atilde;o com escalada para assassinar os convencionais.<\/p>\n<p>Poder&atilde;o arg&uuml;ir-nos de for&ccedil;ar a compara&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Ser&aacute; justo o reparo? Sim, se estabelecerem que a gravidade de um crime<br \/>\n    se determina pela import&acirc;ncia de seus efeitos materiais. N&atilde;o,<br \/>\n    se confessarem que as a&ccedil;&otilde;es humanas se aquilatam pela natureza<br \/>\n    de seus elementos morais. Quem n&atilde;o sente a rasoira jacobina nessa hostilidade,<br \/>\n    ora surda, ora violenta, que solapa e farpeia os melhores nomes da nossa revolu&ccedil;&atilde;o?<br \/>\n    Quem n&atilde;o percebe a moral dos libelos de Fouquier-Tinville na encena&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    oficial da mazorca de abril? Quem n&atilde;o reconhece a eq&uuml;idade dos<br \/>\n    processos revolucion&aacute;rios de suspei&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica<br \/>\n    nessas provas da conjura&ccedil;&atilde;o dos desterrados de 1892, nas quais<br \/>\n    o olhar de um magistrado apenas poderia achar o corpo de delito da imoralidade<br \/>\n    dos delatores?<\/p>\n<p>Vede a capacidade aned&oacute;tica das celebridades do tempo, das Eg&eacute;rias<br \/>\n    da atualidade, e dizei-nos se n&atilde;o d&atilde;o a lembrar a frase de Siey&egrave;s:<br \/>\n    &#8220;Os que n&atilde;o deviam ter a incumb&ecirc;ncia de nada, encarregam-se<br \/>\n    obstinadamente de tudo.&#8221; Os padres da seita, que apaixona os nossos<br \/>\n    puritanos, mandaram derribar campan&aacute;rios, porque violavam a igualdade.<br \/>\n    A comuna de Paris cogitou em queimar a biblioteca da cidade, por ter tido<br \/>\n    o cognome de r&eacute;gia. Lavoisier pede alguns dias de vida, para concluir<br \/>\n    uma experimenta&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica. &#8220;A rep&uacute;blica&#8221;,<br \/>\n    responde Dumas, &#8220;n&atilde;o precisa de qu&iacute;micos.&#8221; O filho<br \/>\n    de Buffon cuida salvar-se, declinando o nome do pai. Entregam-no ainda mais<br \/>\n    depressa ao verdugo. Um tribuno m&iacute;stico exclama, arengando ao povo:<br \/>\n    &#8220;O cor Jesu! O cor Marat! Cora&ccedil;&atilde;o Sagrado de Jesus! Sagrado<br \/>\n    cora&ccedil;&atilde;o de Marat! tendes o mesmo direito &agrave;s nossas homenagens.&#8221;<br \/>\n    Ao que atalha um ouvinte: &#8220;Ora falar em Jesus&#8230; Tolices!&#8221;<\/p>\n<p>Eis os jacobinos, dos quais Gensonn&eacute; dizia: &#8220;Se salvarem a coisa<br \/>\n    p&uacute;blica, &eacute; por instinto animal, como os gansos do Capit&oacute;lio.&#8221;<br \/>\n    Danton, na sua pris&atilde;o, os definiu, dizendo: &#8220;N&atilde;o h&aacute;<br \/>\n    um s&oacute; deles, que entenda de governo.&#8221; E quem os conhecia melhor<br \/>\n    do que Danton? &#8220;Ditadores rid&iacute;culos &eacute; o que v&oacute;s<br \/>\n    sois&#8221;, escarrava Carnot nas faces de Saint-Just. Eis o retrato da confraria<br \/>\n    atroz, que imp&ocirc;s &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o a ditadura da ignor&acirc;ncia,<br \/>\n    da malvadez e da improbidade, que matou a rep&uacute;blica, preparando a prostitui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do diret&oacute;rio e o absolutismo do imp&eacute;rio, e que ainda hoje assombra<br \/>\n    o mundo por seus crimes, por sua corrup&ccedil;&atilde;o e por sua imbecilidade.<\/p>\n<p>Vale a pena de desenterrar exemplos tais, e transfundi-los, um s&eacute;culo<br \/>\n    depois, no sangue dos vivos? fazer dessa heran&ccedil;a precita o patrim&ocirc;nio<br \/>\n    comum das rep&uacute;blicas? instil&aacute;-la, na escola p&uacute;blica da<br \/>\n    imprensa, &agrave; alma do povo, sedenta de novidade e de a&ccedil;&atilde;o?<br \/>\n    fabricar desses ingredientes uma opini&atilde;o, entregar a essa opini&atilde;o<br \/>\n    o governo, confiar a esse governo a liberdade?<\/p>\n<p>Estroinices, rapaziadas, destemperos inocentes, dizem, encolhendo os ombros,<br \/>\n    certos personagens, cuja fleuma seria digna de estudo. Riem-se do jacobino<br \/>\n    que n&atilde;o trouxer o cadafalso &agrave;s costas, como o m&uacute;sico<br \/>\n    ambulante o realejo. N&atilde;o querem ver que dessas pataratices violentas<br \/>\n    se comp&otilde;e o coro das viol&ecirc;ncias oficiais, a jurisprud&ecirc;ncia<br \/>\n    das suas justifica&ccedil;&otilde;es, e que essa orquestra insensata oferece<br \/>\n    o perigo terr&iacute;vel de alentar, num governo entregue &agrave;s alucina&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    da fraqueza, uma tens&atilde;o de luta, de provoca&ccedil;&atilde;o, de intransig&ecirc;ncia<br \/>\n    pertinaz, de aventurosas temeridades. &Eacute; pouca essa gente? Mas notai<br \/>\n    o caso cong&ecirc;nere no ber&ccedil;o da demagogia contempor&acirc;nea. &#8220;Alguns<br \/>\n    espertos apoderam-se da Fran&ccedil;a, martirizam-na em nome da liberdade,<br \/>\n    imp&otilde;em-lhe a tirania da insci&ecirc;ncia, da ociosidade, da devassid&atilde;o<br \/>\n    e do crime. N&atilde;o eram muitos: em Paris uns cinq&uuml;enta, sustentados<br \/>\n    por uns cinco ou seis mil apaniguados. Nenhum homem superior, entre os chefes;<br \/>\n    entre os adeptos, alguns indiv&iacute;duos do povo. Mas adeptos e chefes,<br \/>\n    quase todos presun&ccedil;osos e ignaros, famintos de import&acirc;ncia, ou<br \/>\n    de estr&eacute;pito, sem probidade, nem escr&uacute;pulos, sempre agitados<br \/>\n    e agitantes.&#8221; E a Fran&ccedil;a, a grande Fran&ccedil;a, p&ocirc;de<br \/>\n    cair nas garras dessa minoria odiosa e repulsiva. Que diremos do Brasil, onde<br \/>\n    os reivindicadores dessa sucess&atilde;o hist&oacute;rica t&ecirc;m conquistado,<br \/>\n    por benepl&aacute;cito do governo, o privil&eacute;gio de ousar tudo?<\/p>\n<p>N&atilde;o, n&atilde;o conv&eacute;m deixar que a enxurrada engrosse. &Eacute;<br \/>\n    necess&aacute;rio chamar a postos os interesses conservadores, e considerar<br \/>\n    no abismo, que separa a demagogos de democratas, e jacobinos de republicanos.<\/p>\n<p>O esp&iacute;rito jacobino &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o do verdadeiro<br \/>\n    esp&iacute;rito republicano.<\/p>\n<p align=\"right\"><b>Jornal do Brasil, 24 de maio de 1893.<\/b><\/p>\n<h4><a name=\"4\">A LEGA&Ccedil;&Atilde;O DO VATICANO<\/a><\/h4>\n<p>A destitui&ccedil;&atilde;o do Conde de Santo Agostinho, recebida com intransigente<br \/>\n    desagrado pelos cat&oacute;licos fluminenses em sua generalidade e encarada,<br \/>\n    nos c&iacute;rculos pol&iacute;ticos, como um mau sintoma para as rela&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    entre a Igreja e a Rep&uacute;blica, inspirou a um representante da na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    pelo Estado do Rio de Janeiro um projeto, apresentado &agrave; C&acirc;mara<br \/>\n    dos Deputados, suprimindo a nossa lega&ccedil;&atilde;o perante o Vaticano.*<\/p>\n<p>Conquanto admitamos essa medida como possibilidade eventual, n&atilde;o na<br \/>\n    aprovar&iacute;amos sen&atilde;o em hip&oacute;tese extrema, cuja imin&ecirc;ncia<br \/>\n    n&atilde;o nos parece prov&aacute;vel. Abolir a miss&atilde;o brasileira junto<br \/>\n    ao Sumo Pont&iacute;fice, em retors&atilde;o imediata &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do bispo Esberard, afigura-se-nos uma leviandade, condenada pelos interesses<br \/>\n    da ordem republicana e da pr&oacute;pria liberdade religiosa, pela qual estremece,<br \/>\n    como n&oacute;s, o cora&ccedil;&atilde;o patri&oacute;tico do autor do projeto.<\/p>\n<p>Nunca nos impressionou o argumento dos l&oacute;gicos contra a consentaneidade<br \/>\n    entre essa homenagem ao catolicismo, ou antes &agrave; import&acirc;ncia dos<br \/>\n    interesses sociais ligados a ele, num pa&iacute;s onde esse culto &eacute;<br \/>\n    de fato a religi&atilde;o nacional, e o princ&iacute;pio da absoluta liberdade<br \/>\n    religiosa, que conquistamos em 7 de janeiro de 1890, e consolidamos em 24<br \/>\n    de fevereiro de 1891. A l&oacute;gica n&atilde;o pode ter no governo dos homens<br \/>\n    a soberania, que os esp&iacute;ritos radicais lhe atribuem. Os estadistas<br \/>\n    mais &uacute;teis aos Estados n&atilde;o t&ecirc;m sido os melhores exemplares<br \/>\n    de dial&eacute;tica aplicada. Quem n&atilde;o tiver a coragem, algu&shy;mas<br \/>\n    vezes, de sacrificar &agrave; contradi&ccedil;&atilde;o, divindade im&shy;pe&shy;&shy;riosa,<br \/>\n    que, desde o princ&iacute;pio dos tempos, reina, pelo t&iacute;tulo indiscut&iacute;vel<br \/>\n    da necessidade, sobre uma vasta parte dos interesses humanos, h&aacute; de<br \/>\n    for&ccedil;osamente sacrificar ao capricho dos sistemas, &iacute;dolo v&atilde;o,<br \/>\n    cujos benef&iacute;cios a humanidade n&atilde;o conhece. Costuma-se dizer<br \/>\n    que os princ&iacute;pios s&atilde;o tudo. N&atilde;o ser&iacute;amos n&oacute;s<br \/>\n    quem contestasse esta verdade, sensatamente en&shy;ten&shy;dida. Cultor mais<br \/>\n    devoto deles do que n&oacute;s, n&atilde;o queremos que o haja. Mas o primeiro<br \/>\n    de todos os princ&iacute;pios &eacute; o da relatividade pr&aacute;tica na<br \/>\n    aplica&ccedil;&atilde;o deles &agrave; variabilidade infinita das circunst&acirc;ncias<br \/>\n    dominantes. Estas n&atilde;o raro nos imp&otilde;em transigir, a benef&iacute;cio<br \/>\n    das grandes leis, das grandes verdades, das grandes garantias liberais, cuja<br \/>\n    ess&ecirc;ncia &eacute; sagrada, com a exterioridade de certas formas, cujo<br \/>\n    antagonismo superficial pode traduzir uma coopera&ccedil;&atilde;o valiosa<br \/>\n    para resultados superiores.<\/p>\n<p>Escola entre todas vener&aacute;vel da arte dessas transa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    oferecem-nos os Estados Unidos. Ali teve seu ber&ccedil;o o dogma contempor&acirc;neo<br \/>\n    da independ&ecirc;ncia dos cultos; ali encontra ele o seu padr&atilde;o pr&aacute;tico<br \/>\n    mais completo, mais eloq&uuml;ente, mais prestigioso. Nossa Constitui&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    a esse respeito, &eacute; apenas, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; deles,<br \/>\n    uma c&oacute;pia menos correta do que o original. Nem por isso, entretanto,<br \/>\n    o cris&shy;tianismo deixa de estender ali o seu manto sobre as institui&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    secularizadas, envolvendo na solenidade de sua consagra&ccedil;&atilde;o os<br \/>\n    atos mais s&eacute;rios da pol&iacute;tica, da administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e da justi&ccedil;a americana.<\/p>\n<p>Washington, na sua fala inaugural, proferida em 30 de abril de 1789, n&atilde;o<br \/>\n    julgou desacatar os princ&iacute;pios constitu&shy;cionais, de que foi o primeiro<br \/>\n    e o mais severo executor, abrigando a sua investidura no poder sob uma espl&ecirc;ndida<br \/>\n    invoca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;: &#8220;Seria singularmente impr&oacute;prio&#8221;,<br \/>\n    dizia o au&shy;gus&shy;to patriarca, &#8220;omitir, no primeiro dos nossos<br \/>\n    atos oficiais, as nossas mais fervorosas s&uacute;plicas a essa Onipot&ecirc;ncia,<br \/>\n    que rege o universo, que preside aos conselhos das na&ccedil;&otilde;es, e<br \/>\n    cujo aux&iacute;lio providencial pode remediar todos os defeitos humanos,<br \/>\n    exorando-a a sagrar, com as suas b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os, &agrave; liberdade<br \/>\n    e felicidade do povo um governo por ele mesmo institu&iacute;do para esses<br \/>\n    fins essenciais, predispondo os instrumentos empregados em sua administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    a desempenharem com acerto as fun&ccedil;&otilde;es de sua tarefa. Rendendo<br \/>\n    este preito ao grande Autor de todo o bem, p&uacute;blico, ou privado, exprimo<br \/>\n    n&atilde;o menos os vossos sentimentos do que os meus, n&atilde;o menos os<br \/>\n    da na&ccedil;&atilde;o em geral do que os nossos.&#8221; Oito anos depois<br \/>\n    (setembro de 1796) a sua mensagem de adeus ao povo americano ardia no mesmo<br \/>\n    esp&iacute;rito de adora&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, como o cib&oacute;rio<br \/>\n    de um templo.<\/p>\n<p>Essa tradi&ccedil;&atilde;o perpetuou-se. Todos os presidentes dos Estados<br \/>\n    Unidos, em seus discursos inaugurais, em suas mensagens &acirc;nuas, em v&aacute;rios<br \/>\n    outros documentos oficiais, falando &agrave; opini&atilde;o, abrindo as c&acirc;maras<br \/>\n    legislativas, ou fixando ao povo dias de jejum e a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as,<br \/>\n    reconhecem, mais ou menos positivamente, a depend&ecirc;ncia entre a vida<br \/>\n    nacional e essas supremas inspira&ccedil;&otilde;es religiosas, que unem,<br \/>\n    apaziguam e moralizam as na&ccedil;&otilde;es. Jefferson foi o &uacute;nico<br \/>\n    presidente, que teve escr&uacute;pulos constitucionais em decretar datas de<br \/>\n    ora&ccedil;&atilde;o e sacrif&iacute;cio p&uacute;blico. Mas deixou esse cuidado<br \/>\n    ao poder executivo nos Estados, e, divergindo de seus predecessores, n&atilde;o<br \/>\n    quis negar aos sucessores o direito de fazer o que, segundo ali se pensa,<br \/>\n    se n&atilde;o &eacute; expressamente autorizado, ainda menos proibido &eacute;<br \/>\n    na Constitui&ccedil;&atilde;o. Os discursos mais solenes de Lincoln durante<br \/>\n    a guerra civil s&atilde;o, &agrave;s vezes, ver&shy;da&shy;deiros salmos,<br \/>\n    de uma un&ccedil;&atilde;o que os livros sagrados n&atilde;o excedem. Chefe<br \/>\n    da na&ccedil;&atilde;o retalhada pela guerra fratricida, sua palavra soava<br \/>\n    como a pr&eacute;dica de um profeta, entre as duas partes beligerantes, &#8220;ambas<br \/>\n    as quais&#8221;, dizia ele, &#8220;l&ecirc;em a mesma B&iacute;blia, e oram<br \/>\n    ao mesmo Deus, invocando-o uma contra a outra&#8221;.<\/p>\n<p>Quem n&atilde;o sabe que o or&ccedil;amento americano subsidia capel&atilde;es<br \/>\n    para o Senado, para a C&acirc;mara, para o ex&eacute;rcito, para a armada,<br \/>\n    para as escolas navais e militares? Esses sacerdotes, equiparados aos outros<br \/>\n    funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, s&atilde;o nomea&shy;dos mediante recomenda&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    das autoridades eclesi&aacute;sticas. Os Estados observam a mesma regra, instituindo,<br \/>\n    dentre os ministros crist&atilde;os regularmente ordenados, cape&shy;l&atilde;es<br \/>\n    para os seus congressos, a sua mil&iacute;cia, as suas pris&otilde;es e penitenci&aacute;rias,<br \/>\n    os seus hosp&iacute;cios de alienados. Cada c&eacute;lula, nos c&aacute;rceres,<br \/>\n    tem a sua B&iacute;blia. O congresso federal, em 1882, subvencionou a vers&atilde;o<br \/>\n    nova da Escritura Sagrada. Dentre as escolas p&uacute;blicas, franqueadas<br \/>\n    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de todos os credos, quatro quintos, pelo<br \/>\n    menos, observam a leitura dos livros santos, o uso de hinos sacros, a recita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de preces abrindo e encerrando os exerc&iacute;cios cotidianos. Atos solenes<br \/>\n    do governo ordenam a maior pontualidade na observ&acirc;ncia do servi&ccedil;o<br \/>\n    dominical. A Constitui&ccedil;&atilde;o excetua o domingo do dec&ecirc;ndio<br \/>\n    outorgado ao presidente para o exerc&iacute;cio do veto. E, contudo, n&atilde;o<br \/>\n    h&aacute; pa&iacute;s, no mundo, onde a emancipa&ccedil;&atilde;o dos cultos<br \/>\n    seja t&atilde;o real como naquele, onde as fun&ccedil;&otilde;es do Estado<br \/>\n    revistam mais essencialmente o car&aacute;ter leigo, a imparcialidade entre<br \/>\n    todas as confiss&otilde;es religiosas.<\/p>\n<p>N&atilde;o se envergonhe, portanto, a nossa austeridade l&oacute;gica de<br \/>\n    conservar, do reg&iacute;men abolido pelo div&oacute;rcio entre a religi&atilde;o<br \/>\n    e o Estado, resqu&iacute;cios t&atilde;o inocentes como a lega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Vaticano. Nem porque ela deixou uma vez de impedir um mal obvi&aacute;vel,<br \/>\n    condenemo-la no mesmo ponto &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o. Amanh&atilde;<br \/>\n    outro incidente despertaria correntes opostas. E de arrependimentos em arrependimentos,<br \/>\n    de infantilidades em infan&shy;tilidades, nos expor&iacute;amos, cada vez<br \/>\n    mais, ao rid&iacute;culo do mundo. Com esta mania de revogar e desfazer, a<br \/>\n    melhor constitui&ccedil;&atilde;o do universo &eacute; um castelo de cartas<br \/>\n    entre os dedos de uma crian&ccedil;a. Mudando assim todo dia de prefer&ecirc;ncias<br \/>\n    nos assuntos mais s&eacute;rios, somos uma sociedade de areia e um governo<br \/>\n    de aluvi&atilde;o, onde as mar&eacute;s e as enxurradas transformam o solo<br \/>\n    a cada passo. N&atilde;o h&aacute; constru&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel,<br \/>\n    n&atilde;o h&aacute; tradi&ccedil;&atilde;o cri&aacute;vel. Reclamamos hoje<br \/>\n    o parlamentarismo, antes de experimentado o presidencialismo, porque ontem<br \/>\n    o substitu&iacute;ramos, com a mesma facilidade, com que amanh&atilde; regres&shy;&shy;sar&iacute;amos<br \/>\n    para a monarquia, antes de ensaiada a rep&uacute;blica, por que, h&aacute;<br \/>\n    pouco, a troc&aacute;vamos. E, assim como agora extirp&aacute;ssemos at&eacute;<br \/>\n    a &uacute;ltima rad&iacute;cula as nossas liga&ccedil;&otilde;es com a igreja,<br \/>\n    amanh&atilde;, de rold&atilde;o, a outro movimento irrefletido e impetuoso,<br \/>\n    ser&iacute;amos levados a abolir a liberdade espiritual, restabelecendo o<br \/>\n    monop&oacute;lio religioso. Isto n&atilde;o &eacute; educar um povo: &eacute;<br \/>\n    dissolv&ecirc;-lo.<\/p>\n<p>Se, a prop&oacute;sito do acinte aparente &agrave; opini&atilde;o republicana,<br \/>\n    principi&aacute;ssemos a trovejar contra a Santa S&eacute;, ter&iacute;amos<br \/>\n    tido logo depois motivos, para nos convencer de precipita&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    porque uma declara&ccedil;&atilde;o de pessoa semi-oficial publi&shy;cada<br \/>\n    nO Pa&iacute;s de ontem,* veio revelar que o governo n&atilde;o foi t&atilde;o<br \/>\n    estranho, como se supunha, &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o do bispo Esberard,<br \/>\n    sobre a qual o inter&shy;n&uacute;ncio se dirigira ao ex-ministro interino<br \/>\n    do Exterior. A ser exato, como &eacute; de crer, o asserto, est&aacute; justificada<br \/>\n    a Santa S&eacute; de n&atilde;o ter ouvido o nosso representante em Roma,<br \/>\n    e, ainda quando o ouvisse, entre ele e o secret&aacute;rio do Presidente da<br \/>\n    Rep&uacute;blica, diretamente consultado, n&atilde;o podia vacilar.<\/p>\n<p>*O Pa&iacute;s de 2 de junho publicou o seguinte t&oacute;pico:<\/p>\n<h4><a name=\"5\">O BISPO DIOCESANO<\/a><\/h4>\n<p>Estas linhas deveriam ter por t&iacute;tulo o tema Viver &agrave;s claras;<br \/>\n    mas n&oacute;s preferimos manter a ep&iacute;grafe usada desde come&ccedil;o,<br \/>\n    para o caso em que a pol&iacute;tica da intriga, disfar&ccedil;ada sob vestes<br \/>\n    talares, afastou da diocese fluminense o virtuoso Conde de Santo Agostinho,<br \/>\n    considerado um estorvo &agrave;s pretens&otilde;es atentat&oacute;rias da<br \/>\n    Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p>O Rev.mo Monsenhor Lustosa articulou anteontem numa das folhas da manh&atilde;<br \/>\n    a afirmativa de que o governo, com a devida anteced&ecirc;ncia, teve conhecimento<br \/>\n    de que a c&uacute;ria ia nomear monsenhor Esberard arcebispo do Rio de Janeiro,<br \/>\n    e nisso mostrara-se de acordo.<\/p>\n<p>Demos, por&eacute;m, o contr&aacute;rio: nem foi interrogado aqui o governo,<br \/>\n    nem o nosso ministro na capital do mundo cat&oacute;lico. Seria, por&eacute;m,<br \/>\n    judicioso responder a essa omiss&atilde;o com o rompimento alvitrado no Congresso?<\/p>\n<p>Adota-se uma delibera&ccedil;&atilde;o, pelas vantagens que nos proporciona.<br \/>\n    Toma-se uma desforra, pelo mal que faz ao inimigo, ou ao agressor.<\/p>\n<p>Ora, perguntamos, a c&uacute;ria romana seria precisamente prejudicada com<br \/>\n    a nossa retalia&ccedil;&atilde;o? Em rela&ccedil;&otilde;es de pot&ecirc;ncia<br \/>\n    a pot&ecirc;ncia esta quest&atilde;o poderia ser de ordem inferior. Nesse<br \/>\n    g&ecirc;nero de casos o melindre magoado de um governo n&atilde;o vai medir<br \/>\n    considera&ccedil;&otilde;es de utilidade. Os casus belli estabelecem-se n&atilde;o<br \/>\n    raro por simples motivos de honra. Uma quebra de cortesia diplom&aacute;tica,<br \/>\n    um desvio da pragm&aacute;tica internacional podem levantar a inimizade entre<br \/>\n    duas na&ccedil;&otilde;es, e arremess&aacute;-las uma contra a outra. Mas<br \/>\n    Roma &eacute; uma soberania moral. Seus conflitos n&atilde;o se resolvem pelas<br \/>\n    armas. Sua fraqueza &eacute; a sua for&ccedil;a. As viol&ecirc;ncias dos poderosos<br \/>\n    divinizam-na. Sua autoridade ap&oacute;ia-se, entre os povos civilizados,<br \/>\n    numa base tal de respeito, que desafi&aacute;-la &eacute; travar porfias desiguais,<br \/>\n    em que todas as probabilidades est&atilde;o de um lado, em que uma das partes<br \/>\n    nada arrisca, e a outra n&atilde;o aventura pouco, com um advers&aacute;rio<br \/>\n    favorecido pelo privil&eacute;gio sem igual de contar legi&otilde;es de almas<br \/>\n    a seu favor no pr&oacute;prio seio dos povos, contra quem luta.<\/p>\n<p>Imaginais que, separadas, como est&atilde;o oficialmente as duas sociedades,<br \/>\n    cessaram os motivos razo&aacute;veis, para termos uma representa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    perante o trono de S. Pedro. Mas quem n&atilde;o v&ecirc; que, justamente<br \/>\n    por isso, o menos arriscado a perder com a supress&atilde;o desse &uacute;ltimo<br \/>\n    la&ccedil;o &eacute; o governo espiritual do Supremo Pont&iacute;fice, a quem<br \/>\n    as institui&ccedil;&otilde;es atuais abriram, no Brasil, uma esfera aut&ocirc;noma<br \/>\n    na jerarquia, na administra&ccedil;&atilde;o, na propaganda? De que meios<br \/>\n    regulares disp&otilde;e, hoje, o Governo, entre n&oacute;s, para ferir a Igreja?<br \/>\n    N&atilde;o no vemos. Mas quem poderia calcular os recursos acess&iacute;veis<br \/>\n    &agrave; Igreja, para malfazer &agrave; Rep&uacute;blica, indispondo contra<br \/>\n    ela os crentes, sem transpor os limites da a&ccedil;&atilde;o espiritual?<br \/>\n    Numa na&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica, onde o catolicismo vive independente<br \/>\n    do Estado, o governo temporal n&atilde;o tem nada que dar &agrave; Igreja;<br \/>\n    mas pode receber dela alguma coisa, e receb&ecirc;-lo dignamente, com proveito<br \/>\n    para o pa&iacute;s e para as institui&ccedil;&otilde;es liberais. Estas, na<br \/>\n    sua fase de organiza&ccedil;&atilde;o inicial, batidas pelos ventos de todos<br \/>\n    os pontos do c&eacute;u, necessitam fundamentalmente da paz, que se obt&eacute;m<br \/>\n    pelo concurso dos elementos conservadores; e a benevol&ecirc;ncia do mundo<br \/>\n    religioso exprime o maior de todos os ascendentes sobre esta esp&eacute;cie<br \/>\n    de simpatias. Desprez&aacute;-las, hostiliz&aacute;-las, arred&aacute;-las<br \/>\n    &eacute; brincar com um perigo.<\/p>\n<p>A representa&ccedil;&atilde;o brasileira perante o Vaticano tem, portanto,<br \/>\n    agora mais do que nunca, um papel necess&aacute;rio, t&atilde;o discreto,<br \/>\n    qu&atilde;o grave, t&atilde;o prof&iacute;cuo, qu&atilde;o reservado. Se por<br \/>\n    al n&atilde;o valer, valer&aacute; imensamente como express&atilde;o do g&ecirc;nio<br \/>\n    benigno da Rep&uacute;blica, da sua miss&atilde;o nacional. Quando o novo<br \/>\n    reg&iacute;men j&aacute; n&atilde;o contar inimigos subterr&acirc;neos, e<br \/>\n    a sua sombra se estender pac&iacute;fica sobre o pa&iacute;s, as duas esferas<br \/>\n    prescindir&atilde;o, talvez, desse contacto, Roma e o Rio de Janeiro n&atilde;o<br \/>\n    necessitar&atilde;o desse mediador. Mas, at&eacute; l&aacute;, a Rep&uacute;blica<br \/>\n    precisa de ter uma voz junto ao chefe dessa sociedade espiritual, cujos limites,<br \/>\n    entre n&oacute;s, coincidem quase inteiramente com os da nossa consci&ecirc;ncia<br \/>\n    e os da nossa sociedade.<\/p>\n<p>O que cumpre, logo, n&atilde;o &eacute; extinguir a lega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Vaticano, mas confi&aacute;-la a um patriota sem o ran&ccedil;o do velho<br \/>\n    monar&shy;quismo. Se a rep&uacute;blica encontrar escolhos na metr&oacute;pole<br \/>\n    da cristandade, se os encontra, se os tem encontrado, nossa &eacute; a culpa.<br \/>\n    Por mais que nos queiramos abster de alus&otilde;es individuais, h&aacute;,<br \/>\n    nesta &eacute;poca, invers&otilde;es do dever p&uacute;blico, a que &eacute;<br \/>\n    preciso p&ocirc;r o ferro em brasa. N&atilde;o apreciamos: consignamos fatos,<br \/>\n    dos quais h&aacute;, entre n&oacute;s, as mais autorizadas testemunhas. O<br \/>\n    nosso ministro atual em Roma &eacute; esse mesmo diplomata, cuja presen&ccedil;a<br \/>\n    em S&atilde;o Petersburgo n&atilde;o permitiu que o governo da R&uacute;ssia<br \/>\n    nos reconhecesse, enquanto o do Brasil n&atilde;o se fez representar por outro<br \/>\n    brasileiro. Na corte pontif&iacute;cia o seu procedimento &eacute; an&aacute;logo:<br \/>\n    denunciando o princ&iacute;pio da liberdade religiosa em sua p&aacute;tria<br \/>\n    como um estado transit&oacute;rio, execrado pela na&ccedil;&atilde;o, condenado<br \/>\n    a desaparecer, logo que o povo tenha o governo de si mesmo, retratando as<br \/>\n    institui&ccedil;&otilde;es republicanas como um artefato ef&ecirc;mero de<br \/>\n    uma revolu&ccedil;&atilde;o malfazeja, entret&eacute;m no c&iacute;rculo papal<br \/>\n    a d&uacute;vida, a preven&ccedil;&atilde;o e o descr&eacute;dito contra n&oacute;s.<br \/>\n    Roma n&atilde;o conhece o Brasil novo sen&atilde;o por uma imagem falsa e<br \/>\n    odiosa, pintada pelo nosso procurador oficial.<\/p>\n<p>Com essas e outras almas do outro mundo a representarem a Rep&uacute;blica<br \/>\n    no estrangeiro, teremos sempre entre n&oacute;s e a Europa essa regi&atilde;o<br \/>\n    de al&eacute;m-t&uacute;mulo, onde os coveiros do imp&eacute;rio se ocupam<br \/>\n    em reerguer tronos com a terra dos mortos, e assombrar o mundo dos vivos com<br \/>\n    a mentira de seus fantasmas.<\/p>\n<p align=\"right\"><b>Jornal do Brasil, 3 de junho de 1893.<\/b><\/p>\n<h4><a name=\"6\">A ESPIONAGEM<\/a><\/h4>\n<p>O punhal de Calisto, o secreta, expediu duas mortes. Outras v&iacute;timas,<br \/>\n    malferidas, curam lentamente, no hospital, os estragos do ferro assassino.<br \/>\n    Quando as cutiladas cicatrizarem, &eacute; prov&aacute;vel que na consci&ecirc;ncia<br \/>\n    difluente desta sociedade digna de sua sorte, deste povo homog&ecirc;neo de<br \/>\n    seu governo, se haja desbotado a &uacute;ltima impress&atilde;o do esc&acirc;ndalo<br \/>\n    sangrento. O mecanismo da solidariedade oficial trabalhar&aacute; ent&atilde;o<br \/>\n    sutilmente, para atenuar a responsabilidade ao serventu&aacute;rio p&uacute;blico<br \/>\n    imolado por uma exagera&ccedil;&atilde;o inoportuna das qualidades profissionais.<br \/>\n    E o suor do contribuinte continuar&aacute; a subsidiar a institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    destinada a estrip&aacute;-lo, num dia de azar, a qualquer canto de rua.<\/p>\n<p>N&atilde;o conviria, entretanto, que o fato mergulhasse de todo no esquecimento,<br \/>\n    antes de lhe estudarmos ao menos os aspectos d&#8217;arte, que a sua fisionomia<br \/>\n    revela. A m&atilde;o daquele agente n&atilde;o &eacute; a de um loira&ccedil;a<br \/>\n    no of&iacute;cio. A per&iacute;cia magistral daqueles golpes, convergentes<br \/>\n    sempre &agrave; regi&atilde;o inferior do tronco humano, onde as entranhas<br \/>\n    se oferecem sem o obst&aacute;culo do osso &agrave; faca do cortador, est&aacute;<br \/>\n    denunciando a compet&ecirc;ncia do artista. O magarefe e o anatomista talham<br \/>\n    na carne morta, inerte. O vivissector imobiliza primeiro a v&iacute;tima na<br \/>\n    banca do laborat&oacute;rio, para n&atilde;o errar o alvo no meneio da lanceta.<br \/>\n    O cirurgi&atilde;o opera sobre o paciente insensibilizado como o auto&shy;psista<br \/>\n    no cad&aacute;ver. S&oacute; o capoeira tem no punho a vibra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    infal&iacute;vel da flecha contra o p&aacute;ssaro no v&ocirc;o; s&oacute;<br \/>\n    ele disseca o homem vivo e livre na plenitude do movimento e da defesa, com<br \/>\n    a certeira instantaneidade do escalpelo na mesa de anatomia.<\/p>\n<p>Quando, por&eacute;m, n&atilde;o bastassem, para confirma&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    deste ju&iacute;zo, os caracteres da profiss&atilde;o, impressos nas circunst&acirc;n&shy;cias<br \/>\n    do crime (crime, ou excesso de zelo?), a&iacute; estava, para acabar com a<br \/>\n    d&uacute;vida, a navalha, o instrumento t&iacute;pico dessa especialidade<br \/>\n    fluminense, encontrada nas m&atilde;os do matador.<\/p>\n<p>De tempos a esta data h&aacute; de ter notado o p&uacute;blico que a capoeiragem<br \/>\n    como que se despede de n&oacute;s. Esse fen&ocirc;meno coincide paralelamente<br \/>\n    com a multiplica&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o secreto. Dir-se-ia que<br \/>\n    influ&ecirc;ncias benfazejas da a&ccedil;&atilde;o policial contribu&iacute;ram<br \/>\n    decisivamente para esse resultado. De onde poderiam concluir os publicistas<br \/>\n    oficiais que esses executores das proe&shy;zas clandestinas da pol&iacute;cia<br \/>\n    t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o providencial, como a do sapo, nos brejos<br \/>\n    de hortali&ccedil;a, contra certos anim&aacute;l&shy;culos daninhos. Mas,<br \/>\n    se considerarmos que n&atilde;o h&aacute; not&iacute;cia, at&eacute; hoje,<br \/>\n    de um rasgo de hostilidade por parte do secreta contra o capoeira, ao passo<br \/>\n    que, por outro lado, o capoeira acaba de descobrir-se embiocado no secreta,<br \/>\n    n&atilde;o ser&aacute; precipitada a infer&ecirc;ncia de que entre o capoeira<br \/>\n    e o secreta houve apenas fus&atilde;o, ou transforma&ccedil;&atilde;o evolutiva.<br \/>\n    Um era a lagarta do outro. A ninfa deixou o casulo, transfigurada pela investidura<br \/>\n    de uma dignidade &uacute;til. O navalhista empregou-se numa profiss&atilde;o<br \/>\n    honesta, p&ocirc;s a sua destreza ao servi&ccedil;o da ordem, e fez sociedade<br \/>\n    com o C&oacute;digo Penal. &Eacute; a pol&iacute;tica da concilia&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e do ju&iacute;zo. Duas pot&ecirc;ncias andavam em rixa: o olho da Rua do<br \/>\n    Lavradio e o cambap&eacute; do Largo de Santa Rita. Est&atilde;o aliados na<br \/>\n    paz da rep&uacute;blica. As pra&ccedil;as esvaziaram-se; porque o merecimento<br \/>\n    desses cidad&atilde;os, ingratamente retribu&iacute;do e desconhecido noutros<br \/>\n    tempos, passa a ser aproveitado agora em seguir a pista aos malfeitores de<br \/>\n    nossa ordem. Ora gra&ccedil;as que j&aacute; um habitante desta capital pode<br \/>\n    ter a certeza de que, se deixar um dia os intestinos na cal&ccedil;ada, n&atilde;o<br \/>\n    ser&aacute; por obra de algum r&eacute;u de pol&iacute;cia.<\/p>\n<p>Este cons&oacute;rcio tem a seu favor tradi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas<br \/>\n    da mais alta linhagem. Quem n&atilde;o conhece as gl&oacute;rias de Vidocq,<br \/>\n    o c&eacute;lebre Vidocq? Vagabundo, histri&atilde;o, desertor, fals&aacute;rio,<br \/>\n    calceta, o famoso aventureiro acabou por oferecer os servi&ccedil;os &agrave;<br \/>\n    ordem p&uacute;blica, no primeiro imp&eacute;rio, demonstrando, em grave mem&oacute;ria<br \/>\n    dirigida ao Bar&atilde;o Pasquier, que, &#8220;para descobrir ladr&otilde;es,<br \/>\n    &eacute; preciso t&ecirc;-lo sido&#8221;. Acolhido pela administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    imperial, foi preposto como chefe &agrave; brigada de seguran&ccedil;a. Mais<br \/>\n    tarde, regressando &agrave; Fran&ccedil;a os Bourbons, foi ele quem quebrou<br \/>\n    a martelo as espigas que fixavam a est&aacute;tua de Napole&atilde;o na coluna<br \/>\n    Vend&ocirc;me, e lhe amarrou os tirantes, que deviam lan&ccedil;&aacute;-la<br \/>\n    por terra. Chefe de seguran&ccedil;a em 1817, em remunera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de tamanhos servi&ccedil;os, Vidocq comandava, em 1821, um corpo de agentes,<br \/>\n    todos antigos gal&eacute;s, ou antigos h&oacute;spedes das penitenci&aacute;rias,<br \/>\n    como ele. E, ainda em 1830, o governo de Lu&iacute;s Filipe n&atilde;o se<br \/>\n    desdenhou de utiliz&aacute;-lo. Verdade seja que, dessa vez, os truques do<br \/>\n    of&iacute;cio deram no ch&atilde;o, em momentos, com uma vida inteira de espionagem<br \/>\n    vitoriosa. Para demonstrar a imprescindibilidade de seu concurso ao prefeito<br \/>\n    da pol&iacute;cia, Gisquet, &#8212; o dedicado sustent&aacute;culo das tr&ecirc;s<br \/>\n    coroas que reinaram, neste s&eacute;culo, sobre aquele pa&iacute;s, fez tramar<br \/>\n    um roubo por v&aacute;rios apaniguados seus, todos antigos habitantes das<br \/>\n    pris&otilde;es. Os salteadores foram presos, e o maquinador do crime agraciado<br \/>\n    com o lugar de alta confian&ccedil;a, que cobi&ccedil;ava, &agrave; frente<br \/>\n    da pol&iacute;cia reservada. Mas um dos seus instrumentos viu-se colhido na<br \/>\n    rede, preso, condenado a dois anos de cadeia. O caso fez estrondo. A imprensa,<br \/>\n    de mais a mais, maligna sempre, descobrira, e explorava umas parecen&ccedil;as<br \/>\n    de mau efeito entre a cabe&ccedil;a do armador do crime e a do monarca. Vidocq<br \/>\n    foi demitido, e um decreto, de 15 de novembro de 1833, dissolveu-lhe a brigada,<br \/>\n    estabelecendo que ningu&eacute;m mais poderia ser admitido ao servi&ccedil;o<br \/>\n    policial sem boa folha corrida.<\/p>\n<p>J&aacute; se v&ecirc; que, rememorando este epis&oacute;dio, n&atilde;o podemos<br \/>\n    aconselhar &agrave; rep&uacute;blica a imita&ccedil;&atilde;o do precedente<br \/>\n    Orl&eacute;ans, quanto &agrave; &uacute;ltima parte: a resolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    imprudente, em que a autoridade abriu m&atilde;o de um meio, t&atilde;o necess&aacute;rio<br \/>\n    aos povos morigerados e aos governos honestos, de fazer dos inocentes criminosos,<br \/>\n    quando o bem p&uacute;blico o exija. Uma pol&iacute;cia, que n&atilde;o disponha<br \/>\n    de recursos eficazes, para desembara&ccedil;ar limpamente o governo de seus<br \/>\n    inimigos, &eacute; tolice. A rep&uacute;blica, entre n&oacute;s, felizmente,<br \/>\n    sabe repelir com horror os exemplos da realeza, quando eles podem ensinar-nos<br \/>\n    os preconceitos vulgares da legalidade e da dec&ecirc;ncia, e adot&aacute;-los<br \/>\n    com sofreguid&atilde;o, quando apadrinham abusos corajosos, ou esc&acirc;ndalos<br \/>\n    brilhantes. O modelo, portanto, cuja recomenda&ccedil;&atilde;o naturalmente<br \/>\n    se colige das nossas escava&ccedil;&otilde;es policiais, &eacute; o do sistema<br \/>\n    Vidocq, nobilitado pelo consenso do primeiro imp&eacute;rio, da Restaura&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e da monarquia de julho. N&atilde;o queremos ir at&eacute; &agrave; N&aacute;poles<br \/>\n    do rei Bomba. N&atilde;o. Seria presun&ccedil;&atilde;o quase irreverente<br \/>\n    ao culto dos antepassados, de que podemos aproximar-nos, sem ter a imod&eacute;stia<br \/>\n    de pensar em rivaliz&aacute;-los.<\/p>\n<p>Os secretas, j&aacute; se v&ecirc;, s&atilde;o de boa estirpe. A Constitui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    n&atilde;o lhes permite foro de nobreza. Mas uma &aacute;rvore de costado<br \/>\n    regada pelas virtudes oficiais de tantas gera&ccedil;&otilde;es de grilhetas<br \/>\n    pode bem zombar das formas de governo, estendendo sobre todas a sombra indiferente<br \/>\n    da sua prote&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><b>Jornal do Brasil, 11 de junho de 1893.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: Jornal do Brasil Rep\u00fablica Por Todos os Meios Jacobinos e Republicanos A Lega\u00e7\u00e3o do Vaticano O Bispo Diocesano A Espionagem Rui Barbosa JORNAL DO BRASIL TRA&Ccedil;OS DE UM ROTEIRO N&atilde;o sabemos se, neste confuso turbilh&atilde;o da imprensa, se poderia estrear um jornal de vontade e aspira&ccedil;&otilde;es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-117325","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa Obras Seletas - Volume VII<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa, Jornal do Brasil, Jacobinos e Republicanos, A Espionagem, Literatura, Obras Seletas - Volume VII\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa Obras Seletas - Volume VII\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa, Jornal do Brasil, Jacobinos e Republicanos, A Espionagem, Literatura, Obras Seletas - Volume VII\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-04-03T15:20:56+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"64 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"Obras Seletas &#8211; Volume VII\",\"datePublished\":\"2017-04-03T15:20:56+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii\"},\"wordCount\":12842,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii\",\"name\":\"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa Obras Seletas - Volume VII\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-04-03T15:20:56+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"description\":\"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa, Jornal do Brasil, Jacobinos e Republicanos, A Espionagem, Literatura, Obras Seletas - Volume VII\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/obras-seletas-volume-vii#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"Obras Seletas &#8211; Volume VII\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\",\"name\":\"Fabiane Breda\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa Obras Seletas - Volume VII","description":"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa, Jornal do Brasil, Jacobinos e Republicanos, A Espionagem, Literatura, Obras Seletas - Volume VII","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa Obras Seletas - Volume VII","og_description":"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa, Jornal do Brasil, Jacobinos e Republicanos, A Espionagem, Literatura, Obras Seletas - Volume VII","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-04-03T15:20:56+00:00","author":"Fabiane Breda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Fabiane Breda","Est. tempo de leitura":"64 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii"},"author":{"name":"Fabiane Breda","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"headline":"Obras Seletas &#8211; Volume VII","datePublished":"2017-04-03T15:20:56+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii"},"wordCount":12842,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii","name":"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa Obras Seletas - Volume VII","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-04-03T15:20:56+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"description":"Obras Seletas - Volume VII, Rui Barbosa, Jornal do Brasil, Jacobinos e Republicanos, A Espionagem, Literatura, Obras Seletas - Volume VII","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/obras-seletas-volume-vii#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"Obras Seletas &#8211; Volume VII"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa","name":"Fabiane Breda"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/117325\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=117325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}