{"id":116848,"date":"2017-03-31T09:44:58","date_gmt":"2017-03-31T11:44:58","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=116848"},"modified":"2017-03-31T09:44:58","modified_gmt":"2017-03-31T11:44:58","slug":"um-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/um-parto","title":{"rendered":"Um Parto"},"content":{"rendered":"<p><center><\/p>\n<table width=\"587\"  cellpadding=\"7\" cellspacing=\"0\">\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\"><font color=\"#666666\" size=\"2\" face=\"Arial, Helvetica, sans-serif\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#1\" class=\"links\">Ato Primeiro<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#2\" class=\"links\">Ato Segundo<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#3\" class=\"links\">Ato Terceiro<\/a><\/p>\n<p>\t\t  <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h2>Qorpo Santo<\/h2>\n<p><strong>Personagens<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Cario<\/p>\n<p> Florberta<\/p>\n<p> Melqu&iacute;ades<\/p>\n<p> Guindaste<\/p>\n<p> Galante<\/p>\n<p> Ruibarbo<\/p>\n<p> Uma mulher<\/p>\n<p> Uma criada<\/p>\n<p> Uma voz<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4><a name=\"1\" id=\"1\">ATO PRIMEIRO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p>C&Aacute;RIO &#8211; (assentado a uma mesa, provando algumas leves comidinhas)<br \/>\n    O s&aacute;bio o beija, o n&eacute;scio arqueja! Por que ser&aacute; que isto<br \/>\n    se d&aacute;!? Eu sei: Aquele viveu em Deus, com Deus, por Deus e para Deus;<br \/>\n    este, no diabo, com o diabo, pelo diabo e para o diabo! Eu me explico. Um<br \/>\n    &eacute; observador e cumpridor da Lei que por aquele lhe foi dada, e por<br \/>\n    Nosso Senhor Jesus Cristo &#8211; acrescentada. O outro, &eacute; cruel perseguidor<br \/>\n    de seus sect&aacute;rios&#8230; ou daqueles que fi&eacute;is a observam, respeitam,<br \/>\n    veneram. Eis porque, repito &#8211; quando Deus fala, o s&aacute;bio se ri e se<br \/>\n    cala; o n&eacute;scio teme e se abala. Ou, aquele se enche de prazer; este<br \/>\n    de medo v&ecirc;-se tremer! Passando por&eacute;m da religi&atilde;o a estas<br \/>\n    cousas que agora como, n&atilde;o sei o que me parecem estas comidinhas. D&atilde;o-se<br \/>\n    fatos a seu respeito; uns que me encantam, outros que me admiram; alguns que<br \/>\n    me enojam, muitos que aborrecem, diversos ou v&aacute;rios que me repugnam,<br \/>\n    milhares que me indignam; in&uacute;meros para os quais n&atilde;o h&aacute;<br \/>\n    explica&ccedil;&atilde;o nem qualifica&ccedil;&atilde;o exata, poss&iacute;vel&#8230;<br \/>\n    Quantas cousas me falaram hoje, ora pelo sono, ora pela forma, ora pelo gosto,<br \/>\n    ora pela esp&eacute;cie, ora pela cor, e tamb&eacute;m pelo sabor! Vejo que<br \/>\n    (pegando em uma estrelinha de massa) ningu&eacute;m deve comer estrelas, mas<br \/>\n    estrelas de carne ou de fogo! Como por&eacute;m estas s&atilde;o de massa,<br \/>\n    &eacute; de crer que mal me n&atilde;o fa&ccedil;am (Come uma. Pegando em<br \/>\n    outra, tira uma dentada, e a deixa quase pelo meio; olhando para ela:) Parece-me<br \/>\n    uma coroa! N&atilde;o comerei. Guardarei (P&otilde;e no prato.) Pelo gosto<br \/>\n    (provando outra), cheiro e sabor, dir-se-&aacute; que &#8211; envenenada est&aacute;.<br \/>\n    Poremos tamb&eacute;m a um lado. Acho esta bebida (bebendo um c&aacute;lix<br \/>\n    de vinho), com quanto esp&iacute;rito, assaz fraca, ou como amolecida. &Eacute;<br \/>\n    cousa que tamb&eacute;m n&atilde;o me agrada. N&atilde;o beberei mais deste<br \/>\n    liquido: veremos algum mais forte, e por isso mesmo para mim &#8211; melhor. Qu&ecirc;!<br \/>\n    (pegando em outro pedacinho de massa) Isto &eacute; imagem de um tur&iacute;bulo!<br \/>\n    N&atilde;o comerei. Esta, de uma naveta, (pegando outra) tamb&eacute;m n&atilde;o<br \/>\n    quero! Provarei esta fatia. (Corta dois ou tr&ecirc;s pedacinhos, e come.)<br \/>\n    Que tal? &Eacute; sempre igual. (Levantando-se um pouco.) Eis a barretinha<br \/>\n    de um soldado, que ofendido ou maltratado em seus brios ou dignidade, na Vila<br \/>\n    Nova do velho Triunfo, por um seu capit&atilde;o, em princ&iacute;pios da<br \/>\n    infausta, nefanda, prejudicial e mais que indigna revolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de 1835, teve a precisa coragem para salvar sua honra e dignidade; para dar<br \/>\n    um imit&aacute;vel exemplo a seus camaradas; para meter um dedo do p&eacute;<br \/>\n    no pinguelo da espingarda, encostar a boca desta no peito em frente ao cora&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    e disparar assim estrondoso tiro, que o transportou instantaneamente &agrave;<br \/>\n    presen&ccedil;a do Eterno. Feliz soldado, era de um batalh&atilde;o cujo t&iacute;tulo<br \/>\n    ou n&uacute;mero n&atilde;o me lembro; suponho que paraense, e em o qual havia<br \/>\n    um capit&atilde;o com o nome &#8211; Chaguinhas, de p&eacute;ssima fama &#8211; que julgo<br \/>\n    muito pouco tempo durou, bem como a maior parte desse corpo de infantaria,<br \/>\n    destru&iacute;da quase toda &#8211; poucos dias depois pelos generais Neto e Canabarro.<br \/>\n    Estes cora&ccedil;&otilde;es (pegando em um cora&ccedil;&atilde;o) enchem-me<br \/>\n    de ben&ccedil;&otilde;es; n&atilde;o os quero; estou deles assaz farto. A<br \/>\n    estes gozos preferiria a companhia, que traz alegria&#8230; (Olhando com aten&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    para um sinal em uma mesa.) Este sinal &eacute; feito por um pingo de espermacete;<br \/>\n    isto por&eacute;m n&atilde;o &eacute; o que admiro: uma cabe&ccedil;a perfeita,<br \/>\n    um nariz afilado, com uma cara completa, queixo, barbas, um bon&eacute; igual<br \/>\n    ao de um oficial franc&ecirc;s ou alem&atilde;o que h&aacute; tempos vi, e<br \/>\n    at&eacute; com um penacho &#8211; &eacute; o que realmente para mim n&atilde;o direi<br \/>\n    mais que admir&aacute;vel, mas algum tanto espantoso&#8230; Enfim, paremos com<br \/>\n    isto: s&atilde;o horas de dormir; vamos deitar-nos. (Levanta-se, d&aacute;<br \/>\n    alguns passos e encosta-se a um sof&aacute;, cama, ou cadeira de balan&ccedil;o.)<\/p>\n<p><strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p>C&Aacute;RIO &#8211; (levantando-se.) Estou satisfazendo o desejo, ou cumprindo<br \/>\n    o projeto que fiz de ir viajar &agrave; Europa, e de l&aacute;, cheio de ci&ecirc;ncia,<br \/>\n    voltar a derramar sobre Os meus comprovincianos, compatriotas, e mais habitantes<br \/>\n    do Imp&eacute;rio Brasileiro. Est&aacute; se servindo Deus de mim para puni&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de uns e pr&ecirc;mio de outros. N&atilde;o me conv&eacute;m, n&atilde;o devo<br \/>\n    escrever sobre os mortos, ou fazer n&ecirc;nias. Conv&eacute;m-me mais passear,<br \/>\n    que estar em casa; passeando, me entretenho; me divirto; e fortifico; em casa<br \/>\n    me enfraque&ccedil;o, e sempre apete&ccedil;o&#8230; Fora, n&atilde;o necessito<br \/>\n    trabalhar, mas apenas conversar: em casa n&atilde;o posso deixar de o fazer<br \/>\n    sem cessar&#8230; Ao homem conv&eacute;m caminhar, falar, pular, dan&ccedil;ar,<br \/>\n    palrar e o exerc&iacute;cio de mais de um milh&atilde;o de verbos acabados<br \/>\n    em ar, ar, ar, ar, etc. etc. etc. etc. Como &eacute; dif&iacute;cil, e tantas<br \/>\n    vezes imposs&iacute;vel, a concilia&ccedil;&atilde;o de interesses opostos!<br \/>\n    Sente-se uma necessidade; &eacute;-se instado por um desejo; procura-se satisfaz&ecirc;-lo;<br \/>\n    encontra-se uma dificuldade&#8230; Algu&eacute;m geme, algu&eacute;m chora, que<br \/>\n    nos d&oacute;i, que nos estorva. Mas por que lamentar? Se necess&aacute;rio,<br \/>\n    ven&ccedil;amos; ou sigamos os impulsos de nossa intelig&ecirc;ncia; os conselhos<br \/>\n    de nosso cora&ccedil;&atilde;o; ou os conselhos daquela, e os impulsos deste.<br \/>\n    Fa&ccedil;amos algum sacrif&iacute;cio, visto que ningu&eacute;m (&eacute;<br \/>\n    de conjecturar) h&aacute; que viva sem os fazer. &Eacute; preciso fortalecermo-nos;<br \/>\n    &eacute; preciso n&atilde;o fraquecermo-nos. Se eu atendesse, direi neste<br \/>\n    momento, aos desejos que tive (depois de haver passeado e meditado algum tempo<br \/>\n    zangado), teria escangalhado, talvez destru&iacute;do ou inutilizado um baluarte,<br \/>\n    cujas for&ccedil;as j&aacute; me n&atilde;o conv&eacute;m conservar. Se por&eacute;m<br \/>\n    lhe presto muito aten&ccedil;&atilde;o, se me penalizo de seu sofrer, do que<br \/>\n    se me representa &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o, terei de viver qual preso<br \/>\n    em cadeia. Enquanto pois n&atilde;o tenho emprego, mais que o de compositor,<br \/>\n    preciso me &eacute; buscar por toda a parte, onde houver melhor, ou mais me<br \/>\n    agradar &#8211; aquilo que me falta e de que mais care&ccedil;o. (Olhando para o<br \/>\n    ar.) O baluarte sibila! N&atilde;o prestar-te-ei pois mais aten&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    enquanto de longe me falar teu cora&ccedil;&atilde;o! Assim triunfou (triunfarei<br \/>\n    eu tamb&eacute;m de ti) um de meus amigos &#8211; de igual impertin&ecirc;ncia &#8211;<br \/>\n    s&oacute; &uacute;til n&#8217;apar&ecirc;ncia! (Pega o chap&eacute;u e sai.)<\/p>\n<p><strong>Cena Terceira<\/strong><\/p>\n<p>FLORBERTA &#8211; Que for&ccedil;a tem o destino! Umas vezes cruel e destruidor<br \/>\n    como o raio ou a tempestade; em outras vezes t&atilde;o benigno como o amor<br \/>\n    ou a saudade!<\/p>\n<p>(Canta:)<\/p>\n<p>&Agrave;s vezes &eacute; t&atilde;o cruel<\/p>\n<p>O b&aacute;rbaro, feroz destino,<\/p>\n<p>Como horrosa tempestade,<\/p>\n<p>Ou o raio destruidor<\/p>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<p>Em outras mais que fiel,<\/p>\n<p>T&atilde;o amigo, t&atilde;o benino,<\/p>\n<p>Nos enche de flicidade,<\/p>\n<p>De gratid&atilde;o, e de amor.<\/p>\n<p>Os malvados (atravessando o cen&aacute;rio depois que pro fere cada um per&iacute;odo)<br \/>\n    est&atilde;o sempre condenados. Quem estar&aacute; por ai se assoando, que<br \/>\n    tanto me est&aacute; enjoando! A Ci&ecirc;ncia, o ouro e a &aacute;gua s&atilde;o<br \/>\n    cousas que quanto mais abundam, menos param ou mais velozes necessitam correr.<br \/>\n    Quando sinto-me menos forte, ou temos destrui&ccedil;&atilde;o, ou &eacute;<br \/>\n    morte. Quando o Estado carece para sustentar-se ou progressar &#8211; de uma parte<br \/>\n    de nossos servi&ccedil;os &eacute; justo que lhes prestamos, bem como que<br \/>\n    este, uma parte de seus benef&iacute;cios a n&oacute;s quando d&#8217;Ele carecemos.<br \/>\n    &Eacute; com esta reciprocidade de aten&ccedil;&otilde;es, de benef&iacute;cios,<br \/>\n    de amparo &#8211; que os Estados e os s&uacute;ditos seus &#8211; conservam e prosperam.<br \/>\n    Se eu tivesse disposi&ccedil;&atilde;o de escrever sobre rela&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    naturais, diria que ainda hoje o ch&aacute; que tomei levou-me &agrave; presen&ccedil;a<br \/>\n    de algu&eacute;m, de quem ouvi a mais tremenda descompostura!&#8230; Servir-me-&aacute;,<br \/>\n    se pudermos continuar a escrever com&eacute;dias, para uma bela cena de algum<br \/>\n    dos Atos; mesmo para come&ccedil;o, parece excelente. N&atilde;o foi nada<br \/>\n    menos que o seguinte: Bati por duas vezes em uma porta, ouvi mandar a pessoa<br \/>\n    a quem buscava abrir a porta; como se demorava o criado, empurrei-a, e entrei;<br \/>\n    a pessoa era muito minha conhecida, e de baixa esfera. Quereis saber o que<br \/>\n    ouvi dela? Eis: A Sra. &eacute; muito atrevida! Teve a aud&aacute;cia de entrar<br \/>\n    em minha casa sem que eu fosse abrir4he a porta! Pensa que esta casa &eacute;<br \/>\n    casa de prostitutos?9 Est&aacute; muito enganada! Retire-se; e se est&aacute;<br \/>\n    louca, v&aacute; para a Caridade! Quereis saber o que lhe respondi? Eu v&ocirc;-lo<br \/>\n    digo. Eis: &quot;N&atilde;o se incomode, Sr. Bem sabe que n&atilde;o &eacute;<br \/>\n    a primeira vez que eu venho &agrave; sua casa. Foi-me necess&aacute;rio c&aacute;<br \/>\n    vir hoje; desculpe portanto: se a minha presen&ccedil;a n&atilde;o lhe agrada,<br \/>\n    eu me retiro. E retirei-me, sem mais cumprimentos. Fui, entretanto, opostamente,<br \/>\n    recebida por pessoas da mesma casa, que para tal n&atilde;o tinha dever com<br \/>\n    o maior afeto poss&iacute;vel; notando em seus semblantes o maior desprazer<br \/>\n    pela grosseria est&uacute;pida daquele que devia-me prestar aten&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    H&aacute; de entretanto servir para algum fim &uacute;til.<\/p>\n<p><strong>Cena Quarta<\/strong><\/p>\n<p>Casto &#8211; (entrando) Que mania de mil diabos! Querem por for&ccedil;a que eu<br \/>\n    viva amigado &#8211; sem que isso possa ser! Sim! Irra, irra! (Sacudindo os bra&ccedil;os.)<br \/>\n    O diabo que satisfa&ccedil;a semelhante gente! Hei de mandar &agrave; olaria<br \/>\n    fazer de prop&oacute;sito uma mulher para com ela me ligar sem o preenchimento<br \/>\n    das formalidades religiosas&#8230; e, pobre, &#8211; n&atilde;o me serve! H&aacute;<br \/>\n    de ser rica, formosa, e asseada; sen&atilde;o, nem assim combino, me combino&#8230;<br \/>\n    ou&#8230; concubino! Tri, tri, tri&#8230; (Faz duas ou tr&ecirc;s piroletas, tocando<br \/>\n    castanholas, e sai aos pulinhos.)<\/p>\n<p>C&Aacute;RIO &#8211; (depois que entra) Como se transtornam as cousas deste mundo!<br \/>\n    Quando pensaria eu que indo &agrave; casa de um m&eacute;dico fazer uma ligeira<br \/>\n    visita, havia de transtornar uma com&eacute;dia!? Quanto &eacute; preciso<br \/>\n    ao homem que se dedica a composi&ccedil;&otilde;es intelectuais, ter regime<br \/>\n    certo ou invari&aacute;vel! Uma visita transtornou uma com&eacute;dia; qualquer<br \/>\n    a&ccedil;&atilde;o obsta &agrave; conclus&atilde;o do mais importante trabalho.<br \/>\n    Qu&atilde;o bem foi come&ccedil;ada esta com&eacute;dia, e qu&atilde;o mal<br \/>\n    acabada vai! J&aacute; nem posso chamar a isto mais com&eacute;dia&#8230; Enfim,<br \/>\n    vereis se posso concertar minhas id&eacute;ias, e prosseguir ent&atilde;o.<br \/>\n    (Sai.)<\/p>\n<h4><a name=\"2\" id=\"2\">ATO SEGUNDO<\/a><\/h4>\n<p>Quarto de estudantes<\/p>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p>Melqu&iacute;ades, Guindaste, Galante e Ruibarbo.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (deitado) Fiu! fiu! (Assoviando.) N&atilde;o est&aacute;:<br \/>\n    t&atilde;o cedo j&aacute; sairia a passeio!? Quem sabe! Talvez; pode muito<br \/>\n    bem ser. (Torna a chamar:) &#8211; Maria! Joana! Teresa! Ant&ocirc;nia! Joaquina!<br \/>\n    Michatas! (Pausa.) Que diabo! N&atilde;o aparece nenhuma das criadas. Ainda<br \/>\n    estar&atilde;o dormindo. Que judias! S&atilde;o (abrindo o rel&oacute;gio)<br \/>\n    nove horas do dia, cinco da tarde, duas da noite, seis da madrugada, e ainda<br \/>\n    dormem! &#8211; &Eacute; muito, muit&iacute;ssimo grande, (figurando com as m&atilde;os<br \/>\n    o tamanho) grand&iacute;ssimo dormir! &#8211; Manuel! Ant&ocirc;nio! Merc&uacute;rio!<br \/>\n    Ningu&eacute;m fala; est&aacute; tudo em sil&ecirc;ncio&#8230; em sil&ecirc;ncio<br \/>\n    profundo!&#8230; Profund&iacute;ssimo! Pois &#8211; R&eacute;squi&eacute;s d&#8217;impace<br \/>\n    nas catacumbas do cemit&eacute;rio do Corpo-santo na cidade do Porto, Portugal<br \/>\n    dos portugueses &#8211; para voc&ecirc;s todos! Que os levem 30.000 diabos e dem&ocirc;nios<br \/>\n    para os mais fundos infernos l&aacute; do outro mundo: pois c&aacute; nos<br \/>\n    deste ainda voc&ecirc;s me poderiam incomodar!<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; (cal&ccedil;ando as meias) H&aacute; tr&ecirc;s dias que ando<br \/>\n    incomodado; ora do est&ocirc;mago, ora dos intestinos, ora das barrigas..<br \/>\n    . ah! s&atilde;o duas, &eacute; plural &#8211; das pernas e da cabe&ccedil;a; e<br \/>\n    ainda esta noite passei uma noite horr&iacute;vel. N&atilde;o sei que &eacute;<br \/>\n    isto! At&eacute; as &aacute;guas-da-col&ocirc;nia que sempre me serviram de<br \/>\n    rem&eacute;dio para estes males, desgra&ccedil;adamente hoje parece que h&atilde;o<br \/>\n    produzido os efeitos contr&aacute;rios!&#8230;<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Que diabo terei eu nestas cabe&ccedil;as (Tirando o barrete com<br \/>\n    que havia dormido.) Parece que tem espinhos! Ora picam-me as pernas, ora as<br \/>\n    coxas e at&eacute; na cintura me importunam, ou me ferem. Safa! (Tirando a<br \/>\n    cal&ccedil;a.) O que havia de ser? (Pegando em um carrapicho e mostrando.)<br \/>\n    Um carrapicho!&#8230; Malditas lavadeiras, que parece de prop&oacute;sito para<br \/>\n    o mais lanoso entretimento dos n&eacute;scios fregueses &#8211; porem na roupa estes<br \/>\n    espinhos! (Atirando-o.) L&aacute; vai, lavadeira de roupa, v&ecirc; se o engoles<br \/>\n    pelo nariz.<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; (andando) Como as lavadeiras n&atilde;o te h&atilde;o de fazer<br \/>\n    dessas, se tu n&atilde;o lhes pagas a lavagem e o engomado da roupa &#8211; como<br \/>\n    elas desejam!<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Essa &eacute; boa! Essa &eacute; bem boa! Essa ainda &eacute; melhor!&#8230;<br \/>\n    Ainda ontem paguei seis mil e tantos r&eacute;is, e dizes que eu n&atilde;o<br \/>\n    pago!?<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Mas n&atilde;o &eacute; assim que elas querem!&#8230;<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Pois de outro modo, n&atilde;o sei. N&atilde;o o entendo. Eu sou<br \/>\n    ingl&ecirc;s, e ingl&ecirc;s de muito boas ra&ccedil;as! Portanto n&atilde;o<br \/>\n    vivo&#8230; vivo de mist&eacute;rios.<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Pois &eacute;s um tolo. Estuda a lavadeira, faz- lhe elogios,<br \/>\n    mostra-te a ela afei&ccedil;oado, e ver&aacute;s como ela te trata, te lava,<br \/>\n    te goma admiravelmente!<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (para Galante) Que hei de eu estudar hoje?<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Estuda disciplina.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Assim eu sou tolo!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Pois ainda pensas em estudos, depois de velho, com a pr&aacute;tica<br \/>\n    dos homens, e mesmo das mulheres!?<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Que queres? Nasci mais para estudar que para vadiar!<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; &Eacute;s um pateta! Com as disciplinas escangalhavas tudo. Triunfavas<br \/>\n    dos amigos e dos inimigos! Sem elas, n&atilde;o sei como te haver&aacute;s;<br \/>\n    quer com uns, quer com outros! Enfim tu l&aacute; sabes.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Estou me resolvendo um dia a atirar com os livros &aacute;s<br \/>\n    ventas dos mestres. Com os temas &agrave;s dos lentes! E finalmente, com as<br \/>\n    botas &agrave;s dos criados! (Pega nestas, atira nos companheiros e sai.)<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; &Eacute; bem atrevido este meu sogro!<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; (para Guindaste) Pois tu &eacute;s casado!? Ainda agora &eacute;<br \/>\n    que sei! Pois o Melqu&iacute;ades j&aacute; tinha filhas mo&ccedil;as!? Ainda<br \/>\n    mais esta &#8211; estudante casado e com filhos!<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; Se o n&atilde;o sou, ainda hei de ser. Se as n&atilde;o tem,<br \/>\n    ainda h&aacute; de ter. E por isso se ainda o n&atilde;o sou, em breve hei<br \/>\n    de ser, e posso portanto desde j&aacute; il~o tratando de sogro.<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; &Eacute;s o primeiro calculista do Mundo!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Voc&ecirc;s querem passar o dia de hoje em conversa!? N&atilde;o<br \/>\n    querem estudar, pensar, meditar sobre o que h&aacute; de extraordin&aacute;rio<br \/>\n    da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, livro mais que todos apreci&aacute;vel<br \/>\n    pela grande exemplar li&ccedil;&atilde;o que transmite &agrave; humanidade!<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (chegando &agrave; porta do dormit&oacute;rio com boa<br \/>\n    por&ccedil;&atilde;o de livras em baixo do bra&ccedil;o esquerdo, muito apressado.)<br \/>\n    Vamos para as aulas! S&atilde;o horas! Se se demoram, perdem a li&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de hoje! Andem! Andem! Saiam! Venham!<\/p>\n<p>(Guindaste e Galante pegam em v&aacute;rios livros, d&atilde;o duas voltas<br \/>\n    e saem.)<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; (arrumando a cama) V&atilde;o indo que eu j&aacute; vou!<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; N&atilde;o te demores, que eu preciso de ti!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Sim; sim. V&atilde;o indo; eu l&aacute; irei logo! (Saem.) Estes<br \/>\n    meus colegas s&atilde;o o diabo em figura de homens, ou de rapazes! Tudo desarrumam!<br \/>\n    &Eacute; preciso uma&#8230; n&atilde;o: paci&ecirc;ncia de J&oacute;, ou de algum<br \/>\n    outro Santo para atur&aacute;-los! Enfim, (depois de todo o quarto arrumado)<br \/>\n    &eacute; preciso atur&aacute;-los! &Eacute; melhor que andar com eles aos<br \/>\n    tombos, pux&otilde;es ou cabe&ccedil;adas. (Pega em um livro.) S&atilde;o<br \/>\n    horas, vou &agrave;s minhas li&ccedil;&otilde;es de Ret&oacute;rica! E logo<br \/>\n    continuarei a escrever a minha encantadora com&eacute;dia &#8211; a Ilustr&iacute;ssima<br \/>\n    Senhora Dona An&aacute;lia de Campos Le&atilde;o Carolina dos Santos Beltr&atilde;o<br \/>\n    Josefina Maria Leit&atilde;o Hist&oacute;ria das Dores Pat&atilde;o, ou Bulh&atilde;o,<br \/>\n    etc. etc. Dizem os m&eacute;dicos, e confirmam os l&oacute;gicos: As cousas<br \/>\n    que t&ecirc;m de trabalhar, apertadas, n&atilde;o poder&atilde;o fazer t&atilde;o<br \/>\n    bom servi&ccedil;o como &#8211; desembara&ccedil;adas; e eu o creio pia e firmemente.<br \/>\n    Exemplifiquemos com os pr&oacute;prios homens e seus &oacute;rg&atilde;os.<br \/>\n    Suponha-se que est&atilde;o a trabalhar em uma sala vinte pessoas, e que na<br \/>\n    mesma n&atilde;o o podem fazer livre ou desembara&ccedil;adamente mais que<br \/>\n    dez ou doze. Pergunto: seu servi&ccedil;o, obra, ou trabalho, sair&aacute;<br \/>\n    t&atilde;o perfeito, como se trabalhassem aqueles que &#8211; bem &#8211; s&oacute; o<br \/>\n    podiam fazer? &Eacute; de crer que n&atilde;o. Outro: Temos &oacute;rg&atilde;os<br \/>\n    &#8211; da vista, do ouvido, do olfato, que por certo oprimidos, ningu&eacute;m<br \/>\n    dir&aacute; que &#8211; bem funcionam. Assim pois devem ser os do nosso est&ocirc;mago,<br \/>\n    intestinos, etc. Apertados, n&atilde;o poder&atilde;o funcionar, transformar<br \/>\n    ou digerir os alimentos ou cousas de que nos alimentamos, com aquela facilidade<br \/>\n    com que o fazem ou devem fazer n&atilde;o opressos ou desembara&ccedil;ados.<br \/>\n    Se aperto os meus dedos, n&atilde;o posso escrever, nem com a m&atilde;o cousa<br \/>\n    alguma fazer! Se por&eacute;m esta est&aacute; desembara&ccedil;ada, com ela<br \/>\n    fa&ccedil;o o que quero, ou o que posso. Logo &#8211; n&atilde;o conv&eacute;m a<br \/>\n    opress&atilde;o; se se quer trabalho abundante e perfeito!<\/p>\n<p><strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (entrando, atr&aacute;s Guindaste, e ap&oacute;s este,<br \/>\n    Galante. O primeiro com muito desembara&ccedil;o, e atirando com os livros<br \/>\n    com estouvamento, quer de gesto, quer de palavras) &Oacute; Ruibarbo, n&atilde;o<br \/>\n    foste hoje &agrave; li&ccedil;&atilde;o!? &Eacute;s o diabo em figura de estudante!<br \/>\n    Pois sabe que eu fui, vim e estou aqui! Pus por terra todos os troianos! Foi<br \/>\n    o lado que hoje perdeu nas sabatinas o mais vergonhosamente que &eacute; poss&iacute;vel.<br \/>\n    Nem a batalha que inutilizou Napole&atilde;o I; nem as melhores vencidas por<br \/>\n    Alexandre o Grande; nem finalmente a em que C&eacute;sar destruiu Pompeu &#8211;<br \/>\n    se podem comparar &agrave; que hoje venci dos nossos amigos Paraguaios!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Pois eu declaro-vos que n&atilde;o fui &agrave; aula! E se quiserem<br \/>\n    saber o porqu&ecirc;, dir-vos-ei: &#8211; Primeiro, porque n&atilde;o quis. Segundo,<br \/>\n    porque estou ocupado com algumas li&ccedil;&otilde;es de Medicina. Terceiro,<br \/>\n    porque voc&ecirc;s s&atilde;o pouco cuidadosos de nosso quarto, e eu n&atilde;o<br \/>\n    posso tolerar porcaria, desarruma&ccedil;&atilde;o, etc. Quarto, porque&#8230;<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (com muita desenvoltura, assentando-se em outro lugar,<br \/>\n    ou mudando de assunto) J&aacute; sei, j&aacute; sei. Tu &eacute;s um estudante<br \/>\n    privilegiado. Tens at&eacute; um breve do Papa. Quando te apertam fora da<br \/>\n    Igreja, entras para a Igreja, e quando te aborreces muito desta, safas-te<br \/>\n    com a maior sem-cerim&ocirc;nia! (Batendo-lhe no ombro.) &Eacute;s muito feliz,<br \/>\n    felic&iacute;ssimo mesmo. (Os outros: cada qual acomoda seus livros e senta-se).<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (pegando em um papel, em que Ruibarbo havia escrito)<br \/>\n    Oh! este Ruibarbo, quanto mais estuda, menos aprende! Pois ele ainda suprime<br \/>\n    letras quando escreve!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Doutor! Voc&ecirc; n&atilde;o v&ecirc; que quando assim procedo<br \/>\n    fa&ccedil;o um grande bem ao Estado!?<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Geral bem!?<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; S&atilde;o cousas do Ruibarbo! Tudo quanto ele faz diferente de<br \/>\n    outros homens, sempre protesta ser por fazer bem, ou por conveni&ecirc;ncia<br \/>\n    do Estado. N&atilde;o &eacute; mau modo de se fazer o que se quer! &Eacute;<br \/>\n    uma capa maior que a de Satan&aacute;s! &Eacute; uma esp&eacute;cie de C&eacute;u<br \/>\n    que ele tem, com que costuma abrir a terra!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Eu me explico: Quando escrevo, penso, e procuro conhecer o que<br \/>\n    &eacute; necess&aacute;rio, e o que n&atilde;o &eacute;; e assim como, quando<br \/>\n    me &eacute; necess&aacute;rio gastar cinco, por exemplo, n&atilde;o gasto<br \/>\n    seis, nem duas vezes cinco; assim tamb&eacute;m quando preciso escrever palavras<br \/>\n    em que usam letras dobradas, mas em que uma delas &eacute; in&uacute;til,<br \/>\n    suprimo uma e digo: diminua-se com esta letra um inimigo do Imp&eacute;rio<br \/>\n    do Brasil! Al&eacute;m disso, pergunto: que mulher veste dois vestidos, um<br \/>\n    por cima do outro!? Que homem, duas cal&ccedil;as!? Quem p&otilde;e dois chap&eacute;us<br \/>\n    para cobrir uma s&oacute; cabe&ccedil;a!? Quem usar&aacute; ou que militar<br \/>\n    trar&aacute; &agrave; cinta duas espadas! Eis por que tamb&eacute;m muitas<br \/>\n    vezes eu deixo de escrever certas inutilidades! Bem sei que a raz&atilde;o<br \/>\n    &eacute; &#8211; assim se escreve no Grego; no Latim, e em outras l&iacute;nguas<br \/>\n    de que tais palavras se derivam; mas voc&ecirc;s que querem, se eu penso ser<br \/>\n    assim mais f&aacute;cil e c&ocirc;modo a todos!? Finalmente, fixemos a nossa<br \/>\n    L&iacute;ngua; e n&atilde;o nos importemos com as origens!<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Enquanto passares bem assim, continua; mas logo que te<br \/>\n    deres mal, &eacute; melhor seguir a opini&atilde;o geral. (Ouve-se tocar a<br \/>\n    sineta, que convida a jantar; aos saltos; pondo as m&atilde;os na cabe&ccedil;a;<br \/>\n    e outras extravag&acirc;ncias.) S&atilde;o horas! S&atilde;o horas! (Puxa<br \/>\n    Ruibarbo.) Vamos! (Este se deixa estar assentado. Puxa outro; convida; salta;<br \/>\n    pula; pega em um rebenque.) Ah! voc&ecirc;s at&eacute; para comer t&ecirc;m<br \/>\n    pregui&ccedil;a!? (D&aacute; uma pancada com o chicote sobre urna mesa, os<br \/>\n    outros saltam ligeiramente &agrave; porta; e saem todos.)<\/p>\n<p>RUIBARBO (atr&aacute;s.) O Melqu&iacute;ades hoje est&aacute; limpo, lavado,<br \/>\n    engomado, escovado, e penteado!<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Ele triunfou dos Paraguaios! &Eacute; preciso obedec&ecirc;-lo!<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; Eu o fa&ccedil;o para tal fim, com muito prazer!<\/p>\n<h4><a name=\"3\" id=\"3\">ATO TERCEIRO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p>UMA MULHER &#8211; (muito atenta, ouvindo alguns gemidos) Quem gemera? Quem estar&aacute;<br \/>\n    doente? Ser&aacute; minha av&oacute;, ou meu av&ocirc;!? Sabe-o Deus; eu apenas<br \/>\n    desconfio, e nada posso afirmar! Entretanto, conv&eacute;m indagar. (Aproxima-se<br \/>\n    de uma porta, escuta, e volta.) Ah! quem h&aacute; de ser? (Arrastando.) &Eacute;<br \/>\n    a cabritinha de minha av&oacute;, tia, e irm&atilde;, que acaba de parir tr&ecirc;s<br \/>\n    cabritos. Ei-los (Atira-os ao cen&aacute;rio.)<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (entrando.) Oh! que espet&aacute;culo &eacute; este!<br \/>\n    Cabritos em meu quarto de dormir! Oh! mulher, donde veio isto!?<\/p>\n<p>A MULHER &#8211; Ora, de onde havia de vir! Boa pergunta! O Sr. n&atilde;o sabe<br \/>\n    que seus av&oacute;s t&ecirc;m o luxo de criar cabras!? E que criando-as por<br \/>\n    for&ccedil;a h&atilde;o de parir!?<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Que t&ecirc;m parido, e h&atilde;o de parir, sei eu muito<br \/>\n    bem! Mas o que me espanta &eacute; que a pari&ccedil;&atilde;o, parto, ou<br \/>\n    como quiserem chamar, tivesse lugar em meu quarto de dormir! &Eacute; isto<br \/>\n    o que assaz me admira!<\/p>\n<p>A MULHER &#8211; N&atilde;o foi aqui; mas eu ouvi gemer, e cuidei que era sua av&oacute;<br \/>\n    ou seu av&ocirc;; fui ver; encontrei-os; trouxe-os; e aqui est&atilde;o!<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Pois bem; agora v&aacute; preparar um para a ceia.<\/p>\n<p>A MULHER &#8211; (cheia de nojo) Eu, fazer? Deus me livre! Isto tem um cheiro&#8230;<br \/>\n    Seria preciso, para se poder comer, p&ocirc;r de molho tr&ecirc;s dias em<br \/>\n    alho, cebola, vinagre e cuentro.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Pois ent&atilde;o, (muito zangado) tire-me daqui estas<br \/>\n    porcarias, que j&aacute; me est&atilde;o causando nojo! Anda! Anda! Tira isto<br \/>\n    daqui!<\/p>\n<p>UMA CRIADA &#8211; (puxando a cabra pelos chifres) Vem, vem, vem c&aacute;, cabritinha,<br \/>\n    cabritinha!<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Isto est&aacute; demorando muito! (D&aacute; um pontap&eacute;<br \/>\n    na cabra, que a atira; os cabritos esfor&ccedil;am-se por correr, ele pega<br \/>\n    em um, e esfrega na cara da criada.) Que tal, Sra. D. Nojenta! Cheira ou fede?<\/p>\n<p>CRIADA &#8211; Nunca gostei destas gra&ccedil;as! (Larga a cabra e sai.)<\/p>\n<p><strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p>(Entram Ruibarbo Galante e Guindaste)<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Isto &eacute; admir&aacute;vel! Gatos ensopados pelo soalho derramados!<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Ensopados! (Reparando com muita aten&ccedil;&atilde;o.) S&oacute;<br \/>\n    se o foram na barriga da m&atilde;e! Oh! e n&atilde;o me enganei; ei-la (Apontando<br \/>\n    para a cabra.)<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; Voc&ecirc;s s&atilde;o os mais extravagantes estudantes que eu<br \/>\n    tenho conhecido. Se f&ocirc;ssemos de Medicina, que bom estava para desenojar,<br \/>\n    mas somos de Direito, n&atilde;o nos pode aproveitar! O que &eacute; mais<br \/>\n    interessante &eacute; a lembran&ccedil;a de que estavam ensopados, achando-se<br \/>\n    em p&eacute;, e em estado de perfei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; N&atilde;o admira! Bem perfeitos s&atilde;o os animais, e as aves<br \/>\n    cheias, entretanto n&atilde;o est&atilde;o vivas.<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; Mas n&atilde;o se diz que cr&ecirc; que foram ensopadas.<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Sim, Sr&#8230; Mas quem n&atilde;o poderia dizer que estivessem assados?<\/p>\n<p>Galante &#8211; Ainda voc&ecirc;s ignoram uma cousa: Sabem o que &eacute;? &Eacute;<br \/>\n    que o nosso amigo Melqu&iacute;ades deu esta li&ccedil;&atilde;o &agrave;<br \/>\n    criada, que t&atilde;o pacificamente e bem sempre nos serve &#8211; esfregou-lhe<br \/>\n    com um destes cabritos: cara, boca, nariz, olhos, e n&atilde;o sei que mais<br \/>\n    &#8211; saiu daqui t&atilde;o enjoada, que n&atilde;o corria; qual &aacute;guia;<br \/>\n    voava; ou ia qual avestruz avoada!<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Sabem o que mais?&#8230; Eu n&atilde;o quero estar vendo<br \/>\n    aqui estas imund&iacute;cies! (Chamando.) Rigoleto! Rigoleto!<\/p>\n<p>UMA VOZ &#8211; N&atilde;o est&aacute;! Peguem voc&ecirc;s cada uma no seu, e os<br \/>\n    ponham longe daqui!<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; (para os outros) &Eacute; mesmo, isto &eacute; muito enjoativo!<br \/>\n    Nem eu posso abrir um livro com eles diante de mim. Pega no teu, Galante!<br \/>\n    Ruibarbo, leva o outro! (Pega cada um no seu e os p&otilde;e fora de cena).<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; (para os outros) N&atilde;o h&aacute; rem&eacute;dio, sen&atilde;o<br \/>\n    atur&aacute;-los.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; E eu que o diga! Mas, que faremos n&oacute;s aqui metidos?<br \/>\n    N&atilde;o era melhor que f&ocirc;ssemos passear, ver as mo&ccedil;as, e tamb&eacute;m<br \/>\n    algumas velhas? Hem? Hem? Falem, que estou desesperado! Come-me hoje este<br \/>\n    corpo; sinto nele tal coisa&#8230; certo prurido&#8230; e n&atilde;o sei que mais<br \/>\n    &#8211; que n&atilde;o posso estar parado um momento!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Cruzes! contigo, Melqu&iacute;ades.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Comigo &#8211; n&atilde;o quero cruzes! Mas, se for algum cruzeiro,<br \/>\n    ainda poderei aceitar. Quanto a cruzes, bastam estas (apontando para os livros)<br \/>\n    que aqui vedes.<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Pois eu quero tudo: cruzes, cruzeiros, cruzados, cruzinhas, cruzadas,<br \/>\n    e tudo o mais que me oferecem, e que eu posso gozar sem perder!<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; Sem perder, n&atilde;o, Galante. Sem padecer ou sofrer, sim!<br \/>\n    Por for&ccedil;a que gozando..<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; N&atilde;o sabes o que dizes: h&aacute; homens que quanto mais<br \/>\n    gozam, mais ganham! Portanto, avancei uma proposi&ccedil;&atilde;o as mais<br \/>\n    das vezes verdadeira, inda que algumas vezes fal&iacute;vel.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; Sabem o que conv&eacute;m &#8211; e me entret&eacute;m? Passear,<br \/>\n    conversar, ver as mo&ccedil;as. (Pegando o chap&eacute;u.) Os que me quiserem<br \/>\n    acompanhar, sigam-me! Vamos, vamos todos! (Puxa um, puxa outro; nenhum quer<br \/>\n    sair; ele pega na bengala e sai.)<\/p>\n<p>GUINDASTE (para Galante:) Este Melqu&iacute;ades mudou completamente! Passou<br \/>\n    de estudante ao mais extravagante do seu s&eacute;culo. Cruzes! Abren&uacute;ncio!<br \/>\n    Est&aacute; atrevido como o diabo!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Isto &eacute; porque ele fez anos hoje! Amanh&atilde;&#8230;<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; Ent&atilde;o diga-me isso! Eu logo vi.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (entrando, passados alguns minutos) J&aacute; sabem,<br \/>\n    rapazes &#8211; que passeei, andei, virei, mexi, e revolvi. E que nada resolvi sobre<br \/>\n    o que buscava e o que vi! Pois &eacute; verdade, e t&atilde;o certo como o<br \/>\n    Carneiro de C&atilde;o estar com os olhos abertos. (Aponta para Galante.)<br \/>\n    E apenas duas cousas aprendi, ou dois pensamentos colhi! Primeiro, que h&aacute;<br \/>\n    dois modos de viver em sociedade; um de que s&oacute; se freq&uuml;enta mulheres<br \/>\n    de certa classe, a casas de jogo, etc.; outro em que olha-se com grande indiferen&ccedil;a<br \/>\n    para tudo isto, e at&eacute; muitas vezes com repugn&acirc;ncia e s&oacute;<br \/>\n    se freq&uuml;enta casas de fam&iacute;lia, ou gente de classe mais alta, ou<br \/>\n    mais distinta! H&aacute; tamb&eacute;m esta diferen&ccedil;a, e &eacute; que<br \/>\n    os que querem ser verdadeiros constitucionais, e n&atilde;o t&ecirc;m fam&iacute;lia,<br \/>\n    isto &eacute; &#8211; n&atilde;o s&atilde;o casados, ou sendo n&atilde;o vivem com<br \/>\n    suas mulheres, s&atilde;o for&ccedil;ados a freq&uuml;entar aquelas; e os<br \/>\n    que nenhum caso fazem da Constitui&ccedil;&atilde;o, e os que mais e melhor<br \/>\n    gozam! J&aacute; v&ecirc;em portanto que n&atilde;o perdi o tempo.<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; (para Galante e Ruibarbo:) Sempre o nosso Pai d&aacute; provas<br \/>\n    de que ainda &eacute; estudante! Sempre nos traz alguma cousa&#8230; descobertas<br \/>\n    de cousas que ignor&aacute;vamos colhidas de suas experi&ecirc;ncias filos&oacute;ficas!<br \/>\n    E com isso faz tamb&eacute;m de Lente, pois leciona-nos.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; A outra verdade, ou o outro fato, &eacute; que muitas<br \/>\n    vezes isto prov&eacute;m de comermos dos hot&eacute;is, ou de mandarmos fazer<br \/>\n    as comidas em nossas pr&oacute;prias casas! Aquelas nos conduzem &agrave;s<br \/>\n    primeiras; ordinariamente estas as mais das vezes &agrave;s segundas! Contudo,<br \/>\n    h&aacute; nesta regra numerosas exce&ccedil;&otilde;es, e &eacute; tamb&eacute;m<br \/>\n    conforme s&atilde;o os hot&eacute;is. Notai bem que muitas vezes se observa<br \/>\n    uma verdadeira confus&atilde;o. O que por&eacute;m &eacute; indubit&aacute;vel,<br \/>\n    &eacute; que as comidas e as bebidas nos conduzem a este ou &agrave;quele<br \/>\n    trabalho, a esta ou &agrave;quela casa, a este ou &agrave;quele indiv&iacute;duo,<br \/>\n    a este ou &agrave;quele neg&oacute;cio! Podem at&eacute; conduzir-nos a um<br \/>\n    crime! Como o podem fazer, e muitas vezes o fazem, a um ato de virtude, a<br \/>\n    uma a&ccedil;&atilde;o her&oacute;ica, a uma a&ccedil;&atilde;o vil ou indigna.<br \/>\n    (Continuando.) Sinto &agrave;s vezes certo estreitamento no canal que conduz<br \/>\n    ao est&ocirc;mago. Tenho querido atribuir &agrave; falta de certo ato&#8230; Mas<br \/>\n    ao mesmo tempo lembra-me que as crian&ccedil;as, os velhos, as velhas, os<br \/>\n    doentes, os que viajam pelas campanhas, os que est&atilde;o em guerra &#8211; n&atilde;o<br \/>\n    praticam tais atos, entretanto sei de muitos que padecem igual inc&ocirc;modo.<br \/>\n    Consequentemente devemos crer que a raz&atilde;o principal n&atilde;o &eacute;<br \/>\n    essa. Talvez provenha das qualidades dos pr&oacute;prios l&iacute;quidos e<br \/>\n    das carnes de que nos alimentamos, e at&eacute; das casas em que moramos,<br \/>\n    e mesmo das pessoas que nos servem, ou a quem mais praticamos. Meninos! quero<br \/>\n    contar-vos mais uma verdade m&eacute;dica por mim descoberta hoje; e &eacute;<br \/>\n    &#8211; que &eacute; sempre um mal que incomoda, sair por cima o que deve sair por<br \/>\n    baixo! Se soub&eacute;sseis quanto me&#8230; que desagrad&aacute;vel efeito me<br \/>\n    produz algumas vezes o cuspir! Se ao menos eq&uuml;ivaler ao que escrevo,<br \/>\n    ou ser substitu&iacute;do pelos pensamentos! Mas qu&ecirc;! Tenho experimentado,<br \/>\n    e sempre acho desagrado. &#8211; Outra descoberta: Certa pessoa at&eacute; certo<br \/>\n    tempo &#8211; n&atilde;o podia passar, quando comia ou bebia alguma cousa, sem procurar<br \/>\n    uma pessoa, que se parecesse com o objeto ou cousa, de que se servia; entretanto<br \/>\n    em um dia &#8211; o que havia de pensar, de que se havia de convencer: &#8211; que devia<br \/>\n    proceder de modo diametralmente oposto, isto &eacute;, que quando tomasse<br \/>\n    ch&aacute;, por exemplo, n&atilde;o devia para isso como antes procurar pessoas<br \/>\n    que tivessem essa cor: e assim a outros preceitos! Acho por&eacute;m bonito<br \/>\n    que pratiquemos, ou procedamos &#8211; se isso nos n&atilde;o causar algum desgosto<br \/>\n    &#8211; conforme esta nos aconselham; ainda que s&oacute; espiritualmente, o que<br \/>\n    se faz de milhares de modos. Meninos! vou descansar! (Deita-se; e enrola-se<br \/>\n    no cobertor. Para os companheiros de quarto:) Se algu&eacute;m me procurar,<br \/>\n    dizei-lhe que durmo!<\/p>\n<p>RUIBARBO &#8211; Galante, que te parece o nosso Pai Melqu&iacute;ades!? &Eacute;<br \/>\n    um homem divino! &Eacute; o maior s&aacute;bio do Universo! Valente como os<br \/>\n    mais valentes, ativo como o sol, am&aacute;vel como a mais am&aacute;vel Princesa,<br \/>\n    interessante como o firmamento, bom como o melhor dos Pais.<\/p>\n<p>GALANTE &#8211; Tu n&atilde;o te enganas, mas esqueceste acrescentar &#8211; extravagante<br \/>\n    e desenvolto, &agrave;s vezes, como uma provocadora cobrinha!<\/p>\n<p>GUINDASTE &#8211; E para prova de tudo isto, vejam o que ele fez hoje: saltou;<br \/>\n    pulou; dan&ccedil;ou; fez o diabo, como estudante! Depois aconselhou, ensinou,<br \/>\n    pregou, fez-se santo, como Fil&oacute;sofo! Ultimamente, relampagou, iluminou<br \/>\n    como rei! E agora, como acabam de ver, atirou-se naquela cama, como um cansado<br \/>\n    estudante; ou qualquer outro ente de vida pouco s&eacute;ria, e bruscamente<br \/>\n    no cobertor se enrolou.<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; (levantando-se rapidamente e atirando o cobertor &agrave;<br \/>\n    cara dos companheiros e disc&iacute;pulos) Nem todos os momentos podem ser<br \/>\n    agrad&aacute;veis: deitei-me; procurou algu&eacute;m por ventura por mim?&#8230;<br \/>\n    Estava em um t&atilde;o agrad&aacute;vel sonho&#8230; quando de repente senti<br \/>\n    um movimento em meu c&eacute;rebro que assaz me contristou. Levantem-se, rapazes!<br \/>\n    Voc&ecirc;s s&atilde;o a Quinta-ess&ecirc;ncia dos pregui&ccedil;osos!<\/p>\n<p>TODOS &#8211; (levantando-se) Que &eacute; isto, Melqu&iacute;ades!? Est&aacute;s<br \/>\n    desassisado?<\/p>\n<p>MELQU&Iacute;ADES &#8211; &Oacute; diabo, pois voc&ecirc;s que faziam assentados!?<br \/>\n    (Gritando.) Vamos! S&atilde;o horas de escola! Caminhem, saiam! Saiam! (Os<br \/>\n    outros levantam-se, e ele os faz sair rapidamente caindo livros de uns; outros<br \/>\n    de chinelos; enfim, &eacute; uma desordem completa entre os quatro; como se<br \/>\n    um inc&ecirc;ndio, ou alguma cobra venenosa se visse no quarto.)<\/p>\n<p>(E assim parece dever terminar este Ato &#8211; com as seguintes palavras de Melqu&iacute;ades)<br \/>\n    Se eu n&atilde;o espanto estes madra&ccedil;os &#8211; nem para o ch&aacute; ganhariam<br \/>\n    hoje!<\/p>\n<p><strong>FIM DA COM&Eacute;DIA<\/strong><\/p>\n<p><b>Porto Alegre, Junho 16 de 1866<br \/>\n    Por: Jos&eacute; Joaquim de Campos Le&atilde;o Qorpo-Santo.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: Ato Primeiro Ato Segundo Ato Terceiro Qorpo Santo Personagens Cario Florberta Melqu&iacute;ades Guindaste Galante Ruibarbo Uma mulher Uma criada Uma voz ATO PRIMEIRO Cena Primeira C&Aacute;RIO &#8211; (assentado a uma mesa, provando algumas leves comidinhas) O s&aacute;bio o beija, o n&eacute;scio arqueja! 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