{"id":116838,"date":"2017-03-31T09:42:45","date_gmt":"2017-03-31T11:42:45","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=116838"},"modified":"2017-03-31T09:42:45","modified_gmt":"2017-03-31T11:42:45","slug":"um-assovio-qorpo-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/um-assovio-qorpo-santo","title":{"rendered":"Um Assovio &#8211; Qorpo Santo"},"content":{"rendered":"<p><center><\/p>\n<table width=\"587\"  cellpadding=\"7\" cellspacing=\"0\">\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\"><font color=\"#666666\" size=\"2\" face=\"Arial, Helvetica, sans-serif\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#1\" class=\"links\">Ato Primeiro<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#2\" class=\"links\">Ato Segundo<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#3\" class=\"links\">Ato Terceiro<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#4\" class=\"links\">Entreato<\/a><\/p>\n<p>\t\t  <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h2>Qorpo Santo<\/h2>\n<p><strong>Personagens<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p> Fernando Noronha<\/p>\n<p>Gabriel Galdino<\/p>\n<p>Almeida Garr&ecirc;<\/p>\n<p>Jer&ocirc;nimo Avis<\/p>\n<p>Luduvica<\/p>\n<p>Luduvina<\/p>\n<p>Esm&eacute;ria<\/p>\n<p>Rosinha<\/p>\n<p>e<\/p>\n<p>Coriolana<\/p>\n<p>Tr&ecirc;s tocadores<\/p>\n<p> As cenas passam-se em Paris.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4><a name=\"1\">ATO PRIMEIRO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong> <\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (passeando e batendo na testa) N&atilde;o sei que diabo tenho<br \/>\n    nesta cabe&ccedil;a! Nem S. Cosme, que &eacute; da minha particular devo&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    &eacute; capaz de adivinhar o que se passa dentro deste coco! O que, por&eacute;m,<br \/>\n    &eacute; verdade &eacute; que todos os dias, todas as horas fa&ccedil;o novas<br \/>\n    preces; e todas as horas e todos os dias transgrido os deveres que em tais<br \/>\n    protestos me imponho! (Chama.) Gabriel, Gabriel, que diabo est&aacute;s fazendo<br \/>\n    nesse fog&atilde;o, em que est&aacute;s pregado h&aacute; mais de duas horas!?<br \/>\n    Querem ver que est&aacute;s a roer os tijolos, julgando serem de goiabada!<br \/>\n    Cruzes! Cruzes! Que gastr&ocirc;nomo! &Eacute; capaz&#8230; j&aacute; estou com<br \/>\n    medo! &Eacute; capaz de roer at&eacute; a minha casaca velha! (Pegando de<br \/>\n    repente no nariz, tira um peda&ccedil;o; olha e grita:) Oh! diabo! at&eacute;<br \/>\n    j&aacute; me roeu um peda&ccedil;o do nariz, quando eu ontem dormia! Gabriel!<br \/>\n    Gabriel!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Pronto! Ent&atilde;o (de dentro) que tanto me chama!? Diabos te<br \/>\n    levem! &Eacute; o amo mais impertinente que tenho visto! Cruzes! Ave-maria!<br \/>\n    J&aacute; vou, j&aacute; vou! Deixe-me tomar o meu quinh&atilde;o de caf&eacute;;<br \/>\n    e tomo, porque estou transido de frio! Estou gelo! Quer derreter-me!? Espere,<br \/>\n    espere!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Diabos te levem para as profundas do maior inferno! Est&aacute;<br \/>\n    este diabo a tomar caf&eacute; desde que amanhece, at&eacute; que anoitece!<br \/>\n    Vai-te, diabo!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; (aparecendo) Ora, gra&ccedil;as a Deus e a meu amo! &#8211; j&aacute;<br \/>\n    que com o diabo cortei de todo as minhas rela&ccedil;&otilde;es. (Apalpando<br \/>\n    e levantando a barriga.) Tenho esta pan&ccedil;a mais pequena que a de um<br \/>\n    jumento, ou de um boi lavrador! N&atilde;o &eacute; nada (caminhando para<br \/>\n    o lado do amo), existe aqui&#8230; quem sabe j&aacute; quanto estar&aacute;! (Rindo-se.)<br \/>\n    Duas chaleiras de caf&eacute;; quatro libras de a&ccedil;&uacute;car&#8230; j&aacute;<br \/>\n    se sabe &#8211; do mais fino refinado. Tr&ecirc;s libras, n&atilde;o! Seis libras<br \/>\n    de p&atilde;o de rala e duas de fina manteiga inglesa. (Andando para uma e<br \/>\n    outra parte.) Troler&oacute;, tror&oacute;! Agora sei que sou mesmo um Manuel<br \/>\n    Jos&eacute; Taquan&atilde;o! S&oacute; me faltam as cartas, e as parceiras!<br \/>\n    (Apalpa as algibeiras e tira um baralho.)<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (&agrave; parte) Estou otimamente servido de criado e companheiro!<br \/>\n    N&atilde;o tenho, sinto &#8211; um guindaste para lhe ir suspender a pan&ccedil;a!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; (depois de haver examinado o baralho com aten&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    para o amo) Pensei que n&atilde;o tinha trazido. Est&aacute; &oacute;timo!<br \/>\n    Vamos a uma primeirinha? (Batendo no baralho.) Hem? hem? (Tocando-lhe no bra&ccedil;o.)<br \/>\n    Ent&atilde;o? Vamos, ou n&atilde;o vamos!?<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Tu &eacute;s o diabo em figura de bicho. (Batendo-lhe na pan&ccedil;a.)<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Ai! n&atilde;o me fures, que eu tenho um filho de seis meses arranjado<br \/>\n    pela Sra. D. Luduvina, aquela c&eacute;lebre parteira que o Sr. meu amo melhor<br \/>\n    que eu conhece&#8230; visto que passou as mais apreci&aacute;veis noites com&#8230;<br \/>\n    ou&#8230; etc. etc.<\/p>\n<p> FERNANDO (batendo-lhe na boca) &#8211; &Oacute; diabo! n&atilde;o descubras esse<br \/>\n    segredo! Sen&atilde;o, s&atilde;o capazes os amigos dela de me porem na cadeia!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; (&agrave; parte) Por isso &eacute; que muitas vezes eu chupo-lhe<br \/>\n    o dinheiro, e fa&ccedil;o d&#8217;amo! Tem segredos, que eu sei; e que ele n&atilde;o<br \/>\n    quer que sejam revelados!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Ent&atilde;o, Galdino! Encheste o teu pandulho desde (bate-lhe<br \/>\n    na bunda, que &eacute; tamb&eacute;m formid&aacute;vel, e na barriga) esta<br \/>\n    extremidade at&eacute; esta&#8230;!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Ai! ai! seu diabo! N&atilde;o sabes que ainda n&atilde;o botei<br \/>\n    as p&aacute;reas do que pari por aqui!&#8230; (Apalpa a bunda).<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; E entretanto, de mim n&atilde;o te lembraste, judeu! Vai me buscar<br \/>\n    uma x&iacute;cara, anda!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Oh! pois n&atilde;o! (Pulando; e dando voltas.) O meu amo sabe<br \/>\n    dan&ccedil;ar a chula? (Olha para os calcanhares.) E ainda faltam-me as esporas;<br \/>\n    sen&atilde;o, havia eu de fazer o papel mais interessante que se tem visto!<br \/>\n    Nem o Juca Fuma&ccedil;a era capaz de me ganhar em levianeza e linda gra&ccedil;a!<br \/>\n    (Continua a dan&ccedil;ar a chula.)<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Este diabo (&agrave; parte ou para um lado) n&atilde;o vai me<br \/>\n    buscar caf&eacute;! Ent&atilde;o? Vais ou n&atilde;o vais!?<\/p>\n<p> OABRIEL &#8211; Ah! quer caf&eacute;! J&aacute; vou! (D&aacute; mais duas ou tr&ecirc;s<br \/>\n    voltas, e entra por uma porta, pela qual torna a vir logo depois.)<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Que tal estar&aacute; o caf&eacute; deste judeu?<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Eis aqui! Est&aacute; melhor que o chocolate da velha Teresa l&aacute;<br \/>\n    do Caminho Novo em que n&atilde;o h&aacute; sen&atilde;o velhas tabaqueiras<br \/>\n    ou espirradeiras, que na frase dos rapazes s&atilde;o tudo e a mesma cousa!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (pegando a x&iacute;cara e levando-a aos l&aacute;bios) Fum!&#8230;<br \/>\n    Fede a rato podre! E tem gosto de macaco s&atilde;o! Que porcaria! Pega; pega!<br \/>\n    (Atira-lhe com o caf&eacute; &agrave; cara.)<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; (limpando-se todo) N&atilde;o precisava fazer-me beber pelos olhos!<br \/>\n    J&aacute; estava farto de derram&aacute;-lo pela cara! Agora arrumo a x&iacute;cara.<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Quem sabe se o f&eacute;tido e o gosto prov&ecirc;em da x&iacute;cara!?<br \/>\n    Pode ser! Para n&atilde;o tornar a ter destes prazeres&#8230; (atirando) quebrarei<br \/>\n    as pernas deste pan&ccedil;udo! (Atira x&iacute;cara e pires &agrave;s pernas<br \/>\n    do criado.)<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; &Oacute; diabo! quase me quebras as pernas! Mas ficou sem o casal<br \/>\n    da x&iacute;cara! O que me vale (&agrave; parte) &eacute; que por eu h&aacute;<br \/>\n    muito j&aacute; o conhecer, mandei o ano passado forr&aacute;-las de a&ccedil;o<br \/>\n    no ferreiro das encomendas, que mora l&aacute; por tr&aacute;s das vendas,<br \/>\n    na Rua das Contendas!<\/p>\n<h4><a name=\"2\">ATO SEGUNDO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p> LUDUVINA &#8211; (mulher de Gabriel Galdino, velha feia e com presun&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    e ares de feiticeira) Gra&ccedil;as a Deus que j&aacute; se pode vir a esta<br \/>\n    sala (Olhando para o ch&atilde;o.) Oh! cacos! Que barulho haveria aqui! Quem<br \/>\n    quebraria esta lou&ccedil;a!? Querem ver que o meu marido, o Sr. barrigudo<br \/>\n    e bundudo, que pelas n&aacute;degas (e se espera que fa&ccedil;a o mesmo pelo<br \/>\n    embigo) andou brigando com o amo, que &eacute; uma outra das mais raras esquisitices<br \/>\n    que se h&aacute; visto sobre a Terra! Nem foi outra cousa! Deixem-nos por<br \/>\n    minha conta; hei de p&ocirc;r-lhes freio e lei, e em toda a sua grei!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; (entrando) Oh! minha querida Luduvina! Levantei-me a sonhar como<br \/>\n    um son&acirc;mbulo. Agarrei-me primeiro a uma janela, pensando que era a Sra.!<br \/>\n    Depois a uma talha, ainda com a mesma ilus&atilde;o! E intimamente a uma m&uacute;sica<br \/>\n    chamada cavatina, pensando sempre que era a Sra. D. Luduvina!<\/p>\n<p> LUDUVINA &#8211; O Sr. &eacute; muito gracejador! Quem o manda dormir tanto! Por<br \/>\n    que n&atilde;o faz como eu, que atiro-me do mar, ponho-me no ar!? Sabe que<br \/>\n    mais? (Pondo o dedo em frente ao rosto dele, como amea&ccedil;ando.) Se quiser<br \/>\n    continuar a ser meu, h&aacute; de, primeiro: Levantar-se de madrugada, sen&atilde;o<br \/>\n    &agrave; do galo primeira cantada! Segundo; banhar-se dos p&eacute;s &agrave;<br \/>\n    cabe&ccedil;a, e esfregar-se com fino sab&atilde;o ingl&ecirc;s ou sabonete.<br \/>\n    Terceiro; alimentar-se tr&ecirc;s vezes ao dia; e de comidas simples e brandas;<br \/>\n    como por exemplo: uma x&iacute;cara de chocolate para almo&ccedil;o com uma<br \/>\n    fatia ou alguma massa fina torrada ou n&atilde;o; um ou dois pedacinhos de<br \/>\n    galinha ou cousa id&ecirc;ntica, para o jantar, e quando muito mais (o que<br \/>\n    n&atilde;o julgo necess&aacute;rio) &#8211; um c&aacute;lix de vinho superior, ou<br \/>\n    uma x&iacute;cara de caf&eacute;, ou de ch&aacute;. A noite &#8211; qualquer l&iacute;quido<br \/>\n    destes como ceia. O melhor de tudo &eacute; tomar uma s&oacute; bebida para<br \/>\n    almo&ccedil;o, e para ceia; e para o jantar tamb&eacute;m um s&oacute; pratinho<br \/>\n    com um c&aacute;lix de vinho, ou uma x&iacute;cara de caf&eacute;; no primeiro<br \/>\n    caso se for com carne; no segundo se for&#8230;<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Agora acabe! Depois da ceia, diga: O que havemos de fazer? Em<br \/>\n    que me hei de entreter!?<\/p>\n<p> LUDUVINA &#8211; De noite, depois do ch&aacute;&#8230; j&aacute; se sabe (abra&ccedil;ando-o),<br \/>\n    vamos para a cama dormir quentinhos! Fazer alguns&#8230; alguns filhinhos. Sabe,<br \/>\n    n&atilde;o? Entende o que eu lhe quero dizer? Entende; entende; o Sr. n&atilde;o<br \/>\n    &eacute; nenhum ignorante.<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Est&aacute;s gaiata; gaiatissima. Pois n&atilde;o basta a nossa<br \/>\n    filha Esm&eacute;ria para nos entreter!? Ainda queres mais filhinhas!?<\/p>\n<p> LUDUVINA &#8211; &Eacute; porque eu sempre gostei&#8230;<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Mas isso era no tempo de mo&ccedil;a; agora estamos velhos&#8230;<\/p>\n<p> LUDUVINA &#8211; A mulher nunca &eacute; velha! E o homem sempre &eacute; mo&ccedil;o.<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Ora explique-me Sra. Pulqu&eacute;ria, a sua asser&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    eu n&atilde;o a entendo bem.<\/p>\n<p> LUDUVINA &#8211; Visto que me troca o nome, eu lhe trocarei o chap&eacute;u. (Tira<br \/>\n    o que ele tem na cabe&ccedil;a e p&otilde;e-lhe outro mais esquisito.) O nome<br \/>\n    que me deu, regula com o chap&eacute;u, que eu lhe ponho: e d&ecirc; gra&ccedil;as<br \/>\n    a Deus n&atilde;o o deixar com a calva &agrave; mostra!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; J&aacute; agora estarei por tudo. Casei-me de fato com a Sra.;<br \/>\n    n&atilde;o h&aacute; rem&eacute;dio (&agrave; parte) sen&atilde;o atur&aacute;-la&#8230;<\/p>\n<p> <strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (entrando) Oh! que &eacute; isto? O Sr. acompanhado aqui desta<br \/>\n    dama!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Pois que tem? Sim; sabe&#8230; o meu casamento&#8230; sim; o Sr. ignora!<br \/>\n    Tem raz&atilde;o!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Pois o Sr. &eacute; casado!? <\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; E at&eacute; tenho uma filha chamada Esm&eacute;ria.<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (olhando para um lado) E esta! O meu criado casado; e j&aacute;<br \/>\n    com uma filha.<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Sim, Sr. Sim, Sr. E por isso mesmo far-lhe-ei em breve as minhas<br \/>\n    despedidas!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Ainda mais esta! Fala-me em despedida! (Pausa.) E depois quem<br \/>\n    me h&aacute; de servir, se me faltar este pan&ccedil;udo barrigudo!<\/p>\n<p> ESM&Eacute;RIA &#8211; (entrando) Sua b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, meu pai.<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Oh! bem-vinda, minha querida!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Onde diabo, em que casa tinhas tu metido a mulher, e este anjo<br \/>\n    de bondade!? T&atilde;o escondidos ou bem guardados, que eu nunca pude saber<br \/>\n    que existiam!?<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; N&atilde;o me convinha; porque sei quanto o Sr. &eacute; amigo<br \/>\n    de alheias mulheres! E se a minha Esm&eacute;ria &eacute; um anjo de bondade,<br \/>\n    a minha Luduvina &eacute; uma santa de maldade!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (muito zangado). Todos t&ecirc;m mulher. (Puxando os cabelos.)<br \/>\n    Isto &eacute; o diabo! &Eacute; o diabo. E &eacute; o diabo. Onde irei eu<br \/>\n    buscar, achar uma que me agrade! (De repente, para Gabriel Galdino:) Amigo,<br \/>\n    d&aacute;s-me a tua filha em casamento!? (Pondo-lhe a m&atilde;o no peito.)<br \/>\n    Se m&#8217;a d&aacute;s, hoje mesmo, meu caro, ela ser&aacute; minha mulher!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; A minha Esm&eacute;ria &eacute; um anjo de bondade; s&oacute;<br \/>\n    se o Sr. se sujeitar a todos os preceitos que ela lhe impuser!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Mas que diabos de preceitos s&atilde;o esses!? Pois tu n&atilde;o<br \/>\n    me conheces? N&atilde;o sabes quanto eu sou franco e generoso; cavalheiro<br \/>\n    e&#8230;<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Sei; sei de tudo isso! Mas eu n&atilde;o quero faz&ecirc;-la infeliz!<br \/>\n    O Ilmo.0 Sr. Dr. Fernando h&aacute; de ser uma esp&eacute;cie, ou um verdadeiro<br \/>\n    criado fiel de minha filha; e h&aacute; de declar&aacute;-lo em uma folha<br \/>\n    de papel, escrita por tabeli&atilde;o e assinada pelo juiz competente; o dos<br \/>\n    casamentos ou dos neg&oacute;cios civis. Etc. etc. e etc. Com a satisfa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de todas estas condi&ccedil;&otilde;es, ou seu preenchimento, a minha muito<br \/>\n    querida filha, se quiser, ser&aacute; sua mulher. Fora delas, ou sem elas,<br \/>\n    n&atilde;o falaremos, n&atilde;o trocaremos mais sobre t&atilde;o melindroso<br \/>\n    assunto.<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (&agrave; parte) E o caso n&atilde;o julgado &eacute; verdade<br \/>\n    &#8211; que estou pela menina apaixonado; e que por isso mesmo n&atilde;o ter&aacute;<br \/>\n    rem&eacute;dio o Sr. Fernando, sen&atilde;o a tudo se ir sujeitando. Assim<br \/>\n    &eacute; que servia-me o meu futuro sogro; h&aacute; mais de seis meses sem<br \/>\n    que eu soubesse que era casado, e que tinha uma filha! Foi realmente um mist&eacute;rio.<br \/>\n    E dizem-me que n&atilde;o aparecem ou n&atilde;o se v&ecirc;em milagres no<br \/>\n    tempo presente.<\/p>\n<h4><a name=\"3\">ATO TERCEIRO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; (criada de Almeida Garrett) Depois que este meu amo se associou<br \/>\n    ao Sr. Fernando de Noronha; que este se casou com a Sra. D. Esm&eacute;ria,<br \/>\n    filha de um velho criado deste; e finalmente, depois que se juntou certa camara&oacute;tica<br \/>\n    de maridos, mulheres, genros, criados ou quiabos, anda esta casa sempre assim!<br \/>\n    Ningu&eacute;m os entende! Se se vai servir &agrave; Sra. D. Luduvina, eis<br \/>\n    que se ouve a voz do Sr. Fernando de Noronha, gritando &#8211; &quot;Luduvica! Luduvica!<br \/>\n    traz-me as botas&quot;! Se se est&aacute; servindo ao Sr. Dr. Fernando, eis<br \/>\n    que me chama a Sra. D. Esm&eacute;ria: &quot;- Luduvica! Luduvica! toma este<br \/>\n    recado e vai lev&aacute;-lo &agrave; casa de minha prima Hermen&ecirc;utica&quot;.<br \/>\n    Finalmente, se estou servindo a qualquer destes, eis que o Sr. Gabriel Galdino,<br \/>\n    criado outrora malcriado, barrigudo, pan&ccedil;udo, bundudo, grita: &quot;~D&aacute;<br \/>\n    c&aacute; de l&aacute; os chinelos, que estou com os &oacute;culos na cabe&ccedil;a!&quot;<br \/>\n    Enfim, &eacute; o diabo! &Eacute; o diabo! Muito desejo ver-me livre desta<br \/>\n    casa, em que seis ou oito meses de servi&ccedil;o j&aacute; me fedem! Ainda<br \/>\n    que me n&atilde;o queiram pagar, quando n&atilde;o o pensarem h&atilde;o de<br \/>\n    me ver raspar! (Entra Almeida Garrett, Gabriel Galdino e Fernando de Noronha.)<\/p>\n<p> GABRIEL GALDINO &#8211; Com todos os diabos! Estou hoje com tais disposi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de avan&ccedil;ar a cora&ccedil;&otilde;es, que se tu n&atilde;o fosses casada<br \/>\n    (pondo a m&atilde;o em Luduvica), protesto que me n&atilde;o escaparias!<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; Como o Sr. est&aacute; engra&ccedil;ado! Pensa que mesmo sendo,<br \/>\n    e que mesmo n&atilde;o sendo, eu havia de ceder aos seus desejos brutais,<br \/>\n    sabendo principalmente que &eacute; casado, atoleimado, foi criado e que tem<br \/>\n    filhos!? Est&aacute;; est&aacute; &#8211; muito e muito enganado!<\/p>\n<p> FERNANDO DE NORONHA &#8211; Oh! Sr. Gabriel Galdino, isso n&atilde;o &eacute;<br \/>\n    cousa que se fa&ccedil;a &agrave;s escondidas de algu&eacute;m. Eis porque<br \/>\n    n&atilde;o h&aacute; criados que queiram servir-nos (Com for&ccedil;a.) Isto<br \/>\n    envergonha! Envergonha, e faz afastar de n&oacute;s todos os criados e criadas<br \/>\n    que h&aacute; em toda esta cidade! &Eacute; esta a d&eacute;cima-oitava que<br \/>\n    para aqui vem; e que n&atilde;o tardar&aacute; a deixar-nos! Se o Sr. n&atilde;o<br \/>\n    mudar de comportamento, estamos todos perdidos! Teremos em breve de nos servirmos<br \/>\n    com as nossas pr&oacute;prias m&atilde;os!<\/p>\n<p> GARRETT &#8211; Ainda ser&aacute; bom se nos servirmos s&oacute; com as nossas<br \/>\n    m&atilde;os! Se n&atilde;o nos for necess&aacute;rio servirmo-nos com os nossos<br \/>\n    p&eacute;s!<\/p>\n<p> GABRIEL GALDINO N&atilde;o &#8211; toleir&otilde;es! Eu estava apenas brincando.<br \/>\n    Queria ver a que ponto chegava a pudic&iacute;cia da nossa encantadora e am&aacute;vel<br \/>\n    servidora &#8211; Luduvica Ant&ocirc;nia da Porciuncula. (Fazendo men&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de abra&ccedil;&aacute;-la,. ela afasta-se um pouco como receosa.) N&atilde;o<br \/>\n    receies, minha Menina; se vos desse um abra&ccedil;o &#8211; seria de amizade, ou<br \/>\n    igual &agrave;queles que os Pais d&atilde;o nos filhos; as m&atilde;es nas<br \/>\n    filhas; etc. etc.<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Luduvica, j&aacute; preparaste o que te disse de manh&atilde;<br \/>\n    que queria?<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; Como havia de preparar, se eu n&atilde;o me posso voltar nem<br \/>\n    mexer-me para lado algum!? Se me volto para a direita, sou chamada da esquerda;<br \/>\n    se para a esquerda, incomodada pela direita; e finalmente pelos flancos) retaguarda<br \/>\n    e vanguarda; sempre e sempre chamada, incomodada e flagelada!<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; Em vista disso, irei eu mesmo preparar! (Sai muito zangado, mas<br \/>\n    p&aacute;ra-se na porta.)<\/p>\n<p> GARRETT &#8211; E as minhas camisas, cal&ccedil;as e ceroulas &#8211; j&aacute; aprontaste?<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; N&atilde;o tenho tido tempo nem para coser os meus vestidos,<br \/>\n    quanto mais a sua roupa!<\/p>\n<p> GARRETT &#8211; Uma criada assim, n&atilde;o sei para que diabo pode servir! (Vai<br \/>\n    a sair e esbarra-se com Fernando de Noronha, que at&eacute; ent&atilde;o se<br \/>\n    acha s&eacute;rio e firme, como um soldado de sentinela em frente do inimigo.)<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; Alto l&aacute;! Aqui ningu&eacute;m passa. Ponha-se a&iacute;<br \/>\n    ao lado, e firme como um soldado. Quero ver at&eacute; que ponto chega a aud&aacute;cia<br \/>\n    desta criada! (Garrett perfila-se ao lado direito.)<\/p>\n<p> GABRIEL GALDINO &#8211; (com palavras muito ternas ou a&ccedil;ucaradas) Ent&atilde;o,<br \/>\n    minha queridinha? (Aproxima-se a ela.) Nem um beijinho me d&aacute;s, nem<br \/>\n    uma boquinha, nem um abracinho, nem ao menos um volver desses olhos estrelados!<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; (sorrindo-se) Ora, nunca pensei que o Sr. fosse t&atilde;o audaz!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Pois &eacute; aud&aacute;cia pedir-se aquilo de que se tem necessidade!?<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; V&aacute; procurar a sua mulher, e com ela fa&ccedil;a o que<br \/>\n    quiser!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; E se ela n&atilde;o quiser, o que hei de eu fazer!?<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; Ter paci&ecirc;ncia, e fazer-lhe contin&ecirc;ncia!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Ent&atilde;o, al&eacute;m de me negar aquilo que me deve dar,<br \/>\n    ainda hei de ter paci&ecirc;ncia e fazer-lhe contin&ecirc;ncia!?<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; E que rem&eacute;dio o Sr. ter&aacute;, sen&atilde;o assim proceder,<br \/>\n    ou humilhar-se!? Se o n&atilde;o fizer, ela o ferir&aacute;; o Sr. h&aacute;<br \/>\n    de morrer, ou ela se matar!<\/p>\n<p> GABRIEL &#8211; Em vista disso, adeus minha queridinha; adeus! (Vai a sair e encontra<br \/>\n    o mesmo obst&aacute;culo como Garrett.)<\/p>\n<p> FERNANDO &#8211; (para Gabriel Galdino) Alto, frente! Tome a esquerda e perfile-se!<br \/>\n    (Desembainhando a espada por detr&aacute;s.)<\/p>\n<p> (Gabriel toma a esquerda e perfila-se.)<\/p>\n<p> LUDUVICA &#8211; Que far&atilde;o os tr&ecirc;s pandorgas (Passeando e vigiando-os<br \/>\n    ora com o rabo de um, ora com o rabo de outro olho.) Que esperar&atilde;o<br \/>\n    eles! Pensar&atilde;o mesmo que me h&atilde;o de continuar a massar!? Est&atilde;o<br \/>\n    bem servidos! Eu os componho; eu agora mostro-lhes o que &eacute; a for&ccedil;a<br \/>\n    de uma mulher, quando esta est&aacute; a tudo resolvida, ou mesmo quando apenas<br \/>\n    quer mangar com algum homem! (Puxa, passeando, um punhal que ocultava no seio<br \/>\n    e conserva-o escondido na manga do vestido.) Estes (&agrave; parte) meus amos<br \/>\n    s&atilde;o uns poltr&otilde;es; eu fa&ccedil;o daqui carreira, fa&ccedil;o<br \/>\n    brilhar o punhal; eles, ou me h&atilde;o deixar passar livremente, ou caem<br \/>\n    por terra mortos de terror; e n&atilde;o s&oacute; por serem uns comil&otilde;es,<br \/>\n    uns poltr&otilde;es, tamb&eacute;m porque&#8230; n&atilde;o direi mas o farei!<br \/>\n    (Volta-se repentinamente; faz brilhar o punhal; avan&ccedil;a-se para eles,<br \/>\n    os dos lados caem cada qual para seu lado, e o do centro para diante; ela<br \/>\n    salta em cima deste, volta-se para o p&uacute;blico e grita levantando o punhal:)<br \/>\n    Eis-me pisando um homem, como um carancho a um cavalo morto! Quando a for&ccedil;a<br \/>\n    da raz&atilde;o, do direito e da justi&ccedil;a, empregada por atos e por<br \/>\n    palavras, n&atilde;o for bastante para triunfar, lan&ccedil;ai m&atilde;o<br \/>\n    do punhal&#8230; e lan&ccedil;ai por terra os vossos indignos inimigos, como fiz<br \/>\n    e vedes a estes tr&ecirc;s algozes!<\/p>\n<p> (Desce o pano, passados alguns minutos, e assim finda o terceiro Ato.)<\/p>\n<h4><a name=\"4\"><strong>ENTREATO<\/strong><\/a><\/h4>\n<p> JER&Ocirc;NIMO DE AVIS &#8211; (entrando com flauta e tr&ecirc;s tocadores, com<br \/>\n    v&aacute;rios instrumentos) L&aacute; vai! (Sopra a flauta; e esta n&atilde;o<br \/>\n    d&aacute; mais que um assovio destemperado; sopra com mais for&ccedil;a, sucede<br \/>\n    o mesmo, ou ainda pior. Muito ansiado, querendo desculpar&#8211;se:) Senhores,<br \/>\n    deu o t&eacute;tano na minha flauta! Desculpem; desculpem!<\/p>\n<p> OS OUTROS &#8211; Qual desculpa, nem desculpa! Emba&ccedil;ou-nos, agora h&aacute;<br \/>\n    de aprender a tocar todos os instrumentos. (Caem-lhe em cima com eles; ele<br \/>\n    defende-se com a flauta; de uns e de outros; e assim que pode corre a safar-se.<br \/>\n    Os Outros fingem persegui-lo; ele procura escapar-se e n&atilde;o pode, dando<br \/>\n    tamb&eacute;m em uns e em outros com a flauta, dizendo-lhes:)<\/p>\n<p> JER&Ocirc;NIMO DE AVIS &#8211; Paguem as li&ccedil;&otilde;es que lhes dei ensinando-os<br \/>\n    a tocar flauta.<\/p>\n<p> (Neste ato e barulho, deve pouco a pouco ir descendo o pano.)<\/p>\n<p> <strong>QUADRO<\/strong><\/p>\n<p> Aparecem todos; cantam &#8211; e dan&ccedil;am mascarados; de violas, tambores,<br \/>\n    flautas, rabecas e viol&otilde;es &#8211; os seguintes versinhos:<\/p>\n<p> Minha Musa est&aacute; vazia,<\/p>\n<p>De tanto haver dado &agrave; Tia!<\/p>\n<p>Minha rabeca n&atilde;o canta,<\/p>\n<p>Nem o viol&atilde;o descanta!<\/p>\n<p> Trai, larai; tri, lari,<\/p>\n<p>Lari; trai,. larai, tri lari<\/p>\n<p>Larou&#8230;<\/p>\n<p> (Repete-se.)<\/p>\n<p> Minha viola &#8216;st&aacute; zangada,<\/p>\n<p>Por n&atilde;o ter mais uma corda;<\/p>\n<p>Dela a flauta discorda;<\/p>\n<p>E assim &#8211; s&oacute; desagrada!<\/p>\n<p> Trai, larai; tri, lari,<\/p>\n<p>Lari; trai,. larai, tri lari<\/p>\n<p>Larou&#8230;<\/p>\n<p> Minha rabeca assovia;<\/p>\n<p>Com esse rouco viol&atilde;o,<\/p>\n<p>N&atilde;o faz boa harmonia:<\/p>\n<p>Hei de ver melhor baix&atilde;o!<\/p>\n<p> Trom larom,<\/p>\n<p>Larom larom larom;<\/p>\n<p>Trom larom larom<\/p>\n<p>Larau lau lau!&#8230;<\/p>\n<p> (Repete-se.)<\/p>\n<p> Meus tambores est&atilde;o rotos!<\/p>\n<p>Que fazer deles &#8211; n&atilde;o sei!<\/p>\n<p>Hei de vende-los ao Rei,<\/p>\n<p>Cobertos de peles d&#8217;escrotos!<\/p>\n<p> Trom larom,<\/p>\n<p>Larom larom larom;<\/p>\n<p>Trom larom larom<\/p>\n<p>Larau lau lau!&#8230;<\/p>\n<p> (Repete-se.)<\/p>\n<p> Minha flauta j&aacute; n&atilde;o toca,<\/p>\n<p>Mas apenas &#8211; assovia!<\/p>\n<p>&#8211; Se n&atilde;o melhorar na pia,<\/p>\n<p>&#8211; Hei de mand&aacute;-la &agrave; taboca!<\/p>\n<p> Drom, larom, larom,<\/p>\n<p>Larim lau lau, drom,<\/p>\n<p>Larom, lari, lari, larom!<\/p>\n<p> (Repete-se.)<\/p>\n<p> Cantados e repetidos estes versos por duas ou mais vozes, dan&ccedil;ando-se<br \/>\n    e tocando-se ch&oacute;teze, cada um canta os que dizem respeito ao instrumento<br \/>\n    que toca.<\/p>\n<p> &#8211; Termina o Quadro; e com ele a Com&eacute;dia, do seguinte modo:<\/p>\n<p> O FLAUTISTA &#8211; (para os outros) Srs.! Sil&ecirc;ncio! O mais profundo sil&ecirc;ncio!<br \/>\n    Vou tocar a mais agrad&aacute;vel pe&ccedil;a, e de minha composi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que se possa ter ouvido no planeta que habitamos! Ou&ccedil;am! Ou&ccedil;am!<br \/>\n    (Todos ficam silenciosos; e p&otilde;em os instrumentos debaixo do bra&ccedil;o<br \/>\n    esquerdo. O Flautista, levando a flauta &agrave; boca:)<\/p>\n<p>Fi&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. u&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. <\/p>\n<p><strong>(Desce o pano)<\/strong><\/p>\n<p> <b>Fim do Quadro e da Com&eacute;dia.<br \/>\n    Porto Alegre, Junho 6 de 1866.<br \/>\n    Por Jos&eacute; Joaquim de Campos Le&atilde;o Qorpo-Santo.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: Ato Primeiro Ato Segundo Ato Terceiro Entreato Qorpo Santo Personagens Fernando Noronha Gabriel Galdino Almeida Garr&ecirc; Jer&ocirc;nimo Avis Luduvica Luduvina Esm&eacute;ria Rosinha e Coriolana Tr&ecirc;s tocadores As cenas passam-se em Paris. 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