{"id":116760,"date":"2017-03-31T09:10:54","date_gmt":"2017-03-31T11:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=116760"},"modified":"2017-03-31T09:10:54","modified_gmt":"2017-03-31T11:10:54","slug":"mateus-e-mateusa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/mateus-e-mateusa","title":{"rendered":"Mateus e Mateusa"},"content":{"rendered":"<p><center><\/p>\n<table width=\"587\"  cellpadding=\"7\" cellspacing=\"0\">\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\"><font color=\"#666666\" size=\"2\" face=\"Arial, Helvetica, sans-serif\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#1\" class=\"links\">Cena Primeira<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#2\" class=\"links\">Cena Segunda<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#3\" class=\"links\">Cena Terceira<\/a><\/p>\n<p>\t\t  <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h2>Qorpo Santo<\/h2>\n<h4>Com&eacute;dia em Um Ato<\/h4>\n<p><strong>Personagens <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p> Mateus, velho de 80 anos<\/p>\n<p> Mateusa, idem<\/p>\n<p> Catarina, filha<\/p>\n<p> P&ecirc;dra, filha <\/p>\n<p> Silvestra, filha<\/p>\n<p> Barri&ocirc;s, criado<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4><strong>ATO PRIMEIRO<\/strong><\/h4>\n<h4><a name=\"1\"><strong>CENA PRIMEIRA<\/strong><\/a><\/h4>\n<p>MATEUS (caminhando em roda da casa; e Mateusa assentada em uma cadeira) &#8211;<br \/>\n    Que est&atilde;o fazendo as meninas, que ainda as n&atilde;o vi hoje?!<\/p>\n<p>MATEUSA (balan&ccedil;ando-se) &#8211; E o Sr. Que se importa, Sr. Velho Mateus,<br \/>\n    com as suas filhas?<\/p>\n<p>MATEUS (voltando-se para esta) &#8211; Ora &eacute; boa esta! A Sra. sempre foi,<br \/>\n    &eacute;, e ser&aacute; uma (atirando com a perna) &#8211; n&atilde;o s&oacute;<br \/>\n    impertinente, como atrevida! <\/p>\n<p>MATEUSA &#8211; Ora, veja l&aacute;, Sr. Torto (levantando-se), se estamos no tempo<br \/>\n    em que o Sr. A seu belo prazer me insultava! Agora eu tenho filhos que me<br \/>\n    h&atilde;o de vingar.<\/p>\n<p>MATEUS (abra&ccedil;ando-a) &#8211; N&atilde;o; n&atilde;o, minha querida Mateusa;<br \/>\n    tu bem sabes que isso n&atilde;o passa de impertin&ecirc;ncias dos 80. Tem<br \/>\n    paci&ecirc;ncia. Vai me aturando, que te hei de deixar minha universal herdeira<br \/>\n    ( atirando com uma perna) do reumatismo que o demo do teu Av&ocirc; torto<br \/>\n    meteu-me nesta perna! (atirando com um bra&ccedil;o) das incha&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    que todas as primaveras arrebentam nestes bra&ccedil;os! (abrindo a camisa)<br \/>\n    das chagas que tua m&atilde;e com seus l&aacute;bios de v&ecirc;nus imprimiu-me<br \/>\n    neste peito! E finalmente (arrancando a cabeleira): da calv&iacute;cie que<br \/>\n    tu me pegaste, arrancando-me ora os cabelos brancos, ora os pretos, conforme<br \/>\n    as mulheres com quem eu falava! Se elas (virando-se para o p&uacute;blico)<br \/>\n    os tinham pretos, assim que a sujeitinha podia, arrancava-me os brancos, sob<br \/>\n    o fr&iacute;volo pretexto de que me namoravam! Se elas os tinham brancos,<br \/>\n    fazia-me o mesmo, sob ainda o frivol&iacute;ssimo pretexto de que eu as namorava<br \/>\n    (batendo com as m&atilde;os, e caminhando). E assim &eacute;; e assim &eacute;,<br \/>\n    &#8211; que calvo! calvo, calvo, calvo, calvo, calvo (algum tanto cantando) calv&ocirc;&#8230;<br \/>\n    calv&ocirc;&#8230; calv&ocirc;&#8230; &ocirc;&#8230;&ocirc;&#8230;&ocirc;!&#8230;<\/p>\n<p>MATEUSA (pondo as m&atilde;os na cabe&ccedil;a) &#8211; Meu Deus! Que homem mais<br \/>\n    mentiroso! C&eacute;us! <\/p>\n<p>Quem diria que ainda aos 80 este judeu-errante havia de proceder como aso<br \/>\n    quinze, quando roubava frutas do Pai!<\/p>\n<p>MATEUS (com fala e voz muito rouquenha) &#8211; Ora, Sra.! Ora, Sra.!Quem, quem<br \/>\n    lhe disse essa asneira?! (Profere estas palavras querendo andar e quase sem<br \/>\n    poder. &Eacute; este o todo do velho em todos os seus discursos.) <\/p>\n<p>MATEUSA (empurrando-o) &#8211; Ent&atilde;o para que fala de mim a todas as mo&ccedil;as<br \/>\n    que aqui v&ecirc;m, Sr., chino?! Para qu&ecirc;, hem? Se o Sr. n&atilde;o<br \/>\n    fosse mais namorador que um macaco preso a um cepo, certamente n&atilde;o<br \/>\n    diria &#8211; que sou velha, feia e magra! Que sou doente de asma; que tenho uma<br \/>\n    perna mais curta que a outra; que&#8230; que&#8230; finalmente, que j&aacute; (voltando-se<br \/>\n    com express&atilde;o de terror) n&atilde;o lhe sirvo para os seus fins de<br \/>\n    (pondo a m&atilde;o em um olho) de&#8230; O Sr. bem sabe! (esfregando com as costas<br \/>\n    da m&atilde;o o outro [ olho] com voz de quem chora). Sim, se eu n&atilde;o<br \/>\n    fosse desde a minha mais tenra idade um espelho, tipo, ou sombra de vergonha<br \/>\n    e de acanhamento, eu diria (virando-se para o p&uacute;blico): J&aacute; n&atilde;o<br \/>\n    quer dormir comigo! Feio! (saindo da sala) mau! velho! rabugento! T&atilde;ob&eacute;m<br \/>\n    n&atilde;o te quero mais, fedorento!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Mas (voltando-se para o fundo), e as meninas, onde est&atilde;o!?<br \/>\n    Onde? Onde? (Puxa a cabeleira.) P&ecirc;dra! Catarina! Silvestra! (Escuta<br \/>\n    um pouco.) Nenhuma aparece! Cru&eacute;is! Fariam o mesmo que a M&atilde;e!?<br \/>\n    Fugiriam de mim!? Coitado! Pobre de quem &eacute; velho! As mulheres fogem,<br \/>\n    e as filhas desaparecem!<\/p>\n<h4><a name=\"2\"><strong>CENA SEGUNDA<\/strong><\/a><\/h4>\n<p>P&Ecirc;DRA (entrando) &#8211; O que &eacute;, Papaizinho? O que &eacute; que quer?<br \/>\n    O que tem? Sucedeu-lhe alguma cousa? N&atilde;o? (Pegando-lhe no bra&ccedil;o.)\n  <\/p>\n<p>MATEUS (como acordando-se de um sonho.) &#8211; Hem? (Esfregando os olhos.) Hem?<br \/>\n    O que &eacute;? Que &eacute;? Chegou algu&eacute;m? Eu estava, aqui estava.<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; Que tem, meu Pai? <\/p>\n<p>MATEUS (assoando-se sem tocar no nariz, e olhando) &#8211; Vejam o que &eacute;<br \/>\n    ser velho! Menina, menina, j&aacute; que est&aacute;s aqui, d&aacute;-me um<br \/>\n    len&ccedil;o; anda (pegando nos bra&ccedil;os da filha), anda, minha queridinha;<br \/>\n    v&ecirc; um len&ccedil;o para o vosso velho paizinho! Sim; sim; vai; vai;<br \/>\n    anda. (Fazendo-a caminhar.) <\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA (voltando-se) &#8211; Tamb&eacute;m este meu Pai cada vez fica mais<br \/>\n    porco! Por isso &eacute; que a <\/p>\n<p>minha m&atilde;e j&aacute; enjoou ele tanto, que nem o pode ver! (Saindo.)<br \/>\n    Eu j&aacute; vou buscar! Espere um minuto (com as m&atilde;os, fazendo-o parar),<br \/>\n    j&aacute; venho, Papai! J&aacute; venho, e vou buscar-lhe um dos mais lindos<br \/>\n    (com ar gracioso) que encontrar em meu guarda-roupa, ouviu, Papai? Ouviu?\n  <\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Sim, sim; j&aacute; ouvi. Tu sempre foste o encanto dos meus olhos;<br \/>\n    o sonho de todos os meus momentos&#8230; (Entra outra.) Esta menina (voltado para<br \/>\n    o povo) &eacute; os encantos da imagina&ccedil;&atilde;o desta cabe&ccedil;a<br \/>\n    (batendo com as m&atilde;os, uma de cada lado da cabe&ccedil;a) e objeto que<br \/>\n    ao ver, me enche (apalpando o cora&ccedil;&atilde;o) este cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de alegria! <\/p>\n<p>CATARINA &#8211; E eu, Papai? E eu, ent&atilde;o n&atilde;o mere&ccedil;o alguma?!<\/p>\n<p>MATEUS (voltando-se e olhando para Catarina) &#8211; Minha querida Filha! Minha<br \/>\n    querida Catarina! (Abra&ccedil;ando-a .) &Eacute;s tu, oh! Quanto me apraz<br \/>\n    ver-te! Se tu soubesses, querid&iacute;ssima Filha, qu&atilde;o grande &eacute;<br \/>\n    o prazer que banha (inclinando-se e levando a m&atilde;o ao peito) este peito!<br \/>\n    Sim (tornando a abra&ccedil;&aacute;-la) , tu &eacute;s um dos entes que fazem<br \/>\n    com que eu preze a velha exist&ecirc;ncia, ainda por alguns dias! Sim sim,<br \/>\n    sim! Tu, tua s&aacute;bia irm&atilde; P&ecirc;dra; e&#8230; e aquela que ainda<br \/>\n    hoje n&atilde;o tive a fortuna de ver, a tua mais que simp&aacute;tica irm&atilde;<br \/>\n    Silvestra; &#8211; s&atilde;o todas tr&ecirc;s os Anjos que me amparam; que me alimentam<br \/>\n    o corpo e a lama; por que, e para quem vivo; e morreria, se fosse mister!\n  <\/p>\n<p>(Entra Silvestra, aos pulinhos, e P&ecirc;dra, fazendo passos de dan&ccedil;a.)<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; Papaizinho do meu cora&ccedil;&atilde;o! (abra&ccedil;ando-o<br \/>\n    pelas pernas.) Voc&ecirc; &eacute; o meu tudo! Olhe, Papaizinho: eu sonhei<br \/>\n    que o Sr. queria um len&ccedil;o, e corri! Tomei este que a mana Catarina<br \/>\n    lhe trazia, e lhe truce! <\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Quanto sou feliz! (Pega o len&ccedil;o e enxuga os olhos.) <\/p>\n<p>CATARINA (&agrave; parte, e com express&atilde;o de dor) &#8211; Ele disse que<br \/>\n    a outra era simp&aacute;tica; e de mim nem ao menos diz que sou formosa. Sempre<br \/>\n    &eacute; velho: n&atilde;o sabe agradar a todos!<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; Papai! Eu n&atilde;o fui portadora do que me pediu, porque<br \/>\n    a Silvestra &eacute; muito velhaca, e muito ligeira! Assim que me viu com<br \/>\n    o len&ccedil;o na m&atilde;o, tomou-m&#8217;o, e correu para trazer-lhe primeiro<br \/>\n    que eu!<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; &Eacute; porque eu quero (dando com a m&atilde;o na irm&atilde;)<br \/>\n    mais bem ao Papai do que Voc&ecirc;; a&iacute; est&aacute;!<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; Pois n&atilde;o! N&atilde;o v&ecirc; que a Sra. j&aacute; pesou<br \/>\n    os graus de amor que em meu cora&ccedil;&atilde;o eu consagro a meu Pai&#8230;<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; N&atilde;o preciso pesar! Olhe: no seu cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    existe certa for&ccedil;a ou quantidade de amor consagrado (afagando com as<br \/>\n    m&atilde;os) ao papaizinho! E em mim, todo o meu cora&ccedil;&atilde;o &eacute;<br \/>\n    puro amor a ele tributado!<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; Vejam s&oacute; (com aspecto impertinente, desgostoso; rosto<br \/>\n    franzido, pondo a cabe&ccedil;a de um lado, etc.) como &eacute; ret&oacute;rica!<br \/>\n    N&atilde;o pensei que a Sra. estivesse t&atilde;o adiantada! N&atilde;o estudou;<br \/>\n    n&atilde;o se preparou hoje t&atilde;ob&eacute;m em seus velhos alfarr&aacute;bios<br \/>\n    de filosofia!? Se n&atilde;o se preparou, para outra vez prepare-se, e veja<br \/>\n    se ganha mais um afeto do papai!<\/p>\n<p>CATARINA (acomodando-as) &#8211; Meninas! (pegando no bra&ccedil;o de uma e de<br \/>\n    outra) acomodem-se; voc&ecirc;s parecem nen&ecirc;s!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Meus anjos (t&atilde;ob&eacute;m querendo acomod&aacute;-las). Minhas<br \/>\n    santas; minhas virgens&#8230; n&atilde;o quero que briguem, porque isso me desgosta.<br \/>\n    Sabem que j&aacute; sou velho e que os velhos s&atilde;o sempre mais sens&iacute;veis<br \/>\n    que os mo&ccedil;os&#8230; Quero v&ecirc;-las contentes; contentezinhas; ao contr&aacute;rio<br \/>\n    fico triste. <\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA E CATARINA (formando com as m&atilde;os pegadas umas nas outras<br \/>\n    um c&iacute;rculo em roda do pai.) &#8211; Nosso Papaizinho! N&atilde;o h&aacute;<br \/>\n    de se desgostar; n&atilde;o h&aacute; de chorar (dan&ccedil;ando). N&oacute;s<br \/>\n    havemos de amparar o nosso querido Papai. (Umas para as outras: ) Vamos; pulemos;<br \/>\n    dancemos; e cantemos: todos! Todos a uma s&oacute; voz. ( O Pai vira-se ora<br \/>\n    para uma, ora para outra, cheio do maior contentamento: o sorriso n&atilde;o<br \/>\n    lhe sai dos l&aacute;bios; os olhos s&atilde;o ternos; a face se franze de<br \/>\n    prazer; quer falar, e apenas diz: ) Meu Deus! Eu sou; eu sou t&atilde;o feliz!<br \/>\n    que&#8230; Sim, sou; sou muito feliz!<\/p>\n<p>(As filhas cantam:)<\/p>\n<p>N&oacute;s somos tr&ecirc;s anjinhos;<br \/>\n    E quatro &eacute;ramos n&oacute;s,<br \/>\n    Que do c&eacute;u descemos;<br \/>\n    E o amor procuremos:<br \/>\n    &#8211; Mataremos ao algoz<br \/>\n    Destes dois nossos paizinhos!<\/p>\n<p>Sempre fomos bem tratadas<br \/>\n    Quer deste, quer daquela:<br \/>\n    N&atilde;o queremos que a maldade,<br \/>\n    Para nossa felicidade,<br \/>\n    Maltrate a ele ou a ela&#8230;<br \/>\n    Mataremos tresloucadas!<\/p>\n<p>N&atilde;o somos s&oacute; anjos<br \/>\n    Que assim pensamos;<br \/>\n    Que assim praticamos;<br \/>\n    T&atilde;ob&eacute;m s&atilde;o os arcanjos!<\/p>\n<p>De principados &#8211; ex&eacute;rcitos<br \/>\n    Temos t&atilde;ob&eacute;m de virtudes!<br \/>\n    De tronos! N&atilde;o mudes,<br \/>\n    Papai! Vivam as ordens!<\/p>\n<p>&#8211; Para debelarmos fac&iacute;noras!<br \/>\n    &#8211; Para triunfarem direitos,<br \/>\n    &#8211; As armas temos nos peitos!<br \/>\n    &#8211; A for&ccedil;a de milh&otilde;es d&#8217;esp&iacute;ritos!<\/p>\n<p>(Terminado o canto, abra&ccedil;ar&atilde;o todas o Pai, e este a elas, banhados<br \/>\n    todos na maior efus&atilde;o de j&uacute;bilo.) <\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA ( para o pai) &#8211; Agora, Papai, vamos coser, bordar, fiar; fazer<br \/>\n    renda. (Para as irm&atilde;s:) Vamos, Meninas; a Mam&atilde;e j&aacute; h&aacute;<br \/>\n    de Ter a nossa tarefa pronta para nos dar trabalho!<\/p>\n<p>CATARINA- Ainda &eacute; cedo; eu n&atilde;o ouvi dar oito horas; e o nosso<br \/>\n    trabalho sempre principia &agrave;s nove.<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; Eu n&atilde;o sei o que fazer hoje: se bordar, se fiar, ou se<br \/>\n    crivar!<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; Por bem de Deus, voc&ecirc; nunca sabe o que h&aacute; de fazer!<\/p>\n<p>SILVESTRA (olhando-a com certo ar de indiferen&ccedil;a) &#8211; Se te parece,<br \/>\n    minha querida Maninha, chama-me de pregui&ccedil;osa!<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; N&atilde;o; isso eu n&atilde;o digo, porque a Sra. deu as mais<br \/>\n    delumbrantes provas de que h&aacute; de vir a ser l&aacute;&#8230; (elevando a<br \/>\n    m&atilde;o) para o futuro uma mo&ccedil;a das mais trabalhadoras que eu conhe&ccedil;o!<br \/>\n    E ainda hoje disso deu seguran&ccedil;a no jardim do quintal, em que n&atilde;o<br \/>\n    ficava flor que n&atilde;o fosse pela Sra. cultivada!<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; Inda bem que a Sra. sabe, e faz-me o obs&eacute;quio de dizer!<br \/>\n    E se eu o n&atilde;o fora ainda, n&atilde;o era de admirar; pois n&atilde;o<br \/>\n    conto mais de nove a dez anos de idade.<\/p>\n<p>MATEUS (voltando-se para Silvestra) &#8211; Pois a Sra. esteve no quintal?<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; Pois ent&atilde;o, Papai; eu n&atilde;o havia de ir cortar, arrancar<br \/>\n    todas as ervas perniciosas, que crescendo destroem as plantas, as flores preciosas<br \/>\n    ?<\/p>\n<p>MATEUS (com muita alegria, pegando a filha) &#8211; Filha! Filha minha! Vem a meus<br \/>\n    bra&ccedil;os! (Abra&ccedil;a-a e beija-a muitas vezes.) Fazes, minha muito<br \/>\n    amada Silvestra, o que Deus faz aos Governos! O que os bons Governos fazem<br \/>\n    aos Governados! Prendem; castigam; melhoram; ou inutilizam os maus &#8211; para<br \/>\n    que n&atilde;o ofendam, nem prejudiquem os bons! E voc&ecirc;s (para as outras),<br \/>\n    o que faziam, durante o tempo em que minha inteligente Silvestra procedia<br \/>\n    com tanto acerto, praticando uma t&atilde;o merit&oacute;ria a&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e digna dos maiores elogios? <\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA E CATARINA (quase ao mesmo tempo) &#8211; Eu regava as plantas e flores,<br \/>\n    com a mais fresca e cristalina &aacute;gua, a fim de que crescessem e dasabrochassem<br \/>\n    &#8211; perfeitas e puras! ( Isto disse Catarina)<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; Eu, Papai, mudava algumas e plantava outras.<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; J&aacute; vejo que todas trabalharam muito! Hei de fazer a cada<br \/>\n    uma das Sras. O mais lindo presente! (Movendo a cabe&ccedil;a &#8211; inclinando-<br \/>\n    a.) Isto &eacute;, quando eu sair &agrave; rua! Pois bem sabem que eu aqui<br \/>\n    n&atilde;o tenho com que lhes presentear.<\/p>\n<p>P&Ecirc;DRA &#8211; Eu quero&#8230; quero: o que h&aacute; de ser? (Levantando algum<br \/>\n    tanto a cabe&ccedil;a.) Uma <\/p>\n<p>boneca de cera, do tamanho da (apontando) Silvestra! E toda vestida de seda,<br \/>\n    ouviu, Papai? Com brincos, adere&ccedil;o&#8230; O Sr. sabe como se vestem as<br \/>\n    mo&ccedil;as que se casam; assim &eacute; que eu quero! N&atilde;o se esque&ccedil;a;<br \/>\n    n&atilde;o se esque&ccedil;a de comprar e me trazer assim. Olhe ( batendo-<br \/>\n    lhe a m&atilde;o no bra&ccedil;o), se na loja do Pac&iacute;fico n&atilde;o<br \/>\n    tiver, tem na do Leite, na do Rodolfo, ou do Paradeda.<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; Eu me contento com menos! Quero um vestido de seda, lavrada a<br \/>\n    barra, e as mangas a fio de ouro; com blonds, e tudo o mais que se usar, do<br \/>\n    mesmo fio, ou daquilo que for mais moderno.<\/p>\n<p>MATEUS (para Silvestra) &#8211; Contentas-te s&oacute; com isso? N&atilde;o queres<br \/>\n    sapatos de seda, botinhas de veludo t&atilde;ob&eacute;m bordadas de ouro,<br \/>\n    ou enfeite fino para a cabe&ccedil;a?<\/p>\n<p>SILVESTRA &#8211; N&atilde;o, Papai; basta o vestido; o mais tudo eu tenho muito<br \/>\n    bom, e em estado de poder servir com o lindo vestido que lhe pe&ccedil;o.<br \/>\n    Sempre gostei da economia; e sempre aborreci a prodigalidade!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Estimo muito; &eacute; o mais fiel retrato da moral do velho Mateus!<br \/>\n    (Para Catarina:)E a Sra., que est&aacute; t&atilde;o calada! Ent&atilde;o,<br \/>\n    n&atilde;o pede nada?<\/p>\n<p>CATARINA &#8211; As manas j&aacute; pediram tanto, que eu n&atilde;o sei o que<br \/>\n    lhe hei de pedir; parece que tudo h&aacute; de custar tanto dinheiro, que<br \/>\n    se o Sr. n&atilde;o tivesse ainda h&aacute; pouco tirado a sorte grande na<br \/>\n    loteria do Rio de Janeiro, eu acreditaria &#8211; que teria de vender a cabeleira,<br \/>\n    para satisfazer tantos pedidos!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; N&atilde;o; n&atilde;o, menina! O que elas pedem custa pouco comparativamente<br \/>\n    aos meus e vossos rendimentos. Diga, diga: o que mais estimar&aacute; que<br \/>\n    eu lhe traga, para comprar e trazer-lhe?!<\/p>\n<p>CATARINA &#8211; Pois bem; em vou dizer-lhe: mas V. Mc&ecirc; n&atilde;o se h&aacute;<br \/>\n    de zangar.<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; N&atilde;o; n&atilde;o; pe&ccedil;a o que quiser, que eu com muito<br \/>\n    prazer lhe trago!<\/p>\n<p>CATARINA &#8211; Pois ent&atilde;o, visto que tem gosto em me fazer um presente&#8230;<br \/>\n    At&eacute; se eu n&atilde;o tivesse de ir a um batizado &agrave; casa da minha<br \/>\n    amiga e comadre D. Leoc&aacute;dia das Neves Navarro e Souto, eu n&atilde;o<br \/>\n    diria o que mais preciso, e quero que me d&ecirc;&#8230; &Eacute; um ramalhete<br \/>\n    das mais delicadas flores que se costumavam vender nas lojas das modistas<br \/>\n    francesas e alem&atilde;s.<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; E levou tanto tempo para pedir uma cousa de t&atilde;o pouco valor!?<\/p>\n<p>CATARINA &#8211; N&atilde;o &eacute; de muito pequeno valor! O que eu quero &eacute;<br \/>\n    de uns muito mimosos, cujo pre&ccedil;o sobe a dez ou doze mil-r&eacute;is!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Pois ent&atilde;o, isso &eacute; muito barato! Mas como &eacute;<br \/>\n    o que me pede, fique certa que h&aacute; de ser servida, tanto mais que tem<br \/>\n    a inten&ccedil;&atilde;o de se apresentar com ele em um baile, batizado, ou<br \/>\n    n&atilde;o sei que festa!<\/p>\n<p>CATARINA &#8211; &Eacute; quanto basta; e com ele ficarei muito contente!<\/p>\n<p>MATEUSA (entra rengueando, revirando os olhos, e fazendo mil trejeitos; as<br \/>\n    filhas que a observam dizem umas para as outras) &#8211; A&iacute; vem a Mam&atilde;e!<br \/>\n    &#8211; (Quase em segredo, rapidamente:) Olhem a Mam&atilde;e! Vamos! Vamos! J&aacute;<br \/>\n    s&atilde;o nove horas! (Para o pai:) Papai! N&atilde;o se esque&ccedil;a das<br \/>\n    nossas encomendas, como n&oacute;s n&atilde;o nos esquecemos d&#8217;orar<br \/>\n    a Deus para que prolongue seus dias; e que estes sejam felizes! At&eacute;<br \/>\n    logo &agrave; hora do jantar ( e fazendo uma profunda cortesia, depois de<br \/>\n    lhes beijarem a m&atilde;o, pegando nas saias dos vestidos), que &eacute;<br \/>\n    quando poderemos ter o inexprim&iacute;vel prazer de passar alguns preciosos<br \/>\n    momentos em sua estim&aacute;vel companhia.<\/p>\n<h4><a name=\"3\"><strong>CENA TERCEIRA<\/strong><\/a><\/h4>\n<p>MATEUSA (aproximando-se &agrave;s filhas) &#8211; V&atilde;o meninas, v&atilde;o<br \/>\n    fazer a sua costura! Est&aacute; tudo marchando! Cada uma das Sras. Tem na<br \/>\n    sua almofada o pano, a linha, a agulha; e tudo o mais que &eacute; necess&aacute;rio<br \/>\n    para trabalhar at&eacute; &agrave;s 2 da tarde. O que &eacute; de abordar<br \/>\n    para a P&ecirc;dra, est&aacute; desenhado a l&aacute;pis; os picados para<br \/>\n    a Catarina, est&atilde;o alinhavados; e a costura lisa, a camisa deste velho<br \/>\n    feio ( batendo no ombro do marido) est&aacute; come&ccedil;ada. Tenham cuidado:<br \/>\n    fa&ccedil;am tudo muito bem feitinho.<\/p>\n<p>CATARINA, P&Ecirc;DRA E SILVESTRA &#8211; Como sabe, somos obedientes filhas; deve<br \/>\n    por isso contar que assim havemos de fazer. (Saem.)<\/p>\n<p>MATEUSA (para o marido, batendo-lhe no ombro) &#8211; J&aacute; sei que est&aacute;<br \/>\n    repassado de prazer! Esteve com suas queridas filhinhas mais de duas horas!<br \/>\n    E eu l&aacute;, sofrendo as maiores saudades!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; &Eacute; verdade, minha querida Mateusa (batendo-lhe tamb&eacute;m<br \/>\n    no ombro), mas, antes de te dizer o que pretendia, confessa-me: Por que n&atilde;o<br \/>\n    quiseste tu o teu nome de batismo, que te foi posto por teus falecidos Pais?<\/p>\n<p>MATEUSA &#8211; Porque achei muito feio o nome J&ocirc;natas que me puseram; e<br \/>\n    ent&atilde;o preferi o de Mateusa, que bem casa com o teu!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Sempre &eacute;s mulher! E n&atilde;o sei o que me pareces depois<br \/>\n    que ficaste velha e rabugenta!<\/p>\n<p>MATEUSA (recuando um pouco) &#8211; &Eacute;s bem atrevido! De repente, e quando<br \/>\n    n&atilde;o esperares, hei de tomar a mais justa vingan&ccedil;a das grosserias,<br \/>\n    das duras afrontas com que costumas insultar-me!<\/p>\n<p>MATEUS (aproximando-se e ela recuando) <\/p>\n<p>MATEUSA &#8211; N&atilde;o se chegue para mim ( pondo as m&atilde;os na cintura<br \/>\n    e arrega&ccedil;ando os punhos) que eu n&atilde;o sou mais sua! N&atilde;o<br \/>\n    o quero mais! J&aacute; tenho outro com quem pretendo viver mais felizes dias!<\/p>\n<p>MATEUS (correndo a abra&ccedil;&aacute;-la apressadamente) &#8211; Minha queridinha;<br \/>\n    minha velhinha! Minha companheirinha de mais de 50 anos (agarrando-a), por<br \/>\n    quem &eacute;s, n&atilde;o fujas de mim, do vosso velhinho! E as nossas queridas<br \/>\n    filhinhas! Que seriam delas, se n&oacute;s nos separ&aacute;ssemos; se tu<br \/>\n    buscasses, depois de velha e feia, outro marido, ainda que mo&ccedil;o e bonito!<br \/>\n    Que seria de mim? Que seria de ti? N&atilde;o! N&atilde;o! Tu jamais me deixar&aacute;s.<br \/>\n    (Tanto se abra&ccedil;am; agarram; pegam, beijam-se, que cai um por cima do<br \/>\n    outro.) Ai! Que quase quebrei uma perna! Esta velha &eacute; o diabo! Sempre<br \/>\n    mostra que &eacute; velha e renga! (Querem erguer-se sem poder.) Isto &eacute;<br \/>\n    o diabo!&#8230;<\/p>\n<p>MATEUSA ( levantando-se, querendo faz&ecirc;-lo apressadamente e sem poder,<br \/>\n    cobrindo as pernas que, com o tombo, ficaram algum tanto descobertas) &#8211; &Eacute;<br \/>\n    isto, este velho! Pois n&atilde;o querem ver s&oacute; a cara dele? Parece-me<br \/>\n    o diabo em figura humana! Estou tonta.. Nunca mais, nunca mais hei de aturar<br \/>\n    este carneiro velho, e j&aacute; sem guampas! (Ambos levantaram-se muito devagar;<br \/>\n    a muito custo; e sempre praguejando um contra o outro. Mateusa, fazendo men&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ou dando no ar ora com uma, ora com outra m&atilde;o: ) Hei de ir-me embora;<br \/>\n    hei de ir; hei de ir!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; N&atilde;o h&aacute; de ir; n&atilde;o h&aacute; de ir; n&atilde;o<br \/>\n    h&aacute; de ir porque eu n&atilde;o quero que v&aacute;! Voc&ecirc; &eacute;<br \/>\n    minha mulher; e pelas leis tanto civis como can&ocirc;nicas, tem obriga&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de me amar e de me aturar; de comigo viver, at&eacute; eu me aborrecer! (Bate<br \/>\n    com um p&eacute;.) H&aacute; de! H&aacute; de! H&aacute; de! <\/p>\n<p>MATEUSA &#8211; N&atilde;o hei de! N&atilde;o hei de! N&atilde;o hei de! Quem sabe<br \/>\n    se eu sou sua escrava!? &Eacute; muito gracioso, e at&eacute; atrevido! querer<br \/>\n    cercear a minha liberdade! E ainda me fala em Leis da Igreja e civis, como<br \/>\n    se algu&eacute;m fizesse caso de pap&eacute;is borrados! Quem &eacute; que<br \/>\n    se importa hoje com Leis ( atirando-lhe com o &#8216;C&oacute;digo Criminal&#8217;)<br \/>\n    , Sr. banana! Bem mostra que &eacute; filho dum lavrador de Viana! Pegue l&aacute;<br \/>\n    o C&oacute;digo Criminal, &#8211; traste velho em que os Doutores cospem e escarram<br \/>\n    todos os dias, como se fosse uma nojenta escarradeira! <\/p>\n<p>MATEUS (espremendo-se todo, abaixa-se levanta o livro e diz &agrave; mulher)<br \/>\n    &#8211; Obrigado pelo presente: adivinhou ser cousa de que eu muito necessitava!<br \/>\n    (Mete-o na algibeira. &Agrave; parte: ) Ao menos servir&aacute; para algumas<br \/>\n    vezes servir-me de suas folhas, uma em cada dia que estas tripas (pondo a<br \/>\n    m&atilde;o na barriga) me revelarem a necessidade de ir &agrave; latrina.<\/p>\n<p>MATEUSA &#8211; Ah! j&aacute; sabe que isso n&atilde;o vale cousa alguma; e principalmente<br \/>\n    para as Autoridades &#8211; para que tem dinheiro! Estimo muito; muito; e muito!<br \/>\n    (Pega em um outro &#8211; a &quot;Constitui&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio&quot;<br \/>\n    e atira-lhe na cara.) <\/p>\n<p>MATEUS (gritando) &#8211; Ai! cuidado quando atirar, Sra. D. Mateusa! N&atilde;o<br \/>\n    continuo a aceitar seus presentes, se com eles me quiser quebrar o nariz!<br \/>\n    (Apalpa este, e diz: ) N&atilde;o partiu, n&atilde;o quebrou, n&atilde;o entortou!<br \/>\n    ( E como o nariz tem parte de cera, fica com ele assaz torto. Ainda n&atilde;o<br \/>\n    acaba de endireit&aacute;-lo, Mateusa atira-lhe com outro de &#8216;Hist&oacute;ria<br \/>\n    Sagrada&#8217;, que lhe bate numa orelha posti&ccedil;a, e que por isso com<br \/>\n    a pancada cai; dizendo-lhe: ) Eis o terceiro e &uacute;ltimo que lhe dou para&#8230;<br \/>\n    os fins que o Sr. quiser aplicar!<\/p>\n<p>MATEUS (ao sentir a pancada, grita) &#8211; Ai que fiquei sem orelha! Ai! Ai! Ai!<br \/>\n    Onde cairia? (Atirando os livros na velha e com raiva. ) Por mais que recomendasse<br \/>\n    a esta endemoninhada que n&atilde;o queria presentes caros, este dem&ocirc;nio<br \/>\n    havia de quebrar-me o nariz e p&ocirc;r-me fora uma orelha! &Oacute; Mateusa<br \/>\n    do diabo! Com qu&ecirc;, partes desta casa sem eu ir amanh&atilde; ao baile<br \/>\n    masqu&ecirc;, visitar as Pavoas!? e&#8230; <\/p>\n<p>MATEUSA (batendo o p&eacute;) &#8211; Cachorro! Ainda me fala em pavoas, e em baile<br \/>\n    masqu&ecirc;!? Traste! Ordin&aacute;rio! J&aacute;&#8230; rua, seu maroto!<\/p>\n<p>MATEUS (voltando-se para o p&uacute;blico) &#8211; J&aacute; se viu que escaler<br \/>\n    velho mais impertinente! Esperem que eu lhe boto cavernas novas! (Procurando<br \/>\n    uma bengala. ) Achei! ( Com a bengala em punho) J&aacute; que a Sra. n&atilde;o<br \/>\n    faz caso da lei escrita! falada! e jurada! h&aacute; de fazer da lei cacetada!<br \/>\n    paulada! ou bengalada! (Bate com a bengala no ch&atilde;o.) <\/p>\n<p>MATEUSA &#8211; Ah! dessa lei, sim, tenho medo. (&Agrave; parte.) Mas ele n&atilde;o<br \/>\n    pode comigo, porque eu sou mais leve que ele; tenho melhor vista ; e pulo<br \/>\n    mais. (Pega em uma cadeira e d&aacute;-lhe com ela, dizendo: ) Ora tome l&aacute;!<br \/>\n    (Ele apara a pancada com a bengala, encolhendo-se todo; enfia esta na cadeira;<br \/>\n    empurram para l&aacute;, empurram para c&aacute;.) <\/p>\n<p>CATARINA, P&Ecirc;DRA E SILVESTRA (aparecendo na porta dos fundos; umas para<br \/>\n    as outras) &#8211; Vai l&aacute;! (Empurrando. Outra: ) Vai tu apartar! (Outra:<br \/>\n    ) Eu, n&atilde;o; quando eles est&atilde;o assim, eu tenho medo, porque sou<br \/>\n    pequenina!<\/p>\n<p>MATEUS &#8211; Ai! eu caio! Quem me acode! Perdi o queixo!<\/p>\n<p>MATEUSA (gritando e correndo) &#8211; Ai! eu esfolei um bra&ccedil;o, mas deixo-lhe<br \/>\n    a cadeira enfiada na cabe&ccedil;a! (Quer assim fazer e fugir, mas Mateus<br \/>\n    atira-lhe a cadeira &agrave;s pernas; ela trope&ccedil;a e cai; ele vai acudi-la;<br \/>\n    quer correr; as filhas convidam-se a fugir; ele cai aos p&eacute;s da velha).<\/p>\n<p>BARRI&Ocirc;S (o criado) &#8211; Eis, Srs., as conseq&uuml;&ecirc;ncias funestas<br \/>\n    que aos administrados ou como tais considerados, traz o desrespeito das Autoridades<br \/>\n    aos direitos destes; e com tal proceder aos seus pr&oacute;prios direitos:<br \/>\n    &#8211; A descren&ccedil;a das mais s&aacute;bias institui&ccedil;&otilde;es, em<br \/>\n    vez de s&oacute; a terem nesta ou naquela autoridade que as n&atilde;o cumpre,<br \/>\n    nem faz cumprir! &#8211; A luta do mais forte contra o mais fraco! Finalmente, &#8211;<br \/>\n    a destrui&ccedil;&atilde;o em vez da edifica&ccedil;&atilde;o! O regresso,<br \/>\n    em vez do progresso!<\/p>\n<p> <strong>FIM DA COM&Eacute;DIA<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: Cena Primeira Cena Segunda Cena Terceira Qorpo Santo Com&eacute;dia em Um Ato Personagens Mateus, velho de 80 anos Mateusa, idem Catarina, filha P&ecirc;dra, filha Silvestra, filha Barri&ocirc;s, criado ATO PRIMEIRO CENA PRIMEIRA MATEUS (caminhando em roda da casa; e Mateusa assentada em uma cadeira) &#8211; Que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-116760","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - 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