{"id":116719,"date":"2017-03-30T13:26:14","date_gmt":"2017-03-30T15:26:14","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=116719"},"modified":"2017-03-30T13:26:14","modified_gmt":"2017-03-30T15:26:14","slug":"hoje-sou-um-e-amanha-sou-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/hoje-sou-um-e-amanha-sou-outro","title":{"rendered":"Hoje Sou Um, E Amanh\u00e3 Sou Outro"},"content":{"rendered":"<p><center><\/p>\n<table width=\"587\"  cellpadding=\"7\" cellspacing=\"0\">\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\"><font color=\"#666666\" size=\"2\" face=\"Arial, Helvetica, sans-serif\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#1\" class=\"links\">Ato Primeiro<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#2\" class=\"links\">Ato Segundo<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#3\" class=\"links\">Ato Terceiro<\/a><\/p>\n<p>\t\t  <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h2>Qorpo Santo<\/h2>\n<h4>Com&eacute;dia em Tr&ecirc;s Atos<\/h4>\n<p><strong>Personagens<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p> Dourado, rei de&#8230;<\/p>\n<p>Eleut&eacute;rio, seu Ministro,<\/p>\n<p>Matildes, a rainha<\/p>\n<p>Fernando e Carlos, guardas<\/p>\n<p>Eul&aacute;lia e Tib&uacute;rcia, damas do Pa&ccedil;o<\/p>\n<p>4 Oficiais<\/p>\n<p>Criado<\/p>\n<p>Soldado da Guarda Imperial<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4><a name=\"1\">ATO PRIMEIRO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p>O REI &#8211; (para o Ministro) J&aacute; deste as provid&ecirc;ncias que te recomendei<br \/>\n    ontem sobre os indigitados para a nova conspira&ccedil;&atilde;o que contra<br \/>\n    mim se forja!?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; N&atilde;o me foi poss&iacute;vel, Senhor, p&ocirc;r em pr&aacute;ticas<br \/>\n    vossas ordens.<\/p>\n<p> O REI &#8211; Ludibrias das ordens de teu Rei? N&atilde;o sabes que te posso punir,<br \/>\n    com uma demiss&atilde;o, com baixa das honras, e at&eacute; com a pris&atilde;o!?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Se eu referir a V. M. as raz&otilde;es ponderosas que tive para<br \/>\n    assim proceder, estou certo, e mais que certo que V. M. n&atilde;o hesitar&aacute;<br \/>\n    em perdoar-me essa que julga uma grave falta; mas em verdade n&atilde;o passa<br \/>\n    de ilus&atilde;o em V. M.<\/p>\n<p> O REI &#8211; Ilus&atilde;o! Quando deixas de cumprir ordens minhas?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Pois bem, j&aacute; que V.M. o ignora, eu lhe vou cientificar<br \/>\n    das cousas, que me obrigaram a assim proceder.<\/p>\n<p> O REI &#8211; Pois bem: refere-as; e muito estimarei que me conven&ccedil;am e<br \/>\n    persuadam de que assim devemos proceder.<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Primeiramente, saiba V . M. de uma grande descoberta no Imp&eacute;rio<br \/>\n    do Brasil, e que se tem espalhado por todo o mundo crist&atilde;o, e mesmo<br \/>\n    n&atilde;o crist&atilde;o! Direi mesmo por todos os entes da esp&eacute;cie<br \/>\n    humana! <\/p>\n<p> O REI (muito admirado) Oh! Dizei; falai! Que descobriram &#8211; &eacute; erro!?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; &Eacute; cousa t&atilde;o simples, quanto verdadeira: <\/p>\n<p>1.&ordf; &#8211; Que os nossos corpos n&atilde;o s&atilde;o mais que os inv&oacute;lucros<br \/>\n    de esp&iacute;ritos, ora de uns, ora de outros; que o que hoje &eacute; Rei<br \/>\n    como V. M. ontem n&atilde;o passava de um criado, ou vassalo meu, mesmo porque<br \/>\n    senti em meu corpo o vosso esp&iacute;rito, e convenci-me, por esse fato,<br \/>\n    ser ent&atilde;o eu o verdadeiro Rei, e v&oacute;s o meu Ministro! Pelo procedimento<br \/>\n    do Povo, e desses a quem V. M. chama conspiradores persuadi-me do que acabo<br \/>\n    de ponderar a V.M.<\/p>\n<p>2.&ordf; &#8211; Que pelas observa&ccedil;5es filos&oacute;ficas, este fato &eacute;<br \/>\n    t&atilde;o ver&iacute;dico, que milhares de vezes vemos uma crian&ccedil;a<br \/>\n    falar como um general; e este como uma crian&ccedil;a. Vemos por exemplo um<br \/>\n    indiv&iacute;duo colocado no cargo de presidente de uma Prov&iacute;ncia;<br \/>\n    velho, carregado de servi&ccedil;os; com t&iacute;tulos, dignidades; e mesmo<br \/>\n    exercendo outros empregos de alta import&acirc;ncia ter medo, Senhor: n&atilde;o<br \/>\n    poder abrir a boca diante de um homem considerado talvez pelo Povo, sem um<br \/>\n    emprego pessoal, sem mulher, talvez mesmo sem o necess&aacute;rio para todas<br \/>\n    as suas despesas, finalmente um corpo habitado por uma alma. Que quer dizer<br \/>\n    isto, Senhor? Que esse sobrecarregado de cargo e dignidades humanas &eacute;<br \/>\n    zero perante este protegido ou bafejado das dignas leis Divinas. Eu, pois,<br \/>\n    ontem estava t&atilde;o acima de Vossa Majestade, porque sentia em mim o dever<br \/>\n    de cumprir uma miss&atilde;o Divina, que me era imposs&iacute;vel cumprir<br \/>\n    ordens humanas. Podeis fazer agora o que quiserdes!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Estou pasmo &#8211; com a revela&ccedil;&atilde;o que acabo de ouvir.<br \/>\n    Se isto se verifica, estou perdido!<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; N&atilde;o temais, Senhor&#8230; Todo o Povo vos ama, e a Na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    vos estima; mas desejo que aprendais a conhecer-vos, e aos outros homens.<br \/>\n    E o que &eacute; o corpo e a alma de um ente qualquer da esp&eacute;cie humana:<br \/>\n    isto &eacute;, que os corpos s&atilde;o verdadeiramente habita&ccedil;5es<br \/>\n    daquelas almas que a Deus apraz fazer habit&aacute;-los, e que por isso mesmo<br \/>\n    todos s&atilde;o iguais perante Deus!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Mas quem foi no Imp&eacute;rio do Brasil o autor da descoberta,<br \/>\n    que tanto ilustra, moraliza e felicita &#8211; honrando!?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Um homem, Senhor, predestinado sem d&uacute;vida pelo Onipotente<br \/>\n    para derramar esta luz divina por todos os habitantes do Globo que habitamos.<\/p>\n<p> O REI &#8211; Mas quais os seus princ&iacute;pios, ou os de sua vida?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; &Eacute; filho de um professor de primeiras letras; seguiu por<br \/>\n    algum tempo o com&eacute;rcio; estudou depois, e seguiu por alguns anos a<br \/>\n    profiss&atilde;o de seu Pai, roubadO~lhe pela morte, quando contava apenas<br \/>\n    de 9 a 10 anos de idade. Durante o tempo do seu magist&eacute;rio, empregou~Se<br \/>\n    sempre no estudo da Hist&oacute;ria Universal; da Geografia; da Filosofia,<br \/>\n    da Ret&oacute;rica &#8211; e de todas as outras ci&ecirc;ncias e artes que o podiam<br \/>\n    ilustrar. Estudou tAMb&eacute;m um pouco de Franc&ecirc;s, e do Ingl&ecirc;s;<br \/>\n    n&atilde;o tendo podido estudar tamb&eacute;m &#8211; Latim, conquanto a isso desse<br \/>\n    come&ccedil;o, por causa de uma enfermidade que em seus princ&iacute;pios<br \/>\n    o assaltou. Lia constantemente as melhores produ&ccedil;&otilde;es dos Poetas<br \/>\n    mais c&eacute;lebres de todos os tempos; dos Oradores mais profundos; dos<br \/>\n    Fil&oacute;sofos mais s&aacute;bios e dos Ret&oacute;ricos mais brilhantes<br \/>\n    ou distintos pela escolha de suas belezas, de suas figuras orat&oacute;rias!<br \/>\n    Foi esta a sua vida at&eacute; a idade de trinta anos.<\/p>\n<p> O REI &#8211; E nessa idade o que aconteceu? Pelo que dizes reconhe&ccedil;o que<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; um homem vulgar.<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Nessa idade, informam-me&#8230; isto &eacute;, deixou o exerc&iacute;cio<br \/>\n    do Magist&eacute;rio para come&ccedil;ar a produzir de todos os modos; e a<br \/>\n    profetizar!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Ent&atilde;o tamb&eacute;m foi ou &eacute; profeta!?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Sim, Senhor. Tudo quanto disse que havia acontecer, tem acontecido;<br \/>\n    e se espera que acontecer&aacute;!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Como se chama esse homem!?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Ainda n&atilde;o vos disse, Senhor, &#8211; que esse homem viveu em<br \/>\n    um retiro por espa&ccedil;o de um ano ou mais, onde produziu numerosos trabalhos<br \/>\n    sobre todas as ci&ecirc;ncias, compondo uma obra de mais de 400 p&aacute;ginas<br \/>\n    em quarto, a que denomina E&#8230; ou E&#8230; de. .. E a&iacute; acrescentam que<br \/>\n    tomou o titulo de Dr. C&#8230; s&#8230;. &#8211; por n&atilde;o poder usar o nome de que<br \/>\n    usava &#8211; Q&#8230; L&#8230;, ou J&#8230; J&#8230; de Q. .. L&#8230;, ao interpretar diversos t&oacute;picos<br \/>\n    do Novo Testamento de N. s. Jesus Cristo, que at&eacute; aos pr&oacute;prios<br \/>\n    Padres ou sacerdotes pareciam contradit&oacute;rios!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Estou espantado de t&atilde;o importante revela&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Ainda n&atilde;o &eacute; tudo, Senhor: Esse homem era durante<br \/>\n    esse tempo de jejum, estudo, e ora&ccedil;&atilde;o &#8211; alimentado pelos Reis<br \/>\n    do Universo, com exce&ccedil;&atilde;o dos de palha! A sua cabe&ccedil;a era<br \/>\n    como um centro, donde sa&iacute;am pensamentos, que voavam &agrave;s dos Reis<br \/>\n    de que se alimentava, e destes recebia outros. Era como o cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do mundo, espalhando sangue por todas as suas veias, e assim alimentando-o<br \/>\n    e fortificando-o, e refluindo quando necess&aacute;rio a seu centro! Assim<br \/>\n    como acontece a respeito do cora&ccedil;&atilde;o humano, e do corpo em que<br \/>\n    se acha. Assim &eacute; que tem podido levar a todo o mundo habitado sem aux&iacute;lio<br \/>\n    de tipo &#8211; tudo quanto h&aacute; querido!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Cada vez fico mais espantado com o que ou&ccedil;o de teus l&aacute;bios!<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; &Eacute; verdade quanto vos refiro! N&atilde;o vos minto! E ainda<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; tudo: esse homem tem composto, e continua a compor, numerosas<br \/>\n    obras: Trag&eacute;dias; Com&eacute;dias; poesias sobre todo e qualquer assunto;<br \/>\n    finalmente, bem se pode dizer &#8211; que &eacute; um desses raros talentos que<br \/>\n    s&oacute; se admiram de s&eacute;culos em s&eacute;culos!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Poder&iacute;amos obter um retrato desse ente a meu ver t&atilde;o<br \/>\n    grande ou maior que o pr&oacute;prio Jesus Cristo!?<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Eu n&atilde;o possuo algum; mas pode se encomendar ao nosso C&ocirc;nsul<br \/>\n    na cidade de Porto Alegre, capital da Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Pedro<br \/>\n    do Sul, em que tem habitado, e creio que ainda vive.<\/p>\n<p> O REI &#8211; Pois ser&aacute;s j&aacute; quem far&aacute; essa encomenda!<\/p>\n<p> MINISTRO &#8211; Aqui mesmo na presen&ccedil;a de V . M. o farei. (Chega-se a<br \/>\n    uma mesa, pega em uma pena e papel, e escreve:)<\/p>\n<p> &quot;Sr. C&ocirc;nsul de&#8230;<\/p>\n<p>De ordem de Nosso Monarca, tenho a determinar a V. Sa. que no primeiro correio<br \/>\n    envie a esta Corte um retrato do Dr. Q&#8230; S&#8230;, do maior tamanho, e mais perfeito<br \/>\n    que houver.<\/p>\n<p>Sendo indiferente o pre&ccedil;o.<\/p>\n<p>  O Primeiro Ministro <\/p>\n<p>DOUTOR S&Aacute; E BRITO&quot;<\/p>\n<p>Corte de&#8230;, maio 9 de 1866.<\/p>\n<p> (Fechou, depois de haver lido em voz alta; chama um criado; e manda por<br \/>\n    no correio &#8211; para seguir com toda a brevidade, recomendando.)<\/p>\n<h4><a name=\"2\">ATO SEGUNDO<\/a><\/h4>\n<p> A RAINHA E SUAS DAMAS &#8211; (entrando) N&atilde;o &eacute; esta, Senhor (para<br \/>\n    o Rei) a primeira vez que sabendo haverdes querido encadear ou condenar &agrave;<br \/>\n    morte homens a quem julgo inocentes, venho perante v&oacute;s impetrar o seu<br \/>\n    perd&atilde;o! Chegou ao meu conhecimento que desconfiastes da fidelidade<br \/>\n    de vossos maiores e mais s&aacute;bios Amigos, Henrique e Gil Gonzaga! &Eacute;<br \/>\n    por estes s&aacute;bios vassalos, e que tantas vezes t&ecirc;m ocupado os<br \/>\n    mais importantes cargos do Estado, que vos venho pedir; &eacute; a liberdade,<br \/>\n    ou n&atilde;o persegui&ccedil;&atilde;o de suas pessoas que desejo!<\/p>\n<p> O REI &#8211; Bem conhe&ccedil;o, Senhora, o interesse que tomais em tudo quanto<br \/>\n    diz respeito &agrave; minha, &agrave; vossa e &agrave; felicidade do Estado<br \/>\n    que por heran&ccedil;a ou Vontade Divina &#8211; governo: ora com s&aacute;bios<br \/>\n    conselhos; ora com vossas felizes lembran&ccedil;as; ora com as mais justas<br \/>\n    &#8211; vossas reflex&otilde;es! Estais portanto servida, Senhora, em vosso pedido;<br \/>\n    mesmo que o n&atilde;o fiz&eacute;sseis, a conversa&ccedil;&atilde;o que acabo<br \/>\n    de ter com um dos nossas mais distintos pol&iacute;ticos, e atualmente na<br \/>\n    primeira pasta do Governo, seria bastante para perdoar a esses, de quem tive<br \/>\n    den&uacute;ncia de que conspiram contra o nosso Governo!<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; Quanto me apraz, Senhor, ouvir de vossos l&aacute;bios, doces<br \/>\n    e salutares palavras! Estou tranq&uuml;ila, e volto feliz aos trabalhos em<br \/>\n    que sempre me costumo ocupar! (Para o Ministro:) Senhor Ministro, continuai<br \/>\n    com vossos s&aacute;bios conselhos a ilustrar vosso Grande Rei, e contai sempre<br \/>\n    com a prote&ccedil;&atilde;o de vossa assaz afetuosa Rainha! (Sai com as Damas.)<\/p>\n<p> OS GUARDAS &#8211; (entrando) Senhor! Senhor! (Fatigados e cheios de temor) Aproximam-se<br \/>\n    de nossas praias alguns vasos de guerra com bandeira de uma Na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    com que estamos em guerra! Houveram alguns tiros entre os de guerra Nacionais<br \/>\n    e esses que se aproximam de nossa barra: &eacute; portanto mister p&ocirc;r<br \/>\n    tudo em armas para repelir a audaz invas&atilde;o!<\/p>\n<p> O REI &#8211; (para o Ministro) &Eacute; preciso darem-se as mais terminantes<br \/>\n    ordens a fim de que n&atilde;o sofra a cidade o menor mal! Escrevei j&aacute;<br \/>\n    as seguintes ordens para o General comandante da Guarni&ccedil;&atilde;o:<br \/>\n    (o Ministro senta-se e escreve) De ordem de s. M. nosso Rei, determino a V.<br \/>\n    Exa. que imediatamente ponha em armas, e pronta para repelir qualquer tentativa<br \/>\n    estrangeira, toda a tropa que faz a guarni&ccedil;&atilde;o desta cidade!<br \/>\n    Mande tocar tambores pelas ruas para que se re&uacute;na n&atilde;o s&oacute;<br \/>\n    toda a Guarda Nacional ativa, como tamb&eacute;m a reserva, dividida toda<br \/>\n    a tropa em colunas por todo o litoral da cidade, principalmente por suas praias<br \/>\n    mais vulner&aacute;veis, ou despidas de Fortalezas! (O Rei entrega o of&iacute;cio<br \/>\n    a um, sai acompanhado de Guardas e volta imediatamente.)<\/p>\n<p> O MINISTRO &#8211; (para outro) Parte imediatamente (depois de haver feito outro<br \/>\n    of&Iacute;cio), leva este &agrave; Fortaleza da Laje; dizei ao respectivo<br \/>\n    Comandante que igual resolu&ccedil;&atilde;o comuniquei a todos os outros<br \/>\n    comandantes! (Sai o Guarda. [O Ministro] para o Rei:) Pe&ccedil;o licen&ccedil;a<br \/>\n    a Vossa Majestade para ir em pessoa dar as mais provid&ecirc;ncias que em<br \/>\n    t&atilde;o melindrosas circunst&acirc;ncias s&atilde;o necess&aacute;rias.<\/p>\n<p> O REI &#8211; Vai, e n&atilde;o te demores a vir dar-me parte do que ocorre; pois<br \/>\n    se for necess&aacute;rio, quero ir eu mesmo em pessoa, com a minha presen&ccedil;a,<br \/>\n    animar as tropas; exortar o Povo; e fazer, como me cumpre, quanto em mim cabe<br \/>\n    em proveito dele, e da Na&ccedil;&atilde;o! (O Ministro parte.)<\/p>\n<p> O REI &#8211; (passeando) Por mais saber que se tenha; por mais previdente que<br \/>\n    seja um monarca; por mais benef&iacute;cios que derrame sobre seus Povos,<br \/>\n    e mesmo sobre os estrangeiros, com sua ci&ecirc;ncia, e com seu exemplo; sempre<br \/>\n    lhe sobrev&eacute;m males inevit&aacute;veis, que o dever, e a honra, e a<br \/>\n    dignidade obrigam a repelir! E &agrave;s vEzes com que dureza ele &eacute;<br \/>\n    obrigado a faz&ecirc;-lo! Com que doR em seu cora&ccedil;&atilde;o Ele prev&ecirc;<br \/>\n    os numerosos cad&aacute;veres juncando os campos da batalha! C&eacute;us!<br \/>\n    eu estreme&ccedil;o, quando vejo diante de meus olhos o horr&iacute;vel espet&aacute;culo<br \/>\n    de um a&ccedil;ougue de homens! E se fossem s&oacute; estes os que perecem;<br \/>\n    mas quantas fam&iacute;lias desoladas! Quantas vi&uacute;vas sem marido! Quantas<br \/>\n    filhas sem Pai; quanta orfandade!&#8230; Quanto pesa o Cetro na destra daquele<br \/>\n    que o empunha com os mais inocentes desejos; com as mais s&atilde;s inten&ccedil;&otilde;es!<br \/>\n    (Tomando um aspecto resoluto.) Tudo isto &eacute; verdade; mas quando a P&aacute;tria<br \/>\n    periga! Quando o inimigo audaz se atreve a insult&aacute;-la; quando pode<br \/>\n    tudo gemer, se o Rei fraquear; n&atilde;o deve ele reflexionar sobre as conseq&uuml;&ecirc;ncias;<br \/>\n    tem uma &uacute;nica resolu&ccedil;&atilde;o a tomar: Ligar-se ao Povo, ao<br \/>\n    Estado ou &agrave; Na&ccedil;&atilde;o; identificar-se com eles, como se fora<br \/>\n    um s&oacute; Ente, e debelar aquele, &#8211; sem poupan&ccedil;a de for&ccedil;as,<br \/>\n    dinheiro, e tudo o mais que possa concorrer para o mais completo, e glorioso<br \/>\n    triunfo! Vamos pois em pessoa dar todas as ordens, dispor tudo, e expor se<br \/>\n    for necess&aacute;rio este peito &agrave;s balas; este cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ao ferro insultante! Guarda! prepara-me um dos melhores cavalos em que eu<br \/>\n    cinja esta espada.<\/p>\n<p> O GUARDA &#8211; Pronto, Senhor. (Sai.)<\/p>\n<p> O REI &#8211; (veste a sua farda de General, depois de haver despido a capa com<br \/>\n    que se achava, e parte apressadamente. Ao sair, ouve um tiro de pe&ccedil;a;<br \/>\n    desembainha a espada, dizendo:) S&atilde;o eles! (e segue.)<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; (acompanhada das Damas) N&atilde;o sei que mau influxo, destino,<br \/>\n    ou planeta, acompanha, guia, e muitas vezes transtorna as mais s&aacute;bias<br \/>\n    administra&ccedil;&otilde;es do Estado! Por qu&atilde;o pouco tempo gozam<br \/>\n    estes daquela paz que os tranq&uuml;iliza e felicita! Daquele progresso que<br \/>\n    a todos eleva; que a todos anima; que a todos enche de bens, e de venturas!<br \/>\n    Havia ainda t&atilde;o pouco tempo que a Provid&ecirc;ncia divina nos havia<br \/>\n    dado o triunfo contra os inimigos internos que pretendiam debelar-nos; e quando<br \/>\n    acaba de tranq&uuml;ilizar os nossos cora&ccedil;&otilde;es, envia-nos talvez<br \/>\n    a mais cruel guerra estrangeira! Enfim, como n&atilde;o h&aacute; mal algum,<br \/>\n    que n&atilde;o traga algum bem, devemos contar e esperar que este, como todos<br \/>\n    os outros, nos felicitar&aacute;. (Ouvem-se numerosos tiros de pe&ccedil;a<br \/>\n    e de fuzilaria. A Rainha, para as Damas:) Enquanto, Damas, os nossos canh&otilde;es<br \/>\n    mar&iacute;timos destroem os nossos inimigos, vamos desta janela animar as<br \/>\n    nossas tropas de terra com nossa presen&ccedil;a, a fim de que se houver algum<br \/>\n    desembarque, eles conhe&ccedil;am que ser&iacute;amos capazes de os acompanhar<br \/>\n    com uma arma em punho! (Aproximam-se de uma janela.)<\/p>\n<p> UMA DAS DAMAS &#8211; V . M. v&ecirc;? L&aacute; se incendia um vaso inimigo!<br \/>\n    L&aacute; caiu um mastro de uma galera!<\/p>\n<p> A OUTRA &#8211; Ih!&#8230; Como a metralha varreu o conv&eacute;s daquela nau! Se<br \/>\n    continua assim, deste instante a duas horas, est&aacute; o combate terminado,<br \/>\n    triunfando as nossas armas!<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; Voc&ecirc;s v&ecirc;em as tropas que est&atilde;o desembarcando<br \/>\n    l&aacute; naquela ponta de pen&iacute;nsula Anglicana?<\/p>\n<p> AS DAMAS &#8211; Vemos; vemos! Que bicharia! Parecem corvos, ou nuvens de outros<br \/>\n    bichos! E quem sabe se as nossas ainda n&atilde;o viram esse desembarque!?<br \/>\n    Seria bom avis&aacute;-las! &Eacute; lugar algum tanto escondido. Conv&eacute;m<br \/>\n    mandar saber!<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; D&aacute; c&aacute; o meu apito!<\/p>\n<p> O CRIADO &#8211; (dando uma esp&eacute;cie de trombetinha) Eis, Senhora.<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; (apita; um soldado da guarda imperial ou real responde com um<br \/>\n    toque de cometa; ela torna a apitar; ele fala.) Corre; voa onde est&aacute;<br \/>\n    o Rei, e dize-Lhe que desembarcaram tropas inimigas na pen&iacute;nsula! (O<br \/>\n    Guarda parte a todo o galope. A Rainha, olhando por um &Oacute;culo, e muito<br \/>\n    atentamente:) Ainda agora &eacute; que reparo! A fuma&ccedil;a n&atilde;o<br \/>\n    Me deixava ver bem! Os nossos vasos (dois) partem cheios de tropas para o<br \/>\n    lugar do desembarque! Numerosas lanchas os acompanham; daqui por cinco minutos,<br \/>\n    deve estar toda a tropa inimiga debelada! Embalde os traidores procuraram<br \/>\n    uma posi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o importante para destruir-nos&#8230; Ser&atilde;o<br \/>\n    destru&Iacute;dos e completamente aniquilados! Como saltam cabe&ccedil;as,<br \/>\n    pernas bra&ccedil;os pelos ares! Que carnificina horr&iacute;vel se observa!?<br \/>\n    Como se matam; como se destroem entes humanos!<\/p>\n<p> UMA DAS DAMAS &#8211; V. M. v&ecirc;? L&aacute; vem o Rei a galope! Seu cavalo<br \/>\n    vem banhado de suor; seu rosto &eacute; carmesim! Sua espada, ainda desembainhada,<br \/>\n    vem tinta de sangue! C&eacute;us! qu&atilde;o grande deve ser o triunfo conquistado<br \/>\n    hoje por nossas felizes armas!<\/p>\n<p> O REI &#8211; (entrando banhado em sangue e suores; para a Rainha) Senhora, mandai-me<br \/>\n    vir outro fardamento limpo para mudar.<\/p>\n<p> RAINHA &#8211; Entremos nesta c&acirc;mara. (Entram, e passados alguns minutos,<br \/>\n    ele se apresenta com nova farda, cal&ccedil;as, etc.) Adeus! Volto ao combate;<br \/>\n    e juro-vos que antes de p&ocirc;r-se o sol, n&atilde;o ficar&aacute; um soldado<br \/>\n    inimigo em territ&oacute;rio nosso. (Parte.)<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; Deus aben&ccedil;oe os nossos projetos; e proteja os nossos esfor&ccedil;os!<br \/>\n    (Acompanha-o at&eacute; &agrave; porta; voltam &agrave; cena [a Rainha e as<br \/>\n    Damas)).<\/p>\n<p> UMA DAS DAMAS &#8211; S&atilde;o horas, minha Senhora e Rainha, de tOmar os alimentos<br \/>\n    de costume com que reparais as for&ccedil;as que gastais em minha, e em utilidade<br \/>\n    de todos os vossos criados.<\/p>\n<p> A OUTRA &#8211; Sim; at&eacute; se n&atilde;o fora hoje um dia t&atilde;o extraordin&aacute;rio,<br \/>\n    por certo ter&iacute;amos faltado a um dos nossos mais importantes deveres.<br \/>\n    Pois o rel&oacute;gio marcou j&aacute; uma hora da tarde; e o que agora oferecemos,<br \/>\n    devia ter sido apresentado a V. M. ao meio dia!<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; Eu n&atilde;o trato, nem tenho disposi&ccedil;&atilde;o, ainda,<br \/>\n    disso; vamos. (Saem.)<\/p>\n<h4><a name=\"3\">ATO TERCEIRO<\/a><\/h4>\n<p> O REI &#8211; (distribuindo pr&ecirc;mios aos numerosos guerreiros que o auxiliaram<br \/>\n    no triunfo dos combates; conversando ora com um, ora com outro) Eis, Senhores,<br \/>\n    a recompensa daqueles, que sabem cumprir bem seus deveres, defendendo os interesses<br \/>\n    da P&aacute;tria, e com eles suas pr&oacute;prias fortunas. Estes recebem<br \/>\n    o saboroso pr&ecirc;mio de suas fadigas; a recompensa de seus trabalhos. Assim<br \/>\n    como os usurpadores recebem a morte, e tudo o mais que os pode inutilizar<br \/>\n    e destruir, quando tentam roubar, matar, ou de qualquer outro modo apossar-se,<br \/>\n    e fruir os bens que s&oacute; a outrem pertencem, que s&oacute; a outrem &eacute;<br \/>\n    permitido gozar! (Pegando uma medalha, e pendurando ao peito de um oficial-general:)<br \/>\n    Eis como revelarei ao Mundo a tua coragem e valentia. (Pondo outra em outro:)<br \/>\n    Eis com que despertarei no esp&iacute;rito de vossos concidad&atilde;os, a<br \/>\n    lembran&ccedil;a de milhares de cad&aacute;veres, com que a meu lado fizestes<br \/>\n    juncar o campo da batalha. (Pondo em outro:) Eis a prova mais evidente de<br \/>\n    meu amor por aqueles que me auxiliam no mais importante cargo que se pode<br \/>\n    exercer sobre a Terra o de governar os Povos, bem como do reconhecimento de<br \/>\n    vossos raros merecimentos! (Para outro:) &Eacute; quanto basta para que o<br \/>\n    Mundo vos olhe com respeito; vossos Irm&atilde;os de armas com prazer, se<br \/>\n    n&atilde;o com emula&ccedil;&atilde;o. (Pegando em umas caixinhas:) As gratifica&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    que dentro encontrardes (dando a um dos oficiais) deveis cada um de v&oacute;s<br \/>\n    entregar aos oficiais superiores e subalternos, que debaixo do meu e do vosso<br \/>\n    comando praticaram atos da maior bravura e valor. Para os soldados, outras<br \/>\n    distin&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o feitas, que atestam por toda a sua vida<br \/>\n    seus merit&oacute;rios servi&ccedil;os; a recompensa da P&aacute;tria; e o<br \/>\n    afeto e gratid&atilde;o do Rei! Transmiti-lhe entretanto este apertado abra&ccedil;o<br \/>\n    que a todos v&oacute;s dou. (Abra&ccedil;a os quatro oficiais.)<\/p>\n<p> ELES &#8211; (beijando a m&atilde;o) Gratos e reconhecidos aos altos, nobres e<br \/>\n    elevados sentimentos de Vossa Majestade, protestamos perante V&oacute;s, Deus<br \/>\n    e as Leis, (arrancando um pouco as espadas) desembainharmos&#8230; (arrancando<br \/>\n    todas) estas espadas e com elas &#8211; defender-vos e a Nossa mais que todas virtuosa<br \/>\n    Rainha, fazendo cair cad&aacute;veres quantos se lhe opuserem; ou cairmos<br \/>\n    por terra banhados em nosso pr&oacute;prio sangue. (Fazem profunda rever&ecirc;ncia,<br \/>\n    e saem.)<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; (e um pouco depois as Damas, entrando apressadamente e atirando-se<br \/>\n    nos bra&ccedil;os do Rei) Meu querido esposo, quanto me fizeste pensar sobre<br \/>\n    a tua exist&ecirc;ncia, sobre o teu futuro! Sobre a paz e felicidade do nosso<br \/>\n    Reino! (Desprendendo-se mui devagar de seus bra&ccedil;os:) Sim, caro amigo!<br \/>\n    Quando milhares de feras tentavam lan&ccedil;ar-nos talvez fora de nossos<br \/>\n    territ&oacute;rios deles se apossarem, destruir nossos bens, aniquilar nossa<br \/>\n    P&aacute;tria e fazerem destarte a desgra&ccedil;a geral n&atilde;o era para<br \/>\n    menos que para sentir-se o maior receio por tantos males de que nos ach&aacute;vamos<br \/>\n    amea&ccedil;ados. Felizmente houve um triunfo completo. Os mares repletos<br \/>\n    de cabe&ccedil;as, de corpos que boiavam dos nossos inimigos, como se uma<br \/>\n    peste houvesse destru&iacute;do a vida de milhares de peixes, como algumas<br \/>\n    vezes havemos observado. Na pen&iacute;nsula em que tentaram um desembarque,<br \/>\n    eram tantos que bem se podia dizer que era um matadouro p&uacute;blico de<br \/>\n    carneiros para alimentar uma grande cidade. Felizmente, viveremos, continuaremos<br \/>\n    a viver tranq&uuml;ilos e felizes!<\/p>\n<p> O REI &#8211; &Eacute; tudo isso verdade minha muito querida esposa. Agora. por&eacute;m,<br \/>\n    s&oacute; nos cumpre continuar a velar sobre quanto diz respeito aos interesses<br \/>\n    p&uacute;blicos d&#8217;outra ordem. Eu continuarei a pensar; a meditar; a estudar;<br \/>\n    a cogitar quanto possa fazer a felicidade dos homens. Tu que &eacute;s mulher,<br \/>\n    de igual modo proceder&aacute;s a respeito das de teu sexo. Combinaremos depois,<br \/>\n    e todos os dias por duas horas pelo menos de cada um, sobre tais assuntos;<br \/>\n    o que for julgado melhor, isso se por&aacute; em pr&aacute;tica.<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; Com muito prazer vos acompanharei em vosso modo de pensar e futura<br \/>\n    disposi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o horas de descanso, n&atilde;o quereis<br \/>\n    acompanhar-me?<\/p>\n<p> O REI &#8211; Tenho ainda alguma cousa a fazer nesta sala. N&atilde;o estou bem<br \/>\n    certo do que &eacute;; por&eacute;m sei que me falta n&atilde;o sei o qu&ecirc;.<\/p>\n<p> A RAINHA &#8211; Vede o que &eacute;; e se eu vos posso auxiliar.<\/p>\n<p> O REI &#8211; N&atilde;o me recordo; iremos portanto dar um passeio ao jardim,<br \/>\n    e depois se me lembrar voltarei. Ah! agora me lembro: &eacute; o rascunho<br \/>\n    da participa&ccedil;&atilde;o que cumpre fazer a todos os governadores que<br \/>\n    nos auxiliam em nosso importante Governo. (Senta-se; pega a pena, e escreve:)<br \/>\n    &quot;Meus muito amados s&uacute;ditos e Governadores das diversas Prov&iacute;ncias<br \/>\n    do meu importante Reino! Participo-vos, e sabei que quase inesperadamente<br \/>\n    fui surpreendido por numerosos traidores, ladr&otilde;es e assassinos, mas<br \/>\n    que em um dia, hoje cercado dos meus generais e dos mais valentes, denodados<br \/>\n    soldados, obtive o mais completo triunfo sobre eles. &Eacute; sempre a Provid&ecirc;ncia<br \/>\n    Divina que auxilia nossas Armas e que, se por alguns momentos, como para experimentar<br \/>\n    a nossa cren&ccedil;a, nos envia alguns flagelos, estes desaparecem logo,<br \/>\n    como as sombras da noite aos raios da loura Aurora. Publicai este fato glorioso<br \/>\n    de nossos concidad&atilde;os; de nossa f&eacute;; de nossa religi&atilde;o;.<br \/>\n    de nossa moral; e de nossa valentia. E conservai-vos, como sempre, no desempenho<br \/>\n    t&atilde;o honroso, qu&atilde;o importante do Governo que vos conferiu O vosso<br \/>\n    Rei Q&#8230; s, &#8211; m. &#8211; Pal&aacute;cio das Merc&ecirc;s, Abril 9 de 1866.&quot;<\/p>\n<p> O REI E A RAINHA &#8211; (para o publico) Sempre a Lei, a Raz&atilde;o e a Justi&ccedil;a<br \/>\n    triunfam da perf&iacute;dia, da trai&ccedil;&atilde;o e da maldade!<\/p>\n<p> Desce o pano, e termina o 3.&ordm; ato, e com ele a com&eacute;dia.<\/p>\n<p> <b>Produzido em 15 de Maio de 1866, por Jos&eacute; Joaquim de Campos Le&atilde;o<br \/>\n    Qorpo-Santo, no beco do Ros&aacute;rio, em Porto Alegre, sobrado por cima<br \/>\n    do n&uacute;mero 21.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: Ato Primeiro Ato Segundo Ato Terceiro Qorpo Santo Com&eacute;dia em Tr&ecirc;s Atos Personagens Dourado, rei de&#8230; Eleut&eacute;rio, seu Ministro, Matildes, a rainha 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