{"id":116713,"date":"2017-03-30T12:20:30","date_gmt":"2017-03-30T14:20:30","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=116713"},"modified":"2017-03-30T12:20:30","modified_gmt":"2017-03-30T14:20:30","slug":"as-relacoes-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/as-relacoes-naturais","title":{"rendered":"As Rela\u00e7\u00f5es Naturais"},"content":{"rendered":"<p><center><\/p>\n<table width=\"656\"  cellpadding=\"7\" cellspacing=\"0\">\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\"><font color=\"#666666\" size=\"2\" face=\"Arial, Helvetica, sans-serif\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#1\" class=\"links\">Ato Primeiro<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#2\" class=\"links\">Ato Segundo<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#3\" class=\"links\">Ato Terceiro<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#4\" class=\"links\">Ato Quarto<\/a><br \/>\n\t\t  <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h2>Qorpo Santo<\/h2>\n<h4>Com&eacute;dia em Quatro Atos<\/h4>\n<p> <strong>Personagens<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p> Impertinente<\/p>\n<p>Consoladora<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Int&eacute;rpreta<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>J&uacute;lia, <\/p>\n<p>Marca e<\/p>\n<p>Mildona &#8211; mulheres da vida<\/p>\n<p>Um indiv&iacute;duo<\/p>\n<p>Truquetruque<\/p>\n<p>Mariposa<\/p>\n<p>Inesperto, criado<\/p>\n<p>Malherbe<\/p>\n<p>Rapazes<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4><a name=\"1\">ATO PRIMEIRO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; J&aacute; estava admirado; e consultando a mim mesmo, j&aacute;<br \/>\n    me parecia grande felicidade para esta freguesia o n&atilde;o dobrarem os<br \/>\n    si&#8230;.. E para eu mesmo n&atilde;o ouvir os tristes sons do f&uacute;nebre<br \/>\n    bronze! Estava querendo sair a passeio; fazer uma visita; e j&aacute; que<br \/>\n    a minha ingrata e nojenta imagina&ccedil;&atilde;o tirou-me um jantar, pretendia<br \/>\n    ao menos conversar com quem m&#8217;o havia oferecido. Entretanto n&atilde;o sei<br \/>\n    se o farei! N&atilde;o sei por&eacute;m o que me inspirou continuar no mais<br \/>\n    improf&iacute;cuo trabalho! Vou levantar-me; continu&aacute;-lo; e talvez<br \/>\n    escrever em um morto: talvez nesse por quem agora os ecos que inspiram pranto<br \/>\n    e dor despertam nos cora&ccedil;&otilde;es dos que os ouvem, a ora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    pela alma desse a cujos dias Deus p&ocirc;s termo com a sua Onipotente voz<br \/>\n    ou vontade! E ser&aacute; esta a com&eacute;dia em 4 atos, a que denominarei<br \/>\n    &#8211; As Rela&ccedil;&otilde;es Naturais.<\/p>\n<p>(Levanta-se; aproxima-se de uma mesa; pega uma pena; molha em tinta; e come&ccedil;a<br \/>\n    a escrever:)<\/p>\n<p>S&atilde;o hoje 14 de maio de 1866. Vivo na cidade de Porto Alegre, capital<br \/>\n    da Prov&iacute;ncia de S. Pedro do Sul; e para muitos, &#8211; Imp&eacute;rio do<br \/>\n    Brasil&#8230; J&aacute; se v&ecirc; pois que &eacute; isto uma verdadeira com&eacute;dia!<br \/>\n    (Atirando com a pena, grita:) Leve o diabo esta vida de escritor! &Eacute;<br \/>\n    melhor ser comediante! Estou s&oacute; a escrever, a escrever; e sem nada<br \/>\n    ler; sem nada ver (muito zangado). Podendo estar em casa de alguma bela gozando,<br \/>\n    estou aqui me incomodando! Levem-me trinta milh&otilde;es de diabos para o<br \/>\n    C&eacute;u da pureza, se eu pegar mais em pena antes de ter&#8230; Sim! Sim! Antes<br \/>\n    de ter numerosas mo&ccedil;as com quem passe agradavelmente as horas que eu<br \/>\n    quiser. (Mais brabo ainda.) Irra! Irra! Com todos os diabos! Vivo qual burro<br \/>\n    de carga a trabalhar! A trabalhar! Sempre a me incomodar! E sem nada gozar!<br \/>\n    &#8211; N&atilde;o quero mais! N&atilde;o quero mais! E n&atilde;o quero mais! J&aacute;<br \/>\n    disse! J&aacute; disse! E hei de cumpri-lo! Cumpri-lo! Sim! Sim! Est&aacute;<br \/>\n    dito! Aqui escrito (pondo a m&atilde;o na testa); est&aacute; feito; e dentro<br \/>\n    do peito! (Pondo a m&atilde;o neste.) Vou portanto vestir-me, e sair para<br \/>\n    depois rir-me; e concluir este meu &uacute;til trabalho! (Caminha de um para<br \/>\n    outro lado; co&ccedil;a a cabe&ccedil;a; resmunga; toma tabaco ou rap&eacute;;<br \/>\n    e sai da sala para um quarto; veste-se; e sai o mais jocosamente que e poss&iacute;vel.)<br \/>\n    Estava (ao aparecer) eu j&aacute; ficando ansiado de tanto escrever, e por<br \/>\n    n&atilde;o ver a pessoa que ontem me dirigiu as mais afetuosas palavras! (Ao<br \/>\n    sair, encontra uma mulher ricamente vestida, chamada Consoladora.)<\/p>\n<p> <strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p> CONSOLADORA &#8211; Onde vai, meu caro Sr.? N&atilde;o lhe preveni eu de que hoje<br \/>\n    teria em seu pal&aacute;cio a mais bela das damas de S&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; Ora, ora, Sra. N&atilde;o v&ecirc; que eu j&aacute; estou<br \/>\n    aborrecido das mulheres! (&Agrave; parte:) &Eacute; preciso dizer-lhe o contr&aacute;rio<br \/>\n    do que penso! Como a sra. se abalan&ccedil;a ainda a falar em damas na minha<br \/>\n    presen&ccedil;a!? S&oacute; se s&atilde;o damas de folgar&#8230; S&atilde;o?<\/p>\n<p> CONSOLADORA (mostrando-se indignada, e batendo um p&eacute; no assoalho)<br \/>\n    B&aacute;rbaro! Cruel! N&atilde;o vives a pedir uma mulher jovem, formosa,<br \/>\n    asseada e bela para tua companhia?! Pensas que ignoro o que pensas; o que<br \/>\n    fazes!? N&atilde;o v&ecirc;s; n&atilde;o sabes; n&atilde;o conheces que sou<br \/>\n    m&aacute;gica!? Atrevido! N&atilde;o te lembras que ainda ontem ou anteontem<br \/>\n    olhaste para mim, e achaste que eu era no C&eacute;u o mais lindo, o mais<br \/>\n    belo e mais agrad&aacute;vel planeta que l&aacute; habitava? N&atilde;o me<br \/>\n    pediste que eu guiasse teus passos; tuas a&ccedil;&otilde;es; tuas palavras,<br \/>\n    Audaz! Pensas que eu n&atilde;o sei que ias atr&aacute;s de mulheres! Para<br \/>\n    que queres mulher!? N&atilde;o vives t&atilde;o bem, n&atilde;o comes, n&atilde;o<br \/>\n    bebes, n&atilde;o dormes t&atilde;o descansado?!<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; (virando-se para o p&uacute;blico) J&aacute; se viu que sarna<br \/>\n    g&aacute;lica me atormenta! Cruzes! (Benzendo-a.) Cruzes! Eu te desconjuro!<\/p>\n<p> CONSOLADORA &#8211; J&aacute; disse: o Sr. n&atilde;o sai daqui! (Pega uma cadeira<br \/>\n    e p&otilde;e perto da porta de sair.)<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; Senhora, se continua deste modo, fique certa que me mato!<br \/>\n    &Eacute; preciso ter ju&iacute;zo! Ao contr&aacute;rio, nem serei eu, nem<br \/>\n    a Sra. minha!<\/p>\n<p> CONSOLADORA &#8211; Ah! (levantando-se) Sim: quer ir! Pois v&aacute;; mas h&aacute;<br \/>\n    de ir sem casaca! (Avan&ccedil;a-se a ele, e tira-lhe a casaca; ficando ele<br \/>\n    de sobre-casaca).<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; Ah! Ainda deixa-me a sobrecasaca! Pois irei com ela (Faz<br \/>\n    uma cortesia a ela e quer sair.)<\/p>\n<p> CONSOLADORA &#8211; Sim! Ficou ainda vestido! Pois h&aacute; de ir sem chap&eacute;u.<br \/>\n    (Avan&ccedil;a-se a ele para o tirar; e depois de alguns saltos, consegue<br \/>\n    faz&ecirc;-lo; fica-lhe um bon&eacute; de forma piramidal. Olha, e diz:) Este<br \/>\n    homem &eacute; o diabo! Tiro-lhe as cal&ccedil;as&#8230; (Vai dirigir-se para<br \/>\n    tal fim; ele agarra com uma m&atilde;o em cada perna; e sai aos pulos dizendo:)<br \/>\n    Se &eacute;s planeta, eu sou cometa!<\/p>\n<p> CONSOLADORA &#8211; (muito triste) E n&atilde;o foi o tal cometa brilhar noutro<br \/>\n    hemisf&eacute;rio! Nunca mais atendo &agrave;s peti&ccedil;&otilde;es de amparo,<br \/>\n    guia, ou prote&ccedil;&atilde;o a mais cometa algum.<\/p>\n<p><strong>Cena Terceira<\/strong><\/p>\n<p>(Entra ele com uma menina de 16 anos a quem conhecemos por Int&eacute;rpreta<br \/>\n    pelo bra&ccedil;o.)<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; (para ela, ao transpor a porta) Cuidado! N&atilde;o se pise<br \/>\n    nestes tapetes, que j&aacute; est&atilde;o um tanto velhos! (Para o p&uacute;blico,<br \/>\n    andando para a frente:) J&aacute; se v&ecirc; que a escolha que fiz hoje,<br \/>\n    e que pretendo fazer de uma em cada m&ecirc;s, &eacute; a&#8230; (Para ela:) Digo?<br \/>\n    Digo?<\/p>\n<p> INT&Eacute;RPRETA &#8211; Se quiser, pode dizer!<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; &Eacute; uma das melhores que se podia encontrar nos maiores<br \/>\n    rebanhos desta&#8230;<\/p>\n<p> INT&Eacute;RPRETA &#8211; Pois chama rebanhos &agrave;s fam&iacute;lias que habitam<br \/>\n    esta cidade!?<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; Pois o que &eacute; mais triste que um grande rebanho de<br \/>\n    ovelhas merinas!?<\/p>\n<p> INT&Eacute;RPRETA &#8211; Eu sempre considerei de outro modo: sempre entendo que<br \/>\n    a mulher como o homem &eacute; um ente que deve ser por todos respeitado,<br \/>\n    como a segunda primorosa obra do Criador; e que assim n&atilde;o sendo, s&oacute;<br \/>\n    milhares de males e transtornos se observar&atilde;o na marcha geral da humanidade!<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; H&aacute;! H&aacute;! H&aacute;! A menina est&aacute; no<br \/>\n    mundo da lua! Ainda cr&ecirc; nas caraminholas que lhe encaixam na cabe&ccedil;a,<br \/>\n    de seu av&ocirc; torto, visto que segundo as &uacute;ltimas participa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    espirituais que tivemos, o direito h&aacute; muito que &eacute; morto!<\/p>\n<p> INTERPRETA &#8211; (&agrave; parte) Em que ca&iacute; eu, acompanhando este mono!<br \/>\n    Isto, &eacute; um monte de carne, sem lei, sem moral, sem religi&atilde;o!<br \/>\n    Mas ainda &eacute; tempo! Quando menos pensar, desapare&ccedil;o de sua presen&ccedil;a,<br \/>\n    como a escurid&atilde;o ao brilhar da lua! N&atilde;o me logras, velho enjoado!<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; (para ela) Minha queridinha! Temos aqui um quarto cheio de<br \/>\n    roupa! (Apontando) Ali um outro repleto de comest&iacute;veis! Acol&aacute;<br \/>\n    um guarda-lou&ccedil;a; naquele canto a cozinha.<\/p>\n<p> INTERPRETA &#8211; (aproximando-se; olha; e nada v&ecirc;; voltando-se para ele)<br \/>\n    Sabes que mais? Eu nunca me sustentei de palavras, e muito menos de mentiras!<br \/>\n    (Sai.)<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; (querendo peg&Aacute;-la) Meu anjo! Minha deusa! Aonde vai!<br \/>\n    Venha c&aacute;!<\/p>\n<p> INTERPRETA &#8211; J&aacute; lhe disse: vou-me embora; e aqui n&atilde;o entro<br \/>\n    mais; o Sr. enganou-me: quis enganar-me; mas enganou~e a si pr&oacute;prio!<br \/>\n    (Sai)<\/p>\n<p> IMPERTINENTE &#8211; (voltando-se) &Eacute; a trig&eacute;sima, vig&eacute;sima<br \/>\n    e d&eacute;cima vez que me prega estes car&otilde;es! Diabo! Diabo! e Diabo!<\/p>\n<h4><a name=\"2\">ATO SEGUNDO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p> TRUQUETRUQUE &#8211; (batendo em uma porta) Estar&aacute; ou n&atilde;o em casa?<br \/>\n    A porta est&aacute; fechada n&atilde;o vejo (vigia no buraco da chave) se<br \/>\n    &eacute; por dentro se &eacute; por fora que est&aacute; a chave; o caso &eacute;<br \/>\n    (dando com a cabe&ccedil;a), e verdadeiro, que a Sra. D. Gertrudes Guiomar<br \/>\n    da Costa Cabral Mota e MeIo, se est&aacute; &eacute; &agrave;s escuras! Sem<br \/>\n    d&uacute;vida a esta hora, noite de teatro, noite de retreta, noite de novena,<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel deixar de ter ido a alguns destes divertimentos:<br \/>\n    se &agrave; Igreja, j&aacute; se sabe &#8211; por devo&ccedil;&atilde;o! Se ao Templo,<br \/>\n    por ora&ccedil;&atilde;o! E finalmente, se&#8230; n&atilde;o digo (Caminhando<br \/>\n    para o centro). Para que hei de mostrar (abrindo os bra&ccedil;os) que sou<br \/>\n    um grande dialeta, ret&oacute;rico, fil&oacute;sofo! Etc. Etc. Pode ser que<br \/>\n    ficassem depois com inveja; e em vez de alimento para eu continuar a brilhar<br \/>\n    com o meu grande talento a todo o momento, darem-me envenenamento! Com o qual<br \/>\n    eu, muito contra a minha vontade e vontade sant&iacute;ssima! possa ir fazer<br \/>\n    a viagem&#8230; eterna ao fundo de algum dos maiores infernos que l&aacute; por<br \/>\n    baixo da terra devem existir! Ainda se me metessem aqui, e eu sa&iacute;ra<br \/>\n    l&aacute; no ponto oposto onde habitam os nossos&#8230; tamb&eacute;m n&atilde;o<br \/>\n    sei se s&atilde;o nossos, ou se s&atilde;o s&oacute; meus! (Para o p&uacute;blico:)<br \/>\n    Como chamam estes cujos p&eacute;s fazem&#8230; quando est&atilde;o l&aacute;<br \/>\n    em p&eacute; t&ecirc;m as solas dos sapatos, se n&atilde;o andam de botas,<br \/>\n    voltadas para a sala dos nossos? Hein? Anf&iacute;bios, n&atilde;o! Isto &eacute;<br \/>\n    cousa que anda no mar, e em terra! Hermafroditos! n&atilde;o; isto tamb&eacute;m<br \/>\n    &eacute; outra cousa, &eacute; o que &eacute; macho e f&ecirc;mea! Cabrito<br \/>\n    n&atilde;o &eacute;. N&atilde;o me posso lembrar. Enfim dizia eu que se l&aacute;<br \/>\n    fosse habitar quando entre na terra com esses cujos p&eacute;s est&atilde;o<br \/>\n    virados para os nossos, que teria muito prazer; mas como &eacute; de supor<br \/>\n    que a minha habita&ccedil;&atilde;o por envenenamento seja a mais completa<br \/>\n    e trivial destrui&ccedil;&atilde;o &#8211; declaro que n&atilde;o aceito, que n&atilde;o<br \/>\n    quero; que n&atilde;o concordo!<\/p>\n<p> <strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p>Abre-se de repente uma porta; aparecem por ela, e por diversas outras, tr&ecirc;s<br \/>\n    ou quatro mulheres, umas em saias, outras com os cabelos desgrenhados; p&eacute;s<br \/>\n    no ch&atilde;o, etc.<\/p>\n<p> UMA DELAS &#8211; (para um indiv&iacute;duo) &#8211; Que quer o Sr. aqui?<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; (puxando-o por um bra&ccedil;o) O que faz?<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; Quem o mandou c&aacute;?<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; N&atilde;o sabe que sempre foi um homem honesto quanto a&#8230; e que<br \/>\n    n&oacute;s somos todas prostitutas!? &Eacute; um tolo! Safe-se daqui para<br \/>\n    fora, Sr. maroto! Sen&atilde;o, olhe (mostrando-lhe o punho) &#8211; havemos de<br \/>\n    esmurr&aacute;-lo com esta m&atilde;o de pil&atilde;o!<\/p>\n<p> ELE &#8211; Minhas santinhas; (com muita humildade) minhas santinhas, eu queria<br \/>\n    dormir com voc&ecirc;s esta noite.<\/p>\n<p> ELAS &#8211; (dando uma grande gargalhada) Ah! ah! ah!<\/p>\n<p> UMA (para outra) N&atilde;o queres ver, Mana, o desaforo, a petul&acirc;ncia<br \/>\n    deste est&uacute;rdio!? Querer passar conosco a noite, quando n&oacute;s sabemos<br \/>\n    que ele &eacute; conde e tem filhos carnais!<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; Ah! ah! ah! Se fossem s&oacute; os carnais era nada (batendo no<br \/>\n    ombro da que primeiro fala) &#8211; os espirituais &eacute; que &eacute;; que n&atilde;o<br \/>\n    t&ecirc;m conta.<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; Ele j&aacute; est&aacute; esquecido que os disc&iacute;pulos o fizeram<br \/>\n    padre eterno; e que por isso n&atilde;o deve tocar em carne.<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; (apontando com o mostrador) J&aacute;, seu maroto, rua! sen&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p> ELE &#8211; Isto &eacute; o diabo! Estas mulheres chamam-me com o esp&iacute;rito<br \/>\n    quando estou em casa; e quando saio &agrave; rua, com as palavras, com as<br \/>\n    m&atilde;os, com os dedos, com a cabe&ccedil;a, com os olhos, e se as encontro<br \/>\n    fora, ent&atilde;o &eacute; at&eacute; com seus remexidos! Mas se lhes venho<br \/>\n    &agrave; casa, &eacute; isto que se v&ecirc;! Cruzes! (Cuspindo em todas elas.)<br \/>\n    Abren&uacute;ncio! Eu as desconjuro para nunca mais as ver! N&atilde;o olharei<br \/>\n    mais para estas tigras! (Sai.)<\/p>\n<p><strong>Cena Terceira<\/strong><\/p>\n<p>UMA DELAS &#8211; (Olhando-se) Ora; ora; ainda agora &eacute; que reparo! Estou<br \/>\n    quase em fraldas de camisa! Vejam este maluco como me p&ocirc;s tamb&eacute;m<br \/>\n    maluca!<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; (alisando os cabelos) E eu com os cabelos todos desgrenhados! Se<br \/>\n    ele cair em vir c&aacute; outra vez, hei de enforc&aacute;-lo com uma destas<br \/>\n    tran&ccedil;as, e pendur&aacute;-lo no v&aacute;cuo deste sal&atilde;o.<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; E que bonito ele h&aacute; de ficar, mana, se qual lontra aqui o<br \/>\n    pusermos! Havemos de enche-lo de livros; ser&aacute;&#8230; &#8211; um centro! Como<br \/>\n    um sol que dardejar&aacute; seus raios para todos os cantos desta casa, para<br \/>\n    todos os cantos do hemisf&eacute;rio que alumia!<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; Mas isto &eacute; dar muita import&acirc;ncia a esse Judas, faz&ecirc;-lo<br \/>\n    centro de tudo.<\/p>\n<p> AS PRIMEIRAS &#8211; O que tem? Esse diabo j&aacute; o tem sido de luz espiritual,<br \/>\n    agora que o seja tamb&eacute;m de luz material!<\/p>\n<p> UMA DELAS &#8211; Sabem o que mais? &#8211; Vamos vestirmo-nos e p&ocirc;r-mo-nos &agrave;s<br \/>\n    janelas &agrave; espera de vermos os nossos namorados!<\/p>\n<p> TODAS &#8211; Apoiado! N&atilde;o percamos nossos costumes por causa de um maluco!<br \/>\n    Vamos! Vamos! (Entram todas para os quartos d&#8217;onde sa&iacute;ram.)<\/p>\n<p><strong>Cena Quarta<\/strong><\/p>\n<p>VELHA MARIPOSA &#8211; (entrando toda cheia de dengosidade, pegando os vestidos<br \/>\n    como quem quer dan&ccedil;ar, e comete outros numerosos atos, que indicam<br \/>\n    a pregoeira gaiata da presente &eacute;poca) Ainda h&aacute; cinco minutos,<br \/>\n    era esta sala um teatro de mo&ccedil;as quase nuas! Acompanhadas de certo<br \/>\n    individuo de meia idade, que parece mais um velho bem doente, que um homem<br \/>\n    s&atilde;o, valente e cheio de&#8230; certa cousa&#8230; certa for&ccedil;a que eu<br \/>\n    n&atilde;o quero dizer, porque n&atilde;o &eacute; t&atilde;o decente como<br \/>\n    conv&eacute;m a t&atilde;o ilustre assembl&eacute;ia! (Olhando para diversos<br \/>\n    lados.) Onde est&atilde;o estas meninas? J&uacute;lia! J&uacute;lia!<\/p>\n<p> J&Uacute;LIA &#8211; Sra.? Sra.?<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; Vem c&aacute;, menina! Chama as tuas irm&atilde;s!<\/p>\n<p> J&Uacute;LIA &#8211; Ora, Mam&atilde;e; eu ainda n&atilde;o estou vestida!<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; Entra, chama uma das tuas Irm&atilde;s!<\/p>\n<p> J&Uacute;LIA &#8211; Est&aacute; bom, Mam&atilde;e; eu j&aacute; vou.<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; Muito custa a criar filhas! Ainda mais acomodar; muito mais casar;<br \/>\n    e ainda pior atur&aacute;-las! Pilham-se mo&ccedil;as, e o que querem &eacute;<br \/>\n    namorar!<\/p>\n<p> J&Uacute;LIA &#8211; (entrando e sacudindo os vestidos) Acabava eu agora mesmo&#8230;<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; J&aacute; sei; acabas de&#8230; Basta; n&atilde;o prossigas! Tu &eacute;s,<br \/>\n    eu sei o qu&ecirc;!<\/p>\n<p> J&Uacute;LIA &#8211; (pondo as m&atilde;os) Por piedade, minha querida M&atilde;e!<br \/>\n    N&atilde;o fa&ccedil;a de mim o menor mau ju&Iacute;zo! Sabe que sempre fui<br \/>\n    uma de suas melhores filhas, obediente e respeitosa, e mais que tudo &#8211; amorosa!<\/p>\n<p> MARCA &#8211; (irm&atilde; de J&uacute;lia, entrando mui ligeiramente, ou fazendo<br \/>\n    alguns passos de dan&ccedil;a at&eacute; chegar perto da M&atilde;e; ao chegar,<br \/>\n    ajoelha-se, pega-lhe na m&atilde;o e beija-a) Minha &#8211; mais que todas as mulheres,<br \/>\n    Querida M&atilde;e! Eis-me prostrada a seus p&eacute;s, para pedir-lhe perd&atilde;o<br \/>\n    de quantos pecados hei cometido, ou guisados hei comido! Perdoa, Mam&atilde;ezinha,<br \/>\n    perdoa, sim?<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; Sim; sim. Est&aacute; perdoada; pode levantar-se. Mas n&atilde;o<br \/>\n    torne a cair em outra! Eu conhe&ccedil;o seus crimes.<\/p>\n<p> MARCA &#8211; (levantando-se) Sim; sim. Quanto sou feliz! A minha querida m&atilde;e<br \/>\n    quanto &eacute; boa! Ainda pela quinta vez quis perdoar &agrave; sua mais<br \/>\n    desobediente, cruel, ou mesmo &#8211; tirana filha!<\/p>\n<p> MARCA &#8211; Eu n&atilde;o sei deles. Vossa Merc&ecirc; bem sabe que moro sozinha<br \/>\n    no meu quarto; a mana &eacute; que h&aacute; de saber!<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; Onde est&atilde;o? N&atilde;o me diz? Ainda n&atilde;o me vieram<br \/>\n    tomar a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, sendo entretanto mais de oito horas! (Entram<br \/>\n    os outros filhos.)<\/p>\n<p> ELES &#8211; (estendendo as m&atilde;os) Sua b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, minha<br \/>\n    M&atilde;e.<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; (fazendo sinal com a m&atilde;o) Deus aben&ccedil;oe a todos,<br \/>\n    que eu o fa&ccedil;o em particular a cada um. Sim, meninas, s&atilde;o horas<br \/>\n    de missa; vamos cobrir nossos v&eacute;us, e sigamos a orar ao Senhor &#8211; por<br \/>\n    n&oacute;s e por nossos av&oacute;s!<\/p>\n<p> TODOS &#8211; Prontos a obedec&ecirc;-la, a segui-la. (Saem todos).<\/p>\n<h4><a name=\"3\">ATO TERCEIRO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p>INESPERTO &#8211; (criado) Por mais que arrume (atirando com uma bota para um lado;<br \/>\n    com um livro para outro; com uma bandeja no ch&atilde;o; com um espanador<br \/>\n    para um canto; e assim com tudo o mais que se achava arrumado), sempre encontro<br \/>\n    esta sala, este quarto, ou como o quiserem chamar&#8230; c&acirc;mara, dormit&oacute;rio,<br \/>\n    ou n&atilde;o sei que mais &#8211; desarrumado! Nada, nada, isto n&atilde;o pode<br \/>\n    continuar assim! Ou hei de deixar de ser criado desta casa, ou as cousas h&atilde;o<br \/>\n    de conservar-se nos lugares em que eu arrumo! S&atilde;o honras que a ningu&eacute;m<br \/>\n    eu cedo&#8230; O que por&eacute;m &eacute; mais not&aacute;vel &eacute; que al&eacute;m<br \/>\n    de me n&atilde;o respeitarem, nem obedecerem &#8211; n&atilde;o pagam-me tamb&eacute;m<br \/>\n    nem a quinta parte dos sal&aacute;rios comigo contratados! Mas nada me h&atilde;o<br \/>\n    de ficar a dever! Quando retirar-me, hei de levar o dobro do que houver licitamente<br \/>\n    ganho, a fim de que paguem-me os pr&ecirc;mios, pois n&atilde;o estou resolvido<br \/>\n    a perd&ecirc;-los!<\/p>\n<p> <strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p> MALHERBE &#8211; (amo muito espantado, entrando)<\/p>\n<p>Que &eacute; isto, Judas!? Enlouqueceste-o, Inesperto? Onde est&aacute; tua<br \/>\n    Ama?<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; Qual enlouqueci&#8230; Todos os dias arrumo esta casa; e em todos<br \/>\n    os dias nela acho que arrumar; e ainda pergunta-me por minha ama, mulher feia,<br \/>\n    velha e m&aacute;! Se h&aacute; de ainda ir ver as mo&ccedil;as, este tagarela,<br \/>\n    &eacute; isto todos os dias&#8230; Ainda coisa mais mol, mais ruim, que este meu<br \/>\n    amo (para o amo, dando com a m&atilde;o): V&aacute;-se embora daqui para fora,<br \/>\n    sen&atilde;o &#8211; o matam, seu Judeu Errante!<\/p>\n<p> MALHERBE &#8211; Este diabo est&aacute; hoje com o demo nas tripas!&#8230; &Oacute;<br \/>\n    Judas, dize-me: o que comeste hoje? Bebeste vinho? champanha, vinagre, &aacute;gua-forte?<br \/>\n    Que diabo tens tu hoje? Est&aacute;s b&ecirc;bado?<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; Qual b&ecirc;bado, nem meio b&ecirc;bado: nunca estive eu em<br \/>\n    meu t&atilde;o perfeito estado de ju&iacute;zo ou de mais completa sa&uacute;de!<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; (entrando) Ih!&#8230; que espalhafato fez o Judeu hoje! (Querendo<br \/>\n    arrumar tudo; para o marido:) Senhor, tome ju&iacute;zo; despe&ccedil;a esse<br \/>\n    maldito, que n&atilde;o faz sen&atilde;o o que est&aacute; vendo! O Sr. parece-me<br \/>\n    cego. Embalde (metendo os dedos nos olhos do marido) tem dois fog&otilde;es<br \/>\n    nesta cara; tu n&atilde;o enxergas.<\/p>\n<p> MALHERBE &#8211; Tu, teu criado, e tuas filhas, n&atilde;o s&atilde;o entes da<br \/>\n    esp&eacute;cie humana. S&atilde;o malditas feras que aqui habitam para flagelar-me!<br \/>\n    (Para ambos:) Fora daqui! Se demoram pego em tudo isto (agarrando as mesas)<br \/>\n    e penduro quais ros&aacute;rios nas cabe&ccedil;as de voc&ecirc;s dois!.<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; (para o criado) Sabes o que conv&eacute;m fazer: &eacute; safarmo-nos!<br \/>\n    O homem hoje est&aacute; resoluto a matar, ou<\/p>\n<p>mostrar-nos que &eacute; Senhor desta casa.<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; Diz bem, minh&#8217;ama; vamos n&oacute;s saindo em boa paz! (Enfia<br \/>\n    o bra&ccedil;o na ama.) &Eacute; melhor &#8211; velha, feia, m&aacute;, que nenhuma!<br \/>\n    (Abanando com a m&atilde;o.) Adeus, Sr. est&uacute;rdio! Adeus, at&eacute;<br \/>\n    mais ver! (Saem.)<\/p>\n<p> <strong>Cena Terceira<\/strong><\/p>\n<p>MALHERBE &#8211; (s&oacute;) &#8216;Estes diabos t&ecirc;m tentado devorar-me por todos<br \/>\n    os modos! Mas eu os hei de p&ocirc;r no estado o mais deplor&aacute;vel que<br \/>\n    se pode imaginar! Deixemos, deixemos; eles para c&aacute; h&atilde;o de vir<br \/>\n    (dando alguns passeios, co&ccedil;ando a barba, compondo o cabelo etc.)<\/p>\n<p> MILDONA &#8211; (entrando) Que saudades eu tinha de meu querido Pai!<\/p>\n<p> MALHERBE &#8211; Ah! &eacute;s tu, minha querida Mildona? Quanto &eacute; doce<br \/>\n    vermos feitos de nossos trabalhos de longos anos!? Um abra&ccedil;o, minha<br \/>\n    estimad&Iacute;ssima, minha mesmo querid&iacute;ssima filha!<\/p>\n<p> MILDONA &#8211; O Sr. n&atilde;o reparou bem; eu n&atilde;o sou a sua encantadora<br \/>\n    filha; mas a jovem a quem o Sr. em vez de amizade, sempre h&aacute; confessado<br \/>\n    tributar amor!<\/p>\n<p> MALHERBE &#8211; Ah! onde estava eu!? Sonhava; pensava em ti; via, e n&atilde;o<br \/>\n    te enxergava! Sim, sois minha; &eacute;s minha; e ser&aacute;s sempre minha<br \/>\n    por todos os s&eacute;culos dos s&eacute;culos, Am&eacute;m! (Saem.)<\/p>\n<p> <strong>Cena Quarta<\/strong><\/p>\n<p>O CRIADO &#8211; (entrando, p&eacute;-ante-p&eacute;) Amolei tudo! N&atilde;o pensem<br \/>\n    que far&atilde;o espadas, facas, punhais, ou lan&ccedil;as! Mas os am&aacute;veis<br \/>\n    que desprezando todos os direitos dos cidad&atilde;os brasileiros, matavam<br \/>\n    e roubavam a seu belo prazer! O tal meu amo entendia que cada botina que comprava,<br \/>\n    e que cal&ccedil;ava, era uma mulher que condenava ao matadouro dos seus desejos!<br \/>\n    E a tal minha ama procedia do mesmo modo quanto ao xales que a cobria; dizia<br \/>\n    (pegando, e pondo um xale:) isto &eacute; masculino, est&aacute; portanto<br \/>\n    relacionado com um homem; &eacute; novo; e por isso, assim como eu me cubro<br \/>\n    com ele, tamb&eacute;m h&aacute; de me cobrir esta noite um bom mo&ccedil;o!<br \/>\n    E assim &eacute; que n&atilde;o havia Pai, nem filho; M&atilde;e ou filha<br \/>\n    que pudesse, nem por cinco minutos, ter descanso e tranq&Uuml;ilidade em suas<br \/>\n    habita&ccedil;&otilde;es!<\/p>\n<p> MALHERBE &#8211; (entrando de bengala) Ah! ainda est&aacute;s aqui! Toma! (D&aacute;-lhe<br \/>\n    com a bengala at&eacute; que sai disparando por uma das portas, gritando:)<br \/>\n    N&atilde;o quero mais servi-lo! N&atilde;o quero! N&atilde;o quero! j&aacute;<br \/>\n    disse.<\/p>\n<p> <strong>Cena Quinta<\/strong><\/p>\n<p>(A mo&ccedil;a [Mildona] sai do quarto; e entra apressadamente na sala; para<br \/>\n    o amigo:)<\/p>\n<p> Que &eacute; isto, que &eacute; isto, Sr.? Que &eacute; isto&#8230;! Entrou<br \/>\n    aqui algum ladr&atilde;o! Algum assassino! O Sr., de bengala, gritando e dando<br \/>\n    pancada!<\/p>\n<p> MALHERBE (muito terno) N&atilde;o &eacute; cousa alguma, menina; foi apenas<br \/>\n    uma li&ccedil;&atilde;o que quis dar a este mariola, que tem o t&iacute;tulo<br \/>\n    de meu criado: quis fazer-se de amo! Agora por&eacute;m que j&aacute; lecionei,<br \/>\n    podemos gozar tranq&uuml;ilos de uma exist&ecirc;ncia feliz! (D&atilde;o dois<br \/>\n    ou tr&ecirc;s passeios pela sala, e sentam-se em um sof&aacute;; conversam<br \/>\n    sobre v&aacute;rias cousas; ouvem bater; levanta-se a mo&ccedil;a; vai &agrave;<br \/>\n    porta, e foge espavorida; entra assim para um dos quartos. Levanta-se ele<br \/>\n    cheio de espanto; chega tamb&eacute;m &agrave; porta, d&aacute; um grito de<br \/>\n    dor, diz:) S&atilde;o eles! S&atilde;o eles! S&atilde;o eles! (Cai desfalecido,<br \/>\n    e assim termina o segundo ato. Milhares de luzes descem e ocupam o espa&ccedil;o<br \/>\n    do cen&aacute;rio.)<\/p>\n<h4><a name=\"4\">ATO QUARTO<\/a><\/h4>\n<p><strong>Cena Primeira<\/strong><\/p>\n<p> Tudo corre; tudo grita (mulher; filhos; marido; criado, que por um dia foi<br \/>\n    amo do amo).<\/p>\n<p>Inc&ecirc;ndio! Inc&ecirc;ndio! Inc&ecirc;ndio! Venham bombas! Venha &aacute;gua!<br \/>\n    (&Eacute; um labirinto, que ningu&eacute;m se entende, mas o fogo, a fuma&ccedil;a<br \/>\n    que se observa, n&atilde;o passa, ou o inc&ecirc;ndio n&atilde;o real, mas<br \/>\n    aparente).<\/p>\n<p>Pegam em barris d&aacute;gua, em canecas e outros vasos; e todos atiram &aacute;gua<br \/>\n    para o ar; chega uma bomba pequena, e com ela tamb&eacute;m atiram &aacute;gua,<br \/>\n    por espa&ccedil;o de alguns minutos; mas o inc&ecirc;ndio parece lavrar com<br \/>\n    mais for&ccedil;a at&eacute; que se extingue ou desaparece.<\/p>\n<p> MALHERBE &#8211; (depois de todos tranq&uuml;ilos) Sempre a desordem nas casas<br \/>\n    sem ordem! Sempre as perdas; os desgostos; os inc&ocirc;modos de todas as<br \/>\n    esp&eacute;cies! Santo Deus! por que n&atilde;o crucificais aqueles que desrespeitam<br \/>\n    vossos santos preceitos!? Mas, que digo? Se continuo, estas mulheres s&atilde;o<br \/>\n    capazes de pendurar-me naquela travessa, e aqui deixarem-me exposto, por n&atilde;o<br \/>\n    querer acompanh&aacute;-las em seus modos de pensar e de julgar! O melhor<br \/>\n    &eacute; retirar-me! Vou descansar por alguns minutos. (Sai.)<\/p>\n<p> <strong>Cena Segunda<\/strong><\/p>\n<p> ELAS &#8211; (umas para as outras) Preparemo-nos para pregar um susto neste mariola!<br \/>\n    J&aacute; que ele n&atilde;o quer obedecer aos nossos chamados espirituais,<br \/>\n    e aos das outras mulheres; j&aacute; que &eacute; pregui&ccedil;oso, vaidoso,<br \/>\n    ou orgulhoso; ao menos preguemos-lhe um susto!<\/p>\n<p> TODAS &#8211; Apoiado! Apoiad&iacute;ssimo! Ou ele h&aacute; de ser obediente<br \/>\n    &agrave;s Leis, ou havemos de enforc&aacute;-lo, ainda que seja s&oacute;<br \/>\n    por alguns momentos e divertimento! Deixemos ele vir. (Preparam uma corda;<br \/>\n    e tudo o mais que as pode auxiliar para tal fim; conversam sobre os resultados<br \/>\n    e conseq&uuml;&ecirc;ncias de sua empresa, e o que far&aatilde;o depois; entretanto<br \/>\n    entra o criado com ele em figura forte de papel&atilde;o, abra&ccedil;ado<br \/>\n    para poder acompanh&aacute;-lo; e &eacute; esta a 3.&ordf; Cena.). Cumprimentam-se<br \/>\n    todos muito alegremente; e conversam.<\/p>\n<p> UMA DELAS &#8211; (para o criado) Ora muito bem! J&aacute; se v&ecirc; quanto<br \/>\n    &eacute; bom viver conforme as rela&ccedil;&otilde;es naturais. Eu gosto de<br \/>\n    mingau de araruta ou de sagu, por exemplo &#8211; como; e porque est&aacute; relacionado<br \/>\n    com certo jovem a quem amo; ele aqui me aparece, e eu o gozo! J&aacute; se<br \/>\n    v&ecirc; pois que, vivendo conforme elas, &eacute; em duplicata!<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; &Eacute; verdade, mana; eu, como a comida de que mais gosto &eacute;<br \/>\n    coco; e porque este se relaciona com certo amigo de meu Pai, ele aqui tamb&eacute;m<br \/>\n    vir&aacute;, e o meu prazer n&atilde;o ser&aacute; s&oacute; de paladar, mas<br \/>\n    tamb&eacute;m aquele que prov&eacute;m do amar!<\/p>\n<p> OUTRA &#8211; Pois eu, como o que mais aprecio &eacute; chocolate, beb&ecirc;-lo-ei,<br \/>\n    beb&ecirc;-lo-ei; e por id&ecirc;nticas raz&otilde;es gozarei dele e de quem<br \/>\n    n&atilde;o quero dizer! Mas o diabo &eacute; que assim ficam sem cousa alguma!<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; Pois eu, como gosto muito do meu criado, e ele &eacute; mel de<br \/>\n    abelha, j&aacute; se sabe o que eu de hoje em diante hei de sempre comer ou<br \/>\n    beber! (Para o marido de papel&atilde;o:) E o Sr., Sr. Tralh&atilde;o, que<br \/>\n    n&atilde;o quis acompanhar-nos nas rela&ccedil;&otilde;es naturais, importando-se<br \/>\n    sempre com direitos; n&atilde;o vendo que o pr&oacute;prio direito autoriza,<br \/>\n    dizendo que cada um pode viver como quiser e com quem quiser; h&aacute; de<br \/>\n    ficar aqui pendurado para eterna gl&oacute;ria das mulheres, e exemplo final<br \/>\n    dos homens malcriados! Contamos (para o criado) com teu aux&iacute;lio.<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; N&atilde;o precisamos ter trabalho, porque ele est&aacute; dormindo,<br \/>\n    com certa flor que lhe dei a cheirar!<\/p>\n<p> ELAS &#8211; Oh! ent&atilde;o melhor! Venham as cordas! (Para o criado:) V&ecirc;<br \/>\n    uma escada; trepa l&aacute;; sobe naquela trave; leva esta corda, que n&oacute;s<br \/>\n    c&aacute; o amarremos pelo pesco&ccedil;o, e depois tu o sungas.<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; Sim; mas como diabo h&aacute; de ser! Ah! &eacute; preciso a<br \/>\n    Sra. pegar nele para n&atilde;o cair.<\/p>\n<p> MARIPOSA &#8211; Eu seguro!<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; (pega a escada, p&otilde;e em lugar pr&oacute;prio, sobe, levando<br \/>\n    a corda, e depois desce.) (&Agrave; parte:) Estas mulheres n&atilde;o v&ecirc;em<br \/>\n    que n&atilde;o se pode ainda andar com as rela&ccedil;&otilde;es naturais;<br \/>\n    que se umas querem, outras n&atilde;o querem; que se umas podem, outras n&atilde;o<br \/>\n    podem; que&#8230; enfim, s&atilde;o o diabo! Mas elas agora v&atilde;o conhecer<br \/>\n    que eu sou homem, e que por isso mesmo hei de defender e amparar aqueles a<br \/>\n    quem elas quiserem crucificar! (Amarra a corda ao pesco&ccedil;o da figura;<br \/>\n    e diz:) Est&aacute; bem atada! Agora vou sung&aacute;-lo! (Sobe a escada,<br \/>\n    monta na trave, e puxando:) Pesa como o diabo! N&atilde;o ter&aacute; dez<br \/>\n    arrobas? Mas quinze eu juro que pesa! Irra! (Puxando.) Irra! Arriba! Agora,<br \/>\n    agora j&aacute; est&aacute; seguro!<\/p>\n<p> ELAS &#8211; (umas para as outras) H&aacute; de ficar pendurado! Ah! ah! ah! H&aacute;<br \/>\n    de, h&aacute; de! (Batem palmas.) Que triunfo! Viva! Viva! Agora, maninha;<br \/>\n    j&aacute; enforcamos este, havemos de enforcar tamb&eacute;m certo grilo;<br \/>\n    e andar com as rela&ccedil;&otilde;es &agrave; vontade dos cora&ccedil;&otilde;es!<\/p>\n<p> TODAS &#8211; Apoiado! Apoiado! Enforquemos tudo quanto &eacute; autoridade que<br \/>\n    nos quer estorvar de gozar, como se estiv&eacute;ssemos em um para&iacute;so<br \/>\n    terreal!<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; (depois de haver prendido o corpo da figura na trave) Pois n&atilde;o!<br \/>\n    N&atilde;o v&ecirc; que meu amo havia de ser enforcado, para as Sras. fazerem<br \/>\n    quando quisessem! Boas! L&aacute; vai bola! Rela&ccedil;&otilde;es, metralha<br \/>\n    (Arranca um bra&ccedil;o, atira numa delas.)<\/p>\n<p> MARCA &#8211; Ah! traidor! (Encolhe-se.)<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; L&aacute; vai um estilha&ccedil;o. Toma rela&ccedil;&atilde;o!<br \/>\n    (Atira outro bra&ccedil;o noutra).<\/p>\n<p> J&Uacute;LIA &#8211; B&aacute;rbaro! Louco!<\/p>\n<p> INESPERTO &#8211; Mais outro! (Arranca a cabe&ccedil;a, ou o chap&eacute;u, e<br \/>\n    atira em outra, dizendo:) Querem mais!? Se quiserem, venham buscar c&aacute;<br \/>\n    em cima, que eu vou juntar-me ao meu muito respeit&aacute;vel amo. (Levanta-se<br \/>\n    em cima da trave, e sai ou desaparece.)<\/p>\n<p> ELAS &#8211; (uma para as outras a enxugarem os olhos:) Que tirano! Que cruel!<br \/>\n    Que b&aacute;rbaro! Que assassino! De modo que assim sendo, se pode ainda<br \/>\n    hoje fazer&#8230; Cantemos todas;<\/p>\n<p><strong>1.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> &#8211; N&atilde;o nos meteremos<\/p>\n<p>Mais com rela&ccedil;&otilde;es;<\/p>\n<p>Maridos procuremos;<\/p>\n<p>Pois temos cora&ccedil;&otilde;es!<\/p>\n<p> <strong>2.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> A nenhum mais tentaremos<\/p>\n<p>Destruir seus sentimentos!<\/p>\n<p>A um s&oacute; n&oacute;s serviremos,<\/p>\n<p>P&#8217;ra n&atilde;o ter duros tormentos!<\/p>\n<p> <strong>3.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> Com nenhum nos contentarmos,<\/p>\n<p>Ou a todos n&atilde;o querermos;<\/p>\n<p>&Eacute; assim querer matar-nos,<\/p>\n<p>Pondo todos quase enfermos.<\/p>\n<p> <strong>4.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> Tenhamos pois ju&Iacute;zo!<\/p>\n<p>Cada qual com seu esposo!<\/p>\n<p>Se n&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; para&iacute;so!<\/p>\n<p>Tudo inferno! &#8211; nenhum gozo!<\/p>\n<p> <strong>5.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> Para comermos;<\/p>\n<p>Para bebermos,<\/p>\n<p>N&atilde;o precisamos<\/p>\n<p>De certos dramas!<\/p>\n<p> <strong>6.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> De andar,<\/p>\n<p>Sempre a matar,<\/p>\n<p>Os cora&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p>Com as rela&ccedil;&otilde;es!<\/p>\n<p> <strong>7.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> Os que s&oacute; querem<\/p>\n<p>(Que desesperem!)<\/p>\n<p>Por rela&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p>S&atilde;o veros ladr&otilde;es!<\/p>\n<p> <strong>8.&ordm;<\/strong><\/p>\n<p> Basta o trabalho,<\/p>\n<p>Certo, n&atilde;o falho;<\/p>\n<p>Para vivermos;<\/p>\n<p>E mil gozos termos.<\/p>\n<p>Fim do 4.&ordm; ato, e da com&eacute;dia escrita em 14 de maio de 1866, por<br \/>\n    Jos&eacute; Joaquim de Campos Le&atilde;o, Qorpo-Santo, em a cidade de Porto<br \/>\n    Alegre, sala n.&ordm; 21, no Beco do Ros&aacute;rio.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: Ato Primeiro Ato Segundo Ato Terceiro Ato Quarto Qorpo Santo Com&eacute;dia em Quatro Atos Personagens Impertinente Consoladora Int&eacute;rpreta J&uacute;lia, Marca e Mildona &#8211; mulheres da vida Um indiv&iacute;duo Truquetruque Mariposa Inesperto, criado Malherbe Rapazes ATO PRIMEIRO Cena Primeira IMPERTINENTE &#8211; J&aacute; estava admirado; e consultando a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-116713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>As Rela\u00e7\u00f5es Naturais, Obra, Qorpo Santo, Com\u00e9dia, As Rela\u00e7\u00f5es Naturais<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"As Rela\u00e7\u00f5es Naturais, Obra, Qorpo Santo, 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