{"id":116194,"date":"2017-03-29T10:14:09","date_gmt":"2017-03-29T12:14:09","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=116194"},"modified":"2017-03-29T10:14:09","modified_gmt":"2017-03-29T12:14:09","slug":"a-carta-em-sua-ortografia-original","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-carta-em-sua-ortografia-original","title":{"rendered":"A Carta em Sua Ortografia Original"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2><strong>Pero Vaz de Caminha<\/strong><\/h2>\n<p>Sn\u00f5r<br \/>\nposto que o capitam moor desta vossa frota e asy os<br \/>\noutros capita\u00e3es screpuam a vossa alteza a noua do acha<br \/>\nmento desta vossa terra noua que se ora neesta naue<br \/>\nga\u00e7om achou, nom leixarey tambem de dar disso<br \/>\nminha comta a vossa alteza asy como eu milhor<br \/>\npoder ajmda que pera o bem contar e falar o saiba<br \/>\npior que todos fazer, pero tome vossa alteza minha<br \/>\njnoram\u00e7ia por boa comtade, a qual bem \u00e7erto crea que<br \/>\npor afremosentar nem afear aja aquy de poer ma<br \/>\nis ca aquilo que vy e me pare\u00e7eo. \/ da marinha<br \/>\njem e simgraduras do caminho n\u00f5 darey aquy c\u00f5<br \/>\nta a vossa alteza porque o nom saberey fazer e os<br \/>\npilotos deuem teer ese cuidado e por tamto Sn\u00f5r<br \/>\ndo que ey de falar come\u00e7o e diguo. \/<br \/>\nque a partida de belem como vosa alteza sabe foy sega<br \/>\nfeira ix de mar\u00e7o, e sabado xiii do dito mes amtre<br \/>\nas biij e ix oras nos achamos antre as canareas<br \/>\nmais perto da gran canarea e aly amdamos todo<br \/>\naquele dia em calma a vista delas obra de tres ou<br \/>\nquatro legoas. e domingo xxij do dito mes aas<br \/>\nx oras pouco mais ou menos ouuemos vista da jlhas<br \/>\ndo cabo verde .s. da jlha de s\u00e3 njcolaao, sego dito de Po<br \/>\nescobar piloto e a noute segujmte aa segda feira lhe<br \/>\namanhe\u00e7eo se perdeo da frota Vaasco datayde com<br \/>\na sua naao sem hy auer tempo forte nem contrairo<br \/>\npera poder seer. fez o capitam suas diligen\u00e7ias pera o<br \/>\nachar a hu\u00fcas e a outras partes e nom pare\u00e7eo majs.<br \/>\nE asy segujmos nosso caminho per este mar de lomgo<br \/>\nataa ter\u00e7a feira doitauas de pascoa que foram xxj<br \/>\ndias dabril que topamos algu\u00fcs synaaes de tera<br \/>\nseemdo da dita jlha sego os pilotos deziam obra de<br \/>\nbje lx ou lxx legoas, os quaaes her\u00e3 mujta cam<br \/>\ntidade deruas compridas a que os mareantes<br \/>\ncham\u00e3 botelho e asy outras a que tambem cham\u00e3 rrabo dasno \/ E aa quarta feira seguimte pola ma<\/p>\n<p>nha\u00e3 topamos aves a que chamam fura buchos, e<br \/>\nneeste dia a oras de bespera ouuemos vista de terra .s.,<br \/>\nprimeiramente d hu\u00fc gramde monte muy alto e<br \/>\nrredondo e doutras serras mais baixas ao sul dele<br \/>\ne de terra cha\u00e3 com grandes aruoredos, ao qual<br \/>\nmonte alto o capitam pos nome o monte pascoal<br \/>\ne aa tera a tera da Vera cruz. mandou lam\u00e7ar o p<br \/>\nrumo acharam xxb bra\u00e7as e ao sol posto obra bj<br \/>\nlegoas de terra surgimos amcoras em xix bra\u00e7as<br \/>\namcorajem limpa. aly jouuemos toda aquela nou<br \/>\nte, e aa quimta feira pola manha\u00e3 fezemos vella<br \/>\ne segujmos dir.tos aa terra e os naujos pequenos di\u00e3<br \/>\nte himdo per xbij xbj xiiij<br \/>\ne ix bra\u00e7as ataa mea legoa de terra omde todos<br \/>\nlan\u00e7amos amcoras em dir.to da boca d hu\u00fc Rio<br \/>\ne chegariamos a esta amcorajem aas xiij xij oras pouco<br \/>\nmais ou menos e daly ouuemos vista d home\u00ebs q<br \/>\namdauam pela praya obra de x ou bij biij sego os<br \/>\nnauios pequenos diseram por chegarem primeiro.<br \/>\naly lan\u00e7amos os batees e esquifes fora e vieram<br \/>\nlogo todolos capita\u00e3es das naaos a esta naao do<br \/>\ncapitam moor e aly falaram. e o capitam man<br \/>\ndou no batel em terra nicolaao coelho pera veer aqle<br \/>\nRio e tanto que ele comecou pera la dhir acodir\u00e3<br \/>\npel praya home\u00ebs quando dous quando tres<br \/>\nde maneira que quando o batel chegou aa boca<br \/>\ndo Rio heram aly xbiij ou xx home\u00ebs pardos<br \/>\ntodos nuus sem nenhu\u00fca cousa que cobrisse suas<br \/>\nvergonhas. traziam arcos nas ma\u00e3os e suas see<br \/>\ntas. vijnham todos Rijos pera o batel e nicolaao co<br \/>\nelho lhes fez sinal que posessem os arcos, e eles os<br \/>\nposeram. aly nom pode deles auer fala nem ant\u00eb<br \/>\ndimento que aproueitasse polo mar quebrar na<br \/>\ncosta. soomente deu;hes huum barete vermelho e<br \/>\nhu\u00fca carapu\u00e7a de linho que leuaua na cabe\u00e7a<br \/>\ne hu\u00fc sombreiro preto. E hu\u00fc deles lhe deu hu\u00fc<\/p>\n<p>sombreiro de penas daues compridas com hu\u00fca<br \/>\ncopezinha pequena de penas vermelhas e pardas coma<br \/>\nde papagayo e outro lhe deu hu\u00fc ramal grande<br \/>\nde comtinhas brancas meudas que querem pare\u00e7er<br \/>\ndaljaueira asquaes pe\u00e7as creo que o capitam<br \/>\nmanda a vossa alteza e com isto se volues aas naaos<br \/>\npor seer tarde e nom poder deles auer mais fala por<br \/>\naazo do mar. \/<br \/>\na noute segujmte ventou tamto sueste com chuua\u00e7eiros<br \/>\nque fez ca\u00e7ar as naaos e especialmente a capita<br \/>\nna. E aa sesta pola manha\u00e3 aas biij oras pouco ma<br \/>\nis ou menos per conselho dos pilotos mandou o ca<br \/>\npitam leuamtar amcoras e fazer vela e fomos de<br \/>\nlomgo da costa com os batees e esquife amarados<br \/>\nper popa comtra o norte pera veer se achauamos al<br \/>\ngu\u00fca abrigada e boo pouso omde jouuesemos pera<br \/>\ntomar agoa e lenha. nom por nos ja mjnguar mas<br \/>\npor nos acertarmos aquy. e quamdo fezemos vela<br \/>\nseriam ja na praya asentados jumto c\u00f5 o Rio obrra<br \/>\nde lx ou lxx home\u00ebs que se jumtaram aly poucos<br \/>\ne poucos. fomos de lomgo e mandou o capitam aos<br \/>\nnauios pequenos que fosem mais chegados aa terra<br \/>\ne que se achassem pouso seguro pera as naaos que<br \/>\namaynasem. E seendo nos pela costa obra de x<br \/>\nlegoas domde nos leuamtamos acharam os ditos<br \/>\nnauios pequenos hu\u00fc aRe\u00e7ife com hu\u00fc porto dentro<br \/>\nmuito boo e muito seguro com hu\u00e4 muy larga<br \/>\nentrada e meteramse dentro e amaynaram.<br \/>\ne as naaos aRibaram sobreles, e hu\u00fc pouco amte<br \/>\nsol posto amaynarom obra d hu\u00fca legoa do are\u00e7ife<br \/>\ne ancoraramse em xj bra\u00e7as. E seendo Ao lopez<br \/>\nnosso piloto em hu\u00fc daqueles nauios pequenos per<br \/>\nmandado do capitam por seer homem viuo e dee<br \/>\nstro pera jsso meteose loguo no esquife a somdar<br \/>\no porto demtro e tomou em hu\u00fca almaadia dous<br \/>\ndaqueles home\u00ebs da terra man\u00e7ebos e de boos cor<br \/>\npos, e hu\u00fc deles trazia hu\u00fc arco e bj ou bij seetas<\/p>\n<p>e na praya amdauam mujtos c\u00f5 seus arcos e seetas<br \/>\ne nom lhe aproueitaram. trouueos logo ja de noute<br \/>\nao capitam omde foram Recebidos com muito pra<br \/>\nzer e festa. \/<br \/>\na fei\u00e7am deles he seerem pardos maneira dauerme<br \/>\nlhados de bo\u00f5s Rostros e boos narizes bem feitos. am<br \/>\ndam nuus sem nenhu\u00fca cubertura nem estimam ne<br \/>\nnhu\u00fca coussa cobrir nem mostrar suas vergonhas, e<br \/>\nestam a\u00e7erqua disso com tamta jnocem\u00e7ia como<br \/>\nteem em mostrar o Rostro. traziam ambos os bei\u00e7os<br \/>\nde baixo furados e metidos per eles senhos osos<br \/>\ndoso bramcos de compridam d hu\u00fca ma\u00e3o travessa<br \/>\ne de grosura d hu\u00fc fuso dalgodam e agudo na p\u00f5ta<br \/>\ncoma furador. metemnos pela parte de dentro do bei<br \/>\n\u00e7o e o que lhe fica antre o bei\u00e7o e os demtes he feito<br \/>\ncoma Roque denxadrez e em tal maneira o trazem<br \/>\naly encaxado que lhes nom da paix\u00e3 nem lhes tor<br \/>\nua a fala nem comer nem beber. os cabelos seus<br \/>\nsam coredios e andu\u00e3 trosquiados de trosquya<br \/>\nalta mais que de sobre pemtem de boa gramdura<br \/>\ne Rapados ataa per cjma das orelhas, e hu\u00fc deles<br \/>\ntrazia per baixo da solapa de fonte a fonte pera detras<br \/>\nhu\u00fca maneira de cabeleira de penas daue ama<br \/>\nrela que seria de compridam d hu\u00fc couto muy<br \/>\nbasta e muy \u00e7arada que lhe cobria o toutu\u00e7o e as ore<br \/>\nlhas a qual amdaua pegada nos cabelos pena e<br \/>\npena com hu\u00fca comfei\u00e7am branda coma \u00e7era e<br \/>\nn\u00f5 no era de maneira que amdaua a cabeleira<br \/>\nmuy Redomda e muy basta e muy jgual que n\u00f5<br \/>\nfazia mingoa mais lauagem pera a leuantar o ca<br \/>\npitam quando eles vieram estaua asentado em<br \/>\nhu\u00fca cadeira e hu\u00fca alcatifa aos pees por estrado<br \/>\ne bem vestido com hu\u00fc colar douro muy grande ao<br \/>\npesco\u00e7o e sancho de tora e simam de miranda e nj<br \/>\ncolaao coelho e aires corea e nos outros que aquy<br \/>\nna naao com ele himos asentados no cha\u00e3o<\/p>\n<p>per esa alcatifa \/ acemderam tochas e emtraram e n\u00f5<br \/>\nfezeram nhu\u00fca men\u00e7am de cortesia nem de falar<br \/>\nao capitam nem a njmguem pero hu\u00fc deles pos olho no<br \/>\ncolar do capitam e come\u00e7ou da\u00e7enar c\u00f5 a ma\u00e3o per<br \/>\na terra e despois pera o colar como que nos dezia que<br \/>\navia em tera ouro e tambem vio hu\u00fc castical de<br \/>\nprata e asy meesmo acenaua pera a tera e ent\u00e3 pera o<br \/>\ncastical como que avia tambem prata \/ mostrar\u00e3<br \/>\nlhes hu\u00fc papagayo pardo que aquy o capitam traz<br \/>\ntomaramno logo na ma\u00e3o e acenaram pera a terra<br \/>\ncomo que os avia hy \/ mostraranlhes hu\u00fc carn.ro<br \/>\nnom fizeram dele men\u00e7am. mostraranlhes hu\u00fca ga<br \/>\ncasy aviam medo dela e n\u00f5 queriam poer a<br \/>\nma\u00e3o e despois a tomaram coma espamtados \/ de<br \/>\nranlhes aly de comer pam e pescado cozido, confej<br \/>\ntos fartees mel e figos pasados n\u00f5 quiseram comer<br \/>\ndaquilo casy nada e algu\u00fca coussa se a prouauam<br \/>\nlam\u00e7auamna logo fora. trouueranlhes vinho per h\u00fca<br \/>\nta\u00e7a, poseranlhe asy a boca t\u00e3 malaues e n\u00f5 gostar\u00e3<br \/>\ndele nada nem o quiseram mais. trouueramlhes<br \/>\nagoa per hu\u00fca albarada tomaram dela senhos<br \/>\nbocados e nom beberam, soom.te lauar\u00e3 as bocas e lam<br \/>\n\u00e7aram fora. Vio hu\u00fc deles hu\u00fcas contas de Rosairo<br \/>\nbrancas a\u00e7enou que lhas desem e folgou muito com<br \/>\nelas e lan\u00e7ouas ao pesco\u00e7o e despois tirouas e enb<br \/>\nrulhouas no bra\u00e7o e acenaua pera a tera e ent\u00e3 pera as<br \/>\ncontas e pera o colar do capitam como que dariam<br \/>\nouro por aquilo. \/ Isto tomauamonos asy polo de<br \/>\nsejarmos, mas se ele queria dizer que leuaria<br \/>\nas contas e mais o colar isto nom queriamonos<br \/>\nemtender porque lho nom aviamos de dar e despo<br \/>\nis tornou as contas a quem lhas deu e entam estira<br \/>\nranse asy de costas na alcatifa a dormir sem teer<br \/>\nnenhu\u00fca maneira de cobrirem suas verginhas as quaaes<br \/>\nnom er\u00e3 fanadas e as cabeleiras delas bem Rapa<br \/>\ndas e feitas. o capit\u00e3 lhes mandou poer aas cabe\u00e7as<br \/>\nsenhos coxijs e o da cabeleira precuraua asaz polla<br \/>\nnom quebrar e lan\u00e7aranlhes hu\u00fc manto \u00eb cima e eles con<br \/>\nsentiram e jouueram e dormjram. \/<\/p>\n<p>ao sabado pola manha\u00e3 mandou o capit\u00e3 fazer vella<br \/>\ne fomos demandar a emtrada a qual era muy lar<br \/>\ngua e alta de bj bij bra\u00e7as e entraram todalas<br \/>\nnaaos demtro e amcoraramse b bj bra\u00e7as \/ a<br \/>\nqual amcorajem dentro he tam grande e tam fre<br \/>\nmossa e tam segura que podem jazer dentro neela<br \/>\nmais de ijc nauios e naaos. e tamto que as naaos<br \/>\nforam pousadas e amcoradas vieram os capita\u00e3es<br \/>\ntodos a esta naao do capitam moor e daquy mandou<br \/>\no capit\u00e3 a njcolaao coelho e bertolameu dias que fo<br \/>\nsem em terra e leuassem aqueles dous home\u00ebs e os lei<br \/>\nxasem hir com seu arco e seetas aos quaes m\u00e3dou<br \/>\ndar senhas camisas nouas e senhas carapu\u00e7as ver<br \/>\nmelhas e dous Rosairos de contas brancas doso que<br \/>\neles leuauam nos bra\u00e7os e senhos cascauees e senhas<br \/>\ncanpainhas. e mandou c\u00f5 eles pera ficar la hu\u00fc<br \/>\nman\u00e7ebo degradado criado de dom joham teelo a que<br \/>\ncham\u00e3 ao Ribeiro pera amdar la com eles e saber<br \/>\nde seu viuer e maneira e a mym mandou que fose<br \/>\ncom nicolaao coelho. \/ Fomos asy de frecha djr.tos aa<br \/>\npraya \/ aly acodiram logo obra de ijc home\u00ebs todos<br \/>\nnuus e com arcos e seetas nas ma\u00e3os. aqueles que<br \/>\nnos leuauamos acenaramlhes que se afastasem<br \/>\ne posesem os arcos e eles os poseram e nom se afasta<br \/>\nuam muito. \/ abasta que poseram seus arcos e em<br \/>\ntam sairam os que nos leuauamos e o man\u00e7ebo<br \/>\ndegradado c\u00f5 eles. os quaaes asy como sairam nom<br \/>\npararam mais nem esperaua hu\u00fc por outro sen\u00f5<br \/>\na quem mais coreria e pasar\u00e3 hu\u00fc Rio que per hy<br \/>\ncore dagoa do\u00e7e de muita agoa que lhes daua pe<br \/>\nla braga e outros mujtos c\u00f5 eles e foram asy cor\u00ebdo<br \/>\naalem do Rio antre hu\u00fcas moutas de palmas<br \/>\nonde estauam outros e aly pararom e naquillo<br \/>\nfoy o degradado com hu\u00fc hom\u00eb que logo ao sair<br \/>\ndo batel ho agasalhou e leuouo ataa la e logo ho<br \/>\ntornaram a nos e com ele vieram os outros que<br \/>\nnos leuamos os quaaes vijnham ja nuus e sem<br \/>\ncarapu\u00e7as E entam se come\u00e7aram de chegar mujtos<\/p>\n<p>e emtrauam pela beira do mar pera os batees ataa<br \/>\nque mais nom podiam e traziam cabaa\u00e7os dagoa<br \/>\ne tomauam algu\u00fcs barijs que nos leuauamos e em<br \/>\nchianos dagoa e trazianos aos batees. n\u00f5 que eles<br \/>\nde todo chegasem a bordo do batel mas junto c\u00f5 ele<br \/>\nlan\u00e7au\u00e3no da ma\u00e3o e nos tomauamolos e pe<br \/>\ndiam que lhes desem algu\u00fca coussa. leuaua nj<br \/>\ncolaao coelho cascauees e manjlhas e hu\u00fcs daua<br \/>\nhu\u00fc cascauel e a outros hu\u00fca manjlha. de manra<br \/>\nque com aquela emcarua casy nos queriam dar<br \/>\na ma\u00e3o. Dau\u00e3nos daqueles arcos e seetas por son<br \/>\nbreiros e carapu\u00e7as de ljnho e por qualquer coussa<br \/>\nque lhes hom\u00eb queria dar \/ daly se partir\u00e3 os<br \/>\noutros dous man\u00e7ebos que nom os vimos mais \/<br \/>\namdauam aly muitos deles ou casy a maior parte<br \/>\nque todos traziam aqueles bicos doso nos bei\u00e7os e<br \/>\nalgu\u00fcs que amdauam sem eles traziam os bei\u00e7os<br \/>\nfurados e nos buracos traziam hu\u00fcs espelhos de<br \/>\npaao que pare\u00e7iam espelhos de boracha e algu\u00fcs<br \/>\ndeles traziam tres daquelles bicos, s. hu\u00fc na me<br \/>\ntade e os dous nos cabos, e amdauam hy outros<br \/>\nquartejados de cores, .s., deles ameetade da sua pro<br \/>\npia cor e ameetade de timtura negra maneira<br \/>\ndazulada e outros quartejados descaques. \/ aly am<br \/>\ndauam antreles tres ou quatro mo\u00e7as bem mo\u00e7as<br \/>\ne bem jentiis com cabelos mujto pretos conprjdos<br \/>\npelas espadoas e suas vergonhas tam altas e t\u00e3<br \/>\n\u00e7aradinhas e tam limpas das cabeleiras que de<br \/>\nas nos muito bem olharmos nom tinhamos nhu\u00fca<br \/>\nvergonha. \/ aly por emtam nom ouue mais fala n\u00eb<br \/>\nemtendimento c\u00f5 eles por a berberja deles seer ta<br \/>\nmanha que se nom emtendia nem ouuja njng\u00eb. \/<br \/>\na\u00e7enamoslhe que se fosem e asy o fezeram e pasa<br \/>\nranse aalem do Rio e sair\u00e3 tres ou quatro home\u00ebs<br \/>\nnosos dos batees e encher\u00e3 n\u00f5 sey quantos barrijs<br \/>\ndagoa que nos leuauamos e tornamonos aas naaos. \/<\/p>\n<p>e em nos asy vijndo acerar\u00e3nos que tornasemos<br \/>\ntornamos e eles mandarom o degradado e nom<br \/>\nquiseram que ficasse la c\u00f5 eles \/ o qual leuaua hu\u00fca<br \/>\nba\u00e7ia pequena e duas ou tres carapu\u00e7as verme<br \/>\nlhas pera dar la ao Sor se o hy ouuese. n\u00f5 curar\u00e3<br \/>\nde lhe tomar nada e asy o mandaram com tudo<br \/>\ne entam bertolameu djaz o fez outra vez tornar<br \/>\nque lhes dese aquilo. e ele tornou e deu aquilo<br \/>\n\u00eb vista de nos aaquelle que o da prima agasalhou<br \/>\ne entam veosse e trouuemolo. \/ este que o agasalhou<br \/>\nera ja de dias e amdaua todo por lou\u00e7aynha<br \/>\ncheo de penas pegadas pelo corpo que pare\u00e7ia a<br \/>\nseetado coma sam sebastiam. outros trazi\u00e3 cara<br \/>\npu\u00e7as de penas amarelas e outros de vermelhas e outros de<br \/>\nverdes. e hu\u00fca daquelas mo\u00e7as era toda timta<br \/>\nde fumdo a cima daquela timtura a qual certo<br \/>\nera t~bem feita e tam Redomda e sua vergonha<br \/>\nque ela nom tijnha tam tam gra\u00e7iosa que a mujtas<br \/>\nmolheres de nossa terra vendolhe taaes fei\u00e7\u00f5is fe<br \/>\nzera vergonha por nom teerem a sua como ela. nhu\u00fc<br \/>\ndeles n\u00f5 era fanado mas todos asy coma nos<br \/>\ne com jsto nos tornamos e les foramsse \/<br \/>\naa tarde sayo o capit\u00e3 moor em seu batel c\u00f5 todos<br \/>\nnos outros e com os outros capita\u00e3es das naaos em<br \/>\nseus batees a folgar pela baya a caram da praya<br \/>\nmas njmguem sayo em tera pelo capitam nom<br \/>\nquerer sem embargo de njmguem neela estar<br \/>\nsoomente sayo ele com todos em hu\u00fc ilheeo<br \/>\ngrande que na baya esta que de baixamar fica<br \/>\nmuy vazio pero he de todas partes caercado dagoa<br \/>\nque n\u00f5 pode nimguem hir a ele sem barco ou<br \/>\na nado. aly folgou ele e todos nos outros bem hu\u00fca<br \/>\nora e ma e pescaram hy amdando marinheiros<br \/>\ncom hu\u00fc chimchorro e mataram pescado meudo<br \/>\nn\u00f5 mujto e ent\u00e3 voluemonos aas naaos ja bem noute. \/<\/p>\n<p>ao Domjngo de pascoela pola manha\u00e3 detremj<br \/>\nnou o capitam dhir ouujr misa e preega\u00e7am na<br \/>\nquele ilheeo, e mandou a todolos capita\u00e3es que se<br \/>\ncorejesem nos batees e fosem c\u00f5 ele e asy foy feito. \/<br \/>\nmandou naquele ilheeo armar hu\u00fc esperauel<br \/>\ne dentro neele aleuantar altar muy bem core<br \/>\ngido e aly com todos nos outros fez diser misa<br \/>\na qual dise o padre frey amrique em voz entoa<br \/>\nda e oficiada com aque;a meesma voz pelos outros<br \/>\npadres e sacerdotes que aly todos heram. \/ a qual<br \/>\nmisa sego meu pare\u00e7er foy ouujda per todos c\u00f5<br \/>\nmujto prazer e deua\u00e7om. aly era com o capitam<br \/>\na bandeira de xp\u00f5s com que sayo de belem a<br \/>\nqual esteue senpre alta aa parte do auamjelho. \/<br \/>\nacabada a misa desuestiosse o padre e posese em<br \/>\nhu\u00fca cadeira alta e nos todos lamcados per esa<br \/>\narea e pregou hu\u00fca solene e proueitossa preega<br \/>\n\u00e7om da estorea do auanjelho. e em fim dela tra<br \/>\nutou de nossa vjnda e do achamento desta terra c\u00f5<br \/>\nformandose c\u00f5 o sinal da cruz so cuja obediencia<br \/>\nvijmos a qual ueo mujto a proposito e fez mujta<br \/>\ndeua\u00e7om.<br \/>\nem quanto esteuemos aa amisa e aa prega\u00e7om<br \/>\nseri\u00e3 na praya outra tanta jente pouco mais<br \/>\nou menos como os domtem c\u00f5 seus arcos e seetas<br \/>\nos quaaes amdauam folgando e olhandonos<br \/>\ne asentaramse. e despoois dacabada a misa ase\u00eb<br \/>\ntados nos aa prega\u00e7om aleuantaranse mujtos<br \/>\ndeles e tanjeram corno ou vozina e come\u00e7aram<br \/>\na slatar e dan\u00e7ar hu\u00fc peda\u00e7o, e algu\u00fcs deles<br \/>\nse metiam em almaadias duas ou tres que hy<br \/>\ntijnham as quaaes n\u00f5 sam feitas como as que<br \/>\neu ja vy. soomte sam tres atadas jumtas<br \/>\ne aly se metiam iiij ou b ou eses que queriam<br \/>\nn\u00f5 se afastando casy nada da terra sen\u00f5 quanto<br \/>\npodim tomar pee. acabada a pregacom moueo<br \/>\no capit\u00e3 e todos pera os batees c\u00f5 nosa bandra<br \/>\nalta e encarcamos e fomos asy todos contra terra<br \/>\npera pasarmos ao longo per ondeles estauam hj<br \/>\nndo bertolameu dijz em seu esquife per m\u00e3dadp<br \/>\ndo capitam diamte c\u00f5 hu\u00fc paao d hu\u00fc almaa<br \/>\ndia que lhes o mar leuara pera lho dar e nos<br \/>\ntodos obra de tiro de pedra tras ele, como elles<br \/>\nviram ho esquife de bertolameu dijz chegar\u00e3se<br \/>\nlogo todos a agoa metendose neela ataa onde<br \/>\nmais podiam, acenaranlhes que posesem os<br \/>\narcos e muytos deles os hiam logo poer em terra<br \/>\ne outros os n\u00f5 punham. amdaua hy hu\u00fc que<br \/>\nfalaua muito aos outros que se afastasem mas<br \/>\nn\u00f5 ja que mamym parecese que lhe tijnham<br \/>\nacatam\u00ebto n\u00eb medo. este que os asy amdaua<br \/>\nafastando trazia seu arco e setas e amdaua tj<br \/>\nmto de timtura vermelha pelos peitos e espadoas<br \/>\ne pelos quadriis coxas e pernas ataa baixo<br \/>\ne os vazios com a bariga e estamego era da<br \/>\nsua propia cor e a timtura era asy vermelha<br \/>\nque a agoa lha nom comya nem desfazia, ante<br \/>\nquando saya da agoa era mais vermelho. sayo<br \/>\nhu\u00fc homem do esquife de bertolameu dijz e<br \/>\namdaua antreles sem eles emtenderem nada<br \/>\nneelle quanta pera lhe fazerem mal, senom quan<br \/>\nto lhe dauam cabaa\u00e7os dagoa e acenav\u00e3 aos<br \/>\ndo esquife que saisem em terra. c\u00f5 jsto se volueo<br \/>\nbertolameu dijz ao capitam e viemonos aas<br \/>\nnaaos a comer tanjendo tronbetas e gaitas<br \/>\nsem lhes dar mais apresam e eles tornaramse<br \/>\na asentar na praya e asy por entam ficaram<br \/>\nneeste ilheo omde fomos ouuir misa e prega\u00e7\u00e3<br \/>\nespraya mujto a agoa e descobre mujta area<br \/>\ne mujto cascalhaao. for\u00e3 algu\u00fcs em nos hy est\u00e3<br \/>\ndo buscar marisco e nom no acharom, e achar\u00e3<br \/>\nalgu\u00fcs camaro\u00f5es grosos e curtos. \/ antre<br \/>\nos quaaes vinha hu\u00fc muito grande camar\u00e3<br \/>\ne muito frosso que em nehu\u00fc tenpo o vi tama<br \/>\nnho. tambem acharom cascas de bergo\u00f5es e da<br \/>\nmeijeas mas nom topar\u00e3 com nehu\u00fca p\u00e7ea jntra<br \/>\ne tamto que comemos vieram logo todolos capi<br \/>\nta\u00e3es a esta naao per mandado do capit\u00e3 moor<br \/>\ncom os quaaes se ele apartou e eu na conpanhia<br \/>\ne preguntou asy a todos se nos pare\u00e7ia seer bem<br \/>\nmandar a noua do achamento desta terra a vosa<br \/>\nalteza pelo nauio dos mantiimentos pera a milhor<br \/>\nm\u00e3dar descobrir e sber dela mais do que agora<br \/>\nnos podiamos saber por hirmos de nosa viajem<br \/>\ne antre mujtas falas que no caso se fezeram<br \/>\nfoy per todos ou a mayor parte dito que seria<br \/>\nmujto bem e njsto comcrudiram. e tamto<br \/>\nque a concrusam foy tomada preguntou<br \/>\nmais se seria boo tomar aquy per for\u00e7a hu\u00fc par<br \/>\ndestes home\u00ebs pera os mandar a vosa alteza, e<br \/>\nleixar aquy por eles outros dous destes degra<br \/>\ndados. a esto acordaram que nom era necesa<br \/>\nreo tomar per for\u00e7a home\u00ebs, porque jeeral<br \/>\ncostume era dos que asy leuauom per for\u00e7a<br \/>\npera alg\u00fca parte dizerem que ha hy todo o que<br \/>\nlhe preguntan, e que mjlhor e mujto mjlhor<br \/>\nenforma\u00e7om da terra dariam dous home\u00ebs<br \/>\ndestes degradados que aquy leixasem. do que<br \/>\neles dariam se os leuasem por seer jente que<br \/>\nnimguem emtende nem eles tam cedo apr\u00eb<br \/>\nderiam a falar pera o saberem tambem dizer que<br \/>\nmujto mjlhor ho estoutros nom digam quando<br \/>\nca vosa alteza mandar. e que por tamto nom<br \/>\ncurasem aquy de per for\u00e7a tomar njnguem<br \/>\nnem fazer escandolo pera os de todo mais am\u00e3<br \/>\nsar e apaceficar. senom soomteleixar aquy os<br \/>\ndous degradados quando daquy partisemos. \/ e asy<br \/>\npor milhor pare\u00e7er a todos ficou detreminado. \/<br \/>\nacabado jsto dise o capitam que fosemos nos ba<br \/>\ntees em terra e veersia bem o Rio quejando era,<br \/>\ne tam bem pera folgarmos. Fomos todos nos<br \/>\nbatees em tera armados e a bandeira comnosco<br \/>\neles amdauam aly na praya aa boca do Rio<br \/>\nomde nos hiamos e ante que chegasemos. do<br \/>\nemsino que dantes tijnham poseram todos<br \/>\nos arcos e acenavam que saisemos e tanto<br \/>\nque os batees poser\u00e3 as proas em terra pasar\u00e3se<br \/>\nlogo todos aalem do Rio o qual n\u00f6 he mais an<br \/>\ncho que hu\u00fc jogo de manqual e tanto que<br \/>\ndesenbarcamos algu\u00fcs dos nosos pasarom<br \/>\nlogo o Rio e foram antrelles. e algu\u00fcs agua<br \/>\nrdauam e outros se afastauam. pero era a cousa<br \/>\nde maneira que todos amdauam mesturados.<br \/>\neles dauam deses arcos com suas seetas por<br \/>\nsonbreiros e carapu\u00e7as de linho e por quall<br \/>\nquer cousa que lhes dauam. pasaram aalem<br \/>\ntamtos dos nosos e amdauam asy mestura<br \/>\ndos com eles que eles se esquiuauam e afasta<br \/>\nuanse e hianse deles pera cima onde outros<br \/>\nestauam e ent\u00e3 o capitam fezese tomar ao<br \/>\ncolo de dous home\u00ebs e pasou o Rio e fez tornar<br \/>\ntodos. a jente que aly era n\u00d3 seria mais<br \/>\nca aquela que soya. e tanto que o capit\u00e3<br \/>\nfez tornar todos vieram algu\u00fcs deles a ele<br \/>\nn\u00f6 polo conhecer\u00eb por s.or ca me pare\u00e7e que<br \/>\nn\u00f6 entendem n\u00eb tomau\u00e3 djsso c.to mas<br \/>\npor que a jente nossa pasava ja pera aquem do<br \/>\nRio. aly falauam e traziam mujtos arcos e<br \/>\ncontinhas daquelas ja ditas e Resgatau\u00e3<br \/>\npor qualquer cousa. em tal maneira que tro<br \/>\nuueram daly pera as naaos muitos arcos e see<br \/>\ntas e comtas e entam tornouse o capitam<br \/>\naaquem do Rio e logo acodir\u00e3 mujtos aa beira dele<\/p>\n<p>aly verjees galantes pimtados de preto e verme<br \/>\nlho e quartejados asy pelos corpos como pelas<br \/>\npernas. que certo pareciam asy bem. \/ tambem<br \/>\nandauam antreles iiij ou b molheres mo\u00e7as<br \/>\nasy nuas que nom pareciam mal antre as<br \/>\nquaaes amdaua hu\u00fca com hu\u00fca coxa<br \/>\ndo giolho ataa o quadril e a nadega toda tinta<br \/>\ndaquela tintura preta e o al todo da sua propia<br \/>\ncor. outa trazia anbolos giolhos c\u00f6 as cur<br \/>\nuas asy timtas e tambem os colos dos pees.<br \/>\ne suas vergonhas tam nuas e com tamta jno<br \/>\n\u00e7em\u00e7ia descubertas que nom avia hy nenhu\u00fca<br \/>\nvergonha. tambem andaua hy outa molher<br \/>\nmo\u00e7a com hu\u00fc menjno ou menjna no colo<br \/>\natado com hu\u00fc pano n\u00f6 sey de que aos peitos<br \/>\nque lhe n\u00f5 pare\u00e7ia senom as perninhas. mas<br \/>\nas pernas da may e o al n\u00f5 trazia nehu\u00fc<br \/>\npano. e despois moueo o capitam pera cjma<br \/>\nao longo do Rio que anda senpre a caram da<br \/>\npraya e aly esperou hu\u00fc velho que trazia<br \/>\nna ma\u00e3o h\u00fca paa dalmaadia. falou est\u00e3do<br \/>\ncapit\u00e3 com ele perante nos todos sem o n\u00fcca<br \/>\nnjnguem emtender nem ele a nos quanta<br \/>\ncousas que lhomem preguntaua douro que nos<br \/>\ndesejauamos saber se o avia na tera. trazia<br \/>\neste velho o bei\u00e7o tam furado que lhe caberja<br \/>\npelo furado hu\u00fc gram dedo polegar e tra<br \/>\nzia metido no furado hu\u00fca pedra verde rroim<br \/>\nque \u00e7arava per fora aquele buraco e o capit\u00e3<br \/>\nlha fez tirar e ele nom sey que diaabo falaua<br \/>\ne hia c\u00f5 ela pera a boca do capitam era lha meter.<br \/>\nesteuemos sobriso hu\u00fc pouco Rijmdo e entam<br \/>\nenfadouse o capit\u00e3 e leixouo. e hu\u00fc dos nossos<br \/>\ndeulhe pola pedra hu\u00fc sonbreiro uelho n\u00f5 por<br \/>\nela valer alg\u00fca coussa, mas por mostra, e<br \/>\ndespois a ouue o capitam. creo pera c\u00f5 as outras cou<br \/>\nsas amandar a vosa altesa. \/ amdamos per hy<br \/>\nveendo a Ribeira a qual he de mujta agoa e<br \/>\nmujto boa ao longo dela ha mujtas palmas<br \/>\nn\u00f5 muito altas em que ha mujto boos palmj<br \/>\ntos. colhemos e comemos deles mujtos ent\u00e3<br \/>\ntornouse o capit\u00e3 pera baixo pera a boca do Rio on<br \/>\nde desenbarcamos e aalem do Rio amdau\u00e3<br \/>\nmujtos deles cam\u00e7ando e folgando hu\u00fcs<br \/>\nante outros sem se tomarem pelas ma\u00e3os e<br \/>\nfazi\u00e3no bem pasouse emtam aalem do Rio<br \/>\ndiego dijz alxe que foy de sacauem que he hom\u00e9<br \/>\ngra\u00e7ioso e de prazer e levou comsigo hu\u00fc ga<br \/>\nyteiro noso com sua gaita e meteose c\u00f5 eles<br \/>\na dan\u00e7ar tomandoos pelas ma\u00e3os e eles folga<br \/>\nuam e Riam e amdauam c\u00f5 ele muy bem<br \/>\nao so\u00f5 da gaita. despois de dan\u00e7arem fezlhe<br \/>\naly amdando no cha\u00e3o mujtas voltas lige<br \/>\niras e salto Real de que se eles espantauam<br \/>\ne rriam e folgauam muito, e com quanto os<br \/>\nco aquilo muito segurou e afaagou, toma<br \/>\nuam logo hu\u00fca esquiueza coma monteses e<br \/>\nforanse pera cjma. E ent\u00e3 o capit\u00e3 pasou o Rio<br \/>\nc\u00f5 todos nos outros e fomos pela praya de longo<br \/>\nhimdo os batees asy a caram de terra e fomos<br \/>\nataa hu\u00fca lagoa grande dagoa do\u00e7e que<br \/>\nesta jumto com a praya por que toda aquela<br \/>\nRibeira do mar he apaulada per cjma e saay<br \/>\na agoa per mujtos lugares e depis de pasarmos<br \/>\nRio foram hu\u00fcs bij ou biij deles amdar<br \/>\nantre os marinheiros que se Recolhi\u00e3 aos ba<br \/>\ntees e leuaram daly hu\u00fc tubaram que<br \/>\nbertolameu dijz matou e leuaualho e lan\u00e7o<br \/>\nou na praya abasta que ata aquy como quer<br \/>\nque se eles em alguua parte amansasem<br \/>\nlogo d hu\u00fca ma\u00e3o pera a outra se esqujuauam<br \/>\ncoma pardaaes de ceuadoiro e hom\u00eb nom lhes<br \/>\nousa de falar Rijo por se mais nom esqujuarem<br \/>\ne todo se pasa como eles querem pelos bem a<br \/>\nmansar. ao velho c\u00f5 que o capitam falou<br \/>\ndeu hu\u00fca carapu\u00e7a vermelha e com toda a fala<br \/>\nque c\u00f5 ele pasou e com a carapu\u00e7a que lhe<br \/>\ndeu, tanto que se espedio que come\u00e7ou de<br \/>\npasar o Rio, foise logo Recatando, e n\u00f5 dous<br \/>\nque o capit\u00e3 teue nas naaos a que deu o que<br \/>\nja dito he nunca aqui mais pare\u00e7eram, de<br \/>\nque tiro seer jente bestial e de pouco saber e<br \/>\npor ysso sam asy esquiuos. eles porem c\u00f5tudo<br \/>\nandam mujto bem curados emujto limpos<br \/>\ne naquilo me pare\u00e7e aimda mais que sam<br \/>\ncoma aves ou alimareas monteses que<br \/>\nlhes faz ho aar milhor pena e milhor cabelo<br \/>\nque aas mansas. porque os corpos seus sam<br \/>\ntam limpos e tam gordos e tam fremosos<br \/>\nque n\u00f5 pode mais seer e isto me faz presumir<br \/>\nque n\u00f5 teem casas nem moradas em que se co<br \/>\nlham e o aar a que se criam os faz taaes. nem<br \/>\nnos ajinda ata agora nom vimos nenhu\u00fcas casas<br \/>\nnem maneira delaa. mandou o capitam aaquelle<br \/>\ndegradado Ao Ribeiro que se fosse outra vez com<br \/>\neles, o qual se foy e andou la hu\u00fc boom peda\u00e7o<br \/>\ne aa tarde tornouse que o fezeram eles vijr e n\u00f5<br \/>\nquiseram la consentir e deramlhe arcos e seetas<br \/>\ne n\u00f5 lhe tomaram nh\u00faa cousa do seu, ante dise<br \/>\nele que lhe tomara hu\u00fc deles hu\u00fcas continhas<br \/>\namarelas que ele leuaua e fogia com elas e ele<br \/>\nse queixou e os outros foram logo apos ele e lhas<br \/>\ntomaram o tornaranlhas a dar e emtam m\u00e3<br \/>\ndar\u00e3no vijr. dise ele que nom vira la antre<br \/>\neles senom hu\u00fcas choupanjnhas de Rama verde<br \/>\ne de feeitos mujto grandes coma damtre doiro e<br \/>\nmjnho e asy nos tornamos aas naaos ja casy noute a dormjr<br \/>\naa segda feira depois de comer saimos todos \u00eb terra<br \/>\na tomar agoa. \/ aly vieram emtam muitos mas<br \/>\nn\u00f5 tamtos comaas outras uezes e trazi\u00e3 ja<br \/>\nmuito poucos arcos e esteuer\u00e3 asy hu\u00fc pouco<br \/>\nafastados de nos, e despois poucos e poucos mestu<br \/>\nraranse c\u00f5nosco e abracauamnos e folgauam<br \/>\ne algu\u00fcs deles se esqujuauam logo. \/ aly da<br \/>\nuam algu\u00fcs arcos por folhas de papel e por al<br \/>\ng\u00fca carapucinha velha e por qualquer cousa<br \/>\ne em talmaneira se pasou a cousa que bem<br \/>\nxx ou xxx pesoas da nosas se for\u00e3 c\u00f5 elles<br \/>\nonde outros mujtos deles estauam com mo\u00e7as<br \/>\ne molheres e trouueram de la muitos arcos<br \/>\ne baretes de penas daues deles verdes e deles<br \/>\namarelos de que creo que o capitam hade<br \/>\nm\u00e3dar amostra a vossa alteza. \/ e sego deziam<br \/>\neses que la foram folgauam com eles. \/ ne<br \/>\neste dia os uimos de mais perto e mais aa nosa<br \/>\nvontade por andarmos todos casy mesturados<br \/>\ne aly deles andauam daquelas timturas<br \/>\nquartejados outros de meetades outros de tanta<br \/>\nfei\u00e7am coma \u00c9 panos darmar e todos com os<br \/>\nbei\u00e7os furados e muitos c\u00f5 os osos neeles e deles<br \/>\nsem osos. \/ trazi\u00e3 algu\u00fcs deles hu\u00fcs ourj\u00e7os<br \/>\nverdes daruores que na cor querjam pa<br \/>\nre\u00e7er de castinheiros sen\u00f5 quanto ser\u00e3 mais<br \/>\ne mais pequenos e aqueles her\u00e3 cheos dhu\u00fcs<br \/>\ngra\u00e3os vermelhos pequenos que esmagandoos<br \/>\nantre os dedos fazia timtura muito vermelha<br \/>\nda que eles amdauam timtos e quanto se ma<br \/>\nis molhau\u00e3 tanto mais cermelhos ficauam,<br \/>\ntodos andam Rapados ataa cjma das orelhas. \/<br \/>\ne asy as sobrancelhas e pestanas. \/ trazem todos<br \/>\nas testas de fonte a fonte timtas da timtura<br \/>\npreta que pare\u00e7e hu\u00fca fita preta ancha de<br \/>\ndous dedos. E o capit\u00e3 mandou aaquele degra<br \/>\ndado ao Ribeiro e a outros dous degradados que<br \/>\nfosem amdar la antreles e asy a do dijz por<br \/>\nseer hom\u00e9 ledo com que eles folgauam. \/ e<br \/>\naos degradados mandou que ficasem la<br \/>\nesta noute. \/ Foramse la todos e andaram<br \/>\nantreles e segundo eles diziam foram bem hu\u00fca<br \/>\nlegoa e mea a hu\u00fca pouora\u00e7om de casas em<br \/>\nque averia ix ou x casas as quaaes dezi\u00e3<br \/>\nque eram tam compridas cada h\u00fca comeesta naao<br \/>\ncapitana. \/ e her\u00e3 de madeira e das jlhargas<br \/>\nde tauoas e cubertas de palha de Razoada al<br \/>\ntura e todas em hu\u00fca soo casa sem nhu\u00fc Repar<br \/>\ntimento tijnham de dentro mujtos esteos e de<br \/>\nsteo a esteo hu\u00fca Rede atada pelos cabos \u00eb ca<br \/>\nda esteo altas em que dormjam e debaixo pera<br \/>\nse aquentarem faziam seus fogos e tijnha ca<br \/>\nda casa duas portas pequenas hu\u00fca \u00eb hu\u00fc<br \/>\ncabo e outa no outro. \/ e deziam que em cada<br \/>\ncasa se colhiam xxx ou R pesoas e que asy<br \/>\nos achauam e que lhes dauam de comer da<br \/>\nquela vianda que eles tijnham, .s. \/ muito j<br \/>\nnhame e outras sementes que na terra ha &#8220;q<br \/>\neles comem, e como foy tarde fezer\u00e3nos logo<br \/>\ntodos tornar e nom quiseram que la ficass<br \/>\nnhu\u00fc e ajnda sego eles deziam queri\u00e3se v\u00efjr<br \/>\nc\u00f5 eles. Resgataram la por cascauees e por<br \/>\noutras cousinhas de pouco ualor que leuauam pa<br \/>\npagayos vermelhos mujto grandes e fremo<br \/>\nsos, e dous verdes pequenjnos e carapu\u00e7as<br \/>\nde penas verdes e hu\u00fc pano de penas de mujtas<br \/>\ncores maneira de te\u00e7ido asaz fremoso sego<br \/>\nvosa alteza todas estas cousas vera porque o ca<br \/>\npitam volas hade mandar sego ele dise. e<br \/>\ncom jsto vieram, e nos tornamonos aas naaos. \/<br \/>\naa ter\u00e7a feira depois de comer fomos \u00eb terra dar<br \/>\nguarda de lenha e lauar Roupa. \/ estauam<br \/>\nna praya quando chegamos obra de lx ou<br \/>\nlxx sem arcos e sem nada. \/ tamto que che<br \/>\ngamos vieramse logo pera nos sem se esquj<br \/>\nuarem, e depois acodiram muitos que se<br \/>\nriam bem ije todos sem arcos e mestura<br \/>\nramse todos tanto com nosco que nos aju<br \/>\ndauam deles a acaretar lenha e meter nos<br \/>\nbatees e lujtauam com os nosos e tomauam<br \/>\nmujto prazer. \/ E em quanto nos faziamos<br \/>\na lenha faziam \/ dous carpinteiros hu\u00fca<br \/>\ngrande cruz dhu\u00fc paao que se omtem pera<br \/>\nysso cortou. \/ mujtos deles vijnham aly estar<br \/>\nc\u00f5 os carpjnteiros e creo que o fazi\u00e3 mais por<br \/>\nveerem a faramenta de ferro com que a fazi\u00e3,<br \/>\nq por veerem a cruz porque eles n\u00f5 teem<br \/>\ncousa que de fero seja e cortam sua madra<br \/>\ne paaos com pedras feitas coma cunhas me<br \/>\ntidas em hu\u00fc paao antre duas talasmuy<br \/>\nbem atadas e per tal maneira que andam<br \/>\nfortes sego os home\u00ebs que omtem a suas<br \/>\ncasas deziam porque lhas vjram la. \/ era<br \/>\nja a conuersa\u00e7am deles com nosco tanta<br \/>\nque casy nos toruauam ao que aviamos<br \/>\nde fazer. \/ E o capit\u00e3 mandou a dous a dous degra<br \/>\ndados e a do dijz que fosem la aaldea e a<br \/>\noutras se ouuesem delas nouas e que \u00eb toda<br \/>\nmaneira n\u00f5 se viesem a dormir aas naos<br \/>\najnda que os eles mandasem e asy se foram,<br \/>\nem quanto andauamos neesa mata a cor<br \/>\ntar a lenha atrauesauam algu\u00fcs papa<br \/>\ngayos per esas aruores deles verdes e ou<br \/>\ntros pardos grandes e pequenos de ma<br \/>\nneira que me pare\u00e7e que avera neesta tera<br \/>\nmujtos pero eu nom veria mais que ataa ix<br \/>\nou x. outras aves ent\u00e3 nom vimos somte<br \/>\nalgu\u00fcas ponbas seixas e parecer\u00e3me ma<br \/>\nyores em boa camtidade caas de portugal.<br \/>\nalguus deziam que vir\u00e3 Rolas mas eu n\u00f5<br \/>\nas vy mas sego os aruoredos sam muy<br \/>\nmujtos e grandes e dimfimdas maneiras<br \/>\nn\u00f5 douido que per ese sarta\u00e3o ajam muj<br \/>\ntas aures. E a\u00e7erqua da noute nos volue<br \/>\nmos peraas naaos com nossa lenha. \/ eu<br \/>\ncreo Sor que n\u00f5 dey ajmda aquy conta a vosa<br \/>\nalteza da fei\u00e7am de seus arcos e seetas. \/ os<br \/>\narcos sam pretos e conpridos e as seetas c\u00f5<br \/>\npridas e os feros delas de canas apara<br \/>\ndas sego vosa alteza vera per alguus que<br \/>\ncreo que o capit\u00e3 a ela ha demuiar \/<\/p>\n<p>aa quarta feira n\u00f5 fomos em terra por que o capi<br \/>\ntam andou todo o dia no naujo dos mantimetos<br \/>\na despejalo e fazer leuar aas naaos jsso que ca<br \/>\nda huua podia leuar. eles acodiram aa praya<br \/>\nmuitos sego das naaos vimos que seriam obra de iije<br \/>\nsego sancho de toar que la foy dise. \/ diego dijz<br \/>\ne ao Ribeiro o degradado a que o capit\u00e3 omtem<br \/>\nmandou que em toda maneira la dormisem<br \/>\nvolueranse ja de noute por eles nom quererem<br \/>\nque la dormisem e trouueram papagayos verdes<br \/>\ne outras aues pretas casy coma pegas sen\u00f5 qu\u00e3do<br \/>\nse sancho de toarRecolheo aa naao querianse vijr<br \/>\ncom ele alguuns mas ele n\u00f5 quis sen\u00f5 dous m\u00e3<br \/>\ncebos despostos e home\u00ebs de prol. \/ mandouos esa<br \/>\nnoute muy bem pemsar e curar e comeram toda<br \/>\nvianda que lhes deram e mandoulhes fazer cama<br \/>\nde len\u00e7ooes sego ele disse e dormiram e folgaram<br \/>\naquela noute e asy n\u00f5 foy mais este dia que pera<br \/>\nscrepuer seja<br \/>\naa qujmta feira deradro dabril comemos logo casy<br \/>\npola manha\u00e3 e fomos em terra por mais lenha<br \/>\ne agoa e em querendo o capitam sair desta naao<br \/>\nchegou sncho de toar com seus dous ospedes e por<br \/>\nele n\u00f5 teer ajnda comjdo poseranlhe toalhas<br \/>\ne veolhe vianda e comeo. os ospedes asentar\u00e3nos<br \/>\nem senhas cadeiras e de todo o que lhes deram come<br \/>\nram muy bem esppecialmente lacam cozido frio<br \/>\ne aRoz n\u00f5 lhes deram vo por sancho de toar dizer<br \/>\nque o n\u00f5 bebiam bem. acabado o comer metemo<br \/>\nnos todos no batel e eles c\u00f5 nosco. deu huu grom<br \/>\nete a huu deles huua armadura grande de porco<br \/>\nmontes bem Reuolta e tamto que a tomou meteoa<br \/>\nlogo no bei\u00e7o e porque se lho nom queria teer deram<br \/>\nlhe huua pequena de cera vermelha e ele corejeo<br \/>\nlhe detras seu aderem\u00e7o pera se te\u00ebr e meteoa no bei<br \/>\n\u00e7o asy Reuolta pera cima e vijnha tam comtente<br \/>\ncom ela como se teuera hu\u00fca grande joya<br \/>\ntamto que saymos em terra foise logo c\u00f5 ela que<br \/>\nn\u00f5 pare\u00e7eo hy mais. andariam na praya quando<br \/>\nsaymos biij ou x deles e dhi a pouco come\u00e7aram<br \/>\nde vijr, e pare\u00e7eme que vijnram este dia aa pra<br \/>\nya iiijo ou iiijc1. trazi\u00e3 alguus deles arcos e<br \/>\nseetas e todolos deram por carapu\u00e7as e por quall<br \/>\nquer cousa que lhes dauam. comiam c\u00f5 nosco do que<br \/>\nlhes dauamos e bebiam alguus deles vo e outros<br \/>\nn\u00f5 podiam beber mas pareceme que se lho ave<br \/>\nzarem que o beberam de boa vomtade. \/ andau\u00e3 todos<br \/>\ntam despostos e tam bem feitos e falamtes c\u00f5 suas<br \/>\ntimturas que pareciam bem. \/ acaretauam desa le<br \/>\nnha quamta podiam com muy boas uomtades e le<br \/>\nuau\u00e3na aos batees e amdauam ja mais mansos<br \/>\ne seguros antre nos do que nos amdauamos antreles<br \/>\nfoy o capit\u00e3 com alguus de nos huu peda\u00e7o per este<br \/>\naruoredo ataa hu\u00fca Ribeira grande e de muita agoa<br \/>\nque a noso pare\u00e7er era esta meesma que vem teer<br \/>\naa praya em que nos tomamos agoa. \/ aly jouuemos<br \/>\nhu\u00fc peda\u00e7o bebendo e folgamdo ao longo dela<br \/>\nantrese aruoredo que he tamto e tamanho e tam ba<br \/>\nsto e de tamtas prumaje\u00ebs que lhe n\u00f5 pode home dar<br \/>\ncomto. ha antrele mujtas palmas de que colhemos<br \/>\nmujtos e boos palmjtos. quando saymos do batel<br \/>\ndise o capit\u00e3 que seria boo hirmos direitos aa cruz que<br \/>\nestaua emcostada a hu\u00fca aruore junto com o Rio pera se<br \/>\npoer de manha\u00e3 que he sesta feira e que nos poseese<br \/>\nmos todos em giolhos e a beijasemos pera eles veerem<br \/>\nho acatameto que lhe tijnhamos. \/ e asy o fezemos<br \/>\nE estes x ou xij que hy estauam acenaramlhes que fezesem asy e foram logo todos beijala. \/ pare\u00e7eme<br \/>\njemte de tal jno\u00e7encia que se os homem emtendese<br \/>\ne eles a nos que seriam logo christaa\u00e3os porque eles<br \/>\nn\u00f5 teem nem emtendem em nhu\u00fca creem\u00e7a<br \/>\nsego pare\u00e7e. E portamto se os degradados que aqui<br \/>\nam de ficar aprenderem bem a sua fala e os em<br \/>\ntenderem. \/ nom douido sego a santa ten\u00e7am de<br \/>\nvosa alteza fazeremse xp\u00e3aos e creerem na nossa<br \/>\nsamta fe, aa qual praza a nosso Sn\u00f5r que os traga<br \/>\nporq \u00e7erto esta jente he boa e de boa sijnprezidade<br \/>\ne enpremarsea ligeiram\u00ebte neeles qualquer cru<\/p>\n<p>nho que lhes quiserem dar e logo lhes nosso Sor deu<br \/>\nboos corpos e boos Rostros comaa boos home\u00ebs, e ele<br \/>\nque nos per aquy trouue creo que nom foy sem causa<br \/>\ne portanto Vosa alteza pois tamto deseja acre\u00e7entar<br \/>\nna santa fe catolica, deue emtender em sua salua<br \/>\n\u00e7am e prazera a deos que com pouco trabalho sera asy \/<br \/>\neles nom lauram nem criam nem ha aquy boy nem<br \/>\nvaca nem cabra nem ovelha nem ga nem outa nhu\u00fca<br \/>\nalimarea que custumada seja ao viuer dos home\u00ebs<br \/>\nn\u00eb com\u00eb sen\u00f5 dese jnhame que aquy ha mujto e<br \/>\ndesa semente e fruitos que a tera e as aruores de sy<br \/>\nlan\u00e7am, e com jsto andam taaes e tam Rijos e t\u00e3<br \/>\nnedeos que o n\u00f5 somo nos tanto com quanto trjgo<br \/>\ne legumes comemos. em quanto aly este dia am<br \/>\ndaram senpre ao so\u00f5 dhu\u00fc tanbory nosso dan\u00e7ar\u00e3<br \/>\ne bailhar\u00e3 c\u00f5 os nossos, \u00eb maneira que<br \/>\nsam muito mais nosos amj<br \/>\ngos que nos seus. se lhes hom\u00eb acenaua se queri\u00e3<br \/>\nvijr aas naaos fazianse logo prestes pera jsso \u00eb tal<br \/>\nmaneira que se os hom\u00eb todos quisera comuidar,<br \/>\ntodos uieram. porem n\u00f5 trouuemos esta nou<br \/>\naas naaos senom iiij ou b .s. \/ o capit\u00e3 moor dous<br \/>\ne sim\u00e3o de miranda hu\u00fc que trazia ja por paje<br \/>\ne aires gomez outro asy paje. os que o capitam<br \/>\ntrouue era hu\u00fc deles hu\u00fc dos seus ospedes que<br \/>\naa primeira quando aquy chegamos lhe trouuer\u00e3,<br \/>\no qual veo oje aquy vestido na sua camisa e com<br \/>\nele hu\u00fc seu jrm\u00e3o os quaaes for\u00e3m esta noute<br \/>\nmuy bem agasalhados asy de vianda como de ca<br \/>\nma de colcho\u00f5es e len\u00e7ooes polos mais amansar. \/<br \/>\nE oje que he sests feira primeiro dia de mayo pola<br \/>\nmanha\u00e3 saymos em terra c\u00f5 nossa bandeira<br \/>\ne fomos desenbarcar acjma do Rio contra o sul<\/p>\n<p>onde nos pare\u00e7eo que serja mjlhor chantar a cruz<br \/>\npera seer milhor vista, e aly asijnou o capit\u00e3 onde<br \/>\nfezesem a coua pera a chantar. e emquanto a ficar\u00e3<br \/>\nfazendo. \/ ele com todos nos outros fomos pola +<br \/>\nabaixo do Rio onde ela estaua. trouuemola da<br \/>\nly c\u00f5 eses Relegiosos e sacerdotes diante cant\u00e3<br \/>\ndo maneira de precisam. her\u00e3 ja hy algu\u00fcs de<br \/>\nles obra de lxx ou lxxx e quando nos asy vir\u00e3<br \/>\nvijr, algu\u00fcs deles se f\u00f5r\u00e3 meter debaixo dela<br \/>\najudarnos. pasamolo Rio ao longo da praya<br \/>\ne fomola poer onde avia de seer que sera do<br \/>\nRio obra de dous tiros de beesta. aly andando<br \/>\nnysto vijnjram bem cl ou mais. chentada<br \/>\na cruz c\u00f5 as armas e deuisa de vosa alteza<br \/>\nque lhe prim.o pregaram armaram altar ao pee<br \/>\ndela. aly dise misa o padre frej amrique a qual<br \/>\nfoy camtada e ofe\u00e7iada per eses ja ditos. aly<br \/>\nesteueram c\u00f5 nosco a ela obra de l ou lx deles<br \/>\nasentados todos em giolhos asy coma nos e qu\u00e3<br \/>\ndo veo ao avanjelho que nos erguemos todos \u00eb pee<br \/>\nc\u00f5 as ma\u00e3os leuantadas, eles se leuantaram<br \/>\nc\u00f5 nosco e al\u00e7arom as ma\u00e3os, estando asy ataa<br \/>\nseer acabado, e entam tornaranse a asentar co<br \/>\nma nos. E quando leuantarom a deus que nos<br \/>\nposemos em giolhos, eles se poseram todos asy co<br \/>\nma nos estauamos c\u00f5 as ma\u00e3os leuantadas,<br \/>\ne em tal maneira asesegados que certefico<br \/>\na vosa alteza que nos fez muita deua\u00e7om.<br \/>\nesteuer\u00e3 asy c\u00f5 nosco ata acabada a comunh\u00f5<br \/>\ne depois da comunham comungaram eses Re<br \/>\nlegiosos e sacerdotes e o capitam c\u00f5 algu\u00fcs de<br \/>\nnos outros. algu\u00fcs deles por o sol seer gr\u00e3de<br \/>\n\u00eb nos estando comungando aleuantar\u00e3se<\/p>\n<p>e outros esteuer\u00e3 e ficarom. \/ hu\u00fc deles hom\u00eb<br \/>\nde l lb anos ficou aly c\u00f5 aqueles que fica<br \/>\nram. aquele em nos asy estamdo ajumtaua<br \/>\naqueles que aly ficaram e ajnda chamaua<br \/>\noutros. este andando asy antreles falando<br \/>\nlhes acenou c\u00f5 o dedo pera o altar, e depois mostrou<br \/>\no dedo pera o ceeo coma que lhes dizia algu\u00fca<br \/>\ncousa de bem e nos asy o tomamos. acabada<br \/>\na misa tirou o padre a vestimta de cjma e ficou<br \/>\nna alua e asy se sobio junto c\u00f5 ho altar em hu\u00fca<br \/>\ncadeira e aly nos preegou do auanjelho e dos a<br \/>\npostolos cujo dia oje he trautando \u00ebfim<br \/>\nda preega\u00e7om deste voso prosegujm\u00ebto<br \/>\nt\u00e3 santo e vertuoso que nos causou majs de<br \/>\nua\u00e7am. eses que aa preega\u00e7\u00e3 senpre esteueram<br \/>\nestau\u00e3 asy coma nos olhando pera ele. e aqle<br \/>\nque digo. \/ chamaua algu\u00fcs que viesem<br \/>\nperaaly. algu\u00fcs vijnham e outros hiamse e<br \/>\nacabada a preega\u00e7om trazia njcolaao coelho<br \/>\nmujtas cruzes de estanho com cru\u00e7ufi\u00e7os que<br \/>\nlhe ficarom ajnda da outra vijnda e ouuer\u00e3<br \/>\npor bem que lan\u00e7asem a cada hu\u00fc sua ao pes<br \/>\nco\u00e7o. pola qual cousa se asentou o padre frey<br \/>\nanrique ao pee da cruz e aly a hu\u00fc e hu\u00fc<br \/>\nlan\u00e7aua sua atada em hu\u00fc fio ao pesco\u00e7o fa<br \/>\nzendolha primeiro beijar e aleuantar as ma<br \/>\n\u00e3os. vijnham aisso muitos e lan\u00e7ar\u00e3mas to<br \/>\ndos que serjam obra de R ou l. e isto aca<br \/>\nbado era ja bem hu\u00fca ora depois de meo dja,<br \/>\nviemos aas naos a comer onde o capit\u00e3 tro<br \/>\nuue c\u00f5sigo aquele meesmo que fez aos outos<br \/>\naquela msotram\u00e7a pera o altar e pera o ceeo e<br \/>\nhu\u00fc seu jrma\u00e3o com elle ao qual fez mujta<\/p>\n<p>homrra e deulhe hu\u00fca camisa mourisca e ao<br \/>\noutro hu\u00fca camisa destoutras. \/ e sego o que<br \/>\na mym e a todos pare\u00e7eo, esta jemte n\u00f5 lhes fale\u00e7e<br \/>\noutra cousa pera seer toda xpa\u00e3 ca entende<br \/>\nr\u00ebnos, porque asy tomauam aquilo que nos<br \/>\nviam fazer coma nos meesmos, per onde pare\u00e7eo<br \/>\na todos que nhu\u00fca idolatria n\u00eb adora\u00e7om teem.<br \/>\nE bem creo que se vosa alteza aquy mandar quem<br \/>\nmais antreles de vagar ande. \/ que todos seram<br \/>\ntornados ao desejo de vosa alteza. \/ e pera isso se alguem<br \/>\nvjer n\u00f5 leixe logo de vijr clerjgo pera os bautizar<br \/>\nporque ja emt\u00e3 mais conhecim\u00ebto de<br \/>\nnossa fe pelos dous degradados, que aquy \u00e3<br \/>\ntreles ficam os quaaes ambos oje tambem co<br \/>\nmungaram antre todos estes que oje vier\u00e3<br \/>\nn\u00f5 veo mais que hu\u00fca molher mo\u00e7a a qual<br \/>\nesteue senpre aa missa, aa qual deram hu\u00fc<br \/>\npano com que se cobrise e poser\u00e3lho daRedor<br \/>\nde sy, pero ao asnetar n\u00f5 fazia memorea de o<br \/>\nmujto estender pera se cobrir. asy Sor que a jno\u00e7\u00eb<br \/>\ncia desta jemte he tal que a dadam n\u00f5 seria<br \/>\nmajs quanta em vergonha. ora veja vosa al<br \/>\nteza quem em tal jnocem\u00e7ea viue, ensinam<br \/>\ndolhes o que pera sua salua\u00e7om pertee\u00e7e. \/ se se c\u00f5<br \/>\nuerteram ou nom. acabado isto fomos asy<br \/>\nperante eles beijar a cruz e espedimonos e vj<br \/>\nemos comer. \/<br \/>\ncreo Sn\u00f5r que com estes dous degradados que<br \/>\naquy ficam ficam \/ mais dous grometes<br \/>\nque esta noute se sairam desta naao no esquj<br \/>\nfe em terra fogidos os quaaes n\u00f5 vier\u00e3 majs<br \/>\ne creemos que ficaram daquy nosa partida \/<\/p>\n<p>esta terra Sor me pare\u00e7e que da pomta q mais contra<br \/>\no sul vimos ataa outa ponta que contra o norte<br \/>\nvem de que nos deste porto ouuemos vista, sera<br \/>\ntamanha que auera neela bem xx ou xxb<br \/>\nlegoas per costa. traz ao lomgo do mar em alg\u00fcas<br \/>\npartes grandes bareiras delas vermelhas e delas<br \/>\nbramcas e a terra per \u00e7ima toda cha\u00e3 e mujto chea<br \/>\nde grandes aruoredos. de pomta a pomta he toda<br \/>\npraya parma mujto cha\u00e3 e mujto fremosa<br \/>\npelo sarta\u00e3o nos pereceo dom mar mujto<br \/>\ngrande porque a estender olhos n\u00f5 podiamos<br \/>\nveer sen\u00f5 tera e aruoredos que nos pare\u00e7ia<br \/>\nmuy longa tera. neela ataagora n\u00f5 podemos<br \/>\nsaber que aja ouro nem prata nem nhu\u00fca cou<br \/>\nsa de metal nem de fero, nem lho vjmos. \/ pero<br \/>\na terra em sy he de muito boos aares asy frios e<br \/>\ntenperados coma os dantre doiro e mjnho por<br \/>\nque neste tenpo dagora asy os achauamos coma os<br \/>\nde la. agoas sam muitas imfimdas. Em tal<br \/>\nmaneira he graciosa que querendoa aproueitar<br \/>\ndarsea neela tudo per bem das agoas que tem.<br \/>\npero o mjlhor fruito que neela se pode fazer me<br \/>\npare\u00e7e que sera saluar esta jemte e esta deue<br \/>\nseer a principal semente que vosa alteza em<br \/>\nela deue lam\u00e7ar. E que hy n\u00f5 ouuese ma<br \/>\nis ca t\u00eber aquy esta pousada pera esta naue<br \/>\nga\u00e7om de calecut, abstar\u00e3, quanto majs<br \/>\ndesposi\u00e7\u00e3 pera se neela conprir e fazer o que vossa<br \/>\nalteza tamto deseja .s. acrecentamto da nosa<br \/>\nsanta fe \/<br \/>\nE neesta maneira Sor dou aquy a vosa alteza<\/p>\n<p>do que neesta vosa terra vy e se aalgu\u00fc pouco a<br \/>\nlomguey, ela me perdoe, ca o desejo que tij<br \/>\nnha de vos tudo dizer mo fez asy poer pelo<br \/>\nmeudo. E pois que Sn\u00f5r he \u00e7erto que asy<br \/>\nneeste careguo que leuo como em outra qual<br \/>\nquer coussa que de vosso serui\u00e7o for uosa alteza<br \/>\nha de seer de my mujto bem seruida, a ela<br \/>\npe\u00e7o que por me fazer simgular mer\u00e7ee m\u00e3<br \/>\nde vijr da jlha de sam thomee jorge do soiro<br \/>\nmeu jenro, o que dela receberey em mujta<br \/>\nmer\u00e7ee. \/ beijo as ma\u00e3os de vosa alteza.<br \/>\ndeste porto seguro da vosa jlha da vera cruz oje<br \/>\nsesta feira prim.o dia de mayo de 1500<\/p>\n<p>__ Pero uaaz de camjnha<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>pt.wikisource.org<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pero Vaz de Caminha Sn\u00f5r posto que o capitam moor desta vossa frota e asy os outros capita\u00e3es screpuam a vossa alteza a noua do acha mento desta vossa terra noua que se ora neesta naue ga\u00e7om achou, nom leixarey tambem de dar disso minha comta a vossa alteza asy como eu 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