{"id":115872,"date":"2017-03-27T19:27:03","date_gmt":"2017-03-27T21:27:03","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=115872"},"modified":"2017-03-27T19:27:03","modified_gmt":"2017-03-27T21:27:03","slug":"ernesto-de-tal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal","title":{"rendered":"Ernesto de Tal"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de Assis<\/h2>\n<p>Que duas pessoas se amem e se separem \u00e9, na verdade, coisa triste, desde que n\u00e3o h\u00e1 entre elas nenhum impedimento moral ou social. Mas o destino ou o acaso, ou o complexo das circunst\u00e2ncias da vida determina muita vez o contr\u00e1rio. Uma viagem de neg\u00f3cio ou de recreio, uma convalescen\u00e7a, qualquer coisa basta para cavar um abismo entre duas pessoas.<\/p>\n<p>Era isto, resumidamente, o que pensava uma noite o bacharel Duarte, \u00e0 mesa de um caf\u00e9, tendo vindo do Teatro Gin\u00e1sio. Tinha visto no teatro uma mo\u00e7a muito parecida com outra que ele outrora namorara. H\u00e1 quanto tempo ia isso! H\u00e1 sete anos, foi em 1855. Ao ver a mo\u00e7a no camarote, chegou a pensar que era ela, mas advertiu que n\u00e3o podia ser; a outra tinha dezoito anos, devia estar com vinte e cinco, e esta n\u00e3o representava mais de dezoito, quando muito, dezenove.<\/p>\n<p>N\u00e3o era ela; mas t\u00e3o parecida, que trouxe \u00e0 mem\u00f3ria do bacharel todo o passado, com as suas reminisc\u00eancias vivas no esp\u00edrito, e Deus sabe se no cora\u00e7\u00e3o. Enquanto lhe preparavam o ch\u00e1, Duarte divertiu-se em recompor a vida, se acaso tivesse casado com a primeira namorada \u2014 a primeira! Tinha ent\u00e3o vinte e tr\u00eas anos. Vira-a na casa de um amigo, no Engenho Velho, e ficaram gostando um do outro. Ela era meiga e acanhada, linda a mais n\u00e3o ser, \u00e0s vezes com ares de crian\u00e7a, que lhe davam ainda maior relevo.<\/p>\n<p>Era filha de um coronel.<\/p>\n<p>Nada impedia que os dois se casassem, uma vez que se amavam e se mereciam. Mas aqui entrou justamente o destino ou o acaso, o que ele chamava h\u00e1 pouco \u201c, defini\u00e7\u00e3o realmente comprida e enfadonha. O coronel teve ordem de seguir para o Sul; ia demorarse dois a tr\u00eas anos. Ainda assim podia a filha casar com o bacharel; mas n\u00e3o era este o sonho do pai da mo\u00e7a, que percebera o namoro e estimava poder mat\u00e1-lo. O sonho do coronel era um general; em falta dele, um comendador rico. Pode ser que o bacharel viesse a ser um dia rico, comendador e at\u00e9 general \u2014 como no tempo da guerra do Paraguai. Pode ser, mas n\u00e3o era nada, por ora, e o pai de Malvina n\u00e3o queria arriscar todo o dinheiro que tinha nesse bilhete que podia sair-lhe branco.<\/p>\n<p>Duarte n\u00e3o a deixou ir sem tentar alguma coisa. Meteu empenhos. Uma prima dele, casada com um militar, pediu ao marido que interviesse, e este fez tudo o que podia para ver se o coronel consentia no casamento da filha. N\u00e3o alcan\u00e7ou nada. Afinal, o bacharel estava disposto a ir ter com eles no Sul; mas o pai de Malvina dissuadiu-o de um tal projeto, dizendo-lhe primeiro que ela era ainda muito crian\u00e7a, e depois que, se ele l\u00e1 aparecesse, ent\u00e3o \u00e9 que nunca lha daria.<\/p>\n<p>Tudo isso foi pelos fins de 1855. Malvina seguiu com o pai, chorosa, jurando ao namorado que se atiraria ao mar, logo que sa\u00edsse a barra do Rio de Janeiro. Jurou com sinceridade; mas a vida tem uma parte inferior que destr\u00f3i, ou pelo menos, altera e atenua as resolu\u00e7\u00f5es morais. Malvina enjoou. Nesse estado, que toda a gente afirma ser intoler\u00e1vel, a mo\u00e7a n\u00e3o teve a necess\u00e1ria resolu\u00e7\u00e3o para um ato de desespero. Chegou viva e s\u00e3 ao Rio Grande.<\/p>\n<p>Que houve depois? Duarte teve algumas not\u00edcias, a princ\u00edpio, por parte da prima, a quem Malvina escrevia, todos os meses, cartas cheias de protestos e saudades. No fim de oito meses, Malvina adoeceu, depois escassearam as cartas. Afinal, indo ele \u00e0 Europa, cessaram elas de todo. Quando ele voltou, soube que a antiga namorada tinha casado em Jaguar\u00e3o; e (vede a ironia do destino) n\u00e3o casou com general nem comendador rico, mas justamente com um bacharel sem dinheiro.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que ele n\u00e3o deu um tiro na cabe\u00e7a nem murros na parede; ouviu a not\u00edcia e conformou-se com ela. Tinham ent\u00e3o passado cinco anos; era em 1860. A paix\u00e3o estava acabada; havia somente um fiozinho de lembran\u00e7a teimosa. Foi cuidar da vida, \u00e0 espera de casar tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>E \u00e9 agora, em 1862, estando ele tranq\u00fcilamente no Gin\u00e1sio, que uma mo\u00e7a lhe apareceu com a cara, os modos e a figura de Malvina em 1855. J\u00e1 n\u00e3o ouviu bem o resto do espet\u00e1culo; viu mal, muito mal, e, no caf\u00e9, encostado a uma mesa do canto, ao fundo, rememorava tudo, e perguntava a si mesmo qual n\u00e3o teria sido a sua vida, se tivessem realizado o casamento.<\/p>\n<p>Poupo \u00e0s pessoas que me l\u00eaem a narra\u00e7\u00e3o do que ele construiu, antes, durante e depois do ch\u00e1. De quando em quando, queria sacudir a imagem do esp\u00edrito; ela, por\u00e9m, tornava e perseguia-o, assemelhando-se (perdoem-me as mo\u00e7as amadas) a uma mosca importuna. N\u00e3o vou buscar \u00e0 mosca sen\u00e3o a tenacidade de presen\u00e7a, que \u00e9 uma virtude nas recorda\u00e7\u00f5es amorosas; fica a parte odiosa da compara\u00e7\u00e3o para os conversadores enfadonhos. Demais, ele pr\u00f3prio, o pr\u00f3prio Duarte \u00e9 que empregou a compara\u00e7\u00e3o, no dia seguinte, contando o caso ao colega de escrit\u00f3rio. Contou-lhe ent\u00e3o todo o passado.<\/p>\n<p>\u2014 Nunca mais a viste? \u2014 Nunca.<\/p>\n<p>\u2014 Sabes se ela est\u00e1 aqui ou no Rio Grande? \u2014 N\u00e3o sei nada. Logo depois do casamento, disse-me a prima que ela vinha para c\u00e1; mas soube depois que n\u00e3o, e afinal n\u00e3o ouvi dizer mais nada. E que tem que esteja? Isto \u00e9 neg\u00f3cio acabado. Ou sup\u00f5es que seria ela mesma que vi? Afirmo-te que n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o suponho nada; fiz a pergunta \u00e0 toa.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c0 toa? repetiu Duarte rindo.<\/p>\n<p>\u2014 Ou de prop\u00f3sito, se queres. Na verdade, eu creio que tu&#8230; Digo? Creio que ainda est\u00e1s embei\u00e7ado&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Por qu\u00ea? \u2014 A turva\u00e7\u00e3o de ontem&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Que turva\u00e7\u00e3o? \u2014 Tu mesmo o disseste; ouviste mal o resto do espet\u00e1culo, pensaste nela depois, e agora mesmo contas-me tudo com um tal ardor&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Deixa-te disso. Contei o que senti, e o que senti foram saudades do passado.<\/p>\n<p>Presentemente&#8230;<\/p>\n<p>Da\u00ed a dias, estando com a prima \u2014 a intermedi\u00e1ria antiga das not\u00edcias \u2014, contou-lhe o caso do Gin\u00e1sio.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea ainda se lembra disso? disse ela.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o me lembro, mas naquela ocasi\u00e3o deu-me um choque&#8230; N\u00e3o imagina como era parecida. At\u00e9 aquele jeitinho que Malvina dava \u00e0 boca, quando ficava aborrecida, at\u00e9 isso&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Em todo caso, n\u00e3o \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>\u2014 Por qu\u00ea? Est\u00e1 muito diferente? \u2014 N\u00e3o sei; mas sei que Malvina ainda est\u00e1 no Rio Grande.<\/p>\n<p>\u2014 Em Jaguar\u00e3o? \u2014 N\u00e3o; depois da morte do marido&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Enviuvou? \u2014 Pois ent\u00e3o? h\u00e1 um ano. Depois da morte do marido, mudou-se para a capital.<\/p>\n<p>Duarte n\u00e3o pensou mais nisto. Parece mesmo que alguns dias depois encetou um namoro, que durou muitos meses. Casaria, talvez, se a mo\u00e7a, que j\u00e1 era doente, n\u00e3o viesse a morrer, e deix\u00e1-lo como dantes. Segunda noiva perdida.<\/p>\n<p>Acabava o ano de 1863. No princ\u00edpio de 1864, indo ele jantar com a prima, antes de seguir para Cantagalo, onde tinha de defender um processo, anunciou-lhe ela que um ou dois meses depois chegaria Malvina do Rio Grande. Trocaram alguns gracejos, alus\u00f5es ao passado e ao futuro; e, tanto quanto se pode dizer, parece que ele saiu de l\u00e1 pensando na recente vi\u00fava. Tudo por causa do encontro no Gin\u00e1sio em 1862. Entretanto, seguiu para Cantagalo.<\/p>\n<p>N\u00e3o dois meses, nem um, mas vinte dias depois, Malvina chegou do Rio Grande. N\u00e3o a conhecemos antes, mas pelo que diz a amiga ao marido, voltando de visit\u00e1-la, parece que est\u00e1 bonita, embora mudada. Realmente, s\u00e3o passados nove anos. A beleza est\u00e1 mais acentuada, tomou outra express\u00e3o, deixou de ser o alfenim de 1855, para ser mulher verdadeira. Os olhos \u00e9 que perderam a candura de outro tempo, e um certo aveludado, que acariciava as pessoas que os recebiam. Ao mesmo tempo, havia nela, outrora, um acanhamento pr\u00f3prio da idade, que o tempo levou: \u00e9 o que acontece a todas as pessoas.<\/p>\n<p>Malvina \u00e9 expansiva, ri muito, mofa um pouco, e ocupa-se de que a vejam e admirem.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m outras senhoras fazem a mesma coisa em tal idade, e at\u00e9 depois, n\u00e3o sei se muito depois; n\u00e3o a criminemos por um pecado t\u00e3o comum.<\/p>\n<p>Passados alguns dias, a prima do bacharel falou deste \u00e0 amiga, contou-lhe a conversa que tiveram juntos, o encontro do Gin\u00e1sio, e tudo isso pareceu interessar grandemente \u00e0 outra. N\u00e3o foram adiante; mas a vi\u00fava tornou a falar do assunto, n\u00e3o uma, nem duas, mas muitas vezes.<\/p>\n<p>\u2014 Querem ver que voc\u00ea est\u00e1 querendo recordar-se&#8230; Malvina fez um gesto de ombros para fingir indiferen\u00e7a; mas fingiu mal. Contou-lhe depois a hist\u00f3ria do casamento.<\/p>\n<p>Afirmou que n\u00e3o tivera paix\u00e3o pelo marido, mas que o estimara bastante. Confessou que muita vez se lembrara do Duarte. E como estava ele? tinha ainda o mesmo bigode? ria como dantes? dizia as mesmas gra\u00e7as? \u2014 As mesmas.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o mudou nada? \u2014 Tem o mesmo bigode, e ri como antigamente; tem mais alguma coisa: um par de su\u00ed\u00e7as.<\/p>\n<p>\u2014 Usa su\u00ed\u00e7as? \u2014 Usa, e por sinal que bonitas, grandes, castanhas&#8230;<\/p>\n<p>Malvina recomp\u00f4s na cabe\u00e7a a figura de 1855, pondo-lhe as su\u00ed\u00e7as, e achou que deviam ir-lhe bem, conquanto o bigode somente fosse mais adequado ao tipo anterior. At\u00e9 aqui era brincar; mas a vi\u00fava come\u00e7ou a pensar nele com insist\u00eancia; interrogava muito a outra, perguntava-lhe quando \u00e9 que ele vinha.<\/p>\n<p>\u2014 Creio que Malvina e Duarte acabam casando, disse a outra ao marido.<\/p>\n<p>Duarte veio finalmente de Cantagalo. Um e outro souberam que iam aproximar-se; e a prima, que jurara aos seus deuses cas\u00e1-los, tornou o encontro de ambos ainda mais apetec\u00edvel. Falou muito dele \u00e0 amiga; depois quando ele chegou, falou-lhe muito dela, entusiasmada. Em seguida arranjou-lhes um encontro, em terreno neutro. Convidou-os para um jantar.<\/p>\n<p>Podem crer que o jantar foi esperado com \u00e2nsia por ambas as partes. Duarte, ao aproximar-se da casa da prima, sentiu mesmo uns palpites de outro tempo; mas dominouse e subiu. Os palpites aumentaram; e o primeiro encontro de ambos foi de alvoro\u00e7o e perturba\u00e7\u00e3o. N\u00e3o disseram nada; n\u00e3o podiam dizer coisa nenhuma. Parece at\u00e9 que o bacharel tinha planeado um certo ar de desgosto e repreens\u00e3o. Realmente, nenhum deles fora fiel ao outro, mas as apar\u00eancias eram a favor dele, que n\u00e3o casara, e contra ela, que casara e enterrara o marido. Da\u00ed a frieza calculada da parte do bacharel, uma impassibilidade de fingido desd\u00e9m. Malvina n\u00e3o afetara nem podia afetar a mesma atitude; mas estava naturalmente acanhada \u2014 ou digamos a palavra toda, que \u00e9 mais curta, vexada. Vexada \u00e9 o que era.<\/p>\n<p>A amiga dos dois tomou a si desacanh\u00e1-los, reuni-los, preencher o enorme claro que havia entre as duas datas, e, com o marido, tratou de fazer um jantar alegre. N\u00e3o foi t\u00e3o alegre como devia ser; ambos espiavam-se, observavam-se, tratavam de reconhecer o passado, de compar\u00e1-lo ao presente, de ajuntar a realidade \u00e0s reminisc\u00eancias. Eis algumas palavras trocadas \u00e0 mesa entre eles: \u2014 O Rio Grande \u00e9 bonito? \u2014 Muito: gosto muito de Porto Alegre.<\/p>\n<p>\u2014 Parece que h\u00e1 muito frio? \u2014 Muito.<\/p>\n<p>E depois, ela: \u2014 Tem tido bons cantores por c\u00e1? \u2014 Temos tido.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 muito tempo n\u00e3o ou\u00e7o uma \u00f3pera.<\/p>\n<p>\u00d3peras, frio, ruas, coisas de nada, indiferentes, e isso mesmo a largos intervalos. Dir-seia que cada um deles s\u00f3 possu\u00eda a sua l\u00edngua, e exprimia-se numa terceira, de que mal sabiam quatro palavras. Em suma, um primeiro encontro cheio de esperan\u00e7as. A dona da casa achou-os excessivamente acanhados, mas o marido corrigiu-lhe a impress\u00e3o, ponderando que isso mesmo era prova de lembran\u00e7a viva a despeito dos tempos.<\/p>\n<p>Os encontros naturalmente amiudaram-se. A amiga de ambos entrou a favorec\u00ea-los.<\/p>\n<p>Eram convites para jantares, para espet\u00e1culos, passeios, saraus \u2014 eram at\u00e9 convites para missas. Custa dizer, mas \u00e9 certo que ela at\u00e9 recorreu \u00e0 igreja para ver se os prendia de uma vez.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos certo \u00e9 que n\u00e3o lhes falou de mais nada. A mais vulgar discri\u00e7\u00e3o pedia o sil\u00eancio, ou pelo menos, a alus\u00e3o galhofeira e sem calor; ela preferiu n\u00e3o dizer nada. Em compensa\u00e7\u00e3o observava-os, e vivia numas alternativas de esperan\u00e7a e desalento. Com efeito, eles pareciam andar pouco.<\/p>\n<p>Durante os primeiros dias, nada mais houve entre ambos, al\u00e9m de observa\u00e7\u00e3o e cautela.<\/p>\n<p>Duas pessoas que se v\u00eaem pela primeira vez, ou que se tornam a ver naquelas circunst\u00e2ncias, naturalmente dissimulam. \u00c9 o que lhes acontecia. Nem um nem outro deixava correr a natureza, pareciam andar \u00e0s apalpadelas, cheios de circunspec\u00e7\u00e3o e atentos ao menor escorreg\u00e3o. Do passado, coisa nenhuma. Viviam como se tivessem nascido uma semana antes, e devessem morrer na seguinte; nem passado nem futuro.<\/p>\n<p>Malvina sofreou a expans\u00e3o que os anos lhe trouxeram, Duarte o tom de homem solteiro e alegre, com preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e uma ponta de ceticismo e de gastronomia. Cada um punha a m\u00e1scara, desde que tinham de encontrar-se.<\/p>\n<p>Mas isto mesmo n\u00e3o podia durar muito; no fim de cinco ou seis semanas, as m\u00e1scaras foram caindo. Uma noite, achando-se no teatro, Duarte viu-a no camarote, e, n\u00e3o p\u00f4de esquivar-se de a comparar com a que vira antes, e tanto se parecia com a Malvina de 1855. Era outra coisa, assim de longe, e \u00e0s luzes, sobressaindo no fundo escuro do camarote. Al\u00e9m disso, pareceu-lhe que ela voltava a cabe\u00e7a para todos os lados com muita preocupa\u00e7\u00e3o do efeito que estivesse causando.<\/p>\n<p>\u201c pensou ele.<\/p>\n<p>E, para sacudir este pensamento, olhou para outro lado; pegou do bin\u00f3culo e percorreu alguns camarotes. Um deles tinha uma dama, assaz galante, que ele namorara um ano antes, pessoa que era livre, e a quem ele proclamara a mais bela das cariocas. N\u00e3o deixou de a ver, sem algum prazer; o bin\u00f3culo demorou-se ali, e tornou ali, uma, duas, tr\u00eas, muitas vezes. Ela, pela sua parte, viu a insist\u00eancia e n\u00e3o se zangou. Malvina, que notou isso de longe, n\u00e3o se sentiu despeitada; achou natural que ele, perdidas as esperan\u00e7as, tivesse outros amores.<\/p>\n<p>Um e outro eram sinceros aproximando-se. Um e outro reconstru\u00edam o sonho anterior para repeti-lo. E por mais que as reminisc\u00eancias posteriores viessem salte\u00e1-lo, ele pensava nela; e por mais que a imagem do marido surgisse do passado e do t\u00famulo, ela pensava no outro. Eram como duas pessoas que se olham, separadas por um abismo, e estendem os bra\u00e7os para se apertarem.<\/p>\n<p>O melhor e mais pronto era que ele a visitasse; foi o que come\u00e7ou a fazer \u2014 dali a pouco.<\/p>\n<p>Malvina reunia todas as semanas as pessoas de amizade. Duarte foi dos primeiros convidados, e n\u00e3o faltou nunca. As noites eram agrad\u00e1veis, animadas, posto que ela devesse repartir-se com os outros. Duarte notava-lhe o que j\u00e1 ficou dito: gostava de ser admirada; mas desculpou-a dizendo que era um desejo natural \u00e0s mulheres bonitas.<\/p>\n<p>Verdade \u00e9 que, na terceira noite, pareceu-lhe que o desejo era excessivo, e chegava ao ponto de a distrair totalmente. Malvina falava para ter o pretexto de olhar, voltava a cabe\u00e7a, quando ouvia algu\u00e9m, para circular os olhos pelos rapazes e homens feitos, que aqui e ali a namoravam. Esta impress\u00e3o foi confirmada na quarta noite e na quinta, desconsolou-o bastante.<\/p>\n<p>\u2014 Que tolice! disse-lhe a prima, quando ele lhe falou nisso, afetando indiferen\u00e7a. Malvina olha para mostrar que n\u00e3o desdenha os seus convidados.<\/p>\n<p>\u2014 Vejo que fiz mal em falar a voc\u00ea, redarg\u00fciu ele rindo.<\/p>\n<p>\u2014 Por qu\u00ea? \u2014 Todos os diabos, naturalmente, defendem-se, continuou Duarte; todas voc\u00eas gostam de ser olhadas; \u2014 e, quando n\u00e3o gostam, defendem-se sempre.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o, se \u00e9 um querer geral, n\u00e3o h\u00e1 onde escolher, e nesse caso&#8230;<\/p>\n<p>Duarte achou a resposta feliz, e falou de outra coisa. Mas, na outra noite, n\u00e3o achou somente que a vi\u00fava tinha esse v\u00edcio em grande escala; achou mais. A alegria e expans\u00e3o das maneiras trazia uma gota amarga de maledic\u00eancia. Malvina mordia, pelo gosto de morder, sem \u00f3dio nem interesse. Come\u00e7ando a freq\u00fcent\u00e1-la, nos outros dias, achou-lhe um riso mal composto, e, principalmente, uma grande dose de ceticismo. A zombaria nos l\u00e1bios dela or\u00e7ava pela tro\u00e7a elegante.<\/p>\n<p>\u201cNem parece a mesma,\u201d disse ele consigo.<\/p>\n<p>Outra coisa que ele lhe notou \u2014 e n\u00e3o lhe notaria se n\u00e3o fossem as descobertas anteriores \u2014 foi o tom cansado dos olhos, o que acentuava mais o tom velhaco do olhar.<\/p>\n<p>N\u00e3o a queria inocente, como em 1855; mas parecia-lhe que era mais que sabida, e essa nova descoberta trouxe ao esp\u00edrito dele uma fei\u00e7\u00e3o de aventura, n\u00e3o de obra conjugal.<\/p>\n<p>Da\u00ed em diante, tudo era achar defeitos; tudo era reparo, lacuna, excesso, mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>E, contudo, \u00e9 certo que ela trabalhava em reatar sinceramente o v\u00ednculo partido. Tinha-o confiado \u00e0 amiga, perguntando-lhe esta por que n\u00e3o casava outra vez.<\/p>\n<p>\u2014 Para mim h\u00e1 muitos noivos poss\u00edveis, respondeu Malvina; mas s\u00f3 chegarei a aceitar um.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 meu conhecido? perguntou a outra sorrindo.<\/p>\n<p>Malvina levantou os ombros, como dizendo que n\u00e3o sabia; mas os olhos n\u00e3o acompanhavam os ombros, e a outra leu neles o que j\u00e1 desconfiava.<\/p>\n<p>\u2014 Seja quem for, disse-lhe, o que \u00e9 que lhe impede de casar? \u2014 Nada.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Malvina esteve calada alguns instantes; depois confessou que a pessoa lhe parecia mudada ou esquecida.<\/p>\n<p>\u2014 Esquecida, n\u00e3o, acudiu vivamente a outra.<\/p>\n<p>\u2014 Pois s\u00f3 mudada; mas est\u00e1 mudada.<\/p>\n<p>\u2014 Mudada&#8230;<\/p>\n<p>Na verdade, tamb\u00e9m ela achava transforma\u00e7\u00e3o no antigo namorado. N\u00e3o era o mesmo, nem fisicamente nem moralmente. A tez era agora mais \u00e1spera; e o bigode da primeira hora estava trocado por umas barbas sem gra\u00e7a; \u00e9 o que ela dizia, e n\u00e3o era exato. N\u00e3o \u00e9 porque Malvina tivesse na alma uma corda po\u00e9tica ou rom\u00e2ntica; ao contr\u00e1rio, as cordas eram comuns. Mas tratava-se de um tipo que lhe ficara na cabe\u00e7a, e na vida dos primeiros anos. Desde que n\u00e3o respondia \u00e0s fei\u00e7\u00f5es exatas do primeiro, era outro homem. Moralmente, achava-o frio, sem arrojo, nem entusiasmo, muito amigo da pol\u00edtica, desdenhoso e um pouco aborrecido. N\u00e3o disse nada disto \u00e0 amiga; mas era a verdade das suas impress\u00f5es. Tinham-lhe trocado o primeiro amor.<\/p>\n<p>Ainda assim, n\u00e3o desistiu de ir para ele, nem ele para ela; um buscava no outro o esqueleto, ao menos, do primeiro tipo. N\u00e3o acharam nada. Nem ele era ele, nem ela era ela. Separados, criavam for\u00e7as, porque recordavam o quadro anterior, e recompunham a figura esva\u00edda; mas t\u00e3o depressa tornavam a unir-se como reconheciam que o original n\u00e3o se parecia com o retrato \u2014 tinham-lhes mudado as pessoas.<\/p>\n<p>E assim foram passando as semanas e os meses. A mesma frieza do desencanto tendia a acentuar as lacunas que um apontava ao outro, e pouco a pouco, cheios de melhor vontade, foram-se separando. N\u00e3o durou este segundo namoro, ou como melhor nome tenha, mais de dez meses. No fim deles, estavam ambos despersuadidos de reatar o que fora roto. N\u00e3o se refazem os homens \u2014 e, nesta palavra, est\u00e3o compreendidas as mulheres; nem eles nem elas se devolvem ao que foram&#8230; Dir-se-\u00e1 que a terra volta a ser o que era, quando torna a esta\u00e7\u00e3o melhor; a terra, sim, mas as plantas, n\u00e3o. Cada uma delas \u00e9 um Duarte ou uma Malvina.<\/p>\n<p>Ao cabo daquele tempo esfriaram; seis ou oito meses depois, casaram-se \u2014 ela, com um homem que n\u00e3o era mais bonito, nem mais entusiasta, que o Duarte \u2014 ele com outra vi\u00fava, que tinha os mesmos caracter\u00edsticos da primeira. Parece que n\u00e3o ganharam nada; mas ganharam n\u00e3o casar uma desilus\u00e3o com outra: eis tudo, e n\u00e3o \u00e9 pouco.<\/p>\n<p class=\"fonte\">Fonte: www.dominiopublico.gov.br<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"busca-rodape\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis Que duas pessoas se amem e se separem \u00e9, na verdade, coisa triste, desde que n\u00e3o h\u00e1 entre elas nenhum impedimento moral ou social. Mas o destino ou o acaso, ou o complexo das circunst\u00e2ncias da vida determina muita vez o contr\u00e1rio. Uma viagem de neg\u00f3cio ou de recreio, uma convalescen\u00e7a, qualquer [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-115872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ernesto De Tal, Machado de Assis Ernesto de Tal<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Ernesto De Tal, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema Ernesto De Tal\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ernesto De Tal, Machado de Assis Ernesto de Tal\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ernesto De Tal, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema Ernesto De Tal\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-03-27T21:27:03+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"Ernesto de Tal\",\"datePublished\":\"2017-03-27T21:27:03+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal\"},\"wordCount\":3394,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal\",\"name\":\"Ernesto De Tal, Machado de Assis Ernesto de Tal\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-03-27T21:27:03+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"description\":\"Ernesto De Tal, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema Ernesto De Tal\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/ernesto-de-tal#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"Ernesto de Tal\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\",\"name\":\"Fabiane Breda\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Ernesto De Tal, Machado de Assis Ernesto de Tal","description":"Ernesto De Tal, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema Ernesto De Tal","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Ernesto De Tal, Machado de Assis Ernesto de Tal","og_description":"Ernesto De Tal, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema Ernesto De Tal","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-03-27T21:27:03+00:00","author":"Fabiane Breda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Fabiane Breda","Est. tempo de leitura":"17 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal"},"author":{"name":"Fabiane Breda","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"headline":"Ernesto de Tal","datePublished":"2017-03-27T21:27:03+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal"},"wordCount":3394,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal","name":"Ernesto De Tal, Machado de Assis Ernesto de Tal","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-03-27T21:27:03+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"description":"Ernesto De Tal, Machado de Assis, Obra Completa, Poesia, Poema Ernesto De Tal","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/ernesto-de-tal#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"Ernesto de Tal"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa","name":"Fabiane Breda"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}