{"id":115857,"date":"2017-03-27T18:51:23","date_gmt":"2017-03-27T20:51:23","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=115857"},"modified":"2017-03-27T18:51:23","modified_gmt":"2017-03-27T20:51:23","slug":"discurso-sobre-a-historia-da-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/discurso-sobre-a-historia-da-literatura","title":{"rendered":"Discurso Sobre a Hist\u00f3ria da Literatura"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de Assis<\/h2>\n<h2>CAP\u00cdTULO I<\/h2>\n<p>A literatura de um povo \u00e9 o desenvolvimento do que ele tem de mais sublime nas id\u00e9ias, de mais filos\u00f3fico no pensamento, de mais her\u00f3ico na moral e de mais belo na natureza; \u00e9 o quadro animado de suas virtudes e de suas paix\u00f5es, o despertador de sua gl\u00f3ria e o reflexo progressivo de sua intelig\u00eancia. E, quando esse povo, ou essa gera\u00e7\u00e3o, desaparece da superf\u00edcie da terra, com todas as suas institui\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as e costumes, escapa a literatura aos rigores do tempo para anunciar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras qual fora o car\u00e1ter e a import\u00e2ncia do povo, do qual \u00e9 ela o \u00fanico representante na posteridade. Sua voz, como um eco imortal, repercute por toda parte, e diz: em tal \u00e9poca, debaixo de tal constela\u00e7\u00e3o e sobre tal ponto do globo existia um povo cuja gl\u00f3ria s\u00f3 eu a conservo, cujos her\u00f3is s\u00f3 eu conhe\u00e7o. V\u00f3s, por\u00e9m, se pretendeis tamb\u00e9m conhec\u00ea-lo, consultai-me, porque eu sou o esp\u00edrito desse povo e uma sombra viva do que ele foi.<\/p>\n<p>Cada povo tem sua hist\u00f3ria pr\u00f3pria, como cada homem seu car\u00e1ter particular, cada \u00e1rvore seu fruto espec\u00edfico, mas esta verdade incontest\u00e1vel para os primitivos povos, algumas modifica\u00e7\u00f5es, contudo, experimenta entre aqueles cuja civiliza\u00e7\u00e3o apenas \u00e9 um reflexo da civiliza\u00e7\u00e3o de outro povo. Ent\u00e3o, como nas \u00e1rvores enxertadas, v\u00eam-se pender dos galhos de um mesmo tronco frutos de diversas esp\u00e9cies. E, posto que n\u00e3o degenerem muito, os do enxerto brotaram, contudo algumas qualidades adquirem, dependentes da natureza do tronco que lhes d\u00e1 o nutrimento, as quais os distinguem dos outros frutos da mesma esp\u00e9cie. Em tal caso, marcham a par as duas literaturas e distinguir-se pode a ind\u00edgena da estrangeira.<\/p>\n<p>Em outras circunst\u00e2ncias, como as \u00e1guas de dois rios, que em um confluente se anexam, as duas literaturas de tal jeito se aliam que imposs\u00edvel \u00e9 o separ\u00e1-las. A Gr\u00e9cia, por exemplo, tinha uma literatura que lhe era pr\u00f3pria, que lhe explica suas cren\u00e7as, sua moral, seus costumes, uma literatura toda filha de suas id\u00e9ias, uma literatura, enfim, toda grega.<\/p>\n<p>A Europa de hoje, ou tomemos a Fran\u00e7a, ou a Inglaterra, ou a It\u00e1lia, ou a Espanha, ou Portugal, apresenta o exemplo da segunda proposi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da literatura que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, dessa literatura filha de sua civiliza\u00e7\u00e3o, origin\u00e1ria do cristianismo, n\u00f3s a\u00ed vemos outra literatura, que chamamos enxertada, e que n\u00e3o \u00e9 mais do que uma lembran\u00e7a da mitologia antiga e uma recorda\u00e7\u00e3o de costumes que n\u00e3o s\u00e3o seus. E n\u00e3o s\u00f3 as duas literaturas marcham a par, como muitas vezes o mesmo poeta se vota \u00e0 cultura de ambas e, como diz Tasso, falando do m\u00e1gico Ismeno: Anzi sovente in uso empio e profano Confonde le due leggi a se mal nota.<\/p>\n<p>Para prova da terceira proposi\u00e7\u00e3o, no caso em que as literaturas de modo tal se mesclam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel separ\u00e1-las, vemos, na literatura rom\u00e2ntica da Espanha, uma mistura de id\u00e9ias cavalherescas e ar\u00e1bicas, restos da antiga civiliza\u00e7\u00e3o dos \u00c1rabes; algumas vezes ela \u00e9 crist\u00e3 na sua mat\u00e9ria, \u00e9 ar\u00e1bica quanto www.nead.unama.br \u00e0 forma.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o estas as \u00fanicas modifica\u00e7\u00f5es que entre os diversos povos experimenta a literatura; outras h\u00e1 que, da natureza mesmo [sic] do homem, da civiliza\u00e7\u00e3o e do progresso, dependem. Porque seja qual for a modifica\u00e7\u00e3o que sofra a literatura, h\u00e1 sempre algum acordo entre ela e as circunst\u00e2ncias peculiares e tempor\u00e1rias do povo a que pertence e da intelig\u00eancia que a produz. Assim, a literatura \u00e9 vari\u00e1vel como s\u00e3o os s\u00e9culos; semelhante ao term\u00f3metro que sobe ou desce, segundo o estado da atmosfera.<\/p>\n<p>Por uma esp\u00e9cie de cont\u00e1gio, uma id\u00e9ia lavra \u00e0s vezes entre os homens de uma mesma \u00e9poca, re\u00fane-os todos em uma mesma cren\u00e7a, seus pensamentos se harmonizam e para um s\u00f3 fim tendem. Cada \u00e9poca representa ent\u00e3o uma id\u00e9ia que marcha escoltada de outras que lhe s\u00e3o subalternas, como saturno, rodeado dos seus sat\u00e9lites. Essa id\u00e9ia principal cont\u00e9m e explica as outras id\u00e9ias, como as premissas do racioc\u00ednio cont\u00eam e explicam a conclus\u00e3o. Essa id\u00e9ia \u00e9 o esp\u00edrito, o pensamento mais \u00edntimo de sua \u00e9poca; \u00e9 a raz\u00e3o oculta dos fatos contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>A literatura, abrangendo grande parte de todas as ci\u00eancias e artes e, sendo elas filha e representante moral da civiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 mister um concurso de extensos conhecimentos para se poder tra\u00e7ar a sua hist\u00f3ria geral ou particular e n\u00e3o perderse de vista a id\u00e9ia predominante do s\u00e9culo, luminoso guia na indaga\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o dos fatos, sem o qu\u00ea a hist\u00f3ria \u00e9 de pouco valor e seu fim principal iludido.<\/p>\n<p>Aplicando-se agora, especialmente ao Brasil, as primeiras quest\u00f5es que se nos apresentam s\u00e3o: qual \u00e9 a origem da literatura brasileira? Qual o seu car\u00e1ter, seus progressos e que fases tem tido ? Quais os que a cultivaram e quais as circunst\u00e2ncias que, em diversos tempos, favoreceram ou tolheram o seu florescimento? \u00c9, pois, mister remontar-nos ao estado do Brasil depois do seu descobrimento e da\u00ed, pedindo conta \u00e0 hist\u00f3ria &#8211; e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o viva dos homens &#8211; de como se passaram as coisas, seguindo a marcha do desenvolvimento intelectual e, pesquisando o esp\u00edrito que a presidia, poderemos apresentar, sen\u00e3o acabado, ao menos um verdadeiro quadro hist\u00f3rico da nossa literatura.<\/p>\n<p>Mas, ante de encetar a mat\u00e9ria, uma considera\u00e7\u00e3o aqui nos demora e pede o caso que a explanemos. Lugar \u00e9 este de expormos as dificuldades que na execu\u00e7\u00e3o deste trabalho encontramos. Aqueles que alguns lumes de conhecimento possuem, relativos \u00e0 nossa literatura, sabem que mesquinhos e expassos [ sic] (escassos) s\u00e3o os documentos que sobre ela se podem consultar. Nenhum nacional, que saibamos, ocupado se tem at\u00e9 hoje de tal objeto. Dos estrangeiros, Bouterwech, Sismonde de Sismondi e Mr [ sic] Ferdinand Dinis alguma coisa disseram. O primeiro, apenas conhecia Claudio Manuel da Costa, de quem alguns extratos apresenta; o segundo, inteiramente se pautua pelo primeiro e a men\u00e7\u00e3o que faz de alguns Brasileiros fora mesmo exclu\u00edda do plano da sua obra sobre a Literatura do Meiodia da Europa, se nela n\u00e3o entrasse como um ap\u00eandice \u00e0 hist\u00f3ria da literatura portuguesa. No resumo da hist\u00f3ria liter\u00e1ria de Portugal e do Brasil, por Mr [sic] Ferdinand Dinis, posto que separadas estejam elas, e porventura mais extenso desenvolvimento ofere\u00e7a a segundo, contudo basta um lance d\u2018olhos para ver-se que ainda est\u00e1 longe de ser completa, servindo apenas para dar uma id\u00e9ia a estrangeiros.<\/p>\n<p>Eis tudo o que sobre a literatura do Brasil se tem escrito at\u00e9 hoje, se s\u00f3 por isso nos gui\u00e1ssemos, na impossibilidade em que ficar\u00edamos de nada poder acrescentar; ter\u00edamos preferido traduzir esse pouco, o que de nada serviria para a hist\u00f3ria. Empenhados em dar alguma coisa mais merit\u00f3ria, come\u00e7amos por estudar www.nead.unama.br a nossa hist\u00f3ria e, desde a\u00ed, encontramos grandes embara\u00e7os para o nosso escopo.<\/p>\n<p>Necess\u00e1rio nos foi a leitura do imenso trabalho biogr\u00e1fico do Abade Barbosa, para podermos achar, por acaso aqui e ali, o nome de algum Brasileiro distinto no meio desse aluvi\u00e3o de nomes colecionados, \u00e0s vezes com bem pouca cr\u00edtica. Ainda assim, convinha ler suas obras; eis a\u00ed uma quase insuper\u00e1vel dificuldade. Embalde por algumas delas, de que t\u00ednhamos not\u00edcia, investigamos todas as Bibliotecas de Paris, de Roma, de Floren\u00e7a, de P\u00e1dua e de outras principais cidades da It\u00e1lia que visitamos. Foi-nos preciso contentar-nos com o que pudemos obter. Acresce mais que, dos nossos primeiros poetas, at\u00e9 ignoramos a \u00e9poca do seu nascimento que tanto apre\u00e7o damos n\u00f3s aos grandes homens que nos honram, desses homens cuja heran\u00e7a \u00e9 hoje nossa \u00fanica gl\u00f3ria. Essa dificuldade j\u00e1 foi reconhecida pelo ilustre editor do Parnaso Brasileiro*, cujo trabalho, t\u00e3o digno de louvor, muito serviu-nos.<\/p>\n<p>Enfim, depois de um longo e enfadonho estudo, vimo-nos quase reduzidos, sem outro guia mais que nosso pr\u00f3prio ju\u00edzo, a ler e analisar os autores que pudemos obter, esperando que o tempo nos facilite os meios para o fim a que nos propomos.<\/p>\n<p>Todos estes tralhos e obst\u00e1culos, mencionamos, n\u00e3o com o fito de real\u00e7ar o m\u00e9rito deste bosquejo, mas sim para merecer desculpa das muitas faltas e pen\u00farias que se notem e, outros sim, para que, \u00e0 vista de tal inc\u00faria e mendiguez[sic], mais zelosos sejamos em pesquisar e conservar os monumentos de nossa gl\u00f3ria para a gera\u00e7\u00e3o de uma futura, a fim de que nos n\u00e3o exprobre o nosso desmazelo e de b\u00e1rbaros n\u00e3o nos acuse, como, com raz\u00e3o, o poder\u00edamos fazer em rela\u00e7\u00e3o aos nossos maiores.<\/p>\n<p>N\u00f3s pertencemos ao futuro, como o passado nos pertence. A gl\u00f3ria de uma Na\u00e7\u00e3o que existe, ou que j\u00e1 existiu, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o reflexo da gl\u00f3ria de seus grandes homens. De toda a antiga grandeza da p\u00e1tria dos C\u00edceros e dos Virg\u00edlios, apenas nos restam suas imortais obras e essas ru\u00ednas que tanto atraem os olhos do estrangeiro, e, no meio das quais, a moderna Roma se levanta e se enche de orgulho. Que cada qual se conven\u00e7a do que diz Madame e de Sta\u00ebl: \u201ca gl\u00f3ria dos grandes homens \u00e9 o patrim\u00f4nio de um pa\u00eds livre; depois que eles morrem, todos participam dela\u201d.<\/p>\n<p>O aparecimento de um grande homem \u00e9 uma \u00e9poca para a hist\u00f3ria e, semelhante a uma j\u00f3ia precisa, que s\u00f3 possu\u00edmos quando podemos possu\u00ed-la, o grande homem jamais se apresenta, quando o n\u00e3o merecemos. Ele pode existir no meio de n\u00f3s sem ser conhecido, sem se conhecer a si mesmo, como o ouro nas entranhas da terra, e s\u00f3 espera que o desencavem para adquirir o seu valor. A incapacidade que o desconhece, o anula. Empreguemos os meios necess\u00e1rios e temos grandes homens. Se \u00e9 verdade que a recompensa anima o trabalho, a recompensa do g6enio \u00e9 a gl\u00f3ria e, segundo um belo pensamento de Madame de Sta\u00ebl: \u201co g6enio no meio da sociedade \u00e9 uma dor, um febre interior de que se deve tratar como verdadeira molestia, se a recompensa da gl\u00f3ria lhe n\u00e3o ado\u00e7a as penas\u201d.<\/p>\n<h2>CAP\u00cdTULO II<\/h2>\n<p>O Brasil, descoberto em 1500, jazeu tr\u00eas s\u00e9culos esmagado debaixo da cadeira de ferro em que se recostava um Governador colonial com todo o peso de sua insufici\u00eancia e de seu orgulho. Mesquinhas inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, por n\u00e3o dizer outra coisa, ditavam leis absurdas e in\u00edquas que entorpeciam o progresso da civiliza\u00e7\u00e3o e da ind\u00fastria. Os melhores engenhos em flor morriam, faltos desse orvalho protetor que os desabrocha. Um ferrete ignominioso de desaprova\u00e7\u00e3o , www.nead.unama.br gravado na fronte dos nascidos no Brasil, indignos os tornava dos altos e civis empregos. Para o Brasileiro, no seu pa\u00eds, obstru\u00eddas e fechadas estavam todas as portas e estradas que podiam conduzi-lo \u00e0 ilustra\u00e7\u00e3o. Uma s\u00f3 porta ante seus passos se abria: era a porta do convento, do retiro, do esquecimento ! A religi\u00e3o lhe franqueava essa porta, a religi\u00e3o a fechava sobre seus passos; e o sino que o chamava ao claustro anunciava tamb\u00e9m sua morte para o mundo. O g\u00e0nio em vida sepultado, cerca de m\u00edsticas imagens, apenas sa\u00eda para catequizar os \u00edndios no meio das florestas virgens, ou para pregar aos colonos, nos dias de repouso, as verdades do Evangelho. Mas em v\u00e3o. As virtudes do cristianismo n\u00e3o se podiam domiciliar nos cora\u00e7\u00f5es desses homens, encharcados de v\u00edcios e tirados, pela maior parte, dos c\u00e1rceres de Lisboa para vir povoar o Novo Mundo. Deus nos preserve de lan\u00e7ar o opr\u00f3brio sobre ningu\u00e9m. Era ent\u00e3o um sistema o de fundar col\u00f4nias com homens destinados ao pat\u00edbulo; era basear uma Na\u00e7\u00e3o nascente sobre todas as esp\u00e9cies de v\u00edcios e de crimes. Tais homens para seus pr\u00f3prios filhos olhavam como para uma ra\u00e7a degenerada e inepta para tudo. Quanto aos \u00edndios, esses infelizes perseguidos eram, a ferro e fogo, como se fossem animais ferozes. Nem eles em outra categoria eram considerados pelos seus arrebanhadores. Sabe-se que necess\u00e1rio foi que uma bula do Papa Paulo III os declarasse verdadeiros homens e capazes, por isso, da f\u00e9 de Crsito, sem o qu\u00ea, talvez, os Europeus os houvessem de todo exterminado ! Da barbaridade de tais homens, tra\u00e7a Sim\u00e3o de Vasconcelos um quadro bem triste, dizendo: \u201cos Portugueses que ali estavam e come\u00e7avam a povoar esses lugares, viviam a modo de gentios e os gentios, com o exemplo destes, iam fazendo menos conceito da lei de Cristo e, sobretudo, que vivam aqueles Portugueses de um trato vil\u00edssimo, salteando os pobres \u00cdndios, ou nos caminhos, ou em suas terras, servindo-se deles e anexando-os contra todas as leis da raz\u00e3o\u201d. E mais abaixo diz ainda: viviam ( os Portugueses) do rapto dos \u00cdndios, e era tido o of\u00edcio de salte\u00e1-los por valentia e por ele eram os homens estimados\u201d* Tal era o estado daqueles tempos ! Que podemos n\u00f3s ajuntar a essas cita\u00e7\u00f5es? Tal era toda a ind\u00fastria, arte e ci\u00eancia dos primeiros habitantes portugueses das terras de Santa Cruz ! Triste \u00e9, sem d\u00favida, a recorda\u00e7\u00e3o dessa \u00e9poca, em que o Brasileiro, como lan\u00e7ado em terra estrangeira, duvidoso em seu pr\u00f3prio pa\u00eds, vagava, sem que dizer pudesse: \u201cisto \u00e9 meu, neste lugar nasci!\u201d.<\/p>\n<p>Envergonhava-se de ser Brasileiro e, muitas vezes, com o nome de Portugu\u00eas se acobertava para ao menos aparecer como um ente da esp\u00e9cie humana e poder alcan\u00e7ar um emprego no seu pa\u00eds. Destarte, circunscrito em t\u00e3o curto est\u00e1dio, estranho \u00e0 nacionalidade e sem o incentivo da gl\u00f3ria, ia este povo vegetando oculto e arredado da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o dir\u00e1 que Portugal, com esse sistema opressor, s\u00f3 curava de atenuar e enfraquecer esta imensa col\u00f4nia, porque conhecia sua pr\u00f3pria fraqueza e ignorava seus mesmos interesses? Quem n\u00e3o dir\u00e1 que ele temia que a mais alto ponto o Brasil se erguesse e lhe ofuscasse a gl\u00f3ria ? Assim \u00e9 que um b\u00e1rbaro senhor algema seu escravo, receoso que ele lhe fuja e s\u00f3 lhe desprende os bra\u00e7os para seu servi\u00e7o em r\u00fasticos trabalhos. A Economia pol\u00edtica t em combatido vitoriosamente o erro que desde muito grassava na pol\u00edtica, que um povo n\u00e3o pode prosperar sen\u00e3o \u00e0 custa de outro povo e com sacrif\u00edcio de tudo que o rodeia. A pol\u00edtica, essa que, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o dos Romanos e de todos os povos dos baixos tempos, Portugal exerceu sobre o Brasil.<\/p>\n<p>O tempo sancionou as verdades que a hist\u00f3ria e a mem\u00f3ria recente dos fatos nos recordam e o tempo, prosseguindo em sua marcha, ir\u00e1 mostrando qual \u00e9 o destino que a Provid\u00eancia tem marcado a este Imp\u00e9rio da Am\u00e9rica. A Deus n\u00e3o www.nead.unama.br praza que esse perigoso fermento que entre n\u00f3s gira, esse germe da disc\u00f3rdia, resaibo (?) ainda de n\u00e3o apurada educa\u00e7\u00e3o, e sobretudo a escravid\u00e3o, t\u00e3o contr\u00e1ria ao desenvolvimento da ind\u00fastria e das artes e t\u00e3o perniciosa \u00e0 moral, n\u00e3o impe\u00e7am sua marcha e engrandecimento.<\/p>\n<p>Parecer\u00e3o, talvez, estas considera\u00e7\u00f5es fora do objeto a que nos propomos, mas intimamente a ele se ligam e o explicam. Ainda uma vez e por outras palavras diremos que o nosso prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 tra\u00e7ar cronologicamente as biografias dos autores brasileiros mas sim a hist\u00f3ria da literatura do Brasil, que toda a hist\u00f3ria, como todo drama, sup\u00f5e uma cena, atores, paix\u00f5es e um fato que, progressivamente, se desenvolve, que tem sua raz\u00e3o e um fim. Sem estas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria, nem drama.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das espessas trevas em que se achavam envolvidos os homens neste continente americano, viram-se alguns esp\u00edritos superiores brilhar de passagem, bem semelhantes e essas luzes errantes que o peregrino admira em solit\u00e1ria noite nos desertos do Brasil; sim, eles eram como pirilampos que, no meio das trevas, fosfoream. E poder-se-\u00e1, com raz\u00e3o, acusar o Brasil de n\u00e3o ter produzido intelig\u00eancias de mais subido quilate ? Mas que povo escravizado p\u00f4de cantar com harmonia, quando o retinido das cadeias e o ardor das feridas sua exist\u00eancia torturaram ? Que colono t\u00e3o feliz, ainda com o peso sobre os ombros e, curvado sobre a terra, a voz ergueu no meio do universo e gravou seu nome nas p\u00e1ginas da mem\u00f3ria ? Quem, n\u00e3o tendo a consci\u00eancia da sua livre exist\u00eancia, s\u00f3 rodeado de cenas de mis\u00e9ria, p\u00f4de soltar um riso de alegria e exalar o pensamento de sua individualidade ? N\u00e3o, as ci\u00eancias, a poesia e as belas-artes, filhas da liberdade, n\u00e3o s\u00e3o partilhas do escravo, irm\u00e3os da gl\u00f3ria, fogem do pa\u00eds amaldi\u00e7oado, onde a escravid\u00e3o rasteja e s\u00f3 com a liberdade habitar podem.<\/p>\n<p>Se refletirmos, veremos que n\u00e3o s\u00e3o poucos os escritores, para um pa\u00eds que era col\u00f4nia portuguesa, para um pa\u00eds onde, ainda hoje, o trabalho do literato, longe de assegurar-lhe com a gl\u00f3ria uma independ\u00eancia individual, e um t\u00edtulo de mais reconhecimento p\u00fablico, parece, ao contr\u00e1rio, desmerec\u00ea-lo e desvi\u00e1-lo da liga dos homens positivos que, desdenhosos, dizem: \u00e9 um poeta ! sem distinguir se apenas \u00e9 um trovista ou um homem de g\u00eanio, como se dissessem: eis a\u00ed um ocioso, um parasita, que n\u00e3o pertence a este mundo. Deixai-o com a sua mania.<\/p>\n<p>A\u00ed canta o poeta por mera inspira\u00e7\u00e3o celeste, por essa necessidade de cantar, para dar desafogo ao cora\u00e7\u00e3o. Ao princ\u00edpio, cantava para honrar a beleza, a virtude e seus amores. Cantava ainda para adormentar as amarguras da alma, mas logo que a id\u00e9ia da p\u00e1tria apareceu aos poetas, come\u00e7aram eles a invoc\u00e1-la para objeto dos seus c\u00e2nticos. Sempre, por\u00e9m, como o peregrino no meio dos bosques que vai cantando sem esperan\u00e7a de recompensa, o poeta brasileiro n\u00e3o \u00e9 guiado por nenhum interesse e s\u00f3 o amor mesmo, da poesia e da p\u00e1tria o inspira. Ele pode dizer com o \u00e9pico portugu\u00eas: Vereis amor da p\u00e1tria, n\u00e3o movido De pr\u00eamio vil.<\/p>\n<p>Se em total esquecimento muitos deles existem, prov\u00e9m isto, em parte, da l\u00edngua em que escrevem, que t\u00e3o pouco conhecida \u00e9 a l\u00edngua portuguesa na Europa, principalmente em Fran\u00e7a, Inglaterra e Alemanha, onde mais alto soa o brado da fama e colossal reputa\u00e7\u00e3o se adquire. Em parte, sobre n\u00f3s deve recair a censura, que t\u00e3o pr\u00f3digos somos em louvar a admirar os estranhos, qu\u00e3o mesquinhos e ingratos nos mostramos para com os nossos e, deste jeito, visos damos que nada possu\u00edmos. N\u00e3o pretendemos que a esmo se louve tudo o que nos www.nead.unama.br pertence, s\u00f3 porque \u00e9 nosso; vaidade fora insuport\u00e1vel. Mas por ventura v\u00f3s que consumistes vossa mocidade no estudo dos cl\u00e1ssicos latinos e gregos, v\u00f3s que ledes Racine, Voltaire, Cam\u00f5es ou Felinto El\u00edseo e n\u00e3o cessais de admir\u00e1-los, muitas vezes mais por imita\u00e7\u00e3o que por pr\u00f3pria cr\u00edtica, dizei-me: apreciastes v\u00f3s as belezas naturais de um Santa Rita Dur\u00e3o, de um Bas\u00edlio da Gama e de um Caldas? Toca ao nosso s\u00e9culo restaurar as ru\u00ednas e reparar as faltas dos passados s\u00e9culos. Cada Na\u00e7\u00e3o livre reconhece hoje mais que nunca a necessidade de marchar. Marchar para uma Na\u00e7\u00e3o \u00e9 engrandecer-se moralmente, \u00e9 desenvolver todos os elementos da civiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 pois mister reunir todos os t\u00edtulos de sua exist\u00eancia para tomar o posto que justamente lhe compete na grande liga social, como o nobre recolhe os pergaminhos da sua genealogia para na presen\u00e7a do soberano fazer-se credor de novas gra\u00e7as. Se o futuro s\u00f3 pode sair do presente, a grandeza daquele se medir\u00e1 pela deste. O povo que se olvida a si mesmo, que ignora o seu passado, como o seu presente, como tudo o que nele se passa, esse povo ficava sempre na imobilidade do imp\u00e9rio Indochin\u00eas.<\/p>\n<p>Nada de exclus\u00e3o, nada de desprezo. Tudo o que poder concorrer para o esclarecimento da hist\u00f3ria geral dos progressos da humanidade merecer deve a nossa considera\u00e7\u00e3o. Jamais uma Na\u00e7\u00e3o poder\u00e1 prever o seu futuro, se n\u00e3o conhece o que ela \u00e9 comparativamente com que ela foi. Estudar o passado \u00e9 ver melhor o presente, \u00e9 saber como se deve marchar para um futuro mais brilhante. Nada de exclus\u00e3o; a exclus\u00e3o \u00e9 dos esp\u00edritos apoucados, que em pequena \u00f3rbita giram, sempre sat\u00e9lites, e s\u00f3 brilhantes de luz emprestada. O amante da verdade por\u00e9m, por caminhos n\u00e3o trilhados, em tudo encontra interesse e objeto de profunda medita\u00e7\u00e3o; como o viajor naturalista que se extasia na considera\u00e7\u00e3o de uma florzinha desconhecida, que o homem bronco tantas vezes vira com desprezo. O que era ignorado, ou esquecido, romper\u00e1 destarte o envolt\u00f3rio de trevas, e achar\u00e1 devido lugar entre as coisas j\u00e1 conhecidas e estimadas.<\/p>\n<p>Depois de tantos sistemas exclusivos, o esp\u00edrito ecl\u00e9tico anima o nosso s\u00e9culo; ele se levanta como um imenso colosso vivo, tendo diante dos olhos os anais de todos os povos, em uma m\u00e3o o archote da filosofia aceso pelo g\u00eanio da investiga\u00e7\u00e3o, com a outra aponta a esteira luminosa onde se convergem todos os raios de luz, escapados do brand\u00e3o que sustenta. &#8211; Luz e progresso; eis sua divisa.<\/p>\n<p>N\u00e3o, oh Brasil, no meio do geral movimento tu n\u00e3o deves ficar im\u00f3vel e ap\u00e1tico, como o colono sem ambi\u00e7\u00e3o, e sem esperan\u00e7as. O g\u00e9rmen da civiliza\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ado em teu seio pela Europa, n\u00e3o tem dado ainda os frutos que devia dar; v\u00edcios radicais t\u00eam tolhido seu desenvolvimento. Tu afastaste de teu colo a m\u00e3o estranha que te sufoca; respira livremente, cultiva com amor as ci\u00eancias, as letras, as artes e a ind\u00fastria, e combate tudo o que entrev\u00e1-las pode.<\/p>\n<h2>CAP\u00cdTULO III<\/h2>\n<p>N\u00e3o se pode lisonjear muito o Brasil de dever a Portugal sua primeira educa\u00e7\u00e3o, t\u00e3o mesquinha foi ela que bem parece ter sido dada por m\u00e3os avaras e pobres; contudo boa ou m\u00e1 dele herdou, e o confessamos, a literatura e a poesia, que chegadas a este terreno americano n\u00e3o perderam o seu car\u00e1ter europeu. Com a poesia vieram todos os deuses do paganismo; espalharam-se pelo Brasil, e dos c\u00e9us, e das florestas, e dos rios se apoderaram.<\/p>\n<p>A poesia brasileira n\u00e3o \u00e9 uma ind\u00edgena civilizada; \u00e9 uma grega vestida \u00e0 francesa e \u00e0 portuguesa, e climatizada no Brasil; \u00e9 uma virgem do H\u00e9licon que, www.nead.unama.br peregrinando pelo mundo, estragou seu manto, talhado pelas m\u00e3os de Homero, e sentada \u00e0 sombra das palmeiras da Am\u00e9rica, se apraz ainda com as reminisc\u00eancias da p\u00e1tria, cuida ouvir o doce murm\u00fario da castalha, o tr\u00e9pido sussurro do Lodon e do Ismeno, e toma por um rouxinol o sabi\u00e1 que gorjeia entre os galhos da laranjeira.<\/p>\n<p>Enfeiti\u00e7ados por esse nume sedutor, por essa bela estrangeira, os poetas brasileiros se deixaram levar por seus c\u00e2nticos, e olvidaram a simples imagem que uma natureza virgem com tanta profus\u00e3o lhes oferecia. Semelhante \u00e0 Armida de Tasso, cuja beleza, artif\u00edcios e doces palavras atra\u00edram e desorientaram os principais guerreiros do ex\u00e9rcito crist\u00e3o de Gofredo. \u00c9 rica a mitologia, s\u00e3o bel\u00edssimas as suas fic\u00e7\u00f5es, mas \u00e0 for\u00e7a de serem repetidas e copiadas v\u00e3o sensivelmente desmerecendo; al\u00e9m de que, como o p\u00e1ssaro da f\u00e1bula, despimos nossas plumas para nos apavonar com velhas galas, que nos n\u00e3o pertencem.<\/p>\n<p>Em poesia requer-se mais que tudo inven\u00e7\u00e3o, g\u00eanio e novidade; repetidas imita\u00e7\u00f5es o esp\u00edrito esterilizam, como a muita arte e preceitos tolhem e sufocam o g\u00eanio. As primeiras verdades da ci\u00eancia, como os mais belos ornamentos da poesia, quando a todos pertencem, a ningu\u00e9m honram. O que mais d\u00e1 realce e nomeada a alguns dos nossos poetas n\u00e3o \u00e9 certamente o uso dessas sedi\u00e7as f\u00e1bulas, mas sim outras belezas naturais, n\u00e3o colhidas nos livros, e que s\u00f3 o c\u00e9u da p\u00e1tria lhes inspirar\u00e1. T\u00e3o grande foi a influ\u00eancia que sobre o engenho brasileiro exerceu a grega mitologia, transportada pelos poetas portugueses, que muitas vezes poetas brasileiros se metamorfoseiam em pastores da Arc\u00e1dia, e v\u00e3o apascentar seus rebanhos imagin\u00e1rios nas margens do Tejo e cantar \u00e0 sombra das faias.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 no homem um instinto oculto que o dirige a despeito dos c\u00e1lculos da educa\u00e7\u00e3o, e de tal modo o aguilhoa esse instinto que em seus atos imprime um certo car\u00e1ter de necessidade, a que chamamos ordem providencial ou natureza das coisas. O homem colocado diante de um vasto mar, ou no cume de uma alta montanha, ou no meio de uma virgem e emaranhada floresta, n\u00e3o poder\u00e1 ter por longo tempo os mesmos pensamentos, as mesmas inspira\u00e7\u00f5es, como se assistisse aos ol\u00edmpicos jogos, ou na pac\u00edfica Arc\u00e1dia habitasse. Al\u00e9m dessas materiais circunst\u00e2ncias, vari\u00e1veis nos diversos pa\u00edses, que muito influem sobre a parte descritiva e car\u00e1ter da paisagem po\u00e9tica, um elemento h\u00e1 sublime por sua natureza, poderoso por sua inspira\u00e7\u00e3o, vari\u00e1vel, por\u00e9m, quanto \u00e0 sua forma, base da moral po\u00e9tica, que impluma as asas do g\u00eanio, que o inflama e fortifica, e ao trav\u00e9s do mundo f\u00edsico o eleva at\u00e9 Deus; esse elemento \u00e9 a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Se sobre tais pontos meditassem os primeiros poetas brasileiros, certo que logo teriam abandonado essa poesia estrangeira, que destru\u00eda a sublimidade de sua religi\u00e3o, paralisava-lhe o engenho, e o cegava na contempla\u00e7\u00e3o de uma natureza grandiosa, reduzindo-os afinal a meros imitadores. N\u00e3o, eles n\u00e3o meditaram, nem meditar podiam; no princ\u00edpio das coisas obra-se primeiro como se pode, a reflex\u00e3o vem mais tarde. Acreditava-se ent\u00e3o que mitologia e poesia era uma e a mesma coisa. O instinto, por\u00e9m, e a raz\u00e3o mais esclarecida os foram guiando e posto que lentamente, as encanecidas montanhas da Europa se humilharam diante das sempre verdes e alterosas montanhas do Novo Mundo; a virgem hom\u00e9rica, semelhante \u00e0 convertida esposa de Eudoro*, abra\u00e7a o Cristianismo, e, ne\u00f3fita ainda, mal iniciada nos mist\u00e9rios arcanos de sua nova religi\u00e3o resvala \u00e0s vezes, e no enlevo da alma, no meio de seus sagrados c\u00e2nticos se olvida e adormentada sonha com as graciosas mentiras que ao ber\u00e7o lhe embalaram. N\u00e3o, ela n\u00e3o pode ainda, posto que naturalizada na Am\u00e9rica, esquecer-se dos sacros bosques do Parnaso, \u00e0 cuja sombra se recreara desde o albor de seus anos. Dirias que ela \u00e9 combatida pela mol\u00e9stia da p\u00e1tria, e que nos assomos da nostalgia \u00e0 Gr\u00e9cia transportada se www.nead.unama.br julga, e com seus deuses delira; saudosa mol\u00e9stia que s\u00f3 o tempo curar pode. Mas enfim \u00e9 j\u00e1 um passo, e praza ao c\u00e9u que a convers\u00e3o seja completa, e que os vindouros vates brasileiros achem no puro c\u00e9u da sua p\u00e1tria um sol mais brilhante que Febo, e ang\u00e9licos g\u00eanios que os inspirem mais sublimes que as Pi\u00e9rides.<\/p>\n<p>Se compararmos o atual estado da civiliza\u00e7\u00e3o do Brasil com o das anteriores \u00e9pocas, t\u00e3o not\u00e1vel diferen\u00e7a encontraremos como se entre o fim do s\u00e9culo passado e o nosso tempo presente ao menos um s\u00e9culo medeara. Devido \u00e9 isso a causas que ningu\u00e9m ignora. Com a expira\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio portugu\u00eas muito se desenvolveram as id\u00e9ias. Hoje o Brasil \u00e9 filho da civiliza\u00e7\u00e3o francesa, e como Na\u00e7\u00e3o \u00e9 filho dessa revolu\u00e7\u00e3o famosa que abalou todos os tronos da Europa, e repartiu com os homens a p\u00farpura e os cetros dos reis.<\/p>\n<p>O gigante da nossa idade mandou o justo com as suas baionetas at\u00e9 \u00e0 extremidade da Pen\u00ednsula ib\u00e9rica e o neto dos Afonsos, aterrorizado como um menino, temeu que o bra\u00e7o vitorioso do \u00e1rbitro dos reis cair fizesse sobre sua cabe\u00e7a o pal\u00e1cio dos seus av\u00f3s. Ele foge e com ele toda a sua corte; deixam o natal pa\u00eds, atravessam o Oceano e trazem ao solo brasileiro o aspecto novo de um rei, e os restos de uma grandeza sem brilho. Eis aqui como o Brasil deixou de ser col\u00f4nia e foi depois elevado \u00e0 categoria de Reino Unido. Sem a revolu\u00e7\u00e3o francesa, que tanto esclareceu os povos, esse passo t\u00e3o cedo se n\u00e3o daria. Com esse fato abriuse para o Brasil uma nova s\u00e9rie de coisas favor\u00e1veis ao seu r\u00e1pido desenvolvimento, tornando-se o Rio de Janeiro a sede da Monarquia. Aqui p\u00e1ra a primeira \u00e9poca da sua hist\u00f3ria. Come\u00e7a a segunda, em que, colocado o Brasil em mais larga estrada, se apresta para conquistar a liberdade e a independ\u00eancia, conseq\u00fc\u00eancias necess\u00e1rias da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os acontecimentos not\u00e1veis da hist\u00f3ria do Brasil se apresentam neste s\u00e9culo como esp\u00e9cies de contrapancadas ou ecos dos grandes fastos modernos da Europa. O primeiro, como vimos, devido foi \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa; o segundo \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o em Portugal, que apressou o regresso do rei D. Jo\u00e3o VI a Lisboa, deixando entre n\u00f3s o herdeiro do trono. O Brasil j\u00e1 n\u00e3o podia ent\u00e3o viver debaixo da tutela de uma metr\u00f3pole, que de suas riquezas se nutrira, e pretendia reduzi-lo ao antigo estado colonial. A independ\u00eancia pol\u00edtica tornou-se necess\u00e1ria; todos a desejavam, e imposs\u00edvel fora sufocar o grito un\u00e2nime dos cora\u00e7\u00f5es brasileiros \u00e1vidos de liberdade e de progresso. E quem pode opor-se \u00e0 marcha de um povo que conhece a sua for\u00e7a, e firma a sua vontade? A independ\u00eancia foi proclamada em 1822 e reconhecida tr\u00eas anos depois. A Provid\u00eancia mostrou mais tarde que tudo n\u00e3o estava feito! Coisas h\u00e1 que se n\u00e3o podem prever. Em 1830 caiu do trono da Fran\u00e7a o rei que o ocupava, e no ano seguinte deu-se inesperadamente no Brasil an\u00e1logo acontecimento! A coroa do Ipiranga que cingia a fronte do Pr\u00edncipe portugu\u00eas, reservado pela Provid\u00eancia para ir assinalar-se na terra p\u00e1tria, passou \u00e0 fronte de seu filho, o jovem Imperador, que fora ao nascer bafejado pelas auras americanas e pelo sol dos tr\u00f3picos aquecido.<\/p>\n<p>De duas distintas partes consta a hist\u00f3ria do Brasil: compreende a primeira os tr\u00eas s\u00e9culos coloniais; e a segunda o curto per\u00edodo que decorre desde 1808 at\u00e9 os nossos dias. Examinemos agora quais s\u00e3o os escritores desses diversos tempos, o car\u00e1ter e o progresso que mostra a nossa literatura.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo d\u00e9cimo sexto, que \u00e9 o do descobrimento, nenhum escritor brasileiro existiu de que tenhamos not\u00edcia. No seguinte s\u00e9culo alguns aparecem poetas e prosadores dos quais trataremos mais em particular em um cap\u00edtulo separado, limitando-nos agora a dizer em geral que, fundando-se as primeiras povoa\u00e7\u00f5es do Brasil debaixo dos ausp\u00edcios da religi\u00e3o e pelos esfor\u00e7os dos Jesu\u00edtas, a literatura www.nead.unama.br nesse s\u00e9culo mostra inst\u00e1vel propens\u00e3o religiosa, principalmente a prosa, que toda consiste em ora\u00e7\u00f5es sagradas.<\/p>\n<p>\u00c9 no s\u00e9culo XVIII que se abre verdadeiramente a carreira liter\u00e1ria para o Brasil, sendo a do s\u00e9culo anterior t\u00e3o minguada que apenas serve para a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Os mo\u00e7os que no s\u00e9culo passado iam \u00e0 Europa colher os frutos da sapi\u00eancia, traziam para o seio da p\u00e1tria os germes de todas as ci\u00eancias e artes; aqui benigno acolhimento achavam nos esp\u00edritos \u00e1vidos de saber. Destarte se espalhavam as luzes, posto que a estrangeiros e a livros defendido fosse o ingresso no pa\u00eds colonial. Os escritos franceses come\u00e7aram a ser apreciados em Portugal; suas id\u00e9ias se comunicaram ao Brasil; dilataram-se os horizontes \u00e0 intelig\u00eancia; todos os ramos da literatura foram cultivados, e homens de subida t\u00eampera mostraram que os nascidos nos incultos sert\u00f5es da Am\u00e9rica podiam dilatar seu v\u00f4o at\u00e9 as margens do Tejo e emparelhar com as T\u00e1gides no canto.<\/p>\n<p>No come\u00e7o do s\u00e9culo atual, com as mudan\u00e7as e reformas que tem experimentado o Brasil, novo aspecto apresenta a sua literatura. Uma s\u00f3 id\u00e9ia absorve todos os pensamentos, uma id\u00e9ia at\u00e9 ent\u00e3o quase desconhecida; \u00e9 a id\u00e9ia da p\u00e1tria; ela domina tudo, e tudo se faz por ela, ou em seu nome. Independ\u00eancia, liberdade, institui\u00e7\u00f5es sociais, reformas pol\u00edticas, todas as cria\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias em um nova Na\u00e7\u00e3o, tais s\u00e3o os objetos que ocupam as intelig\u00eancias, que atraem a aten\u00e7\u00e3o de todos, e os \u00fanicos que ao povo interessam.<\/p>\n<p>Tem-se notado, e com raz\u00e3o, que contr\u00e1rias \u00e0 poesia s\u00e3o as \u00e9pocas revolucion\u00e1rias; em tais crises a poesia, que nunca morre, s\u00f3 fala a linguagem enf\u00e1tica do entusiasmo e das paix\u00f5es patri\u00f3ticas, \u00e9 a \u00e9poca dos Tirteus. Mas longe estamos por isso de amaldi\u00e7oar as revolu\u00e7\u00f5es que regeneram os povos; reconhecemos sua miss\u00e3o na hist\u00f3ria da humanidade; elas s\u00e3o \u00fateis, porque meios s\u00e3o indispens\u00e1veis para o progresso do g\u00eanero humano, e at\u00e9 mesmo para o movimento e progresso liter\u00e1rio. \u00c9 verdade que quando elas agitam as sociedades, p\u00e1ra um pouco e desmaiar parece a cansada literatura; mas \u00e9 para de novo continuar mais bela e remo\u00e7ada na sua carreira; como o viajor se recolhe e repousa assustado quando negras nuvens trovejam e amea\u00e7am a prop\u00ednqua tempestade; mas finda a tormenta, continua a sua marcha, gozando da perspectiva de um c\u00e9u puro e sereno, de um ar mais suave, e de um campo por fresca verdura esmaltado.<\/p>\n<p>Aqui terminaremos a vista geral sobre a hist\u00f3ria da literatura do Brasil, dessa literatura sem um car\u00e1ter nacional pronunciado, que a distinga da portuguesa. Antes, por\u00e9m, de entrarmos na exposi\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise dos trabalhos dos nossos primeiros escritores, uma quest\u00e3o se levanta e requer ser aqui tratada, quest\u00e3o toda concernente ao pa\u00eds e aos seus Ind\u00edgenas.<\/p>\n<h2>CAP\u00cdTULO IV<\/h2>\n<p>Pode o Brasil inspirar a imagina\u00e7\u00e3o dos poetas e ter uma poesia pr\u00f3pria? Os seus ind\u00edgenas cultivaram porventura a poesia ? T\u00e3o geralmente conhecida \u00e9 hoje esta verdade que a disposi\u00e7\u00e3o e car\u00e1ter de um pa\u00eds grande influ\u00eancia exerce sobre o f\u00edsico e o moral dos seus habitantes que a damos como princ\u00edpio e cremos in\u00fatil insistir em demonstr\u00e1-lo com argumentos e fatos, por tantos naturalistas e fil\u00f3sofos apresentados. A\u00ed est\u00e3o Buffon e Montesquieu que assaz o demonstram. Ainda hoje, poetas europeus v\u00e3o beber no Oriente as suas mais belas inspira\u00e7\u00f5es; Byron, Chateaubriand e Lamartine sobre seus t\u00famulos meditaram. Ainda hoje se admira o t\u00e3o celebrado c\u00e9u da Gr\u00e9cia e da www.nead.unama.br It\u00e1lia, o c\u00e9u que inspirou a Homero e a P\u00edndaro e o que inspirou a Virg\u00edlio e Hor\u00e1cio.<\/p>\n<p>Vimos esse c\u00e9u que cobre as ru\u00ednas do Capit\u00f3lio e do Coliseu. Sim, \u00e9 belo esse c\u00e9u, mas o do Brasil n\u00e3o lhe cede em beleza! Falem por n\u00f3s todo os viajores que, por estrangeiros, n\u00e3o os tachar\u00e3o de suspeitos. Sem d\u00favida que eles fazem justi\u00e7a e o cora\u00e7\u00e3o do Brasileiro, n\u00e3o tendo por hora muito do que se ensoberbe\u00e7a quanto \u00e0s produ\u00e7\u00f5es das humanas fadigas, que s\u00f3 com o tempo se acumulam, enche-se de prazer e palpita de satisfa\u00e7\u00e3o, lendo as brilhantes p\u00e1ginas de Langsdorff, Neuwied, Spix et Martius, Saint-Hilaire, Debret e de tantos outros viajores que revelaram \u00e0 Europa as belezas da nossa p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Este imenso pa\u00eds da Am\u00e9rica, situado debaixo do mais belo c\u00e9u, cortado de t\u00e3o pujantes rios, que sobre leitos de ouro e de preciosas pedras rolam suas \u00e1guas caudalosas; este vasto terreno revestido de eternas matas onde o ar est\u00e1 sempre embalsamado com o perfume de t\u00e3o peregrinas flores que em chuveiro se despencam dos verdes doceis [sic] formados pelo entrela\u00e7amento de ramos de mil esp\u00e9cies; estes desertos remansos onde se anuncia a vida pela voz estrepitosa da cascata que se desempenha, pelo doce murm\u00fario das auras e por essa harmonia grave e melanc\u00f3lica de infinitas vozes e quadr\u00fapedes; este vasto \u00c9den, entrecortado de enorm\u00edssimas montanhas sempre esmaltadas de copada verdura, em cujos topes o homem se cr\u00ea colocado no espa\u00e7o, mais perto do c\u00e9u que da terra, vendo debaixo de seus p\u00e9s desenrolar-se as nuvens, roncar as tormentas e rutilar o raio; este aben\u00e7oado Brasil com t\u00e3o felizes disposi\u00e7\u00f5es de uma pr\u00f3diga natureza, necessariamente devia inspirar os seus primeiros habitantes; os Brasileiros &#8211; m\u00fasicos e poetas &#8211; nascer deviam. E quem o duvida? Eles foram e ainda o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Por alguns escritos antigos, sabemos que algumas tribos ind\u00edgenas se avantajam pelo talento da m\u00fasica e da poesia, entre todas, os Tamoios, que no Rio de Janeiro habitavam ,eram os mais talentosos. Em seus combates, inspirados pelas cenas que os rodeavam, repetiam hinos guerreiros com que acendiam a coragem nas almas dos combatentes e, nas suas festas, cantavam em coros alternados de m\u00fasica e dan\u00e7a, cantigas herdadas de seus maiores.<\/p>\n<p>Em um manuscrito antigo, cujo autor ignoramos quem seja*, lemos o seguinte: \u201cS\u00e3o havidos estes Tamoios por grandes m\u00fasicos entre o gentio e bailadores os quais s\u00e3o mui respeitados dos gentios por onde quer que v\u00e3o\u201d. N\u00e3o era s\u00f3 a tribo dos Tamoios que se distinguia pelo g\u00eanio musical e po\u00e9tico, tamb\u00e9m os Caet\u00e9s a ainda mais os Tupinamb\u00e1s que em paz vivam com os primeiros e pela l\u00edngua e costumes mais com aqueles se assemelhavam. No mesmo manuscrito, lemos ainda: \u201cOs Tupinamb\u00e1s se prezam de grandes m\u00fasicos e a seu modo cantam com sofr\u00edvel tom os quais t\u00eam boas vezes [sic] mas todos cantam por um tom e os m\u00fasicos fazem motes de improviso e suas voltas que acabam no consoante do mote, os quais cantam e bailam juntamente em roda.\u201d Do respeito religioso que tais b\u00e1rbaros consagram aos seus homens inspirados, uma prova nos d\u00e1 o mesmo autor dizendo: \u201cEntre os gentios s\u00e3o os m\u00fasicos muito estimados e, por onde quer que v\u00e3o, s\u00e3o bem agasalhados e muitos atravessam j\u00e1 o sert\u00e3o por entre os seus contr\u00e1rios sem lhes fazerem mal\u201d.<\/p>\n<p>Tal venera\u00e7\u00e3o os [sic] seus cantores lembra-nos esses trovadores que, de pa\u00eds em pa\u00eds, peregrinavam e ante os quais se abriam as portas dos castelos dos senhores da idade m\u00e9dia e ainda a respeitosa magnanimidade do grande conquistador antigo para a fam\u00edlia do L\u00edrico grego. \u00c9 que \u00e0 poesia e \u00e0 m\u00fasica e dado o assenhoriar-se da liberdade humana, vibrar as fibras do cora\u00e7\u00e3o, abalar e extasiar o esp\u00edrito. Por meio dessas duas pot\u00eancias sabiamente empregadas pelos Jesu\u00edtas mission\u00e1rios do Brasil, os selvagens abandonavam os seus bosques e se www.nead.unama.br amoldavam ao cristianismo e \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o*. S\u00f3 as teorias de alguns homens que se inculcam de positivos, e mal estudam a natureza, desmerecer podem a import\u00e2ncia social dessas duas irm\u00e3s e apenas consider\u00e1-las como meras artes de luxo e de recrea\u00e7\u00e3o dos ociosos. Mas n\u00e3o \u00e9 nosso intento agora tecer o panag\u00edrico [sic] da poesia e da m\u00fasica. Os ap\u00f3stolos do Novo Mundo, t\u00e3o sol\u00edcitos entre os Ind\u00edgenas do Brasil, na propaganda da f\u00e9 cat\u00f3lica, compunham e traduziam em l\u00edngua t\u00fapica [sic] alguns hinos da Igreja, para substituir aos seus c\u00e2nticos selvagens, mas n\u00e3o consta que se dessem ao trabalho de recolher, ou de verter em l\u00edngua portuguesa, os c\u00e2nticos dos \u00cdndios. Posto que nenhum documento sobre isso tenhamos, contudo, talvez, a todo tempo alguns se encontrem na poeira das bibliotecas conventuais, com especialidade nas da Bahia. Que precioso monumento para n\u00f3s n\u00e3o fora desses povos incultos que quase t\u00eam desaparecido da superf\u00edcie da terra, sendo t\u00e3o amigos da liberdade que, para evitar o cativeiro, ca\u00edam, de prefer\u00eancia, debaixo dos arcabuzes dos Portugueses que tentavam submet\u00ea-los ao seu jugo tir\u00e2nico! Talvez tivessem eles de influir na atual poesia brasileira como os c\u00e2nticos dos bardos influ\u00edram na poesia do Norte da Europa, harmonizando seus melanc\u00f3licos acentos com a sublime gravidade do cristianismo. Do que fica dito, podemos concluir que o pa\u00eds se n\u00e3o op\u00f5e a uma poesia original, antes a inspira. Se at\u00e9 hoje a nossa poesia n\u00e3o oferece um car\u00e1ter inteiramente novo e particular, \u00e9 porque os nossos poetas, dominados pelos preceitos, limitaram a imitar os antigos que, segundo diz Pope, \u00e9 imitar mesmo a natureza, como se a natureza se ostentasse em todas as regi\u00f5es e, diversos sendo os costumes, as religi\u00f5es e as cren\u00e7as, s\u00f3 a poesia n\u00e3o pudesse participar dessa atividade, dessa variedade, nem devesse exprimi-la. Faltou-lhes a for\u00e7a necess\u00e1ria para se despojarem do jugo dessas leis arbitr\u00e1rias dos que se arvoram em legisladores do Parnaso. Depois que Homero, inspirado pelo seu pr\u00f3prio g6enio, sem apoio de alheia cr\u00edtica, se elevou \u00e0 grandeza da epop\u00e9ia, cria\u00e7\u00e3o sua, e P\u00edndaro do mesmo modo \u00e0 sublimidade da l\u00edrica, vieram, ent\u00e3o, os cr\u00edticos e estabeleceram as regras. Conv\u00e9m, \u00e9 certo, estudar os antigos e os modelos dos que se avantajaram nas diversas composi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas, mas n\u00e3o escravizar-se pela cega imita\u00e7\u00e3o. \u201cO poeta independente\u201d, diz Schiller, \u201cn\u00e3o reconhece por lei sen\u00e3o as inspira\u00e7\u00f5es de sua alma e, por soberano, o seu g\u00eanio\u201d. S\u00f3 pode um poeta chamar-se grande se \u00e9 original, se de seu pr\u00f3prio g\u00eanio recebe as inspira\u00e7\u00f5es. O que imita alheios pensamentos, nada mais \u00e9 que um tradutor salteado, como \u00e9 o tradutor um imitador seguido e igual \u00e9 o m\u00e9rito de ambos. E por mais que se esforcem, por mais que com os seus modelos emparelham, ou mesmo que os superem, pouca gl\u00f3ria por isso lhes toca, tendo s\u00f3, afinal, aumentado a daqueles. Como n\u00e3o estudamos a hist\u00f3ria s\u00f3 com o \u00fanico fito de conhecer o passado, mas sim com o fim de tirar \u00fateis li\u00e7\u00f5es para o presente, assim,1836.<\/p>\n<p>FIM<\/p>\n<p class=\"fonte\">Fonte: www.dominiopublico.gov.br<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"busca-rodape\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis CAP\u00cdTULO I A literatura de um povo \u00e9 o desenvolvimento do que ele tem de mais sublime nas id\u00e9ias, de mais filos\u00f3fico no pensamento, de mais her\u00f3ico na moral e de mais belo na natureza; \u00e9 o quadro animado de suas virtudes e de suas paix\u00f5es, o despertador de sua gl\u00f3ria e 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