{"id":114570,"date":"2017-03-21T11:28:12","date_gmt":"2017-03-21T13:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=114570"},"modified":"2017-03-21T11:45:00","modified_gmt":"2017-03-21T13:45:00","slug":"a-falecida-resumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-falecida-resumo","title":{"rendered":"A Falecida &#8211; Resumo"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Nelson Rodrigues<\/h2>\n<p>A Falecida, 1\u00aa trag\u00e9dia carioca, foi considerada um marco na obra de Nelson Rodrigues. Pela primeira vez o autor aproveitou sua experi\u00eancia na coluna de contos A vida como ela \u00e9&#8230; para retratar o t\u00edpico sub\u00farbio carioca, com suas g\u00edrias e discuss\u00f5es existenciais. Os cen\u00e1rios passaram do &#8220;qualquer lugar, qualquer tempo&#8221; das pe\u00e7as m\u00edticas, para a Zona Norte carioca dos anos 50. Os personagens n\u00e3o representam mais arqu\u00e9tipos nem revelam alguma parte escusa da alma dos brasileiros. O que Nelson Rodrigues mostra agora \u00e9 o cotidiano vulgar dos brasileiros. A falta de dinheiro, as doen\u00e7as, o dedo no nariz das crian\u00e7as, as pernas cabeludas de uma mulher, as cartomantes picaretas e o lado mais grosseiro da vida ser\u00e3o presen\u00e7as constantes em suas pe\u00e7as daqui para frente.<\/p>\n<p>A linguagem coloquial e repleta de g\u00edrias assustou a plat\u00e9ia do Municipal, afinal ningu\u00e9m imaginaria colocar longos vestidos de veludo para assistir a uma pe\u00e7a onde o protagonista fala sobre futebol. Passado o estranhamento inicial da plat\u00e9ia com o &#8220;carioca way of life&#8221;, Nelson Rodrigues faz as pazes com o seu sucesso comercial. Talvez porque suas trag\u00e9dias, quando viradas do avesso, comportem-se como com\u00e9dias, prefer\u00eancia brasileira nos anos dourados.<\/p>\n<p>Escrita em 26 dias, A Falecida foi encenada pela Companhia Dram\u00e1tica Nacional e recebeu dire\u00e7\u00e3o do quase estreante Jos\u00e9 Maria Monteiro. Nos bastidores, Nelson Rodrigues apaixonou-se perdidamente por S\u00f4nia Oiticica, int\u00e9rprete da protagonista feminina Zulmira. Apesar de se sentir lisonjeada com os galanteios do famoso dramaturgo, S\u00f4nia n\u00e3o lhe deu bola e, educadamente, deu a entender que era muito bem casada. A delicadeza, entretanto, n\u00e3o conseguiu evitar que o cora\u00e7\u00e3o do dramaturgo se partisse pela primeira vez depois do fim do casamento com Elsa.<\/p>\n<p>A Falecida conta a hist\u00f3ria de uma mulher frustrada do sub\u00farbio carioca, a tuberculosa Zulmira, que n\u00e3o v\u00ea mais expectativas na vida. Pobre e doente, sua \u00fanica ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 um enterro luxuoso. Quer se vingar da sociedade abastada e, principalmente de Glorinha, sua prima e vizinha que n\u00e3o lhe cumprimenta mais. Zulmira tem uma rela\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o com a prima, chegando at\u00e9 mesmo a ficar feliz quando sabe que a seriedade da prima prov\u00e9m de um seio arrancado pelo c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O marido, Tuninho, est\u00e1 desempregado e gasta as sobras da indeniza\u00e7\u00e3o jogando sinuca e discutindo futebol. Um pouco antes da hemoptise fatal, Zulmira manda Tuninho procurar o milion\u00e1rio Pimentel para que pague o enterro de 35 mil contos (o sepultamente normal, na \u00e9poca, n\u00e3o chegava a um conto!). Zulmira n\u00e3o d\u00e1 maiores explica\u00e7\u00f5es nem diz como conhece o empres\u00e1rio milion\u00e1rio. Pede apenas para que o marido se apresente como seu primo.<\/p>\n<p>Tuninho vai at\u00e9 a mans\u00e3o de Pimentel e acaba descobrindo que ele e Zulmira foram amantes. Toma-lhe o dinheiro e, depois de amea\u00e7ar contar tudo a um jornal inimigo de Pimentel, consegue lhe arrancar mais ainda, supostamente para a missa de s\u00e9timo dia. Tuninho d\u00e1 um enterro &#8220;de cachorro&#8221; \u00e0 Zulmira e aposta o dinheiro todo num jogo do Vasco no Maracan\u00e3.<\/p>\n<p>&#8220;Como definir A Falecida? Trag\u00e9dia, drama, farsa, com\u00e9dia? Valeria a pena criar o g\u00eanero arbitr\u00e1rio de &#8216;trag\u00e9dia carioca&#8217;? \u00c9, convenhamos, uma pe\u00e7a que se individualiza, acima de tudo, pela tristeza irredut\u00edvel. Pode at\u00e9 fazer rir. Mas se transmite uma mensagem triste, que ningu\u00e9m pode ignorar. Os personagens, os incidentes, a hist\u00f3ria, tudo parece exprimir um pessimismo surdo e vital. Dir-se-ia que o autor faz quest\u00e3o de uma tristeza intransigente, como se a alegria fosse uma leviandade atroz&#8221;.<\/p>\n<p>Nelson Rodrigues, no programa original da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>A Falecida revolucionou o teatro brasileiro da \u00e9poca ao abordar uma tem\u00e1tica extremamente carioca. Foi a primeira de muitas pe\u00e7as onde Nelson Rodrigues colocou suburbanos frustrados e fracassados como protagonistas. Suas trag\u00e9dias cariocas s\u00e3o mais simples que suas pe\u00e7as m\u00edticas, n\u00e3o h\u00e1 tantos s\u00edmbolos e poesia. Em contrapartida, foi gra\u00e7as a elas que o brasileiro p\u00f4de se reconhecer no palco. O sucesso comercial foi muito grande e essas foram as pe\u00e7as mais assistidas de Nelson Rodrigues.<\/p>\n<p>Para retratar fielmente o suburbano e sofrido carioca, Nelson Rodrigues trocou a poesia e as met\u00e1foras pela linguagem coloquial. As personagens conversam sobre temas triviais, comentam assuntos populares e usam muitas g\u00edrias. O autor foi muito feliz na escolha delas, j\u00e1 que a grande maioria transfere o leitor contempor\u00e2neo diretamente para a d\u00e9cada de 50. Com faro para descartar modismos, Nelson Rodrigues usou em A Falecida express\u00f5es como &#8220;a pol\u00edcia n\u00e3o \u00e9 sopa&#8221;, &#8220;pintar o sete&#8221;, &#8220;pernas de pau&#8221;, &#8220;descascando a lenha&#8221;, &#8220;cabe\u00e7a inchada&#8221;, &#8220;\u00e9 batata!&#8221;, etc. Tem espa\u00e7o at\u00e9 mesmo para as abrevia\u00e7\u00f5es da linguagem falada, como &#8220;t\u00e9 logo!&#8221;, e estrangeirismos, como &#8220;all right&#8221; e &#8220;bye, bye&#8221;.<\/p>\n<p>A ironia e o deboche s\u00e3o as caracter\u00edsticas mais marcantes em A Falecida. A vis\u00e3o do autor \u00e9 extremamente pessimista, como se no final tudo sempre estivesse predestinado a dar errado. A cartomante consultada por Zulmira numa das primeiras cenas perde o sotaque afrancesado assim que recebe o dinheiro. O filho da cartomante passa toda a consulta com o dedo no nariz, plantado ao lado da m\u00e3e. O m\u00e9dico, cujo nome \u00e9 Borborema, diz que Zulmira n\u00e3o tem tuberculose, \u00e9 apenas uma gripe.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, nenhum m\u00e9dico consultado pela protagonista lhe deu o diagn\u00f3stico certo. Determinada hora, Tuninho \u00e9 mandado embora do jogo de sinuca por uma dor de barriga violenta. Assim que chega em casa, corre para o banheiro, mas est\u00e1 ocupado por Zulmira. Uma cena antol\u00f3gica acontece quando Tuninho consegue sentar no vaso e, com a m\u00e3o no queixo, simula a atitude de O Pensador, escultura de Rodin.<br \/>\nPara conseguir mostrar com mais profundidade a realidade dura do sub\u00farbio, Nelson Rodrigues apela para o vulgar e o grotesco.<\/p>\n<p>Belos cavalos de enterros chiques s\u00e3o odiados porque soltam fezes pelo caminho. A m\u00e3e de Zulmira fica sabendo da morte da filha enquanto &#8220;co\u00e7a as pernas cabeludas&#8221;. A prima da protagonista, Glorinha, \u00e9 loira, mas oxigenada. Foge da praia n\u00e3o por timidez do mai\u00f4, como acreditava Zulmira, mas sim porque o c\u00e2ncer lhe extirpou um dos seios. Zulmira, por sua vez, tinha um cheirinho de suor que agradava o amante. O \u00f3dio que Zulmira sente do marido vem desde a lua de mel, quando ele lavou as m\u00e3os depois do ato sexual.<\/p>\n<p>A falta de ilus\u00e3o e o pessimismo feroz do autor mostram \u00e0 plat\u00e9ia uma Zulmira enganada at\u00e9 mesmo na hora da morte, quando ela \u00e9 enterrada no caix\u00e3o mais barato da funer\u00e1ria &#8211; contrariando a regra da cultura ocidental de que o \u00faltimo pedido de um moribundo \u00e9 lei. As personagens s\u00e3o mostradas em situa\u00e7\u00e3o nada glamourosas, como espremendo cravos nas costas, fazendo necessidades no banheiro, etc.<\/p>\n<p>\u00c0s avessas, A falecida \u00e9 uma com\u00e9dia das mais rasgadas. O dram\u00e1tico aparece em muitas cenas como digno de risadas. Determinada momento do 2\u00b0 ato, o autor coloca na rubrica da cena em que Tuninho est\u00e1 viajando de t\u00e1xi: &#8220;Luz sobre o t\u00e1xi, em que viaja Tuninho. T\u00e1xi, evidentemente, imagin\u00e1rio. O \u00fanico dado real do autom\u00f3vel \u00e9 uma buzina, g\u00eanero &#8216;fon-fon&#8217;, que o chofer usa, de vez em quanto. A id\u00e9ia f\u00edsica do t\u00e1xi est\u00e1 sugerida da seguinte forma: uma cadeira, atr\u00e1s da outra. Na cadeira da frente vai o chofer, atr\u00e1s, Tuninho. O chofer simula dirigir, fazendo curvas espetaculares&#8221;. Em outro momento, discute-se as raz\u00f5es que levaram Zulmira a se recusar a beijar o marido na boca:<br \/>\n&#8220;Tuninho &#8211; Afinal de contas, eu sou o marido. E se eu, por acaso, insisto, que faz minha mulher? Fecha a boca!<br \/>\nCunhado &#8211; Muito curioso!<br \/>\nTuninho &#8211; Mas como? &#8211; perguntei eu \u00e0 minha mulher &#8211; voc\u00ea tem nojo de seu marido? Zulmira rasgou o jogo e disse assim mesmo: &#8216;Tuninho, se voc\u00ea me beijar na boca, eu vomito, Tuninho, vomito!&#8217;<br \/>\nSogra &#8211; Ora veja!<br \/>\nCunhado (de \u00f3culos e livro debaixo do bra\u00e7o) &#8211; Caso de psican\u00e1lise!<br \/>\nOutro &#8211; De qu\u00ea?<br \/>\nCunhado &#8211; Psican\u00e1lise.<br \/>\nOutro (feroz e pol\u00eamico) &#8211; Freud era um vigarista!&#8221;<\/p>\n<p>Esta cena serve tamb\u00e9m para ilustrar o cuidado de Nelson Rodrigues com a caracteriza\u00e7\u00e3o das personagens de A Falecida. A personalidade tanto dos protagonistas quanto das personagens secund\u00e1rias \u00e9 revelada, muitas vezes, em apenas uma \u00fanica frase. \u00c0s vezes, como no caso retratado acima, basta uma apari\u00e7\u00e3o no palco para a plat\u00e9ia se dar conta do tipo de pessoa. Primeira hero\u00edna frustrada de Nelson Rodrigues, Zulmira trai porque n\u00e3o v\u00ea muita motiva\u00e7\u00e3o no seu mundinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem dinheiro, n\u00e3o tem divertimento e n\u00e3o tem mais esperan\u00e7a de que sua vida possa mudar. Por isso concentra-se na sua morte, ou seja, em planejar nos m\u00ednimos detalhes o seu enterro de luxo. Seu marido Tuninho tamb\u00e9m \u00e9 frustrado e infeliz. N\u00e3o se acha capaz de conseguir um novo emprego e, por isso, resolve passar o tempo com os amigos, na praia, jogando sinuca ou falando sobre futebol. Todos t\u00eam em comum o fato de n\u00e3o terem o destino da vida nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>A grande inova\u00e7\u00e3o estrutural de Nelson Rodrigues em A Falecida est\u00e1 na troca de protagonistas que acontece no 3\u00b0 ato. Zulmira tem a a\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os nos dois primeiros atos, quando pesquisa pre\u00e7os para o seu enterro e visita m\u00e9dicos para se certificar de que est\u00e1 mesmo com tuberculose.<\/p>\n<p>No final do 2\u00b0 ato, a suburbana morre e passar\u00e1 o comando da pe\u00e7a para o marido, Tuninho. A partir da\u00ed, ele vai atr\u00e1s de Pimentel para conseguir o dinheiro do enterro e descobre a trai\u00e7\u00e3o de sua mulher. O foco narrativo muda, portanto, no meio da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas Zulmira tamb\u00e9m tem apari\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas no 3\u00b0 ato, principalmente para elucidar aspectos ainda nebulosos de sua personalidade. Na cena em que Pimentel est\u00e1 revelando a infidelidade de Zulmira, Tuninho arrasta a sua cadeira e se coloca diante do quadro, na mesma posi\u00e7\u00e3o de um observador da plat\u00e9ia. Aparece ent\u00e3o Zulmira, que reproduz com Pimentel o contexto da trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O corte do flashback acontece com um grito de Tuninho, hist\u00e9rico com a &#8220;coragem&#8221; da mulher em tra\u00ed-lo no banheiro de uma lanchonete enquanto ele esperava na mesa. Voltar no tempo para contar a trai\u00e7\u00e3o de Zulmira foi uma solu\u00e7\u00e3o bastante eficiente encontrada por Nelson Rodrigues. Se a hist\u00f3ria fosse apenas contada por Pimentel a Tuninho, a cena ficaria mon\u00f3tona e perderia parte de seu conte\u00fado dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>Outra novidade presente em A Falecida \u00e9 a multiplicidade de cen\u00e1rios. Zulmira vai \u00e0 cartomante, ao banheiro, ao quarto, \u00e0 Igreja, \u00e0 casa dos pais, \u00e0 funer\u00e1ria e ao consult\u00f3rio, at\u00e9 morrer de hemoptise. Tuninho aparece num t\u00e1xi, numa sinuca, na mans\u00e3o do empres\u00e1rio Pimentel e at\u00e9 mesmo no Maracan\u00e3. Para poder abarcar tantas mudan\u00e7as, o espa\u00e7o \u00e9 vazio e o \u00fanico objeto fixo s\u00e3o as cortinas. Ao contr\u00e1rio do que possa parecer, a pe\u00e7a n\u00e3o ficou fragmentada e o resultado saiu original.<\/p>\n<p><b>Frases<\/b><\/p>\n<p>&#8220;A solu\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 o jogo do bicho! E, minha palavra de honra, eu, se fosse presidente da Rep\u00fablica, punha o Anacleto (bicheiro) como ministro da Fazenda&#8221;.<\/p>\n<p>Timbira, funcion\u00e1rio da funer\u00e1ria<\/p>\n<p>&#8220;Estou com uma pena danada do Tuninho&#8230; A mulher morre na v\u00e9spera do Vasco X Fluminense&#8230; O enterro \u00e9 amanh\u00e3&#8230; Quer dizer que ele n\u00e3o vai poder assistir ao jogo&#8230; Isso \u00e9 o que eu chamo de peso tenebroso!&#8230;&#8221;.<br \/>\nOromar<\/p>\n<p>&#8220;Mas como? &#8211; perguntei eu a minha mulher &#8211; voc\u00ea tem nojo de seu marido? Zulmira rasgou o jogo e disse assim mesmo: &#8216;Tuninho, se voc\u00ea me beijar na boca, eu vomito, Tuninho, vomito!'&#8221;.<br \/>\nTuninho<\/p>\n<p>&#8220;Tudo, menos beijo! Beijo, n\u00e3o! Eu admito tudo em amor. Mas esse neg\u00f3cio de misturar saliva com saliva, n\u00e3o! N\u00e3o topo! Nunca!&#8221;.<br \/>\nZulmira<\/p>\n<p>&#8220;A mulher de mai\u00f4 est\u00e1 nua. Compreendeu? Nua no meio da rua, nua no meio dos homens!&#8221;. Zulmira<\/p>\n<p>&#8220;Agora \u00e9 que eu sou fria, de verdade. Glorinha n\u00e3o me deixa amar&#8221;.<br \/>\nZulmira<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.jayrus.art.br<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelson Rodrigues A Falecida, 1\u00aa trag\u00e9dia carioca, foi considerada um marco na obra de Nelson Rodrigues. 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