{"id":114174,"date":"2017-03-17T11:44:40","date_gmt":"2017-03-17T13:44:40","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=114174"},"modified":"2017-03-17T11:44:40","modified_gmt":"2017-03-17T13:44:40","slug":"poesias-medeiros-e-albuquerque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/poesias-medeiros-e-albuquerque","title":{"rendered":"Poesias &#8211; Medeiros e Albuquerque"},"content":{"rendered":"<p><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t    <a href=\"#1\" class=\"links\">17 de novembro de 1889<\/a><br \/>\n\t\t\t<a href=\"#2\" class=\"links\">Artistas<\/a><br \/>\n\t\t\t<a href=\"#3\" class=\"links\">C\u00e9rebro e Cora\u00e7\u00e3o<\/a><br \/>\n\t\t\t<a href=\"#4\" class=\"links\">Domadores<\/a><br \/>\n\t\t\t<a href=\"#5\" class=\"links\">Est\u00e1tua<\/a><br \/>\n           <\/strong> <\/div>\n<\/td>\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t    <a href=\"#6\" class=\"links\">A Poesia de Amanh\u00e3<\/a><br \/>\n\t\t\t<a href=\"#7\" class=\"links\">Quest\u00e3o de Est\u00e9tica<\/a><br \/>\n\t\t\t<a href=\"#8\" class=\"links\">Sil\u00eancio<\/a><br \/>\n\t\t\t<a href=\"#9\" class=\"links\">Versos Dif\u00edceis<\/a><br \/>\n           <\/strong> <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h4>Medeiros e Albuquerque<\/h4>\n<h4><a name=\"1\">17 de novembro de 1889<\/a><\/h4>\n<p>(Por ocasi&atilde;o da partida de D. Pedro II) <\/p>\n<p>Pobre rei a morrer, da velha ra&ccedil;a<br \/>\n    dos Bragan&ccedil;as perjuros e assassinos,<br \/>\n    hoje que o sopro frio da desgra&ccedil;a<br \/>\n    leva os teus dias, leva os teus destinos<br \/>\n    do duro ex&iacute;lio para o longe abrigo,<br \/>\n    hoje, tu que mataste Pedro Ivo,<br \/>\n    Nunes Machado e tantos mais valentes,<br \/>\n    hoje, a bordo da nau, onde, cativo,<br \/>\n    segues, deixando o trono hoje tu sentes<br \/>\n    que enfim soou a hora do castigo! <\/p>\n<p>Pobre rei a morrer, &#8211; de Sul a Norte,<br \/>\n    a valorosa espada de Caxias<br \/>\n    com quanta dor e quanta nobre morte<br \/>\n    da nossa hist&oacute;ria n&atilde;o encheu os dias,<br \/>\n    de sangue as suas p&aacute;ginas banhando!<br \/>\n    Digam-no dos Farrapos as legendas! <\/p>\n<p>Digam-no os bravos de 48!<br \/>\n    Falem ainda as almas estupendas<br \/>\n    de 17 e 24, afoito<br \/>\n    grupo de her&oacute;is, que sucumbiu lutando. <\/p>\n<p>Alma podre de rei, que, n&atilde;o podendo<br \/>\n    ganhar amigos pelo teu hero&iacute;smo,<br \/>\n    as outras almas ias corrompendo<br \/>\n    pela baixeza, pelo servilismo,<br \/>\n    por tudo quanto a consci&ecirc;ncia abate,<br \/>\n    &#8211; alma podre de rei, procura em volta<br \/>\n    do teu ru&iacute;do trono desabado<br \/>\n    que amigo te ficou, onde a revolta<br \/>\n    possa encontrar ind&ocirc;mito soldado<br \/>\n    que lhe venha por ti dar-nos combate. <\/p>\n<p>De tanta inf&acirc;mia e tanta covardia &#8211;<br \/>\n    s&oacute; covardia e inf&acirc;mia, eis o que resta!<br \/>\n    A matilha, a teu mando, que investia<br \/>\n    contra n&oacute;s, &#8211; nesta hora t&atilde;o funesta,<br \/>\n    volta-se contra teu poder passado!<br \/>\n    Rei, n&atilde;o se ilude a consci&ecirc;ncia humana&#8230;<br \/>\n    Quem traidores buscou &#8211; acha traidores!<br \/>\n    Os vendidos da f&eacute; republicana,<br \/>\n    os desertores de ontem &#8211; desertores,<br \/>\n    hoje voltam do teu pra o nosso lado! <\/p>\n<p>Vai! Que as ondas te levem mansamente&#8230;<br \/>\n    Por esse mar, que vais singrar agora,<br \/>\n    &#8211; arrancado a um cad&aacute;ver ainda quente &#8211;<br \/>\n    anos h&aacute; que partiu, oceano a fora,<br \/>\n    o cora&ccedil;&atilde;o do her&oacute;ico Ratcliff. <\/p>\n<p>A mesma vaga que, ao lev&aacute;-lo, entoava<br \/>\n    do livre mar eterno o livre canto,<br \/>\n    como o n&atilde;o redir&aacute;, sublime e brava,<br \/>\n    ao ver que passa no seu largo manto,<br \/>\n    da monarquia o lutuoso esquife! <\/p>\n<p><b>(&Uacute;ltimos versos, in Poesias, 1904.) <\/b><\/p>\n<h4><a name=\"2\">Artistas<\/a><\/h4>\n<p>Senhora, eu n&atilde;o conhe&ccedil;o a frase almiscarada<br \/>\n    dos formosos gal&atilde;s que v&atilde;o aos teus sal&otilde;es<br \/>\n    nem conhe&ccedil;o tamb&eacute;m a trama complicada<br \/>\n    que envolve, que seduz e prende os cora&ccedil;&otilde;es&#8230; <\/p>\n<p>Sei que Talma dizia aos juvenis atores<br \/>\n    que o Sentimento &eacute; mau, se &eacute; verdadeiro e s&atilde;o&#8230;<br \/>\n    e quem menos sentir os &oacute;dios e os rancores<br \/>\n    mais pode simular das almas a paix&atilde;o. <\/p>\n<p>E, por isto talvez, eu, que n&atilde;o sou artista,<br \/>\n    nem nestes versos meus posso infundir calor,<br \/>\n    desvio-me de ti, fujo de tua vista,<br \/>\n    porque n&atilde;o sei dizer-te o meu imenso amor. <\/p>\n<p><b>(Pecados, 1889.) <\/b><\/p>\n<h4><a name=\"3\">C\u00e9rebro e Cora\u00e7\u00e3o<\/a><\/h4>\n<p>Dizia o cora&ccedil;&atilde;o: &quot;Eternamente,<br \/>\n    eternamente h&aacute; de reinar agora<br \/>\n    esta dos sonhos teus nova senhora,<br \/>\n    senhora de tu&#8217;alma impenitente.&quot; <\/p>\n<p>E o c&eacute;rebro, zombando: &quot;Brevemente,<br \/>\n    como as outras se foram, mar em fora,<br \/>\n    ela se h&aacute; de sumir, e h&aacute; de ir embora,<br \/>\n    esquecida tamb&eacute;m, tamb&eacute;m ausente.&quot; <\/p>\n<p>De novo o cora&ccedil;&atilde;o: &quot;Desce! Vem v&ecirc;-la!<br \/>\n    Dize, j&aacute; viste t&atilde;o divina estrela<br \/>\n    no firmamento de tu&#8217;alma escura?&quot; <\/p>\n<p>E o c&eacute;rebro por fim: &#8211; &quot;Todas o eram&#8230;<br \/>\n    Todas&#8230; e um dia sem amor morreram,<br \/>\n    como morre, afinal, toda ventura!&quot; <\/p>\n<p><b>(Pecados, 1889.)<\/b><\/p>\n<h4><a name=\"4\">Domadores<\/a><\/h4>\n<p>H&aacute; quem pasme dos fortes domadores.<br \/>\n    Cujo esfor&ccedil;o valente e decidido<br \/>\n    faz que se curve, de pavor transido,<br \/>\n    dorso de fera m&aacute;, de olhos traidores. <\/p>\n<p>E, contudo, dominam-se os furores<br \/>\n    e imp&otilde;e seu jugo o bra&ccedil;o destemido<br \/>\n    com qualquer ferro em brasa enrubescido<br \/>\n    e artif&iacute;cios banais e enganadores. <\/p>\n<p>Outros h&aacute;, todavia, mais valentes,<br \/>\n    que a popula&ccedil;a rude n&atilde;o conhece:<br \/>\n    s&atilde;o os que domam, vultos imponentes, <\/p>\n<p>esta fera: &#8211; a Palavra, que carece<br \/>\n    para acalmar seus &iacute;mpetos insanos<br \/>\n    &#8211; seiva e sangue de c&eacute;rebros humanos. <\/p>\n<p><b>(Pecados, 1889.) <\/b><\/p>\n<h4><a name=\"5\">Est\u00e1tua<\/a><\/h4>\n<p>Eu tenho muita vez a estranha pretens&atilde;o<br \/>\n    de me fundir em bronze e aparecer nas pra&ccedil;as<br \/>\n    para poder ouvir da voz das popula&ccedil;as<br \/>\n    a sincera explos&atilde;o; <\/p>\n<p>senti-la, quando, em festa, as grandes multid&otilde;es<br \/>\n    aclamam doidamente os fortes vencedores,<br \/>\n    e febris, pelo ar, espalham-se os clamores<br \/>\n    das nobres ova&ccedil;&otilde;es; <\/p>\n<p>senti-la, quando o sopro asp&eacute;rrimo da dor<br \/>\n    nubla de escuro crepe o l&uacute;gubre horizonte<br \/>\n    e curva para o ch&atilde;o a entristecida fronte<br \/>\n    do povo sofredor; <\/p>\n<p>poder sempre pairar solenemente em p&eacute;,<br \/>\n    sobre as m&aacute;goas cru&eacute;is do miserando povo,<br \/>\n    e ter sempre no rosto, eternamente novo,<br \/>\n    uma express&atilde;o de f&eacute;. <\/p>\n<p>E, quando enfim cair do altivo pedestal,<br \/>\n    &agrave; sacr&iacute;lega m&atilde;o do b&aacute;rbaro estrangeiro,<br \/>\n    meu bra&ccedil;o descrever no gesto derradeiro<br \/>\n    a maldi&ccedil;&atilde;o final. <\/p>\n<p><b>(Can&ccedil;&otilde;es da decad&ecirc;ncia, 1889.) <\/b><\/p>\n<h4><a name=\"6\">A Poesia de Amanh\u00e3<\/a><\/h4>\n<p>[&#8230;] <\/p>\n<p>Hoje, ningu&eacute;m suporta essa metrifica&ccedil;&atilde;o. O progresso<br \/>\n    no verso consistiu, portanto, em abolir a repeti&ccedil;&atilde;o das palavras<br \/>\n    sempre as mesmas, que constitu&iacute;am toda a poesia primitiva; abolir a<br \/>\n    repeti&ccedil;&atilde;o dos estribilhos, que tinham ficado como uma reminisc&ecirc;ncia<br \/>\n    daquela primeira fase; abolir os metros, em que havia a repeti&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    muito uniforme de frases do mesmo n&uacute;mero de sons, o que sucedia nos<br \/>\n    versos de 9 a 11 s&iacute;labas. <\/p>\n<p>E n&atilde;o parou a&iacute;. <\/p>\n<p>Dantes, o enjambement era uma licen&ccedil;a, uma coisa que se tolerava.<br \/>\n    Cada verso devia ter uma pausa natural na &uacute;ltima s&iacute;laba forte,<br \/>\n    cada estrofe ter uma pausa no fim do &uacute;ltimo verso. <\/p>\n<p>O progresso consistiu em quebrar todas estas simetrias e regularidades. O<br \/>\n    essencial &eacute; que o pensamento de exprima bem. H&aacute;, &eacute; certo,<br \/>\n    alguma regularidade de distribui&ccedil;&atilde;o dos acentos t&ocirc;nicos,<br \/>\n    das rimas sem o que n&atilde;o haveria versos. Mas o poeta, dentro da variedade<br \/>\n    de metrifica&ccedil;&otilde;es diversas, varia tamb&eacute;m os ritmos. <\/p>\n<p>O verso representa a parte musical da express&atilde;o do pensamento. Ele<br \/>\n    se destacou do canto, pretendeu ser a sua pr&oacute;pria m&uacute;sica. Ficou-lhe,<br \/>\n    por&eacute;m, a orienta&ccedil;&atilde;o original, quase se diria: o impulso<br \/>\n    heredit&aacute;rio. E a sua evolu&ccedil;&atilde;o, lidando com s&iacute;labas,<br \/>\n    foi inteiramente an&aacute;loga &agrave; da m&uacute;sica, lidando com notas.\n  <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m a m&uacute;sica primitiva &eacute; fortemente ritmada. &Eacute;<br \/>\n    mon&oacute;tona, &eacute; acentuada. O tipo da m&uacute;sica primitiva &eacute;<br \/>\n    a m&uacute;sica para dan&ccedil;a, na qual &eacute; necess&aacute;rio marcar<br \/>\n    bem o compasso, para comandar a tempo os movimentos. <\/p>\n<p>Mesmo sem se tratar das composi&ccedil;&otilde;es destinadas a esse fm, a<br \/>\n    m&uacute;sica tinha outrora esse car&aacute;ter acentuadamente r&iacute;tmico.<br \/>\n    O progresso consistiu em dar mais variedade aos ritmos. Entre a m&uacute;sica<br \/>\n    para um batuque, um trecho sentimental de &oacute;pera de Rossini e um trecho<br \/>\n    de Wagner, h&aacute; esta grada&ccedil;&atilde;o: maior liberdade de ritmos.<br \/>\n    O ouvido, mais educado, percebe cada vez melhor ritmos cada vez menos brutalmente<br \/>\n    acentuados. <\/p>\n<p>Que l&ecirc; a Ora&ccedil;&atilde;o &agrave; luz de Guerra Junqueiro, Le<br \/>\n    Laudi de D&#8217;Annunzio e Les villes tentaculaires de Verhaeren e muitas das poesias<br \/>\n    de Santos Chocano acha que &eacute; exatamente isso que distingue as formas<br \/>\n    mais modernas da poesia, das antigas formas, cadenciadas, embaladoras e, por<br \/>\n    isso mesmo, mon&oacute;tonas. <\/p>\n<p>Ora, essa evolu&ccedil;&atilde;o parece que leva &agrave; extin&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da poesia isto &eacute;: ao acabamento da forma metrificada. <\/p>\n<p>Dizem alguns que isso seria um empobrecimento do pensamento humano, que ficaria<br \/>\n    desfalcado de uma forma de arte. Mas que &eacute; exato. Ao passo que se trabalha<br \/>\n    melhor a prosa, o ouvido aprende a discernir tamb&eacute;m melhor nuances<br \/>\n    delicad&iacute;ssimas. <\/p>\n<p>H&aacute; mesmo um fato not&aacute;vel: a maioria dos poetas passa a escrever<br \/>\n    em prosa. N&atilde;o faltam grandes prosadores, que tenham come&ccedil;ado<br \/>\n    como poetas. Mas o que falta absolutamente &eacute; um exemplo um s&oacute;<br \/>\n    que seja! de um grande prosador que tenha passado a grande poeta. <\/p>\n<p>Assim, portanto, que o artista da palavra se sente senhor absoluto das v&aacute;rias<br \/>\n    formas de express&atilde;o, o progresso individual para ele consiste em passar<br \/>\n    da poesia para a prosa. A marcha inversa que seria uma marcha regressiva ningu&eacute;m<br \/>\n    fez. &Eacute;, por conseguinte, perfeitamente l&iacute;cito supor que a Humanidade<br \/>\n    seguir&aacute; o mesmo caminho. <\/p>\n<p>Nem se precisar&aacute; para isso de muito tempo. Durante os s&eacute;culos<br \/>\n    XVII, XVIII e princ&iacute;pio do XIX, as obras de poesia representavam dez<br \/>\n    por cento da produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria. Hoje representam tr&ecirc;s<br \/>\n    por cento, com tend&ecirc;ncia a diminuir. <\/p>\n<p>Dizem que a poesia &eacute; inimiga das cifras. Estes dados provam que as<br \/>\n    cifras tamb&eacute;m s&atilde;o inimigas da poesia&#8230; Elas patenteiam a sua<br \/>\n    irrecus&aacute;vel decad&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Mas o essencial &eacute; que o pensamento humano se possa transmitir o mais<br \/>\n    completamente poss&iacute;vel e que saiba descrever, e que saiba narrar, e<br \/>\n    que saiba comover&#8230; Nisso ningu&eacute;m dir&aacute; que estejamos em regresso.<br \/>\n    Ao contr&aacute;rio! <\/p>\n<p>Dantes, quando um poeta empreendia tratar de um certo assunto, o seu primeiro<br \/>\n    cuidado era escolher uma metrifica&ccedil;&atilde;o: seria em versos de 12,<br \/>\n    de 10, de 7 s&iacute;labas&#8230; Uma vez assentado isso, era ent&atilde;o que<br \/>\n    ele come&ccedil;ava. Os grandes poemas s&atilde;o assim. <\/p>\n<p>Mas, esse fato, que a muitos parece natural, &eacute;, do ponto de vista<br \/>\n    l&oacute;gico, uma aberra&ccedil;&atilde;o. &Eacute; pelo menos um exerc&iacute;cio<br \/>\n    de deforma&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica da express&atilde;o do pensamento.<br \/>\n    De antem&atilde;o, o escritor dizia: &quot;Eu vou pensar, por frases de um<br \/>\n    certo n&uacute;mero de s&iacute;labas; vou obrigar minhas id&eacute;ias a<br \/>\n    sa&iacute;rem, em fatias regulares de tantas ou quantas s&iacute;labas. N&atilde;o<br \/>\n    sei ainda quais ser&atilde;o as id&eacute;ias que terei de exprimir; mas j&aacute;<br \/>\n    sei que esticarei as curtas e podarei as compridas para as meter dentro de<br \/>\n    um molde preestabelecido arbitrariamente!&quot; &Eacute; perfeitamente absurdo.\n  <\/p>\n<p>Mas como esse absurdo &eacute; c&ocirc;modo, porque ele tem moldes numerosos,<br \/>\n    que &eacute; sempre f&aacute;cil imitar, a maioria dos poetas contempor&acirc;neos<br \/>\n    continua a versejar por esse sistema. <\/p>\n<p>A grande dificuldade &eacute; achar para cada pensamento a forma pr&oacute;pria,<br \/>\n    o ritmo adequado a forma, que s&oacute; a ele conv&eacute;m, o ritmo, que<br \/>\n    melhor o pode traduzir. <\/p>\n<p>A maioria das poesias em metrifica&ccedil;&atilde;o variada, nas quais os<br \/>\n    versos de todos os tamanhos se entremesclam, s&atilde;o abomin&aacute;veis.<br \/>\n    Parecem prosa e prosa m&aacute;. Mas &eacute; assim na m&atilde;o dos poetas<br \/>\n    med&iacute;ocres. Na dos grandes, a dos Guerra Junqueiro, dos d&#8217;Annunzio,<br \/>\n    dos Verhaeren, dos Santos Chocano essa metrifica&ccedil;&atilde;o tem uma<br \/>\n    beleza extraordin&aacute;ria. <\/p>\n<p>A dificuldade para os med&iacute;ocres &eacute; que n&atilde;o podem achar<br \/>\n    modelos. Precisam ao mesmo tempo ter as id&eacute;ias e escolher-lhes a forma<br \/>\n    adequada. O que um fez n&atilde;o serve de norma a outro. N&atilde;o h&aacute;<br \/>\n    nessa po&eacute;tica nova lugar para imitadores vulgares. <\/p>\n<p>Quando, por conseguinte, alguns cr&iacute;ticos se insurgem contra a variedade<br \/>\n    de metrifica&ccedil;&atilde;o, usada na mesma poesia, dizendo que quase todas<br \/>\n    as poesia desse g&ecirc;nero s&atilde;o detest&aacute;veis n&atilde;o lhe<br \/>\n    fazem uma censura. Fazem um elogio. Essa forma n&atilde;o est&aacute; ao alcance<br \/>\n    dos med&iacute;ocres. Fazem um elogio. Essa forma n&atilde;o est&aacute; ao<br \/>\n    alcance dos med&iacute;ocres. Se os grandes e talentosos podem servir-se dos<br \/>\n    moldes correntes com superioridade, a inversa n&atilde;o se d&aacute;. &Eacute;<br \/>\n    preciso ter m&eacute;rito pr&oacute;prio e superior para poder lidar com esse<br \/>\n    processo de metrificar, cuja aparente facilidade &eacute; um la&ccedil;o em<br \/>\n    que os med&iacute;ocres revelam logo a sua mediocridade. <\/p>\n<p><b>(Revista da Academia Brasileira de Letras, vol. 1, 1910.) <\/b><\/p>\n<h4><a name=\"7\">Quest\u00e3o de Est\u00e9tica<\/a><\/h4>\n<p>Eu assistia &agrave; eterna discuss&atilde;o<br \/>\n    de uns que querem a Forma e outros a Id&eacute;ia,<br \/>\n    mas a minh&#8217;alma, inteiramente alheia<br \/>\n    cismava numa &iacute;ntima vis&atilde;o. <\/p>\n<p>Cismava em ti&#8230; Pensava na express&atilde;o<br \/>\n    do teu l&acirc;nguido olhar, que em n&oacute;s ateia<br \/>\n    um rasto de vol&uacute;pia e em cada veia<br \/>\n    coa as lavas ardentes da paix&atilde;o. <\/p>\n<p>Pensava no teu corpo, maravilha<br \/>\n    como igual certamente outra n&atilde;o brilha,<br \/>\n    e lembrei &#8211; argumento capital &#8211; <\/p>\n<p>que n&atilde;o tens, animando-te o portento<br \/>\n    da imperec&iacute;vel Forma triunfal,<br \/>\n    nem um nobre e sublime pensamento! <\/p>\n<p><b>(Pecados, 1889.) <\/b><\/p>\n<h4><a name=\"8\">Sil\u00eancio<\/a><\/h4>\n<p>Il s&#8217;en plaignit, il en parla:<br \/>\n    J&#8217;en connais de plus mis&eacute;rables!<br \/>\n    JOB, Benserade. <\/p>\n<p>Cala. Qualquer que seja esse tormento<br \/>\n    que te lacera o cora&ccedil;&atilde;o transido,<br \/>\n    guarda-o dentro de ti, sem um gemido,<br \/>\n    sem um gemido, sem um s&oacute; lamento! <\/p>\n<p>Por mais que doa e sangre o ferimento,<br \/>\n    n&atilde;o mostres a ningu&eacute;m, compadecido,<br \/>\n    a tua dor, o teu amor tra&iacute;do:<br \/>\n    n&atilde;o prostituas o teu sofrimento! <\/p>\n<p>Pranto ou Palavra &#8211; em nada disso cabe<br \/>\n    todo o amargor de um cora&ccedil;&atilde;o enfermo<br \/>\n    profundamente vilipendiado. <\/p>\n<p>Nada &eacute; t&atilde;o nobre como ver quem sabe,<br \/>\n    trancado dentro de uma dor sem termo,<br \/>\n    m&aacute;goas terr&iacute;veis suportar calado! <\/p>\n<p>(&Uacute;ltimos versos, in Poesias, 1904.) <\/p>\n<p><b>(Poesias, 1962.)<\/b><\/p>\n<h4><a name=\"9\">Versos Dif\u00edceis<\/a><\/h4>\n<p>Fa&ccedil;o e desfa&ccedil;o&#8230; A Id&eacute;ia mal domada<br \/>\n    o c&aacute;rcere da Forma foge e evita.<br \/>\n    Breve, na folha tanta vez riscada<br \/>\n    palavra alguma caber&aacute; escrita&#8230; <\/p>\n<p>E ter&aacute;s tu, &oacute; minha doce amada,<br \/>\n    o decisivo nome da bendita<br \/>\n    companheira formosa e delicada<br \/>\n    a quem minh&#8217;alma tanto busca, aflita? <\/p>\n<p>N&atilde;o sei&#8230; H&aacute; muito a febre me consome<br \/>\n    de achar a Forma e conhecer o nome<br \/>\n    da que a meus dias reservou o fado. <\/p>\n<p>E hei de ver, quando saiba, triunfante,<br \/>\n    o verso bom, a verdadeira amante,<br \/>\n    &#8211; a folha: cheia, &#8211; o cora&ccedil;&atilde;o: cansado! <\/p>\n<p><b>(Pecados, 1889.)<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: 17 de novembro de 1889 Artistas C\u00e9rebro e Cora\u00e7\u00e3o Domadores Est\u00e1tua A Poesia de Amanh\u00e3 Quest\u00e3o de Est\u00e9tica Sil\u00eancio Versos Dif\u00edceis Medeiros e Albuquerque 17 de novembro de 1889 (Por ocasi&atilde;o da partida de D. 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