{"id":114163,"date":"2017-03-17T11:36:31","date_gmt":"2017-03-17T13:36:31","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=114163"},"modified":"2017-03-17T11:36:31","modified_gmt":"2017-03-17T13:36:31","slug":"historia-do-hino-nacional-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/historia-do-hino-nacional-brasileiro","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do Hino Nacional Brasileiro"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h4>Hino da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/h4>\n<p>Em 300 anos de hist\u00f3ria, o Brasil a rigor n\u00e3o teve hino algum que fosse seu. Tamb\u00e9m em Portugal, at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, s\u00f3 se cantava o Hino do Rei, que era mudado toda vez que morria um monarca. Pois o Brasil, mesmo depois de sua independ\u00eancia, por nove anos viveu sem hino.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Hino Nacional Brasileiro \u00e9 pouco divulgada e geralmente se limita a uma breve refer\u00eancia aos autores da letra e da m\u00fasica. No entanto ela \u00e9 riqu\u00edssima e reflete, talvez mais do que qualquer outro dos S\u00edmbolos Nacionais, os momentos mais importantes de nossa Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O hino brasileiro nasceu ao calor das agita\u00e7\u00f5es populares, num dos momentos mais dram\u00e1ticos de nossa Hist\u00f3ria, quando a independ\u00eancia do Brasil vacilava em raz\u00e3o dos desmandos autorit\u00e1rios do mesmo soberano que a proclamara. Para comemorar a abdica\u00e7\u00e3o de D. Pedro I, for\u00e7ada pelo clamor dos patriotas, Manuel da Silva (disc\u00edplo de Jos\u00e9 Maur\u00edcio e, por algum tempo, de Segismundo Newkomn) refez o hino que criara em 1822 para saudar nossa emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e que se transformou num grito de rebeldia da P\u00e1tria livre contra a tutela portuguesa.<\/p>\n<p>Por mais incr\u00edvel que pare\u00e7a, durante quase um s\u00e9culo o Hina Nacional Brasileiro foi executado sem ter, oficialmente, uma letra. As muitas tentativas de acrescentar um texto \u00e0 m\u00fasica n\u00e3o vingaram. Os versos n\u00e3o eram bons: os primeiros, carregados de ressentimentos, insultavam os portugueses; os outros pecavam pelas bajula\u00e7\u00f5es ao soberano reinante. Assim, a composi\u00e7\u00e3o de Francisco Manuel da Silva &#8211; uma marcha destinada \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o do hino &#8211; s\u00f3 em 1909 recebeu uma letra definitiva. E apenas em 1922, finalmente completa, foi oficializada como Hino Nacional Brasileiro.<\/p>\n<p>Francisco Manuel era um dos que aspiravam \u00e0 abdica\u00e7\u00e3o do Imperador. E mais: sofrera na pr\u00f3pria pele a prepot\u00eancia dos irm\u00e3o Portugal &#8211; maestros Marcos e Sim\u00e3o -, pretensos donos da verdade e (ent\u00e3o) os ditadores da m\u00fasica oficial. O pr\u00f3prio Marcos Portugal iria ensair aqui mesmo o drama de Ant\u00f4nio Salieri versus Mozart, ao mover insidiosa persegui\u00e7\u00e3o ao padre Jos\u00e9 Maur\u00edcio, ao Baiano Dami\u00e3o Barbosa e a todos os jovens talentosos compositores nacionais que lhe pudessem fazer a mais leve sombra. Como Mestre da Capela Imperial, o maestro Portugal chegou mesmo ao c\u00famulo de proibir que ali fosse executada qualquer m\u00fasica que n\u00e3o fosse de sua autoria! Pois bem &#8211; foi ao som do hino criado por um de seus perseguidos que a fragata inglesa Volage levantou \u00e2ncoras levando D. Pedro I e a sua fam\u00edlia para o ex\u00edlio na Europa.<\/p>\n<p>Segundo Lu\u00eds Heitor de Azevedo Correia, o Hino Nacional Brasileiro foi cantado pela primeira vez no cais do Largo do Pa\u00e7o (ex-cais Faroux, atual Pra\u00e7a 15 de Novembro, no Rio de Janeiro), &#8220;executado entre gir\u00e2ndolas de foguetes e vivas entusi\u00e1sticos&#8221;, quando da partida de D. Pedro I. Portanto, em 13 de abril de 1831.<\/p>\n<h4>O 15 de Novembro<\/h4>\n<p>Ernesto Sena conta que a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica foi ressaltada &#8220;com um ato hom\u00e9rico e decisivo&#8221;. Que ato foi este? Menos teatral que o brado de &#8220;Independ\u00eancia ou Morte!&#8221; de D. Pedro I, o Marechal Deodora da Fonseca al\u00e7ou a espada e ordenou \u00e0s tropas formadas no Campo de Sant\u00b4Ana: &#8220;Apresentar armas. Toquem o hino!&#8221; As tropas se perfilaram e ouviram-se os acordes do Hino Nacional, tocado pelas bandas militares. Estava feita a Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m esta n\u00e3o \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3ricamente correta.<\/p>\n<p>O ato &#8220;hom\u00e9rico e decisivo&#8221; iria ocorrer, prosaicamente, muito perto da resid\u00eancia de Deodoro, aquele modesto sobrado que hoje ainda se v\u00ea, conservado, na atual Pra\u00e7a da Rep\u00fablica. Mas o Marechal estava muito enfermo e cuidou-se, mesmo que ele se deslocasse em carruagem para o local da cerim\u00f4nia, hip\u00f3tese que naturalmente n\u00e3o cabia aos brios de um velho militar. Assim foi que, n\u00e3o sem certa dificuldade, o Marechal montou o cavalo que lhe fora emprestado pelo alferes Barbosa Jr., o famoso baio n.\u00ba 6, que n\u00e3o seria mais montado at\u00e9 a morte do animal, em 1906.<\/p>\n<p>Por outro lado, a dispn\u00e9ia que atormentava o Marechal n\u00e3o lhe permitia usar o cintur\u00e3o que sustentaria a pesada arma; da\u00ed n\u00e3o ter podido &#8220;cingir espada&#8221; alguma. Ent\u00e3o, depois de transpor o port\u00e3o do Minist\u00e9rio da Guerra, cavalgando o baio, o marechal n\u00e3o cingiu espada e sim acenou com o quepe, como se v\u00ea corretamente documentado no famoso quadro de Henrique Bernardelli, t\u00e3o freq\u00fcentemente reproduzido nos livros escolares. Ou no monumento a Deodoro que se ergue na Pra\u00e7a Paris, na Gl\u00f3ria, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Sampaio Ferraz, testemunha do epis\u00f3dio, confirma a vers\u00e3o de Ernesto Sena, sem contudo dizer qual o hino foi ent\u00e3o tocado. Certamente foi o mesmo velho e glorioso Hino Nacional do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Infelizmente, no alvoro\u00e7o da mudan\u00e7a de regime, muitos esqueceram nossas mais caras tradi\u00e7\u00f5es. Tal como ocorrera com a Bandeira Nacional, agora tamb\u00e9m alguns pretendiam considerar o Hino Nacional como &#8220;o hino do ex-imperador&#8221;. Ent\u00e3o, equivocadamente e durante dois meses, tomou-se por empr\u00e9stimos um hino estrangeiro e a Marselhesa transformou-se em uma esp\u00e9cie de hino nacional provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Prefiro o velho!&#8221;<br \/>\nH\u00e1 muito os republicanos pretendiam adotar um novo hino que substitu\u00edsse o do Imp\u00e9rio. O bom senso aconselharia confiar a tarefa a um compositor profissional, a um dos poucos e competentes maestros dispon\u00edveis da Corte. Por\u00e9m, seguindo um velho h\u00e1bito que infelizmente pendura ainda nos nossos dias, preferiram promover, em outubro de 1898, um concurso, de resto concorrid\u00edssimo. Da\u00ed resultou ser premiado, com mil francos, uma composi\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica de um amador, o farmac\u00eautico Ernesto Fernandes de Sousa, e versos de Medeiros e Albuquerque.<\/p>\n<p>Sabe-se que, ap\u00f3s a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o Governo Provis\u00f3rio convidara Carlos Gomes para compor o novo hino do Brasil; e que este, por gratid\u00e3o ao velho imperador, respondeu ao convite com um lac\u00f4nico &#8211; &#8220;N\u00e3o posso&#8221;.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica viveu ent\u00e3o um s\u00e9rio embara\u00e7o. O maestro Carlos Gomes recusara o convite e a vultosa import\u00e2ncia de 20.000$000 (vinte contos de r\u00e9is) oferecida pela encomenda. Ernesto Fernandes de Sousa, o dubl\u00ea de farmac\u00eautico e maestro amador recusara o pr\u00eamio de mil francos que lhe fora concedido. Dividiram-se as opini\u00f5es. Medeiros e Albuquerque defendia a obra de seu parceiro e queria que o hino fosse oficializado. Com isto n\u00e3o concordava Rodrigues Barbosa, um cr\u00edtico do Jornal do Commercio, que propunha como sa\u00edda salvadora um outro concurso para a escolha do novo hino. Por sua vez, o jornalista Oscar Guanabarino lutava pela perman\u00eancia do antigo Hino Nacional.<\/p>\n<p>Realizado o concurso, Guanabarino denunciou o seu resultado em artigo publicado em 4 de janeiro de 1890. Na verdade, o concurso fora institu\u00eddo para eleger uma composi\u00e7\u00e3o musical, pois a letra de Medeiros e Albuquerque j\u00e1 fora previamente escolhida pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Guanabarino argumentava que, se para isto tinha havido escolha e n\u00e3o concurso, melhor seria que tamb\u00e9m se tivesse escolhido um m\u00fasico profissional capaz de inspirar-se na poesia e produzir um hino correto. E sugeria o maestro Leopoldo Miguez, que poderia aceitar a honrosa incumb\u00eancia e dela dar cabal conta.<\/p>\n<p>Haviam concorrido 29 produ\u00e7\u00f5es quando, infelizmente, n\u00e3o t\u00ednhamos no Brasil nem seis compositores, mesmo contando os estrangeiros naturalizados. Guanabarino acusava:<\/p>\n<p>&#8220;Vimos alguns trabalhos concorrentes e a nossa impress\u00e3o foi a certeza que aqueles hinos atestam a ignor\u00e2ncia completa dos seus autores em mat\u00e9ria de arte musical.&#8221;<\/p>\n<p>Encerrava a defesa da manuten\u00e7\u00e3o do Hino Nacional com este argumento:<\/p>\n<p>&#8220;Apelamos para o Chefe do Governo Provis\u00f3rio a quem perguntamos: Marechal, nos campos do Paraguai, quando \u00e0 frente das colunas inimigas a vossa espada conquistava os louros da vit\u00f3ria e as bandas militares tangiam o Hino Nacional, qual era a id\u00e9ia, qual o nome que acudia \u00e0 vossa mente no instante indescrit\u00edvel do entusiasmo &#8211; a P\u00e1tria ou o Imperador?&#8221;<\/p>\n<p>Este apelo n\u00e3o cairia em terreno est\u00e9ril pois coincidia com uma firme convic\u00e7\u00e3o do Marechal Manuel Deodoro da Fonseca. E, no dia 19 de janeiro de 1890, o Jornal do Commercio publicava esta declara\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado dos Neg\u00f3cios do Interior: &#8220;O hino cuja audi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita no Teatro L\u00edrico em nada prejudica o Hino Nacional, visto ter sido escrito expressamente para comemorar a data da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica&#8221;.<\/p>\n<p>Prevalece a Tradi\u00e7\u00e3o<br \/>\nEm quase todos os pa\u00edses do mundo h\u00e1 v\u00e1rios hinos oficiais. A Manarquia tinha o Hino da Indep\u00eancia, o Hino Nacional, o de D. Pedro II e outros. Portugal tem o Hino da Restaura\u00e7\u00e3o, o da Carta Constitucional e o de D. Carlos I&#8221;.<\/p>\n<p>Apenas quatro hinos haviam obtido classifica\u00e7\u00e3o final. Deodoro ouviu todos, na audi\u00eancia do Teatro L\u00edrico. Gostou. Mas disse: &#8220;Ainda assim, prefiro o velho!&#8221;.<\/p>\n<p>O povo tamb\u00e9m preferia.<\/p>\n<p>Da\u00ed resultou que, no pr\u00f3prio Teatro L\u00edrico e naquela mesma noite de 20 de janeiro 1890, foi redigido pelo Ministro do Interior, Aristides Lobo, um decreto prontamente referendado por todos os outros Ministros ali presentes. O decreto conservava e institu\u00eda como Hino Nacional a m\u00fasica de Francisco Manuel e adotava, como Hino da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, a de Leopoldo Miquez.<\/p>\n<p>Este documento dizia, na \u00edntegra, o seguinte:<\/p>\n<p>DECRETO N.\u00ba 171, DE 20 DE JANEIRO DE 1890<\/p>\n<p>&#8220;Conserva o Hino Nacional e adota o da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O Governo Provis\u00f3rio da Rep\u00fablica dos Estados Unidos do Brasil constitu\u00eddo pelo Ex\u00e9rcito e Armada, em nome da Na\u00e7\u00e3o, decreta:<\/p>\n<p>Art. 1\u00ba &#8211; \u00c9 conservada como Hino Nacional a composi\u00e7\u00e3o musical do maestro Francisco Manuel da Silva.<\/p>\n<p>Art. 2\u00ba &#8211; \u00c9 adotada sob o t\u00edtulo de Hino da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica a composi\u00e7\u00e3o da maestro Leopoldo Miguez, baseada na poesia do cidad\u00e3o Jos\u00e9 Joaquim de Campos da Costa de Medeiros Albuquerque.&#8221;<\/p>\n<p>Uma letra para o hino nacional<br \/>\nAt\u00e9 ent\u00e3o, versos diferentes tinham sido juntados \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de Francisco Manuel, muitos deles em adapta\u00e7\u00f5es inadequadas, eivadas de regionalismos e que comprometiam irremediavelmente a beleza e a dignidade do hino. E, pior ainda: em cada estado da Uni\u00e3o, cantava-se o hino com letras diferentes, nem sempre ajustadas ao bom gosto ou ao ritmo da m\u00fasica. Somente em 1906 Coelho Neto prop\u00f4s \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados que fosse dado ao Hino Nacional um s\u00f3 poema. Proposta que s\u00f3 se concretizou 16 anos depois. Assim a letra definitiva do Hino Nacional foi escrita em 1909, por Os\u00f3rio Duque Estrada. Por\u00e9m s\u00f3 foi oficializada por Epit\u00e1cio Pessoa em 1922, \u00e0s v\u00e9speras do I.\u00ba Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia. Por ter sido originalmente criada para execu\u00e7\u00e3o em orquestra, a m\u00fasica foi adaptada para tamb\u00e9m poder ser cantada.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.mv-brasil.org.br<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hino da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Em 300 anos de hist\u00f3ria, o Brasil a rigor n\u00e3o teve hino algum que fosse seu. 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