{"id":114088,"date":"2017-03-17T10:29:19","date_gmt":"2017-03-17T12:29:19","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=114088"},"modified":"2017-03-17T10:29:19","modified_gmt":"2017-03-17T12:29:19","slug":"o-juiz-de-paz-da-roca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca","title":{"rendered":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h4>Martins Pena<\/h4>\n<p><b>Com\u00e9dia em 1 ato<\/b><\/p>\n<h2>PERSONAGENS<\/h2>\n<p>JUIZ DE PAZ<br \/>\nESCRIV\u00c3O DO JUIZ (DE PAZ)<br \/>\nMANUEL JO\u00c3O, lavrador [guarda nacional]<br \/>\nMARIA ROSA, sua mulher<br \/>\nANINHA, sua filha<br \/>\nJOS\u00c9 [DA FONSECA], amante de Aninha<br \/>\nIN\u00c1CIO JOS\u00c9<br \/>\nJOS\u00c9 DA SILVA<br \/>\nFRANCISCO ANT\u00d5NIO<br \/>\nMANUEL ANDR\u00c9<br \/>\nSAMPAIO (lavradores)<br \/>\nTOM\u00c1S<br \/>\nJOSEFA [JOAQUINA]<br \/>\nGREG\u00d3RIO<br \/>\n[Negros]<\/p>\n<p><b>[A cena \u00e9 na ro\u00e7a.]<\/b><\/p>\n<h2>ATO \u00daNICO<\/h2>\n<h2>CENA I<\/h2>\n<p>Sala com uma porta no fundo. No meio uma mesa, junto \u00e0 qual estar\u00e3o cosendo MARIA ROSA e ANINHA.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Teu pai tarda muito.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Ele disse que tinha hoje muito que fazer.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Pobre homem! Mata-se com tanto trabalho! \u00c9 quase meio-dia e ainda n\u00e3o voltou. Desde as quatro horas da manh\u00e3 que saiu; est\u00e1 s\u00f3 com uma x\u00edcara de caf\u00e9.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Meu pai quando principia um trabalho n\u00e3o gosta de o largar, e minha m\u00e3e sabe bem que ele tem s\u00f3 a Agostinho.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; \u00c9 verdade. Os meias-caras agora est\u00e3o t\u00e3o caros! Quando havia valongo eram mais baratos.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Meu pai disse que quando desmanchar o mandiocal grande h\u00e1-de comprar uma negrinha para mim.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Tamb\u00e9m j\u00e1 me disse.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Minha m\u00e3e, j\u00e1 preparou a jacuba para meu pai?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; \u00c9 verdade! De que me ia esquecendo! Vai a\u00ed fora e traz dous lim\u00f5es. (ANINHA sai.) Se o MANUEL JO\u00c3O viesse e n\u00e3o achasse a jacuba pronta, t\u00ednhamos campanha velha. Do que me tinha esquecido! (Entra ANINHA.)<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Aqui est\u00e3o os lim\u00f5es.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Fica tomando conta aqui, enquanto eu vou l\u00e1 dentro. (Sai.)<\/p>\n<p>ANINHA, s\u00f3 &#8211; Minha m\u00e3e j\u00e1 se ia demorando muito. Pensava que j\u00e1 n\u00e3o poderia falar co senhor JOS\u00c9, que est\u00e1 esperando-me debaixo dos cafezeiros. Mas como minha m\u00e3e est\u00e1 l\u00e1 dentro, e meu pai n\u00e3o entra nesta meia hora, posso faz\u00ea-lo entrar aqui. (Chega \u00e0 porta e acena com o len\u00e7o.) Ele a\u00ed vem.<\/p>\n<h2>CENA II<\/h2>\n<p>Entra JOS\u00c9 com cal\u00e7a e jaqueta branca.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Adeus, minha ANINHA! (Quer abra\u00e7\u00e1-la.)<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Fique quieto. N\u00e3o gosto destes brinquedos. Eu quero casar-me com o senhor, mas n\u00e3o quero que me abrace antes de nos casarmos. Esta gente quando vai \u00e0 Corte, vem perdida. Ora diga-me, concluiu a venda do bananal que seu pai lhe deixou?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Conclu\u00ed.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Se o senhor agora tem dinheiro, por que n\u00e3o me pede a meu pai?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Dinheiro? Nem vint\u00e9m!<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Nem vint\u00e9m! Ent\u00e3o o que fez do dinheiro? \u00c9 assim que me ama? (Chora.)<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Minha ANINHA, n\u00e3o chores. Oh, se tu soubesses como \u00e9 bonita a Corte! Tenho um projeto que te quero dizer.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Qual \u00e9?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Voc\u00ea sabe que eu agora estou pobre como J\u00f3, e ent\u00e3o tenho pensado em uma cousa. N\u00f3s nos casaremos na freguesia, sem que teu pai o saiba; depois partiremos para a Corte e l\u00e1 viveremos.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Mas como? Sem dinheiro?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; N\u00e3o te d\u00ea isso cuidado: assentarei pra\u00e7a nos Permanentes.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; E minha m\u00e3e?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Que fique raspando mandioca, que \u00e9 of\u00edcio leve. Vamos para a Corte, que voc\u00ea ver\u00e1 o que \u00e9 bom.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Mas ent\u00e3o o que \u00e9 que h\u00e1 l\u00e1 t\u00e3o bonito?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Eu te digo. H\u00e1 tr\u00eas teatros, e um deles maior que o engenho do capit\u00e3o-mor.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Oh, como \u00e9 grande!<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Representa-se todas as noites. Pois uma m\u00e1gica&#8230; Oh, isto \u00e9 cousa grande!<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; O que \u00e9 m\u00e1gica?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; M\u00e1gica \u00e9 uma pe\u00e7a de muito maquinismo.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Maquinismo?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Sim, maquinismo. Eu te explico. Uma \u00e1rvore se vira em uma barraca; paus viram-se em cobras, em um homem vira-se em macaco.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Em macaco! Coitado do homem!<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Mas n\u00e3o \u00e9 de verdade.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Ah, como deve ser bonito! E tem rabo?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Tem rabo, tem.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Oh, homem!<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Pois o curro dos cavalinhos! Isto \u00e9 que \u00e9 cousa grande! H\u00e1 uns cavalos t\u00e3o bem ensinados, que dan\u00e7am, fazem mesuras, saltam, falam, etc. Por\u00e9m o que mais me espantou foi ver um homem andar em p\u00e9 em cima do cavalo.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Em p\u00e9? E n\u00e3o cai?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; N\u00e3o. Outros fingem-se b\u00eabados, jogam os socos, fazem exerc\u00edcio &#8211; e tudo isto sem ca\u00edrem. E h\u00e1 um macaco chamado o macaco. Major, que \u00e9 coisa de espantar.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; H\u00e1 muitos macacos l\u00e1?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; H\u00e1, e macacas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Que vontade tenho eu de ver todas estas cousas!<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Al\u00e9m disto h\u00e1 outros muitos divertimentos. Na Rua do Ouvidor h\u00e1 um cosmorama, na Rua de S\u00e3o Francisco de Paula outro, e no Largo uma casa aonde se v\u00eaem muitos bichos cheios, muitas conchas, cabritos com duas cabe\u00e7as, porcos com cinco pernas, etc.<\/p>\n<p>ANINHA ? Quando \u00e9 que voc\u00ea pretende casar-se comigo?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; O vig\u00e1rio est\u00e1 pronto para qualquer hora.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Ent\u00e3o, amanh\u00e3 de manh\u00e3.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Pois sim. (Cantam dentro.)<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; A\u00ed vem meu pai! Vai-te embora antes que ele te veja.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Adeus, at\u00e9 amanh\u00e3 de manh\u00e3.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Olhe l\u00e1, n\u00e3o falte! (Sai JOS\u00c9.)<\/p>\n<h2>CENA III<\/h2>\n<p>ANINHA, s\u00f3 &#8211; Como \u00e9 bonita a Corte! L\u00e1 \u00e9 que a gente se pode divertir, e n\u00e3o aqui, aonde n\u00e3o se ouve sen\u00e3o os sapos e as entanhas cantarem. Teatros, m\u00e1gicos, cavalos que dan\u00e7am, cabe\u00e7as com dous cabritos, macaco major&#8230; Quanta cousa! Quero ir para a Corte!<\/p>\n<h2>CENA IV<\/h2>\n<p>Entra MANUEL JO\u00c3O com uma enxada no ombro, vestido de cal\u00e7as de ganga azul, com uma das pernas arrega\u00e7ada, japona de baeta azul e descal\u00e7o. Acompanha-o um negro com um cesto na cabe\u00e7a e uma enxada no ombro, vestido de camisa e cal\u00e7a de algod\u00e3o.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Aben\u00e7a, meu pai.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Adeus, rapariga. Aonde est\u00e1 tua m\u00e3e?<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Est\u00e1 l\u00e1 dentro preparando a jacuba.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Vai dizer que traga, pois estou com muito calor. (ANINHA sai. M. JO\u00c3O, para o negro:) Ol\u00e1, Agostinho, leva estas enxadas l\u00e1 para dentro e vai botar este caf\u00e9 no sol. (O preto sai. MANUEL JO\u00c3O senta-se.) Estou que n\u00e3o posso comigo; tenho trabalhado como um burro!<\/p>\n<h2>CENA V<\/h2>\n<p>Entra MARIA ROSA com uma tigela na m\u00e3o, e ANINHA a acompanha.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Adeus, senhora MARIA ROSA.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Adeus, meu amigo. Est\u00e1s muito cansado?<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Muito. D\u00e1-me c\u00e1 isso?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Pensando que voc\u00ea viria muito cansado, fiz a tigela cheia.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Obrigado. (Bebendo:) Hoje trabalhei como gente&#8230; Limpei o mandiocal, que etava muito sujo&#8230; Fiz uma derrubada do lado de FRANCISCO ANT\u00d4NIO&#8230; Limpei a vala de Maria do Ros\u00e1rio, que estava muito suja e encharcada, e logo pretendo colher caf\u00e9. ANINHA?<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Meu pai?<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Quando acabares de jantar, pega em um sambor\u00e1 e vai colher o caf\u00e9 que est\u00e1 \u00e0 roda da casa.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Sim senhor.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Senhora, a janta est\u00e1 pronta?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; H\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Pois traga.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; ANINHA, vai buscar a janta de teu pai. (ANINHA sai.)<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Senhora, sabe que mais? \u00c9 preciso casarmos esta rapariga.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Eu j\u00e1 tenho pensado nisto; mas n\u00f3s somos pobres, e quem \u00e9 pobre n\u00e3o casa.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Sim senhora, mas uma pessoa j\u00e1 me deu a entender que logo que puder abocar tr\u00eas ou quatro meias-caras destes que se d\u00e3o, me havia de falar nisso&#8230; Com mais vagar trataremos deste neg\u00f3cio. (Entra ANINHA com dous pratos e os deixa em cima da mesa.)<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Minha m\u00e3e, a carne-seca acabou-se.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; J\u00e1?!<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; A \u00faltima vez veio s\u00f3 meia arroba.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Carne boa n\u00e3o faz conta, voa. Assentem-se e jantem. (Assentam-se todos e comem com as m\u00e3os. O jantar consta de carne-seca, feij\u00e3o e laranjas.) N\u00e3o h\u00e1 carne-seca para o negro?<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; N\u00e3o senhor.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Pois coma laranja com farinha, que n\u00e3o \u00e9 melhor do que eu. Esta carne est\u00e1 dura como um couro. Irra! Um dia destes eu&#8230; Diabo de carne!&#8230; hei-de fazer uma planta\u00e7\u00e3o&#8230; L\u00e1 se v\u00e3o os dentes!&#8230; Deviam ter botado esta carne de molho no corgo&#8230; que diabo de laranjas t\u00e3o azedas! (Batem \u00e0 porta.) Quem \u00e9? (Logo que MANUEL JO\u00c3O ouve bater na porta, esconde os pratos na gaveta e lambe os dedos.)<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, dentro &#8211; D\u00e1 licen\u00e7a, Senhor MANUEL JO\u00c3O?<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Entre quem \u00e9.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, entrando &#8211; Deus esteja nesta casa.<\/p>\n<p>MARIA ROSA e MANUEL JO\u00c3O &#8211; Am\u00e9m.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Um criado da Senhora Dona e da Senhora Doninha.<\/p>\n<p>MARIA ROSA e ANINHA &#8211; Uma sua criada. (Cumprimentam.)<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; O senhor por aqui a estas horas \u00e9 novidade.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Venho da parte do senhor juiz de paz intim\u00e1-lo para levar um recruta \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; \u00d3 homem, n\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m que sirva para isto?<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Todos se recusam do mesmo modo, e o servi\u00e7o no entanto h\u00e1-de se fazer.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Sim, os pobres \u00e9 que o pagam.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Meu amigo, isto \u00e9 falta de patriotismo. V\u00f3s bem sabeis que \u00e9 preciso mandar gente para o Rio Grande; quando n\u00e3o, perdemos esta prov\u00edncia.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; E que me importa eu com isso? Quem as armou que as desarme.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Mas, meu amigo, os rebeldes t\u00eam feito por l\u00e1 horrores!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; E que quer o senhor que se lhe fa\u00e7a? Ora \u00e9 boa!<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; N\u00e3o diga isto, Senhor MANUEL JO\u00c3O, a rebeli\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, gritando &#8211; E que me importa eu com isso?&#8230; E o senhor a dar-lhe&#8230;<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, zangado &#8211; O senhor juiz manda dizer-lhe que se n\u00e3o for, ir\u00e1 preso.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Pois diga com todos os diabos ao senhor juiz que l\u00e1 irei.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, \u00e0 parte &#8211; Em boa hora o digas. Apre! custou-me achar um guarda&#8230; \u00c0s vossas ordens.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Um seu criado.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Sentido nos seus c\u00e3es.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; N\u00e3o mordem.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Senhora Dona, passe muito bem. (Sai o ESCRIV\u00c3O.)<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Mulher, arranja esta saia, enquanto me vou fardar. (Sai M. Jo\u00e3o.)<\/p>\n<h2>CENA VI<\/h2>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Pobre homem! Ir \u00e0 cidade somente para levar um preso! Perder assim um dia de trabalho&#8230;<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Minha m\u00e3e, pra que \u00e9 que mandam a gente presa para a cidade?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Pra irem \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Coitados!<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; N\u00e3o se d\u00e1 maior injusti\u00e7a! Manoel Jo\u00e3o est\u00e1 todos os dias vestindo a farda. Ora pra levar presos, ora pra dar nos quilombos&#8230; \u00c9 um nunca acabar.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Mas meu pai pra que vai?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Porque o juiz de paz o obriga.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Ora, ele podia ficar em casa; e se o juiz de paz c\u00e1 viesse busc\u00e1-lo, n\u00e3o tinha mais que iscar a Jib\u00f3ia e a Boca-Negra.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; \u00c9s uma tolinha! E a cadeia ao depois?<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Ah, eu n\u00e3o sabia.<\/p>\n<h2>CENA VII<\/h2>\n<p>Entra MANUEL JO\u00c3O com a mesma cal\u00e7a e jaqueta de chita, tamancos, barretina da Guarda Nacional, cintur\u00e3o com baioneta e um grande pau na m\u00e3o.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, entrando &#8211; Estou fardado. Adeus, senhora, at\u00e9 amanh\u00e3. (D\u00e1 um abra\u00e7o.)<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Aben\u00e7a, meu pai.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Adeus, menina.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Como meu pai vai \u00e0 cidade, n\u00e3o se esque\u00e7a dos sapatos franceses que me prometeu.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Pois sim.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; De caminho compre carne.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Sim. Adeus, minha gente, adeus.<\/p>\n<p>MARIA ROSA e ANINHA &#8211; Adeus! (Acompanham-no at\u00e9 a porta.)<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, \u00e0 porta &#8211; N\u00e3o se esque\u00e7a de mexer a farinha e de dar que comer \u00e0s galinhas.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; N\u00e3o. Adeus! (Sai MANUEL JO\u00c3O.)<\/p>\n<h2>CENA VIII<\/h2>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Menina, ajuda-me a levar estes pratos para dentro. S\u00e3o horas de tu ires colher o caf\u00e9 e de eu ir mexer a farinha&#8230; Vamos.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Vamos, minha m\u00e3e. (Andando:) Tomara que meu pai n\u00e3o se esque\u00e7a dos meus sapatos&#8230; (Saem.)<\/p>\n<h2>CENA IX<\/h2>\n<p>Sala em casa do juiz de paz. Mesa no meio com pap\u00e9is; cadeiras. Entra o juiz de paz vestido de cal\u00e7a branca, rodaque de riscado, chinelas verdes e sem gravata.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Vamo-nos preparando para dar audi\u00eancia. (Arranja os pap\u00e9is.) O escriv\u00e3o j\u00e1 tarda; sem d\u00favida est\u00e1 na venda do Manuel do Coqueiro&#8230; O \u00faltimo recruta que se fez j\u00e1 vai-me fazendo peso. Nada, n\u00e3o gosto de presos em casa. Podem fugir, e depois dizem que o juiz recebeu algum presente. (Batem \u00e0 porta.) Quem \u00e9? Pode entrar. (Entra um preto com um cacho de bananas e uma carta, que entrega ao juiz. JUIZ, lendo a carta:) &#8220;Il.mo Sr. &#8211; Muito me alegro de dizer a V. S.\u00aa que a minha ao fazer desta \u00e9 boa, e que a mesma desejo para V.S.\u00aa pelos circuncl\u00f3quios com que lhe venero&#8221;. (Deixando de ler:) Circunl\u00f3quios&#8230; Que nome em breve! O que querer\u00e1 ele dizwer? Continuemos. (Lendo:) &#8220;Tomo a liberdade de mandar a V.S.\u00aa um cacho de bananas-ma\u00e7\u00e3s para V.S.\u00aa comer com a sua boca e dar tamb\u00e9m a comer \u00e0 Sr.\u00aa Ju\u00edza e aos Srs. JUIZinhos. V.S.\u00aa h\u00e1-de reparar na insignific\u00e2ncia do presente; por\u00e9m, Il.mo Sr., as reformas da Constitui\u00e7\u00e3o permitem a cada um fazer o que quiser, e mesmo fazer presentes; ora, mandando assim as ditas reformas, V.S.\u00aa far\u00e1 o favor de aceitar as ditas bananas, que diz minha Teresa Ova serem muito boas. No mais, receba as ordens de quem \u00e9 seu venerador e tem a honra de ser &#8211; MANUEL ANDR\u00c9 de Sapiruruca.&#8221; &#8211; Bom, tenho bananas para a sobremesa. \u00d3 pai, leva estas bananas para dentro e entrega \u00e0 senhora. Toma l\u00e1 um vint\u00e9m para teu tabaco. (Sai o negro.) O certo \u00e9 que \u00e9 bem bom ser juiz de paz c\u00e1 pela ro\u00e7a. De vez em quando temos nossos presentes de galinhas, bananas, ovos, etc., etc. (Batem \u00e0 porta.) Quem \u00e9?<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, dentro &#8211; Sou eu.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Ah, \u00e9 o escriv\u00e3o. Pode entrar.<\/p>\n<h2>CENA X<\/h2>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; J\u00e1 intimei MANUEL JO\u00c3O para levar o preso \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Bom. Agora vamos n\u00f3s preparar a audi\u00eancia. (Assentam-se ambos \u00e0 mesa e o juiz toca a campainha.) Os senhores que est\u00e3o l\u00e1 fora no terreiro podem entrar. (Entram todos os lavradores vestidos como roceiros; uns de jaqueta de chita, chap\u00e9u de palha, cal\u00e7as brancas de ganga, de tamancos, descal\u00e7os; outros cal\u00e7am os sapatos e meias quando entram, etc. TOM\u00c1S traz um leit\u00e3o debaixo do bra\u00e7o.) Est\u00e1 aberta a audi\u00eancia. Os seus requerimentos?<\/p>\n<h3>CENA XI<\/h3>\n<p>IN\u00c1CIO JOS\u00c9, FRANCISCO ANT\u00d4NIO, MANUEL ANDR\u00c9 e SAMPAIO entregam seus requerimentos.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Sr. ESCRIV\u00c3O, fa\u00e7a o favor de ler.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, lendo &#8211; Diz IN\u00c1CIO JOS\u00c9, natural desta freguesia e casado com JOSEFA JOAQUINA, sua mulher na face da Igreja, que precisa que Vossa Senhoria mande a GREG\u00d3RIO degradado para fora da terra, pois teve o atrevimento de dar um ambigada em sua mulher, na encruzilhada do Pau-Grande, que quase a fez abortar, da qual embigada fez cair a dita sua mulher de pernar para o ar. Portanto pede a Vossa Senhoria mande o dito GREG\u00d3RIO degradado para Angola. E.R.M.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; \u00c9 verdade, Sr. GREG\u00d3RIO, que o senhor deu uma embigada na senhora?<\/p>\n<p>GREG\u00d3RIO &#8211; \u00c9 mentira, Sr. juiz de paz, eu n\u00e3o dou embigadas em bruxas.<\/p>\n<p>JOSEFA JOAQUINA &#8211; Bruxa \u00e9 a marafona de tua mulher, malcriado! J\u00e1 n\u00e3o se lembra que me deu uma embigada, e que me deixou uma marca roxa na barriga? Se o senhor quer ver, posso mostrar.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Nada, nada, n\u00e3o \u00e9 preciso; eu o creio.<\/p>\n<p>JOSEFA JOAQUINA &#8211; Sr. juiz, n\u00e3o \u00e9 a primeira embigada que este homem me d\u00e1; eu \u00e9 que n\u00e3o tenho querido contar a meu marido.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Est\u00e1 bom, senhora, sossegue. Sr. IN\u00c1CIO JOS\u00c9, deixe-se destwas asneiras, dar embigadas n\u00e3o \u00e9 crime classificado no C\u00f3digo. Sr. GREG\u00d3RIO, fa\u00e7a o favor de n\u00e3o dar mais embigadas na senhora; quando n\u00e3o, arrumo-lhe com as leis \u00e0s costas e meto-o na cadeia. Queiram-se retirar.<\/p>\n<p>IN\u00c1CIO JOS\u00c9, para GREG\u00d3RIO &#8211; L\u00e1 fora me pagar\u00e1s.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; \u00a8Est\u00e3o conciliados. (IN\u00c1CIO JOS\u00c9, GREG\u00d3RIO e JOSEFA [Joaquina] saem.) Sr. escriv\u00e3o, leia outro requerimento.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, lendo &#8211; &#8220;O abaixo-assinado vem dar os parab\u00e9ns a V.S.\u00aa por ter entrado com sa\u00fade no novo ano financeiro. Eu, Il.&#8221; sr. juiz de paz, sou senhor de um s\u00edtio que est\u00e1 na beira do rio, aonde d\u00e1 muito boas bananas e laranjas, e como v\u00eam de encaixe, pelo a V.S.\u00aa o favor de aceitar um cestinho das mesmas que eu mandarei hoje \u00e0 tarde. Mas, como ia dizendo, o dito s\u00edtio foi comprado com o dinheiro que minha mulher ganhou nas costuras e outras cousas mais; e, vai sen\u00e3o quando, um meu vizinho, homem da ra\u00e7a do Judas, diz que metade do s\u00edtio \u00e9 dele. E ent\u00e3o, que lhe parece, sr. juiz, n\u00e3o \u00e9 desaforo? Mas, como ia dizendo, pe\u00e7o a V.S.\u00aa para vir assistir \u00e0 marca\u00e7\u00e3o do s\u00edtio. MANUEL ANDR\u00c9. E.R.M.&#8221;<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; N\u00e3o posso deferir por estar muito atravancado com um ro\u00e7ado; portanto, requeira ao suplente, que \u00e9 o meu compadre Pantale\u00e3o.<\/p>\n<p>MANUEL ANDR\u00c9 &#8211; Mas, sr. juiz, ele tamb\u00e9m est\u00e1 ocupado com uma planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Voc\u00ea replica? Olhe que o mando para a cadeia.<\/p>\n<p>MANUEL ANDR\u00c9 &#8211; Vossa Senhoria n\u00e3o pode prender-me \u00e0 toa; a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o manda.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; A Constitui\u00e7\u00e3o!&#8230; Est\u00e1 bem!&#8230; Eu, o juiz de paz, hei por bem derrogar a Constitui\u00e7\u00e3o! Sr. escriv\u00e3o, tome termo que a Constitui\u00e7\u00e3o est\u00e1 derrogada, e mande-me prender este homem.<\/p>\n<p>MANUEL ANDR\u00c9 &#8211; Isto \u00e9 uma injusti\u00e7a!<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Ainda fala? Suspendo-lhe as garantias&#8230;<\/p>\n<p>MANUEL ANDR\u00c9 &#8211; \u00c9 desaforo&#8230;<\/p>\n<p>JUIZ, levantando-se &#8211; Brejeiro!&#8230; (MANUEL ANDR\u00c9 corre; o juiz vai atr\u00e1s.) Pega&#8230; Pega&#8230; L\u00e1 se foi&#8230; Que o leve o diabo. (Assenta-se.) Vamos \u00e0s outras partes.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, lendo &#8211; Diz Jo\u00e3o de SAMPAIO que, sendo ele &#8220;senhor absoluto de um leit\u00e3o que teve a porca mais velha da casa, aconteceu que o dito acima referido leit\u00e3o furasse a cerca do Sr. TOM\u00c1S pela parte de tr\u00e1s, e com a sem-cerim\u00f4nia que tem todo o porco, fossasse a horta do mesmo senhor. Vou a respeito de dizer, Sr. JUIZ, que o leit\u00e3o, carece agora advertir, n\u00e3o tem culpa, porque nunca vi um porco pensar como um c\u00e3o, que \u00e9 outra qualidade de alim\u00e1ria e que pensa \u00e0s vezes como um homem. Para V.S.\u00aa n\u00e3o pensar que minto, lhe conto uma hist\u00f3ria: a minha cadela Tr\u00f3ia, aquela mesma que escapou de morder a V.S.\u00aa naquela noite, depois que lhe dei uma tunda nunca mais comeu na cuia com os pequenos. Mas vou a respeito de dizer que o Sr. TOM\u00c1S n\u00e3o tem raz\u00e3o em querer ficar com o leit\u00e3o s\u00f3 porque comeu tr\u00eas ou quatro cabe\u00e7as de nabo. Assim, pe\u00e7o a V.S.\u00aa que mande entregar-me o leit\u00e3o. E.R.M.&#8221;<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; \u00c9 verdade, Sr. TOM\u00c1S, o que o Sr. SAMPAIO diz?<\/p>\n<p>TOM\u00c1S &#8211; \u00c9 verdade que o leit\u00e3o era dele, por\u00e9m agora \u00e9 meu.<\/p>\n<p>SAMPAIO &#8211; Mas se era meu, e o senhor nem mo comprou, nem eu lho dei, como pode ser seu?<\/p>\n<p>TOM\u00c1S &#8211; \u00c9 meu, tenho dito.<\/p>\n<p>SAMPAIO &#8211; Pois n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o senhor. (Agarram ambos no leit\u00e3o e puxam, cada um para sua banda.)<\/p>\n<p>JUIZ, levantando-se &#8211; Larguem o pobre animal, n\u00e3o o matem!<\/p>\n<p>TOM\u00c1S &#8211; Deixe-me, senhor!<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Sr. ESCRIV\u00c3O, chame o meirinho. (Os dous apartam-se.) Espere, Sr. ESCRIV\u00c3O, n\u00e3o \u00e9 preciso. (Assenta-se.) Meus senhores, s\u00f3 vejo um modo de conciliar esta contenda, que \u00e9 darem os senhores este leit\u00e3o de presente a alguma pessoa. N\u00e3o digo com isso que mo d\u00eaem.<\/p>\n<p>TOM\u00c1S &#8211; Lembra Vossa Senhoria bem. Pe\u00e7o licen\u00e7a a Vossa Senhoria para lhe oferecer.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Muito obrigado. \u00c9 o senhor um homem de bem, que n\u00e3o gosta de demandas. E que diz o Sr. SAMPAIO?<\/p>\n<p>SAMPAIO &#8211; Vou a respeito de dizer que se Vossa Senhoria aceitar, fico contente.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Muito obrigado, muito obrigado! Fa\u00e7a o favor de deixar ver. \u00d3 homem, est\u00e1 gordo, tem toucinho de quatro dedos. Com efeito! Ora, Sr. TOM\u00c1S, eu que gosto tanto de porco com ervilha!<\/p>\n<p>TOM\u00c1S &#8211; Se Vossa Senhoria quer, posso mandar algumas.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Faz-me muito favor. Tome o leit\u00e3o e bote no chiqueiro quando passar. Sabe aonde \u00e9?<\/p>\n<p>TOM\u00c1S, tomando o leit\u00e3o &#8211; Sim senhor.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Podem se retirar, est\u00e3o conciliados.<\/p>\n<p>SAMPAIO &#8211; Tenho ainda um requerimento que fazer.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Ent\u00e3o, qual \u00e9?<\/p>\n<p>SAMPAIO &#8211; Desejava que Vossa Senhoria mandasse citar a Assembl\u00e9ia Provincial.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; \u00d3 homem! Citar a Assembl\u00e9ia Provincial? E para qu\u00ea?<\/p>\n<p>SAMPAIO &#8211; Pra mandar fazer cercado de espinhos em todas as hortas.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Isto \u00e9 imposs\u00edvel! A Assembl\u00e9ia Provincial n\u00e3o pode ocupar-se com estas insignific\u00e2ncias.<\/p>\n<p>TOM\u00c1S &#8211; Insignific\u00e2ncia, bem! Mas os votos que Vossa Senhoria pediu-me para aqueles sujeitos n\u00e3o era insignific\u00e2ncia. Ent\u00e3o me prometeu mundos e fundos.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Est\u00e1 bom, veremos o que poderei fazer. Queiram-se retirar. Est\u00e3o conciliados; tenho mais que fazer (Saem os dous.) Sr. ESCRIV\u00c3O, fa\u00e7a o favor de&#8230; (Levanta-se apressado e, chegando \u00e0 porta, grita para fora:) \u00d3 Sr. TOM\u00c1S! N\u00e3o se esque\u00e7a de deixar o leit\u00e3o no chiqueiro!<\/p>\n<p>TOM\u00c1S, ao longe &#8211; Sim senhor.<\/p>\n<p>JUIZ, assentando-se &#8211; Era muito capaz de esquecer. Sr. ESCRIV\u00c3O, leia o outro requerimento.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O, lendo &#8211; Diz FRANCISCO ANT\u00d4NIO, natural de Portugal, por\u00e9m brasileiro, que tendo ele casado com Rosa de Jesus, trouxe esta por dote uma \u00e9gua. &#8220;Ora, acontecendo ter a \u00e9gua de minha mulher um filho, o meu vizinho JOS\u00c9 da Silva diz que \u00e9 dele, s\u00f3 porque o dito filho da \u00e9gua de minha mulher saiu malhado como o seu cavalo. Ora, como os filhos pertencem \u00e0s m\u00e3es, e a prova disto \u00e9 que a minha escrava Maria tem um filho que \u00e9 meu, pe\u00e7o a V.S.\u00aa mande o dito meu vizinho entregar-me o filho da \u00e9gua que \u00e9 de minha mulher.&#8221;<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; \u00c9 de verdade que o senhor tem o filho da \u00e9gua preso?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 da Silva &#8211; \u00c9 verdade; por\u00e9m o filho me pertence, pois \u00e9 meu, que \u00e9 do cavalo.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Ter\u00e1 a bondade de entregar o filho a seu dono, pois \u00e9 aqui da mulher do senhor.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 da Silva &#8211; Mas, Sr. JUIZ&#8230;<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Nem mais nem meios mais; entregue o filho, sen\u00e3o, cadeia.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 da Silva &#8211; Eu vou queixar-me ao Presidente.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Pois v\u00e1, que eu tomarei a apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 da Silva &#8211; E eu embargo.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Embargue ou n\u00e3o embargue, embargue com trezentos mil diabos, que eu n\u00e3o concederei revista no auto do processo!<\/p>\n<p>JOS\u00c9 da Silva &#8211; Eu lhe mostrarei, deixe estar.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Sr. ESCRIV\u00c3O, n\u00e3o d\u00ea anistia a este rebelde, e mande-o agarrar para soldado.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 da Silva, com humildade &#8211; Vossa Senhoria n\u00e3o se arrenegue! Eu entregarei o pequira.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Pois bem , retirem-se; est\u00e3o conciliados. (Saem os dous.) N\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m? Bom, est\u00e1 fechada a sess\u00e3o. Hoje cansaram-me!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, dentro &#8211; D\u00e1 licen\u00e7a?<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Quem \u00e9? Pode entrar.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, entrando &#8211; Um criado de Vossa Senhoria.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Oh, \u00e9 o senhor? Queira ter a bondade de esperar um pouco, enquanto vou buscar o preso. (Abre uma porta do lado.) Queira sair para fora.<\/p>\n<h3>CENA XII<\/h3>\n<p>Entra JOS\u00c9.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Aqui est\u00e1 o recruta; queira levar para a cidade. Deixe-o no quartel do Campo de Santana e v\u00e1 levar esta parte ao general. (D\u00e1-lhe um papel.)<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Sim senhor. Mas, Sr. JUIZ, isto n\u00e3o podia ficar para amanh\u00e3? Hoje j\u00e1 \u00e9 tarde, pode anoitecer no caminho e o sujeitinho fugir.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Mas aonde h\u00e1-de ele ficar? Bem sabe que n\u00e3o temos cadeias.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Isto \u00e9 o diabo!<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; S\u00f3 se o senhor quiser lev\u00e1-lo para sua casa e prend\u00ea-lo at\u00e9 amanh\u00e3, ou num quarto, ou na casa da farinha.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Pois bem, levarei.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Sentido que n\u00e3o fuja.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Sim senhor. Rapaz, acompanha-me. (Saem MANUEL JO\u00c3O e JOS\u00c9.)<\/p>\n<h3>CENA XIII<\/h3>\n<p>JUIZ &#8211; Agora vamos n\u00f3s jantar. (Quando se disp\u00f5em para sair, batem \u00e0 porta.) Mais um! Estas gentes pensam que um juiz \u00e9 de ferro! Entre quem \u00e9!<\/p>\n<h3>CENA XIV<\/h3>\n<p>Entra JOSEFA [Joaquina] com tr\u00eas galinhas penduradas na m\u00e3o e uma cuia com ovos.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Ordena alguma cousa?<\/p>\n<p>JOSEFA [Joaquina] &#8211; Trazia este presente para o Sr. JUIZ. Queira perdoar n\u00e3o ser cousa capaz. N\u00e3o trouxe mais porque a peste deu l\u00e1 em casa, que s\u00f3 ficaram estas que trago, e a carij\u00f3 que ficou chocando.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Est\u00e1 bom; muito obrigado pela sua lembran\u00e7a. Quer jantar?<\/p>\n<p>JOSEFA [Joaquina] &#8211; Vossa Senhoria fa\u00e7a o seu gosto, que este \u00e9 o meu que j\u00e1 fiz em casa.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Ent\u00e3o, com sua licen\u00e7a.<\/p>\n<p>JOSEFA [Joaquina] &#8211; Uma sua criada. (Sai.)<\/p>\n<h3>CENA XV<\/h3>\n<p>JUIZ, com as galinhas nas m\u00e3os &#8211; Ao menos com esta visita lucrei. Sr. ESCRIV\u00c3O, veja como est\u00e3o gordas! Levam a m\u00e3o abaixo. Ent\u00e3o, que diz?<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Parecem uns perus.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Vamos jantar. Traga estes ovos. (Saem.)<\/p>\n<h3>CENA XVI<\/h3>\n<p>Casa de MANUEL JO\u00c3O. Entram MARIA ROSA e ANINHA com um sambor\u00e1 na m\u00e3o.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Estou mo\u00edda! J\u00e1 mexi dous alqueires de farinha.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Minha m\u00e3e, aqui est\u00e1 o caf\u00e9.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Bota a\u00ed. Aonde estar\u00e1 aquele maldito negro?<\/p>\n<h3>CENA XVII<\/h3>\n<p>Entram MANUEL JO\u00c3O e JOS\u00c9.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Deus esteja esta casa.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; MANUEL JO\u00c3O!&#8230;<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Meu pai!&#8230;<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, para JOS\u00c9 &#8211; Fa\u00e7a o favor de entrar.<\/p>\n<p>ANINHA, \u00e0 parte &#8211; Meu Deus, \u00e9 ele!<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; O que \u00e9 isto? N\u00e3o foste para a cidade?<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; N\u00e3o, porque era tarde e n\u00e3o queria que este sujeito fugisse no caminho.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Ent\u00e3o quando vais?<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Amanh\u00e3 de madrugada. Este amigo dormir\u00e1 trancado naquele quarto. Donde est\u00e1 a chave?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Na porta.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Amigo, venha c\u00e1. (Chega \u00e0 porta do quarto e diz:) Ficar\u00e1 aqui at\u00e9 amanh\u00e3. L\u00e1 dentro h\u00e1 uma cama; entre. (JOS\u00c9 entra.) Bom, est\u00e1 seguro. Senhora, vamos para dentro contar quantas d\u00fazias temos de bananas para levar amanh\u00e3 para a cidade. A chave fica em cima da mesa; lembrem-se, se me esquecer. (Saem MANUEL JO\u00c3O e MARIA ROSA.)<\/p>\n<h3>CENA XVIII<\/h3>\n<p>ANINHA, s\u00f3 &#8211; Vou dar-lhe escapula&#8230; Mas como se deixou prender?&#8230; Ele me contar\u00e1; vamos abrir. (Pega na chave que est\u00e1 sobre a mesa e abre a porta.) Saia para fora.<\/p>\n<p>JOS\u00c9, entrando &#8211; Oh, minha ANINHA, quanto te devo!<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Deixemo-nos de cumprimentos. Diga-me, como se deixou prender?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Assim que botei os p\u00e9s fora desta porta, encontrei com o juiz, que me mandou agarrar.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Coitado!<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; E se teu pai n\u00e3o fosse incumbido de me levar, estava perdido, havia ser soldado por for\u00e7a.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Se n\u00f3s fug\u00edssemos agora para nos casarmos?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Lembras muito bem. O vig\u00e1rio a estas horas est\u00e1 na igreja, e pode fazer-se tudo com brevidade.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Pois vamos, antes que meu pai venha.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Vamos. (Saem correndo.)<\/p>\n<h3>CENA XIX<\/h3>\n<p>MARIA ROSA, entrando &#8211; \u00d3 ANINHA! ANINHA&#8221; Aonde est\u00e1 esta maldita? ANINHA! Mas o que \u00e9 isto? Esta porta aberta? Ah! Sr. MANUEL JO\u00c3O! Sr. MANUEL JO\u00c3O!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, dentro &#8211; O que \u00e9 l\u00e1?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Venha c\u00e1 depressa. (Entra MANUEL JO\u00c3O em mangas de camisa.)<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Ent\u00e3o, o que \u00e9?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; O soldado fugiu!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; O que dizes, mulher?!<\/p>\n<p>MARIA ROSA, apontando para a porta &#8211; Olhe!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; O diabo! (Chega-se para o quarto.) \u00c9 verdade, fugiu! Tanto melhor, n\u00e3o terei o trabalho de o levar \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Mas ele n\u00e3o fugiu s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Hem?!<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; ANINHA fugiu com ele.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; ANINHA?!<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Sim.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Minha filha fugir com um vadio daqueles! Eis aqui o que fazem as guerras do Rio Grande!<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Ingrata! Filha ingrata!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; D\u00ea-me l\u00e1 minha jaqueta e meu chap\u00e9u, que quero ir \u00e0 casa do juiz de paz fazer queixa do que nos sucede. Hei-de mostrar \u00e0quele melquitrefe quem \u00e9 MANUEL JO\u00c3O&#8230; V\u00e1, senhora, n\u00e3o esteja a choramingar.<\/p>\n<h3>CENA XX<\/h3>\n<p>Entram JOS\u00c9 e ANINHA e ajoelham-se aos p\u00e9s de MANUEL JO\u00c3O.<\/p>\n<p>Ambos &#8211; Senhor!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; O que \u00e9 l\u00e1 isso?<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Meu pai, aqui est\u00e1 o meu marido.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Teu marido?!<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Sim senhor, seu marido. H\u00e1 muito tempo que nos amamos, e sabendo que n\u00e3o dar\u00edeis o vosso consentimento, fugimos e casamos na freguesia.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; E ent\u00e3o? Agora peguem com um trapo quente. Est\u00e1 bom, levantem-se; j\u00e1 agora n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio. (ANINHA e JOS\u00c9 levantam-se. ANINHA vai abra\u00e7ar a m\u00e3e.)<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; E minha m\u00e3e, me perdoa?<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; E quando \u00e9 que eu n\u00e3o hei-de perdoar-te? N\u00e3o sou tua m\u00e3e? (Abra\u00e7am-se.)<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; \u00c9 preciso agora irmos dar parte ao juiz de paz que voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o pode ser soldado, pois est\u00e1 casado. Senhora, v\u00e1 buscar minha jaqueta. (Sai MARIA ROSA.) Ent\u00e3o o senhor conta viver \u00e0 minha custa, e com o meu trabalho?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; N\u00e3o senhor, tamb\u00e9m tenho bra\u00e7os para ajudar; e se o senhor n\u00e3o quer que eu aqui viva, irei para a Corte.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; E que vai ser l\u00e1?<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Quando n\u00e3o possa ser outra cousa, serei ganhador da Guarda Nacional. Cada ronda rende mil-r\u00e9is e cada guarda tr\u00eas mil-r\u00e9is.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Ora, v\u00e1-se com os diabos, n\u00e3o seja tolo. (Entra MARIA ROSA com a jaqueta e chap\u00e9u, e de xale.)<\/p>\n<p>MARIA ROSA &#8211; Aqui est\u00e1.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, depois de vestir a jaqueta &#8211; Vamos pra casa do juiz.<\/p>\n<p>Todos &#8211; Vamos. (Saem.)<\/p>\n<h3>CENA XXI<\/h3>\n<p>Casa do JUIZ. Entra o JUIZ de Paz e [o] ESCRIV\u00c3O.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Agora que estamos com a pan\u00e7a cheia, vamos trabalhar um pouco. (Assentam-se \u00e0 mesa.)<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Vossa Senhoria vai amanh\u00e3 \u00e0 cidade?<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Vou, sim. Quero-me aconselhar com um letrado para saber como hei-de despachar alguns requerimentos que c\u00e1 tenho.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Pois Vossa Senhoria n\u00e3o sabe despachar?<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Eu? Ora essa \u00e9 boa! Eu entendo c\u00e1 disso? Ainda quando \u00e9 algum caso de embigada, passe; mas casos s\u00e9rios, \u00e9 outra cousa. Eu lhe conto o que me ia acontecendo um dia. Um meu amigo me aconselhou que, todas as vezes que eu n\u00e3o soubesse dar um despacho, que desse o seguinte: &#8220;N\u00e3o tem lugar.&#8221; Um dia apresentaram-me um requerimento de certo sujeito, queixando-se que sua mulher n\u00e3o queria viver com ele, etc. Eu, n\u00e3o sabendo que despacho dar, dei o seguinte: &#8220;N\u00e3o tem lugar.&#8221; Isto mesmo \u00e9 que queria a mulher; por\u00e9m [o marido] fez uma bulha de todos os diabos; foi \u00e0 cidade, queixou-se ao Presidente, e eu estive quase n\u00e3o quase suspenso. Nada, n\u00e3o me acontece outra.<\/p>\n<p>ESCRIV\u00c3O &#8211; Vossa Senhoria n\u00e3o se envergonha, sendo um juiz de paz?<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Envergonhar-me de qu\u00ea? O senhor ainda est\u00e1 muito de cor. Aqui para n\u00f3s, que ningu\u00e9m nos ouve, quantos ju\u00edzes de direito h\u00e1 por estas comarcas que n\u00e3o sabem aonde t\u00eam sua m\u00e3o direita, quanto mais ju\u00edzes de paz&#8230; E al\u00e9m disso, cada um faz o que sabe. (Batem.) Quem \u00e9?<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O, dentro &#8211; Um criado de Vossa Senhoria.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Pode entrar.<\/p>\n<h3>CENA XXII<\/h3>\n<p>Entram MANUEL JO\u00c3O, MARIA ROSA, ANINHA e JOS\u00c9.<\/p>\n<p>JUIZ, levantando-se &#8211; Ent\u00e3o, o que \u00e9 isto? Pensava que j\u00e1 estava longe daqui!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; N\u00e3o senhor, ainda n\u00e3o fui.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Isso vejo eu.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Este rapaz n\u00e3o pode ser soldado.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Oh, uma rebeli\u00e3o? Sr. ESCRIV\u00c3O, mande convocar a Guarda Nacional e oficie ao Governo.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Vossa Senhoria n\u00e3o se aflija, este homem est\u00e1 casado.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Casado?!<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Sim senhor, e com minha filha.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Ah, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 rebeli\u00e3o&#8230; Mas vossa filha casada com um biltre destes?<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Tinha-o preso no meu quarto para lev\u00e1-lo amanh\u00e3 para a cidade; por\u00e9m a menina, que foi mais esperta, furtou a chave e fugiu com ele.<\/p>\n<p>ANINHA &#8211; Sim senhor, Sr. JUIZ. H\u00e1 muito tempo que o amo, e como achei ocasi\u00e3o, aproveitei.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; A menina n\u00e3o perde ocasi\u00e3o! Agora, o que est\u00e1 feito est\u00e1 feito. O senhor n\u00e3o ir\u00e1 mais para a cidade, pois j\u00e1 est\u00e1 casado. Assim, n\u00e3o falemos mais nisso. J\u00e1 que est\u00e3o aqui, h\u00e3o-de fazer o favor de tomar uma x\u00edcara de caf\u00e9 comigo, e dan\u00e7armos antes disto uma tirana. Vou mandar chamar mais algumas pessoas para fazerem a roda maior. (Chega \u00e0 porta.) \u00d3 Ant\u00f4nio! Vai \u00e0 venda do Sr. Manuel do Coqueiro e dize aos senhores que h\u00e1 pouco sa\u00edram daqui que fa\u00e7am o favor de chegarem at\u00e9 c\u00e1. (Para JOS\u00c9:) O senhor queira perdoar se o chamei de biltre; j\u00e1 aqui n\u00e3o est\u00e1 quem falou.<\/p>\n<p>JOS\u00c9 &#8211; Eu n\u00e3o me escandalizo; Vossa Senhoria tinha de algum modo raz\u00e3o, por\u00e9m eu me emendarei.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; E se n\u00e3o se emendar, tenho um reio.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Senhora Dona, queira perdoar se ainda a n\u00e3o cortejei. (Cumprimenta.)<\/p>\n<p>MARIA ROSA, cumprimentando &#8211; Uma criada de Sua Excel\u00eancia.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Obrigado, minha senhora&#8230; A\u00ed chegam os amigos.<\/p>\n<h3>CENA \u00daLTIMA<\/h3>\n<p>Os mesmos e os que estiveram em cena.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Sejam bem-vindos, meus senhores. (Cumprimentam-se.) Eu os mandei chamar para tomarem uma x\u00edcara de caf\u00e9 comigo e dan\u00e7armos um fado em obs\u00e9quio ao Sr. MANUEL JO\u00c3O, que casou sua filha hoje.<\/p>\n<p>Todos &#8211; Obrigado a Vossa Senhoria.<\/p>\n<p>IN\u00c1CIO JOS\u00c9, para MANUEL JO\u00c3O &#8211; Estimarei que sua filha seja feliz.<\/p>\n<p>Os outros &#8211; Da mesma sorte.<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Obrigado.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Sr. ESCRIV\u00c3O, fa\u00e7a o favor de ir buscar a viola. (Sai o ESCRIV\u00c3O.) N\u00e3o fa\u00e7am cerim\u00f4nia; suponham que est\u00e3o em suas casas&#8230; Haja liberdade. Esta casa n\u00e3o \u00e9 agora do juiz de paz &#8211; \u00e9 de Jo\u00e3o Rodrigues. Sr. TOM\u00c1S, faz-me o favor? (TOM\u00c1S chega-se para o juiz e este o leva para um canto.) O leit\u00e3o ficou no chiqueiro?<\/p>\n<p>TOM\u00c1S &#8211; Ficou, sim senhor.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; \/ Bom. (Para os outros:) Vamos arranjar a roda. A noiva dan\u00e7ar\u00e1 comigo, e o noivo com sua sogra. \u00d3 Sr. MANUEL JO\u00c3O, arranje outra roda&#8230; Vamos, vamos! (Arranjam as rodas; o escriv\u00e3o entra com uma viola.) Os outros senhores abanquem-se. Sr. ESCRIV\u00c3O, ou toque, ou d\u00ea a viola a algum dos senhores. Um fado bem rasgadinho&#8230; bem choradinho&#8230;<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Agora sou eu gente!<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Bravo, minha gente! Toque, toque! (Um dos atores toca a tirana na viola; os outros batem palmas e caquinhos, e os mais dan\u00e7am.<\/p>\n<p>Tocador,<\/p>\n<p>cantando &#8211;<\/p>\n<p>Ganinha, minha senhora,<br \/>\nDa maior venera\u00e7\u00e3o;<br \/>\nPassarinho foi-se embora.<br \/>\nMe deixou penas na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos &#8211;<\/p>\n<p>Se me d\u00e1s que com\u00ea,<br \/>\nSe me d\u00e1s que beb\u00ea,<br \/>\nSe me pagas as casas,<br \/>\nVou morar com voc\u00ea. (Dan\u00e7am.)<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Assim, meu povo! Esquenta, esquenta!&#8230;<\/p>\n<p>MANUEL JO\u00c3O &#8211; Aferventa!<\/p>\n<p>Tocador,<\/p>\n<p>cantando &#8211;<\/p>\n<p>Em cima daquele morro<br \/>\nH\u00e1 um p\u00e9 de anan\u00e1s;<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 homem neste mundo<br \/>\nComo o nosso juiz de paz.<\/p>\n<p>Todos &#8211;<\/p>\n<p>Se me d\u00e1s que com\u00ea,<br \/>\nSe me d\u00e1s que beb\u00ea,<br \/>\nSe me pagas as casas,<br \/>\nVou morar com voc\u00ea.<\/p>\n<p>JUIZ &#8211; Aferventa, aferventa!&#8230;<\/p>\n<p><strong>FIM<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Martins Pena Com\u00e9dia em 1 ato PERSONAGENS JUIZ DE PAZ ESCRIV\u00c3O DO JUIZ (DE PAZ) MANUEL JO\u00c3O, lavrador [guarda nacional] MARIA ROSA, sua mulher ANINHA, sua filha JOS\u00c9 [DA FONSECA], amante de Aninha IN\u00c1CIO JOS\u00c9 JOS\u00c9 DA SILVA FRANCISCO ANT\u00d5NIO MANUEL ANDR\u00c9 SAMPAIO (lavradores) TOM\u00c1S JOSEFA [JOAQUINA] GREG\u00d3RIO [Negros] [A cena \u00e9 na ro\u00e7a.] ATO [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-114088","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra O Juiz de Paz da Ro\u00e7a<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra, Pe\u00e7a, Martins Pena, Ato \u00danico, Personagens, Manoel Jo\u00e3o, Maria Rosa, Literatura, O Juiz de Paz da Ro\u00e7a\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra O Juiz de Paz da Ro\u00e7a\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra, Pe\u00e7a, Martins Pena, Ato \u00danico, Personagens, Manoel Jo\u00e3o, Maria Rosa, Literatura, O Juiz de Paz da Ro\u00e7a\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-03-17T12:29:19+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"32 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a\",\"datePublished\":\"2017-03-17T12:29:19+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca\"},\"wordCount\":6308,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca\",\"name\":\"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra O Juiz de Paz da Ro\u00e7a\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-03-17T12:29:19+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"description\":\"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra, Pe\u00e7a, Martins Pena, Ato \u00danico, Personagens, Manoel Jo\u00e3o, Maria Rosa, Literatura, O Juiz de Paz da Ro\u00e7a\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-juiz-de-paz-da-roca#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\",\"name\":\"Fabiane Breda\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra O Juiz de Paz da Ro\u00e7a","description":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra, Pe\u00e7a, Martins Pena, Ato \u00danico, Personagens, Manoel Jo\u00e3o, Maria Rosa, Literatura, O Juiz de Paz da Ro\u00e7a","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra O Juiz de Paz da Ro\u00e7a","og_description":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra, Pe\u00e7a, Martins Pena, Ato \u00danico, Personagens, Manoel Jo\u00e3o, Maria Rosa, Literatura, O Juiz de Paz da Ro\u00e7a","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-03-17T12:29:19+00:00","author":"Fabiane Breda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Fabiane Breda","Est. tempo de leitura":"32 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca"},"author":{"name":"Fabiane Breda","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"headline":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a","datePublished":"2017-03-17T12:29:19+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca"},"wordCount":6308,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca","name":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra O Juiz de Paz da Ro\u00e7a","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-03-17T12:29:19+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"description":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a, Obra, Pe\u00e7a, Martins Pena, Ato \u00danico, Personagens, Manoel Jo\u00e3o, Maria Rosa, Literatura, O Juiz de Paz da Ro\u00e7a","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-juiz-de-paz-da-roca#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"O Juiz de Paz da Ro\u00e7a"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa","name":"Fabiane Breda"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114088\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}