{"id":113569,"date":"2017-03-14T16:59:44","date_gmt":"2017-03-14T18:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=113569"},"modified":"2017-03-14T16:59:44","modified_gmt":"2017-03-14T18:59:44","slug":"governo-cafe-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-do-brasil\/governo-cafe-filho","title":{"rendered":"Governo Caf\u00e9 Filho"},"content":{"rendered":"<p><b>Nome:<\/b> Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho<br \/>\n<b>Nascimento: <\/b>3 de fevereiro de 1899<br \/>\n<b>Local: <\/b>Natal, estado do Rio Grande do Norte<br \/>\n<b>Profiss\u00e3o: <\/b>Advogado<b><br \/>\nPer\u00edodo de Governo: <\/b>24.08.1954 a 11.11.1955 (01a02m20d)<br \/>\n<b>Idade ao assumir: <\/b>55 anos<br \/>\n<b>Posse:<\/b> em 03.09.1954, em sess\u00e3o conjunta no Pal\u00e1cio da C\u00e2mara dos Deputados presidida pelo Senador Alexandre Marcondes Filho<br \/>\n<b>Falecimento: <\/b>20 de fevereiro de 1970, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<h4><strong>Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho &#8211; Vida<\/strong><\/h4>\n<p>O vice-presidente <strong>Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho<\/strong> atuou a maior parte do restante do mandato de Vargas e realizou os preparativos para a elei\u00e7\u00e3o presidencial de outubro de 1955.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-113571 size-full\" title=\"Governo Caf\u00e9 Filho\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/governo-cafe-filho-32.jpg\" alt=\"Governo Caf\u00e9 Filho\" width=\"204\" height=\"282\" \/><br \/>\nCaf\u00e9 Filho<\/strong><\/p>\n<p><b>Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho <\/b>nasceu em Natal no dia 3 de fevereiro de 1899, filho de <strong>Jo\u00e3o Fernandes Campos Caf\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p>Seu av\u00f4 fora senhor de engenhos em Cear\u00e1-Mirim (RN), mas seu pai perdeu as terras herdadas e tornou-se funcion\u00e1rio p\u00fablico na capital do estado.<\/p>\n<p>Durante o curso b\u00e1sico, Caf\u00e9 Filho freq\u00fcentou o Col\u00e9gio Americano, o Grupo Escolar Augusto Severo, a Escola Normal e o Ateneu Norte-Rio-Grandense, todos localizados em Natal. No fim do secund\u00e1rio, come\u00e7ou a assistir a julgamentos realizados no Tribunal do J\u00fari, definindo assim sua voca\u00e7\u00e3o pela advocacia.<\/p>\n<p>Mudou-se para Recife em 1917, passando a trabalhar como comerci\u00e1rio para custear os estudos na Academia de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Comerciais e em curso na \u00e1rea de eletrot\u00e9cnica. Retornou a Natal sem concluir seus estudos superiores, mas, mesmo assim, baseado na sua experi\u00eancia pr\u00e1tica junto aos tribunais, prestou concurso para advogado do Tribunal de Justi\u00e7a, obtendo \u00eaxito. Passou ent\u00e3o a atuar na capital e no interior do estado, quase sempre em defesa de estivadores, tecel\u00f5es, pescadores e outras categorias de trabalhadores, tornando-se em pouco tempo advogado de grande prest\u00edgio junto \u00e0s camadas populares e alvo de press\u00f5es por parte das oligarquias dominantes.<\/p>\n<p>A atividade regular de Caf\u00e9 Filho no campo do jornalismo come\u00e7ou em 1921, quando fundou o Jornal do Norte, impresso nas oficinas de A Opini\u00e3o, \u00f3rg\u00e3o oposicionista. Ao lado dos freq\u00fcentes artigos sobre as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores da regi\u00e3o, Caf\u00e9 passou a apoiar a Rea\u00e7\u00e3o Republicana, movimento que lan\u00e7ou a candidatura de Nilo Pe\u00e7anha \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Junto com Reginaldo Cavalcanti, organizou a visita do candidato ao Rio Grande do Norte, atacando duramente nos com\u00edcios eleitorais as oligarquias dominantes no estado. A vit\u00f3ria no pleito presidencial de mar\u00e7o de 1922 coube a Artur Bernardes, cujo governo, iniciado em 15 de novembro seguinte, foi marcado pelo recrudescimento da repress\u00e3o aos grupos oposicionistas em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho disputou, sem \u00eaxito, uma cadeira de vereador em Natal no ano de 1923. Segundo seu livro de mem\u00f3rias, convenceu-se ent\u00e3o de que o sistema eleitoral. vigente garantia a reprodu\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio olig\u00e1rquico e decidiu &#8220;seguir rumos mais violentos&#8221; a fim de &#8220;sobreviver politicamente aos dominadores do estado&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda em 1923, participou de greves e manifesta\u00e7\u00f5es de trabalhadores ocorridas em Natal, tendo se destacado durante o movimento dos pescadores do bairro das Rocas, que sofreu dura repress\u00e3o policial. Advogado dos pescadores, acabou sendo preso junto com seus l\u00edderes, num epis\u00f3dio que contribuiu para aumentar sua popularidade.<\/p>\n<p>Em seguida, atuou com destaque a favor de uma greve vitoriosa dos estivadores por aumento salarial e em um movimento que, iniciado pelos oper\u00e1rios t\u00eaxteis, acabou se transformando em uma greve geral na capital do estado. Nessa ocasi\u00e3o, escapou de um cerco policial \u00e0 sua resid\u00eancia e, acompanhado de sua esposa, Jandira Fernandes de Oliveira Caf\u00e9, fugiu para Bezerros (PE). A\u00ed conseguiu emprego na prefeitura gra\u00e7as \u00e0 sua amizade com o delegado de pol\u00edcia, e passou a editar o Correio de Bezerros.<\/p>\n<p>Mudou-se para Recife em 1925, tornando-se diretor do jornal A Noite, onde passou a escrever reportagens e propaganda pol\u00edtica. Ainda nesse ano, redigiu uma proclama\u00e7\u00e3o pedindo que os soldados, cabos, sargentos e oficiais jovens se recusassem a combater a Coluna Miguel Costa-Prestes, que chegava ao Nordeste depois de percorrer grandes extens\u00f5es do territ\u00f3rio nacional pregando uma revolu\u00e7\u00e3o antiolig\u00e1rquica.<\/p>\n<p>Processado, retornou a Natal, onde recebeu a not\u00edcia de que fora condenado a tr\u00eas meses de pris\u00e3o. Viajou ent\u00e3o para a Bahia e, durante o ano de 1927, viveu nas cidades de Campo Formoso e ltabuna com o nome de Sen\u00edlson Pessoa Cavalcanti. Decidido a viver novamente em Natal, retornou, apresentou-se \u00e0s autoridades e cumpriu sua pena no Esquadr\u00e3o de Cavalaria da For\u00e7a P\u00fablica do Rio Grande do Norte. Quando recuperou a liberdade, recebeu uma grande manifesta\u00e7\u00e3o de solidariedade, dissolvida pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Voltou a concorrer a uma cadeira na C\u00e2mara Municipal de Natal em 1928. Segundo suas mem\u00f3rias, conseguiu eleger-se, assim como diversos candidatos da oposi\u00e7\u00e3o, mas o governador Juvenal Lamartine de Faria mandou queimar as atas eleitorais e falsificou o resultado, garantindo para seus partid\u00e1rios a maioria das vagas.<\/p>\n<p>Pouco depois, Caf\u00e9 Filho preparou a recep\u00e7\u00e3o a Joaquim Francisco de Assis Brasil e seus correligion\u00e1rios, que percorriam o pa\u00eds com integrantes da caravana da Alian\u00e7a Libertadora, partido fundado em 1927 por pol\u00edticos de S\u00e3o Paulo e do Rio Grande do Sul com o objetivo de aglutinar a oposi\u00e7\u00e3o em escala nacional. Os libertadores realizaram violentos com\u00edcios em Natal contra o governo de Juvenal Lamartine, que reagiu atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de repres\u00e1lias contra Caf\u00e9 Filho . Sua casa foi novamente cercada e os sindicatos em que trabalhava foram depredados, for\u00e7ando nova fuga de Caf\u00e9 para Recife.<\/p>\n<p>Transferiu-se para o Rio de Janeiro no in\u00edcio de 1929, tornando-se redator do jornal A Manh\u00e3, dirigido por Agripino Nazar\u00e9. Em agosto desse ano, formou-se a Alian\u00e7a Liberal, coliga\u00e7\u00e3o oposicionista de \u00e2mbito nacional apoiada pelos governos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Para\u00edba e por grande parte da jovem oficialidade do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho participou da conven\u00e7\u00e3o liberal realizada no Rio de Janeiro, ent\u00e3o Distrito Federal, em 20 de setembro a fim de oficializar o lan\u00e7amento da chapa Get\u00falio Vargas-Jo\u00e3o Pessoa para disputar as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de mar\u00e7o de 1930. Impedido de regressar ao Rio Grande do Norte, foi indicado por Assis Brasil para integrar a equipe que coordenava a campanha da Alian\u00e7a Liberal na Para\u00edba sob a lideran\u00e7a de Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>Chegando nesse estado em janeiro de 1930, reeditou o Jornal do Norte, que fora fechado em Natal, e passou a percorrer o interior em campanha. Junto com Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida e outros pol\u00edticos da regi\u00e3o, fez a sauda\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 chegada da caravana liberal \u00e0 Paraiba no dia 2 de fevereiro, motivo de grande manifesta\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<h4>Na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930<\/h4>\n<p>A vit\u00f3ria do candidato situacionista J\u00falio Prestes nas elei\u00e7\u00f5es de 1930 foi considerada fraudulenta por importantes setores da Alian\u00e7a Liberal, que se aproximaram dos jovens oficiais ligados ao movimento tenentista e intensificaram os preparativos para um levante armado contra o governo federal. O movimento foi iniciado no dia 3 de outubro no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e na Para\u00edba, de onde partiram colunas revolucion\u00e1rias para ocupar outros estados.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es, Caf\u00e9 Filho foi para o Rio Grande do Norte no comando de um grupo armado encarregado de abrir caminho para os contingentes paraibanos que, no dia 4, ocuparam pacificamente a cidade de Natal, j\u00e1 abandonada pelos integrantes do governo estadual.<\/p>\n<p>Apoiado por for\u00e7as populares, Caf\u00e9 Filho vetou a escolha de Silvino Bezerra Neto para a chefia do novo governo, por consider\u00e1-lo comprometido com a situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria. Depois de algumas negocia\u00e7\u00f5es, chegou-se a uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso com a forma\u00e7\u00e3o de uma junta governativa empossada em 6 de outubro e chefiada pelo major Lu\u00eds Tavares Guerreiro.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho foi nomeado chefe de pol\u00edcia, determinando a liberta\u00e7\u00e3o imediata de todos os presos pol\u00edticos. Contra a vontade da junta, que ainda defendia o nome de Silvino Bezerra, passou a articular em seguida a candidatura de Irineu Joffily para a chefia do governo estadual lan\u00e7ando m\u00e3o de com\u00edcios e passeatas que obtiveram grande repercuss\u00e3o nos meios populares. A disputa pelo poder foi intensificada depois da chegada do principal l\u00edder revolucion\u00e1rio do Nordeste, Juarez T\u00e1vora, resultando na escolha de lrineu Joffily, empossado no dia 12 de outubro.<\/p>\n<p>No resto do pa\u00eds as opera\u00e7\u00f5es militares evolu\u00edam de maneira favor\u00e1vel aos revolucion\u00e1rios, levando a alta hierarquia militar lotada no Rio de Janeiro a depor o presidente Washington Lu\u00eds em 24 de outubro. Uma junta militar assumiu o poder at\u00e9 3 de novembro, quando Get\u00falio Vargas, chefe da revolu\u00e7\u00e3o, foi empossado \u00e0 frente do Governo Provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>lrineu Joffily foi nomeado interventor federal no Rio Grande do Norte em 14 de novembro, mas seu governo teve curta dura\u00e7\u00e3o. Pressionado pela forte oposi\u00e7\u00e3o militar &#8211; que exigia, entre outras coisas, o afastamento de Caf\u00e9 Filho da chefia de pol\u00edcia -, o interventor renunciou em 28 de janeiro de 1931, levando Caf\u00e9 a demitir-se tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Durante o governo seguinte, chefiado pelo tenente Alu\u00edsio Moura, Caf\u00e9 foi preso sob a acusa\u00e7\u00e3o de conspirar contra o novo interventor, mas a pronta interven\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio do Interior, tenente Ernesto Geisel, garantiu sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a posse do capit\u00e3o-tenente Bertino Dutra da Silva na interventoria do Rio Grande do Norte em 11 de junho de 1932, Caf\u00e9 Filho retornou \u00e0 chefia de pol\u00edcia. Nesse cargo, coordenou no m\u00eas seguinte o envio de tropas estaduais para combater a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de S\u00e3o Paulo, derrotada no in\u00edcio de outubro pelas for\u00e7as legalistas, e organizou as guardas civil e noturna para garantir o policiamento das ruas e a orienta\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho fundou em abril de 1933 o Partido Social Nacionalista (PSN) do Rio Grande do Norte, organizado para concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 3 de maio seguinte para a Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte. Apesar do apoio do interventor Bertino Dutra, a agremia\u00e7\u00e3o conseguiu eleger apenas o deputado Kerginaldo Cavalcanti, enquanto o Partido Popular (PP), ligado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o deposta em 1930, enviou tr\u00eas representantes para a Constituinte.<\/p>\n<p>Em junho de 1933, um oficial do Ex\u00e9rcito ligado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o organizou um atentado contra Caf\u00e9 Filho , que saiu ferido. No desdobramento desse epis\u00f3dio, Bertino Dutra teve que deixar a interventoria, substitu\u00eddo em 8 de junho por M\u00e1rio C\u00e2mara. Afastado da chefia de pol\u00edcia, Caf\u00e9 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como inspetor no Minist\u00e9rio do Trabalho at\u00e9 julho de 1934. Com o fim dos trabalhos da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte e a fixa\u00e7\u00e3o da data de 14 de outubro para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es para a C\u00e2mara Federal e as assembl\u00e9ias constituintes estaduais, Caf\u00e9 retornou ao Rio Grande do Norte a fim de candidatar-se a deputado federal na legenda do PSN.<\/p>\n<p>Em setembro, essa agremia\u00e7\u00e3o se uniu ao Partido Social Democr\u00e1tico (PSD) local &#8211; que havia sido fundado pelo interventor M\u00e1rio C\u00e2mara -, formando a Alian\u00e7a Social do Rio Grande do Norte com o objetivo de derrotar o PP. O resultado do pleito, entretanto, favoreceu a agremia\u00e7\u00e3o oposicionista, que elegeu 14 deputados para a Constituinte estadual contra 11 da Alian\u00e7a Social, garantindo assim a indica\u00e7\u00e3o de Rafael Fernandes para o cargo de governador a partir de outubro seguinte.<\/p>\n<p>Eleito deputado federal para a legislatura iniciada em 3 de maio de 1935, Caf\u00e9 Filho foi convidado pelo comandante Herculino Cascardo, ex-interventor no Rio Grande do Norte, a ingressar na Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL), frente pol\u00edtica oposicionista dotada de um programa de combate ao fascismo, o latif\u00fandio e o imperialismo.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 recusou o convite, pois, embora reconhecesse a ANL como uma frente democr\u00e1tica, considerava inevit\u00e1vel a hegemonia comunista no seu interior. A conjuntura pol\u00edtica nacional foi marcada nesse per\u00edodo pela radicaliza\u00e7\u00e3o resultante do crescimento da ANL e da A\u00e7\u00e3o lntegralista Brasileira (AIB), de tend\u00eancia fascista. A a\u00e7\u00e3o repressiva do governo Vargas aumentou, levando a uma sucess\u00e3o de choques de rua e ao fechamento da ANL no dia 11de julho.<\/p>\n<p>Diante das amea\u00e7as crescentes contra as liberdades p\u00fablicas, Caf\u00e9 Filho , 19 outros deputados federais e o senador paraense Abel Chermont fundaram, em 11 de novembro de 1935, o Grupo Parlamentar Pr\u00f3-Liberdades Populares para combater o avan\u00e7o do integralismo e a aplica\u00e7\u00e3o da Lei de Seguran\u00e7a Nacional, e defender a vig\u00eancia das liberdades constitucionais. Mas os levantes aliancistas deflagrados em Natal, Recife e Rio de Janeiro nos dias 23, 24 e 27 de novembro definiram os rumos da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds. Rapidamente sufocados, foram seguidos por uma onda repressiva sem precedentes dirigida contra todos os grupos de oposi\u00e7\u00e3o. Os correligion\u00e1rios de Caf\u00e9 no Rio Grande do Norte, que n\u00e3o haviam participado do movimento, tamb\u00e9m foram duramente perseguidos.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho renunciou ao lugar que ocupava na mesa da C\u00e2mara em protesto contra a aprova\u00e7\u00e3o do estado de s\u00edtio em todo o territ\u00f3rio nacional pelo per\u00edodo de 90 dias. No per\u00edodo seguinte, posicionou-se na C\u00e2mara contra as outras medidas de exce\u00e7\u00e3o decretadas pelo governo e denunciou as arbitrariedades e viol\u00eancias perpetradas pela pol\u00edcia contra os presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Em 21 de mar\u00e7o de 1936, o governo decretou o estado de guerra e, pouco depois, foram presos os deputados Domingos Velasco, Abguar Bastos, Jo\u00e3o Mangabeira, Ot\u00e1vio da Silveira e o senador Abel Chermont, integrantes do Grupo Pr\u00f3-Liberdades Populares. Para legalizar esse ato, o ministro da Justi\u00e7a, Vicente Rao, encaminhou em maio ao Congresso um projeto pedindo a suspens\u00e3o das imunidades dos parlamentares presos. Caf\u00e9 Filho protestou violentamente contra essa medida, aprovada por 190 votos contra 59.<\/p>\n<p><strong>Durante o ano de 1937, foram lan\u00e7adas duas candidaturas para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais previstas para janeiro de 1938:<\/strong> a de Armando de Sales Oliveira, ex-governador de S\u00e3o Paulo e l\u00edder do Partido Constitucionalista desse estado, e a de Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, ex-ministro da Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas do Governo Provis\u00f3rio, apoiado oficiosamente por Vargas.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho viajou para o Rio Grande do Norte a fim de articular o apoio do PSN a Armando Sales, obtendo \u00eaxito. Em junho de 1937, as for\u00e7as situacionistas de S\u00e3o Paulo e do Rio Grande do Sul se uniram \u00e0s oposi\u00e7\u00f5es de Minas, Bahia, Cear\u00e1, Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, formando a Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Brasileira (UDB) para apoiar Armando Sales e defender a Constitui\u00e7\u00e3o de 1934, amea\u00e7ada por rumores sobre a prepara\u00e7\u00e3o de um golpe militar.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Filho <\/strong>integrou a comitiva de Armando Sales em visita a Minas Gerais e discursou ao seu lado em Belo Horizonte. O estado de guerra foi suspenso em junho, mas em l\u00ba. de outubro, o governo solicitou nova autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso para decret\u00e1-lo por mais 90 dias em virtude da &#8220;descoberta&#8221; de um suposto plano comunista para a tomada violenta do poder, denominado Plano Cohen.<\/p>\n<p>Conforme comprova\u00e7\u00e3o posterior, tratava-se de um documento forjado, utilizado pelo presidente e a alta c\u00fapula militar para favorecer os preparativos de um golpe. Percebendo a manobra, Caf\u00e9 Filho e os demais parlamentares vinculados \u00e0 UDB votaram contra a solicita\u00e7\u00e3o do Executivo, mas foram mais uma vez derrotados.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> estava sob amea\u00e7a de pris\u00e3o, pois denunciava diariamente da tribuna da C\u00e2mara a imin\u00eaneia do golpe militar. V\u00e1rios parlamentares aconselhavam-no a deixar o Rio. No dia 14 de outubro, sua resid\u00eancia foi invadida pela pol\u00edcia e seu cunhado Raimundo Fernandes foi preso em seu lugar. Caf\u00e9 permaneceu escondido at\u00e9 16 de outubro, quando, atrav\u00e9s do deputado Jos\u00e9 Matoso de Sampaio Correia, conseguiu asilo pol\u00edtico na embaixada da Argentina. Chegou a Buenos Aires no in\u00edcio de novembro. No dia 10 desse m\u00eas foi desfechado o golpe que, liderado pelo pr\u00f3prio presidente Vargas, suprimiu os \u00f3rg\u00e3os legislativos e os partidos pol\u00edticos do pa\u00eds e instaurou o Estado Novo.<\/p>\n<h4>Na Constituinte de 1946<\/h4>\n<p>Em entrevista concedida \u00e0 imprensa de Buenos Aires, Caf\u00e9 Filho criticou o novo regime pol\u00edtico brasileiro. Em conseq\u00fc\u00eancia, foi confinado pelo governo argentino na cidade de C\u00f3rdoba, onde permaneceu na companhia de sua mulher at\u00e9 maio de 1938, quando foi autorizado a retornar ao Brasil. Nos anos seguintes, dedicou-se exclusivamente \u00e0s atividades privadas, dirigindo uma empresa de transportes rodovi\u00e1rios at\u00e9 mar\u00e7o de 1945.<\/p>\n<p>Com o desgaste do Estado Novo, Get\u00falio Vargas adotou no in\u00edcio desse ano uma estrat\u00e9gia reformista que visava garantir para o pr\u00f3prio governo o controle da transi\u00e7\u00e3o em curso na pol\u00edtica nacional. Foi iniciada uma reorganiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria com vistas \u00e0 elei\u00e7\u00e3o, em 2 de dezembro, de um novo presidente da Rep\u00fablica e de um congresso. A oposi\u00e7\u00e3o liberal ao Estado Novo se aglutinou em torno da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN) e passou a apoiar a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes, enquanto os interventores federais nos estados organizaram o Partido Social Democr\u00e1tico (PSD) e lan\u00e7aram o general Eurico Gaspar Dutra para concorrer \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, dirigentes sindicais ligados ao Minist\u00e9rio do Trabalho organizaram o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e o Partido Comunista Brasileiro &#8211; ent\u00e3o Partido Comunista do Brasil (PCB) &#8211; conseguiu seu registro legal, completando o espectro dos principais partidos atuantes durante o ano de 1945.<\/p>\n<p>Decidido a concorrer ao parlamento em dezembro, Caf\u00e9 Filho viajou para o Rio Grande do Norte a fim de reagrupar seus antigos correligion\u00e1rios em uma nova agremia\u00e7\u00e3o. Em meio a grandes dificuldades financeiras, conseguiu fundar em Natal o Partido Social Progressista (PSP), que, entretanto, n\u00e3o obteve registro, pois a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral exigia a filia\u00e7\u00e3o de um n\u00famero m\u00ednimo de eleitores em, pelo menos, cinco estados.<\/p>\n<p>Na tentativa de superar este obst\u00e1culo, Caf\u00e9 Filho viajou para S\u00e3o Paulo a fim de contatar o ex-interventor Ademar de Barros que havia se desligado da UDN e enfrentava as mesmas dificuldades para fundar o Partido Republicano Progressista (PRP). O acordo entre ambos resultou na forma\u00e7\u00e3o do PRP, pois Ademar n\u00e3o abriu m\u00e3o da sua sigla para tentar atrair os antigos perrepistas (adeptos do Partido Republicano Paulista), detentores de grande influ\u00eancia na pol\u00edtica local at\u00e9 a d\u00e9cada de 1930. O novo PRP foi fundado na resid\u00eancia de Caf\u00e9 Filho , no Rio, com a presen\u00e7a de Ademar, Abel Chermont, S\u00e9rgio e Abelardo Marinho, entre outros.<\/p>\n<p>Suspeito de realizar manobras continu\u00edstas, Vargas foi deposto por um golpe militar em 29 de outubro de 1945. Jos\u00e9 Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu temporariamente a chefia do governo e as elei\u00e7\u00f5es de 2 de dezembro foram mantidas, resultando na vit\u00f3ria de Dutra. O PRP teve um desempenho muito fraco, elegendo apenas Caf\u00e9 Filho (pelo Rio Grande do Norte) e Romeu dos Santos Vergal (por S\u00e3o Paulo) para a Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte, que se reuniria a partir de 5 de fevereiro de 1946.<\/p>\n<p>Pouco depois do in\u00edcio dos trabalhos constituintes, o PRP se uniu aos partidos Agr\u00e1rio Nacional (PAN) e Popular Sindicalista (PPS), passando a adotar a denomina\u00e7\u00e3o anteriormente proposta por Caf\u00e9 Filho sob a sigla PSP. L\u00edder da bancada de seu partido, Caf\u00e9 integrou a Comiss\u00e3o Constitucional, encarregada de elaborar o projeto da Constitui\u00e7\u00e3o e apreciar as emendas a ele apresentadas, e participou diretamente da reda\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo sobre a ordem econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p>Em 4 de junho, apoiou a mo\u00e7\u00e3o apresentada \u00e0 Assembl\u00e9ia Constituinte por Ot\u00e1vio Mangabeira, l\u00edder da UDN, exaltando as for\u00e7as armadas pela deposi\u00e7\u00e3o de Vargas. Durante a sess\u00e3o extraordin\u00e1ria realizada em 31 de agosto para condenar a violenta repress\u00e3o policial contra estudantes e populares no Rio de Janeiro, Caf\u00e9 acusou o governo Dutra de pretender resolver pela for\u00e7a os problemas do custo de vida e votou a favor da mo\u00e7\u00e3o de protesto ent\u00e3o aprovada.<\/p>\n<p>Com a promulga\u00e7\u00e3o da nova Constitui\u00e7\u00e3o em 16 de setembro de 1946, a Constituinte transformou-se em Congresso ordin\u00e1rio e o presidente Dutra come\u00e7ou a aplicar uma pol\u00edtica de alian\u00e7a com a UDN (que resultaria em janeiro de 1948 na Formaliza\u00e7\u00e3o do Acordo Interpartid\u00e1rio), criticada por Caf\u00e9 Filho como um instrumento de neutraliza\u00e7io da oposi\u00e7\u00e3o parlamentar.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho posicionou-se contra a cassa\u00e7\u00e3o do registro do PCB, determinada em maio de 1947 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em outubro seguinte, renunciou \u00e0 lideran\u00e7a do PSP na C\u00e2mara em protesto contra o apoio de Ademar de Barros (eleito em janeiro governador paulista) \u00e0 candidatura de Lu\u00eds Gonzaga Novelli J\u00fanior, membro do PSD e genro de Dutra, para o cargo de vice-governador. Caf\u00e9 apoiava Pl\u00ednio Barreto, da UDN, derrotado pelo candidato pessedista nas elei\u00e7\u00f5es de novembro.<\/p>\n<p>Em fins de 1947, o Congresso aprovou um projeto, apresentado por Caf\u00e9 Filho , determinando a fixa\u00e7\u00e3o de um piso salarial para os trabalhadores em atividades jornal\u00edsticas. Em repres\u00e1lia, os propriet\u00e1rios de jornais decidiram proibir a publica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias referentes ao autor do projeto, levando os jornalistas a editarem o Caf\u00e9 Jornal, auto-intitulado &#8220;\u00f3rg\u00e3o do comit\u00ea pr\u00f3-aumento de sal\u00e1rios dos jornalistas profissionais&#8221;. Apoiando a rea\u00e7\u00e3o patronal, o presidente Dutra vetou a promulga\u00e7\u00e3o da lei, o que provocou a realiza\u00e7\u00e3o de uma grande concentra\u00e7\u00e3o da categoria de jornalistas em frente ao pal\u00e1cio Tiradentes, sede do Congresso, no dia 10 de janeiro de 1948.<\/p>\n<p>Ainda esse m\u00eas, Caf\u00e9 Filho votou contra a cassa\u00e7\u00e3o dos mandatos dos parlamentares que haviam sido eleitos na legenda do PCB, o que n\u00e3o impediu a concretiza\u00e7\u00e3o da medida. Em seguida, integrou a comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito instaurada pela C\u00e2mara dos Deputados para investigar o sistema de arrecada\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das rendas dos institutos de previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Em julho de 1949, o governo mandou recolher todos os exemplares do rec\u00e9m-publicado relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Mista Brasileiro Americana de Estudos Econ\u00f4micos, conhecida como Miss\u00e3o Abbink, instalada em 1948 com a finalidade de analisar o desenvolvimento brasileiro. Dessa forma, o governo Dutra tentava impedir a divulga\u00e7\u00e3o do texto de uma carta entregue em julho de 1947, pelo seu ministro da Fazenda, Pedro Lu\u00eds Correia e Castro, ao secret\u00e1rio do Tesouro dos Estados Unidos, John Snyder, que usava termos considerados desprestigiosos ao Brasil para discorrer sobre a necessidade de ajuda financeira norte-americana ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse documento havia sido inclu\u00eddo como pref\u00e1cio do relat\u00f3rio final e, apesar da ordem de apreens\u00e3o, um exemplar chegou \u00e0s m\u00e3os de Caf\u00e9 Filho, que revelou na tribuna da C\u00e2mara o conte\u00fado da carta. Essa iniciativa provocou intensa pol\u00eamica nos meios governistas, que chegaram a constituir uma comiss\u00e3o parlamentar de inqu\u00e9rito para cassar o mandato ele Caf\u00e9 por inj\u00faria ao ministro e ao governo. Entretanto, as primeiras investiga\u00e7\u00f5es comprovaram a veracidade da den\u00fancia, provocando o imediato afastamento de Correia e Castro da pasta da Fazenda.<\/p>\n<p>Ainda em meados de 1949, o comit\u00ea regional de PSP do Rio Grande do Norte homologou a candidatura de Caf\u00e9 Filho ao governo estadual, ent\u00e3o chefiado pelo pessedista Jos\u00e9 Augusto Varela. Mas o pr\u00f3prio Caf\u00e9 preferiu unia composi\u00e7\u00e3o em torno do nome de Jer\u00f4nimo Dix-Sept Rosado, tamb\u00e9m do PSD.<\/p>\n<p>Permanecendo no exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es parlamentares, Caf\u00e9 prop\u00f4s, com \u00eaxito, a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o especial para verificar as condi\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias nos pres\u00eddios do Distrito Federal.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es em torno da sucess\u00e3o presidencial tiveram in\u00edcio ainda em 1949 com a forma\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o composta pelos presidentes das tr\u00eas agremia\u00e7\u00f5es integrantes do Acordo lnterpartid\u00e1rio &#8211; Nereu Ramos, do PSD, Jos\u00e9 Eduardo Prado Kelly, da UDN, e Artur Bernardes, do Partido Republicano (PR) &#8211; para discutir a quest\u00e3o durante os meses de setembro e outubro.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas l\u00edderes, no entanto, n\u00e3o conseguiram chegar a um acordo. Em 26 de novembro, a dire\u00e7\u00e3o do PSD aprovou a chamada &#8220;f\u00f3rmula mineira&#8221;, que deixava a cargo de Dutra a defini\u00e7\u00e3o de seu sucessor, desde que o escolhido fosse de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Nesse m\u00eas, Caf\u00e9 Filho discursou na C\u00e2mara dos Deputados, acusando o presidente de interferir no processo sucess\u00f3rio e perturbar a escolha do candidato pessedista. Em dezembro, Ademar de Barros garantiu a Get\u00falio Vargas o apoio do PSP \u00e0 sua candidatura pela legenda do PTB, fato significativo, j\u00e1 que o governador de S\u00e3o Paulo controlava uma poderosa m\u00e1quina eleitoral no estado mais populoso do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em contrapartida, Ademar exigia a indica\u00e7\u00e3o do vice-presidente pelo PSP e o apoio de Vargas \u00e0 sua pr\u00f3pria candidatura nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1955. O ex-presidente s\u00f3 aceitou candidatar-se em 20 de abril de 1950, um dia depois da UDN lan\u00e7ar oficialmente o nome de Eduardo Gomes. Em 17 de maio, o PSD escolheu Cristiano Machado, apoiado por Dutra.<\/p>\n<p>Ademar de Barros desejava a indica\u00e7\u00e3o do senador Olavo de Oliveira para compor a chapa com Vargas, mas, em agosto de 1950, o PSP escolheu Caf\u00e9 Filho, aceito pelo PTB em setembro, menos de um m\u00eas antes do pleito, previsto para 3 de outubro. A Liga Eleitoral Cat\u00f3lica (LEC) moveu intensa campanha contra Caf\u00e9, denunciando o seu &#8220;ran\u00e7o vermelho&#8221; e alertando para os riscos futuros de sua eventual vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Vargas sempre havia sido reticente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 candidatura de Caf\u00e9 Filho e, na ocasi\u00e3o, chegou a lhe confidenciar sua preocupa\u00e7\u00e3o com a campanha da LEC.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o novo candidato integrou-se em Bauru (SP) \u00e0 comitiva que, liderada pelo pr\u00f3prio Vargas, percorreu cidades paulistas e paranaenses.<\/p>\n<p>Considerando muito dif\u00edcil sua vit\u00f3ria, Caf\u00e9 Filho dirigiu-se em seguida para o Rio Grande do Norte, onde permaneceu at\u00e9 as v\u00e9speras do pleito, empenhado em garantir um novo mandato na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Vargas venceu o pleito de 3 de outubro de 1950, com 3.849.040 votos e, apesar da expectativa negativa, Caf\u00e9 Filho obteve a vicepresid\u00eancia com 2.520.750 votos, 175.949 a mais do que seu principal competidor, o udenista Odilon Braga. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados, a UDN, liderada pelo deputado Aliomar Baleeiro, tentou impugnar a posse dos eleitos, alegando que nenhum dos dois obtivera maioria absoluta dos votos. A maior parte dos oficiais superiores do Ex\u00e9rcito n\u00e3o apoiou essa pretens\u00e3o e, em 18 de janeiro de 1951, o TSE confirmou a vit\u00f3ria de Vargas e Caf\u00e9 afirmando que a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o previa a necessidade de maioria absoluta.<\/p>\n<h4>Na vice-presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/h4>\n<p>O segundo governo constitucional de Vargas teve in\u00edcio em 31 de janeiro de 1951, passando a enfrentar uma forte oposi\u00e7\u00e3o liderada pela UDN, grupos empresariais e setores das for\u00e7as armadas. Na solenidade de posse, Caf\u00e9 Filho discursou afirmando que os principais pap\u00e9is de seu novo cargo eram o exerc\u00edcio da presid\u00eancia do Senado, a coordena\u00e7\u00e3o dos trabalhos das duas casas do Congresso e o estabelecirnento de boas rela\u00e7\u00f5es entre o Legislativo e os outros dois poderes.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 realizou uma viagem n\u00e3o-oficial \u00e0 Europa e ao Oriente M\u00e9dio entre julho e setembro de 1951, quando entrou em contato com altos dirigentes pol\u00edticos e empresariais dessas regi\u00f5es. Segundo seu livro de mem\u00f3rias, observou ent\u00e3o o esfor\u00e7o de reconstru\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, coordenado pelo Plano Marshall, abandonando suas id\u00e9ias de car\u00e1ter socializante. Retornou ao Brasil convencido da necessidade de estimular a iniciativa privada no plano interno e assegurar a participa\u00e7\u00e3o do capital estrangeiro no desenvolvimento econ\u00f4mico nacional.<\/p>\n<p>Em abril de 1952, promoveu a forma\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o, coordenada pelo marechal C\u00e2ndido Rondon, que elaborou o anteprojeto de cria\u00e7\u00e3o do Parque Ind\u00edgena do Xingu, em Mato Grosso, entregue a Vargas em 7 de maio e enviado ao Congresso em abril do ano seguinte. Essa proposta s\u00f3 seria concretizada em 14 de abril de 1961, durante o governo de J\u00e2nio Quadros.<\/p>\n<p>Ainda em 1952, Caf\u00e9 Filho visitou o Peru, o Equador e a Col\u00f4mbia, al\u00e9m de chefiar a delega\u00e7\u00e3o brasileira enviada \u00e0 posse do general Carlos lba\u00f1ez na presid\u00eancia do Chile. Nessa viagem, discutiu com o presidente argentino, Juan Domingo Per\u00f3n, a consolida\u00e7\u00e3o de um bloco regional formado por Brasil, Argentina e Chile para fortalecer a posi\u00e7\u00e3o destes pa\u00edses na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>No plano interno, a atividade oposicionista continuava intensa, havendo setores favor\u00e1veis \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de um estado de exce\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter transit\u00f3rio. A situa\u00e7\u00e3o se agravou a partir de 5 de agosto de 1954, quando o jornalista Carlos Lacerda, advers\u00e1rio ferrenho de Vargas, foi alvo de um atentado na rua Toneleros, no Rio, que causou a morte do major-aviador Rubens Vaz, seu acompanhante na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>As primeiras investiga\u00e7\u00f5es revelaram rapidamente o envolvimento de elementos da guarda pessoal do presidente no crime, provocando o imediato agravamento da crise pol\u00edtico-militar em curso, pois a oposi\u00e7\u00e3o passou a exigir o afastamento do presidente. Em suas mem\u00f3rias, Caf\u00e9 Filho conta ter sido procurado por Osvaldo Aranha, ministro da Fazenda, que lhe prop\u00f4s assumir a chefia do governo durante as investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dois dias depois, o vice-presidente encontrou-se secretamente com Lacerda no Hotel Serrador, no Rio, ouvindo do jornalista a proposta de que procurasse o general Euclides Zen\u00f3bio da Costa para garantir sua manuten\u00e7\u00e3o no Minist\u00e9rio da Guerra e pedir seu apoio para convencer Vargas a renunciar. Segundo Caf\u00e9 Filho , a sugest\u00e3o foi recusada, mas o jornalista Murilo Melo Filho registra que Lacerda obteve o compromisso de que Caf\u00e9 assumiria a presid\u00eancia em caso de ren\u00fancia do titular.<\/p>\n<p>As press\u00f5es contra o presidente aumentaram a partir da pris\u00e3o, em 13 de agosto, de Alcino Jo\u00e3o do Nascimento, respons\u00e1vel pelo atentado, cujo depoimento envolveu, entre outros, Lutero Vargas, filho do presidente. Em 21 de agosto, Caf\u00e9 Filho reuniu-se com Gustavo Capanema (l\u00edder da maioria na C\u00e2mara), Zen\u00f3bio da Costa e o almirante Renato Guillobel (ministro da Marinha), propondo que Vargas e ele mesmo renunciassem e que o pr\u00f3prio presidente indicasse um nome da sua confian\u00e7a para assumir a chefia do governo. Ressaltou sua inten\u00e7\u00e3o de buscar uma solu\u00e7\u00e3o legal para a crise e garantir a Vargas uma sa\u00edda honrosa, mas n\u00e3o obteve o apoio do general Zen\u00f3bio, contr\u00e1rio a qualquer movimento que levasse ao afastamento do presidente.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 reiterou sua proposta a Vargas no mesmo dia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o obteve \u00eaxito, embora o presidente se comprometesse a estud\u00e1-Ia. A rea\u00e7\u00e3o mais violenta contra essa sugest\u00e3o partiu de Tancredo Neves, ministro da Justi\u00e7a, que advertiu Vargas para a possibilidade de que o vice-presidente estivesse envolvido na conspira\u00e7\u00e3o, contando &#8220;com a cobertura de prestigiosos elementos militares&#8221;, fato desmentido por Caf\u00e9 em suas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Em 22 de agosto, um grupo de oficiais da Aeron\u00e1utica, liderados pelo brigadeiro Eduardo Gomes, lan\u00e7ou um manifesto, assinado tamb\u00e9m por oficiais do Ex\u00e9rcito, exigindo a ren\u00fancia do presidente, que, mesmo assim, menteve sua posi\u00e7\u00e3o de permanecer no cargo. No dia seguinte, Caf\u00e9 Filho discursou no Senado comunicando a negativa de Vargas em aceitar a ren\u00fancia conjunta, e seu pronunciamento foi considerado um rompimento p\u00fablico com o presidente.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agravou com a divulga\u00e7\u00e3o, no dia 23, de um manifesto assinado por 27 generais, exigindo a ren\u00fancia. Na madrugada seguinte, Caf\u00e9 deixou clara para o senador lvo de Aquino e o general Justo Mendes sua disposi\u00e7\u00e3o de assumir a presid\u00eancia, ao mesmo tempo que Vargas comunicava a seu minist\u00e9rio a decis\u00e3o de licenciar-se. Procurado por jornalistas e l\u00edderes pol\u00edticos, Caf\u00e9 mostrou-se disposto a organizar um governo de coaliz\u00e3o nacional, caso o presidente se afastasse em car\u00e1ter definitivo. Nas primeiras horas do dia 24, depois de receber um ultimato dos militares para que renunciasse, Vargas suicidou-se.<\/p>\n<p>A grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular ent\u00e3o ocorrida, principalmente no Rio, em S\u00e3o Paulo e em Porto Alegre, desarmou a ofensiva golpista e inviabilizou a interven\u00e7\u00e3o militar direta no governo, garantindo a posse de Caf\u00e9 Filho no mesmo dia.<\/p>\n<p>Procurando diminuir o impacto produzido pela divulga\u00e7\u00e3o da Carta Testamento de Vargas, Caf\u00e9 Filho emitiu logo sua primeira nota oficial, afirmando seu compromisso com a prote\u00e7\u00e3o dos humildes, &#8220;preocupa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do presidente Get\u00falio Vargas&#8221;.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, comp\u00f4s o primeiro e o segundo escal\u00f5es de seu governo com preponder\u00e2ncia de pol\u00edticos e militares identificados com as posi\u00e7\u00f5es da UDN, na medida em que havia sido desobrigado por Ademar de Barros de qualquer compromisso com o PSP, cuja bancada no Congresso n\u00e3o tinha for\u00e7a suficiente para sustentar o novo presidente.<\/p>\n<p><strong>Seu minist\u00e9rio ficou assim formado:<\/strong> Raul Fernandes (Rela\u00e7\u00f5es Exteriores) e Jos\u00e9 Monteiro de Castro (Gabinete Civil), da UDN; Eug\u00eanio Gudin (Fazenda), sem filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria mas defensor de uma pol\u00edtica financeira ortodoxa, apoiada pelos udenistas; Miguel Seabra Fagundes (Justi\u00e7a), tamb\u00e9m sem filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria mas indicado pelo l\u00edder pessedista Nereu Ramos; Jos\u00e9 Costa Porto (Agricultura) e Lucas Lopes (Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas), do PSD, sendo este \u00faltimo indicado por Juscelino Kubitschek, governador de Minas Gerais; Aramis Ata\u00edde (Sa\u00fade), do PSP; C\u00e2ndido Mota Filho (Educa\u00e7\u00e3o), do PR; coronel Napole\u00e3o de Alencastro Guimar\u00e3es (Trabalho), antigo colaborador de Vargas e ent\u00e3o dissidente do PTB, e o general Juarez T\u00e1vora (Gabinete Militar e, cumulativamente, titular da secretaria geral do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional), claramente identificado com o movimento antigetulista. As pastas da Aeron\u00e1utica e da Marinha tamb\u00e9m foram entregues a l\u00edderes da conspira\u00e7\u00e3o contra Vargas, o brigadeiro Eduardo Gomes e o almirante Edmundo Jord\u00e3o Amorim do Vale, enquanto para o Minist\u00e9rio da Guerra foi escolhido o general Henrique Lott, desvinculado das correntes pol\u00edticas do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p><strong>A presid\u00eancia do Banco do Brasil foi ocupada pelo udenista baiano Clemente Mariani e a dire\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia da Moeda e do Cr\u00e9dito (Sumoc) coube ao economista Ot\u00e1vio Gouveia de Bulh\u00f5es, apoiado pela UDN. de seu antecessor uma grave crise financeira, Caf\u00e9 Filho teve que enfrentar dois grandes problemas na \u00e1rea de pol\u00edtica econ\u00f4mica:<\/strong> o crescimento da infla\u00e7\u00e3o e o d\u00e9ficit do balan\u00e7o de pagamentos com o exterior.<\/p>\n<p>Pretendendo recuperar a confian\u00e7a e o apoio das entidades financeiras internacionais, Eug\u00eanio Gudin iniciou uma r\u00edgida pol\u00edtica de estabiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, baseada na conten\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito e no corte das despesas p\u00fablicas, j\u00e1 que considerava o d\u00e9ficit nas contas do governo como o principal fator de alimenta\u00e7\u00e3o da espiral inflacion\u00e1ria. Outras iniciativas do novo ministro da Fazenda foram a cria\u00e7\u00e3o do imposto \u00fanico sobre energia el\u00e9trica, acompanhada da forma\u00e7\u00e3o do Fundo Federal de Eletrifica\u00e7\u00e3o, e a implanta\u00e7\u00e3o do desconto na fonte do imposto sobre a renda proveniente do trabalho assalariado.<\/p>\n<p>Sem contar com uma base parlamentar pr\u00f3pria &#8211; j\u00e1 que todos os partidos declararam uma posi\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao novo governo &#8211; Caf\u00e9 Filho optou por entender-se diretamente com os presidentes da C\u00e2mara e do Senado.<\/p>\n<p>Em 31 de agosto, reafirmou que n\u00e3o representava nenhum partido e caracterizou seu governo como de transi\u00e7\u00e3o, voltado para a estabiliza\u00e7\u00e3o da economia e a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es dentro dos prazos legais. Baseado nessa caracteriza\u00e7\u00e3o, resistiu \u00e0s press\u00f5es da UDN para realizar uma devassa em busca de irregularidades na administra\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de setembro, uma comiss\u00e3o composta pelo governador paulista Lucas Garcez e os l\u00edderes pessedistas Benedito Valadares, Edgar Batista Pereira e Nereu Ramos entrevistou-se com o presidente para sugerir o adiamento das elei\u00e7\u00f5es legislativas e para o governo de 11 estados, previstas para 3 de outubro seguinte.<\/p>\n<p>Esses pol\u00edticos argumentaram que o impacto do suic\u00eddio de Vargas poderia provocar uma vota\u00e7\u00e3o em massa nos candidatos do PTB, gerando uma rea\u00e7\u00e3o militar. Carlos Lacerda, importantes segmentos da UDN, o PR e Raul Pilla, presidente do Partido Libertador (PL), tamb\u00e9m defendiam essa medida, recusada por Caf\u00e9 Filho sob a alega\u00e7\u00e3o de que a tarefa do seu governo era exatamente a de realizar as elei\u00e7\u00f5es nas datas previstas pela Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado do pleito demonstrou que os temores da UDN, do PSD e de outros partidos n\u00e3o tinham fundamento. O PSD e o PTB registraram pequenos avan\u00e7os, passando, respectivamente, de 112 para 114 cadeiras e de 51 para 56 cadeiras, enquanto a UDN reduziu sua representa\u00e7\u00e3o de 84 para 74 parlamentares.<\/p>\n<p>Os primeiros meses do governo Caf\u00e9 foram autorizadas pesquisas de petr\u00f3leo em Alagoas, no Rio Grande do Norte e na bacia sedimentar do Amazonas. Nessa \u00e9poca cresciam as press\u00f5es para a reformula\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o que garantia o monop\u00f3lio estatal nessa atividade, levando Caf\u00e9 a solicitar ao general Canrobert Pereira da Costa, chefe do Estado-Maior das For\u00e7as Armadas (EMFA), que realizasse uma consulta junto aos chefes dos estados-maiores das tr\u00eas armas.<\/p>\n<p>O documento resultante dessa consulta, datado de 9 de novembro de 1954, considerou inconveniente e prematura qualquer altera\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica do petr\u00f3leo, concluindo pela manuten\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o vigente por um per\u00edodo de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 11 de dezembro Caf\u00e9 Filho assinou o decreto de cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Localiza\u00e7\u00e3o da Nova Capital Federal, encarregada de prosseguir os estudos j\u00e1 realizados na regi\u00e3o do Planalto Central. O relat\u00f3rio dessa comiss\u00e3o, apresentado em 1955, permitiu a Caf\u00e9 Filho delimitar nesse ano a \u00e1rea do novo Distrito Federal, que seria efetivamente implantado durante o governo seguinte.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de janeiro de 1955, Caf\u00e9 viajou at\u00e9 a Bol\u00edvia a fim de assistir \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o da estrada de ferro Santa Cruz de La Sierra-Corumb\u00e1, cuja constru\u00e7\u00e3o era prevista pelo tratado assinado entre os dois pa\u00edses em 1938. Nessa ocasi\u00e3o, Victor Paz Estensoro, presidente boliviano, sugeriu a revis\u00e3o da outra parte do tratado, que estipulava o monop\u00f3lio de empresas estatais dos dois pa\u00edses sobre a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo na regi\u00e3o subandina, pois o Brasil n\u00e3o parecia em condi\u00e7\u00f5es de arcar com os gastos necess\u00e1rios ao in\u00edcio desse empreendimento.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho encaminhou essa quest\u00e3o ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, que emitiu um parecer favor\u00e1vel \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do acordo desde que o governo brasileiro empreendesse imediatamente a explora\u00e7\u00e3o das reservas petrol\u00edferas bolivianas. A decis\u00e3o final coube ent\u00e3o ao Conselho de Seguran\u00e7a Nacional que, em mar\u00e7o de 1955, aprovou a revis\u00e3o do tratado por falta de condi\u00e7\u00f5es financeiras para iniciar a prospec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o permaneceria em suspenso at\u00e9 a assinatura, em 1958, da Ata de Robor\u00e9 que foi muito criticada pelas for\u00e7as nacionalistas no Brasil por permitir a entrada de capitais privados na explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo nessa regi\u00e3o. Ainda no terreno energ\u00e9tico, Caf\u00e9 Filho inaugurou em fins de janeiro de 1955 a primeira usima hidrel\u00e9trica de Paulo Afonso.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nessa \u00e9poca, foi baixada a Instru\u00e7\u00e3o n\u00ba 113 da Sumoc, que favoreceu o ingresso do capital estrangeiro no pa\u00eds e veio a se constituir num dos mecanismos mais importantes para captar os recursos necess\u00e1rios ao processo de industrializa\u00e7\u00e3o dos anos segui ntes.<\/p>\n<h4>O encaminhamento da sucess\u00e3o<\/h4>\n<p>Ainda no in\u00edcio de 1955, o presidente recebeu do ministro da Marinha um documento sigiloso assinado pelos ministros militares e por destacados oficiais das tr\u00eas armas, defendendo que a sucess\u00e3o presidencial fosse tratada &#8220;em um n\u00edvel de colabora\u00e7\u00e3o interpartid\u00e1ria&#8221; que resultasse em um candidato \u00fanico, civil e apoiado pelas for\u00e7as armadas. Tratava-se, indiretamente, de uma cr\u00edtica \u00e0 candidatura de Juscelino Kubitschek, lan\u00e7ada desde novembro de 1954 pela dire\u00e7\u00e3o do PSD, e de um endosso \u00e0 id\u00e9ia de &#8220;uni\u00e3o nacional&#8221; defendida pela UDN e setores pessedistas descontentes.<\/p>\n<p>O presidente apoiou o teor do documento e, diante dos coment\u00e1rios da imprensa sobre sua exist\u00eancia, obteve a aprova\u00e7\u00e3o dos signat\u00e1rios para divulg\u00e1-lo na \u00edntegra atrav\u00e9s da Voz do Brasil. Apesar dessa demonstra\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o militar \u00e0 sua candidatura, Kubitschek prosseguiu em campanha e seu nome foi homologado pela conven\u00e7\u00e3o nacional do PSD em 10 de fevereiro.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do PTB e do PSP tamb\u00e9m reagiram negativamente ao documento, afirmando que competia aos partidos apresentar candidatos a cargos eletivos. Em abril, os trabalhistas lan\u00e7aram a candidatura de Jo\u00e3o Goulart \u00e0 vice-presid\u00eancia na chapa de Kubitschek, consolidando novamente a alian\u00e7a PSD-PTB que amea\u00e7ava trazer de volta ao poder as for\u00e7as dele alijadas depois do suic\u00eddio de Vargas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os partid\u00e1rios da &#8220;uni\u00e3o nacional&#8221; encontravam grandes dificuldades para lan\u00e7ar um candidato capaz de sensibilizar a maioria do eleitorado. Os nomes mais cotados eram o do general Juarez T\u00e1vora e o do pessedista dissidente Etelvino Lins, governador de Pernambuco, que contava com o apoio dos diret\u00f3rios estaduais de seu estado, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, al\u00e9m de deter influ\u00eancia na Bahia e no Distrito Federal.<\/p>\n<p>Em 1\u00ba. de abril, J\u00e2nio Quadros declarou sua inten\u00e7\u00e3o de desincompatibilizar-se do governo de S\u00e3o Paulo para concorrer \u00e0 presid\u00eancia, mas no mesmo dia enviou emiss\u00e1rios para negociar uma composi\u00e7\u00e3o com Juarez T\u00e1vora. Sua proposta inclu\u00eda o apoio ao candidato udenista em troca da indica\u00e7\u00e3o do seu companheiro de chapa e da amplia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia paulista no governo federal. Juarez respondeu que n\u00e3o poderia comprometer-se antes de ouvir a opini\u00e3o dos chefes militares e do presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Interessado na proposta, Caf\u00e9 Filho enviou a S\u00e3o Paulo o udenista Reginaldo Fernandes para realizar as negocia\u00e7\u00f5es que resultaram, ainda no in\u00edcio de abril, no chamado Acordo J\u00e2nio-Caf\u00e9, que garantia ao governador paulista o direito de escolha dos ministros da Fazenda e da Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas e do presidente do Banco do Brasil.<\/p>\n<p>Em troca, J\u00e2nio desistiu da sua pr\u00f3pria candidatura e da indica\u00e7\u00e3o do vice-presidente, passando a apoiar a chapa Juarez T\u00e1vora-Bento Munhoz da Rocha, articulada por Caf\u00e9. A divulga\u00e7\u00e3o do acordo provocou forte oposi\u00e7\u00e3o por parte da UDN, que pretendia lan\u00e7ar o mineiro M\u00edlton Campos para a vice-presid\u00eancia, e levou Juarez a enviar cartas a J\u00e2nio e Caf\u00e9 recusando a composi\u00e7\u00e3o da chapa sem consulta pr\u00e9via aos partidos aliados.<\/p>\n<p><strong>Ao mesmo tempo, Clemente Mariani (presidente do Banco do Brasil) e os ministros Eug\u00eanio Gudin (da Fazenda) e Rodrigo Ot\u00e1vio Jord\u00e3o Ramos (da Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas) renunciaram, sendo substitu\u00eddos por nomes indicados por J\u00e2nio:<\/strong> Alcides Vidigal, Jos\u00e9 Maria Whitaker e Ot\u00e1vio Marcondes Ferraz, respectivamente. O novo ministro da Fazenda iniciou uma pol\u00edtica cred it\u00edcia mais liberal, desafogando os setores industrial e banc\u00e1rio, mas, em contrapartida, come\u00e7ou a preparar uma reforma do sistema de c\u00e2mbio que implicaria a suspens\u00e3o do programa de compra do caf\u00e9 pelo governo e a elimina\u00e7\u00e3o do confisco cambial sobre esse produto.<\/p>\n<p>No dia 4 de abril, representantes da UDN, da dissid\u00eancia do PSD, do PL e do Partido Democrata Crist\u00e3o (PDC) se reuniram para discutir a nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e decidiram formar uma comiss\u00e3o encarregada de coordenar o processo de indica\u00e7\u00e3o de seu candidato \u00e0 presid\u00eancia. Diante da recusa de Juarez T\u00e1vora em aceitar o lan\u00e7amento de seu nome, l\u00edderes da UDN e da dissid\u00eancia do PSD lan\u00e7aram Etelvino Lins, enquanto o presidente nacional da UDN, Artur Santos, declarava publicamente a inviabilidade da candidatura de Munhoz da Rocha.<\/p>\n<p>No dia 15 de abril, o presidente inaugurou a refinaria de petr\u00f3leo de Cubat\u00e3o (SP). Pouco depois, eclodiu nova crise em seu gabinete, ainda como efeito do acordo firmado com J\u00e2nio Quadros, com a ren\u00fancia do ministro da Justi\u00e7a, o paulista Alexandre Marcondes Filho, que se considerava sem apoio do governo de seu estado. Em 18 de abril, Caf\u00e9 nomeou o udenista Jos\u00e9 Eduardo Prado Kelly para substitu\u00ed-lo e, no dia seguinte, embarcou para uma visita oficial a Portugal, onde chegou no dia 22.<\/p>\n<p>No per\u00edodo seguinte, a candidatura de Juarez T\u00e1vora voltou a se fortalecer, homologada pelas conven\u00e7\u00f5es nacionais do PDC e do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e novamente apoiada, a partir de junho, pela UDN e a d\u00edssid\u00eancia do PSD. Nesse contexto, Etelvino Lins se afastou da disputa, enquanto a ala udenista mais radical, liderada por Carlos Lacerda, passava a defender de forma cada vez mais clara a deflagra\u00e7\u00e3o de um golpe militar para impedir a elei\u00e7\u00e3o de Juscelino e Goulart.<\/p>\n<p>Entretanto, Caf\u00e9 Filho confirmou \u00e0 imprensa, em 21 de julho, sua condi\u00e7\u00e3o de defensor da legalidade e a inten\u00e7\u00e3o de garantir as elei\u00e7\u00f5es e a posse dos candidatos vitoriosos. O quadro sucess\u00f3rio ficou mais definido com o lan\u00e7amento oficial pela conven\u00e7\u00e3o da UDN, em 31 de julho, da chapa Juarez T\u00e1vora-M\u00edlton Campos.<\/p>\n<p>Em setembro houve nova modifica\u00e7\u00e3o no minist\u00e9rio, com a nomea\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio C\u00e2mara para o lugar de Jos\u00e9 Maria Whitaker, que renunciara depois de n\u00e3o haver obtido autoriza\u00e7\u00e3o para implantar a reforma cambial. At\u00e9 a\u00ed, o governo conseguira uma pequena redu\u00e7\u00e3o na taxa de infla\u00e7\u00e3o e um virtual equil\u00edbrio no balan\u00e7o de pagamentos, \u00e0s custas de uma sens\u00edvel redu\u00e7\u00e3o na taxa de crescimento do setor industrial.<\/p>\n<p>A crise pol\u00edtica voltou a se agravar com a publica\u00e7\u00e3o por Carlos Lacerda na edi\u00e7\u00e3o de 17 de setembro da Tribuna da Imprensa de uma carta atribu\u00edda ao deputado argentino Antonio Jesus Brandi, datada de 5 de agosto de 1953 e dirigida ao ent\u00e3o ministro do Trabalho brasileiro, Jo\u00e3o Goulart. O documento relatava os entendimentos secretos que Goulart teria mantido com Juan Domingo Per\u00f3n, ent\u00e3o presidente da Argentina, visando a implanta\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica sindicalista no Brasil, al\u00e9m da exist\u00eancia de contrabando de armas na fronteira de dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho e os tr\u00eas ministros militares decidiram instaurar um inqu\u00e9rito policial-militar (IPM) dirigido pelo general Em\u00edlio Maurell Filho. No dia 3 de outubro, data das elei\u00e7\u00f5es, o Minist\u00e9rio da Guerra emitiu nota admitindo a autenticidade da den\u00fancia com base nas sindic\u00e2ncias at\u00e9 ent\u00e3o realizadas. Mesmo assim, o pleito foi garantido por tropas do Ex\u00e9rcito, resultando na vit\u00f3ria da chapa Juscelino-Goulart. O resultado final do IPM foi divulgado no fim do m\u00eas, inocentando o vice-presidente eleito.<\/p>\n<p>Com a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados oficiais do pleito, a UDN deflagrou uma campanha contra a posse dos candidatos eleitos, voltando a sustentar a tese da necessidade de maioria absoluta. Os setores mais extremados do partido, liderados por Lacerda, intensificaram sua prega\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 deflagra\u00e7\u00e3o de um golpe militar. Entretanto, Caf\u00e9 Filho e o general Lott reafirmaram seu compromisso com a legalidade.<\/p>\n<p>A crise se agravou a partir do discurso pronunciado pelo coronel Jurandir de Bizarria Mamede em 1\u00ba. de novembro, durante o enterro do general Canrobert Pereira da Costa, falecido na v\u00e9spera. Falando como porta-voz da diretoria do Clube Militar, aquele oficial posicionou-se contra a posse dos eleitos, numa atitude considerada por Lott como desrespeitosa \u00e0 hierarquia militar. Mamede servia na ocasi\u00e3o na Escola Superior de Guerra (ESG), \u00f3rg\u00e3o vinculado \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, for\u00e7ando o ministro da Guerra a pedir autoriza\u00e7\u00e3o a Caf\u00e9 Filho para puni-lo.<\/p>\n<p>Mas o presidente tamb\u00e9m estava sofrendo press\u00f5es de outra natureza. No dia 2 de novembro, recebeu um memorial assinado pelos tr\u00eas ministros militares, solicitando o fechamento do jornal Imprensa Popular e outros \u00f3rg\u00e3os considerados comunistas, mas a medida foi considerada inconstitucional pelo ministro Prado Kelly.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia 3 de novembro, Caf\u00e9 Filho foi internado no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio, acometido de um dist\u00farbio cardiovascular que for\u00e7ou seu afastamento das atividades pol\u00edticas. Segundo a ordem constitucional, o ministro da Justi\u00e7a providenciou ent\u00e3o a posse de Carlos Luz, presidente da C\u00e2mara, eleito pelo PSD mas muito identificado com as posi\u00e7\u00f5es da UDN.<\/p>\n<p>Ao assumir nodia 8 de novembro, o novo presidente manifestou sua inten\u00e7\u00e3o de manter o gabinete de Caf\u00e9, mas, pouco depois, decidiu n\u00e3o autorizar a puni\u00e7\u00e3o de Mamede, provocando assim a demiss\u00e3o do general Lott. Para seu lugar, nomeou o general \u00c1lvaro Fi\u00faza de Castro, favor\u00e1vel a uma solu\u00e7\u00e3o golpista para a crise. Ao retornar \u00e0 sede do Minist\u00e9rio da Guerra, a fim de preparar a transmiss\u00e3o do cargo, Lott foi convencido por v\u00e1rios generais, especialmente Od\u00edlio Denis (comandante da Zona Militar Leste), a permanecer em suas fun\u00e7\u00f5es e depor o presidente em exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>Assim, na madrugada do dia 11 a capital federal foi ocupada por tropas do Ex\u00e9rcito, for\u00e7ando Carlos Luz e outras autoridades civis e militares a buscarem abrigo no pr\u00e9dio do Minist\u00e9rio da Marinha e, horas depois, embarcarem no cruzador Tamandar\u00e9 rumo a Santos (SP).<\/p>\n<p>No decorrer do dia 11, o Congresso Nacional se reuniu em sess\u00e3o extraordin\u00e1ria e aprovou o impedimento de Carlos Luz por 228 votos contra 81, empossando Nereu Ramos, vice-presidente do Senado em exerc\u00edcio, na presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Lott foi ent\u00e3o reconduzido \u00e0 chefia da pasta da Guerra, enquanto a possibilidade de um contragolpe militar a partir de S\u00e3o Paulo deixava de existir.<\/p>\n<p>No dia 13, Nereu Ramos visitou Caf\u00e9 no hospital, afirmando que permaneceria no governo apenas at\u00e9 sua recupera\u00e7\u00e3o. Entretanto, Lott e outros generais decidiram vetar o retorno do presidente por consider\u00e1-lo suspeito de envolvimento na conspira\u00e7\u00e3o contra a posse dos candidatos eleitos. Mesmo assim, no dia 21, Caf\u00e9 Filho enviou a Nereu Ramos e aos presidentes da C\u00e2mara, do Senado e do STF uma declara\u00e7\u00e3o de que pretendia reassumir imediatamente seu cargo, o que provocou nova movimenta\u00e7\u00e3o de tropas fi\u00e9is a Lott em dire\u00e7\u00e3o ao pal\u00e1cio do Catete e a outros pontos da capital. Caf\u00e9 Filho dirigiu-se ent\u00e3o \u00e0 sua resid\u00eancia, tamb\u00e9m cercada por forte aparato militar, que inclu\u00eda grande n\u00famero de ve\u00edculos blindados.<\/p>\n<p>Na madrugada de 22 de novembro, o Congresso aprovou o impedimento de Caf\u00e9 por 208 votos contra 109, confirmando Nereu Ramos como presidente at\u00e9 a posse de Juscelino em janeiro seguinte. Em 14 de dezembro essa decis\u00e3o foi confirmada pelo STF, que recusou o mandado de seguran\u00e7a impetrado por Prado Kelly, em favor da posse de Caf\u00e9.<\/p>\n<p>Afastado da presid\u00eancia, Caf\u00e9 Filho trabalhou entre 1957 e 1959 em uma empresa imobili\u00e1ria no Rio de Janeiro. Em 1961, foi nomeado pelo governador Carlos Lacerda ministro do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara, onde permaneceu at\u00e9 aposentar-se em 1969.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de fevereiro de 1970. Era casado com Jandira Fernandes de Oliveira Caf\u00e9, com quem teve um filho.<\/p>\n<h4><strong>Caf\u00e9 Filho &#8211; <\/strong>Biografia<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-113570 size-full\" title=\"Governo Caf\u00e9 Filho\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/governo-cafe-filho-33.jpg\" alt=\"Governo Caf\u00e9 Filho\" width=\"267\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/governo-cafe-filho-33.jpg 267w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/governo-cafe-filho-33-224x300.jpg 224w\" sizes=\"(max-width: 267px) 100vw, 267px\" \/><br \/>\nCaf\u00e9 Filho<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho <\/strong>recebeu educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em Natal.<\/p>\n<p>Ele nunca realizou seu estudo na Academia de Ci\u00eancia Jur\u00eddica e Com\u00e9rcio de Recife, mas a sua experi\u00eancia pr\u00e1tica na lei lhe proporcionou a chance de receber um emprego com um corte de lei Natal.<\/p>\n<p>Desde 1921, ele trabalhou como jornalista nos estados do Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Pernambuco e na capital, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Ele, sem sucesso impugnada elei\u00e7\u00f5es municipais e se envolveu na campanha da Alian\u00e7a Liberal (1930).<\/p>\n<p>Como comandante do grupo, ele era um participante ativo da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 e foi nomeado chefe de pol\u00edcia do Rio Grande do Norte (1.930-1.931, 1932-1933).<\/p>\n<p>Em 1933 ele fundou o Partido Social Nacionalista (Partido Nacionalista Social) e foi eleito para a C\u00e2mara dos Deputados (1.935-1.937).<\/p>\n<p>Exilado para a Argentina por criticar a crescente ditadura de Get\u00falio Dorneles Vargas (1937), <strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> retornou o pr\u00f3ximo ano, mas permaneceu politicamente inativo durante sete anos.<\/p>\n<p>Antes da queda do Estado Novo (1945), Caf\u00e9 Filho tentou criar um novo partido pol\u00edtico, mas depois de seu fracasso para registr\u00e1-lo, ele se juntou ao grupo de fundadores do Partido Republicano Progressista (Partido Republicano Progressista, PRP).<\/p>\n<p>Como um candidato PRP, Caf\u00e9 Filho foi eleito para a Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte, convocada em 05 de fevereiro de 1946. A incorpora\u00e7\u00e3o da PRP com partidos agr\u00e1rios e sindicalistas levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Partido Social Progressista (Partido Social Progressista, PSP), cujo grupo parlamentar foi chefiado por <strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> at\u00e9 outubro de 1947.<\/p>\n<p>Alian\u00e7a Pol\u00edtico do Partido Trabalhista levou-Vargas com PSP venceu as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 3 de outubro de 1950 por uma margem de mais de um milh\u00e3o de votos. Vargas e <strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> tomou o juramento de posse como presidente e vice-presidente, respectivamente, em 31 de janeiro de 1946.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> desaprovava algumas das principais pol\u00edticas implementadas por Vargas, mas ele n\u00e3o exercer o poder suficiente para neutraliz\u00e1-los.<\/p>\n<p>Um aliado Vargas do momento,<strong> Caf\u00e9 Filho<\/strong> viu uma oportunidade de aproveitar a presid\u00eancia quando crise pol\u00edtica eclodiu em agosto de 1954.<\/p>\n<p>Atuando em seu pr\u00f3prio nome, ele prop\u00f4s a apresentar ren\u00fancias de ambos presidente e vice-presidente em seu discurso aos deputados em 23 agosto de 1954.<\/p>\n<p>O suic\u00eddio de Vargas entregou a presid\u00eancia ao Caf\u00e9.<\/p>\n<p>O novo governo herdou problemas econ\u00f4micos, incluindo alta taxa de infla\u00e7\u00e3o e d\u00e9fice or\u00e7amental. Desenvolvimentos pol\u00edticos na perspectiva das elei\u00e7\u00f5es presidenciais dominaram a maior parte do curta presid\u00eancia de Caf\u00e9 Filho.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Juscelino Kubitschek de Oliveira (03 de outubro de 1955) como seu sucessor n\u00e3o foi favorecido pela administra\u00e7\u00e3o Caf\u00e9 Filho.<\/p>\n<p>O ministro militar e guerra Henrique Teixeira Lott foram incomodem com os rumores de que o presidente pode tentar impedir Kubitschek de entrar escrit\u00f3rio em 31 de janeiro de 1956.<\/p>\n<p>Depois de <strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> sofrer um ataque card\u00edaco (3 de novembro de 1955), presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Carlos Coimbra da Luz, assumiu temporariamente a presid\u00eancia (8 de novembro de 1955). No entanto, a C\u00e2mara dos Deputados e Senado, respondendo \u00e0s exig\u00eancias das for\u00e7as armadas, reconheceu a exist\u00eancia de impedimento de Caf\u00e9 Filho e Luz para continuar a desempenhar as fun\u00e7\u00f5es do presidente e passou a presid\u00eancia ao vice-presidente do Senado Federal, Nereu de Oliveira Ramos (11 de novembro de 1955).<\/p>\n<p>Em 21 de novembro de 1955 Caf\u00e9 Filho notificado ambas as c\u00e2maras do Congresso Nacional de retomar escrit\u00f3rio, mas o Congresso declarou a exist\u00eancia continuada de um impedimento de Caf\u00e9 Filho, deixando assim Nereu Ramos no comando da presid\u00eancia.<\/p>\n<p>O Congresso declarou estado de 30 dias de cerco (24 de novembro de 1955) e ao Supremo Tribunal Federal recusou a permitir que<strong>Caf\u00e9 Filho<\/strong> para exercer as suas fun\u00e7\u00f5es como presidente, embora ele nunca foi destitu\u00eddo de seu t\u00edtulo.<\/p>\n<p>O ex-presidente se afastou da pol\u00edtica e trabalhou em uma empresa imobili\u00e1ria no Rio de Janeiro (1957-1959). Em 1961 foi feito a um ministro do Tribunal de Contas Guanabara, onde trabalhou at\u00e9 1969.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.conhecimentogerais.com.br\/www.archontology.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nome: Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho Nascimento: 3 de fevereiro de 1899 Local: Natal, estado do Rio Grande do Norte Profiss\u00e3o: Advogado Per\u00edodo de Governo: 24.08.1954 a 11.11.1955 (01a02m20d) Idade ao assumir: 55 anos Posse: em 03.09.1954, em sess\u00e3o conjunta no Pal\u00e1cio da C\u00e2mara dos Deputados presidida pelo Senador Alexandre Marcondes Filho Falecimento: 20 de fevereiro de 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