{"id":113484,"date":"2017-03-14T11:30:39","date_gmt":"2017-03-14T13:30:39","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=113484"},"modified":"2017-03-14T11:31:55","modified_gmt":"2017-03-14T13:31:55","slug":"o-califa-de-platina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-califa-de-platina","title":{"rendered":"O Califa de Platina"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Machado de assis<\/h2>\n<p><b>Publicado originalmente em O Cruzeiro 1878<\/b><\/p>\n<p>O califa Schacabac era muito estimado de seus s\u00faditos, n\u00e3o s\u00f3 pelas virtudes que o adornavam, como pelos talentos que faziam dele um dos var\u00f5es mais capazes de Platina. Os benef\u00edcios de seu califado, ali\u00e1s curto, eram j\u00e1 grandes. Ele iniciara e fundara a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o entre as fac\u00e7\u00f5es do Estado, animava as artes e as letras, protegia a ind\u00fastria e o com\u00e9rcio. Se havia alguma rebeli\u00e3o, tratava de vencer os rebeldes; em seguida perdoava-lhes. Finalmente, era mo\u00e7o, crente, empreendedor e patriota.<\/p>\n<p>Uma noite, por\u00e9m, estando a dormir, apareceu-lhe em sonhos um an\u00e3o amarelo, que, depois de o encarar silenciosamente alguns minutos, proferiu estas palavras singulares:<\/p>\n<p>\u2014 Comendador dos crentes, teu califado tem sido um modelo de pr\u00edncipes; falta-lhe, por\u00e9m, originalidade; \u00e9 preciso que fa\u00e7as alguma coisa original. Dou-te um ano e um dia para cumprir este preceito: se o n\u00e3o cumprires, voltarei e ir\u00e1s comigo a um abismo, que h\u00e1 no centro da Tart\u00e1ria, no qual morrer\u00e1s de fome, sede, desespero e solid\u00e3o.<\/p>\n<p>O califa acordou sobressaltado, esfregou os olhos e reparou que era apenas um sonho. Contudo, n\u00e3o p\u00f4de dormir mais; levantou-se e foi ao terra\u00e7o contemplar as \u00faltimas estrelas e os primeiros raios da aurora. Ao almo\u00e7o, serviram-lhe peras de Damasco. Tirou uma e quando ia a trinc\u00e1-la, a p\u00eara saltou-lhe das m\u00e3os e saiu de dentro o mesmo an\u00e3o amarelo, que lhe repetiu as mesmas palavras da noite. Imagina-se o terror com que Schacabac as ouviu. Quis falar, mas o an\u00e3o desaparecera. O eunuco que lhe servira a p\u00eara estava ainda diante dele, com o prato nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u2014 Viste alguma coisa? perguntou o califa, desconfiado e p\u00e1lido.<\/p>\n<p>\u2014 Vi que Vossa Grandeza comeu uma p\u00eara, muito tranq\u00fcilo, e, ao que parece, com muito prazer.<\/p>\n<p>O califa respirou; depois recolheu-se ao mais secreto de seus aposentos, onde n\u00e3o falou a ningu\u00e9m durante tr\u00eas semanas. O eunuco levava-lhe a comida, com exclus\u00e3o das peras. N\u00e3o lhe aproveitou a exclus\u00e3o, porque no fim de tr\u00eas semanas, apetecendo-lhe comer t\u00e2maras, viu sair de dentro de uma o mesmo an\u00e3o amarelo, que lhe repetiu as mesm\u00edssimas palavras de intima\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a. Schacabac n\u00e3o se p\u00f4de ter; mandou chamar o vizir.<\/p>\n<p>\u2014 Vizir, disse o califa, logo que este acudiu ao chamado, quero que convoques para esta noite os oficiais do meu conselho, a fim de lhes propor alguma coisa de grande import\u00e2ncia e n\u00e3o menor segredo.<\/p>\n<p>O vizir obedeceu prontamente \u00e0 ordem do califa. Naquela mesma noite, reuniram-se os oficiais, o vizir e o chefe dos eunucos; todos estavam curiosos de saber o motivo da reuni\u00e3o; o vizir, por\u00e9m, mais curioso ainda que os outros, simulava tranq\u00fcilamente achar-se na posse do segredo.<\/p>\n<p>Schacabac mandou vir caramelos, cerejas, e vinhos do Levante; os oficiais do conselho refrescaram as goelas, avivaram o intelecto, sentaram-se comodamente nos sof\u00e1s e cravaram os olhos no califa, que depois de alguns minutos de reflex\u00e3o, falou nestes termos:<\/p>\n<p>\u2014 Sabeis que tenho feito alguma coisa durante o meu curto califado; contudo, ainda n\u00e3o fiz nada que verdadeiramente se possa dizer original. Foi o que me observou um an\u00e3o amarelo, que me apareceu h\u00e1 tr\u00eas semanas e ainda hoje de manh\u00e3. O an\u00e3o amea\u00e7ou-me com a mais afrontosa das mortes, em um abismo da Tart\u00e1ria, se no fim de um ano e um dia, eu n\u00e3o tiver feito alguma coisa positivamente original. Tenho cogitado dia e noite, e confesso que ainda n\u00e3o achei coisa que merecesse essa qualifica\u00e7\u00e3o. Por isso vos convoquei; espero de vossas luzes o concurso necess\u00e1rio \u00e0 minha salva\u00e7\u00e3o e \u00e0 gl\u00f3ria da nossa p\u00e1tria.<\/p>\n<p>O conselho ficou boquiaberto, ao passo que o vizir, a mais e mais espantado, n\u00e3o movia um \u00fanico m\u00fasculo do rosto. Cada oficial do conselho fincou a cabe\u00e7a nas m\u00e3os, a ver se descobria uma id\u00e9ia original. Schacabac interrogava o sil\u00eancio de todos, e sobre todos, o do vizir, cujos olhos, fitos no magn\u00edfico tapete da P\u00e9rsia que forrava o ch\u00e3o da sala, parecia ter perdido a vida pr\u00f3pria, tal era a grande concentra\u00e7\u00e3o dos pensamentos.<\/p>\n<p>Ao cabo de meia hora, um dos oficiais, Muley-Ramadan, encomendando-se a Allah, falou nestes termos:<\/p>\n<p>\u2014 Comendador dos crentes, se quereis uma id\u00e9ia extremamente original, mandai cortar o nariz a todos os vossos s\u00faditos, adultos ou menores, e ordenai que a mesma opera\u00e7\u00e3o seja feita a todos os que nascerem de hoje em diante.<\/p>\n<p>O chefe dos eunucos e diversos oficiais protestaram logo contra semelhante id\u00e9ia, que lhes pareceu excessivamente original. Schacabac, sem a rejeitar de todo, objetou que o nariz era um \u00f3rg\u00e3o interessante e \u00fatil ao Estado, porquanto fazia florescer a ind\u00fastria dos len\u00e7os e ministrava anualmente alguns defluxos \u00e0 medicina.<\/p>\n<p>\u2014 Que raz\u00e3o poderia levar-me a privar o meu povo desse natural ornamento? concluiu o califa.<\/p>\n<p>\u2014 Saiba Vossa Grandeza, respondeu Muley-Ramadan, que, fundado na predi\u00e7\u00e3o de um s\u00e1bio astr\u00f3logo de meu conhecimento, tenho por certo que, daqui a um s\u00e9culo, h\u00e1 de ser descoberta uma erva fatal ao g\u00eanero humano. Essa erva, que se chamar\u00e1 tabaco, ser\u00e1 usada de duas formas \u2014 em rolo ou em p\u00f3. O p\u00f3 servir\u00e1 para entupir o nariz dos homens e prejudicar a sa\u00fade p\u00fablica. Desde que os vossos s\u00faditos n\u00e3o tenham nariz ser\u00e3o preservados de t\u00e3o pernicioso costume&#8230;<\/p>\n<p>Esta raz\u00e3o foi triunfalmente combatida pelo vizir e todo o conselho, a tal ponto que o califa, ali\u00e1s inclinado a ela, deixou-a inteiramente de m\u00e3o. Ent\u00e3o o chefe dos eunucos, depois de pedir licen\u00e7a a Schacabac para exprimir um voto, que lhe parecia muito mais original que o primeiro, prop\u00f4s que dali em diante o pagamento dos impostos passasse a ser volunt\u00e1rio, clandestino e an\u00f4nimo. Desde que assim for, concluiu ele, estou certo de que o er\u00e1rio regurgitar\u00e1 de sequins; o contribuinte crescer\u00e1 cem c\u00f4vados ante a pr\u00f3pria consci\u00eancia; algum haver\u00e1 que, levado de leg\u00edtimo excesso, pague duas e tr\u00eas vezes a mesma taxa; e afinado deste modo o sentimento c\u00edvico, melhorar\u00e3o, e muito, os costumes p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A maioria do conselho concordou em que a id\u00e9ia era prodigiosamente original, mas o califa achou-a prematura, e aventou a conveni\u00eancia de a estudar e p\u00f4r em execu\u00e7\u00e3o nas proximidades da vinda do Anticristo. Cada um dos oficiais prop\u00f4s a sua id\u00e9ia, que foi julgada original, mas n\u00e3o tanto que merecesse ser aceita de prefer\u00eancia a todas. Um prop\u00f4s a inven\u00e7\u00e3o da clarineta, outro a proscri\u00e7\u00e3o dos legumes, at\u00e9 que o vizir falou nestes termos:<\/p>\n<p>\u2014 Seja-me dado, comendador dos crentes, propor uma id\u00e9ia que vos salvar\u00e1 dos abismos da Tart\u00e1ria. \u00c9 esta: mandai trancar as portas de Platina a todas as caravanas que vierem de Brazilina; que nenhum camelo, se ali recebeu mercadoria ou somente bebeu \u00e1gua, que nenhum camelo, digo eu, possa penetrar as portas da nossa cidade.<\/p>\n<p>Espantado com a proposta, o califa ponderou ao vizir:<\/p>\n<p>\u2014 Mas que motivo&#8230; sim, \u00e9 preciso que haja um motivo&#8230; para&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Nenhum, tornou o vizir, e nisto consiste a primeira originalidade da minha id\u00e9ia. Digo a primeira, porque h\u00e1 outra maior. Pe\u00e7o-vos, e ao conselho, que acompanheis atentamente o meu racioc\u00ednio&#8230;<\/p>\n<p>Todos ficaram atentos.<\/p>\n<p>\u2014 Logo que a not\u00edcia de semelhante medida chegar a Brazilina, haver\u00e1 grande reboli\u00e7o e estupefa\u00e7\u00e3o. Os mercadores ficar\u00e3o pesarosos com o ato, porque s\u00e3o os que mais perdem. Nenhuma caravana, nem ainda as que v\u00eam de Meca, querer\u00e1 mais parar naquela cidade maldita, a qual (permita-me o conselho uma figura de ret\u00f3rica) ficar\u00e1 bloqueada pelo v\u00e1cuo. Que acontece? Condenados os mercadores a n\u00e3o mercar para c\u00e1, ser\u00e3o obrigados a fechar as portas, ao menos aos domingos. Ora, como h\u00e1 em Brazilina uma classe caixeiral, que suspira pelo fechamento das portas aos domingos, para ir fazer suas ora\u00e7\u00f5es nas mesquitas, acontecer\u00e1 isto: o fechamento das portas de c\u00e1 produzir\u00e1 o fechamento das portas de l\u00e1, e Vossa Grandeza ter\u00e1 assim a gl\u00f3ria de inaugurar o calembour nas rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Apenas o vizir concluiu este discurso, todo o conselho reconheceu, un\u00e2nime, que a id\u00e9ia era a mais profundamente original de quantas tinham sido propostas. Houve abra\u00e7os, expans\u00f5es. O chefe dos eunucos disse poeticamente que a id\u00e9ia do vizir era \u201c. O califa manifestou o seu entusiasmo ao vizir, dando-lhe de presente uma cimitarra, uma bolsa com cinco mil sequins e a patente de coronel da guarda nacional.<\/p>\n<p>No dia seguinte, todos os c\u00e1dis leram ao povo o decreto que mandava fechar as portas da cidade \u00e0s caravanas de Brazilina. A not\u00edcia excitou a curiosidade p\u00fablica e causou certa estranheza, mas o vizir tivera o cuidado de espalhar pela boca pequena a anedota do an\u00e3o amarelo, e a opini\u00e3o p\u00fablica aceitou a medida como um sinal vis\u00edvel da prote\u00e7\u00e3o de Allah.<\/p>\n<p>Da\u00ed em diante, por espa\u00e7o de alguns meses, um dos recreios da cidade era subir \u00e0s muralhas a ver chegar as caravanas. Se estas vinham de Damasco, de Jerusal\u00e9m, do Cairo ou de Bagd\u00e1, abriam-se-lhe as portas, e elas entravam sem a m\u00ednima obje\u00e7\u00e3o; mas se alguma confessava que tocara em Brazilina, o oficial das portas dizia-lhe que passasse de largo. A caravana voltava no meio dos apupos da multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto o califa indagava todos os dias do vizir se constava que em Brazilina se houvesse procedido ao fechamento das portas aos domingos; ao que o vizir invariavelmemte respondia que n\u00e3o, mas que a medida n\u00e3o tardaria a ser proclamada como conseq\u00fc\u00eancia rigorosa da id\u00e9ia que havia proposto. Nessa esperan\u00e7a, iam voando as semanas e os meses.<\/p>\n<p>\u2014 Vizir, disse um dia Schacabac, quer-me parecer que estamos enganados.<\/p>\n<p>\u2014 Descanse Vossa Grandeza, retorquiu friamente o vizir; o fato vai consumar-se; assim o exige a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Pela sua parte, o povo cansou de apupar as caravanas e come\u00e7ou a notar que a id\u00e9ia do vizir era simplesmente amoladora. N\u00e3o vinham da Brazilina as mercadorias do costume, nem o povo mandava para l\u00e1 as suas cerejas, os seus vinagres e os seus colch\u00f5es. Ningu\u00e9m ganhava com o decreto. Come\u00e7ou-se a murmurar contra ele. Um botic\u00e1rio (ainda n\u00e3o havia farmac\u00eautico) arengou ao povo, dizendo que a id\u00e9ia do vizir era simplesmente v\u00e3; que jamais o trocadilho das portas fechadas chegaria a ter a m\u00ednima sombra de realidade cient\u00edfica. Os doutores eclesi\u00e1sticos n\u00e3o acharam no Cor\u00e3o um s\u00f3 vers\u00edculo que pudesse justificar tais indu\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as. Lavrava a descren\u00e7a e descontentamento; come\u00e7ava a soprar uma aragem de revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O vizir n\u00e3o teve s\u00f3 de lutar contra o povo, mas tamb\u00e9m contra o califa, cuja boa f\u00e9 come\u00e7ou a desconfiar do acerto do decreto. Tr\u00eas dias antes de chegar o prazo fatal, o califa intimou o vizir a dar-lhe not\u00edcia do resultado que prometera ou a substitu\u00ed-lo por uma id\u00e9ia verdadeiramente original.<\/p>\n<p>Nesse apertado lance, o vizir chegou a desconfiar de si, e a persuadir-se que aventara aquela id\u00e9ia, levado do \u00fanico desejo de desbancar os outros oficiais. Disso mesmo o advertiu Abracadabro, var\u00e3o ex\u00edmio na geomancia, a quem consultou sobre o que lhe cumpria fazer.<\/p>\n<p>Esperar, disse Abracadabro, depois de tra\u00e7ar algumas linhas no ch\u00e3o; esperar at\u00e9 o \u00faltimo dia do prazo fatal marcado ao califa. O que h\u00e1 de acontecer nesse dia, n\u00e3o o pode descortinar a ci\u00eancia, porque h\u00e1 muita coisa que a ci\u00eancia ignora. Mas faze isso. No \u00faltimo dia do prazo, \u00e0 noite, tu e o califa deveis recolher-vos ao mais secreto aposento, onde vos ser\u00e3o servidos tr\u00eas figos de Alexandria. O resto l\u00e1 saber\u00e1s; e podes ficar certo de que ser\u00e1 coisa boa.<\/p>\n<p>Deu-se pressa o vizir em contar ao califa as palavras de Abracadabro, e, fiados na geomancia, aguardaram o dia \u00faltimo. Veio este, e depois dele a noite. S\u00f3s os dois, no mais secreto aposento de Schacabac, mandaram vir tr\u00eas figos de Alexandria. Cada um dos dois tirou o seu e abriu-o; o do califa deu um pulo, subiu ao teto e caiu logo no ch\u00e3o, sob a forma do famoso an\u00e3o amarelo. Vizir e califa tentaram fugir, correndo \u00e0s portas; mas o an\u00e3o os deteve com gesto amigo.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 preciso fugir, disse ele; n\u00e3o venho buscar-te; venho somente declarar, que achei verdadeiramente original a id\u00e9ia do fechamento das portas. Certo \u00e9 que n\u00e3o deu de si tudo o que o vizir esperava; mas nem por isso perdeu de originalidade. Allah seja convosco.<\/p>\n<p>Livre da amea\u00e7a, o califa mandou logo que todas as portas se abrissem \u00e0s caravanas de Brazilina. O povo aquietou-se; o com\u00e9rcio votou mensagens de agradecimento. E porque o califa e o vizir eram homens instru\u00eddos, pr\u00e1ticos e dotados de boas inten\u00e7\u00f5es, e apenas tinham cedido ao medo, sentiram-se contentes com repor as coisas no antigo p\u00e9, e n\u00e3o se encontravam nunca sem dizer ao outro, esfregando as m\u00e3os :<\/p>\n<p>\u2014 Aquele an\u00e3o amarelo!<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de assis Publicado originalmente em O Cruzeiro 1878 O califa Schacabac era muito estimado de seus s\u00faditos, n\u00e3o s\u00f3 pelas virtudes que o adornavam, como pelos talentos que faziam dele um dos var\u00f5es mais capazes de Platina. Os benef\u00edcios de seu califado, ali\u00e1s curto, eram j\u00e1 grandes. 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