{"id":111432,"date":"2017-03-01T11:54:40","date_gmt":"2017-03-01T13:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=111432"},"modified":"2017-03-01T11:54:40","modified_gmt":"2017-03-01T13:54:40","slug":"o-bispo-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro","title":{"rendered":"O Bispo Negro"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>1<\/h2>\n<p>Houve tempo em que a velha catedral conimbricense, hoje abandonada de seus bispos, era formosa; houve tempo em que essas pedras, ora tisnadas pelos anos, eram ainda p\u00e1lidas, como as margens areentas do Mondego. Ent\u00e3o, o luar, batendo nos lan\u00e7os dos seus muros, dava um reflexo de luz suav\u00edssima, mais rica de saudade que os pr\u00f3prios raios daquele planeta guardador dos segredos de tantas almas, que cr\u00eaem existir nele, e s\u00f3 nele, uma intelig\u00eancia que as perceba. Ent\u00e3o aquelas ameias e torres n\u00e3o haviam sido tocadas das m\u00e3os de homens, desde que os seus edificadores as tinham colocado sobre as alturas; e, todavia, j\u00e1 ent\u00e3o ningu\u00e9m sabia se esses edificadores eram da nobre ra\u00e7a goda, se da dos nobres conquistadores \u00e1rabes. Mas, quer filha dos valentes do Norte, quer dos pugnac\u00edssimos sarracenos, ela era formosa, na sua singela grandeza, entre as outras s\u00e9s das Espanhas. A\u00ed sucedeu o que ora ouvireis contar.<\/p>\n<h2>2<\/h2>\n<p>Aproximava-se o meado do duod\u00e9cimo s\u00e9culo. O pr\u00edncipe de Portugal Afonso Henriques, depois de uma revolu\u00e7\u00e3o feliz, tinha arrancado o poder das m\u00e3os de sua m\u00e3e. Se a hist\u00f3ria se contenta com o triste espect\u00e1culo de um filho condenado ao ex\u00edlio aquela que o gerou, a tradi\u00e7\u00e3o carrega as tintas do quadro, pintando-nos a desditosa vi\u00fava do conde Henrique a arrastar grilh\u00f5es no fundo de um calabou\u00e7o. A hist\u00f3ria conta-nos o facto; a tradi\u00e7\u00e3o veros\u00edmil; e o veros\u00edmil \u00e9 o que importa ao que busca as lendas da p\u00e1tria. Em uma das torres do velho alc\u00e1cer de Coimbra, assentado entre duas ameias, a horas em que o sol fugia do horizonte, o pr\u00edncipe conversava com Louren\u00e7o Viegas, o Espadeiro, e com ele dispunha meios e apurava tra\u00e7as para guerrear a mourisma. E lan\u00e7ou casualmente os olhos para o caminho que guiava ao alc\u00e1cer e viu o bispo D. Bernardo, que, montado em sua n\u00e9dia mula, cavalgava apressado pela encosta acima. &#8211; Vedes v\u00f3s \u2013 disse ele ao Espadeiro \u2013 o nosso leal Dom Bernardo, que para c\u00e1 se encaminha? Neg\u00f3cio grave, por certo, o faz sair a tais desoras da crasta da sua s\u00e9. Des\u00e7amos \u00e0 sala de armas e vejamos o que ele quer. \u2013 E desceram. Grandes lampad\u00e1rios ardiam j\u00e1 na sala de armas do alc\u00e1cer de Coimbra, pendurados de cadeiras de ferro chumbadas nos fechos dos arcos de volta de ferradura que sustentavam os tectos de grossa cantaria. Pelos feixes de colunas delgadas, entre si separadas, mas ligadas sob os fustes por base comum, pendiam corpos de armas, que reverberavam a luz das l\u00e2mpadas e pareciam cavaleiros armados, que em sil\u00eancio guardavam aquele amplo aposento. Alguns homens de mesnada faziam retumbar as ab\u00f3badas, passeando de um para outro lado. Uma portinha, que ficava em um \u00e2ngulo da quadra, abriu-se, e dela sa\u00edram o pr\u00edncipe e Louren\u00e7o Viegas, que desciam da torre. Quase ao mesmo tempo assomou no grande portal de entre o vulto vener\u00e1vel e solene do bispo D. Bernardo. &#8211; Guardai-vos Deus, dom bispo! Que mui urgente neg\u00f3cio vos traz aqui esta noute? &#8211; disse o pr\u00edncipe a D. Bernardo. &#8211; M\u00e1s novas,. senhor. Trazem-me aqui a mim letras do papa, que ora recebi. &#8211; E que quer de v\u00f3s o papa? &#8211; Que de sua parte vos ordene solteis vossa m\u00e3e&#8230; &#8211; Nem pelo papa, nem por ningu\u00e9m o farei. &#8211; E manda-me que vos declare excomungado, se n\u00e3o quiserdes cumprir seu mandado. &#8211; E v\u00f3s que intentais fazer? &#8211; Obedecer ao sucessor de S\u00e3o Pedro. &#8211; Qu\u00ea? Dom Bernardo amaldi\u00e7oaria aquele a quem deve o bago pontifical; aquele que o alevantou do nada? V\u00f3s, bispo de Coimbra, excomungar\u00edeis o vosso pr\u00edncipe, porque ele n\u00e3o quer p\u00f4r a risco a liberdade desta terra remida das opress\u00f5es do senhor de Trava e do jugo do rei de Le\u00e3o; desta terra que \u00e9 s\u00f3 minha e dos cavaleiros portugueses? &#8211; Tudo vos devo, senhor &#8211; atalhou o bispo &#8211; salvo a minha alma, que pertence a Deus, a minha f\u00e9, que devo a Cristo, e a minha obedi\u00eancia, que guardarei ao papa. &#8211; Dom Bernardo! Dom Bernardo! &#8211; disse o pr\u00edncipe, sufocado de c\u00f3lera -, lembrai-vos de que afronta que se me fizesse nunca ficou sem paga! &#8211; Quereis, senhor infante, soltar vossa m\u00e3e? &#8211; N\u00e3o! Mil vezes n\u00e3o! &#8211; Guardai-vos! E o bispo saiu, sem dizer mais palavras. Afonso Henriques ficou pensativo por algum tempo; depois, falou em voz baixa com Louren\u00e7o Viegas, o Espadeiro, e encaminhou-se para a sua c\u00e2mara. Da\u00ed a pouco o alc\u00e1cer de Coimbra jazia, como o resto da cidade, no mais profundo sil\u00eancio.<\/p>\n<h2>3<\/h2>\n<p>Pela alvorada, muito antes de romper o sol no dia seguinte, Louren\u00e7o Viegas passeava com o pr\u00edncipe na sala de armas do pa\u00e7o mourisco. &#8211; Se eu pr\u00f3prio o vi, montado na sua n\u00e9dia mula, ir l\u00e1 muito ao longe, caminho da terra de Santa Maria. Na porta da S\u00e9 estava pregado um pergaminho com larga escritura, que, segundo me afirmou um cl\u00e9rigo velho que a\u00ed chegara quando eu olhava para aquela carta, era o que eles chamam o interdito&#8230; &#8211; Isto dizia o Espadeiro, olhando para todos os lados, como quem receava que algu\u00e9m o ouvisse. &#8211; Que receias, Louren\u00e7o Viegas? Dei a Coimbra um bispo que me excomunga, porque assim o quis o papa: dar-lhe-ei outro que me absolva, porque assim o quero eu. Vem comigo \u00e0 S\u00e9. Bispo Dom Bernardo, quando te arrependeres da tua ousadia j\u00e1 ser\u00e1 tarde. Dali a pouco as portas da S\u00e9 estavam abertas, porque o sol era nado, e o pr\u00edncipe, acompanhado de Louren\u00e7o Viegas e de dois pajens, atravessava a igreja e dirigia-se \u00e0 crasta, onde, ao som de campa tangida, tinha mandado ajuntar o cabido, com pena de morte para o que a\u00ed faltasse.<\/p>\n<h2>4<\/h2>\n<p>Solene era o espect\u00e1culo que apresentava a crasta da S\u00e9 de Coimbra. O sol dava, com todo o brilho de manh\u00e3 pur\u00edssimo, por entre os pilares que sustinham as ab\u00f3badas dos cobertos que cercavam o p\u00e1tio interior. Ao longo desses cobertos caminhavam os c\u00f3negos com passos lentos, e as largas roupas ondeavam-lhes ao bago suave do vento matutino. No topo da crasta estava o pr\u00edncipe em p\u00e9, encostado ao punho da espada, e, um pouco atr\u00e1s dele, Louren\u00e7o Viegas e os dois pajens. Os c\u00f3negos iam chegando e formavam um semic\u00edrculo a pouco dist\u00e2ncia de el-rei, em cuja cervilheira de malha de ferro ferviam buli\u00e7osos os raios do sol. Toda a clerezia da S\u00e9 estava ali apinhada, e o pr\u00edncipe, sem dar palavra e com os olhos fitos no ch\u00e3o, parecia envolto em fundo pensar. O sil\u00eancio era completo. Por fim Afonso Henriques ergue o rosto carrancudo e amea\u00e7ador e disse: &#8211; C\u00f3negos da S\u00e9 de Coimbra, sabeis a que vem aqui o infante de Portugal? Ningu\u00e9m respondeu palavra. &#8211; Se n\u00e3o sabeis, dir-vo-lo-ei eu &#8211; prosseguiu o pr\u00edncipe -: vem assistir \u00e0 elei\u00e7\u00e3o do bispo de Coimbra. &#8211; Senhor, bispo havemos. N\u00e3o cabe a\u00ed nova elei\u00e7\u00e3o &#8211; disse o mais e velho e autorizado dos c\u00f3negos que estavam presentes e que era o adai\u00e3o. &#8211; \u00c1men &#8211; responderam os outros. Esse que v\u00f3s dizeis &#8211; bradou o infante cheio de c\u00f3lera -, esse jamais o ser\u00e1. Tirar-me quis ele o nome de filho de Deus; eu lhe tirarei o nome do seu vig\u00e1rio. Juro que nunca em meus dias por\u00e1 Dom Bernardo p\u00e9s em Coimbra: nunca mais da cadeira episcopal ensinar\u00e1 um rebelde a f\u00e9 das santas escrituras! Elegei outro: eu aprovarei vossa escolha. &#8211; Senhor, bispo havemos. N\u00e3o cabe a\u00ed nova elei\u00e7\u00e3o &#8211; repetiu o adai\u00e3o. &#8211; \u00c1men &#8211; responderam os mais.<\/p>\n<p>O furor de Afonso Henriques subiu de ponto com esta resist\u00eancia. &#8211; Pois bem! &#8211; disse ele, com a voz presa na garganta, depois de olhar terr\u00edvel que lan\u00e7ou pela assembl\u00e9ia, e de alguns momentos de sil\u00eancio. &#8211; Pois bem! Sa\u00ed daqui, gente orgulhosa e m\u00e1! Sa\u00ed, vos digo eu! Algu\u00e9m por v\u00f3s eleger\u00e1 um bispo&#8230; Os c\u00f3negos, fazendo profundas rever\u00eancias, encaminharam-se para as suas celas, ao longo das arcarias da crasta. Entre os que ali se achavam, um negro, vestido de h\u00e1bitos clericais, tinha estado encostado a um dos pilares, observando aquela cena; os seus cabelos revoltos contrastavam pela alvura com a pretid\u00e3o da tez. Quando o pr\u00edncipe falava, ele sorria-se e meneava a cabe\u00e7a, como quem aprovava o dito. Os c\u00f3negos come\u00e7avam a retirar-se, e o negro ia ap\u00f3s eles. Afonso Henriques fez-lhe um sinal com a m\u00e3o. O negro voltou para tr\u00e1s. &#8211; Como h\u00e1s nome? &#8211; perguntou-lhe o pr\u00edncipe. &#8211; Senhor, hei nome \u00c7oleima. &#8211; \u00c9s bom cl\u00e9rigo? &#8211; Na companhia n\u00e3o h\u00e1 dois que sejam melhores. &#8211; Bispo ser\u00e1s, Dom \u00c7oleima. Vai tomar teus guisamentos, que hoje me cantar\u00e1s missa. O cl\u00e9rigo recuou: naquela face tisnada viu-se uma contrac\u00e7\u00e3o de susto. &#8211; Missa n\u00e3o vos cantarei eu, senhor &#8211; respondeu o negro com voz tr\u00e9mula -, que para tal auto n\u00e3o tenho as ordens requeridas. &#8211; Dom \u00c7oleima, repara bem no que te digo! Sou eu que te mando v\u00e1s vestir as vestiduras de missa. Escolhe: ou hoje tu subir\u00e1s os degraus do altar-mor da S\u00e9 de Coimbra, ou a cabe\u00e7a te descer\u00e1 de cima dos ombros e rolar\u00e1 pelas l\u00e1jeas deste pavimento. O cl\u00e9rigo curvou a fronte. &#8211; Kirie-eleyson&#8230; Kirie-eleyson&#8230; Kirie-eleysom! &#8211; garganteava da\u00ed a pouco Dom \u00c7oleima, revestido dos h\u00e1bitos episcopais, junto ao altar da capela-mor. O infante Afonso Henriques, o Espadeiro e os dois pajens, de joelhos, ouviam missa com profunda devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>5<\/h2>\n<p>Era noite. Em uma das salas mouriscas dos nobres pa\u00e7os de Coimbra havia grande sarau. Donas e donzelas, assentadas ao redor do aposento, ouviam os trovadores repetindo ao som da viola e em tom mon\u00f3tono suas magoadas endechas, ou folgavam e riam com os arremedilhos sat\u00edricos dos tru\u00f5es e farsistas. Os cavaleiros, em p\u00e9, ou falavam de aventuras amorosas, de justas e de bofordos, ou de fossados e lides por terras de mouros fronteiros. Para um dos lados, por\u00e9m, entre um labirinto de colunas, que dava sa\u00edda para uma galeria exterior, quatro personagens pareciam entretidas em neg\u00f3cio mais grave do que os prazeres de noite de folguedo o permitiam. Eram estas personagens Afonso Henriques, Gon\u00e7alo Mendes da Maia, Louren\u00e7o Viegas e Gon\u00e7alo de Sousa, o Bom. Os gestos dos quatro cavaleiros davam mostras de que eles estavam vivamente agitados.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 o que afirma, senhor, o mensageiro &#8211; dizia Gon\u00e7alo de Sousa &#8211; que me enviou o abade do mosteiro de Tib\u00e3es, onde o cardeal dormiu uma noite para n\u00e3o entrar em Braga. Dizem que o papa o envia a v\u00f3s, porque vos sup\u00f5e herege. Em todas as partes por onde o legado passou, em Fran\u00e7a e em Espanha, vinham a lhe beijar a m\u00e3o reis, pr\u00edncipes e senhores: a elei\u00e7\u00e3o de Dom \u00c7oleima n\u00e3o pode, por certo, ir avante&#8230; &#8211; Ir\u00e1, ir\u00e1 &#8211; respondeu o pr\u00edncipe em voz t\u00e3o alta que as palavras reboaram pelas ab\u00f3badas do vasto aposento. &#8211; Que o legado tenha tento em si! N\u00e3o sei eu se haveria a\u00ed cardeal ou apost\u00f3lico que me estendesse a m\u00e3o para eu lha beijar, que pelo cotovelo lha n\u00e3o cortasse fora a minha boa espada. Que me importam a mim vilezas dos outros reis e senhores? Vilezas, n\u00e3o as farei eu! Isto foi o que se ouviu daquela conversa\u00e7\u00e3o: os tr\u00eas cavaleiros falaram com o pr\u00edncipe ainda por muito tempo; mas em voz t\u00e3o baixa, que ningu\u00e9m percebeu mais nada.<\/p>\n<h2>6<\/h2>\n<p>Dois dias depois, o legado do papa chegava a Coimbra: mas o bom do cardeal tremia em cima da sua n\u00e9dia mula, como se maleitas o houvessem tomado. As palavras do infante tinham sido ouvidas por muitos, e algu\u00e9m as havia repetido ao legado. Todavia, apenas passou a porta da cidade, revestindo-se de \u00e2nimo, encaminhou-se direto ao alc\u00e1ter real. O pr\u00edncipe saiu a receb\u00ea-lo acompanhado de senhores e cavaleiros. Com modos corteses, guiou-o \u00e0 sala do seu conselho, e a se passou o que ora ouvireis contar.<\/p>\n<p>O infante estava assentado em uma cadeira de espaldas: diante dele o legado, em um assento raso, posto em cima de um estrado mais elevado: os senhores e cavaleiros cercavam o filho do conde Henrique. &#8211; Dom cardeal &#8211; come\u00e7ou o pr\u00edncipe -, que viestes v\u00f3s fazer a minha terra? Posto que de Roma s\u00f3 mal me tenha vindo, creio me trazeis agora algum ouro, que de seus grandes haveres me manda o senhor papa para estas hostes que fa\u00e7o e com que guerreio, noite e dia, os infi\u00e9is da fronteira. Se isto trazeis, aceitar-vos-ei: depois, desembara\u00e7adamente podeis seguir vossa viagem. No \u00e2nimo do legado a c\u00f3lera sobrepujou o temor, quando ouviu as palavras do pr\u00edncipe, que eram de amargo esc\u00e1rnio. &#8211; N\u00e3o a trazer-vos riquezas &#8211; atalhou ele -, mas a ensinar-vos a f\u00e9 vim eu; que dela parece vos esquecestes, tratando violentamente o bispo Dom Bernardo e pondo em seu lugar um bispo sagrado com vossas manoplas, vitoriado s\u00f3 por v\u00f3s com palavras blasfemas e malditas&#8230; &#8211; Calai-vos, dom cardeal &#8211; gritou Afonso Henriques &#8211; que mentis pela gorja! Ensinar-me a f\u00e9? T\u00e3o bem em Portugal como em Roma sabemos que Cristo nasceu da Virgem; t\u00e3o certo, como v\u00f3s outros rom\u00e3os, cremos na Santa Trindade. Se a outra cousa vindes, amanh\u00e3 vos ouvirei: hoje ir-vos podeis a vossa pousada. E ergueu-se: os olhos chamejavam-lhe de furror. Toda a ousadia do legado desapareceu como fumo; e, sem atinar com resposta, saiu do alc\u00e1cer.<\/p>\n<h2>7<\/h2>\n<p>O galo tinha cantado tr\u00eas vezes: pelo arrebol da manh\u00e3, o cardeal partia aforradamente de Coimbra, cujos habitantes dormiam ainda repousadamente. O pr\u00edncipe foi um dos que despertaram mais cedo. Os sinos harmoniosos da S\u00e9 costumavam acord\u00e1-lo tocando as ave-marias: mas naquele dia ficaram mudos; e, quando ele se ergueu, havia mais de uma hora que o Sol subia para o alto dos c\u00e9us da banda do Oriente. &#8211; Miseric\u00f3rdia!, miseric\u00f3rdia! &#8211; gritavam devotamente homens e mulheres \u00e0 porta do alc\u00e1cer, com alarido infernal. O pr\u00edncipe ouviu aquele ru\u00eddo. &#8211; Que vozes s\u00e3o estas que soam? &#8211; perguntou ele a um pajem. O pajem respondeu-lhe chorando: &#8211; Senhor, o cardeal excomungou esta noite a cidade e partiu:<\/p>\n<p>as igrejas est\u00e3o fechadas; os sinos j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 quem os toque; os cl\u00e9rigos fecham-se em suas pousadas. A maldi\u00e7\u00e3o do santo padre de Roma caiu sobre nossas cabe\u00e7as. Outras voz soou \u00e0 porta do alc\u00e1cer: &#8211; Miseric\u00f3rdia!, miseric\u00f3rdia! &#8211; Que enfreiem e selem o meu cavalo de batalha. Pajem, que enfreiem e selem o meu melhor corredor. Isto dizia o pr\u00edncipe encaminhando-se para a sala de armas. A\u00ed envergou \u00e0 pressa um saio de malha e pegou em um montante que dois portugueses dos de hoje apenas valeriam a alevantar do ch\u00e3o. O pajem tinha sa\u00eddo, e dali a pouco o melhor cavalo de batalha que havia em Coimbra tropeava e rinchava \u00e0 porta do alc\u00e1cer.<\/p>\n<h2>8<\/h2>\n<p>Um cl\u00e9rigo velho, montado em uma alentada mula branca, vindo de Coimbra seguia o caminho da Vimieira e, de instante a instante, espica\u00e7ava os ilhais da cavalgadura com seus acicates de prata. Em outras duas mulas iam ao lado dele dois mancebos com caras e meneios de beatos, vestidos de opas e tonsurados, mostrando em seu porte e idade que aprendiam ainda as pueris ou ouviam as gramaticais. Eram o cardeal, que se ia a Roma, e dois sobrinhos seus, que o haviam acompanhado. Entretanto o pr\u00edncipe partida de Coimbra sozinho. Quando pela manh\u00e3 Gon\u00e7alo de Sousa e Louren\u00e7o Viegas o procuraram em seus pa\u00e7os, souberam que era partido ap\u00f3s o legado. Temendo o car\u00e1cter violento de Afonso Henriques, os dois cavaleiros seguiram-lhe a pista \u00e0 r\u00e9dea solta, e iam j\u00e1 muito longe quando viram o p\u00f3 que ele alevantava, correndo ao longo da estrada, e o cintilar do sol, batendo-lhe de chapa na cervilheira, semelhante ao dorso de um crocodilho. Os dois fidalgos esporearam com mais for\u00e7a os ginetes, e breve alcan\u00e7aram o infante. &#8211; Senhor, senhor; aonde ides sem vossos leais cavaleiros, t\u00e3o cedo e a\u00e7odadamente? &#8211; Vou pedir ao legado do papa que se amerceie de mim&#8230;<\/p>\n<p>A estas palavras, os cavaleiros transpunham uma assomada que encobria o caminho: pela encosta abaixo ia o cardeal com os dois mancebos das opas e cabelos tonsurados.<\/p>\n<p>&#8211; Oh! &#8230; &#8211; disse o pr\u00edncipe. Esta \u00fanica interjei\u00e7\u00e3o lhe fugiu da boca; mas que discurso houvera a\u00ed que a igualasse? Era o rugido de prazer do tigre, no momento em que salta do fojo sobre a preia descuidada. &#8211; Memento mei, Domine, secundum magnam misericordiam tuam! &#8211; rezou o cardeal em voz baixa e tr\u00e9mula, quando, ouvindo o tropear dos cavalos, voltou os olhos e conheceu Afonso Henriques.<\/p>\n<p>Em um instante este o havia alcan\u00e7ado. Ao perpassar por ele, travou-lhe do cabe\u00e7\u00e3o do vestido e, de relance, ergueu o monante:<\/p>\n<p>felizmente os dois cavaleiros arrancaram as espadas e cruzaram-nas debaixo do golpe, que j\u00e1 descia sobre a cabe\u00e7a do legado. Os tr\u00eas ferros feriram fogo; mas a pancada deu em v\u00e3o, ali\u00e1s i cr\u00e2nio do pobre cl\u00e9rico teria ido fazer mais de quadro redemoinhos nos ares.<\/p>\n<p>&#8211; Senhor, que vos perdeis e nos perdeis, ferindo o ungido de Deus &#8211; gritaram os dois fidalgos, com vozes aflitas. &#8211; Pr\u00edncipe &#8211; disse o velho, chorando -, n\u00e3o me fa\u00e7as mal; que estou \u00e0 tua merc\u00ea! &#8211; Os dois mancebos tamb\u00e9m choravam. Afonso Henriques deixou descair o montante, e ficou em sil\u00eancio alguns momentos. &#8211; Est\u00e1s \u00e0 minha merc\u00ea? &#8211; disse ele por fim. &#8211; Pois bem! Viver\u00e1s, se desfizeres o mal que causaste. Que seja alevantada a excomunh\u00e3o lan\u00e7ada sobre Coimbra, e jura-me, em nome do apost\u00f3lico, que nunca mais em meus dias ser\u00e1 posto interdito nesta terra portuguesa, conquistada aos Mouros por pre\u00e7o de tanto sangue. Em ref\u00e9ns deste pacto ficar\u00e3o teus sobrinhos. Se, no fim de quatro meses, de Roma n\u00e3o vierem letras de b\u00ean\u00e7\u00e3o, tem tu por certo que as cabe\u00e7as lhes voar\u00e3o de cima dos ombros. Apraz-te este contrato? &#8211; Sim, sim! &#8211; respondeu o legado com voz sumida. &#8211; Juras? &#8211; Juro. &#8211; Mancebos, acompanhai-me. Dizendo isto, o infante fez um aceno aos sobrinhos do legado, que, com muitas l\u00e1grimas, se despediu deles, e s\u00f2zinho seguiu o caminho da terra de Santa Maria. Da\u00ed a quatro meses, D. \u00c7oleima dizia missa pontifical na capelamor da S\u00e9 de Coimbra, e os sinos da cidade repicavam alegremente. Tinham chegado letras de b\u00ean\u00e7\u00e3o de Roma; e os sobrinhos do cardeal, montados em boas mulas, iam cantando devotamente pelo caminho da Vimieira o salmo que come\u00e7a:<\/p>\n<p>In exitu Israel de AEgypto. Conta-se, todavia, que o papa levara a mal, no princ\u00edpio, o pacto feito pelo legado; mas que, por fim, tivera d\u00f3 do pobre velho, que muitas vezes lhe dizia: &#8211; Se tu, santo padre, viras sobre ti um cavaleiro t\u00e3o bravo terte pelo cabe\u00e7\u00e3o, e a espada nua para te cortar a cabe\u00e7a, e seu cavalo, t\u00e3o feroz, arranhar a terra, que j\u00e1 te fazia a cova para ter enterrar, n\u00e3o s\u00f2mente deras as letras, mas tamb\u00e9m o papado e a cadeira apostolical.<\/p>\n<p>NOTA A lenda precedente \u00e9 tirada das cr\u00f3nicas de Acenheiro, rol de mentiras e disparates publicado pela nossa Academia, que teria procedido mais judiciosamente em deix\u00e1-las no p\u00f3 das bibliotecas, onde haviam jazido em paz por quase tr\u00eas s\u00e9culos. A mesma lenda tinha sido inserida pouco anteriormente na cr\u00f3nica de Afonso Henriques por Duarte Galv\u00e3o, formando a subst\u00e2ncia de quatro cap\u00edtulos, que foram suprimidos na edi\u00e7\u00e3o deste autor, e que mereceram da parte do acad\u00e9mico D. Francisco de S. Lu\u00eds uma grave refuta\u00e7\u00e3o. Toda a narrativa das circunst\u00e2ncias que se deram no facto, ali\u00e1s verdadeiro, da pris\u00e3o de D. Teresa, das tentativas oposicionistas do bispo de Coimbra, da elei\u00e7\u00e3o do bispo negro, da vinda do cardeal, e da sua fuga contrastam a hist\u00f3ria daquela \u00e9poca. A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa a todas as luzes; mas tamb\u00e9m \u00e9 certo que ela se originou de alguma acto de viol\u00eancia praticado nesse reinado contra algum cardeal legado. Um historiador coevo e, posto que estrangeiro, bem informado geralmente acerca dos sucessos do nosso pa\u00eds, o ingl\u00eas Rog\u00e9rio de Hoveden, narra um facto, acontecido em Portugal, que, pela analogia que tem com o conto do bispo negro, mostra a origem da f\u00e1bula. A narrativa do cronista est\u00e1 indicando que o acontecimento fizera certo ru\u00eddo na Europa, e a pr\u00f3pria confus\u00e3o de datas e de indiv\u00edduos que aparece no texto de Hoveden mostra que o sucesso era anterior e andava j\u00e1 alterado na tradi\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 certo \u00e9 que o achar-se esta conservada fora de Portugal desde o s\u00e9culo duod\u00e9cimo por um escritor que Ruy de Pina e Acenheiro n\u00e3o leram (porque foi publicado no s\u00e9culo d\u00e9cimo s\u00e9timo) prova que ela remonta entre n\u00f3s, por maioria de raz\u00e3o, tamb\u00e9m ao s\u00e9culo duod\u00e9cimo, embora alterada, como j\u00e1 a vemos no cronista ingl\u00eas. Eis a not\u00e1vel passagem a que aludimos, e que se l\u00ea a p\u00e1gina 640 da edi\u00e7\u00e3o de Hoveden, por Savile: \u201cNo mesmo ano (1187) o cardeal Jacinto, ent\u00e3o legado em toda a Espanha, dep\u00f4s muitos prelados (abbates), ou por culpas deles ou por \u00edmpeto pr\u00f3prio, e como quisesse depor o bispo de Coimbra, o rei Afonso (Henrique) n\u00e3o consentiu que ele fosse deposto e mandou ao dito cardeal que sa\u00edsse da sua terra, quando n\u00e3o cortar-lhe-ia um p\u00e9.<\/p>\n<h2>FIM<\/h2>\n<p>Fonte: virtualbooks.terra.com.br<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 Houve tempo em que a velha catedral conimbricense, hoje abandonada de seus bispos, era formosa; houve tempo em que essas pedras, ora tisnadas pelos anos, eram ainda p\u00e1lidas, como as margens areentas do Mondego. Ent\u00e3o, o luar, batendo nos lan\u00e7os dos seus muros, dava um reflexo de luz suav\u00edssima, mais rica de saudade que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-111432","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Bispo Negro, Alexandre Herculano O Bispo Negro<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O Bispo Negro, Alexandre Herculano, Obras, Poesias O Bispo Negro\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Bispo Negro, Alexandre Herculano O Bispo Negro\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Bispo Negro, Alexandre Herculano, Obras, Poesias O Bispo Negro\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-03-01T13:54:40+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Fabiane Breda\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"19 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro\"},\"author\":{\"name\":\"Fabiane Breda\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"headline\":\"O Bispo Negro\",\"datePublished\":\"2017-03-01T13:54:40+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro\"},\"wordCount\":3837,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro\",\"name\":\"O Bispo Negro, Alexandre Herculano O Bispo Negro\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-03-01T13:54:40+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\"},\"description\":\"O Bispo Negro, Alexandre Herculano, Obras, Poesias O Bispo Negro\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/o-bispo-negro#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"O Bispo Negro\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa\",\"name\":\"Fabiane Breda\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Bispo Negro, Alexandre Herculano O Bispo Negro","description":"O Bispo Negro, Alexandre Herculano, Obras, Poesias O Bispo Negro","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O Bispo Negro, Alexandre Herculano O Bispo Negro","og_description":"O Bispo Negro, Alexandre Herculano, Obras, Poesias O Bispo Negro","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-03-01T13:54:40+00:00","author":"Fabiane Breda","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Fabiane Breda","Est. tempo de leitura":"19 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro"},"author":{"name":"Fabiane Breda","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"headline":"O Bispo Negro","datePublished":"2017-03-01T13:54:40+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro"},"wordCount":3837,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro","name":"O Bispo Negro, Alexandre Herculano O Bispo Negro","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-03-01T13:54:40+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa"},"description":"O Bispo Negro, Alexandre Herculano, Obras, Poesias O Bispo Negro","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-bispo-negro#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"O Bispo Negro"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/af0ed2ca856d6fc049f351e023d3bdaa","name":"Fabiane Breda"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=111432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/111432\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=111432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=111432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=111432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}