{"id":111354,"date":"2017-03-01T09:45:02","date_gmt":"2017-03-01T11:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=111354"},"modified":"2017-03-01T09:45:02","modified_gmt":"2017-03-01T11:45:02","slug":"a-cruz-mutilada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-cruz-mutilada","title":{"rendered":"A Cruz Mutilada"},"content":{"rendered":"<p>Amo-te, \u00f3 cruz, no v\u00e9rtice, firmada<br \/>\nDe espl\u00eandidas igrejas;<br \/>\nAmo-te quando \u00e0 noite, sobre a campa,<br \/>\nJunto ao cipreste alvejas;<br \/>\nAmo-te sobre o altar, onde, entre incensos,<br \/>\nAs preces te rodeiam;<br \/>\nAmo-te quando em pr\u00e9stito festivo<br \/>\nAs multid\u00f5es te hasteiam;<br \/>\nAmo-te erguida no cruzeiro antigo,<br \/>\nNo adro do presbit\u00e9rio,<br \/>\nOu quando o morto, impressa no ata\u00fade,<br \/>\nGuias ao cemit\u00e9rio;<br \/>\nAmo-te, \u00f3 cruz, at\u00e9, quando no vale<br \/>\nNegrejas triste e s\u00f3,<br \/>\nN\u00fancia do crime, a que deveu a terra<br \/>\nDo assassinado o p\u00f3:<\/p>\n<p>Por\u00e9m guando mais te amo,<br \/>\n\u00d3 cruz do meu Senhor,<br \/>\n\u00c9, se te encontro \u00e0 tarde,<br \/>\nAntes de o Sol se p\u00f4r,<\/p>\n<p>Na clareira da serra,<br \/>\nQue o arvoredo assombra,<br \/>\nQuando \u00e0 luz que fenece<br \/>\nSe estira a tua sombra,<\/p>\n<p>E o dia \u00faltimos raios<br \/>\nCom o luar mistura,<br \/>\nE o seu hino da tarde<br \/>\nO pinheiral murmura.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>E eu te encontrei, num alcantil agreste,<br \/>\nMeia quebrada, \u00f3 cruz. Sozinha estavas<br \/>\nAo p\u00f4r do Sol, e ao elevar-se a Lua<br \/>\nDetr\u00e1s do calvo cerro. A soledade<br \/>\nN\u00e3o te p\u00f4de valer contra a m\u00e3o \u00edmpia,<br \/>\nQue te feriu sem d\u00f3. As linhas puras<br \/>\nDe teu perfil, falhadas, tortuosas,<br \/>\n\u00d3 mutilada cruz, falam de um crime<br \/>\nSacr\u00edlego, brutal e ao \u00edmpio in\u00fatil!<br \/>\nA tua sombra estampa-se no solo,<br \/>\nComo a sombra de antigo monumento,<br \/>\nQue o tempo quase derrocou, truncada.<br \/>\nNo pedestal musgoso, em que te ergueram<br \/>\nNossos av\u00f3s, eu me assentei. Ao longe,<br \/>\nDo presbit\u00e9rio r\u00fastico mandava<br \/>\nO sino os simples sons pelas quebradas<br \/>\nDa cordilheira, anunciando o instante<br \/>\nDa ave-maria; da ora\u00e7\u00e3o singela,<br \/>\nMas solene, mas santa, em que a voz do homem<br \/>\nSe mistura nos c\u00e2nticos saudosos,<br \/>\nQue a natureza envia ao C\u00e9u no extremo<br \/>\nRaio de sol, pasmado fugitivo<br \/>\nNa tangente deste orbe, ao qual trouxeste<br \/>\nLiberdade e progresso, e que te paga<br \/>\nCom a inj\u00faria e o desprezo, e que te inveja<br \/>\nAt\u00e9, na solid\u00e3o, o esquecimento!<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Foi da ci\u00eancia incr\u00e9dula o sect\u00e1rio,<br \/>\nAcaso, \u00f3 cruz da serra, o que na face<br \/>\nAfrontas te gravou com m\u00e3o profusa?<br \/>\nN\u00e3o! Foi o homem do povo, a quem consolo<br \/>\nNa mis\u00e9ria e na dor constante h\u00e1s sido<br \/>\nPor bem dezoito s\u00e9culos: foi esse<br \/>\nPor cujo amor surgias qual remorso<br \/>\nNos sonhos do abastado ou do tirano.<br \/>\nBradando \u2013 esmola! a um; piedade! ao outro.<\/p>\n<p>\u00d3 cruz, se desde o G\u00f3lgota n\u00e3o foras<br \/>\nS\u00edmbolo eterno de urna cren\u00e7a eterna;<br \/>\nSe a nossa f\u00e9 em ti fosse mentida,<br \/>\nDos opressos de outrora os livres netos<br \/>\nPor sua ingratid\u00e3o dignos de opr\u00f3bio,<br \/>\nSe n\u00e3o te amassem, ainda assim seriam.<br \/>\nMas \u00e9s n\u00fancia do C\u00e9u, e eles te insultam,<br \/>\nEsquecidos das l\u00e1grimas perenes<br \/>\nPor trinta gera\u00e7\u00f5es, que guarda a campa.<br \/>\nVertidas a teus p\u00e9s nos dias torvos<br \/>\nDo seu viver d&#8217;escravid\u00e3o! Deslembram-se<\/p>\n<p>De que. se a paz dom\u00e9stica, a pureza<br \/>\nDo leito conjugal bruta viol\u00eancia<br \/>\nN\u00e3o vai contaminar, se a filha virgem<br \/>\nDo humilde campon\u00eas n\u00e3o \u00e9 lud\u00edbrio<br \/>\nDo opulento, do nobre, \u00f3 Cruz. to devem;<br \/>\nQue por ti o cultor de f\u00e9rteis campos<br \/>\nColhe tranquilo da fadiga o pr\u00e9mio,<br \/>\nSem que a voz de um senhor, qual dantes, dura<br \/>\nLhe diga: \u00ab\u00c9 meu, e \u00e9s meu! A mim deleites,<br \/>\nLiberdade, abund\u00e2ncia: a ti, escravo,<br \/>\nO trabalho. a mis\u00e9ria unido \u00e0 terra,<br \/>\nQue o suor dessa fronte fertiliza,<br \/>\nEnquanto, em dia de furor ou t\u00e9dio,<br \/>\nN\u00e3o me apraz com teus restos fecund\u00e1-la.\u00bb<\/p>\n<p>Quando calada a humanidade ouvia<br \/>\nEste atroz blasfemar, tu te elevaste<br \/>\nL\u00e1 do Oriente, \u00f3 Cruz, envolta em gl\u00f3ria,<br \/>\nE bradaste, tremenda, ao forte, ao rico:<br \/>\n\u00abMentira!\u00bb, e o servo alevantou os olhos,<br \/>\nOnde a esperan\u00e7a cintilava, a medo,<br \/>\nE viu as faces do senhor retintas<br \/>\nEm palidez mortal, e errar-lhe a vista<br \/>\nTr\u00e9pida, vaga. A cruz no c\u00e9u do Oriente<br \/>\nDa liberdade anunciara a vinda.<\/p>\n<p>Cansado, o anci\u00e3o guerreiro, que a exist\u00eancia<br \/>\nDesgastou no volver de cem combates,<br \/>\nAo ver que, enfim, o seu pa\u00eds querido<br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o ousam calcar os p\u00e9s d&#8217;estranhos,<br \/>\nVem assentar-se \u00e0 luz meiga da tarde,<br \/>\nNa tarde do viver, junto do teixo<br \/>\nDa montanha natal. Na fronte calva,<br \/>\nQue o sol tostou e que enrugaram anos,<br \/>\nH\u00e1 um como fulgor sereno e santo.<br \/>\nDa aldeia semideus, devem-lhe todos<br \/>\nD tecto, a liberdade, e a honra e vida.<br \/>\nAo perpassar do veterano, os velhos<br \/>\nA m\u00e3o que os protegeu apertam gratos;<br \/>\nCom amorosa timidez os mo\u00e7os<br \/>\nSa\u00fadam-no qual pai. Nus largas noites<br \/>\nDa gelada esta\u00e7\u00e3o, sobre a lareira<br \/>\nNunca lhe falta o cepo incendiado;<br \/>\nSobre a mesa frugal nunca, no estio,<br \/>\nRefrigerante pomo. Assim do velho<br \/>\nPelejador os derradeiros dias<br \/>\nDerivam paru o t\u00famulo suaves,<br \/>\nRodeados de afecto, e quando \u00e0 terra<br \/>\nA m\u00e3o do tempo gastador o guia,<br \/>\nSobre a lousa a saudade ainda lhe esparze<br \/>\nFlores, l\u00e1grimas, b\u00ean\u00e7\u00e3os, que consolem<br \/>\nDo defensor do fraco as cinzas frias.<\/p>\n<p>Pobre cruz! Pelejaste mil combates,<br \/>\nOs gigantes combates dos tiranos,<br \/>\nE venceste. No solo libertado,<br \/>\nQue pediste? Um retiro no deserto,<br \/>\nUm p\u00edncaro gran\u00edtico, a\u00e7outado<br \/>\nPelas asas do vento e enegrecido<br \/>\nPor chuvas e por s\u00f3is. Para ameigar-te<br \/>\nEste ar h\u00famido e g\u00e9lido a segure<br \/>\nN\u00e3o foi ferir do bosque o rei. Do Estio<br \/>\nNo ardor canicular nunca disseste:<br \/>\n\u00abDai-me, sequer, do bravo medronheiro<br \/>\nO desprezado fruto!\u00bb O teu vestido<br \/>\nEra o musgo, que tece a m\u00e3o do Inverno<br \/>\nE Deus criou para trajar as rochas.<br \/>\nFilha do c\u00e9u, o c\u00e9u era o seu tecto,<br \/>\nTeu escabelo o dorso da montanha.<br \/>\nTempo houve em que esses bra\u00e7os te adornava<br \/>\nC&#8217;roa vi\u00e7osa de gentis boninas,<br \/>\nE o pedestal te rodeavam preces.<br \/>\nFicaste em breve s\u00f3, e a voz humana<br \/>\nFez, pouco a pouco, junto a ti sil\u00eancio.<br \/>\nQue te importava? As \u00e1rvores da encosta<br \/>\nCurvavam-se a saudar-te, e revoando<br \/>\nAs aves vinham circundar-te de hinos.<br \/>\nAfagava-te o raio derradeiro,<br \/>\nFrouxo do Sul ao mergulhar nos mares.<br \/>\nE esperavas o t\u00famulo. O teu t\u00famulo<br \/>\nDevera ser o seio destas serras,<br \/>\nQuando, em G\u00e9nesis novo, \u00e0 voz do Eterno,<br \/>\nDo orbe ao n\u00facleo fervente, que as gerara,<br \/>\nElas nus fauces dos bolc\u00f5es descessem.<br \/>\nEnt\u00e3o para essa campa flores, b\u00ean\u00e7\u00e3os,<br \/>\nOu \u00e9 saudade l\u00e1grimas vertidas,<br \/>\nQual do velho soldado a lousa pede,<br \/>\nN\u00e3o pediras \u00e0 ingrata ra\u00e7a humana,<br \/>\nAo p\u00e9 de ti no seu sud\u00e1rio envolta.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Este longo esperar do dia extremo,<br \/>\nNo esquecimento do ermo abandonada,<br \/>\nFoi duro de sofrer aos teus remidos,<br \/>\n\u00d3 redentora cruz. Eras, acaso,<br \/>\nComo um remorso e acusa\u00e7\u00e3o perene<br \/>\nNo teu rochedo alpestre, onde te viam<br \/>\nPousar tristonha e s\u00f3? Acaso, \u00e0 noite,<br \/>\nQuando a procela no pinhal rugia,<br \/>\nCriam ouvir-te a voz acusadora<br \/>\nSobreelevar \u00e0 voz da tempestade?<br \/>\nQue lhes dizias tu? De Deus falavas,<br \/>\nE do seu Cristo, do divino m\u00e1rtir,<br \/>\nQue a ti, supl\u00edcio e afronta, a ti maldita<br \/>\nErgueu, purificou, clamando ao servo,<br \/>\nNo seu transe: \u00abErgue-te, escravo!<br \/>\n\u00c9s livre, como \u00e9 pura a cruz da inf\u00e2mia.<br \/>\nEla vil e tu vil, santos, sublimes<br \/>\nSereis ante meu Pai. Ergue-te, escravo!<br \/>\nAbra\u00e7a tua irm\u00e3: segue-a sem susto<br \/>\nNo caminho dos s\u00e9culos. Da Terra<br \/>\nPertence-lhe o porvir, e o seu triunfo<br \/>\nTrar\u00e1 da tua liberdade o dia.\u00bb<\/p>\n<p>Eis porque teus irm\u00e3os te arrojam pedras,<br \/>\nAo perpassar, \u00f3 cruz! Pensam ouvir-te<br \/>\nNos rumores da noite, a antiga hist\u00f3ria<br \/>\nRecontando do G\u00f3lgota, lembrando-lhes<br \/>\nQue s\u00f3 ao Cristo a liberdade devem,<br \/>\nE que \u00edmpio o povo ser \u00e9 ser infame.<br \/>\nMutilado por ele, a pouco e pouco,<br \/>\nTu em fragmentos tombar\u00e1s do cerro,<br \/>\nS\u00edmbolo sacrossanto. H\u00e3o-de os humanos<br \/>\nAos p\u00e9s pisar-te; e esquecer\u00e1s no mundo.<br \/>\nDa gratid\u00e3o a d\u00edvida n\u00e3o paga<br \/>\nFicar\u00e1, \u00f3 tremenda acusadora,<br \/>\nSem que as faces lhes tinja a cor do pejo;<br \/>\nSem que o remorso os cora\u00e7\u00f5es lhes rasgue.<br \/>\nDo Cristo o nome passar\u00e1 na Terra.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>N\u00e3o! Quando, em p\u00f3 desfeita, a cruz divina<br \/>\nDeixar de ser perene testemunha<br \/>\nDa avita cren\u00e7a, os montes, a espessura,<br \/>\nO mar, a Lua, o murmurar da fonte,<br \/>\nDa natureza as vagas harmonias,<br \/>\nDa cruz em nome, falar\u00e3o do Verbo.<\/p>\n<p>Dela no pedestal, ent\u00e3o deserto,<br \/>\nDo deserto no seio, ainda o poeta<br \/>\nVir\u00e1, talvez, ao p\u00f4r do Sol sentar-se;<br \/>\nE a voz da selva lhe dir\u00e1 que \u00e9 santo<br \/>\nEste rochedo nu, e um hino pio<br \/>\nA solid\u00e3o lhe ensinar\u00e1 e a noite.<\/p>\n<p>Do c\u00e2ntico futuro unta toada<br \/>\nN\u00e3o sentes vir, \u00f3 cruz, de al\u00e9m dos tempos<br \/>\nDa brisa do crep\u00fasculo nus asas?<br \/>\n\u00c9 o porvir que te proclama eterna;<br \/>\n\u00c9 a voz do poeta a saudar-te.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Montanha do Oriente,<br \/>\nQue, sobre as nuvens elevando o cume,<br \/>\nDivisas logo o Sol, surgindo a aurora,<br \/>\nE que, l\u00e1 no Ocidente,<br \/>\n\u00daltima vez seu radioso lume,<br \/>\nEm ti minha alma a eterna cruz adora.<\/p>\n<p>Rochedo, que descansas<br \/>\nNo promont\u00f3rio nu e solit\u00e1rio,<br \/>\nComo atalaia que o oceano explora,<br \/>\nAlheio \u00e1s mil mudan\u00e7as<br \/>\nQue o mundo agitam turbulento e v\u00e1rio,<br \/>\nEm ti minha alma a eterna cruz adora.<\/p>\n<p>Sobros, robles frondentes,<br \/>\nCuja sombra procura o viandante,<br \/>\nFugindo ao Sol a prumo que o devora,<br \/>\nNesses dias ardentes<br \/>\nEm que o Le\u00e3o nos c\u00e9us passa radiante,<br \/>\nEm ti minha alma a eterna cruz adora.<\/p>\n<p>\u00d3 mato variado,<br \/>\nDe rosmaninho e murta entretecido,<br \/>\nDe cujas t\u00e9nues flores se evapora<br \/>\nAroma delicado,<br \/>\nQuando \u00e9s por leve aragem sacudido,<br \/>\nEm ti minha alma a eterna cruz adora.<\/p>\n<p>\u00d3 mar, que vais quebrando<br \/>\nRolo ap\u00f3s rolo pela praia fria,<br \/>\nE fremes som de paz consoladora,<br \/>\nDormente murmurando<br \/>\nNa caverna mar\u00edtima sombria,<br \/>\nEm li minha alma a eterna cruz adora.<\/p>\n<p>\u00d3 Lua silenciosa,<br \/>\nQue em perp\u00e9tuo volver. seguindo a Terra,<br \/>\nEsparzes tua luz ameigadora<br \/>\nPela serra formosa,<br \/>\nE pelos lagos que em seu seio encerra,<br \/>\nEm ti minha alma a eterna cruz adora.<\/p>\n<p>Debalde o servo ingrato<br \/>\nNo p\u00f3 te derribou<br \/>\nE os restos te insultou,<br \/>\n\u00d3 veneranda cruz:<\/p>\n<p>Embora eu te n\u00e3o veja<br \/>\nNeste ermo pedestal;<br \/>\n\u00c9s santa, \u00e9s imortal;<br \/>\nTu \u00e9s a minha luz!<\/p>\n<p>Nas almas generosas<br \/>\nGravou-te a m\u00e3o de Deus,<br \/>\nE, \u00e0 noite, fez nos c\u00e9us<br \/>\nTeu vulto cintilar.<\/p>\n<p>Os raios das estrelas<br \/>\nCruzam o seu fulgor;<br \/>\nNas horas do furor<br \/>\nAs vagas cruza o mar.<\/p>\n<p>Os ramos enla\u00e7ados<br \/>\nDo roble, choupo e til<br \/>\nCruzando em modos mil,<br \/>\nSe v\u00e3o entretecer.<\/p>\n<p>Ferido, abre-o guerreiro<br \/>\nOs bra\u00e7os, solta um ai,<br \/>\nP\u00e1ra, vacila, e cai<br \/>\nPara n\u00e3o mais se erguer.<\/p>\n<p>Cruzado aperta ao seio<br \/>\nA m\u00e3e o filho seu,<br \/>\nQue busca, mal nasceu,<br \/>\nFontes da vida e amor.<\/p>\n<p>Surges; s\u00edmbolo eterno,<br \/>\nNo C\u00e9u, na Terra e mar,<br \/>\nDo forte no expirar,<br \/>\nE do viver no alvor!<\/p>\n<p class=\"fonte\">Fonte: bibvirt.futuro.usp.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amo-te, \u00f3 cruz, no v\u00e9rtice, firmada De espl\u00eandidas igrejas; Amo-te quando \u00e0 noite, sobre a campa, Junto ao cipreste alvejas; Amo-te sobre o altar, onde, entre incensos, As preces te rodeiam; Amo-te quando em pr\u00e9stito festivo As multid\u00f5es te hasteiam; Amo-te erguida no cruzeiro antigo, No adro do presbit\u00e9rio, Ou quando o morto, impressa no 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