{"id":108832,"date":"2017-02-14T18:15:17","date_gmt":"2017-02-14T20:15:17","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=108832"},"modified":"2017-02-14T18:15:17","modified_gmt":"2017-02-14T20:15:17","slug":"numa-e-a-ninfa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/numa-e-a-ninfa","title":{"rendered":"Numa e a Ninfa"},"content":{"rendered":"<h2>Lima Barreto<\/h2>\n<p>Na rua n\u00e3o havia quem n\u00e3o apontasse a uni\u00e3o daquele casal. Ela n\u00e3o era muito alta, mas tinha uma fronte reta e dominadora, uns olhos de visada segura, rasgando a cabe\u00e7a, o busto erguido, de forma a possuir n\u00e3o sei que ar de for\u00e7a, de dom\u00ednio, de orgulho; ele era pequenino, sumido, tinha a barba rala, mas todos lhe conheciam o talento e a ilustra\u00e7\u00e3o. Deputado h\u00e1 bem duas legislaturas, n\u00e3o fizera em come\u00e7o grande figura; entretanto, surpreendendo todos, um belo dia fez um &#8220;brilhareto&#8221;, um lindo discurso t\u00e3o bom e s\u00f3lido que toda a gente ficou admirada de sair de l\u00e1bios que at\u00e9 ent\u00e3o ali estiveram hermeticamente fechados.<\/p>\n<p>Foi por ocasi\u00e3o do grande debate que provocou, na c\u00e2mara, o projeto de forma\u00e7\u00e3o de um novo estado, com terras adquiridas por for\u00e7a de cl\u00e1usulas de um recente tratado diplom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Penso que todos os contempor\u00e2neos ainda est\u00e3o perfeitamente lembrados do fervor da quest\u00e3o e da forma por que a oposi\u00e7\u00e3o e o governo se digladiaram em torno do projeto aparentemente inofensivo. N\u00e3o conv\u00e9m, para abreviar, relembrar aspectos de uma quest\u00e3o t\u00e3o dos nossos dias; basta que se recorde o aparecimento de Numa Pomp\u00edlio de Castro, deputado pelo Estado de Sernambi, na tribuna da c\u00e2mara, por esse tempo.<\/p>\n<p>Esse Numa, que ficou, da\u00ed em diante, considerado parlamentar consumado e ilustrado, fora eleito deputado, gra\u00e7as \u00e0 influ\u00eancia do seu sogro, o Senador Neves Cogominho, chefe da dinastia dos Cogominhos que, desde a funda\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, desfrutava empregos, rendas, representa\u00e7\u00f5es, tudo o que aquela mansa satrapia possu\u00eda de governamental e administrativo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Numa era simples. Filho de um pequeno empregado de um hospital militar do Norte, fizera-se, \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o, bacharel em direito. N\u00e3o que houvesse nele um entranhado amor ao estudo ou \u00e0s letras jur\u00eddicas. N\u00e3o havia no pobre estudante nada de semelhante a isso. O estudo de tais coisas era-lhe um supl\u00edcio cruciante; mas Numa queria ser bacharel, para ter cargos e proventos; e arranjou os exames de maneira mais econ\u00f4mica. N\u00e3o abria livros; penso que nunca viu um que tivesse rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ou remota com as disciplinas dos cinco anos de bacharelado. Decorava apostilas, cadernos; e, com esse saber mastigado, fazia exames e tirava distin\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma vez, por\u00e9m, saiu-se mal; e foi por isso que n\u00e3o recebeu a medalha e o pr\u00eamio de viagem. A quest\u00e3o foi com o ars\u00eanico, quando fazia prova oral de medicina legal. Tinha havido sucessivos erros de c\u00f3pias nas apostilas, de modo que Numa dava como podendo ser encontradas na gl\u00e2ndula tire\u00f3ide dezessete gramas de ars\u00eanico, quando se tratam de dezessete cent\u00e9simos de miligrama.<\/p>\n<p>N\u00e3o recebeu distin\u00e7\u00e3o e o rival passou-lhe a perna. O seu desgosto foi imenso. Ser formado j\u00e1 era alguma coisa, mas sem medalha era incompleto!<\/p>\n<p>Formado em direito, tentou advogar; mas, nada conseguindo, veio ao Rio, agarrou-se \u00e0 sobrecasaca de um figur\u00e3o, que o fez promotor de justi\u00e7a do tal Sernambi, para livrar-se dele.<\/p>\n<p>Aos poucos, com aquele seu faro de adivinhar onde estava o vencedor &#8211; qualidade que lhe vinha da aus\u00eancia total de emo\u00e7\u00e3o, de imagina\u00e7\u00e3o, de personalidade forte e orgulhosa -, Numa foi subindo.<\/p>\n<p>Nas suas m\u00e3os, a justi\u00e7a estava a servi\u00e7o do governo; e, como juiz de direito, foi na comarca mais um ditador que um sereno apreciador de lit\u00edgios.<\/p>\n<p>Era ele juiz de Catimbau, a melhor comarca do Estado, depois da capital, quando Neves Cogominho foi substituir o tio na presid\u00eancia de Sernambi.<\/p>\n<p>Numa n\u00e3o queria fazer mediocremente uma carreira de justi\u00e7a de ro\u00e7a. Sonhava a c\u00e2mara, a Cadeia Velha, a Rua do Ouvidor, com dinheiro nas algibeiras, roupas em alfaiates caros, passeio \u00e0 Europa; e se lhe antolhou, meio seguro de obter isso, aproximar-se do novo governador, captar-lhe a confian\u00e7a e fazer-se deputado.<\/p>\n<p>Os candidatos \u00e0 chefatura de pol\u00edcia eram muitos, mas ele, de tal modo agiu e ajeitou as coisas, que foi o escolhido.<\/p>\n<p>O primeiro passo estava dado; o resto dependia dele. Veio a posse. Neves Cogominho trouxera a fam\u00edlia para o Estado. Era uma satisfa\u00e7\u00e3o que dava aos seus feudat\u00e1rios, pois havia mais de dez anos que l\u00e1 n\u00e3o punha os p\u00e9s.<\/p>\n<p>Entre as pessoas da fam\u00edlia, vinha a filha, a Gilberta, mo\u00e7a de pouco mais de vinte anos, cheia de pros\u00e1pias de nobreza, que as irm\u00e3s de caridade de um col\u00e9gio de Petr\u00f3polis lhe tinham metido na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Numa viu logo que o caminho mais f\u00e1cil para chegar a seu fim era casar-se com a filha do dono daquela &#8220;comarca&#8221; long\u00ednqua do desmedido imp\u00e9rio do Brasil.<\/p>\n<p>Fez a corte, n\u00e3o deixava a mo\u00e7a, trazia-lhe mimos, encheu as tias (Cogominho era vi\u00favo) de presentes; mas a mo\u00e7a parecia n\u00e3o atinar com os desejos daquele bacharelinho ba\u00e7o, pequenino, feio e t\u00e3o roceiramente vestido. Ele n\u00e3o desanimou; e, por fim, a mo\u00e7a descobriu que aquele homenzinho estava mesmo apaixonado por ela. Em come\u00e7o, o seu desprezo foi grande; achava at\u00e9 ser inj\u00faria que aquele tipo a olhasse; mas, vieram os aborrecimentos da vida da prov\u00edncia, a sua falta de festas, o t\u00e9dio daquela reclus\u00e3o em pal\u00e1cio, aquela necessidade de namoro que h\u00e1 em toda a mo\u00e7a, e ela deu-lhe mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Casaram-se, e Numa Pomp\u00edlio de Castro foi logo eleito deputado pelo Estado de Sernambi.<\/p>\n<p>Em come\u00e7o, a vida de ambos n\u00e3o foi das mais perfeitas. N\u00e3o que houvesse rusgas; mas, o retraimento dela e a gaucherie dele toldavam a vida \u00edntima de ambos.<\/p>\n<p>No casar\u00e3o de S\u00e3o Clemente, ele vivia s\u00f3, calado a um canto; e Gilberta, afastada dele, mergulhada na leitura; e, n\u00e3o fosse um acontecimento pol\u00edtico de certa import\u00e2ncia, talvez a desarmonia viesse a ser completa.<\/p>\n<p>Ela lhe havia descoberto a simula\u00e7\u00e3o do talento e o seu desgosto foi imenso porque contava com um verdadeiro s\u00e1bio, para que o marido lhe desse realce na sociedade e no mundo. Ser mulher de deputado n\u00e3o lhe bastava; queria ser mulher de um deputado not\u00e1vel, que falasse, fizesse lindos discursos, fosse apontado nas ruas.<\/p>\n<p>J\u00e1 desanimava, quando, uma madrugada, ao chegar da manifesta\u00e7\u00e3o do Senador Sofonias, naquele tempo o mais poderoso chefe da pol\u00edtica nacional, quase chorando, Numa dirigiu-se \u00e0 mulher:<\/p>\n<p>\u2014 Minha filha, estou perdido!&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Mas que h\u00e1, Numa?<\/p>\n<p>\u2014 Ele&#8230; O Sofonias&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Que tem? que h\u00e1? por qu\u00ea?<\/p>\n<p>A mulher sentia bem o desespero do marido e tentava soltar-lhe a l\u00edngua. Numa, por\u00e9m, estava alanceado e hesitava, vexado em confessar a verdadeira causa do seu desgosto. Gilberta, por\u00e9m, era tenaz; e, de uns tempos para c\u00e1, dera em tratar com mais carinho o seu pobre marido. Afinal, ele confessou quase em pranto:<\/p>\n<p>\u2014 Ele quer que eu fale, Gilberta.<\/p>\n<p>\u2014 Mas, voc\u00ea fala&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 E f\u00e1cil dizer&#8230; Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea que n\u00e3o posso&#8230; Ando esquecido&#8230; H\u00e1 tanto tempo&#8230; Na faculdade, ainda fiz um ou outro discurso; mas era l\u00e1, e eu decorava, depois pronunciava.<\/p>\n<p>\u2014 Faz agora o mesmo&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 E&#8230; Sim&#8230; Mas, preciso id\u00e9ias&#8230; Um estudo sobre o novo Estado! Qual!<\/p>\n<p>\u2014 Estudando a quest\u00e3o, voc\u00ea ter\u00e1 id\u00e9ias&#8230;<\/p>\n<p>Ele parou um pouco, olhou a mulher demoradamente e lhe perguntou de sopet\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o sabe a\u00ed alguma coisa de hist\u00f3ria e geografia do Brasil?<\/p>\n<p>Ela sorriu indefinidamente com os seus grandes olhos claros, apanhou com uma das m\u00e3os os cabelos que lhe ca\u00edram sobre a testa; e depois de ter estendido molemente o bra\u00e7o meio nu sobre a cama, onde a fora encontrar o marido, respondeu:<\/p>\n<p>\u2014 Pouco&#8230; Aquilo que as irm\u00e3s ensinam; por exemplo: que o rio S\u00e3o Francisco nasce na serra da Canastra.<\/p>\n<p>Sem olhar a mulher, bocejando, mas j\u00e1 um tanto aliviado, o legislador disse:<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea deve ver se arranja algumas id\u00e9ias, e fazemos o discurso.<\/p>\n<p>Gilberta pregou os seus grandes olhos na arma\u00e7\u00e3o do cortinado, e ficou assim um bom peda\u00e7o de tempo, como a recordar-se. Quando o marido ia para o aposento pr\u00f3ximo, despir-se, disse com vagar e do\u00e7ura:<\/p>\n<p>\u2014Talvez.<\/p>\n<p>Numa fez o discurso e foi um triunfo. Os representantes dos jornais, n\u00e3o esperando t\u00e3o extraordin\u00e1ria revela\u00e7\u00e3o, denunciaram o seu entusiasmo, e n\u00e3o lhe pouparam elogios. O Jos\u00e9 Vieira escreveu uma cr\u00f4nica; e a gl\u00f3ria do representante de Sernambi encheu a cidade. Nos bondes, nos trens, nos caf\u00e9s, era motivo de conversa o sucesso do deputado dos Cogominhos:<\/p>\n<p>\u2014 Quem diria, hein? V\u00e1 a gente fiar-se em idiotas. L\u00e1 vem um dia que eles se saem. N\u00e3o h\u00e1 homem burro &#8211; diziam -, a quest\u00e3o \u00e9 querer&#8230;<\/p>\n<p>E foi da\u00ed em diante que a uni\u00e3o do casal come\u00e7ou a ser admirada nas ruas. Ao passarem os dois, os homens de altos pensamentos n\u00e3o podiam deixar de olhar agradecidos aquela mo\u00e7a que erguera do nada um talento humilde; e as meninas olhavam com inveja aquele casamento desigual e feliz.<\/p>\n<p>Da\u00ed por diante, os sucessos de Numa continuaram. N\u00e3o havia quest\u00e3o em debate na c\u00e2mara sobre a qual ele n\u00e3o falasse, n\u00e3o desse o seu parecer, sempre s\u00f3lido, sempre brilhante, mantendo a coer\u00eancia do partido, mas aproveitando id\u00e9ias pessoais e vistas novas. Estava apontado para ministro e todos esperavam v\u00ea-lo na secretaria do Largo do Rossio, para que ele pusesse em pr\u00e1tica as suas extraordin\u00e1rias id\u00e9ias sobre instru\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Era tal o conceito de que gozava que a c\u00e2mara n\u00e3o viu com bons olhos furtar-se, naquele dia, ao debate que ele mesmo provocara, dando um intempestivo aparte ao discurso do Deputado Cardoso Laranja, o formid\u00e1vel orador da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os governistas esperavam que tomasse a palavra e logo esmagasse o advers\u00e1rio; mas n\u00e3o fez isso.<\/p>\n<p>Pediu a palavra para o dia seguinte e o seu pretexto de mol\u00e9stia n\u00e3o foi bem aceito.<\/p>\n<p>Numa n\u00e3o perdeu tempo: tomou um t\u00edlburi, correu \u00e0 mulher e deu-lhe parte da atrapalha\u00e7\u00e3o em que estava. Pela primeira vez, a mulher lhe pareceu com pouca disposi\u00e7\u00e3o de fazer o discurso.<\/p>\n<p>\u2014 Mas, Gilberta, se eu n\u00e3o o fizer amanh\u00e3, estou perdido!&#8230; E o minist\u00e9rio? Vai-se tudo por \u00e1gua abaixo&#8230; Um esfor\u00e7o&#8230; E pequeno&#8230; De manh\u00e3, eu decoro&#8230; Sim, Gilberta?<\/p>\n<p>A mo\u00e7a pensou e, ao jeito da primeira vez, olhou o teto com os seus grandes olhos cheios de luz, como a lembrar-se, e disse:<\/p>\n<p>\u2014 Fa\u00e7o; mas voc\u00ea precisa ir buscar j\u00e1, j\u00e1, dois ou tr\u00eas volumes sobre coloniza\u00e7\u00e3o&#8230; Trata-se dessa quest\u00e3o, e eu n\u00e3o sou forte. E preciso fingir que se tem leituras disso&#8230; V\u00e1!<\/p>\n<p>\u2014 E os nomes dos autores?<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 preciso&#8230; O caixeiro sabe&#8230; V\u00e1!<\/p>\n<p>Logo que o marido saiu, Gilberta redigiu um telegrama e mandou a criada transmiti-lo.<\/p>\n<p>Numa voltou com os livros; marido e mulher jantaram em grande intimidade e n\u00e3o sem apreens\u00f5es. Ao anoitecer, ela recolheu-se \u00e0 biblioteca e ele ao quarto.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, o parlamentar dormiu bem; mas bem cedo despertou e ficou surpreendido em n\u00e3o encontrar a mulher a seu lado. Teve remorsos. Pobre Gilberta! Trabalhar at\u00e9 \u00e0quela hora, para o nome dele, assim obscuramente! Que dedica\u00e7\u00e3o! E &#8211; coitadinha! &#8211; t\u00e3o mo\u00e7a e ter que empregar o seu tempo em leituras \u00e1rduas! Que boa mulher ele tinha! N\u00e3o havia duas&#8230; Se n\u00e3o fosse ela&#8230; Ah! Onde estaria a sua cadeira? Nunca seria candidato a ministro&#8230; Vou fazer-lhe uma mesura, disse ele consigo. Acendeu a vela, cal\u00e7ou as chinelas e foi p\u00e9 ante p\u00e9 at\u00e9 ao compartimento que servia de biblioteca.<\/p>\n<p>A porta estava fechada; ele quis bater, mas parou a meio. Vozes abaladas&#8230; Que seria? Talvez a Idalina, a criada&#8230; N\u00e3o, n\u00e3o era; era voz de homem. Diabo! Abaixou-se e olhou pelo buraco da fechadura. Quem era? Aquele tipo&#8230; Ah! Era o tal primo&#8230; Ent\u00e3o, era ele, era aquele valdevinos, vagabundo, sem eira nem beira, poeta sem poesias, freq\u00fcentador de chopes; ent\u00e3o, era ele quem lhe fazia os discursos? Por que pre\u00e7o?<\/p>\n<p>Olhou ainda mais um instante e viu que os dois acabavam de beijar-se. A vista se lhe turvou; quis arrombar a porta; mas logo lhe veio a id\u00e9ia do esc\u00e2ndalo e refletiu. Se o fizesse, vinha a coisa a p\u00fablico; todos saberiam do segredo da sua &#8220;intelig\u00eancia&#8221; e adeus c\u00e2mara, minist\u00e9rio e &#8211; quem sabe? &#8211; a presid\u00eancia da rep\u00fablica. Que \u00e9 que se jogava ali? A sua honra? Era pouco. O que se jogava ali eram a sua intelig\u00eancia, a sua carreira; era tudo! N\u00e3o, pensou ele de si para si, vou deitar-me.<\/p>\n<p>No dia seguinte, teve mais um triunfo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima Barreto Na rua n\u00e3o havia quem n\u00e3o apontasse a uni\u00e3o daquele casal. Ela n\u00e3o era muito alta, mas tinha uma fronte reta e dominadora, uns olhos de visada segura, rasgando a cabe\u00e7a, o busto erguido, de forma a possuir n\u00e3o sei que ar de for\u00e7a, de dom\u00ednio, de orgulho; ele era pequenino, sumido, tinha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-108832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Numa e a Ninfa, Lima Barreto Numa e a Ninfa<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Numa e a Ninfa, Lima Barreto, Conto, Obra Liter\u00e1ria, Gilberta, Pomp\u00edlio de Castro, Estado de Sernambi, Literatura, Numa e a Ninfa\" 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