{"id":108824,"date":"2017-02-14T17:59:42","date_gmt":"2017-02-14T19:59:42","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=108824"},"modified":"2017-02-14T17:59:42","modified_gmt":"2017-02-14T19:59:42","slug":"milagre-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/milagre-do-natal","title":{"rendered":"Milagre do Natal"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h2>Lima Barreto<\/h2>\n<p>O Bairro do Andara\u00ed \u00e9 muito triste e muito \u00famido. As montanhas que enfeitam a nossa cidade, a\u00ed tomam maior altura e ainda conservam a densa vegeta\u00e7\u00e3o que as devia adornar com mais for\u00e7a em tempos idos. O tom pl\u00fambeo das \u00e1rvores como que enegrece o horizonte e torna triste o arrabalde.<\/p>\n<p>Nas vertentes dessas mesmas montanhas, quando d\u00e3o para o mar, este quebra a monotonia d\u00f3 quadro e o sol se espadana mais livremente, obtendo as cousas humanas, min\u00fasculas e mesquinhas, uma garridice e uma alegria que n\u00e3o est\u00e3o nelas, mas que s\u00ea percebem nelas. As tacanhas casas de Botafogo se nos afigura assim; as bomb\u00e1sticas &#8220;vilas&#8221; de Copacabana, tamb\u00e9m; mas, no Andara\u00ed, tudo fica esmagado pela alta montanha e sua sombria vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era numa rua desse bairro que morava Feliciano Campossolo Nunes, chefe de se\u00e7\u00e3o do Tesouro Nacional, ou antes e melhor: subdiretor. A casa era pr\u00f3pria e tinha na cimalha este d\u00edstico pretensioso: &#8220;Vila Sebastiana&#8221;. O gosto da fachada, as propor\u00e7\u00f5es da casa n\u00e3o precisam ser descritas: todos conhecem um e as outras. Na frente, havia um jardinzinho que se estendia para a esquerda, oitenta cent\u00edmetros a um metro, al\u00e9m da fachada. Era o v\u00e3o que correspondia \u00e0 varanda lateral, quase a correr todo o pr\u00e9dio. Campossolo era um homem grave, ventrudo, calvo, de m\u00e3os polpudas e dedos curtos. N\u00e3o largava a pasta de marroquim em que trazia para a casa os pap\u00e9is da reparti\u00e7\u00e3o com o fito de n\u00e3o l\u00ea-los; e tamb\u00e9m o guarda-chuva de cast\u00e3o de ouro e forro de seda. Pesado e de pernas curtas, era com grande dificuldade que ele vencia os dous degraus dos &#8220;Minas Gerais&#8221; da Light, atrapalhado com semelhantes cangalhas: a pasta e o guarda chuva de &#8221; ouro&#8221;. Usava chap\u00e9u de coco e cavanhaque.<\/p>\n<p>Morava ali com sua mulher mais a filha solteira e \u00fanica, a Mariazinha.<\/p>\n<p>A mulher, Dona Sebastiana, que batizara a vila e com cujo dinheiro a fizeram, era mais alta do que ele e n\u00e3o tinha nenhum relevo de fisionomia, sen\u00e3o um artificial, um aposto. Consistia num pequeno pince-nez de aros de ouro, preso, por detr\u00e1s da orelha, com trancelim de seda. N\u00e3o nascera com ele, mas era como se tivesse nascido, pois jamais algu\u00e9m havia visto Dona Sebastiana sem aquele adendo, acavalado no nariz. fosse de dia, fosse de noite. Ela, quando queria olhar algu\u00e9m ou alguma cousa com jeito e perfei\u00e7\u00e3o, erguia bem a cabe\u00e7a e toda Dona Sebastiana tomava um entono de magistrado severo.<\/p>\n<p>Era baiana, como o marido, e a \u00danica queixa que tinha do Rio cifrava-se em n\u00e3o haver aqui bons temperos para as moquecas, carurus e outras comidas da Bahia, que ela sabia preparar com perfei\u00e7\u00e3o, auxiliada pela preta In\u00e1cia, que, com eles. viera do Salvador, quando o marido foi transferido para S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Se oferecia portador, mandava-os buscar; e. quando, aqui chegavam e ela preparava uma boa moqueca, esquecia-se de tudo, at\u00e9 que estar\u00e1 muito longe da sua querida cidade de Tom\u00e9 de Sousa.<\/p>\n<p>Sua filha, a Mariazinha, n\u00e3o era assim e at\u00e9 se esquecera que por l\u00e1 nascera: cariocara-se inteiramente. Era uma mo\u00e7a de vinte anos, fina de talhe, poucas carnes, mais alta que o pai, entestando com a m\u00e3e, bonita e vulgar. O seu tra\u00e7o de beleza eram os seus olhos de top\u00e1zio com estilhas negras. Nela, n\u00e3o havia nem invento, nem novidade como \u2014 as outras.<\/p>\n<p>Eram estes os habitantes da &#8220;Vila Sebastiana&#8221; , al\u00e9m de um molecote que nunca era o mesmo. De dous em dous meses, por isso ou por aquilo, era substitu\u00eddo por outro, mais claro ou mais escuro, conforme a sorte calhava.<\/p>\n<p>Em certos domingos, o Senhor Campossolo convidava alguns dos seus subordinados a irem almo\u00e7ar ou jantar com eles. N\u00e3o era um qualquer. Ele os escolhia com acerto e sabedoria. Tinha uma filha solteira e n\u00e3o podia p\u00f4r dentro de casa um qualquer, mesmo que fosse empregado de fazenda.<\/p>\n<p>Aos que mais constantemente convidava, eram os terceiros escritur\u00e1rios Fortunato Guaicuru e Simpl\u00edcio Fontes, os seus bra\u00e7os direitos na se\u00e7\u00e3o. Aquele era bacharel em Direito e esp\u00e9cie de seu secret\u00e1rio e consultor em assuntos dif\u00edceis; e o \u00faltimo chefe do protocolo da sua se\u00e7\u00e3o, cargo de extrema responsabilidade, para que n\u00e3o houvesse extravio de processos e se acoimasse a sua subdiretoria de relaxada e desidiosa. Eram eles dous os seus mais constantes comensais, nos seus bons domingos de efus\u00f5es familiares. Demais, ele tinha uma filha a casar e era bom que&#8230;<\/p>\n<p>Os senhores devem ter verificado que os pais sempre procuram casar as filhas na classe que pertencem: os negociantes com negociantes ou caixeiros; os militares com outros militares; os m\u00e9dicos com outros m\u00e9dicos e assim por diante. N\u00e3o \u00e9 de estranhar, portanto, que o chefe Campossolo quisesse casar sua filha com um funcion\u00e1rio p\u00fablico que fosse da sua reparti\u00e7\u00e3o e at\u00e9 da sua pr\u00f3pria se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Guaicuru era de Mato Grosso. Tinha um tipo acentuadamente \u00edndio. Malares salientes, face curta, mento largo e duro, bigodes de cerdas de javali, testa fugidia e as pernas um tanto arqueadas. Nomeado para a alf\u00e2ndega de Corumb\u00e1, transferira-se para a delegacia fiscal de Goi\u00e1s. A\u00ed, passou tr\u00eas ou quatro anos, formando-se, na respectiva faculdade de Direito, porque n\u00e3o h\u00e1 cidade do Brasil, capital ou n\u00e3o, em que n\u00e3o haja uma. Obtido o t\u00edtulo, passou-se para a Casa da Moeda e, desta reparti\u00e7\u00e3o, para o Tesouro. Nunca se esquecia de trazer o anel de rubi, \u00e0 mostra. Era um rapaz forte, de ombros largos e direitos; ao contr\u00e1rio de Simpl\u00edcio que era franzino, peito pouco saliente, p\u00e1lido, com uns doces e grandes olhos negros e de uma timidez de donzela.<\/p>\n<p>Era carioca e obtivera o seu lugar direitinho, quase sem pistol\u00e3o e sem nenhuma intromiss\u00e3o de pol\u00edticos na sua nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais ilustrado, n\u00e3o direi; mas muito mais instru\u00eddo que Guaicuru, a aud\u00e1cia deste o superava, n\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o de Mariazinha, mas no interesse que tinha a m\u00e3e desta no casamento da filha. Na mesa, todas as aten\u00e7\u00f5es tinha Dona Sebastiana pelo hipot\u00e9tico bacharel: \u2014 Porque n\u00e3o advoga? perguntou Dona Sebastiana, rindo, com seu qu\u00e1druplo olhar altaneiro, da filha ao caboclo que, na sua frente e a seu mando, se sentavam juntos.<\/p>\n<p>\u2014 Minha senhora, n\u00e3o tenho tempo&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Como n\u00e3o tem tempo? O Felicianinho consentiria &#8211; n\u00e3o \u00e9 Felicianinho? Campossolo fazia solenemente : \u2014 Como n\u00e3o, estou sempre disposto a auxiliar a progressividade dos colegas.<\/p>\n<p>Simpl\u00edcio, \u00e0 esquerda de Dona Sebastiana, olhava distra\u00eddo para a fruteira e nada dizia. Guaicuru, que n\u00e3o queria dizer que a verdadeira . raz\u00e3o estava em n\u00e3o ser a tal faculdade &#8220;reconhecida&#8221;, negaceava:<\/p>\n<p>\u2014 Os colegas podiam reclamar.Dona Sebastiana acudia com vivacidade : \u2014 Qual o que . O senhor reclamava, Senhor Simpl\u00edcio? Ao ouvir o seu nome, o pobre rapaz tirava os olhos da fruteira e perguntava com espanto: \u2014 O que, Dona Sebastiana ? \u2014 O senhor reclamaria se Felicianinho consentisse que o Guaicuru sa\u00edsse, para ir advogar? \u2014 N\u00e3o.<\/p>\n<p>E voltava a olhar a fruteira, encontrando-se rapidamente com os olhos de top\u00e1zio de Mariazinha. Campossolo continuava a comer e Dona Sebastiana insistia: \u2014 Eu, se fosse o senhor ia advogar.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o posso. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a reparti\u00e7\u00e3o que me toma o tempo. Trabalho em um livro de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todos se espantaram. Mariazinha olhou Guaicuru; Dona Sebastiana levantou mais a cabe\u00e7a com pince-nez e tudo; Simpl\u00edcio que, agora, contemplava esse quadro c\u00e9lebre nas salas burguesas, representando uma ave, dependurada pelas pernas e faz pendante com a ceia do Senhor &#8211; Simpl\u00edcio, dizia, cravou resolutamente o olhar sobre o colega, e Campossolo perguntou: \u2014 Sobre o que trata? \u2014 Direito administrativo brasileiro.<\/p>\n<p>Campossolo observou: \u2014 Deve ser uma obra de peso.<\/p>\n<p>\u2014 Espero.<\/p>\n<p>Simpl\u00edcio continuava espantado, quase est\u00fapido a olhar Guaicuru. Percebendo isto, o mato-grossense apressou-se: \u2014 Voc\u00ea vai ver o plano. Quer ouvi-lo ? Todos, menos Mariazinha, responderam, quase a um tempo s\u00f3: \u2014 Quero.<\/p>\n<p>O bacharel de Goi\u00e1s endireitou o busto curto na cadeira e come\u00e7ou:<\/p>\n<p>\u2014 Vou entroncar o nosso Direito administrativo no antigo Direito administrativo portugu\u00eas. H\u00e1 muita gente que pensa que no antigo reg\u00edmen n\u00e3o havia um Direito administrativo. Havia. Vou estudar o mecanismo do Estado nessa \u00e9poca, no que toca a Portugal. V ou ver as fun\u00e7\u00f5es dos ministros e dos seus subordinados, por interm\u00e9dio de letra-morta dos alvar\u00e1s, portarias, cartas r\u00e9gias e mostrarei ent\u00e3o como a engrenagem do Estado funcionava; depois, verei como esse curioso Direito p\u00fablico se transformou, ao influxo de concep\u00e7\u00f5es liberais; e, como ele transportado para aqui com Dom Jo\u00e3o VI, se adaptou ao nosso meio, modificando-se aqui ainda, sob o influxo das id\u00e9ias da Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Simpl\u00edcio, ouvindo-o falar assim dizia com os seus bot\u00f5es: &#8220;Quem teria ensinado isto a ele?&#8221; Guaicuru, por\u00e9m, continuava: \u2014 N\u00e3o ser\u00e1 uma seca enumera\u00e7\u00e3o de datas e de transcri\u00e7\u00e3o de alvar\u00e1s, portarias, etc. Ser\u00e1 uma cousa in\u00e9dita. Ser\u00e1 cousa viva.<\/p>\n<p>Por a\u00ed, parou e Campossolo com toda a gravidade disse: \u2014 V ai ser uma obra de peso.<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 tenho editor! \u2014 Quem \u00e9? perguntou o Simpl\u00edcio.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 o Jacinto. Voc\u00ea sabe que vou l\u00e1 todo o dia, procurar livros a respeito.<\/p>\n<p>\u2014 Sei; \u00e9 a livraria dos advogados, disse Simpl\u00edcio sem querer sorrir.<\/p>\n<p>\u2014 Quando pretende publicar a sua obra, doutor? perguntou Dona Sebastiana.<\/p>\n<p>\u2014 Queria publicar antes do Natal. porque as promo\u00e7\u00f5es ser\u00e3o feitas antes do Natal, mas&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o h\u00e1 mesmo promo\u00e7\u00f5es antes do Natal, Felicianinho ? O marido respondeu: \u2014 Creio que sim. O gabinete j\u00e1 pediu as propostas e eu j\u00e1 dei as minhas ao diretor.<\/p>\n<p>\u2014 Devias ter-me dito, ralhou-lhe a mulher.<\/p>\n<p>\u2014 Essas cousas n\u00e3o se dizem \u00e0s nossas mulheres; s\u00e3o segredos de Estado, sentenciou Campossolo.<\/p>\n<p>O jantar foi. acabando triste, com essa hist\u00f3ria de promo\u00e7\u00f5es para o Natal.<\/p>\n<p>Dona Sebastiana quis ainda animar a conversa, dirigindo-se ao marido: \u2014 N\u00e3o queria que me dissesses os nomes, mas pode acontecer que seja o promovido o doutor Fortunato ou&#8230; O &#8220;Seu&#8221; Simpl\u00edcio, e eu estaria prevenida para a uma &#8220;festinha&#8221;.<\/p>\n<p>Foi pior. A tristeza tornou-se mais densa e quase calados tomaram caf\u00e9.<\/p>\n<p>Levantaram-se todos com o semblante anuviado, exceto a boa Mariazinha, que procurava dar corda \u00e0 conversa. Na sala de visitas, Simpl\u00edcio ainda p\u00f4de olhar mais duas vezes furtivamente os olhos topazinos de Mariazinha, que tinha um sossegado sorriso a banhar-lhe a face toda; e se foi. O colega Fortunato ficou, mas tudo estava t\u00e3o morno e triste que, em breve, se foi tamb\u00e9m Guaicuru.<\/p>\n<p>No bonde, Simpl\u00edcio pensava unicamente em duas cousas: no Natal pr\u00f3ximo e no &#8220;Direito&#8221; de Guaicuru. Quando pensava nesta .&#8217; perguntava de si para si: &#8220;Quem lhe ensinou aquilo tudo? Guaicuru \u00e9 absolutamente ignorante&#8221; Quando pensava naquilo, implorava: &#8220;Ah! Se Nosso Senhor Jesus Cristo quisesse&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Vieram afinal as promo\u00e7\u00f5es. Simpl\u00edcio foi promovido porque era muito mais antigo na classe que Guaicuru. O Ministro n\u00e3o atendera a pistol\u00f5es nem a t\u00edtulos de Goi\u00e1s.Ningu\u00e9m foi preterido; mas Guaicuru que tinha em gesta\u00e7\u00e3o a obra de um outro, ficou furioso sem nada dizer.<\/p>\n<p>Dona Sebastiana deu uma consoada \u00e0 moda do Norte. Na hora da ceia, Guaicuru, como de h\u00e1bito, ia sentar-se ao lado de Mariazinha, quando Dona Sebastiana, com pince-nez e cabe\u00e7a, tudo muito bem erguido, chamou-o: \u2014 Sente-se aqui a meu lado, doutor, a\u00ed vai sentar-se o &#8220;Seu&#8221; Simpl\u00edcio.<\/p>\n<p>Casaram-se dentro de um ano; e, at\u00e9 hoje, depois de um lustro de casados ainda teimam.<\/p>\n<p>Ele diz: \u2014 Foi Nosso Senhor Jesus Cristo que nos casou.<\/p>\n<p>Ela obtempera: \u2014 Foi a promo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fosse uma cousa ou outra, ou ambas, o certo \u00e9 que se casaram. \u00c9 um fato. A obra de Guaicuru, por\u00e9m, \u00e9 que at\u00e9 hoje n\u00e3o saiu&#8230;<\/p>\n<p><b>Careta, Rio, 24-12-1921.<\/b><\/p>\n<p><strong>Fim<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima Barreto O Bairro do Andara\u00ed \u00e9 muito triste e muito \u00famido. As montanhas que enfeitam a nossa cidade, a\u00ed tomam maior altura e ainda conservam a densa vegeta\u00e7\u00e3o que as devia adornar com mais for\u00e7a em tempos idos. O tom pl\u00fambeo das \u00e1rvores como que enegrece o horizonte e torna triste o arrabalde. 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