{"id":108189,"date":"2017-02-10T09:54:41","date_gmt":"2017-02-10T11:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=108189"},"modified":"2026-07-11T10:49:35","modified_gmt":"2026-07-11T12:49:35","slug":"alfabeto-braille","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/curiosidades\/alfabeto-braille","title":{"rendered":"Alfabeto Braille"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<b>alfabeto Braille<\/b>\u00a0\u00e9 um sistema de pontos em relevo que permite a pessoas cegas ou com defici\u00eancia visual ler e escrever. N\u00e3o se trata de um idioma \u00e0 parte; \u00e9, na verdade, um c\u00f3digo que transforma letras, n\u00fameros e pontua\u00e7\u00e3o em padr\u00f5es que podem ser sentidos com as pontas dos dedos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Braille \u00e9 um sistema de escrita e leitura t\u00e1til para as pessoas cegas. Surgiu na Fran\u00e7a em 1825, sendo o seu criador o franc\u00eas Louis Braille que ficou cego aos tr\u00eas anos de idade v\u00edtima de um acidente seguido de oftalmia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este sistema consta do arranjo de seis pontos em relevo, dispostos na vertical em duas colunas de tr\u00eas pontos cada. Os seis pontos formam o que se convencionou chamar \u201ccela braille\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O Sistema Braille \u00e9 uma escrita em relevo, constitu\u00eddo por 63 sinais codificados por pontos, a partir do conjunto matricial formado por &#8221; 6 pontos, distribu\u00eddos entre duas colunas, descritas pelos n\u00fameros de cima para baixo: \u00e0 esquerda &#8221; (pontos 123) e<\/b>: \u00e0 direita _ (pontos 456). Juntos, representam a cela braille, tamb\u00e9m, a vogal \u00e9 (e com acento agudo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A inven\u00e7\u00e3o do sistema braille e a sua import\u00e2ncia na vida dos cegos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A educa\u00e7\u00e3o dos cegos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi no s\u00e9culo XVIII que se iniciou, de forma sistem\u00e1tica, o ensino dos cegos. Valentin Ha\u00fcy (1745-1822), homem de ci\u00eancia e homem de cora\u00e7\u00e3o, fundou em Paris, em 1784, a primeira escola destinada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos cegos e \u00e0 sua prepara\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem de cora\u00e7\u00e3o, Valentin Ha\u00fcy teve a ideia de instruir os cegos depois de haver contemplado, na Feira de Santo Ov\u00eddio, em Paris, um espet\u00e1culo que o chocou profundamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre um estrado, por conta de um empres\u00e1rio sem escr\u00fapulos, dez cegos exibiam-se como fantoches.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homem de ci\u00eancia, influenciado pelas filosofias sensistas segundo as quais tudo vinha dos sentidos, Valentin Ha\u00fcy entendeu que na educa\u00e7\u00e3o dos cegos o problema essencial consistia em fazer que o vis\u00edvel se tornasse tang\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adaptou, pois, para o seu uso, os processos dos videntes. Ali\u00e1s, Valentin Ha\u00fcy foi o primeiro a defender o princ\u00edpio de que, tanto quanto fosse poss\u00edvel, a educa\u00e7\u00e3o dos cegos n\u00e3o deveria diferenciar-se da dos videntes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua escola, para a leitura, adoptou o alfabeto vulgar, que se tra\u00e7ava em relevo na expectativa de que as letras fossem percebidas pelos dedos dos cegos. Para a escrita (reda\u00e7\u00f5es e provas ortogr\u00e1ficas), serviu-se de caracteres m\u00f3veis. Os alunos aprendiam a conhecer as letras e os algarismos, a combinar os caracteres para formar palavras e n\u00fameros e a construir frases.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso n\u00e3o passava de meros exerc\u00edcios tipogr\u00e1ficos, sempre condenados \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema da educa\u00e7\u00e3o dos cegos s\u00f3 ficou satisfatoriamente resolvido com a inven\u00e7\u00e3o e adop\u00e7\u00e3o do Sistema Braille \u2013 processo de leitura e escrita por meio de pontos em relevo hoje empregado no mundo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<b>Sistema Braille<\/b>\u00a0\u00e9 um modelo de l\u00f3gica, de simplicidade e de polival\u00eancia, que se tem adaptado a todas as l\u00ednguas e a toda a esp\u00e9cie de grafias. Com a sua inven\u00e7\u00e3o, Lu\u00eds Braille abriu aos cegos, de par em par, as portas da cultura, arrancando-os \u00e0 cegueira mental em que viviam e rasgando-lhes horizontes novos na ordem social, moral e espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Para facilitar a identifica\u00e7\u00e3o, os pontos s\u00e3o numerados da seguinte forma:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-178438\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/tema.h10.jpg\" alt=\"Alfabeto Braille\" width=\"48\" height=\"67\" \/><strong>Desenho cela braille<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-178439\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/tema.h11.jpg\" alt=\"Alfabeto Braille\" width=\"51\" height=\"69\" \/><strong>Numera\u00e7\u00e3o convencionada dos pontos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\">A diferente disposi\u00e7\u00e3o desses seis pontos permite a forma\u00e7\u00e3o de 63 combina\u00e7\u00f5es ou s\u00edmbolos Braille para anota\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas, m\u00fasica, estenografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\">O\u00a0<b>Braille<\/b>\u00a0pode ser produzido por impressoras el\u00e9tricas e computadorizadas; m\u00e1quina de datilografia e, manualmente,atrav\u00e9s de reglete e pun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-178440\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/tema.h12.gif\" alt=\"Alfabeto Braille\" width=\"453\" height=\"477\" \/><strong>Alfabeto Braille<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-178441\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/tema.h13.jpg\" alt=\"Alfabeto Braille\" width=\"220\" height=\"269\" \/><strong>Reglete<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-178442\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/tema.h14.jpg\" alt=\"Alfabeto Braille\" width=\"195\" height=\"185\" \/><strong>Pun\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-178443\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/tema.h15.jpg\" alt=\"Alfabeto Braille\" width=\"234\" height=\"154\" \/><br \/>\n<b>M\u00e1quina Braille<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e1quina Perkins<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e1quina ( Perkins, b\u00e1sica de escrever em Braille), possui nove teclas, ao centro est\u00e1 a barra de espa\u00e7o e \u00e0 esquerda, na ordem, as teclas para os pontos 1, 2 e 3 e na extremidade esquerda, a tecla de espa\u00e7amento de linha. \u00c0 direita da barra de espa\u00e7o, est\u00e3o as teclas para os pontos 4, 5, e 6 nesta ordem e na extremidade direita, a tecla de retrocesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas laterais superiores est\u00e3o dois bot\u00f5es, estes s\u00e3o as \u00fanicas proje\u00e7\u00f5es da m\u00e1quina. Movendo-se na dire\u00e7\u00e3o do digitador, alimenta o papel para a m\u00e1quina e movendo-se no sentido inverso retira o papel. Para se teclar uma letra, deve-se pressionar as teclas correspondentes a ordem dos pontos desta letra na cela Braille.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sistema Braille na sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 L\u00edngua Portuguesa, quase todos os sinais conservam a sua significa\u00e7\u00e3o original. Apenas algumas vogais acentuadas e outros s\u00edmbolos se representam por sinais que lhes s\u00e3o exclusivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim dentro desta estrutura s\u00e3o obtidas as combina\u00e7\u00f5es diferentes que constituem o Sistema pelo qual, em todo o mundo, as pessoas cegas t\u00eam acesso \u00e0 leitura e \u00e0 escrita de suas respectivas l\u00ednguas, da Matem\u00e1tica, F\u00edsica, Qu\u00edmica, M\u00fasica, mais recentemente da Inform\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reglete e Pun\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A reglete \u00e9 o instrumento utilizado para a pessoa cega produzir, a escrita braille. Juntamente com o Pun\u00e7\u00e3o<\/b>: que \u00e9 um pequeno estilete (furador) que forma o conjunto para a impress\u00e3o em papel (40kg) especial para a impress\u00e3o dos caracteres em Braille. Tamb\u00e9m s\u00e3o importantes na escrita do Sistema Braille a m\u00e1quina Perkins, e m\u00e1quinas Impressoras de braille de grande porte, geralmente instaladas em gr\u00e1ficas, Editoras de livros em Braille e as de m\u00e9dio porte, em Col\u00e9gios de refer\u00eancia em Educa\u00e7\u00e3o Especial e de Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><b>Lu\u00eds Braille<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00eds Braille era natural de Coupvray, pequena aldeia a leste de Paris, onde nasceu a 4 de Janeiro de 1809. Era o filho mais novo de Sim\u00e3o Renato Braille, o correeiro da localidade, e de M\u00f3nica Baron. Tinha um irm\u00e3o e duas irm\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua vida foi uma vida humilde. Das mais modestas. Em 1812, quando brincava na oficina do pai, Lu\u00eds Braille feriu-se num dos olhos. A infec\u00e7\u00e3o progrediu, transmitiu-se ao olho s\u00e3o, vindo o pequeno a ficar completamente cego algum tempo depois. Pouco deve ter conservado em termos de imagens visuais ou de recorda\u00e7\u00f5es dos rostos e dos lugares que rodearam a sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais souberam assegurar, da melhor maneira poss\u00edvel, a primeira educa\u00e7\u00e3o deste seu filho cego. Sabe-se que Lu\u00eds Braille frequentou a escola da sua aldeia, beneficiando assim do contato com pequenos condisc\u00edpulos videntes. Sabe-se tamb\u00e9m que quando Lu\u00eds Braille chegou \u00e0 escola que Valentin Ha\u00fcy havia fundado com car\u00e1cter privado, e que, depois de ter passado por diversas vicissitudes, tinha ent\u00e3o o nome de Institui\u00e7\u00e3o Real dos Jovens Cegos, sabia fazer franjas para os arneses. Este trabalho foi a base do desenvolvimento da sua destreza manual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai de Lu\u00eds Braille teve conhecimento da exist\u00eancia da Institui\u00e7\u00e3o Real dos Jovens Cegos, em Paris, e escreveu repetidas vezes ao diretor para se inteirar dos trabalhos que ali se realizavam e certificar-se de que eram verdadeiramente \u00fateis para a educa\u00e7\u00e3o do seu filho. Depois de algumas hesita\u00e7\u00f5es, decidiu-se pelo internamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00eds Braille deu entrada na Institui\u00e7\u00e3o em 15 de Fevereiro de 1819. Ali estudou e leu nos livros impressos em caracteres ordin\u00e1rios, ideados por Valentin Ha\u00fcy. Era habilidoso, aplicado e inteligente. Car\u00e1cter s\u00e9rio, dele tamb\u00e9m se pode dizer que era a honradez em pessoa. Esp\u00edrito met\u00f3dico e apaixonado pela investiga\u00e7\u00e3o, nele predominava a imagina\u00e7\u00e3o criadora e a mentalidade l\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 1819 Lu\u00eds Braille viveu uma vida de internado na Institui\u00e7\u00e3o dos Jovens Cegos, que foi para ele como que um segundo lar. Mas passava as suas f\u00e9rias em Coupvray e aqui residiu tamb\u00e9m todas as vezes que a doen\u00e7a o obrigou a prolongados repousos. Em Coupvray permaneceram os seus restos mortais desde 10 de Janeiro de 1852, j\u00e1 que a sua morte se verificou em Paris, a 6 do mesmo m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centen\u00e1rio da sua morte, em Junho de 1952, representantes de quarenta pa\u00edses foram em romagem a Coupvray, ao t\u00famulo de Lu\u00eds Braille, e acompanharam a translada\u00e7\u00e3o do seu corpo para o Pante\u00e3o dos Homens Ilustres. Era o reconhecimento da Fran\u00e7a, para quem o nome de Braille \u00e9 um raio do esplendor da intelectualidade e do humanismo franc\u00eas. Era a gratid\u00e3o dos cegos de todo o mundo, para quem Braille, mais do que um nome, \u00e9 um s\u00edmbolo. S\u00edmbolo da emancipa\u00e7\u00e3o conquistada, para todos os cegos, por um dos seus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Da sonografia de Barbier ao sistema braille<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3prio ano em que Lu\u00eds Braille foi admitido como aluno da Real Institui\u00e7\u00e3o, o capit\u00e3o de artilharia Carlos Barbier de la Serre come\u00e7ou a interessar-se pela escrita dos cegos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa outra fase desta evolu\u00e7\u00e3o Barbier teve a ideia de designar as coordenadas dos seus s\u00edmbolos sonogr\u00e1ficos por certo n\u00famero de pontos (indicativos da linha e da coluna a que o s\u00edmbolo pertencia) colocados em duas filas verticais e paralelas. Assim, por exemplo, o sinal que estivesse em \u00faltima posi\u00e7\u00e3o na segunda linha seria representado por dois pontos na fila vertical esquerda e seis pontos na fila vertical direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto da sua evolu\u00e7\u00e3o a sonografia de Barbier estava concebida e realizada para que os videntes se entendessem no que concerne \u00e0 escrita secreta por meio de pontos, que deviam fazer-se com o l\u00e1pis ou a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, sendo Barbier capit\u00e3o de artilharia, algum dia ter\u00e1 pensado na necessidade de os oficiais em campanha expedirem mensagens na obscuridade. Assim, em novo aperfei\u00e7oamento, introduziu os pontos em relevo para ir ao encontro dessa necessidade. Barbier inventou um pequeno instrumento por meio do qual, com aux\u00edlio de um estilete, podiam gravar-se no papel todos os s\u00edmbolos do seu sistema. E deu o nome de escrita nocturna sem l\u00e1pis e sem tinta a esta sonografia mais aperfei\u00e7oada. A escrita nocturna podia at\u00e9 tornar poss\u00edvel decifrar mensagens no escuro, contando os pontos com os dedos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tato acabou por aparecer como elemento essencial para a interpreta\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos formados por pontos em relevo, que agora constitu\u00edam a sonografia de Barbier. Foi ent\u00e3o que lhe ocorreu, n\u00e3o se sabe devido a que circunst\u00e2ncias, p\u00f4r esta sonografia, ou escrita nocturna , ao servi\u00e7o dos cegos. Do ponto de vista psicol\u00f3gico, coube-lhe o m\u00e9rito de evidenciar que a leitura por meio de pontos \u00e9 mais adequada para o sentido do tacto do que as letras vulgares em relevo linear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Mar\u00e7o e Abril de 1821, depois de ter experimentado com alguns cegos, Carlos Barbier foi recebido na Institui\u00e7\u00e3o e apresentou a sua escrita nocturna . Mas as grandes dimens\u00f5es dos caracteres tornavam dif\u00edcil conhec\u00ea-los ao primeiro contato t\u00e1ctil e l\u00ea-los sem ziguezaguear com o dedo atrav\u00e9s das linhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, os princ\u00edpios fon\u00e9ticos em que o sistema assentava faziam dele, apesar dos seus m\u00e9ritos, um sistema pouco pr\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema de Barbier nunca foi usado na Institui\u00e7\u00e3o, mas constituiu a base dos trabalhos que Lu\u00eds Braille realizou por volta de 1825. Lu\u00eds Braille reconheceu que os sinais com mais de tr\u00eas pontos em cada fila ultrapassavam as possibilidades de uma \u00fanica percep\u00e7\u00e3o t\u00e1ctil. Tratou, pois, de lhes reduzir as propor\u00e7\u00f5es, de modo a obter sinais que pudessem formar uma verdadeira imagem debaixo dos dedos. Al\u00e9m disso, criou uma conven\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, atribuindo a cada s\u00edmbolo valor ortogr\u00e1fico e n\u00e3o fon\u00e9tico, em perfeita equival\u00eancia com os caracteres vulgares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aponta-se geralmente o ano de 1825 como a data do aparecimento do Sistema Braille, mas s\u00f3 em 1829 Lu\u00eds Braille publicou a primeira edi\u00e7\u00e3o do seu Processo para Escrever as Palavras, a M\u00fasica e o Canto-Ch\u00e3o por meio de Pontos, para Uso dos Cegos e dispostos para Eles , a que deu forma definitiva na segunda edi\u00e7\u00e3o publicada em 1837.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na edi\u00e7\u00e3o de 1829 h\u00e1 96 sinais. Os sinais est\u00e3o agrupados em nove s\u00e9ries de dez sinais cada uma e mais seis suplementares. Apenas as quatro primeiras s\u00e9ries correspondem ao sistema que atualmente conhecemos. As restantes s\u00e9ries combinam pontos e tra\u00e7os, aproveitando, pois, elementos dos m\u00e9todos anteriores de escrita linear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Processo de 1829 proporcionou uma excelente base de experimenta\u00e7\u00e3o. Sabe-se que por volta de 1830 o Sistema Braille se come\u00e7ou a empregar nas aulas para a escrita de exerc\u00edcios. Esta feliz iniciativa fez com que se prescindisse dos sinais com tra\u00e7o liso, muito dif\u00edceis de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o de 1837 confirma o alfabeto e estabelece uma estenografia rudimentar, que evoca claramente a sonografia de Barbier. Normaliza a representa\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros, que v\u00eam formados pelos sinais da primeira s\u00e9rie precedidos do que ainda hoje conhecemos como sinal num\u00e9rico . Os sinais de pontua\u00e7\u00e3o s\u00e3o representados com os sinais que constituem a atual quinta s\u00e9rie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o de 1837 cont\u00e9m ainda uma nota\u00e7\u00e3o que, nas suas linhas essenciais, constitui o n\u00facleo da musicografia braille dos nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O triunfo do sistema braille<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era necess\u00e1rio um cego para imaginar um alfabeto t\u00e1ctil. E tamb\u00e9m foi preciso, em muitos s\u00edtios, o esfor\u00e7o perseverante dos cegos para impor o seu uso. Os professores e diretores de escolas especiais, quase sempre pessoas videntes, eram contr\u00e1rios \u00e0 adop\u00e7\u00e3o de um alfabeto duro para a vista. Por isso, agarravam-se ao princ\u00edpio de Ha\u00fcy segundo o qual a educa\u00e7\u00e3o dos cegos n\u00e3o deveria diferenciar-se da dos videntes, levavam esse princ\u00edpio ao exagero e n\u00e3o renunciavam \u00e0 leitura em caracteres comuns. S\u00f3 o formid\u00e1vel impulso dos cegos que se serviam do alfabeto braille p\u00f4de obrigar os respons\u00e1veis pela sua educa\u00e7\u00e3o a reconhecer os frutos que a aplica\u00e7\u00e3o deste alfabeto produzia nas escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coisa diferente aconteceu nos pa\u00edses ou regi\u00f5es em que n\u00e3o era conhecido nenhum outro m\u00e9todo de leitura e escrita para cegos. Foi o caso da Am\u00e9rica Latina, onde a hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o das pessoas cegas come\u00e7a com o Sistema Braille. A chegada do braille, o in\u00edcio da alfabetiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de imprensas e bibliotecas para cegos foram fen\u00f3menos simult\u00e2neos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Fran\u00e7a. \u2013 A Institui\u00e7\u00e3o Real dos Jovens Cegos, onde o Sistema Braille foi concebido e aperfei\u00e7oado, demorou 25 anos a aceit\u00e1-lo de maneira definitiva. Aponta-se a data de 1854 como a da implanta\u00e7\u00e3o do Sistema Braille em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Institui\u00e7\u00e3o era conhecido outro m\u00e9todo de leitura para cegos. O diretor foi jubilado prematuramente e o novo diretor pretendeu voltar ao relevo linear, impondo-o no campo liter\u00e1rio entre 1840 e 1850. Durante esses anos de eclipse o braille afirma-se na m\u00fasica (h\u00e1 obras impressas em que o texto literal aparece em caracteres ordin\u00e1rios em alto relevo e a m\u00fasica em nota\u00e7\u00e3o braille) e os alunos e professores usam-no nas suas coisas pessoais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NO BRASIL. \u2013 A data de 1854 pode tamb\u00e9m considerar-se como o ponto de partida da difus\u00e3o do Sistema Braille fora da Fran\u00e7a. Nesse ano foi levada a cabo, na Institui\u00e7\u00e3o Real dos Jovens Cegos, a impress\u00e3o de um m\u00e9todo de leitura em l\u00edngua portuguesa, registado no Museu Valentin Ha\u00fcy com o nG 1439.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acontece que um rapaz cego, Jos\u00e9 \u00c1lvares de Azevedo, regressou ao Brasil depois de ter estudado durante seis anos em Paris. O Dr. Xavier Sigaud, m\u00e9dico franc\u00eas que esteve ao servi\u00e7o da corte imperial brasileira e pai de uma filha cega, Ad\u00e9lia Sigaud, conheceu-o e apresentou-o ao Imperador D. Pedro II, conseguindo despertar o seu interesse para a possibilidade de educar os cegos. O Dr. Xavier Sigaud foi o primeiro diretor do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant, inaugurado no Rio de Janeiro em 17 de Setembro de 1854.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EM PORTUGAL. \u2013 Ad\u00e9lia Sigaud estava em Lisboa por volta de 1885. \u00c9 conhecida na hist\u00f3ria da tiflologia em Portugal como Madame Sigaud Souto . Aqui estava tamb\u00e9m, por essa altura, L\u00e9on Jamet, que era organista na igreja de S. Lu\u00eds dos Franceses e havia estudado na Institui\u00e7\u00e3o de Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conviv\u00eancia com estes dois n\u00e3o videntes instru\u00eddos motivou, em 1887, um grupo de pessoas a fundar a Associa\u00e7\u00e3o Promotora do Ensino dos Cegos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1888 a APEC inaugurava a sua primeira escola, que adoptou a classifica\u00e7\u00e3o de asilo-escola e tomou por patrono Ant\u00f3nio Feliciano de Castilho em 1912, ao instalar-se em Campo de Ourique, em edif\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Branco Rodrigues (1861-1926) colaborou com Madame Sigaud Souto. Foi o primeiro grande impulsionador da valoriza\u00e7\u00e3o dos cegos em Portugal. Em 1896, depois de ter instru\u00eddo alguns alunos na escola da APEC, criou uma aula de leitura e de m\u00fasica no Asilo de Nossa Senhora da Esperan\u00e7a, em Castelo de Vide. Em 1897, numa sala cedida pela Miseric\u00f3rdia de Lisboa, instalou outra aula de leitura. Fundou escolas que vieram a transformar-se no Instituto de Cegos Branco Rodrigues, em S. Jo\u00e3o do Estoril, e no Instituto S. Manuel, no Porto. Dotou essas institui\u00e7\u00f5es com bibliotecas braille, liter\u00e1rias e musicais, quer adquirindo livros impressos no estrangeiro, quer promovendo a sua produ\u00e7\u00e3o por transcritores e copistas volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, com a colabora\u00e7\u00e3o de um habilidoso funcion\u00e1rio da Imprensa Nacional, fez as primeiras impress\u00f5es em braille que apareceram em Portugal. A primeira impress\u00e3o foi em 1898, de um n\u00famero especial do Jornal dos Cegos , comemorativo do 4\u00ba centen\u00e1rio do descobrimento do caminho mar\u00edtimo para a \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOS PA\u00cdSES GERM\u00c2NICOS. \u2013 A segunda edi\u00e7\u00e3o do Processo , em 1837, foi confeccionada para dar a conhecer o Sistema Braille e assegurar a sua difus\u00e3o no estrangeiro. Apresentava o Pai Nosso em seis l\u00ednguas \u2013 latim, italiano, espanhol, ingl\u00eas, alem\u00e3o e franc\u00eas -, com a correspondente vers\u00e3o em caracteres ordin\u00e1rios em relevo linear. Sabe-se que esta edi\u00e7\u00e3o foi remetida a todas as escolas de cegos ent\u00e3o existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nos pa\u00edses germ\u00e2nicos o Sistema Braille levou 40 anos a impor-se. Era acusado de erguer um muro entre os cegos e os videntes. N\u00e3o se queria aceitar um processo que os videntes n\u00e3o podiam ler sen\u00e3o ap\u00f3s um per\u00edodo de aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uns estavam demasiado apegados \u00e0 rotina e outros queriam ser tamb\u00e9m inventores. Por isso, o sistema original franc\u00eas haveria ainda de sofrer um novo embate. Em Santa Maria de Leipzig, fazendo malabarismos com o braille, idearam um alfabeto no qual as letras com menos pontos correspondiam \u00e0s letras mais usadas em l\u00edngua alem\u00e3. Assim, a primeira s\u00e9rie representava as letras e, m, r, u, i, l, p, g, d, f. O Congresso Internacional de Paris, em 1878, liquidou estas diferen\u00e7as por grande maioria, inclinando a balan\u00e7a para o sistema franc\u00eas. Assistiram representantes da Inglaterra, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia, B\u00e9lgica, Holanda, Su\u00e9cia, Su\u00ed\u00e7a, Estados Unidos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOS ESTADOS UNIDOS. \u2013 De todos os pa\u00edses de l\u00ednguas europeias s\u00f3 os Estados Unidos da Am\u00e9rica se atrasaram muito em seguir este movimento. Na maior parte das institui\u00e7\u00f5es usavam-se os caracteres romanos juntamente com o New York Point ou Wait System . Neste sistema, o ret\u00e2ngulo braille tinha tr\u00eas pontos de largura por dois de altura. O acordo apenas surgiu no Congresso de Little Rock, em 1910.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O braille original impunha-se pelas suas pr\u00f3prias virtudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sistema braille e a vida dos cegos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sistema Braille \u00e9 constitu\u00eddo por 63 sinais, obtidos pela combina\u00e7\u00e3o met\u00f3dica de seis pontos que, na sua forma fundamental, se agrupam em duas filas verticais e justapostas de tr\u00eas pontos cada. Estes sinais n\u00e3o excedem o campo t\u00e1ctil e podem ser identificados com rapidez, pois, pela sua forma, adaptam-se exatamente \u00e0 polpa do dedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na leitura qualquer letra ou sinal braille \u00e9 apreendido em todas as suas partes ao mesmo tempo, sem que o dedo tenha que ziguezaguear para cima e para baixo. Nos leitores experimentados o \u00fanico movimento que se observa \u00e9 da esquerda para a direita, ao longo das linhas. N\u00e3o somente a m\u00e3o direita corre com agilidade sobre as linhas, mas tamb\u00e9m a m\u00e3o esquerda toma parte ativa na interpreta\u00e7\u00e3o dos sinais. Em alguns leitores a m\u00e3o esquerda avan\u00e7a at\u00e9 mais ou menos metade da linha, proporcionando assim um not\u00e1vel aumento de velocidade na leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dispondo de um processo f\u00e1cil de leitura, o gosto pelos livros estendeu-se amplamente entre os cegos e ocupou um lugar importante na sua vida. \u00c0 instru\u00e7\u00e3o oral sucedeu a instru\u00e7\u00e3o pelo livro. O conhecimento intelectual, sob todas as suas formas (filosofia, psicologia, teologia, matem\u00e1ticas, filologia, hist\u00f3ria, literatura, direito\u2026), tornou-se mais acess\u00edvel aos cegos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os benef\u00edcios do Sistema Braille estenderam-se progressivamente, \u00e0 medida que as aplica\u00e7\u00f5es revelavam todas as suas potencialidades. As estenografias tornaram a escrita mais r\u00e1pida e menos espa\u00e7osa. As m\u00e1quinas de escrever permitiram fazer simultaneamente todos os pontos de um sinal, em vez de os gravar um a um, com o pun\u00e7\u00e3o. Enfim, obteve-se o interponto, gra\u00e7as a um sistema de precis\u00e3o em que \u00e9 poss\u00edvel intercalar os pontos do reverso de uma p\u00e1gina com os do seu anverso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias de hoje as novas tecnologias representam o mais espantoso contributo para valorizar o Sistema Braille, depois da sua inven\u00e7\u00e3o. A dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o proporcionada pelo braille eletr\u00f4nico \u00e9 exemplo disso. Um livro em braille com 2000 p\u00e1ginas de formato A4 pode ficar contido numa s\u00f3 disquete. Uma vez introduzido o texto desse livro no computador, o utilizador cego tem ao seu alcance toda a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o gr\u00e1fica dispon\u00edvel no ecr\u00e3, que pode ler atrav\u00e9s de um terminal braille.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um outro exemplo \u00e9 a facilidade de imprimir textos em braille. Introduzidos no computador, os textos podem ser submetidos a um programa de tratamento espec\u00edfico e sair numa impressora braille. Os textos assim tratados podem utilizar-se, quer na produ\u00e7\u00e3o direta em papel, quer na produ\u00e7\u00e3o de placas de impress\u00e3o, conforme o n\u00famero de exemplares a obter. A impress\u00e3o de livros, permitindo a sua multiplica\u00e7\u00e3o, tem um efeito cultural consider\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A utiliza\u00e7\u00e3o do sistema braille nos nossos dias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante as virtudes do Sistema Braille, n\u00e3o obstante a extens\u00e3o dos seus benef\u00edcios, temos de reconhecer que nos nossos dias existe uma tend\u00eancia para a menor utiliza\u00e7\u00e3o do braille e para o abaixamento da qualidade do braille que se utiliza. O alerta foi dado quando o uso dos livros sonoros se come\u00e7ou a generalizar, mas h\u00e1 outros fatores que igualmente explicam a crise. Entre estes fatores conta-se a exiguidade dos fundos bibliogr\u00e1ficos braille, que podem eventualmente n\u00e3o corresponder \u00e0s necessidades dos potenciais utilizadores. Em Portugal, por exemplo, a maior parte do braille que se produz \u00e9 destinada ao ensino, designadamente aos estudantes que frequentam o ensino regular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise do braille tamb\u00e9m tem a ver com dificuldades inerentes ao pr\u00f3prio braille, sobretudo quando, como acontece atualmente entre n\u00f3s, essas dificuldades s\u00e3o agravadas por um ensino mal orientado. Efetivamente, hoje em dia, durante a Escolaridade Obrigat\u00f3ria, os nossos estudantes cegos n\u00e3o s\u00e3o motivados para a pr\u00e1tica do braille nem o conhecem em todas as suas modalidades. L\u00eaem pouco, o processo de reconhecimento dos caracteres \u00e9 lento e eles cansam-se depressa. Incapazes de ler a um ritmo satisfat\u00f3rio, fogem de utilizar os livros e manuais que j\u00e1 v\u00e3o tendo ao seu dispor. Recorrem preferencialmente a textos introduzidos no computador, que ouvem com recurso \u00e0 voz sint\u00e9tica, ou servem-se de leituras feitas por outrem, normalmente grava\u00e7\u00f5es em fita magn\u00e9tica (livros sonoros).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de leitura direta reflete-se, naturalmente, na escrita, que \u00e9 deficiente quanto ao braille e desconcertante quanto \u00e0 ortografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os livros sonoros e a inform\u00e1tica s\u00e3o muito importantes para o desenvolvimento cultural dos cegos, mas nada poder\u00e1 ou dever\u00e1 substituir o braille como sistema base da sua educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como a leitura visual, a leitura braille leva os conhecimentos ao esp\u00edrito atrav\u00e9s de mecanismos que facilitam a medita\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o pessoal daquilo que se l\u00ea. O braille permite estudar os quadros em relevo e ler eficientemente os livros t\u00e9cnicos. O braille \u00e9, ainda, o \u00fanico meio de leitura dispon\u00edvel para os surdocegos. Por outro lado, a perfei\u00e7\u00e3o na escrita est\u00e1 relacionada com a leitura braille que cada um faz, pois \u00e9 atrav\u00e9s dela que entra em contato com a estrutura dos textos, a ortografia das palavras e a pontua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qualidade do ensino do braille \u00e9 decisiva para uma leitura destra e para a aquisi\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de leitura. Se os alunos cegos, como as outras crian\u00e7as, forem motivados para a pr\u00e1tica normal e constante do seu m\u00e9todo de leitura e escrita, a leitura ser\u00e1 r\u00e1pida e tornar-se-\u00e1 tamb\u00e9m mais agrad\u00e1vel e instrutiva, porque a aten\u00e7\u00e3o, menos requerida pelo trabalho de reconhecimento dos caracteres, ir\u00e1 mais em ajuda do pensamento. Ao acabarem de ler, as crian\u00e7as e jovens cegos ter\u00e3o aprendido alguma coisa e estar\u00e3o mentalmente dispostos a partir para novas leituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, \u00e9 a ler que se ganha e se desenvolve o gosto pela leitura. S\u00f3 o gosto de ler garante que o processo de aquisi\u00e7\u00e3o de cultura n\u00e3o se interromper\u00e1 ao sair da Escola, apesar das vicissitudes do quotidiano. E n\u00e3o se pode ignorar a import\u00e2ncia da cultura como fator de integra\u00e7\u00e3o social, como instrumento de trabalho e como elemento de conscientiza\u00e7\u00e3o na vida das pessoas cegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, pois, necess\u00e1rio rever a pol\u00edtica at\u00e9 agora seguida pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o no que toca ao ensino dos alunos cegos, para que os passe a habilitar a ler e a escrever braille exatamente como os demais alunos s\u00e3o habilitados a ler e a escrever. Levar os jovens cegos a utilizar abusivamente meios que s\u00e3o complementares do braille, n\u00e3o lhes fornecer os livros em braille e outros materiais de que precisam e j\u00e1 existem ou \u00e9 poss\u00edvel produzir, abandon\u00e1-los a si mesmos ou \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que o meio familiar e a sua escola lhes d\u00eaem, equivale a comprometer seriamente, no dia de amanh\u00e3, as suas possibilidades de afirma\u00e7\u00e3o, tanto na vida profissional como nas atividades de lazer.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/www.padrechico.org.br\/www.lerparaver.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0alfabeto Braille\u00a0\u00e9 um sistema de pontos em relevo que permite a pessoas cegas ou com defici\u00eancia visual ler e escrever. 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