{"id":107847,"date":"2017-02-08T15:24:48","date_gmt":"2017-02-08T17:24:48","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=107847"},"modified":"2017-02-08T15:24:48","modified_gmt":"2017-02-08T17:24:48","slug":"segundo-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/ciencias-da-natureza\/biologia\/segundo-filho","title":{"rendered":"Segundo Filho"},"content":{"rendered":"<p class=\"imagem\">&#8220;Os psic\u00f3logos dizem que a partir dos cinco anos de idade, as crian\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o mais preparadas para suportar a chegada de um beb\u00ea&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Planejar o segundo filho costuma ser uma decis\u00e3o dif\u00edcil para os pais, talvez seja at\u00e9 mais dif\u00edcil que o primeiro. Evidentemente \u00e9 uma decis\u00e3o que deve ser discutida a dois.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 claro que cada casal pode estar vivendo um momento diferente da vida, portanto existem vantagens e desvantagens que se deve avaliar:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A idade da m\u00e3e.<br \/>\nO momento profissional que ela est\u00e1 vivendo.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica familiar.<br \/>\nComo est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o do casal.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Hoje em dia existem duas tend\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Encomendar logo o segundo.<br \/>\nEsperar mais tempo poss\u00edvel.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Para as duas op\u00e7\u00f5es existem os pr\u00f3s e contras:<\/strong><\/p>\n<p>Cuidar de crian\u00e7as pequenas \u00e9 cansativo e eles ter\u00e3o que dividir os pais, o que com certeza , causar\u00e1 ci\u00fames em ambos.<\/p>\n<p>Se voc\u00eas esperam muito tempo para encomendar o segundo, como por exemplo at\u00e9 que o primeiro j\u00e1 esteja no col\u00e9gio e n\u00e3o precise de tantos cuidados, n\u00e3o compartir\u00e3o as mesmas brincadeiras, mas a rivalidade ser\u00e1 menor.<\/p>\n<p>Os psic\u00f3logos dizem que a partir dos cinco anos de idade, as crian\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o mais preparadas para suportar a chegada de um beb\u00ea.<\/p>\n<p>Quando o intervalo entre dois filhos \u00e9 de mais de sete anos, a grande vantagem \u00e9 que poder\u00e3o contar com a ajuda do primeiro para criar ao segundo.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 evidente que os interesses deles ser\u00e3o diferentes. Muitos pais dizem que \u201c\u00e9 como criar dois filhos \u00fanicos\u201d.<\/p>\n<p>Com respeito \u00e0 opini\u00e3o dos m\u00e9dicos, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade recomenda que se espere no m\u00ednimo dois anos entre uma gravidez e a outra para que o corpo da mulher se recupere totalmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de citar que os beb\u00eas de menos de 18 meses precisam de muita aten\u00e7\u00e3o, o que exige muito esfor\u00e7o para uma gr\u00e1vida.<\/p>\n<h4>Segundo Filho &#8211; Irm\u00e3o<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107849 size-full\" title=\"Segundo Filho\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/segundo-filho-02.jpg\" alt=\"Segundo Filho\" width=\"336\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/segundo-filho-02.jpg 336w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/segundo-filho-02-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><strong><br \/>\nSegundo Filho<\/strong><\/p>\n<p><strong>A CHEGADA DO SEGUNDO FILHO<\/strong><\/p>\n<p>Ganhar um irm\u00e3o mexe muito com a cabe\u00e7a da crian\u00e7a. Voc\u00ea pode ajud\u00e1-la a assimilar melhor essa fase.<\/p>\n<p>A segunda gravidez costuma gerar sentimentos amb\u00edguos. Ao mesmo tempo que voc\u00ea est\u00e1 feliz em ter outro filho, fica triste com a mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o com o primeiro e culpada por faz\u00ea-lo dividir o amor dos pais. \u00c9 normal que a crian\u00e7a tenha ci\u00fames do beb\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Algumas atitudes v\u00e3o ajud\u00e1-la a viver essa etapa de ajustes emocionais de forma mais positiva:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Expectativas realistas<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o espere que a crian\u00e7a v\u00e1 adorar ter um irm\u00e3o. Pode ser que, no in\u00edcio, ela fique mais apegada a voc\u00ea ou apresente dificuldade para dormir. Tamb\u00e9m \u00e9 comum o aparecimento de comportamentos regressivos, como fazer xixi na cal\u00e7a ou falar como um beb\u00ea. O melhor \u00e9 aceitar esse sentimento e incentiv\u00e1-la a expressar as emo\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se incomode se ela desenhar a fam\u00edlia sem o beb\u00ea, mas deixe claro que machuc\u00e1-lo n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Os preparativos<\/strong><\/p>\n<p>Durante a gravidez, converse sobre como \u00e9 a rotina de um beb\u00ea. Diga que, embora ele v\u00e1 exigir cuidados, voc\u00ea continuar\u00e1 tendo um tempo para ela. Mostre-lhe fotos de quando ela era beb\u00ea e leia livros infantis sobre a chegada do irm\u00e3o. Esclare\u00e7a quem vai tomar conta dela enquanto voc\u00ea estiver no hospital.<\/p>\n<p><strong>Evite mudan\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>Qualquer altera\u00e7\u00e3o na vida crian\u00e7a, como entrar para a escola, mudar de quarto ou tirar a fralda, deve ser feita no m\u00ednimo seis meses antes de o beb\u00ea nascer.<\/p>\n<p><strong>No hospital<\/strong><\/p>\n<p>O irm\u00e3o deve conhecer o beb\u00ea na maternidade assim que voc\u00ea estiver em condi\u00e7\u00f5es de receb\u00ea-lo e dar aten\u00e7\u00e3o a ele. Se poss\u00edvel, evite a presen\u00e7a de outras visitas. Ele tamb\u00e9m pode ganhar presentes para comemorar a nova posi\u00e7\u00e3o, de irm\u00e3o mais velho. Lembre parentes e amigos de n\u00e3o deix\u00e1-lo de lado.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se preocupe se ele pedir para voc\u00ea devolver o beb\u00ea:<\/strong> esse primeiro encontro n\u00e3o \u00e9 sinal do tipo de rela\u00e7\u00e3o que eles v\u00e3o ter no futuro.<\/p>\n<p><strong>Refira-se ao beb\u00ea como uma pessoa<\/strong><\/p>\n<p>Fale sobre o rec\u00e9m-nascido para a crian\u00e7a usando frases como &#8220;Veja como a Bia mexe a boca, acho que ela est\u00e1 com fome&#8221;. Chame a aten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a para como o beb\u00ea gosta quando ela fala com ele, empurra o carrinho ou sorri para ele.<\/p>\n<p><strong>Incentive a participa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos irm\u00e3os quer colaborar com os cuidados do beb\u00ea. Valorize essa ajuda sem for\u00e7ar a crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>D\u00ea aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante manter sua rela\u00e7\u00e3o com o filho mais velho. Combine um hor\u00e1rio especial para ficar a s\u00f3s com ele fazendo algo divertido. Evite a divis\u00e3o voc\u00ea\/beb\u00ea, pai\/filho mais velho. \u00c9 preciso muita conversa para que ambos os pais convivam com cada um dos filhos.<\/p>\n<p><strong>A longa jornada<\/strong><\/p>\n<p>Acostumar-se a dividir a aten\u00e7\u00e3o dos pais leva tempo. Alguns comportamentos podem durar semanas; outros, n\u00e3o surgem at\u00e9 o beb\u00ea ter 7 ou 8 meses. Enquanto isso, seu papel \u00e9 demonstrar que cada um tem um lugar especial na fam\u00edlia, um lugar que ningu\u00e9m pode tirar.<\/p>\n<h4>Segundo Filho &#8211; Nascimento<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107848 size-full\" title=\"Segundo Filho\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/segundo-filho-03.jpg\" alt=\"Segundo Filho\" width=\"450\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/segundo-filho-03.jpg 450w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/segundo-filho-03-300x171.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><strong><br \/>\nSegundo Filho<\/strong><\/p>\n<p>O nascimento do segundo filho \u00e9 uma fase espec\u00edfica do ciclo vital familiar, que acarreta mudan\u00e7as, especialmente para o primog\u00eanito.<\/p>\n<p>O presente artigo examina quest\u00f5es te\u00f3ricas e estudos emp\u00edricos acerca das implica\u00e7\u00f5es emocionais da chegada de um irm\u00e3o para o primog\u00eanito. Os estudos sugerem que este momento \u00e9 especial tanto para a m\u00e3e, que precisa cuidar de dois filhos, quanto para o primog\u00eanito, que deixa de ser filho \u00fanico e precisa compartilhar os cuidados maternos.<\/p>\n<p><strong>A literatura que tem se dedicado ao impacto do nascimento de um segundo filho no primog\u00eanito apresenta resultados contradit\u00f3rios:<\/strong> se, por um lado, aponta mais comportamentos regressivos, de depend\u00eancia, do primog\u00eanito, por outro, indica maior independ\u00eancia. A literatura ainda considera os comportamentos regressivos como \u201cnegativos\u201d, enquanto os de independ\u00eancia como \u201cpositivos\u201d e de crescimento. Torna-se fundamental identificar momentos de transi\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia, pass\u00edveis de mudan\u00e7as, a fim de ajudar os pais a compreenderem que a crian\u00e7a tem seu pr\u00f3prio ritmo de desenvolvimento rumo \u00e0 independ\u00eancia e pode apresentar comportamentos mais regressivos nos momentos de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o de membros no sistema familiar, especialmente a chegada de uma segunda crian\u00e7a, \u00e9 caracterizada como um per\u00edodo de ajustamento, que pode ter implica\u00e7\u00f5es emocionais tanto para o primog\u00eanito quanto para seus pais (Baydar, Hyle &amp; Brooks-Gunn, 1997b; Dessen, 1997; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004; Stewart, Mobley, Tuyl &amp; Salvador, 1987; Volling, 2005).<\/p>\n<p>Esse momento de transi\u00e7\u00e3o acarreta consequ\u00eancias diretas na intera\u00e7\u00e3o pai-m\u00e3e-crian\u00e7a e, sobretudo, na rotina de cuidados que a m\u00e3e destina ao filho, bem como no desenvolvimento cognitivo e socioemocional infantil (Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004; Oliveira &amp; Lopes, 2008).<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as decorrentes do nascimento do segundo filho podem sofrer ajustes de maneiras distintas, antes, durante e depois da chegada deste, e est\u00e3o relacionadas ao interjogo de diferentes fatores \u2013 pessoais, situacionais e relacionais (Kreppner, Paulsen &amp; Schuetze, 1982; Volling, 2005), \u00e0 harmonia conjugal e ao n\u00edvel socioecon\u00f4mico familiar (Teti, Sakin, Kucera, Corns &amp; Eiden, 1996), bem como ao apoio parental que o primog\u00eanito experiencia j\u00e1 antes do nascimento do irm\u00e3o (Gottlieb &amp; Mendelson, 1990). A chegada de uma segunda crian\u00e7a acarreta tanto implica\u00e7\u00f5es estruturais e de organiza\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica, como emocionais para cada um de seus membros, especialmente para o primog\u00eanito, uma vez que modifica as trocas afetivas e de intera\u00e7\u00f5es familiares (Dunn &amp; Kendrick, 1980; Kreppner et al.,1982).<\/p>\n<p>Considerando-se que o curso do desenvolvimento emocional pode ser resultado de um conjunto de rearranjos das rela\u00e7\u00f5es familiares, bem como das pr\u00f3prias caracter\u00edsticas do desenvolvimento individual infantil, \u00e9 plaus\u00edvel supor que a chegada de uma nova crian\u00e7a tenha implica\u00e7\u00f5es emocionais para cada um de seus membros, especialmente para o primog\u00eanito (Dessen, 1994; Kreppner et al., 1982). Embora estudos tenham apontado que o nascimento do segundo filho pode acarretar altera\u00e7\u00f5es no ambientefamiliar, nos comportamentos do primog\u00eanito e em sua intera\u00e7\u00e3o com os pais, chamam a aten\u00e7\u00e3o as poucas pesquisas atuais sobre o assunto (Volling, 2005) e, especialmente, sobre as implica\u00e7\u00f5es emocionais para o filho mais velho. Percebe-se ainda, nos estudos que referem altera\u00e7\u00f5es de comportamentodo primog\u00eanito, uma tend\u00eancia a qualific\u00e1-las como positivas ou negativas. A literatura considera comportamentos de independ\u00eancia como sinais de crescimento e de mudan\u00e7as positivas, desqualificando comportamentos mais regressivos, de depend\u00eancia. Sendo assim, torna-se relevante dar continuidade a pesquisas sobre o assunto, uma vez que a investiga\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o das especificidades desse importantemomento de transi\u00e7\u00e3o podem contribuir para uma reflex\u00e3o e compreens\u00e3o das implica\u00e7\u00f5es emocionais da chegada de um irm\u00e3o para o primog\u00eanito. Neste sentido, o artigo objetiva revisar os achados da literatura nacional e internacional sobre o impacto do nascimento do segundo filho nas rela\u00e7\u00f5es familiares, especialmente na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-primog\u00eanito, e nos comportamentos do primog\u00eanito, problematizando em que medida o filho mais velho \u00e9 afetado pela chegada de um irm\u00e3o. Al\u00e9m disso, discute as implica\u00e7\u00f5es emocionais de tornar-se irm\u00e3o para o primog\u00eanito.<\/p>\n<p><strong>MPLICA\u00c7\u00d5ES EMOCIONAIS DA CHEGADA DE UM SEGUNDO FILHO PARA A RELA\u00c7\u00c3O M\u00c3E-PRIMOG\u00caNITO<\/strong><\/p>\n<p>O principal impacto do nascimento de um segundo filho parece recair sobre a fam\u00edlia nuclear, trazendo, sobretudo, implica\u00e7\u00f5es emocionais para a estrutura familiar e para as diferentes rela\u00e7\u00f5es, de modo especial para aquelas entre os genitores e o primog\u00eanito. Muitos estudos t\u00eam destacado a influ\u00eancia do primeiro filho na transi\u00e7\u00e3o para a maternidade e na vida do casal e da fam\u00edlia como umtodo. No que tange \u00e0 chegada de uma segunda crian\u00e7a, observa-se que tal tema n\u00e3o tem sido amplamente explorado. Em uma extensa pesquisa realizada nos bancos de dados (PsycInfo, Social Sciences Full Text, Bireme, LILACS, Scielo, Index Psi, Medline), a partir dos termos second born, second child, two children, second pregnancy e firstborn foram encontrados poucos artigos recentes publicados que abordaram o nascimento de um segundo filho, o primog\u00eanito e as mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es familiares (Dessen &amp; Braz, 2000; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004; Pereira &amp; Piccinini, 2007; Volling, 2005). A maioria dos estudos data da d\u00e9cada de 1990 (Baydar, Greek &amp; Brooks-Gunn, 1997a; Kramer &amp; Gottman, 1992; Teti et al., 1996) e da d\u00e9cada de 1980 (Dessen &amp; Mettel, 1984; Dunn, Kendrick &amp; MacNamee, 1981). Outros estudos recentes tamb\u00e9m foram encontrados, por\u00e9m abordam a rela\u00e7\u00e3o entre os irm\u00e3os ap\u00f3s o nascimento do segundo filho, n\u00e3o contemplando as implica\u00e7\u00f5es emocionais para o primog\u00eanito, foco de interesse do presente artigo. No Brasil, somente alguns pesquisadores se dedicaram \u00e0 tem\u00e1tica (Dessen, 1994; Dessen, 1997; Dessen &amp; Mettel, 1984).<\/p>\n<p>Recentemente, este assunto vem sendo retomado por pesquisadores brasileiros, no sentido de dar continuidade aos estudos sobre fam\u00edlia e sobre o impacto de uma segunda crian\u00e7a no ambiente familiar, especialmente no primog\u00eanito (Oliveira &amp; Lopes, 2008; Pereira &amp; Piccinini, 2007).<\/p>\n<p>Parece existir uma cren\u00e7a popular de que ser pai de um segundo filho \u00e9 \u201cmais f\u00e1cil\u201d do que ser do primeiro, em fun\u00e7\u00e3o de j\u00e1 se ter experi\u00eancia com oscuidados de um beb\u00ea, conforme apontam reflex\u00f5es de Pereira e Piccinini (2007). No entanto, tal cren\u00e7a parece n\u00e3o considerar o impacto expressivo da chegada de uma nova crian\u00e7a no sistema familiar, merecendo particular aten\u00e7\u00e3o no campo cient\u00edfico (Kreppner, 1988), por se tratar de um evento complexo, que exige adapta\u00e7\u00f5es de todos os membros e de uma constela\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as nas diferentes intera\u00e7\u00f5es (Dessen, 1997; Walz &amp; Rich, 1983).<\/p>\n<p>Tornar-se pai de dois filhos \u00e9 qualitativamente diferente do per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o para a parentalidade no contexto de nascimento do primeiro (Dessen, 1997; Gottlieb &amp; Baillies, 1995; Kojima, Irisawa &amp; Wakita, 2005). O sistema familiar passa a sofrer constantesmodifica\u00e7\u00f5es do ponto de vista estrutural, uma vez que deixa de ser tri\u00e1dico \u2013 pai, m\u00e3e e crian\u00e7a \u2013 e passa a ser poli\u00e1dico \u2013 pai, m\u00e3e, primog\u00eanito e segundo filho (Dessen, 1997; Kreppner et al., 1982). Os ajustes familiares podem ocorrer antes, durante e depois dachegada do segundo filho. Caracterizam-se como tempor\u00e1rios e podem se estender por at\u00e9 dois anos (Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004; Stewart et al., 1987), ou ainda por at\u00e9 quatro anos (Baydar et al.,1997a).<\/p>\n<p>Dentre as diferentes rela\u00e7\u00f5es familiares, a rela\u00e7\u00e3om\u00e3e-crian\u00e7a \u00e9 apontada por grande parte dos estudosencontrados como a mais afetada. Tal fato pode ser compreendido tanto pelo fato de poucos estudos terem inclu\u00eddo o pai na amostra estudada (Dessen &amp; Mettel, 1984; Gullicks &amp; Crase, 1993; Kowaleski-Jones &amp; Donifon, 2004), quanto por ser a chegada de um segundo filho um per\u00edodo marcado por uma ruptura narela\u00e7\u00e3o e redefini\u00e7\u00f5es do papel materno, conforme apontaram algumas pesquisas (Dunn &amp; Kendrick, 1980; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004). Ao estudarem longitudinalmente 194 fam\u00edlias desde o \u00faltimo trimestre de gesta\u00e7\u00e3o do segundo filho at\u00e9 osegundo ano deste, Teti et al. (1996) verificaram um decl\u00ednio no apego seguro de primog\u00eanitos ap\u00f3s o nascimento do irm\u00e3o, caracterizando-se como uma ruptura na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-crian\u00e7a. Nesse momento, a m\u00e3e tende a estar mais sens\u00edvel \u00e0s necessidades prim\u00e1rias do beb\u00ea e dirige seu interesse para os cuidados deste, n\u00e3o estando mais t\u00e3o dispon\u00edvel para o primog\u00eanito quanto antes (Brazelton &amp; Sparrow, 2003; Gullicks &amp; Crase, 1993; Stewart et al., 1987), al\u00e9m de redistribuir seu tempo e energia entre ser m\u00e3e de um filho mais velho, esposa e profissional e tersuas pr\u00f3prias necessidades (Walz &amp; Rich, 1983).<\/p>\n<p>Estudos apontam, j\u00e1 durante o per\u00edodo gestacional, aumento de pr\u00e1ticas disciplinares de controle, diminui\u00e7\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o e da aten\u00e7\u00e3o materna, redu\u00e7\u00e3o do tempo que ocupa em brincadeirascom o filho e diminui\u00e7\u00e3o significativa do apego seguro de primog\u00eanitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e (Baydar et al., 1997a; Feiring &amp; Lewis, 1978; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004; Stewart et al., 1987; Teti et al., 1996). Os estudos pioneiros sobre as mudan\u00e7as da intera\u00e7\u00e3om\u00e3e-primog\u00eanito foram realizados por Dunn et al. (Dunn &amp; Kendrick, 1980; Dunn et al. 1981; Kendrick &amp; Dunn, 1980), que investigaram 40 fam\u00edlias antes eap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea. Observaram-se mudan\u00e7as significativas nos padr\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o m\u00e3e-primog\u00eanito, sobretudo ap\u00f3s o nascimento, e nos comportamentos do primog\u00eanito. De modo geral, houve aumento de confronta\u00e7\u00e3o, diminui\u00e7\u00e3o do interesse e da sensibilidade materna em rela\u00e7\u00e3o ao primog\u00eanito, especialmente em momentos de conversa\u00e7\u00e3o e de brincadeira, bem como acr\u00e9scimo deproibi\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es, refletindo menor intera\u00e7\u00e3overbal. De acordo com as autoras, a diminui\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o materna se evidenciou particularmente em situa\u00e7\u00f5es muito t\u00eanues que envolviam sensibilidade aos interesses do primog\u00eanito. Nesse mesmo sentido,Kendrick e Dunn (1980) indicaram maior envolvimento e intera\u00e7\u00e3o materna com o primog\u00eanito durante os momentos de alimenta\u00e7\u00e3o e de cuidado fornecido ao beb\u00ea, al\u00e9m de mais proibi\u00e7\u00f5es e confronta\u00e7\u00f5es direcionadas ao primog\u00eanito nesses momentos. A esse respeito, as autoras referem que as m\u00e3es estariam mais impacientes e restritivas, por estarem envolvidas com a maternidade de um novo beb\u00ea. Da mesma forma, em contexto brasileiro, Dessen e Mettel (1984) verificaram que a m\u00e3e emitiamais proibi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao primog\u00eanito ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea, por ter receio de que o primog\u00eanito o machucasse.<\/p>\n<p>Outro estudo, da d\u00e9cada de 1970, tamb\u00e9m investigou o comportamento materno, verbal e n\u00e3o verbal, durante a intera\u00e7\u00e3o com o primog\u00eanito no contexto de chegada de uma segunda crian\u00e7a (Taylor &amp; Kogan, 1973). Mediante observa\u00e7\u00f5es da intera\u00e7\u00e3o de oito crian\u00e7as e suas m\u00e3es, foi notada consider\u00e1vel diminui\u00e7\u00e3o da express\u00e3o de carinho e incremento significativo da neutralidade emocional, tanto da m\u00e3e quanto do primog\u00eanito, ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea.<\/p>\n<p>Uma pesquisa mais recente tamb\u00e9m investigou o comportamento, verbal e n\u00e3o verbal, e as estrat\u00e9gias maternas de intera\u00e7\u00e3o com duas crian\u00e7as, durante o primeiro ano ap\u00f3s o nascimento do segundo filho (Kojima, 1999). Por meio de observa\u00e7\u00f5es, foi poss\u00edvel encontrar, longitudinalmente, que as intera\u00e7\u00f5es maternas verbais com o primog\u00eanito foram frequentemente acompanhadas por comportamentos n\u00e3o verbais com o beb\u00ea. Estes comportamentos verbais com o filho foram diminuindo na segunda metade do primeiro ano do beb\u00ea. Para a autora, essaestrat\u00e9gia caracterizou uma habilidade materna paramanter a rela\u00e7\u00e3o com duas crian\u00e7as, especialmente poucos meses depois do nascimento. Outro estudo, realizado em tr\u00eas momentos (um, tr\u00eas e seis meses ap\u00f3s o nascimento do segundo filho), tamb\u00e9m verificou maior n\u00edvel de conflito e estresse vivenciado entre m\u00e3e e primog\u00eanito (Kojima et al., 2005). Embora n\u00e3o tenha sido observada mudan\u00e7a no padr\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o no primeiro m\u00eas ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea, aos tr\u00eas e seis meses deste as m\u00e3es relataram mudan\u00e7as consider\u00e1veis na rela\u00e7\u00e3o com o filho mais velho.<\/p>\n<p>Com as limita\u00e7\u00f5es impostas pela gesta\u00e7\u00e3o e pelos cuidados de um rec\u00e9m-nascido, \u00e9 poss\u00edvel que a m\u00e3e se torne menos sens\u00edvel \u00e0s necessidades do filho maior; por\u00e9m parece n\u00e3o existir diminui\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o materna somente com o primog\u00eanito, mas tamb\u00e9m com o beb\u00ea. Em um estudo de 32 m\u00e3es e seus filhos, primog\u00eanito e segundo filho, Jacobs e Moss (1976) revelaram que a m\u00e3e despendeu menor tempo em atividades sociais, afetivas e de cuidado tanto com o primog\u00eanito quanto com o beb\u00ea. Os dados ainda indicaram que a intera\u00e7\u00e3o com o segundo filho foi ainda menor do que a com o filho mais velho. De modo geral, a aten\u00e7\u00e3o da m\u00e3e diminuiu quando o beb\u00eaera do sexo feminino, fosse o primog\u00eanito do mesmo sexo ou do sexo oposto. Para os autores, os dados indicaram que a diminui\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o pode estar relacionada \u00e0 experi\u00eancia da m\u00e3e em ter uma segundacrian\u00e7a, tendo menos tempo para despender com os filhos, ao fato de n\u00e3o ser mais novidade cuidar de um beb\u00ea, ou ainda \u00e0 demanda por aten\u00e7\u00e3o do primog\u00eanito.<\/p>\n<p>Estas mudan\u00e7as na intera\u00e7\u00e3o e nos padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e primog\u00eanito, bem como na percep\u00e7\u00e3o que a m\u00e3e tem sobre este, tornam-se vis\u00edveis e ricas, sobretudo quando a rela\u00e7\u00e3o fraterna passa a ser mais significativa com o desenvolvimento e o crescimento do beb\u00ea. Tal fato ocorre, especialmente nos primeiros dois anos deste, quandoh\u00e1 aumento de sua participa\u00e7\u00e3o nas intera\u00e7\u00f5es familiares (Dessen, 1997; Kreppner, 1988). As novasaquisi\u00e7\u00f5es e habilidades cognitivas, sociais, f\u00edsicas e emocionais, que se destacam no curso de desenvolvimento do segundo filho, demandam mais aten\u00e7\u00e3o e disponibilidade materna e maior capacidade para interferir em suas brincadeiras (Legg, Sherick &amp; Wadland, 1974; Lopeset al., 2008).<\/p>\n<p>Tal aspecto tende a fazer com que a m\u00e3e responda ao primog\u00eanito de modo fatigado e cansado, com raiva e irrita\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o do estresse das novas condi\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es familiares derivadas de m\u00faltiplas demandas da maternidade de dois filhos e dos cuidados de um novo beb\u00ea (Dunn et al., 1981; Gottlieb &amp; Mendelson, 1995; Taylor &amp; Kogan, 1973).<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o de tornar-se m\u00e3e de dois filhos desencadeia diferentes sentimentos. Dentre esses, \u00e9poss\u00edvel apontar sentimentos de perda da rela\u00e7\u00e3o especial da m\u00e3e com o filho \u00fanico, busca de aceita\u00e7\u00e3o do beb\u00ea pelo primog\u00eanito, preocupa\u00e7\u00e3o com a sua inser\u00e7\u00e3o no ambiente familiar, bem como ambival\u00eancia em dar conta de am\u00e1-lo da mesma forma que ao mais velho (Oliveira, 2006; Walz &amp; Rich, 1983). Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es maternas \u00e9 a aceitabilidade do irm\u00e3o pelo primog\u00eanito. Atrav\u00e9s de um estudo, observou-se que as m\u00e3es, ap\u00f3s o nascimento de seu segundo filho, procuravam promover a aceitabilidade do beb\u00ea pelo primog\u00eanito (Walz &amp; Rich, 1983). Despendiam maior tempo e energia para favorecer a aceita\u00e7\u00e3o do novo beb\u00ea, atrav\u00e9s da inclus\u00e3o do primog\u00eanito nos cuidados deste. Para os autores, o primog\u00eanito ocupa uma posi\u00e7\u00e3o significativa na vida dessa m\u00e3e, e a chegada de um segundo filho indica que essa rela\u00e7\u00e3o &#8211; di\u00e1dica, especial e muito pr\u00f3xima &#8211; passa a ser alterada, gerando um forte sentimento de insatisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diferentemente dos estudos explicitados anteriormente, os autores apontam que parece haver uma busca de resgate dessa rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima por meiode express\u00f5es de amor e de comportamentos protetores. Para os autores, as tentativas e comportamentos maternos de resgatar a rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima e a confian\u00e7a em dar conta do cuidado de duas crian\u00e7as favorecem tanto a transi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio papel materno de ser m\u00e3e de dois filhos quanto o defilho mais velho.<\/p>\n<p>Quando a rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-crian\u00e7a \u00e9 comparada a de fam\u00edlias que n\u00e3o esperam o nascimento de um novo beb\u00ea, os resultados indicam tanto limita\u00e7\u00f5es quantoaspectos favor\u00e1veis \u00e0 rela\u00e7\u00e3o. Diferentemente dos estudos anteriores, que apontaram somente as limita\u00e7\u00f5es, estes estudos indicaram que a chegada de um irm\u00e3o tamb\u00e9m favoreceu o primog\u00eanito (Baydar et al., 1997a; Baydar et al., 1997b). Embora os dados igualmente tenham revelado decl\u00ednio substancial nasintera\u00e7\u00f5es imediatamente ap\u00f3s o nascimento do primeiro filho, foi observado que o primog\u00eanito teve mais oportunidades para desenvolver suas habilidades e menos consultas pedi\u00e1tricas em servi\u00e7os de sa\u00fade,por beneficiar-se do cuidado materno, pelo fato de a m\u00e3e permanecer mais em casa em virtude dos cuidados com o irm\u00e3o mais novo, quando comparados aos filhos \u00fanicos, cujas m\u00e3es aumentaram as horas de trabalho. Kowaleski-Jones e Donifon (2004) tamb\u00e9m indicaram maior disponibilidade materna e aumento de atividades cognitivamente mais ricas fornecidas ao primog\u00eanito, propiciando-lhe experi\u00eancias de aprendizagem no momento precedente \u00e0 chegada do beb\u00ea. Simultaneamente ao nascimento, os n\u00edveis de apoio emocional diminu\u00edram, assim como os genitoresmostraram-se mais tensos e cansados.<\/p>\n<p>O tipo de cuidado exigido pelo rec\u00e9m-nascido, de maneira geral, acaba afastando a m\u00e3e do atendimentodado ao primog\u00eanito, recaindo sobre o pai a responsabilidade de com ele interagir (Brazelton &amp; Sparrow, 2003; Dessen &amp; Mettel, 1984; Gullicks &amp; Crase, 1993). Para sentir-se emocionalmente dispon\u00edvel (Mahler, Pine &amp; Bergman, 2002; Winnicott, 1974, 2001), a m\u00e3e depende da rede social e do apoio obtido pelo marido\/companheiro, ou pai da crian\u00e7a, de sua pr\u00f3pria m\u00e3e, da fam\u00edlia e de amigos(Dessen &amp; Braz, 2000; Feiring &amp; Lewis, 1978), bem como do n\u00edvel socioecon\u00f4mico e dos recursos materiais (Baydar et al., 1997a). A exist\u00eancia da rede de apoio, instrumental e emocional, e a satisfa\u00e7\u00e3o materna em rela\u00e7\u00e3o a esse apoio, tamb\u00e9m est\u00e3o relacionadas aos comportamentos maternos, pois favorecem a diminui\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es intrusivas e de controle da crian\u00e7a por parte da m\u00e3e, bem como a adapta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia a eventuais mudan\u00e7as (Dessen, 1997; Kreppner, 1988; Stewart et al., 1987).<\/p>\n<p>De modo geral, parece que os estudos destacam que a chegada de uma nova crian\u00e7a afetaria negativamente a rela\u00e7\u00e3o da m\u00e3e com o primog\u00eanito. Conquanto apontem que esse per\u00edodo constitui momento de transi\u00e7\u00e3o, exigindo reorganiza\u00e7\u00e3o do relacionamento conjugal e de pap\u00e9is e tarefas a serem desempenhados pela fam\u00edlia, parecem enfatizar as limita\u00e7\u00f5es da m\u00e3e no cuidado com o primog\u00eanito. De fato, h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es importantes nessa rela\u00e7\u00e3o, por\u00e9m questionam-se os estudos que as qualificam como negativas, por n\u00e3o trazerem uma compreens\u00e3o sobre oporqu\u00ea dessas altera\u00e7\u00f5es em termos de um processo evolutivo tanto das m\u00e3es quanto do primog\u00eanito. As mudan\u00e7as evolutivas n\u00e3o constituem tarefa f\u00e1cil para as m\u00e3es, que se tornam m\u00e3es de dois filhos e precisam dar conta das m\u00faltiplas demandas, al\u00e9m de administrar suas percep\u00e7\u00f5es e sentimentos sobre o primog\u00eanito e o novo beb\u00ea. Essas mudan\u00e7as tamb\u00e9m n\u00e3o constituem tarefa f\u00e1cil para o primog\u00eanito, que, com um irm\u00e3o,deixa de ser \u00fanico para ocupar a posi\u00e7\u00e3o de mais velho.<\/p>\n<p><strong>IMPLICA\u00c7\u00d5ES EMOCIONAIS DA CHEGADA DE UM IRM\u00c3O PARA O PRIMOG\u00caNITO<\/strong><\/p>\n<p>O ajustamento, em situa\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a da estrutura familiar, depende tanto da habilidade parental para prover a continuidade de cuidado e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a quanto do desenvolvimento emocional e da percep\u00e7\u00e3o desta sobre o evento (Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004). Nesse sentido, mudan\u00e7as decorrentes da transi\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de filho \u00fanico para a de irm\u00e3o mais velho podem acarretar implica\u00e7\u00f5es emocionais diretas para o primog\u00eanito, especialmente no sentido da depend\u00eancia e independ\u00eancia. Estas implica\u00e7\u00f5es podem ser visualizadas por uma variedade de rea\u00e7\u00f5es. Enquantoalgumas crian\u00e7as conseguem administrar o estresse (Kramer &amp; Schaefer-Hernam, 1994), outras se mostram severamente estressadas, desde a gesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o per\u00edodo ap\u00f3s o nascimento do irm\u00e3o, apresentando problemas de comportamento (Baydar et al., 1997b; Dessen &amp; Mettel, 1984; Gottlieb &amp; Baillies, 1995; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004).<\/p>\n<p><strong>De modo geral, as rea\u00e7\u00f5es mais frequentes encontradas nos estudos que investigaram o primog\u00eanito durante a gesta\u00e7\u00e3o e ap\u00f3s o nascimento de um primeiro irm\u00e3o foram<\/strong>: aumento nos comportamentos de confronta\u00e7\u00e3o e de agress\u00e3o com a m\u00e3e e com o beb\u00ea (Baydar et al., 1997a; Dunn &amp; Kendrick, 1980; Kendrick &amp; Dunn, 1980; Teti et al.,1996), problemas no sono, nos h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o e de higiene, aumento nos comportamentos de depend\u00eancia, demanda e regress\u00e3o (Baydar et al., 1997b; Dunn et al., 1981; Field &amp; Reite, 1984; Gottlieb &amp; Baillies, 1995; Legg et al., 1974; Stewart et al, 1987), maior ambival\u00eancia, aumento no afastamento, nos comportamentos de independ\u00eancia e de dom\u00ednio de tarefa (Dunn et al., 1981; Gottlieb &amp;Baillies, 1995; Kramer &amp; Gottman, 1992; Legg et al., 1974; Stewart et al, 1987).<\/p>\n<p>O estresse vivenciado varia conforme a harmonia conjugal, o bem-estar emocional materno, a qualidade da rela\u00e7\u00e3o pais-primog\u00eanito (Gottlieb &amp; Mendelson, 1995; Teti et al., 1996), o apoio parental fornecido ao filho mais velho (Gottlieb &amp; Mendelson, 1990; Legg et al., 1974) e o n\u00edvel socioecon\u00f4mico familiar (Baydar et al., 1997b; Dessen &amp; Mettel, 1984). A idade e o sexo do primog\u00eanito e do segundo filho tamb\u00e9m influenciam suas rea\u00e7\u00f5es (Dunn et al., 1981;Gottlieb &amp; Baillies, 1995). De acordo com Kendrick e Dunn (1982), o processo de adapta\u00e7\u00e3o do primog\u00eanitoest\u00e1 intimamente relacionado \u00e0s intera\u00e7\u00f5es familiares anteriores. Se estas j\u00e1 se mostram inadequadas antes do nascimento do irm\u00e3o, este processo pode gerar impacto no comportamento do primog\u00eanito, bem como efeitos prejudiciais para as rela\u00e7\u00f5es familiares e para o relacionamento posterior entre os irm\u00e3os. Legg et al. (1974) verificaram que parece n\u00e3o existir ummodo de evitar o estresse de uma crian\u00e7a quando da chegada de um irm\u00e3o, por\u00e9m o envolvimento nas atividades de prepara\u00e7\u00e3o, durante a gesta\u00e7\u00e3o e a hospitaliza\u00e7\u00e3o materna, somado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nas tarefas de cuidado com o beb\u00ea e a preserva\u00e7\u00e3o das rotinas di\u00e1rias (Kramer &amp; Ramsburg, 2002), pode facilitar o ajustamento e minimizar as rea\u00e7\u00f5es emocionais do primog\u00eanito (Gottlieb &amp; Mendelson, 1990; Legg et al., 1974).<\/p>\n<p>Outra implica\u00e7\u00e3o emocional para o primog\u00eanito \u00e9 o aumento no comportamento de demanda e de depend\u00eancia. Desde a gesta\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel observar tais rea\u00e7\u00f5es (Dunn &amp; Kendrick, 1980; Gottlieb &amp; Baillies, 1995; Legg et al., 1974; Oliveira, 2006; Oliveira &amp; Lopes, 2008). Um estudo em contexto brasileiro (Oliveira, 2006; Oliveira &amp; Lopes, 2008)investigou cinco primog\u00eanitos em idade pr\u00e9-escolar e suas m\u00e3es, indicando uma tend\u00eancia de comportamentos de depend\u00eancia, tanto quanto avaliados a partir do ponto de vista da crian\u00e7a quanto do materno, j\u00e1 durante o per\u00edodo gestacional. Os comportamentos de depend\u00eancia foram analisados a partir do Teste das F\u00e1bulas (Cunha &amp; Nunes, 1993) com a crian\u00e7a, bem como de relatos maternos sobre altera\u00e7\u00f5es de comportamento em diferentes situa\u00e7\u00f5es(uso da mamadeira e bico, fala infantilizada, altera\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o do sono, h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o e de higiene, bem como maior demanda por cuidado e aten\u00e7\u00e3o materna).<\/p>\n<p>Os pioneiros no estudo sobre as altera\u00e7\u00f5es de comportamento do primog\u00eanito foram Dunn et al. (Dunn &amp; Kendrick, 1980; Dunn et al., 1981). Foi observada maior demanda verbal em momentos em que a m\u00e3e cuidava e segurava o beb\u00ea, quando comparado a momentos em que a m\u00e3e n\u00e3o estava ocupada com este. O primog\u00eanito tamb\u00e9m apresentou incremento na desobedi\u00eancia ap\u00f3s o nascimento do irm\u00e3o, diante do comportamento materno de proibi\u00e7\u00f5es e de confronta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As m\u00e3es relataram que as crian\u00e7as apresentaram sinais regressivos, como ocasionalmente falar como beb\u00ea, querer ser alimentado e ser carregado, desejar dormir com os genitores, especialmente nas primeiras semanas ap\u00f3s o nascimento do irm\u00e3o (Dunn et al., 1981). O primog\u00eanito ainda aumentou comportamentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e considerados pelas autoras como negativos, tais como choro, manha, maior exig\u00eancia e desejo de estar mais agarrado com ela, bem como passou a apresentar ora rea\u00e7\u00f5es de agressividade com o beb\u00ea, ora comportamentos afetivos. Da mesma forma, Stewart et al. (1987) investigaram fam\u00edlias,antes e depois do nascimento do segundo filho, e verificaram comportamentos regressivos do primog\u00eanito, apontados pela m\u00e3e. Para os autores, estes comportamentos, de modo geral, foram relacionados a ansiedade, choro e manha e a rea\u00e7\u00f5esmais regressivas na hora do sono e de higiene.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es do primog\u00eanito de mostrar-se mais angustiado e apresentar comportamentos de depend\u00eancia podem diferir conforme o per\u00edodo gestacional, o sexo e a idade, sobretudo em resposta a momentos de separa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e nas semanas finais da gesta\u00e7\u00e3o (Gottlieb &amp; Baillies, 1995). Da mesma forma, Legg et al. (1974) observaram que estes comportamentos se intensificaram, sobretudo, a partir do segundo trimestre ou em decorr\u00eancia de as m\u00e3es terem-lhes contado sobre a exist\u00eancia de um irm\u00e3o, ou ainda quando a barriga tornava-se mais saliente, chamando mais a aten\u00e7\u00e3o. Estes comportamentos se mantiveram em destaque tamb\u00e9m ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea (Baydar et al., 1997a; Dunn et al., 1981; Legg et al., 1974; Stewart et al., 1987; Taylor &amp; Kogan,1973). Dessen e Mettel (1984) tamb\u00e9m apontaram que exig\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e, mais problemas de controle vesical noturno, birra e uso de chupeta surgiram, especialmente, depois do comunicado da exist\u00eancia de um irm\u00e3o, j\u00e1 na gesta\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o nascimento, estes comportamentos se intensificaram,uma vez que o primog\u00eanito apresentou altera\u00e7\u00f5es nosh\u00e1bitos de higiene e sono e manteve as exig\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e. Para as autoras, essas altera\u00e7\u00f5es podem ser respostas a atitudes estimuladas pelos genitores, gerando depend\u00eancia na crian\u00e7a.<\/p>\n<p>As tarefas mais dif\u00edceis para os pais, nesse momento, est\u00e3o intimamente relacionadas aos comportamentos de depend\u00eancia. Para Legg et al. (1974), o aumento da retomada da mamadeira, do bicoe do h\u00e1bito de chupar o dedo, sobretudo em crian\u00e7asde at\u00e9 tr\u00eas anos, e as altera\u00e7\u00f5es nos rearranjos do sono, costumam ser indicativos de um n\u00edvel de ajustamentoprejudicado por parte do primog\u00eanito. Ainda para osautores, estes comportamentos podem estar indicando sentimentos de exclus\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o, sobretudo se houve altera\u00e7\u00f5es na rotina di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Outros estudos apontaram aumento no afastamento do primog\u00eanito, nos comportamentos de independ\u00eancia e de dom\u00ednio de tarefa (Dunn et al., 1981; Gottlieb &amp; Baillies, 1995; Kramer &amp; Gottman, 1992; Kreppner et al., 1982; Legg et al., 1974; Stewart et al., 1987). Legg et al. (1974) encontraram que os comportamentos mais comuns foram os de agressividade para com o novo beb\u00ea, aumento da procura de aten\u00e7\u00e3o materna e de comportamentos regressivos, mas tamb\u00e9m comportamentos progressivos ou de independ\u00eancia. Al\u00e9m de comportamentos dependentes do primog\u00eanito, Dunn et al. tamb\u00e9m verificaram que as m\u00e3es apontaram sinaisde crescimento e de independ\u00eancia nas tr\u00eas semanas ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea (Dunn &amp; Kendrick, 1981; Dunn et al., 1981). Estes sinais estiveram associados ao fato de insistir em comer, vestir-se e ir ao banheiro sozinho, brincar mais tempo sozinho, al\u00e9m de deixarde usar a mamadeira e a chupeta, assumindo papel deirm\u00e3o mais velho e ocupando uma posi\u00e7\u00e3o de desenvolvimento mais maduro. Chama aten\u00e7\u00e3o a associa\u00e7\u00e3o que as autoras fazem entre crescimento eindepend\u00eancia, a qual ser\u00e1 discutida mais adiante neste artigo.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o de comportamento da crian\u00e7a parece estar intimamente relacionado ao tratamento e \u00e0s experi\u00eancias que recebe da fam\u00edlia, do apoio materno e das atitudes parentais quanto \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de alternativas para lidar com a chegada de um irm\u00e3o (Dessen &amp; Mettel, 1984; Legg et al., 1974). Estas diferentes experi\u00eancias est\u00e3o associadas \u00e0 ordem de nascimento, \u00e0 disponibilidade e ao investimento de recursos parentais, bem como \u00e0 habilidade no cuidado dos pais fornecido \u00e0 crian\u00e7a (Jacobs &amp; Moss, 1976).As atitudes e percep\u00e7\u00f5es parentais poderiam, ent\u00e3o,favorecer a manifesta\u00e7\u00e3o tanto de comportamentos deindepend\u00eancia quanto de depend\u00eancia do primog\u00eanito (Legg et al, 1974). Para Walz e Rich (1983), as m\u00e3es, no per\u00edodo p\u00f3s-parto, empregam diferentes m\u00e9todos para promover a maturidade do primog\u00eanito, encorajando-o a perceber-se como mais velho e irm\u00e3omaior; por\u00e9m questiona-se em que medida \u00e9 poss\u00edvel promover a maturidade do primog\u00eanito, uma vez que se acredita ser o desenvolvimento rumo \u00e0 independ\u00eancia um processo que dependeria do pr\u00f3prioritmo da crian\u00e7a. Pode-se questionar, inclusive, se tal interven\u00e7\u00e3o materna n\u00e3o poderia conduzir a uma pseudomaturidade, aspecto que ser\u00e1 retomado mais adiante.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es emocionais em termos de depend\u00eancia e independ\u00eancia estiveram associadas tamb\u00e9m ao sexo do primog\u00eanito e do irm\u00e3o, mas foram encontrados resultados contradit\u00f3rios, n\u00e3o ficando claro o impacto do nascimento de um irm\u00e3o sobre meninos e meninas (Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004). Os meninos apresentaram diferentes rea\u00e7\u00f5es, variando de comportamentos introspectivos e menor frequ\u00eancia decomportamento de cuidado com o irm\u00e3o, desengajando-se do sistema familiar (Baydar et al.,1997a; Dunn et al., 1981) e rea\u00e7\u00f5es mais agressivas, externalizando seus comportamentos (Gottlieb &amp; Baillies, 1995). Da mesma forma, as meninas variaram suas rea\u00e7\u00f5es. Por um lado, mostraram mais comportamentos de internaliza\u00e7\u00e3o e proximidade com a m\u00e3e ap\u00f3s o nascimento, recebendo maior apoio emocional e estimula\u00e7\u00e3o cognitiva, em fun\u00e7\u00e3o de cuidados despendidos ao beb\u00ea (Baydar et al., 1997a;Gottlieb &amp; Baillies, 1995; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004), e por outro, apresentaram aumento nos comportamentos depressivos, ansiosos e de confronta\u00e7\u00e3o, gerando conflito e, por sua vez, comportamentos maternos punitivos, mais do que os meninos (Baydar et al., 1997b). Em contraposi\u00e7\u00e3o, estudos de Kendrick e Dunn (1980) n\u00e3o encontraram diferen\u00e7a significativa quanto ao sexo da crian\u00e7a na intera\u00e7\u00e3o m\u00e3e-primog\u00eanito antes e depois do nascimento do beb\u00ea.<\/p>\n<p>As pesquisas tamb\u00e9m divergem sobre as rea\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a quando se trata de diferentes composi\u00e7\u00f5es de g\u00eanero do primog\u00eanito e do beb\u00ea. Algumas indicaram que a crian\u00e7a com irm\u00e3o do mesmo sexo mostra n\u00edveis melhores de ajustamento (Dunn et al.,1981; Legg et al., 1974) e pouca imaturidade (Baydar et al., 1997a; Dunn et al., 1981). Parece que crian\u00e7as mais velhas com irm\u00e3os do sexo oposto tendem a apresentar comportamentos dependentes como forma de recuperar a aten\u00e7\u00e3o materna, uma vez que h\u00e1 maior intera\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e primog\u00eanito com irm\u00e3o do mesmo sexo (Baydar et al., 1997a; Baydar et al., 1997b). Em contraposi\u00e7\u00e3o, Stewart et al. (1987) indicaram haver mais problemas de ajustamento em d\u00edades de irm\u00e3os do mesmo sexo durante os primeirosdois anos do beb\u00ea. Para os autores, isso se deve aofato de que crian\u00e7as do mesmo sexo demandam intera\u00e7\u00f5es e brincadeiras semelhantes, o que pode desencadear sentimentos de rivalidade. J\u00e1 Teti et al. (1996) n\u00e3o encontraram rela\u00e7\u00e3o entre sexo e ajustamento do primog\u00eanito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do g\u00eanero, estudos apontam que, de maneira geral, crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar apresentam maiores dificuldades para adaptar-se ao nascimento de um irm\u00e3o (Dunn &amp; Kendrick, 1980; Field &amp; Reite, 1984; Gottlieb &amp; Mendelson, 1990; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004; Stewart et al., 1987). A experi\u00eancia de tornar-se irm\u00e3o \u00e9 muito comum nesta fase do desenvolvimento infantil (Legg et al., 1974). Crian\u00e7as pr\u00e9-escolares apresentam escores de apego seguro mais baixos com a m\u00e3e, quando comparadas a crian\u00e7as menores A explica\u00e7\u00e3o disso \u00e9 que elas tomam consci\u00eancia de seu comportamento e da concep\u00e7\u00e3o de causalidade a partir dos 24 meses (Teti et al., 1996), quando adquirem maior habilidade de expressar verbalmente seus estados emocionais (Legg et al., 1974).<\/p>\n<p>As crian\u00e7as, nessa idade, tamb\u00e9m j\u00e1 possuem maiores habilidades cognitivas e emocionais para identificar as necess\u00e1rias mudan\u00e7as no ambiente familiar (Baydar et al., 1997b; Dunn &amp; Kendrick, 1980; Kramer &amp; Gottman, 1992; Teti et al., 1996). Elas percebem facilmente que essas mudan\u00e7as, em grande parte, ocorrem na rela\u00e7\u00e3o entrea m\u00e3e e o primog\u00eanito, possivelmente abalando a confiabilidade do ambiente familiar (Dunn &amp; Kendrick, 1980; Gottlieb &amp; Mendelson, 1990; Kowaleski-Jones &amp; Dunifon, 2004; Stewart et al., 1987; Walz &amp; Rich, 1983). Sua habilidade para lidar com o estresse \u00e9 parcialmente falha (Gottlieb &amp; Baillies, 1995) e sua autoestima \u00e9 muito vulner\u00e1vel(Baydar et al., 1997b), em fun\u00e7\u00e3o de estarem em processo de desenvolvimento emocional, social e cognitivo (Kramer &amp; Gottman, 1992; Gottlieb &amp; Baillies, 1995).<\/p>\n<p>Assim, questiona-se o ponto de vista dos autores que consideram o comportamento de depend\u00eancia como algo \u201cnegativo\u201d ou que reflita \u201cn\u00edveis de ajustamento prejudicado\u201d do primog\u00eanito. \u00c9 poss\u00edvelque essas manifesta\u00e7\u00f5es sejam necess\u00e1rias, nesse momento de transi\u00e7\u00e3o, para o desenvolvimento rumo \u00e0independ\u00eancia.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia pode estar sugerindo sensibilidade \u00e0s mudan\u00e7as no ambiente familiar e \u00e0saltera\u00e7\u00f5es na rela\u00e7\u00e3o com seus cuidadores, uma vez que a confian\u00e7a e a seguran\u00e7a podem estar sendo abaladas pelo processo de tornar-se irm\u00e3o. Para Trause e Irvin (1992), diante de qualquer evento estressor &#8211; como o nascimento de um irm\u00e3o, por exemplo -, a seguran\u00e7a de qualquer crian\u00e7a pode vacilar, tornando-se fundamental o apoio e o cuidado parental. Nesse mesmo sentido, Kramer e Ramsburg (2002) apontam que \u00e9 esperado algum comportamento regressivo ou dependente do primog\u00eanito quando da chegada de um irm\u00e3o, o que \u00e9 visto como lembran\u00e7a de cuidados prestados pelos pais e utilizado como estrat\u00e9gia para resgatar suas aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel que o crescimento e a maturidade do primog\u00eanito possam ser estimulados pelas m\u00e3es como tentativa de administrar os sentimentos provenientes da maternidade de dois filhos, como tamb\u00e9m de incitar a crian\u00e7a a se adaptar \u00e0s novas demandas decorrentes desse momento. A esse respeito, acredita-se que o crescimento e os comportamentos de independ\u00eancia podem, na verdade, estar indicando uma pseudomaturidade ou ainda um comportamento defensivo para lidar com situa\u00e7\u00f5es estressantes e altera\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es afetivas do primog\u00eanito. Diante da chegada de um irm\u00e3o, o primog\u00eanito faz concess\u00f5es dif\u00edceis, cedendo territ\u00f3rios e lugar na hierarquia familiar (Raphael-Leff, 1997). Ele pode n\u00e3o estar preparado para essas mudan\u00e7as nem para a altera\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o parentalde ter uma maior independ\u00eancia (Dessen &amp; Mettel, 1984). Parece haver na literatura estudada uma tend\u00eancia a enfatizar a independ\u00eancia como algo \u201cpositivo\u201d e a depend\u00eancia como \u201cnegativo\u201d, deixando-se de considerar a possibilidade de os comportamentos regressivos serem um impulso para o amadurecimento emocional.<\/p>\n<p><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que estudos tenham apontado que o nascimento do segundo filho possa acarretar altera\u00e7\u00f5es no ambiente familiar, nos comportamentosdo primog\u00eanito e em sua intera\u00e7\u00e3o com os genitores,chamam aten\u00e7\u00e3o as poucas pesquisas atuais sobre o assunto (Volling, 2005) e, especialmente, sobre as implica\u00e7\u00f5es emocionais para o filho mais velho. Como p\u00f4de ser visto, esse contexto possui impacto j\u00e1 durante o per\u00edodo gestacional. As mudan\u00e7as significativas recaem tanto sobre as diferentes intera\u00e7\u00f5es familiares quanto sobre os comportamentos individuais, na tentativa de adapta\u00e7\u00e3o decorrente do processo de transi\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de filho \u00fanico para uma fam\u00edlia de dois filhos. No que se refere \u00e0s rela\u00e7\u00f5es familiares, h\u00e1 consenso na literatura cient\u00edfica de que ocorrem mudan\u00e7as e altera\u00e7\u00f5es em diferentes \u00e2mbitos\u2013 por exemplo, na rela\u00e7\u00e3o pai-m\u00e3e-filho mais velho,na rela\u00e7\u00e3o conjugal, na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-primog\u00eanito, pai-primog\u00eanito e em outros. De modo geral, os estudos enfatizam altera\u00e7\u00f5es expressivas de comportamento edificuldades na rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e primog\u00eanito, apontando as limita\u00e7\u00f5es maternas no cuidado com este. Cabe destacar a \u00eanfase dada pela literatura a essa quest\u00e3o. Assim, questiona-se se a rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-primog\u00eanito \u00e9 realmente a mais afetada das rela\u00e7\u00f5esfamiliares, ou se tal aspecto pode ser entendido emfun\u00e7\u00e3o de grande parte dos estudos ter priorizado arela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-primog\u00eanito, n\u00e3o incluindo a figura paterna na amostra estudada. Al\u00e9m disso, questionam-se os estudos que as qualificam como negativas.<\/p>\n<p>Apesar de haver altera\u00e7\u00f5es importantes na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-primog\u00eanito, as pesquisas n\u00e3o consideram essas altera\u00e7\u00f5es em termos de um processo evolutivo tantoda m\u00e3e quanto do primog\u00eanito.<\/p>\n<p>Os achados das pesquisas tamb\u00e9m s\u00e3o contradit\u00f3rios, sobretudo no que diz respeito \u00e0s implica\u00e7\u00f5es emocionais da chegada de um irm\u00e3o para o primog\u00eanito, especialmente nas quest\u00f5es de depend\u00eancia e independ\u00eancia. Questiona-se o ponto de vista dos autores que consideram tanto a depend\u00eancia como algo \u201cnegativo\u201d ou que reflita \u201cn\u00edveis de ajustamento prejudicado\u201d do primog\u00eanito, quanto a independ\u00eancia como algo \u201cpositivo\u201d, indicando \u201ccrescimento e maturidade\u201d. De fato, os efeitos do nascimento de uma segunda crian\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o generaliz\u00e1veis. As implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito variadas ecomplexas e dependem tanto dos genitores quanto do primog\u00eanito (Dessen, 1997; Dessen &amp; Mettel, 1984; Dunn &amp; Kendrick, 1980). Assim, \u00e9 plaus\u00edvel supor que a depend\u00eancia esteja sugerindo sensibilidade \u00e0smudan\u00e7as, sobretudo na rela\u00e7\u00e3o com seus cuidadores,podendo n\u00e3o ser uma resposta negativa ao processo de tornar-se irm\u00e3o. Por outro lado, a independ\u00eancia pode estar aludindo a uma pseudomaturidade, como forma de defesa contra situa\u00e7\u00f5es estressantes e altera\u00e7\u00f5es em suas rela\u00e7\u00f5es afetivas, ou a um meio de se adaptar \u00e0s novas demandas.<\/p>\n<p>Com base nesta revis\u00e3o, pode-se apontar que a pesquisa de levantamento e de avalia\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre este tema constitui um meio de vislumbrar com maior abrang\u00eancia a literatura cient\u00edfica, promovendo divulga\u00e7\u00e3o e facilita\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0s pesquisas na \u00e1rea. Identificar os pontos de transi\u00e7\u00e3o familiar que podem acarretar mudan\u00e7as \u00e9 tarefa b\u00e1sica da psicologia do desenvolvimento, que, por sua vez, necessita da contribui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas afins. O profissional pode tomar contato mais \u00edntimo com osistema familiar e ajudar os pais a compreenderem que em per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o a crian\u00e7a segue seu pr\u00f3prio ritmo de desenvolvimento rumo \u00e0 independ\u00eancia e quepor isso ela pode apresentar comportamentos mais regressivos.<\/p>\n<p>Espera-se, com a presente discuss\u00e3o, estimular novas pesquisas que possam contribuir para o entendimento das repercuss\u00f5es do nascimento do segundo filho no desenvolvimento emocional do primog\u00eanito e, sobretudo, nas quest\u00f5es de separa\u00e7\u00e3opsicol\u00f3gica ou emocional em rela\u00e7\u00e3o aos seus cuidadores.<\/p>\n<p><strong>D\u00e9bora Silva de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rita de C\u00e1ssia Sobreira Lopes<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> www.ultrasom3d.com\/www.topgyn.com.br\/www.lume.ufrgs.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os psic\u00f3logos dizem que a partir dos cinco anos de idade, as crian\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o mais preparadas para suportar a chegada de um beb\u00ea&#8230;&#8221; Planejar o segundo filho costuma ser uma decis\u00e3o dif\u00edcil para os pais, talvez seja at\u00e9 mais dif\u00edcil que o primeiro. 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