{"id":107797,"date":"2017-02-08T14:51:59","date_gmt":"2017-02-08T16:51:59","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=107797"},"modified":"2017-02-08T14:51:59","modified_gmt":"2017-02-08T16:51:59","slug":"gravidez-na-adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/ciencias-da-natureza\/biologia\/gravidez-na-adolescencia","title":{"rendered":"Gravidez na Adolesc\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h4>Cartilha da gravidez na adolesc\u00eancia<\/h4>\n<p>Desde 1970, tem aumentado os casos de gravidez na adolesc\u00eancia e diminu\u00eddo a idade das adolescentes gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a taxa de gravidez em mulheres adultas est\u00e1 caindo. Em 1940, a m\u00e9dia de filhos por mulher era de 6. Essa m\u00e9dia, calculada no ano de 2000 caiu para 2,3 filhos para cada mulher. Por\u00e9m, o mesmo n\u00e3o acontece com as adolescentes.<\/p>\n<p>Segundo os dados do IBGE, desde 1980 o n\u00famero de adolescentes entre 15 e 19 anos gr\u00e1vidas aumentou 15%. S\u00f3 para ter id\u00e9ia do que isso significa, s\u00e3o cerca de 700 mil meninas se tornando m\u00e3es a cada ano no Brasil. Desse total, 1,3% s\u00e3o partos realizados em garotas de 10 a 14 anos.<\/p>\n<p>A gravidez ocorre geralmente entre a primeira e a quinta rela\u00e7\u00e3o sendo o parto normal a principal causa de interna\u00e7\u00e3o de brasileiras entre 10 e 14 anos.<\/p>\n<p>Aproximadamente 27% dos partos feitos no SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) no ano de 1999, foram em adolescentes de 10 a 19 anos, isso quer dizer que a cada 100 partos, 27 foram em adolescentes, dando um total de 756.553, naquele ano.<\/p>\n<p>Cerca de 10% das adolescentes, de acordo com uma pesquisa feita em alguns Estados brasileiros em 1996, tinham pelo menos 2 filhos aos 19 anos.<\/p>\n<p>Entre 1993 e 1999 houve aumento de aproximadamente 30% do n\u00famero de partos feitos no SUS em adolescentes mais jovens, entre 10 a 14 anos.<\/p>\n<p>Aproximadamente 17% dos homens entre 15 e 24 anos, segundo uma pesquisa feita em alguns Estados brasileiros, em 1996, j\u00e1 engravidaram alguma parceira.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107800 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-1.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"273\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-1.jpg 273w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-1-234x300.jpg 234w\" sizes=\"(max-width: 273px) 100vw, 273px\" \/><strong><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>As principais causas da gravidez s\u00e3o: <\/strong>o desconhecimento de m\u00e9todos anti-concepcionais, a educa\u00e7\u00e3o dada a adolescente faz com que ela n\u00e3o queira assumir que tem uma vida sexual ativa e por isso n\u00e3o usa m\u00e9todos ou usa outros de baixa efici\u00eancia (coito interrompido, tabelinha) porque esses n\u00e3o deixam &#8220;rastros&#8221;.<\/p>\n<p>O uso de drogas e bebidas alc\u00f3olicas comprometem a contracep\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das que engravidam para casar-se.<\/p>\n<p>A adolescente tem problemas emocionais devido a mudan\u00e7a r\u00e1pida em seu corpo ou, como ela esconde a gravidez, o atendimento pr\u00e9-natal n\u00e3o \u00e9 adequado.<\/p>\n<p>Podem ocorrer problemas como aborto ou dificuldade na amamenta\u00e7\u00e3o. Por que acontece a gravidez na adolesc\u00eancia?<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o causa tanto espanto sabermos que meninas de 10, 11, 12 anos tenham vida sexual ativa, assim como aparecem em consult\u00f3rios portando alguma doen\u00e7a sexualmente transmiss\u00edvel (DSTs) e ou gr\u00e1vida.<\/p>\n<p>O que levaria as adolescentes a engravidar? Nunca foi t\u00e3o divulgado os meios para evitar a gravidez como nos dias atuais, e mesmo assim, o n\u00famero de adolescentes gr\u00e1vidas \u00e1 cada vez maior.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, s\u00e3o muitos os motivos que tornam uma adolescente mais vulner\u00e1vel a uma gravidez, mas o principal deles, \u00e9 a falta de um projeto de vida, a falta de perspectiva futura.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos dizer que toda gravidez na adolesc\u00eancia \u00e9 indesejada, indesejadas s\u00e3o as gravidezes que acontecem por abuso sexual ou por falha de m\u00e9todos anticoncepcionais.<\/p>\n<p>A maioria das gravidezes na adolesc\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o planejadas, isto \u00e9, acontecem sem inten\u00e7\u00e3o, causada por diferentes fatores individuais ou sociais. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 por isso que a gravidez n\u00e3o vai ser bem vinda.<\/p>\n<p><strong>Existem v\u00e1rios fatores que contribuem com esse quadro:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os repetidos casos que aparecem nos consult\u00f3rio de psic\u00f3logos e m\u00e9dicos, apontam que muitas dessas adolescentes possuem um desejo de serem m\u00e3es, da qual elas n\u00e3o tem consciencia.<\/p>\n<p>A falta de um projeto de orienta\u00e7\u00e3o sexual nas escolas, fam\u00edlia, comunidade de bairro, igrejas.<\/p>\n<p>A m\u00eddia \u00e9 outro vil\u00e3o nessa quest\u00e3o, exagerando na erotiza\u00e7\u00e3o do corpo feminino.<\/p>\n<p>Algumas pessoas que s\u00e3o vistas na passarela, revista, cinema e televis\u00e3o s\u00e3o para os adolescentes verdadeiros \u00eddolos, \u00eddolos esses que passam uma imagem de libera\u00e7\u00e3o sexual, e a tend\u00eancia de um f\u00e3 \u00e9 sempre copiar o que seu \u00eddolo faz.<\/p>\n<p>A falta de informa\u00e7\u00e3o dos pais de adolescentes \u00e9 um fator fundamental. N\u00e3o havendo em casa algu\u00e9m que possa informa-los, que sirva de modelo, que tire suas d\u00favidas e ang\u00fastias, como esperar dos adolescentes comportamentos mais adequados? Como querer que eles aguardem o tempo mais adequado para aproveitar a sexualidade como algo bom, saud\u00e1vel e necess\u00e1rio para o ser humano?<\/p><\/blockquote>\n<p>Quando acontece de uma adolescente ficar gr\u00e1vida ela deve tomar todos os cuidados normais da gravidez.<\/p>\n<p>Fazer o pr\u00e9-natal \u00e9 important\u00edssimo; \u00e9 durante o pr\u00e9-natal que o m\u00e9dico acompanha o desenvolvimento do beb\u00ea e da m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>Muito Importante: <\/strong>Os especialistas j\u00e1 comprovaram que, se a adolescente gr\u00e1vida fizer o pr\u00e9-natal corretamente, ela e o beb\u00ea n\u00e3o ter\u00e3o mais chance de problemas do que uma gr\u00e1vida adulta, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 mais risco com a gravidez somente por ser adolescente.<\/p>\n<p>Por isso, o controle pr\u00e9-natal \u00e9 muito importante para a adolescente gr\u00e1vida. Quanto mais cedo a adolescente come\u00e7ar o acompanhamento pr\u00e9-natal, melhores ser\u00e3o os cuidados com a sua sa\u00fade e a sa\u00fade do beb\u00ea.<\/p>\n<p>Lembrando que a adolescente n\u00e3o fica gr\u00e1vida sozinha, \u00e9 fundamental que os adolescentes homens participem de todo o processo, e nos cuidados necess\u00e1rios que devem ser tomados durante e ap\u00f3s a gravidez. Estas informa\u00e7\u00f5es podem ajudar.<\/p>\n<h4>Gravidez na Adolesc\u00eancia &#8211; Riscos<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107801 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-2.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"294\" height=\"222\" \/><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>QUAIS S\u00c3O OS RISCOS DA GRAVIDEZ NA ADOLESC\u00caNCIA?<\/strong><\/p>\n<p>Algumas adolescentes escondem a gravidez por medo da rea\u00e7\u00e3o dos pais, familiares e amigos e, como sabemos, a gravidez \u00e9 uma fase que requer cuidados e acompanhamento de pr\u00e9-natal.<\/p>\n<p>Se a adolescente decide fazer um aborto, al\u00e9m de estar cometendo um crime, os riscos para sua sa\u00fade s\u00e3o ainda maiores. Al\u00e9m de perder o beb\u00ea, a m\u00e3e pode perder tamb\u00e9m a pr\u00f3pria vida. O aborto provocado tamb\u00e9m pode trazer problemas como infec\u00e7\u00f5es, hemorragias e at\u00e9 a esterilidade, isto \u00e9, ela pode ter difi culdades para engravidar ou nunca mais poder\u00e1 ter fi lhos. Tudo isso sem contar o sentimento de culpa que poder\u00e1 carregar por toda a vida.<\/p>\n<p>Muitas vezes, a uni\u00e3o com o pai da crian\u00e7a parece ser a solu\u00e7\u00e3o ideal. Assim, alguns jovens acabam se casando e assumindo uma s\u00e9rie de obriga\u00e7\u00f5es e responsabilidades que n\u00e3o estavam preparados para assumir. Assim, h\u00e1 mais possibilidades de acontecer uma separa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 bom para os jovens e muito menos para a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando a jovem adolescente \u00e9 abandonada pelo parceiro e este n\u00e3o reconhece a paternidade, resta aos pais dela assumirem a cria\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o dessa crian\u00e7a. Nesses casos, a jovem deixa de se sentir respons\u00e1vel pelos cuidados com o beb\u00ea, correndo o risco de engravidar de novo, do mesmo ou de outro parceiro.<\/p>\n<p>A gravidez indesejada na adolesc\u00eancia \u00e9 vivida pela jovem como um per\u00edodo de muitas perdas. Ela deixa de viver sua juventude, interrompendo seus estudos, abandonando o sonho da forma\u00e7\u00e3o profi ssional e seus projetos de vida.<\/p>\n<p>Por causa dessa nova responsabilidade, a jovem pode afastar-se dos amigos, perder a confi an\u00e7a e o apoio da fam\u00edlia, que muitas vezes a expulsa de casa. E quando a jovem se sente abandonada pela fam\u00edlia e comunidade, pode at\u00e9 cair na prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por tudo isso, podemos ver que a adolesc\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o melhor momento para a maternidade.<\/p>\n<p><strong>COMO AJUDAR A FAM\u00cdLIA E A ADOLESCENTE QUE EST\u00c1 GR\u00c1VIDA?<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de encaminhar a gestante adolescente para o pr\u00e9-natal, na visita domiciliar o l\u00edder deve orientar a fam\u00edlia sobre a import\u00e2ncia do apoio e compreens\u00e3o deles para que a adolescente viva esse momento com serenidade, responsabilidade e amor.<\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m animar os pais a se envolverem com o beb\u00ea desde o in\u00edcio da gesta\u00e7\u00e3o, pois o beb\u00ea sente quando \u00e9 amado ou rejeitado. A m\u00e3e e o pai devem conversar com o beb\u00ea, explicando para ele porque n\u00e3o estavam querendo uma gravidez, isso vai ajudando aos pr\u00f3prios pais a aceitarem a gravidez e a se prepararem melhor para receber o beb\u00ea. Uma crian\u00e7a bem aceita tem mais chances de ser saud\u00e1vel e feliz.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma gestante que deve ser acompanhada mais de perto pelo l\u00edder da Pastoral da Crian\u00e7a. As cartelas do LA\u00c7OS DE AMOR v\u00e3o ajudar bastante tanto o l\u00edder quanto a gestante, seu companheiro e ambas as fam\u00edlias.<\/p>\n<p><strong>COMO OS PAIS PODEM AJUDAR A PREVENIR A GRAVIDEZ NA ADOLESC\u00caNCIA?<\/strong><\/p>\n<p>Se desde cedo os pais conversarem com a crian\u00e7a, respondendo o que ela pergunta e respeitando a curiosidade sem viol\u00eancia e sem cr\u00edticas, estar\u00e3o criando um cretal aberto de comunica\u00e7\u00e3o. Isso vai facilitar as conversas quando os fi lhos se tornarem adolescentes, fazendo com que eles se sintam mais seguros, amados e respeitados. Se o adolescente desenvolver uma boa imagem de si mesmo e do mundo, vai cuidar melhor de si e saber se defender e se preservar, agindo com respeito e responsabilidade. Assim, menor \u00e9 o risco de uma gravidez nessa fase.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do di\u00e1logo e do relacionamento amigo com os fi lhos, os pais v\u00e3o orientando os adolescentes sobre a import\u00e2ncia de iniciar o relacionamento sexual quando estiverem mais preparados para assumir uma rela\u00e7\u00e3o madura e respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um filho n\u00e3o pode ser fruto de uma atitude impensada. Precisa ser planejado, ser fruto de um projeto de vida. Quando os pais t\u00eam um bom relacionamento e engravidam porque desejaram, o beb\u00ea tem mais chances de se desenvolver saud\u00e1vel e feliz.<\/p>\n<p>Quando o adolescente se sente feliz e confi ante na fam\u00edlia, pode adiar o in\u00edcio da atividade sexual. Para que isso ocorra, \u00e9 preciso que seus pais criem, desde cedo, um ambiente de respeito, amor e paz.<\/p>\n<h4>Gravidez na Adolesc\u00eancia &#8211; Brasil<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107802 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-3.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"305\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-3.jpg 305w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-3-300x243.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><strong><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A puberdade marca o in\u00edcio da vida reprodutiva da mulher, sendo caracterizada pelas mudan\u00e7as fisiol\u00f3gicas corporais e psicol\u00f3gicas da adolescente. Uma gravidez na adolesc\u00eancia provoca mudan\u00e7as maiores ainda na transforma\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha ocorrendo de forma natural.<\/p>\n<p>A <strong>gravidez na adolesc\u00eancia<\/strong> \u00e9, portanto, um problema que deve ser levado muito a s\u00e9rio e n\u00e3o deve ser subestimado. Segundo os dados do IBGE, desde 1980 o n\u00famero de adolescentes entre 15 e 19 anos gr\u00e1vidas aumentou 15%. S\u00f3 para ter id\u00e9ia do que isso significa, s\u00e3o cerca de 700 mil meninas tornando-se m\u00e3es a cada ano no Brasil. Desse total, 1,3% s\u00e3o partos realizados em garotas de 10 a 14 anos.<\/p>\n<p>No Brasil, a cada ano, cerca de 20% das crian\u00e7as que nascem s\u00e3o filhas de adolescentes, encontramos nos dias de hoje tr\u00eas vezes mais garotas com menos de 15 anos gr\u00e1vidas que na d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional em Demografia e Sa\u00fade, de 1996, mostrou um dado alarmante; 14% das adolescentes j\u00e1 tinhas pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas gr\u00e1vidas atendidas pelo SUS no per\u00edodo de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas gr\u00e1vidas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais p\u00fablicos devido a complica\u00e7\u00f5es de abortos clandestinos. Quase tr\u00eas mil na faixa dos 10 a 14 anos.<\/p>\n<p>No Brasil, o parto \u00e9 a primeira causa de interna\u00e7\u00e3o de adolescentes no sistema p\u00fablico de sa\u00fade, j\u00e1 que o processo do parto pode ser dificultado por problemas anat\u00f4micos e comuns da adolescente, tais como o tamanho e conformidade da pelve, a elasticidade dos m\u00fasculos uterinos, os temores, desinforma\u00e7\u00e3o e fantasias da m\u00e3e ex-crian\u00e7a, al\u00e9m dos important\u00edssimos elementos psicol\u00f3gicos e afetivos possivelmente presentes.<\/p>\n<p>Em 1996, 14% das jovens com menos de 15 anos j\u00e1 tinham pelo menos um filho; e de cada 10 mulheres que hoje t\u00eam filhos, duas s\u00e3o adolescentes.<\/p>\n<p>Em uma gestante adolescente podem ocorrer complica\u00e7\u00f5es tanto para ela como para o beb\u00ea, pois segundo Gama et al, 2001, a porcentagem de nascimentos de rec\u00e9m nascidos de baixo peso \u00e9 muito maior quando a m\u00e3e \u00e9 adolescente. A suplementa\u00e7\u00e3o da dieta durante a gravidez pode tomar a forma adicional, prote\u00edna, vitaminas ou minerais que excedem sua ingest\u00e3o di\u00e1ria.O ganho de peso recomendado durante a gravidez pode ser levemente maior para a adolescente do que para adulta, porque seu pr\u00f3prio corpo ainda est\u00e1 em processo de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 recomendado que adolescentes, na m\u00e9dia, ganhem de 10 a 15 kg durante a gravidez; o ganho de peso recomendado \u00e9 individualizado dependendo do peso pr\u00e9-gravidez e idade ginecol\u00f3gica, sendo que as adolescentes gr\u00e1vidas est\u00e3o na idade ginecol\u00f3gica jovem (definida como: n\u00famero de anos entre o in\u00edcio da menstrua\u00e7\u00e3o e a data da concep\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Um m\u00e9todo clinicamente pr\u00e1tico de garantir a adequa\u00e7\u00e3o nutricional \u00e9 encorajar a adolescente gr\u00e1vida a ganhar a quantidade recomendada de peso, consumindo alimentos ricos em nutrientes, J\u00e1 que nesta fase conturbada, as adolescentes n\u00e3o est\u00e3o apenas maturando fisicamente como tamb\u00e9m cognitiva e psicossocialmente, al\u00e9m disso, elas procuram sua identidade, lutam por independ\u00eancia e aceita\u00e7\u00e3o e est\u00e3o preocupadas com a apar\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao engravidar, a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos de transforma\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia como os da gesta\u00e7\u00e3o, representando uma sobrecarga de esfor\u00e7os f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos muito grande.<\/p>\n<h4>Gravidez na Adolesc\u00eancia &#8211; Fatores<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107803 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-4.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"279\" height=\"215\" \/><strong><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>gravidez na adolesc\u00eancia<\/strong> tem s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, familiares, emocionais e econ\u00f4micas, al\u00e9m das jur\u00eddico-sociais, que atingem o indiv\u00edduo isoladamente e a sociedade como um todo, limitando ou mesmo adiando as possibilidades de desenvolvimento e engajamento dessas jovens na sociedade.<\/p>\n<p>Devido \u00e0s repercuss\u00f5es sobre a m\u00e3e e sobre o concepto \u00e9 considerada gesta\u00e7\u00e3o de alto risco pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS 1977, 1978), por\u00e9m, atualmente postula-se que o risco seja mais social do que biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A atividade sexual na adolesc\u00eancia vem se iniciando cada vez mais precocemente, com conseq\u00fc\u00eancias indesej\u00e1veis imediatas como o aumento da freq\u00fc\u00eancia de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DST) nessa faixa et\u00e1ria; e gravidez, muitas vezes tamb\u00e9m indesej\u00e1vel e que por isso, pode terminar em aborto (Basso et al, 1991; Mimica &amp; Piato, 1991; Taquete, 1992; Oh et al, 1993; Crespin, 1998; Chabon et al., 2000). Quando a atividade sexual tem como resultante a gravidez, gera consequ\u00eancias tardias e a longo prazo, tanto para a adolescente quanto para o rec\u00e9m-nascido. A adolescente poder\u00e1 apresentar problemas de crescimento e desenvolvimento, emocionais e comportamentais, educacionais e de aprendizado, al\u00e9m de complica\u00e7\u00f5es da gravidez e problemas de parto. H\u00e1 inclusive quem considere a gravidez na adolesc\u00eancia como complica\u00e7\u00e3o da atividade sexual (Creatsas et al., 1991; Piyasil, 1998; Wilcox &amp; Field, 1998).<\/p>\n<p><strong>Causas<\/strong><\/p>\n<p><strong>A gravidez na adolesc\u00eancia \u00e9 multicausal e sua etiologia est\u00e1 relacionada a uma s\u00e9rie de aspectos que podem ser agrupados em:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fatores Biol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n<p>Que envolvem desde a idade do advento da menarca at\u00e9 o aumento do n\u00famero de adolescentes na popula\u00e7\u00e3o geral. Sabe-se que as adolescentes engravidam mais e mais a cada dia e em idades cada vez mais precoces. Observa-se que a idade em que ocorre a menarca tem se adiantado em torno de quatro meses por d\u00e9cada no nosso s\u00e9culo. De modo geral se admite que a idade de ocorr\u00eancia da menarca tenha uma distribui\u00e7\u00e3o gaussiana e o desvio-padr\u00e3o \u00e9 aproximadamente 1 ano na maioria das popula\u00e7\u00f5es, conseq\u00fcentemente, 95% da sua ocorr\u00eancia se encontra nos limites de 11,0 a 15,0 anos de idade (Marshal &amp; Tanner, 1969; Bezerra et al, 1973; Sedenho &amp; Souza Freitas, 1984; Colli, 1988; Chompootaweep et al., 1997).<\/p>\n<p>Sendo a menarca, em \u00faltima an\u00e1lise, a resposta org\u00e2nica que reflete a intera\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios segmentos do eixo neuroend\u00f3crino feminino, quanto mais precocemente ocorrer, mais exposta estar\u00e1 a adolescente \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o. E nas classes econ\u00f4micas mais desfavorecidas onde h\u00e1 maior abandono e promisc\u00fcidade, maior desinforma\u00e7\u00e3o, menor acesso \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a grande incid\u00eancia da gesta\u00e7\u00e3o na adolesc\u00eancia (Behle, 1991).<\/p>\n<p><strong>Fatores de Ordem Familiar<\/strong><\/p>\n<p>O contexto familiar tem rela\u00e7\u00e3o direta com a \u00e9poca em que se inicia a atividade sexual. Assim sendo, adolescentes que iniciam vida sexual precocemente ou engravidam nesse per\u00edodo, geralmente v\u00eam de fam\u00edlias cujas m\u00e3es tamb\u00e9m iniciaram vida sexual precocemente ou engravidaram durante a adolesc\u00eancia (Newcomer et al, 1983; Davis, 1989). De qualquer modo, quanto mais jovens e imaturos os pais, maiores as possibilidades de desajustes e desagrega\u00e7\u00e3o familiar (Baldwin &amp; Cain, 1980; Young et al, 1991; Dadoorian, 1996).<\/p>\n<p><strong>O relacionamento entre irm\u00e3os tamb\u00e9m est\u00e1 associado com a atividade sexual:<\/strong> experi\u00eancias sexuais mais cedo s\u00e3o observadas naqueles adolescentes em cuja fam\u00edlia os irm\u00e3os mais velhos t\u00eam vida sexual ativa.<\/p>\n<p><strong>Fatores Sociais<\/strong><\/p>\n<p>As atitudes individuais s\u00e3o condicionadas tanto pela fam\u00edlia quanto pela sociedade. A sociedade tem passado por profundas mudan\u00e7as em sua estrutura, inclusive aceitando melhor a sexualidade na adolesc\u00eancia, sexo antes do casamento e tamb\u00e9m a gravidez na adolesc\u00eancia. Portanto tabus, inibi\u00e7\u00f5es e estigmas est\u00e3o diminuindo e a atividade sexual e gravidez aumentando (Hechtman, 1989, Block et al., 1981; Lima et al, 1985; Almeida &amp; Fernandes, 1998; McCabe &amp; Cummins, 1998; Medrado &amp; Lyra, 1999 ).<\/p>\n<p>Por outro lado, dependendo do contexto social em que est\u00e1 inserida a adolescente, a gravidez pode ser encarada como evento normal, n\u00e3o problem\u00e1tico, aceito dentro de suas normas e costumes (Necchi, 1998).<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o com a postura da religi\u00e3o adotada se relaciona com o comportamento sexual. Alguns trabalhos mostram que a religi\u00e3o tem participa\u00e7\u00e3o importante como preditora de atitudes sexuais. Adolescentes que t\u00eam atividade religiosa apresentam um sistema de valores que os encoraja a desenvolverem comportamento sexual respons\u00e1vel (Glass, 1972; Werner-Wilson, 1998). No nosso meio, nos \u00faltimos anos as novas religi\u00f5es evang\u00e9licas t\u00eam florescido, e s\u00e3o , de modo geral, bastante r\u00edgidas no que diz respeito \u00e0 pr\u00e1tica sexual pr\u00e9-marital. Alguns profissionais de sa\u00fade que trabalham com adolescentes t\u00eam a impress\u00e3o de que as adolescentes que freq\u00fcentam essas igrejas iniciam a pr\u00e1tica sexual mais tardiamente, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 pesquisas comprovando essas impress\u00f5es (Guimar\u00e3es, 2001).<\/p>\n<p><strong>Fatores psicol\u00f3gicos e contracep\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos contraceptivos n\u00e3o ocorre de modo eficaz na adolesc\u00eancia, e isso est\u00e1 vinculado inclusive aos fatores psicol\u00f3gicos inerentes ao per\u00edodo pois a adolescente nega a possibilidade de engravidar e essa nega\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto maior quanto menor a faixa et\u00e1ria; o encontro sexual \u00e9 mantido de forma eventual, n\u00e3o justificando, conforme acreditam, o uso rotineiro da contracep\u00e7\u00e3o; n\u00e3o assumem perante a fam\u00edlia a sua sexualidade e a posse do contraceptivo seria a prova formal de vida sexual ativa (American Academy of Pediatrics, 1979; Zelnick &amp; Kartner, 1979; McAnarney &amp; Hendee, 1989; Stevens-Simon et al., 1996). A gravidez e o risco de engravidar podem estar associados a uma menor auto-estima, ao funcionamento intrafamiliar inadequado ou \u00e0 menor qualidade de atividades do seu tempo livre. A falta de apoio e afeto da fam\u00edlia, em uma adolescente cuja auto-estima \u00e9 baixa, com mau rendimento escolar, grande permissividade familiar e disponibilidade inadequada do seu tempo livre, poderiam induzi-la a buscar na maternidade precoce o meio para conseguir um afeto incondicional, talvez uma fam\u00edlia pr\u00f3pria, reafirmando assim o seu papel de mulher, ou sentir-se ainda indispens\u00e1vel a algu\u00e9m. A facilidade de acesso \u00e0 inforrma\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o garante maior prote\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis e gravidez n\u00e3o desejada (Sumano, 1998; Campos, 2000).<\/p>\n<p>Estudo realizado na emerg\u00eancia obst\u00e9trica de hospital em Porto Alegre revelou que das adolescentes com vida sexual ativa que usavam algum m\u00e9todo contraceptivo, 41% o faziam de forma incorreta ou realizavam trocas indadequadas. Apenas 18% relataram o uso de condom.<\/p>\n<p><strong>Entre aquelas que n\u00e3o utilizavam nenhum m\u00e9todo anticoncepcional, como justificativa argumentavam:<\/strong> o desconhecimento dos m\u00e9todos; n\u00e3o quere usar e desejar engravidar; n\u00e3o acreditavam que pudessem engravidar; n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es para comprar; ser al\u00e9rgica; ter medo que os pais decubram; o parceiro n\u00e3o querer usar (Gobbatto et al., 1999).<\/p>\n<h4><strong>Repercuss\u00f5es da Gravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Sobre a m\u00e3e adolescente<\/strong><\/p>\n<p>Existem relatos de que complica\u00e7\u00f5es obst\u00e9tricas ocorrem em maior propor\u00e7\u00e3o nas adolescentes, principalmente nas de faixa et\u00e1ria mais baixa. H\u00e1 constata\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde anemia, ganho de peso insuficiente, hipertens\u00e3o, infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, DST, despropor\u00e7\u00e3o c\u00e9falo-p\u00e9lvica, at\u00e9 complica\u00e7\u00f5es puerperais (Rubio et al, 1981; Sismondi, et al, 1984; Black &amp; Deblassie, 1985; Stevens-Simon &amp; White, 1991; Zhang &amp; Chan, 1991). Por\u00e9m, devemos ter o cuidado de nos lembrar que esses achados se relacionam tamb\u00e9m com os cuidados pr\u00e9-natais e desde que haja adequado acompanhamento pr\u00e9-natal, n\u00e3o h\u00e1 maior risco de complica\u00e7\u00f5es obst\u00e9tricas quando se comparam mulheres adultas e adolescentes de mesmo n\u00edvel socioecon\u00f4mico (Felice et al, 1981; McAnarney &amp; Thiede, 1981; Madi et al, 1986).<\/p>\n<p>Outro ponto doloroso dessa quest\u00e3o \u00e9 a morte da m\u00e3e decorrente de complica\u00e7\u00f5es da gravidez, parto e puerp\u00e9rio; sendo que na adolesc\u00eancia, em estudo realizado no nosso meio, verificou-se ser esta a sexta causa de morte (Siqueira &amp; Tanaka, 1986).<\/p>\n<p>No tocante \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a interrup\u00e7\u00e3o, tempor\u00e1ria ou definitiva, no processo de educa\u00e7\u00e3o formal, acarretar\u00e1 preju\u00edzo na qualidade de vida e nas oportunidades futuras. E n\u00e3o raro com a coniv\u00eancia do grupamento familiar e social a adolescente se afasta da escola, frente a gravidez indesejada, quer por vergonha, quer por medo da rea\u00e7\u00e3o de seus pares (McGoldrich, 1985; Aliaga et al, 1985; Fernad\u00e9z et al., 1998; Souza, 1999).<\/p>\n<p>As repercuss\u00f5es nutricionais ser\u00e3o tanto maiores quanto mais pr\u00f3xima da menarca acontecer a gesta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que nesse per\u00edodo o processo de crescimento ainda est\u00e1 ocorrendo. O crescimento materno pode sofrer interfer\u00eancias por que h\u00e1 uma demanda extra requisitada para o crescimento fetal (American Dietetic Association, 1989). A inunda\u00e7\u00e3o hormonal da gesta\u00e7\u00e3o promover\u00e1 soldadura precoce das epif\u00edses naquelas adolescentes que engravidaram antes de ter completado seu crescimento biol\u00f3gico, podendo ter portanto, preju\u00edzo na estatura final. Lembramos ainda que na adolesc\u00eancia h\u00e1 necessidades maiores de calorias, vitaminas e minerais e estas necessidades somam-se \u00e0quelas exigidas para o crescimento do feto e para a lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dada sua imaturidade e labilidade emocional podem ocorrer importantes altera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, gerando extrema dificuldade em adaptar-se \u00e0 sua nova condi\u00e7\u00e3o, exarcebando sentimentos que j\u00e1 estavam presentes antes da gravidez, como ansiedade, depress\u00e3o e hostilidade (Friedman &amp; Phillips, 1981). As taxas de suic\u00eddio nas adolescentes gr\u00e1vidas s\u00e3o mais elevadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s n\u00e3o gr\u00e1vidas (Foster &amp; Miller, 1980; Hechtman, 1989), principalmente nas jovens gr\u00e1vidas solteiras (Cabrera, 1995).<\/p>\n<p><strong>Sobre o pai adolescente<\/strong><\/p>\n<p>De modo geral, o pai costuma ser dois a tr\u00eas anos mais velho que a m\u00e3e adolescente. A paternidade precoce se associa com maior freq\u00fc\u00eancia ao abandono dos estudos, \u00e0 sujei\u00e7\u00e3o a trabalhos aqu\u00e9m da sua qualifica\u00e7\u00e3o, a prole mais numerosa e a maior incid\u00eancia de div\u00f3rcios (OPAS, 1995).<\/p>\n<p><strong>Sobre o Concepto<\/strong><\/p>\n<p>Existem riscos, tanto fis\u00edcos, imediatos, quanto psicossociais, que se manifestam a longo prazo, nos filhos de adolescentes. Devido a dificuldade em adaptar-se \u00e0 sua nova condi\u00e7\u00e3o a m\u00e3e adolescente pode vir a abandonar o filho, dando-o \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, e quando o rec\u00e9m-nascido n\u00e3o \u00e9 abandonado, est\u00e1 mais sujeito, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o geral, a maus tratos.<\/p>\n<p>A literatura mostra que h\u00e1 maior freq\u00fc\u00eancia de prematuridade, de baixo peso ao nascer, Apgar mais baixo, doen\u00e7as respirat\u00f3rias, trauma obst\u00e9trico, al\u00e9m de maior freq\u00fc\u00eancia de doen\u00e7as perinatais e mortalidade infantil. Deve-se considerar que estes riscos se associam n\u00e3o s\u00f3 a idade materna, mas principalmente a outros fatores, como a baixa escolaridade, pr\u00e9-natal inadequado ou n\u00e3o realizado, baixa condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, intervalos interpartais curtos (&lt; de 2 anos) e estado nutricional materno comprometido. Estas complica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas tendem a ser tanto mais freq\u00fcentes quanto mais jovem a m\u00e3e (&lt; 15 anos) ou quando a idade ginecol\u00f3gica for menor de 2 anos (Correa &amp; Coates, 1993).<\/p>\n<p><strong>Epidemiologia da Gravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O aumento das taxas de gravidez na adolesc\u00eancia se deve, principalmente, \u00e0s custas das faixas et\u00e1rias mais jovens, em todo mundo.<\/p>\n<p>Em 1980 o Brasil possu\u00eda 27.8 milh\u00f5es de adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, o que representava 23% da popula\u00e7\u00e3o geral. A taxa de fecundidade entre os 15 e 19 anos era de 11% . Nessa \u00e9poca, dos partos realizados pela rede do INAMPS, 13% eram de menores de 19 anos (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, 1980).<\/p>\n<p>Conforme dados da Organiza\u00e7\u00e3o Panamericada da Sa\u00fade -OPS (1992), no come\u00e7o da d\u00e9cada de 80, 12,5 % dos nascimentos da Am\u00e9rica Latina eram de m\u00e3es menores de 20 anos. A popula\u00e7\u00e3o de 15 a 24 anos (de alto risco para engravidar) chegou a 71 milh\u00f5es em 1980. Estima-se que chegou a 86 milh\u00f5es em 1990 e que no ano 2000 estaria em torno de 100 milh\u00f5es de adolescentes. Isso indica que durante o per\u00edodo 1980 &#8211; 2000 a popula\u00e7\u00e3o de adolescentes na Am\u00e9rica Latina aumentaria aproximadamente 41,6%. A adolescente representaria, no ano 2000, 19% da popula\u00e7\u00e3o latino-americana. Na Am\u00e9rica Latina nascem 3.312.000 filhos de m\u00e3es adolescentes por ano. A n\u00edvel mundial, de cada 100 adolescentes entre 15 e 19 anos, 5 se tornam m\u00e3es anualmente, o que eleva a 22.473.600 nascidos de m\u00e3es adolescentes.<\/p>\n<p>No Brasil, \u00e9 no estrato social mais pobre que se encontram os maiores \u00edndices de fecundidade na popula\u00e7\u00e3o adolescente. Assim, no estrato de renda familiar menor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, cerca de 26% das adolescente entre 15 e 19 anos tiveram filhos, e no estrato de renda mais elevado, somente 2,3% eram m\u00e3es (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, 1988). Nas regi\u00f5es faveladas do Recife, de cada dez mulheres que s\u00e3o m\u00e3es uma \u00e9 menor de 15 anos, sendo que 60% das mulheres t\u00eam menos de 20 anos de idade (Lima et al., 1990).<\/p>\n<p>Em nosso meio, as taxas de gravidez na adolesc\u00eancia variam de servi\u00e7o para servi\u00e7o, mas estima-se que de 20% a 25% do total de mulheres gestantes sejam adolescentes, apontando que h\u00e1 uma gestante adolescente em cada cinco mulheres (Santos J\u00fanior, 1999).<\/p>\n<p><strong>Estudo realizado em 1985, por N\u00f3brega et al. em nosso meio, mostrava que a distribui\u00e7\u00e3o de partos entre adolescentes de baixo n\u00edvel socioecon\u00f4mico-BNSE se dava da seguinte forma<\/strong>: 1,4% nas &lt; 15 anos; 18,5% entre 15 e 19 anos, sendo que a popula\u00e7\u00e3o adolescente representava 14,4% do total e as menores de 15 anos 0,2% do total.<\/p>\n<p><strong>Em trabalho retrospectivo realizado no ano de 1991 no Amparo Maternal (SP), entidade filantr\u00f3pica que assiste basicamente a popula\u00e7\u00e3o de BNSE encontrou-se<\/strong>: 6.316 partos com rec\u00e9m-nascidos vivos no per\u00edodo, sendo que a popula\u00e7\u00e3o adolescente representava 24,4% do total e as menores de 15 anos 2,6% do total (Vitalle, 1993; Vitalle et al., 1997). H\u00e1, portanto, aumento da freq\u00fc\u00eancia de gravidez na adolesc\u00eancia quando comparamos os dois trabalhos.<\/p>\n<p>Rocha (1991), no Recife, encontrou 24,5% de partos na adolesc\u00eancia, em amostra de 5940 rec\u00e9m-nascidos vivos de BNSE, sendo que as menores de 15 anos representavam 0,5% do total e as de 15 a 19 anos 23,9% do total, dados muito semelhantes aos do Amparo Maternal (Vitalle, 1993), exceto pelas m\u00e3es menores de 15 anos onde se observam percentuais maiores na popula\u00e7\u00e3o estudada em S\u00e3o Paulo, confirmando assim que a gravidez na adolesc\u00eancia est\u00e1 aumentando \u00e0s custas, inclusive, das gestantes mais jovens.<\/p>\n<p>Estudo de fatores de risco para verificar o surgimento de prematuridade e baixo peso, realizado no Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, mostrou que a adolesc\u00eancia n\u00e3o influencia a ocorr\u00eancia de baixo peso, por\u00e9m aumenta em 1,3 vezes o risco de ocorr\u00eancia de prematuridade. Pode-se responsabilizar a inadequada condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica como o fator de risco mais importante na determina\u00e7\u00e3o de prematuridade e baixo peso, pois, controladas as demais vari\u00e1veis (idade materna, tabagismo, cuidado pr\u00e9-natal) encontrou-se o risco aumentado de 1,8 vezes de prematuridade e 2,1 vezes de baixo peso ao nascimento quando a parturiente provinha do baixo n\u00edvel econ\u00f4mico (Vitalle, 2001).<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Panamericana de Sa\u00fade atribui o aumento do n\u00famero de filhos de m\u00e3es menores de 20 anos de idade ao fato de que &#8220;o conhecimento sobre a rela\u00e7\u00e3o sexual livre se difunde mais rapidamente entre os adolescentes, que o conhecimento sobre os efeitos biol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos adversos da gravidez nessa idade, tanto para a m\u00e3e quanto para o filho&#8221;.<\/p>\n<h4>Gravidez na Adolesc\u00eancia &#8211; <strong>Orienta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107804 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-5.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"420\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-5.jpg 420w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-5-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><strong><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A adolesc\u00eancia caracteriza-se por ser um per\u00edodo de descoberta do mundo, dos grupos de amigos, de uma vida social mais ampla. Assim, a gravidez pode vir a interromper, na adolescente, esse processo de desenvolvimento pr\u00f3prio da idade, fazendo-a assumir responsabilidades e pap\u00e9is de adulta antes da hora, j\u00e1 que dentro em pouco se ver\u00e1 obrigada a dedicar-se aos cuidados maternos.<\/p>\n<p><strong>O preju\u00edzo \u00e9 duplo: <\/strong>nem adolescente plena, nem adulta inteiramente capaz. A adolesc\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m uma fase em que a personalidade da jovem est\u00e1 se formando e, por isso mesmo, \u00e9 naturalmente inst\u00e1vel. Hoje, os meninos e meninas entram na adolesc\u00eancia cada vez mais cedo. O in\u00edcio da ejacula\u00e7\u00e3o e da menstrua\u00e7\u00e3o indicam que eles est\u00e3o come\u00e7ando a sua vida f\u00e9rtil, isto \u00e9, que chegaram \u00e0quela fase da vida em que s\u00e3o capazes de procriar.<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00f5es da gravidez na adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Ao engravidar, a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos de transforma\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia como os da gesta\u00e7\u00e3o. Isto, nesta fase, representa uma sobrecarga de esfor\u00e7os f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos t\u00e3o grande que para ser bem suportada necessitaria apoiar-se num claro desejo de tornar-se m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>Por\u00e9m, geralmente n\u00e3o \u00e9 o que acontece:<\/strong> as jovens se assustam e angustiam-se ao constatar que lhes aconteceu algo imprevisto e indesejado. S\u00f3 este fato torna necess\u00e1rio que seja alvo de cuidados materiais e m\u00e9dicos apropriados, de solidariedade humana e amparo afetivo especiais. A quest\u00e3o \u00e9 que, na maioria dos casos, essas condi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o existem. Muitas vezes, a dificuldade de contar o fato para a fam\u00edlia ou at\u00e9 mesmo constatar a gravidez faz com que as adolescentes iniciem tardiamente o pr\u00e9-natal \u2013 o que possibilita a ocorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es e aumento do risco de terem beb\u00eas prematuros e de baixo peso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 raro acontecer, em seq\u00fc\u00eancia, uma segunda gravidez indesejada na jovem m\u00e3e. Da\u00ed a import\u00e2ncia adicional do pr\u00e9-natal como fonte segura de orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Viver ao mesmo tempo a pr\u00f3pria adolesc\u00eancia, cuidar da gesta\u00e7\u00e3o e, mais tarde, do beb\u00ea, n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. E a vida torna-se ainda mais dif\u00edcil para a adolescente gr\u00e1vida que estuda e trabalha.<\/p>\n<p><strong>Igualmente, essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o difere com rela\u00e7\u00e3o ao jovem adolescente que se torna pai:<\/strong> ele se v\u00ea envolvido na dupla tarefa de lidar com as transforma\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da adolesc\u00eancia e as da paternidade, que requerem trabalho, estudo, educa\u00e7\u00e3o do filho e cuidados com a esposa ou companheira.<\/p>\n<h4>Gravidez na Adolesc\u00eancia &#8211; Mulheres<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107805 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-6.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"356\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-6.jpg 356w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-6-300x240.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 356px) 100vw, 356px\" \/><strong><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todo ser humano, no decorrer da vida, passa por transforma\u00e7\u00f5es, independente da idade:<\/strong> a crian\u00e7a, o jovem, o adulto e o velho, cada um a seu modo, experimentam mudan\u00e7as. No entanto, existem certas \u00e9pocas nas quais as modifica\u00e7\u00f5es que ocorrem em nossos corpos e mentes, nos nossos relacionamentos e compromissos, s\u00e3o particularmente importantes e r\u00e1pidas. Nestas, certamente situam-se a gravidez e a adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da gravidez, por exemplo, afeta de modo profundo e completo a vida das mulheres que a vivenciam, modificando-a definitivamente. A fase da adolesc\u00eancia, entre os 10 e 19 anos, \u00e9 tamb\u00e9m um momento especial.<\/p>\n<p>Hoje, os meninos e meninas entram na adolesc\u00eancia cada vez mais cedo. O in\u00edcio da ejacula\u00e7\u00e3o e da menstrua\u00e7\u00e3o indicam que eles est\u00e3o come\u00e7ando a sua vida f\u00e9rtil, isto \u00e9, que chegaram \u00e0quela fase da vida em que s\u00e3o capazes de procriar.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas que enfrentam. Suas mentes tamb\u00e9m passam por grandes altera\u00e7\u00f5es. Nem sempre nos damos conta do quanto sua intelig\u00eancia evolui.<\/p>\n<p><strong>Entretanto, essa \u00e9 uma fase de dubiedades:<\/strong> num momento, o jovem pode tornar-se mais sonhador ou independente e arrojado, passando a querer experimentar novas possibilidades e viv\u00eancias; noutro, fica encabulado e retra\u00eddo, sens\u00edvel ou agressivo Ao mesmo tempo em que se sente fr\u00e1gil e inseguro, pode achar que n\u00e3o precisa de ningu\u00e9m; ao mesmo tempo em que se v\u00ea retra\u00eddo, acha-se capaz de tudo; apesar de temer o mundo, acredita que nada pode lhe acontecer.. Muitos come\u00e7am a trabalhar e a experimentar, cedo, um in\u00edcio de independ\u00eancia material. Outros, trabalhando ou n\u00e3o, procuram, atrav\u00e9s dos estudos, um encaminhamento para a vida profissional.<\/p>\n<p>Ao adquirir personalidade pr\u00f3pria, o jovem geralmente se distancia da fam\u00edlia, procurando maior autonomia.<\/p>\n<p><strong>Com isso, sua vida social se modifica:<\/strong> passa a preferir a companhia de outros adolescentes, recusando a dos pais e irm\u00e3os. Os amigos de mesma idade passam a ser as pessoas mais importantes. Come\u00e7a a vestir-se de acordo com o figurino do grupo, a falar a sua linguagem, a freq\u00fcentar lugares diferentes, a chegar mais tarde em casa.<\/p>\n<p>A adolesc\u00eancia quase nunca \u00e9 vivenciada com simplicidade e tranq\u00fcilidade. Freq\u00fcentemente, \u00e9 um momento inst\u00e1vel. Os sentimentos do jovem n\u00e3o s\u00e3o mais como os da crian\u00e7a, tampouco como os do adulto.<\/p>\n<p>Muitas vezes, os adolescentes n\u00e3o conversam com os adultos porque acham que todos sabem o que est\u00e3o pensando; outras, falam muito e reclamam que ningu\u00e9m lhes escuta. Por tudo isso, a adolesc\u00eancia \u00e9 um dos momentos mais especiais na evolu\u00e7\u00e3o de cada pessoa e, portanto, exige aten\u00e7\u00e3o muito especial.<\/p>\n<p><strong>Quando a gravidez chega cedo<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A primeira vez a gente nunca esquece. Mas para muitas adolescentes nem sempre essa lembran\u00e7a est\u00e1 associada a uma saud\u00e1vel nostalgia. Divididos entre os horm\u00f4nios e a responsabilidade, os adolescentes iniciam a atividade sexual cada vez mais cedo e aumentam a incid\u00eancia da gravidez precoce, das doen\u00e7as, dos abortos, dos desencontros amorosos&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Essas palavras iniciam uma recente reportagem sobre o nosso tema.<\/p>\n<p><strong>Podemos facilmente imaginar como deve ser dif\u00edcil enfrentar a adolesc\u00eancia e a gravidez, quando ocorrem ao mesmo tempo<\/strong>: como se complica a vida de uma jovem que descobre estar gr\u00e1vida justamente quando passa por todas as transforma\u00e7\u00f5es dessa fase; as preocupa\u00e7\u00f5es de um jovem adolescente ao descobrir que vai se tornar pai.<\/p>\n<p>Grave \u00e9 pensar que essas situa\u00e7\u00f5es est\u00e3o, hoje em dia, ocorrendo cada vez mais tanto no Brasil como no mundo.<\/p>\n<p><strong>Pesquisas divulgadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e pela Ag\u00eancia Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional \u2013 USAID mostram dados alarmantes sobre o comportamento dos adolescentes<\/strong>: no tocante \u00e0 precocidade das rela\u00e7\u00f5es sexuais, entre 1986 e 1996 dobrou o n\u00famero de jovens que teve sua primeira rela\u00e7\u00e3o sexual entre os 15 e os 19 anos; enquanto o n\u00famero m\u00e9dio de filhos de mulheres adultas vem caindo h\u00e1 d\u00e9cadas, a taxa de fecundidade entre adolescentes est\u00e1 em crescimento constante; anualmente, 14 milh\u00f5es de adolescentes no mundo tornam-se m\u00e3es e 10% dos abortos realizados s\u00e3o praticados por mulheres entre 15 e 19 anos.<\/p>\n<p>No Brasil, o parto \u00e9 a primeira causa de interna\u00e7\u00e3o de adolescentes no sistema p\u00fablico de sa\u00fade. Em 1996, 14% das jovens com menos de 15 anos j\u00e1 tinham pelo menos um filho; e de cada 10 mulheres que hoje t\u00eam filhos, duas s\u00e3o adolescentes.<\/p>\n<p>Sabemos que uma jovem pode muito bem tornar-se m\u00e3e, se assim o quiser. As adolescentes mais velhas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas para isto. A quest\u00e3o \u00e9 diferente quando a adolescente \u00e9 muito jovem, com idade abaixo dos 16 anos. Neste caso, podem ocorrer complica\u00e7\u00f5es tanto para ela como para o beb\u00ea, porque seu pr\u00f3prio corpo ainda est\u00e1 em processo de forma\u00e7\u00e3o. Por isso &#8211; e pelas condi\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, psicol\u00f3gicas e de forma\u00e7\u00e3o moral vinculadas ao fato -, a gravidez da adolescente \u00e9 considerada como gesta\u00e7\u00e3o de alto risco.<\/p>\n<p>No passado, as brasileiras casavam-se e tornavam-se m\u00e3es muito cedo. Possivelmente, as av\u00f3s ou bisav\u00f3s de muitos de n\u00f3s tiveram seus primeiros filhos com 13 ou 14 anos de idade. As mulheres casavam-se jovens, permaneciam exclusivamente no ambiente dom\u00e9stico, freq\u00fcentavam pouco a escola, n\u00e3o tinham recursos, meios nem mentalidade para planejar sua vida reprodutiva. N\u00e3o havia m\u00e9todos confi\u00e1veis para evitar a gravidez e, geralmente, isso nem era cogitado. Vivia-se menos, havia muitas doen\u00e7as &#8220;incur\u00e1veis&#8221;, morria-se muito de parto e de complica\u00e7\u00f5es da gravidez e a pr\u00f3pria estrutura familiar era diferente.<\/p>\n<p>Atualmente, tudo mudou. No entanto, embora quase todos conhe\u00e7am algum m\u00e9todo anticoncepcional, altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es de comportamento sexual est\u00e3o contribuindo para o aumento dos casos de gravidez na adolesc\u00eancia &#8211; e esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o simples de ser encarada.<\/p>\n<p><strong>Por que tem crescido a gravidez na adolesc\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Mas por que, afinal, apesar de todas estas dificuldades muitas adolescentes engravidam?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil responder a esta pergunta. Antigamente, podia-se pensar que era por falta de informa\u00e7\u00e3o. Mas hoje todos sabem que existem muitos m\u00e9todos para evitar a gravidez. Eles s\u00e3o acess\u00edveis, baratos e podem ser ampla e facilmente utilizados pelos jovens.<\/p>\n<p>De fato, os adolescentes t\u00eam o acesso facilitado \u00e0s p\u00edlulas anticoncepcionais, ao diafragma, \u00e0 camisinha.. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o e as escolas fazem freq\u00fcentes campanhas de esclarecimento. Os servi\u00e7os de sa\u00fade est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para prestar informa\u00e7\u00f5es. No entanto, as estat\u00edsticas brasileiras demonstram que apenas 14% das jovens de 15 a 19 anos utilizam m\u00e9todos contraceptivos; e somente 7,9% delas, a p\u00edlula.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, muitas vezes, os jovens pensam ou dizem saber tudo sobre sexo, e n\u00e3o sabem. Pode ser que n\u00e3o tenham informa\u00e7\u00f5es corretas ou que n\u00e3o saibam como aplic\u00e1-las \u00e0s suas vidas, ou que seus pais achem que eles j\u00e1 est\u00e3o suficientemente esclarecidos e n\u00e3o mais precisam de informa\u00e7\u00e3o ou conversa sobre um assunto que ainda traz certo constrangimento. E, principalmente, pode ser que os jovens, embora saibam das coisas, acreditem que com eles nada acontecer\u00e1.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Nunca pensei que isso fosse acontecer comigo, embora soubesse do risco que corria, ao n\u00e3o usar a camisinha todas as vezes que mantinha rela\u00e7\u00e3o&#8221;, dizem, surpresos, muitos adolescentes ao descobrirem a gravidez. Isto revela uma caracter\u00edstica fundamental da mentalidade do adolescente: achar que as coisas s\u00f3 ocorrem com os outros. O resultado desse comportamento de risco \u00e9 que, dentre todas as mulheres que se tornam m\u00e3es, 20% delas s\u00e3o adolescentes!<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Outra explica\u00e7\u00e3o aponta que os jovens s\u00e3o muito imediatistas. Ante a possibilidade de fazer sexo, sobretudo quando esperaram muito por isso, n\u00e3o pensam nas conseq\u00fc\u00eancias:<\/strong> valem-se do desejo imediato, ignorando os resultados.<\/p>\n<p>Nem toda gravidez precoce e n\u00e3o planejada \u00e9 uma hist\u00f3ria sem final feliz. Mas, infelizmente, tudo acabar bem \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra. H\u00e1 muitos casos em que a menina, para atrair sobre si a aten\u00e7\u00e3o ou o afeto da fam\u00edlia e dos amigos, ou para segurar o namorado, engravida. Ora, as car\u00eancias afetivas devem ser consideradas seriamente, e com certeza uma gravidez prematura n\u00e3o \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, filho n\u00e3o tem o poder de segurar namorado, nem de produzir casamentos felizes e duradouros. Se o relacionamento do casal estiver ruim, dificilmente um beb\u00ea facilitar\u00e1 as coisas, pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ainda existem outros tipos de explica\u00e7\u00e3o. Considera-se, por exemplo, que muitas vezes uma jovem desamparada, que n\u00e3o desfrute de uma condi\u00e7\u00e3o de vida digna, pode pensar que tornando-se m\u00e3e se libertar\u00e1 da mis\u00e9ria e obter\u00e1 o respeito das pessoas. Esta id\u00e9ia baseia-se na cren\u00e7a de que a sociedade tende a valorizar a figura da m\u00e3e e a ter maior considera\u00e7\u00e3o pelas gestantes.<\/p>\n<p><strong>Mesmo que exista um pouco de verdade nisto, logo a jovem se ver\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o ainda pior: <\/strong>ter\u00e1 de trabalhar e cuidar do filho em condi\u00e7\u00f5es adversas, e a maternidade, ao inv\u00e9s de premi\u00e1-la com os benef\u00edcios esperados, s\u00f3 lhe trar\u00e1 mais dificuldades e responsabilidades.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 preciso dizer que significativo n\u00famero da gravidez de adolescentes decorre do uso da viol\u00eancia, for\u00e7a ou constrangimento. Em geral, resulta de estupro &#8211; a realiza\u00e7\u00e3o de ato sexual \u00e0 for\u00e7a &#8211; ou de incesto, isto \u00e9, a rela\u00e7\u00e3o com familiar pr\u00f3ximo, como o pai, tio ou irm\u00e3o. Nas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, o trauma psicol\u00f3gico geralmente \u00e9 intenso. Mais do que ningu\u00e9m, elas precisam de amparo e prote\u00e7\u00e3o especiais. Para essas situa\u00e7\u00f5es de risco, amparadas explicitamente pela lei, \u00e9 permitida a realiza\u00e7\u00e3o do aborto legal, com atendimento pela rede do Sistema \u00danico de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os de sa\u00fade t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de informar, orientar e prestar assist\u00eancia \u00e0 adolescente gr\u00e1vida, atrav\u00e9s de um pr\u00e9-natal diferenciado, j\u00e1 que sua gravidez \u00e9 considerada como de alto risco, sobretudo para as jovens com menos de 16 anos.<\/p>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00e3o sexual e afetiva \u00e9 o rem\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o vale a pena engravidar por distra\u00e7\u00e3o ou ignor\u00e2ncia. As informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas s\u00e3o importantes e devem continuar a ser oferecidas \u00e0s crian\u00e7as que est\u00e3o entrando na adolesc\u00eancia, e aos jovens. Os programas de educa\u00e7\u00e3o sexual transmitidos pelas escolas v\u00eam cumprindo papel fundamental, j\u00e1 que permitem o di\u00e1logo e a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a sexualidade. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o e as campanhas publicit\u00e1rias tamb\u00e9m t\u00eam abordado com freq\u00fc\u00eancia esse assunto, particularmente visando a preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, como a AIDS.<\/p>\n<p>\u00c9 fun\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade implantar programas especiais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos jovens, para inform\u00e1-los e cuidar deles, se necess\u00e1rio. Os adolescentes n\u00e3o precisam sentir vergonha. Al\u00e9m de ser um direito, os profissionais de sa\u00fade t\u00eam prazer em receb\u00ea-los e, atrav\u00e9s dos servi\u00e7os oferecidos, possibilitar-lhes informa\u00e7\u00e3o a respeito dos v\u00e1rios m\u00e9todos anticoncepcionais existentes. \u00c9 bom lembrar que, desde a primeira rela\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 necess\u00e1rio se proteger. Quem transa sem os cuidados devidos, pode engravidar.<\/p>\n<p><strong>Mas, aten\u00e7\u00e3o:<\/strong> dar apenas informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas aos jovens n\u00e3o basta. \u00c9 muito importante que tamb\u00e9m sejam orientados em casa, na fam\u00edlia. \u00c9 essencial que possam fazer perguntas, conversar com amigos e parentes mais velhos e se aconselhar quanto \u00e0 escolha do melhor m\u00e9todo anticonceptivo. O importante \u00e9 que falem e sejam ouvidos. Esse cretal de comunica\u00e7\u00e3o precisa ser criado e mantido, tanto com a filha, desde sua primeira menstrua\u00e7\u00e3o, quanto com o filho.<\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o das dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo entre os pais e os filhos pode ajudar em muito a diminuir a ocorr\u00eancia da gravidez indesejada entre adolescentes. Os pais precisam esfor\u00e7ar-se para deixar de lado o medo de ser taxados como caretas, autorit\u00e1rios, ou de serem acusados de estar invadindo a vida pessoal de seus filhos. Conversando e orientando-os n\u00e3o apenas sobre reprodu\u00e7\u00e3o e sexualidade humana mas tamb\u00e9m sobre valores como afeto, amizade, amor, intimidade e respeito ao corpo e \u00e0 vida, permitir\u00e3o que se sintam mais preparados para assumir as alegrias e responsabilidades inerentes \u00e0 vida sexual.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107806 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-7.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"354\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-7.jpg 354w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-7-300x219.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><strong><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>ONDE EST\u00c1 O PROBLEMA<\/strong><\/p>\n<p>A adolesc\u00eancia \u00e9 uma esp\u00e9cie de prepara\u00e7\u00e3o para assumir o papel de adulto, que \u00e9 definido principalmente por ter um trabalho que garanta a sobreviv\u00eancia de um lar. Ao mesmo tempo, a juventude \u00e9 entendida como uma fase da vida que se caracteriza pelo aumento de autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia, permitindo-se ao jovem que deixe o espa\u00e7o dom\u00e9stico e penetre em espa\u00e7os p\u00fablicos como ruas e pra\u00e7as. Para a jovem mulher esse processo \u00e9 mais dif\u00edcil por causa de condicionamentos culturais, que limitam sua autonomia na elabora\u00e7\u00e3o de projetos de vida, quase sempre exigindo que se mantenha nos limites do n\u00facleo familiar.<\/p>\n<p>Se al\u00e9m da dificuldade de construir sua identidade, administrar emo\u00e7\u00f5es e entender as mudan\u00e7as que acontecem com seu corpo, houver uma sobrecarga de necessidades fisiol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas, a adolesc\u00eancia pode se caracterizar como um processo de ruptura, inviabilizando a forma\u00e7\u00e3o de um adulto saud\u00e1vel, equilibrado, consciente de seus direitos.<\/p>\n<p>No caso das mulheres, v\u00edtimas do preconceito sexual, uma ruptura decorrente de uma gravidez precoce pode acarretar o que se chama de risco psicossocial.<\/p>\n<p>E a comunidade m\u00e9dica tem alertado que as conseq\u00fc\u00eancias de uma gravidez na adolesc\u00eancia n\u00e3o se resumem apenas aos fatores psicol\u00f3gicos ou sociais. A gravidez precoce p\u00f5e em risco de vida tanto a m\u00e3e quanto o rec\u00e9m-nascido. Na faixa dos 14 anos a mulher ainda n\u00e3o tem uma estrutura \u00f3ssea e muscular adequada para o parto e isso significa uma alta probabilidade de risco para ela e para o feto. O resultado mais comum em uma gesta\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 o nascimento de um beb\u00ea com peso abaixo do normal o que exige cuidados m\u00e9dicos especiais de acompanhamento do rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m disso, o medo da gravidez leva muitas adolescentes \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do aborto clandestino<\/strong>: segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, dos 4 milh\u00f5es de abortos praticados por ano no Brasil, 1 milh\u00e3o ocorrem entre adolescentes; muitas delas ficam est\u00e9reis e cerca de 20% morrem em decorr\u00eancia do aborto.<\/p>\n<p><strong>INTERVEN\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A gest\u00e3o municipal pode partir tanto de uma a\u00e7\u00e3o coletiva (inserida em uma pol\u00edtica municipal de juventude) que propicie o interc\u00e2mbio de \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura e lazer, tentando inibir a alta incid\u00eancia de adolescentes gr\u00e1vidas, bem como em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que permitam resgatar a auto-estima da adolescente e norteiem a preven\u00e7\u00e3o epid\u00eamica.<\/p>\n<p>Na esfera que trata da preven\u00e7\u00e3o da gravidez na adolesc\u00eancia, destacam-se alguns t\u00f3picos de poss\u00edvel atua\u00e7\u00e3o do poder municipal.<\/p>\n<p>Investir em campanhas de alerta e esclarecimento, que ofere\u00e7am informa\u00e7\u00e3o ao jovem e incentivem o uso de camisinha tem um papel importante na preven\u00e7\u00e3o de Aids, doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis e da gravidez precoce.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental \u00e9 a quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o gratuita de m\u00e9todos contraceptivos em escolas e postos de sa\u00fade, bem como campanhas e orienta\u00e7\u00e3o para que as pessoas percam a inibi\u00e7\u00e3o de peg\u00e1-los. (O uso inadequado da p\u00edlula anticoncepcional pode provocar anomalias s\u00e9rias, que v\u00e3o desde a interrup\u00e7\u00e3o no crescimento f\u00edsico da mulher que estiver em fase de desenvolvimento da estrutura \u00f3ssea at\u00e9 a esteriliza\u00e7\u00e3o definitiva.)<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar tamb\u00e9m que as adolescentes, mesmo conhecendo m\u00e9todos como a p\u00edlula, n\u00e3o os usam. Al\u00e9m da dificuldade de acesso, t\u00eam receio dos efeitos colaterais, acreditam que s\u00e3o imunes \u00e0 gravidez, n\u00e3o conhecem o pr\u00f3prio corpo, n\u00e3o conseguem colocar o assunto em discuss\u00e3o na fam\u00edlia e tampouco recebem qualquer orienta\u00e7\u00e3o na escola, pois persiste o mito de que falar de sexo estimula a pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas, portanto, \u00e9 fundamental para que os jovens possam falar sobre a sua sexualidade, sem preconceitos, superando os tabus. Al\u00e9m disso, a escola \u00e9 um espa\u00e7o prop\u00edcio para o auto-conhecimento e a descoberta de outras formas de relacionamento afetivo que n\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n<p>A gravidez precoce \u00e9 um problema que tamb\u00e9m envolve os homens. Deve, portanto, ser tratado tamb\u00e9m com os meninos, em todos os seus aspectos, do moral ao social.<\/p>\n<p>Os programas devem ser estendidos aos pais, que, em sua maioria, est\u00e3o despreparados para tratar desta quest\u00e3o com os filhos. \u00c0s vezes, a adolescente at\u00e9 quer contar a eles suas experi\u00eancias, mas muitos n\u00e3o querem ouvir ou fantasiam ter uma eterna crian\u00e7a dentro de casa.<\/p>\n<p>Em muitas cidades, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o de lazer para os jovens \u00e9 beber nos botecos e namorar. Oferecer alternativas de lazer e possibilidades de esporte, que resgatem o lado l\u00fadico e recreativo, \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 fundamental priorizar a assist\u00eancia m\u00e9dica \u00e0 gestante adolescente no que se refere \u00e0 sa\u00fade b\u00e1sica, mas tamb\u00e9m deve ser enfatizado o acompanhamento particular em quatro \u00e1reas essenciais<\/strong>: assist\u00eancia ginecol\u00f3gica, exames pr\u00e9-natais, assist\u00eancia obstetr\u00edcia e exames p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>O pagamento de uma bolsa-aux\u00edlio pela prefeitura \u00e0 gestante adolescente possibilita a n\u00e3o interrup\u00e7\u00e3o de suas atividades normais, incentivando, por exemplo, a continuidade dos estudos, garantindo uma gravidez saud\u00e1vel, e, em alguns casos, pode amenizar a rea\u00e7\u00e3o adversa da fam\u00edlia diante da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tanto a gravidez em per\u00edodo avan\u00e7ado quanto a rec\u00e9m-maternidade impossibilitam acompanhar os hor\u00e1rios escolares normais. A adequa\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios \u00e0s exig\u00eancias da gravidez e da rec\u00e9m-maternidade, bem como a constitui\u00e7\u00e3o de grupos de adolescentes nesta situa\u00e7\u00e3o nas escola, auxilia para a continuidade dos estudos.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de creches municipais facilita muito a rec\u00e9m-materna, principalmente quando se trata de uma adolescente. A a\u00e7\u00e3o da prefeitura neste sentido pode se dar atrav\u00e9s do favorecimento de vagas a m\u00e3es adolescentes em creches municipais ou de subs\u00eddio municipal para a loca\u00e7\u00e3o de vagas em creches particulares (caso o munic\u00edpio n\u00e3o possua creches ou vagas suficientes).<\/p>\n<p>A prefeitura deve programar tamb\u00e9m projetos que incentivem a profissionaliza\u00e7\u00e3o da adolescente para que ela possa se manter e sustentar tamb\u00e9m o filho.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode desprezar o atendimento psicol\u00f3gico para que a jovem m\u00e3e reconstrua sua auto-estima, sua rede de rela\u00e7\u00f5es, sua identidade e resgate sua cidadania.<\/p>\n<p><strong>RESULTADOS<\/strong><\/p>\n<p>O reconhecimento do problema e a incorpora\u00e7\u00e3o na agenda social do governo municipal dos problemas relacionados \u00e0 gravidez na adolesc\u00eancia pode trazer resultados com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da cidadania das adolescentes e de seus filhos.<\/p>\n<p>Um primeiro resultado \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o do direito das adolescentes serem consideradas cidad\u00e3s que n\u00e3o podem ser alvo de discrimina\u00e7\u00e3o por conta de sua condi\u00e7\u00e3o e que t\u00eam direito a receber aten\u00e7\u00e3o do Estado. Isto significa, tamb\u00e9m, um ponto de partida para uma mudan\u00e7a cultural que enfraque\u00e7a o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 gravidez na adolesc\u00eancia podem significar a redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia e, conseq\u00fcentemente, dos problemas e mortes relacionados.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de apoio e assist\u00eancia trazem resultados diretos para as adolescentes e seus filhos. O oferecimento de apoio psicol\u00f3gico \u00e0s jovens e aos jovens pais e \u00e0s suas fam\u00edlias pode minimizar problemas de relacionamento, evitando a desintegra\u00e7\u00e3o social e familiar.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o apropriada \u00e0 sa\u00fade ajuda a evitar problemas associados \u00e0 gravidez e parto para as adolescentes e melhora as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade de seus filhos.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es sociais de uma pol\u00edtica municipal de aten\u00e7\u00e3o \u00e0s adolescentes podem trazer resultados positivos para as condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia das fam\u00edlias. Pode-se oferecer a garantia de uma renda m\u00ednima, ou permitir que elas continuem estudando, facilitando-lhes o acesso ao mercado de trabalho e, portanto, possibilitando que tenham melhores condi\u00e7\u00f5es de sustentar as crian\u00e7as, como no caso do programa Parents Too Soon, de Illinois, nos Estados Unidos, que oferece v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s adolescentes, orientadas para a garantia de sua continuidade nos estudos e seu acesso ao mercado de trabalho. Com isso, pode-se evitar diversos problemas sociais e familiares, ligados ao agravamento das condi\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia ou \u00e0 sua desestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Gravidez na Adolesc\u00eancia &#8211; <strong>Sociedade<\/strong><\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107799 size-full\" title=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-8.jpg\" alt=\"Gravidez na Adolesc\u00eancia\" width=\"457\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-8.jpg 457w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/gravidez-na-adolescencia-8-300x173.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><strong><br \/>\nGravidez na Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cCrise significa um per\u00edodo tempor\u00e1rio de desorganiza\u00e7\u00e3o, precipitado por mudan\u00e7as internas ou externas. Pode-se afirmar que tanto a adolesc\u00eancia quanto a gravidez s\u00e3o uma crise. A primeira necess\u00e1ria e imprescind\u00edvel para o crescimento do indiv\u00edduo enquanto ser humano; j\u00e1 a segunda, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, pode-se escolher o momento de viver a gravidez.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A adolesc\u00eancia caracteriza-se por grandes quest\u00f5es, como<\/strong>: a busca por uma identidade que possibilite a passagem da fase infantil para a adulta, a explos\u00e3o de novas sensa\u00e7\u00f5es corporais, a afirma\u00e7\u00e3o da escolha sexual, o ingresso da vida profissional, a problem\u00e1tica da depend\u00eancia dos pais\u2026 Acrescer a estas quest\u00f5es um grande mudan\u00e7a de identidade, uma transi\u00e7\u00e3o existencial como \u00e9 a gravidez, torna a situa\u00e7\u00e3o bastante complexa.<\/p>\n<p>O envolvimento de pais e amigos \u00e9 inevit\u00e1vel. A gravidez na adolesc\u00eancia abrange uma rede de rela\u00e7\u00f5es e preceitos sociais, portanto, \u00e9 uma crise sist\u00eamica.<\/p>\n<p>Mas como comportaram-se os atores deste cen\u00e1rio?<\/p>\n<p><strong>A Sociedade<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da sociedade ter criado tantos meios de informa\u00e7\u00e3o sobre sexo, \u00e9 elevado o n\u00famero de adolescentes que engravidam. A maioria dos pais preferem educar seus filhos sobre a sexualidade como foram educados, com repress\u00e3o e sil\u00eancio. Acreditam que se falarem abertamente sobre o assunto, podem despertar o adolescente precocemente para a vida sexual.<\/p>\n<p>Atualmente, a gravidez na adolesc\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais sin\u00f4nimo de trag\u00e9dia, mas de muitos problemas. As fam\u00edlias e os adolescentes convivem neste momento com os \u201cfantasmas\u201d do aborto e do casamento, carregados de todos os valores sociais que os cercam. Implica\u00e7\u00f5es financeiras e morais, desejos frustados com rela\u00e7\u00e3o aos filhos, novas responsabilidades\u2026 Tudo ao mesmo tempo!<\/p>\n<p><strong>O Jovem<\/strong><\/p>\n<p>Tanto para mo\u00e7a como para o rapaz, a gravidez precoce \u00e9 um acontecimento desestabilizador. Assumir a maternidade e a paternidade implica em condi\u00e7\u00f5es emocionais, f\u00edsicas e econ\u00f4micas, para as quais eles n\u00e3o est\u00e3o preparados. \u00c9 angustiante a perspectiva de que suas vidas ser\u00e3o modificadas por completo.<\/p>\n<p>Na gravidez, a mulher tem a oportunidade de repensar a pr\u00f3pria inf\u00e2ncia e estriar um novo papel existencial. Para uma adolescente em processo torna-se confuso, pois ela ainda transita na inf\u00e2ncia e n\u00e3o tem uma identidade elaborada. A depend\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o com \u00e0 m\u00e3e ainda \u00e9 muito forte, n\u00e3o permitindo que ela mesma encarne essa fun\u00e7\u00e3o com tranq\u00fcilidade e discernimento.<\/p>\n<p><strong>Apoio e responsabilidade<\/strong><\/p>\n<p>A maneira mais saud\u00e1vel para orientar a vida sexual dos adolescentes seria que os pais tivessem liberdade consigo pr\u00f3prios para poder informar e ouvir os filhos, e que desde cedo educassem a crian\u00e7a para responsabilizar-se por suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que a fam\u00edlia apoie, analise a situa\u00e7\u00e3o e pense junto o que fazer diante da gravidez precoce. Que sejam estabelecidos os limites e responsabilidades de cada um, para possibilitar uma situa\u00e7\u00e3o com menos conflitos e mais aprendizado.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.picarelli.com.br\/www2.fpa.org.br\/www.brazilpednews.org.br\/bvsms.saude.gov.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartilha da gravidez na adolesc\u00eancia Desde 1970, tem aumentado os casos de gravidez na adolesc\u00eancia e diminu\u00eddo a idade das adolescentes gr\u00e1vidas. Enquanto isso, a taxa de gravidez em mulheres adultas est\u00e1 caindo. Em 1940, a m\u00e9dia de filhos por mulher era de 6. 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