{"id":107718,"date":"2017-02-08T11:57:51","date_gmt":"2017-02-08T13:57:51","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=107718"},"modified":"2017-02-10T11:01:15","modified_gmt":"2017-02-10T13:01:15","slug":"governo-tancredo-neves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-do-brasil\/governo-tancredo-neves","title":{"rendered":"Governo Tancredo Neves"},"content":{"rendered":"<h4>Tancredo de Almeida Neves (1910-1985)<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107723 size-full\" title=\"Governo Tancredo Neves\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ggovern1.jpg\" alt=\"Governo Tancredo Neves\" width=\"224\" height=\"289\" \/><strong><br \/>\nTancredo Neves<\/strong><\/p>\n<p><b>Tancredo Neves<\/b> nasceu no dia 4 de mar\u00e7o de 1910 em S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei, Minas Gerais.<\/p>\n<p>Diplomou-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais e iniciou sua carreira pol\u00edtica em 1933, quando filiou-se ao Partido Progressista.<\/p>\n<p>Com a decreta\u00e7\u00e3o do Estado Novo getulista, em 1937, interrompeu sua carreira, voltando \u00e0 pol\u00edtica em 1945, com a queda do Estado Novo.<\/p>\n<p>Foi eleito deputado federal em 1950 e em 1953, com o apoio de Juscelino Kubitschek, foi ministro da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Exerceu tamb\u00e9m os cargos de Primeiro-Ministro no governo de Jo\u00e3o Goulart e de governador do Estado de Minas Gerais em 1982.<\/p>\n<p><strong>Tancredo<\/strong> aceitou o desafio de se candidatar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e, com o apoio de Ulysses Guimar\u00e3es venceu as elei\u00e7\u00f5es, sendo eleito o primeiro Presidente civil em mais de 20 anos, no dia 15 de janeiro de 1985.<\/p>\n<p>A posse estava prevista para o dia 15 de mar\u00e7o mas, na v\u00e9spera, Tancredo foi internado no Hospital de Base, em Bras\u00edlia, com fortes dores abdominais e Jos\u00e9 Sarney tomou seu lugar interinamente.<\/p>\n<p>Depois de sete cirurgias, veio a falecer em 21 de abril de 1985, aos 75 anos de idade, v\u00edtima de infec\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<h4><b>Vig\u00e9simo Terceiro Per\u00edodo de Governo Republicano<\/b><\/h4>\n<p><b>15.03.1985 a 15.03.1990<\/b><\/p>\n<blockquote><p><b>Nascimento: <\/b>S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei-MG, em 04.03.1910<br \/>\n<b>Falecimento: <\/b>S\u00e3o Paulo-SP, em 21.04.1985<br \/>\n<b>Profiss\u00e3o: <\/b>Advogado<br \/>\n<b>Tipo de elei\u00e7\u00e3o:<\/b> indireta<br \/>\n<b>Votos recebidos: <\/b>480 (quatrocentos e oitenta) <b><br \/>\nPosse: <\/b>Sua posse, marcada para o dia 15.03.1985, n\u00e3o chegou a realizar-se porque o Presidente eleito adoeceu gravemente na v\u00e9spera, vindo a falecer no dia 21.04.1985<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:<\/b> A Lei n\u00ba 7.465 de 21.04.1986, no artigo 1\u00ba, determinou que &#8220;o cidad\u00e3o Tancredo de Almeida Neves, eleito e n\u00e3o empossado, por motivo de seu falecimento, figurar\u00e1 na galeria dos que foram ungidos pela Na\u00e7\u00e3o brasileira para a Suprema Magistratura, para todos os efeitos legais&#8221;.<\/p>\n<h4>Primeiro Presidente Civil<\/h4>\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo negro e violento na Hist\u00f3ria do Brasil, foi eleito o primeiro presidente civil em mais de 20 anos.<\/p>\n<p>A ansiedade de todo o pa\u00eds pela sua posse e por uma reorganiza\u00e7\u00e3o da sociedade, ainda amedrontada pelo regime militar, era n\u00edtida.<\/p>\n<p>Apesar de indireta a elei\u00e7\u00e3o de Tancredo foi recebida com grande entusiasmo pela maioria dos brasileiros. No entanto, Tancredo n\u00e3o chegou a assumir a Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera da posse foi internado no Hospital de Base, em Bras\u00edlia, com fortes dores abdominais e Jos\u00e9 Sarney toma seu lugar interinamente no dia seguinte, em 15 de mar\u00e7o de 1985.<\/p>\n<p>Depois de sete cirurgias, veio a falecer em 21 de Abril, aos 75 anos de idade, v\u00edtima de infec\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>Deu-se uma como\u00e7\u00e3o nacional, tantas as esperan\u00e7as que haviam sido depositadas em Tancredo.<\/p>\n<p>Em 22 de abril, Sarney foi investido oficialmente no cargo.<\/p>\n<p>Governou at\u00e9 1990, um ano a mais que o previsto na carta-compromisso da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica, pela qual chegou ao poder.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.senado.gov.br\/elogica.br.inter.net<\/p>\n<h6>Governo Tancredo Neves<\/h6>\n<p><b>Tancredo de Almeida Neves<\/b> nasceu no dia 4 de mar\u00e7o de 1910 em S\u00e3o J\u00f5ao Del Rei, Minas Gerais. Filho de Francisco de Paula Neves e Antonina de Almeida Neves, era o sexto de treze filhos.<\/p>\n<p>Cursou Direito na Universidade de Minas Gerais enquanto trabalhava como redator, rep\u00f3rter e revisor do Estado de Minas.<\/p>\n<p>Deu seus primeiros passos na pol\u00edtica em 1933, filiando-se ao Partido Progressista. No ano sequinte j\u00e1 era vereador pelo distrito de Rio de Mortes, sendo eleito Presidente da C\u00e2mara. Casou-se com Risoleta Guimar\u00e3es Tolentino no dia 25 de maio de 1938, aos 28 anos.<\/p>\n<p>A decreta\u00e7\u00e3o do Estado Novo getulista em 1937, interrompe sua carreira pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tancredo passa a atuar como advogado no Oeste mineiro e, s\u00f3 em 1945, com a queda do Estado Novo, volta \u00e0 pol\u00edtica partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>No ano seguinte, em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, prepara-se para a Assembl\u00e9ia Estadual Constituinte e se elege pelo PSD. \u00c9 eleito deputado federal em 1950.<\/p>\n<p>Com a reforma ministerial do segundo governo getulista, em 1953, Juscelino Kubitschek consegue o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a para Tancredo. De volta \u00e0 C\u00e2mara, conclui seu mandato a ajuda JK no seu rumo \u00e0 Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Pelas m\u00e3os de JK, Tancredo \u00e9 levado para a Carteira de Amortiza\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil e depois para a Presid\u00eancia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Tancredo retorna a Belo Horizonte como Secret\u00e1rio da Fazenda e consegue a legenda para disputar o governo estadual.<\/p>\n<p>Ele perde a espera as elei\u00e7\u00f5es de 1962. J\u00e2nio Quadros renuncia e quando seu vice, Jo\u00e3o Goulart, retorna ao pa\u00eds, quinze dias depois, j\u00e1 encontra Tancredo no aeroporto com a f\u00f3rmula parlamentista que julga ser capaz de controlar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jango o escolhe como Primeiro-Ministro, mas todo o gabinete renuncia em 1962.<\/p>\n<p>Durante a revolu\u00e7\u00e3o de 64, Tancredo est\u00e1 novamente como Deputado Federal, ent\u00e3o pelo MDB. Funda o PP, mas acaba voltando para o maior partido da oposi\u00e7\u00e3o, agira chamado PMDB. Participa de todas as manobras oposicionistas e cresce nas elei\u00e7\u00f5es de 1976, 1978 e 1982, quando alcan\u00e7a o governo de Minas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o me arriscaria a deixar o governo de Minas Gerais e enfrentar uma candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica se o Ulysses n\u00e3o me apoiasse&#8221;. Tancredo aceitou o desafio e, com o apoio do amigo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, teve uma vit\u00f3ria mais tranquila do que se poderia esperar. &#8220;Esta foi a \u00faltima elei\u00e7\u00e3o indireta do pa\u00eds&#8221;, disse perante o Congresso Nacional, logo ap\u00f3s sua vit\u00f3ria no Col\u00e9gio Eleitoral sobre o deputado Paulo Maluf.<\/p>\n<p>No dia 15 de janeiro de 1985, Tancredo \u00e9 eleito Presidente.<\/p>\n<p>Durante os dois meses seguintes, ele percorreria o mundo como Chefe de Estado.<\/p>\n<p>A posse estava marcada para o dia 15 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>No dia anterior, faz sua \u00faltima apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica em uma missa no Santu\u00e1rio Dom Bosco. \u00c0s 22h20, \u00e9 levado ao Hospital de Base de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Durante 38 dias, todo o pa\u00eds s\u00f3 tinha uma preocupa\u00e7\u00e3o:<\/strong> a sa\u00fade do presidente.<\/p>\n<p><strong>\u00c0s 22h20 do dia 21 de abril de 1985, dia de Tiradentes, o jornalista Ant\u00f4nio Brito, Secret\u00e1rio de Imprensa da Presid\u00eancia, anuncia:<\/strong>&#8220;Lamento informar que o Excelent\u00edssimo Senhor Presidente da Rep\u00fablica, Tancredo de Almeida Neves, faleceu esta noite, no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, \u00e0s 22h23min&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.geocities.com<\/p>\n<h6>Governo Tancredo Neves<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107724 size-full\" title=\"Governo Tancredo Neves\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ggovern2.jpg\" alt=\"Governo Tancredo Neves\" width=\"181\" height=\"286\" \/><b><br \/>\nTancredo Neves<\/b><\/p>\n<p>Representante t\u00edpico da tradi\u00e7\u00e3o moderadora da pol\u00edtica mineira, Tancredo Neves caracterizou-se pela tend\u00eancia \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo da consist\u00eancia de suas posi\u00e7\u00f5es liberais.<\/p>\n<p>Tancredo de Almeida Neves nasceu em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei MG em 4 de mar\u00e7o de 1910. Em 1932 formou-se em direito em Belo Horizonte. Advogado e promotor de justi\u00e7a em sua cidade natal, onde em 1935 iniciou a vida pol\u00edtica, como vereador e presidente da C\u00e2mara Municipal. A seguir foi deputado estadual pelo Partido Social Democr\u00e1tico (PSD), em 1947-1950, deputado federal em cinco legislaturas (1951-1955 e 1963-1978), secret\u00e1rio de Fazenda de Minas Gerais (1958-1960) primeiro-ministro no governo Jo\u00e3o Goulart, senador (1979-1982), governador de Minas Gerais (1983-1984) e presidente da rep\u00fablica, eleito em 1985 pelo col\u00e9gio eleitoral.<\/p>\n<p>Sua carreira pol\u00edtica ganhou evid\u00eancia a partir de 1953, quando o presidente Get\u00falio Vargas o fez ministro da Justi\u00e7a (1953-1954). Enfrentou no cargo uma cerrada press\u00e3o da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN), que buscava apoio das for\u00e7as armadas para depor o presidente da rep\u00fablica. Nesse per\u00edodo conturbado da vida nacional, que culminou no suic\u00eddio de Vargas, Tancredo mostrou firme determina\u00e7\u00e3o na defesa da legalidade. Foi um dos articuladores da candidatura de Juscelino Kubitschek \u00e0 presid\u00eancia e seu influente conselheiro em assuntos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, embora sem mandato parlamentar.<\/p>\n<p>Em nova situa\u00e7\u00e3o de crise nacional, ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, em 1961, Tancredo Neves encaminhou a solu\u00e7\u00e3o que permitiu a Jo\u00e3o Goulart assumir a presid\u00eancia da rep\u00fablica, mediante a ado\u00e7\u00e3o do regime parlamentarista. Primeiro-ministro em 1961-1962, soube atenuar as tens\u00f5es pol\u00edticas, que traziam a permanente amea\u00e7a de golpe militar. Com o presidencialismo, renunciou com todo o minist\u00e9rio e candidatou-se \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados. Eleito, foi mais uma vez moderador como l\u00edder da maioria, mas n\u00e3o conseguiu impedir a queda de Goulart.<\/p>\n<p>Durante o regime militar, Tancredo Neves atuou no movimento nacional pela redemocratiza\u00e7\u00e3o. Em 1965, com a reforma partid\u00e1ria, integrou-se no Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (MDB). Com a extin\u00e7\u00e3o do bipartidarismo, foi fundador, em 1979, do Partido Popular, mais tarde, em vista da proibi\u00e7\u00e3o das coliga\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, absorvido pelo Partido do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (PMDB), do qual Tancredo foi eleito vice-presidente. Eleito em 1983 governador de Minas Gerais, tornou-se nome de consenso das correntes de oposi\u00e7\u00e3o ao regime.<\/p>\n<p>Derrotada na C\u00e2mara dos Deputados a emenda constitucional que determinava a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es diretas para a escolha do sucessor do presidente Jo\u00e3o Figueiredo, Tancredo Neves teve seu nome lan\u00e7ado para concorrer no col\u00e9gio eleitoral, onde a 15 de janeiro de 1985 derrotou o candidato do Partido Democr\u00e1tico Social (PDS), Paulo Maluf. Em 14 de mar\u00e7o de 1985, v\u00e9spera de sua posse, foi submetido a uma cirurgia de urg\u00eancia, em Bras\u00edlia, para extirpa\u00e7\u00e3o de um tumor benigno no abdome, mas seu quadro cl\u00ednico complicou-se, devido a uma infec\u00e7\u00e3o hospitalar, segundo se noticiou. Transferido para o Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo SP, sofreu sucessivas opera\u00e7\u00f5es, numa longa agonia que emocionou o pa\u00eds. Ali morreu, em 21 de abril de 1985.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.sampa.art.br<\/p>\n<h6>Governo Tancredo Neves<\/h6>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107725 size-full\" title=\"Governo Tancredo Neves\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ggovern3.jpg\" alt=\"Governo Tancredo Neves\" width=\"181\" height=\"257\" \/><b><br \/>\nTancredo Neves<\/b><\/p>\n<h4>Tancredo de Almeida Neves (1910 &#8211; 1985)<\/h4>\n<p>Estadista brasileiro nascido em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, Minas Gerais, que como representante t\u00edpico da tradi\u00e7\u00e3o moderadora da pol\u00edtica mineira, caracterizou-se pela tend\u00eancia \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo da consist\u00eancia de suas posi\u00e7\u00f5es liberais.<\/p>\n<p>Filho de Francisco de Paula Neves e de Antonina de Almeida Neves, formou-se em direito em Belo Horizonte (1932) e tornou-se advogado e promotor de justi\u00e7a em sua cidade natal, onde iniciou sua vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Elegeu-se vereador (1935) e tornou-se presidente da C\u00e2mara Municipal.<\/p>\n<p>Com a extin\u00e7\u00e3o do PP filiou-se (1937) ao Partido Nacionalista Mineiro, o PNM.<\/p>\n<p>No mesmo ano, com a implanta\u00e7\u00e3o do Estado Novo pelo presidente Getulio Vargas e o conseq\u00fcente fechamento dos \u00f3rg\u00e3os legislativos do pa\u00eds, perdeu o seu mandato.<\/p>\n<p>Depois da queda de Get\u00falio Vargas, foi eleito para o mandato de deputado estadual (1947-1950) pelo Partido Social Democr\u00e1tico, o PSD, seguindo como deputado federal (1951-1955), per\u00edodo em que sua carreira pol\u00edtica ganhou evid\u00eancia como ministro da Justi\u00e7a (1953-1954) do governo do presidente Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Em um per\u00edodo conturbado da vida nacional, que culminou no suic\u00eddio de Vargas, o pol\u00edtico mineiro mostrou firme determina\u00e7\u00e3o na defesa da legalidade.<\/p>\n<p>Foi um dos articuladores da candidatura de Juscelino Kubitschek \u00e0 presid\u00eancia e seu influente conselheiro em assuntos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, embora sem mandato parlamentar.<\/p>\n<p>Foi secret\u00e1rio de Fazenda de Minas Gerais (1958-1960) e, durante uma nova situa\u00e7\u00e3o de crise nacional, ap\u00f3s a ren\u00fancia (1961) de J\u00e2nio Quadros, encaminhou a solu\u00e7\u00e3o que permitiu a Jo\u00e3o Goulart assumir a presid\u00eancia da rep\u00fablica, mediante a ado\u00e7\u00e3o do regime parlamentarista.<\/p>\n<p>Primeiro-ministro (1961-1962) no governo Jo\u00e3o Goulart, deixou o cargo quando o regime voltou a ser presidencialista, ap\u00f3s plebiscito nacional, e foi eleito deputado federal em mais quatro legislaturas (1963-1978).<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguiu impedir a queda de Goulart e com a reforma partid\u00e1ria (1965), integrou-se no Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro, o MDB.<\/p>\n<p>Com a extin\u00e7\u00e3o do bipartidarismo, fundou (1979) o Partido Popular e foi eleito senador (1979-1982).<\/p>\n<p>Com a proibi\u00e7\u00e3o das coliga\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, passou para o Partido do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (PMDB), do qual foi vice-presidente e eleito governador de Minas Gerais (1983-1984).<\/p>\n<p>Nome de consenso das correntes de oposi\u00e7\u00e3o ao regime, foi eleito presidente da rep\u00fablica (1985) pelo col\u00e9gio eleitoral, vencendo Paulo Maluf, o candidato do Partido Democr\u00e1tico Social, o PDS, do \u00faltimo presidente militar.<\/p>\n<h4>Jo\u00e3o Figueiredo<\/h4>\n<p>Infelizmente, no dia 14 de mar\u00e7o (1985), v\u00e9spera de sua posse, ap\u00f3s uma cirurgia de urg\u00eancia, em Bras\u00edlia, para extirpa\u00e7\u00e3o de um tumor benigno no abdome, seu quadro cl\u00ednico complicou-se e, transferido para o Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s uma longa agonia que emocionou o pa\u00eds, morreu em 21 de abril na capital paulista, deixando o mandato para seu vice, Jos\u00e9 Sarney.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.dec.ufcg.edu.br<\/p>\n<h6>Governo Tancredo Neves<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107722 size-full\" title=\"Governo Tancredo Neves\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/ggovern4.jpg\" alt=\"Governo Tancredo Neves\" width=\"192\" height=\"293\" \/><strong><br \/>\nTancredo Neves<\/strong><\/p>\n<p><b>Tancredo de Almeida Neves<\/b> (4\/3\/1910-21\/4\/1985) nasce em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, forma-se pela Faculdade de Direito de Minas Gerais (1932) e inicia a carreira pol\u00edtica como vereador em sua cidade natal, em 1933.<\/p>\n<p>Elege-se deputado estadual em 1945 e federal em 1950.<\/p>\n<p>Nomeado ministro da Justi\u00e7a do governo Get\u00falio Vargas, em 1953, renunciou ao cargo no dia da morte do presidente.<\/p>\n<p>No governo Juscelino Kubitschek, atua como presidente do Banco do Brasil e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico (BNDE).<\/p>\n<p>Com a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, em 1961, \u00e9 nomeado e torna-se primeiro-ministro no regime parlamentarista de 8\/9\/1961 a 12\/7\/1962.<\/p>\n<p>Em outubro desse ano, elege-se deputado federal.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o golpe militar de 1964, filia-se ao Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (MDB) e elege-se para a C\u00e2mara em 1966, 1970, 1974 e para o Senado em 1978.<\/p>\n<p>Com o fim do bipartidarismo, torna-se um dos fundadores do Partido Popular (PP), partido que depois se fundir\u00e1 ao PMDB.<\/p>\n<p>Em 1982, elege-se governador de Minas Gerais pelo PMDB.<\/p>\n<p>Sua candidatura a presidente surge como alternativa quando a emenda Dante de Oliveira, que previa o restabelecimento das elei\u00e7\u00f5es diretas para a Presid\u00eancia, \u00e9 derrotada em 25\/4\/1984.<\/p>\n<p>Elege-se em 1985, mas em 14\/3\/1985, v\u00e9spera da posse, \u00e9 internado no Hospital de Base de Bras\u00edlia com dores no abdome.<\/p>\n<p>Dias depois \u00e9 transferido para o Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser submetido a sete cirurgias, morre no dia 21 de abril, de infec\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>Em seu lugar assume a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica o vice Jos\u00e9 Sarney.<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p>Almanaque Abril.<br \/>\nQuem \u00e9 quem na hist\u00f3ria do Brasil.<br \/>\nS\u00e3o Paulo, Abril Multim\u00eddia, 2000.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.meusestudos.com<\/p>\n<h6>Governo Tancredo Neves<\/h6>\n<p><strong>Tancredo de Almeida Neves<\/strong> nasceu em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei (MG) no dia 4 de mar\u00e7o de 1910, quinto dos 12 filhos de Francisco de Paula Neves e de Antonina de Almeida Neves. Descendia, por parte de pai, do comendador portugu\u00eas Jos\u00e9 Ant\u00f4nio das Neves, que se estabelecera na cidade antes da independ\u00eancia do Brasil. A fam\u00edlia Neves teve ativa participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica do munic\u00edpio, destacando-se o comerciante Jos\u00e9 Juv\u00eancio das Neves, av\u00f4 de Tancredo, ativista fervoroso da causa republicana.<\/p>\n<p>Tancredo freq\u00fcentou o grupo escolar Jo\u00e3o dos Santos entre 1917 e 1920 e ingressou em seguida no Col\u00e9gio Santo Ant\u00f4nio, dirigido por frades franciscanos, concluindo o curso de humanidades em 1927. No ano seguinte, transferiu-se para Belo Horizonte e matriculou-se na Faculdade de Direito, onde teve seu primeiro contato com a luta pol\u00edtica ao participar da campanha da Alian\u00e7a Liberal, coliga\u00e7\u00e3o oposicionista articulada por Minas Gerais e Rio Grande do Sul que lan\u00e7ou a chapa Get\u00fa-lio Vargas-Jo\u00e3o Pessoa para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica nas elei\u00e7\u00f5es de mar\u00e7o de 1930. A vit\u00f3ria, considerada fraudulenta, do situacionista J\u00falio Prestes, levou \u00e0 deflagra\u00e7\u00e3o em outubro de um movimento armado que, vitorioso, resultou na forma\u00e7\u00e3o do Governo Provis\u00f3rio chefiado por Vargas.<\/p>\n<p>Diplomado em 1932, Tancredo retornou a S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, onde montou um escrit\u00f3rio de advocacia. No mesmo ano, foi nomeado promotor da comarca local, mas afastou-se do cargo em 1933 para voltar \u00e0 banca de advogado, passando a atuar tamb\u00e9m em \u00e1reas pr\u00f3ximas de seu munic\u00edpio natal.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1933, Oleg\u00e1rio Maciel, Ant\u00f4nio Carlos Ribeiro de Andrada e Venceslau Br\u00e1s fundaram em Belo Horizonte o Partido Progressista (PP), destinado a organizar as correntes pol\u00edticas dominantes no estado com vistas \u00e0s elei\u00e7\u00f5es para a Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte e a apoiar o Governo Provis\u00f3rio. O representante de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei na comiss\u00e3o executiva do novo partido foi Augusto Viegas, chefe pol\u00edtico de maior express\u00e3o local e admirador do &#8220;talento sem par&#8221; de Tancredo, que tamb\u00e9m se filiou ao PP. Viegas indicou o nome de Tancredo para concorrer a deputado estadual, mas a norma partid\u00e1ria exigia que as indica\u00e7\u00f5es desse tipo fossem endossadas por um determinado n\u00famero de diret\u00f3rios municipais. Devido \u00e0 grande quantidade de candidatos na regi\u00e3o, Tancredo n\u00e3o conseguiu cumprir essa exig\u00eancia, ficando fora da chapa do PP que concorreu \u00e0s elei\u00e7\u00f5es para a Assembl\u00e9ia Constituinte estadual em outubro de 1934. Em junho de 1935, depois da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o mineira, foi eleito vereador em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei com a maior vota\u00e7\u00e3o entre todos os concorrentes, tornando-se assim presidente do Legislativo municipal.<\/p>\n<p>Em agosto de 1936, a sobreviv\u00eancia do PP deixou de interessar ao governador mineiro Benedito Valadares, que rompera rela\u00e7\u00f5es com Ant\u00f4nio Carlos e pretendia criar uma agremia-\u00e7\u00e3o capaz de atrair os dissidentes do Partido Republicano Mineiro (PRM). Para testar a fidelidade das bases do interior, o governador promoveu uma grande reuni\u00e3o em Belo Horizonte no dia 4 de outubro. Tancredo, ent\u00e3o com 26 anos de idade, foi o orador oficial da solenidade, falando em nome de todas as representa\u00e7\u00f5es municipais presentes. Pouco depois, o PP foi extinto. Em 1937, Valadares fundou uma nova agremia\u00e7\u00e3o situacionista, o Partido Nacionalista Mineiro (PNM), para conduzir no estado a candidatura de Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais previstas para janeiro de 1938. Filiado \u00e0 nova agremia\u00e7\u00e3o, Tancredo passou a liderar a campanha eleitoral em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei at\u00e9 sua interrup\u00e7\u00e3o em novembro de 1937 devido \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do Estado Novo pelo presidente Vargas, que cancelou as elei\u00e7\u00f5es e decretou o fechamento dos \u00f3rg\u00e3os legislativos do pa\u00eds. Tancredo perdeu ent\u00e3o seu mandato de verea-dor, voltando a se dedicar \u00e0 advocacia. Paralelamente, arriscou-se como empres\u00e1rio, tornando-se diretor-propriet\u00e1rio da Fia\u00e7\u00e3o e Tecelagem Matozinhos S.A., em atividade entre 1936 e 1950, e da Tecelagem S\u00e3o Jo\u00e3o Ltda., que fundara no final dos anos 1930 em sociedade com os irm\u00e3os Jo\u00e3o e Ac\u00edbio Hallack-, de vida breve.<\/p>\n<h4>A pol\u00edtica mineira p\u00f3s-1945<\/h4>\n<p>No in\u00edcio de 1945, diante do enfraquecimento do Estado Novo e o aumento das press\u00f5es pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, Vargas come\u00e7ou a aplicar um projeto de reformas pol\u00edticas que inclu\u00eda a reorganiza\u00e7\u00e3o dos partidos e a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de uma assembl\u00e9ia nacional constituinte e a escolha do seu sucessor na chefia do governo. Coube ao interventor federal Benedito Valadares aglutinar as for\u00e7as situacionistas em Minas Gerais em torno de uma nova agremia\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ada oficialmente em 8 de abril de 1945 com o nome de Partido Social Democr\u00e1tico (PSD). Tancredo aderiu ent\u00e3o ao PSD, come\u00e7ando a participar da campanha do general Eurico Dutra para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Apesar das reformas, o Estado Novo foi derrubado por um golpe militar em 29 de outubro de 1945. As elei\u00e7\u00f5es foram mantidas para a data prevista, 2 de dezembro, resultan-do na vit\u00f3ria de Dutra sobre o brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN). O PSD venceu tamb\u00e9m por larga margem em Minas, elegendo 20 deputados \u00e0 Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte. Com a entrada em vigor da nova Constitui\u00e7\u00e3o em 18 de setembro de 1946, a aten\u00e7\u00e3o dos meios pol\u00edticos se voltou para a normaliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es estaduais, pois a nova Carta determinava a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es em 19 de janeiro de 1947 para os governos dos estados, as assembl\u00e9ias legislativas (dotadas de poderes constituintes a n\u00edvel estadual) e a complementa\u00e7\u00e3o das bancadas no Senado e na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>O PSD mineiro n\u00e3o marchou unido para as elei\u00e7\u00f5es estaduais. A maioria da comiss\u00e3o executiva propunha o nome de Jos\u00e9 Francisco Bias Fortes para o governo, mas um grupo liderado pelos senadores Levindo Eduardo Coelho e Fernando Melo Viana apoiava Carlos Luz, ministro da Justi\u00e7a e condutor da pol\u00edtica de coaliz\u00e3o preconizada pelo presidente Dutra. Posteriormente, as duas alas conflitantes chegaram a um acordo em torno da indica\u00e7\u00e3o do ex-presidente Venceslau Br\u00e1s, que seria apoiado tamb\u00e9m pela UDN e o Partido Republicano (PR). No entanto, os adeptos de Bias Fortes romperam o acordo e indicaram-no como candidato na conven\u00e7\u00e3o pessedista realizada em Belo Horizonte no dia 13 de dezembro de 1946, derrotando Venceslau Br\u00e1s por 167 votos de diferen\u00e7a. Com esse resultado, a ala chefiada pelo senador Melo Viana formou uma dissid\u00eancia e decidiu, junto com o PR e o Partido Trabalhista Nacional (PTN), dar apoio ao udenista M\u00edlton Campos. A grande maioria do partido, que permaneceu ao lado de Bias Fortes, passou ent\u00e3o a ser conhecida como PSD ortodoxo, em contraposi\u00e7\u00e3o ao PSD dissidente, ou independente, liderado por Melo Viana.<\/p>\n<p>Tancredo Neves, prestigiado por Benedito Valadares em seu munic\u00edpio natal, permaneceu ligado ao PSD ortodoxo e foi eleito deputado estadual com 5.266 votos em 19 de janeiro de 1947. Nesse mesmo dia, M\u00edlton Campos derrotou Bias Fortes na disputa pelo governo estadual, tomando posse dois meses depois.<\/p>\n<p>A Constituinte mineira iniciou seus trabalhos em 20 de mar\u00e7o sob a presid\u00eancia de Feliciano Pena, do PR, sendo Tancredo designado relator da comiss\u00e3o especial composta em plen\u00e1rio para elaborar o texto constitucional, promulgado em 14 de julho seguinte.<\/p>\n<p>Na fase final dos trabalhos constituintes, Tancredo participou ativamente das articula\u00e7\u00f5es que resultaram na elei\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Ribeiro Pena, indicado pela coliga\u00e7\u00e3o do PSD ortodoxo com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), para vice-governador do estado, causando um s\u00e9rio rev\u00e9s nas pretens\u00f5es udenistas de lan\u00e7ar o nome de M\u00edlton Campos para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica no pleito de 3 de outubro de 1950. A vit\u00f3ria de Ribeiro Pena s\u00f3 foi poss\u00edvel com a ades\u00e3o dos deputados Jason Albergaria, do Partido Democrata Crist\u00e3o (PDC), e Armando Ziller, do Partido Comunista Brasileiro, ent\u00e3o Partido Comunista do Brasil (PCB), pois a coliga\u00e7\u00e3o oposicionista PSD ortodoxo-PTB contava com 35 dos 72 deputados constituintes.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio da legislatura ordin\u00e1ria, Tancredo Neves tornou-se vice-l\u00edder e, em seguida, l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo, M\u00edlton Campos estava preocupado em ampliar sua maioria na Assembl\u00e9ia para evitar surpresas semelhantes \u00e0 elei\u00e7\u00e3o do vice-governador. Pedro Aleixo, secret\u00e1rio do Interior, come\u00e7ou a exercer press\u00f5es sobre os deputados do PSD ortodoxo que haviam sido prefeitos durante o Estado Novo, amea\u00e7ando com a abertura de inqu\u00e9ritos administrativos, enquanto o deputado federal Lu\u00eds Martins Soares, ex-chefe de Pol\u00edcia no governo de Valadares e tio de M\u00edlton Campos, tamb\u00e9m usava sua influ\u00eancia para que a Assembl\u00e9ia n\u00e3o criasse dificuldades ao governador. Da fus\u00e3o desses dois fatores -surgiu uma &#8220;ala liberal&#8221; do PSD mineiro, comandada por Martins Soares e composta por antigos prefeitos da \u00e9poca do Estado Novo, reduzindo a bancada liderada por Tancredo Neves. O compromisso dessa nova corrente n\u00e3o era propriamente fundir-se na maioria governamental, mas apoiar o governador nas quest\u00f5es relevantes para sua administra\u00e7\u00e3o. Com esse desfalque, a lideran\u00e7a de Tancredo perdeu parte de sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>Apesar disso, o PSD saiu fortalecido das elei\u00e7\u00f5es municipais de 23 de novembro de 1947 e passou a trabalhar para conquistar o governo do estado em outubro de 1950, marcando sua pol\u00edtica pela preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o hostilizar os dissidentes ou os liberais e explorar o descontentamento do PR com o governo de M\u00edlton Campos. Tancredo Neves n\u00e3o apareceu com evid\u00eancia no curso das negocia\u00e7\u00f5es conduzidas pela comiss\u00e3o executiva do PSD no estado visando \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o das alas ortodoxa, independente e liberal em torno da quest\u00e3o sucess\u00f3ria a fim de fortalecer a perspectiva de vit\u00f3ria do partido. Bias Fortes pleiteava nova indica\u00e7\u00e3o para concorrer ao governo estadual, mas a candidatura de Juscelino Kubitschek obteve o apoio do presidente Dutra e saiu vitoriosa por 13 votos contra dez na comiss\u00e3o executiva do PSD mineiro.<\/p>\n<p>Em 3 de outubro de 1950, Juscelino foi eleito governador com 714.664 votos contra 544.068 dados ao udenista Gabriel Passos, ao mesmo tempo que Tancredo Neves (com 11.515 votos), Crispim Jacques, Bias Fortes, Guilhermino de Oliveira, Jaeder Albergaria e Uriel de Resende Alvim conquistaram seus primeiros mandatos de deputado federal. No mesmo pleito, Get\u00falio Vargas foi eleito presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Entre 1\u00ba de fevereiro de 1951, quando tomou posse na C\u00e2mara, e 25 de junho de 1953, quando se licenciou para assumir a chefia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, Tancredo foi membro da Comiss\u00e3o de Transportes, Comunica\u00e7\u00f5es e Obras P\u00fablicas e ocupou a lideran\u00e7a da bancada mineira do PSD na C\u00e2mara Federal. Nesse per\u00edodo, sua atividade pol\u00edtica come\u00e7ou a obter resson\u00e2ncia fora de Minas, fazendo com que no meio do seu primeiro mandato federal ele fosse escolhido para substituir o ministro Francisco Negr\u00e3o de Lima, possuidor de grande experi\u00eancia parlamentar e diplom\u00e1tica.<\/p>\n<h4>No Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a<\/h4>\n<p>Tancredo assumiu o novo cargo por ocasi\u00e3o de uma reforma parcial do minist\u00e9rio de Vargas, cujo governo enfrentava cerrada oposi\u00e7\u00e3o da UDN, da maioria dos grandes jornais do pa\u00eds e de importantes setores das for\u00e7as armadas e do empresariado.<\/p>\n<p><strong>Logo no in\u00edcio de sua gest\u00e3o, o novo ministro se defrontou com duas quest\u00f5es relacionadas com a agressiva campanha opo-sicionista em curso: <\/strong>a Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) instaurada para apurar as transa\u00e7\u00f5es do vespertino carioca \u00daltima Hora com o Banco do Brasil e o chamado &#8220;esquema Etelvino&#8221;, sugerido pelo governador de Pernambuco, Etelvino Lins, para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar de conte\u00fado centrista para o problema da sucess\u00e3o presidencial.<\/p>\n<p>O inqu\u00e9rito parlamentar havia sido requerido pelo deputado baiano Aliomar Baleeiro, da UDN, com base em den\u00fancias formuladas pelo jornalista Carlos Lacerda na Tribuna da Imprensa, segundo as quais Samuel Wainer fora favorecido pelo Banco do Brasil com empr\u00e9stimos irregulares para fundar a \u00daltima Hora, \u00f3rg\u00e3o situacionista, e utilizava sua influ\u00eancia junto ao governo para pleitear apoio financeiro do grupo Matarazzo e da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, ent\u00e3o sob a presid\u00eancia do deputado federal Euvaldo Lodi, do PSD mineiro. O &#8220;esquema Etelvino&#8221; tamb\u00e9m se ligava ao mesmo esfor\u00e7o de desgaste do governo, pois deslocava a condu\u00e7\u00e3o do debate sucess\u00f3rio para o entendimento entre partidos de centro com o aval das for\u00e7as armadas. O governador pernambucano j\u00e1 possu\u00eda inclusive uma chapa &#8220;de uni\u00e3o nacional&#8221; para oferecer aos partidos que considerava confi\u00e1veis, formada pelo general Juarez T\u00e1vora para a presid\u00eancia e Juscelino Kubitschek para a vice-presid\u00eancia. A UDN aceitava plenamente essa f\u00f3rmula, pois a elei\u00e7\u00e3o de Juarez significaria sua presen\u00e7a no -poder, mas o PSD preferia inverter a chapa, lan\u00e7ando Juscelino para presidente. As contradi\u00e7\u00f5es eram, portanto, significativas e exigiam um trabalho paciente de Tancredo para desativar o &#8220;esquema Etelvino&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa atua\u00e7\u00e3o no terreno pol\u00edtico, o ministro cuidava tamb\u00e9m das atribui\u00e7\u00f5es administrativas de sua pasta. Suas principais medidas nesse per\u00edodo foram a supress\u00e3o de diversos cargos considerados excedentes nos quadros do minist\u00e9rio, a desapropria\u00e7\u00e3o dos bens da Companhia Ind\u00fastria e Via\u00e7\u00e3o de Pirapora e da Empresa Fluvial Limitada para permitir a cria\u00e7\u00e3o de uma empresa de economia mista encarregada do transporte de cargas e passageiros no baixo e m\u00e9dio S\u00e3o Francisco, e a amplia\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos que integravam a rede do Servi\u00e7o de Assist\u00eancia ao Menor (SAM).<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a crise pol\u00edtico-militar continuava em andamento, resultando no progressivo enfraquecimento do governo federal junto \u00e0s suas bases populares. A elei\u00e7\u00e3o de J\u00e2nio Quadros para prefeito de S\u00e3o Paulo, representando a alian\u00e7a do PDC e do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e a derrota do candidato petebista Leonel Brizola \u00e0 prefeitura de Porto Alegre mostravam o decl\u00ednio da for\u00e7a eleitoral das correntes pol\u00edticas ligadas ao governo. Em fevereiro de 1954, a divulga\u00e7\u00e3o do Manifesto dos coron\u00e9is provocou a queda do ministro do Trabalho, Jo\u00e3o Goulart, acusado de incitar os sindicatos contra o empresariado, e a substitui\u00e7\u00e3o do general Ciro do Esp\u00edrito Santo Cardoso por seu colega Euclides Zen\u00f3bio da Costa no Minist\u00e9rio da Guerra. Na C\u00e2mara Federal, a oposi\u00e7\u00e3o comandada por Afonso Arinos de Melo Franco, Olavo Bilac Pinto e Aliomar Baleeiro elevava o grau de agressividade contra o governo e procurava a ades\u00e3o dos militares para um golpe de Estado.<\/p>\n<p>Com a recomposi\u00e7\u00e3o parcial do minist\u00e9rio e a posterior nomea\u00e7\u00e3o do general Newton Estillac Leal para o comando da guarni\u00e7\u00e3o sediada em S\u00e3o Paulo, a crise parecia serenada. Entretanto, na madrugada de 5 de agosto de 1954 o jornalista Carlos Lacerda foi baleado na rua Tonelero, no bairro carioca de Copacabana, em um atentado que provocou a morte do major-aviador Rubens Florentina Vaz, que dava seguran\u00e7a ao diretor da Tribuna da Imprensa em suas palestras e com\u00edcios.<\/p>\n<p>O atentado da Toneleros, como ficou conhecido, convulsionou a Aeron\u00e1utica e os meios pol\u00edticos do pa\u00eds, abrindo a fase final do confronto entre a oposi\u00e7\u00e3o e o governo, logo apontado como respons\u00e1vel pelo crime. O brigadeiro Eduardo Gomes, que exercia forte lideran\u00e7a sobre a maioria dos oficiais de sua arma, pronunciou-se publicamente pela puni\u00e7\u00e3o dos culpados, enquanto Lacerda denuncia-va o envolvimento de &#8220;elementos da alta esfera governamental&#8221; no atentado.<\/p>\n<p>Tancredo Neves soube do epis\u00f3dio ainda pela madrugada, informado por um oficial da Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal. Transmitiu ent\u00e3o ao presidente Vargas a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e emitiu em seguida um comunicado aos jornais afirmando a disposi\u00e7\u00e3o do governo de elucidar o crime a qualquer custo. Sua primeira provid\u00eancia foi ordenar a instaura\u00e7\u00e3o de um inqu\u00e9rito policial chefiado pelo delegado Jorge Lu\u00eds Pastor de Oliveira, titular do distrito onde ocorrera o crime, e acompanhado por um representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico, promotor Jo\u00e3o Batista Cordeiro Guerra, e um do Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica, coronel-aviador Jo\u00e3o Adil de Oliveira.<\/p>\n<p>Os resultados das primeiras investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o tardaram a aparecer. No pr\u00f3prio dia 5, o motorista profissional N\u00e9lson Raimundo dos Santos apresentou-se ao delegado Pastor afirmando que, na noite anterior, conduzira \u00e0 rua Tonelero dois membros da guarda pessoal do presidente Vargas, Clim\u00e9rio Euribes de Almeida e Alcino Jo\u00e3o do Nascimento. Seu depoimento incriminou ambos e abriu a pista fundamental para solucionar o crime. Ao tomar conhecimento desse fato, Tancredo procurou evitar o agravamento da crise pol\u00edtico-militar em curso. Transmitiu a informa\u00e7\u00e3o ao general Aguinaldo Caiado de Castro, chefe do Ga-binete Militar de Vargas, e rumou para o quartel-general da Pol\u00edcia Militar, na rua Evaristo da Veiga, onde estavam o motorista, os integrantes da comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito e o chefe de Pol\u00edcia do Distrito Federal, general Armando de Morais \u00c2ncora. Em seguida, acompanhado pelo ministro da Aeron\u00e1utica, Nero Moura, e os membros da comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito, dirigiu-se ao pal\u00e1cio do Catete. Nessa ocasi\u00e3o, o general Cajado de Castro j\u00e1 havia interrogado o chefe da guarda pessoal do presidente, Greg\u00f3rio Fortunato, exigindo a presen\u00e7a de Clim\u00e9rio &#8211; que estava foragido &#8211; no pal\u00e1cio.<\/p>\n<p>Com o objetivo de provar a inoc\u00eancia do governo no atentado, Tancredo prop\u00f4s a Vargas a dissolu\u00e7\u00e3o da guarda, medida rapidamente posta em pr\u00e1tica pelo presidente depois de ouvir as opini\u00f5es favor\u00e1veis do general Caiado de Castro e do ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Osvaldo Aranha. Ao lado disso, o ministro da Justi\u00e7a considerava necess\u00e1rio refor\u00e7ar o dispositivo de defesa do governo, pois a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o pretendia apenas elucidar um crime, mas tamb\u00e9m fortalecer uma conspira\u00e7\u00e3o articulada nos meios civis e militares para depor Vargas pela for\u00e7a. O primeiro passo nesse sentido foi a substitui\u00e7\u00e3o, em 10 de agosto, do general \u00c2ncora pelo coronel Paulo Francisco Torres na chefia de Pol\u00edcia do Distrito Federal, ocasi\u00e3o em que Tancredo Neves e Euclides Zen\u00f3bio da Costa fizeram pronunciamento em defesa da ordem e da legalidade, sustentando que o mandato do presidente seria preservado de qualquer maneira.<\/p>\n<p>A firmeza das declara\u00e7\u00f5es dos dois ministros, principais respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica, n\u00e3o deteve as investidas dos advers\u00e1rios do governo.<\/p>\n<p>No dia 11, com o apoio da grande maioria dos oficiais da Aeron\u00e1utica, o coronel Jo\u00e3o Adil solicitou ao ministro Nero Moura a instaura\u00e7\u00e3o de um inqu\u00e9-rito policial-militar (IPM) sobre o atentado da Toneleros, justificando esse pedido com o fato de que a arma utilizada era de uso privativo das for\u00e7as armadas e a v\u00edtima havia sido um militar. Al\u00e9m disso, o C\u00f3digo de Processo Penal Militar permitia a pris\u00e3o preventiva dos suspeitos por 30 dias, prorrog\u00e1veis depois por mais 20, concedendo portanto muito mais tempo do que o c\u00f3digo comum para os interrogat\u00f3rios e a obten\u00e7\u00e3o de confiss\u00f5es. Nero Moura cedeu \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o e, em 12 de agosto, baixou portaria instituindo o IPM a ser conduzido pelo pr\u00f3prio coronel Adil. Da\u00ed por dian-te, as investiga\u00e7\u00f5es se transferiram para o \u00e2mbito da Aeron\u00e1utica e as dilig\u00eancias passaram a ser dirigidas da Base A\u00e9rea do Gale\u00e3o, que ficou conhecida como Rep\u00fablica do Gale\u00e3o devido \u00e0 independ\u00eancia de atua\u00e7\u00e3o dos encarregados do IPM.<\/p>\n<p>No mesmo dia 12, Vargas estava em Belo Horizonte junto com Tancredo Neves para participar da inaugura\u00e7\u00e3o dos novos fornos da Sider\u00fargica Mannesmann.<\/p>\n<p>Depois de proferir um discurso en\u00e9rgico em defesa da legalidade, que considerava amea\u00e7ada, retornou ao Rio, onde tomou conhecimento de que seu filho, o deputado federal Lutero Vargas, estava sob suspeita de ter financiado a fuga de ex-membros da guarda. Tancredo aconselhou o presidente a convencer Lutero a renunciar \u00e0s imunidades parlamentares e colocar-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do IPM para qualquer tipo de esclarecimento. Lutero aceitou a recomenda\u00e7\u00e3o e anunciou em discurso transmitido pelo r\u00e1dio seu prop\u00f3sito de apresentar-se no Gale\u00e3o ao respons\u00e1vel pelo inqu\u00e9rito. Ao mesmo tempo, Vargas franqueou as depend\u00eancias do pal\u00e1cio do Catete para as investiga\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>Apesar dessas medidas, a intensidade da crise n\u00e3o diminuiu. Os jornais de oposi\u00e7\u00e3o passaram a divulgar depoimentos dos presos do Gale\u00e3o, que incriminavam Lutero Vargas, o deputado Euvaldo Lodi e o general \u00c2ngelo Mendes de Morais, prefeito do Distrito Federal durante o governo do presidente Dutra. Em 21 de agosto, o vice-presidente Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho discursou no Senado propondo a Vargas a ren\u00fancia simult\u00e2nea de ambos para permitir a supera\u00e7\u00e3o da crise atrav\u00e9s da posse de Nereu Ramos, presidente da C\u00e2mara dos Deputados, e a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es indiretas 30 dias depois para completar os mandatos do presidente e do vice-presidente.<\/p>\n<p>Vargas convocou Tancredo para debater com ele o discurso de Caf\u00e9 Filho. O ministro da Justi\u00e7a afirmou ent\u00e3o que considerava o vice-presidente comprometido com a conspira\u00e7\u00e3o em curso e que seu pronunciamento apenas transmitia uma exig\u00eancia dos chefes militares sublevados. A negativa subseq\u00fcente de Vargas em rela\u00e7\u00e3o a essa proposta reacendeu a crise. Na noite de 22 de agosto os brigadeiros se reuniram no Clube de Aeron\u00e1utica sob a presid\u00eancia de Eduardo Gomes e ouviram a leitura dos depoimentos dos implicados no atentado da Toneleros, todos presos no Gale\u00e3o. Aprovaram em seguida uma nota dirigida a Vargas e entregue ao chefe do Estado-Maior das For\u00e7as Armadas, marechal Jo\u00e3o Batista Mascarenhas de Morais, exigindo a ren\u00fancia do presidente.<\/p>\n<p>Ao tomar conhecimento desse documento, Tancredo prop\u00f4s a pris\u00e3o de todos os signat\u00e1rios e o envio de mensagem ao Congresso pedindo a decreta\u00e7\u00e3o do estado de s\u00edtio, mas sua sugest\u00e3o foi rejeitada pelos tr\u00eas ministros militares &#8211; Zen\u00f3bio da Costa (da Guerra), Renato Guillobel (da Marinha) e Epaminondas dos Santos (que substitu\u00edra Nero Moura na pasta da Aeron\u00e1utica) &#8211; sob o argumento de que ela precipitaria o desenlace da crise. Nessa mesma noite, Tancredo divulgou comunicado pedindo ao povo que se acautelasse contra boatos espalhados pela cidade com o intuito de causar a &#8220;perturba\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica&#8221; e acrescentando que o governo dispunha de meios para controlar a situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, correu o boato de que o governo estaria preparando a decreta\u00e7\u00e3o do estado de s\u00edtio e a conseq\u00fcente suspens\u00e3o das garantias constitucionais.<\/p>\n<p>No dia seguinte, 23 de agosto, o general Zen\u00f3bio da Costa declarou que o Ex\u00e9rcito n\u00e3o permitiria agita\u00e7\u00f5es, ficando impl\u00edcito que sua advert\u00eancia se dirigia \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de rua encabe\u00e7adas pela UDN e outros grupos pol\u00edticos para exigir a ren\u00fancia de Vargas. \u00c0 noite, os almirantes se reuniram no Clube Naval e endossaram o manifesto dos brigadeiros. Avisado da posi\u00e7\u00e3o da Marinha, Tancredo se dirigiu ao -pa-l\u00e1-cio do Catete, onde encontrou os ministros Epa-minondas dos Santos, Renato Guillobel e Osvaldo Aranha. Zen\u00f3bio da Costa chegou a seguir, acompanhado do marechal Mascarenhas de Morais e do general Od\u00edlio De-nis (comandante da Zona Militar Leste, atual I Ex\u00e9rcito), e comunicou que 37 dos 80 generais lo-tados no Distrito Federal estavam declaradamente solid\u00e1rios com os brigadeiros e almirantes.<\/p>\n<p>Diante dessa not\u00edcia, Vargas convocou uma reuni\u00e3o ministerial de urg\u00eancia. Tancredo defendia at\u00e9 ent\u00e3o que o Congresso e os governadores fossem ouvidos, mas a nova e inesperada situa\u00e7\u00e3o militar levou-o a propor, junto com Osvaldo Aranha, a alternativa da resist\u00eancia a qualquer ataque ao pal\u00e1cio do Catete. Nesse ponto, as discuss\u00f5es se -generalizaram com a participa\u00e7\u00e3o de Alzira Vargas do Amaral Peixoto, filha do presidente, Danton Coelho, ex-ministro do Trabalho, e outras pessoas presentes no sal\u00e3o em que o minist\u00e9rio se reunia. Vargas reiterou seu prop\u00f3sito de n\u00e3o renunciar, concordando entretanto em licenciar-se at\u00e9 a completa apura\u00e7\u00e3o dos fatos relacionados com o atentado e pedindo aos ministros militares que garantissem a manuten\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica e o respeito \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. Por volta das cinco horas da manh\u00e3 de 24 de agosto, Tancredo redigiu uma nota comunicando a decis\u00e3o presidencial, enquanto Caf\u00e9 Filho organizava seu minist\u00e9rio junto com l\u00edderes oposicionistas civis e militares. Pouco depois, chegou ao pal\u00e1cio do Catete a not\u00edcia de que um grupo de generais reunido com Zen\u00f3bio da Costa na sede do Minist\u00e9rio da Guerra recomendara o afastamento definitivo do presidente, e n\u00e3o apenas tempor\u00e1rio, como afirmava a nota redigida por Tancredo. Portanto, Get\u00falio Vargas estava virtualmente deposto. No in\u00edcio da manh\u00e3, seu irm\u00e3o Benjamim Vargas chegou ao pal\u00e1cio do Catete comunicando que fora intimado a depor no Gale\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o presidente, recolhido em seus aposentos, suicidou-se. Tancredo n\u00e3o retornou mais ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, entregando a pasta a um oficial-de-gabinete. Junto com Osvaldo Aranha e Jo\u00e3o Goulart, acompanhou o corpo de Vargas at\u00e9 S\u00e3o Borja (RS), onde presenciou o sepultamento e pronunciou violento discurso contra o novo governo chefiado por Caf\u00e9 Filho.<\/p>\n<h4>Na assessoria de Juscelino<\/h4>\n<p><strong>Tancredo Neves<\/strong> reassumiu em 30 de agosto sua cadeira na C\u00e2mara dos Deputados, dedicando-se \u00e0 articula\u00e7\u00e3o da candidatura do governador mineiro Juscelino Kubitschek \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica como forma de se contrapor \u00e0s for\u00e7as pol\u00edticas que haviam desestabilizado o governo anterior. Como n\u00e3o se desincompatibilizara a tempo, n\u00e3o p\u00f4de concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de outubro de 1954, deixando a C\u00e2mara ao final de seu mandato, em janeiro de 1955.<\/p>\n<p>Em fevereiro, a conven\u00e7\u00e3o nacional do PSD homologou a candidatura de Juscelino, que passou a chefia do governo estadual em 3 de abril seguinte para seu substituto legal, Cl\u00f3vis Salgado, do Partido Republicano (PR). No fim desse m\u00eas, o novo governador nomeou Tancredo diretor do Banco de Cr\u00e9dito Real de Minas Gerais. Juscelino venceu o pleito presidencial realizado em outubro, conquistando a maioria absoluta de votos em seu estado, mas apenas 36% dos votos nacionais.<\/p>\n<p>Esse resultado abriu um per\u00edodo de crises sucessivas que culminaram no movimento militar de 11 de novembro de 1955, chefiado pelo general Henrique Lott e voltado, segundo seus promotores, para barrar uma conspira\u00e7\u00e3o em curso no governo Caf\u00e9 Filho e garantir a posse de Juscelino, que veio a ocorrer em 31 de janeiro de 1956. Sem cargo parlamentar, Tancredo Neves tornou-se um conselheiro pol\u00edtico solicitado pelo novo presidente nos momentos de decis\u00f5es relevantes. Em 17 de mar\u00e7o, ainda na condi\u00e7\u00e3o de diretor do Banco de Cr\u00e9dito Real de Minas Gerais, participou de uma reuni\u00e3o convocada por Juscelino para debater a conveni\u00eancia da ado\u00e7\u00e3o da reforma cambial que havia sido sugerida pelo ministro da Fazenda do governo de Caf\u00e9 Filho, Jos\u00e9 Maria Whitaker. Ela implicava a supress\u00e3o dos subs\u00eddios governamentais a v\u00e1rios- produtos importados, como o petr\u00f3leo, o trigo e o papel, que teriam seus pre\u00e7os sensivelmente alimentados porque os recursos aplicados at\u00e9 ent\u00e3o pelo governo seria-m inevitavelmente repassados ao consumidor. Tancredo e outros auxiliares do presidente foram contra a ado\u00e7\u00e3o dessa medida, e seu ponto de vista prevaleceu na decis\u00e3o oficial.<\/p>\n<p>Em 26 de abril de 1956 Tancredo deixou seu cargo no Banco de Cr\u00e9dito Real de Minas Gerais para assumir a dire\u00e7\u00e3o da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil, que seria, mais tarde, um dos principais pontos de apoio para a forma\u00e7\u00e3o do Banco Central.<\/p>\n<p>Em novembro de 1956 a agita\u00e7\u00e3o militar voltou a intranq\u00fcilizar o governo. De um lado, a Frente de Novembro, fundada pelo coronel Nemo Canabarro Lucas e defendida na C\u00e2mara Federal pelo deputado Humberto Molinaro, vinha promovendo intenso trabalho de proselitismo nos quart\u00e9is a pretexto de refor\u00e7ar a posi\u00e7\u00e3o do general Lott no Minist\u00e9rio da Guerra. Do lado oposto, o Clube da Lanterna, criado em 1953 pelos adeptos de Carlos Lacerda e presidido pelo jornalista Fid\u00e9lis Amaral Neto, diretor da revista Maquis, centralizava a viol\u00eancia dos seus ataques nos chefes militares que haviam desencadeado o movimento de 11 de novembro de 1955 para garantir a posse de Juscelino. Os generais mais atingidos eram Lott e Od\u00edlio Denis, comandante do rec\u00e9m-criado I Ex\u00e9rcito. Esses conflitos entre os dois lados estavam criando intranq\u00fcilidade nos quart\u00e9is e amea\u00e7avam afetar a estabilidade do regime. Juscelino reuniu ent\u00e3o os ministros Nereu Ramos (da Justi\u00e7a), Jos\u00e9 Maria Alkmin (da Fazenda) e L\u00facio Meira (da Via\u00e7\u00e3o), al\u00e9m de Felisberto Batista Teixeira (chefe de Pol\u00edcia do Distrito Federal) e Tancredo Neves, para debater o assunto em todas as suas implica\u00e7\u00f5es. Ao final, decidiu-se adotar a proposta de Tancredo, decretando o imediato fechamento das duas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tancredo deixou a diretoria do Banco do Brasil em julho de 1958 para assumir, no dia 17 desse m\u00eas, a Secretaria de Finan\u00e7as do governo de Minas Gerais na gest\u00e3o de Bias Fortes. Essa indica\u00e7\u00e3o, que provocou seu afastamento da disputa direta das elei\u00e7\u00f5es legislativas de 1958, visava reaproximar Bias Fortes de Juscelino, uma vez que as rela\u00e7\u00f5es entre ambos estavam estremecidas em virtude de o governo federal n\u00e3o ter atendido a uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es de Minas Gerais. Al\u00e9m disso, Tancredo era o candidato natural do PSD \u00e0 sucess\u00e3o de Bias Fortes e seu ingresso no secretariado mineiro permitiria uma atua\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima de suas bases eleitorais.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 1958 n\u00e3o foram favor\u00e1veis ao PSD. Em Minas, onde o mandato era de cinco anos, n\u00e3o houve elei\u00e7\u00f5es para governador, mas o partido situacionista perdeu prefeituras importantes, especialmente na Zona da Mata, al\u00e9m de uma vaga no Senado, conquistada pelo udenista M\u00edlton Campos. Esse resultado agravou o descontentamento dos principais l\u00edderes pessedistas mineiros com Juscelino, considerado omisso na campanha eleitoral e devedor de maior dedica\u00e7\u00e3o aos interesses do PSD. Diante dessas diverg\u00eancias,- Tancredo viajou para o Rio para tentar restabelecer a unidade partid\u00e1ria, refor\u00e7ando ao mesmo tempo sua solidariedade ao presidente da Rep\u00fablica e ao governo.<\/p>\n<p>Em julho de 1960, Tancredo deixou a Secretaria de Finan\u00e7as para candidatar-se ao governo do estado, enfrentando uma s\u00e9rie de dificuldades para consolidar sua campanha. O deputado estadual Jos\u00e9 Ribeiro Pena tamb\u00e9m pleiteava a indica\u00e7\u00e3o do PSD para esse cargo e, derrotado na conven\u00e7\u00e3o estadual, liderou uma dissid\u00eancia com o apoio dos deputados federais Jos\u00e9 Maria Alkmin e Paulo Pinheiro Chagas. Os dissidentes registraram a chapa Ribeiro Pena-Alkmin na legenda do PDC e, com o apoio dos partidos Social Progressista (PSP) e Social Trabalhista (PST), iniciaram a campanha. Assim, a chapa Tancredo Neves-Cl\u00f3vis Salgado (republicano de Leopoldina e ministro da Educa\u00e7\u00e3o do governo de Juscelino) n\u00e3o conservou a unidade pessedista, apesar de apoiada pelo PTB e o PR.<\/p>\n<p>Minas Gerais passava nessa \u00e9poca por uma fase de grandes dificuldades financeiras. Para enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o, Tancredo criara em sua gest\u00e3o na Secretaria de Finan\u00e7as uma frota de ve\u00edculos que percorria as principais regi\u00f5es- produtoras do estado para efetuar a cobran\u00e7a de contribuintes faltosos, multando os atrasados e punindo os infratores.<\/p>\n<p><strong>Durante a campanha eleitoral, as caravanas eleitorais do candidato udenista Jos\u00e9 de Magalh\u00e3es Pinto passavam depois dos cobradores da Receita Estadual e, em cada discurso, Magalh\u00e3es intercalava a frase de efeito que ficou famosa:<\/strong> &#8220;Em vez dos jipes de fiscaliza\u00e7\u00e3o eu vos enviarei os caminh\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Outra dificuldade da campanha de Tancredo foi a escolha dos candidatos a vice-governador. O PTB, em permanente desaven\u00e7a com o PR, lan\u00e7ou o nome do deputado federal Francisco Clementino de San Tiago Dantas, mas N\u00e9lson Thibau, tamb\u00e9m petebista, candidatou-se ao mesmo cargo pelo Partido Rural Trabalhista (PRT), partido integrante da coliga\u00e7\u00e3o que apoiava Magalh\u00e3es Pinto. Este n\u00e3o apresentou nenhum nome udenista para a vice-governan\u00e7a, preferindo beneficiar-se das divis\u00f5es existentes no campo da alian\u00e7a PSD-PTB.<\/p>\n<p>A campanha eleitoral foi polarizada tamb\u00e9m pela divis\u00e3o, em n\u00edvel nacional, entre as candidaturas do general Lott, apoiado pela maior parte da coliga\u00e7\u00e3o PSD-PTB, e de J\u00e2nio Quadros, candidato da UDN. A disputa se desenvolveu em meio a grande tens\u00e3o e agressividade dos dois lados, controladas v\u00e1rias vezes pela imparcialidade de Juscelino, asperamente censurada pelos partid\u00e1rios de Lott. O petebista Jo\u00e3o Goulart, candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o para a vice-presid\u00eancia, tamb\u00e9m adotou uma posi\u00e7\u00e3o moderada por n\u00e3o desejar chocar-se diretamente com J\u00e2nio Quadros. Com isso, os governadores do PSD e do PTB, assim como seus candidatos \u00e0s sucess\u00f5es, mantiveram muitas vezes atitudes evasivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 candidatura do ex-ministro da Guerra. Tancredo Neves foi uma exce\u00e7\u00e3o, situando-se durante a campanha francamente a favor de Lott. Realizado o pleito em 3 de outubro de 1960, os resultados em Minas favoreceram a UDN. J\u00e2nio obteve 692.044 votos contra 679.951 dados a Lott; para a vice-presid\u00eancia, M\u00edlton Campos alcan\u00e7ou 667.573 votos e seu principal competidor, Jo\u00e3o Goulart, ficou com 660.337.<\/p>\n<p><strong>Para o governo estadual, a diferen\u00e7a foi maior: <\/strong>760.427 votos para Magalh\u00e3es Pinto e 680.538 para Tancredo Neves. Entretanto, a alian\u00e7a PSD-PR conseguiu eleger Cl\u00f3vis Salgado vice-governador com 580.830 votos contra 304.395 dados a San Tiago Dantas, segundo colocado.<\/p>\n<p>Antes de concluir seu mandato, Juscelino pretendeu assegurar posi\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias empresas p\u00fablicas federais. Em 19 de novembro de 1960, nomeou Tancredo para a presid\u00eancia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico (BNDE). J\u00e2nio Quadros reagiu \u00e0 pretens\u00e3o de Kubitschek, dando a entender em entrevista que n\u00e3o aceitaria em sua administra\u00e7\u00e3o interfer\u00eancias de pessoas que n\u00e3o detivessem sua inteira confian\u00e7a. Depois da posse do novo governo federal, em 31 de janeiro de 1961, o nome de Tancredo foi cogitado para chefiar a embaixada brasileira na Bol\u00edvia, mas as incompatibilidades crescentes entre o presidente e o PSD interromperam as negocia\u00e7\u00f5es. Contudo, permaneceu \u00e0 frente do BNDE at\u00e9 mar\u00e7o daquele ano.<\/p>\n<h4>Atua\u00e7\u00e3o como primeiro-ministro<\/h4>\n<p>A a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Tancredo em n\u00edvel nacio-nal voltou a ganhar destaque durante a crise pol\u00edtico-militar resultante da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 25 de agosto de 1961. Seu substituto legal, o vice-presidente Jo\u00e3o Goulart, encontrava-se em visita oficial \u00e0 China, fazendo com que a sess\u00e3o conjunta do Congresso Nacional empossasse interinamente na chefia do governo o deputado Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da C\u00e2mara. Goulart iniciou ent\u00e3o sua viagem de volta ao Brasil, mas os tr\u00eas ministros militares &#8211; general Od\u00edlio Denis, almirante S\u00edlvio Heck e brigadeiro Gabriel Gr\u00fcn Moss &#8211; decidiram vetar sua posse, alegando que o vice-presidente tinha liga\u00e7\u00f5es com os comunistas e desenvolvia atividades subversivas junto ao movimento sindical.<\/p>\n<p>Avisado por Denis sobre o veto militar \u00e0 sucess\u00e3o prevista na Constitui\u00e7\u00e3o, Ranieri Mazzilli resolveu levar o assunto ao conhecimento das principais lideran\u00e7as pol\u00edticas do pa\u00eds. Reuniu-se ent\u00e3o com Ern\u00e2ni Amaral Pei-xoto (presidente nacional do PSD), Ulisses Guimar\u00e3es, N\u00e9lson Carneiro, Jos\u00e9 Maria Alkmin, Jos\u00e9 Martins Rodrigues e Tancredo Neves. Depois de v\u00e1rias horas de debates, Mazzilli pediu a presen\u00e7a dos ministros militares, que, atrav\u00e9s de Denis, reiteraram sua decis\u00e3o anterior e se retiraram enquanto os pol\u00edticos prosseguiam buscando uma f\u00f3rmula para evitar a quebra da ordem constitucional.<\/p>\n<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o de Goulart &#8211; que vinha fazendo escalas sucessivas em v\u00e1rios aeroportos em dire\u00e7\u00e3o a Montevid\u00e9u &#8211; e a ades\u00e3o das tropas do III Ex\u00e9rcito ao movimento pela legalidade liderado pelo governador ga\u00facho Leonel Brizola, a crise se agravou. Contingentes do II Ex\u00e9rcito, sediado em S\u00e3o Paulo, chegaram a deslocar-se para o Sul com o objetivo de bloquear um poss\u00edvel avan\u00e7o das tropas legalistas.<\/p>\n<p>Depois de mais de uma semana de incertezas, todos os setores diretamente envolvidos na crise verificaram que a solu\u00e7\u00e3o do impasse teria de ser de natureza pol\u00edtica e n\u00e3o militar. Com o desenvolvimento das negocia\u00e7\u00f5es, foi apresentada a proposta de uma emenda constitucional que convertia o regime presidencia-lista em parlamentarista, reduzindo bastante os poderes do presidente da Rep\u00fablica. Esta f\u00f3rmula foi considerada satisfat\u00f3ria pelos ministros militares. Em seguida, Tancredo Neves viajou para Montevid\u00e9u a fim de obter a concord\u00e2ncia de Goulart, retornando a Bras\u00edlia no dia 1\u00ba de setembro com a miss\u00e3o cumprida. A emenda foi aprovada pelo Congresso no dia 2, abrindo o caminho para a volta de Goulart, que assumiu a presid\u00eancia em 7 de setembro.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o novo presidente enviou mensagem ao Congresso, aprovada imediatamente por 259 contra 22 votos, indicando Tancredo Neves para primeiro-ministro. O primeiro gabinete parlamentarista, buscando construir uma base pol\u00edtica ampla, capaz de reconstruir o di\u00e1logo entre os principais partidos do pa\u00eds, era composto por Ant\u00f4nio de Oliveira Brito (Educa\u00e7\u00e3o), Armando Montei-ro Filho (Agricultura) e Ulisses Guimar\u00e3es (Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio), do PSD; Francisco Clementino de San Tiago Dantas (Rela\u00e7\u00f5es Exteriores) e Est\u00e1cio Souto Maior (Sa\u00fade), do PTB; Virg\u00edlio T\u00e1vora (Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas) e Gabriel Passos (Minas e Energia), da UDN; Andr\u00e9 Franco Montoro (Trabalho e Previd\u00eancia Social), do PDC; V\u00e1lter Moreira Sales (Fazenda), sem partido; general Jo\u00e3o de Segadas Viana (Guerra), almirante \u00c2ngelo Nolasco (Marinha) e brigadeiro Cl\u00f3vis Travassos (Aeron\u00e1utica). De 8 de setembro a 13 de outubro, Tancredo ocupou interinamente a pasta da Justi\u00e7a, aguardando que o Partido Social Progressista (PSP), presidido pelo ex-governador paulista Ademar de Barros, indicasse um nome para concretizar seu apoio ao gabinete. Ademar sugeriu o deputado goiano Alfredo Nasser, que tomou posse em seguida.<\/p>\n<p>O programa do gabinete, submetido \u00e0 C\u00e2mara em 28 de setembro e aprovado no mesmo dia, foi relativamente gen\u00e9rico na formula\u00e7\u00e3o dos seus temas. Sua apresenta\u00e7\u00e3o teve mais a finalidade de cumprir uma formalidade indissoci\u00e1vel da natureza do novo regime do que propriamente de determinar uma pol\u00edtica de governo. Defendia a pr\u00e1tica de reajustes salariais peri\u00f3dicos compat\u00edveis com os \u00edndices de expans\u00e3o inflacion\u00e1ria, acolhia a tese da &#8220;pol\u00edtica externa independente&#8221;, elogiava a Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana e a pastoral pontif\u00edcia Mater et magistra e reiterava o apoio ao recurso da media\u00e7\u00e3o como forma de solu\u00e7\u00e3o de conflitos internacionais.<strong>Apontava a reforma agr\u00e1ria &#8220;como passo inicial e prec\u00edpuo para a integra\u00e7\u00e3o do homem do campo em nossa vida econ\u00f4mica&#8221; e proclamava sua identifica\u00e7\u00e3o com uma pol\u00edtica de portas abertas ao capital estrangeiro, frisando<\/strong>: &#8220;O Brasil reclama capitais alien\u00edgenas para consolidar e ampliar sua estrutura econ\u00f4mica.&#8221; O novo governo defen-dia ainda a exist\u00eancia de uma lei de controle de remessa de lucros, desde que n\u00e3o desencorajasse os investimentos estrangeiros -considerados indispens\u00e1veis ao custeio do desenvolvimento econ\u00f4mico nacional.<\/p>\n<p>Surgido em meio a uma grave crise pol\u00edtico-militar, o primeiro gabinete parlamentarista conseguiu diminuir as rivalidades entre as principais correntes pol\u00edticas do pa\u00eds. Entretanto, a insatisfa\u00e7\u00e3o social crescia, com a multiplica\u00e7\u00e3o de protestos contra a infla\u00e7\u00e3o e por maiores reajustes salariais. A crise decorrente da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros havia paralisado o pa\u00eds durante 13 dias, contribuindo para o agravamento da crise econ\u00f4mica, e os repetidos impasses nas negocia\u00e7\u00f5es trabalhistas levaram \u00e0 deflagra\u00e7\u00e3o de sucessivas greves. V\u00e1rias unidades de produ\u00e7\u00e3o da Petrobras estiveram paradas nessa \u00e9poca durante 40 dias, enquanto o ministro Gabriel Passos enfrentava dificuldades dentro do pr\u00f3prio governo para promover a substitui\u00e7\u00e3o do presidente e de um diretor dessa empresa.<\/p>\n<p>Segundo Tancredo, o gabinete parlamentarista considerou a reforma agr\u00e1ria &#8220;item de prioridade absoluta na agenda do governo&#8221; e orientou o ministro da Agricultura para criar uma comiss\u00e3o encarregada de levantar e apre-ciar os estudos e propostas existentes sobre o tema. Em janeiro de 1962, o governo recebeu um projeto de autoria do senador mineiro M\u00edlton Campos, da UDN, e no m\u00eas seguinte o Minist\u00e9rio da Agricultura apresentou tamb\u00e9m o seu.<\/p>\n<p>No dia 15 de fevereiro, o governo criou o Conselho Nacional de Reforma Agr\u00e1ria, composto por dom H\u00e9lder C\u00e2mara (bispo-auxiliar do Rio de Janeiro), Pompeu Aci\u00f3li Borges, Paulo Schilling e Edgar Teixeira Leite, encarregado de fixar as \u00e1reas priorit\u00e1rias para efeito de reforma agr\u00e1ria. Enquanto isso, a tens\u00e3o social crescia no campo, especialmente na regi\u00e3o Nordeste. Em abril, o assassinato do presidente da Liga Camponesa de Sap\u00e9 (PB), Jo\u00e3o Pedro Teixeira, provocou manifesta\u00e7\u00f5es de protesto logo proibidas pelo comandante do IV Ex\u00e9rcito, general Artur da Costa e Silva. Tancredo Neves atribuiu a movimenta\u00e7\u00e3o camponesa \u00e0 exist\u00eancia de &#8220;uma estrutura rural arcaica&#8221; e tomou a iniciativa de propor medidas pol\u00edticas para enfrentar o problema, especialmente o Plano de Sindicaliza\u00e7\u00e3o Rural, aprovado em seguida pelo conselho de ministros, abrangendo potencialmente um contingente de 16 milh\u00f5es de trabalhadores agr\u00edcolas, inclusive analfabetos.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, ao lado do aprofundamento da crise econ\u00f4mica, crescia a radicaliza\u00e7\u00e3o da luta pol\u00edtica entre as correntes defensoras das chamadas reformas de base (constitucional, agr\u00e1ria, urbana, banc\u00e1ria e tribut\u00e1ria) e as for\u00e7as conservadoras que se opunham a elas e acusavam o governo de patrocinar a agita\u00e7\u00e3o social. No dia 1\u00ba de maio de 1962, Goulart pronunciou um discurso em Volta Redonda (RJ) defendendo o car\u00e1ter inadi\u00e1vel das reformas e pregando o retorno ao regime presidencialista para garantir a a\u00e7\u00e3o de um poder executivo forte e mais est\u00e1vel. Cresceu ent\u00e3o a desconfian\u00e7a dos setores conservadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s inten\u00e7\u00f5es do governo. Nesse contexto, o gabinete de Tancredo Neves &#8211; que se caracterizava por uma pol\u00edtica de compromisso para obter um amplo consenso nacional &#8211; come\u00e7ou a perder sua raz\u00e3o de existir. No dia 6 de junho seguinte, o gabinete se demitiu em bloco, inclusive o primeiro-ministro, e seus membros ficaram em condi\u00e7\u00f5es de concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es parlamentares de outubro seguinte. Na sua presta\u00e7\u00e3o de contas ao Congresso, Tancredo salientou que a previs\u00e3o do d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio girava em torno de duzentos bilh\u00f5es de cruzeiros, mas o aumento previsto dos vencimentos do funcionalismo p\u00fablico federal elevaria esse montante a 330 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de outubro de 1962, Tancredo foi o segundo mais votado da bancada mineira do PSD, com 58.090 votos. Em 6 de janeiro de 1963, antes do in\u00edcio da nova legislatura, o regime presidencialista foi reinstaurado atrav\u00e9s de um plebiscito convocado pelo Congresso, devolvendo a Jo\u00e3o Goulart os poderes definidos na Constitui\u00e7\u00e3o de 1946.<\/p>\n<p>Depois de oito anos de afastamento do Legislativo, Tancredo retornou \u00e0 C\u00e2mara Federal em 1\u00ba de fevereiro de 1963, sendo escolhido l\u00edder da maioria formada pelo PSD e o PTB. O per\u00edodo seguinte foi marcado por grandes convuls\u00f5es pol\u00edticas e sociais, tornando-se crescente a influ\u00eancia do movimento sindical em decis\u00f5es administrativas do governo, como a nomea\u00e7\u00e3o de presidentes e diretores de empresas p\u00fablicas. A oposi\u00e7\u00e3o usou alguns exemplos dessa influ\u00eancia para denunciar as supostas inten\u00e7\u00f5es de Goulart de violar a ordem constitucional e instituir uma &#8220;rep\u00fablica sindicalista&#8221; no pa\u00eds. Com isso, setores do empresariado, c\u00edrculos pol\u00edticos liberais e algumas importantes chefias militares come\u00e7aram a se articular para depor pela for\u00e7a o governo federal.<\/p>\n<p>Tancredo procurava, nos limites de sua forma\u00e7\u00e3o pessedista, suavizar os impactos causados pelo envolvimento de Goulart com o movimento sindical. Em 30 de mar\u00e7o de 1964, quando o clima de confronto atingiu o \u00e1pice, tentou evitar que o presidente comparecesse a um ato p\u00fablico promovido pelos sargentos no Autom\u00f3vel Clube, no Rio, argumentando que sua presen\u00e7a iria inflamar a animosidade militar contra o governo. N\u00e3o obteve \u00eaxito, mas suas pondera\u00e7\u00f5es revelaram-se fundadas. No dia seguinte foi deflagrado o movimento pol\u00edtico-militar que dep\u00f4s Goulart e levou o general Humberto Castelo Branco ao poder. Tancredo afastou-se ent\u00e3o da lideran\u00e7a parlamentar, mas continuou exercendo o mandato.<\/p>\n<p>O novo regime inaugurou em 9 de abril de 1964, atrav\u00e9s do Ato Institucional n\u00ba 1 (AI-1), puni\u00e7\u00f5es extralegais aos seus advers\u00e1rios, como a suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos e a cassa\u00e7\u00e3o de mandatos parlamentares. Amea\u00e7ado de ser inclu\u00eddo em v\u00e1rias listas de puni\u00e7\u00f5es, Tancredo se manteve em posi\u00e7\u00e3o de reser-va, embora sem se distanciar dos acontecimentos pol\u00edticos. Como membro do PSD, apoiou em 1965 a candidatura vitoriosa de Israel Pinheiro \u00e0 sucess\u00e3o de Magalh\u00e3es Pinto no governo de Minas Gerais. No entanto, ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o dos partidos decretada pelo AI-2 em 27 de outubro desse ano, Tancredo n\u00e3o acompanhou a quase totalidade de seus correligion\u00e1rios mineiros, que ingressaram no bloco parlamentar da maioria e, nessa condi\u00e7\u00e3o, ajudaram a fundar em seguida a Alian\u00e7a Renovadora Nacional (Arena), novo partido situacionista. Ingressando no bloco parlamentar da oposi\u00e7\u00e3o, o ex-primeiro-ministro filiou-se depois ao Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (MDB).<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 15 de novembro de 1966, j\u00e1 concorrendo na nova legenda, foi reeleito deputado federal com 55.209 votos, a segunda maior vota\u00e7\u00e3o da bancada oposicionista mineira. Apesar de indicado para presidente do diret\u00f3rio do MDB em Minas e para l\u00edder da minoria na C\u00e2mara Federal, Tancredo n\u00e3o aceitou nenhuma posi\u00e7\u00e3o de relevo nessa legislatura. Em 1968 representou a C\u00e2mara na XXIII Assembl\u00e9ia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), realizada em Nova Iorque.<\/p>\n<p><strong>Em 15 de novembro de 1970 renovou seu mandato com a maior vota\u00e7\u00e3o do MDB em seu estado:<\/strong> 57.094 votos. No ano seguinte foi designado presidente da comiss\u00e3o executiva estadual do seu partido e da Comiss\u00e3o de Economia da C\u00e2mara dos Deputados. Advers\u00e1rio da pol\u00edtica econ\u00f4mica em vigor, numa \u00e9poca em que a censura \u00e0 imprensa impedia a divulga\u00e7\u00e3o dos discursos de parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o, Tancredo adotou como norma convidar ministros da \u00e1rea para prestar depoimentos \u00e0 comiss\u00e3o sobre as principais medidas governamentais. Na maioria das vezes os ministros n\u00e3o compareciam, enviando assessores para cumprir essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta legislatura, Tancredo participou como conselheiro das delega\u00e7\u00f5es brasileiras \u00e0s confer\u00eancias interparlamentares de Caracas (1971), Paris (1971), Abidjan (1973), Genebra (1973) e Bucareste (1974).<\/p>\n<p>Em fins de 1973, juntamente com o secret\u00e1rio-geral do MDB, Tales Ramalho, velho companheiro do PDS, lan\u00e7ou a &#8220;anticandidatura&#8221; do deputado Ulisses Guimar\u00e3es \u00e0 sucess\u00e3o do presidente Em\u00edlio Garrastazzu M\u00e9dici no pleito indireto de 15 de janeiro de 1974. Embora sem ilus\u00e3o de vit\u00f3ria no Col\u00e9gio Eleitoral, onde Ulisses disputaria com o general Ernesto Geisel, candidato do partido do gover-no, a campanha emedebista, sob o lema &#8220;Navegar \u00e9 preciso&#8221;, procurou levar ao pa\u00eds uma mensagem de resist\u00eancia e, segundo muitos analistas, teria sido a mola-mestra da vit\u00f3ria eleitoral alcan\u00e7ada pelo MDB em novembro, quando o partido conquistou 16 das 22 cadeiras em jogo no Senado.<\/p>\n<p>Nestas elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o obstante o convite para candidatar-se ao Senado por Minas na legenda emedebista, Tancredo preferiu concorrer novamente \u00e0 C\u00e2mara Federal, sendo reeleito com 71.950 votos, a terceira maior vota\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o mi-neira do seu partido. Eleito em 21 de setembro de 1975 terceiro-vice-presidente nacional do MDB, desempenhou papel conciliador em meio aos conflitos entre as correntes &#8220;aut\u00eantica&#8221; e &#8220;moderada&#8221; que lutavam pela hegemonia na agremia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 22 de dezembro de 1976, pronunciou violento discurso a prop\u00f3sito da divulga\u00e7\u00e3o da correspond\u00eancia mantida entre o Departamento de Estado do governo norte-americano e sua embaixada no Brasil durante o governo de Lyndon Johnson. Depositados na cidade de Austin, no Texas, esses documentos inclu\u00edam as mensagens trocadas durante a crise que precedeu a queda de Goulart e tra\u00e7avam o perfil de v\u00e1rios pol\u00edticos brasileiros segundo seu grau de devotamento ou antagonismo \u00e0s posi\u00e7\u00f5es internacionais dos Estados Unidos. Entre outras informa\u00e7\u00f5es, foi revelado que a esquadra norte-americana baseada no canal do Panam\u00e1 havia sido colocada em estado de alerta em seguida \u00e0 deflagra\u00e7\u00e3o do movimento pol\u00edtico-militar de 31 de mar\u00e7o de 1964 para assegurar o abastecimento de combust\u00edvel aos revoltosos na hip\u00f3tese de luta prolongada pelo poder, o que n\u00e3o se verificou. Tancredo protestou de forma veemente contra a interfer\u00eancia do servi\u00e7o secreto do governo norte-americano (a Central Intelligence Agency, CIA) na vida pol\u00edtica brasileira e qualificou de irrespons\u00e1vel a insinua\u00e7\u00e3o contra sua honestidade contida em um dos documentos revelados.<\/p>\n<p>Nesta legislatura, foi conselheiro das delega\u00e7\u00f5es brasileiras \u00e0s confer\u00eancias interparlamentares de Bogot\u00e1 (1975), Londres (1975), Madri (1976) e S\u00f3fia (1977).<\/p>\n<p>Apesar de sua postura nitidamente oposicionista, Tancredo condenava os setores do MDB que se negavam a dialogar com o governo em quest\u00f5es consideradas b\u00e1sicas, afirmando-se como lideran\u00e7a da ala moderada do partido e como interlocutor do regime na discuss\u00e3o do projeto de distens\u00e3o &#8220;lenta, gradual e segura&#8221; do presidente Geisel. Em julho de 1977, declarou-se a favor da convoca\u00e7\u00e3o de uma assembl\u00e9ia nacional constituinte e, em mar\u00e7o do ano seguinte, foi eleito -l\u00edder da bancada emedebista na C\u00e2mara, derrotando o deputado paulista Jos\u00e9 Freitas Nobre, representante dos &#8220;aut\u00eanticos&#8221;, pela diferen\u00e7a de dois votos. Em seu primeiro discurso como l\u00edder, criticou duramente a estreiteza de vis\u00e3o pol\u00edtica dos governantes, que resistiam \u00e0s press\u00f5es da na\u00e7\u00e3o pela volta do estado de direito.<\/p>\n<p>Em 30 de julho de 1978, a conven\u00e7\u00e3o es-tadual- do MDB mineiro, reunida em Belo Ho&#8211;rizonte, lan\u00e7ou a candidatura de Tancredo -Neves ao Senado. No curso da campanha eleitoral, o candidato defendeu a ado\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es diretas em todos os n\u00edveis como fundamento para a pacifica\u00e7\u00e3o nacional e ressaltou a necessidade de uma anistia ampla, geral e irrestrita para os perseguidos pol\u00edticos desde 1964. Defendeu a iniciativa privada como fundamento da atividade econ\u00f4mica nacional, embora considerasse imprescind\u00edvel o controle do Estado sobre os setores vinculados \u00e0 seguran\u00e7a nacional, e declarou aceitar a implanta\u00e7\u00e3o de multinacionais no Brasil, desde que elas n\u00e3o adotassem pol\u00edticas de esmagamento das em-presas nacionais.<\/p>\n<p>Em 15 de novembro de 1978 elegeu-se senador por Minas Gerais com 1.267.500 votos, derrotando os candidatos arenistas Israel Pinheiro Filho, outro pessedista hist\u00f3rico, e o ex-udenista Fernando Fagundes Neto. Em fevereiro de 1979 assumiu sua cadeira no Senado, onde integraria as comiss\u00f5es de Finan\u00e7as e de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Como senador, Tancredo refor\u00e7ou sua autoridade como interlocutor no projeto de transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, &#8220;sem revanchismos e sem radicalismos&#8221;, para a democracia articulado pelo senador Petr\u00f4nio Portela, ministro da Justi\u00e7a de Geisel e int\u00e9rprete, junto aos parlamentares, do projeto de reforma pol\u00edtica do governo. Neste debate, manifestou-se contr\u00e1rio \u00e0 ado\u00e7\u00e3o do voto distrital, por acreditar que este sistema enseja maior influ\u00eancia do poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Apesar de sua lealdade ao MDB, Tancredo sempre esteve convencido da artificialidade do sistema bipartid\u00e1rio autoritariamente imposto ao Brasil pelo AI-2, que segundo ele ignorava uma divis\u00e3o real das for\u00e7as pol\u00edticas nacionais. Por um lado, condenava a invas\u00e3o do partido, ap\u00f3s a anistia de 1979, por oposicio-nistas dos mais variados matizes, inflando para a esquerda a ampla frente constru\u00edda em torno do MDB. &#8220;O meu MDB n\u00e3o \u00e9 o MDB do ex-governador Miguel Arrais&#8221;, teria afirmado na \u00e9poca. Por outro lado, julgava que as antigas bases do PSD poderiam dar origem a um novo partido que n\u00e3o fosse mera repeti\u00e7\u00e3o do modelo da antiga agremia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a extin\u00e7\u00e3o do bipartidarismo em novembro de 1979, aproximou-se do deputado Magalh\u00e3es Pinto, seu antigo advers\u00e1rio na pol\u00edtica mineira, visando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um partido de centro, liberal, tendo Minas Gerais como base, com o papel de equilibrar a balan\u00e7a na passagem do poder aos civis e de fornecer o candidato \u00e0 sucess\u00e3o do presidente Figueiredo. A decis\u00e3o de Tancredo de n\u00e3o integrar o partido suced\u00e2neo de MDB foi consolidada depois do veto dos n\u00e3o-alinhados e aut\u00eanticos do MDB ao ingressso no novo partido do governador do Rio de Janeiro, Chagas Freitas, e do ex-governador do Rio Grande do Norte, Alu\u00edsio Alves e seus correligion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ainda em fins de novembro foi selada a alian\u00e7a entre os dois grupos mineiros &#8211; os moderados do ex-MDB, representados por Tancredo, e os dissidentes da antiga Arena, liderados por Magalh\u00e3es Pinto &#8211; para a forma\u00e7\u00e3o do &#8220;partido independente&#8221;, que de in\u00edcio foi chamado de Partido Democr\u00e1tico Brasileiro (PDB) e em dezembro firmou-se com a denomina\u00e7\u00e3o de Partido Popular (PP). Na opini\u00e3o de Tancredo, &#8220;teria de ser um PSD de centro-esquerda, um partido sintonizado com as realidades sociais, com conota\u00e7\u00e3o social-democrata mais acentuada, em busca da justi\u00e7a social, sem radicalismo e sem compromissos ideol\u00f3gicos&#8221;. Para ele, o que caracterizaria o radical \u00e9 que ele &#8220;se desinteressa do governo e critica o regime, a ordem social [&#8230;] Fa\u00e7o uma pol\u00edtica de oposi\u00e7\u00e3o que visa o governo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Em 20 de dezembro foi divulgado oficialmente o manifesto de lan\u00e7amento do PP, onde eram definidos os seguintes pontos program\u00e1ticos b\u00e1sicos:<\/strong> voto livre, geral e direto para todos os cargos eletivos, abrangendo o Distrito Federal; reforma constitucional que restaure as prerrogativas do Congresso na iniciativa das leis, elimine todos os res\u00edduos do arb\u00edtrio, afirme em toda a sua plenitude a soberania nacional e pro\u00edba as sublegendas; restabelecimento efetivo do sistema federativo de governo e conseq\u00fcente corre\u00e7\u00e3o dos desequil\u00edbrios setoriais e regionais; plena liberdade de imprensa e de express\u00e3o; compet\u00eancia exclusiva da Justi\u00e7a sobre excessos cometidos e supress\u00e3o do controle governamental das fontes de informa\u00e7\u00e3o; revis\u00e3o da Lei de Seguran\u00e7a Nacional (LSN) e recomposi\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a a Nacional, visando a compatibiliz\u00e1-lo com o Estado democr\u00e1tico; julgamento por tribunais civis de todos os crimes n\u00e3o militares. Ao novo partido alinhavam-se, al\u00e9m do grupo mineiro, o governador do Rio de Janeiro, Chagas Freitas, os ex-governadores Jaime Canet (PR), Paulo Eg\u00eddio Martins (SP), Alu\u00edsio Alves (RN) e Roberto Santos (BA), o ex-prefeito de S\u00e3o Paulo e ex-arenista Olavo Set\u00fabal, os deputados Tales Ramalho (PE) e Miro Teixeira (RJ), do antigo MDB, dentre muitos outros. Os deputados &#8220;aut\u00eanticos&#8221; e os &#8220;n\u00e3o-alinhados&#8221; do ex-MDB uniram-se no Partido do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (PMDB), liderado por Ulisses Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Por contar em seus quadros com Magalh\u00e3es Pinto, Olavo Set\u00fabal e Herbert Levy, o PP foi denominado depreciativamente pela imprensa de &#8220;partido dos banqueiros&#8221;. Foi chamado tamb\u00e9m de &#8220;Partido do Petr\u00f4nio&#8221;, por supostamente seguir os termos de um acordo t\u00e1cito firmado entre Tancredo, o deputado Tales Ramalho e o ministro Petr\u00f4nio Portela, grande incentivador da cria\u00e7\u00e3o de um partido de centro, e como tal visto n\u00e3o como um partido de oposi\u00e7\u00e3o, mas como uma agremia\u00e7\u00e3o auxiliar do PDS.<\/p>\n<p>O PP realizou sua sess\u00e3o inaugural no pal\u00e1cio do Congresso, em Bras\u00edlia, no dia 10 de janeiro de 1980, sob a presid\u00eancia conjunta de Tancredo Neves e Magalh\u00e3es Pinto. Foi formada, na ocasi\u00e3o, uma comiss\u00e3o organizadora provis\u00f3ria e aprovado um programa m\u00ednimo defendendo a convoca\u00e7\u00e3o de uma assembl\u00e9ia constituinte, elei\u00e7\u00f5es diretas, revis\u00e3o da LSN e prote\u00e7\u00e3o aos pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios rurais. Em 15 de mar\u00e7o de 1981 os deputados do PP apoiaram a candidatura de Djalma Marinho, dissidente do Partido Democr\u00e1tico Social (PDS), \u00e0 presid\u00eancia da C\u00e2mara Federal, em oposi\u00e7\u00e3o ao candidato oficial do partido situacionista, N\u00e9lson Marchezan, finalmente eleito.<\/p>\n<p>Em 7 de junho, em conven\u00e7\u00e3o nacional rea-lizada em Bras\u00edlia, Tancredo foi eleito presidente do PP, cabendo a Magalh\u00e3es Pinto a presid\u00eancia de honra da agremia\u00e7\u00e3o. Na ocasi\u00e3o, o senador mineiro afirmou que a na\u00e7\u00e3o estava amorda\u00e7ada por uma pequena minoria que usurpou o poder pela for\u00e7a e dele n\u00e3o queria sair sen\u00e3o pela for\u00e7a. A partir da\u00ed, todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas foram ardentemente oposicionistas.<\/p>\n<p>Em julho de 1981 Tancredo foi lan\u00e7ado em Montes Claros (MG) como candidato ao governo de Minas Gerais pelo PP e em outubro tiveram in\u00edcio as negocia\u00e7\u00f5es com o senador Itamar Franco, do PMDB, visando uma poss\u00edvel alian\u00e7a estadual para enfrentar o PDS. Em novembro, reuniu-se com o ministro da Justi\u00e7a Ibrahim Abi-Ackel em busca de um acordo que agilizasse a aprova\u00e7\u00e3o dos projetos de reforma eleitoral em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso.<\/p>\n<p>Quando o governo, em 25 de novembro de 1981, enviou \u00e0 C\u00e2mara projeto de proibi\u00e7\u00e3o das coliga\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias e estabelecimento do voto vinculado para as elei\u00e7\u00f5es de 1992 &#8211; uma inesperada altera\u00e7\u00e3o no curso da abertura -,- Tancredo decidiu enterrar o sonho do PP e passou a defender a fus\u00e3o de todas as correntes oposicionistas em uma s\u00f3 legenda. A tese foi recha\u00e7ada pelo PTB, o PDT e o PT, mas teve aco-lhida favor\u00e1vel da maioria dos membros do PMDB e do PP. <strong>Para o senador, n\u00e3o havia diverg\u00eancia radical de programa entre o PMDB e o PP:<\/strong> &#8220;A diverg\u00eancia est\u00e1 na metodologia da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O PMDB \u00e9 muito mais agressivo em busca de suas metas e o PP um partido de a\u00e7\u00e3o mais moderada, mais serena, que tenta buscar os seus objetivos em clima de compreens\u00e3o, de entendimento e de concilia\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A fus\u00e3o do PP com o PMDB foi oficializada em conven\u00e7\u00e3o realizada em 14 de fevereiro de 1982, quando Tancredo foi eleito vice-presidente nacional do novo PMDB. A decis\u00e3o n\u00e3o teve o apoio de importantes lideran\u00e7as pepistas, como Herbert Levy, Magalh\u00e3es Pinto e Tales Ramalho, que ap\u00f3s tentarem impugnar a incorpora\u00e7\u00e3o, acabaram indo para o PDS. No novo partido, Tancredo continuou liderando a ala moderada, organizada no grupo Unidade.<\/p>\n<p>No pleito de novembro de 1982, elegeu-se governador do estado de Minas Gerais, o primeiro por voto direto desde 1965, com 2.667.597 votos, contra 2.424.197 obtidos por Eliseu Resende, candidato do PDS.<\/p>\n<p>Ao ser diplomado pelo presidente do TRE regional em 28 de dezembro, o futuro governador centrou seu discurso na cr\u00edtica \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o eleitoral imposta pelo regime autorit\u00e1rio, repleta, em sua opini\u00e3o, de &#8220;ca-su\u00edsmos impertinentes&#8221; que dificultavam a a\u00e7\u00e3o dos partidos e dos candidatos. Destacou a necessidade de torn\u00e1-la compat\u00edvel com o novo ciclo pol\u00edtico que se iniciava, no sentido de fortalecer e consolidar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em fins de fevereiro de 1983, Tancredo anunciou a composi\u00e7\u00e3o de seu secretariado, que buscava representar, na exata medida de suas for\u00e7as, as correntes pol\u00edticas que o levaram ao poder. Na Secretaria de Governo e Coordena\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica colocou o amigo Renato Azeredo, substitu\u00eddo ao falecer meses depois por outro pessedista, o deputado Carlos Cotta. Para a Secretaria do Interior e Justi\u00e7a escolheu S\u00edlvio Abreu Filho. Para as pastas da \u00e1rea econ\u00f4mica chamou Ronaldo Costa Couto (Planejamento) e Lu\u00eds Rog\u00e9rio Mitraud (Fazenda), que, se n\u00e3o contavam com as simpatias da esquerda e do PMDB ortodoxo, tinham largo tr\u00e2nsito em Bras\u00edlia, onde pode-ria-m buscar financiamentos importantes para o governo. Atendendo os fazendeiros da regi\u00e3o do Tri\u00e2ngulo Mineiro, Tancredo indicou o conservador Arnaldo Rosa Prata para a Secretaria da Agricultura; para o grupo do extinto PP reservou a Secretaria dos Transportes, entregue ao deputado estadual \u00c1lvaro Ant\u00f4nio (ex-Arena), e a da Cultura, que coube ao deputado Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira. <strong>A \u00e1rea social ficou com o PMDB ortodoxo: <\/strong>Ot\u00e1vio El\u00edsio Alves de Brito na Educa\u00e7\u00e3o, Ronan Tito no Trabalho e Dario Tavares na Sa\u00fade. Tancredo ainda aplacou a esquerda ao abrir vaga na C\u00e2mara para o deputado Lu\u00eds Guedes, eleito com o apoio do PCdoB, que amargava uma supl\u00eancia. Para a prefeitura de Belo Horizonte nomeou o vice-governador H\u00e9lio Garcia.<\/p>\n<p>No dia 10 de mar\u00e7o Tancredo Neves despediu-se de seu mandato legislativo no Senado. Em seu discurso, ressaltou os perigos da recess\u00e3o econ\u00f4mica, cujo prolongamento, disse, &#8220;terminar\u00e1 por destruir o nosso sistema produtivo, explodir\u00e1 o nosso parque industrial, enfraquecer\u00e1 nosso mercado, levar\u00e1 o des\u00e2nimo \u00e0s atividades agropecu\u00e1rias&#8221;. <strong>O tema da crise foi, igualmente, o fundamento de seu discurso de posse no pal\u00e1cio da Liberdade, cinco dias depois:<\/strong> &#8220;Sabemos, porque sentimos em nossa carne, que as atividades rurais est\u00e3o imersas no des\u00e2nimo do esfor\u00e7o sem resposta satisfat\u00f3ria e na ang\u00fastia de intoler\u00e1vel endividamento.<\/p>\n<p>Desativam-se as empresas industriais, com o cortejo sinistro do desemprego, que amplia a \u00e1rea da mis\u00e9ria, da dor e do desespero em tantos e tantos lares de Minas. O com\u00e9rcio sucumbe ao peso de fortes encargos sociais e financeiros, e os empres\u00e1rios assistem, confrangidos, \u00e0 infla\u00e7\u00e3o corroer seu patrim\u00f4nio, somado, tantas vezes, pelo persistente esfor\u00e7o de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. A m\u00e1quina administrativa, cara e obsoleta, cada vez se distancia de sua finalidade, tornando-se lenta e desumana. O cr\u00e9dito, escasso e oneroso para os pequenos e m\u00e9dios empreendedores, faz a opul\u00eancia dos grandes e poderosos. A casa pr\u00f3pria, sonho de todo trabalhador, \u00e9 hoje seu flagelo.&#8221;<\/p>\n<p>Tancredo recebera um estado endividado. As grandes obras, exceto as administradas pela Prefeitura de Belo Horizonte, foram logo postas fora de cogita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a arrecada\u00e7\u00e3o comple-tamente comprometida pelo pagamento de quatrocentos mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos, o governador estabeleceu como prioridade a recomposi\u00e7\u00e3o do perfil da d\u00edvida.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 no in\u00edcio de abril encontrou-se com o presidente Jo\u00e3o Figueiredo em Bras\u00edlia para chamar a aten\u00e7\u00e3o para a preocupante situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que havia encontrado no estado: <\/strong>uma d\u00edvida de 1,2 bilh\u00e3o de d\u00f3lares, com o agravante de que um sexto desse montante deveria ser resgatado at\u00e9 o fi-nal do ano. Ressaltou que s\u00f3 em 1981 dez grandes empresas haviam encerrado suas atividades em Minas por for\u00e7a do processo recessivo a que o pa\u00eds vinha sendo submetido, ocasionando a forma\u00e7\u00e3o de contingentes de desempregados numa extens\u00e3o capaz de agravar os confrontos sociais, cujos efeitos seriam negativos para a reconquista da democracia. Desse encontro resultaria a rolagem da d\u00edvida externa de Minas, o que permitiu ao governo lan\u00e7ar-se na realiza\u00e7\u00e3o de empreendimentos de infra-estrutura visando \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de uma parcela consider\u00e1vel da m\u00e3o-de-obra ociosa e, deste modo, evitar a repeti\u00e7\u00e3o em Minas dos dist\u00farbios e saques que vinham ent\u00e3o ocorrendo, em conseq\u00fc\u00eancia da crise econ\u00f4mica, nas grandes capitais como S\u00e3o Paulo e Rio.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m recorreu ao financiamento externo, sobretudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Internacional de Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (BIRD). Segundo o secret\u00e1rio do Planejamento do estado, Ronaldo Costa Couto, mais de 60% do dinheiro investido em Minas em sua gest\u00e3o vieram desse esfor\u00e7o de capta\u00e7\u00e3o externa. Dentro de casa, Tancredo imp\u00f4s novo ritmo \u00e0 arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, estimulando os contribuintes atrav\u00e9s de campanhas publicit\u00e1rias e de facilidades aos que cumpriam suas obriga\u00e7\u00f5es em dia ou desejavam regulariz\u00e1-las.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante sua postura conciliadora, o governador n\u00e3o transigiu em seu apego \u00e0 legalidade. A pol\u00edcia de Tancredo reprimiu piquetes e greves, embora o governador tenha recebido delega\u00e7\u00f5es de sindicalistas para conver-sar; o governo intermediou conflitos trabalhistas, mas fez cumprir a Lei de Greve e impediu manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas fora dos recintos permitidos pela Secretaria de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0s tarefas administrativas, Tancredo desempenhou um papel de destaque na pol\u00edtica nacional, participando ativamente dos debates e articula\u00e7\u00f5es organizadas pela oposi\u00e7\u00e3o com vistas \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e ao reordenamento do sistema representativo. No decorrer de 1983, proferiu v\u00e1rias confer\u00eancias e discursos exortando o povo brasileiro a persistir na luta pela convoca\u00e7\u00e3o de uma assembl\u00e9ia nacional constituinte que substitu\u00edsse a Carta em vigor, que &#8220;nos enche de vergonha perante os outros povos&#8221;. Associa-va o futuro das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ao comportamento da economia, cuja estabilidade, segundo ele, n\u00e3o poderia suportar a incid\u00eancia de uma press\u00e3o inflacion\u00e1ria da ordem de 150% ao ano. Defendia a concilia\u00e7\u00e3o nacional como a f\u00f3rmula mais adequada de encaminhamento da transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, desde que conduzida sob a responsabilidade das agremia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias legitimamente representadas no Congresso.<\/p>\n<p>Pregava tamb\u00e9m a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa sem a interfer\u00eancia de fatores que pudessem afetar a soberania nacional ou importar maiores sacrif\u00edcios aos segmentos sociais mais atingidos pela recess\u00e3o, pelo desemprego e pelo achatamento salarial.<\/p>\n<h4>A campanha pela elei\u00e7\u00f5es diretas e a forma\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica<\/h4>\n<p>Em fins de 1983, o deputado Dante de Oliveira, do PMDB de Mato Grosso, apresentou na C\u00e2mara um projeto de emenda constitucio-nal restabelecendo as elei\u00e7\u00f5es diretas para presidente da Rep\u00fablica, pr\u00e1tica extinta em outubro de 1965 pelo Ato Institucional n\u00ba 2, editado pelo marechal Castelo Branco. A emenda Dante de Oliveira, como ficou conhecida, mobilizou a opini\u00e3o p\u00fablica e as lideran\u00e7as parlamentares de oposi\u00e7\u00e3o, produzindo tamb\u00e9m grande impacto no partido governista, em que crescia o descontentamento com o governo do general Jo\u00e3o Batista Figueiredo. A partir de ent\u00e3o, come\u00e7ou a ganhar corpo a proposta de estabelecimento de um pacto pol\u00edtico entre as correntes oposicionistas e os descontentes do PDS comprometidos com a retomada da legalidade com vistas a lan\u00e7ar um candidato de consenso \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em pleito direto a ser realizado em novembro de 1984. Desde o in\u00edcio, Tancredo Neves foi cogitado para cumprir esse papel, devido principalmente \u00e0 sua habilidade conciliat\u00f3ria e \u00e0 sua vis\u00e3o moderada acerca do processo de transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>De janeiro a abril de 1984, os com\u00edcios em favor das elei\u00e7\u00f5es diretas em todos os n\u00edveis reuniram multid\u00f5es surpreendentes nas pra\u00e7as das capitais e principais cidades do pa\u00eds (no conjunto, mais de 30 milh\u00f5es de brasileiros, segundo estimativa de seus articuladores), convertendo-se em um movimento nacional de rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade do arb\u00edtrio.<\/p>\n<p>Tancredo Neves participou com grande destaque de todas as manifesta\u00e7\u00f5es. No entanto, acreditando que o regime militar, mesmo combalido pelo crescente desgaste nas \u00e1reas pol\u00edtica e econ\u00f4mica, n\u00e3o deixaria de mobilizar todos os instrumentos de press\u00e3o de que dispunha para neutralizar a perspectiva de uma derrota no Congresso, n\u00e3o afastava a possibilidade de o PMDB disputar o pleito presidencial indireto na hip\u00f3tese de se tornar invi\u00e1vel a obten\u00e7\u00e3o de maioria absoluta para a aprova\u00e7\u00e3o da emenda Dante de Oliveira.<\/p>\n<p>Com efeito, a amplitude nacional da campanha das Diretas J\u00e1 e a crescente proje\u00e7\u00e3o de seus l\u00edderes levaram o governo a endurecer. No dia 24 de abril, v\u00e9spera da vota\u00e7\u00e3o da emenda na C\u00e2mara, o presidente Figueiredo decretou estado de emerg\u00eancia em Bras\u00edlia e designou para seu executor o general Newton Cruz, chefe do Comando Militar do Planalto, conhecido como &#8220;linha dura&#8221;. A justificativa oficial para a mobiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a policial no cerco ao Congresso e contra as manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-diretas programadas foi a necessidade de defender os parlamentares do que foi denominado de &#8220;coa\u00e7\u00e3o popular&#8221;. Na realidade, os dispositivos repressivos foram acionados n\u00e3o apenas com o objetivo de intimidar os congressistas, mas especialmente para evitar que as manifesta\u00e7\u00f5es populares encontrassem eco junto aos parlamentares do PDS menos submissos em seus compromissos de fidelidade ao governo.<\/p>\n<p>A emenda Dante de Oliveira foi votada na C\u00e2mara dos Deputados no dia 25 de abril de 1984, em sess\u00e3o que durou 16 horas e na qual o PDS, cumprindo determina\u00e7\u00f5es do pal\u00e1cio do Planalto, retirou do plen\u00e1rio 113 parlamentares de sua bancada. Mesmo assim, 298 congressistas votaram a favor, 65 contra e tr\u00eas se abstiveram. Faltaram, portanto, apenas 22 votos favor\u00e1veis para que fosse atingido o total de 320 votos, dois ter\u00e7os da composi\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara, necess\u00e1rio \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da emenda, condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para o seu posterior envio ao Senado.<\/p>\n<p>Desde 1968, quando parlamentares da Arena se aliaram ao MDB e negaram a solicita\u00e7\u00e3o do governo para processar o deputado emedebista M\u00e1rcio Moreira Alves, o que motivou, em repres\u00e1lia, a edi\u00e7\u00e3o do AI-5, esta fora a primeira vez em que o instituto da fidelidade partid\u00e1ria entrara em colapso sem suscitar rea\u00e7\u00f5es punitivas do regime. Apesar de a desobedi\u00eancia do PDS n\u00e3o ter sido suficiente para garantir a aprova\u00e7\u00e3o da emenda, o epis\u00f3dio certamente selou a divis\u00e3o no seio da agremia-\u00e7\u00e3o governista, fortalecendo os progn\u00f3sticos em torno do \u00eaxito de uma eventual candidatura Tancredo Neves no Col\u00e9gio Eleitoral.<\/p>\n<p><strong>Prevalecendo a op\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria (indireta) para a escolha do sucessor de Figueiredo em 1985, quatro candidatos se apresentaram para disputar a indica\u00e7\u00e3o pelo PDS: <\/strong>o vice-presidente Aureliano Chaves, o senador por Pernambuco Marco Maciel, o general M\u00e1rio Andreazza, ministro do Interior, e o deputado Paulo Maluf (SP). Para resolver o impasse, o presidente na-cional do partido, senador Jos\u00e9 Sarney, com o apoio do presidente Figueiredo, prop\u00f4s em junho desse ano a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias entre todos os filiados que ocupassem postos eletivos ou cargos em diret\u00f3rios, desde os municipais, de modo a se definir um candidato de consenso a ser levado \u00e0 conven\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria marcada para setembro, numa vers\u00e3o brasileira das elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias americanas.<\/p>\n<p>Contudo, a recusa de Maluf em participar deste tipo de consulta, que considerou um casu\u00edsmo de seus advers\u00e1rios para deter sua candidatura, fundamentada num trabalho dirigido diretamente aos 686 convencionais, levou Figueiredo a retirar seu apoio \u00e0 proposta. Tal recuo permitiu a Maluf arregimentar for\u00e7as para derrotar a proposta de realiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e9vias na reuni\u00e3o da diret\u00f3rio nacional do partido convocada justamente para planejar a sua realiza\u00e7\u00e3o. O epis\u00f3dio culminaria com a ren\u00fancia de Jos\u00e9 Sarney da presid\u00eancia do PDS, concretizando a ruptura da unidade da agremia\u00e7\u00e3o governista.<\/p>\n<p>At\u00e9 esse momento, Tancredo alimentara e apoiara ostensivamente a candidatura de Aureliano Chaves, posi\u00e7\u00e3o que decerto foi fundamental para garantir a ades\u00e3o do vice-presidente \u00e0 candidatura oposicionista quando este se viu sem chances de concorrer ao pal\u00e1cio do Planalto. A costura deste apoio, conhecido como o &#8220;acordo de Minas&#8221;, foi iniciada ainda na noite da ren\u00fancia de Sarney, quando este recebeu a visita do deputado Ulisses Guimar\u00e3es e do senador peemedebista Fernando Henrique Cardoso e, confessando-se tra\u00eddo pelo presidente, deu o sinal de que ele e seu grupo se dispunham a apoiar um candidato da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em meio a essa crise pol\u00edtico-institucional, o governo enviou mensagem ao Congresso em fins de junho concedendo a prerrogativa da es-colha universal para 1988. Insatisfeita, por\u00e9m, com a contemporiza\u00e7\u00e3o governamental, a oposi\u00e7\u00e3o contra-atacou com uma subemenda antecipando a data da realiza\u00e7\u00e3o do pleito direto. Foi o bastante para que os com\u00edcios p\u00fablicos, esvaziados depois de 25 de abril, voltassem a agitar as pra\u00e7as das principais capitais brasileiras. Ainda em junho, \u00e0s v\u00e9speras da vota\u00e7\u00e3o da emenda Figueiredo, que regulamentava as elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Col\u00e9gio Eleitoral, o PMDB e os partidos aliados, inclusive os descontentes do PDS aglutinados em torno de Sarney, Aureliano e Maciel, obtiveram destaque para a subemenda das diretas, o que levou o go-verno, temeroso de nova derrota no Congresso, a retirar sua emenda, produzindo novos impasses nas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com o intuito de deter o retrocesso da redemocratiza\u00e7\u00e3o, os governadores do PMDB, sob a presid\u00eancia do deputado Ulisses Guimar\u00e3es, reuniram-se em Bras\u00edlia no dia 29 de junho e decidiram lan\u00e7ar o nome de Tancredo Neves \u00e0 disputa no Col\u00e9gio Eleitoral. Quatro dias depois a Frente Liberal do PDS rompeu definitivamente com o governo federal, passando a atuar- no Congresso e nas assembl\u00e9ias legislativas estaduais como bloco parlamentar independente e dando in\u00edcio \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com a oposi\u00e7\u00e3o em torno do lan\u00e7amento da candidatura do governador de Minas \u00e0 presid\u00eancia. A forma\u00e7\u00e3o da Frente Liberal implicou, automaticamente, as desist\u00eancias de Aureliano Chaves e Marco Maciel da disputa pela indica\u00e7\u00e3o do PDS na conven\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, ficando esta restrita aos candidatos Andreazza e Maluf.<\/p>\n<p>No dia 14 de julho, no pal\u00e1cio Jaburu, sede da vice-presid\u00eancia da Rep\u00fablica, foi firmado o pacto da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica para enfrentar a caminhada de Paulo Maluf, o mais cotado dos pr\u00e9-candidatos pedessitas, rumo ao pal\u00e1cio do Planalto. Participaram do encontro, pelo PMDB, os senadores Pedro Simon, Afonso Camargo e Humberto Lucena, al\u00e9m dos deputados Ulisses Guimar\u00e3es e Freitas Nobre; pela Frente Liberal, o vice-presidente Aureliano Chaves, os senadores Jos\u00e9 Sarney, Jo\u00e3o Calmon, Jorge Bornhausen, Marco Maciel e Guilherme Palmeira, e os deputados Jos\u00e9 Louren\u00e7o, Fernando Bastos, Saulo Queir\u00f3s, Fran\u00e7a Teixeira e Volnei Siqueira; e pela dissid\u00eancia do PDS, o presidente do diret\u00f3rio regional do Rio de Janeiro, Wellington Moreira Franco.<\/p>\n<p><strong>O pacto foi consolidado em encontro realizado em Bras\u00edlia no dia 7 de agosto, quando foram abordados os itens essenciais do programa do candidato aliancista: <\/strong>constituinte, problemas sociais, elei\u00e7\u00f5es diretas, d\u00edvida externa, casa pr\u00f3pria, pleno emprego, previd\u00eancia social, liberdade sindical e estado de direito. Na ocasi\u00e3o, ficou decidido que a Frente Liberal faria a indica\u00e7\u00e3o do candidato \u00e0 vice-presid\u00eancia da Rep\u00fablica, recaindo a escolha no senador Jos\u00e9 Sarney. A coordena\u00e7\u00e3o da campanha ficou a cargo de Ulisses Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Convencida de que os partid\u00e1rios de An-dreaz-za, que recebera o apoio oficial dos governadores pedessistas da Bahia, Maranh\u00e3o, Rio Grande do Sul, Para\u00edba, Piau\u00ed, Rio de Grande do Norte, Alagoas e Rond\u00f4nia n\u00e3o absorveriam a candidatura Maluf caso ela triunfasse na conven\u00e7\u00e3o do PDS, a Alian\u00e7a Democr\u00e1tica procurou ampliar suas bases onde o ministro do Interior buscava refor\u00e7ar seus redutos (no Nordeste), mediante, entre outros recursos, a participa\u00e7\u00e3o ass\u00eddua de Tancredo nas reuni\u00f5es da Sudene.<\/p>\n<p>Conforme o esperado, a vit\u00f3ria de Maluf sobre Andreazza na conven\u00e7\u00e3o do PDS, antecipada para 11 de agosto de 1984, veio somar for\u00e7as \u00e0 campanha oposicionista, a que aderiu grande parte dos partid\u00e1rios do candidato pedessista derrotado. No dia seguinte foi realizada a conven\u00e7\u00e3o do PMDB que homologou a chapa da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica para concorrer \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Dos 791 delegados com direito a voto, 103 n\u00e3o compareceram, ocasionando os seguintes resultados: <\/strong>Tancredo obteve 656 votos, contra 32 votos brancos ou nulos, e Jos\u00e9 Sarney, que, para atender \u00e0s exig\u00eancias da legisla\u00e7\u00e3o eleitoral, filiara-se provisoriamente ao PMDB, j\u00e1 que a Frente Liberal n\u00e3o era um partido, obteve 543 votos contra 143 votos brancos e nulos.<\/p>\n<p>Em seu discurso de agradecimento pela indica\u00e7\u00e3o, o candidato defendeu a concilia\u00e7\u00e3o e a conc\u00f3rdia como meios de edifica\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia da ordem democr\u00e1tica; prometeu a recupera\u00e7\u00e3o do regime federativo como forma indissoci\u00e1vel das pr\u00e1ticas republicanas, e afirmou sua cren\u00e7a no potencial do Brasil para desenvolver uma economia pujante, tendo defendido o fortalecimento das pequenas e m\u00e9dias empresas e a reformula\u00e7\u00e3o da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), desfigurada pelo arb\u00edtrio.<\/p>\n<p>No dia 14 de agosto, Tancredo reuniu seus assessores no pal\u00e1cio da Liberdade e anunciou sua ren\u00fancia ao governo de Minas Gerais. Assumiu o cargo o vice-governador H\u00e9lio Garcia, que remanejou o secretariado, nele incluindo elementos da Frente Liberal. Com esta estrat\u00e9gia, denominada de &#8220;uni\u00e3o mineira&#8221;, foram isolados os poucos remanescentes do PDS no estado que permaneciam ao lado de Maluf.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s cumprir um mandato de 17 meses, Tancredo deixou um saldo positivo de oitocentos bilh\u00f5es de cruzeiros na arrecada\u00e7\u00e3o fiscal. A d\u00edvida externa do estado foi rolada em 70% e a economia mineira, depois de tr\u00eas anos com resultados negativos, encerrou o primeiro semestre de 1984 com um crescimento de 2,6% do produto interno. De acordo com relat\u00f3rio apresentado pela Secretaria de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio de Minas Gerais relativo ao per\u00edodo final do governo de Tancredo Neves, de janeiro a agosto de 1984, comparativamente a igual per\u00edodo do ano anterior, o setor manufatureiro mineiro obteve um crescimento de 13,84% e a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o foi de 27%, tendo sido implantadas 21 novas destilarias de \u00e1lcool no estado. O volume de divisas obtidas com a exporta\u00e7\u00e3o elevou-se em 18,5% e a receita alcan\u00e7ada com a arrecada\u00e7\u00e3o do ICM totalizou 1,7 trilh\u00e3o de cruzeiros, reconduzindo Minas \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de terceira maior unidade da Federa\u00e7\u00e3o no recolhimento daquele tributo.<\/p>\n<h4>A campanha presidencial e a vit\u00f3ria no Col\u00e9gio Eleitoral<\/h4>\n<p>A sucess\u00e3o presidencial n\u00e3o transcorreu sem reiteradas amea\u00e7as destinadas a intranq\u00fcilizar o encaminhamento do processo eleitoral. A crise fazia-se sentir no interior das for\u00e7as armadas e entre o poder constitu\u00eddo e o meio pol\u00edtico e decorria de projetos que visavam contrariar a mais prov\u00e1vel decis\u00e3o do Col\u00e9gio Eleitoral em favor do candidato da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica, que iniciava sua campanha com sucessivas declara\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o por parte de governadores nordestinos e de figuras significativas do empresariado. Apesar dos esfor\u00e7os de Figueiredo, que passou a incluir a presen\u00e7a de Maluf em atos oficiais do governo federal, numa tentativa de vencer as resist\u00eancias contra o ex-governador paulista que ainda persistiam no partido e em setores importantes do regime, o candidato oficial n\u00e3o parecia capaz de se afirmar como uma real op\u00e7\u00e3o para o governo.<\/p>\n<p>Os antecedentes da crise militar, que chegou a fomentar alguns ind\u00edcios de amea\u00e7as \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da candidatura Tancredo Neves, ocorreram entre fins de fevereiro e meados de mar\u00e7o de 1984, quando o almirante Maximia-no da Fonseca pediu demiss\u00e3o do Minist\u00e9rio da Marinha e foi recebido apoteoticamente no Rio de Janeiro pela oficialidade incorporada da Armada. De acordo com entrevista concedida pelo ministro ao Centro de Pesquisa e Documenta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea do Brasil (Cpdoc) em 1985, os motivos de sua exonera\u00e7\u00e3o foram inspirados por obje\u00e7\u00f5es do general Ot\u00e1vio Medeiros, chefe do SNI, a uma solu\u00e7\u00e3o civil para a sucess\u00e3o do presidente Figueiredo, por entender que a afirma\u00e7\u00e3o de uma nova candidatura militar, oriunda da chamada comunidade de informa\u00e7\u00f5es, constitu\u00eda a \u00fanica forma capaz de dar sustenta\u00e7\u00e3o ao conceito de seguran\u00e7a nacional que embasava os objetivos b\u00e1sicos do movimento de 31 de mar\u00e7o de 1964.<\/p>\n<p>Segundo a revista Veja de 28 de mar\u00e7o de 1984, a principal raz\u00e3o da queda de Maximiano teria sido o compromisso que ele assumira com a reposi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nos limites da legalidade constitucional. No dia 16 de mar\u00e7o, indagado a respeito de sua posi\u00e7\u00e3o diante da campanha popular em favor das elei\u00e7\u00f5es diretas, o ministro teria afirmado que &#8220;enquanto n\u00e3o houver barulho ou baderna, est\u00e1 bem que o povo se manifeste&#8221;. \u00c0 noite, recebera um telefonema do general Rubem Ludwig, ministro-chefe do Gabinete Militar, pedindo, em nome de Figueiredo, confirma\u00e7\u00e3o da entrevista. Maximiano n\u00e3o s\u00f3 confirmaria sua declara\u00e7\u00e3o como solicitaria a Ludwig que marcasse o dia da entrega de sua carta de demiss\u00e3o ao presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o do ministro, por\u00e9m, por maior- irrita\u00e7\u00e3o que tivesse causado nos meios militares, certamente n\u00e3o teria sido suficiente para ocasionar a sa\u00edda do titular de uma pasta militar. Raz\u00e3o mais forte parece ter sido a entrevista publicada na \u00e9poca pela revista Playboy, na qual Maximiano informava sobre a exist\u00eancia de um plano, por ele elaborado, proporcionando \u00e0 Marinha condi\u00e7\u00f5es de bloquear quaisquer tentativas de revers\u00e3o do projeto de abertura pol\u00edtica. O ministro n\u00e3o fazia revela\u00e7\u00f5es a respeito de um poss\u00edvel gol-pe em curso; afirmava apenas que sua iniciativa tivera um car\u00e1ter preventivo, no sentido de evitar que a Marinha fosse surpreendida por acontecimentos adversos.<\/p>\n<p>Meses mais tarde, no dia 10 de agosto, \u00e0s v\u00e9speras da conven\u00e7\u00e3o do PMDB, agentes da 1\u00aa Delegacia Policial de Bras\u00edlia prenderam quatro pessoas que colavam cartazes de propaganda do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) apoiando Tancredo Neves. De madrugada, o titular da delegacia recebeu a visita do tenente-coronel Ar\u00eddio M\u00e1rio de Sousa Filho exigindo a soltura imediata dos presos, que eram na realidade um major, um capit\u00e3o e dois sargentos a servi\u00e7o do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (Ciex), \u00f3rg\u00e3o chefiado pelo general \u00cdris Lustosa e diretamente vinculado ao gabinete do ministro do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, novos boatos foram disseminados em Bras\u00edlia sugerindo que um poderoso setor das for\u00e7as armadas amea\u00e7ava intervir no processo eleitoral. Surgiram tamb\u00e9m not\u00ed-cias- a respeito de um projeto de resist\u00eancia ao suposto golpe em prepara\u00e7\u00e3o, envolvendo inclusive a composi\u00e7\u00e3o de um esquema defensivo com vistas a garantir a se-gu-ran\u00e7a f\u00edsica do candidato oposicionista em sua movimenta\u00e7\u00e3o pelos estados, apoiado em promessas de mobiliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias militares em Minas, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Paran\u00e1 e Goi\u00e1s. Mas esse apoio n\u00e3o era suficiente. Era preciso buscar s\u00f3lida sustenta\u00e7\u00e3o militar no Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Assim, no in\u00edcio de setembro, por iniciativa dos generais Reinaldo Melo de Almeida e Gus-tavo Morais Rego, Tancredo avistou-se com o ex-presidente Ernesto Geisel em seu escrit\u00f3rio na Norquisa, no Rio de Janeiro. Dele recebeu a garantia de que o Ex\u00e9rcito se manteria distante do problema sucess\u00f3rio, cuja solu\u00e7\u00e3o o pa\u00eds havia transferido \u00e0 sociedade civil atrav\u00e9s dos partidos pol\u00edticos representados no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>No dia 21 desse m\u00eas, os altos comandos das tr\u00eas for\u00e7as armadas reuniram-se no Rio e em Bras\u00edlia para analisar o desenvolvimento da campanha sucess\u00f3ria, da qual a opini\u00e3o p\u00fablica vinha participando com surpreendente intensidade. Desses encontros resultaram a divulga\u00e7\u00e3o de notas oficiais das tr\u00eas for\u00e7as. <strong>As do Ex\u00e9rcito e da Aeron\u00e1utica eram semelhantes em suas conclus\u00f5es:<\/strong>relacionavam &#8220;a crescente e preocupante radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o apoio ostensivo das organiza\u00e7\u00f5es clandestinas de esquerda&#8221;, &#8220;a utiliza\u00e7\u00e3o, na campanha presidencial, de cal\u00fanias, difama\u00e7\u00f5es e ofensas pessoais de toda natureza&#8221;, &#8220;a campanha de descr\u00e9dito contra as autoridades civis e militares, conduzidas com o objetivo de desacredit\u00e1-las perante a sociedade e dividi-las&#8221; e &#8220;a evid\u00eancia dos riscos que a radicaliza\u00e7\u00e3o pode representar para a estabilidade do processo sucess\u00f3rio e para o pr\u00f3prio \u00eaxito do projeto de abertura pol\u00edtica do governo&#8221;. A Marinha, ao contr\u00e1rio, limitou-se a comunicar que a Armada se sentia &#8220;no dever de reafirmar junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica sua posi\u00e7\u00e3o de fiel cumprimento das atribui\u00e7\u00f5es constitucionais&#8221;.<\/p>\n<p>Os pronunciamentos das chefias militares, que demonstravam dissens\u00f5es, deixaram o meio pol\u00edtico inseguro quanto a poss\u00edveis tentativas de intimida\u00e7\u00e3o da campanha oposicionista e de falta de legitimidade do processo sucess\u00f3rio. Com efeito, esta deve ter sido a inten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pela explos\u00e3o que destruiu inteiramente as depend\u00eancias de um comit\u00ea de arregimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica em Porto Alegre no dia 21 de outubro. Contudo, em discurso pronunciado no dia seguinte, Tancredo procurou desencorajar as aspira\u00e7\u00f5es revanchistas, isentando as for\u00e7as armadas de cumplicidade em atos que pudessem impedir a reconcilia\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com a democracia.<\/p>\n<p>O pronunciamento de Tancredo, no entanto, n\u00e3o amenizou as precau\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o. No dia 26 de outubro, a Folha de S. Paulo publicou mat\u00e9ria relatando as provid\u00eancias do governo para a execu\u00e7\u00e3o de medidas de emerg\u00eancia previstas para vigorar a partir de 2 ou 3 de janeiro do ano seguinte. Falava em prontid\u00e3o na unidade de fuzileiros navais em Bras\u00edlia, onde haviam sido observados exerc\u00edcios de adestramento que faziam prever o desencadeamento de a\u00e7\u00f5es repressivas.<\/p>\n<p>No mesmo dia, nota da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) denunciou a exist\u00eancia de &#8220;bols\u00f5es militares e civis desconfiados de poss\u00edveis for\u00e7as subversivas&#8221;, arg\u00fcindo a necessidade de esclarecimento dessas suspeitas &#8220;\u00e0 luz do dia, sem conchavos, sem reuni\u00f5es secretas, sem conspira\u00e7\u00f5es&#8221;, porque &#8220;uma na\u00e7\u00e3o que se pretende civilizada n\u00e3o pode aceitar golpes&#8221;.<\/p>\n<p>O tenente-brigadeiro Valdir Vasconcelos, chefe do Estado-Maior das For\u00e7as Armadas (EMFA), tamb\u00e9m prestou declara\u00e7\u00f5es \u00e0 imprensa procurando aquietar os c\u00edrculos pol\u00edticos com a reafirma\u00e7\u00e3o de que as institui\u00e7\u00f5es militares n\u00e3o entrariam em qualquer esp\u00e9cie de articula\u00e7\u00e3o que pudesse desviar a sucess\u00e3o presidencial de seu trajeto normal. Em longa entrevista publicada na Folha de S. Paulo de 6 de novembro, o titular do EMFA afirmou que as not\u00edcias de golpe n\u00e3o passavam de &#8220;especula\u00e7\u00f5es que s\u00f3 servem para intranq\u00fcilizar o povo&#8221;, assegurando que o pa\u00eds vivia &#8220;num regime democr\u00e1tico constitucional&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo not\u00edcia veiculada pela revista Veja, em 23 de novembro o ministro do Ex\u00e9rcito, general V\u00e1lter Pires, teria mantido um encontro secreto com o candidato da Alian\u00e7a Demo-cr\u00e1tica, assegurando-lhe que as for\u00e7as armadas n\u00e3o interviriam no processo sucess\u00f3rio e expondo-lhe as medidas que vinha implementando com vistas ao reequipamento e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito. Em contrapartida, ob-ti-vera de Tancredo o compromisso de que seu futuro governo n\u00e3o tomaria atitudes revanchistas contra os militares comprometidos com o regime autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>No mesmo dia do suposto encontro, o ministro do Ex\u00e9rcito voltou a se pronunciar em nota oficial liberada \u00e0 imprensa<\/strong>: &#8220;O Ex\u00e9rcito mant\u00e9m-se na firme disposi\u00e7\u00e3o de apoiar o projeto de abertura do presidente Jo\u00e3o Figueiredo, que dever\u00e1 se consolidar com a elei\u00e7\u00e3o do futuro presidente da Rep\u00fablica, pelo Col\u00e9gio Eleitoral, na forma da lei. A na\u00e7\u00e3o, que sempre contou com as for\u00e7as armadas nos momentos decisivos de sua hist\u00f3ria, pode confiar que ser\u00e3o plenamente atendidos seus anseios de preserva\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.&#8221;<\/p>\n<p>Com as sucessivas declara\u00e7\u00f5es militares e a decis\u00e3o do presidente Figueiredo de retirar o general Newton Cruz da chefia do Comando Militar do Planalto e da 11\u00aa Regi\u00e3o Militar os \u00e2nimos come\u00e7aram a serenar. O inc\u00eandio de parte do escrit\u00f3rio da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica em Bras\u00edlia, na madrugada do dia 26 de novembro, por\u00e9m, novamente veio abalar a confian\u00e7a da opini\u00e3o p\u00fablica quanto ao destino da aber-tura no pa\u00eds. Tancredo Neves buscou ame-nizar a crise, desqualificando a a\u00e7\u00e3o como um &#8220;fator acidental destitu\u00eddo de conota\u00e7\u00f5es de origem pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<p>Mas foi com o pronunciamento do presidente Figueiredo no dia 5 de dezembro, perante mais de 70 oficiais-generais das tr\u00eas for\u00e7as &#8211; sem d\u00favida, o mais importante pronunciamento produzido em todo o ciclo da abertura pol\u00edtica &#8211; que o meio pol\u00edtico e os diversos segmentos da sociedade interessados na consolida\u00e7\u00e3o do processo democr\u00e1tico tiveram a certeza de que a sucess\u00e3o presidencial chegaria a seu desfecho sem os trope\u00e7os do veto militar.<\/p>\n<p><strong>Estabelecendo \u00edntima conex\u00e3o entre a lealdade individual aos poderes do Estado e a coexist\u00eancia democr\u00e1tica dos agrupamentos sociais diversificados, Figueiredo conclamava a oficialidade:<\/strong> &#8220;na disputa pelo poder, pela hegemonia econ\u00f4mica ou social, dentro dos limites da s\u00e3 conviv\u00eancia, os homens refor\u00e7ar\u00e3o os la\u00e7os que viabilizam a sociedade, fortalecer\u00e3o sua personalidade e consolidar\u00e3o seus valores.&#8221;<\/p>\n<p>Com o desenrolar da campanha, o partido governista tamb\u00e9m se empenhou na constru\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos para interceptar a vit\u00f3ria do candidato da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica. No dia 22 de outubro, o senador pedessista Moacir Dalla, presidente da mesa diretora do Senado, respons\u00e1vel pela regulamenta\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do pleito, baixou instru\u00e7\u00f5es tornando secreta a elei\u00e7\u00e3o dos seis delegados de cada assembl\u00e9ia legislativa estadual que, juntamente com a totalidade dos membros do Senado e da C\u00e2mara, integrariam o Col\u00e9gio Eleitoral em janeiro de 1985. A oposi\u00e7\u00e3o imediatamente denunciou o casu\u00edsmo da medida, que desconsiderava o acordo firmado entre as lideran\u00e7as partid\u00e1rias facultando aos legislativos estaduais a delibera\u00e7\u00e3o sobre a forma de vota\u00e7\u00e3o, se aberta ou secreta, n\u00e3o conseguindo, por\u00e9m, mud\u00e1-la.<\/p>\n<p>O cerco \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o levou tamb\u00e9m a que tropas do Comando Militar da Amaz\u00f4nia fossem deslocadas para S\u00e3o Lu\u00eds para dar cobertura \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o pela Pol\u00edcia Federal da Assembl\u00e9ia Legislativa do Maranh\u00e3o por ocasi\u00e3o da escolha dos delegados desta casa ao Col\u00e9gio Eleitoral. Neste clima de press\u00e3o, ap\u00f3s uma sess\u00e3o agitada e pontilhada de sucessivos incidentes, os deputados maranhenses acabaram indicando seis repesentantes malufistas.<\/p>\n<p><strong>A decis\u00e3o, contudo, foi contestada pelo presidente estadual do PDS, deputado Jaime Santana, ligado ao senador Jos\u00e9 Sarney e j\u00e1 integrado na dissid\u00eancia liberal, que impetrou recurso na Justi\u00e7a Eleitoral denunciando a vis\u00edvel coa\u00e7\u00e3o exercida pela Pol\u00edcia Federal e a pr\u00e1tica de fraudes: <\/strong>16 deputados estaduais favor\u00e1veis a Tancredo n\u00e3o haviam recebido c\u00e9dulas para votar. O recurso, julgado pelo TSE em 24 de dezembro, daria provimento \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o e anularia a decis\u00e3o da Assembl\u00e9ia. Realizada nova elei\u00e7\u00e3o, seriam indicados outros representantes, dessa vez vinculados ao candidato oposicionista.<\/p>\n<p>Em 26 de outubro, os jornais noticiaram que a mesa do Senado preparava-se para impugnar a elei\u00e7\u00e3o dos representantes pedessitas das assembl\u00e9ias abertamente comprometidos com o candidato oposicionista. Para tanto, pretendia se utilizar de dispositivo estatut\u00e1rio, investindo-se da prerrogativa de acolher ou n\u00e3o as indica\u00e7\u00f5es dos legislativos estaduais. No dia 6 de novembro, por\u00e9m, em resposta \u00e0 consulta -formulada pelo deputado Gerardo Renault (PDS-MG), o TSE decidiu que os membros do Col\u00e9gio Eleitoral ficariam desobrigados do compromisso de fidelidade partid\u00e1ria. Discordando da posi\u00e7\u00e3o do TSE, sob a alega\u00e7\u00e3o de que os mandatos parlamentares pertenciam aos partidos, o diret\u00f3rio nacional do PDS reuniu-se em 21 de novembro e fechou quest\u00e3o em torno da fidelidade, encaminhando ao TSE pedido de registro da ata da reuni\u00e3o, precavendo-se assim contra poss\u00edveis conflitos na Justi\u00e7a. Foram tamb\u00e9m lan\u00e7adas amea\u00e7as de expuls\u00e3o do partido, com a conseq\u00fcente perda de mandato parlamentar, \u00e0queles que n\u00e3o acatassem as diretrizes baixadas pela dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. <strong>A imposi\u00e7\u00e3o foi endossada pelo general Golberi do Couto e Silva, partid\u00e1rio de Maluf, que em entrevista publicada na Folha de S. Paulo no dia seguinte afirmou textualmente<\/strong>: &#8220;S\u00f3 assim os dissidentes votam com o partido.&#8221;<\/p>\n<p>No dia 23, o PMDB e a Frente Liberal encaminharam ao TSE pedido de impugna\u00e7\u00e3o da medida. Quatro dias depois este Tribunal ratificou a resolu\u00e7\u00e3o adotada em 6 de novembro sobre a quest\u00e3o da fidelidade partid\u00e1ria e, finalmente, em 4 de dezembro, rejeitou o pedido do PDS de arquivamento da ata, liquidando as aspira\u00e7\u00f5es de Maluf de sair vitorioso no Col\u00e9gio Eleitoral.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os vest\u00edgios da crise sucess\u00f3ria come\u00e7aram a empalidecer no cen\u00e1rio nacional. Os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o passaram a dar maior \u00eanfase a not\u00edcias relacionadas com os programas de governo, discutindo as possibilidades de composi\u00e7\u00e3o do novo minist\u00e9rio. O candidato Paulo Maluf ainda tentou, sem sucesso, reverter o processo eleitoral com uma proposta de efeito, reabrindo no Congresso o debate em torno do pleito direto, que ele combatera com energia por ocasi\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o da emenda Dante de Oliveira, mas a oposi\u00e7\u00e3o logo denunciou o car\u00e1ter oportunista da proposta.<\/p>\n<p>Um dos mais importantes discursos de Tancredo Neves ainda na condi\u00e7\u00e3o de candidato foi pronunciado em 30 de novembro, no encerramento do I Encontro Nacional da Ind\u00fastria, realizado no Rio de Janeiro. Defendeu a necessidade imperativa de constitui\u00e7\u00e3o de um pacto social entre governo, empres\u00e1rios e trabalhadores para que a democracia, em vez de um empreendimento de risco, se constitu\u00edsse em um sistema de apaziguamento e de solu\u00e7\u00e3o de conflitos sociais agravados e reprimidos por anos de arb\u00edtrio. Para garantir esse retorno \u00e0 legalidade e assegurar a sua perman\u00eancia, pregou a convoca\u00e7\u00e3o de uma assembl\u00e9ia nacional constituinte para substituir um estatuto autorit\u00e1rio, emanado de poder revolucion\u00e1rio, por uma Carta que resulte da concep\u00e7\u00e3o de representantes eleitos pela na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 8 de janeiro de 1985, reunido com dirigentes do PMDB na C\u00e2mara dos Deputados, o candidato recebeu um volume de seiscentas p\u00e1ginas, intitulado A Nova Rep\u00fablica, termo por ele cunhado em dezembro de 1984, contendo as sugest\u00f5es do partido para um pr\u00f3ximo programa de governo. Em seu discurso de agradecimento, Tancredo ressaltou o peso pol\u00edtico nacional do PMDB, um &#8220;partido moderno, atuante e criador&#8221;, e enfatizou a import\u00e2ncia das agremia\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-partid\u00e1rias na formula\u00e7\u00e3o de projetos, compartilhando as responsabilidades administrativas dos governos que ajudaram a instituir.<\/p>\n<p>Em 15 de janeiro, os membros do Col\u00e9gio Eleitoral deram 480 votos a Tancredo Neves e apenas 180 a Paulo Maluf, tendo sido registradas 17 absten\u00e7\u00f5es e nove aus\u00eancias. Os cinco estados que mais contribu\u00edram para a vit\u00f3ria da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica foram Minas Gerais (57 votos), S\u00e3o Paulo (50), Rio de Janeiro (42), Paran\u00e1 (37) e Bahia (35). Al\u00e9m dos aliancistas, Tancredo recebeu os votos dos convencionais do PDT e de dissidentes do PDS e do PT.<\/p>\n<p>Proclamados os resultados eleitorais pela mesa do Congresso, Tancredo declarou que a primeira tarefa de seu governo seria a de promover a organiza\u00e7\u00e3o institucional do Estado. Ressaltou a import\u00e2ncia da concilia\u00e7\u00e3o, que &#8220;n\u00e3o exclui o confronto de id\u00e9ias, a defesa de doutrinas divergentes&#8221;, e concitou o pa\u00eds ao &#8220;grande mutir\u00e3o nacional&#8221; para o qual &#8220;n\u00e3o h\u00e1 um de v\u00f3s que possa ser dispensado&#8221;.<\/p>\n<p>Na primeira entrevista concedida ap\u00f3s o pleito, o candidato eleito criticou os desequil\u00edbrios decorrentes da expans\u00e3o inflacion\u00e1ria, observando que as medidas de combate \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da moeda e \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os n\u00e3o deveriam se incompatibilizar com a acelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico, mas sim proporcionar a cria\u00e7\u00e3o de novos empregos, melhor remunera\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a de trabalho e uma distribui\u00e7\u00e3o mais justa da renda nacional.<\/p>\n<p><strong>Afirmou que o reconhecimento da plena soberania do Congresso, associado a uma oposi\u00e7\u00e3o permanente e livre, s\u00e3o atributos fundamentais para o \u00eaxito do grande projeto nacional de recupera\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e assegurou:<\/strong> &#8220;Vamos realizar uma obra que fa\u00e7a o homem brasileiro acreditar na sua na\u00e7\u00e3o, confiar nela e confiar no seu governo.&#8221;<\/p>\n<p>Entre fins de janeiro e princ\u00edpios de fevereiro de 1985, Tancredo visitou os Estados Unidos e v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, numa viagem que, para analistas pol\u00edticos, visava mostrar ao Ocidente que as elites pol\u00edticas brasileiras estavam suficientemente amadurecidas para conduzir, sem dramas e precipita\u00e7\u00f5es intempestivas, a substitui\u00e7\u00e3o de um regime autorit\u00e1rio por uma organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica est\u00e1vel e conciliadora. Essa organiza\u00e7\u00e3o seria capaz de agregar n\u00e3o apenas as for\u00e7as conserva-doras como tamb\u00e9m as correntes representativas daquelas \u00e1reas- mais agredidas pela inquieta\u00e7\u00e3o, pelo inconformismo e pela marginalidade. O presidente eleito procuraria demonstrar, paralelamente, que a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica produzida pela conviv\u00eancia dos antagonismos teria como indispens\u00e1vel corol\u00e1rio a reativa\u00e7\u00e3o da economia, dando amparo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos atritos sociais em estado latente de fermenta\u00e7\u00e3o. O Brasil havia mudado e as mudan\u00e7as deveriam se fazer sentir inclusive nas modalidades de negocia\u00e7\u00f5es, desde o estabelecimento de acordos comerciais at\u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o de compromissos m\u00fatuos em suas alian\u00e7as de cunho pol\u00edtico e militar.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, a base das conversa\u00e7\u00f5es com o presidente Sandro Pertini e o premier Bettino Craxi fixou-se em torno de um programa de com\u00e9rcio externo que vinha sendo examinado pela dire\u00e7\u00e3o do Partido Socialista Italiano. Na Fran\u00e7a, a aten\u00e7\u00e3o do presidente eleito voltou-se para as negocia\u00e7\u00f5es com os associados do Clube de Paris relativas \u00e0 d\u00edvida externa brasileira. Na visita a Portugal, Tancredo avistou-se com o presidente Ramalho Eanes e com o primeiro-ministro socialista M\u00e1rio Soares, recebeu o t\u00edtulo de doutor honoris causa na Universidade de Coimbra e discursou na Assembl\u00e9ia da Rep\u00fablica, onde evocou a influ\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o lusa na forma\u00e7\u00e3o da nacionalidade brasileira. Dos entendimentos mantidos com o governo portugu\u00eas ficou prevista a coloca\u00e7\u00e3o de produtos brasileiros no Mercado Comum, no qual Portugal e Espanha haviam ingressado recentemente. Neste \u00faltimo pa\u00eds, foi recebido pelo rei Juan Carlos I e o premier Felipe Gonz\u00e1lez como se j\u00e1 estivesse no exerc\u00edcio do mandato, com as honras de chefe de Estado. Tancredo interessou-se particularmente pelo funcionamento do Pacto de Moncloa, atrav\u00e9s do qual todas as fac\u00e7\u00f5es da sociedade espanhola se comprometeram a desenvolver uma forma de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o transgredisse os fundamentos do prop\u00f3sito nacional de constru\u00e7\u00e3o da democracia, implantada depois de mais de 40 anos de do-m\u00ed-nio franquista sobre as ru\u00ednas de uma guerra civil prolongada e catastr\u00f3fica.<\/p>\n<p>Finalmente, em Washington, no audit\u00f3rio do National Press Club, o presidente eleito pronunciou o discurso mais importante de sua viagem, no qual focalizou o povo brasileiro como principal protagonista da redemocratiza\u00e7\u00e3o. Declarou ainda ser a recess\u00e3o um fator de desest\u00edmulo aos investimentos, afirmando a determina\u00e7\u00e3o de seu futuro governo no sentido de obter n\u00edveis significativos de crescimento e de implementar uma pol\u00edtica externa fruto de &#8220;consenso pluripartid\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Com o regresso de Tancredo Neves ao Brasil nos primeiros dias de fevereiro, tiveram in\u00edcio as negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas visando \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do primeiro minist\u00e9rio da Rep\u00fablica civil. Embora os meios de comunica\u00e7\u00e3o tenham veiculado as mais variadas vers\u00f5es a respeito dos nomes que se julgavam mais credenciados na prefer\u00eancia do presidente, Tancredo n\u00e3o se sentiu induzido a discuti-las. Entregou a coordena\u00e7\u00e3o do setor econ\u00f4mico ao seu sobrinho Francisco Dornelles, j\u00e1 indicado para o Minist\u00e9rio da Fazenda, e assumiu, juntamente com Ulisses Guimar\u00e3es, presidente nacional do PMDB, o comando da articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que conduziria \u00e0 escolha dos titulares dos cargos relativos \u00e0s \u00e1reas social, diplom\u00e1tica e militar.<\/p>\n<p>No dia 12 de mar\u00e7o Tancredo concedeu a \u00faltima entrevista coletiva como presidente eleito, que seria, na verdade, o \u00faltimo pronuncia-mento pol\u00edtico de sua vida. Na ocasi\u00e3o, defendeu a conten\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos, o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o sem preju\u00edzo da expectativa de altas taxas de crescimento econ\u00f4mico, a inje\u00e7\u00e3o de recursos suplementares para o incremento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a reformula\u00e7\u00e3o da Lei de Greve.<\/p>\n<p><strong>No mesmo dia foi anunciado o primeiro minist\u00e9rio da Nova Rep\u00fablica, constitu\u00eddo dos seguintes nomes, oriundos dos partidos que formaram a Alian\u00e7a Democr\u00e1tica:<\/strong> Gabinete Civil, Jos\u00e9 Hugo Castelo Branco (MG); Justi\u00e7a, Fernando Lira (PE); Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Olavo Set\u00fabal (SP); Trabalho, Almir Pazzianotto (SP); Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, Roberto Gusm\u00e3o (MG); Agricultura, Pedro Simon (RS); Minas e Energia, Aureliano Chaves (MG); Previd\u00eancia Social, Valdir Pires (BA); Sa\u00fade, Carlos Santana (BA); Educa\u00e7\u00e3o, Marco Maciel (PE); Assuntos Fundi\u00e1rios, N\u00e9lson Ribeiro (PA); Administra\u00e7\u00e3o, Alu\u00edsio Alves (RN); Habita\u00e7\u00e3o e Saneamento, Fl\u00e1vio Peixoto (GO); Desenvolvimento Regional, Ronaldo Costa Couto (MG); Cultura, Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira (MG); Transportes, Afonso Camargo (PR); Ci\u00eancia e Tecnologia, Renato Archer (MA); Desburocratiza\u00e7\u00e3o, Paulo Lustosa (CE); Gabinete Militar, general Rubem Bayma Denis; Ex\u00e9rcito, general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves; Marinha, almirante Henrique Sab\u00f3ia; Aeron\u00e1utica, brigadeiro J\u00falio Ot\u00e1vio Moreira Lima; EMFA, almirante Jos\u00e9 Maria Amaral. Com a nomea\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Aparecido para o governo de Bras\u00edlia foi indicado para o Minist\u00e9rio da Cultura o professor Alu\u00edsio Pimenta, de Minas Gerais.<\/p>\n<p><strong>Foram criados, portanto, sete novos minist\u00e9rios: <\/strong>Assuntos Fundi\u00e1rios, Administra\u00e7\u00e3o, Habita\u00e7\u00e3o e Saneamento, Desenvolvimento Regional, Cultura, Ci\u00eancia e Tecnologia e Desburocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quatro dos novos ministros escolhidos haviam sido cassados por atos institucionais editados entre 1964 e 1968 pelo regime militar:<\/strong> Valdir Pires, Jos\u00e9 Aparecido, Alu\u00edsio Alves e Renato Archer.<\/p>\n<p>O chefe do Gabinete Militar, que comandara a 4\u00aa Divis\u00e3o de Infantaria, em Belo Horizonte, no per\u00edodo em que Tancredo governava Minas Gerais, era filho do marechal Od\u00edlio Denis, que intercedeu pessoalmente junto ao presidente eleito em favor de sua nomea\u00e7\u00e3o. A escolha dos ministros da Marinha e do EMFA, almirantes com lideran\u00e7as marcantes entre a oficialidade naval, decorreu da pressuposi\u00e7\u00e3o de que a solu\u00e7\u00e3o eliminaria constrangimentos que pudessem estremecer os objetivos de pacifica\u00e7\u00e3o da Armada. Na Aeron\u00e1utica n\u00e3o houve maiores contradi\u00e7\u00f5es para a escolha do titular da pasta, uma vez que os \u00edndices de politiza\u00e7\u00e3o do passado j\u00e1 se encontravam reduzidos h\u00e1 algum tempo. No Ex\u00e9rcito, os complicadores que porventura poderiam se manifestar foram aliviados pela lideran\u00e7a do ex-presidente Ernesto Geisel. Nesta for\u00e7a, os principais articuladores da reabertura pol\u00edtica \u00e0 base da candidatura Tancredo Neves eram os generais Reinaldo Melo de Almeida e Gustavo Morais Rego, que se orientavam pela chamada linha geiselista. Da \u00f3rbita de influ\u00eancia de Geisel sa\u00edram, portanto, o ministro do Ex\u00e9rcito, general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves, e o ministro-chefe do SNI, general Ivan de Sousa Mendes.<\/p>\n<h4>A trajet\u00f3ria final<\/h4>\n<p>Em 14 de mar\u00e7o, v\u00e9spera da posse, Tancredo Neves, ao lado de seus familiares, assistiu \u00e0 missa em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as celebrada em sua homenagem no Santu\u00e1rio Dom Bosco, em Bras\u00edlia, pelo arcebispo de Belo Horizonte, dom Jo\u00e3o Resende Costa. No mesmo dia \u00e0 noite, o chefe do servi\u00e7o m\u00e9dico da C\u00e2mara, doutor Renault Matos Ribeiro, foi chamado \u00e0s pressas para atender o presidente eleito, acometido de fortes dores abdominais. Diagnosticado de apendicite, Tancredo foi operado no Hospital de Base de Bras\u00edlia pelos m\u00e9dicos Renault Matos Ribeiro e Pinheiro da Rocha aos 37 minutos do dia 15, dia em deveriam ocorrrer a posse e transmiss\u00e3o do cargo. Segundo informa\u00e7\u00f5es transmitidas ap\u00f3s a cirurgia, Tancredo padecia de diverticulite, doen\u00e7a que gera um quadro agudo, provocando dores semelhantes \u00e0s crises de apendicite.<\/p>\n<p>De acordo com depoimentos apurados pela imprensa, Tancredo vinha sentindo dores no abdome desde o dia 8. No dia 13, como o sofrimento aumentava, o doutor Renault recomendou que o presidente se operasse, mas ele se recusou. Tancredo teria pedido a seu m\u00e9dico que o sustentasse at\u00e9 o momento da posse, para que o processo da sucess\u00e3o n\u00e3o fosse interrompido por qualquer acidente que propiciasse questionamentos pol\u00edticos ou impasses de interpreta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. A seu pedido, tamb\u00e9m, os jornalistas teriam sido informados por Renault de que o presidente sofria meramente de uma faringite.<\/p>\n<p><strong>Ainda na madrugada do dia 15, enquanto o paciente era mantido isolado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base, o meio pol\u00edtico se mobilizava para tentar solucionar o impasse surgido a respeito de quem assumiria a presid\u00eancia em exerc\u00edcio: <\/strong>o vice-presidente Jos\u00e9 Sarney ou o presidente da C\u00e2mara, Ulisses Guimar\u00e3es. Para os grupos mais radicais do PMDB, o deputado peemedebista seria a segunda pessoa na escala hier\u00e1rquica da sucess\u00e3o, mas o pr\u00f3prio Ulisses entendeu que vetar a posse de Sarney, ignorando sua condi\u00e7\u00e3o de companheiro de chapa de Tancredo, seria o mesmo que invalidar a legitimidade da elei\u00e7\u00e3o verificada no Col\u00e9gio Eleitoral. O argumento do presidente nacional do PMDB, escudado na opini\u00e3o de constitucionalistas qualificados, acabou derrubando todas as d\u00favidas e vers\u00f5es levantadas.<\/p>\n<p>Segundo o jornal O Globo, um segundo passo das negocia\u00e7\u00f5es foi convencer o presidente Figueiredo a passar a presid\u00eancia a Sarney, com quem estava rompido. Para tanto, Ulisses Guimar\u00e3es se ter-ia comprometido com o ministro-chefe do Gabinete Civil de Figueiredo, general Leit\u00e3o de Abreu, partid\u00e1rio at\u00e9 ent\u00e3o da posse do presidente da C\u00e2mara, de que n\u00e3o haveria solenidade de transmiss\u00e3o do cargo, contornando-se assim o impasse.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Sarney tomou posse como presidente da Rep\u00fablica perante o Congresso \u00e0s dez horas da manh\u00e3 do mesmo dia 15, pronunciando o discurso elaborado pela assessoria de Tancredo e por ele aprovado, cuja ess\u00eancia fixava-se na determina\u00e7\u00e3o das prioridades dos gastos p\u00fablicos. O minist\u00e9rio escolhido por Tancredo tr\u00eas dias antes foi mantido.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o obstante o \u00eaxito da cirurgia, as con-se-q\u00fc\u00ea-ncias p\u00f3s-operat\u00f3rias n\u00e3o foram tranq\u00fcilizadoras:<\/strong> uma obstru\u00e7\u00e3o intestinal alarmou a equipe m\u00e9dica, que sugeriu ent\u00e3o uma segunda interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. Nove m\u00e9dicos, de diferentes especialidades, foram convocados para emitir parecer a respeito do quadro que se apresentava e, por unanimidade, conclu\u00edram pela necessidade de uma segunda opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal possibilidade inquietou de novo a \u00e1rea pol\u00edtica. O governo preocupava-se em n\u00e3o dei-xar a popula\u00e7\u00e3o perceber algum ind\u00edcio mais grave de anormalidade. A esquerda parecia propensa a iniciar nova campanha pelas diretas, o que determinaria uma contesta\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do Col\u00e9gio Eleitoral, enquanto a direita possivelmente aguardava repercuss\u00f5es dram\u00e1ticas do epis\u00f3dio para provocar a regress\u00e3o das conquistas que impulsionaram o advento da Rep\u00fablica civil.<\/p>\n<p>A segunda opera\u00e7\u00e3o foi efetuada no pr\u00f3prio dia 20 pelos m\u00e9dicos Henrique V\u00e1lter Pinotti, Francisco Pinheiro da Rocha e Jo\u00e3o Batista Alves. Os resultados anunciados provocaram manifesta\u00e7\u00f5es de euforia por parte de pol\u00edticos, familiares e assessores diretos de Tancredo. Cogitou-se ent\u00e3o de uma nova data para a posse que, segundo os notici\u00e1rios, vinha sendo reclamada pelo pr\u00f3prio presidente eleito. N\u00e3o obstante, esse momento de otimismo foi conturbado por diverg\u00eancias no interior- da equipe m\u00e9dica relativas \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es do paciente, tendo sido registradas trocas de acusa\u00e7\u00f5es nos jornais e na televis\u00e3o. A controv\u00e9rsia provocou constrangimentos \u00e0 fam\u00edlia do presidente eleito e suscitou temores no meio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a recupera\u00e7\u00e3o de Tancredo entrava em retrocesso. Uma crise circulat\u00f3ria levou \u00e0 sua remo\u00e7\u00e3o para o Instituto do Cora\u00e7\u00e3o do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, na capital paulista, onde foi submetido, em 26 de mar\u00e7o, a uma terceira cirurgia, realizada pela equipe do doutor Henrique Pinotti. Nesse momento o pa\u00eds come\u00e7ou a tomar ci\u00eancia da gravidade do quadro. Numerosas igrejas, cultos e seitas religiosas realizaram ritos ecum\u00eanicos em favor do restabelecimento da sa\u00fade de Tancredo, tendo sido registradas manifesta\u00e7\u00f5es populares de apre\u00e7o e est\u00edmulo em diversos estados.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s a terceira interven\u00e7\u00e3o, as preocupa\u00e7\u00f5es da equipe m\u00e9dica convergiram para uma nova constata\u00e7\u00e3o:<\/strong> a exist\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o hospitalar contra\u00edda pelo paciente durante o per\u00edodo de internamento no Hospital de Base de Bras\u00edlia. Para o combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o foi utilizado um novo tipo de antibi\u00f3tico ainda n\u00e3o comercializado, mas nem assim o organismo do presidente apresentou sinais de rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 2 de abril Tancredo enfrentou no Ins-tituto do Cora\u00e7\u00e3o a sua quarta interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, com a finalidade de corrigir uma &#8220;h\u00e9rnia inguinal encarcerada no lado esquerdo do abdome&#8221; e deter um foco infeccioso, con-forme atestaram os boletins m\u00e9dicos. A par-tir de ent\u00e3o a opini\u00e3o p\u00fablica passou a duvidar da fidelidade dos comunicados oficiais- que anunciavam aus\u00eancia de perigo vital no estado geral do presidente.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o ministro da Justi\u00e7a, Fernando Lira, afirmou aos jornais que o quadro assumira uma maior gravidade e que a \u00e1rea pol\u00edtica se preparava para fortalecer o governo Sarney, procurando eliminar gradualmente seu car\u00e1ter transit\u00f3rio.<\/p>\n<p>Uma quinta opera\u00e7\u00e3o, destinada a drenar um foco infeccioso no local da incis\u00e3o, foi realizada pouco depois das 13 horas do mesmo dia 2. As esperan\u00e7as e o otimismo foram substitu\u00eddos por evasivas e pelo sil\u00eancio. Pol\u00edticos e familiares passaram a evitar tecer coment\u00e1rios sobre a situa\u00e7\u00e3o criada pela necessidade da nova cirurgia.<\/p>\n<p>No dia 9 de abril Tancredo foi submetido a uma sexta opera\u00e7\u00e3o. Segundo os m\u00e9dicos, uma traqueostomia destinada a evitar o desconforto originado pela presen\u00e7a de um tubo oro-traqueal que, se fosse usado por muito tempo, poderia provocar les\u00e3o no local. A equipe m\u00e9dica ainda imporia ao presidente uma s\u00e9tima cirurgia, tr\u00eas dias depois, com o objetivo de &#8220;explora\u00e7\u00e3o e limpeza da cavidade abdominal&#8221;, ao final da qual foi constatado o esgotamento das possibilidades de preservar a vida de Tancredo. Pela primeira vez o porta-voz presidencial, jornalista Ant\u00f4nio Brito, falou em agravamento do quadro. Os m\u00e9dicos consideravam que todos os recursos existentes j\u00e1 haviam sido empregados, mas a resist\u00eancia f\u00edsica do presidente, desde ent\u00e3o mantido sob sedativos e com o aux\u00edlio de m\u00e1quinas substituindo os pulm\u00f5es e os rins, vez por outra surpreendia as pessoas diretamente envolvidas no drama, revitalizando os \u00e2nimos abatidos e fazendo renascer expectativas amortecidas.<\/p>\n<p>A partir de 15 de abril, no entanto, o meio pol\u00edtico come\u00e7ou a tomar as primeiras provid\u00eancias com o objetivo de sustentar a perman\u00eancia da transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no caso da morte de Tancredo. Encontros entre Ulisses, Sarney e l\u00edderes do PFL passaram a se suceder com freq\u00fc\u00eancia, enquanto a imprensa internacional destacava em seus coment\u00e1rios ser o momento uma prova para a consolida\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as geradas pela finaliza\u00e7\u00e3o do ciclo de domina\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante os esfor\u00e7os da equipe m\u00e9dica, tornou-se imposs\u00edvel controlar tanto o edema resultante da inflama\u00e7\u00e3o entre as art\u00e9rias e os alv\u00e9olos pulmonares quanto a prolifera\u00e7\u00e3o dos focos infecciosos que n\u00e3o cediam \u00e0 press\u00e3o dos antibi\u00f3ticos. O organismo de Tancredo n\u00e3o esbo\u00e7ava quaisquer sintomas de reativa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como recurso final foi chamado ao Brasil o especialista norte-americano Warren Mayron Zapol, que no dia 20 de abril deu o seu diagn\u00f3stico definitivo:<\/strong> n\u00e3o havia mais o que fazer para salvar a vida do presidente.<\/p>\n<p>Na noite de 21 de abril, dia consagrado \u00e0 descoberta do Brasil, ao mart\u00edrio de Tiradentes e \u00e0 transfer\u00eancia da capital para Bras\u00edlia, Tancredo Neves faleceu, depois de cumprir um calv\u00e1rio de 34 dias. Ap\u00f3s ser embalsamado, seu corpo foi velado por toda a madrugada na capela do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, na presen\u00e7a de parentes e amigos. Na manh\u00e3 do dia seguinte, atendendo \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do senador Jos\u00e9 Fragel-li, o Congresso se reuniu extraordinariamente para anunciar a vac\u00e2ncia do cargo e o seu preenchimento autom\u00e1tico pelo vice-presidente Jos\u00e9 Sarney. Em pronunciamento em cadeia de r\u00e1dio e televis\u00e3o, Sarney decretou feriado nacional e luto oficial por oito dias e garantiu que o seu programa seria o mesmo de Tancredo.<\/p>\n<p>Ainda na manh\u00e3 do dia 22, ap\u00f3s a missa de corpo presente celebrada por dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo metropolitano de S\u00e3o Paulo, no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, o esquife presidencial, sobre um carro do corpo de bombeiros e coberto pela bandeira nacional, saiu em dire\u00e7\u00e3o ao aeroporto de Congonhas, rumo a Bras\u00edlia, acompanhado por dois milh\u00f5es de pessoas. No caminho, no obelisco do Parque do Ibirapue-ra, o presidente eleito recebeu homenagem oficial do governo de S\u00e3o Paulo, do prefeito M\u00e1-rio Covas, do comando do II Ex\u00e9rcito e demais autoridades militares. Como homengem p\u00f3stuma a Tancredo, o Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo determinou a suspens\u00e3o da greve da categoria em curso. Ao longo de todo o trajeto pendiam das janelas das casas bandeiras brasileiras com tarjas negras.<\/p>\n<p>Na capital da Rep\u00fablica, ap\u00f3s um cortejo f\u00fanebre que durou quatro horas, seguido por imensa multid\u00e3o, o corpo de Tancredo foi velado e exposto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica no pal\u00e1cio do Planalto, onde o arcebispo da cidade, dom Jos\u00e9 Freire Falc\u00e3o, oficiou outra missa de corpo presente.<\/p>\n<p>No dia 23 o corpo de Tancredo Neves chegou ao aeroporto de Pampulha, em Belo Horizonte, para receber no pal\u00e1cio da Liberdade as homenagens de uma multid\u00e3o calculada em torno de 1,8 milh\u00e3o de pessoas. As cenas registradas na capital mineira foram impressionantes. Tumultos na pra\u00e7a da Liberdade, provocados pela ansiedade popular em romper os cord\u00f5es de isolamento, resultaram em quatro mortos e 271 feridos.<\/p>\n<p>Finalmente, no dia seguinte, 24 de abril, na presen\u00e7a de 50 mil pessoas, incluindo cinco presidentes estrangeiros e representantes de governos de v\u00e1rios pa\u00edses, Tancredo Neves foi enterrado com honras militares no cemit\u00e9rio da Igreja de S\u00e3o Francisco, em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, sua terra natal. Homem profundamente religioso, Tancredo era ministro vital\u00edcio-jubilado da vener\u00e1vel Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco de Assis, na qual ingressou aos 16 anos. No cemit\u00e9rio discursaram o presidente Jos\u00e9 Sarney e o deputado Ulisses Guimar\u00e3es. <strong>O presidente da C\u00e2mara emocionou os presentes ao afirmar:<\/strong> &#8220;Tancredo Neves, voc\u00ea foi duas vezes mais do que eleito, plebiscitado. Vivo, plebiscitado pela esperan\u00e7a para governar esta grande na\u00e7\u00e3o. Morto, plebiscitado pelas l\u00e1grimas, pelas preces, pela amargura e pelo pranto dos governantes que restaram neste grande pa\u00eds.&#8221; <strong>O discurso de Sarney foi condensado na frase:<\/strong> &#8220;Seu sonho ser\u00e1 o nosso sonho&#8221;.<\/p>\n<p>Quase um ano ap\u00f3s a morte de Tancredo, as diverg\u00eancias verificadas entre os membros da equipe m\u00e9dica que assistiu o presidente, e que teriam influ\u00eddo na orienta\u00e7\u00e3o do tratamento aplicado, voltaram a ocupar espa\u00e7o nos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o com a decis\u00e3o do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal de submeter a julgamento \u00e9tico os respons\u00e1veis pelas sete cirurgias efetuadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de reportagens que escreveu na juventude para o jornal Estado de Minas e O Correio, di\u00e1rio de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, Tancredo foi autor de &#8220;O regime parlamentar e a realidade brasileira&#8221;, publicado na Revista Brasileira de Estudos Pol\u00edticos (Belo Horizonte, UFMG, 1962), O panorama mundial e a seguran\u00e7a nacional (Rio de Janeiro, ESG, 1962), e de numerosos discursos e pareceres publicados em jornais, revistas e anais parlamentares. Em 24 de fevereiro de 1983 tomou posse, sucedendo a Alberto Deodato, na cadeira n\u00ba 12 da Academia Mineira de Letras, patrocinada por Alvarenga Peixoto.<\/p>\n<p>Sobre a vida de Tancredo Neves foram produzidos o filme de longa-metragem A c\u00e9u aberto, de Jo\u00e3o Batista de Andrade, e a biografia Tancredo Neves &#8211; a trajet\u00f3ria de um liberal (1985), escrita por sua sobrinha Luc\u00edlia de Almeida Neves Delgado e Vera Alice Cardoso a partir de depoimento dado pelo tio.<\/p>\n<p>Tancredo Neves era casado com Risoleta Tolentino Neves, com quem teve tr\u00eas filhos. Sua filha In\u00eas Maria foi casada com A\u00e9cio Cunha, deputado federal por Minas entre 1963 e 1967 e membro, sucessivamente, do Partido Republicano, da Arena e do PDS. Seu neto A\u00e9cio Neves foi constituinte em 1987 e 1988 e deputado federal por Minas desde 1987. Seu sobrinho Francisco Osvaldo Neves Dornelles foi ministro da Fazenda do governo de Jos\u00e9 Sarney em 1985, constituinte em 1987-1988. Exercendo mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro desde 1987, ao longo desses anos foi tamb\u00e9m ministro da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio entre 1996 e 1998 e ministro do Trabalho e Emprego a partir de 1999.<\/p>\n<p>O arquivo de Tancredo Neves encontra-se depositado no Cpdoc da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cpdoc.fgv.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tancredo de Almeida Neves (1910-1985) Tancredo Neves Tancredo Neves nasceu no dia 4 de mar\u00e7o de 1910 em S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei, Minas Gerais. Diplomou-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais e iniciou sua carreira pol\u00edtica em 1933, quando filiou-se ao Partido Progressista. 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