{"id":107716,"date":"2017-02-08T11:49:45","date_gmt":"2017-02-08T13:49:45","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=107716"},"modified":"2017-02-08T11:49:45","modified_gmt":"2017-02-08T13:49:45","slug":"a-campanha-abolicionista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-campanha-abolicionista","title":{"rendered":"A Campanha Abolicionista"},"content":{"rendered":"<p><center><\/p>\n<table width=\"555\"  cellpadding=\"7\" cellspacing=\"0\">\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\"><font color=\"#666666\" size=\"2\" face=\"Arial, Helvetica, sans-serif\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado:<\/strong><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#1\" class=\"links\">Com o Cora\u00e7\u00e3o Nos L\u00e1bios<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#2\" class=\"links\">Gazeta de Not\u00edcias<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#3\" class=\"links\">Visconde do Rio Branco<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#4\" class=\"links\">Gazeta da Tarde<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#5\" class=\"links\">A Sua Alteza, a Regente<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#6\" class=\"links\">Senhora<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#7\" class=\"links\">\u00c2ngelo<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#8\" class=\"links\">Abolicionistas no seu posto.<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#9\" class=\"links\">Estamos em plena aurora<\/a><\/p>\n<p>\t\t   <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<td width=\"220\" valign=\"top\">\n<div align=\"center\"> <strong><br \/>\n\t\t   <a href=\"#10\" class=\"links\">A oposi\u00e7\u00e3o chegou \u00e0 incandesc\u00eancia esta semana.<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#11\" class=\"links\">\u00c0 Federa\u00e7\u00e3o<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#12\" class=\"links\">Respondo&#8230;<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#13\" class=\"links\">\u00c0 ponta da pena<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#14\" class=\"links\">O \u00f3dio togado<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#15\" class=\"links\">O mercen\u00e1rio<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#16\" class=\"links\">Treze de maio<\/a><br \/>\n\t\t   <a href=\"#17\" class=\"links\">O isabelismo<\/a><\/p>\n<p>\t\t   <\/strong>\n          <\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>  <\/center><\/p>\n<h4>Jos&eacute; do Patroc&iacute;nio<\/h4>\n<p><strong>PRIMEIRA PARTE<\/strong><\/p>\n<h4><a name=\"1\">COM O CORA&Ccedil;&Atilde;O NOS L&Aacute;BIOS<\/a><\/h4>\n<p>&laquo;Se fosse poss&iacute;vel reunir todos os artigos, todos os discursos,<br \/>\n    com que Patroc&iacute;nio atacou a escravid&atilde;o e seus defensores, o<br \/>\n    livro em que ficassem compendiados esses libelos seria o mais belo poema da<br \/>\n    Justi&ccedil;a [&#8230;]&raquo;. Olavo Bilac. <\/p>\n<p>O filho do padre Jo&atilde;o Carlos Monteiro e de sua escrava de 13 anos,<br \/>\n    Justina Maria do Esp&iacute;rito Santo, nascido em Campos em 1853, conhecido<br \/>\n    oficialmente como Jos&eacute; Carlos do Patroc&iacute;nio, que era Zeca para<br \/>\n    os amigos, Z&eacute; do Pato para o povo, Proudhomme para os combatentes da<br \/>\n    aboli&ccedil;&atilde;o, foi um homem complexo que viveu na fronteira de mundos<br \/>\n    distintos, se n&atilde;o conflitivos. A come&ccedil;ar pela fronteira &eacute;tnica:<br \/>\n    pai branco, m&atilde;e negra, um mulato, como se dizia na &eacute;poca, cor<br \/>\n    de tijolo queimado, em sua pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o. Depois,<br \/>\n    a fronteira civil: m&atilde;e escrava, pai senhor de escravos e escravas.<br \/>\n    A fronteira do estigma social, a seguir: oficialmente registrado como exposto,<br \/>\n    s&oacute; mais tarde constando o nome da m&atilde;e, nunca legalmente reconhecido<br \/>\n    pelo pai. Mais: a fronteira entre o mundo interiorano em que se criou e viveu<br \/>\n    at&eacute; os 15 anos e o mundo da corte em que exerceu a atividade profissional<br \/>\n    e pol&iacute;tica. Ainda: a fronteira intelectual de uma forma&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    superior mas de baixo prest&iacute;gio, a de farmac&ecirc;utico, convivendo<br \/>\n    com a forma&ccedil;&atilde;o dos bachar&eacute;is em direito, medicina e engenharia.<br \/>\n    Por fim, a fronteira entre o reformismo e o radicalismo pol&iacute;ticos.\n  <\/p>\n<p>A marca dessas determina&ccedil;&otilde;es variadas, &agrave;s vezes contradit&oacute;rias,<br \/>\n    combinava-se em Patroc&iacute;nio com um temperamento apaixonado e explosivo.<br \/>\n    Momentos de grande c&oacute;lera eram seguidos de outros de imensa ternura.<br \/>\n    Sua reconhecida generosidade era tisnada por acusa&ccedil;&otilde;es de desonestidade<br \/>\n    e venalidade feitas com insist&ecirc;ncia pelos inimigos. A absoluta coer&ecirc;ncia<br \/>\n    e a const&acirc;ncia na luta pela aboli&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se repetiam<br \/>\n    em rela&ccedil;&atilde;o a outras causas, como a da Rep&uacute;blica, e com<br \/>\n    amigos e inimigos. O produto de tudo isto era uma apurada sensibilidade para<br \/>\n    captar as contradi&ccedil;&otilde;es da &eacute;poca e a capacidade para encarn&aacute;-las<br \/>\n    na pr&oacute;pria personalidade. Patroc&iacute;nio era um vulc&atilde;o de<br \/>\n    paix&otilde;es que despertava grandes entusiasmos e grandes avers&otilde;es.<br \/>\n    Como ele pr&oacute;prio confessou, falava e escrevia com o cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    nos l&aacute;bios. Do cora&ccedil;&atilde;o brotavam a cr&iacute;tica devastadora<br \/>\n    e o ataque impiedoso mas tamb&eacute;m o apelo dram&aacute;tico e o aplauso<br \/>\n    entusi&aacute;stico. Ningu&eacute;m podia ficar indiferente a sua a&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e ningu&eacute;m ficou. Teve amigos incondicionais como Olavo Bilac e Angelo<br \/>\n    Agostini e inimigos irreconcili&aacute;veis como Medeiros e Albuquerque. <\/p>\n<p>Acima de tudo, estava sua paix&atilde;o pela causa abolicionista, nascida<br \/>\n    talvez j&aacute; em Campos no conv&iacute;vio com a m&atilde;e escrava. Esta<br \/>\n    paix&atilde;o deu sentido a sua luta e a sua vida, sobretudo desde que passou<br \/>\n    a redator do jornal abolicionista, a Gazeta de Not&iacute;cias, de Ferreira<br \/>\n    de Ara&uacute;jo, em 1877. A luta ganhou nova dimens&atilde;o a partir de<br \/>\n    1878 quando Joaquim Nabuco foi eleito deputado pela primeira vez e deu in&iacute;cio<br \/>\n    &agrave; batalha parlamentar do abolicionismo. Neste ano os liberais voltaram<br \/>\n    ao poder depois de dez anos de aus&ecirc;ncia. Embora as duas grandes leis<br \/>\n    abolicionistas do Segundo Reinado, a de 1850 e a de 1871, tivessem sido aprovadas<br \/>\n    por gabinetes conservadores, a bandeira do abolicionismo era dos liberais.<br \/>\n    Era l&oacute;gico que os abolicionistas pusessem grandes esperan&ccedil;as<br \/>\n    na nova situa&ccedil;&atilde;o. A expectativa em rela&ccedil;&atilde;o aos<br \/>\n    liberais era ainda justificada pela morte do grande abolicionista conservador,<br \/>\n    Rio Branco, em 1880. Patroc&iacute;nio fez o elogio f&uacute;nebre do visconde,<br \/>\n    afirmando que ele minerara cidad&atilde;os nas jazidas negras da escravid&atilde;o<br \/>\n    (artigo de 8 de novembro de 1880). <\/p>\n<p>O ano de 1880 foi ainda particularmente importante por outras raz&otilde;es.<br \/>\n    Na C&acirc;mara, Nabuco provocou os escravocratas pedindo urg&ecirc;ncia para<br \/>\n    a discuss&atilde;o de projeto de aboli&ccedil;&atilde;o imediata. O pedido<br \/>\n    foi derrotado por 77 votos a 18. A luta extravasou, ent&atilde;o, do Congresso.<br \/>\n    Foi criada por Nabuco, Rebou&ccedil;as, Jo&atilde;o Clapp, Patroc&iacute;nio<br \/>\n    e outros a Sociedade Brasileira contra a Escravid&atilde;o, inspirada na British<br \/>\n    and Foreign Society for the Abolition of Slavery. Como produto da Sociedade,<br \/>\n    come&ccedil;ou a ser editado o jornal O Abolicionista. Surgiu ainda nesse<br \/>\n    ano a Gazeta da Tarde do abolicionista negro Ferreira de Meneses, mais militante<br \/>\n    do que a Gazeta de Not&iacute;cias. Do ponto de vista da propaganda, a iniciativa<br \/>\n    mais importante de 1880 foi o in&iacute;cio das Confer&ecirc;ncias Abolicionistas<br \/>\n    organizadas pelos mesmos lutadores da Sociedade. N&atilde;o era ainda a rua,<br \/>\n    mas eram os teatros do Rio que se tornavam arena de luta, ampliando e democratizando<br \/>\n    o que at&eacute; ent&atilde;o se passara dentro do limitado espa&ccedil;o<br \/>\n    das C&acirc;maras. Nesse contexto mais popular, assim como posteriormente<br \/>\n    nas ruas da cidade, Patroc&iacute;nio sentia-se &agrave; vontade e foi a&iacute;<br \/>\n    que desenvolveu sua voca&ccedil;&atilde;o orat&oacute;ria, respons&aacute;vel<br \/>\n    por seus maiores triunfos. Lembre-se ainda que 1880 foi o ano da Revolta do<br \/>\n    Vint&eacute;m que trouxe de volta o povo &agrave;s ruas da capital. Entre<br \/>\n    os oradores que arengavam o povo estava o republicano Jos&eacute; do Patroc&iacute;nio.\n  <\/p>\n<p>De 1880 a 1889, Patroc&iacute;nio dedicou-se integralmente &agrave; causa<br \/>\n    da liberta&ccedil;&atilde;o dos escravos e &agrave; luta contra os que exigiam<br \/>\n    indeniza&ccedil;&atilde;o. Primeiro na Gazeta de Not&iacute;cias (1878), depois<br \/>\n    na Gazeta da Tarde (1881), finalmente na Cidade do Rio (1887), jornal que<br \/>\n    comprou com a ajuda do sogro. A passagem de um jornal para outro significava<br \/>\n    sempre uma escalada no radicalismo da luta. A campanha desenrolava-se ainda<br \/>\n    nos teatros, nos banquetes, nos com&iacute;cios, nos leil&otilde;es. Tentou<br \/>\n    tamb&eacute;m eleger-se para a C&acirc;mara dos Deputados em 1884 pelo terceiro<br \/>\n    distrito da corte mas foi derrotado. Elegeu-se, no entanto, vereador em 1886,<br \/>\n    em seguida &agrave; campanha feita em cima do tema da aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &agrave; qual n&atilde;o faltaram com&iacute;cios populares. Chegaram at&eacute;<br \/>\n    n&oacute;s seus artigos de jornal. Eles s&atilde;o retrato fiel do pensamento<br \/>\n    de Patroc&iacute;nio e da t&aacute;tica de campanha desenvolvida ao longo<br \/>\n    da d&eacute;cada. &Eacute; poss&iacute;vel que nos discursos em que arengava<br \/>\n    plat&eacute;ias populares sua linguagem fosse algo distinta, talvez mais incendi&aacute;ria.<br \/>\n    Mas como nunca o acusaram de jogo duplo, &eacute; prov&aacute;vel que as id&eacute;ias<br \/>\n    e a t&aacute;tica n&atilde;o fossem muito distintas das que aparecem nos artigos<br \/>\n    de imprensa. <\/p>\n<p>Ao ler os artigos, &eacute; necess&aacute;rio que se levem em conta, al&eacute;m<br \/>\n    da personalidade de Patroc&iacute;nio, as circunst&acirc;ncias em que foram<br \/>\n    escritos e a finalidade a que se destinavam: eram armas de combate esgrimidas<br \/>\n    no calor da refrega. O objetivo final de Patroc&iacute;nio nunca variou: aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    imediata sem indeniza&ccedil;&atilde;o, a ser conquistada no m&aacute;ximo<br \/>\n    at&eacute; 1889, centen&aacute;rio da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa. Quatro<br \/>\n    anos antes da aboli&ccedil;&atilde;o, ele chegou a indicar com antecipa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    prof&eacute;tica o texto da Lei &Aacute;urea: &laquo;Fica abolida, nesta data,<br \/>\n    a escravid&atilde;o no Brasil&raquo; (artigo de 11 de abril de 1885). Mas<br \/>\n    se o objetivo n&atilde;o mudava, a t&aacute;tica variava, as alian&ccedil;as<br \/>\n    variavam, assim como variava o julgamento de pessoas e institui&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n    Ele pr&oacute;prio dizia durante a campanha para vereador que para combater<br \/>\n    a escravid&atilde;o todos os meios eram leg&iacute;timos e bons. N&atilde;o<br \/>\n    h&aacute;, pois, que buscar coer&ecirc;ncia em pontos que n&atilde;o se refiram<br \/>\n    ao objetivo final. A Lei do Ventre Livre &eacute; &agrave;s vezes elogiada,<br \/>\n    &agrave;s vezes criticada; ministros e pol&iacute;ticos em geral s&atilde;o<br \/>\n    avaliados de acordo com suas posi&ccedil;&otilde;es diante de propostas abolicionistas.<br \/>\n    Com alguns polemizou sempre. Foram os casos do conservador Cotegipe e do liberal<br \/>\n    Martinho Campos, ambos escravistas, presidentes do Conselho de Ministros em<br \/>\n    1882 e 1885-88, respectivamente. A outros defendeu com unhas e dentes, como<br \/>\n    ao liberal Dantas, e ao conservador Jo&atilde;o Alfredo, o primeiro presidente<br \/>\n    do Conselho em 1884 e autor do projeto original da Lei dos Sexagen&aacute;rios,<br \/>\n    o segundo chefe do gabinete abolicionista de 1888. <\/p>\n<p>Com outros teve rela&ccedil;&otilde;es cambiantes, de acordo com as vicissitudes<br \/>\n    da luta. Com S&iacute;lvio Romero, aliado no come&ccedil;o, brigou feio quando<br \/>\n    o sergipano escreveu um artigo racista e ofensivo aos abolicionistas, chamando<br \/>\n    Nabuco de pedantocrata e Patroc&iacute;nio de &laquo;sang-m&ecirc;l&eacute;&raquo;.<br \/>\n    No artigo, S&iacute;lvio Romero afirmava ainda que o negro era &laquo;um ponto<br \/>\n    de vista vencido na escala etnogr&aacute;fica&raquo;. A resposta de Patroc&iacute;nio<br \/>\n    foi exaltada e cheia de ataques pessoais. S&iacute;lvio Romero era o &laquo;teuto<br \/>\n    man&iacute;aco de Sergipe&raquo;, o &laquo;Spencer de cabe&ccedil;a chata&raquo;,<br \/>\n    uma alma de lacaio, um canalha. Outro com quem teve rela&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    complexas foi Rui Barbosa. Aliados em alguns momentos da luta, separaram-se<br \/>\n    em outras quando Rui, por exemplo, em nome de formalidades jur&iacute;dicas,<br \/>\n    se op&ocirc;s a proposta do governo, feita ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    de perdoar os escravos condenados nos termos da Lei n.&ordm; 4, de 10 de junho<br \/>\n    de 1835, que estabelecia pena de morte para crimes violentos de escravos contra<br \/>\n    seus senhores. Patroc&iacute;nio acusou Rui de defender o seq&uuml;estro social<br \/>\n    do ex-escravo em artigos &laquo;l&uacute;gubres como tribunal de inquisidores&raquo;<br \/>\n    (artigo de 29 de abril de 1889). <\/p>\n<p>Complicada foi tamb&eacute;m sua rela&ccedil;&atilde;o com o Partido Liberal.<br \/>\n    A emancipa&ccedil;&atilde;o dos escravos constava dos programas liberais de<br \/>\n    1868 e 1869. Era, pois, natural que, voltando ao poder em 1878, o partido<br \/>\n    fosse sens&iacute;vel &agrave; quest&atilde;o. Cedo, no entanto, os abolicionistas<br \/>\n    descobriram que as coisas n&atilde;o eram t&atilde;o simples. Assim como Rio<br \/>\n    Branco dividira o Partido Conservador em 1871 ao fazer aprovar a Lei do Ventre<br \/>\n    Livre, o Partido Liberal estava dividido em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;<br \/>\n    aboli&ccedil;&atilde;o. Ao lado de abolicionistas como Dantas, havia &laquo;escravocratas<br \/>\n    da gema&raquo;, como se autodefinia Martinho Campos. Em posi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    intermedi&aacute;ria t&iacute;mida ficavam l&iacute;deres como Paranagu&aacute;,<br \/>\n    Lafaiete, ex-republicano, e Saraiva, todos presidentes do Conselho de Ministros<br \/>\n    no per&iacute;odo. Patroc&iacute;nio deblaterou contra Martinho Campos, entusiasmou-se<br \/>\n    com Dantas e irritou-se com os outros. Dantas foi duas vezes derrotado pela<br \/>\n    C&acirc;mara liberal. Saraiva esvaziou a Lei dos Sexagen&aacute;rios. Contra<br \/>\n    este &uacute;ltimo, Patroc&iacute;nio lan&ccedil;ou ainda a acusa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de ter feito aprovar a lei da elei&ccedil;&atilde;o direta em 1881, que tirara<br \/>\n    o voto a centenas de milhares de brasileiros e cujo efeito teria sido devastador<br \/>\n    sobre os candidatos abolicionistas. A pr&aacute;tica levou-o a concluir que<br \/>\n    os liberais s&oacute; eram capazes de fazer democracia na oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e que era mais eficaz entregar aos conservadores a solu&ccedil;&atilde;o do<br \/>\n    problema da aboli&ccedil;&atilde;o, como fez Isabel em 1888, repetindo o que<br \/>\n    Pedro II fizera com Eus&eacute;bio de Queir&oacute;s em 1850 e Rio Branco<br \/>\n    em 1871 (artigo de l9 de mar&ccedil;o de 1888). <\/p>\n<p>Rela&ccedil;&atilde;o tumultuada foi tamb&eacute;m a que manteve com os republicanos.<br \/>\n    Republicano ele pr&oacute;prio, Patroc&iacute;nio n&atilde;o perdoava aos<br \/>\n    correligion&aacute;rios as hesita&ccedil;&otilde;es e tergiversa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    em rela&ccedil;&atilde;o ao problema da aboli&ccedil;&atilde;o. Assim como<br \/>\n    Lu&iacute;s Gama n&atilde;o conseguira defini&ccedil;&atilde;o clara do Partido<br \/>\n    Republicano de S&atilde;o Paulo, Patroc&iacute;nio tamb&eacute;m teve dificuldades<br \/>\n    com os republicanos do Rio, sobretudo com seu chefe, Quintino Bocai&uacute;va.<br \/>\n    A quest&atilde;o central estava na hierarquia de prioridades. Os outros republicanos<br \/>\n    colocavam a Rep&uacute;blica em primeiro lugar. A aboli&ccedil;&atilde;o ou<br \/>\n    vinha em segundo lugar, ou n&atilde;o era vista com simpatia. Para Patroc&iacute;nio,<br \/>\n    a aboli&ccedil;&atilde;o era prioridade absoluta, a Rep&uacute;blica vinha<br \/>\n    depois. N&atilde;o via, ali&aacute;s, como falar em Rep&uacute;blica sem aboli&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Neste ponto concordava com Nabuco que colocava a campanha abolicionista acima<br \/>\n    dos partidos. O republicano Patroc&iacute;nio a colocava acima da forma de<br \/>\n    governo. Por essa raz&atilde;o, n&atilde;o hesitou em ficar ao lado da regente<br \/>\n    Isabel, e da Monarquia, quando ela se decidiu pela aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    imediata. Abandonou a Rep&uacute;blica e s&oacute; voltou a apoi&aacute;-la<br \/>\n    no dia 15 de novembro de 1889. <\/p>\n<p>Assim como n&atilde;o perdoava a ambig&uuml;idade dos republicanos, esses<br \/>\n    n&atilde;o lhe perdoavam ter trocado a Rep&uacute;blica pela aboli&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    O per&iacute;odo que mediou entre a aboli&ccedil;&atilde;o e a proclama&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da Rep&uacute;blica foi um inferno astral para Patroc&iacute;nio. Vencedor,<br \/>\n    sofreu cruel campanha de desmoraliza&ccedil;&atilde;o por parte dos republicanos,<br \/>\n    inclusive Silva Jardim. O ep&iacute;teto que lhe deram de &laquo;&uacute;ltimo<br \/>\n    negro que se vendeu&raquo;, al&eacute;m de racista, era de crueldade atroz,<br \/>\n    pois o que fizera fora apenas antepor a reforma social &agrave; reforma pol&iacute;tica.<br \/>\n    Patroc&iacute;nio passou o per&iacute;odo defendendo-se das acusa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    e contra-atacando os republicanos por sua alian&ccedil;a com os ex-senhores<br \/>\n    de escravos que buscavam indeniza&ccedil;&atilde;o. Sua linguagem ferina n&atilde;o<br \/>\n    ficou atr&aacute;s da dos inimigos em cunhar express&otilde;es duras e candentes:<br \/>\n    &laquo;republicanos do 14 de maio&raquo;, &laquo;piratas do barrete fr&iacute;gio&raquo;,<br \/>\n    &laquo;pirataria sans-culotte&raquo;, &laquo;neo-republicanos da indeniza&ccedil;&atilde;o&raquo;,<br \/>\n    e outros assemelhados. A briga marcou-o pelo resto da vida. Mesmo o fato de<br \/>\n    ter promovido a &uacute;nica a&ccedil;&atilde;o autenticamente popular no<br \/>\n    dia 15 de novembro, quando o chefe republicano, Quintino Bocai&uacute;va,<br \/>\n    acompanhava a parada militar, foi suficiente para o redimir aos olhos dos<br \/>\n    republicanos. Sua vida ap&oacute;s a proclama&ccedil;&atilde;o foi um decair<br \/>\n    constante at&eacute; o final melanc&oacute;lico. <\/p>\n<p>Por fim, Patroc&iacute;nio tamb&eacute;m mudou v&aacute;rias vezes de posi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Coroa, ao Poder Moderador e &agrave; pr&oacute;pria<br \/>\n    Monarquia. Entusiasmava-se quando o imperador chamava ao poder um abolicionista<br \/>\n    como Dantas, desesperava-se quando o chamado era Martinho Campos ou Cotegipe.<br \/>\n    Em um momento via a Coroa &agrave; frente da luta, em outro acusava-a de ser<br \/>\n    o principal sustent&aacute;culo do escravismo. Dirigia-se freq&uuml;entemente<br \/>\n    ao pr&oacute;prio imperador incentivando-o a solidificar o reinado pelo apoio<br \/>\n    &agrave; causa emancipacionista, ou amea&ccedil;ando-o com a queda da Monarquia,<br \/>\n    caso ele n&atilde;o desse ouvidos ao clamor popular. Os elogios foram grandes<br \/>\n    durante o Gabinete Dantas e, sobretudo, na reg&ecirc;ncia de Isabel. As amea&ccedil;as<br \/>\n    maiores no Governo Cotegipe. Diante da freq&uuml;ente resist&ecirc;ncia da<br \/>\n    C&acirc;mara em aprovar medidas abolicionistas, fato que atribu&iacute;a ao<br \/>\n    afastamento entre a na&ccedil;&atilde;o e seus representantes causado pela<br \/>\n    lei da elei&ccedil;&atilde;o direta de Saraiva, chegou a pedir o exerc&iacute;cio<br \/>\n    ditatorial do Poder Moderador como &uacute;nico meio de fazer aprovar a reforma.<br \/>\n    Seria a maneira de aproximar o imperador da opini&atilde;o nacional por cima<br \/>\n    da representa&ccedil;&atilde;o parlamentar (artigo de 16 de julho de 1887).<br \/>\n    Quando a regente decidiu chamar o abolicionista Jo&atilde;o Alfredo, que em<br \/>\n    dois meses fez aprovar a aboli&ccedil;&atilde;o total sem indeniza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    o entusiasmo de Patroc&iacute;nio n&atilde;o conheceu limites. Come&ccedil;ara,<br \/>\n    segundo ele, naquela data, a hist&oacute;ria moderna do Brasil, operara-se<br \/>\n    a maior revolu&ccedil;&atilde;o social de nossa terra. Isabel era a redentora,<br \/>\n    ao lado dos batalhadores do abolicionismo que vinham desde Jos&eacute; Bonif&aacute;cio.\n  <\/p>\n<p>Idiossincrasias de um temperamental que falava com o cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    nos l&aacute;bios? Sem d&uacute;vida. Mas n&atilde;o s&oacute; isto. Sua condi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de homem de fronteira permitia-lhe refletir com precis&atilde;o as contradi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    da pol&iacute;tica e dos pol&iacute;ticos da &eacute;poca. Os partidos Liberal,<br \/>\n    Conservador e Republicano estavam de fato divididos frente &agrave; quest&atilde;o<br \/>\n    da aboli&ccedil;&atilde;o; a lei da elei&ccedil;&atilde;o direta cassara de<br \/>\n    fato o voto a milhares de brasileiros, dando maior consist&ecirc;ncia &agrave;<br \/>\n    C&acirc;mara mas afastando-a da opini&atilde;o p&uacute;blica; o Poder Moderador<br \/>\n    tornara-se nesta conjuntura de fato amb&iacute;guo: seu exerc&iacute;cio podia<br \/>\n    ser formalmente ditatorial mas estar, ao mesmo tempo, mais pr&oacute;ximo<br \/>\n    da opini&atilde;o p&uacute;blica. Neste sentido, a batalha da aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    corroeu a base dos partidos nacionais e contribuiu n&atilde;o s&oacute; para<br \/>\n    o fim da monarquia como para a proclama&ccedil;&atilde;o da rep&uacute;blica<br \/>\n    manu militari. Culpa dos abolicionistas? Sem d&uacute;vida, n&atilde;o. O<br \/>\n    sistema representativo &eacute; que n&atilde;o funcionava adequadamente. <\/p>\n<p>Patroc&iacute;nio apenas ajustou-se &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da<br \/>\n    luta. Combinou a perspectiva da elite ilustrada da &eacute;poca com seu toque<br \/>\n    popular. Distinguia-se de Nabuco e Rebou&ccedil;as pelo lado popular, pelo<br \/>\n    gosto do contato com o povo na pra&ccedil;a p&uacute;blica, pela vol&uacute;pia<br \/>\n    de agitar as multid&otilde;es. Era um agitador dionis&iacute;aco em contraste<br \/>\n    com o organizador est&oacute;ico que era o extraordin&aacute;rio Rebou&ccedil;as.<br \/>\n    Seu lado popular fazia com que em alguns momentos amea&ccedil;asse o Governo<br \/>\n    e a Monarquia com a ira dos escravos e libertos, a quem apresentava Spartacus<br \/>\n    como modelo. Mas a amea&ccedil;a n&atilde;o passava de ret&oacute;rica. Logo<br \/>\n    depois acusava o povo brasileiro de ser um &laquo;cordeiro submisso&raquo;<br \/>\n    que deixava nas m&atilde;os do imperador a solu&ccedil;&atilde;o de seus problemas<br \/>\n    mais graves (artigos de 21 de novembro de 1887 e de 30 de agosto de 1884).<br \/>\n    Punha-se ao lado do aristocr&aacute;tico Nabuco que preferia que a quest&atilde;o<br \/>\n    fosse resolvida de cima para baixo e n&atilde;o de baixo para cima. A aboli&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    segundo Patroc&iacute;nio, foi literalmente uma &laquo;revolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de cima para baixo&raquo;, feita mediante a alian&ccedil;a do soberano com<br \/>\n    o povo (artigo de 9 de mar&ccedil;o de 1888). <\/p>\n<p>Era ineg&aacute;vel a paix&atilde;o de Patroc&iacute;nio pela liberdade dos<br \/>\n    escravos. Havia a&iacute; um lado pessoal, gravado na cor da pele e no fundo<br \/>\n    da alma, que estava ausente, por exemplo, em Nabuco. N&atilde;o se duvida<br \/>\n    da sinceridade do abolicionismo de Nabuco, mas nele tratava-se de uma batalha<br \/>\n    filantr&oacute;pica e pol&iacute;tica antes que pessoal. Ou melhor, o lado<br \/>\n    pessoal n&atilde;o era nele t&atilde;o profundo, t&atilde;o vital, como em<br \/>\n    Patroc&iacute;nio. Mas, fora este aspecto, e fora o estilo plebeu e exaltado<br \/>\n    de Patroc&iacute;nio, n&atilde;o se separavam muito na maneira de encarar<br \/>\n    o problema da escravid&atilde;o. Taticamente, preferiam dirigir-se ao imperador,<br \/>\n    &agrave; elite pol&iacute;tica, aos propriet&aacute;rios, &agrave; popula&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    livre, antes que aos pr&oacute;prios escravos. Esta op&ccedil;&atilde;o, no<br \/>\n    caso de Patroc&iacute;nio, talvez se tenha consolidado durante o Gabinete<br \/>\n    Dantas que lhe fez vislumbrar a possibilidade de uma solu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    mon&aacute;rquica do problema. Ele mesmo admitiu que naquele momento o abolicionismo<br \/>\n    aceitou recuar para o segundo plano, reduzir o &iacute;mpeto, para permitir<br \/>\n    uma solu&ccedil;&atilde;o parlamentar (artigo de 11 de abril de 1885). Substantivamente,<br \/>\n    ao argumento da liberdade acrescentavam sempre o argumento pol&iacute;tico<br \/>\n    da raz&atilde;o nacional. A honra do pa&iacute;s, o patriotismo, os interesses<br \/>\n    da na&ccedil;&atilde;o em contraposi&ccedil;&atilde;o aos interesses dos propriet&aacute;rios<br \/>\n    e dos partidos, a imagem externa do pa&iacute;s s&atilde;o express&otilde;es<br \/>\n    e argumentos que est&atilde;o presentes desde o primeiro artigo inclu&iacute;do<br \/>\n    nesta colet&acirc;nea. A raz&atilde;o nacional parece predominar no argumento<br \/>\n    sobre a raz&atilde;o da liberdade individual. Neste ponto ele n&atilde;o estaria<br \/>\n    tamb&eacute;m muito distante da tradi&ccedil;&atilde;o do abolicionismo luso-brasileiro.\n  <\/p>\n<p>Ficou, no entanto, como marca registrada de Patroc&iacute;nio a paix&atilde;o<br \/>\n    com que se dedicou de corpo e alma &agrave; luta abolicionista; ficou sua<br \/>\n    contribui&ccedil;&atilde;o insubstitu&iacute;vel em levar para a rua uma batalha<br \/>\n    at&eacute; ent&atilde;o limitada ao parlamento; ficou seu papel central na<br \/>\n    cria&ccedil;&atilde;o do primeiro grande movimento pol&iacute;tico popular<br \/>\n    da hist&oacute;ria do pa&iacute;s. Quanto a este &uacute;ltimo ponto, &eacute;<br \/>\n    preciso observar que a afirma&ccedil;&atilde;o de que a aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    foi uma revolu&ccedil;&atilde;o de cima para baixo deve ser interpretada tamb&eacute;m<br \/>\n    levando-se em considera&ccedil;&atilde;o a conjuntura em que foi feita. Patroc&iacute;nio<br \/>\n    precisava justificar o apoio dado a Isabel. Com esta preocupa&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    acabou fazendo injusti&ccedil;a a si pr&oacute;prio e aos outros abolicionistas<br \/>\n    que desde 1880 tinham dado in&iacute;cio &agrave; campanha extraparlamentar<br \/>\n    contra a escravid&atilde;o. &Eacute; verdade que n&atilde;o se materializou<br \/>\n    sua expectativa de que um ex&eacute;rcito de ing&ecirc;nuos invadisse as ruas<br \/>\n    para lutar pela liberdade dos pais. Mas &eacute; tamb&eacute;m verdade que<br \/>\n    a partir de 1880 houve mudan&ccedil;a qualitativa na luta abolicionista, mudan&ccedil;a<br \/>\n    em que ele teve papel importante. Se as leis de 1850 e 1871 tinham sido decididas<br \/>\n    dentro do governo, o mesmo n&atilde;o se deu com as leis de 1885 e 1888. Mesmo<br \/>\n    deturpada, a Lei dos Sexagen&aacute;rios foi precedida da mobiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    popular que acompanhou o gabinete Dantas. Quanto &agrave; Lei &Aacute;urea,<br \/>\n    ela apenas ratificou o que j&aacute; fora feito revolucionariamente fora do<br \/>\n    parlamento, como reconheceu o pr&oacute;prio Cotegipe. O que fora feito deve<br \/>\n    ser creditado a Patroc&iacute;nio, aos outros abolicionistas e aos pr&oacute;prios<br \/>\n    escravos. &Eacute; dif&iacute;cil superestimar a import&acirc;ncia do abolicionismo<br \/>\n    como o movimento que permitiu falar-se no Brasil, pela primeira vez, em algo<br \/>\n    parecido com uma opini&atilde;o p&uacute;blica, uma vontade nacional. <\/p>\n<p>Diante desses m&eacute;ritos, n&atilde;o cabe censurar Patroc&iacute;nio<br \/>\n    por n&atilde;o ter invadido as portas das fazendas para l&aacute; dentro incitar<br \/>\n    os escravos &agrave; revolta contra os senhores. O saldo de sua a&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &eacute; mais do que positivo. N&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m por que<br \/>\n    diminuir um patriotismo que era feito de uma vis&atilde;o democr&aacute;tica<br \/>\n    da pol&iacute;tica, que se baseava na id&eacute;ia de uma na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    constru&iacute;da com a participa&ccedil;&atilde;o do povo. Sobre seu patriotismo,<br \/>\n    ali&aacute;s, n&atilde;o resisto &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de repetir<br \/>\n    a hist&oacute;ria, verdadeira ou falsa, n&atilde;o importa, relatada por R.<br \/>\n    Magalh&atilde;es J&uacute;nior, da resposta genial atirada aos que o chamavam,<br \/>\n    durante um discurso, de negro vendido: -&laquo;Sou negro, sim! Deus me deu<br \/>\n    a cor de Otelo para que eu tivesse ci&uacute;mes de minha p&aacute;tria!&raquo;\n  <\/p>\n<p>O amigo Jo&atilde;o Marques conta que, em meio ao del&iacute;rio das aclama&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    populares a Patroc&iacute;nio no dia 13 de maio, lhe teria dito: &laquo;Que<br \/>\n    belo dia para morreres, Patroc&iacute;nio!&raquo; Foi uma observa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    perfeita. Patroc&iacute;nio deveria ter morrido de uma s&iacute;ncope naquele<br \/>\n    dia, enquanto era aclamado pela multid&atilde;o. Depois da Rep&uacute;blica,<br \/>\n    rejeitado pelos republicanos, n&atilde;o encontrou outra causa &agrave; altura<br \/>\n    de seu talento e de sua paix&atilde;o. Os abolicionistas mon&aacute;rquicos<br \/>\n    tamb&eacute;m se recolheram. Nabuco refugiou-se na diplomacia e na reda&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da magn&iacute;fica biografia do pai e das pr&oacute;prias mem&oacute;rias.<br \/>\n    Rebou&ccedil;as escolheu o ex&iacute;lio e terminou tragicamente pondo fim<br \/>\n    &agrave; pr&oacute;pria vida. O fim de Patroc&iacute;nio foi melanc&oacute;lico.<br \/>\n    Sem causa pol&iacute;tica por que lutar, viu-se envolvido nas agita&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    dos primeiros anos da Rep&uacute;blica. Desterrado para Cucu&iacute; por Floriano,<br \/>\n    para onde foi no mesmo vapor Alagoas que levou Pedro II ao ex&iacute;lio,<br \/>\n    ao voltar teve que se ocultar da pol&iacute;cia. Correu mesmo o boato de que<br \/>\n    teria sido fuzilado por ordem de Floriano. Depois da posse de Prudente, acabaram-se<br \/>\n    as persegui&ccedil;&otilde;es mas ficou preso a disputas mesquinhas indignas<br \/>\n    de seu talento. <\/p>\n<p>A partir de 1894, buscou sua pr&oacute;pria fuga no sonho de construir um<br \/>\n    bal&atilde;o dirig&iacute;vel, o Santa Cruz. Sonhava poder desprender-se da<br \/>\n    terra para voar acima de seus concidad&atilde;os, &laquo;longe, respirando<br \/>\n    o grande ar virgem das alturas&raquo;, com o diria a Coelho Neto. Refugiava-se<br \/>\n    no sonho, assim como Rebou&ccedil;as se refugiara na morte. Em 1903, perdeu<br \/>\n    por fal&ecirc;ncia o Cidade do Rio. J&aacute; tuberculoso, dedicou-se, ent&atilde;o,<br \/>\n    integralmente, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do bal&atilde;o que jamais<br \/>\n    levantou v&ocirc;o. Morreu em 1905, em meio a uma hemoptise, pobre e abandonado,<br \/>\n    em modesta casa de Inha&uacute;ma. Tinha 52 anos. <\/p>\n<p>Milhares de pessoas desfilaram perante o caix&atilde;o depositado na igreja<br \/>\n    do Ros&aacute;rio e outras tantas acompanharam o f&eacute;retro at&eacute;<br \/>\n    o cemit&eacute;rio de S&atilde;o Francisco Xavier. P&aacute;lido reconhecimento<br \/>\n    para quem conquistou a liberdade sonhada de seus irm&atilde;os negros e sonhou<br \/>\n    em v&atilde;o com a conquista da pr&oacute;pria liberdade voando nas alturas:<br \/>\n    &laquo;L&aacute; vai o Z&eacute; do Pato!&raquo; <\/p>\n<p align=\"right\"><b>Jos&eacute; Murilo de Carvalho<\/b><\/p>\n<h2>Crit&eacute;rios de edi&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p align=\"left\"><b>Na organiza&ccedil;&atilde;o desta obra foram adotados os<br \/>\n    seguintes crit&eacute;rios: <\/b><\/p>\n<p><b>1-<\/b> Os artigos foram retirados dos tr&ecirc;s jornais do Rio de Janeiro<br \/>\n    em que Jos&eacute; do Patroc&iacute;nio escreveu regularmente no per&iacute;odo<br \/>\n    da campanha abolicionista e sua sequ&ecirc;ncia imediata at&eacute; a proclama&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da Rep&uacute;blica: Gazeta de Not&iacute;cias (1880-1881), Gazeta da Tarde<br \/>\n    (1882-1887) e Cidade do Rio (1887-1889). Foram selecionados os artigos cujo<br \/>\n    tema era a aboli&ccedil;&atilde;o e que traziam a assinatura de Jos&eacute;<br \/>\n    do Patroc&iacute;nio ou de Proudhomme, seu pseud&ocirc;nimo jornal&iacute;stico<br \/>\n    adotado desde 1877. Alguns artigos n&atilde;o assinados, provavelmente redigidos<br \/>\n    por ele, n&atilde;o foram inclu&iacute;dos. Tamb&eacute;m n&atilde;o o foram<br \/>\n    os artigos eventualmente publicados em outros jornais, como O Paiz. <\/p>\n<p><b>2-<\/b> A ortografia foi atualizada de acordo com o sistema ortogr&aacute;fico<br \/>\n    em vigor. Foram conservadas, no entanto, formas alternativas como cousa, dous,<br \/>\n    esclavagismo, etc. <\/p>\n<p><b>3-<\/b> Nas notas, em geral s&oacute; foram identificadas, quando poss&iacute;vel,<br \/>\n    as pessoas mencionadas pelo apelido ou por um nome apenas. Somente em casos<br \/>\n    especiais, de pessoas pouco conhecidas, ainda que citadas por dois ou tr&ecirc;s<br \/>\n    nomes, foi tamb&eacute;m feita a identifica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><b>4-<\/b> Na reprodu&ccedil;&atilde;o das ilustra&ccedil;&otilde;es de &Acirc;ngelo<br \/>\n    Agostini a impress&atilde;o original das legendas foi substitu&iacute;da por<br \/>\n    uma nova (em corpo maior e letra caligr&aacute;fica, cuja forma aproxima-se<br \/>\n    a do autor), de modo a assegurar a plena leitura. Foi mantida, no entanto,<br \/>\n    a grafia da &eacute;poca. <\/p>\n<h4><a name=\"2\">Gazeta de Not&iacute;cias<\/a><\/h4>\n<h2>6-IX-1880<\/h2>\n<p>O Minist&eacute;rio fez quest&atilde;o de confian&ccedil;a da simples apresenta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de um projeto de emancipa&ccedil;&atilde;o da escravatura. A augusta c&acirc;mara<br \/>\n    das bofetadas bateu, como sempre, as palmas e, comovida pela eloq&uuml;&ecirc;ncia<br \/>\n    de Cebolas e Chique-Chique, passou &agrave; ordem do dia. <\/p>\n<p>Dias depois o Minist&eacute;rio vestiu-se de casaca, franziu o sobrolho e<br \/>\n    veio fazer frente &agrave; interpela&ccedil;&atilde;o do sr. Joaquim Nabuco<br \/>\n    para que o Governo lhe explicasse em que lei se baseava para intervir numa<br \/>\n    quest&atilde;o de ordem. <\/p>\n<p>Apesar da proibi&ccedil;&atilde;o expressa do Regimento, o Governo declarou<br \/>\n    que interveio na quest&atilde;o de ordem, que interviria tantas vezes quantas<br \/>\n    S. Ex.&ordf; pedisse urg&ecirc;ncia, e a C&acirc;mara achou que &eacute; assim<br \/>\n    que o Governo deve proceder regularmente. <\/p>\n<p>Chegados a esta conclus&atilde;o, Minist&eacute;rio e C&acirc;mara deram<br \/>\n    a quest&atilde;o por terminada. <\/p>\n<p>O folhetinista n&atilde;o perder&aacute; tempo em qualificar o ato da C&acirc;mara.<br \/>\n    O pa&iacute;s j&aacute; a conhece bem; sabe o que ela vale em hombridade e<br \/>\n    coer&ecirc;ncia. Demais para entrar na discuss&atilde;o, em que descobriria<br \/>\n    o qualificativo, era mister conhecer as irrita&ccedil;&otilde;es do terreiro,<br \/>\n    as express&otilde;es agressivas da revista, e do eito, e, finalmente, esconder<br \/>\n    a p&aacute;tria por detr&aacute;s dos engenhos, ao passo que a pessoa se acocorasse<br \/>\n    por detr&aacute;s da imunidade parlamentar e do equ&iacute;voco. <\/p>\n<p>Isto, por&eacute;m, tomaria tempo e desviaria a quest&atilde;o da sua verdadeira<br \/>\n    esfera. Trata-se de conquistar o direito de mais de um milh&atilde;o de homens,<br \/>\n    e conciliar essa conquista com os interesses do pa&iacute;s. Fique ao parlamento<br \/>\n    a demagogia legal, e &agrave; imprensa a calma de que necessita. <\/p>\n<p>O problema da escravid&atilde;o est&aacute; neste p&eacute;. A lei de 1831<br \/>\n    suprimiu o tr&aacute;fico e n&atilde;o s&oacute; declarou criminosos os introdutores,<br \/>\n    como obrigados &agrave; restitui&ccedil;&atilde;o do africano os compradores.<br \/>\n    H&aacute; quarenta e nove anos e dois dias, pois, nenhum africano podia mais<br \/>\n    ser escravizado no Brasil. <\/p>\n<p>A especula&ccedil;&atilde;o da carne humana, por&eacute;m, havia entrado<br \/>\n    nos h&aacute;bitos nacionais, e durante vinte e tr&ecirc;s anos continuou<br \/>\n    o crime do tr&aacute;fico. <\/p>\n<p>Tomando a estat&iacute;stica apresentada para alguns anos pela Cole&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de Tratados do dr. Pereira Pinto, de saudosa mem&oacute;ria, entraram no Brasil:\n  <\/p>\n<div align=\"center\">\n<table width=\"30%\" border=\"0\" align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"1\" bgcolor=\"#000000\" >\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td>Em 1845<\/td>\n<td>19.453<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td>Em 1846<\/td>\n<td>50.324<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td>Em 1847<\/td>\n<td>56.172<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td>Em 1848<\/td>\n<td>60.000<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td>Em 1849<\/td>\n<td>54.000<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td>Em 1850<\/td>\n<td>23.000<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\" class=\"tabela\">\n<td height=\"31\"><b>Soma<\/b><\/td>\n<td><b>262.949<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<\/table><\/div>\n<p>Este enorme algarismo de africanos &eacute;, por&eacute;m, para seis anos,<br \/>\n    e sabemos que durante vinte e tr&ecirc;s anos certos, ainda que haja quem<br \/>\n    afirme que s&oacute; em 1856 acabou definitivamente o tr&aacute;fico; durante<br \/>\n    vinte e tr&ecirc;s anos deu-se o infame com&eacute;rcio. N&atilde;o &eacute;<br \/>\n    muito, pois, calcular a m&eacute;dia dos outros anos em 20.000 homens entrados<br \/>\n    no pa&iacute;s, o que d&aacute; 340.000, ou de 1831 a 1854, 602.949. <\/p>\n<p>Calculando que a ter&ccedil;a parte destes infelizes eram mulheres, e calculando<br \/>\n    a gera&ccedil;&atilde;o por elas dada aos seus criminosos exploradores em<br \/>\n    tr&ecirc;s filhos, o n&uacute;mero de homens livres reduzidos &agrave; escravid&atilde;o,<br \/>\n    provenientes desta fonte, &eacute; de 600.000. <\/p>\n<p>Ora, pelas estat&iacute;sticas atuais, criminosamente toleradas pelo Governo,<br \/>\n    que tem na matr&iacute;cula a confiss&atilde;o do crime dos propriet&aacute;rios,<br \/>\n    o n&uacute;mero dos africanos escravos sobe no Brasil a 200.000. <\/p>\n<p>Supondo que metade deste n&uacute;mero &eacute; tirado dos importados depois<br \/>\n    do tr&aacute;fico, temos que o n&uacute;mero das pessoas livres reduzidas<br \/>\n    &agrave; escravid&atilde;o &eacute; no Brasil nada menos de 700.000. <\/p>\n<p>N&atilde;o se objete que n&atilde;o se deixa neste c&aacute;lculo margem<br \/>\n    para a mortalidade. <\/p>\n<p>Todos sabem qu&atilde;o dificilmente se registram &oacute;bitos de africanos,<br \/>\n    e no c&aacute;lculo fica uma margem de 500.000 para a mortalidade. <\/p>\n<p>Sabe-se tamb&eacute;m que os senhores, querendo tirar todo o proveito do<br \/>\n    gado humano, &aacute;vidos de tirarem todo o lucro da pirataria &aacute; roda<br \/>\n    do ber&ccedil;o, como se exprimia o grande Sales Torres Homem, expunham as<br \/>\n    mulheres desde os treze e quatorze anos &agrave; procria&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    H&aacute; muitos fatos de indiv&iacute;duos, que come&ccedil;ando a vida apenas<br \/>\n    com cinco ou seis escravas bo&ccedil;ais, legaram aos filhos escravaturas<br \/>\n    de mais de cem pessoas provenientes daqueles troncos. <\/p>\n<p>Supor, portanto, que da gera&ccedil;&atilde;o das escravas vingam apenas<br \/>\n    tr&ecirc;s descendentes, &eacute; deixar uma larga margem &agrave; mortalidade.<br \/>\n    Tanto mais que dezesseis anos depois de 1831, isto &eacute;, em 1847 j&aacute;<br \/>\n    h&aacute; produ&ccedil;&atilde;o, e em 1863 produ&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>E, pois, quase matematicamente certo que h&aacute; reduzido a escravid&atilde;o<br \/>\n    um n&uacute;mero de 700.000 homens, metade, portanto, da escravatura atual.\n  <\/p>\n<p>Ora, &eacute; de lei que o sal&aacute;rio do homem escravizado seja pago<br \/>\n    por quem o escravizou, ou quem herdou os capitais deste. <\/p>\n<p>Logo, os atuais propriet&aacute;rios de escravos devem &agrave; sociedade<br \/>\n    em geral, ou melhor, &agrave; ra&ccedil;a negra, quarenta e nove anos de sal&aacute;rio.<br \/>\n    Fazendo o c&aacute;lculo a 200 rs. por dia, e n&atilde;o computando j&aacute;<br \/>\n    o espa&ccedil;o que vai de 1831 a 1854, tempo que, por defer&ecirc;ncia com<br \/>\n    os srs. fazendeiros deixamos de incluir no c&aacute;lculo, temos: <\/p>\n<table width=\"57%\" border=\"0\" align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"1\" bgcolor=\"#000000\" >\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td width=\"66%\"><b>Por um dia de trabalho de 700.000 homens escravizados<br \/>\n        <\/b><\/td>\n<td width=\"34%\">140:000$000<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td><b>Por um ano<\/b><\/td>\n<td>51.100:000$000 <\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">\n<td><b>Em 26 anos<\/b><\/td>\n<td>1.328.600:000$000<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>Apesar do n&uacute;mero avultado que d&aacute; o c&aacute;lculo, &eacute;<br \/>\n    preciso notar a insignific&acirc;ncia do sal&aacute;rio que foi marcado. Nunca<br \/>\n    no Brasil um trabalhador de enxada ganhou, no per&iacute;odo apontado, semelhante<br \/>\n    ridicularia. <\/p>\n<p>N&atilde;o se pode argumentar com o valor decrescente do sal&aacute;rio na<br \/>\n    raz&atilde;o inversa do tempo; para compens&aacute;-la h&aacute; a grande<br \/>\n    margem de vinte e tr&ecirc;s anos, e al&eacute;m disso h&aacute; a compensa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do valor crescente do escravo. <\/p>\n<p>A conclus&atilde;o a tirar &eacute;, pois, que sendo o n&uacute;mero atual<br \/>\n    dos escravos mais ou menos 1.435.000, dos quais 700.000 emancipados por for&ccedil;a<br \/>\n    da lei de 1831 e subseq&uuml;entes leis de 1850 e 1854, segue-se que h&aacute;<br \/>\n    em sal&aacute;rios da ra&ccedil;a negra 1.328.600.000$ para indenizar a emancipa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos 735.000 restantes. <\/p>\n<p>Tirada esta conclus&atilde;o, que sai inteira e irrefut&aacute;vel da lei<br \/>\n    de 1831, que se imp&otilde;e &agrave; acep&ccedil;&atilde;o geral; ningu&eacute;m<br \/>\n    pode de boa f&eacute; reprovar a atitude da imprensa em rela&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ao pensamento abolicionista, que h&aacute; mais de quarenta anos atravessa<br \/>\n    todas as camadas do pa&iacute;s, e que presentemente agita o esp&iacute;rito<br \/>\n    p&uacute;blico sensato. Diante do direito positivo, que &eacute; a &uacute;nica<br \/>\n    base da escravid&atilde;o, a escravatura est&aacute; extinta de jure entre<br \/>\n    n&oacute;s. <\/p>\n<p>O interesse dos senhores fazendeiros pode entender que h&aacute; um perigo<br \/>\n    em discutir esta mat&eacute;ria, mas a sociedade deve responder-lhes que a<br \/>\n    sua miss&atilde;o principal &eacute; ser &oacute;rg&atilde;o da Justi&ccedil;a<br \/>\n    e do aperfei&ccedil;oamento dos associados. O interesse &eacute;, pois, for&ccedil;ado<br \/>\n    a calar-se diante do Direito. <\/p>\n<p>Entretanto, tirando a modera&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria gravidade<br \/>\n    do problema, o folhetinista n&atilde;o levanta um grito de revolta, mas unicamente<br \/>\n    um alarma a favor dos pr&oacute;prios possuidores do solo. <\/p>\n<p>Os agricultores t&ecirc;m visto que o atraso dos seus processos de cultura<br \/>\n    os tem colocado em dificuldades diante do mercado do mundo, a ponto de n&atilde;o<br \/>\n    lhes ser poss&iacute;vel arrostar a concorr&ecirc;ncia. Foi assim com o a&ccedil;&uacute;car,<br \/>\n    foi assim com o algod&atilde;o. O caf&eacute; por sua vez n&atilde;o tem tido,<br \/>\n    apesar da sua qualidade atual, a boa reputa&ccedil;&atilde;o que lhe compete.<br \/>\n    Longe, por&eacute;m, de promover a vulgariza&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero,<br \/>\n    o Governo ainda agora concorre para estagnar a venda nos Estados Unidos, onde<br \/>\n    melhor nome havia conseguido o caf&eacute; brasileiro. <\/p>\n<p>Esse ato &eacute; de uma import&acirc;ncia extraordin&aacute;ria, porque<br \/>\n    gera no mercado a suspeita de ter de entrar em luta com um negociante como<br \/>\n    o Governo, que n&atilde;o perde com a perda, e que n&atilde;o ganha com o<br \/>\n    lucro; suspeita fundada, porque o parlamento, longe de condenar a desastrada<br \/>\n    interven&ccedil;&atilde;o do Governo, antes o aplaudiu. <\/p>\n<p>Por outro lado, a cultura do caf&eacute; aumenta anualmente em todo o mundo<br \/>\n    e com a cultura aumenta a produ&ccedil;&atilde;o. O c&aacute;lculo da produ&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    pr&oacute;xima de caf&eacute; no mundo h&aacute; de vir a pesar necessariamente<br \/>\n    no esp&iacute;rito dos agricultores, que j&aacute; t&ecirc;m dolorosa experi&ecirc;ncia<br \/>\n    da maneira pela qual s&atilde;o apeados da preponder&acirc;ncia no mercado.\n  <\/p>\n<p>Nestas circunst&acirc;ncias, parece que o melhor caminho que pode ser dado<br \/>\n    &agrave; quest&atilde;o da escravatura n&atilde;o &eacute; a dos engenhos<br \/>\n    fazendeiros, mas a do parlamento. A&iacute; se verificaria como a escravatura,<br \/>\n    longe de ser uma garantia da produ&ccedil;&atilde;o, &eacute; hoje uma grande<br \/>\n    amea&ccedil;a ao seu desenvolvimento. <\/p>\n<p>Hoje ningu&eacute;m mais pode impedir que haja entre o senhor e o escravo<br \/>\n    uma suspei&ccedil;&atilde;o, que se h&aacute; de aumentar dia a dia. O senhor<br \/>\n    pelo temor da aboli&ccedil;&atilde;o, o escravo pela convic&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de que a sua posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem base nem na lei, nem na<br \/>\n    natureza; tratar&atilde;o ambos de se prejudicar o mais poss&iacute;vel. O<br \/>\n    senhor buscar&aacute; extrair da mina negra todo o ouro poss&iacute;vel, sem<br \/>\n    pensar no preju&iacute;zo, que resultar&aacute; de exauri-la. O escravo buscar&aacute;<br \/>\n    por todos os meios produzir o menos que lhe for poss&iacute;vel. <\/p>\n<p>O preju&iacute;zo de tal luta n&atilde;o ser&aacute;, por&eacute;m, sofrido<br \/>\n    unicamente pelos dois lutadores, mas pela sociedade inteira. O resultado ser&aacute;<br \/>\n    em definitivo o fen&ocirc;meno, que querem conjurar pela in&eacute;rcia -a<br \/>\n    diminui&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. A este fen&ocirc;meno<br \/>\n    deve-se acrescentar que a diminui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o traz nenhum<br \/>\n    proveito para o pa&iacute;s; porque n&atilde;o &eacute; a inicia&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de uma &eacute;poca nova, mas o gasto imprevidente do sistema de trabalho.\n  <\/p>\n<p>&Eacute;, pois, um direito social inconcusso agitar e insistir na quest&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Um fazendeiro estadista, o sr. presidente do Conselho, disse que o meio de<br \/>\n    cortar a dificuldade era lan&ccedil;ar um imposto geral. E a causa &eacute;<br \/>\n    que se fosse lan&ccedil;ado um imposto especialmente sobre os lavradores,<br \/>\n    estes o fariam pagar pelo pr&oacute;prio escravo, ao qual aumentariam uma<br \/>\n    hora de trabalho. <\/p>\n<p>Cumpre observar desde j&aacute; que n&atilde;o &eacute; a sociedade que deve<br \/>\n    ao fazendeiro, ao propriet&aacute;rio de escravos. S&atilde;o eles que devem<br \/>\n    &agrave; sociedade. Al&eacute;m disso a confiss&atilde;o ing&ecirc;nua do<br \/>\n    sr. presidente do Conselho &eacute; a condena&ccedil;&atilde;o dos seus pr&oacute;prios<br \/>\n    clientes, e deixa ver bem qual o pensamento do atual fazendeiro para os seus<br \/>\n    escravos. A frase &eacute; -produz, besta, embora morras. <\/p>\n<p>Mas, se o fazendeiro assim procede, a sociedade pode ter confian&ccedil;a<br \/>\n    de que pela condescend&ecirc;ncia com ele garantir&aacute; de futuro a produ&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    O fazendeiro n&atilde;o vendo no escravo um instrumento de riqueza social,<br \/>\n    mas uma propriedade sua, pode garantir &agrave; sociedade a firmeza da produ&ccedil;&atilde;o?\n  <\/p>\n<p>O folhetinista n&atilde;o acredita. Est&aacute; certo de que o fazendeiro,<br \/>\n    por falta de compreens&atilde;o do problema, &eacute; o menos competente para<br \/>\n    falar a respeito. <\/p>\n<p>N&atilde;o advoga sen&atilde;o o seu pr&oacute;prio interesse, n&atilde;o<br \/>\n    visa sen&atilde;o &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o do seu bem. <\/p>\n<p>A lei, em nome da sociedade, deve intervir para criar a pequena propriedade,<br \/>\n    para criar o colono no seio dos trabalhadores atuais, para fazer com que a<br \/>\n    pr&oacute;pria escravid&atilde;o contribua para a seguran&ccedil;a da produ&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    O folhetinista procurar&aacute; demonstrar a possibilidade de tal mudan&ccedil;a,<br \/>\n    olhando-se para a p&aacute;tria e n&atilde;o somente para o fazendeiro. <\/p>\n<p><b>6 set. 1880<\/b><\/p>\n<h2>8-III-1880<\/h2>\n<h4><a name=\"3\">Visconde do Rio Branco <\/a><\/h4>\n<p>A semana foi ocupada por um esquife, que se alongou por sobre os seus dias<br \/>\n    at&eacute; a mais remota posteridade. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; muito porque ele continha as esperan&ccedil;as de mais<br \/>\n    de um milh&atilde;o de homens. <\/p>\n<p>O nome do homem que tinha tamanhas dimens&otilde;es, cuja vida era servida<br \/>\n    pelos cora&ccedil;&otilde;es de uma gera&ccedil;&atilde;o inteira de desgra&ccedil;ados,<br \/>\n    o pa&iacute;s o sabe, a hist&oacute;ria o registrou, o folhetinista o tomou<br \/>\n    para merecimento destas linhas. <\/p>\n<p>Victor Hugo, nos assomos de sua imagina&ccedil;&atilde;o incompar&aacute;vel,<br \/>\n    pintou um quadro espl&ecirc;ndido. <\/p>\n<p>Um sult&atilde;o, acostumado a vergar cabe&ccedil;as como o vento as searas,<br \/>\n    duro, mau, capaz de assistir ao mortic&iacute;nio de uma cidade sem uma &uacute;nica<br \/>\n    contra&ccedil;&atilde;o da face, sai a passeio. <\/p>\n<p>O sol obriga a natureza a modorrar, amolentada pelo rigor da can&iacute;cula.\n  <\/p>\n<p>H&aacute; na alta vegeta&ccedil;&atilde;o como que uma s&iacute;ncope, a<br \/>\n    galhagem ramalha com a frouxid&atilde;o da queda de um bra&ccedil;o alevantado<br \/>\n    a um desmaiado. <\/p>\n<p>Uma cena triste vem chamar a aten&ccedil;&atilde;o do passeador abstrato.\n  <\/p>\n<p>Alguns homens est&atilde;o &agrave; sombra de uma clareira. Um deles acaba<br \/>\n    de enterrar uma faca larga e polida nas entranhas de um porco; o sangue golfa<br \/>\n    em borbot&otilde;es da profunda ferida. <\/p>\n<p>H&aacute; nas faces do que mata a satisfa&ccedil;&atilde;o do lucro. Os seus<br \/>\n    companheiros, rindo alegremente, trazem palhas para atear a fogueira que devia<br \/>\n    lavar em chamas o couro do animal. <\/p>\n<p>O sult&atilde;o aproxima-se; o moribundo revira para ele os olhos negros,<br \/>\n    banhados na ternura dolorida que lhes punha a ang&uacute;stia da morte. <\/p>\n<p>A alma dura, ambiciosa, que ensurdecia a todas as grandes dores, comove-se.<br \/>\n    Com um aceno imperioso susta o tremendo sacrif&iacute;cio da v&iacute;tima<br \/>\n    indefesa, e, num transporte de sentimentalismo profundo, como que se lhe embaciam<br \/>\n    os olhos uma l&aacute;grima.1<\/p>\n<p>Volvem os anos. A morte vem surpreender o poderoso dominador dos crentes<br \/>\n    no meio do fast&iacute;gio do poder. Todas as galas da vida faustosa confundem-se<br \/>\n    dentro em pouco com a podrid&atilde;o do &uacute;ltimo dos vermes. <\/p>\n<p>O cen&aacute;rio &eacute; agora na regi&atilde;o das cren&ccedil;as religiosas,<br \/>\n    para al&eacute;m das estrelas, onde a luz &eacute; intensa como se a sombra<br \/>\n    da terra, batendo nos contornos das constela&ccedil;&otilde;es, produzisse<br \/>\n    o efeito de um abat-jour no globo de um lampi&atilde;o enorme. <\/p>\n<p>Comparece triste e desamparada a alma do sult&atilde;o. O brilho da bem-aventuran&ccedil;a<br \/>\n    ofusca-lhe a vista consagrada a espiolhar, com a gula do tigre, a dignidade<br \/>\n    dos seus s&uacute;ditos. <\/p>\n<p>O tribunal resplende, com o fulgor divino, e com a austeridade da justi&ccedil;a<br \/>\n    inquebrant&aacute;vel. <\/p>\n<p>Um anjo segura a balan&ccedil;a em que se pesam as a&ccedil;&otilde;es humanas,<br \/>\n    mas ai! s&oacute; a concha destinada ao mal pode ser carregada. A fisionomia<br \/>\n    dos ju&iacute;zes tem a tristeza dos esp&iacute;ritos bons quando obrigados<br \/>\n    a condenar. O eterno aresto est&aacute; quase a magoar os l&aacute;bios do<br \/>\n    juiz supremo. <\/p>\n<p>Nisto ouvem-se no tribunal os sons de uma voz estranha que se semelha a um<br \/>\n    grunhido doloroso. No azul imaculado aparece uma mancha negra, transluzindo<br \/>\n    um brilho que era como um descor crepuscular. <\/p>\n<p>Ah! exclama o anjo: e na balan&ccedil;a que pesa ouro fio as a&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    da humanidade, deposita a piedade do grande senhor contra o animal desprezado.\n  <\/p>\n<p>Imediatamente os bra&ccedil;os do sempiterno instrumento come&ccedil;am de<br \/>\n    pender, e, agora, em vez de inclinar-se para a concha do mal, carregam-se<br \/>\n    para a concha do bem. <\/p>\n<p>E o sult&atilde;o, &agrave;s bordas das gal&eacute;s eternas, ouve-se aclamado<br \/>\n    para a bem-aventuran&ccedil;a. <\/p>\n<p>O folhetinista pediu &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o do poeta a express&atilde;o<br \/>\n    do que sente pela mem&oacute;ria do visconde do Rio Branco. N&atilde;o teve,<br \/>\n    &eacute; certo, a fereza de car&aacute;cter do pont&iacute;fice dos crentes.<br \/>\n    Era, pelo contr&aacute;rio, nobre e generoso; n&atilde;o tinha pela humanidade<br \/>\n    o tremendo desprezo, que fazia aquele rejubilar-se com as inunda&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de sangue. <\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, teve erros, os quais talvez ainda tenhamos de resgatar<br \/>\n    com as armas e com o sangue. <\/p>\n<p>Enviado ao Rio da Prata continuou a pol&iacute;tica do marqu&ecirc;s do Paran&aacute;;<br \/>\n    e essa pol&iacute;tica foi para o Brasil uma infelicidade, porque deu fundamento<br \/>\n    &agrave; suspeita de interven&ccedil;&atilde;o, causa quase irremov&iacute;vel<br \/>\n    dos receios dos nossos vizinhos e de grandes encargos para os nossos or&ccedil;amentos.\n  <\/p>\n<p>Ainda a&iacute;, por&eacute;m, &eacute; for&ccedil;a distinguir o procedimento<br \/>\n    que tinha como arma a finura do trato e a delicadeza dos meios. <\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria, obrigada a fazer justi&ccedil;a, pesar&aacute; seguramente<br \/>\n    todos os atos do grande homem e proferir&aacute; as suas senten&ccedil;as<br \/>\n    com a extens&atilde;o que tinha o seu talento, a sua ilustra&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    os seus princ&iacute;pios honrados pelo trabalho e pela pobreza. <\/p>\n<p>Um ato da vida do visconde do Rio Branco basta, por&eacute;m, para resgatar<br \/>\n    toda a sua vida pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>Glorioso, aclamado, levantando popula&ccedil;&otilde;es de volta &agrave;<br \/>\n    p&aacute;tria, o homem de Estado teve no auge do poderio a piedade do temido<br \/>\n    islamita. <\/p>\n<p>Encontrou no seu caminho um animal moribundo. Revoava sobre ele o mosqueiro<br \/>\n    da cobi&ccedil;a, nutrindo-se da sangueira que dele se derramava. <\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o desse animal era em tudo igual &agrave; do porco<br \/>\n    em terras do Islame; o seu horizonte limitava-se tamb&eacute;m &agrave; lama<br \/>\n    e ao desprezo. <\/p>\n<p>A sociedade, cheia de repugn&acirc;ncia pela digest&atilde;o das suas carnes,<br \/>\n    negava-se a receb&ecirc;-lo nesse est&ocirc;mago sadio em que principia a<br \/>\n    prepara&ccedil;&atilde;o do sangue das na&ccedil;&otilde;es: -a fam&iacute;lia.\n  <\/p>\n<p>Negavam-lhe tudo: o aperfei&ccedil;oamento da intelig&ecirc;ncia, as inspira&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    da vontade, as expans&otilde;es do sentimento. <\/p>\n<p>Davam-lhe para morada habita&ccedil;&otilde;es infectas como os chiqueiros;<br \/>\n    engordavam-no por aspira&ccedil;&atilde;o de lucro, porque nos m&uacute;sculos<br \/>\n    robustecidos por uma ceva feita &agrave; custa do caldo de cana, e dos aferventados<br \/>\n    dos inhames, viam a probabilidade de capina&ccedil;&atilde;o mais expedita<br \/>\n    e de colheita mais abundante. <\/p>\n<p>Encerrada na mais baixa humilha&ccedil;&atilde;o, tendo como espectro alevantado<br \/>\n    diante da sua vontade o chicote do feitor; vendo os filhos mandados para longe<br \/>\n    dos seus carinhos, os pais para bem distante do seu amparo, as esposas para<br \/>\n    lugares afastados dos seus amores; todos os sentimentos desses pobres seres<br \/>\n    desprotegidos acabavam por embotar. <\/p>\n<p>Na lama, que de toda a parte os cercava, entregavam-se &agrave; promiscuidade<br \/>\n    e &agrave; lasc&iacute;via dos porcos; no detrimento do esp&iacute;rito deixavam<br \/>\n    que se bacanalizasse a carne. <\/p>\n<p>O visconde, com a cabe&ccedil;a ainda cingida pelos louros triunfos colhidos<br \/>\n    no campo da diplomacia; com os ouvidos ainda azoinados das aclama&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de um povo, parou ao p&eacute; do m&iacute;sero animal, e comoveu-se de t&atilde;o<br \/>\n    inditoso destino. <\/p>\n<p>Dobrou uma p&aacute;gina do livro da gl&oacute;ria, fechou-o por momentos,<br \/>\n    para ir abrir o arquivo sombrio em que inscrevera com as l&aacute;grimas da<br \/>\n    pen&uacute;ria, com as tristezas do trabalho pouco recompensado, os primeiros<br \/>\n    anos da mocidade. <\/p>\n<p>De toda parte levantaram-se clamores. A grande propriedade que levantara<br \/>\n    e engrandecera o partido, que consentiu que o estadista desse aplica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    a sua voca&ccedil;&atilde;o; a grande propriedade trocou os aplausos da v&eacute;spera<br \/>\n    em maldi&ccedil;&otilde;es tremendas. <\/p>\n<p>A voz dos seus representantes esqueceu muitas vezes a urbanidade, e respondendo<br \/>\n    &agrave; discuss&atilde;o com a amea&ccedil;a, &agrave; sinceridade com o<br \/>\n    apodo, &agrave; condescend&ecirc;ncia com o insulto, tentou sufocar a palavra<br \/>\n    do advers&aacute;rio, que fazia ecoar no seio da lei os gemidos de uma ra&ccedil;a.\n  <\/p>\n<p>Mas o mensageiro da civiliza&ccedil;&atilde;o aos arraiais negros da cobi&ccedil;a<br \/>\n    caminhou imp&aacute;vido. Todos os dias arquivava uma amargura, mas em breve<br \/>\n    no livro do sofrimento acabaram as folhas em branco, e o estadista teve de<br \/>\n    voltar a escrever no outro, que por meses estivera fechado. <\/p>\n<p>Neste dia, por&eacute;m, estava terminada tamb&eacute;m a via-sacra do sofrimento,<br \/>\n    e ele voltou &agrave; estrada larga da gl&oacute;ria. <\/p>\n<p>O animal desprez&iacute;vel redimira-se em parte, e teve, ao menos, um testemunho<br \/>\n    de que tinha tamb&eacute;m direito &agrave; vida, fora do lameiro. <\/p>\n<p>O ventre da escrava, do animal, que era at&eacute; ent&atilde;o o laborat&oacute;rio<br \/>\n    da mis&eacute;ria de uma ra&ccedil;a e da vergonha de um povo, passou a ser<br \/>\n    a matriz sacrossanta onde a liberdade fecunda uma gera&ccedil;&atilde;o de<br \/>\n    cidad&atilde;os. <\/p>\n<p>Este &uacute;nico ato da vida do cidad&atilde;o era muito para a sua grandeza<br \/>\n    diante do futuro, a que ele dava habeas corpus da pris&atilde;o for&ccedil;ada<br \/>\n    em que esperava os descendentes da escrava. Mas na hora de morrer, ainda quis<br \/>\n    tornar-se maior. <\/p>\n<p>A sua &uacute;ltima palavra foi uma proclama&ccedil;&atilde;o do Direito<br \/>\n    que a civiliza&ccedil;&atilde;o advoga. <\/p>\n<p>Pediu que deixassem evoluir tranq&uuml;ilamente a id&eacute;ia, que caminha,<br \/>\n    impelida por s&eacute;culos de sofrimentos e de humilha&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>-&laquo;N&atilde;o perturbem a quest&atilde;o do elemento servil&raquo; -foi<br \/>\n    a &uacute;ltima frase dos l&aacute;bios que haviam chamado, com a do&ccedil;ura<br \/>\n    de Jesus, as criancinhas negras &agrave; comunh&atilde;o do Direito e da Justi&ccedil;a.\n  <\/p>\n<p>Pois bem: como na lenda do poeta o afago do sult&atilde;o ao animal moribundo<br \/>\n    bastou para resgatar-lhe o crime de hecatombes, esta &uacute;nica frase, posta<br \/>\n    na balan&ccedil;a da Hist&oacute;ria, em contraposi&ccedil;&atilde;o a todos<br \/>\n    os erros pol&iacute;ticos da carreira do eminente estadista, basta para restabelecer-lhe<br \/>\n    o equil&iacute;brio e constituir para a sua mem&oacute;ria a imortalidade<br \/>\n    nas b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os da na&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Dentro em poucos anos a gera&ccedil;&atilde;o emancipada pelo visconde do<br \/>\n    Rio Branco sair&aacute; das senzalas para a casa do homem livre. <\/p>\n<p>Trar&aacute; no cora&ccedil;&atilde;o a dolorosa lembran&ccedil;a do cativeiro.<br \/>\n    Sentir&aacute; a sensa&ccedil;&atilde;o inexplic&aacute;vel de quem sai da<br \/>\n    desgra&ccedil;a para entrar logo na ventura, na maior das venturas: a liberdade.\n  <\/p>\n<p>O quadro da fazenda se esbater&aacute; sombrio na sua imagina&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Lembrar-se-&aacute; do cafezal nas madrugadas frias; do canavial ao meio-dia,<br \/>\n    do canavial, que, &agrave; semelhan&ccedil;a de um inquisidor a servi&ccedil;o<br \/>\n    do seu senhor, farpeava-lhe impass&iacute;vel a pele suarenta. <\/p>\n<p>Neste dia ele, que n&atilde;o podia levantar os olhos, que n&atilde;o podia<br \/>\n    sentir sem que lho proibissem, que n&atilde;o podia querer sem que cometesse<br \/>\n    uma insubordina&ccedil;&atilde;o; nesse dia de del&iacute;cias indiz&iacute;veis,<br \/>\n    quando ele puder como qualquer outro dizer: eu quero, eu amo, eu sustento<br \/>\n    isto; h&aacute; de necessariamente lembrar-se do grande benfeitor. <\/p>\n<p>Sentindo-se homem, lutar&aacute; contra quem quiser enxovalhar seus pais;<br \/>\n    sentindo-se livre, bradar&aacute; contra quem escravizar os entes a quem mais<br \/>\n    preze; e, ainda nessa hora de energia, ressoada na dignidade do seu amor filial,<br \/>\n    o nome do visconde do Rio Branco ser&aacute; por ele aben&ccedil;oado. <\/p>\n<p>Foi talvez pela antevis&atilde;o desse tremendo resultado que o moribundo<br \/>\n    soltou no limiar da morte um grito de conc&oacute;rdia. <\/p>\n<p>O folhetinista pede-a tamb&eacute;m em nome do morto. A perturba&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que ser&aacute; filha da resist&ecirc;ncia insensata, ser&aacute; a ru&iacute;na;<br \/>\n    e n&atilde;o foi isto o que teve em mira o trabalhador audaz, que foi minerar<br \/>\n    cidad&atilde;os nas jazidas negras da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p><b>8 mar. 1880<\/b><\/p>\n<h2>21-II-1881<\/h2>\n<p>O Governo prepara-se para executar a sua palavra de honra, de dar &agrave;<br \/>\n    urna a verdade relativa de que ela &eacute; capaz. <\/p>\n<p>Ocupa-se com a nomea&ccedil;&atilde;o dos presidentes.<\/p>\n<p>Parece deliberado a empregar a flor da sua confian&ccedil;a, para perfumar<br \/>\n    os dias eleitorais das prov&iacute;ncias. <\/p>\n<p>H&aacute; com certeza o melhor intuito da parte do Governo, e a prova &eacute;<br \/>\n    a indica&ccedil;&atilde;o do nome do sr. Martinho Campos. <\/p>\n<p>De feito, a quest&atilde;o de mais alcance, que preocupa hoje a vida nacional,<br \/>\n    &eacute; a convers&atilde;o do trabalho escravo em trabalho livre. <\/p>\n<p>O problema da escravid&atilde;o colocou-se definitivamente em face do pa&iacute;s,<br \/>\n    e pede uma solu&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O v&eacute;u espesso com que at&eacute; hoje o Imp&eacute;rio tinha conseguido<br \/>\n    ocultar aos olhos do mundo a medonha monstruosidade, que se constitu&iacute;a<br \/>\n    pelo calote, pela quebra de compromissos os mais solenes, pela fraude da lei,<br \/>\n    pela coniv&ecirc;ncia do Governo com os traficantes de mercadoria; esse v&eacute;u<br \/>\n    negro sobre o qual o Imp&eacute;rio aplicou a lei de 28 de setembro, para<br \/>\n    melhor mascarar o seu crime, acaba de ser despeda&ccedil;ado. <\/p>\n<p>A humanidade civilizada come&ccedil;a a olhar para dentro do Brasil, e, apesar<br \/>\n    da parede de interesses que tenta empanar-lhe a vista, ela consegue ver os<br \/>\n    horrores at&eacute; hoje mascarados. <\/p>\n<p>Dentro do pa&iacute;s a agita&ccedil;&atilde;o dos esp&iacute;ritos &eacute;<br \/>\n    tamanha, que parece ter a aspira&ccedil;&atilde;o de medir a sua generosidade<br \/>\n    pela desgra&ccedil;a daqueles cuja causa esposa. <\/p>\n<p>O n&uacute;mero das manumiss&otilde;es cresce; as assembl&eacute;ias do Sul<br \/>\n    legislam contra a invas&atilde;o dissimulada das prov&iacute;ncias do Norte.<br \/>\n    Pro&iacute;bem indiretamente a pirataria interior. Abrem um valo em torno<br \/>\n    das suas fronteiras; abrem para o escravo uma nova &eacute;poca, em que a<br \/>\n    sua pessoa come&ccedil;a a aparecer atrav&eacute;s do animal, da cousa, que<br \/>\n    era. <\/p>\n<p>O mercado de escravos paralisa-se: o pre&ccedil;o da carne humana baixa consideravelmente.\n  <\/p>\n<p>A escravid&atilde;o v&ecirc; rarear o n&uacute;mero dos seus defensores;<br \/>\n    ao passo que o escravo v&ecirc; que vai ter como ap&oacute;stolo um povo inteiro.\n  <\/p>\n<p>O cr&eacute;dito, o term&ocirc;metro real da economia, nega-se a aceitar<br \/>\n    a base negra. <\/p>\n<p>Enfim, por manifesta&ccedil;&otilde;es populares, legislativas e comerciais,<br \/>\n    percebe-se que, dentro em pouco tempo, meses no m&aacute;ximo, o pa&iacute;s<br \/>\n    ser&aacute; obrigado a pedir ao parlamento a sua palavra, o seu ju&iacute;zo,<br \/>\n    o seu aresto sobre a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>O Governo tem plena convic&ccedil;&atilde;o de que o parlamento n&atilde;o<br \/>\n    se pode pronunciar em sentido oposto ao da vontade expressa da na&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>O ano passado, quando ainda o movimento abolicionista n&atilde;o passava<br \/>\n    do &iacute;mpeto de meia d&uacute;zia de homens generosos, o qual, representando-se<br \/>\n    primeiramente na imprensa, afirmara-se em seguida no parlamento; o ano passado,<br \/>\n    quando se podia saber se havia uma for&ccedil;a que tornasse esse movimento<br \/>\n    uniformemente acelerado; o Governo, que entende que est&aacute;vamos bem dentro<br \/>\n    da lei de 28 de setembro, viu-se obrigado a ceder &agrave; reclama&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do sr. Joaquim Nabuco, relativamente ao fundo de emancipa&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Um ano antes quebraram-se em v&atilde;o lan&ccedil;as por essa id&eacute;ia,<br \/>\n    no entanto, pouco depois, dentro da mesma legislatura, e com a mesma C&acirc;mara,<br \/>\n    trabalhando no Senado os mesmos oposicionistas de que o Governo dependia,<br \/>\n    o fundo de emancipa&ccedil;&atilde;o &eacute; dobrado. <\/p>\n<p>A vit&oacute;ria abolicionista n&atilde;o pode ser mais clara; neg&aacute;-la<br \/>\n    &eacute; imposs&iacute;vel. <\/p>\n<p>Em face de semelhantes fatos, o que &eacute; a nomea&ccedil;&atilde;o do<br \/>\n    sr. Martinho Campos? Julgar&aacute; acaso o Governo que, tendo consentido<br \/>\n    na san&ccedil;&atilde;o da lei de averba&ccedil;&otilde;es, fez o que podia<br \/>\n    a respeito do escravo? <\/p>\n<p>Quer o Governo, com a nomea&ccedil;&atilde;o, declarar que n&atilde;o dar&aacute;<br \/>\n    entrada na C&acirc;mara &agrave; id&eacute;ia abolicionista? <\/p>\n<p>A nomea&ccedil;&atilde;o &eacute;, pois, um caso grav&iacute;ssimo. <\/p>\n<p>O Governo sabe que o sr. Martinho Campos tem como grande honra ser escravocrata.\n  <\/p>\n<p>Sabe tamb&eacute;m que a lei de averba&ccedil;&otilde;es interpretada pelo<br \/>\n    Governo provincial pode na primeira parte da interpreta&ccedil;&atilde;o dar<br \/>\n    lugar a grandes abusos. <\/p>\n<p>Ora, o sr. Martinho Campos &eacute; de opini&atilde;o que a escravid&atilde;o<br \/>\n    &eacute; uma prova de caridade crist&atilde;; que o senhor faz um grande favor,<br \/>\n    presta um grande servi&ccedil;o ao seu escravo. <\/p>\n<p>Em virtude dos seus princ&iacute;pios, levado pela melhor inten&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    pois que &eacute; a sua convic&ccedil;&atilde;o, o sr. Martinho Campos pode<br \/>\n    perfeitamente consentir na viola&ccedil;&atilde;o da lei de averba&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o ser&aacute; um ato de que sua consci&ecirc;ncia o exprobre. S.<br \/>\n    Ex.&ordf; tem unicamente em mira fazer uma obra merit&oacute;ria. Abrindo<br \/>\n    as portas da prov&iacute;ncia ao mercado clandestino de escravos, S. Ex.&ordf;<br \/>\n    franquear&aacute; apenas aos fazendeiros ocasi&atilde;o para praticarem uma<br \/>\n    boa a&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Este perigo iminente de ser burlada a lei aumenta com uma considera&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>A determina&ccedil;&atilde;o legislativa deve apenas vigorar durante um exerc&iacute;cio<br \/>\n    or&ccedil;ament&aacute;rio. A presen&ccedil;a do sr. Martinho Campos, combinada<br \/>\n    com a hip&oacute;tese da dissolu&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara, &eacute;<br \/>\n    uma s&eacute;ria amea&ccedil;a de que no futuro exerc&iacute;cio a disposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    or&ccedil;ament&aacute;ria desaparecer&aacute;. <\/p>\n<p>Estas hip&oacute;teses, que dizem particularmente respeito &agrave; economia<br \/>\n    administrativa da prov&iacute;ncia, s&atilde;o por si graves motivos de suspei&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    as quais militam contra a escolha do sr. Martinho Campos para a presid&ecirc;ncia<br \/>\n    do Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>A influ&ecirc;ncia do sr. Martinho Campos junto do atual Gabinete &eacute;<br \/>\n    incontest&aacute;vel e incontestada. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf;, que at&eacute; o ano passado nunca teve for&ccedil;a para nomear<br \/>\n    um cont&iacute;nuo, porque a sua carreira gloriosa no parlamento o punha em<br \/>\n    s&iacute;tio para com o Governo, p&otilde;e e disp&otilde;e agora do gabinete.\n  <\/p>\n<p>Mas o sr. Martinho Campos rompeu com a sua vida de oposicionista, e durante<br \/>\n    a &uacute;ltima legislatura praticou muito dos atos que foram por S. Ex.&ordf;<br \/>\n    mesmo censurados. <\/p>\n<p>Sepultou o seu passado de pol&iacute;tico impec&aacute;vel, e aconteceu-lhe<br \/>\n    ent&atilde;o como In&ecirc;s de Castro, que s&oacute; depois de morta foi<br \/>\n    rainha. <\/p>\n<p>Hoje o sr. Martinho Campos quer, pode e manda.<\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; est&aacute; no seu direito de dizer -eu chovo!<\/p>\n<p>O seu procedimento nas elei&ccedil;&otilde;es ser&aacute; necessariamente<br \/>\n    sancionado pelo Governo, que seguramente n&atilde;o querer&aacute; aumentar<br \/>\n    a sua oposi&ccedil;&atilde;o com a palavra do sr. Martinho Campos, que tem<br \/>\n    por si uma lenda de terror. <\/p>\n<p>A Prov&iacute;ncia do Rio de Janeiro, por&eacute;m, estar&aacute; obrigada<br \/>\n    a receber o sr. Martinho Campos com cara de P&aacute;scoa? <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; foi pelo Governo incumbido de dirigir a divis&atilde;o dos c&iacute;rculos<br \/>\n    da prov&iacute;ncia. Arranj&aacute;-los-&aacute;, de certo, ao seu modo, apesar<br \/>\n    do sr. Paulino. <\/p>\n<p>Feito o trabalho da divis&atilde;o, organizado o maquinismo, &eacute; o mesmo<br \/>\n    sr. Martinho Campos quem o deve fazer funcionar? <\/p>\n<p>Esta concentra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a na m&atilde;o de um s&oacute;<br \/>\n    homem, cujas id&eacute;ias s&atilde;o positivamente contr&aacute;rias a qualquer<br \/>\n    avan&ccedil;o no sentido do melhoramento da condi&ccedil;&atilde;o escrava,<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o s&eacute;ria contra a nomea&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do sr. Martinho Campos? <\/p>\n<p>O parlamento, ou por vontade ou por for&ccedil;a, ser&aacute; chamado a pronunciar<br \/>\n    sobre a escravatura no Brasil. <\/p>\n<p>Quest&otilde;es de maior alcance, relativas &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    est&atilde;o agitando-se no pensamento e na consci&ecirc;ncia da na&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>A dificuldade que h&aacute; em conseguir unicamente do Poder Judici&aacute;rio<br \/>\n    o cumprimento dos tratados e das leis que aboliram o tr&aacute;fico, exige<br \/>\n    da parte do parlamento uma solu&ccedil;&atilde;o definitiva. <\/p>\n<p>Pensa o Governo que o partido abolicionista est&aacute; disposto a calar-se<br \/>\n    e a deixar que os gabinetes, no interesse da sua conserva&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    transijam com as opini&otilde;es dos indiv&iacute;duos a quem teme? <\/p>\n<p>Pensa o Governo que, armado com a lei escrita, com as obriga&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    mais solenes tomadas pelo pa&iacute;s; armado com o prest&iacute;gio que lhe<br \/>\n    d&aacute;, por um lado o terror dos advers&aacute;rios, por outro as aclama&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    do povo civilizado, ceder&aacute; terreno e consentir&aacute; que se mantenha<br \/>\n    no mesmo p&eacute; a quest&atilde;o? <\/p>\n<p>N&atilde;o conta com a pr&oacute;pria coragem que d&aacute; o perigo, n&atilde;o<br \/>\n    conta com o impulso natural da consci&ecirc;ncia dos propagandistas, impulso<br \/>\n    que &eacute; filho da certeza, ou de vencer, ou de desonrar-se? <\/p>\n<p>O Governo v&ecirc;, pois, que &eacute; materialmente imposs&iacute;vel impedir<br \/>\n    que o parlamento seja constrangido a dizer a palavra da lei sobre o assunto.\n  <\/p>\n<p>O que a boa pol&iacute;tica aconselha &eacute; que o Governo n&atilde;o irrite<br \/>\n    o debate. <\/p>\n<p>Um dos meios a empregar &eacute; pelo menos aparentar isen&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    nas elei&ccedil;&otilde;es; &eacute; dotar as prov&iacute;ncias com administradores,<br \/>\n    que, pelo menos, n&atilde;o tenham uma acentua&ccedil;&atilde;o positivamente<br \/>\n    escravagista. <\/p>\n<p>Al&eacute;m das recorda&ccedil;&otilde;es trist&iacute;ssimas da &uacute;ltima<br \/>\n    sess&atilde;o legislativa, durante a qual negou-se ao partido abolicionista<br \/>\n    at&eacute; o direito de fazer perguntas ao Governo, relativamente a leis n&atilde;o<br \/>\n    revogadas, leis que n&atilde;o podem ser revogadas sem que um povo inteiro<br \/>\n    falte &agrave; sua palavra; sess&atilde;o em que planearam-se as mais vergonhosas<br \/>\n    ciladas &agrave; liberdade da tribuna parlamentar; desde a interven&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de ministros em quest&otilde;es de ordem; as discuss&otilde;es sobre um requerimento<br \/>\n    de urg&ecirc;ncia e a nega&ccedil;&atilde;o desta para a simples fundamenta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de um projeto; al&eacute;m de todas essas recorda&ccedil;&otilde;es, o partido<br \/>\n    abolicionista ter&aacute; como argumento a nomea&ccedil;&atilde;o dos administradores<br \/>\n    de prov&iacute;ncia. <\/p>\n<p>O Governo sabe perfeitamente que &eacute; um perigo assentar a ordem sobre<br \/>\n    desgra&ccedil;a de mais de um milh&atilde;o de homens. <\/p>\n<p>O cora&ccedil;&atilde;o dos oprimidos bate sempre com extraordin&aacute;ria<br \/>\n    viol&ecirc;ncia, e, por mais peritos que sejam os oper&aacute;rios do Governo,<br \/>\n    eles n&atilde;o conseguir&atilde;o assentar solidamente alicerces em um terreno<br \/>\n    sujeito a cont&iacute;nuos estremecimentos. <\/p>\n<p>A ordem s&oacute; &eacute; dur&aacute;vel quando &eacute; o progresso realizado.<br \/>\n    Ora, ningu&eacute;m ousa negar, nem mesmo os escravagistas, que a liberdade<br \/>\n    do trabalhador agr&iacute;cola &eacute; um progresso. O parlamento que se<br \/>\n    negar a incorporar na legisla&ccedil;&atilde;o esse progresso, contribuir&aacute;<br \/>\n    decididamente para a anarquia. <\/p>\n<p>O Governo fa&ccedil;a, pois, o que entender: nomeie, se lhe aprouver, o sr.<br \/>\n    Martinho Campos presidente de todas as prov&iacute;ncias do Brasil. <\/p>\n<p>As portas do parlamento h&atilde;o de se abrir necessariamente &agrave; id&eacute;ia<br \/>\n    abolicionista, porque, se aquele tem os sufr&aacute;gios dos amigos do sr.<br \/>\n    Martinho Campos, a id&eacute;ia abolicionista tem por si os sufr&aacute;gios<br \/>\n    da humanidade inteira.<\/p>\n<h4><a name=\"4\">Gazeta da Tarde<\/a><\/h4>\n<h2>19-VI-1882<\/h2>\n<p>Duas vezes chamadas a pronunciar-se a respeito da quest&atilde;o servil,<br \/>\n    as c&acirc;maras da situa&ccedil;&atilde;o liberal t&ecirc;m votado o sil&ecirc;ncio.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o quis a primeira C&acirc;mara desta situa&ccedil;&atilde;o discutir<br \/>\n    o projeto Nabuco; a segunda acaba de negar-se ao debate do projeto proibindo<br \/>\n    o tr&aacute;fico interprovincial. <\/p>\n<p>Apreciando o voto pelo valor moral de quem o d&aacute;, o fato n&atilde;o<br \/>\n    deve causar admira&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A dignidade &eacute; o ambiente necess&aacute;rio &agrave; coragem das opini&otilde;es<br \/>\n    e a situa&ccedil;&atilde;o liberal nasceu, consolidou-se, vive, e h&aacute;<br \/>\n    de morrer, sem dignidade. <\/p>\n<p>O Governo &eacute; a C&aacute;pua desses cartagineses irrequietos. A&iacute;<br \/>\n    amolecem, desfibram-se e aniquilam-se em rega-bofes de cama e mesa, na farta<br \/>\n    frui&ccedil;&atilde;o dos despojos opimos do eterno combalido -o tesouro.\n  <\/p>\n<p>O voto da C&acirc;mara n&atilde;o nos surpreendeu, portanto. Foi para n&oacute;s<br \/>\n    uma simples afirma&ccedil;&atilde;o do que pens&aacute;vamos a respeito desse<br \/>\n    conluio indecente, presidido pelo bacalhau de Cebolas e o anjinho de Macuco.\n  <\/p>\n<p>Seria fenomenal obter duma casa de toler&acirc;ncia o sufr&aacute;gio do<br \/>\n    pudor nacional. O que ali tem valor &eacute; a mesa de tavolagem em que se<br \/>\n    jogam garantias de juros, subven&ccedil;&otilde;es, empregos e candidaturas.\n  <\/p>\n<p>Pouco se importa o sr. Prado Pimentel, por exemplo, que a escravid&atilde;o<br \/>\n    seja uma tremenda mancha para o pa&iacute;s. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf;, bela pe&ccedil;a, um bom mulato, sabe somente que a pele dos<br \/>\n    africanos, seus ascendentes, pode servir de pergaminho a diplomas de deputados<br \/>\n    de sua laia. <\/p>\n<p>No caso do sr. mulato Prado Pimentel est&aacute; a maioria da C&acirc;mara.\n  <\/p>\n<p>N&oacute;s os conhecemos. Eram uns vadios sem eira, nem beira, uns bachar&eacute;is<br \/>\n    escrevinhadores que formigavam na oposi&ccedil;&atilde;o, como vermes, em<br \/>\n    torno de uns homens de nome feito. <\/p>\n<p>&Agrave; tarde descompunham o Governo, &agrave; noite enluvavam-se e iam<br \/>\n    namorar as filhas dos fazendeiros. Diziam alto quais os dotes presum&iacute;veis.<br \/>\n    Iam &agrave;s conquistas avisando que n&atilde;o eram tolos, que n&atilde;o<br \/>\n    estavam para morrer de fome. <\/p>\n<p>O sr. Sousa Carvalho definiu bem este modo de viver: &eacute; o juda&iacute;smo<br \/>\n    oposicionista. S. Ex.&ordf; teve uma vantagem sobre todos esses demolidores<br \/>\n    do amor da fam&iacute;lia e da p&aacute;tria: ficou fora como advogado, cavando<br \/>\n    as minas das secretarias com a sua pena. <\/p>\n<p>Essa origem do que S. Ex.&ordf; tem hoje a perder, n&atilde;o podia deixar<br \/>\n    de prejudicar-lhe os sentimentos patri&oacute;ticos. <\/p>\n<p>J&aacute; o violento Rouill&egrave;res dizia a Mirabeau que era indispens&aacute;vel<br \/>\n    a justa compreens&atilde;o do valor moral da fam&iacute;lia para bem sentir<br \/>\n    o amor da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>Ora, quem edifica a fam&iacute;lia sobre a especula&ccedil;&atilde;o do dote,<br \/>\n    quem n&atilde;o faz do matrim&ocirc;nio sen&atilde;o uma origem de fortuna,<br \/>\n    cujas fontes, assim como foram a pirataria nas costas africanas, podiam ter<br \/>\n    sido o bacamarte e a emboscada na estrada; quem n&atilde;o se vexa de testar<br \/>\n    aos filhos as l&aacute;grimas e a liberdade de irm&atilde;os, n&atilde;o pode<br \/>\n    ter da p&aacute;tria compreens&atilde;o diversa da que tem a C&acirc;mara<br \/>\n    dos Deputados da situa&ccedil;&atilde;o liberal. A p&aacute;tria &eacute;<br \/>\n    um vasto arraial onde se faz a feira brutal e ignominiosa da honra de um povo.\n  <\/p>\n<p>O voto da C&acirc;mara n&atilde;o nos surpreendeu, portanto. N&atilde;o podia<br \/>\n    ser outro, devia ser este mesmo: negar-se &agrave; discuss&atilde;o. <\/p>\n<p>N&oacute;s que escrevemos por inspira&ccedil;&atilde;o da honra do pa&iacute;s<br \/>\n    para o mundo civilizado; n&oacute;s que temos a responsabilidade do futuro,<br \/>\n    que n&atilde;o engordamos &agrave; custa das priva&ccedil;&otilde;es das senzalas<br \/>\n    para acabar estupidamente na administra&ccedil;&atilde;o por uma degeneresc&ecirc;ncia<br \/>\n    gordurosa da probidade individual e do civismo, temos o direito de desprezar<br \/>\n    o voto da C&acirc;mara para interrogar o imperador. <\/p>\n<p>O que conclui Sua Majestade dos fen&ocirc;menos a que assiste?<\/p>\n<p>Enquanto a C&acirc;mara dos seus representantes se nega a discutir, enquanto<br \/>\n    o sr. Martinho Campos, agente do Poder Executivo, celebra pactos monstruosos<br \/>\n    com o sr. Paulino de Sousa, o Machiavel fanhoso, enquanto os presidentes de<br \/>\n    prov&iacute;ncia como o sr. Gavi&atilde;o do Marmeleiro e o sr. Sancho-Pan&ccedil;a<br \/>\n    de Sergipe suprimem ou amea&ccedil;am associa&ccedil;&otilde;es, o sentimento<br \/>\n    abolicionista revivesce. <\/p>\n<p>Na capital quinze associa&ccedil;&otilde;es disputam-se a primazia na coragem<br \/>\n    c&iacute;vica e na dedica&ccedil;&atilde;o pela sorte dos cativos; em S. Paulo<br \/>\n    desabrocha o sentimento abolicionista em clubes nos principais &oacute;rg&atilde;os<br \/>\n    da sua imprensa; no Rio Grande do Sul a propaganda assoberba todas as dificuldades,<br \/>\n    coroando-se com o prest&iacute;gio do nome de Silveira Martins; no Cear&aacute;<br \/>\n    d&atilde;o-se as m&atilde;os todos os grandes elementos das grandes transforma&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n    Desde a vela branca da jangada at&eacute; o sorriso da mulher, desde a dedica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos homens eminentes at&eacute; a greve dos artistas, tudo &eacute; esperan&ccedil;a<br \/>\n    para os cativos naquela prov&iacute;ncia, sobre a qual se curva, como aur&eacute;ola<br \/>\n    inextingu&iacute;vel, a luz equatorial. <\/p>\n<p>N&atilde;o sente Sua Majestade alguma coisa de extraordin&aacute;rio nesse<br \/>\n    momento que em dois anos se comunicou a todo o pa&iacute;s? <\/p>\n<p>N&atilde;o lhe parece que &eacute; o produto de um terremoto que se aproxima?\n  <\/p>\n<p>Quando fender-se o amaldi&ccedil;oado solo &aacute;rido, que tem bebido por<br \/>\n    tr&ecirc;s s&eacute;culos o suor e o pranto de milh&otilde;es de homens, n&atilde;o<br \/>\n    teme Sua Majestade que uma das ru&iacute;nas seja o seu trono? <\/p>\n<p>A lealdade imp&otilde;e-nos uma advert&ecirc;ncia a Sua Majestade. <\/p>\n<p>Com uma fisionomia prot&eacute;ica, mudando de aspecto conforme o ponto de<br \/>\n    que &eacute; vista, s&oacute; h&aacute; atualmente neste pa&iacute;s uma quest&atilde;o<br \/>\n    s&eacute;ria: &eacute; a aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Para ela convergir&atilde;o fatalmente pelo impulso da propaganda, como pela<br \/>\n    resist&ecirc;ncia dos oposicionistas, todas as energias vivas do pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>Dentro em pouco o que &eacute; hoje o conluio negro dos srs. Martinho &amp;<br \/>\n    Paulino ser&aacute; o procedimento de todos os Vernecks e Prados Piment&eacute;is<br \/>\n    do escravagismo, para a forma&ccedil;&atilde;o do Ex&eacute;rcito negro. <\/p>\n<p>Um movimento geral de alian&ccedil;a se dar&aacute; naturalmente, como est&aacute;<br \/>\n    iniciado, de todos os abolicionistas, formando a legi&atilde;o sagrada, que<br \/>\n    ter&aacute; como estatutos a nossa palavra solenemente empenhada no ato do<br \/>\n    reconhecimento da nossa independ&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>A luta que se travar n&atilde;o ficar&aacute; no terreno estreito das discuss&otilde;es<br \/>\n    do Segundo Reinado. <\/p>\n<p>A sorte da Monarquia brasileira ser&aacute; nela resolvida.<\/p>\n<p>Os Bragan&ccedil;as brasileiros t&ecirc;m consolidado o seu trono com as<br \/>\n    revolu&ccedil;&otilde;es e por isso, provavelmente, Sua Majestade promove<br \/>\n    pelos seus d&oacute;ceis instrumentos, por todos os Martinhos do seu uso,<br \/>\n    a revolu&ccedil;&atilde;o abolicionista. <\/p>\n<p>O resultado da provoca&ccedil;&atilde;o de Sua Majestade &eacute; ainda um<br \/>\n    segredo, e o tempo das profecias passou. <\/p>\n<p>Lembre-se, por&eacute;m, Sua Majestade, de que os elementos s&atilde;o diversos.\n  <\/p>\n<p>As revolu&ccedil;&otilde;es de que Sua Majestade tem not&iacute;cia nasceram<br \/>\n    de simples quest&otilde;es pol&iacute;ticas, de paix&otilde;es muitas vezes<br \/>\n    rid&iacute;culas. Poucas foram as que se inspiraram em grandes sentimentos<br \/>\n    e estas venderam muito caro a derrota. <\/p>\n<p>No presente o m&oacute;vel &eacute; inteiramente diverso. Os soldados n&atilde;o<br \/>\n    ir&atilde;o buscar no fogo as dragonas do comando; as balas ser&atilde;o simplesmente<br \/>\n    o alfabeto que vai escrever na nossa hist&oacute;ria um decreto de fraternidade<br \/>\n    humana. <\/p>\n<p>Sua Majestade podia, se quisesse, fazer um grande servi&ccedil;o ao pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>Era simples. Chamar o sr. Martinho Campos, muito &agrave; puridade, e dizer-lhe<br \/>\n    assim: <\/p>\n<p>&laquo;Martinho: voc&ecirc; v&ecirc; o que est&atilde;o fazendo a sua c&acirc;mara<br \/>\n    e o seu minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>O Alves de Ara&uacute;jo declara-se patrono de um indiv&iacute;duo. Tiraram-lhe<br \/>\n    um quiosque. <\/p>\n<p>Pois bem, o Manuel comovido d&aacute; de presente ao referido indiv&iacute;duo<br \/>\n    um logradouro p&uacute;blico. <\/p>\n<p>O Franco de S&aacute; n&atilde;o se ajeita com a pasta. <\/p>\n<p>J&aacute; descobriu um rio, que nunca existiu.<\/p>\n<p>O Mafra &eacute; uma desgra&ccedil;a. Coitado, vale menos que as ordenan&ccedil;as<br \/>\n    que o acompanham. <\/p>\n<p>O Rodolfo, apesar de ser um pouco vivo, &eacute; o que voc&ecirc; sabe. N&atilde;o<br \/>\n    diz coisa com coisa. <\/p>\n<p>O Pena &eacute; uma l&aacute;stima. N&atilde;o sabe uma palavra a respeito<br \/>\n    dos neg&oacute;cios da pasta. &Eacute; um polichinelo, puxado pelos cord&eacute;is<br \/>\n    dos oficiais-de-gabinete. <\/p>\n<p>O Carneiro da Rocha &eacute; bom, mas se continuar por muito tempo em companhia<br \/>\n    de voc&ecirc;s, fica perdido. <\/p>\n<p>Quanto a voc&ecirc; Martinho&#8230; Bom, excetuam-se os presentes. <\/p>\n<p>A C&acirc;mara, Martinho, &eacute; uma vergonha. Voc&ecirc; bem sabe qual<br \/>\n    &eacute; a opini&atilde;o do povo a respeito do Sousa Carvalho e do C&acirc;ndido<br \/>\n    de Oliveira. Dizem que estes dois sujeitos n&atilde;o cortam as unhas. Acerca<br \/>\n    do primeiro contaram-me que voc&ecirc; apostou quinhentos mil-r&eacute;is<br \/>\n    em como ele n&atilde;o seria por mim escolhido. <\/p>\n<p>Ora s&atilde;o esses dois e o Penido, um pobre de Deus, inofensivo, excetuante<br \/>\n    a gram&aacute;tica, os seus grandes corifeus. &Eacute; verdade que os Afonsos<br \/>\n    tamb&eacute;m ajudam, mas voc&ecirc; deve estar lembrado do caf&eacute;&#8230;\n  <\/p>\n<p>A menos que voc&ecirc;, quando veio para c&aacute;, n&atilde;o houvesse deixado<br \/>\n    a mem&oacute;ria afogada no lodo do Manuel Pinto (n&atilde;o &eacute; o Dantas),<br \/>\n    rio que fica na vizinhan&ccedil;a do matadouro, deve ter de mem&oacute;ria<br \/>\n    que tais governos s&atilde;o mal vistos pela opini&atilde;o. Seu Martinho,<br \/>\n    fa&ccedil;a-me um favor, v&aacute;-se embora. Olhe, eu o nomeio conselheiro<br \/>\n    de Estado. Voc&ecirc; paga o que deve ao Banco, entregando-lhe a fazenda;<br \/>\n    arranja como puder outro neg&oacute;cio, e vai viver descansado, porque fica<br \/>\n    com um conto e tanto por m&ecirc;s. <\/p>\n<p>V&aacute;-se embora, seu Martinho.&raquo;<\/p>\n<p>Era este um grande servi&ccedil;o de Sua Majestade ao pa&iacute;s. <\/p>\n<p><b>19 jun. 1882<\/b><\/p>\n<h2>17-VII-1882<\/h2>\n<p> Dar ao nosso pa&iacute;s plena e absoluta certeza das inten&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    patri&oacute;ticas, que nos colocam em oposi&ccedil;&atilde;o permanente &agrave;s<br \/>\n    institui&ccedil;&otilde;es vigentes, foi o nosso intuito concedendo armist&iacute;cio<br \/>\n    volunt&aacute;rio ao atual minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>Acusavam-nos de impaci&ecirc;ncia, de a&ccedil;odamento prejudicial; respondemos<br \/>\n    por um tratado p&uacute;blico de paz, demonstrando assim que o nosso intuito<br \/>\n    &eacute; conseguir pacificamente a grande reforma de que depende a moralidade<br \/>\n    pol&iacute;tica e civil do pa&iacute;s -a aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>A nossa atitude, a nossa linguagem para o minist&eacute;rio e o imperador<br \/>\n    tem sido a de um aliado leal, que procura usar de suas for&ccedil;as de modo<br \/>\n    a desbravar o caminho &agrave; magna reforma. <\/p>\n<p>N&atilde;o quisemos regatear gl&oacute;rias ao imperador e ao Minist&eacute;rio.<br \/>\n    Condescendentes na vit&oacute;ria, como somos en&eacute;rgicos a inexor&aacute;veis<br \/>\n    na luta, deixamos ao Governo a reda&ccedil;&atilde;o dos artigos de lei, que<br \/>\n    devem operar a pacifica&ccedil;&atilde;o geral dos &acirc;nimos e dar &agrave;<br \/>\n    propaganda abolicionista a serenidade indispens&aacute;vel a um debate, em<br \/>\n    que entram de par com os mais imprescrit&iacute;veis direitos da civiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    os mais vitais interesses do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>H&aacute; quinze dias que vive o Minist&eacute;rio 3 de Julho.<\/p>\n<p>No estado atual da propaganda abolicionista, nenhum Governo que tenha exata<br \/>\n    compreens&atilde;o da sua responsabilidade hist&oacute;rica, pode assumir<br \/>\n    a dire&ccedil;&atilde;o dos neg&oacute;cios p&uacute;blicos sem ter um plano<br \/>\n    assentado acerca da quest&atilde;o, cuja complexidade enleia o pa&iacute;s<br \/>\n    na sua honra e na sua riqueza. <\/p>\n<p>Subir ao poder sem um projeto &eacute; confessar implicitamente a mais perigosa<br \/>\n    incapacidade. <\/p>\n<p>A C&acirc;mara dos Deputados finge acreditar que derrubou o sr. Martinho<br \/>\n    Campos numa quest&atilde;o de revis&atilde;o eleitoral. <\/p>\n<p>A verdade, por&eacute;m, &eacute; que o Minist&eacute;rio de 21 de Janeiro<br \/>\n    caiu por impossibilidade de se manter. <\/p>\n<p>A opini&atilde;o havia tornado imprest&aacute;vel a canoa carregada de interesses<br \/>\n    escravagistas. <\/p>\n<p>Repugnava &agrave; imprensa, enjoava o parlamento o Minist&eacute;rio, que<br \/>\n    se ufanava de ter como bandeira o pano negro do tr&aacute;fico. <\/p>\n<p>Via-se que em vez de intimidar a propaganda abolicionista, esta pelo contr&aacute;rio<br \/>\n    se acentuava cada vez mais e j&aacute; se preparava para abandonar o terreno<br \/>\n    da discuss&atilde;o e colocar-se no do combate. <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio programa ministerial veio desmentir a C&acirc;mara. <\/p>\n<p>Ela havia tolerado as declara&ccedil;&otilde;es do presidente do Conselho;<br \/>\n    tinha-lhe continuado o apoio, apesar da confiss&atilde;o de que era escravocrata<br \/>\n    da gema. <\/p>\n<p>Pelos atos do parlamento, pois, o novo minist&eacute;rio n&atilde;o era obrigado<br \/>\n    a incluir no seu programa a quest&atilde;o servil. <\/p>\n<p>A C&acirc;mara dos Deputados n&atilde;o lho podia exigir, quando havia dias<br \/>\n    antes rejeitado a urg&ecirc;ncia ao projeto proibindo o tr&aacute;fico interprovincial.\n  <\/p>\n<p>O Senado n&atilde;o lho exigiria tamb&eacute;m porque os srs. Silveira Martins,<br \/>\n    Otaviano e Silveira da Mota, os liberais mais adiantados no assunto, n&atilde;o<br \/>\n    se julgaram no dever de apresentar projeto. <\/p>\n<p>A inclus&atilde;o do elemento servil no programa do Governo foi, portanto,<br \/>\n    uma vit&oacute;ria exclusiva da opini&atilde;o. <\/p>\n<p>O minist&eacute;rio canalizou assim uma torrente que amea&ccedil;ava inundar<br \/>\n    tudo e inundar&aacute;, se, em vez do canal, cavar-se fundo na legisla&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    for simplesmente um desvio tempor&aacute;rio. <\/p>\n<p>De duas uma: ou o sr. Paranagu&aacute; tem projeto feito e cumpre apresent&aacute;-lo<br \/>\n    com a maior brevidade, ou o sr. Paranagu&aacute; nada pensou, nada resolveu<br \/>\n    a respeito, e &eacute; incapaz de governar. <\/p>\n<p>Devemos ao minist&eacute;rio e ao pa&iacute;s a m&aacute;xima franqueza.\n  <\/p>\n<p>A maioria dos homens, que assumiram a responsabilidade do movimento abolicionista,<br \/>\n    est&aacute; de tal modo comprometida com as esperan&ccedil;as dos escravos<br \/>\n    e com as convic&ccedil;&otilde;es de suas consci&ecirc;ncias; adiantou-se<br \/>\n    tanto e com tamanho impulso que lhe &eacute; imposs&iacute;vel parar. <\/p>\n<p>Se o Governo pretende por um adiamento quebrantar as for&ccedil;as abolicionistas,<br \/>\n    engana-se fatalmente. <\/p>\n<p>O que est&aacute; feito basta para fazer voar, numa explos&atilde;o tremenda,<br \/>\n    homens e institui&ccedil;&otilde;es, se, fechando os olhos &agrave; Justi&ccedil;a,<br \/>\n    quiserem servir os interesses da pirataria triunfante. <\/p>\n<p>J&aacute; n&atilde;o est&aacute; nas m&atilde;os de ningu&eacute;m conter<br \/>\n    o movimento, que &eacute; filho do impulso combinado do pudor do nosso tempo<br \/>\n    e das injusti&ccedil;as de tr&ecirc;s s&eacute;culos. <\/p>\n<p>Para os raios dessa horrorosa tempestade s&oacute; h&aacute; hoje um recurso,<br \/>\n    &eacute; o p&aacute;ra-raio da lei. <\/p>\n<p>F&aacute;cil ser&aacute; ao Governo levant&aacute;-lo no v&eacute;rtice do<br \/>\n    parlamento. <\/p>\n<p>Basta tonificar-se com a opini&atilde;o e meter ombros resolutamente ao trabalho,<br \/>\n    que se n&atilde;o for aplaudido pelos interesses negreiros, nem por isso deixar&aacute;<br \/>\n    de o ser pela maioria da na&ccedil;&atilde;o e pela posteridade. <\/p>\n<p>N&atilde;o blasonamos, prevenimos.<\/p>\n<p>O adiamento da quest&atilde;o pelo Minist&eacute;rio, que dizem unicamente<br \/>\n    ocupado com a reforma judici&aacute;ria e planejar somente o aumento do fundo<br \/>\n    de emancipa&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;a a produzir desconfian&ccedil;a<br \/>\n    no seio da fam&iacute;lia abolicionista. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; o fundo de emancipa&ccedil;&atilde;o, duplicado ou triplicado<br \/>\n    o que se pede. <\/p>\n<p>Este paliativo ser&aacute;, quando muito, aceito pelos content&aacute;veis.<br \/>\n    A maioria da na&ccedil;&atilde;o rejeita-o como uma das muitas artimanhas<br \/>\n    do Segundo Reinado para iludir a boa-f&eacute; p&uacute;blica. <\/p>\n<p>O que se pede &eacute; a inamovibilidade pronta da escravid&atilde;o; a convers&atilde;o<br \/>\n    imediata do escravo-mercadoria em instrumento necess&aacute;rio de trabalho,<br \/>\n    mas instrumento remunerado, com a esperan&ccedil;a de ser trabalhador livre.\n  <\/p>\n<p>Desengane-se o imperador.<\/p>\n<p>A opini&atilde;o est&aacute; formada acerca da quest&atilde;o servil. <\/p>\n<p>Conhece-lhe o passado e o presente, sabe que a lei de 28 de setembro foi<br \/>\n    um simples engodo, que deu em resultado uma hecatombe herodiana de crian&ccedil;as<br \/>\n    e a redu&ccedil;&atilde;o dos africanos livres e seus descendentes &agrave;<br \/>\n    escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Sabe que s&oacute; a des&iacute;dia do Segundo Reinado &eacute; a respons&aacute;vel<br \/>\n    pela cegueira em que viveu o pa&iacute;s, desbaratando as suas for&ccedil;as<br \/>\n    na conserva&ccedil;&atilde;o de uma criminosa e hedionda institui&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Ou o imperador coloca-se francamente &agrave; frente do movimento, aproveita<br \/>\n    pela sua in&eacute;rcia constitucional o trabalho e o sacrif&iacute;cio dos<br \/>\n    que tudo arrostaram para levar &agrave; alma do povo o convencimento de que<br \/>\n    &eacute; preciso condenar j&aacute; e de uma vez a escravid&atilde;o; ou o<br \/>\n    imperador ter&aacute; o desprazer de ver os seus &uacute;ltimos dias entenebrecidos<br \/>\n    pelo mais assombroso acontecimento da nossa hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>Uma recente estat&iacute;stica do sr. senador God&oacute;i, lembrada pelo<br \/>\n    veterano dos abolicionistas, o dr. Nicolau Moreira, demonstra que a soma dos<br \/>\n    trabalhadores livres nas principais prov&iacute;ncias &eacute; muito maior,<br \/>\n    mais do dobro da dos trabalhadores escravos. <\/p>\n<p>Esta estat&iacute;stica p&otilde;e-nos a salvo da acusa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de que promovemos o aniquilamento da fortuna p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Ser&aacute; o Governo o promotor de uma revolu&ccedil;&atilde;o desnecess&aacute;ria,<br \/>\n    se quiser adiar uma solu&ccedil;&atilde;o que se imp&otilde;e a todos os esp&iacute;ritos<br \/>\n    sensatos. <\/p>\n<p>N&atilde;o cabe ao folhetim discutir os grandes problemas.<\/p>\n<p>Ele se encarrega somente de levar &agrave; medita&ccedil;&atilde;o do Governo<br \/>\n    o pensamento abolicionista. <\/p>\n<p>A responsabilidade ficar&aacute; deste modo circunscrita aos verdadeiros<br \/>\n    respons&aacute;veis. <\/p>\n<p>E para concluir afirmaremos com a maior sinceridade:<\/p>\n<p>S&oacute; h&aacute; neste pa&iacute;s uma forma de governo poss&iacute;vel:<br \/>\n    &eacute; aquela que resolver com justi&ccedil;a e com sabedoria a quest&atilde;o<br \/>\n    servil. <\/p>\n<p>Se o imperador cercar-se de homens dignos, se tomar a resolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de fechar essa medonha hist&oacute;ria de l&aacute;grimas e crimes dando-lhe<br \/>\n    como ep&iacute;logo a liberdade, ter&aacute; feito ao pa&iacute;s um tamanho<br \/>\n    servi&ccedil;o, que ningu&eacute;m lho poder&aacute; contestar. <\/p>\n<p>O seu trono estar&aacute; assentado sobre a gratid&atilde;o de um povo inteiro.<br \/>\n    Se formos, por&eacute;m, n&oacute;s os republicanos os que levarmos por diante<br \/>\n    o movimento, dobre Sua Majestade os seus meios de corrup&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    sirva-se de todos os recursos do seu processo de inutilizar homens e revolu&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    e ver&aacute; que n&atilde;o conseguir&aacute; sen&atilde;o agravar a sua<br \/>\n    senten&ccedil;a no tribunal da honra nacional e da Hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>Conven&ccedil;a-se o Governo que a vit&oacute;ria &eacute; dos abolicionistas<br \/>\n    e que eles s&oacute; cedem dos seus direitos, em nome da p&aacute;tria, para<br \/>\n    v&ecirc;-los encarnados em uma lei redentora&#8230; <\/p>\n<p>A aboli&ccedil;&atilde;o se far&aacute; no parlamento, ou na pra&ccedil;a<br \/>\n    p&uacute;blica; ter&aacute; como laurel ou as claridades da paz, ou as labaredas<br \/>\n    vermelhas do combate. <\/p>\n<p>&Eacute; por isso que ainda uma vez, em nome da p&aacute;tria, convidamos<br \/>\n    o Governo a trabalhar conosco unido por um pensamento de justi&ccedil;a e<br \/>\n    de paz. <\/p>\n<p><b>17 jul. 1882<\/b><\/p>\n<h2>28-VIII-1882<\/h2>\n<p>A augusta cobardia do parlamento e do Governo deve a esta hora resfolegar<br \/>\n    serenamente. <\/p>\n<p>Na quest&atilde;o da escravid&atilde;o ela n&atilde;o se pejou de apelar<br \/>\n    para a alian&ccedil;a da morte. <\/p>\n<p>A sombria aliada tem sabido cumprir o pacto.<\/p>\n<p>Anda pelas fazendas a recolher no ventre os negros condenados ao mart&iacute;rio,<br \/>\n    os desgra&ccedil;ados que foram lan&ccedil;ados &agrave; fornalha obrigados<br \/>\n    a beber decoada submetidos &agrave; tortura da castra&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Anda pelas rodas de enjeitados a engolir esse lixo humano, criado pela lei<br \/>\n    de 28 de setembro, o ing&ecirc;nuo, que o senhor atira &agrave; rua para fazer<br \/>\n    do leite da mulher escrava a moeda, que sustenta a sua pregui&ccedil;a e o<br \/>\n    seu luxo. <\/p>\n<p>Esta peregrina&ccedil;&atilde;o horrorosa n&atilde;o a cansa. Ainda lhe sobram<br \/>\n    for&ccedil;as para vir bater &agrave;s fileiras abolicionistas e levar da&iacute;<br \/>\n    v&iacute;timas para a satisfa&ccedil;&atilde;o dos seus aliados. <\/p>\n<p>H&aacute; tr&ecirc;s dias acometeu Lu&iacute;s Gama. A legi&atilde;o viva<br \/>\n    da Justi&ccedil;a caiu de s&uacute;bito, e o ru&iacute;do da sua queda espalhou<br \/>\n    nos cora&ccedil;&otilde;es de seus companheiros o temor supersticioso de que<br \/>\n    s&atilde;o perseguidos por uma fatalidade! <\/p>\n<p>Feliz governo o do sr. d. Pedro II. A corrup&ccedil;&atilde;o e a morte formam<br \/>\n    em torno dele uma impenetr&aacute;vel muralha. <\/p>\n<p>Quem n&atilde;o se deixa corromper morre!<\/p>\n<p>Na hora em que o parlamento premeditava mais uma vergonha para o pa&iacute;s;<br \/>\n    na hora em que para iludir a opini&atilde;o ele se divertia em discutir &agrave;s<br \/>\n    pressas, para logo passar para o fim da ordem do dia, o projeto proibindo<br \/>\n    o tr&aacute;fico interprovincial de escravos, ca&iacute;a Lu&iacute;s Gama<br \/>\n    para n&atilde;o mais se levantar. <\/p>\n<p>A sua palavra fulminante substitu&iacute;a a tremenda afonia do t&uacute;mulo;<br \/>\n    o seu hero&iacute;smo inimit&aacute;vel cedia o passo &agrave; in&eacute;rcia<br \/>\n    absoluta. <\/p>\n<p>Feliz Governo o do sr. d. Pedro II.<\/p>\n<p>Os acontecimentos agrupam-se sempre de modo a garantir-lhe a vit&oacute;ria.\n  <\/p>\n<p>Enquanto a confedera&ccedil;&atilde;o dos Ratisbonas aumenta, rareiam as<br \/>\n    fileiras dos patriotas. <\/p>\n<p>Causa victrix Diis placet, exclamou o poeta e n&oacute;s repetimos com ele<br \/>\n    esta senten&ccedil;a cruel contra a probidade pol&iacute;tica e o patriotismo<br \/>\n    sincero. <\/p>\n<p>Parece que a Divina Provid&ecirc;ncia dos nossos estadistas se compraz com<br \/>\n    o estado de coisas do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>&Eacute; ela quem mata a f&eacute; no cora&ccedil;&atilde;o popular; &eacute;<br \/>\n    ela quem segreda o descr&eacute;dito daqueles que se esfor&ccedil;am; &eacute;<br \/>\n    ela finalmente quem se insinua como um veneno impercept&iacute;vel no organismo<br \/>\n    dos homens de car&aacute;ter e os impossibilita de prosseguir na luta redentora<br \/>\n    da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>O sr. Ratisbona engorda e rejuvenesce e no entanto Lu&iacute;s Gama falece.\n  <\/p>\n<p>O que &eacute; vergonha para o pa&iacute;s, perdura; o que &eacute; gl&oacute;ria,<br \/>\n    tem uma vida caduca. <\/p>\n<p>A voz tremenda dos fatos ulula neste momento agoureiramente dentro do meu<br \/>\n    c&eacute;rebro. Confesso que tenho medo. <\/p>\n<p>O Segundo Reinado disp&otilde;e de uma for&ccedil;a superior a todo o pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>S&oacute; o imperador pode querer, sem morrer.<\/p>\n<p>Ele quis a pirataria triunfante e teve-a.<\/p>\n<p>A lei de 1831 foi rasgada escandalosamente sem que houvesse um protesto do<br \/>\n    Governo. <\/p>\n<p>Para que dessem por ela, foi preciso que os morr&otilde;es da esquadra inglesa<br \/>\n    se encarregassem de espancar as trevas do arquivo nacional. <\/p>\n<p>Em v&atilde;o a imprensa agarrava pela goela os piratas conhecidos e os trazia<br \/>\n    para a pra&ccedil;a p&uacute;blica, declinando-lhes os nomes e denunciando-lhes<br \/>\n    os crimes. <\/p>\n<p>Os homens do Imp&eacute;rio respondiam &agrave; imprensa banqueteando-se<br \/>\n    com os piratas e condecorando-os. <\/p>\n<p>Ent&atilde;o, como hoje, esses infames que vivem do sangue dos seus irm&atilde;os,<br \/>\n    esses miser&aacute;veis que procuram apadrinhar o seu crime com a riqueza<br \/>\n    do pa&iacute;s cobriam de bald&otilde;es, babujavam de torpezas os nomes daqueles<br \/>\n    que lhes faziam frente. <\/p>\n<p>E afinal conseguiam impor sil&ecirc;ncio!<\/p>\n<p>Foi assim que se passaram vinte e um anos de 1850 a 1871 sem que nada se<br \/>\n    fizesse para punir a ladroeira, a mais torpe que o mundo tem visto e que o<br \/>\n    sr. Ratisbona aplaude. <\/p>\n<p>Quando a civiliza&ccedil;&atilde;o veio de novo pedir contas ao Segundo Reinado,<br \/>\n    o sr. d. Pedro II contentou-a com a lei de 28 de setembro. <\/p>\n<p>Mandou decretar essa lei rid&iacute;cula que ensinou o infantic&iacute;dio<br \/>\n    ao cora&ccedil;&atilde;o brasileiro, que decretou a hecatombe das crian&ccedil;as!\n  <\/p>\n<p>Agora que uma nova cruzada se levanta em prol dos cativos, Sua Majestade<br \/>\n    pretende iludir ainda uma vez o mundo proibindo o tr&aacute;fico interprovincial<br \/>\n    de escravos! <\/p>\n<p>Fica proibida a venda de escravos de uma para outras prov&iacute;ncias, mas<br \/>\n    pode continuar a imoralidade da venda do homem de munic&iacute;pio a munic&iacute;pio,<br \/>\n    de casa a casa da mesma prov&iacute;ncia. <\/p>\n<p>O imperador e os seus homens, os seus estadistas, entendem que t&ecirc;m<br \/>\n    feito muito. <\/p>\n<p>E nesta hora, em que n&oacute;s outros temos, diante da civiliza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    diante dos princ&iacute;pios os mais sagrados da Justi&ccedil;a e do patriotismo,<br \/>\n    o direito de gritar ao escravo: levanta-te e conquista a tua liberdade; a<br \/>\n    morte vem arrancar-nos o general que nos devia conduzir ao campo da desafronta<br \/>\n    da honra nacional. <\/p>\n<p>Muito feliz &eacute; o Governo do sr. d. Pedro II.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso aceit&aacute;-lo tal como ele &eacute;.<\/p>\n<p>O trono do imperador tem como fundamento a escravid&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; resistir-lhe sem morrer.<\/p>\n<p>Pela escravid&atilde;o n&oacute;s vemos decretada a grande naturaliza&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Os herdeiros e os piratas s&atilde;o todos da mesma p&aacute;tria. Fizeram<br \/>\n    uma Constitui&ccedil;&atilde;o para o seu uso. Interv&ecirc;m nos nossos neg&oacute;cios,<br \/>\n    ainda que a lei fundamental do pa&iacute;s lhes pro&iacute;ba a interven&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Dizem-se eles os patriotas, porque s&atilde;o eles os que t&ecirc;m o bolso<br \/>\n    cheio porque s&atilde;o eles que fizeram do ombro africano a escada para escalar<br \/>\n    o poder. <\/p>\n<p>N&oacute;s outros somos os valdevinos, os anarquistas, os irrefletidos. <\/p>\n<p>Os ladr&otilde;es riram-se sempre dos roubados.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel desafrontar a nossa Hist&oacute;ria.\n  <\/p>\n<p>O pa&iacute;s s&oacute; ser&aacute; grande deixando-se fechar na burra dos<br \/>\n    aventureiros, que nos negam at&eacute; o direito de governar a nossa p&aacute;tria<br \/>\n    como queremos. <\/p>\n<p>O que nos cumpre somente &eacute; obedecer.<\/p>\n<p>Manada de negros e mulatas, tu nasceste para ser escravo e para ser soldado.<br \/>\n    O eito e o Ex&eacute;rcito &eacute; o teu destino. Num, n&atilde;o chegar&aacute;s<br \/>\n    a cidad&atilde;o, no outro n&atilde;o chegar&aacute;s a oficial. <\/p>\n<p>A tua fun&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica h&aacute; de ser esta unicamente.\n  <\/p>\n<p>Julgas que tens p&aacute;tria, porque nasceste sob este c&eacute;u azul?<br \/>\n    Enganas-te. O primeiro que chega pode comprar-te, e surrar-te &agrave; vontade.<br \/>\n    A&iacute; est&atilde;o o parlamento e a pol&iacute;cia para garantir-lhe a<br \/>\n    plena posse do teu esp&iacute;rito e do teu corpo. <\/p>\n<p>Muito feliz &eacute; o Governo do sr. d. Pedro II.<\/p>\n<p>Desdobra-se sobre um pa&iacute;s em que n&atilde;o temos o direito de estremecer<br \/>\n    a nossa P&aacute;tria; em que acima de uma vida de sacrif&iacute;cios se coloca<br \/>\n    a burra dos herdeiros dos traficantes de carne humana. <\/p>\n<p>Quem clama pela justi&ccedil;a &eacute; apontado como revolucion&aacute;rio.\n  <\/p>\n<p>A ordem &eacute; o roubo, &eacute; o assassinato do escravo, &eacute; o mortic&iacute;nio<br \/>\n    das crian&ccedil;as. <\/p>\n<p>O Imp&eacute;rio e a escravid&atilde;o s&atilde;o solid&aacute;rios. <\/p>\n<p>A sua legisla&ccedil;&atilde;o visa somente manter esta solidariedade. <\/p>\n<p>Enquanto n&oacute;s outros clamamos pela aboli&ccedil;&atilde;o, o Governo<br \/>\n    aprova os bancos de cr&eacute;dito real, quando pela Carteira Hipotec&aacute;ria<br \/>\n    do Banco do Brasil se v&ecirc; que a propriedade rural entre n&oacute;s &eacute;<br \/>\n    representada pelo escravo. <\/p>\n<p>&Agrave; vista de semelhante desembara&ccedil;o governamental &eacute; claro<br \/>\n    que h&aacute; o prop&oacute;sito de n&atilde;o dar ouvidos ao Direito, e pelo<br \/>\n    contr&aacute;rio continuar a sufragar a pirataria vencedora. <\/p>\n<p>N&atilde;o seremos n&oacute;s quem se queira colocar em frente do Governo.\n  <\/p>\n<p>Continue ele serenamente.<\/p>\n<p>N&oacute;s pelo contr&aacute;rio lhe segundaremos no trabalho e lhe oferecemos<br \/>\n    um projeto para ser discutido e votado pela c&acirc;mara dos Ratisbonas: <\/p>\n<p>&laquo;Art. 1&ordm; Ficam revogadas as leis de 1831, 1850, 1854 e 1871 e<br \/>\n    bem assim a conven&ccedil;&atilde;o de 1826. <\/p>\n<p>&sect; O pa&iacute;s n&atilde;o reconhece as instru&ccedil;&otilde;es dadas<br \/>\n    pelo Governo do sr. d. Pedro I aos negociadores de reconhecimento da nossa<br \/>\n    independ&ecirc;ncia pela Inglaterra. <\/p>\n<p>Art. 2&ordm; Ficam considerados escravos todos os negros e mulatos de ambos<br \/>\n    os sexos, existentes no Brasil. <\/p>\n<p>&sect; 1&ordm; Esses novos escravos ficar&atilde;o pertencendo aos fundadores<br \/>\n    de bancos e aos fazendeiros que tenham influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>&sect; 2&ordm; O Governo far&aacute; entre esses novos escravos a escolha<br \/>\n    dos mais v&aacute;lidos, de 20 a 25 anos de idade, para dar-lhes pra&ccedil;a<br \/>\n    no Ex&eacute;rcito como escravos da Coroa. <\/p>\n<p>&sect; 3&ordm; Excetuam-se somente os mulatos que tenham atualmente assento<br \/>\n    nas C&acirc;maras e que tenham votado pela conserva&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Art. 3&ordm; N&atilde;o se admite de forma nenhuma a liberta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de negros e mulatos visto como eles poderiam aspirar a concorrer no com&eacute;rcio,<br \/>\n    nas letras e na pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>Art. 4&ordm; Ficam revogadas as disposi&ccedil;&otilde;es em contr&aacute;rio.&raquo;<br \/>\n    \n  <\/p>\n<p>D&oacute;i-nos extraordinariamente a pecha de revolucion&aacute;rios neste<br \/>\n    pa&iacute;s t&atilde;o feliz em que o brasileiro tem tanta autonomia pol&iacute;tica,<br \/>\n    comercial e liter&aacute;ria. <\/p>\n<p>N&atilde;o a queremos sobre n&oacute;s, quando vemos que da escravid&atilde;o<br \/>\n    sai Lu&iacute;s Gama e da aristocracia emprestada pelos fazendeiros da Para&iacute;ba<br \/>\n    do Sul e pela Coroa saem o sr. Ratisbona e o sr. Paranagu&aacute;. <\/p>\n<p>A&iacute; fica o nosso projeto.<\/p>\n<p>Que as C&acirc;maras o aprovem e Sua Majestade o sancione.<\/p>\n<p><b>28 ago. 1882<\/b><\/p>\n<h2>19-VII-1884<\/h2>\n<p> J&aacute; est&atilde;o formuladas em projeto as medidas que o Minist&eacute;rio<br \/>\n    julga suficientes para contrapor &agrave; agita&ccedil;&atilde;o abolicionista<br \/>\n    do pa&iacute;s e ativar a extin&ccedil;&atilde;o da escravatura. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; ainda o momento de dizer o que pensamos desse conjunto<br \/>\n    de medidas. Nossas opini&otilde;es filhas de longo estudo do assunto, em todos<br \/>\n    os seus aspectos, em todas as suas conseq&uuml;&ecirc;ncias, e desde muito<br \/>\n    tempo expendidas, n&atilde;o mudaram, nem mudar&atilde;o. Estamos dispostos<br \/>\n    a enristar contra a inflexibilidade do esclavagismo a inflexibilidade dos<br \/>\n    direitos do escravizado e da civiliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O sr. Moreira de Barros, com aplausos da Santa Alian&ccedil;a negra, disse<br \/>\n    que sacrificaria, contente, a sua carreira &agrave; derrota do projeto do<br \/>\n    Governo; n&oacute;s consideraremos a nossa pr&oacute;pria vida insignificante<br \/>\n    holocausto ao triunfo completo da aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Sem tratar de apurar se o projeto &eacute; bom ou mau, se ele abrange ou<br \/>\n    n&atilde;o a grandeza da reforma org&acirc;nica do pa&iacute;s registremos<br \/>\n    com prazer o &oacute;dio da oligarquia agr&iacute;cola contra ele. <\/p>\n<p>Desde o dia da apresenta&ccedil;&atilde;o os cruzados negros manobram incessantemente<br \/>\n    ara tomar de assalto o Gabinete e garrote&aacute;-lo, abafando, assim, o brado<br \/>\n    de justi&ccedil;a que est&aacute; contido em certas disposi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    do projeto. <\/p>\n<p>Felizmente, como acontece todas as vezes que se pleiteia a vit&oacute;ria<br \/>\n    de uma causa que ofende as leis naturais do progresso humano, os nossos advers&aacute;rios<br \/>\n    batem-se com armas falhas, que n&atilde;o resistem ao primeiro choque da luta.\n  <\/p>\n<p>&Eacute; assim que o sr. Moreira de Barros v&ecirc; um grande efeito na contagem<br \/>\n    dos votos da mo&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a, que se seguiu ao apoiamento<br \/>\n    do projeto. Por essa vota&ccedil;&atilde;o quer S. Ex.&ordf; concluir a derrota<br \/>\n    do Gabinete, sem se lembrar de que os seus aliados, como S. Ex.&ordf; mesmo,<br \/>\n    j&aacute; confessaram que a temerosa quest&atilde;o n&atilde;o se esvaza em<br \/>\n    moldes de partido; tem os grandes lineamentos de um problema social. <\/p>\n<p>E para dar maior valor a este modo de ver, a Santa Alian&ccedil;a negra procede<br \/>\n    de conformidade com a sua palavra. <\/p>\n<p>Foi assim que o sr. Paulino de Sousa convocou a minoria conservadora, prop&ocirc;s<br \/>\n    e fez aceitar por ela decidido apoio ao Minist&eacute;rio Martinho Campos.\n  <\/p>\n<p>Foi assim que na v&eacute;spera da apresenta&ccedil;&atilde;o do projeto<br \/>\n    Dantas, os srs. Paulino de Sousa e Moreira de Barros convocaram uma reuni&atilde;o<br \/>\n    em que foi combinado o plano de ataque contra o projeto. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que nos Clubes de Lavoura os candidatos esclavagistas s&atilde;o<br \/>\n    aceitos sem o menor escr&uacute;pulo, quanto &agrave; bandeira pol&iacute;tica,<br \/>\n    sob a qual militem. <\/p>\n<p>Provado pelas palavras e pelos atos de que se trata, n&atilde;o de uma quest&atilde;o<br \/>\n    normal de parlamentarismo, por&eacute;m de uma nova quest&atilde;o especial;<br \/>\n    que valor deve ter a contagem dos votos pedida pelo sr. Moreira de Barros?\n  <\/p>\n<p>Um valor t&atilde;o negativo para a for&ccedil;a moral da Santa Alian&ccedil;a,<br \/>\n    quanto &eacute; negativo o do sr. Contagem no cr&eacute;dito de luz e saber,<br \/>\n    que a oligarquia agr&iacute;cola quer abrir para si na conta corrente do pa&iacute;s<br \/>\n    com os seus destinos. <\/p>\n<p>Quando impugnamos intransigentemente, violentamente, a atual lei eleitoral,<br \/>\n    o nosso principal argumento era a glebagem do voto popular &agrave; oligarquia,<br \/>\n    que nos empobrece e barbariza. <\/p>\n<p>Diz&iacute;amos que o voto passava das m&atilde;os da na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    para as de uma classe, e assim explic&aacute;vamos o maquinismo que seria<br \/>\n    construir a lavoura como centro, as classes liter&aacute;rias, filhas dela<br \/>\n    ou dela dependentes, servindo de raios, o Governo como circunfer&ecirc;ncia,<br \/>\n    pela grande curva do funcionalismo. <\/p>\n<p>O sr. Moreira de Barros veio provar que tivemos vis&atilde;o exata do organismo<br \/>\n    eleitoral e tanto que se jactou da derrota dos poucos deputados que na legislatura<br \/>\n    passada se afoutaram a declara&ccedil;&otilde;es abolicionistas. <\/p>\n<p>Quer isto dizer que a oligarquia agr&iacute;cola era o poder &uacute;nico;<br \/>\n    que ela se enfeudara na posse legislativa e governamental da na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e que dela exclu&iacute;ra todas as outras classes nacionais. <\/p>\n<p>&Agrave; luz desse crit&eacute;rio, o que significam o projeto e a vota&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da C&acirc;mara na mo&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a, impl&iacute;cita<br \/>\n    na ren&uacute;ncia da Presid&ecirc;ncia pelo sr. Moreira de Barros? Vit&oacute;ria<br \/>\n    ou derrota? <\/p>\n<p>Projeto e vota&ccedil;&atilde;o querem dizer que est&aacute; quebrado o sistema<br \/>\n    unit&aacute;rio da oligarquia; que a na&ccedil;&atilde;o entrou no dualismo<br \/>\n    natural de fun&ccedil;&otilde;es parlamentar e governamental. <\/p>\n<p>O mais vulgar bom senso basta para decidir que n&atilde;o &eacute; vencedor,<br \/>\n    &eacute; vencido o poder que se deixou assim escapar em frente de si mesmo<br \/>\n    e vem passar metade da sua for&ccedil;a para o campo contr&aacute;rio. <\/p>\n<p>Mas o sr. Moreira de Barros &eacute; l&oacute;gico como a escravid&atilde;o.<br \/>\n    No debate dos destinos da institui&ccedil;&atilde;o condenada, S. Ex.&ordf;<br \/>\n    n&atilde;o faz quest&atilde;o de honra, mas de n&uacute;mero. <\/p>\n<p>Citemos textualmente o seu grito de guerra:<\/p>\n<p>-A minha quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; de honra, &eacute; de n&uacute;mero.\n  <\/p>\n<p>Submetamo-nos &agrave; aritm&eacute;tica do l&iacute;der do parlamentarismo<br \/>\n    agr&iacute;cola. <\/p>\n<p>No princ&iacute;pio da legislatura, a C&acirc;mara, filha da elei&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que expeliu todos os abolicionistas, era unanimemente pela escravid&atilde;o.<br \/>\n    O sistema parlamentar funcionava de modo que o sr. Martinho Campos, presidente<br \/>\n    do Conselho, podia dizer: sou esclavocrata da gema e tenho muita honra em<br \/>\n    s&ecirc;-lo. <\/p>\n<p>Chega-se ao fim da legislatura e o espet&aacute;culo &eacute; outro. O sr.<br \/>\n    Dantas, presidente do Conselho, vem dizer ao parlamento: a extin&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do elemento servil &eacute; uma aspira&ccedil;&atilde;o nacional; diante dela<br \/>\n    n&atilde;o se pode nem retroceder, nem parar, nem precipitar. <\/p>\n<p>Em seguida, malogrando as esperan&ccedil;as de trai&ccedil;&atilde;o, acalentadas<br \/>\n    pelo sr. Moreira de Barros, o sr. presidente do Conselho formula um projeto<br \/>\n    em que procura juntar ao mecanismo da lei de 28 de setembro uma pequena mola<br \/>\n    abolicionista. <\/p>\n<p>Pois bem, a C&acirc;mara unanimemente esclavagista, segundo o sr. Moreira<br \/>\n    de Barros, decide-se imediatamente a subscrever com trinta assinaturas o projeto,<br \/>\n    e, por cinq&uuml;enta e cinco votos, declara que o projeto &eacute; assunto<br \/>\n    digno de cogita&ccedil;&atilde;o e que o minist&eacute;rio deve permanecer<br \/>\n    no poder para defend&ecirc;-lo e dirigir a opini&atilde;o parlamentar no debate.\n  <\/p>\n<p>Quem &eacute;, pois, o vencido?<\/p>\n<p>Pela aritm&eacute;tica do sr. Moreira de Barros n&atilde;o s&atilde;o cinq&uuml;enta<br \/>\n    e cinco, mas cinq&uuml;enta e tr&ecirc;s os votos do Governo, e isto porque<br \/>\n    h&aacute; alguns deputados que t&ecirc;m emendas a fazer e opini&otilde;es<br \/>\n    expressas. <\/p>\n<p>Entendamo-nos. Antes de tudo, &eacute; preciso contar com quatro ministros<br \/>\n    que est&atilde;o fora da C&acirc;mara, que eram deputados e, entrando para<br \/>\n    o minist&eacute;rio, deram o seu apoio pr&eacute;vio ao Gabinete. <\/p>\n<p>Estes quatro votos s&atilde;o ao mesmo tempo honra e n&uacute;mero; n&atilde;o<br \/>\n    podem ser postos de parte, porque foram dados, atenda bem o sr. Moreira de<br \/>\n    Barros, sob a coa&ccedil;&atilde;o de uma C&acirc;mara unanimemente esclavagista,<br \/>\n    com a consci&ecirc;ncia do sacrif&iacute;cio, segundo a opini&atilde;o mesma<br \/>\n    do parlamentarismo oligarca. <\/p>\n<p>O voto do sr. Ant&ocirc;nio de Siqueira &eacute; mais adiantado que o projeto;<br \/>\n    quer uma decis&atilde;o sobre a lei de 31, que o sr. Moreira de Barros mesmo<br \/>\n    j&aacute; quis revogar, e, porque esse voto &eacute; mais completo e mais<br \/>\n    adiantado, deixa supor que ele proceder&aacute; conforme com a regra geral:<br \/>\n    quem quer o mais quer o menos. Demais, o voto foi expresso e cientemente dado,<br \/>\n    porque partiu do sr. Ant&ocirc;nio de Siqueira a exig&ecirc;ncia da defini&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do voto, como de confian&ccedil;a ao Gabinete, e, como tal, o aceitou S. Ex.&ordf;<br \/>\n    com a maioria da C&acirc;mara. <\/p>\n<p>Temos, pois, que, pelos pr&oacute;prios princ&iacute;pios da aritm&eacute;tica<br \/>\n    do sr. Moreira de Barros, os votos em n&uacute;mero s&atilde;o 59. <\/p>\n<p>N&atilde;o nos demoraremos em considerar a honra do voto porque esta n&atilde;o<br \/>\n    tem valor diante de V. Ex.&ordf;. Se o fiz&eacute;ramos, ter&iacute;amos a<br \/>\n    reclamar para o projeto do Governo alguns votos expressos, que s&atilde;o:\n  <\/p>\n<p>O do sr. deputado Jo&atilde;o Caetano, redator e propriet&aacute;rio da Gazeta<br \/>\n    de Uberaba, da qual podemos transcrever alguns trechos para provar que S.<br \/>\n    Ex.&ordf; &eacute; abolicionista e dos que, sem meias palavras e sem condescend&ecirc;ncias,<br \/>\n    querem a aboli&ccedil;&atilde;o imediata e sem indeniza&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Canind&eacute;, que acaba de declarar que o seu voto<br \/>\n    foi um grande sacrif&iacute;cio &agrave; disciplina partid&aacute;ria, mas<br \/>\n    n&atilde;o uma nega&ccedil;&atilde;o das suas id&eacute;ias e das id&eacute;ias<br \/>\n    da sua prov&iacute;ncia. N&atilde;o se podia esperar de S. Ex.&ordf; uma trai&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    aos seus eleitores, que hoje fazendo parte de um estado constitucional livre,<br \/>\n    n&atilde;o podem querer ser representados por um esclavagista. Da declara&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de S. Ex.&ordf; se conclui, pois, logicamente que ele no momento sagrado de<br \/>\n    optar pela escravid&atilde;o com o seu partido, ou pela reden&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do escravo com o projeto, n&atilde;o hesitar&aacute;. S. Ex.&ordf; ser&aacute;<br \/>\n    impelido pela sua pr&oacute;pria honra. <\/p>\n<p>O do sr. &Aacute;lvaro Caminha est&aacute; nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    do voto do sr. bar&atilde;o de Canind&eacute;. S. Ex.&ordf; tem na pr&oacute;pria<br \/>\n    fisionomia a sombra da sua honra melindrada, pela suspeita de que pode passar<br \/>\n    como esclavagista, ele que, n&atilde;o h&aacute; ainda dous meses, era alma<br \/>\n    e garantia do prest&iacute;gio da Sociedade Abolicionista Cearense! <\/p>\n<p>Adicionando, pois, estes tr&ecirc;s votos aos j&aacute; expressos, por palavras<br \/>\n    e por atos, segue-se que, na esfera da honra, a quest&atilde;o abolicionista<br \/>\n    foi pelo menos aceita por 62 deputados, ainda que aparentemente s&oacute;<br \/>\n    se houvessem contado 55. <\/p>\n<p>Pode, na mesma esfera, contar a oligarquia agr&iacute;cola com o sr. Taunay?<br \/>\n    O vice-presidente da Sociedade Central de Imigra&ccedil;&atilde;o pode subscrever<br \/>\n    com o seu voto o manifesto negro da inviolabilidade da escravid&atilde;o?\n  <\/p>\n<p>No entanto, este voto, por si s&oacute;, vale ou a desonra nacional no estrangeiro<br \/>\n    ou um atestado da nossa probidade nacional, quando vamos pedir &agrave; Europa<br \/>\n    o concurso do seu trabalho livre. <\/p>\n<p>Pela aritm&eacute;tica do sr. Moreira de Barros, conclui-se, pois, que o<br \/>\n    esclavagismo est&aacute; vencido, completamente vencido. A sua unidade parlamentar<br \/>\n    e governamental est&aacute; quebrada, e da maneira a mais estrepitosa. <\/p>\n<p>Ao passo que o sr. Moreira de Barros diz: n&oacute;s advogamos os nossos<br \/>\n    pr&oacute;prios interesses, n&oacute;s, os oposicionistas; a maioria responde-lhe,<br \/>\n    em torno dos srs. Severino Ribeiro, Ant&ocirc;nio Pinto, Rodolfo Dantas e<br \/>\n    Afonso Celso J&uacute;nior, n&oacute;s representamos os direitos da civiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    triunfante da p&aacute;tria agitada pelo progresso. <\/p>\n<p>Fora da aritm&eacute;tica do sr. Moreira de Barros, a demonstra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &eacute; ainda mais palp&aacute;vel. <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio n&uacute;mero de votos, concedido ao Minist&eacute;rio por<br \/>\n    S. Ex.&ordf; vai confundi-lo. <\/p>\n<p>Gra&ccedil;as &agrave; oligarquia agr&iacute;cola, o Brasil conta apenas<br \/>\n    145.000 eleitores, que dirigidos por 122 deputados d&atilde;o para cada um<br \/>\n    deles a m&eacute;dia 1.188 votos. <\/p>\n<p>Pois bem, a soma de eleitores representados pelos que votaram o projeto,<br \/>\n    reunida a massa da popula&ccedil;&atilde;o espoliada ser&aacute; menor constitucionalmente<br \/>\n    que a soma dos votos da oligarquia! <\/p>\n<p>O sr. Moreira de Barros contou ao Minist&eacute;rio um caso de vice-rei do<br \/>\n    Peru, que, por necessidades agr&iacute;colas, falava franc&ecirc;s. Querendo<br \/>\n    sair a passeio, avisou o ministro e este preparou logo uma manifesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    tal que por toda parte o vice-rei s&oacute; encontrava aplausos. Afinal o<br \/>\n    vice-rei, surpreendido por ver que at&eacute; os &iacute;ndios se manifestavam,<br \/>\n    agarrou o maioral destes e passando-lhe a m&atilde;o pelo rosto viu simplesmente<br \/>\n    nele o seu pr&oacute;prio ministro disfar&ccedil;ado pela pintura. <\/p>\n<p>Tal &eacute; a id&eacute;ia que S. Ex.&ordf; faz do aplauso que recebe o<br \/>\n    Gabinete: manifesta&ccedil;&otilde;es de encomenda. <\/p>\n<p>N&oacute;s queremos contar tamb&eacute;m um caso ao sr. Moreira de Barros.\n  <\/p>\n<p>Um certo mandarim ordenou, sob pena de morte, a todos os tecel&otilde;es,<br \/>\n    que lhe fosse feita uma t&uacute;nica de tecido t&atilde;o fino que se lhe<br \/>\n    n&atilde;o pudesse ver o fio. <\/p>\n<p>Intimou-se, pois, o primeiro tecel&atilde;o da cidade a obedecer &agrave;<br \/>\n    ordem do mandarim e o pobre oper&aacute;rio foi fechado num quarto para, no<br \/>\n    fim de quinze dias, dar a primeira amostra do pano. <\/p>\n<p>Expirado o prazo, o tecel&atilde;o recebeu serenamente a visita do mordomo<br \/>\n    do pal&aacute;cio que lhe vinha pedir contas da encomenda. <\/p>\n<p>-Onde est&aacute; a t&uacute;nica? -perguntou.<\/p>\n<p>-Ali -respondeu o tecel&atilde;o, apontando para um cabide.<\/p>\n<p>-N&atilde;o a vejo -observou o mordomo.<\/p>\n<p>-Mas v&oacute;s mesmo me encomendastes uma t&uacute;nica de fio invis&iacute;vel<br \/>\n    e impalp&aacute;vel. <\/p>\n<p>A resposta convenceu o mordomo que foi comunicar ao mandarim a sua admira&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Contente por se ver obedecido, o mandarim correu logo a vestir a t&uacute;nica.\n  <\/p>\n<p>Tirou as suas roupas de seda e ficou completamente nu, colocou-se em frente<br \/>\n    ao tecel&atilde;o que o revestiu com a sua encomenda. <\/p>\n<p>Saindo logo &agrave; rua, o mandarim viu reunir-se o povo a&ccedil;odadamente:<br \/>\n    ruas e pra&ccedil;as se encheram: milhares de indiv&iacute;duos quedavam boquiabertos.\n  <\/p>\n<p>-Que trabalho! -exclamava o mordomo. -Faz honra a um reinado.<\/p>\n<p>-De feito -disse todo ancho o mandarim. -Veja como toda a gente me admira.\n  <\/p>\n<p>Mas uma voz malcriada rompe do seio da multid&atilde;o e grita: <\/p>\n<p>-&Eacute; uma indec&ecirc;ncia o mandarim sair nu &agrave; rua. <\/p>\n<p>Dezenas, centenas, milhares de vozes repetem o grito sedicioso; a multid&atilde;o<br \/>\n    se agita, percorrida por um fr&ecirc;mito de indigna&ccedil;&atilde;o, e ao<br \/>\n    mesmo tempo que estrugem os -fora e morra! os bra&ccedil;os e os p&eacute;s<br \/>\n    se movem, prodigalizando chulipas e cascudos ao mandarim, agora institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    desmoralizada. <\/p>\n<p>A tirania pode violentar algum tempo, quando se exerce a portas fechadas.<br \/>\n    Os seus dias, por&eacute;m, s&atilde;o contados logo que ela vem pedir aplausos<br \/>\n    ao tal povo. Na pra&ccedil;a p&uacute;blica s&oacute; a espera a vaia e o<br \/>\n    pontap&eacute;. <\/p>\n<p><b>19 jul. 1884<\/b><\/p>\n<h2>16-VIII-1884<\/h2>\n<p> O mundo espera por uma f&eacute;, que o fa&ccedil;a marchar, respirar e<br \/>\n    viver, mas n&atilde;o ser&atilde;o a intriga, a falsidade, os pactos da mentira<br \/>\n    os dogmas dessa almejada f&eacute;. <\/p>\n<p>Estas palavras s&atilde;o de Michelet, do eminente historiador da Revolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    Francesa e o eleitorado fluminense h&aacute; de ficar admirado de que apliquemos<br \/>\n    &agrave; nossa p&aacute;tria t&atilde;o transcendentais palavras. <\/p>\n<p>No entanto, tamb&eacute;m n&oacute;s estamos &agrave; espera de uma f&eacute;,<br \/>\n    de uma cren&ccedil;a, que nos agite moral e intelectualmente e estamos convencidos<br \/>\n    de que ela n&atilde;o pode ser o resultado de um pacto, da mentira, que h&aacute;<br \/>\n    mais de meio s&eacute;culo nos enfraquece e nos desnorteia no caminho da civiliza&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Amanh&atilde;, as urnas, chamadas oficialmente para proverem um lugar vago<br \/>\n    no Senado, devem em realidade dizer se querem prover o futuro de aspira&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    condignas de nosso s&eacute;culo, ou se preferem continuar a obrigar o pa&iacute;s<br \/>\n    a abdicar da sua soberania em favor de uma oligarquia sem talento, sem patriotismo<br \/>\n    e sem escr&uacute;pulos. <\/p>\n<p>O eleitorado, entre n&oacute;s, costumou-se a n&atilde;o ver na elei&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    mais que a conveni&ecirc;ncia do seu partido, e, no entanto, nunca se preocupou<br \/>\n    em saber se as id&eacute;ias ou os interesses desse partido s&atilde;o conformes<br \/>\n    com o bem geral da na&ccedil;&atilde;o; com as exig&ecirc;ncias do seu progredimento,<br \/>\n    com a estabilidade da sua fortuna. <\/p>\n<p>No momento atual essa despreocupa&ccedil;&atilde;o, que deu em resultado<br \/>\n    o adiamento de todos os problemas, que saltearam a na&ccedil;&atilde;o desde<br \/>\n    o momento em que ela se organizou, seria um crime, porque todos esses problemas<br \/>\n    reclamam solu&ccedil;&atilde;o imediata, e, quer o eleitorado queira, quer<br \/>\n    n&atilde;o, ela ser&aacute; dada. <\/p>\n<p>As na&ccedil;&otilde;es se comportam, no sistema da civiliza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    do mesmo modo que os astros num sistema solar: movem-se por atra&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    e repuls&otilde;es fatais, independentes de nenhuma vontade. O progresso,<br \/>\n    como a natureza, tem um equil&iacute;brio fatal, e mesmo quando grandes transforma&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    se operam, quando movimentos se desenfreiam, h&aacute; uma ordem imprescrit&iacute;vel<br \/>\n    que os preside. <\/p>\n<p>Em v&atilde;o os interesses se obstinam; em v&atilde;o os preconceitos alarmam<br \/>\n    as consci&ecirc;ncias singelas; a id&eacute;ia necess&aacute;ria a uma certa<br \/>\n    organiza&ccedil;&atilde;o triunfa sempre. Como no equil&iacute;brio da natureza,<br \/>\n    as resist&ecirc;ncias s&oacute; servem para aplicar e distribuir a for&ccedil;a<br \/>\n    em movimentos regulares; no mundo social as oposi&ccedil;&otilde;es, apenas,<br \/>\n    servem para concretizar e sistematizar as id&eacute;ias e dar-lhes a orienta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    mais adaptada para se desenvolver e vencer. <\/p>\n<p>O nosso s&eacute;culo mais do que nenhum outro tem demonstrado &agrave; evid&ecirc;ncia<br \/>\n    a fatalidade das leis naturais de organiza&ccedil;&atilde;o social. <\/p>\n<p>A nossa f&eacute; est&aacute; praticamente demonstrada.<\/p>\n<p>Por isso mesmo nos dirigimos ao eleitorado fluminense com a maior tranq&uuml;ilidade.<br \/>\n    N&atilde;o lhe falamos &agrave;s afei&ccedil;&otilde;es, mas &agrave; consci&ecirc;ncia,<br \/>\n    e come&ccedil;amos por dizer-lhe que ele errar&aacute;, e crassamente, se<br \/>\n    sufragar a chapa da oposi&ccedil;&atilde;o esclavagista. <\/p>\n<p>Passemos &agrave; prova.<\/p>\n<p>Nenhum partido tem o direito de viver sen&atilde;o para realizar id&eacute;ias<br \/>\n    no Governo. <\/p>\n<p>Que id&eacute;ias quer o Partido Conservador realizar?<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao problema da escravid&atilde;o, quem o definiu<br \/>\n    bem foi o sr. Taunay. S. Ex.&ordf; disse, em plena C&acirc;mara, que o Partido<br \/>\n    Conservador n&atilde;o queria ser fiel nem &agrave; lei de 28 de setembro<br \/>\n    de 1871. <\/p>\n<p>Os fatos em que baseou a sua alega&ccedil;&atilde;o primam pela evid&ecirc;ncia.\n  <\/p>\n<p>Em primeiro lugar, adiou-se durante longos anos o cumprimento da lei, s&oacute;<br \/>\n    depois de decorridos quatro exerc&iacute;cios foi aplicado o fundo de emancipa&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Quer isto dizer que o Partido Conservador, sem escr&uacute;pulos, sem compaix&atilde;o,<br \/>\n    reteve em cativeiro ilegal a grande massa de homens a que devia aproveitar<br \/>\n    a aplica&ccedil;&atilde;o imediata da lei de 28 de setembro. <\/p>\n<p>N&atilde;o contente com essa prova p&uacute;blica da sua insubordina&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    do seu crime, esse partido escolhe os seus candidatos e no n&uacute;mero desses<br \/>\n    escreve o nome do sr. Andrade Figueira. <\/p>\n<p>Que quer esse homem? Restituir os ing&ececirc;nuos a seus leg&iacute;timos<br \/>\n    senhores!<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute;, parece-nos, d&uacute;vida a nutrir com rela&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    aos intuitos do Partido Conservador. <\/p>\n<p>O seu passado est&aacute; arquivado nesta frase do sr. senador Ant&atilde;o,<br \/>\n    quando deputado na fase da repress&atilde;o do tr&aacute;fico: v&oacute;s<br \/>\n    subistes ao poder pela escada do tr&aacute;fico. <\/p>\n<p>O seu presente pinta-se j&aacute; pela declara&ccedil;&atilde;o do sr. Andrade<br \/>\n    Figueira, j&aacute; pela alian&ccedil;a com o sr. Sousa Carvalho. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; preciso, pois, grandes coment&aacute;rios para deixar<br \/>\n    patente que o Partido Conservador n&atilde;o olha meios, n&atilde;o tem escr&uacute;pulos,<br \/>\n    n&atilde;o respeita leis, quando trata de sustentar a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Todos os recursos lhe servem.<\/p>\n<p>Aqui vai aliar-se aos cat&oacute;licos, ali ao sr. Jo&atilde;o Alfredo, sem<br \/>\n    se lembrar que ontem aqueles lamentaram-se, com raz&atilde;o, de fazer parte<br \/>\n    de um pa&iacute;s em que se perseguiam com afronta das leis os representantes<br \/>\n    mais graduados da religi&atilde;o do Estado -os bispos. <\/p>\n<p>Entre o sr. Paulino de Sousa e os cat&oacute;licos deviam-se interpor a pris&atilde;o<br \/>\n    e o ex&iacute;lio, que violentaram os direitos de d. Ant&ocirc;nio de Macedo<br \/>\n    e d. Frei Vital, uma vez que o sr. Jo&atilde;o Alfredo &eacute; hoje sustentado<br \/>\n    pelo sr. Paulino, visto como o Partido Conservador do Norte desertou para<br \/>\n    as bandeiras deste. Mas, ao contr&aacute;rio, os cat&oacute;licos se unem<br \/>\n    com o sr. Paulino de Sousa. <\/p>\n<p>Ali &eacute; com o sr. Sousa Carvalho que o sr. Paulino de Sousa se congrega,<br \/>\n    formando para fins eleitorais a liga Sousa &amp; Sousa, que deve merecer os<br \/>\n    sufr&aacute;gios dos povos de Monte Verde. <\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, quando publicamente assim se cerca de elementos, que<br \/>\n    devem gerar suspeitas em todos os esp&iacute;ritos, porque patenteiam pacto<br \/>\n    sem escr&uacute;pulos; secretamente o sr. Paulino manda aos seus amigos uma<br \/>\n    confidencial declarando-lhes que votem s&oacute; tendo em vista a disciplina<br \/>\n    e for&ccedil;a do Partido Conservador. <\/p>\n<p>E para contar ainda mais certamente com o &ecirc;xito, dizem que se insinua<br \/>\n    particularmente, por delibera&ccedil;&atilde;o do conselho supremo do Partido<br \/>\n    Conservador, n&atilde;o ser mau cortar o nome do sr. Pereira da Silva. <\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o tem o seu valor, porque nem o Brasil, nem o sr. Paulino<br \/>\n    de Sousa veio ainda contrariar a liga de Monte Verde, na qual &eacute; exclu&iacute;do<br \/>\n    o nome do terceiro candidato do Partido Conservador. <\/p>\n<p>&Agrave; vista de semelhantes fatos, que descobrem o c&aacute;lculo pol&iacute;tico<br \/>\n    de dous homens, que se querem substituir ao seu partido e &agrave; sua p&aacute;tria<br \/>\n    -os srs. Paulino de Sousa e Andrade Figueira; de dous homens que n&atilde;o<br \/>\n    escrupulizam alian&ccedil;as, que n&atilde;o se comprometem ao menos a respeitar<br \/>\n    a liberdade j&aacute; decretada por lei, poder&aacute; o eleitorado fluminense<br \/>\n    pensar que h&aacute; nesse pa&iacute;s algu&eacute;m ing&ecirc;nuo, que considere<br \/>\n    um triunfo a elei&ccedil;&atilde;o de tais pol&iacute;ticos? <\/p>\n<p>A elei&ccedil;&atilde;o de qualquer deles, ou de todos eles vem repassada<br \/>\n    da for&ccedil;a moral necess&aacute;ria para deter a propaganda abolicionista,<br \/>\n    ou, pelo contr&aacute;rio, evidenciando ainda mais o estado de corrup&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    eleitoral no pa&iacute;s, vir&aacute; aconselhar, como recurso urgente, deixar<br \/>\n    as urnas &agrave; oligarquia, e defender de outro modo qualquer a liberdade<br \/>\n    parlamentar? <\/p>\n<p>N&oacute;s esperamos por uma f&eacute; nova que nos anime e nos oriente,<br \/>\n    mas esta n&atilde;o pode sair da chapa conservadora triunfante. <\/p>\n<p>O que temos de ver nela?<\/p>\n<p>A alian&ccedil;a da lavoura com os srs. Sousa Carvalho e Paulino de Sousa,<br \/>\n    o Governo Sousa &amp; Sousa. <\/p>\n<p>A alian&ccedil;a do clericalismo com o Partido Conservador.<\/p>\n<p>Ou a disciplina e a for&ccedil;a real do Partido Conservador.<\/p>\n<p>Quem far&aacute; triunfar a chapa conservadora: a liga de Monte Verde, o<br \/>\n    partido cat&oacute;lico, ou s&oacute; o Partido Conservador? <\/p>\n<p>Qual o interesse que deve sobrepujar os outros?<\/p>\n<p>Tais s&atilde;o as interroga&ccedil;&otilde;es que surgem das alian&ccedil;as<br \/>\n    e da confidencial do sr. Paulino de Sousa e est&aacute; claro que o futuro<br \/>\n    n&atilde;o pode ater-se, nem &agrave; escravid&atilde;o revogando a lei de<br \/>\n    28 de setembro, nem ao clericalismo, nem ao Partido Conservador suprimindo<br \/>\n    para viver o pr&oacute;prio escr&uacute;pulo. <\/p>\n<p>A f&eacute;, que nos &eacute; indispens&aacute;vel e que n&oacute;s queremos<br \/>\n    ver robustecida, tem necessidade de ir abeberar-se em fonte diversa da do<br \/>\n    voto. <\/p>\n<p>Ela j&aacute; nos diz que 145.000 indiv&iacute;duos n&atilde;o representam<br \/>\n    um pa&iacute;s de milh&otilde;es de habitantes. <\/p>\n<p>Depois da elei&ccedil;&atilde;o de amanh&atilde;, ela nos dir&aacute; que<br \/>\n    145.000 indiv&iacute;duos est&atilde;o constitu&iacute;dos de modo a reduzirem<br \/>\n    &agrave; escravid&atilde;o um pa&iacute;s de 12 milh&otilde;es de cidad&atilde;os;<br \/>\n    que uma oligarquia que vive de ilegalidades e de intrigas se mostra t&atilde;o<br \/>\n    audaz que pretende abafar com o interesse de algumas fam&iacute;lias de uma<br \/>\n    prov&iacute;ncia os reclamos de uma na&ccedil;&atilde;o inteira. <\/p>\n<p>Tais s&atilde;o as observa&ccedil;&otilde;es que julgamos conveniente fazer<br \/>\n    ao eleitorado fluminense. <\/p>\n<p>A propaganda abolicionista n&atilde;o se parece nada com o passado partid&aacute;rio<br \/>\n    deste pa&iacute;s, n&atilde;o tem interesses pessoais mas as id&eacute;ias<br \/>\n    e s&oacute; as id&eacute;ias, a p&aacute;tria e s&oacute; a p&aacute;tria.\n  <\/p>\n<p>Tem, pois, a serenidade necess&aacute;ria para ver claro e dizer alto a verdade.<br \/>\n    Dando ganho de causa &agrave; chapa conservadora, o eleitorado desta capital<br \/>\n    se condena de uma vez para sempre ao mais pesado cativeiro. <\/p>\n<p>Aos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos nos cumpre dizer que, com o jogo<br \/>\n    do c&acirc;mbio, imoral e indecente, com o retraimento proposital de capitais,<br \/>\n    o esclavagismo encarece os g&ecirc;neros de primeira necessidade com a mesma<br \/>\n    crueldade com que o sr. Andrade Figueira amea&ccedil;a reduzir os vencimentos<br \/>\n    do colaborador da paz e da fortuna p&uacute;blica -o funcion&aacute;rio. <\/p>\n<p>Aos militares devemos lembrar que o sr. Andrade Figueira n&atilde;o trepidou<br \/>\n    nunca marear-lhes a reputa&ccedil;&atilde;o, e a&iacute; est&atilde;o os seus<br \/>\n    discursos para comprovar. <\/p>\n<p>Ainda ultimamente S. Ex.&ordf; e os seus amigos fizeram quest&atilde;o de<br \/>\n    adiar o aditivo, que reformava a organiza&ccedil;&atilde;o do Ex&eacute;rcito,<br \/>\n    e s&oacute; explicava a urg&ecirc;ncia dessa reforma por ter o Governo de<br \/>\n    precisar de mais for&ccedil;a para combater os seus advers&aacute;rios. <\/p>\n<p>O que quer dizer que -aos olhos do sr. Andrade Figueira- o Ex&eacute;rcito<br \/>\n    n&atilde;o passa de um t&iacute;tere, um instrumento que serve para assassinar<br \/>\n    os seus irm&atilde;os. <\/p>\n<p>O sr. Andrade Figueira n&atilde;o disse, como qualquer outro oposicionista<br \/>\n    o faria: o Governo lan&ccedil;a m&atilde;o da reforma para se popularizar<br \/>\n    no Ex&eacute;rcito; n&atilde;o, S. Ex.&ordf;, atendendo &agrave; id&eacute;ia<br \/>\n    que ele formado soldado brasileiro, s&oacute; viu um meio de adquirir instrumentos<br \/>\n    de compress&atilde;o e de mortic&iacute;nio. <\/p>\n<p>&Agrave; lavoura e ao com&eacute;rcio, pedimos que reflitam, em que mais<br \/>\n    vale assentar bases para uma transforma&ccedil;&atilde;o que &eacute; fatal,<br \/>\n    do que se apegar a quimeras v&atilde;s. <\/p>\n<p>Os homens, que se contrap&otilde;em hoje &agrave; propaganda abolicionista,<br \/>\n    s&atilde;o os vencidos de 1871 e se eles ent&atilde;o nada puderam fazer,<br \/>\n    o que conseguir&atilde;o hoje que o Cear&aacute;, o Amazonas e o Rio Grande<br \/>\n    do Sul, apertam pelas fronteiras o esclavagismo, obrigando-o a entrar no c&iacute;rculo<br \/>\n    de liberdade, que a civiliza&ccedil;&atilde;o j&aacute; tra&ccedil;ou em nossa<br \/>\n    nacionalidade. <\/p>\n<p>Que as urnas falem pela voz da p&aacute;tria e n&atilde;o pela do interesse.\n  <\/p>\n<p><b>16 ago. 1884<\/b><\/p>\n<h2>30-VIII-1884<\/h2>\n<p> No horizonte negro, que nos cerca, n&atilde;o se v&ecirc; neste momento<br \/>\n    sen&atilde;o o sulco diamantino da coroa imperial. <\/p>\n<p>Ela irrompeu bruscamente em meio dos graves acontecimentos pol&iacute;ticos<br \/>\n    do dia, como um cometa na solid&atilde;o da noite. Todas as vistas convergiram<br \/>\n    naturalmente para ela e n&atilde;o h&aacute; meio de desvi&aacute;-las. <\/p>\n<p>Todos quantos interrogam a esfinge do tempo e se preparam para ser por ela<br \/>\n    devorados, pensando descobrir-lhe o enigma, est&atilde;o de acordo em responsabilizar<br \/>\n    o imperador pelo que se est&aacute; passando entre n&oacute;s. <\/p>\n<p>O povo brasileiro habituou-se a entregar a Sua Majestade a solu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos problemas sociais, que mais de perto entendem com a organiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    definitiva de nossa nacionalidade. <\/p>\n<p>Sempre que alguma id&eacute;ia consegue bruxulear no crep&uacute;sculo parlamentar,<br \/>\n    que se estendendo desde 1834 at&eacute; hoje -meio s&eacute;culo &agrave;s<br \/>\n    portas da noite-, tem tornado indistintas as linhas, fant&aacute;sticas as<br \/>\n    figuras da nossa pol&iacute;tica, toda a gente aponta o imperador como patrono<br \/>\n    dessa id&eacute;ia. <\/p>\n<p>N&atilde;o se repara em quanto vai de humilha&ccedil;&atilde;o para o povo<br \/>\n    brasileiro neste fato; n&atilde;o se reflete que se est&aacute; alimentando<br \/>\n    uma presun&ccedil;&atilde;o perigosa no esp&iacute;rito do soberano e que<br \/>\n    se vai gerando a mais tremenda das desilus&otilde;es sociais -a desilus&atilde;o<br \/>\n    da autonomia. <\/p>\n<p>Esse h&aacute;bito inveterado acaba de investir o imperador da responsabilidade<br \/>\n    da propaganda abolicionista. <\/p>\n<p>Proclamam-no o chefe do abolicionismo.<\/p>\n<p>Qual o intuito de semelhante jogo pol&iacute;tico?<\/p>\n<p>Deixando de parte o que vai de injusti&ccedil;a para os poucos homens, que<br \/>\n    iniciaram a campanha atual contra a escravid&atilde;o, perguntemos aos dous<br \/>\n    grupos que julgam conveniente trazer para a frente a pessoa do imperador,<br \/>\n    qual o resultado que desejam tirar? <\/p>\n<p>Os conservadores, acusando o imperador de ser o chefe do abolicionismo e<br \/>\n    querendo vencer esta propaganda, o que pretendem? Conter o imperador nos limites,<br \/>\n    que eles dizem ser os constitucionais, ou obrigar o imperador a abdicar? <\/p>\n<p>Mas o imperador n&atilde;o fez sen&atilde;o usar das suas atribui&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    constitucionais. <\/p>\n<p>Quando chamou o Minist&eacute;rio Dantas para dirigir os destinos pol&iacute;ticos<br \/>\n    do pa&iacute;s, a propaganda abolicionista j&aacute; havia produzido o Cear&aacute;<br \/>\n    livre, e o Amazonas, ao termo da sua liberta&ccedil;&atilde;o o Rio Grande<br \/>\n    do Norte com o munic&iacute;pio de Mossor&oacute; livre, Piau&iacute; com<br \/>\n    o munic&iacute;pio da Amarra&ccedil;&atilde;o completamente emancipado, e,<br \/>\n    em contraposi&ccedil;&atilde;o a tudo isso, a efervesc&ecirc;ncia esclavagista<br \/>\n    organizando clubes secretos, assalariando a imprensa, pondo cabe&ccedil;as<br \/>\n    a pr&ecirc;mio, desterrando magistrados, aplicando a Lei de Lynch a escravos<br \/>\n    que assassinavam senhores ou feitores; finalmente, fazendo a mais desbragada<br \/>\n    oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; tentativa de liberta&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio<br \/>\n    neutro. <\/p>\n<p>Negar a pujan&ccedil;a de uma tal opini&atilde;o, que se representava j&aacute;<br \/>\n    por uma luta apaixonada em todo o Imp&eacute;rio, que se cobre hoje de uma<br \/>\n    rede de associa&ccedil;&otilde;es abolicionistas e de centros de resist&ecirc;ncia<br \/>\n    esclavagistas, &eacute; negar a verdade. <\/p>\n<p>Podia o Poder Moderador fechar os olhos a tal movimento, que agitava nos<br \/>\n    seus mais &iacute;ntimos recessos a vida nacional? N&atilde;o eram os mesmos<br \/>\n    esclavagistas, que vinham dizer ao pa&iacute;s: a seguran&ccedil;a p&uacute;blica,<br \/>\n    a riqueza, as institui&ccedil;&otilde;es correm perigo? N&atilde;o eram eles<br \/>\n    mesmos que proclamavam, como ainda hoje repetem, que ao conflito entre a aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e a escravid&atilde;o se devia o fen&ocirc;meno social? <\/p>\n<p>O que devia fazer o imperador? Reagir?<\/p>\n<p>Mas a propaganda nascera sob o Minist&eacute;rio Sinimbu, que dizia: n&atilde;o<br \/>\n    daria um passo al&eacute;m da lei de 28 de setembro; crescera sob o Minist&eacute;rio<br \/>\n    Saraiva que se limitara a dizer: eu n&atilde;o cogito da quest&atilde;o: come&ccedil;ara<br \/>\n    a amea&ccedil;a sob o Minist&eacute;rio Martinho, que pela voz do presidente<br \/>\n    do Conselho, se permitiu a pose de Jefferson Davis de segunda ordem e se despejara<br \/>\n    nesta frase: resistirei, porque sou esclavocrata da gema; acentuara-se pela<br \/>\n    liberta&ccedil;&atilde;o do Acarape e de 16 munic&iacute;pios sob o Minist&eacute;rio<br \/>\n    Paranagu&aacute;, que, pretendendo iludir a propaganda, prometera encarar<br \/>\n    de frente a quest&atilde;o e s&oacute; se ocupou em perseguir o abolicionismo,<br \/>\n    j&aacute; demitindo no Cear&aacute; os funcion&aacute;rios acusados de tal<br \/>\n    opini&atilde;o, j&aacute; removendo desta prov&iacute;ncia e desmembrando<br \/>\n    o Batalh&atilde;o 15&ordm; de Infantaria, que se revelara favor&aacute;vel<br \/>\n    &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o; finalmente adquirira toda a pujan&ccedil;a<br \/>\n    sobre o Minist&eacute;rio Lafaiete que pretendeu marombar sobre a a&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    abolicionista e a rea&ccedil;&atilde;o negreira. <\/p>\n<p>Devia o imperador reagir ainda? Seria constitucional um tal procedimento?\n  <\/p>\n<p>Dizem os conservadores que sim e acusam o imperador por haver concedido a<br \/>\n    dissolu&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara, quando devia fazer do voto deste<br \/>\n    a clava de H&eacute;rcules para fulminar a propaganda, que os intimida e desnorteia.\n  <\/p>\n<p>Mas se &eacute; este o pensamento dos conservadores, se &eacute; por ele<br \/>\n    que se empenham em campanhas eleitorais, para insistir no seu voto contra<br \/>\n    o abolicionismo, s&oacute; podem ter dois pensamentos: <\/p>\n<p>-Vencer o imperador e neste caso ou suprimem o Poder Moderador, por que o<br \/>\n    obrigam a n&atilde;o ter liberdade de julgar os acontecimentos e o restringem<br \/>\n    a obedecer aos votos da C&acirc;mara e isto s&oacute; pode dar em resultado<br \/>\n    a abdica&ccedil;&atilde;o, pelo menos moral, do imperador, ou os conservadores<br \/>\n    est&atilde;o convencidos de que, vencendo eleitoralmente, conseguem da parte<br \/>\n    de Sua Majestade a confiss&atilde;o p&uacute;blica de que se submete &agrave;<br \/>\n    vontade do esclavagismo. <\/p>\n<p>&Eacute; este o pensamento oculto? Pretende-se, como sob os Minist&eacute;rios<br \/>\n    Paranagu&aacute; e Lafaiete, &agrave; sombra da toler&acirc;ncia do abolicionismo<br \/>\n    exercer a tirania da escravid&atilde;o? <\/p>\n<p>O imperador que n&atilde;o quis reagir ativamente pensa em reagir passivamente,<br \/>\n    ou por outra: quer lavar-se diante da Hist&oacute;ria da responsabilidade<br \/>\n    pessoal e talhar-se a mortalha ingl&oacute;ria, mas c&ocirc;moda do coagido?\n  <\/p>\n<p>E por este desfecho que esperam os conservadores?<\/p>\n<p>Alguns republicanos, principalmente os que s&atilde;o as secundinas da lei<br \/>\n    de 28 de setembro, seguem o mesmo caminho dos conservadores, quanto &agrave;<br \/>\n    responsabilidade imperial na propaganda abolicionista. <\/p>\n<p>Que resultado pol&iacute;tico esperam esses republicanos de semelhante procedimento,<br \/>\n    que &eacute;, antes de tudo, uma injusti&ccedil;a clamorosa contra muitos<br \/>\n    dos seus correligion&aacute;rios, que t&ecirc;m sido os mais sacrificados<br \/>\n    na propaganda? <\/p>\n<p>Que proveito antev&ecirc;em nesse trip&uacute;dio ingrato sobre os t&uacute;mulos<br \/>\n    de Lu&iacute;s Gama, de Numa Pomp&iacute;lio, de Ferreira de Meneses e sobre<br \/>\n    os cora&ccedil;&otilde;es feridos de muitos dos seus correligion&aacute;rios,<br \/>\n    empenhados no combate contra a escravid&atilde;o? <\/p>\n<p>Nunca nenhuns partid&aacute;rios deram mais triste prova de falta de compreens&atilde;o<br \/>\n    da miss&atilde;o, que se incumbiram de desempenhar. <\/p>\n<p>Contemporizar com a escravid&atilde;o, em nome do ideal da liberdade, &eacute;<br \/>\n    uma concep&ccedil;&atilde;o de tal sorte monstruosa, que s&oacute; pode gerar-se<br \/>\n    na alucina&ccedil;&atilde;o do interesse o mais baixo. <\/p>\n<p>Dizer que o imperador &eacute; chefe do abolicionismo &eacute; confessar<br \/>\n    que o republicano atrai&ccedil;oou o seu mandato hist&oacute;rico, &eacute;<br \/>\n    cercar de um prest&iacute;gio sagrado a Coroa que se quer destruir. <\/p>\n<p>Que papel hist&oacute;rico para o imperador! &Eacute; a abnega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de Codro ressuscitado. O or&aacute;culo pede o sacrif&iacute;cio do rei para<br \/>\n    a salva&ccedil;&atilde;o da p&aacute;tria; o rei n&atilde;o hesita, precipita-se<br \/>\n    imp&aacute;vido e sereno nos bra&ccedil;os da morte. <\/p>\n<p>Que invers&atilde;o moral de pap&eacute;is! O rei que se fez m&aacute;rtir,<br \/>\n    o republicano que se proclama vil especulador! <\/p>\n<p>O rei que desce do seu trono, porque o considera manchado pela escravid&atilde;o,<br \/>\n    o republicano que faz dessa mancha o distintivo do seu estandarte! <\/p>\n<p>No meio dessa confus&atilde;o sociol&oacute;gica, o esp&iacute;rito se debate<br \/>\n    em d&uacute;vidas atrozes e n&atilde;o sabe mais encontrar a linha, que se<br \/>\n    havia tra&ccedil;ado serenamente. <\/p>\n<p>A na&ccedil;&atilde;o foi suprimida em nome dos interesses conservadores<br \/>\n    e das aspira&ccedil;&otilde;es republicanas; ficam, pois, face a face, o abolicionismo<br \/>\n    e o imperador e entre eles o Gabinete 6 de Junho e o Partido Liberal. <\/p>\n<p>Raciocinemos, pois, com a calma relativa que a f&eacute; nos princ&iacute;pios<br \/>\n    ainda me dispensa. <\/p>\n<p>&Eacute;, realmente, o imperador o chefe do abolicionismo?<\/p>\n<p>Se o &eacute;, por que o minist&eacute;rio n&atilde;o procura os meios de<br \/>\n    intervir j&aacute; e j&aacute; como opini&atilde;o no pleito eleitoral? <\/p>\n<p>&Eacute; justo que a m&aacute;quina olig&aacute;rquica funcione desassombradamente,<br \/>\n    montada, como est&aacute;, dentro das reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas,<br \/>\n    nas patentes superiores do Ex&eacute;rcito, nas posi&ccedil;&otilde;es vital&iacute;cias<br \/>\n    do parlamento e da magistratura, e em cada movimento dificulte a a&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    governamental e irrite a propaganda pac&iacute;fica do abolicionismo? <\/p>\n<p>&Eacute; justo que, ao tempo em que a oposi&ccedil;&atilde;o, recorrendo<br \/>\n    a um eleitorado de fazendeiros, se proclama vitoriosa; as not&iacute;cias<br \/>\n    do abolicionismo sejam de par com a liberta&ccedil;&atilde;o em massa do Rio<br \/>\n    Grande do Sul e em Goi&aacute;s, as de persegui&ccedil;&atilde;o do abolicionismo<br \/>\n    em S. Paulo e no Rio de Janeiro, prov&iacute;ncias vergonhosamente negreiras?\n  <\/p>\n<p>Querer&aacute; o imperador chamar opini&atilde;o do pa&iacute;s a conspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dessas duas protetoras do tr&aacute;fico, usufrutu&aacute;rias da pirataria?\n  <\/p>\n<p>Se o imperador &eacute; nosso chefe, quer ir conosco &agrave; imortalidade,<br \/>\n    ou prefere que o repudiemos publicamente, como um traidor que faz da lealdade<br \/>\n    dos seus soldados termos da equa&ccedil;&atilde;o do seu problema din&aacute;stico?\n  <\/p>\n<p>A Coroa est&aacute; em evid&ecirc;ncia e n&atilde;o seremos n&oacute;s que<br \/>\n    a procuraremos ocultar. <\/p>\n<p>Temos cumprido com o nosso dever e n&atilde;o podemos consentir que ningu&eacute;m<br \/>\n    falte ao seu. <\/p>\n<p>O imperador v&ecirc; a opini&atilde;o da Europa e da Am&eacute;rica pronunciada;<br \/>\n    v&ecirc; a opini&atilde;o do pa&iacute;s manifestada nas liberta&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    integrais do Cear&aacute; e do Amazonas, na vertiginosa marcha do Rio Grande<br \/>\n    do Sul, nas como&ccedil;&otilde;es de Goi&aacute;s, do Piau&iacute; e do Rio<br \/>\n    Grande do Norte. <\/p>\n<p>O imperador ou &eacute; um cego, ou aproveitou as li&ccedil;&otilde;es de<br \/>\n    seu pr&oacute;prio reinado. Sabia que a grita dos interesses devia ser atordoadora,<br \/>\n    e que, antes de tudo, era preciso dispor-se a n&atilde;o ouvir sen&atilde;o<br \/>\n    o que fosse justo. <\/p>\n<p>Se &eacute; cego, se n&atilde;o viu o caminho por onde enveredou e pretende<br \/>\n    recuar, n&oacute;s lhe prevenimos de que cada passo dado no caminho da liberdade<br \/>\n    cava um profundo valo no terreno da escravid&atilde;o, e, quem pretende retroceder,<br \/>\n    cai no abismo. <\/p>\n<p>Se n&atilde;o aproveitou as li&ccedil;&otilde;es do seu longo reinado, ser&aacute;<br \/>\n    v&iacute;tima de si mesmo e n&atilde;o ter&aacute; raz&atilde;o de queixar-se<br \/>\n    sen&atilde;o da pr&oacute;pria obra. <\/p>\n<p>Quem vive de um falso cr&eacute;dito de for&ccedil;a acaba por ver a fraqueza<br \/>\n    real faz&ecirc;-lo v&iacute;tima de uma fal&ecirc;ncia fraudulenta. <\/p>\n<p>Republicano, eu creio que o imperador vale mais do que muitos dos meus correligion&aacute;rios,<br \/>\n    e que a p&aacute;tria vale mais do que n&oacute;s todos. <\/p>\n<p>Os acontecimentos colocaram a Coroa &agrave; frente: muito bem que a Coroa<br \/>\n    ande, para que a liberdade n&atilde;o seja obrigada a empurr&aacute;-la. <\/p>\n<p><b>30 ago. 1884<\/b><\/p>\n<h2>20-XII-1884<\/h2>\n<p> Quem vence?<\/p>\n<p>O Gabinete? No campo eleitoral, solene e venerando como o cad&aacute;ver<br \/>\n    de Aquiles, ficou a candidatura de Rui Barbosa que, na &uacute;ltima fase<br \/>\n    da propaganda abolicionista no parlamento, foi a encarna&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da sua for&ccedil;a, da sua coragem e do seu patriotismo. <\/p>\n<p>Os conservadores? Nas v&eacute;speras do pleito eleitoral, vieram pela voz<br \/>\n    de um de seus chefes declarar que podiam, queriam e deviam ampliar a lei de<br \/>\n    28 de setembro. <\/p>\n<p>Os partidos n&atilde;o se atreveram a levantar as suas velhas bandeiras,<br \/>\n    sem recomend&aacute;-las com as vestes rotas do escravo. <\/p>\n<p>N&atilde;o houve coragem para dizer francamente, pela aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ou pela escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>A palavra murmurada desmentiu muitas vezes a palavra escrita e o ato de v&eacute;spera.\n  <\/p>\n<p>Os centuri&otilde;es do obstrucionismo, os condenados da dissolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    arrastaram para o campo das pequenas questi&uacute;nculas de poder o pleito<br \/>\n    em que se decide a orienta&ccedil;&atilde;o moral e econ&ocirc;mica da na&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Por outro lado, os companheiros -em n&uacute;mero crescido- entenderam e<br \/>\n    era poss&iacute;vel transigir com os compromissos tomados. <\/p>\n<p>De parte a parte, a car&ecirc;ncia de f&eacute;, a falta de firmeza na marcha,<br \/>\n    a irresolu&ccedil;&atilde;o em decidir-se. <\/p>\n<p>F&aacute;cil, pois, &eacute; saber quem vence.<\/p>\n<p>O vencedor est&aacute; fora dos partidos e fora das urnas, dentro da consci&ecirc;ncia<br \/>\n    nacional. &Eacute; a id&eacute;ia abolicionista, &uacute;nica senhora, &aacute;rbitro<br \/>\n    supremo do amanh&atilde; brasileiro. <\/p>\n<p>A estreiteza de vistas partid&aacute;rias pode inspirar des&acirc;nimos aqui,<br \/>\n    temeridades ali. <\/p>\n<p>Os monoman&iacute;acos do poder pensam em v&atilde;o que, &agrave; for&ccedil;a<br \/>\n    de amea&ccedil;as, de senten&ccedil;as, de crimes, poder&atilde;o fazer recuar<br \/>\n    a onda abolicionista, que &eacute; feita com o impulso de todo o oceano da<br \/>\n    civiliza&ccedil;&atilde;o atual. <\/p>\n<p>A decep&ccedil;&atilde;o ser&aacute; proporcional ao engano.<\/p>\n<p>J&aacute; o dissemos e o repetimos: n&atilde;o &eacute; aos propagandistas<br \/>\n    nacionais que o nosso Governo tem de dar contas; &eacute; ao congresso dos<br \/>\n    povos, e &agrave; humanidade civilizada. <\/p>\n<p>O sr. Paulino de Sousa n&atilde;o conservar&aacute;, como trof&eacute;u,<br \/>\n    a bandeira, que pretende arrancar das m&atilde;os do sr. Dantas. <\/p>\n<p>H&aacute; de acontecer-lhe o mesmo que ao indiv&iacute;duo que, impensadamente,<br \/>\n    segura no condutor el&eacute;trico que fecha um circuito: ser-lhe-&aacute;<br \/>\n    imposs&iacute;vel abandon&aacute;-lo, sem que a pilha deixe de funcionar.\n  <\/p>\n<p>O Gabinete 6 de Junho pode ser vencido parlamentarmente; historicamente &eacute;<br \/>\n    ele o vencedor, porque nasceu da propaganda abolicionista, invenc&iacute;vel<br \/>\n    como o Direito. <\/p>\n<p>Os conservadores, no poder, n&atilde;o dar&atilde;o batalha; surpreender&atilde;o,<br \/>\n    apenas, o comboio luminoso da legi&atilde;o abolicionista, e com as suas provis&otilde;es<br \/>\n    matar&atilde;o a fome de gl&oacute;ria sem sacrif&iacute;cio. <\/p>\n<p>Desenganem-se os nossos advers&aacute;rios; o tempo da escravid&atilde;o<br \/>\n    passou. <\/p>\n<p>&Eacute; in&uacute;til apelar para as coliga&ccedil;&otilde;es de interesse<br \/>\n    e dar-se ao espet&aacute;culo oprobrioso de recorrer at&eacute; aos estrangeiros,<br \/>\n    que s&oacute; visam aos seus lucros, para combater a mais vivaz aspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>O futuro abolicionista est&aacute; escrito, pela pr&oacute;pria fatalidade<br \/>\n    da evolu&ccedil;&atilde;o social. <\/p>\n<p>Quanto maior for a resist&ecirc;ncia tanto mais f&aacute;cil ser&aacute;<br \/>\n    o triunfo. <\/p>\n<p>O que poder&atilde;o conseguir no parlamento? Leis compressoras para fazer<br \/>\n    calar os propagandistas? Essas leis ser&atilde;o impotentes para matar no<br \/>\n    cora&ccedil;&atilde;o do escravo a sofreguid&atilde;o de liberdade. <\/p>\n<p>No dia em que se abrir a primeira pris&atilde;o ou o primeiro t&uacute;mulo<br \/>\n    para a propaganda abolicionista, est&aacute; aberta a fase da luta de for&ccedil;a<br \/>\n    contra for&ccedil;a, de viol&ecirc;ncia contra viol&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>A boa pol&iacute;tica, longe de aconselhar a louca intransig&ecirc;ncia dos<br \/>\n    nossos advers&aacute;rios, imp&otilde;e-lhes o dever de mediar por uma honrosa<br \/>\n    condescend&ecirc;ncia a negocia&ccedil;&atilde;o que o Minist&eacute;rio 6<br \/>\n    de Junho se prop&ocirc;s fazer entre os interesses da civiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e os interesses dos chamados propriet&aacute;rios de escravos. <\/p>\n<p>Os fatos vir&atilde;o dentro em pouco dar-nos inteira raz&atilde;o, a menos<br \/>\n    que o Brasil n&atilde;o tenha sido condenado a mais lastimosa exce&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    hist&oacute;rica. <\/p>\n<p>&Eacute; verdade que o estado atual de nos&#8230; (ileg&iacute;vel no original)<br \/>\n    e de alguns banqueiros estrangeiros de nossa pra&ccedil;a, impondo por amea&ccedil;a<br \/>\n    o sufr&aacute;gio &agrave; causa dos seus clientes. <\/p>\n<p>Das reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas partem tamb&eacute;m amea&ccedil;as<br \/>\n    de funcion&aacute;rios, que ali&aacute;s ocupam cargos de confian&ccedil;a.\n  <\/p>\n<p>E os amea&ccedil;ados se calam ou limitam-se a queixar-se &agrave; meia voz,<br \/>\n    porque n&atilde;o t&ecirc;m confian&ccedil;a na repara&ccedil;&atilde;o dada<br \/>\n    pelo civismo e patriotismo brasileiro. <\/p>\n<p>Mas, apesar desses fatos contristadores, n&oacute;s podemos garantir aos<br \/>\n    nossos advers&aacute;rios que eles n&atilde;o levar&atilde;o inteiramente<br \/>\n    de vencida o pa&iacute;s. <\/p>\n<p>As urnas s&atilde;o uma rid&iacute;cula minoria: a na&ccedil;&atilde;o est&aacute;<br \/>\n    fora delas, fustigada pelo arb&iacute;trio, indignada pela incerteza dos seus<br \/>\n    destinos. <\/p>\n<p>Se amanh&atilde; subirem os conservadores, se por um assomo de dignidade<br \/>\n    quiserem manter os compromissos tomados com o esclavagismo, muitos dos seus<br \/>\n    aliados de hoje ser&atilde;o inimigos rancorosos amanh&atilde;. <\/p>\n<p>Poder&atilde;o servir aos liberais, que desertaram por interesse das fileiras<br \/>\n    do seu partido? <\/p>\n<p>Os conservadores que, h&aacute; longos anos, esperam pelo poder em m&atilde;os<br \/>\n    de seus correligion&aacute;rios, que se sacrificaram por essa esperan&ccedil;a,<br \/>\n    n&atilde;o consentir&atilde;o no pagamento, e, se ele se der, romper&atilde;o<br \/>\n    o pacto. <\/p>\n<p>Esclavagismo n&atilde;o &eacute; convic&ccedil;&atilde;o, &eacute; neg&oacute;cio.\n  <\/p>\n<p>O poder para os conservadores negreiros n&atilde;o &eacute; vit&oacute;ria<br \/>\n    de princ&iacute;pios, &eacute; letra vencida, que ser&aacute; protestada pelo<br \/>\n    despeito, se n&atilde;o for paga com todos os juros. <\/p>\n<p>O que ser&aacute; o Governo dos conservadores? Satisfa&ccedil;&atilde;o de<br \/>\n    d&iacute;vidas eleitorais e impopularidade. <\/p>\n<p>Mas para que as ordens de pagamento possam circular no mercado eleitoral<br \/>\n    &eacute; indispens&aacute;vel a assinatura do imperador. <\/p>\n<p>Pode o imperador assin&aacute;-las? Onde ficar&aacute; a sua honra? <\/p>\n<p>Sua Majestade quis que se soubesse que ele n&atilde;o pactuava com o esclavagismo,<br \/>\n    nem de outra forma se explica o decreto de dissolu&ccedil;&atilde;o, dado<br \/>\n    ao Minist&eacute;rio 6 de Junho, organizado em pleno desbragamento de resist&ecirc;ncia<br \/>\n    esclavista. <\/p>\n<p>De duas uma: ou Sua Majestade falou s&eacute;rio -como n&oacute;s acreditamos;<br \/>\n    ou Sua Majestade quis iludir-nos. <\/p>\n<p>No primeiro caso, os conservadores no poder ter&atilde;o de lutar contra<br \/>\n    o soberano, e o ter&atilde;o de tratar como a um vencido; no segundo caso,<br \/>\n    a quest&atilde;o da aboli&ccedil;&atilde;o se transformar&aacute; em uma quest&atilde;o<br \/>\n    de mudan&ccedil;a, pelo menos de soberano. <\/p>\n<p>V&ecirc;em, pois, os nossos advers&aacute;rios que para vencer a propaganda<br \/>\n    abolicionista h&aacute; muito que vencer primeiro. <\/p>\n<p>Antes de chegar &agrave; cidadela sagrada do direito humano, que n&oacute;s<br \/>\n    representamos, &eacute; preciso saltar por cima da resist&ecirc;ncia do Partido<br \/>\n    Liberal, por cima da honra do imperador. <\/p>\n<p>Porque &eacute; preciso dizer, e repetir at&eacute; &agrave; saciedade: o<br \/>\n    imperador entrou com tudo quanto d&aacute; prest&iacute;gio ao seu cargo no<br \/>\n    pleito em favor dos escravos: com a sua magnanimidade em beneficiar os desgra&ccedil;ados,<br \/>\n    com a distin&ccedil;&atilde;o &agrave;queles que promovem a liberta&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    com a livre a&ccedil;&atilde;o do Poder Moderador, quer nomeando o minist&eacute;rio,<br \/>\n    quer dissolvendo a C&acirc;mara. <\/p>\n<p>Um passo atr&aacute;s e Sua Majestade estar&aacute; desonrado.<\/p>\n<p>N&oacute;s outros, expatriados desde esse dia, iremos dizer ao mundo que<br \/>\n    h&aacute; um pa&iacute;s na Am&eacute;rica, que &eacute; governado pela dobrez<br \/>\n    de C&eacute;sar B&oacute;rgia, que mata os convidados instados para comparecer<br \/>\n    &agrave;s festas da sua pr&oacute;pria gl&oacute;ria. <\/p>\n<p>Que toda casta esclavagista se congregue e ven&ccedil;a.<\/p>\n<p>Com a queda do Gabinete 6 de Junho cair&aacute; tamb&eacute;m a &uacute;ltima<br \/>\n    concess&atilde;o, que lhe &eacute; feita. <\/p>\n<p>O sr. Dantas tem a grandeza de Turgot. Se, como este, sair do poder antes<br \/>\n    da revolu&ccedil;&atilde;o operar-se de cima para baixo, ai dos que o fizeram<br \/>\n    sair! <\/p>\n<p>Ter&atilde;o de assistir &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o de baixo para cima.\n  <\/p>\n<p><b>20 dez. 1884<\/b><\/p>\n<h2>10-I-1885<\/h2>\n<p> N&atilde;o h&aacute; como o Partido Conservador para aclarar situa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    e defini-las nos seus verdadeiros termos. <\/p>\n<p>Sabendo qual a complexidade do problema servil; tendo-o estudado em todas<br \/>\n    as suas liga&ccedil;&otilde;es com a vida dom&eacute;stica e p&uacute;blica<br \/>\n    da na&ccedil;&atilde;o, desde a organiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia<br \/>\n    at&eacute; a produ&ccedil;&atilde;o da riqueza nacional; os pr&oacute;prios<br \/>\n    abolicionistas tiveram muitas vezes horas de d&uacute;vida, momentos em que<br \/>\n    interrogaram a consci&ecirc;ncia, perguntando-lhe se n&atilde;o tinham deixado<br \/>\n    o sentimento sufocar o racioc&iacute;nio, e o humanitarismo obscurecer as<br \/>\n    conveni&ecirc;ncias p&aacute;trias. <\/p>\n<p>O Partido Conservador veio dissipar inteiramente essa d&uacute;vida, robustecer<br \/>\n    a f&eacute; em que estamos de que o pa&iacute;s nada perde com a transforma&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    radical do trabalho agr&iacute;cola, pela substitui&ccedil;&atilde;o total<br \/>\n    e em globo da m&aacute;quina-escravo pelo trabalhador livre. <\/p>\n<p>E para que a sua decis&atilde;o fosse tomada na merecida conta, os conservadores<br \/>\n    escolheram a hora mais solene da vida atual da na&ccedil;&atilde;o para pronunci&aacute;-la.\n  <\/p>\n<p>Superexcitados os &acirc;nimos pela emancipa&ccedil;&atilde;o de duas prov&iacute;ncias<br \/>\n    e pela resist&ecirc;ncia amea&ccedil;adora das prov&iacute;ncias do sul, o<br \/>\n    Poder Moderador n&atilde;atilde;o s&oacute; chamou um minist&eacute;rio francamente<br \/>\n    hostil &agrave; escravid&atilde;o, como infligiu &agrave; C&acirc;mara tempor&aacute;ria<br \/>\n    a senten&ccedil;a de dissolu&ccedil;&atilde;o. Em seguida apelou para a na&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Se os conservadores considerassem a escravid&atilde;o uma necessidade indeclin&aacute;vel,<br \/>\n    se, como Jefferson Davis, eles pensassem que ela &eacute; pedra angular do<br \/>\n    edif&iacute;cio da nossa nacionalidade; seguramente durante o pleito eleitoral<br \/>\n    teriam tratado de extremar as suas convic&ccedil;&otilde;es, de doutrinar<br \/>\n    os eleitores no sentido de se travar o pleito exclusivamente sob o ponto de<br \/>\n    vista da quest&atilde;o social. <\/p>\n<p>Mas n&atilde;o aconteceu assim.<\/p>\n<p>Primeiro fizeram falar o sr. bar&atilde;o de Cotegipe e n&atilde;o falar<br \/>\n    o sr. Jo&atilde;o Alfredo, isto depois de declara&ccedil;&otilde;es as mais<br \/>\n    terminantes do sr. Andrade Figueira. <\/p>\n<p>O sr. Cotegipe disse que o Partido Conservador queria, podia e devia ampliar<br \/>\n    a lei de 28 de setembro. <\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio do sr. Jo&atilde;o Alfredo, no momento em que todo o pa&iacute;s<br \/>\n    se definia, essa neutralidade sistem&aacute;tica denunciou da parte de S.<br \/>\n    Ex.&ordf; reserva, que n&atilde;o pode ser considerada como ades&atilde;o<br \/>\n    aos conservadores do sr. Paulino de Sousa. <\/p>\n<p>As declara&ccedil;&otilde;es do sr. Andrade Figueira, que quer restituir<br \/>\n    os ing&ecirc;nuos aos seus leg&iacute;timos donos, importam em uma t&aacute;tica<br \/>\n    de guerra, que tem por fim chamar o inimigo a um ponto, em que a batalha vai<br \/>\n    ser levada a outro muito diferente. <\/p>\n<p>Em resumo, as diversas declara&ccedil;&otilde;es e atitudes dos chefes conservadores<br \/>\n    querem dizer que eles n&atilde;o consideram t&atilde;o grave como se afigurou<br \/>\n    ao Poder Moderador a quest&atilde;o servil. <\/p>\n<p>Para esses velhos pol&iacute;ticos a quest&atilde;o &eacute; mera arma de<br \/>\n    combate para chegar ao poder. <\/p>\n<p>A ponte para as id&eacute;ias abolicionistas estando de antem&atilde;o lan&ccedil;ada.\n  <\/p>\n<p>Ainda mais: o dr. Paulino de Sousa, dizem os seus adeptos, tem pronto um<br \/>\n    projeto, que extingue em cinco anos a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Os fatos v&ecirc;m, pois, demonstrar que para os conservadores a quest&atilde;o<br \/>\n    abolicionista est&aacute; por si mesma terminada e que a qualquer governo<br \/>\n    &eacute; l&iacute;cito dar-lhe o golpe decisivo, sem se importar com o que<br \/>\n    possam dizer certas classes eleitorais, para as quais eles apelam somente<br \/>\n    para aumentar vota&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Os abolicionistas devem, guiados por t&atilde;o consp&iacute;cuos cidad&atilde;os,<br \/>\n    estabelecer em termos definitivos o problema e n&atilde;o fazer mais nenhuma<br \/>\n    concess&atilde;o. <\/p>\n<p>O pleito eleitoral a&iacute; est&aacute; para justific&aacute;-lo cabalmente.\n  <\/p>\n<p>Podem objetar que os conservadores apelaram para os esclavagistas e com que<br \/>\n    estes se ligaram com a mais sincera solidariedade. <\/p>\n<p>A obje&ccedil;&atilde;o cai por si mesma, atendendo-se a que n&atilde;o houve<br \/>\n    outro fim sen&atilde;o arrebanhar assim maior n&uacute;mero de sufr&aacute;gios<br \/>\n    para os candidatos do partido. <\/p>\n<p>Todos sabem que os conservadores n&atilde;o tiveram escr&uacute;pulo de aceitar<br \/>\n    coadjuva&ccedil;&atilde;o dos estrangeiros, comiss&aacute;rios de caf&eacute;,<br \/>\n    banqueiros e empreiteiros da pra&ccedil;a do Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m dir&aacute; por isso que o Partido Conservador quer entregar<br \/>\n    aos estrangeiros o pa&iacute;s e converter de novo o Brasil em col&ocirc;nia.\n  <\/p>\n<p>Batendo &agrave;s portas dos estrangeiros, o Partido Conservador n&atilde;o<br \/>\n    visou aproveitar-se da influ&ecirc;ncia poderosa do com&eacute;rcio. <\/p>\n<p>Ele sabe que o com&eacute;rcio no Brasil &eacute; propriedade estrangeira<br \/>\n    e propriedade que nenhum nacional pode tentar compartir, n&atilde;o porque<br \/>\n    falte ao brasileiro capacidade e aptid&atilde;o para ele, mas porque o mais<br \/>\n    vergonhoso p&oacute;lio lho fechou, fecha e h&aacute; de fechar, se, por uma<br \/>\n    inspira&ccedil;&atilde;o de patriotismo, custe o maior sacrif&iacute;cio,<br \/>\n    n&atilde;o nos salvar o futuro. <\/p>\n<p>Tirando proveito da lei do recrutamento e da Guarda Nacional, os estrangeiros<br \/>\n    tiveram tempo de se organizar fortemente, de modo a estabelecer um seguro<br \/>\n    m&uacute;tuo que impede qualquer tentativa de brasileiros para tomar conta<br \/>\n    de um ramo da ind&uacute;stria, que em toda parte do mundo pertence em sua<br \/>\n    maioria aos nacionais. <\/p>\n<p>As fortunas se revezam, sempre vedadas aos brasileiros, sempre longe da influ&ecirc;ncia<br \/>\n    nacional. <\/p>\n<p>O patr&atilde;o casa a filha com o caixeiro de sua nacionalidade, para que<br \/>\n    a firma e as tradi&ccedil;&otilde;es da casa se conservem. <\/p>\n<p>As casas recentemente criadas facilitam-se todos os meios de prosperidade,<br \/>\n    ao passo que se negam &agrave;s casas brasileiras, ainda que pelo trabalho<br \/>\n    dos seus donos mais se recomendam, os mais simples obs&eacute;quios. <\/p>\n<p>O com&eacute;rcio constituiu-se uma esp&eacute;cie de realeza de hicsos no<br \/>\n    Egito, realeza cujo fundador criara, tendo chegado &agrave;quela na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    trazendo apenas uma das m&atilde;os atr&aacute;s e outra adiante. <\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, principalmente, n&atilde;o se pode sequer protestar contra<br \/>\n    esse poder arbitr&aacute;rio, que n&atilde;o tem por si mais do que a fortuita<br \/>\n    interven&ccedil;&atilde;o do acaso. <\/p>\n<p>Pode-se falar contra o imperador, contra os ministros, contra os magistrados,<br \/>\n    contra todas as institui&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m, ai do ousado que<br \/>\n    se lembrar de insurgir-se contra algum dos maiorais da metr&oacute;pole comercial<br \/>\n    e de protestar contra a sua inger&ecirc;ncia ind&eacute;bita em neg&oacute;cios<br \/>\n    que a nossa Constitui&ccedil;&atilde;o lhes proibiu tratar! &Eacute; homem<br \/>\n    perdido. <\/p>\n<p>Os pobres jornais fluminenses limitam-se a fazer barretadas aos fidalgos,<br \/>\n    que cheiram a toucinho, com medo de que os an&uacute;ncios lhes fujam e as<br \/>\n    assinaturas escasseiem. <\/p>\n<p>N&oacute;s, s&oacute; porque tomamos a liberdade de dizer estas coisas que<br \/>\n    est&atilde;o na consci&ecirc;ncia de todos os brasileiros dignos, de todos<br \/>\n    os homens de trabalho, temos realmente medo da mais franca persegui&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>J&aacute; das barraquinhas do Clube Gin&aacute;stico Portugu&ecirc;s foi<br \/>\n    exclu&iacute;do o nosso nome, e entretanto a imprensa portuguesa, todas as<br \/>\n    prov&iacute;ncias do Brasil repetem. <\/p>\n<p>Os conservadores mais avisados do que n&oacute;s aproveitam para o pleito<br \/>\n    o dinheiro dos estrangeiros, fazem com ele obra de corrup&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e depois procedem no poder como muito bem lhes parece. <\/p>\n<p>Para ado&ccedil;ar a boca aos aliados, distribuem aqui uns h&aacute;bitos<br \/>\n    da Rosa e concorrem para que venham de Portugal algumas comendas da Vila Vi&ccedil;osa.\n  <\/p>\n<p>N&oacute;s, com o impacto da mocidade e da dignidade, aceitamos francamente<br \/>\n    a posi&ccedil;&atilde;o que nos imp&otilde;e o patriotismo. Os conservadores<br \/>\n    dissimulam a vergonha de ver o seu pa&iacute;s levado &agrave; merc&ecirc;<br \/>\n    de uma invas&atilde;o de interesses, e tiram deles o quinh&atilde;o que lhes<br \/>\n    conv&eacute;m. <\/p>\n<p>Mas ningu&eacute;m dir&aacute; que eles querem ser dominados pelo estrangeiro<br \/>\n    e elevar ao trono o primeiro comiss&aacute;rio de caf&eacute; audaz que se<br \/>\n    julgue talhado para trazer coroa diferente da de princ&ecirc;s. <\/p>\n<p>O pleito eleitoral trouxe-nos, pois, esta consoladora certeza: a quest&atilde;o<br \/>\n    abolicionista est&aacute; definitivamente julgada e ganha. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; partido organizado para resistir-lhe. Tudo quanto h&aacute;<br \/>\n    contra ela &eacute; a alian&ccedil;a dos interessados &agrave;queles que s&atilde;o<br \/>\n    bastante h&aacute;beis, e suficientemente pouco escrupulosos, para aproveitarem-se<br \/>\n    da boa f&eacute; dos aliados. <\/p>\n<p>Podemos, pois, tomar a atitude ainda mais decisiva.<\/p>\n<p>Que os abolicionistas se conven&ccedil;am finalmente de que podem e de que<br \/>\n    devem fazer. <\/p>\n<p>As urnas acabam de reeleger quase todos os deputados que, na passada legislatura,<br \/>\n    tomaram lugar em torno da bandeira abolicionista. <\/p>\n<p>Joaquim Nabuco est&aacute; eleito.<\/p>\n<p>Continuemos com mais f&eacute; o trabalho.<\/p>\n<p>Que a assembl&eacute;ia que vai decretar a liberdade funcione em territ&oacute;rio<br \/>\n    livre. <\/p>\n<p>A postos e m&atilde;os &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o do Munic&iacute;pio<br \/>\n    Neutro. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; quem possa vencer a um partido que sabe querer. <\/p>\n<p>As urnas do Munic&iacute;pio Neutro acabam de decretar a reden&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos cativos; executemos o seu decreto. <\/p>\n<p><b>10 jan. 1885<\/b><\/p>\n<h2>21-II-1885<\/h2>\n<p> A luz triunfa.<\/p>\n<p>J&aacute; h&aacute; no horizonte vermelhid&otilde;es precursoras do dia de<br \/>\n    fraternidade, que emancipar&aacute; o trabalho e a p&aacute;tria, congra&ccedil;ar&aacute;<br \/>\n    os cidad&atilde;os pelo mais fecundo dos sentimentos -o de solidariedade.\n  <\/p>\n<p>Em v&atilde;o os profetas de ru&iacute;nas pregaram o ju&iacute;zo final<br \/>\n    da p&aacute;tria para o dia em que os ecos repetissem, pela vastid&atilde;o<br \/>\n    de nosso territ&oacute;rio, a proclama&ccedil;&atilde;o criadora da reden&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    total dos cativos. <\/p>\n<p>A lavoura, a quem se queria catequizar para a religi&atilde;o ensang&uuml;entada<br \/>\n    da destrui&ccedil;&atilde;o da alma de uma ra&ccedil;a, religi&atilde;o fatal<br \/>\n    que exige para o seu culto holocaustos humanos, parecendo a princ&iacute;pio<br \/>\n    querer prestar-lhe ouvidos, come&ccedil;a a desconfiar dos evangelistas, e<br \/>\n    a reclamar para si o livre exame das suas necessidades e dos rem&eacute;dios<br \/>\n    que lhe aproveitem. <\/p>\n<p>A lavoura de Campos se fez o Lutero contra esse catolicismo das catacumbas<br \/>\n    da civiliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, e que, s&oacute; trazendo ao<br \/>\n    esp&iacute;rito desconfortos, id&eacute;ia de morte, tinha como c&acirc;ntico<br \/>\n    religioso o gemido dos m&aacute;rtires, que o confessavam, e das v&iacute;timas<br \/>\n    que a sua intoler&acirc;ncia brutal sacrificava. <\/p>\n<p>Est&aacute; quebrada a unidade da f&eacute; negra. Enquanto uns se abra&ccedil;am<br \/>\n    &agrave; cruz inquisitorial do trabalho escravo, outros se voltam para essa<br \/>\n    religi&atilde;o do esp&iacute;rito, em que a raz&atilde;o pontifica, a consci&ecirc;ncia<br \/>\n    &eacute; altar, e os ensinamentos do s&eacute;culo o Evangelho sagrado. <\/p>\n<p>A manifesta&ccedil;&atilde;o da lavoura de Campos h&aacute; de ser posta<br \/>\n    &agrave; margem pela massa esclavagista, como perigosa heresia. <\/p>\n<p>Os argumentos s&atilde;o felizmente conhecidos; dir-se-&aacute; de Campos<br \/>\n    o mesmo que se diz do Norte: a qualidade da sua lavoura dispensa o bra&ccedil;o<br \/>\n    escravo. <\/p>\n<p>Mas o que fica desde j&aacute; acentuado &eacute; o princ&iacute;pio da indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da suposta propriedade pela pr&oacute;pria renda da propriedade, ou o que<br \/>\n    &eacute; o mesmo, o reconhecimento de que na lavoura, como em qualquer ind&uacute;stria,<br \/>\n    todo o capital que se indeniza tem em si mesmo o meio de resgatar-se. <\/p>\n<p>Houve, entretanto, quem negasse este princ&iacute;pio comezinho, esp&eacute;cie<br \/>\n    de conclus&atilde;o de Calino, e foi contrariando-o e &eacute; refutando-o<br \/>\n    pelo absurdo que se mant&eacute;m no pa&iacute;s um partido esclavagista,<br \/>\n    com grande preju&iacute;zo da honra e da riqueza nacional. <\/p>\n<p>A lavoura campista ser&aacute; inclu&iacute;da na excomunh&atilde;o geral<br \/>\n    imposta a todos os que afirmam a possibilidade da transforma&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do trabalho sem indeniza&ccedil;&atilde;o pecuni&aacute;ria do Estado ao senhor<br \/>\n    de escravo, mas &eacute; tamb&eacute;m inclu&iacute;da na classe dos pensadores<br \/>\n    s&eacute;rios, que cuidam mais do dia de amanh&atilde; da p&aacute;tria, que<br \/>\n    &eacute; o patrim&ocirc;nio de muitas gera&ccedil;&otilde;es, do que dos interesses<br \/>\n    de hoje que podem ser mal julgados pelos preconceitos e pelas paix&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>O que a lavoura de Campos pede n&atilde;o &eacute; o que o pa&iacute;s lhe<br \/>\n    pode dar; sente-se o erro econ&ocirc;mico atrav&eacute;s da boa vontade dos<br \/>\n    representantes, mas as suas palavras s&atilde;o repassadas de um sabor de<br \/>\n    patriotismo, que arrebata e inebria. <\/p>\n<p>Prevendo as acusa&ccedil;&otilde;es, que h&atilde;o de ser feitas aos patri&oacute;ticos<br \/>\n    lavradores, pressentimos tamb&eacute;m a revolu&ccedil;&atilde;o que as suas<br \/>\n    palavras v&atilde;o causar no esp&iacute;rito dos seus pares na ind&uacute;stria.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o tardar&aacute; muito que os fazendeiros do Brasil compreendam<br \/>\n    que os seus inimigos n&atilde;o s&atilde;o os abolicionistas, mas os seus<br \/>\n    supostos advogados. <\/p>\n<p>Haver&aacute; ocasi&atilde;o de tra&ccedil;ar o paralelo, em pleno calor<br \/>\n    dos acontecimentos. <\/p>\n<p>E que diferen&ccedil;a?<\/p>\n<p>Enquanto os abolicionistas se limitavam pela imprensa e pela tribuna a formar<br \/>\n    opini&atilde;o, para dar uma solu&ccedil;&atilde;o legal por meio do parlamento<br \/>\n    ao problema inflam&aacute;vel da liberdade pessoal; os comiss&aacute;rios<br \/>\n    de caf&eacute; e os seus assalariados pol&iacute;ticos aconselhavam aos lavradores<br \/>\n    que se reunissem em clubes de lavoura, com estatutos secretos, com pol&iacute;cia<br \/>\n    especial, e aplaudiam a lei das causas perdidas ou das situa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    desesperadas -a Lei de Lynch. <\/p>\n<p>A conseq&uuml;&ecirc;ncia do emprego desses recursos era revelar nos centros<br \/>\n    rurais aos escravos o abalo da institui&ccedil;&atilde;o servil, a fraqueza<br \/>\n    dos seus mantenedores, o que importava animar a insubordina&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    incitar &agrave; desordem. <\/p>\n<p>Nas fazendas, os escravos est&atilde;o hoje convencidos de que tudo depende<br \/>\n    de um pouco de esfor&ccedil;o da parte deles; que podem escrever com as suas<br \/>\n    pr&oacute;prias m&atilde;os sua carta de emancipa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Os abolicionistas falavam ao esp&iacute;rito e ao cora&ccedil;&atilde;o dos<br \/>\n    senhores, apelando para a solidariedade na manuten&ccedil;&atilde;o da honra<br \/>\n    nacional; os esclavagistas falavam ao escravo, esporeando-lhes o desespero<br \/>\n    com a alucina&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a. <\/p>\n<p>Os abolicionistas advogaram sempre os meios de aumentar o valor da riqueza<br \/>\n    rural, pela divis&atilde;o do solo, a imigra&ccedil;&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de mercados no interior, a concentra&ccedil;&atilde;o comercial nas regi&otilde;es<br \/>\n    agr&iacute;colas. Com estas medidas eles concorriam para melhorar as tarifas,<br \/>\n    pelo aumento da renda das estradas de ferro, e por conseq&uuml;&ecirc;ncia<br \/>\n    dar maior valor &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, quer pela abund&acirc;ncia<br \/>\n    de trabalhadores, quer pela economia realizada na diferen&ccedil;a dos fretes.\n  <\/p>\n<p>Os esclavagistas procediam de um modo contr&aacute;rio. A pretexto do perigo<br \/>\n    da institui&ccedil;&atilde;o servil, perturbaram o trabalho pela nega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de cr&eacute;dito aos fazendeiros pela mudan&ccedil;a brusca no regime de<br \/>\n    cobran&ccedil;a, e pela convers&atilde;o da hipoteca em f&aacute;brica de<br \/>\n    mis&eacute;ria. <\/p>\n<p>Em vez de encorajar, intimidaram, em vez de remediar, agravaram o mal da<br \/>\n    lavoura. <\/p>\n<p>Protetores n&atilde;o diminu&iacute;ram o juro, aumentaram-no; em vez de<br \/>\n    promover a cria&ccedil;&atilde;o de novos produtos, fizeram a convic&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de que s&oacute; o caf&eacute; &eacute; que acha comprador e s&oacute; ele<br \/>\n    &eacute; capaz de indenizar o capital rural. <\/p>\n<p>Tendo preso em suas m&atilde;os o fazendeiro, deram maior desenvolvimento<br \/>\n    &agrave; especula&ccedil;&atilde;o vergonhosa das contas correntes e da falsifica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    das qualidades do caf&eacute;. <\/p>\n<p>Felizmente o paralelo, que vamos fazer, h&aacute; de deixar bem claro que<br \/>\n    tudo quanto pedimos redunda em benef&iacute;cio para a lavoura e tudo quanto<br \/>\n    os nossos advers&aacute;rios -comiss&aacute;rios e pol&iacute;ticos, estrangeiros<br \/>\n    e oligarcas- aconselharam &eacute; uma s&eacute;rie de males para os fatores<br \/>\n    da riqueza p&uacute;blica. <\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria preparou-se para tomar vingan&ccedil;a dos difamadores<br \/>\n    da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>Um espet&aacute;culo curioso est&aacute; prestes a ser representado. Os procuradores<br \/>\n    da lavoura est&atilde;o reunidos em grande n&uacute;mero na C&acirc;mara tempor&aacute;ria<br \/>\n    e, pelos seus primeiros atos, podemos inferir j&aacute; que eles dir&atilde;o<br \/>\n    -continue-se, quando a lavoura disser, como come&ccedil;ou a dizer- acabe-se;<br \/>\n    que eles aconselhar&atilde;o guerra, quando a lavoura aconselha paz. <\/p>\n<p>Ser&aacute; curioso um pa&iacute;s inteiro a condenar uma institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e alguns negociantes estrangeiros e seus advogados a querer mant&ecirc;-la.\n  <\/p>\n<p>Esperamos por este momento, para repetir a frase do povo franc&ecirc;s aos<br \/>\n    trintan&aacute;rios parlamentares de Carlos X quando os enxotou da C&acirc;mara:<br \/>\n    para fora, bandidos, este lugar &eacute; do povo. <\/p>\n<p><b>21 fev. 1885<\/b><\/p>\n<h2>7-III-1885<\/h2>\n<p> Vai bater a hora solen&iacute;ssima da abertura da sess&atilde;o parlamentar,<br \/>\n    destinada a arquivar a p&aacute;gina de maiores esperan&ccedil;as ou de maiores<br \/>\n    decep&ccedil;&otilde;es em nossa Hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>Apesar do prop&oacute;sito de alguns em nivelar com o passado a miss&atilde;o<br \/>\n    da legislatura, que come&ccedil;a, o futuro provar&aacute; que ela n&atilde;o<br \/>\n    tem nada de comum com essas reuni&otilde;es sem responsabilidade, que se limitavam<br \/>\n    &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es de chancelaria do Poder Executivo. <\/p>\n<p>A gravidade da situa&ccedil;&atilde;o presente manda-nos olhar para a C&acirc;mara<br \/>\n    tempor&aacute;ria de amanh&atilde;, com a vis&atilde;o de Necker diante dos<br \/>\n    Estados Gerais de 4 de maio de 1789, e dizer como ele que -a assembl&eacute;ia<br \/>\n    deve pertencer ao presente e ao futuro. <\/p>\n<p>No presente queria o estadista que se meditasse nas rela&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    das finan&ccedil;as, no futuro que os Estados estivessem preparados para o<br \/>\n    dia em que se tivesse de lan&ccedil;ar um olhar de compaix&atilde;o sobre<br \/>\n    esse povo desventurado de que se fez um b&aacute;rbaro objeto de com&eacute;rcio;<br \/>\n    sobre esses homens, nossos semelhantes pelo pensamento e sobretudo pelo sofrimento,<br \/>\n    homens, que, entretanto, sem comisera&ccedil;&atilde;o pelas suas l&aacute;grimas,<br \/>\n    eram amontoados no por&atilde;o dos navios e levados, a velas cheias, ao encontro<br \/>\n    das cadeias que os esperavam. <\/p>\n<p>A C&acirc;mara deve dar resolutamente costas ao passado, porque l&aacute;,<br \/>\n    como num pesadelo tremendo, em que se vissem esqueletos e dem&ocirc;nios tripudiando<br \/>\n    ao som de uma orquestra de gemidos de moribundos, s&oacute; h&aacute; cenas<br \/>\n    que horrorizam, vergonhas que entibiam. <\/p>\n<p>Olhar para o passado ser&aacute; continuar a servir aos interesses da oligarquia<br \/>\n    de senhores de escravos, &uacute;nico poder real, que tem tido este pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>Desde o ber&ccedil;o da nossa nacionalidade, o fantasma da escravid&atilde;o<br \/>\n    nos guarda ominosamente o destino, manchando-nos a hist&oacute;ria com a sua<br \/>\n    sombra pavorosa. <\/p>\n<p>Ao lado de Tiradentes, ela inspira-lhe uma baixeza de par com a id&eacute;ia<br \/>\n    da emancipa&ccedil;&atilde;o da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; porque a metr&oacute;pole dificulta o desenvolvimento<br \/>\n    da nascente nacionalidade brasileira que ela entende que a prov&iacute;ncia<br \/>\n    de Minas Gerais deve unir-se para reagir contra o dom&iacute;nio portugu&ecirc;s;<br \/>\n    n&atilde;o, o primeiro m&aacute;rtir da Independ&ecirc;ncia nacional restolha<br \/>\n    na odiosidade contra a capita&ccedil;&atilde;o -imposto sobre escravos- a<br \/>\n    c&oacute;lera dos senhores e os convida &agrave; rea&ccedil;&atilde;o porque<br \/>\n    a METR&Oacute;POLE VAI DECRETAR QUE NINGU&Eacute;M PODE POSSUIR MAIS DE DEZ<br \/>\n    ESCRAVOS. <\/p>\n<p>A Inconfid&ecirc;ncia &eacute; assim rebaixada a uma infam&iacute;ssima conspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de r&eacute;us de lesa-humanidade contra o Governo, que os amea&ccedil;ava<br \/>\n    com obst&aacute;culos &agrave; perpetra&ccedil;&atilde;o desse crime, em larga<br \/>\n    escala. <\/p>\n<p>Manchando a primeira revolu&ccedil;&atilde;o emancipadora, a escravid&atilde;o<br \/>\n    incumbiu-se de matar a segunda. <\/p>\n<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o (sic) de 1817 amea&ccedil;ou fulminar o monstro,<br \/>\n    que j&aacute; havia sido mal ferido pelos golpes dos filantropos estadistas<br \/>\n    ingleses, pela Conven&ccedil;&atilde;o Nacional, pelo Congresso de Viena e<br \/>\n    pela pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o portuguesa, quer quando o marqu&ecirc;s<br \/>\n    de Pombal considerava-a grande indec&ecirc;ncia, que as ditas escravid&otilde;es<br \/>\n    inferiam aos vassalos, as confus&otilde;es e &oacute;dios que entre eles causavam<br \/>\n    e os preju&iacute;zos que resultavam ao Estado de ter tantos vassalos lesos,<br \/>\n    baldados e in&uacute;teis, quer quando o alvar&aacute; de 24 de novembro de<br \/>\n    1818 considerava o tr&aacute;fico um arb&iacute;trio, at&eacute; agora praticado<br \/>\n    como necessidade da produ&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Tanto bastou para que uma das mais liberais das revolu&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    humanas fosse sacrificada e que de tanto sacrif&iacute;cio e de tanto hero&iacute;smo<br \/>\n    n&atilde;o nos restasse sen&atilde;o a lembran&ccedil;a indel&eacute;vel da<br \/>\n    vida branda da jangada do padre Roma, como a via-l&aacute;ctea em que os nossos<br \/>\n    sonhos de mo&ccedil;os idealizam o brilho das constela&ccedil;&otilde;es do<br \/>\n    futuro p&aacute;trio. <\/p>\n<p>Realizada a nossa Independ&ecirc;ncia, a escravid&atilde;o n&atilde;o quis<br \/>\n    deixar de ter o seu quinh&atilde;o nos meios vis por que a obtivemos. <\/p>\n<p>Por ela os nossos plenipotenci&aacute;rios rojaram-se aos p&eacute;s da Inglaterra;<br \/>\n    por ela vimo-nos for&ccedil;ados a comprar a dinheiro a emancipa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que j&aacute; nos havia custado sangue de m&aacute;rtires. <\/p>\n<p>Constitu&iacute;da a na&ccedil;&atilde;o, ela faz imediatamente dividir a<br \/>\n    hist&oacute;ria parlamentar em duas fases, cada qual a mais vergonhosa: -uma<br \/>\n    que vai de 1821 a 1850 e tem por fim garantir a pirataria; outra que se estende<br \/>\n    da&iacute; aos nossos dias e se compromete a manter a escravatura. <\/p>\n<p>Na primeira fase, a escravid&atilde;o invoca todos os pretextos, submete-nos<br \/>\n    a todas as humilha&ccedil;&otilde;es para subsistir. <\/p>\n<p>Defendendo o tr&aacute;fico como necessidade indeclin&aacute;vel da agricultura,<br \/>\n    ela n&atilde;o se vexa de ver o pa&iacute;s tratado a abordagens e bombardeios,<br \/>\n    representado pelos cad&aacute;veres de piratas pendurados nas vergas dos cruzeiros.\n  <\/p>\n<p>Chama a essas rudezas da Justi&ccedil;a abusos da for&ccedil;a inglesa, e<br \/>\n    negando ao mesmo tempo os compromissos solenes de 1828, a Conven&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de 26, a lei de 1831, como outrora j&aacute; negara o Tratado de 1810 e os<br \/>\n    compromissos do Congresso de Viena, as Conven&ccedil;&otilde;es de 1815 e<br \/>\n    1817, s&oacute; se rendeu quando, por uma lei falaz de repress&atilde;o do<br \/>\n    tr&aacute;fico, houve um governo bastante miser&aacute;vel para se fazer c&uacute;mplice<br \/>\n    do crime de redu&ccedil;&atilde;o de 600.000 homens livres &agrave; mais ilegal<br \/>\n    e &agrave; mais monstruosa das escravid&otilde;es, porque &eacute; a escravid&atilde;o<br \/>\n    regida pela infam&iacute;ssima lei de 1835. <\/p>\n<p>Batido e vencido o tr&aacute;fico, ficava constitu&iacute;da a for&ccedil;a<br \/>\n    que devia manter a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>De um lado a lavoura, que se empenhara para se prover de bra&ccedil;os e<br \/>\n    s&oacute; neles tinha a sua riqueza, de outro os pol&iacute;ticos que fizeram<br \/>\n    do tr&aacute;fico a arma de Governo e se acusavam de partido a partido como<br \/>\n    assalariados dos piratas. Entre eles como poder, mais forte que ambos, levantava-se<br \/>\n    o com&eacute;rcio traficante, que, representado por Manuel Pinto da Fonseca,<br \/>\n    fazia e desfazia situa&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Com tais elementos, que ainda hoje subsistem, tendo apenas Manuel Pinto da<br \/>\n    Fonseca tomado o nome de Centro da Lavoura e do Com&eacute;rcio, f&aacute;cil<br \/>\n    foi continuar a manter a escravid&atilde;o contra todos os brados do sentimento<br \/>\n    humano indignado e os ensinamentos mais intuitivos da ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica.\n  <\/p>\n<p>A &uacute;ltima palavra dessa torp&iacute;ssima especula&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    foi escrita pela lei de 28 de setembro, em que o legislador declara que bastam<br \/>\n    sete anos para resgatar um escravo, isto &eacute;, para indenizar a quantia<br \/>\n    por ele dada em contrato de servi&ccedil;o, e, n&atilde;o obstante, em nome<br \/>\n    dessa mesma lei, quatorze anos depois de sua decreta&ccedil;&atilde;o, h&aacute;<br \/>\n    um partido que ousa chamar anarquistas aos que pedem a liberta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos escravos, e pede em nome dessa lei que n&atilde;o se adiante um passo<br \/>\n    mais no caminho da emancipa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A morte &eacute; o &uacute;nico legislador que se admite, como capaz de resolver<br \/>\n    o problema. <\/p>\n<p>Tal &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o e tais s&atilde;o os homens que<br \/>\n    a C&acirc;mara, como tribunal da na&ccedil;&atilde;o, tem de julgar. <\/p>\n<p>Oxal&aacute; que ela se inspire nas li&ccedil;&otilde;es dos outros povos<br \/>\n    e se decida a medir a p&aacute;tria pelas gera&ccedil;&otilde;es vindouras<br \/>\n    e n&atilde;o pela estatura de alguns homens, que n&atilde;o bastam nem para<br \/>\n    aferir o comum da esp&eacute;cie humana. <\/p>\n<p><b>7 mar. 1885<\/b><\/p>\n<h2>21-III-1885<\/h2>\n<p> Ainda que, em consci&ecirc;ncia, n&atilde;o nos julguemos j&aacute; obrigados<br \/>\n    a dar explica&ccedil;&otilde;es do nosso procedimento, nem a revelar as nossas<br \/>\n    determina&ccedil;&otilde;es aos advers&aacute;rios da extin&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do elemento servil, queremos levar a extremo a nossa longanimidade e mais<br \/>\n    uma vez proceder com a lealdade, que foi e &eacute; a nossa maior for&ccedil;a<br \/>\n    na propaganda sacrossanta da igualdade humana, civil e economicamente. <\/p>\n<p>A nossa obra est&aacute; &agrave; vista de todos, s&oacute; os cegos n&atilde;o<br \/>\n    a querem ver. <\/p>\n<p>O sr. senador Afonso Celso a descreveu assim, na sess&atilde;o do Senado,<br \/>\n    ontem: <\/p>\n<p>-&laquo;O status quo n&atilde;o pode manter-se; ningu&eacute;m se iluda.<br \/>\n    Quaisquer que fossem as causas determinantes desse fato, a propaganda libertadora<br \/>\n    desenvolveu-se, ganhou terreno, e hoje imp&otilde;e-se a todos os esp&iacute;ritos.<br \/>\n    Agora s&oacute; resta encaminh&aacute;-la, dirigi-la de modo a atenuar os<br \/>\n    sacrif&iacute;cios dos interesses, que ela combate, e impedir que se desvaire.\n  <\/p>\n<p>Ela chegou a todos os recantos do pa&iacute;s; ecoa por toda a parte, e conv&eacute;m<br \/>\n    n&atilde;o esquecer que ainda nos estabelecimentos onde a disciplina mais<br \/>\n    severa segrega a escravatura de qualquer contato estranho, -a esperan&ccedil;a<br \/>\n    da liberdade anima, conforta e cont&eacute;m os que est&atilde;o cativos.\n  <\/p>\n<p>Como isso aconteceu, como foi levada e repercutiu em todos os centros a id&eacute;ia<br \/>\n    de emancipa&ccedil;&atilde;o, quem saber&aacute; diz&ecirc;-lo? Tamb&eacute;m,<br \/>\n    &agrave;s vezes, a ventania transporta para o fundo do deserto a semente fecunda<br \/>\n    de outras regi&otilde;es que a&iacute; brota e floresce! <\/p>\n<p>O fato ineg&aacute;vel &eacute; esse: hoje n&atilde;o h&aacute; ponto nenhum<br \/>\n    do Imp&eacute;rio onde n&atilde;o se pense e n&atilde;o se discuta a quest&atilde;o<br \/>\n    da emancipa&ccedil;&atilde;o; onde essa id&eacute;ia n&atilde;o fomente alegrias,<br \/>\n    ou desperte receios.&raquo; <\/p>\n<p>A primeira vit&oacute;ria est&aacute;, portanto, ganha; a segunda ningu&eacute;m<br \/>\n    no-la pode disputar. <\/p>\n<p>A mesma resist&ecirc;ncia ao Direito, a mesma obstina&ccedil;&atilde;o em<br \/>\n    desconhecer a Justi&ccedil;a, os dous melhores instrumentos da propaganda<br \/>\n    abolicionista, nos h&atilde;o de dar o triunfo completo. <\/p>\n<p>Contra a vontade dos Governos e do parlamento, da magistratura e da pol&iacute;cia,<br \/>\n    realizamos a grande odiss&eacute;ia da consci&ecirc;ncia nacional; contra<br \/>\n    eles e apesar deles havemos de chegar ao termo das nossas aspira&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    o mais tardar no prazo fatal que marcamos: 1889. <\/p>\n<p>O Direito n&atilde;o precisa de outra for&ccedil;a al&eacute;m do consenso<br \/>\n    universal. A oposi&ccedil;&atilde;o dos interesses de castas coligadas nada<br \/>\n    pode contra ele. Dique impotente, serve apenas para converter o rio em inunda&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>As ilus&otilde;es restolhadas no passado, as tradi&ccedil;&otilde;es do predom&iacute;nio<br \/>\n    olig&aacute;rquico em toda a nossa hist&oacute;ria acalentam, &eacute; certo,<br \/>\n    em esp&iacute;ritos mal preparados, a esperan&ccedil;a de que &eacute; poss&iacute;vel<br \/>\n    ainda fazer parar a propaganda e nivel&aacute;-la com os interesses dos partidos.\n  <\/p>\n<p>Em 1823 a lei de 20 de outubro mandava aos presidentes de prov&iacute;ncia,<br \/>\n    com os conselhos provinciais, propor &aacute;rbitros, para facilitar a lenta<br \/>\n    emancipa&ccedil;&atilde;o dos escravos. <\/p>\n<p>Ditada pela Constituinte, esta lei ficou, entretanto, letra morta, porque<br \/>\n    a Constitui&ccedil;&atilde;o outorgada suprimiu criminosamente o compromisso<br \/>\n    nacional. <\/p>\n<p>Em 1831 decretou-se a 7 de novembro a proibi&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico<br \/>\n    de africanos e entretanto, em 1837, havia bastante impudor para se formular,<br \/>\n    no Senado, um projeto mandando anistiar os r&eacute;us de pirataria e a anistia<br \/>\n    que a lei n&atilde;o concedeu tornou-se desde logo fato. <\/p>\n<p>Estas duas recorda&ccedil;&otilde;es devem, de certo, dar aos advogados da<br \/>\n    escravid&atilde;o uma no&ccedil;&atilde;o falsa a respeito da atual propaganda<br \/>\n    abolicionista, tanto mais eles resistem dispondo dos mesmos elementos de for&ccedil;a<br \/>\n    com que se aguerriam outrora. <\/p>\n<p>Mas, para desfazer-lhes o engano, basta uma considera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A lei de 28 de setembro, &agrave; parte todos os seus erros, realizou um<br \/>\n    grande benef&iacute;cio: vacinou a escravid&atilde;o com a liberdade. <\/p>\n<p>A vacina chama-se ing&ecirc;nuo.<\/p>\n<p>Dentro em quatro anos, o ing&ecirc;nuo de 1871 ser&aacute; um adolescente<br \/>\n    v&aacute;lido, bra&ccedil;o forte para lutar, com esp&iacute;rito capaz de<br \/>\n    raciocinar, consci&ecirc;ncia preparada para decidir. <\/p>\n<p>As leis naturais, essas que zombam dos c&oacute;digos tacanhos, das institui&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    pol&iacute;ticas infames, viveram sempre e viver&atilde;o at&eacute; l&aacute;.\n  <\/p>\n<p>Essas leis ensinar&atilde;o ao ing&ecirc;nuo que o dever do filho &eacute;<br \/>\n    reagir contra tudo que avilta os pais, contra as injusti&ccedil;as que os<br \/>\n    torturam, contra as les&otilde;es feitas aos seus direitos. <\/p>\n<p>Ora, a estat&iacute;stica apresenta centenares de ing&ecirc;nuos, o que equivale<br \/>\n    a dizer em quatro anos a propaganda abolicionista deve ter recrutado, s&oacute;<br \/>\n    nos dom&iacute;nios da lei de 28 de setembro, um ex&eacute;rcito formid&aacute;vel<br \/>\n    para ditar a lei da liberta&ccedil;&atilde;o total dos escravos no Brasil.\n  <\/p>\n<p>Daqui n&atilde;o h&aacute; fugir.<\/p>\n<p>A lei de 28 de setembro foi uma das santas emboscadas da liberdade. <\/p>\n<p>Sabe-se que o visconde do Rio Branco pretendeu tomar medidas bem diversas<br \/>\n    das que a resist&ecirc;ncia escravista lhe imp&ocirc;s. <\/p>\n<p>Quis organizar e entretanto constrangeram-no a formular essa lei an&aacute;rquica,<br \/>\n    que preparou no pr&oacute;prio ventre da escravid&atilde;o a sagrada conspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    abolicionista. <\/p>\n<p>O sr. senador Afonso Celso &eacute; v&iacute;tima da mesma press&atilde;o<br \/>\n    moral. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; proclamando o direito de propriedade sobre o homem, direito<br \/>\n    que n&atilde;o tem outro fundamento sen&atilde;o o interesse do senhor, prega<br \/>\n    a anarquia em nome da lei. <\/p>\n<p>Quis&eacute;ramos que S. Ex.&ordf; nos dissesse onde est&aacute; a lei que<br \/>\n    estabelece a escravid&atilde;o atual. <\/p>\n<p>O que h&aacute; na origem &eacute; o resgate. O trabalho do catec&uacute;meno<br \/>\n    indenizando o sacrif&iacute;cio do crist&atilde;o, que foi disput&aacute;-lo<br \/>\n    &agrave; morte para a vida da f&eacute; cat&oacute;lica. <\/p>\n<p>Desde que esta rela&ccedil;&atilde;o social degenerou em cativeiro, a igreja<br \/>\n    a condenou imediatamente e atenta &agrave; origem da institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que se ia criar, s&oacute; a igreja era poder competente. <\/p>\n<p>Vencido o direito pelo interesse dos estados, decretado o tr&aacute;fico,<br \/>\n    a legisla&ccedil;&atilde;o portuguesa falando pela voz do marqu&ecirc;s de<br \/>\n    Pombal, ou pela de d. Jo&atilde;o VI, declara terminantemente que n&atilde;o<br \/>\n    h&aacute; direito real do senhor sobre o escravo, que o tr&aacute;fico &eacute;<br \/>\n    um arb&iacute;trio. <\/p>\n<p>A escravid&atilde;o &eacute; uma esp&eacute;cie de mil&iacute;cia desventurada,<br \/>\n    criada pela pol&iacute;tica colonial, para a guerra da agricultura e de todas<br \/>\n    as outras ind&uacute;strias contra a natureza selvagem. <\/p>\n<p>A revolu&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica operada pelos descobrimentos aconselhou,<br \/>\n    &eacute; certo, os revolucion&aacute;rios ao confisco da liberdade dos povos<br \/>\n    selvagens e b&aacute;rbaros, mas nem por isso a civiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    humana, &uacute;nico tribunal competente, legitimou o ato. <\/p>\n<p>O sr. Afonso Celso n&atilde;o querer&aacute; por certo dar como base s&oacute;lida<br \/>\n    de Direito uma legisla&ccedil;&atilde;o em conflito, denunciada atrav&eacute;s<br \/>\n    da nossa hist&oacute;ria parlamentar como o fruto da venalidade dos legisladores,<br \/>\n    uma legisla&ccedil;&atilde;o que tem como ber&ccedil;o opini&otilde;es como<br \/>\n    estas. <\/p>\n<p>Diz Eus&eacute;bio de Queir&oacute;s:<\/p>\n<p>&laquo;Sejamos francos, o tr&aacute;fico no Brasil prendia-se a interesses,<br \/>\n    ou, para melhor dizer, a presumidos interesses dos nossos agricultores; e<br \/>\n    num pa&iacute;s em que a agricultura tem tamanha for&ccedil;a, era natural<br \/>\n    que a opini&atilde;o p&uacute;blica se manifestasse em favor do tr&aacute;fico.\n  <\/p>\n<p>O que h&aacute;, pois, para admirar em que os nossos homens pol&iacute;ticos<br \/>\n    se curvassem a essa lei de necessidade!&raquo; <\/p>\n<p>Assim, pois, depois de compromissos tomados com a Inglaterra no momento em<br \/>\n    que se reconhecia a nossa Independ&ecirc;ncia, depois da conven&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de 26, depois da lei de 1831, os homens p&uacute;blicos submetiam-se &agrave;<br \/>\n    opini&atilde;o p&uacute;blica, formada pelos supostos interesses dos agricultores,<br \/>\n    e esta lei da necessidade dos partidos legitima e legaliza um crime! <\/p>\n<p>E, prosseguindo, Eus&eacute;bio de Queir&oacute;s n&atilde;o apela para nenhuma<br \/>\n    lei, que se pusesse ao menos em conflito com as leis que condenavam o tr&aacute;fico,<br \/>\n    limita-se a justificar o atentado pela unidade de conduta dos partidos no<br \/>\n    Governo. <\/p>\n<p>Sousa Franco denuncia nos mesmos termos a legalidade da escravid&atilde;o,<br \/>\n    chamando o tr&aacute;fico ato de coniv&ecirc;ncia dos governos com os traficantes.\n  <\/p>\n<p>Quando se recorre aos anais v&ecirc;-se que, para conservar o tr&aacute;fico,<br \/>\n    lan&ccedil;ou-se m&atilde;o de uma suscetibilidade nacional com rela&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ao cruzeiro ingl&ecirc;s, e foi explorando um falso sentimento de patriotismo<br \/>\n    que se conseguiu legalizar aquilo mesmo que a lei condenou. <\/p>\n<p>Se n&atilde;o fosse demasiado pretensioso no Brasil emprazar homens de posi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    oficial a aceitar debate com quem a n&atilde;o tem, provocar&iacute;amos os<br \/>\n    defensores da legalidade para uma discuss&atilde;o larga e desapaixonada diante<br \/>\n    da hist&oacute;ria parlamentar e da imprensa. <\/p>\n<p>N&atilde;o temos receio de ser vencidos. Nenhuma lei pode ser invocada para<br \/>\n    sustentar a escravid&atilde;o. Basta o confronto da importa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de africanos com a emancipa&ccedil;&atilde;o destes, para demonstrar que a<br \/>\n    escravid&atilde;o no Brasil &eacute; um roubo. <\/p>\n<p>Lamentamos profunda e sinceramente que o sr. senador Afonso Celso, cabe&ccedil;a<br \/>\n    cientificamente organizada, deixando-se dominar por um preconceito pol&iacute;tico,<br \/>\n    se aferre &agrave; id&eacute;ia da indeniza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Indenizar o que, com que e para qu&ecirc;? S&oacute; se indeniza o que &eacute;<br \/>\n    propriedade legal e o escravo &eacute; uma espolia&ccedil;&atilde;o praticada<br \/>\n    por algumas castas contra o Estado. <\/p>\n<p>Mas, dada a hip&oacute;tese de que essa propriedade exista, com que recurso<br \/>\n    hav&iacute;amos de indenizar os senhores? <\/p>\n<p>Resta-nos tamb&eacute;m saber para que se daria tal indeniza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    quando ela n&atilde;o pode corresponder sequer &agrave; quarta parte do valor<br \/>\n    de cada escravo indenizado? <\/p>\n<p>Indenizar &eacute; iludir, j&aacute; o demonstramos; por&eacute;m, voltaremos<br \/>\n    sobre o assunto, uma vez que n&atilde;o conseguimos ainda fazer sentir aos<br \/>\n    pol&iacute;ticos o grav&iacute;ssimo erro, que v&atilde;o mais uma vez cometer,<br \/>\n    principalmente ao persistir no fatal&iacute;ssimo sistema da lei de 28 de<br \/>\n    setembro. <\/p>\n<p>O patriotismo aconselhou ao sr. Afonso Celso uma declara&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    digna de seu merecimento: &eacute; que est&aacute; pronto a votar pelo projeto<br \/>\n    do Governo, porque v&ecirc; nele um meio de remediar os males do presente.\n  <\/p>\n<p>Pois bem, em nome desse mesmo patriotismo pedimos ao sr. Afonso Celso que<br \/>\n    se encarregue de estudar, fora dos interesses do partido, a quest&atilde;o<br \/>\n    servil. <\/p>\n<p>Estamos certos de que S. Ex.&ordf; chegar&aacute; conosco a esta conclus&atilde;o;<br \/>\n    tu do quanto h&aacute; a fazer &eacute; fazer com que a agricultura nacional<br \/>\n    entre no regime geral da ind&uacute;stria. <\/p>\n<p>Nada de leis de exce&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O pa&iacute;s deve &agrave; lavoura prote&ccedil;&atilde;o, mas esta n&atilde;o<br \/>\n    pode ser dada a pre&ccedil;o da liberdade de mais de um milh&atilde;o de indiv&iacute;duos<br \/>\n    e dos interesses da riqueza p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Sobretudo, o sr. Afonso Celso, como estadista, deve saber medir o tempo,<br \/>\n    e n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que a solu&ccedil;&atilde;o do problema<br \/>\n    servil tem atualmente prazo fixo. <\/p>\n<p>Fazer leis que tenham de ser rasgadas pela fatalidade da evolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &eacute; um trabalho ingl&oacute;rio. <\/p>\n<p>O grande congresso nacional dos filhos da mulher escrava est&aacute; convocado.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o queira o sr. Afonso Celso contribuir para que ele decrete leis<br \/>\n    cru&eacute;is. <\/p>\n<p>O parlamento pode hoje mandar pagar o fazendeiro, a civiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    considerar&aacute; esse dinheiro um empr&eacute;stimo, que ela cobrar&aacute;<br \/>\n    executivamente em 1889, &eacute;poca em que a escravid&atilde;o ser&aacute;,<br \/>\n    queiram ou n&atilde;o queiram, abolida. <\/p>\n<p>Que o parlamento coopere com a lavoura para garantir os capitais, como a<br \/>\n    propaganda cooperou com a escravid&atilde;o para garantir-lhe a reden&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p><b>21 mar. 1885<\/b><\/p>\n<h2>28-III-1885<\/h2>\n<p> &Eacute; para impressionar profundamente a modera&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m<br \/>\n    tido, estes &uacute;ltimos dias, os conservadores. <\/p>\n<p>Este procedimento destoa tanto do que eles tiveram no come&ccedil;o da sess&atilde;o,<br \/>\n    que necessariamente corresponde a algum plano secreto, e quem sabe se conchavo<br \/>\n    nas trevas, para empolgar de improviso o poder e mais uma vez ensang&uuml;entar<br \/>\n    o pa&iacute;s com alguma das suas costumadas rea&ccedil;&otilde;es monstruosas.\n  <\/p>\n<p>Todos os que estudam a hist&oacute;ria parlamentar deste pa&iacute;s sabem<br \/>\n    que o Partido Conservador chamou a si a resolu&ccedil;&atilde;o do problema<br \/>\n    servil. <\/p>\n<p>A hist&oacute;ria desse partido &eacute; a hist&oacute;ria da escravid&atilde;o,<br \/>\n    a partir de 1831. <\/p>\n<p>Foi ele quem escandalosa e criminosamente protegeu o tr&aacute;fico, j&aacute;<br \/>\n    proibido; foi ele quem n&atilde;o tendo conseguido anistia de direito concedeu-a<br \/>\n    de fato aos r&eacute;us de pirataria, aos traficantes apontados pela imprensa<br \/>\n    e pelas reclama&ccedil;&otilde;es da Inglaterra; &eacute; ele, finalmente,<br \/>\n    quem pela voz dos srs. Paulino de Sousa e Jo&atilde;o Alfredo ainda ousa vir<br \/>\n    falar em propriedade legal, depois do Projeto 133 do Senado, em 1837, e das<br \/>\n    vergonhosas revela&ccedil;&otilde;es de todos os Governos e dos parlamentares<br \/>\n    brasileiros, com rela&ccedil;&atilde;o aos abusos flagrantes, &agrave; viola&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    proposital da lei, que fechou os nossos portos &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de africanos. <\/p>\n<p>Est&aacute; na mem&oacute;ria p&uacute;blica a atitude dos sustentadores<br \/>\n    da propriedade escrava, durante as discuss&otilde;es da lei de 28 de setembro<br \/>\n    de 1871. <\/p>\n<p>Essa atitude, em tudo igual &agrave; que tiveram o sr. Vanderlei, hoje bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe o sr. Pereira da Silva e seus correligion&aacute;rios na ocasi&atilde;o<br \/>\n    em que Silva Guimar&atilde;es apresentou o seu projeto emancipador e pretendeu<br \/>\n    justific&aacute;-lo, n&atilde;o se conforma com o meio desprendimento que<br \/>\n    se nota na pujante e numerosa falange negra, disciplinada na C&acirc;mara<br \/>\n    pelo sr. Andrade Figueira. <\/p>\n<p>Essa toler&acirc;ncia relativa faz at&eacute; acreditar aos que julgam de<br \/>\n    leve haver da parte dos abolicionistas falta de t&aacute;tica pol&iacute;tica<br \/>\n    em n&atilde;o ir ao encontro dos chefes conservadores, para testemunhar-lhes<br \/>\n    a esperan&ccedil;a de que, n&atilde;o tendo compromissos pol&iacute;ticos,<br \/>\n    est&atilde;o prontos a con&#8230; (ileg&iacute;vel) deles como de qualquer outro,<br \/>\n    a sorte da propaganda e das medidas de extin&ccedil;&atilde;o do elemento<br \/>\n    servil. <\/p>\n<p>A nossa justifica&ccedil;&atilde;o &eacute; f&aacute;cil.<\/p>\n<p>Os conservadores insistem no direito de propriedade escrava, sem levar em<br \/>\n    linha de conta as decis&otilde;es do direito das gentes, a hist&oacute;ria<br \/>\n    da escravid&atilde;o no pa&iacute;s e as pr&oacute;prias declara&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de seus chefes. <\/p>\n<p>Em sess&atilde;o de 1&ordm; de setembro de 1854, na C&acirc;mara dos Deputados,<br \/>\n    sustentando o seu projeto acerca de transporte de escravos, disse o atual<br \/>\n    sr. bar&atilde;o de Cotegipe: <\/p>\n<p>&laquo;Ora, senhores, se isso d&aacute;-se na propriedade considerada em<br \/>\n    geral, o que acontecer&aacute; quando se tratar de uma propriedade que funda-se<br \/>\n    no abuso? (Apoiados.) A sociedade n&atilde;o ter&aacute; o direito de limitar<br \/>\n    esse abuso, de fazer com que ele seja menos prejudicial &agrave; mesma sociedade?<br \/>\n    (Apoiados.) Se n&oacute;s entend&ecirc;ssemos que dev&iacute;amos acabar a<br \/>\n    escravatura entre n&oacute;s, haveria algu&eacute;m que se nos viesse opor<br \/>\n    e a quisesse perpetuar, porque assim ferir&iacute;amos o direito de propriedade?<br \/>\n    (Muitos apoiados. Prosseguem os apartes.) Como, pois, entende-se que &eacute;<br \/>\n    inconstitucional fazer-se cessar o com&eacute;rcio de escravos de prov&iacute;ncia<br \/>\n    a prov&iacute;ncia? (Apartes.) <\/p>\n<p>Posso usar e abusar da minha propriedade, &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia<br \/>\n    dela -diz-me o ilustre deputado por Mato Grosso. <\/p>\n<p>O sr. VIRIATO: -Apoiado.<\/p>\n<p>O sr. VANDERLEI: -Podeis abusar, sim, da vossa propriedade em geral; mas,<br \/>\n    da propriedade sobre o homem n&atilde;o podeis abusar (muitos apoiados) se<br \/>\n    entenderdes que podeis abusar at&eacute; o ponto de destru&iacute;-la, esse<br \/>\n    abuso poder-vos-&aacute; levar at&eacute; a forca.&raquo; <\/p>\n<p>Tal era o modo de pensar do sr. bar&atilde;o de Cotegipe, h&aacute; trinta<br \/>\n    anos! <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; declarou terminantemente que essa propriedade infamante vinha<br \/>\n    do abuso e, no entanto, hoje, consente em que os seus correligion&aacute;rios<br \/>\n    a proclamem legal! E para n&atilde;o deixar d&uacute;vida sobre a sua convic&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de que a escravid&atilde;o &eacute; o abuso, palavra em que dissimulou uma<br \/>\n    outra -um crime, diz ainda S. Ex.&ordf; com rela&ccedil;&atilde;o ao tr&aacute;fico<br \/>\n    de escravos do Norte: <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; tudo, senhores, j&aacute; como conseq&uuml;&ecirc;ncia<br \/>\n    vai aparecendo no Norte uma outra especula&ccedil;&atilde;o, que &eacute;<br \/>\n    a de reduzir &agrave; escravid&atilde;o pessoa livre&#8230; <\/p>\n<p>&laquo;O sr. AGUIAR: -Apoiado; isto &eacute; que &eacute; lament&aacute;vel.\n  <\/p>\n<p>O sr. VANDERLEI: -Homens a quem est&atilde;o confiados desgra&ccedil;ados<br \/>\n    meninos de cor parda e preta t&ecirc;m-nos vendido; outros empregam viol&ecirc;ncia<br \/>\n    para roubar crian&ccedil;as e vend&ecirc;-las! Fatos destes t&ecirc;m sucedido<br \/>\n    mesmo na minha prov&iacute;ncia. <\/p>\n<p>O sr. SILVEIRA DA MOTA: -Em pra&ccedil;a p&uacute;blica faz-se isto em toda<br \/>\n    parte. <\/p>\n<p>O sr. VANDERLEI: -O qu&ecirc;? Reduzir &agrave; escravid&atilde;o pessoa<br \/>\n    livre? Pode-se considerar sem alcance moral o projeto que tende a acabar com<br \/>\n    semelhante imoralidade? <\/p>\n<p>O sr. SILVEIRA DA MOTA: -N&atilde;o acaba tal, h&aacute; de haver sempre<br \/>\n    leil&atilde;o de escravos. <\/p>\n<p>O sr. VANDERLEI: -O ilustre deputado n&atilde;o atendeu: estou dizendo que<br \/>\n    essa ind&uacute;stria, essa nova especula&ccedil;&atilde;o, essa nova trafic&acirc;ncia<br \/>\n    de carne humana (apoiados) que anda explorando todas as vilas, todo o centro<br \/>\n    das prov&iacute;ncias para comprar homens e transport&aacute;-los para os<br \/>\n    novos valongos da corte, tem trazido mais uma outra imoralidade que &eacute;<br \/>\n    a tend&ecirc;ncia de reduzir &agrave; escravid&atilde;o pessoas livres.&raquo;\n  <\/p>\n<p>Assim, pois, essa propriedade legal n&atilde;o proveio s&oacute; dos antigos<br \/>\n    Valongos, apenas desconhecidos pelo dr. Paulino de Sousa, pai; proveio de<br \/>\n    novos Valongos criados para mercado de crian&ccedil;as livres roubadas a pais<br \/>\n    brasileiros! <\/p>\n<p>Legalidade passa a ser em nossa legisla&ccedil;&atilde;o sin&ocirc;nimo de<br \/>\n    imoralidade triunfante, de pirataria impune. O parlamento que a reconhece,<br \/>\n    que a decreta, n&atilde;o sai do art. 13 da Constitui&ccedil;&atilde;o mas<br \/>\n    do art. 179 do C&oacute;digo Criminal. <\/p>\n<p>Entretanto, &eacute; a esse direito de propriedade que se apegam os correligion&aacute;rios<br \/>\n    do ilustre estadista brasileiro, que por sua vez consente que os deputados,<br \/>\n    que dependem imediatamente da sua influ&ecirc;ncia provincial, votem e discutam,<br \/>\n    sob a dire&ccedil;&atilde;o do sr. Andrade Figueira, que legaliza a pirataria<br \/>\n    at&eacute; nas &aacute;guas lustrais do batismo. <\/p>\n<p>Para apoiar a opini&atilde;o do sr. bar&atilde;o de Cotegipe, quanto &agrave;<br \/>\n    legalidade da escravid&atilde;o, quantas outras no seu partido, sobrelevando-as<br \/>\n    principalmente a de Eus&eacute;bio de Queir&oacute;s, que mais de perto estudou<br \/>\n    a hist&oacute;ria da trafic&acirc;ncia de carne humana! <\/p>\n<p>O marqu&ecirc;s de S. Vicente, o benem&eacute;rito abolicionista, sobre cujo<br \/>\n    t&uacute;mulo t&ecirc;m sido regateadas as coroas que lhe devem os correligion&aacute;rios,<br \/>\n    como justa homenagem &agrave; sua mem&oacute;ria, entendia deste modo a propriedade<br \/>\n    escrava, sob o ponto de vista da sua legalidade. <\/p>\n<p>&laquo;Em mat&eacute;ria de propriedade puramente legal, em mat&eacute;ria<br \/>\n    de institui&ccedil;&atilde;o excepcional vigora o princ&iacute;pio que -quem<br \/>\n    adquire tal g&ecirc;nero de propriedade, quem entende tirar proveito da exce&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    o faz a seu risco e perigo, por isso que sabe que tal estado de cousas deve<br \/>\n    ser abolido algum dia. Demais &eacute; princ&iacute;pio que quem coloca assim<br \/>\n    sua fortuna entende achar nos benef&iacute;cios de tal emprego a compensa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    das eventualidades a que se exp&otilde;e, a amortiza&ccedil;&atilde;o do capital<br \/>\n    arriscado. O princ&iacute;pio contr&aacute;rio obrigaria o Estado a indenizar<br \/>\n    a aboli&ccedil;&atilde;o de todo e qualquer privil&eacute;gio.&raquo; <\/p>\n<p>Esta opini&atilde;o da comiss&atilde;o francesa por ele perfilhada, sustentou-a<br \/>\n    brilhantemente, para apoiar o mesmo sr. Jo&atilde;o Alfredo que, hoje, seria<br \/>\n    capaz de fazer oposi&ccedil;&atilde;o ao imortal jurisconsulto brasileiro.\n  <\/p>\n<p>Posta nestes termos a quest&atilde;o da legalidade da escravid&atilde;o,<br \/>\n    n&atilde;o se pode admitir boa-f&eacute; da parte dos seus sustentadores e<br \/>\n    n&atilde;o se compreende a pertin&aacute;cia na sustenta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    comparada &agrave; atitude descomunalmente moderada dos conservadores. <\/p>\n<p>Haver&aacute; na nossa hist&oacute;ria parlamentar algum fato semelhante?\n  <\/p>\n<p>Felizmente.<\/p>\n<p>Em 1848, o Partido Liberal iniciou a discuss&atilde;o da lei para reprimir<br \/>\n    o tr&aacute;fico. <\/p>\n<p>Dispensamo-nos dos qualificativos que conv&ecirc;m ao modo como procedeu,<br \/>\n    porque &eacute; sabido que os liberais no Governo s&atilde;o de uma contradi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dolorosa com as suas teorias. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio exumou timidamente dos arquivos da C&acirc;mara o cad&aacute;ver<br \/>\n    moral da legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, conhecido pelo nome de projeto<br \/>\n    n&ordm; 133, de 1837, do Senado, e pretendeu galvaniz&aacute;-lo pela discuss&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Parecia que o Partido Conservador estava deliberado a sustentar o Gabinete<br \/>\n    nesta iniciativa. <\/p>\n<p>Pois bem, de s&uacute;bito, apareceram complica&ccedil;&otilde;es, dentro<br \/>\n    e fora do parlamento. <\/p>\n<p>Os dias 6,7 e 8 de setembro de 1848 assinalaram-se por dist&uacute;rbios,<br \/>\n    sendo o gabinete acusado de coniv&ecirc;ncia com os desordeiros. <\/p>\n<p>O elemento portugu&ecirc;s foi explorado habilmente contra o Governo, do<br \/>\n    mesmo modo que presentemente o exploram para formar caixas eleitorais. <\/p>\n<p>Finalmente, em 29 de setembro, subiu o minist&eacute;rio miguelista, como<br \/>\n    o apelidaram, isto dois dias depois da sess&atilde;o secreta, em que se discutiu<br \/>\n    e se rejeitou o ignominioso art. 13, que anistiava os piratas. <\/p>\n<p>A tram&oacute;ia de ent&atilde;o foi organizada de modo t&atilde;o precipitado,<br \/>\n    que nem se p&ocirc;de guardar a tal ou qual compostura hist&oacute;rica da<br \/>\n    alian&ccedil;a velha dos conservadores com os traficantes de escravos. <\/p>\n<p>Nunes Machado assim a denunciava: &laquo;Se n&atilde;o conseguimos discutir<br \/>\n    &agrave;s claras a lei dos caixeiros nacionais e com&eacute;rcio a retalho,<br \/>\n    como discutiremos esta que ainda &eacute; mais importante?&raquo; <\/p>\n<p>Repetimos: a atitude dos conservadores &eacute; para inspirar receio. Depois<br \/>\n    do debate abolicionista de 1848, seguiu-se a rea&ccedil;&atilde;o a mais desenfreada.\n  <\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o miguelista, que principiou por um minist&eacute;rio<br \/>\n    que nem se apresentou &agrave; C&acirc;mara dos Deputados, acabou pelo derramamento<br \/>\n    de sangue em Pernambuco; pelos tremendos dias de terror, que se seguiram ao<br \/>\n    novo triunfo esmagador da fac&ccedil;&atilde;o &aacute;ulica. <\/p>\n<p>Preparemo-nos, pois.<\/p>\n<p>Os abolicionistas n&atilde;o devem consentir em que mais uma vez se iluda<br \/>\n    a na&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O que os conservadores querem &eacute; a perpetuidade da pirataria. <\/p>\n<p>O poder para adiar a solu&ccedil;&atilde;o de problema servil &eacute; o<br \/>\n    agravamento da nossa situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria, que, empobrecendo<br \/>\n    cada vez mais a na&ccedil;&atilde;o, arrasta a agricultura a uma crise fatal.\n  <\/p>\n<p>Dentro da lei 28 de setembro s&oacute; h&aacute; o ing&ecirc;nuo, o fundo<br \/>\n    de emancipa&ccedil;&atilde;o e a morte. <\/p>\n<p>O ing&ecirc;nuo foi perfeitamente definido pelo visconde de Itabora&iacute;<br \/>\n    nestes termos: <\/p>\n<p>&laquo;Mas, &eacute; com efeito poss&iacute;vel que os ing&ecirc;nuos possam<br \/>\n    ser constrangidos a servir do mesmo modo que os escravos? Senhores, n&atilde;o<br \/>\n    concebo que se possa obrigar um homem a trabalhar para outro sen&atilde;o<br \/>\n    por duas maneiras: ou pagando-se-lhe uma remunera&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o<br \/>\n    que presta, ou mantendo-o na escravid&atilde;o. Se declarais livre um indiv&iacute;duo,<br \/>\n    se ele tem consci&ecirc;ncia de que &eacute; livre, como podeis obrig&aacute;-lo<br \/>\n    a trabalhar para outrem, a n&atilde;o mudar de um para outro amo, a n&atilde;o<br \/>\n    deslocar-se do estabelecimento em que nasceu? N&atilde;o acredito que possais<br \/>\n    realizar esse intento. <\/p>\n<p>Agravar&iacute;eis assim a condi&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o, declarareis<br \/>\n    livre um homem, mas a liberdade seria uma ilus&atilde;o, a realidade seria<br \/>\n    o cativeiro! Esse homem que declarais livre, mas que constantemente sente<br \/>\n    que na realidade &eacute; escravo, ter&aacute; de sofrer, al&eacute;m dos<br \/>\n    efeitos da escravid&atilde;o, os da luta cont&iacute;nua que se h&aacute;<br \/>\n    de travar em seu cora&ccedil;&atilde;o, entre a consci&ecirc;ncia de que &eacute;<br \/>\n    livre e a realidade do cativeiro. <\/p>\n<p>Esta luta &eacute; um novo tormento que ides criar para os vossos ing&ecirc;nuos;<br \/>\n    embora digais que eles ficam sujeitos &agrave;s mesmas condi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de escravos, nem por isso haveis de conseguir que eles queiram de boa vontade<br \/>\n    trabalhar para os senhores de suas m&atilde;es. (Apoiados.) <\/p>\n<p>O escravo at&eacute; hoje, sr. presidente, acreditava que nasceu para servir<br \/>\n    a seu senhor; sem aspira&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade, resignava-se<br \/>\n    &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o; seus filhos nascer&atilde;o livres, ter&atilde;o<br \/>\n    consci&ecirc;ncia de que o s&atilde;o; n&atilde;o poder&atilde;o, pois, amoldar-se<br \/>\n    a servir ao senhor de sua m&atilde;e; n&atilde;o haver&aacute; for&ccedil;a<br \/>\n    que os obrigue a trabalhar por conta alheia, sem receber a menor remunera&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    V&oacute;s n&atilde;o podeis obrig&aacute;-los a viver nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    que os escravos; ser&aacute; isto motivo de cont&iacute;nuas agita&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    de cont&iacute;nuos perigos, de cont&iacute;nuas tramas entre eles e os escravos,<br \/>\n    para se libertarem da escravid&atilde;o.&raquo; <\/p>\n<p>Eis o que &eacute; o ing&ecirc;nuo, na autorizada opini&atilde;o de um dos<br \/>\n    papas do esclavagismo. <\/p>\n<p>Quanto ao fundo de emancipa&ccedil;&atilde;o, todos sabem que &eacute; ele<br \/>\n    uma esp&eacute;cie de morte de est&oacute;ico; sangria em banho morno a esgotar<br \/>\n    lentamente e sem dor a vida do suicida. <\/p>\n<p>Apelar para o fundo de emancipa&ccedil;&atilde;o &eacute; o mesmo que recorrer<br \/>\n    ao deserto para manter a produ&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Quanto &agrave; morte, ela s&oacute; tem uma vantagem, a de ser parlamentarmente<br \/>\n    invocada como solu&ccedil;&atilde;o de um problema que &eacute; a honra de<br \/>\n    uma na&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Preparemo-nos, pois, com os olhos fitos na hist&oacute;ria do pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>Se os conservadores t&ecirc;m, como em 1848, quem os ap&oacute;ie para levar<br \/>\n    a efeito uma conspira&ccedil;&atilde;o antipatri&oacute;tica, fiquem desde<br \/>\n    j&aacute; sabendo, eles e seus auxiliares, que h&atilde;o de pelo menos ter<br \/>\n    mais uma vez o trabalho de fazer de cad&aacute;veres de brasileiros, que valem<br \/>\n    mais que eles, a escada ensang&uuml;entada do poder. <\/p>\n<p><b>28 mar. 1885<\/b><\/p>\n<h2>11-IV-1885<\/h2>\n<p> Enquanto, no Senado, a alma nacional se expandia na sua eterna poesia e<br \/>\n    intrepidez c&iacute;vica, tomando o som das vozes de Jos&eacute; Bonif&aacute;cio<br \/>\n    e Silveira Martins; o Partido Conservador na C&acirc;mara tempor&aacute;ria<br \/>\n    procurava rebaixar a institui&ccedil;&atilde;o parlamentar, convertendo-a<br \/>\n    em praia deserta, onde se refugiam piratas acossados. <\/p>\n<p>Por maior que seja o nosso empenho em conservar a calma do vencedor, &eacute;<br \/>\n    imposs&iacute;vel consentir por mais tempo na desmoraliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    sistem&aacute;tica da maior das nossas institui&ccedil;&otilde;es, porque<br \/>\n    &eacute; ela a melhor das afirma&ccedil;&otilde;es da vit&oacute;ria da democracia<br \/>\n    universal; o ramo parlamentar de livre escolha do povo. <\/p>\n<p>Os conservadores acostumaram-se a desdenhar da for&ccedil;a da opini&atilde;o,<br \/>\n    porque h&aacute; 62 anos a trazem presa ao leito de Procusto da oligarquia<br \/>\n    e da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Como os velhos fidalgos corruptos da Fran&ccedil;a, que foram acordados pelo<br \/>\n    carrasco, porque faziam ouvidos moucos ao estrondear da revolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    nas assembl&eacute;ias do povo; os fidalgos, enobrecidos pelo dinheiro do<br \/>\n    tr&aacute;fico humano ensurdecem tamb&eacute;m aos avisos reiterados da imprensa<br \/>\n    e da tribuna popular e querem ser arrastados pela torrente impetuosa da fatalidade<br \/>\n    hist&oacute;rica, que, finalmente, rompeu a represa feita com as ossadas de<br \/>\n    muitas gera&ccedil;&otilde;es escravas. <\/p>\n<p>D&oacute;i-nos profundamente antever as conseq&uuml;&ecirc;ncias da nova<br \/>\n    fase, que vai atravessar a solu&ccedil;&atilde;o do problema servil. <\/p>\n<p>Temos procurado por todos os meios dar arras do nosso patriotismo, os demorados<br \/>\n    e dolorosos dias da propaganda abolicionista. <\/p>\n<p>Vencendo todas as resist&ecirc;ncias do poder, hav&iacute;amos conseguido<br \/>\n    agitar a consci&ecirc;ncia nacional at&eacute; as suas &uacute;ltimas profundezas,<br \/>\n    abalar at&eacute; os seus fundamentos o velho edif&iacute;cio da escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que provoc&aacute;vamos no esp&iacute;rito p&uacute;blico<br \/>\n    um fen&ocirc;meno de luz, semelhante a uma chuva de meteoros, o das emancipa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    por todos os motivos, junto aos ber&ccedil;os, como junto aos t&uacute;mulos,<br \/>\n    por que se engrinaldavam noivas, ou se quebravam t&aacute;lamos conjugais;<br \/>\n    emancipa&ccedil;&otilde;es que se foram grupando, como estrelas em constela&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    como constela&ccedil;&otilde;es em nebulosas, e formaram as fazendas, os munic&iacute;pios,<br \/>\n    as prov&iacute;ncias livres; ao mesmo tempo, dissemos, provoc&aacute;vamos<br \/>\n    a baixa do pre&ccedil;o do homem-cousa em todos os mercados, tranc&aacute;vamos<br \/>\n    os portos de exporta&ccedil;&atilde;o e importa&ccedil;&atilde;o; lev&aacute;vamos<br \/>\n    o terror aos propriet&aacute;rios de almas alheias, e provoc&aacute;vamos<br \/>\n    essa organiza&ccedil;&atilde;o miseranda do p&acirc;nico, feita com o rebutalho<br \/>\n    da nossa e das na&ccedil;&otilde;es estrangeiras, conhecida pelo nome de clubes<br \/>\n    de lavoura. <\/p>\n<p>A onda da aboli&ccedil;&atilde;o crescia diluvialmente, amea&ccedil;ando<br \/>\n    tudo, prestes a engolir a senzala e o trono. <\/p>\n<p>Pintamo-la j&aacute; uma vez com a majestade do estilo de Edgard Quinet,<br \/>\n    no seu Ashaverus, arfando pesadamente, a balou&ccedil;ar cad&aacute;veres<br \/>\n    e a abater com eles a porta do &uacute;ltimo ref&uacute;gio do rei, que a<br \/>\n    pretende acalmar, com os despejos de sua grandeza e que a v&ecirc; subir zombeteiramente,<br \/>\n    sorrindo ao desfazer-se da espuma, at&eacute; que o devora silenciosa e lentamente<br \/>\n    como incomensur&aacute;vel boa esfaimada. <\/p>\n<p>E diz&iacute;amos verdade, porque cit&aacute;vamos os fatos.<\/p>\n<p>As expuls&otilde;es de magistrados, &agrave;s pris&otilde;es de abolicionistas,<br \/>\n    &agrave;s execu&ccedil;&otilde;es de Lynch respondiam as prov&iacute;ncias<br \/>\n    organizando clubes de propaganda abolicionista, que se avolumavam miraculosamente.\n  <\/p>\n<p>Em poucos anos, mo&ccedil;os desconhecidos viam os seus nomes cobertos de<br \/>\n    louros e de lama em toda a extens&atilde;o do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>&Eacute; que no meio do tumultu&aacute;rio combate, amigos e inimigos sabiam<br \/>\n    a quem deviam obedecer e atacar. Os chefes deste vertiginoso movimento, como<br \/>\n    os chefes gauleses, eram eleitos pelo sufr&aacute;gio espont&acirc;neo dos<br \/>\n    companheiros no campo do combate. <\/p>\n<p>Pois bem, quando a vaidade ou a presun&ccedil;&atilde;o nos podia cegar,<br \/>\n    quando poder&iacute;amos, ao menos como Tib&eacute;rio Graco, ser acusados<br \/>\n    de ter levado inconscientemente a m&atilde;o &agrave; cabe&ccedil;a, retiramo-nos,<br \/>\n    sem discutir, da alta posi&ccedil;&atilde;o conquistada pelo nosso esfor&ccedil;o<br \/>\n    e pelo nosso sacrif&iacute;cio, e demos o lugar ao Governo, que se propunha<br \/>\n    a fazer pelo debate do parlamento o que n&oacute;s faz&iacute;amos pelas expans&otilde;es<br \/>\n    do cora&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Desde este dia, todo o nosso empenho foi arrefecer o ardor natural dos nossos<br \/>\n    companheiros, porque prefer&iacute;amos a gl&oacute;ria de vencer por nossas<br \/>\n    m&atilde;os &agrave; de aplaudir aqueles que iam fazer florescer os nossos<br \/>\n    sacrif&iacute;cios. <\/p>\n<p>Dez meses s&atilde;o passados. Durante eles temos tido, em vez de apre&ccedil;o,<br \/>\n    injusti&ccedil;a. <\/p>\n<p>Os conservadores, que nada fazem sem o imperador, que s&atilde;o um produto<br \/>\n    da institui&ccedil;&atilde;o an&ocirc;mala, que desequilibra a pol&iacute;tica<br \/>\n    sul-americana, disseram que a propaganda abolicionista era obra do seu amo.\n  <\/p>\n<p>Trist&iacute;ssimo espet&aacute;culo o do presente: uma rebeli&atilde;o de<br \/>\n    lacaios atacando o amo com os ossos do banquete. <\/p>\n<p>Est&aacute; na consci&ecirc;ncia deles que o imperador &eacute; a &uacute;nica<br \/>\n    pessoa viva neste pa&iacute;s, vasto cemit&eacute;rio formado pela epidemia<br \/>\n    da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Vencer o imperador, pensam eles, &eacute; vencer a aboli&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>E organizaram-se para o combate.<\/p>\n<p>Quem estuda os anais do parlamento encontra nas suas p&aacute;ginas cont&iacute;nuas<br \/>\n    recrimina&ccedil;&otilde;es dos partidos, a respeito da coniv&ecirc;ncia com<br \/>\n    os traficantes de homens. <\/p>\n<p>Nenhum se julga com for&ccedil;a para atirar ao outro a primeira pedra, tanto<br \/>\n    lhes remorde a certeza do adult&eacute;rio com a pirataria. <\/p>\n<p>Nada mais natural do que, ainda no momento em que o Partido Liberal quer<br \/>\n    lavar-se nas &aacute;guas lustrais da reden&ccedil;&atilde;o, desertar das<br \/>\n    suas fileiras um grupo para o esclavagismo. <\/p>\n<p>&Eacute; com esse grupo que os conservadores contam. E ele o contingente<br \/>\n    para a linha negra do acampamento. <\/p>\n<p>Est&aacute; a seu cargo derribar o Minist&eacute;rio 6 de Junho. <\/p>\n<p>Mas a vida deste Minist&eacute;rio j&aacute; custou uma dissolu&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Eis a suprema dificuldade para o imperador.<\/p>\n<p>Abandonar o Minist&eacute;rio na derrota, &eacute; sacrificar em parte a<br \/>\n    autonomia do Poder Moderador, porque o minist&eacute;rio cai pela id&eacute;ia<br \/>\n    que o imperador julgou bastante forte para justificar a condena&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da legislatura passada. <\/p>\n<p>Conserv&aacute;-lo, e dissolver de novo a C&acirc;mara, &eacute; comparecer<br \/>\n    diante dos mesmos elementos eleitorais, do mesmo tribunal que preferiu a anarquia<br \/>\n    atual &agrave; regulariza&ccedil;&atilde;o dos movimentos legais para decreta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de uma medida universalmente reclamada. <\/p>\n<p>Que far&aacute; o imperador?<\/p>\n<p>Mudar&aacute; o minist&eacute;rio, mudar&aacute; a situa&ccedil;&atilde;o?<br \/>\n    Conservar-se-&aacute; rei de escravos ou preferir&aacute; ser cidad&atilde;o<br \/>\n    com as suas id&eacute;ias? <\/p>\n<p>Sacrificar&aacute; o trono ou a humanidade? Preferir&aacute; as homenagens<br \/>\n    dos trintan&aacute;rios do poder, ou as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os de mais<br \/>\n    de um milh&atilde;o de desgra&ccedil;ados, entremeadas pelos aplausos do mundo<br \/>\n    civilizado? <\/p>\n<p>Ter&aacute; for&ccedil;as para tirar as conseq&uuml;&ecirc;ncias l&oacute;gicas<br \/>\n    do seu ato de dissolu&ccedil;&atilde;o, contraposto ao da resist&ecirc;ncia<br \/>\n    da nova C&acirc;mara? <\/p>\n<p>Que enxurro de mis&eacute;ria vem do encanamento negro da escravid&atilde;o!\n  <\/p>\n<p>Essa dissid&ecirc;ncia que vai derrotar o Minist&eacute;rio Dantas apoiar&aacute;<br \/>\n    um novo minist&eacute;rio com as mesmas id&eacute;ias? <\/p>\n<p>O imperador que apoiou o sr. Dantas, negando indeniza&ccedil;&atilde;o pelos<br \/>\n    negros de 60 anos, se prestar&aacute; tamb&eacute;m a apoiar a pol&iacute;tica<br \/>\n    da indeniza&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p>Que papel ficar&aacute; fazendo este pa&iacute;s, se consentir em qualquer<br \/>\n    das duas hip&oacute;teses? <\/p>\n<p>N&atilde;o reconhecer&aacute; ele finalmente que tem sido governado por uma<br \/>\n    fac&ccedil;&atilde;o, assalariada pelo Tesouro e decidida a tudo empenhar<br \/>\n    para garantir o sal&aacute;rio? <\/p>\n<p>Deixamos a&iacute; de p&eacute; esta s&eacute;rie de interroga&ccedil;&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>A l&oacute;gica da Hist&oacute;ria faz destas emboscadas.<\/p>\n<p>Quem transigir com a pirataria a&iacute; est&aacute; a conseq&uuml;&ecirc;ncia.\n  <\/p>\n<p>O direito natural diz: ningu&eacute;m pode reduzir a cousa pessoa humana.\n  <\/p>\n<p>A religi&atilde;o diz: &eacute; inviol&aacute;vel na sua liberdade a imagem<br \/>\n    de Deus sobre a Terra. <\/p>\n<p>A lei diz: eu tranquei os mares d&#8217;Africa pela conven&ccedil;&atilde;o de<br \/>\n    26 e pela lei de 31 e vi-me obrigada a fazer novas leis em 1850 e 1854 para<br \/>\n    reprimir o que eu havia proibido. <\/p>\n<p>A estat&iacute;stica diz: eu vi entrar 536.000 homens neste pa&iacute;s e<br \/>\n    sei que eles foram reduzidos &agrave; escravid&atilde;o, de 1830 a 1856, porque<br \/>\n    destes s&oacute; consegui libertar 1.027, em 1864. <\/p>\n<p>E acrescenta: sei que eles s&atilde;o a fonte da escravid&atilde;o atual,<br \/>\n    porque at&eacute; 1827 n&atilde;o se tratava da cria&ccedil;&atilde;o de crioulos.\n  <\/p>\n<p>A conseq&uuml;&ecirc;ncia de todas estas declara&ccedil;&otilde;es era uma<br \/>\n    lei com um s&oacute; artigo: <\/p>\n<p>Fica abolida, nesta data, a escravid&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p>Por eq&uuml;idade se poderia, quando muito, proceder como se procedeu com<br \/>\n    a emancipa&ccedil;&atilde;o dos africanos livres, marcar um prazo para a organiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da economia rural. <\/p>\n<p>Mas n&atilde;o.<\/p>\n<p>O imperador quis aceitar a cumplicidade dos governos coniventes com a pirataria.\n  <\/p>\n<p>Pede os moribundos para a liberdade e deixa os v&aacute;lidos para a escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>A conseq&uuml;&ecirc;ncia &eacute; a desordem governamental que a&iacute;<br \/>\n    lavra e contra a qual o rem&eacute;dio n&atilde;o pode deixar de ser a humilha&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de Sua Majestade. <\/p>\n<p>Quanto a n&oacute;s, que n&atilde;o fomos pedir no pa&ccedil;o de Sua Majestade<br \/>\n    a senha e o santo da aboli&ccedil;&atilde;o, continuaremos no nosso caminho.\n  <\/p>\n<p>Sem poder contar com o patriotismo do parlamento, apelamos para o direito<br \/>\n    natural e para a lei, que fulminou a pirataria. <\/p>\n<p>Procederemos de hoje em diante em nome de Deus e da lei de 1831. <\/p>\n<p>Fecham-nos as portas do parlamento; abrimos a da Hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>O dia das ex&eacute;quias do Gabinete 6 de Junho &eacute; o da h&eacute;gira<br \/>\n    da propaganda abolicionista. <\/p>\n<p><b>11 abr. 1885<\/b><\/p>\n<h2>27-VI-1885<\/h2>\n<p> O sr. Afonso Pena deve estar muito contente com a sua sorte.<\/p>\n<p>Depois da sua ascens&atilde;o ao poder, depois que empunhou a espada com<br \/>\n    que pretende pertransir a hidra do abolicionismo, o j&uacute;ri j&aacute;<br \/>\n    absolveu uma turma de linchadores, as cadeias j&aacute; se abriram para encarcerar<br \/>\n    v&aacute;rios abolicionistas e o povos rurais j&aacute; se t&ecirc;m manifestado<br \/>\n    em sua prov&iacute;ncia, quer felicitando ao gabinete, quer esquartejando<br \/>\n    pretos rebeldes e espancando barbaramente estrangeiros humanit&aacute;rios.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o pode ser mais r&oacute;seo o horizonte do esclavagismo. A vermelhid&atilde;o<br \/>\n    do assassinato a foi&ccedil;adas e facadas pinta a desejada aurora da gl&oacute;ria<br \/>\n    do minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>O carrasco Sim&atilde;o, vendo sangrar a face de Maria Antonieta, n&atilde;o<br \/>\n    teve com certeza maior prazer do que o sr. Afonso Pena diante dos fatos do<br \/>\n    Rio Bonito, Campos e Mar de Espanha, bofetada tremenda dada na face da propaganda<br \/>\n    abolicionista. <\/p>\n<p>Para que o prazer seja completo, S. Ex.&ordf; acaba de autorizar a cria&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da pol&iacute;cia noturna, com o direito de armar-se, o que equivale e dar<br \/>\n    ao sr. Ramalho Ortig&atilde;o meios para trazer sob sua guarda a vida dos<br \/>\n    abolicionistas e dos brasileiros audazes que n&atilde;o reconhecem a sua realeza.\n  <\/p>\n<p>Dentro em pouco principiar&atilde;o os linchamentos na pr&oacute;pria capital<br \/>\n    do Imp&eacute;rio, com autoriza&ccedil;&atilde;o t&aacute;cita do Governo.\n  <\/p>\n<p>Era de presumir o que se est&aacute; passando.<\/p>\n<p>Edgard Poe, em um dos seus contos sedutores, descreveu perfeitamente o car&aacute;ter<br \/>\n    dos an&otilde;es, e desenhou com uma seguran&ccedil;a admir&aacute;vel a ferocidade<br \/>\n    dos seus sentimentos de vingan&ccedil;a. <\/p>\n<p>&Eacute; o caso que um an&atilde;o ofendido planeja vingar-se do rei, em<br \/>\n    cuja corte fazia o papel de bobo. <\/p>\n<p>Ora, certo dia o rei desfeiteou-o, batendo na an&atilde;zinha, que ele -o<br \/>\n    an&atilde;o- amava. <\/p>\n<p>Aproximando-se o carnaval, o rei, que costumava pedir aos membros da sua<br \/>\n    corte os figurinos das fantasias, preferiu o que lhe apresentou o an&atilde;o:<br \/>\n    um vestu&aacute;rio imitando o orangotango. <\/p>\n<p>Chegada a noite do carnaval, o rei prontificou-se a vestir a roupa extravagante,<br \/>\n    feita de pano pintado de alcatr&atilde;o e induzido em aguarr&aacute;s. <\/p>\n<p>&Agrave; meia-noite, em ponto, Sua Majestade se exibiria, com os maiorais<br \/>\n    da corte, todos vestidos do mesmo modo. <\/p>\n<p>Do grande sal&atilde;o de baile foi retirado o lustre central, ficando em<br \/>\n    seu lugar uma forte haste de ferro, pela qual o rei e a sua comitiva de orangos<br \/>\n    deviam marinhar, enquanto embaixo o an&atilde;o, com uma esponja embebida<br \/>\n    em esp&iacute;rito de vinho inflamado, fingiria querer queim&aacute;-los.\n  <\/p>\n<p>A haste f&eacute;rrea distava do assoalho de uma altura imensa, de modo que<br \/>\n    uma queda atordoaria. <\/p>\n<p>Para chegar at&eacute; a haste, o rei e os seus companheiros servir-se-iam<br \/>\n    de uma escada. <\/p>\n<p>&Agrave; hora aprazada, o grupo dos orangos irrompeu no grande sal&atilde;o<br \/>\n    do baile, enchendo-o de uma confus&atilde;o jovial e no meio dela trepou pela<br \/>\n    escada, fazendo momos e trejeitos simianos; e marinhou a haste, acompanhado<br \/>\n    pelas gargalhadas dos convidados da festa. <\/p>\n<p>O an&atilde;o fez retirar a escada e come&ccedil;ou logo a sorte da esponja<br \/>\n    inflamada. Os orangos se aconchegavam, gritavam, assobiavam, co&ccedil;avam-se,<br \/>\n    provocando hilaridade geral. <\/p>\n<p>Mas, de s&uacute;bito, a alegria estancou. Um espet&aacute;culo horr&iacute;vel<br \/>\n    se desdobrou diante da multid&atilde;o tomada de p&acirc;nico. A chama da<br \/>\n    esponja inflamada comunicou-se &agrave;s roupas dos foli&otilde;es, e, como<br \/>\n    por encanto, os envolveu em uma t&uacute;nica de chamas. <\/p>\n<p>Os desgra&ccedil;ados despenharam-se, dando gritos lancinantes e batendo<br \/>\n    em cheio no assoalho, estorciam-se, enquanto a sala se esvaziava tumultuariamente.\n  <\/p>\n<p>No dia seguinte, o grande pal&aacute;cio se tinha convertido, parte em um<br \/>\n    feixe de labaredas, parte em vasto brasido e cinzeiro. <\/p>\n<p>O imperador esqueceu-se de que, em hora de mau humor, esbofeou a pirataria,<br \/>\n    a esposa pol&iacute;tica do sr. Afonso Pena, o rancoroso an&atilde;o da sua<br \/>\n    corte. <\/p>\n<p>No entanto, Sua Majestade lembrou-se de confiar a S. Ex.&ordf; o figurino<br \/>\n    das fantasias do &uacute;ltimo carnaval pol&iacute;tico do seu reinado. <\/p>\n<p>A vestimenta &agrave; orangotango j&aacute; est&aacute; cortada; o pano &eacute;<br \/>\n    tamb&eacute;m inflam&aacute;vel como o do conto de Edgard Poe. <\/p>\n<p>O alcatr&atilde;o do tr&aacute;fico escorre de todos os artigos do Projeto<br \/>\n    12 de Maio, a terebintina fatal est&aacute; na disposi&ccedil;&atilde;o monstruosa<br \/>\n    que extingue o arbitramento, aumenta ao esclavagismo as regalias que lhe d&atilde;o<br \/>\n    o c&oacute;digo e a lei de 1835. <\/p>\n<p>O pano &eacute; tecido com as id&eacute;ias retr&oacute;gradas com esses<br \/>\n    preconceitos b&aacute;rbaros, que nos criaram uma singular posi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    t&atilde;o humilhante quanto not&aacute;vel, no meio da humanidade livre,<br \/>\n    e que nos diferencia dela como o &uacute;nico pa&iacute;s crist&atilde;o,<br \/>\n    onde ainda impera a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>A esponja inflam&aacute;vel j&aacute; labareda na destra do an&atilde;o da<br \/>\n    justi&ccedil;a. &Eacute; esse orgulho, t&atilde;o vasto quanto irritante,<br \/>\n    que o faz supor maior que duas prov&iacute;ncias livres dezenas de munic&iacute;pios<br \/>\n    tamb&eacute;m livres, o voto de v&aacute;rios distritos eleitorais, a opini&atilde;o<br \/>\n    dos maiores homens e da maioria da imprensa do pa&iacute;s, e finalmente o<br \/>\n    veredicto un&acirc;nime da civiliza&ccedil;&atilde;o, que em j&uacute;ri solen&iacute;ssimo<br \/>\n    sentenciou a escravid&atilde;o &agrave; pena &uacute;ltima. <\/p>\n<p>Ainda uma vez queremos avisar o imperador e dizer-lhe que Sua Majestade deve<br \/>\n    entristecer-se na propor&ccedil;&atilde;o da alegria do sr. Pena. <\/p>\n<p>&Eacute; fato, hoje, sabido por todos, que o imperador n&atilde;o apresenta<br \/>\n    a menor obje&ccedil;&atilde;o ao minist&eacute;rio, sejam quais forem as medidas<br \/>\n    propostas. <\/p>\n<p>O sr. Afonso Pena tem tanta liberdade para autorizar a cria&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de uma pol&iacute;cia noturna do sr. Ramalho Ortig&atilde;o, como para decretar<br \/>\n    a cria&ccedil;&atilde;o de um corpo de carrascos. <\/p>\n<p>A not&iacute;cia n&atilde;o merece a Sua Majestade o menor amuo sequer. <\/p>\n<p>Dizem que &eacute; prop&oacute;sito seu deixar, dentro em um ano, a coroa<br \/>\n    &agrave; herdeira presuntiva, principalmente se continuar a ter governos do<br \/>\n    quilate do que atualmente o aborrece de modo a n&atilde;o lhe ser poss&iacute;vel<br \/>\n    dissimular. <\/p>\n<p>Nos seus &uacute;ltimos momentos de reinado, Sua Majestade resolvera fazer<br \/>\n    uma derradeira experi&ecirc;ncia para ver se o povo est&aacute; bem domesticado.\n  <\/p>\n<p>Da&iacute;, dentro da jaula da escravid&atilde;o enfurecida, a se dar cr&eacute;dito<br \/>\n    aos preletores do sr. Saraiva, mandar entrar o sr. Pena, tendo na m&atilde;o<br \/>\n    a virga-f&eacute;rrea do tr&aacute;fico, avermelhada na ponta com o sangue<br \/>\n    dos linchamentos autorizados pela frase do sr. Martinho Campos -&eacute; justo<br \/>\n    que a lavoura se defenda. <\/p>\n<p>Sua Majestade quer ver se at&eacute; o negro escravo se submete &agrave;<br \/>\n    perda de toda a esperan&ccedil;a de liberdade; se ele, apesar das manifesta&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    pessoais de Sua Majestade, das demonstra&ccedil;&otilde;es da opini&atilde;o,<br \/>\n    do sacrif&iacute;cio dos propagandistas, considera a escravid&atilde;o a negra<br \/>\n    cidade da dor, onde quem entra deve contar com a eternidade do desespero.\n  <\/p>\n<p>Soberano constitucional, pretextando n&atilde;o poder contrapor a sua &agrave;<br \/>\n    opini&atilde;o da p&aacute;tria oficial, Sua Majestade quer, como Marco Aur&eacute;lio,<br \/>\n    sobressair em virtude no fundo negro da corrup&ccedil;&atilde;o geral do pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>Mas o que &eacute; certo &eacute; que n&oacute;s outros, os poucos que protestamos,<br \/>\n    deliberados a fazer do holocausto da vida o &uacute;ltimo protesto, n&atilde;o<br \/>\n    podemos admitir que o imperador se entregue a esse estoicismo plat&ocirc;nico,<br \/>\n    para n&atilde;o amargurar de todo a sua velhice. <\/p>\n<p>&Eacute; por isso que pensamos que Sua Majestade deve se entristecer da alegria<br \/>\n    do sr. Pena. <\/p>\n<p>Na hora da &uacute;ltima desilus&atilde;o, a m&atilde;o do povo n&atilde;o<br \/>\n    se estender&aacute; sobre o an&atilde;o ministerial. Pela sua pr&oacute;pria<br \/>\n    pequenez, S. Ex.&ordf; escapa-se dela, como o camundongo da garra do le&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio trono do imperador ser&aacute; o empolgado, porque no momento<br \/>\n    em que a realeza protestar pela sua constitucionalidade, n&oacute;s lhe responderemos<br \/>\n    que essa mesma Constitui&ccedil;&atilde;o armou o soberano com o poder de<br \/>\n    nomear e demitir livremente os seus ministros. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o sr. Afonso Pena tem raz&atilde;o<br \/>\n    para alegrar-se. <\/p>\n<p>Em outro qualquer pa&iacute;s, o minist&eacute;rio que n&atilde;o tivesse<br \/>\n    logo respondido ao discurso do imortal senador Otoni, tornando evidente o<br \/>\n    seu esfor&ccedil;o para garantir a ordem p&uacute;blica, seria hoje enxotado<br \/>\n    do poder pelo soberano ou pelo povo. <\/p>\n<p>N&atilde;o se conservaria mais vinte quatro horas no Governo, porque os cidad&atilde;os<br \/>\n    veriam em cada ministro um punhal manejado contra a sua vida, e um insulto<br \/>\n    vivo &agrave; honra da sua na&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Se foi permitido fazer uma crise, porque um deputado, que n&atilde;o sabe<br \/>\n    medir-se pelo seu mandato, foi apupado; se algumas pedras atiradas puderam<br \/>\n    fazer cair um gabinete, sustentado por tudo quanto o pa&iacute;s tinha de<br \/>\n    mais inteligente e limpo; como &eacute; que se conserva no poder um minist&eacute;rio<br \/>\n    que &eacute; invocado como o est&iacute;mulo a linchadores e a perseguidores<br \/>\n    ferozes? <\/p>\n<p>O imperador, em outro pa&iacute;s, estaria hoje moralmente obrigado a apontar<br \/>\n    a porta a esse minist&eacute;rio, que n&atilde;o sabe do que se passa no pa&iacute;s,<br \/>\n    e n&atilde;o diz que provid&ecirc;ncias tomou para impedir que o Brasil seja<br \/>\n    considerado, n&atilde;o uma na&ccedil;&atilde;o civilizada, mas uma tribo<br \/>\n    selvagem. <\/p>\n<p>Deve, pois, alegrar-se o sr. Pena, mas o imperador deve entristecer-se. <\/p>\n<p>Victor Schoelcher n&atilde;o o chama sen&atilde;o -rei de escravos; de hoje<br \/>\n    em diante o mundo civilizado dever&aacute; cham&aacute;-lo -imperador de linchadores.\n  <\/p>\n<p><b>27 jun. 1885<\/b><\/p>\n<h2>19-IX-1885<\/h2>\n<p> Dentro de alguns dias ser&aacute; lei do pa&iacute;s oficial o projeto monstro,<br \/>\n    o conchavo indecente de 12 de maio. <\/p>\n<p>Em vez do mundo igualit&aacute;rio que a propaganda abolicionista inaugurava,<br \/>\n    teremos o caos tempestuoso, produto do choco da pirataria no c&eacute;rebro<br \/>\n    silencioso do sr. Saraiva. Em vez da aurora de esperan&ccedil;a que hav&iacute;amos<br \/>\n    sonhado para o esp&iacute;rito de mais de um milh&atilde;o de desventurados,<br \/>\n    a treva perp&eacute;tua, as gal&eacute;s de escurid&atilde;o para esses condenados,<br \/>\n    cujo crime &uacute;nico foi terem constru&iacute;do, com a sua resigna&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    com o seu suor, com as suas l&aacute;grimas e com o seu sangue, a p&aacute;tria<br \/>\n    ingrata, que lhes desconhece o direito. <\/p>\n<p>Dizem que o imperador quer sancionar no dia 28 de setembro a grande obra,<br \/>\n    que se est&aacute; ultimando no Senado. <\/p>\n<p>Que lhe fa&ccedil;a bom proveito. &Eacute; como colocar a porta do inferno<br \/>\n    de Dante, no lugar em que durante quatorze anos esteve a entrada florida das<br \/>\n    nossas gera&ccedil;&otilde;es infelizes para a vida livre. <\/p>\n<p>Quem viu o Fausto deve recordar-se de que Mefist&oacute;feles, o dem&ocirc;nio<br \/>\n    velho, n&atilde;o arrebicou a ing&ecirc;nua Margarida sen&atilde;o para perd&ecirc;-la.\n  <\/p>\n<p>Tal fez o imperador com a propaganda da aboli&ccedil;&atilde;o entre n&oacute;s;<br \/>\n    vestiu-a um momento com as roupas e as j&oacute;ias de sua seren&iacute;ssima<br \/>\n    filha, para depois entreg&aacute;-la ao sr. bar&atilde;o de Cotegipe, Fausto<br \/>\n    pol&iacute;tico rejuvenescido pelo posso, quero e devo. <\/p>\n<p>Fazemos votos para que Sua Majestade realize mais esta profana&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Desde a ascens&atilde;o do sr. Saraiva, sentimos que a Monarquia j&aacute;<br \/>\n    n&atilde;o tinha mais for&ccedil;as para resistir &agrave; nostalgia do p&acirc;ntano.<br \/>\n    Queria voltar para a lama das paix&otilde;es de que provinha. <\/p>\n<p>E sabido que todos os Bragan&ccedil;as foram sempre amigos da escravid&atilde;o,<br \/>\n    ao ponto de fazerem dela meio de ganhar dinheiro. <\/p>\n<p>Desde d. Pedro II, de Portugal, o moedeiro falso, at&eacute; Pedro I, do<br \/>\n    Brasil, a casa do bastardo Jo&atilde;o IV se desenha na Hist&oacute;ria com<br \/>\n    a fisionomia de uma fam&iacute;lia de traficantes. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &eacute; de d. Jos&eacute; I, por&eacute;m este, todos sabem, n&atilde;o passou<br \/>\n    de um jumento manso, em que o marqu&ecirc;s de Pombal subiu a montanha da<br \/>\n    imortalidade, comodamente, como a gente sobe a serra de Sintra em jericos<br \/>\n    de aluguel. <\/p>\n<p>D. Jo&atilde;o VI fez do Tratado de 1817 meio de pilhar seiscentas mil libras<br \/>\n    da Inglaterra; d. Pedro I aconselhava o nosso ministro Brant, junto &agrave;<br \/>\n    corte de Londres, que empregasse todo o esfor&ccedil;o para que fosse permitido<br \/>\n    ao Brasil mais oito anos de tr&aacute;fico; reinando o sr. d. Pedro II, usufrutu&aacute;rio<br \/>\n    dos escravos da na&ccedil;&atilde;o, a mordomia recebia dinheiro e mandava<br \/>\n    avaliar a liberdade de escravos. <\/p>\n<p>&Eacute; um fato hist&oacute;rico que a Monarquia s&oacute; se fundou no<br \/>\n    Brasil por ser a da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>O honrado Muniz Tavares, historiando a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1817, demonstra<br \/>\n    que o meio de que se serviu a Monarquia para impopularizar a Confedera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Equador foi lembrar aos fazendeiros que perderiam os seus escravos, visto<br \/>\n    como a Rep&uacute;blica decretaria a liberdade imediata. <\/p>\n<p>Foi, pois, a pele esticada do escravo o tecido de que se fez o manto imperial<br \/>\n    do Brasil. <\/p>\n<p>A Monarquia &eacute; o penhor da escravid&atilde;o, e muita raz&atilde;o<br \/>\n    teve o sr. Joaquim Nabuco fazendo notar que estas duas institui&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    serviam-se mutuamente de guarda-costas, e que uma corria em socorro de outra,<br \/>\n    para dar golpes de Mefist&oacute;feles -o tal do Fausto- quando a honra chamava<br \/>\n    a duelo uma dessas duas encarna&ccedil;&otilde;es do v&iacute;cio. <\/p>\n<p>A impassibilidade do minist&eacute;rio diante dos senadores Jos&eacute; Bonif&aacute;cio,<br \/>\n    Afonso Celso, Dantas, Otoni, In&aacute;cio Martins, Silveira da Mota e Franco<br \/>\n    de S&aacute; demonstra que n&atilde;o h&aacute; meio de convencer pela discuss&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Mas, antes que o imperador envile&ccedil;a para sempre o seu nome, assinando<br \/>\n    um decreto que manda a na&ccedil;&atilde;o pagar a institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que a arruinou, e perseguir aqueles que denunciam os r&eacute;us do art. 179<br \/>\n    do nosso C&oacute;digo Criminal, sejamos ainda generosos fazendo algumas pondera&ccedil;&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>Ei-las:<\/p>\n<p>Sua Majestade est&aacute; tratando da quest&atilde;o abolicionista como tem<br \/>\n    tratado de todas as outras, como se fosse uma quest&atilde;o de simples direitos<br \/>\n    pol&iacute;ticos, para a qual os povos concedem adiamentos. <\/p>\n<p>&Eacute; um erro. O escravo n&atilde;o pleiteia a causa de uma liberdade<br \/>\n    pol&iacute;tica, mas a liberdade de possuir-se a si mesmo. <\/p>\n<p>At&eacute; ontem ele n&atilde;o sabia que tinha direito a exigir que o restaurassem<br \/>\n    na sua condi&ccedil;&atilde;o de homem; hoje, por um decreto de dissolu&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    lavrada pelo pr&oacute;prio punho de Sua Majestade, ele sabe que tem poder<br \/>\n    para interpor-se &agrave; marcha regular do Estado e fazer cominar a pena<br \/>\n    capital do sistema representativo &agrave;queles que a lei investiu da inviolabilidade<br \/>\n    das suas opini&otilde;es. <\/p>\n<p>At&eacute; ontem ele n&atilde;o sabia o que podia, hoje ele sabe que pode<br \/>\n    tudo, e que lhe basta cruzar os bra&ccedil;os para vencer os que se sup&otilde;em<br \/>\n    fortes contra ele. <\/p>\n<p>Pela marcha do debate parlamentar dos projetos, o escravo soube que a sociedade<br \/>\n    em que vive se governa n&atilde;o pelo que mandam o Direito, a Moral e a Religi&atilde;o,<br \/>\n    mas pela contagem dos votos, pela for&ccedil;a do n&uacute;mero parlamentar.\n  <\/p>\n<p>E o escravo amanh&atilde; vai, por sua vez, contar-se, e logo que ele vir<br \/>\n    que a soma dos desgra&ccedil;ados da sua condi&ccedil;&atilde;o &eacute; maior<br \/>\n    que a daqueles que a exploram, ele se esquecer&aacute; tamb&eacute;m desse<br \/>\n    Direito, que para ele nunca existiu, dessa Moral, que os senhores violavam<br \/>\n    para violent&aacute;-lo, dessa Religi&atilde;o, que n&atilde;o lhe serviu<br \/>\n    nunca sen&atilde;o para registrar na escravid&atilde;o a sua descend&ecirc;ncia.\n  <\/p>\n<p>A prova de que n&atilde;o declamamos &eacute; uma informa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que nos d&aacute; o Vinte Cinco de Mar&ccedil;o, de Campos: os escravos come&ccedil;am<br \/>\n    a cruzar os bra&ccedil;os. <\/p>\n<p>O fato deu-se em uma fazenda, mas h&aacute; de reproduzir-se em dez, em cem,<br \/>\n    em todas. <\/p>\n<p>E de duas, uma: ou o Governo decreta a aboli&ccedil;&atilde;o, ou emprega<br \/>\n    a viol&ecirc;ncia para obrigar os paredistas a trabalhar. <\/p>\n<p>Na primeira hip&oacute;tese, o Governo demonstra a sua imprevid&ecirc;ncia,<br \/>\n    porque faz com que gera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o preparadas para a vida<br \/>\n    representativa se iniciem nela legislando pelo terror. Semelhante fato desacautelar&aacute;<br \/>\n    o futuro e deixar&aacute; a na&ccedil;&atilde;o &agrave; merc&ecirc; de tremendos<br \/>\n    perigos. <\/p>\n<p>Na segunda hip&oacute;tese, o imperador ter&aacute; de ver o seu trono de<br \/>\n    novo salpicado de sangue; passar&aacute; pelo dissabor -se &eacute; que um<br \/>\n    rei tem cora&ccedil;&atilde;o para sentir- de ver a sua velhice presidir a<br \/>\n    um tribunal que n&atilde;o ter&aacute; m&atilde;os a medir para mandar r&eacute;us<br \/>\n    para as gal&eacute;s e para a forca, e de um governo que s&oacute; se ocupar&aacute;<br \/>\n    em decretar a morte. <\/p>\n<p>Sua Majestade conta com a sua boa estrela, que o fez reinar sobre um povo<br \/>\n    desfibrado, povo de prolet&aacute;rios hep&aacute;ticos, na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de mendigos envergonhados e de herdeiros audazes de piratas e moedeiros falsos.\n  <\/p>\n<p>Espera talvez que os escravos se humilhem e sofram sem protesto mais uma<br \/>\n    viol&ecirc;ncia aos seus direitos. <\/p>\n<p>Dando-se mesmo essa hip&oacute;tese, garantimos ao imperador que n&atilde;o<br \/>\n    ficar&aacute; tranq&uuml;ilo. <\/p>\n<p>H&aacute; um punhado de homens que est&aacute; deliberado a fazer frente<br \/>\n    a Sua Majestade; que entendeu que neste pa&iacute;s n&atilde;o h&aacute; lugar<br \/>\n    para eles, Sua Majestade e a escravid&atilde;o. Que dos tr&ecirc;s, um &eacute;<br \/>\n    demais, e por isso mesmo deliberaram lan&ccedil;ar m&atilde;o de todos os<br \/>\n    meios para obrigar Sua Majestade a sair da sua pol&iacute;tica de ciladas,<br \/>\n    pol&iacute;tica de Tib&eacute;rio com m&aacute;scara de Marco Aur&eacute;lio.\n  <\/p>\n<p>Sua Majestade tem vivido muito comodamente, entregando seus ministros, como<br \/>\n    judas de palha em s&aacute;bado de Aleluia, e enquanto os desgra&ccedil;ados<br \/>\n    s&atilde;o espatifados nas ruas, Sua Majestade se diverte nos teatros, nas<br \/>\n    confer&ecirc;ncias, nos passeios a Petr&oacute;polis. <\/p>\n<p>Diz-se abolicionista e come a sua lista civil honradamente, sem se lembrar<br \/>\n    que esse dinheiro &eacute; o suor, a l&aacute;grima e o sangue do negro. <\/p>\n<p>N&atilde;o, n&atilde;o ser&aacute; mais assim.<\/p>\n<p>Agora &eacute; cartas na mesa e jogo franco.<\/p>\n<p>Os ministros que s&atilde;o outras tantas v&iacute;timas de Sua Majestade,<br \/>\n    ou melhor institui&ccedil;&atilde;o que Sua Majestade sustenta por todos os<br \/>\n    meios, desde o assassinato de Nunes Machado at&eacute; a corrup&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de Timandro, os ministros n&atilde;o nos bastam. <\/p>\n<p>O nosso mundo oficial &eacute; um imenso casco de que Sua Majestade &eacute;<br \/>\n    a tartaruga. <\/p>\n<p>Seria in&uacute;til chibatear o casco para fazer o bicho andar. O essencial<br \/>\n    &eacute; lan&ccedil;ar m&atilde;o dos meios para obrig&aacute;-lo a p&ocirc;r<br \/>\n    a cabe&ccedil;a de fora. <\/p>\n<p>&Eacute; o que vamos fazer.<\/p>\n<p>Sua Majestade nos amea&ccedil;a com o c&oacute;digo e a vergonha de continuarmos<br \/>\n    a ser cidad&atilde;o do &uacute;nico pa&iacute;s de escravos, no mundo crist&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>As nossas contas s&atilde;o com Sua Majestade.<\/p>\n<p>&Eacute; inviol&aacute;vel e sagrado. N&atilde;o contestamos; por&eacute;m<br \/>\n    a sua inviolabilidade nem ao menos foi decretada por n&oacute;s, e &eacute;<br \/>\n    contr&aacute;ria &agrave; natureza, e t&atilde;o audaz que se revolta contra<br \/>\n    a inviolabilidade da pessoa humana, decretada pela independ&ecirc;ncia natural<br \/>\n    do esp&iacute;rito e do cora&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A sua sagra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; ao menos igual a esta outra<br \/>\n    que a humanidade inteira reconhece: a que todas as religi&otilde;es deram<br \/>\n    &agrave; pessoa humana, fazendo-a imagem de Deus. <\/p>\n<p>Que Sua Majestade ao assinar o decreto se lembre de n&oacute;s e conte conosco.\n  <\/p>\n<p>Arme-se com o C&oacute;digo, com a Corre&ccedil;&atilde;o, com ministros<br \/>\n    e autoridades sem escr&uacute;pulos, com a capangada desumana; n&oacute;s<br \/>\n    c&aacute; estamos armados com as tr&ecirc;s espadas que fizeram a civiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e a liberdade humana -a Religi&atilde;o, a Moral, o Direito, e o desafiamos.\n  <\/p>\n<p>O mundo vai ver mais uma vez como &eacute; que um punhado de homens de bem<br \/>\n    atira com um pontap&eacute; um trono pelo ar ou como &eacute; que poucos homens<br \/>\n    de bem fazem dos seus cad&aacute;veres os alicerces da liberdade da sua p&aacute;tria.\n  <\/p>\n<p><b>19 set. 1885<\/b><\/p>\n<h2>17-X-1885<\/h2>\n<p> O rio e o oceano encaram-se indiferentemente; um, seguro da fatalidade do<br \/>\n    seu curso pela fatalidade do declive; o outro, confiado na invencibilidade<br \/>\n    da sua for&ccedil;a pela sua pr&oacute;pria vastid&atilde;o. <\/p>\n<p>E enquanto o rio desliza sereno, o oceano ondula tranq&uuml;ilo; aquele trazendo<br \/>\n    no dorso as flores e folhas que morreram, este se vestindo de espuma no descuido<br \/>\n    do seu movimento. <\/p>\n<p>Mas h&aacute; horas em que de s&uacute;bito se trava um conflito entre os<br \/>\n    dous indiferentes. O oceano orgulhoso, porque n&atilde;o &eacute; desconhecido<br \/>\n    pelo astro do amor e da saudade que, l&aacute; do azul, n&atilde;o o esquece,<br \/>\n    tumefaz-se, avoluma-se, e na sua presun&ccedil;&atilde;o indom&aacute;vel,<br \/>\n    de tudo dominar, subindo, subindo, at&eacute; ro&ccedil;ar o astro, que o<br \/>\n    seduz, busca reter o curso do rio, em que ele v&ecirc; um rival na frui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos beijos luminosos. <\/p>\n<p>Ent&atilde;o, for&ccedil;a contra a for&ccedil;a, o rio firmando-se nas suas<br \/>\n    margens, o oceano nos seus abismos, travam luta, que nem Homero descreveu,<br \/>\n    t&atilde;o extraordin&aacute;ria &eacute; ela. <\/p>\n<p>A princ&iacute;pio o oceano vence; o rio recua, enrosca-se por assim dizer,<br \/>\n    como incomensur&aacute;vel serpente, mas cobrando for&ccedil;as na pr&oacute;pria<br \/>\n    humilha&ccedil;&atilde;o da derrota roborificando com a pr&oacute;pria superioridade<br \/>\n    din&acirc;mica do contendor, entesta agora contra &aacute;guas e como se dessa<br \/>\n    grande massa, desse ex&eacute;rcito l&iacute;quido, se destacasse um delegado<br \/>\n    de cada um para o combate singular, ergue-se de parte a parte uma montanha<br \/>\n    d&#8217;&aacute;gua, que se choca, bamboleia, redemoinha e espumando, na peleja<br \/>\n    tremenda, se despeda&ccedil;am finalmente com um fragor un&iacute;ssono. <\/p>\n<p>Na vida pol&iacute;tica do povo brasileiro deu-se tamb&eacute;m o fen&ocirc;meno,<br \/>\n    que no Amazonas tem o nome de pororoca. <\/p>\n<p>A opini&atilde;o e o Imp&eacute;rio estiveram por mais de um s&eacute;culo,<br \/>\n    uma em face do outro, aquela deslizando na fatalidade hist&oacute;rica do<br \/>\n    progresso, o Imp&eacute;rio absorvendo a corrente, sem modificar o sabor das<br \/>\n    suas &aacute;guas, nem diminuir o seu movimento. <\/p>\n<p>&Eacute; chegada a hora da mar&eacute;.<\/p>\n<p>O sr. presidente do Conselho anunciou na C&acirc;mara e no Senado e a C&acirc;mara<br \/>\n    e o Senado lhe emprestaram a for&ccedil;a de que ele carecia; a Lei 3.270,<br \/>\n    que devendo levar a tranq&uuml;ilidade &agrave; lavoura, converter&aacute;<br \/>\n    a sua gratid&atilde;o em ades&atilde;o sincera ao Imp&eacute;rio. <\/p>\n<p>Infelizmente, por&eacute;m, &eacute; lei natural o rio continuar o seu curso<br \/>\n    e a mar&eacute; n&atilde;o servir sen&atilde;o para demonstrar a imutabilidade<br \/>\n    do seu destino. <\/p>\n<p>Se ainda fosse poss&iacute;vel aconselhar ao Imp&eacute;rio, se a sua &uacute;ltima<br \/>\n    hora n&atilde;o o houvesse j&aacute; ferido da insensatez do n&aacute;ufrago;<br \/>\n    n&oacute;s nos limitar&iacute;amos a provar o lucro moral que teria o imperador<br \/>\n    abdicando por si e pelos seus. <\/p>\n<p>Sua Majestade n&atilde;o pode justificar o seu reinado, que o destino quis<br \/>\n    que principiasse na inconsci&ecirc;ncia, come&ccedil;ando-o na irreflex&atilde;o<br \/>\n    de uma crian&ccedil;a e terminando-o na obceca&ccedil;&atilde;o de um velho.\n  <\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria nos diz que o imperador tomou as r&eacute;deas do Governo,<br \/>\n    quando havia um pouco de vida provincial, quando todo o organismo nacional<br \/>\n    se agitava, gra&ccedil;as ao Ato Adicional, e, entretanto, durante o seu reinado<br \/>\n    as prov&iacute;ncias foram gradativamente perdendo autonomia, reduzindo-se<br \/>\n    a miser&aacute;veis membros paral&iacute;ticos do corpo deforme do Imp&eacute;rio.\n  <\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria nos diz que o imperador ao assumir as r&eacute;deas do<br \/>\n    governo encontrou um povo cioso da sua liberdade, capaz de mover por ela at&eacute;<br \/>\n    desordenadamente e forneceu m&aacute;rtires ao seu triunfo; povo que se batia<br \/>\n    no interior em revolu&ccedil;&otilde;es, e que empunhava improvisadamente<br \/>\n    as armas para levar guerra a territ&oacute;rio estrangeiro. <\/p>\n<p>Entretanto, gradativamente o amor da liberdade se foi amortecendo; perdeu-se<br \/>\n    a coragem para protestar; julgou-se ato indigno de cidad&atilde;o sofrer e<br \/>\n    morrer pelos seus direitos pol&iacute;ticos. <\/p>\n<p>Quanto ao pundonor nacional, o Governo o afere de tal modo que, depois de<br \/>\n    haver declarado &agrave; Rep&uacute;blica Argentina que n&atilde;o admitia<br \/>\n    arbitragem sobre um ponto que julgava liquidado, volta sobre este ultimatum<br \/>\n    para concordar em que se deve explorar, para fixar direitos, um territ&oacute;rio<br \/>\n    h&aacute; mais de um s&eacute;culo completamente conhecido e h&aacute; cerca<br \/>\n    de meio s&eacute;culo delimitado. <\/p>\n<p>Na administra&ccedil;&atilde;o o imperador encontrou, no come&ccedil;o do<br \/>\n    seu reinado, homens que estudavam e que se dedicavam desinteressadamente &agrave;<br \/>\n    causa p&uacute;blica; gente que sabia se engrandecer com a pobreza; que se<br \/>\n    orgulhava de legar &agrave; sua fam&iacute;lia o nome singelo e imaculado<br \/>\n    dos bons e leais servidores de uma causa. <\/p>\n<p>Entretanto, hoje, o imperador olha em derredor de si e v&ecirc; de todos<br \/>\n    os lados surgir a den&uacute;ncia de uma improbidade, e ouve de todas as partes<br \/>\n    o clamor difamat&oacute;rio contra aqueles que o cercam. <\/p>\n<p>Achou a nossa moeda ao par e hoje a v&ecirc; depreciada cinq&uuml;enta por<br \/>\n    cento; achou os nossos or&ccedil;amentos circunscrevendo a despesa &agrave;<br \/>\n    receita e hoje os v&ecirc; inteiramente descuidosos desse escr&uacute;pulo.\n  <\/p>\n<p>Ao subir ao trono encontrou uma lei votada nove anos antes proibindo o tr&aacute;fico;<br \/>\n    encontrou arquivadas as opini&otilde;es dos nossos homens a respeito dele,<br \/>\n    e, entretanto, hoje, apesar de todas as demonstra&ccedil;&otilde;es do crime<br \/>\n    de pirataria praticado pelos r&eacute;us daquela lei, v&ecirc;-se obrigado<br \/>\n    a fazer do respeito &agrave; pirataria a seguran&ccedil;a do seu trono. <\/p>\n<p>E n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso: morreram cidades, que possu&iacute;am<br \/>\n    estaleiros navais, morreram ind&uacute;strias prosperamente iniciadas; o povo<br \/>\n    perdeu o amor ao trabalho; singularizou-se a produ&ccedil;&atilde;o, que prometia<br \/>\n    pluralizar-se; sobresteve-se na decreta&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios<br \/>\n    civilizadores, que haviam sido aventados no parlamento, tais como os que dizem<br \/>\n    respeito &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o do direito de naturaliza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    e constituir fam&iacute;lias e regular a vida pela religi&atilde;o de cada<br \/>\n    um. <\/p>\n<p>N&atilde;o tememos que nos contestem todos estes fatos, porque a verdade<br \/>\n    &eacute; incontest&aacute;vel. <\/p>\n<p>Ora, diante dos resultados da pol&iacute;tica do seu reinado, o imperador<br \/>\n    s&oacute; tem dous caminhos a seguir: ou abrir francamente rea&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    contra aqueles que o criticam; ou ent&atilde;o abdicar por si e pelos seus,<br \/>\n    o mais depressa poss&iacute;vel. <\/p>\n<p>Dentro em quatro anos a dinastia j&aacute; n&atilde;o ter&aacute; oportunidade<br \/>\n    de se retirar como um h&oacute;spede, que deu preju&iacute;zo a quem o hospedou,<br \/>\n    mas de quem n&atilde;o se pede nenhuma indeniza&ccedil;&atilde;o, nem se formula<br \/>\n    nenhuma queixa. <\/p>\n<p>O povo brasileiro &eacute; um sonolento, custa muito a abrir os olhos e gasta<br \/>\n    anos para esfreg&aacute;-los e poder ver claro o menor fato. <\/p>\n<p>Mas desta vez ele acordar&aacute;, extremunhado pelo safan&atilde;o da mis&eacute;ria<br \/>\n    e da vergonha. <\/p>\n<p>De um lado ele ver&aacute; que a mania do caf&eacute; reduzir&aacute; a sua<br \/>\n    riqueza a um simples incentivo &agrave; mina; porque a produ&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    aumentando baixar&aacute; o pre&ccedil;o, e a baixa deste exigir&aacute; cada<br \/>\n    vez maior esfor&ccedil;o, o que &eacute; o mesmo que tirar-lhe a remunera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    necess&aacute;ria e priv&aacute;-lo dos lucros desejados. <\/p>\n<p>De outro lado, ele ver&aacute; todos os seus sacrif&iacute;cios feitos pelo<br \/>\n    Estado, convertidos n&atilde;o em servi&ccedil;os p&uacute;blicos, em instrumentos<br \/>\n    do seu progresso, mas em simples repasto aos previdentes, que desde j&aacute;<br \/>\n    come&ccedil;am a gritar, enchendo os bolsos: salve-se quem puder. <\/p>\n<p>Eis por que, se pud&eacute;ssemos, dar&iacute;amos a Sua Majestade o salutar<br \/>\n    conselho da abdica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; o melhor caminho, c&ocirc;modo para todos.<\/p>\n<p>Reagindo, o imperador pode aumentar mais alguns nomes &agrave; lista das<br \/>\n    v&iacute;timas do Imp&eacute;rio, mas n&atilde;o pode impedir a sucess&atilde;o<br \/>\n    natural e fatal dos acontecimentos. <\/p>\n<p>Demais na Am&eacute;rica os reis s&atilde;o malsinados. Dos tr&ecirc;s que<br \/>\n    temos tido, um foi Pedro I, banido, o outro Maximiliano, fuzilado, e o sr.<br \/>\n    d. Pedro II, que tem feito a ru&iacute;na de um povo, o que ser&aacute; demonstrado<br \/>\n    em poucos anos, sem precisar de outra l&oacute;gica al&eacute;m do fato. <\/p>\n<p>O melhor, portanto, &eacute; abdicar.<\/p>\n<p>Se a opini&atilde;o abre um inqu&eacute;rito no seu reinado, como o Minist&eacute;rio<br \/>\n    do Imp&eacute;rio, no Matadouro, o relat&oacute;rio dir&aacute; cousas de<br \/>\n    espantar. <\/p>\n<p>Ora, &eacute; imposs&iacute;vel que este inqu&eacute;rito n&atilde;o se abra,<br \/>\n    porque dentro em pouco tempo a mis&eacute;ria o requerer&aacute;. <\/p>\n<p><b>17 out. 1885<\/b><\/p>\n<h2>16-I-1886<\/h2>\n<p> As urnas foram de uma generosidade perdul&aacute;ria para com os conservadores.<br \/>\n    Eles pediram somente uma boa maioria, disciplinada e passiva, e elas responderam<br \/>\n    por uma quase unanimidade. <\/p>\n<p>Este fen&ocirc;meno, inexplic&aacute;vel para observador superficial, &eacute;,<br \/>\n    entretanto, de fac&iacute;lima interpreta&ccedil;&atilde;o para quem aprofunda<br \/>\n    a cr&iacute;tica do estado do esp&iacute;rito e do car&aacute;ter nacional.\n  <\/p>\n<p>O Partido Conservador n&atilde;o precisava de pedir &agrave;s urnas que o<br \/>\n    sufragassem: elas sabiam que era este o seu dever. <\/p>\n<p>O Partido Conservador &eacute; a s&iacute;ntese dos elementos que constituem<br \/>\n    a soberania eleitoral. <\/p>\n<p>Mera engrenagem da oligarquia, a lei de 9 de janeiro de 1881 garante de antem&atilde;o<br \/>\n    a pujan&ccedil;a e o prest&iacute;gio do partido, que tem por miss&atilde;o<br \/>\n    domar as aspira&ccedil;&otilde;es e impaci&ecirc;ncias democr&aacute;ticas.\n  <\/p>\n<p>Os dentes dessa engrenagem prendem-se naturalmente ao funcionalismo, para<br \/>\n    comunicar o movimento que recebe do imperador, a todo o mecanismo constitucional.\n  <\/p>\n<p>O oligarca sabe que deve sufragar o Partido Conservador, porque sem ele o<br \/>\n    seu dom&iacute;nio estar&aacute; derrocado. <\/p>\n<p>O funcionalismo sabe que deve sufragar o Governo, porque no caso contr&aacute;rio<br \/>\n    ser&aacute; punido. <\/p>\n<p>O empregado p&uacute;blico depende exclusivamente do Poder Executivo; a lei<br \/>\n    n&atilde;o lhe garante o direito; n&atilde;o o cobre com a sua inviolabilidade;<br \/>\n    n&atilde;o o protege com a sua imparcialidade retil&iacute;nea. <\/p>\n<p>O acesso e a aposentadoria s&atilde;o duas amarras que prendem o funcion&aacute;rio<br \/>\n    &agrave;s b&oacute;ias com que o imperador baliza o mar morto da nossa autonomia<br \/>\n    nacional. <\/p>\n<p>Ora, se o Governo conservador, apesar de contar com todos estes elementos<br \/>\n    de for&ccedil;a, ainda julga necess&aacute;rio dizer que quer vencer, &eacute;<br \/>\n    claro que as classes que o prestigiam est&atilde;o moralmente obrigadas a<br \/>\n    dar-lhe o mais que puder. <\/p>\n<p>O Governo conta com alguns eleitores que s&atilde;o de todos os partidos.<br \/>\n    Um deles &eacute; a fome. <\/p>\n<p>Num pa&iacute;s sem ind&uacute;stria, sem artes, sem mercado honestamente<br \/>\n    lucrativo para o trabalho, amea&ccedil;ar o empregado p&uacute;blico com a<br \/>\n    demiss&atilde;o &eacute; o mesmo que conden&aacute;-lo &agrave; morte pela<br \/>\n    mis&eacute;ria. <\/p>\n<p>Est&aacute; nas tradi&ccedil;&otilde;es do Partido Conservador a derrubada.<br \/>\n    Quando ele sobe ao poder o funcionalismo treme com medo do dia seguinte. Tem<br \/>\n    plena certeza de que s&oacute; lhe resta desde ent&atilde;o uma liberdade,<br \/>\n    a de concordar, para apoiar, com tudo quanto esteja no programa do gabinete.<br \/>\n    Iniciada a derrubada, os funcion&aacute;rios ficam de sobreaviso com a independ&ecirc;ncia<br \/>\n    pr&oacute;pria, com a altivez ing&ecirc;nita, porque sabem que a menor manifesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dela &eacute; um perigo s&eacute;rio. <\/p>\n<p>O outro eleitor que n&atilde;o trai, que &eacute; de uma fidelidade exemplar,<br \/>\n    chama-se esclavagismo. <\/p>\n<p>Este aceita a c&eacute;dula de toda a m&atilde;o em que descubra vest&iacute;gio<br \/>\n    das l&aacute;grimas e do sangue da ra&ccedil;a escravizada. <\/p>\n<p>N&atilde;o reconhece sen&atilde;o uma forma de governo: a que legaliza a<br \/>\n    escravid&atilde;o; n&atilde;o admite sen&atilde;o uma bandeira pol&iacute;tica:<br \/>\n    a da perpetuidade da institui&ccedil;&atilde;o b&aacute;rbara. <\/p>\n<p>Tanto lhe faz que estejam no poder os liberais do sr. Saraiva, como os conservadores<br \/>\n    do sr. bar&atilde;o de Cotegipe. S&atilde;o apelos diversos do mesmo c&eacute;u<br \/>\n    negro, em que habita a deusa Escravid&atilde;o. Crentes fervorosos da sua<br \/>\n    f&eacute;, n&atilde;o escolhem altar para o sacrif&iacute;cio do seu voto.\n  <\/p>\n<p>O Governo, entretanto, duvidando um momento da sua for&ccedil;a, ainda empregou<br \/>\n    o recurso das transfer&ecirc;ncias contra os militares, das amea&ccedil;as<br \/>\n    de espancamento, processos e mortic&iacute;nios, no dia da elei&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    das demiss&otilde;es e das remo&ccedil;&otilde;es de todos os exaltados das<br \/>\n    reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, dos favores os mais extraordin&aacute;rios<br \/>\n    &agrave;queles que tinham influ&ecirc;ncia nos distritos, assim como do emprego<br \/>\n    de todas as viol&ecirc;ncias at&eacute; a nega&ccedil;&atilde;o de toda a<br \/>\n    justi&ccedil;a, fatos sintetizados no recrutamento e na nega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do habeas corpus. <\/p>\n<p>Como n&atilde;o obter uma vit&oacute;ria estrondosa; como n&atilde;o conseguir<br \/>\n    o assombroso resultado das elei&ccedil;&otilde;es de ontem? <\/p>\n<p>A esta base segura de opera&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para derrotar<br \/>\n    os seus advers&aacute;rios, acresce o pr&oacute;prio futuro da situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    conservadora. <\/p>\n<p>O imperador precisa retirar-se para a Europa; j&aacute; tem marcado o dia<br \/>\n    da viagem, 9 de junho de 1886. O estado de sua sa&uacute;de reclama esta viagem.<br \/>\n    A sua idade aconselha-lhe o ensaio de seus herdeiros na governa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Estado. <\/p>\n<p>Ora, sob a reg&ecirc;ncia, &eacute; imposs&iacute;vel esperar mudan&ccedil;a<br \/>\n    de situa&ccedil;&atilde;o; primeiro, porque sendo um lance pol&iacute;tico<br \/>\n    perigoso para o futuro Imp&eacute;rio, n&atilde;o ser&aacute; empregado; segundo,<br \/>\n    porque a fatalidade das cousas o impede. <\/p>\n<p>O Partido Conservador &eacute; hoje necess&aacute;rio &agrave; administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Estado. S&oacute; ele sabe o segredo de manter a ordem, sem o prest&iacute;gio<br \/>\n    da autoridade; s&oacute; ele tem a experi&ecirc;ncia da imposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    das leis as mais selvagens, apelando para as medidas as mais violentas. N&atilde;o<br \/>\n    o assustam c&oacute;leras revolucion&aacute;rias; n&atilde;o &eacute; a primeira<br \/>\n    vez que ele as sufoca em sangue. <\/p>\n<p>O futuro Imp&eacute;rio depende dele. Um ato de hostilidade da reg&ecirc;ncia<br \/>\n    de junho vindouro, o indisporia e irritaria, e ele chama-se antes de tudo<br \/>\n    plutocracia, oligarquia e esclavagismo: dinheiro, castas coligadas, sistematiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do servilismo. <\/p>\n<p>O terceiro reinado n&#038;atiatilde;o pode dispensar a sua colabora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e, entretanto, est&aacute; &agrave;s portas da responsabilidade hist&oacute;rica.\n  <\/p>\n<p>O imperador, quer abdique, segundo se diz insistentemente, quer n&atilde;o,<br \/>\n    precisa dos conservadores. <\/p>\n<p>Se abdicar, o partido de que &eacute; principal chefe, &eacute; o &uacute;nico<br \/>\n    capaz de cimentar o trono vacilante e de suprir a inexperi&ecirc;ncia da imperatriz<br \/>\n    e a impopularidade do imperador honor&aacute;rio. <\/p>\n<p>Bem odiosa era a lei de 3 de dezembro de 1841; comp&ecirc;ndio hediondo da<br \/>\n    tirania, e que valeu para n&oacute;s o mesmo que a invas&atilde;o dos hicsos<br \/>\n    para o Egito antigo: desnacionalizou-nos a p&aacute;tria, reduzindo-nos &agrave;<br \/>\n    mais lastim&aacute;vel servid&atilde;o. E o Partido Conservador f&ecirc;-la<br \/>\n    vigorar, inflex&iacute;vel na sua aplica&ccedil;&atilde;o, assegurou a sua<br \/>\n    longa e ensang&uuml;entada exist&ecirc;ncia, respeitada por aqueles mesmos<br \/>\n    a quem vitima. <\/p>\n<p>Se o imperador n&atilde;o abdicar, como a soberania dos reis n&atilde;o estende<br \/>\n    at&eacute; &agrave; vassalagem do Tempo, Sua Majestade sobreviver&aacute;,<br \/>\n    somente em corpo, &agrave; lucidez do seu esp&iacute;rito, &agrave; tenacidade<br \/>\n    das suas resolu&ccedil;&otilde;es, &agrave; energia passiva da sua vontade,<br \/>\n    que representa, na marcha da civiliza&ccedil;&atilde;o brasileira, n&atilde;o<br \/>\n    essa in&eacute;rcia providencial da mat&eacute;ria para o equil&iacute;brio<br \/>\n    do universo, mas essa in&eacute;rcia de rochedo, que desfibra e desfalece<br \/>\n    a for&ccedil;a, de quem tenta remov&ecirc;-lo. <\/p>\n<p>O Partido Conservador ter&aacute; de representar o papel dos pol&iacute;ticos<br \/>\n    chineses junto dos seus reis valetudin&aacute;rios; representar por eles a<br \/>\n    soberania e a orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Estado. <\/p>\n<p>Ponderemos ainda que essa interven&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria.\n  <\/p>\n<p>No pleito eleitoral, de ontem, ficou provado o desalento e dispers&atilde;o<br \/>\n    do Partido Liberal, e demonstrada a for&ccedil;a moral que o Partido Republicano<br \/>\n    vai ganhando na opini&atilde;o p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Apesar das estreitas malhas da lei eleitoral, a id&eacute;ia republicana<br \/>\n    p&ocirc;de chegar at&eacute; &agrave; consci&ecirc;ncia e &agrave; reflex&atilde;o<br \/>\n    de mais de 600 eleitores no munic&iacute;pio, exce&ccedil;&atilde;o gloriosa<br \/>\n    &agrave; indiferen&ccedil;a de muitos e &agrave; covardia de outros tantos.\n  <\/p>\n<p>A propaganda republicana recebeu finalmente, no grande centro da vida nacional,<br \/>\n    o batismo da luta, e recebeu-o de centenas de energias, que s&atilde;o outros<br \/>\n    tantos protestos. <\/p>\n<p>Como for&ccedil;a armazenada para futuras lutas, a&iacute; est&aacute; o<br \/>\n    grande n&uacute;mero de absten&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Abster-se &eacute; um meio de protestar.<\/p>\n<p>Institui&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o t&ecirc;m meio de despertar a indiferen&ccedil;a<br \/>\n    do eleitorado, que ela julgou capaz para garanti-la e apoi&aacute;-la, s&atilde;o<br \/>\n    institui&ccedil;&otilde;es moribundas. <\/p>\n<p>Essa indiferen&ccedil;a &eacute; t&atilde;o significativa como o sufr&aacute;gio<br \/>\n    dado aos republicanos; a absten&ccedil;&atilde;o completa de alguma forma<br \/>\n    a propaganda. <\/p>\n<p>A vit&oacute;ria conservadora era, pois, natural e se n&atilde;o fosse t&atilde;o<br \/>\n    estrondosa n&atilde;o fotografaria com verdade o estado do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Damos-lhe os parab&eacute;ns: pelo seu triunfo sabemos que n&atilde;o est&aacute;<br \/>\n    muito longe o amanh&atilde; da liberdade brasileira. <\/p>\n<p><b>16 jan. 1886<\/b><\/p>\n<h2>6-II-1886<\/h2>\n<p> Senhor,<\/p>\n<p>Eu sei que a prodigalidade dos deuses para convosco foi sem limite. No vosso<br \/>\n    dote de noivado com a vida entraram a fortuna e o talento. <\/p>\n<p>Sem que houv&eacute;sseis provado por atos a vossa capacidade para reinar,<br \/>\n    nascestes rei; sem que houv&eacute;sseis demonstrado por obras a vastid&atilde;o<br \/>\n    do vosso saber e a clareza da vossa intelig&ecirc;ncia, proclamaram-vos universalmente<br \/>\n    s&aacute;bio. Em todas as prov&iacute;ncias do pensamento o vosso nome coroa-se<br \/>\n    com os louros do triunfador. <\/p>\n<p>Os artistas quando arrancam do som, da palavra, do m&aacute;rmore e da tela<br \/>\n    algum desses grandiosos sonhos, que divinizam a cabe&ccedil;a que se iluminou<br \/>\n    com eles, n&atilde;o se julgam verdadeiramente grandes sem que um olhar de<br \/>\n    Vossa Majestade os laureie. O vosso aplauso &eacute; para todos a suprema<br \/>\n    apoteose. <\/p>\n<p>Os estudiosos e os s&aacute;bios, todos os que imaginam e comovem, que descobrem<br \/>\n    e generalizam, esperam pela vossa cr&iacute;tica monossil&aacute;bica, e o<br \/>\n    sim, ou o n&atilde;o de Vossa Majestade s&atilde;o para eles o Pante&atilde;o,<br \/>\n    ou o Letes, a perpetuidada gl&oacute;ria, ou a eternidade do olvido. <\/p>\n<p>Para Vossa Majestade a vida &eacute; um c&eacute;u primaveril, onde o luar<br \/>\n    prefacia o poema das manh&atilde;s serenas, de que o z&ecirc;nite, enfartado<br \/>\n    de luz, &eacute; epis&oacute;dico, e o crep&uacute;sculo da tarde ep&iacute;logo<br \/>\n    suave, que deixa no esp&iacute;rito indel&eacute;vel reminisc&ecirc;ncia.\n  <\/p>\n<p>No drama de Schiller, em que a condenada Stuart desmaia e suspira, humilha-se<br \/>\n    e solu&ccedil;a, esquecendo &agrave;s vezes a rainha para ser somente a mulher<br \/>\n    sofredora; Isabel, a rainha vitoriosa, tem uma hora de tristeza e de revolta<br \/>\n    e num solil&oacute;quio repassado de despeito exclama: <\/p>\n<p>&laquo;Sou obrigada a respeitar a opini&atilde;o, e a captar os enc&ocirc;mios<br \/>\n    da multid&atilde;o, a dirigir-me ao sabor da plebe, que s&oacute; estima realmente<br \/>\n    os charlat&atilde;es. N&atilde;o &eacute; deveras rei aquele que deve agradar<br \/>\n    ao povo. S&oacute; &eacute; verdadeiramente rei o soberano que reina sem ter<br \/>\n    de dar contas a ningu&eacute;m.&raquo; <\/p>\n<p>Vossa Majestade chegou a essa onipot&ecirc;ncia que Isabel cobi&ccedil;ava.\n  <\/p>\n<p>Os acontecimentos e o meio colocaram Vossa Majestade acima do apoio da oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos seus s&uacute;ditos fi&eacute;is. <\/p>\n<p>O que Vossa Majestade quer, o pa&iacute;s quer.<\/p>\n<p>Em 1878 Vossa Majestade mandou que o pa&iacute;s fosse liberal, e o pa&iacute;s<br \/>\n    votou uma C&acirc;mara un&acirc;nime para sustentar o minist&eacute;rio que<br \/>\n    Vossa Majestade nomeou. <\/p>\n<p>Em 1885 Vossa Majestade decretou que o pa&iacute;s fosse conservador, e ele<br \/>\n    imediatamente, a noventa dias de vista, como uma letra sacada por Vossa Majestade,<br \/>\n    elegeu uma C&acirc;mara genuinamente conservadora para fortalecer, consolidar<br \/>\n    a nova situa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>As frestas indiscretas dos vossos pal&aacute;cios deixam passar de quando<br \/>\n    em quando o som de vossas augustas palavras. <\/p>\n<p>Chegam estas esparsas aos nossos ouvidos, por&eacute;m, miraculosamente,<br \/>\n    por um esfor&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia &agrave; Champollion, o esp&iacute;rito<br \/>\n    p&uacute;blico forma com essas palavras um per&iacute;odo, descobre-lhes o<br \/>\n    sentido e aceita como senten&ccedil;a do destino o que muitas vezes n&atilde;o<br \/>\n    passava de uma fugitiva aspira&ccedil;&atilde;o soberana. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que se soube, por acaso, por inconsistente boato, que Vossa<br \/>\n    Majestade queria ir este ano para a Europa. <\/p>\n<p>Tanto bastou para que todo o Brasil afirmasse que essa viagem &eacute; indispens&aacute;vel;<br \/>\n    que depende dela a salva&ccedil;&atilde;o do Estado. <\/p>\n<p>Desde logo o partido mais &iacute;ntimo do pa&ccedil;o come&ccedil;ou a pleitear<br \/>\n    a elei&ccedil;&atilde;o com entusiasmo e por muito pouco deixou de se constituir<br \/>\n    em maioria na C&acirc;mara dissolvida. <\/p>\n<p>Entretanto, Vossa Majestade limitou-se a negar ao sr. Dantas a for&ccedil;a<br \/>\n    que depois prodigalizou ao sr. Cotegipe. N&atilde;o precisou de empregar outro<br \/>\n    meio: tanto conta com o seu povo. <\/p>\n<p>Ao boato da viagem, em junho pr&oacute;ximo, reuniu-se o de que Vossa Majestade<br \/>\n    pretende abdicar na Seren&iacute;ssima Princesa Imperial, para assessorar<br \/>\n    com o vosso augusto prest&iacute;gio, auspiciando-o, o come&ccedil;o do terceiro<br \/>\n    reinado. <\/p>\n<p>O efeito de tal boato foi pronto.<\/p>\n<p>O pa&iacute;s armou a realeza com uma C&acirc;mara, que n&atilde;o saber&aacute;<br \/>\n    dizer n&atilde;o ao Governo; uma C&acirc;mara que aceitar&aacute; a abdica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e o novo reinado, congratulando-se com a sabedoria de Vossa Majestade. <\/p>\n<p>Entretanto, um lance d&#8217;olhos pelo estado das cousas bastaria em outro qualquer<br \/>\n    pa&iacute;s para converter o povo em tribunal para julgar Vossa Majestade.\n  <\/p>\n<p>Outro qualquer povo citaria o reinado, que pretende liquidar-se para assistir<br \/>\n    ao balan&ccedil;o geral do seu dom&iacute;nio. <\/p>\n<p>A esse julgamento compareceriam as finan&ccedil;as, representadas pelo deficit<br \/>\n    crescente e incur&aacute;vel; o c&acirc;mbio com a sua vertigem de baixa,<br \/>\n    havendo reduzido a um ter&ccedil;o o valor da fortuna p&uacute;blica; os melhoramentos<br \/>\n    materiais feitos para servir fam&iacute;lias e empresas escandalosamente protegidas;<br \/>\n    o esp&iacute;rito p&uacute;blico desorientado por falta da independ&ecirc;ncia<br \/>\n    que d&aacute; a facilidade de trabalho no com&eacute;rcio, nas ind&uacute;strias<br \/>\n    e nas artes; o car&aacute;ter nacional pervertido pela mis&eacute;ria; todas<br \/>\n    as rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas quebradas; todos os v&iacute;nculos<br \/>\n    sociais abalados. <\/p>\n<p>Entre n&oacute;s d&aacute;-se justamente o contr&aacute;rio, em vez de um<br \/>\n    julgamento, o reinado obt&eacute;m uma aclama&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>At&eacute; as minud&ecirc;ncias, para o brilho, decora&ccedil;&atilde;o e<br \/>\n    for&ccedil;a do novo reinado j&aacute; est&atilde;o sendo objeto de especial<br \/>\n    cuidado. <\/p>\n<p>As fam&iacute;lias enriquecidas e prestigiadas pelo favoritismo do reinado,<br \/>\n    que se despede, organizam espontaneamente a corte futura, dando-se t&iacute;tulos,<br \/>\n    criando imperceptivamente uma nobreza, de que a lei n&atilde;o havia tratado<br \/>\n    suficientemente. <\/p>\n<p>No Brasil at&eacute; bem pouco os t&iacute;tulos s&oacute; abrasoavam aqueles<br \/>\n    que os recebiam. Com os titulares extinguia-se a nobreza oficial da fam&iacute;lia.<br \/>\n    Isto era a lei. <\/p>\n<p>Os protegidos do pa&ccedil;o entenderam que a lei procedeu mal n&atilde;o<br \/>\n    estendendo &agrave; fam&iacute;lia a nobreza do chefe, pelo que trataram de<br \/>\n    corrigir a lei, sem interven&ccedil;&atilde;o do parlamento e da maneira a<br \/>\n    mais engenhosa. <\/p>\n<p>Os filhos come&ccedil;aram a juntar aos seus nomes o apelido fidalgo dos<br \/>\n    progenitores. <\/p>\n<p>J&aacute; temos uma grande mata geneal&oacute;gica, dessas &aacute;rvores<br \/>\n    her&aacute;ldicas recentes. <\/p>\n<p>Uma fam&iacute;lia que se chamava, por exemplo, Fernandes Boamorte, e cujo<br \/>\n    chefe foi nomeado bar&atilde;o de Camboat&aacute;, passa por isso mesmo a<br \/>\n    assinar-se Jo&atilde;o Fernandes Boamorte do Camboat&aacute;. <\/p>\n<p>E nos documentos oficiais, e em todas as transa&ccedil;&otilde;es da vida<br \/>\n    come&ccedil;a a figurar essa nobreza! <\/p>\n<p>Deste modo simpl&iacute;ssimo, por&eacute;m engenhoso, conseguem os filhos<br \/>\n    decretar para as suas pessoas a nobreza de seus progenitores e isto sem que<br \/>\n    o poder competente estranhe, nem tome provid&ecirc;ncias para impedir semelhante<br \/>\n    abuso. <\/p>\n<p>Pudera: &eacute; um preparo para a corte futura.<\/p>\n<p>N&atilde;o era mesmo justo que estivesse adiantad&iacute;ssima, como provam<br \/>\n    os salesianos, lazaristas, irm&atilde;s de caridade e toda a gente da roupeta,<br \/>\n    a organiza&ccedil;&atilde;o da corte espiritual, e entretanto a mundana nada<br \/>\n    fizesse para se constituir. <\/p>\n<p>Permiti, pois, meu senhor, que eu vos fa&ccedil;a um pedido, muito simples<br \/>\n    e muito natural, e que mais uma vez demonstrar&aacute; quanto sois bom. <\/p>\n<p>O vosso Partido Conservador tem provado que est&aacute; &agrave; altura de<br \/>\n    vosso reinado. <\/p>\n<p>No &uacute;ltimo pleito ele, em obedi&ecirc;ncia &agrave;s recomenda&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de Vossa Majestade para que se n&atilde;o coarctasse a liberdade de voto,<br \/>\n    deu a todo o eleitorado a mais ampla liberdade para votar&#8230; no Governo. <\/p>\n<p>Ele est&aacute; demonstrando diariamente que sabe manter a ordem, com a lei<br \/>\n    ou sem ela; e manter a lei dentro ou fora da ordem. <\/p>\n<p>O Partido Conservador est&aacute; benquisto com o pa&iacute;s, de que &eacute;<br \/>\n    o genu&iacute;no representante, na frase eloq&uuml;ente das urnas. <\/p>\n<p>Acontece, por&eacute;m, meu senhor, que um pensamento mau atravessou a cabe&ccedil;a<br \/>\n    do sr. de Cotegipe, segundo se diz. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; falou em apresentar ao parlamento um projeto emancipando os<br \/>\n    escravos em cinco anos. <\/p>\n<p>Eu sei que o ilustre bar&atilde;o n&atilde;o &eacute; homem que se prenda<br \/>\n    ao que promete. <\/p>\n<p>Desde 1854 apresentou ele um projeto sobre tr&aacute;fico interprovincial<br \/>\n    e, n&atilde;o obstante em trinta anos, apesar de sua influ&ecirc;ncia real,<br \/>\n    n&atilde;o se lembrou de fazer discutir por sua conta o projeto. <\/p>\n<p>O que o sr. bar&atilde;o de Cotegipe promete n&atilde;o quer dizer o que<br \/>\n    o sr. bar&atilde;o de Cotegipe far&aacute;. <\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, h&aacute; na lavoura do pa&iacute;s uma parte ing&ecirc;nua,<br \/>\n    que n&atilde;o conhece os nossos homens, e que pode tomar a s&eacute;rio o<br \/>\n    projeto do sr. presidente do Conselho. <\/p>\n<p>Em nome dessa lavoura eu pe&ccedil;o a Vossa Majestade que se digne de aconselhar<br \/>\n    o sr. de Cotegipe a que mande desmentir esse boato comprometedor. <\/p>\n<p>A escravid&atilde;o deve ser conservada: n&atilde;o se deve bulir nela. Assim<br \/>\n    como est&aacute;, est&aacute; muito bem. <\/p>\n<p>Se n&atilde;o houvesse quem quisesse ser escravo, n&atilde;o haveria escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>O sr. Coelho Bastos quando raspa cabe&ccedil;as e encolhe os ombros &agrave;s<br \/>\n    not&iacute;cias de torturas contra escravos &eacute; porque tem certeza de<br \/>\n    que nada h&aacute; a temer. <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio sr. de Cotegipe j&aacute; declarou que a escravid&atilde;o<br \/>\n    estava na massa do sangue nacional&#8230; E &eacute; verdade; do contr&aacute;rio<br \/>\n    Vossa Majestade j&aacute; teria visto o povo decretar o que Vossa Majestade<br \/>\n    n&atilde;o quer decretar: a demiss&atilde;o do sr. Coelho Bastos. <\/p>\n<p>N&atilde;o, imperial senhor, n&atilde;o! O sr. de Cotegipe vai mal por esse<br \/>\n    caminho. &Eacute; preciso que Vossa Majestade o chame &agrave; ordem. <\/p>\n<p>Nada de pressas: o negro para onde vai h&aacute; de chegar -&agrave; cova.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o libertemos esses dem&ocirc;nios sen&atilde;o depois de mortos<br \/>\n    e isto mesmo indenizando o senhor. <\/p>\n<p>O projeto vem trazer complica&ccedil;&otilde;es e perturbar a digest&atilde;o<br \/>\n    de Vossa Majestade Imperial. <\/p>\n<p>Rasgos de filantropia nestas desoras da nossa pol&iacute;tica!<\/p>\n<p>Senhor, meu senhor, em nome da vossa fortuna, em nome da vossa coroa, &eacute;<br \/>\n    preciso conter o sr. bar&atilde;o de Cotegipe. <\/p>\n<p><b>6 fev. 1886<\/b><\/p>\n<h2>13-II-1886<\/h2>\n<p> Senhor.<\/p>\n<p>Diante dos tra&ccedil;os de m&aacute;rmore, sagrados pelo cinzel dos artistas,<br \/>\n    epit&aacute;fios seculares de civiliza&ccedil;&otilde;es mortas, o viajante,<br \/>\n    que estuda e pensa, se entristece com a pr&oacute;pria grandeza do espet&aacute;culo<br \/>\n    que se desdobra aos seus olhos. <\/p>\n<p>Nos templos vazios, sem fi&eacute;is e sem deuses, como que ele ouve os risos<br \/>\n    e solu&ccedil;os dos dias de festa e de luto, das horas de regozijo e das<br \/>\n    horas de desesperan&ccedil;a. <\/p>\n<p>Tal me acontece quando folheio a hist&oacute;ria da minha p&aacute;tria,<br \/>\n    outrora templo grandioso formado pelo civismo de gera&ccedil;&otilde;es fortes,<br \/>\n    que o tempo e as revolu&ccedil;&otilde;es devoraram e de que hoje restam somente<br \/>\n    as ossadas, santas ru&iacute;nas do patriotismo vitimado. <\/p>\n<p>Aprofunda-se-me o desalento tanto mais quanto vejo &agrave; flor o desinteresse<br \/>\n    dos tempos que l&aacute; v&atilde;o e o entusiasmo civilizador, que nos conquistou<br \/>\n    lugar entre os povos independentes. <\/p>\n<p>No meio da noite moral do presente, que se n&atilde;o fende em nenhum raio<br \/>\n    de luz anunciando pr&oacute;ximo alvorecer; noite em que n&atilde;o sinto<br \/>\n    a incuba&ccedil;&atilde;o de uma aurora redentora do pesadelo de humilha&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    com que ela nos tortura e angustia, pergunto a mim mesmo se n&atilde;o seria<br \/>\n    melhor, como as aves amigas da escurid&atilde;o, habituar-me &agrave;s trevas<br \/>\n    e ao &oacute;leo da l&acirc;mpada do vosso pal&aacute;cio, alimento predileto<br \/>\n    dos caracteres da nossa decad&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Outrora as almas brasileiras nutriam-se da consci&ecirc;ncia da soberania<br \/>\n    popular, fortaleciam-se com ela e n&atilde;o era raro ouvir-se do alto da<br \/>\n    forca, como do tamborete do fuzilando, estas frases her&oacute;icas: liberdade<br \/>\n    ainda que tarde; morrem os liberais, mas n&atilde;o morre a liberdade. <\/p>\n<p>Essas palavras eram adubo sagrado &agrave;s convic&ccedil;&otilde;es, repastavam<br \/>\n    de seiva e de vi&ccedil;o a floresc&ecirc;ncia da f&eacute;. <\/p>\n<p>Hoje, por&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; mais quem pronuncie naturalmente<br \/>\n    semelhantes frases; quem as escreva com o alfabeto da cren&ccedil;a. O patriotismo,<br \/>\n    &eacute; certo, ainda cria her&oacute;is, mas estes s&atilde;o a reprodu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do intr&eacute;pido Nzambi dos palmares; desesperados que combatem olhando<br \/>\n    para a montanha do mart&iacute;rio, a Tarp&eacute;ia sinistra de que se precipitar&atilde;o<br \/>\n    para salvar a honra. <\/p>\n<p>Vossa Majestade n&atilde;o tem, pois, motivo para queixar-se de quem subscreve<br \/>\n    estas linhas. <\/p>\n<p>Deve-se a verdade ao inqu&eacute;rito da morte.<\/p>\n<p>Talvez vos pare&ccedil;a descabida esta &uacute;ltima palavra; mas apresso-me<br \/>\n    em demonstrar-vos que ela est&aacute; a&iacute; porque os acontecimentos obrigam-me<br \/>\n    a escrev&ecirc;-la. <\/p>\n<p>Vossa Majestade sabe que um punhado de homens jurou &agrave; sua honra defender<br \/>\n    a causa dos escravizados, com o sacrif&iacute;cio da sua vida, se tanto for<br \/>\n    necess&aacute;rio arriscar na sustenta&ccedil;&atilde;o de um direito, neste<br \/>\n    pa&iacute;s que se diz civilizado e crist&atilde;o. <\/p>\n<p>Durante seis longos anos esse punhado de homens tem dado provas repetidas<br \/>\n    do esp&iacute;rito de concilia&ccedil;&atilde;o, que os inspira na propaganda<br \/>\n    da reden&ccedil;&atilde;o dos seus semelhantes. <\/p>\n<p>O Governo de Vossa Majestade mesmo o afirmou solenemente no parlamento, quando<br \/>\n    por um momento hasteou no poder a bandeira das nossas aspira&ccedil;&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>Inopinadamente, muda-se a atitude governamental, e ao mesmo tempo que a mentira<br \/>\n    oficial manda anunciar ao mundo que est&aacute; decretada a aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da escravid&atilde;o no Brasil, recome&ccedil;a a persegui&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    a tortura dos escravizados. <\/p>\n<p>Vossa Majestade deve ter lido as not&iacute;cias envergonhadoras, publicadas<br \/>\n    pela imprensa. <\/p>\n<p>A Secretaria de Pol&iacute;cia converteu-se em uma casa de consigna&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de fazendeiros b&aacute;rbaros, que a autorizam a enviar-lhes, n&atilde;o<br \/>\n    j&aacute; os escravos, mas a cabe&ccedil;a deles, para exemplo dos outros,<br \/>\n    lembrando assim o reinado de vossa augusta bisav&oacute; -a douda, espetando<br \/>\n    a cabe&ccedil;a de Tiradentes para exemplo &agrave;s impaci&ecirc;ncias democr&aacute;ticas.\n  <\/p>\n<p>Todos os dias a Casa de Deten&ccedil;&atilde;o e o xadrez da reparti&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    central de pol&iacute;cia abrem-se para despachar pelos vag&otilde;es da estrada<br \/>\n    de ferro de d. Pedro II v&iacute;timas para os a&ccedil;ougues dos carniceiros<br \/>\n    rurais. <\/p>\n<p>Em v&atilde;o temos reclamado do Governo provid&ecirc;ncias contra semelhantes<br \/>\n    embarques, que degeneram em atos de barbaria. <\/p>\n<p>As not&iacute;cias dos espancamentos, dos arrochos com cordas e algemas,<br \/>\n    dos suic&iacute;dios de escravizados mancham diariamente a hist&oacute;ria<br \/>\n    do vosso reinado, mosqueando a vossa p&uacute;rpura de modo a ser natural<br \/>\n    confundi-lo com a pele de um tigre. <\/p>\n<p>Entretanto, Vossa Majestade conserva-se impass&iacute;vel. Longe da corte,<br \/>\n    nas alturas de Petr&oacute;polis, cercado dos entes a quem adora, podendo<br \/>\n    espregui&ccedil;ar-se como Francisco I e tiranizar como Lu&iacute;s XI, Vossa<br \/>\n    Majestade lan&ccedil;a pelo desprezo o fermento da revolta nos esp&iacute;ritos<br \/>\n    dos raros que ainda entendem que a vida &eacute; pouco sem a honra. <\/p>\n<p>Sabem todos que o sr. chefe de pol&iacute;cia da corte n&atilde;o ser&aacute;<br \/>\n    demitido, enquanto ecoar o tremendo Aqui d&#8217;El-rei da imprensa em nome dos<br \/>\n    escravizados. <\/p>\n<p>Pergunta-se quem &eacute; este funcion&aacute;rio que vale mais do que a<br \/>\n    reputa&ccedil;&atilde;o de um povo e do que a vida de brasileiros? <\/p>\n<p>Os fatos respondem secamente: &eacute; um homem que foi ao parlamento dizer<br \/>\n    que estava doente para n&atilde;o ir para a prov&iacute;ncia do Par&aacute;,<br \/>\n    como desembargador; &eacute; um homem que n&atilde;o teve escr&uacute;pulos<br \/>\n    de pedir dinheiro ao Estado para alimentar-se durante o tempo em que se evadiu<br \/>\n    dos seus deveres; &eacute; um funcion&aacute;rio fugido das suas fun&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    e acoutado por um Governo, que entende que seus amigos podem viver &agrave;<br \/>\n    custa do Tesouro sem trabalhar, contanto que finjam mol&eacute;stia at&eacute;<br \/>\n    que se lhes melhore a dieta. <\/p>\n<p>Apelamos para a honra de Vossa Majestade neste momento: e vos emprazamos<br \/>\n    a que nos desmintais. <\/p>\n<p>Vossa Majestade n&atilde;o pode negar que tem como chefe de pol&iacute;cia<br \/>\n    um funcion&aacute;rio que faltou a verdade &agrave; C&acirc;mara dos Deputados,<br \/>\n    que fez junto dela a chantagem da mol&eacute;stia e que se curou com o decreto<br \/>\n    que o nomeou para o cargo que exerce. <\/p>\n<p>E &eacute; esse homem que faz da sua autoridade a capa dos crimes que nos<br \/>\n    horrorizam. <\/p>\n<p>Um dia, na casa do sr. presidente do Conselho, estava o sr. chefe de pol&iacute;cia<br \/>\n    e disse alegremente: <\/p>\n<p>-Acabo de mandar mais um vag&atilde;o deles. <\/p>\n<p>-E n&atilde;o h&aacute; perigo? -perguntou-lhe o presidente do Conselho.\n  <\/p>\n<p>-N&atilde;o; v&atilde;o em carro fechado.<\/p>\n<p>-Com este calor?! pode sobrevir algum acidente.<\/p>\n<p>-Qual calor: esta gente l&aacute; sente cousa alguma&#8230;<\/p>\n<p>E o sr. chefe de pol&iacute;cia tinha a fisionomia dilatada, quando proferia<br \/>\n    estas palavras. <\/p>\n<p>Mais ainda, senhor.<\/p>\n<p>Um empregado da Estrada de Ferro, que tem o vosso nome, coincid&ecirc;ncia<br \/>\n    trist&iacute;ssima, referiu-nos este suic&iacute;dio: <\/p>\n<p>Um escravizado, que estava amarrado de p&eacute;s e m&atilde;os, conseguiu<br \/>\n    sentar-se, e, depois de espeda&ccedil;ar a vidra&ccedil;a com uma cabe&ccedil;ada,<br \/>\n    cortou a car&oacute;tida num fragmento de vidro, que ficou preso ao caixilho<br \/>\n    e morreu esva&iacute;do em sangue. <\/p>\n<p>O Paiz, &oacute;rg&atilde;o que Vossa Majestade deve conhecer, referiu o<br \/>\n    caso de um escravo, em que embarcando na estrada do vosso nome, em Juiz de<br \/>\n    Fora, precipitou-se entre os trilhos, deixando-se esmagar pelos vag&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>Consta a Vossa Majestade que se tenha aberto inqu&eacute;rito a respeito?\n  <\/p>\n<p>Quer isto dizer, senhor, que n&atilde;o h&aacute; esperar do poder p&uacute;blico<br \/>\n    uma provid&ecirc;ncia, um pouco de piedade para os m&iacute;seros escravizados.\n  <\/p>\n<p>Levado pelo desespero, o punhado de homens que se comprometem a defender<br \/>\n    esses desventurados, n&atilde;o pode querer um dia protestar em pessoa contra<br \/>\n    esses abusos? <\/p>\n<p>O que lhes acontecer&aacute;? Ser&atilde;o assassinados legalmente, porque<br \/>\n    v&atilde;o resistir a uma ordem da autoridade. <\/p>\n<p>Eis por que escrevi a palavra morte. Vossa Majestade parece haver decidido<br \/>\n    a nossa imola&ccedil;&atilde;o, pois que outra significa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    n&atilde;o pode ter a conserva&ccedil;&atilde;o de uma autoridade, que faz<br \/>\n    timbre em se mostrar desumana. <\/p>\n<p>De par com estas barbaridades contra v&iacute;timas indefesas, a difama&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos abolicionistas, por todos os meios: o assalto contra os seus cora&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    e contra os seus meios de vida. <\/p>\n<p>A Caixa Econ&ocirc;mica Perseveran&ccedil;a Brasileira &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que faz honra ao pa&iacute;s, honrando ao seu fundador; a pol&iacute;cia a<br \/>\n    manda difamar e at&eacute; a amea&ccedil;a de pedir ao Governo a sua supress&atilde;o,<br \/>\n    e isto s&oacute; porque o cidad&atilde;o Jo&atilde;o Clapp n&atilde;o quer<br \/>\n    alistar-se no batalh&atilde;o dos capit&atilde;es-do-mato. <\/p>\n<p>E o mais doloroso, senhor, &eacute; que o dinheiro que n&oacute;s pagamos<br \/>\n    para ser despendido com a garantia oficial da nossa honra e da nossa vida<br \/>\n    de cidad&atilde;os, &eacute; esse dinheiro sagrado que a pol&iacute;cia desvia<br \/>\n    para empregar criminosamente em difamar-nos. A conseq&uuml;&ecirc;ncia de<br \/>\n    tais atos &eacute; a recrudesc&ecirc;ncia da perversidade dos senhores contra<br \/>\n    os escravizados. <\/p>\n<p>Ainda anteontem, duas menores foram exibidas ao p&uacute;blico e &agrave;<br \/>\n    imprensa e s&oacute; n&atilde;o o foram a Vossa Majestade, porque estava em<br \/>\n    Petr&oacute;polis. Eduarda e Joana atestaram pelos seus corpos chagados, pelos<br \/>\n    rostos desfigurados, pelos gilvazes do relho infamante, a hediondez da institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    fatal, que n&oacute;s combatemos. <\/p>\n<p>Joana est&aacute; &agrave;s portas da morte; &eacute; uma tuberculosa; o<br \/>\n    seu leito de moribunda n&atilde;o bastou para servir de anteparo &agrave;<br \/>\n    perversidade do algoz. <\/p>\n<p>Quer agora Vossa Majestade saber at&eacute; onde tem descido este pa&iacute;s?<br \/>\n    Tem havido dificuldade em fazer o corpo de delito nas supliciadas. <\/p>\n<p>Vossa Majestade pode medir por esta revela&ccedil;&atilde;o qual o abismo<br \/>\n    a que temos descido e qual a sua profundidade. <\/p>\n<p>Senhor, estas linhas, que pretensiosamente aspiram a um olhar vosso, t&ecirc;m<br \/>\n    por fim somente uma s&uacute;plica e entretanto n&atilde;o encerram nem queixa,<br \/>\n    nem pedido de piedade. <\/p>\n<p>Sei que na pol&iacute;cia da corte se est&atilde;o forjando processos contra<br \/>\n    todos os abolicionistas. <\/p>\n<p>Sou um deles.<\/p>\n<p>Nesses processos visa-se a nossa dignidade. A lei manda punir o a&ccedil;outador<br \/>\n    de escravos, mas n&atilde;o &eacute; a este que os processos se dirigem; &eacute;<br \/>\n    &agrave; honra dos audazes que se afoutaram a perturbar o sono e a tranq&uuml;ilidade<br \/>\n    dos piratas e seus herdeiros, vossos protegidos, comensais e sustentadores.\n  <\/p>\n<p>Vossa Majestade ordene &agrave; pol&iacute;cia que no meu processo, ao inqu&eacute;rito<br \/>\n    siga-se imediatamente a pris&atilde;o preventiva, e ordem de execu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    clandestinamente na Casa de Deten&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Vossa Majestade v&ecirc; que eu n&atilde;o me dirijo mais a ningu&eacute;m.<br \/>\n    &Eacute; com Vossa Majestade somente que eu me entendo. <\/p>\n<p>Sei que s&oacute; vivo, porque Vossa Majestade n&atilde;o tem consentido<br \/>\n    no meu assassinato. <\/p>\n<p>Correspondo a esse favor fazendo-vos a s&uacute;plica que a&iacute; fica.\n  <\/p>\n<p>Eu n&atilde;o quero viver desonrado e Vossa Majestade sabe que no esterquil&iacute;nio<br \/>\n    da pol&iacute;cia secreta h&aacute; elementos para fazer pairar a d&uacute;vida<br \/>\n    sobre a reputa&ccedil;&atilde;o mais firmada. <\/p>\n<p>&Eacute; s&oacute;, imperial senhor.<\/p>\n<p>No mais desejo que Vossa Majestade viva feliz e que nunca, nem por si, pelos<br \/>\n    seus, sofra as torturas infligidas &agrave; ra&ccedil;a, de que Vossa Majestade<br \/>\n    bebe o sangue e as l&aacute;grimas sob a forma de lista civil. <\/p>\n<p><b>13 fev. 1886<\/b><\/p>\n<h2>6-III-1886<\/h2>\n<p> Temos na pasta da Agricultura um novo Jefferson Davis.<\/p>\n<p>O sr. Ant&ocirc;nio Prado entende que a pedra fundamental do Estado deve<br \/>\n    ser a escravid&atilde;o e s&oacute; a escravid&atilde;o. Nem um palmo de ch&atilde;o<br \/>\n    redimido neste negro territ&oacute;rio cativo. Nem um lampejo na homogeneidade<br \/>\n    da treva. Tudo escuro, noite velha para o sabath das agonias sem fim. <\/p>\n<p>Da&iacute; o ilustre ministro fechar todas as frestas por onde possa entrar<br \/>\n    uma r&eacute;stia de claridade para dentro do c&aacute;rcere sombrio, onde<br \/>\n    uma ra&ccedil;a desventurada dorme o sono pesado das gal&eacute;s perp&eacute;tuas<br \/>\n    a que foi condenada. <\/p>\n<p>O Amazonas e o Cear&aacute;, esses dous regatos afluentes do grande Jord&atilde;o,<br \/>\n    que em 1889 h&aacute; de batizar o Brasil na religi&atilde;o da igualdade<br \/>\n    humana, respingam a consci&ecirc;ncia esclavagista com gotas frias como o<br \/>\n    sangue remorditivo na fronte do rei Canuto. <\/p>\n<p>O sr. ministro da Agricultura entendeu que devia sec&aacute;-los, aterr&aacute;-los<br \/>\n    com o lixo humano da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; n&atilde;o quer &aacute;guas cristalinas; s&oacute; lhe aprazem<br \/>\n    os p&acirc;ntanos, sejam os formados pelo enxurro da institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    maldita, sejam os do dr. Possid&ocirc;nio. <\/p>\n<p>Mandou restaurar o tr&aacute;fico em terras emancipadas. Nada de quebrar-se<br \/>\n    a integridade da vergonha nacional. <\/p>\n<p>A lei de 28 de setembro de 1871, a Lei Rio Branco, mandou que nenhuma carta<br \/>\n    de liberdade pudesse ser cassada, e para isso derrogou a Ordena&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>J&aacute; o Direito Romano havia preceituado: que uma vez proferida uma lei<br \/>\n    sobre liberdade, nunca pudesse ser revogada: semel pro libertate dictam sententiam<br \/>\n    retractari non opportet. <\/p>\n<p>Mas o sr. ministro da Agricultura, que reconhece a escravid&atilde;o como<br \/>\n    contr&aacute;ria &agrave; Religi&atilde;o, &agrave; Moral e &agrave; Filosofia<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; homem que se atenha a semelhantes nugas. Decretou sem<br \/>\n    cerim&ocirc;nia que o Cear&aacute; e o Amazonas se reenquadrem na escravid&atilde;o.<br \/>\n    A prova &eacute; o seu of&iacute;cio ao presidente do Cear&aacute;, nestes<br \/>\n    termos: <\/p>\n<p>&laquo;Ilm.&ordm;, e Exm.&ordm; Sr.- Tratando V. Ex.&ordf; de dar execu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &agrave; Lei n. 3.270, de 28 de setembro de 1885, ordenou por of&iacute;cio<br \/>\n    de 28 de janeiro &agrave; Tesouraria de Fazenda que a nova matr&iacute;cula<br \/>\n    de escravos e o arrolamento dos libertos pela idade sejam abertos t&atilde;o-somente<br \/>\n    no Munic&iacute;pio de Milagres, onde se verificou a exist&ecirc;ncia de 298<br \/>\n    escravos depois do ato comemorativo da extin&ccedil;&atilde;o do elemento<br \/>\n    servil dessa prov&iacute;ncia em 25 de mar&ccedil;o de 1884. <\/p>\n<p>N&atilde;o aprovo o ato de V. Ex.&ordf; pelo motivo exposto no aviso que<br \/>\n    em data de 23 do corrente expedi &agrave; Presid&ecirc;ncia do Amazonas; e<br \/>\n    recomendo-lhe que fa&ccedil;a remeter a todos os munic&iacute;pios da prov&iacute;ncia<br \/>\n    os livros respectivos e as instru&ccedil;&otilde;es convenientes para que<br \/>\n    o servi&ccedil;o da matr&iacute;cula e do arrolamento sejam ali iniciados<br \/>\n    na forma prescrita pelo Regulamento de 14 de novembro do ano passado. <\/p>\n<p>Fica assim respondido o of&iacute;cio de V. Ex.&ordf; de 1 do corrente. <\/p>\n<p>Deus guarde a V. Ex.&ordf;.- Ant&ocirc;nio da Silva Prado.- Sr. presidente<br \/>\n    da prov&iacute;ncia do Cear&aacute;.&raquo; \n  <\/p>\n<p>Quer isto dizer que o sr. ministro da Agricultura reduz de novo &agrave;<br \/>\n    escravid&atilde;o o Cear&aacute; e o Amazonas. <\/p>\n<p>Pode-se iniciar naqueles territ&oacute;rios livres a matr&iacute;cula de<br \/>\n    escravos! <\/p>\n<p>No seu op&uacute;sculo hoje publicado, Eclipse do Abolicionismo, Joaquim<br \/>\n    Nabuco diz esta grande verdade a respeito do imperador: <\/p>\n<p>&laquo;&#8230; sabe que nunca perguntou aos milhares de pequenos senhores feudais<br \/>\n    possuidores do territ&oacute;rio e do povo da sua monarquia, quando lhe iam<br \/>\n    humildemente beijar a m&atilde;o e ele os fazia bar&otilde;es e viscondes:<br \/>\n    Como est&atilde;o seus escravos? S. M. sempre foi um bom lim&iacute;trofe:<br \/>\n    suserano de cada um deles, vassalo de todos eles juntos, o representante da<br \/>\n    Realeza nunca atravessou a linha divis&oacute;ria entre a soberania do Estado<br \/>\n    e a soberania da Escravid&atilde;o.&#038;raquoraquo; \n  <\/p>\n<p>O aviso do sr. ministro da Agricultura e a conserva&ccedil;&atilde;o do atual<br \/>\n    minist&eacute;rio &eacute; uma prova real desta afirma&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Se o imperador n&atilde;o fosse, como &eacute;, um liberto com condi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de servir &agrave; oligarquia dos traficantes de carne humana, revoltar-se-ia<br \/>\n    contra um minist&eacute;rio, que abusando da fraqueza de um povo e da velhice<br \/>\n    an&ecirc;mica de um rei, governa-o com as m&atilde;os tintas do sangue, derramado<br \/>\n    durante as elei&ccedil;&otilde;es, e se deleita em ostentar a barbaria da<br \/>\n    classe de que &eacute; representante. <\/p>\n<p>Admitamos por um momento que h&aacute; regi&otilde;es do pa&iacute;s em que<br \/>\n    a escravid&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria; admitamos que h&aacute; prov&iacute;ncias<br \/>\n    cuja fortuna est&aacute; chumbada, como uma corrente de sentenciado, aos p&eacute;s<br \/>\n    do escravo. <\/p>\n<p>O Governo seco do interesse pode justificar por esta circunst&acirc;ncia<br \/>\n    a conserva&ccedil;&atilde;o do elemento escravo nessas regi&otilde;es. <\/p>\n<p>N&atilde;o assim, por&eacute;m, quanto a regi&otilde;es que, emancipando-se,<br \/>\n    declararam prescindir daquele condenado instrumento de trabalho. Nada justifica<br \/>\n    a imposi&ccedil;&atilde;o do escravo a prov&iacute;ncias, que declararam espontaneamente<br \/>\n    dispens&aacute;-lo. <\/p>\n<p>O sr. Ant&ocirc;nio Prado faz muito bem: o vencedor deve aproveitar-se da<br \/>\n    vit&oacute;ria. <\/p>\n<p>Restaurando a escravid&atilde;o no Cear&aacute;, n&atilde;o &eacute; aos<br \/>\n    abolicionistas plebeus, sem for&ccedil;as para puni-lo, n&atilde;o &eacute;<br \/>\n    a esses que S. Ex.&ordf; vence: &eacute; ao imperador. <\/p>\n<p>O imperador &eacute; um dos c&uacute;mplices do crime de liberta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Cear&aacute;. <\/p>\n<p>Nas v&eacute;speras da primeira liberta&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio<br \/>\n    desta prov&iacute;ncia, Sua Majestade recebeu este telegrama: <\/p>\n<p>&laquo;A Sua Majestade o Imperador.<\/p>\n<p>Acarape liberta-se por subscri&ccedil;&atilde;o popular; falta o nome de<br \/>\n    Vossa Majestade. <\/p>\n<p>Jos&eacute; do Patroc&iacute;nio.&raquo; \n  <\/p>\n<p>E Sua Majestade cavalheirosamente respondeu pela Mordomia mandando 1:000$<br \/>\n    para a subscri&ccedil;&atilde;o popular. <\/p>\n<p>Mais tarde, quando a prov&iacute;ncia libertou-se, ainda o imperador aplaudiu<br \/>\n    o ato. <\/p>\n<p>O imperador, portanto, reconheceu a liberta&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute;:<br \/>\n    considerou-a regular e legal. <\/p>\n<p>Fez mais: aceitou dos cearenses desta corte uma pena de &aacute;guia, cravejada<br \/>\n    de brilhantes, para assinar com ela o decreto da emancipa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    total dos escravos do Brasil. E Sua Majestade mostrou-se contente com a lembran&ccedil;a<br \/>\n    de seu nome em hora de tamanho regozijo nacional. <\/p>\n<p>Consentir na abertura de matr&iacute;culas na prov&iacute;ncia &eacute;,<br \/>\n    pois, confessar-se vencido. <\/p>\n<p>Certos de que o imperador n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o o delegado da<br \/>\n    escravid&atilde;o no trono; certos de que Sua Majestade n&atilde;o pode sacrificar<br \/>\n    a sua posi&ccedil;&atilde;o e a de sua fam&iacute;lia por amor de um milh&atilde;o<br \/>\n    de desgra&ccedil;ados; vamos pedir-lhe um favor: <\/p>\n<p>Continue Sua Majestade a receber a sua lista civil arrancada a relhadas das<br \/>\n    costas da escravatura; continue a arrebicar-se com os papos de tucano, que<br \/>\n    t&ecirc;m a maciez da carne esponjosa das chagas dos escravos surrados. <\/p>\n<p>N&oacute;s n&atilde;o queremos indisp&ocirc;-lo com o seu s&eacute;quito,<br \/>\n    nem torturar-lhe o cora&ccedil;&atilde;o fazendo-o ser repreendido como o<br \/>\n    foi por ocasi&atilde;o em que entrou o doudo no pal&aacute;cio de Petr&oacute;polis,<br \/>\n    dia aziago em que Sua Majestade ouviu estas palavras: <\/p>\n<p>-Tamb&eacute;m para que &eacute; que se mete com a aboli&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Queremos um favor muito simples: &eacute; que Sua Majestade restitua aos<br \/>\n    cearenses a pena que recebeu. <\/p>\n<p>Ela n&atilde;o lhe pertence mais; Sua Majestade n&atilde;o tem mais o direito<br \/>\n    de servir-se dela, salvo se a quer empregar em escrever a ordem de destrui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos &uacute;ltimos abolicionistas. <\/p>\n<p>A n&atilde;o ser para dar-lhe esse emprego, n&atilde;o vemos nenhuma raz&atilde;o<br \/>\n    para Sua Majestade guard&aacute;-la. <\/p>\n<p>Sua Majestade deve restituir a pena de &aacute;guia do abolicionismo; nos<br \/>\n    seus dedos s&oacute; fica bem a pena de pato do servilismo nacional. <\/p>\n<p><b>6 mar. 1886<\/b><\/p>\n<h2>5-VI-1886<\/h2>\n<p> O imperador n&atilde;o cabe em si de contente. Sua Majestade fazia o maior<br \/>\n    empenho em ter nos seus dom&iacute;nios a grande atriz que &eacute; um dos<br \/>\n    orgulhos da Fran&ccedil;a, aquela a que a moderna cr&iacute;tica chama simplesmente<br \/>\n    Mlle. Sarah Bernhardt para significar que v&ecirc; nela representada a eterna<br \/>\n    virgindade de arte. <\/p>\n<p>Que noites deliciosas tem tido o nosso augusto amo e senhor! Como Sua Majestade<br \/>\n    baba e cochila! N&atilde;o &eacute; s&oacute; o papel vermelho do seu camarim<br \/>\n    que lhe empresta &agrave; fisionomia os tons quentes, que a revestem durante<br \/>\n    alguns lances; &eacute; principalmente o reflexo da labareda de j&uacute;bilo<br \/>\n    que lhe escalda a imagina&ccedil;&atilde;o. Crepitam-lhe fagulhas nos olhos;<br \/>\n    h&aacute; no seu corpo durante as cenas violentas movimentos de serpentes<br \/>\n    de fara&oacute; de fogo de sal&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso ser feliz para ter um pa&iacute;s nas condi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    atuais do Brasil: o sr. Cotegipe para domin&aacute;-lo pela gargalhada; Sarah<br \/>\n    Bernhardt para embriag&aacute;-lo com a ambrosia dos deuses. <\/p>\n<p>Desde que chegou a imortal atriz, o term&ocirc;metro pol&iacute;tico baixou<br \/>\n    at&eacute; zero. Ningu&eacute;m mais se ocupou nem das oscila&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    do c&acirc;mbio, nem da baixa das ap&oacute;lices, da retra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do caf&eacute;, nem das depura&ccedil;&otilde;es violentas e escandalosas,<br \/>\n    nem da atitude desdenhosa do sr. presidente do Conselho. O pr&oacute;prio<br \/>\n    esp&oacute;lio Sousa Carvalho, que emalha em si a honra da magistratura, n&atilde;o<br \/>\n    tem despertado o interesse que era de esperar, em um pa&iacute;s onde cada<br \/>\n    um cuidasse mais dos seus direitos sociais e pol&iacute;ticos do que dos seus<br \/>\n    prazeres. <\/p>\n<p>Entretanto, cada um destes assuntos &eacute; ou sintoma da aproxima&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de uma &eacute;poca revolucion&aacute;ria, ou da mais completa decad&ecirc;ncia<br \/>\n    popular. O estudo dos fen&ocirc;menos pol&iacute;ticos desdobrados ultimamente<br \/>\n    em nossa Hist&oacute;ria leva o esp&iacute;rito imparcial a cogitar em dias<br \/>\n    amargos para a p&aacute;tria. <\/p>\n<p>Onde ir&aacute; parar este pa&iacute;s, onde o Governo s&oacute; se apresenta<br \/>\n    como o fator da ru&iacute;na moral, econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica do povo?\n  <\/p>\n<p>Na decad&ecirc;ncia a mais completa, dizem os que comparam o estado do pa&iacute;s<br \/>\n    com a atitude do sr. presidente do Conselho. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; reduziu o Governo representativo a uma exibi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Rigoletto tomando para si o papel do velho buf&atilde;o do nosso velho<br \/>\n    duque de M&acirc;ntua. <\/p>\n<p>Aos protestos que a honra levanta, aos solu&ccedil;os com que a p&aacute;tria,<br \/>\n    a grande fam&iacute;lia, se desafoga; S. Ex.&ordf; responde com umas jogralices,<br \/>\n    acompanhadas pelo coro dos apoiados da maioria. <\/p>\n<p>Mas, S. Ex.&ordf; &eacute; um Rigoletto incorrig&iacute;vel, porque voltou<br \/>\n    a servir na corte, depois de lhe ter ca&iacute;do em casa uma vez, o capricho<br \/>\n    do seu soberano. <\/p>\n<p>J&aacute; a sua reputa&ccedil;&atilde;o, filha dileta de longos anos de disciplina<br \/>\n    partid&aacute;ria, de servi&ccedil;os aos seus amigos, foi manchada pelo capricho<br \/>\n    imperial, que n&atilde;o s&oacute; quis que se soubesse n&atilde;o ter intervindo<br \/>\n    na marcha pol&iacute;tica durante a fase do incognito, como, tamb&eacute;m,<br \/>\n    condenou pela dissolu&ccedil;&atilde;o a C&acirc;mara e o partido que haviam<br \/>\n    emprestado a sua co-responsabilidade ao erro da comandita Janu&aacute;rio<br \/>\n    &amp; Masset. <\/p>\n<p>Entretanto, o Rigoletto imperial presta-se ainda a colocar-se diante dos<br \/>\n    que se queixam e cobre o seu soberano com uma pirueta e quatro momices. <\/p>\n<p>T&ecirc;m, pois, raz&atilde;o, os que inferem do exame do presente a decad&ecirc;ncia<br \/>\n    absoluta do povo. <\/p>\n<p>Era o pr&oacute;prio decoro pessoal que impedia o sr. de Cotegipe de tomar<br \/>\n    a atitude que tem tomado. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; ou n&atilde;o devia aceitar o Governo, ou tomando-o devia fazer<br \/>\n    dele um meio de reabilita&ccedil;&atilde;o do seu nome. <\/p>\n<p>De toda a carreira parlamentar de S. Ex.&ordf;, s&oacute; h&aacute; uma p&aacute;gina<br \/>\n    de que a Hist&oacute;ria tomar&aacute; conhecimento: &eacute; a que foi escrita<br \/>\n    pelo sr. Ces&aacute;rio Alvim, durante o minist&eacute;rio em que S. Ex.&ordf;<br \/>\n    havia merecido do sr. Ferreira Viana, referindo-se ao abandono da elei&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    direta, o c&eacute;lebre primo vivere deinde philosophare (sic). <\/p>\n<p>Era de esperar que S. Ex.&ordf;, uma vez presidente do Conselho, apagasse<br \/>\n    com a esponja de grandes medidas essa p&aacute;gina trist&iacute;ssima da<br \/>\n    sua vida pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>Deu-se justamente o contr&aacute;rio: S. Ex.&ordf; no Governo n&atilde;o<br \/>\n    fez mais do que entrar numa grande comandita eleitoral para passar esses contrabandos<br \/>\n    parlamentares, chamados Jaime Rosa, Clarindo Chaves, M&iacute;lton, Alfredo<br \/>\n    Correia, Paulino Chaves, Seve Navarro, Teodoro Machado e n&atilde;o sabemos<br \/>\n    quantos outros, sem falar nos Marcondes Figueira, que tiveram de afrontar<br \/>\n    a bacamarte as portas da alf&acirc;ndega eleitoral, por n&atilde;o haver per&iacute;cia<br \/>\n    de conferente que lhes pudesse arranjar sorrateiramente o despacho. <\/p>\n<p>O sr. presidente do Conselho continuou o resto do minist&eacute;rio Caxias.\n  <\/p>\n<p>Na quest&atilde;o da escravid&atilde;o, S. Ex.&ordf; tinha opini&atilde;o<br \/>\n    expressa em projeto e em discurso, com rela&ccedil;&atilde;o ao tr&aacute;fico<br \/>\n    interprovincial. <\/p>\n<p>No discurso com que sustentou o seu projeto, o deputado Vanderlei deixou<br \/>\n    bem claro: primeiro que se faria o tr&aacute;fico ilegal de africanos; segundo,<br \/>\n    que pelo tr&aacute;fico interprovincial se reduziriam pessoas livres &agrave;<br \/>\n    escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Pois bem, chamado &agrave; presid&ecirc;ncia do Conselho, justamente no momento<br \/>\n    em que se discutia uma lei sobre escravid&atilde;o, o sr. bar&atilde;o de<br \/>\n    Cotegipe homologa os crimes dos dois tr&aacute;ficos e o que &eacute; mais<br \/>\n    se responsabiliza pela inicia&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico de v&iacute;timas<br \/>\n    para a tortura, nomeando chefe de pol&iacute;cia o sr. Coelho Bastos e dando-lhe<br \/>\n    carta branca para proceder &agrave; captura e entrega de escravizados aos<br \/>\n    seus escravizadores! <\/p>\n<p>Para se ter coragem de proceder de tal forma, em uma quest&atilde;o que &eacute;<br \/>\n    essencial na constitui&ccedil;&atilde;o de uma nacionalidade; para ter desplante<br \/>\n    suficiente no afrontar assim face a face a hist&oacute;ria &eacute; preciso<br \/>\n    ter certeza de que se est&aacute; governando um povo decadente, incapaz de<br \/>\n    um assomo de dignidade para salvar a sua honra vilipendiada pelo Governo.\n  <\/p>\n<p>Certo do povo, que est&aacute; governando, o sr. bar&atilde;o de Cotegipe<br \/>\n    limita-se a assalariar BRAVI na imprensa e a amaciar os amuos do imperador.\n  <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; sabe que a opini&atilde;o verdadeira, real, e que tem for&ccedil;a<br \/>\n    para se fazer respeitar, est&aacute; em S. Crist&oacute;v&atilde;o, a outra,<br \/>\n    a que quer libertar os pretinhos, na frase de S. Ex.&ordf; que deles descende,<br \/>\n    n&atilde;o tem valor nenhum. <\/p>\n<p>Da&iacute; em vez de subir at&eacute; onde o podia levar o seu talento, que<br \/>\n    s&oacute; tem sido fatal ao pa&iacute;s; S. Ex.&ordf; reduz-se ao papel de<br \/>\n    Rigoletto parlamentar, zombando das causas mais respeit&aacute;veis e mais<br \/>\n    santas. <\/p>\n<p>Por sua vez o imperador est&aacute; contente com S. Ex.&ordf;.<\/p>\n<p>Dizia-se que o Minist&eacute;rio Cotegipe era uma conspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    contra a onipot&ecirc;ncia do sr. d. Pedro II, que S. Ex.&ordf; era o J&uacute;piter<br \/>\n    da boa causa que ia enfim destronizar o velho Saturno, que se compraz em devorar<br \/>\n    os pr&oacute;prios filhos, o filhotismo e a corrup&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Mas o sr. d. Pedro II est&aacute; hoje convencido de que o sr. de Cotegipe<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; homem de que um neto de d. Jo&atilde;o VI tenha medo.<br \/>\n    Quando muito, o sr. de Cotegipe se recolhe &agrave; sua asma para protestar<br \/>\n    contra as sabatinas. <\/p>\n<p>E entendem-se bem os dous, e ainda melhor o povo. O imperador faz o que quer<br \/>\n    para o sr. bar&atilde;o de Cotegipe defender, o sr. de Cotegipe faz o que<br \/>\n    quer para o minist&eacute;rio sustentar, o minist&eacute;rio faz o que quer<br \/>\n    para o parlamento apoiar: o parlamento faz o que quer para o pa&iacute;s aturar,<br \/>\n    e o povo atura tudo para gl&oacute;ria do imperador, do minist&eacute;rio<br \/>\n    e do parlamento. <\/p>\n<p>Neste pa&iacute;s n&atilde;o se pode mais falar s&eacute;rio, nem propor<br \/>\n    coisa s&eacute;ria. Como s&atilde;o rid&iacute;culos os srs. Dantas e Jos&eacute;<br \/>\n    Bonif&aacute;cio falando em honra nacional, quando est&atilde;o em discuss&atilde;o<br \/>\n    o esp&oacute;lio do visconde de Sousa Carvalho e o contrato Brianthe. Vamos<br \/>\n    dar um conselho a S. Ex.&ordf;: este pa&iacute;s &eacute; um grande esp&oacute;lio<br \/>\n    do sr. d. Pedro II. Metam-se nele os srs. Dantas e Jos&eacute; Bonif&aacute;cio.\n  <\/p>\n<p><b>5 jun. 1886<\/b><\/p>\n<h2>26-VI-1886<\/h2>\n<p> Grande tem sido a desforra tomada pelo sr. bar&atilde;o de Cotegipe contra<br \/>\n    o imperador, tamanha, que a triste posi&ccedil;&atilde;o do vencido torna<br \/>\n    saliente a falta de generosidade do vencedor. <\/p>\n<p>De volta de sua &uacute;ltima viagem &agrave; Europa, o imperador entendeu<br \/>\n    que estava bastante forte para suprimir o ilustre bar&atilde;o, e todos sabem<br \/>\n    que Sua Majestade levou o seu puritanismo ao ponto de negar-se a fala com<br \/>\n    o ex-presidente do Conselho Honor&aacute;rio da reg&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>O sr. de Cotegipe resignou-se ao ex&iacute;lio a que foi condenado, mas para<br \/>\n    conquistar com o trabalho silencioso da madr&eacute;pora o oceano da opini&atilde;o,<br \/>\n    que turbilhonava por cima do seu nome, at&eacute; vir &agrave; flor e emparcel&aacute;-lo<br \/>\n    contra aquele que S. Ex.&ordf; apontava como o agitador mais poderoso desse<br \/>\n    oceano. <\/p>\n<p>Afinal, S. Ex.&ordf; p&ocirc;de colocar-se face a face com o imperador; medi-lo<br \/>\n    de alto a baixo e oferecer-lhe sorrindo o mais extraordin&aacute;rio combate<br \/>\n    que de mem&oacute;ria de homens tem sido travado nesta terra entre o supremo<br \/>\n    poder e um minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>N&atilde;o queremos negar ao sr. bar&atilde;o de Cotegipe o nosso testemunho<br \/>\n    de admira&ccedil;&atilde;o pela sua habilidade. <\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria h&aacute; de talvez descobrir que S. Ex.&ordf; fez o maior<br \/>\n    sacrif&iacute;cio que um homem do seu talento pode fazer: aniquilar-se para<br \/>\n    destruir o seu inimigo. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m tamb&eacute;m desfechou mais rude golpe no imperador do que<br \/>\n    S. Ex.&ordf;. <\/p>\n<p>H&aacute; muito tempo que se diz que o imperador finge democracia para consolidar<br \/>\n    a tirania; desinteresse para melhor servir ao seu ego&iacute;smo din&aacute;stico,<br \/>\n    magnanimidade para poder facilmente explorar um povo. <\/p>\n<p>Faltava, por&eacute;m, apanhar o imperador em flagrante delito e o sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe se encarregou dessa grande dilig&ecirc;ncia hist&oacute;rica.\n  <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; come&ccedil;ou por insubordinar-se e dar a senha da insubordina&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    aos seus ministros nos despachos imperiais. <\/p>\n<p>J&aacute; n&atilde;o &eacute; mais um dever de minist&eacute;rio ir aos s&aacute;bados<br \/>\n    conferenciar com o imperador e receber as suas ordens para converter em decretos.\n  <\/p>\n<p>V&atilde;o a despacho os ministros que assim o entendem, e os que t&ecirc;m<br \/>\n    visita em casa, ou algum motivo de enfado n&atilde;o se incomodam em fazer<br \/>\n    a viagem at&eacute; S. Crist&oacute;v&atilde;o. <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio presidente do Conselho recolhe-se &agrave; sua asma, quando<br \/>\n    o imperador se permite a liberdade de sabatin&aacute;-lo. <\/p>\n<p>Estes fatos, que se tornaram mais ou menos p&uacute;blicos, n&atilde;o puderam<br \/>\n    entretanto ser tirados a limpo, porque o imperador empregou o maior esfor&ccedil;o<br \/>\n    para ocult&aacute;-los. <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe insistiu, por&eacute;m, em divulgar o pouco<br \/>\n    caso que liga a Sua Majestade e escolheu uma ocasi&atilde;o para desconsiderar<br \/>\n    coram populo o onipotente da v&eacute;spera e servidor submisso de hoje. <\/p>\n<p>Toda a gente viu o imperador, abandonado do minist&eacute;rio, andar a carregar<br \/>\n    o p&aacute;lio na prociss&atilde;o de Corpus Christi, desconsolado e tr&ocirc;pego.\n  <\/p>\n<p>De todo o gabinete, s&oacute; compareceu o sr. bar&atilde;o de Mamor&eacute;,<br \/>\n    o ministro que todos os companheiros querem privar da pasta, o ministro que,<br \/>\n    por isso mesmo, precisa de socorrer-se da prote&ccedil;&atilde;o do imperador.\n  <\/p>\n<p>&Eacute; que o sr. bar&atilde;o de Cotegipe tomou a peito demonstrar que<br \/>\n    Sua Majestade n&atilde;o &eacute; o que parece; suporta de bom humor aqueles<br \/>\n    que servem &agrave; sua pol&iacute;tica, isto &eacute;, aos seus interesses<br \/>\n    din&aacute;sticos, por maiores que sejam as humilha&ccedil;&otilde;es infligidas<br \/>\n    &agrave; sua pessoa. <\/p>\n<p>O nobre bar&atilde;o quer que se saiba uma &uacute;nica coisa e que entre<br \/>\n    ele e o imperador s&oacute; h&aacute; um la&ccedil;o comum -a escravid&atilde;o,<br \/>\n    e enquanto S. Ex.&ordf; o apertar na medida das conveni&ecirc;ncias do trono,<br \/>\n    o imperador ficar&aacute; a seu servi&ccedil;o. <\/p>\n<p>E S. Ex.&ordf; trocou afoitamente os pap&eacute;is pol&iacute;ticos. Outrora<br \/>\n    eram os minist&eacute;rios que serviam ao imperador, agora &eacute; o imperador<br \/>\n    que &eacute; servi&ccedil;al aos minist&eacute;rios. <\/p>\n<p>Por muito menos do que tem feito o sr. bar&atilde;o de Cotegipe o imperador<br \/>\n    declarou-se incompat&iacute;vel com o sr. Silveira Martins, e moveu-lhe esta<br \/>\n    guerra, que principiou pela cis&atilde;o Os&oacute;rio e que s&oacute; acabou<br \/>\n    com as viol&ecirc;ncias do sr. Lucena. <\/p>\n<p>O sr. presidente do Conselho, por&eacute;m, tem carta branca para tudo, porque<br \/>\n    nele reside a confian&ccedil;a do &uacute;nico poder real neste pa&iacute;s:<br \/>\n    o esclavagismo. <\/p>\n<p>A vingan&ccedil;a do sr. Cotegipe era demonstrar justamente isto e provar<br \/>\n    que se ele inconscientemente fez parte de uma casa contrabandista, de que<br \/>\n    n&atilde;o auferiu lucros, o imperador &eacute; s&oacute;cio solid&aacute;rio<br \/>\n    dessa empresa secular de contrabando -chamada escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>E f&ecirc;-lo.<\/p>\n<p>O imperador n&atilde;o pode mais, com justi&ccedil;a, gozar dessa reputa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de homem desinteressado, com que se pavoneou at&eacute; bem pouco tempo. Toda<br \/>\n    a gente tem o direito de supor que logo que um neg&oacute;cio qualquer d&ecirc;<br \/>\n    lucro para a sua heran&ccedil;a o imperador o consente. <\/p>\n<p>N&atilde;o queremos com esta afirma&ccedil;&atilde;o aludir &agrave; liquida&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do sr. conde d&#8217;Eu com o sr. Jourdan, coisa que o imperador devia j&aacute;<br \/>\n    ter feito ultimar; referimo-nos ao novo regulamento, &agrave; ilegalidade<br \/>\n    de 13 do corrente. <\/p>\n<p>Sua Majestade consentiu por interesse pr&oacute;prio na incorpora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do munic&iacute;pio neutro &agrave; prov&iacute;ncia do Rio de Janeiro, para<br \/>\n    os efeitos do tr&aacute;fico de carne humana. <\/p>\n<p>Onde a lei n&atilde;o distingue, ningu&eacute;m pode distinguir e n&atilde;o<br \/>\n    obstante, n&atilde;o tendo a lei negra distinguido o munic&iacute;pio neutro,<br \/>\n    o regulamento o fez com a rubrica do imperador. <\/p>\n<p>O legislador n&atilde;o disse: para o caso de transfer&ecirc;ncia de escravos,<br \/>\n    o munic&iacute;pio neutro faz parte da prov&iacute;ncia do Rio de Janeiro.<br \/>\n    N&atilde;o o disse e &eacute; preciso que se note que ele tem sempre especificado<br \/>\n    este munic&iacute;pio quando legisla. <\/p>\n<p>Esta observa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podia deixar de acudir ao esp&iacute;rito<br \/>\n    ilustrado e sagac&iacute;ssimo do imperador, e no entanto Sua Majestade prestou-se<br \/>\n    a assinar esse regulamento, que n&atilde;o pode ser respeitado, nem obedecido,<br \/>\n    por ser abusivo e ilegal. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o podia de forma nenhuma passar despercebida &agrave;<br \/>\n    reflex&atilde;o do imperador as rela&ccedil;&otilde;es fiscais que o novo<br \/>\n    regime da escravid&atilde;o estabeleceu e no entanto, quando a assembl&eacute;ia<br \/>\n    provincial nada tem com o munic&iacute;pio neutro, nem este com aquela, Sua<br \/>\n    Majestade consente que o mesmo escravo fique sob duas legisla&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    diferentes, com preju&iacute;zo dele e de seu pr&oacute;prio senhor. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m tenha d&uacute;vida a respeito da separa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    administrativa existente entre o munic&iacute;pio neutro e a prov&iacute;ncia.\n  <\/p>\n<p>C&acirc;ndido Mendes, autoridade insuspeita para o Gabinete, como para todos<br \/>\n    os que sabem que esse ilustre brasileiro foi uma das gl&oacute;rias da jurisprud&ecirc;ncia<br \/>\n    brasileira, C&acirc;ndido Mendes diz terminantemente: <\/p>\n<p>&laquo;O munic&iacute;pio neutro &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o do ato<br \/>\n    adicional no art. 1&ordm;. O seu territ&oacute;rio pertence &agrave; circunscri&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da prov&iacute;ncia do Rio de Janeiro, mas enquanto a corte estiver fixada<br \/>\n    na cidade do Rio de Janeiro, sua administra&ccedil;&atilde;o continuar&aacute;<br \/>\n    independente do Governo da mesma prov&iacute;ncia e por isso imediatamente<br \/>\n    sujeita ao Governo, pela reparti&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio do<br \/>\n    Imp&eacute;rio.&raquo; <\/p>\n<p>O Gabinete, por&eacute;m, entendeu que devia servir &agrave; prov&iacute;ncia<br \/>\n    do Rio de Janeiro um grande mercado de escravos e o imperador que aufere da&iacute;<br \/>\n    o lucro da simpatia dos herdeiros da pirataria e piratas sobreviventes, fechou<br \/>\n    os olhos e assinou. <\/p>\n<p>E o mais interessante &eacute; que os defensores do minist&eacute;rio desde<br \/>\n    o sr. Gusm&atilde;o Lobo, jornalista oficial do Minist&eacute;rio da Agricultura,<br \/>\n    t&atilde;o dedicado ao sr. Dantas como ao sr. A. Prado, at&eacute; o mais<br \/>\n    latrin&aacute;rio Y. das colunas pagas dos jornais, todos escondem o minist&eacute;rio<br \/>\n    por tr&aacute;s do imperador, ponderando: <\/p>\n<p>-Toda gente sabe que o imperador &eacute; abolicionista, e n&atilde;o assinaria<br \/>\n    o regulamento se ele fosse contr&aacute;rio aos escravos. <\/p>\n<p>Eis onde o sr. bar&atilde;o de Cotegipe queria chegar. S. Ex.&ordf; visava<br \/>\n    ao dia, &agrave; hora, ao momento em que, nos pr&oacute;prios atos do imperador,<br \/>\n    ele pudesse fazer o pa&iacute;s ler esta declara&ccedil;&atilde;o de S. Ex.&ordf;:\n  <\/p>\n<p>&laquo;Eis a&iacute; o homem que me condenou. F&ecirc;-lo, n&atilde;o por<br \/>\n    convic&ccedil;&atilde;o, porque ele n&atilde;o a tem, nem a teve nunca; oscila<br \/>\n    &agrave; merc&ecirc; dos seus interesses. <\/p>\n<p>Ontem, para agradar o povil&eacute;u que vociferava, ele despediu-me do poder,<br \/>\n    como aplaudiu o sr. Dantas, julgando que ali &eacute; que estava a for&ccedil;a;<br \/>\n    que a correnteza dos acontecimentos provinha de um declive real no solo moral<br \/>\n    do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Hoje ele pensa que a for&ccedil;a est&aacute; com o esclavagismo, como de<br \/>\n    fato est&aacute;, e est&aacute; pronto a sancionar tudo, quando n&oacute;s<br \/>\n    queremos, a rubricar tudo quando n&oacute;s lho ordenamos. <\/p>\n<p>N&oacute;s especificamos o munic&iacute;pio neutro n&atilde;o especificado<br \/>\n    na lei e ele assinou. <\/p>\n<p>N&oacute;s cometemos duas usurpa&ccedil;&otilde;es, ao mesmo tempo: o regulamento<br \/>\n    roubou ano e meio &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o dos escravos, e ele assinou;<br \/>\n    um ato do Minist&eacute;rio da Fazenda roubou nove meses do imposto de 5%<br \/>\n    e ele ainda assinou. <\/p>\n<p>A&iacute; tem o homem que por um requinte de honestidade condenou-me na quest&atilde;o<br \/>\n    das popelines; a&iacute; tem a inteireza moral que n&atilde;o se dobra quando<br \/>\n    se trata de quest&otilde;es de honra. <\/p>\n<p>As leis s&atilde;o um dep&oacute;sito sagrado de direitos nas m&atilde;os<br \/>\n    dos soberanos, e o sr. d. Pedro II n&atilde;o trepidou em meter a m&atilde;o<br \/>\n    neste dep&oacute;sito para dar o munic&iacute;pio neutro em hipoteca ao sr.<br \/>\n    Belis&aacute;rio, e ano e meio e mais 5% durante nove meses aos pupilos da<br \/>\n    pirataria. <\/p>\n<p>A responsabilidade &eacute; toda dele, que pode nomear e demitir livremente<br \/>\n    os seus ministros e me conserva, porque eu represento a escravid&atilde;o.&raquo;\n  <\/p>\n<p>Grande desforra a do sr. bar&atilde;o de Cotegipe. S&oacute; pelo deleite<br \/>\n    de S. Ex.&ordf; na tremenda vingan&ccedil;a deve-se ver nele o deus dos nossos<br \/>\n    estadistas. <\/p>\n<p><b>26 jun. 1886<\/b><\/p>\n<h2>31-VII-1886<\/h2>\n<p> Esta semana resumiu um reinado, e, n&atilde;o obstante, desdobrou-se tranq&uuml;ila,<br \/>\n    sem que ningu&eacute;m desse pela sua fisionomia retrospectiva. <\/p>\n<p>O Segundo Reinado chegou a ser o que &eacute; -m&aacute;quina pneum&aacute;tica<br \/>\n    a fazer o v&aacute;cuo no esp&iacute;rito e no cora&ccedil;&atilde;o de um<br \/>\n    povo- por este processo tantas vezes denunciado para nunca ser revogado; fazendo<br \/>\n    do parlamento comiss&atilde;o do minist&eacute;rio, do minist&eacute;rio comiss&atilde;o<br \/>\n    do imperador, do imperador comiss&aacute;rio da escravid&atilde;o. Em torno<br \/>\n    desses poderes, como sombras, o eleitor, o soldado e o escravo, toldando o<br \/>\n    pensamento nacional, guardando como as negras nuvens tropicais o raio e a<br \/>\n    tempestade improvisa e como essas nuvens, condenando-se ao aniquilamento pela<br \/>\n    pr&oacute;pria for&ccedil;a, que em si cont&eacute;m. <\/p>\n<p>Nestes poucos dias, o observador p&ocirc;de ver sem esfor&ccedil;o toda a<br \/>\n    engrenagem desse mecanismo, com que as circunst&acirc;ncias especiais da gesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da nossa nacionalidade dotaram o imperador e que Sua Majestade com uma perspic&aacute;cia<br \/>\n    invej&aacute;vel emprega no servi&ccedil;o da sua dinastia. <\/p>\n<p>Em ambas as casas do parlamento firmou-se a convic&ccedil;&atilde;o de que<br \/>\n    &eacute; imposs&iacute;vel suportar por mais tempo o atual estado de coisas.\n  <\/p>\n<p>Os conservadores desesperam por ver a sorte do partido dependente de um minist&eacute;rio<br \/>\n    que s&oacute; disp&otilde;e do prest&iacute;gio do cargo e serve-se dele,<br \/>\n    n&atilde;o para fortalecer o sentimento de solidariedade partid&aacute;ria,<br \/>\n    mas exclusivamente para apadrinhar da opini&atilde;o e do veredicto dos seus<br \/>\n    contempor&acirc;neos o nome e as pessoas dos que o exercem. <\/p>\n<p>A cada momento surge um conflito moral, quando se tratam pontos vitais de<br \/>\n    prest&iacute;gio governamental. <\/p>\n<p>O gabinete, pela voz do imperador, declara que executou fielmente a Lei Saraiva-Cotegipe;<br \/>\n    os srs. Vieira da Silva e Cruz Machado desmentem-no. <\/p>\n<p>O ministro da Justi&ccedil;a pede ao Senado uma prova de confian&ccedil;a<br \/>\n    ao zelo com que o minist&eacute;rio despende os dinheiros p&uacute;blicos:<br \/>\n    os srs. Correia e Diogo Velho negam-na. <\/p>\n<p>E quando estes fatos se d&atilde;o, os dous chefes que completam com o sr.<br \/>\n    bar&atilde;o de Cotegipe a trindade ortodoxa da igreja conservadora, o sr.<br \/>\n    Paulino cala-se e o sr. Jo&atilde;o Alfredo n&atilde;o desmente a assevera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de um seu honrado colega, tornada p&uacute;blica pela imprensa -de que S.<br \/>\n    Ex.&ordf; votaria na resposta &agrave; fala do trono de acordo com os srs.<br \/>\n    Vieira da Silva e Cruz Machado. <\/p>\n<p>Em todo o Partido Conservador, nas duas casas do parlamento, s&oacute; o<br \/>\n    temor do desconhecido e o ego&iacute;smo de n&atilde;o contribuir para a salienta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de poucos mant&ecirc;m as apar&ecirc;ncias de solidariedade. Tomados, cada<br \/>\n    um de per si, todos coram do apoio que d&atilde;o: todos anelam pelo momento<br \/>\n    em que tirem de sobre a consci&ecirc;ncia o peso de uma responsabilidade t&atilde;o<br \/>\n    gravosa, quanto ingl&oacute;ria. <\/p>\n<p>Os liberais debatem-se, por sua vez, dentro do leito de Procusto das teorias<br \/>\n    de expediente. O Senado n&atilde;o faz pol&iacute;tica, sem se lembrarem de<br \/>\n    que &eacute; a pol&iacute;tica que faz o Senado e uma corpora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de origem essencialmente pol&iacute;tica n&atilde;o pode deixar de exercer<br \/>\n    tal fun&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>V&iacute;timas dos costumes eleitorais do Imp&eacute;rio, em vez de se garantirem<br \/>\n    com uma for&ccedil;a parlamentar est&aacute;vel -o Senado, os liberais, desanimando<br \/>\n    de constituir maioria na C&acirc;mara vital&iacute;cia, quiseram inutiliz&aacute;-la,<br \/>\n    como for&ccedil;a pol&iacute;tica e v&ecirc;em-se, hoje, v&iacute;timas do<br \/>\n    pr&oacute;prio esfor&ccedil;o, desperdi&ccedil;ado. <\/p>\n<p>N&atilde;o faz pol&iacute;tica o Senado e, n&atilde;o obstante, a escolha<br \/>\n    do senador &eacute; um ato essencialmente pol&iacute;tico e, tanto assim,<br \/>\n    que das listas tr&iacute;plices o imperador ou escolhe os eleitos da parcialidade<br \/>\n    dominante, ou motiva crise, salvo o caso da unanimidade da lista. <\/p>\n<p>Teoria que regula para os senados de nomea&ccedil;&atilde;o e de heran&ccedil;a<br \/>\n    e que pode quando muito estender-se aos pa&iacute;ses de sistema eleitoral,<br \/>\n    mais ou menos moralizado, foi aplicada ao nosso pa&iacute;s onde os capangas<br \/>\n    e jo&otilde;es manu&eacute;is t&ecirc;m sido sempre os incumbidos de eleger<br \/>\n    a C&acirc;mara dos Deputados. <\/p>\n<p>O resultado desta teoria a&iacute; est&aacute; patente. De um lado, uma c&acirc;mara<br \/>\n    tempor&aacute;ria que se n&atilde;o dirige, nem &eacute; dirigida, nem tampouco<br \/>\n    dirige o gabinete; que n&atilde;o tem miss&atilde;o nenhuma, porque n&atilde;o<br \/>\n    tem nem opini&atilde;o, nem car&aacute;ter; que se limita a empregar o escrut&iacute;nio<br \/>\n    secreto e a fazer or&ccedil;amentos com a mesma independ&ecirc;ncia que t&ecirc;m<br \/>\n    as c&acirc;maras municipais; do outro lado, a c&acirc;mara vital&iacute;cia,<br \/>\n    &oacute;rg&atilde;o de uma aspira&ccedil;&atilde;o nacional, votando com ela,<br \/>\n    discutindo por ela e no entanto impossibilitada de levar ao governo o pensamento<br \/>\n    vitorioso, o sentimento inilud&iacute;vel da na&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Esta situa&ccedil;&atilde;o anormal tirou o Governo do Gabinete, porque este<br \/>\n    n&atilde;o tem prest&iacute;gio, tirou-o da C&acirc;mara, porque n&atilde;o<br \/>\n    tem opini&atilde;o; tirou-o do Senado, porque n&atilde;o tem a&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Tanto se contrariaram todas essas for&ccedil;as, que se neutralizaram e fizeram<br \/>\n    visivelmente do imperador o equil&iacute;brio do Governo. <\/p>\n<p>Se a paz se mant&eacute;m, se a vida do cidad&atilde;o ainda &eacute; garantida,<br \/>\n    se o imposto ainda &eacute; pago, &eacute; somente porque o esp&iacute;rito<br \/>\n    do imperador flutua sobre este caos, onde as for&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m<br \/>\n    o poder de organizar e regularizar; onde tudo espera e depende absolutamente<br \/>\n    do fiat imperial. <\/p>\n<p>Tudo est&aacute; agora nas m&atilde;os do imperador. A oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    constrange-se empolgada, porque duas listas tr&iacute;plices t&ecirc;m de<br \/>\n    subir &agrave; escolha; numa est&aacute; o sr. Silveira de Sousa -um liberal,<br \/>\n    noutra ou vir&atilde;o tr&ecirc;s liberais, dous dos quais est&atilde;o na<br \/>\n    C&acirc;mara e um &eacute; o leader e o outro o mais valente debater da oposi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    ou entrar&aacute; um conservador, e sendo faculdade exclusiva do imperador<br \/>\n    a escolha, os liberais querem lisonjear Sua Majestade para ver se deste modo<br \/>\n    a conseguem. <\/p>\n<p>E &eacute; preciso dizer que h&aacute; neste procedimento uma intui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    profundamente patri&oacute;tica, porque, dependendo do Senado a id&eacute;ia<br \/>\n    capital do verdadeiro Partido Liberal -a aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o,<br \/>\n    muito bem procede a oposi&ccedil;&atilde;o, empregando esfor&ccedil;os para<br \/>\n    se organizar em ordem a poder levar a cabo a reforma. <\/p>\n<p>Quanto &agrave; maioria, nem &eacute; preciso demonstrar que ela est&aacute;<br \/>\n    sob o guante imperial. O seu primeiro minist&eacute;rio constituiu-se com<br \/>\n    os piores elementos do partido. Foi um bal&atilde;o de ensaio, dentro do qual,<br \/>\n    por&eacute;m, est&aacute; uma bomba de metralha, que n&atilde;o explodir&aacute;,<br \/>\n    enquanto estiver nos ares, por&eacute;m que, ao tocar em terra, espalhar&aacute;<br \/>\n    a morte, n&atilde;o entre os advers&aacute;rios, porque l&aacute; n&atilde;o<br \/>\n    vai cair, mas entre os pr&oacute;prios correligion&aacute;rios que &eacute;<br \/>\n    o ponto natural da queda. <\/p>\n<p>Esse minist&eacute;rio, sem capacidade para fazer o bem do pa&iacute;s, procurou<br \/>\n    substituir o prest&iacute;gio, que n&atilde;o lhe viria dos servi&ccedil;os,<br \/>\n    pela responsabilidade do partido nos seus atos os mais criminosos e por isso<br \/>\n    mesmo converteu as elei&ccedil;&otilde;es em uma bacanal de sangue e lama.\n  <\/p>\n<p>Dessas elei&ccedil;&otilde;es nasceu esta C&acirc;mara, onde se assentam<br \/>\n    o sr. Teodoro Machado e o padre Jo&atilde;o Manuel e uma tal maioria n&atilde;o<br \/>\n    tem for&ccedil;a moral para fazer nem desfazer minist&eacute;rios, criar ou<br \/>\n    matar situa&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Se a maioria se quisesse revoltar agora, quando toda a gente sabe que ela<br \/>\n    &eacute; usufrutu&aacute;ria somente, propriet&aacute;ria nominal da C&acirc;mara<br \/>\n    dos Deputados, o imperador tinha o direito de fazer calar do mesmo modo que<br \/>\n    o sr. Joaquim Nabuco fez calar o padre Jo&atilde;o Fera, lembrando-lhe que<br \/>\n    ele vendeu uma tipografia que lhe foi dada em confian&ccedil;a, e meteu o<br \/>\n    dinheiro no bolso, como economias de missas. <\/p>\n<p>O imperador &eacute;, portanto, clara, visivelmente poder pessoal. O Governo<br \/>\n    &eacute; ele, ele s&oacute;, no isolamento da sua irresponsabilidade legal,<br \/>\n    mas da tremenda responsabilidade hist&oacute;rica. <\/p>\n<p>E o que h&aacute; de ele fazer?<\/p>\n<p>Apelar para o eleitor? Mas o eleitor &eacute; o que n&oacute;s sabemos, um<br \/>\n    indiv&iacute;duo que, no m&aacute;ximo, faz uma estrondosa manifesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ao deputado roubado pela C&acirc;mara, mas n&atilde;o vai al&eacute;m. Sem<br \/>\n    consci&ecirc;ncia da for&ccedil;a que lhe deu a Constitui&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que n&atilde;o admite poder nenhum que n&atilde;o seja delega&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    sua, o eleitor teme o Governo, porque a sangue-frio &eacute; a demiss&atilde;o,<br \/>\n    &eacute; o processo e a difama&ccedil;&atilde;o; enraivecido &eacute; o espaldeiramento<br \/>\n    e a descarga, o emprego da for&ccedil;a armada. <\/p>\n<p>A esta organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; o Ex&eacute;rcito chamado a conservar.\n  <\/p>\n<p>Parece que o Governo lhe devia as maiores defer&ecirc;ncias e a maior estima;<br \/>\n    que ao menos a ele, sua &uacute;nica for&ccedil;a, afora a escravid&atilde;o,<br \/>\n    devia fazer justi&ccedil;a e respeitar o m&eacute;rito e o direito. <\/p>\n<p>Mas nem ao Ex&eacute;rcito o Governo finge sequer acatar.<\/p>\n<p>&Eacute; de ontem o exemplo do sr. coronel Cunha Matos. Prisioneiro na guerra,<br \/>\n    S. Ex.&ordf; foi o triste estu&aacute;rio, onde desembocaram o &oacute;dio<br \/>\n    e a sanha de Lopes contra o Brasil. De volta &agrave; p&aacute;tria com essa<br \/>\n    eterna condecora&ccedil;&atilde;o do mart&iacute;rio, o ilustre militar conquistou<br \/>\n    pelo talento, pelo estudo e pela honradez um dos primeiros lugares no nosso<br \/>\n    Ex&eacute;rcito. Onde quer que ele passou deixou uma pegada indel&eacute;vel<br \/>\n    a brilhar nas trevas da nossa administra&ccedil;&atilde;o, como um corpo fosforescente.\n  <\/p>\n<p>Enviado em comiss&atilde;o ao Piau&iacute; depara com um fato que lhe parece<br \/>\n    criminoso e coloca-o sob o dom&iacute;nio da lei. <\/p>\n<p>A sua justi&ccedil;a fere um protegido do sr. Simpl&iacute;cio de Resende,<br \/>\n    que n&atilde;o tem nenhum servi&ccedil;o, cujo nome n&atilde;o passaria &agrave;<br \/>\n    mem&oacute;ria p&uacute;blica, se se n&atilde;o prendesse como parasita, ao<br \/>\n    do sr. coronel Cunha Matos, mas que &eacute; deputado do sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe. <\/p>\n<p>Este sr. Simpl&iacute;cio, emergindo da maioria an&ocirc;nima, como enorme<br \/>\n    r&atilde; de um brejo, coaxa umas insol&ecirc;ncias contra o sr. Cunha Matos,<br \/>\n    e, ainda que o brioso coronel tivesse uma comiss&atilde;o do Governo e fosse<br \/>\n    por ela acusado, o sr. ministro da Guerra dispensou-se do trabalho de dar<br \/>\n    explica&ccedil;&otilde;es por ele, porque se tratava de um liberal, de um<br \/>\n    abolicionista. O delegado do Governo descobre prevarica&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    e pede que elas sejam punidas; &eacute; por isso injuriado, e, porque vem<br \/>\n    rebater a acusa&ccedil;&atilde;o que sofre nesse car&aacute;ter, o Governo<br \/>\n    eleva o sr. Simpl&iacute;cio &agrave; categoria de superior ao coronel, e<br \/>\n    n&atilde;o s&oacute; inflige ao servidor do Estado a pena de repreens&atilde;o,<br \/>\n    como a de pris&atilde;o! <\/p>\n<p>Que lei deu aos deputados e ao pr&oacute;prio ministro da Guerra hierarquia<br \/>\n    no Ex&eacute;rcito? Onde ter honras militares foi t&iacute;tulo de superioridade,<br \/>\n    em organiza&ccedil;&atilde;o regular e legal? <\/p>\n<p>Mas era preciso castigar o audacioso soldado, que n&atilde;o se curvou diante<br \/>\n    da situa&ccedil;&atilde;o, que continuou a ser o que era do mesmo modo que<br \/>\n    ser&atilde;o transferidos desta guarni&ccedil;&atilde;o todos os oficiais<br \/>\n    conhecidos como liberais e abolicionistas. <\/p>\n<p>Em nenhuma parte do mundo se admite que o soldado barateie a sua honra. A<br \/>\n    lei para o militar, escreveu-a Francisco I: perdeu-se tudo, menos a honra.\n  <\/p>\n<p>E o coronel Cunha Matos, por vir &agrave; imprensa defender a sua honra,<br \/>\n    que n&atilde;o levou &agrave; tribuna o sr. ministro da Guerra, como lhe impunha<br \/>\n    o dever do cargo, &eacute; repreendido e em seguida preso. <\/p>\n<p>Nem ao menos coer&ecirc;ncia afetada. Ao passo que o sr. ministro da Guerra<br \/>\n    manda humilhar legalmente o coronel brioso, que vem &agrave; imprensa salvar<br \/>\n    n&atilde;o s&oacute; a sua honra individual, mas a de uma classe, nada faz,<br \/>\n    nem fez, ao capit&atilde;o que veio &agrave; imprensa agredir a esse mesmo<br \/>\n    coronel. <\/p>\n<p>E o fato provavelmente ficar&aacute; impune.<\/p>\n<p>O sr. Simpl&iacute;cio mandar&aacute; dizer para o Piau&iacute; que &eacute;<br \/>\n    forte bastante para proteger quanta patota l&aacute; se fa&ccedil;a e o Gabinete<br \/>\n    continuar&aacute; a contar com a passividade do Ex&eacute;rcito, n&atilde;o<br \/>\n    s&oacute; para conter as impaci&ecirc;ncias dos que se envergonharam pelo<br \/>\n    pa&iacute;s, como tamb&eacute;m para esmagar os soldados que entenderam que<br \/>\n    acima da honra do militar s&oacute; h&aacute; uma coisa: a honra de todo o<br \/>\n    Ex&eacute;rcito. <\/p>\n<p>Quanto ao escravo, ele s&oacute; serve para pretexto da opress&atilde;o que<br \/>\n    se exerce pelo eleitor e pela for&ccedil;a p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Serve para falsificar a organiza&ccedil;&atilde;o de minist&eacute;rios como<br \/>\n    o do sr. bar&atilde;o de Cotegipe, e c&acirc;maras como a dos padres Kel&eacute;s<br \/>\n    do 3&ordm; escrut&iacute;nio. <\/p>\n<p>No mais, o seu destino &eacute; morrer, como os desgra&ccedil;ados da Para&iacute;ba<br \/>\n    do Sul, surrados barbaramente pela justi&ccedil;a p&uacute;blica, num pa&iacute;s<br \/>\n    cuja Constitui&ccedil;&atilde;o aboliu terminantemente os a&ccedil;oites,<br \/>\n    e em seguida vitimados pelo arrocho das cordas que lhes privavam a circula&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    ao passo que a marcha for&ccedil;ada a acelerava. <\/p>\n<p>O escravo serve para engordar na piscina do Imp&eacute;rio as mor&eacute;ias<br \/>\n    da oligarquia, para desentediar com os seus gritos na surra a alma atribulada<br \/>\n    dos senhores, e finalmente para dar for&ccedil;a governamental aos gabinetes-cad&aacute;veres.\n  <\/p>\n<p>E eis aqui a semana -resumo de um reinado!<\/p>\n<p>Mostrando o gabinete e as c&acirc;maras, ela justificou o pensamento do imperador:<br \/>\n    o Governo sou eu; mostrando a C&acirc;mara dos Deputados, o Ex&eacute;rcito<br \/>\n    e a escravid&atilde;o, e neles o sr. Teodoro Machado, Jo&atilde;o Manuel,<br \/>\n    o sr. coronel Cunha Matos e os escravos da Para&iacute;ba do Sul, demonstra<br \/>\n    que a miss&atilde;o do Imp&eacute;rio &eacute; corromper, humilhar e matar.\n  <\/p>\n<p><b>31 jul. 1886<\/b><\/p>\n<h2>21-VIII-1886<\/h2>\n<p> O dia amanheceu sacudido por uma ventania rija. Temos, pois, certeza de<br \/>\n    que por nenhum modo chegar&atilde;o ao trono imperial as nossas palavras.\n  <\/p>\n<p>O imperador est&aacute; deliberado a n&atilde;o ouvir-nos; n&oacute;s somos<br \/>\n    para Sua Majestade a anarquia audaciosa, que lhe causa at&eacute; arrependimento<br \/>\n    da pr&oacute;pria magnanimidade. <\/p>\n<p>A ordem e o patriotismo circunscrevem-se ao minist&eacute;rio e aos seus<br \/>\n    sustentadores. S&oacute; para estes volta suas vistas e p&otilde;e-se &agrave;<br \/>\n    escuta. <\/p>\n<p>O oriente mon&aacute;rquico est&aacute; l&aacute; e os reis n&atilde;o se<br \/>\n    importam muito com o saber onde o sol se esconde; querem somente conhecer-lhe<br \/>\n    o nascente. <\/p>\n<p>Demais, o horizonte conserva-se invariavelmente vermelho. Primeiro pintou-o<br \/>\n    o sangue derramado pelos capoeiras nas ruas desta cidade; depois o sangue<br \/>\n    derramado durante o pleito eleitoral; agora torna-o mais rubro ainda o sangue<br \/>\n    das v&iacute;timas da Para&iacute;ba do Sul. <\/p>\n<p>Os reis t&ecirc;m a paix&atilde;o do vermelho, e, se n&atilde;o a mostram<br \/>\n    claramente, &eacute; por simples mod&eacute;stia. <\/p>\n<p>Schiller explica por esta paix&atilde;o o uso da p&uacute;rpura: pode-se<br \/>\n    embeber do sangue, sem que ningu&eacute;m d&ecirc; por isso. <\/p>\n<p>&Eacute; perder tempo e palavras discutir o que vemos.<\/p>\n<p>H&aacute; da parte do imperador prop&oacute;sito feito de arrostar a opini&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Desgostou profundamente a Sua Majestade a certeza de que se havia criado<br \/>\n    neste pa&iacute;s uma for&ccedil;a, a propaganda abolicionista, paralela &agrave;<br \/>\n    for&ccedil;a do poder pessoal. <\/p>\n<p>Era preciso lutar com ela, at&eacute; venc&ecirc;-la; demonstrar que s&oacute;<br \/>\n    h&aacute; um pensamento e uma vontade, um cora&ccedil;&atilde;o e uma atividade<br \/>\n    reais entre n&oacute;s -o imperador. <\/p>\n<p>E Sua Majestade meteu ombros a esta &aacute;rdua tarefa.<\/p>\n<p>Em outro qualquer pa&iacute;s do mundo os atentados praticados pelo sr. d.<br \/>\n    Pedro II, contra a nossa honra de povo civilizado, j&aacute; teriam chamado<br \/>\n    a aten&ccedil;&atilde;o do mundo inteiro e sublevado a indigna&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    popular. <\/p>\n<p>Sua Majestade arma de toda a for&ccedil;a o minist&eacute;rio da escravid&atilde;o,<br \/>\n    para constituir uma c&acirc;mara, que &eacute; um res&iacute;duo de fraude<br \/>\n    e um co&aacute;gulo de sangue. <\/p>\n<p>Entretanto, Sua Majestade regateava a menor parcela de benevol&ecirc;ncia<br \/>\n    ao Gabinete 6 de Junho, que devia presidir as elei&ccedil;&otilde;es de uma<br \/>\n    c&acirc;mara em favor dos escravos. <\/p>\n<p>Triste paralelo &eacute; este.<\/p>\n<p>No tempo do sr. Dantas s&oacute; o jornal conservador O Brazil fazia reclama&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    e o imperador, ouvindo-as logo, criava milhares de embara&ccedil;os ao minist&eacute;rio,<br \/>\n    &agrave;s vezes por queixas imagin&aacute;rias. <\/p>\n<p>Hoje toda a imprensa limpa do pa&iacute;s protesta un&iacute;ssona contra<br \/>\n    os abusos, desmandos e crimes do Gabinete e o imperador responde-lhe, dando<br \/>\n    cada vez mais for&ccedil;a ao sr. bar&atilde;o de Cotegipe, que &agrave; semelhan&ccedil;a<br \/>\n    dos antigos d&eacute;spotas governa, tendo &agrave; cabeceira o m&eacute;dico,<br \/>\n    o padre e o carrasco. <\/p>\n<p>O imperador, em vez de revoltar-se contra este sistema de governar, o acoro&ccedil;oa.\n  <\/p>\n<p>Na posi&ccedil;&atilde;o de Lu&iacute;s XI, quando prisioneiro de Carlos,<br \/>\n    o temer&aacute;rio, Sua Majestade subscreve tudo quanto lhe exigem; aceita<br \/>\n    como bom tudo quanto fazem ou autorizam os seus ministros. <\/p>\n<p>O plano imperial &eacute; fundar sobre a suserania da escravid&atilde;o o<br \/>\n    absolutismo do soberano; e fazer do rei de aclama&ccedil;&atilde;o, o rei<br \/>\n    divino, o rei -sou eu o Estado. <\/p>\n<p>Para chegar a este resultado, Sua Majestade n&atilde;o olha os meios. Ora,<br \/>\n    a propaganda abolicionista era uma tremenda amea&ccedil;a a este plano; mais<br \/>\n    natural do que empregar todos os recursos da corrup&ccedil;&atilde;o e da<br \/>\n    press&atilde;o para invalid&aacute;-la. <\/p>\n<p>Vem da&iacute; esta impassibilidade revoltante com que o imperador assiste<br \/>\n    &agrave; consuma&ccedil;&atilde;o de crimes os mais infamantes, contra os<br \/>\n    escravos e contra a civiliza&ccedil;&atilde;o de nossa p&aacute;tria. <\/p>\n<p>O imperador diz que os seus sentimentos s&atilde;o conhecidos, com rela&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    aos escravos, e nesta frase Sua Majestade faz lembrar os 30 contos que de<br \/>\n    vez em quando tira dos 800 contos de r&eacute;is, que os escravos lhe d&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o temos raz&atilde;o nenhuma para n&atilde;o acreditar que seja<br \/>\n    sincera essa generosidade do imperador e filha dos seus sentimentos de humanidade.\n  <\/p>\n<p>Mas, admitindo esta premissa, &eacute; preciso admitir a conclus&atilde;o<br \/>\n    que acabamos de externar, de que o fim do imperador &eacute; suprimir a na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    em proveito da sua dinastia. <\/p>\n<p>Abolicionista, n&atilde;o pode o imperador admitir, como prestigioso para<br \/>\n    o seu governo, roubar ano e meio ao prazo da liberta&ccedil;&atilde;o; roubar<br \/>\n    o produto do imposto de 5% ao fundo de emancipa&ccedil;&atilde;o durante longos<br \/>\n    meses; criar mercados novos de escravos; e foi isto o que fez o monstruoso<br \/>\n    e repelente regulamento de 11 de junho. <\/p>\n<p>Abolicionista, n&atilde;o pode o imperador considerar decoroso e legal o<br \/>\n    crime do sr. Ant&ocirc;nio Prado, mandando aceitar como escravos, &agrave;<br \/>\n    matr&iacute;cula, os africanos libertados pela lei de 1831, por isso que Sua<br \/>\n    Majestade sabe que a lei de 28 de setembro de 1871 tornou irrevog&aacute;vel<br \/>\n    a liberdade concedida. <\/p>\n<p>Abolicionista, n&atilde;o pode ainda o imperador apadrinhar com a sua confian&ccedil;a<br \/>\n    o ministro da Justi&ccedil;a, que procura sepultar na sua insensibilidade<br \/>\n    os assassinatos da Para&iacute;ba do Sul, e amortalhar a justi&ccedil;a p&uacute;blica<br \/>\n    com a mesma toga dos magistrados que j&aacute; fizeram dela mortalha para<br \/>\n    os dous infelizes escravos. <\/p>\n<p>Se o imperador tolera tudo isso, e se parece deliciar-se em revolver, como<br \/>\n    um verme dentro da podrid&atilde;o desses cad&aacute;veres, a sua pol&iacute;tica,<br \/>\n    &eacute; porque resulta-lhe da&iacute; o proveito eficac&iacute;ssimo da amea&ccedil;a<br \/>\n    sobre todas as cabe&ccedil;as, a melhor de todas as escolas de cobardia. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio atual n&atilde;o tem um ato bom em toda a sua administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e &eacute; constitu&iacute;do por homens que, na frase do sr. Vieira da Silva,<br \/>\n    demonstram a pobreza do Partido Conservador. <\/p>\n<p>Dizem que ele tranq&uuml;ilizou o pa&iacute;s, por&eacute;m nunca a propaganda<br \/>\n    abolicionista foi t&atilde;o violenta, nunca os interesses dos propriet&aacute;rios<br \/>\n    de escravos estiveram t&atilde;o amea&ccedil;ados, por isso que s&oacute;<br \/>\n    resta ao Governo o caminho da viol&ecirc;ncia e este &eacute; tamb&eacute;m<br \/>\n    o caminho da revolta, e que revolta! a das classes educadas fora da liberdade.\n  <\/p>\n<p>Por que sustenta o imperador este Minist&eacute;rio?<\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe d&aacute; prest&iacute;gio ao Governo? <\/p>\n<p>Sustentar Santos, no Estado Oriental, o sr. bar&atilde;o de Mamor&eacute;<br \/>\n    e os Domicianos da Para&iacute;ba do Sul, no interior, &eacute; t&iacute;tulo<br \/>\n    para algu&eacute;m se conservar no Governo? <\/p>\n<p>Qual &eacute; o homem superior que o imperador teme desgostar, desgostando<br \/>\n    o sr. bar&atilde;o de Cotegipe e quais s&atilde;o os interesses, al&eacute;m<br \/>\n    dos da escravid&atilde;o, efetuados pela demiss&atilde;o desse Gabinete, cujos<br \/>\n    ministros n&atilde;o sabem nem ao menos falar corretamente a l&iacute;ngua<br \/>\n    maternal? <\/p>\n<p>A verdade &eacute; esta: o imperador quer manter por longos anos inimigos<br \/>\n    em face um do outro, o senhor e o escravo, matar um pelo outro. <\/p>\n<p>Ao escravo, ilude a esperan&ccedil;a afetando simpatia pela sua sorte. Custa-lhe<br \/>\n    barato isto, menos de 5% dos 800 contos de r&eacute;is com que a escravid&atilde;o<br \/>\n    o subsidia. <\/p>\n<p>Ao senhor, ele contenta nomeando minist&eacute;rios que, n&atilde;o tendo<br \/>\n    for&ccedil;a para reprimir a propaganda da aboli&ccedil;&atilde;o, tem-na,<br \/>\n    entretanto, para incitar os propriet&aacute;rios &agrave; viol&ecirc;ncia<br \/>\n    e ao crime contra seus escravizados, e as popula&ccedil;&otilde;es &agrave;<br \/>\n    comunh&atilde;o pac&iacute;fica da barbaria. <\/p>\n<p>O resultado &eacute; f&aacute;cil de prever: a desorganiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    geral do trabalho, a morte absoluta da iniciativa pol&iacute;tica, o desmantelo<br \/>\n    completo da administra&ccedil;&atilde;o, a ru&iacute;na, finalmente, do pa&iacute;s,<br \/>\n    e portanto a consolida&ccedil;&atilde;o da dinastia, como elemento essencial<br \/>\n    de reconstru&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica, servindo de anteparo &agrave;s<br \/>\n    ondas revolucion&aacute;rias. <\/p>\n<p>Porque os reis s&atilde;o como as ortigas, s&oacute; se tornam salientes<br \/>\n    e not&aacute;veis sobre ru&iacute;nas. <\/p>\n<p>Tal &eacute; o plano do sr. d. Pedro II.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio de 20 de Agosto ficar&aacute;, pois, apesar de todos<br \/>\n    os protestos da opini&atilde;o. <\/p>\n<p>Quando crescer a impaci&ecirc;ncia, ele aumentar&aacute; a corrup&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Apoiado no interesse do senhor, na cobardia do povo, na mis&eacute;ria do<br \/>\n    escravo; convertendo, pelas transfer&ecirc;ncias, pelas pris&otilde;es, pelas<br \/>\n    disponibilidades, o Ex&eacute;rcito e a Marinha em um rebanho d&oacute;cil<br \/>\n    para o poder, o Gabinete 20 de Agosto se conservar&aacute; no poder at&eacute;<br \/>\n    quando o imperador quiser. <\/p>\n<p>N&atilde;o vale a pena combat&ecirc;-lo, por isso que ele tem carta branca<br \/>\n    para fazer tudo quanto lhe der na cabe&ccedil;a, contanto que da&iacute; resulte<br \/>\n    sempre um lucro para a dinastia. <\/p>\n<p>O pa&iacute;s fique certo que n&atilde;o conseguir&aacute; nada com o seu<br \/>\n    clamor. O trono &eacute; surdo. <\/p>\n<p>Demais, o imperador serve-se do Minist&eacute;rio 20 de Agosto, como de um<br \/>\n    gato morto. <\/p>\n<p>Ele quer provar-nos que a aboli&ccedil;&atilde;o, como tudo neste pa&iacute;s,<br \/>\n    &eacute; ele, e por isso emprega os srs. Cotegipe e companheiros, o minist&eacute;rio<br \/>\n    mais fraco que temos tido, como simples instrumento. <\/p>\n<p><b>21 ago. 1886<\/b><\/p>\n<h2>5-II-1887<\/h2>\n<p> Come&ccedil;ou a orgia de sangue e de s&acirc;nie que o sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe havia prometido aos seus c&uacute;mplices do Governo para a pirataria<br \/>\n    e pela pirataria. <\/p>\n<p>J&aacute; n&atilde;o h&aacute; mais garantias para quem n&atilde;o se ajoelha<br \/>\n    perante o chaveco do tr&aacute;fico, encalhado sobre o Ararat da corrup&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e convertido pelo Governo do imperador em arca santa dos direitos da escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>A cidade de Campos foi convertida em matadouro de abolicionistas. <\/p>\n<p>A pol&iacute;cia, conivente com os assassinos, esconde-se, at&eacute; que<br \/>\n    estes tenham consumado os seus crimes, e em seguida aparece para denunciar<br \/>\n    &agrave; magistratura as v&iacute;timas como algozes. <\/p>\n<p>A magistratura, por sua vez, denuncia ao Governo esses imagin&aacute;rios<br \/>\n    autores de atentados, louvando a solicitude e o zelo com que a pol&iacute;cia<br \/>\n    os entrega &agrave; sanha do esclavagismo assassino. <\/p>\n<p>O presidente do Conselho havia dito: na guerra, como na guerra e cumpre,<br \/>\n    pela primeira vez na sua vida, a palavra dada. <\/p>\n<p>Nesta guerra, por&eacute;m, as for&ccedil;as s&atilde;o desiguais. De um<br \/>\n    lado est&atilde;o os abolicionistas, que n&atilde;o t&ecirc;m como armas sen&atilde;o<br \/>\n    a sua f&eacute; na santa causa que defendem e pela qual est&atilde;o prontos<br \/>\n    a dar a vida; uma ra&ccedil;a acobardada por longos s&eacute;culos de sofrimento;<br \/>\n    o terror do povo acostumado a ver subir ao cadafalso, ou ser espingardeado<br \/>\n    na pra&ccedil;a p&uacute;blica, o Direito, ficando o despotismo jubiloso a<br \/>\n    tripudiar impune sobre o seu cad&aacute;ver. <\/p>\n<p>De outro lado est&aacute; o Governo, armado com a venalidade da maior parte,<br \/>\n    com o desespero da cobi&ccedil;a dos senhores de escravizados, com a falta<br \/>\n    de escr&uacute;pulo de quem se hipotecou ao interesse de uma institui&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que &eacute; a nossa vergonha perante o mundo. <\/p>\n<p>Governo da escravid&atilde;o, o Minist&eacute;rio &eacute; a encarna&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da barbaria; n&atilde;o trepida em assalariar delatores, como n&atilde;o hesita<br \/>\n    em proteger assassinos. <\/p>\n<p>As cenas selvagens de Campos n&atilde;o s&atilde;o sen&atilde;o o primeiro<br \/>\n    ensaio da trag&eacute;dia, que vai ser representada em todo o pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>Aos assassinatos de Lu&iacute;s Fernandes e do imortal Adolfo Porto, seguir-se-&aacute;<br \/>\n    o de Carlos de Lacerda e ao deste o de todos os abolicionistas, cuja palavra<br \/>\n    o Governo sabe que n&atilde;o emudecer&aacute; sen&atilde;o pela morte. <\/p>\n<p>Um cad&aacute;ver de mais ou de menos n&atilde;o faz mover a balan&ccedil;a<br \/>\n    de consci&ecirc;ncias que se servem de tr&ecirc;s s&eacute;culos de crime<br \/>\n    como peso para os seus atos. <\/p>\n<p>O Governo j&aacute; n&atilde;o se julga obrigado sequer a recatar-se. Apraz-lhe<br \/>\n    a nudez da saturnal. P&otilde;e cabe&ccedil;as a pr&ecirc;mio; aponta os r&eacute;us<br \/>\n    que quer punir. <\/p>\n<p>N&atilde;o tem mais em aten&ccedil;&atilde;o as simples formalidades da lei:<br \/>\n    suspende os direitos constitucionais e veste a morte com a toga do magistrado.\n  <\/p>\n<p>Na embriaguez do crime, n&atilde;o repara que deixa pegadas indel&eacute;veis<br \/>\n    na hist&oacute;ria, apesar da ast&uacute;cia que emprega para ocultar a sua<br \/>\n    m&atilde;o trai&ccedil;oeira e ensang&uuml;entada. <\/p>\n<p>A pol&iacute;cia de Campos ainda n&atilde;o descobriu quais os assassinos<br \/>\n    do dia 30, mas sabe quem foi que esfaqueou um dos capangas de Raimundo Moreira.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o consta que nenhum desses assassinos haja sido farejado pela perspic&aacute;cia<br \/>\n    do delegado de pol&iacute;cia ou do juiz de direito; mas estas autoridades<br \/>\n    j&aacute; sabem, descobriram de pronto, que s&atilde;o as confer&ecirc;ncias<br \/>\n    abolicionistas o facho incendi&aacute;rio que ateou fogo aos canaviais. <\/p>\n<p>Cada palavra do Governo e dos seus agentes denuncia a premedita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de sufocar, seja como for, a propaganda que pretende lavar a desonra da p&aacute;tria,<br \/>\n    seja com o pr&oacute;prio sangue dos propagandistas. <\/p>\n<p>O imperador, que &eacute; proclamado soberano magn&acirc;nimo, n&atilde;o<br \/>\n    d&aacute; sinais de vida. <\/p>\n<p>Outrora, quando O Brazil, &oacute;rg&atilde;o do sr. Belis&aacute;rio, atroou<br \/>\n    os ares com amea&ccedil;as, recurso de matreiro para atordoar o povo e n&atilde;o<br \/>\n    deixar ouvir o fracasso do sindicato, o imperador alarmou-se ao ponto de converter<br \/>\n    o pacto de honra com o sr. Dantas nesta situa&ccedil;&atilde;o criminosa -p&acirc;ntano<br \/>\n    onde b&oacute;iam cad&aacute;veres. <\/p>\n<p>Hoje, que um minist&eacute;rio que n&atilde;o se pode fortalecer sen&atilde;o<br \/>\n    pelo terror, que lembra no poder um desses monstros do sert&atilde;o, que<br \/>\n    se fazem temer pelo n&uacute;mero dos seus crimes, cobre de v&iacute;timas<br \/>\n    o pa&iacute;s e p&otilde;e em perigo as institui&ccedil;&otilde;es, o imperador<br \/>\n    cruza indiferentemente os bra&ccedil;os. <\/p>\n<p>Pensa acaso o imperador que o meio de consolidar o seu trono &eacute; dar-lhe<br \/>\n    como alicerce no presente a ossada dos abolicionistas, como lhe deram outrora<br \/>\n    a ossada das v&iacute;timas do tr&aacute;fico? <\/p>\n<p>Julga acaso o imperador que n&atilde;o basta que a sua lista civil seja o<br \/>\n    pre&ccedil;o das l&aacute;grimas de um milh&atilde;o de espoliados, e quer<br \/>\n    que se lhe ajunte o sangue dos que t&ecirc;m a coragem precisa para repetir,<br \/>\n    diante do C&eacute;sar americano, a frase dos gladiadores malferidos -os que<br \/>\n    v&atilde;o morrer te sa&uacute;dam? <\/p>\n<p>N&atilde;o v&ecirc; Sua Majestade que, de par com o v&aacute;cuo que o assassinato<br \/>\n    e o processo foram incumbidos de fazer nas fileiras abolicionistas, o minist&eacute;rio<br \/>\n    mandou o desgosto fazer o v&aacute;cuo em torno do trono imperial? <\/p>\n<p>Quem leu hoje o Jornal do Commercio, que tanto pesa desde o tesouro at&eacute;<br \/>\n    os Conselhos da Coroa, viu com espanto que o minist&eacute;rio est&aacute;<br \/>\n    provocando insensatamente o Ex&eacute;rcito e incitando-o a que saia da calma<br \/>\n    patri&oacute;tica, em que ele se tem mantido. <\/p>\n<p>O marechal Deodoro, que n&atilde;o ganhou as dragonas de general nas antec&acirc;maras<br \/>\n    dos ministros, mas no campo de batalha -a antec&acirc;mara da morte &eacute;,<br \/>\n    por ordem do Governo e a peso de dinheiro usurpado a ele mesmo e a todos os<br \/>\n    contribuintes, tratado como se fosse uma ordenan&ccedil;a do sr. ministro<br \/>\n    da Guerra. <\/p>\n<p>Gente que se ocupa em vender a pena, porque &eacute; a &uacute;ltima cousa<br \/>\n    que lhe resta para vender, salpica de tinta assalariada a farda veneranda,<br \/>\n    que a coragem salpicou de bordados e condecora&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Percebe-se o plano vergonhoso de assanhar a popula&ccedil;&atilde;o contra<br \/>\n    o brio da classe militar, n&atilde;o porque a autonomia civil corra perigo,<br \/>\n    mas unicamente porque o Minist&eacute;rio deseja campear ovante sobre os &uacute;ltimos<br \/>\n    destro&ccedil;os da sobranceria de um povo. <\/p>\n<p>O Governo, encarregando aos seus declamadores pagos de repetir alto o recado<br \/>\n    que lhes deu no Gabinete e mandou decorar no segredo da verba secreta, grita<br \/>\n    que &eacute; preciso resistir &agrave; indisciplina, capitaneada pelo marechal<br \/>\n    Deodoro. <\/p>\n<p>Qual &eacute; esta indisciplina? pergunta-se em v&atilde;o, procurando fatos,<br \/>\n    e s&oacute; se encontram avisos julgados inconstitucionais pelo Poder Moderador<br \/>\n    e que, entretanto, o Minist&eacute;rio quer que produzam efeito sobre a f&eacute;<br \/>\n    de of&iacute;cio e a carreira militar de oficiais briosos. <\/p>\n<p>Pode a classe militar recuar hoje da atitude nobre e digna que tomou? <\/p>\n<p>O que ela pediu foi simplesmente justi&ccedil;a: n&atilde;o se negou a submeter-se<br \/>\n    &agrave; lei; mas quer que o Minist&eacute;rio se submeta tamb&eacute;m. <\/p>\n<p>Entre o Governo na legalidade, e todos entrar&atilde;o com ele. <\/p>\n<p>Mas o Governo quer ficar fora da lei e, para conseguir os seus fins criminosos,<br \/>\n    lan&ccedil;a m&atilde;o de todos os meios. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m pode presumir que o brioso marechal Deodoro, se receber como<br \/>\n    resposta &agrave; honrosa comiss&atilde;o que lhe confiaram os seus camaradas,<br \/>\n    a demiss&atilde;o do alto cargo que tem no Ex&eacute;rcito, continue a acreditar<br \/>\n    na justi&ccedil;a imperial e na garantia das Institui&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Manda a lei da honra prover que o ilustre marechal, como todos os seus companheiros,<br \/>\n    perder&aacute; a esperan&ccedil;a de que, no segundo reinado, o direito possa<br \/>\n    obter do Governo a seguran&ccedil;a que a lei lhe prometeu. <\/p>\n<p>Se o amor da disciplina contiver os assomos da dignidade ofendida, o amor<br \/>\n    da p&aacute;tria aconselhar&aacute; a classe militar a cruzar os bra&ccedil;os,<br \/>\n    deixando que o Governo imperial conjure pela corrup&ccedil;&atilde;o a tempestade<br \/>\n    de indigna&ccedil;&atilde;o por ele mesmo desencadeada. <\/p>\n<p>Sua Majestade n&atilde;o mediu ainda, ao que parece, a extens&atilde;o do<br \/>\n    v&aacute;cuo, que far&aacute; em derredor do seu trono o afastamento dos her&oacute;is.\n  <\/p>\n<p>Retirados os Deodoros, pensa acaso Sua Majestade que os Cotegipes e seus<br \/>\n    asseclas bastar&atilde;o para defend&ecirc;-lo dos golpes que a civiliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    inteira e com ela a mem&oacute;ria das v&iacute;timas do esclavagismo desfechar&atilde;o<br \/>\n    contra o seu reinado? <\/p>\n<p>E os reis s&atilde;o em geral cegos e surdos. &Eacute; a pena que lhes comina<br \/>\n    previamente a Hist&oacute;ria, quando os tem de arrastar perante o j&uacute;ri<br \/>\n    dos povos para responder pelo crime de lesa-justi&ccedil;a. <\/p>\n<p>Entre os gemidos dos escravizados e o clamor altaneiro do esclavagismo, o<br \/>\n    imperador escolheu o apoio do segundo e mandou sacrificar os primeiros. <\/p>\n<p>Sua Majestade v&ecirc; que o Minist&eacute;rio &eacute; escandalosamente<br \/>\n    conivente com os violadores da lei, que continuam a empregar a gargalheira,<br \/>\n    o tronco, o a&ccedil;oite, o c&aacute;rcere privado, os maus tratamentos de<br \/>\n    todo o g&ecirc;nero contra os escravizados, apesar de determina&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    positivas da lei; e Sua Majestade sustenta esse Minist&eacute;rio, que no<br \/>\n    seu pr&oacute;prio partido perdeu a confian&ccedil;a de todos os homens de<br \/>\n    bem. <\/p>\n<p>Entre a dignidade do Ex&eacute;rcito e a insensatez do Gabinete 20 de Agosto,<br \/>\n    o imperador parece querer preferir a segunda &agrave; primeira. <\/p>\n<p>Sua Majestade v&ecirc; que o Minist&eacute;rio socorre-se de tudo quanto<br \/>\n    &eacute; meio indigno para difamar os militares, que protestam, e para angariar<br \/>\n    simpatias na parte t&iacute;mida do Ex&eacute;rcito. Que o Minist&eacute;rio<br \/>\n    vai desde os Rom&otilde;es dos interlinhados at&eacute; o champagne falsificado<br \/>\n    do ministro da Guerra. E Sua Majestade sustenta este minist&eacute;rio cuja<br \/>\n    tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; a popeline, o sindicato, o Rio Verde, a empresa<br \/>\n    Gary, contra militares cuja tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; a integridade<br \/>\n    da p&aacute;tria e o brilho da nossa bandeira no campo de batalha. <\/p>\n<p>Dizem que o imperador tem levado toda a sua vida a vingar seu pai. <\/p>\n<p>Tudo quanto foi pelos nossos maiores considerado crime do primeiro imperador,<br \/>\n    o segundo tem praticado para justific&aacute;-lo. <\/p>\n<p>Tudo quanto foi institui&ccedil;&atilde;o popular, que concorreu para a ru&iacute;na<br \/>\n    do primeiro imperador, o segundo tem desmantelado. <\/p>\n<p>O abolicionismo foi o primeiro trope&ccedil;o que o primeiro imperador encontrou<br \/>\n    em seu caminho. As instru&ccedil;&otilde;es a Brant denunciam o amigo de Jos&eacute;<br \/>\n    Clemente Pereira. <\/p>\n<p>Por isso mesmo, o sr. d. Pedro II, depois de aproveitar-se do abolicionismo<br \/>\n    para recomendar-se ao mundo, entrega os abolicionistas ao sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe, carrasco impass&iacute;vel da sua pr&oacute;pria ra&ccedil;a.\n  <\/p>\n<p>O Ex&eacute;rcito for&ccedil;ou a abdica&ccedil;&atilde;o de d. Pedro I,<br \/>\n    abandonando-o ao destino do seu despotismo. O sr. d. Pedro II adiou a vingan&ccedil;a<br \/>\n    at&eacute; o momento aprazado e, sem escolher v&iacute;timas, n&atilde;o reconhecendo<br \/>\n    os que h&aacute; poucos anos lhe salvaram de novo o trono, condena-os a serem<br \/>\n    o joguete de ministros tresloucados, de forateiros pol&iacute;ticos irrespons&aacute;veis.\n  <\/p>\n<p>N&oacute;s nada pedimos ao imperador.<\/p>\n<p>Do seu Imp&eacute;rio n&atilde;o aspiramos sen&atilde;o aos palmos de terra<br \/>\n    que a corrup&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio &eacute; bem capaz de negar<br \/>\n    &agrave;queles que n&atilde;o trepidaram atirar-lhe &agrave; face a vergonha<br \/>\n    e os crimes. <\/p>\n<p>O que podemos garantir a Sua Majestade &eacute; que morreremos tranq&uuml;ilo;<br \/>\n    sorrindo &agrave; certeza de que cumprimos com o nosso dever de patriotas,<br \/>\n    e que, mais tarde ou mais cedo, a nossa morte ser&aacute; vingada. <\/p>\n<p><b>5 fev. 1887<\/b><\/p>\n<h2>16-VII-1887<\/h2>\n<p> Os fetichistas do parlamentarismo devem de estar maravilhados com os estupendos<br \/>\n    resultados que ele tem dado entre n&oacute;s. <\/p>\n<p>Devemos render esta justi&ccedil;a ao parlamentarismo: s&oacute; ele, com<br \/>\n    os seus inexaur&iacute;veis recursos de equil&iacute;brio, podia sustentar<br \/>\n    esta situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica especial, que ningu&eacute;m sustenta<br \/>\n    e que se imp&otilde;e a todos; que n&atilde;o se ap&oacute;ia em nenhum elemento<br \/>\n    est&aacute;vel da sociedade e que, entretanto, &eacute; apoiada por todos<br \/>\n    e por tudo. <\/p>\n<p>O parlamento conseguiu ser mais que uma delega&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio<br \/>\n    da soberania pol&iacute;tica do povo, ser a abdica&ccedil;&atilde;o absoluta<br \/>\n    do poder, do brio, da honra nacional. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m tem o direito de ser ouvido neste pa&iacute;s sen&atilde;o<br \/>\n    dentro do parlamento e por isso mesmo os membros desse poder se julgam no<br \/>\n    dever de n&atilde;o se fazerem ouvir. <\/p>\n<p>Tomados individualmente os deputados e senadores, raros s&atilde;o os que<br \/>\n    n&atilde;o entendem que o atual Minist&eacute;rio n&atilde;o &eacute; a humilha&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de um partido e uma vergonha para o pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Quando reunidos, por&eacute;m, quando formam maioria parlamentar, esses mesmos<br \/>\n    homens curvam-se servilmente e repetem tantos votos de confian&ccedil;a quantos<br \/>\n    lhes sejam exigidos pelo capricho dos ministros. <\/p>\n<p>Reproduz-se diariamente na C&acirc;mara e no Senado aquela cena felic&iacute;ssima<br \/>\n    da taberna, no Nero de Pietro Cossa. <\/p>\n<p>Os circunstantes se revoltam diante da devassid&atilde;o audaciosa do C&eacute;sar<br \/>\n    lascivo, um deles deita-lhe a m&atilde;o no pesco&ccedil;o e est&aacute; disposto<br \/>\n    a estrangul&aacute;-lo, quando sabem todos que o homem que est&aacute; por<br \/>\n    terra &eacute; Nero, o imperador de Roma. Muda-se de s&uacute;bito a atitude<br \/>\n    de todos e os indignados de minutos antes s&atilde;o os escravos que se deitam<br \/>\n    de bru&ccedil;os diante do senhor. <\/p>\n<p>H&aacute; uma esp&eacute;cie de orgulho em ostentar servilismo parlamentar.<br \/>\n    A maioria se julga tanto mais honrada, quanto mais irracional &eacute; o sacrif&iacute;cio<br \/>\n    por ela feito. <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe conhece-a t&atilde;o bem que procede com ela<br \/>\n    como Hamlet com os cortes&atilde;os da Dinamarca. <\/p>\n<p>Quando a maioria quer mostrar-se mais servil do que &eacute; necess&aacute;rio,<br \/>\n    o presidente do Conselho d&aacute;-lhe uma li&ccedil;&atilde;o de altivez,<br \/>\n    em termos que vamos pedir emprestados a Shakespeare.<\/p>\n<p><b>(Entra OSRIC, descobrindo-se.)<\/b><\/p>\n<p>OSRIC.- Meu senhor, se Vossa Alteza n&atilde;o est&aacute; agora ocupado,<br \/>\n    permita que lhe d&ecirc; um recado da parte de Sua Majestade. <\/p>\n<p>    HAMLET.- Ouvi-lo-ei com a maior ansiedade, mas olhe&#8230; D&ecirc; ao seu chap&eacute;u<br \/>\n    o destino que ele tem: cobrir a cabe&ccedil;a. <\/p>\n<p>    OSRIC.- Muito obrigado a Vossa Alteza; mas est&aacute; fazendo muito calor. <\/p>\n<p>    HAMLET.- Calor? Quer dizer muito frio: o vento &eacute; do norte. <\/p>\n<p>    OSRIC.- E isso, &eacute; isso, meu senhor: est&aacute; sofrivelmente frio. <\/p>\n<p>    HAMLET.- Entretanto para mim, em virtude de meu temperamento, est&aacute;<br \/>\n    fazendo calor de sufocar. <\/p>\n<p>    OSRIC.- &Eacute; isso mesmo, meu senhor, est&aacute; excessivo o calor, sufocante&#8230;<br \/>\n    um calor inaudito. <\/p>\n<p>Esse calor-frio e frio-calor, excessivo, sufocante, que serve para justificar<br \/>\n    o servilismo de Osric, que se descobre quando podia estar coberto, &eacute;<br \/>\n    a desculpa da maioria que &eacute; sempre da opini&atilde;o do Governo e que<br \/>\n    n&atilde;o quer guardar a dignidade do seu cargo nem mesmo quando o senhor<br \/>\n    lho permite. <\/p>\n<p>&Eacute; que o parlamentarismo aniquilou o car&aacute;ter dos homens pol&iacute;ticos<br \/>\n    desta terra e os converteu em simples servi&ccedil;ais da escravid&atilde;o,<br \/>\n    representada pelo Minist&eacute;rio e pela Coroa. <\/p>\n<p>O parlamentarismo justificou o poder pessoal e tornou urgente a proclama&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de uma ditadura inteligente e patri&oacute;tica, a favor da qual, mesmo com<br \/>\n    o sacrif&iacute;cio provis&oacute;rio de alguns direitos, todos n&oacute;s,<br \/>\n    homens de cora&ccedil;&atilde;o e de patriotismo, devemos trabalhar. <\/p>\n<p>A nossa responsabilidade de povo na Hist&oacute;ria ser&aacute; tremenda<br \/>\n    quando as gera&ccedil;&otilde;es futuras virem que nos submetemos ao voto<br \/>\n    parlamentar de umas d&uacute;zias de interessados que se antepunham &agrave;<br \/>\n    vontade expressa da maioria dos seus compatriotas. <\/p>\n<p>No momento atual, a propaganda abolicionista deixou de ser um choque revolucion&aacute;rio,<br \/>\n    para ser o acordo consciencioso dos pr&oacute;prios senhores de escravizados<br \/>\n    na reorganiza&ccedil;&atilde;o do trabalho agr&iacute;cola. <\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, a C&acirc;mara dos Deputados entende que deve sugerir<br \/>\n    aos convertidos &agrave; boa causa do trabalho livre a esperan&ccedil;a falaz<br \/>\n    da durabilidade de escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Tudo indica que a maldita institui&ccedil;&atilde;o fez o seu tempo; que<br \/>\n    ela entra na fase da decomposi&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e inconjur&aacute;vel.\n  <\/p>\n<p>Al&eacute;m da pr&oacute;pria confiss&atilde;o dos mais interessados na sua<br \/>\n    conserva&ccedil;&atilde;o e que dela abrem m&atilde;o espontaneamente h&aacute;<br \/>\n    o sufr&aacute;gio geral de todas as classes. <\/p>\n<p>No Senado assina o projeto Dantas o visconde de Pelotas; na reuni&atilde;o<br \/>\n    militar o general Deodoro declara-se francamente pela aboli&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    E de recente data a manifesta&ccedil;&atilde;o da Armada e do Ex&eacute;rcito,<br \/>\n    quando se deram as festas pela liberta&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute;. Em<br \/>\n    todas as suas reuni&otilde;es os militares deixam firmada a ades&atilde;o<br \/>\n    coletiva &agrave; causa dos escravizados. <\/p>\n<p>Se um movimento, embora pac&iacute;fico, mas decisivo, com o cunho de uma<br \/>\n    imposi&ccedil;&atilde;o do povo e da civiliza&ccedil;&atilde;o, for organizado,<br \/>\n    o Governo teria de ceder do mesmo modo que cedeu, humilhado e humilhando o<br \/>\n    Senado, na Quest&atilde;o Militar. <\/p>\n<p>Os abolicionistas t&ecirc;m demonstrado, como por ocasi&atilde;o dos inc&ecirc;ndios<br \/>\n    dos canaviais em Santos, e agora mesmo pela fuga coletiva dos escravizados<br \/>\n    em S. Paulo; t&ecirc;m demonstrado, repetimos, que podem na hora que lhes<br \/>\n    aprouver dispor de elementos os mais poderosos de perturba&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>No entanto, em vez de incitar a rebeldia, eles se colocam do lado da ordem<br \/>\n    e dos interesses gerais do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Como resposta a essas provas repetidas de patriotismo, o Governo manda trancar<br \/>\n    a discuss&atilde;o dos projetos mais an&oacute;dinos que se apresentem &agrave;s<br \/>\n    c&acirc;maras! <\/p>\n<p>E a maioria parlamentar, que devia representar, n&atilde;o o partido, mas<br \/>\n    a na&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;ia sem protesto semelhante cegueira. <\/p>\n<p>Pensa a C&acirc;mara dos Deputados que realmente bastam para deter a marcha<br \/>\n    da propaganda abolicionista a carranca do sr. Andrade Figueira e os arreganhos<br \/>\n    clownianos do sr. bar&atilde;o de Cotegipe. <\/p>\n<p>Mas supondo mesmo que o Minist&eacute;rio pudesse empregar contra o abolicionismo<br \/>\n    for&ccedil;a, de que n&atilde;o disp&otilde;e, acredita a maioria que teria<br \/>\n    meio de vencer um combate que se dar&aacute; em todo o pa&iacute;s e cujos<br \/>\n    soldados est&atilde;o entricheirados dentro do pr&oacute;prio acampamento<br \/>\n    do inimigo? <\/p>\n<p>&Eacute; simplesmente demasiado exagerada e que, entretanto, pode ter as<br \/>\n    mais funestas conseq&uuml;&ecirc;ncias. <\/p>\n<p>Perde-se a paci&ecirc;ncia, muitas vezes por uma insignific&acirc;ncia, apesar<br \/>\n    de se haver jurado prud&ecirc;ncia &agrave; pr&oacute;pria honra. <\/p>\n<p>Nunca contestamos a for&ccedil;a parlamentar da escravid&atilde;o; o que<br \/>\n    lhe negamos &eacute; a for&ccedil;a popular, que &eacute; nossa e de que n&atilde;o<br \/>\n    temos querido dispor simplesmente por patriotismo. <\/p>\n<p>Se temos hesitado, &eacute; porque vemos de um lado a matr&iacute;cula e<br \/>\n    de outro lado as liberta&ccedil;&otilde;es espont&acirc;neas por milhares,<br \/>\n    e n&atilde;o devemos condenar os que s&atilde;o v&iacute;timas, tanto como<br \/>\n    os escravos de um governo, que para salvar os interesses dos ministros enlameia<br \/>\n    o bom nome da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>Cumpre-nos, por&eacute;m, fazer sentir que n&atilde;o cedemos nem um dia,<br \/>\n    nem uma hora, nem um minuto do prazo que marcamos &agrave; institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    negra, nem mesmo sendo necess&aacute;rio empregar meios extremos. <\/p>\n<p>O sr. presidente do Conselho declarou que o atual minist&eacute;rio n&atilde;o<br \/>\n    propor&aacute; nenhuma altera&ccedil;&atilde;o &agrave; lei reescravizadora,<br \/>\n    votada h&aacute; dois anos. A maioria acaba de declarar na C&acirc;mara dos<br \/>\n    Deputados que n&atilde;o considera urgente a reforma dessa lei. <\/p>\n<p>N&oacute;s, por nossa parte, declaramos que queremos a aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da escravid&atilde;o at&eacute; 1889 e que se n&atilde;o no-la derem, f&aacute;-la-emos.\n  <\/p>\n<p>Em 14 de julho de 1889, centen&aacute;rio da revolu&ccedil;&atilde;o que<br \/>\n    produziu o homem moderno, h&aacute; de estar decretada a aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    total da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Empregue o Governo os meios de que puder dispor, e todos, desde a cal&uacute;nia<br \/>\n    assalariada at&eacute; os pat&iacute;bulos clandestinos na casa dos abolicionistas;<br \/>\n    aconselhe aos seus agentes secretos todos os recursos os mais desumanos, desde<br \/>\n    a trai&ccedil;&atilde;o at&eacute; o assassinato, e n&atilde;o conseguir&aacute;<br \/>\n    fazer recuar a onda que a propaganda abolicionista sublevou com a for&ccedil;a<br \/>\n    de s&eacute;culos de ang&uacute;stias. <\/p>\n<p>Os reptis (sic), na express&atilde;o de Bismark, falavam ontem nos entrelinhados<br \/>\n    no plenil&uacute;nio de 1889. <\/p>\n<p>Foram profetas sem o saber.<\/p>\n<p>De feito: a 14 de julho de 1889 haver&aacute; mar&eacute; cheia para a aboli&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    um preia-mar de liberdade, de igualdade e de fraternidade h&aacute; de inundar<br \/>\n    a nossa p&aacute;tria, afogando o escravismo nos mangues ensang&uuml;entados<br \/>\n    da pirataria. <\/p>\n<p><b>16 jul. 1887<\/b><\/p>\n<h2>30-VII-1887<\/h2>\n<p> Se fosse permitido esperar alguma influ&ecirc;ncia do parlamento sobre a<br \/>\n    vida do Governo, pod&iacute;amos repetir hoje, com inteira seguran&ccedil;a,<br \/>\n    a frase do sr. Miranda Ribeiro: o Minist&eacute;rio est&aacute; morto. <\/p>\n<p>N&atilde;o se comp&otilde;e da soma das opini&otilde;es individuais dos ministros,<br \/>\n    mas do acordo partid&aacute;rio destes com o presidente do Conselho, a pol&iacute;tica<br \/>\n    ministerial. &Eacute; esta a teoria do governo parlamentar, expendida pelo<br \/>\n    sr. bar&atilde;o de Cotegipe. <\/p>\n<p>Os gabinetes n&atilde;o se modificam pela sa&iacute;da ou entrada de ministros;<br \/>\n    o apoio parlamentar ao minist&eacute;rio o dispensa de explica&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    sobre o seu programa. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que o Minist&eacute;rio 20 de Agosto, tendo perdido j&aacute;<br \/>\n    a maioria dos seus membros primitivos: o ministro da Guerra, o ministro da<br \/>\n    Marinha, o ministro da Agricultura, o ministro do Imp&eacute;rio, os srs.<br \/>\n    Junqueira, Alfredo Chaves, Ant&ocirc;nio Prado e bar&atilde;o de Mamor&eacute;,<br \/>\n    continua a ser o mesmo que era anteriormente. <\/p>\n<p>A sua pol&iacute;tica n&atilde;o variou absolutamente, porque o deposit&aacute;rio<br \/>\n    e principal respons&aacute;vel dos seus intuitos e dos seus fins &eacute;<br \/>\n    o presidente do Conselho. <\/p>\n<p>Sempre que se deu qualquer das quatro modifica&ccedil;&otilde;es ministeriais,<br \/>\n    a oposi&ccedil;&atilde;o inquiriu do sr. presidente do Conselho se havia sido<br \/>\n    alterada a pol&iacute;tica do Minist&eacute;rio e S. Ex.&ordf; respondeu sempre:<br \/>\n    n&atilde;o. <\/p>\n<p>Os ministros demission&aacute;rios confirmaram pelo seu subseq&uuml;ente<br \/>\n    apoio ao Gabinete que se retiraram por dificuldades extraministeriais. <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe ficou sendo, at&eacute; agora, o &uacute;nico<br \/>\n    presidente do Conselho que nunca teve diverg&ecirc;ncias, capazes de provocar<br \/>\n    crises, no seu Minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>A retirada do sr. Ant&ocirc;nio Prado, por exemplo, foi explicada do seguinte<br \/>\n    modo: havendo sido nomeado senador, S. Ex.&ordf; retirou-se para que o Minist&eacute;rio<br \/>\n    n&atilde;o ficasse composto por maior n&uacute;mero de senadores que de deputados.\n  <\/p>\n<p>Continuaram entre S. Ex.&ordf; e o Minist&eacute;rio as boas rela&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de apoio e de confian&ccedil;a rec&iacute;procas. Nenhum ato parlamentar,<br \/>\n    nem administrativo, fez suspeitar o mais leve estremecimento entre o sr. presidente<br \/>\n    do Conselho, o Minist&eacute;rio e o sr. ex-ministro da Agricultura. <\/p>\n<p>For&ccedil;a, portanto, &eacute; concluir que houve sempre, sen&atilde;o<br \/>\n    concord&acirc;ncia absoluta de vistas, tend&ecirc;ncias e fins entre o Minist&eacute;rio<br \/>\n    e o ministro da Agricultura, e ao menos o primeiro foi em tudo solid&aacute;rio<br \/>\n    com o segundo nos atos por este praticados. <\/p>\n<p>Entretanto, com surpresa do pa&iacute;s inteiro, o sr. Rodrigo Silva expede<br \/>\n    um aviso, a respeito de mat&eacute;ria especialmente ministerial -a escravid&atilde;o,<br \/>\n    e esse aviso &eacute; a revoga&ccedil;&atilde;o terminante de um outro expedido<br \/>\n    pelo sr. Ant&ocirc;nio Prado. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio &eacute; apanhado em flagrante delito de contradi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e esta n&atilde;o fere assunto de pouca import&acirc;ncia, mas o direito de<br \/>\n    mais de 13 mil pessoas. <\/p>\n<p>O parlamento, se ele existisse, ou quisesse existir, n&atilde;o podia deixar<br \/>\n    de dar a maior import&acirc;ncia ao epis&oacute;dio, que vem desmascarar a<br \/>\n    especula&ccedil;&atilde;o do Governo. <\/p>\n<p>Foi o pr&oacute;prio presidente do Conselho quem declarou que n&atilde;o<br \/>\n    houve, nem haver&aacute; modifica&ccedil;&atilde;o no pensamento ministerial<br \/>\n    com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Lei 3.270, e no entanto esse pensamento<br \/>\n    se modifica rasgando a lei, censurando um ex-ministro e reescravizando milhares<br \/>\n    de pessoas. <\/p>\n<p>O Gabinete 20 de Agosto foi quem decretou a lei, que capitulou de roubo a<br \/>\n    hospitalidade ao foragido; foi ele tamb&eacute;m quem afirmou que a sua lei<br \/>\n    n&atilde;o era de reescraviza&ccedil;&atilde;o, mas de emancipa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    gradual. <\/p>\n<p>Grande parte no acordo sinistro, que adiou por mais treze anos a reabilita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    moral de nossa p&aacute;tria, foi o ex-ministro da Agricultura; mas, apesar<br \/>\n    disso, o sr. Ant&ocirc;nio Prado entendeu que ele n&atilde;o podia consentir<br \/>\n    na rematr&iacute;cula dos escravizados, sen&atilde;o nos termos precisos da<br \/>\n    Lei 3.270, que neste ponto n&atilde;o alterou o &sect; 1&ordm; do art. 3&ordm;<br \/>\n    do Decreto 4.835, de 1&ordm; de dezembro de 1871. <\/p>\n<p>O ministro advent&iacute;cio &agrave; pasta da Agricultura carece por isso<br \/>\n    mesmo de idoneidade para ser o int&eacute;rprete da lei. N&atilde;o foi ele<br \/>\n    quem a estudou na gesta&ccedil;&atilde;o, quem lhe acompanhou a g&ecirc;nese<br \/>\n    laboriosa, que precisou dos esfor&ccedil;os combinados das duas metades negras<br \/>\n    do Partido Liberal e Conservador, do sr. Saraiva e do bar&atilde;o de Cotegipe<br \/>\n    para poder chegar ao nascedouro. <\/p>\n<p>De duas, uma: ou o sr. bar&atilde;o de Cotegipe cedeu ao sr. Ant&ocirc;nio<br \/>\n    Prado, quando S. Ex.&ordf; expediu o aviso de 22 de abril deste ano, ou S.<br \/>\n    Ex.&ordf; cede agora. <\/p>\n<p>N&atilde;o se tratava de mat&eacute;ria somenos, nem de ponto de pequeno<br \/>\n    alcance, nem houve surpresa por parte do ex-ministro da Agricultura. O encerramento<br \/>\n    das matr&iacute;culas a 30 de mar&ccedil;o tinha sido feito com a maior superexcita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    escravista. O Minist&eacute;rio estava alerta. <\/p>\n<p>Demais, a lei negra no seu &sect; 8&ordm; do art. 1&ordm; havia cominado<br \/>\n    pena ao procurador omisso e desidioso, o que prova a preval&ecirc;ncia de<br \/>\n    futuras reclama&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Parlamento, que se prezasse, n&atilde;o poderia deixar de ter na maior considera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    esses fatos, e deveria levantar-se para protestar. <\/p>\n<p>Felizmente para o Minist&eacute;rio, por&eacute;m, bastar&aacute; que ele<br \/>\n    converta esta quest&atilde;o de simples probidade do Governo em quest&atilde;o<br \/>\n    de confian&ccedil;a pol&iacute;tica, para escapar &agrave; puni&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    parlamentar. <\/p>\n<p>Salta aos olhos que semelhante quest&atilde;o nada tem de pol&iacute;tica,<br \/>\n    que ela &eacute; de natureza inteiramente social, ou melhor, nada tem com<br \/>\n    o partido, mas unicamente com a inteireza moral do Minist&eacute;rio, ou seu<br \/>\n    presidente do Conselho. <\/p>\n<p>Em 1883, o Partido Conservador aplaudiu o Governo por haver tirado do exclusivo<br \/>\n    dom&iacute;nio popular a quest&atilde;o servil. <\/p>\n<p>Os abolicionistas, que n&atilde;o t&ecirc;m por fim revolucionar o pa&iacute;s,<br \/>\n    mas reconstru&iacute;-lo pela liberdade e reabilit&aacute;-lo pelo trabalho<br \/>\n    moralizado, aplaudiram francamente o Governo por haver dito, pela voz do sr.<br \/>\n    Paranagu&aacute;, que a quest&atilde;o da escravid&atilde;o podia ser tratada<br \/>\n    pelo Governo. <\/p>\n<p>Todos sabem, e nos condenam por isso, que tudo quanto havia na propaganda<br \/>\n    abolicionista de for&ccedil;a e de patriotismo agregou-se ao Minist&eacute;rio<br \/>\n    Dantas e que os propagandistas abdicaram na honra e na lealdade desse Gabinete<br \/>\n    as suas esperan&ccedil;as e iniciativa. Impusemo-nos o mais desinteressado<br \/>\n    e patri&oacute;tico armist&iacute;cio para deixar ao parlamento a independ&ecirc;ncia<br \/>\n    e a serenidade necess&aacute;rias para resolver o problema conforme ao bem<br \/>\n    geral. <\/p>\n<p>Depois de havermos libertado prov&iacute;ncias, comarcas, munic&iacute;pios;<br \/>\n    de havermos levado pelas nossas mil&iacute;cias imp&aacute;vidas o terror<br \/>\n    ao &acirc;mago do acampamento inimigo; quando, sob a bandeira da liberta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que flutuava no poder, f&aacute;cil nos fora, por um golpe de m&atilde;o,<br \/>\n    conseguir vit&oacute;ria f&aacute;cil, o patriotismo nos aconselhou caminho<br \/>\n    diverso e, confiados na palavra do Governo e no pode, quer e deve da perf&iacute;dia<br \/>\n    negreira, tivemos a nobreza de entregar aos meios regulares a solu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do problema. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio Dantas, atrai&ccedil;oado, caiu, e liberais e conservadores,<br \/>\n    fundindo-se num s&oacute; interesse, fizeram uma lei de reescraviza&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    regulamentaram-na de um modo in&iacute;quo e atroz. <\/p>\n<p>Mas, ainda assim, o esp&iacute;rito do abolicionista sobreviveu ao corpo<br \/>\n    de podrid&atilde;o que lhe haviam imposto, e os mesmos que fizeram a lei monstruosa<br \/>\n    e seus b&aacute;rbaros regulamentos, acham agora que eles n&atilde;o bastam<br \/>\n    e entregam-se &agrave; pirataria contra homens livres, como em plena Costa<br \/>\n    d&#8217;&Aacute;frica. <\/p>\n<p>N&atilde;o somos, pois, n&oacute;s quem exige de mais: &eacute; o parlamento<br \/>\n    que falta com o seu compromisso. Ele queria solver a quest&atilde;o; deixamo-lo<br \/>\n    trabalhar sem perturb&aacute;-lo, e agora consente que a escravid&atilde;o<br \/>\n    invada at&eacute; os dom&iacute;nios j&aacute; conquistados pela liberdade.\n  <\/p>\n<p>Se o parlamento pode quebrar o seu compromisso de imparcialidade, dando &agrave;<br \/>\n    escravid&atilde;o o que lhe n&atilde;o pertence mais, estamos no nosso direito<br \/>\n    de arrancar &agrave; escravid&atilde;o tudo quanto ela tem roubado &agrave;<br \/>\n    p&aacute;tria. <\/p>\n<p>O Governo p&otilde;e-se fora da lei e o parlamento lho permite; acompanh&aacute;-lo-emos.\n  <\/p>\n<p>Os deveres sociais acabam onde acaba a lei. Da&iacute; por diante come&ccedil;a<br \/>\n    o direito natural, mesmo no que ele tenha de mais selvagem. <\/p>\n<p>Aos infelizes reescravizados de Campos, se o parlamento lhes n&atilde;o restituir<br \/>\n    a liberdade, roubada pelo aviso do sr. Rodrigo Silva, aconselharemos que eles<br \/>\n    procurem reconquistar a sua liberdade por todos os meios. <\/p>\n<p>Onde cessa a justi&ccedil;a come&ccedil;a a for&ccedil;a.<\/p>\n<p>A oligarquia negra avassalou o Imp&eacute;rio. Esperar por justi&ccedil;a<br \/>\n    da sua parte &eacute; t&atilde;o rid&iacute;culo, na frase de Castelar, como<br \/>\n    esperar pelos deputados cubanos, propriet&aacute;rios de escravos, para decretar<br \/>\n    a liberdade de Cuba. <\/p>\n<p>Cada um tem o direito de defender a sua vida, e a liberdade &eacute; mais<br \/>\n    que a vida, mesmo dentro do nosso c&oacute;digo. <\/p>\n<p>O parlamento que cumpra com o seu dever para nos apressar a cumprir j&aacute;<br \/>\n    e j&aacute; com o nosso. <\/p>\n<p><b>30 jul. 1887<\/b><\/p>\n<h2>20-VIII-1887<\/h2>\n<p> Hoje h&aacute; festa no pal&aacute;cio Cotegipe. O nobre presidente do Conselho<br \/>\n    convida os seus parentes e amigos, bem como aos parentes e amigos da situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    para a pr&aacute;tica solene do terceiro mandamento da sua religi&atilde;o<br \/>\n    governamental: convida-os a cear. <\/p>\n<p>O que h&aacute; de mais extraordin&aacute;rio no convite do sr. presidente<br \/>\n    do Conselho &eacute; a escolha da refei&ccedil;&atilde;o. S. Ex.&ordf; preferiu<br \/>\n    a ceia apesar de ter de meter a m&atilde;o no prato com mais doze companheiros:<br \/>\n    a meia d&uacute;zia de ministros, os dous candidatos &agrave; senatoria pelo<br \/>\n    Rio de Janeiro, os srs. Tom&aacute;s Coelho e Andrade Figueira; os dous candidatos<br \/>\n    por Minas Gerais, os srs. Soares e Veiga; os srs. Paulino e Jo&atilde;o Alfredo.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o sabemos em que for&ccedil;as misteriosas e arquidivinais o Messias<br \/>\n    conservador confia para assim afrontar a refei&ccedil;&atilde;o biblicamente<br \/>\n    fat&iacute;dica e com ela o n&uacute;mero treze, mas o crit&eacute;rio e sabedoria<br \/>\n    de S. Ex.&ordf; s&atilde;o tamanhos que esperamos n&atilde;o saia da mesa<br \/>\n    para o monte das Oliveiras. <\/p>\n<p>Por isso mesmo, associamo-nos de todo o cora&ccedil;&atilde;o ao rega-bofe<br \/>\n    pantagru&eacute;lico de tinta e papel de impress&atilde;o dos entrelinhados<br \/>\n    e damo-nos os parab&eacute;ns por mais este auspicioso segundo dos muitos<br \/>\n    que a felicidade e a honra deste pa&iacute;s h&atilde;o de contar, gra&ccedil;as<br \/>\n    &agrave; administra&ccedil;&atilde;o do sr. bar&atilde;o de Cotegipe. <\/p>\n<p>H&aacute; homens que fazem crer na predestina&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica.\n  <\/p>\n<p>Quem conhece a hist&oacute;ria da Monarquia de julho, em Fran&ccedil;a, n&atilde;o<br \/>\n    pode deixar de considerar Mr. Guizot um dos fatores predestinados da democracia<br \/>\n    universal. <\/p>\n<p>Em pol&iacute;tica, como em geometria, demonstra-se a verdade pelo absurdo.\n  <\/p>\n<p>Os governos de resist&ecirc;ncia sugere-os a onisci&ecirc;ncia da liberdade<br \/>\n    humana aos reis fracos e presun&ccedil;osos para confundi-los no malogro das<br \/>\n    suas ambi&ccedil;&otilde;es de autoridade pela for&ccedil;a bruta das baionetas<br \/>\n    e das maiorias parlamentares servis. <\/p>\n<p>Comentando a queda da Monarquia de julho, a velha &aacute;rvore da realeza,<br \/>\n    oca e carunchosa por dentro, mas reenvernizada por fora, Alphonse Karr diz:\n  <\/p>\n<p>&laquo;Ningu&eacute;m estava preparado para a Rep&uacute;blica; os seus partid&aacute;rios<br \/>\n    mais ardentes adiavam-na para depois da morte do rei. O que aconteceu n&atilde;o<br \/>\n    teve nenhum concurso expresso, a n&atilde;o ser talvez o de Lu&iacute;s Filipe.&raquo;\n  <\/p>\n<p>Nada mais verdadeiro do que esta observa&ccedil;&atilde;o. Pelo estado dos<br \/>\n    esp&iacute;ritos, nenhum estadista podia esperar a converg&ecirc;ncia brusca<br \/>\n    dos esp&iacute;ritos, que deu em resultado a queda instant&acirc;nea da realeza.\n  <\/p>\n<p>Foi resistindo, insensatamente a Fran&ccedil;a e antepondo aos seus reclamos<br \/>\n    os caprichos de Guizot; circunscrevendo a na&ccedil;&atilde;o ao pa&iacute;s<br \/>\n    oficial que apoiava o Gabinete, que o bonach&atilde;o do rei do chap&eacute;u<br \/>\n    de Chile cavou o leito para que se reunisse em torrente a inunda&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de resist&ecirc;ncia democr&aacute;tica, que alagava o esp&iacute;rito franc&ecirc;s.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; preciso contar aos luminares que nos dirigem, uma vez<br \/>\n    que est&aacute; proibido atualmente falar ao povo, esta hist&oacute;ria de<br \/>\n    ontem. <\/p>\n<p>O que talvez n&atilde;o pare&ccedil;a a prop&oacute;sito, mas que apesar<br \/>\n    disto n&atilde;o &eacute; demais fazer sentir, &eacute; que o sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe n&atilde;o pode aspirar &agrave; compara&ccedil;&atilde;o do prest&iacute;gio<br \/>\n    do seu com o nome de Guizot, se bem S. Ex.&ordf; tenha de representar na hist&oacute;ria<br \/>\n    do nosso progresso papel em tudo semelhante. <\/p>\n<p>O nobre bar&atilde;o de Cotegipe gaba-se de que h&aacute; de ser Governo,<br \/>\n    enquanto quiser, embora sirva-se parlamentarmente da modesta express&atilde;o,<br \/>\n    enquanto puder. <\/p>\n<p>A raz&atilde;o &eacute; muito simples.<\/p>\n<p>Sua Alteza, a Regente, n&atilde;o quer tocar no que o seu augusto pai deixou.<br \/>\n    &Agrave; sua piedade filial parece pecaminosa irrever&ecirc;ncia alterar a<br \/>\n    ordem de cousas estabelecida, tanto mais quanto espera que brevemente o enfermo<br \/>\n    de Baden-Baden volte aos seus dom&iacute;nios. <\/p>\n<p>&Eacute; muito natural nos reis contarem pelas suas as pulsa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    do povo. Acreditam que o povo n&atilde;o pode ter necessidades diferentes<br \/>\n    das suas. <\/p>\n<p>Um rei &eacute; acometido de diabetes, que lhe vai a pouco e pouco desmemoriando,<br \/>\n    roubando-lhe a consci&ecirc;ncia da sua miss&atilde;o. O rei, os membros da<br \/>\n    sua fam&iacute;lia, os seus ministros, os seus senadores, os seus deputados,<br \/>\n    os seus empregados, todo o mundo oficial, finalmente, acredita que o povo<br \/>\n    est&aacute; tamb&eacute;m doente de diabetes e que perde tudo quanto o rei<br \/>\n    perdeu. <\/p>\n<p>Os m&eacute;dicos est&atilde;o obrigados a exigir do augusto enfermo repouso.<br \/>\n    Os governos exigem-no igualmente do povo, ainda que seja necess&aacute;rio<br \/>\n    para consegui-lo a camisa-de-for&ccedil;a dos quart&eacute;is, quando n&atilde;o<br \/>\n    bastar o anest&eacute;sico das subven&ccedil;&otilde;es clandestinas. <\/p>\n<p>Quando muito, ao rei doente &eacute; tolerada a liberdade de fazer charadas<br \/>\n    e sonetos; ao povo &eacute; no m&aacute;ximo permitido ouvir os discursos<br \/>\n    do seu parlamento e ler a prosa dos escritores mansos e de per&iacute;odos<br \/>\n    enovelados &agrave; semelhan&ccedil;a de cobras adormecidas. <\/p>\n<p>Sua Alteza, a Regente, n&atilde;o acredita que possa fazer nenhum mal ao<br \/>\n    pa&iacute;s a conserva&ccedil;&atilde;o do bar&atilde;o de Cotegipe. Deve<br \/>\n    parecer mesmo a Sua Alteza desrespeitosa impaci&ecirc;ncia o reclamo dos que<br \/>\n    entendem que um dia de perman&ecirc;ncia deste gabinete da escravid&atilde;o,<br \/>\n    pela escravid&atilde;o e para a escravid&atilde;o &eacute; uma vergonha imposta<br \/>\n    &agrave; na&ccedil;&atilde;o e de que ela mais tarde ou mais cedo se h&aacute;<br \/>\n    de desafrontar, n&atilde;o sobre o sr. bar&atilde;o de Cotegipe, que &eacute;<br \/>\n    um licenciado da sepultura, com hora certa de volta, como as almas penadas,<br \/>\n    mas sobre aqueles que o sustentam. <\/p>\n<p>A balan&ccedil;a que pesa os acontecimentos em pal&aacute;cio n&atilde;o<br \/>\n    tem o fiel girando sobre o quadrante do futuro, mas sobre o do presente. <\/p>\n<p>O que Sua Alteza, a Regente, v&ecirc; &eacute; uma subordina&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    patriarcal de todo o pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Duas foram as grandes agita&ccedil;&otilde;es deste ano: a militar e a do<br \/>\n    Senado. O Ex&eacute;rcito submeteu-se, pelo menos nas suas grandes patentes;<br \/>\n    o Senado est&aacute; trabalhando submissamente sob o mesmo Minist&eacute;rio,<br \/>\n    que o exautorou. <\/p>\n<p>O Governo, para responder &agrave; propaganda abolicionista, emprega meio<br \/>\n    simpl&iacute;ssimo; declara que ele se ap&oacute;ia na popula&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que tem que perder e que o abolicionismo &eacute; o grito dos vadios, sem<br \/>\n    eira nem beira. <\/p>\n<p>Prevost Paradol disse: &laquo;a timidez pol&iacute;tica do cidad&atilde;o<br \/>\n    se aumenta com a sua fortuna; e a riqueza, em vez de ser um t&ocirc;nico &agrave;<br \/>\n    independ&ecirc;ncia c&iacute;vica e um apelo &agrave;s nobres ambi&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    pol&iacute;ticas, &eacute; mais uma cadeia que o torna d&oacute;cil a todos<br \/>\n    os caprichos do poder.&raquo; <\/p>\n<p>Mas semelhantes palavras n&atilde;o podem pesar no esp&iacute;rito daqueles<br \/>\n    que vivem justamente dessa influ&ecirc;ncia delet&eacute;ria da riqueza sobre<br \/>\n    o aperfei&ccedil;oamento social. <\/p>\n<p>Por agora, pensa Sua Alteza, a Regente, tudo vai bem, e portanto n&atilde;o<br \/>\n    &eacute; conveniente mudar. <\/p>\n<p>Na estreiteza do horizonte pol&iacute;tico da Reg&ecirc;ncia, n&atilde;o<br \/>\n    h&aacute; portanto lugar sen&atilde;o para o sr. bar&atilde;o de Cotegipe.\n  <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; tem, pois, inteira raz&atilde;o para garantir que s&oacute;<br \/>\n    h&aacute; de cair quando quiser. <\/p>\n<p>O melhor sustent&aacute;culo do Minist&eacute;rio &eacute; a oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    d&#8217;O Paiz dizem os escritores ministeriais, ou por outra; enquanto a opini&atilde;o<br \/>\n    protestar contra a conserva&ccedil;&atilde;o, ele ser&aacute; conservado.\n  <\/p>\n<p>&Eacute; a pol&iacute;tica de Lu&iacute;s Filipe completa.<\/p>\n<p>Querem Mr. Thiers? Muito bem: sirvam-se de Mr. Guizot.<\/p>\n<p>Querem a aboli&ccedil;&atilde;o; entendem que sem ela o pa&iacute;s n&atilde;o<br \/>\n    poder&aacute; marchar, que dia a dia o seu car&aacute;ter como as suas finan&ccedil;as<br \/>\n    se arruinar&atilde;o mais e mais at&eacute; chegar ao completo aniquilamento?<br \/>\n    perfeitamente, diz o imperador, em Baden-Baden: continue o Gabinete da escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Eis por que aplaudimos a perman&ecirc;ncia do Gabinete do sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe. <\/p>\n<p>O sr. conde d&#8217;Eu sabe, melhor do que n&oacute;s, quanto &eacute; impopular.<br \/>\n    Sua Alteza nem ao menos tem o apoio do imperador, segundo se diz. <\/p>\n<p>&Eacute; uma infelicidade, mas Sua Alteza sabe que at&eacute; nos pal&aacute;cios<br \/>\n    entra a m&aacute; estrela. <\/p>\n<p>O momento para dar combate a essa impopularidade, at&eacute; certo ponto<br \/>\n    injusta, era este, em que com o apoio da maioria da na&ccedil;&atilde;o, Sua<br \/>\n    Alteza podia se fazer o her&oacute;i da liberta&ccedil;&atilde;o de centenas<br \/>\n    de milhares de brasileiros. <\/p>\n<p>Mas o constrangimento ilegal, em que se acha a Reg&ecirc;ncia, que n&atilde;o<br \/>\n    pode exercer livremente as fun&ccedil;&otilde;es do Poder Moderador, faz tamb&eacute;m<br \/>\n    com que o pr&iacute;ncipe consorte n&atilde;o possa sequer continuar no Brasil<br \/>\n    a tradi&ccedil;&atilde;o abolicionista da sua fam&iacute;lia, aconselhando<br \/>\n    sua augusta esposa a aproveitar-se da oportunidade que lhe vai fugindo de<br \/>\n    converter a man&ccedil;anilheira da escravid&atilde;o no loureiro do novo<br \/>\n    reinado. <\/p>\n<p>Quando vier o habeas corpus de Baden-Baden ser&aacute; tarde. <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe s&oacute; n&atilde;o ensang&uuml;entou agora<br \/>\n    a propaganda abolicionista, porque teve medo do Senado. <\/p>\n<p>J&aacute; mandou, por&eacute;m, come&ccedil;ar os processos por a&ccedil;outamento<br \/>\n    de escravos, e para servir ao sr. Paulino de Sousa j&aacute; est&aacute; na<br \/>\n    penitenci&aacute;ria de Niter&oacute;i um homem de boa sociedade metido numa<br \/>\n    enxovia promiscuamente com fac&iacute;noras condenados. <\/p>\n<p>O sinal de rea&ccedil;&atilde;o est&aacute; dado e fechadas as c&acirc;maras,<br \/>\n    a Reg&ecirc;ncia ser&aacute; a &eacute;poca da mais infrene e vergonhosa persegui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos abolicionistas. <\/p>\n<p>Se n&atilde;o for a escravid&atilde;o redimida quem tenha de aben&ccedil;oar<br \/>\n    ao reinado, que assim se estr&eacute;ia, quem o aben&ccedil;oar&aacute;? <\/p>\n<p>Querer&aacute; viver da for&ccedil;a o futuro reinado?<\/p>\n<p>Talvez, mas &eacute; bom refletir nesta observa&ccedil;&atilde;o de Kepler:<br \/>\n    &laquo;machado com que se quis cortar ferro, serve depois para cortar madeira&raquo;.\n  <\/p>\n<p><b>20 ago. 1887<\/b><\/p>\n<p>Cidade do Rio<\/p>\n<h2> 31-X-1887<\/h2>\n<p> O Minist&eacute;rio n&atilde;o quer que a propaganda abolicionista continue<br \/>\n    sobre uma estrada de flores, ao som das fanfarras e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os<br \/>\n    aos convertidos. <\/p>\n<p>Essa propaganda da persuas&atilde;o foi posta fora da lei e condenada como<br \/>\n    revolucion&aacute;ria. Distribuiu-se por todo o mundo oficial a senha: sil&ecirc;ncio<br \/>\n    ou persegui&ccedil;&atilde;o. Proibiu-se o cora&ccedil;&atilde;o abolicionista<br \/>\n    de bater. <\/p>\n<p>Durante mais de seis anos, sob minist&eacute;rios como o de Martinho Campos,<br \/>\n    foi respeitada a mais ampla liberdade de tribuna popular e de imprensa, e<br \/>\n    por esta v&aacute;lvula descarregou-se a press&atilde;o de tr&ecirc;s s&eacute;culos<br \/>\n    de mart&iacute;rio da ra&ccedil;a desprotegida e sacrificada. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio 20 de Agosto quebrou esse molde democr&aacute;tico de<br \/>\n    luta por uma id&eacute;ia grande e generosa. Pelo seu comportamento reacion&aacute;rio<br \/>\n    autorizou a viola&ccedil;&atilde;o acintosa de direito de reuni&atilde;o,<br \/>\n    da liberdade de manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento pela palavra e pela<br \/>\n    escrita, aprovando de um lado a perturba&ccedil;&atilde;o dos meetings e proibindo-os,<br \/>\n    em seguida; por outro lado, aceitando, como servi&ccedil;o relevante, a invas&atilde;o<br \/>\n    e destrui&ccedil;&atilde;o de tipografias. <\/p>\n<p>Onde quer que a propaganda abolicionista &eacute; servida por fortes e incorrupt&iacute;veis<br \/>\n    caracteres, os defensores dos escravizados t&ecirc;m a vida em perigo. <\/p>\n<p>O Governo manda atacar moral e fisicamente os propagandistas; abre devassas;<br \/>\n    enlameia-lhes a vida privada, as afei&ccedil;&otilde;es mais caras, ainda<br \/>\n    mesmo que sobre elas j&aacute; esteja colocada uma l&aacute;pide mortu&aacute;ria;<br \/>\n    decreta a excomunh&atilde;o de todos eles das rela&ccedil;&otilde;es com o<br \/>\n    Estado ou qualquer outro poder; em uma palavra, pela difama&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    pela amea&ccedil;a, ou pelo ataque &agrave; m&atilde;o armada, provoca-os<br \/>\n    at&eacute; o desespero. <\/p>\n<p>Quem reler hoje, fria e refletidamente, o passado da propaganda abolicionista<br \/>\n    n&atilde;o ter&aacute; uma &uacute;nica censura a infligir a esse punhado<br \/>\n    de her&oacute;is, que exumou do sarc&oacute;fago legislativo a quest&atilde;o<br \/>\n    abolicionista, a reviveu e a restituiu &agrave; medita&ccedil;&atilde;o do<br \/>\n    esp&iacute;rito e &agrave; san&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia de todos<br \/>\n    os brasileiros. <\/p>\n<p>Demonstra, &agrave; luz da evid&ecirc;ncia, qual a orienta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dada pela propaganda abolicionista &agrave; alma do escravizado, essa her&oacute;ica<br \/>\n    mas serena atitude dos vencedores de Itu, passando pacificamente por entre<br \/>\n    uma cidade aterrorizada, e isto quando lhes sangravam ainda as feridas de<br \/>\n    um combate de que sa&iacute;ram triunfantes. <\/p>\n<p>Mais tarde, surpreendidos pela fome em meio ao seu &ecirc;xodo, fustigados<br \/>\n    pela ca&ccedil;ada desumana, que os farejava como a bestas feras, esses homens,<br \/>\n    em vez de lan&ccedil;arem m&atilde;o do roubo em nome do direito &agrave;<br \/>\n    vida, confiam lealmente o seu destino &agrave; generalidade social. N&atilde;o<br \/>\n    h&aacute; uma viol&ecirc;ncia, por mais insignificante, manchando essa p&aacute;gina<br \/>\n    branca do &ecirc;xodo de Capivari. <\/p>\n<p>Os her&oacute;is dessa trag&eacute;dia s&oacute; derramaram sangue com altivez<br \/>\n    e lealdade, batendo-se como beligerantes pela pr&oacute;pria liberdade. N&atilde;o<br \/>\n    cometem o mais leve crime; defendem-se. <\/p>\n<p>A essa nobreza de procedimento, a situa&ccedil;&atilde;o sanguin&aacute;ria<br \/>\n    responde pela destrui&ccedil;&atilde;o do Vinte e Cinco de Mar&ccedil;o, pelo<br \/>\n    espancamento de presos, pelo insulto a senhoras, pelo saqueio, pela amea&ccedil;a<br \/>\n    &agrave; vida de um benem&eacute;rito, pelo processo monstruoso nascido de<br \/>\n    uma provoca&ccedil;&atilde;o infame e baseado numa cal&uacute;nia vil. <\/p>\n<p>Os foragidos de Capivari passam por uma cidade como uma nuvem negra, &eacute;<br \/>\n    certo, mas que nem trovejou, nem despediu raio; a pol&iacute;cia, os agentes<br \/>\n    oficiais, depois de um dia de tropelias, aproveitam-se da noite com a perversidade<br \/>\n    dos&#8230; (ileg&iacute;vel) jurados de Carlos IX para espalhar terror, ferimentos<br \/>\n    e assassinatos&#8230; (ileg&iacute;vel) na dolorosa colis&atilde;o de ser v&iacute;tima,<br \/>\n    ou defender-se, o que h&aacute; de fazer a propaganda abolicionista? Deixar-se<br \/>\n    sacrificar, como um cordeiro, ou reagir? <\/p>\n<p>No caso de optar pelo sacrif&iacute;cio, a quem aproveitaria ele? &Agrave;<br \/>\n    p&aacute;tria? <\/p>\n<p>O sacrif&iacute;cio aproveitaria &agrave; p&aacute;tria, se, de feito, a<br \/>\n    aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o fosse para ela um mal, ainda que<br \/>\n    de ef&ecirc;meras conseq&uuml;&ecirc;ncias. <\/p>\n<p>O consenso un&acirc;nime hoje, de interessados e imparciais, demonstra o<br \/>\n    contr&aacute;rio. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute;, fora do mundo pol&iacute;tico, um homem de reflex&atilde;o<br \/>\n    que queira resistir &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o; todos procuram meio de<br \/>\n    extinguir a escravid&atilde;o com a maior brevidade. <\/p>\n<p>Os contratos de servi&ccedil;os criando o statu liber, como medianeiro do<br \/>\n    trabalhador reumanizado, patenteiam a predisposi&ccedil;&atilde;o dos fazendeiros<br \/>\n    para uma concilia&ccedil;&atilde;o razo&aacute;vel. <\/p>\n<p>A manifesta&ccedil;&atilde;o patri&oacute;tica do Ex&eacute;rcito em prol<br \/>\n    dos cativos, aos quais reconhece o direito de haverem a sua liberdade por<br \/>\n    meios dignos, como a greve e a retirada ordeira dos estabelecimentos em que<br \/>\n    s&atilde;o torturados, d&aacute; o pensamento da classe, por excel&ecirc;ncia<br \/>\n    conservadora das institui&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>O Direito, pela voz do Instituto dos Advogados, a religi&atilde;o, pela voz<br \/>\n    dos prelados, o com&eacute;rcio n&atilde;o enfeudado a escravid&atilde;o,<br \/>\n    na sua despreocupa&ccedil;&atilde;o pelo conflito servil; todas as classes<br \/>\n    e com elas o ramo vital&iacute;cio do Poder Legislativo, todos, finalmente,<br \/>\n    testemunham que a escravid&atilde;o j&aacute; n&atilde;o pode ter presente,<br \/>\n    quanto mais futuro. <\/p>\n<p>Neste momento decisivo do combate da humanidade contra a barbaria, da honra<br \/>\n    nacional contra o roubo ao trabalho e &agrave; personalidade, seria, mais<br \/>\n    que um erro, um crime, cruzar os bra&ccedil;os e oferecer resignadamente a<br \/>\n    cabe&ccedil;a ao cutelo do ego&iacute;smo negreiro. <\/p>\n<p>O Gabinete pode exigir tudo dos abolicionistas, exceto a vida, ou melhor,<br \/>\n    a honra. <\/p>\n<p>A continua&ccedil;&atilde;o dos atentados monstruosos como o do Vinte e Cinco<br \/>\n    de Mar&ccedil;o, agravado pelo manejo imoral do flagrante de delito lavrado<br \/>\n    em pris&otilde;es, que, uma popula&ccedil;&atilde;o inteira atesta, foram<br \/>\n    efetuadas estando os pacientes tranq&uuml;ilamente em suas casas; a continua&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dessa tresloucada rea&ccedil;&atilde;o, que vai enchendo a nossa hist&oacute;ria<br \/>\n    de m&aacute;rtires, n&atilde;o pode deixar de turbar a calma abolicionista.\n  <\/p>\n<p>A viol&ecirc;ncia provoca o desespero, que n&atilde;o reflete, que n&atilde;o<br \/>\n    sabe escolher meios para a desafronta. <\/p>\n<p>N&atilde;o fosse a magnanimidade da propaganda maior que a insensatez do<br \/>\n    Governo, a esta hora, ao grito de guerra da pirataria, em Campos, teria respondido<br \/>\n    a justa indigna&ccedil;&atilde;o dos abolicionistas em todo o Imp&eacute;rio<br \/>\n    por meios iguais ao empregado oficialmente. <\/p>\n<p>Em todo caso, n&atilde;o &eacute; demais recorrer ao pr&oacute;prio interesse<br \/>\n    de Sua Alteza, a Regente, pedindo-lhe que fa&ccedil;a cessar a rea&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    desvairada de seu Governo. <\/p>\n<p>O sr. Afonso Celso disse um dia no Senado que era prudente impedir que na<br \/>\n    quest&atilde;o servil viessem a falar os interessados. <\/p>\n<p>A imprud&ecirc;ncia do Gabinete, que julgou ganhar, por uma evasiva -o pedido<br \/>\n    de tempo para estudo-, for&ccedil;as para dar batalha campal ao abolicionismo,<br \/>\n    deu a palavra a esses interessados, que at&eacute; bem pouco pareciam completamente<br \/>\n    indiferentes ao pleito parlamentar da sua causa. <\/p>\n<p>Suponho mesmo que o Minist&eacute;rio consiga exterminar todos os que defendem,<br \/>\n    na imprensa, na tribuna, nos tribunais, na conviv&ecirc;ncia das fam&iacute;lias,<br \/>\n    os escravizados, o que poder&aacute; ele, o Minist&eacute;rio, contra os escravizados?<br \/>\n    O que h&aacute; de fazer: extermin&aacute;-los tamb&eacute;m? <\/p>\n<p>Sua Alteza, a Regente, tem um conselheiro permanente, o sr. conde d&#8217;Eu, e<br \/>\n    deve consult&aacute;-lo sobre se &eacute; ou n&atilde;o poss&iacute;vel arrancar<br \/>\n    da alma do escravo a esperan&ccedil;a da liberdade, desde que ele sabe que<br \/>\n    tem em si mesmo, na sua coragem, o meio de tornar realidade essa esperan&ccedil;a.\n  <\/p>\n<p>Agora que ningu&eacute;m discute mais por que &eacute; imposs&iacute;vel<br \/>\n    contestar o direito que tem o escravo de resistir &agrave; escravid&atilde;o,<br \/>\n    &eacute; um desvario for&ccedil;ar a m&atilde;o para sufocar os ap&oacute;stolos<br \/>\n    que evangelizavam o dogma da aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A escravid&atilde;o hoje serve apenas para eleger senadores e deputados,<br \/>\n    dar acesso a ju&iacute;zes, empregar bem a parentela das influ&ecirc;ncias<br \/>\n    pol&iacute;ticas. Fora desse mercado oficial de posi&ccedil;&otilde;es, a<br \/>\n    escravid&atilde;o perdeu toda a sua for&ccedil;a. Se ela ainda absolve criminosos<br \/>\n    confessos no j&uacute;ri, o que parece provar que ela ainda n&atilde;o perdeu<br \/>\n    todas as suas ra&iacute;zes populares, o fato explica-se pela organiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do pessoal dessa institui&ccedil;&atilde;o. Os jurados s&atilde;o os mesmos<br \/>\n    eleitores, que a depend&ecirc;ncia, a mis&eacute;ria deste pa&iacute;s sem<br \/>\n    trabalho, ajoujou &agrave; canga da oligarquia. <\/p>\n<p>A vida da escravid&atilde;o atualmente &eacute; toda e exclusivamente oficial.\n  <\/p>\n<p>Sua Alteza n&atilde;o achar&aacute; sen&atilde;o mercen&aacute;rios para<br \/>\n    defender a institui&ccedil;&atilde;o maldita. A peti&ccedil;&atilde;o do Ex&eacute;rcito<br \/>\n    preveniu-a dessa verdade. <\/p>\n<p>O caminho a seguir, portanto, &eacute; bem diverso do que est&aacute; sendo<br \/>\n    aconselhado pelo Minist&eacute;rio. Se Sua Alteza, a Regente, n&atilde;o quer<br \/>\n    condenar os exploradores de homens &agrave; morte pela fome, deve obrigar<br \/>\n    seu Minist&eacute;rio a recorrer a instrumento diverso do punhal do sic&aacute;rio.<br \/>\n    J&aacute; o dissemos uma vez: dentro do p&acirc;ntano da escravid&atilde;o<br \/>\n    n&atilde;o cabe o cad&aacute;ver de um benem&eacute;rito da aboli&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Esse corpo deslocar&aacute; um volume de lama ensang&uuml;entada, em que se<br \/>\n    afogara, n&atilde;o s&oacute; a escravid&atilde;o, mas todos os seus c&uacute;mplices.\n  <\/p>\n<p><b>31 out. 1887<\/b><\/p>\n<h2>7-XI-1887<\/h2>\n<p> Quem h&aacute; cinq&uuml;enta e seis anos, vendo cair malferida no parlamento<br \/>\n    brasileiro a escravid&atilde;o, poderia prever que a institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    maldita havia de sobreviver mais de meio s&eacute;culo &agrave; maioria dos<br \/>\n    her&oacute;is dessa primeira campanha de Direito contra a barbaria, da honestidade<br \/>\n    nacional contra o roubo?! <\/p>\n<p>Dizia-se que a lei de 7 de novembro de 1831 bastava para resolver o problema<br \/>\n    e que dentro em vinte anos estaria de todo seca a &aacute;rvore fatal, que<br \/>\n    esteriliza o solo e sufoca a alma nacional. <\/p>\n<p>Dizia-se, mas imediatamente depois, como acontece sempre nas revolu&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    incompletas, os vencidos da v&eacute;spera apossaram-se do poder; a rea&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    a mais sanhuda e antipatri&oacute;tica se fez sentir, e todas as esperan&ccedil;as<br \/>\n    de p&aacute;tria livre dissiparam-se como sonhos. <\/p>\n<p>J&aacute; em 1835 era poss&iacute;vel adivinhar o sr. bar&atilde;o de Cotegipe<br \/>\n    a fazer tilintar a bolsa da pol&iacute;cia secreta para comprar os mercen&aacute;rios<br \/>\n    das mil&iacute;cias da pirataria e assalariar delatores e testemunhas falsas.<br \/>\n    Desde ent&atilde;o sente-se na terra esse cruor fratricida que empesta a atmosfera<br \/>\n    nacional, e ainda agora acaba de ser renovado em S. Paulo e em Campos. <\/p>\n<p>A escravid&atilde;o foi desde ent&atilde;o o &uacute;nico pensamento governamental<br \/>\n    do Imp&eacute;rio. <\/p>\n<p>A resist&ecirc;ncia ao Bill Aberdeen, dez anos depois, demonstrou-o cabalmente.\n  <\/p>\n<p>Durante quarenta anos, de 1831 a 1871, houve um pedacinho de horizonte iluminado<br \/>\n    para os escravizados: aquele em que se destacou a figura de Eus&eacute;bio<br \/>\n    de Queir&oacute;s deportando os negreiros. <\/p>\n<p>De 1871 at&eacute; estes &uacute;ltimos anos, ainda a escravid&atilde;o pode<br \/>\n    considerar-se e agir como a primeira for&ccedil;a do Imp&eacute;rio. <\/p>\n<p>Todas as preocupa&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s se resumiam na conserva&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    desse hediondo regime que exauria insensivelmente a riqueza e a alma nacional,<br \/>\n    parecendo entretanto civilizar uma e desenvolver a outra. <\/p>\n<p>Hoje, por&eacute;m, se ainda no poder est&aacute; acampado o sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe, se o Governo &eacute; ainda um sobejo do tr&aacute;fico, a opini&atilde;o<br \/>\n    nacional viril e en&eacute;rgica condenou sem recurso, como &uacute;ltimo<br \/>\n    tribunal, a institui&ccedil;&atilde;o ominosa. <\/p>\n<p>J&aacute; podemos de alguma sorte contemplar de cabe&ccedil;a erguida e com<br \/>\n    olhar sereno os her&oacute;is de 7 de novembro de 1831 e, se n&atilde;o depositamos<br \/>\n    sobre a mem&oacute;ria deles a Coroa j&aacute; entretecida com as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os<br \/>\n    de todos os escravizados redimidos, deixamos sobre ela as nossas esperan&ccedil;as<br \/>\n    de que em breve eles ser&atilde;o os contempor&acirc;neos eternos da p&aacute;tria<br \/>\n    livre que sonharam. <\/p>\n<p>Quem julga superficialmente os acontecimentos pode desanimar, vendo a s&eacute;rie<br \/>\n    de tropelias praticadas pela situa&ccedil;&atilde;o negra. <\/p>\n<p>Em Campos, com uma perversidade que faria inveja aos patr&otilde;es dos navios<br \/>\n    do tr&aacute;fico, a pol&iacute;cia assassina prende, processa, espaldeira,<br \/>\n    amea&ccedil;a, insulta senhoras, mente, e parece esgotar o arsenal do despotismo<br \/>\n    e da barbaria. <\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o acobardada n&atilde;o reage; pelo contr&aacute;rio,<br \/>\n    n&atilde;o querendo sacrificar no altar das suas id&eacute;ias a paz da terra<br \/>\n    natal, procura meios de conciliar com os interesses da ordem o direito da<br \/>\n    propaganda abolicionista. <\/p>\n<p>Os clamores da imprensa, quer desta capital, quer da cidade oprimida, n&atilde;o<br \/>\n    bastaram para fazer cessar essa persegui&ccedil;&atilde;o, que sem for&ccedil;a<br \/>\n    para desarraigar uma id&eacute;ia, serve apenas para flanquear de espectros<br \/>\n    de m&aacute;rtires a entrada do terceiro reinado. <\/p>\n<p>Parece, pois, que pelo menos o Governo ainda tem for&ccedil;a bastante para<br \/>\n    contrapor, a seu capricho, o seu programa de rea&ccedil;&atilde;o &agrave;<br \/>\n    propaganda abolicionista. <\/p>\n<p>A prov&iacute;ncia de S. Paulo vem, por&eacute;m, destruir essa falsa id&eacute;ia<br \/>\n    do poder do Governo. <\/p>\n<p>Desde que o sr. Ant&ocirc;nio Prado, ligado ao sr. Jo&atilde;o Alfredo pela<br \/>\n    mais estreita solidariedade, se colocou diante da sua prov&iacute;ncia para<br \/>\n    impedir l&aacute; a invas&atilde;o negra do Minist&eacute;rio, ficou demonstrado<br \/>\n    que este n&atilde;o representa sen&atilde;o as circunst&acirc;ncias moment&acirc;neas<br \/>\n    da organiza&ccedil;&atilde;o da contra-rea&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; muito vimos o Governo capitular diante das declara&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    categ&oacute;ricas e radicalmente opostas &agrave; sua pol&iacute;tica; vimo-lo<br \/>\n    recuar no caminho do exterm&iacute;nio, porque ele sabia que em S&atilde;o<br \/>\n    Paulo teria de encontrar-se com o sr. Ant&ocirc;nio Prado e seus amigos, que<br \/>\n    disp&otilde;em de bastante for&ccedil;a moral e material mesmo, n&atilde;o<br \/>\n    s&oacute; para repelir os ataques do Governo, quer no terreno pol&iacute;tico,<br \/>\n    quer em outro qualquer que as circunst&acirc;ncias os levassem. <\/p>\n<p>Deu-se, entretanto, em S. Paulo um acontecimento grav&iacute;ssimo: pela<br \/>\n    primeira vez, depois da gloriosa Rep&uacute;blica dos Palmares, os escravizados<br \/>\n    deram prova cabal de que tinham consci&ecirc;ncia do seu direito, e deram<br \/>\n    batalha na defesa dele. <\/p>\n<p>A for&ccedil;a policial agindo, em nome da autoridade e do Governo, foi batida;<br \/>\n    a escravatura declarou-se beligerante aceitando dois combates. <\/p>\n<p>Seria empenho de honra do Governo, se ele fosse lealmente um Governo, e n&atilde;o<br \/>\n    uma fac&ccedil;&atilde;o para explorar empr&eacute;stimos, cr&eacute;ditos<br \/>\n    e rendas de estrada de ferro, punir severamente os abolicionistas, porque<br \/>\n    sobre eles recai a responsabilidade dessa gloriosa convers&atilde;o do rebanho<br \/>\n    secular de bestas de carga em ex&eacute;rcito regular para defesa do Direito.\n  <\/p>\n<p>Vimos, por&eacute;m, que o Minist&eacute;rio procurou imediatamente fazer<br \/>\n    sil&ecirc;ncio sobre o acontecimento e limitou-se a enterrar os mortos e curar<br \/>\n    os feridos. <\/p>\n<p>N&atilde;o mandou quebrar nenhuma tipografia em S. Paulo, n&atilde;o mandou<br \/>\n    efetuar pris&otilde;es em massa, n&atilde;o ordenou que se espancassem senhoras.\n  <\/p>\n<p>Em Campos, por&eacute;m, tratando-se de um brasileiro ilustre, mas pobre,<br \/>\n    de um grupo de abolicionistas glorioso, mas desprotegido, o crime, desde o<br \/>\n    atentado contra a propriedade at&eacute; o assassinato, desde as pris&otilde;es<br \/>\n    ilegais at&eacute; o processo monstruoso, foi empregado como prova da for&ccedil;a<br \/>\n    moral do Governo e do poder do escravismo. <\/p>\n<p>Estas duas pol&iacute;ticas, por&eacute;m, praticadas no mesmo momento e<br \/>\n    sob a press&atilde;o de acontecimentos; um dos quais menos grave e mais brutalmente<br \/>\n    punido, evidenciou a fraqueza, sen&atilde;o material, a fraqueza moral do<br \/>\n    Minist&eacute;rio e da situa&ccedil;&atilde;o da pirataria. <\/p>\n<p>Para que n&oacute;s outros abolicionistas possamos dentro em pouco celebrar<br \/>\n    o dia 7 de novembro, basta que deixemos bem assinalado que a propaganda abolicionista<br \/>\n    pode, quer e deve proteger a vida e os bens dos seus adeptos. <\/p>\n<p>C&ocirc;nscios da grande responsabilidade que temos perante a hist&oacute;ria<br \/>\n    do nosso pa&iacute;s, temos querido somente caminhar dentro da legalidade,<br \/>\n    quando j&aacute; dev&iacute;amos ter empregado os meios de que se servem os<br \/>\n    nossos inimigos, e pod&iacute;amos t&ecirc;-lo feito, se antes de tudo n&atilde;o<br \/>\n    fosse o nosso intuito salvar a honra de nossa p&aacute;tria sem recorrer a<br \/>\n    meios revolucion&aacute;rios. <\/p>\n<p>Para que se saiba bem qual a influ&ecirc;ncia moral da propaganda abolicionista,<br \/>\n    mesa de comunh&atilde;o do patriotismo a que hoje se sentam todos os partidos,<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; preciso que nos demoremos a dizer quanto valemos. <\/p>\n<p>Est&atilde;o patentes as ades&otilde;es, que de toda a parte nos chegam,<br \/>\n    desde a cadeira mais elevada da religi&atilde;o at&eacute; ao movimento mais<br \/>\n    her&oacute;ico do escravizado. <\/p>\n<p>Na imprensa servem &agrave; causa da reden&ccedil;&atilde;o os primeiros<br \/>\n    talentos; na pol&iacute;tica as mais fortes organiza&ccedil;&otilde;es de<br \/>\n    homens de Estado. <\/p>\n<p>Voltamo-nos para o Partido Liberal e l&aacute; est&aacute; firme junto &agrave;<br \/>\n    sua bandeira o sr. Dantas. Al&eacute;m disso sente-se que tudo que &eacute;<br \/>\n    viril nesse partido &eacute; pela aboli&ccedil;&atilde;o, como prova a circular<br \/>\n    do sr. Otaviano. <\/p>\n<p>No Partido Conservador, encontramos o sr. Jo&atilde;o Alfredo, que na campanha<br \/>\n    de 1871 ganhou o bast&atilde;o do comando, arrostando pela primeira vez, frente<br \/>\n    a frente, peito a peito, as legi&otilde;es desumanas da pirataria. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio, portanto, nada pode. &Eacute; um moribundo de mol&eacute;stia<br \/>\n    infecciosa, que, de prop&oacute;sito, se aproveita do seu mal para ver se<br \/>\n    infecciona os seus semelhantes. <\/p>\n<p>Hoje comemoramos ainda a lei de 7 de novembro, tendo sobre o esp&iacute;rito<br \/>\n    o luto e a dor pela sorte dos nossos irm&atilde;os de Campos. <\/p>\n<p>No pr&oacute;ximo anivers&aacute;rio, por&eacute;m, quer o sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe queira, quer n&atilde;o, a bandeira da aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    tremular&aacute; no poder, honrando a mem&oacute;ria dos her&oacute;is que<br \/>\n    escreveram na lei o nome, que cabe ao Gabinete presidido por S. Ex.&ordf;<br \/>\n    minist&eacute;rio da pirataria. <\/p>\n<p><b>7 nov. 1887<\/b><\/p>\n<h2>21-XI-1887<\/h2>\n<h4><a name=\"5\">A Sua Alteza, a Regente <\/a><\/h4>\n<p> Senhora.- Enquanto ontem Vossa Alteza Imperial assistia contente e radiante,<br \/>\n    cercada das aten&ccedil;&otilde;es da corte e do bem-querer dos dilettanti<br \/>\n    e dos artistas, &agrave; matin&eacute;e musical do cassino, o povo campista<br \/>\n    era violentado no seu direito de reuni&atilde;o e logo ap&oacute;s perseguido<br \/>\n    a pata de cavalo, a carga de baioneta e de sabre, a bala, nas ruas da cidade,<br \/>\n    convertida agora em aquartelamento de assassinos, por ordem do Governo de<br \/>\n    Vossa Alteza Imperial. <\/p>\n<p>Quando come&ccedil;ou a luta desigual entre os mercen&aacute;rios da pirataria<br \/>\n    e o povo campista; aqueles armados e embalados pelo tesouro e pela caixa secreta<br \/>\n    do Clube da Lavoura, o povo inerme, e apenas aguerrido pelo seu direito; os<br \/>\n    abolicionistas recorreram a Vossa Alteza Imperial pedindo que justi&ccedil;a<br \/>\n    fosse feita e que Vossa Alteza Imperial ordenasse ao Governo a vig&ecirc;ncia<br \/>\n    das garantias constitucionais devidas ao cidad&atilde;o. <\/p>\n<p>Houve quem acreditasse (n&atilde;o quem escreve estas linhas) que Vossa Alteza<br \/>\n    Imperial ia de fato providenciar; os acontecimentos se incumbiram de demonstrar<br \/>\n    que a raz&atilde;o estava do lado do incr&eacute;dulo. <\/p>\n<p>O recurso para Vossa Alteza Imperial, em vez de melhorar, agravou a situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos abolicionistas de Campos. <\/p>\n<p>Ontem a soldadesca desenfreada, sob o comando de dois assalariados dos senhores<br \/>\n    de escravos de Campos, cometeu toda a esp&eacute;cie de crimes, continuando<br \/>\n    assim os atentados do dia 25 de outubro. Desde os representantes do povo at&eacute;<br \/>\n    as mulheres, todos foram desacatados. <\/p>\n<p>Cegos pela impunidade dos crimes anteriores, os dois bandidos, encarregados<br \/>\n    da pol&iacute;cia de Campos, feriram e atentaram contra a vida dos cidad&atilde;os,<br \/>\n    sem distin&ccedil;&atilde;o de sexos. <\/p>\n<p>A noite, todos estes fatos eram j&aacute; conhecidos nesta capital, e, n&atilde;o<br \/>\n    obstante, Vossa Alteza Imperial era vista num teatro, muito tranq&uuml;ila,<br \/>\n    a divertir-se gozando da lista civil amassada com as l&aacute;grimas dos escravizados<br \/>\n    e salpicada do sangue dos nossos compatriotas. <\/p>\n<p>Facilmente expliquei-me a mim mesmo essa indiferen&ccedil;a de Vossa Alteza<br \/>\n    Imperial pela sorte dos m&iacute;seros campistas. <\/p>\n<p>Os telegramas que noticiaram mais crimes ensang&uuml;entando a vossa reg&ecirc;ncia,<br \/>\n    em nome da escravid&atilde;o, conclu&iacute;ram noticiando que o povo foi<br \/>\n    vencido. <\/p>\n<p>A tropa conseguiu mais uma vit&oacute;ria cobarde e miser&aacute;vel, vit&oacute;ria<br \/>\n    ganha depois que ela, apalpando os cidad&atilde;os na entrada do teatro, certificou-se<br \/>\n    de que eles estavam desarmados. <\/p>\n<p>Vossa Alteza viu que nada havia a recear: enquanto os povos s&atilde;o vencidos,<br \/>\n    os reis podem continuar a divertir-se. <\/p>\n<p>O nosso s&eacute;culo diz, por fatos, que a cabe&ccedil;a dos pr&iacute;ncipes<br \/>\n    n&atilde;o valem mais e muitas vezes valem menos que a cabe&ccedil;a dos populares;<br \/>\n    mas nenhum pr&iacute;ncipe se convenceu ainda desta grande verdade, por isso<br \/>\n    que sem dificuldade eles sacrificam os povos e estes dificilmente se vingam.\n  <\/p>\n<p>Da&iacute;, esse desd&eacute;m augusto pelo desrespeito &agrave;s senhoras<br \/>\n    campistas, esse menosprezo pela vida de uma popula&ccedil;&atilde;o, vil e<br \/>\n    infamemente sacrificada. <\/p>\n<p>Os ministros de Vossa Alteza Imperial nos t&ecirc;m convencido de que &eacute;<br \/>\n    necess&aacute;rio um Governo violento, para dominar o esp&iacute;rito de revolta<br \/>\n    que eles, s&oacute; eles, descobriram nesse cordeiro submisso, que tem na<br \/>\n    hist&oacute;ria universal o nome de povo brasileiro. <\/p>\n<p>Fizeram crer a Vossa Alteza Imperial que foi a magnanimidade de vosso augusto<br \/>\n    pai a fonte dos protestos, que se levantam contra o Imp&eacute;rio, na tribuna<br \/>\n    popular e na imprensa. <\/p>\n<p>Vossa Alteza acreditou na explica&ccedil;&atilde;o fraudulenta e autorizou,<br \/>\n    por isso mesmo, a pol&iacute;tica de rea&ccedil;&atilde;o que vai ensang&uuml;entando<br \/>\n    o pa&iacute;s e que deixa o cidad&atilde;o sem garantias para usar dos seus<br \/>\n    direitos. <\/p>\n<p>Sempre que algu&eacute;m protesta, os ministros de Vossa Alteza dizem que<br \/>\n    o fim do protesto &eacute; abalar a autoridade da reg&ecirc;ncia e solapar<br \/>\n    o trono de Bragan&ccedil;a. <\/p>\n<p>E Vossa Alteza, para firmar a autoridade regencial e consolidar o trono que<br \/>\n    vos deve pertencer, sanciona os crimes que o Governo manda praticar. <\/p>\n<p>Vossa Alteza est&aacute; convencida de que matando abolicionistas, os revolucion&aacute;rios<br \/>\n    oficiais, ganha muito mais em for&ccedil;a e prest&iacute;gio do que favorecendo<br \/>\n    a causa dos escravizados, tomando a honrosa responsabilidade de continuadora<br \/>\n    da pol&iacute;tica de 1871. <\/p>\n<p>Na ing&ecirc;nua simplicidade feminina, Vossa Alteza pensa que para reinar<br \/>\n    basta dispor de dinheiro, de tropa, de ministros, de c&acirc;maras e de magistratura.<br \/>\n    Faz do Governo uma quest&atilde;o de forma e n&atilde;o de subst&acirc;ncia.\n  <\/p>\n<p>Quem s&atilde;o os abolicionistas da rua? pergunta Vossa Alteza. Responde-vos<br \/>\n    o sr. bar&atilde;o de Cotegipe: uns anarquistas, sem eira nem beira, e sem<br \/>\n    prest&iacute;gio. E para confirmar a afirma&ccedil;&atilde;o, o sr. presidente<br \/>\n    do Conselho mostra o dr. Davino, acusado de haver assassinado quatro homens,<br \/>\n    cercado das aten&ccedil;&otilde;es da nobreza, e Carlos de Lacerda, roubado<br \/>\n    pela for&ccedil;a policial, obrigado a viver foragido para n&atilde;o pagar<br \/>\n    com a vida o que seus companheiros est&atilde;o pagando em processo monstruoso.\n  <\/p>\n<p>A evid&ecirc;ncia dos fatos confrontados convence Vossa Alteza Imperial de<br \/>\n    que o sr. presidente do Conselho fala a verdade. <\/p>\n<p>No momento atual, a for&ccedil;a est&aacute; com os que matam, ou mandam<br \/>\n    matar escravizados e libertos. Quando eles acabam de praticar o crime, acham<br \/>\n    logo quem os vitorie, porque s&atilde;o proclamados her&oacute;is do escravismo,<br \/>\n    o que pretendem vencer pelo terror. <\/p>\n<p>Devo, por&eacute;m, ponderar a Vossa Alteza que o estado atento da evolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    abolicionista no pa&iacute;s desmente o sr. bar&atilde;o de Cotegipe, o que<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; para admirar. <\/p>\n<p>O escravismo n&atilde;o est&aacute; fazendo sen&atilde;o uma reprise das<br \/>\n    suas antigas trag&eacute;dias. <\/p>\n<p>Nessa mesma Santa Maria Madalena j&aacute; se deu o processo Lemgruber. A<br \/>\n    diferen&ccedil;a &uacute;nica foi estar no Governo o sr. d. Pedro II e n&atilde;o<br \/>\n    Vossa Alteza Imperial, pelo que a autoridade, em vez de se ver obrigada a<br \/>\n    recuar diante dos assassinos e seus protetores, arrostou-os energicamente.\n  <\/p>\n<p>O abolicionismo, esse abolicionismo da rua, foi combatido desde o primeiro<br \/>\n    dia com as mesmas armas de hoje, com a diferen&ccedil;a de que o imperador<br \/>\n    n&atilde;o aceitava a cumplicidade dos miser&aacute;veis. <\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, o abolicionismo, vencendo o sr. Saraiva, o sr. Sinimbu,<br \/>\n    o sr. Martinho Campos, o sr. Lafaiete, chegou a libertar prov&iacute;ncias,<br \/>\n    a revolver a consci&ecirc;ncia nacional, decantando as fezes da pirataria.\n  <\/p>\n<p>Cada viol&ecirc;ncia contra ele praticada aumentava-lhe a for&ccedil;a, duplicava-lhe<br \/>\n    o prest&iacute;gio. Acontecia com ele o mesmo que se d&aacute; com a poda<br \/>\n    das &aacute;rvores, em vez de enfraquec&ecirc;-lo, robustecia-o. <\/p>\n<p>Vossa Alteza esteve quase sempre fora do pa&iacute;s, durante a segunda fase<br \/>\n    da propaganda abolicionista e por isso n&atilde;o lhe conhece a hist&oacute;ria.<br \/>\n    &Eacute; esta a raz&atilde;o que vos leva a dar cr&eacute;dito aos vossos<br \/>\n    ministros, prepostos desumanos da pirataria triunfante. <\/p>\n<p>N&atilde;o para suplicar, mas para esclarecer, cumpre aos abolicionistas<br \/>\n    dizer a Vossa Alteza Imperial que eles n&atilde;o querem a anarquia. <\/p>\n<p>Para saber qual o autor de um crime desconhecido, &eacute; preciso, antes<br \/>\n    de tudo, saber a quem ele pode aproveitar. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; aos abolicionistas que aproveita a anarquia, nesta &uacute;ltima<br \/>\n    hora da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Quando por toda a parte, no Senado, na C&acirc;mara dos Deputados, nas Assembl&eacute;ias<br \/>\n    Provinciais, nas C&acirc;maras Municipais, se trabalha para extinguir a escravid&atilde;o,<br \/>\n    que lucro poderiam ter os abolicionistas em apelar para a anarquia, com risco<br \/>\n    de perder os pr&oacute;prios adeptos que fizeram? <\/p>\n<p>Quem &eacute; que pode pensar que a cidade de Campos abolicionista respondesse<br \/>\n    ao sacrif&iacute;cio do sr. Ant&ocirc;nio Prado pela desordem? <\/p>\n<p>Demais, se n&oacute;s f&ocirc;ssemos anarquistas, se n&oacute;s quis&eacute;ssemos,<br \/>\n    antes de tudo, abalar as institui&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o nos comprometer&iacute;amos<br \/>\n    a sustentar minist&eacute;rios como os dos srs. Jo&atilde;o Alfredo e Dantas,<br \/>\n    ambos monarquistas e muito mais dedicados &agrave; Monarquia que os fazendeiros<br \/>\n    hipotecados, que se servem do Governo para acomodarem-se com os seus credores.\n  <\/p>\n<p>Os anarquistas, os revolucion&aacute;rios est&atilde;o nascendo agora da<br \/>\n    sementeira de viol&ecirc;ncias e de crimes, feitos pelo Gabinete, em nome<br \/>\n    de Vossa Alteza Imperial. <\/p>\n<p>Cada campista, ao lembrar-se de que a sua cidade tem sido o campo do exterm&iacute;nio<br \/>\n    de seus concidad&atilde;os, se converter&aacute; necessariamente numa for&ccedil;a<br \/>\n    concentrada &agrave; espera do momento da desafronta. <\/p>\n<p>O povo brasileiro, ao ver a vida dos seus compatriotas menosprezada pelo<br \/>\n    seu Governo, come&ccedil;ar&aacute; a julgar que a vida pouco vale e que n&atilde;o<br \/>\n    se deve cogitar dela, quando se trata de quest&otilde;es que entendem com<br \/>\n    a honra da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>Quem, finalmente, est&aacute; ensinando ao povo, aos abolicionistas, principalmente,<br \/>\n    a cartilha revolucion&aacute;ria &eacute; o Gabinete de Vossa Alteza Imperial,<br \/>\n    que pretende governar em nome de uma facciosa minoria, que emprega a corrup&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e a morte como elemento de seu poder. <\/p>\n<p>Senhora.- Os concertos cl&aacute;ssicos, os teatros e os ministros sanguin&aacute;rios<br \/>\n    podem ser mais gratos a Vossa Alteza do que a vida de um povo; mas o que vos<br \/>\n    posso afirmar &eacute; que na balan&ccedil;a da Hist&oacute;ria pesam muito<br \/>\n    mais o sangue e as l&aacute;grimas das v&iacute;timas, que os bem&oacute;is<br \/>\n    da m&uacute;sica cortes&atilde; e a adula&ccedil;&atilde;o dos favoritos e<br \/>\n    v&aacute;lidos. <\/p>\n<p><b>21 nov. 1887<\/b><\/p>\n<h2>27-II-1888<\/h2>\n<p> Sua Alteza Imperial Regente deve estar assombrada de quanto se tem dado<br \/>\n    nas suas rela&ccedil;&otilde;es oficiais com o Minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>Para a sua delicadeza e susceptibilidade de senhora, a posi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    em que a falta de pundonor do Gabinete a tem colocado, &eacute;, com certeza,<br \/>\n    das mais aflitivas. <\/p>\n<p>Sabemos que Sua Alteza tem procurado todos os meios de demonstrar ao sr.<br \/>\n    bar&atilde;o de Cotegipe que lhe retirou a confian&ccedil;a, de que S. Ex.&ordf;<br \/>\n    tanto abusava em preju&iacute;zo da dinastia e da p&aacute;tria. <\/p>\n<p>E, por exemplo, eloq&uuml;ent&iacute;ssimo o procedimento regencial com rela&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &agrave; aposentadoria do magistrado pernambucano. <\/p>\n<p>Ficou estabelecida a praxe de, antes do despacho, o soberano entender-se<br \/>\n    com o presidente do Conselho para combinarem as delibera&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    que t&ecirc;m de ser tomadas pelo Poder Executivo. <\/p>\n<p>Sua Alteza, por&eacute;m, no despacho em que a aposentadoria do desembargador<br \/>\n    Tertuliano tinha de ser resolvida, nada disse ao sr. presidente do Conselho;<br \/>\n    aguardou para apresentar o telegrama desmentindo o ministro da Justi&ccedil;a<br \/>\n    a hora em que as pastas s&atilde;o solenemente esvaziadas. <\/p>\n<p>N&atilde;o pode haver prova mais significativa de que Sua Alteza j&aacute;<br \/>\n    n&atilde;o acredita no que lhe dizem os seus ministros e de que igualmente<br \/>\n    evita as discuss&otilde;es com eles, por temor de ver mascarados pelas suas<br \/>\n    palavras injusti&ccedil;as e arb&iacute;trios. <\/p>\n<p>Est&aacute; no dom&iacute;nio p&uacute;blico que o sr. Mac-Dowell, susceptibilizado<br \/>\n    pela prova de desconfian&ccedil;a regencial, pelo desmentido seco de superior<br \/>\n    para o subordinado, apresentou ao sr. presidente do Conselho a sua demiss&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe, por&eacute;m, n&atilde;o a aceitou e constrangeu<br \/>\n    em nome do Gabinete e da amizade a perman&ecirc;ncia do ministro da Justi&ccedil;a.\n  <\/p>\n<p>-N&atilde;o somos Minist&eacute;rio de confian&ccedil;a, mas de resist&ecirc;ncia.<br \/>\n    Esperemos pela C&acirc;mara, que &eacute; de fato o soberano que hoje existe.<br \/>\n    N&atilde;o se esque&ccedil;am de que somos Minist&eacute;rio da Reg&ecirc;ncia,<br \/>\n    em nome do Imperador. <\/p>\n<p>J&aacute; outra ocasi&atilde;o, molestado por uma das primeiras provas de<br \/>\n    diverg&ecirc;ncia, um ministro quis retirar-se e o sr. presidente do Conselho<br \/>\n    disse-lhe: <\/p>\n<p>-&Eacute; preciso olhar para o futuro, n&atilde;o nos demitamos, esperemos<br \/>\n    que nos demitam. <\/p>\n<p>Melhor do que n&oacute;s, Sua Alteza h&aacute; de saber que h&aacute; da<br \/>\n    parte do sr. bar&atilde;o de Cotegipe o maior empenho em conservar-se no poder<br \/>\n    &agrave; custa de tudo. <\/p>\n<p>Asseguramos como cavalheiros que, pelas vers&otilde;es que correm, todos<br \/>\n    os pequenos desgostos que t&ecirc;m magoado Sua Alteza partem do sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que a prop&oacute;sito da batalha das flores, S. Ex.&ordf;<br \/>\n    disse que tinha destacado para Petr&oacute;polis os seus dois colegas da Fazenda<br \/>\n    e da Agricultura -para evitar certas inconveni&ecirc;ncias. <\/p>\n<p>Vem aqui de molde estudar um fen&ocirc;meno que se est&aacute; dando em Petr&oacute;polis.<br \/>\n    Sua Alteza, a Regente, desembu&ccedil;ando o seu cora&ccedil;&atilde;o de<br \/>\n    senhora, colocou-se &agrave; frente da merit&oacute;ria obra da reden&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos cativos naquela cidade. <\/p>\n<p>Era de esperar que ao sacrif&iacute;cio da princesa correspondesse a generosidade<br \/>\n    geral. <\/p>\n<p>Pois bem, no Correio Imperial de 21 de fevereiro, l&ecirc;em-se estes expressivos<br \/>\n    per&iacute;odos, editados pelo pr&iacute;ncipe do Gr&atilde;o-Par&aacute;:\n  <\/p>\n<p>&laquo;Para coroar esta bela obra (a emancipa&ccedil;&atilde;o de Petr&oacute;polis)<br \/>\n    falta somente que os senhores de escravos, inspirando-se em sentimentos generosos,<br \/>\n    facilitem por seu lado a emancipa&ccedil;&atilde;o diminuindo, ao menos, o<br \/>\n    valor dos libertandos desta cidade. <\/p>\n<p>Que muito que fa&ccedil;am um pequeno sacrif&iacute;cio, quando todos n&oacute;s<br \/>\n    pagamos mais ou menos, diretamente, o tributo imposto pela resolu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do magno problema? <\/p>\n<p>Penso que n&atilde;o apelaremos em v&atilde;o para a alma generosa dos senhores<br \/>\n    de escravos, e que o pr&oacute;prio munic&iacute;pio n&atilde;o tardar&aacute;<br \/>\n    muito em seguir a trilha luminosa.&raquo; <\/p>\n<p>O que se depreende desses per&iacute;odos &eacute; que mesmo Sua Alteza,<br \/>\n    a Regente, encontra dificuldade na difus&atilde;o dos seus sentimentos humanit&aacute;rios,<br \/>\n    e isto em uma cidade que, pelo seu adiantamento e pelas suas condi&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    pode perpetuamente associar-se &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A causa desse fen&ocirc;meno &eacute; a notoriedade da resist&ecirc;ncia<br \/>\n    do Gabinete &agrave; aspira&ccedil;&atilde;o abolicionista do pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o comentar&iacute;amos o fato, se ele n&atilde;o tivesse conseq&uuml;&ecirc;ncias<br \/>\n    funestas para Sua Alteza Imperial. <\/p>\n<p>Quem l&ecirc; os jornaizinhos dos pr&iacute;ncipes, t&atilde;o puros e t&atilde;o<br \/>\n    patri&oacute;ticos, com uns per&iacute;odos louros como os cabelos de Suas<br \/>\n    Altezas, jornaizinhos mansos como pombas, que n&atilde;o sabem sen&atilde;o<br \/>\n    arrulhar, mesmo quando feridas, e compara &agrave; pol&iacute;tica essa expans&atilde;o<br \/>\n    d&#8217;almas brancas, perfumosas, almas de arminho guardadas em estufa de violeta,<br \/>\n    sente dentro de si um sentimento espont&acirc;neo de revolta contra a Regente.\n  <\/p>\n<p>Sua Alteza &eacute; m&atilde;e, n&atilde;o pode consentir que o esp&iacute;rito<br \/>\n    de seus filhos se embeba de doutrinas falsas e sature-se de exemplos maus.\n  <\/p>\n<p>Ou o abolicionismo &eacute; a anarquia, &eacute; a falta de patriotismo e<br \/>\n    a subvers&atilde;o da fortuna p&uacute;blica, e neste caso Sua Alteza faz<br \/>\n    mal, consentindo que seus inocentes filhinhos sejam educados sob a influ&ecirc;ncia<br \/>\n    de semelhante doutrina; ou o abolicionismo &eacute; o primeiro sentimento<br \/>\n    patri&oacute;tico de um cora&ccedil;&atilde;o brasileiro bem formado, e neste<br \/>\n    caso &eacute; trist&iacute;ssimo que Sua Alteza, m&atilde;e, consentindo educa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    abolicionista de seus filhos, d&ecirc;-lhes o espet&aacute;culo de sua fraqueza,<br \/>\n    simulando-se vencida pelo pa&iacute;s, quando n&atilde;o faz sen&atilde;o<br \/>\n    condescender com a fal&aacute;cia dos ministros, que chamam aos seus interesses<br \/>\n    privados -opini&atilde;o nacional. <\/p>\n<p>Duas coisas n&atilde;o podem continuar com o consentimento de Sua Alteza:<br \/>\n    o Minist&eacute;rio e os jornaizinhos dos pr&iacute;ncipes. <\/p>\n<p>Ou o abolicionismo &eacute; um sentimento un&acirc;nime do pa&iacute;s, e<br \/>\n    neste caso o Minist&eacute;rio da escravid&atilde;o n&atilde;o pode continuar<br \/>\n    sem ofensa do pa&iacute;s; ou o abolicionismo n&atilde;o &eacute; um ideal<br \/>\n    nacional, e nesse caso Sua Alteza procede irregularmente permitindo a seus<br \/>\n    filhinhos, um dos quais &eacute; herdeiro da coroa, manifestar-se contra a<br \/>\n    vontade popular. <\/p>\n<p>A l&oacute;gica imp&otilde;e-se &agrave; pol&iacute;tica, do mesmo modo que<br \/>\n    a nobreza de sentimentos ao cora&ccedil;&atilde;o de Sua Alteza. <\/p>\n<p>Que dir&aacute; a hist&oacute;ria da Regente, quando a vir, senhora delicada<br \/>\n    e m&atilde;e carinhosa, ensinando a fraternidade no pa&ccedil;o a seus filhos<br \/>\n    e consentindo no Governo os co-r&eacute;us dos assassinos que matam mulheres<br \/>\n    em Campos, espostejam cidad&atilde;os no Rio do Peixe, e levam a sanha a esporear<br \/>\n    cad&aacute;veres e a dar pontap&eacute;s em crian&ccedil;as? <\/p>\n<p>Como esconder a responsabilidade nestes atos, quando &eacute; v&iacute;tima<br \/>\n    deles uma autoridade? <\/p>\n<p>Sua Alteza passar&aacute; &agrave; Hist&oacute;ria como a imagem viva da<br \/>\n    hipocrisia, quando ali&aacute;s &eacute; sabido que o seu cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    est&aacute; limpo dessa culpa. <\/p>\n<p>Quem lhe cria esta situa&ccedil;&atilde;o d&uacute;bia? O Minist&eacute;rio,<br \/>\n    que obriga a alma da senhora a irromper do s&iacute;tio posto &agrave; liberdade<br \/>\n    da soberana. <\/p>\n<p>Nos pal&aacute;cios &eacute; raro encontrar quem fale a verdade aos pr&iacute;ncipes:<br \/>\n    da&iacute; o Minist&eacute;rio ter podido condenar Sua Alteza &agrave; impopularidade,<br \/>\n    que dia a dia cresce, sem que o pal&aacute;cio dela se aperceba talvez. <\/p>\n<p>Sua Alteza n&atilde;o sente em derredor de si a hostilidade p&uacute;blica,<br \/>\n    pela raz&atilde;o simples de que o colch&atilde;o de incenso, em que os familiares<br \/>\n    do pa&ccedil;o balou&ccedil;am o seu esp&iacute;rito, amortece-lhe o choque.\n  <\/p>\n<p>Mas a verdade &eacute; que ao ver este Minist&eacute;rio, que n&atilde;o<br \/>\n    tem sequer prest&iacute;gio para guardar o lar regencial, aparentando a mais<br \/>\n    completa onipot&ecirc;ncia pol&iacute;tica, o povo n&atilde;o acredita que<br \/>\n    Sua Alteza tenha sequer consci&ecirc;ncia da responsabilidade de sua posi&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>O pal&aacute;cio n&atilde;o mede o efeito que produz a not&iacute;cia de<br \/>\n    que um primo irm&atilde;o de Sua Alteza, a Regente, foi condenado como gatuno;<br \/>\n    mas o Minist&eacute;rio tem o dever de evitar que tais fatos cheguem a impor-se<br \/>\n    &agrave; publicidade. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m dir&aacute; que n&atilde;o havia meio de evitar esse esc&acirc;ndalo<br \/>\n    universal. <\/p>\n<p>Outro minist&eacute;rio qualquer teria tomado provid&ecirc;ncias no sentido<br \/>\n    de, pelo menos, deixar o esp&iacute;rito p&uacute;blico em d&uacute;vida.\n  <\/p>\n<p>Os reis, mais do que os outros homens, precisam de reputa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    pura; as dinastias, como a mulher de C&eacute;sar, n&atilde;o podem ser suspeitadas.\n  <\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao pr&iacute;ncipe d. Pedro Augusto ainda &eacute;<br \/>\n    maior a responsabilidade do Minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>Em todo o pa&iacute;s sabe-se hoje que h&aacute; desconfian&ccedil;a da parte<br \/>\n    dos herdeiros presuntivos contra o pr&iacute;ncipe d. Pedro. <\/p>\n<p>Pode ser isso exato, pode n&atilde;o o ser. Cumpria ao Minist&eacute;rio<br \/>\n    vir ao encontro do boato e dissipar a impress&atilde;o causada, tanto mais<br \/>\n    que &eacute; not&oacute;ria a exist&ecirc;ncia do Partido Republicano, solidamente<br \/>\n    organizado em duas prov&iacute;ncias que t&ecirc;m a hegemonia do Sul -o Rio<br \/>\n    Grande e S&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p>Dando como latente a id&eacute;ia da forma&ccedil;&atilde;o de um Partido<br \/>\n    Constituinte, de que &eacute; pr&oacute;dromo o s&eacute;rio movimento das<br \/>\n    c&acirc;maras municipais, &eacute; claro que a not&iacute;cia da falta de<br \/>\n    solidariedade de vistas da fam&iacute;lia imperial acoro&ccedil;oar&aacute;<br \/>\n    a indiferen&ccedil;a pela sorte das institui&ccedil;&otilde;es mon&aacute;rquicas.\n  <\/p>\n<p>Entretanto, o Minist&eacute;rio todo voltado para o Val de Palmas, abandona<br \/>\n    Sua Alteza &agrave; corrente dos acontecimentos e acoberta-se com a liberdade<br \/>\n    do Poder Moderador, para n&atilde;o assumir a responsabilidade de sua ominosa<br \/>\n    conspira&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Sua Alteza n&atilde;o tinha ainda visto nada do que lhe deixamos aqui revelado<br \/>\n    e entretanto &eacute; preciso que veja e medite. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio est&aacute; deliberado a cometer todos os desatinos imagin&aacute;veis<br \/>\n    para conservar-se no poder. <\/p>\n<p>Provoca a indigna&ccedil;&atilde;o popular por todos os meios para for&ccedil;ar<br \/>\n    Sua Alteza a sustent&aacute;-lo por brio diante de uma capitula&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>A respeito do abolicionismo &eacute; preciso que n&oacute;s outros declaremos:<br \/>\n    n&atilde;o estamos resolvidos a tolerar mais a impunidade de crimes como os<br \/>\n    de Campos, Santa Maria Madalena, Rio do Peixe e os que se projetam em Pindamonhangaba.\n  <\/p>\n<p>Algu&eacute;m nos h&aacute; de pagar esse sangue derramado acintosamente,<br \/>\n    ou o nosso sangue se ir&aacute; misturar com o das v&iacute;timas. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso, por bem de si mesma, que Sua Alteza apresente ao Minist&eacute;rio<br \/>\n    o seu ultimatum. <\/p>\n<p>Por meio de est&iacute;mulo &agrave; dignidade dos ministros, o Gabinete<br \/>\n    n&atilde;o se retirar&aacute;. <\/p>\n<p>Um minist&eacute;rio que, desmentido secamente por uma senhora que lhe exibe<br \/>\n    sem ex&oacute;rdio um telegrama, onde se diz que n&atilde;o &eacute; exato<br \/>\n    o que um decreto diz; um minist&eacute;rio que se atreve a ser negreiro sem<br \/>\n    rebu&ccedil;o diante de uma soberana, que educa seus filhos ostensivamente<br \/>\n    em opini&otilde;es contr&aacute;rias, e mais: pratica pessoalmente a caridade<br \/>\n    abolicionista; um minist&eacute;rio que tem consci&ecirc;ncia do abandono<br \/>\n    de seus correligion&aacute;rios e entretanto vende a dignidade pessoal, o<br \/>\n    pundonor das fun&ccedil;&otilde;es, por mais dois meses de poder; n&atilde;o<br \/>\n    pode ser tratado fidalgamente. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso que Sua Alteza seja realmente soberana e diga francamente<br \/>\n    ao sr. bar&atilde;o de Cotegipe que precisa de chamar um minist&eacute;rio<br \/>\n    que possa ocupar-se francamente da quest&atilde;o mais momentosa do pa&iacute;s.\n  <\/p>\n<p>O meio &eacute; simples; o sr. bar&atilde;o de Cotegipe disse: a lei ou o<br \/>\n    sr. Dantas; por outra: escravid&atilde;o franca, ou abolicionismo sem m&aacute;scara.\n  <\/p>\n<p>Lembre Sua Alteza a S. Ex.&ordf; as suas pr&oacute;prias palavras, e salve-se<br \/>\n    com a honra da p&aacute;tria. <\/p>\n<p><b>27 fev. 1888<\/b><\/p>\n<h2>12-III-1888<\/h2>\n<h4><a name=\"6\">Senhora <\/a><\/h4>\n<p> Vossa Alteza deve estar content&iacute;ssima com a brusca mudan&ccedil;a<br \/>\n    que se operou no esp&iacute;rito p&uacute;blico. <\/p>\n<p>A tempestade que se abobadava sobre o vosso futuro, sinistra e amea&ccedil;adora,<br \/>\n    desfez-se como por encanto. O mar das paix&otilde;es, que desobedeceu heroicamente<br \/>\n    ao quos ego do arb&iacute;trio, abonan&ccedil;ou-se ao vosso sorriso de estima<br \/>\n    pela opini&atilde;o. <\/p>\n<p>Vistes, Senhora, qual a efic&aacute;cia do Governo de acordo com a vontade<br \/>\n    nacional. <\/p>\n<p>Se os reis soubessem como o povo &eacute; bom, sacrific&aacute;-lo-iam muito<br \/>\n    menos; prefeririam o apoio leal, desinteressado das massas ao sufr&aacute;gio<br \/>\n    interesseiro de certas classes, sufr&aacute;gio que exige sempre como pre&ccedil;o<br \/>\n    o holocausto dos direitos populares e que n&atilde;o raras vezes comprometem<br \/>\n    as dinastias. <\/p>\n<p>Os empreiteiros de tirania h&atilde;o de dizer que fizestes mal entregando<br \/>\n    ao clamor p&uacute;blico os homens que a vergonha nacional acusava de haverem<br \/>\n    imolado aos seus interesses a dignidade do Governo e do povo. <\/p>\n<p>Sabemos que n&atilde;o &eacute; dos estilos, principalmente entre n&oacute;s,<br \/>\n    atender ao povo, mas nem por isso deixa de ser verdade que num sistema representativo,<br \/>\n    em que todos os poderes s&atilde;o simplesmente delega&ccedil;&otilde;es da<br \/>\n    na&ccedil;&atilde;o, o soberano s&oacute; &eacute; verdadeiramente constitucional,<br \/>\n    quando reconhece a exist&ecirc;ncia ativa e real da soberania popular. <\/p>\n<p>Atender ao povo, longe de desmerecer, prestigia o Governo.<\/p>\n<p>Querer antepor &agrave; opini&atilde;o os caprichos pessoais ou de uma fac&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    decidir arbitrariamente que n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o, sen&atilde;o<br \/>\n    nos que est&atilde;o no poder; que s&oacute; os ministros falam a verdade<br \/>\n    e respeitam a lei; que fora do mundo oficial est&aacute; a anarquia, a conspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    contra as institui&ccedil;&otilde;es; &eacute; mil vezes mais perigoso do<br \/>\n    que respeitar a vontade manifesta da na&ccedil;&atilde;o, mesmo quando, j&aacute;<br \/>\n    cansada de pedir, ela come&ccedil;a a exigir. <\/p>\n<p>Observai atrav&eacute;s da Hist&oacute;ria, Senhora, que o povo s&oacute;<br \/>\n    se impacienta depois de sofrer resignadamente longos anos. Nunca se viu formar-se<br \/>\n    instantaneamente uma opini&atilde;o, que ameace institui&ccedil;&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>Demais, h&aacute; no povo uma for&ccedil;a, que por isso mesmo que lhe garante<br \/>\n    a vit&oacute;ria, preserva-o da sofreguid&atilde;o injusta: -&eacute; o bom<br \/>\n    senso. <\/p>\n<p>Sempre que o povo combate uma institui&ccedil;&atilde;o, &eacute; que ela<br \/>\n    &eacute; realmente m&aacute; e deve desaparecer. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio Cotegipe foi violentamente combatido, porque ele representava<br \/>\n    uma institui&ccedil;&atilde;o degradante: -a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>A ousadia de propor-se um minist&eacute;rio a resistir a mais acentuada aspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de um povo, demonstrava que ele s&oacute; podia fazer um Governo de fac&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Obcecado pela id&eacute;ia fixa de vencer o abolicionismo, o Gabinete comprometeu<br \/>\n    sua pol&iacute;tica e a sua administra&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Quanto ele fez devia fatalmente praticar.<\/p>\n<p>Que classe podia respeitar um minist&eacute;rio, organizado expressamente<br \/>\n    para desacreditar os sentimentos humanit&aacute;rios de um povo? <\/p>\n<p>Vossa Alteza viu que o Minist&eacute;rio desrespeitou desde o Senado at&eacute;<br \/>\n    ao &uacute;ltimo cidad&atilde;o brasileiro. <\/p>\n<p>Disse ao Senado: n&atilde;o fa&ccedil;o caso dos teus votos.<\/p>\n<p>Disse &agrave; C&acirc;mara: &eacute; para mim a mais f&uacute;til das burlas<br \/>\n    o teu direito de interpela&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Disse ao seu partido: tu para mim representas a vontade do sr. Paulino e<br \/>\n    o interesse dos meus parentes e afilhados. <\/p>\n<p>Disse ao Ex&eacute;rcito: cala-te ou persigo-te.<\/p>\n<p>Disse &agrave; Marinha: prefiro a onipot&ecirc;ncia da minha pol&iacute;cia<br \/>\n    ao rubor do teu brio. <\/p>\n<p>Disse &agrave; imprensa: eu s&oacute; quero de ti a circula&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da cal&uacute;nia, a tiragem da difama&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Disse ao povo: eu s&oacute; quero de ti a obedi&ecirc;ncia canina; sil&ecirc;ncio<br \/>\n    ou espingardeio-te. <\/p>\n<p>Aos que acusarem Vossa Alteza de haver obedecido &agrave; intima&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da pra&ccedil;a p&uacute;blica, respondei que est&aacute;veis numa conting&ecirc;ncia<br \/>\n    dific&iacute;lima: ou receber a intima&ccedil;&atilde;o do direito, ou a intima&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do despotismo; e preferistes a primeira. <\/p>\n<p>Se o soberano devesse fechar sistematicamente os ouvidos ao povo, este deveria<br \/>\n    consider&aacute;-lo sempre um inimigo, e estaria fraudado o princ&iacute;pio<br \/>\n    constitucional do Poder Moderador. <\/p>\n<p>A pra&ccedil;a p&uacute;blica n&atilde;o &eacute; o caminho regular, concordamos,<br \/>\n    por&eacute;m, o voto do parlamento n&atilde;o &eacute; o caminho &uacute;nico,<br \/>\n    tanto assim que ficou ao Poder Moderador liberdade inteira para nomear e demitir<br \/>\n    minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>O direito de dissolu&ccedil;&atilde;o &eacute; o reconhecimento da opini&atilde;o<br \/>\n    extraparlamentar. <\/p>\n<p>Vossa Alteza inaugurou um sistema que parece dar maior responsabilidade &agrave;<br \/>\n    Coroa, mas que na realidade a diminui. <\/p>\n<p>O povo, Senhora, n&atilde;o &eacute; o insensato, o leviano pintado pelos<br \/>\n    exploradores do poder. &Eacute; o bom senso em grande, &eacute; a justi&ccedil;a<br \/>\n    em massa. <\/p>\n<p>Os parlamentos podem derrubar Gambetta, o povo o adora e o sustenta, e mesmo<br \/>\n    depois da sua morte, deixa-se dirigir pelo seu pensamento. <\/p>\n<p>L&aacute; est&aacute; na Espanha o exemplo mais vivo do que &eacute; a alma<br \/>\n    popular. <\/p>\n<p>Essa bela e meiga vi&uacute;va, que ficou amea&ccedil;ada pela heran&ccedil;a<br \/>\n    de Afonso XII, porque ouviu de prefer&ecirc;ncia o povo, consolidou o seu<br \/>\n    trono. <\/p>\n<p>O povo quer sentir nos atos do Governo a solidariedade do seu soberano com<br \/>\n    os direitos populares. <\/p>\n<p>Se houv&eacute;sseis, Senhora, adiado a demiss&atilde;o do Minist&eacute;rio<br \/>\n    Cotegipe, o povo n&atilde;o agradeceria; ao contr&aacute;rio, guardaria contra<br \/>\n    Vossa Alteza ressentimento, por entender que pesa mais nos conselhos da Coroa<br \/>\n    uma aposentadoria, ou qualquer outro pretexto, que o sangue e o sacrif&iacute;cio<br \/>\n    dos cidad&atilde;os. <\/p>\n<p>Depois de saber que Vossa Alteza havia demitido, her&oacute;ica, digna, patrioticamente<br \/>\n    esse Minist&eacute;rio maldito, que emoldurou em dois anos de Governo todas<br \/>\n    as viol&ecirc;ncias de tr&ecirc;s s&eacute;culos de escravid&atilde;o, continuei<br \/>\n    a ler a Legenda dos S&eacute;culos e reli com o esp&iacute;rito e o cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    essas p&aacute;ginas triunfais do Eviradnus. <\/p>\n<p>Estremeci, Senhora, diante daquele descuido de Mahand, adormecida entre os<br \/>\n    dois conspiradores; lamentei o terror que a fez permitir que entrassem no<br \/>\n    castelo misterioso da sagra&ccedil;&atilde;o do soberano esses intrusos sem<br \/>\n    alma, que a bajulavam para imolarem-na, mais comodamente, nos seus interesses<br \/>\n    e apoderarem-se da coroa que ela n&atilde;o tinha tido coragem de colocar<br \/>\n    sozinha na sua cabe&ccedil;a, mediante algumas horas de sacrif&iacute;cio.\n  <\/p>\n<p>Vossa Alteza conhece o final dessa trag&eacute;dia.<\/p>\n<p>Os dois conspiradores t&ecirc;m desdobrado os cora&ccedil;&otilde;es e posto<br \/>\n    pelo avesso as almas torpes e miser&aacute;veis. <\/p>\n<p>Sente-se um rumor: um fr&ecirc;mito das armaduras das est&aacute;tuas dos<br \/>\n    antigos guerreiros. <\/p>\n<p>Os bandidos atemorizam-se, mas volvem a confian&ccedil;a no &ecirc;xito do<br \/>\n    crime. Quem podia ressuscitar aqueles bronzes? Quem poderia chamar &agrave;<br \/>\n    vida aquela morte dupla dos her&oacute;is, representada pela decomposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do corpo e pela fus&atilde;o br&ocirc;nzea das formas! <\/p>\n<p>Mas o sil&ecirc;ncio, a solid&atilde;o povoam-se de s&uacute;bito com o aparecimento<br \/>\n    de um homem. &Eacute; um velho guerreiro, &eacute; Eviradnus, que, tendo percebido<br \/>\n    a conspira&ccedil;&atilde;o, veio guardar com a sua lealdade a princesa e<br \/>\n    a p&aacute;tria, igualmente amea&ccedil;adas. <\/p>\n<p>Que indescrit&iacute;vel, fora dos versos do poeta divino, essa luta de dois<br \/>\n    contra um, luta em que dois soberanos jogam a vida por um crime e um her&oacute;i<br \/>\n    resgata a p&aacute;tria pela vida. <\/p>\n<p>Ao primeiro assalto, cai um dos celerados. Mas o outro, sente-se agora forte,<br \/>\n    est&aacute; armado, vai varar o cora&ccedil;&atilde;o do her&oacute;i, que<br \/>\n    n&atilde;o disp&otilde;e j&aacute; da espada. <\/p>\n<p>Passa pelo esp&iacute;rito de Eviradnus um rel&acirc;mpago divino. Jaz a<br \/>\n    seus p&eacute;s o cad&aacute;ver do rei. Agarra-o pelas pernas, maneja-o,<br \/>\n    converte-o numa formid&aacute;vel massa e consegue fulminar o advers&aacute;rio<br \/>\n    e sepultar na torrente que passa os dois reis justi&ccedil;ados. <\/p>\n<p>No dia seguinte, Mahand, que devia ser recebida pela maldi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    eterna da p&aacute;tria, &eacute; aclamada a soberana altiva e her&oacute;ica,<br \/>\n    a esperan&ccedil;a nacional. <\/p>\n<p>Ao terminar a leitura do Eviradnus, eu perguntei a mim mesmo, porque, nesse<br \/>\n    momento, sentia impress&atilde;o mais viva do que outrora. <\/p>\n<p>E a reflex&atilde;o disse-me:<\/p>\n<p>&Eacute; que h&aacute; semelhan&ccedil;a entre os perigos da marquesa de<br \/>\n    Lur&aacute;cia e da princesa herdeira da coroa do Brasil. <\/p>\n<p>Ela devia entrar s&oacute; nesse castelo secular onde o povo exige que ela<br \/>\n    se coroe rainha -a aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Teve receio e chamou para seus companheiros os srs. Cotegipe e Paulino -os<br \/>\n    dois reis do escravismo. <\/p>\n<p>Uma vez senhores de confian&ccedil;a de Vossa Alteza, eles conspiravam para<br \/>\n    arrebatar-lhe a coroa, e o teriam feito se o sr. Jo&atilde;o Alfredo, o Eviradnus<br \/>\n    parlamentar, n&atilde;o tivesse a tempo percebido o jogo sinistro e n&atilde;o<br \/>\n    se tivesse a tempo armado com o cad&aacute;ver do sr. bar&atilde;o de Cotegipe<br \/>\n    para fulminar o rei sobrevivente do escravismo, o sr. Paulino de Sousa. <\/p>\n<p>Vossa Alteza est&aacute; salva; pode reinar utilmente sobre este povo, digno<br \/>\n    de um governo honesto e patri&oacute;tico. <\/p>\n<p>Nunca nenhuma rainha teve diante de si mais glorioso trono. O que espera<br \/>\n    Vossa Alteza &eacute; feito com os cora&ccedil;&otilde;es do que vos construiu<br \/>\n    a p&aacute;tria com o seu suor e com o seu sangue. <\/p>\n<p><b>12 mar. 1888<\/b><\/p>\n<h2>19-III-1888<\/h2>\n<p> Depois das grandes enchentes, os rios costumam carregar no seu dorso abundante<br \/>\n    espumarada. <\/p>\n<p>&Eacute; o res&iacute;duo das inunda&ccedil;&otilde;es, a vaza dos enxurros<br \/>\n    das montanhas, condensados nos p&acirc;ntanos e brejais. <\/p>\n<p>Essa espumarada n&atilde;o quer dizer que a enchente continua; que a agita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    tempestuosa perdura. <\/p>\n<p>Igual fen&ocirc;meno se est&aacute; dando agora no rio da opini&atilde;o.<br \/>\n    Ainda b&oacute;iam &aacute; tona da opini&atilde;o as espumas produzidas pelo<br \/>\n    embate das paix&otilde;es violentas, fustigadas pelos desmandos e arb&iacute;trios<br \/>\n    do Minist&eacute;rio passado; mas, dentro em pouco, esperamos, veremos correr<br \/>\n    l&iacute;mpida e tranq&uuml;ila, transparente e risonha, a corrente das aspira&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    nacionais. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio 10 de Mar&ccedil;o &eacute; felizmente composto de homens<br \/>\n    j&aacute; experimentados no Governo; saber&aacute; dissipar pelos seus atos<br \/>\n    as d&uacute;vidas e apreens&otilde;es que sobreviveram &agrave; gloriosa satisfa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dada pela Reg&ecirc;ncia &agrave; soberania da vontade nacional. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; esp&iacute;rito s&eacute;rio que se deixe convencer<br \/>\n    de que a boa pol&iacute;tica seria provocar uma crise pol&iacute;tica para<br \/>\n    chegar por ela &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o do problema servil. <\/p>\n<p>Os que t&ecirc;m estudado a hist&oacute;ria parlamentar de nosso pa&iacute;s<br \/>\n    sabem que nunca nenhum partido tomou &agrave; sua conta intransigentemente<br \/>\n    a extin&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Nenhum partido fez da aboli&ccedil;&atilde;o o seu programa de a&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    o dogma fundamental da sua igreja pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>A reforma do elemento servil foi sempre um cap&iacute;tulo de programa de<br \/>\n    oposi&ccedil;&atilde;o, mas nunca absorveu os esp&iacute;ritos de modo a se<br \/>\n    impor como primeira das suas obriga&ccedil;&otilde;es governamentais. <\/p>\n<p>O Partido Liberal duas vezes, em 1868 e 1869, inscreveu na sua bandeira uma<br \/>\n    esperan&ccedil;a para os escravizados; mas, subindo ao poder em 1878, considerou<br \/>\n    quest&atilde;o resolvida pela lei de 1871 o problema servil e capitulou como<br \/>\n    anarquia a propaganda em favor dos escravizados. <\/p>\n<p>Os dois chefes mais eminentes ent&atilde;o, os srs. Sinimbu e Saraiva, deixaram<br \/>\n    bem claro que o Partido Liberal n&atilde;o tinha nenhum compromisso urgente<br \/>\n    e imperioso para com os escravizados, e acentuaram que n&atilde;o passariam<br \/>\n    nunca dos meios indiretos para chegar a essa reforma. <\/p>\n<p>N&atilde;o se entendeu no Partido Liberal que a reforma servil merecesse<br \/>\n    sacrif&iacute;cio, e a prova &eacute; que, tendo aquela situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    devorado v&aacute;rios minist&eacute;rios, nunca fez crise para impor o trabalho<br \/>\n    em prol daquela reforma. <\/p>\n<p>Pelo contr&aacute;rio: n&atilde;o s&oacute; demitiu o sr. Dantas, combinando-se<br \/>\n    para esse fim com os negreiros conservadores e os partid&aacute;rios pessoalmente<br \/>\n    infensos a S. Ex.&ordf;, como sustentaram depois o sr. Saraiva, resignando-se<br \/>\n    a guardar o poder e assumindo nele a responsabilidade da realiza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de alheias id&eacute;ias. <\/p>\n<p>No passado, como no presente, o Partido Liberal nunca se serviu do escravo<br \/>\n    sen&atilde;o para arma de oposi&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que Nunes Machado, discutindo a lei de repress&atilde;o do<br \/>\n    tr&aacute;fico, declarava-se coacto, e o sr. Joaquim Nabuco, apesar dos seus<br \/>\n    grandes talentos e prest&iacute;gio, nunca recebeu da situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    passada nenhuma prova de solidariedade partid&aacute;ria. O mo&ccedil;o deputado<br \/>\n    foi sempre considerado adiantado demais, ainda mesmo quando apresentava, como<br \/>\n    o fez na sess&atilde;o legislativa de 1880, o projeto de aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    no prazo de dez anos. <\/p>\n<p>O Partido Liberal teve tr&ecirc;s dissolu&ccedil;&otilde;es, e, n&atilde;o<br \/>\n    obstante, nunca conseguiu maioria abolicionista, nem mesmo quando foi conhecido<br \/>\n    o pacto do sr. Dantas. <\/p>\n<p>Arrogar-se um partido o direito &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma<br \/>\n    id&eacute;ia, a favor da qual n&atilde;o trabalhou nunca no Governo e, quando<br \/>\n    se viu for&ccedil;ado a convert&ecirc;-la em projeto, vazou-a sempre nos moldes<br \/>\n    os mais acanhados, &eacute; pretens&atilde;o demasiadamente aventurosa. <\/p>\n<p>Se os programas dos partidos se discriminam por atos e n&atilde;o por palavras,<br \/>\n    &eacute; mais razo&aacute;vel confiar ao Partido Conservador a solu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do problema servil. Foi ele que cortou os dois istmos que prendiam nossa p&aacute;tria<br \/>\n    ao continente da pirataria -o tr&aacute;fico e a maternidade escrava; &eacute;<br \/>\n    justo que seja ele que rasgue a franca navega&ccedil;&atilde;o da nau do Estado<br \/>\n    pelo oceano da igualdade civil. <\/p>\n<p>Sua Alteza, a Regente, deu a maior prova de bom senso governamental ouvindo<br \/>\n    os clamores populares e confiando ao atual presidente do Conselho a miss&atilde;o<br \/>\n    de os fazer ouvir pela lei. <\/p>\n<p>Quem conhece a hist&oacute;ria da extin&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico<br \/>\n    entre n&oacute;s sabe qual o perigo de consentir que se torne pol&iacute;tica<br \/>\n    a sagrada quest&atilde;o social da extin&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Todas as humilha&ccedil;&otilde;es com que fomos justi&ccedil;ados durante<br \/>\n    o conflito Aberdeen s&atilde;o o resultado desse grave erro pol&iacute;tico.\n  <\/p>\n<p>As lutas de partido foram a causa de se haver prolongado por tantos anos<br \/>\n    a agonia da pirataria, que, morrendo afinal ao ar livre, infeccionou ainda<br \/>\n    por mais de trinta anos a nossa exist&ecirc;ncia de povo civilizado. <\/p>\n<p>Se n&atilde;o houvesse uma grande s&eacute;rie de considera&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    hist&oacute;ricas para justificar o ato do Poder Moderador chamando o sr.<br \/>\n    Jo&atilde;o Alfredo, bastaria uma simples considera&ccedil;&atilde;o de ordem<br \/>\n    moral: seria um atentado contra a pr&oacute;pria consci&ecirc;ncia augusta,<br \/>\n    convencida de que a escravid&atilde;o &eacute; uma monstruosidade, e mais,<br \/>\n    de que a sua perman&ecirc;ncia estava perturbando o pa&iacute;s em todas as<br \/>\n    suas rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e morais, adiar<br \/>\n    por mera quest&atilde;o de f&oacute;rmula a repara&ccedil;&atilde;o devida<br \/>\n    &agrave; v&iacute;tima e a seguran&ccedil;a devida ao povo e &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>O que n&oacute;s outros sabemos historicamente &eacute; que a morte da escravid&atilde;o<br \/>\n    no pa&iacute;s se operou como a destrui&ccedil;&atilde;o do feudalismo em<br \/>\n    Fran&ccedil;a, como a decreta&ccedil;&atilde;o do sistema representativo em<br \/>\n    Inglaterra, e subseq&uuml;entemente em todo o mundo, pela alian&ccedil;a do<br \/>\n    soberano com o povo. <\/p>\n<p>&Eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o de cima para baixo.<\/p>\n<p>O povo n&atilde;o teria for&ccedil;a por si s&oacute; para realizar a aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da escravid&atilde;o; encontrava, contrariando as suas aspira&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    a fac&ccedil;&atilde;o essencialmente desp&oacute;tica dos propriet&aacute;rios<br \/>\n    de escravizados. <\/p>\n<p>Republicanos, liberais, conservadores s&atilde;o igualmente r&eacute;us do<br \/>\n    crime do roubo de almas, como o Canning chamou &agrave; escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Nenhuma legislatura sentiu-se espontaneamente forte para propor o problema.\n  <\/p>\n<p>Foi extraparlamentar a for&ccedil;a de Eus&eacute;bio de Queir&oacute;s,<br \/>\n    a for&ccedil;a de Rio Branco, a for&ccedil;a de Dantas, a for&ccedil;a de<br \/>\n    Jo&atilde;o Alfredo. O povo pela propaganda, o imperador pela escolha dos<br \/>\n    homens; eis os benem&eacute;ritos da aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o.<br \/>\n    S&oacute; depois que esses dois poderes se manifestam, at&eacute; abusivamente,<br \/>\n    &eacute; que o parlamento se move. <\/p>\n<p>O Partido Liberal n&atilde;o pode reclamar o poder em nome da Aboli&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    ainda por outra raz&atilde;o: a sua incapacidade absoluta para reformar democraticamente.<br \/>\n    A&iacute; est&aacute;, para n&atilde;o ir muito longe, a sua lei de 1885,<br \/>\n    contra a escravid&atilde;o, e a sua lei eleitoral de 1881, contra o cidad&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Infelizmente, apesar de todos os seus sacrif&iacute;cios, o Partido Liberal,<br \/>\n    por isso mesmo que &eacute; uma excresc&ecirc;ncia pol&iacute;tica, s&oacute;<br \/>\n    sabe fazer democracia de oposi&ccedil;&atilde;o. Ele h&aacute; de ser eternamente<br \/>\n    o revolucion&aacute;rio contra a lei de 3 de dezembro, que mais tarde d&aacute;<br \/>\n    toda a expans&atilde;o tir&acirc;nica a essa mesma lei. <\/p>\n<p>Para apreciar bem qual a timidez democr&aacute;tica do Partido Liberal, quando<br \/>\n    legisla, basta confrontar os projetos liberais da sess&atilde;o legislativa<br \/>\n    com os conservadores, o ano passado; a atitude dos chefes liberais com a dos<br \/>\n    conservadores. <\/p>\n<p>Os conservadores intimam o sr. bar&atilde;o de Cotegipe a dar uma solu&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ao problema servil, na sess&atilde;o deste ano; os liberais negam urg&ecirc;ncia<br \/>\n    ao projeto do sr. Dantas. Mais ainda: na quest&atilde;o dos avisos reescravizadores,<br \/>\n    em vez de votar unido, houve liberais eminentes, que, por mera quest&atilde;o<br \/>\n    de f&oacute;rmula, negaram o seu voto, condenando assim milhares de homens<br \/>\n    ao cativeiro por um novo tr&aacute;fico: a pirataria da praxe. <\/p>\n<p>Mas, dir-se-&aacute; que tamb&eacute;m os conservadores, que n&oacute;s hoje<br \/>\n    aplaudimos, cometeram, alguns deles, o mesmo erro. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; l&oacute;gica a alega&ccedil;&atilde;o. O Partido Conservador<br \/>\n    estava no poder e alguns de seus chefes sentiam-se com for&ccedil;a para realizar,<br \/>\n    mais depressa que os liberais, a reforma. Era, pois, natural que n&atilde;o<br \/>\n    abrissem m&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o em favor dos seus advers&aacute;rios,<br \/>\n    tanto mais que era palmar a certeza de que, n&atilde;o se julgando em perigo<br \/>\n    de perder na Hist&oacute;ria o primeiro lugar, os liberais ainda se conservaram<br \/>\n    desunidos. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m diria que o sr. Saraiva queria confessar-se apto para resolver<br \/>\n    o problema servil instantaneamente, quando declarava que s&oacute; votaria,<br \/>\n    sobre esse assunto, projeto vindo da C&acirc;mara dos Deputados, at&eacute;<br \/>\n    ent&atilde;o dedicada ao Governo Cotegipe. <\/p>\n<p>&Eacute; verdade que, &agrave; primeira vista, a manobra dos conservadores<br \/>\n    abolicionistas n&atilde;o foi compreendida, e n&oacute;s mesmos os combatemos.<br \/>\n    Desde, por&eacute;m, que entraram as f&eacute;rias parlamentares, todos os<br \/>\n    que sabiam do acordo Prado-Jo&atilde;o Alfredo convenceram-se de que houve<br \/>\n    a mais s&aacute;bia estrat&eacute;gia nas retiradas desses estadistas. <\/p>\n<p>Para n&oacute;s outros que entendemos que o bast&atilde;o de marechal ganha-se<br \/>\n    no campo da batalha e n&atilde;o escrevendo proclama&ccedil;&otilde;es e recolhendo-se<br \/>\n    a quart&eacute;is na hora do combate, o ato de Sua Alteza, a Regente, &eacute;<br \/>\n    o mais correto. <\/p>\n<p>Sua Alteza deu a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o positiva, que se compadecia<br \/>\n    com a situa&ccedil;&atilde;o do problema servil. <\/p>\n<p>Se tiv&eacute;ssemos direito a aconselhar o Partido Liberal, n&oacute;s lhe<br \/>\n    dir&iacute;amos que s&oacute; lhe resta um caminho a seguir -o que lhe foi<br \/>\n    apontado pelo sr. Dantas: apoiar francamente o Minist&eacute;rio 10 de Mar&ccedil;o,<br \/>\n    dar-lhe todo o prest&iacute;gio para resolver o problema servil. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso n&atilde;o fazer quest&atilde;o da pessoa, mesmo porque<br \/>\n    todo o pa&iacute;s duvida que os liberais encarregassem de resolver o problema<br \/>\n    ao &uacute;nico liberal indicado para essa grande obra, o sr. Dantas. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de hoje que a democracia se irrita por ver destacar-se<br \/>\n    demais da massa um dos seus concidad&atilde;os e na sua susceptibilidade condena<br \/>\n    o justo ao ostracismo. <\/p>\n<p>Os liberais sinceramente abolicionistas viram que se deu no seu partido o<br \/>\n    mesmo que no Partido Conservador: o sr. Saraiva foi e &eacute; para o sr.<br \/>\n    Dantas o mesmo que o sr. Paulino de Sousa foi e &eacute; para o sr. Jo&atilde;o<br \/>\n    Alfredo. <\/p>\n<p>Quando os partidos se dividem, como se dividiram pela id&eacute;ia da aboli&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    fica provado que a id&eacute;ia n&atilde;o &eacute; propriedade de nenhum<br \/>\n    deles. <\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; elei&ccedil;&atilde;o direta, houve diverg&ecirc;ncias<br \/>\n    em ambos os partidos; por&eacute;m n&atilde;o cavaram propriamente dissid&ecirc;ncias;<br \/>\n    ningu&eacute;m contestou ao Partido Liberal o direito &agrave; reforma, que<br \/>\n    ele realizou, louvado seja Deus, de modo a limpar a m&atilde;o &agrave; parede.\n  <\/p>\n<p>A id&eacute;ia da liberta&ccedil;&atilde;o da escravatura &eacute; grande<br \/>\n    demais para se enquadrar nos estreitos moldes dos partidos atuais do Brasil,<br \/>\n    meros ajuntamentos olig&aacute;rquicos, organizados para explorar o Estado<br \/>\n    em substitui&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o do negro. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso ver mais longe e em horizonte mais largo. A extin&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da escravid&atilde;o &eacute; uma id&eacute;ia nacional, pertence ao povo<br \/>\n    brasileiro, e todo estadista tem compet&ecirc;ncia para realiz&aacute;-la.\n  <\/p>\n<p>Todos os partidos t&ecirc;m-lhe fornecido grandes propagandistas e m&aacute;rtires.<br \/>\n    Em setenta e um no parlamento tinham o mesmo ardor Inhomirim e Sousa Franco;<br \/>\n    agora nesta &uacute;ltima fase, &eacute; imposs&iacute;vel esconder, mesmo<br \/>\n    com a sombra de Rui Barbosa e Nabuco, a pessoa de Severino Ribeiro e no Senado,<br \/>\n    toda a luz do sr. Dantas n&atilde;o foi mais agrad&aacute;vel do que essa<br \/>\n    luz suave e templ&aacute;ria da mod&eacute;stia do sr. senador Jaguaribe.\n  <\/p>\n<p>&Eacute; preciso que o povo saiba que o sr. Jo&atilde;o Alfredo fez o maior<br \/>\n    sacrif&iacute;cio calando-se, condenando-se ao segundo plano. <\/p>\n<p>&Eacute; que S. Ex.&ordf; viu desde 1875 at&eacute; 1885 triunfando parlamentarmente<br \/>\n    a dissid&ecirc;ncia de 1871, e rebelar-se seria sacrificar a vit&oacute;ria.<br \/>\n    E porque n&atilde;o queria servir a sua pessoa, mas a sua p&aacute;tria, S.<br \/>\n    Ex.&ordf; fez como R&eacute;gulo que, fingindo obedecer aos inimigos, dava<br \/>\n    com o seu exemplo coragem aos seus compatriotas. <\/p>\n<p>Temos f&eacute; em que o Minist&eacute;rio 10 de Mar&ccedil;o crescer&aacute;<br \/>\n    dia a dia na estima e no respeito do povo. Ele o merece, porque se inspira<br \/>\n    no mais santo amor da p&aacute;tria e na mais evang&eacute;lica piedade: a<br \/>\n    piedade pelos cativos. <\/p>\n<p><b>19 mar. 1888<\/b><\/p>\n<h2>7-IV-1888<\/h2>\n<h4><a name=\"7\">&Acirc;ngelo<\/a><\/h4>\n<p> E assim que o tratamos a ele, o bom, o grande.<\/p>\n<p>Alma sem rugas, n&atilde;o se lhe refolham &oacute;dios nem pretens&otilde;es.<br \/>\n    Quanto mais cresce mais se democratiza; quanto mais sofre mais ama. <\/p>\n<p>S&oacute; lhe conhecemos uma vaidade: a de n&atilde;o ter precisado nascer<br \/>\n    nestas paragens do Cruzeiro do Sul para ser um dos primeiros, dos mais benem&eacute;ritos<br \/>\n    brasileiros. <\/p>\n<p>Poeta do l&aacute;pis, as suas musas s&atilde;o a justi&ccedil;a, a liberdade,<br \/>\n    a fraternidade. <\/p>\n<p>Tem nas suas veias o sangue de todas as ra&ccedil;as; faz do seu cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    o dep&oacute;sito dos sofrimentos de todas as classes, enxameiam-se no seu<br \/>\n    c&eacute;rebro todos os ideais de progresso e de perfectibilidade. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de ningu&eacute;m e &eacute; de todos. D&aacute;-se espontaneamente<br \/>\n    e n&atilde;o se deixa domar nem por amea&ccedil;as, nem pelas maiores ang&uacute;stias.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o sabe advogar; evangeliza. Causa que ele abrace, leva-lhe a alma<br \/>\n    e cora&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>N&atilde;o conhece geografia para fazer o bem. O seu cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    &eacute; p&aacute;tria para todos os que sofrem. <\/p>\n<p>N&atilde;o conhece lei nenhuma que possa preterir a da solidariedade humana.\n  <\/p>\n<p>Vive fora de todos os partidos para poder castigar, ou servir a todos. <\/p>\n<p>Pratica o bem pelo bem.<\/p>\n<p>N&atilde;o quer que lhe reconhe&ccedil;am o sacrif&iacute;cio: tem o pudor<br \/>\n    das suas amarguras. A sua m&atilde;o esquerda nunca soube o que estava fazendo<br \/>\n    a m&atilde;o direita. Por isso mesmo, &agrave; propor&ccedil;&atilde;o que<br \/>\n    ele ia construindo os alicerces para o Brasil novo, ia cavando a mina do seu<br \/>\n    lar. <\/p>\n<p>Pai, perfilhou os cativos, e dividiu com eles o p&atilde;o, conquistado pelo<br \/>\n    seu trabalho genial, ao ponto de quase deixar com fome os filhos leg&iacute;timos,<br \/>\n    t&atilde;o pequeno era o quinh&atilde;o que lhes tocava. <\/p>\n<p>Nunca vi levar mais serenamente aos l&aacute;bios a ta&ccedil;a de fel e<br \/>\n    beb&ecirc;-la com tanta coragem. O estoicismo n&atilde;o teve na propaganda<br \/>\n    abolicionista melhor representante. <\/p>\n<p>Quando o escravismo pretendeu levantar a opini&atilde;o, chamando-o estrangeiro<br \/>\n    audaz, h&oacute;spede ingrato, o &Acirc;ngelo sorria-se e limitava-se a dizer:<br \/>\n    bom, enquanto n&atilde;o me deportam, eu aproveito o tempo para dizer o que<br \/>\n    sinto e o que penso. E &eacute; preciso dizer logo de uma vez, em grosso,<br \/>\n    o que teria de dizer por meias palavras e por circunl&oacute;quios. <\/p>\n<p>Quando lhe guerrearam o jornal no interior, quando pretenderam reduzi-lo<br \/>\n    pela fome, alguns amigos t&iacute;midos quiseram que ele atenuasse os seus<br \/>\n    ataques &agrave; escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Ele nem respondeu.<\/p>\n<p>Quanto mais perseguido, mais intemerato.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; meio de o fazer desviar uma linha da sua carreira. Para<br \/>\n    ele os princ&iacute;pios s&atilde;o outros tantos dogmas. <\/p>\n<p>Na imprensa, n&atilde;o tem amigos nem inimigos. Conhece apenas a&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n    &Eacute; um magistrado severo quando empunha o l&aacute;pis. <\/p>\n<p>Debru&ccedil;ado sobre a pedra, que lhe vai receber o esp&iacute;rito, transfigura-se.\n  <\/p>\n<p>Ele que &eacute; uma pomba, converte-se num tigre, quando &eacute; preciso<br \/>\n    acometer. <\/p>\n<p>S&oacute; conhece para a imprensa, para o jornalista, uma responsabilidade<br \/>\n    que n&atilde;o deve ser arrostada: a de n&atilde;o dizer a verdade. <\/p>\n<p>-Se tu fosses deportado, o que farias?<\/p>\n<p>-A Hist&oacute;ria do Brasil ilustrada, -respondeu tranq&uuml;ilamente. <\/p>\n<p>N&atilde;o desanima; n&atilde;o hesita; n&atilde;o gradua o seu fervor. Uma<br \/>\n    vez na luta, s&oacute; conhece dois deveres: vencer ou morrer. <\/p>\n<p>&Acirc;ngelo n&atilde;o &eacute; s&oacute; um propagandista, &eacute; um<br \/>\n    ap&oacute;stolo. N&atilde;o defende s&oacute;, ama realmente os negros. Comove-se<br \/>\n    diante dos seus sofrimentos, indigna-se como um irm&atilde;o, como um pai,<br \/>\n    quando os v&ecirc; maltratados. <\/p>\n<p>O Brasil deve-lhe tanto que s&oacute; poderia remuner&aacute;-lo em parte,<br \/>\n    se o seu parlamento decretasse a nacionaliza&ccedil;&atilde;o de &Acirc;ngelo,<br \/>\n    como o testemunho da gratid&atilde;o nacional. <\/p>\n<p>O presente j&aacute; o estima; o futuro h&aacute; de ador&aacute;-lo. <\/p>\n<p>Tenho orgulho em abra&ccedil;&aacute;-lo como ao irm&atilde;o mais velho.\n  <\/p>\n<p><b>7 abr. 1888<\/b><\/p>\n<h2>23-IV-1888<\/h2>\n<h4><a name=\"8\">Abolicionistas no seu posto<\/a><\/h4>\n<p> Est&aacute; ganha a primeira batalha abolicionista em favor dos escravizados.\n  <\/p>\n<p>O sr. Ferreira Viana saiu das urnas coroado pela mais gloriosa manifesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de uniformidade de vistas da opini&atilde;o com o programa do Gabinete 10<br \/>\n    de Mar&ccedil;o. <\/p>\n<p>O eleitorado declarou-se francamente abolicionista. A vota&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    recaindo nos nomes do ministro da Justi&ccedil;a e de Quintino Bocai&uacute;va,<br \/>\n    deu ao pleito o car&aacute;ter de uma aclama&ccedil;&atilde;o &agrave; santa<br \/>\n    causa dos cativos. <\/p>\n<p>A maioria extraordin&aacute;ria obtida pelo sr. Ferreira Viana quer simplesmente<br \/>\n    dizer que o povo quer j&aacute; ver feita lei a aspira&ccedil;&atilde;o que<br \/>\n    mais o preocupa neste momento. <\/p>\n<p>O Partido Republicano, apresentando a candidatura de Quintino Bocai&uacute;va,<br \/>\n    quis somente dizer que ele, atualmente abolicionista tamb&eacute;m, n&atilde;o<br \/>\n    se julgava, entretanto, obrigado &agrave; tr&eacute;gua partid&aacute;ria,<br \/>\n    que o Partido Liberal e abolicionistas de todos os matizes entenderam necess&aacute;ria.\n  <\/p>\n<p>Travado, por&eacute;m, o pleito, o Partido Republicano limitou-se a dar mais<br \/>\n    uma vez a Quintino Bocai&uacute;va testemunho de sua estima e deixou a elei&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    correr serenamente no &aacute;lveo abolicionista. <\/p>\n<p>Dir-se-ia que todo o eleitorado havia lido o Abolicionismo do sr. Joaquim<br \/>\n    Nabuco e cada partido praticava a li&ccedil;&atilde;o haurida nas p&aacute;ginas<br \/>\n    do livro do ilustre doutrinador. <\/p>\n<p>S&atilde;o de S. Ex.&ordf; as seguintes reflex&otilde;es:<\/p>\n<p>&laquo;&Eacute; com efeito dif&iacute;cil hoje a um liberal ou conservador,<br \/>\n    convencido dos princ&iacute;pios cardeais do desenvolvimento social moderno<br \/>\n    e do direito inato -no estado de civiliza&ccedil;&atilde;o- de cada homem<br \/>\n    &agrave; sua liberdade pessoal, e deve s&ecirc;-lo muito mais para um republicano,<br \/>\n    fazer parte homog&ecirc;nea de organiza&ccedil;&otilde;es em cujo credo a<br \/>\n    mesma natureza humana pode servir para base da democracia e da escravid&atilde;o,<br \/>\n    conferir a um indiv&iacute;duo, ao mesmo tempo, o direito de tomar parte no<br \/>\n    Governo do pa&iacute;s e o de manter outros indiv&iacute;duos, porque os comprou<br \/>\n    ou os herdou -em abjecta subservi&ecirc;ncia for&ccedil;ada durante toda a<br \/>\n    vida.&raquo; <\/p>\n<p>Segundo o sr. Joaquim Nabuco e a boa raz&atilde;o, nenhum homem pol&iacute;tico,<br \/>\n    de orienta&ccedil;&atilde;o moderna, pode ater-se dentro de tais organiza&ccedil;&otilde;es.\n  <\/p>\n<p>O republicano, por&eacute;m, ainda tem mais um dever, que o escritor lhe<br \/>\n    aponta, quando lhe define o que seja o abolicionismo, nestes termos: <\/p>\n<p>&laquo;O Abolicionismo num pa&iacute;s de escravos &eacute; para o Republicano<br \/>\n    de raz&atilde;o a Rep&uacute;blica oportunista, a que pede o que pode conseguir<br \/>\n    e o que mais precisa e n&atilde;o se esteriliza a querer antecipar uma ordem<br \/>\n    de coisas da qual o pa&iacute;s s&oacute; pode tirar benef&iacute;cios reais<br \/>\n    quando nele n&atilde;o houver mais senhores.&raquo; <\/p>\n<p>Em seguida S. Ex.&ordf; acrescenta:<\/p>\n<p>&laquo;Todos os tr&ecirc;s partidos baseiam as suas aspira&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    pol&iacute;ticas sobre um estado social, cujo nivelamento n&atilde;o os afeta;<br \/>\n    o abolicionismo, pelo contr&aacute;rio, come&ccedil;a pelo princ&iacute;pio,<br \/>\n    e, antes de discutir qual o melhor modo para um povo livre de governar-se<br \/>\n    a si mesmo -&eacute; essa a quest&atilde;o que divide os outros- trata de<br \/>\n    tornar esse povo -livre, aterrando o imenso abismo, que separa as duas castas<br \/>\n    sociais em que ele se extrema. <\/p>\n<p>Nesse sentido o abolicionismo dever&aacute; ser a escola prim&aacute;ria<br \/>\n    de todos os partidos, o alfabeto da nossa pol&iacute;tica, mas n&atilde;o<br \/>\n    o &eacute;; por um curioso anacronismo houve um Partido Republicano muito<br \/>\n    antes de existir uma opini&atilde;o abolicionista, e da&iacute; a principal<br \/>\n    raz&atilde;o por que essa pol&iacute;tica &eacute; uma Babel, na qual ningu&eacute;m<br \/>\n    se entende.&raquo; <\/p>\n<p>Esmiu&ccedil;ando bem o que devia ser o abolicionismo entre os partidos existentes,<br \/>\n    S. Ex.&ordf; entrou em indaga&ccedil;&otilde;es para saber se seria ou n&atilde;o<br \/>\n    prov&aacute;vel a organiza&ccedil;&atilde;o de um partido abolicionista no<br \/>\n    Brasil, como aconteceu nos Estados Unidos, e chegou a esta conclus&atilde;o:\n  <\/p>\n<p>&laquo;&Eacute; natural que isto aconte&ccedil;a no Brasil; mas &eacute;<br \/>\n    poss&iacute;vel tamb&eacute;m que -em vez de fundir-se num s&oacute; partido<br \/>\n    por causa de grandes diverg&ecirc;ncias internas entre liberais, conservadores<br \/>\n    e republicanos- o abolicionismo venha a trabalhar os tr&ecirc;s partidos de<br \/>\n    forma a cindi-los sempre que seja preciso -como foi em 1871 para a passagem<br \/>\n    da Lei Rio Branco- reunir os elementos progressistas de cada um numa coopera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    desinteressada e transit&oacute;ria, numa alian&ccedil;a pol&iacute;tica limitada<br \/>\n    a certo fim; ou que venha mesmo a decompor e reconstituir diversamente os<br \/>\n    partidos existentes, sem todavia formar um partido &uacute;nico e homog&ecirc;neo.&raquo;\n  <\/p>\n<p>Durante o pleito eleitoral praticaram religiosamente essas previs&otilde;es<br \/>\n    do sr. Joaquim Nabuco todos aqueles que votaram no sr. Ferreira Viana. <\/p>\n<p>O eleitorado compreendeu que a divisa era abolicionista sem partido e da&iacute;<br \/>\n    muito naturalmente considerar-se um erro pol&iacute;tico desviar votos do<br \/>\n    candidato que podia como Governo realizar na lei a aspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    nacional. <\/p>\n<p>Considerou-se, como n&oacute;s tamb&eacute;m consideramos, ind&eacute;bita<br \/>\n    a interven&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica abstrata nesta hora em que<br \/>\n    o Governo se apresentava &agrave;s urnas para robustecer-se com a opini&atilde;o<br \/>\n    para decretar o primeiro direito do homem -a sua liberdade pessoal. <\/p>\n<p>Entendeu-se e muito bem que nenhum homem, por maior que ele seja, por mais<br \/>\n    t&iacute;tulos que ele tenha &agrave; gratid&atilde;o nacional, tem o direito<br \/>\n    de adiar por um minuto a hora da liberdade pessoal de seu semelhante. <\/p>\n<p>O candidato republicano, bem o sabemos, n&atilde;o tinha esse prop&oacute;sito;<br \/>\n    mas, concorrendo &agrave;s urnas para disputar a prioridade da forma de Governo,<br \/>\n    se vencesse, teria obrigado o Governo a tratar concomitantemente de acautelar<br \/>\n    a liberdade dos cativos dos assaltos dos senhores e o trono, do ataque dos<br \/>\n    seus advers&aacute;rios intransigentes. <\/p>\n<p>Ora, se &eacute; leg&iacute;timo que o republicano anteponha a forma de Governo<br \/>\n    &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o de seus concidad&atilde;os escravizados,<br \/>\n    &eacute; tamb&eacute;m natural que o monarquista o fa&ccedil;a, e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia,<br \/>\n    o esquecimento do abolicionismo da parte do primeiro era igualmente natural<br \/>\n    da parte do segundo. <\/p>\n<p>Na organiza&ccedil;&atilde;o do pleito eleitoral a coopera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da Confedera&ccedil;&atilde;o Abolicionista foi, admitidos os princ&iacute;pios<br \/>\n    do sr. Joaquim Nabuco, a mais l&oacute;gica e patri&oacute;tica. <\/p>\n<p>S&atilde;o imprudentes, insensatas mesmo, todas as reflex&otilde;es em contr&aacute;rio.\n  <\/p>\n<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o Abolicionista entendeu que o momento n&atilde;o<br \/>\n    era nem do Partido Conservador, nem do Partido Liberal, nem do Partido Republicano;<br \/>\n    era dos escravos; e, cumprindo o seu dever, esfor&ccedil;ou-se por afastar<br \/>\n    das urnas toda a id&eacute;ia que pudesse perturbar o triunfo claro, e praticamente<br \/>\n    provado, do abolicionismo. <\/p>\n<p>Apresentado em nome da Rep&uacute;blica o sr. Quintino Bocai&uacute;va, a<br \/>\n    Confedera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podia sufragar-lhe a candidatura sem<br \/>\n    atrai&ccedil;oar compromissos anteriores com abolicionistas que s&atilde;o<br \/>\n    sinceramente monarquistas. <\/p>\n<p>Um destes &eacute; o sr. Joaquim Nabuco, o nome mais prestigioso do abolicionismo,<br \/>\n    dentro e fora do pa&iacute;s, onde S. Ex.&ordf; o tem ido levar para ser coroado<br \/>\n    pelos aplausos do mundo civilizado, que v&ecirc; em S. Ex.&ordf; a encarna&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do abolicionismo no Brasil. <\/p>\n<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o Abolicionista, essa mesma corpora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    gloriosa que v&aacute;rias vezes se encontrou abandonada, pelos homens pol&iacute;ticos,<br \/>\n    em risco de vida na pra&ccedil;a p&uacute;blica; essa corpora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que, sem imunidades parlamentares e respondendo por si e por todos, os presentes,<br \/>\n    como os ausentes; os soldados da linha negra, como os diplomatas que iam buscar<br \/>\n    l&aacute; fora a alian&ccedil;a moral da civiliza&ccedil;&atilde;o e da religi&atilde;o<br \/>\n    para a nossa santa causa -viu-se atacada com a mesma ferocidade pelo arb&iacute;trio<br \/>\n    sanguin&aacute;rio de liberais e conservadores, e nunca hesitou em dizer a<br \/>\n    verdade e arrostar os &oacute;dios de uns e de outros, lamentou sinceramente<br \/>\n    n&atilde;o poder cooperar para a vit&oacute;ria de Quintino Bocai&uacute;va,<br \/>\n    que ela conta no n&uacute;mero dos seus benem&eacute;ritos. <\/p>\n<p>Mas antes de tudo, era preciso salvar os princ&iacute;pios e por isso os<br \/>\n    abolicionistas sacrificaram o cora&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>N&atilde;o nega a Confedera&ccedil;&atilde;o Abolicionista que o imortal<br \/>\n    jornalista republicano foi, desde o dia em que se dedicou &agrave; propaganda<br \/>\n    em favor dos cativos, um batalhador que nunca descansou, que nunca escolheu<br \/>\n    campo de combate, nem posto no ex&eacute;rcito beligerante. Tanto lhe fazia<br \/>\n    pegar da arma para entrar na fileira, como dar plano entre os generais. Era<br \/>\n    t&atilde;o grande no quartel-general, como na linha de atiradores. N&atilde;o<br \/>\n    se lhe conhecia o valor pelas dragonas, mas pela intrepidez. <\/p>\n<p>Entretanto, a Confedera&ccedil;&atilde;o viu-se for&ccedil;ada a n&atilde;o<br \/>\n    preferi-lo nas urnas ao ministro da Justi&ccedil;a. <\/p>\n<p>Por esquecimento dos seus grandes servi&ccedil;os? N&atilde;o; por coer&ecirc;ncia<br \/>\n    com os seus princ&iacute;pios. <\/p>\n<p>O pensamento da Confedera&ccedil;&atilde;o foi homologado pelo eleitorado.<br \/>\n    Nas guerras em que entram aliados, &eacute; fato vulgar ver revezarem-se nas<br \/>\n    fun&ccedil;&otilde;es de general&iacute;ssimo generais das diversas nacionalidades<br \/>\n    aliadas. D&aacute;-se o mesmo no abolicionismo, que &eacute; um ex&eacute;rcito<br \/>\n    formado pela tr&iacute;plice alian&ccedil;a de republicanos, conservadores<br \/>\n    e liberais. <\/p>\n<p>Assim como os ex&eacute;rcitos se n&atilde;o desnacionalizam por servirem<br \/>\n    debaixo de ordens de general&iacute;ssimo estrangeiro, a Confedera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    Abolicionista n&atilde;o se descaracteriza por servir a este ou &agrave;quele<br \/>\n    partido na luta da aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Consider&aacute;-la bagagem conservadora ou liberal, por servir ao sr. Dantas<br \/>\n    ou ao sr. Jo&atilde;o Alfredo, &eacute; de duas uma: n&atilde;o ter pela dignidade<br \/>\n    alheia o respeito que se quer impor pela pr&oacute;pria; ou, por ego&iacute;smo<br \/>\n    conden&aacute;vel, querer Deus para si e o diabo para o pr&oacute;ximo. <\/p>\n<p>O pleito provou que a Confedera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o quer divis&otilde;es<br \/>\n    odientas na irmandade abolicionista. Ela n&atilde;o admite irm&atilde;os que<br \/>\n    fiquem com o patrim&ocirc;nio de outro por um prato de lentilha. Divide igualmente<br \/>\n    o seu carinho. Tanto para os liberais, tanto para os conservadores, tanto<br \/>\n    para os republicanos. <\/p>\n<p>M&atilde;e carinhosa, dessas que dividem o amor como a luz a sua claridade,<br \/>\n    ela n&atilde;o faz testamento deixando a ter&ccedil;a a um dos filhos com<br \/>\n    preju&iacute;zo dos outros. <\/p>\n<p>Por isso mesmo ela contribuiu para a elei&ccedil;&atilde;o do sr. Ferreira<br \/>\n    Viana, em nome dos conservadores que com ela trabalharam, como outrora contribuiu<br \/>\n    para a elei&ccedil;&atilde;o do sr. Bezerra de Meneses, em nome dos liberais<br \/>\n    que pertenciam ao seu gr&ecirc;mio, sufragando em ambos os candidatos as suas<br \/>\n    id&eacute;ias. <\/p>\n<p>Congratulemo-nos, pois, todos os abolicionistas pela transforma&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que o abolicionismo operou no car&aacute;ter nacional. Os preconceitos de<br \/>\n    partidos e de posi&ccedil;&otilde;es extinguiram-se. N&atilde;o se olha mais<br \/>\n    a homens, por&eacute;m a id&eacute;ias. A p&aacute;tria vale mais que os partidos.\n  <\/p>\n<p>Reproduziu-se na corte o mesmo que se deu no 5&ordm; distrito de Pernambuco,<br \/>\n    h&aacute; dois anos. <\/p>\n<p>Um candidato liberal, forte no seu distrito, tendo ali prestado servi&ccedil;os<br \/>\n    imediatos, servi&ccedil;os de todos os dias e de todas as horas, abriu m&atilde;o<br \/>\n    do seu lugar, adiou o seu direito a uma cadeira no parlamento, porque entendeu<br \/>\n    que o sr. Joaquim Nabuco prestaria na C&acirc;mara servi&ccedil;os muito mais<br \/>\n    relevantes. <\/p>\n<p>Os abolicionistas da corte tiveram abnega&ccedil;&atilde;o igual a desse<br \/>\n    ilustre pernambucano, que elegeu o sr. Joaquim Nabuco. Sacrificaram a candidatura<br \/>\n    de Quintino Bocai&uacute;va &agrave; do sr. Ferreira Viana, porque parlamentarmente<br \/>\n    o ministro da Justi&ccedil;a prestar&aacute; mais servi&ccedil;os do que o<br \/>\n    deputado republicano prestaria, apesar de todo o seu talento e de todo o seu<br \/>\n    prest&iacute;gio. <\/p>\n<p><b>23 abr. 1888<\/b><\/p>\n<h2>30-IV-1888<\/h2>\n<h4><a name=\"9\">Estamos em plena aurora<\/a><\/h4>\n<p>Dentro em tr&ecirc;s dias vai come&ccedil;ar a Hist&oacute;ria Moderna do<br \/>\n    Brasil e fechar-se a triste hist&oacute;ria dos tempos b&aacute;rbaros da<br \/>\n    nossa terra. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel imaginar de um lance de pensamento o<br \/>\n    que ser&aacute; todo esse iluminado futuro, n&atilde;o obstante o presente<br \/>\n    fornecer-nos o esbo&ccedil;o do que ele ser&aacute; nos largos tra&ccedil;os<br \/>\n    dos acontecimentos, que nos surpreendem. <\/p>\n<p>O que est&aacute; por tr&aacute;s do dia 3 de maio n&atilde;o cabe na previs&atilde;o<br \/>\n    dos pol&iacute;ticos, e n&atilde;o &eacute; demasiado otimismo profetizar<br \/>\n    que a nossa evolu&ccedil;&atilde;o nacional ser&aacute; feita com a mesma<br \/>\n    rapidez da dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>As estrelas do Sul dentro em um quarto de s&eacute;culo n&atilde;o invejar&atilde;o<br \/>\n    o fulgor da constela&ccedil;&atilde;o do Norte. <\/p>\n<p>J&aacute; podemos acentuar orgulhosamente um contraste.<\/p>\n<p>A maior revolu&ccedil;&atilde;o social de nossa terra est&aacute; sendo feita<br \/>\n    entre b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os e flores. Nada mais extraordin&aacute;rio:<br \/>\n    bastaram o atrito da imprensa e o calor da palavra para limar e fundir os<br \/>\n    grilh&otilde;es de tr&ecirc;s s&eacute;culos de cativeiro. <\/p>\n<p>A alma nacional mostrou-se preparada, em todas as camadas sociais, para praticar<br \/>\n    e receber a liberdade. <\/p>\n<p>Em nenhuma hist&oacute;ria do mundo se encontram p&aacute;ginas como as que<br \/>\n    se t&ecirc;m escrito ultimamente em nossa terra. A esses fazendeiros pr&oacute;digos,<br \/>\n    que atiram pela janela fora a carne tarifada de seus cativos, carne que era<br \/>\n    a sua fortuna legal, porque era g&ecirc;nero de valor no mercado da desumanidade<br \/>\n    antiga e da afronta &agrave; moral e &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o; a<br \/>\n    esses fazendeiros, que precedem a lei para afirmar que nunca, em nossa p&aacute;tria,<br \/>\n    o interesse se colocar&aacute; diante da Justi&ccedil;a, a rebeldia diante<br \/>\n    da raz&atilde;o, correspondem os libertos que, tendo parecido acumular &oacute;dios<br \/>\n    de tr&ecirc;s s&eacute;culos, demonstram que nunca souberam sen&atilde;o sofrer<br \/>\n    resignados, que n&atilde;o viram, no seu mart&iacute;rio, um crime de opressores,<br \/>\n    mas uma tremenda e inexplic&aacute;vel fatalidade; os libertos que devendo<br \/>\n    ter aprendido na escravid&atilde;o a anarquia, provam ao contr&aacute;rio<br \/>\n    que l&aacute; mesmo conservaram intactos o patriotismo e o amor da ordem,<br \/>\n    e saem do cativeiro para cooperar na obra do bem-estar geral, tanto que se<br \/>\n    iniciam na vida cedendo em favor da produ&ccedil;&atilde;o uma parte dos direitos<br \/>\n    da sua liberdade: -o sal&aacute;rio. <\/p>\n<p>Os poucos que, sinceramente, se arreceiam de que os primeiros fen&ocirc;menos<br \/>\n    resultantes da revolu&ccedil;&atilde;o social, que se est&aacute; operando,<br \/>\n    sejam perturba&ccedil;&otilde;es da ordem, abandono do trabalho, desassombrem<br \/>\n    os esp&iacute;ritos. <\/p>\n<p>H&aacute; de reproduzir-se em todo o Brasil o que se deu no Cear&aacute;.<br \/>\n    Em vez de guerra fratricida, paz patriarcal; em vez da estagna&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da produ&ccedil;&atilde;o, aumento de riqueza e progresso. <\/p>\n<p>As epop&eacute;ias de Itu e de Friburgo a&iacute; est&atilde;o. <\/p>\n<p>Esses negros que atravessam povoa&ccedil;&otilde;es com a cabe&ccedil;a baixa,<br \/>\n    depois de um combate em que haviam revelado a coragem dos companheiros de<br \/>\n    Le&ocirc;nidas; e apesar de famintos, maltrapilhos e sangrando feridas do<br \/>\n    tiroteio e da luta corpo-a-corpo, conduzindo crian&ccedil;as extenuadas, n&atilde;o<br \/>\n    atacam a popula&ccedil;&atilde;o aterrorizada, n&atilde;o abusam da sua for&ccedil;a<br \/>\n    nem para satisfazer &agrave;s mais urgentes necessidades da vida; esses outros<br \/>\n    negros que respondem aos senhores no dia da liberta&ccedil;&atilde;o: descansai<br \/>\n    quanto &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da vossa nova exist&ecirc;ncia industrial<br \/>\n    -n&oacute;s n&atilde;o queremos sal&aacute;rio nos primeiros tempos: esses<br \/>\n    negros falam por uma ra&ccedil;a, s&atilde;o os endossantes da letra de amor<br \/>\n    &agrave; ordem e &agrave; probidade, que eles pretendem descontar no regime<br \/>\n    da liberdade e da igualdade nacional. <\/p>\n<p>O que h&aacute; de mais admir&aacute;vel na nova fase de nossa vida de povo<br \/>\n    civilizado &eacute; a uniformidade de pensamento, desde o Governo at&eacute;<br \/>\n    ao &uacute;ltimo liberto. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio restaura a seguran&ccedil;a p&uacute;blica em todas as<br \/>\n    manifesta&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>O presidente do Conselho garante a fortuna do pa&iacute;s, esfor&ccedil;ando-se<br \/>\n    para restituir &agrave; moeda, representa&ccedil;&atilde;o do trabalho, o<br \/>\n    seu valor exato na cota&ccedil;&atilde;o universal. Bate-se, como um duelista<br \/>\n    t&atilde;o inimigo de luta, como terr&iacute;vel no combate, e, em menos de<br \/>\n    um m&ecirc;s de administra&ccedil;&atilde;o, derrota a horda dos especuladores<br \/>\n    do c&acirc;mbio. <\/p>\n<p>Este glorioso trabalho de valor inestim&aacute;vel &eacute; feito sem estr&eacute;pito,<br \/>\n    com a mod&eacute;stia do dever cumprido. <\/p>\n<p>O empr&eacute;stimo foi o mais solene desmentido ao escravismo, que nos dava<br \/>\n    como o &uacute;nico t&iacute;tulo de cr&eacute;dito europeu o sermos o &uacute;ltimo<br \/>\n    pa&iacute;s, cuja fortuna se baseava no tr&aacute;fico das almas, no roubo<br \/>\n    do trabalho. <\/p>\n<p>O ministro da Fazenda provou que o pa&iacute;s podia comparecer perante o<br \/>\n    mercado do ouro levando como valores a hipotecar a sabedoria de seu procedimento,<br \/>\n    resolvendo sem perturba&ccedil;&atilde;o da ordem o mais temeroso dos problemas,<br \/>\n    e a certeza de que este pa&iacute;s foi dotado pela natureza de tesouros que<br \/>\n    nem mil s&eacute;culos de prodigalidade poder&atilde;o gastar. <\/p>\n<p>O ministro da Justi&ccedil;a garante a liberdade do cidad&atilde;o com a<br \/>\n    letra cega da lei e com a lucidez humanit&aacute;ria do seu esp&iacute;rito.<br \/>\n    Quebra-lhe o punhal da vingan&ccedil;a, para dar-lhe a balan&ccedil;a das<br \/>\n    repara&ccedil;&otilde;es e da corre&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>P&otilde;e o c&oacute;digo &agrave; cabeceira de cada cidad&atilde;o, por<br \/>\n    mais humilde que ele seja; todos podem dormir tranq&uuml;ilos dentro de seus<br \/>\n    limites legais. <\/p>\n<p>A autoridade perdeu a carranca de Medusa com que petrificava o Direito. <\/p>\n<p>Ela n&atilde;o pode mais espalhar caprichosamente p&acirc;nico e l&aacute;grimas,<br \/>\n    viol&ecirc;ncias e cal&uacute;nias. <\/p>\n<p>E porque veio da imprensa, e porque veio da desilus&atilde;o popular, esse<br \/>\n    ministro extraordin&aacute;rio, compreendendo que para pregar a boa nova da<br \/>\n    regenera&ccedil;&atilde;o governamental &eacute; preciso, como Jesus, freq&uuml;entar<br \/>\n    as multid&otilde;es, dar vinho &agrave;s suas bodas, distribuir com as pr&oacute;prias<br \/>\n    m&atilde;os p&atilde;o e peixe aos famintos, parar junto das sepulturas para<br \/>\n    ressuscitar os mortos; esse ministro est&aacute; em todas as festas para que<br \/>\n    &eacute; convidado, distribuindo o vinho generoso, o cordial de sua palavra,<br \/>\n    que &eacute; banho de nardo no corpo do mendigo, o agno do Cen&aacute;culo<br \/>\n    ao esp&iacute;rito das crian&ccedil;as. <\/p>\n<p>O ministro da Guerra faz recolher a quart&eacute;is o Ex&eacute;rcito, que<br \/>\n    se viu obrigado a vir &agrave; pra&ccedil;a p&uacute;blica reclamar como cidad&atilde;o<br \/>\n    o que o seu patriotismo lhe impediu que exigisse como soldado: respeito pelo<br \/>\n    seu brio e pelo seu direito. <\/p>\n<p>Certo de que est&aacute; salvando a p&aacute;tria e de que ela bem merece<br \/>\n    o sacrif&iacute;cio de conveni&ecirc;ncias ef&ecirc;meras, o ministro enche<br \/>\n    a f&eacute; de of&iacute;cio dos her&oacute;is com as repetidas provas de<br \/>\n    confian&ccedil;a do Governo; faz-se no poder o &oacute;rg&atilde;o da opini&atilde;o,<br \/>\n    que cercou com o seu prest&iacute;gio os perseguidos da v&eacute;spera. <\/p>\n<p>O que ser&aacute; este pa&iacute;s amanh&atilde;, quando o que hoje surpreende<br \/>\n    for a norma do procedimento dos Governos e do povo? Quando, extinta a recorda&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do cativeiro, cada cidad&atilde;o entender que ele &eacute; tanto maior, quanto<br \/>\n    mais respeitar, no direito de outrem, o seu direito e o direito de todos?\n  <\/p>\n<p>Temos o olhar alongado sobre esse amanh&atilde; que vem r&aacute;pido, vertiginosamente,<br \/>\n    e que, entretanto, afigura-se, &agrave; nossa ansiedade, lento como o desdobrar<br \/>\n    de um s&eacute;culo. <\/p>\n<p>Bate-nos novamente o cora&ccedil;&atilde;o, perguntando-nos ao pensamento<br \/>\n    se &eacute; com efeito verdade que, dentro em poucos dias, uma senhora vai<br \/>\n    comparecer perante a assembl&eacute;ia de um povo, n&atilde;o para impor,<br \/>\n    mas para pedir e conquistar, como a t&iacute;mida Ester, piedade para os milhares<br \/>\n    de desgra&ccedil;ados, os filhos de uma ra&ccedil;a que foi degradada por<br \/>\n    haver contribu&iacute;do tanto como qualquer outra para a grandeza de sua<br \/>\n    p&aacute;tria. <\/p>\n<p>Sabemos que a promessa de homens de bem &eacute; a antecipa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da realidade e, entretanto, temos ainda essa incredulidade fugitiva que nos<br \/>\n    provoca o bem muito maior do que esper&aacute;vamos. <\/p>\n<p>E por isso mesmo, perdoamos aos que n&atilde;o acreditam de todo, aos que<br \/>\n    julgam que amanh&atilde; havemos de chorar de despeito. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; neg&aacute;-lo: a corrup&ccedil;&atilde;o havia minado<br \/>\n    tanto o pa&iacute;s, que &eacute; quase imposs&iacute;vel acreditar que se<br \/>\n    conservasse intacta uma por&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter completamente<br \/>\n    refrat&aacute;rio ao cont&aacute;gio. <\/p>\n<p>Demais, &eacute; melhor n&atilde;o esperar muito, para morrer de alegria<br \/>\n    recebendo tudo. <\/p>\n<p><b>30 abr. 1888<\/b><\/p>\n<h2>11-VI-1888<\/h2>\n<p> Temos, desde muito, opini&atilde;o externada a respeito do sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe. <\/p>\n<p>Consideramo-lo um velho demagogo, que se dissimula em conservador, para poder<br \/>\n    conspirar &agrave; sombra do Senado e com a garantia do subs&iacute;dio que<br \/>\n    lhe facilita os meios de almo&ccedil;ar, jantar e cear. <\/p>\n<p>O seu Minist&eacute;rio confirmou o nosso ju&iacute;zo.<\/p>\n<p>Est&atilde;o na mem&oacute;ria p&uacute;blica as aventuras a que S. Ex.&ordf;<br \/>\n    arrastou a Coroa, durante os malsinados dois anos e meio de sua administra&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Depois de haver atirado o Imp&eacute;rio de encontro &agrave;s baionetas do<br \/>\n    Ex&eacute;rcito, lan&ccedil;ou-o na torrente do &ecirc;xodo de S&atilde;o<br \/>\n    Paulo, que por bem pouco deixou de afog&aacute;-lo numa inunda&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de sangue. Pela falta de lealdade no cumprimento das leis, pelo desrespeito<br \/>\n    acintoso do parlamento, pelo ataque aos mais incontest&aacute;veis direitos<br \/>\n    pol&iacute;ticos dos cidad&atilde;os, S. Ex.&ordf; levantou contra as institui&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    a indigna&ccedil;&atilde;o geral do povo. Finalmente, S. Ex.&ordf; trouxe<br \/>\n    um dia o trono para a pra&ccedil;a p&uacute;blica e exp&ocirc;-lo aos golpes<br \/>\n    das machadinhas da marinhagem. <\/p>\n<p>Quando o historiador tiver de julgar esse Gabinete de 20 de Agosto, h&aacute;<br \/>\n    de ficar admirado do estado a que chegamos, de decomposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    parlamentar e de abatimento do esp&iacute;rito p&uacute;blico, pois s&oacute;<br \/>\n    no &uacute;ltimo grau podiam tolerar a perman&ecirc;ncia dessa administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    desastrada, que fomentava por todos os modos a revolu&ccedil;&atilde;o, em<br \/>\n    desproveito do povo e da Coroa. <\/p>\n<p>&Eacute; S. Ex.&ordf; o mais perseverante dos demolidores do trono, porque<br \/>\n    serve-se, sempre que pode, da sua alta posi&ccedil;&atilde;o para desprestigiar<br \/>\n    o soberano. <\/p>\n<p>Deixando o Minist&eacute;rio Caxias, S. Ex.&ordf; levou ao Senado cartas<br \/>\n    que ele havia recebido em confian&ccedil;a daquele glorioso brasileiro e converteu-as<br \/>\n    em arma de rid&iacute;culo contra o imperador. <\/p>\n<p>Demitido agora de presidente do Conselho, procurou converter em libelo contra<br \/>\n    a regente o ato de energia e de patriotismo com que ela desinfetou a administra&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o o fez, por&eacute;m, de fronte erguida, como advers&aacute;rio<br \/>\n    leal; procurou pela manha, pela ast&uacute;cia, disfar&ccedil;ar em perigo<br \/>\n    iminente do sistema representativo o merecido castigo que lhe foi infligido.\n  <\/p>\n<p>A sua declara&ccedil;&atilde;o de guerra ao atual Minist&eacute;rio foi mais<br \/>\n    uma demonstra&ccedil;&atilde;o da f&eacute; p&uacute;nica, ess&ecirc;ncia<br \/>\n    de seu esp&iacute;rito. <\/p>\n<p>Depois de haver combinado, como o revelou o sr. Jo&atilde;o Alfredo, em quais<br \/>\n    seriam as explica&ccedil;&otilde;es e informa&ccedil;&otilde;es a dar ao Gabinete,<br \/>\n    o sr. bar&atilde;o de Cotegipe quis fazer crer ao parlamento e ao pa&iacute;s<br \/>\n    que a regente se acovardara diante da demiss&atilde;o do Gabinete 20 de Agosto<br \/>\n    e obrigara o Minist&eacute;rio 10 de Mar&ccedil;o a iniciar o seu Governo<br \/>\n    por uma inverdade, destinada a embair o parlamento. <\/p>\n<p>Recordam-se todos das palavras do velho lobo parlamentar, vestido de pastor,<br \/>\n    &agrave; &uacute;ltima hora, para guardar o rebanho constitucional. <\/p>\n<p>Para alarmar o esp&iacute;rito p&uacute;blico, o ex-presidente do Conselho<br \/>\n    aludiu a uma famosa carta, pela qual a regente se despedia da Constitui&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    desconhecendo a miss&atilde;o dos seus ministros, e tomava como inspiradoras<br \/>\n    fontes turvas de informa&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>O fim do S. Ex.&ordf; era fazer crer que o Minist&eacute;rio passado ca&iacute;ra<br \/>\n    simplesmente por uma conspira&ccedil;&atilde;o de camarilha de pal&aacute;cio,<br \/>\n    quando toda a gente via na aba da farda de S. Ex.&ordf; a pegada do pontap&eacute;<br \/>\n    dos marujos. <\/p>\n<p>A armadilha de maio n&atilde;o produziu o efeito esperado.<\/p>\n<p>O povo, longe de convencer-se de que a regente havia exorbitado, demitindo<br \/>\n    o Minist&eacute;rio, aplaudiu a soberana que, exercendo uma das fun&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    majest&aacute;ticas, assumiu a responsabilidade de colocar a vontade da na&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    no n&iacute;vel constitucional de que o interesse oligoplutocr&aacute;tico<br \/>\n    a havia desviado. <\/p>\n<p>N&atilde;o tendo conseguido, como pretendia, despir a reg&ecirc;ncia em p&uacute;blico,<br \/>\n    S. Ex.&ordf; recorre agora &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o, como meio de<br \/>\n    agitar ainda mais o mar de lama do escravismo. <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe &eacute; um velho c&eacute;tico. <\/p>\n<p>Para ele, s&oacute; existe no mundo o interesse: primo vivere, deinde philosophare<br \/>\n    (sic). Por isso, S. Ex.&ordf; nunca procurou falar &agrave; alma dos seus<br \/>\n    sequazes; fala-lhes sempre ao est&ocirc;mago e &agrave; bolsa. Em vez de apresentar<br \/>\n    id&eacute;ias, ele sacode moedas na m&atilde;o. <\/p>\n<p>Foi fazendo tilintar a tarifa Saraiva que ele conseguiu ser governo e manter-se<br \/>\n    no poder. O seu Minist&eacute;rio foi a porcentagem dada pelo concorrente<br \/>\n    &agrave; feira de gado humano a pre&ccedil;o fixo. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m que tenha procurado tornar mais clara<br \/>\n    esta proposi&ccedil;&atilde;o: a Monarquia brasileira, nos moldes do Segundo<br \/>\n    Reinado, s&oacute; foi movida pelos interesses da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Para deslustrar o terceiro reinado, que se anuncia tendo por molde o respeito<br \/>\n    da opini&atilde;o, S. Ex.&ordf; quer dar-lhe por base a indeniza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que o privar&aacute; dessa aur&eacute;ola redentora, sua maior for&ccedil;a.\n  <\/p>\n<p>Pouco se importa o sr. bar&atilde;o de Cotegipe com suas contradi&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n    Ontem, S. Ex.&ordf; dizia no Governo &agrave; regente: n&atilde;o ceder ao<br \/>\n    abolicionismo porque ele &eacute; revolu&ccedil;&atilde;o; hoje, quando o<br \/>\n    escravismo se revoluciona, francamente, audaciosamente, apesar da sua impot&ecirc;ncia,<br \/>\n    filha da sua impopularidade, o sr. bar&atilde;o de Cotegipe empunhou a bandeira<br \/>\n    revolucion&aacute;ria da indeniza&ccedil;&atilde;o e quer plant&aacute;-la<br \/>\n    no Senado. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; diz que est&aacute; convencido de que a propriedade escrava<br \/>\n    &eacute; t&atilde;o sagrada como a que mais o seja; S. Ex.&ordf;, o mesmo<br \/>\n    chefe de pol&iacute;cia de Gon&ccedil;alves Martins, um dos maiores sabedores<br \/>\n    dos mist&eacute;rios do tr&aacute;fico, e por conseq&uuml;&ecirc;ncia da legalidade<br \/>\n    da atual propriedade escrava no Brasil. J&aacute; o nosso ilustrado colega<br \/>\n    da Gazeta de Not&iacute;cias assoprou o castelo de cartas da indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e por isso n&atilde;o nos ocupamos em rebater os fundamentos falsos dessa<br \/>\n    exig&ecirc;ncia revolucion&aacute;ria. <\/p>\n<p>O nosso fim &eacute; outro: deixar demonstrado que o sr. bar&atilde;o de<br \/>\n    Cotegipe tem apenas em vista, como demagogo, perturbar o in&iacute;cio do<br \/>\n    terceiro reinado, em nome da escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Os do conselho negro espalham que t&ecirc;m votos para derrubar o Minist&eacute;rio,<br \/>\n    ou melhor, para p&ocirc;r em prova a confian&ccedil;a da Coroa. <\/p>\n<p>&Eacute; f&aacute;cil de compreender o que est&aacute; no fundo desse plano.<br \/>\n    O que o escravismo pretende &eacute; apoderar-se de novo do Governo, provocando<br \/>\n    uma consulta &agrave;s urnas neste momento em que os ex-propriet&aacute;rios<br \/>\n    de escravos p&otilde;em a consci&ecirc;ncia em leil&atilde;o, oferecendo votos<br \/>\n    e apoio a quem mais der. <\/p>\n<p>Para o sr. bar&atilde;o de Cotegipe tudo serve. Se ele consegue arranjar<br \/>\n    maioria para a indeniza&ccedil;&atilde;o, h&aacute; de acontecer uma de duas:<br \/>\n    ou o Minist&eacute;rio retira-se, e neste caso a indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    atirar&aacute; com os abolicionistas para o campo revolucion&aacute;rio; ou<br \/>\n    a Coroa dissolve a C&acirc;mara, e as novas elei&ccedil;&otilde;es d&atilde;o<br \/>\n    &agrave; nova assembl&eacute;ia a agita&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria,<br \/>\n    que o escravagismo por todos os meios provoca para vingar-se da heroicidade<br \/>\n    da princesa, que fulminou a pirataria. <\/p>\n<p>O sr. bar&atilde;o de Cotegipe n&atilde;o pensa na p&aacute;tria; pouco tem<br \/>\n    ele com ela. J&aacute; o provou quando empregou todas as suas for&ccedil;as<br \/>\n    para criar uma ditadura militar, repelida em boa hora pelo bom senso e patriotismo<br \/>\n    do nosso Ex&eacute;rcito. <\/p>\n<p>Chefe dessa oposi&ccedil;&atilde;o encapotada, que n&atilde;o mostra a cara<br \/>\n    com medo da gargalhada popular que h&aacute; de enfarinhar-lhe as jogralices<br \/>\n    perversas, como j&aacute; o fez ao sr. Coelho Rodrigues, quer o sr. bar&atilde;o<br \/>\n    de Cotegipe armar-se com o cad&aacute;ver da escravid&atilde;o, em falta de<br \/>\n    outra arma para a batalha. <\/p>\n<p>&Eacute; muito dif&iacute;cil, fora do campo da institui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    negra, atacar o Gabinete que se prop&otilde;e a realizar todas as reformas<br \/>\n    urgentes. <\/p>\n<p>O Senado ouviu surpreendido o discurso pronunciado pelo sr. presidente do<br \/>\n    Conselho. <\/p>\n<p>O contraste com o Governo da chocarrice, da chala&ccedil;a de cocheiro, da<br \/>\n    truanice do palha&ccedil;o, foi tamanho, que a pr&oacute;pria oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    liberal emudeceu. <\/p>\n<p>O sr. Jo&atilde;o Alfredo desdobrou-se em toda a extens&atilde;o do seu grande<br \/>\n    esp&iacute;rito e do seu vasto saber, e com essa serenidade ol&iacute;mpica,<br \/>\n    essa altivez abor&iacute;gine, que s&atilde;o os distintivos da pureza do<br \/>\n    seu patriotismo e da inflexibilidade de seu car&aacute;ter, sem afagar condescend&ecirc;ncias,<br \/>\n    comprometeu-se a inaugurar essa pol&iacute;tica larga, cient&iacute;fica,<br \/>\n    &uacute;nica bastante fecunda para alvear a evolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica<br \/>\n    de nossa p&aacute;tria. <\/p>\n<p>O pa&iacute;s ficou sabendo que tem na dire&ccedil;&atilde;o de seus destinos<br \/>\n    um homem do talho de Gambetta, capaz de acelerar uma revolu&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    apesar de todos os riscos, e de aproveitar-lhe as conseq&uuml;&ecirc;ncias<br \/>\n    com inteira sabedoria. <\/p>\n<p>O presidente do Conselho n&atilde;o acenou com uma v&atilde; miragem &agrave;<br \/>\n    popularidade para subir ao poder. N&atilde;o, ele s&oacute; aceitou o Governo<br \/>\n    porque em longos anos de trabalho e de medita&ccedil;&atilde;o formou a consci&ecirc;ncia<br \/>\n    de sua idoneidade para dirigir a pol&iacute;tica nacional. <\/p>\n<p>No seu discurso, a democracia fica de p&eacute;, &agrave; vontade, destacada<br \/>\n    e iluminada em todos os seus contornos, como o Mois&eacute;s de Miguel &Acirc;ngelo<br \/>\n    dentro do Vaticano. <\/p>\n<p>Os per&iacute;odos ressumam a probidade pol&iacute;tica do orador, a honradez<br \/>\n    ind&iacute;gena do seu patriotismo. <\/p>\n<p>O sr. Jo&atilde;o Alfredo n&atilde;o quer ser ministro dos seus amigos, mas<br \/>\n    ministro de um povo, que tem todas as qualidades e todos os dotes para ser<br \/>\n    grande e s&oacute; por falta de um bra&ccedil;o forte, que desbarate a oligarquia,<br \/>\n    desceu ao ignominioso papel de mercador de escravos e mendigo de empregos<br \/>\n    p&uacute;blicos. <\/p>\n<p>O escravismo perdeu a esperan&ccedil;a desde que viu no Governo, secundado<br \/>\n    por homens de valor extraordin&aacute;rio, o glorioso brasileiro. <\/p>\n<p>N&atilde;o teve coragem de dar-lhe batalha de frente, por isso mesmo tergiversa.\n  <\/p>\n<p>Os srs. Paulino de Sousa e Cotegipe, sem talentos, sem servi&ccedil;os que<br \/>\n    n&atilde;o sejam os da escravid&atilde;o, v&ecirc;em amea&ccedil;ados o prest&iacute;gio<br \/>\n    e o p&atilde;o da parentela e dos compadres. <\/p>\n<p>A escravid&atilde;o era a sua &uacute;nica for&ccedil;a e a sua &uacute;nica<br \/>\n    renda pol&iacute;tica. Era por ela que S. Ex.as recolhiam nas sinecuras e<br \/>\n    pepineiras os r&aacute;bulas de aldeia, os fazendeiros quebrados. <\/p>\n<p>O sr. Jo&atilde;o Alfredo tira-lhes a mamadeira da boca improvisadamente<br \/>\n    e adeus leite, adeus franga e adeus ovos! <\/p>\n<p>Confessemos que &eacute; uma dos diabos.<\/p>\n<p>O que h&atilde;o de fazer os homens sen&atilde;o ver se arraigam na consci&ecirc;ncia<br \/>\n    dos ex-propriet&aacute;rios a id&eacute;ia de que se h&aacute; de dar com<br \/>\n    a lei de 13 de maio o mesmo que se deu com a de 7 de novembro de 1831. <\/p>\n<p>Olhem, voc&ecirc;s podem ter uma rep&uacute;blica ou um governo bem agitado,<br \/>\n    que, assoberbado pelas dificuldades, n&atilde;o lance os olhos para o tr&aacute;fico<br \/>\n    de ing&ecirc;nuos, para o regime do calote, m&aacute;scara do antigo trabalho<br \/>\n    sem sal&aacute;rio, para os assassinatos e espancamentos de trabalhadores.\n  <\/p>\n<p>Eis o fim dos indenizadores.<\/p>\n<p>Os primeiros que se julgam com direito &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    s&atilde;o chefes de grei, porque os pobres diabos n&atilde;o valem dez r&eacute;is<br \/>\n    de mel coado sem o Tesouro. <\/p>\n<p>O neg&oacute;cio das fazendas de sa&uacute;va e samambaia gorou; o presente<br \/>\n    de casas, feito pelo Estado, aos amigos do sr. conselheiro foi tamb&eacute;m<br \/>\n    um dia. <\/p>\n<p>Que diabo! &Eacute; preciso apanhar uma lambugem e a melhor &eacute; a rep&uacute;blica<br \/>\n    de tenentes-coron&eacute;is e bar&otilde;es, rep&uacute;blica que j&aacute;<br \/>\n    nasce confiscada pelos indenizadores; rep&uacute;blica que &eacute; uma nova<br \/>\n    fazenda, cujo primeiro t&iacute;tulo &eacute; a d&iacute;vida antes da funda&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Ah! tartufos! como a hist&oacute;ria os h&aacute; de amaldi&ccedil;oar. <\/p>\n<p><b>11 jun. 1888<\/b><\/p>\n<h2>18-VI-1888<\/h2>\n<p> Os manifestos encheram a semana. Os jornais publicaram o manifesto Saldanha,<br \/>\n    o manifesto S. Paulo, o manifesto Werneck, o manifesto Paulino. <\/p>\n<p>Nada mais curioso do que o estudo dessas diversas manifesta&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    patol&oacute;gicas da ambi&ccedil;&atilde;o pessoal e do despeito o mais vulgar.\n  <\/p>\n<p>Todos esses manifestos tomam como ponto de partida a aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da escravid&atilde;o, o que quer dizer que a Monarquia podia dormir tranq&uuml;ila<br \/>\n    a esta hora, se, em vez de haver obedecido ao reclamo nacional e humano, integrando<br \/>\n    a nacionalidade brasileira, se houvesse limitado a declarar como outrora os<br \/>\n    novos evangelistas da nossa liberdade pol&iacute;tica que ela aspirava ver<br \/>\n    extinta a institui&ccedil;&atilde;o degradante. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; felizmente dif&iacute;cil a qualquer esp&iacute;rito<br \/>\n    descobrir a causa da s&uacute;bita efervesc&ecirc;ncia republicana, que n&oacute;s<br \/>\n    comparamos &agrave; que se d&aacute; numa solu&ccedil;&atilde;o &aacute;cida<br \/>\n    quando se lhe lan&ccedil;a um pouco de sal b&aacute;sico. A tempestade de<br \/>\n    copo d&#8217;&aacute;gua d&aacute;-se at&eacute; que a satura&ccedil;&atilde;o seja<br \/>\n    completa. <\/p>\n<p>O esclavismo, o Proteu que toma todas as formas, desde a republicana at&eacute;<br \/>\n    a de assassino vulgar; que maneja t&atilde;o facilmente Spencer como o punhal<br \/>\n    do Rio do Peixe, n&atilde;o contava com o dia 13 de maio. Ele acreditava que,<br \/>\n    simulando generosidade para com os escravizados, por um lado evitaria o &ecirc;xodo<br \/>\n    dos deserdados da lei, por outro lado cegaria o Governo ao ponto de faz&ecirc;-lo<br \/>\n    crer que o melhor meio de resolver o problema era entreg&aacute;-lo a essa<br \/>\n    generosidade, em que tanto falavam os srs. Martinho Campos, Paulino e Andrade<br \/>\n    Figueira. <\/p>\n<p>O Governo, por&eacute;m, entendeu e muito bem que o seu primeiro dever era<br \/>\n    sistematizar as aspira&ccedil;&otilde;es nacionais, convertendo-as em leis,<br \/>\n    para que a dispers&atilde;o natural dos interesses de indiv&iacute;duos ou<br \/>\n    de castas n&atilde;o perturbasse a harmonia necess&aacute;ria &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    sociais. <\/p>\n<p>N&atilde;o aqui, nos estreitos limites de uma resenha semanal, mas largamente,<br \/>\n    tomando de alto o assunto, discutiremos esses manifestos, cada qual mais digno<br \/>\n    de uma desinfec&ccedil;&atilde;o demorada de l&oacute;gica e bom senso. <\/p>\n<p>H&aacute; no Guarani, de Jos&eacute; de Alencar, um quadro que extasia a<br \/>\n    quantos o l&ecirc;em: &eacute; a descida de Peri ao fundo de um algar, para<br \/>\n    apanhar uma j&oacute;ia que a preferida de sua alma l&aacute; deixou cair.\n  <\/p>\n<p>O selvagem sabe que l&aacute; embaixo, sob o tran&ccedil;ado da vegeta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    bravia, na noite e na umidade daquele bojo sem sol, vivem legi&otilde;es e<br \/>\n    legi&otilde;es de seres venenosos, agentes fatais da morte. O menor descuido,<br \/>\n    e o dente de um urutu ou de uma sucuruinha lhe vazar&aacute; nas veias a pe&ccedil;onha<br \/>\n    mort&iacute;fera. <\/p>\n<p>Nem por ser terr&iacute;fico o cometimento, Peri deixa de empreend&ecirc;-lo<br \/>\n    e, empunhando um facho e imitando o canto da a&ccedil;an&atilde;, l&aacute;<br \/>\n    se entranha pelo abismo. <\/p>\n<p>Temos de fazer viagem igual, por amor de nossa p&aacute;tria, vestindo os<br \/>\n    nossos l&aacute;bios com o c&acirc;ntico &iacute;ntimo da Justi&ccedil;a e<br \/>\n    da fraternidade, e tendo nas m&atilde;os o archote da verdade. <\/p>\n<p>Por hoje, por&eacute;m, basta-nos acender nas bordas do abismo neo-republicano<br \/>\n    a carta do sr. Paulino de Sousa. <\/p>\n<p>Dissemo-lo desde o dia em que observamos com mais aten&ccedil;&atilde;o o<br \/>\n    esp&iacute;rito desse homem, que, por seu nome, se tornou o exegeta do Sul:<br \/>\n    o sr. Paulino de Sousa n&atilde;o tem nenhuma qualidade de estadista. <\/p>\n<p>Dia a dia, historiando a dire&ccedil;&atilde;o que ele dava ao seu partido,<br \/>\n    acumul&aacute;vamos provas probantes da nossa assevera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; sabido que, mesmo depois do &ecirc;xodo de S. Paulo, quando j&aacute;<br \/>\n    havia a peti&ccedil;&atilde;o patri&oacute;tica do Ex&eacute;rcito, que em<br \/>\n    nome do seu brio e da sua miss&atilde;o civilizadora reclamava contra os destacamentos<br \/>\n    para o desempenho das fun&ccedil;&otilde;es de capit&atilde;o-do-mato; quando<br \/>\n    j&aacute; pesava sobre o minist&eacute;rio a intima&ccedil;&atilde;o Prado-Jo&atilde;o<br \/>\n    Alfredo para que em maio deste ano viesse ao parlamento, para ser definitivamente<br \/>\n    resolvido, o problema servil; o sr. Paulino de Sousa ainda garantia aos seus<br \/>\n    clientes fluminenses a perman&ecirc;ncia da escravid&atilde;o por mais tr&ecirc;s<br \/>\n    anos. <\/p>\n<p>O plano de S. Ex.&ordf; foi revelado pelo sr. bar&atilde;o de Cotegipe, quando<br \/>\n    n&atilde;o p&ocirc;de negar que Sua Alteza, a Regente, mais de uma vez, chamara<br \/>\n    a sua aten&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o negra. <\/p>\n<p>O sr. Paulino de Sousa contava com a dissolu&ccedil;&atilde;o, o mais l&oacute;gico<br \/>\n    dos adiamentos imagin&aacute;veis, ou pelo sr. bar&atilde;o de Cotegipe mesmo<br \/>\n    ou pelo sr. Lafaiete, a quem estava destinada a sucess&atilde;o. Da&iacute;<br \/>\n    vinha a certeza com que dava de leve fian&ccedil;a &agrave; escravid&atilde;o<br \/>\n    por tr&ecirc;s anos. <\/p>\n<p>O golpe patri&oacute;tico de 10 de mar&ccedil;o, pela qual a reg&ecirc;ncia<br \/>\n    emancipou-se do cativeiro, a que havia sido reduzida pela coliga&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    escravista, desnorteou completamente o sr. Paulino de Sousa, que n&atilde;o<br \/>\n    &eacute; homem para dar batalhas fora do Governo. <\/p>\n<p>A sua carta &eacute; um nariz-de-cera, &eacute; a confiss&atilde;o p&uacute;blica<br \/>\n    do seu atordoamento. Faz-nos lembrar o Nero de Giacometti, poltr&atilde;o,<br \/>\n    desvairado, protegido apenas por alguns libertos, a sentir o tropel da cavalaria<br \/>\n    de Galba, sem saber se h&aacute; de render-se ou suicidar-se. <\/p>\n<p>Por um lado, o sr. Paulino de Sousa diz &agrave; Reg&ecirc;ncia: conte comigo;<br \/>\n    s&oacute; eu posso reorganizar a Monarquia desmantelada pelo Gabinete Jo&atilde;o<br \/>\n    Alfredo; por outro lado, S. Ex.&ordf; diz aos seus eleitores: amea&ccedil;ai<br \/>\n    por mim a Reg&ecirc;ncia, tornai-me necess&aacute;rio, ou para a Monarquia,<br \/>\n    ou para a Rep&uacute;blica. <\/p>\n<p>&Eacute; um conjunto de contradi&ccedil;&otilde;es t&atilde;o extraordin&aacute;rio<br \/>\n    que &eacute; dif&iacute;cil saber por onde come&ccedil;ar a desfi&aacute;-las.\n  <\/p>\n<p>O sr. Paulino de Sousa contentava-se com tudo, depois de haver recusado tudo.\n  <\/p>\n<p>Queria que o Governo respeitasse, como um dogma, a propriedade escrava, e<br \/>\n    ao mesmo tempo contentava-se com a decreta&ccedil;&atilde;o de medidas ilus&oacute;rias.\n  <\/p>\n<p>Por um lado, S. Ex.&ordf; confessa-se monarquista; v&ecirc; na Monarquia<br \/>\n    constitucional a forma para assegurar a integridade do Imp&eacute;rio; reconhece<br \/>\n    no imperador um grande servidor do bem p&uacute;blico; por outro lado, S.<br \/>\n    Ex.&ordf; quer experimentar a anarquia, proveniente da confus&atilde;o dos<br \/>\n    partidos, saborear os frutos da indisciplina nos dom&iacute;nios do desconhecido.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o sabe S. Ex.&ordf; o que h&aacute; de aconselhar: se a resigna&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    das v&iacute;timas do atropelo revolucion&aacute;rio de 13 de maio, se o desfor&ccedil;o<br \/>\n    contra aqueles que o espoliaram. O que aconselha, em resumo, o sr. Paulino<br \/>\n    de Sousa? Nada e tudo. <\/p>\n<p>Acha que a indeniza&ccedil;&atilde;o &eacute; um ato de probidade p&uacute;blica<br \/>\n    e aconselha aos fazendeiros que a reclamem com pertin&aacute;cia. <\/p>\n<p>Resisti -&eacute; a senha do sr. Paulino de Sousa. &laquo;Se os lavradores,<br \/>\n    em vez de unirem-se, diz S. Ex.&ordf;, com decis&atilde;o e coragem, fizerem<br \/>\n    ainda nas localidades esse jogo estreito e rid&iacute;culo, em que o l&aacute;tego<br \/>\n    fornecido pela autoridade anda de umas para outras m&atilde;os, sendo cada<br \/>\n    um por seu turno flagelado; se se deixarem levar pelas gra&ccedil;as e postos,<br \/>\n    com que nos momentos de ang&uacute;stias lhes acena o Governo, continuar&atilde;o<br \/>\n    a ser ludibriados nos seus direitos e n&atilde;o lhes direi sen&atilde;o que<br \/>\n    ter&atilde;o merecido a sorte que lhes determinarem. N&atilde;o h&aacute;<br \/>\n    hoje quem duvide que cada povo &eacute; governado como merece.&raquo; <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; proclama, pois, o div&oacute;rcio necess&aacute;rio do seu eleitorado<br \/>\n    para com as institui&ccedil;&otilde;es, que difama, dando-lhes apenas o car&aacute;ter<br \/>\n    de essencialmente corruptoras, visto como s&oacute; em momentos de ang&uacute;stia<br \/>\n    distribuem gra&ccedil;as e posta. <\/p>\n<p>E entretanto esse mesmo homem ainda fica no isolamento, ao ver, de um lado,<br \/>\n    a prov&iacute;ncia que o fez o que &eacute;, roubada na sua propriedade, e<br \/>\n    de outro lado, exposta &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o do Governo. <\/p>\n<p>&Eacute; pusilanimidade ou incapacidade? &Eacute; um homem de Estado este<br \/>\n    Mac-Mahon de terreiro, que espia atrav&eacute;s da Rep&uacute;blica a volta<br \/>\n    ao esclavagismo? <\/p>\n<p>Entretanto, confessemos que essa carta, dentro da qual se cria a ratazana<br \/>\n    da indeniza&ccedil;&atilde;o, tem um merecimento. <\/p>\n<p>Atrav&eacute;s da sua despreocupa&ccedil;&atilde;o hip&oacute;crita, deixa<br \/>\n    ver bem qual o fim dos reformadores. <\/p>\n<p>O sr. Paulino de Sousa, como todos os seus apaniguados, guardara at&eacute;<br \/>\n    a &uacute;ltima hora a esperan&ccedil;a de ver continuado o esclavagismo.\n  <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; pensava que o sr. Jo&atilde;o Alfredo tinha a alma daquele ministro<br \/>\n    de Estrangeiros, que se chamava tamb&eacute;m Paulino de Sousa, e que, afrontando<br \/>\n    a verdade friamente, declarava na C&acirc;mara que n&atilde;o entravam mais<br \/>\n    negros novos no pa&iacute;s, quando defendia ao mesmo tempo a pirataria, como<br \/>\n    desafronta da honra nacional contra os vexames do cruzeiro ingl&ecirc;s. <\/p>\n<p>O sr. Paulino de Sousa pensava que o sr. Jo&atilde;o Alfredo se prestaria,<br \/>\n    como S. Ex.&ordf;, a manter as tradi&ccedil;&otilde;es do visconde de Uruguai,<br \/>\n    o mais desabusado defensor da pirataria. <\/p>\n<p>De feito, a tradi&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Aboliu-se o tr&aacute;fico em 1831, os ministros continuaram a ser os protetores<br \/>\n    dos traficantes e muitos deles seus associados, de modo que v&aacute;rios<br \/>\n    pobret&otilde;es se converteram em milion&aacute;rios. <\/p>\n<p>O tr&aacute;fico se fez ainda durante 25 anos, acabando somente no desembarque<br \/>\n    de Serinha&eacute;m. <\/p>\n<p>Proibiu-se a escravid&atilde;o dos nascituros e os ing&ecirc;nuos ainda a&iacute;<br \/>\n    est&atilde;o escravizados, sob a forma imoral e infame da tutela, e nesta<br \/>\n    explora&ccedil;&atilde;o miser&aacute;vel entram homens de Estado. <\/p>\n<p>Fez-se mais: apesar de marcado prazo fatal para a matr&iacute;cula da lei<br \/>\n    de 1871, ainda em 1878 houve ministro que mandasse abrir matr&iacute;cula<br \/>\n    na Comarca de Palmeiras, se n&atilde;o nos falha a mem&oacute;ria. <\/p>\n<p>O sr. Paulino de Sousa e seus sequazes viram, por&eacute;m, que o Minist&eacute;rio<br \/>\n    n&atilde;o est&aacute; deliberado a condescender com o esclavagismo, e que<br \/>\n    n&atilde;o lhe permitir&aacute; continuar sob outra forma qualquer a escravid&atilde;o.<br \/>\n    Da&iacute; a ira. <\/p>\n<p>O que a carta do sr. Paulino de Sousa nos diz &eacute; que S. Ex.&ordf; est&aacute;<br \/>\n    pronto com os seus amigos a servir ao Governo que lhes prometer sociedade<br \/>\n    com os cofres p&uacute;blicos. <\/p>\n<p>Este pedido de indeniza&ccedil;&atilde;o, de aux&iacute;lios &agrave; lavoura,<br \/>\n    de bancos de emiss&atilde;o, essa lenga-lenga do venha a n&oacute;s dos cofres<br \/>\n    p&uacute;blicos, demonstra o que sempre dizemos: que a escravid&atilde;o havia<br \/>\n    convertido o Governo brasileiro no socialismo o mais baixo e torpe, porque<br \/>\n    se resumia no roubo do pa&iacute;s inteiro em benef&iacute;cio de uma classe:<br \/>\n    a lavoura. <\/p>\n<p>Indeniza&ccedil;&atilde;o dos herdeiros dos ladr&otilde;es que piratearam<br \/>\n    a alma humana e a honra da p&aacute;tria durante 25 anos! <\/p>\n<p>Aux&iacute;lios &agrave; lavoura, a essa lavoura do absente&iacute;smo, a<br \/>\n    essa lavoura da jogatina, do luxo, da imprevid&ecirc;ncia, da oligarquia,<br \/>\n    a essa lavoura que produziu como estadista o sr. Paulino; como institui&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    livres a escravid&atilde;o, o parlamento do sim e n&atilde;o, o j&uacute;ri<br \/>\n    dos assassinos do Rio do Peixe; como ind&uacute;stria o funcionalismo; como<br \/>\n    finan&ccedil;as o deficit; como economia nacional a hipoteca e o exclusivismo<br \/>\n    do com&eacute;rcio estrangeiro! <\/p>\n<p>Bancos de emiss&atilde;o, mas com que banqueiros? Com esses agiotas que mal<br \/>\n    sabem ler e escrever; como essa classe de judeus, que reduziu o cr&eacute;dito<br \/>\n    a uma camarilha, que vive a acobertar fal&ecirc;ncias criminosas e a perseguir<br \/>\n    o trabalho honesto; que divide a honra em nacionalidades? Bancos de emiss&atilde;o<br \/>\n    nas m&atilde;os de quem? Desses que ainda ontem pediam ao Estado garantia<br \/>\n    de juros para o cr&eacute;dito real, tendo por base o escravo; para esses<br \/>\n    que emprestaram dinheiro &agrave; lavoura, a t&iacute;tulo de benefici&aacute;-la,<br \/>\n    levando-lhe os olhos da cara? <\/p>\n<p>Se pud&eacute;ssemos dar conselhos ao Governo, dir-lhe-&iacute;amos simplesmente:\n  <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio que fez a lei de 13 de maio e a princesa que a sancionou<br \/>\n    devem &agrave; p&aacute;tria a energia a mais decidida e a decis&atilde;o<br \/>\n    a mais completa. <\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o ouvir a grita que parte do lado dos<br \/>\n    vencidos. <\/p>\n<p>Os clubes neo-republicanos s&atilde;o os mesmos clubes de lavoura da escravid&atilde;o.<br \/>\n    O tom, a amea&ccedil;a s&atilde;o os mesmos. <\/p>\n<p>S&oacute; h&aacute; dois meios para acomod&aacute;-los: ou fazer como o imperador<br \/>\n    em 1885, entregar-lhes de uma vez o Governo; ou ent&atilde;o fazer uma larga<br \/>\n    pol&iacute;tica popular e com o punho de Lu&iacute;s XI esmagar esse feudalismo,<br \/>\n    que quer mascarar com a federa&ccedil;&atilde;o a coliga&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de suseranias amea&ccedil;adas pela aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O Governo n&atilde;o deve perder a calma.<\/p>\n<p>O povo, o verdadeiro povo, que n&atilde;o &eacute; composto nem de caloteiros<br \/>\n    de bancos, nem de comiss&aacute;rios despeitados, nem de bachar&eacute;is<br \/>\n    vadios, que querem suprir a falta de clientes pelo subs&iacute;dio; o povo<br \/>\n    que v&ecirc; nas m&atilde;os da maioria desses republicanos das d&uacute;zias<br \/>\n    o calo do chiquerador de eito; o povo est&aacute; pronto a apoiar, a sustentar<br \/>\n    o atual estado de coisas. <\/p>\n<p>Que o Governo o fa&ccedil;a votar; d&ecirc;-lhes meios de resistir &agrave;<br \/>\n    oligarquia que domina as urnas; essa oligarquia com que o sr. Paulino de Sousa<br \/>\n    conta para a experi&ecirc;ncia de indisciplina; essa oligarquia que ontem<br \/>\n    era conservadora de fazer inveja e hoje amea&ccedil;a eleger republicanos.\n  <\/p>\n<p>Que promova desde j&aacute; a desapropria&ccedil;&atilde;o das terras &agrave;<br \/>\n    margem das estradas de ferro e dos rios naveg&aacute;veis, e sistematize para<br \/>\n    a&iacute; a imigra&ccedil;&atilde;o; que fa&ccedil;a rever os tra&ccedil;ados<br \/>\n    de nossas estradas de ferro e lhes d&ecirc; uma orienta&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica;<br \/>\n    que abra as portas &agrave; laiciza&ccedil;&atilde;o completa e absoluta do<br \/>\n    pa&iacute;s; finalmente entre numa pol&iacute;tica larga e pr&aacute;tica<br \/>\n    e deixe vozear para a&iacute; a pirataria despeitada, que, n&atilde;o podendo<br \/>\n    mais explorar o negro, quer explorar o Tesouro. <\/p>\n<p><b>18 jun. 1888<\/b><\/p>\n<h2>30-VII-1888<\/h2>\n<h4><a name=\"10\">A oposi&ccedil;&atilde;o chegou &agrave; incandesc&ecirc;ncia esta semana.<br \/>\n  <\/a><\/h4>\n<p>Abolicionistas e negreiros da C&acirc;mara dos Deputados ligaram-se para<br \/>\n    desfechar golpe mortal ao Minist&eacute;rio. Aproveitaram o momento em que<br \/>\n    o sr. presidente do Conselho comunicava ao parlamento que estava dando a &uacute;ltima<br \/>\n    dem&atilde;o a um contrato de aux&iacute;lio &agrave; lavoura por interm&eacute;dio<br \/>\n    do Banco do Brasil, ao qual emprestaria, sem juros, seis mil contos de r&eacute;is.\n  <\/p>\n<p>Os liberais, os mesmos liberais que procediam de tal modo, que o sr. Silveira<br \/>\n    Martins temia que eles merecessem o ep&iacute;teto de c&acirc;mara dos servis,<br \/>\n    entenderam que o procedimento do sr. Alfredo era uma punhalada no sistema<br \/>\n    representativo. <\/p>\n<p>Foi o sr. Louren&ccedil;o de Albuquerque, o mesmo a quem o sr. Martinho Campos<br \/>\n    chamava rabadilha ministerial, durante o Minist&eacute;rio Sinimbu, o incumbido<br \/>\n    de fazer a catilin&aacute;ria contra a pervers&atilde;o do sistema. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; entende, como bom chefe do grupo Z&eacute; que o aux&iacute;lio<br \/>\n    &agrave; lavoura &eacute; urgente, que o Minist&eacute;rio devia ter desde<br \/>\n    logo invocado o patriotismo da C&acirc;mara para que discutisse o projeto<br \/>\n    a respeito e, para demonstrar com que a&ccedil;odamento a oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    se prestaria a discutir o assunto important&iacute;ssimo, S. Ex.&ordf; falou<br \/>\n    com os olhos no rel&oacute;gio para conseguir pela hora o adiamento da discuss&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o era, por&eacute;m, preciso que a oposi&ccedil;&atilde;o liberal<br \/>\n    recorresse a esse meio pouco engenhoso para demonstrar a sua sinceridade.<br \/>\n    A simples alian&ccedil;a com os mais ferrenhos negreiros da C&acirc;mara demonstrava<br \/>\n    por si s&oacute; que a t&aacute;tica partid&aacute;ria afivelava a m&aacute;scara<br \/>\n    do bem p&uacute;blico. Esperava-se que o sr. Gomes de Castro arrastasse mais<br \/>\n    gente do que trouxe e, portanto, deixaram-se de lado os princ&iacute;pios<br \/>\n    para cuidar dos lugares. <\/p>\n<p>Quanto aos soldados negros do sr. Paulino, os zulus parlamentares, &eacute;<br \/>\n    j&aacute; sabido que o &uacute;nico fito de S. Ex.&ordf; &eacute; guerrear<br \/>\n    o Minist&eacute;rio por todos os meios. <\/p>\n<p>Estavam prontos a votar a indeniza&ccedil;&atilde;o proposta pelo sr. Coelho<br \/>\n    Rodrigues e est&atilde;o prontos a votar tudo, inclusive a venda da p&aacute;tria<br \/>\n    para indenizarem-se e aos respectivos amigos. Votam, entretanto, contra o<br \/>\n    aux&iacute;lio &agrave; lavoura. <\/p>\n<p>O voto da oposi&ccedil;&atilde;o teve, por&eacute;m, um grande merecimento:<br \/>\n    deixou a descoberto a capacidade, a inteireza e o patriotismo da oposi&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>No debate do cr&eacute;dito real e agr&iacute;cola, ela declarou ao Governo<br \/>\n    que n&atilde;o votava, porque sabia que o dinheiro do Estado ia ser desbaratado,<br \/>\n    visto como o lavrador n&atilde;o tem recursos para fazer face aos encargos<br \/>\n    contra&iacute;dos pela hipoteca. <\/p>\n<p>Presentemente, ela justifica o seu voto contra o acordo com o Banco do Brasil,<br \/>\n    dizendo que o aux&iacute;lio chegou tarde e, portanto, j&aacute; n&atilde;o<br \/>\n    aproveita. A lavoura j&aacute; efetuou a colheita e est&aacute; desafrontada.\n  <\/p>\n<p>Como se v&ecirc;, a contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; palp&aacute;vel. Se<br \/>\n    a lavoura p&ocirc;de arrostar uma crise aguda e instant&acirc;nea, como a<br \/>\n    de 13 de maio, sem lan&ccedil;ar m&atilde;o de outro recurso al&eacute;m do<br \/>\n    saldo de fortuna e cr&eacute;dito de que j&aacute; dispunha; se os capitais<br \/>\n    banc&aacute;rios n&atilde;o se arrecearam de um naufr&aacute;gio em plena<br \/>\n    tempestade, est&aacute; claro que a lavoura pode honrar, na pior das hip&oacute;teses,<br \/>\n    os compromissos que contrai. Quer isto dizer que o Governo tem toda a raz&atilde;o<br \/>\n    quando diz que a sua garantia aos bancos de cr&eacute;dito real e agr&iacute;cola<br \/>\n    &eacute; simplesmente nominal. <\/p>\n<p>Ora, como facilitar o cr&eacute;dito ao devedor solv&aacute;vel n&atilde;o<br \/>\n    &eacute; sen&atilde;o fomentar a prosperidade social, segue-se que o Governo,<br \/>\n    garantindo o juro da letra hipotec&aacute;ria, longe de amea&ccedil;ar o pa&iacute;s<br \/>\n    com a bancarrota, por amor de uma classe, n&atilde;o vai sen&atilde;o aproveitar,<br \/>\n    em benef&iacute;cio da comunh&atilde;o, a atividade e a experi&ecirc;ncia<br \/>\n    dessa classe. <\/p>\n<p>Reconhecer, por um lado, que a lavoura tem recursos para bastar-se durante<br \/>\n    uma crise violenta e n&atilde;o lhe querer fornecer o cr&eacute;dito necess&aacute;rio<br \/>\n    ao seu desenvolvimento &eacute; um contra-senso econ&ocirc;mico. <\/p>\n<p>Povos da maior experi&ecirc;ncia na mat&eacute;ria iniciaram, como o projeto<br \/>\n    de cr&eacute;dito real e agr&iacute;cola do Governo, o manejo deste poderoso<br \/>\n    instrumento de valoriza&ccedil;&atilde;o da terra. <\/p>\n<p>A Alemanha fez mediante ela a liberta&ccedil;&atilde;o do pequeno lavrador,<br \/>\n    desfeudalizou com o emprego do sistema a propriedade, que j&aacute; l&aacute;<br \/>\n    chegou a adquirir o duplo movimento de desagrega&ccedil;&atilde;o para condensar<br \/>\n    a popula&ccedil;&atilde;o, de agrega&ccedil;&atilde;o, para lhes conservar<br \/>\n    o valor adquirido. <\/p>\n<p>E &eacute; preciso notar que o Estado que prestou a sua garantia para libertar<br \/>\n    o pequeno propriet&aacute;rio &eacute; ainda o agente direto para impedir<br \/>\n    a desvaloriza&ccedil;&atilde;o pelo fracionamento exagerado. <\/p>\n<p>Propusesse-se o sr. Jo&atilde;o Alfredo a tentar em nosso pa&iacute;s igual<br \/>\n    obra e ver-se-ia que os liberais mais extremados eram os mais encarni&ccedil;ados<br \/>\n    advers&aacute;rios. <\/p>\n<p>O liberalismo quer proteger o pequeno lavrador; o escravismo, o grande; mas<br \/>\n    um e outro est&atilde;o dispostos a proteg&ecirc;-lo entregando-o aos seus<br \/>\n    pr&oacute;prios recursos. <\/p>\n<p>At&eacute; ontem, n&oacute;s, os abolicionistas, diz&iacute;amos que a escravid&atilde;o<br \/>\n    havia empobrecido de tal forma o pa&iacute;s que ele n&atilde;o comportava<br \/>\n    nenhum progresso por falta de economias realizadas pelos particulares. Tornou-se<br \/>\n    popular a nossa frase: as ruas dos Beneditinos e Municipal s&atilde;o a cruz<br \/>\n    da lavoura. <\/p>\n<p>Se &eacute; verdadeira esta proposi&ccedil;&atilde;o, como exigir que a lavoura<br \/>\n    marche desoprimida, inicie os aperfei&ccedil;oamentos agr&iacute;colas, substitua<br \/>\n    a rotina pela ci&ecirc;ncia, o trabalho bra&ccedil;al pouco inteligente pela<br \/>\n    m&aacute;quina, condenando-a eternamente a carregar essa cruz que a exiciou<br \/>\n    por tanto tempo? <\/p>\n<p>Onde h&aacute; de ir a lavoura buscar cr&eacute;dito, sen&atilde;o nos intermedi&aacute;rios<br \/>\n    ou comiss&aacute;rios? Nos bancos? Quais s&atilde;o, excetuado o do Brasil,<br \/>\n    os bancos que se prestam a servir &agrave; lavoura mediante o juro que ela<br \/>\n    comporta? Em bancos especialmente fundados para este fim, responder-me-&atilde;o.<br \/>\n    Mas, neste caso, voltamos ao princ&iacute;pio. Se a lavoura pode pagar o servi&ccedil;o<br \/>\n    do capital, de que carece por si s&oacute;, sem endosso do Estado, est&aacute;<br \/>\n    claro que este &eacute; inteiramente nominal e, desde que a garantia p&uacute;blica<br \/>\n    limita os lucros do estabelecimento, ele ter&aacute; o cuidado de a dispensar.\n  <\/p>\n<p>Deve a lavoura ficar adstrita ao estado atual? Para qu&ecirc;? Para viver<br \/>\n    ou para morrer. <\/p>\n<p>Se ela pode viver com os juros atuais, como n&atilde;o poder&aacute; pagar<br \/>\n    os que decorrem do projeto do Governo? Se &eacute; para morrer, o que &eacute;<br \/>\n    que nos d&atilde;o os oposicionistas em troca da fonte de produ&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de que nos privam? <\/p>\n<p>N&atilde;o se improvisa a economia de um povo, como se improvisam discursos.\n  <\/p>\n<p>Se fosse poss&iacute;vel com um simples surge et ambula constituir a pequena<br \/>\n    propriedade; se fosse poss&iacute;vel manter nos mercados o pre&ccedil;o dos<br \/>\n    nossos g&ecirc;neros de exporta&ccedil;&atilde;o, em tal altura que desse<br \/>\n    sempre a remunera&ccedil;&atilde;o correspondente do trabalho do produtor;<br \/>\n    se, semeando no solo as id&eacute;ias dos te&oacute;ricos, elas se convertessem<br \/>\n    em instrumentos de trabalho, casa, sal&aacute;rio, nada era mais simples do<br \/>\n    que operar sem nenhum &ocirc;nus para o Estado a transforma&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    agr&iacute;cola. <\/p>\n<p>Infelizmente, por&eacute;m, n&atilde;o grelavam na terra as palavras dos<br \/>\n    barbeiros contra o rei Midas e at&eacute; hoje n&atilde;o se conseguiu fazer<br \/>\n    pegar de galho as teorias dos mais po&eacute;ticos reformadores. <\/p>\n<p>O dinheiro &eacute; uma fatalidade; &eacute; imposs&iacute;vel prescindir<br \/>\n    dele para qualquer obra humana. Para nascer, como para morrer; para amar,<br \/>\n    como para odiar; para ser poeta, como para ser milion&aacute;rio, ele &eacute;<br \/>\n    sempre, sempre necess&aacute;rio. <\/p>\n<p>O estado em que nos achamos &eacute; tal que n&atilde;o &eacute; s&oacute;<br \/>\n    a lavoura que precisa de cr&eacute;dito do Estado para constituir o pr&oacute;prio.<br \/>\n    Se houvesse um governo capaz de fechar os olhos a tudo, de prescindir de teorias<br \/>\n    e cita&ccedil;&otilde;es do estado contempor&acirc;neo do mundo, esse governo<br \/>\n    garantiria at&eacute; juros aos capitais que se destinassem a favorecer os<br \/>\n    brasileiros, que fundassem casas de com&eacute;rcio, f&aacute;bricas de grandes<br \/>\n    e pequenas ind&uacute;strias. <\/p>\n<p>O socialismo do Estado, largo, franco, sem hesita&ccedil;&otilde;es, &eacute;<br \/>\n    o &uacute;nico meio de movimentar esta grande m&aacute;quina, enferrujada<br \/>\n    pela escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>O segredo da for&ccedil;a do Governo alem&atilde;o &eacute; este: ele compreendeu<br \/>\n    que o Estado deve ser o primeiro mestre econ&ocirc;mico do povo, e n&atilde;o<br \/>\n    hesita em intervir sempre que essa interven&ccedil;&atilde;o &eacute; ben&eacute;fica.<br \/>\n    E ali trata-se de um pa&iacute;s homog&ecirc;neo, de um pa&iacute;s onde se<br \/>\n    acumulam os saldos de trabalho; de um pa&iacute;s onde o esp&iacute;rito de<br \/>\n    coletividade est&aacute; profundamente desenvolvido, onde o esp&iacute;rito<br \/>\n    de Schubre (sic) fecunda a coopera&ccedil;&atilde;o e a solidariedade. <\/p>\n<p>O que faria um governo, daquele molde, num pa&iacute;s como o nosso, que<br \/>\n    al&eacute;m da emigra&ccedil;&atilde;o fatal de saldos pelo fato de sermos<br \/>\n    v&iacute;timas da imigra&ccedil;&atilde;o n&ocirc;mada, ainda pela compra<br \/>\n    de todos os objetos necess&aacute;rios &agrave; vida, desde a camisa at&eacute;<br \/>\n    a locomotiva, exportamos todo o capital de que carecemos para fundar a ind&uacute;stria<br \/>\n    nacional? <\/p>\n<p>Fala-se nos trezentos mil contos que o Estado vai dar, mas n&atilde;o se<br \/>\n    fala no prazo que vai decorrer. A perda &eacute; uma hip&oacute;tese, o tempo<br \/>\n    &eacute; uma realidade. Contavam os oposicionistas quais os lucros que podem<br \/>\n    provir desses trezentos mil contos, em m&atilde;os de particulares, ou melhor,<br \/>\n    em circula&ccedil;&atilde;o, durante o longo per&iacute;odo de 30 anos? <\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; de projetos &uacute;teis ou ruinosos ao Estado que<br \/>\n    a oposi&ccedil;&atilde;o trata? Estamos vendo que os mesmos que votaram a<br \/>\n    lei de 13 de maio op&otilde;em-se hoje ao Governo por hav&ecirc;-la decretado.\n  <\/p>\n<p>E n&atilde;o vemos todos os dias os liberais, que reclamaram para seu partido<br \/>\n    o direito de fazer a liberta&ccedil;&atilde;o, aplaudir o movimento republicano<br \/>\n    que da&iacute; proveio e amea&ccedil;ar o trono com este movimento? <\/p>\n<p>O que se est&aacute; passando n&atilde;o &eacute; s&eacute;rio. A oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    atual n&atilde;o merece respeito dos homens que estudam e que amam sinceramente<br \/>\n    a p&aacute;tria. <\/p>\n<p>&Eacute; uma guerrilha de negreiros e de ambiciosos.<\/p>\n<p>O fim do escravagismo &eacute; enfraquecer o Governo para obter de qualquer<br \/>\n    modo a indeniza&ccedil;&atilde;o; isto &eacute;, tirar dos cofres p&uacute;blicos<br \/>\n    em proveito de alguns o dinheiro que s&ooacute; deve ser dado em benef&iacute;cio<br \/>\n    de todos. <\/p>\n<p>Servem-se dos liberais, da vaidade desse partido desmanchado, para chegar<br \/>\n    aos seus fins. <\/p>\n<p>O sr. Jo&atilde;o Alfredo &eacute; um obst&aacute;culo a essa conspira&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    imoral: &eacute; preciso destru&iacute;-lo. O pirata em alto-mar n&atilde;o<br \/>\n    respeita a bandeira do navio honrado; ataca-o indistintamente. <\/p>\n<p>A pirataria da nossa terra n&atilde;o tem lei diversa.<\/p>\n<p><b>30 jul. 1888<\/b><\/p>\n<h2>31-VII-1888<\/h2>\n<h4><a name=\"11\">&Agrave; Federa&ccedil;&atilde;o <\/a><\/h4>\n<p> Quem tem lido os meus artigos com rela&ccedil;&atilde;o ao atual movimento<br \/>\n    pol&iacute;tico sabe que eu nunca procurei magoar os velhos republicanos sinceros,<br \/>\n    os que pugnaram sempre pela verdadeira Rep&uacute;blica. <\/p>\n<p>Tenho feito guerra aos especuladores da Rep&uacute;blica, aos ego&iacute;stas<br \/>\n    que procuram especular, com a mais santa das id&eacute;ias pol&iacute;ticas.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; uma &uacute;nica palavra minha que n&atilde;o seja dirigida<br \/>\n    aos neo-republicanos da indeniza&ccedil;&atilde;o e aos seus patronos, que<br \/>\n    viram neles o melhor instrumento para os seus despeitos encanecidos. <\/p>\n<p>Basta ler a coluna de O Paiz, sob a ep&iacute;grafe Partido Republicano,<br \/>\n    para ver que esta rep&uacute;blica baseada na indeniza&ccedil;&atilde;o, que<br \/>\n    &eacute; combatida pela Federa&ccedil;&atilde;o, deve ser combatida por todos<br \/>\n    os que entendem que a pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; uma especula&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    miser&aacute;vel. <\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, a Federa&ccedil;&atilde;o que, pelas suas tradi&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    devia dar neste momento exemplo de modera&ccedil;&atilde;o, de cortesia e<br \/>\n    de bom senso; que devia distinguir entre uns e outros dos que se dizem republicanos<br \/>\n    e dos que dizem praticar as doutrinas democr&aacute;ticas; a Federa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    entra na guerra da difama&ccedil;&atilde;o contra a minha pessoa nos seguintes<br \/>\n    termos: <\/p>\n<p>&laquo;Se o senhor Patroc&iacute;nio ajoelhou-se, n&atilde;o foi porque a<br \/>\n    liberta&ccedil;&atilde;o fosse um benef&iacute;cio que precisasse ser pedido<br \/>\n    de joelhos; a liberta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi uma d&aacute;diva, foi<br \/>\n    uma conquista, uma imposi&ccedil;&atilde;o; se o senhor Patroc&iacute;nio<br \/>\n    ajoelhou-se, &eacute; porque h&aacute; naturezas que nunca est&atilde;o t&atilde;o<br \/>\n    bem como quando est&atilde;o de joelhos. <\/p>\n<p>O grande representante da ra&ccedil;a negra n&atilde;o pode ser um renegado,<br \/>\n    v&atilde;o procur&aacute;-lo entre os que souberam sentir com altivez. <\/p>\n<p>O grande negro n&atilde;o &eacute; Lu&iacute;s Gama para ser o senhor Jos&eacute;<br \/>\n    do Patroc&iacute;nio!&raquo; \n  <\/p>\n<p>Quando foi que pedi, de joelhos, a liberta&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Seria pedir de joelhos o manter-me durante dez anos em guerra contra tudo<br \/>\n    e contra todos os que n&atilde;o eram abolicionistas? <\/p>\n<p>Para que caluniar miseravelmente aquele a quem aplaudiram na v&eacute;spera?\n  <\/p>\n<p>Onde est&aacute; o ato meu, durante a propaganda abolicionista, que demonstre<br \/>\n    um simples pestanejar diante do perigo? <\/p>\n<p>Enquanto o Partido Republicano, que merece aplausos &agrave; Federa&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    comia tranq&uuml;ilamente o suor do negro, e tratava a chicote os seus irm&atilde;os;<br \/>\n    enquanto o sr. Rafael de Barros e os seus soldados formavam reputa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    para as suas coudelarias e tornavam-se not&aacute;veis pelo seu apuro no meio<br \/>\n    da boa sociedade; o que era que eu fazia sen&atilde;o combater dia e noite<br \/>\n    na tribuna e na imprensa? <\/p>\n<p>Que fizeram os republicanos neste tempo? Qual o sacrif&iacute;cio coletivo<br \/>\n    por eles feito? <\/p>\n<p>Nem o partido, nem nenhum deles fundou um jornal. Os que escreviam recebiam<br \/>\n    dinheiro das empresas ricas que os chamavam. Nenhum se prestou a colaborar<br \/>\n    no &oacute;rg&atilde;o da aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; uma inf&acirc;mia da canalha negreira a opini&atilde;o que a Federa&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    infelizmente, endossou com o seu prest&iacute;gio. <\/p>\n<p>Esses bandidos, em cuja cara eu sempre escarrei, nos tempos da propaganda<br \/>\n    abolicionista, acharam que era agora o momento de vingarem-se contra a minha<br \/>\n    altivez. <\/p>\n<p>N&atilde;o tenho agora tempo, mas hei de contar a hist&oacute;ria de cada<br \/>\n    um desses patifes, que entenderam que as costas dos pr&oacute;ximos foram<br \/>\n    feitas para servir de escada &agrave;s suas ambi&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Disse-o sempre: o meu &uacute;nico fito em meu pa&iacute;s &eacute; cooperar,<br \/>\n    antes de tudo, para a extin&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o. Nunca iludi<br \/>\n    ningu&eacute;m. Apoiei o sr. Dantas, sendo entretanto republicano, e colocava<br \/>\n    Severino Ribeiro muito acima do sr. Saldanha Marinho. <\/p>\n<p>Declarada de direito a extin&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o, entendi<br \/>\n    que devia ficar ao lado do Governo para v&ecirc;-la realizada de fato, o que<br \/>\n    ainda se n&atilde;o deu por culpa do republicanismo de relho e indeniza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    republicanismo do Rio do Peixe e de Itu. <\/p>\n<p>Disse que hei de honrar a princesa e que lhe agrade&ccedil;o, como ao Governo,<br \/>\n    ter decretado a aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Emprestei alguma gl&oacute;ria &agrave; Sua Alteza e ao Gabinete? <\/p>\n<p>Pois n&atilde;o est&aacute; a&iacute; o movimento republicano atual demonstrando<br \/>\n    a gl&oacute;ria desses benem&eacute;ritos? <\/p>\n<p>Se eles nada fizeram, se legalizaram apenas o que todos j&aacute; haviam<br \/>\n    deliberado, por que os odeiam tanto? <\/p>\n<p>A Federa&ccedil;&atilde;o &eacute; injusta para comigo. Eu apelo para o futuro,<br \/>\n    mas declaro que prefiro morrer, como Tib&eacute;rio Graco, a ser ministro<br \/>\n    gordo e abafado do Governo do sr. Saldanha Marinho. <\/p>\n<p><b>31 jul. 1888<\/b><\/p>\n<h2>6-VIII-1888<\/h2>\n<p> Uma cilada descoberta, uma emboscada sem &ecirc;xito, eis a semana. <\/p>\n<p>A oposi&ccedil;&atilde;o quis de surpresa apoderar-se da Mesa da C&acirc;mara<br \/>\n    dos Deputados, mas a imper&iacute;cia da manobra n&atilde;o deu sen&atilde;o<br \/>\n    para uma exibi&ccedil;&atilde;o do sr. Coelho Rodrigues, que se indignou com<br \/>\n    uma por&ccedil;&atilde;o dos seus apelidos. <\/p>\n<p>Quis a oposi&ccedil;&atilde;o reviver na C&acirc;mara dos Deputados o tempo<br \/>\n    da elei&ccedil;&atilde;o de gola, o tempo das c&eacute;dulas recheadas. A<br \/>\n    tram&oacute;ia deu em &aacute;gua de barrela e a Mesa continuou a exprimir<br \/>\n    o voto e a vontade da maioria. <\/p>\n<p>Na verdade, &eacute; para desanimar e alucinar n&atilde;o poder vencer um<br \/>\n    advers&aacute;rio que se julgou matar no primeiro encontro. <\/p>\n<p>O escravismo, depois de parafusar longo tempo, concluiu que o melhor era<br \/>\n    deixar decretar a aboli&ccedil;&atilde;o de direito e, em seguida, apoderando-se<br \/>\n    do poder, manter a escravid&atilde;o de fato. <\/p>\n<p>Pensou l&aacute; com os seus bot&otilde;es que n&atilde;o havia nada mais<br \/>\n    c&ocirc;modo do que ter uma lei para enganar o mundo, como a de 7 de novembro<br \/>\n    de 1831, e os lucros da escravid&atilde;o no interior. Era t&atilde;o simples:<br \/>\n    tudo se pode fazer, a quest&atilde;o &eacute; de jeito. A experi&ecirc;ncia<br \/>\n    lhes dizia que o dif&iacute;cil era conter a onda humanit&aacute;ria, mas<br \/>\n    n&atilde;o canalizar os interesses dos que eram solid&aacute;rios na explora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do mesmo crime. <\/p>\n<p>Derrotado o Gabinete, o novo Minist&eacute;rio veria que n&atilde;o devia<br \/>\n    ser t&atilde;o radical. O sr. Paulino de Sousa andara bem na encena&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da rep&uacute;blica da indeniza&ccedil;&atilde;o e, por este lance teatral,<br \/>\n    seq&uuml;estrar-se-ia mais uma vez a opini&atilde;o do Poder Moderador. <\/p>\n<p>Ficava assim o campo livre e com uma dose de recrutamento, bem aplicada,<br \/>\n    lan&ccedil;ar-se-ia o p&acirc;nico entre os novos cidad&atilde;os, de modo<br \/>\n    a obter deles trabalho sem sal&aacute;rio. Era, pois, o melhor dos mundos,<br \/>\n    um para&iacute;so ainda mais delicioso que este em que viveu a pirataria desde<br \/>\n    Marambaia at&eacute; Serinha&eacute;m, durante 25 anos. <\/p>\n<p>Infelizmente, os escravistas puseram e os fatos dispuseram.<\/p>\n<p>Todas as profecias de terror foram desmentidas.<\/p>\n<p>N&atilde;o haveria colheita, disseram eles; a estat&iacute;stica demonstra<br \/>\n    que a diferen&ccedil;a das entradas de caf&eacute; entre os anos de 1887 e<br \/>\n    1888 &eacute; de mais de 245 mil sacas a favor deste ano. <\/p>\n<p>Perdia-se todo o caf&eacute;, n&atilde;o havia meio de colh&ecirc;-lo e,<br \/>\n    entretanto, a diferen&ccedil;a para mais, este ano, &eacute; espantosa. <\/p>\n<p>Sim, dizem eles, mas seria o dobro se n&atilde;o fosse perturbado o trabalho.<br \/>\n    Admitamos, por&eacute;m n&atilde;o nos esque&ccedil;amos de que o argumento<br \/>\n    foi outro. N&atilde;o se falou na perda do excesso, falou-se no aniquilamento<br \/>\n    da colheita, o que faz com que tenhamos direito em n&atilde;o acreditar na<br \/>\n    alega&ccedil;&atilde;o posterior. <\/p>\n<p>Diziam os escravistas que a renda diminuiria, que todos os capitais se retrairiam.<br \/>\n    A Alf&acirc;ndega rendeu no m&ecirc;s de julho, mais do que em julho de 1887,<br \/>\n    a quantia de 1.240:810$400! O algarismo da renda foi o maior conhecido at&eacute;<br \/>\n    hoje, 4.811:886$287. O movimento da Bolsa do Rio de Janeiro tem sido vertiginoso.<br \/>\n    &Eacute; verdade que se tem misturado muita intriga &agrave; verdade, mas<br \/>\n    o fato &eacute; que os capitais se agitam e se expandem. <\/p>\n<p>O c&acirc;mbio j&aacute; esteve quase ao par e, apesar de todos os manejos,<br \/>\n    de todas as nega&ccedil;as imaginadas pela judiaria esterlina, conserva o<br \/>\n    mais alto n&iacute;vel a que nestes &uacute;ltimos tempos era poss&iacute;vel<br \/>\n    imaginar. Os 24 d. do sr. Belis&aacute;rio, o ministro da conta corrente,<br \/>\n    ficaram j&aacute; a perder de vista. <\/p>\n<p>O testemunho do com&eacute;rcio imparcial &eacute; que a cifra de vendas<br \/>\n    das mercadorias essenciais &agrave; vida do trabalhador &eacute; o qu&aacute;druplo<br \/>\n    da que se conhecia at&eacute; antes de 13 de maio. A roupa feita, os chap&eacute;us,<br \/>\n    os sapatos e chinelos, os morins e algod&otilde;es vendem-se vertiginosamente,<br \/>\n    o que quer dizer que os novos cidad&atilde;os t&ecirc;m feito os enxovais<br \/>\n    da liberdade. <\/p>\n<p>O n&uacute;mero de casamentos &eacute; prodigioso. Os cora&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    que se imobilizavam no cativeiro, come&ccedil;am a bater e apinhar-se, como<br \/>\n    um p&aacute;ssaro que, longo tempo engaiolado, voa, voa, at&eacute; ir repousar<br \/>\n    bem longe, num ninho desde muito ambicionado. <\/p>\n<p>O desmentido ao escravismo n&atilde;o podia ser mais completo. Onde ele fantasiava<br \/>\n    o deserto, surge um o&aacute;sis; onde ele assentava a desola&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    esplendem a alegria e o movimento vivaz. Que fazer? Cruzar os bra&ccedil;os?<br \/>\n    N&atilde;o, porque o impenitente morre vociferando. <\/p>\n<p>Explicam-se pelo desespero os manejos empregados para falsificar as elei&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    de mesa parlamentar e a opini&atilde;o p&uacute;blica. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que se quis fazer crer que, da parte do Governo, havia a maior<br \/>\n    fraqueza, que se dera uma submiss&atilde;o indireta no contrato com o Banco<br \/>\n    do Brasil. <\/p>\n<p>Entretanto, a singeleza mesma da opera&ccedil;&atilde;o basta para demonstrar<br \/>\n    que ainda uma vez o sr. presidente do Conselho manteve os seus cr&eacute;ditos<br \/>\n    de prud&ecirc;ncia e de energia, de inflexibilidade e seguran&ccedil;a de<br \/>\n    vistas. <\/p>\n<p>O Banco do Brasil pagava a multa de oito por cento (8%) por n&atilde;o querer<br \/>\n    completar a sua carteira hipotec&aacute;ria. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; quem n&atilde;o compreenda logo que se o Banco do Brasil<br \/>\n    se negava a emprestar &agrave; lavoura era por motivo de interesse do estabelecimento,<br \/>\n    isto &eacute;, por julgar que o neg&oacute;cio n&atilde;o era bom. <\/p>\n<p>&Eacute;, pois, uma vit&oacute;ria, quando se anuncia a ru&iacute;na total<br \/>\n    da lavoura, conseguir do estabelecimento que melhor a conhece volver de novo<br \/>\n    ao neg&oacute;cio, por ele considerado t&atilde;o mau, que preferia a faz&ecirc;-lo<br \/>\n    pagar a multa de 8% de amortiza&ccedil;&atilde;o da sua emiss&atilde;o de<br \/>\n    papel-moeda. <\/p>\n<p>Assim, pois, se o sr. presidente do Conselho obtivesse do Banco do Brasil<br \/>\n    somente a volta ao neg&oacute;cio, neste momento, j&aacute; era um triunfo<br \/>\n    extraordin&aacute;rio, visto como, em tempos considerados lisonjeiros, aquele<br \/>\n    estabelecimento se negou, apesar da coa&ccedil;&atilde;o da multa. <\/p>\n<p>Mas S. Ex.&ordf; obteve muito mais. O Governo empresta, &eacute; certo, ao<br \/>\n    Banco do Brasil seis mil contos, mas o banco, por sua vez, entra para a carteira<br \/>\n    hipotec&aacute;ria com a quantia de seis mil contos. <\/p>\n<p>Quer isto dizer, primeiro, que o sr. presidente do Conselho conseguiu que<br \/>\n    o Banco do Brasil realizasse o capital a que se obrigou emprestar &agrave;<br \/>\n    lavoura e mais uma responsabilidade de seis mil contos para com o Estado;<br \/>\n    segundo, que o sr. presidente do Conselho conseguiu a declara&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    p&uacute;blica, o depoimento prestigioso do primeiro estabelecimento de cr&eacute;dito<br \/>\n    do pa&iacute;s, de que o estado da lavoura n&atilde;o &eacute; o que o pessimismo<br \/>\n    partid&aacute;rio e alucinado assoalha, com perigo do cr&eacute;dito do Estado.\n  <\/p>\n<p>Ressalta, &agrave; simples vista, que obter pelo empr&eacute;stimo de seis<br \/>\n    mil contos o desmentido solene de uma crise, conjurar o mais formid&aacute;vel<br \/>\n    abalo de que pod&iacute;amos ser v&iacute;timas, por t&atilde;o insignificante<br \/>\n    soma, &eacute; dar prova do mais profundo tino. <\/p>\n<p>Est&aacute; na mem&oacute;ria de todos que o Estado fez muito maior sacrif&iacute;cio<br \/>\n    quando teve que dominar a crise banc&aacute;ria na pra&ccedil;a do Rio de<br \/>\n    Janeiro e, entretanto, n&atilde;o se havia dado uma transforma&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    radical na sociedade. <\/p>\n<p>Mas o empr&eacute;stimo foi sem juros; &eacute; exato, por&eacute;m &eacute;<br \/>\n    muito menos oneroso que se fosse emitido papel-moeda, que deprecia o meio<br \/>\n    circulante e perturba todas as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas do<br \/>\n    pa&iacute;s e v&oacute;s outros, em circunst&acirc;ncias menos graves, lan&ccedil;astes<br \/>\n    m&atilde;o desse recurso desesperado. <\/p>\n<p>O favor &eacute; grande para o Banco do Brasil e a prova &eacute; a alta<br \/>\n    das suas a&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso distinguir o lucro direto e o lucro proveniente do aumento<br \/>\n    de confian&ccedil;a pela sabedoria da opera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O Banco do Brasil, entrando com seis mil contos de sua carteira comercial<br \/>\n    para a hipotec&aacute;ria, priva-se de lucros certos e prontos, e muito maiores.<br \/>\n    Quer os tivesse colocado em ap&oacute;lices, com o juro de 5% certo, capitalizado<br \/>\n    de seis em seis meses; quer em letras comerciais, j&aacute; pela seguran&ccedil;a<br \/>\n    do empr&eacute;stimo, j&aacute; pela facilidade de liquida&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    o banco tinha lucros que ele considerava superiores a 8% do valor do capital<br \/>\n    retirado das transa&ccedil;&otilde;es hipotec&aacute;rias. A raz&atilde;o<br \/>\n    &eacute; &oacute;bvia, ningu&eacute;m evita sob pena de multa um neg&oacute;cio<br \/>\n    lucrativo. <\/p>\n<p>Se &eacute; verdade que o Tesouro empresta sem juros, &eacute; tamb&eacute;m<br \/>\n    verdade que o banco se priva de lucros imediatos e se aventura a transa&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    em que ele j&aacute; n&atilde;o confiava, e em que reentra por ter uma base<br \/>\n    certa, um c&aacute;lculo seguro, para cobrir-se no futuro. <\/p>\n<p>O fim do Governo n&atilde;o &eacute; ter casa banc&aacute;ria; n&atilde;o<br \/>\n    &eacute; negociar em dinheiro; &eacute; aplic&aacute;-lo de modo &uacute;til<br \/>\n    ao Estado. <\/p>\n<p>Desde que o Tesouro n&atilde;o perde, desde que o estado n&atilde;o se priva<br \/>\n    de nenhum servi&ccedil;o necess&aacute;rio, n&atilde;o h&aacute; que estranhar<br \/>\n    que ele aplique uma soma qualquer, que vai conjurar uma crise, com inteira<br \/>\n    seguran&ccedil;a de reembolso. <\/p>\n<p>Acresce que a quantia emprestada n&atilde;o pode sofrer nenhum desvio do<br \/>\n    fim especial a que &eacute; destinada, pois que ser&aacute; feita &agrave;<br \/>\n    propor&ccedil;&atilde;o que o banco a for distribuindo pela lavoura. <\/p>\n<p>A cota&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es subiu e era l&oacute;gico.<br \/>\n    Desde que a carteira hipotec&aacute;ria, sobre a qual pairavam as nuvens agoureiras<br \/>\n    do p&acirc;nico teatral do escravismo, teve o horizonte desanuviado, os capitalistas,<br \/>\n    renascida a confian&ccedil;a, deviam voltar &agrave; procura das a&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    do banco. <\/p>\n<p>A bolha de sab&atilde;o do empr&eacute;stimo espocou por si mesma no ar e<br \/>\n    n&atilde;o h&aacute;, portanto, que admirar se ela n&atilde;o serviu para<br \/>\n    o bal&atilde;o de ensaio. <\/p>\n<p>Qualquer que seja o ponto de vista, sob o qual encaremos a oposi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    vemos que ela n&atilde;o tem nenhuma raz&atilde;o patri&oacute;tica para combater<br \/>\n    o Minist&eacute;rio. <\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio fazer barulho e a oposi&ccedil;&atilde;o agita-se;<br \/>\n    nada mais. <\/p>\n<p>A verdade &eacute; que o Minist&eacute;rio da Reden&ccedil;&atilde;o continua<br \/>\n    a bem merecer da p&aacute;tria e consolidando pela sabedoria administrativa<br \/>\n    o nome e a fortuna nacionais no exterior e no interior. <\/p>\n<p><b>6 ago. 1888<\/b><\/p>\n<h2>14-IX-1888<\/h2>\n<h4><a name=\"12\">Respondo&#8230; <\/a><\/h4>\n<p> Estava o sr. Silva Jardim a pedir que o deixassem rir, e os seus ouvintes<br \/>\n    faziam-lhe c&oacute;cegas &agrave; vaidade, quando lhe irromperam dos l&aacute;bios<br \/>\n    estas palavras: <\/p>\n<p>&laquo;Deixai que eu me ria desses republicanos abolicionistas que, depois<br \/>\n    da aboli&ccedil;&atilde;o, ajoelharam-se aos p&eacute;s da Monarquia.&raquo;\n  <\/p>\n<p>-Uma voz. -Jos&eacute; do Patroc&iacute;nio. <\/p>\n<p>-O orador. -&laquo;Eu n&atilde;o sei onde h&aacute; monturos, e quando os<br \/>\n    haja, eu, como bom republicano, n&atilde;o devo revolv&ecirc;-los&raquo;.\n  <\/p>\n<p>Estou de acordo com o sr. Silva Jardim.<\/p>\n<p>O monturo de mis&eacute;rias e ambi&ccedil;&otilde;es sobre o qual S. S.&ordf;<br \/>\n    assentou a tenda de combate, infecciona ainda mesmo n&atilde;o sendo revolvido.<br \/>\n    &Eacute; que ele se fez com o lixo de todas as consci&ecirc;ncias, com a podrid&atilde;o<br \/>\n    de todas as almas que se decompuseram ao contato da lepra da escravid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Representando uma propaganda que tem como arma a difama&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    a mais baixa dos seus advers&aacute;rios; fazendo do seu talento a cloaca<br \/>\n    m&aacute;xima onde o &oacute;dio dos vagabundos, for&ccedil;ados ao trabalho<br \/>\n    pela Lei 13 de Maio, dejetam toda a bile; o sr. Silva Jardim, para sentir<br \/>\n    sempre exala&ccedil;&otilde;es nauseabundas, n&atilde;o precisa de sair fora<br \/>\n    das teorias, que anda pregando. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que, caluniando a Hist&oacute;ria, entre outras falsidades<br \/>\n    levantadas para adular a lavoura, S. S.&ordf; disse que era obra de lavradores<br \/>\n    a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1817, a santa revolu&ccedil;&atilde;o a que eu<br \/>\n    filiei, como republicano que sou, a causa da aboli&ccedil;&atilde;o, desde<br \/>\n    o primeiro dia que falei e escrevi, desde os tempos em que, muito ing&ecirc;nuo<br \/>\n    ainda, acreditando que os chefes republicanos eram s&eacute;rios, ia interromper<br \/>\n    o sr. Quintino Bocai&uacute;va numa apresenta&ccedil;&atilde;o de candidaturas,<br \/>\n    pedindo-lhe, em nome da tradi&ccedil;&atilde;o de 1817, que ele se externasse<br \/>\n    quanto &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Quando se tem a coragem do sr. Silva Jardim para mentir assim, com a palidez<br \/>\n    de um mission&aacute;rio, com a doce fei&ccedil;&atilde;o de um barbadinho<br \/>\n    que evangeliza, quando se d&aacute; aos assassinos da Rep&uacute;blica de<br \/>\n    1817 a gl&oacute;ria da sua vida; quando impudentemente se profana a sepultura<br \/>\n    do padre Miguelinho para empanzinar crian&ccedil;as e deliciar despeitados,<br \/>\n    tem-se com certeza coragem para tudo. Quem n&atilde;o hesita diante do saqueio<br \/>\n    da mem&oacute;ria dos mortos, como h&aacute; de recuar diante do assalto &agrave;<br \/>\n    honra dos vivos? <\/p>\n<p>Os movimentos republicanos do Brasil s&atilde;o obra dos lavradores! <\/p>\n<p>Eu s&oacute; conhe&ccedil;o um: a Inconfid&ecirc;ncia, devida &agrave; capita&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    lan&ccedil;ada pela metr&oacute;pole sobre os escravos empregados na minera&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Mas este, como o de agora, n&atilde;o pode ser invocado como justificativa.\n  <\/p>\n<p>Pedia-se a Rep&uacute;blica para melhor explorar a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>A apologia dos lavradores d&aacute; a medida da sinceridade do sr. Silva<br \/>\n    Jardim, na atual propaganda republicana, e n&atilde;o admira, pois, que S.<br \/>\n    S.&ordf; se fa&ccedil;a o pregoeiro p&uacute;blico de todas as cal&uacute;nias,<br \/>\n    com que o esclavagismo procurou macular a propaganda abolicionista. <\/p>\n<p>Eu sou realmente um monturo, porque fui obrigado a arquivar as mis&eacute;rias<br \/>\n    da escravid&atilde;o. O monturo n&atilde;o existe sen&atilde;o porque h&aacute;<br \/>\n    uma sociedade que vai depositar nele tudo quanto ela tem de mais asqueroso.\n  <\/p>\n<p>A ilha da Sapucaia, que saiu pura e imaculada das entranhas da natureza,<br \/>\n    n&atilde;o tem culpa de que a escolhessem para dep&oacute;sito de lixo. <\/p>\n<p>Eu fui a ilha em que a fatalidade da Hist&oacute;ria depositou o lixo das<br \/>\n    consci&ecirc;ncias dessa gera&ccedil;&atilde;o miser&aacute;vel, que vivia<br \/>\n    de explorar os seus irm&atilde;os. <\/p>\n<p>O sr. Silva Jardim n&atilde;o quer ir revolv&ecirc;-la, porque tem medo de<br \/>\n    encontrar a&iacute; algum trapo que de alguma forma lhe perten&ccedil;a. <\/p>\n<p>Acha o tribuno da Nova Rep&uacute;blica rid&iacute;culo o qualificativo Redentora<br \/>\n    dado &agrave; princesa. <\/p>\n<p>O que hei de eu achar no qualificativo benem&eacute;ritos dado aos comiss&aacute;rios<br \/>\n    e fazendeiros, que o aplaudem? <\/p>\n<p>Qual &eacute; mais digno, beijar a m&atilde;o da senhora que levantou uma<br \/>\n    ra&ccedil;a ao ponto de o sr. Silva Jardim j&aacute; a considerar capaz de<br \/>\n    poder presidir a Rep&uacute;blica, por um dos seus representantes, quando<br \/>\n    at&eacute; o &uacute;ltimo dia muitos dos seus correligion&aacute;rios s&oacute;<br \/>\n    a julgavam digna do chicote e do tronco e de servir como semovente &agrave;<br \/>\n    garantia de hipotecas; ou apoiar-se na fortuna e no &oacute;dio dos escravistas<br \/>\n    para subir &agrave;s altas posi&ccedil;&otilde;es do Estado? <\/p>\n<p>H&aacute; no meu procedimento uma contradi&ccedil;&atilde;o e eu a n&atilde;o<br \/>\n    contesto. <\/p>\n<p>Quem &eacute; o respons&aacute;vel, por&eacute;m, eu ou o Partido Republicano?\n  <\/p>\n<p>Eu era republicano revolucion&aacute;rio durante a propaganda abolicionista<br \/>\n    e nesse tempo o Partido Republicano negou-se a deixar aferir a sua bandeira<br \/>\n    pelos sentimentos abolicionistas. <\/p>\n<p>A&iacute; est&atilde;o os manifestos de S. Paulo como prova, a&iacute; est&aacute;<br \/>\n    o discurso do sr. Quintino Bocai&uacute;va e o seu sil&ecirc;ncio durante<br \/>\n    a reda&ccedil;&atilde;o do Globo, da tarde, para demonstr&aacute;-lo. O sr.<br \/>\n    Saldanha Marinho homologou as declara&ccedil;&otilde;es dos seus correligion&aacute;rios.<br \/>\n    Os srs. Campos Sales e Prudente de Morais, ambos senhores de escravos, n&atilde;o<br \/>\n    queriam mais que o sr. Dantas. <\/p>\n<p>O Partido Republicano n&atilde;o tinha pejo de declarar que n&atilde;o assumia<br \/>\n    a dire&ccedil;&atilde;o da propaganda, porque se indisporia com a lavoura.\n  <\/p>\n<p>Mais ainda: quando j&aacute; a vit&oacute;ria abolicionista se anunciava<br \/>\n    pela resist&ecirc;ncia desesperada ao sr. Dantas, pela lei de 1885, pelo Minist&eacute;rio<br \/>\n    Cotegipe e a monstruosa administra&ccedil;&atilde;o policial do sr. Coelho<br \/>\n    Bastos, o Partido Republicano n&atilde;o se organizou, como agora, para acompanhar<br \/>\n    o sr. Quintino Bocai&uacute;va, que tinha confraternizado finalmente com a<br \/>\n    propaganda abolicionista. <\/p>\n<p>Em v&atilde;o nas partes policiais, o sr. Coelho Bastos, para indispor os<br \/>\n    abolicionistas com a princesa regente, declarava que n&oacute;s nos retir&aacute;vamos<br \/>\n    das confer&ecirc;ncias e dos meetings dando vivas &agrave; Rep&uacute;blica,<br \/>\n    os republicanos esperaram o 14 de maio, o fato consumado da aboli&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    para reclamar como obra republicana aquilo para que s&oacute; haviam contribu&iacute;do<br \/>\n    pela resist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>O que fez a princesa regente? Ainda, sob o Minist&eacute;rio Cotegipe, ela,<br \/>\n    a santa, a meiga M&atilde;e dos Cativos, dava &agrave; propaganda abolicionista<br \/>\n    tudo quanto podia: as abund&acirc;ncias de piedade do seu cora&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Seus filhos, os pequenos pr&iacute;ncipes, nos seus jornaizinhos glorificavam<br \/>\n    a propaganda abolicionista, enquanto ela, a princesa, debaixo de chuva e aos<br \/>\n    estampidos do trov&atilde;o esmolava pelos cativos, e quando voltava a pal&aacute;cio<br \/>\n    repartia um peda&ccedil;o do seu manto de rainha com os escravos foragidos,<br \/>\n    que iam implorar-lhe prote&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Os republicanos n&atilde;o assumiam a responsabilidade da propaganda abolicionista;<br \/>\n    a princesa n&atilde;o se arreceava de tornar patentes, p&uacute;blicos os<br \/>\n    seus desejos de ver extinta a escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Qual &eacute; mais nobre? O republicano que n&atilde;o arriscou um voto,<br \/>\n    ou a princesa que jogou num assomo de fraternidade a coroa da sua dinastia?\n  <\/p>\n<p>Deixo &agrave; Hist&oacute;ria a resposta.<\/p>\n<p>Disse o sr. Silva Jardim que h&aacute; homens que s&oacute; vivem para o<br \/>\n    est&ocirc;mago; eu repito a frase. <\/p>\n<p>Estou convencido de que no dia em que cortarem os v&iacute;veres &agrave;<br \/>\n    propaganda republicana atual, ela perder&aacute; muito de entusiasmo. <\/p>\n<p>A Rep&uacute;blica da meia d&uacute;zia de sujeitos, que arrastam S. S.&ordf;<br \/>\n    a pedir cabe&ccedil;as de seus semelhantes para a forca e para a bala do sic&aacute;rio,<br \/>\n    como se fossem cabe&ccedil;as de porco para feijoada, &eacute; assim. Passeia<br \/>\n    &agrave; custa de subscri&ccedil;&otilde;es, chama &agrave; vadia&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ex&iacute;lio, e aos bailes no Banlieu, tortura. <\/p>\n<p>Ainda n&atilde;o h&aacute; seis meses esses m&aacute;rtires de hoje deixavam<br \/>\n    morrer &agrave; m&iacute;ngua a Gazeta Nacional, filha dos sacrif&iacute;cios<br \/>\n    de um republicano, que tem tanto de exaltado quanto de leal &agrave;s suas<br \/>\n    id&eacute;ias. <\/p>\n<p>Previna-se o sr. Silva Jardim, enquanto &eacute; tempo. Eles tirar&atilde;o<br \/>\n    de si quanto puderem e em seguida h&atilde;o de difam&aacute;-lo com o mesmo<br \/>\n    sangue-frio com que hoje caluniam a (sic). <\/p>\n<p><b>14 set. 1888<\/b><\/p>\n<h2>29-X-1888<\/h2>\n<p> O Senado continua em sua ferrenha campanha protelat&oacute;ria; mas a fatalidade<br \/>\n    dos acontecimentos incumbiu-se de infligir o castigo necess&aacute;rio aos<br \/>\n    r&eacute;us de leso-decoro parlamentar. <\/p>\n<p>Nos debates t&ecirc;m vindo &agrave; tona da opini&atilde;o, id&eacute;ias<br \/>\n    e aspira&ccedil;&otilde;es que os senadores obstrucionistas n&atilde;o queriam<br \/>\n    sequer fossem suspeitadas no &iacute;ntimo deles. <\/p>\n<p>O sr. Lafaiete, por exemplo, apavonara-se para a presid&ecirc;ncia do Conselho<br \/>\n    e foi obrigado a despir a plumagem do veto &agrave; lei de 13 de maio e mostrar-se<br \/>\n    o que realmente &eacute;: a gralha vesga da indeniza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Acostumado a ver os advers&aacute;rios acovardados ao flag&iacute;cio da<br \/>\n    sua s&aacute;tira, o Quas&iacute;modo senatorial pensou que o melhor meio<br \/>\n    de chegar ao Governo era com o palavreado dos c&atilde;es, e armazenar no<br \/>\n    Senado as diatribes e ambi&ccedil;&otilde;es do escravismo. <\/p>\n<p>E n&atilde;o refletiu nas conseq&uuml;&ecirc;ncias, n&atilde;o mediu o alcance<br \/>\n    das suas palavras, nem a responsabilidade do carreto que fazia, tendo ao peito<br \/>\n    a chapa numerada pelo sr. Paulino de Sousa. <\/p>\n<p>Com espanto de todos, que n&atilde;o reparavam na proporcionalidade da queda<br \/>\n    dos cabelos do Sans&atilde;o de olho torto, com a decad&ecirc;ncia da sua<br \/>\n    for&ccedil;a intelectual; o sr. Lafaiete foi ao Senado pedir a indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e em nome dela intimar a retirada do Gabinete. <\/p>\n<p>N&atilde;o est&aacute; esquecida ainda a solenidade preparada para esse debate,<br \/>\n    que devia mudar o eixo da vida parlamentar, fazendo com que o Senado assuma<br \/>\n    desde logo a sua miss&atilde;o de iniciador de situa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas.\n  <\/p>\n<p>O sr. Lafaiete disse-o, uma, dez vezes: que a perman&ecirc;ncia do Minist&eacute;rio<br \/>\n    amea&ccedil;a as institui&ccedil;&otilde;es, que depois do abalo de 13 de<br \/>\n    maio, s&oacute; podiam viver da repara&ccedil;&atilde;o dos preju&iacute;zos<br \/>\n    causados. <\/p>\n<p>Por outra, S. Ex.&ordf; pregou francamente, positivamente, a indeniza&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    fazendo daquela a raz&atilde;o de ser das institui&ccedil;&otilde;es, pela<br \/>\n    raz&atilde;o muito simples de que a aboli&ccedil;&atilde;o sem indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    equivalia &agrave; morte com o confisco dos bens. <\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, dias depois, o Rigoletto zarolho veio fazer uma emenda<br \/>\n    a si mesmo e declarar que n&atilde;o tinha dito o que todo o mundo ouviu,<br \/>\n    sem ainda desta vez medir as ila&ccedil;&otilde;es que resultam de tal declara&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>O obstrucionismo do Senado tinha raz&atilde;o, quando empregado para depauperar<br \/>\n    o Gabinete e obrig&aacute;-lo a retirar-se, para dar ao parlamento ensejo<br \/>\n    de for&ccedil;ar o imperador a uma pol&iacute;tica diferente, isto &eacute;,<br \/>\n    para coagir o imperador a aceitar a indeniza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Desde o momento em que o sr. Lafaiete declara que a indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; problema para se impor, sem ter em conta o estado do Tesouro,<br \/>\n    fica fora de d&uacute;vida a inoportunidade, ou, mais precisamente, a impertin&ecirc;ncia<br \/>\n    e a obstru&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O sr. Lafaiete concorda com o Minist&eacute;rio num ponto: n&atilde;o h&aacute;<br \/>\n    dinheiro para indenizar os ex-propriet&aacute;rios de escravos. Por que motivo,<br \/>\n    pois, responsabilizar o Gabinete por n&atilde;o querer iniciar uma pol&iacute;tica<br \/>\n    de esperan&ccedil;as v&atilde;s? <\/p>\n<p>N&atilde;o manda a boa compreens&atilde;o da responsabilidade do Governo<br \/>\n    esperar pelos novos trabalhos ministeriais, para que, na futura sess&atilde;o,<br \/>\n    bem apreciadas as condi&ccedil;&otilde;es do Estado, ver o que &eacute; poss&iacute;vel<br \/>\n    adiantar em benef&iacute;cio da lavoura e sem gravame das demais classes populares?\n  <\/p>\n<p>Como, depois de provado pelo pr&oacute;prio sr. Lafaiete que a oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    apenas levantou a poeira com a indeniza&ccedil;&atilde;o; como, depois de<br \/>\n    demonstrado pelo sr. Dantas que a pol&iacute;tica de Gabinete &eacute; a &uacute;nica<br \/>\n    de conformidade com o nosso momento social, os senadores oposicionistas ainda<br \/>\n    teimam em protelar a vota&ccedil;&atilde;o dos or&ccedil;amentos? <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; muito mais patri&oacute;tico terminar a sess&atilde;o<br \/>\n    e dar tempo a melhor julgamento, preparando-se a oposi&ccedil;&atilde;o, por<br \/>\n    meio de acordo, para dar batalha na pr&oacute;xima sess&atilde;o? Os homens<br \/>\n    de boa-f&eacute; concordar&atilde;o conosco, mas n&atilde;o assim, os que<br \/>\n    fazendo vida de pol&iacute;tica, os que t&ecirc;m a legar aos seus descendentes<br \/>\n    a tradi&ccedil;&atilde;o de instrumento de partidos t&atilde;o cegos quanto<br \/>\n    imprest&aacute;veis. <\/p>\n<p>Para esses, o que n&oacute;s dizemos n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o o fruto<br \/>\n    do sal&aacute;rio que recebemos, confundindo assim a nossa com a consci&ecirc;ncia<br \/>\n    deles. <\/p>\n<p>Al&eacute;m da poeira da indeniza&ccedil;&atilde;o, o debate no Senado levantou<br \/>\n    da sua sepultura o &laquo;L&aacute;zaro hediondo, a miser&aacute;vel quest&atilde;o<br \/>\n    chinesa&raquo;. <\/p>\n<p>Felizmente, a palavra do honrado senador Taunay j&aacute; intimou &agrave;<br \/>\n    peste amarela a quarentena perp&eacute;tua que lhe imp&ocirc;s o patriotismo<br \/>\n    brasileiro. A opini&atilde;o p&uacute;blica confraternizou com S. Ex.&ordf;<br \/>\n    e deixou mais uma vez patente que n&atilde;o haver&aacute; quem tenha for&#038;ccedilccedil;a<br \/>\n    para atentar t&atilde;o barbaramente contra a nossa nacionalidade. <\/p>\n<p>O chin&ecirc;s n&atilde;o entrar&aacute; em nosso pa&iacute;s, quaisquer<br \/>\n    que sejam as ast&uacute;cias empregadas pelos que pretendem explor&aacute;-lo.\n  <\/p>\n<p>Aconselhado como suced&acirc;neo da escravid&atilde;o; apresentado como um<br \/>\n    fator arbitr&aacute;rio da baixa do sal&aacute;rio, o chin&ecirc;s encontra<br \/>\n    diante de si a mais formid&aacute;vel barreira: a consci&ecirc;ncia nacional,<br \/>\n    de que ele &eacute; o mais poderoso perturbador do progresso brasileiro. <\/p>\n<p>Dizemo-lo com a tranq&uuml;ilidade da mais &iacute;ntima convic&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    n&atilde;o nos receamos da entrada do chin&ecirc;s em nosso pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Fundem-se, n&atilde;o um, mil bancos; reunam-se para favorecer a mongoliza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Brasil, todos os favoneadores de interesses inconfess&aacute;veis; gritem,<br \/>\n    estipendiem ades&otilde;es, reformem os processos e o chin&ecirc;s n&atilde;o<br \/>\n    entrar&aacute;. <\/p>\n<p>Ser&aacute; mais f&aacute;cil voar pelos ares o Senado vital&iacute;cio,<br \/>\n    dar ju&iacute;zo ao sr. Lafaiete, fazer tudo quanto parece imposs&iacute;vel<br \/>\n    neste pa&iacute;s. <\/p>\n<p>O chin&ecirc;s n&atilde;o entrar&aacute; no Brasil, nem puxado pelo rabicho<br \/>\n    por toda a oligarquia e plutocracia que nos infelicitam. <\/p>\n<p>Mas os oposicionistas no Senado n&atilde;o viram isto; esqueceram-se de que<br \/>\n    o Governo Sinimbu teve na quest&atilde;o chinesa um dos maiores afluentes<br \/>\n    que lhe formaram o vasto estu&aacute;rio de impopularidade. <\/p>\n<p>Quando a simples t&aacute;tica pol&iacute;tica, desde o momento em que se<br \/>\n    reconheceu a forma&ccedil;&atilde;o indenista no Partido Liberal, aconselhava<br \/>\n    que se restringisse o debate &agrave;s mat&eacute;rias do or&ccedil;amento,<br \/>\n    como um meio de impedir revela&ccedil;&otilde;es impopulares; a oposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    entendeu que devia dar &agrave; l&iacute;ngua, e o resultado foi este: sair<br \/>\n    do partido que se diz liberal a ades&atilde;o ao chin&ecirc;s, ou por outra,<br \/>\n    a confiss&atilde;o p&uacute;blica de que se premedita um atentado contra todos<br \/>\n    aqueles que nasceram e residem no Brasil. <\/p>\n<p>Foi por isso que dissemos que a fatalidade dos acontecimentos se incumbiu<br \/>\n    do castigo dos obstrucionistas. <\/p>\n<p>Que confian&ccedil;a podem merecer ao pa&iacute;s estadistas que pretendem<br \/>\n    defraudar um povo inteiro para servir &agrave; sua clientela agr&iacute;cola?\n  <\/p>\n<p>Com que direito podem querer impor-se &agrave; Coroa estadistas que antes<br \/>\n    de tudo confessam que a Monarquia s&oacute; se pode manter empregando como<br \/>\n    alicerce do trono interesses inconfess&aacute;veis, tais como a indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e a peste amarela? <\/p>\n<p>O Partido Liberal tem neste momento mais urg&ecirc;ncia de calar-se do que<br \/>\n    o Minist&eacute;rio de ver votado o or&ccedil;amento. <\/p>\n<p>Cada dia de debate deixa mais e mais patente a incapacidade do grosso dos<br \/>\n    chefes liberais para governar, e cria maior dificuldade &agrave; confian&ccedil;a<br \/>\n    da Coroa no Partido Liberal, pois que est&aacute; demonstrado que uma situa&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dele reproduziria a de 1878 a 85, pela instabilidade dos presidentes do Conselho.\n  <\/p>\n<p>Se pud&eacute;ssemos dar um conselho aos obstrucionistas, seria este: calem-se,<br \/>\n    quando V. Ex.as abrem a boca desmoralizam o seu partido. <\/p>\n<p><b>29 out. 1888<\/b><\/p>\n<h2>4-I-1889<\/h2>\n<h4><a name=\"13\">&Agrave; ponta da pena<\/a><\/h4>\n<p> O sr. Quintino Bocai&uacute;va, certo de que pela sua decad&ecirc;ncia intelectual<br \/>\n    e pelas falhas de sua vida n&atilde;o pode travar luta jornal&iacute;stica<br \/>\n    comigo, escondeu-se por detr&aacute;s da -A Prov&iacute;ncia de S&atilde;o<br \/>\n    Paulo, velha cadela que viveu sempre das sobras do rancho dos piratas do barrete<br \/>\n    fr&iacute;gio. <\/p>\n<p>Editando os insultos, que me foram atirados por essa mediocridade empapelada<br \/>\n    que se chama Rangel Pestana, magro bode branco, gasto ao cio dos pastos de<br \/>\n    fazenda, o sr. Quintino Bocai&uacute;va assumiu a responsabilidade do artigo<br \/>\n    que pretende infamar-me. <\/p>\n<p>Antes da resposta, uma explica&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p>Acusam-me de trai&ccedil;&atilde;o &agrave; Rep&uacute;blica, os Rangel e<br \/>\n    os Quintino; entendem que a minha atitude junto ao Minist&eacute;rio 10 de<br \/>\n    Mar&ccedil;o e da princesa imperial &eacute; devida &agrave; venda dos meus<br \/>\n    princ&iacute;pios republicanos. Para dar, como dou, o meu apoio ao Minist&eacute;rio<br \/>\n    e &agrave; minha Senhora Veneranda, que &eacute; alvo de todos os &oacute;dios<br \/>\n    da atual propaganda republicana entendem esses velhos ganhadores da imprensa<br \/>\n    que me fiz numerar, a exemplo deles, pela placa de um dono. <\/p>\n<p>Os salteadores da honra alheia, n&atilde;o tendo por onde me ferir no passado,<br \/>\n    injuriam a minha pobreza presente. <\/p>\n<p>Os homens p&uacute;blicos n&atilde;o t&ecirc;m vida privada; devem exp&ocirc;-la<br \/>\n    toda em suas &iacute;ntimas minud&ecirc;ncias ao p&uacute;blico. <\/p>\n<p>Eu sou hoje paup&eacute;rrimo. Tudo quanto tenho &eacute; fruto do meu trabalho<br \/>\n    quotidiano, a explora&ccedil;&atilde;o dolorosa e &aacute;rdua da minha intelig&ecirc;ncia.\n  <\/p>\n<p>Entretanto, entrei relativamente afortunado para a imprensa, porque a fam&iacute;lia<br \/>\n    de minha consorte p&ocirc;s &agrave; minha disposi&ccedil;&atilde;o a sua<br \/>\n    bolsa, que eu deixei vazia. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, eu saquei sobre o meu cr&eacute;dito e contra&iacute;<br \/>\n    d&iacute;vidas extraordin&aacute;rias para poder sustentar a campanha da imprensa,<br \/>\n    que se estendeu desde 1881 a 1888, por minha conta, nos jornais que dirigi.\n  <\/p>\n<p>Terminada a 13 de maio, na lei, a luta abolicionista, pensei em retirar-me<br \/>\n    da imprensa, posto que para mim n&atilde;o tinha sido sen&atilde;o do mais<br \/>\n    cruciante sacrif&iacute;cio. <\/p>\n<p>Eu esperava apenas registrar as aclama&ccedil;&otilde;es triunfais &agrave;<br \/>\n    aboli&ccedil;&atilde;o, para dar por finda a minha miss&atilde;o jornal&iacute;stica.\n  <\/p>\n<p>Fui, por&eacute;m, surpreendido pela grita de uma propaganda que amea&ccedil;ava<br \/>\n    destruir pela indeniza&ccedil;&atilde;o a obra imortal de 13 de maio. <\/p>\n<p>O meu lema, desde o primeiro dia em que me apresentei ao p&uacute;blico,<br \/>\n    foi sempre aboli&ccedil;&atilde;o imediata e sem indeniza&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n    Os escravistas reclamavam esta; eu conservei-me na imprensa para resistir-lhes.\n  <\/p>\n<p>Com grande m&aacute;goa minha vi que os antigos clubes de lavoura convertiam-se<br \/>\n    em republicanos, e que os seus manifestos reclamavam a indeniza&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Compreendi, como todos os homens de bem, que a Rep&uacute;blica n&atilde;o<br \/>\n    era sen&atilde;o a m&aacute;scara grosseira de que se servia o escravismo,<br \/>\n    para ver se fazia dos propagandistas que o haviam derrotado instrumentos da<br \/>\n    sua vingan&ccedil;a e dos seus interesses. <\/p>\n<p>Do mesmo modo que antes havia flagiciado os republicanos, que n&atilde;o<br \/>\n    queriam medir a sua bandeira pela aboli&ccedil;&atilde;o, fiz da pena um l&aacute;tego<br \/>\n    para castigar os mercadores da democracia que inscreviam na sua bandeira a<br \/>\n    indeniza&ccedil;&atilde;o &agrave; pirataria. <\/p>\n<p>Os cobardes recuaram; e, embu&ccedil;ados na mais torpe hipocrisia, disseram<br \/>\n    nuns congressos caricatos que n&atilde;o eram indenistas, enquanto os candidatos<br \/>\n    nas circulares e os deputados provinciais nas assembl&eacute;ias permitiam<br \/>\n    ou votavam a indeniza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Que os meus golpes iam-lhes ao cora&ccedil;&atilde;o, prova o &oacute;dio<br \/>\n    que me votam. Apesar de tudo, n&atilde;o podem os Rangel e Quintino negar<br \/>\n    que eu sou um negro de talento. <\/p>\n<p>Vendo que n&atilde;o podiam bater-me no terreno dos princ&iacute;pios, porque<br \/>\n    eu tinha por mim um passado de firmeza e intransig&ecirc;ncia, ao passo que<br \/>\n    eles tinham o mais triste passado de tergiversa&ccedil;&otilde;es e dobrez,<br \/>\n    os Rangel e Quintino recorreram &agrave; difama&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Declararam-me traidor &agrave; Rep&uacute;blica e como sabem que eu sou pobre<br \/>\n    e sou negro venderam-me ao Governo. <\/p>\n<p>J&aacute; no dia imediato &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o,<br \/>\n    sem que nenhuma palavra minha houvesse dito qual a orienta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    pol&iacute;tica futura do amigo da v&eacute;spera, eu era j&aacute; o &uacute;ltimo<br \/>\n    negro que se vendera. <\/p>\n<p>A luta tornou-se pessoal; eu neguei aos Rangel e Quintino a capacidade de<br \/>\n    diretriz de que precisa o Partido Republicano; eles que n&atilde;o podiam<br \/>\n    negar o seu erro pol&iacute;tico, abstendo-se da responsabilidade da propaganda<br \/>\n    abolicionista, fizeram-me a guerra cobarde e trai&ccedil;oeira da cal&uacute;nia<br \/>\n    an&ocirc;nima. <\/p>\n<p>Devia eu abandonar a imprensa, quando era combatido desenfreadamente pelos<br \/>\n    indenistas? <\/p>\n<p>Podia eu negar o concurso da minha pena ao Minist&eacute;rio, que era combatido,<br \/>\n    s&oacute; por ter assumido a responsabilidade da lei de 13 de maio? <\/p>\n<p>A nova Rep&uacute;blica, al&eacute;m disso, deixava em paz o sr. d. Pedro<br \/>\n    II e arremetia furiosamente contra a princesa. <\/p>\n<p>H&aacute; algum homem de honra que diga que eu devia cruzar os bra&ccedil;os<br \/>\n    diante desses ataques? <\/p>\n<p>Explicando a atitude que assumi, eu disse algures:<\/p>\n<p>Imaginem, meus senhores, que eu sabia que em certa estrada havia uma quadrilha<br \/>\n    de ladr&otilde;es, e como n&atilde;o pudesse passar sozinho por ela e oferecer<br \/>\n    combate aos bandidos, apelava para os sentimentos de fraternidade de cavalheiros,<br \/>\n    de opini&otilde;es pol&iacute;ticas contr&aacute;rias &agrave;s minhas. <\/p>\n<p>Esses cavalheiros resolviam-se auxiliar-me, e, juntos, d&aacute;vamos batalha,<br \/>\n    vencendo os ladr&otilde;es. <\/p>\n<p>Terminado o combate, desarmados os bandidos, diziam estes:<\/p>\n<p>Ou&ccedil;a, n&oacute;s somos seus correligion&aacute;rios pol&iacute;ticos;<br \/>\n    entregue-nos esses senhores que vieram em sua companhia, porque eles s&oacute;<br \/>\n    o acompanharam por especula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Devia eu entregar aos bandidos, s&oacute; porque se diziam meus correligion&aacute;rios,<br \/>\n    os leais companheiros que me haviam dado a honra e a gl&oacute;ria de garantir<br \/>\n    os direitos da civiliza&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida que os neo-republicanos se dizem meus<br \/>\n    correligion&aacute;rios, mas n&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m d&uacute;vida<br \/>\n    que eles na v&eacute;spera faziam parte da quadrilha de ladr&otilde;es de<br \/>\n    alma e suor da ra&ccedil;a negra. <\/p>\n<p>Cumpria &agrave; minha honra pol&iacute;tica entregar a princesa a esses<br \/>\n    miser&aacute;veis? <\/p>\n<p>O presente n&atilde;o responder&aacute;, mas eu olho serenamente para o futuro.\n  <\/p>\n<p>Pela minha atitude franca, leal, ao lado do Minist&eacute;rio e da redentora<br \/>\n    dos cativos, concluiu-se que eu sou um judas e que troquei pelos trinta dinheiros<br \/>\n    da verba secreta a minha consci&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Nos Ju&iacute;zos desta cidade e no Tabeli&atilde;o dos Protestos h&aacute;<br \/>\n    os vest&iacute;gios do meu bem-estar presente. A verdade &eacute; que eu tenho<br \/>\n    encontrado mais piedade nos meirinhos do que nos evangelistas da fraternidade.\n  <\/p>\n<p>A Cidade do Rio tem vivido da magnanimidade de grande parte de seus empregados,<br \/>\n    e do hero&iacute;smo e desinteresse de um n&uacute;cleo de homens de bem que<br \/>\n    aumentam a sua dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; medida dos meus sofrimentos.\n  <\/p>\n<p>Se ainda n&atilde;o se fechou essa pequena fortaleza de brio e de coer&ecirc;ncia<br \/>\n    &eacute; simplesmente porque alguns dos meus credores, os de soma mais avultada,<br \/>\n    confiam na minha honra, ou s&atilde;o generosos bastante para n&atilde;o aumentarem<br \/>\n    a afli&ccedil;&atilde;o ao aflito. <\/p>\n<p>O que o Minist&eacute;rio me tem dado &eacute; o mesmo que d&aacute; a toda<br \/>\n    a imprensa: as suas publica&ccedil;&otilde;es, que eu n&atilde;o sei se t&ecirc;m<br \/>\n    avultado mais na caixa do O Paiz do que na da Cidade do Rio. <\/p>\n<p>Os Rangel e Quintino, por&eacute;m, propalam que eu recebo mundos e fundos<br \/>\n    e mandam espalhar por toda a parte que se prepara emprego de grande renda<br \/>\n    para mim. <\/p>\n<p>&Eacute; assim que me nomearam subdiretor do Correio, diretor do Di&aacute;rio<br \/>\n    Oficial, tabeli&atilde;o da corte, distribuidor-geral desta cidade, c&ocirc;nsul<br \/>\n    de Montevid&eacute;u, quando eu n&atilde;o requeri nenhum desses lugares e<br \/>\n    nem fiz concurso para nenhum deles. <\/p>\n<p>Agora a resposta:<\/p>\n<p>Suponhamos que eu me vendi.<\/p>\n<p>Os meus difamadores n&atilde;o coram ao proferir esta mis&eacute;ria? <\/p>\n<p>Pois n&atilde;o &eacute; uma vergonha para esses que reclamam, hoje, os louros<br \/>\n    da vit&oacute;ria abolicionista, saber-se que um dos soldados da sua fileira<br \/>\n    saiu t&atilde;o pobre que teve necessidade de vender a sua consci&ecirc;ncia<br \/>\n    para poder viver? <\/p>\n<p>Que qualidade de chefes &eacute; esta que sai n&eacute;dia e pr&oacute;spera,<br \/>\n    enquanto os soldados que entraram relativamente ricos saem a pedir esmola?<br \/>\n    N&atilde;o fica assim demonstrada a especula&ccedil;&atilde;o dos supostos<br \/>\n    her&oacute;is? <\/p>\n<p>A quem me vendi eu? Aos negreiros?<\/p>\n<p>Se a estes, como foi que n&atilde;o enriqueci, quando &eacute; sabido que<br \/>\n    eles deram aos Rangel e Quintino os meios com que eles engordaram o seu sil&ecirc;ncio<br \/>\n    at&eacute; a hora em que desanuviou-se no horizonte a estrela do abolicionismo?\n  <\/p>\n<p>Aos abolicionistas? Estes n&atilde;o precisavam de comprar o que se lhes<br \/>\n    oferecia de alma alegre e cora&ccedil;&atilde;o alvoro&ccedil;ado. <\/p>\n<p>A quem me vendi eu, e se me vendi, onde est&aacute; este dinheiro, que n&atilde;o<br \/>\n    serve ao menos para que eu me possa libertar dos vexames judiciais? <\/p>\n<p>O sr. Quintino Bocai&uacute;va fez mal em editar as torpezas d&#8217;A Prov&iacute;ncia<br \/>\n    de S. Paulo. Veio dar-me ensejo de justificar-me plenamente aos olhos dos<br \/>\n    meus concidad&atilde;os e de demonstrar que o vendilh&atilde;o, useiro e vezeiro,<br \/>\n    &eacute; ele que se estreou na imprensa a defender uma companhia de seguros<br \/>\n    de vida de escravos, da qual recebia sal&aacute;rio, e que n&atilde;o passava<br \/>\n    de uma vergonhosa armadilha &agrave; ingenuidade dos senhores. <\/p>\n<p>Eu vou fazer a biografia do sr. Quintino Bocai&uacute;va; com subs&iacute;dios<br \/>\n    republicanos e com outros que a mem&oacute;ria p&uacute;blica registrou. <\/p>\n<p>Veremos quem &eacute; o Judas, se &eacute; o pobre diabo que tem vivido sempre<br \/>\n    por si, ou o Cat&atilde;o engomado, que surge sempre de dentro de uma burra<br \/>\n    de milion&aacute;rio. <\/p>\n<p><b>4 jan. 1889<\/b><\/p>\n<h2>5-I-1889<br \/>\n    &Agrave; ponta de pena<\/h2>\n<p> No artigo Rangel-Quintino h&aacute; um trecho que reservei para largos coment&aacute;rios:<br \/>\n    reclama-se para o editor das cal&uacute;nias d&#8217;A Prov&iacute;ncia de S. Paulo<br \/>\n    a gratid&atilde;o dos libertos em nome do seu abolicionismo. <\/p>\n<p>Rangel pergunta:<\/p>\n<p>&laquo;Quem mais fez que o insigne jornalista e not&aacute;vel orador, na<br \/>\n    imprensa e na tribuna, batendo-se dia e noite contra todos, Governo, partidos<br \/>\n    e capangagem a soldo da pol&iacute;cia? <\/p>\n<p>Quando os abolicionistas fluminenses precisaram de um brasileiro com autoridade<br \/>\n    e querido do povo para falar nos meetings celebrados nas pra&ccedil;as p&uacute;blicas<br \/>\n    e dispersados &agrave; for&ccedil;a, a quem procuraram?&raquo; \n  <\/p>\n<p>Estes dous per&iacute;odos d&atilde;o a medida exata da justi&ccedil;a republicana<br \/>\n    destes tempos. <\/p>\n<p>O sr. Quintino Bocai&uacute;va n&atilde;o se imiscuiu na propaganda abolicionista<br \/>\n    sen&atilde;o depois que estava patente o seu pr&oacute;ximo triunfo, e quando<br \/>\n    o sr. visconde de S. Salvador de Matosinhos assegurou-lhe um sal&aacute;rio<br \/>\n    para defender no O Paiz a causa dos cativos. <\/p>\n<p>At&eacute; assumir a chefia da reda&ccedil;&atilde;o desse jornal, o sr.<br \/>\n    Quintino Bocai&uacute;va n&atilde;o passava de um inimigo dissimulado do abolicionismo;<br \/>\n    entendia que esta propaganda era um mergulho no abismo. <\/p>\n<p>Quando comprei o jornal que hoje desonra a mem&oacute;ria de Ferreira de<br \/>\n    Meneses, o sr. Quintino Bocai&uacute;va l&aacute; havia escrito dous artigos,<br \/>\n    que eram a nega&ccedil;&atilde;o absoluta do programa que o seu fundador havia<br \/>\n    tra&ccedil;ado. O chefe do jornalismo n&atilde;o trepidou profanar as id&eacute;ias<br \/>\n    do batalhador recentemente morto. <\/p>\n<p>Escolhido candidato pelo Partido Republicano, para represent&aacute;-lo na<br \/>\n    Assembl&eacute;ia-Geral, em v&atilde;o interpelei o sr. Quintino Bocai&uacute;va<br \/>\n    acerca de suas id&eacute;ias abolicionistas; tergiversou e dissimulou no ru&iacute;do<br \/>\n    de sua claque a resposta, que devia a mim e aos honrados chefes do positivismo<br \/>\n    brasileiro. <\/p>\n<p>Redigindo o Globo da tarde, fundado com os capitais do sr. comendador Mayrinck,<br \/>\n    o sr. Quintino Bocai&uacute;va limitou-se a n&atilde;o romper com o abolicionismo,<br \/>\n    por&eacute;m nunca o auxiliou. N&atilde;o podia proceder de outro modo; o<br \/>\n    patr&atilde;o pagava para defender um banco de cr&eacute;dito real, tendo<br \/>\n    por base a hipoteca de escravos, e com garantia do Governo. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, associado a uma empresa que devia comprar a estrada de<br \/>\n    ferro de Cantagalo, dando &agrave; prov&iacute;ncia o dinheiro para compr&aacute;-la<br \/>\n    e mais o juro de 8% -e sendo negreira a assembl&eacute;ia e a administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da prov&iacute;ncia, o sr. Quintino Bocai&uacute;va n&atilde;o podia defender<br \/>\n    os cativos. <\/p>\n<p>Primeiro os seus neg&oacute;cios, depois as suas id&eacute;ias. <\/p>\n<p>O Globo nasceu e morreu sem nunca ter demonstrado que l&aacute; dentro estava<br \/>\n    um chefe republicano, isto &eacute;, um homem que, tendo por dever defender<br \/>\n    a liberdade, a igualdade e a fraternidade, tinha a obriga&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de hipotecar-se por inteiro &agrave; causa dos enjeitados da lei. <\/p>\n<p>Estes fatos s&atilde;o de ontem; n&atilde;o podem ser contestados. <\/p>\n<p>Para se ver bem qual era o abolicionismo do sr. Quintino Bocai&uacute;va,<br \/>\n    &eacute; preciso recordar um fato, passado muito tempo depois de suas manifesta&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    em prol da confedera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio Cotegipe vinha fazer votar o projeto Saraiva, que era<br \/>\n    a rea&ccedil;&atilde;o contra as id&eacute;ias do Minist&eacute;rio Dantas.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o podia haver engano quanto &agrave;s vistas do Gabinete 20 de Agosto:<br \/>\n    os seus principais ministros tinham sido os sustent&aacute;culos ostensivos<br \/>\n    do Minist&eacute;rio que se retirava. <\/p>\n<p>O sr. Quintino Bocai&uacute;va, por&eacute;m, n&atilde;o hesitou em receber<br \/>\n    o Gabinete Cotegipe de modo tal que eu vi-me obrigado a refrear-lhe o entusiasmo<br \/>\n    pela transcri&ccedil;&atilde;o do artigo: mais um esquife que passa. <\/p>\n<p>Durante todo o combate desesperado do abolicionismo ao sr. Cotegipe, o sr.<br \/>\n    Quintino Bocai&uacute;va apenas falou em confer&ecirc;ncias e meetings umas<br \/>\n    seis vezes e para faz&ecirc;-lo era necess&aacute;rio que os abolicionistas<br \/>\n    o importunassem com rogativas. <\/p>\n<p>Quanto aos seus artigos, eram o neg&oacute;cio da folha que ele redigia.<br \/>\n    Nos &uacute;ltimos tempos os jornais negreiros n&atilde;o faziam carreira,<br \/>\n    e demais disso, o sr. visconde de S. Salvador de Matosinhos era abolicionista<br \/>\n    e n&atilde;o se jogam as peras com o amo. <\/p>\n<p>Quando o propriet&aacute;rio do jornal libertava, &agrave; sua custa, escravos<br \/>\n    para que o n&uacute;mero de libertos fosse igual ao dos anos do Imperador,<br \/>\n    o que havia de fazer o sr. Quintino? <\/p>\n<p>Acresce que o Minist&eacute;rio 20 de Agosto incumbira-se do reclame d&#8217;O<br \/>\n    Paiz, como abolicionista, e seria rematada parvoice n&atilde;o aproveitar<br \/>\n    o prop&iacute;cio concurso da cegueira ministerial. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; ingratid&atilde;o contar as cousas como se deram. Reconhe&ccedil;o<br \/>\n    que O Paiz foi um dos poderosos fatores para o desenlace de 13 de maio, mas<br \/>\n    o trabalho abolicionista, propriamente dito, n&atilde;o era do sr. Quintino<br \/>\n    Bocai&uacute;va, e sim de Joaquim Nabuco, que chegou com o prest&iacute;gio<br \/>\n    extraordin&aacute;rio da sua elei&ccedil;&atilde;o inesperada, e sobretudo<br \/>\n    de Joaquim Serra, nos seus T&oacute;picos do Dia. <\/p>\n<p>N&atilde;o foi o sr. Quintino Bocai&uacute;va quem deu orienta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    abolicionista ao O Paiz, mas Rui Barbosa que, por ser demasiado colorido,<br \/>\n    s&oacute; se demorou poucos dias &agrave; frente da reda&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Confesso que o sr. Quintino Bocai&uacute;va mostrou-se abolicionista nos<br \/>\n    dous &uacute;ltimos anos de propaganda, mas contesto que ele se tivesse preocupado<br \/>\n    seriamente com a sorte dos escravizados. <\/p>\n<p>A prova deu-a ele na elei&ccedil;&atilde;o do sr. Ferreira Viana. Quando<br \/>\n    a confedera&ccedil;&atilde;o procurava fazer da reelei&ccedil;&atilde;o do<br \/>\n    ex-ministro da Justi&ccedil;a um plebiscito abolicionista, o sr. Quintino<br \/>\n    Bocai&uacute;va prestou-se a ser candidato, para recolher 108 votos, sem se<br \/>\n    lembrar que deste modo quebrava a unidade, at&eacute; ent&atilde;o nunca violada,<br \/>\n    do abolicionismo. <\/p>\n<p>A propaganda abolicionista n&atilde;o precisava do prest&iacute;gio do sr.<br \/>\n    Quintino Bocai&uacute;va; pelo contr&aacute;rio, repartiu com ele o seu, que<br \/>\n    era enorme. <\/p>\n<p>Quando o sr. Quintino Bocai&uacute;va se dignou de baixar o seu republicanismo<br \/>\n    at&eacute; a propaganda da aboli&ccedil;&atilde;o, j&aacute; esta havia for&ccedil;ado<br \/>\n    as portas do parlamento e tinha tornado obrigat&oacute;rio o respeito pelos<br \/>\n    seus principais representantes. <\/p>\n<p>As confer&ecirc;ncias e meetings abolicionistas j&aacute; haviam sido honrados<br \/>\n    com a presid&ecirc;ncia e a palavra dos senadores, deputados e cidad&atilde;os<br \/>\n    os mais not&aacute;veis. <\/p>\n<p>N&atilde;o precisava do sr. Quintino Bocai&uacute;va, para se impor &agrave;<br \/>\n    considera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a tribuna em que j&aacute; haviam<br \/>\n    falado Nicolau Moreira, Joaquim Nabuco, Jos&eacute; Mariano, Ant&ocirc;nio<br \/>\n    Pinto, Severino Ribeiro, Ennes de Sousa, Silveira Martins, Rui Barbosa, Get&uacute;lio<br \/>\n    das Neves, Frontin, Silveira da Moita, Otaviano e Dantas. <\/p>\n<p>Desde o princ&iacute;pio as confer&ecirc;ncias foram sempre presididas por<br \/>\n    homens de grande merecimento e prest&iacute;gio, e para n&atilde;o causar<br \/>\n    extensa nomenclatura lembrarei que elas foram honradas quase sempre pela presid&ecirc;ncia<br \/>\n    de Nicolau Moreira, de Muniz Barreto, o cego, e do senador Silveira da Mota,<br \/>\n    quando ainda o sr. Quintino Bocai&uacute;va n&atilde;o se atrevia a dizer<br \/>\n    na sua circular se era negreiro ou abolicionista. <\/p>\n<p>Toda a gente sabia, al&eacute;m disso, que estavam conosco e que nos emprestavam<br \/>\n    a for&ccedil;a moral da solidariedade Andr&eacute; Rebou&ccedil;as, Beaurepaire<br \/>\n    Rohan, Jaguaribe, Jos&eacute; Maria do Amaral, &Aacute;lvaro de Oliveira,<br \/>\n    Benjamin Constant, Acioli de Brito, Monteiro de Azevedo, Macedo Soares, Muniz<br \/>\n    de Arag&atilde;o, toda a flor do talento, do saber e do car&aacute;ter nacional.\n  <\/p>\n<p>Para que precis&aacute;vamos n&oacute;s de prest&iacute;gio do sr. Quintino?<br \/>\n    Antes que ele houvesse proferido uma palavra sobre o abolicionismo, a confedera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    abolicionista havia feito aceitar pelo parlamento o seu manifesto, e tinha<br \/>\n    produzido a solenidade comemorativa da liberta&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute;,<br \/>\n    que abalou festivamente toda a popula&ccedil;&atilde;o desta cidade. <\/p>\n<p>O sr. Quintino Bocai&uacute;va n&atilde;o nos trouxe nenhuma for&ccedil;a,<br \/>\n    foi mais um e nada mais. <\/p>\n<p>Resta-me, por hoje, fazer ressaltar a contradi&ccedil;&atilde;o com que os<br \/>\n    per&iacute;odos de Rangel justificam a atitude da ra&ccedil;a negra. <\/p>\n<p>Quer o homem que os servi&ccedil;os do sr. Quintino Bocai&uacute;va prendam<br \/>\n    para sempre a gratid&atilde;o dos ex-escravizados e dos que s&atilde;o o sangue<br \/>\n    do sangue das v&iacute;timas, ainda agora cobi&ccedil;adas pela pirataria<br \/>\n    Sans-coulotte. <\/p>\n<p>Muito bem. Mas, se ao sr. Quintino Bocai&uacute;va, que recebia ordenado<br \/>\n    do sr. visconde de S. Salvador de Matosinhos, para ser abolicionista, que<br \/>\n    n&atilde;o arriscou sen&atilde;o a queimadura de uma bicha chinesa, devem<br \/>\n    os escravizados tamanha gratid&atilde;o; o que devem eles &agrave; Princesa,<br \/>\n    que arriscou o trono para libert&aacute;-los? <\/p>\n<p>Se o sr. Quintino deve ser sagrado para os negros, e o tem sido, como devem<br \/>\n    eles considerar a Senhora que, ao ter a not&iacute;cia do grande movimento<br \/>\n    revolucion&aacute;rio contra a sua inofensiva personalidade, exclamou: <\/p>\n<p>N&atilde;o faz mal; ao menos deixei a minha p&aacute;tria livre! <\/p>\n<p>Eu sou um ingrato, porque a Guarda Negra, que sup&otilde;em dirigida exclusivamente<br \/>\n    por mim, &eacute; gratuitamente responsabilizada pela agress&atilde;o ao sr.<br \/>\n    Quintino Bocai&uacute;va; eu n&atilde;o seria um ingrato se ensinasse os negros<br \/>\n    a odiar a princesa! <\/p>\n<p>Para os meus detratores eu devo ter duas qualidades de moral: uma para adul&aacute;-los,<br \/>\n    outra para aplicar aos que n&atilde;o pertencem ao credo ensang&uuml;entado<br \/>\n    da rep&uacute;blica da cal&uacute;nia e da forca. <\/p>\n<p>O que s&atilde;o mais: parvos ou perversos?<\/p>\n<p>A aboli&ccedil;&atilde;o deve canonizar o sr. Quintino Bocai&uacute;va e<br \/>\n    condenar ao ex&iacute;lio ou &agrave; pena &uacute;ltima Isabel, a Redentora?\n  <\/p>\n<p>E n&atilde;o se lembram de que o bom senso p&uacute;blico vai ler o que eles<br \/>\n    escrevem e se esquecem de que tudo quanto est&aacute; impresso ser&aacute;<br \/>\n    depoimento perante a hist&oacute;ria! <\/p>\n<p>Concluindo: devo declarar que n&atilde;o me entristece ver o primeiro lugar<br \/>\n    do abolicionismo dado ao sr. Quintino Bocai&uacute;va. <\/p>\n<p>Dos personagens da f&aacute;bula do imortal La Fontaine A carruagem atolada,<br \/>\n    a mosca tinha o primeiro plano, e se n&atilde;o fazia for&ccedil;a para safar<br \/>\n    o ve&iacute;culo o seu zumbir era ouvido e o seu peso sentido pelas orelhas<br \/>\n    das cavalgaduras. <\/p>\n<p><b>5 jan. 1889<\/b><\/p>\n<h2>29-IV-1889<\/h2>\n<h4><a name=\"14\">O &oacute;dio togado<\/a><\/h4>\n<p> O sr. Rui Barbosa entende que o imperador vai sacrificar ao sentimentalismo<br \/>\n    a seguran&ccedil;a p&uacute;blica com o grande ato projetado para comemorar<br \/>\n    o dia 13 de maio; o perd&atilde;o dos escravos condenados por for&ccedil;a<br \/>\n    da lei de 10 de junho de 1835. <\/p>\n<p>Quer o advogado que, no seu respeito &agrave; Justi&ccedil;a, emprestou o<br \/>\n    seu talento para o bom &ecirc;xito do assalto &agrave; sagrada heran&ccedil;a<br \/>\n    da f&eacute; de muitas gera&ccedil;&otilde;es, e encaminhou pelas desonras<br \/>\n    judici&aacute;rias do nosso foro o saqueio &agrave;s freiras, cometer aos<br \/>\n    tribunais a revis&atilde;o dos julgados, que condenaram a penas excessivas<br \/>\n    os delinq&uuml;entes escravos. <\/p>\n<p>De sua argumenta&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, se depreende que o sr. Rui<br \/>\n    Barbosa opina pela justi&ccedil;a das senten&ccedil;as, porque os senhores<br \/>\n    se permitiram a liberdade de aplicar por suas m&atilde;os a pena nos casos<br \/>\n    que n&atilde;o atingiram o &uacute;ltimo grau de criminalidade. <\/p>\n<p>O j&uacute;ri que condenou &agrave; morte criminosos escravos foi canonizado<br \/>\n    pelo ex-l&iacute;der do Minist&eacute;rio Dantas, e o imperador admoestado<br \/>\n    de que procedeu mal comutando sistematicamente a pena de morte, quando lhe<br \/>\n    cumpria aprender com o rei Oscar da Su&eacute;cia a n&atilde;o colocar o seu<br \/>\n    cora&ccedil;&atilde;o acima das leis, ainda as mais cru&eacute;is. <\/p>\n<p>In&uacute;til seria recordar aqui a hist&oacute;ria do j&uacute;ri durante<br \/>\n    a escravid&atilde;o e provar que ele foi sempre de uma brandura extrema para<br \/>\n    com os linchadores de Itu, Rio Bonito e Resende, para os assassinos do Rio<br \/>\n    do Peixe, Madalena e Rio de Janeiro, ao passo que era de um rigor b&aacute;rbaro<br \/>\n    contra os seus escravos que, ora eram condenados &agrave;s gal&eacute;s, ora<br \/>\n    entregues aos senhores, a fim de que estes com a coniv&ecirc;ncia judici&aacute;ria<br \/>\n    pudessem iludir a dem&ecirc;ncia do soberano. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m seria in&uacute;til lembrar que nenhum dos autores citados<br \/>\n    pode se adaptar ao caso arg&uuml;ido pelo sr. Rui Barbosa, porque a condi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    dos criminosos difere essencialmente como a liberdade da escravid&atilde;o.<br \/>\n    Em discuss&atilde;o serena come&ccedil;ar&iacute;amos por ponderar que a pr&oacute;pria<br \/>\n    letra constitucional vem em aux&iacute;lio da repara&ccedil;&atilde;o que<br \/>\n    o imperador tenciona efetuar. <\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o mandou que os cidad&atilde;os fossem julgados<br \/>\n    em tribunais de seus pares. A escravid&atilde;o, por&eacute;m, anulou a disposi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    fundamental. O escravo s&oacute; era par dos seus ju&iacute;zes no ato em<br \/>\n    que estes deviam cominar-lhe a san&ccedil;&atilde;o penal. Essa pondera&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que todos os c&oacute;digos exigem para castigar, essa esp&eacute;cie de pesagem<br \/>\n    da consci&ecirc;ncia do r&eacute;u na balan&ccedil;a da moral praticada no<br \/>\n    mesmo meio, n&atilde;o se dava para o escravo. A disparidade entre o tribunal<br \/>\n    e o acusado estava patente na desigualdade de condi&ccedil;&otilde;es. Demais,<br \/>\n    todas as circunst&acirc;ncias absolut&oacute;rias do c&oacute;digo foram invertidas<br \/>\n    em agravantes, pela exce&ccedil;&atilde;o odiosa da lei de 1835. <\/p>\n<p>Comparar essa excresc&ecirc;ncia jur&iacute;dica -o j&uacute;ri para o escravo-<br \/>\n    com os tribunais regulares, que julgam o criminoso dentro do Direito normal<br \/>\n    e partem da integridade da sua pessoa moral para confront&aacute;-lo com os<br \/>\n    delitos; querer que o julgamento daquele tenha o mesmo cunho social desses<br \/>\n    outros &eacute; uma aberra&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se explica. <\/p>\n<p>O mais admir&aacute;vel &eacute; que o pr&oacute;prio escravismo nunca dissimulou<br \/>\n    o est&iacute;mulo que dava aos crimes de escravos. <\/p>\n<p>Combatendo a magnanimidade do imperador quando comutava a pena de morte imposta<br \/>\n    pelo j&uacute;ri aos escravos, disse um deputado que preconizava as excel&ecirc;ncias<br \/>\n    da pris&atilde;o celular, como um executor em&eacute;rito da barb&aacute;rie<br \/>\n    humana: condenar os escravos &agrave;s gal&eacute;s importa n&atilde;o lhes<br \/>\n    infligir pena, porque a vida das gal&eacute;s n&atilde;o difere da das fazendas!<br \/>\n    Mais tarde, quando o crime da Para&iacute;ba do Sul, comovendo o pa&iacute;s<br \/>\n    inteiro, decretou a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de a&ccedil;oites, deputados<br \/>\n    em grande n&uacute;mero viram neste ato a perturba&ccedil;&atilde;o do regime<br \/>\n    agr&iacute;cola e a aboli&ccedil;&atilde;o t&aacute;cita do cativeiro, porque<br \/>\n    n&atilde;o se podia admitir a escravid&atilde;o sem a disciplina desumana<br \/>\n    do chicote. <\/p>\n<p>Estes fatos s&atilde;o bastante eloq&uuml;entes para deixar ver a origem<br \/>\n    dos crimes cometidos por escravos. A generalidade do regime prova a generalidade<br \/>\n    da causa, e, por isso mesmo, dota com as circunst&acirc;ncias absolut&oacute;rias<br \/>\n    do c&oacute;digo todos os delinq&uuml;entes. <\/p>\n<p>Acha, por&eacute;m, o sr. Rui Barbosa que &eacute; sentimentalismo baixar<br \/>\n    a justi&ccedil;a do imperador at&eacute; os homens, que foram desde do ber&ccedil;o<br \/>\n    condenados &agrave;s gal&eacute;s; que foram p&uacute;blica e oficialmente<br \/>\n    declarados v&iacute;timas de um regime b&aacute;rbaro, e um dia se revoltaram<br \/>\n    contra os seus algozes. <\/p>\n<p>Entretanto, em todos os c&oacute;digos se distinguem os criminosos for&ccedil;ados<br \/>\n    dos volunt&aacute;rios. N&atilde;o se explicam de outro modo as atenuantes.<br \/>\n    &Eacute; um perigo perdoar r&eacute;us que foram escravos. <\/p>\n<p>Que moral a do ilustre conselheiro! Que justi&ccedil;a a do laureado jurisconsulto!\n  <\/p>\n<p>Sobretudo que abolicionismo! Para S. Ex.&ordf; o complemento da aboli&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    devia ser o seq&uuml;estro social do ex-escravo. O cativeiro fere de interdi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    perp&eacute;tua a v&iacute;tima. <\/p>\n<p>N&atilde;o teria outra linguagem um ladr&atatilde;o fidalgo que n&atilde;o<br \/>\n    quisesse restituir a fortuna roubada a uma v&iacute;tima ignorante e de baixa<br \/>\n    condi&ccedil;&atilde;o, sob pretexto de que o espoliado n&atilde;o sabia empregar<br \/>\n    bem a sua prosperidade. <\/p>\n<p>E para exibir o engulhamento do seu cora&ccedil;&atilde;o, que o despeito<br \/>\n    de candidato infeliz tornou peco e sorna, empanturra-se de erudi&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    que lhe fica atravessada aos bicos da pena, como a galhada de um touro em<br \/>\n    boca de jib&oacute;ia farta. <\/p>\n<p>Os seus artigos s&atilde;o l&uacute;gubres como um tribunal de inquisidores,<br \/>\n    julgando num subterr&acirc;neo ao fagulhar de fogueira enxofrada, enquanto<br \/>\n    o chumbo derretido chia &agrave; gula de v&iacute;timas. Tem umas minud&ecirc;ncias<br \/>\n    de metal candente em canto de unha, de um despolpar lento de m&atilde;o, ou<br \/>\n    de um rasgar de veias moroso a fio de lanceta. <\/p>\n<p>Quando um infeliz cai nas garras do seu &oacute;dio, sofre a tortura de quem<br \/>\n    fosse condenado ao supl&iacute;cio da besuntadela de melado e em seguida &agrave;<br \/>\n    exposi&ccedil;&atilde;o a nuvens de maribondos. Outras vezes &eacute; como<br \/>\n    se tivesse de sofrer o estaqueamento e o colete de couro. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; meio de o chamar aos sentimentos de humanidade em favor<br \/>\n    dos negros. Se estivesse em seu poder, o sr. Rui Barbosa repetiria a cena<br \/>\n    do an&atilde;o de Edgard Poe, que se lhe assemelha em instintos, e se lhe<br \/>\n    ajusta como uma luva ao sentimento de vingan&ccedil;a. <\/p>\n<p>Vimo-lo outro dia pontificar na b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos rev&oacute;lveres<br \/>\n    e das garruchas republicanas, com solenidade que lembrava o coro de punhais<br \/>\n    de Meyerbeer. <\/p>\n<p>Entretanto, agora est&aacute; a querer p&ocirc;r a sua pena como ferrolho<br \/>\n    &agrave; porta das gal&eacute;s, para impedir o &ecirc;xodo das v&iacute;timas,<br \/>\n    que a magnanimidade do imperador quer decretar. <\/p>\n<p>S&atilde;o recrutas para a guarda da rainha! Brada a sua doen&ccedil;a mental<br \/>\n    que descobriu duas semanas santas no intervalo do ano da reden&ccedil;&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Entretanto estamos certos de que ele se julgaria muito honrado com uma manifesta&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    de gal&eacute;s de qualquer esp&eacute;cie, inda que negros, contanto que<br \/>\n    o encomiasse como o maior dos abolicionistas, o maior dos jornalistas, o maior<br \/>\n    dos oradores, o maior dos jurisconsultos. A publica&ccedil;&atilde;o do manifesto<br \/>\n    do Pati do Alferes &eacute; uma prova. <\/p>\n<p>Daqui do &iacute;ntimo do nosso senso cr&iacute;tico estamos a ver a alma<br \/>\n    desse homem, esp&eacute;cie de lagarto invernado, a roer num buraco &uacute;mido,<br \/>\n    sombrio, abafadi&ccedil;o a pr&oacute;pria cauda, para disputar a vida contra<br \/>\n    o meio inclemente que l&aacute; fora vai preparando o renascimento anual da<br \/>\n    natureza. <\/p>\n<p>Devemos confessar ao p&uacute;blico: o sr. Rui Barbosa come&ccedil;a a nos<br \/>\n    causar d&oacute;. Enquanto ele se dava &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o, como<br \/>\n    os cap&iacute;tulos de Fern&atilde;o Mendes Pinto onde nos encontramos com<br \/>\n    bonzos cabe&ccedil;udos e &iacute;dolos de formas horripilantes, torrentes<br \/>\n    de onde saem legi&otilde;es de serpentes e jacar&eacute;s, a cousa nos deliciava.<br \/>\n    Agora, por&eacute;m, o nosso antigo companheiro de lutas perdeu de todo o<br \/>\n    ju&iacute;zo e nos faz o efeito de um camale&atilde;o doido, que sa&iacute;sse<br \/>\n    a dar rabanadas &agrave; esquerda e &agrave; direita. <\/p>\n<p>Que o imperador n&atilde;o se detenha. Pelas maldi&ccedil;&otilde;es do escravismo<br \/>\n    j&aacute; Sua Majestade devia esperar. Em troca, por&eacute;m, conte o soberano<br \/>\n    com as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os das gera&ccedil;&otilde;es futuras. <\/p>\n<p><b>29 de abril de 1889<\/b><\/p>\n<h2>3-V-1889<\/h2>\n<h4><a name=\"15\">O mercen&aacute;rio<\/a><\/h4>\n<p> A todas as outras quest&otilde;es se adianta a da moralidade, diz o sr.<br \/>\n    Rui Barbosa. <\/p>\n<p>Pois que &eacute; pela moralidade que se deve principiar, aceitemos o ponto<br \/>\n    de partida. <\/p>\n<p>A moralidade s&#038;oacoacute; se pode constituir em tribunal, quando &eacute; clara<br \/>\n    e provada em todos os ju&iacute;zos, e bem assim em quem inicia o processo.\n  <\/p>\n<p>O sr. Rui Barbosa nomeou-se &oacute;rg&atilde;o da justi&ccedil;a p&uacute;blica<br \/>\n    e encarregou-se do libelo. &Eacute; preciso, pois, examinar-lhe a moralidade.\n  <\/p>\n<p>Salienta-se na biografia dos homens p&uacute;blicos da prov&iacute;ncia da<br \/>\n    Bahia o princ&iacute;pio da carreira de S. Ex.&ordf;. <\/p>\n<p>Educado por seu tio, que o acolheu &oacute;rf&atilde;o, que o levou &agrave;<br \/>\n    Academia e &agrave; Assembl&eacute;ia Provincial, o sr. Rui Barbosa deu mostras<br \/>\n    de seu car&aacute;ter, abandonando a parcialidade liberal em que militava<br \/>\n    aquele ilustre brasileiro, que dotou a imprensa nacional com O Monitor, um<br \/>\n    dos &oacute;rg&atilde;os mais brilhantemente redigidos de que h&aacute; not&iacute;cia.\n  <\/p>\n<p>O grupo do sr. Dantas era mais forte. A carreira sobre os ombros do grande<br \/>\n    chefe popular era mais r&aacute;pida. O sr. Rui Barbosa n&atilde;o hesitou;<br \/>\n    entregou-se de surpresa ao rival do seu benfeitor, e desde ent&atilde;o serviu<br \/>\n    passivamente a todas as persegui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de que<br \/>\n    ele foi v&iacute;tima. <\/p>\n<p>N&atilde;o havia em jogo nenhum princ&iacute;pio; n&atilde;o era por uma<br \/>\n    id&eacute;ia que os dous se batiam. Pertenciam ambos ao mesmo partido e haviam<br \/>\n    simplesmente divergido quanto ao modo de realizar o programa. <\/p>\n<p>A bandeira liberal tremulava sobre os dous campos, e num estava o pai adotivo<br \/>\n    e no outro a esperan&ccedil;a pol&iacute;tica. De um lado estava o cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e de outro o interesse. O sr. Rui Barbosa preferiu o segundo. <\/p>\n<p>Eleito deputado, S. Ex.&ordf; veio para a C&acirc;mara e come&ccedil;ou a<br \/>\n    sua vida parlamentar. <\/p>\n<p>Acompanha desde logo o Minist&eacute;rio Sinimbu, acarneirado a essa maioria,<br \/>\n    que foi qualificada por Silveira Martins c&acirc;mara dos servis. <\/p>\n<p>Num dia o tribuno rio-grandense rompe em oposi&ccedil;&atilde;o ao Gabinete<br \/>\n    de que fizera parte. Queria, dizia ele, a elegibilidade dos acat&oacute;licos<br \/>\n    e o Minist&eacute;rio negava-a. <\/p>\n<p>O sr. Rui Barbosa se exibira na tribuna popular fluminense, advogando a supress&atilde;o<br \/>\n    da Igreja do Estado, a plena liberdade de cultos. N&atilde;o obstante, S.<br \/>\n    Ex.&ordf; continua na maioria e faz mais; &eacute; ele quem se incumbe de<br \/>\n    responder a Silveira Martins, motivando &agrave; consci&ecirc;ncia limpa de<br \/>\n    Jos&eacute; Bonif&aacute;cio, o tribuno, um belo discurso, que lembra a frase<br \/>\n    de Marmontel acerca dos aplausos que castigam. <\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio Sinimbu, que era conhecido pela firma John Lins &amp;<br \/>\n    C., &eacute; arrastado no desastre do Banco Nacional pelo seu presidente do<br \/>\n    Conselho. <\/p>\n<p>Os tribunais reclamam ao Minist&eacute;rio de 5 de Janeiro o co-r&eacute;u<br \/>\n    de uma fal&ecirc;ncia culposa; o ministro da Justi&ccedil;a, o sr. Lafaiete,<br \/>\n    precisa praticar um atentado constitucional, avocar uma causa pendente para<br \/>\n    salvar o chefe do Gabinete; a C&acirc;mara n&atilde;o tem meio de fazer calar<br \/>\n    a oposi&ccedil;&atilde;o; aconselha a fuga aos ministros e ela por sua vez<br \/>\n    fica deserta; a opini&atilde;o p&uacute;blica revolta-se, o Governo precisa<br \/>\n    de cercar de batalh&otilde;es a C&acirc;mara dos Deputados, para que os ministros<br \/>\n    n&atilde;o entrem com as faces fustigadas pela indigna&ccedil;&atilde;o popular.\n  <\/p>\n<p>O sr. Rui Barbosa se conserva nessa maioria, &eacute; solid&aacute;rio com<br \/>\n    ela pela palavra e pelo voto e fica ao lado desse Minist&eacute;rio da seca<br \/>\n    do Norte, das transa&ccedil;&otilde;es do caf&eacute;, da estrada de Leopoldina,<br \/>\n    do vint&eacute;m, do Xingu, dos chins, dos p&acirc;ntanos da cidade, Minist&eacute;rio<br \/>\n    cuja vida fervilhava esc&acirc;ndalos como em vasta apostema mir&iacute;ades<br \/>\n    de vermes. Dir-se-ia que S. Ex.&ordf; estava atarracado &agrave;quela podrid&atilde;o.\n  <\/p>\n<p>Por esse tempo, Joaquim Nabuco, com a solenidade do arcanjo b&iacute;blico,<br \/>\n    j&aacute; havia empunhado a trompa conclamat&oacute;ria do povo para o Josaf&aacute;<br \/>\n    da nossa hist&oacute;ria, onde devia ser julgado o mundo da escravid&atilde;o<br \/>\n    e ressurgir dos mortos a alma nacional. <\/p>\n<p>A oposi&ccedil;&atilde;o tinha a flor da probidade parlamentar, a escolha<br \/>\n    moral da pol&iacute;tica. L&aacute; estavam Jos&eacute; Bonif&aacute;cio,<br \/>\n    Nabuco, Costa Azevedo e Manuel Pedro. <\/p>\n<p>A maioria era capitaneada por Sousa Carvalho; o Minist&eacute;rio era presidido<br \/>\n    por um r&eacute;u de fal&ecirc;ncia culposa. E o sr. Rui Barbosa ficou-se<br \/>\n    l&aacute; sobre aquela carni&ccedil;a da advocacia administrativa. <\/p>\n<p>Caiu o Minist&eacute;rio Sinimbu, o minist&eacute;rio da constituinte-constitu&iacute;da.\n  <\/p>\n<p>O sr. Rui Barbosa emigrou daquela algidez cadav&eacute;rica e acarrapatou-se<br \/>\n    ao Minist&eacute;rio Saraiva, sustentando a&iacute; o sr. Buarque de Macedo,<br \/>\n    o mesmo homem que havia posto &agrave;s claras o neg&oacute;cio do g&aacute;s,<br \/>\n    no qual surpreendeu-se um deputado da maioria, lendo na C&acirc;mara uma nota<br \/>\n    que a companhia tinha pago para ser publicada nos a pedidos dos jornais. <\/p>\n<p>Sabe todo o mundo que o sr. Rui Barbosa foi o instrumento d&oacute;cil desse<br \/>\n    Minist&eacute;rio, e S. Ex.&ordf; mesmo confessou que foi ele autor da lei<br \/>\n    de 9 de janeiro, essa emboscada da escravid&atilde;o e da oligarquia armada<br \/>\n    ao povo para despoj&aacute;-lo do voto. <\/p>\n<p>Do Minist&eacute;rio Saraiva passou no esp&oacute;lio ao Minist&eacute;rio<br \/>\n    Martinho Campos, e apesar da sua cabe&ccedil;a de an&atilde;o, coube na canoa,<br \/>\n    que tinha &agrave; popa o presidente do Conselho mais ignorante e mais nulo<br \/>\n    que j&aacute; dirigiu a nossa pol&iacute;tica. <\/p>\n<p>Em seguida, o sr. Rui Barbosa fez parte dos remanescentes da ter&ccedil;a<br \/>\n    do sr. Martinho ao sr. Paranagu&aacute;, como um an&ocirc;nimo, numerado pela<br \/>\n    ambi&ccedil;&atilde;o. Caindo o sr. Paranagu&aacute;, o deputado perp&eacute;tuo<br \/>\n    da maioria passou ao sr. Lafaiete, a quem sustentou, com dedica&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    igual a que at&eacute; ent&atilde;o havia dado aos seus antecessores. <\/p>\n<p>Apoiar o sr. Dantas era o seu dever e ele o fez sem entretanto arriscar cousa<br \/>\n    nenhuma da sua pessoa e do seu futuro. <\/p>\n<p>Isto posto, raciocinemos um momento. &Eacute; um homem de car&aacute;ter<br \/>\n    o que se acomoda &agrave; vontade na canoa de Martinho Campos e nas canastras<br \/>\n    do sr. Dantas? <\/p>\n<p>O homem que n&atilde;o explicou, sen&atilde;o pelo h&aacute;bito da maioria,<br \/>\n    a ades&atilde;o ao programa do chefe baiano e que o fazia, confessando em<br \/>\n    particular que n&atilde;o tinha elementos para redigir o parecer de que foi<br \/>\n    nomeado relator? <\/p>\n<p>O sr. Rui Barbosa queixou-se ultimamente dos seus insucessos pol&iacute;ticos<br \/>\n    e lan&ccedil;ou-os &agrave; conta do abolicionismo. <\/p>\n<p>&Eacute; mais uma cal&uacute;nia contra a propaganda que o purificou em parte.\n  <\/p>\n<p>Nunca se contestaram o talento e a capacidade do sr. Rui Barbosa. S. Ex.&ordf;<br \/>\n    era benquisto no partido e no pa&ccedil;o. N&atilde;o tinha, pois, nenhuma<br \/>\n    dificuldade para ser ministro. O sr. Dantas o empurrava para a frente, metia-o<br \/>\n    &agrave; cara do parlamento. <\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o liberal tinha tal car&ecirc;ncia de gente habilitada<br \/>\n    que chegou a ter como seus ministros as maiores nulidades. O povo se lembra,<br \/>\n    para n&atilde;o falar sen&atilde;o da Bahia, dos Moura, dos Prisco, dos Sodr&eacute;,<br \/>\n    pobres homens, que seriam absolvidos num tribunal justo de qualquer crime<br \/>\n    que denunciasse intelig&ecirc;ncia da parte do r&eacute;u. <\/p>\n<p>Por preterir o sr. Rui Barbosa? Quem o havia de preterir? O sr. Dantas? <\/p>\n<p>Fica por estas interroga&ccedil;&otilde;es bem claro que o sr. Rui Barbosa<br \/>\n    n&atilde;o foi ministro, porque se contava previamente com a sua derrota.<br \/>\n    Explica-se tamb&eacute;m o segredo da dedica&ccedil;&atilde;o de S. Ex.&ordf;<br \/>\n    a todos os minist&eacute;rios. Era a premedita&ccedil;&atilde;o de uma imoralidade,<br \/>\n    a sua candidatura oficial, a elei&ccedil;&atilde;o por interven&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    do Governo. <\/p>\n<p>N&atilde;o foi o seu abolicionismo que o impediu de entrar, por exemplo,<br \/>\n    no minist&eacute;rio dos caixeiros, presidido pelo sr. Lafaiete. Nesse tempo,<br \/>\n    o sr. Rui Barbosa podia exibir ao eleitorado os 500 r&eacute;is (sic) daquele<br \/>\n    projeto rid&iacute;culo e o passaporte da canoa Martinho. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; consci&ecirc;ncia honesta que, &agrave; vista destes<br \/>\n    fatos, n&atilde;o afirme conosco que o sr. Rui Barbosa dava apoio mercen&aacute;rio<br \/>\n    aos gabinetes liberais; que fazia do seu voto na C&acirc;mara o saque eleitoral<br \/>\n    contra o Governo do seu partido. <\/p>\n<p>A&iacute; est&aacute; a largos tra&ccedil;os a carreira p&uacute;blica do<br \/>\n    sr. Rui Barbosa. <\/p>\n<p>S. Ex.&ordf; alega o seu abolicionismo e n&oacute;s lhe respondemos que este<br \/>\n    n&atilde;o era mais poderoso que as suas dispepsias. <\/p>\n<p>Como advogado S. Ex.&ordf; tem o neg&oacute;cio das freiras, que protegeu<br \/>\n    como deputado e se fez pagar como advogado. <\/p>\n<p>N&atilde;o se compadece com a lisura de t&atilde;o melindroso car&aacute;ter<br \/>\n    servir-se da sua influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica para proteger um esbulho.\n  <\/p>\n<p>Outra advocacia c&eacute;lebre de S. Ex.&ordf; &eacute; a da liquida&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da Caixa Deposit&aacute;ria de Coruja &amp; C. <\/p>\n<p>Ali havia dep&oacute;sito do minguado pec&uacute;lio de escravos. Pois bem,<br \/>\n    S. Ex.&ordf; n&atilde;o levou em conta essa circunst&acirc;ncia e duvidamos<br \/>\n    que nos diga quanto houveram esses credores e qual foi a prote&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    que lhe dispensou o advogado abolicionista, que devia antes de tudo ter bem<br \/>\n    presente a lei de 28 de setembro de 1871. <\/p>\n<p>Agora est&aacute; o sr. Rui Barbosa continuando a sua carreira pol&iacute;tica,<br \/>\n    interrompida pelo abolicionismo, de que se diz m&aacute;rtir. <\/p>\n<p>O que faz?<\/p>\n<p>Insulta o liberto e adula o ex-senhor.<\/p>\n<p>Injuria os companheiros da v&eacute;spera e canoniza os inimigos comuns de<br \/>\n    outrora. <\/p>\n<p>Pede gal&eacute;s para o criminoso da escravid&atilde;o e o Governo do Estado<br \/>\n    para os antigos mantenedores da fonte do crime. <\/p>\n<p>E &eacute; em nome dessa moralidade que se estabelece a preliminar para as<br \/>\n    rela&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio com a C&acirc;mara. <\/p>\n<p>Ser&aacute; necess&aacute;rio que analisemos os ju&iacute;zes que t&ecirc;m<br \/>\n    de julgar o sr. Jo&atilde;o Alfredo? <\/p>\n<p>Ser&atilde;o eles solid&aacute;rios com o liberalista desabusado? Ou reconhecem,<br \/>\n    como n&oacute;s, que o sr. Rui Barbosa n&atilde;o tem por fim sen&atilde;o<br \/>\n    resignar-se ao papel de gato morto, para ver se apanha um distrito na futura<br \/>\n    partilha do Estado? <\/p>\n<p>N&atilde;o sabemos e vamos esperar vinte e quatro horas para julgar a atitude<br \/>\n    do Partido Liberal. <\/p>\n<p>Se ele esposar as id&eacute;ias do sr. Rui Barbosa, prosseguiremos na an&aacute;lise<br \/>\n    dos ju&iacute;zes. <\/p>\n<p>Se o Partido Liberal se permitir a insol&ecirc;ncia de querer manchar parlamentarmente<br \/>\n    a honra de um homem que tem o passado mais puro, que no presente deu prova<br \/>\n    da maior altivez moral, satisfazendo &agrave; interpela&ccedil;&atilde;o sobre<br \/>\n    o empr&eacute;stimo de Minas; que abriu de par em par a administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    para que se visse que o Governo estava extreme de culpa na prefer&ecirc;ncia<br \/>\n    dada ao sr. Loyo, que n&atilde;o recuou nem diante da devassa de todos os<br \/>\n    atos do Tesouro e da presid&ecirc;ncia de Minas; fica-nos o direito de editar<br \/>\n    tudo quanto anda na voz p&uacute;blica a respeito de todos os chefes liberais,<br \/>\n    que s&atilde;o chamados a constituir-se em tribunal para julgar o grande r&eacute;u<br \/>\n    do maior dos crimes imaginados neste pa&iacute;s: -O de n&atilde;o ter adiado<br \/>\n    um dia a liberdade dos cativos, e de n&atilde;o ter deixado, para os comparsas<br \/>\n    de Martinho Campos, a gl&oacute;ria da reden&ccedil;&atilde;o de nossa p&aacute;tria.\n  <\/p>\n<p><b>3 de maio de 1889<\/b><\/p>\n<h2>13-V-1889<\/h2>\n<h4><a name=\"16\">Treze de maio<\/a><\/h4>\n<p> O vasto templo de progresso e de paz, constru&iacute;do a 13 de maio de<br \/>\n    1888, vai crescendo tanto mais quanto mais se afasta da gloriosa data, em<br \/>\n    que ele foi inaugurado entre aplausos e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os da humanidade<br \/>\n    civilizada. <\/p>\n<p>D&aacute;-se com as grandes reformas este fen&ocirc;meno consolador: exercem<br \/>\n    sobre as gera&ccedil;&otilde;es uma a&ccedil;&atilde;o que aumenta na raz&atilde;o<br \/>\n    direta do tempo decorrido. <\/p>\n<p>Apesar das apreens&otilde;es ominosas de uma parte da popula&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    a lei de 13 de maio foi desde logo aplaudida pela maioria da na&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    com essa expans&atilde;o b&iacute;blica da entrada em Cana&atilde;. Percebeu-se-lhe<br \/>\n    imediatamente a grandeza pela simplicidade da sua f&oacute;rmula, despida<br \/>\n    de todas as preocupa&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e sociais. <\/p>\n<p>Sentia-se que ela tinha exclusivamente o pensamento da restitui&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    expiat&oacute;ria do homem &agrave; humanidade. <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute;, na legisla&ccedil;&atilde;o do mundo, nada mais extraordin&aacute;rio<br \/>\n    que essa emancipa&ccedil;&atilde;o de um milh&atilde;o de homens, seguida<br \/>\n    da mais plena confian&ccedil;a do Estado, nos sentimentos deles. Franqueiam-se-lhes<br \/>\n    as portas da sociedade, canonizando-se-lhes apenas o passado e dotando-os<br \/>\n    com as flores do triunfo. <\/p>\n<p>Era em v&eacute;speras da colheita; essa gente sa&iacute;a pobre da riqueza<br \/>\n    que havia acumulado em tr&ecirc;s s&eacute;culos de trabalho for&ccedil;ado;<br \/>\n    vinha com o cora&ccedil;&atilde;o sangrando a saudade secular do Direito.<br \/>\n    E n&atilde;o h&aacute; uma desordem; n&atilde;o h&aacute; um atentado cometido<br \/>\n    contra os senhores da v&eacute;spera, compatriotas do dia grandioso. <\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio: um quadro tocante de confraterniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    se desdobra pelo interior. O novo cidad&atilde;o sobrest&aacute; no alvoro&ccedil;o<br \/>\n    &iacute;ntimo para dissipar cavalheirosamente a nuvem da tristeza, que paira<br \/>\n    sobre a fronte dos propriet&aacute;rios, e, enquanto n&atilde;o mistura l&aacute;grimas<br \/>\n    de solidariedade, enquanto n&atilde;o se compromete a assegurar ao ex-senhor<br \/>\n    a fortuna amea&ccedil;ada, n&atilde;o continua no hosanar a liberdade rec&eacute;m-proclamada.\n  <\/p>\n<p>Que belo quadro! Aquelas almas que deviam estar nuas e lancinantes, como<br \/>\n    um espinheiro, como este florescem de improviso e perfumam o lar, que nem<br \/>\n    sequer havia pensado na pureza da sua seiva! <\/p>\n<p>Depois dos primeiros dias de festa, como um enxame depois de uma revoada<br \/>\n    entre a primavera, volvem ao trabalho, e, h&aacute; um ano, a sociedade s&oacute;<br \/>\n    se apercebe da exist&ecirc;ncia do liberto pela continuidade da produ&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    pela fartura dos mercados. <\/p>\n<p>Por toda a parte trabalho, paz profunda, esquecimento do passado! <\/p>\n<p>Bendito contraste! Enquanto muitos dos que foram feridos pela repara&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    necess&aacute;ria de uma injusti&ccedil;a secular se revoltam e procuram vingar-se<br \/>\n    tornando-se o pesadelo da evolu&ccedil;&atilde;o nacional; os ex-escravos<br \/>\n    consideram-se pagos de toda uma vida de dor e de humilha&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    com a simples liberdade. <\/p>\n<p>Sem pedir nada mais &agrave; p&aacute;tria, muito contentes com a posse da<br \/>\n    sua alma e do seu cora&ccedil;&atilde;o, entram pela vida sacando sobre os<br \/>\n    seus m&uacute;sculos o capital eterno da civiliza&ccedil;&atilde;o: o trabalho.\n  <\/p>\n<p>O depoimento em favor deles &eacute; dado pelas rendas p&uacute;blicas por<br \/>\n    meio das alf&acirc;ndegas, os &oacute;rg&atilde;os de assimila&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da ind&uacute;stria universal; pelo meio circulante, que precisa de fracionar-se,<br \/>\n    de maneira a poder ter as pequenas dimens&otilde;es do sal&aacute;rio! <\/p>\n<p>Enquanto os que deviam ter previdentemente economizado em nome das responsabilidades<br \/>\n    sociais contra&iacute;das, pedem o cr&eacute;dito do Estado, e se julgam com<br \/>\n    o direito de dispor desse patrim&ocirc;nio comum, como outrora dispuseram<br \/>\n    do trabalho gratuito dos escravizados; os novos cidad&atilde;os creditam seu<br \/>\n    saldo na bolsa da na&ccedil;&atilde;o, e comprovam o bem-estar relativo da<br \/>\n    vida indo buscar para a comunh&atilde;o das sobras do seu suor, uma consorte,<br \/>\n    que lhes multiplique a responsabilidade na prole desejada. <\/p>\n<p>Todos esses fatos, de profundo valor social, e que n&atilde;o passam despercebidos<br \/>\n    ao historiador e ao fil&oacute;sofo, testemunham que o dia 13 de maio n&atilde;o<br \/>\n    foi a explos&atilde;o rom&acirc;ntica de um cora&ccedil;&atilde;o de mulher,<br \/>\n    mas a san&ccedil;&atilde;o da lei natural da mutualidade, que n&atilde;o &eacute;<br \/>\n    impunemente violada. <\/p>\n<p>Pelo reconhecimento do seu direito, o novo cidad&atilde;o deu-lhe tudo quanto<br \/>\n    o homem civilizado guarda para as sociedades, que lhe garantem o cora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e a atividade, o amor e o trabalho. <\/p>\n<p>Nem ao menos pediu de terra por&ccedil;&atilde;o maior do que aquela em que<br \/>\n    cabe a sua enxada, que em cada sulco abre uma sepultura &agrave; tirania e<br \/>\n    um canal de &aacute;guas-vivas para a liberdade. <\/p>\n<p>Enquanto, usurariamente como Harpagon ao seu cofre, alguns ex-senhores agarram-se<br \/>\n    tremulamente aos latif&uacute;ndios; o novo cidad&atilde;o abre, pelo bem<br \/>\n    geral, m&atilde;o de tudo, que ele podia ambicionar, e est&aacute; t&atilde;o<br \/>\n    pronto a dar o seu suor, como o seu sangue, pela terra que ele at&eacute;<br \/>\n    agora s&oacute; ocupava pela enfiteuse da morte. <\/p>\n<p>&Eacute; para fazer bater tumultuariamente o cora&ccedil;&atilde;o o espet&aacute;culo<br \/>\n    deste ano de nossa hist&oacute;ria. <\/p>\n<p>As institui&ccedil;&otilde;es brasileiras tinham alguma cousa das nossas<br \/>\n    florestas tropicais, que, zombando da sucess&atilde;o das esta&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    guardam sempre a mesma folhagem, espregui&ccedil;am-se perpetuamente na mesma<br \/>\n    t&eacute;pida umbrosidade, com uns farfalhos l&acirc;nguidos e amorosos, com<br \/>\n    uma eterna orquestra de ninhos. No mais espesso da brenha, uma casa constru&iacute;da<br \/>\n    com a despretens&atilde;o de quem s&oacute; conta com a visita do sol e dos<br \/>\n    crep&uacute;sculos, das aves e das lianas floridas, com a serenata dos c&oacute;rregos<br \/>\n    e das estrelas. <\/p>\n<p>H&aacute; um ano, como que a nossa natureza social foi bruscamente enquadrada<br \/>\n    no movimento regular do mundo. Come&ccedil;aram as esta&ccedil;&otilde;es<br \/>\n    evolutivas. <\/p>\n<p>As institui&ccedil;&otilde;es sofrem a a&ccedil;&atilde;o do inverno, que<br \/>\n    as despiu da velha fronde das supersti&ccedil;&otilde;es e dos preconceitos;<br \/>\n    que as deixou nuas, tristes, sacudidas pelo vento frio dos lamentos, anoitadas<br \/>\n    em penumbra de conspira&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Muitos j&aacute; desviaram delas o olhar, imigraram como as andorinhas, para<br \/>\n    se n&atilde;o deixarem traspassar do frio do pavor. <\/p>\n<p>Entretanto, este fen&ocirc;meno &eacute; o mais animador.<\/p>\n<p>Como no inverno, a natureza concentra subterraneamente toda sua vitalidade,<br \/>\n    e n&atilde;o podendo viver na festa iluminada do ambiente, recolhe-se ao segredo<br \/>\n    t&eacute;pido do h&uacute;mus, onde elabora a renascen&ccedil;a primaveril,<br \/>\n    que a princ&iacute;pio &eacute; feia como a morf&eacute;ia, na erup&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    das g&ecirc;mulas, para depois se converter em esmeraldas sonoras e em arminho<br \/>\n    perfumado; as nossas institui&ccedil;&otilde;es se concentram na administra&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    financeira, amoeda ouro nas suas entranhas, faz seiva das suas rendas, e apronta-se<br \/>\n    para dar como saldo das suas ang&uacute;stias presentes estradas de ferro,<br \/>\n    que cortem, de extremo a extremo, o territ&oacute;rio; imigrantes que nos<br \/>\n    fecundem a alma e o solo com o seu esp&iacute;rito e com o seu suor; terra<br \/>\n    que transforme o prolet&aacute;rio de hoje no pequeno propriet&aacute;rio,<br \/>\n    a v&aacute;lvula da democracia, amanh&atilde;. <\/p>\n<p>Tudo quanto estamos vendo &eacute; novo. A na&ccedil;&atilde;o sente-se outra,<br \/>\n    desde que foi dignificada pela grande lei. <\/p>\n<p>Ela pensa que se os negros, esp&eacute;cie de Shivas inconscientes, que com<br \/>\n    os seus mil bra&ccedil;os, tiraram do nada um mundo novo; se os negros que<br \/>\n    eram ontem a besta de carga, a cousa que se vendia, puderam instantaneamente<br \/>\n    subir de escravos a propulsores do com&eacute;rcio, das ind&uacute;strias,<br \/>\n    das rendas p&uacute;blicas, indiretamente, &eacute; certo, mas sensivelmente;<br \/>\n    muito mais deve poder o Governo que presidiu essa cria&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; t&atilde;o honroso o desvario, que &eacute; dever perdo&aacute;-lo.\n  <\/p>\n<p>Os que se queixam, os que se impacientam, n&atilde;o se lembram de que os<br \/>\n    negros receberam, desde o dia da nossa independ&ecirc;ncia, a delega&ccedil;&atilde;o,<br \/>\n    humilhante para n&oacute;s, da verdadeira soberania humana -o trabalho; que<br \/>\n    n&oacute;s praticamos esse erro, em tudo semelhante ao da Europa, da &Aacute;sia<br \/>\n    e da &Aacute;frica antigas, que enfeudaram o deserto ao camelo, e por isso<br \/>\n    mesmo levaram s&eacute;culos &agrave; espera de que o g&ecirc;nio do Gama<br \/>\n    dobrasse o misterioso cabo das Tormentas. <\/p>\n<p>O camelo atravessava despreocupadamente o deserto, rindo ao simum e &agrave;s<br \/>\n    areias em brasa sem impaci&ecirc;ncias de o&aacute;sis porque ele o trazia<br \/>\n    na pr&oacute;pria economia org&acirc;nica. O homem desfalecia &agrave;s lufadas<br \/>\n    e aos s&oacute;is e olhava para a travessia ardente como para um oceano de<br \/>\n    labaredas. <\/p>\n<p>O negro, rebaixado &agrave; animalidade bruta, fez uma economia especial,<br \/>\n    que o aperfei&ccedil;oou no trabalho, que o enrijou contra a adversidade,<br \/>\n    e ao mesmo tempo preparou-o para passar serenamente das regi&otilde;es da<br \/>\n    barbaria para as da mais adiantada civiliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Da&iacute;, enquanto o filho da escravid&atilde;o, como os pupilos da mis&eacute;ria,<br \/>\n    de que fala Cherbulliez, pode tentar tudo j&aacute; e j&aacute;, o Estado<br \/>\n    precisa de um bra&ccedil;o forte, de um car&aacute;ter limpo e santo, um desses<br \/>\n    seres extraordin&aacute;rios, que a Hist&oacute;ria sugere aos povos, para<br \/>\n    compreender a transi&ccedil;&atilde;o de um regime artificial e condenado<br \/>\n    para o regime natural das sociedades contempor&acirc;neas. <\/p>\n<p>O penhor do nosso futuro, por&eacute;m; o celeiro com que devemos prover<br \/>\n    a nossa esperan&ccedil;a &eacute; esse mesmo fato, que nos atordoa. Se os<br \/>\n    brasileiros, que ocupam as camadas vivas do trabalho, est&atilde;o em atividade;<br \/>\n    se eles se responsabilizam pela continuidade e rejuvenescimento do trabalho<br \/>\n    nacional; por que raz&atilde;o havemos de desanimar; se come&ccedil;ando,<br \/>\n    por sua vez, o trabalho nas outras classes, ele se vai adicionar a t&atilde;o<br \/>\n    fecunda parcela? <\/p>\n<p>Deslumbrados por esse ano que termina por um bem-estar financeiro, como n&atilde;o<br \/>\n    temos, h&aacute; mais de um quarto de s&eacute;culo; certos de que este fato<br \/>\n    n&atilde;o &eacute; passageiro, porque &eacute; a progress&atilde;o crescente,<br \/>\n    atestada pela nossa hist&oacute;ria, depois de abolido o tr&aacute;fico, e<br \/>\n    libertada a maternidade, ousamos pedir aos nossos compatriotas ordem e f&eacute;.\n  <\/p>\n<p>N&atilde;o nos assustam as exig&ecirc;ncias do melhor; essa insaciabilidade<br \/>\n    de progresso e de bem-estar, que desorienta a imprensa e alucina o parlamento,<br \/>\n    &eacute; natural. O c&eacute;u n&atilde;o extinguiu as nebulosas por se sentir<br \/>\n    recamado de estrelas. <\/p>\n<p>Essa &acirc;nsia de chegar instantaneamente est&aacute; em todo o nosso s&eacute;culo,<br \/>\n    que j&aacute; n&atilde;o se contenta com o vapor, e acha vulgares os milagres<br \/>\n    da eletricidade. <\/p>\n<p>O que pedimos &eacute; que nos aconselhemos com a natureza, que n&atilde;o<br \/>\n    destr&oacute;i o sol milen&aacute;rio, s&oacute; porque sabe que disp&otilde;e<br \/>\n    de vias l&aacute;cteas; que n&atilde;o condena as suas &aacute;rvores seculares,<br \/>\n    porque sabe que tem um viveiro eterno de vegeta&ccedil;&atilde;o; que n&atilde;o<br \/>\n    se priva das suas montanhas por ter seguran&ccedil;a da extens&atilde;o e<br \/>\n    espessura da crosta da Terra. <\/p>\n<p>O dia 13 de maio nos deve ensinar a preferir as obras da paz e do amor. A<br \/>\n    fecundidade dessa reforma &eacute; a profecia da nossa grandeza. Daremos um<br \/>\n    novo exemplo ao mundo, resolvendo pelo mesmo processo todas as nossas quest&otilde;es<br \/>\n    de autonomia nacional. <\/p>\n<p>Olhemos para a natureza e aprendamos a sua eterna li&ccedil;&atilde;o. O<br \/>\n    sereno, quase impercept&iacute;vel no ambiente, leva a umidade mais longe<br \/>\n    que a mais impetuosa torrente. <\/p>\n<p><b>13 maio 1889<\/b><\/p>\n<h2>18-V-1889<\/h2>\n<h4><a name=\"17\">O isabelismo<\/a><\/h4>\n<p> A profunda considera&ccedil;&atilde;o que voto &agrave; reda&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da A Rua obriga-me a acudir pressurosamente em resposta &agrave;s arg&uuml;i&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    que ela me dirige, a respeito de uma frase por mim proferida no dia 13 de<br \/>\n    maio: <\/p>\n<p>&laquo;Enquanto houver sangue e honra abolicionistas, ningu&eacute;m tocar&aacute;<br \/>\n    no trono de Isabel, a Redentora.&raquo; <\/p>\n<p>Lan&ccedil;ada em circula&ccedil;&atilde;o sem considera&ccedil;&otilde;es,<br \/>\n    que a precederam, semelhante frase, concordo, seria a mais terr&iacute;vel<br \/>\n    amea&ccedil;a &agrave; democracia; a justifica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via<br \/>\n    de todos os abusos do poder. <\/p>\n<p>Infelizmente o meu discurso n&atilde;o foi estenografado e &eacute; imposs&iacute;vel,<br \/>\n    hoje, reproduzir integralmente quanto disse. <\/p>\n<p>O meu pensamento, por&eacute;m, foi acentuar, nos termos os mais precisos,<br \/>\n    que a data de 13 de maio era a primeira de uma era nova, para a elabora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da qual todos t&iacute;nhamos concorrido: o imperador, a princesa e o povo;<br \/>\n    que a essa nova era devia corresponder nova pol&iacute;tica, para a qual cont&aacute;vamos<br \/>\n    com a magnanimidade do imperador, que havia feito sacrif&iacute;cio maior<br \/>\n    que o de Abra&atilde;o, trazendo ao altar da liberdade p&aacute;tria em holocausto<br \/>\n    a sua &uacute;nica e adorada filha; a esta mulher her&oacute;ica que estreou-se<br \/>\n    no Governo do pa&iacute;s restituindo &agrave;s m&atilde;es a dignidade materna<br \/>\n    e educando os pr&iacute;ncipes seus filhos no amor dos infelizes. <\/p>\n<p>Partiam dessas prim&iacute;cias governamentais a nossa venera&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    e a nossa esperan&ccedil;a por Isabel, a Redentora; confi&aacute;vamos que<br \/>\n    o seu futuro seria a confirma&ccedil;&atilde;o de seu passado; que ela seria<br \/>\n    a imperatriz-opini&atilde;o; a rainha-fraternidade; exort&aacute;vamo-la a<br \/>\n    perseverar nesse sistema de governar, porque enquanto houvesse honra e sangue<br \/>\n    abolicionistas o seu trono seria sagrado. <\/p>\n<p>Inferir-se da&iacute; que eu tentei fechar todas as v&aacute;lvulas da democracia<br \/>\n    brasileira, que dei o futuro da p&aacute;tria em hipoteca ao 13 de maio, sem<br \/>\n    levar em linha de conta o complemento necess&aacute;rio da nova era nacional,<br \/>\n    &eacute; for&ccedil;ar a l&oacute;gica para tirar uma conclus&atilde;o arbitr&aacute;ria.\n  <\/p>\n<p>O abolicionismo teve sempre um programa. N&atilde;o discutiu coletivamente<br \/>\n    a forma de Governo; amea&ccedil;ou o trono, ontem, como o condenar&aacute;<br \/>\n    amanh&atilde;, se ele for um obst&aacute;culo &agrave; ultima&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    da reforma social, iniciada em 13 de maio. <\/p>\n<p>N&atilde;o ter&aacute; a Coroa aliado mais leal, nem mais dedicado, enquanto<br \/>\n    se comportar, como at&eacute; agora, que, ainda malferida pelo combate &agrave;<br \/>\n    escravid&atilde;o, se atira &agrave; campanha da terra e da autonomia local.\n  <\/p>\n<p>Para que A Rua possa compreender a coer&ecirc;ncia da nossa atitude, &eacute;<br \/>\n    preciso fazer entrar como um dos seus fatores a oposi&ccedil;&atilde;o j&aacute;<br \/>\n    levantada pelo liberalismo e pelo republicanismo ao t&oacute;pico da fala<br \/>\n    do trono relativo &agrave; reorganiza&ccedil;&atilde;o territorial. <\/p>\n<p>Quem pela fatalidade dos acontecimentos assumiu perante a historia da democracia<br \/>\n    da sua terra uma grande responsabilidade n&atilde;o pode ficar &agrave; merc&ecirc;<br \/>\n    de r&oacute;tulos, que escondem a falsifica&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias<br \/>\n    e a deprava&ccedil;&atilde;o dos caracteres. <\/p>\n<p>O que eu n&atilde;o quero &eacute; escravizar o meu pa&iacute;s a uma palavra,<br \/>\n    que &eacute; a gl&oacute;ria na Su&iacute;&ccedil;a, mas que &eacute; a vergonha<br \/>\n    no Peru, s&oacute; para n&atilde;o parecer contradit&oacute;rio, quando, na<br \/>\n    realidade, sou coerente perante a Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica sustentando,<br \/>\n    em nome do meu amor &agrave; liberdade, a Monarquia que nos promete a integridade<br \/>\n    e o progresso pela democracia rural, e opondo-me a essa rep&uacute;blica,<br \/>\n    tamb&eacute;m combatida pela A Rua e de que nos resultar&aacute; a landocracia<br \/>\n    a mais audaciosa, e a oligarquia a mais bestial. <\/p>\n<p>Descanse A Rua; n&atilde;o fui vender-me a Isabel, a Redentora, no dia 13<br \/>\n    de maio; fui apenas reiterar o protesto abolicionista de fidelidade e solidariedade<br \/>\n    com a pol&iacute;tica atual da Coroa, que, disse eu, est&aacute; hoje colocada<br \/>\n    sobre um ideal t&atilde;o grande, que far-se-ia em estilha&ccedil;os se o<br \/>\n    quisesse comprimir. <\/p>\n<p><b>18 de maio de 1889<\/b><\/p>\n<h2>Anexos<\/h2>\n<p> Gabinetes ministeriais do Imp&eacute;rio (1878-1889)2<br \/>\n    1. Presidente: Jo&atilde;o Lins Vieira Cansans&atilde;o de Sinimbu<\/p>\n<p>Partido Liberal, Bahia.<\/p>\n<p>5 de janeiro de 1878 a 28 de mar&ccedil;o de 1880. <\/p>\n<p>2. Presidente: Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Saraiva<\/p>\n<p>Partido Liberal, Bahia.<\/p>\n<p>28 de mar&ccedil;o de 1880 a 21 de janeiro de 1882. <\/p>\n<p>3. Presidente: Martinho &Aacute;lvares da Silva Campos<\/p>\n<p>Partido Liberal, Minas Gerais.<\/p>\n<p>21 de janeiro a 3 de julho de 1882.<\/p>\n<p>4. Presidente: Jo&atilde;o Lustosa da Cunha Paranagu&aacute;<\/p>\n<p>Partido Liberal, Piau&iacute;.<\/p>\n<p>3 de julho de 1882 a 24 de maio de 1883.<\/p>\n<p>5. Presidente: Lafaiete Rodrigues Pereira<\/p>\n<p>Partido Liberal, Minas Gerais.<\/p>\n<p>24 de maio de 1883 a 6 de junho de 1884.<\/p>\n<p>6. Presidente: Manuel Pinto de Sousa Dantas<\/p>\n<p>Partido Liberal, Bahia.<\/p>\n<p>6 de junho de 1884 a 6 de maio de 1885.<\/p>\n<p>7. Presidente: Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Saraiva<\/p>\n<p>Partido Liberal, Bahia.<\/p>\n<p>6 de maio a 20 de agosto de 1885.<\/p>\n<p>8. Presidente: Jo&atilde;o Maur&iacute;cio Wanderlei (bar&atilde;o de Cotegipe)<\/p>\n<p>Partido Conservador, Bahia.<\/p>\n<p>20 de agosto de 1885 a 10 de mar&ccedil;o de 1888.<\/p>\n<p>9. Presidente: Jo&atilde;o Alfredo Correia de Oliveira<\/p>\n<p>Partido Conservador, Pernambuco.<\/p>\n<p>10 de mar&ccedil;o de 1888 a 7 de junho de 1889.<\/p>\n<p>10. Presidente: Afonso Celso de Assis Figueiredo (visconde de Ouro Preto)<\/p>\n<p>Partido Liberal, Minas Gerais.<\/p>\n<p>7 de junho a 15 de novembro de 1889.<\/p>\n<p>Leis e conven&ccedil;&otilde;es mais importantes sobre a escravid&atilde;o<br \/>\n    e o abolicionismo no Brasil, no s&eacute;culo XIX <br \/>\n    Tratado de Alian&ccedil;a e Amizade, 1810<\/p>\n<p>Assinado entre o Governo de Portugal e a Inglaterra, uma de suas cl&aacute;usulas<br \/>\n    previa a aboli&ccedil;&atilde;o gradual do trabalho escravo na Col&ocirc;nia<br \/>\n    e a limita&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico &agrave;s col&ocirc;nias portuguesas<br \/>\n    na &Aacute;frica. <\/p>\n<p>Alvar&aacute; de 24 de novembro de 1813<\/p>\n<p>Regulou a capacidade interna dos navios empregados no tr&aacute;fico de escravos.\n  <\/p>\n<p>Conven&ccedil;&atilde;o de 22 de janeiro de 1815<\/p>\n<p>Determinou o cessamento do tr&aacute;fico de escravos ao norte da linha do<br \/>\n    equador, retirando do alcance de Portugal fontes de abastecimento de negros<br \/>\n    como a Costa da Mina. Portugal consente em delinear com a Inglaterra um futuro<br \/>\n    tratado para a aboli&ccedil;&atilde;o total do tr&aacute;fico. <\/p>\n<p>Tratado entre os governos da Inglaterra e Portugal, 28 de julho de 1817<\/p>\n<p>Em reuni&atilde;o complementar &agrave; conven&ccedil;&atilde;o de Viena,<br \/>\n    foi refor&ccedil;ada a proibi&ccedil;&atilde;o parcial do tr&aacute;fico de<br \/>\n    escravos. Este ficava limitado a navios portugueses bona fide e restrito aos<br \/>\n    territ&oacute;rios portugueses ao sul do equador. O governo portugu&ecirc;s<br \/>\n    comprometia-se a fiscalizar a &aacute;rea de tr&aacute;fico considerada ilegal<br \/>\n    e concedia tamb&eacute;m &agrave; Inglaterra o direito de visita e busca em<br \/>\n    navios suspeitos de tr&aacute;fico il&iacute;cito. <\/p>\n<p>Lei de 20 de outubro de 1823<\/p>\n<p>Criou os Conselhos Provinciais e o cargo de presidente de Prov&iacute;ncia,<br \/>\n    atribuindo a ambos (art. 24) promover o bom tratamento dos escravos e propor<br \/>\n    arb&iacute;trios para facilitar a sua lenta emancipa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Carta de lei de 23 de novembro de 1826<\/p>\n<p>Estabeleceu o prazo de tr&ecirc;s anos para o encerramento do tr&aacute;fico<br \/>\n    de escravos, a contar da data da ratifica&ccedil;&atilde;o. A ratificia&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    ocorreu em 1827. <\/p>\n<p>Lei de 7 de novembro de 1831<\/p>\n<p>Proibiu o tr&aacute;fico de escravos para o Brasil, considerando livres todos<br \/>\n    os negros trazidos para o Brasil a partir daquela data. As pessoas acusadas<br \/>\n    de tr&aacute;fico e importa&ccedil;&atilde;o de escravos recebiam penalidades,<br \/>\n    de acordo com o C&oacute;digo Criminal, pelo crime de reduzir pessoas livres<br \/>\n    &agrave; escravid&atilde;o. <\/p>\n<p>Lei n&ordm; 4, de 10 de junho de 1835<\/p>\n<p>Punia, inclusive com pena de morte, os escravos que matassem, ferissem ou<br \/>\n    cometessem qualquer ofensa f&iacute;sica contra os seus senhores. <\/p>\n<p>Bill Aberdeen, 8 de agosto de 1845<\/p>\n<p>Lei inglesa que considerou o tr&aacute;fico pirataria e autorizou a Marinha<br \/>\n    brit&acirc;nica a capturar os navios transgressores, mesmo em &aacute;guas<br \/>\n    territoriais brasileiras. <\/p>\n<p>Lei de 4 de setembro de 1850 (Lei Eus&eacute;bio de Queir&oacute;s)<\/p>\n<p>Determinou a extin&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico de escravos para o<br \/>\n    Brasil, prevendo puni&ccedil;&atilde;o apenas para os introdutores julgados<br \/>\n    pelos auditores da Marinha. Os fazendeiros envolvidos deveriam ser julgados<br \/>\n    pela justi&ccedil;a local. <\/p>\n<p>Decreto n&ordm; 731, de 5 de junho de 1854<\/p>\n<p>Ampliava a compet&ecirc;ncia para julgamento dos auditores da Marinha e determinava<br \/>\n    a puni&ccedil;&atilde;o, processo e julgamento do cidad&atilde;o brasileiro<br \/>\n    ou estrangeiro envolvido em tr&aacute;fico de escravos. <\/p>\n<p>Lei 2.040, de 28 de setembro de 1871 (Lei Rio Branco ou Lei do Ventre-Livre)<\/p>\n<p>Declarou livres os filhos de escravos nascidos a partir daquela data. Denominados<br \/>\n    ing&ecirc;nuos, deveriam permanecer oito anos em poder do propriet&aacute;rio<br \/>\n    de sua m&atilde;e. Findo este prazo, o propriet&aacute;rio poderia libert&aacute;-lo,<br \/>\n    recebendo indeniza&ccedil;&atilde;o de 600 mil r&eacute;is, ou utilizar os<br \/>\n    seus servi&ccedil;os at&eacute; completarem 21 anos de idade. A lei criou<br \/>\n    tamb&eacute;m o Fundo de Emancipa&ccedil;&atilde;o, cujos recursos seriam<br \/>\n    utilizados para libertar anualmente um certo n&uacute;mero de escravos. E<br \/>\n    ordenou a matr&iacute;cula de todos os escravos, cujos dados (origem, sexo,<br \/>\n    idade, etc.) serviriam para o c&aacute;lculo da indeniza&ccedil;&atilde;o<br \/>\n    aos propriet&aacute;rios. <\/p>\n<p>Lei provincial, de 25 de mar&ccedil;o de 1884<\/p>\n<p>O presidente do Cear&aacute;, S&aacute;tiro Dias, declara extinta a escravid&atilde;o<br \/>\n    na prov&iacute;ncia (primeira a faz&ecirc;-lo) atribuindo o fato essencialmente<br \/>\n    ao esfor&ccedil;o das sociedades libertadoras locais. <\/p>\n<p>Lei 3.270, de 28 de setembro de 1885 (Lei Saraiva-Cotegipe ou Lei dos Sexagen&aacute;rios)<\/p>\n<p>Regulava a extin&ccedil;&atilde;o gradual do elemento servil, libertando<br \/>\n    os escravos de mais de 60 anos. Estes ficavam sujeitos, no entanto, a prestar<br \/>\n    servi&ccedil;os aos seus senhores por tr&ecirc;s anos (ou at&eacute; completar<br \/>\n    65 anos), a t&iacute;tulo de indeniza&ccedil;&atilde;o pela alforria. <\/p>\n<p>Lei 3.310, de 15 de outubro de 1886<\/p>\n<p>Aboliu a pena de a&ccedil;oites de escravos, ao revogar o art. 60 do C&oacute;digo<br \/>\n    Criminal e a Lei n&ordm; 4, de 10 de junho de 1835, na parte referente ao<br \/>\n    assunto. O escravo ficaria sujeito &agrave;s mesmas penas estabelecidas pelo<br \/>\n    C&oacute;digo Criminal e &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o em vigor. <\/p>\n<p>Lei n&ordm; 3.353, de 13 de maio de 1888 (Lei &Aacute;urea)<\/p>\n<p>Declarou extinta a escravid&atilde;o em todo o pa&iacute;s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique nos links abaixo para navegar no cap&iacute;tulo desejado: Com o Cora\u00e7\u00e3o Nos L\u00e1bios Gazeta de Not\u00edcias Visconde do Rio Branco Gazeta da Tarde A Sua Alteza, a Regente Senhora \u00c2ngelo Abolicionistas no seu posto. Estamos em plena aurora A oposi\u00e7\u00e3o chegou \u00e0 incandesc\u00eancia esta semana. \u00c0 Federa\u00e7\u00e3o Respondo&#8230; \u00c0 ponta da pena O \u00f3dio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-107716","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A Campanha Abolicionista, Obra A Campanha Abolicionista<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A Campanha Abolicionista, Obra, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Com o Cora\u00e7\u00e3o Nos L\u00e1bios, Escravid\u00e3o, Literatura, A Campanha Abolicionista\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, 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