{"id":107697,"date":"2017-02-08T11:15:47","date_gmt":"2017-02-08T13:15:47","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=107697"},"modified":"2017-02-08T11:15:47","modified_gmt":"2017-02-08T13:15:47","slug":"historia-do-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-do-brasil\/historia-do-cafe","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do Caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-107699\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria do Caf\u00e9\" width=\"490\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor1.jpg 490w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor1-300x197.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor1-310x205.jpg 310w\" sizes=\"(max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><strong><br \/>\nCaf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<strong>Nome popular:<\/strong>\u00a0cafeeiro<\/p>\n<p><strong>Nome cient\u00edfico:<\/strong>\u00a0Coffea arabica L<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia bot\u00e2nica:<\/strong>\u00a0Rubiaceae<\/p>\n<p><strong>Origem:<\/strong>\u00a0\u00c1frica<\/p>\n<p align=\"center\">&#8220;E eu sinto o gosto, o aroma,o sangue quente de S\u00e3o Paulonesta pequena noite l\u00edquida e cheirosaque \u00e9 a minha x\u00edcara de caf\u00e9.&#8221; MARTIM CERER\u00ca Cassiano Ricardo<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas da planta<\/h4>\n<p>Arbusto de at\u00e9 4 m de altura, caule reto de casca cinzenta e rugosa. Copa c\u00f4nica com ramos laterais pendentes. Folhas onduladas nos bordos e de colora\u00e7\u00e3o verde-acinzentada quando jovens, verde-brilhante posteriormente. Flores brancas aglomeradas ao longo dos ramos, arom\u00e1ticas e atrativas para abelhas.<\/p>\n<h4>Fruto<\/h4>\n<p>Forma ov\u00f3ide, verdes passando a vermelho e tornando-se preto de acordo com as fases de matura\u00e7\u00e3o. Casca lisa e brilhante, contendo sementes de colora\u00e7\u00e3o acinzentada, branco-amarelada ou amarelo- esverdeada, envoltas por polpa branca, adocicada.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-107700\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor2.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria do Caf\u00e9\" width=\"194\" height=\"227\" \/><strong><br \/>\nCaf\u00e9 &#8211; Fruto<\/strong><\/p>\n<h4>Cultivo<\/h4>\n<p>Prefere regi\u00f5es de clima ameno, n\u00e3o suporta geadas. Necessita de solos f\u00e9rteis, drenados e arejados. Desenvolve-se melhor em locais sombreados. H\u00e1 muitas variedades e delas obt\u00e9m-se os diversos sabores e aromas do\u00a0<strong>gr\u00e3o<\/strong>\u00a0. Frutifica de maio a julho.<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;As mais aprofundadas investiga\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas t\u00eam permitido estabelecer que o uso da beberagem feita com as sementes do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0foi iniciado pelos \u00e1rabes do Yemen, no s\u00e9timo s\u00e9culo da nossa era,portanto entre os anos 600 e 700. O &#8220;kahwah&#8221; ou &#8220;cav\u00e9&#8221;fora, ent\u00e3o, para ali trazido de longe,de sua p\u00e1tria, das terras altas da misteriosa Abiss\u00ednia, onde n\u00e3o se Ihe conhecia qualquer pr\u00e9stimo&#8221;\u00a0\u00a0DICION\u00c1RIO DAS PLANTAS UT\u00c9IS DO BRASIL e das ex\u00f3ticas cultivadas M. Pio Corr\u00eaa (1926)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Embora existam ainda algumas diverg\u00eancias quanto ao local e \u00e0 \u00e9poca exatos em que se iniciou o cultivo e o uso sistem\u00e1tico do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, parece certo que a \u00c1frica foi o ber\u00e7o da esp\u00e9cie Coffea. \u00c9 certo, tamb\u00e9m, creditar-se ao povo \u00e1rabe tal fa\u00e7anha.<\/p>\n<p>Parece que foram os pr\u00f3prios \u00e1rabes, em seus processos expansionistas, os grandes disseminadores da esp\u00e9cie por todo o mundo conhecido em sua \u00e9poca. E \u00e9 por esse motivo que uma das esp\u00e9cies mais conhecidas e cultivadas comercialmente hoje em dia, a primeira a ser descrita pelos \u00e1rabes e a chegar ao continente europeu, tenha sido justamente batizada como Coffea arabica.<\/p>\n<p>Tudo leva a crer que exemplares nativos dessa esp\u00e9cie podiam ser encontrados em toda a faixa equatorial que atravessa o continente africano, desde a Eti\u00f3pia at\u00e9 o Congo, alcan\u00e7ando o sul de Angola.<\/p>\n<p>A partir de seus centros de origem e de dispers\u00e3o, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0iniciou sua grande migra\u00e7\u00e3o ao redor do mundo. Com os \u00e1rabes, seu cultivo foi levado para as regi\u00f5es litor\u00e2neas do Mar Vermelho. Em 1690, foi dali para as ilhas de Java, Born\u00e9u e Sumatra, na Indon\u00e9sia, levado pelos holandeses. Da indon\u00e9sia, rapidamente partiu para as terras do atual Sri Lanka, no Oceano ndico, por onde chegou \u00e0 \u00cdndia e penetrou no continente asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0proveniente dessas regi\u00f5es alcan\u00e7ava altos pre\u00e7os no mercado europeu e j\u00e1 era fartamente comercializado pelos holandeses e venezianos, que se apressaram a juntar os sacos do gr\u00e3o preciosas especiarias trazidas do Oriente.<\/p>\n<p align=\"center\">&#8220;Qued\u00ea o sert\u00e3o daqui? Lavrador derrubou.Qued\u00ea o lavrador? Est\u00e1 plantando caf\u00e9.Qued\u00ea o caf\u00e9? Mo\u00e7a bebeu.Mas a mo\u00e7a onde est\u00e1? Est\u00e1 em Paris.&#8221; MARTIM CERER\u00ca Cassiano Ricardo<\/p>\n<p><strong>Reputado como produto de grandes propriedades medicinais, revigorador do intelecto e excitante, o\u00a0caf\u00e9\u00a0foi introduzido na Europa e passou a ser cada vez mais consumido: <\/strong>os gr\u00e3os de caf\u00e9, torrados e mo\u00eddos, eram colocados na \u00e1gua quente e consumidos \u00e0 moda dos \u00e1rabes, o que inclu\u00eda a aromatiza\u00e7\u00e3o com canela e cravo da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Logo as cidades europ\u00e9ias ganharam cafeterias em profus\u00e3o, onde se reuniam escritores, fil\u00f3sofos e artistas em torno da bebida em suas variadas prepara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Desde ent\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo muito antes disso, o\u00a0caf\u00e9\u00a0j\u00e1 tinha encontrado sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o: <\/strong>o aroma e o sabor do l\u00edquido escuro, sorvido em pequenos goles, t\u00eam a capacidade de reunir as pessoas e, mesmo que por poucos minutos, instaurar o sil\u00eancio e fazer refletir.<\/p>\n<p>Entre 1706 e 1718, per\u00edodo curto considerando-se as distancias e as dificuldades de transporte da \u00e9poca, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi levado, pelas m\u00e3os dos holandeses, da Indon\u00e9sia at\u00e9 a Am\u00e9rica, passando antes pelos jardins bot\u00e2nicos europeus.<\/p>\n<p>Nas possess\u00f5es da Fran\u00e7a e da Holanda na Am\u00e9rica do Sul e nas Antilhas, iniciou-se prontamente o seu cultivo e, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a e de monop\u00f3lio, tornou-se proibida a venda de qualquer\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0que fosse capaz de nascer, crescer e produzir.<\/p>\n<p>Apesar de tantos cuidados, menos de 10 anos depois o caf\u00e9 chegou ao Brasil, mais precisamente em Bel\u00e9m do Par\u00e1, pelas m\u00e3os do sargento-mor Francisco de Melo Palheta, que obteve mudas e sementes n\u00e3o se sabe ao certo de que forma.<\/p>\n<p><strong>No mesmo ano de 1727, o caf\u00e9 come\u00e7ou a ser cultivado em terras brasileiras, expandindo-se logo em seguida para outras regi\u00f5es:<\/strong> Maranh\u00e3o, Cear\u00e1, Vale do S\u00e3o Francisco, Goi\u00e1s, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Nesses primeiros tempos, no entanto, a import\u00e2ncia do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0na economia do pa\u00eds ainda era inexpressiva. Em tempos de parcos conhecimentos e de poucos recursos e nas oscila\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os internacionais, a cultura do caf\u00e9 n\u00e3o se estabeleceu facilmente.<\/p>\n<p>Cultura n\u00f4made e exigente &#8211; &#8220;polvo com milh\u00f5es de bra\u00e7os&#8221; como disse Monteiro Lobato em seu livro &#8220;A onda verde&#8221; &#8211; o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0caminhava sempre em busca de terras novas, \u00e0 medida em que se exauriam os solos. Essa \u00e9, ali\u00e1s, uma das principais caracter\u00edsticas da hist\u00f3ria da lavoura cafeeiras o nomadismo.<\/p>\n<p><strong>No final do s\u00e9culo XVIII, o\u00a0caf\u00e9\u00a0estava chegando ao Vale do Para\u00edba, no Estado de S\u00e3o Paulo:<\/strong> era o in\u00edcio da grande saga do caf\u00e9 do Brasil.<\/p>\n<p>Alguns anos depois, na regi\u00e3o de Campinas, porta de entrada para as \u00e1reas paulistas de &#8220;terra roxa&#8221;, as planta\u00e7\u00f5es de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0come\u00e7aram a mostrar todo o seu potencial econ\u00f4mico. Em pouco tempo, na metade do s\u00e9culo XIX, S\u00e3o Paulo j\u00e1 aparecia nas listas dos grandes produtores e exportadores de caf\u00e9.<\/p>\n<p><strong>As planta\u00e7\u00f5es foram se diversificando: <\/strong>os governos e os produtores come\u00e7aram a investir em pesquisas para o melhoramento da esp\u00e9cie e para a cria\u00e7\u00e3o de novas linhagens e no desenvolvimento de t\u00e9cnicas de plantio, colheita e beneficiamento.<\/p>\n<p>As altas sucessivas do pre\u00e7o internacional do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, conseq\u00fc\u00eancia da expans\u00e3o do mercado norte- americano, foram empurrando e ampliando a cafeicultura para o Oeste, por todo o interior do Estado de S\u00e3o Paulo e adjac\u00eancias.<\/p>\n<p>O volume de capital gerado e movimentado com a atividade cafeeira e com o estabelecimento das grandes fazendas modificou completamente o modo de vida das regi\u00f5es produtoras e levou os &#8220;Bar\u00f5es do Caf\u00e9&#8221; a ocuparem lugares de proemin\u00eancia na cena pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p>Em 1920, o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar entre os pa\u00edses exportadores de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0de todo o mundo posig\u00e3o esta que manteve por muitos anos &#8211; e que ligou seu nome, de maneira definitiva, com a imagem do caf\u00e9.<\/p>\n<p>Desde que atingiu seu apogeu no Brasil, com per\u00edodos de maior ou de menor crise, pode-se dizer que a cultura do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0a\u00ed se manteve. Prosseguindo seu movimento de migra\u00e7\u00e3o, o caf\u00e9 passeou por muitas regi\u00f5es, atingindo um pico impressionante em algumas delas e, rapidamente, entrando em decl\u00ednio, como foi o caso do Estado do Paran\u00e1 ap\u00f3s a grande geada de 1975.<\/p>\n<p>Hoje em dia seu cultivo avan\u00e7a nas terras dos cerrados de Minas Gerais, onde o clima e o solo favorecem sobremaneira o plantio do Coffea arabica, conquistando uma alt\u00edssima qualidade, j\u00e1 reconhecida pelo mercado internacional.<\/p>\n<p><strong>Existem in\u00fameras variedades de\u00a0caf\u00e9s\u00a0conhecidos como Ar\u00e1bica: <\/strong>tipos e linhagens diferentes de caf\u00e9s; de maior ou menor produtividade, rusticidade e resist\u00eancia \u00e0s pragas e \u00e0s intemp\u00e9ries; mais ou menos exigentes de cuidados; e dos quais se obt\u00eam gr\u00e3os, p\u00f3s e bebidas de qualidades e pre\u00e7os tamb\u00e9m extremamente variados.<\/p>\n<p>Algumas dessas variedades &#8211; muitas vezes obtidas . atrav\u00e9s de experimentos de sele\u00e7\u00e3o, cruzamentos, hibrida\u00e7\u00e3o ou por puro acaso gen\u00e9tico &#8211; nasceram e se desenvolveram em terras e solos brasileiros, tais como o Amarelo de Botucatu, o Maragogipe Vermelho, o Maragogipe Amarelo, o Caturra Vermelho, o Caturra Amarelo, o Bourbon Amarelo, o Mundo Novo, o Catua\u00ed Vermelho, o Catua\u00ed Amarelo, entre outros.<\/p>\n<p align=\"center\">&#8220;Um\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0de Amsterd\u00e3, deu origem aos cafezais de Suriname, da G\u00fciana e do Brasil.Novamente, foi de um cafeeiro do Rio de Janeiro que se originaram as primeirasplanta\u00e7\u00f5es dos Estados do Rio, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m uma \u00fanica planta deJundia\u00ed deu origem aos cafezais de Campinas e regi\u00f5es circunvizinhas. Os cafezaisbrasileiros constitu\u00edram assim, enorme prog\u00eanie de um s\u00f3 cafeeiro, C. arabica cv. Ar\u00e1bica,caf\u00e9 tamb\u00e9m conhecido como Nacional, Crioulo e T\u00edpica.&#8221;\u00a0\u00a0HIST\u00d3RICO DE DESENVOLVIME.NTO DO CULTIVO DO CAF\u00c9 NO BRASIL<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Alcides Carvalho<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.bibvirt.futuro.usp.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0nasceu em Kaffa, prov\u00edncia da Eti\u00f3pia, no ano 850. Na \u00e9poca, o pastor Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de colora\u00e7\u00e3o amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.<\/p>\n<p>Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da regi\u00e3o, que decidiu experimentar o poder dos frutos.<\/p>\n<p>O monge come\u00e7ou a utiliz\u00e1-los na forma de infus\u00e3o, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do brevi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monast\u00e9rios, criando uma demanda pela bebida.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os africanos n\u00e3o tiveram muito interesse em plantar o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p>Com isso, os \u00e1rabes foram os primeiros a cultiv\u00e1-lo e apresent\u00e1-lo para o resto do mundo. Inclusive, Coffea Arabica \u00e9 o nome cient\u00edfico de uma das mais importantes esp\u00e9cies de caf\u00e9, em homenagem a seus primeiros cultivadores.<\/p>\n<p>Na atualidade, \u00e9 uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo e o Brasil desempenha o importante papel de maior produtor de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0 do mundo.<\/p>\n<h4>O caf\u00e9 no Brasil<\/h4>\n<p>No Brasil, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0chegou em 1727, pelas m\u00e3os de Francisco de Melo Palheta, sargento-mor do ex\u00e9rcito. Durante uma miss\u00e3o oficial na Guiana Francesa, foi convidado a percorrer planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9. Na volta, trouxe sementes e mudas que foram plantadas em Bel\u00e9m, onde morava.<\/p>\n<p>Em 1731, o Brasil, atrav\u00e9s do Maranh\u00e3o e do Par\u00e1, j\u00e1 exportava\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0para Portugal. A partir de 1760, o caf\u00e9 chegou tamb\u00e9m ao Rio de Janeiro, capital do Brasil Colonial, e de l\u00e1 se espalhou para o Esp\u00edrito Santo, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1. Em 1800, o Tri\u00e2ngulo Mineiro tamb\u00e9m j\u00e1 possu\u00eda cafezais.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1889, o Brasil j\u00e1 produzia 5.586 mil sacas de 60kg de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>O chamado &#8220;ouro verde&#8221; tornou o pa\u00eds, j\u00e1 nessa \u00e9poca, o maior produtor mundial do fruto.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0permaneceu como o maior produto da economia brasileira e ditou os rumos pol\u00edticos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Hoje, o pa\u00eds possui torrefadoras que est\u00e3o entre as maiores e mais modernas do mundo.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.mogyana.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>Como o caf\u00e9 \u00e9 cultivado<\/h4>\n<p>O caf\u00e9 \u00e9 cultivado em diversas partes do mundo, mas apenas entre o Tr\u00f3pico de C\u00e2ncer e o Tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o onde o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 cultivado influencia diretamente seu sabor &#8211; o solo, o clima e os m\u00e9todos de processamento usados no cultivo fazem com que os gr\u00e3os tenham sabores distintos. Um produtor de vinhos franc\u00eas chamaria isso de \u201cgo\u00fbt de terroir\u201d \u2013 o \u201cgosto da terra\u201d.<\/p>\n<p><strong>Geograficamente, existem tr\u00eas regi\u00f5es globais de cultivo de\u00a0caf\u00e9:<\/strong> o leste da \u00c1frica e a pen\u00ednsula ar\u00e1bica, o sudoeste da \u00c1sia e o Pac\u00edfico, e a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<h4>O p\u00e9 de caf\u00e9<\/h4>\n<p>Como muitas outras frutas, as cerejas de caf\u00e9 nascem em \u00e1rvores. O solo, clima, altitude e as plantas ao redor influenciam no sabor do caf\u00e9 que ser\u00e1 produzido.<\/p>\n<p>Cada p\u00e9 de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0produz gr\u00e3os apenas suficientes para meio quilo de caf\u00e9 torrado por colheita. \u00c9 preciso um ano inteiro para um p\u00e9 de caf\u00e9 produzir o que a maioria das pessoas consome em uma \u00fanica semana!<\/p>\n<h4>Ar\u00e1bicas e robustas<\/h4>\n<p><strong>Existem dois tipos de caf\u00e9 comercialmente importantes:<\/strong> o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0ar\u00e1bica e o canephora (robusta). O ar\u00e1bica cresce melhor em altitudes altas, tem um sabor mais refinado e possui cerca de 1% de cafe\u00edna em sua composi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a robusta, como o nome indica, \u00e9 uma esp\u00e9cie mais resistente e floresce em menores altitudes, produzindo caf\u00e9s com um sabor mais r\u00fastico. A Starbucks compra apenas os caf\u00e9s ar\u00e1bica da melhor qualidade.<\/p>\n<h4>L\u00e1 vem a colheita<\/h4>\n<p>Na \u00e9poca da colheita, os p\u00e9s est\u00e3o tomados por cerejas vermelhas de caf\u00e9. O gr\u00e3o de caf\u00e9 \u00e9 apenas o miolo da cereja.<\/p>\n<p>A pele da cereja de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 muito fina, com um suave sabor amargo. A fruta sob a pele, ao contr\u00e1rio, \u00e9 muito doce e tem a textura de uma uva. Por dentro da fruta existe a semente protegida por outra camada. Removendo-se esta camada, voc\u00ea normalmente vai encontrar dois gr\u00e3os de caf\u00e9 prontos para serem lavados e torrados.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.starbucks.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<p>A\u00a0<strong>hist\u00f3ria do caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 marcada por interessantes acasos e coincid\u00eancias.<\/p>\n<p>Sua origem \u00e9 estimada em cerca de mil anos e est\u00e1 associada aos \u00e1rabes, que primeiro cultivaram a fruta. A regi\u00e3o de Kafa, no Oriente M\u00e9dio, parece ser o ber\u00e7o do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, tendo inclusive emprestado seu nome \u00e0 bebida.<\/p>\n<p>Mas interessante mesmo s\u00e3o os primeiros registros acerca do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, nos quais podemos perceber como a observa\u00e7\u00e3o dos animais inspira nosso cotidiano.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-107698\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor3.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria do Caf\u00e9\" width=\"314\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor3.jpg 314w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hhistor3-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><strong><br \/>\nCaf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou na Eti\u00f3pia, quando um pastor percebeu que suas cabritas gostavam de comer certo fruto pequenino, vermelho e arredondado. Estas mesmas cabritas se mostravam mais espertas e resistentes depois de com\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Quando o pastor resolveu experimentar as frutas (esmagou-as com manteiga e fez uma pasta), conheceu os efeitos estimulantes do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0. A vers\u00e3o bebida, por\u00e9m, vem dos \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Isto foi no s\u00e9culo XV. Com o passar do tempo, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0seria n\u00e3o s\u00f3 saboreado, como estudado em seus efeitos estimulantes e revigorantes.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do com\u00e9rcio dos \u00e1rabes com os europeus, o consumo do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi se ampliando e, com as grandes navega\u00e7\u00f5es, chegou \u00e0s Am\u00e9ricas Central e do Sul.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 coisa brasileira. Determinou grandes momentos da nossa hist\u00f3ria, ditou pol\u00edticas e comportamentos, \u00e9 da nossa cultura. N\u00f3s n\u00e3o temos o h\u00e1bito do ch\u00e1 das cinco, como os ingleses, mas \u00e9 s\u00f3 chegar uma visita em casa, que corremos para fazer um\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0fresquinho, &#8220;passado na hora&#8221;.<\/p>\n<p>Durante muito tempo o nosso simp\u00e1tico cafezinho ficou sem prest\u00edgio. Sua imagem foi associada a id\u00e9ias negativas, como estresse e dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<p>Alguns estudos, aliados a programas de controle de qualidade do caf\u00e9 consumido no Brasil, conseguiram mudar este quadro. O produto reconquistou o respeito da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Revigorado, com novo marketing, ganhou novas vers\u00f5es para atingir consumidores mais exigentes:<\/strong> agora, voc\u00ea pode escolher se seu caf\u00e9 \u00e9 descafeinado, ou org\u00e2nico, ou liofilizado; granulado, sol\u00favel, torrado e mo\u00eddo, torrado em gr\u00e3o;\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<h4>Do cafezal \u00e0 nossa mesa<\/h4>\n<p>O futuro do caf\u00e9 \u00e9 ser reduzido a p\u00f3. Nada mau para uma bebida t\u00e3o apreciada! Desde seus tempos de frutinha vermelha, com aspecto de cereja, at\u00e9 ser torrado, mo\u00eddo e bebido, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0passa por v\u00e1rias perip\u00e9cias.<\/p>\n<p><strong>Para ser um bom caf\u00e9, primeiro \u00e9 necess\u00e1rio um bom clima:<\/strong> temperado. O relevo, se for montanhoso, \u00e9 mais prop\u00edcio. Depois de plantado, esperam-se dois ou tr\u00eas anos para que o p\u00e9 de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0d\u00ea os frutos, que s\u00e3o colhidos geralmente nos meses de abril a junho.<\/p>\n<p><strong>A maneira de colher varia:<\/strong> h\u00e1 a colheita mec\u00e2nica, tamb\u00e9m chamada colheita for\u00e7ada, ou a manual, que pode ser do tipo derri\u00e7a, com pano (catado), ou por varri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, os gr\u00e3os s\u00e3o secos. Se a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena, isto pode ser feito em terreiro. Para grandes quantidades, utiliza-se um secador.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima etapa \u00e9 a retirada de cascas e impurezas. Depois, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0cru \u00e9 classificado de acordo com o tipo de peneiras por onde passa. Depois desta classifica\u00e7\u00e3o, o caf\u00e9 \u00e9 comercializado em sacas de 60 quilos.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0que compramos costuma ser uma mistura de gr\u00e3os, chamada de blend, que resulta no sabor que cada produto oferece. Feito o blend, ele \u00e9 torrado a mais de 250oC. De acordo com a intensidade da torra, os gr\u00e3os ganham apar\u00eancia clara, m\u00e9dia ou escura; perdem 20% do peso e dobram de tamanho.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima etapa \u00e9 a moagem, para ent\u00e3o o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0ser empacotado e levado ao consumidor.<\/p>\n<h4>O que \u00e9 que o caf\u00e9 tem<\/h4>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0inclui, al\u00e9m da famosa cafe\u00edna, outras subst\u00e2ncias cujos efeitos foram temas de in\u00fameras pesquisas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar das lactonas? Pois \u00e9, todo mundo fala do efeito estimulante da cafe\u00edna, mas, na composi\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, as lactonas possuem um efeito estimulante sobre o sistema nervoso central que \u00e9 t\u00e3o ou mais significativo do que o da cafe\u00edna.<\/p>\n<p>Outros componentes s\u00e3o a celulose, que estimula os intestinos; os minerais, importantes para o metabolismo; os a\u00e7\u00facares e o tanino, que contribuem para o sabor; e os lip\u00eddeos, que d\u00e3o aquele aroma especial.<\/p>\n<h4>Bom para a cabe\u00e7a<\/h4>\n<p>Segundo o professor Darcy Roberto de Lima, que escreveu v\u00e1rios estudos sobe o caf\u00e9, quatro x\u00edcaras da bebida por dia, regularmente, podem aumentar a capacidade de aten\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria em adultos e crian\u00e7as. Al\u00e9m disso, tomar caf\u00e9 diminui a incid\u00eancia de apatia, des\u00e2nimo e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o uso sem regularidade aumentaria a aten\u00e7\u00e3o apenas por um determinado per\u00edodo. Por isto, o professor recomenda um uso di\u00e1rio e moderado &#8211; bem mais eficiente do que uma eventual superdose, t\u00edpica das v\u00e9speras de prova!<\/p>\n<p>Para desfrutar dos efeitos ben\u00e9ficos para o aprendizado, recomenda-se beber o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0pela manh\u00e3, na primeira hora ap\u00f3s acordar. Com leite, os efeitos s\u00e3o os mesmos; o valor nutritivo \u00e9 que aumenta. Por isto, caf\u00e9 com leite \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o professor, o caf\u00e9 atuaria sobre as \u00e1reas do c\u00e9rebro que induzem ao desejo de supera\u00e7\u00e3o, fazendo com que o humor fique mais bem equilibrado e evitando os sentimentos de depress\u00e3o e de necessidade de consumir estimulantes. Por isso, ele assegura que jovens com o perfil de potenciais consumidores de drogas (problem\u00e1ticos e agressivos) podem se beneficiar dos efeitos preventivos do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0em rela\u00e7\u00e3o aos t\u00f3xicos.<\/p>\n<h4>Na dose certa<\/h4>\n<p>Tudo bem, voc\u00ea achou \u00f3timos os efeitos do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0e tudo mais que voc\u00ea pode fazer com ele (j\u00e1 descobriu as receitas?).<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o abuse:<\/strong> veja as doses m\u00e1ximas di\u00e1rias recomendadas para cada idade.<\/p>\n<blockquote><p><strong>De 6 a 10 anos:<\/strong>\u00a03 x\u00edcaras por dia.<strong><br \/>\nDe 10 a 20 anos:<\/strong>\u00a06 x\u00edcaras por dia.<strong><br \/>\nDe 20 a 60 anos:<\/strong>\u00a09 x\u00edcaras por dia.<strong><br \/>\nAcima de 60 anos:<\/strong>\u00a06 x\u00edcaras por dia.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Dicas e curiosidade<\/h4>\n<p><strong>Para preparar seu cafezinho, n\u00e3o se esque\u00e7a destas dicas quentes:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Evite a \u00e1gua da torneira para o preparo do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0. O excesso de cloro na \u00e1gua pode alterar o sabor, por isto prefira \u00e1gua filtrada ou mineral<br \/>\nO p\u00f3 n\u00e3o deve ser reaproveitado.<br \/>\nN\u00e3o recircule a bebida, isto a deixa amarga.<br \/>\nQuando for utilizar pela primeira vez um coador de pano, ferva-o em \u00e1gua misturada com\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, para tirar o cheiro do tecido.<br \/>\nConsuma o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0logo que for feito, pois ele come\u00e7a a perder suas caracter\u00edsticas 15 minutos depois de pronto. Se n\u00e3o vai beber muito, fa\u00e7a um pouquinho de cada vez.<br \/>\nAntes de servir o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, agite-o levemente para uniformizar a mistura.<br \/>\nO\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0j\u00e1 ficou pronto? Agora veja para que mais serve o p\u00f3 e a borra de caf\u00e9!<br \/>\nPara clarear e limpar a pia e o ch\u00e3o de cozinha, utilize a borra do caf\u00e9.<br \/>\nO p\u00f3 de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, colocado num copinho dentro da geladeira, ajuda a eliminar os maus cheiros<strong><br \/>\nUm bom adubo:<\/strong>\u00a0borra do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0em vasos de flores e plantas<\/p><\/blockquote>\n<h4>Lendas do caf\u00e9<\/h4>\n<blockquote><p><strong>Caf\u00e9 forte: <\/strong>Dizem que o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi criado pelo arcanjo Gabriel, que quis oferecer ao profeta Maom\u00e9 uma bebida que o revigorasse.<strong>Parece que o efeito foi bom mesmo:<\/strong> Maom\u00e9 bebeu o caf\u00e9 e tornou-se capaz de derrubar quarenta cavaleiros e conquistar quarenta mulheres. A lenda s\u00f3 n\u00e3o diz quanto o profeta teve que beber para conseguir a fa\u00e7anha!<strong><br \/>\nCaf\u00e9 santo: <\/strong>Quando o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0chegou \u00e0 It\u00e1lia, no s\u00e9culo XVII, foi boicotado por alguns crist\u00e3os fan\u00e1ticos, que achavam que o produto era uma &#8220;inven\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s&#8221;. S\u00f3 que, quando o Papa experimentou, gostou tanto que resolveu aben\u00e7oar o caf\u00e9 para vencer Satan\u00e1s &#8211; e tornar o caf\u00e9 a bebida crist\u00e3.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 com m\u00fasica<\/strong>: Na Alemanha, o caf\u00e9 era servido com m\u00fasica. O casamento das duas paix\u00f5es alem\u00e3s \u00e9 a &#8221;\u00a0<strong>Cantata ao Caf\u00e9<\/strong>\u00a0&#8220;, composta por Johann Sebastian Bach para ser tocada nos estabelecimentos onde a bebida era servida &#8211; as Kaffehaus.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 misterioso<\/strong>: Os turcos conheciam bem o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0e foram um dos povos a lev\u00e1-lo Europa. Ocuparam Viena, mas tiveram que abandonar a cidade quando chegaram as tropas libertadoras. Foi o maior alvoro\u00e7o e, na pressa, deixaram v\u00e1rias sacas de um produto misterioso. O que seria? Um homem que j\u00e1 havia vivido no Oriente reconheceu ali o caf\u00e9 e aproveitou para vend\u00ea-lo, com a\u00e7\u00facar e chantilly. Este \u00e9 o famoso caf\u00e9 vienense.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 brasileiro: <\/strong>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0chegou ao Brasil no s\u00e9culo XVIII, envolto em lendas e romance. A fruta, que j\u00e1 era plantada na Guiana Francesa, estava proibida aos portugueses. O sargento-m\u00f3r Francisco de Melo Palheta foi designado para traz\u00ea-la e, conta-se, s\u00f3 teria conseguido porque a esposa do governador da Guiana, apaixonada por Palheta, o teria presenteado com sementes do &#8220;ouro negro&#8221;. N\u00e3o se pode ter certeza sobre a paix\u00e3o da primeira-dama, mas seu papel foi fundamental no contrabando das sementes proibidas.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 brasileiro II: <\/strong>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi o produto que veio a substituir a explora\u00e7\u00e3o do ouro e da cana-de-a\u00e7\u00facar na era p\u00f3s colonial, acompanhando assim o desenrolar da economia da \u00e9poca. Espalhou-se pela Regi\u00e3o Sudeste, em que o clima era bastante prop\u00edcio, e por conta disto surgiram e se desenvolveram importantes cidades. Junto com o desenvolvimento, por\u00e9m, trouxe o desmatamento. Nossa Mata Atl\u00e2ntica foi dizimada. A Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, \u00e9 a maior floresta urbana do mundo, mas n\u00e3o sobraria muita coisa para contar a hist\u00f3ria se n\u00e3o fosse pelo processo de reflorestamento, que recuperou a mata devastada pelas planta\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> www.ibge.gov.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>LENDA<\/h4>\n<p>Reza uma antiga lenda sobre as origens do <strong>caf\u00e9 <\/strong>que h\u00e1 mais de 1.300 anos, nas montanhas de Abiss\u00ednia, hoje Eti\u00f3pia, no nordeste da \u00c1frica, um jovem pastor \u00e1rabe chamado Kaldi.<\/p>\n<p>Certa noite, ele ficou ansioso quando suas cabras n\u00e3o retornaram ao rebanho. Quando saiu para procur\u00e1-las, encontrou-as saltitando pr\u00f3ximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi nunca vira antes. Ent\u00e3o, ele mesmo resolveu experimentar alguns frutos e descobriu que eles o enchiam de energia, como tinha acontecido com o seu rebanho.<\/p>\n<p>Kaldi, evidentemente, levou essa maravilhosa &#8220;d\u00e1diva divina&#8221; ao mosteiro local, mas as rea\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram favor\u00e1veis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem &#8220;obra do dem\u00f4nio&#8221;. O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu todos os monges para descobrir o que estava causando aquele maravilhoso perfume e os gr\u00e3os de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foram rastelados das cinzas e recolhidos.<\/p>\n<p>O abade, ent\u00e3o, mudou de id\u00e9ia. Sugeriu que os gr\u00e3os fossem esmagados na \u00e1gua para ver que tipo de infus\u00e3o eles davam, e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e per\u00edodos de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E not\u00edcias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se de um monast\u00e9rio a outro e aos poucos se espalharam por todo mundo.<\/p>\n<h4>O primeiro &#8220;cafezinho&#8221;<\/h4>\n<p>As evid\u00eancias bot\u00e2nicas sugerem que a planta origin\u00e1ria do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0vem da Eti\u00f3pia Central, onde ainda crescem v\u00e1rios milhares de p\u00e9s acima do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>Entretanto ningu\u00e9m sabe precisar ao certo quando foi experimentado o primeiro &#8220;cafezinho&#8221;. Alguns registros dizem que foi na sua pr\u00f3pria terra nativa em meados do s\u00e9culo XV. Tamb\u00e9m \u00e9 sabido que foi cultivado no I\u00eamen (antes conhecido como Ar\u00e1bia), com a aprova\u00e7\u00e3o do governo, aproximadamente na mesma \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0tornou-se cada vez mais popular, salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas para se tomar caf\u00e9, e estabelecimentos para degusta\u00e7\u00e3o desta saborosa bebida come\u00e7aram a aparecer nas cidades. A primeira abriu em Meca, no final do s\u00e9culo XV e in\u00edcio do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuni\u00f5es religiosas, esses amplos sagu\u00f5es onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colch\u00f5es sobre o ch\u00e3o, rapidamente tornaram-se centros de m\u00fasica, dan\u00e7a, jogos de xadrez, gam\u00e3o etc.<\/p>\n<p>Sua popularidade espalhou-se pelo Cairo, Constantinopla e para todas as partes do Oriente M\u00e9dio, apesar dos mu\u00e7ulmanos desaprovarem todas as bebidas t\u00f3xicas, incluindo o caf\u00e9. Para os mul\u00e7umanos as casas de caf\u00e9 eram uma amea\u00e7a \u00e0 observ\u00e2ncia religiosa. Frequentemente esses centros populares de divers\u00e3o eram atacados e destru\u00eddos por fan\u00e1ticos religiosos. Alguns governantes chegavam a apoiar a proibi\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0impondo aos que desobedecessem puni\u00e7\u00f5es aterrorizadoras como a\u00e7oites ou at\u00e9 mesmo amarrar os &#8220;infi\u00e9is&#8221; dentro de sacos de couro e atir\u00e1-los nas \u00e1guas do estreito de B\u00f3sforo.<\/p>\n<h4>Da Europa para o mundo<\/h4>\n<p>Enquanto isso na europa, comerciantes da Holanda, Alemanha e It\u00e1lia estavam certamente exportando gr\u00e3os e tentando introduzir a lavoura em suas col\u00f4nias. Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e posteriormente em Java, em 1699. Por volta de 1706, j\u00e1 exportavam\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0de Java e estendiam a produ\u00e7\u00e3o para outras partes da Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Lu\u00eds XIV da Fran\u00e7a com um p\u00e9 de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0que cresceu numa estufa em Versailles. Quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de R\u00e9union, na \u00e9poca chamada de Ilha de Bourbon. A variedade de arbustos de caf\u00e9 que se desenvolveu daquela \u00e1rvore em Paris e tornou-se conhecida como o caf\u00e9 Bourbon, sendo a fonte original de gr\u00e3os atualmente conhecidos no Brasil como Santos e no M\u00e9xico como Oaxaca.<\/p>\n<p>Muito em breve, esses preciosos gr\u00e3os viriam para o Brasil, onde seus frutos renderiam um verdadeiro legado econ\u00f4mico e cultural para o pa\u00eds, mesclando-se em muitos momentos, com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Brasil e dos brasileiros.<\/p>\n<h4>Como o caf\u00e9 chegou ao Brasil<\/h4>\n<p>Em 1727 os portugueses compreenderam que a terra do Brasil tinha todas as possibilidades que convinham \u00e0 cafeicultura. Mas n\u00e3o possu\u00edam nem plantas nem gr\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>O governo do Par\u00e1 ent\u00e3o encontrou um pretexto para enviar Palheta, um jovem oficial a Guiana Francesa, com uma miss\u00e3o simples:<\/strong> pedir ao governador M. d\u2019Orvilliers algumas mudas.<\/p>\n<p>O governador seguindo ordens expressas do rei de Fran\u00e7a, n\u00e3o atende ao pedido de Palheta. Por\u00e9m a Madame d\u2019Orvilliers, esposa do governador da Guiana Francesa, n\u00e3o resiste aos atrativos do jovem tenente e quando Palheta j\u00e1 regressava ao Brasil, ela envia-lhe um ramo de flores onde, dissimuladas pela folhagem, se encontravam escondidas as sementes a partir das quais haveria de crescer o poderoso imp\u00e9rio brasileiro do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0&#8211; um epis\u00f3dio bem apropriado para a hist\u00f3ria deste gr\u00e3o t\u00e3o sedutor.<\/p>\n<p>Do Par\u00e1, a cultura passou para o Maranh\u00e3o e, por volta de 1760, foi trazida para o Rio de Janeiro por Jo\u00e3o Alberto Castelo Branco, onde se espalhou pela Baixada Fluminense e posteriormente pelo Vale do Para\u00edba.<\/p>\n<h4>Do cultivo \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p><strong>O surto e incremento da produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 foram favorecidos por uma s\u00e9rie de fatores existentes na \u00e9poca da Independ\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p>As culturas do a\u00e7\u00facar e do algod\u00e3o estavam em crise, batidas no mercado internacional pela produ\u00e7\u00e3o das Antilhas e dos EUA; por isso, os fazendeiros precisavam encontrar outro produto de f\u00e1cil coloca\u00e7\u00e3o no mercado internacional.<\/p>\n<p>A decad\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o libertou m\u00e3o-de-obra e recursos financeiros na regi\u00e3o Centro-Sul (Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente), que ent\u00e3o poderiam ser aplicados em atividades mais lucrativas.<\/p>\n<p>Em \u00e2mbito internacional, a produ\u00e7\u00e3o brasileira foi favorecida pelo colapso dos cafezais de Java (devido a uma praga) e do Haiti (devido aos levantes de escravos e \u00e1 revolu\u00e7\u00e3o que tornou o pais independente).<\/p>\n<p>Outros fatores decisivos foram a estabiliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional depois das guerras napole\u00f3nicas (Tratado de Versalhes, 1815) e a expans\u00e3o da demanda europeia e americana por uma bebida barata.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia econ\u00f4mica do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0refletiu-se na sua expans\u00e3o geogr\u00e1fica. No in\u00edcio, difundiu-se pelo Vale do Para\u00edba (Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo), Sul de Minas e Esp\u00edrito Santo. Depois, atingiu Campinas, no &#8220;Oeste Velho&#8221; de S\u00e3o Paulo; dali, expandiu-se para o chamado &#8220;Oeste Novo&#8221; (Ribeir\u00e3o Preto e Araraquara) e passou, mais tarde, para as regi\u00f5es de terra roxa do Norte do Paran\u00e1 e Mato Grosso.<\/p>\n<p>Hoje, as \u00e1reas de cultivo localizam-se nos Estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Paran\u00e1, Esp\u00edrito Santo e Bahia. Ap\u00f3s a grande geada de 1975, houve um deslocamento das principais zonas produtoras do Norte do Paran\u00e1 para \u00e1reas de clima mais favor\u00e1vel, como o sul de Minas Gerais e o interior capixaba.<\/p>\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o brasileira do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0come\u00e7ou a crescer a partir de 1816. Na d\u00e9cada de 1830-1840, o produto assumiu a lideran\u00e7a das exporta\u00e7\u00f5es, com mais de 40% do total; o Brasil tornou-se, em 1840, o maior produtor mundial de caf\u00e9.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada 1870-1880, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0passou a representar at\u00e9 56% do valor das exporta\u00e7\u00f5es. Come\u00e7ou ent\u00e3o o per\u00edodo \u00e1ureo do chamado ciclo do caf\u00e9 que durou at\u00e9 1930; no final do s\u00e9c. XIX, o caf\u00e9 representava 65% do valor das exporta\u00e7\u00f5es do pais, chegando a 70% na d\u00e9cada de 1920.<\/p>\n<h4>O &#8220;crack&#8221; de 29<\/h4>\n<p>Contudo, o crack da Bolsa de Nova York em 1929 for\u00e7ou a queda brusca no pre\u00e7o internacional do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, que continuou em queda at\u00e9 menos de 40% em 1931. Apenas 15 anos mais tarde, em 1947 os pre\u00e7os voltariam aos n\u00edveis de 1928. Essa situa\u00e7\u00e3o agravou a crise de superprodu\u00e7\u00e3o do caf\u00e9, cujos primeiros sinais apareceram no in\u00edcio do s\u00e9c. XX.<\/p>\n<p><strong>Para enfrentar essa crise, os governadores dos Estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se (fevereiro de 1906) no chamado Conv\u00eanio de Taubat\u00e9, que definiu uma pol\u00edtica para a valoriza\u00e7\u00e3o do produto:<\/strong> os governos estaduais comprometeram-se a comprar toda a produ\u00e7\u00e3o e usar os estoques como instrumentos para impedir quedas e oscila\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o do produto, al\u00e9m de proibir novos plantios.<\/p>\n<p>O Conv\u00eanio de Taubat\u00e9 representou a primeira interven\u00e7\u00e3o oficial em defesa do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0. Mais tarde, ap\u00f3s a crise de superprodu\u00e7\u00e3o mundial de 1957, os pa\u00edses produtores e os grandes consumidores criaram o Acordo Internacional do Caf\u00e9 (1962), que estabeleceu quotas de exporta\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses-membros.<\/p>\n<h4>O &#8220;ciclo&#8221; do Caf\u00e9<\/h4>\n<p>O chamado\u00a0<strong>&#8220;ciclo do caf\u00e9<\/strong>\u00a0&#8221; teve repercuss\u00f5es econ\u00f4micas e sociais importantes no Brasil. A expans\u00e3o da lavoura levou \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o das vias f\u00e9rreas, principalmente em S\u00e3o Paulo; os portos do Rio de Janeiro e de Santos foram modernizados para sua exporta\u00e7\u00e3o; a necessidade de m\u00e3o-de-obra trouxe imigrantes europeus, principalmente depois da Aboli\u00e7\u00e3o dos escravos.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi o primeiro produto de exporta\u00e7\u00e3o controlado principalmente por brasileiros, possibilitando o ac\u00famulo de capitais no pais. Em conseq\u00fc\u00eancia, criou-se um mercado interno importante, principalmente no Centro-Sul, que foi o suporte para o desenvolvimento de atividades industriais, comerciais e financeiras. O caf\u00e9, sobretudo, consolidou a hegemonia pol\u00edtica e econ\u00f4mica do Centro-Sul, transformando-o na regi\u00e3o brasileira onde o desenvolvimento capitalista foi pioneiro.<\/p>\n<p>Em 1996 o consumo mundial supera a barreira dos 100 milh\u00f5es de sacas. Em 1997 o Brasil atinge quase 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares na exporta\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.<\/p>\n<p>Em 1998 o comit\u00ea do Conselho da Bolsa de New York coloca na pauta o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0despolpado brasileiro.<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil se encontra soberano na posi\u00e7\u00e3o de produtor n\u00famero 1de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, respons\u00e1vel por 40 % de toda a produ\u00e7\u00e3o mundial. Apenas em 2005, o pa\u00eds exportou cerca de 26 milh\u00f5es de sacas de caf\u00e9 e 15 milh\u00f5es foram consumidas internamente.<\/p>\n<p>Para 2006, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 incrementar ainda mais esses n\u00fameros, pretendendo aumentar as vendas em pelo menos 75%, representando exporta\u00e7\u00f5es na ordem de US$ 29 milh\u00f5es, contra US$ 16,5 milh\u00f5es faturados em 2005.<\/p>\n<p>Todos esses resultados evidenciam voca\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira para o sucesso, com produtos de alta qualidade tanto para consumo interno quanto para a exporta\u00e7\u00e3o, fortalecendo cada vez mais a hegemonia nacional na produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.sobesa.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>Caf\u00e9 no mundo<\/h4>\n<p>Existem v\u00e1rias lendas a respeito da descoberta do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>A mais difundida diz que, por volta do ano 800, nas montanhas da Abiss\u00ednia, um jovem pastor de nome Kaldi observou que suas cabras ficavam mais alegres e saltitantes quando comiam folhas e frutos de um certo arbusto. Ao provar do fruto, o pastor sentiu uma forte vivacidade e muita disposi\u00e7\u00e3o para o trabalho.<\/p>\n<p>O conhecimento do efeito daquele precioso fruto espalhou-se pelo norte da \u00c1frica e chegou ao mundo \u00e1rabe, primeiros povos a fazerem uso do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, em meados do s\u00e9culo XV (1440). No in\u00edcio, os frutos eram consumidos como uma pasta fortificante e usada para que os \u00e1rabes ficassem acordados orando para Al\u00e1, seguindo os conselhos do seu profeta Maom\u00e9.<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas pela religi\u00e3o mu\u00e7ulmana ajudou a difundir o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, que passou a ser largamente consumido.<\/p>\n<p>A fama dos frutos foi se alastrando, chegando aos mosteiros, onde os monges passaram a preparar uma infus\u00e3o das folhas juntamente com o fruto em forma de ch\u00e1. Certo dia, um dos monges levou alguns ramos de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0carregados de frutos para perto do fogo para tentar sec\u00e1-los a fim de guard\u00e1-los e us\u00e1-los durante o per\u00edodo de chuvas. Por\u00e9m, distraiu-se, deixando os gr\u00e3os torrarem, de onde exalou um aroma extremamente agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os monges tiraram os gr\u00e3os do fogo e trituraram-nos, transformando-os em p\u00f3 e preparando a bebida. Da\u00ed surgiu a forma de tomar o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0como o conhecemos hoje.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos XIV e XV, iniciaram-se os primeiros cultivos comerciais de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, na regi\u00e3o do I\u00eamem e os doutores da \u00e9poca passaram a receit\u00e1-lo no combate aos problemas de digest\u00e3o, para alegrar o esp\u00edrito e afastar o sono.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVI, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0j\u00e1 havia chegado a Istambul. O Cairo era, ent\u00e3o, o maior mercado de distribui\u00e7\u00e3o do produto.<\/p>\n<p>Embora os \u00e1rabes tenham tomado certas medidas para manter o monop\u00f3lio da\u00a0<strong>produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u2013 s\u00f3 permitindo a exporta\u00e7\u00e3o de frutos previamente fervidos, para evitar que germinassem em outras terras \u2013, os holandeses conseguiram contrabandear frutos frescos para suas col\u00f4nias asi\u00e1ticas (Java, Ceil\u00e3o e Sumatra) e, posteriormente, para as Antilhas Holandesas, na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e ent\u00e3o em Java, em 1699, e por volta de 1706 eles estavam exportando o primeiro\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0de Java e estendendo a produ\u00e7\u00e3o para outras partes da Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Lu\u00eds XIV da Fran\u00e7a com um p\u00e9 de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0que cresceu numa estufa em Versailles e quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de R\u00e9union, na \u00e9poca chamada de Ilha de Bourbon.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos holandeses, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0come\u00e7ou a ser conhecido no mundo. Levado para a Europa, foi consumido inicialmente como rem\u00e9dio para v\u00e1rios males. S\u00f3 a partir do s\u00e9culo XVII passou a ser adotado como bebida.<\/p>\n<h4>Caf\u00e9 no Brasil<\/h4>\n<p>Desde sua descoberta, na Abiss\u00ednia, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0levou cerca de nove s\u00e9culos at\u00e9 sua chegada ao Brasil, em 1727. Entrou no pa\u00eds pelo estado do Par\u00e1, trazido da Guiana Francesa pelas m\u00e3os do sargento-mor Francisco de Melo Palheta que, a pretexto de resolver oficialmente quest\u00f5es de fronteiras, havia sido enviado \u00e0quele pa\u00eds para conseguir mudas da planta.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o foi dif\u00edcil, j\u00e1 que naquele pa\u00eds as mudas de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0eram inacess\u00edveis a qualquer estrangeiro.<\/p>\n<p>Inicialmente plantado em Bel\u00e9m do Par\u00e1, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0adaptou-se ao solo, mesmo n\u00e3o tendo um clima t\u00e3o prop\u00edcio \u00e0 sua cultura, tanto que, em 1731, j\u00e1 era cultivado em extensas \u00e1reas nos arredores da capital.<\/p>\n<p>Da regi\u00e3o Norte, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi para o Nordeste, passando pelo Maranh\u00e3o, Cear\u00e1, Pernambuco e Bahia, at\u00e9 chegar, em 1773, ao Rio de Janeiro. Expandiu-se pela Serra do Mar, atingindo, em 1825, o Vale do Para\u00edba, da\u00ed alcan\u00e7ando os estados de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, onde encontrou condi\u00e7\u00f5es para o seu desenvolvimento.<\/p>\n<h4>Tipos de Caf\u00e9<\/h4>\n<blockquote><p>\u00a0<strong>Caf\u00e9 tradicional<\/strong>\u00a0: S\u00e3o os mais comuns. Podem ser formados por diferentes esp\u00e9cies de gr\u00e3o, a torra geralmente \u00e9 mais escura, e o gosto n\u00e3o \u00e9 muito adocicado. O equil\u00edbrio (do\u00e7ura e amargura) \u00e9 vari\u00e1vel.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 superior<\/strong>\u00a0: Apresenta certa flexibilidade no &#8220;blend&#8221; (mistura de gr\u00e3os), podendo ter at\u00e9 20% da variedade de gr\u00e3o robista, mais utilizada em\u00a0<strong> caf\u00e9s sol\u00faveis<\/strong>\u00a0. A torra n\u00e3o \u00e9 muito escura, e o sabor \u00e9 suave, por\u00e9m mais amargo que o do gourmet.<strong><br \/>\nGourmet (ou especial)<\/strong>\u00a0: \u00c9 produzido com 100% de gr\u00e3os do tipo ar\u00e1bica, considerado o mais nobre dos\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0.<br \/>\nProduz uma bebida normalmente mais doce, chegando muitas vezes a dispensar o uso de a\u00e7\u00facar. O aroma e o sabor podem lembrar cereais torrados, flores, frutas ou achocolatados. S\u00e3o encontrados geralmente em embalagens valvuladas, com mecanismo interno que impede a sa\u00edda dos gases do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0e a entrada de ar. A torra varia de moderadamente clara a moderadamente escura.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 aromatizado<\/strong>\u00a0: Cont\u00e9m aromatizante de am\u00eandoa, chocolate com trufas, creme irland\u00eas, menta, canela, damasco, entre outros.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 funcional<\/strong>\u00a0: Fazem parte desse grupo os descafeinados, com baixo teor de cafe\u00edna, e os org\u00e2nicos, produzidos sem uso de agrot\u00f3xicos e sem prejudicar o ambiente.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 inovador<\/strong>\u00a0: Levam esse t\u00edtulo os\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0do tipo cappuccino, &#8220;mocaccino&#8221; (caf\u00e9 quente, com espuma de leite e um bombom de chocolate sem recheio ou tablete de chocolate meio amargo), gelado, entre outros.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Caracter\u00edsticas Agron\u00f4micas<\/h4>\n<p><strong>Aspectos bot\u00e2nicos<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0pertence \u00e0 fam\u00edlia bot\u00e2nica Rubiaceae. Desde a primeira descri\u00e7\u00e3o do caf\u00e9, no s\u00e9culo 18, os bot\u00e2nicos n\u00e3o t\u00eam conseguido fazer uma classifica\u00e7\u00e3o precisa. H\u00e1 provavelmente 25 esp\u00e9cies principais, ind\u00edgenas, da \u00c1frica e de algumas ilhas do Oceano \u00cdndico.<\/p>\n<p>As dificuldades na classifica\u00e7\u00e3o e na designa\u00e7\u00e3o de uma planta como membro verdadeiro do g\u00eanero Coffea ocorre por causa da grande varia\u00e7\u00e3o nas plantas e nas sementes. As duas mais importantes esp\u00e9cies econ\u00f4micas de caf\u00e9 s\u00e3o o ar\u00e1bica (Coffea ar\u00e1bica), que representa mais de 70% da produ\u00e7\u00e3o, e o robusta (Coffea canephora).<\/p>\n<p>Outras duas esp\u00e9cies produzidas em pequena escala s\u00e3o a Coffea liberica e a Coffea dewevrei.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Ar\u00e1bica<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9 ar\u00e1bica<\/strong>\u00a0foi descrito a primeira fez por Linnaeus, em 1753. Crescem em altitudes de 900 a dois mil metros. T\u00eam teor de cafe\u00edna relativamente baixo (entre 0,9% e 1,5%). Os frutos s\u00e3o redondos, suaves, levemente amargos, de cor achocolatada, com crosta lisa e perfume intenso.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 duas variedades bot\u00e2nicas distintas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Ar\u00e1bica (typica)<br \/>\nBourbon<\/p><\/blockquote>\n<p>Historicamente, o typica foi cultivado na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1sia, visto que o bourbon chegou \u00e0 Am\u00e9rica do Sul e na \u00c1frica mais tarde, atrav\u00e9s da col\u00f4nia francesa do bourbon (Reunion).<\/p>\n<p>Destas variedades sa\u00edram muitas cultivares, como a caturra (Brasil e Col\u00f4mbia), a Mundo Novo (cruzamento entre a typica e a bourbon, encontrada no Brasil), a Tico (Am\u00e9rica Central) e a an\u00e3o San Ramon e montanha azul (na Jamaica e Qu\u00eania).<\/p>\n<p>Outras cultivares desenvolvidas para ter o m\u00e1ximo de retorno econ\u00f4mico e para condi\u00e7\u00f5es regionais espec\u00edficas s\u00e3o a Kent (\u00cdndia) e a Catuai (um h\u00edbrido da Novo Mundo e da Caturra).<\/p>\n<p>A planta m\u00e9dia \u00e9 um arbusto grande com as folhas ovais verde-escuros. As frutas s\u00e3o ovais e ficam maduras em 7 a 9 meses; cont\u00eam geralmente duas sementes lisas (os feij\u00f5es de caf\u00e9).<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9 ar\u00e1bica<\/strong>\u00a0\u00e9 encontrado na Am\u00e9rica Latina, na \u00c1frica Central e do Leste, na \u00cdndia e em alguma extens\u00e3o em Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Robusta<\/strong><\/p>\n<p>Mais precoce, mais resistentes e mais produtiva que a ar\u00e1bica. \u00c9 cultivada em terrenos baixos, com plantas de maior envergadura. Seus gr\u00e3os s\u00e3o menos perfumados. A quantidade de cafe\u00edna \u00e9 maior (entre 2% e 4,5%).<\/p>\n<p>O termo \u201c\u00a0<strong>robusta<\/strong>\u00a0\u201d \u00e9 o nome de uma variedade cuja \u00e1rvore tem frutas arredondadas e que demoram at\u00e9 11 meses para amadurecer. As sementes s\u00e3o ovais na forma e menores do que aquelas da ar\u00e1bica.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9 robusta<\/strong>\u00a0\u00e9 encontra na \u00c1frica Ocidental e Central, no Sudeste Asi\u00e1tico e a algumas extens\u00f5es no Brasil, onde \u00e9 conhecido como Conillon. A identifica\u00e7\u00e3o das cultivares \u00e9 confusa, mas as duas mais reconhecidas s\u00e3o robusta e Nganda.<\/p>\n<p><strong>H\u00edbridos do ar\u00e1bica e robusta<\/strong><\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9s<\/strong>\u00a0produzidos para melhorar as caracter\u00edsticas de crescimento, flora\u00e7\u00e3o, rendimento, tamanho do feij\u00e3o e forma, \u00edndice de cafe\u00edna, resist\u00eancia a doen\u00e7as e seca.<\/p>\n<p><strong>Cruzamento entre o ar\u00e1bica e o robusta<\/strong>\u00a0confere resist\u00eancia e vigor a doen\u00e7as.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>h\u00edbrido Timor<\/strong>\u00a0se assemelha ao ar\u00e1bica.<\/p>\n<p>J\u00e1 o\u00a0<strong>Catimor<\/strong>\u00a0\u00e9 o cruzamento do caturra e do h\u00edbrido timor, sendo resistente \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o da folha do caf\u00e9.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>h\u00edbrido Ruiru<\/strong>\u00a011 foi desenvolvido no Qu\u00eania, \u00e9 resistente doen\u00e7a da baga do caf\u00e9 e \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o da folha.<\/p>\n<p>Por sua vez, o h\u00edbrido Icatu \u00e9 resultado do cruzamento do ar\u00e1bica e robusta h\u00edbridos com as cultivares Mundo Novo e Caturra.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cncafe.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4><strong>Valores Nutricionais<\/strong><\/h4>\n<div align=\"center\">\n<table border=\"0\" width=\"25%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>Por\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">100 g<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>Kcal:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">5.3<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>HC:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0.8<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>PTN:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0.3<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>LIP:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0.1<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>Colesterol:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>Fibras:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0<span style=\"font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\" height=\"30\">\u00a0<strong>Gordura:<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0,01<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 uma planta origin\u00e1ria da Eti\u00f3pia, na Africa, mas sua difus\u00e3o come\u00e7ou na Ar\u00e1bia onde era muito consumido. Em 1554, o caf\u00e9 j\u00e1 era conhecido na Europa, e come\u00e7ou a ser cultivado pelo Europeus na suas colonias, no Ceil\u00e3o, Java e Sumatra.<\/p>\n<p>No decorrer do s\u00e9culo XVII, o caf\u00e9 chegou \u00e3s Antilhas e \u00e3 Am\u00e9rica Central, de onde passou ao Brasil, entrando na regi\u00e3o do atual Estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Cem anos depois, p\u00f4r volta de 1860, a produ\u00e7\u00e3o do Vale do Para\u00edba tinha crescido tanto que a prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo se transformou no principal produtor de caf\u00e9 do pa\u00eds, iniciando um novo ciclo da economia brasileira.<\/p>\n<p>A partir de 1890 o Brasil se tornou o maior produtor mundial de caf\u00e9.. Entretando a centraliza\u00e7\u00e3o da ecomnomia brasileira s\u00f3 durou at\u00e9 1929, pois o colapso da Bolsa de Nova York acabou atingindo duramente a economia do caf\u00e9.<\/p>\n<h4>Destaque Nutricional<\/h4>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o do Caf\u00e9 \u00e9 bastante complexa.<\/p>\n<p>Ele cont\u00e9m elementos energ\u00e9ticos , alguns sais minerais , vitaminas e alcal\u00f3ides, como a cafe\u00edna.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, com a torrefa\u00e7\u00e3o toda sua riquesa nutritiva se perde. Em compensa\u00e7\u00e3o a cafe\u00edna se concentra, aumentando suas propriedades estimulantes.<\/p>\n<p><strong>Fonte<\/strong>\u00a0:www.rgnutri.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>PROCESSAMENTO DO CAF\u00c9<\/h4>\n<p><strong>O preparo dos frutos de\u00a0caf\u00e9\u00a0, ap\u00f3s a colheita, pode ser feito de dois modos:<\/strong> por via seca, resultando nos &#8220;caf\u00e9s de terreiro&#8221; ou &#8220;caf\u00e9s naturais&#8221;, ou por via \u00famida, dando os &#8220;caf\u00e9s despolpados&#8221; ou os &#8220;caf\u00e9s cerejas e descascados&#8221; (CD). Ambos exigem v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es que visam transformar os frutos colhidos em gr\u00e3os secos e beneficiados.<\/p>\n<p><strong>As principais etapas do processo s\u00e3o:<\/strong> lavagem\/separa\u00e7\u00e3o, despolpamento\/descascamento, secagem e beneficiamento, que s\u00e3o feitas utilizando-se instala\u00e7\u00f5es e equipamentos pr\u00f3prios, que s\u00e3o detalhados em seguida.<\/p>\n<p><strong>A) VIA SECA<\/strong><\/p>\n<p>Na cafeicultura brasileira predomina, em mais de 90%, a prepara\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0por &#8220;via seca&#8221; e, nesse processo, a qualidade do produto vai depender das condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas da zona de produ\u00e7\u00e3o (umidade, temperatura, etc.), especialmente as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas durante o per\u00edodo de colheita (chuva e umidade do ar) e dos cuidados adotados na colheita e durante o preparo dos\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0colhidos, para evitar fermenta\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis, que ocorrem na mucilagem a\u00e7ucarada dos frutos.<\/p>\n<p>Essas fermenta\u00e7\u00f5es podem ser de natureza l\u00e1tica, ac\u00e9tica, but\u00edrica e propi\u00f4nica, a\u00ed influindo a flora de microorganismos presente, as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o tempo decorrido da matura\u00e7\u00e3o at\u00e9 a secagem dos frutos.<\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es como de cerrado, em Minas, com inverno frio e seco, a florada, a frutifica\u00e7\u00e3o e a matura\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais uniformes e o tempo de secagem do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 menor. Esses fatores determinam, de forma natural, maior facilidade na obten\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 de qualidade, com bom corpo e aroma nos caf\u00e9s de terreiro, exigindo menos cuidados no seu preparo.<\/p>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, ocorrem nos frutos apenas os dois primeiros tipos de fermenta\u00e7\u00e3o (l\u00e1tica e ac\u00e9tica), diferentemente de regi\u00f5es \u00famidas, onde ocorrem as fermenta\u00e7\u00f5es but\u00edrica e propi\u00f4nica, que resultam em bebida inferior.<\/p>\n<p>O preparo &#8220;por via seca&#8221; n\u00e3o dispensa, totalmente, o uso de \u00e1gua no processo, pois \u00e9 indicado usar o lavador\/separador, seguindo-se a secagem, o armazenamento e o beneficiamento.<\/p>\n<p><strong>B) VIA \u00daMIDA<\/strong><\/p>\n<p>O processo via \u00famida leva \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0despolpados, retirando-se a casca e a mucilagem, fontes de fermenta\u00e7\u00e3o e que atrasam a secagem. Com isso, torna-se f\u00e1cil a obten\u00e7\u00e3o de boa bebida, independente da zona de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse sistema utiliza bastante \u00e1gua, sendo os frutos separados no lavado\/separador e os frutos verdes separados no cilindro separador de verdes.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0despolpado \u00e9 degomado para a retirada da muscilagem, seguindo-se a secagem, o armazenamento e o beneficiamento.<\/p>\n<p>O preparo dos\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0chamados &#8220;cerejas descascados&#8221; \u00e9 uma vari\u00e1vel no processo &#8220;via \u00famida&#8221;, em que os maduros entram num equipamento semelhante ao despolpador, com o cilindro na vertical, que tira a casca e o caf\u00e9 em pergaminho n\u00e3o passa pelo processo de degomagem, indo direto para a secagem.<\/p>\n<p>Assim, obt\u00e9m-se um caf\u00e9 com caracter\u00edsticas de cor e corpo semelhantes ao de terreiro, por\u00e9m, com possibilidades de obten\u00e7\u00e3o de melhores padr\u00f5es de bebida, especialmente nas zonas n\u00e3o prop\u00edcias aos caf\u00e9s de bebidas finas<\/p>\n<p><strong>Lavagem e separa\u00e7\u00e3o do caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira etapa, s\u00e3o retiradas impurezas, como galho, folhas, torr\u00f5es e separados os\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0mais leves (b\u00f3ias) dos pesados (frutos cerejas e verdes).<\/p>\n<p>O lavador mec\u00e2nico possui uma bica separadora sobre um tanque met\u00e1lico, tendo ainda uma bica de jogo em sua parte frontal, para separar impurezas grandes, um conjunto de bomba para recircular (e economizar) a \u00e1gua e um dispositivo mec\u00e2nico ou pneum\u00e1tico para a retirada cont\u00ednua das impurezas pesadas (terra e pedras) do fundo do tanque.<\/p>\n<p>A melhoria da qualidade \u00e9 obtida pelo preparo em separado do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0cereja e pela separa\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3o chochos, mal granados pela seca mais uniforme dos gr\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Despolpamento e descascamento<\/strong><\/p>\n<p>Nesse processo, al\u00e9m de da possibilidade de melhoria de qualidade, h\u00e1 uma grande redu\u00e7\u00e3o no trabalho de secagem do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0. A perman\u00eancia da mucilagem permite a manuten\u00e7\u00e3o da caracter\u00edstica de corpo acentuado, t\u00edpica dos caf\u00e9s de terreiro.<\/p>\n<p><strong>Processo de retirada da casca e separa\u00e7\u00e3o do verde<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0colhido deve ser despolpado ou descascado o quanto antes, dentro de, no m\u00e1ximo, 24 horas ap\u00f3s a colheita. Os frutos maduros (cerejas), com pequena porcentagem de verdes, assim colhidos ou, ent\u00e3o, obtidos por separa\u00e7\u00e3o nos lavadores, entram no despolpador pela moega, juntamente com a \u00e1gua. Nos despolpadores que possuem separadores de verde, os frutos passam da mega para um cilindro janelado, tipo gaiola, onde, por press\u00e3o, os verdes s\u00e3o separados e saem lateralmente.<\/p>\n<p>Os frutos verdes passam pela lateral do cilindro, j\u00e1 os maduros rompem e a casca com a semente passam pela abertura da parede do cilindro.Os maduros seguem para o elemento despolpador, separando a polpa de um lado e os gr\u00e3os envolvidos pelo pergaminho do outro.<\/p>\n<p>Os gr\u00e3os despolpados passam por uma peneira cil\u00edndrica, que acaba de separ\u00e1-los dos restos de cascas, que n\u00e3o foram despolpados.<\/p>\n<p><strong>Degomagem ou desmucilagem<\/strong><\/p>\n<p>A degomagem mec\u00e2nica \u00e9 feita em equipamentos que produzem atritos dos gr\u00e3os em inje\u00e7\u00e3o sob press\u00e3o, causando assim a retirada da mucilagem.<\/p>\n<p><strong>Despolpamento simplificado<\/strong><\/p>\n<p>O processo consiste em submeter o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0maduro a press\u00e3o, dentro de um cilindro janelado, tipo gaiola, contendo um rolo interno, que pressiona o fruto contra parede, por onde s\u00f3 passam os frutos prensados, com suas sementes deslocadas e com parte deles com sementes soltas (despolpados).<\/p>\n<p><strong>Secagem<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o importante, que deve ser bem feita para evitar preju\u00edzos ao cafeicultor.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a lavagem, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0deve ser esparramado no terreiro em camadas finas de tr\u00eas a quatro cent\u00edmetros de espessura. Este deve ser revolvido a cada hora, aproveitando ao m\u00e1ximo o solo.<\/p>\n<p>O tempo de secagem no terreiro varia de dez a vinte dias, dependendo da umidade do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0e das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do local.<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o final de seca \u00e9 quando os gr\u00e3os atingem 12% de umidade para\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0ar\u00e1bica e 13% para o conillon.<\/p>\n<p><strong>Secagem Mec\u00e2nica<\/strong><\/p>\n<p><strong>A secagem em secadores mec\u00e2nicos apresenta as vantagens de:<\/strong> reduzir o tempo de secagem, viabilizar as secas em regi\u00f5es \u00famidas e, em per\u00edodos de chuvas, reduzir a interfer\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas sobre a qualidade dos\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0, permitir a redu\u00e7\u00e3o das ares de terreiros e diminuir a m\u00e3o-de-obra necess\u00e1ria secagem.<\/p>\n<p><strong>Fornalha:<\/strong>\u00a0com fogo direto gastam menos lenha, pois o calor \u00e9 injetado diretamente no secador; j\u00e1 na de fogo indireto, o fogo esquenta os tubos, por onde passa o ar que, assim, \u00e9 aquecido diretamente, sem entrada de fuma\u00e7a no secador.<\/p>\n<p align=\"center\">&#8220;Caf\u00e9 Negro como o diabo<br \/>\nQuente como o inferno<br \/>\nPuro como um anjo<br \/>\nDoce como o amor&#8221;<\/p>\n<p>Estes versos, escritos por Talleyrand no s\u00e9culo XVIII, retratam a diversidade de sensa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais remete esta bebida quente, estimulante, de aroma e sabor caracter\u00edsticos. N\u00e3o se sabe ao certo a origem da palavra\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, que pode significar tanto a bebida quanto a planta ou o fruto.<\/p>\n<p>Ela pode vir da palavra kaffa, da Abiss\u00ednia, atual Eti\u00f3pia; pode tamb\u00e9m ser origin\u00e1ria do \u00e1rabe karah (ou gavah), que quer dizer vinho ou, ent\u00e3o, kahwah (ou cahue), que significa for\u00e7a, ou pode ainda ter origem no idioma turco, nas palavras koveh ou kaveh, que tamb\u00e9m denominam o vinho.<\/p>\n<p>Planta da fam\u00edlia das Rubi\u00e1ceas &#8211; assim como o jenipapo, a quina e o mulateiro de v\u00e1rzea, muito utilizadas com objetivos farmac\u00eautico e curativo -, tem sua origem nas regi\u00f5es montanhosas africanas da Abiss\u00ednia, ou na regi\u00e3o de Kaffa e En\u00e1ria, que hoje compreendem o sudoeste da Eti\u00f3pia, sudeste do Sud\u00e3o e norte do Qu\u00eania.<\/p>\n<p>Contra o\u00a0<strong>Caf\u00e9<\/strong>\u00a0, que apregoava os malef\u00edcios da &#8220;\u00e1gua suja, nauseante, amarga e escura&#8221;. Chegou-se ao ponto de a bebida ser proibida para consumo pelos crist\u00e3os. Na It\u00e1lia, onde entrou em 1615 atrav\u00e9s do porto de Veneza, o produto teve que vencer forte resist\u00eancia da Igreja. Crist\u00e3os fan\u00e1ticos incitaram o Papa Clemente VIII a condenar o consumo da bebida, tida como inven\u00e7\u00e3o de satan\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Ao provar o caf\u00e9, por\u00e9m, o papa declarou:<\/strong> &#8220;Esta bebida \u00e9 t\u00e3o deliciosa que seria um pecado deix\u00e1-la somente para os infi\u00e9is. Ven\u00e7amos satan\u00e1s, dando-lhe nossa b\u00ean\u00e7\u00e3o e tornando-a verdadeiramente crist\u00e3&#8221;. Em decorr\u00eancia dessa b\u00ean\u00e7\u00e3o papal, os caf\u00e9s proliferaram em Veneza e G\u00eanova e, no fim do s\u00e9culo XVII, eram encontrados em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apesar das campanhas contra o seu consumo, aos poucos, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0se espalhou por todo o mundo, convertendo-se na bebida universal de ricos e pobres, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, religi\u00e3o ou cultura. Hoje, a bebida est\u00e1 voltando a ser recomendada tamb\u00e9m como rem\u00e9dio na luta contra o alcoolismo, a depress\u00e3o e o suic\u00eddio e, ainda, na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, como a doen\u00e7a de Parkinson e o mal de Alzheimer. Isso porque pesquisas recentes est\u00e3o concluindo que o caf\u00e9 \u00e9 um alimento nutrac\u00eautico, ou seja, com valores nutricionais e farmac\u00eauticos.<\/p>\n<p><strong>Por\u00e9m, seus grandes valores continuam sendo seus incompar\u00e1veis sabores e aromas, t\u00e3o caracter\u00edsticos para quem aprecia um bom caf\u00e9:<\/strong> negro, quente, puro e doce.<\/p>\n<h4>Aspectos Bot\u00e2nicos<\/h4>\n<p><strong>Bot\u00e2nica do Cafeeiro<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0pertence ao grupo das plantas Faner\u00f3gamas, Angiospermas, subclasse Dicotiled\u00f4nea, ordem Rubiales, fam\u00edlia das Rubi\u00e1ceas, tribo Coffeae, subtribo Coffeinae e g\u00eanero Coffea.<\/p>\n<p><strong>As esp\u00e9cies do g\u00eanero Coffea podem ser agrupadas em quatro se\u00e7\u00f5es:<\/strong> Eucoffea, Mascarocoffea, Argocoffea, e Paracoffea, sendo as tr\u00eas primeiras origin\u00e1rias da \u00c1frica e a \u00faltima da \u00cdndia, da Indochina, do Sri Lanka e da Mal\u00e1sia. Elas compreendem, respectivamente, 24, 18, 11 e 13 esp\u00e9cies. A se\u00e7ao Eucoffea compreende as esp\u00e9cies que possuem cafe\u00edna e a se\u00e7\u00e3o Mascarocoffes inclui esp\u00e9cies oriundas de Madagascar, apresentando alb\u00famen c\u00f3rneo e baixo teor de cafe\u00edna.<\/p>\n<p>A se\u00e7\u00e3o Eucoffea \u00e9 a de maior import\u00e2ncia econ\u00f4mica, pois abrange as esp\u00e9cies mais cultivadas para o consumo do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 dividida nas seguintes subse\u00e7\u00f5es: <\/strong>Erythrocoffea, que compreende C.ar\u00e1bica, C. canephora, C. congensis, etc.; Pachycoffea, com C. liberica, etc., Mozambicoffea, com C. racemosa, etc. ; Melancocoffea, com C. stenophylla, etc. e Nanoffea, C. Montana, etc.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0\u00e9 uma planta de porte arbustivo ou arb\u00f3reo, de caule lenhoso, lignificado, reto e quase cil\u00edndrico. Os ramos s\u00e3o dim\u00f3rficos, sendo o seu dimorfismo relacionado \u00e0 dire\u00e7\u00e3o dos ramos ortotr\u00f3picos, que formam as hastes ou troncos. Os ramos laterais, produtivos, saem dessas hastes, crescem na horizontal e s\u00e3o chamados ramos plagiotr\u00f3picos.<\/p>\n<p>Sobre o caule da planta podem crescer novos ramos ortotr\u00f3picos, os chamados ramos ladr\u00f5es, oriundos, principalmente, da quebra da domin\u00e2ncia apical (meristem\u00e1tica), decorrente de elimina\u00e7\u00e3o do ponteiro do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, seja por poda ou por ataque de insetos, doen\u00e7as, etc. Al\u00e9m disso, sempre que a haste fica mais exposta ao sol (por cinturamento da planta) ou, ent\u00e3o, sofre efeito de machucaduras (chuva de granizo, cortes por ferramentas), ocorre maior forma\u00e7\u00e3o de \u2018ladr\u00f5es\u2019, exigindo desbrotas corretivas.<\/p>\n<p>A cultivar Conillon, quando submetida a podas cont\u00ednuas dos ponteiros e a constantes desbrotas, d\u00e1 origem a ramos ortotr\u00f3picos sa\u00eddos de ramos laterais, o que \u00e9 comum em\u00a0<strong>cafeeiros ar\u00e1bica<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Os ramos plagiotr\u00f3picos d\u00e3o origem a ramos terci\u00e1rios, formando o \u201cpalmetamento\u201d, uma caracter\u00edstica desejada, j\u00e1 que aumenta a \u00e1rea produtiva da planta.<\/p>\n<p>As\u00a0<strong>plantas do cafeeiro<\/strong>\u00a0s\u00e3o opostas, inteiras, cori\u00e1ceas e persistentes (na maioria das esp\u00e9cies), tendo colora\u00e7\u00e3o verde mais escura e brilhante na parte superior do limbo e mais clara e opaca, com nervuras salientes, na parte inferior.<\/p>\n<p>Nos ramos laterais e nas axilas da folhas s\u00e3o formadas as gemas florais, que d\u00e3o origem \u00e0 flora\u00e7\u00e3o e \u00e0 refrutifica\u00e7\u00e3o. As flores s\u00e3o normalmente brancas, podendo ser amareladas e rosa-claro (como em algumas sele\u00e7\u00f5es de C.canephora); s\u00e3o tubulosas, com a parte livre da corola dividida em um n\u00famero vari\u00e1vel de l\u00f3bulos e apresentando cinco p\u00e9talas em C.arabica. As flores hermafroditas crescem em glom\u00e9rulos (rosetas) e abrem-se de 8 a 10 dias ap\u00f3s chuva ou irriga\u00e7\u00e3o, tendo dura\u00e7\u00e3o ef\u00eamera (3 a 4 dias)<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>fruto do caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 uma drupa, normalmente com duas sementes, que s\u00e3o planoconvexas (sementes chatas), desde que n\u00e3o haja abortamento de um l\u00f3culo, formando-se, nesse caso, sementes arredondadas, chamadas de moca.<\/p>\n<p>O sistema radicular do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0\u00e9 pivotante e as ra\u00edzes finas s\u00e3o superficiais, localizando-se, em sua maioria (70% a 80%), a at\u00e9 30 a 40 cm de profundidade do solo.<\/p>\n<h4>CAF\u00c9 DE QUALIDADE<\/h4>\n<p>Os consumidores em diversos setores da economia est\u00e3o cada vez mais exigentes, sendo assim, os produtos de qualidade superior s\u00e3o os mais procurados.<\/p>\n<p>Como o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0vem acompanhando o novo cen\u00e1rio mundial, cabe aos produtores almejarem ao longo prazo a produ\u00e7\u00e3o dos caf\u00e9s de qualidade superior.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, esses\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0apresentavam um nicho de mercado e eram direcionados apenas para o mercado externo e internamente se consumiam pequenas quantidades. Por\u00e9m, felizmente o quadro vem se modificando nos \u00faltimos anos, pois temos um aumento significativo no consumo dos Caf\u00e9s Superiores e Gourmet em todo o mundo, incluindo o Brasil, onde \u00e9 poss\u00edvel encontrarmos em cafeterias, supermercados, dentre outros, o produto com qualidade de bebida e aroma diferenciados.<\/p>\n<p>Assim, temos hoje concursos de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0de qualidade que premiam com excelente remunera\u00e7\u00e3o esses caf\u00e9s que recebem cuidados extras.<\/p>\n<p><strong>Para melhorar a qualidade e conseguir produzir um\u00a0caf\u00e9\u00a0de qualidade superior recomenda-se o seguinte:<\/strong><\/p>\n<p><strong>No pr\u00e9-colheita<\/strong><\/p>\n<p><strong>Identificar as lavouras com maior potencial de produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s de qualidade superior, tais como:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>As caracter\u00edsticas de maior altitude &#8211;<\/strong>\u00a0lavouras das partes mais altas da propriedade;<strong><br \/>\nBaixa umidade relativa do ar<\/strong>\u00a0&#8211; evitar beira de represas, c\u00f3rregos, dentre outros;<strong><br \/>\nVariedade do caf\u00e9<\/strong>\u00a0&#8211; Bourbon, Icat\u00fa Amarelo e Mundo Novo s\u00e3o os mais sugeridos;<strong><br \/>\nAmadurecimento<\/strong>\u00a0&#8211; escolha daquelas que apresenta um amadurecimento mais homog\u00eaneo, ou seja, que apresentam mais cerejas na \u00e9poca da colheita;<strong><br \/>\nTratos culturais<\/strong>\u00a0&#8211; as que receberam aduba\u00e7\u00e3o equilibrada (de acordo com an\u00e1lise foliar e do solo), com controle de pragas e de doen\u00e7as (evitando aquelas que foram afetadas por ferrugem e cerc\u00f3spora) e com controle de plantas daninhas, pois as daninhas competem pelos nutrientes do cafeeiro e deixam os gr\u00e3os chochos.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Colheita<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o misturar as lavouras na colheita, ou seja, colher separadamente para evitar a mistura entre variedades diferentes, altitudes diferentes, lavouras que sofreram estresse h\u00eddrico, geadas, doen\u00e7as ou pragas, dentre outros e lavouras com produtividade muito alta e excesso de gr\u00e3os pequenos.<br \/>\nOptar pela colheita seletiva, ou seja, colher apenas os gr\u00e3os maduros.<br \/>\nLevar o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0colhido em no m\u00e1ximo duas horas para o lavador.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Colheita Mec\u00e2nica<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Regular a velocidade de vibra\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina, a fim de derri\u00e7ar apenas os gr\u00e3os maduros.<br \/>\nDimensionar de forma adequada equipamentos (tratores, carretas, dentre outos) e terreiro para evitar gargalos no fluxo do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0depois de colhido e camadas grossas no terreiro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Lavagem<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A lavagem deve ser feita o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para que sejam retiradas impurezas e gr\u00e3os chochos.<br \/>\nEvitar que o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0fique amontoado ou na moega por mais de duas horas antes da lavagem.<br \/>\nTrocar diariamente a \u00e1gua do lavador.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Descascamento<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O descascador deve ser regulado para evitar o descasque de gr\u00e3os verdes;<br \/>\nEscolher a melhor peneira com rela\u00e7\u00e3o ao tamanho dos gr\u00e3os;<br \/>\nLavar o descascador ap\u00f3s o uso e procurar utilizar produtos que evitem a prolifera\u00e7\u00e3o de fungos e bact\u00e9rias nos equipamentos.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Secagem no Terreiro<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Secar os lotes separadamente, rodando o m\u00e1ximo poss\u00edvel de vezes principalmente na fase inicial de secagem;<br \/>\nEvitar equipamentos pesados sobre o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, para que os gr\u00e3os n\u00e3o sejam quebrados, amassados ou descascados.<br \/>\nOs terreiros devem ser feitos em locais bem ventilados, sem sombras nem umidade e em partes altas da propriedade, pois assim o sol incide quase o dia todo.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Secagem no Secador<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Conferir os term\u00f4metros<br \/>\nMonitorar a temperatura na massa do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, que n\u00e3o pode exceder os 40\u00baC<br \/>\nUtilizar preferencialmente secador rotativo para caf\u00e9s descascados<br \/>\nFazer secagem intermitente, descansando a noite e com descanso mais prolongado em tulha de madeira antes da fase final de secagem.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Armazenamento<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Limpar para retirar gr\u00e3os remanescentes de safra anterior; separar os lotes de acordo com o aspecto e qualidade e aspecto de cada um;<br \/>\nDeixar os lotes em descanso pelo menos 30 dias e monitorar a umidade nesse per\u00edodo.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Beneficiamento<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Se o desejo \u00e9 participar de concurso, o beneficiamento deve ser feito o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel da data.<br \/>\nBeneficiar de acordo com a capacidade do equipamento, sem for\u00e7ar o rendimento da m\u00e1quina a fim de evitar quebras de gr\u00e3os, boa limpeza e boa classifica\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Rastreabilidade<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Para a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Caf\u00e9s Especiais<\/strong>\u00a0, \u00e9 importante que o lote de caf\u00e9 possa ser rastreado, para que o comprador e o consumidor final saibam quem e como produziu o produto, com responsabilidade social e prote\u00e7\u00e3o ao ambiente.<br \/>\nA rastreabilidade \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o da origem da produ\u00e7\u00e3o de um alimento atrav\u00e9s de documenta\u00e7\u00e3o que a comprove, do campo at\u00e9 a mesa do consumidor.<br \/>\nA rastreabilidade mostra como o alimento foi produzido, pois identifica o produto, onde ele foi produzido, as caracter\u00edsticas de produ\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o dos defensivos utilizados, condi\u00e7\u00f5es ambientais de produ\u00e7\u00e3o que atendam \u00e0s exig\u00eancias ambientais e condi\u00e7\u00f5es sociais e trabalhistas em quest\u00f5es salariais, de sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Certifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A comprova\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de qualidade do produto \u00e9 confirmada pela certifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 emitida por empresas ou associa\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas que autorizam produtores e compradores a utilizarem os selos de certifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA certifica\u00e7\u00e3o \u00e9 recebida ap\u00f3s uma auditoria de terceira parte onde s\u00e3o indicadas as conformidades e n\u00e3o conformidades da propriedade e se ela est\u00e1 apta a receber a certifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Como certifica\u00e7\u00f5es temos hoje:<\/strong> BSCA, UTZ, KAPEH, EUREP GAP, IMAFLORA, ISSO 14000, FAIR TRADE e SA8000 e<strong>para\u00a0caf\u00e9s\u00a0org\u00e2nicos: <\/strong>IBD AAO, BCS E JAS.<br \/>\nPara algumas certifica\u00e7\u00f5es j\u00e1 existe um pr\u00eamio a ser pago pelo caf\u00e9 do produtor certificado.<br \/>\nOs custos para a certifica\u00e7\u00e3o variam de acordo com o porte da propriedade em rela\u00e7\u00e3o as quest\u00f5es sociais e ambientais. As exig\u00eancias s\u00e3o muitas e \u00e9 necess\u00e1rio que o produtor persista nas mudan\u00e7as que devem ser feitas para alcan\u00e7ar a certifica\u00e7\u00e3o, mas que certamente s\u00e3o vi\u00e1veis, pois o resultado \u00e9 propriedades sustent\u00e1veis, eficientes, com respeito ambiental e social.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Caf\u00e9 Sustent\u00e1vel<\/h4>\n<p>Est\u00e1 nas m\u00e3os da humanidade fazer o desenvolvimento sustent\u00e1vel, buscar encontrar as necessidades e aspira\u00e7\u00f5es do presente sem comprometer a habilidade das futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel implica em limites, mas n\u00e3o limites absolutos e sim limita\u00e7\u00f5es que a tecnologia ou a organiza\u00e7\u00e3o social, e a capacidade da biosfera t\u00eam de absorver os efeitos das atividades humanas. Tanto a tecnologia como a organiza\u00e7\u00e3o social podem ser organizadas e aprimoradas para que haja um novo caminho aberto para uma nova era de crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><strong>Assim, tr\u00eas dimens\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis pela sustentabilidade no setor cafeeiro:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dimens\u00e3o econ\u00f4mica:<\/strong> Acesso ao mercado<\/p>\n<p><strong>Dimens\u00e3o ecol\u00f3gica:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Proteger o meio ambiente<br \/>\nConservar os recursos naturais<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Dimens\u00e3o social<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Direitos humanos e padr\u00f5es sociais<br \/>\nCondi\u00e7\u00f5es de moradia<br \/>\nCondi\u00e7\u00f5es de trabalho decentes<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>C\u00f3digo de conduta<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Existem diferentes c\u00f3digos de conduta e padr\u00f5es no setor agr\u00edcola e no pr\u00f3prio\u00a0<strong>setor cafeeiro<\/strong>\u00a0.<br \/>\nA maioria deles lida com aspectos ecol\u00f3gicos e sociais, como tamb\u00e9m com\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0espec\u00edfico, regi\u00f5es espec\u00edficas ou m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o espec\u00edficos.<br \/>\nO objetivo \u00e9 desenvolver dimens\u00f5es sociais, ecol\u00f3gicas e econ\u00f4micas de sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o, processo e marketing de caf\u00e9 verde, por meio de um processo participat\u00f3rio que servir\u00e1 como um c\u00f3digo de conduta.<\/p><\/blockquote>\n<h4>DESENVOLVIMENTO SUSTENT\u00c1VEL<\/h4>\n<p>A Comiss\u00e3o Brundtland, de 1987, da ONU, \u201cNosso Futuro Comum\u201d, define o desenvolvimento sustent\u00e1vel como sendo \u201caquele que atende \u00e0s necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gera\u00e7\u00f5es futuras de atenderem s suas pr\u00f3prias necessidades\u201d.<\/p>\n<p>O conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel, expresso dessa maneira, embora tenha conota\u00e7\u00e3o forte, n\u00e3o \u00e9 operacional. A Agenda 21 \u00e9 mais espec\u00edfica ao determinar que o desenvolvimento sustent\u00e1vel deve levar em conta o resultado econ\u00f4mico, a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e o interesse social. Dessa forma, a diretriz b\u00e1sica do desenvolvimento sustent\u00e1vel, que dever\u00e1 estar presente tamb\u00e9m na cafeicultura, \u00e9 a de conciliar as tr\u00eas coisas.<\/p>\n<p>A tecnologia de produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0desenvolvida no Brasil tem todas as condi\u00e7\u00f5es para se adaptar a essas novas exig\u00eancias, mas, para isso, ter\u00e1 que estabelecer o seu c\u00f3digo de conduta, de forma que toda a cadeia produtiva possa receber a necess\u00e1ria certifica\u00e7\u00e3o. Assim, a participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional com diversos produtos agropecu\u00e1rios, inclusive o caf\u00e9, pressup\u00f5e, cada vez, mais uma postura correta em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente, ao trabalhador e \u00e0 seguran\u00e7a dos produtos ou, em s\u00edntese, em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Embora o caf\u00e9 j\u00e1 tenha tradi\u00e7\u00e3o na busca da garantia de qualidade, a busca do \u201ccaf\u00e9 sustent\u00e1vel\u201d, no sentido mais amplo do termo, exige um esfor\u00e7o bem maior de organiza\u00e7\u00e3o e acompanhamento.<\/p>\n<h4>Alternativas para o caf\u00e9<\/h4>\n<p>Para produzir dentro das exig\u00eancias do desenvolvimento sustent\u00e1vel, podem-se visualizar duas etapas. A primeira consiste em definir as boas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o, ou c\u00f3digo de conduta, termo tamb\u00e9m usado, e adot\u00e1-las efetivamente. A segunda consiste em conseguir, por meio de uma terceira parte, certifica\u00e7\u00e3o de que o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0est\u00e1 sendo produzido de acordo com o que foi estabelecido.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o integrada \u00e9 um desses sistemas, visando uma poss\u00edvel implanta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o integrada de caf\u00e9 (PIC). Trata-se de um sistema que estabelece boas pr\u00e1ticas e permite a certifica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de apresentar importante conota\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica. Cabe ressaltar que a produ\u00e7\u00e3o integrada, como qualquer sistema similar, embora de ades\u00e3o volunt\u00e1ria, exige intensa participa\u00e7\u00e3o de todos os envolvidos, na formula\u00e7\u00e3o das normas, na sua implementa\u00e7\u00e3o e no cont\u00ednuo aperfei\u00e7oamento.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es internacionais que t\u00eam interesse declarado em caf\u00e9:<\/strong> A EurepGap \u2013 Euro Retailer Produce Working Group \u2013 Good Agricultural Practices (Boas Pr\u00e1ticas Agr\u00edcolas do Grupo de Trabalho de Atacadistas Europeus) \u2013 j\u00e1 vem atuando com caf\u00e9. A Funda\u00e7\u00e3o Utz Kapeh, que \u00e9 uma ONG e entidade certificadora, possui um c\u00f3digo de conduta para\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Sustainable Development Initiative (SAI &#8211; Iniciativa de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel), formada inicialmente pelas empresas de alimentos Nestl\u00e9, Unilever e Danone, conta hoje com diversas outras empresas.<\/p>\n<p>A Common Codes for the Coffee Community (CCCC, C\u00f3digos Comuns para a Comunidade Cafeeira) \u00e9 uma iniciativa importante, liderada pela German Technical Cooperation(GTZ), organiza\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o internacional da Alemanha. \u00c9 uma iniciativa de grande porte, que conta com a participa\u00e7\u00e3o expressiva da ind\u00fastria, dos produtores, de organiza\u00e7\u00f5es governamentais, de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e da sociedade civil.<\/p>\n<p>O c\u00f3digo de conduta apresenta uma s\u00e9rie de orienta\u00e7\u00f5es, visando estabelecer um conjunto de normas para a condu\u00e7\u00e3o da cultura e manuseio em toda a cadeia produtiva, tendo em vista, al\u00e9m dos aspectos t\u00e9cnicos da cultura, a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e as condi\u00e7\u00f5es sociais do trabalho.<\/p>\n<h4>Ecologia<\/h4>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 uma planta tropical que cresce entre as latitudes 25\u00baN e 25\u00baS, e requer condi\u00e7\u00f5es ambientais muito espec\u00edficas para seu cultivo. Temperatura, chuva, sol, vento e solo s\u00e3o essenciais, mas variam de acordo com as variedades.<\/p>\n<p>A temperatura ideal para cultivo varia entre 15 e 24\u00baC para o\u00a0<strong>Caf\u00e9<\/strong>\u00a0Ar\u00e1bica, e entre 24 e 30\u00baC para o Robusta, o qual pode sobreviver em condi\u00e7\u00f5es mais secas e quentes, mas n\u00e3o tolera temperatura abaixo de 15\u00baC, como o Ar\u00e1bica, que resiste em curtos per\u00edodos.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 prejudicado por geadas, um perigo tanto no sul do Brasil, quanto perto da Linha do Equador, em altitudes por volta dos 2.000m.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0necessita de chuvas anuais entre 1.500 a 3.000mm. O Ar\u00e1bica precisa de menos que as outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Enquanto o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0Robusta pode crescer a n\u00edvel do mar, o ar\u00e1bica cresce melhor em altitudes mais elevadas. Todos os tipos de caf\u00e9 necessitam de boa drenagem, mas podem crescer em solos com diferentes profundidades, pH e conte\u00fado mineral.<\/p>\n<h4>Pragas<\/h4>\n<p><strong>Bicho Mineiro das Folhas<\/strong><\/p>\n<p>O bicho-mineiro adulto \u00e9 uma pequena mariposa branca-prateada, que durante o dia fica escondida na folhagem, e ao entardecer aparece voando junto ao\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, quando as f\u00eameas fazem a postura, na face superior das folhas.<\/p>\n<p>Cada mariposa p\u00f5e, em m\u00e9dia, 36 ovos em um per\u00edodo de at\u00e9 25 dias, sendo pequena a longevidade da fase adulta (m\u00e9dia de 15 dias). Os ovos s\u00e3o ovais, compridos e transl\u00facidos, e eclodem sobre tecido entre as epidermes, deixando um vazio, que vai crescendo \u00e0 medida que a lagarta se desenvolve.<\/p>\n<p>Essa \u00e1rea destru\u00edda seca aos poucos, e forma les\u00f5es ou manchas de cor marrom, conhecidas como \u201cminas\u201d, dando o nome \u00e0 praga como bicho-mineiro ou minador das folhas. As minas s\u00e3o muito pequenas no in\u00edcio, aparecendo como pequenos pontos negros (1-2mm de di\u00e2metro), crescendo irregularmente, e ao se juntarem chegam a tomar quase toda a \u00e1rea da folha. Essas minas podem, em regi\u00f5es \u00famidas, servir de entrada para o desenvolvimento de fungos, que ampliam as les\u00f5es, tornando-as escuras, quase negras.<\/p>\n<p>Ao fazer a remo\u00e7\u00e3o, com aux\u00edlio de uma pequena l\u00e2mina da epiderme superior da folha, na \u00e1rea da mina, pode-se verificar as larvas, uma ou mais por mina (quando as les\u00f5es se coalescem). Elas s\u00e3o de cor creme-transparente e de corpo achatado, chegando ao tamanho de 4-5mm por 0,75mm de largura.<\/p>\n<p>Quando completa seu desenvolvimento, a lagarta sai da mina por uma abertura (fenda), na parte superior da planta, e se encristalisa, normalmente na parte baixa do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, onde chega pendurada em uma cris\u00e1lida branca, sendo protegida por um casulo em forma de X, tecido com fios de seda, podendo formar-se, tamb\u00e9m, sobre folhas de outras plantas ou em ciscos sob o\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0ou no pr\u00f3prio solo.<\/p>\n<p>A retirada ou a queda das folhas (desfolha) acelera a passagem da fase de larva para cris\u00e1lida. Por isso \u00e9 poss\u00edvel haver intera\u00e7\u00e3o do ataque de outras doen\u00e7as e da pr\u00f3pria estiagem, as quais acelerando a desfolha, tendem a elevar a incid\u00eancia de bicho-mineiro.<\/p>\n<p><strong>Broca do Caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>broca do caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 um pequeno besouro (cole\u00f3ptero) de cor escura brilhante. A f\u00eamea fecundada perfura o fruto do caf\u00e9, normalmente regi\u00e3o da coroa, faz uma galeria no seu interior, onde p\u00f5e os ovos, dos quais surgem as larvas, que se alimentam das sementes. Os ovos s\u00e3o de cor branco-leitosa, as larvas s\u00e3o tamb\u00e9m brancas. As pupas s\u00e3o brancas de in\u00edcio e quando pr\u00f3ximas a se tornar adultos, ficam de cor amarelo-p\u00e1lido.<\/p>\n<p>O adulto macho (menor) mede de 1,0-1,25mm e a f\u00eamea de 1,4-1,85mm. Logo depois de emergido, o adulto tem cor caf\u00e9-claro e depois de 4-5 dias j\u00e1 fica bem escuro. A f\u00eamea tem asas e voa, e o macho n\u00e3o.<\/p>\n<p>A fecundidade m\u00e9dia da f\u00eamea \u00e9 de 74 ovos e a longevidade m\u00e9dia de 156 dias. Ela p\u00f5e 2 ovos por dia e o n\u00famero por c\u00e2mara n\u00e3o ultrapassa de 20. O ciclo m\u00e9dio da praga ocorre em 27,7 dias, variando de 17-46 dias, sendo que o n\u00famero de gera\u00e7\u00f5es por ano ou ciclo produtivo do caf\u00e9 pode chegar a 7, sendo muito influenciado pela temperatura na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Nemat\u00f3ides<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os nemat\u00f3ides s\u00e3o pequenos vermes que atacam as ra\u00edzes do\u00a0cafeeiro\u00a0, sendo que as esp\u00e9cies mais freq\u00fcentes s\u00e3o:<\/strong>Meloidogyne incognita, M. exigua, M. paranaensis, M. coffeicola, M\/ hapla, M. arabicidae e M. arenaria, Pralylenchus brachiurus e P. coffea, Xiphinema krugi, Helycotilenchus dihistera, Aphalenchus sp e Criconemoides sp.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie de maior import\u00e2ncia no Brasil \u00e9 Meloidogyne incognita, que ocorre com maior gravidade nas regi\u00f5es de solo arenoso, no Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo, assim como em \u00e1reas restritas no Sul e Alto-Parana\u00edba em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Outras \u00e1reas de solo arenoso (como Oeste da Bahia) s\u00e3o potenciais para o ataque desse nemat\u00f3ide. M. incognita afeta drasticamente o sistema radicular do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, onde causa necroses e rachaduras, ficando as ra\u00edzes com aspecto de corti\u00e7a, reduzindo sua absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e nutriente, afetando o desenvolvimento e a produ\u00e7\u00e3o das plantas, que se tornam fracas, depauperadas e chegam at\u00e9 a morrer, j\u00e1 que o nemat\u00f3ide destr\u00f3i at\u00e9 as ra\u00edzes principais (sistema radicular grosso).<\/p>\n<p>As lavouras atacadas tornam-se, gradativamente, anti-econ\u00f4micas, acabando por ser erradicadas e geralmente substitu\u00eddas por outras culturas. Esse nemat\u00f3ide possui v\u00e1rias ra\u00e7as (4-5 j\u00e1 identificadas), o que dificulta o trabalho de sele\u00e7\u00e3o de variedades tolerantes. Uma das ra\u00e7as tidas como M. incognita foi recentemente caracterizada como uma nova esp\u00e9cie, M. paranaensis.<\/p>\n<p>Meloidogyne exigua \u00e9 uma esp\u00e9cie que causa pequenas galhas no sistema radicular fino do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, causando menores perdas de produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o chegam a depauperar a lavouras em m\u00e9dio prazo, podendo haver uma conviv\u00eancia com esse nemat\u00f3ide, sem necessidade de erradicar a lavoura, a curto prazo.<\/p>\n<p>Ocorrem problemas s\u00e9rios em plantios feitos sobre \u00e1reas de\u00a0<strong>cafezal<\/strong>\u00a0velho, infectado. Essa esp\u00e9cie encontra-se presente em todas as regi\u00f5es produtoras, com exce\u00e7\u00e3o daquelas de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0Robusta\/Conillon, resistentes a esse nemat\u00f3ide. Algumas \u00e1reas de caf\u00e9 Conillon foram constatadas com ataque de M. paranaensis<\/p>\n<p>M. incognita tem amplo espectro de hospedeiros, sejam plantas cultivadas (algod\u00e3o, batata, feij\u00e3o, fumo, girassol, milho, mamona, sorgo, soja etc.), sejam \u00e1rvores de prote\u00e7\u00e3o, como a Grevillea e o Kiri, ou ervas daninhas no meio do\u00a0<strong>cafezal<\/strong>\u00a0(capim p\u00e9-de-galinha, falsa-serralha, maria-pretinha, beldroega, mentrasto etc), o que dificulta o controle atrav\u00e9s de rota\u00e7\u00e3o de culturas, pois a popula\u00e7\u00e3o da praga pode manter-se na \u00e1rea tendo como hospedeiro essas plantas.<\/p>\n<p>A dissemina\u00e7\u00e3o dos nemat\u00f3ides pode ocorrer atrav\u00e9s de mudas de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0e de plantas de sombra infestadas, atrav\u00e9s de enxurradas e pelo tr\u00e2nsito de implementos agr\u00edcolas, que levam o solo infestado (com ovos e larvas) para outras \u00e1reas, assim como os trabalhadores, que transferem solo infestado, agarrado \u00e0s botas, nos dias de chuva.<\/p>\n<p>M. coffeicola, uma esp\u00e9cie considerada inicialmente muito grave, j\u00e1 que danifica o sistema radicular prim\u00e1rio do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, teve sua import\u00e2ncia reduzida, face ao seu pequeno espectro de hospedeiros e \u00e0 sua baixa perman\u00eancia na \u00e1rea, sendo suficiente a rota\u00e7\u00e3o de culturas, em curto prazo, para acabar com o problema.<\/p>\n<p>N\u00e3o se conhece bem, nas condi\u00e7\u00f5es da cafeicultura brasileira, a import\u00e2ncia das demais esp\u00e9cies de nemat\u00f3ides aqui citadas. Na Col\u00f4mbia e Am\u00e9rica Central, Pratylenchus ocorre com gravidade, e na Costa Rica ocorre a associa\u00e7\u00e3o de ataque de Meloidogyne com fusariose, dando a doen\u00e7a chamada de \u201ccorchosem\u201d, que \u00e9 prov\u00e1vel estar ocorrendo em cafezais em nossas condi\u00e7\u00f5es, conforme observa\u00e7\u00e3o efetuada em cafezais no Sul de Minas, associa\u00e7\u00e3o bem conhecida em outras culturas no Brasil (em pimenta-do-reino, maracuj\u00e1 etc.).<\/p>\n<p><strong>Cigarras<\/strong><\/p>\n<p>As cigarras s\u00e3o insetos de vida adulta muito curta (alguns dias) que s\u00e3o conhecidas pelo seu canto agrad\u00e1vel na primavera-ver\u00e3o, quando saem do solo onde as suas formas jovens (larvas e ninfas) viveram por longo per\u00edodo (1-5 anos) a\u00ed sugando a seiva das ra\u00edzes de \u00e1rvores, onde se inclui o\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Esse ataque ao cafeeiro se d\u00e1, provavelmente, devido \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o das matas\/cerrados, cujas \u00e1rvores tinham a prefer\u00eancia de ataque, tanto assim que plantas como\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0pr\u00f3ximas a matas tem maior infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os g\u00eaneros mais comuns s\u00e3o:<\/strong> Quesada, Carineta, Fidicina e Dorisina, sendo maiores os insetos de Quesada (6-7 cm), m\u00e9dios os de Carineta e menores (2-3 cm) os de Fidicina e Dorisiana, e os de Quesada que tem o canto estridente e continuado, e os demais com ru\u00eddo menor e intercalado.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da revoada, de setembro a mar\u00e7o, o macho emite o seu canto para atrair a f\u00eamea, visando o acasalamento. As f\u00eameas p\u00f5em os ovos nos troncos das plantas, estes eclodem e as ninfas descem ao solo, penetram no ch\u00e3o e se fixam a ra\u00edzes, pr\u00f3ximo ao tronco, nelas introduzindo o estilete, para suc\u00e7\u00e3o da seiva.<\/p>\n<p>As ninfas possuem as pernas anteriores desenvolvidas, atrav\u00e9s delas escavam galerias (panelas), onde ficam alojadas junto \u00e0s ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a fase de ninfas m\u00f3veis, dura de 1-2 anos e, quando est\u00e3o para se transformar em adultos, elas cavam furos at\u00e9 a superf\u00edcie do solo, saem e se fixam ao tronco, onde trocam a casca (exuvia), que fica presa ao tronco, as quais juntamente com os furos no solo, sob a copa do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, constituem sinais da presen\u00e7a do ataque.<\/p>\n<p>Plantas de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0atacadas apresentam fraqueza na parte a\u00e9rea, com amarelecimento e defici\u00eancias nutricionais nas folhas, ramos secos e baixa produ\u00e7\u00e3o. Fazendo com o enxad\u00e3o pequenas covas no solo, junto \u00e0s ra\u00edzes grossas, pode-se verificar a presen\u00e7a de ninfas de v\u00e1rios tamanhos, de colora\u00e7\u00e3o clara, muitas delas \u201cagarradas\u201d \u00e0s ra\u00edzes, sendo comum observar mais de 300 ninfas por planta, em alguns casos mais de 1000. As de esp\u00e9cies maiores causam danos sens\u00edveis a partir de 20-30 ninfas por planta e a das menores a partir de 60 a 80 por cova.<\/p>\n<p><strong>\u00c1caros<\/strong><\/p>\n<p><strong>As esp\u00e9cies de \u00e1caros mais freq\u00fcentes e com preju\u00edzos sobre cafezais s\u00e3o: <\/strong>\u00c1caro vermelho &#8211; Oligonichus (o) ilicis, \u00c1caro branco &#8211; Polyphagotarsonemus latus e o \u00c1caro da leprose (\u00e1caro plano)- Brevipalpus phoenicus.<\/p>\n<p>O \u00e1caro vermelho ataca as folhas do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, especialmente os ponteiros da planta. Sobre as folhas podem-se observar esp\u00e9cimes, que s\u00e3o muito pequenos e se movimentam rapidamente, sendo as f\u00eameas de cor vermelho-escuro e os machos mais claros. As plantas atacadas apresentam folhas de cor bronzeada e sem brilho, podendo verificar, sobre a face superior das folhas, as finas teias tecidas pelos \u00e1caros e os restos de suas ecdises (troca de pele ou do in\u00f3culo que reveste o \u00e1caro). As folhas atacadas (as novas) diminuem de tamanho, as ranhuras reduzem a \u00e1rea foliar e a fotoss\u00edntese, ocorrendo queima de folhas e perda de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00e1caro vermelho foi constatado, recentemente, atacando tamb\u00e9m os frutos em\u00a0<strong>cafeeiros Conillon<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>O ataque ocorre em reboleiras ou em toda a planta\u00e7\u00e3o, sendo mais atingidas as plantas com maior carga. Os per\u00edodos de maior incid\u00eancia s\u00e3o o inverno e as \u00e9pocas de veranico (per\u00edodos secos), j\u00e1 que em \u00e9pocas de chuva ou quando irrigadas por aspers\u00e3o, estas podem, lavando as folhas, eliminar parte da popula\u00e7\u00e3o de \u00e1caros.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es mais quentes e secas apresentam maiores problemas de ataque de \u00e1caro vermelho, como \u00e9 o caso de \u00e1reas de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0Conillon (robusta), na qual a praga \u00e9 s\u00e9ria, especialmente em plantas novas. Trabalho de pesquisa na Zona da Mata de Minas Gerais mostrou que na mesma \u00e1rea o ataque do \u00e1caro vermelho foi de 60,5% maior de folhas afetadas no Conillon e 10,8% no Catua\u00ed.<\/p>\n<p>O uso exagerado de fungicidas c\u00fapricos e, tamb\u00e9m de piretr\u00f3ides causa problemas, aumentando muito a popula\u00e7\u00e3o de \u00e1caros, embora alguns dos piretr\u00f3ides sejam tamb\u00e9m acaricidas e n\u00e3o provoquem esse desequil\u00edbrio. O uso de inseticidas do grupo dos neonicotin\u00f3ides, mesmo via solo especialmente para o ativo Thiametoxan, causa maior ataque do \u00e1caro vermelho, provavelmente por alterar o conte\u00fado de amino\u00e1cidos ou horm\u00f4nios no\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>O \u00e1caro branco \u00e9 freq\u00fcente encontrado em viveiros de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, atacando tamb\u00e9m plantas no campo. Vive na parte inferior das folhas, principalmente das mais novas, onde se pode observar com dificuldade, a olho nu ou com lupa, pequenas esp\u00e9cimes de cor branco-leitoso, que se movimentam rapidamente. As folhas atacadas tornam-se encurvadas, deformadas e \u00e1speras. As folhas ficam de tamanho reduzido e ocorre pequena queda de folhas.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do uso correto e restrito de defensivos protege-se os inimigos naturais dos \u00e1caros- microjoaninhas, microorganismos e \u00e1caros predadores.<\/p>\n<p>O \u00e1caro da leprose \u00e9 importante apenas como vetor da doen\u00e7a da leprose do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, \u00e0 semelhan\u00e7a do que ocorre na leprose dos citrus. A sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 encontrada em maior escala no final do per\u00edodo seco, em agosto\/setembro, e o \u00e1caro pode ser identificado sob lupa por ser mais plano e principalmente por uma mancha escura que apresenta no meio do seu dorso. \u00c9 comum encontrar os \u00e1caros em associa\u00e7\u00f5es mais dentro da planta, junto \u00e0s rosetas.<\/p>\n<p>\u00c9 freq\u00fcente a observa\u00e7\u00e3o de outros \u00e1caros presentes nas plantas de\u00a0<strong>caf\u00e9s,<\/strong>\u00a0tratando-se quase sempre de \u00e1caros predadores, sendo mais comuns os da fam\u00edlia Phytoseiidae.<\/p>\n<h4><strong>Cochonilhas<\/strong><\/h4>\n<p><strong>As cochonilhas que atacam mais comumente os cafeeiros s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Coccus viridis &#8211;<\/strong>\u00a0Cochonilha verde<strong><br \/>\nPlanococcus citrie\/ou Planococcus minor &#8211;<\/strong>\u00a0cochonilha branca ou dos frutos<br \/>\n<strong>Cerococcus catenarius &#8211;<\/strong>\u00a0Cochonilha-de-cadeia<strong><br \/>\nDysmicoccus cryptus &#8211;<\/strong>\u00a0Cochonilha-de-raiz.<\/p><\/blockquote>\n<p>As\u00a0<strong>cochonilhas verde<\/strong>\u00a0e parda atacam os ramos e as folhas novas e nessas se localizam ao longo da nervura principal. As cochonilhas-de-cadeia se aglutinam em forma de fileira (cadeia) ao longo dos ramos tronco. O ataque ocorre normalmente em reboleiras.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>cochonilha branca<\/strong>\u00a0ataca ramos novos, folhas, bot\u00f5es florais e frutos. Nas frutifica\u00e7\u00f5es, o inseto se instala dentro das rosetas, sugando o ped\u00fanculo e a base dos frutos, onde se pode observar subst\u00e2ncia branca em forma de l\u00e3, secretada pelo inseto e que serve para proteger os ovos junto ao adulto.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>cochonilha-de-placa<\/strong>\u00a0, a Orthezia, ataca os ramos, as folhas e mesmo os frutos. \u00c9 uma praga s\u00e9ria para os citrus e tornou-se grave em algumas \u00e1reas de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0Conillon, no Espirito Santo, devido a desequil\u00edbrios causados, em certos anos, por estiagens prolongadas. A f\u00eamea \u00e9 branca, comprida (com 3 a 5mm), e quando jovem, fica presa \u00e0 face inferior das folhas e \u00e0 base do tronco do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Os machos s\u00e3o alados e voam sobre os ramos ao fim da tarde.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>cochonilha-de-raiz<\/strong>\u00a0aparece principalmente em solos arenosos e se localiza sobre as ra\u00edzes principais do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Tem cor r\u00f3sea e cinza, sendo recoberta por nodosidades chamadas pipocas. Os sintomas aparecem no per\u00edodo seco, observando-se plantas amarelas, murchas, desfolhadas e fracas. Arrancando-se essas plantas, observa-se nodosidades escuras sobre a raiz principal, logo abaixo do solo, com presen\u00e7a de formigas.<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos causados pelas cochonilhas s\u00e3o devidos \u00e0 suc\u00e7\u00e3o de seiva, que enfraquece a planta, chegando at\u00e9 a matar os\u00a0<strong>cafeeiros<\/strong>\u00a0(no caso de cochonilha-de-placa e de raiz). Um l\u00edquido a\u00e7ucarado \u00e9 excretado em suas fezes e d\u00e1 origem ao crescimento de fungos do g\u00eanero Capnodium, a fumagina, que recobre as folhas com uma camada escura, reduzindo a fotoss\u00edntese das plantas.<\/p>\n<p>Esse mesmo a\u00e7\u00facar atrai col\u00f4nias de formigas, que entram em simbiose com as cochonilhas, muitas vezes protegendo-as com terra, e carregando-as tamb\u00e9m de um lado para outro, facilitando sua dissemina\u00e7\u00e3o. A cochonilha dos frutos causa graves perdas pelo chochamento dos frutinhos, chegando \u00e0 secas complemente as rosetas.<\/p>\n<p>A cochonilha verde \u00e9 mais freq\u00fcente no per\u00edodo chuvoso e a branca no per\u00edodo de crescimento dos frutos, a partir de fevereiro-mar\u00e7o.<\/p>\n<p>S\u00e3o favor\u00e1veis ao ataque de cochonilhas as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas, especialmente os per\u00edodos de estiagem prolongada, bem como os desequil\u00edbrios causados pelo uso inadequado de defensivos, que reduzem os inimigos naturais das cochonilhas (fungos e insetos).<\/p>\n<h4>Doen\u00e7as<\/h4>\n<p><strong>Ferrugem<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>ferrugem<\/strong> \u00e9 uma doen\u00e7a que ocorre no\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0sob a forma de ferrugem farinhosa, causada pelo fungo Hemileia coffeicolla, ainda n\u00e3o constatada em cafezais no Brasil, e ferrugem alaranjada, causada por Hemileia vastatrix, enfermidade grave na cafeicultura brasileira a partir da sua constata\u00e7\u00e3o, em 1970.<\/p>\n<p>A ferrugem ataca as folhas inferiores com uma massa de esporos (cerca de 150mil por p\u00fastula) que s\u00e3o as sementes do fungo. As les\u00f5es provocam a morte dos tecidos, come\u00e7ando pelo seu centro, que se torna marrom-escuro. Nas les\u00f5es velhas pode ocorrer o fungo Verticillium hemileae tornando-as de aspecto esbranqui\u00e7ado. Esse fungo se alimenta do mic\u00e9lio da ferrugem, sem, entretanto, oferecer um controle efetivo da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os esporos s\u00e3o disseminados a longas dist\u00e2ncias pelo vento, pelos insetos, pelo homem e por outros animais. Na mesma planta\u00e7\u00e3o, de uma planta a outra e de folha em folha, a maior dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a ocorre pelas gotas de chuva.<\/p>\n<p><strong>Os fatores clim\u00e1ticos favor\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>A temperatura, na faixa de 20-24 \u00baC, umidade necess\u00e1ria \u00e0 germina\u00e7\u00e3o dos esporos favorecida pelas chuvas freq\u00fcentes, principalmente as finas, pelo orvalhamento noturno e por ambientes sombrios.<\/p>\n<p><strong>Nas lavouras, a doen\u00e7a \u00e9 beneficiada por:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>a)<\/strong>\u00a0Sistemas de plantio e condu\u00e7\u00e3o que tornam o ambiente (microclima) mais sombrio e \u00famido, como os sistemas adensados e as plantas com muitas hastes<strong><br \/>\nb)<\/strong>\u00a0A aduba\u00e7\u00e3o e os tratos mal feitos tornando as plantas mais suscept\u00edveis \u00e0 doen\u00e7a<strong><br \/>\nc)<\/strong>\u00a0A presen\u00e7a de in\u00f3culo do ano anterior, que influi antecipando e agravando o ciclo da doen\u00e7a<strong><br \/>\nd)<\/strong>\u00a0A carga pendente, que \u00e9 o fator mais importante por tornar o\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0mais suscept\u00edvel, uma vez que as reservas de carboidratos e componentes importantes da resist\u00eancia s\u00e3o deslocados para a frutifica\u00e7\u00e3o<strong><br \/>\ne)<\/strong>\u00a0A variedade, sendo que dentre as suscept\u00edveis, o Catua\u00ed suporta mais o ataque que o Mundo Novo. Esses fatores favor\u00e1veis influem tanto no n\u00edvel de dano causado, quanto na forma de controle.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na regi\u00e3o de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0ar\u00e1bica no centro sul do pa\u00eds, a doen\u00e7a evolui de dezembro a maio\/junho, coincidindo com o per\u00edodo chuvoso, com temperaturas mais altas e com maior susceptibilidade das plantas.<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos da ferrugem resultam da redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea foliar das plantas, pelas les\u00f5es e pela desfolha, sendo mais vis\u00edveis na safra no ano seguinte. Apenas em ataques severos e precoces ocorrem perdas na grana\u00e7\u00e3o dos frutos e no rendimento (coco\/beneficiado), no mesmo ano.<\/p>\n<p>A desfolha acentua a seca de ramos laterais e provoca, gradualmente, a deforma\u00e7\u00e3o das plantas (acinturamento) e o aparecimento de ramos ladr\u00f5es, exigindo desbrotas e antecipa\u00e7\u00e3o de podas.<\/p>\n<p>As plantas desfolhadas t\u00eam reduzido seu abotoamento, florescimento e pegamento dos frutos, o que afeta a produtividade. Em certos anos, as perdas s\u00e3o maiores, devido a ataques mais graves no ano anterior.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os\u00a0<strong>cafeeiros<\/strong>\u00a0com carga mais baixa s\u00e3o menos afetados e se recuperam, melhorando a produ\u00e7\u00e3o no ano seguinte, o que compensa aquelas perdas e diminui o preju\u00edzo m\u00e9dio, considerando v\u00e1rias safras.<\/p>\n<p>Essa perda m\u00e9dia devido \u00e0 ferrugem, obtida de quatro ou mais safras em ensaios experimentais, ocorre na faixa de 20-50%, variando conforme a variedade, a regi\u00e3o, o n\u00edvel de trato, etc.<\/p>\n<p><strong>Cercosporiose ou Mancha de Olho pardo ou Olho de Pomba<\/strong><\/p>\n<p>A cercosporiose \u00e9 uma doen\u00e7a causada pelo fungo Cercospora coffeicola (Berk e Cooke) que ataca folhas e frutos, causando preju\u00edzos em mudas e em planta\u00e7\u00f5es no campo, principalmente em cafezais jovens (at\u00e9 terceiro ano) e em regi\u00f5es com falta de \u00e1gua. A doen\u00e7a se apresenta nas folhas, iniciando-se com pequenas manchas circulares de colora\u00e7\u00e3o marrom-escura, que crescem rapidamente, ficando o centro das les\u00f5es cinza-claro, com um anel arroxeado ou amarelado em volta da les\u00e3o, o que lhe confere a apar\u00eancia de um olho.<\/p>\n<p>Algumas les\u00f5es s\u00e3o bem escuras e n\u00e3o formam o centro claro, dando origem ao que se chama cercospora negra, o que deve estar relacionado com outra ra\u00e7a de fungo. As les\u00f5es variam muito de tamanho, desde poucos mil\u00edmetros, no in\u00edcio, at\u00e9 1 cm no final, podendo-se observar, nessa fase, no centro das les\u00f5es, pequenos pontos pretos, que s\u00e3o as frutifica\u00e7\u00f5es do fungo. As folhas atacadas caem rapidamente, ocorrendo desfolhas e secas de ramos (Die Back). A desfolha \u00e9 causada pela grande produ\u00e7\u00e3o de etileno no processo de necrose, sendo que basta uma les\u00e3o por folha para causar sua queda.<\/p>\n<p>Nos frutos, as les\u00f5es come\u00e7am a aparecer quando est\u00e3o ainda pequenos, aumentando o ataque no in\u00edcio de sua grana\u00e7\u00e3o, sendo que as les\u00f5es permanecem at\u00e9 o amadurecimento do fruto. As les\u00f5es s\u00e3o a principio pequenas, de cor marrom-claro ou arroxeadas, deprimidas, e crescem no sentido polar do fruto, com maior incid\u00eancia nos ramos expostos ao sol. As manchas velhas s\u00e3o deprimidas, escuras e de aspecto ressecado, fazendo com que a casca, nessa parte, fique aderente \u00e0 semente, o que em ataques mais severos, causa o seu chochamento.<\/p>\n<p><strong>Phoma ou Requeima e Mancha de Ascochyta<\/strong><\/p>\n<p>A Phoma \u00e9 uma doen\u00e7a causada pelo fungo Phoma spp, que ataca folhas, flores e frutos novos, extremidades de ramos e bot\u00f5es florais, sendo que a penetra\u00e7\u00e3o do fungo pode ocorrer ainda no ponto de abscis\u00e3o das folhas, nos cinco primeiros n\u00f3s, em desfolhas causadas por outras doen\u00e7as ou pragas.<\/p>\n<p>Nas folhas do primeiro ou do segundo par, ocorrem les\u00f5es t\u00edpicas que t\u00eam forma irregular e cor escura, localizando-se normalmente nas margens das folhas, impedindo o crescimento nessa \u00e1rea e fazendo com que a folha fique retorcida. As les\u00f5es, ao serem observadas com lupa, revelam a presen\u00e7a de pontua\u00e7\u00f5es salientes, de colora\u00e7\u00e3o marrom-clara, que constituem a frutifica\u00e7\u00e3o do fungo, e de onde saem os esporos que contaminam as outras folhas.<\/p>\n<p>Quando o ataque ocorre na inser\u00e7\u00e3o das folhas, sobre o ramo, a les\u00e3o progride e o ramo come\u00e7a a secar, do ponto atacado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 extremidade, que, \u00e0s vezes, permanece verde. Paralelamente, podem ocorrer infec\u00e7\u00f5es de outros fungos, como Colletotrichum e de bact\u00e9rias como Pseudomonas seringae, agravando o quadro, que resulta em forte seca de ramos laterais (ponteiros).<\/p>\n<p>Nas flores, na infrutesc\u00eancia, no ped\u00fanculo dos frutos e nos frutinhos, a Phoma causa les\u00f5es escuras, mumifica\u00e7\u00f5es e queda de chumbinhos. Nos frutos novos, as les\u00f5es s\u00e3o escuras, fundas e de aspecto \u00famido.<\/p>\n<p>A mancha de Ascochyta \u00e9 uma doen\u00e7a causada por Ascochita spp, fungo semelhante ao Phoma, cujos sintomas s\u00e3o distintos no que se refere \u00e0s les\u00f5es, de cor marrom-clara, de formato mais arredondado, com an\u00e9is conc\u00eantricos e situadas mais no meio do limbo foliar, tamb\u00e9m em folhas velhas.<\/p>\n<p>As duas doen\u00e7as, que \u00e0s vezes ocorrem juntas, s\u00e3o problemas nas regi\u00f5es de altitude elevada, de inverno \u00famido. S\u00e3o favor\u00e1veis, portanto, temperaturas baixas e umidade alta, causadas principalmente por chuvas finas e cont\u00ednuas durante o per\u00edodo de inverno e da primavera, sendo cr\u00edticos os meses de maio a novembro. Na \u00e9poca do florescimento, a presen\u00e7a de vento sul e sudeste, com entrada de frentes frias, favorecem o ataque, em uma fase em que os preju\u00edzos incidem mais diretamente sobre a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, as faces voltadas para o sul (mais frias) ou outras mais batidas pelos ventos, e as lavouras auto-sombreadas, sofrem maior ataque efetivamente mais grave no lado da planta mais sujeito a essas condi\u00e7\u00f5es. No Esp\u00edrito Santo, na Zona da Mata e no Sul de Minas, sempre nas regi\u00f5es de altitude mais elevada, s\u00e3o mais problem\u00e1ticas as faces de exposi\u00e7\u00e3o sul e leste, por n\u00e3o ser atingida pelo sol da manh\u00e3, o que mant\u00e9m por maior tempo a umidade do orvalho noturno sobre a folhagem. Nessa condi\u00e7\u00e3o est\u00e3o tamb\u00e9m os fundos de bacias, onde a neblina se acumula. Na Bahia e no Tri\u00e2ngulo Mineiro, a doen\u00e7a \u00e9 favorecida nas lavouras de chapad\u00e3o, expostas ao vento.<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos causados nas regi\u00f5es de altitude elevada, no Esp\u00edrito Santo e no Sul de Minas, evidenciaram aumentos de produ\u00e7\u00e3o na faixa de 75 a 148%, quando a Phoma \u00e9 controlada. No Alto Parana\u00edba, em Minas, onde a Ascochyta \u00e9 mais freq\u00fcente, os dados de controle evidenciaram redu\u00e7\u00e3o de perdas na faixa de 30-50% nos anos problem\u00e1ticos. Em anos secos, o preju\u00edzo \u00e9 pequeno.<\/p>\n<p><strong>Seca de Ponteiros e Ramos Laterais<\/strong><\/p>\n<p>A seca de ponteiros e de ramos laterais, conhecida tamb\u00e9m por Die Back, \u00e9 causada por um complexo de fatores, sobressaindo-se as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas desfavor\u00e1veis, m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o (real ou induzida) das plantas e ocorr\u00eancia de pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>A doen\u00e7a ocorre em duas \u00e9pocas principais:<\/strong> nos per\u00edodos de inverno chuvosos, que prolongam o ciclo vegetativo da planta, quando as folhas novas s\u00e3o mais sujeitas ao frio, aos ventos e \u00e0 entrada de fungos e bact\u00e9rias, e na \u00e9poca de grana\u00e7\u00e3o dos frutos, quando os ramos carregados se esgotam, desfolham e apresentam morte descendente (da ponta para a base).<\/p>\n<p>Nesse caso, a gravidade \u00e9 maior em lavouras com as primeiras produ\u00e7\u00f5es, quando as rela\u00e7\u00f5es sistema radicular\/parte a\u00e9rea e folhas\/frutos s\u00e3o pequenas, nas \u00e1reas mais quentes, em que a grana\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida e quando os solos apresentam algum impedimento (muito argilosos, muito arenosos, camadas adensadas, etc.).<\/p>\n<p>O ataque de um complexo de fungos e bact\u00e9rias pode ser prim\u00e1rio ou secund\u00e1rio, nesse caso agindo sobre os tecidos j\u00e1 debilitados por causas fisiol\u00f3gicas (desnutri\u00e7\u00e3o, frio, etc.). Podem estar associados \u00e0 seca de ponteiros os fungos Colletotrichum coffeanum ou C. gloesporioides, Cercospora coffeicolla, Phoma sp, Ascochita sp e a bacteria Pseudomonas seringae pv. Garcae, sendo comum encontrar v\u00e1rios juntos. Os ramos atacados apresentam, nos intern\u00f3dios, manchas escuras e deprimidas, que evoluem para o pec\u00edolo das folhas e para o ped\u00fanculo dos frutos, mumificando-os.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do Colletotrichum, ele \u00e9 encontrado como sapr\u00f3fita, habitando a casca (extremidades) dos ramos do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0e passando a atacar ramos, folhas e frutos, penetrando-os atrav\u00e9s de ferimentos ou les\u00f5es de outras doen\u00e7as e pragas ou tecidos j\u00e1 enfraquecidos, principalmente em per\u00edodos de umidade elevada.<\/p>\n<p>A antracnose, doen\u00e7a t\u00edpica de frutos, causada por estirpes virulentas de Colletotrichum, n\u00e3o ocorre como problema para a cafeicultura brasileira, sendo, contudo, a principal doen\u00e7a em pa\u00edses como Qu\u00eania, onde causa Coffee Berry Disease, o agente causador dessa doen\u00e7a sendo o Colletotrichm kahawae.<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos causados pela seca de ponteiros s\u00e3o as quebras de safra e de produ\u00e7\u00e3o do ano seguinte, causadas pela perda de ramos produtivos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, t\u00eam sido observados problemas mais cr\u00edticos e prejudiciais em gemas florais e chumbinhos, com queima, apodrecimento e queda de frutos, atribu\u00eddos ao ataque de Phoma\/Ascochyta e ainda, \u00e0 presen\u00e7a de diferentes isolados de Colletotrichum, que tamb\u00e9m ocorre em folhas, com les\u00f5es escuras, e em ramos secos. Estudos novos s\u00e3o necess\u00e1rios para avaliar se o ataque do Colletotrichum constitui a causa prim\u00e1ria desses problemas.<\/p>\n<p><strong>Roseliniose ou mal de quatro anos<\/strong><\/p>\n<p>A roseliniose \u00e9 causada por fungos do g\u00eanero Rosellinea, ocorrendo em nossas condi\u00e7\u00f5es, as esp\u00e9cies R. bunodes e R. pepo, que atacam o sistema radicular do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, a partir de rizomorfas (uma esp\u00e9cie de cord\u00f5es escuros), que crescem em tocos e em restos de plantas em decomposi\u00e7\u00e3o. Por isso a doen\u00e7a \u00e9 mais comum em \u00e1reas de derrubada de cerrados, e mesmo em solos \u00famidos.<\/p>\n<p>O nome \u201cmal de quatro anos\u201d veio da origem da doen\u00e7a, que se instala primeiramente nos tocos de \u00e1rvores em decomposi\u00e7\u00e3o e a partir desses propaga-se para o\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Esse processo se estende por um per\u00edodo longo (4 anos), s\u00f3 atingindo os\u00a0<strong>cafeeiros<\/strong>\u00a0de 4 anos de idade.<\/p>\n<p>Contudo, mesmo em\u00a0<strong>cafeeiros<\/strong>\u00a0novos, com um ano ou mais, a doen\u00e7a pode ocorrer, desde que tocos ou pequenas ra\u00edzes tenham permanecido em decomposi\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais tempo, sob o solo, na \u00e1rea de plantio.<\/p>\n<p>As plantas atacadas come\u00e7am a mostrar, na parte a\u00e9rea, sintomas de defici\u00eancias nutricionais, ficam amareladas, come\u00e7am a perder folhas e depois murcham. Os ramos secam e morrem, as ra\u00edzes ficam escuras, com a casca bem solta. Retirada a casca, pode-se observar, sob o lenho da raiz principal, filamentos ou cord\u00f5es de cor escura ou negra ramificados at\u00e9 o colo da planta (rizomorfas), que quando mais novas s\u00e3o brancas. Em alguns pontos do lenho, o fungo chega a penetrar, formando pontua\u00e7\u00f5es ou linhas negras. Os preju\u00edzos s\u00e3o causados pela morte, criando, conseq\u00fcentemente, falhas na lavoura. Entretanto, a percentagem de ataque em uma lavoura \u00e9 muito pequena.<\/p>\n<p><strong>Mancha aureolada e outras bacterioses<\/strong><\/p>\n<p>A mancha aureolada \u00e9 uma doen\u00e7a causada pela bact\u00e9ria Pseudomonas seringae pv.garcae, antigamente classificada como Pseudomonas garcae, que ataca folhas, rosetas, frutos novos e ramos de\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, atingindo mudas no viveiro e plantas no campo e ocorrendo principalmente nas regi\u00f5es mais frias, no Paran\u00e1, em S\u00e3o Paulo, em Minas gerais (sul) e no Mato Grosso do Sul, sem problemas nas demais regi\u00f5es cafeeiras. Recentemente, foi efetuada a primeira constata\u00e7\u00e3o em regi\u00e3o de altitude elevada na Zona da Mata em Minas.<\/p>\n<p>Nas folhas, a bact\u00e9ria causa mancha de colora\u00e7\u00e3o pardo-escura, de 5 a 20mm de di\u00e2metro, com necrose no centro. Pela a\u00e7\u00e3o do vento, muitas les\u00f5es ficam furadas. Em volta das manchas forma-se um halo amarelado, podendo ser facilmente observado, ao olhar a folha contra a luz, sendo essa a principal caracter\u00edstica que distingue a doen\u00e7a de outras les\u00f5es parecidas. O maior n\u00famero de les\u00f5es \u00e9 localizado nas bordas das folhas, por onde, em ferimentos causados por danos mec\u00e2nicos (agita\u00e7\u00e3o pelo vento), a bact\u00e9ria encontra maior facilidade de penetra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As les\u00f5es de outras pragas e doen\u00e7as tamb\u00e9m constituem porta de entrada para esse pat\u00f3geno. A doen\u00e7a ocorre em per\u00edodos frios, quando a queda de temperatura vem associada a chuvas finas, sendo maior o ataque no per\u00edodo de julho a setembro. A doen\u00e7a \u00e9 favorecida tamb\u00e9m quando tem in\u00edcio a retirada da cobertura das mudas, ficando essas sujeitas \u00e0 varia\u00e7\u00e3o de temperatura. As mudas atingidas ficam desfolhadas e o ponteiro morre, e como a sua recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta, muitas chegam a morrer.<\/p>\n<p>As lavouras novas, com at\u00e9 3-4 anos de idade, s\u00e3o as mais atingidas, ocorrendo desfolha, seca de ponteiros, superbrotamento e retardamento no desenvolvimento das plantas.<\/p>\n<p>Outras bacterioses de menor import\u00e2ncia que ocorrem em viveiro s\u00e3o causadas por Pseudomonasccichorii.<\/p>\n<p>Nas condi\u00e7\u00f5es de campo, o controle deve ser preventivo com instala\u00e7\u00e3o de quebra-ventos, sobretudo na fase de\u00a0<strong>forma\u00e7\u00e3o do cafezal<\/strong>\u00a0, adotando-se pulveriza\u00e7\u00f5es adicionais de fungicidas c\u00fapricos, quando houver a bacteriose, j\u00e1 que o cobre met\u00e1lico \u00e9 t\u00f3xico para as bact\u00e9rias e controla outros males a elas associados (cercosporiose, antracnose).<\/p>\n<p>Nas mudas deve-se proteger bem o viveiro e usar pulveriza\u00e7\u00f5es com produtos c\u00fapricos, associados ou n\u00e3o a antibi\u00f3ticos. Tamb\u00e9m tem sido eficiente o produto Kazumin.<\/p>\n<p><strong>Leprose do Cafeeiro<\/strong><\/p>\n<p>Desde muito tempo \u00e9 conhecida a doen\u00e7a denominada mancha anular, causada por v\u00edrus, que provoca sintomas nas folhas, com an\u00e9is clor\u00f3ticos ou zonas amareladas irregulares ao longo das nervuras e em baixo relevo. A doen\u00e7a at\u00e9 pouco tempo ficava restrita a poucas folhas em certas plantas, sem qualquer import\u00e2ncia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A partir de 1991\/92 e com o ataque crescente nesses \u00faltimos anos, foi relatada uma nova sintomatologia com maior gravidade para a mancha-anular, dando origem ao nome de uma nova doen\u00e7a, denominada leprose do\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, devido \u00e0 semelhan\u00e7a nos sintomas do agente causal e do transmissor em rela\u00e7\u00e3o leprose dos citrus.<\/p>\n<p>As les\u00f5es da leprose aparecem principalmente nos frutos verdes, na grana\u00e7\u00e3o. S\u00e3o irregulares e deprimidas, de cor inicialmente marrom bem claro (cor de ferrugem) e depois chegam a quase negras, em fun\u00e7\u00e3o de ataques de fungos sobre a les\u00e3o (Colletorichum etc) podendo nos per\u00edodos \u00famidos apresentar uma massa de esporos (brancos) de fungos sapr\u00f3fitas. Tamb\u00e9m aparecem les\u00f5es amareladas nos frutos maduros.<\/p>\n<p><strong>Nas folhas aparecem les\u00f5es de dois tipos:<\/strong> algumas pequenas como pontos amarelados, outras na forma de an\u00e9is amarelados e manchas irregulares acompanhando as nervuras, associadas a necroses claras que aparecem na face inferior das folhas, junto \u00e0s les\u00f5es, sobre a nervura principal, o que acelera a desfolha, bastante significativa nas plantas dos focos mais atacados. Esta desfolha ocorre de dentro para fora no p\u00e9 de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, que parece ficar oco. Os ramos finos tamb\u00e9m apresentam les\u00f5es.<\/p>\n<p>Associado \u00e0 leprose, a exemplo do que ocorre em citrus, ocorre o \u00e1caro transmissor do v\u00edrus causador da doen\u00e7a Brevipalpus phoenicus. \u00c9 um \u00e1caro plano, de colora\u00e7\u00e3o avermelhada, podendo ser distinguido dos demais pela presen\u00e7a de uma pequena mancha negra no dorso (as f\u00eameas).<\/p>\n<p>O significativo ataque da doen\u00e7a deve estar ligado a fatores causadores de desequil\u00edbrio, como clima muito seco e uso de defensivos, provocando aumento na popula\u00e7\u00e3o de \u00e1caros vetores.<\/p>\n<p>A leprose j\u00e1 foi constatada no Alto Parana\u00edba (regi\u00e3o de maior ataque), no Sul e na Zona da Mata de Minas, no Esp\u00edrito Santo (em Ar\u00e1bica e Conillon), na Bahia e no Estado do Rio de Janeiro. Focos tamb\u00e9m t\u00eam sido observados na Alta Paulista, em S\u00e3o Paulo e no Norte do Paran\u00e1.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cicbr.org.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>Origens<\/h4>\n<p>A <strong>hist\u00f3ria<\/strong> documentada do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0teve in\u00edcio no s\u00e9culo XIV. Por\u00e9m, h\u00e1 lendas e suposi\u00e7\u00f5es sobre a utiliza\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 muito mais antigas.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da lenda de Kaffa, uma prov\u00edncia no sudoeste da Eti\u00f3pia. Esta lenda conta que por volta do s\u00e9culo III d.C., certo pastor de cabras percebeu que os animais estavam mais despertos e agitados que de costume.<\/p>\n<p>O pastor pediu a ajuda de monges de um mosteiro vizinho para saber o que estava acontecendo. Os monges, ent\u00e3o, descobriram um arbusto, de cujas bagas os animais se alimentavam.<\/p>\n<p>Pensaram que eram \u201cfrutos do dem\u00f4nio\u201d e os jogaram na fogueira. O cheiro agrad\u00e1vel chamou a aten\u00e7\u00e3o dos monges que passaram a ferver os frutos na \u00e1gua e a beber a po\u00e7\u00e3o, a qual fazia com que ficassem por mais tempo acordados para suas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 d\u00favidas se o nome \u201c\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u201d \u00e9 origin\u00e1rio da Kaffa, local de origem da planta, ou da palavra \u00e1rabe qahwa, que significa vinho.<\/p>\n<h4>Dispers\u00e3o<\/h4>\n<p>Acredita-se que, no ano de 525, invasores et\u00edopes cruzaram o mar Vermelho levando com eles o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, dali levado por mercadores e viajantes Ar\u00e1bia do Sul (atual I\u00eamen). Tamb\u00e9m s\u00e3o muitas as lendas \u00e1rabes envolvendo o caf\u00e9, mas o fato \u00e9 que os \u00e1rabes realmente dominavam o cultivo e o preparo do caf\u00e9.<\/p>\n<p>Em 1000 d.C., os \u00e1rabes come\u00e7aram a preparar uma infus\u00e3o com as cerejas, fervendo-as em \u00e1gua. Somente no s\u00e9culo XIV, na P\u00e9rsia, o processo de torrefa\u00e7\u00e3o foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje.<\/p>\n<p>Durante muito tempo o consumo de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0ficou restrito a regi\u00e3o \u00e1rabe. No final do s\u00e9culo XV, surgiram as primeiras casas de caf\u00e9 em Meca de onde o caf\u00e9 se expandiu para o mundo isl\u00e2mico e depois para o restante do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<h4>A entrada no mundo crist\u00e3o<\/h4>\n<p>Por volta de 1600, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi objeto de in\u00fameras discuss\u00f5es doutrin\u00e1rias entre l\u00edderes cat\u00f3licos europeus, pelo fato desta bebida ser consumida pelos \u201cinfi\u00e9is mul\u00e7umanos\u201d, povo considerado pag\u00e3o para os crist\u00e3os. Para decidir a quest\u00e3o &#8211; se a popula\u00e7\u00e3o crist\u00e3 poderia ou n\u00e3o beber caf\u00e9 &#8211; o Papa Clemente VIII experimentou a bebida e, ao inv\u00e9s de condenar, aben\u00e7oou o caf\u00e9.<\/p>\n<p>A partir de 1706 as col\u00f4nias holandesas, que haviam come\u00e7ado suas planta\u00e7\u00f5es em 1658, passaram a abastecer toda a Europa, tornando-se o primeiro grande produtor e exportador mundial de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Lojas para servir\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foram abertas nas grandes cidades europ\u00e9ias ao longo do s\u00e9culo XVII e algumas se tornaram famosas gra\u00e7as \u00e0 clientela que reuniam.<\/p>\n<p>Da Fran\u00e7a o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0foi para a Martinica, nas Antilhas, e para a Am\u00e9rica Central, Guiana Francesa e Ilhas Maur\u00edcio. Foram os franceses que tamb\u00e9m plantaram caf\u00e9 em Tonquim, hoje Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0chegou aos Estados Unidos por volta de 1668. Por\u00e9m, as primeiras cafeterias surgiram mais de vinte anos depois, em 1691, em Boston. Com o tempo esse pa\u00eds passou a ser o maior consumidor mundial de caf\u00e9.<\/p>\n<p>A planta s\u00f3 chegou \u00e0 Col\u00f4mbia, atualmente um dos maiores produtores de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, no final do s\u00e9culo XVIII, por padres espanh\u00f3is.<\/p>\n<h4>No Brasil<\/h4>\n<p>Em 1727, a Coroa Portuguesa enviou \u00e0 Guiana Francesa uma expedi\u00e7\u00e3o, cujo principal motivo era tentar trazer sementes de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, extra-oficialmente, j\u00e1 que na \u00e9poca n\u00e3o era permitida a comercializa\u00e7\u00e3o dos mesmos. Assim foi feito e as plantas foram cultivadas no Par\u00e1 e no Maranh\u00e3o, dando in\u00edcio \u00e0 cafeicultura no Brasil.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro tamb\u00e9m vieram plantas da \u00cdndia e, a partir de ent\u00e3o, a cultura expandiu-se de maneira r\u00e1pida. Incentivados pelo Vice-Rei Marqu\u00eas do Lavradio, e pelas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0passou a ser cultivado por fazendeiros do sul e sudeste. As planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 foram fundadas em grandes propriedades monocultoras trabalhadas por escravos. E, antes mesmo das primeiras discuss\u00f5es sobre a aboli\u00e7\u00e3o, cafeicultores iniciaram o assentamento de imigrantes nas fazendas de caf\u00e9, com o intuito de prover seus empreendimentos de m\u00e3o-de-obra.<\/p>\n<p>Constituiu-se, assim, um dos ciclos econ\u00f4micos mais importantes do Brasil. Desde ent\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0no pa\u00eds apresentou tempos de expans\u00e3o e de crise de acordo com as varia\u00e7\u00f5es na economia mundial. Hoje os principais estados produtores de caf\u00e9 s\u00e3o Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<h4>Curiosidades sobre a hist\u00f3ria do caf\u00e9<\/h4>\n<blockquote><p>\u00a0<strong>1.<\/strong>\u00a0O primeiro caf\u00e9 p\u00fablico na Inglaterra surgiu em 1650. Desde ent\u00e3o, as casas de caf\u00e9s eram freq\u00fcentadas assiduamente por homens profissionais como m\u00e9dicos, f\u00edsicos, artistas, matem\u00e1ticos, fil\u00f3sofos, conservadores e revolucion\u00e1rios&#8230; Em 1674, as mulheres de Londres publicaram um documento contra o caf\u00e9, alegando que os homens preferiam ficar se divertindo nas cafeterias a ficar em casa cumprindo seus deveres.<strong><br \/>\n2.<\/strong>\u00a0Em 1475, foi promulgada uma lei \u00e1rabe permitindo \u00e0 mulher pedir o div\u00f3rcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade di\u00e1ria da bebida.<strong><br \/>\n3.<\/strong>\u00a0A Floresta da Tijuca, bem como o complexo formado pelo Morro da Urca e do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, j\u00e1 abrigaram extensos cafezais durante o s\u00e9culo XIX. Um militar, comandando um pequeno grupo de escravos, foi incumbido de repovoar com esp\u00e9cies nativas toda a regi\u00e3o, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o de Dom Pedro II. Este temia que o desmatamento acarretasse o desabastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel para o Rio de Janeiro.<strong><br \/>\n4.<\/strong>\u00a0<strong>O historiador Afonso de Taunay \u00e9 o autor da maior obra sobre um \u00fanico tema:<\/strong> Hist\u00f3ria do Caf\u00e9 no Brasil \u2013 com 15 volumes e 6.650 p\u00e1ginas.<strong><br \/>\n5.<\/strong>\u00a0Alberto Santos Dumont era filho de um grande cafeicultor da regi\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto, estado de S\u00e3o Paulo. Dizem que Santos Dumont descobriu sua voca\u00e7\u00e3o para mec\u00e2nica enquanto brincava de montar e desmontar a m\u00e1quina de beneficiamento de caf\u00e9.<strong><br \/>\n6.<\/strong>\u00a0Com a \u201cCrise de 29\u201d, milh\u00f5es de sacas de caf\u00e9 estocadas foram queimadas e milh\u00f5es de p\u00e9s de caf\u00e9 foram erradicados no Brasil, na tentativa de estancar a queda cont\u00ednua de pre\u00e7os provocada pelos excedentes de produ\u00e7\u00e3o.<strong><br \/>\n7.<\/strong>\u00a0O Brasil \u00e9 o maior produtor e o segundo maior consumidor de caf\u00e9 do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.<strong><br \/>\n8.<\/strong>\u00a0Os primeiros expressos em Portugal foram vendidos no caf\u00e9 A Brasileira, em Lisboa. Muitos clientes acharam o gosto do produto um tanto amargo. <strong>Para contornar o problema, a dire\u00e7\u00e3o da cafeteria criou um slogan para atrair os clientes:<\/strong> Beba Isso Com A\u00e7\u00facar. A campanha deu certo e a frase ficou t\u00e3o marcada que o uso das iniciais de cada palavra &#8211; bica &#8211; passou a ser sin\u00f4nimo de cafezinho no pa\u00eds.<br \/>\n<strong>9.<\/strong>\u00a0O caf\u00e9 coado \u00e9 o mais consumido no Brasil (93%), seguido do instant\u00e2neo (15%), do cappuccino (11%) e do expresso (8%).<strong><br \/>\n10.<\/strong>\u00a0Em 24 de maio \u00e9 comemorado o Dia do Caf\u00e9.<strong><br \/>\n11.<\/strong>\u00a0A designa\u00e7\u00e3o &#8220;espresso&#8221; com \u2018s&#8217; \u00e9 a usualmente correta, pois significa caf\u00e9 retirado sob press\u00e3o, diferente do &#8220;expresso&#8221; com \u2018x&#8217;, que significa rapidez no preparo. O nome \u201cespresso\u201d surgiu na It\u00e1lia, onde o processo foi popularizado em 1946, quando o seu inventor, Achille Gaggia, come\u00e7ou a vender m\u00e1quinas de caf\u00e9 sob press\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<h4>TIPOS DE CAF\u00c9<\/h4>\n<p><strong>Esp\u00e9cies de caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p><strong>Existem in\u00fameras esp\u00e9cies de\u00a0caf\u00e9\u00a0cultivadas no mundo, mas no Brasil conhecemos apenas duas:<\/strong> o caf\u00e9 Ar\u00e1bica (Coffea Ar\u00e1bica) e Caf\u00e9 Robusto (Conillon).<\/p>\n<p>Cada esp\u00e9cie, por sua vez, tem um grande n\u00famero de variedades e linhagens.<\/p>\n<p>O Ar\u00e1bica produz\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0de melhor qualidade, mais finos e requintados. Tem gr\u00e3os de cor esverdeada, \u00e9 cultivado em regi\u00f5es com altitude acima de 800m e \u00e9 origin\u00e1rio do Oriente, de onde resulta seu nome (Eti\u00f3pia, Yemem).<\/p>\n<p>O robusta \u00e9 origin\u00e1rio da \u00c1frica, tem um trato mais rude e pode ser cultivado ao n\u00edvel do mar (altitudes mais baixas). N\u00e3o possui sabores variados e refinados como o ar\u00e1bica, dizendo-se que tem um \u201csabor t\u00edpico e \u00fanico\u201d. Sua acidez \u00e9 mais baixa e, por ter mais s\u00f3lidos sol\u00faveis, \u00e9 utilizado intensamente nos\u00a0<strong>caf\u00e9s sol\u00faveis<\/strong>\u00a0. Seu teor de cafe\u00edna \u00e9 maior do que nos ar\u00e1bicas.<\/p>\n<p><strong>Misturas<\/strong><\/p>\n<p>Gr\u00e3os de diferentes variedades, origens e tipos de preparo geralmente s\u00e3o combinados para formar diferentes blends do produto final.<\/p>\n<p>O blend, ou liga, \u00e9 o grande segredo da qualidade da bebida, j\u00e1 que \u00e9 o respons\u00e1vel pela caracter\u00edstica e qualidade de determinada marca de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, e pela fidelidade do consumidor a esta marca.<\/p>\n<p>No caso da Ind\u00fastria\u00a0<strong>Caf\u00e9 Damasco<\/strong>\u00a0, cada marca de caf\u00e9 tem o seu pr\u00f3prio blend e todos de boa qualidade.<\/p>\n<h4>Tipos de Caf\u00e9<\/h4>\n<blockquote><p><strong>P\u00f3 de Caf\u00e9 (torrado e mo\u00eddo): <\/strong>Dependendo do grau de moagem, esse tipo pode ser utilizado para preparar o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0de coador ou o espresso.<strong><br \/>\nGr\u00e3os de caf\u00e9 torrado<\/strong>: Os\u00a0<strong>gr\u00e3os de caf\u00e9<\/strong>\u00a0s\u00e3o apenas torrados, mas n\u00e3o mo\u00eddos. Mais comum para caf\u00e9 espresso, esse tipo de produto tamb\u00e9m est\u00e1 na prefer\u00eancia de consumidores de caf\u00e9 coado que n\u00e3o dispensam p\u00f3 sempre fresco.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 sol\u00favel<\/strong>: Os gr\u00e3os s\u00e3o torrados e mo\u00eddos, depois seus s\u00f3lidos sol\u00faveis s\u00e3o extra\u00eddos e solubilizados, resultando o produto na forma de gr\u00e2nulos ou p\u00f3.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 aromatizado: <\/strong>Caf\u00e9 com adi\u00e7\u00e3o de aroma.<br \/>\n<strong>Caf\u00e9 gourmet<\/strong>: Trata-se de uma indica\u00e7\u00e3o comercial de que o produto \u00e9 o melhor dentro de uma determinada marca ou categoria.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 org\u00e2nico<\/strong>: Produzido em lavouras sem o uso de agrot\u00f3xicos fertilizantes qu\u00edmicos.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 descafeinado: <\/strong>Tem que ter mais de cafe\u00edna \u00e9 extraida dos gr\u00e3os verdes de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, antes de eles serem torrados. Para ser chamado de descafeinado, um caf\u00e9 97% de sua cafe\u00edna retirada.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Preparo do caf\u00e9<\/h4>\n<p><strong>Caf\u00e9 Percolado: <\/strong>Nesse caso a \u00e1gua passa pelo\u00a0<strong>caf\u00e9 torrado<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>mo\u00eddo<\/strong>\u00a0, extraindo-lhe parte das subst\u00e2ncias que ir\u00e3o compor a bebida.<\/p>\n<p><strong>A prepara\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 percolado pode ser:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00a0<strong>A frio<\/strong>: O\u00a0<strong>caf\u00e9 torrado<\/strong>\u00a0e mo\u00eddo \u00e9 deixado em infus\u00e3o em \u00e1gua fria por um per\u00edodo de cerca de 12 horas. O resultado \u00e9 um caf\u00e9 muito forte, geralmente utilizado no preparo de bebidas frias ou servir como ingrediente em culin\u00e1ria.<strong><br \/>\nA quente sem press\u00e3o e com filtro<\/strong>: Neste tipo de preparo obt\u00e9m-se o\u00a0<strong>caf\u00e9 filtrado<\/strong>\u00a0, despejando \u00e1gua quente (n\u00e3o fervida) sobre o caf\u00e9 torrado e mo\u00eddo que se encontra em um filtro ou coador.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 espresso<\/strong>: Neste m\u00e9todo o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 percolado a quente, mas sob press\u00e3o em m\u00e1quina apropriada. A m\u00e1quina pode ser comercial ou dom\u00e9stica.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 instant\u00e2neo: <\/strong>Tamb\u00e9m chamado\u00a0<strong>caf\u00e9 sol\u00favel<\/strong>\u00a0, os gr\u00e2nulos de caf\u00e9 preparado industrialmente s\u00e3o simplesmente dissolvidos diretamente em \u00e1gua fervente.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Caracter\u00edsticas do caf\u00e9<\/h4>\n<p><strong>As varia\u00e7\u00f5es de Bebida<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Mole:<\/strong>\u00a0tem um sabor agrad\u00e1vel brando e doce.<strong><br \/>\nDura:<\/strong>\u00a0apresenta um conjunto de todos os requisitos de aroma e sabor da bebida mole, por\u00e9m mais acentuados.<strong><br \/>\nRiado:<\/strong>\u00a0\u00e9 um caf\u00e9 com leve sabor t\u00edpico de iodo.<strong><br \/>\nRio:<\/strong>\u00a0apresenta cheiro e gosto acentuados de iodo.<strong><br \/>\nRio Zona:<\/strong>\u00a0tem a caracter\u00edstica de bebida bem mais acentuada que as outras.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas da Bebida<\/strong><\/p>\n<p>A bebida pode ser caracterizada por v\u00e1rios fatores como a do\u00e7ura, o amargor, acidez, corpo e aroma.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Do\u00e7ura<\/strong>\u00a0: S\u00e3o\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0mais finos, mais adocicados e permitem a degusta\u00e7\u00e3o sem adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar. O excesso de gr\u00e3os verdes, pretos ou ardidos, n\u00e3o apresenta do\u00e7ura percept\u00edvel<strong><br \/>\nAmargor<\/strong>\u00a0: \u00c9 o gosto produzido pela cafe\u00edna, que \u00e9 mais equilibrado nos\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0de melhor qualidade. O caf\u00e9 com amargor muito forte, que incomoda a garganta, \u00e9 proveniente de caf\u00e9 de baixa qualidade ou de uma torra muito acentuada .<strong><br \/>\nAcidez<\/strong>\u00a0: \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o obtida na parte lateral da l\u00edngua mais desej\u00e1vel pelo consumidor europeu.\u00a0<strong><br \/>\nCorpo<\/strong>\u00a0: \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o na boca causada por\u00a0<strong><br \/>\nAroma<\/strong>\u00a0:Os bons\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0t\u00eam um aroma bem pronunciando. A maior acidez do caf\u00e9 permite maior percep\u00e7\u00e3o ao aroma, que pode ser \u2013 frutado, florado, achocolatado ou outros.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Classifica\u00e7\u00e3o do caf\u00e9<\/h4>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o por tipo admite 7 valores decrescentes, de 2 a 8, resultantes da aprecia\u00e7\u00e3o de uma amostra de 300gr de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0beneficiado (segundo normas da Tabela Oficial Brasileira de Classifica\u00e7\u00e3o). Cada tipo corresponde a um maior ou menor n\u00famero de defeitos que podem ser gr\u00e3os imperfeitos ou impurezas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da classifica\u00e7\u00e3o por \u201ctipo\u201d, tem classifica\u00e7\u00e3o por bebida que \u00e9 o fator mais importante na determina\u00e7\u00e3o da qualidade do produto. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada por degustadores &#8211; profissionais que t\u00eam um perfil bastante peculiar e possuem um paladar e olfatos bastante agu\u00e7ados.<\/p>\n<h4>DO P\u00c9 \u00c0 CANECA<\/h4>\n<p><strong>Agroind\u00fastria<\/strong><\/p>\n<p>A agroind\u00fastria do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0compreende desde o plantio, uma atividade essencialmente agr\u00edcola, at\u00e9 a embalagem do produto final, uma atividade basicamente industrial. O conjunto dessas atividades desenvolvidas em s\u00edtios\/fazendas, unidades de beneficiamento e ind\u00fastrias de torrefa\u00e7\u00e3o e moagem, constitui a agroind\u00fastria do caf\u00e9.<\/p>\n<p><strong>P\u00e9 de caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>semente de caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9, na verdade, o mesmo gr\u00e3o que d\u00e1 origem ao caf\u00e9 torrado. As sementes se originam apenas dos frutos maduros (cereja), que em seguida s\u00e3o lavados, despolpados e secos, quando ent\u00e3o estar\u00e3o aptos para o semeio.<\/p>\n<p>Depois do plantio acontece a florada, que pode se repetir de tr\u00eas a quatro vezes. Da flor surge uma pequena infrutesc\u00eancia que vai desenvolver-se ao longo de 6 a 8 meses, transformando-se no\u00a0<strong>gr\u00e3o de caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Um p\u00e9 de caf\u00e9 come\u00e7a a produzir cinco anos depois de ter sido plantado. Ele produz em m\u00e9dia 2,5 Kg de frutos por ano. Esses 2,5 Kg render\u00e3o 0,5 Kg de caf\u00e9 verde (gr\u00e3os), o que corresponde a cerca de 0,4 Kg de caf\u00e9 torrado. A qualidade e sabor do caf\u00e9 alteram de acordo com a variedade da planta, clima, altitude e processamento do gr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Colheita<\/strong><\/p>\n<p><strong>Existem duas formas de se colher os frutos do caf\u00e9:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Derri\u00e7a: <\/strong>Consiste em retirar os frutos do galho, correndo a m\u00e3o de cima para baixo fazendo com que os frutos caiam em uma peneira. Essa \u00e9 a maneira tradicional de colher\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0manualmente no Brasil. Tamb\u00e9m pode ser feita mecanicamente. Para retirar o excesso de material estranho jogam-se os frutos v\u00e1rias vezes para cima com a peneira.<strong><br \/>\nColheita seletiva ou a dedo: <\/strong>Consiste em colher manualmente apenas os frutos maduros. Os frutos s\u00e3o jogados em cestos ou panos que ficam sob as plantas. Como resultado h\u00e1 um produto de melhor qualidade, por\u00e9m o custo de colheita \u00e9 bem maior.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Processamento<\/strong><\/p>\n<p>O processamento deve iniciar logo ap\u00f3s a colheita, pois a fermenta\u00e7\u00e3o dos frutos pode estragar o sabor do produto final.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 tr\u00eas m\u00e9todos de processamento:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Processo seco<\/strong>: Os frutos s\u00e3o secados ao sol em terreiros;<strong><br \/>\nProcesso \u00famido<\/strong>: Os frutos da colheita seletiva s\u00e3o despolpados em uma m\u00e1quina pr\u00f3pria e submetidos a um processo de fermenta\u00e7\u00e3o aquosa em tanques apropriados. Ap\u00f3s isso o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 secado<strong><br \/>\nProcesso semi-seco<\/strong>: M\u00e9todo intermedi\u00e1rio em que os frutos descascados s\u00e3o secos ao sol em vez de serem fermentados.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Beneficiamento<\/strong><\/p>\n<p>Consiste num conjunto de opera\u00e7\u00f5es que retira do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0em coco (seco), a casca, elimina as impurezas e separa os gr\u00e3os em diferentes tamanhos de favas, sendo posteriormente ensacados em sacos de juta de 60kg.<\/p>\n<p><strong>O beneficiamento, que pode ser feito na pr\u00f3pria fazenda, consiste em duas etapas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Remo\u00e7\u00e3o da casca externa<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Armazenamento<\/strong><\/p>\n<p>O caf\u00e9 pode ser armazenado antes ou depois do beneficiamento. Para n\u00e3o prejudicar o produto, o local deve ter temperatura, ventila\u00e7\u00e3o e umidade adequadas.<\/p>\n<p><strong>Torrefa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Geralmente os gr\u00e3os s\u00e3o torrados em uma instala\u00e7\u00e3o industrial, embora tamb\u00e9m possam ser torrados artesanalmente. A torrefa\u00e7\u00e3o influi consideravelmente na qualidade final da bebida.<\/p>\n<p><strong>Moagem<\/strong><\/p>\n<p>Depois de torrados os gr\u00e3os devem ser mo\u00eddos para que a bebida possa ser preparada. De um modo geral, a moagem pode ser classificada em grosseira, m\u00e9dia e fina.<\/p>\n<p>Para fazer o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0torrado e mo\u00eddo os gr\u00e3os s\u00e3o mo\u00eddos na pr\u00f3pria ind\u00fastria torrefadora e embalados para comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso do caf\u00e9 espresso os gr\u00e3os podem ser mo\u00eddos nas pr\u00f3prias m\u00e1quinas de caf\u00e9 espresso. H\u00e1 tamb\u00e9m alguns estabelecimentos que servem o\u00a0<strong>caf\u00e9 mo\u00eddo<\/strong>\u00a0na hora.<\/p>\n<p><strong>Embalagem<\/strong><\/p>\n<p>O caf\u00e9 torrado \u00e9 extremamente sens\u00edvel \u00e0 a\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio, podendo se oxidar com facilidade. Por isso o produto deve ser embalado e conservado adequadamente em embalagens laminadas, pl\u00e1sticas, de vidro ou em latas.<\/p>\n<p>A embalagem pl\u00e1stica possui poros muito pequenos por onde o oxig\u00eanio pode penetrar, acelerando a oxida\u00e7\u00e3o. Ao se envolver o pl\u00e1stico com pel\u00edcula de alum\u00ednio (embalagem laminada) os poros s\u00e3o fechados, impedindo a passagem de oxig\u00eanio. Essas embalagens s\u00e3o denominadas \u201calmofadas\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a embalagem a v\u00e1cuo na qual o ar \u00e9 retirado da embalagem, eliminando assim, qualquer possibilidade de contato entre o oxig\u00eanio e o produto. De um modo geral, quanto melhor a embalagem, maior o tempo de dura\u00e7\u00e3o do produto, por\u00e9m maior \u00e9 o seu custo.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>P\u00f3 de Caf\u00e9<\/strong>\u00a0, ou seja, o caf\u00e9 torrado e mo\u00eddo, geralmente possui embalagem laminada (pl\u00e1stico aluminizado), embalagem pl\u00e1stica ou ainda embalagem de papel, esta \u00faltima raramente utilizada nos dias de hoje.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Gr\u00e3o torrado de caf\u00e9<\/strong>\u00a0geralmente \u00e9 comercializado em embalagem laminada, de pl\u00e1stico ou em lata.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>embalagem do Caf\u00e9<\/strong>\u00a0sol\u00favel deve ser de vidro, lata, envelopes com doses individuais ou embalagem laminada (como refil de reposi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<h4>O MUNDO TOMA CAF\u00c9<\/h4>\n<blockquote><p><strong>\u00c1frica:<\/strong> Especiarias, tais como canela e cardomomo, alho ou gengibre s\u00e3o acrescentadas a fim de acentuar o sabor do caf\u00e9.<strong><br \/>\nAlemanha:<\/strong> Muitas vezes o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 servido com leite condensado ou chantilly.<strong><br \/>\nAr\u00e1bia: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9 a\u00e7ucarado,<\/strong>\u00a0feito com \u00e1gua fervida, canela e cardamomo (semente arom\u00e1tica da \u00cdndia).<strong><br \/>\n\u00c1ustria:<\/strong> Bebe-se o caf\u00e9 com chantilly. <strong>O destaque fica para os acompanhamentos:<\/strong> figos secos, sendo que em Viena, a capital do pa\u00eds, \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o o oferecimento de bolos e doces.<strong><br \/>\nB\u00e9lgica: <\/strong>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 servido com um pequeno peda\u00e7o de chocolate, colocado na ch\u00e1vena para derreter quando o caf\u00e9 \u00e9 nela despejado.<strong><br \/>\nBrasil:<\/strong> O famoso cafezinho geralmente \u00e9 servido puro em pequenas x\u00edcaras.<strong><br \/>\nCuba: <\/strong>Neste pa\u00eds o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 apreciado bem forte e doce. Bebe-se em um s\u00f3 gole.<strong><br \/>\nEsc\u00f3cia:<\/strong> <strong>Uma receita t\u00edpica \u00e9:<\/strong> Caf\u00e9 misturado com a\u00e7\u00facar, licor de creme de caf\u00e9, whisky escoc\u00eas e creme de leite, decorado com nata batida e pistaches picados.<strong><br \/>\nEspanha: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9<\/strong>\u00a0misturado com um pouco de licor de creme catal\u00e3o. Em algumas prov\u00edncias tamb\u00e9m \u00e9 costume acrescentar leite condensado.<strong><br \/>\nEstados Unidos:<\/strong> Caf\u00e9 mais fraco e aguado que o normal. \u00c9 servido em maior quantidade.<strong><br \/>\nFran\u00e7a:<\/strong> O produto, na maioria das vezes, \u00e9 consumido com chic\u00f3ria, resultando uma bebida mais amarga.<strong><br \/>\nGr\u00e9cia: <\/strong>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0geralmente \u00e9 acompanhado por um copo de \u00e1gua gelada.<strong><br \/>\nInglaterra:<\/strong> Pa\u00eds de origem do famoso\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0Royal de Londres. Consiste em colocar um p\u00e3o de a\u00e7\u00facar na ta\u00e7a que se impregna at\u00e9 a metade de caf\u00e9 quente e a parte superior se umedece com conhaque, flamba-se e cobre-se com nata. Se n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o de a\u00e7\u00facar, deve ser utilizado o a\u00e7\u00facar branco misturado com caf\u00e9 e conhaque flambado.<strong><br \/>\nIrlanda:<\/strong> Um barman irland\u00eas, em 1964, decidiu incorporar whisky e nata a um\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0quente e a\u00e7\u00facar.<strong><br \/>\nIt\u00e1lia: <\/strong>O\u00a0<strong>caf\u00e9 espresso preto<\/strong>\u00a0\u00e9 servido em x\u00edcaras pequenas, acompanhadas de tiras de lim\u00e3o.<strong><br \/>\nJap\u00e3o:<\/strong> Um preparo mais elaborado compreende\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, leite condensado, licor 43, brandy, canela, uma rodela de lim\u00e3o e alguns gr\u00e3os de caf\u00e9.<strong><br \/>\nM\u00e9xico:<\/strong> Em muitos lugares, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00e9 oferecido gratuitamente e pode ser consumido em grandes quantidades. <strong>O chamado caf\u00e9 americano \u00e9 o mais consumido e \u00e9 uma c\u00f3pia do que se bebia at\u00e9 poucos anos nos Estados Unidos:<\/strong> aguado e com pouco sabor.<strong><br \/>\nSui\u00e7a:<\/strong> Adiciona-se ao\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0um licor, o &#8220;kirsch&#8221;.<strong><br \/>\nTurquia:<\/strong> Coloca-se o p\u00f3 fin\u00edssimo de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0misturado com a\u00e7\u00facar em um bule, adicionar a \u00e1gua e ferver. Deixar repousar e beber sem filtrar.<\/p><\/blockquote>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cafedamasco.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<p>O <strong>caf\u00e9<\/strong> , bebida saborosa e arom\u00e1tica, com propriedades tonificantes, sempre provocou paix\u00f5es e controv\u00e9rsias.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 \u00e9 uma planta nativa da Eti\u00f3pia, pa\u00eds do leste da \u00c1frica &#8211; antiga Abs\u00ednia. Estima-se que seja conhecido h\u00e1 mil anos no Oriente M\u00e9dio, especialmente na regi\u00e3o de Kafa, da\u00ed, certamente, o nome &#8220;Caf\u00e9&#8221;. Contudo, o primeiro registro comprovado que se tem, data do s\u00e9culo XV. Por essa \u00e9poca, foi &#8220;descoberto&#8221; &#8211; casualmente, por pastores de cabras, onde perceberam que ao comerem daquela pequena cereja (o fruto do caf\u00e9), os animais tornavam-se mais espertos e resistentes.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que Kaldi, o nome atribu\u00eddo a um destes pastores, passou a colher as cerejas do caf\u00e9 e preparar, para consumo pr\u00f3prio, uma tonificante pasta feita com as cerejas esmagadas e manteiga. Os vizinhos \u00e1rabes, no Oriente M\u00e9dio, foram os primeiros a &#8220;cultivar&#8221; o caf\u00e9 (da\u00ed Coffea arabica &#8211; nome cient\u00edfico de uma das mais importantes esp\u00e9cies de caf\u00e9).<\/p>\n<p>Os \u00e1rabes foram tamb\u00e9m os primeiros a beber caf\u00e9 &#8211; em vez de comer ou mascar, como os pioneiros. Chegou \u00e0 Europa levado por navegantes e aventureiros holandeses, alem\u00e3es e italianos. No Oriente motivou guerras. No Ocidente, persegui\u00e7\u00f5es e censura. Houve \u00e9poca de ser considerada bebida demon\u00edaca e seu consumo proibido pela igreja, mas o Papa Aur\u00e9lio, apreciador de um bom caf\u00e9, o absolveu de qualquer culpa, liberando o consumo para os fi\u00e9is cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>A partir do s\u00e9culo XVII, o caf\u00e9 tornou-se uma das bebidas mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos h\u00e1bitos dos europeus, apreciado por todos e consagrado por gente importante como J. Sebastian Bach, Voltaire, Rousseau, reis e nobres e muitas outras celebridades.<\/p>\n<p>Do velho ao novo foi um pulo. Primeiro os holandeses, depois os franceses o trouxeram para as col\u00f4nias que possu\u00edam nas Am\u00e9ricas, para aproveitar o clima apropriado ao cultivo.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0come\u00e7ou, desta maneira, a florescer em nosso continente. Mas, segundo um velho costume, desde a \u00e9poca dos turcos, n\u00e3o se vendia caf\u00e9 em gr\u00e3o para que n\u00e3o fosse plantado. Por isso, o caf\u00e9 demorou mais um pouco a chegar no Brasil. Entretanto, o governador do Par\u00e1, em 1727, incumbiu Francisco Mello Palheta, um oficial aventureiro luso-brasileiro, de, a pretexto de resolver, oficialmente, quest\u00f5es de fronteiras com os franceses da vizinha Guiana, trazer, extra-oficialmente, algumas sementes do precioso arbusto.<\/p>\n<p><strong>Palheta cumpriu a risca sua miss\u00e3o: <\/strong>tornou-se amigo \u00edntimo da esposa do governador da Guiana francesa, Mme. Dorveliers e, com a cumplicidade da primeira dama, contrabandeou nossas primeiras sementes.<\/p>\n<p>Em pouco tempo o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0tornou-se o mais importante produto brasileiro, vindo a ser cultivado no sudeste e sul do pa\u00eds, estimulado pelo Vice-Rei Marqu\u00eas do Lavradio que convenceu muitos fazendeiros a investir no produto.<\/p>\n<p><strong>Iniciou-se, assim, um dos principais ciclos econ\u00f4micos da nossa hist\u00f3ria: <\/strong>o Ciclo do caf\u00e9.<\/p>\n<h4>ESP\u00c9CIES DE CAF\u00c9: Ar\u00e1bica X Robusta<\/h4>\n<p>As duas esp\u00e9cies de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0cultivadas no mundo s\u00e3o a Coffea Ar\u00e1bica ou, simplesmente, caf\u00e9 Ar\u00e1bica, e a Coffea Canephora, o caf\u00e9 Robusta ou Conillon.<\/p>\n<p>O Ar\u00e1bica produz caf\u00e9s de melhor qualidade, mais finos e requintados. Possui aroma intenso e os mais variados sabores, com inumer\u00e1veis varia\u00e7\u00f5es de corpo e acidez. Por isso, os caf\u00e9s de melhor qualidade, como os que s\u00e3o oferecidos nas mais refinadas cafeterias, utilizam somente combina\u00e7\u00f5es Coffea ar\u00e1bica.<\/p>\n<p>O Robusta \u00e9 um caf\u00e9 origin\u00e1rio da \u00c1frica Central, tem trato mais rude e pode ser cultivado ao n\u00edvel do mar (altitudes inferiores a 400 metros). N\u00e3o possui sabores variados nem refinados como o Ar\u00e1bica &#8211; diz-se que tem um &#8220;sabor t\u00edpico e \u00fanico&#8221;.<\/p>\n<p>Sua acidez \u00e9 mais baixa e, por ter mais s\u00f3lidos sol\u00faveis, \u00e9 utilizado intensamente nos\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s sol\u00faveis<\/strong>\u00a0. Seu teor de cafe\u00edna \u00e9 o dobro do Ar\u00e1bica, por isso possibilita caf\u00e9s com predomin\u00e2ncia de mais amargor e maior tintura. As empresas, utilizam da arte de combinar estas duas esp\u00e9cies para defini\u00e7\u00e3o dos seus produtos.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> www.agrobyte.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<p>Origin\u00e1rio da Abiss\u00ednia, onde aparece como planta selvagem, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0tem sua hist\u00f3ria envolta em mist\u00e9rios e lendas. Uma delas conta que a bebida foi criada pelo arcanjo Gabriel, a fim de restaurar as for\u00e7as de Maom\u00e9, que ap\u00f3s ingeri-la tornou-se capaz de derrubar quarenta cavaleiros e conquistar igual n\u00famero de damas.<\/p>\n<p>As qualidades desse fruto, como fonte de vigor e \u00e2nimo, foram descobertas pelo pastor et\u00edope Caldi.<\/p>\n<p><strong>Ao perceber estarem suas cabras particularmente agitadas, notou que comiam folhas e gr\u00e3os de um arbusto at\u00e9 ent\u00e3o ignorados por todos:<\/strong> eram p\u00e9s de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p>Monges que viviam na regi\u00e3o prepararam uma infus\u00e3o com o fruto, passando a tom\u00e1-la assiduamente, pois esta os mantinha despertos para melhor enfrentar as longas noites de vig\u00edlia e ora\u00e7\u00e3o. A planta, descendo das montanhas da Eti\u00f3pia, aclimatou-se muito bem no I\u00eamen, surgindo nessa regi\u00e3o uma produ\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<p><strong>Devido \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas pela religi\u00e3o maometana, o\u00a0\u00a0caf\u00e9\u00a0\u00a0tomou conta do mundo \u00e1rabe, passando a ser consumido por todos:<\/strong> nos lares ao amanhecer, nas mesquitas durante os cultos religiosos, nas esta\u00e7\u00f5es para reconfortar os viajantes ou nas casas de caf\u00e9 instaladas nas grandes cidades.<\/p>\n<p>Conhecida como Vinho do Isl\u00e3, a bebida sofreu no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI sua primeira persegui\u00e7\u00e3o, chegando a ser proibida durante algum tempo pelos maometanos.<\/p>\n<p>De Meca, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0espalhou-se, durante o s\u00e9culo XVI, pelo mundo oriental, atingindo Damasco, Alepo, Istambul e a cidade do Cairo, que se tornou o grande mercado distribuidor do produto. Para manter o monop\u00f3lio da rubi\u00e1cea, os \u00e1rabes somente permitiam que sa\u00edssem do pa\u00eds gr\u00e3os previamente fervidos, que n\u00e3o germinariam em outras terras. Esta medida, por\u00e9m, n\u00e3o impediu que os holandeses levassem a planta para Java, Sumatra e Ceil\u00e3o e, posteriormente, para as Antilhas Holandesas, atingindo as col\u00f4nias uma produ\u00e7\u00e3o de cerca de 500 toneladas anuais.<\/p>\n<p>Inicialmente o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0foi conhecido na Europa por suas propriedades medicinais, de grande e variado poder curativo, que al\u00e7aram-no \u00e0 categoria de verdadeira panac\u00e9ia, atingindo pre\u00e7o elevad\u00edssimo.<\/p>\n<p>A partir do s\u00e9culo XVII, por\u00e9m, o mundo europeu passara a adotar o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0como bebida. Sua introdu\u00e7\u00e3o na Europa, em moldes comerciais, deve-se aos holandeses, respons\u00e1veis tamb\u00e9m pela divulga\u00e7\u00e3o do\u00a0\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0\u00a0pelo mundo. De um arbusto, trazido de Java para o Jardim Bot\u00e2nico de Amsterd\u00e3, foram tiradas mudas posteriormente ofertadas aos principais jardins bot\u00e2nicos europeus. Na It\u00e1lia, onde entrou em 1615 atrav\u00e9s do porto de Veneza, o produto teve que vencer forte resist\u00eancia da Igreja. Crist\u00e3os fan\u00e1ticos incitaram o Papa Clemente VIII a condenar o consumo da bebida, tida como inven\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Ao provar o\u00a0\u00a0caf\u00e9\u00a0, por\u00e9m, o papa declarou:<\/strong> &#8220;Esta bebida \u00e9 t\u00e3o deliciosa que seria um pecado deix\u00e1-la somente para os infi\u00e9is. Ven\u00e7amos Satan\u00e1s, dando-lhe nossa b\u00ean\u00e7\u00e3o e tornando-a verdadeiramente crist\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia dessa b\u00ean\u00e7\u00e3o papal os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0proliferaram em Veneza e G\u00eanova e, no fim do s\u00e9culo XVII, eram encontrados em todo o pa\u00eds. Em 1650, em Oxford, um judeu liban\u00eas chamado Jacobs instalou o primeiro estabelecimento de venda do produto na Europa.<\/p>\n<p><strong>Dois anos depois, o grego Pasqu\u00e1 Ros\u00e9e abre em Londres o primeiro caf\u00e9 europeu e manda publicar, no The Publish Adviser, o mais antigo an\u00fancio de caf\u00e9 de que temos not\u00edcia:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Na Travessa Bartolomeu, por detr\u00e1s da Bolsa Velha, pode-se tomar a bebida chamada\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, muito saud\u00e1vel e portadora de excelentes virtudes: fecha o diafragma, aumenta o calor interno, ajuda a digest\u00e3o, agu\u00e7a o esp\u00edrito, d\u00e1 leveza ao cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 boa para dor d&#8217;olhos, tosse, gripe, resfriados, tuberculose, dor de cabe\u00e7a, hidropisia, gota, escorbuto, escrofulose e muitas outras mol\u00e9stias. \u00c9 vendida tanto de manh\u00e3 como \u00e0s tr\u00eas horas da tarde.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>O h\u00e1bito de tomar caf\u00e9 agradava ao esp\u00edrito pragm\u00e1tico dos ingleses, pois, como observavam, era uma bebida inocente, que, ao contr\u00e1rio do \u00e1lcool, n\u00e3o perturbava as atividades vespertinas daqueles que a ingeriam durante o almo\u00e7o. Paralelamente ao sucesso obtido pela bebida, surgem movimentos de contesta\u00e7\u00e3o, como aquele promovido pelas mulheres inglesas, que, talvez insufladas pelos cervejeiros, insurgiram-se contra o seu uso.<\/p>\n<p>Segundo elas, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0&#8220;gasta a for\u00e7a viril dos homens e torna-os \u00e1ridos como as areias da Ar\u00e1bia, de onde veio esse gr\u00e3o maldito&#8221;.<\/p>\n<p>Em Paris, um levantino instalou, no Petit Chatelet, uma boutique para venda de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 em gr\u00e3o\u00a0<\/strong>\u00a0ou como\u00a0<strong>\u00a0infus\u00e3o<\/strong>\u00a0, contribuindo muito para a divulga\u00e7\u00e3o do produto, que em breve passou a ser grandemente apreciado pelos reis e pela nobreza francesa, a ponto de o Cardeal Mazzarino mandar vir da It\u00e1lia um especialista no preparo da bebida. Durante o reinado Luiz XIV, Paris inteira comentava os jantares oferecidos \u00e0 corte pelo embaixador de Maom\u00e9 IV, Solim\u00e3o Ag\u00e1 Mustaf\u00e1, nos quais o ponto alto era a cerim\u00f4nia de\u00a0<strong>prepara\u00e7\u00e3o do caf\u00e9<\/strong>\u00a0, servido por belos escravos, vestidos moda turca.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0arraigou-se nos h\u00e1bitos do povo alem\u00e3o, que preferia a bebida misturada com leite.<\/p>\n<p>Em 1680, instalou-se em Hamburgo o primeiro\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0para venda ao p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Nas Kaffehaus, pequenas orquestras come\u00e7am a se apresentar, unindo a bebida a outra paix\u00e3o dos alem\u00e3es:<\/strong> a m\u00fasica.<\/p>\n<p>Entre esses grupos podemos destacar o Collegium, de Leipzig, cujo diretor, Johann Sebastian Bach, comp\u00f4s, em 1732, sua c\u00e9lebre Cantata ao\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9<\/strong>\u00a0, para ser tocada nessas ocasi\u00f5es. Frederico, o Grande, da Pr\u00fassia, preocupado com a evas\u00e3o de divisas decorrentes da importa\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, promulgou um decreto, em 1781, proibindo o uso de caf\u00e9 que n\u00e3o fosse torrado em estabelecimentos oficiais. Como estes cobravam um pre\u00e7o exorbitante, o produto passou a ser inacess\u00edvel ao bolso das classes populares, diminuindo, assim, o consumo da bebida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O uso do\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0em Viena teve origem quando, ap\u00f3s o cerco de 1683, os turcos abandonaram a cidade deixando entre despojos algumas sacas de um produto desconhecido, inicialmente confundido com forragem para animais. Frans George Kolschitzky, que tendo vivido no Oriente conhecia os gr\u00e3os, apoderou-se das sacas e procedeu \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o e venda do produto, ao qual juntou a\u00e7\u00facar e creme chantilly, assim nascendo o t\u00e3o apreciado\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0vienense.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, o caf\u00e9 passou a ser conhecido em meados do s\u00e9culo XVII, trazido pelos holandeses, que ocupavam Manhattan, ent\u00e3o chamada New Amsterdan. Nova Iorque tornou-se um grande mercado da rubi\u00e1cea e, j\u00e1 em 1732, funcionava em Wall Street a Exchange Coffee House of New York, depois substitu\u00edda pela Merchant&#8217;s Coffee.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0s\u00f3 chegou ao Brasil em 1727, trazido da Guiana Francesa pelo sargento-m\u00f3r Francisco de Melo Palheta, especialmente enviado, pelo governo, ao pa\u00eds vizinho para conseguir mudas do produto.<\/p>\n<p><strong>A obten\u00e7\u00e3o das sementes, que eram proibidas aos portugueses, est\u00e1 envolta em uma aura de romantismo: <\/strong>a esposa do governador da Guiana, tendo-se apaixonado por Palheta, o teria presenteado, na despedida, com um punhado de sementes de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Nos primeiros tempos o\u00a0\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0\u00a0se desenvolvera apenas nas prov\u00edncias do norte do pa\u00eds, em planta\u00e7\u00f5es de reduzida import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0chegou ao Rio de Janeiro no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, e foi plantado em ch\u00e1caras na Tijuca, G\u00e1vea, Andara\u00ed e Jacarepagu\u00e1. Devemos destacar as planta\u00e7\u00f5es do franc\u00eas Louis Fran\u00e7ois Leceane, antigo fazendeiro em S\u00e3o Domingos e Cuba, que introduziu modernas t\u00e9cnicas agr\u00edcolas em suas terras na G\u00e1vea Pequena, ao mesmo tempo em que se prontificava a orientar os que quisessem aprimorar seus cafezais. A chegada de D. Jo\u00e3o VI provocou um grande \u00eaxodo da popula\u00e7\u00e3o carioca, obrigada pela inexor\u00e1vel ordem PR (Pr\u00edncipe Regente), colocada nas fachadas, a desocupar casas, em favor dos rec\u00e9m-chegados.<\/p>\n<p>Muitos desses moradores partiram para suas propriedades rurais, onde se dedicaram cafeicultura, dando in\u00edcio \u00e0 marcha vitoriosa do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0pela terras fluminenses e paulistas do Vale do Para\u00edba.<\/p>\n<p>Em 1850, o Brasil j\u00e1 era o maior produtor mundial da rubi\u00e1cea, participando com 40% da produ\u00e7\u00e3o total, percentagem que atingir\u00e1 81% no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Baseando-se na m\u00e3o-de-obra servil, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0ser\u00e1 o sustent\u00e1culo de uma aristocracia rural t\u00e3o opulenta quanto a dos senhores de engenho, composta de ricos fazendeiros do Vale do Para\u00edba e da regi\u00e3o de Campinas, muitos dos quais se tornaram titulares do Imp\u00e9rio &#8211; os chamados bar\u00f5es do caf\u00e9.<\/p>\n<p>Nestas propriedades, verdadeiros feudos, desenrolava-se uma vida de luxo e riqueza compar\u00e1vel \u00e0 da corte, propiciada pelos imensos cafezais, alguns com mais de mil p\u00e9s, que se estendiam a perder de vista. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, v\u00e1rios fatores como o esgotamento das terras, a dificuldade em obten\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra escrava, a Aboli\u00e7\u00e3o e a Rep\u00fablica provocaram a decad\u00eancia e abandono dessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, por\u00e9m, continuou sua marcha em dire\u00e7\u00e3o ao oeste paulista, onde as manchas de terra roxa propiciavam uma produtividade excepcional. As dificuldades com o transporte do caf\u00e9, em carros de boi e lombo de muares, provocaram o interesse dos fazendeiros paulistas na constru\u00e7\u00e3o de estradas de ferro.<\/p>\n<p>Em 1867, inaugurou-se a Santos &#8211; Jundia\u00ed, que unia Santos, principal porto de exporta\u00e7\u00e3o de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, \u00e0s zonas de produ\u00e7\u00e3o. Outras ferrovias surgiram como a Paulista, a Mogiana, a Sorocabana e a Noroeste, cujos tra\u00e7ados orientaram a dire\u00e7\u00e3o de novas lavouras; mais tarde os cafezais atingiram tamb\u00e9m o norte do Paran\u00e1. S\u00e3o Paulo tornou-se a Metr\u00f3pole do caf\u00e9. O progresso atingiu tamb\u00e9m as cidades do interior, onde surgiram bancos e casas banc\u00e1rias para atender \u00e0 estrutura financeira que a produ\u00e7\u00e3o exigia.<\/p>\n<p>A riqueza cafeeira atraiu grande n\u00famero de imigrantes, sobretudo italianos, que para aqui vieram nos fins do s\u00e9culo passando em busca de novas perspectivas, contribuindo com seu trabalho e alegria para dar novo colorido \u00e0 vida de nossas fazendas. Em 1908, chegaram os primeiros imigrantes japoneses para trabalhar nas planta\u00e7\u00f5es do interior paulista.<\/p>\n<p><strong>A apanhadora de\u00a0\u00a0caf\u00e9\u00a0, de saia rodada e chapel\u00e3o de palha, tornou-se o s\u00edmbolo da riqueza paulista, enquanto as crian\u00e7as eram embaladas pela can\u00e7\u00e3o:<\/strong> Dorme nen\u00ea, que a cuca vai pegar, papai foi na ro\u00e7a, mam\u00e3e no cafez\u00e1. Com o advento da Rep\u00fablica, os coron\u00e9is do caf\u00e9, atrav\u00e9s da chamada pol\u00edtica do caf\u00e9-com-leite, passaram a dividir e alternar-se com os mineiros na condu\u00e7\u00e3o dos destinos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A crise de 29, por\u00e9m, veio a afetar profundamente a cafeicultura. Levando muitos fazendeiros \u00e0 mis\u00e9ria e ao desespero, contribuiu para a eclos\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o de 30, que trouxe uma nova ordem de id\u00e9ias, da qual a oligarquia cafeeira n\u00e3o ir\u00e1 participar. Em sua trajet\u00f3ria pelo mundo, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0constituiu fonte de inspira\u00e7\u00e3o para artistas e literatos.<\/p>\n<p>No Brasil, esteve sempre presente, seja em nossas moedas e bras\u00f5es, seja como tema para escritores e pintores melhor registrarem os aspectos mais caracter\u00edsticos da vida brasileira.<\/p>\n<h4>Os caf\u00e9s, ponto de encontro<\/h4>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, por sua capacidade de estimular o c\u00e9rebro e alegrar o esp\u00edrito, \u00e9, sem d\u00favida, uma bebida essencialmente agregativa, incentivadora da sociabilidade e de uma boa conversa. \u00c9 natural, portanto, que os locais de consumo dessa bebida se tornassem pontos de encontro e centros da vida pol\u00edtica, liter\u00e1ria e art\u00edstica, onde predominava um ambiente de descontra\u00e7\u00e3o e alegria. Os pioneiros do g\u00eanero foram, sem d\u00favida, as escolas de s\u00e1bios, onde sorvendo lentamente a bebida, \u00e0 qual costumava-se adicionar ess\u00eancias como cravo, canela, anis, ou cardamono, os levantinos discorriam sobre os \u00faltimos poemas ou relembravam f\u00e1bulas e lendas.<\/p>\n<p>Observando a atmosfera dos\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s\u00a0<\/strong>\u00a0nos diferentes pa\u00edses, podemos concluir que eles refletem a mentalidade e o esp\u00edrito de cada povo. Thomas Macaulay, ao discorrer sobre os caf\u00e9s ingleses, notava : &#8220;Naquele tempo, o caf\u00e9 londrino bem podia ser considerado uma institui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;, e continua: &#8220;Cada coffee house tinha um ou mais oradores, cujos discursos eram ouvidos com admira\u00e7\u00e3o e elas logo se transformavam naquilo que os jornalistas de nosso tempo chamam de o quarto Estado .&#8221;<\/p>\n<p>Havia na Inglaterra\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0para todos os gostos e profiss\u00f5es. Em alguns , m\u00e9dicos famosos atendiam seus clientes, em outros, judeus vindos de Amsterd\u00e3 entabulavam neg\u00f3cios. Naqueles freq\u00fcentados por puritanos, onde era proibido praguejar, discutiam-se as condena\u00e7\u00f5es eternas, enquanto conjuras eram tramadas nos freq\u00fcentados pelos papistas.<\/p>\n<p>Em Viena, os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0constituem ainda hoje um dos pontos de atra\u00e7\u00e3o da cidade, destacando-se pelo bom gosto e requinte das instala\u00e7\u00f5es. Todo vienense tem seu caf\u00e9 predileto, onde pode ao mesmo tempo sentir-se no aconchego do lar e participar da vida das ruas, sendo por isso o local preferido pelos idosos, t\u00e3o numerosos nessa cidade.<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica t\u00edpica dos\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s vienenses<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e9 a leitura dos jornais. Este costume foi institu\u00eddo por Cramer, que punha \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de seus fregueses n\u00e3o apenas jornais austr\u00edacos, mas de todas as capitais da Europa, propiciando aos clientes tomar conhecimentos e discutir os principais acontecimentos mundiais.<\/p>\n<p>Entre os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s vienenses<\/strong>\u00a0\u00a0destacam-se o Imperial, preferido por Brahms, e o Caf\u00e9 D&#8217;Argent, onde , desde as panelas at\u00e9 os cabides, tudo era de prata.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 em Paris que os caf\u00e9s ir\u00e3o respirar mais espiritualidade, mais arte, mais literatura.<\/p>\n<p>Ao\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0ia-se para beber, mas sobretudo para conservar, trocar id\u00e9ias e participar da aura criadora que envolvia esses ambientes.<\/p>\n<p>Um marco na vida dos\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s parisienses<\/strong>\u00a0\u00a0foi a inaugura\u00e7\u00e3o, em 1675, do Procope, de propriedade do siciliano Francesco Procopio Dei Coltelli. O luxuoso estabelecimento era ornamentado com enormes espelhos, ricas tape\u00e7arias e belos lustres de cristal; e a proximidade da Com\u00e9die Fran\u00e7aise propiciava a freq\u00fc\u00eancia de atores comediantes e espectadores.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m eram ass\u00edduos comensais de suas mesas de m\u00e1rmores escritores famosos, como La Fontaine, Diderot, D&#8217;Alembert e Voltaire, que tinha no\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0a sua bebida favorita. Freq\u00fcentados, nos tempos revolucion\u00e1- rios, por Danton, Marat e Robespierre, de suas salas partiu a ordem para o ataque \u00e0 Tulherias.<\/p>\n<p>E, quando a calma retornou \u00e0 cidade, o Procope voltou a ser ponto de encontro de escritores como George Sand, Musset, Verlaine e Anatole France.<\/p>\n<p>Os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0proliferaram em Paris.<\/p>\n<p>Entre os mais famosos estavam o Caf\u00e9 Laurent, ponto de encontro de literatos, o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0de la Regence, conhecido pelas partidas de dados e jogos de dama, e o Caf\u00e9 de Foy, preferido por oficiais e homens de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Outros estabelecimentos devem ser lembrados, como o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Della Rotonde e o Divan<\/strong>\u00a0, este o preferido de Balzac, e j\u00e1 no nosso s\u00e9culo XX o Deux Magots e o Flore, epicentros do existencialismo, enquanto o La Cupole era o ponto de reuni\u00e3o dos pintores cubistas.<\/p>\n<p>O primeiro\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 italiano<\/strong>\u00a0\u00a0foi o Veneza Triunfante, fundado em 1720 por Floriano Francesconi.<\/p>\n<p>Deu origem ainda hoje famoso\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Florian<\/strong>\u00a0, palco dos grandes momentos da vida italiana, que dividiu com o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Quadri<\/strong>\u00a0\u00a0a prefer\u00eancia de artistas e literatos.<\/p>\n<p>O mais famoso e antigo\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 romano<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e9 o\u00a0\u00a0<strong>Greco<\/strong>\u00a0, em cuja saleta, denominada o sacr\u00e1rio del Greco, brilharam uma pl\u00eaiade de celebridades como Goethe, Stendal, Goldoni, Mark Twain, enfim, o que havia de mais importante na m\u00fasica e literatura mundiais.<\/p>\n<p>Em Padova, encontramos o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Pedrocchi<\/strong>\u00a0, conhecido como a mais linda casa de caf\u00e9 do mundo.<\/p>\n<p>Verdadeiro monumento arquitet\u00f4nico tem, inclusive, uma sala de concertos e mantinha no s\u00e9culo passado um jornal, II Caff\u00e9 Pedrocchi, dedicado \u00e0 arte e literatura.<\/p>\n<p>Em Turim, os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s\u00a0<\/strong>\u00a0tiveram importante papel na hist\u00f3ria do Rissorgimento Italiano, destacando-se o Caf\u00e9 Fl\u00f3rio, quartel-general de Cavour e seus companheiros, enquanto que em Floren\u00e7a, terra das artes, o Caf\u00e9 Michelangelo reunia um grande c\u00edrculo de artistas.<\/p>\n<p>O primeiro\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 norte-americano<\/strong>\u00a0\u00a0foi o London Coffee House, de Boston, logo seguido pelo King&#8217;s Arms, instalado em 1696 na Broadway.<\/p>\n<p>Interessante destacar que os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s americanos\u00a0<\/strong>\u00a0funcionavam como locais para o julgamento das quest\u00f5es judiciais e assembl\u00e9ias populares.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria pol\u00edtica e social de Portugal fez-se \u00e0 volta das mesas dos\u00a0<strong>\u00a0caf\u00e9s<\/strong>\u00a0, onde nasceram os movimentos que agitaram o pa\u00eds no s\u00e9culo XIX. Havia o Nicola, preferido por Bocage, e Martinho, ponto de encontro de E\u00e7a de Queiroz, Fialho de Almeida e Jo\u00e3o de Deus, onde mais tarde tamb\u00e9m se reuniram os participantes do movimento Modernista, tendo \u00e0 frente Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>No Brasil, a cidade em que os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0tiveram maior import\u00e2ncia como centro de atividades liter\u00e1rias e pol\u00edticas foi o Rio de Janeiro. Segundo Luiz Edmundo, no seu Rio de Janeiro do meu Tempo, &#8220;o caf\u00e9, no come\u00e7o do s\u00e9culo, era meio casa de fam\u00edlia, meio gr\u00eamio, meio escrit\u00f3rio, sempre cheio, ponto agrad\u00e1vel de reuni\u00e3o e de palestra, onde se recebiam recados, cartas, amigos, conhecidos e at\u00e9 credores. Da\u00ed a intimidade verdadeiramente dom\u00e9stica que se estabelecia entre freq\u00fcentadores e empregados, que acabavam sabendo da vida de todos&#8221;.<\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o da cidade era esquina das ruas Ouvidor e Gon\u00e7alves Dias, e nesse ponto \u00e9 que se instalou o famoso Caf\u00e9 do Rio. Em estilo art noveau, ornamentado com os infal\u00edveis espelhos, em suas mesas de m\u00e1rmore, com cadeiras Thonet, reuniam-se todas as tardes o que a cidade tinha de mais representativo, no meio de um barulho e confus\u00e3o gerais, t\u00e3o a gosto dos cariocas. A freq\u00fc\u00eancia das tr\u00eas \u00e0s seis da tarde era composta de estudantes da Escola Militar e da Polit\u00e9cnica; mais tarde surgiram os pol\u00edticos como Pinheiro Machado, Flores da Cunha, Francisco Glic\u00e9rio, Barbosa Lima e Lauro M\u00fcller; m\u00fasicos como J\u00falio Reis; pintores como Ant\u00f4nio Parreiras e Bernardelli, e tantos outros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m famoso era o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 de Paris<\/strong>\u00a0, no Largo da Carioca, ponto de reuni\u00e3o da bo\u00eamia da \u00e9poca, freguesia composta de artistas, pintores e jornalistas que, segundo Luis Edmundo, &#8220;devido \u00e0s suas parcas posses era consumidora de poucas x\u00edcaras de caf\u00e9 e muitos copos d&#8217;\u00e1gua&#8221;. Outros caf\u00e9s c\u00e9lebres teve a cidade.<\/p>\n<p>No beco das Cancelas, o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 das Cascatas<\/strong>\u00a0\u00a0apresentava uma harpista que executava m\u00fasicas eruditas. Na rua 1\u00ba de mar\u00e7o ficavam o Globo, com suas animadoras tert\u00falias, e o Carceler, pioneiro em adotar a moda das mesas na cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>Na Rua do Ros\u00e1rio, o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 do Amorim<\/strong>\u00a0, onde se bebia o melhor cafezinho da cidade, freq\u00fcentado por tabeli\u00e3es, funcion\u00e1rios e negociantes portugueses.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Papagaio<\/strong>\u00a0, na Rua Gon\u00e7alves Dias, foi sem d\u00favida o mais t\u00edpico dos caf\u00e9s brasileiros, onde os freq\u00fcentadores eram saudados pelo irreverente Bocage, ave que deu nome ao estabelecimento. Um conjunto composto de harpa, flauta e dois violinos executava m\u00fasicas de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, animando um ambiente descontra\u00eddo, do qual participavam Paula Nei, Bastos Tigre, Raul Pederneiras, Oleg\u00e1rio Mariano e outras personalidades de destaque da Capital da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de vinte, a vida do Rio de Janeiro passou por modifica\u00e7\u00f5es que provocaram o desaparecimento do esp\u00edrito dos\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0e o fechamento dos estabeleci- mentos mais tradicionais. Outros surgiram, por\u00e9m, como o Lamas, o Amarelinho e o Nice, que ser\u00e3o os \u00faltimos caf\u00e9s da cidade.<\/p>\n<p>Enquanto o Lamas, situado no Largo do Machado, era reduto de estudantes, o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Nice<\/strong>\u00a0, na Avenida Rio Branco, era o ponto de reuni\u00e3o dos artistas da m\u00fasica popular, no tempo \u00e1ureo do r\u00e1dio brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Em S\u00e3o Paulo, por volta de 1850, apareceu o primeiro local de venda da bebida na cidade:<\/strong> a casa de Maria Punga, situada na Rua da Imperatriz, hoje 15 de Novembro, onde o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0era servido na varanda, a 40 r\u00e9is a x\u00edcara, para uma freguesia composta de acad\u00eamicos de Direito, empregados do com\u00e9rcio e negociantes.<\/p>\n<p>Em 1876 foi inaugurado o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Europeu<\/strong>\u00a0, o primeiro caf\u00e9 da cidade, instalado num ambiente de muito luxo e requinte, na esquina do Beco do Inferno com a Rua da Imperatriz, em pleno cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo. O Acad\u00eamico, na Rua de S\u00e3o Bento, e o Girondino, no Largo da S\u00e9, eram os preferidos pela mocidade sonhadora e ruidosa da academia de Direito, que ao lado de pintores, m\u00fasicos e intelectuais que formavam a bo\u00eamia da \u00e9poca, varavam a noite em animadas tert\u00falias, quebrando a monotonia da provinciana paulic\u00e9ia.<\/p>\n<p>Na Ladeira de S\u00e3o Jo\u00e3o ficava o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Brand\u00e3o<\/strong>\u00a0, ponto de reuni\u00e3o de homens de neg\u00f3cios, figur\u00f5es da pol\u00edtica e fazendeiros endinheirados. Outros estabelecimentos surgiram, como o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Guarani<\/strong>\u00a0, o\u00a0\u00a0<strong>Java<\/strong>\u00a0, o\u00a0\u00a0<strong>Am\u00e9rica\u00a0<\/strong>\u00a0e, mais tarde, o\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Viaduto<\/strong>\u00a0, na Rua Direita, lugares agrad\u00e1veis onde os paulistanos reuniam-se para uma boa conversa.<\/p>\n<p><strong>Havia um lugar, por\u00e9m, em que o assunto abordado pelos freq\u00fcentadores era um s\u00f3: <\/strong>o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p>Eram os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0situados em Santos, na zona do alto com\u00e9rcio\u00a0\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0, onde corretores, comiss\u00e1rios, exportadores e fazendeiros discutiam e trocavam id\u00e9ias sobre os neg\u00f3cios que envolviam a preciosa rubi\u00e1cea.<\/p>\n<p>Os\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9s<\/strong>\u00a0\u00a0tiveram, sem d\u00favida, grande import\u00e2ncia atrav\u00e9s dos tempos. Ao redor de suas mesas, discutiram-se teorias, tramaram-se revolu\u00e7\u00f5es e surgiram id\u00e9ias que marcaram profundamente a hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.tulha.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>1. Quem come\u00e7ou tudo, judeus ou isl\u00e2micos?<\/h4>\n<p><strong>\u00c9 dif\u00edcil determinar exatamente quando o\u00a0\u00a0caf\u00e9\u00a0\u00a0foi identificado e consumido pelo homem pela primeira vez, dando in\u00edcio ao h\u00e1bito natural mais importante e saud\u00e1vel do mundo:<\/strong> o de tomar caf\u00e9.<\/p>\n<p>Alguns historiadores e curiosos acreditam que a planta foi descoberta na regi\u00e3o de Kaffa na Eti\u00f3pia em torno do ano 600 de nossa era (A.D.= Anno Domini), quando um pastor chamado Kaldi observou que suas cabras ficavam excitadas ap\u00f3s comerem os gr\u00e3os de uma plantinha vermelha, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Kaldi tamb\u00e9m comeu os gr\u00e3os de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0e sentiu seus efeitos estimulantes, ficando nem humorado e desperto todo o dia. Para viajar resolveu torrar os gr\u00e3os e preparar uma bebida &#8211; pronto, estava descoberto o caf\u00e9?<\/p>\n<p>Mas a planta Coffea arabica e C. robusta precisam apenas de \u00e1gua, solo quente, ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o para crescer. Por isto a planta talvez existisse h\u00e1 milhares de anos antes do pastor Kaldi, sendo consumida esporadicamente. No Pentateuco, elaborado por Mois\u00e9s, o quarto livro, N\u00daMEROS, recebeu este nome por causa dos dois censos a que foi submetido Israel no deserto e narra a vida de um povo ainda em forma\u00e7\u00e3o e suas peregrina\u00e7\u00f5es a caminho da Terra Prometida, liderados por Mois\u00e9s, onde o nazireato (Nazireu \u00e9 toda pessoa consagrada a Deus) foi institucionalizado e regulamentado por lei (N\u00daMEROS 6:1-21). O livro cita um trecho, onde Deus falou a\u00a0\u00a0<strong>Mois\u00e9s\u00a0<\/strong>\u00a0(S\u00e9c. XIV a XIII a C.) que quem quisesse fazer um voto especial de nazireu, deveria abster-se de vinho e de bebida forte.<\/p>\n<p>Isto ocorreu em torno de 1275 a . C (antes de Cristo). Seria esta bebida forte o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0? Naquela \u00e9poca n\u00e3o haviam bebidas destiladas (alto teor alco\u00f3lico) e o vinho era bastante consumido, pois a \u00e1gua era muito contaminada.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os hebreus ferviam a \u00e1gua com gr\u00e3os de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0para torn\u00e1-la forte e pura?.<\/p>\n<p>Alguns s\u00e9culos mais tarde, ap\u00f3s o reinado do primeiro Rei de Israel, Saul, assumiu Davi, o maior de todos os reis de Israel, que reinou de 1000 at\u00e9 962 a. C. Em sua juventude Davi foi um atleta e depois um grande m\u00fasico, pois sua reputa\u00e7\u00e3o era tal que tocava para o rei Saul, o qual sofria de depress\u00e3o e melhorava ao ouvir a m\u00fasica.<\/p>\n<p>Davi possu\u00eda um grande talento po\u00e9tico e escreveu algumas das maiores obras primas da literatura espiritual. Em toda a hist\u00f3ria da humanidade nenhuma poesia tem sido t\u00e3o constantemente usada como os Salmos de Davi. Tamb\u00e9m foi um general capaz e conduziu com grande \u00eaxito suas campanhas militares. Perseguido pelo rei Saul, Davi viveu durante um per\u00edodo uma perigosa vida de um fugitivo. Mas soube ser generoso ao poupar duas vezes a vida de Saul, seu perseguidor (1 SAMUEL 24:1-15 ; 26:1-20) Deus o escolheu como sucessor do rei Saul e, humildemente foi ungido pelo profeta Samuel (1 SAMUEL 16:12-13).<\/p>\n<p>Depois da morte de Saul, tornou-se primeiro rei de Jud\u00e1, tornando-se alguns anos mais tarde rei de toda Israel. Tomou Jerusal\u00e9m e a estabeleceu como capital e levou a arca de Deus para l\u00e1. David teve v\u00e1rias esposas e diversos filhos e amou tamb\u00e9m o filho de Saul, J\u00f4natas. Mais tarde enfrentou a rebeli\u00e3o de seu filho Absal\u00e3o, que havia assassinado seu irm\u00e3o por parte de pai, Amnom, pois este tentara seduzir sua meia-irm\u00e3, Tamar.<\/p>\n<p>Davi era um grande chefe pol\u00edtico e militar experiente, mas um pai fraco. Absal\u00e3o queria o trono de Israel e iniciou uma campanha militar contra o pai, o qual queria que seu outro filho, Salom\u00e3o, assumisse o trono de Israel. Durante a luta, Davi cruzou o rio Jord\u00e3o, perseguido pelo ex\u00e9rcito de seu filho Absal\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quando Davi chegou a Maanaim, cansado e deprimido, foi-lhe oferecido uma bebida feita de gr\u00e3os torrados, que bem poderia ter sido\u00a0\u00a0caf\u00e9:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;E sucedeu que, chegando Davi a Maanaim, Sobi, filho de Na\u00e1s, de Rab\u00e1, dos filhos de Amom, e Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita, de Rogelim, 28 Tomaram camas e bacias, e vasilhas de barro, e trigo, e cevada, e farinha, e gr\u00e3o torrado, e favas, e lentilhas, tamb\u00e9m torradas, E mel, e manteiga, e ovelhas, e queijos de vacas, e os trouxeram a Davi e ao povo que com ele estava, para comerem, porque disseram: Este povo no deserto est\u00e1 faminto, cansado e sedento&#8221;\u00a0\u00a0<strong>(2 SAMUEL 17: 27-29)<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 muito prov\u00e1vel que a bebida feita com gr\u00e3o torrado naquela \u00e9poca, 1.000 a. C., fosse o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Assim, Davi e seus homens ganharam for\u00e7as para enfrentarem Absal\u00e3o. Os ex\u00e9rcitos de pai e filho de defrontam, o filho rebelde \u00e9 derrotado e morto, apesar das ordens contr\u00e1rias do rei.<\/p>\n<p><strong>Uma li\u00e7\u00e3o fica evidente neste trecho B\u00edblico:<\/strong> a de que os filhos n\u00e3o devem se rebelar contra os seus pais, mesmo que estes tenham suas fraquezas.<\/p>\n<h4>2. Quem continuou tudo , crist\u00e3os ou isl\u00e2micos?<\/h4>\n<p>Sem d\u00favida alguma quem iniciou e continuou o consumo regular de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0foram os \u00e1rabes, lentamente convertidos ao Islamismo e ao h\u00e1bito saud\u00e1vel de tomar caf\u00e9.<\/p>\n<p>Este consumo se iniciou na Ar\u00e1bia a partir do ano 600 de nossa Era (Anno Domini, A.D.). Era comum o consumo de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0nos atos religiosos e durante campanhas militares.<\/p>\n<p>Acredita-se que o Arcanjo Gabriel ofereceu caf\u00e9 ao profeta Maom\u00e9 (570 a 632), o qual estava muito doente e recobrou seu vigor ap\u00f3s tomar a bebida, chamada quawa. Enquanto os Israelitas e Crist\u00e3os tomavam vinho em abund\u00e2ncia, os Isl\u00e2micos bebiam\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, pois bebidas alco\u00f3licas eram proibidas (e o caf\u00e9 ajudava-os a perder o desejo de consumir bebidas alco\u00f3licas). MAOM\u00c9 compreendeu o valor da nova descoberta e, ap\u00f3s caracterizar a real aus\u00eancia de efeito t\u00f3xicos do produto, ao inv\u00e9s de adotar medidas repressivas, aconselhou ao pastor e seus seguidores, a ferverem os gr\u00e3os em \u00e1gua e preparar uma bebida quente com a subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Aconselhou aos usu\u00e1rios, excitados e com ins\u00f4nia devido ao consumo de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, que dedicassem suas horas de vig\u00edlia a preces e medita\u00e7\u00e3o, no que foi prontamente atendido.<\/p>\n<p>Em torno do ano 900 os livros m\u00e9dicos \u00e1rabes recomendavam o uso do\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0para quase todos os problemas, desde apatia at\u00e9 doen\u00e7as como rub\u00e9ola.<\/p>\n<p>O combate ao consumo do\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0come\u00e7ou no mundo ocidental, por se tratava de uma bebida dos Sarracenos ou Pag\u00e3os, segundo os Crist\u00e3os. Os \u00e1rabes, como os francos, os sax\u00f5es e os normandos foram b\u00e1rbaros que assimilaram os conhecimentos gregos juntamente com o desenvolvimento de sua nova religi\u00e3o. A capacidade de assimila\u00e7\u00e3o do povo \u00e1rabe entretanto, era mais desenvolvida do que a dos demais povos e na virada do mil\u00eanio quando o Cristianismo come\u00e7ou a estimular as Cruzadas contra os \u00e1rabes, estes \u00faltimos representavam o povo mais civilizado do mundo medieval.<\/p>\n<p>O conhecimento da medicina grega foi transmitido para os \u00e1rabes atrav\u00e9s dos crist\u00e3os sect\u00e1rios oriundos do Imp\u00e9rio Bizantino, os quais traduziam atores gregos para linguagens sem\u00edticas como o sir\u00edaco e o hebreu para o desenvolvimento de sua pr\u00f3pria literatura m\u00e9dica cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Grandes escritores \u00e1rabes surgiram como RHAZES, AVICENA e AVERROES. O conhecimento m\u00e9dico da \u00e9poca recebeu profunda influ\u00eancia da astrologia, o que determinou o surgimento de pseudoci\u00eancias como a alquimia. A alquimia procurava descobrir a rela\u00e7\u00e3o do homem com o cosmos combinando ci\u00eancia e astrologia de tal maneira que a astrologia analisava a rela\u00e7\u00e3o do homem com os planetas e a alquimia, com a natureza terrestre.<\/p>\n<p>Acreditavam existir uma rela\u00e7\u00e3o entre o microcosmo e o macrocosmo, de tal maneira que os sete planetas conhecidos (Sol, Lua, Marte, Merc\u00fario, J\u00fapiter, Saturno e V\u00eanus) correspondiam aos sete dias da semana e aos sete metais conhecidos na \u00e9poca (ouro, prata, ferro, chumbo, estanho, cobre e n\u00edquel). Os alquimistas ficavam at\u00e9 altas horas da noite tomando\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0e fazendo experi\u00eancias pois acreditavam que todos os metais eram gerados nas entranhas da Terra, sob a influ\u00eancia apropriada dos planetas e que podiam transmutar-se.<\/p>\n<p>O objetivo era descobrir a pedra filosofal para ser poss\u00edvel transformar os demais metais em ouro. Extrapolando para o homem a id\u00e9ia da transmuta\u00e7\u00e3o, os alquimistas acreditavam ser poss\u00edvel tornar o homem imortal e eternamente jovem, atrav\u00e9s da descoberta do elixir da longa vida. Mas na procura do elixir da longa vida, sempre tomando muito\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, os alquimistas fizeram in\u00fameras descobertas importantes em qu\u00edmica, iniciando a moderna qu\u00edmica farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>A pesquisa incessante neste campo e o contato amplo dos alquimistas \u00e1rabes com diferentes povos e costumes, permitiram a descoberta e introdu\u00e7\u00e3o de um fabuloso n\u00famero de novos produtos e medicamentos para uso em medicina. O pr\u00f3prio elixir da vida, embora n\u00e3o tenha sido descoberto, passou a ser chamado Al Kohol (mais tarde latinizado para \u00e1lcool) e os m\u00e9dicos e pacientes \u00e1rabes tomavam imensas bebedeiras deste elixir, para usufru\u00edrem uma vida bem longa, algo que nunca deu certo.<\/p>\n<p>Na atualidade o consumo de \u00e1lcool \u00e9 uma das maiores pragas da humanidade e mata mais que qualquer outra doen\u00e7a. Mas mesmo n\u00e3o comprovando que o \u00e1lcool era realmente o elixir da longa vida, pelos menos descobriram que a bebedeira poderia ser uma f\u00f3rmula de imensa, tempor\u00e1ria e enganosa de felicidade (e de uma grande ressaca no dia seguinte ).<\/p>\n<p><strong>O movimento alquimista culminou na obra de PARACELSO (1493-1541), m\u00e9dico su\u00ed\u00e7o que se esfor\u00e7ou em vincular a medicina a alquimia, levando ao surgimento de uma nova ci\u00eancia:<\/strong> a qu\u00edmica medica ou iatroquimica. Durante sua exist\u00eancia, a alquimia esteve ligada de um lado a qu\u00edmica e de outro a religi\u00e3o m\u00edstica.<\/p>\n<p><strong>O primeiro centro dominante do islamismo foi BAGDAH, aonde dois grandes lideres reinavam: <\/strong>AL MANSUR (712-775) e HARUN AL RACHID (764-809), o califa das Noites da Ar\u00e1bia. Estes governantes encorajavam e apoiavam a cultura em geral, o que levou a preserva\u00e7\u00e3o da Antig\u00fcidade cl\u00e1ssica. A atividade intelectual era imensamente ajudada pelo consumo regular e moderado de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0entre os Isl\u00e2micos.<\/p>\n<h4>3. Isl\u00e2micos famosos e o caf\u00e9<\/h4>\n<p>As obras gregas e romanas passaram a ser traduzidas para o \u00e1rabe. C\u00f3rdoba no Ocidente tornou-se um centro proeminente do Islamismo, a medida que o califado de Bagdah perdia influ\u00eancia. A religi\u00e3o Isl\u00e2mica reconhecia uma vida ap\u00f3s a morte, logo a dissec\u00e7\u00e3o do corpo humano era proibida. Mas muitas especula\u00e7\u00f5es sobre a natureza dos \u00f3rg\u00e3os internos foi efetuada por m\u00e9dicos como IBN NAFIS, que formulou a hip\u00f3tese da circula\u00e7\u00e3o pulmonar.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o era permitida a dissec\u00e7\u00e3o do corpo humano, os m\u00e9dicos \u00e1rabes acreditavam nos conhecimentos anat\u00f4micos de GALENO. A exist\u00eancia de tabus entre os m\u00e9dicos impedia a manipula\u00e7\u00e3o dos genitais femininos por homens, de tal maneira que a obstetr\u00edcia e a ginecologia eram exercidas por mulheres.<\/p>\n<p>O mundo islamita desenvolveu escolas e livrarias como institui\u00e7\u00f5es separadas ou vinculadas a mesquitas e hospitais. Nestes centros de pr\u00e1tica e ensino da medicina, grandes nomes se destacaram. O persa RHAZES ( 860-932) foi um grande m\u00e9dico e professor.<\/p>\n<p><strong>Defendia e aconselhava seus alunos afirmando que: <\/strong>&#8220;&#8230;tudo que esta escrito nos livros \u00e9 importante, mas de menor valor que a experi\u00eancia de um m\u00e9dico s\u00e1bio&#8230;&#8221;. Escreveu mais de 200 livros sobre medicina e tornou-se muito popular, principalmente por atender os pobres gratuitamente, algo que era praticado apenas pelos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Mas o maior nome da medicina \u00e1rabe foi AVICENNA, cujo nome completo era ABU-ALI AL HUSAYN IBN-SINA (980-1037). Seu prest\u00edgio para a medicina isl\u00e2mica e mesmo crist\u00e3 foi igual ao de GALENO ( 130-200 AD). AVICENNA desde a inf\u00e2ncia foi um prod\u00edgio. Aos 10 anos conhecia profundamente o Alcor\u00e3o (Al-Quran) e com 21 escreveu uma enciclop\u00e9dia cient\u00edfica onde inclu\u00eda gram\u00e1tica, poesia, geometria, astronomia, anatomia, fisiologia, mat\u00e9ria medica e cir\u00fargica.<\/p>\n<p>Embora tenha praticado e clinicado no in\u00edcio de sua carreira, AVICENNA dedicou-se principalmente a compilar e escrever textos cient\u00edficos. O CANON de Avicenna \u00e9 uma obra constitu\u00edda de 100 livros que inclu\u00eda todo o conhecimento m\u00e9dico da \u00e9poca. Esta obra foi utilizada como fonte de ensino m\u00e9dico nas Universidades Crist\u00e3s, incluindo as ilhas Brit\u00e2nicas, at\u00e9 o S\u00e9culo XVII. Parece que o grande Avicenna era um grande admirador e consumidor de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Outros grandes nomes e contribui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m existiram, como ISSAC JUDAEUS, que defendia a terap\u00eautica hipocr\u00e1tica n\u00e3o intervencionista; AL BUCASIS, o maior escritor sobre cirurgia do mundo islamita e AVENZOAR, que contestou muitos dos ensinamentos de ARIST\u00d3TELES e GALENO, afirmando que o m\u00e9dico devia confiar apenas na sua pr\u00f3pria experi\u00eancia ao inv\u00e9s de doutrinas tradicionais. AVERROES (1126-1198), aluno de AVENZOAR, foi um fil\u00f3sofo que tamb\u00e9m estudou medicina e direito. Escreveu um comp\u00eandio m\u00e9dico baseado em ARIST\u00d3TELES mas suas obras principais foram em teologia e direito.<\/p>\n<p>Como possu\u00eda id\u00e9ias consideradas revolucion\u00e1rias para a \u00e9poca, tanto na religi\u00e3o como na ci\u00eancia, tanto o islamismo como cristianismo rejeitaram parcialmente as inova\u00e7\u00f5es de AVERROES, o que n\u00e3o aconteceu com os judeus, que ajudaram at\u00e9 a divulgar suas id\u00e9ias pela Europa quando foram expulsos da Espanha. MAIMONIDES (1135-1204) , cujo nome completo era ABU IMRAN MUSA IBN MAYMUN IBN UBAYD ALLAH , foi o mais famoso m\u00e9dico judeu da medicina \u00e1rabe, tornando-se m\u00e9dico do sult\u00e3o Saladin, respons\u00e1vel pela reconquista de Jerusal\u00e9m dos crist\u00e3os ap\u00f3s a II Cruzada. MAIMONIDES foi autor de in\u00fameras obras onde abordava filosofia, religi\u00e3o e medicina. Sua principal caracter\u00edstica foi tentar reconciliar o racioc\u00ednio cient\u00edfico com a f\u00e9 religiosa.<\/p>\n<p>Uma de suas contribui\u00e7\u00f5es consideradas importantes na sua \u00e9poca foi a de que ningu\u00e9m devia dormir durante o dia. E que toda pessoa nunca devia dormir em dec\u00fabito, quer dorsal ou ventral, mas sempre lateral, sendo do lado esquerdo no in\u00edcio da noite e do lado direito no final da noite. E que ningu\u00e9m devia dormir depois de uma refei\u00e7\u00e3o, devendo esperar pelo menos tr\u00eas horas antes de dormir, sen\u00e3o poderia ter pesadelos.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, a sa\u00fade geral da popula\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es de higiene eram bastante semelhantes na Europa Latina e no mundo isl\u00e2mico. H\u00e1 in\u00fameros relatos de doen\u00e7as oculares e cut\u00e2neas, o que sugere uma maior preval\u00eancia destes problemas, por cont\u00e1gio direto. Na Idade M\u00e9dia, ser cliente de grandes m\u00e9dicos era um privil\u00e9gio apenas dos ricos e dos nobres. A exce\u00e7\u00e3o de RHAZES, poucos eram aqueles que davam aten\u00e7\u00e3o aos menos afortunados. O Islamismo foi superior ao Cristianismo em um aspecto importante &#8211; o sistema hospitalar.<\/p>\n<p>Comparados com a assist\u00eancia m\u00e9dica em monast\u00e9rios, onde a principal preocupa\u00e7\u00e3o era o tratamento da alma, os hospitais isl\u00e2micos de Bagdah, Cairo e Damasco, possu\u00edam uma organiza\u00e7\u00e3o evolu\u00edda e elegante, com quartos particulares, enfermarias e bibliotecas. Algumas pessoas sadias simulavam doen\u00e7as apenas para serem hospitalizadas e usufru\u00edssem a excelente e barata cozinha dos hospitais isl\u00e2micos. Parece que tamb\u00e9m serviam\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0a todos os enfermos que apreciavam muito a revigorante bebida.<\/p>\n<p>O hospital MANSUR no Cairo, no S\u00e9culo XIII, possu\u00eda enfermarias especializadas para febres, doen\u00e7as oculares, diarr\u00e9ias, ferimentos e doen\u00e7as de mulheres. Ao ter alta, o paciente recebia cinco pe\u00e7as de ouro para ajudar a manter sua sa\u00fade. Uma caracter\u00edstica importante dentro do islamismo era a toler\u00e2ncia a toda cren\u00e7a religiosa e conhecimentos cient\u00edficos. Isto permitiu um interc\u00e2mbio e preserva\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssicos da Antig\u00fcidade.<\/p>\n<p>O conhecimento atual da obra de GALENO foi transmitido em \u00e1rabe, pois os originais em latim foram perdidos.<\/p>\n<h4>4. Crist\u00e3os adotam o caf\u00e9<\/h4>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0era uma bebida consumida intensamente pelos turcos, que tamb\u00e9m se converteram ao Islamismo, sabendo que assim ficavam mais despertos e ativos para as lutas.Por isto o caf\u00e9 era evitado com veem\u00eancia pelos crist\u00e3os. Apenas no final do s\u00e9culo XVI \u00e9 que seu consumo regular foi permitido entre os crist\u00e3os, depois que o Papa Clemente VIII (1592-1605) provou e gostou da bebida, que lhe permitia ficar acordado at\u00e9 mais tarde para se dedicar as suas ora\u00e7\u00f5es a Deus. O Papa aconselhou os crist\u00e3os a fazerem o mesmo e o consumo de caf\u00e9 come\u00e7ou a aumentar de forma vertiginosa no mundo ocidental.<\/p>\n<p>Introduzido no Novo Mundo pela Companhia das \u00cdndias Orientais, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0passou a se tornar um dos principais produtos agr\u00edcolas de todos os pa\u00edses. Mas como seu cultivo era dif\u00edcil na Inglaterra e Fran\u00e7a, pelo clima frio, este se desenvolveu mais nos pa\u00edses tropicais.<\/p>\n<p>A partir do S\u00e9culo XVII, o consumo de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0passou a se disseminar por todo o mundo, vindo a se tornar lentamente na mais importante, saud\u00e1vel e barata bebida natural do planeta.<\/p>\n<p>No aspecto m\u00e9dico, o S\u00e9culo XVII tamb\u00e9m foi brilhante. Foi no S\u00e9culo XVII que come\u00e7ou o surgimento da fisiologia e da anatomia microsc\u00f3pica. A descoberta do microsc\u00f3pio permitiu a visualiza\u00e7\u00e3o e facilitou a substitui\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o passiva pela experi\u00eancia ativa.<\/p>\n<p>A anatomia evoluiu para a &#8220;anatomia animada &#8221; ou fisiologia. O conhecimento da estrutura foi ampliado e enriquecido com o conhecimento da fun\u00e7\u00e3o. NICOLAUS KOPPERNIGK (1473-1543 ) ou COP\u00c9RNICO , estudou medicina em P\u00e1dua e tamb\u00e9m se dedicou a astronomia. Criou o conceito de que a terra girava em torno do Sol, hip\u00f3tese que foi comprovada por GALILEO atrav\u00e9s do uso do telesc\u00f3pio. GALILEO GALILEI (1564-1642 ) foi educado num monast\u00e9rio perto de Floren\u00e7a antes de estudar medicina na Universidade de Pisa e matem\u00e1tica com um professor particular ( tutor ). Aos 25 anos tornou-se professor de matem\u00e1tica da universidade de P\u00e1dua.<\/p>\n<p>L\u00e1 desenvolveu o telesc\u00f3pio e passou a defender as id\u00e9ias de COP\u00c9RNICO, de que era a Terra junto com os demais planetas que giravam em torno do sol, contrariando o conceito geoc\u00eantrico da \u00e9poca. Acabou a \u00faltima d\u00e9cada de sua vida em pris\u00e3o domiciliar por ordem da Igreja, por defender as id\u00e9ias absurdas de COP\u00c9RNICO e contrariar o que ensinava a Igreja. At\u00e9 ent\u00e3o era aceito o conceito criado pelo astr\u00f4nomo grego PTOLOMEU de que a Terra estava localizada im\u00f3vel no centro do universo e que os planetas giravam ao redor dela.<\/p>\n<p>O maior avan\u00e7o cient\u00edfico do s\u00e9culo foi a descoberta da circula\u00e7\u00e3o do sangue e o desenvolvimento da metodologia cient\u00edfica pelo ingl\u00eas WILLIAM HARVEY (1578 -1657), um grande admirador e consumidor de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Embora men\u00e7\u00f5es existissem sobre a circula\u00e7\u00e3o do sangue, a elabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas da teoria mas a comprova\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica e experimental da circula\u00e7\u00e3o do sangue por HARVEY criou uma nova era no pensamento humano &#8211; a Era da Experimenta\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica. HARVEY legou para a hist\u00f3ria da medicina o racioc\u00ednio l\u00f3gico, onde o m\u00e9dico n\u00e3o \u00e9 obrigado a aceitar uma teoria apenas porque ela \u00e9 bonita e conveniente, ou porque ela foi elaborada por algu\u00e9m famoso e influente.<\/p>\n<p>HARVEY rejeitou definitivamente a teoria de GALENO sobre a circula\u00e7\u00e3o do sangue e ensinou a todo m\u00e9dico que ele n\u00e3o deve acreditar em tudo que lhe \u00e9 informado.<\/p>\n<p>Deve confirmar tudo que for poss\u00edvel. Esta \u00e9 a \u00fanica maneira de existir progresso, evolu\u00e7\u00e3o e conhecimento. HARVEY entretanto, como um bom m\u00e9dico, cometeu alguns erros.<\/p>\n<p>Era um monarquista convicto e n\u00e3o apoiou partidos de oposi\u00e7\u00e3o. Os pol\u00edticos da \u00e9poca exigiam mudan\u00e7as na Inglaterra, pois havia muita concentra\u00e7\u00e3o de renda, enquanto que o povo padecia de problemas comuns de sa\u00fade e existiam poucas medidas reais visando beneficiar a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Como HARVEY insistisse em se omitir de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sua descoberta recebeu violenta oposi\u00e7\u00e3o principalmente pelos grandes nomes da \u00e9poca e seguidores de GALENO e outras autoridades do passado, munidos de grande dose de inveja e cobi\u00e7a. HARVEY tratou-os com indiferen\u00e7a, preferindo n\u00e3o criar pol\u00eamica, pois seus colegas que estavam mais interessados em combat\u00ea-lo do que em provar que estava errado, mesmo no campo pol\u00edtico. HARVEY afirmava que a discuss\u00e3o iguala um g\u00eanio e um tolo, e que os tolos sabiam disso, sendo esta a \u00fanica forma de conseguirem igualdade. Defendia a id\u00e9ia de que a melhor atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era a produ\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a discuss\u00e3o, algo comum naquela \u00e9poca. HARVEY era um pol\u00edtico monarquista amigo do rei CARLOS I e continuou seu trabalho.<\/p>\n<p><strong>A descoberta da circula\u00e7\u00e3o de HARVEY levou a duas conclus\u00f5es l\u00f3gicas:<\/strong> a possibilidade do uso intravenoso ( IV) de medicamentos, uma pesquisa efetuada em 1656 por Sir CHRISTOPHER WREN, assistido por BOYLE e WILKINS; e a possibilidade da transfus\u00e3o de sangue. Harvey recomendava o consumo de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0para todas as pessoas e todos os seus pacientes.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cafeesaude.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>A lenda de Kaldi<\/h4>\n<p>Diz a lenda que o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0foi descoberto por um jovem pastor de cabras da cidade de Kaffa, na regi\u00e3o da atual Eti\u00f3pia. Mesmo assim \u00e9 dif\u00edcil determinar quando o caf\u00e9 foi identificado como bem de consumo ou quem preparou a primeira infus\u00e3o, sabemos apenas que a hist\u00f3ria popular aponta para meados do s\u00e9culo III, tendo Kaldi como personagem de um feliz acaso.<\/p>\n<p>Conta-se que ele ficou intrigado com a vitalidade das cabras que comiam folhas e frutos de um arbusto comum nas montanhas abiss\u00ednias, elas ficavam saltitantes e conseguiam percorrer longas dist\u00e2ncias sem demonstrar sinais de cansa\u00e7o ou qualquer outra rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para observar melhor, Kaldi passou a alimentar o rebanho com os frutos vermelhos e, ao final de alguns dias, tamb\u00e9m quis experimentar. Como voc\u00ea deve imaginar, o pastor gostou do efeito estimulante que os frutos proporcionaram. Sentiu-se alegre, bem disposto, e passou a mascar\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0todos dias, principalmente para resistir ao sono nas noites de ora\u00e7\u00e3o. Ele contou sua descoberta para um dos monges do monast\u00e9rio local e a not\u00edcia n\u00e3o demorou a romper fronteiras.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que apesar do nome de batismo ser semelhante ao da cidade onde a hist\u00f3ria come\u00e7a, a palavra\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0deriva da palavra \u00e1rabe qahwa, que significa vinho.<\/p>\n<p>Os \u00e1rabes foram os primeiros a cultivar cafezais e pioneiros no h\u00e1bito de beber\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p>Da\u00ed o nome cient\u00edfico de uma das esp\u00e9cies mais importantes, a Coffea arabica, e a raz\u00e3o por que o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0foi chamado de &#8220;vinho da Ar\u00e1bia&#8221; pelos europeus. Registros hist\u00f3ricos datam os primeiros cultivos em 575 d.C., no I\u00eamen, mas a bebida que conhecemos hoje surgiu no s\u00e9culo XVI, quando os persas come\u00e7aram torrar gr\u00e3os.<\/p>\n<h4>O caf\u00e9 no mundo<\/h4>\n<p>Quando as primeiras sacas de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0chegaram ao Ocidente em 1615, j\u00e1 havia col\u00f4nias europ\u00e9ias tentando introduzir plantios \u00e0 revelia do mundo \u00e1rabe, que mantinha o segredo do cultivo trancado a sete chaves. Foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas cultivadas na Europa, que cresceram em estufas do jardim bot\u00e2nico de Amsterd\u00e3.<\/p>\n<p>Os holandeses iniciaram o cultivo comercial em 1658, primeiro no Sri Lanka, depois em Java, o que encorajou outros pa\u00edses a tentar o mesmo. Por volta de 1706, sua produ\u00e7\u00e3o abrangia grandes \u00e1reas da Indon\u00e9sia e a maior parte do\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0javan\u00eas era exportada para outros pa\u00edses da Europa e para a Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>O primeiro\u00a0\u00a0<strong>p\u00e9 de caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0a crescer na Fran\u00e7a foi presente dos bem sucedidos holandeses ao rei Lu\u00eds XV. A planta decorou a estufa de Versailles por muitos anos, at\u00e9 suas mudas serem cultivadas nas ilhas de Sandwish e de Bourbon.<\/p>\n<p>O famoso\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Bourbon\u00a0<\/strong>\u00a0\u00e9 a fonte original de gr\u00e3os brasileiros e mexicanos, como o Santos e o Oaxaca, mas levou tempo at\u00e9 as sementes chegarem aqui, de um jeito pouco convencional.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0foi trazido ao Brasil pelo oficial luso-brasileiro Francisco de Mello Palheta, que em 1727 recebeu a incumb\u00eancia de ir \u00e0 Guiana Francesa para tratar de quest\u00f5es fronteiri\u00e7as como pretexto para trazer sementes de caf\u00e9. Naquela \u00e9poca, assim como sucedeu com os \u00e1rabes, a produ\u00e7\u00e3o cafeeira s\u00f3 era permitida em col\u00f4nias europ\u00e9ias, com um alto faturamento comercial, por isso Portugal armou seu plano.<\/p>\n<p>Palheta ficou \u00edntimo da esposa do governador de Caiena e voltou ao Brasil com sementes de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 ar\u00e1bica\u00a0<\/strong>\u00a0clandestinamente escondidas no vaso de planta presenteado por Madame D\u2019Orvilliers. Hoje o Brasil \u00e9 o maior produtor do planeta e estima-se que mais de 20 milh\u00f5es de pessoas trabalhem na ind\u00fastria cafeeira ou em seus neg\u00f3cios correlatos mundo afora.<\/p>\n<h4>VIAGEM DO CAF\u00c9<\/h4>\n<p><strong>ORIGEM<\/strong><\/p>\n<p>Os gr\u00e3os ar\u00e1bicos, suaves e arom\u00e1ticos, v\u00eam da Am\u00e9rica Central e do Sul. Os gr\u00e3os Robusta, de sabor forte e bem encorpardo, v\u00eam da \u00c1frica e da \u00c1sia. Cada gr\u00e3o tem seu pr\u00f3prio sabor, que aflora somente depois de torrado<\/p>\n<p><strong>BLENDING<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0se diferencia de pa\u00eds a pa\u00eds, de colheita a colheita. Nossos provadores de caf\u00e9 julgam todos os gr\u00e3os verdes em seus diferentes aspectos para obter o blend (combina\u00e7\u00e3o) ideal.<\/p>\n<p>Desta forma, asseguram que o seu\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Pil\u00e3o\u00a0<\/strong>\u00a0seja sempre igual e delicioso.<\/p>\n<p><strong>TRANSPORTE<\/strong><\/p>\n<p>Os\u00a0\u00a0<strong>gr\u00e3os de caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0s\u00e3o transportados em sacos de juta e tamb\u00e9m em containers. Os gr\u00e3os s\u00e3o ent\u00e3o separados dos detritos como folhas, talos, peda\u00e7os de corda ou metal.<\/p>\n<p><strong>TORREFA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 durante a torrefa\u00e7\u00e3o que os gr\u00e3os de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0obt\u00e9m seu aroma e sabor. Os gr\u00e3os s\u00e3o expostos a ar quente de at\u00e9 250 C e o resultado deste processo \u00e9 determinado pela temperatura e pela dura\u00e7\u00e3o da torrefa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>RESFRIAMENTO<\/strong><\/p>\n<p>Para interromper o processo de torra\u00e7\u00e3o os gr\u00e3os recebem um pequeno jato d&#8217;\u00e1gua e s\u00e3o resfriados com ar. O vapor produzido \u00e9 explido pela chamin\u00e9 da f\u00e1brica.<\/p>\n<p><strong>SECAGEM<\/strong><\/p>\n<p>Os gr\u00e3os tornam-se muito mais leves ap\u00f3s torrados devido a perda de umidade. Por um pequeno espa\u00e7o de tempo, os gr\u00e3os s\u00e3o deixados em descanso, at\u00e9 que sejam mo\u00eddos ou embalados (como gr\u00e3os de caf\u00e9).<\/p>\n<p><strong>MOAGEM<\/strong><\/p>\n<p>A moagem dos gr\u00e3os de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0acontece nos rolos de moagem. Os gr\u00e3os s\u00e3o levados a dois rolos de moagem ondulados com dist\u00e2ncias diferentes, que controlam a granula\u00e7\u00e3o da moagem.<\/p>\n<p><strong>EMBALAGEM<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 torrado\u00a0<\/strong>\u00a0e\u00a0\u00a0<strong>mo\u00eddo\u00a0<\/strong>\u00a0pode ent\u00e3o ser embalado, tanto \u00e0 v\u00e1cuo, que preserva seu aroma e sabor por 1 ano, quanto na tracional embalagem almofada, que o preserva por 3 meses.<\/p>\n<h4>CAF\u00c9S AO REDOR DO MUNDO<\/h4>\n<h4>Quer um Expresso Doppio ou Con Panna? Que tal um Ristretto?<\/h4>\n<p><strong>Conhe\u00e7a os diversos tipos de caf\u00e9 consumidos no mundo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Americano: Caf\u00e9 Expresso\u00a0<\/strong>\u00a0semelhante ao caf\u00e9 filtrado, que leva um pouco mais de \u00e1gua na dilui\u00e7\u00e3o do p\u00f3, mas preserva o sabor do t\u00edpico do Expresso.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 Creme:<\/strong> <strong>Caf\u00e9 comum\u00a0<\/strong>\u00a0com uma camada cremosa do tipo Expresso.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 Frapp\u00e9: <\/strong>Meia dose de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0forte com meia por\u00e7\u00e3o de sorvete.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 Lungo: <\/strong>Caf\u00e9 de &#8220;extra\u00e7\u00e3o-longa&#8221;, que permite fluir mais \u00e1gua atrav\u00e9s do p\u00f3, sem exaurir sua ess\u00eancia. \u00c9 servido nas quantidades de 100 ml e 120 ml.<strong><br \/>\nCaf\u00e9 Ristretto: <\/strong>Expresso curto, tirado da &#8220;cabe\u00e7a de extra\u00e7\u00e3o&#8221; da m\u00e1quina, at\u00e9 a quantidade de 25 ml.<strong><br \/>\nCappuccino:<\/strong> Um ter\u00e7o de\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Expresso<\/strong>\u00a0, com a mesma medida de leite evaporado e de creme de leite.<strong><br \/>\nCarioca: <\/strong>\u00a0<strong>Meio Expresso<\/strong>\u00a0\u00a0com a mesma medida de \u00e1gua quente, servido em x\u00edcara de 50 ml.<strong><br \/>\nCon Panna: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9 Expresso\u00a0<\/strong>\u00a0com chantilly.<strong><br \/>\nDemi-tasse<\/strong>: \u00a0<strong>Caf\u00e9 expresso<\/strong>\u00a0\u00a0em x\u00edcara de caf\u00e9 comum.<strong><br \/>\nDoppio ou Duplo: <\/strong>Dose dupla de\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Expresso<\/strong>\u00a0.<strong><br \/>\nFlavoured Latte: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9 com leite<\/strong>\u00a0\u00a0aromatizado com cereja, baunilha ou outra ess\u00eancia. Servido em quantidade vari\u00e1vel.<strong><br \/>\nKapuziner: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9 preto<\/strong>\u00a0\u00a0com um pouco creme de leite.<strong><br \/>\nPingado: <\/strong>Meia dose de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 comum\u00a0<\/strong>\u00a0com a mesma medida de leite. Tamb\u00e9m conhecido como Caffe Latte ou Caf\u00e9 au Lait.<strong><br \/>\nLatte Macchiato: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9 Expresso\u00a0<\/strong>\u00a0acrescido a um copo de leite quente. \u00c9 uma varia\u00e7\u00e3o do Cappuccino tamb\u00e9m conhecida como Latteccino.<strong><br \/>\nMacchiato:<\/strong> \u00a0<strong>Caf\u00e9 Expresso<\/strong>\u00a0\u00a0com duas colheres de creme de leite.<strong><br \/>\nMocha: <\/strong>Um ter\u00e7o de\u00a0\u00a0<strong>Caf\u00e9 Expresso\u00a0<\/strong>\u00a0com a mesma medida de creme de leite e de chocolate em p\u00f3 dissolvido.<strong><br \/>\nRomano:<\/strong> \u00a0<strong>Caf\u00e9 Expresso<\/strong>\u00a0\u00a0servido com uma casquinha de lim\u00e3o.<strong><br \/>\nSchlagobers: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9 forte<\/strong>\u00a0\u00a0com creme de leite batido.<strong><br \/>\nSchwarzer: <\/strong>\u00a0<strong>Caf\u00e9 puro<\/strong>.<strong><br \/>\nWiener Melange: <\/strong>\u00a0<strong>Meia dose de caf\u00e9 comum<\/strong>\u00a0\u00a0com a mesma medida de leite morno e chocolate. Tamb\u00e9m conhecido como Vienense.<\/p><\/blockquote>\n<h4>D\u00daVIDAS FREQUENTES<\/h4>\n<h4>Qual a melhor forma de guardar caf\u00e9?<\/h4>\n<p>O segredo para apreciar a qualidade do\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e9 assegurar que ele permane\u00e7a o mais fresco poss\u00edvel. N\u00f3s recomendamos que ap\u00f3s de aberta a embalagem ela seja fechada e colocada em um recipiente selado e mantido no rerigerador, longe de produtos qu\u00edmicos e odores fortes. Para usufruir o m\u00e1ximo do sabor e do aroma, consuma seu caf\u00e9 em at\u00e9 30 dias depois de aberto.<\/p>\n<h4>Quantas x\u00edcaras por pacote?<\/h4>\n<p>Um pacote de 250g pode preparar at\u00e9 30 x\u00edcaras de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0. Esta quantidade varia para cada gosto.<\/p>\n<h4>Quantas formas diferentes existem para &#8220;fazer&#8221; caf\u00e9&#8221;?<\/h4>\n<p>H\u00e1 muitas formas diferentes para preparar\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, algumas das quais s\u00e3o relacionadas a costumes culturais. Os mais comuns s\u00e3o os m\u00e9todos que utilizam o filtro e a cafeteira. Recentemente, o m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o expresso tem se tornado conhecido devido, predominantemente, ao mercado comercial. \u00c9 importante que voc\u00ea utilize a granula\u00e7\u00e3o e o m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o mais adequado para obter o sabor de caf\u00e9 da sua prefer\u00eancia.<\/p>\n<h4>Por qu\u00ea a granula\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 \u00e9 importante e qual eu devo comprar?<\/h4>\n<p>O tamanho da granula\u00e7\u00e3o do\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0exerce um efeito significativo na qualidade do sabor. Voc\u00ea deve sempre utilizar a granula\u00e7\u00e3o correta para o tipo de equipamento que possui.<\/p>\n<p>A moagem exp\u00f4e as paredes celulares dos gr\u00e3os e prepara os gr\u00e3os para liberarem seu sabor durante o processamento. Devido \u00e0s varia\u00e7\u00f5es no ciclo do processamento a temperatura da \u00e1gua e o seu padr\u00e3o de agita\u00e7\u00e3o, cada m\u00e9todo de processamento requer diferentes graus de granula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 que h\u00e1 muitas formas diferentes de processsar\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, escolher a granula\u00e7\u00e3o correta \u00e9 essencial para obter o melhor sabor durante sua extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O grau de extra\u00e7\u00e3o depende de tr\u00eas fatores:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Integridade da moagem<br \/>\nRela\u00e7\u00e3o caf\u00e9\/\u00e1gua<br \/>\nExtens\u00e3o do tempo em que os gr\u00e3os est\u00e3o em contato com a \u00e1gua.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em geral, quanto menor o ciclo de processamento, menor a granula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para produzir uma extra\u00e7\u00e3o de sabor maximizado. Quanto maior o ciclo de processamento, maior a granula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. A granula\u00e7\u00e3o mais fina exp\u00f5e mais a \u00e1rea de superf\u00edce do caf\u00e9 \u00e0 agua e os seus \u00f3leos essenciais s\u00e3o liberados mais tarde. M\u00e9todos de processamento mais longos requerem uma granula\u00e7\u00e3o mais grossa para evitar a extra\u00e7\u00e3o demasiada. Uma granula\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com o m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o pode produzir um caf\u00e9 extra forte ou um bem fraco e destitu\u00eddo de sabor.<\/p>\n<h4>Como \u00e9 produzido o caf\u00e9 sol\u00favel?<\/h4>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 sol\u00favel<\/strong>\u00a0\u00a0foi lan\u00e7ado no mercado nos anos 50. Uma x\u00edcara de caf\u00e9 sol\u00favel pode ser preparada f\u00e1cil e rapidamente, sem processamento, uma vez que isso j\u00e1 foi feito na f\u00e1brica.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 2 t\u00e9cnicas usadas para produzir caf\u00e9 sol\u00favel:<\/strong> Secamento congelado e secamento por spray.<\/p>\n<p><strong>Secamento Congelado<\/strong><\/p>\n<p>Neste sistema os gr\u00e3os s\u00e3o torrados, mo\u00eddos e processados resultando num gigantesco tanque de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0. Ent\u00e3o as part\u00edculas de caf\u00e9 s\u00e3o extra\u00eddas e o l\u00edquido remanescente \u00e9 evaporado atrav\u00e9s de um m\u00e9todo avan\u00e7ado de secagem por congelamento.<\/p>\n<p>Durante o processo de secagem por congelamento o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 l\u00edquido<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e9 congelado a 40 graus cent\u00edgrados negativos, o que faz com que as part\u00edculas de \u00e1gua no caf\u00e9 concentrado forme cristais de gelo. Atrav\u00e9s de um m\u00e9todo conhecido como sublima\u00e7\u00e3o o gelo \u00e9 extra\u00eddo dos gr\u00e2nulos congelados utilizando uma c\u00e2mara especial que seca as part\u00edculas a uma press\u00e3o muito baixa. O que permanece \u00e9 o caf\u00e9 sol\u00favel.<\/p>\n<p><strong>Secamento por Spray<\/strong><\/p>\n<p>Para criar o nosso\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 sol\u00favel\u00a0<\/strong>\u00a0usamos uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica de gr\u00e3os, torramos, moemos e o processamos atrav\u00e9s da secagem por spray, o que produz um caf\u00e9 de melhor qualidade e de sabor mais marcante.<\/p>\n<p>Durante esta secagem o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 concentrado<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e9 lan\u00e7ado no topo de uma alta torre junto com ar quente. Devido ao calor a \u00e1gua evapora ao cair, de forma que o que permanece \u00e9 o\u00a0<strong>\u00a0caf\u00e9 sol\u00favel<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<h4>O caf\u00e9 cont\u00e9m aditivos, tais como conservantes?<\/h4>\n<p>N\u00e3o, o\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e9 sempre 100% natural e n\u00e3o cont\u00e9m nenhum aditivo. Caf\u00e9 \u00e9 simplesmente a semente da planta de caf\u00e9 (o gr\u00e3o de caf\u00e9), torrado e mo\u00eddo.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0descafeinado ou &#8220;sem cafe\u00edna&#8221; \u00e9 caf\u00e9 puro do qual foi removida a cafe\u00edna.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0permanece fresco gra\u00e7as \u00e0 embalagem a v\u00e1cuo e, portanto, n\u00e3o precisa de conservantes. Quando o caf\u00e9 cont\u00e9m aditivos isto tem que estar impressso na embalagem.<\/p>\n<h4>O que \u00e9 a cafe\u00edna do caf\u00e9?<\/h4>\n<p>Cafe\u00edna \u00e9 uma subst\u00e2ncia naturalmente contida em v\u00e1rias plantas diferentes, inclusive naquelas que produzem\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, ch\u00e1 e chocolate.<\/p>\n<p>No\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, ela \u00e9 apenas uma das mais de 1500 subst\u00e2ncias que os tecnologistas em alimentos puderam isolar e que se combinam para dar ao caf\u00e9 seu distinto car\u00e1ter.<\/p>\n<p>A Cafe\u00edna tamb\u00e9m age como um estimulante moderado, aumentanto o alerta mental e acelerando o processo do racioc\u00ednio. \u00c9 por isso que algumas pessoas preferem beber\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0descafeinado, principalmente \u00e0 noite, quando desejam relaxar e dormir do que estarem alertas. A cafe\u00edna n\u00e3o tem cor nem sabor, nem odor ou aroma, mas se sua remo\u00e7\u00e3o n\u00e3o for feita com muito cuidado a extra\u00e7\u00e3o pode afetar o delicioso sabor e aroma que a gente espera em um caf\u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p><strong>Indica\u00e7\u00e3o das quantidades de cafe\u00edna por por\u00e7\u00e3o\/x\u00edcara:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00a0<strong>Mg de cafe\u00edna\/por\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Caf\u00e9 (por x\u00edcara de 150 ml) &#8211; torrado e mo\u00eddo ~80<br \/>\nCaf\u00e9 (por x\u00edcara de 150 ml) &#8211; sol\u00favel ~60<br \/>\nCaf\u00e9 descafeinado (por x\u00edcara de 150 ml) (ou torrado ou mo\u00eddo ou sol\u00favel) ~3<br \/>\nCh\u00e1 (por x\u00edcara de 150 ml) ~40<br \/>\nRefrigerante de Cola (por lata de 330ml) ~30<br \/>\nChocolate simples (50g) ~20<\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 diversos produtos encontrados no mercado tais como analg\u00e9sicos que tamb\u00e9m cont\u00eam cafe\u00edna.<\/p>\n<h4>Como \u00e9 produzido o caf\u00e9 descafeinado?<\/h4>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0cont\u00e9m naturalmente um suplemento ativo, a cafe\u00edna. Gr\u00e3os normais de caf\u00e9 cont\u00eam entre 0,8 % e 2,5% de cafe\u00edna dependendo da sua origem e variedade. Um caf\u00e9 descafeinado n\u00e3o est\u00e1 totalmente livre de cafe\u00edna. Nos pa\u00edses da Comunidade Europ\u00e9ia, caf\u00e9 torrado descafeinado pode conter 0.1% de res\u00edduo de cafe\u00edna e 0,3% de extrato de caf\u00e9.<\/p>\n<p>Para produzir caf\u00e9 sem cafe\u00edna o suplemento estimulante precisa ser extra\u00eddo dos gr\u00e3os. J\u00e1 que o caf\u00e9 revela a maior parte do seu sabor durante a torra\u00e7\u00e3o, a cafe\u00edna \u00e9 extra\u00edda dos gr\u00e3os verdes do caf\u00e9. Existem v\u00e1rios m\u00e9todos para conseguir isso, dos quais os m\u00e9todos mais utilizados s\u00e3o o da \u00e1gua-carbono (H2O\/C) e o do diclorometano, (comumente conhecido como DCM). M\u00e9todos modernos de descafeina\u00e7\u00e3o n\u00e3o causam nenhum efeito no sabor e no aroma do caf\u00e9. Ent\u00e3o, um bom caf\u00e9 descafeinado tem quase o mesmo sabor de um caf\u00e9 contendo cafe\u00edna.<\/p>\n<p><strong>O m\u00e9todo \u00c1gua-Carbono<\/strong><\/p>\n<p>Este processo usa \u00e1gua (H2O) como solvente. Os gr\u00e3os verdes s\u00e3o lavados com \u00e1gua por um longo tempo, durante o qual a cafe\u00edna se dissolve na \u00e1gua. A \u00e1gua, com a cafe\u00edna dissolvida \u00e9, ent\u00e3o, bombeada atrav\u00e9s de um filtro de carv\u00e3o ativo (C) que absorve a cafe\u00edna. Os gr\u00e3os descafeinados s\u00e3o secados com ar morno e ent\u00e3o rersfriados com ar frio. S\u00e3o ent\u00e3o torrados, mo\u00eddos e embalados da forma usual. A \u00e1gua \u00e9 reutilizada para outros processos de descafeina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O processo do Diclorometano<\/strong><\/p>\n<p>Este m\u00e9todo emprega o diclorometano (DCM) como solvente e foi desenvolvido para atender a requisitos de determinadas ind\u00fastrias. Os gr\u00e3os verdes s\u00e3o umedecidos com \u00e1gua para tornar sua superf\u00edcie porosa e ent\u00e3o imersos no solvente por 30 minutos. Isto se repete v\u00e1rias vezes. Os gr\u00e3os s\u00e3o removidos do solvente depois que a cafe\u00edna \u00e9 dissolvida. Vapor \u00e9 aplicado durante algum tempo para remover qualquer tra\u00e7o do solvente. Depois disso os gr\u00e3os s\u00e3o secados usando ar morno e resfriados com ar frio. S\u00e3o ent\u00e3o torrados, mo\u00eddos e embalados da forma usual. O diclorometano \u00e9 re-utilizado para posterior descafeina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Cafe\u00edna afeta o sono?<\/h4>\n<p>Como a cafe\u00edna \u00e9 um estimulante moderado, algumas pessoas percebem que levam mais tempo para adormecer depois de tomarem\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e0 noite. Outras pessoas bebem seu caf\u00e9 com prazer ap\u00f3s a refei\u00e7\u00e3o noturna sem sentir qualquer problema. De fato, a pesquisa tem demonstrado que o sono dos indiv\u00edduos varia imensamente em suas rea\u00e7\u00f5es ao caf\u00e9 assim como outros fatores como o ru\u00eddo, a temperatura e o stress podem, igualmente, predispor ao retardamento do sono.<\/p>\n<p>O caf\u00e9 descafeinado est\u00e1 dispon\u00edvel para essas pessoas particularmente sens\u00edveis \u00e0 cafe\u00edna.<\/p>\n<h4>Caf\u00e9 faz mal?<\/h4>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia conclusiva que indique que uma quantidade moderada de caf\u00e9 faz mal \u00e0 sua sa\u00fade. A ci\u00eancia moderna identifica os efeitos da cafe\u00edna, tais como o est\u00edmulo do metabolismo e o aumento na habilidade para reagir. Beber\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0normalmente n\u00e3o causa nenhuma consequ\u00eancia perigosa ao indiv\u00edduo sadio, embora nem todos possam tolerar a cafe\u00edna t\u00e3o bem.<\/p>\n<h4>O caf\u00e9 cont\u00e9m calorias?<\/h4>\n<p>N\u00e3o, mas a adi\u00e7\u00e3o de leite e a\u00e7\u00facar numa x\u00edcara de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0adiciona calorias.<\/p>\n<h4>Quantos pa\u00edses no mundo cultivam caf\u00e9?<\/h4>\n<p>O caf\u00e9 cresce exclusivamente em regi\u00f5es tropicais e sub-tropicais. O atual cintur\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0ao redor do mundo compreende cerca de 70 pa\u00edses envolvidos no cultivo e est\u00e1 circunscrito entre as latitudes de 23 graus norte e 25 graus sul.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior produtor mundial de caf\u00e9. Produz, em m\u00e9dia, cerca de 28% do total da produ\u00e7\u00e3o mundial. A Col\u00f4mbia segue em segundo, com cerca de 16%, a Indon\u00e9sia, em terceiro, com 7%, e o M\u00e9xico, no 4\u00ba lugar, com cerca de 4%.<\/p>\n<h4>Qual a diferen\u00e7a entre os caf\u00e9s?<\/h4>\n<p>A qualidade de gr\u00e3os e sua combina\u00e7\u00e3o, que deve ter sele\u00e7\u00e3o especial, sendo que cada\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0tem seu segredo, sua receita, seu blend.<\/p>\n<h4>Qual \u00e9 o melhor caf\u00e9?<\/h4>\n<p>N\u00e3o tem o &#8221;\u00a0<strong>melhor caf\u00e9<\/strong>\u00a0&#8220;. Cada produto tem seu sabor pr\u00f3prio. \u00c9 como comer 02 tortas de lim\u00e3o, sendo uma com creme de leite Vigor e outra com creme de leite Paulista, no final um ter\u00e1 sua prefer\u00eancia.<\/p>\n<h4>O que \u00e9 blend?<\/h4>\n<p>\u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os de diversas regi\u00f5es (nunca usar a palavra mistura). Mistura \u00e9 entendida como cevada ou produtos que n\u00e3o fazem parte do blend de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<h4>O que faz um caf\u00e9 ser mais caro ou mais barato?<\/h4>\n<p>O tipo de gr\u00e3o que faz parte da saca de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9 verde<\/strong>\u00a0\u00a0comprada com mais ou menos defeitos de caf\u00e9.<\/p>\n<h4>Por que existem eventuais pontos mais claros misturados ao p\u00f3 de caf\u00e9?<\/h4>\n<p>Pontos mais claros encontrados no\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0s\u00e3o provenientes da pel\u00edcula que comp\u00f5e o gr\u00e3o. Como essa pel\u00edcula encontra-se na etapa de torra\u00e7\u00e3o ela vai escurecer com menos intensidade e ficar\u00e1 vis\u00edvel na moagem.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cafepilao.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4 align=\"left\">Tipo de caf\u00e9<\/h4>\n<p align=\"left\"><strong>Ar\u00e1bica<\/strong><\/p>\n<p>Sem duvida a esp\u00e9cie mais conhecida e que representa cerca de 3\/4 da produ\u00e7\u00e3o mundial de\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0. A altura das suas \u00e1rvores variam entre tr\u00eas e cinco metros. O tronco \u00e9 liso, com ramos esguios e compridos. Esta \u00e9 uma esp\u00e9cie que se adapta facilmente \u00e0s diferentes condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e que prefere as mudan\u00e7as de esta\u00e7\u00e3o. A esp\u00e9cie Ar\u00e1bica pode ser cultivada at\u00e9 uma altitude entre os 900 e os 2000 metros, onde a temperatura gira entre os 15\u00b0 e os 24\u00b0C.<\/p>\n<p>O\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0\u00a0verde Ar\u00e1bica tem uma riqueza arom\u00e1tica inconfund\u00edvel.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Robusta<\/strong><\/p>\n<p>Uma esp\u00e9cie bastante comum, n\u00e3o como sendo a melhor, mas a mais dura. No estado selvagem, a sua altura pode variar entre os sete os treze metros; as suas folhas s\u00e3o finas, com um formato el\u00edptico.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do Ar\u00e1bica, o Robusta \u00e9 cultivado a baixa altitude &#8211; entre 200 e 600 metros &#8211; precisamente porque esta esp\u00e9cie n\u00e3o se d\u00e1 bem com a temperatura alcan\u00e7ada em locais de alta altitude, procurando temperaturas constantes, entre os 24\u00b0 e os 29\u00b0C.<\/p>\n<p>Particularmente sens\u00edvel do ponto de vista clim\u00e1tico, a esp\u00e9cie Robusta \u00e9, contudo, menos propensa a doen\u00e7as, e requer de poucos cuidados. A esp\u00e9cie Robusta \u00e9 rica em fenol alkylpirrols, cafe\u00edna (1.6-3.2%, e at\u00e9 mais) e outros componentes. Depois de torrado, estes elementos marcam a diferen\u00e7a ao n\u00edvel do aroma e do paladar, que passam a estar mais evidenciados.<\/p>\n<h4 align=\"left\">Como \u00e9 cultivado<\/h4>\n<p>A \u00e1rvore do caf\u00e9 pode ser reproduzida atrav\u00e9s da planta\u00e7\u00e3o ou da poda. No primeiro caso, o fruto \u00e9 colhido quando est\u00e1 completamente maduro; depois a casca \u00e9 retirada e s\u00e3o selecionados os melhores gr\u00e3os \u00e0 m\u00e3o, com a ajuda da \u00e1gua (os gr\u00e3os que flutuarem, depois de mergulhados na \u00e1gua, s\u00e3o os de pior qualidade). Em seguida s\u00e3o colocados em caixas de madeira e cobertos com terra e folhas, esperando o brotar de novas plantas.<\/p>\n<p>No segundo caso, por outro lado, \u00e9 colocado no ch\u00e3o pequenos ramos da \u00e1rvore adulta. S\u00e3o dispostos um a um num viveiro. A futura \u00e1rvore de caf\u00e9 fica em viveiro durante um ano, para depois ser transferida para as planta\u00e7\u00f5es, onde come\u00e7ar\u00e1 a dar fruto, seguindo-se mais 3 anos de climatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Colher, escolher ou extrair<\/strong><\/p>\n<p>Colher o caf\u00e9 \u00e9, sem d\u00favida, o processo mais caro e que mais pesa a quem cultiva o caf\u00e9. Existem v\u00e1rias t\u00e9cnicas que garantem os n\u00edveis de qualidade exigidos.<\/p>\n<p>A escolha da colheita \u00e9 o m\u00e9todo mais caro, uma vez que \u00e9 feito apenas manualmente. Contudo, \u00e9 um m\u00e9todo bastante preciso, porque apenas s\u00e3o selecionados e colhidos os frutos vermelhos e devidamente amadurecidos. A t\u00e9cnica de extra\u00e7\u00e3o \u00e9 mais bruta, mas \u00e9 menos dispendiosa, quer em dinheiro, quer em tempo. Tudo \u00e9 extra\u00eddo dos ramos com as m\u00e3os &#8211; desde os frutos mais verdes aos mais maduros. O resultado \u00e9 a excel\u00eancia da qualidade da colheita.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00a0<strong>Processo: <\/strong>m\u00e9todo seco ou molhado<\/p>\n<p><strong>Existem 2 m\u00e9todos de escolha:<\/strong> o processo seco ou molhado. O primeiro, \u00e9 o caf\u00e9 natural, enquanto o segundo produz caf\u00e9 previamente demolhado. O m\u00e9todo utilizado afeta, obviamente, as caracter\u00edsticas do gr\u00e3o. Anteriormente, os frutos s\u00e3o separados de tudo o que foi recolhido durante o processo mais duro.<\/p>\n<p>Para tal, os frutos t\u00eam de ser peneirados e depois recebem um poderoso jato de ar ou submersos em tubos com \u00e1gua corrente.<\/p>\n<p>Depois de obter apenas os frutos, s\u00e3o colocados em terrenos especiais, expostos diretamente ao sol, at\u00e9 secarem por completo. Depois s\u00e3o misturados e cobertos com panos resistentes a \u00e1gua, evitando assim que fiquem novamente molhados com a chuva.<\/p>\n<p>Por fim, os gr\u00e3os v\u00eaem finalmente a luz do dia. A maior parte da polpa \u00e9 eliminada, com recurso a uma m\u00e1quina especial. Depois, o fruto \u00e9 submerso em tubos cheios de \u00e1gua, durante dois ou tr\u00eas dias. Neste processo, a polpa restante, que foi submetida \u00e0 fermenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 retirada, deixando aparecer o gr\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1ria muita aten\u00e7\u00e3o durante este processo, para que o fruto n\u00e3o seja destru\u00eddo, o que pode acontecer se o fruto for exposto a um longo processo de fermenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os gr\u00e3os s\u00e3o depois lavados e secos depois da fermenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Um detalhe importante: <\/strong>os gr\u00e3os molhados, obtidos atrav\u00e9s do processo de secagem s\u00e3o, garantidamente, de excelente qualidade, com um aroma especial e inconfund\u00edvel. De qualquer forma, o caf\u00e9 obtido no final de todo o processo \u00e9 designado por caf\u00e9 verde, e est\u00e1 quase pronto para ser exportado.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Sele\u00e7\u00e3o, armazenamento e grau<\/strong><\/p>\n<p>O caf\u00e9 verde quando armazenado tem de ser sujeito a uma sele\u00e7\u00e3o adicional, que pode ser feita manual ou eletronicamente, mediante a cor, excluindo os gr\u00e3os excessivamente maduros ou fermentados.<\/p>\n<p>De seguida, o produto \u00e9 selecionado e classificado &#8211; tendo em aten\u00e7\u00e3o que cada pa\u00eds tem o seu pr\u00f3prio m\u00e9todo estabelecido, mas o proposto pelo New York Coffee e pelo Sugar Exchange \u00e9 um dos mais importantes e dos mais utilizados &#8211; sendo necess\u00e1rio fazer o dep\u00f3sito do produto, com a garantia de uma boa conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de ser transportado, o caf\u00e9 verde tem 11-12% de umidade, e deve ser preferencialmente armazenado em locais com baixa umidade relativa (de prefer\u00eancia inferior a 50%) com uma temperatura constante. N\u00e3o significa, no entanto, que tenha uma resist\u00eancia excepcional com o passar do tempo. Quanto menor for o tempo de armazenamento, melhor ser\u00e1 a qualidade, mesmo com uma umidade relativa extrema.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Como preparar um bom caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Falar de caf\u00e9 espresso \u00e9 falar de uma bebida que tem caracter\u00edsticas \u00fanicas e incompar\u00e1veis. O protagonista na sua prepara\u00e7\u00e3o \u00e9, indiscutivelmente, o caf\u00e9 mas, a escolha do blend certo, a dosagem correta e a m\u00e1quina que o produz s\u00e3o tamb\u00e9m fatores decisivos. O caf\u00e9 espresso \u00e9 a verdadeira experi\u00eancia para os sentidos.<\/p>\n<p>O melhor caf\u00e9? Tem de ter um creme denso e espesso, com cor, com um intenso e refinado aroma e um corpo aveludado. Como \u00e9 que reconhece estas caracter\u00edsticas?<\/p>\n<p><strong>Treinando os seus sentidos:<\/strong> saborear um caf\u00e9 espresso \u00e9 uma arte.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>O caf\u00e9 espresso perfeito, de acordo com o Instituto Italiano do Caf\u00e9 espresso<\/strong><\/p>\n<p>Aqui \u00e9 encontrado o perfil de um caf\u00e9 espresso perfeito, definido pelo Instituto Italiano do Caf\u00e9 espresso, organiza\u00e7\u00e3o que representa o caf\u00e9 espresso em todo o mundo, promovendo a sua cultura.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Dose ideal de caf\u00e9 em gr\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u00a07 g +- 0.5<strong><br \/>\nTemperatura da \u00e1gua na sa\u00edda do grupo de caf\u00e9:<\/strong>\u00a0\u00a088 \u00b0C +- 2 \u00b0C<strong><br \/>\nTemperatura da bebida na x\u00edcara :<\/strong>\u00a0\u00a067 \u00b0C +- 3 \u00b0C<strong><br \/>\nPress\u00e3o da \u00e1gua :<\/strong>\u00a0\u00a09 bar +- 1<strong><br \/>\nTempo de extra\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u00a025 seg +- 2.5 seg<strong><br \/>\nMililitros na x\u00edcara (incluindo a espuma):\u00a0<\/strong>\u00a025 ml +- 2.5<\/p><\/blockquote>\n<h4 align=\"left\">Curiosidade<\/h4>\n<p align=\"left\"><strong>Felizmente as cabras pensaram nisso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o estamos brincando. Nem sequer estamos enganados. Uma das lendas mais conhecidas sobre o caf\u00e9 e a sua origem est\u00e1 intimamente ligada a estes animais de pasto.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria conta que, um dia, na cidade Iemenita de Moka, um pastor chamado Kaldi ou Kaddi viu que uma das suas cabras mais mansas, depois de voltar do pasto, mastigava alguns gr\u00e3os de caf\u00e9 e estava alegre e com energia extra. Ap\u00f3s esse epis\u00f3dio o pastor levou os gr\u00e3os para um monge da regi\u00e3o, o qual decidiu fazer uma infus\u00e3o com os frutos.<\/p>\n<p>Surpreso com o delicioso aroma e com a capacidade que obteve de se manter acordado ap\u00f3s tomar a bebida, o monge divulgou a novidade para todo monast\u00e9rio. Surgindo assim uma das bebidas mais consumidas no mundo.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>A origem do nome&#8230; <\/strong>e que continua a ser uma lenda<\/p>\n<p>Existem diversas teorias que procuram chegar \u00e0 etimologia da palavra caf\u00e9, embora n\u00e3o haja uma opini\u00e3o consensual sobre o assunto. O senso comum diz-nos, no entanto, que talvez tenha tido origem do cl\u00e1ssico Ar\u00e1bica qawha, que significa &#8220;que estimula, que eleva o esp\u00edrito&#8221;. A evolu\u00e7\u00e3o desta palavra ao longo dos anos acabou por transformar-se na palavra Turca kahweh, cuja pron\u00fancia tinha uma sonoriza\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 palavra caf\u00e9 dos tempos de hoje.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Caf\u00e9 e sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Uma ma\u00e7\u00e3 por dia, \u00e9 sin\u00f4nimo de sa\u00fade&#8230;. se o mesmo fosse verdade para uma x\u00edcara de caf\u00e9? Talvez duas ou tr\u00eas porque, quando o caf\u00e9 \u00e9 bom, \u00e9 um prazer que proporcionamos a n\u00f3s mesmos, diversas vezes ao longo do dia. Alguns tomam no caf\u00e9 da manh\u00e3, outros durante a pausa no meio da manh\u00e3, outros ainda depois do almo\u00e7o.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m quem substitua o t\u00e3o apreciado ch\u00e1 das cinco brit\u00e2nico por um bom caf\u00e9, ou at\u00e9 mesmo depois do jantar&#8230; Todas as ocasi\u00f5es s\u00e3o boas para os amantes de caf\u00e9. Existem ainda aqueles que bebem caf\u00e9 para se manterem acordados, e outros que tomam caf\u00e9 para sentirem uma explos\u00e3o de energia. Por \u00faltimo, h\u00e1 ainda quem n\u00e3o consuma a bebida para n\u00e3o fazer subir a tens\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras pessoas que v\u00eaem o caf\u00e9 como um medicamento perfeito para as dores de cabe\u00e7a, outros como o tratamento ideal para o colesterol. Depois h\u00e1 tamb\u00e9m quem beba caf\u00e9 com a esperan\u00e7a de acalmar a fome durante uma dieta. Por \u00faltimo, para uma vida saud\u00e1vel, h\u00e1 quem consuma caf\u00e9 quando tira uma pausa para relaxar. Mas, acredite, com todas estas verdades e fic\u00e7\u00f5es, pensamos que cada um de n\u00f3s deve tomar as suas pr\u00f3prias decis\u00f5es e formar os seus pr\u00f3prios ju\u00edzos.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>O nosso corpo e o caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>O caf\u00e9 acelera os batimentos card\u00edacos, estimula o c\u00e9rebro, aumenta o fluxo urin\u00e1rio, a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos digestivos, relaxa os m\u00fasculos lisos e os que controlam os vasos sangu\u00edneos e as vias respirat\u00f3rias. Atrav\u00e9s de certos mecanismos, causa sensa\u00e7\u00e3o de revigoramento.<\/p>\n<p>Ao atingir o c\u00f3rtex sensorimotor, diminui a fadiga e ao atuar sobre os receptores do horm\u00f4nio adenosina, situados nas c\u00e9lulas nervosas, exerce uma a\u00e7\u00e3o inibidora desse horm\u00f4nio, impedindo que ele aja como redutor da frequ\u00eancia card\u00edaca, da press\u00e3o sangu\u00ednea e da temperatura corporal, fatores respons\u00e1veis pela sensa\u00e7\u00e3o de torpor e do sono.<\/p>\n<p>Por outro lado, a cafe\u00edna exerce um efeito sobre a descarga das c\u00e9lulas nervosas e a libera\u00e7\u00e3o de neurotransmissores e de alguns horm\u00f4nio tais como a adrenalina. Age sobre a enzima lipase, uma lipoprote\u00edna que mobiliza os dep\u00f3sitos de gordura para utiliz\u00e1-la como fonte de energia no lugar do glicog\u00eanio muscular.<\/p>\n<p>Esse efeito de poupar o glicog\u00eanio, torna o corpo mais resistente \u00e0 fadiga, aumenta a capacidade mental e a concentra\u00e7\u00e3o, melhora por um determinado per\u00edodo de tempo o desempenho atl\u00e9tico aumentando a for\u00e7a e a resist\u00eancia muscular e evita crises de asma, relaxando os m\u00fasculos bronquiais obstru\u00eddos.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Um caf\u00e9 no final da refei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um dos maiores prazeres em tomar um caf\u00e9 no final de uma refei\u00e7\u00e3o tornou-se tamb\u00e9m um dos maiores aliados no processo digestivo. Esta \u00e9 uma das conclus\u00f5es presentes em diversos estudos sobre o tema, onde ficou provado que esta bebida estimula a produ\u00e7\u00e3o de sucos g\u00e1stricos, facilitando a atividade do p\u00e2ncreas, respons\u00e1vel pela boa digest\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim sendo, depois de uma refei\u00e7\u00e3o farta, o caf\u00e9 \u00e9 um excelente aliado, contribuindo para uma boa disgest\u00e3o. Depois de qualquer refei\u00e7\u00e3o \u00e9 comum sentirmos sonol\u00eancia, que faz com que queiramos fazer uma cochilo depois do almo\u00e7o. Mas, se o trabalho espera por n\u00f3s, o melhor \u00e9 beber uma boa x\u00edcara de caf\u00e9.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.saeco.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>A Origem do Caf\u00e9<\/h4>\n<p>Bebida arom\u00e1tica, de forte sabor, estimulante do sistema nervoso, o caf\u00e9 \u00e9 hoje um h\u00e1bito disseminado por todo o mundo e sua produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o t\u00eam peso relevante na economia internacional, constituindo um dos principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o de cerca de quarenta pa\u00edses menos desenvolvidos.<\/p>\n<h4 align=\"left\">A Cafe\u00edna<\/h4>\n<p>Presente em algumas bebidas largamente consumidas, como\u00a0\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0, ch\u00e1, guaran\u00e1 e refrigerantes \u00e0 base de cola, a cafe\u00edna induz \u00e0 depend\u00eancia por reduzir a sensa\u00e7\u00e3o de fadiga.<\/p>\n<p>A\u00a0\u00a0<strong>cafe\u00edna<\/strong>\u00a0\u00a0\u00e9 um composto org\u00e2nico do grupo dos alcal\u00f3ides, subst\u00e2ncias que t\u00eam efeitos fisiol\u00f3gicos marcantes e que se encontram em certas plantas j\u00e1 consumidas como estimulantes pelos antigos. A cafe\u00edna apresenta-se sob a forma de um p\u00f3 branco ou pequenas agulhas, que derretem a 238\u00b0C e sublimam a 178\u00b0C, em condi\u00e7\u00f5es normais de temperatura e press\u00e3o. \u00c9 extremamente sol\u00favel em \u00e1gua quente, n\u00e3o tem cheiro e apresenta sabor amargo.<\/p>\n<p>Uma x\u00edcara m\u00e9dia de caf\u00e9 cont\u00e9m, em m\u00e9dia, cem miligramas de cafe\u00edna. J\u00e1 numa x\u00edcara de ch\u00e1 ou um copo de alguns refrigerantes encontram-se quarenta miligramas da subst\u00e2ncia. A cafe\u00edna estimula o sistema nervoso central, o cora\u00e7\u00e3o, vasos sang\u00fc\u00edneos e os rins. Sua r\u00e1pida a\u00e7\u00e3o estimulante faz dela poderoso ant\u00eddoto depress\u00e3o respirat\u00f3ria em conseq\u00fc\u00eancia de intoxica\u00e7\u00e3o por drogas como morfina e barbit\u00faricos. A ingest\u00e3o excessiva pode provocar, em algumas pessoas, efeitos negativos como irritabilidade, ansiedade, agita\u00e7\u00e3o, dor de cabe\u00e7a e ins\u00f4nia.<\/p>\n<h4 align=\"left\">O Fruto<\/h4>\n<p>Caf\u00e9 \u00e9 fruto do cafeeiro, arbusto da fam\u00edlia das rubi\u00e1ceas, g\u00eanero Coffea, do qual existem mais de sessenta esp\u00e9cies e in\u00fameras variedades, podendo chegar a at\u00e9 dez metros de altura. As principais esp\u00e9cies de import\u00e2ncia econ\u00f4mica s\u00e3o a Coffea arabica e a Coffea robusta ou canephora, sendo a primeira de maior cota\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional por suas qualidades de aroma e sabor.<\/p>\n<p>A planta cultivada cresce bem menos do que em estado nativo mas fornece maior quantidade de frutos. O caule tem casca cinzenta e rugosa e as folhas, agudas e onduladas nas margens, s\u00e3o verde-escuras; possui flores brancas, que se unem em cimeiras na axila das folhas superiores. O fruto, baga ov\u00f3ide, \u00e9 vermelho quando maduro e quase preto depois de seco, e cont\u00e9m duas sementes, achatadas ou ov\u00f3ides, revestidas de tegumento amarelado ou acinzentado.<\/p>\n<h4 align=\"left\">Aplica\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>Al\u00e9m do consumo universal da infus\u00e3o, o caf\u00e9 tem outras aplica\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que, por conter cafe\u00edna e outros alcal\u00f3ides em sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, atua no sistema nervoso e circulat\u00f3rio, estimulando a atividade cerebral e card\u00edaca, al\u00e9m de servir como diur\u00e9tico. \u00c9 empregado contra dor de cabe\u00e7a, embriaguez, asma, tosse e como ant\u00eddoto do \u00f3pio e da morfina.<\/p>\n<p>Em algumas regi\u00f5es do Brasil, as folhas do cafeeiro, usadas em forma de banhos, combatem os resfriados e reumatismos. Entretanto n\u00e3o tem valor nutritivo e, se consumido em excesso, pode causar gastrite, nervosismo e altera\u00e7\u00f5es no ritmo card\u00edaco. O res\u00edduo da infus\u00e3o serve como adubo.<\/p>\n<h4 align=\"left\">Origem do caf\u00e9<\/h4>\n<p>A <strong>hist\u00f3ria do caf\u00e9<\/strong> \u00e9 vaga e obscura. A palavra caf\u00e9 parece derivar do \u00e1rabe qahwah, embora etimologistas a relacionem com Kaffa, prov\u00edncia da Eti\u00f3pia de onde a planta \u00e9 nativa. De l\u00e1 passou para a Ar\u00e1bia e admite-se que os \u00e1rabes hajam come\u00e7ado a tomar caf\u00e9 j\u00e1 no s\u00e9culo XV. O cultivo se desenvolveu e o I\u00eamen permaneceu como principal fornecedor mundial at\u00e9 o s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>Uma das lendas em torno da descoberta do efeito estimulante do caf\u00e9 \u00e9 a do pastor Kaldi. Ao ver a agita\u00e7\u00e3o das cabras de seu rebanho, ap\u00f3s a ingest\u00e3o de alguns frutos do cafeeiro, Kaldi provou os frutinhos avermelhados, comprovando seu poder excitante. Isso teria ocorrido no ano 850. Outras fontes, entretanto, contam ter sido um monge \u00e1rabe o primeiro a preparar uma infus\u00e3o com sementes de caf\u00e9, a fim de livrar-se do sono que o impedia de realizar suas ora\u00e7\u00f5es noturnas.<\/p>\n<p>Em Meca, cidade santa dos mu\u00e7ulmanos, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI o caf\u00e9 era muito consumido, mas n\u00e3o tardou a ser condenado pelas seitas mais ortodoxas do islamismo e, a pretexto de contrariar o Alcor\u00e3o, seu uso foi proibido. Em 1526 a proibi\u00e7\u00e3o foi abolida e tanto a agricultura como o com\u00e9rcio do caf\u00e9 desenvolveram-se em toda a pen\u00ednsula ar\u00e1bica, at\u00e9 chegar \u00e0 Turquia e depois \u00e0 Europa, no decorrer dos s\u00e9culos XVI e XVII.<\/p>\n<p>Quem primeiro divulgou as propriedades do caf\u00e9 na Europa foi Leonard Rauwolf, alem\u00e3o que viajou pelo Oriente em 1592, seguindo-se a ele o bot\u00e2nico italiano Prospero Alpini. Admite-se que em Veneza, no fim do s\u00e9culo XVI, consumia-se caf\u00e9. A planta parece ter sido levada para o continente americano, em 1607, pelo capit\u00e3o John Smith, fundador da Virg\u00ednia. No princ\u00edpio do s\u00e9culo XVII, os navios da Companhia das \u00cdndias Orientais traziam grandes cargas de caf\u00e9 do Oriente.<\/p>\n<p>Foi em Constantinopla (hoje Istambul, Turquia) que se abriu o primeiro estabelecimento para servir caf\u00e9 ao p\u00fablico, em 1550. Na Europa as primeiras casas de caf\u00e9 surgiram em Veneza, em 1591; Londres, em 1652; e Marselha em 1671. A partir de 1670, estabelecimentos semelhantes difundiram-se pelas grandes cidades dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Com a populariza\u00e7\u00e3o do uso do caf\u00e9 seu cultivo espalhou-se pelo mundo.<\/p>\n<p>Conta-se que sua chegada ao Novo Mundo deve-se ao capit\u00e3o franc\u00eas Gabriel-Mathieu de Clieu, respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o da primeira planta, na Martinica. Entre 1720 e 1723, De Clieu, que servia na guarni\u00e7\u00e3o da Martinica, visitou a Fran\u00e7a, onde soube que os holandeses haviam transplantado com \u00eaxito o caf\u00e9 para as ndias Orientais, cujo clima se assemelha ao da Martinica.<\/p>\n<p>Resolveu ent\u00e3o iniciar a cultura nessa col\u00f4nia; mas os poucos cafeeiros ent\u00e3o existentes em Paris eram conservados com muito cuidado, em estufas, pelos jardineiros de Lu\u00eds XV. S\u00f3 a muito custo ele conseguiu algumas mudas e durante a viagem de volta \u00e0 Martinica foi obrigado, durante mais de um m\u00eas, a dividir a sua cota de \u00e1gua no navio com os cafeeiros, finalmente plantados na ilha e tratados com cuidado at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o das primeiras bagas. Elas originaram a maior parte das atuais planta\u00e7\u00f5es daquela regi\u00e3o.<\/p>\n<h4 align=\"left\">Distribui\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica<\/h4>\n<p>O cafeeiro prospera em climas tropicais e em terras de m\u00e9dia altitude. O solo deve ser \u00famido, rico em mat\u00e9ria org\u00e2nica e poroso, para evitar a acumula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, que apodrece a raiz da planta.<\/p>\n<p>At\u00e9 a primeira metade do s\u00e9culo XX, era generalizada a cren\u00e7a entre os lavradores brasileiros de que o caf\u00e9 s\u00f3 podia ser cultivado eficientemente em terras virgens, ap\u00f3s a derrubada das matas, limpeza do terreno e abertura das covas para receber diretamente as sementes ou mudas, sem necessidade de aduba\u00e7\u00e3o devido \u00e0 fertilidade do solo. Essa cren\u00e7a est\u00e1 superada e o caf\u00e9 \u00e9 hoje produzido dentro das mais modernas t\u00e9cnicas de plantio, de corre\u00e7\u00e3o do solo e de irriga\u00e7\u00e3o e drenagem.<\/p>\n<p>O habitat natural das esp\u00e9cies de maior import\u00e2ncia econ\u00f4mica \u00e9 a zona tropical da \u00c1frica, numa faixa que se estende desde a Guin\u00e9 at\u00e9 a Eti\u00f3pia e, ao sul, at\u00e9 Angola. Na Eti\u00f3pia ainda subsistem florestas de cafeeiros nativos e em algumas regi\u00f5es da \u00c1sia (Myanmar, Indon\u00e9sia) certas esp\u00e9cies vegetam espontaneamente.<\/p>\n<p>Existem culturas comerciais em cerca de setenta regi\u00f5es, do equador aos tr\u00f3picos, faixa ultrapassada, ao sul, apenas no Brasil e em Mo\u00e7ambique e ao norte em Formosa.<\/p>\n<p><strong>As principais esp\u00e9cies est\u00e3o distribu\u00eddas geograficamente como se segue:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Coffea arabica:<\/strong>\u00a0\u00a0Predomina no Ocidente, onde 27 pa\u00edses a cultivam isoladamente e 31 associam-na a outras esp\u00e9cies. No continente africano floresce nos planaltos da Eti\u00f3pia, sudeste do Sud\u00e3o, Camar\u00e3o, Angola, regi\u00e3o oriental do Zaire, Ruanda, Burundi, Qu\u00eania e Tanz\u00e2nia. Na \u00c1sia quase se extinguiu quando os cafeeiros foram atacados pela ferrugem, uma doen\u00e7a que d\u00e1 nas folhas do arbusto, mas subsiste em certas regi\u00f5es das Filipinas e da Indon\u00e9sia. <strong>No Brasil as variedades mais cultivadas s\u00e3o:<\/strong> typica, mundo novo, caturra, maragogipe e bourbon.<strong><br \/>\nCoffea robusta ou canephora:<\/strong> Concentra-se na \u00c1sia e \u00c1frica, predominando no Benin, Togo, Gab\u00e3o, Congo, Angola, Madagascar, Uganda, Costa do Marfim, Camar\u00e3o, Lib\u00e9ria, Tanz\u00e2nia, Guin\u00e9, Indon\u00e9sia, Vietnam, Filipinas, Sri Lanka, Nova Caled\u00f4nia, Ilhas Comores, al\u00e9m de Trinidad e Martinica. Essa variedade tamb\u00e9m \u00e9 cultivada nas Antilhas, Equador e Brasil.<strong><br \/>\nCoffea liberica:\u00a0<\/strong>\u00a0De import\u00e2ncia econ\u00f4mica reduzida no quadro mundial, \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie existente na Guiana. Seu cultivo se estende a cerca de 17 pa\u00edses, sendo os maiores produtores Suriname, Mal\u00e1sia, Lib\u00e9ria, Filipinas, Guin\u00e9 Equatorial e S\u00e3o Tom\u00e9.<\/p><\/blockquote>\n<h4 align=\"left\">Condi\u00e7\u00f5es de cultivo<\/h4>\n<p>Como planta tropical, o caf\u00e9 n\u00e3o se adapta ao clima frio e \u00e0 seca. As regi\u00f5es mais favor\u00e1veis s\u00e3o as que apresentam temperaturas m\u00e9dias anuais entre 18 e 20o C e em que as m\u00ednimas absolutas raramente descem abaixo de zero. As geadas freq\u00fcentemente s\u00e3o prejudiciais. Como planta de clima \u00famido aceita \u00edndices pluviom\u00e9tricos da ordem de 1.500mm anuais e as estiagens n\u00e3o podem ser muito longas, j\u00e1 que a seca prejudica mais as lavouras que a umidade excessiva.<\/p>\n<p>Quando plantado em condi\u00e7\u00f5es de solo apropriadas, o cafeeiro come\u00e7a a produzir no terceiro ano em quantidade apreci\u00e1vel. Seu per\u00edodo de rendimento pleno tem in\u00edcio entre o s\u00e9timo e o oitavo ano e sua vida \u00fatil situa-se entre 15 e 20 anos. Em algumas regi\u00f5es do Brasil os cafezais produzem acima dessa idade, por outros vinte anos, aproximadamente.<\/p>\n<h4>Os cafeeiros s\u00e3o cultivados atualmente com novos m\u00e9todos; as mudas crescem em viveiros e s\u00e3o depois transplantadas em fileiras, o que vai facilitar a colheita, al\u00e9m de que a abertura de valas ajuda a controlar a eros\u00e3o. A qualidade da terra, a sele\u00e7\u00e3o de fertilizantes, a irriga\u00e7\u00e3o artificial, assim como a prote\u00e7\u00e3o contra as geadas e a ferrgem, s\u00e3o fatores de crescente import\u00e2ncia na moderna cafeicultura.<\/h4>\n<h3 align=\"left\">A colheita<\/h3>\n<p><strong>A colheita do caf\u00e9 \u00e9 feita de tr\u00eas maneiras:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1)\u00a0<\/strong>\u00a0derri\u00e7a, quando os frutos s\u00e3o arrancados \u00e0 m\u00e3o e jogados ao ch\u00e3o, para, em seguida, com aux\u00edlio do rastelo (um instrumento agr\u00edcola com dentes de madeira ou ferro) serem juntados e peneirados, de modo a se expurgarem as folhas, torr\u00f5es de terra e outras impurezas<strong><br \/>\n2)<\/strong>\u00a0\u00a0colheita no pano, quando o apanhador de caf\u00e9 desprende os frutos do galho e os apara com um pano, normalmente preso \u00e0 cintura<strong><br \/>\n3)\u00a0<\/strong>\u00a0a dedo, quando se colhem os frutos maduros (cor de cereja), guardando-os em cestos, sacos ou peneiras. \u00c9 um processo de colheita mais lento, mas melhor apurado. Os gr\u00e3os depois de colhidos devem ser limpos e esse trabalho pode ser a seco, com o uso de m\u00e1quinas especiais, ou por processo hidr\u00e1ulico, em lavadouros.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os processos de secagem dos gr\u00e3os variam, mas no Brasil, Costa do Marfim e Angola \u00e9 comum a coloca\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os ao sol, em terreiros previamente limpos, onde, durante dez ou 12 dias, s\u00e3o remexidos, espalhados e finalmente amontoados.<\/p>\n<p>Do terreiro o caf\u00e9 \u00e9 levado para as tulhas (uma esp\u00e9cie de dep\u00f3sito), onde &#8220;descansa&#8221; por um per\u00edodo aproximado de quarenta dias, para depois ser beneficiado, classificado e ensacado. Atualmente, na maioria dos grandes centros produtores, entre os quais destacam-se no Brasil os estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Paran\u00e1, as diversas etapas do beneficiamento, como secagem, sele\u00e7\u00e3o, despolpamento e torrefa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o realizadas mecanicamente.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cafearanas.com.br<\/p>\n<h6>Hist\u00f3ria do Caf\u00e9<\/h6>\n<h4>ORIGEM DO CAF\u00c9<\/h4>\n<p>Planta foi descoberta por pastores de cabras.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9\u00a0<\/strong>\u00a0no estado &#8220;cereja&#8221; os primeiros frutos foram descobertos na Eti\u00f3pia e eram comidos pelos pastores na forma de pasta com manteiga.<\/p>\n<p>Sabe-se que, atualmente, o Brasil \u00e9 o maior produtor de caf\u00e9 do mundo. Mas quem teria sido o primeiro pa\u00eds a cultivar a planta?&#8230;<\/p>\n<p>Segundo a publica\u00e7\u00e3o &#8220;Cultura de Caf\u00e9&#8221;, editada pelo Instituto Campineiro de Ensino Agr\u00edcola, o chamado &#8220;ouro negro&#8221; foi introduzido pelos \u00e1rabes, inicialmente na regi\u00e3o da Eti\u00f3pia, antiga Abs\u00ednia (\u00c1frica) e I\u00eamen (Ar\u00e1bia), \u00e0s margens do Mar Vermelho.<\/p>\n<h4>Planta estimulante<\/h4>\n<p>Estima-se que o caf\u00e9 seja conhecido h\u00e1 mil anos no Oriente M\u00e9dio, especialmente na regi\u00e3o de Kafa (da\u00ed o nome &#8220;Caf\u00e9&#8221;). Mas o primeiro registro comprovado da exist\u00eancia da planta \u00e9 do s\u00e9culo XV (por volta do ano de 1.400 d.c.). Nessa \u00e9poca, o caf\u00e9 foi descoberto por pastores de cabras et\u00edopes. Eles notaram que quando os animais comiam uma pequena cereja (o fruto do caf\u00e9) tornavam-se mais espertos e resistentes.<\/p>\n<p>Kaldi (nome de um desses pastores) passou a colher as cerejas do caf\u00e9 e preparar, para seu pr\u00f3prio consumo, uma tonificante pasta feita com cerejas esmagadas e manteiga. Os \u00e1rabes, vizinhos do Oriente M\u00e9dio, foram os primeiros a cultivar o caf\u00e9 (por isso o nome Coffea arabica \u2013 nome cient\u00edfico de uma das mais importantes esp\u00e9cies de caf\u00e9). Os \u00e1rabes foram tamb\u00e9m os primeiros a beber o caf\u00e9 \u2013 em vez de comer ou mascar, como faziam os pioneiros pastores da Eti\u00f3pia.<\/p>\n<h4>Caf\u00e9 \u00e9 o rem\u00e9dio<\/h4>\n<p>\u00c9 interessante notar que na \u00c1frica, ber\u00e7o do caf\u00e9, houve pouco interesse no cultivo da planta at\u00e9 a Primeira Guerra Mundial. S\u00f3 depois de 1918 \u00e9 que se iniciou naquele continente a expans\u00e3o cafeeira, estimulada pelas metr\u00f3poles europ\u00e9ias. A sabedoria dos nativos africanos por\u00e9m, j\u00e1 levava-os a explorar as propriedades medicinais da planta h\u00e1 pelo menos dois s\u00e9culos antes. Quando os europeus chegaram ao ex-Congo Belga, por exemplo, as tribos j\u00e1 haviam descoberto h\u00e1 muito tempo os efeitos estimulantes de bebidas preparadas com folhas de cafeeiros<\/p>\n<h4>Origem da palavra Caf\u00e9<\/h4>\n<p>No mundo \u00e1rabe, o fruto cafeeiro era chamado de QUAHWAH, cujo significado quer dizer for\u00e7a e vigor. Posteriormente os Turcos e outros orientais passaram a pronunciar CABEUH, cuja palavra adaptou-se ao franc\u00eas sem a demasiada inspira\u00e7\u00e3o dos HH, vindo essa palavra a dar origem a palavra CAF\u00c9 no Portugu\u00eas, Franc\u00eas, Italiano e Espanhol; COFFEE em Ingl\u00eas; KAFFE em Alem\u00e3o; KAVE no H\u00fangaro; KOHI no Japon\u00eas e KIAFEY no Chin\u00eas.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.graominas.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caf\u00e9 \u00a0Nome popular:\u00a0cafeeiro Nome cient\u00edfico:\u00a0Coffea arabica L Fam\u00edlia bot\u00e2nica:\u00a0Rubiaceae Origem:\u00a0\u00c1frica &#8220;E eu sinto o gosto, o aroma,o sangue quente de S\u00e3o Paulonesta pequena noite l\u00edquida e cheirosaque \u00e9 a minha x\u00edcara de caf\u00e9.&#8221; MARTIM CERER\u00ca Cassiano Ricardo Caracter\u00edsticas da planta Arbusto de at\u00e9 4 m de altura, caule reto de casca cinzenta e rugosa. 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