{"id":107684,"date":"2017-02-08T11:07:26","date_gmt":"2017-02-08T13:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=107684"},"modified":"2022-01-05T16:35:27","modified_gmt":"2022-01-05T18:35:27","slug":"ciclo-do-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-do-brasil\/ciclo-do-cafe","title":{"rendered":"Ciclo do Caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ciclo do Caf\u00e9 &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>As primeiras mudas e sementes de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0chegam ao Brasil no s\u00e9culo XVIII, por volta de 1730, vindas da Am\u00e9rica Central e das Guianas.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 s\u00f3 a partir do come\u00e7o do s\u00e9culo XIX que a cafeicultura ganha o interesse dos grandes propriet\u00e1rios. Torna-se rapidamente a principal atividade agr\u00edcola do pa\u00eds, respons\u00e1vel por mais da metade da renda obtida com exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A crescente import\u00e2ncia econ\u00f4mica faz dos produtores de caf\u00e9 de S\u00e3o Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais o centro da elite dirigente do Imp\u00e9rio e da Rep\u00fablica, at\u00e9 quase meados do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>As\u00a0<strong>sementes do caf\u00e9<\/strong>\u00a0tiveram que ser plantadas no pa\u00eds porque a planta n\u00e3o \u00e9 origin\u00e1ria das Am\u00e9ricas. O primeiro cafeeiro foi plantado no Brasil em 1727 no estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Reza a lenda que o governo brasileiro buscava uma fatia do mercado de caf\u00e9 e enviou o tenente-coronel Francisco de Melo Palheta para contrabandear sementes de caf\u00e9 da Guiana Francesa, aparentemente para mediar uma disputa de fronteira. Em vez de se voltar para as fazendas de caf\u00e9 que parecem fortalezas, Palheta usou suas atra\u00e7\u00f5es pessoais para persuadir a primeira-dama da Guiana Francesa.<\/p>\n<p>Incapaz de resistir a seus encantos, ela lhe deu um buqu\u00ea com mudas em um jantar de despedida estadual antes de sua partida para o Brasil.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria cafeeira era dependente de escravos, na primeira metade do s\u00e9culo 19 1,5 milh\u00e3o de escravos foram importados para o Brasil para suprir a necessidade de m\u00e3o de obra escrava na cafeicultura do sudeste.<\/p>\n<p>Quando o com\u00e9rcio estrangeiro de escravos foi finalmente abolido no Brasil em 1850, os donos das planta\u00e7\u00f5es recorreram aos imigrantes europeus para atender \u00e0 demanda de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p><strong>Ciclo do Caf\u00e9 &#8211; O que foi<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0entrou no Brasil pelas m\u00e3os de um portugu\u00eas, o comerciante Melo Palheta, que plantou algumas mudas num fundo do quintal em Bel\u00e9m do Par\u00e1 em 1727.<\/p>\n<p>Dali o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0percorreu todo o litoral brasileiro, sempre em pequenas planta\u00e7\u00f5es para uso da casa ou em vendas e quitandas.<\/p>\n<p>Mas, um s\u00e9culo depois, j\u00e1 havia grandes planta\u00e7\u00f5es no Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, de onde abra\u00e7ou para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Escolhido pelos fazendeiros como produto de exporta\u00e7\u00e3o nas terras do Sul, o\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0mostrou que podia produzir muito mais e os mercados europeus pagavam muito bem pela bebida que se tornava moda.<\/p>\n<p>Em Campinas, os\u00a0<strong>cafeeiros<\/strong>\u00a0encontraram as primeiras terras roxas e o resultado foi melhor ainda.<\/p>\n<p>Em 1850, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0era o nosso primeiro produto de exporta\u00e7\u00e3o. Os fazendeiros enriqueciam e abriam novas fazendas, compravam cada vez mais escravos para o trabalho na terra.<\/p>\n<p>Estimulava-se a vinda de todas as ra\u00e7as para o Brasil.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0normalmente, levava 4 anos para a primeira colheita. No Norte do Paran\u00e1 as primeiras colheitas confirmaram o \u201cO Ouro Verde\u201d que se tinha.<\/p>\n<p>Mal come\u00e7avam a plantar\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0no Norte velho do Paran\u00e1 e os trilhos da estrada de ferro Sorocabana chegavam at\u00e9 Ourinhos fronteira com S. Paulo.<\/p>\n<p>Em 1924, Lord Lovat conhece as primeiras terras e fazendas do norte do Paran\u00e1 e conclui que n\u00e3o haveria lugar melhor para o plantio do algodoais e cafezais.<\/p>\n<p>Por isso a base econ\u00f4mica forte da \u00e9poca em Arapongas e regi\u00e3o foi basicamente o\u00a0<strong>Caf\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-107688 size-full\" title=\"Ciclo do Caf\u00e9\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cciclo-1.jpg\" alt=\"Ciclo do Caf\u00e9\" width=\"500\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cciclo-1.jpg 500w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/cciclo-1-300x171.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><strong>Caf\u00e9<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo 18, o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0era considerado um produto para o consumo. Nos anos de 1840\/50 esta mat\u00e9ria-prima avan\u00e7a e conquista o mundo, tornando-se o principal produto de comercializa\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>A<strong>\u00a0expans\u00e3o da lavoura cafeeira\u00a0<\/strong>come\u00e7ou nas regi\u00f5es montanhosas do vale do Para\u00edba do Sul, pr\u00f3ximas do Rio de Janeiro, mas durante o desenvolvimento do cultivo, S\u00e3o Paulo se transforma na capital oficial do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>, tendo como polos principais as cidades de Campinas e Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, a lavoura cafeeira desenvolveu-se com base na grande propriedade de monocultura e na utiliza\u00e7\u00e3o do trabalho escravo, mas com a proibi\u00e7\u00e3o desta atividade em 1850, os fazendeiros foram obrigados a substituir os escravos pelos trabalhadores livres assalariados \u2013 imigrantes europeus que tinham o incentivo do governo para trabalhar nos campos de cultivo.<\/p>\n<p>Anteriormente, entre os anos de 1850\/70, a imigra\u00e7\u00e3o foi espont\u00e2nea. Os pr\u00f3prios propriet\u00e1rios incentivavam a vinda dos camponeses portugueses, italianos, espanh\u00f3is e alem\u00e3es, assinando os contratos ainda na Europa. Esses pa\u00edses passavam por lutas internas e pelo crescimento das ind\u00fastrias, que provocavam o \u00eaxodo rural (sa\u00edda em massa do campo para as cidades).<\/p>\n<p>Em 1870, o Estado cuidou de formalizar, junto aos governos europeus, as condi\u00e7\u00f5es de imigra\u00e7\u00e3o para o trabalho nas lavouras brasileiras, melhorando as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos milhares de imigrantes. Al\u00e9m disso, a proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos liberou um volume de capital, at\u00e9 ent\u00e3o envolvido apenas com o com\u00e9rcio negreiro. Parte deste dinheiro foi para o investimento na\u00a0<strong>expans\u00e3o do caf\u00e9<\/strong>, a outra parte se destinou aos empreendimentos comerciais e industriais.<\/p>\n<p>Por volta de 1880, gra\u00e7as a esses capitais, foram criadas sociedades, companhias e empresas comerciais e industriais. S\u00e3o f\u00e1bricas, ferrovias, bancos, ilumina\u00e7\u00e3o urbana, tel\u00e9grafo, enfim os grandes centros estavam se transformando no que s\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>Nasce uma nova classe al\u00e9m dos bar\u00f5es do\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>, os empreendedores e industriais. O nome de Irineu Evangelista de Souza, o Bar\u00e3o de Mau\u00e1 era o de maior destaque.<\/p>\n<p>Ele foi um dos primeiros a perceber que a uni\u00e3o dos capitais deslocados com a proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico, poderia e deveria alimentar as for\u00e7as produtivas do pa\u00eds. Mau\u00e1 dominou sua \u00e9poca, ele foi industrial, banqueiro, pol\u00edtico e diplomata.<\/p>\n<p>A era Mau\u00e1, como ficou conhecida a\u00a0<strong>expans\u00e3o cafeeira no Brasil<\/strong>, trouxe a moderniza\u00e7\u00e3o para os grandes centros do Pa\u00eds, como a inaugura\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro, da ilumina\u00e7\u00e3o a g\u00e1s e o abastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Essa\u00a0<strong>expans\u00e3o<\/strong>\u00a0se estende at\u00e9 os anos de 1900.<\/p>\n<p><strong>Ciclo do Caf\u00e9 &#8211; Expans\u00e3o cafeeira<\/strong><\/p>\n<p>Das pequenas planta\u00e7\u00f5es nas vizinhan\u00e7as da corte, entre 1810 e 1820, os\u00a0<strong>cafeeiros<\/strong>\u00a0espalham-se por todo o vale do rio Para\u00edba, primeiro na por\u00e7\u00e3o fluminense, depois na paulista e no sul de Minas.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XIX ocupam parte das terras das antigas lavouras de cana-de-a\u00e7\u00facar e algod\u00e3o e invadem o chamado Oeste Paulista, inicialmente a regi\u00e3o de Campinas e Sorocaba e, em seguida, Ribeir\u00e3o Preto e Araraquara. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, os cafezais cobrem extensa faixa paralela ao litoral das regi\u00f5es Sul e Sudeste, que vai do Paran\u00e1 ao Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>A cafeicultura ganha a primazia entre as monoculturas exportadoras, desbancando a tradicional agricultura canavieira.<\/p>\n<p>O sucesso e a vigorosa\u00a0<strong>expans\u00e3o cafeeira no Sudeste brasileiro\u00a0<\/strong>durante o s\u00e9culo XIX devem-se a uma combina\u00e7\u00e3o de fatores. De um lado, uma conjuntura externa favor\u00e1vel, com o crescimento do consumo na Europa e nos Estados Unidos, e uma crise em importantes regi\u00f5es produtoras, como Haiti, Ceil\u00e3o (atual Sri Lanka) e Java, na Indon\u00e9sia. Com isso, os pre\u00e7os mant\u00eam-se em alta nos mercados consumidores. Por outro lado, no Brasil h\u00e1 terras e escravos subutilizados nas lavouras tradicionais de a\u00e7\u00facar e algod\u00e3o e solos novos e f\u00e9rteis, como as terras roxas no interior paulista.<\/p>\n<p><strong>A r\u00e1pida amplia\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 cria tamb\u00e9m o primeiro problema:<\/strong>\u00a0a escassez de m\u00e3o-de-obra provocada pela interrup\u00e7\u00e3o definitiva do tr\u00e1fico de escravos africanos em 1850.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o encontrada \u00e9 a atra\u00e7\u00e3o de imigrantes, com o apoio oficial. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, as fazendas de caf\u00e9 recebem milhares de imigrantes europeus \u2013 italianos, portugueses, espanh\u00f3is, alem\u00e3es, su\u00ed\u00e7os e eslavos \u2013 e asi\u00e1ticos, que v\u00eam trabalhar em regime de parceria, recebendo por produ\u00e7\u00e3o ou como assalariado. Com a substitui\u00e7\u00e3o do trabalho escravo pelo livre, a cafeicultura n\u00e3o apenas se desenvolve como tamb\u00e9m apressa o fim da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ciclo do Caf\u00e9 &#8211; Pol\u00edtica do caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, a continuidade do crescimento \u00e9 refor\u00e7ada por uma pol\u00edtica governamental bastante favor\u00e1vel aos interesses do setor, que garante cr\u00e9dito, forma\u00e7\u00e3o de estoques e interven\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio para compensar eventuais baixas dos pre\u00e7os internacionais.<\/p>\n<p><strong>Isso tem efeito positivo:<\/strong>\u00a0mant\u00e9m o desenvolvimento da cafeicultura, possibilitando aos fazendeiros investir parte de sua renda em atividades comerciais e industriais, dinamizando a economia urbana.<\/p>\n<p><strong>Mas tem igualmente um efeito nocivo:<\/strong>\u00a0no final da d\u00e9cada de 20, a produ\u00e7\u00e3o interna (28 milh\u00f5es de sacas anuais) aumenta muito mais que a demanda externa (15 milh\u00f5es).<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159066 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ciclo-19-300x229.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ciclo-19-300x229.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ciclo-19.jpg 496w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/strong><strong>Produ\u00e7\u00e3o de Caf\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Depois da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 e dos abalos provocados pela crise econ\u00f4mica mundial iniciada nos Estados Unidos em 1929, o governo Vargas mant\u00e9m o apoio ao setor\u00a0<strong>cafeeiro<\/strong>\u00a0por meio do\u00a0<strong>Conselho Nacional do Caf\u00e9<\/strong>\u00a0e, ao mesmo tempo, decide impulsionar a industrializa\u00e7\u00e3o. Para reduzir a oferta e melhorar os pre\u00e7os, manda queimar todo o seu estoque e erradicar cafezais, pagando pequena indeniza\u00e7\u00e3o aos produtores.<\/p>\n<p>A longo prazo, a produ\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o estabilizam-se, sob a supervis\u00e3o do<strong>\u00a0Instituto Brasileiro do Caf\u00e9<\/strong>, criado em 1952.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 50, as<strong>\u00a0exporta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9<\/strong>\u00a0ainda representam a maior parte do total comercializado, e o Brasil permanece como o maior produtor mundial.<\/p>\n<p>Mas seu reinado absoluto na economia brasileira chega ao fim quando o setor industrial, a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX, se torna o carro-chefe do desenvolvimento econ\u00f4mico nacional.<\/p>\n<p><strong>O Ciclo do Caf\u00e9 &#8211; 1800 A 1870<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX o\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0atingiu alto valor no mercado europeu. Aproveitando essa oportunidade, em 1830 j\u00e1 era o produto mais exportado pelo Brasil, desbancando o ouro e o a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A principal regi\u00e3o produtora de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0era o Vale do Para\u00edba e, Paraty era o porto mais pr\u00f3ximo para embarcar o caf\u00e9 com destino a Europa. Come\u00e7ava na vila um movimento nunca antes visto.<\/p>\n<p>Mais de 20.000 animais passavam por ano carregados com sacas de\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0e outros produtos agr\u00edcolas para serem vendidos no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Renasceu o com\u00e9rcio, apareceram armaz\u00e9ns que compravam e\/ou estocavam o caf\u00e9 e que era inclusive plantado no munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Nessa mesma \u00e9poca a economia paratiense foi beneficiada com a vinda da fam\u00edlia real em 1808 para o Rio de Janeiro. Acompanhada de toda a nobreza de Portugal e acostumada com elevados \u00edndices de consumo, os produtos paratienses eram rapidamente vendidos na capital. Para atender essa demanda, havia uma navega\u00e7\u00e3o regular entre Paraty e o Rio de Janeiro feita por dez barcos a vela e um a vapor.<\/p>\n<p>Com o fruto dessa atividade comercial, foi poss\u00edvel construir mais uma igreja \u2013 a de Nossa Senhora das Dores. Paralelo e pouco distante do Caminho do Ouro, abriu-se um novo caminho, todo cal\u00e7ado de pedra para que os tropeiros passassem com mais seguran\u00e7a. Em 1808 a popula\u00e7\u00e3o foi calculada em 6.128 habitantes.<\/p>\n<p>Foi nesse per\u00edodo de crescimento que o cal\u00e7amento das ruas da vila foi terminado. Em 1830 contava-se na vila mais de 400 casas, sendo 40 sobrados, e aproximadamente 10.000 habitantes, dos quais 3.500 eram escravos. T\u00e3o intenso estava o desenvolvimento da vila que em 1844 foi elevada com o t\u00edtulo de cidade. Nas casas do centro predominavam a arquitetura de armaz\u00e9ns e lojas, com portas no lugar de janelas e, quando sobrado, o com\u00e9rcio era no t\u00e9rreo e a resid\u00eancia no andar superior.<\/p>\n<p>Em 1850 contava-se mais de 150 alambiques em Paraty e 16.000 habitantes. Entretanto a riqueza ficava na m\u00e3o de poucos.<\/p>\n<p>O relevo montanhoso e recortado por v\u00e1rios rios dividia naturalmente as propriedades rurais entre v\u00e1rios pequenos agricultores e\/ou produtores de aguardente (no censo de 1920 Angra dos Reis possu\u00eda 15 propriedades rurais enquanto em Paraty havia 133). Os intermedi\u00e1rios, com seus armaz\u00e9ns e barcos para vender a mercadoria no Rio de Janeiro, conseguiam impor os pre\u00e7os ao produtor garantindo assim boa margem de lucro.<\/p>\n<p><strong>Havia em Paraty, assim como em todo Brasil colonial, tr\u00eas classes de casa de neg\u00f3cios:<\/strong>\u00a0comerciantes, negociantes e vendeiros.<\/p>\n<p>A primeira delas era formada pelos propriet\u00e1rios de grandes capitais de giro, que compravam toda a produ\u00e7\u00e3o das fazendas ou importavam diretamente os produtos da Europa, ficando com toda a carga dos navios que chegavam. Esses vendiam as negociantes que revendiam ao p\u00fablico final e aos vendeiros (propriet\u00e1rios de pequenas vendas nas \u00e1reas rurais).<\/p>\n<p><strong>Ciclo do caf\u00e9 dos anos 1880<\/strong><\/p>\n<p>O ciclo do caf\u00e9 iniciado na d\u00e9cada de 1880 durou mais de um s\u00e9culo e contribuiu para o decl\u00ednio da escravid\u00e3o em favor da m\u00e3o de obra livre e, ao contr\u00e1rio de outras exporta\u00e7\u00f5es como pau-brasil, a\u00e7\u00facar e ouro, as exporta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 contribu\u00edram muito para a industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A crescente ind\u00fastria do caf\u00e9 atraiu milh\u00f5es de imigrantes para o sudeste e transformou S\u00e3o Paulo de uma pequena cidade no maior centro industrial do mundo em desenvolvimento. A cidade tinha cerca de 30.000 habitantes na d\u00e9cada de 1850, esse n\u00famero passou de 70.000 em 1890 para 240.000 em 1900. Com um milh\u00e3o de habitantes na d\u00e9cada de 1930, S\u00e3o Paulo ultrapassava o Rio de Janeiro como a cidade mais populosa do pa\u00eds e o mais importante polo industrial.<\/p>\n<p><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o de 1906<\/strong><\/p>\n<p>A &#8220;Valoriza\u00e7\u00e3o&#8221; de fevereiro de 1906 \u00e9 um claro exemplo da grande influ\u00eancia na pol\u00edtica federal que o estado de S\u00e3o Paulo ganhou com a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9.<\/p>\n<p>A grande oferta de caf\u00e9 havia diminu\u00eddo o pre\u00e7o do caf\u00e9 no mercado internacional e menos dinheiro ainda estava nas m\u00e3os dos plantadores. Para proteger o setor cafeeiro &#8211; e os interesses da elite cafeeira local &#8211; o governo estabeleceu um meio de fixar a taxa de c\u00e2mbio e n\u00e3o permitir que subisse e deveria comprar safras abundantes e posteriormente vend\u00ea-las no mercado internacional em melhor oportunidade.<\/p>\n<p>Assim que o pre\u00e7o ultrapassasse sete centavos por libra, o estado come\u00e7aria a vender seu excedente. O esquema gerou um aumento tempor\u00e1rio no pre\u00e7o e promoveu a expans\u00e3o cont\u00ednua da produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9.<\/p>\n<p>O esquema de valoriza\u00e7\u00e3o foi bem-sucedido do ponto de vista dos fazendeiros e do Estado brasileiro, mas levou a um excesso de oferta global e agravou o impacto da inevit\u00e1vel quebra.<\/p>\n<p><strong>Ciclo do Caf\u00e9 &#8211; Origem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159067 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ciclo-20-300x173.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"173\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ciclo-20-300x173.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ciclo-20.jpg 582w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Ciclo do Caf\u00e9 no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0chegou ao ocidente cercado de exotismo e mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>No Brasil, as primeiras plantas foram trazidas ao Par\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII e cultivada com interesse quase decorativo em pequenos terrenos pr\u00f3ximos a moradias e at\u00e9 mesmo em jardins.<\/p>\n<p>Anos depois, os cafezais j\u00e1 tomavam conta das montanhas na cidade do Rio de Janeiro e das primeiras posi\u00e7\u00f5es na lista de exporta\u00e7\u00f5es nacionais. Quando surgiram as grandes lavouras, as fazendas se espalharam por terras paulistas e fluminenses, formando unidades de produ\u00e7\u00e3o auto-suficientes com grande quantidade de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma alternativa \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e aos engenhos de a\u00e7\u00facar, a cafeicultura impulsionou o in\u00edcio da imigra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, a instala\u00e7\u00e3o da malha ferrovi\u00e1ria e da industrializa\u00e7\u00e3o do sudeste brasileiro.<\/p>\n<p>Os\u00a0<strong>produtores de caf\u00e9<\/strong>\u00a0receberam distin\u00e7\u00f5es sociais e estiveram relacionados aos principais movimentos pol\u00edticos e econ\u00f4micos que precederam a proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica. Neste s\u00e9culo, as lavouras paranaense desafiaram as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e deram grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria da cafeicultura e a cultura gerada nas fazendas e planta\u00e7\u00f5es chegaram aos n\u00facleos urbanos semeando marcas imortalizadas pelos artistas pl\u00e1sticos brasileiros. Cada gole da bebida, transformada em s\u00edmbolo nacional, aquece a cadeia produtiva de um dos principais itens da economia brasileira tendo sido por muito tempo o regulador do com\u00e9rcio internacional do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.cmarapongas.pr.gov.br\/www.valedocafe.com.br\/www.paraty.tur.br\/en-academic.com\/br.geocities.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ciclo do Caf\u00e9 &#8211; Hist\u00f3ria As primeiras mudas e sementes de\u00a0caf\u00e9\u00a0chegam ao Brasil no s\u00e9culo XVIII, por volta de 1730, vindas da Am\u00e9rica Central e das Guianas. 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